Ciclone Extratropical: O que é?

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Ciclone extratropical, também chamado de ciclone de onda ou ciclone de latitudes médias, é um tipo de sistema de tempestade formado em latitudes médias ou altas. Dessa maneira, em regiões com grandes variações horizontais de temperatura conhecidas como zonas frontais. Os ciclones extratropicais contrastam com os ciclones ou furacões mais violentos dos trópicos, que se formam em regiões de temperaturas relativamente uniformes.

De acordo com a teoria da frente polar, os ciclones extratropicais se desenvolvem quando uma onda se forma em uma superfície frontal que separa uma massa de ar quente de uma massa de ar frio. À medida que a amplitude da onda aumenta, a pressão no centro da perturbação diminui, eventualmente intensificando-se ao ponto em que uma circulação ciclônica começa.

A dissipação desse sistema ocorre quando o ar frio vindo do norte no Hemisfério Norte, ou do sul no Hemisfério Sul, no lado oeste de tal ciclone, passa por baixo de todo o ar tropical quente do sistema, de modo que o ciclone inteiro é composto pela massa de ar frio. Essa ação é conhecida como oclusão.

Sequências climáticas típicas estão associadas aos ciclones extratropicais. Estações à frente da parte frontal do avanço da onda, chamada de frente quente. Essas geralmente experimentam um aumento de nuvens espessas e mais baixas. Assim, seguido de precipitação, que normalmente persiste até que o centro do ciclone passe pela estação.

Se a estação estiver localizada muito ao sul do centro do ciclone. Assim, ocorre apenas um período relativamente curto de precipitação durante a passagem da parte de trás da onda, chamada de frente fria. Em latitudes médias e altas, vários ciclones extratropicais normalmente existem ao redor do globo em um determinado momento.

E o Ciclone Tropical??

Ciclone Tropical, também conhecidos como tufões ou furacões, estão entre os fenômenos climáticos mais destrutivos. Além disso, são tempestades circulares intensas que se originam em oceanos tropicais quentes. E têm ventos com velocidades máximas sustentadas superiores a 119 quilômetros por hora, acompanhados de chuvas fortes.

No entanto, é importante destacar que o maior dano à vida e à propriedade não é causado apenas pelo vento, mas também por eventos secundários. Tais como tempestades, inundações, deslizamentos de terra e tornados.

Além disso, é relevante ressaltar que os ciclones tropicais são referidos por nomes diferentes, dependendo da região do mundo onde se originam.

Mais especificamente, os furacões ocorrem no Oceano Atlântico e no norte oriental do Oceano Pacífico, enquanto os tufões são comuns no oeste do Oceano Pacífico. Por sua vez, os ciclones tropicais são frequentes no sul do Oceano Pacífico e no Oceano Índico.

De acordo com estatísticas entre 1998 e 2017, as tempestades, incluindo ciclones tropicais e furacões. Assim, ficaram atrás apenas dos terremotos em termos de fatalidades, causando a morte de 233.000 pessoas.

Além disso, durante esse período, as tempestades afetaram cerca de 726 milhões de pessoas em todo o mundo. Resultando em feridos, desabrigados, deslocados ou evacuados durante a fase de emergência do desastre. É importante mencionar que nos últimos 30 anos, a proporção da população mundial que vive em áreas costeiras. Que estão expostas a ciclones aumentou significativamente, registrando um aumento de 192%. Essa tendência aumenta o risco de mortalidade e morbidade em casos de ocorrência de ciclones tropicais.

Impactos de um ciclone extratropical

Os impactos na saúde dos ciclone tropicai e clicone extratropical dependem do número de pessoas que vivem em áreas costeiras de baixa altitude. E diretamente na trajetória da tempestade, do ambiente construído, incluindo o design das construções, e se há tempo suficiente para alertas e evacuação.

ciclone extratropical
Início da formação do ciclone extratropical no Sul do Brasil (Fonte).

Além disso, os ciclones tropicais podem afetar diretamente e indiretamente a saúde de várias maneiras. Por exemplo, aumentando os casos de afogamento e outros traumas físicos, aumentando os riscos de doenças infecciosas transmitidas pela água ou vetores, aumentando os efeitos na saúde mental associados a situações de emergência, perturbando os sistemas de saúde, as instalações e os serviços, deixando comunidades sem acesso aos cuidados de saúde quando mais precisam, danificando infraestruturas básicas, como alimentos, abastecimento de água e abrigo seguro.

Quando os ciclones tropicais causam inundações e ondas do mar, aumenta o risco de afogamento e de doenças transmitidas pela água ou vetores. Além disso, as águas das enchentes podem conter esgoto e produtos químicos, ocultar objetos pontiagudos feitos de metal ou vidro e linhas elétricas, ou abrigar cobras ou répteis perigosos, o que pode causar doenças, lesões, eletrocussão e mordidas.

Mas, então, porque o ciclone extratropical que ocorreu no sul do Brasil não é um furacão?

Durante o período que compreendeu 12/07/2023 até 13/07/2023, um ciclone afetou diversos estados brasileiros, trazendo consigo ventos de intensidade comparável à de um furacão no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, com rajadas registradas por estações meteorológicas que atingiram ou ultrapassaram os 150 km/h. Infelizmente, o vento causou a morte de quatro pessoas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, deixando milhões de pessoas sem energia devido à força dos ventos.

ciclone extratropical
Imagem de satélite da manhã de 13 de julho de 2023 no pico de
intensidade do vento do ciclone extratropical sobre o Sul do Brasil (Fonte).

No Rio Grande do Sul, de acordo com dados compilados pela MetSul Meteorologia a partir de diversas redes de estações de monitoramento, foi registrado um pico de rajadas de vento de 151 km/h em São Francisco de Paula, seguido por 148,1 km/h em Cambará do Sul, 146,3 km/h em Rio Grande, 133,0 km/h em Imbé (Ceclimar), 104,4 km/h em Cachoeira do Sul e 100,4 km/h em Canguçu.

Em Santa Catarina, de acordo com dados da rede da Epagri, o vento atingiu velocidades impressionantes, alcançando 157 km/h em Siderópolis, 147 km/h no topo do Morro da Igreja (Bom Jardim da Serra), 115 km/h em Rancho Queimado, 113 km/h em Urupema (Morro de Urupema), 107 km/h em Laguna e 100 km/h em Itapoá.

Diante dessas rajadas intensas e destrutivas no Sul do Brasil, é natural que muitas pessoas tenham questionado por que a Meteorologia não classificou o ciclone que passou pela região como um furacão, uma vez que a força das rajadas em alguns locais foi equivalente à de um furacão.

Mas então por que não foi um furacão?

Então, para compreender melhor, a nomenclatura de um sistema meteorológico não determinada exclusivamente pela força do vento. Um evento isolado de tempestade com ventos de 140 km/h em uma parte da cidade, como o que atingiu Porto Alegre em 2016, não seria chamado de furacão. Um furacão é um ciclone tropical no qual a velocidade máxima sustentada do vento na superfície (usando a média de 1 minuto, nos Estados Unidos) é de 64 nós (119 km/h) ou mais.

O termo “furacão” utilizado para ciclones tropicais que atendam a esse critério no Atlântico Sul e no Hemisfério Norte, a leste da Linha Internacional de Data até o Meridiano de Greenwich. Já o termo “tufão” é usado para ciclones tropicais do Pacífico ao norte do Equador, a oeste da Linha Internacional de Data. Portanto, o ciclone que causou destruição no Sul do Brasil não pode ser chamado de furacão. Tratava-se de um ciclone extratropical.

Ciclones podem ser extratropicais, subtropicais e tropicais. Geralmente, os sistemas mais intensos ou que causam mais danos são os tropicais, quando alcançam o status de furacão, e os extratropicais que passam por uma rápida intensificação ou que ocorrem muito próximos à costa.

No entanto, há mais um ponto a considerar. Em um furacão, o que define sua classificação é a velocidade máxima sustentada do vento, que precisa ser superior a 119 km/h. Não são as rajadas de vento. No caso desse ciclone, houve rajadas com força de furacão, mas não ventos sustentados de furacão.

E há um terceiro aspecto que não se encaixa na classificação de um furacão: a ciclogênese desse ciclone extratropical ocorreu em terra, ainda no continente. Furacões não se formam em terra, mas sim sobre os oceanos, de onde retiram sua energia.

Catarina, o único furacão no Brasil

O Catarina, o único furacão documentado no Atlântico Sul, fez sua chegada à terra firme no Sul de Santa Catarina e na região de Torres entre os dias 27 e 28 de março de 2004. Classificado como um furacão categoria 2 na escala Saffir-Simpson, esse evento singular na climatologia da América do Sul resultou em onze mortes e causou prejuízos estimados em meio bilhão de dólares ou um bilhão de reais na época.

O catarina
O Catarina, o único furacão documentado no Atlântico Sul.

Vale ressaltar que Catarina continua sendo o único ciclone tropical com força de furacão já observado no Oceano Atlântico Sul, considerando os registros contínuos confiáveis e relativamente abrangentes que começaram apenas com a era dos satélites nos anos 1970. Embora tenham observados outros sistemas tropicais atípicos, somente o ciclone de 2004 alcançou a intensidade de furacão.

É importante mencionar que, apesar de sua extrema raridade, nunca foi estabelecida de forma consensual qualquer conexão entre o Catarina e o aquecimento global, bem como outras mudanças climáticas globais. Diversos estudos subsequentes indicaram a influência do Modo Anular Sul e outras variações sazonais no clima do Hemisfério Sul, as quais fazem parte da variabilidade natural do clima.

Referências:

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