Texto IV. A construção da imagem de Bolívar
A guerra de emancipação da Espanha dividiu a história da América em dois tempos: antes
e depois da independência. Antes da independência tudo era escuridão, servidão,
submissão à monarquia absoluta [...]. Diante dessas relações temporais, entre passado e
presente, surge a construção da imagem do ‘Libertador’. Os seus relatos, suas cartas, e
boa parte da documentação escrita por ele transmitem uma ideia específica de Bolívar, ou
seja, uma construção de si, [...] entre os anos de 1818 e 1822. A narrativa construída a
respeito de Bolívar seduz, na medida em que ela é reparatória. O seu personagem
representa um acerto de contas do continente com o seu próprio passado. Ele encarna, no
campo simbólico, a cura das feridas e das mazelas coloniais. Simón Bolívar, ‘Libertador’,
estanca o sangue derramado por Hernán Cortés, o ‘Conquistador’. Em [...] 1815, o general
escreveu: ‘[...] A América inteira está tingida com sangue americano. Ele era necessário
para lavar uma mancha tão envelhecida” [...]. A ideia do ‘Libertador’, então, dialogava com
a do ‘Conquistador’. Cortés dominou, Bolívar libertou. Era quase como se a imagem de
Bolívar precisasse refazer o percurso de Cortés, atravessando o continente, enfrentando
perigos, fazendo alianças, recebendo louros por suas vitórias, mas com outro objetivo: em
vez de dominar, o de libertar”.
Atividade 1 Veja no livro!
4. Como a pintura de Pedro José Figueroa reforça a imagem de Bolívar como herói,
revelando as contradições do projeto criollo de independência?
5. Por que os líderes da independência fizeram de Bolívar um herói “libertador”, dizendo
que ele corrigiu os erros da colonização espanhola, se, na realidade, as desigualdades
sociais continuaram depois da independência?
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