Texto 2
Inocência (fragmento)
Visconde de Taunay
[...] Descrever o abalo que sofreu Inocência ao dar, cara a cara com Manezinho fora impossível. Debulharam-se tão vivos na fisionomia o espanto e o terror, que o reparo, não só da parte do noivo, como do próprio pai habitualmente despreocupado, foi repentino.
– Que tem você? perguntou Pereira apressadamente.
– Homem, a modos, observou Manezinho com tristeza, que meto medo a senhora dona... Batiam de comoção os queixos da pobreza: nervoso estremecimento balançava-lhe o corpo todo.
A ela se chegou o mineiro e pegou-lhe no braço.
– Mas você não tem febre?... Que isto, rapariga de Deus?
Depois, meio risonho e voltando-se para Manezinho:
– Já sei o que é... Ficou toda fora de si... vendo o que não contava ver... Vamos, Inocência, deixe-se de tolices.
– Eu quero, murmurou ela, voltar para o meu quarto
E encostando-se à parede, com passo vacilante se encaminhou para dentro.
Ficara sombrio o capataz.
De sobrecarga carregado, recostara-se à mesa e fora, com um sorriso, seguindo aquela a quem já chamava esposa [...]