Acidentes Ambientais

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Acidentes Ambientais
Acidentes ambientais

Acidentes Ambientais, definidos como o evento não previsível, capaz de direta ou indiretamente causar danos aos ecossistemas e à saúde humana, como vazamento ou lançamento de substâncias (gases, líquidos ou sólidos) para atmosfera, para o solo ou para os corpos hídricos, além dos incêndios florestais ou em instalações industriais.

Os acidentes ambientais diferem de emergências ambientais, uma vez que esse segundo é uma Ameaça súbita ao bem-estar do meio ambiente ou à saúde pública em decorrência de falhas em sistema tecnológico/industrial, ou ainda, devido a um desastre natural, constituindo-se em situação de gravidade que obriga a adoção de medidas apropriadas.

Maiores acidentes ambientais no mundo

Seveso – Itália (1976)

A cidade de Seveso, na Itália, tornou-se mundialmente famosa quando em 10 de julho de 1976. Primeiramente, tanques de armazenagem na indústria química ICMESA romperam, liberando vários quilogramas da dioxina TCDD (2,3,7,8-tetraclorodibenzo-p-dioxina) na atmosfera e o produto espalhou-se por grande área na planície Lombarda, entre Milão e o lago de Como. Dessa forma, devido à contaminação, 3000 animais morreram e outros 70000 animais tiveram que ser sacrificados para evitar a entrada da dioxina na cadeia alimentar.

Acredita-se que não tenha havido mortes de seres humanos diretamente vinculadas ao acidente, mas 193 pessoas nas áreas afetadas sofreram de cloracne e outros sintomas. O acidente ocorreu durante a produção de 2,4,5-triclorofenol, um herbicida, fungicida, e produtos químicos intermediários, A ocorrência de reação química foi particularmente interessante já que ocorreu num sábado às 12h30, quando a instalação estava realmente fechada para o fim de semana e nenhum processo estava em andamento.

De alguma maneira a mistura de produtos químicos que tinham sido deixados na caldeira espontaneamente reagiram gerando suficiente calor e energia para posteriormente causar uma reação plena. Não se sabe ao certo como isto chegou a ocorrer, mas tem havido questionamentos sobre por que a instalação foi paralisada com a produção no meio de um ciclo.

Consequências:

-3000 animais mortos e 70000 sacrirficados

-193 pessoas nas áreas afetadas sofreram de cloracne e outros sintomas.

Veja mais: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6221983/

Three Mile Island – Pensilvânia – Estados Unidos (1979)

O acidente ocorrido em 28 de março de 1979, na usina nuclear de Three Mile Island, estado da Pensilvânia nos Estados Unidos, foi causado por falha do equipamento devido o mau estado do sistema técnico e erro operacional. Assim, houve corte de custos que afetaram economicamente a manutenção e uso de materiais inferiores. Mas, principalmente apontaram-se erros humanos, com decisões e ações erradas tomadas por pessoas despreparadas.

O acidente desencadeou-se pelos problemas mecânico e elétrico que ocasionaram a parada de uma bomba de água que alimentava o gerador de vapor, que acionou certas bombas de emergência que tinham sido deixadas fechadas. Dessa maneira, o núcleo do reator começou a se aquecer e parou e a pressão aumentou. Uma válvula abriu-se para reduzir a pressão que voltou ao normal. Mas a válvula permaneceu aberta, ao contrário do que o indicador do painel de controle assinalava.

Então, a pressão continuou a cair e seguiu-se uma perda de líquido refrigerante ou água radioativa: 1,5 milhão de litros de água foram lançados no rio Susquehanna. Em suma, gases radioativos escaparam e atingiram a atmosfera. Além disso, outros elementos radioativos atravessaram as parede e um dia depois foi medido a radioatividade em volta da usina que alcançava até 16 quilômetros com intensidade de até 8 vezes maior que a letal.

Apesar disso, o governador do estado da Pensilvânia iniciou a retirada só dois dias depois do acidente. O governador Dick Thornburgh aconselhou o chefe da NRC, Joseph Hendrie, a iniciar a evacuação “pelas mulheres grávidas e crianças em idade pré-escolar em um raio de 5 milhas ao redor das intalações”. Em poucos dias, 140.000 pessoas haviam deixado a área voluntariamente.

Veja mais: https://www.ipen.br/portal_por/portal/interna.php?secao_id=40&campo=11923

Vila Socó – Cubatão – Brasil (1984) 

Por volta das 22h30 do dia 24/02/1984 moradores da Vila Socó (atual Vila São José), Cubatão/SP, perceberam o vazamento de gasolina em um dos oleodutos da Petrobrás que ligava a Refinaria Presidente Bernardes ao Terminal de Alemoa. Dessa maneira, a tubulação passava em região alagadiça, em frente à vila constituída por palafitas.

Na noite do dia 24, um operador alinhou inadequadamente e iniciou a transferência de gasolina para uma tubulação (falha operacional) que se encontrava fechada, gerando sobrepressão e ruptura da mesma, espalhando cerca de 700 mil litros de gasolina pelo mangue. Assim, muitos moradores visando conseguir algum dinheiro com a venda de combustível, coletaram e armazenaram parte do produto vazado em suas residências.

Com a movimentação das marés o produto inflamável espalhou-se pela região alagada e cerca de 2 horas após o vazamento, aconteceu a ignição seguida de incêndio. E assim, o fogo se alastrou por toda a área alagadiça superficialmente coberta pela gasolina, incendiando as palafitas.

O número oficial de mortos é de 93, porém algumas fontes citam um número extra oficial superior a 500 vítimas fatais (baseado no número de alunos que deixou de comparecer à escola e a morte de famílias inteiras sem que ninguém reclamasse os corpos), dezenas de feridos e a destruição parcial da vila.

Bhopal – Índia 1984

A tragédia de Bhopal foi um desastre industrial que ocorreu na madrugada de 3 de dezembro de 1984, quando 40 toneladas de gases tóxicos vazaram na fábrica de pesticidas da empresa norte-americana Union Carbide. Sendo esse o pior desastre industrial ocorrido até hoje. Mais de 500 mil pessoas, a sua maioria trabalhadores, foram expostas aos gases e pelo menos 27 mil morreram por conta disso.

Primeiramente, a Union Carbide se negou a fornecer informações detalhadas sobre a natureza dos contaminantes, e, como consequência, os médicos não tiveram condições de tratar adequadamente os indivíduos expostos. Cerca de 150 mil pessoas ainda sofrem com os efeitos do acidente e aproximadamente 50 mil pessoas estão incapacitadas para o trabalho, devido a problemas de saúde.

As crianças que nascem na região filhas de pessoas afetadas pelos gases também apresentam problemas de saúde. Ainda assim, mesmo hoje os sobreviventes do desastre e as agências de saúde da Índia ainda não conseguiram obter da Union Carbide e de seu novo dono, a Dow Química (Dow Chemicals), informações sobre a composição dos gases que vazaram e seus efeitos na saúde.

Apesar deste quadro absurdo, a fábrica da Union Carbide em Bhopal permanece abandonada desde a explosão tóxica enquanto que resíduos perigosos e materiais contaminados ainda estão espalhados pela área, contaminando solo e águas subterrâneas, dentro e no entorno da antiga fábrica.

Segundo José Possebon (coordenador de Higiene do trabalho da Fundacentro), a tragédia poderia ter sido evitada. Os sistemas de segurança da fábrica eram insuficientes, como resultado, devido ao corte de despesas com segurança imposto pela matriz da empresa, nos EUA, que por sua vez acontece por causa do retorno esperado da indústria não ser suficiente.

Chernobyl – Rússia 1986  

O acidente nuclear de Chernobil ocorreu dia 26 de abril de 1986, na Usina Nuclear de Chernobil (originalmente chamada Vladimir Lenin) na Ucrânia (então parte da União Soviética). Dessa maneira, é considerado o pior acidente nuclear da história da energia nuclear, produzindo uma nuvem de radioatividade que atingiu a União Soviética, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido, com a liberação de 400 vezes mais contaminação que a bomba que foi lançada sobre Hiroshima. Grandes áreas da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia foram muito contaminadas, resultando na evacuação e reassentamento de aproximadamente 200 mil pessoas.

Consequências:

– Um relatório da Organização das Nações Unidas de 2005 atribuiu 56 mortes até aquela data

– 47 trabalhadores acidentados e nove crianças com câncer da tireóide; (o Greeenpeace contesta esses números)

– Um estudo feito em 2005 (quase 20 antos depois) aponta que morreram de câncer entre 30.000 e 60.000 pessoas vítimas do vazamento de Chernobyl.

Exxon Valdez – Álaska (1989) 

Primeiramente, um Navio superpetroleiro, o Valdez, a serviço da Exxon, bateu na costa do Alasca, deixando escapar 260 mil barris de petróleo, imergindo em óleo praticamente toda a fauna da região.

Consequências:

– Morreram 250.000 pássaros marinhos;

-2.800 lontras marinhas;

-250 águias;

-22 orcas; e

-bilhões de ovos de salmão

-A limpeza custou $ 2,5 bilhões.

Espanha – Navio Prestige, das Bahamas (2002)

Em 13 de novembro de 2002 começou a maior catástrofe ambiental que até o momento havia sacudido a costa galega: o afundamento e posterior derramamento de milhares de toneladas de fuel-oil por parte do petroleiro “Prestige”. Assim, o petroleiro grego Prestige naufragou na costa da Espanha, despejando 11 milhões de litros de óleo no litoral da Galícia.

Dessa forma, a sujeira afetou 700 praias e matou mais de 20 mil aves. Tal qual, em comparação com o Exxon Valdez, a quantidade de óleo derramado foi menor, e a biodegradação do produto foi facilitada pelas temperaturas mais altas. Nos meses seguintes ao desastre, o submarino-robô Nautile soldou o navio afundado a 3600 metros de profundidade.

Consequências:

– Cerca de 15 mil pássaros foram afetados.

– A limpeza custou $ 12 bilhões.

Desastres ambientais no Brasil

Vazamento de óleo do petroleiro Tarik Iba Ziyad na Baía de Guanabara (1975)

  • Local: Baía de Guanabara, no estado do Rio de Janeiro
  • Data: março de 1975
  • Quantidade: 6 mil toneladas de crude (óleo)

O maior acidente de vazamento de óleo no Brasil aconteceu em meados dos anos 70 pelo petroleiro Tarik Iba Ziyad, que estava sendo fretado pela Petrobras. Isso aconteceu, pois, o casco do navio rompeu em frente a enseada do Botafogo, próximo à ilha do Governador. Assim, o resultado foi uma mancha de 10 centímetros de espessura que surgiu em alguns pontos da Baía de Guanabara com alguns locais incendiados.

Vale da Morte em Cubatão (1980)

  • Local: Cubatão, interior do estado de São Paulo
  • Data: ano de 1980
  • Causa: liberação de gases tóxicos pelas indústrias do polo petroquímico de Cubatão

Na década de 80, a cidade de Cubatão, no interior de São Paulo, foi considerada uma das mais poluídas do país e o município mais poluído do mundo, segundo dados da ONU.

O aumento de problemas de saúde da população, sobretudo associada ao sistema respiratório, e o número de mortalidade passou a ser um dos mais significativos do país.

Isso tudo foi consequência das indústrias do polo petroquímico de Cubatão que poluíram o ar, a água e o solo da região, lançados toneladas de gases tóxicos diariamente.

Esse caso atingiu proporções internacionais sendo citado em diversos veículos de comunicação na altura. Inclusive o nome “Vale da morte” (Valley of death, em inglês) criado por um jornal americano.

Incêndio na Vila de Socó em Cubatão (1984) (já vimos acima)

  • Local: Vila São José, em Cubatão, no interior do estado de São Paulo
  • Data: 24 de fevereiro de 1984
  • Mortes: 93 pessoas (número oficial)
  • Quantidade: 700 mil litros de gasolina
  • Empresa culpada: Petrobras

Um grande incêndio em Socó, atual Vila de São José em Cubatão, causado pelo vazamento de gasolina em um dos oleodutos da Petrobras.

Devido a uma falha operacional, houve uma ruptura na tubulação e 700 mil litros de gasolina se espalharam no local. Cerca de 2 horas depois, um grande incêndio tomou conta da área alagadiça de mangue.

Todas as casas perto do local incendiaram e mais de 3 mil pessoas ficaram desabrigadas. Embora o número oficial de mortos seja 93, moradores acreditam que mais de 500 pessoas morreram naquele incêndio.

Acidente com césio-137 em Goiânia (1987)

  • Local: Goiânia, capital do estado de Goiás
  • Data: 13 de setembro de 1987
  • Mortes: 4 pessoas
  • Quantidade: 19,26 g de Césio
  • Empresa culpada: Instituto Goiano de Radioterapia

O maior acidente radiológico do Brasil aconteceu em 1987 na cidade de Goiânia. Dois catadores de lixo da região encontraram um aparelho de radioterapia em uma clínica abandonada.

Com o intuito de vender as peças e ganhar algum dinheiro, levaram o aparelho para um ferro-velho da cidade. O trabalhador do local desmontou o aparelho e dentro dele havia uma cápsula com o elemento radioativo do Césio.

As consequências vieram pouco depois, quando as pessoas que tiveram contato com o elemento começaram a ter tonturas e vômitos.

Somente dias depois do primeiro contato, em 29 de setembro, confirmado e acionado um plano de emergência. Apesar de somente ter 4 vítimas fatais, muitas pessoas contaminadas e sofreram com os níveis de radiação.

Vazamento de óleo na Baía de Guanabara (2000)

  • Local: Baia de Guanabara, no estado do Rio de Janeiro
  • Data: 18 de janeiro de 2000
  • Quantidade: 1,3 milhão de litros de óleo combustível
  • Empresa culpada: Petrobras

Considerado um dos maiores acidentes ambientais do Brasil, o vazamento do óleo que aconteceu na Baía de Guanabara no ano 2000 e atingiu cerca de 25 praias, ocorreu devido ao rompimento de um duto da Petrobras. No total, o vazamento foi de 1,3 milhão de litros de óleo combustível.

O tubo que ligava a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) ao terminal Ilha d’Água, na Ilha do Governador, rompeu atingindo toda a área do manguezal que ficou completamente destruída e contaminada.

A mancha de óleo se espalhou por cerca de 50 km2 na Baía de Guanabara e afetou diretamente o trabalho de muitas famílias que viviam da pesca, além do ecossistema do local.

Vazamento de óleo nos Rios Barigui e Iguaçu no Paraná (2000)

  • Local: região metropolitana de Curitiba, capital do Paraná
  • Data: 16 de julho de 2000
  • Mortes: 1 pessoa
  • Quantidade: 4 milhões de litros de petróleo (mais de 25 mil barris)
  • Empresa culpada: Petrobras

O maior acidente ambiental no estado do Paraná aconteceu na região metropolitana de Curitiba no ano 2000.

Um dos dutos foi rompido durante a transferência de petróleo do terminal marítimo de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, para a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, no Paraná.

O resultado foi o vazamento de 4 milhões de litros de petróleo na bacia do Arroio Saldanha e os rios Barigui e Iguaçu.

As consequências deste acidente foram devastadoras para o ecossistema local, atingindo a fauna e flora, além das populações que viviam próximas da região.

Rompimento da barragem do Fundão em Mariana (2015)

  • Local: Mariana, interior do estado de Minas Gerais
  • Data: 5 de novembro de 2015
  • Mortes: 19 pessoas
  • Quantidade: 62 milhões de m3 de lama
  • Empresa culpada: Samarco

Considerada a maior tragédia ambiental do Brasil até o momento, esse evento aconteceu em 2015 na cidade mineira de Mariana.

O rompimento da Barragem do Fundão, usada para guardar os rejeitos de minério de ferro, resultou na morte de 19 pessoas e na contaminação do rio, do solo, do mar e a destruição da flora.

A pequena cidade de Bento Rodrigues, localizada a 8 km da barragem, desapareceu na lama minutos depois do rompimento.

Durante 16 dias desde o início da tragédia, a lama atingiu mais de 40 municípios nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo até chegar ao Oceano Atlântico.

Os moradores dessas localidades sofreram com o abastecimento de água, a pesca foi proibida e ainda, mais de dois mil hectares de terras foram atingidos e inutilizadas para o plantio.

Rompimento da barragem Mina do Feijão em Brumadinho (2019)

  • Local: Brumadinho, interior do estado de Minas Gerais
  • Data: 25 de janeiro de 2019
  • Mortes: 259 pessoas
  • Quantidade: 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos
  • Empresa culpada: Vale S.A. (antiga Companhia Vale do Rio Doce – CVRD)

Considerado um dos maiores desastres ambientais do Brasil, o rompimento da barragem na cidade mineira de Brumadinho aconteceu no início de 2019 na Mina Córrego do Feijão.

O local abrigava os rejeitos da mineradora e o resultado foi a morte de 259 pessoas, sobretudo de funcionários da empresa, e ainda, cerca de 15 pessoas ficaram desaparecidas.

A avalanche de lama tóxica atingiu o município de Brumadinho e o Rio Paraopeba que fornecia água para comunidades locais.

O impacto ambiental desse desastre foi enorme com poluição do solo, dos cursos de água, da fauna e da flora do local.

Referências:

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