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Psicologia ·

Psicanálise

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A Estrutura e o Funcionamento do Psiquismo O simples título deste capítulo dá uma idéia da enorme abrangência conceitual que ele permitiria virtualmente toda a psicanálise caso a preten são fosse a de uma completude o que praticamen te demandaria um livro especial Destarte o pro pósito do presente texto é eminentemente de natu reza pedagógica tentando estabelecer uma sínte se quase que à moda de um glossário a fim de situar aquele leitor que ainda não esteja completa mente familiarizado com as essenciais concepções genéticodinâmicas que fundamentam a metapsico logia teoria técnica e prática da psicanálise Por esta razão a maioria dos conceitos deste capítulo aparece repetida em diversos outros capítulos PRINCÍPIOS BÁSICOS DE FREUD O termo princípio é bastante utilizado nas ciên cias em geral e designa um ponto de partida para a construção de um sistema ideativocognitivo que mantenha uma certa lógica Podese depreender a existência de vários e distintos princípios que este jam agindo simultaneamente e interagindo entre si embora cada um deles mantenha uma autonomia conceitual com regras e leis específicas No campo da psicologia e da psicopatologia rastreando histo ricamente as então revolucionárias concepções de Freud podemos enumerar os seguintes princípios do psiquismo Existência das Pulsões A palavra pulsão empregada por Freud com o termo original alemão trieb alude a necessidades biológicas com representações psicológicas que urgem em ser descarregadas sendo que é necessá rio distinguilo de instinto tradução do termo instinkt que também aparece na obra de Freud embora poucas vezes o qual designa mais expli citamente fixos padrões hereditários de comporta mento animal típicos de cada espécie Na literatu ra psicanalítica eventualmente a noção de pulsão pode aparecer com a terminologia de impulsos ou de impulsos instintivos Inicialmente Freud enunciou as pulsões do ego também denominadas como de autopreservação cujo protótipo é o da fome e as sexuais ou de preservação da espécie sendo que após suces sivas modificações mais precisamente a partir do clássico trabalho Além do princípio do prazer de 1920 ele estabeleceu de forma definitiva a dualida de de Pulsões de Vida ou Eros e Pulsões de Mor te ou Tanatos que em algum grau coexistem fundidos entre si Segundo Freud 1915 a pulsão é conceituada como sendo o representante psíquico dos estímu los somáticos e os seus componentes são os se guintes 1 Fonte no alemão original é quelle diz respeito ao órgão partes do corpo ou zonas eró genas de onde procedem os estímulos 2 Força drang referese a uma quantificação da energia que busca descarga motora sendo que esse aspec to da pulsão é o que fundamenta o ponto de vista econômico 3 Finalidade ziel consiste na ne cessidade de uma satisfação imediata a qual originalmente só pode ser obtida por meio de uma descarga motora ou pela eliminação do estímulo procedente de alguma fonte 4 Objeto objekt constituíase para Freud naquilo em relação ao qual ou pelo qual a pulsão é capaz de atingir a sua finalidade Como derivado direto desses quatro componentes essenciais da pulsão deve ser acres centada uma quinta característica a do investimento pulsional bezetzung que foi traduzida para o in glês como cathexis e para o portugês como catéxis ou catexia O significado original da palavra bezetzung é ocupação e como tal é entendido pelos autores da atualidade Embora pela sua especial importância o tema pulsões constitua um capítulo específico o de número 9 é útil acrescentar neste resumo mais dois aspectos um é o de que um mesmo objeto par cial ou total pode servir ao mesmo tempo a várias pulsões como podemos depreender do uso da boca que tanto pode servir para a satisfação das necessidades alimentares como também para aque las eróticas ou agressivas e assim por diante O segundo aspecto é que a noção de objeto não deve ficar restrita à presença de algo ou de alguém que está alheio ao indivíduo assim o próprio corpo C A P Í T U L O 5 78 DAVID E ZIMERMAN pode servir ao mesmo tempo como uma fonte e como um objeto da finalidade pulsional tal como Freud genialmente concebeu em seus estudos so bre o narcisismo Princípios do Prazer e da Realidade Originalmente o princípio do prazer era de nominado por Freud princípio do prazerdespra zer pelo fato de que ele significava que o incipien te aparelho psíquico tendia a livrarse descarre gando a todo e qualquer estímulo que provocasse desprazer visando reduzir ao mínimo a tensão energética este último aspecto alude ao princípio da constância descrito mais adiante Posterior mente Freud descreveu que os aumentos da ten são psíquica poderiam ser prazerosos como seria o caso de um acúmulo e de uma retenção temporá ria da excitação sexual O princípio do prazer alude essencialmente ao significado de que a catéxis pulsional demanda uma gratificação imediata sem minimamente le var em conta a realidade exterior O melhor exem plo disso é a formulação de Freud sobre a satisfa ção alucinatória dos desejos pela qual o bebê substitui o seio faltante pela sucção do seu próprio polegar Outros exemplos equivalentes nos esta dos adultos podem ser os que constituem os deva neios fantasias inconscientes crenças ilusórias produções delirantes impulsividade etc No entanto essa satisfação mágica e ilusória sempre acabará sendo frustrante e decepcionante porque ela não suporta as exigências e necessida des da realidade como é por exemplo o caso de uma fome real que fatalmente não se satisfará com a substituta sucção do polegar o que vem a deter minar a instauração do princípio da realidade Freud descreveu o surgimento de ambos os princípios de uma forma sucessiva e seqüencial porém na atualidade principalmente a partir de Bion considerase que de alguma forma os prin cípios do prazer e o da realidade estão sempre presentes de forma simultânea e interagem ao lon go de toda a vida mesmo que no adulto as de mandas imediatistas e mágicas do princípio do pra zer possam estar ocultas Princípio da Constância Ainda como uma decorrência direta da neces sidade de livrarse dos estímulos desprazerosos quando está dominado pelo princípio do prazer o psiquismo tende a reproduzir o mesmo recurso que a medicina estuda sob o nome de princípio da homeostase biológica isto é existe a necessidade da busca de um perfeito equilíbrio das tensões or gânicas provenientes de distintas partes do próprio organismo humano Da mesma maneira o princí pio da constância visa à obtenção da menor ten são psíquica possível tanto por intermédio do re curso da evitação e afastamento da fonte de estí mulos desprazerosos como também pela via de uma descarga que possibilite uma nivelação equi libradora O princípio da constância também é conhe cido como princípio de Nirvana No entanto cabe apontar uma pequena diferença entre o que ambos designam Assim enquanto o primeiro deles faz referência a uma simples diminuição da tensão psí quica o princípio de Nirvana alude a uma diminui ção de toda excitação ao zero absoluto o que de fato vem a configurar a pulsão de morte segun do a concepção original de Freud e que mais pre cisamente referese a uma volta da célula viva ao anterior estado inorgânico portanto a um estado de morte Princípio da Compulsão à Repetição O próprio Freud não se sentia à vontade com a sua original postulação do princípio do prazer porquanto o mesmo não conseguia explicarlhe satisfatoriamente os fenômenos psíquicos repetiti vos de natureza nãoprazerosa que ele observava com grande freqüência nos casos de sonhos angus tiosos nos atossintomas masoquistas nas neuro ses traumáticas principalmente nessas últimas com o volumoso surgimento das neuroses de guerra advindas no curso da Primeira Guerra Mundial de 191418 De forma análoga ele também percebia que as crianças repetem jogos brincadeiras e rela tos de estórias como uma tentativa de elaborar ati vamente aquilo que elas sofrem passivamente como pode ser algum forte susto traumático a per da de alguma pessoa importante etc Assim Freud constatou que essa compulsão zwang repetitiva procedia de uma intensa força provinda do interior do indivíduo e que estava si tuada além do princípio do prazer sendo que o amadurecimento dessa idéia culminou em 1920 em cujo trabalho ele postulou a existência de uma pulsão de morte como já foi referido Com essa concepção metapsicológica Freud conjeturou que a pulsão de morte repetese de forma compulsória como uma forma primacial de fazer o organismo FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS 79 vivo voltar ao estado inorgânico anterior tal como está contido na sentença bíblica de vens do pó e ao pó voltarás Conquanto Freud tivesse procura do fundamentar essa sua concepção da pulsão de morte por meio de especulações relativas a desen volvimentos de ordem biológica o certo é que des de então e até os dias atuais os analistas dividem se entre os que aceitam e consideram essa postu lação como importante inclusive para a prática ana lítica entendimento do masoquismo primário por exemplo enquanto outros refutamna totalmente Narcisismo Primário e Secundário Embora Freud já viesse lançando algumas idéias daquilo que ele viria a conceituar como narcisis mo tal como aparece em Leonardo 1910 foi em seu importantíssimo trabalho Sobre o narci sismo de 1914 que ele estabeleceu de forma con sistente e categórica os fundamentos metapsicológi cos dessa então revolucionária concepção de nar cisismo O interessante disso vale lembrar é que esse clássico trabalho foi elaborado por Freud como uma réplica a Jung que acabara de assumir uma total dissidência do círculo freudiano e que con testava a teoria da sexualidade com o argumento de que essa teoria de Freud não poderia explicar as psicoses tendo em vista que tais pacientes não de monstravam interagir libidinalmente Para contes tar esse desafio do desafeto Jung Freud teve a ge nial centelha de conceber que o sujeito tomava o seu próprio corpo como sendo ao mesmo tempo uma fonte e um objeto da libido sexual Essa última concepção caracteriza o que Freud veio a conceituar como narcisismo primário que inicialmente ele postulou como sendo uma etapa evolutiva sucedendo uma anterior que ele denomi nara como a do autoerotismo Posteriormente no entanto ambas as denominações e conceituali zações ficaram superpostas e igualadas entre si A maioria dos autores considera que o protóti po mais fiel da narcisismo primário é o da vida intrauterina Assim Freud concebia que nesse tipo de narcisismo haveria uma total indiferenciação entre o ego submetido e confundido com o id com a realidade exterior A primeira estranheza que essa postulação sempre provocava nos estudiosos referese ao fato óbvio de que o bebê não poderia ignorar a mãe porquanto ele depende vitalmente da relação real com ela Freud antecipandose a essa questão formulou a sua famosa metáfora de que o o corpo humano seria como uma ameba que se liga aos objetos pelos seus pseudópodos Des ta maneira do ponto de vista da observação objeti va o bebê está em interação com a mãe enquanto que do ponto de vista desse bebê a mãe não é mais do que um prolongamento dele e basta emitir um pseudópodo mental que ele conseguirá fagocitar tudo o que necessita porque nessas condições tudo é uma posse exclusiva dele mesmo O narcisismo secundário por sua vez como o seu nome indica alude a uma espécie de refluxo da energia pulsional a qual depois de ter investi do e ocupado os objetos externos sofre um desen vestimento libidinal quase sempre devido a fortes decepções com os objetos externos provedores e retornam ao seu lugar original o próprio ego A maioria dos autores posteriores a Freud não encontra vantagem alguma em manterse a divisão entre narcisismo primário e secundário pois na prática analítica ambos são indissociáveis e con fundemse entre si Aquilo que sim pode ser dito com absoluta convicção é que o narcisismo ocu pa um espaço crescentemente importante na psica nálise abrindo novos vértices de compreensão notadamente em dois aspectos um é que ele deve ser compreendido no contexto de um eixo evolutivo entre os estados psíquicos préedípicos com os edípicos com as respectivas características espe cíficas de cada um e com as delimitações e intera ções entre narcisismo e sexualidade edípica O se gundo aspecto a ressaltar é que o cada vez maior entendimento do narcisismo alargou as portas para a análise de pacientes intensamente fixados ou regredidos às primitivas etapas do narcisismo ori ginal Pela importância que esse tema representa para a prática da terapia psicanalítica ele será me lhor estudado no capítulo 13 deste livro que versa sobre a posição narcisista Masoquismo Primário e Sadismo Para Freud até 1920 o sadismo fazia parte da pulsão sexual como uma espécie de instinto de domínio cujo objetivo seria o de ter a dominação e posse dos objetos por meio do recurso de subme têlos à força O masoquismo por sua vez paradoxalmente estaria visando a obtenção do prazer pelo desprazer atendendo aos mandamentos internos da pulsão de morte a qual em algum grau e forma sempre está presente e fusionada com a pulsão de vida A presença dessa inata pulsão de morte no interior do psiquismo do sujeito é a responsável pela exis tência do que Freud veio a denominar masoquis mo primário o qual quando defletido para o exte 80 DAVID E ZIMERMAN rior determina o surgimento do sadismo que vir tualmente sempre estaria ligado com a pulsão se xual O masoquismo secundário instalase em um segundo momento e a sua formação decorre de outros fatores como aqueles associados às culpas com as correspondentes necessidades de castigos como pode ser exemplificado com as autopunições ou induzir a que outros o punam determinados pela ação inconsciente de um superego tirânico e cruel Baseado na prática clínica podese afirmar que o sadismo e o masoquismo coexistem simultanea mente tanto intra como intersubjetivamente As sim são freqüentíssimos os vínculos entre pessoas que se configuram de maneira nitidamente sadoma soquística às vezes de forma acintosa e outras vezes de um modo muito dissimulado Como exemplo ilustrativo suponhamos um casal que es tabelece entre si um convívio sadomasoquista no qual tanto pode acontecer que a cada um deles cabe de forma fixa e estereotipada a um desses dois pa péis como também pode suceder que eles alter nemse em momentos diferentes qual uma gan gorra nos papéis de quem será o sádico e a quem caberá a função de masoquista e viceversa com uma alta possibilidade de nunca saírem desse cír culo vicioso interminável Princípio do Determinismo Psíquico Este princípio alude ao fato de que na mente nada acontece ao acaso ou de um modo fortuito sendo que cada acontecimento psíquico é determi nado por outros que o precederam de tal sorte que não há descontinuidade na vida mental Esse princípio fica melhor compreendido e complementado com o modelo da multicausali dade com o qual Freud indo além das causas linea res responsáveis pela determinação de um dado sintoma postula a idéia de que várias causas pro duzem um mesmo efeitocreio que podemos acres centar que muitas vezes uma mesma causa pode produzir vários e diferentes efeitos Dizendo com outras palavras mesmo aquilo que possa parecer ser uma casualidade está fortemente determina do por uma múltipla causalidade Posteriormente a partir de A interpretação dos sonhos de 1900 Freud considerou que mais do que várias causas produzindo o efeito do fenôme no do sonho o que acontece é que existe um siste ma diferenciado processo primário inconsciente que irá gerar efeitos conscientes de modo que por meio de cada elemento do conteúdo latente é pos sível reconstruir uma rede de conexões que deter minam o sonho manifesto tal como está contido na sua famosa frase Todo sonho tem um umbigo que conduz ao desconhecido do inconsciente Isso que acontece com os sonhos de forma análoga ocorre com a formação de sintomas e todos os fe nômenos da psicopatologia Séries Complementares À medida que Freud foi percebendo e discri minando os múltiplos e diferentes fatores genéti codinâmicos determinantes da normalidade e pa tologia do psiquismo ele estabeleceu o seu con ceito de séries complementares que complemen tando o princípio do determinismo psíquico serve de ponte entre os fatores endógenos inatos e cons titucionais e os fatores exógenos adquiridos A noção de séries complementares aparece em Cinco leituras sobre psicanálise 1910 po rém foi em 1916 em uma de suas Conferências introdutórias a de n XXII p 406 que Freud define com maior clareza e consistência essa con ceituação de séries complementares também conhecido por equação etiológica porquanto o que sobretudo fica enfatizado é o fato de que os fatores em jogo são inerentes à condição humana e perma necem interagindo entre si de forma permanente e em infinitas formas de combinações Assim Freud descreve três séries 1 Os fatores inatos heredo constitucionais inclusive os que se desenvolvem durante a vida intrauterina 2 As precoces expe riências infantis 3 Os fatores ambientais atuantes na atualidade do sujeito A conjunção das duas pri meiras séries resultam em um estado de disposi ção anlage que determina a formação de pon tos de fixação no psiquismo e que interagindo com a terceira série representada pelas frustra ções impostas pelos fatores externos reais desen cadeiam e produzem os mais diversos quadros da psicopatologia Processo Primário e Processo Secundário Freud postulava que o inconsciente é consti tuído por uma energia psíquica proveniente das pul sões as quais operando conjuntamente com as re presentações que se formam no ego caracterizam esses dois tipos de processamento psíquico O pro cesso primário caracterizase por um fácil deslo camento e descarga da libido As várias cadeias de FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS 81 representações com os respectivos significados in conscientes produzem aquilo que se denomina como condensação ou seja numa representação única como pode ser um determinado sintoma podem confluir todos os significados de uma ca deia associativa que por sua vez podem produzir novos deslocamentos e assim sucessivamente tal como por exemplo é possível observar nitidamente nos sintomas fóbicos Assim já em 1895 Projeto Freud descrevia um funcionamento primário do aparelho neurônico no qual a energia psíquica circula de forma livre de forma que ela tende a descarregarse imediata e totalmente tal como acontece no princípio do pra zer A partir de A interpretação dos sonhos 1900 Freud começa a elaborar com maior consistência a noção do processo primário com uma energia li vre deslocável e condensada com inscrição de sig nificações as quais alguns anos mais tarde ele veio a conceituar como representaçãocoisa e que seguem as leis do inconsciente ou seja onde não há lógica referente à noção de tempo espaço con tradições etc No processo secundário a energia psíquica está presa e circula de forma mais compacta sempre ligada a alguma representação psíquica mais pre cisamente àquelas que se situam no sistema pré conscienteconsciente logo com aquilo que Freud denomina representaçãopalavra Em resumo enquanto no processo primário as energias fluem livremente sem encontrar barreiras porquanto se guem as leis que regem o inconsciente e o princí pio do prazer no processo secundário as energias psíquicas com as respectivas significações e re presentações operam diretamente ligadas ao prin cípio da realidade e determinam uma lógica do pen samento Finalmente cabe acrescentar que ambos os pro cessos foram descritos por Freud numa seqüência de surgimento linear e temporal o secundário su cedendo o primário Na atualidade a partir de Bion devemos considerar que ambos os processos estão sempre presentes na mente de qualquer sujeito de forma simultânea e numa conjunção constante en tre si sendo que a predominância do funcionamento mental do processo primário corresponde no adul to ao que esse autor denomina como parte psicótica da personalidade enquanto a predominância do processo secundário equivale à parte nãopsicótica ou neurótica da personalidade MODELOS DE FUNCIONAMENTO DO APARELHO PSÍQUICO Teoria do Trauma Vale recordar que a primeira concepção de Freud sobre a etiologia da psicopatologia tal como aparece em Comunicação preliminar 1893 di zia respeito à ocorrência de um trauma sexual real mente acontecido nos primórdios da infância sob a forma de algum abuso sexual praticado pelo genitor e que estava reprimido no inconsciente Ele próprio deuse conta de que as coisas não se passa vam tão simplesmente assim e mesmo no caso de suas pacientes histéricas que constituíam virtual mente a totalidade de sua clínica e que lhe confir mavam os referidos abusos que elas teriam sofri do Freud percebeu que tais relatos nem sempre condiziam com a realidade dos fatos mas sim que eles apareciam distorcidos pelas fantasias incons cientes que genialmente ele foi impelido a con ceber A concepção da teoria do trauma foi cada vez mais perdendo a sua importância na psicanáli se porém nos últimos tempos ela volta a ganhar uma relevância não unicamente para a explicação das neuroses traumáticas e das neuroses atuais mas também para o problema dos traumas primiti vos realmente acontecidos e não somente os se xuais que podem ter produzido um intenso esta do psíquico de desamparo tal como será explici tado num capítulo específico o de número 8 Uma vez que essa teoria do trauma não con seguia explicar a complexidade que de forma cres cente a psicanálise vinha enfrentando Freud for mulou a existência de dois princípios fundamen tais o da multideterminação e o da existência de um inconsciente a partir dos quais ele passou a buscar modelos figuras metafóricas que permitem uma abstração a partir de uma imagem concreta e viceversa teorias um conjunto de hipóteses que podem vir a ser confirmadas cientificamente ou empiricamente pela prática clínica e concepções metapsicológicas especulações imaginativas que não têm como ser confirmadas com um definitivo grau de certeza porém que permitem um impor tante campo de investigações A partir da conjunção desses fatores Freud criou a concepção da existência de um aparelho psíquico que ele concebeu tanto do ponto de vis ta da economia das energias psíquicas como tam bém por meio de modelos como o topográfi co e o estrutural 82 DAVID E ZIMERMAN Ponto de Vista Econômico A pulsão representante psíquico das exci tações provenientes do interior do corpo e que che gam ao psiquismo é postulada por Freud como um elemento quantitativo da economia psíquica segundo a sua hipótese que explicaria o funciona mento do aparelho psíquico a partir dos modelos científicos da física mecanicista da sua época As sim os processos mentais consistiriam na circula ção e repartição de uma energia pulsional catéxis de grandeza variável e que sofre a ação de uma contracatéxis Esse último conceito de contracar ga aparece no trabalho O inconsciente 1915 e nele Freud mostra que essas energias contracate xizadas mecanismos defensivos são permanen tes e criam resistências que da mesma forma que as pulsões também são inconscientes A maior crítica que se faz contra esse ponto de vista econômico decorre justamente do fato de que ele foi elaborado por Freud a partir daquelas con cepções fisicalistas que surgiram no final do sécu lo XIX quando além dos princípios e leis da hi dráulica também ocorreram a descoberta da ele tricidade e do neurônio de modo que Freud esta beleceu a concepção de que uma energia física per corria as vias nervosas neuronais tal como a ener gia elétrica percorre pelos fios sendo que em al gum momento de sua obra ele chegou a evidenciar a sua esperança de que no futuro a energia psíqui ca poderia vir a ser quantificada Penso que mes mo restrito aos conhecimentos da época esses per mitiriam que Freud pudesse estender a sua concep ção para o fato da potencialidade da energia ou seja assim entendo da sua transformacionalidade tal como acontece por exemplo com a metáfora de uma queda dágua que tanto pode arrasar uma lavoura próxima como também pode dar vida e crescimento à mesma se ela for adequadamente dre nada ou ela podese transformar em energia elétri ca e daí em térmica luminosa etc O modelo mecânico quantitativo empregado por Freud está amplamente superado na atualidade por outros modelos como o da cibernética pelo qual uma energia mínima e nãoespecífica pode desen cadear desproporcionais reações em cadeia e de efeitos retroativos ou o modelo da moderna física quântica que desvenda os segredos subatômicos num campo onde uma mesma matéria conforme as condições do observador tanto pode manifes tarse como onda ou como partícula Não obs tante isso como antes foi assinalado o modelo econômico volta a ganhar importância na teoria e prática da psicanálise Modelo Topográfico 1ª Tópica Freud empregou a palavra aparelho para ca racterizar uma organização psíquica dividida em sistemas ou instâncias psíquicas com funções es pecíficas para cada uma delas que estão interliga das entre si ocupando um certo lugar na mente Em grego topos quer dizer lugar daí que o mo delo tópico designa um modelo de lugares sendo que Freud descreveu a dois deles a 1ª tópica é co nhecida como Topográfica e a 2ª como Estrutural A noção de aparelho psíquico como um con junto articulado de lugares virtuais surge mais claramente na obra de Freud em A interpretação dos sonhos 1900 no qual no célebre capítulo 7 ele elabora uma analogia do psiquismo com um aparelho óptico de como esse processa a origem transformação e o objetivo final da energia lumi nosa Nesse modelo tópico o aparelho psíquico é composto por três sistemas o inconsciente Ics o préconsciente Pcs e o consciente Cs Algumas vezes Freud denomina a este último sistema de sis tema percepçãoconsciência O sistema consciente tem a função de receber informações provenientes das excitações prove nientes do exterior e do interior que ficam regis tradas qualitativamente de acordo com o prazer e ou desprazer que elas causam porém ele não re tém esses registros e representações como depósi to ou arquivo deles Assim a maior parte das fun ções perceptivocognitivasmotoras do ego como as de percepção pensamento juízo crítico evoca ção antecipação atividade motora etc processam se no sistema consciente embora esse funcione in timamente conjugado com o sistema Inconsciente com o qual quase sempre está em oposição PréConsciente Esse sistema foi concebido como estando arti culado com o consciente e tal como surge no Pro jeto onde ele aparece esboçado com o nome de barreira de contato funciona como uma espécie de peneira que seleciona aquilo que pode ou não passar para o Consciente Ademais o préconsciente também funciona como um pequeno arquivo dos registros de modo que a ele cabe sediar a fundamental função de con ter as representaçõespalavra conforme Freud 1915 que consiste num conjunto de inscrições mnêmicas de palavras ouvidas e de como foram FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS 83 significadas pela criança Essa formação de re presentaçãopalavra é diferente da representa çãocoisa porquanto esta última opera no incons ciente e suas inscrições não podem ser nomeadas ou tampouco lembradas voluntariamente enquan to a característica mais marcante do sistema Pré Consciente é a de que os seus conteúdos ao con trário do Inconsciente podem ser recuperados por meio de um voluntário ato de esforço Inconsciente Esse sistema designa a parte mais arcaica do aparelho psíquico onde por meio de uma herança genética existem pulsões quando essas nunca emergem nos sistemas consciente e préconscien te elas são consideradas como repressões primá rias acrescidas das respectivas energias e com protofantasias como Freud as denominava mas que também são conhecidas por fantasias primiti vas primárias ou originais Além disso o incons ciente também consiste num depósito de repres sões secundárias as quais chegaram a emergir sob forma disfarçada no consciente como nos sonhos ou sintomas e voltam a ser reprimidas para o In consciente Como foi dito uma função que opera no siste ma Inconsciente e que representa uma importante repercussão na prática clínica é que ela contém as representações de coisa as quais consistem em uma sucessão de inscrições de primitivas expe riências e sensações provindas de todos os órgãos dos sentidos como o da visão audição tato etc e que ficaram impressas na mente da criança numa época em que ainda não haviam palavras para nomeálas Funcionalmente o Inconsciente opera segundo as leis do processo primário e além das pulsões do id esse sistema também opera muitas funções do ego bem como do superego Modelo Estrutural 2ª Tópica Insatisfeito com o modelo topográfico por quanto esse não conseguia explicar muitos fenô menos psíquicos em especial aqueles que emer giam na prática clínica Freud vinha gradativamente elaborando uma nova concepção até que em 1920 mais precisamente a partir do importante trabalho metapsicológico Além do princípio do prazer ele estabeleceu de forma definitiva a sua clássica con cepção do aparelho psíquico conhecido como modelo estrutural ou dinâmico tendo em vista que a palavra estrutura significa um conjunto de elementos que separadamente tem funções especí ficas porém que são indissociados entre si inte ragem permanentemente e influenciamse recipro camente Ou seja diferentemente da 1ª Tópica que sugere uma passividade a 2ª Tópica é eminente mente ativa dinâmica Essa concepção estrutura lista ficou cristalizada em O ego e o id 1923 e consiste em uma divisão tripartide da mente em três instâncias o id o ego e o superego O ID Do ponto de vista topográfico o inconsciente como instância psíquica virtualmente coincide com o id o qual é considerado o pólo psicobiológico da personalidade fundamentalmente constituído pe las pulsões Sob o ponto de vista econômico o id é a um só tempo um reservatório e uma fonte de ener gia psíquica Do ponto de vista funcional ele é re gido pelo princípio do prazer logo pelo processo primário Do ponto de vista da dinâmica psíquica ele abriga e interage com as funções do ego e com os objetos tanto os da realidade exterior como aqueles que introjetados estão habitando o supe rego com os quais quase sempre entra em confli to porém não raramente o id estabelece alguma forma de aliança e conluio com o superego O EGO A afirmativa de Freud de que no princípio tudo era id atesta que ele sempre concebeu que o ego desenvolvese a partir do id pela persistente in fluência do mundo externo e da necessidade de adatação ao mesmo No entanto desde M Klein até os autores modernos predomina amplamente a convicção de que o ego não se forma desde o id mas sim que ele é inato tem energia própria e ain da que de forma rudimentar desde recémnascido o ego do bebê já está interagindo com a mãe Como a maior parte dos mecanismos de defesa era inconsciente e como o ego era considerado a fonte e a sede dessas defesas nada mais natural de que Freud percebesse que o ego não era sinônimo de consciente e nem sequer se superpunha e con fundiase com este mas sim que ele tinha raízes no inconsciente Esta última afirmativa consitui o maior fator diferenciador entre a 1ª e a 2ª Tópicas no entanto sempre deve ficar claro que uma não invalida a outra pelo contrário elas comple mentamse 84 DAVID E ZIMERMAN Ainda persiste a clássica definição de que o ego é a principal instância psíquica porquanto funcio na como mediadora integradora e harmonizadora entre as pulsões do id as exigências e ameaças do superego e as demandas da realidade exterior Po rém como propósito pedagógico cabe considerar o ego como uma conjunção de três pontos de vista 1 Como um aparelho psíquico com funções es senciais na sua maior parte conscientes para rela cionarse adaptativamente com a realidade do mun do exterior como são entre outras as de percep ção pensamento memória atenção antecipação discriminação juízo crítico e ação motora 2 Como sede e fonte de um conjunto de funções mais com plexas na sua maior parte inconsciente como é o caso da produção de angústias mecanismos de defesa fenômenos de identificações e formação de símbolos 3 Como sede de representações que determinam a imagem que o sujeito tem de si mes mo e que estruturam o seu sentimento de identida de e de autoestima O SUPEREGO Classicamente essa instância psíquica é enten dida segundo o significado da famosa frase de Freud de que o superego é o herdeiro do complexo de Édipo o que vem a significar que ele está consti tuído pelo precipitado de introjeções e identifica ções que a criança faz com aspectos parciais dos pais com suas proibições exigências ameaças mandamentos padrões de conduta e o tipo de rela cionamento desses pais entre si Além disso é im prescindível levar em conta o aspecto da transgera cionalidade ou seja o fato de que o superego dos pais do paciente por sua vez está identificado com a de seus próprios pais e assim por diante numa escalada de muitas gerações sendo que isso inclui na formação do superego os valores morais éti cos ideais preconceitos e crenças ditadas pela cul tura na qual o sujeito está inserido A data de formação do superego é um assunto polêmico na psicanálise pelo fato de que os segui dores de Freud consideram que o seu início coinci de com o Édipo clássico de Freud ou seja por volta dos 45 anos enquanto os autores kleinianos res paldados na clínica com pacientes psicóticos e aná lise com crianças fazem retroagir aos primeiros meses de vida a formação dos precursores do su perego ligandoos à inata pulsão de morte O que me parece que ninguém põe em dúvida é o fato de que o termo superego tanto pode desig nar uma necessária estrutura que normatize e deli mite a conduta de cada sujeito nesse caso alguns autores empregam a denominação de ego auxili ar como também ele habitualmente refere a uma instância psíquica resultante da introjeção predo minante de objetos maus de características tirâ nicas e até cruéis que sob diversas formas de amea ças obrigam o sujeito a submeterse aos manda mentos daquilo que ele pode ou não pode deve ou não deve fantasiar desejar pensar preferir dizer fazer e sobretudo ser Ao longo de sua obra Freud usou indistinta mente os termos superego ego ideal e ideal do ego virtualmente como sinônimos No entan to a psicanálise atual fica muito enriquecida com uma sutil porém necessária diferença entre os con ceitos específicos que cada um desses termos com porta assim como também com outros termos correlatos que seguem abaixo não obstante o fato de que todos eles continuem sendo apêndices do superego clássico uma espécie de primosirmãos dele Assim vale a pena discriminálos separada mente Superego Além dos aspectos descritos o superego tam bém se caracteriza por ser quase totalmente de ori gem inconsciente é composto e ditado pelos obje tos internos o seu maior efeito é o de ser um gera dor de culpas com as conseqüentes angústias e medos e a sua pressão excessiva no psiquismo é a maior responsável pelos quadros melancólicos e obsessivos graves Ego Ideal Enquanto o superego é considerado o herdei ro do complexo de Édipo o ego ideal constituise como o herdeiro do narcisismo primário Por conseguinte ele funciona no plano do imaginário alicerçado na fantasia onipotente ilusória própria da indiscriminação com o outro persistência da fantasia de fusão diádicasimbiótica com a mãe em que ter é igual a ser e viceversa por tudo isso o sujeito portador de um ego ideal predomi nante no seu psiquismo está sempre à espera do máximo de si mesmo além de nutrir ideais virtual mente nunca alcançáveis As identificações são primárias do tipo adesivo ou imitativo e o senti mento de identidade resultante é o de falsidade O ego ideal costuma estar muito distante do ego real porém para manter a ilusão o sujeito deve utilizar FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS 85 fortes recursos defensivos de negação como o da renegação ou desestima que é mais próprio dos estados narcísicos parciais como nas perver sões ou o da forclusão presente nos estados narcísicos totais psicoses O sentimento predo minante frente as frustrações das expectativas do ego ideal muito mais do que culpas como no supe rego é o de humilhação O ego ideal é conjugado no presente indicativo Eu sou assim o que in dica que transitoriamente no desenvolvimento emo cional primitivo ele pode ser estruturante como está implícito no conceito de self grandioso de Kohut 1973 porém a sua persistência é respon sável por transtornos narcisistas de toda ordem Ideal do Ego É o herdeiro do ego ideal projetado nos pais somado às aspirações e expectativas próprias des tes últimos Dentro do sujeito o ideal do ego é con jugado num tempo futuro e condicional Eu deve rei ser assim senão As identificações são triá dicas e formamse na triangularidade edípica po rém ainda não se constituíram com uma constância objetal nem com uma coesão de self e sentimento de identidade bem definido O ideal do ego pode ser um importante fator estruturante do psiquismo tanto nos primeiros movimentos identificatórios corresponde ao que Kohut denomina de imago parental idealizada como também quando ele está a serviço de um projeto de um vir a ser No en tanto a sua permanência em grau exagerado leva rá o sujeito a construir um falso self para corresponder às expectativas dos outros ou a qua dros fóbicos e narcisistas O sentimento predomi nante é o de vergonha diante de eventuais fracas sos Alter Ego Indica uma gemelaridade ou seja que um ou tro alma gêmea é o portador de aspectos que o indivíduo não diferencia daqueles que são exclusi vamente seus próprios O termo alter ego em desuso na literatura psicanalítica está voltando a ganhar um reconhecimento pelo fato dele caracte rizar o fenômeno do duplo análogo ao da especularidade o qual vem ganhando uma expres siva relevância na teoria e prática psicanalítica especialmente para a compreensão dos pacientes com distúrbios narcisistas SuperSuperego Tratase de uma expressão empregada por Bion com a qual ele designa uma conceituação que se diferencia dos significados clássicos atribuídos ao superego pelo contrário o supersuperego de Bion entendo que o nome supraego seria bas tante apropriado alude a uma área psíquica que é própria do que ele chama de parte psicótica da personalidade em cujos casos o sujeito indo além do certoerrado devonão devo bemmal cria a sua própria moral e as suas leis com as quais ele afronta a realidade e que a qualquer custo ele pretende impor aos demais ContraEgo Proponho esta denominação para designar uma estrutura que age dentro do ego e desde ele e que se organiza como uma oposição às partes frá geis porém sadias e verdadeiras do ego a partir do princípio desse contraego de que aquelas par tes é que são as que levam o sujeito ao sofrimento e às humilhações Ainda que a expressão contra ego pareçame original compulsei uma extensa bibliografia e nada encontrei assim os conceitos nela embutidos não são originais e sob nomes di ferentes com pequenas variantes aparecem clara mente definidos em muitos autores que estudaram essa organização contraegóica Assim vale des tacar o ego sabotador de Fairbairn 1941 a gan gue narcisista de Rosenfeld 1971 a organiza ção patológica de Steiner 1981 o estado fachis ta de Bollas 1997 O importante a destacar é que o contraego de alguma forma age aliado com os objetos sabota dores e infantilizadores do superego além de mui tas vezes até confundirse com esse porém ele fun damentalmente está a serviço da manutenção do mundo das ilusões narcisistas com a predominân cia do que costuma ser chamado como narcisis mo destrutivo ou narcisismo de morte Esse as pecto relativo à organização patológica que cons titui o contraego está ganhando uma crescente im portância na psicanálise e facilita o entendimento de fenômenos como o das reações terapêuticas negativas entre tantos outros mais OUTROS MODELOS DA MENTE As considerações até agora tecidas neste capí tulo estão essencialmente fundamentadas em Freud 86 DAVID E ZIMERMAN e embora continuem plenamente vigentes em sua maioria foram em alguns aspectos refutadas mo dificadas ampliadas ou complementadas com pon tos de vista originais por parte de outros autores Como não cabe aqui um esmiuçamento aprofun dado dessas diversas contribuições vamos restrin girnos a uma pálida amostragem das mesmas uni camente mencionando algumas delas a partir dos principais autores M Klein Essa importante autora modificou em grande parte o paradigma psicanalítico edificado por Freud por meio de concepções que permitem entender o funcionamento do psiquismo a partir da presença de ego inato pulsão de morte numa conceitualização diferente de Freud embora em pregando o mesmo termo precoce angústia de aniquilamento primitivas relações com objetos parciais mecanismos de defesa muito primitivos com destaque para a extraordinária importância das identificações projetivas a original concep ção de posições a esquizoparanóide e a depressiva Bion Esse autor acreditava que a psicanálise já tinha teorias demais e por isso ele propunha um modelo de funcionamento psíquico que fosse compreendido a partir dos vários arranjos combinatórios do que denominou elementos da psicanálise da mesma maneira que as sete notas musicais permitem compor músicas desde as sim ples até as mais complexas ou de forma análoga as letras permitindo palavras e discursos diferen tes ou os algarismos possibilitando os mais com plicados cálculos algébricos Assim unicamente a título de exemplificação vale destacar que criou o modelo continenteconteúdo propôs a hipotética existência de elementos alfa e beta como determinantes da capacidade para pensar intro duziu a importantíssima noção da função de conti nente rêverie da mãe ou do analista na situação analítica conjeturou a existência de um psiquismo fetal desenvolveu a concepção de vínculos inter nos e externos dentre os vínculos Bion emprestou uma alta relevância ao vínculo do conhecimento K e com isso ele valorizou sobremodo os pro blemas da verdade falsidade e mentira Como de corrência ganhou relevância o problema da comu nicação que muitas vezes visa justamente a uma nãocomunicação finalmente nessa simples amostragem é indispensável mencionar a sua con cepção de parte psicótica da personalidade e de como essa interage com as partes nãopsicóticas de modo que esse vértice outro conceito de Bion inovou muita coisa na prática analítica M Mahler Essa autora representante da psi cologia do ego trabalhou com os conceitos inova dores de Hartmann 1947 relativos à área livre de conflitos e à autonomia primária e juntamente com a sua equipe acrescentou as importantes concep ções de etapas do desenvolvimento infantil que começam por um autismo normal posteriormen te retiraram essa denominação porque passaram a acreditar que a interação afetiva com a mãe já está presente no recémnascido seguem por uma fase de simbiose a qual sucede um estágio de diferen ciação resultante das duas subetapas de separa ção e individuação seguidas de um período de trei namento até atingir um estado psíquico de cons tância objetal nos casos bemsucedidos Kohut Ele introduziu o conceito de um narci sismo estruturante ao mesmo tempo que foi desca racterizando a consagrada importância do comple xo de Édipo na determinação dos quadros da psicopatologia Tomando como ponto de partida o narcisismo como uma linha autônoma do desen volvimento infantil Kohut 1971 postulou a fun damental importância da existência dos selfobje tos objetos parentais que são responsáveis pela estruturação do self com as possíveis falhas empáticas dos mesmos que determinam os futu ros distúrbios narcisísticos e requerem do analista a capacidade de promover uma internalização transmutadora Nessa mesma linha Kohut con cebeu um arco de tensão na criança no qual um dos pólos constituído pelas ambições ele deno mina como self grandioso e no outro pólo onde residem os ideais está a imago parental ideali zada e no meio deles estão as capacidades e talen tos do ego Lacan A partir de uma releitura de Freud Lacan desenvolveu idéias originais como é o caso da etapa do espelho que vai dos 6 aos 18 meses de vida da criança essa concepção acarretou uma for ma diferente dele descrever a conflitiva edípica igualmente ele concebeu três planos do psiquismo o imaginário o real e o simbólico Lacan também atribuiu uma enorme importância ao que o discur so dos pais representa para a formação do incons ciente da criança dessa forma Lacan postula a im portância de o analista trabalhar com a rede de significantes e significados que estão contidos nas associações de idéias manifestas pelo paciente Winnicott Dentre as inúmeras concepções ori ginais de Winnicott acerca do desenvolvimento emocional primitivo cabe destacar aquelas que di zem respeito às noções de transicionalidade fe nômenos transicionais objeto transicional e espa ço transicional a sua postulação de um estado de nãointegração é diferente de desintegração do bebê nos primórdios do desenvolvimento o papel FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS 87 de holding e de espelho que a mãe exerce diante das necessidades reais que fazem a criança esperar uma resposta suficientemente boa por parte da mãe a estruturação de um verdadeiro ou de um falso self entre tantas outras concepções mais É claro que esse capítulo relativo ao funciona mento e estrutura do aparelho psíquico deixou muitos pontos em aberto que de alguma forma aparecerão embutidos em outros textos deste livro e igualmente outros aspectos importantes como os referentes às pulsões do id às funções do ego e aos mandamentos do superego foram aborda dos não mais que superficialmente porquanto eles merecerão capítulos específicos 9 10 e 11 que seguem a esse Foreman made it clear from the beginning including in his opening statement and closing argument that the Jury would have to accept the selfdefense claim and find not guilty if it believed Tom Williams story This was the defendants legal theory and it informed the instructions given to the Jury While the jury might have believed Williams they were not bound to accept his story as true At trial the jury could accept the fact that Williams was in fear for his life and thereby was justified in his actions or find that he was not in fear and reject the selfdefense claim Foreman submitted three questions to the jury They indicated Foreman understood the jurys job was to accept or reject the claim of selfdefense That is why the answer on question no 2 supports the conclusion that the jury did not believe Williams story It was given the option to answer Yes or No to the burglary charge It chose Yes This shows they did not accept that Williams was legally justified in shooting Harris because he was committing a burglary When the jury answered Yes to the burglary charge it meant it did not accept selfdefense thereby it rejected Williams story The Missouri Supreme Court condoned the omission of jury instructions explaining when selfdefense was justified despite Williams being on the property unlawfully This omission was foremans and he was responsible to include those instructions because he was the defendants counsel Therefore the failure of these instructions deprived Williams of his right to a fair trial and effective assistance of counsel Foreman did not want the jury to hear the instructions that might confuse them and allow them to find Williams not guilty by rejecting the burglary charge This omission was a strategic decision that significantly affected Williams ability to obtain a fair trial because it prevented the jury from considering his valid selfdefense theory This omission was a constitutional violation The newly discovered evidence in Forsynes affidavit supports that Foreman was incompetent The affidavit provides new facts but even without those facts the record confirms Foreman failed to provide accurate and complete instruction Therefore Williams is entitled to a new trial to give the jury full knowledge of the law so that it could fairly determine if Williams was justified On remand the jury should be instructed that a defendant acting in lawful selfdefense is entitled to an acquittal even if he was on the property unlawfully This was a constitutional violation and it requires a new trial A Formação da Personalidade São tantos e tão diversificados os fatores que estão em permanente interação e influência na for mação da personalidade que talvez fosse mais ade quado nomear este capítulo de construção da per sonalidade Isso justificase porque a evolução da psicossexualidade não se processa de uma forma linear obedecendo a uma prévia programação de natureza genética mas sim ela deve ser construída durante um longo tempo levando em conta os fa tores constitucionais inatos da criança e os que se rão adquiridos pela influência do meio ambiente exterior principalmente a influência dos pais Assim continua válida a clássica equação etiológica ou série complementar formulada por Freud 1916 pela qual ele postula que são três os fatores formadores da personalidade da crian ça 1 Os heredoconstitucionais anlage 2 As antigas experiências emocionais com os pais 3 As experiências traumáticas da realidade da vida adulta Na atualidade os autores costumam redu zir esta equação a um simples assinalamento de que há uma permanente interação entre nature fatores biológicos e nurture fatores ambientais Assim partindo de um outro vértice conceitual embora análogo ao que está mencionado acima é necessário estabelecer uma diferença entre os pro cessos de maturação e desenvolvimento A palavra maturação referese aos proces sos de crescimento que ocorrem em função das potencialidades orgânicas neurofisiológicas do recémnascido e que são relativamente independen tes do ambiente exterior O termo desenvolvimen to por sua vez alude à interação entre os proces sos de maturação e as influências ambientais que determinam as variações individuais do aparelho psíquico de cada um Os fatores da predisposição genética inata e os ambientais intimamente inter ligados de uma forma indissociável formam con forme assevera Freud uma unidade etiológica inseparável Os avanços mais significativos da psicanálise nestes seus 100 anos de existência referemse jus tamente às renovadas concepções acerca do desen volvimento psicossexual desde os tempos pionei ros de Freud com uma ênfase em uma evolução por fases até os dias atuais nos quais os autores psicanalíticos e estudiosos de outras ciências têm trazido inestimáveis contribuições para o entendi mento da formação da personalidade desde os mais primitivos passos do desenvolvimento emocional contidos na relação primária da mãe com o seu bebê FATORES HEREDOCONSTITUCIONAIS É fácil perceber que o padrão de atividade do recémnascido revela acentuadas diferen ças individuais entre os bebês o que pode ser observado é evidente quando são ir mãos Assim um mesmo estímulo exterior mal pode tirar um bebê de sua fleuma en quanto um outro bebê pode reagir de uma maneira extremamente agitada igualmente são significativamente muito variáveis as formas e a duração das mamadas o funcio namento do aparelho digestivo o ritmo do sono ou despertar a maneira de chorar etc etc A fome e a dor são as sensações corpo rais que mais freqüentemente provocam o pranto do bebê o qual se constitui em um sinal para que a mãe ocupese dele Não obstante isso os modernos estudos ge néticos rejeitam como não sendo científicas as hipóteses de que haja uma transmissão hereditária de características adquiridas de gerações anteriores como Lamark postula va e Freud tendia a acreditar assim como também descartam a noção de que para um determinado gene corresponderia uma carac terística comportamental especificamente de finida Por outro lado o mesmo rigor cientí fico dessas investigações tem demonstrado que existe de fato uma predisposição cons titucional inata porém a mesma é passível de mudanças pelas influências ambientais Dizendo com outras palavras a dimensão da potencialidade da criança não é totalmente preestabelecida geneticamente antes trata C A P Í T U L O 6 90 DAVID E ZIMERMAN se de uma dimensão potencial ou seja os potenciais da criança a serem desenvolvidos dependerão em grande parte da responsi vidade da mãe e do ambiente Alguns estudos etológicos estudo dos com portamentos espontâneos dos animais preferentemente em seu habitat natural ser vem para mostrar a influência recíproca e complementar entre os fatores genéticos e os ambientais O fenômeno do imprinting é um deles com este nome talvez a melhor tradução para o português dessas marcas que ficam impressas na mente seja a palavra moldagem em 1935 o etólogo austríaco K Lorenz por meio de estudos com aves observou que na ausência da mãe as patas nascidas em chocadeiras apegamse e ficam fixadas ao primeiro objeto móvel que encon tram e que isso se dá durante um período particularmente sensível que dura cerca de 36 horas Uma vez instalada fica irreversível Este fenômeno repetese de forma variável para cada espécie porém conserva a cons tância de que fora do período sensível o imprinting não mais acontece Penso que cabe uma especulação a de que este fenômeno do imprinting encontre uma equivalência nas primeiras sensações corpo rais que acompanham a vida intrauterina do feto em gestação Aliás não são poucos os autores psicanalistas ou não atuais ou anti gos que ao longo do tempo têm postulado teorias que expressam a convicção de que as reais condições uterinas da mãe notada mente a repercussão de seus estados emocio nais e físicos encontram uma direta reper cussão no feto Assim recentes estudos de Piontelli 1989 comprovam que é possível observar que várias características do feto persistem durante toda a gravidez e podem inclusive ser notadas na vida pósnatal Suas pesquisas demonstraram que com sete semanas e meia o feto começa a responder a estímulos vindos tanto de fora como de den tro do seu corpo ele responde com movi mentos violentos e aumenta o batimento car díaco à punção de uma agulha e à injeção intraperitonial de soluções frias Ademais a autora aventa a possibilidade de podermos detectar já no útero algumas indicações pre maturas do futuro temperamento da criança Bion 1992 mesmo sem contar com os so fisticados recursos da moderna tecnologia vinha insistindo principalmente na década de 70 na sua conjetura especulativa quanto à existência de uma intensa vida psíquica fetal e indo mais longe ele a estendia à in fluência quanto à impressão eu me pergun to não será imprinting já nas células em brionárias dos fatores uterinos através de uma ressonância das flutuações dos estados físicos e emocionais da mãe Bion afirmava repetida e enfaticamente que essas primiti vas sensações corporais e de certa forma experiências emocionais ficavam impressas e representadas no incipiente psiquismo do feto com ulteriores manifestações no adul to sob a forma de enigmáticas e protéicas psicossomatizações É evidente que devem ser incluídos alguns fatores de natureza orgânica como são al guns possíveis defeitos genéticos do feto eventuais estados de intoxicação da mãe medicamentosa tabagista etc que pene tram no organismo do bebê em gestação assim como também devemos considerar os possíveis problemas decorrentes de partos complicados etc O bebê nasce num estado de neotenia isto é nasce prematuramente no sentido de que apresenta em relação a qualquer espécie do reino animal uma prolongada deficiência de maturação neurológica motora que o deixa em um estado de absoluta dependência e desamparo Em contraste com a lentidão da maturação motora o desenvolvimento dos órgãos dos sentidos na criança é relativamen te precoce e rápido ela começa a sentir ca lor e frio desde o nascimento a ouvir a par tir das primeiras semanas a olhar por volta do primeiro mês e assim por diante Dentre os fatores constitucionais também é útil incluir a noção de organizadores tal como ela foi postulada por R Spitz 1965 Este autor tomou este termo emprestado da embriologia na qual o termo organizador designa o fato de que um determinado gru po de células diferenciase de outras seme lhantes no sentido de que elas são portado FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS 91 ras de uma informação genética que induzi rá a um desenvolvimento específico o que ocorre a partir de um certo momento da evo lução O exemplo clássico disto consiste no transplante de células epidérmicas que a partir de uma certa idade darão origem às células diferenciadas do olho Utilizando tal modelo Spitz postulou a teoria de que o de senvolvimento da criança passa por três organizadores pontos nodais de transfor mações que são o sorriso espontâneo por volta do terceiro mês a angústia do oitavo mês e a capacidade para dizer não em tor no do segundo ano Igualmente se impõe o registro dos estudos de Piaget epistemólogo suíço que estudou aprofundadamente o fato de que a evolução das capacidades sensoriais motoras e inte lectuais de uma criança podem variar no rit mo e qualidade porém inevitavelmente obe decem a uma prédeterminada seqüência neurofisiológica O desenvolvimento atual da neurociência está comprovando que os fatores orgânicos relativos às sinapses neuronais e hemisférios cerebrais exercem uma clara e definida in fluência no psiquismo tal como pode ser observado com alguns evidentes resultados positivos com o uso adequado de neuro lépticos ou antidepressivos da moderna psicofarmacologia Da mesma forma algu mas pesquisas recentes sobre os hemisférios cerebrais comprovam que algumas pessoas têm uma tendência inata para o talento ver bal enquanto outras podem ter falta dessa capacidade e serem aptos em habilidades manuais criatividade artística ou são mais propensos para descargas afetivas etc Pen so que podemos incluir uma especial capa cidade inata da criança que é aquela que con siste em uma intuitiva condição de ler as modulações afetivas expressadas na face e na voz da mãe Conquanto Freud tenha postulado um esta do inicial de autoerotismo seguido de um narcisismo primário muitas vezes essas duas concepções superpõemse nos seus es critos nos quais não haveria nenhuma rela ção objetal é virtualmente consensual entre os atuais autores das mais distintas corren tes psicanalíticas que desde o nascimento ou antes segundo Bion já existe sim uma re lação objetal com a mãe embora em bases muito primitivas Logo já existe um inato esboço de ego diferentemente do que Freud afirmava isto é de que o ego emergiria do id o qual no início da vida reinaria sozi nho Igualmente muitos autores muito particu larmente os kleinianos advogam a teoria de que já no recémnato existe a presença e funcionamento de arcaicas fantasias incons cientes por conseguinte também a existên cia de fortes angústias de aniquilamento com as respectivas defesas primitivas do ego incipiente para contraarrestar as aludidas angústias Outras escolas de psicanálise como a dos norteamericanos da psicologia do ego e a da psicologia do self discordam destas teorias O que ninguém discorda é o fato de que o bebê está à mercê de estímulos de toda or dem físicos e psíquicos sensoriais e cines tésicos prazerosos e desprazerosos sendo que ele não tem condições neurofisiológicas e muito menos egóicas para distinguir se es sas sensações corporais provêm de dentro ou fora dele se deste ou daquele órgão As sim a criança nesse transitório estado de caos não consegue descarregar para o mun do externo através da motricidade e da ação este aumento de tensão que acontece no seu mundo interno Ela o faz por meio da lin guagem corporal primitiva choro ricto do loroso diarréia vômito esperneio etc de modo a mobilizar as pessoas que estão à sua volta para cumprirem essa função de aliviar e processar as necessidades e o estado de tensão insuportável Neste ponto começa mais explicitamente a im portância dos fatores ambientais muito particular mente a das funções atribuídas aos pais A exposi ção que se segue naturalmente muito sumária obe decerá à ordem cronológica de como estes fatores do desenvolvimento da personalidade apareceram na literatura psicanalítica desde as originais con cepções de Freud e Abraham acerca das etapas evolutivas passando pela teoria das posições tal como foram concebidas por M Klein e por fim vamos deternos algo mais demoradamente nas 92 DAVID E ZIMERMAN mais recentes contribuições a respeito do desen volvimento emocional primitivo AS FASES DO DESENVOLVIMENTO Inicialmente é útil esclarecer que o termo fase aparece em outros textos de distintos autores com outras denominções como etapa estádio es tágio período etc Durante muitas décadas da evolução da psicanálise essa concepção de fases foi a única vigente e o seu emprego extrapolou o campo restrito da psicanálise absorvida que foi pelos diversos setores culturais onde ainda per manece com a conceituação original De há muito tempo é sabido que as etapas evolutivas na formação da personalidade da crian ça não são estanques e nem de uma progressão ab solutamente linear antes elas se transformam superpõem e interagem permanentemente entre si O importante principalmente para a prática clíni ca é que os diferentes momentos evolutivos dei xam impressos no psiquismo aquilo que Freud de nominou de pontos de fixação em direção aos quais eventualmente qualquer sujeito pode fazer um movimento de regressão Os pontos de fixação formariamse a partir de uma exagerada gratificação ou frustração de uma determinada zona erógena No primeiro caso o sujeito diante de angústias insuportáveis tenta regredir para um tempo e um espaço que lhe foi tão protetor e gratificante no caso de uma ex cessiva frustração que foi a determinante do ponto de fixação a regressão dáse muitas vezes sabe mos hoje como uma tentativa de resgatar alguns buracos negros existenciais Assim é bem conhecido o fato de que todos os afetos primitivos sofrem sucessivas transforma ções psíquicas que ficam presentes ou represen tados no inconsciente constituindo pontos de fi xação os quais funcionam como um pólo imanta do e tal como faz um eletroímã atraem para si a representação de novas repressões de fantasias e de experiências emocionais Fase Oral De todas as fontes de energia vital da criança procedem sensações tanto desprazerosas que exi gem uma descarga imediata e que encontram um alívio e bemestar com a satisfação das necessida des básicas por parte da mãe como também sensa ções agradáveis como resultado dessa gratificação materna Para Freud a teoria da libido era originariamen te um conceito anatômico Os órgãos produtores de libido eram denominados zonas erógenas como os lábios a boca a pele o movimento mus cular a mucosa anal o pênis e o clitóris sendo que em cada idade específica predomina a hegemonia de uma determinada zona erógena A primeira etapa da organização da libido foi denominada como a fase oral sendo que a boca vem do latim osoris daí oral constituise como a zona erógena que primacialmente experi menta a libido oral e suas gratificações como é no ato da amamentação A finalidade da libido oral além da gratificação pulsional também visa à in corporação a qual por sua vez está a serviço da identificação Deve ficar bem claro no entanto que a boca não é o único órgão importante dessa fase evolutiva mas sim que ela se constitui um modelo de incor poração e de expulsão ou seja como um protótipo de funcionamento arcaico que intermedeia o mun do interno com o mundo externo Assim também devem ser consideradas nessa fase oral outras zo nas corporais que cumprem a mesma função como o complexo sistema aerodigestivo sobretudo todo o trato gastrintestinal os órgãos da fonação e da linguagem as sensações cinestésicas alude ao equilíbrio corporal enteroceptivas as que pro vêm de órgãos internos e as proprioceptivas de rivam das camadas mais profundas da pele a pele que além das aludidas sensações profundas tam bém propicia as funções de tato e a de uma essen cial aproximação pelepele com a mãe todos os órgãos sensoriais como olfato paladar tato au dição e visão Em outra parte deste capítulo será melhor explicitada a importante função que o olhar desempenha na estruturação da personalidade da criança Também é útil destacar que pelo fato de o bebê não ter condições de distinguir a origem dos dife rentes estímulos ele também não conseguirá dife renciar o conteúdo dos mesmos resultando daí que tudo aquilo que ele vier a tocar tem o mesmo signi ficado que o alimento logo da mesma forma ele também quer incorporar Igualmente falar e ser falado representa em etapas muito primitivas o mesmo que tocar e ser tocado e assim por dian te de tal sorte que cabe dizer que o processo pri mário da fantasia do bebê de que ele domina o mundo externo repete em certa medida o proces so de incorporação FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS 93 A fase oral do desenvolvimento de um modo geral alude ao primeiro ano de vida Abraham 1924 trouxe uma importante contribuição à com preensão dessa fase evolutiva ao distinguir duas subetapas dentro da fase oral a fase oral passivo receptiva dura até que o bebê tenha condições de agarrar espontaneamente os objetos e a fase oral ativoincorporativa A importância desta última reside no fato de que Abraham intuiu o conceito de que essa incorporação ativa possa estar carregada de pulsões agressivas e hostis geralmente dirigidas à mãe É útil acrescentar que ao longo da obra de Freud aparecem postulações fundamentais hoje clássicas e que acontecem no curso da fase oral como são uma especial valorização do corpo o ego antes de tudo é corporal a identificação primária com a mãe a concepção de uma bissexualidade como uma qualidade primordial da herança biológica a vigência do princípio do prazerdesprazer o pre domínio do processo primário do pensamento a primitiva formação das representaçõescoisa as incipientes formas de linguagem e comunicação dentre outros conceitos mais Fase Anal Da mesma maneira como foi referido em rela ção ao fato de que a fase oral não se refere ex clusivamente à importância da boca também a ex pressão fase anal não alude unicamente à libidi nização das mucosas excretórias encarregadas da evacuação e micção com as respectivas fantasias agressão contra os pais ou uma forma de presen teálos controle onipotente gratificação vergo nha culpa humilhação ou uma crescente auto estima sensação de que é uma obra sua valor simbólico das fezes e urina etc que sempre as acompanham Geralmente esta etapa é considerada como aque la em que as transformações vão ocorrendo no cur so do segundo e terceiro anos sendo que outras im portantes funções devem ficar incluídas nesta fase como são as de aquisição da linguagem engatinhar e andar curiosidade e exploração do mundo exte rior progressivo aprendizado do controle esfincte riano controle da motricidade e prazer com a ati vidade muscular ensaios de individuação e sepa ração por exemplo comer sozinho sem a ajuda de outros o desenvolvimento da linguagem e comu nicação verbal com a simbolização da palavra os brinquedos e brincadeiras a aquisição da condi ção de dizer não etc Assim também o controle esfincteriano deve sobretudo ser considerado como um modelo de como processase o controle motor em geral as sensações de domínio ou de sujeição o prazer na expulsão ou retenção a intermediação entre aqui lo que é uma produção e uma posse do bebê em confronto com as exigências do mundo exterior as implicações emocionais nos atos de receber reter eliminar tomar e dar etc Destarte o valor da matéria fecal acima mencio nada adquire a significação de uma troca entre a criança e o mundo exterior o que se constitui como um protótipo das equivalências descritas por Freud entre as fezes e o dinheiro presentes filhos Abraham descreveu duas subetapas fase anal expulsiva e fase anal retentiva Na primeira a criança tanto pode proporcionar um prazer ao mes mo tempo autoerótico e de um presente para os pais quanto também pode representar uma mani festação sádicoanal A fase retentiva decorre do fato de que a criança aos poucos descobre que a mucosa anal pode ser prazerosamente estimulada não unicamente pela expulsão mas também pela retenção das fezes Muitos autores pensam que este ponto de fixação constitui um importante elemen to do prazer autoerótico masoquista para a crian ça e também como uma forma de controlar e mani pular as pessoas que cuidam dela por meio da re tenção das próprias fezes Em resumo é na fase anal que a criança desen volve sentimentos sádicos e masoquistas a ambi valência as noções de poder e de propriedade privada a rivalidade e competição com os demais bem como o surgimento das dicotomias tipo grande x pequeno bonito x feio dentro x fora ati vo x passivo bom x mau masculino x feminino etc etc Baseados nessas características da fase anal com os seus respectivos pontos de fixação e de re gressão muitos autores descreveram importantes textos quanto à formação de um caráter anal como é o caso de uma caracterologia de molde obsessi vocompulsiva além de uma melhor compreensão de várias síndromes psiquiátricas Fase Fálica A fase fálica a terceira etapa prégenital do desenvolvimento psicossexual também é descri ta na literatura psicanalítica mais recente com a denominação de fase edípica A expressão fá lica originase no conceito original de Freud de que até certa idade as crianças de ambos sexos su 94 DAVID E ZIMERMAN põem a existência de genitais masculinos em todas as pessoas sendo o falo na antigüidade grecoro mana a representação simbólica do poder concen trada no órgão anatômico pênis enquanto a ex pressão edípica alude ao fato de que os desejos erógenos nos meninos e nas meninas ficam incre mentados com fantasias as mais diversas e nor malmente elas dirigemse aos pais do sexo oposto no triângulo edípico De forma muito sumarizada cabe registrar os se guintes acontecimentos que se manifestam nesta fase Masturbação Na fase fálica o prazer organizase predomi nantemente pela excitação das mucosas genitais do pênis nos meninos e mais indiretamente do clitóris nas meninas podendo este ser vivido como sendo um pênis pequeno Como uma continuidade da fase evolutiva anterior este prazer masturbatório fica bastante associado ao prazer uretral no ato de uri nar e à retenção vesical Sempre houve uma grande dúvida entre os au tores quanto ao fato de se as meninas teriam ou não um conhecimento nessa fase da existência da vagina Freud acreditava que não enquanto mui tos outros psicanalistas como K Horney E Jones M Klein e tantos outros contemporâneos afirmam que a vagina intervém precocemente na sexualida de da menina que dela possuiria um conhecimen to intuitivo Cabe registrar que não raramente a mãe du rante a higiene da genitália da criança pode estar estabelecendo com ela um conluio masturbatório Curiosidade Sexual Uma observação atenta da natural curiosidade das crianças nesta fase do desenvolvimento que se manifesta pelos constantes por quês permitirá verificar que a maioria delas se refere às origens das diferenças entre pares opostos como masculi nofeminino seiopênis grandepequeno etc e que a constatação progressiva dessas diferenças provoca um acréscimo de angústia que encontra alívio numa explicação adequada por parte do edu cador caso contrário obrigará a criança a cons truir as mais estapafúrdias teorias Essas teorias são tecidas principalmente em tor no dos seguintes aspectos a diferença anatômica dos sexos o enigma do nascimento e por conse guinte tudo que cerca as fantasias de concepção como são as subseqüentes teorias da sedução da cena primária do incesto e do complexo de castração Cena Primária Tanto por uma intuição como por estímulos externos barulhos noturnos insinuações dos pais ou cenas que vê na televisão a criança imagina o que se passa no quarto fechado dos pais fica mui to excitada e usa o recurso das repressões Por ve zes estas últimas não são suficientes e a criança aumenta o seu mundo de imaginação que fica gi rando em torno das anteriores fantasias préedípicas entredevoramento coito sádico fusão paradisíaca amputações coito e parto anal etc A criança é levada a tomar imaginariamente e de forma alternada o lugar dos protagonistas da cena com as diversas fantasias correlatas ineren tes ao complexo de Édipo Quando os pais per mitem ou até induzem a uma participação concre ta dela na cena primária estarão provavelmente produzindo um futuro perverso Complexo de Édipo Esta expressão designa o conjunto de desejos amorosos e hostis que a criança experimenta com relação aos seus pais Freud situouo por volta dos três anos e M Klein postulou o seu surgimento aproximadamente aos seis ou oito meses de idade Porém com essa concepção ela desfigurou bastan te a conceituação original de Freud acerca de Édipo Para Freud o complexo de Édipo comporta duas formas uma positiva que genericamente consiste num desejo sexual pelo genitor do sexo oposto bem como de um desejo de morte pelo do mesmo sexo e uma forma negativa na qual há um desejo amo roso pelo genitor do mesmo sexo e um ciúme ou desejo de desaparecimento do outro Na clínica o mais freqüente é que ambas formas coexistam nos indivíduos embora uma delas predomine nitida mente O complexo edípico sempre foi considerado como o núcleo central na estruturação de toda e qualquer neurose sendo que na atualidade essa concepção tem sido contestada por alguns autores que acreditam que nos pacientes bastante regressi vos não é a má resolução propriamente edípica a responsável maior pela neurose mas sim que ela é apenas o reflexo das complicações das fases an teriores particularmente das fixações narcisistas FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS 95 Predomina entre os psicanalistas a consen sualidade de que o complexo de Édipo representa ter um papel organizador essencial para a organi zação da personalidade no mínimo por quatro ra zões fundamentais 1 Ele abre caminho para a triangulação ou seja permite a inclusão de um terceiro pai que ao interporse na díade mãefilho pos sibilitará à criança o indispensável proces so de renunciar à possessividade onipoten te e aceitar as diferenças de sexo geração e potência em comparação com os pais assim como também reconhecer que es tes são relativamente autônomos e têm os seus próprios espaços 2 A segunda razão da importância da resolu ção edípica é porque ela determina a for mação das identificações aspecto absolu tamente essencial na formação da persona lidade e do sentimento de identidade 3 A exclusão da criança da cena primária pode gerar uma série de sentimentos de forte intensidade com a predominância de uma sensação de abandono e traição e por conseguinte uma avalanche de ódio e pla nos de vingança contra os pais Tais senti mentos serão acompanhados por outros como medo culpa excesso de identifica ções projetivas incremento de ansiedades paranóides especialmente aquelas que es tão contidas na angústia de castração A presença desta última sob diversas for mas de manifestação representa um impor tantíssimo elemento na prática clínica da psicanálise 4 É unicamente por meio de uma exitosa re solução da conflitiva edípica que se torna possível o ingresso em uma genitalidade adulta caso contrário as fixações parciais nas fases préedípicas ou uma má resolu ção do complexo de Édipo resultarão em distintas formas de pseudogenitalidade ver capítulo 37 Período de Latência Depois dos seis anos de idade a criança entra no período de latência que apresenta duas carac terísticas principais a primeira é que vai acontecer uma repressão da sexualidade infantil com uma amnésia relativa às experiências anteriores e a se gunda característica consiste no fato de que se es trutura um reforço das aquisições do ego A com binação de ambas propicia a sublimação das pul sões comumente na escolarização e em atividades esportivas assim como também na formação de aspirações morais estéticas e sociais de modo tal que este período é comumente considerado como sendo aquele que consolida a formação do caráter Puberdade e Adolescência O termo puberdade deriva de púbis mais especificamente alude aos pêlos pubianos que começam a aparecer no menino ou na menina Basta este fato para mostrar que esse período de préado lescência indica que é uma etapa do desenvolvi mento no qual começa a maturação fisiológica do aparelho sexual O termo adolescência por sua vez etimologi camente é composto pelos prefixos latinos ad para a frente dolescere crescer com dores o que dá uma idéia de que se trata de um período de transformações portanto de crise As princi pais transformações além daquelas na anatomia e fisiologia corporal também são de natureza psico lógica muito especialmente o da busca de uma identidade individual grupal e social De modo geral considerase que a adolescên cia abrange três níveis de maturação e desenvolvi mento a puberdade ou préadolescência no pe ríodo dos 12 aos 14 anos a adolescência propria mente dita dos 15 aos 17 e a adolescência tardia dos 18 aos 21 Cada uma dessas etapas apresentam caracterís ticas próprias e específicas que mereceriam uma descrição pormenorizada mas não cabe fazêlas no contexto do presente capítulo AS POSIÇÕES Até M Klein a concepção freudiana de fases evolutivas guardava uma hegemonia total entre todos os psicanalistas A partir dos estudos dessa autora houve uma significativa mudança na forma de entender os movimentos evolutivos do psi quismo infantil embora a conceituação de fases continue vigente e perfeitamente válida em muitos aspectos teóricos e clínicos O termo posição tal como foi proposto por M Klein designa um ponto de vista uma forma 96 DAVID E ZIMERMAN de o indivíduo visualisar a si mesmo aos outros e ao mundo que o cerca Esse vértice de observação instituise a partir de uma constelação de ansieda des relações objetais defesas e afetos e determi na uma forma de o sujeito ser e de comportarse na vida M Klein descreveu dois tipos de posição a esquizoparanóide PEP em 1946 e a depressiva PD em 1934 embora a certa altura de seus estu dos ela tenha descrito uma terceira modalidade a posição maníaca à qual não mais retornou A PEP em condições normais estendese até o terceiro mês de vida e consiste em um indispensável uso de de fesas muito primitivas por parte do incipiente ego do bebê notadamente as dissociações e as pro jeções como uma forma de ele livrarse das terrí veis ansiedades de aniquilamento que segundo Klein são resultantes das pulsões sádicodestruti vas diretamente ligadas à inata inveja primária ou seja à pulsão de morte Muito particularmen te deve ser destacada a utilização durante a PEP daquilo que ela veio a denominar identificações projetivas conceito altamente importante e que hoje é aceito por todas correntes psicanalíticas A PD por sua vez sucedendo à PEP vem a organizarse por volta do sexto mês e designa um estado que vai possibilitar que a criancinha come ce a discriminar reconhecer e integrar os aspectos clivados dessa mãe agora como um objeto total A consolidação da PD implica na condição de que a criança tanto assuma o seu quinhão de culpas e de responsabilidades como também que ela possa exercitar as suas capacidades reparatórias pelos danos que na realidade ou na fantasia infligiu aos seus objetos necessitados Bion propôs um modelo segundo o qual as PEP e PD não são estanques e de evolução linear e seqüencial pelo contrário elas estão sempre pre sentes ao longo de toda a vida e sempre em uma interação recíproca A abordagem evolutiva da criança desde esta concepção de posições trou xe uma enorme amplificação dos conhecimentos teóricos e portanto da prática psicanalítica Acompanhando muitos autores que postulam a existência de uma condição mental do bebê ante rior à da PEP mais exatamente a de uma total indiferenciação entre o bebê e a mãe tendo em vista que a PEP tal como ela é formulada pressupõe al gum grau de diferenciação entre eu e nãoeu atrevime a propor a possibilidade de considerar se a existência de uma posição narcisista que reúne características muito peculiares e que será abordada no capítulo 13 deste livro DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL PRIMITIVO Freud não só descreveu a evolução psicossexual em termos de fases em termos das pulsões liga das à sexualidade como também priorizou um enfoque falocêntrico e por conseguinte com uma atribuição de valorização muito maior à figura do pai Assim sempre que a mãe aparece nos seus tex tos tal como podese observar em alguns de seus historiais clínicos parece que a importância do papel dela fica reduzido ao de ser uma subsidiária da hegemonia do pai da criança Em contrapartida M Klein deu à psicanálise uma concepção seiocêntrica tal foi a sua ênfase na importância das primitivas relações do bebê com a mãe mais precisamente com o objeto parcial seio que fica dividido na mente primitiva da criança naquilo que a autora denominava como seio bom e seio mau Klein fundamentou essa concepção a partir do que ela observou em análi ses com crianças de pouca idade partindo do pres suposto que essa dissociação do seio nutridor ma terno era devido à ação da pulsão de morte sob a forma de uma inveja primária que atacava esse seio com as conseqüentes ansiedades culpas e necessi dade de fazer reparações Sem dúvida são conceitos muito úteis e que ajudaram a abrir as portas da análise para pacien tes de estruturação psicótica No entanto embora nos primeiros tempos Klein tivesse valorizado a mãe real externa gradativamente possivelmente empolgada com a aceitação das suas originais con cepções ela foi concentrando o seu interesse qua se que exclusivamente nas fantasias inconscientes da criança virtualmente sempre de caráter sádico destrutivo sendo que a figura da mãe real ficou praticamente esquecida enquanto toda ênfase re caía sobre a mãe que estava introjetada distorcida pelas aludidas fantasias do bebê Embora muitos kleinianos continuem aceitan do e praticando com tais postulações originais tam bém se formou um grande contingente de psicana listas que formulara severas críticas a elas com os argumentos entre tantos outros de que Klein não tinha a menor possibilidade de comprovar suas afir mações com algum rigor científico e que além dis so ela parecia reduzir o bebê a um ente que esti vesse sempre num terrível estado de sofrimento e com um estado mental idêntico ao de um adulto psicótico Mais precisamente a partir da década de 50 muitos autores alguns de origem kleiniana como Winnicott e Bion outros com formação distinta como Lacan M Mahler Kohut unicamente para UNIVERSIDADE NILTON LINS CURSO PSICOLOGIA DISCIPLINA FUNDAMENTOS EM PSICANÁLISE I ALUNO A XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX MATRÍCULA CAPÍTULO 5 A ESTRUTURA E O FUNCIONAMENTO DO PSIQUISMO ZIMERMAN David E Fundamentos Psicanalíticos teoria técnica e clínica uma abordagem didática Porto Alegre Artmed 2007 p 7787 Página Citação 05 DHDHDHDHDHDHHDHDHDHDHDHDHDHDDH 05 KDKDKKDKDDDAJDASDJADKJAKDJKDKDKSKDSJDJASDKDKJKDS 08 SJSJSJSJJSJ COMENTÁRIO UNIVERSIDADE NILTON LINS CURSO PSICOLOGIA DISCIPLINA FUNDAMENTOS EM PSICANÁLISE I ALUNO A MATRÍCULA CAPÍTULO 5 A ESTRUTURA E O FUNCIONAMENTO DO PSIQUISMO ZIMERMAN David E Fundamentos Psicanalíticos teoria técnica e clínica uma abordagem didática Porto Alegre Artmed 2007 p 7787 Página Citação 77 O termo princípio é bastante utilizado nas ciências em geral e designa um ponto de partida para a construção de um sistema ideativocognitivo que mantenha uma certa lógica 78 Segundo Freud 1915 a pulsão é conceituada como sendo o representante psíquico dos estímulos somáticos 78 O princípio do prazer alude essencialmente ao significado de que a catéxis pulsional demanda uma gratificação imediata sem minimamente levar em conta a realidade exterior 78 o princípio da constância visa à obtenção da menor tensão psíquica possível tanto por intermédio do recurso da evitação e afastamento da fonte de estímulos desprazerosos 79 A maioria dos autores posteriores a Freud não encontra vantagem alguma em manterse a divisão entre narcisismo primário e secundário 80 Baseado na prática clínica podese afirmar que o sadismo e o masoquismo coexistem simultaneamente tanto intra como intersubjetivamente 80 Isso que acontece com os sonhos de forma análoga ocorre com a formação de sintomas e todos os fenômenos da psicopatologia 80 Freud postulava que o inconsciente é constituído por uma energia psíquica proveniente das pulsões as quais operando conjuntamente com as representações que se formam no ego caracterizam esses dois tipos de processamento psíquico 82 Freud empregou a palavra aparelho para caracterizar uma organização psíquica dividida em sistemas ou instâncias psíquicas com funções específicas para cada uma delas que estão interligadas entre si 82 o préconsciente também funciona como um pequeno arquivo dos registros de modo que a ele cabe sediar a fundamental função de conter as representaçõespalavra 83 Além disso o inconsciente também consiste num depósito de repressões secundárias as quais chegaram a emergir sob forma disfarçada no consciente como nos sonhos ou sintomas e voltam a ser reprimidas para o Inconsciente 84 No entanto a psicanálise atual fica muito enriquecida com uma sutil porém necessária diferença entre os conceitos específicos que cada um desses termos comporta COMENTÁRIO O capítulo 5 intitulado A Estrutura e o Funcionamento do Psiquismo do livro Fundamentos Psicanalíticos teoria técnica e clínica uma abordagem didática trouxe um estudo abrangente em relação aos princípios básicos da psicanalise freudiana destacando seus prontos principais Segundo Zimerman Freud estruturou o psiquismo com base em uma série de concepções como Pulsões fonte Princípio do Prazer Princípio da Realidade Princípio da Constância dentre outros Por isso a terminologia princípio vem sendo utilizada como uma questão essencial para a ciência visto que é uma representação de como o conhecimento é construído Além disso ao trazer esse conceito o autor ainda enfatiza o modo como as premissas desse conhecimento são formuladas com base em hipóteses modelos explicativos e leis A pulsão conforme apresentada no capítulo é compreendida como uma energia que surge do corpo humano sendo estendida ao psiquismo além de ter influência frente aos desejos e comportamentos dos indivíduos como seus sentimentos e conflitos internos Assim a palavra pulsão é fundamental para se entender de modo claro as diversas dinâmicas existentes no inconsciente e seus mecanismos de repressão Zimerman trouxe o princípio do prazer descrito na psicanalise freudiana como uma tendência que surge de modo natural através do psiquismo isso ocorre principalmente em decorrência de uma busca por gratificação que causa uma redução referente a tensão que é criada por meio da pulsão Ou seja a mente passa por um estágio inicial de desenvolvimento não considerando as restrições que surgem externamente ou suas respectivas consequências Como apresentado no capítulo o princípio da constância se conecta com o princípio do prazer além de ir adiante tendo em vista que não foca somente nisso Ao observar o exposto no capítulo em relação a tal princípio é possível observar como muitos mecanismos se desempenham como defesa do ego operando através de sistemas de redução dos impactos que surgem principalmente de conflitos internos e externos Sabendo isso é visto que a mente humana passa a criar estratégias que vão em busca de modos de lidar com as tensões evitando que os sujeitos enfrentem sofrimentos extremos isso contribui para uma regulação das experiências emocionais O narcisismo primário e secundário foi estudado por Freud principalmente para explicar estágios relacionados a um investimento libidinal Para ele o narcisismo primário é referente a um estado que se inicia em toda libido segundo ele isso é voltado para o próprio eu dos indivíduos Enquanto que o dito narcisismo secundário é um estágio que ocorre como um fator que liga a libido a uma espécie de objetivação externa do mundo ao redor do eu O capítulo ainda abordou o sadismo e masoquismo como expressões que coexistem em graus e modos diversos partindo da subjetividade dos indivíduos e suas relações interpessoais Para Freud existe uma dinâmica entre sofrimento e prazer que se relaciona diretamente isso é apontado através de tais manifestações É possível destacar ainda que o sadismo e o masoquismo possuem uma complexidade que reforça a psique humana trazendo fluidez as relações humanas Os sonhos e os sintomas neuróticos são expressões do inconsciente conforme destaca Freud É visto ainda que os sonhos são caracterizados como respostas a manifestações dos desejos reprimidos dos humanos enquanto que os sintomas psicológicos surgem como uma maneira de se reforçar as forças psíquicas existentes dentro desses conflitos Tal afirmação trazida por Zimerman com base no estudo de Freud sugere ainda que os sintomas não podem ser considerados distúrbios isolados mas sim manifestações do inconsciente humano As pulsões conforme explicadas por Freud funcionam em diversos modos e níveis elas influenciam ainda no comportamento dos sujeitos seguindo as diversas experiências internas vivencias por eles Sendo assim elas são relacionadas a agressividade sexualidade e autopreservação A expressão aparelho psíquico surge para Freud como uma maneira de se referir a estrutura das organizações compostas principalmente por instâncias cada uma possui suas respectivas funções Elas são ligadas de modo interdependente agindo de modo dinâmico na criação das expressões e processos pessoais Quando o ego id e super ego interagem entre si pode surgir conflitos que devem ser resolvidos antes de tornarem outros fatores psicopatológicos O préconsciente tem um papel de suma importância dentro da regulação das funções da psique humana isso porque possibilita que os conteúdos possam surgir com base na consciência sem causar sobrecarga mental e emocional imediata o que de certo modo vem preservando o equilíbrio psíquico Essa possibilidade de filtrar e guardar conteúdo na memória garante que os sujeitos lidem de modo mais eficiente e ativamente quando necessário A afirmação relacionada ao inconsciente ser um depósito de repressões esse conceito é relacionado a uma expressão que se direciona como um mecanismo de repressão e dinâmica presente entre o consciente e o inconsciente Essa repressão é um mecanismo psíquico de defesa que impede que os conteúdos perturbadores ou dolorosos venham a se tornar conscientes Como exposto por Zimerman quando esses conteúdos passam a emergir tendo em vista que são constantemente reprimidos eles voltam novamente a serem reprimidos retornando ao seu estado novamente Esse fato portando pode gerar grande tensão psíquica e o desenvolvimento de distúrbios ou sintomas Os processos de repressão possuem relação com os sonhos trazendo um reflexo de como isso é formado por complexidade para Freud o inconsciente não é apenas um repositório passivo mas um campo ativo de lutas entre conteúdos desejantes e a censura imposta pelo ego CAPÍTULO 6 A Formação da Personalidade ZIMERMAN David E Fundamentos Psicanalíticos teoria técnica e clínica uma abordagem didática Porto Alegre Artmed 2007 p8996 Página Citação 89 A palavra maturação referese aos processos de crescimento que ocorrem em função das potencialidades orgânicas neurofisiológicas do recém nascido e que são relativamente independentes do ambiente exterior 92 De há muito tempo é sabido que as etapas evolutivas na formação da personalidade da criança não são estanques e nem de uma progressão absolutamente linear antes elas se transformam superpõem e interagem permanentemente entre si 92 Os pontos de fixação formaramse a partir de uma exagerada gratificação ou frustração de uma determinada zona erógena 93 De todas as fontes de energia vital da criança procedem sensações tanto de prazerosas que exigem uma descarga imediata e que encontram um alívio e bemestar com a satisfação das necessidades básicas por parte da mãe 95 O termo puberdade deriva de púbis mais especificamente alude aos pelos pubianos que começam a aparecer no menino ou na menina 96 Freud não só descreveu a evolução psicossexual em termos de fases em termos das pulsões ligadas à sexualidade como também priorizou um enfoque falocêntrico e por conseguinte com uma atribuição de valorização muito maior à figura do pai COMENTÁRIO Com base no exposto pelo autor é possível compreender que a maturação quando ligada ao desenvolvimento de crianças é um processo que surge através do qual o organismo atinge sua capacidade funcional máxima Esse processo ocorre conforme o cérebro se desenvolve possibilitando que a criança passe pela fase de dependência para a capacidade de interagir no ambiente ganhando autonomia Para Freud as experiências adquiridas e o ambiente possuem um papel fundamental para o desenvolvimento infantil O desenvolvimento da personalidade é um fator de complexidade geralmente marcado por transformações que ocorrem em diversos níveis e períodos que podem trazer diversos aspectos para ela seja em fatores emocionais psíquicos ou sociais Em momentos divergentes uma criança pode trazer à tona diversas características ou comportamentos de estágios anteriores enquanto ao mesmo tempo já começa a manifestar sinais de estágios mais avançados Além disso é visto que essas etapas ocorrem de maneira diferente para cada criança A fixação conforme apresentada por Freud reflete a personalidade humana e como ela vem a se desenvolver por meio de diferentes estágios psicoxesuais e se concentra em diversas zonas em cada etapa da vida humana Quando ocorre um comportamento repetitivo em excesso em determinada área erógena ocorre portando a fixação ela pode se prender a essa fixação trazendo traços para a sua vida adulta Para Freud as sensações prazerosas e de desconforto estão ligadas as experiências que adquirimos ao longo da vida desde os primórdios da existência As crianças ao nascer passam a estar em uma fase de vulnerabilidade necessitando de auxílio em todas as suas necessidades e essas devem ser atendidas de modo eficiente Para a psique esse processo é um modo inicial da fase emocional trazendo reflexos no alivio ou dor e como são obtidos por meio de uma interação com o ambiente na qual a criança está inserida em especial quando se trata da mãe As diversas mudanças que ocorrem no corpo durante a fase da adolescência podem ser associadas de modo direto as transformações dentro do emocional e psique humana o corpo se prepara para a capacidade de gerar nova vida além de estar associada ao desenvolvimento hormonal Como dito pelo autor a puberdade é uma fase primordial no desenvolvimento da identidade e da sexualidade A falocêntrica e a preferência pelo pai conforme exposto no capítulo são resultados da perspectiva de gênero que tem sido discutida por diversos estudiosos em especial devido a considerar de modo inadequado as experiências femininas que são adquiridas ao longo dos anos além da sua relação com a família Com base nos estudos de Freud essa fase representa de modo fundamental o entendimento direcionado a psique humana e a participação de suas experiências familiares na formação de sua personalidade

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A Estrutura e o Funcionamento do Psiquismo O simples título deste capítulo dá uma idéia da enorme abrangência conceitual que ele permitiria virtualmente toda a psicanálise caso a preten são fosse a de uma completude o que praticamen te demandaria um livro especial Destarte o pro pósito do presente texto é eminentemente de natu reza pedagógica tentando estabelecer uma sínte se quase que à moda de um glossário a fim de situar aquele leitor que ainda não esteja completa mente familiarizado com as essenciais concepções genéticodinâmicas que fundamentam a metapsico logia teoria técnica e prática da psicanálise Por esta razão a maioria dos conceitos deste capítulo aparece repetida em diversos outros capítulos PRINCÍPIOS BÁSICOS DE FREUD O termo princípio é bastante utilizado nas ciên cias em geral e designa um ponto de partida para a construção de um sistema ideativocognitivo que mantenha uma certa lógica Podese depreender a existência de vários e distintos princípios que este jam agindo simultaneamente e interagindo entre si embora cada um deles mantenha uma autonomia conceitual com regras e leis específicas No campo da psicologia e da psicopatologia rastreando histo ricamente as então revolucionárias concepções de Freud podemos enumerar os seguintes princípios do psiquismo Existência das Pulsões A palavra pulsão empregada por Freud com o termo original alemão trieb alude a necessidades biológicas com representações psicológicas que urgem em ser descarregadas sendo que é necessá rio distinguilo de instinto tradução do termo instinkt que também aparece na obra de Freud embora poucas vezes o qual designa mais expli citamente fixos padrões hereditários de comporta mento animal típicos de cada espécie Na literatu ra psicanalítica eventualmente a noção de pulsão pode aparecer com a terminologia de impulsos ou de impulsos instintivos Inicialmente Freud enunciou as pulsões do ego também denominadas como de autopreservação cujo protótipo é o da fome e as sexuais ou de preservação da espécie sendo que após suces sivas modificações mais precisamente a partir do clássico trabalho Além do princípio do prazer de 1920 ele estabeleceu de forma definitiva a dualida de de Pulsões de Vida ou Eros e Pulsões de Mor te ou Tanatos que em algum grau coexistem fundidos entre si Segundo Freud 1915 a pulsão é conceituada como sendo o representante psíquico dos estímu los somáticos e os seus componentes são os se guintes 1 Fonte no alemão original é quelle diz respeito ao órgão partes do corpo ou zonas eró genas de onde procedem os estímulos 2 Força drang referese a uma quantificação da energia que busca descarga motora sendo que esse aspec to da pulsão é o que fundamenta o ponto de vista econômico 3 Finalidade ziel consiste na ne cessidade de uma satisfação imediata a qual originalmente só pode ser obtida por meio de uma descarga motora ou pela eliminação do estímulo procedente de alguma fonte 4 Objeto objekt constituíase para Freud naquilo em relação ao qual ou pelo qual a pulsão é capaz de atingir a sua finalidade Como derivado direto desses quatro componentes essenciais da pulsão deve ser acres centada uma quinta característica a do investimento pulsional bezetzung que foi traduzida para o in glês como cathexis e para o portugês como catéxis ou catexia O significado original da palavra bezetzung é ocupação e como tal é entendido pelos autores da atualidade Embora pela sua especial importância o tema pulsões constitua um capítulo específico o de número 9 é útil acrescentar neste resumo mais dois aspectos um é o de que um mesmo objeto par cial ou total pode servir ao mesmo tempo a várias pulsões como podemos depreender do uso da boca que tanto pode servir para a satisfação das necessidades alimentares como também para aque las eróticas ou agressivas e assim por diante O segundo aspecto é que a noção de objeto não deve ficar restrita à presença de algo ou de alguém que está alheio ao indivíduo assim o próprio corpo C A P Í T U L O 5 78 DAVID E ZIMERMAN pode servir ao mesmo tempo como uma fonte e como um objeto da finalidade pulsional tal como Freud genialmente concebeu em seus estudos so bre o narcisismo Princípios do Prazer e da Realidade Originalmente o princípio do prazer era de nominado por Freud princípio do prazerdespra zer pelo fato de que ele significava que o incipien te aparelho psíquico tendia a livrarse descarre gando a todo e qualquer estímulo que provocasse desprazer visando reduzir ao mínimo a tensão energética este último aspecto alude ao princípio da constância descrito mais adiante Posterior mente Freud descreveu que os aumentos da ten são psíquica poderiam ser prazerosos como seria o caso de um acúmulo e de uma retenção temporá ria da excitação sexual O princípio do prazer alude essencialmente ao significado de que a catéxis pulsional demanda uma gratificação imediata sem minimamente le var em conta a realidade exterior O melhor exem plo disso é a formulação de Freud sobre a satisfa ção alucinatória dos desejos pela qual o bebê substitui o seio faltante pela sucção do seu próprio polegar Outros exemplos equivalentes nos esta dos adultos podem ser os que constituem os deva neios fantasias inconscientes crenças ilusórias produções delirantes impulsividade etc No entanto essa satisfação mágica e ilusória sempre acabará sendo frustrante e decepcionante porque ela não suporta as exigências e necessida des da realidade como é por exemplo o caso de uma fome real que fatalmente não se satisfará com a substituta sucção do polegar o que vem a deter minar a instauração do princípio da realidade Freud descreveu o surgimento de ambos os princípios de uma forma sucessiva e seqüencial porém na atualidade principalmente a partir de Bion considerase que de alguma forma os prin cípios do prazer e o da realidade estão sempre presentes de forma simultânea e interagem ao lon go de toda a vida mesmo que no adulto as de mandas imediatistas e mágicas do princípio do pra zer possam estar ocultas Princípio da Constância Ainda como uma decorrência direta da neces sidade de livrarse dos estímulos desprazerosos quando está dominado pelo princípio do prazer o psiquismo tende a reproduzir o mesmo recurso que a medicina estuda sob o nome de princípio da homeostase biológica isto é existe a necessidade da busca de um perfeito equilíbrio das tensões or gânicas provenientes de distintas partes do próprio organismo humano Da mesma maneira o princí pio da constância visa à obtenção da menor ten são psíquica possível tanto por intermédio do re curso da evitação e afastamento da fonte de estí mulos desprazerosos como também pela via de uma descarga que possibilite uma nivelação equi libradora O princípio da constância também é conhe cido como princípio de Nirvana No entanto cabe apontar uma pequena diferença entre o que ambos designam Assim enquanto o primeiro deles faz referência a uma simples diminuição da tensão psí quica o princípio de Nirvana alude a uma diminui ção de toda excitação ao zero absoluto o que de fato vem a configurar a pulsão de morte segun do a concepção original de Freud e que mais pre cisamente referese a uma volta da célula viva ao anterior estado inorgânico portanto a um estado de morte Princípio da Compulsão à Repetição O próprio Freud não se sentia à vontade com a sua original postulação do princípio do prazer porquanto o mesmo não conseguia explicarlhe satisfatoriamente os fenômenos psíquicos repetiti vos de natureza nãoprazerosa que ele observava com grande freqüência nos casos de sonhos angus tiosos nos atossintomas masoquistas nas neuro ses traumáticas principalmente nessas últimas com o volumoso surgimento das neuroses de guerra advindas no curso da Primeira Guerra Mundial de 191418 De forma análoga ele também percebia que as crianças repetem jogos brincadeiras e rela tos de estórias como uma tentativa de elaborar ati vamente aquilo que elas sofrem passivamente como pode ser algum forte susto traumático a per da de alguma pessoa importante etc Assim Freud constatou que essa compulsão zwang repetitiva procedia de uma intensa força provinda do interior do indivíduo e que estava si tuada além do princípio do prazer sendo que o amadurecimento dessa idéia culminou em 1920 em cujo trabalho ele postulou a existência de uma pulsão de morte como já foi referido Com essa concepção metapsicológica Freud conjeturou que a pulsão de morte repetese de forma compulsória como uma forma primacial de fazer o organismo FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS 79 vivo voltar ao estado inorgânico anterior tal como está contido na sentença bíblica de vens do pó e ao pó voltarás Conquanto Freud tivesse procura do fundamentar essa sua concepção da pulsão de morte por meio de especulações relativas a desen volvimentos de ordem biológica o certo é que des de então e até os dias atuais os analistas dividem se entre os que aceitam e consideram essa postu lação como importante inclusive para a prática ana lítica entendimento do masoquismo primário por exemplo enquanto outros refutamna totalmente Narcisismo Primário e Secundário Embora Freud já viesse lançando algumas idéias daquilo que ele viria a conceituar como narcisis mo tal como aparece em Leonardo 1910 foi em seu importantíssimo trabalho Sobre o narci sismo de 1914 que ele estabeleceu de forma con sistente e categórica os fundamentos metapsicológi cos dessa então revolucionária concepção de nar cisismo O interessante disso vale lembrar é que esse clássico trabalho foi elaborado por Freud como uma réplica a Jung que acabara de assumir uma total dissidência do círculo freudiano e que con testava a teoria da sexualidade com o argumento de que essa teoria de Freud não poderia explicar as psicoses tendo em vista que tais pacientes não de monstravam interagir libidinalmente Para contes tar esse desafio do desafeto Jung Freud teve a ge nial centelha de conceber que o sujeito tomava o seu próprio corpo como sendo ao mesmo tempo uma fonte e um objeto da libido sexual Essa última concepção caracteriza o que Freud veio a conceituar como narcisismo primário que inicialmente ele postulou como sendo uma etapa evolutiva sucedendo uma anterior que ele denomi nara como a do autoerotismo Posteriormente no entanto ambas as denominações e conceituali zações ficaram superpostas e igualadas entre si A maioria dos autores considera que o protóti po mais fiel da narcisismo primário é o da vida intrauterina Assim Freud concebia que nesse tipo de narcisismo haveria uma total indiferenciação entre o ego submetido e confundido com o id com a realidade exterior A primeira estranheza que essa postulação sempre provocava nos estudiosos referese ao fato óbvio de que o bebê não poderia ignorar a mãe porquanto ele depende vitalmente da relação real com ela Freud antecipandose a essa questão formulou a sua famosa metáfora de que o o corpo humano seria como uma ameba que se liga aos objetos pelos seus pseudópodos Des ta maneira do ponto de vista da observação objeti va o bebê está em interação com a mãe enquanto que do ponto de vista desse bebê a mãe não é mais do que um prolongamento dele e basta emitir um pseudópodo mental que ele conseguirá fagocitar tudo o que necessita porque nessas condições tudo é uma posse exclusiva dele mesmo O narcisismo secundário por sua vez como o seu nome indica alude a uma espécie de refluxo da energia pulsional a qual depois de ter investi do e ocupado os objetos externos sofre um desen vestimento libidinal quase sempre devido a fortes decepções com os objetos externos provedores e retornam ao seu lugar original o próprio ego A maioria dos autores posteriores a Freud não encontra vantagem alguma em manterse a divisão entre narcisismo primário e secundário pois na prática analítica ambos são indissociáveis e con fundemse entre si Aquilo que sim pode ser dito com absoluta convicção é que o narcisismo ocu pa um espaço crescentemente importante na psica nálise abrindo novos vértices de compreensão notadamente em dois aspectos um é que ele deve ser compreendido no contexto de um eixo evolutivo entre os estados psíquicos préedípicos com os edípicos com as respectivas características espe cíficas de cada um e com as delimitações e intera ções entre narcisismo e sexualidade edípica O se gundo aspecto a ressaltar é que o cada vez maior entendimento do narcisismo alargou as portas para a análise de pacientes intensamente fixados ou regredidos às primitivas etapas do narcisismo ori ginal Pela importância que esse tema representa para a prática da terapia psicanalítica ele será me lhor estudado no capítulo 13 deste livro que versa sobre a posição narcisista Masoquismo Primário e Sadismo Para Freud até 1920 o sadismo fazia parte da pulsão sexual como uma espécie de instinto de domínio cujo objetivo seria o de ter a dominação e posse dos objetos por meio do recurso de subme têlos à força O masoquismo por sua vez paradoxalmente estaria visando a obtenção do prazer pelo desprazer atendendo aos mandamentos internos da pulsão de morte a qual em algum grau e forma sempre está presente e fusionada com a pulsão de vida A presença dessa inata pulsão de morte no interior do psiquismo do sujeito é a responsável pela exis tência do que Freud veio a denominar masoquis mo primário o qual quando defletido para o exte 80 DAVID E ZIMERMAN rior determina o surgimento do sadismo que vir tualmente sempre estaria ligado com a pulsão se xual O masoquismo secundário instalase em um segundo momento e a sua formação decorre de outros fatores como aqueles associados às culpas com as correspondentes necessidades de castigos como pode ser exemplificado com as autopunições ou induzir a que outros o punam determinados pela ação inconsciente de um superego tirânico e cruel Baseado na prática clínica podese afirmar que o sadismo e o masoquismo coexistem simultanea mente tanto intra como intersubjetivamente As sim são freqüentíssimos os vínculos entre pessoas que se configuram de maneira nitidamente sadoma soquística às vezes de forma acintosa e outras vezes de um modo muito dissimulado Como exemplo ilustrativo suponhamos um casal que es tabelece entre si um convívio sadomasoquista no qual tanto pode acontecer que a cada um deles cabe de forma fixa e estereotipada a um desses dois pa péis como também pode suceder que eles alter nemse em momentos diferentes qual uma gan gorra nos papéis de quem será o sádico e a quem caberá a função de masoquista e viceversa com uma alta possibilidade de nunca saírem desse cír culo vicioso interminável Princípio do Determinismo Psíquico Este princípio alude ao fato de que na mente nada acontece ao acaso ou de um modo fortuito sendo que cada acontecimento psíquico é determi nado por outros que o precederam de tal sorte que não há descontinuidade na vida mental Esse princípio fica melhor compreendido e complementado com o modelo da multicausali dade com o qual Freud indo além das causas linea res responsáveis pela determinação de um dado sintoma postula a idéia de que várias causas pro duzem um mesmo efeitocreio que podemos acres centar que muitas vezes uma mesma causa pode produzir vários e diferentes efeitos Dizendo com outras palavras mesmo aquilo que possa parecer ser uma casualidade está fortemente determina do por uma múltipla causalidade Posteriormente a partir de A interpretação dos sonhos de 1900 Freud considerou que mais do que várias causas produzindo o efeito do fenôme no do sonho o que acontece é que existe um siste ma diferenciado processo primário inconsciente que irá gerar efeitos conscientes de modo que por meio de cada elemento do conteúdo latente é pos sível reconstruir uma rede de conexões que deter minam o sonho manifesto tal como está contido na sua famosa frase Todo sonho tem um umbigo que conduz ao desconhecido do inconsciente Isso que acontece com os sonhos de forma análoga ocorre com a formação de sintomas e todos os fe nômenos da psicopatologia Séries Complementares À medida que Freud foi percebendo e discri minando os múltiplos e diferentes fatores genéti codinâmicos determinantes da normalidade e pa tologia do psiquismo ele estabeleceu o seu con ceito de séries complementares que complemen tando o princípio do determinismo psíquico serve de ponte entre os fatores endógenos inatos e cons titucionais e os fatores exógenos adquiridos A noção de séries complementares aparece em Cinco leituras sobre psicanálise 1910 po rém foi em 1916 em uma de suas Conferências introdutórias a de n XXII p 406 que Freud define com maior clareza e consistência essa con ceituação de séries complementares também conhecido por equação etiológica porquanto o que sobretudo fica enfatizado é o fato de que os fatores em jogo são inerentes à condição humana e perma necem interagindo entre si de forma permanente e em infinitas formas de combinações Assim Freud descreve três séries 1 Os fatores inatos heredo constitucionais inclusive os que se desenvolvem durante a vida intrauterina 2 As precoces expe riências infantis 3 Os fatores ambientais atuantes na atualidade do sujeito A conjunção das duas pri meiras séries resultam em um estado de disposi ção anlage que determina a formação de pon tos de fixação no psiquismo e que interagindo com a terceira série representada pelas frustra ções impostas pelos fatores externos reais desen cadeiam e produzem os mais diversos quadros da psicopatologia Processo Primário e Processo Secundário Freud postulava que o inconsciente é consti tuído por uma energia psíquica proveniente das pul sões as quais operando conjuntamente com as re presentações que se formam no ego caracterizam esses dois tipos de processamento psíquico O pro cesso primário caracterizase por um fácil deslo camento e descarga da libido As várias cadeias de FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS 81 representações com os respectivos significados in conscientes produzem aquilo que se denomina como condensação ou seja numa representação única como pode ser um determinado sintoma podem confluir todos os significados de uma ca deia associativa que por sua vez podem produzir novos deslocamentos e assim sucessivamente tal como por exemplo é possível observar nitidamente nos sintomas fóbicos Assim já em 1895 Projeto Freud descrevia um funcionamento primário do aparelho neurônico no qual a energia psíquica circula de forma livre de forma que ela tende a descarregarse imediata e totalmente tal como acontece no princípio do pra zer A partir de A interpretação dos sonhos 1900 Freud começa a elaborar com maior consistência a noção do processo primário com uma energia li vre deslocável e condensada com inscrição de sig nificações as quais alguns anos mais tarde ele veio a conceituar como representaçãocoisa e que seguem as leis do inconsciente ou seja onde não há lógica referente à noção de tempo espaço con tradições etc No processo secundário a energia psíquica está presa e circula de forma mais compacta sempre ligada a alguma representação psíquica mais pre cisamente àquelas que se situam no sistema pré conscienteconsciente logo com aquilo que Freud denomina representaçãopalavra Em resumo enquanto no processo primário as energias fluem livremente sem encontrar barreiras porquanto se guem as leis que regem o inconsciente e o princí pio do prazer no processo secundário as energias psíquicas com as respectivas significações e re presentações operam diretamente ligadas ao prin cípio da realidade e determinam uma lógica do pen samento Finalmente cabe acrescentar que ambos os pro cessos foram descritos por Freud numa seqüência de surgimento linear e temporal o secundário su cedendo o primário Na atualidade a partir de Bion devemos considerar que ambos os processos estão sempre presentes na mente de qualquer sujeito de forma simultânea e numa conjunção constante en tre si sendo que a predominância do funcionamento mental do processo primário corresponde no adul to ao que esse autor denomina como parte psicótica da personalidade enquanto a predominância do processo secundário equivale à parte nãopsicótica ou neurótica da personalidade MODELOS DE FUNCIONAMENTO DO APARELHO PSÍQUICO Teoria do Trauma Vale recordar que a primeira concepção de Freud sobre a etiologia da psicopatologia tal como aparece em Comunicação preliminar 1893 di zia respeito à ocorrência de um trauma sexual real mente acontecido nos primórdios da infância sob a forma de algum abuso sexual praticado pelo genitor e que estava reprimido no inconsciente Ele próprio deuse conta de que as coisas não se passa vam tão simplesmente assim e mesmo no caso de suas pacientes histéricas que constituíam virtual mente a totalidade de sua clínica e que lhe confir mavam os referidos abusos que elas teriam sofri do Freud percebeu que tais relatos nem sempre condiziam com a realidade dos fatos mas sim que eles apareciam distorcidos pelas fantasias incons cientes que genialmente ele foi impelido a con ceber A concepção da teoria do trauma foi cada vez mais perdendo a sua importância na psicanáli se porém nos últimos tempos ela volta a ganhar uma relevância não unicamente para a explicação das neuroses traumáticas e das neuroses atuais mas também para o problema dos traumas primiti vos realmente acontecidos e não somente os se xuais que podem ter produzido um intenso esta do psíquico de desamparo tal como será explici tado num capítulo específico o de número 8 Uma vez que essa teoria do trauma não con seguia explicar a complexidade que de forma cres cente a psicanálise vinha enfrentando Freud for mulou a existência de dois princípios fundamen tais o da multideterminação e o da existência de um inconsciente a partir dos quais ele passou a buscar modelos figuras metafóricas que permitem uma abstração a partir de uma imagem concreta e viceversa teorias um conjunto de hipóteses que podem vir a ser confirmadas cientificamente ou empiricamente pela prática clínica e concepções metapsicológicas especulações imaginativas que não têm como ser confirmadas com um definitivo grau de certeza porém que permitem um impor tante campo de investigações A partir da conjunção desses fatores Freud criou a concepção da existência de um aparelho psíquico que ele concebeu tanto do ponto de vis ta da economia das energias psíquicas como tam bém por meio de modelos como o topográfi co e o estrutural 82 DAVID E ZIMERMAN Ponto de Vista Econômico A pulsão representante psíquico das exci tações provenientes do interior do corpo e que che gam ao psiquismo é postulada por Freud como um elemento quantitativo da economia psíquica segundo a sua hipótese que explicaria o funciona mento do aparelho psíquico a partir dos modelos científicos da física mecanicista da sua época As sim os processos mentais consistiriam na circula ção e repartição de uma energia pulsional catéxis de grandeza variável e que sofre a ação de uma contracatéxis Esse último conceito de contracar ga aparece no trabalho O inconsciente 1915 e nele Freud mostra que essas energias contracate xizadas mecanismos defensivos são permanen tes e criam resistências que da mesma forma que as pulsões também são inconscientes A maior crítica que se faz contra esse ponto de vista econômico decorre justamente do fato de que ele foi elaborado por Freud a partir daquelas con cepções fisicalistas que surgiram no final do sécu lo XIX quando além dos princípios e leis da hi dráulica também ocorreram a descoberta da ele tricidade e do neurônio de modo que Freud esta beleceu a concepção de que uma energia física per corria as vias nervosas neuronais tal como a ener gia elétrica percorre pelos fios sendo que em al gum momento de sua obra ele chegou a evidenciar a sua esperança de que no futuro a energia psíqui ca poderia vir a ser quantificada Penso que mes mo restrito aos conhecimentos da época esses per mitiriam que Freud pudesse estender a sua concep ção para o fato da potencialidade da energia ou seja assim entendo da sua transformacionalidade tal como acontece por exemplo com a metáfora de uma queda dágua que tanto pode arrasar uma lavoura próxima como também pode dar vida e crescimento à mesma se ela for adequadamente dre nada ou ela podese transformar em energia elétri ca e daí em térmica luminosa etc O modelo mecânico quantitativo empregado por Freud está amplamente superado na atualidade por outros modelos como o da cibernética pelo qual uma energia mínima e nãoespecífica pode desen cadear desproporcionais reações em cadeia e de efeitos retroativos ou o modelo da moderna física quântica que desvenda os segredos subatômicos num campo onde uma mesma matéria conforme as condições do observador tanto pode manifes tarse como onda ou como partícula Não obs tante isso como antes foi assinalado o modelo econômico volta a ganhar importância na teoria e prática da psicanálise Modelo Topográfico 1ª Tópica Freud empregou a palavra aparelho para ca racterizar uma organização psíquica dividida em sistemas ou instâncias psíquicas com funções es pecíficas para cada uma delas que estão interliga das entre si ocupando um certo lugar na mente Em grego topos quer dizer lugar daí que o mo delo tópico designa um modelo de lugares sendo que Freud descreveu a dois deles a 1ª tópica é co nhecida como Topográfica e a 2ª como Estrutural A noção de aparelho psíquico como um con junto articulado de lugares virtuais surge mais claramente na obra de Freud em A interpretação dos sonhos 1900 no qual no célebre capítulo 7 ele elabora uma analogia do psiquismo com um aparelho óptico de como esse processa a origem transformação e o objetivo final da energia lumi nosa Nesse modelo tópico o aparelho psíquico é composto por três sistemas o inconsciente Ics o préconsciente Pcs e o consciente Cs Algumas vezes Freud denomina a este último sistema de sis tema percepçãoconsciência O sistema consciente tem a função de receber informações provenientes das excitações prove nientes do exterior e do interior que ficam regis tradas qualitativamente de acordo com o prazer e ou desprazer que elas causam porém ele não re tém esses registros e representações como depósi to ou arquivo deles Assim a maior parte das fun ções perceptivocognitivasmotoras do ego como as de percepção pensamento juízo crítico evoca ção antecipação atividade motora etc processam se no sistema consciente embora esse funcione in timamente conjugado com o sistema Inconsciente com o qual quase sempre está em oposição PréConsciente Esse sistema foi concebido como estando arti culado com o consciente e tal como surge no Pro jeto onde ele aparece esboçado com o nome de barreira de contato funciona como uma espécie de peneira que seleciona aquilo que pode ou não passar para o Consciente Ademais o préconsciente também funciona como um pequeno arquivo dos registros de modo que a ele cabe sediar a fundamental função de con ter as representaçõespalavra conforme Freud 1915 que consiste num conjunto de inscrições mnêmicas de palavras ouvidas e de como foram FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS 83 significadas pela criança Essa formação de re presentaçãopalavra é diferente da representa çãocoisa porquanto esta última opera no incons ciente e suas inscrições não podem ser nomeadas ou tampouco lembradas voluntariamente enquan to a característica mais marcante do sistema Pré Consciente é a de que os seus conteúdos ao con trário do Inconsciente podem ser recuperados por meio de um voluntário ato de esforço Inconsciente Esse sistema designa a parte mais arcaica do aparelho psíquico onde por meio de uma herança genética existem pulsões quando essas nunca emergem nos sistemas consciente e préconscien te elas são consideradas como repressões primá rias acrescidas das respectivas energias e com protofantasias como Freud as denominava mas que também são conhecidas por fantasias primiti vas primárias ou originais Além disso o incons ciente também consiste num depósito de repres sões secundárias as quais chegaram a emergir sob forma disfarçada no consciente como nos sonhos ou sintomas e voltam a ser reprimidas para o In consciente Como foi dito uma função que opera no siste ma Inconsciente e que representa uma importante repercussão na prática clínica é que ela contém as representações de coisa as quais consistem em uma sucessão de inscrições de primitivas expe riências e sensações provindas de todos os órgãos dos sentidos como o da visão audição tato etc e que ficaram impressas na mente da criança numa época em que ainda não haviam palavras para nomeálas Funcionalmente o Inconsciente opera segundo as leis do processo primário e além das pulsões do id esse sistema também opera muitas funções do ego bem como do superego Modelo Estrutural 2ª Tópica Insatisfeito com o modelo topográfico por quanto esse não conseguia explicar muitos fenô menos psíquicos em especial aqueles que emer giam na prática clínica Freud vinha gradativamente elaborando uma nova concepção até que em 1920 mais precisamente a partir do importante trabalho metapsicológico Além do princípio do prazer ele estabeleceu de forma definitiva a sua clássica con cepção do aparelho psíquico conhecido como modelo estrutural ou dinâmico tendo em vista que a palavra estrutura significa um conjunto de elementos que separadamente tem funções especí ficas porém que são indissociados entre si inte ragem permanentemente e influenciamse recipro camente Ou seja diferentemente da 1ª Tópica que sugere uma passividade a 2ª Tópica é eminente mente ativa dinâmica Essa concepção estrutura lista ficou cristalizada em O ego e o id 1923 e consiste em uma divisão tripartide da mente em três instâncias o id o ego e o superego O ID Do ponto de vista topográfico o inconsciente como instância psíquica virtualmente coincide com o id o qual é considerado o pólo psicobiológico da personalidade fundamentalmente constituído pe las pulsões Sob o ponto de vista econômico o id é a um só tempo um reservatório e uma fonte de ener gia psíquica Do ponto de vista funcional ele é re gido pelo princípio do prazer logo pelo processo primário Do ponto de vista da dinâmica psíquica ele abriga e interage com as funções do ego e com os objetos tanto os da realidade exterior como aqueles que introjetados estão habitando o supe rego com os quais quase sempre entra em confli to porém não raramente o id estabelece alguma forma de aliança e conluio com o superego O EGO A afirmativa de Freud de que no princípio tudo era id atesta que ele sempre concebeu que o ego desenvolvese a partir do id pela persistente in fluência do mundo externo e da necessidade de adatação ao mesmo No entanto desde M Klein até os autores modernos predomina amplamente a convicção de que o ego não se forma desde o id mas sim que ele é inato tem energia própria e ain da que de forma rudimentar desde recémnascido o ego do bebê já está interagindo com a mãe Como a maior parte dos mecanismos de defesa era inconsciente e como o ego era considerado a fonte e a sede dessas defesas nada mais natural de que Freud percebesse que o ego não era sinônimo de consciente e nem sequer se superpunha e con fundiase com este mas sim que ele tinha raízes no inconsciente Esta última afirmativa consitui o maior fator diferenciador entre a 1ª e a 2ª Tópicas no entanto sempre deve ficar claro que uma não invalida a outra pelo contrário elas comple mentamse 84 DAVID E ZIMERMAN Ainda persiste a clássica definição de que o ego é a principal instância psíquica porquanto funcio na como mediadora integradora e harmonizadora entre as pulsões do id as exigências e ameaças do superego e as demandas da realidade exterior Po rém como propósito pedagógico cabe considerar o ego como uma conjunção de três pontos de vista 1 Como um aparelho psíquico com funções es senciais na sua maior parte conscientes para rela cionarse adaptativamente com a realidade do mun do exterior como são entre outras as de percep ção pensamento memória atenção antecipação discriminação juízo crítico e ação motora 2 Como sede e fonte de um conjunto de funções mais com plexas na sua maior parte inconsciente como é o caso da produção de angústias mecanismos de defesa fenômenos de identificações e formação de símbolos 3 Como sede de representações que determinam a imagem que o sujeito tem de si mes mo e que estruturam o seu sentimento de identida de e de autoestima O SUPEREGO Classicamente essa instância psíquica é enten dida segundo o significado da famosa frase de Freud de que o superego é o herdeiro do complexo de Édipo o que vem a significar que ele está consti tuído pelo precipitado de introjeções e identifica ções que a criança faz com aspectos parciais dos pais com suas proibições exigências ameaças mandamentos padrões de conduta e o tipo de rela cionamento desses pais entre si Além disso é im prescindível levar em conta o aspecto da transgera cionalidade ou seja o fato de que o superego dos pais do paciente por sua vez está identificado com a de seus próprios pais e assim por diante numa escalada de muitas gerações sendo que isso inclui na formação do superego os valores morais éti cos ideais preconceitos e crenças ditadas pela cul tura na qual o sujeito está inserido A data de formação do superego é um assunto polêmico na psicanálise pelo fato de que os segui dores de Freud consideram que o seu início coinci de com o Édipo clássico de Freud ou seja por volta dos 45 anos enquanto os autores kleinianos res paldados na clínica com pacientes psicóticos e aná lise com crianças fazem retroagir aos primeiros meses de vida a formação dos precursores do su perego ligandoos à inata pulsão de morte O que me parece que ninguém põe em dúvida é o fato de que o termo superego tanto pode desig nar uma necessária estrutura que normatize e deli mite a conduta de cada sujeito nesse caso alguns autores empregam a denominação de ego auxili ar como também ele habitualmente refere a uma instância psíquica resultante da introjeção predo minante de objetos maus de características tirâ nicas e até cruéis que sob diversas formas de amea ças obrigam o sujeito a submeterse aos manda mentos daquilo que ele pode ou não pode deve ou não deve fantasiar desejar pensar preferir dizer fazer e sobretudo ser Ao longo de sua obra Freud usou indistinta mente os termos superego ego ideal e ideal do ego virtualmente como sinônimos No entan to a psicanálise atual fica muito enriquecida com uma sutil porém necessária diferença entre os con ceitos específicos que cada um desses termos com porta assim como também com outros termos correlatos que seguem abaixo não obstante o fato de que todos eles continuem sendo apêndices do superego clássico uma espécie de primosirmãos dele Assim vale a pena discriminálos separada mente Superego Além dos aspectos descritos o superego tam bém se caracteriza por ser quase totalmente de ori gem inconsciente é composto e ditado pelos obje tos internos o seu maior efeito é o de ser um gera dor de culpas com as conseqüentes angústias e medos e a sua pressão excessiva no psiquismo é a maior responsável pelos quadros melancólicos e obsessivos graves Ego Ideal Enquanto o superego é considerado o herdei ro do complexo de Édipo o ego ideal constituise como o herdeiro do narcisismo primário Por conseguinte ele funciona no plano do imaginário alicerçado na fantasia onipotente ilusória própria da indiscriminação com o outro persistência da fantasia de fusão diádicasimbiótica com a mãe em que ter é igual a ser e viceversa por tudo isso o sujeito portador de um ego ideal predomi nante no seu psiquismo está sempre à espera do máximo de si mesmo além de nutrir ideais virtual mente nunca alcançáveis As identificações são primárias do tipo adesivo ou imitativo e o senti mento de identidade resultante é o de falsidade O ego ideal costuma estar muito distante do ego real porém para manter a ilusão o sujeito deve utilizar FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS 85 fortes recursos defensivos de negação como o da renegação ou desestima que é mais próprio dos estados narcísicos parciais como nas perver sões ou o da forclusão presente nos estados narcísicos totais psicoses O sentimento predo minante frente as frustrações das expectativas do ego ideal muito mais do que culpas como no supe rego é o de humilhação O ego ideal é conjugado no presente indicativo Eu sou assim o que in dica que transitoriamente no desenvolvimento emo cional primitivo ele pode ser estruturante como está implícito no conceito de self grandioso de Kohut 1973 porém a sua persistência é respon sável por transtornos narcisistas de toda ordem Ideal do Ego É o herdeiro do ego ideal projetado nos pais somado às aspirações e expectativas próprias des tes últimos Dentro do sujeito o ideal do ego é con jugado num tempo futuro e condicional Eu deve rei ser assim senão As identificações são triá dicas e formamse na triangularidade edípica po rém ainda não se constituíram com uma constância objetal nem com uma coesão de self e sentimento de identidade bem definido O ideal do ego pode ser um importante fator estruturante do psiquismo tanto nos primeiros movimentos identificatórios corresponde ao que Kohut denomina de imago parental idealizada como também quando ele está a serviço de um projeto de um vir a ser No en tanto a sua permanência em grau exagerado leva rá o sujeito a construir um falso self para corresponder às expectativas dos outros ou a qua dros fóbicos e narcisistas O sentimento predomi nante é o de vergonha diante de eventuais fracas sos Alter Ego Indica uma gemelaridade ou seja que um ou tro alma gêmea é o portador de aspectos que o indivíduo não diferencia daqueles que são exclusi vamente seus próprios O termo alter ego em desuso na literatura psicanalítica está voltando a ganhar um reconhecimento pelo fato dele caracte rizar o fenômeno do duplo análogo ao da especularidade o qual vem ganhando uma expres siva relevância na teoria e prática psicanalítica especialmente para a compreensão dos pacientes com distúrbios narcisistas SuperSuperego Tratase de uma expressão empregada por Bion com a qual ele designa uma conceituação que se diferencia dos significados clássicos atribuídos ao superego pelo contrário o supersuperego de Bion entendo que o nome supraego seria bas tante apropriado alude a uma área psíquica que é própria do que ele chama de parte psicótica da personalidade em cujos casos o sujeito indo além do certoerrado devonão devo bemmal cria a sua própria moral e as suas leis com as quais ele afronta a realidade e que a qualquer custo ele pretende impor aos demais ContraEgo Proponho esta denominação para designar uma estrutura que age dentro do ego e desde ele e que se organiza como uma oposição às partes frá geis porém sadias e verdadeiras do ego a partir do princípio desse contraego de que aquelas par tes é que são as que levam o sujeito ao sofrimento e às humilhações Ainda que a expressão contra ego pareçame original compulsei uma extensa bibliografia e nada encontrei assim os conceitos nela embutidos não são originais e sob nomes di ferentes com pequenas variantes aparecem clara mente definidos em muitos autores que estudaram essa organização contraegóica Assim vale des tacar o ego sabotador de Fairbairn 1941 a gan gue narcisista de Rosenfeld 1971 a organiza ção patológica de Steiner 1981 o estado fachis ta de Bollas 1997 O importante a destacar é que o contraego de alguma forma age aliado com os objetos sabota dores e infantilizadores do superego além de mui tas vezes até confundirse com esse porém ele fun damentalmente está a serviço da manutenção do mundo das ilusões narcisistas com a predominân cia do que costuma ser chamado como narcisis mo destrutivo ou narcisismo de morte Esse as pecto relativo à organização patológica que cons titui o contraego está ganhando uma crescente im portância na psicanálise e facilita o entendimento de fenômenos como o das reações terapêuticas negativas entre tantos outros mais OUTROS MODELOS DA MENTE As considerações até agora tecidas neste capí tulo estão essencialmente fundamentadas em Freud 86 DAVID E ZIMERMAN e embora continuem plenamente vigentes em sua maioria foram em alguns aspectos refutadas mo dificadas ampliadas ou complementadas com pon tos de vista originais por parte de outros autores Como não cabe aqui um esmiuçamento aprofun dado dessas diversas contribuições vamos restrin girnos a uma pálida amostragem das mesmas uni camente mencionando algumas delas a partir dos principais autores M Klein Essa importante autora modificou em grande parte o paradigma psicanalítico edificado por Freud por meio de concepções que permitem entender o funcionamento do psiquismo a partir da presença de ego inato pulsão de morte numa conceitualização diferente de Freud embora em pregando o mesmo termo precoce angústia de aniquilamento primitivas relações com objetos parciais mecanismos de defesa muito primitivos com destaque para a extraordinária importância das identificações projetivas a original concep ção de posições a esquizoparanóide e a depressiva Bion Esse autor acreditava que a psicanálise já tinha teorias demais e por isso ele propunha um modelo de funcionamento psíquico que fosse compreendido a partir dos vários arranjos combinatórios do que denominou elementos da psicanálise da mesma maneira que as sete notas musicais permitem compor músicas desde as sim ples até as mais complexas ou de forma análoga as letras permitindo palavras e discursos diferen tes ou os algarismos possibilitando os mais com plicados cálculos algébricos Assim unicamente a título de exemplificação vale destacar que criou o modelo continenteconteúdo propôs a hipotética existência de elementos alfa e beta como determinantes da capacidade para pensar intro duziu a importantíssima noção da função de conti nente rêverie da mãe ou do analista na situação analítica conjeturou a existência de um psiquismo fetal desenvolveu a concepção de vínculos inter nos e externos dentre os vínculos Bion emprestou uma alta relevância ao vínculo do conhecimento K e com isso ele valorizou sobremodo os pro blemas da verdade falsidade e mentira Como de corrência ganhou relevância o problema da comu nicação que muitas vezes visa justamente a uma nãocomunicação finalmente nessa simples amostragem é indispensável mencionar a sua con cepção de parte psicótica da personalidade e de como essa interage com as partes nãopsicóticas de modo que esse vértice outro conceito de Bion inovou muita coisa na prática analítica M Mahler Essa autora representante da psi cologia do ego trabalhou com os conceitos inova dores de Hartmann 1947 relativos à área livre de conflitos e à autonomia primária e juntamente com a sua equipe acrescentou as importantes concep ções de etapas do desenvolvimento infantil que começam por um autismo normal posteriormen te retiraram essa denominação porque passaram a acreditar que a interação afetiva com a mãe já está presente no recémnascido seguem por uma fase de simbiose a qual sucede um estágio de diferen ciação resultante das duas subetapas de separa ção e individuação seguidas de um período de trei namento até atingir um estado psíquico de cons tância objetal nos casos bemsucedidos Kohut Ele introduziu o conceito de um narci sismo estruturante ao mesmo tempo que foi desca racterizando a consagrada importância do comple xo de Édipo na determinação dos quadros da psicopatologia Tomando como ponto de partida o narcisismo como uma linha autônoma do desen volvimento infantil Kohut 1971 postulou a fun damental importância da existência dos selfobje tos objetos parentais que são responsáveis pela estruturação do self com as possíveis falhas empáticas dos mesmos que determinam os futu ros distúrbios narcisísticos e requerem do analista a capacidade de promover uma internalização transmutadora Nessa mesma linha Kohut con cebeu um arco de tensão na criança no qual um dos pólos constituído pelas ambições ele deno mina como self grandioso e no outro pólo onde residem os ideais está a imago parental ideali zada e no meio deles estão as capacidades e talen tos do ego Lacan A partir de uma releitura de Freud Lacan desenvolveu idéias originais como é o caso da etapa do espelho que vai dos 6 aos 18 meses de vida da criança essa concepção acarretou uma for ma diferente dele descrever a conflitiva edípica igualmente ele concebeu três planos do psiquismo o imaginário o real e o simbólico Lacan também atribuiu uma enorme importância ao que o discur so dos pais representa para a formação do incons ciente da criança dessa forma Lacan postula a im portância de o analista trabalhar com a rede de significantes e significados que estão contidos nas associações de idéias manifestas pelo paciente Winnicott Dentre as inúmeras concepções ori ginais de Winnicott acerca do desenvolvimento emocional primitivo cabe destacar aquelas que di zem respeito às noções de transicionalidade fe nômenos transicionais objeto transicional e espa ço transicional a sua postulação de um estado de nãointegração é diferente de desintegração do bebê nos primórdios do desenvolvimento o papel FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS 87 de holding e de espelho que a mãe exerce diante das necessidades reais que fazem a criança esperar uma resposta suficientemente boa por parte da mãe a estruturação de um verdadeiro ou de um falso self entre tantas outras concepções mais É claro que esse capítulo relativo ao funciona mento e estrutura do aparelho psíquico deixou muitos pontos em aberto que de alguma forma aparecerão embutidos em outros textos deste livro e igualmente outros aspectos importantes como os referentes às pulsões do id às funções do ego e aos mandamentos do superego foram aborda dos não mais que superficialmente porquanto eles merecerão capítulos específicos 9 10 e 11 que seguem a esse Foreman made it clear from the beginning including in his opening statement and closing argument that the Jury would have to accept the selfdefense claim and find not guilty if it believed Tom Williams story This was the defendants legal theory and it informed the instructions given to the Jury While the jury might have believed Williams they were not bound to accept his story as true At trial the jury could accept the fact that Williams was in fear for his life and thereby was justified in his actions or find that he was not in fear and reject the selfdefense claim Foreman submitted three questions to the jury They indicated Foreman understood the jurys job was to accept or reject the claim of selfdefense That is why the answer on question no 2 supports the conclusion that the jury did not believe Williams story It was given the option to answer Yes or No to the burglary charge It chose Yes This shows they did not accept that Williams was legally justified in shooting Harris because he was committing a burglary When the jury answered Yes to the burglary charge it meant it did not accept selfdefense thereby it rejected Williams story The Missouri Supreme Court condoned the omission of jury instructions explaining when selfdefense was justified despite Williams being on the property unlawfully This omission was foremans and he was responsible to include those instructions because he was the defendants counsel Therefore the failure of these instructions deprived Williams of his right to a fair trial and effective assistance of counsel Foreman did not want the jury to hear the instructions that might confuse them and allow them to find Williams not guilty by rejecting the burglary charge This omission was a strategic decision that significantly affected Williams ability to obtain a fair trial because it prevented the jury from considering his valid selfdefense theory This omission was a constitutional violation The newly discovered evidence in Forsynes affidavit supports that Foreman was incompetent The affidavit provides new facts but even without those facts the record confirms Foreman failed to provide accurate and complete instruction Therefore Williams is entitled to a new trial to give the jury full knowledge of the law so that it could fairly determine if Williams was justified On remand the jury should be instructed that a defendant acting in lawful selfdefense is entitled to an acquittal even if he was on the property unlawfully This was a constitutional violation and it requires a new trial A Formação da Personalidade São tantos e tão diversificados os fatores que estão em permanente interação e influência na for mação da personalidade que talvez fosse mais ade quado nomear este capítulo de construção da per sonalidade Isso justificase porque a evolução da psicossexualidade não se processa de uma forma linear obedecendo a uma prévia programação de natureza genética mas sim ela deve ser construída durante um longo tempo levando em conta os fa tores constitucionais inatos da criança e os que se rão adquiridos pela influência do meio ambiente exterior principalmente a influência dos pais Assim continua válida a clássica equação etiológica ou série complementar formulada por Freud 1916 pela qual ele postula que são três os fatores formadores da personalidade da crian ça 1 Os heredoconstitucionais anlage 2 As antigas experiências emocionais com os pais 3 As experiências traumáticas da realidade da vida adulta Na atualidade os autores costumam redu zir esta equação a um simples assinalamento de que há uma permanente interação entre nature fatores biológicos e nurture fatores ambientais Assim partindo de um outro vértice conceitual embora análogo ao que está mencionado acima é necessário estabelecer uma diferença entre os pro cessos de maturação e desenvolvimento A palavra maturação referese aos proces sos de crescimento que ocorrem em função das potencialidades orgânicas neurofisiológicas do recémnascido e que são relativamente independen tes do ambiente exterior O termo desenvolvimen to por sua vez alude à interação entre os proces sos de maturação e as influências ambientais que determinam as variações individuais do aparelho psíquico de cada um Os fatores da predisposição genética inata e os ambientais intimamente inter ligados de uma forma indissociável formam con forme assevera Freud uma unidade etiológica inseparável Os avanços mais significativos da psicanálise nestes seus 100 anos de existência referemse jus tamente às renovadas concepções acerca do desen volvimento psicossexual desde os tempos pionei ros de Freud com uma ênfase em uma evolução por fases até os dias atuais nos quais os autores psicanalíticos e estudiosos de outras ciências têm trazido inestimáveis contribuições para o entendi mento da formação da personalidade desde os mais primitivos passos do desenvolvimento emocional contidos na relação primária da mãe com o seu bebê FATORES HEREDOCONSTITUCIONAIS É fácil perceber que o padrão de atividade do recémnascido revela acentuadas diferen ças individuais entre os bebês o que pode ser observado é evidente quando são ir mãos Assim um mesmo estímulo exterior mal pode tirar um bebê de sua fleuma en quanto um outro bebê pode reagir de uma maneira extremamente agitada igualmente são significativamente muito variáveis as formas e a duração das mamadas o funcio namento do aparelho digestivo o ritmo do sono ou despertar a maneira de chorar etc etc A fome e a dor são as sensações corpo rais que mais freqüentemente provocam o pranto do bebê o qual se constitui em um sinal para que a mãe ocupese dele Não obstante isso os modernos estudos ge néticos rejeitam como não sendo científicas as hipóteses de que haja uma transmissão hereditária de características adquiridas de gerações anteriores como Lamark postula va e Freud tendia a acreditar assim como também descartam a noção de que para um determinado gene corresponderia uma carac terística comportamental especificamente de finida Por outro lado o mesmo rigor cientí fico dessas investigações tem demonstrado que existe de fato uma predisposição cons titucional inata porém a mesma é passível de mudanças pelas influências ambientais Dizendo com outras palavras a dimensão da potencialidade da criança não é totalmente preestabelecida geneticamente antes trata C A P Í T U L O 6 90 DAVID E ZIMERMAN se de uma dimensão potencial ou seja os potenciais da criança a serem desenvolvidos dependerão em grande parte da responsi vidade da mãe e do ambiente Alguns estudos etológicos estudo dos com portamentos espontâneos dos animais preferentemente em seu habitat natural ser vem para mostrar a influência recíproca e complementar entre os fatores genéticos e os ambientais O fenômeno do imprinting é um deles com este nome talvez a melhor tradução para o português dessas marcas que ficam impressas na mente seja a palavra moldagem em 1935 o etólogo austríaco K Lorenz por meio de estudos com aves observou que na ausência da mãe as patas nascidas em chocadeiras apegamse e ficam fixadas ao primeiro objeto móvel que encon tram e que isso se dá durante um período particularmente sensível que dura cerca de 36 horas Uma vez instalada fica irreversível Este fenômeno repetese de forma variável para cada espécie porém conserva a cons tância de que fora do período sensível o imprinting não mais acontece Penso que cabe uma especulação a de que este fenômeno do imprinting encontre uma equivalência nas primeiras sensações corpo rais que acompanham a vida intrauterina do feto em gestação Aliás não são poucos os autores psicanalistas ou não atuais ou anti gos que ao longo do tempo têm postulado teorias que expressam a convicção de que as reais condições uterinas da mãe notada mente a repercussão de seus estados emocio nais e físicos encontram uma direta reper cussão no feto Assim recentes estudos de Piontelli 1989 comprovam que é possível observar que várias características do feto persistem durante toda a gravidez e podem inclusive ser notadas na vida pósnatal Suas pesquisas demonstraram que com sete semanas e meia o feto começa a responder a estímulos vindos tanto de fora como de den tro do seu corpo ele responde com movi mentos violentos e aumenta o batimento car díaco à punção de uma agulha e à injeção intraperitonial de soluções frias Ademais a autora aventa a possibilidade de podermos detectar já no útero algumas indicações pre maturas do futuro temperamento da criança Bion 1992 mesmo sem contar com os so fisticados recursos da moderna tecnologia vinha insistindo principalmente na década de 70 na sua conjetura especulativa quanto à existência de uma intensa vida psíquica fetal e indo mais longe ele a estendia à in fluência quanto à impressão eu me pergun to não será imprinting já nas células em brionárias dos fatores uterinos através de uma ressonância das flutuações dos estados físicos e emocionais da mãe Bion afirmava repetida e enfaticamente que essas primiti vas sensações corporais e de certa forma experiências emocionais ficavam impressas e representadas no incipiente psiquismo do feto com ulteriores manifestações no adul to sob a forma de enigmáticas e protéicas psicossomatizações É evidente que devem ser incluídos alguns fatores de natureza orgânica como são al guns possíveis defeitos genéticos do feto eventuais estados de intoxicação da mãe medicamentosa tabagista etc que pene tram no organismo do bebê em gestação assim como também devemos considerar os possíveis problemas decorrentes de partos complicados etc O bebê nasce num estado de neotenia isto é nasce prematuramente no sentido de que apresenta em relação a qualquer espécie do reino animal uma prolongada deficiência de maturação neurológica motora que o deixa em um estado de absoluta dependência e desamparo Em contraste com a lentidão da maturação motora o desenvolvimento dos órgãos dos sentidos na criança é relativamen te precoce e rápido ela começa a sentir ca lor e frio desde o nascimento a ouvir a par tir das primeiras semanas a olhar por volta do primeiro mês e assim por diante Dentre os fatores constitucionais também é útil incluir a noção de organizadores tal como ela foi postulada por R Spitz 1965 Este autor tomou este termo emprestado da embriologia na qual o termo organizador designa o fato de que um determinado gru po de células diferenciase de outras seme lhantes no sentido de que elas são portado FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS 91 ras de uma informação genética que induzi rá a um desenvolvimento específico o que ocorre a partir de um certo momento da evo lução O exemplo clássico disto consiste no transplante de células epidérmicas que a partir de uma certa idade darão origem às células diferenciadas do olho Utilizando tal modelo Spitz postulou a teoria de que o de senvolvimento da criança passa por três organizadores pontos nodais de transfor mações que são o sorriso espontâneo por volta do terceiro mês a angústia do oitavo mês e a capacidade para dizer não em tor no do segundo ano Igualmente se impõe o registro dos estudos de Piaget epistemólogo suíço que estudou aprofundadamente o fato de que a evolução das capacidades sensoriais motoras e inte lectuais de uma criança podem variar no rit mo e qualidade porém inevitavelmente obe decem a uma prédeterminada seqüência neurofisiológica O desenvolvimento atual da neurociência está comprovando que os fatores orgânicos relativos às sinapses neuronais e hemisférios cerebrais exercem uma clara e definida in fluência no psiquismo tal como pode ser observado com alguns evidentes resultados positivos com o uso adequado de neuro lépticos ou antidepressivos da moderna psicofarmacologia Da mesma forma algu mas pesquisas recentes sobre os hemisférios cerebrais comprovam que algumas pessoas têm uma tendência inata para o talento ver bal enquanto outras podem ter falta dessa capacidade e serem aptos em habilidades manuais criatividade artística ou são mais propensos para descargas afetivas etc Pen so que podemos incluir uma especial capa cidade inata da criança que é aquela que con siste em uma intuitiva condição de ler as modulações afetivas expressadas na face e na voz da mãe Conquanto Freud tenha postulado um esta do inicial de autoerotismo seguido de um narcisismo primário muitas vezes essas duas concepções superpõemse nos seus es critos nos quais não haveria nenhuma rela ção objetal é virtualmente consensual entre os atuais autores das mais distintas corren tes psicanalíticas que desde o nascimento ou antes segundo Bion já existe sim uma re lação objetal com a mãe embora em bases muito primitivas Logo já existe um inato esboço de ego diferentemente do que Freud afirmava isto é de que o ego emergiria do id o qual no início da vida reinaria sozi nho Igualmente muitos autores muito particu larmente os kleinianos advogam a teoria de que já no recémnato existe a presença e funcionamento de arcaicas fantasias incons cientes por conseguinte também a existên cia de fortes angústias de aniquilamento com as respectivas defesas primitivas do ego incipiente para contraarrestar as aludidas angústias Outras escolas de psicanálise como a dos norteamericanos da psicologia do ego e a da psicologia do self discordam destas teorias O que ninguém discorda é o fato de que o bebê está à mercê de estímulos de toda or dem físicos e psíquicos sensoriais e cines tésicos prazerosos e desprazerosos sendo que ele não tem condições neurofisiológicas e muito menos egóicas para distinguir se es sas sensações corporais provêm de dentro ou fora dele se deste ou daquele órgão As sim a criança nesse transitório estado de caos não consegue descarregar para o mun do externo através da motricidade e da ação este aumento de tensão que acontece no seu mundo interno Ela o faz por meio da lin guagem corporal primitiva choro ricto do loroso diarréia vômito esperneio etc de modo a mobilizar as pessoas que estão à sua volta para cumprirem essa função de aliviar e processar as necessidades e o estado de tensão insuportável Neste ponto começa mais explicitamente a im portância dos fatores ambientais muito particular mente a das funções atribuídas aos pais A exposi ção que se segue naturalmente muito sumária obe decerá à ordem cronológica de como estes fatores do desenvolvimento da personalidade apareceram na literatura psicanalítica desde as originais con cepções de Freud e Abraham acerca das etapas evolutivas passando pela teoria das posições tal como foram concebidas por M Klein e por fim vamos deternos algo mais demoradamente nas 92 DAVID E ZIMERMAN mais recentes contribuições a respeito do desen volvimento emocional primitivo AS FASES DO DESENVOLVIMENTO Inicialmente é útil esclarecer que o termo fase aparece em outros textos de distintos autores com outras denominções como etapa estádio es tágio período etc Durante muitas décadas da evolução da psicanálise essa concepção de fases foi a única vigente e o seu emprego extrapolou o campo restrito da psicanálise absorvida que foi pelos diversos setores culturais onde ainda per manece com a conceituação original De há muito tempo é sabido que as etapas evolutivas na formação da personalidade da crian ça não são estanques e nem de uma progressão ab solutamente linear antes elas se transformam superpõem e interagem permanentemente entre si O importante principalmente para a prática clíni ca é que os diferentes momentos evolutivos dei xam impressos no psiquismo aquilo que Freud de nominou de pontos de fixação em direção aos quais eventualmente qualquer sujeito pode fazer um movimento de regressão Os pontos de fixação formariamse a partir de uma exagerada gratificação ou frustração de uma determinada zona erógena No primeiro caso o sujeito diante de angústias insuportáveis tenta regredir para um tempo e um espaço que lhe foi tão protetor e gratificante no caso de uma ex cessiva frustração que foi a determinante do ponto de fixação a regressão dáse muitas vezes sabe mos hoje como uma tentativa de resgatar alguns buracos negros existenciais Assim é bem conhecido o fato de que todos os afetos primitivos sofrem sucessivas transforma ções psíquicas que ficam presentes ou represen tados no inconsciente constituindo pontos de fi xação os quais funcionam como um pólo imanta do e tal como faz um eletroímã atraem para si a representação de novas repressões de fantasias e de experiências emocionais Fase Oral De todas as fontes de energia vital da criança procedem sensações tanto desprazerosas que exi gem uma descarga imediata e que encontram um alívio e bemestar com a satisfação das necessida des básicas por parte da mãe como também sensa ções agradáveis como resultado dessa gratificação materna Para Freud a teoria da libido era originariamen te um conceito anatômico Os órgãos produtores de libido eram denominados zonas erógenas como os lábios a boca a pele o movimento mus cular a mucosa anal o pênis e o clitóris sendo que em cada idade específica predomina a hegemonia de uma determinada zona erógena A primeira etapa da organização da libido foi denominada como a fase oral sendo que a boca vem do latim osoris daí oral constituise como a zona erógena que primacialmente experi menta a libido oral e suas gratificações como é no ato da amamentação A finalidade da libido oral além da gratificação pulsional também visa à in corporação a qual por sua vez está a serviço da identificação Deve ficar bem claro no entanto que a boca não é o único órgão importante dessa fase evolutiva mas sim que ela se constitui um modelo de incor poração e de expulsão ou seja como um protótipo de funcionamento arcaico que intermedeia o mun do interno com o mundo externo Assim também devem ser consideradas nessa fase oral outras zo nas corporais que cumprem a mesma função como o complexo sistema aerodigestivo sobretudo todo o trato gastrintestinal os órgãos da fonação e da linguagem as sensações cinestésicas alude ao equilíbrio corporal enteroceptivas as que pro vêm de órgãos internos e as proprioceptivas de rivam das camadas mais profundas da pele a pele que além das aludidas sensações profundas tam bém propicia as funções de tato e a de uma essen cial aproximação pelepele com a mãe todos os órgãos sensoriais como olfato paladar tato au dição e visão Em outra parte deste capítulo será melhor explicitada a importante função que o olhar desempenha na estruturação da personalidade da criança Também é útil destacar que pelo fato de o bebê não ter condições de distinguir a origem dos dife rentes estímulos ele também não conseguirá dife renciar o conteúdo dos mesmos resultando daí que tudo aquilo que ele vier a tocar tem o mesmo signi ficado que o alimento logo da mesma forma ele também quer incorporar Igualmente falar e ser falado representa em etapas muito primitivas o mesmo que tocar e ser tocado e assim por dian te de tal sorte que cabe dizer que o processo pri mário da fantasia do bebê de que ele domina o mundo externo repete em certa medida o proces so de incorporação FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS 93 A fase oral do desenvolvimento de um modo geral alude ao primeiro ano de vida Abraham 1924 trouxe uma importante contribuição à com preensão dessa fase evolutiva ao distinguir duas subetapas dentro da fase oral a fase oral passivo receptiva dura até que o bebê tenha condições de agarrar espontaneamente os objetos e a fase oral ativoincorporativa A importância desta última reside no fato de que Abraham intuiu o conceito de que essa incorporação ativa possa estar carregada de pulsões agressivas e hostis geralmente dirigidas à mãe É útil acrescentar que ao longo da obra de Freud aparecem postulações fundamentais hoje clássicas e que acontecem no curso da fase oral como são uma especial valorização do corpo o ego antes de tudo é corporal a identificação primária com a mãe a concepção de uma bissexualidade como uma qualidade primordial da herança biológica a vigência do princípio do prazerdesprazer o pre domínio do processo primário do pensamento a primitiva formação das representaçõescoisa as incipientes formas de linguagem e comunicação dentre outros conceitos mais Fase Anal Da mesma maneira como foi referido em rela ção ao fato de que a fase oral não se refere ex clusivamente à importância da boca também a ex pressão fase anal não alude unicamente à libidi nização das mucosas excretórias encarregadas da evacuação e micção com as respectivas fantasias agressão contra os pais ou uma forma de presen teálos controle onipotente gratificação vergo nha culpa humilhação ou uma crescente auto estima sensação de que é uma obra sua valor simbólico das fezes e urina etc que sempre as acompanham Geralmente esta etapa é considerada como aque la em que as transformações vão ocorrendo no cur so do segundo e terceiro anos sendo que outras im portantes funções devem ficar incluídas nesta fase como são as de aquisição da linguagem engatinhar e andar curiosidade e exploração do mundo exte rior progressivo aprendizado do controle esfincte riano controle da motricidade e prazer com a ati vidade muscular ensaios de individuação e sepa ração por exemplo comer sozinho sem a ajuda de outros o desenvolvimento da linguagem e comu nicação verbal com a simbolização da palavra os brinquedos e brincadeiras a aquisição da condi ção de dizer não etc Assim também o controle esfincteriano deve sobretudo ser considerado como um modelo de como processase o controle motor em geral as sensações de domínio ou de sujeição o prazer na expulsão ou retenção a intermediação entre aqui lo que é uma produção e uma posse do bebê em confronto com as exigências do mundo exterior as implicações emocionais nos atos de receber reter eliminar tomar e dar etc Destarte o valor da matéria fecal acima mencio nada adquire a significação de uma troca entre a criança e o mundo exterior o que se constitui como um protótipo das equivalências descritas por Freud entre as fezes e o dinheiro presentes filhos Abraham descreveu duas subetapas fase anal expulsiva e fase anal retentiva Na primeira a criança tanto pode proporcionar um prazer ao mes mo tempo autoerótico e de um presente para os pais quanto também pode representar uma mani festação sádicoanal A fase retentiva decorre do fato de que a criança aos poucos descobre que a mucosa anal pode ser prazerosamente estimulada não unicamente pela expulsão mas também pela retenção das fezes Muitos autores pensam que este ponto de fixação constitui um importante elemen to do prazer autoerótico masoquista para a crian ça e também como uma forma de controlar e mani pular as pessoas que cuidam dela por meio da re tenção das próprias fezes Em resumo é na fase anal que a criança desen volve sentimentos sádicos e masoquistas a ambi valência as noções de poder e de propriedade privada a rivalidade e competição com os demais bem como o surgimento das dicotomias tipo grande x pequeno bonito x feio dentro x fora ati vo x passivo bom x mau masculino x feminino etc etc Baseados nessas características da fase anal com os seus respectivos pontos de fixação e de re gressão muitos autores descreveram importantes textos quanto à formação de um caráter anal como é o caso de uma caracterologia de molde obsessi vocompulsiva além de uma melhor compreensão de várias síndromes psiquiátricas Fase Fálica A fase fálica a terceira etapa prégenital do desenvolvimento psicossexual também é descri ta na literatura psicanalítica mais recente com a denominação de fase edípica A expressão fá lica originase no conceito original de Freud de que até certa idade as crianças de ambos sexos su 94 DAVID E ZIMERMAN põem a existência de genitais masculinos em todas as pessoas sendo o falo na antigüidade grecoro mana a representação simbólica do poder concen trada no órgão anatômico pênis enquanto a ex pressão edípica alude ao fato de que os desejos erógenos nos meninos e nas meninas ficam incre mentados com fantasias as mais diversas e nor malmente elas dirigemse aos pais do sexo oposto no triângulo edípico De forma muito sumarizada cabe registrar os se guintes acontecimentos que se manifestam nesta fase Masturbação Na fase fálica o prazer organizase predomi nantemente pela excitação das mucosas genitais do pênis nos meninos e mais indiretamente do clitóris nas meninas podendo este ser vivido como sendo um pênis pequeno Como uma continuidade da fase evolutiva anterior este prazer masturbatório fica bastante associado ao prazer uretral no ato de uri nar e à retenção vesical Sempre houve uma grande dúvida entre os au tores quanto ao fato de se as meninas teriam ou não um conhecimento nessa fase da existência da vagina Freud acreditava que não enquanto mui tos outros psicanalistas como K Horney E Jones M Klein e tantos outros contemporâneos afirmam que a vagina intervém precocemente na sexualida de da menina que dela possuiria um conhecimen to intuitivo Cabe registrar que não raramente a mãe du rante a higiene da genitália da criança pode estar estabelecendo com ela um conluio masturbatório Curiosidade Sexual Uma observação atenta da natural curiosidade das crianças nesta fase do desenvolvimento que se manifesta pelos constantes por quês permitirá verificar que a maioria delas se refere às origens das diferenças entre pares opostos como masculi nofeminino seiopênis grandepequeno etc e que a constatação progressiva dessas diferenças provoca um acréscimo de angústia que encontra alívio numa explicação adequada por parte do edu cador caso contrário obrigará a criança a cons truir as mais estapafúrdias teorias Essas teorias são tecidas principalmente em tor no dos seguintes aspectos a diferença anatômica dos sexos o enigma do nascimento e por conse guinte tudo que cerca as fantasias de concepção como são as subseqüentes teorias da sedução da cena primária do incesto e do complexo de castração Cena Primária Tanto por uma intuição como por estímulos externos barulhos noturnos insinuações dos pais ou cenas que vê na televisão a criança imagina o que se passa no quarto fechado dos pais fica mui to excitada e usa o recurso das repressões Por ve zes estas últimas não são suficientes e a criança aumenta o seu mundo de imaginação que fica gi rando em torno das anteriores fantasias préedípicas entredevoramento coito sádico fusão paradisíaca amputações coito e parto anal etc A criança é levada a tomar imaginariamente e de forma alternada o lugar dos protagonistas da cena com as diversas fantasias correlatas ineren tes ao complexo de Édipo Quando os pais per mitem ou até induzem a uma participação concre ta dela na cena primária estarão provavelmente produzindo um futuro perverso Complexo de Édipo Esta expressão designa o conjunto de desejos amorosos e hostis que a criança experimenta com relação aos seus pais Freud situouo por volta dos três anos e M Klein postulou o seu surgimento aproximadamente aos seis ou oito meses de idade Porém com essa concepção ela desfigurou bastan te a conceituação original de Freud acerca de Édipo Para Freud o complexo de Édipo comporta duas formas uma positiva que genericamente consiste num desejo sexual pelo genitor do sexo oposto bem como de um desejo de morte pelo do mesmo sexo e uma forma negativa na qual há um desejo amo roso pelo genitor do mesmo sexo e um ciúme ou desejo de desaparecimento do outro Na clínica o mais freqüente é que ambas formas coexistam nos indivíduos embora uma delas predomine nitida mente O complexo edípico sempre foi considerado como o núcleo central na estruturação de toda e qualquer neurose sendo que na atualidade essa concepção tem sido contestada por alguns autores que acreditam que nos pacientes bastante regressi vos não é a má resolução propriamente edípica a responsável maior pela neurose mas sim que ela é apenas o reflexo das complicações das fases an teriores particularmente das fixações narcisistas FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS 95 Predomina entre os psicanalistas a consen sualidade de que o complexo de Édipo representa ter um papel organizador essencial para a organi zação da personalidade no mínimo por quatro ra zões fundamentais 1 Ele abre caminho para a triangulação ou seja permite a inclusão de um terceiro pai que ao interporse na díade mãefilho pos sibilitará à criança o indispensável proces so de renunciar à possessividade onipoten te e aceitar as diferenças de sexo geração e potência em comparação com os pais assim como também reconhecer que es tes são relativamente autônomos e têm os seus próprios espaços 2 A segunda razão da importância da resolu ção edípica é porque ela determina a for mação das identificações aspecto absolu tamente essencial na formação da persona lidade e do sentimento de identidade 3 A exclusão da criança da cena primária pode gerar uma série de sentimentos de forte intensidade com a predominância de uma sensação de abandono e traição e por conseguinte uma avalanche de ódio e pla nos de vingança contra os pais Tais senti mentos serão acompanhados por outros como medo culpa excesso de identifica ções projetivas incremento de ansiedades paranóides especialmente aquelas que es tão contidas na angústia de castração A presença desta última sob diversas for mas de manifestação representa um impor tantíssimo elemento na prática clínica da psicanálise 4 É unicamente por meio de uma exitosa re solução da conflitiva edípica que se torna possível o ingresso em uma genitalidade adulta caso contrário as fixações parciais nas fases préedípicas ou uma má resolu ção do complexo de Édipo resultarão em distintas formas de pseudogenitalidade ver capítulo 37 Período de Latência Depois dos seis anos de idade a criança entra no período de latência que apresenta duas carac terísticas principais a primeira é que vai acontecer uma repressão da sexualidade infantil com uma amnésia relativa às experiências anteriores e a se gunda característica consiste no fato de que se es trutura um reforço das aquisições do ego A com binação de ambas propicia a sublimação das pul sões comumente na escolarização e em atividades esportivas assim como também na formação de aspirações morais estéticas e sociais de modo tal que este período é comumente considerado como sendo aquele que consolida a formação do caráter Puberdade e Adolescência O termo puberdade deriva de púbis mais especificamente alude aos pêlos pubianos que começam a aparecer no menino ou na menina Basta este fato para mostrar que esse período de préado lescência indica que é uma etapa do desenvolvi mento no qual começa a maturação fisiológica do aparelho sexual O termo adolescência por sua vez etimologi camente é composto pelos prefixos latinos ad para a frente dolescere crescer com dores o que dá uma idéia de que se trata de um período de transformações portanto de crise As princi pais transformações além daquelas na anatomia e fisiologia corporal também são de natureza psico lógica muito especialmente o da busca de uma identidade individual grupal e social De modo geral considerase que a adolescên cia abrange três níveis de maturação e desenvolvi mento a puberdade ou préadolescência no pe ríodo dos 12 aos 14 anos a adolescência propria mente dita dos 15 aos 17 e a adolescência tardia dos 18 aos 21 Cada uma dessas etapas apresentam caracterís ticas próprias e específicas que mereceriam uma descrição pormenorizada mas não cabe fazêlas no contexto do presente capítulo AS POSIÇÕES Até M Klein a concepção freudiana de fases evolutivas guardava uma hegemonia total entre todos os psicanalistas A partir dos estudos dessa autora houve uma significativa mudança na forma de entender os movimentos evolutivos do psi quismo infantil embora a conceituação de fases continue vigente e perfeitamente válida em muitos aspectos teóricos e clínicos O termo posição tal como foi proposto por M Klein designa um ponto de vista uma forma 96 DAVID E ZIMERMAN de o indivíduo visualisar a si mesmo aos outros e ao mundo que o cerca Esse vértice de observação instituise a partir de uma constelação de ansieda des relações objetais defesas e afetos e determi na uma forma de o sujeito ser e de comportarse na vida M Klein descreveu dois tipos de posição a esquizoparanóide PEP em 1946 e a depressiva PD em 1934 embora a certa altura de seus estu dos ela tenha descrito uma terceira modalidade a posição maníaca à qual não mais retornou A PEP em condições normais estendese até o terceiro mês de vida e consiste em um indispensável uso de de fesas muito primitivas por parte do incipiente ego do bebê notadamente as dissociações e as pro jeções como uma forma de ele livrarse das terrí veis ansiedades de aniquilamento que segundo Klein são resultantes das pulsões sádicodestruti vas diretamente ligadas à inata inveja primária ou seja à pulsão de morte Muito particularmen te deve ser destacada a utilização durante a PEP daquilo que ela veio a denominar identificações projetivas conceito altamente importante e que hoje é aceito por todas correntes psicanalíticas A PD por sua vez sucedendo à PEP vem a organizarse por volta do sexto mês e designa um estado que vai possibilitar que a criancinha come ce a discriminar reconhecer e integrar os aspectos clivados dessa mãe agora como um objeto total A consolidação da PD implica na condição de que a criança tanto assuma o seu quinhão de culpas e de responsabilidades como também que ela possa exercitar as suas capacidades reparatórias pelos danos que na realidade ou na fantasia infligiu aos seus objetos necessitados Bion propôs um modelo segundo o qual as PEP e PD não são estanques e de evolução linear e seqüencial pelo contrário elas estão sempre pre sentes ao longo de toda a vida e sempre em uma interação recíproca A abordagem evolutiva da criança desde esta concepção de posições trou xe uma enorme amplificação dos conhecimentos teóricos e portanto da prática psicanalítica Acompanhando muitos autores que postulam a existência de uma condição mental do bebê ante rior à da PEP mais exatamente a de uma total indiferenciação entre o bebê e a mãe tendo em vista que a PEP tal como ela é formulada pressupõe al gum grau de diferenciação entre eu e nãoeu atrevime a propor a possibilidade de considerar se a existência de uma posição narcisista que reúne características muito peculiares e que será abordada no capítulo 13 deste livro DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL PRIMITIVO Freud não só descreveu a evolução psicossexual em termos de fases em termos das pulsões liga das à sexualidade como também priorizou um enfoque falocêntrico e por conseguinte com uma atribuição de valorização muito maior à figura do pai Assim sempre que a mãe aparece nos seus tex tos tal como podese observar em alguns de seus historiais clínicos parece que a importância do papel dela fica reduzido ao de ser uma subsidiária da hegemonia do pai da criança Em contrapartida M Klein deu à psicanálise uma concepção seiocêntrica tal foi a sua ênfase na importância das primitivas relações do bebê com a mãe mais precisamente com o objeto parcial seio que fica dividido na mente primitiva da criança naquilo que a autora denominava como seio bom e seio mau Klein fundamentou essa concepção a partir do que ela observou em análi ses com crianças de pouca idade partindo do pres suposto que essa dissociação do seio nutridor ma terno era devido à ação da pulsão de morte sob a forma de uma inveja primária que atacava esse seio com as conseqüentes ansiedades culpas e necessi dade de fazer reparações Sem dúvida são conceitos muito úteis e que ajudaram a abrir as portas da análise para pacien tes de estruturação psicótica No entanto embora nos primeiros tempos Klein tivesse valorizado a mãe real externa gradativamente possivelmente empolgada com a aceitação das suas originais con cepções ela foi concentrando o seu interesse qua se que exclusivamente nas fantasias inconscientes da criança virtualmente sempre de caráter sádico destrutivo sendo que a figura da mãe real ficou praticamente esquecida enquanto toda ênfase re caía sobre a mãe que estava introjetada distorcida pelas aludidas fantasias do bebê Embora muitos kleinianos continuem aceitan do e praticando com tais postulações originais tam bém se formou um grande contingente de psicana listas que formulara severas críticas a elas com os argumentos entre tantos outros de que Klein não tinha a menor possibilidade de comprovar suas afir mações com algum rigor científico e que além dis so ela parecia reduzir o bebê a um ente que esti vesse sempre num terrível estado de sofrimento e com um estado mental idêntico ao de um adulto psicótico Mais precisamente a partir da década de 50 muitos autores alguns de origem kleiniana como Winnicott e Bion outros com formação distinta como Lacan M Mahler Kohut unicamente para UNIVERSIDADE NILTON LINS CURSO PSICOLOGIA DISCIPLINA FUNDAMENTOS EM PSICANÁLISE I ALUNO A XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX MATRÍCULA CAPÍTULO 5 A ESTRUTURA E O FUNCIONAMENTO DO PSIQUISMO ZIMERMAN David E Fundamentos Psicanalíticos teoria técnica e clínica uma abordagem didática Porto Alegre Artmed 2007 p 7787 Página Citação 05 DHDHDHDHDHDHHDHDHDHDHDHDHDHDDH 05 KDKDKKDKDDDAJDASDJADKJAKDJKDKDKSKDSJDJASDKDKJKDS 08 SJSJSJSJJSJ COMENTÁRIO UNIVERSIDADE NILTON LINS CURSO PSICOLOGIA DISCIPLINA FUNDAMENTOS EM PSICANÁLISE I ALUNO A MATRÍCULA CAPÍTULO 5 A ESTRUTURA E O FUNCIONAMENTO DO PSIQUISMO ZIMERMAN David E Fundamentos Psicanalíticos teoria técnica e clínica uma abordagem didática Porto Alegre Artmed 2007 p 7787 Página Citação 77 O termo princípio é bastante utilizado nas ciências em geral e designa um ponto de partida para a construção de um sistema ideativocognitivo que mantenha uma certa lógica 78 Segundo Freud 1915 a pulsão é conceituada como sendo o representante psíquico dos estímulos somáticos 78 O princípio do prazer alude essencialmente ao significado de que a catéxis pulsional demanda uma gratificação imediata sem minimamente levar em conta a realidade exterior 78 o princípio da constância visa à obtenção da menor tensão psíquica possível tanto por intermédio do recurso da evitação e afastamento da fonte de estímulos desprazerosos 79 A maioria dos autores posteriores a Freud não encontra vantagem alguma em manterse a divisão entre narcisismo primário e secundário 80 Baseado na prática clínica podese afirmar que o sadismo e o masoquismo coexistem simultaneamente tanto intra como intersubjetivamente 80 Isso que acontece com os sonhos de forma análoga ocorre com a formação de sintomas e todos os fenômenos da psicopatologia 80 Freud postulava que o inconsciente é constituído por uma energia psíquica proveniente das pulsões as quais operando conjuntamente com as representações que se formam no ego caracterizam esses dois tipos de processamento psíquico 82 Freud empregou a palavra aparelho para caracterizar uma organização psíquica dividida em sistemas ou instâncias psíquicas com funções específicas para cada uma delas que estão interligadas entre si 82 o préconsciente também funciona como um pequeno arquivo dos registros de modo que a ele cabe sediar a fundamental função de conter as representaçõespalavra 83 Além disso o inconsciente também consiste num depósito de repressões secundárias as quais chegaram a emergir sob forma disfarçada no consciente como nos sonhos ou sintomas e voltam a ser reprimidas para o Inconsciente 84 No entanto a psicanálise atual fica muito enriquecida com uma sutil porém necessária diferença entre os conceitos específicos que cada um desses termos comporta COMENTÁRIO O capítulo 5 intitulado A Estrutura e o Funcionamento do Psiquismo do livro Fundamentos Psicanalíticos teoria técnica e clínica uma abordagem didática trouxe um estudo abrangente em relação aos princípios básicos da psicanalise freudiana destacando seus prontos principais Segundo Zimerman Freud estruturou o psiquismo com base em uma série de concepções como Pulsões fonte Princípio do Prazer Princípio da Realidade Princípio da Constância dentre outros Por isso a terminologia princípio vem sendo utilizada como uma questão essencial para a ciência visto que é uma representação de como o conhecimento é construído Além disso ao trazer esse conceito o autor ainda enfatiza o modo como as premissas desse conhecimento são formuladas com base em hipóteses modelos explicativos e leis A pulsão conforme apresentada no capítulo é compreendida como uma energia que surge do corpo humano sendo estendida ao psiquismo além de ter influência frente aos desejos e comportamentos dos indivíduos como seus sentimentos e conflitos internos Assim a palavra pulsão é fundamental para se entender de modo claro as diversas dinâmicas existentes no inconsciente e seus mecanismos de repressão Zimerman trouxe o princípio do prazer descrito na psicanalise freudiana como uma tendência que surge de modo natural através do psiquismo isso ocorre principalmente em decorrência de uma busca por gratificação que causa uma redução referente a tensão que é criada por meio da pulsão Ou seja a mente passa por um estágio inicial de desenvolvimento não considerando as restrições que surgem externamente ou suas respectivas consequências Como apresentado no capítulo o princípio da constância se conecta com o princípio do prazer além de ir adiante tendo em vista que não foca somente nisso Ao observar o exposto no capítulo em relação a tal princípio é possível observar como muitos mecanismos se desempenham como defesa do ego operando através de sistemas de redução dos impactos que surgem principalmente de conflitos internos e externos Sabendo isso é visto que a mente humana passa a criar estratégias que vão em busca de modos de lidar com as tensões evitando que os sujeitos enfrentem sofrimentos extremos isso contribui para uma regulação das experiências emocionais O narcisismo primário e secundário foi estudado por Freud principalmente para explicar estágios relacionados a um investimento libidinal Para ele o narcisismo primário é referente a um estado que se inicia em toda libido segundo ele isso é voltado para o próprio eu dos indivíduos Enquanto que o dito narcisismo secundário é um estágio que ocorre como um fator que liga a libido a uma espécie de objetivação externa do mundo ao redor do eu O capítulo ainda abordou o sadismo e masoquismo como expressões que coexistem em graus e modos diversos partindo da subjetividade dos indivíduos e suas relações interpessoais Para Freud existe uma dinâmica entre sofrimento e prazer que se relaciona diretamente isso é apontado através de tais manifestações É possível destacar ainda que o sadismo e o masoquismo possuem uma complexidade que reforça a psique humana trazendo fluidez as relações humanas Os sonhos e os sintomas neuróticos são expressões do inconsciente conforme destaca Freud É visto ainda que os sonhos são caracterizados como respostas a manifestações dos desejos reprimidos dos humanos enquanto que os sintomas psicológicos surgem como uma maneira de se reforçar as forças psíquicas existentes dentro desses conflitos Tal afirmação trazida por Zimerman com base no estudo de Freud sugere ainda que os sintomas não podem ser considerados distúrbios isolados mas sim manifestações do inconsciente humano As pulsões conforme explicadas por Freud funcionam em diversos modos e níveis elas influenciam ainda no comportamento dos sujeitos seguindo as diversas experiências internas vivencias por eles Sendo assim elas são relacionadas a agressividade sexualidade e autopreservação A expressão aparelho psíquico surge para Freud como uma maneira de se referir a estrutura das organizações compostas principalmente por instâncias cada uma possui suas respectivas funções Elas são ligadas de modo interdependente agindo de modo dinâmico na criação das expressões e processos pessoais Quando o ego id e super ego interagem entre si pode surgir conflitos que devem ser resolvidos antes de tornarem outros fatores psicopatológicos O préconsciente tem um papel de suma importância dentro da regulação das funções da psique humana isso porque possibilita que os conteúdos possam surgir com base na consciência sem causar sobrecarga mental e emocional imediata o que de certo modo vem preservando o equilíbrio psíquico Essa possibilidade de filtrar e guardar conteúdo na memória garante que os sujeitos lidem de modo mais eficiente e ativamente quando necessário A afirmação relacionada ao inconsciente ser um depósito de repressões esse conceito é relacionado a uma expressão que se direciona como um mecanismo de repressão e dinâmica presente entre o consciente e o inconsciente Essa repressão é um mecanismo psíquico de defesa que impede que os conteúdos perturbadores ou dolorosos venham a se tornar conscientes Como exposto por Zimerman quando esses conteúdos passam a emergir tendo em vista que são constantemente reprimidos eles voltam novamente a serem reprimidos retornando ao seu estado novamente Esse fato portando pode gerar grande tensão psíquica e o desenvolvimento de distúrbios ou sintomas Os processos de repressão possuem relação com os sonhos trazendo um reflexo de como isso é formado por complexidade para Freud o inconsciente não é apenas um repositório passivo mas um campo ativo de lutas entre conteúdos desejantes e a censura imposta pelo ego CAPÍTULO 6 A Formação da Personalidade ZIMERMAN David E Fundamentos Psicanalíticos teoria técnica e clínica uma abordagem didática Porto Alegre Artmed 2007 p8996 Página Citação 89 A palavra maturação referese aos processos de crescimento que ocorrem em função das potencialidades orgânicas neurofisiológicas do recém nascido e que são relativamente independentes do ambiente exterior 92 De há muito tempo é sabido que as etapas evolutivas na formação da personalidade da criança não são estanques e nem de uma progressão absolutamente linear antes elas se transformam superpõem e interagem permanentemente entre si 92 Os pontos de fixação formaramse a partir de uma exagerada gratificação ou frustração de uma determinada zona erógena 93 De todas as fontes de energia vital da criança procedem sensações tanto de prazerosas que exigem uma descarga imediata e que encontram um alívio e bemestar com a satisfação das necessidades básicas por parte da mãe 95 O termo puberdade deriva de púbis mais especificamente alude aos pelos pubianos que começam a aparecer no menino ou na menina 96 Freud não só descreveu a evolução psicossexual em termos de fases em termos das pulsões ligadas à sexualidade como também priorizou um enfoque falocêntrico e por conseguinte com uma atribuição de valorização muito maior à figura do pai COMENTÁRIO Com base no exposto pelo autor é possível compreender que a maturação quando ligada ao desenvolvimento de crianças é um processo que surge através do qual o organismo atinge sua capacidade funcional máxima Esse processo ocorre conforme o cérebro se desenvolve possibilitando que a criança passe pela fase de dependência para a capacidade de interagir no ambiente ganhando autonomia Para Freud as experiências adquiridas e o ambiente possuem um papel fundamental para o desenvolvimento infantil O desenvolvimento da personalidade é um fator de complexidade geralmente marcado por transformações que ocorrem em diversos níveis e períodos que podem trazer diversos aspectos para ela seja em fatores emocionais psíquicos ou sociais Em momentos divergentes uma criança pode trazer à tona diversas características ou comportamentos de estágios anteriores enquanto ao mesmo tempo já começa a manifestar sinais de estágios mais avançados Além disso é visto que essas etapas ocorrem de maneira diferente para cada criança A fixação conforme apresentada por Freud reflete a personalidade humana e como ela vem a se desenvolver por meio de diferentes estágios psicoxesuais e se concentra em diversas zonas em cada etapa da vida humana Quando ocorre um comportamento repetitivo em excesso em determinada área erógena ocorre portando a fixação ela pode se prender a essa fixação trazendo traços para a sua vida adulta Para Freud as sensações prazerosas e de desconforto estão ligadas as experiências que adquirimos ao longo da vida desde os primórdios da existência As crianças ao nascer passam a estar em uma fase de vulnerabilidade necessitando de auxílio em todas as suas necessidades e essas devem ser atendidas de modo eficiente Para a psique esse processo é um modo inicial da fase emocional trazendo reflexos no alivio ou dor e como são obtidos por meio de uma interação com o ambiente na qual a criança está inserida em especial quando se trata da mãe As diversas mudanças que ocorrem no corpo durante a fase da adolescência podem ser associadas de modo direto as transformações dentro do emocional e psique humana o corpo se prepara para a capacidade de gerar nova vida além de estar associada ao desenvolvimento hormonal Como dito pelo autor a puberdade é uma fase primordial no desenvolvimento da identidade e da sexualidade A falocêntrica e a preferência pelo pai conforme exposto no capítulo são resultados da perspectiva de gênero que tem sido discutida por diversos estudiosos em especial devido a considerar de modo inadequado as experiências femininas que são adquiridas ao longo dos anos além da sua relação com a família Com base nos estudos de Freud essa fase representa de modo fundamental o entendimento direcionado a psique humana e a participação de suas experiências familiares na formação de sua personalidade

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