Malária: Saiba mais sobre essa parasitose

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A parasitologia é a ciência que estuda os seres biológicos que tem a capacidade de se hospedar em outros indivíduos. Os seres parasitológicos, possuem a habilidade de causar doenças. Portanto, as mesmas devem ser investigadas afim da correta conduta terapêutica. Desse modo, para o correto diagnóstico das patologias que estão relacionadas a parasitoses, surge uma ramificação desta ciência, a parasitologia clínica. Portanto veremos a seguir informações importantes sobre a malária.

Entendendo a parasitologia clínica.

A parasitologia clínica visa elucidar os sinais e sintomas acerca do ciclo biológico dos parasitas. Para a sua compreensão é necessário o entendimento sobre o vetor que causa a doença parasitológica. Portanto, posso afirmar que quanto mais rápido for o diagnóstico mais rápido a cura.

Introdução a Malária

A malária é a doença humana mais importante devida a parasitos. Desse modo, seus agentes são protozoários (esporozoários) da família Plasmodiidae e do gênero Plasmodium.

Os plasmódios são organismos unicelulares que evoluem em mamíferos, aves ou répteis, incluindo insetos (dípteros hematófagos) em seu ciclo evolutivo. Sendo assim, as espécies de Plasmodium têm cada qual seu hospedeiro vertebrado de espécie determinada, algumas sendo exclusivas do homem.

As espécies normalmente responsáveis pela malária humana são quatro:

  • Plasmodium falciparum, que produz a “febre terçã maligna” e cujo quadro clínico caracteriza-se por apresentar acessos febris repetindo-se com intervalos de 36 a 48 horas. É responsável pela maioria dos casos fatais.
  • Plasmodium vivax, agente da “febre terçã benigna” com ciclo febril que se repete cada 48 horas e é a mais freqüente no Brasil.
  • Plasmodium ovale, tem sua distribuição limitada à África e é responsável por outra forma de “febre terçã benigna”.
  • Plasmodium malariae, o agente da “febre quartã”, com acessos febris a cada 72 horas. É pouco freqüente no Brasil.

Ciclo Biológico da Malária

O anofelino inocula, com sua saliva, os esporozoítas infectantes na circulação humana.

Ao penetrarem nos hepatócitos, os esporozoítas (que são formas alongadas) sofrem um processo de desdiferenciação celular e passam a ser simples Criptozoítas de forma arredondada ou ovóide.

Esquizogonia pré-eritrocítica os criptozoítas multiplicam-se, no fígado, por esquizogonia e diferenciam-se em merozoítas que voltam ao sangue e invadem as hemácias.

Esquizogonia Eritrócitária da Malária

Nas hemácias, ocorre um ciclo repetitivo em que os parasitos evoluem de merozoítas a esquizontes.

Depois, formam rosáceas (esquizontes prestes a se romperem) que liberam novos merozoítas,  os quais invadem outras hemácias. Também produzem gametócitos. Sendo assim, são estes que, sugados pelos anofelinos, fazem o ciclo sexuado (ou esporogonia) no estômago do inseto com a formação de um zigoto amebóide. Desse modo, o zigoto invade o epitélio gástrico e dá origem a um oocisto. Portanto, neste formam-se numerosos esporozoítas que migram para as glândulas salivares do inseto.

Os esporozoítas são organismos alongados (11×1 μm) revestidos por dupla membrana (Me e Mi). Além disso, em sua extremidade anterior existe um conoide (Co) para o qual convergem as roptrias (R). Além do maise os micronemas (Mn), que são organelas de penetração nas células do hospedeiro vertebrado. A membrana externa (Me). Desse modo tem a superfície revestida por um material denominado proteína circumsporozoítica, e possui um citóstoma inativo. A membrana interna (Mi) é fenestrada.

Internamente há um núcleo (N) e uma mitocôndria (M), além de outras estruturas celulares. Ao penetrar em um hepatócito (endocitose), cada esporozoíta transforma-se em uma célula com estrutura simplificada o criptozoíta que cresce alimentando-Esporozoíta se pelo citóstoma (Ci).

O núcleo do criptozoíta entra em rápida multiplicação (é a esquizogonia pré-eritrocítica) produzindo, em 2 ou 3 dias, milhares de merozoítas hepáticos que, após romperem o hepatócito, entram na circulação sanguínea e invadem as hemácias. Os merozoítas hepáticos assemelham-se estruturalmente aos esporozoítas,mas são menores  e de forma ovóide, tendo um conóide com a capacidade de invadir hemácias.

Forma parasitária

No interior de um vacúolo parasitóforo voltam a desdiferenciar-se e são denominados trofozoítas, pois crescem alimentando-se da hemoglobina através do citóstoma.

Os trofozoítas movimentam-se emitindo pseudópodes que alteram constantemente sua forma. Aumentam a quantidade de ribossomos, o que indica ser grande a atividade sintetizadora. O núcleo do trofozoíta maduro passa a dividir-se (esquizogonia eritrocítica).

Em vários pontos desse esquizonte a membrana começa a duplicar-se e a formar um conoide. A membrana celular e o citoplasma formam digitações em cada uma das quais entra umnúcleo filho e uma mitocôndria.

O aspecto passa a ser o de uma rosácea. Sendo assim, ao separarem-se, essas estruturas tornam-se merozoítas sanguíneos (pouco menores que os hepáticos), novamente capazes de penetrar em hemácias.

O número de merozoítas resultante de cada esquizogonia varia, segundo a espécie de plasmódio, entre 6 e 32. Em um citoplasma residual (CR), fica concentrado o pigmento malárico ou hemozoína (Vp) que resultou dadigestão da hemoglobina, e será depois digerido por macrófagos do fígado, baço etc.

A formação de gametócitos faz-se a partir dos trofozoítas sanguíneos. Macrogametócitos, ou gametócitos femininos, são os mais numerosos no sangue.

São de forma arredondada e ocupam quase todo o volume da hemácia, nos casos de P. vivax, de P. ovale ou de P. malariae. Além disso, os de P. falciparum têm forma de banana, deformando o glóbulo vermelho ou rompendo-o; de modo que podem ficar livres no plasma.

Fase final

Após coloração pelo Giemsa, os macrogametócitos mostram seu núcleo compacto,vermelho, e o citoplasma azul.

Microgametócitos ou gametócitos masculinos são células precursoras de gametas masculinos. Assemelham-se aos macrogametócitos, tendo o núcleo mais frouxo e o citoplasma mais pálido.

Desse modo, quando sugados com o sangue pelos anofelinos, os gametócitos masculinos arredondam-se e emitem várias expansões flagelares providas de um núcleo.

Ao se desprenderem da célula, essas estruturas dotadas de rápido movimento vibratório passam a constituir os gametas masculinos. Portanto, o processo, quase instantâneo, é denominado exflagelação. Desse modo, os macrogametas resultam de discretas modificações dos macrogametócitos.

Fisiologia da Malária

Os esporozoítas podem viver meses nas glândulas salivares dos insetos, onde consomem glicose e outros nutrientes. Além disso trofozoítas e esquizontes sanguíneos consomem a hemoglobina da hemácia, de que aproveitam apenas a fração globina, o resto forma o pigmento malárico ouhemozoína. Portanto, alguns nutrientes, entretanto, procedem do plasma.

São a glicose, a metionina, o ácido para-aminobenzóico, as purinas e as pirimidinas, várias vitaminas, fosfatos etc.

Os plasmódios utilizam a via glicolítica e produzem ácido lático, com baixo rendimento energético, exigindo. Portanto, muita glicose. Contudo, a hemozoína acumula-se nos vacúolos digestivos do parasito; mas, no fim de cada esquizogonia, fica contida no citoplasma residual. Sendo este fagocitado por macrófagos, a hemozoína passa a ser digerida lentamente. Desse modo, o acúmulo de pigmento dá ao fígado, baço e outros órgãos uma tonalidade escura característica da malária crônica.

A esquizogonia processa-se nos capilares viscerais, em hemácias aderidas à parede. Desse modo forma de 8 a 16 merozoítas sanguíneos ao fim de 36 a 48 horas. Sendo assim, ao romperem-se as hemácias ocorre a febre. Os gametócitos aparecem na circulação após 7 a 10 dias, apresentando uma forma que lembra a de banana.

Os femininos com 12-14 μm, têm citoplasma mais azulado, núcleo denso e extremos afilados. Os masculinos com 9-11 μm e mais claros, têm o núcleo difuso. Ambos podem estar fora das hemácias.

Patologia

A malária é doença sistêmica que pode afetar a maioria dos órgãos. Sendo assim, variando sua gravidade dentro de amplos limites. Produz anóxia dos tecidos devido a vários fatores.

Um é a destruição de hemácias, ao serem liberados os merozoítas, no fim de cada ciclo esquizogônico. Desse modo, os macrófagos fagocitam os restos celulares (com hemozoína), mas também hemácias contendo parasitos ou que tenham adsorvido em sua membrana os imunocomplexos com complemento.

A circulação, em certas áreas do organismo, pertuba-se pela vasoconstrição arteriolar e pela dilatação capilar, que agravam a anóxia.

Na terçã maligna, as hemácias parasitadas apresentam protrusões da membrana e antígenos de superfície que aumentam sua adesividade aos endotélios. Desse modo, essa adesividade pode causar a obstrução de pequenos vasos, sobretudo no sistema nervoso central (SNC).

Diagnóstico

O método mais seguro e mais utilizado para o diagnóstico é demonstrar a presença de Plasmodium no sangue do paciente. Portanto, o exame deve ser feito o mais breve possível para se evitarem as formas grave da malária. Preparar um esfregaço de sangue, como indica a figura, fixá-lo e corá-lo pelo método de Giemsa ou equivalente.

Recomenda-se também fazer uma preparação de “gota espessa”, que será desemoglobinizada, fixada e corada. A busca de plasmódios deve ser minuciosa e feita por um profissional competente. Portanto, a espécie do plasmódio deverá-ser identificada. Para orientar a escolha da terapêutica adequada a cada caso.

Tratamento da Malária

O tratamento varia com a ocorrência de resistência das espécies ou linhagens de Plasmodium aos diferentes medicamentos. Além disso, as amino-4-quinoleínas são muito eficazes contra as formas assexuadas. Esse é o efeito esquizonticida sanguíneo.

Contudo, elas são menos ativas contra os gametócitos e totalmente inativas contra os gametócitos de P. falciparum ou os esquizontes hepáticos.

A cloroquina é a mais usada desse grupo por ser de absorção rápida. No entanto por se concentrar nas hemácias parasitadas 600 vezes mais que no plasma. A amodiaquina é menos eficiente.

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