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Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 495 CARACTERIZAÇÃO DOS MEIOS E MÉTODOS DE INFLUÊNCIA PRÁTICA NO TREINAMENTO EM FUTEBOLISTAS PROFISSIONAIS MS TIAGO VOLPI BRAZ Mestre em Educação Física pela UNIMEP e Professor do Depto de Educação Física da Faculdade de Americana Poços de Caldas Minas Gerais Brasil Email tiagovolpiyahoocombr MS LEANDRO MATEUS PAGOTO SPIGOLON Mestre em Educação Física pela UNIMEP e Equipe de Fisiologia do Desportivo Brasil Participações LTDA Piracicaba São Paulo Brasil Email leandroedfisicahotmailcom DR JOÃO PAULO BORIN Doutor em Educação Física pela UNICAMP e Professor do Depto de Ciências do Esporte da Universidade Estadual de Campinas Campinas São Paulo Brasil Email borinjpfefunicampbr RESUMO O presente trabalho tem como objetivo apontar as características dos meios e métodos de influência prática e posteriormente sugerir um modelo de organização e estruturação na etapa preparatória na modalidade futebol profissional Os instrumentos utilizados na pesquisa foram artigos publicados em periódicos indexados no Qualis CAPES dissertações bem como livros registrados no International Standard Book Number ISSN A partir das informações encontradas destacase que o meio de treinamento representa o exercício e o método o modo de sua utilização os métodos de influência prática têm sido tratados com maior im portância no âmbito desportivo A discussão direciona no sentido de que os diferentes meios e métodos constituem os elementos práticos da preparação desportiva intervindo diretamente na organização do treinamento bem como no entendimento de que quanto maior é o grau de correspondência entre os modelos utilizados exercícios de treinamento e a competição maiores e mais eficazes resultarão seus efeitos Por fim apontase que no contexto atual da modalidade tornase necessário evidenciar que a forma de organização deve buscar o desem penho dos jogadores em curto período de tempo e a preparação de futebolistas profissionais indica a necessidade de pesquisas envolvendo propostas de sistematização de treinamento PALAVRASCHAVE Meios de treinamento métodos de treinamento futebol treinamento esportivo 496 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 INTRODUÇÃO A melhoria do desempenho dos desportistas depende em grande parte da habilidade das comissões técnicas em selecionar e organizar os conteúdos de treinamento relacionados à prática competitiva de uma determinada modalidade desportiva De acordo com Gomes 2009 a base metodológica da preparação desportiva1 é constituída por meios e métodos pedagógicos de preparação que visam aperfeiçoar as capacidades de desempenho até um estado ótimo mantendo sempre o equilíbrio entre os sistemas biológico psicológico e social Os meios de treinamento influenciam direta eou indiretamente o aperfeiçoa mento para alcançar o alto desempenho desportivo constituindo a base do processo pedagógico da preparação PLATONOV 2008 Podem ser consideradas um sistema estável de ações repetidas com interligações necessárias para a solução de tarefas previstas e obrigatoriamente estão ligados aos métodos da preparação desportiva GOMES 2009 Já os métodos da preparação desportiva compreendem a forma como os treinadores e atletas utilizam as ferramentas no treinamento visando al cançar a assimilação dos conhecimentos habilidades e hábitos São procedimentos planejados na transmissão e estruturação de conteúdos de treinamento MARTIN CARL LEHNERTZ 2008 ou seja é como se utiliza o meio no processo de ob tenção do objetivo da preparação Sucintamente o meio representa o exercício e o método o modo de sua utilização DE LA ROSA 2006 Neste sentido importante destacar que para cada componente do sistema de preparação do atleta existe uma composição de métodos Assim o ato de verbalizar demonstrar ou praticar são critérios utilizados para classificar os métodos pedagógicos do desporto em i métodos de influência prática ii de influência verbal explicação conversa comando correção e avaliação e iii influência demonstrativa visual motor auditivo ZAKHAROV GOMES 2003 Os métodos de influência verbal e demonstrativos são complementares aos de influência prática porém são necessários ao processo de preparação já que se atrelam ao binômio treinador atleta sobretudo em atividades que visem à apresentação da atividade motora demonstração de materiais didáticos orientações visuais e estímulos sonoros GOMES 2009 Ao mesmo tempo em que se verifica contextualizado na literatura WEINE CK 2003 PLATONOV 2008 os conceitos relacionados aos meios e métodos 1 A preparação desportiva compreende todos os fatores relacionados com a preparação do atleta e que podem leválo ao desenvolvimento de uma boa performance no desporto praticado É com posta pelo sistema de competições sistema de treinamento e sistema de fatores complementares GOMES 2009 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 497 da preparação desportiva Thiess Tschiene e Nickel 2004 entendem que sua caracterização de maneira específica das modalidades desportivas tem sido pouco explorada na literatura o que contribui para aplicação sem especificidade dos exercícios de treinamento REILLY 2005 dificultando o aperfeiçoamento das capacidades de desempenho dos atletas durante o processo de preparação desportiva Além disto nos desportos individuais essa área caminhou com maior propriedade até mesmo pelo menor envolvimento de variáveis a serem conside radas para obter o resultado de modo mais objetivo e pela forma como é avaliado o desempenho porém nos desportos coletivos as tentativas e propostas ainda se encontram no campo exploratório e os estudos ainda são escassos BORIN GOMES LEITE 2007 BORIN et al 2009 BRAZ 2010 SPIGOLON 2010 em diversas modalidades Particularmente quanto ao futebol apesar de se destacar no cenário des portivo brasileiro poucos estudos procuraram caracterizar os meios e métodos de preparação na organização e estruturação de futebolistas sub 20 e profissionais da modalidade em exceção as descrições realizadas por Gomes e Souza 2008 para uma equipe da série A do campeonato brasileiro Tal ocorrência se deve provavel mente em consequência dos principais clubes nacionais não disponibilizarem sua estrutura organizativa de trabalho ou pela distância existente entre a sistematização do rigor científico e a realidade empírica da modalidade BRAZ 2010 A estruturação dos meios e métodos de treinamento durante a temporada competitiva deve ser tal que permita ao futebolista desempenho constante durante longo período competitivo ou seja oito a nove meses no ano GAMBLE 2006 KELLY COUTTS 2007 somado ao pouco tempo de preparação das equipes devido ao calendário de competições Nesta direção surge a necessidade da es pecialização dos exercícios de aperfeiçoamento das capacidades de desempenho apontando para uma relação da realidade competitiva e as características do treina mento MATVEEV 2001 THIESS TSCHIENE NICKEL 2004 PLATONOV 2008 CASTELO 2009 o que certamente exige pesquisas caracterizando exercícios de preparação Assim constatase a necessidade de estudos que busquem a caracterização dos meios e métodos de influência prática na estruturação dos modelos de treina mento para futebolistas buscando também demonstrar com exemplos práticos a maneira como são selecionados e organizados durante o processo de preparação tendo em vista a condição de prescrição do treinamento baseado na modelação competitiva da modalidade Diante deste contexto o presente trabalho busca apon tar as características dos meios e métodos de influência prática e posteriormente relacionar com a estrutura e organização do treinamento no futebol 498 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 METODOLOGIA O presente estudo tratase de uma síntese de pesquisa não sendo apenas um resumo da literatura a que se refere mas sim um tipo lógico de pesquisa que resulta em conclusões válidas avaliações de uma hipótese revisão e proposta de teoria THOMAS NELSON SILVERMAN 2007 Os instrumentos utilizados foram artigos publicados em periódicos indexados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Qualis CAPES dissertações e livros registrados no International Standard Book Number ISSN Os artigos foram obtidos no Portal CAPES por meio das bases de dados EBSCO HOST SCOPUS além da Scientific Electronic Library Online SCIELO sendo selecionados conforme mensuração dos desfechos de interesse SAMPAIO MANCINI 2007 necessários para atender os objetivos propostos no estudo Os critérios de seleção de livros foram i Publicação a partir do ano 2000 ii pertencer à área do Treinamento Desportivo iii constar na descrição a temática exercícios meios e métodos de preparação desportiva ou exercícios de treina mento para futebolistas e iv estar em idioma português Quanto à escolha das dissertações definiuse como palavrachave futebol exercícios de treinamento meios e métodos de treinamento RESULTADOS A partir da metodologia proposta a Tabela 1 aponta os dados obtidos Tabela 1 Unidades observacionais segundo variáveis estudadas Artigos Publicados Dissertações Livros Total Unidade Observacional n 12 3 15 30 DISCUSSÃO OS MÉTODOS DE INFLUÊNCIA PRÁTICA Os métodos de influência prática têm sido tratados com maior importância no âmbito desportivo já que constituem os elementos práticos da preparação des portiva intervindo diretamente na organização do treinamento GOMES SOUZA 2008 GOMES 2009 De fato esta intervenção direta no treinamento corresponde Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 499 às práticas sistematizadas voltadas principalmente para melhoria dos componentes técnico físico e tático dos desportistas bem como intervenções direcionadas à recuperação dos atletas durante a sequência de sessões de treinos e jogos Particularmente quanto aos métodos de ensino da técnica Platonov 2008 relata dois principais enfoques metodológicos a integral e b parcial O primeiro pressupõe o estudo e desenvolvimento das ações técnicas fundamentos de uma vez ou seja com caráter global Em contrapartida o parcial ou analíticosintético representa a divisão das ações em elementos ou fases relativamente independen tes cuja aprendizagem é realizada de modo autônomo com a posterior ligação destes em algo único ZAKHAROV GOMES 2003 Ao mesmo tempo em que há possibilidade de maior concentração na fase destacada dos meios executa dos com o aperfeiçoamento detalhado por meio das correções imediatas do treinador permitese de maneira integral o aumento da complexidade da ação motora estabilidade do ritmo e sua estrutura geral consolidando a aprendizagem MATVEEV 1997 Para os métodos do componente físico atenção especial deve ser direcio nada à capacidade biomotora a ser desenvolvida ou aperfeiçoada considerando não somente o tipo de ação muscular mas também a estrutura do movimento volume e intensidade da carga e sobretudo da relação com a atividade competitiva do desportista TUBINO MOREIRA 2003 WEINECK 2003 BOMPA 2005 BARBANTI 2010 Para a capacidade e potência aeróbia destacamse os métodos contínuos realizados sem pausas intermediárias de recuperação e apresentam duas formas de execução permanente e variativo GOMES et al 1997 Normalmente os métodos de características permanentes são empregados em meios de treino peculiares à recuperação dos desportistas com exceção de algumas modalidades que se modelam por parâmetros longos e constantes das cargas competitivas Outra opção seriam os métodos intervalados ou fracionados que são norteados por meios que geram trocas sistemáticas entre o esforço a realizar e a pausa relativa de recu peração constituindo métodos de maior exigência funcional DE LA ROSA 2006 Para a resistência Weineck 2003 classifica os métodos no desenvolvimen to e aperfeiçoamento desta capacidade pelo volume e intensidade da carga em extensivo alto volume de trabalho e intensivo maior intensidade de trabalho e os de velocidade pelo seu desenvolvimento complexo com elementos técnicos e táticos ou ainda pela sua intensidade máxima e submáxima Para os métodos de força Tubino e Moreira 2003 e Platonov 2008 vinculam os tipos de ação muscular durante a execução do meio sendo divididos em métodos concêntricos excêntricos isométricos pliométricos isocinéticos e de resistência variável 500 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 Por fim a flexibilidade pode ser treinada tanto pelo método passivo como pelo ativo ou combinado com aplicabilidade de cargas adicionais ou com a ajuda de um companheiro BOMPA 2005 Outro ponto relevante voltase aos métodos competitivos e de jogos pois apesar de se caracterizarem pelo difícil controle da carga imprevisibilidade das ações motoras e pela dificuldade de direcionamento do atleta no processo de execução dos meios MATVEEV 2001 DE LA ROSA 2006 MARTIN CARL LEHNERTZ 2008 tem sido amplamente valorizados na preparação dos jovens desportistas ZAKHAROV GOMES 2003 pois definem diversas tarefas de preparação dos atletas e sua eficiência resulta no aperfeiçoamento desportivo porém fatores como o baixo condicionamento físico e nível inicial da aprendizagem da técnica limitam sua utilização PLATONOV 2008 Destacase ainda que os métodos competitivos e de jogo também po dem ser utilizados para o desenvolvimento do componente tático em desportos coletivos já que são condicionados pela especificidade da modalidade ilustrados pelas múltiplas repetições de meios de preparação especial e competitivos como o controle da velocidade e tempo percorrido caráter e magnitude do esforço desenvolvido caracterizandose de acordo com Platonov 2008 por meios que utilizam o confronto com o adversário atuação de um companheiro e fragmentos de situações competitivas Notase ainda que além dos métodos de desenvolvimento das capacidades técnica física motora e tática existem os métodos de recuperação que objetivam sobretudo aperfeiçoar o processo de compensação das cargas de treinamento Platonov 2008 os classifica como métodos pedagógicos psicológicos e biomédicos que de maneira geral utilizam meios farmacológicos físicos psíquicos higiênicos e alimentícios na sua forma de aplicação Meios alimentícios são comprovadamente determinantes para a preparação desportiva em especial a reposição de líquidos e a ingestão de carboidratos durante os treinamentos e competição WEINECK 2003 Tais abordagens previnem a deterioração do desempenho e atuam na recuperação do organismo do desportista BOMPA 2005 Sob essa perspectiva Platonov 2008 afirma que a rentabilidade desportiva está diretamente ligada à aplicação dos meios e métodos de recuperação e estimulação do desempenho durante as diversas etapas do treinamento A Tabela 2 apresenta os diferentes métodos e meios de influência prática nos diferentes componentes do treinamento que podem ser utilizados no treinamento do futebol Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 501 Tabela 2 Métodos e meios de influência prática segundo componentes do Treinamento Desportivo Componentes do Treinamento Físico Técnico Tático Recuperativo Resistência Força Velocidade Flexibilidade Métodos de Influência Prática Intervalo Duração Repetição Competição Isométrico Concêntrico Excêntrico Pliométrico Isocinético Resistência Variável De Repetição Intervalado Intensivo Integrada ao jogo Passivo Ativo Combinado Integral Dividido Competitivo Sem um adversário Competitivo Com um adversário habitual Competitivo Situacional Pedagógico Psicológico Biomédico Meios de Preparação Corridas Contínuas e Intervaladas Sequência de ações específicas repetidas Exercícios com peso Variações de Saltos Ações específicas da modalidade com cargas adicionais Exercícios coordenativos de movimentos Sprints repetidos cíclicos e acíclicos Ações específicas em velocidade Exercícios passivos de alongamento Alongamento ativo amplitude similar as ações do jogo Ações de Flexibilidade via gestos motores da modalidade Habilidades específicas em duplas Habilidades específicas em pequenos jogos Ações Técnicas realizadas em grandes jogos Simulação de posicionamentos com e sem adversários Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Simulações Táticas Individuais Setoriais e Coletivas Exercícios de baixa intensidade Intervenção motivacional Ingestão de fármacos e suplementos alimentares Crioterapia Massagem Cabe destacar que no processo de preparação dos futebolistas existem diversas possibilidades de aplicação dos meios e métodos de influência prática Em Gomes e Souza 2008 e Spigolon 2010 são descritos exercícios e formas de trabalhos utilizados para futebolistas dos quais se destacam corridas intervaladas corridas com variação de velocidade e direção corridas tracionadas em distâncias curtas corridas em aclive rampa exercícios coordenativos de corrida e habilidades específicas saltos verticais horizontais laterais pliométricos exercícios com pesos alongamentos dinâmicos exercícios com variações técnicas finalização passe do 502 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 mínio condução e drible simulações de jogo e situações táticas específicas bem como jogos em campo reduzido No entanto é necessário enfatizar que a aplicação destes exercícios e sua forma de trabalho devem priorizar a especificidade competitiva da modalidade sobretudo a partir da categoria sub 20 18 a 20 anos Esta especificidade tem sido relacionada ao princípio da modelação competitiva processo no qual se busca a correlação entre o exercício de preparação com a exigência específica da competição MATVEEV 2001 PLATONOV 2008 Segundo este pensamento quanto maior é o grau de correspondência entre os modelos utilizados exercícios de treinamento e a competição inerente ao jogo de futebol maiores e mais eficazes resultarão seus efeitos fundamentandose desta forma a otimização do processo de preparação THIESS TSCHIENE NICKEL 2004 A conceituação de exercícios de preparação específica passa pela construção de modelos parciais ou integrais que buscam re presentar fielmente a realidade competitiva do jogo de futebol CASTELO 2009 Estes modelos são constituídos de indicadores como número de passes saltos tipos de deslocamentos executados distância total percorrida nos diferentes períodos de jogo e intensidades tempo de permanência no ataque e defesa eficiência das ações BORIN GOMES LEITE 2007 biomecânica de habilidades técnicas bem como variáveis relacionadas à forma de atuar das equipes como táticas estratégias e sistema de jogo adotados pelos treinadores Assim a partir da modelação competitiva dos jogadores e equipes são exem plos de meios de treinamento especiais e competitivos para o futebol sprints cíclicos e acíclicos em distâncias de cinco a 30 metros estações com variações de saltos mudanças de direção e deslocamentos corridas intervaladas 85 VO2 máx com pausas e movimentações baseadas no volume de ações competitivas exercícios com pesos dinâmicos com estrutura velocidade e amplitude similar aos gestos competitivos da modalidade exercícios com variações técnicas jogos em campo reduzido com alta intensidade simulações ofensivas e defensivas do padrão de atuação da equipe buscando particularidades individuais dos futebolistas no processo coletivo do jogo ESTRUTURAÇÃO DOS MEIOS E MÉTODOS DE INFLUÊNCIA PRÁTICA NA PREPARAÇÃO DE FUTEBOLISTAS A partir da caracterização dos meios e métodos de influência prática na pre paração de futebolistas surge a necessidade de periodizálos ao longo da temporada competitiva Acerca desta temática parece importante atentarse para alguns pontos que o contexto prático da modalidade apresenta sobretudo em relação ao pouco tempo de preparação destinado à preparação dos jogadores alto volume compe Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 503 titivo durante a temporada e necessidade de desempenho durante longo período de tempo ISSURIN 2010 MOREIRA 2010 Além disto tornase imprescindível a adoção de estruturações que considerem a relação dos efeitos crônicos e agudos das capacidades determinantes potência muscular velocidade e agilidade e predo minantes manifestações da resistência com a especificidade dos meios e métodos de preparação da modalidade BRAZ 2010 SPIGOLON 2010 De fato Gomes e Souza 2008 relatam que a maioria das equipes profissionais brasileiras apresentam período de 4 a 6 semanas no início da temporada para se prepararem para todos os jogos a serem disputados durante o ano Neste contexto tornase necessário evidenciar modelos de organização que busquem o desempenho do futebolista em curto período de tempo já que após o primeiro mesociclo de preparação já serão disputadas partidas oficiais A partir do entendimento de que a competição é a manifestação máxima da performance de um desportista PLATONOV 2008 e que a própria atividade competitiva dos futebolistas atua como estímulo específico para o desenvolvimento do desempenho na modalidade BRAZ 2010 notase que o volume competitivo de equipes de futebol profissional é elevado ISSURIN 2010 Considerando a problemática do tempo reduzido de preparação das equipes e a necessidade de desenvolvimento das capacidades biomotoras com predomínio dos sistemas neural e muscular potência velocidade e agilidade sugerese que os métodos de treinamento intervalados ou contínuos em baixa intensidade realizados sem a presença da bola não seriam necessários para o desenvolvimento da resistência dos futebolistas já que os próprios treinamentos com bola atuariam neste sentido como sugerido por Hoff e Helgerud 2004 e confirmado pelos achados de Impellizzeri et al 2006 Indicase que os estímulos da atividade competitiva e treinamentos com bola voltados à resistência especial dos futebolistas sejam utilizados para melhoria da capacidade de resistência especial dos jogadores diminuindo o volume de treino por meio de corridas intervaladas potência aeróbia contínuas longa duração e baixa intensidade resistência aeróbia Além disto há a possibilidade dos treinadores enfatizarem o componente tático da preparação no desenvolvimento dos sistemas de jogo como adequação às características dos jogadores entre outras atividades pois normalmente após 5 a 6 semanas já ocorre a primeira partida oficial do campeonato Portanto no início e decorrer da temporada o volume de preparação tática bem como os jogos atuariam na manutenção da resistência especial dos jogadores Tal entendimento levaria à possibilidade de elevação do volume de treinamento das capacidades neuromusculares dos futebolistas no início da temporada sobretudo 504 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 quanto ao treinamento da velocidade cíclica e acíclica bem como a potência mus cular consideradas imprescindíveis para a modalidade Por exemplo uma equipe que destina seis semanas para a etapa preparatória o primeiro microciclo normalmente de controle associado com testes e avaliações atuaria como fator de preparação inicial dos futuros estímulos neuromusculares que seriam aplicados na segunda semana de preparação Nos próximos microci clos em que durante os sete dias de treinamento normalmente são prescritas de 9 a 12 sessões de treinamento sugerese a seguinte estrutura 3 a 6 sessões de treinamentos das capacidades neuromusculares e 6 a 9 sessões de treinamentos voltadas à resistência especial destacadamente com utilização de trabalhos com bola para realização de ações técnicas em pequenos e grandes jogos exercícios táticos coletivos ofensivos e defensivos simulação de posicionamentos com e sem adversários entre outros Ponto a ser valorizado voltase ao princípio da especificidade pois devido ao reduzido tempo de preparação os meios de treinamentos com componentes gerais não possuem relação com o desempenho dos jogadores sobretudo na categoria profissional da modalidade Entretanto para que o treino de resistência especial tenha um efeito real em todos os exercícios e em todas as repetições os atletas devem garantir uma velocidade de execução semelhante à solicitada na competição BARBANTI 2010 Tal premissa deve ser norteadora na prescrição de treinamentos coletivos e em campo reduzidos IMPELLIZZERI et al 2006 mesmo quando especificados jovens futebolistas especialmente na categoria sub 20 Neste sentido tornase importante atentar para a intensidade deste tipo de treinamento evitando volumes elevados de trabalho tanto em termos de minutos de execução quanto em quantidade de exercícios Para o desenvolvimento das manifestações neuromusculares no futebol sugerese priorizar a intensidade das ações executadas elaborando meios que exijam níveis de concentração elevados por parte dos jogadores decisões rápidas movimentos eficazes em pequeno espaço e curto período de tempo sobretudo ocasionando adaptações relacionadas ao me tabolismo anaeróbio lático e alático Como exemplo para melhoria do componente neuromuscular dos futebolistas os treinamentos realizados com bola especialmente treinamentos coletivos e em campos reduzidos devem ser executados em alta intensidade com prioridade para deslocamentos acima de 19 kmh diminuindo o volume de corridas de baixa intensidade 11 kmh já que elevado volume destas ações poderão implicar em efeitos negativos nas capacidades neuromusculares de treinamento GAMBLE 2006 ISSURIN 2010 Nesta perspectiva o quadro 1 apresenta uma sugestão de mesociclo de preparação para futebolistas profissionais contendo a relação dos meios e méto Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 505 dos de treinamento as capacidades de desempenho e a sequência de aplicação durante as semanas A distribuição do volume e intensidade dos diferentes meios e métodos de treinamento sugeridos busca a manutenção do volume de trabalho e variabilidade da intensidade adotada nos meios de preparação priorizando o treinamento das capacidades neuromusculares como potência muscular velocidade cíclica e acíclica na maioria dos mesociclos da temporada competitiva De fato ao observar os apontamentos de Issurin 2010 no contexto da temporada anual em modalidades coletivas 8 meses de competição conceitos generalizados de pico de desempenho e tapering não se justificam já que o desempenho deve ser cons tante durante todos os jogos sobretudo em competições não eliminatórias Tal fato corrobora com Moreira 2010 que aponta para a necessidade da estruturação de treinamento na modalidade futebol por meio de uma abordagem particular com perspectivas diferentes e específicas que extrapolam o modelo de periodização tradicional do treinamento 506 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 MICROCICLO 1 Dia 1 2ª feira 2 3ª feira 3 4ª feira 4 5ª feira 5 6ª feira 6 Sábado 7 Domingo M Apresentação da Equipe Avaliações e testes Avaliações e testes Avaliações e testes Recuperação Passiva Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Resistência de força Método IntervaladoCorrida Potência aeróbia Recuperação Passiva T Método ContínuoCorrida Resistência aeróbia Avaliações e testes Avaliações e testes Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Resistência de força Método Intervalado Corrida Potência aeróbia Método Integral Técnico Repetição de habilidades específicas em pequenos jogos Técnica Método Integral Técnico Ações Técnicas realizadas em grandes jogos Técnica Recuperação Passiva MICROCICLO 2 Dia 8 2ª feira 9 3ª feira 10 4ª feira 11 5ª feira 12 6ª feira 13 Sábado 14 Domingo M Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Força Máxima Método de Repetição Velocidade Método Pliométrico Variações de Saltos Potência Muscular Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Potência Muscular Método de Repetição Velocidade Método pedagógico de recuperação Exercícios de baixa intensidade Crioterapia ou Massagem Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Força Máxima Método de Repetição Velocidade Recuperação Passiva Recuperação Passiva T Método Dividido Técnico Repetição de habilidades específicas Técnica Método sem um adversário Simulação de posicionamentos com e sem adversários Tática Método Integral Técnico Repetição de habilidades específicas em pequenos jogos Técnica Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Método Integral Técnico Ações Técnicas realizadas em grandes jogos Técnica Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Recuperação Passiva MICROCICLO 3 Dia 15 2ª feira 16 3ª feira 17 4ª feira 18 5ª feira 19 6ª feira 20 Sábado 21 Domingo M Método Intervalado Intensivo Sprints repetidos cíclicos e acíclicos Velocidade Método Pliométrico Ações específicas da modalidade com cargas adicionais Potência Muscular Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Potência Muscular Método de Repetição Velocidade Método pedagógico de recuperação Exercícios de baixa intensidade Crioterapia ou Massagem Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Força Máxima Método de Repetição Velocidade Método sem um adversário Simulação de posicionamentos com e sem adversários Tática Recuperação Passiva T Método Integral Técnico Ações Técnicas realizadas em grandes jogos Técnica Método Integral Técnico Repetição de habilidades específicas em pequenos jogos Técnica Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Método Integral Técnico Ações Técnicas realizadas em grandes jogos Técnica Método Dividido Técnico Repetição de habilidades específicas Técnica Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Recuperação Passiva Quadro 1 Mesociclo de preparação 6 microciclos para futebolistas com a relação dos meios e métodos de treinamento e capacidade de desempenho Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 507 Obs Os métodos passivos e ativos para treinamento de flexibilidade seriam ministrados no início de 3 a 5 sessões dos microciclos Legenda Mmanhã Ttarde MICROCICLO 4 Dia 22 2ª feira 23 3ª feira 24 4ª feira 25 5ª feira 26 6ª feira 27 Sábado 28 Domingo M Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Potência Muscular Método de Repetição Velocidade Método Pliométrico Ações específicas da modalidade com cargas adicionais Potência Muscular Recuperação Passiva Método pedagógico de recuperação Exercícios de baixa intensidade Crioterapia ou Massagem Método integrado ao jogo Ações específicas em velocidade Velocidade e Tática Método sem um adversário Simulação de posicionamentos com e sem adversários Tática Recuperação Passiva T Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Método integrado ao jogo Ações específicas em velocidade Velocidade e Tática Jogo Amistoso Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Potência Muscular Método Dividido Técnico Repetição de habilidades específicas Técnica Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Recuperação Passiva Jogo Amistoso MICROCICLO 5 Dia 29 2ª feira 30 3ª feira 31 4ª feira 32 5ª feira 33 6ª feira 34 Sábado 35 Domingo M Recuperação Passiva Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Força Máxima Método de Repetição Velocidade Método integrado ao jogo Ações específicas em velocidade Velocidade e Tática Método pedagógico de recuperação Exercícios de baixa intensidade Crioterapia ou Massagem Recuperação Passiva Método sem um adversário Simulação de posicionamentos com e sem adversários Tática Recuperação Passiva T Método pedagógico de recuperação Exercícios de baixa intensidade Crioterapia ou Massagem Método Integral Técnico Ações Técnicas realizadas em grandes jogos Técnica Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Método integrado ao jogo Ações específicas em velocidade Velocidade e Tática Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Recuperação Passiva Jogo Oficial MICROCICLO 6 Dia 36 2ª feira 37 3ª feira 38 4ª feira 39 5ª feira 40 6ª feira 41 Sábado 42 Domingo M Método pedagógico de recuperação Exercícios de baixa intensidade Crioterapia ou Massagem Recuperação Passiva Recuperação Passiva Método pedagógico de recuperação Exercícios de baixa intensidade Crioterapia ou Massagem Método Integral Técnico Ações Técnicas realizadas em grandes jogos Técnica Método sem um adversário Simulação de posicionamentos com e sem adversários Tática Recuperação Passiva T Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Potência Muscular Método de Repetição Velocidade Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Jogo Oficial Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Potência Muscular Método Pliométrico Ações específicas da modalidade com cargas adicionais Potência Muscular Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Recuperação Passiva Jogo Oficial 508 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir do entendimento da necessidade de estruturação de treinamento na modalidade futebol devido ao calendário competitivo o presente estudo procurou contribuir com subsídios na organização e estruturação de meios e métodos de preparação para futebolistas Cabe destacar neste contexto que é essencial em próximos trabalhos a discussão e orientação quanto à carga de treinamento aplicada na sequência dos meios e métodos propostos bem como sua forma de organização ao longo da temporada competitiva Characterization of exercises and methods of practical influence in training of professional soccer players ABSTRACT The purpose of this study was to point out the characteristics of exercises and methods and then to suggest a structure model in the preparatory stage in professional soccer The instruments used in the research were articles published in journals indexed in Qualis CAPES dissertations books registered in the International Standard Book Number ISSN We found out that the mean of training is the exercise and the method is how to use it practical methods have been treated with the utmost importance in sports The discussion guides in the sense that the different exercises and methods are the practical elements of sports preparation directly intervening in the organization of training as well as on the unders tanding that the greater the degree of correspondence is between the models used exercise training and competition larger and more effective result its effects Finally it is noted that in the current context of the sport its necessary to show that the form of organization should seek the players performance in a short period of time and preparation of professional soccer indicates the need for proposals for research involving systematic training KEYWORDS Exercises methods soccer sport training Caraterización de los ejercicios y métodos de influencia práctica en el entrenamiento de futbolistas profesionales RESUMEN Este trabajo tiene como objetivo mostrar las características de los medios y métodos prácticos de preparación y proponer un modelo de organización en fútbol profesio nal Los instrumentos utilizados fueron artículos publicados en revistas indexadas en Qualis CAPES disertaciones libros registrados en el International Standard Book Number ISSN La información que se encuentra indica que el meio de entrenamiento es lo ejercício y el método es la forma de su utilización los métodos prácticos han sido tratados con la mayor importancia en los deportes La discusión se dirige en el sentido de que los diferentes medios y métodos son los elementos prácticos para la preparación deportiva interviniendo directamente Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 509 en la organización de entrenamiento así como en el entendimiento de que cuanto mayor sea el grado de correspondencia entre los modelos utilizados ejercícios y la competición mayor sus resultados y más efectivos sus efectos Finalmente cabe señalar que en el actual contexto de este deporte es necesario demostrar que la forma de organización debe buscar el rendimiento de los jugadores en un corto período de tiempo y para la preparación de los futbolistas profesionales indicase la necesidad de investigaciones que incluyen propuestas sistemáticas de entrenamiento PALABRASCLAVE Ejercicios métodos fútbol entrenamiento deportivo REFERÊNCIAS BARBANTI V J Treinamento esportivo as capacidades motoras dos esportistas Barueri Manole 2010 BOMPA T O Treinando atletas de desporto coletivo São Paulo Phorte 2005 BORIN J P GOMES A C LEITE G Preparação Desportiva Aspectos do Controle da Carga de Treinamento nos Jogos Coletivos Revista da Educação FísicaUEM Maringá v 18 p 97105 abril 2007 BORIN J P et al Alteração da capacidade de velocidade de deslocamento em futebolistas profissionais Revista Motriz Rio Claro v15 p 8 abrjun 2009 BRAZ T V Alteração da velocidade em futebolistas juvenis no período competitivo e sua relação com o conteúdo de treinamento 2010 96 f Dissertação Mestrado em Educação Física Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Metodista de Piracicaba Piracicaba 2010 Disponível em httpswwwunimepbrphpgbibdigalunovisualizaphpcod629 Acesso em 14 maio 2010 CASTELO J Tratado general de fútbol guía práctica de ejercicios de entrenamiento Badalona Paidotribo 2009 DE LA ROSA A F Direções de treinamento novas concepções metodológicas São Paulo Phorte 2006 GAMBLE P Periodization of training for team sports athletes Strength and Conditioning Journal Colorado Springs v 28 n 5 p 5666oct 2006 GOMES A C Treinamento desportivo estruturação e periodização Porto Alegre Artmed 2002 Treinamento desportivo estruturação e periodização 2 ed Porto Alegre Artmed 2009 510 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 GOMES A C et al Atletismo treinamento individualizado para corredores de 10000m Revista Treinamento Desportivo Londrina v 2 n 3 p 5964 1997 GOMES A C SOUZA J Futebol treinamento desportivo de alto rendimento São Paulo Artmed 2008 IMPELLIZZERI F M et al Physiological and performance effects of generic versus specific aerobic training in soccer players International Journal of Sports Medicine New York v 27 p 483492 mar 2006 ISSURIN VB New Horizons for the methodology and physiology of training periodization Sports Medicine Auckland v 40 n 3 p 189206 mar 2010 HOFF J HELGERUD J Endurance and strength training for soccer players physiological considerations Sports Medicine Auckland v 34 p165180 july 2004 KELLY V COUTTS AJ Planning and monitoring training loads during the competition phase in team sports Strength and Conditioning Journal Colorado Springs v 29 n 4 p 3237 aug 2007 MARTIN D CARL K LEHNERTZ K Manual de teoria do treinamento esportivo São Paulo Phorte Editora 2008 MATVEEV L P Treino desportivo metodologia e planejamento Guarulhos Phorte 1997 Teoria general del entrenamiento deportivo Barcelona Paidotribo 2001 MOREIRA A La periodización del entrenamiento y las cuestiones emergentes el caso de los deportes de equipo Revista Andaluza de Medicina del Deporte Sevilla v 3 n 4 p 170178 jul 2010 PLATONOV V N Tratado geral de treinamento desportivo São Paulo Phorte 2008 PLATONOV V N BULATOVA M M La preparacion física 4 ed Barcelona Paidotribo 2001 REILLY T An ergonomics model of the soccer training process Journal of Sports Science London v 23 n 6 p 561572 june 2005 SAMPAIO R F MANCINI M C Estudos de revisão sistemática um guia para síntese criteriosa da evidência científica Revista Brasileira de Fisioterapia São Carlos v 11 n 1 p 8389 janfev 2007 SOUZA E N Alterações das capacidades biomotoras de jovens futebolistas durante macro ciclo de treinamento a partir da periodização de cargas seletivas 2006 110 f Dissertação Mestrado em Educação Física Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Metodista de Piracicaba Piracicaba 2006 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 511 SPIGOLON LMP Diagnóstico e classificação dos conteúdos e volume do treinamento aplicado em futebolistas da categoria sub17 e sua relação da alteração das capacidades biomotoras em diferentes momentos do macrociclo 2010 139 f Dissertação Mestrado em Educação Física Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Metodista de Piracicaba Piracicaba 2010 Disponível em httpwwwunimepbrphpgbibdigbuscarphpaut0326540108 13ori0949231080 Acesso em 14 maio 2010 STOLEN T et al Physiology of soccer an update Sports Medicine Auckland v 35 n 6 p501536 june 2005 THIESS G TSCHIENE P NICKEL H Teoria y metodología de la competición deportiva Barcelona Paidotribo 2004 THOMAS J R NELSON J K SILVERMAN S J Métodos de pesquisa em atividade física 5 ed Porto Alegre Artmed 2007 TUBINO M J G MOREIRA S B Metodologia científica do treinamento desportivo 13 ed Rio de Janeiro Shape 2003 WEINECK J Treinamento ideal 9 ed Barueri Manole 2003 ZAKHAROV A GOMES A C Ciência do treinamento desportivo Rio de Janeiro Grupo Palestra Sport 2003 Recebido 28 dez 2008 Aprovado 5 set 2010 Endereço para correspondência Tiago Volpi Braz Rua Cirilo Silva 106 Bairro Funcionários Poços de CaldasMG CEP 37701306 Resenha Caracterização dos meios e métodos de influência prática no treinamento em futebolistas profissionais O presente texto tem como objetivo apresentar compreensões sobre o artigo Caracterização dos meios e métodos de influência prática no treinamento de futebolistas profissionais desenvolvido por Tiago Volpi Braz mestre em Edicação física pela UNIMEP e professor do Departamento de Educação física da Faculdade de Americana Leandro Mateus Pagoto Spigolon mestre em Educação Física e professor da equipe de Fisiologia de Desportivo Brasil Participações de Piracicaba João Paulo Borin Doutor em Educação Física pela UNICAMP e Professor do Departamento de Ciências do Esporte da Universidade Estadual de Campinas O objetivo central da pesquisa foi apontar as características dos meios e métodos de influência prática e posteriormente sugerir um modelo de organização e estruturação na etapa preparatória na modalidade futebol profissional através de artigos publicados em periódicos indexados no Qualis CAPES dissertações e livros registrados no International Standard Book Number ISSN De acordo com os autores o desempenho dos desportistas na maioria das vezes depende da habilidade das comissões técnicas em selecionar e organizar os conteúdos de treinamento relacionados à prática competitiva de uma determinada modalidade desportiva porque os meios de treinamento influenciam direta eou indiretamente o aperfeiçoamento para alcançar o alto desempenho desportivo Os autores ainda afirmam que apesar de ter grande destaque no cenário desportivo brasileiro poucos estudos procuraram caracterizar os meios e métodos de preparação na organização e estruturação de futebolistas sub 20 e profissionais da modalidade Isso se deve porque os principais clubes nacionais não disponibilizarem sua estrutura organizativa de trabalho ou pela distância existente entre a sistematização do rigor científico e a realidade empírica da modalidade Na parte do texto do artigo que trata da influência prática enfatizouse que esta intervenção direta no treinamento corresponde às práticas sistematizadas voltadas principalmente para melhoria dos componentes técnico físico e tático dos desportistas bem como intervenções direcionadas à recuperação dos atletas durante a sequência de sessões de treinos e jogos Ainda é enfatizado que no processo de preparação dos futebolistas existem diversas possibilidades de aplicação dos meios e métodos de influência prática Acionase Gomes e Souza 2008 e Spigolon 2010 para descrever exercícios e formas de trabalhos corridas intervaladas corridas com variação de velocidade e direção corridas tracionadas em distâncias curtas corridas em aclive rampa exercícios coordenativos de corrida e habilidades específicas saltos verticais horizontais laterais pliométricos exercícios com pesos alongamentos dinâmicos exercícios com variações técnicas simulações de jogo e situações táticas específicas bem como jogos em campo reduzido Na seção que trata da estruturação dos meios de influência prática na preparação de futebolistas é apontado a necessidade de periodizálos ao longo da temporada competitiva enfatizando alguns pontos que o contexto prático que o futebol apresenta sobretudo em relação ao pouco tempo de preparação destinado à preparação dos jogadores durante a temporada e necessidade de desempenho durante longo período de tempo sendo imprescindível a adoção de estruturações que levam em consideração os efeitos crônicos e agudos das capacidades determinantes como potência muscular velocidade e agilidade e predominantes que são manifestações da resistência Portanto compreendendo a necessidade de estruturação de treinamento na modalidade futebol por conta do calendário competitivo a pesquisa apontou para os diferentes meios e métodos que constituem os elementos práticos da preparação desportiva intervindo diretamente na organização do treinamento bem como no entendimento de que quanto maior é o grau de correspondência entre os exercícios de treinamento e a competição maiores e mais eficazes resultarão seus efeitos Ademais os autores também apontam para o contexto atual da modalidade sendo necessário evidenciar que a forma de organização deve buscar o desempenho dos jogadores em curto período de tempo e a preparação de futebolistas profissionais indica a necessidade de pesquisas envolvendo propostas de sistematização de treinamento
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Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 495 CARACTERIZAÇÃO DOS MEIOS E MÉTODOS DE INFLUÊNCIA PRÁTICA NO TREINAMENTO EM FUTEBOLISTAS PROFISSIONAIS MS TIAGO VOLPI BRAZ Mestre em Educação Física pela UNIMEP e Professor do Depto de Educação Física da Faculdade de Americana Poços de Caldas Minas Gerais Brasil Email tiagovolpiyahoocombr MS LEANDRO MATEUS PAGOTO SPIGOLON Mestre em Educação Física pela UNIMEP e Equipe de Fisiologia do Desportivo Brasil Participações LTDA Piracicaba São Paulo Brasil Email leandroedfisicahotmailcom DR JOÃO PAULO BORIN Doutor em Educação Física pela UNICAMP e Professor do Depto de Ciências do Esporte da Universidade Estadual de Campinas Campinas São Paulo Brasil Email borinjpfefunicampbr RESUMO O presente trabalho tem como objetivo apontar as características dos meios e métodos de influência prática e posteriormente sugerir um modelo de organização e estruturação na etapa preparatória na modalidade futebol profissional Os instrumentos utilizados na pesquisa foram artigos publicados em periódicos indexados no Qualis CAPES dissertações bem como livros registrados no International Standard Book Number ISSN A partir das informações encontradas destacase que o meio de treinamento representa o exercício e o método o modo de sua utilização os métodos de influência prática têm sido tratados com maior im portância no âmbito desportivo A discussão direciona no sentido de que os diferentes meios e métodos constituem os elementos práticos da preparação desportiva intervindo diretamente na organização do treinamento bem como no entendimento de que quanto maior é o grau de correspondência entre os modelos utilizados exercícios de treinamento e a competição maiores e mais eficazes resultarão seus efeitos Por fim apontase que no contexto atual da modalidade tornase necessário evidenciar que a forma de organização deve buscar o desem penho dos jogadores em curto período de tempo e a preparação de futebolistas profissionais indica a necessidade de pesquisas envolvendo propostas de sistematização de treinamento PALAVRASCHAVE Meios de treinamento métodos de treinamento futebol treinamento esportivo 496 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 INTRODUÇÃO A melhoria do desempenho dos desportistas depende em grande parte da habilidade das comissões técnicas em selecionar e organizar os conteúdos de treinamento relacionados à prática competitiva de uma determinada modalidade desportiva De acordo com Gomes 2009 a base metodológica da preparação desportiva1 é constituída por meios e métodos pedagógicos de preparação que visam aperfeiçoar as capacidades de desempenho até um estado ótimo mantendo sempre o equilíbrio entre os sistemas biológico psicológico e social Os meios de treinamento influenciam direta eou indiretamente o aperfeiçoa mento para alcançar o alto desempenho desportivo constituindo a base do processo pedagógico da preparação PLATONOV 2008 Podem ser consideradas um sistema estável de ações repetidas com interligações necessárias para a solução de tarefas previstas e obrigatoriamente estão ligados aos métodos da preparação desportiva GOMES 2009 Já os métodos da preparação desportiva compreendem a forma como os treinadores e atletas utilizam as ferramentas no treinamento visando al cançar a assimilação dos conhecimentos habilidades e hábitos São procedimentos planejados na transmissão e estruturação de conteúdos de treinamento MARTIN CARL LEHNERTZ 2008 ou seja é como se utiliza o meio no processo de ob tenção do objetivo da preparação Sucintamente o meio representa o exercício e o método o modo de sua utilização DE LA ROSA 2006 Neste sentido importante destacar que para cada componente do sistema de preparação do atleta existe uma composição de métodos Assim o ato de verbalizar demonstrar ou praticar são critérios utilizados para classificar os métodos pedagógicos do desporto em i métodos de influência prática ii de influência verbal explicação conversa comando correção e avaliação e iii influência demonstrativa visual motor auditivo ZAKHAROV GOMES 2003 Os métodos de influência verbal e demonstrativos são complementares aos de influência prática porém são necessários ao processo de preparação já que se atrelam ao binômio treinador atleta sobretudo em atividades que visem à apresentação da atividade motora demonstração de materiais didáticos orientações visuais e estímulos sonoros GOMES 2009 Ao mesmo tempo em que se verifica contextualizado na literatura WEINE CK 2003 PLATONOV 2008 os conceitos relacionados aos meios e métodos 1 A preparação desportiva compreende todos os fatores relacionados com a preparação do atleta e que podem leválo ao desenvolvimento de uma boa performance no desporto praticado É com posta pelo sistema de competições sistema de treinamento e sistema de fatores complementares GOMES 2009 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 497 da preparação desportiva Thiess Tschiene e Nickel 2004 entendem que sua caracterização de maneira específica das modalidades desportivas tem sido pouco explorada na literatura o que contribui para aplicação sem especificidade dos exercícios de treinamento REILLY 2005 dificultando o aperfeiçoamento das capacidades de desempenho dos atletas durante o processo de preparação desportiva Além disto nos desportos individuais essa área caminhou com maior propriedade até mesmo pelo menor envolvimento de variáveis a serem conside radas para obter o resultado de modo mais objetivo e pela forma como é avaliado o desempenho porém nos desportos coletivos as tentativas e propostas ainda se encontram no campo exploratório e os estudos ainda são escassos BORIN GOMES LEITE 2007 BORIN et al 2009 BRAZ 2010 SPIGOLON 2010 em diversas modalidades Particularmente quanto ao futebol apesar de se destacar no cenário des portivo brasileiro poucos estudos procuraram caracterizar os meios e métodos de preparação na organização e estruturação de futebolistas sub 20 e profissionais da modalidade em exceção as descrições realizadas por Gomes e Souza 2008 para uma equipe da série A do campeonato brasileiro Tal ocorrência se deve provavel mente em consequência dos principais clubes nacionais não disponibilizarem sua estrutura organizativa de trabalho ou pela distância existente entre a sistematização do rigor científico e a realidade empírica da modalidade BRAZ 2010 A estruturação dos meios e métodos de treinamento durante a temporada competitiva deve ser tal que permita ao futebolista desempenho constante durante longo período competitivo ou seja oito a nove meses no ano GAMBLE 2006 KELLY COUTTS 2007 somado ao pouco tempo de preparação das equipes devido ao calendário de competições Nesta direção surge a necessidade da es pecialização dos exercícios de aperfeiçoamento das capacidades de desempenho apontando para uma relação da realidade competitiva e as características do treina mento MATVEEV 2001 THIESS TSCHIENE NICKEL 2004 PLATONOV 2008 CASTELO 2009 o que certamente exige pesquisas caracterizando exercícios de preparação Assim constatase a necessidade de estudos que busquem a caracterização dos meios e métodos de influência prática na estruturação dos modelos de treina mento para futebolistas buscando também demonstrar com exemplos práticos a maneira como são selecionados e organizados durante o processo de preparação tendo em vista a condição de prescrição do treinamento baseado na modelação competitiva da modalidade Diante deste contexto o presente trabalho busca apon tar as características dos meios e métodos de influência prática e posteriormente relacionar com a estrutura e organização do treinamento no futebol 498 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 METODOLOGIA O presente estudo tratase de uma síntese de pesquisa não sendo apenas um resumo da literatura a que se refere mas sim um tipo lógico de pesquisa que resulta em conclusões válidas avaliações de uma hipótese revisão e proposta de teoria THOMAS NELSON SILVERMAN 2007 Os instrumentos utilizados foram artigos publicados em periódicos indexados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Qualis CAPES dissertações e livros registrados no International Standard Book Number ISSN Os artigos foram obtidos no Portal CAPES por meio das bases de dados EBSCO HOST SCOPUS além da Scientific Electronic Library Online SCIELO sendo selecionados conforme mensuração dos desfechos de interesse SAMPAIO MANCINI 2007 necessários para atender os objetivos propostos no estudo Os critérios de seleção de livros foram i Publicação a partir do ano 2000 ii pertencer à área do Treinamento Desportivo iii constar na descrição a temática exercícios meios e métodos de preparação desportiva ou exercícios de treina mento para futebolistas e iv estar em idioma português Quanto à escolha das dissertações definiuse como palavrachave futebol exercícios de treinamento meios e métodos de treinamento RESULTADOS A partir da metodologia proposta a Tabela 1 aponta os dados obtidos Tabela 1 Unidades observacionais segundo variáveis estudadas Artigos Publicados Dissertações Livros Total Unidade Observacional n 12 3 15 30 DISCUSSÃO OS MÉTODOS DE INFLUÊNCIA PRÁTICA Os métodos de influência prática têm sido tratados com maior importância no âmbito desportivo já que constituem os elementos práticos da preparação des portiva intervindo diretamente na organização do treinamento GOMES SOUZA 2008 GOMES 2009 De fato esta intervenção direta no treinamento corresponde Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 499 às práticas sistematizadas voltadas principalmente para melhoria dos componentes técnico físico e tático dos desportistas bem como intervenções direcionadas à recuperação dos atletas durante a sequência de sessões de treinos e jogos Particularmente quanto aos métodos de ensino da técnica Platonov 2008 relata dois principais enfoques metodológicos a integral e b parcial O primeiro pressupõe o estudo e desenvolvimento das ações técnicas fundamentos de uma vez ou seja com caráter global Em contrapartida o parcial ou analíticosintético representa a divisão das ações em elementos ou fases relativamente independen tes cuja aprendizagem é realizada de modo autônomo com a posterior ligação destes em algo único ZAKHAROV GOMES 2003 Ao mesmo tempo em que há possibilidade de maior concentração na fase destacada dos meios executa dos com o aperfeiçoamento detalhado por meio das correções imediatas do treinador permitese de maneira integral o aumento da complexidade da ação motora estabilidade do ritmo e sua estrutura geral consolidando a aprendizagem MATVEEV 1997 Para os métodos do componente físico atenção especial deve ser direcio nada à capacidade biomotora a ser desenvolvida ou aperfeiçoada considerando não somente o tipo de ação muscular mas também a estrutura do movimento volume e intensidade da carga e sobretudo da relação com a atividade competitiva do desportista TUBINO MOREIRA 2003 WEINECK 2003 BOMPA 2005 BARBANTI 2010 Para a capacidade e potência aeróbia destacamse os métodos contínuos realizados sem pausas intermediárias de recuperação e apresentam duas formas de execução permanente e variativo GOMES et al 1997 Normalmente os métodos de características permanentes são empregados em meios de treino peculiares à recuperação dos desportistas com exceção de algumas modalidades que se modelam por parâmetros longos e constantes das cargas competitivas Outra opção seriam os métodos intervalados ou fracionados que são norteados por meios que geram trocas sistemáticas entre o esforço a realizar e a pausa relativa de recu peração constituindo métodos de maior exigência funcional DE LA ROSA 2006 Para a resistência Weineck 2003 classifica os métodos no desenvolvimen to e aperfeiçoamento desta capacidade pelo volume e intensidade da carga em extensivo alto volume de trabalho e intensivo maior intensidade de trabalho e os de velocidade pelo seu desenvolvimento complexo com elementos técnicos e táticos ou ainda pela sua intensidade máxima e submáxima Para os métodos de força Tubino e Moreira 2003 e Platonov 2008 vinculam os tipos de ação muscular durante a execução do meio sendo divididos em métodos concêntricos excêntricos isométricos pliométricos isocinéticos e de resistência variável 500 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 Por fim a flexibilidade pode ser treinada tanto pelo método passivo como pelo ativo ou combinado com aplicabilidade de cargas adicionais ou com a ajuda de um companheiro BOMPA 2005 Outro ponto relevante voltase aos métodos competitivos e de jogos pois apesar de se caracterizarem pelo difícil controle da carga imprevisibilidade das ações motoras e pela dificuldade de direcionamento do atleta no processo de execução dos meios MATVEEV 2001 DE LA ROSA 2006 MARTIN CARL LEHNERTZ 2008 tem sido amplamente valorizados na preparação dos jovens desportistas ZAKHAROV GOMES 2003 pois definem diversas tarefas de preparação dos atletas e sua eficiência resulta no aperfeiçoamento desportivo porém fatores como o baixo condicionamento físico e nível inicial da aprendizagem da técnica limitam sua utilização PLATONOV 2008 Destacase ainda que os métodos competitivos e de jogo também po dem ser utilizados para o desenvolvimento do componente tático em desportos coletivos já que são condicionados pela especificidade da modalidade ilustrados pelas múltiplas repetições de meios de preparação especial e competitivos como o controle da velocidade e tempo percorrido caráter e magnitude do esforço desenvolvido caracterizandose de acordo com Platonov 2008 por meios que utilizam o confronto com o adversário atuação de um companheiro e fragmentos de situações competitivas Notase ainda que além dos métodos de desenvolvimento das capacidades técnica física motora e tática existem os métodos de recuperação que objetivam sobretudo aperfeiçoar o processo de compensação das cargas de treinamento Platonov 2008 os classifica como métodos pedagógicos psicológicos e biomédicos que de maneira geral utilizam meios farmacológicos físicos psíquicos higiênicos e alimentícios na sua forma de aplicação Meios alimentícios são comprovadamente determinantes para a preparação desportiva em especial a reposição de líquidos e a ingestão de carboidratos durante os treinamentos e competição WEINECK 2003 Tais abordagens previnem a deterioração do desempenho e atuam na recuperação do organismo do desportista BOMPA 2005 Sob essa perspectiva Platonov 2008 afirma que a rentabilidade desportiva está diretamente ligada à aplicação dos meios e métodos de recuperação e estimulação do desempenho durante as diversas etapas do treinamento A Tabela 2 apresenta os diferentes métodos e meios de influência prática nos diferentes componentes do treinamento que podem ser utilizados no treinamento do futebol Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 501 Tabela 2 Métodos e meios de influência prática segundo componentes do Treinamento Desportivo Componentes do Treinamento Físico Técnico Tático Recuperativo Resistência Força Velocidade Flexibilidade Métodos de Influência Prática Intervalo Duração Repetição Competição Isométrico Concêntrico Excêntrico Pliométrico Isocinético Resistência Variável De Repetição Intervalado Intensivo Integrada ao jogo Passivo Ativo Combinado Integral Dividido Competitivo Sem um adversário Competitivo Com um adversário habitual Competitivo Situacional Pedagógico Psicológico Biomédico Meios de Preparação Corridas Contínuas e Intervaladas Sequência de ações específicas repetidas Exercícios com peso Variações de Saltos Ações específicas da modalidade com cargas adicionais Exercícios coordenativos de movimentos Sprints repetidos cíclicos e acíclicos Ações específicas em velocidade Exercícios passivos de alongamento Alongamento ativo amplitude similar as ações do jogo Ações de Flexibilidade via gestos motores da modalidade Habilidades específicas em duplas Habilidades específicas em pequenos jogos Ações Técnicas realizadas em grandes jogos Simulação de posicionamentos com e sem adversários Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Simulações Táticas Individuais Setoriais e Coletivas Exercícios de baixa intensidade Intervenção motivacional Ingestão de fármacos e suplementos alimentares Crioterapia Massagem Cabe destacar que no processo de preparação dos futebolistas existem diversas possibilidades de aplicação dos meios e métodos de influência prática Em Gomes e Souza 2008 e Spigolon 2010 são descritos exercícios e formas de trabalhos utilizados para futebolistas dos quais se destacam corridas intervaladas corridas com variação de velocidade e direção corridas tracionadas em distâncias curtas corridas em aclive rampa exercícios coordenativos de corrida e habilidades específicas saltos verticais horizontais laterais pliométricos exercícios com pesos alongamentos dinâmicos exercícios com variações técnicas finalização passe do 502 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 mínio condução e drible simulações de jogo e situações táticas específicas bem como jogos em campo reduzido No entanto é necessário enfatizar que a aplicação destes exercícios e sua forma de trabalho devem priorizar a especificidade competitiva da modalidade sobretudo a partir da categoria sub 20 18 a 20 anos Esta especificidade tem sido relacionada ao princípio da modelação competitiva processo no qual se busca a correlação entre o exercício de preparação com a exigência específica da competição MATVEEV 2001 PLATONOV 2008 Segundo este pensamento quanto maior é o grau de correspondência entre os modelos utilizados exercícios de treinamento e a competição inerente ao jogo de futebol maiores e mais eficazes resultarão seus efeitos fundamentandose desta forma a otimização do processo de preparação THIESS TSCHIENE NICKEL 2004 A conceituação de exercícios de preparação específica passa pela construção de modelos parciais ou integrais que buscam re presentar fielmente a realidade competitiva do jogo de futebol CASTELO 2009 Estes modelos são constituídos de indicadores como número de passes saltos tipos de deslocamentos executados distância total percorrida nos diferentes períodos de jogo e intensidades tempo de permanência no ataque e defesa eficiência das ações BORIN GOMES LEITE 2007 biomecânica de habilidades técnicas bem como variáveis relacionadas à forma de atuar das equipes como táticas estratégias e sistema de jogo adotados pelos treinadores Assim a partir da modelação competitiva dos jogadores e equipes são exem plos de meios de treinamento especiais e competitivos para o futebol sprints cíclicos e acíclicos em distâncias de cinco a 30 metros estações com variações de saltos mudanças de direção e deslocamentos corridas intervaladas 85 VO2 máx com pausas e movimentações baseadas no volume de ações competitivas exercícios com pesos dinâmicos com estrutura velocidade e amplitude similar aos gestos competitivos da modalidade exercícios com variações técnicas jogos em campo reduzido com alta intensidade simulações ofensivas e defensivas do padrão de atuação da equipe buscando particularidades individuais dos futebolistas no processo coletivo do jogo ESTRUTURAÇÃO DOS MEIOS E MÉTODOS DE INFLUÊNCIA PRÁTICA NA PREPARAÇÃO DE FUTEBOLISTAS A partir da caracterização dos meios e métodos de influência prática na pre paração de futebolistas surge a necessidade de periodizálos ao longo da temporada competitiva Acerca desta temática parece importante atentarse para alguns pontos que o contexto prático da modalidade apresenta sobretudo em relação ao pouco tempo de preparação destinado à preparação dos jogadores alto volume compe Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 503 titivo durante a temporada e necessidade de desempenho durante longo período de tempo ISSURIN 2010 MOREIRA 2010 Além disto tornase imprescindível a adoção de estruturações que considerem a relação dos efeitos crônicos e agudos das capacidades determinantes potência muscular velocidade e agilidade e predo minantes manifestações da resistência com a especificidade dos meios e métodos de preparação da modalidade BRAZ 2010 SPIGOLON 2010 De fato Gomes e Souza 2008 relatam que a maioria das equipes profissionais brasileiras apresentam período de 4 a 6 semanas no início da temporada para se prepararem para todos os jogos a serem disputados durante o ano Neste contexto tornase necessário evidenciar modelos de organização que busquem o desempenho do futebolista em curto período de tempo já que após o primeiro mesociclo de preparação já serão disputadas partidas oficiais A partir do entendimento de que a competição é a manifestação máxima da performance de um desportista PLATONOV 2008 e que a própria atividade competitiva dos futebolistas atua como estímulo específico para o desenvolvimento do desempenho na modalidade BRAZ 2010 notase que o volume competitivo de equipes de futebol profissional é elevado ISSURIN 2010 Considerando a problemática do tempo reduzido de preparação das equipes e a necessidade de desenvolvimento das capacidades biomotoras com predomínio dos sistemas neural e muscular potência velocidade e agilidade sugerese que os métodos de treinamento intervalados ou contínuos em baixa intensidade realizados sem a presença da bola não seriam necessários para o desenvolvimento da resistência dos futebolistas já que os próprios treinamentos com bola atuariam neste sentido como sugerido por Hoff e Helgerud 2004 e confirmado pelos achados de Impellizzeri et al 2006 Indicase que os estímulos da atividade competitiva e treinamentos com bola voltados à resistência especial dos futebolistas sejam utilizados para melhoria da capacidade de resistência especial dos jogadores diminuindo o volume de treino por meio de corridas intervaladas potência aeróbia contínuas longa duração e baixa intensidade resistência aeróbia Além disto há a possibilidade dos treinadores enfatizarem o componente tático da preparação no desenvolvimento dos sistemas de jogo como adequação às características dos jogadores entre outras atividades pois normalmente após 5 a 6 semanas já ocorre a primeira partida oficial do campeonato Portanto no início e decorrer da temporada o volume de preparação tática bem como os jogos atuariam na manutenção da resistência especial dos jogadores Tal entendimento levaria à possibilidade de elevação do volume de treinamento das capacidades neuromusculares dos futebolistas no início da temporada sobretudo 504 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 quanto ao treinamento da velocidade cíclica e acíclica bem como a potência mus cular consideradas imprescindíveis para a modalidade Por exemplo uma equipe que destina seis semanas para a etapa preparatória o primeiro microciclo normalmente de controle associado com testes e avaliações atuaria como fator de preparação inicial dos futuros estímulos neuromusculares que seriam aplicados na segunda semana de preparação Nos próximos microci clos em que durante os sete dias de treinamento normalmente são prescritas de 9 a 12 sessões de treinamento sugerese a seguinte estrutura 3 a 6 sessões de treinamentos das capacidades neuromusculares e 6 a 9 sessões de treinamentos voltadas à resistência especial destacadamente com utilização de trabalhos com bola para realização de ações técnicas em pequenos e grandes jogos exercícios táticos coletivos ofensivos e defensivos simulação de posicionamentos com e sem adversários entre outros Ponto a ser valorizado voltase ao princípio da especificidade pois devido ao reduzido tempo de preparação os meios de treinamentos com componentes gerais não possuem relação com o desempenho dos jogadores sobretudo na categoria profissional da modalidade Entretanto para que o treino de resistência especial tenha um efeito real em todos os exercícios e em todas as repetições os atletas devem garantir uma velocidade de execução semelhante à solicitada na competição BARBANTI 2010 Tal premissa deve ser norteadora na prescrição de treinamentos coletivos e em campo reduzidos IMPELLIZZERI et al 2006 mesmo quando especificados jovens futebolistas especialmente na categoria sub 20 Neste sentido tornase importante atentar para a intensidade deste tipo de treinamento evitando volumes elevados de trabalho tanto em termos de minutos de execução quanto em quantidade de exercícios Para o desenvolvimento das manifestações neuromusculares no futebol sugerese priorizar a intensidade das ações executadas elaborando meios que exijam níveis de concentração elevados por parte dos jogadores decisões rápidas movimentos eficazes em pequeno espaço e curto período de tempo sobretudo ocasionando adaptações relacionadas ao me tabolismo anaeróbio lático e alático Como exemplo para melhoria do componente neuromuscular dos futebolistas os treinamentos realizados com bola especialmente treinamentos coletivos e em campos reduzidos devem ser executados em alta intensidade com prioridade para deslocamentos acima de 19 kmh diminuindo o volume de corridas de baixa intensidade 11 kmh já que elevado volume destas ações poderão implicar em efeitos negativos nas capacidades neuromusculares de treinamento GAMBLE 2006 ISSURIN 2010 Nesta perspectiva o quadro 1 apresenta uma sugestão de mesociclo de preparação para futebolistas profissionais contendo a relação dos meios e méto Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 505 dos de treinamento as capacidades de desempenho e a sequência de aplicação durante as semanas A distribuição do volume e intensidade dos diferentes meios e métodos de treinamento sugeridos busca a manutenção do volume de trabalho e variabilidade da intensidade adotada nos meios de preparação priorizando o treinamento das capacidades neuromusculares como potência muscular velocidade cíclica e acíclica na maioria dos mesociclos da temporada competitiva De fato ao observar os apontamentos de Issurin 2010 no contexto da temporada anual em modalidades coletivas 8 meses de competição conceitos generalizados de pico de desempenho e tapering não se justificam já que o desempenho deve ser cons tante durante todos os jogos sobretudo em competições não eliminatórias Tal fato corrobora com Moreira 2010 que aponta para a necessidade da estruturação de treinamento na modalidade futebol por meio de uma abordagem particular com perspectivas diferentes e específicas que extrapolam o modelo de periodização tradicional do treinamento 506 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 MICROCICLO 1 Dia 1 2ª feira 2 3ª feira 3 4ª feira 4 5ª feira 5 6ª feira 6 Sábado 7 Domingo M Apresentação da Equipe Avaliações e testes Avaliações e testes Avaliações e testes Recuperação Passiva Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Resistência de força Método IntervaladoCorrida Potência aeróbia Recuperação Passiva T Método ContínuoCorrida Resistência aeróbia Avaliações e testes Avaliações e testes Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Resistência de força Método Intervalado Corrida Potência aeróbia Método Integral Técnico Repetição de habilidades específicas em pequenos jogos Técnica Método Integral Técnico Ações Técnicas realizadas em grandes jogos Técnica Recuperação Passiva MICROCICLO 2 Dia 8 2ª feira 9 3ª feira 10 4ª feira 11 5ª feira 12 6ª feira 13 Sábado 14 Domingo M Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Força Máxima Método de Repetição Velocidade Método Pliométrico Variações de Saltos Potência Muscular Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Potência Muscular Método de Repetição Velocidade Método pedagógico de recuperação Exercícios de baixa intensidade Crioterapia ou Massagem Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Força Máxima Método de Repetição Velocidade Recuperação Passiva Recuperação Passiva T Método Dividido Técnico Repetição de habilidades específicas Técnica Método sem um adversário Simulação de posicionamentos com e sem adversários Tática Método Integral Técnico Repetição de habilidades específicas em pequenos jogos Técnica Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Método Integral Técnico Ações Técnicas realizadas em grandes jogos Técnica Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Recuperação Passiva MICROCICLO 3 Dia 15 2ª feira 16 3ª feira 17 4ª feira 18 5ª feira 19 6ª feira 20 Sábado 21 Domingo M Método Intervalado Intensivo Sprints repetidos cíclicos e acíclicos Velocidade Método Pliométrico Ações específicas da modalidade com cargas adicionais Potência Muscular Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Potência Muscular Método de Repetição Velocidade Método pedagógico de recuperação Exercícios de baixa intensidade Crioterapia ou Massagem Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Força Máxima Método de Repetição Velocidade Método sem um adversário Simulação de posicionamentos com e sem adversários Tática Recuperação Passiva T Método Integral Técnico Ações Técnicas realizadas em grandes jogos Técnica Método Integral Técnico Repetição de habilidades específicas em pequenos jogos Técnica Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Método Integral Técnico Ações Técnicas realizadas em grandes jogos Técnica Método Dividido Técnico Repetição de habilidades específicas Técnica Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Recuperação Passiva Quadro 1 Mesociclo de preparação 6 microciclos para futebolistas com a relação dos meios e métodos de treinamento e capacidade de desempenho Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 507 Obs Os métodos passivos e ativos para treinamento de flexibilidade seriam ministrados no início de 3 a 5 sessões dos microciclos Legenda Mmanhã Ttarde MICROCICLO 4 Dia 22 2ª feira 23 3ª feira 24 4ª feira 25 5ª feira 26 6ª feira 27 Sábado 28 Domingo M Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Potência Muscular Método de Repetição Velocidade Método Pliométrico Ações específicas da modalidade com cargas adicionais Potência Muscular Recuperação Passiva Método pedagógico de recuperação Exercícios de baixa intensidade Crioterapia ou Massagem Método integrado ao jogo Ações específicas em velocidade Velocidade e Tática Método sem um adversário Simulação de posicionamentos com e sem adversários Tática Recuperação Passiva T Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Método integrado ao jogo Ações específicas em velocidade Velocidade e Tática Jogo Amistoso Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Potência Muscular Método Dividido Técnico Repetição de habilidades específicas Técnica Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Recuperação Passiva Jogo Amistoso MICROCICLO 5 Dia 29 2ª feira 30 3ª feira 31 4ª feira 32 5ª feira 33 6ª feira 34 Sábado 35 Domingo M Recuperação Passiva Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Força Máxima Método de Repetição Velocidade Método integrado ao jogo Ações específicas em velocidade Velocidade e Tática Método pedagógico de recuperação Exercícios de baixa intensidade Crioterapia ou Massagem Recuperação Passiva Método sem um adversário Simulação de posicionamentos com e sem adversários Tática Recuperação Passiva T Método pedagógico de recuperação Exercícios de baixa intensidade Crioterapia ou Massagem Método Integral Técnico Ações Técnicas realizadas em grandes jogos Técnica Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Método integrado ao jogo Ações específicas em velocidade Velocidade e Tática Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Recuperação Passiva Jogo Oficial MICROCICLO 6 Dia 36 2ª feira 37 3ª feira 38 4ª feira 39 5ª feira 40 6ª feira 41 Sábado 42 Domingo M Método pedagógico de recuperação Exercícios de baixa intensidade Crioterapia ou Massagem Recuperação Passiva Recuperação Passiva Método pedagógico de recuperação Exercícios de baixa intensidade Crioterapia ou Massagem Método Integral Técnico Ações Técnicas realizadas em grandes jogos Técnica Método sem um adversário Simulação de posicionamentos com e sem adversários Tática Recuperação Passiva T Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Potência Muscular Método de Repetição Velocidade Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Jogo Oficial Método Concêntrico Excêntrico Exercícios com pesos Potência Muscular Método Pliométrico Ações específicas da modalidade com cargas adicionais Potência Muscular Método contra um companheiro Exercícios coletivos ofensivos e defensivos Tática Recuperação Passiva Jogo Oficial 508 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir do entendimento da necessidade de estruturação de treinamento na modalidade futebol devido ao calendário competitivo o presente estudo procurou contribuir com subsídios na organização e estruturação de meios e métodos de preparação para futebolistas Cabe destacar neste contexto que é essencial em próximos trabalhos a discussão e orientação quanto à carga de treinamento aplicada na sequência dos meios e métodos propostos bem como sua forma de organização ao longo da temporada competitiva Characterization of exercises and methods of practical influence in training of professional soccer players ABSTRACT The purpose of this study was to point out the characteristics of exercises and methods and then to suggest a structure model in the preparatory stage in professional soccer The instruments used in the research were articles published in journals indexed in Qualis CAPES dissertations books registered in the International Standard Book Number ISSN We found out that the mean of training is the exercise and the method is how to use it practical methods have been treated with the utmost importance in sports The discussion guides in the sense that the different exercises and methods are the practical elements of sports preparation directly intervening in the organization of training as well as on the unders tanding that the greater the degree of correspondence is between the models used exercise training and competition larger and more effective result its effects Finally it is noted that in the current context of the sport its necessary to show that the form of organization should seek the players performance in a short period of time and preparation of professional soccer indicates the need for proposals for research involving systematic training KEYWORDS Exercises methods soccer sport training Caraterización de los ejercicios y métodos de influencia práctica en el entrenamiento de futbolistas profesionales RESUMEN Este trabajo tiene como objetivo mostrar las características de los medios y métodos prácticos de preparación y proponer un modelo de organización en fútbol profesio nal Los instrumentos utilizados fueron artículos publicados en revistas indexadas en Qualis CAPES disertaciones libros registrados en el International Standard Book Number ISSN La información que se encuentra indica que el meio de entrenamiento es lo ejercício y el método es la forma de su utilización los métodos prácticos han sido tratados con la mayor importancia en los deportes La discusión se dirige en el sentido de que los diferentes medios y métodos son los elementos prácticos para la preparación deportiva interviniendo directamente Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 509 en la organización de entrenamiento así como en el entendimiento de que cuanto mayor sea el grado de correspondencia entre los modelos utilizados ejercícios y la competición mayor sus resultados y más efectivos sus efectos Finalmente cabe señalar que en el actual contexto de este deporte es necesario demostrar que la forma de organización debe buscar el rendimiento de los jugadores en un corto período de tiempo y para la preparación de los futbolistas profesionales indicase la necesidad de investigaciones que incluyen propuestas sistemáticas de entrenamiento PALABRASCLAVE Ejercicios métodos fútbol entrenamiento deportivo REFERÊNCIAS BARBANTI V J Treinamento esportivo as capacidades motoras dos esportistas Barueri Manole 2010 BOMPA T O Treinando atletas de desporto coletivo São Paulo Phorte 2005 BORIN J P GOMES A C LEITE G Preparação Desportiva Aspectos do Controle da Carga de Treinamento nos Jogos Coletivos Revista da Educação FísicaUEM Maringá v 18 p 97105 abril 2007 BORIN J P et al Alteração da capacidade de velocidade de deslocamento em futebolistas profissionais Revista Motriz Rio Claro v15 p 8 abrjun 2009 BRAZ T V Alteração da velocidade em futebolistas juvenis no período competitivo e sua relação com o conteúdo de treinamento 2010 96 f Dissertação Mestrado em Educação Física Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Metodista de Piracicaba Piracicaba 2010 Disponível em httpswwwunimepbrphpgbibdigalunovisualizaphpcod629 Acesso em 14 maio 2010 CASTELO J Tratado general de fútbol guía práctica de ejercicios de entrenamiento Badalona Paidotribo 2009 DE LA ROSA A F Direções de treinamento novas concepções metodológicas São Paulo Phorte 2006 GAMBLE P Periodization of training for team sports athletes Strength and Conditioning Journal Colorado Springs v 28 n 5 p 5666oct 2006 GOMES A C Treinamento desportivo estruturação e periodização Porto Alegre Artmed 2002 Treinamento desportivo estruturação e periodização 2 ed Porto Alegre Artmed 2009 510 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 GOMES A C et al Atletismo treinamento individualizado para corredores de 10000m Revista Treinamento Desportivo Londrina v 2 n 3 p 5964 1997 GOMES A C SOUZA J Futebol treinamento desportivo de alto rendimento São Paulo Artmed 2008 IMPELLIZZERI F M et al Physiological and performance effects of generic versus specific aerobic training in soccer players International Journal of Sports Medicine New York v 27 p 483492 mar 2006 ISSURIN VB New Horizons for the methodology and physiology of training periodization Sports Medicine Auckland v 40 n 3 p 189206 mar 2010 HOFF J HELGERUD J Endurance and strength training for soccer players physiological considerations Sports Medicine Auckland v 34 p165180 july 2004 KELLY V COUTTS AJ Planning and monitoring training loads during the competition phase in team sports Strength and Conditioning Journal Colorado Springs v 29 n 4 p 3237 aug 2007 MARTIN D CARL K LEHNERTZ K Manual de teoria do treinamento esportivo São Paulo Phorte Editora 2008 MATVEEV L P Treino desportivo metodologia e planejamento Guarulhos Phorte 1997 Teoria general del entrenamiento deportivo Barcelona Paidotribo 2001 MOREIRA A La periodización del entrenamiento y las cuestiones emergentes el caso de los deportes de equipo Revista Andaluza de Medicina del Deporte Sevilla v 3 n 4 p 170178 jul 2010 PLATONOV V N Tratado geral de treinamento desportivo São Paulo Phorte 2008 PLATONOV V N BULATOVA M M La preparacion física 4 ed Barcelona Paidotribo 2001 REILLY T An ergonomics model of the soccer training process Journal of Sports Science London v 23 n 6 p 561572 june 2005 SAMPAIO R F MANCINI M C Estudos de revisão sistemática um guia para síntese criteriosa da evidência científica Revista Brasileira de Fisioterapia São Carlos v 11 n 1 p 8389 janfev 2007 SOUZA E N Alterações das capacidades biomotoras de jovens futebolistas durante macro ciclo de treinamento a partir da periodização de cargas seletivas 2006 110 f Dissertação Mestrado em Educação Física Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Metodista de Piracicaba Piracicaba 2006 Rev Bras Ciênc Esporte Florianópolis v 34 n 2 p 495511 abrjun 2012 511 SPIGOLON LMP Diagnóstico e classificação dos conteúdos e volume do treinamento aplicado em futebolistas da categoria sub17 e sua relação da alteração das capacidades biomotoras em diferentes momentos do macrociclo 2010 139 f Dissertação Mestrado em Educação Física Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Metodista de Piracicaba Piracicaba 2010 Disponível em httpwwwunimepbrphpgbibdigbuscarphpaut0326540108 13ori0949231080 Acesso em 14 maio 2010 STOLEN T et al Physiology of soccer an update Sports Medicine Auckland v 35 n 6 p501536 june 2005 THIESS G TSCHIENE P NICKEL H Teoria y metodología de la competición deportiva Barcelona Paidotribo 2004 THOMAS J R NELSON J K SILVERMAN S J Métodos de pesquisa em atividade física 5 ed Porto Alegre Artmed 2007 TUBINO M J G MOREIRA S B Metodologia científica do treinamento desportivo 13 ed Rio de Janeiro Shape 2003 WEINECK J Treinamento ideal 9 ed Barueri Manole 2003 ZAKHAROV A GOMES A C Ciência do treinamento desportivo Rio de Janeiro Grupo Palestra Sport 2003 Recebido 28 dez 2008 Aprovado 5 set 2010 Endereço para correspondência Tiago Volpi Braz Rua Cirilo Silva 106 Bairro Funcionários Poços de CaldasMG CEP 37701306 Resenha Caracterização dos meios e métodos de influência prática no treinamento em futebolistas profissionais O presente texto tem como objetivo apresentar compreensões sobre o artigo Caracterização dos meios e métodos de influência prática no treinamento de futebolistas profissionais desenvolvido por Tiago Volpi Braz mestre em Edicação física pela UNIMEP e professor do Departamento de Educação física da Faculdade de Americana Leandro Mateus Pagoto Spigolon mestre em Educação Física e professor da equipe de Fisiologia de Desportivo Brasil Participações de Piracicaba João Paulo Borin Doutor em Educação Física pela UNICAMP e Professor do Departamento de Ciências do Esporte da Universidade Estadual de Campinas O objetivo central da pesquisa foi apontar as características dos meios e métodos de influência prática e posteriormente sugerir um modelo de organização e estruturação na etapa preparatória na modalidade futebol profissional através de artigos publicados em periódicos indexados no Qualis CAPES dissertações e livros registrados no International Standard Book Number ISSN De acordo com os autores o desempenho dos desportistas na maioria das vezes depende da habilidade das comissões técnicas em selecionar e organizar os conteúdos de treinamento relacionados à prática competitiva de uma determinada modalidade desportiva porque os meios de treinamento influenciam direta eou indiretamente o aperfeiçoamento para alcançar o alto desempenho desportivo Os autores ainda afirmam que apesar de ter grande destaque no cenário desportivo brasileiro poucos estudos procuraram caracterizar os meios e métodos de preparação na organização e estruturação de futebolistas sub 20 e profissionais da modalidade Isso se deve porque os principais clubes nacionais não disponibilizarem sua estrutura organizativa de trabalho ou pela distância existente entre a sistematização do rigor científico e a realidade empírica da modalidade Na parte do texto do artigo que trata da influência prática enfatizouse que esta intervenção direta no treinamento corresponde às práticas sistematizadas voltadas principalmente para melhoria dos componentes técnico físico e tático dos desportistas bem como intervenções direcionadas à recuperação dos atletas durante a sequência de sessões de treinos e jogos Ainda é enfatizado que no processo de preparação dos futebolistas existem diversas possibilidades de aplicação dos meios e métodos de influência prática Acionase Gomes e Souza 2008 e Spigolon 2010 para descrever exercícios e formas de trabalhos corridas intervaladas corridas com variação de velocidade e direção corridas tracionadas em distâncias curtas corridas em aclive rampa exercícios coordenativos de corrida e habilidades específicas saltos verticais horizontais laterais pliométricos exercícios com pesos alongamentos dinâmicos exercícios com variações técnicas simulações de jogo e situações táticas específicas bem como jogos em campo reduzido Na seção que trata da estruturação dos meios de influência prática na preparação de futebolistas é apontado a necessidade de periodizálos ao longo da temporada competitiva enfatizando alguns pontos que o contexto prático que o futebol apresenta sobretudo em relação ao pouco tempo de preparação destinado à preparação dos jogadores durante a temporada e necessidade de desempenho durante longo período de tempo sendo imprescindível a adoção de estruturações que levam em consideração os efeitos crônicos e agudos das capacidades determinantes como potência muscular velocidade e agilidade e predominantes que são manifestações da resistência Portanto compreendendo a necessidade de estruturação de treinamento na modalidade futebol por conta do calendário competitivo a pesquisa apontou para os diferentes meios e métodos que constituem os elementos práticos da preparação desportiva intervindo diretamente na organização do treinamento bem como no entendimento de que quanto maior é o grau de correspondência entre os exercícios de treinamento e a competição maiores e mais eficazes resultarão seus efeitos Ademais os autores também apontam para o contexto atual da modalidade sendo necessário evidenciar que a forma de organização deve buscar o desempenho dos jogadores em curto período de tempo e a preparação de futebolistas profissionais indica a necessidade de pesquisas envolvendo propostas de sistematização de treinamento