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Ética Geral e Profissional

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42 vol11 nº1 janjun 2012 especial ética em tempos de crise uma complementaridade entre o setor público e o setor privado em uma eco nomia de mercado No limite da liber dade econômica o liberalismo poderia deixar de lado preocupações sociais sérias em nome do lucro O que teria gerado essa crise São muitas as causas ou interpretações sendo difícil identificálas isoladamen te Erros nas políticas financeiras e econômicas Fragilidade estrutural das instituições políticas econômicas e financeiras Afastamento da ética no conserto de uma economia mundial pautada pelo egoísmo pelo materialis A éticA vive tempos de crise e escândAlos gerAdos mui tAs vezes pelA Ambição do consumo e do prAzer o que é preciso observAr é que não somente As universidAdes e A fAmíliA mAs tAmbém As empresAs Agem como celeiros pArA fomentAr Atitudes mAdurAs e íntegrAs A crise econômica e financeira que assola o mundo atual sugere uma reflexão impor tante para todos sobre princí pios e valores culturais e éticos que sustentam a convivência humana A iniciativa privada não consegue abarcar todos os setores da economia todos os produtos e serviços de que a sociedade necessita O papel do Estado permane ce essencial na solução de problemas em áreas como infraestrutura educa ção e saúde atendimento a pessoas idosas ou portadoras de deficiência entre muitas outras É fundamental a ÉTica eM TeMpOs De cRise Maria CeCilia Coutinho de arruda professora da FGVeaeSP mariaceciliaarrudafgvbr gvexecutivo 43 mo e pelo utilitarismo Erros técnicos imprevisíveis Falta de responsabili dade moral Bolha especulativa sobre crédito e imóveis Excesso de confiança nos produtores empresários investi dores e consumidores Descompasso entre geração de renda e crescimento financeiro consumo e especulação ÉticA e democrAciA Desde que exista ética a iniciativa privada pode buscar solução para mui tas necessidades humanas Quanto mais democrático for o Estado mais fácil será conseguir que a atividade lucrativa seja desenvolvida dentro de padrões morais Os legisladores estabelecerão limites para que o bemestar social prevaleça sobre interesses privados escusos Daí dizerse que onde a ética melhor se acli mata é no regime democrático O cidadão que se vê tratado como pessoa e não como simples indivíduo tende a agir com liberdade e isso é fun damental para a economia de mercado A convicção de que ele pode escolher os bens e serviços de que necessita reduz a sensação de insegurança Esse cidadão transformase livremente em consumi dor dos bens serviços e ideias que entende serem necessários para seu bemestar Ocorre uma mudança gradu al de mentalidade que o faz valorizar a vida de outra maneira incentivo Ético Ao consumo Melhores condições de consumo e bemestar ainda que por vezes ocorram somente no nível subconsciente tornam as pessoas mais felizes e satisfeitas Essa é a meta importante tanto para os gover nos quanto para os empreendedores da iniciativa privada Embora a meta da economia seja o consumo o sentido da vida não se resume aos bens da racionali dade econômicomaterial que satisfazem o exterior O estímulo e o respeito a uma vida interiormente edificante levam ao seu sentido completo aos valores de caráter universal que conduzem o cida dão consumidor do ponto de vista econômico ao seu caminho adequado À medida que aumenta o bemestar parece que muita importância vai sendo atribuída aos valores do prazer especial mente material que levam à superficia lidade Se essa relação de causalidade for real e objetiva o desenvolvimento eco nômico deve ser acompanhado de boa formação moral À medida que mais assalariados se incorporam ao mercado mais produtos e serviços são adquiridos Ao se estabelecerem novos padrões e estilos de vida uma hierarquia de valo res deve ser considerada no planejamen to do consumo Uma educação para o consumo ajudaria a identificar a propor ção ideal de bens imediatos e duradou ros e serviços a serem adquiridos A passagem da pobreza ao bemestar pode acarretar uma visão materialista da vida O equilíbrio econômico facilita a convivência harmônica entre os cidadãos propicia o desenvolvimento de cada um e consequentemente um maior rendimento no trabalho 44 vol11 nº1 janjun 2012 e do mundo que desdiz da característi ca racional do ser humano Convém lembrar que ainda há mais de um bilhão de pessoas sobrevivendo com pouco mais de um dólar por dia Sem dúvida certas técnicas de marketing incrementam o consumo Os líderes de opinião colaboram com as empresas nesse aspecto O desafio dos empresários está justamente em possibilitar e incentivar o consumo sem necessariamente transformar os consumidores em consumistas A racionalidade no processo de compra deve ser estimulada por todos famílias governo empresas organizações não governamentais e outras instituições que prezem seriamente o bemestar integral das pessoas equilíbrio econômico e morAl Como solução existe a proposta de estabelecer uma autoridade suprana cional voltada à busca do bem comum universal que orquestre o crescimen to econômico tanto dos países desen volvidos como das nações ou áreas com grandes desigualdades sociais Tal autoridade teria a função dinâmica de promover um desenvolvimento real a defesa da vida e o crescimento cultural e moral das pessoas Essa transformação farseia com a transferência de uma parte das atribui ções nacionais para tal autoridade cen tral ou correspondentes regionais de modo gradual e equilibrado Certamente ela se realizaria não sem angústias e sofrimentos mas com decisão e magna especial ética em tempos de crise a ÉTica eM TeMpOs De cRise O capitalismo ético levará à busca do lucro com um espírito de construção de uma sociedade em que imperem a liberdade e a paz gvexecutivo 45 nimidade com vistas ao desenvolvi mento integral dos povos e de cada pessoa Assim como a tecnologia e a globalização expandem eou excluem fronteiras um organismo com vocação e competência mundiais apoiado na prerrogativa e no dever de todos e para todos sem discriminações poderia assegurar a construção de uma socieda de comprometida com o bem comum e o próprio futuro Seria a concretização da sustentabilidade tão apregoada e ainda pouco efetiva O equilíbrio econômico facilita a con vivência harmônica entre os cidadãos e entre os povos mas isso não se dá apenas por meio do consumo de bens materiais A transformação deve ocorrer antes ou simultaneamente no âmbito interior de cada pessoa Seu desenvolvimento inte rior será a motivação para o maior rendi mento no trabalho para maior eficiência para maior produtividade Como conse quência sua remuneração tenderá a cres cer e com ela virão mais tempo livre mais descanso mais tranquilidade mais possibilidade de reflexão melhor apro veitamento dos seus dons e talentos renovAção no Ambiente empresAriAl O valor e a atividade da pessoa devem oporse às forças que levam à massificação O sentido de dignidade humana não pode ser perdido em nome do interesse econômico seja do Estado coletivista seja da iniciativa privada malintencionada ou mal con trolada A massificação pode afetar as pessoas tanto por ações do governo como pela força da propaganda por exemplo Daí se compreende o surgi mento de tantas associações de profis sionais que desenvolvem códigos de autorregulamentação O estabeleci mento de limites éticos por iniciativa dos próprios profissionais deveria assegurar de modo livre o sentido de democracia com respeito aos cidadãos A ética empresarial tem um papel fundamental nesse processo O desen volvimento tecnológico o espírito de inovação e o marketing de produtos serviços e ideias poderão contribuir para um novo sentido humano da vida O crescimento econômico que respeite uma hierarquia moral a ordem natural dos valores possibilitará uma visão mais ampla e madura da cultura e do mundo O capitalismo ético levará à busca do lucro com um espírito de construção de uma sociedade em que imperem a liberdade e a paz A integri dade norteará os empreendedores e governantes no sentido de assegurar uma convivência política econômica e social dos povos e nações Onde a ética melhor se aclimata é no regime democrático Saúde Ética Justiça 200813119 Ética origens e distinção da moral Ethics origins and the moral distinction Antônio Macena Figueiredo Figueiredo AM Ética origens e distinção da moral Saúde Ética Justiça 200813119 RESUMO Ética e moral são termos freqüentemente utilizados no cotidiano porém definir o que significam não é tarefa fácil Basta perguntar se existe alguma distinção entre esses vocábulos para constatarmos que as pessoas se vêem em dificuldade ao tentar explicar Este artigo tem como objetivo apresentar alguns esclarecimentos teóricofilosóficos sobre a origem das divergências conceituais Parte de uma breve revisão sobre as origens etimológicas dos termos ethos e mos São apresentados os diversos sentidos em que esses vocábulos podem ser empregados conceitos utilizados e finaliza com uma reflexão sobre a compreensão da ética como ciência específica ou como ramo de estudo da filosofia DESCRITORES Ética Moral Virtudes Valores sociais 1 INTRODUÇÃO Aristóteles que viveu entre os anos de 384322 aC já afirmava que o homem é um animal político o que remete à sua natureza social Um século antes dessa afirmação Heródoto historiador grego e Sófocles um dos mais importantes escritores da tragédia também já afirmavam que o homem sem a polis cidadeEstado na Grécia antiga teria um destino trágico pois embora seja um ser independente sua existência só teria sentido com a convivência social1 Fora do ambiente social a existência do homem será sempre uma abstração pois é dele que ele retira os meios de aprimoramento da vida coletiva quer material moral ou ético Já dizia Aristóteles em sua Ética a Nicômaco que a ética nos ensina a viver ela para ser vivida é práxis e não propriamente theoria ou póesis Desse ensinamento se deduz que ética se instala em solo moral uma vez que ela se depara com uma experiência históricosocial no terreno da moral Daí a primeira definição Ética Doutorando em Ciências da Saúde UnBDF Mestre em Educação Advogado Enfermeiro Especialista em Ética Aplicada e Bioética Fiocruz Professor de Ética Profissional da Universidade Federal Fluminense UFF Prof do Curso de Especialização em Direito Médico e de atualização em Perícias Médicas da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro UERJ Presidente da Associação de Direito Médico e da Saúde do Estado do Rio de Janeiro ADIMESRJ Membro da Comissão de Bioética e Biodireito da Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro OABRJ Membro da Sociedade Brasileira de Bioética BrasíliaDF ENDEREÇO PARA CONTATO SGAN Q 912 Mod C apt 07 Cep 70740120 BrasíliaDF Email macenasounbbr macenasoyahoocombr Figueiredo AM Ética origens e distinção da moral ou filosofia da moral pode ser conceituada como a parte da filosofia que se ocupa com a reflexão a respeito dos fundamentos da vida moral2 Mas o legado histórico desse conceito vem de longe data de aproximadamente 500 a 300 anos aC época considerada como o período áureo do pensamento grego Foi nesse período que surgiram muitas idéias e definições teóricas sobre a ética que até hoje fundamentam os conceitos históricosociais no campo da moral Pensadores como Sócrates Platão e Aristóteles foram os responsáveis pela análise e reflexão sobre o agir do homem3 A reflexão grega neste campo surgiu de uma pesquisa a respeito da natureza do bem moral na busca de um princípio absoluto de conduta3 Embora se tenha atribuído a Sócrates o início dessa reflexão a primeira apresentação sistemática da Ética encontrase em Aristóteles Foi ele quem primeiro formulou os princípios da ação humana acerca da diferença entre o conhecimento teórico e o prático Formulou a maior parte dos problemas que mais tarde passaram a ocupar a atenção dos filósofos morais relação entre as normas e os bens relação entre a ética individual e a social classificação das virtudes exames da relação entre a vida teórica e a vida prática dentre outros Seguindo Aristóteles muitas escolas como por exemplo a Cínica palavra originada do nome do ginásio Cinosargo de Atenas e em parte a Estóica ocuparamse de estudar principalmente os fundamentos da vida moral do ponto de vista filosófico Uma das principais obras de Aristóteles foi A ética de Nicômaco Esse tratado é reconhecido como uma das obrasprimas da filosofia moral Nele é apresentada a questão fundamental de toda a investigação ética ao se questionar qual o fim último de todas as atividades humanas Supondo Aristóteles que toda arte e investigação e igualmente toda ação e todo propósito parecem ter em mira um bem qualquer por isso foi dito não sem razão que o bem é aquilo a que todas as coisas visam4 Nesse entendimento deduzse que a ética serve para conduzir as ações humanas a respeito das boas ações virtudes ou das nãoéticas às más vícios Pela forma de aquisição das virtudes Aristóteles as classifica em intelectuais conhecimento teórico resultante do ensino e morais conhecimento prático adquirido pelos hábitos Daí define a ética como Ética ἠθικός significa ciência dos costumes ηθος4 Desse contexto extraíramse as primeiras divergências entre os significados de ética e moral a começar pela suas origens etimológicas e pelos vários sentidos que podem ser atribuídos a esses termos 2 ÉTICA Toda discussão sobre ética sempre se inicia pela revisão de suas origens etimológicas e pela sua distinção ou sinonímia com o termo moral Justificase a necessidade de explicitar a origem do termo ethos uma vez que é de sua raiz primitiva que iremos encontrar as respostas para as ambigüidades terminológicas e imprecisões conceituais A palavra ethos expressa a existência do mundo grego que permanece presente na nossa cultura Esse vocábulo deriva do grego ethos Nessa língua possui duas grafias ηθος êthos e εθός éthos Essa dupla grafia não é gratuita pois reúne uma diversidade de significados que ao longo do tempo distanciaramse do seu sentido original5 Considerando que normalmente os autores não costumam apresentar os significados desses termos em suas origens antes de adentrarmos nos conceitos de ética e moral passaremos uma breve vista em suas origens uma vez que as controvérsias sobre o que se entende por ética devemse em grande parte aos diversos significados da palavra primitiva ethos e à sua tradução para o latim mos Esses dois termos podem ser entendidos em três sentidos morada ou abrigo caráter ou índole e hábitos ou costumes a O termo grego ηθος êthos quando escrito com eta η inicial possui dois sentidos morada caráter ou índole O primeiro sentido é de proteção É o sentido mais antigo da palavra Significa morada abrigo e lugar onde se habita Usavase primeiramente na poesia grega com referência aos pastos e abrigos onde os animais habitavam e se criavam Mais tarde aplicouse aos povos e aos homens no sentido de seu país Depois por extensão à morada do próprio homem6 isto é referese a uma habitação que é íntima e familiar é o lar um lugar onde o homem vive É o lugar onde é mais provável de se encontrar o eu real Ele representa aquilo que faz uma pessoa um indivíduo sua disposição seus hábitos seu comportamento e suas características Saúde Ética Justiça 200813119 Figueiredo AM Ética origens e distinção da moral Nesse sentido cada um tem sua própria ética É isso mais que os acidentes e incidentes da vida que o diferencia de todos os demais7 O segundo significado da palavra éthos assume uma concepção histórica a partir de Aristóteles Representa o sentido mais comum na tradição filosófica do Ocidente Este sentido interessa à ética em particular por estar mais próximo do que se pode começar a entender por ética Étthos significa modo de ser ou caráter Mas esse vocábulo apresenta um sentido bem mais amplo em relação ao que damos à palavra ética O ético compreende antes de tudo as disposições do homem na vida seu caráter seus costumes e naturalmente também a sua moral Na realidade poderia se traduzir como uma forma de vida no sentido preciso da palavra isto é diferenciandose da simples maneira de ser6 Entretanto é preciso ter certo cuidado com o uso da palavra caráter pois ela pode ter uma conotação filosófica um sentido psicológico e outro restritamente moral É este último que interessa à ética O caráter segundo Heráclito de Éfeso séc VIV aC é o conjunto definido de traços comportamentais e afetivos de um indivíduo persistentes o bastante para determinar o seu destino8 Para Kant 17241804 o caráter é entendido de acordo com a sua definição de causa quer dizer uma lei da causalidade sob a qual as ações estariam ligadas integralmente9 Por outro lado pode significar também o conjunto de traços psicológicos eou morais positivos ou negativos que caracterizam um indivíduo ou um grupo10 Em sentido psicológico caráter é o conjunto de qualidades psíquicas e afetivas que intervêm na conduta de uma pessoa e a distinguem das demais o que também chamamos de personalidade10 Referese ao conjunto dos traços particulares ao seu modo de ser à sua índole e ao seu temperamento Traços que estão mais ligados à estrutura biológica propriamente dita ou seja aquilo que é herdado mais pela natureza páthos do que é inato do que os traços individuais adquiridos com a adaptação ao meio social Mas não é essa acepção da palavra que interessa à ética Interessa o caráter em seu sentido estritamente moral isto é a disposição fundamental de uma pessoa diante da vida seu modo de ser estável do ponto de vista dos hábitos morais disposição atitudes virtudes e vícios que a marcam que a caracterizam e lhe conferem a índole peculiar que a distingue dos demais10 Referese ao conjunto das qualidades boas ou más de um indivíduo resultante do progressivo exercício na vida coletiva É esse caráter não no sentido biológico ou psicológico senão no modo de ser ou forma de vida que vai adquirindo apropriando incorporando ao longo de toda uma existência que está associado à ética6 Esse modo de ser apresenta uma dupla dimensão de permanência e de dinamismo O núcleo de nossa identidade pessoal é o produto das opções morais que vamos fazendo em nossa biografia Essas opções vão conformando nossa fisionomia moral a classe de pessoas que somos nossa índole moral ou seja a disposição para nos deixar mover por uns motivos e não por outros10 Diante das dificuldades de interpretação do conteúdo semântico da palavra ethos não é sem motivo que os autores costumam simplificar Definem a ética como sendo uma palavra derivada do grego ethos que significa modo de ser ou caráter enquanto forma de vida adquirida ou conquistada pelo homem11 Ou então a ética é derivado do grego ethikos aquilo que se relaciona com o ethos ou caráter12 b O segundo termo grego εθός éthos quando escrito com épsilon ε inicial é traduzido por hábitos ou costumes10 Este é o éthos social Significa hábitos costumes tradições Referese aos atos concretos e particulares por meio dos quais as pessoas realizam seu projeto de vida Este sentido também interessa à ética uma vez que o caráter moral vai se formando precisamente mediante as opções particulares que fazemos em nossa vida cotidiana10 De maneira que é a força das tradições quem forma a identidade de uma sociedade Reciproca mente os hábitos constituem o princípio intrínseco dos atos Conforme diz Aranguren6 parece haver um círculo éthoshábitosatos Assim se compreende como é preciso resumir as duas variantes da acepção usual de éthos estas sendo os princípios dos atos e aquele o seu resultado Ethos é o caráter χαρακτη cunhado impresso na alma por hábitos6 Esta tensão segundo Aranguren6 sem contradição entre éthos como caráter e éthos como hábitos definiria o âmbito conceitual da idéia central da ética Razão pela qual tanto na concepção Saúde Ética Justiça 200813119 Figueiredo AM Ética origens e distinção da moral clássica quanto na moderna a ética ocupase constantemente dos atos morais e dos hábitos no sentido de virtudes e vícios As virtudes podem ser classificadas pela forma de aquisição intelectuais e morais As virtudes intelectuais são resultados do ensino são muito artificiais por isso precisam de experiências e tempo para formar o caráter As virtudes morais são adquiridas pelo hábito costumes ou experiência Não são inatas são adquiridas pelo exercício da práxis com o convívio social ou seja com a disposição de viver com ou conviver com os outros Sobre a distinção entre virtudes e vícios explica Korte que as virtudes são as idéias ou razões positivas que trazem melhores resultados ao passo que os vícios são os portadores dos insucessos e dos resultados negativos Enquanto atuo seja de acordo com virtudes ou vícios procedo eticamente Mas e aí vem o fundamento da explicação se os costumes mores indicam a prática da virtude e eu pratico o vício eu estou agindo contra a moral mas a rigor não estou agindo contra a Ética mas contra as regras que me são recomendadas pelos conhecimentos trazidos pela Ética Por isso a ética pode ser entendida como a ciência da reta ordenação dos atos humanos desde os últimos princípios da razão kathein Estamos portanto diante de uma ciência prática que trata de atos práticos É a razão da filosofia da prática É a forma que configura a matéria atos humanos Por isso é importante saber que a ética não se ocupa do irracional como sugerem algumas interpretações senão do racional prático tentando saber o específico da moral em sua razão filosófica Isto é a razão das escolhas de uma determinada conduta e os fundamentos da tomada de decisão Dessa concepção e do entendimento de que ações humanas podem ser abordadas por uma perspectiva psicológica biológica ou filosófica deduzse que a ética se ocupa da reflexão filosófica relativa à conduta humana sob o prisma dos atos morais Ela vai examinar a natureza dos valores morais e a possibilidade de justificar seu uso na apreciação e na orientação de nossas ações nas nossas vidas e nas nossas instituições A ética estuda as relações entre o indivíduo e o contexto em que está situado Ou seja entre o que é individualizado e o mundo a sua volta mundo moral Procura enunciar e explicar as regras sobre as quais se fundamenta a ação humana ou razão pela qual se deve fazer algo normas leis e princípios que regem os fenômenos éticos São fenômenos éticos todos os acontecimentos que ocorrem nas relações entre o indivíduo e o seu contexto A ética filosófica como compreende Cubelles é uma metalinguagem que fala da práxis humana tentando descobrir a razão pela qual se deve fazer algo considerando os valores morais estabelecidos em cada sociedade 3 MORAL E ÉTICA Outra discussão de relevo é sobre a distinção entre ética e moral Instalase aqui uma verdadeira confusão entre as similitudes e diferenças a começar pelas definições dos dicionários de filosofia Quanto à origem do termo de acordo com o dicionário de filosofia de J Ferrater Morais a moral deriva de ἠθός costumes do mesmo modo que a ética de ἠθός Por vezes a ética e a moral são usadas indistintamente como disse Cícero de fato 11 Por isso esse vocábulo é algumas vezes utilizado como sinônimo de ética Entretanto usase a palavra moral mais freqüentemente para designar códigos condutas e costumes de indivíduos ou de grupos como acontece quando se fala da moral de uma pessoa ou de um povo Aí é o equivalente da palavra grega ethos e da latina mores Segundo o dicionário de filosofia de Nicola Abbagnano o termo moral apresenta dois sentidos o primeiro deriva do lat Moralia in Morals fr Morale it Morale significa o mesmo que Ética Objeto da ética conduta dirigida ou disciplinada por normas conjunto dos mores Neste significado a palavra é usada nas seguintes expressões M dos primitivos M contemporânea etc No segundo sentido deriva lat Moralis in Moral Este adjetivo tem em primeiro lugar os dois significados correspondentes ao substantivo moral 1º atinente à doutrina ética 2º atinente à conduta e portanto suscetível de avaliação M especialmente de avaliação M positiva Assim não só se fala de atitude M para indicar uma atitude moralmente valorável mas também coisas positivamente valoráveis ou seja boas Não é sem motivo que Coimbra afirma que ética e moral são sinônimos de origens distintas que em si uma é a mesma coisa isto é possuem os mesmos sentidos Por isso Tugendhat argumenta que não se pode tirar nenhuma conclusão do que se pode entender por ética e moral a partir das origens das palavras De fato etimologicamente esses termos possuem idênticos conteúdos semânticos Razão pela qual muitas vezes são empregados no cotidiano indistintamente As razões dessas divergências encontramse sem dúvida nas origens das palavras sobre as quais passaremos em revista para depois apresentar alguns conceitos extraídos da literatura especializada O que ocorreu No latim não existia uma palavra para traduzir o êthos nem tampouco outra para representar o sentido do termo éthos dado na língua grega Então na essência esta distinção foi perdida Ambas foram traduzidas por mos ou mores plural de mos do qual vem o termo moralis pois era a palavra que mais se aproximava do sentido de ethos que nessa língua pode significar tanto costumes como caráter ou gênero de vida Assim em latim o mos passou a significar tanto o moco êthos morada caráter índole como eo éthos hábitos costumes costumes e hábitos Está aqui a origem de toda a confusão acerca do conteúdo semântico dos termos e por conseguinte a sinonímia ou distinção dos sentidos que se atribui ao uso das palavras ética e moral Entretanto este não é o único critério para se determinar o significado das palavras pois assim como as línguas evoluem segundo a sua cultura as palavras podem adquirir significados distintos de acordo com o sentido em que são empregadas Além da dimensão semântica dos vocábulos e das expressões há uma dimensão pragmática visto que uma mesma palavra pode assumir significados diferentes num determinado contexto sóciocultural Sobre esse aspecto é preciso aterse ao processo de evolução do sentido do termo como forma de conhecer não apenas o seu significado isolado mas sobretudo os vários sentidos em que pode ser utilizado numa dada cultura Logo questionar acerca do que se deve entender por ética ou moral considerando apenas o conteúdo semântico dos termos não é o único recurso de análise para se formularem significados conceito ou definições Deixando um pouco de lado o esforço de se tentar deduzir uma definição exclusivamente a partir dos signos vejamos as diversas maneiras de utilizar o termo moral e por sua vez de se chegar a um conceito correspondente ao contexto cultural A palavra moral segundo Aranguren possui diferentes sentidos com referência direta ao comportamento humano e à sua classificação como moral ou ao seu contrário imoral como parte da filosofia filosofia moral Moral também escrita com maiúscula quando se ocupa do comportamento humano no que se refere a bem ou mal Segundo Martinez o termo moral é utilizado atualmente de maneira distinta Assim como ocorreu com os significados de ethos essa multiplicidade de usos também deu lugar a alguns malentendidos Para essa autora algumas vezes o termo moral é empregado como substantivo e outras vezes como adjetivo Como substantivo pode ser empregado em quatro situações 1 Quando o termo moral for grafado com minúscula e estiver precedido do artigo definido feminino a moral referese ao conjunto de princípios preceitos comandos proibições normas de conduta valores e ideais de vida boa que em seu conjunto é constituído por um grupo humano concreto em uma determinada época histórica Nesta acepção a moral representa um modelo ideal de boa conduta socialmente estabelecida pela sociedade 2 Quando a palavra moral é usada para fazer referência ao código pessoal de alguém Por exemplo quando se diz que fulano possui uma moral muito rígida ou quando se diz beltrano carece de moral estamos falando de um código moral que guia os atos de uma pessoa concreta ao longo de sua vida É o conjunto de convicções e pautas de conduta que costuma constituir a base para os juízos morais que cada um faz das outras pessoas e de si mesmo 3 Usase o termo moral com maiúscula Moral para referirse a uma ciência que trata do bem em geral das ações humanas marcadas pela bondade ou pela malícia A rigor esta ciência não existe O que existe é uma variedade de doutrinas como por exemplo a Moral católica protestante islâmica budista marxista etc Fazendo um parêntese lembramos que somente a ética na qualidade de disciplina filosófica ciência da moral possui teorias éticas diferentes e até opostas pois há uma distinção entre uma doutrina e uma teoria enquanto a doutrina trata de sistematizar um conjunto concreto de princípios normas preceitos e valores as teorias constituem uma tentativa de explicar um fato As teorias representam um pensamento baseado num dado contexto histórico de uma época sob o qual se fundamenta a vida moral concreta 4 Quando a palavra moral se refere a expressões que a utilizam no masculino tais como ter o moral elevado ou estar com o moral alto e outras semelhantes moral tornase sinônimo de boa disposição do espírito ter força coragem suficiente para enfrentar com dignidade os desafios que a vida nos apresenta Essa acepção tem um profundo significado filosófico pois a moral não é apenas um saber nem um dever mas sobretudo uma atitude e um caráter Com referência ao uso da palavra moral como adjetivo a maioria das expressões está relacionada com a Ética Neste caso há duas situações em que aparece como adjetivo 1 Moral como oposto a imoral Termo usado como termo valorativo de reprovação Esse uso pressupõe a existência de algum código moral que serve de referência para emitir um juízo moral Referese a uma conduta contrária às regras morais vigentes numa dada cultura 2 Moral como oposto a amoral Termo usado para se referir a uma ação que não tem relação com a moralidade A conduta dos animais por exemplo não tem nenhuma relação com a moralidade pois pressupõe que estes não são responsáveis por seus atos Ao passo que os seres humanos atingiram um desenvolvimento completo e na medida em que tornamse senhores de seus atos têm uma conduta moral Amoral portanto referese à ação atitude estado ou caráter que não é nem moral nem imoral ie que é exterior à esfera da moral Desses exemplos é possível deduzir que para a compreensão do que se deve entender por moral as respostas não serão encontradas na origem do termo exclusivamente pois os costumes ou a cultura de um povo antecedem as suas origens terminológicas Os costumes são partes indissociáveis da identidade de um povo num dado contexto histórico Neste contexto e da análise pragmática de como as palavras adquirem vários sentidos é que se poderá extrair um conceito mais apropriado ao seu uso Os termos ética e moral foram utilizados ao longo da história com diversos significados e com relações distintas entre si Houve ocasiões em que os significados mudaram completamente Jürgen Habermas por exemplo com base em conceitos da tradição hegelianomarxista utiliza os termos eticidade e moralidade com significados novos reservando a moralidade ao abstrato e universal e a eticidade à concreção no mundo da moralidade da vida Assim como o termo ethos possui significados ambíguos a palavra moral também pode ser empregada com sentidos diversos Se olharmos o conceito de moral nos dicionários da língua portuguesa notaremos que existe alguma distinção conceitual significativa Segundo o dicionário Houaiss Moral denota bons costumes boa conduta segundo os preceitos socialmente estabelecidos pela sociedade ou por determinado grupo social Cada um dos sistemas de leis e valores estudados pela ética disciplina autônoma da filosofia caracterizados por organizarem a vida das múltiplas comunidades humanas diferenciando e definindo comportamentos proscritos desaconselhados permitidos ou ideais Observase que o segundo conceito menciona que o sistema de leis referindose a regras ou normas sociais e valores são estudados pela ética Daí a diferença entre os dois termos A Ética significa Ciência da moral quer dizer ética seria a construção intelectual organizada pela mente humana sobre a moral Esta seria pois o seu objeto O entendimento clássico de ética era o do estudo filosófico dos fundamentos dos princípios dos deveres e dos demais elementos da vida moral Ou seja tratase da teoria filosófica sobre a moralidade O termo moral aplicase pelo contrário à consideração prática dos casos concretos isto é para designar a arte de aplicar a teoria filosófica a ética aos problemas concretos da vida moral Desse modo não é apenas do significado restrito de um termo dissociado da cultura que se extrai um conceito mais exato Claro que a discussão deve sempre começar pela análise lingüística pois é a partir do significado primitivo que se extraem os primeiros significados Mas afinal o que entendemos por moral A moral referese quer aos costumes quer às regras de conduta admitidas numa sociedade determinada Portanto um fato moral é aceito para um tipo de sociedade de acordo com a sua tradição ou realidade cultural A realidade moral neste sentido vai se referir ao conjunto desses costumes e Saúde Ética Justiça 200813119 4 Figueiredo AM Ética origens e distinção da moral mesmos sentidos Por isso Tugendhat argumenta que não se pode tirar nenhuma conclusão do que se pode entender por ética e moral a partir das origens das palavras De fato etimologicamente esses termos possuem idênticos conteúdos semânticos Razão pela qual muitas vezes são empregados no cotidiano indistintamente As razões dessas divergências encontramse sem dúvida nas origens das palavras sobre as quais passaremos em revista para depois apresentar alguns conceitos extraídos da literatura especializada O que ocorreu No latim não existia uma palavra para traduzir o êthos nem tampouco outra para representar o sentido do termo éthos dado na língua grega Então na essência esta distinção foi perdida Ambas foram traduzidas por mos ou mores plural de mos do qual vem o termo moralis pois era a palavra que mais se aproximava do sentido de ethos que nessa língua pode significar tanto costumes como caráter ou gênero de vida Assim em latim o mos passou a significar tanto o moco êthos morada caráter índole como eo éthos hábitos costumes costumes e hábitos Está aqui a origem de toda a confusão acerca do conteúdo semântico dos termos e por conseguinte a sinonímia ou distinção dos sentidos que se atribui ao uso das palavras ética e moral Entretanto este não é o único critério para se determinar o significado das palavras pois assim como as línguas evoluem segundo a sua cultura as palavras podem adquirir significados distintos de acordo com o sentido em que são empregadas Além da dimensão semântica dos vocábulos e das expressões há uma dimensão pragmática visto que uma mesma palavra pode assumir significados diferentes num determinado contexto sóciocultural Sobre esse aspecto é preciso aterse ao processo de evolução do sentido do termo como forma de conhecer não apenas o seu significado isolado mas sobretudo os vários sentidos em que pode ser utilizado numa dada cultura Logo questionar acerca do que se deve entender por ética ou moral considerando apenas o conteúdo semântico dos termos não é o único recurso de análise para se formularem significados conceito ou definições Deixando um pouco de lado o esforço de se tentar deduzir uma definição exclusivamente a partir dos signos vejamos as diversas maneiras de utilizar o termo moral e por sua vez de se chegar a um conceito correspondente ao contexto cultural A palavra moral segundo Aranguren possui diferentes sentidos com referência direta ao comportamento humano e à sua classificação como moral ou ao seu contrário imoral como parte da filosofia filosofia moral Moral também escrita com maiúscula quando se ocupa do comportamento humano no que se refere a bem ou mal Segundo Martinez o termo moral é utilizado atualmente de maneira distinta Assim como ocorreu com os significados de ethos essa multiplicidade de usos também deu lugar a alguns malentendidos Para essa autora algumas vezes o termo moral é empregado como substantivo e outras vezes como adjetivo Como substantivo pode ser empregado em quatro situações 1 Quando o termo moral for grafado com minúscula e estiver precedido do artigo definido feminino a moral referese ao conjunto de princípios preceitos comandos proibições normas de conduta valores e ideais de vida boa que em seu conjunto é constituído por um grupo humano concreto em uma determinada época histórica Nesta acepção a moral representa um modelo ideal de boa conduta socialmente estabelecida pela sociedade 2 Quando a palavra moral é usada para fazer referência ao código pessoal de alguém Por exemplo quando se diz que fulano possui uma moral muito rígida ou quando se diz beltrano carece de moral estamos falando de um código moral que guia os atos de uma pessoa concreta ao longo de sua vida É o conjunto de convicções e pautas de conduta que costuma constituir a base para os juízos morais que cada um faz das outras pessoas e de si mesmo 3 Usase o termo moral com maiúscula Moral para referirse a uma ciência que trata do bem em geral das ações humanas marcadas pela bondade ou pela malícia A rigor esta ciência não existe O que existe é uma variedade de doutrinas como por exemplo a Moral católica protestante islâmica budista marxista etc Fazendo um parêntese lembramos que somente a ética na qualidade de disciplina filosófica ciência da moral possui teorias éticas diferentes e até opostas pois há uma distinção entre uma doutrina e uma teoria enquanto a doutrina trata de sistematizar um conjunto concreto de princípios normas preceitos e valores as teorias constituem uma tentativa de explicar um fato As teorias representam um pensamento baseado num dado contexto histórico de uma época sob o qual se fundamenta a vida moral concreta 4 Quando a palavra moral se refere a expressões que a utilizam no masculino tais como ter o moral elevado ou estar com o moral alto e outras semelhantes moral tornase sinônimo de boa disposição do espírito ter força coragem suficiente para enfrentar com dignidade os desafios que a vida nos apresenta Essa acepção tem um profundo significado filosófico pois a moral não é apenas um saber nem um dever mas sobretudo uma atitude e um caráter Com referência ao uso da palavra moral como adjetivo a maioria das expressões está relacionada com a Ética Neste caso há duas situações em que aparece como adjetivo 1 Moral como oposto a imoral Termo usado como termo valorativo de reprovação Esse uso pressupõe a existência de algum código moral que serve de referência para emitir um juízo moral Referese a uma conduta contrária às regras morais vigentes numa dada cultura 2 Moral como oposto a amoral Termo usado para se referir a uma ação que não tem relação com a moralidade A conduta dos animais por exemplo não tem nenhuma relação com a moralidade pois pressupõe que estes não são responsáveis por seus atos Ao passo que os seres humanos atingiram um desenvolvimento completo e na medida em que tornamse senhores de seus atos têm uma conduta moral Amoral portanto referese à ação atitude estado ou caráter que não é nem moral nem imoral ie que é exterior à esfera da moral Desses exemplos é possível deduzir que para a compreensão do que se deve entender por moral as respostas não serão encontradas na origem do termo exclusivamente pois os costumes ou a cultura de um povo antecedem as suas origens terminológicas Os costumes são partes indissociáveis da identidade de um povo num dado contexto histórico Neste contexto e da análise pragmática de como as palavras adquirem vários sentidos é que se poderá extrair um conceito mais apropriado ao seu uso Os termos ética e moral foram utilizados ao longo da história com diversos significados e com relações distintas entre si Houve ocasiões em que os significados mudaram completamente Jürgen Habermas por exemplo com base em conceitos da tradição hegelianomarxista utiliza os termos eticidade e moralidade com significados novos reservando a moralidade ao abstrato e universal e a eticidade à concreção no mundo da moralidade da vida Assim como o termo ethos possui significados ambíguos a palavra moral também pode ser empregada com sentidos diversos Se olharmos o conceito de moral nos dicionários da língua portuguesa notaremos que existe alguma distinção conceitual significativa Segundo o dicionário Houaiss Moral denota bons costumes boa conduta segundo os preceitos socialmente estabelecidos pela sociedade ou por determinado grupo social Cada um dos sistemas de leis e valores estudados pela ética disciplina autônoma da filosofia caracterizados por organizarem a vida das múltiplas comunidades humanas diferenciando e definindo comportamentos proscritos desaconselhados permitidos ou ideais Observase que o segundo conceito menciona que o sistema de leis referindose a regras ou normas sociais e valores são estudados pela ética Daí a diferença entre os dois termos A Ética significa Ciência da moral quer dizer ética seria a construção intelectual organizada pela mente humana sobre a moral Esta seria pois o seu objeto O entendimento clássico de ética era o do estudo filosófico dos fundamentos dos princípios dos deveres e dos demais elementos da vida moral Ou seja tratase da teoria filosófica sobre a moralidade O termo moral aplicase pelo contrário à consideração prática dos casos concretos isto é para designar a arte de aplicar a teoria filosófica a ética aos problemas concretos da vida moral Desse modo não é apenas do significado restrito de um termo dissociado da cultura que se extrai um conceito mais exato Claro que a discussão deve sempre começar pela análise lingüística pois é a partir do significado primitivo que se extraem os primeiros significados Mas afinal o que entendemos por moral A moral referese quer aos costumes quer às regras de conduta admitidas numa sociedade determinada Portanto um fato moral é aceito para um tipo de sociedade de acordo com a sua tradição ou realidade cultural A realidade moral neste sentido vai se referir ao conjunto desses costumes e Saúde Ética Justiça 200813119 5 Figueiredo AM Ética origens e distinção da moral uma tentativa de explicar um fato As teorias representam um pensamento baseado num dado contexto histórico de uma época sob o qual se fundamenta a vida moral concreta 4 Quando a palavra moral se refere a expressões que a utilizam no masculino tais como ter o moral elevado ou estar com o moral alto e outras semelhantes moral tornase sinônimo de boa disposição do espírito ter força coragem suficiente para enfrentar com dignidade os desafios que a vida nos apresenta Essa acepção tem um profundo significado filosófico pois a moral não é apenas um saber nem um dever mas sobretudo uma atitude e um caráter Com referência ao uso da palavra moral como adjetivo a maioria das expressões está relacionada com a Ética Neste caso há duas situações em que aparece como adjetivo 1 Moral como oposto a imoral Termo usado como termo valorativo de reprovação Esse uso pressupõe a existência de algum código moral que serve de referência para emitir um juízo moral Referese a uma conduta contrária às regras morais vigentes numa dada cultura 2 Moral como oposto a amoral Termo usado para se referir a uma ação que não tem relação com a moralidade A conduta dos animais por exemplo não tem nenhuma relação com a moralidade pois pressupõe que estes não são responsáveis por seus atos Ao passo que os seres humanos atingiram um desenvolvimento completo e na medida em que tornamse senhores de seus atos têm uma conduta moral Amoral portanto referese à ação atitude estado ou caráter que não é nem moral nem imoral ie que é exterior à esfera da moral Desses exemplos é possível deduzir que para a compreensão do que se deve entender por moral as respostas não serão encontradas na origem do termo exclusivamente pois os costumes ou a cultura de um povo antecedem as suas origens terminológicas Os costumes são partes indissociáveis da identidade de um povo num dado contexto histórico Neste contexto e da análise pragmática de como as palavras adquirem vários sentidos é que se poderá extrair um conceito mais apropriado ao seu uso Os termos ética e moral foram utilizados ao longo da história com diversos significados e com relações distintas entre si Houve ocasiões em que os significados mudaram completamente Jürgen Habermas por exemplo com base em conceitos da tradição hegelianomarxista utiliza os termos eticidade e moralidade com significados novos reservando a moralidade ao abstrato e universal e a eticidade à concreção no mundo da moralidade da vida Assim como o termo ethos possui significados ambíguos a palavra moral também pode ser empregada com sentidos diversos Se olharmos o conceito de moral nos dicionários da língua portuguesa notaremos que existe alguma distinção conceitual significativa Segundo o dicionário Houaiss Moral denota bons costumes boa conduta segundo os preceitos socialmente estabelecidos pela sociedade ou por determinado grupo social Cada um dos sistemas de leis e valores estudados pela ética disciplina autônoma da filosofia caracterizados por organizarem a vida das múltiplas comunidades humanas diferenciando e definindo comportamentos proscritos desaconselhados permitidos ou ideais Observase que o segundo conceito menciona que o sistema de leis referindose a regras ou normas sociais e valores são estudados pela ética Daí a diferença entre os dois termos A Ética significa Ciência da moral quer dizer ética seria a construção intelectual organizada pela mente humana sobre a moral Esta seria pois o seu objeto O entendimento clássico de ética era o do estudo filosófico dos fundamentos dos princípios dos deveres e dos demais elementos da vida moral Ou seja tratase da teoria filosófica sobre a moralidade O termo moral aplicase pelo contrário à consideração prática dos casos concretos isto é para designar a arte de aplicar a teoria filosófica a ética aos problemas concretos da vida moral Desse modo não é apenas do significado restrito de um termo dissociado da cultura que se extrai um conceito mais exato Claro que a discussão deve sempre começar pela análise lingüística pois é a partir do significado primitivo que se extraem os primeiros significados Mas afinal o que entendemos por moral A moral referese quer aos costumes quer às regras de conduta admitidas numa sociedade determinada Portanto um fato moral é aceito para um tipo de sociedade de acordo com a sua tradição ou realidade cultural A realidade moral neste sentido vai se referir ao conjunto desses costumes e Saúde Ética Justiça 200813119 6 REFERÊNCIAS 1 Stone IF O julgamento de Sócrates Henriques Britto São Paulo Companhia das Letras 2005 p128 2 Cotrim G Fundamentos da filosofia história e grandes temas São Paulo Saraiva 1998 p 243303 3 Valls AL O que é ética 8a ed São Paulo Brasiliense 1994 p721 4 Aristóteles A ética de Nicômaco Tradução de Cássio M Fonseca 2a ed São Paulo Atena 1944 v 33 p916 5 Cubelles SC Compêndio de ética filosófica e história de la ética Valência Edicep 2002 p167 6 Aranguren JLL Ética 5a ed Madri Seleta 1972 p2456 7 Nicolescu B et al Educação e transdisciplinaridade São Paulo UNESCO USPEscola do Futuro CESP 2000 p56 8 Houaiss A Dicionário Houaiss da língua portuguesa Rio de Janeiro Objetiva 2001 p6201958 9 Lalande A Vocabulário técnico e crítico da filosofia São Paulo Martins Fontes 1999 p136703 10 Ferrer JJ Ávarez JC Para fundamentar a bioética teorias e paradigmas teóricos na bioética contemporânea São Paulo Loyola 2005 p 256713630 11 Vázquez AS Ética 14a ed Rio de Janeiro Civilização Brasileira 1993 p1449521612235243 12 Palmer M Problemas morais em medicina São Paulo Loyola 2002 p15 13 Korte G Iniciação à ética São Paulo Editora Juarez de Oliveira 1999 p164115 14 Skorupski J Ética In TsuiJames EP Nicholas B organizadores Compêndio de filosofia São Paulo Loyola 2002 p196 15 Mora JF Dicionário de filosofia São Paulo Loyola 2005 T2 EJ p 211 16 Runes DD Dicionário de filosofia Lisboa Presença 1990 p26429 17 Abbagnano N Dicionário de filosofia 5a ed São Paulo Martins Fontes 2007 p795 18 Coimbra JAA Fronteiras da ética São Paulo Senac 2002 p75 19 Tugendhat E Lições sobre ética 5a ed Petrópolis Vozes 1997 20 Aranguren JLL Propuestas morales 4a ed Madrid Seleta 1994 p23 21 Martins Filho IG Manual esquemático de filosofia 3a ed São Paulo LTr 2006p131567231 22 Naline J Ética geral e profissional 2a ed São Paulo Editora Revista dos Tribunais 1999 p733435 23 Reale M Filosofia do direito 19a ed São Paulo Saraiva 1999 p39 24 Sgreccia E Manual de bioética fundamentos da ética e bioética São Paulo Loyola 1996 p139 25 Sá AL Ética profissional 3a ed São Paulo Atlas 2000 p44 26 BITTAR ECB Curso de ética jurídica ética geral e profissional 2a ed São Paulo 2004 p145 27 Motta NS Ética e vida profissional Rio de Janeiro Âmbito Cultural 1984 p109 28 Altoé A Islã e os muçulmanos Petrópolis Vozes 1989 p10 29 Aranha MLA Martins MHP Filosofando introdução à filosofia 3a ed São Paulo Moderna 2005 p218 10 dos juízos sobre os costumes que são objeto de observação ou de constatação segundo as regras sócioculturais9 Daí a compreensão de que a moral é conteúdo da ética Poderseia dizer que a moral é a matéria prima da ética pois constitui o conjunto de hábitos e prescrições de uma sociedade22 A moral é o que se refere aos usos costumes hábitos e habitualidades De uma certa forma ambos os vocábulos ética e moral se referem a duas idéias diferentes mas relacionadas entre si os costumes dizem respeito aos fatos vividos ao que é sensível e registrado no acervo do grupo social como prática habitual A idéia contida na moral é a relação abstrata que comanda e dirige o fato o ato a ação ou o procedimento A moral explica e é explicada pelos costumes A moral pretende enunciar as regras normas e leis que regem causam e determinam os costumes inclusive muitas vezes anunciandolhes as conseqüências13 À guisa de conclusão devese entender por moral um sistema de normas princípios e valores segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes com a comunidade de forma não coercitiva De maneira que estas normas são dotadas de um caráter histórico e social e são acatadas de forma livre e por convicção de foro íntimo11 4 ÉTICA CIÊNCIA OU RAMO DA FILOSOFIA Diante da revisão das origens etimológicas e dos conceitos vistos anteriormente interrogase a ética é uma ciência Restringese apenas ao ramo de estudo da filosofia Sendo ciência que tipo de ciência seria a ética Qual o seu objeto Qual o seu objetivo Qual o seu método de estudo Desde os gregos a ética sempre constituiu uma parte do pensamento filosófico e sempre ocupou o ramo da filosofia conhecido como teoria dos valores ou axiologia que inclui a ética a estética a filosofia da religião filosofia política e outras23 Por outro lado pela ausência de desenvolvimento científico específico nas diversas áreas do conhecimento humano a filosofia sempre se apresentou como um saber total Ou seja ela ocupavase de quase tudo À medida que o conhecimento humano avançou a abordagem científica estendeuse progressivamente às novas realidades inclusive à realidade social A partir daí vários ramos do saber se des prenderam do tronco da filosofia para constituir ciências especiais com objeto específico objetivos e métodos próprios11 Um dos últimos ramos que se desprendeu do tronco da filosofia foi a psicologia seguindo o mesmo caminho de outras disciplinas entre elas a ética que era tradicionalmente considerada tarefa exclusiva dos filósofos11 Transformandose numa ciência pois tem objeto próprio leis próprias e método próprio22 É considerada uma teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade Ou seja é a ciência de uma forma específica de comportamento humano11 É a ciência do comportamento humano em relação aos valores aos princípios e às normas24 Tem por objeto o estudo dos juízos de aprovação e desaprovação a respeito da conduta Portanto o seu objeto é a moral25 Muito embora não seja um saber particular sobre um objeto de conhecimento em virtude da complexidade das especulações que envolvem o comportamento humano a ética afirmase no solo filosófico Não obstante alguns autores advoguem a idéia de sua autonomia científica por ser essa uma parte do território de estudos filosóficos ou seja aquela que tem por principal foco de estudos a ação humana necessariamente seu local de assento seu berço natural é a filosofia prática26 Assim como a filosofia dividese em ramos de preocupações a ética enquanto um saber teórico ocupase de três áreas fundamentais ética descritiva ética normativa e ética filosófica ou Metaética A ética descritiva é a ciência positiva dos fatos morais sejam eles individuais ou coletivos10 Tem como função descrever os fenômenos morais24 A ética normativa trata dos juízos prescritivos com base nos códigos Os sistemas normativos dizem como devem atuar os agentes morais dandolhes normas práticas de ação10 Por sua parte fazse oportuno esclarecer que a ética é uma disciplina normativa não por criar normas mas por descobrilas e elucidálas Mostra à pessoa os valores e os princípios que devem nortear sua existência pois a sua função é aprimorar seu sentido moral e influenciar a conduta22 Por último a ética filosófica se refere à reflexão moral É a reflexão racional profunda dos pressupostos dos fundamentos dos sistemas de normas morais na busca de descobrir as verdades necessárias para que um sistema moral seja válido10 Desse modo a ética enquanto conhecimento 11 teórico por se deparar com as práticas morais no contexto históricosocial é considerada uma ciência social27 É uma ciência social porque o seu objeto de estudo é um fato socialmente histórico a moral Já a moral não é concebida como ciência senão o objetivo desta A guisa de conclusões escreve Sá25 A ética é a ciência tendo por objeto de estudo os sentimentos e juízos de aprovação e desaprovação acerca da conduta e da vontade humana propondose a determinar a qual é o critério segundo a conduta e a vontade em tal modo aprovada se distinguem ou ainda qual é a norma segundo a qual se opera e deve operar a vontade em tal conduta e qual o fim que na mesma e para essa se cumpre e se deve cumprir b em que relações de valor estão com observância daquela norma e obtenção daquele fim as diversas formas de conduta individual ou coletiva tais como se apresentam na sociedade e na época à qual pertencemos25 Sintetizando enquanto conhecimento teóricofilosófico ao contrário da moral a grande preocupação da ética é esboçar as linhas gerais de uma teoria normativa que possa auxiliar na solução de problemas e na identificação do que é correto e de como devemos agir considerando os valores morais vigentes Esse é o seu engajamento com a moral28 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS É possível deduzir que a análise etimológica dos termos não é suficiente para orientarnos sobre o que devemos entender por ética e moral Constatamos que a palavra ética tem particularidades conceituais de difícil precisão Por isso muitas vezes é confundida com moral e até mesmo empregada no cotidiano no sentido de senso comum Outra questão que não é considerada no diaadia é a distinção entre o uso substantivo ou adjetivo do termo moral Isso também pode levar a algumas imprecisões conceituais Apesar da natural existência de uma sinonímia entre essas palavras uma vez que ambas se referem à ação humana intencional e sobre os critérios de escolha de um determinado tipo de conduta predomina o entendimento de que existe uma distinção quer semântica quer conceitual entre ética e moral Por moral devese compreender o conjunto de regras de condutas assumidas livre e conscientemente pelos indivíduos com a finalidade de organizar as relações interpessoais segundo os valores do bem e do mal ao passo que a ética ou filosofia da moral é mais abstrata constituindo a parte da filosofia que se ocupa com a reflexão sobre as noções e os princípios que fundamentam a vida moral29 Reservase à ética o estudo da moralidade do agir humano bondade ou maldade dos atos humanos sua retidão frente à ordem moral21 A ética é a disciplina filosófica que investiga os diversos sistemas de morais elaborados pelos homens buscando compreender a fundamentação das normas e proibições próprias a cada uma e explicar seus pressupostos ou seja as concepções sobre o ser humano e a existência que os sustenta É considerada uma ciência porque além de se ocupar da reconstrução intelectual organizada pela mente humana acerca da moral tem objeto próprio leis próprias e método próprio Seu objeto é á moral e a reflexão teóricofilosófica o condicionante metódico enquanto disciplina teórica Figueiredo AM Ethos origins and the moral distinction Saúde Ética Justiça 200813119 ABSTRACT Ethics and moral are terms frequently used in daily life however to define what they mean is not an easy task It is enough asking whether there is any distinction between these words to notice that people have difficulty trying to explain it This article aims to present some theoreticalphilosophical clarifications about the etymological origin of the terms ethos and mos The diverse meanings in which these terms can be employed and the concepts used are presented The article ends with a reflection about the comprehension of ethics as a specific science or as a branch of philosophical study KEYWORDS Ethics Morale Virtues Social values Artigo recebido em 09112007 Aprovado em 19062008 Revista de Administração Contemporânea Journal of Contemporary Administration eISSN 19827849 1 Revista de Administração Contemporânea v 26 n 1 e210203 2022 doiorg10159019827849rac2022210203por eISSN 19827849 racanpadorgbr Reflecting on Contemporary Administration Refletindo sobre Administração Contemporânea 1 Universidade Federal da Paraíba Programa de PósGraduação em Administração João Pessoa PB Brasil 2 Editorchefe da RAC Revista de Administração Contemporânea Como citar Bispo M de S 2022 Refletindo sobre administração contemporânea Revista de Administração Contemporânea 261 e210203 httpsdoiorg10159019827849rac2022210203por Editorial PREÂMBULO PREÂMBULO Neste primeiro editorial da Revista de Administração Contemporânea RAC sob a minha gestão gostaria de primeiramente manifestar a minha alegria e motivação para dar continuidade ao trabalho científico e editorial da revista que já está próximo de completar 25 anos Agradeço pela confiança da atual diretoria da ANPAD 20212024 e a todos os editores que me antecederam Clóvis Luiz MachadodaSilva César Gonçalves Neto Tomas de Aquino Guimarães Rogério Hermida Quintella Herbert Kimura e Wesley MendesdaSilva por suas contribuições oferecidas à RAC de modo que ela pudesse chegar ao patamar de excelência em que se encontra hoje Espero estar à altura juntamente com toda a equipe editorial para que a RAC continue sendo referência nacional e avance ainda mais internacionalmente no campo da administração Estou ciente das responsabilidades e desafios que temos pela frente Feitos os agradecimentos iniciais pretendo neste texto apresentar algumas reflexões acerca do que representa a ideia de administração contemporânea Tal iniciativa parte de uma demanda da atual direção da ANPAD em definir focos e escopos mais claros para as revistas da associação a RAC e a BAR Brazilian Administration Review com a ajuda de um grupo de trabalho formado por pessoas com ampla experiência científica e editorial Como meio de oferecer à RAC foco e escopo que consigam diferenciála da BAR o grupo de trabalho e os atuais editores associados da RAC definiram que a ideia de contemporâneo é o melhor caminho para justificar o nome da revista e honrar a sua trajetória ao longo de quase duas décadas e meia Entretanto ao mesmo tempo que a palavra contemporâneo parece ser muito adequada para pensar a administração e ser supostamente conhecida por todo o público da RAC apresentar um entendimento adequado para ela é algo complexo e necessário Nesse sentido apresento dois pressupostos que vão ajudar no desenvolvimento das ideias que seguem na sequência O primeiro deles é que contemporâneo não se refere à simples definição de dicionário de algo que pertence ao tempo atual ou ainda de algo que existiu em uma mesma época O segundo diz respeito à amplitude de possibilidades do contemporâneo ou seja ao mesmo tempo que é possível pensar pesquisas de todas as áreas de forma contemporânea nem tudo cabe dentro do escopo da RAC Tendo em perspectiva esses dois pressupostos ofereço uma reflexão sobre o que podemos pensar como contemporâneo A proposta é refletir sobre a concepção de administração contemporânea que a RAC pretende debater junto ao meio acadêmico e à sociedade de maneira mais ampla Marcelo de Souza Bispo12 Autor Correspondente M de S Bispo Refletindo sobre administração contemporânea 2 Revista de Administração Contemporânea v 26 n 1 e210203 2022 doiorg10159019827849rac2022210203por eISSN 19827849 racanpadorgbr SOBRE A NOÇÃO DO QUE VEM A SER SOBRE A NOÇÃO DO QUE VEM A SER CONTEMPORÂNEO CONTEMPORÂNEO O entendimento de que o contemporâneo é tudo aquilo que se refere ao tempo presente é muito comum em diversos contextos inclusive o acadêmico É recorrente o uso dessa palavra sem problematizála como se fosse dada taken for granted A minha ideia aqui não é monopolizar o entendimento e o uso geral da palavra contemporâneo mas de oferecer uma perspectiva que reflita um conceito que está alinhado com o foco e o escopo da RAC Assim o contemporâneo tem a ver com a condição que pessoas têm de aprender o seu tempo sendo capazes de realizar aproximações e distanciamentos em relação a ele Agamben 2009 Quem está muito preso ao contemporâneo não consegue interpretálo justamente pela falta de capacidade de se descolar dele ou seja de estranhálo para depois conhecêlo e refletir sobre ele O contemporâneo é sempre resultado de um processo histórico que nos ajuda a re conhecer o presente O que nos torna contemporâneos então não é a condição temporal do presente mas a atualidade de uma questão que nos implica enquanto atores das práticas que paradoxalmente se inscrevem em nossos tecidos Pacheco 2010 p 88 O contemporâneo não está atrelado exclusivamente ao tempo presente mas tem a ver com um regime de identificação que nos permite perceber temas relevantes para o mundo atual Rancière 2005 p 28 O contemporâneo traz em seu bojo um conjunto de questões que permanecem relevantes para o melhor entendimento das pessoas e do contexto sócioestéticopolítico em que atuam criam pensam e transformam Almeida 2012 p 73 ADMINISTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA ADMINISTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA Pensar o contemporâneo no contexto da administração vai além de uma questão cronológica do presente Ela deve caminhar no sentido de reconhecer no hoje uma construção histórica que entrelaça passado presente e futuro e possibilite compreender formas atuais de agir e organizar da sociedade Mas ao mesmo tempo a administração contemporânea deve ser também capaz de reconhecer refletir e atuar nos temas que se apresentam relevantes no mundo atual Portanto a administração contemporânea não se resume ao que acontece no presente e nem deve estar descolada do contexto social do qual ela faz parte Nesse sentido a administração contemporânea não pode ser resumida a uma prática individualista e supostamente racional Cabantous Gond 2011 que se apresenta como neutra apolítica e não problemática Alvesson Willmott 1992 Nem mesmo pode estar orientada exclusivamente para maximização de lucros e bem estar financeiro de uma minoria Pio Waddock 2021 A administração contemporânea precisa se engajar em como promover uma relação mais equilibrada entre o mundo dos negócios e a sociedade Fleming Oswick 2014 Rhodes Fleming 2020 Zanoni Contu Healy Mir 2017 Uma boa iniciativa para pensarmos o contemporâneo foi a criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas ONU que apresentam desafios contemporâneos que a sociedade global enfrenta e precisa mitigar Questões por exemplo relacionadas à pobreza e desigualdade meio ambiente educação de qualidade trabalho decente consumo responsável energia limpa paz e justiça não podem deixar de serem levadas em conta quando fazemos pesquisa em administração contemporânea Os debates sobre a relação entre teoria e prática Bispo 2021 Lundberg 2004 Van de Ven 1989 assim como do impacto da pesquisa Edwards Meagher 2020 Godin Doré 2005 Gunn Mintrom 2017 SandesGuimarães Hourneaux 2020 perdem o sentido se não estiverem alinhados coerentemente com os temas relevantes do contemporâneo Boa parte do problema levantado sobre uma suposta dicotomia entre teoria e prática Lundberg 2004 Van de Ven 1989 no campo da administração Bispo 2021 está justamente em como muitos pesquisadores da área ignoram os problemas sociais Assim vários conceitos e modelos propostos desconsideram o contexto social e os reais motivos e interesses de vários discursos dominantes especialmente na área de negócios Eles distorcem ou criam uma realidade que atende a interesses específicos e são vendidos como bem comum Dardot Laval 2013 Rhodes Fleming 2020 Zanoni et al 2017 Se o que fazemos parte de ideias que não levam em conta o mundo concreto vivido como será possível aproximar teoria e prática Nós da administração costumamos ter certa soberba em achar que sabemos como as coisas devem ser ou funcionar criando modelos que buscam enlatar a realidade Ghoshal 2005 É a lógica do enlatamento que transforma uma relação simbiótica em outra dicotômica no que diz respeito a teoria e prática Algo semelhante também está presente quando falamos de impacto da pesquisa É interessante perceber que academicamente assumimos que impacto é bom Nos esquecemos de problematizar o assunto e de lembrarmos que nenhum impacto é unidirecional Bispo Davel in press Ou seja o que pode ser considerado impacto positivo para alguns pode ter uma conotação negativa para outros Há necessidade de avaliação criteriosa das múltiplas consequências do que chamamos de impacto Precisamos tomar cuidado para que a prática científica não esteja resumida ao que é aplicável e útil para a sociedade quando na verdade a sociedade está resumida a grupos de interesses que buscam legitimar suas intenções por meio M de S Bispo Refletindo sobre administração contemporânea 2 3 Revista de Administração Contemporânea v 26 n 1 e210203 2022 doiorg10159019827849rac2022210203por eISSN 19827849 racanpadorgbr de leis e discursos totalizantes sob o argumento de que se trata do bem comum Godin Doré 2005 Pitman Berman 2009 Cabe lembrar que a definição do que é bom para a sociedade sempre carrega algum grau de controvérsia e polêmica Gunn Mintrom 2017 Nesse sentido pensar impacto na administração contemporânea exige um olhar que vá além da lógica gerencialista Clegg 2014 Klikauer 2013 que se esconde em geral dos problemas sociais se apresentando como técnica neutra e apolítica Ora existe coesão social e sociedade sem política Não podemos confundir a gramática políticopartidária no Brasil Nunes 2010 com o conceito clássico de política Aristóteles 1997 A noção política aristotélica busca justamente promover a felicidade humana e o bem coletivo Se realmente quisermos avançar de modo que as nossas pesquisas tenham um impacto positivo precisamos avaliar os grandes desafios sociais e pensar como a administração contemporânea pode contribuir no enfrentamento deles É preciso avaliar se o impacto gerado não atende apenas a interesses de poucos frente ao bem comum É como defende Almeida 2012 contemporâneo é portanto aquele que consegue ver no presente o que está subentendido sugerido nas entrelinhas oculto ou cego pela clareza sedutora e ludibriante do imediato Almeida 2012 p 80 ADMINISTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA NA ADMINISTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA NA RAC RAC Diante do que já foi apresentado até aqui resta comentar de maneira mais específica o que a RAC espera publicar O foco das publicações na RAC está em responder aos desafios contemporâneos da sociedade com novas possibilidades teóricas metodológicas e práticas relacionadas à administração de empresas organizações públicas ou sociedade civil Nesse sentido todas as áreas da administração podem oferecer diferentes olhares e contribuições de como a administração contemporânea pode se associar na produção de conhecimento orientado por questões éticas de diversidade de responsabilidade de governança e de sustentabilidade que ajudem a construir relações humanas melhores Uma maneira de conseguir entender como a administração pode contribuir com as questões relevantes do contemporâneo é conhecer os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU A ideia não é vincular nenhum trabalho a algum objetivo específico proposto pela ONU mas ter em mente o que está sendo considerado como desafiador e importante para o bemestar global Tratase de fazer um exercício reflexivo que leve a uma autocrítica do trabalho realizado Em outras palavras a RAC espera que os autores reflitam sobre as seguintes perguntas O meu trabalho atende a interesses específicos que não contribuem ou atrapalham a realização do bem comum Será que o meu trabalho promove relações precárias de trabalho impactos negativos ao meio ambiente desconsidera a diversidade ou coloca o lucro em prioridade face à segurança à equidade e à justiça social As respostas a essas perguntas visam a estimular que os trabalhos publicados na RAC estejam alinhados à promoção de conhecimentos que ajudem a sociedade como um todo a enfrentar os seus dilemas e desafios Que a RAC possa continuar sendo uma revista científica contemporânea apta a fomentar e promover conhecimentos capazes de provocar na área de administração práticas no mundo dos negócios na administração pública no terceiro setor ou mesmo na sociedade cível que sejam socialmente responsáveis REFERÊNCIAS Agamben G 2009 O que é o contemporâneo E outros ensaios Chap 3 pp 5273 Chapecó SC Argos 2009 Almeida E A A 2012 Charles Baudelaire Contemporâneo do passado do presente e do futuro Revista Poiésis 1320 7384 httpsdoiorg1022409poiesis13207384 Alvesson M Willmott H 1992 Critical management studies London Sage Aristóteles 1997 Política 3 ed Brasília Editora Universidade de Brasília Bispo M de S 2021 Ensaiando sobre o velho e falso dilema entre teoria e prática Teoria e Prática em Administração 112 174178 httpsdoiorg1022478ufpb2238 104X2021v11n259760 Bispo M de S Davel E P in press Editorial Impacto educacional da pesquisa Organizações Sociedade in press Cabantous L Gond JP 2011 Rational decision making as performative praxis Explaining rationalitys éternel retour Organization Science 223 573586 httpsdoiorg101287orsc11000534 M de S Bispo Refletindo sobre administração contemporânea 4 Revista de Administração Contemporânea v 26 n 1 e210203 2022 doiorg10159019827849rac2022210203por eISSN 19827849 racanpadorgbr Clegg S R 2014 Managerialism Born in the USA Academy of Management Review 394 566585 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Universitaria 58051900 João Pessoa PB Brasil Email raceicanpadorgbr httpsorcidorg0000000258178907 Autor Correspondente Conflito de Interesses O autor informou que não há conflito de interesses Direitos Autorais A RAC detém os direitos autorais deste conteúdo Verificação de Plágio A RAC mantém a prática de submeter todos os documentos aprovados para publicação à verificação de plágio mediante o emprego de ferramentas específicas eg iThenticate CORPO EDITORIAL CIENTÍFICO E EQUIPE EDITORIAL PARA ESTA EDIÇÃO Conselho Editorial Anielson Barbosa da Silva UFPB João Pessoa PB Brasil Antonio Carlos Gastaud Maçada UFRGS Porto Alegre RS Brasil Ely Laureano Paiva FGV São Paulo SP Brasil Rogério Hermida Quintella NPGAUFBA Salvador BA Brasil Valmir Emil Hoffmann UnB Brasília DF Brasil Editorchefe Marcelo de Souza Bispo UFPB João Pessoa PB Brasil Editores Associados Ariston Azevedo UFRGS Porto Alegre RS Brasil Carolina Andion UDESC Florianópolis SC Brasil Denize Grzybovski UPF Passo Fundo RS Brasil Eduardo da Silva Flores FEAUSP São Paulo SP Brasil Elisa Yoshie Ichikawa UEM Maringá PR Brasil Emílio José M Arruda Filho UNAMA Belém PA Brasil Fernando Luiz Emerenciano Viana Unifor Fortaleza CE Brasil Gustavo da Silva Motta UFF Niterói RJ Brasil Henrique Castro Martins IAGPUCRio Rio de Janeiro RJ Brasil Keysa Manuela Cunha de Mascena Unifor Fortaleza CE Brasil Ludmila de Vasconcelos Machado Guimarães CEFETMG Belo Horizonte MG Brasil Natália Rese UFPR Curitiba PR Brasil Orleans Silva Martins UFPB João Pessoa PB Brasil Pablo Isla Madariaga Universidad Técnica Federico Santa María Chile Paula Castro Pires de Souza Chimenti UFRJCoppead Rio de Janeiro Brasil Rafael Chiuzi University of Toronto Mississauga Mississauga ON Canadá Sidnei Vieira Marinho Univali São José SC Brasil Corpo Editorial Científico André Luiz Maranhão de SouzaLeão UFPE Recife CE Brasil Aureliano Angel Bressan CEPEADUFMG Belo Horizonte MG Brasil Bryan Husted York University Canadá Carlos M Rodriguez Delaware State University EUA Cristiana Cerqueira Leal Universidade do Minho Portugal Diógenes de Souza Bido Mackenzie São Paulo SP Brasil Erica Piros Kovacs Kelley School of BusinessIndiana University EUA Elin Merethe Oftedal University of Stavanger Noruega Fábio Frezatti FEAUSP São Paulo SP Brasil Felipe Monteiro INSEAD Business School EUA Howard J Rush University of Brighton Reino Unido James Robert Moon Junior Georgia Institute of Technology EUA John L Campbell University of Georgia EUA José Antônio Puppim de Oliveira United Nations University Yokohama Japão Julián Cárdenas Freie Universität Berlin Alemanha Lucas A B de Campos Barros FEAUSP São Paulo SP Brasil Luciano Rossoni UniGranRio Rio de Janeiro RJ Brasil M Philippe Protin Université Grenoble Alpes França Paulo Estevão Cruvinel Embrapa Instrumentação São Carlos SP Brasil Rodrigo Bandeira de Mello Merrimack College EUA Rodrigo Verdi MIT Massachusetts Institute of Technology Cambridge EUA Valter Afonso Vieira UEM Maringá PR Brasil Wagner A Kamakura Jones Graduate School of Business Rice University Houston EUA Editoração Diagramação e normas da APA Kler Godoy ANPAD Maringá Brasil Simone L L Rafael ANPAD Maringá Brasil Periodicidade Publicação contínua Circulação Acesso totalmente gratuito Indexadores Diretórios e Rankings Scielo Redalyc DOAJ Latindex CengageGALE Econpapers IDEAS EBSCO Proquest SPELL Cabells Ulrichs CLASE Index Copernicus International Sherpa Romeo Carhus Plus Academic Journal Guide ABS DIADORIM REDIB Sumáriosorg ERIHPlus EZB OasisBR IBZ Online WorldWideScience Google Scholar Citefactororg MIAR CapesQualis A RAC é membro e subscreve os princípios do COPE Comitê de Ética em Publicações especial ética em tempos de crise vez mais espaço em cursos de adminis tração e nas agendas das empresas Com a humanidade na casa dos sete bilhões de ocupantes do planeta a sus tentabilidade não só ecológica mas também econômica e social parece cada vez mais ameaçada A busca de propostas sustentáveis para a economia e para a sociedade em geral acaba por levar a questões que não são apenas técnicas econômicas ou operacionais A ética colocase inevitavelmente no centro das discussões O cOmpOrtamentO éticO de um futurO executivO pOde ser mOldadO pOr meiO de cOnhecimentO acadêmicO aplicadO a discussãO isOlada sObre a ética durante O cursO nãO se mOstra suficiente para que a mOral dO prOfissiOnal acOmpanhe O cOnteúdO estudadO O s escândalos que avassalaram o mundo dos negócios nos Estados Unidos no final do século passado fizeram com que se perguntasse que tipo de admi nistradores estamos formando em nos sas escolas A pergunta era mais do que razoável se for considerado que vários dos escândalos tinham à frente porta dores de MBAs das escolas de adminis tração de empresas de grande prestígio daquele país Além disso a questão da sustentabilidade foi adquirindo cada É pOssÍVel eNsiNaR ÉTica Carlos osmar Bertero professor da FGVeaesP carlosberterofgvbr 34 vol11 nº1 janjun 2012 ilustrações daniel almeida gvexecutivo 35 O resultado é que as escolas e pro gramas de administração ao redor do mundo começaram a incluir cursos voltados a tópicos de ética nos negó cios responsabilidade social e ambien tal sustentabilidade e correlatos em seus programas É oportuna a pergun ta é possível ensinar ética para que seja aplicada no mundo dos negócios Ética filOsófica O ensino de ética dos negócios em programas de administração parte de duas premissas A primeira delas é que não se deve abordar o assunto de uma perspectiva filosófica Ética filosófica é assunto por demais complexo e árido para a maioria dos alunos matriculados em cursos de formação e participantes em programas para executivos porque simplesmente a maioria não teve forma ção em filosofia A ética quando abor dada filosoficamente pressupõe a fami liaridade com outras partes e tópicos da filosofia como ontologia história do pensamento filosófico axiologia Tudo isso torna a abordagem filosófica da ética inviável para a maioria dos estu dantes de administração e profissionais de gestão A outra premissa é que o ser humano é naturalmente ético pelo sim ples fato de que é um ser social Como isso ocorreria Nascemos numa socieda de permeada de valores éticos A mora lidade está na sociedade em que nasce mos e onde nos desenvolvemos Dessa maneira os valores éticos nos são trans mitidos pelo processo de socialização Da mesma forma como aprendemos a ler e escrever também internalizamos papéis sociais de pai filho chefe subor dinado mãe cunhada etc Os valores são parte integrante de nossa cultura e entre eles estão os valores éticos A consequência dessas duas pre missas é que ética não precisa ser ensinada porque já chegamos à idade adulta com sólida estrutura moral com valores éticos enraizados em nosso caráter O que deve ser feito num curso de ética dos negócios ou de responsabilidade social e ambiental de empresas é conseguir com que os par ticipantes apliquem à realidade dos negócios os valores éticos de que são portadores Daí originase o caráter aplicado que os cursos possuem e o material que se produz com case O que deve ser feito num curso de ética dos negócios é conseguir que os participantes apliquem à realidade em que irão operar os valores éticos de que são portadores exercícios e dilemas sob a forma de simulações Não há dúvidas de que a realidade dos negócios se tornou muito complexa especialmente num mundo em que as fronteiras se torna ram mais porosas Aqui se inclui a diversidade de culturas e países onde muitas empresas atuam Diante de tanta complexidade os administrado res devem aplicar os seus valores éti cos em situações que são novas e que inexistiam em tempos em que os negócios aconteciam num mundo menos complicado cOmpOrtamentO mOral Mas o desafio que atualmente se coloca ao ensino de ética a administra dores profissionais ou ainda em for mação é como fazer com que não deslizem quando administram para 36 vol11 nº1 janjun 2012 especial ética em tempos de crise É pOssÍVel eNsiNaR ÉTica atitudes comportamentos e decisões que comprometam a moralidade Não basta saber o que é ético é necessário agir eticamente Os cursos adequados são aqueles de onde os participantes saem mais éticos do que quando se matricularam Escândalos menciona dos na gestão de empresas com preju ízos a acionistas empregados consu midores e à sociedade em geral pode riam ser evitados se administradores fossem mais éticos e isso se poderia conseguir mediante treinamento ade quado Tal posição implica uma crítica às escolas e cursos de administração Há uma falha na educação de adminis tradores e que deve ser corrigida com cursos de ética e responsabilidade social que sejam realmente eficazes levando à alteração do comportamen to dos gestores enquantO issO nO Brasil Em nosso país o ensino de ética nos cursos de administração conta com disciplinas específicas e na ausência destas aproveitamse disci plinas obrigatórias como filosofia ou alguma ciência social para versar temas éticos Mas as premissas ante riores que permeiam os cursos norte americanos também estão presentes no Brasil Aqui caberiam algumas observações desairosas a nosso pró prio respeito O país não é um modelo de ética nas coisas públicas A cultura política o clima de escândalos que se sucedem sem punições a ineficácia do judiciário e uma atitude permissiva por parte da sociedade como um todo levam à triste constatação de que vive mos numa sociedade onde a corrup ção é endêmica e o que aflora como corrupção de uma elite política se aprofundado revelará empresas pes soas e ramificações por toda a socieda de Empresas são necessariamente participantes desse processo porque não pode haver corrupto sem corrup tor e viceversa A corrupção não causa entre nós necessariamente indignação e temos galerias de homens públicos que são comprova damente criminosos e que acabam desfrutando até de imunidades legais por sua condição de parlamentares O que se pretende aqui é indicar que apesar da premissa de que somos naturalmente éticos por sermos huma nos e de termos passado por um pro cesso de socialização em que valores éticos foram internalizados possuí mos nossa condição de brasileiros que nos leva a uma conclusão pelo menos desconfortável Parece não ser aqui o lugar mais adequado para for mação de sólida consciência moral por meio de processos de socialização Talvez seja território fecundo para que ocorra o inverso E não faltam exem Não basta saber o que é ético é necessário agir eticamente gvexecutivo 37 plos de comportamentos em que racionalizamos nossa ação com argu mentos do tipo é melhor que eu mesmo faça porque caso eu não o faça outros acabarão fazendo Ou o uso de serviços de despachantes que sabidamente são traficantes de propi nas entre os cidadãos e servidores públicos Na verdade o cotidiano bra sileiro está repleto de ações que são eticamente questionáveis O jeitinho brasileiro mereceu capitulação inter nacional como um procedimento cor rupto e com ele a maioria de nós convive com tranquila consciência resistindO às tentações Há uma tradição de origem ilumi nista que coloca o conhecimento e o esclarecimento como condições fun damentais para que se possa chegar à moralidade Nessa linha apenas pelo conhecimento e pela educação que visem ao desenvolvimento do cidadão poderíamos chegar a difundir valores éticos e fazer com que sejam internali zados pelas pessoas levando à ações e comportamentos éticos Portanto a ética pode ser ensinada em cursos de administração mas devemos estar atentos às limitações desses ensinamentos para que se pro duza nas pessoas um comportamento ético quando passarem a exercer a profissão de gestores O ambiente em que atuarão é em grande medida avesso a comportamentos éticos e não faltarão tentações sob a forma de atalhos para o deslize a Ética e a cultura andam juntas A esta altura seria oportuno lem brarmos o que pensavam dois sábios muito antigos a respeito de ensinar ética Um deles chamavase Sócrates pai do Iluminismo e do otimismo ético porque achava que a falta de ética era o resultado da ignorância O conheci mento geraria o sábio que seria inevi tavelmente ético Neste século XXI bastaria ensinar ética esclarecer a todos sobre a importância de que nos cons cientizemos sobre a fragilidade da nau Terra para que o comportamento ético da humanidade desabrochasse O outro sábio chamavase Paulo de Tarso muitas vezes também conhecido como São Paulo o apóstolo que reconhecia que sua condição humana lhe permitia ver com clareza o que era o bem e o que era o mal mas que frequentemen te não fazia o bem que desejava mas o mal que repelia Não há como rejeitar a contribui ção socrática sobre a necessidade do conhecimento mas não se pode minimizar o cruel realismo de Paulo de Tarso de que mesmo conhecen do nos desviamos e que conheci mento e virtude não estão necessa riamente unidos Concluindo diría mos que ensinar ética é possível mas que a geração de um comporta mento ético não ocorrerá apenas pela via da instrução escolar depen derá de fatores individuais de foro íntimo e também de uma sociedade que disponha dos instrumentos ins titucionais para sancionar positiva e negativamente o comportamento ético e seus desvios O Brasil não é um país modelo de ética talvez seja o contrário um território fecundo para que ocorra o inverso SÍNTESE Ética embora seja um tema bem abordado em cursos de nível superior e em outros cenários é algo que causa muita indagação e discussões Será que sua compreensão além de ser entendida pode ser aprendida Diversos empresários que representam grandes empresas e marcas nacionais e internacionais participam de diversos escândalos envolvendo condutas ilícitas o que gera cada vez mais questionamentos Nesse sentido diversas instituições de ensino têm buscado incorporar ética a outras temáticas em grades curriculares bem como a ética relacionada a sustentabilidade preservação responsabilidade social dentre outros Embora ética seja oriunda de diversos contextos filosóficos é preciso compreender que sua aplicação e ensino deve ser centrada em formas de fácil compreensão Para tanto comentar sobre valores morais e posturas cordiais é parte do processo de aprendizado acerca da temática Entretanto o Brasil é um país que envolve diversas lacunas acerca desse segmento o que muitas vezes tende a influenciar diversos cenários empresas e indivíduos Isto é é preciso se adequar a dinâmica social econômica e política ao contrario não se fará parte dela Portanto relacionar a cultura com a ética faz sentido principalmente porque a cultura é um elemento solidificado no meio social e que ao passar dos anos ainda tende a preservar sua essência Para melhor compreensão vale ressaltar que há diferenças entre moral e ética A primeira se refere a condutas relacionadas a normas isto é é o fato de seguir aquilo que é imposto e caracterizado como certo A ética por sua vez envolve valores que a pessoa possui e a partir deles podemos observar uma conduta moral Um questionamento então pode envolver o ambiente ou as circunstâncias isto é será que o ambiente faz uma pessoa tomar determinado posicionamento ou atitude Não É aí que os valores morais vão ditar seu posicionamento que automaticamente envolvem seu conceito de moral bem como suas aplicações Por isso a conduta ética influenciada pela moral Ética então pode ser caracterizada como uma ciência que busca aprovar ou desaprovar determinado tipo de conduta Baseada de acordo com os valores que um indivíduo possui e influenciada por eles O ramo administrativo envolve diversas esferas bem como responsabilidades nesse sentido é fundamental que o profissional esteja alinhado com as regras impostas que permitem sua atuação e que acima de tudo aja de forma cordial com aquilo que é imposto Nesse sentido é possível compreender como um operador da área pode muito ajudar como muito prejudicar a depender de seu posicionamento profissional Ética é uma das características essenciais de sua função a incluir diversas outras Isto é conduta ética somada a conduta moral no meio corporativo deve ser embasada de acordo com normas e com aquilo que precisa ser feito e não com aquilo que se quer realizar Embora diversas mudanças têm tornado a atuação do profissional mais contemporânea é preciso compreender os riscos e limitações da mesma Analisar riscos e possíveis impactos é fator chave na compreensão principalmente porque a decisão do profissional tende a potencializar diversas cascatas e processos que podem ser benéficos ou não

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42 vol11 nº1 janjun 2012 especial ética em tempos de crise uma complementaridade entre o setor público e o setor privado em uma eco nomia de mercado No limite da liber dade econômica o liberalismo poderia deixar de lado preocupações sociais sérias em nome do lucro O que teria gerado essa crise São muitas as causas ou interpretações sendo difícil identificálas isoladamen te Erros nas políticas financeiras e econômicas Fragilidade estrutural das instituições políticas econômicas e financeiras Afastamento da ética no conserto de uma economia mundial pautada pelo egoísmo pelo materialis A éticA vive tempos de crise e escândAlos gerAdos mui tAs vezes pelA Ambição do consumo e do prAzer o que é preciso observAr é que não somente As universidAdes e A fAmíliA mAs tAmbém As empresAs Agem como celeiros pArA fomentAr Atitudes mAdurAs e íntegrAs A crise econômica e financeira que assola o mundo atual sugere uma reflexão impor tante para todos sobre princí pios e valores culturais e éticos que sustentam a convivência humana A iniciativa privada não consegue abarcar todos os setores da economia todos os produtos e serviços de que a sociedade necessita O papel do Estado permane ce essencial na solução de problemas em áreas como infraestrutura educa ção e saúde atendimento a pessoas idosas ou portadoras de deficiência entre muitas outras É fundamental a ÉTica eM TeMpOs De cRise Maria CeCilia Coutinho de arruda professora da FGVeaeSP mariaceciliaarrudafgvbr gvexecutivo 43 mo e pelo utilitarismo Erros técnicos imprevisíveis Falta de responsabili dade moral Bolha especulativa sobre crédito e imóveis Excesso de confiança nos produtores empresários investi dores e consumidores Descompasso entre geração de renda e crescimento financeiro consumo e especulação ÉticA e democrAciA Desde que exista ética a iniciativa privada pode buscar solução para mui tas necessidades humanas Quanto mais democrático for o Estado mais fácil será conseguir que a atividade lucrativa seja desenvolvida dentro de padrões morais Os legisladores estabelecerão limites para que o bemestar social prevaleça sobre interesses privados escusos Daí dizerse que onde a ética melhor se acli mata é no regime democrático O cidadão que se vê tratado como pessoa e não como simples indivíduo tende a agir com liberdade e isso é fun damental para a economia de mercado A convicção de que ele pode escolher os bens e serviços de que necessita reduz a sensação de insegurança Esse cidadão transformase livremente em consumi dor dos bens serviços e ideias que entende serem necessários para seu bemestar Ocorre uma mudança gradu al de mentalidade que o faz valorizar a vida de outra maneira incentivo Ético Ao consumo Melhores condições de consumo e bemestar ainda que por vezes ocorram somente no nível subconsciente tornam as pessoas mais felizes e satisfeitas Essa é a meta importante tanto para os gover nos quanto para os empreendedores da iniciativa privada Embora a meta da economia seja o consumo o sentido da vida não se resume aos bens da racionali dade econômicomaterial que satisfazem o exterior O estímulo e o respeito a uma vida interiormente edificante levam ao seu sentido completo aos valores de caráter universal que conduzem o cida dão consumidor do ponto de vista econômico ao seu caminho adequado À medida que aumenta o bemestar parece que muita importância vai sendo atribuída aos valores do prazer especial mente material que levam à superficia lidade Se essa relação de causalidade for real e objetiva o desenvolvimento eco nômico deve ser acompanhado de boa formação moral À medida que mais assalariados se incorporam ao mercado mais produtos e serviços são adquiridos Ao se estabelecerem novos padrões e estilos de vida uma hierarquia de valo res deve ser considerada no planejamen to do consumo Uma educação para o consumo ajudaria a identificar a propor ção ideal de bens imediatos e duradou ros e serviços a serem adquiridos A passagem da pobreza ao bemestar pode acarretar uma visão materialista da vida O equilíbrio econômico facilita a convivência harmônica entre os cidadãos propicia o desenvolvimento de cada um e consequentemente um maior rendimento no trabalho 44 vol11 nº1 janjun 2012 e do mundo que desdiz da característi ca racional do ser humano Convém lembrar que ainda há mais de um bilhão de pessoas sobrevivendo com pouco mais de um dólar por dia Sem dúvida certas técnicas de marketing incrementam o consumo Os líderes de opinião colaboram com as empresas nesse aspecto O desafio dos empresários está justamente em possibilitar e incentivar o consumo sem necessariamente transformar os consumidores em consumistas A racionalidade no processo de compra deve ser estimulada por todos famílias governo empresas organizações não governamentais e outras instituições que prezem seriamente o bemestar integral das pessoas equilíbrio econômico e morAl Como solução existe a proposta de estabelecer uma autoridade suprana cional voltada à busca do bem comum universal que orquestre o crescimen to econômico tanto dos países desen volvidos como das nações ou áreas com grandes desigualdades sociais Tal autoridade teria a função dinâmica de promover um desenvolvimento real a defesa da vida e o crescimento cultural e moral das pessoas Essa transformação farseia com a transferência de uma parte das atribui ções nacionais para tal autoridade cen tral ou correspondentes regionais de modo gradual e equilibrado Certamente ela se realizaria não sem angústias e sofrimentos mas com decisão e magna especial ética em tempos de crise a ÉTica eM TeMpOs De cRise O capitalismo ético levará à busca do lucro com um espírito de construção de uma sociedade em que imperem a liberdade e a paz gvexecutivo 45 nimidade com vistas ao desenvolvi mento integral dos povos e de cada pessoa Assim como a tecnologia e a globalização expandem eou excluem fronteiras um organismo com vocação e competência mundiais apoiado na prerrogativa e no dever de todos e para todos sem discriminações poderia assegurar a construção de uma socieda de comprometida com o bem comum e o próprio futuro Seria a concretização da sustentabilidade tão apregoada e ainda pouco efetiva O equilíbrio econômico facilita a con vivência harmônica entre os cidadãos e entre os povos mas isso não se dá apenas por meio do consumo de bens materiais A transformação deve ocorrer antes ou simultaneamente no âmbito interior de cada pessoa Seu desenvolvimento inte rior será a motivação para o maior rendi mento no trabalho para maior eficiência para maior produtividade Como conse quência sua remuneração tenderá a cres cer e com ela virão mais tempo livre mais descanso mais tranquilidade mais possibilidade de reflexão melhor apro veitamento dos seus dons e talentos renovAção no Ambiente empresAriAl O valor e a atividade da pessoa devem oporse às forças que levam à massificação O sentido de dignidade humana não pode ser perdido em nome do interesse econômico seja do Estado coletivista seja da iniciativa privada malintencionada ou mal con trolada A massificação pode afetar as pessoas tanto por ações do governo como pela força da propaganda por exemplo Daí se compreende o surgi mento de tantas associações de profis sionais que desenvolvem códigos de autorregulamentação O estabeleci mento de limites éticos por iniciativa dos próprios profissionais deveria assegurar de modo livre o sentido de democracia com respeito aos cidadãos A ética empresarial tem um papel fundamental nesse processo O desen volvimento tecnológico o espírito de inovação e o marketing de produtos serviços e ideias poderão contribuir para um novo sentido humano da vida O crescimento econômico que respeite uma hierarquia moral a ordem natural dos valores possibilitará uma visão mais ampla e madura da cultura e do mundo O capitalismo ético levará à busca do lucro com um espírito de construção de uma sociedade em que imperem a liberdade e a paz A integri dade norteará os empreendedores e governantes no sentido de assegurar uma convivência política econômica e social dos povos e nações Onde a ética melhor se aclimata é no regime democrático Saúde Ética Justiça 200813119 Ética origens e distinção da moral Ethics origins and the moral distinction Antônio Macena Figueiredo Figueiredo AM Ética origens e distinção da moral Saúde Ética Justiça 200813119 RESUMO Ética e moral são termos freqüentemente utilizados no cotidiano porém definir o que significam não é tarefa fácil Basta perguntar se existe alguma distinção entre esses vocábulos para constatarmos que as pessoas se vêem em dificuldade ao tentar explicar Este artigo tem como objetivo apresentar alguns esclarecimentos teóricofilosóficos sobre a origem das divergências conceituais Parte de uma breve revisão sobre as origens etimológicas dos termos ethos e mos São apresentados os diversos sentidos em que esses vocábulos podem ser empregados conceitos utilizados e finaliza com uma reflexão sobre a compreensão da ética como ciência específica ou como ramo de estudo da filosofia DESCRITORES Ética Moral Virtudes Valores sociais 1 INTRODUÇÃO Aristóteles que viveu entre os anos de 384322 aC já afirmava que o homem é um animal político o que remete à sua natureza social Um século antes dessa afirmação Heródoto historiador grego e Sófocles um dos mais importantes escritores da tragédia também já afirmavam que o homem sem a polis cidadeEstado na Grécia antiga teria um destino trágico pois embora seja um ser independente sua existência só teria sentido com a convivência social1 Fora do ambiente social a existência do homem será sempre uma abstração pois é dele que ele retira os meios de aprimoramento da vida coletiva quer material moral ou ético Já dizia Aristóteles em sua Ética a Nicômaco que a ética nos ensina a viver ela para ser vivida é práxis e não propriamente theoria ou póesis Desse ensinamento se deduz que ética se instala em solo moral uma vez que ela se depara com uma experiência históricosocial no terreno da moral Daí a primeira definição Ética Doutorando em Ciências da Saúde UnBDF Mestre em Educação Advogado Enfermeiro Especialista em Ética Aplicada e Bioética Fiocruz Professor de Ética Profissional da Universidade Federal Fluminense UFF Prof do Curso de Especialização em Direito Médico e de atualização em Perícias Médicas da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro UERJ Presidente da Associação de Direito Médico e da Saúde do Estado do Rio de Janeiro ADIMESRJ Membro da Comissão de Bioética e Biodireito da Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro OABRJ Membro da Sociedade Brasileira de Bioética BrasíliaDF ENDEREÇO PARA CONTATO SGAN Q 912 Mod C apt 07 Cep 70740120 BrasíliaDF Email macenasounbbr macenasoyahoocombr Figueiredo AM Ética origens e distinção da moral ou filosofia da moral pode ser conceituada como a parte da filosofia que se ocupa com a reflexão a respeito dos fundamentos da vida moral2 Mas o legado histórico desse conceito vem de longe data de aproximadamente 500 a 300 anos aC época considerada como o período áureo do pensamento grego Foi nesse período que surgiram muitas idéias e definições teóricas sobre a ética que até hoje fundamentam os conceitos históricosociais no campo da moral Pensadores como Sócrates Platão e Aristóteles foram os responsáveis pela análise e reflexão sobre o agir do homem3 A reflexão grega neste campo surgiu de uma pesquisa a respeito da natureza do bem moral na busca de um princípio absoluto de conduta3 Embora se tenha atribuído a Sócrates o início dessa reflexão a primeira apresentação sistemática da Ética encontrase em Aristóteles Foi ele quem primeiro formulou os princípios da ação humana acerca da diferença entre o conhecimento teórico e o prático Formulou a maior parte dos problemas que mais tarde passaram a ocupar a atenção dos filósofos morais relação entre as normas e os bens relação entre a ética individual e a social classificação das virtudes exames da relação entre a vida teórica e a vida prática dentre outros Seguindo Aristóteles muitas escolas como por exemplo a Cínica palavra originada do nome do ginásio Cinosargo de Atenas e em parte a Estóica ocuparamse de estudar principalmente os fundamentos da vida moral do ponto de vista filosófico Uma das principais obras de Aristóteles foi A ética de Nicômaco Esse tratado é reconhecido como uma das obrasprimas da filosofia moral Nele é apresentada a questão fundamental de toda a investigação ética ao se questionar qual o fim último de todas as atividades humanas Supondo Aristóteles que toda arte e investigação e igualmente toda ação e todo propósito parecem ter em mira um bem qualquer por isso foi dito não sem razão que o bem é aquilo a que todas as coisas visam4 Nesse entendimento deduzse que a ética serve para conduzir as ações humanas a respeito das boas ações virtudes ou das nãoéticas às más vícios Pela forma de aquisição das virtudes Aristóteles as classifica em intelectuais conhecimento teórico resultante do ensino e morais conhecimento prático adquirido pelos hábitos Daí define a ética como Ética ἠθικός significa ciência dos costumes ηθος4 Desse contexto extraíramse as primeiras divergências entre os significados de ética e moral a começar pela suas origens etimológicas e pelos vários sentidos que podem ser atribuídos a esses termos 2 ÉTICA Toda discussão sobre ética sempre se inicia pela revisão de suas origens etimológicas e pela sua distinção ou sinonímia com o termo moral Justificase a necessidade de explicitar a origem do termo ethos uma vez que é de sua raiz primitiva que iremos encontrar as respostas para as ambigüidades terminológicas e imprecisões conceituais A palavra ethos expressa a existência do mundo grego que permanece presente na nossa cultura Esse vocábulo deriva do grego ethos Nessa língua possui duas grafias ηθος êthos e εθός éthos Essa dupla grafia não é gratuita pois reúne uma diversidade de significados que ao longo do tempo distanciaramse do seu sentido original5 Considerando que normalmente os autores não costumam apresentar os significados desses termos em suas origens antes de adentrarmos nos conceitos de ética e moral passaremos uma breve vista em suas origens uma vez que as controvérsias sobre o que se entende por ética devemse em grande parte aos diversos significados da palavra primitiva ethos e à sua tradução para o latim mos Esses dois termos podem ser entendidos em três sentidos morada ou abrigo caráter ou índole e hábitos ou costumes a O termo grego ηθος êthos quando escrito com eta η inicial possui dois sentidos morada caráter ou índole O primeiro sentido é de proteção É o sentido mais antigo da palavra Significa morada abrigo e lugar onde se habita Usavase primeiramente na poesia grega com referência aos pastos e abrigos onde os animais habitavam e se criavam Mais tarde aplicouse aos povos e aos homens no sentido de seu país Depois por extensão à morada do próprio homem6 isto é referese a uma habitação que é íntima e familiar é o lar um lugar onde o homem vive É o lugar onde é mais provável de se encontrar o eu real Ele representa aquilo que faz uma pessoa um indivíduo sua disposição seus hábitos seu comportamento e suas características Saúde Ética Justiça 200813119 Figueiredo AM Ética origens e distinção da moral Nesse sentido cada um tem sua própria ética É isso mais que os acidentes e incidentes da vida que o diferencia de todos os demais7 O segundo significado da palavra éthos assume uma concepção histórica a partir de Aristóteles Representa o sentido mais comum na tradição filosófica do Ocidente Este sentido interessa à ética em particular por estar mais próximo do que se pode começar a entender por ética Étthos significa modo de ser ou caráter Mas esse vocábulo apresenta um sentido bem mais amplo em relação ao que damos à palavra ética O ético compreende antes de tudo as disposições do homem na vida seu caráter seus costumes e naturalmente também a sua moral Na realidade poderia se traduzir como uma forma de vida no sentido preciso da palavra isto é diferenciandose da simples maneira de ser6 Entretanto é preciso ter certo cuidado com o uso da palavra caráter pois ela pode ter uma conotação filosófica um sentido psicológico e outro restritamente moral É este último que interessa à ética O caráter segundo Heráclito de Éfeso séc VIV aC é o conjunto definido de traços comportamentais e afetivos de um indivíduo persistentes o bastante para determinar o seu destino8 Para Kant 17241804 o caráter é entendido de acordo com a sua definição de causa quer dizer uma lei da causalidade sob a qual as ações estariam ligadas integralmente9 Por outro lado pode significar também o conjunto de traços psicológicos eou morais positivos ou negativos que caracterizam um indivíduo ou um grupo10 Em sentido psicológico caráter é o conjunto de qualidades psíquicas e afetivas que intervêm na conduta de uma pessoa e a distinguem das demais o que também chamamos de personalidade10 Referese ao conjunto dos traços particulares ao seu modo de ser à sua índole e ao seu temperamento Traços que estão mais ligados à estrutura biológica propriamente dita ou seja aquilo que é herdado mais pela natureza páthos do que é inato do que os traços individuais adquiridos com a adaptação ao meio social Mas não é essa acepção da palavra que interessa à ética Interessa o caráter em seu sentido estritamente moral isto é a disposição fundamental de uma pessoa diante da vida seu modo de ser estável do ponto de vista dos hábitos morais disposição atitudes virtudes e vícios que a marcam que a caracterizam e lhe conferem a índole peculiar que a distingue dos demais10 Referese ao conjunto das qualidades boas ou más de um indivíduo resultante do progressivo exercício na vida coletiva É esse caráter não no sentido biológico ou psicológico senão no modo de ser ou forma de vida que vai adquirindo apropriando incorporando ao longo de toda uma existência que está associado à ética6 Esse modo de ser apresenta uma dupla dimensão de permanência e de dinamismo O núcleo de nossa identidade pessoal é o produto das opções morais que vamos fazendo em nossa biografia Essas opções vão conformando nossa fisionomia moral a classe de pessoas que somos nossa índole moral ou seja a disposição para nos deixar mover por uns motivos e não por outros10 Diante das dificuldades de interpretação do conteúdo semântico da palavra ethos não é sem motivo que os autores costumam simplificar Definem a ética como sendo uma palavra derivada do grego ethos que significa modo de ser ou caráter enquanto forma de vida adquirida ou conquistada pelo homem11 Ou então a ética é derivado do grego ethikos aquilo que se relaciona com o ethos ou caráter12 b O segundo termo grego εθός éthos quando escrito com épsilon ε inicial é traduzido por hábitos ou costumes10 Este é o éthos social Significa hábitos costumes tradições Referese aos atos concretos e particulares por meio dos quais as pessoas realizam seu projeto de vida Este sentido também interessa à ética uma vez que o caráter moral vai se formando precisamente mediante as opções particulares que fazemos em nossa vida cotidiana10 De maneira que é a força das tradições quem forma a identidade de uma sociedade Reciproca mente os hábitos constituem o princípio intrínseco dos atos Conforme diz Aranguren6 parece haver um círculo éthoshábitosatos Assim se compreende como é preciso resumir as duas variantes da acepção usual de éthos estas sendo os princípios dos atos e aquele o seu resultado Ethos é o caráter χαρακτη cunhado impresso na alma por hábitos6 Esta tensão segundo Aranguren6 sem contradição entre éthos como caráter e éthos como hábitos definiria o âmbito conceitual da idéia central da ética Razão pela qual tanto na concepção Saúde Ética Justiça 200813119 Figueiredo AM Ética origens e distinção da moral clássica quanto na moderna a ética ocupase constantemente dos atos morais e dos hábitos no sentido de virtudes e vícios As virtudes podem ser classificadas pela forma de aquisição intelectuais e morais As virtudes intelectuais são resultados do ensino são muito artificiais por isso precisam de experiências e tempo para formar o caráter As virtudes morais são adquiridas pelo hábito costumes ou experiência Não são inatas são adquiridas pelo exercício da práxis com o convívio social ou seja com a disposição de viver com ou conviver com os outros Sobre a distinção entre virtudes e vícios explica Korte que as virtudes são as idéias ou razões positivas que trazem melhores resultados ao passo que os vícios são os portadores dos insucessos e dos resultados negativos Enquanto atuo seja de acordo com virtudes ou vícios procedo eticamente Mas e aí vem o fundamento da explicação se os costumes mores indicam a prática da virtude e eu pratico o vício eu estou agindo contra a moral mas a rigor não estou agindo contra a Ética mas contra as regras que me são recomendadas pelos conhecimentos trazidos pela Ética Por isso a ética pode ser entendida como a ciência da reta ordenação dos atos humanos desde os últimos princípios da razão kathein Estamos portanto diante de uma ciência prática que trata de atos práticos É a razão da filosofia da prática É a forma que configura a matéria atos humanos Por isso é importante saber que a ética não se ocupa do irracional como sugerem algumas interpretações senão do racional prático tentando saber o específico da moral em sua razão filosófica Isto é a razão das escolhas de uma determinada conduta e os fundamentos da tomada de decisão Dessa concepção e do entendimento de que ações humanas podem ser abordadas por uma perspectiva psicológica biológica ou filosófica deduzse que a ética se ocupa da reflexão filosófica relativa à conduta humana sob o prisma dos atos morais Ela vai examinar a natureza dos valores morais e a possibilidade de justificar seu uso na apreciação e na orientação de nossas ações nas nossas vidas e nas nossas instituições A ética estuda as relações entre o indivíduo e o contexto em que está situado Ou seja entre o que é individualizado e o mundo a sua volta mundo moral Procura enunciar e explicar as regras sobre as quais se fundamenta a ação humana ou razão pela qual se deve fazer algo normas leis e princípios que regem os fenômenos éticos São fenômenos éticos todos os acontecimentos que ocorrem nas relações entre o indivíduo e o seu contexto A ética filosófica como compreende Cubelles é uma metalinguagem que fala da práxis humana tentando descobrir a razão pela qual se deve fazer algo considerando os valores morais estabelecidos em cada sociedade 3 MORAL E ÉTICA Outra discussão de relevo é sobre a distinção entre ética e moral Instalase aqui uma verdadeira confusão entre as similitudes e diferenças a começar pelas definições dos dicionários de filosofia Quanto à origem do termo de acordo com o dicionário de filosofia de J Ferrater Morais a moral deriva de ἠθός costumes do mesmo modo que a ética de ἠθός Por vezes a ética e a moral são usadas indistintamente como disse Cícero de fato 11 Por isso esse vocábulo é algumas vezes utilizado como sinônimo de ética Entretanto usase a palavra moral mais freqüentemente para designar códigos condutas e costumes de indivíduos ou de grupos como acontece quando se fala da moral de uma pessoa ou de um povo Aí é o equivalente da palavra grega ethos e da latina mores Segundo o dicionário de filosofia de Nicola Abbagnano o termo moral apresenta dois sentidos o primeiro deriva do lat Moralia in Morals fr Morale it Morale significa o mesmo que Ética Objeto da ética conduta dirigida ou disciplinada por normas conjunto dos mores Neste significado a palavra é usada nas seguintes expressões M dos primitivos M contemporânea etc No segundo sentido deriva lat Moralis in Moral Este adjetivo tem em primeiro lugar os dois significados correspondentes ao substantivo moral 1º atinente à doutrina ética 2º atinente à conduta e portanto suscetível de avaliação M especialmente de avaliação M positiva Assim não só se fala de atitude M para indicar uma atitude moralmente valorável mas também coisas positivamente valoráveis ou seja boas Não é sem motivo que Coimbra afirma que ética e moral são sinônimos de origens distintas que em si uma é a mesma coisa isto é possuem os mesmos sentidos Por isso Tugendhat argumenta que não se pode tirar nenhuma conclusão do que se pode entender por ética e moral a partir das origens das palavras De fato etimologicamente esses termos possuem idênticos conteúdos semânticos Razão pela qual muitas vezes são empregados no cotidiano indistintamente As razões dessas divergências encontramse sem dúvida nas origens das palavras sobre as quais passaremos em revista para depois apresentar alguns conceitos extraídos da literatura especializada O que ocorreu No latim não existia uma palavra para traduzir o êthos nem tampouco outra para representar o sentido do termo éthos dado na língua grega Então na essência esta distinção foi perdida Ambas foram traduzidas por mos ou mores plural de mos do qual vem o termo moralis pois era a palavra que mais se aproximava do sentido de ethos que nessa língua pode significar tanto costumes como caráter ou gênero de vida Assim em latim o mos passou a significar tanto o moco êthos morada caráter índole como eo éthos hábitos costumes costumes e hábitos Está aqui a origem de toda a confusão acerca do conteúdo semântico dos termos e por conseguinte a sinonímia ou distinção dos sentidos que se atribui ao uso das palavras ética e moral Entretanto este não é o único critério para se determinar o significado das palavras pois assim como as línguas evoluem segundo a sua cultura as palavras podem adquirir significados distintos de acordo com o sentido em que são empregadas Além da dimensão semântica dos vocábulos e das expressões há uma dimensão pragmática visto que uma mesma palavra pode assumir significados diferentes num determinado contexto sóciocultural Sobre esse aspecto é preciso aterse ao processo de evolução do sentido do termo como forma de conhecer não apenas o seu significado isolado mas sobretudo os vários sentidos em que pode ser utilizado numa dada cultura Logo questionar acerca do que se deve entender por ética ou moral considerando apenas o conteúdo semântico dos termos não é o único recurso de análise para se formularem significados conceito ou definições Deixando um pouco de lado o esforço de se tentar deduzir uma definição exclusivamente a partir dos signos vejamos as diversas maneiras de utilizar o termo moral e por sua vez de se chegar a um conceito correspondente ao contexto cultural A palavra moral segundo Aranguren possui diferentes sentidos com referência direta ao comportamento humano e à sua classificação como moral ou ao seu contrário imoral como parte da filosofia filosofia moral Moral também escrita com maiúscula quando se ocupa do comportamento humano no que se refere a bem ou mal Segundo Martinez o termo moral é utilizado atualmente de maneira distinta Assim como ocorreu com os significados de ethos essa multiplicidade de usos também deu lugar a alguns malentendidos Para essa autora algumas vezes o termo moral é empregado como substantivo e outras vezes como adjetivo Como substantivo pode ser empregado em quatro situações 1 Quando o termo moral for grafado com minúscula e estiver precedido do artigo definido feminino a moral referese ao conjunto de princípios preceitos comandos proibições normas de conduta valores e ideais de vida boa que em seu conjunto é constituído por um grupo humano concreto em uma determinada época histórica Nesta acepção a moral representa um modelo ideal de boa conduta socialmente estabelecida pela sociedade 2 Quando a palavra moral é usada para fazer referência ao código pessoal de alguém Por exemplo quando se diz que fulano possui uma moral muito rígida ou quando se diz beltrano carece de moral estamos falando de um código moral que guia os atos de uma pessoa concreta ao longo de sua vida É o conjunto de convicções e pautas de conduta que costuma constituir a base para os juízos morais que cada um faz das outras pessoas e de si mesmo 3 Usase o termo moral com maiúscula Moral para referirse a uma ciência que trata do bem em geral das ações humanas marcadas pela bondade ou pela malícia A rigor esta ciência não existe O que existe é uma variedade de doutrinas como por exemplo a Moral católica protestante islâmica budista marxista etc Fazendo um parêntese lembramos que somente a ética na qualidade de disciplina filosófica ciência da moral possui teorias éticas diferentes e até opostas pois há uma distinção entre uma doutrina e uma teoria enquanto a doutrina trata de sistematizar um conjunto concreto de princípios normas preceitos e valores as teorias constituem uma tentativa de explicar um fato As teorias representam um pensamento baseado num dado contexto histórico de uma época sob o qual se fundamenta a vida moral concreta 4 Quando a palavra moral se refere a expressões que a utilizam no masculino tais como ter o moral elevado ou estar com o moral alto e outras semelhantes moral tornase sinônimo de boa disposição do espírito ter força coragem suficiente para enfrentar com dignidade os desafios que a vida nos apresenta Essa acepção tem um profundo significado filosófico pois a moral não é apenas um saber nem um dever mas sobretudo uma atitude e um caráter Com referência ao uso da palavra moral como adjetivo a maioria das expressões está relacionada com a Ética Neste caso há duas situações em que aparece como adjetivo 1 Moral como oposto a imoral Termo usado como termo valorativo de reprovação Esse uso pressupõe a existência de algum código moral que serve de referência para emitir um juízo moral Referese a uma conduta contrária às regras morais vigentes numa dada cultura 2 Moral como oposto a amoral Termo usado para se referir a uma ação que não tem relação com a moralidade A conduta dos animais por exemplo não tem nenhuma relação com a moralidade pois pressupõe que estes não são responsáveis por seus atos Ao passo que os seres humanos atingiram um desenvolvimento completo e na medida em que tornamse senhores de seus atos têm uma conduta moral Amoral portanto referese à ação atitude estado ou caráter que não é nem moral nem imoral ie que é exterior à esfera da moral Desses exemplos é possível deduzir que para a compreensão do que se deve entender por moral as respostas não serão encontradas na origem do termo exclusivamente pois os costumes ou a cultura de um povo antecedem as suas origens terminológicas Os costumes são partes indissociáveis da identidade de um povo num dado contexto histórico Neste contexto e da análise pragmática de como as palavras adquirem vários sentidos é que se poderá extrair um conceito mais apropriado ao seu uso Os termos ética e moral foram utilizados ao longo da história com diversos significados e com relações distintas entre si Houve ocasiões em que os significados mudaram completamente Jürgen Habermas por exemplo com base em conceitos da tradição hegelianomarxista utiliza os termos eticidade e moralidade com significados novos reservando a moralidade ao abstrato e universal e a eticidade à concreção no mundo da moralidade da vida Assim como o termo ethos possui significados ambíguos a palavra moral também pode ser empregada com sentidos diversos Se olharmos o conceito de moral nos dicionários da língua portuguesa notaremos que existe alguma distinção conceitual significativa Segundo o dicionário Houaiss Moral denota bons costumes boa conduta segundo os preceitos socialmente estabelecidos pela sociedade ou por determinado grupo social Cada um dos sistemas de leis e valores estudados pela ética disciplina autônoma da filosofia caracterizados por organizarem a vida das múltiplas comunidades humanas diferenciando e definindo comportamentos proscritos desaconselhados permitidos ou ideais Observase que o segundo conceito menciona que o sistema de leis referindose a regras ou normas sociais e valores são estudados pela ética Daí a diferença entre os dois termos A Ética significa Ciência da moral quer dizer ética seria a construção intelectual organizada pela mente humana sobre a moral Esta seria pois o seu objeto O entendimento clássico de ética era o do estudo filosófico dos fundamentos dos princípios dos deveres e dos demais elementos da vida moral Ou seja tratase da teoria filosófica sobre a moralidade O termo moral aplicase pelo contrário à consideração prática dos casos concretos isto é para designar a arte de aplicar a teoria filosófica a ética aos problemas concretos da vida moral Desse modo não é apenas do significado restrito de um termo dissociado da cultura que se extrai um conceito mais exato Claro que a discussão deve sempre começar pela análise lingüística pois é a partir do significado primitivo que se extraem os primeiros significados Mas afinal o que entendemos por moral A moral referese quer aos costumes quer às regras de conduta admitidas numa sociedade determinada Portanto um fato moral é aceito para um tipo de sociedade de acordo com a sua tradição ou realidade cultural A realidade moral neste sentido vai se referir ao conjunto desses costumes e Saúde Ética Justiça 200813119 4 Figueiredo AM Ética origens e distinção da moral mesmos sentidos Por isso Tugendhat argumenta que não se pode tirar nenhuma conclusão do que se pode entender por ética e moral a partir das origens das palavras De fato etimologicamente esses termos possuem idênticos conteúdos semânticos Razão pela qual muitas vezes são empregados no cotidiano indistintamente As razões dessas divergências encontramse sem dúvida nas origens das palavras sobre as quais passaremos em revista para depois apresentar alguns conceitos extraídos da literatura especializada O que ocorreu No latim não existia uma palavra para traduzir o êthos nem tampouco outra para representar o sentido do termo éthos dado na língua grega Então na essência esta distinção foi perdida Ambas foram traduzidas por mos ou mores plural de mos do qual vem o termo moralis pois era a palavra que mais se aproximava do sentido de ethos que nessa língua pode significar tanto costumes como caráter ou gênero de vida Assim em latim o mos passou a significar tanto o moco êthos morada caráter índole como eo éthos hábitos costumes costumes e hábitos Está aqui a origem de toda a confusão acerca do conteúdo semântico dos termos e por conseguinte a sinonímia ou distinção dos sentidos que se atribui ao uso das palavras ética e moral Entretanto este não é o único critério para se determinar o significado das palavras pois assim como as línguas evoluem segundo a sua cultura as palavras podem adquirir significados distintos de acordo com o sentido em que são empregadas Além da dimensão semântica dos vocábulos e das expressões há uma dimensão pragmática visto que uma mesma palavra pode assumir significados diferentes num determinado contexto sóciocultural Sobre esse aspecto é preciso aterse ao processo de evolução do sentido do termo como forma de conhecer não apenas o seu significado isolado mas sobretudo os vários sentidos em que pode ser utilizado numa dada cultura Logo questionar acerca do que se deve entender por ética ou moral considerando apenas o conteúdo semântico dos termos não é o único recurso de análise para se formularem significados conceito ou definições Deixando um pouco de lado o esforço de se tentar deduzir uma definição exclusivamente a partir dos signos vejamos as diversas maneiras de utilizar o termo moral e por sua vez de se chegar a um conceito correspondente ao contexto cultural A palavra moral segundo Aranguren possui diferentes sentidos com referência direta ao comportamento humano e à sua classificação como moral ou ao seu contrário imoral como parte da filosofia filosofia moral Moral também escrita com maiúscula quando se ocupa do comportamento humano no que se refere a bem ou mal Segundo Martinez o termo moral é utilizado atualmente de maneira distinta Assim como ocorreu com os significados de ethos essa multiplicidade de usos também deu lugar a alguns malentendidos Para essa autora algumas vezes o termo moral é empregado como substantivo e outras vezes como adjetivo Como substantivo pode ser empregado em quatro situações 1 Quando o termo moral for grafado com minúscula e estiver precedido do artigo definido feminino a moral referese ao conjunto de princípios preceitos comandos proibições normas de conduta valores e ideais de vida boa que em seu conjunto é constituído por um grupo humano concreto em uma determinada época histórica Nesta acepção a moral representa um modelo ideal de boa conduta socialmente estabelecida pela sociedade 2 Quando a palavra moral é usada para fazer referência ao código pessoal de alguém Por exemplo quando se diz que fulano possui uma moral muito rígida ou quando se diz beltrano carece de moral estamos falando de um código moral que guia os atos de uma pessoa concreta ao longo de sua vida É o conjunto de convicções e pautas de conduta que costuma constituir a base para os juízos morais que cada um faz das outras pessoas e de si mesmo 3 Usase o termo moral com maiúscula Moral para referirse a uma ciência que trata do bem em geral das ações humanas marcadas pela bondade ou pela malícia A rigor esta ciência não existe O que existe é uma variedade de doutrinas como por exemplo a Moral católica protestante islâmica budista marxista etc Fazendo um parêntese lembramos que somente a ética na qualidade de disciplina filosófica ciência da moral possui teorias éticas diferentes e até opostas pois há uma distinção entre uma doutrina e uma teoria enquanto a doutrina trata de sistematizar um conjunto concreto de princípios normas preceitos e valores as teorias constituem uma tentativa de explicar um fato As teorias representam um pensamento baseado num dado contexto histórico de uma época sob o qual se fundamenta a vida moral concreta 4 Quando a palavra moral se refere a expressões que a utilizam no masculino tais como ter o moral elevado ou estar com o moral alto e outras semelhantes moral tornase sinônimo de boa disposição do espírito ter força coragem suficiente para enfrentar com dignidade os desafios que a vida nos apresenta Essa acepção tem um profundo significado filosófico pois a moral não é apenas um saber nem um dever mas sobretudo uma atitude e um caráter Com referência ao uso da palavra moral como adjetivo a maioria das expressões está relacionada com a Ética Neste caso há duas situações em que aparece como adjetivo 1 Moral como oposto a imoral Termo usado como termo valorativo de reprovação Esse uso pressupõe a existência de algum código moral que serve de referência para emitir um juízo moral Referese a uma conduta contrária às regras morais vigentes numa dada cultura 2 Moral como oposto a amoral Termo usado para se referir a uma ação que não tem relação com a moralidade A conduta dos animais por exemplo não tem nenhuma relação com a moralidade pois pressupõe que estes não são responsáveis por seus atos Ao passo que os seres humanos atingiram um desenvolvimento completo e na medida em que tornamse senhores de seus atos têm uma conduta moral Amoral portanto referese à ação atitude estado ou caráter que não é nem moral nem imoral ie que é exterior à esfera da moral Desses exemplos é possível deduzir que para a compreensão do que se deve entender por moral as respostas não serão encontradas na origem do termo exclusivamente pois os costumes ou a cultura de um povo antecedem as suas origens terminológicas Os costumes são partes indissociáveis da identidade de um povo num dado contexto histórico Neste contexto e da análise pragmática de como as palavras adquirem vários sentidos é que se poderá extrair um conceito mais apropriado ao seu uso Os termos ética e moral foram utilizados ao longo da história com diversos significados e com relações distintas entre si Houve ocasiões em que os significados mudaram completamente Jürgen Habermas por exemplo com base em conceitos da tradição hegelianomarxista utiliza os termos eticidade e moralidade com significados novos reservando a moralidade ao abstrato e universal e a eticidade à concreção no mundo da moralidade da vida Assim como o termo ethos possui significados ambíguos a palavra moral também pode ser empregada com sentidos diversos Se olharmos o conceito de moral nos dicionários da língua portuguesa notaremos que existe alguma distinção conceitual significativa Segundo o dicionário Houaiss Moral denota bons costumes boa conduta segundo os preceitos socialmente estabelecidos pela sociedade ou por determinado grupo social Cada um dos sistemas de leis e valores estudados pela ética disciplina autônoma da filosofia caracterizados por organizarem a vida das múltiplas comunidades humanas diferenciando e definindo comportamentos proscritos desaconselhados permitidos ou ideais Observase que o segundo conceito menciona que o sistema de leis referindose a regras ou normas sociais e valores são estudados pela ética Daí a diferença entre os dois termos A Ética significa Ciência da moral quer dizer ética seria a construção intelectual organizada pela mente humana sobre a moral Esta seria pois o seu objeto O entendimento clássico de ética era o do estudo filosófico dos fundamentos dos princípios dos deveres e dos demais elementos da vida moral Ou seja tratase da teoria filosófica sobre a moralidade O termo moral aplicase pelo contrário à consideração prática dos casos concretos isto é para designar a arte de aplicar a teoria filosófica a ética aos problemas concretos da vida moral Desse modo não é apenas do significado restrito de um termo dissociado da cultura que se extrai um conceito mais exato Claro que a discussão deve sempre começar pela análise lingüística pois é a partir do significado primitivo que se extraem os primeiros significados Mas afinal o que entendemos por moral A moral referese quer aos costumes quer às regras de conduta admitidas numa sociedade determinada Portanto um fato moral é aceito para um tipo de sociedade de acordo com a sua tradição ou realidade cultural A realidade moral neste sentido vai se referir ao conjunto desses costumes e Saúde Ética Justiça 200813119 5 Figueiredo AM Ética origens e distinção da moral uma tentativa de explicar um fato As teorias representam um pensamento baseado num dado contexto histórico de uma época sob o qual se fundamenta a vida moral concreta 4 Quando a palavra moral se refere a expressões que a utilizam no masculino tais como ter o moral elevado ou estar com o moral alto e outras semelhantes moral tornase sinônimo de boa disposição do espírito ter força coragem suficiente para enfrentar com dignidade os desafios que a vida nos apresenta Essa acepção tem um profundo significado filosófico pois a moral não é apenas um saber nem um dever mas sobretudo uma atitude e um caráter Com referência ao uso da palavra moral como adjetivo a maioria das expressões está relacionada com a Ética Neste caso há duas situações em que aparece como adjetivo 1 Moral como oposto a imoral Termo usado como termo valorativo de reprovação Esse uso pressupõe a existência de algum código moral que serve de referência para emitir um juízo moral Referese a uma conduta contrária às regras morais vigentes numa dada cultura 2 Moral como oposto a amoral Termo usado para se referir a uma ação que não tem relação com a moralidade A conduta dos animais por exemplo não tem nenhuma relação com a moralidade pois pressupõe que estes não são responsáveis por seus atos Ao passo que os seres humanos atingiram um desenvolvimento completo e na medida em que tornamse senhores de seus atos têm uma conduta moral Amoral portanto referese à ação atitude estado ou caráter que não é nem moral nem imoral ie que é exterior à esfera da moral Desses exemplos é possível deduzir que para a compreensão do que se deve entender por moral as respostas não serão encontradas na origem do termo exclusivamente pois os costumes ou a cultura de um povo antecedem as suas origens terminológicas Os costumes são partes indissociáveis da identidade de um povo num dado contexto histórico Neste contexto e da análise pragmática de como as palavras adquirem vários sentidos é que se poderá extrair um conceito mais apropriado ao seu uso Os termos ética e moral foram utilizados ao longo da história com diversos significados e com relações distintas entre si Houve ocasiões em que os significados mudaram completamente Jürgen Habermas por exemplo com base em conceitos da tradição hegelianomarxista utiliza os termos eticidade e moralidade com significados novos reservando a moralidade ao abstrato e universal e a eticidade à concreção no mundo da moralidade da vida Assim como o termo ethos possui significados ambíguos a palavra moral também pode ser empregada com sentidos diversos Se olharmos o conceito de moral nos dicionários da língua portuguesa notaremos que existe alguma distinção conceitual significativa Segundo o dicionário Houaiss Moral denota bons costumes boa conduta segundo os preceitos socialmente estabelecidos pela sociedade ou por determinado grupo social Cada um dos sistemas de leis e valores estudados pela ética disciplina autônoma da filosofia caracterizados por organizarem a vida das múltiplas comunidades humanas diferenciando e definindo comportamentos proscritos desaconselhados permitidos ou ideais Observase que o segundo conceito menciona que o sistema de leis referindose a regras ou normas sociais e valores são estudados pela ética Daí a diferença entre os dois termos A Ética significa Ciência da moral quer dizer ética seria a construção intelectual organizada pela mente humana sobre a moral Esta seria pois o seu objeto O entendimento clássico de ética era o do estudo filosófico dos fundamentos dos princípios dos deveres e dos demais elementos da vida moral Ou seja tratase da teoria filosófica sobre a moralidade O termo moral aplicase pelo contrário à consideração prática dos casos concretos isto é para designar a arte de aplicar a teoria filosófica a ética aos problemas concretos da vida moral Desse modo não é apenas do significado restrito de um termo dissociado da cultura que se extrai um conceito mais exato Claro que a discussão deve sempre começar pela análise lingüística pois é a partir do significado primitivo que se extraem os primeiros significados Mas afinal o que entendemos por moral A moral referese quer aos costumes quer às regras de conduta admitidas numa sociedade determinada Portanto um fato moral é aceito para um tipo de sociedade de acordo com a sua tradição ou realidade cultural A realidade moral neste sentido vai se referir ao conjunto desses costumes e Saúde Ética Justiça 200813119 6 REFERÊNCIAS 1 Stone IF O julgamento de Sócrates Henriques Britto São Paulo Companhia das Letras 2005 p128 2 Cotrim G Fundamentos da filosofia história e grandes temas São Paulo Saraiva 1998 p 243303 3 Valls AL O que é ética 8a ed São Paulo Brasiliense 1994 p721 4 Aristóteles A ética de Nicômaco Tradução de Cássio M Fonseca 2a ed São Paulo Atena 1944 v 33 p916 5 Cubelles SC Compêndio de ética filosófica e história de la ética Valência Edicep 2002 p167 6 Aranguren JLL Ética 5a ed Madri Seleta 1972 p2456 7 Nicolescu B et al Educação e transdisciplinaridade São Paulo UNESCO USPEscola do Futuro CESP 2000 p56 8 Houaiss A Dicionário Houaiss da língua portuguesa Rio de Janeiro Objetiva 2001 p6201958 9 Lalande A Vocabulário técnico e crítico da filosofia São Paulo Martins Fontes 1999 p136703 10 Ferrer JJ Ávarez JC Para fundamentar a bioética teorias e paradigmas teóricos na bioética contemporânea São Paulo Loyola 2005 p 256713630 11 Vázquez AS Ética 14a ed Rio de Janeiro Civilização Brasileira 1993 p1449521612235243 12 Palmer M Problemas morais em medicina São Paulo Loyola 2002 p15 13 Korte G Iniciação à ética São Paulo Editora Juarez de Oliveira 1999 p164115 14 Skorupski J Ética In TsuiJames EP Nicholas B organizadores Compêndio de filosofia São Paulo Loyola 2002 p196 15 Mora JF Dicionário de filosofia São Paulo Loyola 2005 T2 EJ p 211 16 Runes DD Dicionário de filosofia Lisboa Presença 1990 p26429 17 Abbagnano N Dicionário de filosofia 5a ed São Paulo Martins Fontes 2007 p795 18 Coimbra JAA Fronteiras da ética São Paulo Senac 2002 p75 19 Tugendhat E Lições sobre ética 5a ed Petrópolis Vozes 1997 20 Aranguren JLL Propuestas morales 4a ed Madrid Seleta 1994 p23 21 Martins Filho IG Manual esquemático de filosofia 3a ed São Paulo LTr 2006p131567231 22 Naline J Ética geral e profissional 2a ed São Paulo Editora Revista dos Tribunais 1999 p733435 23 Reale M Filosofia do direito 19a ed São Paulo Saraiva 1999 p39 24 Sgreccia E Manual de bioética fundamentos da ética e bioética São Paulo Loyola 1996 p139 25 Sá AL Ética profissional 3a ed São Paulo Atlas 2000 p44 26 BITTAR ECB Curso de ética jurídica ética geral e profissional 2a ed São Paulo 2004 p145 27 Motta NS Ética e vida profissional Rio de Janeiro Âmbito Cultural 1984 p109 28 Altoé A Islã e os muçulmanos Petrópolis Vozes 1989 p10 29 Aranha MLA Martins MHP Filosofando introdução à filosofia 3a ed São Paulo Moderna 2005 p218 10 dos juízos sobre os costumes que são objeto de observação ou de constatação segundo as regras sócioculturais9 Daí a compreensão de que a moral é conteúdo da ética Poderseia dizer que a moral é a matéria prima da ética pois constitui o conjunto de hábitos e prescrições de uma sociedade22 A moral é o que se refere aos usos costumes hábitos e habitualidades De uma certa forma ambos os vocábulos ética e moral se referem a duas idéias diferentes mas relacionadas entre si os costumes dizem respeito aos fatos vividos ao que é sensível e registrado no acervo do grupo social como prática habitual A idéia contida na moral é a relação abstrata que comanda e dirige o fato o ato a ação ou o procedimento A moral explica e é explicada pelos costumes A moral pretende enunciar as regras normas e leis que regem causam e determinam os costumes inclusive muitas vezes anunciandolhes as conseqüências13 À guisa de conclusão devese entender por moral um sistema de normas princípios e valores segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes com a comunidade de forma não coercitiva De maneira que estas normas são dotadas de um caráter histórico e social e são acatadas de forma livre e por convicção de foro íntimo11 4 ÉTICA CIÊNCIA OU RAMO DA FILOSOFIA Diante da revisão das origens etimológicas e dos conceitos vistos anteriormente interrogase a ética é uma ciência Restringese apenas ao ramo de estudo da filosofia Sendo ciência que tipo de ciência seria a ética Qual o seu objeto Qual o seu objetivo Qual o seu método de estudo Desde os gregos a ética sempre constituiu uma parte do pensamento filosófico e sempre ocupou o ramo da filosofia conhecido como teoria dos valores ou axiologia que inclui a ética a estética a filosofia da religião filosofia política e outras23 Por outro lado pela ausência de desenvolvimento científico específico nas diversas áreas do conhecimento humano a filosofia sempre se apresentou como um saber total Ou seja ela ocupavase de quase tudo À medida que o conhecimento humano avançou a abordagem científica estendeuse progressivamente às novas realidades inclusive à realidade social A partir daí vários ramos do saber se des prenderam do tronco da filosofia para constituir ciências especiais com objeto específico objetivos e métodos próprios11 Um dos últimos ramos que se desprendeu do tronco da filosofia foi a psicologia seguindo o mesmo caminho de outras disciplinas entre elas a ética que era tradicionalmente considerada tarefa exclusiva dos filósofos11 Transformandose numa ciência pois tem objeto próprio leis próprias e método próprio22 É considerada uma teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade Ou seja é a ciência de uma forma específica de comportamento humano11 É a ciência do comportamento humano em relação aos valores aos princípios e às normas24 Tem por objeto o estudo dos juízos de aprovação e desaprovação a respeito da conduta Portanto o seu objeto é a moral25 Muito embora não seja um saber particular sobre um objeto de conhecimento em virtude da complexidade das especulações que envolvem o comportamento humano a ética afirmase no solo filosófico Não obstante alguns autores advoguem a idéia de sua autonomia científica por ser essa uma parte do território de estudos filosóficos ou seja aquela que tem por principal foco de estudos a ação humana necessariamente seu local de assento seu berço natural é a filosofia prática26 Assim como a filosofia dividese em ramos de preocupações a ética enquanto um saber teórico ocupase de três áreas fundamentais ética descritiva ética normativa e ética filosófica ou Metaética A ética descritiva é a ciência positiva dos fatos morais sejam eles individuais ou coletivos10 Tem como função descrever os fenômenos morais24 A ética normativa trata dos juízos prescritivos com base nos códigos Os sistemas normativos dizem como devem atuar os agentes morais dandolhes normas práticas de ação10 Por sua parte fazse oportuno esclarecer que a ética é uma disciplina normativa não por criar normas mas por descobrilas e elucidálas Mostra à pessoa os valores e os princípios que devem nortear sua existência pois a sua função é aprimorar seu sentido moral e influenciar a conduta22 Por último a ética filosófica se refere à reflexão moral É a reflexão racional profunda dos pressupostos dos fundamentos dos sistemas de normas morais na busca de descobrir as verdades necessárias para que um sistema moral seja válido10 Desse modo a ética enquanto conhecimento 11 teórico por se deparar com as práticas morais no contexto históricosocial é considerada uma ciência social27 É uma ciência social porque o seu objeto de estudo é um fato socialmente histórico a moral Já a moral não é concebida como ciência senão o objetivo desta A guisa de conclusões escreve Sá25 A ética é a ciência tendo por objeto de estudo os sentimentos e juízos de aprovação e desaprovação acerca da conduta e da vontade humana propondose a determinar a qual é o critério segundo a conduta e a vontade em tal modo aprovada se distinguem ou ainda qual é a norma segundo a qual se opera e deve operar a vontade em tal conduta e qual o fim que na mesma e para essa se cumpre e se deve cumprir b em que relações de valor estão com observância daquela norma e obtenção daquele fim as diversas formas de conduta individual ou coletiva tais como se apresentam na sociedade e na época à qual pertencemos25 Sintetizando enquanto conhecimento teóricofilosófico ao contrário da moral a grande preocupação da ética é esboçar as linhas gerais de uma teoria normativa que possa auxiliar na solução de problemas e na identificação do que é correto e de como devemos agir considerando os valores morais vigentes Esse é o seu engajamento com a moral28 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS É possível deduzir que a análise etimológica dos termos não é suficiente para orientarnos sobre o que devemos entender por ética e moral Constatamos que a palavra ética tem particularidades conceituais de difícil precisão Por isso muitas vezes é confundida com moral e até mesmo empregada no cotidiano no sentido de senso comum Outra questão que não é considerada no diaadia é a distinção entre o uso substantivo ou adjetivo do termo moral Isso também pode levar a algumas imprecisões conceituais Apesar da natural existência de uma sinonímia entre essas palavras uma vez que ambas se referem à ação humana intencional e sobre os critérios de escolha de um determinado tipo de conduta predomina o entendimento de que existe uma distinção quer semântica quer conceitual entre ética e moral Por moral devese compreender o conjunto de regras de condutas assumidas livre e conscientemente pelos indivíduos com a finalidade de organizar as relações interpessoais segundo os valores do bem e do mal ao passo que a ética ou filosofia da moral é mais abstrata constituindo a parte da filosofia que se ocupa com a reflexão sobre as noções e os princípios que fundamentam a vida moral29 Reservase à ética o estudo da moralidade do agir humano bondade ou maldade dos atos humanos sua retidão frente à ordem moral21 A ética é a disciplina filosófica que investiga os diversos sistemas de morais elaborados pelos homens buscando compreender a fundamentação das normas e proibições próprias a cada uma e explicar seus pressupostos ou seja as concepções sobre o ser humano e a existência que os sustenta É considerada uma ciência porque além de se ocupar da reconstrução intelectual organizada pela mente humana acerca da moral tem objeto próprio leis próprias e método próprio Seu objeto é á moral e a reflexão teóricofilosófica o condicionante metódico enquanto disciplina teórica Figueiredo AM Ethos origins and the moral distinction Saúde Ética Justiça 200813119 ABSTRACT Ethics and moral are terms frequently used in daily life however to define what they mean is not an easy task It is enough asking whether there is any distinction between these words to notice that people have difficulty trying to explain it This article aims to present some theoreticalphilosophical clarifications about the etymological origin of the terms ethos and mos The diverse meanings in which these terms can be employed and the concepts used are presented The article ends with a reflection about the comprehension of ethics as a specific science or as a branch of philosophical study KEYWORDS Ethics Morale Virtues Social values Artigo recebido em 09112007 Aprovado em 19062008 Revista de Administração Contemporânea Journal of Contemporary Administration eISSN 19827849 1 Revista de Administração Contemporânea v 26 n 1 e210203 2022 doiorg10159019827849rac2022210203por eISSN 19827849 racanpadorgbr Reflecting on Contemporary Administration Refletindo sobre Administração Contemporânea 1 Universidade Federal da Paraíba Programa de PósGraduação em Administração João Pessoa PB Brasil 2 Editorchefe da RAC Revista de Administração Contemporânea Como citar Bispo M de S 2022 Refletindo sobre administração contemporânea Revista de Administração Contemporânea 261 e210203 httpsdoiorg10159019827849rac2022210203por Editorial PREÂMBULO PREÂMBULO Neste primeiro editorial da Revista de Administração Contemporânea RAC sob a minha gestão gostaria de primeiramente manifestar a minha alegria e motivação para dar continuidade ao trabalho científico e editorial da revista que já está próximo de completar 25 anos Agradeço pela confiança da atual diretoria da ANPAD 20212024 e a todos os editores que me antecederam Clóvis Luiz MachadodaSilva César Gonçalves Neto Tomas de Aquino Guimarães Rogério Hermida Quintella Herbert Kimura e Wesley MendesdaSilva por suas contribuições oferecidas à RAC de modo que ela pudesse chegar ao patamar de excelência em que se encontra hoje Espero estar à altura juntamente com toda a equipe editorial para que a RAC continue sendo referência nacional e avance ainda mais internacionalmente no campo da administração Estou ciente das responsabilidades e desafios que temos pela frente Feitos os agradecimentos iniciais pretendo neste texto apresentar algumas reflexões acerca do que representa a ideia de administração contemporânea Tal iniciativa parte de uma demanda da atual direção da ANPAD em definir focos e escopos mais claros para as revistas da associação a RAC e a BAR Brazilian Administration Review com a ajuda de um grupo de trabalho formado por pessoas com ampla experiência científica e editorial Como meio de oferecer à RAC foco e escopo que consigam diferenciála da BAR o grupo de trabalho e os atuais editores associados da RAC definiram que a ideia de contemporâneo é o melhor caminho para justificar o nome da revista e honrar a sua trajetória ao longo de quase duas décadas e meia Entretanto ao mesmo tempo que a palavra contemporâneo parece ser muito adequada para pensar a administração e ser supostamente conhecida por todo o público da RAC apresentar um entendimento adequado para ela é algo complexo e necessário Nesse sentido apresento dois pressupostos que vão ajudar no desenvolvimento das ideias que seguem na sequência O primeiro deles é que contemporâneo não se refere à simples definição de dicionário de algo que pertence ao tempo atual ou ainda de algo que existiu em uma mesma época O segundo diz respeito à amplitude de possibilidades do contemporâneo ou seja ao mesmo tempo que é possível pensar pesquisas de todas as áreas de forma contemporânea nem tudo cabe dentro do escopo da RAC Tendo em perspectiva esses dois pressupostos ofereço uma reflexão sobre o que podemos pensar como contemporâneo A proposta é refletir sobre a concepção de administração contemporânea que a RAC pretende debater junto ao meio acadêmico e à sociedade de maneira mais ampla Marcelo de Souza Bispo12 Autor Correspondente M de S Bispo Refletindo sobre administração contemporânea 2 Revista de Administração Contemporânea v 26 n 1 e210203 2022 doiorg10159019827849rac2022210203por eISSN 19827849 racanpadorgbr SOBRE A NOÇÃO DO QUE VEM A SER SOBRE A NOÇÃO DO QUE VEM A SER CONTEMPORÂNEO CONTEMPORÂNEO O entendimento de que o contemporâneo é tudo aquilo que se refere ao tempo presente é muito comum em diversos contextos inclusive o acadêmico É recorrente o uso dessa palavra sem problematizála como se fosse dada taken for granted A minha ideia aqui não é monopolizar o entendimento e o uso geral da palavra contemporâneo mas de oferecer uma perspectiva que reflita um conceito que está alinhado com o foco e o escopo da RAC Assim o contemporâneo tem a ver com a condição que pessoas têm de aprender o seu tempo sendo capazes de realizar aproximações e distanciamentos em relação a ele Agamben 2009 Quem está muito preso ao contemporâneo não consegue interpretálo justamente pela falta de capacidade de se descolar dele ou seja de estranhálo para depois conhecêlo e refletir sobre ele O contemporâneo é sempre resultado de um processo histórico que nos ajuda a re conhecer o presente O que nos torna contemporâneos então não é a condição temporal do presente mas a atualidade de uma questão que nos implica enquanto atores das práticas que paradoxalmente se inscrevem em nossos tecidos Pacheco 2010 p 88 O contemporâneo não está atrelado exclusivamente ao tempo presente mas tem a ver com um regime de identificação que nos permite perceber temas relevantes para o mundo atual Rancière 2005 p 28 O contemporâneo traz em seu bojo um conjunto de questões que permanecem relevantes para o melhor entendimento das pessoas e do contexto sócioestéticopolítico em que atuam criam pensam e transformam Almeida 2012 p 73 ADMINISTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA ADMINISTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA Pensar o contemporâneo no contexto da administração vai além de uma questão cronológica do presente Ela deve caminhar no sentido de reconhecer no hoje uma construção histórica que entrelaça passado presente e futuro e possibilite compreender formas atuais de agir e organizar da sociedade Mas ao mesmo tempo a administração contemporânea deve ser também capaz de reconhecer refletir e atuar nos temas que se apresentam relevantes no mundo atual Portanto a administração contemporânea não se resume ao que acontece no presente e nem deve estar descolada do contexto social do qual ela faz parte Nesse sentido a administração contemporânea não pode ser resumida a uma prática individualista e supostamente racional Cabantous Gond 2011 que se apresenta como neutra apolítica e não problemática Alvesson Willmott 1992 Nem mesmo pode estar orientada exclusivamente para maximização de lucros e bem estar financeiro de uma minoria Pio Waddock 2021 A administração contemporânea precisa se engajar em como promover uma relação mais equilibrada entre o mundo dos negócios e a sociedade Fleming Oswick 2014 Rhodes Fleming 2020 Zanoni Contu Healy Mir 2017 Uma boa iniciativa para pensarmos o contemporâneo foi a criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas ONU que apresentam desafios contemporâneos que a sociedade global enfrenta e precisa mitigar Questões por exemplo relacionadas à pobreza e desigualdade meio ambiente educação de qualidade trabalho decente consumo responsável energia limpa paz e justiça não podem deixar de serem levadas em conta quando fazemos pesquisa em administração contemporânea Os debates sobre a relação entre teoria e prática Bispo 2021 Lundberg 2004 Van de Ven 1989 assim como do impacto da pesquisa Edwards Meagher 2020 Godin Doré 2005 Gunn Mintrom 2017 SandesGuimarães Hourneaux 2020 perdem o sentido se não estiverem alinhados coerentemente com os temas relevantes do contemporâneo Boa parte do problema levantado sobre uma suposta dicotomia entre teoria e prática Lundberg 2004 Van de Ven 1989 no campo da administração Bispo 2021 está justamente em como muitos pesquisadores da área ignoram os problemas sociais Assim vários conceitos e modelos propostos desconsideram o contexto social e os reais motivos e interesses de vários discursos dominantes especialmente na área de negócios Eles distorcem ou criam uma realidade que atende a interesses específicos e são vendidos como bem comum Dardot Laval 2013 Rhodes Fleming 2020 Zanoni et al 2017 Se o que fazemos parte de ideias que não levam em conta o mundo concreto vivido como será possível aproximar teoria e prática Nós da administração costumamos ter certa soberba em achar que sabemos como as coisas devem ser ou funcionar criando modelos que buscam enlatar a realidade Ghoshal 2005 É a lógica do enlatamento que transforma uma relação simbiótica em outra dicotômica no que diz respeito a teoria e prática Algo semelhante também está presente quando falamos de impacto da pesquisa É interessante perceber que academicamente assumimos que impacto é bom Nos esquecemos de problematizar o assunto e de lembrarmos que nenhum impacto é unidirecional Bispo Davel in press Ou seja o que pode ser considerado impacto positivo para alguns pode ter uma conotação negativa para outros Há necessidade de avaliação criteriosa das múltiplas consequências do que chamamos de impacto Precisamos tomar cuidado para que a prática científica não esteja resumida ao que é aplicável e útil para a sociedade quando na verdade a sociedade está resumida a grupos de interesses que buscam legitimar suas intenções por meio M de S Bispo Refletindo sobre administração contemporânea 2 3 Revista de Administração Contemporânea v 26 n 1 e210203 2022 doiorg10159019827849rac2022210203por eISSN 19827849 racanpadorgbr de leis e discursos totalizantes sob o argumento de que se trata do bem comum Godin Doré 2005 Pitman Berman 2009 Cabe lembrar que a definição do que é bom para a sociedade sempre carrega algum grau de controvérsia e polêmica Gunn Mintrom 2017 Nesse sentido pensar impacto na administração contemporânea exige um olhar que vá além da lógica gerencialista Clegg 2014 Klikauer 2013 que se esconde em geral dos problemas sociais se apresentando como técnica neutra e apolítica Ora existe coesão social e sociedade sem política Não podemos confundir a gramática políticopartidária no Brasil Nunes 2010 com o conceito clássico de política Aristóteles 1997 A noção política aristotélica busca justamente promover a felicidade humana e o bem coletivo Se realmente quisermos avançar de modo que as nossas pesquisas tenham um impacto positivo precisamos avaliar os grandes desafios sociais e pensar como a administração contemporânea pode contribuir no enfrentamento deles É preciso avaliar se o impacto gerado não atende apenas a interesses de poucos frente ao bem comum É como defende Almeida 2012 contemporâneo é portanto aquele que consegue ver no presente o que está subentendido sugerido nas entrelinhas oculto ou cego pela clareza sedutora e ludibriante do imediato Almeida 2012 p 80 ADMINISTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA NA ADMINISTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA NA RAC RAC Diante do que já foi apresentado até aqui resta comentar de maneira mais específica o que a RAC espera publicar O foco das publicações na RAC está em responder aos desafios contemporâneos da sociedade com novas possibilidades teóricas metodológicas e práticas relacionadas à administração de empresas organizações públicas ou sociedade civil Nesse sentido todas as áreas da administração podem oferecer diferentes olhares e contribuições de como a administração contemporânea pode se associar na produção de conhecimento orientado por questões éticas de diversidade de responsabilidade de governança e de sustentabilidade que ajudem a construir relações humanas melhores Uma maneira de conseguir entender como a administração pode contribuir com as questões relevantes do contemporâneo é conhecer os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU A ideia não é vincular nenhum trabalho a algum objetivo específico proposto pela ONU mas ter em mente o que está sendo considerado como desafiador e importante para o bemestar global Tratase de fazer um exercício reflexivo que leve a uma autocrítica do trabalho realizado Em outras palavras a RAC espera que os autores reflitam sobre as seguintes perguntas O meu trabalho atende a interesses específicos que não contribuem ou atrapalham a realização do bem comum Será que o meu trabalho promove relações precárias de trabalho impactos negativos ao meio ambiente desconsidera a diversidade ou coloca o lucro em prioridade face à segurança à equidade e à justiça social As respostas a essas perguntas visam a estimular que os trabalhos publicados na RAC estejam alinhados à promoção de conhecimentos que ajudem a sociedade como um todo a enfrentar os seus dilemas e desafios Que a RAC possa continuar sendo uma revista científica contemporânea apta a fomentar e promover conhecimentos capazes de provocar na área de administração práticas no mundo dos negócios na administração pública no terceiro setor ou mesmo na sociedade cível que sejam socialmente responsáveis REFERÊNCIAS Agamben G 2009 O que é o contemporâneo E outros ensaios Chap 3 pp 5273 Chapecó SC Argos 2009 Almeida E A A 2012 Charles Baudelaire Contemporâneo do passado do presente e do futuro Revista Poiésis 1320 7384 httpsdoiorg1022409poiesis13207384 Alvesson M Willmott H 1992 Critical management studies London Sage Aristóteles 1997 Política 3 ed Brasília Editora Universidade de Brasília Bispo M de S 2021 Ensaiando sobre o velho e falso dilema entre teoria e prática Teoria e Prática em Administração 112 174178 httpsdoiorg1022478ufpb2238 104X2021v11n259760 Bispo M de S Davel E P in press Editorial Impacto educacional da pesquisa Organizações Sociedade in press Cabantous L Gond JP 2011 Rational decision making as performative praxis Explaining rationalitys éternel retour Organization Science 223 573586 httpsdoiorg101287orsc11000534 M de S Bispo Refletindo sobre administração contemporânea 4 Revista de Administração Contemporânea v 26 n 1 e210203 2022 doiorg10159019827849rac2022210203por eISSN 19827849 racanpadorgbr Clegg S R 2014 Managerialism Born in the USA Academy of Management Review 394 566585 httpsdoiorg105465amr20140129 Dardot P Laval C 2013 The new way of the world On neoliberal society New York Verso Edwards D M Meagher L R 2020 A framework to evaluate the impacts of research on policy and practice A forestry pilot study Forest Policy and Economics 114 101975 httpsdoiorg101016jforpol2019101975 Fleming P Oswick C 2014 Educating consent A conversation with Noam Chomsky on the university and business school education Organization 214 568578 httpsdoiorg1011771350508413514748 Ghoshal S 2005 Bad management theories are destroying good management practices Academy of Management Learning and Education 41 7591 httpsdoiorg105465amle200516132558 Godin B Doré C 2005 Measuring the impacts of science Beyond the economic dimension Helsinki Finland Helsinki Institute for Science and Technology Studies Retrieved from wwwcsiiccaPDFGodinDoreImpactspdf Gunn A Mintrom M 2017 Evaluating the nonacademic impact of academic research Design considerations Journal of Higher Education Policy and Management 391 2030 httpsdoiorg1010801360080X20161254429 Klikauer T 2013 Managerialism A critique of an ideology New York Palgrave MacMillan Lundberg C C 2004 Is there really nothing so practical as a good theory Business Horizons 475 714 httpsdoiorg101016jbushor200407003 Nunes E de O 2010 A gramática política do Brasil Clientelismo corporativismo e insulamento burocrático 4 ed Rio de Janeiro Garamond Pacheco E M 2010 Dos poros ao sopro A dimensão estética da experiência In E A Lima J L Ferreira Neto L E Aragon Orgs Subjetividade contemporânea Desafios teóricos e metodológicos Chap 6 pp 8594 Curitiba Editora CRV Pio E Waddock S 2021 Invoking indigenous wisdom for management learning Management Learning 523 328 346 httpsdoiorg1011771350507620963956 Pitman T Berman J E 2009 Of what benefit and to whom Linking Australian humanities research with its end users Journal of Higher Education Policy and Management 314 315326 httpsdoiorg10108013600800903191955 Rancière J 2005 A partilha do sensível Estética e política São Paulo Editora 34 Rhodes C Fleming P 2020 Forget political corporate social responsibility Organization 276 943951 httpsdoi org1011771350508420928526 SandesGuimarães L V Hourneaux F Junior 2020 Research impact what is it after all Editorial impact series part 1 RAUSP Management Journal 553 283287 httpsdoi org101108RAUSP072020202 Van de Ven A H 1989 Nothing is quite so practical as a good theory Academy of Management Review 144 486489 httpsdoiorg105465amr19894308370 Zanoni P Contu A Healy S Mir R 2017 Postcapitalistic politics in the making The imaginary and praxis of alternative economies Organization 245 575588 httpsdoiorg1011771350508417713219 M de S Bispo Refletindo sobre administração contemporânea 4 5 Revista de Administração Contemporânea v 26 n 1 e210203 2022 doiorg10159019827849rac2022210203por eISSN 19827849 racanpadorgbr Autoria Marcelo de Souza Bispo Universidade Federal da Paraíba Programa de PósGraduação em Administração Campus I Lot Cidade Universitaria 58051900 João Pessoa PB Brasil Email raceicanpadorgbr httpsorcidorg0000000258178907 Autor Correspondente Conflito de Interesses O autor informou que não há conflito de interesses Direitos Autorais A RAC detém os direitos autorais deste conteúdo Verificação de Plágio A RAC mantém a prática de submeter todos os documentos aprovados para publicação à verificação de plágio mediante o emprego de ferramentas específicas eg iThenticate CORPO EDITORIAL CIENTÍFICO E EQUIPE EDITORIAL PARA ESTA EDIÇÃO Conselho Editorial Anielson Barbosa da Silva UFPB João Pessoa PB Brasil Antonio Carlos Gastaud Maçada UFRGS Porto Alegre RS Brasil Ely Laureano Paiva FGV São Paulo SP Brasil Rogério Hermida Quintella NPGAUFBA Salvador BA Brasil Valmir Emil Hoffmann UnB Brasília DF Brasil Editorchefe Marcelo de Souza Bispo UFPB João Pessoa PB Brasil Editores Associados Ariston Azevedo UFRGS Porto Alegre RS Brasil Carolina Andion UDESC Florianópolis SC Brasil Denize Grzybovski UPF Passo Fundo RS Brasil Eduardo da Silva Flores FEAUSP São Paulo SP Brasil Elisa Yoshie Ichikawa UEM Maringá PR Brasil Emílio José M Arruda Filho UNAMA Belém PA Brasil Fernando Luiz Emerenciano Viana Unifor Fortaleza CE Brasil Gustavo da Silva Motta UFF Niterói RJ Brasil Henrique Castro Martins IAGPUCRio Rio de Janeiro RJ Brasil Keysa Manuela Cunha de Mascena Unifor Fortaleza CE Brasil Ludmila de Vasconcelos Machado Guimarães CEFETMG Belo Horizonte MG Brasil Natália Rese UFPR Curitiba PR Brasil Orleans Silva Martins UFPB João Pessoa PB Brasil Pablo Isla Madariaga Universidad Técnica Federico Santa María Chile Paula Castro Pires de Souza Chimenti UFRJCoppead Rio de Janeiro Brasil Rafael Chiuzi University of Toronto Mississauga Mississauga ON Canadá Sidnei Vieira Marinho Univali São José SC Brasil Corpo Editorial Científico André Luiz Maranhão de SouzaLeão UFPE Recife CE Brasil Aureliano Angel Bressan CEPEADUFMG Belo Horizonte MG Brasil Bryan Husted York University Canadá Carlos M Rodriguez Delaware State University EUA Cristiana Cerqueira Leal Universidade do Minho Portugal Diógenes de Souza Bido Mackenzie São Paulo SP Brasil Erica Piros Kovacs Kelley School of BusinessIndiana University EUA Elin Merethe Oftedal University of Stavanger Noruega Fábio Frezatti FEAUSP São Paulo SP Brasil Felipe Monteiro INSEAD Business School EUA Howard J Rush University of Brighton Reino Unido James Robert Moon Junior Georgia Institute of Technology EUA John L Campbell University of Georgia EUA José Antônio Puppim de Oliveira United Nations University Yokohama Japão Julián Cárdenas Freie Universität Berlin Alemanha Lucas A B de Campos Barros FEAUSP São Paulo SP Brasil Luciano Rossoni UniGranRio Rio de Janeiro RJ Brasil M Philippe Protin Université Grenoble Alpes França Paulo Estevão Cruvinel Embrapa Instrumentação São Carlos SP Brasil Rodrigo Bandeira de Mello Merrimack College EUA Rodrigo Verdi MIT Massachusetts Institute of Technology Cambridge EUA Valter Afonso Vieira UEM Maringá PR Brasil Wagner A Kamakura Jones Graduate School of Business Rice University Houston EUA Editoração Diagramação e normas da APA Kler Godoy ANPAD Maringá Brasil Simone L L Rafael ANPAD Maringá Brasil Periodicidade Publicação contínua Circulação Acesso totalmente gratuito Indexadores Diretórios e Rankings Scielo Redalyc DOAJ Latindex CengageGALE Econpapers IDEAS EBSCO Proquest SPELL Cabells Ulrichs CLASE Index Copernicus International Sherpa Romeo Carhus Plus Academic Journal Guide ABS DIADORIM REDIB Sumáriosorg ERIHPlus EZB OasisBR IBZ Online WorldWideScience Google Scholar Citefactororg MIAR CapesQualis A RAC é membro e subscreve os princípios do COPE Comitê de Ética em Publicações especial ética em tempos de crise vez mais espaço em cursos de adminis tração e nas agendas das empresas Com a humanidade na casa dos sete bilhões de ocupantes do planeta a sus tentabilidade não só ecológica mas também econômica e social parece cada vez mais ameaçada A busca de propostas sustentáveis para a economia e para a sociedade em geral acaba por levar a questões que não são apenas técnicas econômicas ou operacionais A ética colocase inevitavelmente no centro das discussões O cOmpOrtamentO éticO de um futurO executivO pOde ser mOldadO pOr meiO de cOnhecimentO acadêmicO aplicadO a discussãO isOlada sObre a ética durante O cursO nãO se mOstra suficiente para que a mOral dO prOfissiOnal acOmpanhe O cOnteúdO estudadO O s escândalos que avassalaram o mundo dos negócios nos Estados Unidos no final do século passado fizeram com que se perguntasse que tipo de admi nistradores estamos formando em nos sas escolas A pergunta era mais do que razoável se for considerado que vários dos escândalos tinham à frente porta dores de MBAs das escolas de adminis tração de empresas de grande prestígio daquele país Além disso a questão da sustentabilidade foi adquirindo cada É pOssÍVel eNsiNaR ÉTica Carlos osmar Bertero professor da FGVeaesP carlosberterofgvbr 34 vol11 nº1 janjun 2012 ilustrações daniel almeida gvexecutivo 35 O resultado é que as escolas e pro gramas de administração ao redor do mundo começaram a incluir cursos voltados a tópicos de ética nos negó cios responsabilidade social e ambien tal sustentabilidade e correlatos em seus programas É oportuna a pergun ta é possível ensinar ética para que seja aplicada no mundo dos negócios Ética filOsófica O ensino de ética dos negócios em programas de administração parte de duas premissas A primeira delas é que não se deve abordar o assunto de uma perspectiva filosófica Ética filosófica é assunto por demais complexo e árido para a maioria dos alunos matriculados em cursos de formação e participantes em programas para executivos porque simplesmente a maioria não teve forma ção em filosofia A ética quando abor dada filosoficamente pressupõe a fami liaridade com outras partes e tópicos da filosofia como ontologia história do pensamento filosófico axiologia Tudo isso torna a abordagem filosófica da ética inviável para a maioria dos estu dantes de administração e profissionais de gestão A outra premissa é que o ser humano é naturalmente ético pelo sim ples fato de que é um ser social Como isso ocorreria Nascemos numa socieda de permeada de valores éticos A mora lidade está na sociedade em que nasce mos e onde nos desenvolvemos Dessa maneira os valores éticos nos são trans mitidos pelo processo de socialização Da mesma forma como aprendemos a ler e escrever também internalizamos papéis sociais de pai filho chefe subor dinado mãe cunhada etc Os valores são parte integrante de nossa cultura e entre eles estão os valores éticos A consequência dessas duas pre missas é que ética não precisa ser ensinada porque já chegamos à idade adulta com sólida estrutura moral com valores éticos enraizados em nosso caráter O que deve ser feito num curso de ética dos negócios ou de responsabilidade social e ambiental de empresas é conseguir com que os par ticipantes apliquem à realidade dos negócios os valores éticos de que são portadores Daí originase o caráter aplicado que os cursos possuem e o material que se produz com case O que deve ser feito num curso de ética dos negócios é conseguir que os participantes apliquem à realidade em que irão operar os valores éticos de que são portadores exercícios e dilemas sob a forma de simulações Não há dúvidas de que a realidade dos negócios se tornou muito complexa especialmente num mundo em que as fronteiras se torna ram mais porosas Aqui se inclui a diversidade de culturas e países onde muitas empresas atuam Diante de tanta complexidade os administrado res devem aplicar os seus valores éti cos em situações que são novas e que inexistiam em tempos em que os negócios aconteciam num mundo menos complicado cOmpOrtamentO mOral Mas o desafio que atualmente se coloca ao ensino de ética a administra dores profissionais ou ainda em for mação é como fazer com que não deslizem quando administram para 36 vol11 nº1 janjun 2012 especial ética em tempos de crise É pOssÍVel eNsiNaR ÉTica atitudes comportamentos e decisões que comprometam a moralidade Não basta saber o que é ético é necessário agir eticamente Os cursos adequados são aqueles de onde os participantes saem mais éticos do que quando se matricularam Escândalos menciona dos na gestão de empresas com preju ízos a acionistas empregados consu midores e à sociedade em geral pode riam ser evitados se administradores fossem mais éticos e isso se poderia conseguir mediante treinamento ade quado Tal posição implica uma crítica às escolas e cursos de administração Há uma falha na educação de adminis tradores e que deve ser corrigida com cursos de ética e responsabilidade social que sejam realmente eficazes levando à alteração do comportamen to dos gestores enquantO issO nO Brasil Em nosso país o ensino de ética nos cursos de administração conta com disciplinas específicas e na ausência destas aproveitamse disci plinas obrigatórias como filosofia ou alguma ciência social para versar temas éticos Mas as premissas ante riores que permeiam os cursos norte americanos também estão presentes no Brasil Aqui caberiam algumas observações desairosas a nosso pró prio respeito O país não é um modelo de ética nas coisas públicas A cultura política o clima de escândalos que se sucedem sem punições a ineficácia do judiciário e uma atitude permissiva por parte da sociedade como um todo levam à triste constatação de que vive mos numa sociedade onde a corrup ção é endêmica e o que aflora como corrupção de uma elite política se aprofundado revelará empresas pes soas e ramificações por toda a socieda de Empresas são necessariamente participantes desse processo porque não pode haver corrupto sem corrup tor e viceversa A corrupção não causa entre nós necessariamente indignação e temos galerias de homens públicos que são comprova damente criminosos e que acabam desfrutando até de imunidades legais por sua condição de parlamentares O que se pretende aqui é indicar que apesar da premissa de que somos naturalmente éticos por sermos huma nos e de termos passado por um pro cesso de socialização em que valores éticos foram internalizados possuí mos nossa condição de brasileiros que nos leva a uma conclusão pelo menos desconfortável Parece não ser aqui o lugar mais adequado para for mação de sólida consciência moral por meio de processos de socialização Talvez seja território fecundo para que ocorra o inverso E não faltam exem Não basta saber o que é ético é necessário agir eticamente gvexecutivo 37 plos de comportamentos em que racionalizamos nossa ação com argu mentos do tipo é melhor que eu mesmo faça porque caso eu não o faça outros acabarão fazendo Ou o uso de serviços de despachantes que sabidamente são traficantes de propi nas entre os cidadãos e servidores públicos Na verdade o cotidiano bra sileiro está repleto de ações que são eticamente questionáveis O jeitinho brasileiro mereceu capitulação inter nacional como um procedimento cor rupto e com ele a maioria de nós convive com tranquila consciência resistindO às tentações Há uma tradição de origem ilumi nista que coloca o conhecimento e o esclarecimento como condições fun damentais para que se possa chegar à moralidade Nessa linha apenas pelo conhecimento e pela educação que visem ao desenvolvimento do cidadão poderíamos chegar a difundir valores éticos e fazer com que sejam internali zados pelas pessoas levando à ações e comportamentos éticos Portanto a ética pode ser ensinada em cursos de administração mas devemos estar atentos às limitações desses ensinamentos para que se pro duza nas pessoas um comportamento ético quando passarem a exercer a profissão de gestores O ambiente em que atuarão é em grande medida avesso a comportamentos éticos e não faltarão tentações sob a forma de atalhos para o deslize a Ética e a cultura andam juntas A esta altura seria oportuno lem brarmos o que pensavam dois sábios muito antigos a respeito de ensinar ética Um deles chamavase Sócrates pai do Iluminismo e do otimismo ético porque achava que a falta de ética era o resultado da ignorância O conheci mento geraria o sábio que seria inevi tavelmente ético Neste século XXI bastaria ensinar ética esclarecer a todos sobre a importância de que nos cons cientizemos sobre a fragilidade da nau Terra para que o comportamento ético da humanidade desabrochasse O outro sábio chamavase Paulo de Tarso muitas vezes também conhecido como São Paulo o apóstolo que reconhecia que sua condição humana lhe permitia ver com clareza o que era o bem e o que era o mal mas que frequentemen te não fazia o bem que desejava mas o mal que repelia Não há como rejeitar a contribui ção socrática sobre a necessidade do conhecimento mas não se pode minimizar o cruel realismo de Paulo de Tarso de que mesmo conhecen do nos desviamos e que conheci mento e virtude não estão necessa riamente unidos Concluindo diría mos que ensinar ética é possível mas que a geração de um comporta mento ético não ocorrerá apenas pela via da instrução escolar depen derá de fatores individuais de foro íntimo e também de uma sociedade que disponha dos instrumentos ins titucionais para sancionar positiva e negativamente o comportamento ético e seus desvios O Brasil não é um país modelo de ética talvez seja o contrário um território fecundo para que ocorra o inverso SÍNTESE Ética embora seja um tema bem abordado em cursos de nível superior e em outros cenários é algo que causa muita indagação e discussões Será que sua compreensão além de ser entendida pode ser aprendida Diversos empresários que representam grandes empresas e marcas nacionais e internacionais participam de diversos escândalos envolvendo condutas ilícitas o que gera cada vez mais questionamentos Nesse sentido diversas instituições de ensino têm buscado incorporar ética a outras temáticas em grades curriculares bem como a ética relacionada a sustentabilidade preservação responsabilidade social dentre outros Embora ética seja oriunda de diversos contextos filosóficos é preciso compreender que sua aplicação e ensino deve ser centrada em formas de fácil compreensão Para tanto comentar sobre valores morais e posturas cordiais é parte do processo de aprendizado acerca da temática Entretanto o Brasil é um país que envolve diversas lacunas acerca desse segmento o que muitas vezes tende a influenciar diversos cenários empresas e indivíduos Isto é é preciso se adequar a dinâmica social econômica e política ao contrario não se fará parte dela Portanto relacionar a cultura com a ética faz sentido principalmente porque a cultura é um elemento solidificado no meio social e que ao passar dos anos ainda tende a preservar sua essência Para melhor compreensão vale ressaltar que há diferenças entre moral e ética A primeira se refere a condutas relacionadas a normas isto é é o fato de seguir aquilo que é imposto e caracterizado como certo A ética por sua vez envolve valores que a pessoa possui e a partir deles podemos observar uma conduta moral Um questionamento então pode envolver o ambiente ou as circunstâncias isto é será que o ambiente faz uma pessoa tomar determinado posicionamento ou atitude Não É aí que os valores morais vão ditar seu posicionamento que automaticamente envolvem seu conceito de moral bem como suas aplicações Por isso a conduta ética influenciada pela moral Ética então pode ser caracterizada como uma ciência que busca aprovar ou desaprovar determinado tipo de conduta Baseada de acordo com os valores que um indivíduo possui e influenciada por eles O ramo administrativo envolve diversas esferas bem como responsabilidades nesse sentido é fundamental que o profissional esteja alinhado com as regras impostas que permitem sua atuação e que acima de tudo aja de forma cordial com aquilo que é imposto Nesse sentido é possível compreender como um operador da área pode muito ajudar como muito prejudicar a depender de seu posicionamento profissional Ética é uma das características essenciais de sua função a incluir diversas outras Isto é conduta ética somada a conduta moral no meio corporativo deve ser embasada de acordo com normas e com aquilo que precisa ser feito e não com aquilo que se quer realizar Embora diversas mudanças têm tornado a atuação do profissional mais contemporânea é preciso compreender os riscos e limitações da mesma Analisar riscos e possíveis impactos é fator chave na compreensão principalmente porque a decisão do profissional tende a potencializar diversas cascatas e processos que podem ser benéficos ou não

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