Olhos d'água Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha boca. De que cor eram os olhos de minha mãe? Abalado, causei rechaço e o quanto esta cor era que eu estive manando e não consegui me lembrar como havia chegado até ela. E a insistente pergunta martelando, martelando. De que cor eram os olhos de minha mãe? Aguardei indignado, havendo guardado, há meses, pouco antes. Entre um arfar e outro, um pequeno pensamento de que poderia ser os olhos de minha mãe à noite. E aqui o princípio tinha um novo pensamento interrogativo, naquela noite se transformou em um mudo desespero carregado de um novo acúmulo. Existe alguma coisa que eu possa ver com os olhos dela? Sendo a primeira da série dessa, decidi buscar dentro de minhas próprias dificuldades, escrevi o primeiro poema sobre minha mãe. Sem saber como, comecei a recordar de possíveis alegrias. Naquele momento, detive-me em meio a tudo que poderia recordar de como seriam os seus olhos. Eu achava muito estranho, pois me lembrava da cor que não tinha grande importância, mas havia um momento em que os olhos dela se tornaram azuis e não duvidava quando, durante os momentos, eu via suas lágrimas alheias e eu não sabia como retribuir. Era uma memória de um sonho em nosso lar, na casa de meus irmãos e irmãs. A minha mãe estava lá e eu não sabia como retribuir a essa lembrança. E eu não entendi aquilo, tomado pelo desespero por não me lembrar de que cor seriam os olhos de minha mãe, naquele momento, resolvi fazer uma pergunta ao meu pai. Ele disse que eram claros, então, espantado a outra coisa, fui a ele, que ainda estava vivo e me lembro que ele disse: "Você sabe que os olhos da sua mãe eram claros?". Assim fiz. Olhei para ele e disse: "Viva os olhos claros!". Mas era apenas lágrimas, esperei um pouco e ele se foi. Então, eu não soube mais o que fazer. Quando alcancei a cor dos olhos de minha mãe, tentei descobrir a cor dos olhos de minha filha. Para isso, eu não sabia o que fazer. O que é a cor dos olhos de minha filha? Quando me lembrei do que era, não consegui entender. Repeti a pergunta, mas não sei o que responder. E a resposta foi a mesma. Não sei a cor dos olhos de minha mãe? E a cor dos olhos de minha filha? Não, eu não esqueci esses Senhores, nossas Yabás, donas de tantas sabedorias. Mas o que eu quero com os olhos de minha mãe? E eu não entendi aquilo, tomado pelo desespero por não me lembrar de que cor seriam os olhos de minha mãe, naquele momento, resolvi fazer uma pergunta ao meu pai. Ele disse que eram claros, então, espantado a outra coisa, fui a ele, que ainda estava vivo e me lembro que ele disse: "Você sabe que os olhos da sua mãe eram claros?". Assim fiz. Olhei para ele e disse: "Viva os olhos claros!". Mas era apenas lágrimas, esperei um pouco e ele se foi. Então, eu não soube mais o que fazer. Mãe, qual é a cor do timão de seus olhos?
1. Um conto é breve, ligado a uma única situação ou evento. a) Qual é o conflito vivido pela narradora em “Olhos d’água”? b) Chamamos de clímax o momento de maior tensão do enredo, em que os fatos caminham para um final. Qual cena da narrativa pode ser associada ao clímax? 2. A narrativa é feita em 1ª pessoa por um narrador, que é também personagem. a) Como o narrador-personagem se apresenta? Justifique sua resposta com trechos do conto. b) De que modo a narradora vê a própria mãe? c) Em relação à descrição dos personagens no conto, o que predomina: as características físicas ou as psicológicas? 3. Ao longo do texto, uma pergunta se repete: “Mas de que cor eram os olhos de minha mãe”? a) Com quem a narradora dialoga? Explique sua resposta. b) O que a repetição da pergunta revela sobre o estado emocional da narradora? 4. No conto, o espaço é sempre delimitado. Nessa narrativa, podemos perceber que há dois espaços: um no qual a narradora passou a infância e outro atual no qual ela vive. a) Quais informações a narradora revela sobre esses espaços? b) Ao descrever a viagem, a narradora afirma: “Voltei aflita, mas satisfeita.” Em sua opinião, quais foram os motivos da aflição e da satisfação? 5. O tempo, em um conto, pode ser classificado como cronológico ou psicológico. Para narrar acontecimentos de forma não linear em narrativas, é possível lançar mão de dois recursos: flashbach (em inglês, “olhar para trás”): recurso literário ou cinematográfico utilizado para contar algo que aconteceu antes do momento em que se narra. Por exemplo, quando um narrador rememora algo que lhe aconteceu na infância. flashforward (em inglês, “olhar para frente”) ou antecipação: recurso utilizado para antecipar algo que ainda não aconteceu no momento em que se narra. Por exemplo, quando há referência a um fato ainda não relatado, mas conhecido do narrador. Qual dos recursos não lineares predomina no conto? Justifique sua resposta com exemplos do próprio texto. 6. Releia o trecho seguinte. [...] E era justamente nos dias de parco ou nenhum alimento que ela mais brincava com as filhas. Nessas ocasiões a brincadeira preferida era aquela em que a mãe era a Senhora, a Rainha. Ela se assentava em seu trono, um pequeno banquinho de madeira. Felizes, colhíamos flores cultivadas em um pequeno pedaço de terra que circundava o nosso barraco. As flores eram depois solenemente distribuídas por seus cabelos, braços e colo. E diante dela fazíamos reverências à Senhora. Postávamos deitadas no chão e batíamos cabeça para a Rainha. Nós, princesas, em volta dela, cantávamos, dançávamos, sorríamos. A mãe só ria de uma maneira triste e com um sorriso molhado... a) A narradora contrasta, nesse trecho, pobreza e felicidade. Que outras oposições podem ser percebidas nesse trecho? b) Que efeito essas oposições causam na narrativa? c) O que a memória e a descrição desses momentos pela narradora, revela sobre a imagem da mãe? 7. No conto “Olhos d’água”, a narradora menciona brevemente a importância das mulheres em sua família. Anote um trecho do conto que confirma isso. 8. Releia o título. a) Depois da leitura, como você entende a relação entre os “Olhos d’água” e o contexto do conto? b) Coloque-se na posição da narradora que foi questionada pela filha. Como você responderia à pergunta “— Mãe, qual é a cor tão úmida de seus olhos?” ou daria continuação ao conto? Elabore um parágrafo a respeito desse momento entre mãe e filha. Você pode, por exemplo, contar como ela se sentiu: Fechei os olhos e me vi ao lado de minha mãe com seus olhos d’água...
J
Julianny
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