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Macroeconomia 2

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Resolver 9 Questões Macroeconomia

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Macroeconomia 2

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Teoria Macroeconômica Teoria Macroeconômica AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Bem vindoa Olá caroa alunoa seja muito bemvindoa ao material pedagógico de Teoria Macroeconômica Somos os professores Luiz Henrique Paloschi Tomé e George Lucas Máximo Ferreira e é com grande satisfação que lhe apresentamos este conteúdo de nossa autoria cuja finalidade consiste em introduzir os conceitos definições e análises da teoria macroeconômica que possibilitem a compreensão dos agregados econômicos dos efeitos das políticas econômicas nos curto e longo prazos e dos determinantes do crescimento econômico e do nível de renda dos países Sendo assim na Unidade I iniciamos com os princípios fundamentais de macroeconomia explicando as contribuições dos teóricos clássicos neoclássicos e modernos Além disso apresentamos de forma breve alguns modelos e abordagens que contribuíram para a construção do pensamento econômico moderno Por sua vez estudamos sobre as variações do produto e emprego por meio da visão clássica abordando o conceito de função de produção bem como os fatores de produção capital e trabalho Ademais abordamos o trade off entre horas de trabalho e lazer as contribuições de Keynes e o seu Princípio de Demanda Efetiva PDA alguns fatos sobre a macroeconomia brasileira taxa de câmbio moeda déficits orçamentários público e inflação e a introdução à Teoria do Crescimento Econômico Na Unidade II estudaremos o equilíbrio externo introduzindo a curva BP que demonstra os pontos de equilíbrio do Balanço de Pagamentos e o Modelo ISLMBP que inclui o setor externo ao Modelo ISLM Dessa forma analisaremos a determinação do nível de renda para uma economia aberta e os efeitos das políticas econômicas ou de alterações em variáveis exógenas sobre o equilíbrio de curto prazo Discutiremos esses efeitos nos regimes cambiais fixo e flutuante considerando uma economia sem mobilidade de capitais com perfeita mobilidade de capitais e com mobilidade imperfeita de capitais Na Unidade III apresentamos o conceito de Curva de Oferta Agregada com Base em Preços Passados Posto isso introduzimos as expectativas racionais e adaptativas cuja aplicação nos levou a Curva de Oferta de Lucas e a Curva de Oferta de Phillips Nesta última fomos apresentados ao trade off que acontece entre os níveis de desemprego e as taxas de inflação Por conseguinte discorreremos sobre a Curva de Phillips Aceleracionista como resultado da inclusão das expectativas adaptativas que levam os agentes a considerar as previsões futuras com base em experiências do passado Além disso discutimos acerca dos Choques de Oferta com o exemplo clássico da elevação abrupta dos preços do petróleo deflagrado pela OPEP na década de 1970 Por fim na Unidade IV veremos o consumo e a escolha intertemporal considerando que as famílias decidem quanto consumir e poupar no presente levando em conta o futuro discutiremos a importância do investimento tanto como componente da demanda agregada como no aumento da capacidade produtiva da economia no longo prazo analisaremos a atuação do governo e as consequências da existência de déficits públicos e discutiremos o crescimento econômico com o Modelo HarrodDomar o Modelo de Solow e o Modelo de Solow com capital humano Muito obrigado e bom estudo Unidade 1 Conceitos Gerais AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Introdução Caroa alunoa da disciplina de Teoria Macroeconômica vamos iniciar a nossa jornada pelo aprendizado abordando as principais características conceitos e definições que abrangem a Macroeconomia Sendo assim começamos com os princípios fundamentais de macroeconomia explicando o seu alvorecer bem como o desenvolvimento e a necessidade que a evidenciou Apresentaremos os principais economistas clássicos e neoclássicos cujas contribuições são o fundamento dos modelos e abordagens tais como conhecemos hoje quais são alvos de críticas mas também da construção do pensamento econômico moderno Discorreremos sobre a Teoria Keynesiana contribuições e modelos que a sucederam como forma de representar as identidades macroeconômicas Além disso abordaremos por meio da visão classicista os conceitos e comportamentos do produto e emprego utilizando uma função de produção e assumindo alguns pressupostos que veremos na sequência serem refutados por Keynes Por sua vez introduzimos alguns modelos keynesiano e a ênfase no Princípio da Demanda Efetiva finalizando com a apresentação do multiplicador de gastos Conquanto apresentamos brevemente os aspectos da macroeconomia brasileira por meio do seu desenvolvimento endividamento processo hiperinflacionário e as insatisfatórias tentativas de estabilização da economia que culminou no Plano Real Ademais apresentamos e explicamos o Balanço de Pagamentos Brasileiro por meio de dados reais da economia bem como discorremos sobre a taxa de câmbio como principal mecanismo e meio de troca internacional Por sua vez finalizamos com os aspectos elementares acerca da Teoria do Crescimento Econômico cujo objetivo consiste em introduzir oa caroa estudante no contexto de variáveis e modelos de crescimento econômico e sobretudo explicar suas funcionalidades e aplicações Bons estudos Princípios Fundamentais AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Olá caroa alunoa Vamos abordar brevemente os princípios fundamentais sobre a Macroeconomia Posto isso o termo Macroeconomia surgiu na década de 1930 num contexto de progresso nos estudos das questões econômicas agregadas No período antecedente as questões microeconômicas dominavam os meios acadêmicos sendo que os fatores que determinam a renda como o emprego e os preços passaram a receber atenção a posteriori Além disso os estudos macroeconômicos foram intensificados devido à Grande Depressão de 1929 resultando em pesquisas sobre ciclos de negócios bem como em alternativas cujo teor consistia na estabilização da economia Dessa interação surgiu a obra intitulada A Teoria Geral do Emprego do Juro e da Moeda de John Maynard Keynes no período conhecido como Revolução Keynesiana Por sua vez Keynes atacava a Economia Clássica bem como os monetaristas novoclássicos e teóricos dos ciclos reais de negócios atacavam a teoria keynesiana partindo de pressupostos clássicos FROYEN 1999 JONES 1979 Diante do exposto o objetivo da Teoria Econômica é analisar como são formados os preços e as quantidades dos bens e serviços bem como dos fatores de produção presentes na economia Além disso Lopes e Vasconcellos 2008 sublinham que os economistas da escola neoclássica elaboraram um método cujo princípio consistia na hipótese de racionalidade dos agentes econômicos isto é diante de um conjunto de variáveis os indivíduos escolheriam a opção que apresentasse a maior vantagem Assim sendo a abordagem foi estruturada em duas entidades o consumidor e a firma Por sua vez o consumidor objetiva a maximização de alguma função que seja de satisfação ou utilidade e as firmas são baseadas na premissa básica de maximização dos lucros Admais a macroeconomia pode ser examinada por meio de vários modelos macroeconômicos os quais são representações econômicas simplificadas que objetivam detectar segundo Froyen 1999 fatores importantes na determinação de vários agregados como produto emprego e nível de preços Além disso para entender as relações teóricas hipotéticas entre essas variáveis econômicas agregadas e variáveis de política macroeconômica vamos definir e conceituar as respectivas contrapartidas das variáveis dos nossos modelos no mundo real Conquanto vamos considerar algumas relações contábeis existentes entre essas variáveis como as medidas nas Contas Nacionais e Balanço de Pagamentos Por conseguinte discorreremos sobre os Clássicos da Macroeconomia no próximo tópico Clássicos da macroeconomia Os economistas clássicos a rigor são os que precederam os neoclássicos a saber Adam Smith David Ricardo Stuart Mill Thomas R Malthus e JeanBaptiste Say Entretanto segundo Lopes e Vasconcellos 2008 o termo clássico empregado na Teoria Macroeconômica usualmente destaca os economistas neoclássicos os quais baseavam suas interpretações no racionalismo econômico representados por Alfred Marshall Léon Walras Arthur Cecil Pigou e Francis Y Edgeworth CONCEITUANDO Segundo Brue 2006 o termo neo significa novo portanto neoclássico implica uma nova forma de classicismo Por conseguinte essa vertente de pensadores econômicos acreditava na capacidade da economia de mercado expurgando a intervenção do governo de empregar de maneira eficiente todos os recursos à disposição de modo a atingir o nível de pleno emprego isto é no contexto em que não existem indivíduos desempregados voluntariamente Posto isso os economistas neoclássicos se baseavam na suposição de plena flexibilização de preços e salários por sua vez preços e salários tenderiam ao ajuste no mercado de trabalho garantindo assim o equilíbrio no mercado de trabalho a pleno emprego Além disso acreditavase no poder autorregulador do mercado ou seja na crença no liberalismo na qual a oferta criaria a sua própria demanda conhecida como a Lei de Say LOPES VASCONCELLOS 2008 Ademais após a Grande Depressão de 1929 surgiu uma grande insatisfação com os resultados que as teorias econômicas conjecturavam isto é a convergência automática ao pleno emprego e portanto a não existência de desemprego e capacidade ociosa o que se revelou uma falácia devido a procura por empregos sem êxito Assim sendo Lopes e Vasconcellos 2008 afirmam que somente com a A Teoria Geral do Emprego do Juro e da Moeda de John Maynard Keynes postulada em 1936 que são intensificadas as críticas aos modelos anteriores e disposta a oportunidade da intervenção governamental por meio de instrumentos de política monetária eou fiscal cujo objetivo consiste em conduzir a economia à plena utilização dos recursos Keynes por sua vez postulou que contrariamente à teoria clássica não existe flexibilidade perfeita entre preços e salários e portanto não garante o pleno emprego dos recursos Diante do contexto o autor evidenciou a participação dos sindicatos na precificação dos salários cujo efeito resultava em rigidez e que por sua vez conduzia ao chamado desemprego involuntário isto é o cenário em que os indivíduos procuram emprego mas não obtém oportunidades com a economia posicionada abaixo do pleno emprego REFLITA É um erro capital teorizar antes de se ter as informações As pessoas começam a torcer os fatos para que se encaixem nas teorias em vez de formular teorias que encaixem os fatos Sherlock Holmes Um Escândalo na Boêmia Produto e emprego A produção e o emprego são os fatores que determinam no modelo clássico as posições nas curvas de oferta e demanda por trabalho bem como da função de produção agregada Dito isso a função de produção se desloca pressupondo uma mudança tecnológica que altera a quantidade de produtos a ser obtido dada uma quantidade fixa de insumos Além disso à medida que o estoque de capital se altera no fluxo temporal a função de produção também é deslocada Diante do exposto Froyen 1999 sublinha que a curva de demanda por trabalho se iguala à curva do produto marginal do trabalho influenciando a inclinação da função de produção Assim sendo a relação central do modelo clássico é dada por meio da função produção agregada que se baseia na tecnologia das firmas individuais e que relaciona os níveis de produção e os níveis de insumos Posto isso Froyen 1999 destaca que para cada nível de utilização dos insumos a função de produção expressa o valor respectivo de produção conforme equação 1 y FK N 1 Na qual y representa a produção real K é o estoque de capital fábrica e equipamentos e N significa a quantidade de mãodeobra por suposição homogênea Como observado supõese que o estoque de capital seja fixo K e a tecnologia e a população constantes no intervalo considerado Assim a produção varia no curto prazo devido a alterações na quantidade de mão de obra derivada da população considerada inalterada FROYEN 1999 ATENÇÃO A barra superior segundo Mankiw 2015 significa que a variável é fixa em determinado nível bem como os fatores de produção são preestabelecidos Dito isso no modelo apresentado é suposto haver uma quantidade fixa de capital e mãodeobra Diante do contexto podemos extrair algumas pressuposições Figura 1 a saber i sob a hipótese de baixos níveis de emprego N é suposto que a função seja uma linha reta o que significa que acréscimos de trabalhadores em determinada fábrica e na utilização de equipamentos não gera alterações na produtividade do último trabalhador contratado Entretanto ii situações entre N e N demonstram que acréscimos de mãodeobra provocam aumentos na quantidade produzida ademais conforme são adicionados novos trabalhadores esses acréscimos são reduzidos até não produzir nenhum incremento no produto Figura 1 Função de Produção e Produto Marginal do Trabalho a Função de Produção yFKN b Produto Marginal do Trabalho Fonte adaptado de Froyen 1999 Uma inspeção visual na Figura 1 permite verificar que conforme a mãodeobra N sobe a produção y aumenta entretanto a uma taxa marginal decrescente Segundo Froyen 1999 a inclinação da razão ΔyΔN é positiva porém apresenta reduções conforme se avança na curva Além disso o Produto Marginal do Trabalho PMgNi é um acréscimo proporcionado pela adição de uma unidade de mãodeobra representado por uma curva negativa dado que o aumento de uma unidade de trabalho produz incrementos cada vez menores na produção Por sua vez a função de Produção yFKN mede o nível de produção por meio da relação tecnológica dada uma determinada quantidade de mãodeobra trabalho Ademais para os economistas clássicos o nível de emprego utilizado era determinado pelas forças de oferta e demanda do mercado de trabalho Sendo assim segundo os clássicos o pressuposto é de que o mercado de trabalho funciona de forma apropriada com as firmas e trabalhadores agindo de maneira ótima Além disso não havendo assimetria de informações sobre os preços ou seja todos são informados sobre os preços relevantes o mercado converge para o equilíbrio devido à ausência de entraves ao ajustamento dos salários nominais FROYEN 1999 Por sua vez pela ótica da demanda os serviços de mãodeobra são absorvidos pelas firmas que produzem os bens e serviços Dessa forma para estimar a demanda por trabalho vamos supor uma firma qualquer designada como iésima firma Além disso vamos introduzir o conceito observado no modelo clássico em que as firmas são perfeitamente competitivas isto é segundo Lopes e Vasconcellos 2008 as empresas não decidem sobre os preços P que vendem as mercadorias por hipótese é dado e não determina o quanto de salário será pago à mãodeobra Posto isso a decisão da firma é restrita à escolha da quantidade de trabalho a ser contratada e estimar o quanto produzir de modo que maximize o lucro por meio da expressão LucroReceita Total Custo Total e LucroπPYWNRK Na qual W Salário Nominal por unidade laboral R Custo por unidade de capital P Representa o preço do produto Y Reescrevendo a equação 3 em função da utilização do trabalho obtemos πPFNWNRK De acordo com a premissa da firma de maximização do lucro derivamos a equação 4 com relação à força de trabalho N portanto a condição de primeira ordem CPO é πN PFN W 0 5 e PFN W 6 FN WP 7 Assim sendoFN é a derivada primeira da função do trabalho e significa que para a firma maximizar o lucro ela precisa contratar trabalhadores até o ponto que a PMgNi ou FN seja igual ao salário real WP Posto isso PMgNi representa a própria demanda de mãodeobra pela firma LOPES VASCONCELLOS 2008 Diante do contexto Froyen 1999 destaca que a produção no curto prazo é alterada caso haja variações na quantidade de trabalho utilizada de modo que o nível de produção e trabalho resulta numa decisão única Além disso a firma perfeitamente competitiva buscará aumentar a sua produção até que o custo marginal de produção se iguale à receita marginal advinda das vendas por sua vez a receita marginal é igual ao preço do produto Sabemos por definição que a mãodeobra trabalho é o único fator variável da produção assim sendo o custo marginal de cada unidade adicionada de produção é igual ao custo marginal do trabalho Além disso o custo marginal do trabalho se iguala à razão entre o salário em unidades monetárias e a quantidade de unidades fabricadas com relação ao acréscimo de unidades de mãodeobra na produção conforme a expressão a seguir CMgi WPMgNi 8 Na qual CMgi representa o Custo Marginal da iésima firma que por sua vez é igual a razão entre o salário nominal ou monetário W e PMgNi que significa o Produto Marginal da mãodeobra para a iésima firma Dessa forma Froyen 1999 supõe que seja remunerado o trabalho com 1500 um unidades monetárias por hora e que cada unidade adicional de mãodeobra produza cinco unidades de produção assim o WP isto é o salário real será de 300 um Reescrevendo a equação 8 sob a premissa inicial das firmas de maximização dos lucros no curto prazo obtemos P CMgi WPMgNi 9 ou WP PMgNi 10 Assim sendo sob a premissa de maximização do lucro a condição é que o salário real remuneração da mãodeobra representada por unidades de produção e não em unidades monetárias e por sua vez a firma para maximizar o lucro contrata até o ponto no qual o produto marginal do trabalho se iguale ao salário real MANKIW 2015 p110 representado por WP a ser pago pela firma se iguale ao Produto Marginal do Trabalho o qual é medido em unidades de produção Posto isso Mankiw 2015 destaca que o PMgNi é dependente da quantidade de mãodeobra assim a curva de produto marginal apresenta uma inclinação descendente devido à redução que acontece com os acréscimos de unidades de trabalho Figura 2 Figura 2 Curva de Demanda por trabalho da empresa Fonte adaptado de Froyen 1999 Uma inspeção visual na Figura 2 permite verificar que sob o salário real de 30 uma quantidade de trabalho contratada pela empresa será de 400 unidades o que representa o ponto de equilíbrio Por sua vez com a quantidade sendo inferior a 400 unidades ou seja 350 unidades o salário real será de 40 um o que excede o salário real de 30 um significando que em termos reais o pagamento ao trabalhador é inferior ao produto real produzido por ele Dessa forma para aumentar os lucros seria necessário o acréscimo de unidades de trabalho Ademais se a quantidade for superior a 400 unidades o salário real de equilíbrio 30 um excederia o PMgNi Além disso os pagamentos da mãodeobra superariam o produto marginal dos trabalhadores e os custos marginais excederiam o preço do produto condicionando a maximização dos lucros a uma redução das unidades de trabalho Por conseguinte vamos relacionar o último aspecto necessário para determinar o emprego e na sequência o nível de produção na abordagem clássica por meio da Curva de Oferta de Trabalho Os economistas clássicos adotavam a premissa da maximização da utilidade ou satisfação do indivíduo cujo nível dependia da renda e lazer resultando no tradeoff entre esses dois objetivos devido à condição imposta de que a renda aumenta com o trabalho no entanto reduz as horas disponíveis de lazer Por sua vez o trabalho não gera prazer apenas à renda necessária que permite consumir e obter satisfação por meio do consumo de produtos Além disso o lazer produz satisfação por meio da maximização da utilidade do indivíduo Ademais cada hora destinada ao trabalho é uma hora reduzida de lazer LOPES VASCONCELLOS 2008 A Figura 3 ilustra essa dinâmica Figura 3 TradeOff entre Horas trabalhadas e disponíveis para Lazer Fonte adaptado de Froyen 1999 Mankiw 2015 A Figura 3 demonstra o custo de oportunidade que o indivíduo deve fazer entre horas de trabalho e lazer O indivíduo detém a força de trabalho ou seja 24 horas à disposição e oferta até o ponto em que o trabalho seja trocado por renda representado pelo salário real WP Sendo assim salários maiores tendem a provocar aumentos na oferta de mãodeobra conforme plotado na Figura 3 b N s j Além disso a inclinação das curvas de indiferença U1 U2 U3 ilustra as preferências do indivíduo ou seja representa o quanto está propenso a realizar a troca entre horas trabalhadas e lazer FROYEN 1999 Ademais para obter a renda de 48 um WP Ns o indivíduo precisa escolher trabalhar por 8 horas sendo remunerado em 60 umhora entretanto ele consegue optar por aumentar as suas horas de lazer e escolher trabalhar 6 horas e sua renda será reduzida a 30 um devido ao salário real de 50 umhora CONCEITUANDO Segundo Sandroni 1999 Tradeoff é a expressão que define situação de escolha conflitante ou seja uma ação econômica cujo objetivo é a resolução de determinado problema mas que de forma inevitável provoca outros problemas Finalmente determinadas a oferta e a demanda de mãodeobra cabe analisar o funcionamento do mercado de trabalho para estimar o nível de emprego e salário real Relemb rando que no modelo clássico é suposta a concorrência perfeita ou seja com grande número de ofertantes não considerando a influência de forças sindicais por meio de tabelamento de preços e por meio de um grande número de demandantes devido à ausência de poder por parte das firmas em fixar salários excluindo a existências de monopolistas eou oligopolistas Assim sendo havendo excesso de oferta de mãodeobra o salário real reduz e na medida em que houver excedente de demanda o salário real aumenta LOPES VASCONCELLOS 2008 Posto isso o mercado tende a alcançar um nível de salário real em que a oferta de trabalho se iguale a demanda assim nesse contexto todos que desejarem trabalhar encontrará emprego e as firmas obterão oferta suficiente de mãodeobra para atender suas demandas Figura 4 Figura 4 Equilíbrio no mercado de trabalho segundo a Teoria Clássica Fonte adaptado de Lopes e Vasconcellos 2008 Uma inspeção visual na Figura 4 permite verificar que quando o salário for superior ao nível de equilíbrio haverá excesso de oferta de mãodeobra fazendo com que o número de horas de trabalho oferecidas pelos trabalhadores exceda o demandado pela firma gerando uma condição de desemprego WPA Diante do contexto a concorrência devido ao excesso de oferta de trabalho converge para uma redução salarial diminuindo a oferta e aumentando a demanda até que as duas quantidades tendem ao equilíbrio novamente a um nível inferior do salário real WPE LOPES VASCONCELLOS 2008 Por sua vez se o salário real se situar abaixo do equilíbrio provocará um excesso de demanda por trabalho gerando a condição de super emprego WPB Dessa forma a concorrência entre as firmas para obter trabalhadores tende a elevar os salários reais por meio da ampliação da oferta de trabalho reduzindo a demanda até que as quantidades retornem ao ponto de equilíbrio Teoria macroeconômica moderna Como observamos na abordagem clássica e sob a hipótese de que o mercado funciona livremente e na ausência de imperfeições a economia tenderia a buscar o ponto de equilíbrio no mercado de trabalho isto é o pleno emprego Posto isso não haveria desemprego involuntário o que significa que os indivíduos buscam trabalho ao nível do salário de mercado e no entanto não obtêm emprego Assim sendo o desemprego só aconteceria na situação em que os trabalhadores desejassem remuneração superior ao salário de mercado conhecido por desemprego voluntário Entretanto Lopes e Vasconcellos 2008 ressaltam que a Teoria Clássica não obteve êxito em explicar por que no contexto econômico da Grande Depressão da década de 1930 o desemprego aumentava mesmo com os salários nominais em derrocada e sobretudo na situação em que os indivíduos aceitavam salários cada vez menores e não encontravam oportunidades de emprego Diante do contexto surge a necessidade de alterar a abordagem que se deslocou da Oferta Agregada condições tecnológicas fatores de produção e nível do produto para a análise da Demanda Agregada Por conseguinte a obra de John Maynard Keynes The general theory of employment interestand Money 1936 A teoria geral do emprego do juro e da moeda na qual o autor introduziu o conceito conhecido por Princípio da Demanda Efetiva doravante PDE tinha como objetivo a determinação do produto e da renda dessa forma acontecia a ruptura com as ideias clássicas da passividade da demanda e a adequação à oferta conforme formulado pela Lei de Say LOPES VASCONCELLOS 2008 Diante do contexto é importante destacar que muitas das ideias apresentadas por Keynes foram pensadas por economistas dos Estados Unidos cujas teorias compreendiam programas trabalhistas públicos orçamentos do governo federal e facilitação de acesso ao crédito por meio do Sistema Federal de CréditoAlém disso muitos teóricos tinham conhecimento acerca do efeito multiplicador que o aumento nos gastos do governo poderia provocar sobre os gastos e a renda total Por sua vez algumas teorias previam que à medida em que a renda nacional aumentava os gastos com consumo cresciam à taxa inferior à renda total e por conseguinte as poupanças aumentavam de modo acelerado Ademais os salários eram considerados custos de produção e fonte de demanda por bens e serviços além do que as reduções nos salários não apresentavam solução na diminuição do desemprego Entretanto foi Keynes que operacionalizou a estrutura analítica e pavimentou a revolução keynesiana BRUE 2006 Assim sendo tendo por base o PDE proposto por Keynes as principais variáveis da demanda são o consumo C e o investimento I no qual o autor considera o consumo agregado uma função da renda e por conseguinte o crescimento do consumo está condicionado ao aumento da renda entretanto não na mesma proporção como demonstrado pela variável de propensão marginal a consumirdoravante PMC ou c Tabela 1a Além disso a PMC é afetada por vários fatores como distribuição de renda preferências individuais eou abstratas como aversão ao risco avareza entre outros e por sua vez essa variável deve ser positiva 0 c 1 Por conseguinte as ideias de Keynes podem ser expressas por meio dos modelos macroeconômicos apresentados na Tabela 1 Sendo assim o modelo simples é de que o produto Y é determinado pela demanda agregada DA considerando que não há restrições da oferta agregada OA para o crescimento do produto o que por sua vez implica que as firmas são livres para ofertar qualquer quantidade de produtos a um nível de preços estabelecidos ou seja a OA no limite tendendo ao infinito é elástica com relação aos preços de tal modo que é por meio da DA que o nível de produto é determinado mantendo a premissa do PDE LOPES VASCONCELLOS 2008 Ademais como estímulo da produção ao movimento dos estoques a economia converge ao equilíbrio com o nível de produção se igualando à demanda agregada planejada representada por OA DA e por sua vez igual ao consumo além de que o investimento involuntário é zero conforme apresentado na Tabela 1a por meio da equação Y C que pode ser expressada supondo uma função linear do consumo C C0 cY em que C0 0 representa o consumo autônomoque independe do nível de renda isto é mesmo que a renda seja zero exista essa variável e c são o PMC Posto isso por definição a poupança é o complemento da função consumo com relação à renda não consumida Por conseguinte Lopes e Vasconcellos 2008 sublinham que a poupança é considerada o resíduo da renda não consumida representada pela equação S C0 1 c Y que possui sinal negativo devido à situação em que na ausência de produção acontece a poupança negativa Além do que 1 c significa a propensão marginal a poupar doravante PMP que representa à proporção que a poupança cresce em consonância com os aumentos em unidades de renda O segundo modelo macroeconômico keynesiano apresentado segundo Lopes e Vasconcellos 2008 considera o investimento sendo fixo ou seja com características autônmas em relação à renda representado por I I0 Dessa forma o investimento não depende do nível da renda assumindo um valor constante Além disso são mantidas as condições de equilíbrio na qual o produto é igual à demanda acrescida do termo de investimento conforme descrito na Tabela 1b por meio da identidade macroeconômicaY C I Tabela 1 Modelos Macroeconômicos Keynesiano Fonte adaptado de Lopes e Vasconcellos 2008 Verificando os sistemas de equações a e b desenvolvidos até agora percebemos que o nível da renda de equilíbrio varia de acordo com a PMC c e do nível de gastos autônomos representados por C0 e I0 Posto isso a renda de equilíbrio é sensível a aumentos eou reduções nessas variáveis o que provoca o deslocamento da função de demanda agregada Ademais a dinâmica de variações que acontece entre gastos autônomos e as variações sob a renda é devido ao multiplicador de gastos que segundo Lopes e Vasconcellos 2008 é representado pela equação Multiplicador de Gastos ΔY ΔDA 11 Na qual ΔY representa a variação da renda nacional ΔDA é a Variação autônoma na DA Dessa forma uma variação inicial nas despesas influencia diretamente a renda em consonância com aqueles favorecidos pelos gastos Além disso os indivíduos que recebem essa renda ampliarão o consumo de acordo com a PMC devido ao acréscimo obtido da renda e geram por conseguinte um novo aumento na renda representado pelo termo 1 1 c em que c é a PMC Na sequência temos o modelo keynesiano incluindo os gastos públicos Governo os quais são somados ao consumo privado e aos investimentos supondo uma economia fechada isto é não há trocas de bens e serviços com outros países Por sua vez ao incluir o governo no modelo se deve considerar a receita pública que acontece por meio de arrecadação de impostos representado pelo termo T tY Tabela 1c cuja aplicação subtrai parte da renda dos indivíduos que poderia ser destinado ao consumo ou poupança portanto é representado pela equação de renda disponível Yd como Yd Y T LOPES VASCONCELLOS 2008 Ademais o último elemento a ser introduzido na análise dos modelos macroeconômicos keynesiano é o comércio exterior resto do mundo representado por meio do termo X M isto é se trata de uma economia aberta com trocas comerciais com outros países KRUGMAN OBSTFELD MELITZ 2015 Assim X significa exportações ou seja a demanda do resto do mundo aos produtos brasileiros e M as importações ou um elemento de vazamento de renda o que por sua vez pode ser substituído pela propensão marginal a importar M mY de acordo com a Tabela 1d Determinação e as flutuações do nível global De acordo com Dornbusch Fischer e Startz 2013 a determinação e as flutuações do nível global de atividade econômica isto é do produto no curto prazo podem ser explicadas por meio da demanda agregada Sendo assim temos que no curto prazo a curva de oferta agregada é horizontal Lopes e Vasconcellos 2008 definem como a oferta agregada keynesiana ou seja o nível de preços é fixo no ponto em que a curva de oferta alcança o eixo vertical Entretanto o produto em oposição ao comportamento apresentado consegue assumir qualquer valor devido ao pressuposto de que a quantidade do produto não influencia os preços no curto prazo Doravante podemos pensar em uma situação em que nem a oferta agregada seja fixa em um determinado nível de preços e tampouco seja imóvel no pleno emprego cuja curva é positiva inclinada e representa o trade off entre crescimento e inflação UniFCV Centro Universitário Cidade Verde Brasil e a Macroeconomia AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira A economia brasileira passou por sucessivas transformações desde o processo de desvinculação da capital colonizadora Lisboa Intrinsecamente o país enfrentou problemas de endividamento desde o início de sua independência com a coroa portuguesa Posto isso e transpostos os primeiros desafios surgiram outros ao longo do curso da história os quais foram sendo superados Por sua vez na história moderna do Brasil o povo lutou por liberdades direitos e deveres por meio de constituições revoltas revoluções e a um elevado custo o país venceu a ditadura militar de 1964 redemocratizando o Estado e por meio das Diretas Já de 1990 elege o primeiro presidente da democracia moderna brasileira Fernando Collor de Mello No contexto macroeconômico os desajustes frequentes eram desequilíbrio das contas externas endividamento excessivo do governo hiperinflação escassez de mercadorias devido às barreiras de importação indústria nacional não competitiva elevada concentração de renda entre outras variáveis Sendo assim nas décadas de 198090 foram implementadas uma sucessão de medidas econômicas cujo objetivo consistia em equilibrar e estabilizar a economia brasileira começando por planos econômicos mal sucedidos como Plano Cruzado 1986 Plano Bresser 1987 Plano Verão 1989 e Plano Collor I e II os quais possibilitaram uma curva de aprendizado acerca do que não fazer no processo de estabilização como congelar preços e salários ou atacar o estoque de moeda não considerando o fluxo monetário ou as expectativas dos agentes econômicos os quais antecipam os acontecimentos e sabotam a mudança Posto isso em 199394 por meio do Plano Real elaborado pela equipe econômica do Presidente Fernando Henrique Cardoso FHC surge a Unidade Real de Valor URV ou URVerização qual viria a substituir o Cruzado e paralelamente instaurar a nova moeda o Real Além disso para sustentar a estabilização da economia foi adotada uma série de medidas e a principal foi a implementação do Tripé Macroeconômico por meio de câmbio flutuante regime de metas de inflação e superávit primário Quadro 1 Quadro 1 Breve resumo dos eventos econômicos brasileiros Evento Aspectos Macroeconômicos Período Fonte Diretrizes Gerais do Plano Nacional de Desenvolvimento Plano de Metas ou 50 anos em 5 de JK Crescimento do Produto Interno Bruto PIB Aceleração da inflação aumento do déficit público e Desgaste da situação externa 19551963 Villela 2011 Plano de Ação Econômica do Governo Paeg Reformas estruturais nos setores Financeiro Tributário Mercado de trabalho 19641967 Hermann 2011 Milagre econômico Taxas de crescimento superiores a 10 aa Redução moderada da inflação qual espreitou valores próximo a 15 aa Indicadores do Balanço de Pagamentos BP promissores 19681973 Schmidt e Giambiagi 2015 aChoque dos preços do Petróleo entre 19731979 II Plano Nacional de Desenvolvimento II PND Com a implementação do II PND no governo Geisel foram concluídos o processo de Industrialização por Substituição de Importações ISI Forte Crescimento econômico Transformações na infraestrutura produtiva do país Aceleração inflacionária Deterioração das contas públicas Desequilíbrio no Balanço de Pagamentos 19741984 Hermann 2011 Hiperinflação brasileira entre 19851993 Experiências malsucedidas de Plano Cruzado Governo Sarney 19851989 Castro 2011 estabilização da inflação 1986 Plano Bresser 1987 Plano Verão 1989 Deterioração das contas fiscais e externas Plano Collor I e II¹ Medidas Fiscais Aumento da carga tributária IPI IOF etc PICE ² PND ³ Fernando Collor de Mello impeachment Plano Real Pavimentação do programa de estabilização Itamar Franco 19901998 Proposta Larida Fase I Ajuste Fiscal Fase II Desindexação Fase III Âncora Nominal Fernando Henrique Cardoso FHC Governo Lula Carta ao Povo Brasileiro Nota sobre o Acordo com o FMI 20032010 Giambiagi 2011 Fonte adaptado de Giambiagi 2011 Nota JK Juscelino Kubitschek de Oliveira ocupou a presidência da república entre 19561961 Situação agravada pelas Instruções 70 substituída pela 113 da Sumoc a se trata de evento exógeno mas que exerceu influência sobre a economia brasileira Homenagem aos economistas Pérsio Arida e André Lara Resende formuladores do plano ¹ Amplamente conhecido pelo desastre econômico provocado devido ao congelamento da poupança dos brasileiros como uma medida desesperada de controle inflacionário ² PICE Política Industrial e de Comércio Exterior cujo objetivo consistia no incentivo para as empresas brasileiras aumentarem a competitividade ³ Plano Nacional de Desestatização marcou o início do processo de privatizações qual contribuiu para o sucesso da estabilização posterior da economia Uma inspeção visual no Quadro 1 permite verificar de modo breve alguns acontecimentos importantes na economia brasileira Não obstante não há pretensão de esgotar a literatura ou os fatos econômicos que contribuíram para a transformação do status quo do país Dito isso observamos períodos como do Milagre econômico qual apresentou taxas de crescimento superiores a 10 aa acompanhado de reduções nas taxas inflacionárias e com relativa melhora nos indicadores do Balanço de Pagamentos Além disso Hermann 2011 reitera que essas relações macroeconômicas são controversas devido à dificuldade de equilíbrio existente entre crescimento econômico e inflação ou desemprego e inflação comumente conhecida como a curva de Phillips Ademais Giambiagi 2011 sublinha a manutenção do establishment pelo presidente recém eleito Luiz Inácio Lula da Silva e a sua equipe econômica que seguiram com as políticas implementadas no governo FHC por meio da Carta ao Povo Brasileiro em que se comprometia em preservar o Tripé Macroeconômico posição esta reforçada com a Nota sobre o Acordo com o FMI reafirmando os acordos de pagamento da dívida externa brasileira SAIBA MAIS Diante do contexto hiperinflacionário da década de 1990 foram adotadas medidas para combater e estabilizar a economia brasileira Posto isso para ancorar as mudanças estruturais realizadas foi necessário implementar o chamado Tripé Macroeconômico qual defendia a utilização de taxas de câmbio flutuante com a livre mobilidade de capitais cujo objetivo consistia em auxiliar no ajuste das contas externas na sequência foram adotadas metas de superávit primário para reduzir o endividamento do setor público e pôr fim a adoção do regime de metas de inflação e por conseguinte a utilização da política monetária Fonte Côrte e Souza 2020 ACESSAR Instrumentos de Análise AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Modelos de balanço de pagamentos e taxa de câmbio O Balanço de Pagamentos doravante BP é organizado para manter o controle das entradas e saídas de um país assim toda transação que resulte em recebimento do exterior entra no BP como crédito e quando se tratar de pagamento ao exterior é registrado como débito O Banco Central do Brasil Bacen a partir de abril2015 passou a divulgar os resultados do setor externo da economia brasileira de acordo com a 6ª edição do Manual de Balanço de Pagamentos e Posição Internacional de Investimento BPM6 proposto pelo Fundo Monetário Internacional FMI MILTONS 2016 Para Dornbusch Fischer e Startz 2013 o BP é subdividido em duas contas a saber conta corrente e conta de capital Assim sendo é na conta corrente que são registrados o comércio de bens e serviços além dos pagamentos de transferências e por sua vez na conta capital são registradas as compras e vendas de ativos ações títulos entre outros Além disso de acordo com Krugman Obstfeld e Melitz2015 as transações internacionais são divididas em i transações cuja origem são as exportações e importações de mercadorias ou serviços provisionadas diretamente na conta corrente ii transações cuja origem são a compra e venda de ativos financeiros como ações metais preciosos obras de arte etc o registro é realizado na conta financeira e iii outras atividades que destinam transferência de riquezas entre países são registradas na conta capital Posto isso o princípio do BP segue o Método das Partidas Dobradas ou Método Veneziano isto é toda transação internacional é lançada duas vezes uma como crédito e uma como débito Por sua vez Krugman Obstfeld e Melitz 2015 sublinham que muitas circunstâncias podem influenciar a forma como uma transação é provisionada no BP Assim qualquer transação comercial internacional gera automaticamente entradas de crédito e débito compensatórios no BP e portanto a soma do saldo da conta corrente e do saldo da conta capital se igualam ao saldo da conta financeira mais erros e omissões Tabela 1 cujo objetivo é o fechamento das contas do BP que torna nula a soma de créditos e débitos do BP impedindo que discrepâncias influenciem nos resultados MILTONS 2016 Tabela 1 Balanço de Pagamentos do Brasil US milhões Discriminação 2019 2020 Jun Janjun Ano Jun Janjun I Transações correntes 2 659 20 998 49 452 2 235 9 734 Balança comercial bens 4 714 22 412 40 782 6 898 19 327 Exportações ¹ 18 429 109 590 225 821 17 997 102 184 Importações ² 13 715 87 177 185 039 11 099 82 858 Serviços 3 550 17 653 35 139 1 371 11 187 Renda primária 3 876 26 420 56 059 3 452 18 608 Renda secundária 52 662 964 160 734 II Conta capital 3 147 369 18 190 III Conta financeira 3 2 605 22 646 51 511 2 420 8 643 Erros e omissões 51 1 795 2 428 167 902 Fonte adaptado de BACEN 2020 Nota ¹ Exclui mercadorias deixando o território nacional sem mudança de proprietário Inclui mercadorias entregues no território nacional encomendas postais e outros ajustes ² Exclui mercadorias ingressando no território nacional sem mudança de proprietário Inclui mercadorias entregues fora do território nacional importação ficta importação de energia elétrica sem cobertura cambial encomendas postais e outros ajustes ³ Para contas de ativo e de passivo aumento de estoque e redução de estoque Conta financeira fluxos de investimentos ativos fluxos de investimentos passivos Dados preliminares Os resultados apresentados na Tabela 2 indicam um saldo de conta corrente no período referente a 2019 de 𝑩𝑷𝑺𝒂𝒍𝒅𝒐22582118503996441746 Esse resultado indica que os pagamentos para o exterior são inferiores às receitas atuais Por sua vez significa que os residentes brasileiros produziram mais do que consumiram Além disso essas transações correntes já foram pagas por algum meio e sabemos que essa entrada de débito líquido de US 41746 bilhões de dólares deve ser compensada por um crédito líquido de mesmo valor em outro lugar no BP Sendo assim cada país possui sua própria moeda na qual são efetuadas transações comerciais entre países distintos por meio de operações de exportação e importação criando a necessidade de um sistema cambial Além disso Assaf Neto 2018 destaca que a taxa de câmbio é o preço entre duas moedas estrangeiras isto é pressupondo que a troca cambial seja realizada entre a moeda dólar norteamericano e o real brasileiro a taxa é definida pela quantidade de reais necessários para adquirir uma unidade de dólar ou vice versa A valorização cambial da moeda nacional Real acontece quando há um aumento do seu poder aquisitivo isto é quando é necessária uma quantidade menor de moeda nacional para obter uma unidade de moeda estrangeira eg Dólar EUA entretanto o caso inverso se verifica com o aumento da necessidade de moeda nacional para efetuar essa troca e o cenário predominante será desvalorização cambial Moeda déficits e inflação Para entender o conceito de moeda precisamos pensar num sistema baseado em trocas com inexistência de moeda Posto isso quando povos nômades desejavam obter outras mercadorias precisaram recorrer ao escambo entretanto houve o esgotamento desse modelo devido à implementação de técnicas agrícolas e o estabelecimento dos grupos de indivíduos na terra aprofundando os relacionamentos econômicos Além disso a atividade econômica tornouse mais complexa por meio do aumento de produtos e serviços comercializados como as ferramentas de cultivo fabricadas pelos ferreiros e os calçados pelos artesões LOPES ROSSETI 1998 Assim surgiu a necessidade do desenvolvimento do sistema de trocas que cedeu lugar gradativamente a formas de pagamentos que inicialmente se tratava de produtos de ampla aceitação cujas características precederam a moeda CONCEITUANDO Escambo é a troca de bens e serviços sem o uso de moeda Tratase do estágio mais rudimentar das relações de trocas e caracteriza a sociedade de economia natural Ademais na sociedade moderna a prática pode ressurgir sob a incerteza do valor da moeda isto é em períodos com elevadas taxas inflacionárias em que os consumidores perdem a confiança na moeda eg Alemanha pós Segunda Guerra Mundial quando o Marco alemão foi substituído pelo café e cigarro SANDRONI 1999 Por conseguinte o conceito de moeda segundo Mankiw 2015 é interpretado por um estoque de ativos os quais estão à disposição para realizar transações portanto os reais nas mãos dos brasileiros constituem o estoque de moeda do Brasil Além disso a moeda possui três finalidades a saber i Reserva de valor ii Meio de troca e iii unidade de conta Assim sendo a reserva de valor representa o poder de compra de moeda ou seja o quanto uma unidade monetária é capaz de adquirir Por sua vez a moeda é uma reserva de valor imperfeita devido às variações nos preços o que pode levar à deterioração do poder aquisitivo inflação ou a valorização deflação É um meio de troca porque empregamos a moeda para adquirir bens e serviços cuja aceitação consiste na recíproca confiança entre os agentes econômicos Finalmente temos a moeda como unidade de conta a qual define os termos pelos quais os preços são determinados e as dívidas são firmadas Posto isso Mankiw 2015 enfatiza que a moeda constitui o padrão por meio do qual contabilizamos as transações econômicas Déficits orçamentários e dívida pública A dívida pública basicamente pode ser contraída por meio de emissão de títulos do Tesouro Nacional LFT LTN NTNB NTNC entre outros cujo objetivo consiste em financiar déficits orçamentários públicos Além disso o governo pode por meio da senhoriagem seigniorage imprimir moeda como alternativa de financiamento entretanto o resultado em adotar tal medida em excesso é a hiperinflação Posto isso surge a seguinte questão por que o Estado precisa financiar déficits públicos Uma das respostas está associada ao fato de o governo não ser gerador de renda portanto precisam arrecadar impostos cujo objetivo é entre outras obrigações pagar os funcionários de repartições públicas juros da dívida pública bem como os investimentos em infraestrutura eg estradas saneamento básico saúde hospitais unidades de atendimento básico educação escolas creches Conquanto com frequência as despesas superam as receitas e o governo precisa recorrer ao endividamento por meio de oferta de títulos públicos junto dos investidores para cumprir com seus compromissos CONCEITUANDO A definição de inflação segundo Mankiw 2015 é de um aumento generalizado nos preços Para Sandroni 1999 a deflação consiste na queda persistente do nível geral dos preços Senhoriagem consiste na receita obtida por meio da emissão de moeda cuja etimologia da palavra seigneur é francesa e remete à senhor feudal Assim sendo na idade média o senhor feudal detinha o poder de cunhar a própria moeda em seus domínios MANKIW 2015 Para Mankiw 2015 a hiperinflação pode ser definida como a taxa de inflação que excede com frequência 50 ao mês Por sua vez ao se consolidar nesses níveis por muitos meses os preços perdem as referências e a economia passa a ser subjugada por um espiral inflacionária em que sucessivos reajustes salariais associados ao descontrole fiscal retroalimentam o aumento dos preços Fundamentos da Teoria do Crescimento Econômico AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Um dos principais objetivos da Teoria do Crescimento Econômico doravante TCE é explicar o constante aumento nos padrões de vida que verificamos em muitos países Por conseguinte um dos modelos usualmente utilizados é o Modelo de Crescimento de Solow Autor contribui amplamente para a Teoria Neoclássica do Crescimento cuja base é a ênfase da acumulação do capital com as decisões de poupança que por sua vez supunha a inexistência de progresso tecnológico DORNBUSCH FISCHER STARTZ 2013 que demonstra que a percepção dessa elevação provêm necessariamente do progresso tecnológico Posto isso para compreender com profundidade o processo de crescimento econômico precisamos transcender ao modelo de Solow e desenvolver modelos cuja capacidade seja a explicação do progresso tecnológico Ademais é possível alcançar esse objetivo por meio da Teoria do Crescimento Endógeno cujo pressuposto rejeita a mudança tecnológica exógena do modelo de Solow isto é a presunção da variável tecnológica Diante desse contexto para explicar a ideia inerente ao crescimento econômico iniciaremos com uma função de produção simplificadora que de acordo com Barro e SalaiMartin 2004 é representada por meio da função de produção do modelo AK notada como um caso especial da função CobbDouglas Y AKa L1a 12 Na qual Y Representa a produção total da economia A Representa a Produtividade Total dos Fatores nível tecnológico A 0 K É o capital L Força de trabalho a Elasticidade da saída do capital sendo que 0 a 1 Reescrevendo a equação 12 segundo Dornbusch Fischer e Startz 2013 em função da força de trabalho L obtemos Y L AKa L1a L AKLa L L A K La 13 Como K L k L L 1 o resultado é a função de produção CobbDouglas em termos per capita y fk Aka 14 Por sua vez conforme o capital per capita cresce o produto acompanha tal crescimento Ademais derivando a equação 14 com relação à força per capita do trabalho obtemos as seguintes condições de primeira e segunda ordem Uma inspeção visual nas equações 15 e 16 revelam a propriedade de rendimentos marginais decrescentes dos fatores de produção isto é na medida em que são acrescentadas novas unidades do fator de produção trabalho L os ganhos obtidos na produção são cada vez menores assim no limite obtemos por sua vez quando as unidades de trabalho são reduzidas têmse Ademais Mankiw 2015 reitera a importância dos modelos de crescimento de Solow e endógeno para demonstrar como a poupança o crescimento da população e o progresso tecnológico se relacionam para determinar o nível e o bem estar econômico dos cidadãos de um país Por conseguinte vamos voltar à abordagem desse tema na Unidade IV Aαkα1 0 15 y k Aα α 1 kα2 0 16 2y 2k limkyk 0 limk0yk CONCEITUANDO A função CobbDouglas é amplamente utilizada na economia para representar a relação entre dois fatores de produção expressos segundo Sandroni 1999 como L e K trabalho e capital respectivamente Assim se o somatório dos expoentes resultar em um é dito que a função é linear homogênea ou seja o retorno será constante com relação à escala de produção Posto isso se capital e trabalho forem acrescidos de uma unidade a produção também será UniFCV Centro Universitário Cidade Verde Conclusão Unidade 1 Caroa estudante nesta unidade aprendemos sobre as principais características conceitos e definições que abrangem a Macroeconomia Iniciamos com os princípios fundamentais de macroeconomia explicando o seu alvorecer bem como a determinação e consolidação por meio das contribuições de teóricos clássicos neoclássicos e modernos Apresentamos de forma breve modelos e abordagens que contribuíram para a construção do pensamento econômico moderno Estudamos sobre as variações do produto e emprego por meio da visão clássica introduzindo o conceito de função de produção e os fatores capital e trabalho Além disso apresentamos o objetivo de maximização do lucro da firma por meio da função de lucro Ademais abordamos o tradeoff entre horas de trabalho e lazer e sobretudo discorremos sobre a Teoria Moderna Macroeconômica por meio das contribuições de Keynes e o seu Princípio de Demanda Efetiva Por conseguinte explicamos o conceito da Teoria CER cujo objetivo consiste em determinar as causas das flutuações do nível global por meio de ciclos econômicos Analisamos de forma breve sem pretensão de esgotar os fatos sobre a macroeconomia brasileira os problemas intrínsecos à economia do país como o endividamento sumário bem como os crônicos desequilíbrios no Balanço de Pagamentos perpassando pelos períodos desenvolvimentistas e hiperinfacionário cujo desdobramento foi a estabilização monetária por meio do Plano Real 1994 Por sua vez abordamos o modelo de Balanço de Pagamentos Brasileiro explicando o conceito construção e finalidade utilizando dados reais da economia brasileira Ademais adentramos sob os aspectos da taxa de câmbio moeda déficits orçamentos públicos e inflação Finalizamos com uma breve introdução acerca da Teoria do Crescimento Econômico cujo objetivo é estudar como os fatores de produção são combinados à variável tecnológica para gerar o produto Na próxima unidade vamos dar continuidade abordando a Curva BP e equilíbrio externo o Modelo ISLMBP com câmbio fixo políticas monetária fiscal e cambial em uma economia sem mobilidade de capitais o Modelo ISLMBP com câmbio flexível políticas monetária e fiscal em uma economia sem mobilidade de capitais Modelo ISLMBP com câmbio fixo políticas monetária fiscal e cambial em uma economia com mobilidade perfeita de capitais Modelos ISLMBP com câmbio flexível políticas monetária e fiscal em uma economia com mobilidade perfeita de capitais Modelos ISLMBP com câmbio fixo políticas monetária e fiscal em uma economia com mobilidade imperfeita de capitais e Modelos ISLMBP com câmbio flexível políticas monetária e fiscal em uma economia com mobilidade imperfeita de capitais Leitura Complementar AGUILAR FILHO H A SAVIANI FILHO H A Evolução da Macroeconomia Moderna entre Perspectivas em busca de uma sistematização Revista de Economia Contemporânea online v21 n2 p127 2017 BARBOSA FILHO N O desafio macroeconômico de 20152018 Revista de Economia Política São Paulo v35 n3 p403425 set2015 Material Complementar Livro Manual de Macroeconomia Básico e Intermediário Autor Luiz Martins Lopes e Marco Antônio Sandoval de Vasconcellos Organizadores Editora Atlas Sinopse Apresenta os principais conceitos e modelos que fazem parte da moderna análise macroeconômica Elaborado por uma equipe de professores da USP o livro é composto de uma introdução Teoria macroeconômica evolução e situação atual e quatro partes que são Macroeconomia básica agregados macroeconômicos Macroeconomia básica determinação da renda nacional Macroeconomia intermediária Tópicos especiais modelo keynesiano generalizado no diagrama preçoquantidade e modelos de portfólio As Partes I e II são calcadas nos tópicos solicitados para o Exame de Ingresso nos cursos de mestrado e doutorado da Associação Nacional dos Centros de Pósgraduação em Economia Anpec Filme Real O Plano por trás da História Ano 2017 Sinopse Arrogante e inflexível Gustavo Franco Emílio Orciollo Neto é um crítico feroz da política econômica adotada pelo governo brasileiro nos últimos anos que resultou em um cenário de hiperinflação Opositor de políticas de cunho social ele é adepto de um choque fiscal de forma que seja criada uma moeda forte que devolva a dignidade aos cidadãos Quando o presidente Itamar Franco Bemvindo Siqueira nomeia Fernando Henrique Cardoso Norival Rizzo como o novo Ministro da Fazenda Gustavo é convidado a integrar uma verdadeira forçatarefa cujo objetivo é criar um novo plano econômico Web Referências ASSAF NETO A Mercado Financeiro14 ed São Paulo Editora Atlas SA 2018 BACEN BANCO CENTRAL DO BRASIL Balanço de Pagamentos 2020 Disponível em httpswwwbcbgovbrestatisticasestatisticassetorexterno Acesso em ago 2020 BARRO R J SALAIMARTIN X Economic Growth 2 ed Cambridge The MIT Press 2004 BRUE S L História do Pensamento Econômico São Paulo Thomson Learning 2006 CASTRO L B Esperança Frustração e Aprendizado A História da Nova República 19851989 In GIAMBIAGI F et al Economia brasileira contemporânea 19452010 Rio de Janeiro Elsevier 2011 CÔRTE C C L SOUZA L R Políticas econômicas incrementais o caso do tripé macroeconômico na Argentina Bolívia Brasil e México Revista de Economia v 41 n 74 p2350 2020 DORNBUSCH R FISCHER S STARTZ R Macroeconomia 11 ed Porto Alegre AMGH 2013 FROYEN R T Macroeconomia 5 ed São Paulo Saraiva 1999 GIAMBIAGI F Rompendo com a Ruptura O Governo Lula 20032010 In GIAMBIAGI F et al Economia brasileira contemporânea 19452010 Rio de Janeiro Elsevier 2011 HERMANN J Reformas Endividamento Externo e o Milagre Econômico 19641973 In GIAMBIAGI F et al Economia brasileira contemporânea 19452010 Rio de Janeiro Elsevier 2011 JONES H G Modernas teorias do crescimento econômico uma introdução São Paulo Atlas 1979 KRUGMAN P R OBSTFELD M MELITZ M J Economia Internacional 10 ed São Paulo Pearson Education do Brasil 2015 LOPES J C ROSSETI J P Economia Monetária 7 ed São Paulo Atlas 1998 LOPES L M VASCONCELLOS M A S Orgs Manual de Macroeconomia Nível básico e Nível Intermediário 3 ed São Paulo Editora Atlas SA 2008 MANKIW NG Macroeconomia 8 ed Rio de Janeiro LTC 2015 MIILTONS M M Macroeconomia São Paulo Saraiva 2016 SANDRONI P Novíssimo Dicionário de Economia São Paulo Editora Best Seller 1999 SCHMIDT C A J GIAMBIAGI F Macroeconomia para executivos Teoria e Prática no Brasil Rio de Janeiro Elsevier 2015 VILLELA A Dos Anos Dourados de JK à Crise Não Resolvida In GIAMBIAGI F et al Economia brasileira contemporânea 19452010 Rio de Janeiro Elsevier 2011 Unidade 2 Modelos AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Caroa alunoa bem vindoa a segunda unidade da apostila na qual abordaremos o modelo de determinação da renda de curto prazo ISLMBP Inicialmente faremos uma breve revisão do Modelo ISLM um modelo originário do trabalho de Hichs 1937 denominada Mr Keynes and the classics a suggested interpretation no qual o autor tenta sintetizar as contribuições de Keynes 1996 1936 em sua Teoria Geral Os pressupostos básicos são mantidos os mesmos do modelo keynesiano simples em que a demanda determina o produto Princípio da Demanda Efetiva e o nível de preços é considerado constante No ISLM é acrescentado o mercado monetário e consequentemente a determinação da taxa de juros de equilíbrio que passa a ser variável importante e influente sobre o nível de renda da economia Além disso será apresentada uma terceira curva que representa os pontos de equilíbrio do Balanço de Pagamentos transações correntes e movimentos de capitais denominada Curva BP A partir da dedução dessa curva e a inserção da mesma ao Modelo ISLM chegaremos ao Modelo ISLMBP Com base nesse último modelo discutiremos como se dá a determinação do nível de renda em uma economia aberta e de que forma as políticas econômicas ou modificações em outras variáveis exógenas podem afetar o equilíbrio sob diferentes regimes cambiais e mobilidade de capitais Para tanto desenvolveremos a análise para duas situações cambiais fixo e flutuante e três condições de mobilidade de capitais i sem mobilidade de capitais em que o país não possui acesso ao mercado internacional de capitais ii com perfeita mobilidade de capitais considerando uma economia pequena com acesso ao mercado internacional de capitais e iii com mobilidade imperfeita de capitais para uma economia grande com acesso ao mercado internacional de capitais Bons estudos Revisão do Modelo ISLM AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira o modelo ISLM é um modelo de equações simultâneas Nele temos a determinação simultânea da taxa de juros e da renda que equilibram o mercado de bens e o mercado monetário na economia Partese do mercado monetário em que a interação entre oferta e demanda de moeda determina a taxa de juros de equilíbrio Nesse modelo o investimento agregado I componente da Demanda Agregada DA da economia é impactado negativamente pela taxa de juros pois quanto maior a taxa de juros menor o investimento Dessa forma a taxa de juros estabelecida no mercado monetário impacta a Demanda Agregada por meio dos investimentos Logo partindose do Princípio da Demanda Efetiva haverá alteração no produto Y que é igual a renda Y A seu turno a renda impacta o mercado monetário pois influencia a demanda por moeda quanto maior a renda maior a demanda por moeda afetando a taxa de juros Desse modo temos a interação do lado real produto e renda com o lado monetário da economia Vale ressaltar que a política fiscal tributos e gastos do governo a política monetária oferta de moeda e o nível de preços constante são considerados exógenos LOPES VASCONCELLOS 2008 Iniciaremos nossa discussão pelo equilíbrio no mercado de bens e serviços introduzindo no modelo keynesiano para uma economia aberta visto na unidade anterior a taxa de juros na determinação do investimento para que possamos deduzir a relação IS Investment Saving ou Investimento Poupança e sua respectiva curva Para isso vamos utilizar a mesma estrutura do modelo keynesiano para uma economia aberta inserindo a taxa de juros como variável explicativa do investimento Como destacado anteriormente o investimento varia inversamente à taxa de juros Isso é devido à Eficiência Marginal do Capital que é a taxa de desconto que iguala o fluxo de receitas esperado ao custo do investimento análoga a Taxa Interna de Retorno da Matemática Financeira Nesse sentido a taxa de juros é interpretada como o custo de se obter empréstimos para realizar o investimento ou o custo de oportunidade do capital e quanto maior ela for menor será o investimento ou de outra forma quanto menor for a taxa de juros maior será o investimento Assim o modelo é expresso da seguinte forma Y CYd Ii G XM 1 Em que Y é a rendaproduto CYd é o consumo que depende da renda disponível Yd Ii é o investimento que depende da taxa de juros i G é o gasto do governo XM são as exportações líquidas exportações menos importações No modelo keynesiano da unidade I observamos que elevações no investimento elevam a renda Contudo naquele modelo o investimento era considerado autônomo ou seja exógeno Nessa nova formulação ao introduzirmos a taxa de juros passamos a definir endogenamente o investimento de acordo com as variações na taxa de juros Dessa forma reduções na taxa de juros levam a elevações no investimento e consequentemente na renda Isso pode ser visto na Figura 1 Figura 1 Investimento em função da taxa de juros Fonte autor 2020 A partir da inserção da taxa de juros como determinante do investimento podemos estabelecer a relação IS Na Figura 2 são apresentados dois gráficos para que possamos desenvolver esse raciocínio No primeiro gráfico temos o equilíbrio no mercado de bens no qual a demanda agregada é uma função crescente do produto relação representada pelas curvas DA e a reta de 45º demonstra os possíveis pontos de equilíbrio entre demanda agregada e produto a reta de 45º representa os pontos em que DA Y Ainda no primeiro gráfico observamos o efeito de uma redução na taxa de juros sobre a demanda agregada e o produto Em um primeiro momento temos a demanda DA1 e o equilíbrio no ponto A1 resultando no produto de equilíbrio Y1 Supondo uma redução na taxa de juros de i1 para i2 de modo que i2 i1 teremos inicialmente uma elevação no investimento como visto na Figura 1 e um consequente aumento na demanda agregada que é representado pelo deslocamento da curva de demanda agregada para cima passando de DA1 para DA2 Diante disso teremos um novo ponto de equilíbrio em A2 com um nível de produto de equilíbrio maior Y2 Dessa forma observamos que uma redução na taxa de juros leva a um aumento no produto ou que uma elevação na taxa de juros leva a uma redução no produto Essa relação de equilíbrio no mercado de bens e serviços é representada pela curva IS negativamente inclinada como se pode observar no segundo gráfico da Figura 2 À taxa de juros i2 o produto de equilíbrio é Y2 e quando elevamos a taxa de juros até o patamar i1 temos uma redução no produto para Y1 A curva IS nos dá o nível de produto de equilíbrio como função da taxa de juros qualquer ponto sobre a curva IS representa o equilíbrio no mercado de bens e serviços oferta agregada igual à demanda agregada Destacase que IS é representada tomando como dados os valores de tributos T e de gastos do governo G de modo que mudanças em T eou G deslocarão a curva IS Reduções em T eou elevações em G provocarão deslocamento para a direita de IS política fiscal expansionista enquanto que elevações em T eou reduções em G deslocarão IS para a esquerda política fiscal contracionista Figura 2 Derivação da relação IS Y1 Y2 Y Fonte autor 2020 Seguindo deduziremos agora a curva LM do inglês Liquidity Money que representa o equilíbrio no mercado de monetário para a qual utilizaremos a discussão sobre demanda de moeda O equilíbrio no mercado monetário ocorre quando a demanda de moeda Md lado direito da equação 2 iguala a oferta de moeda Ms lado esquerdo da equação 2 MP YLi 2 Em que MP é a oferta real de moeda quantidade de moeda nominal dividida pelo nível geral de preços P Y é a renda real Li é uma função da taxa de juros A oferta de moeda é controlada pelo Banco Central por meio de instrumentos específicos de modo que consideraremos a oferta da moeda como uma variável determinada de maneira exógena por decisão da autoridade monetária Já a demanda de moeda tem dois motivos para transações e para investimento No primeiro motivo a demanda de moeda é diretamente atrelada ao nível de renda da economia Quanto maior for o nível de rendaproduto maior será o volume de transações e dessa forma maior será a quantidade de moeda demandada Com relação ao motivo investimento os indivíduos ao decidirem como alocar sua riqueza vão comparar o diferencial de rentabilidade entre os diferentes ativos da economia Desconsiderando a inflação sabese que manter moeda em espécie resulta em retorno real nulo ao passo que alocar a riqueza em títulos rende a taxa de juros vigente Por isso a taxa de juros representa o custo de oportunidade de reter moeda e a demanda de moeda diminui conforme aumenta a taxa de juros LOPES VASCONCELLOS 2008 No gráfico à esquerda do Figura 3 podemos ver a interação das curvas de oferta de moeda Ms e demanda de moeda Md Neste gráfico observamos a curva de oferta de moeda fixa vertical e a curva de demanda de moeda negativamente inclinada demonstrando a relação inversa entre demanda de moeda e taxa de juros O ponto em que as duas curvas se cruzam representa o ponto de equilíbrio no mercado monetário no qual a oferta de moeda é igual a demanda de moeda definindo assim a taxa de juros de equilíbrio da economia A partir desse gráfico podemos verificar o efeito de um aumento na renda sobre a taxa de juros Partimos do equilíbrio inicial em A1 com a oferta de moeda Ms igual a demanda de moeda Md resultando na taxa de juros i1 Agora suponhamos um aumento na renda da economia de Y1 para Y2 de forma que Y2 Y1 Esse aumento na renda elevará o volume de transações na economia e consequentemente a demanda de moeda deslocando a curva de demanda de moeda para a direita e para cima passando de Md1 para Md2 Dada a oferta de moeda constante a elevação da demanda de moeda provoca um aumento na taxa de juros de equilíbrio evidenciado no novo ponto de equilíbrio em A2 com uma taxa de juros maior i2 Assim observamos que uma elevação na renda leva a um aumento na taxa de juros da economia Figura 3 Derivação da relação LM Fonte autor 2020 Essa relação de equilíbrio no mercado monetário é representada pela curva LM positivamente inclinada como se pode observar no gráfico à direita da Figura 3 Ao nível de renda Y1 a taxa de juros de equilíbrio é i1 e quando há elevação no nível de renda até o patamar Y2 temos uma elevação na taxa de juros para i2 Além disso temos que a posição da curva LM é determinada pela oferta real de moeda Como pressupomos o nível de preços constante a LM é modificada basicamente pela política monetária de modo que expansões na oferta de moeda deslocam a LM para a direita e para cima e contrações na oferta monetária a deslocam para a esquerda e para baixo Explicados os dois mercados e seus respectivos equilíbrios analisaremos o equilíbrio simultâneo em ambos A relação IS demonstra o equilíbrio no mercado de bens e serviços e mostra como a taxa de juros afeta o produtorenda A relação LM demonstra o equilíbrio no mercado monetário e mostra como o produtorenda afeta a taxa de juros Ao combinarmos essas duas curvas determinaremos simultaneamente o produto e a taxa de juros de equilíbrio na economia BLANCHARD 2007 Figura 4 Modelo ISLM Fonte autor 2020 No ponto E a economia está em equilíbrio pois ambos os mercados estarão em equilíbrio aos níveis de taxa de juros ie e renda Ye Nesse modelo a curva IS é delineada para uma dada política fiscal nível de gastos do governo e impostos e a curva LM para uma determinada oferta de moeda Desse modo modificações no ponto de equilíbrio da economia advém de deslocamentos nas curvas IS e LM que por sua vez são oriundos da condução das políticas econômicas pelo governo e pelas autoridades monetárias Curva BP e Equilíbrio Externo AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Dando prosseguimento a nossa análise precisamos deduzir a curva BP que demonstra os pontos de equilíbrio do Balanço de Pagamentos As transações entre os residentes de um país e o resto do mundo são registradas no Balanço de Pagamentos e são divididas em dois grupos principais de contas i as Transações Correntes TC que referemse aos fluxos de bens e serviços importações e exportações e ii o Movimento de Capitais MK relacionado a direitos e obrigações investimentos empréstimos financiamentos etc LOPES VASCONCELLOS 2008 Desse modo temos que BP TC MK 3 O saldo em transações correntes depende da taxa de câmbio e dos níveis de renda interno doméstica e externo do resto do mundo A taxa de câmbio influencia tanto exportações quanto importações Mantidas fixas as rendas interna e externa elevações na taxa de câmbio aumentarão as exportações e diminuirão as importações melhorando o saldo em transações correntes condição de MarshallLerner Por sua vez se mantivermos taxa de câmbio e renda externa constantes as exportações serão dadas e elevações na renda doméstica provocarão expansões na importação maior renda eleva a demanda por bens e serviços internos e externos acarretando piora no saldo em transações correntes De outra forma mantendo taxa de câmbio e renda interna constantes as importações serão dadas e ampliações na renda do resto do mundo elevarão as exportações maior renda do resto do mundo eleva sua demanda por nossos produtos melhorando o saldo em transações correntes O movimento de capitais depende das decisões de investimento dos agentes econômicos em busca de maximizar o retorno sobre o capital Dessa forma o movimento de capitais está relacionado positivamente ao diferencial entre as taxas de juros interna e externa Logo admitindo uma taxa de juros internacional constante a entrada de capitais tende a se ampliar quanto maior for a taxa de juros doméstica A partir disso podemos reescrever a equação 3 da seguinte forma BP TC Y MK i 4 Em que TC é uma função decrescente da renda interna e MK é uma função crescente da taxa de juros interna No equilíbrio do Balanço de Pagamentos saldo igual a zero temos TC Y MK i 5 A curva BP representa as combinações de renda Y e taxa de juros i que satisfazem a condição de equilíbrio no Balanço de Pagamentos A inclinação da curva BP depende basicamente do grau de mobilidade de capitais ou seja da forma como o fluxo de capitais responde a variações na taxa de juros doméstica Resumidamente existem três condições de mobilidade de capitais a sem mobilidade de capitais em que o país não possui acesso ao mercado internacional de capitais b com perfeita mobilidade de capitais considerando uma economia pequena com acesso ao mercado internacional de capitais e c com mobilidade imperfeita de capitais para uma economia grande com acesso ao mercado internacional de capitais As possíveis inclinações da BP podem ser vistas na Figura 1 Figura 1 Inclinações da curva BP Fonte autor 2020 Para o caso em que não há movimento de capitais Figura 5a a condição de equilíbrio do Balanço de Pagamentos requer apenas que o saldo em transações correntes seja zero ou seja quando as exportações são exatamente iguais às importações Ao supormos a taxa de câmbio e o nível de renda externa constantes temos que o volume de exportações passa a ser uma variável exógena enquanto que as importações são função crescente da renda interna Nesse cenário há um único nível de renda que equilibra as transações correntes e portanto o Balanço de Pagamentos não depende da taxa de juros interna e a curva BP é vertical Elevações na renda provocarão expansões nas importações e consequentemente déficits em TC e em BP ao passo que reduções na renda diminuirão as importações acarretando superávits LOPES VASCONCELLOS 2008 Em oposição ao caso que acabamos de ver temos o caso de uma economia de pequeno porte que possui livre acesso ao mercado internacional de capitais Figura 5b dada a taxa de juros internacional Agora temos uma perfeita mobilidade de capitais indicando que qualquer déficit em transações correntes pode ser financiado à taxa de juros internacional e qualquer superávit pode ser aplicado no exterior à essa mesma taxa de juros Dessa forma o saldo em transações correntes é irrelevante na determinação do equilíbrio do Balanço de Pagamentos pois sempre haverá um movimento de capitais compensatórios a uma dada taxa de juros internacional Nesse caso a variável determinante do equilíbrio do BP passa a ser a taxa de juros e não mais o nível de renda BP é horizontal Há nessa situação um único nível de taxa de juros interna que equilibra BP quando a taxa de juros interna i é igual à taxa de juros externa i Se a taxa de juros interna for maior que a externa haverá entrada de capitais na economia e superávit no BP enquanto que se a taxa de juros interna for menor que a externa haverá saída de capitais da economia e déficit no BP LOPES VASCONCELLOS 2008 REFLITA Em economia as verdades são incertas Os acadêmicos devem ser humildes quanto à precisão de suas teorias Mas nossa humildade resulta do conhecimento e não da ignorância Não desejamos aplausos de leigos Trabalhamos pela única recompensa que vale a pena nossos próprios aplausos Paul Samuelson Por fim temos a situação intermediária para uma economia de grande porte em que a mobilidade de capitais é imperfeita demonstrada na Figura 5c Nesse caso a renda e a taxa de juros se tornam importantes na determinação do equilíbrio do Balanço de Pagamentos Aumentos na renda provocarão elevações na importação e deterioração no saldo em transações correntes déficit levando a uma maior necessidade de capitais externos para financiála Como essa economia é de grandes proporções a demanda maior por capitais pressionará o mercado internacional elevando a taxa de juros internacional Vêse portanto que expansões na renda serão seguidas de elevações na taxa de juros externa evidenciando uma curva BP positivamente inclinada LOPES VASCONCELLOS 2008 A partir da consideração da curva BP nas próximas seções analisaremos o modelo ISLMBP a fim de discutir como se dá a determinação do nível de renda em uma economia aberta Nesse sentido veremos os efeitos das políticas econômicas sobre o equilíbrio econômico de curto prazo em diferentes regimes cambiais Modelo ISLMBP para uma Economia sem Mobilidade de Capitais AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Iniciaremos verificando os efeitos das políticas econômicas em uma economia sem mobilidade de capitais em que a curva BP é vertical pressupondo que há um único nível de renda que equilibra BP Inicialmente veremos o modelo com câmbio fixo e depois com câmbio flutuante Câmbio fixo Vejamos inicialmente uma política monetária expansionista para uma economia sem mobilidade de capitais e regime de câmbio fixo O aumento da oferta de moeda levará em primeiro lugar a um deslocamento da curva LM para a direita de 𝐿𝑀1 para 𝐿𝑀2 Esse movimento deslocará o equilíbrio interno do ponto A para o ponto B onde a curva 𝐿𝑀1 intercepta a curva IS No ponto B teremos uma taxa de juros 𝑖2 menor que a taxa de juros inicial 𝑖1 que elevará o nível de investimentos e consequentemente da demanda agregada e da renda de equilíbrio da economia Por sua vez o aumento da renda irá expandir as importações acarretando déficits no Balanço de Pagamentos Como nossa economia hipotética adota o regime de câmbio fixo o Banco Central BC precisa necessariamente atender a maior demanda por moeda estrangeira provocada pelo aumento das importações caso contrário a taxa de câmbio será elevada Dessa forma o BC vende moeda estrangeira aos agentes recebendo moeda doméstica em troca o que provocará uma queda no nível de reservas internacionais e uma redução na oferta de moeda fazendo com que LM se desloque para a esquerda Essa contração monetária se manterá enquanto houver déficit no BP ou seja até que o nível de renda volte ao patamar inicial O mecanismo que leva a isso é a elevação na taxa de juros provocada pela contração na oferta de moeda fazendo com que o investimento retorne ao nível inicial Portanto o equilíbrio final será exatamente o mesmo que o inicial pois LM volta à posição original no ponto A Percebemos assim que a política monetária expansionista em uma economia sem mobilidade de capitais e câmbio fixo não é eficiente para expandir a renda provocando apenas a redução nas reservas internacionais O gráfico da Figura 1 mostra esse processo Figura 1 Política monetária expansionista no Modelo ISLMBP sem mobilidade de capitais e câmbio fixo Fonte autor 2020 Considerando o mesmo cenário vejamos agora o efeito de uma política fiscal expansionista conduzida pelo aumento nos gastos do governo eou redução nos tributos Em primeiro lugar há um deslocamento da curva IS para a direita de 𝑰𝑺1 para 𝑰𝑺2 modificando o equilíbrio do ponto A para o ponto B com uma taxa de juros 𝑖2 maior que a taxa de juros inicial 𝑖1 que reduz o investimento mas não no mesmo patamar da elevação dos gastos do governo e um nível de renda maior O nível de renda maior provoca déficits no Balanço de Pagamentos fazendo com que o Banco Central disponibiliza suas reservas internacionais contraindo a oferta de moeda deslocando a curva LM para a esquerda de 𝐿𝑀1 para 𝐿𝑀2 elevando ainda mais a taxa de juros e reduzindo o investimento Esse processo será mantido até que o nível de renda volte ao nível inicial eliminando o déficit no BP mas agora a taxa de juros será maior ao nível 𝑖3 com o equilíbrio situandose no ponto C Ao final desses movimentos haverá queda nas reservas internacionais para cobrir os déficits temporários no BP e uma substituição do investimento privado por gastos públicos ou seja uma alteração na composição da demanda agregada denominado efeito crowdingout Esse processo pode ser visto no gráfico da Figura 2 Figura 2 Política fiscal expansionista no Modelo ISLMBP sem mobilidade de capitais e regime de câmbio fixo Fonte autor 2020 Finalmente veremos o efeito da política cambial Considere a situação de desvalorização cambial desvalorização da moeda doméstica em relação à estrangeira elevação da taxa de câmbio Dessa forma os produtos nacionais serão relativamente mais baratos que os produtos estrangeiros o que estimula as exportações e reduz as importações e leva a uma melhora no saldo em transações correntes Assim o país poderá expandir o produtorenda uma vez que haverá melhora no saldo em transações correntes para cada nível de renda Nesse sentido o nível de renda compatível com o equilíbrio no BP será maior deslocando a curva BP para a direita de BP1 para BP2 O melhor desempenho do setor externo representa um aumento da demanda agregada o que fará com que IS se desloque para a direita de IS1 para IS2 aumentando a renda e as taxas de juros com a nova posição de equilíbrio interno no ponto B Supondo que o deslocamento da IS seja inferior ao da BP haverá superávit no balanço de pagamentos No câmbio fixo o Banco Central comprará a oferta excedente de moeda estrangeira expandindo a oferta de moeda que desloca a LM para a direita de LM1 para LM2 Esse deslocamento de LM permanece até que o superávit no BP seja eliminado atingindo um novo equilíbrio no ponto C com um nível de renda maior e compatível com o equilíbrio externo O gráfico da Figura 3 demonstra esses efeitos Figura 3 Política cambial desvalorização cambial no Modelo ISLMBP sem mobilidade de capitais e regime de câmbio fixo Fonte autor 2020 Com base nas análises observamos que em um cenário sem mobilidade de capitais e câmbio fixo a única política econômica capaz de afetar o nível de renda da economia de maneira permanente é a cambial por meio de alterações na taxa de câmbio que eleva o nível de exportações e também o nível de produtorenda compatível com o equilíbrio externo Câmbio flutuante Agora veremos os efeitos das políticas monetária e fiscal no regime de câmbio flutuante mantendo um cenário sem mobilidade de capitais Nesse cenário a taxa de câmbio é definida pelo mercado e por isso não veremos política cambial Uma política monetária expansionista para essa economia desloca a curva LM para a direita de LM1 para LM2 movendo o equilíbrio interno do ponto A para o ponto B onde a curva LM1 intercepta a curva IS1 No ponto B teremos uma taxa de juros i2 menor que a taxa de juros inicial i1 que elevará o nível de investimentos e consequentemente da demanda agregada e da renda de equilíbrio da economia Por sua vez o aumento da renda irá elevar as importações gerando déficits no Balanço de Pagamentos Nesse novo cenário o câmbio é flutuante e o Banco Central não precisa suprir a maior demanda por moeda estrangeira provocada pelo crescimento nas importações Logo haverá desvalorização da moeda nacional melhorando o saldo em transações correntes condição de MarshallLerner para cada nível de rendaproduto Esse processo é indicado no gráfico da Figura 9 com BP1 passando para BP2 desvalorização cambial e IS1 para IS2 melhora nas exportações líquidas À medida que a moeda se desvaloriza a taxa de juros aumenta e isso permanece até que se atinja o novo ponto de equilíbrio no ponto C com um nível de renda maior que o inicial Figura 4 Política monetária expansionista no Modelo ISLMBP sem mobilidade de capitais e regime de câmbio flutuante i LM 1 BP 1 BP 2 LM 2 i3 C i1 A i2 B IS 2 IS 1 Y Fonte autor 2020 Por sua vez uma política fiscal expansionista leva ao deslocamento da curva IS para a direita de IS1 para IS2 modificando o equilíbrio do ponto A para o ponto B com uma taxa de juros i2 maior que a taxa de juros inicial i1 e um nível de renda maior O nível de renda maior provoca déficits no Balanço de Pagamentos pressionando a taxa de câmbio para cima desvalorização da moeda nacional o que é representado no modelo pelo deslocamento da curva BP para a direita de BP1 para BP2 Além disso por causa da melhora nas exportações líquidas haverá novo deslocamento da curva IS de IS2 para IS3 até que o novo ponto de equilíbrio seja atingido no ponto C com níveis de renda e de taxa de juros maiores que os iniciais Nesse caso vemos que a variação final na rendaproduto da economia é maior que a ocasionada pela política fiscal expansionista uma vez que a desvalorização do câmbio acarreta novo movimento de expansão dado o melhor desempenho do setor externo O gráfico da Figura 5 demonstra esses efeitos Figura 5 Política fiscal expansionista no Modelo ISLMBP sem mobilidade de capitais e regime de câmbio flutuante i BP 1 BP 2 LM 1 i3 C i2 B i1 A IS 3 IS 2 IS 1 Y Fonte autor 2020 Portanto no regime de câmbio flutuante os desequilíbrios no Balanço de Pagamentos serão corrigidos por modificações na taxa cambial que terão efeito potencializador sobre as políticas econômicas adotadas Também percebemos que a política monetária deixa de estar vinculada a questões cambiais e passa a ser independente podendo ser instrumento eficiente de política econômica Modelo ISLMBP para uma Economia com Mobilidade Perfeita de Capitais AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Veremos agora os efeitos das políticas econômicas em uma economia de pequeno porte com perfeita mobilidade de capitais em que a curva BP é horizontal pressupondo que há um único nível de taxa de juros que equilibra BP quando a taxa de juros interna i é igual à taxa de juros externa i Primeiro vamos desenvolver o modelo com câmbio fixo e depois com câmbio flutuante Câmbio fixo Vejamos inicialmente uma política monetária expansionista com câmbio fixo O aumento da oferta de moeda levará a um deslocamento da curva LM para a direita de LM1 para LM2 Esse movimento deslocará o equilíbrio interno do ponto A para o ponto B no qual teremos uma taxa de juros i2 menor que a taxa de juros externa i e um nível de renda maior Com a taxa de juros doméstica menor que a externa haverá significativa saída de capitais do país que juntamente com a elevação na renda que eleva as importações provoca um déficit no Balanço de Pagamentos Como o câmbio é fixo o Banco Central precisa atender a maior demanda por moeda estrangeira se desfazendo de reservas internacionais Dessa forma o BC vende moeda estrangeira aos agentes recebendo moeda doméstica em troca reduzindo a oferta monetária fazendo com que LM se desloque para a esquerda até que se interrompa a saída de capitais ou seja até que as taxas de juros interna e externa se igualem A economia volta ao ponto inicial Figura 1 Política monetária expansionista no Modelo ISLMBP com perfeita mobilidade de capitais e regime de câmbio fixo Fonte autor 2020 O gráfico da Figura 1 mostra o processo descrito no parágrafo anterior Percebemos assim que a política monetária expansionista em uma economia com perfeita mobilidade de capitais e câmbio fixo não é eficiente para expandir a renda provocando apenas a redução nas reservas internacionais Agora admitindo o mesmo cenário vejamos o efeito de uma política fiscal expansionista Inicialmente há deslocamento da curva IS para a direita de IS1 para IS2 modificando o equilíbrio do ponto A para o ponto B com uma taxa de juros i2 maior que a taxa de juros externa i e um nível de renda maior Com a taxa de juros doméstica maior que a externa haverá significativa entrada de capitais na economia que apesar da elevação na renda que eleva as importações provoca superávit no Balanço de Pagamentos Sendo o câmbio é fixo o Banco Central comprará a oferta excedente de moeda estrangeira expandindo a oferta de moeda doméstica que desloca a LM para a direita de LM1 para LM2 reduzindo a taxa de juros até que se interrompa a entrada de capitais ou seja até que as taxas de juros interna e externa se igualem no ponto C com um nível de renda maior O gráfico da Figura 2 demonstra esses efeitos A política fiscal expansionista em uma economia com perfeita mobilidade de capitais e câmbio fixo é bastante eficiente para expandir a renda da economia Fonte autor 2020 Vejamos agora o efeito de uma política cambial com desvalorização da moeda doméstica em relação à estrangeira Dessa forma os produtos nacionais serão relativamente mais baratos que os produtos estrangeiros o que estimula as exportações e reduz as importações e leva a uma melhora no saldo em transações correntes Como há perfeita mobilidade de capitais o desequilíbrio no BP é compensado automaticamente pela entrada de capitais sem qualquer deslocamento na curva BP Nesse sentido a melhora no saldo em transações correntes fará com que IS se desloque para a direita de IS1 para IS2 aumentando a renda e as taxas de juros com a nova posição de equilíbrio interno no ponto B Com a taxa de juros doméstica maior que a externa haverá significativa entrada de capitais na economia Sendo o câmbio é fixo o Banco Central comprará a oferta excedente de moeda estrangeira expandindo a oferta de moeda doméstica que desloca a curva LM para a direita de LM1 para LM2 reduzindo a taxa de juros até que se interrompa a entrada de capitais ou seja até que as taxas de juros interna e externa se igualem no ponto C com um nível de renda maior Figura 3 Política cambial desvalorização cambial no Modelo ISLMBP com perfeita mobilidade de capitais e regime de câmbio fixo Fonte autor 2020 Observamos que a política de desvalorização cambial com perfeita mobilidade de capitais e câmbio fixo possui o mesmo efeito da expansão fiscal nesse contexto Esse processo pode ser visto no gráfico da Figura 13 Câmbio flutuante Veremos agora os efeitos das políticas monetária e fiscal no regime de câmbio flutuante mantendo um cenário de perfeita mobilidade de capitais Nesse cenário a taxa de câmbio é definida pelo mercado e por isso não veremos política cambial Uma política monetária expansionista para essa economia desloca a curva LM para a direita de LM1 para LM2 movendo o equilíbrio interno do ponto A para o ponto B onde a curva LM1 intercepta a curva IS1 No ponto B teremos uma taxa de juros i2 menor que a taxa de juros externa i e um nível de renda maior Com a taxa de juros doméstica menor que a externa haverá significativa saída de capitais do país que juntamente com a elevação na renda que eleva as importações provoca um déficit no Balanço de Pagamentos Com câmbio flutuante o Banco Central não precisa suprir a maior demanda por moeda estrangeira provocada pela piora no saldo em transações correntes e a saída de capitais Logo haverá desvalorização da moeda nacional melhorando o saldo em transações correntes condição de MarshallLerner até que IS se desloque para a direita de IS1 para IS2 aumentando a renda e a taxa de juros até que ela se iguale à externa com a nova posição de equilíbrio interno no ponto C Figura 4 Política monetária expansionista no Modelo ISLMBP com perfeita mobilidade de capitais e regime de câmbio flutuante i i1 i i2 i BP IS2 IS1 LM1 LM2 A C B Y Fonte autor 2020 Observamos no gráfico da Figura 4 que nesse caso a política monetária é bastante eficiente uma vez que a desvalorização da moeda nacional melhora o saldo em transações correntes elevando a demanda por produtos domésticos e gerando crescimento da renda da economia Por sua vez uma política fiscal expansionista leva ao deslocamento da curva IS para a direita de IS1 para IS2 modificando o equilíbrio do ponto A para o ponto B com uma taxa i2 maior que a taxa de juros externa i e um nível de renda maior Com a taxa de juros doméstica maior que a externa haverá significativa entrada de capitais na economia que apesar da elevação na renda que eleva as importações provoca superávit no Balanço de Pagamentos pressionando a taxa de câmbio para baixo valorização da moeda nacional A taxa de câmbio menor diminui as exportações e eleva as importações piorando o saldo em transações correntes deslocando IS para a esquerda de volta ao ponto A Esse movimento de IS para a esquerda permanece até que a maior demanda por moeda estrangeira pela piora no saldo em transações correntes se iguale à entrada de capitais e reduza a taxa de juros ao patamar inicial Figura 5 Política fiscal expansionista no Modelo ISLMBP com perfeita mobilidade de capitais e regime de câmbio flutuante i i2 i i1 i BP IS2 IS1 LM1 B A Y Fonte autor 2020 O gráfico da Figura 5 mostra o processo descrito no parágrafo anterior Observamos que a política fiscal expansionista em uma economia com perfeita mobilidade de capitais e câmbio flutuante não é eficiente para a elevação da renda de forma permanente Modelo ISLMBP para uma Economia com Mobilidade Imperfeita de Capitais AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Por fim veremos os efeitos das políticas econômicas em uma economia de grande porte com mobilidade imperfeita de capitais em que a curva BP é diagonal positivamente inclinada indicando que expansões na renda serão seguidas de elevações na taxa de juros externa Essa característica da BP evidencia que um maior nível de renda que piore o saldo em transações correntes deve ser seguido de elevações na taxa de juros para atrair capitais externos compensatórios Desenvolveremos no primeiro momento o modelo com câmbio fixo e depois com câmbio flutuante É importante destacar que a inclinação da curva BP pode variar sendo mais inclinada mais em pé mais vertical e menos inclinada mais deitada mais horizontal Dois fatores afetam a inclinação da BP i a elasticidade do movimento de capitais em relação à taxa de juros quanto maior a elasticidade menos inclinada é BP e ii a propensão marginal a importar quanto maior a propensão mais inclinada é BP Nas nossas análises teremos duas situações a BP mais inclinada que a LM mobilidade fraca de capitais e b LM mais inclinada que BP mobilidade forte de capitais SAIBA MAIS A Trindade Impossível A Trindade Impossível um resultado obtido a partir do modelo MundellFleming basicamente evidencia que não é possível se ter ao mesmo tempo elevada mobilidade de capitais internacionais taxa fixa de câmbio e política monetária independente Dessa forma uma das três políticas econômicas tem de ser modificada ou se reduz a mobilidade de capitais ou se flexibiliza a taxa cambial ou se abandona o controle monetário Ou seja sempre que os formuladores de política econômica optarem por duas das opções de políticas acima eles deverão necessariamente abrir mão da terceira Fonte Pires 2005 Câmbio fixo Vejamos inicialmente uma política fiscal expansionista para uma economia com mobilidade imperfeita de capitais regime de câmbio fixo e em que a BP é mais inclinada que LM mobilidade fraca Primeiro há um deslocamento da curva IS para a direita de IS₁ para IS₂ modificando o equilíbrio do ponto A para o ponto B com uma taxa de juros i₂ maior que a taxa de juros inicial i₁ e um nível de renda maior Haverá nesse ponto o surgimento de déficits no Balanço de Pagamentos dado que a piora no saldo em transações correntes gerado pelo crescimento da renda é maior que a entrada de capitais provocada pela elevação da taxa de juros A necessidade de manutenção do câmbio fixo faz com que o Banco Central disponibilize suas reservas internacionais para suprir a demanda maior por moeda estrangeira contraindo a oferta de moeda doméstica deslocando a curva LM para a esquerda elevando ainda mais a taxa de juros e reduzindo a renda Esses movimentos fazem com que haja melhora no saldo em transações correntes e maior entrada de capitais na economia e permanecem até que a economia volte ao equilíbrio com LM passando para LM₂ e interceptando as curvas BP₁ e IS₂ no ponto C O gráfico da Figura 1 demonstra esses movimentos Figura 1 Política fiscal expansionista no Modelo ISLMBP com mobilidade imperfeita de capitais regime de câmbio fixo e BP mais inclinada que LM Fonte autor 2020 Admitamos agora o mesmo cenário anterior mas com LM mais inclinada que a BP mobilidade forte Inicialmente há um deslocamento da curva IS para a direita de IS₁ para IS₂ movendo o equilíbrio do ponto A para o ponto B com uma taxa de juros i₂ maior que a taxa de juros inicial i₁ e um nível de renda maior No ponto B ao contrário do que houve no exemplo anterior teremos um superávit no Balanço de Pagamentos pois agora a entrada de capitais provocada pela elevação da taxa de juros é maior que a piora no saldo em transações correntes gerado pelo crescimento da renda Como o câmbio é fixo o Banco Central comprará a oferta excedente de moeda estrangeira expandindo a oferta de moeda doméstica que desloca a LM para a direita reduzindo a taxa de juros e elevando a renda Isso leva a uma deterioração no saldo em transações correntes e diminui a entrada de capitais AMORIM R L C Macroeconomia neoclássica contemporânea novos keynesianos e novosclássicos Ensaios FEE Porto Alegre v 23 n 1 p 29 56 2002 MORETTI B LÉLIS M T C Economia clássica e novoclássica versus Keynes e póskeynesianos um debate ontológico Ensaios FEE Porto Alegre v 28 n 1 p 7998 2007 Livro Filme Unidade 3 Análises e Curvas AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Curva de Oferta Agregada com Base em Preços Passados AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Determinação do Produto e da Inação AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Ciclos Econômicos AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Leitura Complementar SCHWARTZMAN F F Estimativa de Curva de Phillips para o Brasil com preços desagregados Economia Aplicada Ribeirão Preto v 10 n 1 janmar 2006 Livro Unidade 4 Crescimento Econômico AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Consumo e Escolha Intertemporal AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Figura 1 Função consumo keynesiana Fonte o autor Com base na função consumo de Keynes vemos que a razão entre o nível de consumo e o nível de renda da economia denominada propensão média a consumir PMeC reduzse à medida que a renda cresce Isso indica que as famílias com níveis de renda mais elevados em média tendem a poupar proporcionalmente mais que as famílias com níveis de renda menores Contudo o trabalho empírico desenvolvido pelo economista Simon Kuznets a partir de dados de consumo e renda ao longo de vários anos evidenciou ao contrário do que acabamos de apresentar a existência de proporcionalidade entre o consumo e a renda indo contra a hipótese de que a PMeC é decrescente em relação à renda O estudo de Kuznets acabou por evidenciar que no longo prazo a função consumo teria um comportamento diferente daquele defendido por Keynes Dessa forma podemos considerar a uma função consumo de curto prazo em que à medida que a renda aumenta o consumo aumenta a taxas decrescentes PMeC decrescente e Investimento AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira O Governo AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Demonstrando que o consumo intertemporal das famílias é igual a renda intertemporal menos os tributos intertemporais A partir disso concluímos que a redução nos tributos em no presente implica elevação de nos tributos no futuro de modo que não haverá variação no valor presente dos tributos e portanto não haverá alteração no consumo das famílias Ou seja as famílias irão reduzir o consumo presente poupando para pagar os maiores tributos esperados para o futuro Nesse modelo intertemporal a queda nos tributos só terá efeitos sobre o consumo quando for acompanhada por alterações nos gastos públicos desde que não sejam necessários aumentos adicionais nesses gastos no futuro Crescimento Econômico Modelo HarrodDomar AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira O modelo de HarrodDomar é baseado nas ideias keynesianas e considera que o crescimento econômico é um progressivo e equilibrado Esse modelo evidencia a importância de três variáveis fundamentais no processo de crescimento a taxa de investimento a taxa de poupança e a relação produtocapital LOPES VASCONCELLOS 2008 A principal característica do modelo HarrodDomar reside na determinação das condições necessárias para a manutenção do equilíbrio entre poupança e investimento na economia Para que a economia se mantenha no pleno emprego o investimento deve ser igual ao produto da propensão marginal a poupar e do nível de renda Vejamos no modelo os dois efeitos citados Efeito demanda Tomemos o modelo keynesiano simples de determinação da renda para uma economia fechada sem governo e com investimento Em que pexels I sY 30 YE C I 31 C cYE 32 Para o desenvolvimento do modelo partese do princípio de que o investimento agregado gera dois efeitos na economia i Efeito demanda em que um aumento do investimento provoca uma elevação na renda efetiva e ii Efeito capacidade produtiva no qual os investimentos elevam a capacidade produtiva da economia Crescimento Econômico Modelo de Solow com e sem Capital Humano AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Figura 3 Aumento na taxa de crescimento da população sobre o estado estacionário no modelo de Solow Fonte adaptado de Lopes e Vasconcellos 2008 p 379 Vistos esses efeitos passemos agora para a expansão do modelo inserindo primeiramente a tecnologia e depois o capital humano Inserindo a tecnologia ao modelo temos que Sabemos que a acumulação de capital é a mesma que em 54b e que no modelo com tecnologia tanto o produto por trabalhador como o capital por trabalhador crescem à taxa da melhoria tecnológica considerada exógena A Y F K AN KαAN1α 60 y kαA1α 61 g AFONSO J R ABREU T F R Alguns poupam muito mas mal no Brasil Conjuntura Econômica v 72 p 2427 2018 WORLD BANK Emprego e crescimento a agenda da produtividade Brasília 2018 Disponível em httpdocumentsworldbankorgcurateden203811520404312395pdf123969 WPPUBLICPORTUGUESEP162670 EmpregoeCrescimentoAAgendadaProdutividadepdf Acesso em 20 nov 2020 Livro

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Teoria Macroeconômica Teoria Macroeconômica AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Bem vindoa Olá caroa alunoa seja muito bemvindoa ao material pedagógico de Teoria Macroeconômica Somos os professores Luiz Henrique Paloschi Tomé e George Lucas Máximo Ferreira e é com grande satisfação que lhe apresentamos este conteúdo de nossa autoria cuja finalidade consiste em introduzir os conceitos definições e análises da teoria macroeconômica que possibilitem a compreensão dos agregados econômicos dos efeitos das políticas econômicas nos curto e longo prazos e dos determinantes do crescimento econômico e do nível de renda dos países Sendo assim na Unidade I iniciamos com os princípios fundamentais de macroeconomia explicando as contribuições dos teóricos clássicos neoclássicos e modernos Além disso apresentamos de forma breve alguns modelos e abordagens que contribuíram para a construção do pensamento econômico moderno Por sua vez estudamos sobre as variações do produto e emprego por meio da visão clássica abordando o conceito de função de produção bem como os fatores de produção capital e trabalho Ademais abordamos o trade off entre horas de trabalho e lazer as contribuições de Keynes e o seu Princípio de Demanda Efetiva PDA alguns fatos sobre a macroeconomia brasileira taxa de câmbio moeda déficits orçamentários público e inflação e a introdução à Teoria do Crescimento Econômico Na Unidade II estudaremos o equilíbrio externo introduzindo a curva BP que demonstra os pontos de equilíbrio do Balanço de Pagamentos e o Modelo ISLMBP que inclui o setor externo ao Modelo ISLM Dessa forma analisaremos a determinação do nível de renda para uma economia aberta e os efeitos das políticas econômicas ou de alterações em variáveis exógenas sobre o equilíbrio de curto prazo Discutiremos esses efeitos nos regimes cambiais fixo e flutuante considerando uma economia sem mobilidade de capitais com perfeita mobilidade de capitais e com mobilidade imperfeita de capitais Na Unidade III apresentamos o conceito de Curva de Oferta Agregada com Base em Preços Passados Posto isso introduzimos as expectativas racionais e adaptativas cuja aplicação nos levou a Curva de Oferta de Lucas e a Curva de Oferta de Phillips Nesta última fomos apresentados ao trade off que acontece entre os níveis de desemprego e as taxas de inflação Por conseguinte discorreremos sobre a Curva de Phillips Aceleracionista como resultado da inclusão das expectativas adaptativas que levam os agentes a considerar as previsões futuras com base em experiências do passado Além disso discutimos acerca dos Choques de Oferta com o exemplo clássico da elevação abrupta dos preços do petróleo deflagrado pela OPEP na década de 1970 Por fim na Unidade IV veremos o consumo e a escolha intertemporal considerando que as famílias decidem quanto consumir e poupar no presente levando em conta o futuro discutiremos a importância do investimento tanto como componente da demanda agregada como no aumento da capacidade produtiva da economia no longo prazo analisaremos a atuação do governo e as consequências da existência de déficits públicos e discutiremos o crescimento econômico com o Modelo HarrodDomar o Modelo de Solow e o Modelo de Solow com capital humano Muito obrigado e bom estudo Unidade 1 Conceitos Gerais AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Introdução Caroa alunoa da disciplina de Teoria Macroeconômica vamos iniciar a nossa jornada pelo aprendizado abordando as principais características conceitos e definições que abrangem a Macroeconomia Sendo assim começamos com os princípios fundamentais de macroeconomia explicando o seu alvorecer bem como o desenvolvimento e a necessidade que a evidenciou Apresentaremos os principais economistas clássicos e neoclássicos cujas contribuições são o fundamento dos modelos e abordagens tais como conhecemos hoje quais são alvos de críticas mas também da construção do pensamento econômico moderno Discorreremos sobre a Teoria Keynesiana contribuições e modelos que a sucederam como forma de representar as identidades macroeconômicas Além disso abordaremos por meio da visão classicista os conceitos e comportamentos do produto e emprego utilizando uma função de produção e assumindo alguns pressupostos que veremos na sequência serem refutados por Keynes Por sua vez introduzimos alguns modelos keynesiano e a ênfase no Princípio da Demanda Efetiva finalizando com a apresentação do multiplicador de gastos Conquanto apresentamos brevemente os aspectos da macroeconomia brasileira por meio do seu desenvolvimento endividamento processo hiperinflacionário e as insatisfatórias tentativas de estabilização da economia que culminou no Plano Real Ademais apresentamos e explicamos o Balanço de Pagamentos Brasileiro por meio de dados reais da economia bem como discorremos sobre a taxa de câmbio como principal mecanismo e meio de troca internacional Por sua vez finalizamos com os aspectos elementares acerca da Teoria do Crescimento Econômico cujo objetivo consiste em introduzir oa caroa estudante no contexto de variáveis e modelos de crescimento econômico e sobretudo explicar suas funcionalidades e aplicações Bons estudos Princípios Fundamentais AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Olá caroa alunoa Vamos abordar brevemente os princípios fundamentais sobre a Macroeconomia Posto isso o termo Macroeconomia surgiu na década de 1930 num contexto de progresso nos estudos das questões econômicas agregadas No período antecedente as questões microeconômicas dominavam os meios acadêmicos sendo que os fatores que determinam a renda como o emprego e os preços passaram a receber atenção a posteriori Além disso os estudos macroeconômicos foram intensificados devido à Grande Depressão de 1929 resultando em pesquisas sobre ciclos de negócios bem como em alternativas cujo teor consistia na estabilização da economia Dessa interação surgiu a obra intitulada A Teoria Geral do Emprego do Juro e da Moeda de John Maynard Keynes no período conhecido como Revolução Keynesiana Por sua vez Keynes atacava a Economia Clássica bem como os monetaristas novoclássicos e teóricos dos ciclos reais de negócios atacavam a teoria keynesiana partindo de pressupostos clássicos FROYEN 1999 JONES 1979 Diante do exposto o objetivo da Teoria Econômica é analisar como são formados os preços e as quantidades dos bens e serviços bem como dos fatores de produção presentes na economia Além disso Lopes e Vasconcellos 2008 sublinham que os economistas da escola neoclássica elaboraram um método cujo princípio consistia na hipótese de racionalidade dos agentes econômicos isto é diante de um conjunto de variáveis os indivíduos escolheriam a opção que apresentasse a maior vantagem Assim sendo a abordagem foi estruturada em duas entidades o consumidor e a firma Por sua vez o consumidor objetiva a maximização de alguma função que seja de satisfação ou utilidade e as firmas são baseadas na premissa básica de maximização dos lucros Admais a macroeconomia pode ser examinada por meio de vários modelos macroeconômicos os quais são representações econômicas simplificadas que objetivam detectar segundo Froyen 1999 fatores importantes na determinação de vários agregados como produto emprego e nível de preços Além disso para entender as relações teóricas hipotéticas entre essas variáveis econômicas agregadas e variáveis de política macroeconômica vamos definir e conceituar as respectivas contrapartidas das variáveis dos nossos modelos no mundo real Conquanto vamos considerar algumas relações contábeis existentes entre essas variáveis como as medidas nas Contas Nacionais e Balanço de Pagamentos Por conseguinte discorreremos sobre os Clássicos da Macroeconomia no próximo tópico Clássicos da macroeconomia Os economistas clássicos a rigor são os que precederam os neoclássicos a saber Adam Smith David Ricardo Stuart Mill Thomas R Malthus e JeanBaptiste Say Entretanto segundo Lopes e Vasconcellos 2008 o termo clássico empregado na Teoria Macroeconômica usualmente destaca os economistas neoclássicos os quais baseavam suas interpretações no racionalismo econômico representados por Alfred Marshall Léon Walras Arthur Cecil Pigou e Francis Y Edgeworth CONCEITUANDO Segundo Brue 2006 o termo neo significa novo portanto neoclássico implica uma nova forma de classicismo Por conseguinte essa vertente de pensadores econômicos acreditava na capacidade da economia de mercado expurgando a intervenção do governo de empregar de maneira eficiente todos os recursos à disposição de modo a atingir o nível de pleno emprego isto é no contexto em que não existem indivíduos desempregados voluntariamente Posto isso os economistas neoclássicos se baseavam na suposição de plena flexibilização de preços e salários por sua vez preços e salários tenderiam ao ajuste no mercado de trabalho garantindo assim o equilíbrio no mercado de trabalho a pleno emprego Além disso acreditavase no poder autorregulador do mercado ou seja na crença no liberalismo na qual a oferta criaria a sua própria demanda conhecida como a Lei de Say LOPES VASCONCELLOS 2008 Ademais após a Grande Depressão de 1929 surgiu uma grande insatisfação com os resultados que as teorias econômicas conjecturavam isto é a convergência automática ao pleno emprego e portanto a não existência de desemprego e capacidade ociosa o que se revelou uma falácia devido a procura por empregos sem êxito Assim sendo Lopes e Vasconcellos 2008 afirmam que somente com a A Teoria Geral do Emprego do Juro e da Moeda de John Maynard Keynes postulada em 1936 que são intensificadas as críticas aos modelos anteriores e disposta a oportunidade da intervenção governamental por meio de instrumentos de política monetária eou fiscal cujo objetivo consiste em conduzir a economia à plena utilização dos recursos Keynes por sua vez postulou que contrariamente à teoria clássica não existe flexibilidade perfeita entre preços e salários e portanto não garante o pleno emprego dos recursos Diante do contexto o autor evidenciou a participação dos sindicatos na precificação dos salários cujo efeito resultava em rigidez e que por sua vez conduzia ao chamado desemprego involuntário isto é o cenário em que os indivíduos procuram emprego mas não obtém oportunidades com a economia posicionada abaixo do pleno emprego REFLITA É um erro capital teorizar antes de se ter as informações As pessoas começam a torcer os fatos para que se encaixem nas teorias em vez de formular teorias que encaixem os fatos Sherlock Holmes Um Escândalo na Boêmia Produto e emprego A produção e o emprego são os fatores que determinam no modelo clássico as posições nas curvas de oferta e demanda por trabalho bem como da função de produção agregada Dito isso a função de produção se desloca pressupondo uma mudança tecnológica que altera a quantidade de produtos a ser obtido dada uma quantidade fixa de insumos Além disso à medida que o estoque de capital se altera no fluxo temporal a função de produção também é deslocada Diante do exposto Froyen 1999 sublinha que a curva de demanda por trabalho se iguala à curva do produto marginal do trabalho influenciando a inclinação da função de produção Assim sendo a relação central do modelo clássico é dada por meio da função produção agregada que se baseia na tecnologia das firmas individuais e que relaciona os níveis de produção e os níveis de insumos Posto isso Froyen 1999 destaca que para cada nível de utilização dos insumos a função de produção expressa o valor respectivo de produção conforme equação 1 y FK N 1 Na qual y representa a produção real K é o estoque de capital fábrica e equipamentos e N significa a quantidade de mãodeobra por suposição homogênea Como observado supõese que o estoque de capital seja fixo K e a tecnologia e a população constantes no intervalo considerado Assim a produção varia no curto prazo devido a alterações na quantidade de mão de obra derivada da população considerada inalterada FROYEN 1999 ATENÇÃO A barra superior segundo Mankiw 2015 significa que a variável é fixa em determinado nível bem como os fatores de produção são preestabelecidos Dito isso no modelo apresentado é suposto haver uma quantidade fixa de capital e mãodeobra Diante do contexto podemos extrair algumas pressuposições Figura 1 a saber i sob a hipótese de baixos níveis de emprego N é suposto que a função seja uma linha reta o que significa que acréscimos de trabalhadores em determinada fábrica e na utilização de equipamentos não gera alterações na produtividade do último trabalhador contratado Entretanto ii situações entre N e N demonstram que acréscimos de mãodeobra provocam aumentos na quantidade produzida ademais conforme são adicionados novos trabalhadores esses acréscimos são reduzidos até não produzir nenhum incremento no produto Figura 1 Função de Produção e Produto Marginal do Trabalho a Função de Produção yFKN b Produto Marginal do Trabalho Fonte adaptado de Froyen 1999 Uma inspeção visual na Figura 1 permite verificar que conforme a mãodeobra N sobe a produção y aumenta entretanto a uma taxa marginal decrescente Segundo Froyen 1999 a inclinação da razão ΔyΔN é positiva porém apresenta reduções conforme se avança na curva Além disso o Produto Marginal do Trabalho PMgNi é um acréscimo proporcionado pela adição de uma unidade de mãodeobra representado por uma curva negativa dado que o aumento de uma unidade de trabalho produz incrementos cada vez menores na produção Por sua vez a função de Produção yFKN mede o nível de produção por meio da relação tecnológica dada uma determinada quantidade de mãodeobra trabalho Ademais para os economistas clássicos o nível de emprego utilizado era determinado pelas forças de oferta e demanda do mercado de trabalho Sendo assim segundo os clássicos o pressuposto é de que o mercado de trabalho funciona de forma apropriada com as firmas e trabalhadores agindo de maneira ótima Além disso não havendo assimetria de informações sobre os preços ou seja todos são informados sobre os preços relevantes o mercado converge para o equilíbrio devido à ausência de entraves ao ajustamento dos salários nominais FROYEN 1999 Por sua vez pela ótica da demanda os serviços de mãodeobra são absorvidos pelas firmas que produzem os bens e serviços Dessa forma para estimar a demanda por trabalho vamos supor uma firma qualquer designada como iésima firma Além disso vamos introduzir o conceito observado no modelo clássico em que as firmas são perfeitamente competitivas isto é segundo Lopes e Vasconcellos 2008 as empresas não decidem sobre os preços P que vendem as mercadorias por hipótese é dado e não determina o quanto de salário será pago à mãodeobra Posto isso a decisão da firma é restrita à escolha da quantidade de trabalho a ser contratada e estimar o quanto produzir de modo que maximize o lucro por meio da expressão LucroReceita Total Custo Total e LucroπPYWNRK Na qual W Salário Nominal por unidade laboral R Custo por unidade de capital P Representa o preço do produto Y Reescrevendo a equação 3 em função da utilização do trabalho obtemos πPFNWNRK De acordo com a premissa da firma de maximização do lucro derivamos a equação 4 com relação à força de trabalho N portanto a condição de primeira ordem CPO é πN PFN W 0 5 e PFN W 6 FN WP 7 Assim sendoFN é a derivada primeira da função do trabalho e significa que para a firma maximizar o lucro ela precisa contratar trabalhadores até o ponto que a PMgNi ou FN seja igual ao salário real WP Posto isso PMgNi representa a própria demanda de mãodeobra pela firma LOPES VASCONCELLOS 2008 Diante do contexto Froyen 1999 destaca que a produção no curto prazo é alterada caso haja variações na quantidade de trabalho utilizada de modo que o nível de produção e trabalho resulta numa decisão única Além disso a firma perfeitamente competitiva buscará aumentar a sua produção até que o custo marginal de produção se iguale à receita marginal advinda das vendas por sua vez a receita marginal é igual ao preço do produto Sabemos por definição que a mãodeobra trabalho é o único fator variável da produção assim sendo o custo marginal de cada unidade adicionada de produção é igual ao custo marginal do trabalho Além disso o custo marginal do trabalho se iguala à razão entre o salário em unidades monetárias e a quantidade de unidades fabricadas com relação ao acréscimo de unidades de mãodeobra na produção conforme a expressão a seguir CMgi WPMgNi 8 Na qual CMgi representa o Custo Marginal da iésima firma que por sua vez é igual a razão entre o salário nominal ou monetário W e PMgNi que significa o Produto Marginal da mãodeobra para a iésima firma Dessa forma Froyen 1999 supõe que seja remunerado o trabalho com 1500 um unidades monetárias por hora e que cada unidade adicional de mãodeobra produza cinco unidades de produção assim o WP isto é o salário real será de 300 um Reescrevendo a equação 8 sob a premissa inicial das firmas de maximização dos lucros no curto prazo obtemos P CMgi WPMgNi 9 ou WP PMgNi 10 Assim sendo sob a premissa de maximização do lucro a condição é que o salário real remuneração da mãodeobra representada por unidades de produção e não em unidades monetárias e por sua vez a firma para maximizar o lucro contrata até o ponto no qual o produto marginal do trabalho se iguale ao salário real MANKIW 2015 p110 representado por WP a ser pago pela firma se iguale ao Produto Marginal do Trabalho o qual é medido em unidades de produção Posto isso Mankiw 2015 destaca que o PMgNi é dependente da quantidade de mãodeobra assim a curva de produto marginal apresenta uma inclinação descendente devido à redução que acontece com os acréscimos de unidades de trabalho Figura 2 Figura 2 Curva de Demanda por trabalho da empresa Fonte adaptado de Froyen 1999 Uma inspeção visual na Figura 2 permite verificar que sob o salário real de 30 uma quantidade de trabalho contratada pela empresa será de 400 unidades o que representa o ponto de equilíbrio Por sua vez com a quantidade sendo inferior a 400 unidades ou seja 350 unidades o salário real será de 40 um o que excede o salário real de 30 um significando que em termos reais o pagamento ao trabalhador é inferior ao produto real produzido por ele Dessa forma para aumentar os lucros seria necessário o acréscimo de unidades de trabalho Ademais se a quantidade for superior a 400 unidades o salário real de equilíbrio 30 um excederia o PMgNi Além disso os pagamentos da mãodeobra superariam o produto marginal dos trabalhadores e os custos marginais excederiam o preço do produto condicionando a maximização dos lucros a uma redução das unidades de trabalho Por conseguinte vamos relacionar o último aspecto necessário para determinar o emprego e na sequência o nível de produção na abordagem clássica por meio da Curva de Oferta de Trabalho Os economistas clássicos adotavam a premissa da maximização da utilidade ou satisfação do indivíduo cujo nível dependia da renda e lazer resultando no tradeoff entre esses dois objetivos devido à condição imposta de que a renda aumenta com o trabalho no entanto reduz as horas disponíveis de lazer Por sua vez o trabalho não gera prazer apenas à renda necessária que permite consumir e obter satisfação por meio do consumo de produtos Além disso o lazer produz satisfação por meio da maximização da utilidade do indivíduo Ademais cada hora destinada ao trabalho é uma hora reduzida de lazer LOPES VASCONCELLOS 2008 A Figura 3 ilustra essa dinâmica Figura 3 TradeOff entre Horas trabalhadas e disponíveis para Lazer Fonte adaptado de Froyen 1999 Mankiw 2015 A Figura 3 demonstra o custo de oportunidade que o indivíduo deve fazer entre horas de trabalho e lazer O indivíduo detém a força de trabalho ou seja 24 horas à disposição e oferta até o ponto em que o trabalho seja trocado por renda representado pelo salário real WP Sendo assim salários maiores tendem a provocar aumentos na oferta de mãodeobra conforme plotado na Figura 3 b N s j Além disso a inclinação das curvas de indiferença U1 U2 U3 ilustra as preferências do indivíduo ou seja representa o quanto está propenso a realizar a troca entre horas trabalhadas e lazer FROYEN 1999 Ademais para obter a renda de 48 um WP Ns o indivíduo precisa escolher trabalhar por 8 horas sendo remunerado em 60 umhora entretanto ele consegue optar por aumentar as suas horas de lazer e escolher trabalhar 6 horas e sua renda será reduzida a 30 um devido ao salário real de 50 umhora CONCEITUANDO Segundo Sandroni 1999 Tradeoff é a expressão que define situação de escolha conflitante ou seja uma ação econômica cujo objetivo é a resolução de determinado problema mas que de forma inevitável provoca outros problemas Finalmente determinadas a oferta e a demanda de mãodeobra cabe analisar o funcionamento do mercado de trabalho para estimar o nível de emprego e salário real Relemb rando que no modelo clássico é suposta a concorrência perfeita ou seja com grande número de ofertantes não considerando a influência de forças sindicais por meio de tabelamento de preços e por meio de um grande número de demandantes devido à ausência de poder por parte das firmas em fixar salários excluindo a existências de monopolistas eou oligopolistas Assim sendo havendo excesso de oferta de mãodeobra o salário real reduz e na medida em que houver excedente de demanda o salário real aumenta LOPES VASCONCELLOS 2008 Posto isso o mercado tende a alcançar um nível de salário real em que a oferta de trabalho se iguale a demanda assim nesse contexto todos que desejarem trabalhar encontrará emprego e as firmas obterão oferta suficiente de mãodeobra para atender suas demandas Figura 4 Figura 4 Equilíbrio no mercado de trabalho segundo a Teoria Clássica Fonte adaptado de Lopes e Vasconcellos 2008 Uma inspeção visual na Figura 4 permite verificar que quando o salário for superior ao nível de equilíbrio haverá excesso de oferta de mãodeobra fazendo com que o número de horas de trabalho oferecidas pelos trabalhadores exceda o demandado pela firma gerando uma condição de desemprego WPA Diante do contexto a concorrência devido ao excesso de oferta de trabalho converge para uma redução salarial diminuindo a oferta e aumentando a demanda até que as duas quantidades tendem ao equilíbrio novamente a um nível inferior do salário real WPE LOPES VASCONCELLOS 2008 Por sua vez se o salário real se situar abaixo do equilíbrio provocará um excesso de demanda por trabalho gerando a condição de super emprego WPB Dessa forma a concorrência entre as firmas para obter trabalhadores tende a elevar os salários reais por meio da ampliação da oferta de trabalho reduzindo a demanda até que as quantidades retornem ao ponto de equilíbrio Teoria macroeconômica moderna Como observamos na abordagem clássica e sob a hipótese de que o mercado funciona livremente e na ausência de imperfeições a economia tenderia a buscar o ponto de equilíbrio no mercado de trabalho isto é o pleno emprego Posto isso não haveria desemprego involuntário o que significa que os indivíduos buscam trabalho ao nível do salário de mercado e no entanto não obtêm emprego Assim sendo o desemprego só aconteceria na situação em que os trabalhadores desejassem remuneração superior ao salário de mercado conhecido por desemprego voluntário Entretanto Lopes e Vasconcellos 2008 ressaltam que a Teoria Clássica não obteve êxito em explicar por que no contexto econômico da Grande Depressão da década de 1930 o desemprego aumentava mesmo com os salários nominais em derrocada e sobretudo na situação em que os indivíduos aceitavam salários cada vez menores e não encontravam oportunidades de emprego Diante do contexto surge a necessidade de alterar a abordagem que se deslocou da Oferta Agregada condições tecnológicas fatores de produção e nível do produto para a análise da Demanda Agregada Por conseguinte a obra de John Maynard Keynes The general theory of employment interestand Money 1936 A teoria geral do emprego do juro e da moeda na qual o autor introduziu o conceito conhecido por Princípio da Demanda Efetiva doravante PDE tinha como objetivo a determinação do produto e da renda dessa forma acontecia a ruptura com as ideias clássicas da passividade da demanda e a adequação à oferta conforme formulado pela Lei de Say LOPES VASCONCELLOS 2008 Diante do contexto é importante destacar que muitas das ideias apresentadas por Keynes foram pensadas por economistas dos Estados Unidos cujas teorias compreendiam programas trabalhistas públicos orçamentos do governo federal e facilitação de acesso ao crédito por meio do Sistema Federal de CréditoAlém disso muitos teóricos tinham conhecimento acerca do efeito multiplicador que o aumento nos gastos do governo poderia provocar sobre os gastos e a renda total Por sua vez algumas teorias previam que à medida em que a renda nacional aumentava os gastos com consumo cresciam à taxa inferior à renda total e por conseguinte as poupanças aumentavam de modo acelerado Ademais os salários eram considerados custos de produção e fonte de demanda por bens e serviços além do que as reduções nos salários não apresentavam solução na diminuição do desemprego Entretanto foi Keynes que operacionalizou a estrutura analítica e pavimentou a revolução keynesiana BRUE 2006 Assim sendo tendo por base o PDE proposto por Keynes as principais variáveis da demanda são o consumo C e o investimento I no qual o autor considera o consumo agregado uma função da renda e por conseguinte o crescimento do consumo está condicionado ao aumento da renda entretanto não na mesma proporção como demonstrado pela variável de propensão marginal a consumirdoravante PMC ou c Tabela 1a Além disso a PMC é afetada por vários fatores como distribuição de renda preferências individuais eou abstratas como aversão ao risco avareza entre outros e por sua vez essa variável deve ser positiva 0 c 1 Por conseguinte as ideias de Keynes podem ser expressas por meio dos modelos macroeconômicos apresentados na Tabela 1 Sendo assim o modelo simples é de que o produto Y é determinado pela demanda agregada DA considerando que não há restrições da oferta agregada OA para o crescimento do produto o que por sua vez implica que as firmas são livres para ofertar qualquer quantidade de produtos a um nível de preços estabelecidos ou seja a OA no limite tendendo ao infinito é elástica com relação aos preços de tal modo que é por meio da DA que o nível de produto é determinado mantendo a premissa do PDE LOPES VASCONCELLOS 2008 Ademais como estímulo da produção ao movimento dos estoques a economia converge ao equilíbrio com o nível de produção se igualando à demanda agregada planejada representada por OA DA e por sua vez igual ao consumo além de que o investimento involuntário é zero conforme apresentado na Tabela 1a por meio da equação Y C que pode ser expressada supondo uma função linear do consumo C C0 cY em que C0 0 representa o consumo autônomoque independe do nível de renda isto é mesmo que a renda seja zero exista essa variável e c são o PMC Posto isso por definição a poupança é o complemento da função consumo com relação à renda não consumida Por conseguinte Lopes e Vasconcellos 2008 sublinham que a poupança é considerada o resíduo da renda não consumida representada pela equação S C0 1 c Y que possui sinal negativo devido à situação em que na ausência de produção acontece a poupança negativa Além do que 1 c significa a propensão marginal a poupar doravante PMP que representa à proporção que a poupança cresce em consonância com os aumentos em unidades de renda O segundo modelo macroeconômico keynesiano apresentado segundo Lopes e Vasconcellos 2008 considera o investimento sendo fixo ou seja com características autônmas em relação à renda representado por I I0 Dessa forma o investimento não depende do nível da renda assumindo um valor constante Além disso são mantidas as condições de equilíbrio na qual o produto é igual à demanda acrescida do termo de investimento conforme descrito na Tabela 1b por meio da identidade macroeconômicaY C I Tabela 1 Modelos Macroeconômicos Keynesiano Fonte adaptado de Lopes e Vasconcellos 2008 Verificando os sistemas de equações a e b desenvolvidos até agora percebemos que o nível da renda de equilíbrio varia de acordo com a PMC c e do nível de gastos autônomos representados por C0 e I0 Posto isso a renda de equilíbrio é sensível a aumentos eou reduções nessas variáveis o que provoca o deslocamento da função de demanda agregada Ademais a dinâmica de variações que acontece entre gastos autônomos e as variações sob a renda é devido ao multiplicador de gastos que segundo Lopes e Vasconcellos 2008 é representado pela equação Multiplicador de Gastos ΔY ΔDA 11 Na qual ΔY representa a variação da renda nacional ΔDA é a Variação autônoma na DA Dessa forma uma variação inicial nas despesas influencia diretamente a renda em consonância com aqueles favorecidos pelos gastos Além disso os indivíduos que recebem essa renda ampliarão o consumo de acordo com a PMC devido ao acréscimo obtido da renda e geram por conseguinte um novo aumento na renda representado pelo termo 1 1 c em que c é a PMC Na sequência temos o modelo keynesiano incluindo os gastos públicos Governo os quais são somados ao consumo privado e aos investimentos supondo uma economia fechada isto é não há trocas de bens e serviços com outros países Por sua vez ao incluir o governo no modelo se deve considerar a receita pública que acontece por meio de arrecadação de impostos representado pelo termo T tY Tabela 1c cuja aplicação subtrai parte da renda dos indivíduos que poderia ser destinado ao consumo ou poupança portanto é representado pela equação de renda disponível Yd como Yd Y T LOPES VASCONCELLOS 2008 Ademais o último elemento a ser introduzido na análise dos modelos macroeconômicos keynesiano é o comércio exterior resto do mundo representado por meio do termo X M isto é se trata de uma economia aberta com trocas comerciais com outros países KRUGMAN OBSTFELD MELITZ 2015 Assim X significa exportações ou seja a demanda do resto do mundo aos produtos brasileiros e M as importações ou um elemento de vazamento de renda o que por sua vez pode ser substituído pela propensão marginal a importar M mY de acordo com a Tabela 1d Determinação e as flutuações do nível global De acordo com Dornbusch Fischer e Startz 2013 a determinação e as flutuações do nível global de atividade econômica isto é do produto no curto prazo podem ser explicadas por meio da demanda agregada Sendo assim temos que no curto prazo a curva de oferta agregada é horizontal Lopes e Vasconcellos 2008 definem como a oferta agregada keynesiana ou seja o nível de preços é fixo no ponto em que a curva de oferta alcança o eixo vertical Entretanto o produto em oposição ao comportamento apresentado consegue assumir qualquer valor devido ao pressuposto de que a quantidade do produto não influencia os preços no curto prazo Doravante podemos pensar em uma situação em que nem a oferta agregada seja fixa em um determinado nível de preços e tampouco seja imóvel no pleno emprego cuja curva é positiva inclinada e representa o trade off entre crescimento e inflação UniFCV Centro Universitário Cidade Verde Brasil e a Macroeconomia AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira A economia brasileira passou por sucessivas transformações desde o processo de desvinculação da capital colonizadora Lisboa Intrinsecamente o país enfrentou problemas de endividamento desde o início de sua independência com a coroa portuguesa Posto isso e transpostos os primeiros desafios surgiram outros ao longo do curso da história os quais foram sendo superados Por sua vez na história moderna do Brasil o povo lutou por liberdades direitos e deveres por meio de constituições revoltas revoluções e a um elevado custo o país venceu a ditadura militar de 1964 redemocratizando o Estado e por meio das Diretas Já de 1990 elege o primeiro presidente da democracia moderna brasileira Fernando Collor de Mello No contexto macroeconômico os desajustes frequentes eram desequilíbrio das contas externas endividamento excessivo do governo hiperinflação escassez de mercadorias devido às barreiras de importação indústria nacional não competitiva elevada concentração de renda entre outras variáveis Sendo assim nas décadas de 198090 foram implementadas uma sucessão de medidas econômicas cujo objetivo consistia em equilibrar e estabilizar a economia brasileira começando por planos econômicos mal sucedidos como Plano Cruzado 1986 Plano Bresser 1987 Plano Verão 1989 e Plano Collor I e II os quais possibilitaram uma curva de aprendizado acerca do que não fazer no processo de estabilização como congelar preços e salários ou atacar o estoque de moeda não considerando o fluxo monetário ou as expectativas dos agentes econômicos os quais antecipam os acontecimentos e sabotam a mudança Posto isso em 199394 por meio do Plano Real elaborado pela equipe econômica do Presidente Fernando Henrique Cardoso FHC surge a Unidade Real de Valor URV ou URVerização qual viria a substituir o Cruzado e paralelamente instaurar a nova moeda o Real Além disso para sustentar a estabilização da economia foi adotada uma série de medidas e a principal foi a implementação do Tripé Macroeconômico por meio de câmbio flutuante regime de metas de inflação e superávit primário Quadro 1 Quadro 1 Breve resumo dos eventos econômicos brasileiros Evento Aspectos Macroeconômicos Período Fonte Diretrizes Gerais do Plano Nacional de Desenvolvimento Plano de Metas ou 50 anos em 5 de JK Crescimento do Produto Interno Bruto PIB Aceleração da inflação aumento do déficit público e Desgaste da situação externa 19551963 Villela 2011 Plano de Ação Econômica do Governo Paeg Reformas estruturais nos setores Financeiro Tributário Mercado de trabalho 19641967 Hermann 2011 Milagre econômico Taxas de crescimento superiores a 10 aa Redução moderada da inflação qual espreitou valores próximo a 15 aa Indicadores do Balanço de Pagamentos BP promissores 19681973 Schmidt e Giambiagi 2015 aChoque dos preços do Petróleo entre 19731979 II Plano Nacional de Desenvolvimento II PND Com a implementação do II PND no governo Geisel foram concluídos o processo de Industrialização por Substituição de Importações ISI Forte Crescimento econômico Transformações na infraestrutura produtiva do país Aceleração inflacionária Deterioração das contas públicas Desequilíbrio no Balanço de Pagamentos 19741984 Hermann 2011 Hiperinflação brasileira entre 19851993 Experiências malsucedidas de Plano Cruzado Governo Sarney 19851989 Castro 2011 estabilização da inflação 1986 Plano Bresser 1987 Plano Verão 1989 Deterioração das contas fiscais e externas Plano Collor I e II¹ Medidas Fiscais Aumento da carga tributária IPI IOF etc PICE ² PND ³ Fernando Collor de Mello impeachment Plano Real Pavimentação do programa de estabilização Itamar Franco 19901998 Proposta Larida Fase I Ajuste Fiscal Fase II Desindexação Fase III Âncora Nominal Fernando Henrique Cardoso FHC Governo Lula Carta ao Povo Brasileiro Nota sobre o Acordo com o FMI 20032010 Giambiagi 2011 Fonte adaptado de Giambiagi 2011 Nota JK Juscelino Kubitschek de Oliveira ocupou a presidência da república entre 19561961 Situação agravada pelas Instruções 70 substituída pela 113 da Sumoc a se trata de evento exógeno mas que exerceu influência sobre a economia brasileira Homenagem aos economistas Pérsio Arida e André Lara Resende formuladores do plano ¹ Amplamente conhecido pelo desastre econômico provocado devido ao congelamento da poupança dos brasileiros como uma medida desesperada de controle inflacionário ² PICE Política Industrial e de Comércio Exterior cujo objetivo consistia no incentivo para as empresas brasileiras aumentarem a competitividade ³ Plano Nacional de Desestatização marcou o início do processo de privatizações qual contribuiu para o sucesso da estabilização posterior da economia Uma inspeção visual no Quadro 1 permite verificar de modo breve alguns acontecimentos importantes na economia brasileira Não obstante não há pretensão de esgotar a literatura ou os fatos econômicos que contribuíram para a transformação do status quo do país Dito isso observamos períodos como do Milagre econômico qual apresentou taxas de crescimento superiores a 10 aa acompanhado de reduções nas taxas inflacionárias e com relativa melhora nos indicadores do Balanço de Pagamentos Além disso Hermann 2011 reitera que essas relações macroeconômicas são controversas devido à dificuldade de equilíbrio existente entre crescimento econômico e inflação ou desemprego e inflação comumente conhecida como a curva de Phillips Ademais Giambiagi 2011 sublinha a manutenção do establishment pelo presidente recém eleito Luiz Inácio Lula da Silva e a sua equipe econômica que seguiram com as políticas implementadas no governo FHC por meio da Carta ao Povo Brasileiro em que se comprometia em preservar o Tripé Macroeconômico posição esta reforçada com a Nota sobre o Acordo com o FMI reafirmando os acordos de pagamento da dívida externa brasileira SAIBA MAIS Diante do contexto hiperinflacionário da década de 1990 foram adotadas medidas para combater e estabilizar a economia brasileira Posto isso para ancorar as mudanças estruturais realizadas foi necessário implementar o chamado Tripé Macroeconômico qual defendia a utilização de taxas de câmbio flutuante com a livre mobilidade de capitais cujo objetivo consistia em auxiliar no ajuste das contas externas na sequência foram adotadas metas de superávit primário para reduzir o endividamento do setor público e pôr fim a adoção do regime de metas de inflação e por conseguinte a utilização da política monetária Fonte Côrte e Souza 2020 ACESSAR Instrumentos de Análise AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Modelos de balanço de pagamentos e taxa de câmbio O Balanço de Pagamentos doravante BP é organizado para manter o controle das entradas e saídas de um país assim toda transação que resulte em recebimento do exterior entra no BP como crédito e quando se tratar de pagamento ao exterior é registrado como débito O Banco Central do Brasil Bacen a partir de abril2015 passou a divulgar os resultados do setor externo da economia brasileira de acordo com a 6ª edição do Manual de Balanço de Pagamentos e Posição Internacional de Investimento BPM6 proposto pelo Fundo Monetário Internacional FMI MILTONS 2016 Para Dornbusch Fischer e Startz 2013 o BP é subdividido em duas contas a saber conta corrente e conta de capital Assim sendo é na conta corrente que são registrados o comércio de bens e serviços além dos pagamentos de transferências e por sua vez na conta capital são registradas as compras e vendas de ativos ações títulos entre outros Além disso de acordo com Krugman Obstfeld e Melitz2015 as transações internacionais são divididas em i transações cuja origem são as exportações e importações de mercadorias ou serviços provisionadas diretamente na conta corrente ii transações cuja origem são a compra e venda de ativos financeiros como ações metais preciosos obras de arte etc o registro é realizado na conta financeira e iii outras atividades que destinam transferência de riquezas entre países são registradas na conta capital Posto isso o princípio do BP segue o Método das Partidas Dobradas ou Método Veneziano isto é toda transação internacional é lançada duas vezes uma como crédito e uma como débito Por sua vez Krugman Obstfeld e Melitz 2015 sublinham que muitas circunstâncias podem influenciar a forma como uma transação é provisionada no BP Assim qualquer transação comercial internacional gera automaticamente entradas de crédito e débito compensatórios no BP e portanto a soma do saldo da conta corrente e do saldo da conta capital se igualam ao saldo da conta financeira mais erros e omissões Tabela 1 cujo objetivo é o fechamento das contas do BP que torna nula a soma de créditos e débitos do BP impedindo que discrepâncias influenciem nos resultados MILTONS 2016 Tabela 1 Balanço de Pagamentos do Brasil US milhões Discriminação 2019 2020 Jun Janjun Ano Jun Janjun I Transações correntes 2 659 20 998 49 452 2 235 9 734 Balança comercial bens 4 714 22 412 40 782 6 898 19 327 Exportações ¹ 18 429 109 590 225 821 17 997 102 184 Importações ² 13 715 87 177 185 039 11 099 82 858 Serviços 3 550 17 653 35 139 1 371 11 187 Renda primária 3 876 26 420 56 059 3 452 18 608 Renda secundária 52 662 964 160 734 II Conta capital 3 147 369 18 190 III Conta financeira 3 2 605 22 646 51 511 2 420 8 643 Erros e omissões 51 1 795 2 428 167 902 Fonte adaptado de BACEN 2020 Nota ¹ Exclui mercadorias deixando o território nacional sem mudança de proprietário Inclui mercadorias entregues no território nacional encomendas postais e outros ajustes ² Exclui mercadorias ingressando no território nacional sem mudança de proprietário Inclui mercadorias entregues fora do território nacional importação ficta importação de energia elétrica sem cobertura cambial encomendas postais e outros ajustes ³ Para contas de ativo e de passivo aumento de estoque e redução de estoque Conta financeira fluxos de investimentos ativos fluxos de investimentos passivos Dados preliminares Os resultados apresentados na Tabela 2 indicam um saldo de conta corrente no período referente a 2019 de 𝑩𝑷𝑺𝒂𝒍𝒅𝒐22582118503996441746 Esse resultado indica que os pagamentos para o exterior são inferiores às receitas atuais Por sua vez significa que os residentes brasileiros produziram mais do que consumiram Além disso essas transações correntes já foram pagas por algum meio e sabemos que essa entrada de débito líquido de US 41746 bilhões de dólares deve ser compensada por um crédito líquido de mesmo valor em outro lugar no BP Sendo assim cada país possui sua própria moeda na qual são efetuadas transações comerciais entre países distintos por meio de operações de exportação e importação criando a necessidade de um sistema cambial Além disso Assaf Neto 2018 destaca que a taxa de câmbio é o preço entre duas moedas estrangeiras isto é pressupondo que a troca cambial seja realizada entre a moeda dólar norteamericano e o real brasileiro a taxa é definida pela quantidade de reais necessários para adquirir uma unidade de dólar ou vice versa A valorização cambial da moeda nacional Real acontece quando há um aumento do seu poder aquisitivo isto é quando é necessária uma quantidade menor de moeda nacional para obter uma unidade de moeda estrangeira eg Dólar EUA entretanto o caso inverso se verifica com o aumento da necessidade de moeda nacional para efetuar essa troca e o cenário predominante será desvalorização cambial Moeda déficits e inflação Para entender o conceito de moeda precisamos pensar num sistema baseado em trocas com inexistência de moeda Posto isso quando povos nômades desejavam obter outras mercadorias precisaram recorrer ao escambo entretanto houve o esgotamento desse modelo devido à implementação de técnicas agrícolas e o estabelecimento dos grupos de indivíduos na terra aprofundando os relacionamentos econômicos Além disso a atividade econômica tornouse mais complexa por meio do aumento de produtos e serviços comercializados como as ferramentas de cultivo fabricadas pelos ferreiros e os calçados pelos artesões LOPES ROSSETI 1998 Assim surgiu a necessidade do desenvolvimento do sistema de trocas que cedeu lugar gradativamente a formas de pagamentos que inicialmente se tratava de produtos de ampla aceitação cujas características precederam a moeda CONCEITUANDO Escambo é a troca de bens e serviços sem o uso de moeda Tratase do estágio mais rudimentar das relações de trocas e caracteriza a sociedade de economia natural Ademais na sociedade moderna a prática pode ressurgir sob a incerteza do valor da moeda isto é em períodos com elevadas taxas inflacionárias em que os consumidores perdem a confiança na moeda eg Alemanha pós Segunda Guerra Mundial quando o Marco alemão foi substituído pelo café e cigarro SANDRONI 1999 Por conseguinte o conceito de moeda segundo Mankiw 2015 é interpretado por um estoque de ativos os quais estão à disposição para realizar transações portanto os reais nas mãos dos brasileiros constituem o estoque de moeda do Brasil Além disso a moeda possui três finalidades a saber i Reserva de valor ii Meio de troca e iii unidade de conta Assim sendo a reserva de valor representa o poder de compra de moeda ou seja o quanto uma unidade monetária é capaz de adquirir Por sua vez a moeda é uma reserva de valor imperfeita devido às variações nos preços o que pode levar à deterioração do poder aquisitivo inflação ou a valorização deflação É um meio de troca porque empregamos a moeda para adquirir bens e serviços cuja aceitação consiste na recíproca confiança entre os agentes econômicos Finalmente temos a moeda como unidade de conta a qual define os termos pelos quais os preços são determinados e as dívidas são firmadas Posto isso Mankiw 2015 enfatiza que a moeda constitui o padrão por meio do qual contabilizamos as transações econômicas Déficits orçamentários e dívida pública A dívida pública basicamente pode ser contraída por meio de emissão de títulos do Tesouro Nacional LFT LTN NTNB NTNC entre outros cujo objetivo consiste em financiar déficits orçamentários públicos Além disso o governo pode por meio da senhoriagem seigniorage imprimir moeda como alternativa de financiamento entretanto o resultado em adotar tal medida em excesso é a hiperinflação Posto isso surge a seguinte questão por que o Estado precisa financiar déficits públicos Uma das respostas está associada ao fato de o governo não ser gerador de renda portanto precisam arrecadar impostos cujo objetivo é entre outras obrigações pagar os funcionários de repartições públicas juros da dívida pública bem como os investimentos em infraestrutura eg estradas saneamento básico saúde hospitais unidades de atendimento básico educação escolas creches Conquanto com frequência as despesas superam as receitas e o governo precisa recorrer ao endividamento por meio de oferta de títulos públicos junto dos investidores para cumprir com seus compromissos CONCEITUANDO A definição de inflação segundo Mankiw 2015 é de um aumento generalizado nos preços Para Sandroni 1999 a deflação consiste na queda persistente do nível geral dos preços Senhoriagem consiste na receita obtida por meio da emissão de moeda cuja etimologia da palavra seigneur é francesa e remete à senhor feudal Assim sendo na idade média o senhor feudal detinha o poder de cunhar a própria moeda em seus domínios MANKIW 2015 Para Mankiw 2015 a hiperinflação pode ser definida como a taxa de inflação que excede com frequência 50 ao mês Por sua vez ao se consolidar nesses níveis por muitos meses os preços perdem as referências e a economia passa a ser subjugada por um espiral inflacionária em que sucessivos reajustes salariais associados ao descontrole fiscal retroalimentam o aumento dos preços Fundamentos da Teoria do Crescimento Econômico AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Um dos principais objetivos da Teoria do Crescimento Econômico doravante TCE é explicar o constante aumento nos padrões de vida que verificamos em muitos países Por conseguinte um dos modelos usualmente utilizados é o Modelo de Crescimento de Solow Autor contribui amplamente para a Teoria Neoclássica do Crescimento cuja base é a ênfase da acumulação do capital com as decisões de poupança que por sua vez supunha a inexistência de progresso tecnológico DORNBUSCH FISCHER STARTZ 2013 que demonstra que a percepção dessa elevação provêm necessariamente do progresso tecnológico Posto isso para compreender com profundidade o processo de crescimento econômico precisamos transcender ao modelo de Solow e desenvolver modelos cuja capacidade seja a explicação do progresso tecnológico Ademais é possível alcançar esse objetivo por meio da Teoria do Crescimento Endógeno cujo pressuposto rejeita a mudança tecnológica exógena do modelo de Solow isto é a presunção da variável tecnológica Diante desse contexto para explicar a ideia inerente ao crescimento econômico iniciaremos com uma função de produção simplificadora que de acordo com Barro e SalaiMartin 2004 é representada por meio da função de produção do modelo AK notada como um caso especial da função CobbDouglas Y AKa L1a 12 Na qual Y Representa a produção total da economia A Representa a Produtividade Total dos Fatores nível tecnológico A 0 K É o capital L Força de trabalho a Elasticidade da saída do capital sendo que 0 a 1 Reescrevendo a equação 12 segundo Dornbusch Fischer e Startz 2013 em função da força de trabalho L obtemos Y L AKa L1a L AKLa L L A K La 13 Como K L k L L 1 o resultado é a função de produção CobbDouglas em termos per capita y fk Aka 14 Por sua vez conforme o capital per capita cresce o produto acompanha tal crescimento Ademais derivando a equação 14 com relação à força per capita do trabalho obtemos as seguintes condições de primeira e segunda ordem Uma inspeção visual nas equações 15 e 16 revelam a propriedade de rendimentos marginais decrescentes dos fatores de produção isto é na medida em que são acrescentadas novas unidades do fator de produção trabalho L os ganhos obtidos na produção são cada vez menores assim no limite obtemos por sua vez quando as unidades de trabalho são reduzidas têmse Ademais Mankiw 2015 reitera a importância dos modelos de crescimento de Solow e endógeno para demonstrar como a poupança o crescimento da população e o progresso tecnológico se relacionam para determinar o nível e o bem estar econômico dos cidadãos de um país Por conseguinte vamos voltar à abordagem desse tema na Unidade IV Aαkα1 0 15 y k Aα α 1 kα2 0 16 2y 2k limkyk 0 limk0yk CONCEITUANDO A função CobbDouglas é amplamente utilizada na economia para representar a relação entre dois fatores de produção expressos segundo Sandroni 1999 como L e K trabalho e capital respectivamente Assim se o somatório dos expoentes resultar em um é dito que a função é linear homogênea ou seja o retorno será constante com relação à escala de produção Posto isso se capital e trabalho forem acrescidos de uma unidade a produção também será UniFCV Centro Universitário Cidade Verde Conclusão Unidade 1 Caroa estudante nesta unidade aprendemos sobre as principais características conceitos e definições que abrangem a Macroeconomia Iniciamos com os princípios fundamentais de macroeconomia explicando o seu alvorecer bem como a determinação e consolidação por meio das contribuições de teóricos clássicos neoclássicos e modernos Apresentamos de forma breve modelos e abordagens que contribuíram para a construção do pensamento econômico moderno Estudamos sobre as variações do produto e emprego por meio da visão clássica introduzindo o conceito de função de produção e os fatores capital e trabalho Além disso apresentamos o objetivo de maximização do lucro da firma por meio da função de lucro Ademais abordamos o tradeoff entre horas de trabalho e lazer e sobretudo discorremos sobre a Teoria Moderna Macroeconômica por meio das contribuições de Keynes e o seu Princípio de Demanda Efetiva Por conseguinte explicamos o conceito da Teoria CER cujo objetivo consiste em determinar as causas das flutuações do nível global por meio de ciclos econômicos Analisamos de forma breve sem pretensão de esgotar os fatos sobre a macroeconomia brasileira os problemas intrínsecos à economia do país como o endividamento sumário bem como os crônicos desequilíbrios no Balanço de Pagamentos perpassando pelos períodos desenvolvimentistas e hiperinfacionário cujo desdobramento foi a estabilização monetária por meio do Plano Real 1994 Por sua vez abordamos o modelo de Balanço de Pagamentos Brasileiro explicando o conceito construção e finalidade utilizando dados reais da economia brasileira Ademais adentramos sob os aspectos da taxa de câmbio moeda déficits orçamentos públicos e inflação Finalizamos com uma breve introdução acerca da Teoria do Crescimento Econômico cujo objetivo é estudar como os fatores de produção são combinados à variável tecnológica para gerar o produto Na próxima unidade vamos dar continuidade abordando a Curva BP e equilíbrio externo o Modelo ISLMBP com câmbio fixo políticas monetária fiscal e cambial em uma economia sem mobilidade de capitais o Modelo ISLMBP com câmbio flexível políticas monetária e fiscal em uma economia sem mobilidade de capitais Modelo ISLMBP com câmbio fixo políticas monetária fiscal e cambial em uma economia com mobilidade perfeita de capitais Modelos ISLMBP com câmbio flexível políticas monetária e fiscal em uma economia com mobilidade perfeita de capitais Modelos ISLMBP com câmbio fixo políticas monetária e fiscal em uma economia com mobilidade imperfeita de capitais e Modelos ISLMBP com câmbio flexível políticas monetária e fiscal em uma economia com mobilidade imperfeita de capitais Leitura Complementar AGUILAR FILHO H A SAVIANI FILHO H A Evolução da Macroeconomia Moderna entre Perspectivas em busca de uma sistematização Revista de Economia Contemporânea online v21 n2 p127 2017 BARBOSA FILHO N O desafio macroeconômico de 20152018 Revista de Economia Política São Paulo v35 n3 p403425 set2015 Material Complementar Livro Manual de Macroeconomia Básico e Intermediário Autor Luiz Martins Lopes e Marco Antônio Sandoval de Vasconcellos Organizadores Editora Atlas Sinopse Apresenta os principais conceitos e modelos que fazem parte da moderna análise macroeconômica Elaborado por uma equipe de professores da USP o livro é composto de uma introdução Teoria macroeconômica evolução e situação atual e quatro partes que são Macroeconomia básica agregados macroeconômicos Macroeconomia básica determinação da renda nacional Macroeconomia intermediária Tópicos especiais modelo keynesiano generalizado no diagrama preçoquantidade e modelos de portfólio As Partes I e II são calcadas nos tópicos solicitados para o Exame de Ingresso nos cursos de mestrado e doutorado da Associação Nacional dos Centros de Pósgraduação em Economia Anpec Filme Real O Plano por trás da História Ano 2017 Sinopse Arrogante e inflexível Gustavo Franco Emílio Orciollo Neto é um crítico feroz da política econômica adotada pelo governo brasileiro nos últimos anos que resultou em um cenário de hiperinflação Opositor de políticas de cunho social ele é adepto de um choque fiscal de forma que seja criada uma moeda forte que devolva a dignidade aos cidadãos Quando o presidente Itamar Franco Bemvindo Siqueira nomeia Fernando Henrique Cardoso Norival Rizzo como o novo Ministro da Fazenda Gustavo é convidado a integrar uma verdadeira forçatarefa cujo objetivo é criar um novo plano econômico Web Referências ASSAF NETO A Mercado Financeiro14 ed São Paulo Editora Atlas SA 2018 BACEN BANCO CENTRAL DO BRASIL Balanço de Pagamentos 2020 Disponível em httpswwwbcbgovbrestatisticasestatisticassetorexterno Acesso em ago 2020 BARRO R J SALAIMARTIN X Economic Growth 2 ed Cambridge The MIT Press 2004 BRUE S L História do Pensamento Econômico São Paulo Thomson Learning 2006 CASTRO L B Esperança Frustração e Aprendizado A História da Nova República 19851989 In GIAMBIAGI F et al Economia brasileira contemporânea 19452010 Rio de Janeiro Elsevier 2011 CÔRTE C C L SOUZA L R Políticas econômicas incrementais o caso do tripé macroeconômico na Argentina Bolívia Brasil e México Revista de Economia v 41 n 74 p2350 2020 DORNBUSCH R FISCHER S STARTZ R Macroeconomia 11 ed Porto Alegre AMGH 2013 FROYEN R T Macroeconomia 5 ed São Paulo Saraiva 1999 GIAMBIAGI F Rompendo com a Ruptura O Governo Lula 20032010 In GIAMBIAGI F et al Economia brasileira contemporânea 19452010 Rio de Janeiro Elsevier 2011 HERMANN J Reformas Endividamento Externo e o Milagre Econômico 19641973 In GIAMBIAGI F et al Economia brasileira contemporânea 19452010 Rio de Janeiro Elsevier 2011 JONES H G Modernas teorias do crescimento econômico uma introdução São Paulo Atlas 1979 KRUGMAN P R OBSTFELD M MELITZ M J Economia Internacional 10 ed São Paulo Pearson Education do Brasil 2015 LOPES J C ROSSETI J P Economia Monetária 7 ed São Paulo Atlas 1998 LOPES L M VASCONCELLOS M A S Orgs Manual de Macroeconomia Nível básico e Nível Intermediário 3 ed São Paulo Editora Atlas SA 2008 MANKIW NG Macroeconomia 8 ed Rio de Janeiro LTC 2015 MIILTONS M M Macroeconomia São Paulo Saraiva 2016 SANDRONI P Novíssimo Dicionário de Economia São Paulo Editora Best Seller 1999 SCHMIDT C A J GIAMBIAGI F Macroeconomia para executivos Teoria e Prática no Brasil Rio de Janeiro Elsevier 2015 VILLELA A Dos Anos Dourados de JK à Crise Não Resolvida In GIAMBIAGI F et al Economia brasileira contemporânea 19452010 Rio de Janeiro Elsevier 2011 Unidade 2 Modelos AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Caroa alunoa bem vindoa a segunda unidade da apostila na qual abordaremos o modelo de determinação da renda de curto prazo ISLMBP Inicialmente faremos uma breve revisão do Modelo ISLM um modelo originário do trabalho de Hichs 1937 denominada Mr Keynes and the classics a suggested interpretation no qual o autor tenta sintetizar as contribuições de Keynes 1996 1936 em sua Teoria Geral Os pressupostos básicos são mantidos os mesmos do modelo keynesiano simples em que a demanda determina o produto Princípio da Demanda Efetiva e o nível de preços é considerado constante No ISLM é acrescentado o mercado monetário e consequentemente a determinação da taxa de juros de equilíbrio que passa a ser variável importante e influente sobre o nível de renda da economia Além disso será apresentada uma terceira curva que representa os pontos de equilíbrio do Balanço de Pagamentos transações correntes e movimentos de capitais denominada Curva BP A partir da dedução dessa curva e a inserção da mesma ao Modelo ISLM chegaremos ao Modelo ISLMBP Com base nesse último modelo discutiremos como se dá a determinação do nível de renda em uma economia aberta e de que forma as políticas econômicas ou modificações em outras variáveis exógenas podem afetar o equilíbrio sob diferentes regimes cambiais e mobilidade de capitais Para tanto desenvolveremos a análise para duas situações cambiais fixo e flutuante e três condições de mobilidade de capitais i sem mobilidade de capitais em que o país não possui acesso ao mercado internacional de capitais ii com perfeita mobilidade de capitais considerando uma economia pequena com acesso ao mercado internacional de capitais e iii com mobilidade imperfeita de capitais para uma economia grande com acesso ao mercado internacional de capitais Bons estudos Revisão do Modelo ISLM AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira o modelo ISLM é um modelo de equações simultâneas Nele temos a determinação simultânea da taxa de juros e da renda que equilibram o mercado de bens e o mercado monetário na economia Partese do mercado monetário em que a interação entre oferta e demanda de moeda determina a taxa de juros de equilíbrio Nesse modelo o investimento agregado I componente da Demanda Agregada DA da economia é impactado negativamente pela taxa de juros pois quanto maior a taxa de juros menor o investimento Dessa forma a taxa de juros estabelecida no mercado monetário impacta a Demanda Agregada por meio dos investimentos Logo partindose do Princípio da Demanda Efetiva haverá alteração no produto Y que é igual a renda Y A seu turno a renda impacta o mercado monetário pois influencia a demanda por moeda quanto maior a renda maior a demanda por moeda afetando a taxa de juros Desse modo temos a interação do lado real produto e renda com o lado monetário da economia Vale ressaltar que a política fiscal tributos e gastos do governo a política monetária oferta de moeda e o nível de preços constante são considerados exógenos LOPES VASCONCELLOS 2008 Iniciaremos nossa discussão pelo equilíbrio no mercado de bens e serviços introduzindo no modelo keynesiano para uma economia aberta visto na unidade anterior a taxa de juros na determinação do investimento para que possamos deduzir a relação IS Investment Saving ou Investimento Poupança e sua respectiva curva Para isso vamos utilizar a mesma estrutura do modelo keynesiano para uma economia aberta inserindo a taxa de juros como variável explicativa do investimento Como destacado anteriormente o investimento varia inversamente à taxa de juros Isso é devido à Eficiência Marginal do Capital que é a taxa de desconto que iguala o fluxo de receitas esperado ao custo do investimento análoga a Taxa Interna de Retorno da Matemática Financeira Nesse sentido a taxa de juros é interpretada como o custo de se obter empréstimos para realizar o investimento ou o custo de oportunidade do capital e quanto maior ela for menor será o investimento ou de outra forma quanto menor for a taxa de juros maior será o investimento Assim o modelo é expresso da seguinte forma Y CYd Ii G XM 1 Em que Y é a rendaproduto CYd é o consumo que depende da renda disponível Yd Ii é o investimento que depende da taxa de juros i G é o gasto do governo XM são as exportações líquidas exportações menos importações No modelo keynesiano da unidade I observamos que elevações no investimento elevam a renda Contudo naquele modelo o investimento era considerado autônomo ou seja exógeno Nessa nova formulação ao introduzirmos a taxa de juros passamos a definir endogenamente o investimento de acordo com as variações na taxa de juros Dessa forma reduções na taxa de juros levam a elevações no investimento e consequentemente na renda Isso pode ser visto na Figura 1 Figura 1 Investimento em função da taxa de juros Fonte autor 2020 A partir da inserção da taxa de juros como determinante do investimento podemos estabelecer a relação IS Na Figura 2 são apresentados dois gráficos para que possamos desenvolver esse raciocínio No primeiro gráfico temos o equilíbrio no mercado de bens no qual a demanda agregada é uma função crescente do produto relação representada pelas curvas DA e a reta de 45º demonstra os possíveis pontos de equilíbrio entre demanda agregada e produto a reta de 45º representa os pontos em que DA Y Ainda no primeiro gráfico observamos o efeito de uma redução na taxa de juros sobre a demanda agregada e o produto Em um primeiro momento temos a demanda DA1 e o equilíbrio no ponto A1 resultando no produto de equilíbrio Y1 Supondo uma redução na taxa de juros de i1 para i2 de modo que i2 i1 teremos inicialmente uma elevação no investimento como visto na Figura 1 e um consequente aumento na demanda agregada que é representado pelo deslocamento da curva de demanda agregada para cima passando de DA1 para DA2 Diante disso teremos um novo ponto de equilíbrio em A2 com um nível de produto de equilíbrio maior Y2 Dessa forma observamos que uma redução na taxa de juros leva a um aumento no produto ou que uma elevação na taxa de juros leva a uma redução no produto Essa relação de equilíbrio no mercado de bens e serviços é representada pela curva IS negativamente inclinada como se pode observar no segundo gráfico da Figura 2 À taxa de juros i2 o produto de equilíbrio é Y2 e quando elevamos a taxa de juros até o patamar i1 temos uma redução no produto para Y1 A curva IS nos dá o nível de produto de equilíbrio como função da taxa de juros qualquer ponto sobre a curva IS representa o equilíbrio no mercado de bens e serviços oferta agregada igual à demanda agregada Destacase que IS é representada tomando como dados os valores de tributos T e de gastos do governo G de modo que mudanças em T eou G deslocarão a curva IS Reduções em T eou elevações em G provocarão deslocamento para a direita de IS política fiscal expansionista enquanto que elevações em T eou reduções em G deslocarão IS para a esquerda política fiscal contracionista Figura 2 Derivação da relação IS Y1 Y2 Y Fonte autor 2020 Seguindo deduziremos agora a curva LM do inglês Liquidity Money que representa o equilíbrio no mercado de monetário para a qual utilizaremos a discussão sobre demanda de moeda O equilíbrio no mercado monetário ocorre quando a demanda de moeda Md lado direito da equação 2 iguala a oferta de moeda Ms lado esquerdo da equação 2 MP YLi 2 Em que MP é a oferta real de moeda quantidade de moeda nominal dividida pelo nível geral de preços P Y é a renda real Li é uma função da taxa de juros A oferta de moeda é controlada pelo Banco Central por meio de instrumentos específicos de modo que consideraremos a oferta da moeda como uma variável determinada de maneira exógena por decisão da autoridade monetária Já a demanda de moeda tem dois motivos para transações e para investimento No primeiro motivo a demanda de moeda é diretamente atrelada ao nível de renda da economia Quanto maior for o nível de rendaproduto maior será o volume de transações e dessa forma maior será a quantidade de moeda demandada Com relação ao motivo investimento os indivíduos ao decidirem como alocar sua riqueza vão comparar o diferencial de rentabilidade entre os diferentes ativos da economia Desconsiderando a inflação sabese que manter moeda em espécie resulta em retorno real nulo ao passo que alocar a riqueza em títulos rende a taxa de juros vigente Por isso a taxa de juros representa o custo de oportunidade de reter moeda e a demanda de moeda diminui conforme aumenta a taxa de juros LOPES VASCONCELLOS 2008 No gráfico à esquerda do Figura 3 podemos ver a interação das curvas de oferta de moeda Ms e demanda de moeda Md Neste gráfico observamos a curva de oferta de moeda fixa vertical e a curva de demanda de moeda negativamente inclinada demonstrando a relação inversa entre demanda de moeda e taxa de juros O ponto em que as duas curvas se cruzam representa o ponto de equilíbrio no mercado monetário no qual a oferta de moeda é igual a demanda de moeda definindo assim a taxa de juros de equilíbrio da economia A partir desse gráfico podemos verificar o efeito de um aumento na renda sobre a taxa de juros Partimos do equilíbrio inicial em A1 com a oferta de moeda Ms igual a demanda de moeda Md resultando na taxa de juros i1 Agora suponhamos um aumento na renda da economia de Y1 para Y2 de forma que Y2 Y1 Esse aumento na renda elevará o volume de transações na economia e consequentemente a demanda de moeda deslocando a curva de demanda de moeda para a direita e para cima passando de Md1 para Md2 Dada a oferta de moeda constante a elevação da demanda de moeda provoca um aumento na taxa de juros de equilíbrio evidenciado no novo ponto de equilíbrio em A2 com uma taxa de juros maior i2 Assim observamos que uma elevação na renda leva a um aumento na taxa de juros da economia Figura 3 Derivação da relação LM Fonte autor 2020 Essa relação de equilíbrio no mercado monetário é representada pela curva LM positivamente inclinada como se pode observar no gráfico à direita da Figura 3 Ao nível de renda Y1 a taxa de juros de equilíbrio é i1 e quando há elevação no nível de renda até o patamar Y2 temos uma elevação na taxa de juros para i2 Além disso temos que a posição da curva LM é determinada pela oferta real de moeda Como pressupomos o nível de preços constante a LM é modificada basicamente pela política monetária de modo que expansões na oferta de moeda deslocam a LM para a direita e para cima e contrações na oferta monetária a deslocam para a esquerda e para baixo Explicados os dois mercados e seus respectivos equilíbrios analisaremos o equilíbrio simultâneo em ambos A relação IS demonstra o equilíbrio no mercado de bens e serviços e mostra como a taxa de juros afeta o produtorenda A relação LM demonstra o equilíbrio no mercado monetário e mostra como o produtorenda afeta a taxa de juros Ao combinarmos essas duas curvas determinaremos simultaneamente o produto e a taxa de juros de equilíbrio na economia BLANCHARD 2007 Figura 4 Modelo ISLM Fonte autor 2020 No ponto E a economia está em equilíbrio pois ambos os mercados estarão em equilíbrio aos níveis de taxa de juros ie e renda Ye Nesse modelo a curva IS é delineada para uma dada política fiscal nível de gastos do governo e impostos e a curva LM para uma determinada oferta de moeda Desse modo modificações no ponto de equilíbrio da economia advém de deslocamentos nas curvas IS e LM que por sua vez são oriundos da condução das políticas econômicas pelo governo e pelas autoridades monetárias Curva BP e Equilíbrio Externo AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Dando prosseguimento a nossa análise precisamos deduzir a curva BP que demonstra os pontos de equilíbrio do Balanço de Pagamentos As transações entre os residentes de um país e o resto do mundo são registradas no Balanço de Pagamentos e são divididas em dois grupos principais de contas i as Transações Correntes TC que referemse aos fluxos de bens e serviços importações e exportações e ii o Movimento de Capitais MK relacionado a direitos e obrigações investimentos empréstimos financiamentos etc LOPES VASCONCELLOS 2008 Desse modo temos que BP TC MK 3 O saldo em transações correntes depende da taxa de câmbio e dos níveis de renda interno doméstica e externo do resto do mundo A taxa de câmbio influencia tanto exportações quanto importações Mantidas fixas as rendas interna e externa elevações na taxa de câmbio aumentarão as exportações e diminuirão as importações melhorando o saldo em transações correntes condição de MarshallLerner Por sua vez se mantivermos taxa de câmbio e renda externa constantes as exportações serão dadas e elevações na renda doméstica provocarão expansões na importação maior renda eleva a demanda por bens e serviços internos e externos acarretando piora no saldo em transações correntes De outra forma mantendo taxa de câmbio e renda interna constantes as importações serão dadas e ampliações na renda do resto do mundo elevarão as exportações maior renda do resto do mundo eleva sua demanda por nossos produtos melhorando o saldo em transações correntes O movimento de capitais depende das decisões de investimento dos agentes econômicos em busca de maximizar o retorno sobre o capital Dessa forma o movimento de capitais está relacionado positivamente ao diferencial entre as taxas de juros interna e externa Logo admitindo uma taxa de juros internacional constante a entrada de capitais tende a se ampliar quanto maior for a taxa de juros doméstica A partir disso podemos reescrever a equação 3 da seguinte forma BP TC Y MK i 4 Em que TC é uma função decrescente da renda interna e MK é uma função crescente da taxa de juros interna No equilíbrio do Balanço de Pagamentos saldo igual a zero temos TC Y MK i 5 A curva BP representa as combinações de renda Y e taxa de juros i que satisfazem a condição de equilíbrio no Balanço de Pagamentos A inclinação da curva BP depende basicamente do grau de mobilidade de capitais ou seja da forma como o fluxo de capitais responde a variações na taxa de juros doméstica Resumidamente existem três condições de mobilidade de capitais a sem mobilidade de capitais em que o país não possui acesso ao mercado internacional de capitais b com perfeita mobilidade de capitais considerando uma economia pequena com acesso ao mercado internacional de capitais e c com mobilidade imperfeita de capitais para uma economia grande com acesso ao mercado internacional de capitais As possíveis inclinações da BP podem ser vistas na Figura 1 Figura 1 Inclinações da curva BP Fonte autor 2020 Para o caso em que não há movimento de capitais Figura 5a a condição de equilíbrio do Balanço de Pagamentos requer apenas que o saldo em transações correntes seja zero ou seja quando as exportações são exatamente iguais às importações Ao supormos a taxa de câmbio e o nível de renda externa constantes temos que o volume de exportações passa a ser uma variável exógena enquanto que as importações são função crescente da renda interna Nesse cenário há um único nível de renda que equilibra as transações correntes e portanto o Balanço de Pagamentos não depende da taxa de juros interna e a curva BP é vertical Elevações na renda provocarão expansões nas importações e consequentemente déficits em TC e em BP ao passo que reduções na renda diminuirão as importações acarretando superávits LOPES VASCONCELLOS 2008 Em oposição ao caso que acabamos de ver temos o caso de uma economia de pequeno porte que possui livre acesso ao mercado internacional de capitais Figura 5b dada a taxa de juros internacional Agora temos uma perfeita mobilidade de capitais indicando que qualquer déficit em transações correntes pode ser financiado à taxa de juros internacional e qualquer superávit pode ser aplicado no exterior à essa mesma taxa de juros Dessa forma o saldo em transações correntes é irrelevante na determinação do equilíbrio do Balanço de Pagamentos pois sempre haverá um movimento de capitais compensatórios a uma dada taxa de juros internacional Nesse caso a variável determinante do equilíbrio do BP passa a ser a taxa de juros e não mais o nível de renda BP é horizontal Há nessa situação um único nível de taxa de juros interna que equilibra BP quando a taxa de juros interna i é igual à taxa de juros externa i Se a taxa de juros interna for maior que a externa haverá entrada de capitais na economia e superávit no BP enquanto que se a taxa de juros interna for menor que a externa haverá saída de capitais da economia e déficit no BP LOPES VASCONCELLOS 2008 REFLITA Em economia as verdades são incertas Os acadêmicos devem ser humildes quanto à precisão de suas teorias Mas nossa humildade resulta do conhecimento e não da ignorância Não desejamos aplausos de leigos Trabalhamos pela única recompensa que vale a pena nossos próprios aplausos Paul Samuelson Por fim temos a situação intermediária para uma economia de grande porte em que a mobilidade de capitais é imperfeita demonstrada na Figura 5c Nesse caso a renda e a taxa de juros se tornam importantes na determinação do equilíbrio do Balanço de Pagamentos Aumentos na renda provocarão elevações na importação e deterioração no saldo em transações correntes déficit levando a uma maior necessidade de capitais externos para financiála Como essa economia é de grandes proporções a demanda maior por capitais pressionará o mercado internacional elevando a taxa de juros internacional Vêse portanto que expansões na renda serão seguidas de elevações na taxa de juros externa evidenciando uma curva BP positivamente inclinada LOPES VASCONCELLOS 2008 A partir da consideração da curva BP nas próximas seções analisaremos o modelo ISLMBP a fim de discutir como se dá a determinação do nível de renda em uma economia aberta Nesse sentido veremos os efeitos das políticas econômicas sobre o equilíbrio econômico de curto prazo em diferentes regimes cambiais Modelo ISLMBP para uma Economia sem Mobilidade de Capitais AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Iniciaremos verificando os efeitos das políticas econômicas em uma economia sem mobilidade de capitais em que a curva BP é vertical pressupondo que há um único nível de renda que equilibra BP Inicialmente veremos o modelo com câmbio fixo e depois com câmbio flutuante Câmbio fixo Vejamos inicialmente uma política monetária expansionista para uma economia sem mobilidade de capitais e regime de câmbio fixo O aumento da oferta de moeda levará em primeiro lugar a um deslocamento da curva LM para a direita de 𝐿𝑀1 para 𝐿𝑀2 Esse movimento deslocará o equilíbrio interno do ponto A para o ponto B onde a curva 𝐿𝑀1 intercepta a curva IS No ponto B teremos uma taxa de juros 𝑖2 menor que a taxa de juros inicial 𝑖1 que elevará o nível de investimentos e consequentemente da demanda agregada e da renda de equilíbrio da economia Por sua vez o aumento da renda irá expandir as importações acarretando déficits no Balanço de Pagamentos Como nossa economia hipotética adota o regime de câmbio fixo o Banco Central BC precisa necessariamente atender a maior demanda por moeda estrangeira provocada pelo aumento das importações caso contrário a taxa de câmbio será elevada Dessa forma o BC vende moeda estrangeira aos agentes recebendo moeda doméstica em troca o que provocará uma queda no nível de reservas internacionais e uma redução na oferta de moeda fazendo com que LM se desloque para a esquerda Essa contração monetária se manterá enquanto houver déficit no BP ou seja até que o nível de renda volte ao patamar inicial O mecanismo que leva a isso é a elevação na taxa de juros provocada pela contração na oferta de moeda fazendo com que o investimento retorne ao nível inicial Portanto o equilíbrio final será exatamente o mesmo que o inicial pois LM volta à posição original no ponto A Percebemos assim que a política monetária expansionista em uma economia sem mobilidade de capitais e câmbio fixo não é eficiente para expandir a renda provocando apenas a redução nas reservas internacionais O gráfico da Figura 1 mostra esse processo Figura 1 Política monetária expansionista no Modelo ISLMBP sem mobilidade de capitais e câmbio fixo Fonte autor 2020 Considerando o mesmo cenário vejamos agora o efeito de uma política fiscal expansionista conduzida pelo aumento nos gastos do governo eou redução nos tributos Em primeiro lugar há um deslocamento da curva IS para a direita de 𝑰𝑺1 para 𝑰𝑺2 modificando o equilíbrio do ponto A para o ponto B com uma taxa de juros 𝑖2 maior que a taxa de juros inicial 𝑖1 que reduz o investimento mas não no mesmo patamar da elevação dos gastos do governo e um nível de renda maior O nível de renda maior provoca déficits no Balanço de Pagamentos fazendo com que o Banco Central disponibiliza suas reservas internacionais contraindo a oferta de moeda deslocando a curva LM para a esquerda de 𝐿𝑀1 para 𝐿𝑀2 elevando ainda mais a taxa de juros e reduzindo o investimento Esse processo será mantido até que o nível de renda volte ao nível inicial eliminando o déficit no BP mas agora a taxa de juros será maior ao nível 𝑖3 com o equilíbrio situandose no ponto C Ao final desses movimentos haverá queda nas reservas internacionais para cobrir os déficits temporários no BP e uma substituição do investimento privado por gastos públicos ou seja uma alteração na composição da demanda agregada denominado efeito crowdingout Esse processo pode ser visto no gráfico da Figura 2 Figura 2 Política fiscal expansionista no Modelo ISLMBP sem mobilidade de capitais e regime de câmbio fixo Fonte autor 2020 Finalmente veremos o efeito da política cambial Considere a situação de desvalorização cambial desvalorização da moeda doméstica em relação à estrangeira elevação da taxa de câmbio Dessa forma os produtos nacionais serão relativamente mais baratos que os produtos estrangeiros o que estimula as exportações e reduz as importações e leva a uma melhora no saldo em transações correntes Assim o país poderá expandir o produtorenda uma vez que haverá melhora no saldo em transações correntes para cada nível de renda Nesse sentido o nível de renda compatível com o equilíbrio no BP será maior deslocando a curva BP para a direita de BP1 para BP2 O melhor desempenho do setor externo representa um aumento da demanda agregada o que fará com que IS se desloque para a direita de IS1 para IS2 aumentando a renda e as taxas de juros com a nova posição de equilíbrio interno no ponto B Supondo que o deslocamento da IS seja inferior ao da BP haverá superávit no balanço de pagamentos No câmbio fixo o Banco Central comprará a oferta excedente de moeda estrangeira expandindo a oferta de moeda que desloca a LM para a direita de LM1 para LM2 Esse deslocamento de LM permanece até que o superávit no BP seja eliminado atingindo um novo equilíbrio no ponto C com um nível de renda maior e compatível com o equilíbrio externo O gráfico da Figura 3 demonstra esses efeitos Figura 3 Política cambial desvalorização cambial no Modelo ISLMBP sem mobilidade de capitais e regime de câmbio fixo Fonte autor 2020 Com base nas análises observamos que em um cenário sem mobilidade de capitais e câmbio fixo a única política econômica capaz de afetar o nível de renda da economia de maneira permanente é a cambial por meio de alterações na taxa de câmbio que eleva o nível de exportações e também o nível de produtorenda compatível com o equilíbrio externo Câmbio flutuante Agora veremos os efeitos das políticas monetária e fiscal no regime de câmbio flutuante mantendo um cenário sem mobilidade de capitais Nesse cenário a taxa de câmbio é definida pelo mercado e por isso não veremos política cambial Uma política monetária expansionista para essa economia desloca a curva LM para a direita de LM1 para LM2 movendo o equilíbrio interno do ponto A para o ponto B onde a curva LM1 intercepta a curva IS1 No ponto B teremos uma taxa de juros i2 menor que a taxa de juros inicial i1 que elevará o nível de investimentos e consequentemente da demanda agregada e da renda de equilíbrio da economia Por sua vez o aumento da renda irá elevar as importações gerando déficits no Balanço de Pagamentos Nesse novo cenário o câmbio é flutuante e o Banco Central não precisa suprir a maior demanda por moeda estrangeira provocada pelo crescimento nas importações Logo haverá desvalorização da moeda nacional melhorando o saldo em transações correntes condição de MarshallLerner para cada nível de rendaproduto Esse processo é indicado no gráfico da Figura 9 com BP1 passando para BP2 desvalorização cambial e IS1 para IS2 melhora nas exportações líquidas À medida que a moeda se desvaloriza a taxa de juros aumenta e isso permanece até que se atinja o novo ponto de equilíbrio no ponto C com um nível de renda maior que o inicial Figura 4 Política monetária expansionista no Modelo ISLMBP sem mobilidade de capitais e regime de câmbio flutuante i LM 1 BP 1 BP 2 LM 2 i3 C i1 A i2 B IS 2 IS 1 Y Fonte autor 2020 Por sua vez uma política fiscal expansionista leva ao deslocamento da curva IS para a direita de IS1 para IS2 modificando o equilíbrio do ponto A para o ponto B com uma taxa de juros i2 maior que a taxa de juros inicial i1 e um nível de renda maior O nível de renda maior provoca déficits no Balanço de Pagamentos pressionando a taxa de câmbio para cima desvalorização da moeda nacional o que é representado no modelo pelo deslocamento da curva BP para a direita de BP1 para BP2 Além disso por causa da melhora nas exportações líquidas haverá novo deslocamento da curva IS de IS2 para IS3 até que o novo ponto de equilíbrio seja atingido no ponto C com níveis de renda e de taxa de juros maiores que os iniciais Nesse caso vemos que a variação final na rendaproduto da economia é maior que a ocasionada pela política fiscal expansionista uma vez que a desvalorização do câmbio acarreta novo movimento de expansão dado o melhor desempenho do setor externo O gráfico da Figura 5 demonstra esses efeitos Figura 5 Política fiscal expansionista no Modelo ISLMBP sem mobilidade de capitais e regime de câmbio flutuante i BP 1 BP 2 LM 1 i3 C i2 B i1 A IS 3 IS 2 IS 1 Y Fonte autor 2020 Portanto no regime de câmbio flutuante os desequilíbrios no Balanço de Pagamentos serão corrigidos por modificações na taxa cambial que terão efeito potencializador sobre as políticas econômicas adotadas Também percebemos que a política monetária deixa de estar vinculada a questões cambiais e passa a ser independente podendo ser instrumento eficiente de política econômica Modelo ISLMBP para uma Economia com Mobilidade Perfeita de Capitais AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Veremos agora os efeitos das políticas econômicas em uma economia de pequeno porte com perfeita mobilidade de capitais em que a curva BP é horizontal pressupondo que há um único nível de taxa de juros que equilibra BP quando a taxa de juros interna i é igual à taxa de juros externa i Primeiro vamos desenvolver o modelo com câmbio fixo e depois com câmbio flutuante Câmbio fixo Vejamos inicialmente uma política monetária expansionista com câmbio fixo O aumento da oferta de moeda levará a um deslocamento da curva LM para a direita de LM1 para LM2 Esse movimento deslocará o equilíbrio interno do ponto A para o ponto B no qual teremos uma taxa de juros i2 menor que a taxa de juros externa i e um nível de renda maior Com a taxa de juros doméstica menor que a externa haverá significativa saída de capitais do país que juntamente com a elevação na renda que eleva as importações provoca um déficit no Balanço de Pagamentos Como o câmbio é fixo o Banco Central precisa atender a maior demanda por moeda estrangeira se desfazendo de reservas internacionais Dessa forma o BC vende moeda estrangeira aos agentes recebendo moeda doméstica em troca reduzindo a oferta monetária fazendo com que LM se desloque para a esquerda até que se interrompa a saída de capitais ou seja até que as taxas de juros interna e externa se igualem A economia volta ao ponto inicial Figura 1 Política monetária expansionista no Modelo ISLMBP com perfeita mobilidade de capitais e regime de câmbio fixo Fonte autor 2020 O gráfico da Figura 1 mostra o processo descrito no parágrafo anterior Percebemos assim que a política monetária expansionista em uma economia com perfeita mobilidade de capitais e câmbio fixo não é eficiente para expandir a renda provocando apenas a redução nas reservas internacionais Agora admitindo o mesmo cenário vejamos o efeito de uma política fiscal expansionista Inicialmente há deslocamento da curva IS para a direita de IS1 para IS2 modificando o equilíbrio do ponto A para o ponto B com uma taxa de juros i2 maior que a taxa de juros externa i e um nível de renda maior Com a taxa de juros doméstica maior que a externa haverá significativa entrada de capitais na economia que apesar da elevação na renda que eleva as importações provoca superávit no Balanço de Pagamentos Sendo o câmbio é fixo o Banco Central comprará a oferta excedente de moeda estrangeira expandindo a oferta de moeda doméstica que desloca a LM para a direita de LM1 para LM2 reduzindo a taxa de juros até que se interrompa a entrada de capitais ou seja até que as taxas de juros interna e externa se igualem no ponto C com um nível de renda maior O gráfico da Figura 2 demonstra esses efeitos A política fiscal expansionista em uma economia com perfeita mobilidade de capitais e câmbio fixo é bastante eficiente para expandir a renda da economia Fonte autor 2020 Vejamos agora o efeito de uma política cambial com desvalorização da moeda doméstica em relação à estrangeira Dessa forma os produtos nacionais serão relativamente mais baratos que os produtos estrangeiros o que estimula as exportações e reduz as importações e leva a uma melhora no saldo em transações correntes Como há perfeita mobilidade de capitais o desequilíbrio no BP é compensado automaticamente pela entrada de capitais sem qualquer deslocamento na curva BP Nesse sentido a melhora no saldo em transações correntes fará com que IS se desloque para a direita de IS1 para IS2 aumentando a renda e as taxas de juros com a nova posição de equilíbrio interno no ponto B Com a taxa de juros doméstica maior que a externa haverá significativa entrada de capitais na economia Sendo o câmbio é fixo o Banco Central comprará a oferta excedente de moeda estrangeira expandindo a oferta de moeda doméstica que desloca a curva LM para a direita de LM1 para LM2 reduzindo a taxa de juros até que se interrompa a entrada de capitais ou seja até que as taxas de juros interna e externa se igualem no ponto C com um nível de renda maior Figura 3 Política cambial desvalorização cambial no Modelo ISLMBP com perfeita mobilidade de capitais e regime de câmbio fixo Fonte autor 2020 Observamos que a política de desvalorização cambial com perfeita mobilidade de capitais e câmbio fixo possui o mesmo efeito da expansão fiscal nesse contexto Esse processo pode ser visto no gráfico da Figura 13 Câmbio flutuante Veremos agora os efeitos das políticas monetária e fiscal no regime de câmbio flutuante mantendo um cenário de perfeita mobilidade de capitais Nesse cenário a taxa de câmbio é definida pelo mercado e por isso não veremos política cambial Uma política monetária expansionista para essa economia desloca a curva LM para a direita de LM1 para LM2 movendo o equilíbrio interno do ponto A para o ponto B onde a curva LM1 intercepta a curva IS1 No ponto B teremos uma taxa de juros i2 menor que a taxa de juros externa i e um nível de renda maior Com a taxa de juros doméstica menor que a externa haverá significativa saída de capitais do país que juntamente com a elevação na renda que eleva as importações provoca um déficit no Balanço de Pagamentos Com câmbio flutuante o Banco Central não precisa suprir a maior demanda por moeda estrangeira provocada pela piora no saldo em transações correntes e a saída de capitais Logo haverá desvalorização da moeda nacional melhorando o saldo em transações correntes condição de MarshallLerner até que IS se desloque para a direita de IS1 para IS2 aumentando a renda e a taxa de juros até que ela se iguale à externa com a nova posição de equilíbrio interno no ponto C Figura 4 Política monetária expansionista no Modelo ISLMBP com perfeita mobilidade de capitais e regime de câmbio flutuante i i1 i i2 i BP IS2 IS1 LM1 LM2 A C B Y Fonte autor 2020 Observamos no gráfico da Figura 4 que nesse caso a política monetária é bastante eficiente uma vez que a desvalorização da moeda nacional melhora o saldo em transações correntes elevando a demanda por produtos domésticos e gerando crescimento da renda da economia Por sua vez uma política fiscal expansionista leva ao deslocamento da curva IS para a direita de IS1 para IS2 modificando o equilíbrio do ponto A para o ponto B com uma taxa i2 maior que a taxa de juros externa i e um nível de renda maior Com a taxa de juros doméstica maior que a externa haverá significativa entrada de capitais na economia que apesar da elevação na renda que eleva as importações provoca superávit no Balanço de Pagamentos pressionando a taxa de câmbio para baixo valorização da moeda nacional A taxa de câmbio menor diminui as exportações e eleva as importações piorando o saldo em transações correntes deslocando IS para a esquerda de volta ao ponto A Esse movimento de IS para a esquerda permanece até que a maior demanda por moeda estrangeira pela piora no saldo em transações correntes se iguale à entrada de capitais e reduza a taxa de juros ao patamar inicial Figura 5 Política fiscal expansionista no Modelo ISLMBP com perfeita mobilidade de capitais e regime de câmbio flutuante i i2 i i1 i BP IS2 IS1 LM1 B A Y Fonte autor 2020 O gráfico da Figura 5 mostra o processo descrito no parágrafo anterior Observamos que a política fiscal expansionista em uma economia com perfeita mobilidade de capitais e câmbio flutuante não é eficiente para a elevação da renda de forma permanente Modelo ISLMBP para uma Economia com Mobilidade Imperfeita de Capitais AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Por fim veremos os efeitos das políticas econômicas em uma economia de grande porte com mobilidade imperfeita de capitais em que a curva BP é diagonal positivamente inclinada indicando que expansões na renda serão seguidas de elevações na taxa de juros externa Essa característica da BP evidencia que um maior nível de renda que piore o saldo em transações correntes deve ser seguido de elevações na taxa de juros para atrair capitais externos compensatórios Desenvolveremos no primeiro momento o modelo com câmbio fixo e depois com câmbio flutuante É importante destacar que a inclinação da curva BP pode variar sendo mais inclinada mais em pé mais vertical e menos inclinada mais deitada mais horizontal Dois fatores afetam a inclinação da BP i a elasticidade do movimento de capitais em relação à taxa de juros quanto maior a elasticidade menos inclinada é BP e ii a propensão marginal a importar quanto maior a propensão mais inclinada é BP Nas nossas análises teremos duas situações a BP mais inclinada que a LM mobilidade fraca de capitais e b LM mais inclinada que BP mobilidade forte de capitais SAIBA MAIS A Trindade Impossível A Trindade Impossível um resultado obtido a partir do modelo MundellFleming basicamente evidencia que não é possível se ter ao mesmo tempo elevada mobilidade de capitais internacionais taxa fixa de câmbio e política monetária independente Dessa forma uma das três políticas econômicas tem de ser modificada ou se reduz a mobilidade de capitais ou se flexibiliza a taxa cambial ou se abandona o controle monetário Ou seja sempre que os formuladores de política econômica optarem por duas das opções de políticas acima eles deverão necessariamente abrir mão da terceira Fonte Pires 2005 Câmbio fixo Vejamos inicialmente uma política fiscal expansionista para uma economia com mobilidade imperfeita de capitais regime de câmbio fixo e em que a BP é mais inclinada que LM mobilidade fraca Primeiro há um deslocamento da curva IS para a direita de IS₁ para IS₂ modificando o equilíbrio do ponto A para o ponto B com uma taxa de juros i₂ maior que a taxa de juros inicial i₁ e um nível de renda maior Haverá nesse ponto o surgimento de déficits no Balanço de Pagamentos dado que a piora no saldo em transações correntes gerado pelo crescimento da renda é maior que a entrada de capitais provocada pela elevação da taxa de juros A necessidade de manutenção do câmbio fixo faz com que o Banco Central disponibilize suas reservas internacionais para suprir a demanda maior por moeda estrangeira contraindo a oferta de moeda doméstica deslocando a curva LM para a esquerda elevando ainda mais a taxa de juros e reduzindo a renda Esses movimentos fazem com que haja melhora no saldo em transações correntes e maior entrada de capitais na economia e permanecem até que a economia volte ao equilíbrio com LM passando para LM₂ e interceptando as curvas BP₁ e IS₂ no ponto C O gráfico da Figura 1 demonstra esses movimentos Figura 1 Política fiscal expansionista no Modelo ISLMBP com mobilidade imperfeita de capitais regime de câmbio fixo e BP mais inclinada que LM Fonte autor 2020 Admitamos agora o mesmo cenário anterior mas com LM mais inclinada que a BP mobilidade forte Inicialmente há um deslocamento da curva IS para a direita de IS₁ para IS₂ movendo o equilíbrio do ponto A para o ponto B com uma taxa de juros i₂ maior que a taxa de juros inicial i₁ e um nível de renda maior No ponto B ao contrário do que houve no exemplo anterior teremos um superávit no Balanço de Pagamentos pois agora a entrada de capitais provocada pela elevação da taxa de juros é maior que a piora no saldo em transações correntes gerado pelo crescimento da renda Como o câmbio é fixo o Banco Central comprará a oferta excedente de moeda estrangeira expandindo a oferta de moeda doméstica que desloca a LM para a direita reduzindo a taxa de juros e elevando a renda Isso leva a uma deterioração no saldo em transações correntes e diminui a entrada de capitais AMORIM R L C Macroeconomia neoclássica contemporânea novos keynesianos e novosclássicos Ensaios FEE Porto Alegre v 23 n 1 p 29 56 2002 MORETTI B LÉLIS M T C Economia clássica e novoclássica versus Keynes e póskeynesianos um debate ontológico Ensaios FEE Porto Alegre v 28 n 1 p 7998 2007 Livro Filme Unidade 3 Análises e Curvas AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Curva de Oferta Agregada com Base em Preços Passados AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Determinação do Produto e da Inação AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Ciclos Econômicos AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Leitura Complementar SCHWARTZMAN F F Estimativa de Curva de Phillips para o Brasil com preços desagregados Economia Aplicada Ribeirão Preto v 10 n 1 janmar 2006 Livro Unidade 4 Crescimento Econômico AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Consumo e Escolha Intertemporal AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Figura 1 Função consumo keynesiana Fonte o autor Com base na função consumo de Keynes vemos que a razão entre o nível de consumo e o nível de renda da economia denominada propensão média a consumir PMeC reduzse à medida que a renda cresce Isso indica que as famílias com níveis de renda mais elevados em média tendem a poupar proporcionalmente mais que as famílias com níveis de renda menores Contudo o trabalho empírico desenvolvido pelo economista Simon Kuznets a partir de dados de consumo e renda ao longo de vários anos evidenciou ao contrário do que acabamos de apresentar a existência de proporcionalidade entre o consumo e a renda indo contra a hipótese de que a PMeC é decrescente em relação à renda O estudo de Kuznets acabou por evidenciar que no longo prazo a função consumo teria um comportamento diferente daquele defendido por Keynes Dessa forma podemos considerar a uma função consumo de curto prazo em que à medida que a renda aumenta o consumo aumenta a taxas decrescentes PMeC decrescente e Investimento AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira O Governo AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Demonstrando que o consumo intertemporal das famílias é igual a renda intertemporal menos os tributos intertemporais A partir disso concluímos que a redução nos tributos em no presente implica elevação de nos tributos no futuro de modo que não haverá variação no valor presente dos tributos e portanto não haverá alteração no consumo das famílias Ou seja as famílias irão reduzir o consumo presente poupando para pagar os maiores tributos esperados para o futuro Nesse modelo intertemporal a queda nos tributos só terá efeitos sobre o consumo quando for acompanhada por alterações nos gastos públicos desde que não sejam necessários aumentos adicionais nesses gastos no futuro Crescimento Econômico Modelo HarrodDomar AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira O modelo de HarrodDomar é baseado nas ideias keynesianas e considera que o crescimento econômico é um progressivo e equilibrado Esse modelo evidencia a importância de três variáveis fundamentais no processo de crescimento a taxa de investimento a taxa de poupança e a relação produtocapital LOPES VASCONCELLOS 2008 A principal característica do modelo HarrodDomar reside na determinação das condições necessárias para a manutenção do equilíbrio entre poupança e investimento na economia Para que a economia se mantenha no pleno emprego o investimento deve ser igual ao produto da propensão marginal a poupar e do nível de renda Vejamos no modelo os dois efeitos citados Efeito demanda Tomemos o modelo keynesiano simples de determinação da renda para uma economia fechada sem governo e com investimento Em que pexels I sY 30 YE C I 31 C cYE 32 Para o desenvolvimento do modelo partese do princípio de que o investimento agregado gera dois efeitos na economia i Efeito demanda em que um aumento do investimento provoca uma elevação na renda efetiva e ii Efeito capacidade produtiva no qual os investimentos elevam a capacidade produtiva da economia Crescimento Econômico Modelo de Solow com e sem Capital Humano AUTORIA Luiz Henrique Paloschi Tomé George Lucas Máximo Ferreira Figura 3 Aumento na taxa de crescimento da população sobre o estado estacionário no modelo de Solow Fonte adaptado de Lopes e Vasconcellos 2008 p 379 Vistos esses efeitos passemos agora para a expansão do modelo inserindo primeiramente a tecnologia e depois o capital humano Inserindo a tecnologia ao modelo temos que Sabemos que a acumulação de capital é a mesma que em 54b e que no modelo com tecnologia tanto o produto por trabalhador como o capital por trabalhador crescem à taxa da melhoria tecnológica considerada exógena A Y F K AN KαAN1α 60 y kαA1α 61 g AFONSO J R ABREU T F R Alguns poupam muito mas mal no Brasil Conjuntura Econômica v 72 p 2427 2018 WORLD BANK Emprego e crescimento a agenda da produtividade Brasília 2018 Disponível em httpdocumentsworldbankorgcurateden203811520404312395pdf123969 WPPUBLICPORTUGUESEP162670 EmpregoeCrescimentoAAgendadaProdutividadepdf Acesso em 20 nov 2020 Livro

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