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Trabalho sobre esporotricose seguindo as normas da ABNT Introdução A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do gênero Sporothrix principalmente S schenckii e é considerada uma zoonose relevante que afeta tanto animais domésticos quanto humanos Coelho et al 2024 Vasconcelos et al 2021 Em animais os felinos são frequentemente apontados como reservatórios do fungo apresentando lesões cutâneas que variam desde nódulos subcutâneos até ulcerações mais graves Pessanha et al 2022 MacêdoSales et al 2018 Vasconcelos et al 2021 Além disso a transmissão da doença ocorre através de arranhões e mordidas aumentando o potencial de infecção entre animais e seus tutores exemplificando a interconexão entre saúde animal e saúde humana Schied et al 2020 Teixeira e Zat 2021 A importância deste tema se destaca não apenas pela prevalência da esporotricose em diferentes espécies mas também pelo impacto que exerce na saúde pública Em várias regiões do Brasil a esporotricose tem sido considerada uma das principais zoonoses e seu aumento no número de casos em felinos particularmente em áreas urbanas serve como um indicador das condições ambientais e sociais que favorecem a sua disseminação Oliveira e Chucri 2020 Schied et al 2020 Neta et al 2023 Com a crescente urbanização e o abandono de animais as chances de exposição ao fungo aumentam o que torna a conscientização e a educação em saúde pública estratégias fundamentais para o controle da doença Lima et al 2024 Teixeira e Zat 2021 Graça e Ale 2021 Por fim a esporotricose é um sério problema de saúde pública que reflete as dificuldades em acessar informações e serviços de saúde adequados A inclusão dessa doença na lista de notificação compulsória e as atividades focadas na educação sanitária são passos necessários para mitigar os impactos negativos da esporotricose nas comunidades Pontes et al 2024 Loli e Nalim 2024 Antunes et al 2025 Com uma abordagem integrada envolvendo profissionais de saúde veterinários e a população é possível melhorar o manejo diagnóstico precoce e as práticas de prevenção reduzindo a incidência da doença tanto em animais quanto em humanos Teixeira e Zat 2021 Vasconcelos et al 2021 Graça e Ale 2021 Agente Etiológico Os fungos do gênero Sporothrix são agentes etiológicos responsáveis pela doença conhecida como esporotricose Este gênero abrange várias espécies incluindo Sporothrix schenckii Sporothrix brasiliensis e Sporothrix globosa e se caracteriza principalmente como um fungo dimórfico Nesta forma o fungo é encontrado como um molde em temperaturas ambientes e se transforma em uma forma de levedura ao infectar hospedeiros mamíferos incluindo humanos e gatos Rodrigues et al 2014 Bao et al 2020 As espécies de Sporothrix estão amplamente distribuídas em ambientes naturais especialmente em solos plantas em decomposição e detritos orgânicos RamírezSoto et al 2018 A presença do fungo está frequentemente associada a áreas que são ricas em matéria orgânica onde as condições de temperatura e umidade favorecem seu crescimento Cabeza et al 2022 Especificamente S brasiliensis e outras espécies têm sido isoladas em áreas rurais onde o contato com o solo e a vegetação é comum indicando a importância desses locais como reservatórios Toriello et al 2020 Caus et al 2019 Grisolia et al 2020 O ciclo zoonótico da esporotricose indica que gatos podem contrair a infecção através do contato com solo contaminado ou plantas desempenhando um papel crucial na transmissão da doença para humanos Rabello et al 2022 Mesquita et al 2024 Além disso evidências sugerem que o ambiente em que esses fungos prosperam incluindo fatores ecológicos como clima e umidade pode afetar a virulência e a capacidade de infecção Costa et al 2022 Quando os esporos do fungo entram em contato com feridas na pele geralmente através de atividades como jardinagem ou manipulação de plantas contaminadas o risco de desenvolver esporotricose aumenta Ferreira et al 2016 Barros et al 2011 A identificação das espécies de Sporothrix é complexa e pode depender da origem da amostra seja de solo plantas ou biópsias de animais Rodrigues et al 2015 Estudos aprimorados sobre a ecologia e o isolamento ambiental dessas espécies são essenciais para entender melhor a epidemiologia da esporotricose em áreas hiperendêmicas especialmente em regiões como o Brasil onde a infecção se tornou um problema significativo de saúde pública Rabello et al 2022 Poester et al 2018 Formas de Transmissão A esporotricose pode ser transmitida de diferentes maneiras sendo as mais comuns o contato com solo e plantas contaminadas a arranhadura ou mordedura de gatos infectados e em menor frequência outras formas de contágio O fungo responsável pela doença é encontrado principalmente no solo em detritos orgânicos e em vegetação em decomposição podendo penetrar na pele por meio de pequenas lesões causadas durante atividades como jardinagem ou manuseio de plantas Lima et al 2024 Filho et al 2020 Outra forma importante de transmissão ocorre através de arranhaduras ou mordidas de gatos infectados que são considerados os principais reservatórios do agente etiológico especialmente em áreas urbanas O contato com fluidos corporais desses animais como a saliva também representa risco de infecção Meinerz et al 2007 Vasconcelos et al 2021 Coelho et al 2024 Além disso embora menos comuns existem registros de transmissão por contato direto com lesões infectadas em humanos ou outros animais bem como casos de disseminação por via hematogênica quando o fungo alcança a corrente sanguínea e se espalha para outros órgãos Ribeiro et al 2010 Sousa et al 2024 Manifestações Clínicas e diagnóstico As manifestações clínicas da esporotricose podem ser classificadas em três formas principais A forma cutânea é a mais comum e caracterizase pelo aparecimento de nódulos ou pápulas que podem evoluir para úlceras geralmente apresentando lesões gomosas que acompanham o trajeto dos vasos linfáticos no local da inoculação do fungo Filho et al 2020 Martinelli et al 2022 A forma linfocutânea ocorre quando o agente infeccioso se dissemina pelos linfonodos regionais provocando linfadenopatia e dando origem a múltiplas lesões cutâneas alinhadas ao longo do trajeto linfático Castro et al 2017 Já a forma disseminada apesar de menos frequente é a mais grave e pode atingir diversos órgãos e sistemas representando risco de vida especialmente em indivíduos imunocomprometidos Lima et al 2024 Entre os sintomas mais comuns estão febre perda de peso fadiga e as já mencionadas lesões cutâneas Quando não tratada de forma adequada a infecção pode progredir e se espalhar ocasionando complicações severas como endocardite ou meningite ainda que esses casos sejam raros Falcão et al 2019 Filho et al 2020 O diagnóstico da esporotricose baseiase na associação entre avaliação clínica e exames laboratoriais O exame clínico inicial permite identificar sinais sugestivos da doença como lesões nodulares e pápulas na pele mas não é suficiente para confirmação diagnóstica exigindo complementação com exames específicos MacêdoSales et al 2018 A cultura micológica que permite o isolamento do fungo permanece como o método padrãoouro embora nem sempre apresente resultado positivo e exija condições adequadas para o crescimento do agente etiológico Martinelli et al 2022 A biópsia de tecido acometido também é utilizada especialmente em casos de apresentação atípica podendo revelar a presença de formas leveduriformes do fungo nas lesões Lima et al 2024 Além disso é fundamental realizar o diagnóstico diferencial uma vez que a esporotricose pode ser confundida com outras enfermidades dermatológicas como criptococose leishmaniose e carcinoma espinocelular sendo necessária uma análise laboratorial criteriosa para confirmação do quadro MacêdoSales et al 2018 Filho et al 2020 Tratamento O tratamento da esporotricose em humanos geralmente envolve o uso de antifúngicos sendo o itraconazol o fármaco de primeira linha devido à sua eficácia e segurança Falcão et al 2019 Gremião et al 2020 Estudos mostram que o itraconazol não apenas reduz a carga fúngica mas também melhora os sintomas clínicos rapidamente geralmente em um período de 3 a 6 meses de terapia Gremião et al 2020 Em casos mais severos ou em pacientes com múltiplas comorbidades ou resistência ao tratamento podese considerar o uso de anfotericina B embora sua administração esteja associada a efeitos colaterais significativos e riscos de toxicidade Sheikh et al 2010 Para gatos o tratamento da esporotricose também se baseia em medicamentos antifúngicos como o itraconazol e ocasionalmente a anfotericina B especialmente em casos mais críticos Gremião et al 2020 É fundamental que o tratamento em felinos seja eficaz e precoce para prevenir a propagação da infecção pois os gatos atuam como reservatórios significativos de Sporothrix e são um sério risco para a saúde humana em áreas endêmicas Lucena et al 2023 Guerra et al 2020 A esporotricose infecção fúngica causada principalmente por Sporothrix schenckii apresenta um complexo manejo clínico que abrange tratamento prevenção e controle tanto em humanos quanto em animais particularmente gatos Tratamento O tratamento da esporotricose em humanos geralmente envolve o uso de antifúngicos sendo o itraconazol o fármaco de primeira linha devido à sua eficácia e segurança Falcão et al 2019 Gremião et al 2020 Estudos mostram que o itraconazol não apenas reduz a carga fúngica mas também melhora os sintomas clínicos rapidamente geralmente em um período de 3 a 6 meses de terapia Gremião et al 2020 Em casos mais severos ou em pacientes com múltiplas comorbidades ou resistência ao tratamento podese considerar o uso de anfotericina B embora sua administração esteja associada a efeitos colaterais significativos e riscos de toxicidade Sheikh et al 2010 Para gatos o tratamento da esporotricose também se baseia em medicamentos antifúngicos como o itraconazol e ocasionalmente a anfotericina B especialmente em casos mais críticos Gremião et al 2020 É fundamental que o tratamento em felinos seja eficaz e precoce para prevenir a propagação da infecção pois os gatos atuam como reservatórios significativos de Sporothrix e são um sério risco para a saúde humana em áreas endêmicas Lucena et al 2023Guerra et al 2020 O tempo de tratamento pode variar mas em geral observase que o tratamento em humanos pode se estender por meses necessitando de acompanhamento para monitorar a eficácia e a eventual ocorrência de efeitos adversos Gremião et al 2020 Em felinos a duração do tratamento é similar mas deve ser rigorosamente seguida conforme a avaliação clínica do veterinário Cuidados adicionais incluem o controle da higiene do ambiente e a prevenção de feridas que possam facilitar a infecção durante ou após o tratamento Lucena et al 2023 Prevenção e Controle As formas de prevenção da esporotricose envolvem ações que vão desde cuidados individuais até medidas coletivas voltadas ao controle da transmissão Entre os principais cuidados pessoais e medidas de manejo com animais recomendase o uso de luvas durante o manuseio de terra plantas ou resíduos vegetais a fim de evitar a inoculação do fungo causador da doença além de manter os gatos em ambiente domiciliar indoor e restringir seu acesso à rua para reduzir o risco de contaminação Lucena et al 2023 A higienização adequada das mãos e o uso de equipamentos de proteção individual durante atividades que envolvam contato com solo ou materiais orgânicos também são fundamentais especialmente em ambientes onde existam gatos com histórico da doença Lucena et al 2023 Guerra et al 2020 Outra estratégia importante é o controle populacional de felinos por meio de programas de castração e manejo responsável uma vez que os gatos são os principais transmissores da esporotricose para humanos e outros animais Lucena et al 2023 Além disso ações de educação em saúde são essenciais para a prevenção devendo abranger a conscientização da população sobre formas de transmissão sinais clínicos e a importância do diagnóstico e tratamento precoces além de capacitar profissionais de saúde para a identificação e manejo adequado dos casos Gremião Et Al 2020 Lucena et al 2023 REFERÊNCIAS ANTUNES S CASTILHO B MAURICIO C NOGUEIRA P BARBOSA R Educação ambiental como ação de prevenção à esporotricose LEV v 16 n 46 p 23832392 2025 DOI 1056238levv16n46053 BAO F PAN Q WANG Z LIU H ZHANG F Susceptibility testing of clinical isolates of Sporothrix globosa in Shandong China Mycoses v 63 n 11 p 11911194 2020 DOI 101111myc13141 BARROS M PAES R SCHUBACH A Sporothrix schenckii and sporotrichosis Clinical Microbiology Reviews v 24 n 4 p 633654 2011 DOI 101128cmr0000711 CABEZA E et al Clinical and epidemiological characteristics of sporotrichosis in a reference center of Uruguay Journal of Fungi v 8 n 3 p 322 2022 DOI 103390jof8030322 CASTRO N et al Doenças micóticas em gatos no Rio Grande do Sul Pesquisa Veterinária Brasileira v 37 n 11 p 13131321 2017 DOI 101590s0100736x2017001100019 CAUS A et al Epidemiological and clinical aspects of sporotrichosis in Espírito Santo State southeast Brazil a study of three decades 19822012 American Journal of Tropical Medicine and Hygiene v 100 n 3 p 706713 2019 DOI 104269ajtmh180667 COELHO F SANTOS T ESTANISLAU K PAIXÃO J KNAIP P Associação de itraconazol e iodeto de potássio em tratamento para esporotricose felina refratária relato de caso 2024 DOI 1051161iiiconvet43261 COSTA G et al Soil samples from sporotrichosis transmission belt area searching for fungal species and their antagonistic activity against Sporothrix brasiliensis Frontiers in Cellular and Infection Microbiology v 12 2022 DOI 103389fcimb20221033969 FALCÃO E et al Hospitalizações e óbitos relacionados à esporotricose no Brasil 19922015 Cadernos de Saúde Pública v 35 n 4 2019 DOI 1015900102311x00109218 FERREIRA L et al Osteomyelitis caused by Sporothrix schenckii in an immunocompetent patient Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical v 49 n 4 p 527529 2016 DOI 1015900037868203542015 FILHO L et al Manejo da esporotricose com uso de itraconazol revisão narrativa management of sporotrichosis with the use of itraconazole narrative review Brazilian Journal of Health Review v 3 n 5 p 1467814689 2020 DOI 1034119bjhrv3n5261 GRAÇA A ALE V Condições físicas e higiênicosanitárias em um abatedouro no interior do Amazonas 2021 DOI 10362299786558661306cap01 GRISOLIA J et al Seroepidemiological survey on sporotrichosis infection in rural areas of the south of Minas Gerais State Brazil Brazilian Journal of Microbiology v 52 n 1 p 4147 2020 DOI 101007s42770020002790 GUERRA A BEZERRA S SOUZA A Levantamento das principais doenças infecciosas em cães e gatos atendidos pela gestão municipal de Santa Fé do Sul Unifunec Ciências da Saúde e Biológicas v 3 n 6 p 119 2020 DOI 1024980ucsbv3i63569 GREMIÃO I OLIVEIRA M MIRANDA L FREITAS D PEREIRA S Geographic expansion of sporotrichosis Brazil Emerging Infectious Diseases v 26 n 3 p 621624 2020 DOI 103201eid2603190803 LIMA A et al Epidemiologia da esporotricose em Minas Gerais uma análise da disseminação da doença no estado de Minas Gerais no período de fevereiro de 2018 a dezembro 2022 Brazilian Journal of Health Review v 7 n 3 e69514 2024 DOI 1034119bjhrv7n3044 LIMA D NETO F SINHORINI J BENITES N Identificação de padrão espacial de esporotricose animal no município de São Paulo nos anos de 2021 e 2022 Brazilian Journal of Health Review v 7 n 4 e71806 2024 DOI 1034119bjhrv7n4234 LOLI V NALIM M Esporotricosis ocular en felino sin raza definida reporte de caso Arquivos de Ciências Veterinárias e Zoologia da Unipar v 26 n 2cont p 372380 2024 DOI 1025110arqvetv26i2cont025 LUCENA R et al Expansão urbana da esporotricose humana no Brasil regulamentação e ocorrência regional Caribeña de Ciencias Sociales v 12 n 2 p 593606 2023 DOI 1055905rcssv12n2006 MACÊDOSALES P et al Diagnóstico laboratorial da esporotricose felina em amostras coletadas no estado do Rio de Janeiro Brasil limitações da citopatologia por imprint Revista PanAmazônica de Saúde v 9 n 2 2018 DOI 105123s217662232018000200002 MARTINELLI P ATAÍDE C ARAÚJO M NUNES V SANTOS J Esporotricose cutânea com apresentação clínica atípica relato de caso e revisão de literatura Revista Científica Hospital Santa Izabel v 6 n 2 p 9094 2022 DOI 1035753rchsiv6i2279 MESQUITA V et al Zoonotic sporotrichosis outbreak emerging public health threat in the Amazon State Brazil PLoS Neglected Tropical Diseases v 18 n 7 e0012328 2024 DOI 101371journalpntd0012328 NETA L SOUZA S DANIN A Prevalência de esporotricose em felinos na zona CentroSul na cidade de ManausAM no ano de 2022 e 2023 Brazilian Journal of Health Review v 6 n 5 p 2361023621 2023 DOI 1034119bjhrv6n5417 OLIVEIRA E CHUCRI T Prevalência de esporotricose no centro de controle de zoonoses na cidade de Peruíbe Brazilian Journal of Development v 6 n 8 p 6355263562 2020 DOI 1034117bjdv6n8692 PESSANHA C et al Esporotricose Revista Científica da Faculdade de Medicina de Campos v 17 n 1 2022 DOI 102918419807813rcfmc331vol17n12022 PONTES A et al Conscientização sobre a esporotricose em felinos Revft p 4849 2024 DOI 1069849revistaftpa10202410161548 POESTER V et al Sporothrix spp evaluation in soil of a hyperendemic area for sporotrichosis in southern Brazil Ciência Animal Brasileira v 19 2018 DOI 10159018096891v19e52571 RABELLO V et al Environmental isolation of Sporothrix brasiliensis in an area with recurrent feline sporotrichosis cases Frontiers in Cellular and Infection Microbiology v 12 2022 DOI 103389fcimb2022894297 RAMÍREZSOTO M AGUILARANCORI E TIRADOSÁNCHEZ A BONIFÁZ A Ecological determinants of sporotrichosis etiological agents Journal of Fungi v 4 n 3 p 95 2018 DOI 103390jof4030095 SCHIED H et al Doenças de felinos domésticos diagnosticadas no sul do Rio Grande do Sul estudo de 40 anos Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia v 72 n 6 p 21112118 2020 DOI 1015901678416211733 TEIXEIRA J ZAT L Esporotricose zoonose negligenciada Sporotrichosis a neglected zoonosis Brazilian Journal of Development v 7 n 8 p 8194781968 2021 DOI 1034117bjdv7n8417 TORIELLO C et al Sporotrichosis in Mexico Brazilian Journal of Microbiology v 52 n 1 p 4962 2020 DOI 101007s4277002000387x VASCONCELOS A TORRES V DONATO L A complexidade da esporotricose médico veterinário clínico sabe diagnosticar e tratar esta doença Programa de Iniciação Científica PICUniceub Relatórios de Pesquisa 2021 DOI 105102picn020197524 Introdução A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do gênero Sporothrix principalmente S schenckii e é considerada uma zoonose relevante que afeta tanto animais domésticos quanto humanos Coelho et al 2024 Vasconcelos et al 2021 Em animais os felinos são frequentemente apontados como reservatórios do fungo apresentando lesões cutâneas que variam desde nódulos subcutâneos até ulcerações mais graves Pessanha et al 2022 MacêdoSales et al 2018 Vasconcelos et al 2021 Além disso a transmissão da doença ocorre através de arranhões e mordidas aumentando o potencial de infecção entre animais e seus tutores exemplificando a interconexão entre saúde animal e saúde humana Schied et al 2020 Teixeira e Zat 2021 A importância deste tema se destaca não apenas pela prevalência da esporotricose em diferentes espécies mas também pelo impacto que exerce na saúde pública Em várias regiões do Brasil a esporotricose tem sido considerada uma das principais zoonoses e seu aumento no número de casos em felinos particularmente em áreas urbanas serve como um indicador das condições ambientais e sociais que favorecem a sua disseminação Oliveira e Chucri 2020 Schied et al 2020 Neta et al 2023 Com a crescente urbanização e o abandono de animais as chances de exposição ao fungo aumentam o que torna a conscientização e a educação em saúde pública estratégias fundamentais para o controle da doença Lima et al 2024 Teixeira e Zat 2021 Graça e Ale 2021 Por fim a esporotricose é um sério problema de saúde pública que reflete as dificuldades em acessar informações e serviços de saúde adequados A inclusão dessa doença na lista de notificação compulsória e as atividades focadas na educação sanitária são passos necessários para mitigar os impactos negativos da esporotricose nas comunidades Pontes et al 2024 Loli e Nalim 2024 Antunes et al 2025 Com uma abordagem integrada envolvendo profissionais de saúde veterinários e a população é possível melhorar o manejo diagnóstico precoce e as práticas de prevenção reduzindo a incidência da doença tanto em animais quanto em humanos Teixeira e Zat 2021 Vasconcelos et al 2021 Graça e Ale 2021 Agente Etiológico Os fungos do gênero Sporothrix são agentes etiológicos responsáveis pela doença conhecida como esporotricose Este gênero abrange várias espécies incluindo Sporothrix schenckii Sporothrix brasiliensis e Sporothrix globosa e se caracteriza principalmente como um fungo dimórfico Nesta forma o fungo é encontrado como um molde em temperaturas ambientes e se transforma em uma forma de levedura ao infectar hospedeiros mamíferos incluindo humanos e gatos Rodrigues et al 2014 Bao et al 2020 As espécies de Sporothrix estão amplamente distribuídas em ambientes naturais especialmente em solos plantas em decomposição e detritos orgânicos RamírezSoto et al 2018 A presença do fungo está frequentemente associada a áreas que são ricas em matéria orgânica onde as condições de temperatura e umidade favorecem seu crescimento Cabeza et al 2022 Especificamente S brasiliensis e outras espécies têm sido isoladas em áreas rurais onde o contato com o solo e a vegetação é comum indicando a importância desses locais como reservatórios Toriello et al 2020 Caus et al 2019 Grisolia et al 2020 O ciclo zoonótico da esporotricose indica que gatos podem contrair a infecção através do contato com solo contaminado ou plantas desempenhando um papel crucial na transmissão da doença para humanos Rabello et al 2022 Mesquita et al 2024 Além disso evidências sugerem que o ambiente em que esses fungos prosperam incluindo fatores ecológicos como clima e umidade pode afetar a virulência e a capacidade de infecção Costa et al 2022 Quando os esporos do fungo entram em contato com feridas na pele geralmente através de atividades como jardinagem ou manipulação de plantas contaminadas o risco de desenvolver esporotricose aumenta Ferreira et al 2016 Barros et al 2011 A identificação das espécies de Sporothrix é complexa e pode depender da origem da amostra seja de solo plantas ou biópsias de animais Rodrigues et al 2015 Estudos aprimorados sobre a ecologia e o isolamento ambiental dessas espécies são essenciais para entender melhor a epidemiologia da esporotricose em áreas hiperendêmicas especialmente em regiões como o Brasil onde a infecção se tornou um problema significativo de saúde pública Rabello et al 2022 Poester et al 2018 Formas de Transmissão A esporotricose pode ser transmitida de diferentes maneiras sendo as mais comuns o contato com solo e plantas contaminadas a arranhadura ou mordedura de gatos infectados e em menor frequência outras formas de contágio O fungo responsável pela doença é encontrado principalmente no solo em detritos orgânicos e em vegetação em decomposição podendo penetrar na pele por meio de pequenas lesões causadas durante atividades como jardinagem ou manuseio de plantas Lima et al 2024 Filho et al 2020 Outra forma importante de transmissão ocorre através de arranhaduras ou mordidas de gatos infectados que são considerados os principais reservatórios do agente etiológico especialmente em áreas urbanas O contato com fluidos corporais desses animais como a saliva também representa risco de infecção Meinerz et al 2007 Vasconcelos et al 2021 Coelho et al 2024 Além disso embora menos comuns existem registros de transmissão por contato direto com lesões infectadas em humanos ou outros animais bem como casos de disseminação por via hematogênica quando o fungo alcança a corrente sanguínea e se espalha para outros órgãos Ribeiro et al 2010 Sousa et al 2024 Manifestações Clínicas e diagnóstico As manifestações clínicas da esporotricose podem ser classificadas em três formas principais A forma cutânea é a mais comum e caracterizase pelo aparecimento de nódulos ou pápulas que podem evoluir para úlceras geralmente apresentando lesões gomosas que acompanham o trajeto dos vasos linfáticos no local da inoculação do fungo Filho et al 2020 Martinelli et al 2022 A forma linfocutânea ocorre quando o agente infeccioso se dissemina pelos linfonodos regionais provocando linfadenopatia e dando origem a múltiplas lesões cutâneas alinhadas ao longo do trajeto linfático Castro et al 2017 Já a forma disseminada apesar de menos frequente é a mais grave e pode atingir diversos órgãos e sistemas representando risco de vida especialmente em indivíduos imunocomprometidos Lima et al 2024 Entre os sintomas mais comuns estão febre perda de peso fadiga e as já mencionadas lesões cutâneas Quando não tratada de forma adequada a infecção pode progredir e se espalhar ocasionando complicações severas como endocardite ou meningite ainda que esses casos sejam raros Falcão et al 2019 Filho et al 2020 O diagnóstico da esporotricose baseiase na associação entre avaliação clínica e exames laboratoriais O exame clínico inicial permite identificar sinais sugestivos da doença como lesões nodulares e pápulas na pele mas não é suficiente para confirmação diagnóstica exigindo complementação com exames específicos MacêdoSales et al 2018 A cultura micológica que permite o isolamento do fungo permanece como o método padrãoouro embora nem sempre apresente resultado positivo e exija condições adequadas para o crescimento do agente etiológico Martinelli et al 2022 A biópsia de tecido acometido também é utilizada especialmente em casos de apresentação atípica podendo revelar a presença de formas leveduriformes do fungo nas lesões Lima et al 2024 Além disso é fundamental realizar o diagnóstico diferencial uma vez que a esporotricose pode ser confundida com outras enfermidades dermatológicas como criptococose leishmaniose e carcinoma espinocelular sendo necessária uma análise laboratorial criteriosa para confirmação do quadro MacêdoSales et al 2018 Filho et al 2020 Tratamento O tratamento da esporotricose em humanos geralmente envolve o uso de antifúngicos sendo o itraconazol o fármaco de primeira linha devido à sua eficácia e segurança Falcão et al 2019 Gremião et al 2020 Estudos mostram que o itraconazol não apenas reduz a carga fúngica mas também melhora os sintomas clínicos rapidamente geralmente em um período de 3 a 6 meses de terapia Gremião et al 2020 Em casos mais severos ou em pacientes com múltiplas comorbidades ou resistência ao tratamento podese considerar o uso de anfotericina B embora sua administração esteja associada a efeitos colaterais significativos e riscos de toxicidade Sheikh et al 2010 Para gatos o tratamento da esporotricose também se baseia em medicamentos antifúngicos como o itraconazol e ocasionalmente a anfotericina B especialmente em casos mais críticos Gremião et al 2020 É fundamental que o tratamento em felinos seja eficaz e precoce para prevenir a propagação da infecção pois os gatos atuam como reservatórios significativos de Sporothrix e são um sério risco para a saúde humana em áreas endêmicas Lucena et al 2023 Guerra et al 2020 A esporotricose infecção fúngica causada principalmente por Sporothrix schenckii apresenta um complexo manejo clínico que abrange tratamento prevenção e controle tanto em humanos quanto em animais particularmente gatos Tratamento O tratamento da esporotricose em humanos geralmente envolve o uso de antifúngicos sendo o itraconazol o fármaco de primeira linha devido à sua eficácia e segurança Falcão et al 2019 Gremião et al 2020 Estudos mostram que o itraconazol não apenas reduz a carga fúngica mas também melhora os sintomas clínicos rapidamente geralmente em um período de 3 a 6 meses de terapia Gremião et al 2020 Em casos mais severos ou em pacientes com múltiplas comorbidades ou resistência ao tratamento podese considerar o uso de anfotericina B embora sua administração esteja associada a efeitos colaterais significativos e riscos de toxicidade Sheikh et al 2010 Para gatos o tratamento da esporotricose também se baseia em medicamentos antifúngicos como o itraconazol e ocasionalmente a anfotericina B especialmente em casos mais críticos Gremião et al 2020 É fundamental que o tratamento em felinos seja eficaz e precoce para prevenir a propagação da infecção pois os gatos atuam como reservatórios significativos de Sporothrix e são um sério risco para a saúde humana em áreas endêmicas Lucena et al 2023Guerra et al 2020 O tempo de tratamento pode variar mas em geral observase que o tratamento em humanos pode se estender por meses necessitando de acompanhamento para monitorar a eficácia e a eventual ocorrência de efeitos adversos Gremião et al 2020 Em felinos a duração do tratamento é similar mas deve ser rigorosamente seguida conforme a avaliação clínica do veterinário Cuidados adicionais incluem o controle da higiene do ambiente e a prevenção de feridas que possam facilitar a infecção durante ou após o tratamento Lucena et al 2023 Prevenção e Controle As formas de prevenção da esporotricose envolvem ações que vão desde cuidados individuais até medidas coletivas voltadas ao controle da transmissão Entre os principais cuidados pessoais e medidas de manejo com animais recomendase o uso de luvas durante o manuseio de terra plantas ou resíduos vegetais a fim de evitar a inoculação do fungo causador da doença além de manter os gatos em ambiente domiciliar indoor e restringir seu acesso à rua para reduzir o risco de contaminação Lucena et al 2023 A higienização adequada das mãos e o uso de equipamentos de proteção individual durante atividades que envolvam contato com solo ou materiais orgânicos também são fundamentais especialmente em ambientes onde existam gatos com histórico da doença Lucena et al 2023 Guerra et al 2020 Outra estratégia importante é o controle populacional de felinos por meio de programas de castração e manejo responsável uma vez que os gatos são os principais transmissores da esporotricose para humanos e outros animais Lucena et al 2023 Além disso ações de educação em saúde são essenciais para a prevenção devendo abranger a conscientização da população sobre formas de transmissão sinais clínicos e a importância do diagnóstico e tratamento precoces além de capacitar profissionais de saúde para a identificação e manejo adequado dos casos Gremião Et Al 2020 Lucena et al 2023 REFERÊNCIAS ANTUNES S CASTILHO B MAURICIO C NOGUEIRA P BARBOSA R Educação ambiental como ação de prevenção à esporotricose LEV v 16 n 46 p 23832392 2025 DOI 1056238levv16n46053 BAO F PAN Q WANG Z LIU H ZHANG F Susceptibility testing of clinical isolates of Sporothrix globosa in Shandong China Mycoses v 63 n 11 p 1191 1194 2020 DOI 101111myc13141 BARROS M PAES R SCHUBACH A Sporothrix schenckii and sporotrichosis Clinical Microbiology Reviews v 24 n 4 p 633654 2011 DOI 101128cmr0000711 CABEZA E et al Clinical and epidemiological characteristics of sporotrichosis in a reference center of Uruguay Journal of Fungi v 8 n 3 p 322 2022 DOI 103390jof8030322 CASTRO N et al Doenças micóticas em gatos no Rio Grande do Sul Pesquisa Veterinária Brasileira v 37 n 11 p 13131321 2017 DOI 101590s0100 736x2017001100019 CAUS A et al Epidemiological and clinical aspects of sporotrichosis in Espírito Santo State southeast Brazil a study of three decades 19822012 American Journal of Tropical Medicine and Hygiene v 100 n 3 p 706713 2019 DOI 104269ajtmh180667 COELHO F SANTOS T ESTANISLAU K PAIXÃO J KNAIP P Associação de itraconazol e iodeto de potássio em tratamento para esporotricose felina refratária relato de caso 2024 DOI 1051161iiiconvet43261 COSTA G et al Soil samples from sporotrichosis transmission belt area searching for fungal species and their antagonistic activity against Sporothrix brasiliensis Frontiers in Cellular and Infection Microbiology v 12 2022 DOI 103389fcimb20221033969 FALCÃO E et al Hospitalizações e óbitos relacionados à esporotricose no Brasil 19922015 Cadernos de Saúde Pública v 35 n 4 2019 DOI 1015900102 311x00109218 FERREIRA L et al Osteomyelitis caused by Sporothrix schenckii in an immunocompetent patient Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical v 49 n 4 p 527529 2016 DOI 1015900037868203542015 FILHO L et al Manejo da esporotricose com uso de itraconazol revisão narrativa management of sporotrichosis with the use of itraconazole narrative review Brazilian Journal of Health Review v 3 n 5 p 1467814689 2020 DOI 1034119bjhrv3n5261 GRAÇA A ALE V Condições físicas e higiênicosanitárias em um abatedouro no interior do Amazonas 2021 DOI 10362299786558661306cap01 GRISOLIA J et al Seroepidemiological survey on sporotrichosis infection in rural areas of the south of Minas Gerais State Brazil Brazilian Journal of Microbiology v 52 n 1 p 4147 2020 DOI 101007s42770020002790 GUERRA A BEZERRA S SOUZA A Levantamento das principais doenças infecciosas em cães e gatos atendidos pela gestão municipal de Santa Fé do Sul Unifunec Ciências da Saúde e Biológicas v 3 n 6 p 119 2020 DOI 1024980ucsbv3i63569 GREMIÃO I OLIVEIRA M MIRANDA L FREITAS D PEREIRA S Geographic expansion of sporotrichosis Brazil Emerging Infectious Diseases v 26 n 3 p 621624 2020 DOI 103201eid2603190803 LIMA A et al Epidemiologia da esporotricose em Minas Gerais uma análise da disseminação da doença no estado de Minas Gerais no período de fevereiro de 2018 a dezembro 2022 Brazilian Journal of Health Review v 7 n 3 e69514 2024 DOI 1034119bjhrv7n3044 LIMA D NETO F SINHORINI J BENITES N Identificação de padrão espacial de esporotricose animal no município de São Paulo nos anos de 2021 e 2022 Brazilian Journal of Health Review v 7 n 4 e71806 2024 DOI 1034119bjhrv7n4234 LOLI V NALIM M Esporotricosis ocular en felino sin raza definida reporte de caso Arquivos de Ciências Veterinárias e Zoologia da Unipar v 26 n 2cont p 372380 2024 DOI 1025110arqvetv26i2cont025 LUCENA R et al Expansão urbana da esporotricose humana no Brasil regulamentação e ocorrência regional Caribeña de Ciencias Sociales v 12 n 2 p 593606 2023 DOI 1055905rcssv12n2006 MACÊDOSALES P et al Diagnóstico laboratorial da esporotricose felina em amostras coletadas no estado do Rio de Janeiro Brasil limitações da citopatologia por imprint Revista PanAmazônica de Saúde v 9 n 2 2018 DOI 105123s217662232018000200002 MARTINELLI P ATAÍDE C ARAÚJO M NUNES V SANTOS J Esporotricose cutânea com apresentação clínica atípica relato de caso e revisão de literatura Revista Científica Hospital Santa Izabel v 6 n 2 p 9094 2022 DOI 1035753rchsiv6i2279 MESQUITA V et al Zoonotic sporotrichosis outbreak emerging public health threat in the Amazon State Brazil PLoS Neglected Tropical Diseases v 18 n 7 e0012328 2024 DOI 101371journalpntd0012328 NETA L SOUZA S DANIN A Prevalência de esporotricose em felinos na zona CentroSul na cidade de ManausAM no ano de 2022 e 2023 Brazilian Journal of Health Review v 6 n 5 p 2361023621 2023 DOI 1034119bjhrv6n5417 OLIVEIRA E CHUCRI T Prevalência de esporotricose no centro de controle de zoonoses na cidade de Peruíbe Brazilian Journal of Development v 6 n 8 p 6355263562 2020 DOI 1034117bjdv6n8692 PESSANHA C et al Esporotricose Revista Científica da Faculdade de Medicina de Campos v 17 n 1 2022 DOI 102918419807813rcfmc331vol17n12022 PONTES A et al Conscientização sobre a esporotricose em felinos Revft p 48 49 2024 DOI 1069849revistaftpa10202410161548 POESTER V et al Sporothrix spp evaluation in soil of a hyperendemic area for sporotrichosis in southern Brazil Ciência Animal Brasileira v 19 2018 DOI 10159018096891v19e52571 RABELLO V et al Environmental isolation of Sporothrix brasiliensis in an area with recurrent feline sporotrichosis cases Frontiers in Cellular and Infection Microbiology v 12 2022 DOI 103389fcimb2022894297 RAMÍREZSOTO M AGUILARANCORI E TIRADOSÁNCHEZ A BONIFÁZ A Ecological determinants of sporotrichosis etiological agents Journal of Fungi v 4 n 3 p 95 2018 DOI 103390jof4030095 SCHIED H et al Doenças de felinos domésticos diagnosticadas no sul do Rio Grande do Sul estudo de 40 anos Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia v 72 n 6 p 21112118 2020 DOI 1015901678416211733 TEIXEIRA J ZAT L Esporotricose zoonose negligenciada Sporotrichosis a neglected zoonosis Brazilian Journal of Development v 7 n 8 p 8194781968 2021 DOI 1034117bjdv7n8417 TORIELLO C et al Sporotrichosis in Mexico Brazilian Journal of Microbiology v 52 n 1 p 4962 2020 DOI 101007s4277002000387x VASCONCELOS A TORRES V DONATO L A complexidade da esporotricose médico veterinário clínico sabe diagnosticar e tratar esta doença Programa de Iniciação Científica PICUniceub Relatórios de Pesquisa 2021 DOI 105102picn020197524
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Trabalho sobre esporotricose seguindo as normas da ABNT Introdução A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do gênero Sporothrix principalmente S schenckii e é considerada uma zoonose relevante que afeta tanto animais domésticos quanto humanos Coelho et al 2024 Vasconcelos et al 2021 Em animais os felinos são frequentemente apontados como reservatórios do fungo apresentando lesões cutâneas que variam desde nódulos subcutâneos até ulcerações mais graves Pessanha et al 2022 MacêdoSales et al 2018 Vasconcelos et al 2021 Além disso a transmissão da doença ocorre através de arranhões e mordidas aumentando o potencial de infecção entre animais e seus tutores exemplificando a interconexão entre saúde animal e saúde humana Schied et al 2020 Teixeira e Zat 2021 A importância deste tema se destaca não apenas pela prevalência da esporotricose em diferentes espécies mas também pelo impacto que exerce na saúde pública Em várias regiões do Brasil a esporotricose tem sido considerada uma das principais zoonoses e seu aumento no número de casos em felinos particularmente em áreas urbanas serve como um indicador das condições ambientais e sociais que favorecem a sua disseminação Oliveira e Chucri 2020 Schied et al 2020 Neta et al 2023 Com a crescente urbanização e o abandono de animais as chances de exposição ao fungo aumentam o que torna a conscientização e a educação em saúde pública estratégias fundamentais para o controle da doença Lima et al 2024 Teixeira e Zat 2021 Graça e Ale 2021 Por fim a esporotricose é um sério problema de saúde pública que reflete as dificuldades em acessar informações e serviços de saúde adequados A inclusão dessa doença na lista de notificação compulsória e as atividades focadas na educação sanitária são passos necessários para mitigar os impactos negativos da esporotricose nas comunidades Pontes et al 2024 Loli e Nalim 2024 Antunes et al 2025 Com uma abordagem integrada envolvendo profissionais de saúde veterinários e a população é possível melhorar o manejo diagnóstico precoce e as práticas de prevenção reduzindo a incidência da doença tanto em animais quanto em humanos Teixeira e Zat 2021 Vasconcelos et al 2021 Graça e Ale 2021 Agente Etiológico Os fungos do gênero Sporothrix são agentes etiológicos responsáveis pela doença conhecida como esporotricose Este gênero abrange várias espécies incluindo Sporothrix schenckii Sporothrix brasiliensis e Sporothrix globosa e se caracteriza principalmente como um fungo dimórfico Nesta forma o fungo é encontrado como um molde em temperaturas ambientes e se transforma em uma forma de levedura ao infectar hospedeiros mamíferos incluindo humanos e gatos Rodrigues et al 2014 Bao et al 2020 As espécies de Sporothrix estão amplamente distribuídas em ambientes naturais especialmente em solos plantas em decomposição e detritos orgânicos RamírezSoto et al 2018 A presença do fungo está frequentemente associada a áreas que são ricas em matéria orgânica onde as condições de temperatura e umidade favorecem seu crescimento Cabeza et al 2022 Especificamente S brasiliensis e outras espécies têm sido isoladas em áreas rurais onde o contato com o solo e a vegetação é comum indicando a importância desses locais como reservatórios Toriello et al 2020 Caus et al 2019 Grisolia et al 2020 O ciclo zoonótico da esporotricose indica que gatos podem contrair a infecção através do contato com solo contaminado ou plantas desempenhando um papel crucial na transmissão da doença para humanos Rabello et al 2022 Mesquita et al 2024 Além disso evidências sugerem que o ambiente em que esses fungos prosperam incluindo fatores ecológicos como clima e umidade pode afetar a virulência e a capacidade de infecção Costa et al 2022 Quando os esporos do fungo entram em contato com feridas na pele geralmente através de atividades como jardinagem ou manipulação de plantas contaminadas o risco de desenvolver esporotricose aumenta Ferreira et al 2016 Barros et al 2011 A identificação das espécies de Sporothrix é complexa e pode depender da origem da amostra seja de solo plantas ou biópsias de animais Rodrigues et al 2015 Estudos aprimorados sobre a ecologia e o isolamento ambiental dessas espécies são essenciais para entender melhor a epidemiologia da esporotricose em áreas hiperendêmicas especialmente em regiões como o Brasil onde a infecção se tornou um problema significativo de saúde pública Rabello et al 2022 Poester et al 2018 Formas de Transmissão A esporotricose pode ser transmitida de diferentes maneiras sendo as mais comuns o contato com solo e plantas contaminadas a arranhadura ou mordedura de gatos infectados e em menor frequência outras formas de contágio O fungo responsável pela doença é encontrado principalmente no solo em detritos orgânicos e em vegetação em decomposição podendo penetrar na pele por meio de pequenas lesões causadas durante atividades como jardinagem ou manuseio de plantas Lima et al 2024 Filho et al 2020 Outra forma importante de transmissão ocorre através de arranhaduras ou mordidas de gatos infectados que são considerados os principais reservatórios do agente etiológico especialmente em áreas urbanas O contato com fluidos corporais desses animais como a saliva também representa risco de infecção Meinerz et al 2007 Vasconcelos et al 2021 Coelho et al 2024 Além disso embora menos comuns existem registros de transmissão por contato direto com lesões infectadas em humanos ou outros animais bem como casos de disseminação por via hematogênica quando o fungo alcança a corrente sanguínea e se espalha para outros órgãos Ribeiro et al 2010 Sousa et al 2024 Manifestações Clínicas e diagnóstico As manifestações clínicas da esporotricose podem ser classificadas em três formas principais A forma cutânea é a mais comum e caracterizase pelo aparecimento de nódulos ou pápulas que podem evoluir para úlceras geralmente apresentando lesões gomosas que acompanham o trajeto dos vasos linfáticos no local da inoculação do fungo Filho et al 2020 Martinelli et al 2022 A forma linfocutânea ocorre quando o agente infeccioso se dissemina pelos linfonodos regionais provocando linfadenopatia e dando origem a múltiplas lesões cutâneas alinhadas ao longo do trajeto linfático Castro et al 2017 Já a forma disseminada apesar de menos frequente é a mais grave e pode atingir diversos órgãos e sistemas representando risco de vida especialmente em indivíduos imunocomprometidos Lima et al 2024 Entre os sintomas mais comuns estão febre perda de peso fadiga e as já mencionadas lesões cutâneas Quando não tratada de forma adequada a infecção pode progredir e se espalhar ocasionando complicações severas como endocardite ou meningite ainda que esses casos sejam raros Falcão et al 2019 Filho et al 2020 O diagnóstico da esporotricose baseiase na associação entre avaliação clínica e exames laboratoriais O exame clínico inicial permite identificar sinais sugestivos da doença como lesões nodulares e pápulas na pele mas não é suficiente para confirmação diagnóstica exigindo complementação com exames específicos MacêdoSales et al 2018 A cultura micológica que permite o isolamento do fungo permanece como o método padrãoouro embora nem sempre apresente resultado positivo e exija condições adequadas para o crescimento do agente etiológico Martinelli et al 2022 A biópsia de tecido acometido também é utilizada especialmente em casos de apresentação atípica podendo revelar a presença de formas leveduriformes do fungo nas lesões Lima et al 2024 Além disso é fundamental realizar o diagnóstico diferencial uma vez que a esporotricose pode ser confundida com outras enfermidades dermatológicas como criptococose leishmaniose e carcinoma espinocelular sendo necessária uma análise laboratorial criteriosa para confirmação do quadro MacêdoSales et al 2018 Filho et al 2020 Tratamento O tratamento da esporotricose em humanos geralmente envolve o uso de antifúngicos sendo o itraconazol o fármaco de primeira linha devido à sua eficácia e segurança Falcão et al 2019 Gremião et al 2020 Estudos mostram que o itraconazol não apenas reduz a carga fúngica mas também melhora os sintomas clínicos rapidamente geralmente em um período de 3 a 6 meses de terapia Gremião et al 2020 Em casos mais severos ou em pacientes com múltiplas comorbidades ou resistência ao tratamento podese considerar o uso de anfotericina B embora sua administração esteja associada a efeitos colaterais significativos e riscos de toxicidade Sheikh et al 2010 Para gatos o tratamento da esporotricose também se baseia em medicamentos antifúngicos como o itraconazol e ocasionalmente a anfotericina B especialmente em casos mais críticos Gremião et al 2020 É fundamental que o tratamento em felinos seja eficaz e precoce para prevenir a propagação da infecção pois os gatos atuam como reservatórios significativos de Sporothrix e são um sério risco para a saúde humana em áreas endêmicas Lucena et al 2023 Guerra et al 2020 A esporotricose infecção fúngica causada principalmente por Sporothrix schenckii apresenta um complexo manejo clínico que abrange tratamento prevenção e controle tanto em humanos quanto em animais particularmente gatos Tratamento O tratamento da esporotricose em humanos geralmente envolve o uso de antifúngicos sendo o itraconazol o fármaco de primeira linha devido à sua eficácia e segurança Falcão et al 2019 Gremião et al 2020 Estudos mostram que o itraconazol não apenas reduz a carga fúngica mas também melhora os sintomas clínicos rapidamente geralmente em um período de 3 a 6 meses de terapia Gremião et al 2020 Em casos mais severos ou em pacientes com múltiplas comorbidades ou resistência ao tratamento podese considerar o uso de anfotericina B embora sua administração esteja associada a efeitos colaterais significativos e riscos de toxicidade Sheikh et al 2010 Para gatos o tratamento da esporotricose também se baseia em medicamentos antifúngicos como o itraconazol e ocasionalmente a anfotericina B especialmente em casos mais críticos Gremião et al 2020 É fundamental que o tratamento em felinos seja eficaz e precoce para prevenir a propagação da infecção pois os gatos atuam como reservatórios significativos de Sporothrix e são um sério risco para a saúde humana em áreas endêmicas Lucena et al 2023Guerra et al 2020 O tempo de tratamento pode variar mas em geral observase que o tratamento em humanos pode se estender por meses necessitando de acompanhamento para monitorar a eficácia e a eventual ocorrência de efeitos adversos Gremião et al 2020 Em felinos a duração do tratamento é similar mas deve ser rigorosamente seguida conforme a avaliação clínica do veterinário Cuidados adicionais incluem o controle da higiene do ambiente e a prevenção de feridas que possam facilitar a infecção durante ou após o tratamento Lucena et al 2023 Prevenção e Controle As formas de prevenção da esporotricose envolvem ações que vão desde cuidados individuais até medidas coletivas voltadas ao controle da transmissão Entre os principais cuidados pessoais e medidas de manejo com animais recomendase o uso de luvas durante o manuseio de terra plantas ou resíduos vegetais a fim de evitar a inoculação do fungo causador da doença além de manter os gatos em ambiente domiciliar indoor e restringir seu acesso à rua para reduzir o risco de contaminação Lucena et al 2023 A higienização adequada das mãos e o uso de equipamentos de proteção individual durante atividades que envolvam contato com solo ou materiais orgânicos também são fundamentais especialmente em ambientes onde existam gatos com histórico da doença Lucena et al 2023 Guerra et al 2020 Outra estratégia importante é o controle populacional de felinos por meio de programas de castração e manejo responsável uma vez que os gatos são os principais transmissores da esporotricose para humanos e outros animais Lucena et al 2023 Além disso ações de educação em saúde são essenciais para a prevenção devendo abranger a conscientização da população sobre formas de transmissão sinais clínicos e a importância do diagnóstico e tratamento precoces além de capacitar profissionais de saúde para a identificação e manejo adequado dos casos Gremião Et Al 2020 Lucena et al 2023 REFERÊNCIAS ANTUNES S CASTILHO B MAURICIO C NOGUEIRA P BARBOSA R Educação ambiental como ação de prevenção à esporotricose LEV v 16 n 46 p 23832392 2025 DOI 1056238levv16n46053 BAO F PAN Q WANG Z LIU H ZHANG F Susceptibility testing of clinical isolates of Sporothrix globosa in Shandong China Mycoses v 63 n 11 p 11911194 2020 DOI 101111myc13141 BARROS M PAES R SCHUBACH A Sporothrix schenckii and sporotrichosis Clinical Microbiology Reviews v 24 n 4 p 633654 2011 DOI 101128cmr0000711 CABEZA E et al Clinical and epidemiological characteristics of sporotrichosis in a reference center of Uruguay Journal of Fungi v 8 n 3 p 322 2022 DOI 103390jof8030322 CASTRO N et al Doenças micóticas em gatos no Rio Grande do Sul Pesquisa Veterinária Brasileira v 37 n 11 p 13131321 2017 DOI 101590s0100736x2017001100019 CAUS A et al Epidemiological and clinical aspects of sporotrichosis in Espírito Santo State southeast Brazil a study of three decades 19822012 American Journal of Tropical Medicine and Hygiene v 100 n 3 p 706713 2019 DOI 104269ajtmh180667 COELHO F SANTOS T ESTANISLAU K PAIXÃO J KNAIP P Associação de itraconazol e iodeto de potássio em tratamento para esporotricose felina refratária relato de caso 2024 DOI 1051161iiiconvet43261 COSTA G et al Soil samples from sporotrichosis transmission belt area searching for fungal species and their antagonistic activity against Sporothrix brasiliensis Frontiers in Cellular and Infection Microbiology v 12 2022 DOI 103389fcimb20221033969 FALCÃO E et al Hospitalizações e óbitos relacionados à esporotricose no Brasil 19922015 Cadernos de Saúde Pública v 35 n 4 2019 DOI 1015900102311x00109218 FERREIRA L et al Osteomyelitis caused by Sporothrix schenckii in an immunocompetent patient Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical v 49 n 4 p 527529 2016 DOI 1015900037868203542015 FILHO L et al Manejo da esporotricose com uso de itraconazol revisão narrativa management of sporotrichosis with the use of itraconazole narrative review Brazilian Journal of Health Review v 3 n 5 p 1467814689 2020 DOI 1034119bjhrv3n5261 GRAÇA A ALE V Condições físicas e higiênicosanitárias em um abatedouro no interior do Amazonas 2021 DOI 10362299786558661306cap01 GRISOLIA J et al Seroepidemiological survey on sporotrichosis infection in rural areas of the south of Minas Gerais State Brazil Brazilian Journal of Microbiology v 52 n 1 p 4147 2020 DOI 101007s42770020002790 GUERRA A BEZERRA S SOUZA A Levantamento das principais doenças infecciosas em cães e gatos atendidos pela gestão municipal de Santa Fé do Sul Unifunec Ciências da Saúde e Biológicas v 3 n 6 p 119 2020 DOI 1024980ucsbv3i63569 GREMIÃO I OLIVEIRA M MIRANDA L FREITAS D PEREIRA S Geographic expansion of sporotrichosis Brazil Emerging Infectious Diseases v 26 n 3 p 621624 2020 DOI 103201eid2603190803 LIMA A et al Epidemiologia da esporotricose em Minas Gerais uma análise da disseminação da doença no estado de Minas Gerais no período de fevereiro de 2018 a dezembro 2022 Brazilian Journal of Health Review v 7 n 3 e69514 2024 DOI 1034119bjhrv7n3044 LIMA D NETO F SINHORINI J BENITES N Identificação de padrão espacial de esporotricose animal no município de São Paulo nos anos de 2021 e 2022 Brazilian Journal of Health Review v 7 n 4 e71806 2024 DOI 1034119bjhrv7n4234 LOLI V NALIM M Esporotricosis ocular en felino sin raza definida reporte de caso Arquivos de Ciências Veterinárias e Zoologia da Unipar v 26 n 2cont p 372380 2024 DOI 1025110arqvetv26i2cont025 LUCENA R et al Expansão urbana da esporotricose humana no Brasil regulamentação e ocorrência regional Caribeña de Ciencias Sociales v 12 n 2 p 593606 2023 DOI 1055905rcssv12n2006 MACÊDOSALES P et al Diagnóstico laboratorial da esporotricose felina em amostras coletadas no estado do Rio de Janeiro Brasil limitações da citopatologia por imprint Revista PanAmazônica de Saúde v 9 n 2 2018 DOI 105123s217662232018000200002 MARTINELLI P ATAÍDE C ARAÚJO M NUNES V SANTOS J Esporotricose cutânea com apresentação clínica atípica relato de caso e revisão de literatura Revista Científica Hospital Santa Izabel v 6 n 2 p 9094 2022 DOI 1035753rchsiv6i2279 MESQUITA V et al Zoonotic sporotrichosis outbreak emerging public health threat in the Amazon State Brazil PLoS Neglected Tropical Diseases v 18 n 7 e0012328 2024 DOI 101371journalpntd0012328 NETA L SOUZA S DANIN A Prevalência de esporotricose em felinos na zona CentroSul na cidade de ManausAM no ano de 2022 e 2023 Brazilian Journal of Health Review v 6 n 5 p 2361023621 2023 DOI 1034119bjhrv6n5417 OLIVEIRA E CHUCRI T Prevalência de esporotricose no centro de controle de zoonoses na cidade de Peruíbe Brazilian Journal of Development v 6 n 8 p 6355263562 2020 DOI 1034117bjdv6n8692 PESSANHA C et al Esporotricose Revista Científica da Faculdade de Medicina de Campos v 17 n 1 2022 DOI 102918419807813rcfmc331vol17n12022 PONTES A et al Conscientização sobre a esporotricose em felinos Revft p 4849 2024 DOI 1069849revistaftpa10202410161548 POESTER V et al Sporothrix spp evaluation in soil of a hyperendemic area for sporotrichosis in southern Brazil Ciência Animal Brasileira v 19 2018 DOI 10159018096891v19e52571 RABELLO V et al Environmental isolation of Sporothrix brasiliensis in an area with recurrent feline sporotrichosis cases Frontiers in Cellular and Infection Microbiology v 12 2022 DOI 103389fcimb2022894297 RAMÍREZSOTO M AGUILARANCORI E TIRADOSÁNCHEZ A BONIFÁZ A Ecological determinants of sporotrichosis etiological agents Journal of Fungi v 4 n 3 p 95 2018 DOI 103390jof4030095 SCHIED H et al Doenças de felinos domésticos diagnosticadas no sul do Rio Grande do Sul estudo de 40 anos Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia v 72 n 6 p 21112118 2020 DOI 1015901678416211733 TEIXEIRA J ZAT L Esporotricose zoonose negligenciada Sporotrichosis a neglected zoonosis Brazilian Journal of Development v 7 n 8 p 8194781968 2021 DOI 1034117bjdv7n8417 TORIELLO C et al Sporotrichosis in Mexico Brazilian Journal of Microbiology v 52 n 1 p 4962 2020 DOI 101007s4277002000387x VASCONCELOS A TORRES V DONATO L A complexidade da esporotricose médico veterinário clínico sabe diagnosticar e tratar esta doença Programa de Iniciação Científica PICUniceub Relatórios de Pesquisa 2021 DOI 105102picn020197524 Introdução A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do gênero Sporothrix principalmente S schenckii e é considerada uma zoonose relevante que afeta tanto animais domésticos quanto humanos Coelho et al 2024 Vasconcelos et al 2021 Em animais os felinos são frequentemente apontados como reservatórios do fungo apresentando lesões cutâneas que variam desde nódulos subcutâneos até ulcerações mais graves Pessanha et al 2022 MacêdoSales et al 2018 Vasconcelos et al 2021 Além disso a transmissão da doença ocorre através de arranhões e mordidas aumentando o potencial de infecção entre animais e seus tutores exemplificando a interconexão entre saúde animal e saúde humana Schied et al 2020 Teixeira e Zat 2021 A importância deste tema se destaca não apenas pela prevalência da esporotricose em diferentes espécies mas também pelo impacto que exerce na saúde pública Em várias regiões do Brasil a esporotricose tem sido considerada uma das principais zoonoses e seu aumento no número de casos em felinos particularmente em áreas urbanas serve como um indicador das condições ambientais e sociais que favorecem a sua disseminação Oliveira e Chucri 2020 Schied et al 2020 Neta et al 2023 Com a crescente urbanização e o abandono de animais as chances de exposição ao fungo aumentam o que torna a conscientização e a educação em saúde pública estratégias fundamentais para o controle da doença Lima et al 2024 Teixeira e Zat 2021 Graça e Ale 2021 Por fim a esporotricose é um sério problema de saúde pública que reflete as dificuldades em acessar informações e serviços de saúde adequados A inclusão dessa doença na lista de notificação compulsória e as atividades focadas na educação sanitária são passos necessários para mitigar os impactos negativos da esporotricose nas comunidades Pontes et al 2024 Loli e Nalim 2024 Antunes et al 2025 Com uma abordagem integrada envolvendo profissionais de saúde veterinários e a população é possível melhorar o manejo diagnóstico precoce e as práticas de prevenção reduzindo a incidência da doença tanto em animais quanto em humanos Teixeira e Zat 2021 Vasconcelos et al 2021 Graça e Ale 2021 Agente Etiológico Os fungos do gênero Sporothrix são agentes etiológicos responsáveis pela doença conhecida como esporotricose Este gênero abrange várias espécies incluindo Sporothrix schenckii Sporothrix brasiliensis e Sporothrix globosa e se caracteriza principalmente como um fungo dimórfico Nesta forma o fungo é encontrado como um molde em temperaturas ambientes e se transforma em uma forma de levedura ao infectar hospedeiros mamíferos incluindo humanos e gatos Rodrigues et al 2014 Bao et al 2020 As espécies de Sporothrix estão amplamente distribuídas em ambientes naturais especialmente em solos plantas em decomposição e detritos orgânicos RamírezSoto et al 2018 A presença do fungo está frequentemente associada a áreas que são ricas em matéria orgânica onde as condições de temperatura e umidade favorecem seu crescimento Cabeza et al 2022 Especificamente S brasiliensis e outras espécies têm sido isoladas em áreas rurais onde o contato com o solo e a vegetação é comum indicando a importância desses locais como reservatórios Toriello et al 2020 Caus et al 2019 Grisolia et al 2020 O ciclo zoonótico da esporotricose indica que gatos podem contrair a infecção através do contato com solo contaminado ou plantas desempenhando um papel crucial na transmissão da doença para humanos Rabello et al 2022 Mesquita et al 2024 Além disso evidências sugerem que o ambiente em que esses fungos prosperam incluindo fatores ecológicos como clima e umidade pode afetar a virulência e a capacidade de infecção Costa et al 2022 Quando os esporos do fungo entram em contato com feridas na pele geralmente através de atividades como jardinagem ou manipulação de plantas contaminadas o risco de desenvolver esporotricose aumenta Ferreira et al 2016 Barros et al 2011 A identificação das espécies de Sporothrix é complexa e pode depender da origem da amostra seja de solo plantas ou biópsias de animais Rodrigues et al 2015 Estudos aprimorados sobre a ecologia e o isolamento ambiental dessas espécies são essenciais para entender melhor a epidemiologia da esporotricose em áreas hiperendêmicas especialmente em regiões como o Brasil onde a infecção se tornou um problema significativo de saúde pública Rabello et al 2022 Poester et al 2018 Formas de Transmissão A esporotricose pode ser transmitida de diferentes maneiras sendo as mais comuns o contato com solo e plantas contaminadas a arranhadura ou mordedura de gatos infectados e em menor frequência outras formas de contágio O fungo responsável pela doença é encontrado principalmente no solo em detritos orgânicos e em vegetação em decomposição podendo penetrar na pele por meio de pequenas lesões causadas durante atividades como jardinagem ou manuseio de plantas Lima et al 2024 Filho et al 2020 Outra forma importante de transmissão ocorre através de arranhaduras ou mordidas de gatos infectados que são considerados os principais reservatórios do agente etiológico especialmente em áreas urbanas O contato com fluidos corporais desses animais como a saliva também representa risco de infecção Meinerz et al 2007 Vasconcelos et al 2021 Coelho et al 2024 Além disso embora menos comuns existem registros de transmissão por contato direto com lesões infectadas em humanos ou outros animais bem como casos de disseminação por via hematogênica quando o fungo alcança a corrente sanguínea e se espalha para outros órgãos Ribeiro et al 2010 Sousa et al 2024 Manifestações Clínicas e diagnóstico As manifestações clínicas da esporotricose podem ser classificadas em três formas principais A forma cutânea é a mais comum e caracterizase pelo aparecimento de nódulos ou pápulas que podem evoluir para úlceras geralmente apresentando lesões gomosas que acompanham o trajeto dos vasos linfáticos no local da inoculação do fungo Filho et al 2020 Martinelli et al 2022 A forma linfocutânea ocorre quando o agente infeccioso se dissemina pelos linfonodos regionais provocando linfadenopatia e dando origem a múltiplas lesões cutâneas alinhadas ao longo do trajeto linfático Castro et al 2017 Já a forma disseminada apesar de menos frequente é a mais grave e pode atingir diversos órgãos e sistemas representando risco de vida especialmente em indivíduos imunocomprometidos Lima et al 2024 Entre os sintomas mais comuns estão febre perda de peso fadiga e as já mencionadas lesões cutâneas Quando não tratada de forma adequada a infecção pode progredir e se espalhar ocasionando complicações severas como endocardite ou meningite ainda que esses casos sejam raros Falcão et al 2019 Filho et al 2020 O diagnóstico da esporotricose baseiase na associação entre avaliação clínica e exames laboratoriais O exame clínico inicial permite identificar sinais sugestivos da doença como lesões nodulares e pápulas na pele mas não é suficiente para confirmação diagnóstica exigindo complementação com exames específicos MacêdoSales et al 2018 A cultura micológica que permite o isolamento do fungo permanece como o método padrãoouro embora nem sempre apresente resultado positivo e exija condições adequadas para o crescimento do agente etiológico Martinelli et al 2022 A biópsia de tecido acometido também é utilizada especialmente em casos de apresentação atípica podendo revelar a presença de formas leveduriformes do fungo nas lesões Lima et al 2024 Além disso é fundamental realizar o diagnóstico diferencial uma vez que a esporotricose pode ser confundida com outras enfermidades dermatológicas como criptococose leishmaniose e carcinoma espinocelular sendo necessária uma análise laboratorial criteriosa para confirmação do quadro MacêdoSales et al 2018 Filho et al 2020 Tratamento O tratamento da esporotricose em humanos geralmente envolve o uso de antifúngicos sendo o itraconazol o fármaco de primeira linha devido à sua eficácia e segurança Falcão et al 2019 Gremião et al 2020 Estudos mostram que o itraconazol não apenas reduz a carga fúngica mas também melhora os sintomas clínicos rapidamente geralmente em um período de 3 a 6 meses de terapia Gremião et al 2020 Em casos mais severos ou em pacientes com múltiplas comorbidades ou resistência ao tratamento podese considerar o uso de anfotericina B embora sua administração esteja associada a efeitos colaterais significativos e riscos de toxicidade Sheikh et al 2010 Para gatos o tratamento da esporotricose também se baseia em medicamentos antifúngicos como o itraconazol e ocasionalmente a anfotericina B especialmente em casos mais críticos Gremião et al 2020 É fundamental que o tratamento em felinos seja eficaz e precoce para prevenir a propagação da infecção pois os gatos atuam como reservatórios significativos de Sporothrix e são um sério risco para a saúde humana em áreas endêmicas Lucena et al 2023 Guerra et al 2020 A esporotricose infecção fúngica causada principalmente por Sporothrix schenckii apresenta um complexo manejo clínico que abrange tratamento prevenção e controle tanto em humanos quanto em animais particularmente gatos Tratamento O tratamento da esporotricose em humanos geralmente envolve o uso de antifúngicos sendo o itraconazol o fármaco de primeira linha devido à sua eficácia e segurança Falcão et al 2019 Gremião et al 2020 Estudos mostram que o itraconazol não apenas reduz a carga fúngica mas também melhora os sintomas clínicos rapidamente geralmente em um período de 3 a 6 meses de terapia Gremião et al 2020 Em casos mais severos ou em pacientes com múltiplas comorbidades ou resistência ao tratamento podese considerar o uso de anfotericina B embora sua administração esteja associada a efeitos colaterais significativos e riscos de toxicidade Sheikh et al 2010 Para gatos o tratamento da esporotricose também se baseia em medicamentos antifúngicos como o itraconazol e ocasionalmente a anfotericina B especialmente em casos mais críticos Gremião et al 2020 É fundamental que o tratamento em felinos seja eficaz e precoce para prevenir a propagação da infecção pois os gatos atuam como reservatórios significativos de Sporothrix e são um sério risco para a saúde humana em áreas endêmicas Lucena et al 2023Guerra et al 2020 O tempo de tratamento pode variar mas em geral observase que o tratamento em humanos pode se estender por meses necessitando de acompanhamento para monitorar a eficácia e a eventual ocorrência de efeitos adversos Gremião et al 2020 Em felinos a duração do tratamento é similar mas deve ser rigorosamente seguida conforme a avaliação clínica do veterinário Cuidados adicionais incluem o controle da higiene do ambiente e a prevenção de feridas que possam facilitar a infecção durante ou após o tratamento Lucena et al 2023 Prevenção e Controle As formas de prevenção da esporotricose envolvem ações que vão desde cuidados individuais até medidas coletivas voltadas ao controle da transmissão Entre os principais cuidados pessoais e medidas de manejo com animais recomendase o uso de luvas durante o manuseio de terra plantas ou resíduos vegetais a fim de evitar a inoculação do fungo causador da doença além de manter os gatos em ambiente domiciliar indoor e restringir seu acesso à rua para reduzir o risco de contaminação Lucena et al 2023 A higienização adequada das mãos e o uso de equipamentos de proteção individual durante atividades que envolvam contato com solo ou materiais orgânicos também são fundamentais especialmente em ambientes onde existam gatos com histórico da doença Lucena et al 2023 Guerra et al 2020 Outra estratégia importante é o controle populacional de felinos por meio de programas de castração e manejo responsável uma vez que os gatos são os principais transmissores da esporotricose para humanos e outros animais Lucena et al 2023 Além disso ações de educação em saúde são essenciais para a prevenção devendo abranger a conscientização da população sobre formas de transmissão sinais clínicos e a importância do diagnóstico e tratamento precoces além de capacitar profissionais de saúde para a identificação e manejo adequado dos casos Gremião Et Al 2020 Lucena et al 2023 REFERÊNCIAS ANTUNES S CASTILHO B MAURICIO C NOGUEIRA P BARBOSA R Educação ambiental como ação de prevenção à esporotricose LEV v 16 n 46 p 23832392 2025 DOI 1056238levv16n46053 BAO F PAN Q WANG Z LIU H ZHANG F Susceptibility testing of clinical isolates of Sporothrix globosa in Shandong China Mycoses v 63 n 11 p 1191 1194 2020 DOI 101111myc13141 BARROS M PAES R SCHUBACH A Sporothrix schenckii and sporotrichosis Clinical Microbiology Reviews v 24 n 4 p 633654 2011 DOI 101128cmr0000711 CABEZA E et al Clinical and epidemiological characteristics of sporotrichosis in a reference center of Uruguay Journal of Fungi v 8 n 3 p 322 2022 DOI 103390jof8030322 CASTRO N et al Doenças micóticas em gatos no Rio Grande do Sul Pesquisa Veterinária Brasileira v 37 n 11 p 13131321 2017 DOI 101590s0100 736x2017001100019 CAUS A et al Epidemiological and clinical aspects of sporotrichosis in Espírito Santo State southeast Brazil a study of three decades 19822012 American Journal of Tropical Medicine and Hygiene v 100 n 3 p 706713 2019 DOI 104269ajtmh180667 COELHO F SANTOS T ESTANISLAU K PAIXÃO J KNAIP P Associação de itraconazol e iodeto de potássio em tratamento para esporotricose felina refratária relato de caso 2024 DOI 1051161iiiconvet43261 COSTA G et al Soil samples from sporotrichosis transmission belt area searching for fungal species and their antagonistic activity against Sporothrix brasiliensis Frontiers in Cellular and Infection Microbiology v 12 2022 DOI 103389fcimb20221033969 FALCÃO E et al Hospitalizações e óbitos relacionados à esporotricose no Brasil 19922015 Cadernos de Saúde Pública v 35 n 4 2019 DOI 1015900102 311x00109218 FERREIRA L et al Osteomyelitis caused by Sporothrix schenckii in an immunocompetent patient Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical v 49 n 4 p 527529 2016 DOI 1015900037868203542015 FILHO L et al Manejo da esporotricose com uso de itraconazol revisão narrativa management of sporotrichosis with the use of itraconazole narrative review Brazilian Journal of Health Review v 3 n 5 p 1467814689 2020 DOI 1034119bjhrv3n5261 GRAÇA A ALE V Condições físicas e higiênicosanitárias em um abatedouro no interior do Amazonas 2021 DOI 10362299786558661306cap01 GRISOLIA J et al Seroepidemiological survey on sporotrichosis infection in rural areas of the south of Minas Gerais State Brazil Brazilian Journal of Microbiology 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