"Quando as portas se fecham e a brisa se recusa a entrar, então, nessa hora, todas as sensações desaparecem, e tudo se torna um perigoso "tanto faz".
Tinha um hábito tão imbecil quanto sua vida: acordava, apanhava a máquina fotográfica, e tirava uma foto do seu rosto amarfanhado recém-amanhecido. Nem se dava ao trabalho de avaliar o grotesco resultado. Apenas descarregava a foto no computador, na pasta
ENVELHECENDO DORMINDO, sem premissas, merecimento, ou estima. [...]
Certo dia, o tédio lhe fincando adagas no peito, abriu a pasta ENVELHECENDO DORMINDO.
328 fotos. Tiradas nos últimos 328 dias. Ideia tosca ou não, era um rapaz fiel aos seus propósitos. Abriu um editor de imagens e criou. Criou uma animação, como páginas de um livro, as fotos passando rapidamente, 5 delas por segundo. Enquanto isso, recitava um poema seu, chamado Poetas Envelhecem, Morrem, e Vendem Livros.
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