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Josué
4. (FGV-SP) Leia abaixo um fragmento de Música ao longe, de ...
- (FGV-SP) Leia abaixo um fragmento de Música ao longe, de Érico Veríssimo.
HORA DA SESTA. Um grande silêncio no casarão.
Faz sol, depois de uma semana de dias sombrios e úmidos.
Clarissa abre um livro para ler. Mas o silêncio é tão grande que, inquieta, ele torna o volume na prateleira, ergue-se e vai à janela, para ver um pouco o dia.
Na frente da farmácia está um homem metido num gorro sobrecido por chebumbum. Um cachorro magro atravessa a rua. A mulher do coletor aparece à janela. Um rapaz de pés descalços entra na Panificadora.
Clarissa olha para o céu, que é de um azul tímido e desbotado, olha para as sombras fracas sobre a rua e depois se volta para dentro do quarto.
Aqui faz frio. Lá no fundo do espelho está uma Clarissa indecisa, parada, bragas, esperando. Mas esperando quê?
Clarissa recorda: Foi no verão. Todos no casarão dormiam. As moscas dançavam no ar, zumbindo. Fazia um solão terrível, amarelo e quente. No seu quarto, Clarissa não sabia que fazer. De repente pensou numa travessura. Mamãe guardava no sótão as suas latas de doce, os seus bolinhos e os seus pés de moleque que deviam durar toda a semana. Era proibido entrar lá. Quem entrava, dos pequenos, corria o risco de levar palmadinhas no lugar de costume.
Mas o silêncio da sesta estava cheio de convites traiçoeiros. Clarissa ficou pensando. Lembrou-se de que a chave da porta da cozinha servia para o quartinho do sótão.
Foi buscá-la na ponta dos pés. Encontrou-a no lugar. Subiu as escadas devagarinho. Os degraus rangiam e a cada rangido ela levava um sustinho que a fazia estremecer.
Clarissa subia, com a grande chave na mão. Ninguém... Silêncio...
Diante da porta do sótão, parou, com o coração aos pulos. Experimentou a chave. "A princípio não entrava bem na fechadura. Depois entrou. Com muita cautela, abriu a porta e viu no meio da escuridão perfumada, uma escuridão fresca que cheirava a doces, bolinhos e pão.
Como muito. Desceu cheia de medo. No outro dia D. Clemência descobriu a violação, e Clarissa levou meia dúzia de palmadas.
Agora ela recorda... E de repente se faz uma grande claridade, ela tem a grande ideia. "A chave da cozinha serve na porta do quarto do sótão." O quarto de Vasco fica no sótão...
Vasco está no escritório... Todos dormem... Oh!
E se ele fosse buscar a chave da cozinha e subisse, entrasse no quarto de Vasco e descobrisse o grande mistério?
Não. Não sou mais criança. Não. Não fica direito uma moça entrar no quarto dum rapaz.
Mas ele não está lá... que mal faz? Mesmo que estivessem, é teu primo. Sim, não sejas medrosa. Vamos. Não. Não vou. Podem ver. Que é que vão pensar? Subo às escadas, alguém me vê, pergunta: "Aonde vais, Clarissa?" Ora, vou até o quartinho das malas. Pronto. Ninguém pode desconfiar. Vou. Não, não vou. Vou, sim!
Porto Alegre: Globo, 1981, p. 132, 133.
Qual a diferença de sentido entre A PRINCÍPIO (ref. 1) e EM PRINCÍPIO?
- (FGV-SP) Leia abaixo um fragmento de Música ao longe, de Érico Veríssimo.
HORA DA SESTA. Um grande silêncio no casarão. Faz sol, depois de uma semana de dias sombrios e úmidos.
Clarissa abre um livro para ler. Mas o silêncio é tão grande que, inquieta, ele torna o volume na prateleira, ergue-se e vai à janela, para ver um pouco o dia.
Na frente da farmácia está um homem metido num gorro sobrecido por chebumbum. Um cachorro magro atravessa a rua. A mulher do coletor aparece à janela. Um rapaz de pés descalços entra na Panificadora.
Clarissa olha para o céu, que é de um azul tímido e desbotado, olha para as sombras fracas sobre a rua e depois se volta para dentro do quarto.
Aqui faz frio. Lá no fundo do espelho está uma Clarissa indecisa, parada, bragas, esperando. Mas esperando quê?
Clarissa recorda: Foi no verão. Todos no casarão dormiam. As moscas dançavam no ar, zumbindo. Fazia um solão terrível, amarelo e quente. No seu quarto, Clarissa não sabia que fazer. De repente pensou numa travessura. Mamãe guardava no sótão as suas latas de doce, os seus bolinhos e os seus pés de moleque que deviam durar toda a semana. Era proibido entrar lá. Quem entrava, dos pequenos, corria o risco de levar palmadinhas no lugar de costume.
Mas o silêncio da sesta estava cheio de convites traiçoeiros. Clarissa ficou pensando. Lembrou-se de que a chave da porta da cozinha servia para o quartinho do sótão.
Foi buscá-la na ponta dos pés. Encontrou-a no lugar. Subiu as escadas devagarinho. Os degraus rangiam e a cada rangido ela levava um sustinho que a fazia estremecer.
Clarissa subia, com a grande chave na mão. Ninguém... Silêncio...
Diante da porta do sótão, parou, com o coração aos pulos. Experimentou a chave. "A princípio não entrava bem na fechadura. Depois entrou. Com muita cautela, abriu a porta e viu no meio da escuridão perfumada, uma escuridão fresca que cheirava a doces, bolinhos e pão.
Como muito. Desceu cheia de medo. No outro dia D. Clemência descobriu a violação, e Clarissa levou meia dúzia de palmadas.
Agora ela recorda... E de repente se faz uma grande claridade, ela tem a grande ideia. "A chave da cozinha serve na porta do quarto do sótão." O quarto de Vasco fica no sótão...
Vasco está no escritório... Todos dormem... Oh!
E se ele fosse buscar a chave da cozinha e subisse, entrasse no quarto de Vasco e descobrisse o grande mistério?
Não. Não sou mais criança. Não. Não fica direito uma moça entrar no quarto dum rapaz.
Mas ele não está lá... que mal faz? Mesmo que estivessem, é teu primo. Sim, não sejas medrosa. Vamos. Não. Não vou. Podem ver. Que é que vão pensar? Subo às escadas, alguém me vê, pergunta: "Aonde vais, Clarissa?" Ora, vou até o quartinho das malas. Pronto. Ninguém pode desconfiar. Vou. Não, não vou. Vou, sim!
Porto Alegre: Globo, 1981, p. 132, 133.
Qual a diferença de sentido entre A PRINCÍPIO (ref. 1) e EM PRINCÍPIO?
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