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Conclusão M L von Franz A ciência e o inconsciente Nos capítulos precedentes Carl G Jung e alguns dos seus colegas procuraram deixar claro o papel representado pela função criadora de símbolos na psique inconsciente do homem e indicaram alguns campos de aplicação deste aspecto da vida recentemente descoberto Ainda estamos longe de compreender o inconsciente ou os arquétipos estes núcleos dinâmicos da psique em todas as suas implicaçôes Tudo que podemos constatar agora é o enorme impacto que os arcquétipos produzem no indivíduo determinando suas emoções e perspectivas éticas e mentais influenciando o seu relacionamento com as outras pessoas e afetando assim todo o seu destino Vemos também que os símbolos arquetípicos combinamse no indivíduo seguindo uma estrutura de totalidade e que é possível que uma compreensão adequada destes símbolos tenha efeito terapêutico Podemos verificar ainda que os arquétipos são capazes de agir em nossa mente como forças criadoras ou destruidoras criadoras quando inspiram idéias novas destruidoras quando estas mesmas idéias se consolidam em preconceitos conscientes que impossibilitarão futuras descobertas Jung mostrou no seu capítulo inicial o quanto as tentativas de interpretação devem ser sutis e diferenciadas para que não se igualem nem se enfraqueçam os valores individuais e culturais das idéias e símbolos arquetípicos como o seu nivelamento isto é com a possibilidade de darlhes um sentido estereotipado e de fórmula intelectualizada Jung dedicou a vida a estas pesquisas e a este trabalho de interpretação e evidentemente este livro esboça apenas uma parte infinitesimal da sua intensa atuação neste novo campo de descobertas psicológicas Foi um pioneiro que se conservou absolutamente consciente de que muitas questões continuam sem resposta e pedem investigações adicionais Por isto seus conceitos e hipóteses são concebidos em uma base extremamente ampla sem tornálas demasiadamente vagas e generalizadas e suas opiniões formam um sistema aberto que não cerra nenhuma porta a possíveis novas descobertas Para Jung seus conceitos eram simples instrumentos ou hipóteses heurísticas destinados a facilitar a exploração da vasta e nova área da realidade a que tivemos acesso com a descoberta do inconsciente descoberta que não só alargou nossa visão total do mundo mas na verdade a duplicou Devemos sempre agora indagar se um fenômeno mental é consciente ou inconsciente e também se um fenômeno exterior real é percebido através de meios conscientes ou inconscientes As poderosas forças do inconsciente manifestamse não apenas no material clínico mas também no mitológico no religioso no artístico e em todas as outras atividades culturais através das quais o homem se expressa Obviamente se todos os homens receberam uma herança comum de padrões de comportamento emocional e intelectual a que Jung chamava arquétipos é natural que os seus produtos fantasias simbólicas pensamentos ou ações apareçam em praticamente todos os campos da atividade humana As importantes investigações contemporâneas realizadas em muitos desses setores foram profundamente influenciadas pela obra de Jung Por exemplo esta influência pode ser percebida no estudo da literatura em livros como Literature and Western Man de JB Priestley Fausts Weg zu Helena de Gottfried Diener ou Shakespeares Hamlet de James Kirsch Da mesma maneira a psicologia jungiana contribuiu para o estudo da arte como nas obras de Herbert Read ou de Aniela Jaffé nas pesquisas de Erich Neumann a respeito de Henry Moore ou nos ensaios de Michael Tippett sobre música Os trabalhos de história de Arnold Toynbee e os de antropologia de Paul Radin também se beneficiaram com os ensinamentos de Jung assim como as obras de Richard Wilhelm Enwin Rousselle e Manfred Porket a respeito de sinologia Ondas sonoras produzidas pela vibração de um disco de aço e registradas fotograficamente apresentam uma incrível semelhança com a mandala 304 No text just an image of a pattern resembling a mandala or cymatic pattern Bem entendido isto não significa que os caracteres particulares da arte e da literatura e a sua interpretação só possam ser entendidos unicamente a partir da sua base arquetípica Todos esses campos têm suas próprias leis de atividade e como toda realização criadora não podem ter uma explicação racional definitiva Mas dentro do seu campo de ação podemos reconhecer as suas configurações arquetípicas como uma atividade dinâmica em segundo plano E também podemos muitas vezes decifrar nelas como nos sonhos uma mensagem denunciadora de alguma tendência evolutiva e intencional do inconsciente A fecundidade das idéias de Jung é mais fácil de entender na área das atividades culturais do homem logicamente se os arquétipos determinam a nossa conduta mental devem necessariamente manifestarse em todos estes campos Mas imprevisivelmente os conceitos de Jung abriram novas perspectivas também no domínio das ciências naturais como por exemplo na biologia O físico Wolfgang Pauli assinalou que devido às novas descobertas a idéia que fazemos da evolução da vida requer uma revisão levandose em conta a área de interrelação entre a psique inconsciente e os processos biológicos Até uma época recente supunhase que a mutação das espécies ocorria por acaso e que só então se processava uma seleção através da qual sobreviviam as variedades significativas e bem adaptadas enquanto outras desapareciam Mas os evolucionistas modernos explicam que as seleções destas mutações devidas ao acaso teriam exigido muito mais tempo do que a idade conhecida do nosso planeta O conceito de Jung de sincronicidade podenos ser útil neste assunto pois esclarece a ocorrência de certos fenômenoslimites ou acontecimentos excepcionais explicanos assim como adaptações e mutações significativas podem ocorrer em menor prazo de tempo do que o requerido por mutações inteiramente devidas ao acaso Hoje em dia conhecemos muitos casos em que acontecimentos significativos acidentais foram produzidos graças à ativação de um arquétipo Por exemplo a história da ciência comporta inúmeros casos de invenção ou descoberta simultâneos Um dos mais famosos diz respeito a Darwin e sua teoria da origem das espécies Ele expusera a teoria em um longo ensaio e em 1844 cuidava de desenvolvêla em um volumoso tratado Enquanto trabalhava neste projeto recebeu um manuscrito de um jovem biólogo AR Wallace a quem não conhecia O manuscrito era uma exposição mais sucinta porém idêntica à de Darwin Naquela ocasião Wallace estava nas Ilhas Molucas no arquipélago da Malásia Conhecia Darwin como naturalista mas não tinha a menor idéia do gênero de trabalho teórico em que ele se ocupava no momento Nos dois casos cada um dos cientistas chegara independentemente à formulação de uma hipótese que iria mudar todo o futuro da ciência E cada um deles concebera inicialmente a sua hipótese em um lampejo intuitivo mais tarde reforçado por provas documentadas Os arquétipos parecem portanto ser agentes de uma creatio continua o que Jung chama acontecimentos sincrônicos são na verdade uma espécie de atos de criação eventuais Coincidências significativas semelhantes podem ocorrer quando há uma necessidade vital de o indivíduo saber por exemplo da morte de um parente ou de algum bem perdido Em muitos casos tais informações são obtidas por meio da percepção extrasensorial Tudo isto parece sugerir que podem ocorrer fenômenos paranormais devidos ao acaso quando surge uma necessidade ou um impulso vital o que por sua vez explica por que certas espécies de animais sob grande pressão ou grande necessidade podem produzir mudanças significativas mas acausais na sua estrutura orgânica Entretanto o campo mais promissor para pesquisas futuras como Jung percebeu parece inesperadamente ter sido aberto em conexão com o complexo campo da microfísica À primeira vista parece pouco verossímil que se possa encontrar relação entre a psicologia e a microfísica A interrelação destas duas ciências pede uma pequena explicação O aspecto mais evidente desta conexão reside no fato de os conceitos básicos da física como o espaço o tempo a matéria a energia o contínuo ou campo a partícula etc terem sido originalmente idéias intuitivas semimitológicas arquetípicas dos velhos filósofos gregos idéias que foram evoluindo vagarosamente tornaramse mais precisas e hoje em dia são expressas sobretudo em termos matemáticos abstratos A 306 noção de uma partícula por exemplo foi formulada no século IV AC pelo filósofo grego Leucipo e seu aluno Demócrito que a chamaram átomo isto é unidade indivisível Apesar de se ter depois obtido a desintegração do átomo ainda concebemos a matéria como consistindo de ondas e partículas ou quanta descontínuos A noção de energia e sua relação com força e movimento foi também formulada pelos antigos pensadores gregos e desenvolvida pelos partidários do estoicismo Postulavam a existência de uma espécie de tensão criadora da vida tonos que seria o fundamento dinâmico de todas as coisas E evidentemente um germe semimitológico do nosso moderno conceito de energia Mesmo os cientistas e pensadores de uma época relativamente recente apoiaramse em imagens semimitológicas e arquetípicas na criação de novos conceitos No século XVII por exemplo a absoluta validade da lei da causalidade parecia a René Descartes estar provada pelo fato de que Deus é imutável nas suas ações e decisões E o grande astrônomo germânico Johannes Kepler assegurava que em razão da Santíssima Trindade o espaço não poderia ter nem mais nem menos do que três dimensões Estes são apenas dois exemplos entre os muitos reveladores de que mesmo os nossos conceitos modernos e basicamente científicos permaneceram durante muito tempo ligados a idéias arquetípicas procedentes originalmente do inconsciente Não expressam necessariamente fatos objetivos ou pelo menos não podemos provar que o façam mas se originam de tendências inatas no homem tendências que o induzem a buscar explicações racionais satisfatórias nas relações entre os vários fatos exteriores e interiores de que se deve ocupar Segundo o físico Werner Heisenberg o homem ao examinar a natureza e o universo em lugar de procurar e achar qualidades objetivas encontrase a si mesmo Devido às implicações deste ponto de vista Wolfgang Pauli e outros cientistas começaram a estudar o papel do simbolismo arquetípico no domínio dos conceitos científicos Pauli acreditava que devíamos conduzir nossas pesquisas de objetos exteriores paralelamente a uma investigação psicológica da origem interior dos nossos conceitos científicos Esta investigação poderia trazer nova luz a um conceito de grande envergadura que será discutido pouco adiante o conceito de unicidade entre as esferas física e psicológica aspectos quantitativos e qualitativos da realidade Ao lado desta relação evidente entre a psicologia do inconsciente e a física existem outras conexões ainda mais fascinantes Jung em estreita colaboração com Pauli descobriu que a psicologia analítica viuse forçada por investigações no seu próprio campo a criar conceitos que mais tarde se revelaram incrivelmente semelhantes àqueles criados pelos físicos ao se confrontarem com fenômenos micro físicos Um dos mais importantes conceitos da física é a noção de complementaridade de Niels Bohr A micro física moderna descobriu que só se pode descrever a luz através de dois conceitos complementares mas logicamente contraditórios a onda e a partícula Em termos absolutamente simples podese dizer que sob certas condições de experiência a luz e manifesta como se composta por partículas e em outras co A física norteamericana Maria Mayer Prêmio Nobel de Física de 1963 Sua descoberta a respeito da constituição do núcleo atômico foi obtida como tantas outras descobertas científicas como resultado de um lampejo intuitivo provocado por uma observação ocasional de um colega Sua teoria mostra que o núcleo consiste de conchas concêntricas a mais centre contém dois prótons ou dois nêutrons a seguinte contém oito de um ou de outro e assim por diante numa progressão que ela chama de números mágicos 20 28 50 82 126 Há uma relação evidente entre esta estrutura e os arquétipos da esfera e dos números 307 mo se fora uma onda Descobriuse também que se pode observar detalhadamente ou a posição ou a velocidade de uma partícula subatômica mas não ambas ao mesmo tempo O observador deve escolher o seu plano experimental mas ao fazêlo exclui ou antes sacrifica outros possíveis planos e resultados Além disso o mecanismo de avaliação deve ser incluído na descrição dos acontecimentos porque exerce influência decisiva mas incontrolável nas condições da experiência Pauli declara A ciência da microfísica devido à complementaridade básica das situações enfrenta a impossibilidade de eliminar os efeitos da intervenção do observador por meio de neutralizantes determinados e deve portanto abandonar em princípio qualquer compreensão objetiva dos fenômenos físicos Onde a física clássica ainda vê o determinismo das leis causais da natureza nós agora só buscamos leis estatísticas de probabilidades imediatas Em outras palavras na microfísica o observador interfere na experiência de um modo que não pode ser exatamente calculado e que portanto não se pode também eliminar Nenhuma lei natural deve ser formulada dizendose tal coisa acontecerá em tal circunstância Tudo o que o microfísico pode afirmar é que de acordo com as probabilidades estatísticas tal fenômeno deve acontecer Isto naturalmente representa um problema considerável para o nosso pensamento clássico a respeito da física Exige que na experiência científica se leve em conta a perspectiva mental do observadorparticipante Verificase então que os cientistas já não podem pretender descrever quaisquer aspectos dos objetos exteriores de modo totalmente objetivo A maioria dos físicos modernos aceitou o fato de que o papel representado pelas idéias conscientes de um observador em todas as experiências microfísicas não pode ser eliminado Mas não se preocuparam estes cientistas com a possibilidade de que as condições psicológicas totais do observador tanto as conscientes quantas as inconscientes também estivessem envolvidas na experiência Como observa Pauli não existem razões apriori para rejeitar esta possibilidade mas precisamos considerála como um problema ainda inexplorado e não solucionado A idéia de Bohr a respeito da complementaridade é especialmente interessante para os psicólogos jungianos pois Jung percebeu que o relacionamento entre o consciente e o inconsciente forma também um par completivo de contrários Cada novo conteúdo que vem do inconsciente é alterado na sua natureza básica ao ser parcialmente integrado na mente consciente do observador Mesmo os conteúdos oníricos quando percebidos são deste ponto de vista semiinconscientes E cada ampliação do consciente do observador provocada pela interpretação dos sonhos tem novamente uma repercussão e uma influência inestimáveis sobre o inconsciente Assim o inconsciente só pode ser aproximadamente descrito como as partículas da microfísica através de conceitos paradoxais O que existe realmente no inconsciente em si não o saberemos jamais assim como jamais descobriremos o que há na matéria em si Para conduzirmos ainda mais longe a comparação entre a psicologia e a microfísica aquilo a que Jung chama arquétipos ou esquemas do comportamento emocional e mental do homem também se poderia chamar empregandose os termos de Pauli probabilidades dominantes das reações psíquicas Como já foi acentuado neste livro não existem leis que governem a forma específica em que o arquétipo vai emergir do inconsciente Existem tendências ver pág 67 que mais uma vez nos permitem apenas dizer que é provável acontecer um certo fenômeno em determinadas situações psicológicas Como observou o psicólogo norteamericano William James a noção de inconsciente pode ser comparada ao conceito de campo na física Poderíamos dizer que assim como em um campo magnético as partículas se distribuem em uma certa ordem também os conteúdos psicológicos aparecem ordenados dentro da área psíquica a que chamamos inconsciente Quando o nosso consciente decide que alguma coisa é racional ou significativa e aceita esta qualificação como uma explicação satisfatória isto provavelmente se deve ao fato de nossa explicação consciente estar em harmonia com algumas constelações préconscientes dos conteúdos do nosso inconsciente Em outras palavras nossas representações conscientes são por vezes ordenadas ou arranjadas em um esquema antes de tomarmos 308 consciência delas O matemático alemão do século XVIII Karl Friedrich Gauss nos dá um exemplo desta ordenação inconsciente de idéias Declara ter descoberto uma determinada regra de teoria dos números não devido a pesquisas exaustivas mas por assim dizer pela graça divina O enigma resolveuse por ele mesmo como um raio sem que eu mesmo pudesse dizer ou mostrar a conexão entre o que eu sabia anteriormente os elementos utilizados na minha última experiência e aquilo que produziu o sucesso final O cientista francês Henri Poincaré é ainda mais explícito a respeito deste fenômeno descreve como durante uma noite insone assistiu a suas representações matemáticas praticamente chocandose de encontro a ele até que algumas delas conseguiram uma combinação mais estável Parece neste caso que estamos assistindo ao trabalho do nosso próprio inconsciente tornandose a sua atividade parcialmente perceptível à consciência sem perder o seu caráter peculiar Em tais momentos damosnos conta vagamente da diferença entre os mecanismos dos dois egos Como exemplo final da evolução paralela da micro física e da psicologia podemos considerar o conceito de Jung de significado Onde anteriormente os homens buscavam explicações causais isto é racionais dos fenômenos Jung introduziu a idéia de procurarse o significado isto é o propósito Vale dizer que em lugar de perguntar por que alguma coisa acontece o que a causou Jung pergunta Para que ela acontece Esta mesma tendência aparece na física inúmeros físicos modernos procuram na natureza mais as conexões do que as leis causais o determinismo Pauli esperava que um dia a idéia do inconsciente haveria de expandirse além da terapêutica para passar a influenciar todas as ciências naturais que se ocupam dos fenômenos da vida em geral Desde então esta sugestão encontrou eco em alguns físicos interessados na nova ciência da cibernética isto é no estudo comparativo do sistema de controle formado pelo cérebro o sistema nervoso e os sistemas de controle e de informação mecânica ou eletrônica como os computadores Em resumo como o exprimiu o cientista francês Oliver Costa de Beauregard a ciência e a psicologia devem no futuro estabelecer um ativo diálogo Esta inesperada analogia de idéias na psicologia e na física sugere como Jung assinalou uma possível unicidade final em ambos os campos de realidade que a física e a psicologia estudam isto é uma unidade psicofísica de todos os fenômenos da vida Jung estava realmente convencido de que o que ele chama de inconsciente ligase de uma certa maneira à estrutura da matéria inorgânica uma união que o problema das doenças chamadas psicossomáticas também parece indicar Este conceito de uma idéia unitária de realidade adotada por Pauli e por Erich Neumann era chamado por Jung de unus mundus o mundo único no qual a matéria e a psique ainda não estão discriminadas ou atualizadas separadamente Jung preparou caminho para este ponto de vista unitário ao indicar que um arquétipo mostra um aspecto psicóide isto é não puramente psíquico mas quase material quando aparece dentro de um acontecimento sincrônico pois tal acontecimento é com efeito um acordo significativo entre fatos psíquicos interiores e exteriores Em outras palavras os arquétipos não apenas se ajustam a situações exteriores tal como os padrões animais de comportamento se ajustam ao seu meio mas no fundo tendem a manifestarse em um arranjo sincronizado que inclui tanto a psique quanto a matéria Mas estas constatações contentamse apenas em sugerir alguns caminhos a serem palmilhados no futuro nestas investigações dos fenômenos da vida Jung achava que devíamos de início aprender ainda muito mais a respeito da interrelação destas duas áreas matéria e psique antes de nos lançarmos em uma séria de especulações abstratas a seu respeito O campo que parecia a Jung mais fértil para investigações futuras é o estudo dos axiomas básicos da matemática a que Pauli chama intuições matemáticas primordiais e entre as quais menciona especificamente as noções de uma série infinita de números na aritmética ou de um continuum na geometria etc Como disse o autor germânico Hannah Arendt na sua modernização a matemática não expande só o seu conteúdo ou alcança o infinito aplicandose à imensidade de um universo de crescimento e de expansão ilimitados mas cessa completamente de se preocupar com as aparências Ela já não é o princípio primeiro da filosofia ou a ciência do Ser na sua verdadeira aparência mas tornase a 309 ciência da estrutura da mente humana Um jungiano perguntaria logo que mente a consciente ou a inconsciente Como vimos em relação às experiências de Gauss e de Poincaré os matemáticos descobriram também que nossas representações são ordenadas antes de nos tornarmos conscientes delas B L van der Waerden que cita vários exemplos de intuições matemáticas essenciais vindas do inconsciente conclui o inconsciente não é capaz apenas de associar e de combinar mas é capaz também de julgar É um julgamento intuitivo mas em circunstâncias favoráveis absolutamente correto Entre as muitas intuições matemáticas primordiais ou idéias a priori as mais interessantes do ponto de vista psicológico parecem ser os números naturais Não servem apenas às nossas operações cotidianas para contar e medir mas foram durante séculos a única maneira existente de ler o significado das antigas formas de adivinhação como a astrologia a numerologia a geomancia etc todas elas baseadas em cálculos aritméticos e todas investigadas por Jung em termos da sua teoria da sincronicidade Além disso os números naturais examinados de um ângulo psicológico devem ser certamente representações arquetípicas pois somos forçados a pensar a seu respeito de maneira definida Ninguém por exemplo pode negar que 2 é o único primeiro número par já existente mesmo que nunca tenha pensado a este respeito de modo consciente Em outras palavras números não são conceitos conscientes inventados pelo homem com o propósito de calcular são produtos espontâneos e autônomos do inconsciente como o são outros símbolos arquetípicos Mas os números naturais são também qualidades pertencentes aos objetos exteriores podemos assegurar e contar que aqui existem duas pedras ou três árvores acolá Mesmo se despojarmos os objetos de outras qualidades como cor temperatura tamanho etc ainda resta a sua quantidade ou multiplicidade especial No entanto estes mesmos números também fazem parte indiscutível da nossa própria organização mental conceitos abstratos que podemos estudar sem nos referirmos a objetos exteriores Os números parecem ser portanto uma conexão tangível entre as esferas da matéria e as da psique De acordo com certas sugestões feitas por Jung havemos de encontrar neles um campo promissor para pesquisas futuras Menciono rapidamente estes difíceis conceitos a fim de mostrar que na minha opinião as idéias de Jung não constituem uma doutrina mas são o começo de uma nova perspectiva que continuará a desenvolverse e a evoluir Espero que dêem ao leitor um lampejo do que me parece essencial e típico na atitude científica de Jung Ele vivia em permanente busca revelando uma liberdade rara em relação aos preconceitos tradicionais e possuindo ao mesmo tempo uma grande modéstia e precisão no seu desejo de melhor compreender os fenômenos da vida Não avançou mais nas idéias acima mencionadas porque sentiu que ainda não tinha à sua disposição um número suficiente de fatos que lhe permitisse fazer pronunciamentos relevantes da mesma maneira que esperava vários anos antes de anunciar suas novas descobertas conferindoas o mais possível e levantando ele mesmo todas as possíveis dúvidas a seu respeito Portanto o que talvez pareça ao leitor inicialmente uma certa imprecisão de idéias vem da sua atitude científica de modéstia intelectual uma atitude que se esforça por não excluir através de pseudoexplicações superficiais e precipitadas ou de excessivas simplificações a possibilidade de novas descobertas e que respeita a complexidade do fenômeno da vida O fenômeno da vida sempre foi um mistério fascinante para Carl G Jung que nunca o considerou como acontece às pessoas de mente limitada uma realidade explicada a respeito da qual podese julgar tudo conhecer O valor das idéias criativas está em que tal como acontece com as chaves elas ajudam a abrir conexões até então ininteligíveis de vários fatos permitindo que o homem penetre mais profundamente no mistério da vida Acredito firmemente que as idéias de Jung podem assim servir à descoberta e à interpretação de novos fatos em muitos campos da ciência e também da vida cotidiana levando o indivíduo simultaneamente a uma visão mais equilibrada mais ética e mais ampla do mundo Se o leitor sentirse estimulado a se ocupar mais largamente da exploração e da assimilação do inconsciente tarefa que se inicia sempre por investigar o nosso próprio inconsciente o propósito desta obra introdutória terá sido plenamente alcançado FICHAMENTO O HOMEM E SEUS SÍMBOLOS CAPÍTULO A CIÊNCIA E O INCONSCIENTE ML VON FRANZ FRANZ MarieLouise von A ciência e o inconsciente In JUNG C G org O homem e seus símbolos 14 ed Rio de Janeiro Nova Fronteira 2008 p 304311 INTRODUÇÃO O livro o homem em seus símbolos traz diversas contribuições de autores que têm como objetivo central trazer ao público leigo ideias sobre a psicologia analítica O capítulo intitulado A ciência e o inconsciente escrito por Marie Louise Von Franz explora a reação existencial entre a produção científica e os conteúdos do inconsciente abordando fatores como sonhos símbolos e instituições que podem influenciar as descobertas relativas à compreensão sobre a realidade Com isso a autora traz ainda um diálogo existencial entre a realidade científica e a dimensão simbólica evidenciando fatores quanto aos processos do inconsciente e o modo pela qual este se opõe à ciência além disso a autora também demonstra como tais perspectivas podem enriquecer estas reflexões Com isso a abordagem destaca a importância de integrar divergentes formas de conhecimento para a formação de uma compreensão mais profunda e humanizada sobre a criação das culturas e da realidade 2IDEIA CENTRAL O capítulo traz uma abordagem relativa à relação entre a realidade científica e os conteúdos do inconsciente com isso a autora evidencia que ambas perspectivas não devem ser vistos como fatores opostos mas sim dimensões complementares de um conhecimento humano Além disso a obra destaca que os sonhos são símbolos de manifestações psíquicas consideradas tradicionalmente como objetos irracionais ou subjetivos possuindo uma lógica interna própria capaz de influenciar tanto na vida individual quanto na produção cultural Ao trazer exemplos históricos de descobertas que tiveram origem em imagens simbólicas a autora reforça que o inconsciente não é um mero projetor de fantasias mas sim uma fonte criativa de orientação que proporciona contribuições significativas para o desenvolvimento da ciência Ademais a obra também reforça que os símbolos e sonhos expressam conteúdos relevantes capazes de revelar manifestações do subconsciente Para a autora os sonhos são dados como guia simbólicos que apesar de muitas vezes não parecerem lógicos podem antecipar descobertas e soluções Além disso a ciência muitas vezes tende a reduzir estas explicações devido à sua dimensão simbólica A autora rompe principalmente a redução da visão da ciência tradicional sobre os sonhos valorizando o papel da imaginação e reforçando o simbolismo dos sonhos Além disso o capítulo traz uma abordagem fundamental sobre a aproximação entre a psicologia filosofia e ciência Apesar disso a proposta enfrenta diversos desafios relativas ao campo científico uma vez que sua natureza simbólica muitas vezes não pode mensurar empiricamente o valor de fatores subjetivos 3CITAÇÕES RELEVANTES As poderosas forças do inconsciente manifestamse não apenas no material clínico mas também no mitológico no religioso no artístico e em todas as outras atividades culturais através das quais o homem se expressa p304 Mas dentro do seu campo de ação podemos ré conhecer as suas configurações arquetípicas como uma atividade dinâmica em segundo plano p306 Nos dois casos cada um dos cientistas chegara independentemente à formulação de uma hipótese que iria mudar todo o futuro da ciência p306 À primeira vista parece pouco verossímil que se possa encontrar relação entre a psicologia e a microfísica A interrelação destas duas ciências pede uma pequena explicação p307 A noção de energia e sua relação com força e movimento foi também formulada pelos antigos pensadores gregos e desenvolvida pelos partidários do estoicismo p308 no text

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quando inspiram idéias novas destruidoras quando estas mesmas idéias se consolidam em preconceitos conscientes que impossibilitarão futuras descobertas Jung mostrou no seu capítulo inicial o quanto as tentativas de interpretação devem ser sutis e diferenciadas para que não se igualem nem se enfraqueçam os valores individuais e culturais das idéias e símbolos arquetípicos como o seu nivelamento isto é com a possibilidade de darlhes um sentido estereotipado e de fórmula intelectualizada Jung dedicou a vida a estas pesquisas e a este trabalho de interpretação e evidentemente este livro esboça apenas uma parte infinitesimal da sua intensa atuação neste novo campo de descobertas psicológicas Foi um pioneiro que se conservou absolutamente consciente de que muitas questões continuam sem resposta e pedem investigações adicionais Por isto seus conceitos e hipóteses são concebidos em uma base extremamente ampla sem tornálas demasiadamente vagas e generalizadas e suas opiniões formam um sistema aberto que não cerra nenhuma porta a possíveis novas descobertas Para Jung seus conceitos eram simples instrumentos ou hipóteses heurísticas destinados a facilitar a exploração da vasta e nova área da realidade a que tivemos acesso com a descoberta do inconsciente descoberta que não só alargou nossa visão total do mundo mas na verdade a duplicou Devemos sempre agora indagar se um fenômeno mental é consciente ou inconsciente e também se um fenômeno exterior real é percebido através de meios conscientes ou inconscientes As poderosas forças do inconsciente manifestamse não apenas no material clínico mas também no mitológico no religioso no artístico e em todas as outras atividades culturais através das quais o homem se expressa Obviamente se todos os homens receberam uma herança comum de padrões de comportamento emocional e intelectual a que Jung chamava arquétipos é natural que os seus produtos fantasias simbólicas pensamentos ou ações apareçam em praticamente todos os campos da 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continua o que Jung chama acontecimentos sincrônicos são na verdade uma espécie de atos de criação eventuais Coincidências significativas semelhantes podem ocorrer quando há uma necessidade vital de o indivíduo saber por exemplo da morte de um parente ou de algum bem perdido Em muitos casos tais informações são obtidas por meio da percepção extrasensorial Tudo isto parece sugerir que podem ocorrer fenômenos paranormais devidos ao acaso quando surge uma necessidade ou um impulso vital o que por sua vez explica por que certas espécies de animais sob grande pressão ou grande necessidade podem produzir mudanças significativas mas acausais na sua estrutura orgânica Entretanto o campo mais promissor para pesquisas futuras como Jung percebeu parece inesperadamente ter sido aberto em conexão com o complexo campo da microfísica À primeira vista parece pouco verossímil que se possa encontrar relação entre a psicologia e a microfísica A interrelação destas duas ciências pede uma pequena explicação O aspecto mais evidente desta conexão reside no fato de os conceitos básicos da física como o espaço o tempo a matéria a energia o contínuo ou campo a partícula etc terem sido originalmente idéias intuitivas semimitológicas arquetípicas dos velhos filósofos gregos idéias que foram evoluindo vagarosamente tornaramse mais precisas e hoje em dia são expressas sobretudo em termos matemáticos abstratos A 306 noção de uma partícula por exemplo foi formulada no século IV AC pelo filósofo grego Leucipo e seu aluno Demócrito que a chamaram átomo isto é unidade indivisível Apesar de se ter depois obtido a desintegração do átomo ainda concebemos a matéria como consistindo de ondas e partículas ou quanta descontínuos A noção de energia e sua relação com força e movimento foi também formulada pelos antigos pensadores gregos e desenvolvida pelos partidários do estoicismo Postulavam a existência de uma espécie de tensão criadora da vida tonos que seria o fundamento dinâmico de todas as coisas E evidentemente um germe semimitológico do nosso moderno conceito de energia Mesmo os cientistas e pensadores de uma época relativamente recente apoiaramse em imagens semimitológicas e arquetípicas na criação de novos conceitos No século XVII por exemplo a absoluta validade da lei da causalidade parecia a René Descartes estar provada pelo fato de que Deus é imutável nas suas ações e decisões E o grande astrônomo germânico Johannes Kepler assegurava que em razão da Santíssima Trindade o espaço não poderia ter nem mais nem menos do que três dimensões Estes são apenas dois exemplos entre os muitos reveladores de que mesmo os nossos conceitos modernos e basicamente científicos permaneceram durante muito tempo ligados a idéias arquetípicas procedentes originalmente do inconsciente Não expressam necessariamente fatos objetivos ou pelo menos não podemos provar que o façam mas se originam de tendências inatas no homem tendências que o induzem a buscar explicações racionais satisfatórias nas relações entre os vários fatos exteriores e interiores de que se deve ocupar Segundo o físico Werner Heisenberg o homem ao examinar a natureza e o universo em lugar de procurar e achar qualidades objetivas encontrase a si mesmo Devido às implicações deste ponto de vista Wolfgang Pauli e outros cientistas começaram a estudar o papel do simbolismo arquetípico no domínio dos conceitos científicos Pauli acreditava que devíamos conduzir nossas pesquisas de objetos exteriores paralelamente a uma investigação psicológica da origem interior dos nossos conceitos científicos Esta investigação poderia trazer nova luz a um conceito de grande envergadura que será discutido pouco adiante o conceito de unicidade entre as esferas física e psicológica aspectos quantitativos e qualitativos da realidade Ao lado desta relação evidente entre a psicologia do inconsciente e a física existem outras conexões ainda mais fascinantes Jung em estreita colaboração com Pauli descobriu que a psicologia analítica viuse forçada por investigações no seu próprio campo a criar conceitos que mais tarde se revelaram incrivelmente semelhantes àqueles criados pelos físicos ao se confrontarem com fenômenos micro físicos Um dos mais importantes conceitos da física é a noção de complementaridade de Niels Bohr A micro física moderna descobriu que só se pode descrever a luz através de dois conceitos complementares mas logicamente contraditórios a onda e a partícula Em termos absolutamente simples podese dizer que sob certas condições de experiência a luz e manifesta como se composta por partículas e em outras co A física norteamericana Maria Mayer Prêmio Nobel de Física de 1963 Sua descoberta a respeito da constituição do núcleo atômico foi obtida como tantas outras descobertas científicas como resultado de um lampejo intuitivo provocado por uma observação ocasional de um colega Sua teoria mostra que o núcleo consiste de conchas concêntricas a mais centre contém dois prótons ou dois nêutrons a seguinte contém oito de um ou de outro e assim por diante numa progressão que ela chama de números mágicos 20 28 50 82 126 Há uma relação evidente entre esta estrutura e os arquétipos da esfera e dos números 307 mo se fora uma onda Descobriuse também que se pode observar detalhadamente ou a posição ou a velocidade de uma partícula subatômica mas não ambas ao mesmo tempo O observador deve escolher o seu plano experimental mas ao fazêlo exclui ou antes sacrifica outros possíveis planos e resultados Além disso o mecanismo de avaliação deve ser incluído na descrição dos acontecimentos porque exerce influência decisiva mas incontrolável nas condições da experiência Pauli declara A ciência da microfísica devido à complementaridade básica das situações enfrenta a impossibilidade de eliminar os efeitos da intervenção do observador por meio de neutralizantes determinados e deve portanto abandonar em princípio qualquer compreensão objetiva dos fenômenos físicos Onde a física clássica ainda vê o determinismo das leis causais da natureza nós agora só buscamos leis estatísticas de probabilidades imediatas Em outras palavras na microfísica o observador interfere na experiência de um modo que não pode ser exatamente calculado e que portanto não se pode também eliminar Nenhuma lei natural deve ser formulada dizendose tal coisa acontecerá em tal circunstância Tudo o que o microfísico pode afirmar é que de acordo com as probabilidades estatísticas tal fenômeno deve acontecer Isto naturalmente representa um problema considerável para o nosso pensamento clássico a respeito da física Exige que na experiência científica se leve em conta a perspectiva mental do observadorparticipante Verificase então que os cientistas já não podem pretender descrever quaisquer aspectos dos objetos exteriores de modo totalmente objetivo A maioria dos físicos modernos aceitou o fato de que o papel representado pelas idéias conscientes de um observador em todas as experiências microfísicas não pode ser eliminado Mas não se preocuparam estes cientistas com a possibilidade de que as condições psicológicas totais do observador tanto as conscientes quantas as inconscientes também estivessem envolvidas na experiência Como observa Pauli não existem razões apriori para rejeitar esta possibilidade mas precisamos considerála como um problema ainda inexplorado e não solucionado A idéia de Bohr a respeito da complementaridade é especialmente interessante para os psicólogos jungianos pois Jung percebeu que o relacionamento entre o consciente e o inconsciente forma também um par completivo de contrários Cada novo conteúdo que vem do inconsciente é alterado na sua natureza básica ao ser parcialmente integrado na mente consciente do observador Mesmo os conteúdos oníricos quando percebidos são deste ponto de vista semiinconscientes E cada ampliação do consciente do observador provocada pela interpretação dos sonhos tem novamente uma repercussão e uma influência inestimáveis sobre o inconsciente Assim o inconsciente só pode ser aproximadamente descrito como as partículas da microfísica através de conceitos paradoxais O que existe realmente no inconsciente em si não o saberemos jamais assim como jamais descobriremos o que há na matéria em si Para conduzirmos ainda mais longe a comparação entre a psicologia e a microfísica aquilo a que Jung chama arquétipos ou esquemas do comportamento emocional e mental do homem também se poderia chamar empregandose os termos de Pauli probabilidades dominantes das reações psíquicas Como já foi acentuado neste livro não existem leis que governem a forma específica em que o arquétipo vai emergir do inconsciente Existem tendências ver pág 67 que mais uma vez nos permitem apenas dizer que é provável acontecer um certo fenômeno em determinadas situações psicológicas Como observou o psicólogo norteamericano William James a noção de inconsciente pode ser comparada ao conceito de campo na física Poderíamos dizer que assim como em um campo magnético as partículas se distribuem em uma certa ordem também os conteúdos psicológicos aparecem ordenados dentro da área psíquica a que chamamos inconsciente Quando o nosso consciente decide que alguma coisa é racional ou significativa e aceita esta qualificação como uma explicação satisfatória isto provavelmente se deve ao fato de nossa explicação consciente estar em harmonia com algumas constelações préconscientes dos conteúdos do nosso inconsciente Em outras palavras nossas representações conscientes são por vezes ordenadas ou arranjadas em um esquema antes de tomarmos 308 consciência delas O matemático alemão do século XVIII Karl Friedrich Gauss nos dá um exemplo desta ordenação inconsciente de idéias Declara ter descoberto uma determinada regra de teoria dos números não devido a pesquisas exaustivas mas por assim dizer pela graça divina O enigma resolveuse por ele mesmo como um raio sem que eu mesmo pudesse dizer ou mostrar a conexão entre o que eu sabia anteriormente os elementos utilizados na minha última experiência e aquilo que produziu o sucesso final O cientista francês Henri Poincaré é ainda mais explícito a respeito deste fenômeno descreve como durante uma noite insone assistiu a suas representações matemáticas praticamente chocandose de encontro a ele até que algumas delas conseguiram uma combinação mais estável Parece neste caso que estamos assistindo ao trabalho do nosso próprio inconsciente tornandose a sua atividade parcialmente perceptível à consciência sem perder o seu caráter peculiar Em tais momentos damosnos conta vagamente da diferença entre os mecanismos dos dois egos Como exemplo final da evolução paralela da micro física e da psicologia podemos considerar o conceito de Jung de significado Onde anteriormente os homens buscavam explicações causais isto é racionais dos fenômenos Jung introduziu a idéia de procurarse o significado isto é o propósito Vale dizer que em lugar de perguntar por que alguma coisa acontece o que a causou Jung pergunta Para que ela acontece Esta mesma tendência aparece na física inúmeros físicos modernos procuram na natureza mais as conexões do que as leis causais o determinismo Pauli esperava que um dia a idéia do inconsciente haveria de expandirse além da terapêutica para passar a influenciar todas as ciências naturais que se ocupam dos fenômenos da vida em geral Desde então esta sugestão encontrou eco em alguns físicos interessados na nova ciência da cibernética isto é no estudo comparativo do sistema de controle formado pelo cérebro o sistema nervoso e os sistemas de controle e de informação mecânica ou eletrônica como os computadores Em resumo como o exprimiu o cientista francês Oliver Costa de Beauregard a ciência e a psicologia devem no futuro estabelecer um ativo diálogo Esta inesperada analogia de idéias na psicologia e na física sugere como Jung assinalou uma possível unicidade final em ambos os campos de realidade que a física e a psicologia estudam isto é uma unidade psicofísica de todos os fenômenos da vida Jung estava realmente convencido de que o que ele chama de inconsciente ligase de uma certa maneira à estrutura da matéria inorgânica uma união que o problema das doenças chamadas psicossomáticas também parece indicar Este conceito de uma idéia unitária de realidade adotada por Pauli e por Erich Neumann era chamado por Jung de unus mundus o mundo único no qual a matéria e a psique ainda não estão discriminadas ou atualizadas separadamente Jung preparou caminho para este ponto de vista unitário ao indicar que um arquétipo mostra um aspecto psicóide isto é não puramente psíquico mas quase material quando aparece dentro de um acontecimento sincrônico pois tal acontecimento é com efeito um acordo significativo entre fatos psíquicos interiores e exteriores Em outras palavras os arquétipos não apenas se ajustam a situações exteriores tal como os padrões animais de comportamento se ajustam ao seu meio mas no fundo tendem a manifestarse em um arranjo sincronizado que inclui tanto a psique quanto a matéria Mas estas constatações contentamse apenas em sugerir alguns caminhos a serem palmilhados no futuro nestas investigações dos fenômenos da vida Jung achava que devíamos de início aprender ainda muito mais a respeito da interrelação destas duas áreas matéria e psique antes de nos lançarmos em uma séria de especulações abstratas a seu respeito O campo que parecia a Jung mais fértil para investigações futuras é o estudo dos axiomas básicos da matemática a que Pauli chama intuições matemáticas primordiais e entre as quais menciona especificamente as noções de uma série infinita de números na aritmética ou de um continuum na geometria etc Como disse o autor germânico Hannah Arendt na sua modernização a matemática não expande só o seu conteúdo ou alcança o infinito aplicandose à imensidade de um universo de crescimento e de expansão ilimitados mas cessa completamente de se preocupar com as aparências Ela já não é o princípio primeiro da filosofia ou a ciência do Ser na sua verdadeira aparência mas tornase a 309 ciência da estrutura da mente humana Um jungiano perguntaria logo que mente a consciente ou a inconsciente Como vimos em relação às experiências de Gauss e de Poincaré os matemáticos descobriram também que nossas representações são ordenadas antes de nos tornarmos conscientes delas B L van der Waerden que cita vários exemplos de intuições matemáticas essenciais vindas do inconsciente conclui o inconsciente não é capaz apenas de associar e de combinar mas é capaz também de julgar É um julgamento intuitivo mas em circunstâncias favoráveis absolutamente correto Entre as muitas intuições matemáticas primordiais ou idéias a priori as mais interessantes do ponto de vista psicológico parecem ser os números naturais Não servem apenas às nossas operações cotidianas para contar e medir mas foram durante séculos a única maneira existente de ler o significado das antigas formas de adivinhação como a astrologia a numerologia a geomancia etc todas elas baseadas em cálculos aritméticos e todas investigadas por Jung em termos da sua teoria da sincronicidade Além disso os números naturais examinados de um ângulo psicológico devem ser certamente representações arquetípicas pois somos forçados a pensar a seu respeito de maneira definida Ninguém por exemplo pode negar que 2 é o único primeiro número par já existente mesmo que nunca tenha pensado a este respeito de modo consciente Em outras palavras números não são conceitos conscientes inventados pelo homem com o propósito de calcular são produtos espontâneos e autônomos do inconsciente como o são outros símbolos arquetípicos Mas os números naturais são também qualidades pertencentes aos objetos exteriores podemos assegurar e contar que aqui existem duas pedras ou três árvores acolá Mesmo se despojarmos os objetos de outras qualidades como cor temperatura tamanho etc ainda resta a sua quantidade ou multiplicidade especial No entanto estes mesmos números também fazem parte indiscutível da nossa própria organização mental conceitos abstratos que podemos estudar sem nos referirmos a objetos exteriores Os números parecem ser portanto uma conexão tangível entre as esferas da matéria e as da psique De acordo com certas sugestões feitas por Jung havemos de encontrar neles um campo promissor para pesquisas futuras Menciono rapidamente estes difíceis conceitos a fim de mostrar que na minha opinião as idéias de Jung não constituem uma doutrina mas são o começo de uma nova perspectiva que continuará a desenvolverse e a evoluir Espero que dêem ao leitor um lampejo do que me parece essencial e típico na atitude científica de Jung Ele vivia em permanente busca revelando uma liberdade rara em relação aos preconceitos tradicionais e possuindo ao mesmo tempo uma grande modéstia e precisão no seu desejo de melhor compreender os fenômenos da vida Não avançou mais nas idéias acima mencionadas porque sentiu que ainda não tinha à sua disposição um número suficiente de fatos que lhe permitisse fazer pronunciamentos relevantes da mesma maneira que esperava vários anos antes de anunciar suas novas descobertas conferindoas o mais possível e levantando ele mesmo todas as possíveis dúvidas a seu respeito Portanto o que talvez pareça ao leitor inicialmente uma certa imprecisão de idéias vem da sua atitude científica de modéstia intelectual uma atitude que se esforça por não excluir através de pseudoexplicações superficiais e precipitadas ou de excessivas simplificações a possibilidade de novas descobertas e que respeita a complexidade do fenômeno da vida O fenômeno da vida sempre foi um mistério fascinante para Carl G Jung que nunca o considerou como acontece às pessoas de mente limitada uma realidade explicada a respeito da qual podese julgar tudo conhecer O valor das idéias criativas está em que tal como acontece com as chaves elas ajudam a abrir conexões até então ininteligíveis de vários fatos permitindo que o homem penetre mais profundamente no mistério da vida Acredito firmemente que as idéias de Jung podem assim servir à descoberta e à interpretação de novos fatos em muitos campos da ciência e também da vida cotidiana levando o indivíduo simultaneamente a uma visão mais equilibrada mais ética e mais ampla do mundo Se o leitor sentirse estimulado a se ocupar mais largamente da exploração e da assimilação do inconsciente tarefa que se inicia sempre por investigar o nosso próprio inconsciente o propósito desta obra introdutória terá sido plenamente alcançado FICHAMENTO O HOMEM E SEUS SÍMBOLOS CAPÍTULO A CIÊNCIA E O INCONSCIENTE ML VON FRANZ FRANZ MarieLouise von A ciência e o inconsciente In JUNG C G org O homem e seus símbolos 14 ed Rio de Janeiro Nova Fronteira 2008 p 304311 INTRODUÇÃO O livro o homem em seus símbolos traz diversas contribuições de autores que têm como objetivo central trazer ao público leigo ideias sobre a psicologia analítica O capítulo intitulado A ciência e o inconsciente escrito por Marie Louise Von Franz explora a reação existencial entre a produção científica e os conteúdos do inconsciente abordando fatores como sonhos símbolos e instituições que podem influenciar as descobertas relativas à compreensão sobre a realidade Com isso a autora traz ainda um diálogo existencial entre a realidade científica e a dimensão simbólica evidenciando fatores quanto aos processos do inconsciente e o modo pela qual este se opõe à ciência além disso a autora também demonstra como tais perspectivas podem enriquecer estas reflexões Com isso a abordagem destaca a importância de integrar divergentes formas de conhecimento para a formação de uma compreensão mais profunda e humanizada sobre a criação das culturas e da realidade 2IDEIA CENTRAL O capítulo traz uma abordagem relativa à relação entre a realidade científica e os conteúdos do inconsciente com isso a autora evidencia que ambas perspectivas não devem ser vistos como fatores opostos mas sim dimensões complementares de um conhecimento humano Além disso a obra destaca que os sonhos são símbolos de manifestações psíquicas consideradas tradicionalmente como objetos irracionais ou subjetivos possuindo uma lógica interna própria capaz de influenciar tanto na vida individual quanto na produção cultural Ao trazer exemplos históricos de descobertas que tiveram origem em imagens simbólicas a autora reforça que o inconsciente não é um mero projetor de fantasias mas sim uma fonte criativa de orientação que proporciona contribuições significativas para o desenvolvimento da ciência Ademais a obra também reforça que os símbolos e sonhos expressam conteúdos relevantes capazes de revelar manifestações do subconsciente Para a autora os sonhos são dados como guia simbólicos que apesar de muitas vezes não parecerem lógicos podem antecipar descobertas e soluções Além disso a ciência muitas vezes tende a reduzir estas explicações devido à sua dimensão simbólica A autora rompe principalmente a redução da visão da ciência tradicional sobre os sonhos valorizando o papel da imaginação e reforçando o simbolismo dos sonhos Além disso o capítulo traz uma abordagem fundamental sobre a aproximação entre a psicologia filosofia e ciência Apesar disso a proposta enfrenta diversos desafios relativas ao campo científico uma vez que sua natureza simbólica muitas vezes não pode mensurar empiricamente o valor de fatores subjetivos 3CITAÇÕES RELEVANTES As poderosas forças do inconsciente manifestamse não apenas no material clínico mas também no mitológico no religioso no artístico e em todas as outras atividades culturais através das quais o homem se expressa p304 Mas dentro do seu campo de ação podemos ré conhecer as suas configurações arquetípicas como uma atividade dinâmica em segundo plano p306 Nos dois casos cada um dos cientistas chegara independentemente à formulação de uma hipótese que iria mudar todo o futuro da ciência p306 À primeira vista parece pouco verossímil que se possa encontrar relação entre a psicologia e a microfísica A interrelação destas duas ciências pede uma pequena explicação p307 A noção de energia e sua relação com força e movimento foi também formulada pelos antigos pensadores gregos e desenvolvida pelos partidários do estoicismo p308 no text

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