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Orientação para aluno especial da Disciplina Luto em psicologia Leituras 1 Sobre a Transitoriedade 2 Reflexões para tempos de guerra e morte 3 Luto e melancolia Os 3 textos compõe a trilogia do luto e estão nas obras completas de Sigmund Freud Trabalho a realizar fichamento das principais ideias dos textos Não ultrapasse 3 páginas no total Em sala lemos algumas poesias Memória Carlos Drummond de Andrade Funeral Blues W H Auden Travessia Milton Nascimento One Art a arte de perder Elizabeth Bishop FICHAMENTO DOS TEXTOS DE SIGMUND FREUD 19151916 1 Luto e melancolia Freud estabelece uma distinção principal entre o luto e a melancolia processos que embora compartilhem sintomas como tristeza profunda e desinteresse pelo mundo divergem em suas raízes e desfechos O luto é uma resposta natural à perda de um objeto amado como a morte de alguém nele o ego reconhece a ausência e aos poucos retira a energia emocional libido investida no que foi perdido Esse trabalho do luto é doloroso mas transitório a realidade se impõe e o indivíduo mesmo relutante aceita a perda e redireciona sua libido para novos vínculos e a autoestima permanece intacta pois a dor é atribuída ao mundo externo não ao próprio eu A melancolia é patológica e envolve uma dinâmica mais complexa nela a perda pode ser simbólica como o fim de um ideal ou relacionamento e muitas vezes inconsciente e a libido em vez de se desprender do objeto voltase para o ego que internaliza a figura perdida e surge então um conflito interno o melancólico dirige contra si mesmo a raiva e o ressentimento que originalmente sentia pelo outro Isso explica a autodepreciação a culpa excessiva e até o desejo de autopunição e a ambivalência amoródio comum em relações humanas alimenta essa autotortura transformando o ego em algo hostil O risco de suicídio na melancolia decorre desse mecanismo pois ao identificarse com o objeto rejeitado o indivíduo direciona contra si pulsões agressivas que antes eram voltadas para fora A libido que deveria sustentar a vida tornase força autodestrutiva na melancolia e Freud ressalta ainda que diferentemente do luto a melancolia exige intervenção terapêutica pois o ego não consegue romper sozinho o laço com o objeto internalizado e a cura depende de tornar consciente o que foi perdido e dissolver a identificação narcisista que aprisiona a energia psíquica Por fim Freud relaciona a melancolia à mania Enquanto na primeira o ego é esmagado pela perda na segunda há uma liberação abrupta de energia como se o indivíduo celebrasse a superação de um peso Ambos os estados assim como o luto refletem diferentes formas de o psiquismo lidar com a economia da libido e a chave está em como o ego processa a perda integrandoa à realidade luto sucumbindo a ela melancolia ou transcendendoa de forma explosiva mania 2 Reflexões para tempos de guerra e morte 1 Em meio ao caos da Primeira Guerra Mundial Freud observa uma crise de confiança na civilização os Estados que em tempos de paz pregavam moralidade e justiça revelamse hipócritas ao legitimar atrocidades em nome do patriotismo e a guerra expõe a regressão coletiva em que sociedades inteiras abandonam valores éticos e mergulham em ódio primitivo desfazendo séculos de avanço cultural Para Freud isso evidencia que a civilização é frágil pois enquanto indivíduos controlam seus instintos violentos as massas em situações extremas regridem a estágios psíquicos arcaicos e essa desilusão é agravada pela forma como lidase com a morte Freud nota que embora que a humanidade reconheça a morte como inevitável a trata com negação usa eufemismos evita falar sobre finitude humana e as pessoas só choram a morte de entes próximos como se fosse um evento excepcional A guerra porém rompe essa ilusão a morte em massa tornase banal e o inconsciente que se comporta como se fosse imortal é confrontado com a realidade crua O soldado retratado que acredita que nada pode lhe acontecer personifica essa contradição uma negação heroica mas frágil da mortalidade Freud propõe uma mudança radical em vez de negar a morte devese aceitála como parte intrínseca da vida e essa não é uma visão pessimista mas libertadora pois ao reconhecer a finitude é possível se viver com mais intensidade pois é removida a ilusão de eternidade que paralisa os indivíduos adaptando um ditado militar Freud afirma Se queres suportar a vida preparate para a morte uma verdade sobre a condição de mortalidade comum a todos que embora dolorosa é prérequisito para uma existência autêntica longe das mentiras que sustentam a hipocrisia social A guerra assim funciona como um espelho que revela fraturas da civilização e da psique humana pois ela expõe não só a violência latente nas sociedades mas também incapacidade de lidar com perdas em escala coletiva Para Freud a saída está na sinceridade defendendo que relações internacionais baseadas em veracidade poderiam evitar conflitos assim como indivíduos que aceitam a morte podem encontrar resiliência na brevidade da existência afirmando ainda que a chave é abandonar ilusões e enfrentar a realidade por mais dura que seja 3 Sobre a transitoriedade Em um ensaio lírico Freud relata um passeio pelo campo com um poeta angustiado pela efemeridade da beleza pois para o artista a certeza de que flores murchariam e paisagens se transformariam com as estações anulava o encanto do momento Freud porém discorda 2 dizendo que a transitoriedade não diminui o valor do belo mas o intensifica Assim como uma flor noturna cuja brevidade a torna única tudo o que é passageiro ganha significado justamente por não durar e a efemeridade longe de ser uma maldição é condição para a apreciação plena da vida Esse debate remete à teoria do luto em que se antecipa a dor da perda mesmo antes que ela ocorra como se o psiquismo resistisse a se desprender do que ama A libido energia que liga a objetos e pessoas precisa ser gradualmente retirada do que se perde para que novos investimentos afetivos sejam possíveis e luto é esse processo de desapego doloroso mas necessário Na transitoriedade porém o desafio é amar sem se deixar paralisar pela certeza do fim um equilíbrio entre gozo e resignação A Primeira Guerra Mundial trouxe essa questão para o plano coletivo em que a destruição de cidades obras de arte e vidas expôs a fragilidade não só da matéria mas dos ideais civilizatórios e o luto coletivo inicialmente paralisante revelouse um catalisador para a reconstrução e observa que após a dor a libido redirecionouse para projetos de restauração fortalecendo laços sociais e renovando o amor pela vida a efemeridade portanto não é um obstáculo mas um convite à criação contínua A conclusão de Freud é esperançosa aceitar a impermanência não condena ao desespero mas liberta para valorizar o presente e a beleza que um dia desaparecerá não perde seu sentido mas pelo contrário sua fugacidade a torna mais digna de admiração Da mesma forma reconstruir após a guerra ou após qualquer perda é prova de resiliência psíquica O luto quando vivido plenamente não destrói mas prepara o terreno para novos começos mostrando que a vida persiste mesmo diante da inevitabilidade do fim Referências FREUD S A história do movimento psicanálitico artigos sobre metapsicologia e outros trabalhos Rio de Janeiro Imago 1996 394 p 3
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Orientação para aluno especial da Disciplina Luto em psicologia Leituras 1 Sobre a Transitoriedade 2 Reflexões para tempos de guerra e morte 3 Luto e melancolia Os 3 textos compõe a trilogia do luto e estão nas obras completas de Sigmund Freud Trabalho a realizar fichamento das principais ideias dos textos Não ultrapasse 3 páginas no total Em sala lemos algumas poesias Memória Carlos Drummond de Andrade Funeral Blues W H Auden Travessia Milton Nascimento One Art a arte de perder Elizabeth Bishop FICHAMENTO DOS TEXTOS DE SIGMUND FREUD 19151916 1 Luto e melancolia Freud estabelece uma distinção principal entre o luto e a melancolia processos que embora compartilhem sintomas como tristeza profunda e desinteresse pelo mundo divergem em suas raízes e desfechos O luto é uma resposta natural à perda de um objeto amado como a morte de alguém nele o ego reconhece a ausência e aos poucos retira a energia emocional libido investida no que foi perdido Esse trabalho do luto é doloroso mas transitório a realidade se impõe e o indivíduo mesmo relutante aceita a perda e redireciona sua libido para novos vínculos e a autoestima permanece intacta pois a dor é atribuída ao mundo externo não ao próprio eu A melancolia é patológica e envolve uma dinâmica mais complexa nela a perda pode ser simbólica como o fim de um ideal ou relacionamento e muitas vezes inconsciente e a libido em vez de se desprender do objeto voltase para o ego que internaliza a figura perdida e surge então um conflito interno o melancólico dirige contra si mesmo a raiva e o ressentimento que originalmente sentia pelo outro Isso explica a autodepreciação a culpa excessiva e até o desejo de autopunição e a ambivalência amoródio comum em relações humanas alimenta essa autotortura transformando o ego em algo hostil O risco de suicídio na melancolia decorre desse mecanismo pois ao identificarse com o objeto rejeitado o indivíduo direciona contra si pulsões agressivas que antes eram voltadas para fora A libido que deveria sustentar a vida tornase força autodestrutiva na melancolia e Freud ressalta ainda que diferentemente do luto a melancolia exige intervenção terapêutica pois o ego não consegue romper sozinho o laço com o objeto internalizado e a cura depende de tornar consciente o que foi perdido e dissolver a identificação narcisista que aprisiona a energia psíquica Por fim Freud relaciona a melancolia à mania Enquanto na primeira o ego é esmagado pela perda na segunda há uma liberação abrupta de energia como se o indivíduo celebrasse a superação de um peso Ambos os estados assim como o luto refletem diferentes formas de o psiquismo lidar com a economia da libido e a chave está em como o ego processa a perda integrandoa à realidade luto sucumbindo a ela melancolia ou transcendendoa de forma explosiva mania 2 Reflexões para tempos de guerra e morte 1 Em meio ao caos da Primeira Guerra Mundial Freud observa uma crise de confiança na civilização os Estados que em tempos de paz pregavam moralidade e justiça revelamse hipócritas ao legitimar atrocidades em nome do patriotismo e a guerra expõe a regressão coletiva em que sociedades inteiras abandonam valores éticos e mergulham em ódio primitivo desfazendo séculos de avanço cultural Para Freud isso evidencia que a civilização é frágil pois enquanto indivíduos controlam seus instintos violentos as massas em situações extremas regridem a estágios psíquicos arcaicos e essa desilusão é agravada pela forma como lidase com a morte Freud nota que embora que a humanidade reconheça a morte como inevitável a trata com negação usa eufemismos evita falar sobre finitude humana e as pessoas só choram a morte de entes próximos como se fosse um evento excepcional A guerra porém rompe essa ilusão a morte em massa tornase banal e o inconsciente que se comporta como se fosse imortal é confrontado com a realidade crua O soldado retratado que acredita que nada pode lhe acontecer personifica essa contradição uma negação heroica mas frágil da mortalidade Freud propõe uma mudança radical em vez de negar a morte devese aceitála como parte intrínseca da vida e essa não é uma visão pessimista mas libertadora pois ao reconhecer a finitude é possível se viver com mais intensidade pois é removida a ilusão de eternidade que paralisa os indivíduos adaptando um ditado militar Freud afirma Se queres suportar a vida preparate para a morte uma verdade sobre a condição de mortalidade comum a todos que embora dolorosa é prérequisito para uma existência autêntica longe das mentiras que sustentam a hipocrisia social A guerra assim funciona como um espelho que revela fraturas da civilização e da psique humana pois ela expõe não só a violência latente nas sociedades mas também incapacidade de lidar com perdas em escala coletiva Para Freud a saída está na sinceridade defendendo que relações internacionais baseadas em veracidade poderiam evitar conflitos assim como indivíduos que aceitam a morte podem encontrar resiliência na brevidade da existência afirmando ainda que a chave é abandonar ilusões e enfrentar a realidade por mais dura que seja 3 Sobre a transitoriedade Em um ensaio lírico Freud relata um passeio pelo campo com um poeta angustiado pela efemeridade da beleza pois para o artista a certeza de que flores murchariam e paisagens se transformariam com as estações anulava o encanto do momento Freud porém discorda 2 dizendo que a transitoriedade não diminui o valor do belo mas o intensifica Assim como uma flor noturna cuja brevidade a torna única tudo o que é passageiro ganha significado justamente por não durar e a efemeridade longe de ser uma maldição é condição para a apreciação plena da vida Esse debate remete à teoria do luto em que se antecipa a dor da perda mesmo antes que ela ocorra como se o psiquismo resistisse a se desprender do que ama A libido energia que liga a objetos e pessoas precisa ser gradualmente retirada do que se perde para que novos investimentos afetivos sejam possíveis e luto é esse processo de desapego doloroso mas necessário Na transitoriedade porém o desafio é amar sem se deixar paralisar pela certeza do fim um equilíbrio entre gozo e resignação A Primeira Guerra Mundial trouxe essa questão para o plano coletivo em que a destruição de cidades obras de arte e vidas expôs a fragilidade não só da matéria mas dos ideais civilizatórios e o luto coletivo inicialmente paralisante revelouse um catalisador para a reconstrução e observa que após a dor a libido redirecionouse para projetos de restauração fortalecendo laços sociais e renovando o amor pela vida a efemeridade portanto não é um obstáculo mas um convite à criação contínua A conclusão de Freud é esperançosa aceitar a impermanência não condena ao desespero mas liberta para valorizar o presente e a beleza que um dia desaparecerá não perde seu sentido mas pelo contrário sua fugacidade a torna mais digna de admiração Da mesma forma reconstruir após a guerra ou após qualquer perda é prova de resiliência psíquica O luto quando vivido plenamente não destrói mas prepara o terreno para novos começos mostrando que a vida persiste mesmo diante da inevitabilidade do fim Referências FREUD S A história do movimento psicanálitico artigos sobre metapsicologia e outros trabalhos Rio de Janeiro Imago 1996 394 p 3