Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum.
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ROBERTO
Resposta do Guru IA
O Artigo 105 do Código Civil estabelece uma regra de proteção e boa-fé nos negócios jurídicos, impedindo que uma pessoa plenamente capaz utilize a fragilidade jurídica da outra parte (a incapacidade relativa) como uma "desculpa" para se livrar de obrigações ou obter vantagens.
Aqui está a explicação detalhada do artigo:
1. A Regra do "Benefício Próprio"
Se você, sendo uma pessoa capaz, celebra um contrato com um incapaz relativo (ex: um jovem de 17 anos que não foi assistido), você não pode ir à justiça pedir a anulação do contrato alegando a incapacidade dele apenas porque o negócio deixou de ser lucrativo para você.
- Por que isso existe? A lei protege o incapaz e não quem negociou com ele sabendo (ou devendo saber) da sua condição. A anulação por incapacidade é uma arma de defesa do incapaz, e não um "trunfo" para a parte capaz.
2. A Regra dos Cointeressados Capazes
Quando várias pessoas fazem parte de um negócio (ex: três vendedores, sendo dois capazes e um incapaz relativo), a anulação do negócio em relação ao incapaz, em regra, não aproveita aos outros.
- Exemplo: Três irmãos vendem uma coleção de livros. Um deles tem 17 anos e não foi assistido. Se ele pedir a anulação da venda, os outros dois irmãos (maiores de 18) continuam obrigados a cumprir a parte deles. O comprador terá o contrato anulado apenas em relação à cota do irmão incapaz.
3. A Exceção: O Objeto Indivisível
O artigo traz uma ressalva importante: "salvo se [...] for indivisível o objeto".
- O que é objeto indivisível? Algo que não pode ser partido sem alteração de sua substância ou valor (ex: um cavalo vivo ou um carro).
- Como funciona na prática? Se o objeto da venda dos três irmãos for um carro único, não dá para anular a venda de "um terço do carro". Como o carro é indivisível, a anulação em favor do irmão incapaz acabará beneficiando os irmãos capazes, pois o negócio inteiro terá que ser desfeito e o carro devolvido ao grupo.
Resumo para Memorizar:
- Capaz não usa a incapacidade do outro como escudo: Se você contratou com um jovem de 17 anos, você está vinculado ao contrato; só ele (ou o representante dele) pode pedir a anulação.
- Efeito Individual: A anulação para o incapaz não ajuda os seus parceiros de negócio que são capazes.
- Exceção Única: Se a coisa não puder ser dividida, a anulação para um anula para todos.
Dica do Guru: Lembre-se que atos praticados por relativamente incapazes são anuláveis (Art. 171, I), o que significa que o ato vale até que alguém legitimado peça sua anulação. O Artigo 105 limita justamente quem pode e em que condições essa anulação terá efeitos.
Ficou claro por que a lei proíbe o capaz de se aproveitar da incapacidade alheia?
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