Figuras de linguagem: Figuras de pensamentos

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Intitulado como: Figuras de Linguagem o 3, o artigo de hoje falará sobre elas, aquelas figuras que constituem um dos conjuntos linguísticos mais importantes da nossa língua portuguesa, juntamente com as figuras de palavras, as figuras de sintaxe e as figuras de som. Com o propósito de intensificar a expressividade na comunicação, as figuras de pensamento operam na articulação e fusão de ideias e pensamentos.

figuras de linguagem 3:
Figuras de linguagem – Figuras de pensamentos

Dessa maneira, essas figuras desempenham um papel fundamental na linguagem ao transcenderem a mera expressão literal, proporcionando uma riqueza semântica que vai além do sentido imediato das palavras. E assim, ao utilizá-la de forma sinérgica com outras categorias de figuras de linguagem, as figuras de pensamento contribuem para a construção de discursos mais envolventes e impactantes.

Assim ao considerar a inter-relação entre esses diferentes grupos de figuras de linguagem, é possível perceber como elas convergem para enriquecer a comunicação, elevando-a a um nível mais “artístico” e “persuasivo”. Essa combinação habilidosa de recursos linguísticos não apenas cativa o público, mas também confere profundidade e nuance às mensagens transmitidas.

As figuras de pensamento são:

  • hipérboles (exageros);
  • eufemismo (atenuação);
  • ironia (inversão);
  • antítese (convivência de opostos);
  • paradoxo (opostos que juntos prejudicam a coerência);
  • personificação (seres irracionais e inanimados com características humanas);
  • gradação (intensificação);
  • apóstrofe (um chamado a alguém interno ou externo à história contada);
  • lítotes (uma negação cujo sentido afirma algo).

Figuras de linguagem 3: Hipérbole

figuras de linguagem 3:
NÃOOOOO, estamos falando de outro tipo de hipérbole!

A hipérbole desempenha um papel importante, ao exagerar ou minimizar informações de maneira discrepante em relação à realidade, conferindo-lhes um destaque peculiar. Dessa maneira, esta expressão artística frequentemente traduz uma intensidade emocional vivenciada pelo emissor da mensagem.

Ao focalizar a ênfase do enunciador em relação à sua manifestação, a hipérbole emerge como um componente estilístico de modalização, revelando o grau de comprometimento do comunicador com o conteúdo por ele externado.

Exemplos:

  1. “Chorou rios de lágrimas.”
  2. “Estou morta de vontade de comer uma pizza.”

Evidentemente, o choro não pode adquirir a magnitude de um curso d’água, assim como a sensação de morte não está alinhada com o desejo de saborear uma pizza. Nesse contexto, o emprego dos termos “rios” e “morta” configura um exagero intencional. Para uma exploração mais aprofundada sobre essa figura de pensamento, recomendamos a leitura do nosso texto sobre hipérbole.

Figuras de linguagem 3: O Eufemismo

O eufemismo, é interessante, é uma figura de linguagem sutil e se mostra quando o enunciador, ao selecionar palavras e expressões vinculadas a um campo semântico geralmente positivo, atenua a comunicação de mensagens que, de outra forma, abordariam eventos comumente considerados:

  • trágicos;
  • constrangedores;
  • asquerosos;
  • desagradáveis.

Um exemplo bem prático pode ser encontrado na letra da música “Marvin” dos Titãs:

“Dez anos se passaram/cresceram meus irmãos/E os anjos levaram minha mãe pelas mãos.”

Nessa passagem, percebe-se que a morte da mãe do eu lírico é suavizada pela utilização da palavra “anjos“, que evoca seres transcendentais e benevolentes. Estes não apenas fazem companhia, mas também estendem suas mãos para amparar a progenitora no momento de sua passagem. Essa escolha de palavras confere um toque de delicadeza à narrativa, tornando mais suave o evento (morte).

figuras de linguagem 3:
Um exemplo humorístico de eufenismo.

Figuras de linguagem 3: Ironia ou Antíse

A ironia, uma figura de linguagem intrigante, manifesta-se na subversão dos sentidos denotativos das palavras, ou seja, daqueles significados que encontramos nos dicionários. Nesse fenômeno, o enunciador, ao empregar certos termos e expressões, busca, na verdade, expressar o oposto do que é explicitamente dito ou escrito. Essa complexidade linguística demanda uma análise contextual para ser devidamente identificada.

Parqa exemplificar, imagine uma situação em que um estudante está estudando (estudante estudando? Já falamos sobre essa figura de linguagem? Lembra dela?) intensamente para uma prova de matemática. Seu amigo, ao vê-lo estudando com afinco, diz:

“Uau, você deve estar se divertindo muito com esses problemas de matemática, hein?”

Neste contexto, a ironia está presente, pois o amigo está sugerindo sarcasticamente que estudar matemática não é algo divertido, embora o estudante esteja claramente empenhado na tarefa. A discrepância entre a afirmação superficial e a realidade da situação evidencia o uso da ironia como um meio de expressão.

Antítese

A antítese se manifesta ao empregar, em um único período, palavras ou expressões que encerram significados divergentes. Essa construção, em muitas ocasiões, visa acentuar o estado de confusão experimentado pelo enunciador, uma vez que as próprias palavras ou expressões, ao ocuparem polos opostos, instauram uma tensão intrigante.

É fundamental notar que a identificação dessa figura de pensamento exige não apenas uma análise minuciosa do contexto em que é empregada, mas também um entendimento, por parte do interlocutor, dos significados das palavras utilizadas.

Em um contexto poético, poderíamos encontrar um verso como:

“A melodia do silêncio ecoava no caos da multidão.”

Nessa expressão, a antítese surge onde a “melodia do silêncio” com “caos da multidão”, realçando a contraposição entre a tranquilidade do silêncio e a agitação tumultuada da multidão. Esta figura de pensamento não apenas sublinha a dualidade de sensações, mas também contribui para a profundidade e impacto da composição.

Paradoxo

O paradoxo, por sua vez, pode ser tido como uma variante da antítese, uma vez que ambos se possuem a mesma base de fundamento, o uso de termos antagônicos. Contudo, na figura do paradoxo, a coerência é intencionalmente comprometida. Isso ocorre porque, ao desafiar a perspectiva convencional, a declaração sugere a inverdade subjacente ao seu conteúdo.

Essa figura de pensamento adiciona uma camada de complexidade à linguagem, proporcionando uma abordagem provocativa e muitas vezes desconcertante. A identificação do paradoxo demanda uma disposição para questionar as convenções e mergulhar na ambiguidade, desafiando as expectativas tradicionais.

Assim, veja um exemplo

“A única constante é a mudança eterna.”

Neste paradoxo, a aparente contradição entre “constante” e “mudança eterna” sugere uma reflexão sobre a natureza mutável e, ao mesmo tempo, consistente da vida. A expressão paradoxal desafia a lógica convencional, incitando o leitor a contemplar a dualidade intrínseca à própria existência.

Personificação

A personificação, baseia-se na atribuição de características tipicamente humanas a entidades consideradas irracionais. Diante desse artifício, seres ganham vida ao serem dotados da capacidade de expressão. Assim, objetos inanimados e seres irracionais são investidos de uma voz própria, tornando-se aptos a falar e a responder quando interpelados.

Esta figura de pensamento adiciona uma dimensão vibrante à comunicação, ampliando o alcance expressivo ao transcender as fronteiras entre o humano e o não-humano. A personificação, ao dar vida a elementos antes inertes, instiga a imaginação e proporciona uma conexão mais íntima entre o emissor e o receptor da mensagem.

Claro que teremos um exemplo

Os ventos sussurravam segredos entre as folhas, e as árvores, em resposta, balançavam em concordância, como se participassem de uma conversa íntima com a natureza.

Neste exemplo, a personificação é evidente ao atribuir a capacidade de sussurrar e concordar às entidades naturais, conferindo-lhes uma voz poética. Esse recurso não apenas enriquece a descrição, mas também envolve o leitor em uma narrativa que transcende as fronteiras da realidade cotidiana.

Gradação

A gradação se dá por meio de um encadeamento cuidadoso de palavras ou expressões, e assim, delineando os diversos patamares de intensidade que existem entre elas. Nessa configuração da figura de pensamento, proporciona-se ao leitor uma compreensão abrangente das distintas fases que culminam no ápice da situação descrita. Essa progressão pode ser comparada à ascensão por uma escada, onde cada degrau superado conduz o indivíduo mais próximo de seu destino almejado.

Vale ressaltar que a gradação pode se manifestar na relação entre termos que compartilham uma proximidade semântica, consolidando uma harmonia ascendente que eleva a narrativa a novos patamares de impacto. Esse artifício não apenas proporciona uma visão detalhada e dinâmica da progressão narrativa, mas também envolve o leitor em uma jornada intensa em direção ao clímax da experiência descrita.

Exemplo:

O sol timidamente despontou no horizonte, espalhando uma tímida luz sobre a paisagem adormecida. À medida que o dia despertava, os raios solares ganhavam força, banindo as sombras e pintando o céu com tonalidades vívidas. No auge da tarde, a luz solar alcançava sua plenitude, transformando cada detalhe em uma explosão de cores deslumbrantes.

Neste exemplo, a gradação é habilmente empregada para descrever a evolução da luz solar ao longo do dia. A progressão gradual, desde a timidez inicial até a plenitude brilhante, cria uma experiência sensorial envolvente, proporcionando ao leitor uma jornada visual através das nuances luminosas da narrativa.

Apóstrofe

A apóstrofe destaca expressões ou pensamentos por meio do chamamento de uma pessoa, que pode ser real, como um amigo, ou imaginária, a exemplo da fada do dente. Essa invocação pode também estar inserida na narrativa ou situar-se externamente a ela, na esfera da vida real.

Sintaticamente, a apóstrofe desempenha a função de vocativo, e, de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa, a interpelação deve ser isolada entre vírgulas. Contudo, em poemas, frequentemente observa-se uma subversão dessa regra, como ilustrado abaixo:

Oh, Lua, guia dos amantes e testemunha silenciosa de nossos suspiros apaixonados!

Todavia, percebe-se que neste verso poético, a apóstrofe empregada ao interpelar a Lua, conferindo-lhe uma personificação e atribuindo-lhe o papel de confidente nas emoções românticas. Então, a desvirtuação sutil da norma gramatical contribui para a expressividade poética, criando uma atmosfera de intimidade e conexão entre o eu lírico e o elemento invocado.

Figuras de linguagem 3: Lítotes

Sendo assim, a lítotes, como figuras de linguagem, se dá com afirmações construídas a partir da negação de seu contrário. Vamos examinar alguns casos dessa figura de linguagem:

  1. Exemplo Clássico:
    • Não é incomum encontrá-lo estudando até altas horas da noite.
    Neste caso, a negação do contrário (não é incomum) sugere que é bastante comum encontrar a pessoa estudando até tarde.
  2. Expressão Reforçada:
    • Ele não é pouco inteligente.
    Ao negar que a pessoa seja “pouco inteligente”, a lítotes reforça positivamente sua inteligência.
  3. Ênfase na Moderação:
    • Ela não estava descontente com o resultado.
    A negação do descontentamento implica uma moderação na reação, indicando que ela está satisfeita ou, pelo menos, não está descontente.
  4. Sutil Elogio:
    • Ele não é desprovido de talento.
    A negação de falta de talento sugere que a pessoa possui alguma habilidade, ainda que não se afirme explicitamente como talentosa.

A lítotes, ao utilizar esse artifício de negação, confere uma sutileza e moderação à comunicação, muitas vezes transmitindo uma mensagem mais impactante do que uma afirmação direta.

E por hoje é só! Ainda faltam as Figuras de Som ou Harmonia, até a próxima

Referências sobre as figuras de linguagem 3:

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