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LouisTheHuman
bebi cachaça com caju para limpar-me, três maletas, catapora...
bebi cachaça com caju para limpar-me,
três maletas, catapora e linguas.
bicho-de-pé, saudade, poesia;
fiquei alado, mal-assombrado, tocando maracá,
dizendo espíritos, brincando com a chuva,
vendo espíritos, abusões, mães-d’água,
conversando com os maus, conversando sozinho,
emprehando tudo que encontava,
abraçando as cobras nos potes,
me misturando, me sumindo, me acabando,
para salvar a minha alma bendita
e meu corpo pintado de urucú,
tatuado de cruzes, de corações, de mãos-ligadas,
de nomes de amor em todas as línguas de branco,
o morubixaba do pagão.
Jorge de Lima, Poesias completas, v. I. Rio de Janeiro/Brasília: J. Aguilar/INL, 1971, p. 160, 164-165.
a) A ideia de “açodamento” social está presente tanto no poema de Jorge de Lima quanto no texto de Gilberto Freyre. Aponte dois episódios da formação do poeta, referidos no poema, que exemplificam essa interpretação. Justifique sua escolha.
- (Unicamp-SP) Leia o poema a seguir.
Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão se procurou o outro à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
Mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
É toda certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provaram apenas que a vida prossegue
E nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
preferiram (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do mundo.
São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 51.
a) Na primeira estrofe, o eu lírico afirma categoricamente que “o coração está seco”. Que imagem, nessa primeira estrofe, explica o fato de o coração estar seco? Justifique sua resposta.
b) Considerando elementos da composição do poema, explique de que maneira a ideia de “democracia”, presente no título, manifesta-se no texto.
b) O último verso (“A vida apenas, sem mistificação”) fornece para o leitor o sentido fundamental do poema. Levando-se em conta o conjunto do poema, que sentido é sugerido pela palavra “mistificação”?
- (Unicamp-SP) O excerto a seguir foi extraído do poema “Balada feroz”, de Vinicius de Moraes.
[...] Lança o teu poema inocente sobre o rio venéreo
golindo as cidades
Sobre os casebres onde os escorpiões se matam à visão
dos amores miseráveis
Deita a tua alma sobre o podridão das latrinas e das fossas
Por onde passou a miséria da condição dos escravos e dos
gênios. [...]
bebi cachaça com caju para limpar-me, três maletas, catapora e linguas. bicho-de-pé, saudade, poesia; fiquei alado, mal-assombrado, tocando maracá, dizendo espíritos, brincando com a chuva, vendo espíritos, abusões, mães-d’água, conversando com os maus, conversando sozinho, emprehando tudo que encontava, abraçando as cobras nos potes, me misturando, me sumindo, me acabando, para salvar a minha alma bendita e meu corpo pintado de urucú, tatuado de cruzes, de corações, de mãos-ligadas, de nomes de amor em todas as línguas de branco, o morubixaba do pagão.
Jorge de Lima, Poesias completas, v. I. Rio de Janeiro/Brasília: J. Aguilar/INL, 1971, p. 160, 164-165.
a) A ideia de “açodamento” social está presente tanto no poema de Jorge de Lima quanto no texto de Gilberto Freyre. Aponte dois episódios da formação do poeta, referidos no poema, que exemplificam essa interpretação. Justifique sua escolha.
- (Unicamp-SP) Leia o poema a seguir.
Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco. Em vão se procurou o outro à porta, não abrirás. Ficaste sozinho, a luz apagou-se, Mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. É toda certeza, já não sabes sofrer. E nada esperas de teus amigos. Pouco importa venha velhice, que é a velhice? Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provaram apenas que a vida prossegue E nem todos se libertaram ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo, preferiram (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 51.
a) Na primeira estrofe, o eu lírico afirma categoricamente que “o coração está seco”. Que imagem, nessa primeira estrofe, explica o fato de o coração estar seco? Justifique sua resposta.
b) Considerando elementos da composição do poema, explique de que maneira a ideia de “democracia”, presente no título, manifesta-se no texto.
b) O último verso (“A vida apenas, sem mistificação”) fornece para o leitor o sentido fundamental do poema. Levando-se em conta o conjunto do poema, que sentido é sugerido pela palavra “mistificação”?
- (Unicamp-SP) O excerto a seguir foi extraído do poema “Balada feroz”, de Vinicius de Moraes.
[...] Lança o teu poema inocente sobre o rio venéreo golindo as cidades Sobre os casebres onde os escorpiões se matam à visão dos amores miseráveis Deita a tua alma sobre o podridão das latrinas e das fossas Por onde passou a miséria da condição dos escravos e dos gênios. [...]
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