Rios Voadores: O que são?

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Rios voadores são imensos volumes de vapor de água que provêm do oceano Atlântico. Essa umidade precipita sob a forma de chuva na Amazônia, onde ganha corpo, e posteriormente segue em direção aos Andes. Ao encontrar a muralha rochosa presente nessa região, os rios voadores desviam e flutuam sobre países como Bolívia, Paraguai e atravessam os estados brasileiros de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo, ocasionalmente alcançando até mesmo o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Esses extraordinários fluxos atmosféricos possuem dimensões impressionantes, atingindo cerca de três quilômetros de altura, algumas centenas de largura e milhares de extensão. Assim, em determinados dias do ano, a magnitude desses rios aéreos pode ser comparada à envergadura do próprio Rio Amazonas, atravessando os céus do Brasil.

Vamos entender melhor!

Com uma extensão de cinco milhões e meio de quilômetros quadrados, distribuídos em nove países, sendo o Brasil responsável por 60% dessa cobertura florestal, a Amazônia é a maior floresta tropical do mundo. Sua biodiversidade é incomparável, abrigando uma em cada dez espécies conhecidas no planeta. Além disso, a bacia amazônica é a maior bacia de drenagem do mundo, com os rios amazônicos representando 20% da água doce líquida do planeta.

rios voadores
Rios voadores.

A umidade gerada na Amazônia desempenha um papel crucial na distribuição das chuvas nas regiões sul e sudeste do Brasil. Sendo assim, ele é conhecido como o “fenômeno dos Rios Voadores”, esse processo tem sua origem nas áreas tropicais do Oceano Atlântico.

Ele é alimentado pela umidade que evapora da Floresta Amazônica e, em seguida, é disseminada para outras partes da América do Sul. Esse fenômeno desempenha um papel vital no equilíbrio climático e na provisão de recursos hídricos em diversas regiões do continente.

Como funcionam os rios voadores?

A Floresta Amazônica, reconhecida globalmente por sua notável biodiversidade e extensos rios, é uma maravilha da natureza. No entanto, um aspecto menos conhecido é que a Floresta Amazônica também desempenha o papel de geradora de um “rio voador”. Este conceito refere-se a “vias navegáveis atmosféricas”, compostas por massas de ar repletas de vapor d’água, muitas vezes acompanhadas por nuvens e impulsionadas pelos ventos. Essas correntes de ar invisíveis atravessam os céus, transportando umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

rios voadores
Rios voadores.

A umidade transportada por essas correntes de ar, em condições climáticas favoráveis, como a presença de uma frente fria do sul da América do Sul, transforma-se em chuva, sendo assim, esse fenômeno é conhecido como “rios voadores”, uma expressão poética que descreve de maneira precisa a ação dessas correntes de ar e seu impacto significativo na América do Sul.

A Floresta Amazônica funciona como uma espécie de bomba d’água, atraindo a umidade evaporada pelo Oceano Atlântico e transportada pelos ventos alísios, pois, à medida que essa umidade penetra o interior do continente, ela se converte em chuva sobre a floresta.

Assim, a evapotranspiração…

A evapotranspiração das árvores, sob o calor tropical, devolve a água da chuva à atmosfera na forma de vapor d’água. Essa renovação contínua do ar com mais umidade é transportada para o oeste em direção ao Oceano Pacífico, onde eventualmente precipita novamente como chuva.

Embora o rio voador se dirija ao Oceano Pacífico, ele não segue o curso comum dos rios que desaguam no mar. As massas de ar, ao encontrarem a barreira natural dos Andes, precipitam parcialmente nas encostas orientais da cordilheira, formando as cabeceiras dos rios amazônicos. No entanto, barrados pela montanha colossal de 4 km de altura, os rios voadores, ainda carregando vapor d’água, fazem uma curva em direção ao sul, alcançando as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, bem como os países vizinhos.

Ele é importante?

rios voadores
Rios voadores

A relevância desse fenômeno para grandes áreas do Brasil, Argentina e Paraguai, que dependem desse regime de chuvas, é incontestável. Entretanto, o desmatamento, resultado da substituição de florestas por atividades agrícolas e pastagens, está associado a mudanças climáticas significativas. Cientistas preveem que o desmatamento na Amazônia pode resultar em padrões de chuvas reduzidos em outras regiões. Sem o rio voador, partes significativas do sul do Brasil poderiam enfrentar condições áridas, prejudicando especialmente a agricultura.

A legislação ambiental brasileira conta com regulamentações para conter o desmatamento em diversos biomas do país. Contudo, as fiscalizações na região amazônica frequentemente se mostram ineficazes por diversos motivos, representando um desafio para a preservação desse ecossistema vital. Conscientização, esforços coordenados e políticas eficazes são essenciais para garantir a proteção da Floresta Amazônica e a sustentabilidade de seus efeitos benéficos, como o rio voador.

A seca e desmatamento como afeta os rios voadores?

O desmatamento exerce um impacto significativo nos rios voadores, conforme explica Côrtes. A região equatorial do Atlântico experimenta uma intensa evaporação devido às elevadas temperaturas. Sendo assim, o vapor d’água resultante é impulsionado pelos ventos em direção à Floresta Amazônica, onde se converte em chuvas tropicais. No solo, as grandes raízes das árvores drenam a água do subsolo, devolvendo-a à atmosfera e alimentando o ciclo hidrológico. À medida que os ventos persistem na direção leste-oeste, uma quantidade significativa de umidade atinge a região dos Andes. Ao encontrar essas montanhas imponentes, a trajetória da umidade se curva em direção ao Brasil central.

Todavia, o fenômeno dos rios voadores é uma conexão crucial entre a região amazônica e o restante do Brasil e até da América do Sul. Entretanto, a expressão “rios voadores” refere-se poeticamente a verdadeiras correntes de ar atmosféricas, compostas por massas de ar carregadas de vapor d’água, frequentemente acompanhadas por nuvens, que são impulsionadas pelos ventos. Essas correntes de ar invisíveis atravessam os céus, transportando umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Sob condições meteorológicas favoráveis, como uma frente fria do sul, essa umidade se transforma em chuva.

A dependência dos rios voadores

A dependência desses “rios voadores” é evidente em regiões cruciais para a produção de energia, como Goiás e Minas Gerais. Grandes hidrelétricas, como Furnas, Emborcação, Serra da Mesa e Nova Ponte, na região central do Brasil, contam com esses ventos impulsionados pela Amazônia.

Sendo assim, estudos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) indicam que uma árvore com uma copa de 10 metros de diâmetro pode bombear mais de 300 litros de água, na forma de vapor, para a atmosfera em um único dia. Uma árvore maior, com copa de 20 metros de diâmetro, pode evapotranspirar mais de 1.000 litros diariamente. Com bilhões de árvores na floresta, essa quantidade de água bombeada é monumental.

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Área de floresta desmatada na Amazônia.

Com efeito, o desmatamento, ao converter vastas áreas da Amazônia em savanas, resulta na diminuição do volume de umidade que atinge o Brasil central, pois, avaliações conduzidas por diversos grupos de pesquisa, incluindo o IPCC, liderado por Paulo Artaxo, indicam que um bloqueio total dos rios voadores pode reduzir em média 25% das chuvas no território nacional. Preservar a floresta em pé, por si só, não será suficiente para garantir a disponibilidade de água para o agronegócio nas gerações futuras, especialmente se as emissões de carbono não forem drasticamente reduzidas. Assim, sem ações efetivas, a mudança climática ameaça provocar um possível colapso na região amazônica, impactando irreversivelmente o regime de chuvas, principalmente no Brasil central.

Referências sobre os rios voadores:

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