LINGUA PORTUGUESA
- (Vunesp-SP) Leia a crônica "Seu Afredo", de Vinicius de Moraes (1913-1980), publicada originalmente em setembro de 1953.
Seu Afredo (ele sempre subtraiu o "d" do nome, ao se apresentar com uma ligeira curvatura: "Afredo Paiva, um seu criado") tornou-se inesquecível a minha infância porque tratava-se muito mais de um ligeiro que um enredador. Como enredador, não ia muito lá depois. Lembro-me que, sempre depois de seu trabalho, minha mãe ficava passando pela sala com uma flanelinha debaixo de cada pé, para melhorar o andar da casa, como linguista, contudo ele aplicador de sutilezas gramaticais, seu Afredo estava sozinho. Tratava-se de um multo quanto à estrutura, e suas colocações pronominais, um dia uma fila de ônibus, mas, de passagem, perguntava: "ressabiado sobre a questão do eu, casualmente de passagem, parou junto a ela e perguntou-lhe a queima-roupa, na segunda do singular."