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12.08.19 Classificação de doença de planta\n\nO processo doença envolve alterações na fisiologia do hospedeiro. Com base neste aspecto, George L. McNew, em 1960, propôs uma classificação para as doenças de plantas baseada nos processos fisiológicos vitais da planta interferidos pelos patógenos. Os processos fisiológicos vitais de uma planta, em ordem cronológica, podem ser resumidos nos seguintes:\n\nI - Acúmulo de nutrientes em órgãos de armazenamento para o desenvolvimento de tecidos embrionários.\nII - Desenvolvimento de tecidos jovens às custas dos nutrientes armazenados.\nIII - Absorção de água e elementos minerais a partir de um substrato.\nIV - Transporte de água e elementos minerais através do sistema vascular.\nV - Fotossíntese.\nVI - Utilização, pela planta, das substâncias elaboradas através da fotossíntese.\n\nConsiderando que estes processos vitais podem sofrer interferências provocadas por diferentes patógenos, McNew propôs grupos de doenças correspondentes: Grupo I – Podridões de órgãos de reserva: Neste grupo os sintomas típicos é podridão mole, devido à ação de enzimas celulolíticas e pectinolíticas, e podridão seca que podem ocorrer em frutos, sementes e órgão de reserva. Como estratégias de controle para esse grupo de doenças podemos utilizar atmosfera modificada, armazenamento em baixas temperaturas, controle químico preventivo e principalmente evitar ферmentos nos órgão colhidos. Vimos Pectobacterium sp. em pimentões e batatas.\n\nRhizopus sp. em morangos.\n\nPenicillium sp. em tangerinas. Grupo II – Danos em plântulas (\"damping off\"): Os danos ocorrem em pré-emergência e pós-emergência. Os patógenos deste grupo são necrotróficos, tais como Pythium sp., Phytophthora sp. e Rhizoctonia sp. Estes patógenos são favorecidos por alta umidade, podem penetrar diretamente e sobreviver no solo (clamidósporos, escleródios). São pouco específicos.\n\nGrupo III – Podridões de raízes e colo: Os danos ocorrem em plantas adultas. Os patógenos deste grupo são necrotróficos, tais como Pythium sp., Phytophthora sp., Rhizoctonia sp., Sclerotium sp. e Fusarium solani. Estes patógenos são favorecidos por alta umidade, podem penetrar diretamente e sobreviver no solo (clamidósporos, escleródios). Grupo V- as quais interferem na fotossíntese do hospedeiro. Essas doenças são bastante importantes pelo fato de que as estruturas da maioria de seus agentes causais são facilmente disseminadas pelo vento e por consequência os mesmos podem se disseminar e infectar campos de cultivos vizinhos, entre regiões, países ou até mesmo continentes. Os patógenos desse grupo são específicos, ou seja, cada espécie de patógeno é capaz de infectar uma espécie de hospedeiro em particular.\nEsse grupo de doenças é subdividido em 4 subgrupos:\n\n1. Manchas Foliares: Agentes causais - várias espécies de fungos e bactérias\nFungos: Conídios em conidióforos livres, piíncios ou acérvulos.\nBactérias: Células bacterianas.\nOs patógenos causadores de manchas são necrotróficos/hemibiótróficos e capazes de produzir toxinas durante o processo de infecção e colonização. Essas características explicam as lesões necróticas (acentuadas, marrons ou pretas) circundadas por um halo clorótico características desse grupo de doenças. Essas manchas apresentam tamanhos e formas diversas e geralmente estão distribuídas ao longo do limbo foliar.\n\n2. Míldios: Agentes causais - Cromistas. Possuem hifa assexuada, produzem esporângio em esporangióforos e esporos móveis (flagelados) denominados zoósporos. Estruturas hialinas e observadas em ambas faces da folha do hospedeiro (onde encontram-se os estômatos). São patógenos favorecidos em temperaturas amenas e ambiente ÚMIDO (épocas chuvosas, baixadas e irrigação por aspersão). Patógenos específicos.\n\n3. Óidios: Agentes causais - Espécies do gênero Oidium. Produzem hifas septadas, conídios em cadeia em conidióforos. Estruturas hialinas encontradas como \"pó ou talco\" na superfície foliar do hospedeiro. Essas estruturas podem ser facilmente removidas da folha por ação de chuva e/ou irrigação por aspersão e por isso são favorecidos em ambientes SECOS (época seca e cultivo protegido). Patógenos específicos.\n\n4. Ferrugens: Agentes causais: várias espécies de basidiomycetos. Produzem esporos denominados Uredinósporos/Uredóforos que são ornamentados (espículas - \"espinhos\") de coloração amarela, laranja em pústulas (rompimento da epiderme do hospedeiro). As pústulas produzidas nos órgãos do hospedeiro possuem coloração de ferrugem e são características desse grupo de doenças. Esses patógenos penetraram via estômatos e são específicos (exceto o agente causal da ferrugem asiática da soja). Exemplos:\nHospedeiro 1: Bananeira, Nome da doença: Sigatoka amarela, Agente causal: Fungo do gênero Cercospora.\nHospedeiro 2: Citrros (limão cravo), Nome da doença: Verrugose, Agente causal: Fungo.\nHospedeiro 3: Cucurbitácea (abobrinha) ou soja, Nome da doença: Óidio, Agente causal: Fungo do gênero Oidium. Hospedeiro 4: Cafeeiro, Nome da doença: Ferrugem, Agente causal: Fungo do gênero Hemileia.\nControle:\nAs doenças desse grupo são controladas com a utilização de variedades resistentes e controle químico (fungicidas).\n\nGRUPO VI - onde estão as Viroses, as Galhas e os Carvões. Os patógenos deste grupo são biotróficos e apresentam o parasitismo evoluído e alta especificidade em relação à planta hospedeira.\n\n- Vírus: São agentes infecciosos que não possuem metabolismo próprio. São parasitas obrigatórios e utilizam os sistemas de síntese de ácido nucleico e de proteínas da célula hospedeira para sua replicação.\nVírus da Leprose dos citros (CiLV)\nVírus do vira cabeça do tomateiro (TSWV)\nVírus da abobrinha (ZYMV) Vírus do endurecimento do fruto do maracujazeiro (PWV).\n\n• Carvões: Doença caracterizada pela produção de massa pulverulenta escura, sendo esta massa escura constituída de estruturas reprodutivas do patógeno.\n\nCarvão do milho: Ustilago maydis\n\nCarvão da cana-de-açúcar: Sporisorium scitamineum\n\n• Galhas: Galha é o nome dado ao intumescimento do tecido do vegetal, decorrente da infecção por um patógeno.\n\nMeloidogyne sp. Agrobacterium sp.\n\nControle: As doenças deste grupo podem ser controladas com o uso de variedades resistentes ou tolerantess, sementes e mudas certificadas e premunização para algumas viroses.
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12.08.19 Classificação de doença de planta\n\nO processo doença envolve alterações na fisiologia do hospedeiro. Com base neste aspecto, George L. McNew, em 1960, propôs uma classificação para as doenças de plantas baseada nos processos fisiológicos vitais da planta interferidos pelos patógenos. Os processos fisiológicos vitais de uma planta, em ordem cronológica, podem ser resumidos nos seguintes:\n\nI - Acúmulo de nutrientes em órgãos de armazenamento para o desenvolvimento de tecidos embrionários.\nII - Desenvolvimento de tecidos jovens às custas dos nutrientes armazenados.\nIII - Absorção de água e elementos minerais a partir de um substrato.\nIV - Transporte de água e elementos minerais através do sistema vascular.\nV - Fotossíntese.\nVI - Utilização, pela planta, das substâncias elaboradas através da fotossíntese.\n\nConsiderando que estes processos vitais podem sofrer interferências provocadas por diferentes patógenos, McNew propôs grupos de doenças correspondentes: Grupo I – Podridões de órgãos de reserva: Neste grupo os sintomas típicos é podridão mole, devido à ação de enzimas celulolíticas e pectinolíticas, e podridão seca que podem ocorrer em frutos, sementes e órgão de reserva. Como estratégias de controle para esse grupo de doenças podemos utilizar atmosfera modificada, armazenamento em baixas temperaturas, controle químico preventivo e principalmente evitar ферmentos nos órgão colhidos. Vimos Pectobacterium sp. em pimentões e batatas.\n\nRhizopus sp. em morangos.\n\nPenicillium sp. em tangerinas. Grupo II – Danos em plântulas (\"damping off\"): Os danos ocorrem em pré-emergência e pós-emergência. Os patógenos deste grupo são necrotróficos, tais como Pythium sp., Phytophthora sp. e Rhizoctonia sp. Estes patógenos são favorecidos por alta umidade, podem penetrar diretamente e sobreviver no solo (clamidósporos, escleródios). São pouco específicos.\n\nGrupo III – Podridões de raízes e colo: Os danos ocorrem em plantas adultas. Os patógenos deste grupo são necrotróficos, tais como Pythium sp., Phytophthora sp., Rhizoctonia sp., Sclerotium sp. e Fusarium solani. Estes patógenos são favorecidos por alta umidade, podem penetrar diretamente e sobreviver no solo (clamidósporos, escleródios). Grupo V- as quais interferem na fotossíntese do hospedeiro. Essas doenças são bastante importantes pelo fato de que as estruturas da maioria de seus agentes causais são facilmente disseminadas pelo vento e por consequência os mesmos podem se disseminar e infectar campos de cultivos vizinhos, entre regiões, países ou até mesmo continentes. Os patógenos desse grupo são específicos, ou seja, cada espécie de patógeno é capaz de infectar uma espécie de hospedeiro em particular.\nEsse grupo de doenças é subdividido em 4 subgrupos:\n\n1. Manchas Foliares: Agentes causais - várias espécies de fungos e bactérias\nFungos: Conídios em conidióforos livres, piíncios ou acérvulos.\nBactérias: Células bacterianas.\nOs patógenos causadores de manchas são necrotróficos/hemibiótróficos e capazes de produzir toxinas durante o processo de infecção e colonização. Essas características explicam as lesões necróticas (acentuadas, marrons ou pretas) circundadas por um halo clorótico características desse grupo de doenças. Essas manchas apresentam tamanhos e formas diversas e geralmente estão distribuídas ao longo do limbo foliar.\n\n2. Míldios: Agentes causais - Cromistas. Possuem hifa assexuada, produzem esporângio em esporangióforos e esporos móveis (flagelados) denominados zoósporos. Estruturas hialinas e observadas em ambas faces da folha do hospedeiro (onde encontram-se os estômatos). São patógenos favorecidos em temperaturas amenas e ambiente ÚMIDO (épocas chuvosas, baixadas e irrigação por aspersão). Patógenos específicos.\n\n3. Óidios: Agentes causais - Espécies do gênero Oidium. Produzem hifas septadas, conídios em cadeia em conidióforos. Estruturas hialinas encontradas como \"pó ou talco\" na superfície foliar do hospedeiro. Essas estruturas podem ser facilmente removidas da folha por ação de chuva e/ou irrigação por aspersão e por isso são favorecidos em ambientes SECOS (época seca e cultivo protegido). Patógenos específicos.\n\n4. Ferrugens: Agentes causais: várias espécies de basidiomycetos. Produzem esporos denominados Uredinósporos/Uredóforos que são ornamentados (espículas - \"espinhos\") de coloração amarela, laranja em pústulas (rompimento da epiderme do hospedeiro). As pústulas produzidas nos órgãos do hospedeiro possuem coloração de ferrugem e são características desse grupo de doenças. Esses patógenos penetraram via estômatos e são específicos (exceto o agente causal da ferrugem asiática da soja). Exemplos:\nHospedeiro 1: Bananeira, Nome da doença: Sigatoka amarela, Agente causal: Fungo do gênero Cercospora.\nHospedeiro 2: Citrros (limão cravo), Nome da doença: Verrugose, Agente causal: Fungo.\nHospedeiro 3: Cucurbitácea (abobrinha) ou soja, Nome da doença: Óidio, Agente causal: Fungo do gênero Oidium. Hospedeiro 4: Cafeeiro, Nome da doença: Ferrugem, Agente causal: Fungo do gênero Hemileia.\nControle:\nAs doenças desse grupo são controladas com a utilização de variedades resistentes e controle químico (fungicidas).\n\nGRUPO VI - onde estão as Viroses, as Galhas e os Carvões. Os patógenos deste grupo são biotróficos e apresentam o parasitismo evoluído e alta especificidade em relação à planta hospedeira.\n\n- Vírus: São agentes infecciosos que não possuem metabolismo próprio. São parasitas obrigatórios e utilizam os sistemas de síntese de ácido nucleico e de proteínas da célula hospedeira para sua replicação.\nVírus da Leprose dos citros (CiLV)\nVírus do vira cabeça do tomateiro (TSWV)\nVírus da abobrinha (ZYMV) Vírus do endurecimento do fruto do maracujazeiro (PWV).\n\n• Carvões: Doença caracterizada pela produção de massa pulverulenta escura, sendo esta massa escura constituída de estruturas reprodutivas do patógeno.\n\nCarvão do milho: Ustilago maydis\n\nCarvão da cana-de-açúcar: Sporisorium scitamineum\n\n• Galhas: Galha é o nome dado ao intumescimento do tecido do vegetal, decorrente da infecção por um patógeno.\n\nMeloidogyne sp. Agrobacterium sp.\n\nControle: As doenças deste grupo podem ser controladas com o uso de variedades resistentes ou tolerantess, sementes e mudas certificadas e premunização para algumas viroses.