Pós-graduação: Será que vale a pena?

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Pós-graduação
Pós-graduação

Os problemas enfrentados pelo ensino superior no Brasil são bastante conhecidos, a herança vai de governo a governo tanto positiva quanto negativamente no tocante as suas ações. Por consequência, a universidade brasileira e a pós-graduação são reflexos dessas ações que exigem profundas transformações no atual quadro da educação brasileira.

O Brasil tem 122.295 estudantes de pós-graduação, dos quais 76.323 são de mestrado acadêmico, 4.008 de mestrado profissional e 41.964 de doutorado. O levantamento é da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes/MEC). De acordo com o presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães, há um crescimento no setor que precisa da cooperação dos estados, empresas estatais e iniciativa privada para aumentar o número de bolsas de pós-graduação.

Pós-graduação em crescimento no Brasil.

Apesar do que tudo indica (principalmentem com os recentes cortes da educação – escrito em Dezembro 2022), a pós-graduação é uma crescente. Em 1996, existiam 67.820 alunos da pós-graduação no país. Já em 2003 eram 112.237 estudantes de pós-graduação. Nos últimos oito anos, o número de cursos de pós-graduação aprovados pela Capes tem crescido em média 9% ao ano. As áreas com maior número de alunos são ciências humanas e engenharias, ciências da computação e ciências da saúde.

A região Sudeste concentra o maior número de pós-graduandos: 31.274 no doutorado; 45.856 no mestrado acadêmico e 2.893 no mestrado profissional. Na região Norte há 228 doutorandos e 1.507 mestrandos. São Paulo tem mais da metade dos futuros doutores, 21.161 dos 41.964 alunos da área. Dos 76.323 alunos de mestrado acadêmico, 27.716 estão em São Paulo; 10.721 no Rio de Janeiro; 61 em Rondônia; oito, no Tocantins; e quatro no Acre.

Destaque-se que esses avanços estão ligados à relevância da pós-graduação, uma realidade das últimas décadas, legitimada internamente e reconhecida internacionalmente. E, se a pós-graduação brasileira é esse caso de sucesso, isto se deve ao processo de avaliação realizado pela CAPES e as ações de apoio a pesquisa realizadas pelo CNPq.

Sobre o processo de avaliação, além da importância da avaliação propriamente dita, o sistema de pós-graduação nacional vem se consolidando nos últimos anos e se expande rapidamente pela existência de financiamento à pesquisa por meio de fundos competitivos, criados pelas agências de fomento nacionais e internacionais. Essas iniciativas na área da pós-graduação tornam-se um caso raro de continuidade, na área da educação brasileira por mais de meio século.

Funções da pós-graduação

Quando dizemos aqui que o ensino pós-graduado tem funções, queremos dizer que a sua existência acarreta certas consequências. Essas consequências podem ser esperadas, atribuídas pelos formuladores da política educacional, ou verificadas pela observação. Pode haver coincidência ou contradição entre ambas.

Neste texto examinamos as funções atribuídas ao ensino de pós-graduação no Brasil e especulamos a respeito da existência de outras funções por ele desempenhadas, verificáveis mas não atribuídas.

As funções atribuídas ao ensino pós-graduação são de dois tipos: há uma função técnica e uma função social.

Função técnica

Nesse sentido a solicitação de regulamentação feita pelo Ministro da Educação ao CFE, em 1965, apontava “(… ) os três motivos fundamentais que exigem, de imediato, a instauração do sistema de cursos de pós-graduação:

a) formar professores competentes que possam atender à expansão quantitativa de nosso ensino superior, garantindo, ao mesmo tempo, a elevação dos atuais níveis de qualidade;

b) estimular o desenvolvimento da pesquisa científica por meio da preparação adequada de pesquisadores;

c) assegurar o treinamento eficaz de técnicos e trabalhadores intelectuais do mais alto padrão para fazer face às necessidades do desenvolvimento nacional em todos os setores.

Esses objetivos5 mostram que há dois grandes “mercados” exigindo a formação de pessoal em nível de pós-graduação. O primeiro mercado é o próprio sistema de ensino superior.

A formação de “pesquisadores que ampliam o conhecimento das nossas riquezas potenciais, desenvolvendo novos métodos e processos de produção que melhor se adaptem às peculiaridades da matéria-prima, da mão-de-obra e do mercado brasileiros, e que concorram para o aumento das nossas exportações”.

Assim, se o suprimento de professores de nível superior (graduação) pelo ensino pós-graduado é prioritário, não é contraditório com o objetivo de atendimento direto às empresas e ao serviço público, já que “abre caminho” para a utilização de mestres e doutores.

A função social

Primeiramente, analisando os objetivos da pós-graduação, a expansão do ensino de graduação não foi um mal. Este residia na baixa de qualidade provocada pela Inexistência de mecanismos sistemáticos de formação de professores.

Entretanto, é possível perceber alguns traços de lamento quanto à expansão nos documentos que tratam da pós-graduação:

“No ensino superior moderno, cuja tendência à massificação parece tornar-se inevitável, a pós-graduação há de constituir a estrutura de excelência indispensável ao desenvolvimento da pesquisa científica e da cultura, em suas mais altas formas.

É preciso deixar claro que a pós-graduação vem sofrendo pressões sociais para expansão decorrentes multo mais do desemprego em que se encontram os seus candidatos do que das necessidades sentidas pelos institutos de ensino.

A função social da pós-graduação, na ótica proposta, é a de restabelecer o valor econômico e simbólico do diploma do ensino superior. Como o número de graduados aumentou a um ritmo acelerado, o valor do diploma de graduação caiu: sua posse deixou de ser distintiva, não indica mais que o graduado é “naturalmente” adequado para as ocupações que exigem maior “qualificação” e “responsabilidade”, e, em conseqüência, são mais bem remuneradoras.

Na medida em que se organiza o ensino pós-graduado cria-se um diploma, ou melhor, dois, um de mestre e outro de doutor, que trazem a marca de raridade. E é essa raridade que vai conferir ao diploma um alto valor, tanto econômico (elegibilidade para as ocupações mais bem remuneradas) quanto simbólico (atribuição de maior “quantidade” de prestígio).

Pós-graduação lato sensu vs stricto sensu

No momento de escolher qual pós-graduação realizar, é comum se deparar com os termos lato sensu e stricto sensu. Essas expressões normalmente se referem a tipos diferentes de programas  de pós-graduação. Mas qual é a diferença entre os programas de cada tipo? E qual é a importância delas para quem quer estudar fora?

Tanto “lato sensu” quanto “stricto senso” são expressões que vêm do latim. Elas significam, respectivamente, “sentido amplo” e “sentido estrito”. Em outras palavras, se referem a cursos de pós-graduação em sentido mais amplo ou mais estrito.

O “sentido estrito” (ou stricto sensu) é aquele que está mais ligado à interpretação acadêmica tradicional do que é uma pós-graduação. Ou seja: é um mestrado ou doutorado focado em pesquisa e produção científica. Eles concedem o título de “mestre” ou “doutor” a quem os conclui, e exigem a produção de uma tese ou monografia no final.

Essa distinção entre programas de pós-graduação é válida para o Brasil. Outros países, no entanto, têm distinções diferentes. Mas, via de regra, também existe uma separação entre aqueles que são mais focados em pesquisa e os que não têm esse foco. E é bom ter em mente: o doutorado, ou Ph.D. sempre está relacionado a pós-graduação stricto sensu.

Respondendo ao título: Vale a pena?

De forma geral, seja em instituição é pública ou privada, lato sensu ou stricto senso. Cursar uma pós-graduação envolve horas de estudos e muita dedicação. Mas quais as principais vantagens ao investir em um pós?

  • Ser especialista na sua área: Ao fazer um curso de pós-graduação você terá a possibilidade de se aprofundar sobre determinado tema de seu interesse. Assim, o profissional pós-graduado é capaz de fazer análises sob outra ótica, fazendo provocações relevantes e diferenciadas.
  • Desenvolver habilidades: Diante de um cenário mercadológico tão competitivo, investir em uma pós-graduação é um diferencial. O mercado demanda profissionais qualificados, que saibam identificar problemas e sejam capazes de fornecer soluções aplicáveis.
  • Diferencial no  currículo: As exigências do mercado de trabalho têm sido cada vez mais altas e contar apenas com uma graduação pode não ser suficiente para se adequar a essas necessidades.
  • Concorrer a cargos melhores e mais altos: Além de valorizar o seu currículo, a pós-graduação também permite que você alcance patamares maiores na sua carreira que, só com a graduação, poderiam levar um tempo maior.
  • Ingressar na área acadêmica: Se a área acadêmica te interessa, saiba que a pós-graduação é o melhor caminho para começar, seja ela  stricto sensu, que é mais voltada para a academia, mas também lato sensu, que tem o foco em atender as demandas empresariais. Mas é preciso se atender a algumas regras: na modalidade lato sensu, o profissional só poderá atuar como professor universitário se sua especialização for na mesma área de sua formação original. Além disso, o cargo não poderá ser desempenhado em instituições de ensino públicas, já que um requisito mínimo para lecionar nesses locais é ter concluído o mestrado.

Referências:

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