Este é um trecho do conto “A terceira margem do rio”, de João Guimarães Rosa. Neste trecho, o narrador descreve o momento em que o pai, de posse de sua canoa, se despede da família.
Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: — “Cê vai, ocê fique, você nunca volte!” Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: — “Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?” Ele só retornou o olhar em mim, e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás.
ROSA, Guimarães. Primeiras Estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988, p. 32.
A variação linguística negritada neste trecho do conto é responsável por:
A) classificar os personagens em duas categorias: os que sabem e os que não sabem usar pronomes em quaisquer situações.
B) destacar um importante aspecto da oralidade que é responsável pela construção do perfil da personagem humilde e ingênua.
C) fornecer informações sobre o nível de escolaridade dos personagens, realçando, assim, a origem humilde dos habitantes ribeirinhos.
D) indicar o nível de formalidade e de distanciamento da mãe em relação ao pai, pois o pronome varia do menos ao mais formal.
E) elencar possibilidades da fala nordestina.