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BACHARELADO EM PSICOLOGIA DISCIPLINA PSICOLOGIA CLÍNICA II DOCENTE LUCAS DOURADO DISCENTE LUDIMILA CARVALHO SOARES CAMPOS ESTUDO DE CASO DO S ATENDIMENTO S CLÍNICO REALIZADO NA CLÍNICA ESCOLA UNIPSI NO MUNICÍPIO DE TUCURUÍPA O estudo de caso tratase de transcrições realizadas durante os atendimentos clínicos realizado s por uma acadêmica do 9 semestre do curso de psicologia clínica escola UNIPSI situada no município de Tucuruí no interior do estado do Pará O primeiro contato com a paciente ocorreu através do WhatsApp pois ela tinha ido à secretaria da instituição solicitar um atendimento com urgência Após marcar sua primeira sessão via mensagens solicitei na secretária toda a documentação necessária incluindo uma ficha de cadastro para a paciente A L C 54 anos viúva foi a clínica escola por recomendações de amigas a queixa inicial da paciente era insônia ela relatou que a bastante tempo não conseguia dormir e por isso resolveu procurar a terapia como ferramenta de auxílio neste quesito No primeiro atendimento deixei a paciente bem á vontade para expressar suas demandas não foi necessário instigála pois ela possuía uma grande necessidade de falar vale ressaltar que desde o primeiro momento terapêutico a paciente se referiu a mim como mana amiga e mulher Freud 1912 afirma que no tratamento analítico a transferência parece surgir primeiro apenas como a arma mais poderosa da resistência Sendo assim por meios de pronomes a paciente pode ter o intuito de aproximasse e com isso caçar mecanismos de não precisar falar Em suas primeir a s sessões a paciente relatada bastante o falecimento de seu marido sua relação conflituosa com suas filhas e a sobrecarga de trabalho visto que a paciente possui dois empregos Em seus relatos a paciente discorre do sentimento de se sentir só mesmo estando rodeada de companhia s Durante várias sessões a paciente volta ao processo de falecimento de seu marido conta como foi doloroso e sofrido desde a descoberta da doença até o dia de sua morte é perceptível que a paciente ainda não se deu o devido tempo para viver o processo do luto durante suas falas a paciente sempre voltava perguntas direcionadas a mim com a tentativa de criar um vínculo por experiências Freud 191 3 aborda que na psicanálise no início do tratamento o paciente pode se colocar em uma postura preconcebida diante do terapeuta em relação a transferência então é necessário que o terapeuta desvende aos poucos os enigmas através dos significantes expostos pelos pacientes Para isso é necessário que o terapeuta esteja atento a todo sinal dado pelo paciente durante seus relatos Nas sessões seguintes de A L C foi notável uma maior presença dos pronomes a qual se referia a mim os questionamentos que me fazia e a entonação do né como ponto de afirmação além disso pode se dizer que no início via isso como um ponto positivo pois por ser meu segundo caso na clínica escola não conseguia esses aspectos transferenciais de forma negativa pois até então a paciente falava e se expressava bastante Durante o início de seu tratamento deixei que a paciente trouxesse tudo aquilo que estava reprimido dentro de si como dito pela mesma por não ter com quem conversar ela acaba acumulando muita coisa e o que predominava ali era a falta que sentia pela ausência de seu falecido marido Como a paciente relata foi um período complicado pois se sentia e a via sozinha sem apoio e sem acolhimento Outro assunto bastante recorrente na sessão era a relação conflituosa com uma de suas filhas vale pontuar que essa filha é maior de idade mas ainda mora com a mãe Durante seu atendimento frases como estou sobrecarregada não me reconheço mais eram bem frequentes em prantos a paciente falava que precisa que filha a ajudasse ou ao menos tivesse um olhar mais humanizado para si pois ela já não dava conta de cuidar da casa trabalhar com vendas e trabalhar na escola que é seu emprego fixo Nas primeiras sessões trabalhamos a importância de a paciente ter um olhar e um tempo de autocuidado já que era perceptível do quanto ela necessitava se ver e se reconhecer novamente entretanto devido algumas divergências as sessões seguintes acabaram sendo marcadas e desmarcadas o que atrapalhou o fluxo dos atendimentos É válido pontuar que sempre no início dos atendimentos a paciente falava que não tinha dormido bem a noite e em determinado tempo da sessão ela começava a bocejar Tal comportamento pode ser analisado como um ato de resistência pois a mesma se aproveitava da transferência estabelecida para utilizar isso como pretexto para encerrar o atendimento mais cedo Freud 1912 enfatiza a importância de separar a transferência positiva de uma transferência negativa e ainda pontua que a transferência só se mostra propicia à resistência durante o tratamento enquanto ela for transferência negativa ou positiva de moções recalcadas A terceira sessão da paciente também foi pautada em sua relação conflituosa com sua filha ela trouxe situações que a magoaram durante seu percurso de vida materna falando sempre que ainda não foi embora por causa de seu neto que já havia perdido o avô não tinha contato com o pai e era injusto perder a convivência com a avó pontuou novamente o desejo de ter um companheiro e ao mesmo tempo o desejo de se sentir livre se contradizendo no que de fato ela queria No dia dessa sessão a paciente se mostrou emotiva chorosa e triste pois naquele dia estaria fazendo 35 anos de casada com seu falecido marido ao questionada sobre seus sentimentos ela afirma que ainda está vivendo o processo do luto ainda é doloroso falar sobre o assunto mas que busca um novo companheiro para a sua vida mas que seja diferente do seu falecido marido pois a paciente também pontua que sua vida de casada era difícil e que só continuou em seu casamento por causa da doença de seu falecido cônjuge No meio da sessão a paciente tira seu aparelho celular da bolsa e começa a mexer neste momento parei e a observei o silencio tomou conta do sete terapêutico e ao perceber sua ação ela me questionou sobre o que eu achava de sua decisão sobre não mudar de sua casa por causa da sua filha retornei a pergunta ela Esse ato repentino pode se caracterizar como uma fuga dos sintomas aos quais a paciente não quer enfrentar após essa distração do celular o raciocínio da paciente foi quebrado ela ficou mais fechada começou a bocejar é válido pontuar que ao final desta sessão a paciente me deu um abraço e antes de sair pela porta falou na próxima sessão quero falar de umas lembranças da minha infância além disso a mesma pontou que tem muitos pesadelos e que gostaria de falar durante o próximo atendimento Atos como estes podem ser vistos como mecanismo de resistência podemos pontuar que a resistência e a transferência são aspectos complexos e é necessário muita atenção e discernimento para que não haja uma psicanálise selvagem durante o atendimento Os questionamentos internos vazios seguidos pelos não sei podem se caracterizar por desconhecimentos em resistência Freud 1910 pontua que é no combate contra essas resistências que reside a tarefa da terapia Assim durante as sessões foi de grande valia pontuar a importância da terapia e do compromisso da paciente consigo para seu processo de tratamento Em sua quarta sessão a paciente chegou comunicativa como todas as vezes falou sobre seus conflitos familiares e pontou sobre sua insônia que tem sido um problema recorrente ao ser questionada pelo significante utilizado para falar sobre possíveis motivos de seu medo de dormir a paciente pontou que ficou de falar sobre isso nesta sessão de inicio a paciente começou a falar sobre abusos sexuais que sofreu na infância por parentes próximos ao decorrer de sua fala era visível a fisionomia de desespero e tristeza contou me que nestes episódios ela tinha entre 9 a 10 anos e de como ocorria o ato sexual além disso a paciente começou a falar sobre pesadelos que assombrava desde a infância e dizia ter visões que nenhum outro ser humano tinha como anjos que caem do céu homem virar cachorro cachorro virar homem E o que a mais lhe persegue o que ela chama de pesadelo saliente em detalhes a paciente relatou que este pesadelo é composto por um ser desfigurado sem rosto sem fisionomia porém que ela sabe que é um homem e que ao aparecer ele suga seus seios e a paralisa por fim ele tem relações sexuais com ela Pontou também que tem esse mesmo pesadelo desde os 11 anos de idade e que ele só não aparece quando está firmada em sua fé Além disso a paciente também relatou que sente avisos através de sintomas psicossomáticos e pontou que sua mãe e sua irmã tem o mesmo pesadelo que ela porém que nunca falou disso com ninguém por medo de ser julgada nesta sessão a paciente também trouxe como feedback sua satisfação com a terapia Realizei o acolhimento sobre suas demandas e reiterei que ali era um espaço seguro para que ela falasse sobre suas angústias tristezas alegria e conflitos Devo pontuar que de todos os meus atendimentos esse foi o mais difícil de realizar a escuta como relatado em supervisão foi algo que me atravessou e por alguns momentos me trouxe tamanha angústia por ter sido o meu primeiro contato com uma demanda tão delicada e sensível Entretando o atendimento trouxe muitas informações e significados importantes para o tratamento da paciente Outra vez devido a manutenção interna da clínica escola e divergências da paciente houve remarque dos atendimentos o que implica negativamente no progresso das sessões e da comunicação terapeutapaciente Em sua quinta sessão a paciente já não se mostrava tão aberta a comunicação então foi necessário instigala mais neste momento ela falou sobre que no dia anterior tinha completado um ano da morte de seu marido que os sentimentos eram de dor e tristeza pois ela relembrou de tudo que passou junto a ele e de todo sofrimento durante seus últimos dia de vida neste atendimento a paciente trouxe consigo o desejo de se sentir mulher de se sentir desejada e amada e relatou que a muito tempo antes de seu marido falecer não tinha isso e acabou se envolvendo com outra pessoa É perceptível que a paciente além do desejo de se sentir valorizada e amada possui um desejo de não se sentir só e por ser guiada por tamanho desejo não renuncia a relacionamentos que só lhe dão prazer mesmo pontuando que quer algo além como uma família e estabilidade Por diversas vezes a paciente relata que mesmo estando em um relacionamento atual não vê futuro pois percebe que não possuem os mesmos valores e ambições porém o medo de ficar só e de não saber ficar só a impede de abrir mão desse relacionamento Dentro das sessões também temos trabalhado a autonomia da paciente pois através de suas falas ela pode se perceber em meio ao seu ambiente e as relações que a cercam assim ela pode refletir do porquê permanecer em algo que a machuca e que não lhe agrega Durante a sessão a paciente retirou uma barrinha de proteína para comer dei o espaço a ela além disso neste mesmo atendimento ela retirou o celular da bolsa e começou a mexer bocejos começou a aparecer e após discutir sobre esses fatos em supervisão ficou claro que tais comportamentos pediam limites pois a paciente estava controlando o sete terapêutico e utilizou da transferência para isso volto a pontuar o que Fred 1912 traz sobre a transferência aparecer como um obstáculo e pode transformase no meio mais forte de resistência se não souber manejar da forma correta e eficaz para o terapeuta Freud 1914 também discorre que p ara ele a resistência é uma forma de defesa contra a experiência de recordar e lidar com conteúdo s angustiantes do inconsciente Em sua sexta sessão a paciente trouxe informações valiosas sobre medicações que utilizava para dormir e para emagrecer diferentes das outras vezes a paciente apresentou uma fisionomia de desleixo mãos tremulas cabelo bagunçado retomou sobre sua insônia pouco falou sobre o pesadelo saliente pois no dia ela queria falar sobre situações de conflitos recorrentes ao contexto familiar de seu falecido marido neste atendimento comecei a colocar limites na paciente como no horário de encerrar a sessão também percebi que a mesma aparenta está mais decidida sobre seu desejo de possuir um companheiro mas dessa vez ela relatou que quer alguém que ofereça aquilo que ela almeja sem aceitar qualquer tipo de relação que não lhe beneficie Referência FREUD S Fundamentos da Clínica Psicanalítica Tradução de Cláudia Dornbusch Belo Horizonte Autêntica 2017 Obras Incompletas de Sigmund Freud 6
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BACHARELADO EM PSICOLOGIA DISCIPLINA PSICOLOGIA CLÍNICA II DOCENTE LUCAS DOURADO DISCENTE LUDIMILA CARVALHO SOARES CAMPOS ESTUDO DE CASO DO S ATENDIMENTO S CLÍNICO REALIZADO NA CLÍNICA ESCOLA UNIPSI NO MUNICÍPIO DE TUCURUÍPA O estudo de caso tratase de transcrições realizadas durante os atendimentos clínicos realizado s por uma acadêmica do 9 semestre do curso de psicologia clínica escola UNIPSI situada no município de Tucuruí no interior do estado do Pará O primeiro contato com a paciente ocorreu através do WhatsApp pois ela tinha ido à secretaria da instituição solicitar um atendimento com urgência Após marcar sua primeira sessão via mensagens solicitei na secretária toda a documentação necessária incluindo uma ficha de cadastro para a paciente A L C 54 anos viúva foi a clínica escola por recomendações de amigas a queixa inicial da paciente era insônia ela relatou que a bastante tempo não conseguia dormir e por isso resolveu procurar a terapia como ferramenta de auxílio neste quesito No primeiro atendimento deixei a paciente bem á vontade para expressar suas demandas não foi necessário instigála pois ela possuía uma grande necessidade de falar vale ressaltar que desde o primeiro momento terapêutico a paciente se referiu a mim como mana amiga e mulher Freud 1912 afirma que no tratamento analítico a transferência parece surgir primeiro apenas como a arma mais poderosa da resistência Sendo assim por meios de pronomes a paciente pode ter o intuito de aproximasse e com isso caçar mecanismos de não precisar falar Em suas primeir a s sessões a paciente relatada bastante o falecimento de seu marido sua relação conflituosa com suas filhas e a sobrecarga de trabalho visto que a paciente possui dois empregos Em seus relatos a paciente discorre do sentimento de se sentir só mesmo estando rodeada de companhia s Durante várias sessões a paciente volta ao processo de falecimento de seu marido conta como foi doloroso e sofrido desde a descoberta da doença até o dia de sua morte é perceptível que a paciente ainda não se deu o devido tempo para viver o processo do luto durante suas falas a paciente sempre voltava perguntas direcionadas a mim com a tentativa de criar um vínculo por experiências Freud 191 3 aborda que na psicanálise no início do tratamento o paciente pode se colocar em uma postura preconcebida diante do terapeuta em relação a transferência então é necessário que o terapeuta desvende aos poucos os enigmas através dos significantes expostos pelos pacientes Para isso é necessário que o terapeuta esteja atento a todo sinal dado pelo paciente durante seus relatos Nas sessões seguintes de A L C foi notável uma maior presença dos pronomes a qual se referia a mim os questionamentos que me fazia e a entonação do né como ponto de afirmação além disso pode se dizer que no início via isso como um ponto positivo pois por ser meu segundo caso na clínica escola não conseguia esses aspectos transferenciais de forma negativa pois até então a paciente falava e se expressava bastante Durante o início de seu tratamento deixei que a paciente trouxesse tudo aquilo que estava reprimido dentro de si como dito pela mesma por não ter com quem conversar ela acaba acumulando muita coisa e o que predominava ali era a falta que sentia pela ausência de seu falecido marido Como a paciente relata foi um período complicado pois se sentia e a via sozinha sem apoio e sem acolhimento Outro assunto bastante recorrente na sessão era a relação conflituosa com uma de suas filhas vale pontuar que essa filha é maior de idade mas ainda mora com a mãe Durante seu atendimento frases como estou sobrecarregada não me reconheço mais eram bem frequentes em prantos a paciente falava que precisa que filha a ajudasse ou ao menos tivesse um olhar mais humanizado para si pois ela já não dava conta de cuidar da casa trabalhar com vendas e trabalhar na escola que é seu emprego fixo Nas primeiras sessões trabalhamos a importância de a paciente ter um olhar e um tempo de autocuidado já que era perceptível do quanto ela necessitava se ver e se reconhecer novamente entretanto devido algumas divergências as sessões seguintes acabaram sendo marcadas e desmarcadas o que atrapalhou o fluxo dos atendimentos É válido pontuar que sempre no início dos atendimentos a paciente falava que não tinha dormido bem a noite e em determinado tempo da sessão ela começava a bocejar Tal comportamento pode ser analisado como um ato de resistência pois a mesma se aproveitava da transferência estabelecida para utilizar isso como pretexto para encerrar o atendimento mais cedo Freud 1912 enfatiza a importância de separar a transferência positiva de uma transferência negativa e ainda pontua que a transferência só se mostra propicia à resistência durante o tratamento enquanto ela for transferência negativa ou positiva de moções recalcadas A terceira sessão da paciente também foi pautada em sua relação conflituosa com sua filha ela trouxe situações que a magoaram durante seu percurso de vida materna falando sempre que ainda não foi embora por causa de seu neto que já havia perdido o avô não tinha contato com o pai e era injusto perder a convivência com a avó pontuou novamente o desejo de ter um companheiro e ao mesmo tempo o desejo de se sentir livre se contradizendo no que de fato ela queria No dia dessa sessão a paciente se mostrou emotiva chorosa e triste pois naquele dia estaria fazendo 35 anos de casada com seu falecido marido ao questionada sobre seus sentimentos ela afirma que ainda está vivendo o processo do luto ainda é doloroso falar sobre o assunto mas que busca um novo companheiro para a sua vida mas que seja diferente do seu falecido marido pois a paciente também pontua que sua vida de casada era difícil e que só continuou em seu casamento por causa da doença de seu falecido cônjuge No meio da sessão a paciente tira seu aparelho celular da bolsa e começa a mexer neste momento parei e a observei o silencio tomou conta do sete terapêutico e ao perceber sua ação ela me questionou sobre o que eu achava de sua decisão sobre não mudar de sua casa por causa da sua filha retornei a pergunta ela Esse ato repentino pode se caracterizar como uma fuga dos sintomas aos quais a paciente não quer enfrentar após essa distração do celular o raciocínio da paciente foi quebrado ela ficou mais fechada começou a bocejar é válido pontuar que ao final desta sessão a paciente me deu um abraço e antes de sair pela porta falou na próxima sessão quero falar de umas lembranças da minha infância além disso a mesma pontou que tem muitos pesadelos e que gostaria de falar durante o próximo atendimento Atos como estes podem ser vistos como mecanismo de resistência podemos pontuar que a resistência e a transferência são aspectos complexos e é necessário muita atenção e discernimento para que não haja uma psicanálise selvagem durante o atendimento Os questionamentos internos vazios seguidos pelos não sei podem se caracterizar por desconhecimentos em resistência Freud 1910 pontua que é no combate contra essas resistências que reside a tarefa da terapia Assim durante as sessões foi de grande valia pontuar a importância da terapia e do compromisso da paciente consigo para seu processo de tratamento Em sua quarta sessão a paciente chegou comunicativa como todas as vezes falou sobre seus conflitos familiares e pontou sobre sua insônia que tem sido um problema recorrente ao ser questionada pelo significante utilizado para falar sobre possíveis motivos de seu medo de dormir a paciente pontou que ficou de falar sobre isso nesta sessão de inicio a paciente começou a falar sobre abusos sexuais que sofreu na infância por parentes próximos ao decorrer de sua fala era visível a fisionomia de desespero e tristeza contou me que nestes episódios ela tinha entre 9 a 10 anos e de como ocorria o ato sexual além disso a paciente começou a falar sobre pesadelos que assombrava desde a infância e dizia ter visões que nenhum outro ser humano tinha como anjos que caem do céu homem virar cachorro cachorro virar homem E o que a mais lhe persegue o que ela chama de pesadelo saliente em detalhes a paciente relatou que este pesadelo é composto por um ser desfigurado sem rosto sem fisionomia porém que ela sabe que é um homem e que ao aparecer ele suga seus seios e a paralisa por fim ele tem relações sexuais com ela Pontou também que tem esse mesmo pesadelo desde os 11 anos de idade e que ele só não aparece quando está firmada em sua fé Além disso a paciente também relatou que sente avisos através de sintomas psicossomáticos e pontou que sua mãe e sua irmã tem o mesmo pesadelo que ela porém que nunca falou disso com ninguém por medo de ser julgada nesta sessão a paciente também trouxe como feedback sua satisfação com a terapia Realizei o acolhimento sobre suas demandas e reiterei que ali era um espaço seguro para que ela falasse sobre suas angústias tristezas alegria e conflitos Devo pontuar que de todos os meus atendimentos esse foi o mais difícil de realizar a escuta como relatado em supervisão foi algo que me atravessou e por alguns momentos me trouxe tamanha angústia por ter sido o meu primeiro contato com uma demanda tão delicada e sensível Entretando o atendimento trouxe muitas informações e significados importantes para o tratamento da paciente Outra vez devido a manutenção interna da clínica escola e divergências da paciente houve remarque dos atendimentos o que implica negativamente no progresso das sessões e da comunicação terapeutapaciente Em sua quinta sessão a paciente já não se mostrava tão aberta a comunicação então foi necessário instigala mais neste momento ela falou sobre que no dia anterior tinha completado um ano da morte de seu marido que os sentimentos eram de dor e tristeza pois ela relembrou de tudo que passou junto a ele e de todo sofrimento durante seus últimos dia de vida neste atendimento a paciente trouxe consigo o desejo de se sentir mulher de se sentir desejada e amada e relatou que a muito tempo antes de seu marido falecer não tinha isso e acabou se envolvendo com outra pessoa É perceptível que a paciente além do desejo de se sentir valorizada e amada possui um desejo de não se sentir só e por ser guiada por tamanho desejo não renuncia a relacionamentos que só lhe dão prazer mesmo pontuando que quer algo além como uma família e estabilidade Por diversas vezes a paciente relata que mesmo estando em um relacionamento atual não vê futuro pois percebe que não possuem os mesmos valores e ambições porém o medo de ficar só e de não saber ficar só a impede de abrir mão desse relacionamento Dentro das sessões também temos trabalhado a autonomia da paciente pois através de suas falas ela pode se perceber em meio ao seu ambiente e as relações que a cercam assim ela pode refletir do porquê permanecer em algo que a machuca e que não lhe agrega Durante a sessão a paciente retirou uma barrinha de proteína para comer dei o espaço a ela além disso neste mesmo atendimento ela retirou o celular da bolsa e começou a mexer bocejos começou a aparecer e após discutir sobre esses fatos em supervisão ficou claro que tais comportamentos pediam limites pois a paciente estava controlando o sete terapêutico e utilizou da transferência para isso volto a pontuar o que Fred 1912 traz sobre a transferência aparecer como um obstáculo e pode transformase no meio mais forte de resistência se não souber manejar da forma correta e eficaz para o terapeuta Freud 1914 também discorre que p ara ele a resistência é uma forma de defesa contra a experiência de recordar e lidar com conteúdo s angustiantes do inconsciente Em sua sexta sessão a paciente trouxe informações valiosas sobre medicações que utilizava para dormir e para emagrecer diferentes das outras vezes a paciente apresentou uma fisionomia de desleixo mãos tremulas cabelo bagunçado retomou sobre sua insônia pouco falou sobre o pesadelo saliente pois no dia ela queria falar sobre situações de conflitos recorrentes ao contexto familiar de seu falecido marido neste atendimento comecei a colocar limites na paciente como no horário de encerrar a sessão também percebi que a mesma aparenta está mais decidida sobre seu desejo de possuir um companheiro mas dessa vez ela relatou que quer alguém que ofereça aquilo que ela almeja sem aceitar qualquer tipo de relação que não lhe beneficie Referência FREUD S Fundamentos da Clínica Psicanalítica Tradução de Cláudia Dornbusch Belo Horizonte Autêntica 2017 Obras Incompletas de Sigmund Freud 6