Desmatamentos e queimadas

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Desmatamentos e queimadas
Desmatamentos e queimadas.

Desmatamentos e queimadas: esses processos de destruição de árvores para limpar áreas florestais é conhecido como desmatamento. Desmatamento e incêndios estão ligados. As ameaças interligadas às vidas e meios de subsistência dos Povos Indígenas e comunidades tradicionais na Amazônia, à biodiversidade da floresta e ao clima global.

Entre 2013 e 2020, cerca de 42% dos incêndios ativos na Amazônia brasileira aconteceram em áreas que nunca foram desmatadas, segundo dados do INPE. Estimativas sugerem que esses incêndios podem ter afetado mais de 18.000 quilômetros quadrados de cobertura florestal a cada ano.

Os incêndios florestais causam danos ambientais significativos, mesmo quando não limpam efetivamente as áreas afetadas. Esses não tornam as florestas menos resistentes a danos futuros, mas também interferem no fornecimento de serviços ecossistêmicos.

Nesse sentido, os incêndios sistematicamente usados para abrir caminho para o desmatamento, sua ocorrência pode servir como um indicador importante de danos ambientais mais graves. Nesse caso, o combate aos incêndios poderia aumentar a proteção da floresta ao interromper seus danos ainda em um estágio inicial e, assim, evitar o desmatamento futuro.

Os incêndios florestais são, portanto, um tema central para as políticas públicas de conservação. Nesse ínterim, uma compreensão mais profunda do fenômeno é fundamental para melhorar o desenho e a execução de políticas.

Desmatamentos e queimadas: Número da Destruição

  • Junho de 2020: registros de fogo atingiram a maior alta para esse mês, início da estação seca, em 13 anos;
  • Julho de 2020: foram 6.803 focos de incêndios na Amazônia, 28% a mais do que no mesmo período de 2019;
  • Agosto de 2020: 29.307 focos de incêndio, ou seja, 66,5% do acumulado do ano (44.013). 
  • 1/1 a 31/8 de 2020: as queimadas já são 39% maiores do que nos últimos 10 anos;
  • De 1/9 a 14/9: mais de 20 mil focos de queimadas, o que significa um aumento de 86% em relação ao mesmo período de 2019;
  • O relatório “Queimadas, Florestas e o Futuro: Uma Crise Fora de Controle” (WWF e BCG) alerta: a ação humana é responsável por 3 em cada 4 queimadas em florestas no mundo.

Assim, a Climate Policy Initiative/Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CPI/PUC-Rio) está realizando uma série de estudos sobre a degradação florestal na Amazônia. Dessa forma, este documento apresenta os principais achados da análise da ocorrência dos incêndios florestais e sua relação com o desmatamento posterior.

Relação entre desmatamentos e queimadas

Os resultados revelam que, em média, apenas 11% da área florestal afetada pelo fogo é desmatada em três anos. Nesse sentido, os incêndios florestais na Amazônia sistematicamente utilizados como um primeiro passo para a remoção da vegetação, o que enfatiza a importância de investigar melhor as razões por trás desse fenômeno. Embora os incêndios destruam ativos ambientais valiosos, eles aparentemente não levam à conversão total de áreas florestais para usos alternativos da terra.

No entanto, as evidências sugerem que os incêndios podem servir como um indicador importante de danos mais graves às florestas e à biodiversidade em uma determinada região. Para uma proporção substancial das áreas afetadas pelo fogo, o desmatamento segue nas suas imediações – ou seja, há uma grande probabilidade de observar o desmatamento próximo às áreas afetadas pelos incêndios após sua ocorrência.

Essa relação varia, no entanto, entre as categorias de posse da terra e os estados. Terras públicas ocupadas e assentamentos rurais exibem uma associação entre incêndios e desmatamento subsequente em suas vizinhanças cerca de 35% mais forte do que a média observada em outras categorias de posse da terra.

Esse padrão sugere que os incêndios florestais podem desempenhar um papel importante na grilagem de terras, provavelmente como uma forma rápida e de baixo custo de ocupação de terras públicas.

Grande parte das queimadas no bioma é criminosa e consequência direta do desmatamento, que avança cada vez mais rápido por causa do roubo de terras públicas, invasão de garimpeiros e exploração ilegal de madeira, entre outros.

Desmatamentos e queimadas na Amazônia Brasileira

O fogo natural é um fenômeno raro em florestas tropicais devido à alta umidade. Assim, os incêndios na Amazônia, geralmente resultado da atividade humana. Em áreas previamente desmatadas, o fogo é normalmente usado para queimar a biomassa remanescente ou como uma técnica de manejo da terra para agricultura e produção de gado.

Como essas áreas já perderam toda – ou quase toda – a vegetação nativa, esses incêndios não são considerados degradação florestal. No entanto, os incêndios também ocorrem em florestas, por práticas intencionais ou por transbordamento acidental de áreas desmatadas. Nestes casos, os incêndios destroem as árvores e plantas mais vulneráveis, comprometendo a resiliência da vegetação sobrevivente e tornando-a mais suscetível.

De fato, os incêndios não apenas causam perda de vegetação enquanto estão queimando ativamente, mas também por um longo período depois. Esta perda parcial de vegetação pode ser categorizada como degradação florestal.

Primeiramente, para medir a ocorrência de incêndios, este estudo utiliza dados do Programa de Incêndios do INPE (Programa Queimadas), com observações diárias de incêndios ativos em toda a Amazônia brasileira detectados por um sensor VIIRS a bordo do satélite Suomi-NPP.

De acordo com esta base de dados, cerca de 42% dos incêndios ativos registrados entre 2013 e 2020 ocorreram em áreas florestais, enquanto 58% ocorreram em áreas desmatadas. Este estudo considera apenas incêndios localizados dentro de florestas que nunca foram desmatadas no bioma Amazônia como sinais de degradação florestal.

Desmatamento e queimadas na Amazônia ameaçam a saúde pública

O desmatamento pode causar incêndios florestais que se espalham fora de controle por causa da queima da vegetação pelos humanos. A fumaça desses incêndios também interage com as nuvens e o Sol para reduzir o aumento das chuvas, o que cria condições secas e propensas ao fogo.

Talvez de forma mais sutil, o desmatamento quebra o enorme ecossistema da floresta tropical, interrompendo o efeito da floresta no clima e criando um ambiente mais seco com maior risco de incêndio.

Os pesquisadores descobriram que se 2019 tivesse correspondido o ano das últimas 2 décadas com o menor desmatamento, a poluição do ar regional teria sido substancialmente menor naquele ano, resultando em 3.400 mortes prematuras a menos na América do Sul.

Se, por outro lado, as taxas de desmatamento em 2019 tivessem se igualado às do início dos anos 2000, antes que as regulamentações governamentais reduzissem as taxas, o número de incêndios teria aumentado 130% e o número de mortes teria mais do que dobrado para 7.900.

Esses modelos demonstram a ligação entre a ação humana direta como o desmatamento e os riscos ambientais e, consequentemente, a saúde pública. Eles também mostram como as proteções ambientais do governo podem ter um impacto substancial na saúde humana.

Referências:

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