Leia, a seguir, um trecho desse documento e observe como foi registrado o contato dos nativos com os europeus. Foi o Capitão com alguns de nós um pedaço por este arvoredo até um ribeiro grande, e de muita água, que ao nosso parecer é o mesmo que vem ter à praia, em que nós tomamos água. Ali descansamos um pedaço, bebendo e folgando, ao longo dele, entre esse arvoredo que é tanto e tamanho e tão basto e de tanta qualidade de folhagem que não se pode calcular. Há lá muitas palmeiras, de que colhemos muitos e bons palmitos. Ao sairmos do batel, disse o Capitão que seria bom irmos em direitura à cruz que estava encostada a uma árvore, junto ao rio, a fim de ser colocada amanhã, sexta-feira, e que nos puséssemos todos de joelhos e a beijássemos para eles verem o acatamento que lhe tínhamos. E assim fizemos. E a esses dez ou doze que lá estavam, acenaram-lhes que fizessem o mesmo; e logo foram todos beijá-la. Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências. E portanto se os degredados que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa tenção de Vossa Alteza, se farão cristãos e hão de crer na nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque certamente esta gente é boa e de bela simplicidade. E imprimir-se-á facilmente neles qualquer cunho que lhe quiserem dar, uma vez que Nosso Senhor lhes deu bons corpos e bons rostos, como a homens bons. E o Ele nos para aqui trazer creio que não foi sem causa. E portanto Vossa Alteza, pois tanto deseja acrescentar a santa fé católica, deve cuidar da salvação deles. E prazerá a Deus que com pouco trabalho seja assim! CAMINHA, Pero Vaz de. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/ download/texto/ua000283.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2020. (Fragmento). 1. O relato oferece algumas informações sobre a maneira como os indígenas agiam em relação aos portugueses. a) O que demonstra que se comportavam de maneira pacífica? b) Que fato sugere que eram submissos? 2. Os textos dos primeiros exploradores revelam sua admiração diante da flora e da fauna brasileiras. Qual trecho da carta exemplifica essa reação? 3. Transcreva o trecho que dá a entender que Caminha desconsidera qualquer possibilidade de existência de uma religiosidade própria entre os nativos. 4. De que maneira o escrivão justifica a necessidade de implantação do projeto religioso português?
A
Aluno
Resposta do Guru IA
- O relato oferece algumas informações sobre a maneira como os indígenas agiam em relação aos portugueses. a) O que demonstra que se comportavam de maneira pacífica?
Resposta: "Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências."
Explicação: Esse trecho sugere que os indígenas eram pacíficos e receptivos, pois Caminha acredita que, com a comunicação adequada, eles facilmente adotariam a fé cristã.
b) Que fato sugere que eram submissos?
Resposta: "E a esses dez ou doze que lá estavam, acenaram-lhes que fizessem o mesmo; e logo foram todos beijá-la."
Explicação: Este trecho indica submissão, pois os indígenas obedeceram prontamente ao gesto dos portugueses ao beijar a cruz, imitando-os sem questionamento.
- Os textos dos primeiros exploradores revelam sua admiração diante da flora e da fauna brasileiras. Qual trecho da carta exemplifica essa reação?
Resposta: "Ali descansamos um pedaço, bebendo e folgando, ao longo dele, entre esse arvoredo que é tanto e tamanho e tão basto e de tanta qualidade de folhagem que não se pode calcular. Há lá muitas palmeiras, de que colhemos muitos e bons palmitos."
Explicação: Esse trecho demonstra a admiração de Caminha pela exuberância da vegetação brasileira, destacando a diversidade e abundância das plantas.
- Transcreva o trecho que dá a entender que Caminha desconsidera qualquer possibilidade de existência de uma religiosidade própria entre os nativos.
Resposta: "Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências."
Explicação: Esse trecho revela que Caminha considera os indígenas como pessoas sem crenças ou religiões próprias, subestimando qualquer forma de espiritualidade nativa.
- De que maneira o escrivão justifica a necessidade de implantação do projeto religioso português?
Resposta: "E o Ele nos para aqui trazer creio que não foi sem causa. E portanto Vossa Alteza, pois tanto deseja acrescentar a santa fé católica, deve cuidar da salvação deles. E prazerá a Deus que com pouco trabalho seja assim!"
Explicação: Caminha justifica a necessidade de evangelização dos indígenas como um propósito divino, acreditando que a chegada dos portugueses ao Brasil foi providencial para a expansão da fé católica e a salvação das almas indígenas.
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