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Michaella Carla Laurindo Organizadora Temas para pensar e ensinar a psicologia Introdução às estruturas clínicas em psicanálise Michaella Carla Laurindo e Silvana Farinha A utilização do termo estrutura em psicanálise difere da significação usual uma reunião de vários elementos ou uma matriz sólida Seguindo os desenvolvimentos freudianos Lacan irá conceber a especificidade do conceito de estrutura a partir da organização psíquica que se dá em torno de um furo Esse furo tem uma razão estrutural para existir O humano é um ser faltante por natureza Faltalhe um complemento no corpo capaz de fazêlo se autorreproduzir como nos animais assexuados Além disso todo o seu universo perceptivo é representacional ou seja precisa passar pelo registro da linguagem e essa não lhe é inerente é um ser de linguagem mas a linguagem não é um dom natural precisa ser conquistada A estruturação subjetiva consiste justamente no processo por meio do qual o humano se constitui na sua relação ao Outro do discurso e do desejo constituição que tem a falta como elemento fundamental e que se desdobra na relação que o sujeito irá ter com respeito ao sexo desejo lei angústia e morte O diagnóstico só pode ser buscado no registro simbólico onde são articuladas as questões fundamentais do sujeito sobre o sexo a morte a procriação a paternidade quando da travessia do complexo de Édipo É a partir do simbólico portanto que se pode fazer o diagnóstico por meio dos tres modos de negação do Édipo negação da castração do Outro QUINET 2005 p 23 Freud irá postular que diante da falta só resta defenderse FREUD1894 1996b A maneira como cada sujeito irá se constituir ante a falta que destino dará para a energia pulsional determinará o modo de estruturação psíquica neurose psicose e perversão Com o adendo de que esses modos de estruturação não são patológicos a priori o pathos padecimento do sujeito incidirá sobre os impasses desse processo subjetivo O sujeito freudiano é um sujeito afetado pelos impasses do seu próprio processo de constituição constituição essa que ocorre como maneira de defenderse da falta ou da castração empregandose o termo freudiano Cabe dizer que esse processo de constituição se dá a partir de operações bastante complexas sendo que é de fundamental importância a incidência da Lei que delimita um campo de gozo e representa simbolicamente a falta a incompletude na estrutura psíquica O representante simbólico da Lei Lacan denominou de NomedoPai NP que decidirá ou não no processo de estruturação psíquica determinando os modos como essa estruturação se encaminhará No início do tratamento é relevante que se faça um diagnóstico diferencial o qual só pode ser feito a partir do registro simbólico em que todas as questões pertinentes à estruturação psíquica podem ser encontradas A direção da análise varia de acordo com a estrutura neurose psicose ou perversão Há casos em que é difícil fazer essa diferenciação mas se deve ter em mente que não é possível pertencer a duas estruturas ou mesmo passar de uma para outra o que a psiquiatria conceitua como borderline Conforme dito anteriormente o diagnóstico não é buscado no comportamento mas nos ditos do paciente Na neurose o mecanismo defensivo ante a castração é o recalque Verdrangung em que o representante da falta é conservado no inconsciente Na perversão há a negação da angústia de castração e concomitantemente seu retorno na conservação do fetiche o mecanismo seria o desmentido Verleugung No caso da psicose ocorre a negação radical da representação da falta o mecanismo é a foraclusão Verwerfung A neurose e a perversão implicam uma admissão do Édipo ou do representante fálico na estrutura o que não ocorre na psicose São estas tres formas de defesa que o presente capítulo se propõe a abordar Quando se fala em estrutura clínica e em diagnóstico estrutural estáse destacando o fato de que não há diagnóstico senão na clínica o que significa dizer que este está indissociavelmente ligado a um processo de análise e como tal exige que haja uma demanda enunciada um dispositivo de trabalho a transferência e a presença de um analista Em outras palavras o indivíduo pode apresentar uma série de sinais e comportamentos fora da clínica no seu cotidiano Porém só quando algo vai mal que limita sua capacidade de amar e de trabalhar produzindo sofrimento para si mesmo e para os de seu entorno é que ele buscará uma forma de se livrar disso mas também é certo que há pessoas que amam o seu sintoma a sua inibição e não querem perdêlos Vale destacar também o fato de que embora se possa traçar as características gerais de cada uma das estruturas na clínica psicanalítica trabalhase com a singularidade de 70 Temas para pensar e ensinar a psicologia 71 Teorias e técnicas em psicologia cada paciente o que exclui a possibilidade de um tratamentopadrão standard que seria aplicado a todo aquele que padece de uma determinada estrutura Por outro lado o analista não é um mero observador de fenômenos nem um modelo de normalidade a ser seguido mas antes um participante do processo analítico em virtude do lugar que ocupa tendo em vista a questão transferencial¹ Após essas breves considerações sobre as estruturas clínicas e a função do diagnóstico diferencial na visão psicanalítica é fundamental considerálas com mais rigor Neurose Parece que as neuroses são adquiridas somente na tenra infância até a idade de seis anos ainda que seus sintomas possam não aparecer até muito mais tarde A neurose da infância pode tornarse manifesta por um curto período de tempo ou pode mesmo nem ser notada Em todo caso a doença neurótica posterior se liga ao prelúdio na infância FREUD 1938 1996n p 212 A investigação analítica mostra que a libido dos neuróticos está ligada a suas experiências sexuais infantis que são capazes de deixar atrás de si fixações na libido Nessa época o ego é imaturo e incapaz de lidar com tarefas que posteriormente seria capaz de enfrentar com a máxima facilidade Ainda de acordo com o psicanalista nessas circunstãncias exigências pulsionais provenientes do interior não menos que excitações oriundas do mundo externo operam como traumas O ego desamparado defendese delas por meio de tentativas de fuga recalques que posteriormente se mostram ineficazes e que envolvem restrições permanentes ao futuro desenvolvimento FREUD 1938 1996n p 213 O sintoma portanto é um retorno dessas representações recalcadas que se ligam às representações atuais para vir à tona É uma formação de compromisso entre consciente e inconsciente uma forma de satisfação distorcida e mal reconhecida como tal O neurótico não recorda do que aconteceu na infância mas a estrutura edipiana é presentificada no sintoma O sintoma fornece assim um acesso à organização simbólica que representa o sujeito Os sintomas psíquicos são atos prejudiciais ou pelo menos inúteis à vida da pessoa que por vezes deles se queixa como sendo indesejados e causadores de desprazer O principal dano que causam reside em dispêndio mental que acarretam e no dispêndio adicional que se torna necessário para se lutar contra eles FREUD 1917 1996k p 419 O papel do analista é aproximar o paciente de sua questão O sintoma é uma resposta sinal de que há uma questão que ele desconhece Assim prossegue privilegiando as formações do Temas para pensar e ensinar a psicologia Teorias e técnicas em psicologia inconsciente escandindo o discurso ponde em evidência os lapsos de linguagem e considerando o material fornecido pelos sonhos A dúvida é característica da neurose porque denota uma divisão do sujeito onde há um sim e um não Na psicose há o automatismo mental no qual as ideias não são dialetizáveis e por não poderem ser submetidas a dúvidas e a questionamentos impõemse como certezas Ainda na estrutura neurótica temos que considerar os tipos clínicos tanto o obsessivo como o histérico e o fóbico defendemse da angústia de castração e o mecanismo é o recalque Para Nasio 1991 o modo obsessivo é sofrer conscientemente no pensamento o modo fóbico é projetar a angústia para o mundo exterior e transformála num objeto ameaçador o qual deve temer o modo histérico é sofrer conscientemente no corpo Neurose histérica A histeria é o modo de estruturação neurótica que primeiro chamou a atenção de Freud Ao realizar estudos com Charcot e trocar impressões com Breuer e Fliess o processo de descoberta do inconsciente e as bases da teoria analítica puderam ser estabelecidos FREUD 1914 1996i Podemse destacar algumas especificidades da estrutura histérica O desejo insatisfeito a histeria é a forma clínica que melhor demonstra a incompletude estrutural do humano e isto aparece de forma evidenciada em sua relação com o desejo A histérica denuncia a impossibilidade de haver um objeto que possa satisfazer o desejo uma vez que a causa do desejo é justamente a falta do objeto É verdade que a estratégia neurótica visa a escamotear isto é a histérica tende a colocarse como sendo esse objeto embora não sustente essa posição o que faz com que todo o seu empenho seja no intuito de manter esse desejo insatisfeito e assim poder desejar Lacan 19571958 1995b questiona qual é a função do desejo insatisfeito na histeria Ele recorre ao sonho da bela açougueira narrado por Freud 1900 1996d A partir deste sonho ele diz que a função é a satisfação de um anseio o de ter um desejo insatisfeito As histéricas ficam presas na clivagem entre a demanda e o desejo Para que uma histérica mantenha um relacionamento amoroso que a satisfaça é necessário antes de tudo que ela deseje outra coisa e que essa coisa não lhe seja dada Assim a bela açougueira na verdade não quer que seu marido lhe dê caviar para que eles possam continuar a se amar loucamente isto é implicaremse um com o outro Com isso mantém seu desejo insatisfeito e ao mesmo tempo também mantém insatisfeito o desejo do outro Aquilo a que os histéricos aspiram mais ardentemente em seus devaneios é aquilo de que fogem tão logo a realidade o oferece a eles e é quando já não há nenhuma realização a temer que eles se entregam com maior boa vontade a suas fantasias FREUD 19011905 1996e p 83 Temas para pensar e ensinar a psicologia Teorias e técnicas em psicologia Identificação histérica o que é ser uma mulher Essa é a questão fundamental da histérica pois sua relação com a castração colocaa em um impasse em torno do falo Para tentar solucionálo ela lança mão de uma identificação inconsciente com outra mulher que supostamente tem o que a ela falta Continuandose a tomar como referência o sonho da bela açougueira podese verificar que ela se identifica com a amiga que apesar de não ter os atributos que normalmente interessam ao marido é muito magra parece lhe despertar um desejo ou seja a amiga tem algo que ela não tem A bela açougueira então identificase com a amiga cujo desejo era não salmão para assim tentar solucionar o enigma do desejo do outro marido bem como assegurarse desse atributo o falo A repugnância conferida ao gozo sexual com relação aos sintomas histéricos observase geralmente que a fruição sexual ou não está presente na histérica o que aparece em muitos casos como frigidez ou se apresenta como uma aversão ao gozo sexual Conforme Freud 19011905 1996e p 35 Sem dúvida eu consideraria histérica uma pessoa em que uma ocasião para excitação sexual despertasse sensações que fossem preponderante ou exclusivamente desagradáveis fosse ou não a pessoa capaz de produzir sintomas somáticos Conversões Freud 18931895 1996a em Estudos sobre a histeria aponta que as manifestações são comumente exageradas a dor é dita como extremamente dolorosa a anestesia eou paralisia pode tornarse absoluta ocorrendo as conversões histéricas Os sintomas sensoriais e motores da histeria são denominados conversão pois geralmente não seguem as costumeiras inervações do sistema nervoso funcionam como se a anatomia não existisse Os sintomas conversivos são a linguagem da histeria quer dizer é uma metáfora que condiciona o corpo a um modo particular de expressão da questão histérica relativa ao seu desejo e à sua satisfação pulsional numa verdadeira submissão somática às questões psíquicas Neurose obsessiva Para Freud 1896 1996c p 134 as idéias obsessivas são invariavelmente autoacusaçães transformadas que reemergiram do recalque e que sempre se relacionam a algum ato sexual executado com prazer na infância Embora o mecanismo de defesa seja o mesmo o recalçamento a neurose obsessiva apresenta algumas características distintas da histeria Enquanto nesta geralmente ocorre um esquecimento uma amnésia com relação àquelas lembranças da primeira infância na obsessão há uma desconexão causal entre a lembrança infantil e o fato atual não ocorrendo normalmente o elo associativo Dessa forma o obsessivo consegue lembrarse de muitas coisas importantes mas não faz a conexão com sua vida atual diferentemente da histeria em que aparece a lacuna a amnésia A base da obsessão seria uma Temas para pensar e ensinar a psicologia Teorias e técnicas em psicologia culpa de algo que não sabe o que é Podese destacar algumas características da obsessão tais como O conteúdo das ideias nas ideias obsessivas o conteúdo é distorcido por meio de um mecanismo de deslocamento constante e de representação em representação sendo que nessas representações o contemporâneo toma o lugar do passado e o sexual toma o lugar de algo representativo não sexual FREUD 1896 1996c O ritual obsessivo simboliza uma defesa contra a tentação e a proteção contra a desgraça talvez relacionadas à culpa suscitada por sentimentos hostis ou pela sexualidade exacerbada na infância obviamente um processo inconsciente O deslocamento é um mecanismo atuante na obsessão e é o responsável por muitos atos repetitivos e inúteis em que atua então uma falsa conexão entre as representações Tais atos obsessivos as ditas compulsões funcionam como dispositivos protetores contra a emergência do conteúdo recalcado e contra aquelas ideias de destruição e agressividade para consigo mesmo e para com os outros A neurose obsessiva portanto constrói um conjunto de outros sintomas Todas essas defesas se agrupam para combater o material recalcado e acabam por construir as ações obsessivas que não são primárias e sim defesas secundárias Freud 1896 1996c agrupa estas defesas secundárias em penitenciais cerimoniais opressivos observação de números medidas de precaução todas as espécies de fobias superstição minuciosidade incremento do sintoma primário de conscienciosidade medidas relacionadas ao medo de delatarse colecionar retalhos de papel etc A autocausação pode surgir como vergonha angústia hipocondríaca angústias sociais angústias religiosas angústia de ser observado e vigiado etc Muitas vezes na clínica se observa que o processo analítico não avança embora o obsessivo demonstre disposição para tal isto também pode ser creditado ao processo contínuo de deslocamento das representações Neurose fóbica O que primeiro surge é uma crise de angústia difusa o sujeito não consegue localizar do que tem medo especificamente Em seguida ocorre o deslocamento para um objeto que passa a ser temido causando inibição Há uma distorção em jogo pois a angústia sinaliza o perigo da castração que é substituído por um objeto diferente Esse mecanismo defensivo possibilita como por exemplo no caso Hans evitar um conflito não aparece na consciência o temor ao pai por quem nutre amorhostilidade mas sim ao animal Outra vantagem a angústia só surge na presença do objeto portanto basta evitálo A ameaça representada pela pulsão é substituída por um perigo externo As fobias têm a natureza de uma projeção devido ao fato de que substituem um perigo interno pulsional por outro 78 Temas para pensar e ensinar a psicologia 79 Teorias e técnicas em psicologia externo e perceptual A vantagem disto é que o indivíduo pode protegerse contra um perigo externo dele fugindo e evitando a percepção do mesmo ao passo que é inútil fugir de perigos que surgem de dentro FREUD 1926 1996l p 126 A fobia é a neurose infantil por excelência pois ocorre no período da primeira infância em que as questões relativas à estruturação psíquica estão presentes pela vivência do Complexo de Édipo A angústia de castração advinda da descoberta do outro sexo o feminino para ambos menino e menina pode desencadear uma forma de defesa por meio do deslocamento para um objeto fóbico que por um lado vela a falta colocandose como um anteparo para nada saber dela e por outro lado a revela pois sua escolha nunca é aleatória uma vez que será congruente com a história do sujeito2 Diferentemente do objeto fetiche que visa especificamente a encobrir a castração da mulher como se verá mais adiante o objeto fóbico é mais plástico pode utilizarse de vários objetos animais lugares fechados altura trovão etc É necessário que a criança faça a neurose infantil ou seja inscreva psiquicamente o representante fálico o NomedoPai O trabalho clínico só é necessário quando nesse processo ocorrem impasses importantes que atrapalhem o processo de estruturação Aliás é exatamente com esses impasses da neurose infantil que o tratamento analítico tem de se ocupar visto que eles dão base para os sintomas as inibições e a angústia que aparecem na neurose adulta 2 Como bem nos mostra o caso clínico do Pequeno Hans FREUD 1909 1996g 80 Temas para pensar e ensinar a psicologia Perversão Para iniciar esse tópico é necessário destacar que a psicanálise e a psiquiatria não concebem da mesma forma o uso do termo perversão Atualmente a classificação dos transtornos mentais é feita pela Associação Americana de Psiquiatria APA por meio do Manual de Diagnósticos e Estatísticas das Perturbações Mentais 2002 Neste manual não se encontra o termo perversão mas parafilia3 que é caracterizado por anseios fantasias ou comportamentos sexuais recorrentes e intensos que envolvem objetos atividades ou situações incomuns e causam sofrimento ou prejuízo no funcionamento social Os comportamentos sexualmente excitantes em geral envolvem objetos não humanos sofrimento ou humilhação próprios ou do parceiro crianças ou outras pessoas sem o seu consentimento Tudo isso ocorre durante um período mínimo de seis meses São tipos de parafilias exibicionismo voyeurismo sadismo masoquismo fetichismo pedofilia entre outros MANUAL 2002 Tal transtorno era denominado pela psiquiatria clássica como perversão ou seja aberrações no campo sexual De acordo com Laurindo 2008 o primeiro livro a tratar de tal tema foi Psychopathia sexualis de Heinrich Kaan publicado em 1844 Outra obra considerada relevante foi escrita em 1886 por KrafftEbing cujo título é o mesmo dado por Kaan A partir de então a psiquiatria tomou como sua a tarefa de categorizar todos os problemas sexuais Mas ao considerarse 3 Parafilia do grego πaρa para fora de e φιλια filia amor é um padrão de comportamento sexual no qual a fonte predominante de prazer não se encontra na cópula mas em alguma outra atividade 81 Teorias e técnicas em psicologia o estudo feito em meados do século XIX e a caracterização atual é digno observar que não houve progresso substancial na compreensão das parafilias pois a descrição permanece praticamente a mesma Conforme anunciado anteriormente a psiquiatria e a psicanálise utilizam de forma diferente o termo perversão A psiquiatria faz uma classificação descritiva do comportamento dito desviante do sujeito enquanto a psicanálise introduz a noção de estrutura perversa e que não se refere a uma patologia Seguindose então com a explicação do uso peculiar que a psicanálise faz do termo há a possibilidade de desvincular o que popularmente se entende por perversão bem como discutir uma provável ruptura entre a psicanálise e o discurso da psiquiatriapsicologia no entendimento de tal conceito Aqui se torna relevante retomar a relação mãecriançafalo A princípio a mãe é percebida pela criança como toda potência um Outro absoluto portadora de todos os objetos e esse engodo imaginário começa a falhar a partir de algumas questões levantadas pela criança a saber a mãe deseja outras coisas para além do filho É o momento de separarse desse Grande Outro é o encontro com a Lei A criança reluta em abandonar essa imagem da Mãe Fálica inclusive tenta jogar com a imagem tentando ser o falo mas não encontrando a possibilidade de ser o que complementa a mãe esta se torna castrada barrada o que remete à sua própria castração LAURINDO 2009 Para Guy Clastres 1991 p 164 toda a estrutura da perversão se organizará a partir dessa relação ternária onde se tratará para a criança seja de se identificar ao falo porquanto é o que a mãe deseja seja de se identificar à mãe porquanto pensa que ela porta o falo O que significa para uma mulher ter um filho Freud nos diz que uma criança pode atenuar mais ou menos bem sua necessidade de falo Entre a mãecriançafalo é preciso a intervenção de um quarto elemento a Lei do Pai4 Segundo Freud no caso da perversão o mecanismo defensivo perante a angústia de castração seria Verleugnung que é traduzido como desmentido Tratase de desmentir a castração Em seu trabalho sobre o Fetichismo 1927 é possível abordar satisfatoriamente tal recurso de defesa O fetichista elege um objeto o qual garante sua satisfação pulsional Há exemplos clássicos de sujeitos que têm o pé ou uma calcinha como fetiche mas para essa investigação tratase de desvendar o mecanismo da perversão Podese dizer que o fetiche é um substituto do pênis mas de um pênis em especial o da mulher da mãe Até então o menino acreditava que a mãe possuía um pênis O que se sucedeu foi que o menino se recusou a tomar conhecimento do fato de ter percebido que a mulher não tem pênis Não isso não podia ser verdade pois se uma mulher tinha sido castrada então sua própria posse de um pênis estava em perigo e contra isso se ergueu em revolta a parte de seu narcisismo que a Natureza como precaução vinculou a esse órgão específico FREUD 1927 1996m p 180 Jacques Lacan em O seminário livro 4 a relação de objeto atenta para o fato de que Freud não está se referindo ao pênis 4 Para complementar o tema A Intervenção do 4º elemento NomedoPai na relação ternária mãecriançafalo ver LACAN J 19561957 Seminário livro 4 a relação de objeto Rio de Janeiro J Zahar 1995a 82 Temas para pensar e ensinar a psicologia 83 Teorias e técnicas em psicologia real mas sim ao falo simbólico Tudo o que se pode transmitir na troca simbólica comporta a alternância ausênciapresença em outras palavras o falo em questão é um objeto simbólico Este falo a mulher não o tem simbolicamente Mas não ter o falo simbolicamente é dele participar a título de ausência logo é têlo de alguma forma LACAN 19561957 1995a p 155 Ainda de acordo com o texto Fetichismo 1927 a castração desse ser absolutoobjeto amoroso a mãe ou quem venha a exercer a função materna remete o sujeito à sua própria castração Há um conflito entre a percepção e o desejo em que a castração é ao mesmo tempo afirmada e negada a é verdade a mulher é castrada mantém a percepção que é consciente b não é verdade que a mulher é castrada seu desejo inconsciente O mecanismo defensivo diante da angústia de castração é o de desmentila apesar de percebêla Recusou a percepção de que a mulher não tem o falo cristalizou a imagem antes de depararse com a castração e elegeu um substituto um objeto capaz de satisfazêlo sexualmente isto é um objeto fetiche Podese dizer que o fetichista cria uma lei própria faz uma recuperação do falo que não há O objeto lhe garante satisfação antes de depararse com a angústia deslocaa para o objeto que é inanimado Assim é possível protegerse da castração Freud aponta que seus adeptos não o sentem como sintoma pois raramente é acompanhado de sofrimento na verdade estão satisfeitos já que tal objeto facilitalhe a vida erótica Muitas vezes a ereção eou ato sexual só é possível em função do objeto como por exemplo o sapato para um fetichista ou ser humilhado para um masoquista Mas é possível ainda articular a eleição do objeto fetiche como garantia de satisfação e também como um dispositivo de proteção às questões levantadas por Freud sobre a sexualidade infantil A vida sexual infantil se caracteriza por ser inicialmente autoerótica em que as pulsões parciais estariam desligadas e independentes na sua busca de prazer caracterizando o que Freud 1905 1996f chamou de aspecto perversopolimorfo da sexualidade infantil Há uma aptidão na criança para tornarse perversa polimorfa isto significa que extrai prazer de qualquer parte do corpo não importando se há objeto ou alvo sexual definido A vida sexual universalmente se inicia perversa a diferença se dá na passagem ou não pelo processo de recalçamento onde então a neurose tomaria lugar da perversão É o que permite ao perverso atuar sua fantasia sexual enquanto no neurótico o recalçamento o impede A vida sexual normal do adulto ao contrário seria orientada para a busca do prazer sob a influência da função reprodutora e as pulsões parciais estariam organizadas e unificadas para atingir o novo objetivo sexual enquanto as zonas erógenas ficariam subordinadas ao primado do genital A sexualidade adulta não é uma aquisição natural é uma saída satisfatória mas que poderia ter tomado um rumo diferente Nas palavras de Freud Se de fato uma criança tem vida sexual esta não pode ser senão uma vida sexual de tipo pervertido pois exceto quanto a alguns detalhes obscuros as crianças são desprovidas daquilo que transforma a sexualidade 85 Teorias e técnicas em psicologia 84 Temas para pensar e ensinar a psicologia em função reprodutiva Por outro lado o abandono da função reprodutiva é o aspecto comum de todas as perversões Realmente consideramos pervertida uma atividade sexual quando foi abandonado o objetivo da reprodução e permanece a obtenção de prazer como objetivo independente Portanto conforme poderão ver a brecha e o ponto crítico da evolução da vida sexual situamse no fato de esta permanecer subordinada aos propósitos da reprodução Tudo o que acontece antes dessa mudança de rumo e igualmente tudo o que a despreza e que visa somente a obter prazer recebe o nome pouco lisonjeiro de pervertido e como tal é proscrito FREUD 1917 1996i p 321 Para finalizar conforme dito anteriormente o perverso não se vê como sintomático pois não há sofrimento A psicanálise de fato é uma técnica terapêutica mas sem a exigência de que o indivíduo se integre à norma em termos do uso de sua sexualidade Se a psicanálise considera que apenas o sofrimento do indivíduo seja na esfera profissional ou amorosa justifica seu tratamento cabe a pergunta no caso da perversão há possibilidade de tratamento Psicose Na psicose há como já foi abordado a foraclusão ou um rechaço radical do representante fálico o NomedoPai do campo do inconsciente Isso se dá durante o processo de estruturação psíquica durante o Complexo de Édipo que ressignifica as marcas anteriores da falta O NomedoPai é fundamental para que o Sujeito se localize diante do seu sexo e de sua história Sem esse significante o Sujeito será afetado na sua relação com o simbólico A falta desse significante traz uma desordem faz com que o psicótico tenha uma relação muito particular com a linguagem Qualquer significante que evoque o NP pode desencadear a psicose A ausência do ordenator simbólico faz com que o processo de estruturação fique alicerçado no registro imaginário Quando há um evento qualquer que exija que esse ordenador seja acionado ocorre normalmente o surto Lacan 19551956 1997 em O seminário livro 3 as psicoses destaca um importante aspecto que deve ser levado em conta para o estabelecimento de um diagnóstico diferencial da psicose São os chamados fenômenos elementares ou sinais suspeitos como diria Freud que podem indicar a ocorrência de uma psicose ainda sem o surto prépsicose que podem ser relevantes tanto para o estabelecimento do diagnóstico como para as possibilidades de tratamento São os fenômenos de automatismo mental tais como Fenômenos inefáveis são aqueles fenômenos relativos ao sentido e à verdade aos quais só a pessoa tem acesso por exemplo que o fim do mundo está próximo que há uma conspiração internacional disposta a acabar com o governo que Deus se comunica com ela por meio de uma série de sinais que ela sabe a cura para doenças graves etc Fenômenos relativos ao corpo aparecem de forma mais severa Há a sensação de fragmentação despedaçamento apodrecimento do corpo Fenômenos relativos aos sentidos a pessoa tem a percepção alterada e começa a perceber cheiros a presença de alguém vozes que vêm de fora e que às vezes lhe dão ordens etc 87 Teorias e técnicas em psicologia 86 Temas para pensar e ensinar a psicologia Fenômenos de linguagem dentre todos os fenômenos destacados os relativos às alterações na linguagem são os fundamentais para o diagnóstico Nem sempre um prépsicótico apresenta os demais fenômenos mas em toda psicose há alterações na linguagem em virtude da ausência do significante fálico As principais alterações são a o neologismo uma ou mais palavras novas que possuem um significado estrito e não remetem a outras significações palavra pesada b o ritor nello que é como um bordão que aparece na fala muitas vezes fora de contexto c a ecolalia que é a repetição de uma palavra durante o discurso como se fosse um eco O psicótico ou prépsicótico pode vir ao tratamento porque notou algum desses fenômenos elementares ou porque percebeu que algo não vai bem e uma palavra do analista pode fazêlo surtar O psicótico tem certeza absoluta sobre a veracidade dessas experiências diferente do neurótico cuja característica é a dúvida como citado anteriormente Na psicose realidade psíquica e mundo externo estão diluídos Para Freud o delírio é uma tentativa de cura o delírio diz de uma verdade histórica são carentes de sentido apenas na aparência mas há um método a formação delirante que presumimos ser o produto patológico é na realidade uma tentativa de restabelecimento um processo de reconstrução FREUD 1911 1996h p 95 É isso que faz Lacan dizer que o psicótico pode produzir uma metáfora delirante para tentar reparar o dano que a ausência da metáfora paterna causa na estrutura e assim estabilizála novamente Na clínica muitas vezes isso aparece como se fosse um texto com pedaços censurados mas não há a possibilidade de interpretálo como no caso da neurose A possibilidade do tratamento consiste em permitir que essa metáfora possa ser construída Podemse destacar alguns tipos clínicos de psicose a paranoia cuja característica principal consiste nos delírios sistematizados a esquizofrenia que tem as alucinações como sinal mais evidente a mania caracterizada como uma produção desenfreada de ações e a melancolia que é uma depressão severa com uma lentificação geral das funções do ego Quanto à mania e à melancolia elas podem ocorrer de forma cíclica é a chamada psicose maníacodepressiva ou psicose circular em que a pessoa alterna períodos de mania e euforia com outros de melancolia O propósito deste artigo foi apresentar ao leitor um panorama bastante geral sobre as estruturas clínicas como forma de uma primeira aproximação com o assunto Certamente muito mais haveria para ser destacado mas se espera que o interesse pela pesquisa deste tema tão fascinante tenha sido despertado Referências CLASTRES G Seminário sobre a perversão Letras da Coisa Curitiba n 11 p 157202 1991 FREUD S 18931895 Estudos sobre a histeria In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996a v II 88 Temas para pensar e ensinar a psicologia 89 Teorias e técnicas em psicologia FREUD S 1894 As neuropsicoses de defesa In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996b v III FREUD S 1896 Observações adicionais sobre as neuropsicoses de defesa a natureza e o mecanismo da neurose obsessiva In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996c v III FREUD S 1900 A interpretação dos sonhos In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996d v IV FREUD S 19011905 Fragmento da análise de um caso de Histeria Caso Dora In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996e v IV FREUD S 1905 Três ensaios sobre a teoria da sexualidade In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996f v VII FREUD S 1909 Análise de uma fobia de um menino de cinco anos O pequeno Hans In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996g v X FREUD S 1911 Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranóia dementia paranoides In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996h v XII FREUD S 1914 A história do movimento psicanalítico In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996i v XIV FREUD S 1917 Conferência XX A vida sexual dos seres humanos In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996j v XVI FREUD S 1917 Conferência XXIII O caminho de formação dos sintomas In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996k v XVI FREUD S 1926 Inibição sintoma e angústia In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996l v XX FREUD S 1927 Fetichismo In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996m v XXI FREUD S 1938 Esboço de psicanálise In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996n v XXIII LACAN J 19561957 O seminário livro 4 a relação de objeto Rio de Janeiro J Zahar 1995a LACAN J 19571958 O seminário livro 5 as formações do inconsciente Rio de Janeiro J Zahar 1995b LACAN J 19551956 O seminário livro 3 as psicoses 19551956 2 ed Rio de Janeiro J Zahar 1997 LAURINDO M C A noção de perversão na psiquiatria e na psicanálise In GUARNIERI I L BOCCA M C Org Psicologia em foco uma abordagem no plural Cascavel Coluna do Saber 2008 p 1530 LAURINDO M C Uma forma particular de negação da castração um estudo de caso In CONGRESSO INTERNACIONAL DE PSICOLOGIA 4 2009 Maringá Anais Maringá UEM 2009 1 CDROM Introdução às estruturas clínicas em psicanálise Disciplina Terapia Psicanalítica Prof Luíza Bernardini Ferrari Introdução às estruturas clínicas em psicanálise Livro Temas para pensar e ensinar a psicologia Michaella Carla Laurindo org Disponível no AVA PERVERSÃO PERVERSÃO ESTRUTURA CLÍNICA FORMA DE NEGAÇÃO FENÔMENO Perversão Recusa ou desmentido Fetiche A psicanálise e a psiquiatria não concebem da mesma forma o uso do termo perversão DSM Não se encontra o termo perversão mas parafilia Anseios fantasias ou comportamentos sexuais recorrentes e intensos que envolvem objetos atividades ou situações incomuns e causam sofrimento ou prejuízo no funcionamento social Os comportamentos sexualmente excitantes em geral envolvem objetos não humanos sofrimento ou humilhação próprios ou do parceiro crianças ou outras pessoas sem o seu consentimento Tudo isso ocorre durante um período mínimo de seis meses PERVERSÃO NA PSIQUIATRIA Era denominado pela psiquiatria clássica como perversão aberrações no campo sexual Tipos de parafilias atuais exibicionismo voyeurismo sadismo masoquismo fetichismo pedofilia entre outros Parafilia padrão de comportamento sexual no qual a fonte predominante de prazer não se encontra na cópula mas em alguma outra atividade PERVERSÃO NA PSIQUIATRIA TRÊS ENSAIOS SOBRE A TEORIA DA SEXUALIDADE 1905 Livro Ler Freud Guia de leitura da obra de S Freud Páginas 71 à 79 Disponível na Biblioteca Virtual Biblioteca A PRIMEIRO ENSAIO AS ABERRAÇÕES SEXUAIS Freud critica os preconceitos populares e contesta a opinião predominante entre os cientistas da época segundo a qual as perversões resultam de uma degenerescência ou são uma tara constitutiva Degenerar mudar para um estado ou condição qualitativamente inferior declinar estragarse Tara degradação moral desvio de conduta DICIONÁRIO DE PSICANÁLISE Roland Chemama PERVERSÃO A PERVERSÃO EM SEU CONTEXTO MORAL O termo perversão bastante antigo significa inversão e por isso logo sugere a noção de uma norma moral ou da natureza da qual o perverso está se afastando Devese lembrar que há muito tempo a Igreja havia relegado a sexualidade estritamente à finalidade reprodutiva Essa referência moral deu origem no século XIX ao movimento de integração das perversões no campo da competência médica PRIMEIRO ENSAIO AS ABERRAÇÕES SEXUAIS Freud propõe buscar a verdadeira origem na infância isto é no nível do desenvolvimento psicossocial Partindo das noções de pulsão e de objeto conceitos que terão uma importância decisiva na psicanálise Freud introduz uma distinção dentro das perversões ele diferencia na verdade os desvios sexuais em relação ao objeto sexual isto é em relação à pessoa da qual emana atração sexual e os desvios em relação à meta sexual isto é em relação ao ato que leva a pulsão AS PULSÕES PARCIAIS Freud aborda em seguida a questão dos desvios em relação à meta sexual A pulsão sexual se desintegra em diferentes componentes que ele chama de pulsões parciais As pulsões parciais têm como fonte de excitação sexual uma zona erógena As perversões se baseiam na dominação de uma pulsão parcial de origem infantil AS PULSÕES PARCIAIS Entre as formas de perversão ligadas às pulsões sexuais umas utilizam partes do corpo ou objetos fetiches para fins de satisfação sexual como substituto de zonas corporais normalmente destinadas à união sexual Outras formas de perversão constituem fixações em metas sexuais preliminares como as práticas eróticas ligadas à zona oral o tocar ou olhar ou ainda o sadismo e o masoquismo Resumindo seu ponto de vista podemos dizer que nas perversões a pulsão sexual se desintegra em vários componentes chamados de pulsões parciais enquanto na sexualidade normal as pulsões parciais se reúnem e se colocam a serviço da maturidade genital PERVERSÃO NEUROSE E NORMALIDADE Freud chegou a duas conclusões que chocarão particularmente o público 1 Afirma que os sintomas neuróticos não se criam unicamente em detrimento da pulsão sexual normal mas em parte também em detrimento de uma sexualidade anormal Ele sintetiza isso em uma frase célebre ao declarar A neurose é por assim dizer o negativo da perversão p 80 A metáfora tirada da fotografia que significa que o que é agido pelos perversos através de seus comportamentos sexuais aberrantes os neuróticos imaginam em suas fantasias e em seus sonhos PERVERSÃO NEUROSE E NORMALIDADE 2 Freud conclui que a predisposição às perversões não é um traço excepcional mas que pertence integralmente à constituição dita normal cujo esboço podemos observar na criança Mas devemos dizer ainda que essa suposta constituição que exibe os germes de todas as perversões só é demonstrável na criança mesmo que nela todas as pulsões possam emergir com intensidade moderada FREUD p 162 TRÊS ENSAIOS SOBRE A TEORIA DA SEXUALIDADE 1905 Edição Standart Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud Volume VII Disciplina Teoria Freudiana Prof Luíza Bernardini Ferrari Em nenhuma pessoa sadia falta algum acréscimo ao alvo sexual normal que se possa chamar de perverso e essa universalidade basta por si só para mostrar quão imprópria é a utilização reprobatória da palavra perversão FREUD p 152 Relação mãecriançafalo A princípio a mãe é percebida pela criança como toda potência Esse engodo imaginário começa a falhar a partir de algumas questões levantadas pela criança a mãe deseja outras coisas para além do filho PERVERSÃO NA PSICANÁLISE É o momento de separarse É o encontro com a Lei A criança não encontra a possibilidade de ser o que complementa a mãe Esta se torna castradabarrada o que remete à sua própria castração toda a estrutura da perversão se organizará a partir dessa relação ternária mãecriançafalo onde se tratará para a criança seja de se identificar ao falo porquanto é o que a mãe deseja seja de se identificar à mãe porquanto pensa que ela porta o falo PERVERSÃO NA PSICANÁLISE No caso da perversão o mecanismo defensivo perante a angústia de castração é o desmentido Tratase de desmentir a castração Texto de Freud Fetichismo 1927 aborda tal recurso de defesa O fetichista elege um objeto o qual garante sua satisfação pulsional O fetiche é um substituto do pênis mas de um pênis especial da mulher da mãe PERVERSÃO NA PSICANÁLISE O fetiche é um substituto do pênis mas de um pênis especial da mulher da mãe O que se sucedeu foi que o menino se recusou a tomar conhecimento do fato de ter percebido que a mulher não tem pênis Não isso não podia ser verdade pois se uma mulher tinha sido castrada então sua própria posse de um pênis estava em perigo FREUD 1927 p 180 PERVERSÃO NA PSICANÁLISE Jacques Lacan em O seminário livro 4 a relação de objeto atenta para o fato de que Freud não está se referindo ao pênis real mas sim ao falo simbólico A castração desse ser absolutoobjeto amoroso a mãe ou quem venha a exercer a função materna remete o sujeito à sua própria castração PERVERSÃO NA PSICANÁLISE Há um conflito entre a percepção e o desejo A castração é ao mesmo tempo afirmada e negada a é verdade a mulher é castrada mantém a percepção que é consciente b não é verdade que a mulher é castrada seu desejo inconsciente PERVERSÃO NA PSICANÁLISE Recusou a percepção de que a mulher não tem o falo Cristalizou a imagem antes de depararse com a castração Elegeu um substituto um objeto capaz de satisfazêlo sexualmente Um objeto fetiche Podese dizer que o fetichista cria uma lei própria faz uma recuperação do falo que não há O objeto lhe garante satisfação antes de depararse com a angústia desloca a para o objeto que é inanimado PERVERSÃO NA PSICANÁLISE É possível ainda articular a eleição do objeto fetiche como garantia de satisfação e também como um dispositivo de proteção às questões levantadas por Freud sobre a sexualidade infantil A vida sexual universalmente se inicia perversa A vida sexual infantil é inicialmente autoerótica As pulsões parciais estariam desligadas e independentes na sua busca de prazer Aspecto perversopolimorfo da sexualidade infantil FREUD 1905 Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade A criança extrai prazer de qualquer parte do corpo não importando se há objeto ou alvo sexual definido A PERVERSÃO E A SEXUALIDADE INFANTIL O perverso não se vê como sintomático pois não há sofrimento A psicanálise de fato é uma técnica terapêutica mas sem a exigência de que o indivíduo se integre à norma em termos do uso de sua sexualidade Se a psicanálise considera que apenas o sofrimento do indivíduo seja na esfera profissional ou amorosa justifica seu tratamento cabe a pergunta no caso da perversão há possibilidade de tratamento HÁ POSSIBILIDADE DE TRATAMENTO NA PERVERSÃO Introdução às estruturas clínicas em psicanálise Disciplina Terapia Psicanalítica Prof Luíza Bernardini Ferrari Introdução às estruturas clínicas em psicanálise Livro Temas para pensar e ensinar a psicologia Michaella Carla Laurindo org Disponível no AVA A FUNÇÃO PATERNA NA PSICANÁLISE Valeria Codato httpswwwyoutubecomwatchvL323NFnLVqY VÍDEO NEUROSE NEUROSE ESTRUTURA CLÍNICA FORMA DE NEGAÇÃO FENÔMENO Neurose Recalque Sintoma Na neurose há a instalação da função paterna Vídeo Valéria Codato O mecanismo defensivo ante a castração é o recalque O representante da falta é conservado no inconsciente O retorno do recalcado O sintoma é um retorno dessas representações recalcadas que se ligam às representações atuais para vir à tona NEUROSE NEUROSE Livro Introdução clínica à psicanálise lacaniana Bruce Fink Inscrição ou registro separado de uma percepção ou uma ideia que um dia passou pela mente O que é recalcado não é a percepção nem o afeto mas os pensamentos representações referentes às percepções os pensamentos a que o afeto está ligado A primeira coisa a dizer sobre o inconsciente é o que Freud diz dele ele consiste em pensamentos Lacan Scilicet 1 1968 p 35 O inconsciente é uma linguagem uma espécie de língua estrangeira que não sabemos ler de imediato RECALCAMENTO O inconsciente compõese de pensamentos e os pensamentos só podem se expressar ou formular em palavras em significantes O afeto e o pensamento costumam estar ligados ou vinculados desde o começo Quando ocorre o recalcamento costumam se separar e o pensamento pode ser excluído da consciência RECALCAMENTO Quando um pensamento é recalcado ele não permanece adormecido Ligase a outros pensamentos correlatos e procura expressarse sempre que possível em sonhos lapsos atos falhos e sintomas O RETORNO DO RECALCADO É uma forma de satisfação distorcida e mal reconhecida como tal Fornece um acesso à organização simbólica que representa o sujeito É uma resposta sinal de que há uma questão que a pessoa desconhece O SINTOMA A perda da realidade na neurose e na psicose 1924 Na neurose uma parte da realidade é evitada por uma espécie de fuga Dito ainda de outro modo a neurose não recusa a realidade apenas não quer saber nada sobre ela p 281 Neurose e Psicose 1923 A neurose é o resultado de um conflito entre o Eu e seu Isso p 271 Há uma questão que o paciente desconhece O papel do analista é o de aproximar o paciente de sua questão O analista privilegia as formações do inconsciente Escandindo o discurso Pondo em evidência os lapsos de linguagem Considerando o material fornecido pelos sonhos A DIREÇÃO DO TRATAMENTO NA NEUROSE Neurose histérica Neurose obsessiva Neurose fóbica TIPOS CLÍNICOS NA NEUROSE Modo histérico sofrer conscientemente no corpo Modo obsessivo sofrer conscientemente no pensamento Modo fóbico projetar a angústia para o mundo exterior e transformála num objeto ameaçador o qual deve temer TIPOS CLÍNICOS NA NEUROSE NEUROSE HISTÉRICA O desejo insatisfeito A histérica denuncia a impossibilidade de haver um objeto que possa satisfazer o desejo A causa do desejo é justamente a falta do objeto NEUROSE HISTÉRICA Estratégia Colocarse como sendo esse objeto que satisfaça o desejo Embora não sustente essa posição Empenho no intuito de manter esse desejo insatisfeito Para que a histérica mantenha um relacionamento amoroso que a satisfaça é necessário que ela deseje outra coisa e que essa coisa não lhe seja dada Mantém o seu desejo insatisfeito ao mesmo tempo também mantém insatisfeito o desejo do outro Aquilo a que os histéricos aspiram mais ardentemente em seus devaneios é aquilo de que fogem TÃO LOGO A REALIDADE O OFERECE A ELES Quando não há nenhuma realização a temer Se entregam com maior boa vontade a suas fantasias NEUROSE HISTÉRICA Repugnância conferida ao gozo sexual geralmente a fruição sexual ou não está presente frigidez ou apresenta uma aversão ao gozo sexual CONVERSÕES Sintomas sensoriais e motores Manifestações comumente exageradas Dor dita como extremamente dolorosa anestesia paralisia Geralmente não seguem as inervações comuns do sistema nervoso funcionam como se a anatomia não existisse A linguagem da histeria Uma metáfora Corpo expressa uma questão relativa ao desejo e à sua satisfação pulsional Submissão somática às questões psíquicas NEUROSE HISTÉRICA NEUROSE OBSESSIVA As ideias obsessivas são invariavelmente autoacusações transformadas que emergiram do recalque e que sempre se relacionam com algum ato sexual executado com prazer na infância FREUD 1896 NEUROSE OBSESSIVA Histeria Esquecimento amnésia das lembranças da primeira infância O obsessivo consegue lembrarse de muitas coisas importantes mas não faz um elo associativo com a sua vida atual Obsessão Desconexão causal entre a lembrança infantil e o fato atual Base da obsessão culpa de algo que não se sabe o que é Características O conteúdo das ideias distorcido Mecanismo de deslocamento constante De representação em representação O contemporâneo toma o lugar do passado O sexual toma o lugar de algo representativo não sexual NEUROSE OBSESSIVA Ritual obsessivo simboliza defesa contra a tentação proteção contra a desgraça Culpa suscitada por sentimentos hostis ou pela sexualidade exacerbada na infância Processo inconsciente Deslocamento mecanismo atuante Responsável por atos repetitivos e inúteis Dispositivos protetores contra a emergência do conteúdo recalcado Contra aquelas ideias de destruição e agressividade para consigo mesmo e para com os outros NEUROSE OBSESSIVA Defesas secundárias ações obsessivas para combater o material recalcado Penitenciais cerimoniais opressivos observação de números Precaução superstiçãominuciosidade Medidas relacionadas ao medo de delatarse colecionar retalhos de papel Autoacusação vergonha angústia hipocondríaca angústias sociais angústias religiosas angústia de ser observado e vigiado NEUROSE OBSESSIVA CLÍNICA Muitas vezes o processo analítico não avança embora o obsessivo demonstre disposição para tal Também pode ser creditado ao processo contínuo de deslocamento das representações NEUROSE OBSESSIVA NEUROSE FÓBICA Primeiro crise de angústia difusa O sujeito não consegue localizar do que tem medo especificamente Em seguida deslocamento para um objeto que passa a ser temido causando inibição Distorção a angústia sinaliza o perigo da castração que é substituído por um objeto diferente NEUROSE FÓBICA As fobias têm a natureza de uma projeção devido ao fato de que substituem um perigo interno pulsional por outro externo e perceptual A vantagem disto é que o indivíduo pode protegerse contra um perigo externo dele fugindo e evitando a percepção do mesmo ao passo que é inútil fugir de perigos que surgem de dentro FREUD1926 p 126 Texto Inibição sintoma e angústia NEUROSE FÓBICA A fobia é a neurose infantil por excelência Ocorre no período da primeira infância O objeto fóbico é plástico pode utilizarse de vários objetos animais lugares fechados altura trovão etc NEUROSE FÓBICA Estão presentes as questões relativas à estruturação psíquica pela vivência do Complexo de Édipo A angústia de castração advinda da descoberta do outro sexo o feminino para ambos menino e menina Pode desencadear uma forma de defesa por meio do deslocamento para um objeto fóbico Por um lado vela a falta como um anteparo para nada saber dela Por outro lado a revela a escolha é congruente com a história do sujeito NEUROSE FÓBICA
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Michaella Carla Laurindo Organizadora Temas para pensar e ensinar a psicologia Introdução às estruturas clínicas em psicanálise Michaella Carla Laurindo e Silvana Farinha A utilização do termo estrutura em psicanálise difere da significação usual uma reunião de vários elementos ou uma matriz sólida Seguindo os desenvolvimentos freudianos Lacan irá conceber a especificidade do conceito de estrutura a partir da organização psíquica que se dá em torno de um furo Esse furo tem uma razão estrutural para existir O humano é um ser faltante por natureza Faltalhe um complemento no corpo capaz de fazêlo se autorreproduzir como nos animais assexuados Além disso todo o seu universo perceptivo é representacional ou seja precisa passar pelo registro da linguagem e essa não lhe é inerente é um ser de linguagem mas a linguagem não é um dom natural precisa ser conquistada A estruturação subjetiva consiste justamente no processo por meio do qual o humano se constitui na sua relação ao Outro do discurso e do desejo constituição que tem a falta como elemento fundamental e que se desdobra na relação que o sujeito irá ter com respeito ao sexo desejo lei angústia e morte O diagnóstico só pode ser buscado no registro simbólico onde são articuladas as questões fundamentais do sujeito sobre o sexo a morte a procriação a paternidade quando da travessia do complexo de Édipo É a partir do simbólico portanto que se pode fazer o diagnóstico por meio dos tres modos de negação do Édipo negação da castração do Outro QUINET 2005 p 23 Freud irá postular que diante da falta só resta defenderse FREUD1894 1996b A maneira como cada sujeito irá se constituir ante a falta que destino dará para a energia pulsional determinará o modo de estruturação psíquica neurose psicose e perversão Com o adendo de que esses modos de estruturação não são patológicos a priori o pathos padecimento do sujeito incidirá sobre os impasses desse processo subjetivo O sujeito freudiano é um sujeito afetado pelos impasses do seu próprio processo de constituição constituição essa que ocorre como maneira de defenderse da falta ou da castração empregandose o termo freudiano Cabe dizer que esse processo de constituição se dá a partir de operações bastante complexas sendo que é de fundamental importância a incidência da Lei que delimita um campo de gozo e representa simbolicamente a falta a incompletude na estrutura psíquica O representante simbólico da Lei Lacan denominou de NomedoPai NP que decidirá ou não no processo de estruturação psíquica determinando os modos como essa estruturação se encaminhará No início do tratamento é relevante que se faça um diagnóstico diferencial o qual só pode ser feito a partir do registro simbólico em que todas as questões pertinentes à estruturação psíquica podem ser encontradas A direção da análise varia de acordo com a estrutura neurose psicose ou perversão Há casos em que é difícil fazer essa diferenciação mas se deve ter em mente que não é possível pertencer a duas estruturas ou mesmo passar de uma para outra o que a psiquiatria conceitua como borderline Conforme dito anteriormente o diagnóstico não é buscado no comportamento mas nos ditos do paciente Na neurose o mecanismo defensivo ante a castração é o recalque Verdrangung em que o representante da falta é conservado no inconsciente Na perversão há a negação da angústia de castração e concomitantemente seu retorno na conservação do fetiche o mecanismo seria o desmentido Verleugung No caso da psicose ocorre a negação radical da representação da falta o mecanismo é a foraclusão Verwerfung A neurose e a perversão implicam uma admissão do Édipo ou do representante fálico na estrutura o que não ocorre na psicose São estas tres formas de defesa que o presente capítulo se propõe a abordar Quando se fala em estrutura clínica e em diagnóstico estrutural estáse destacando o fato de que não há diagnóstico senão na clínica o que significa dizer que este está indissociavelmente ligado a um processo de análise e como tal exige que haja uma demanda enunciada um dispositivo de trabalho a transferência e a presença de um analista Em outras palavras o indivíduo pode apresentar uma série de sinais e comportamentos fora da clínica no seu cotidiano Porém só quando algo vai mal que limita sua capacidade de amar e de trabalhar produzindo sofrimento para si mesmo e para os de seu entorno é que ele buscará uma forma de se livrar disso mas também é certo que há pessoas que amam o seu sintoma a sua inibição e não querem perdêlos Vale destacar também o fato de que embora se possa traçar as características gerais de cada uma das estruturas na clínica psicanalítica trabalhase com a singularidade de 70 Temas para pensar e ensinar a psicologia 71 Teorias e técnicas em psicologia cada paciente o que exclui a possibilidade de um tratamentopadrão standard que seria aplicado a todo aquele que padece de uma determinada estrutura Por outro lado o analista não é um mero observador de fenômenos nem um modelo de normalidade a ser seguido mas antes um participante do processo analítico em virtude do lugar que ocupa tendo em vista a questão transferencial¹ Após essas breves considerações sobre as estruturas clínicas e a função do diagnóstico diferencial na visão psicanalítica é fundamental considerálas com mais rigor Neurose Parece que as neuroses são adquiridas somente na tenra infância até a idade de seis anos ainda que seus sintomas possam não aparecer até muito mais tarde A neurose da infância pode tornarse manifesta por um curto período de tempo ou pode mesmo nem ser notada Em todo caso a doença neurótica posterior se liga ao prelúdio na infância FREUD 1938 1996n p 212 A investigação analítica mostra que a libido dos neuróticos está ligada a suas experiências sexuais infantis que são capazes de deixar atrás de si fixações na libido Nessa época o ego é imaturo e incapaz de lidar com tarefas que posteriormente seria capaz de enfrentar com a máxima facilidade Ainda de acordo com o psicanalista nessas circunstãncias exigências pulsionais provenientes do interior não menos que excitações oriundas do mundo externo operam como traumas O ego desamparado defendese delas por meio de tentativas de fuga recalques que posteriormente se mostram ineficazes e que envolvem restrições permanentes ao futuro desenvolvimento FREUD 1938 1996n p 213 O sintoma portanto é um retorno dessas representações recalcadas que se ligam às representações atuais para vir à tona É uma formação de compromisso entre consciente e inconsciente uma forma de satisfação distorcida e mal reconhecida como tal O neurótico não recorda do que aconteceu na infância mas a estrutura edipiana é presentificada no sintoma O sintoma fornece assim um acesso à organização simbólica que representa o sujeito Os sintomas psíquicos são atos prejudiciais ou pelo menos inúteis à vida da pessoa que por vezes deles se queixa como sendo indesejados e causadores de desprazer O principal dano que causam reside em dispêndio mental que acarretam e no dispêndio adicional que se torna necessário para se lutar contra eles FREUD 1917 1996k p 419 O papel do analista é aproximar o paciente de sua questão O sintoma é uma resposta sinal de que há uma questão que ele desconhece Assim prossegue privilegiando as formações do Temas para pensar e ensinar a psicologia Teorias e técnicas em psicologia inconsciente escandindo o discurso ponde em evidência os lapsos de linguagem e considerando o material fornecido pelos sonhos A dúvida é característica da neurose porque denota uma divisão do sujeito onde há um sim e um não Na psicose há o automatismo mental no qual as ideias não são dialetizáveis e por não poderem ser submetidas a dúvidas e a questionamentos impõemse como certezas Ainda na estrutura neurótica temos que considerar os tipos clínicos tanto o obsessivo como o histérico e o fóbico defendemse da angústia de castração e o mecanismo é o recalque Para Nasio 1991 o modo obsessivo é sofrer conscientemente no pensamento o modo fóbico é projetar a angústia para o mundo exterior e transformála num objeto ameaçador o qual deve temer o modo histérico é sofrer conscientemente no corpo Neurose histérica A histeria é o modo de estruturação neurótica que primeiro chamou a atenção de Freud Ao realizar estudos com Charcot e trocar impressões com Breuer e Fliess o processo de descoberta do inconsciente e as bases da teoria analítica puderam ser estabelecidos FREUD 1914 1996i Podemse destacar algumas especificidades da estrutura histérica O desejo insatisfeito a histeria é a forma clínica que melhor demonstra a incompletude estrutural do humano e isto aparece de forma evidenciada em sua relação com o desejo A histérica denuncia a impossibilidade de haver um objeto que possa satisfazer o desejo uma vez que a causa do desejo é justamente a falta do objeto É verdade que a estratégia neurótica visa a escamotear isto é a histérica tende a colocarse como sendo esse objeto embora não sustente essa posição o que faz com que todo o seu empenho seja no intuito de manter esse desejo insatisfeito e assim poder desejar Lacan 19571958 1995b questiona qual é a função do desejo insatisfeito na histeria Ele recorre ao sonho da bela açougueira narrado por Freud 1900 1996d A partir deste sonho ele diz que a função é a satisfação de um anseio o de ter um desejo insatisfeito As histéricas ficam presas na clivagem entre a demanda e o desejo Para que uma histérica mantenha um relacionamento amoroso que a satisfaça é necessário antes de tudo que ela deseje outra coisa e que essa coisa não lhe seja dada Assim a bela açougueira na verdade não quer que seu marido lhe dê caviar para que eles possam continuar a se amar loucamente isto é implicaremse um com o outro Com isso mantém seu desejo insatisfeito e ao mesmo tempo também mantém insatisfeito o desejo do outro Aquilo a que os histéricos aspiram mais ardentemente em seus devaneios é aquilo de que fogem tão logo a realidade o oferece a eles e é quando já não há nenhuma realização a temer que eles se entregam com maior boa vontade a suas fantasias FREUD 19011905 1996e p 83 Temas para pensar e ensinar a psicologia Teorias e técnicas em psicologia Identificação histérica o que é ser uma mulher Essa é a questão fundamental da histérica pois sua relação com a castração colocaa em um impasse em torno do falo Para tentar solucionálo ela lança mão de uma identificação inconsciente com outra mulher que supostamente tem o que a ela falta Continuandose a tomar como referência o sonho da bela açougueira podese verificar que ela se identifica com a amiga que apesar de não ter os atributos que normalmente interessam ao marido é muito magra parece lhe despertar um desejo ou seja a amiga tem algo que ela não tem A bela açougueira então identificase com a amiga cujo desejo era não salmão para assim tentar solucionar o enigma do desejo do outro marido bem como assegurarse desse atributo o falo A repugnância conferida ao gozo sexual com relação aos sintomas histéricos observase geralmente que a fruição sexual ou não está presente na histérica o que aparece em muitos casos como frigidez ou se apresenta como uma aversão ao gozo sexual Conforme Freud 19011905 1996e p 35 Sem dúvida eu consideraria histérica uma pessoa em que uma ocasião para excitação sexual despertasse sensações que fossem preponderante ou exclusivamente desagradáveis fosse ou não a pessoa capaz de produzir sintomas somáticos Conversões Freud 18931895 1996a em Estudos sobre a histeria aponta que as manifestações são comumente exageradas a dor é dita como extremamente dolorosa a anestesia eou paralisia pode tornarse absoluta ocorrendo as conversões histéricas Os sintomas sensoriais e motores da histeria são denominados conversão pois geralmente não seguem as costumeiras inervações do sistema nervoso funcionam como se a anatomia não existisse Os sintomas conversivos são a linguagem da histeria quer dizer é uma metáfora que condiciona o corpo a um modo particular de expressão da questão histérica relativa ao seu desejo e à sua satisfação pulsional numa verdadeira submissão somática às questões psíquicas Neurose obsessiva Para Freud 1896 1996c p 134 as idéias obsessivas são invariavelmente autoacusaçães transformadas que reemergiram do recalque e que sempre se relacionam a algum ato sexual executado com prazer na infância Embora o mecanismo de defesa seja o mesmo o recalçamento a neurose obsessiva apresenta algumas características distintas da histeria Enquanto nesta geralmente ocorre um esquecimento uma amnésia com relação àquelas lembranças da primeira infância na obsessão há uma desconexão causal entre a lembrança infantil e o fato atual não ocorrendo normalmente o elo associativo Dessa forma o obsessivo consegue lembrarse de muitas coisas importantes mas não faz a conexão com sua vida atual diferentemente da histeria em que aparece a lacuna a amnésia A base da obsessão seria uma Temas para pensar e ensinar a psicologia Teorias e técnicas em psicologia culpa de algo que não sabe o que é Podese destacar algumas características da obsessão tais como O conteúdo das ideias nas ideias obsessivas o conteúdo é distorcido por meio de um mecanismo de deslocamento constante e de representação em representação sendo que nessas representações o contemporâneo toma o lugar do passado e o sexual toma o lugar de algo representativo não sexual FREUD 1896 1996c O ritual obsessivo simboliza uma defesa contra a tentação e a proteção contra a desgraça talvez relacionadas à culpa suscitada por sentimentos hostis ou pela sexualidade exacerbada na infância obviamente um processo inconsciente O deslocamento é um mecanismo atuante na obsessão e é o responsável por muitos atos repetitivos e inúteis em que atua então uma falsa conexão entre as representações Tais atos obsessivos as ditas compulsões funcionam como dispositivos protetores contra a emergência do conteúdo recalcado e contra aquelas ideias de destruição e agressividade para consigo mesmo e para com os outros A neurose obsessiva portanto constrói um conjunto de outros sintomas Todas essas defesas se agrupam para combater o material recalcado e acabam por construir as ações obsessivas que não são primárias e sim defesas secundárias Freud 1896 1996c agrupa estas defesas secundárias em penitenciais cerimoniais opressivos observação de números medidas de precaução todas as espécies de fobias superstição minuciosidade incremento do sintoma primário de conscienciosidade medidas relacionadas ao medo de delatarse colecionar retalhos de papel etc A autocausação pode surgir como vergonha angústia hipocondríaca angústias sociais angústias religiosas angústia de ser observado e vigiado etc Muitas vezes na clínica se observa que o processo analítico não avança embora o obsessivo demonstre disposição para tal isto também pode ser creditado ao processo contínuo de deslocamento das representações Neurose fóbica O que primeiro surge é uma crise de angústia difusa o sujeito não consegue localizar do que tem medo especificamente Em seguida ocorre o deslocamento para um objeto que passa a ser temido causando inibição Há uma distorção em jogo pois a angústia sinaliza o perigo da castração que é substituído por um objeto diferente Esse mecanismo defensivo possibilita como por exemplo no caso Hans evitar um conflito não aparece na consciência o temor ao pai por quem nutre amorhostilidade mas sim ao animal Outra vantagem a angústia só surge na presença do objeto portanto basta evitálo A ameaça representada pela pulsão é substituída por um perigo externo As fobias têm a natureza de uma projeção devido ao fato de que substituem um perigo interno pulsional por outro 78 Temas para pensar e ensinar a psicologia 79 Teorias e técnicas em psicologia externo e perceptual A vantagem disto é que o indivíduo pode protegerse contra um perigo externo dele fugindo e evitando a percepção do mesmo ao passo que é inútil fugir de perigos que surgem de dentro FREUD 1926 1996l p 126 A fobia é a neurose infantil por excelência pois ocorre no período da primeira infância em que as questões relativas à estruturação psíquica estão presentes pela vivência do Complexo de Édipo A angústia de castração advinda da descoberta do outro sexo o feminino para ambos menino e menina pode desencadear uma forma de defesa por meio do deslocamento para um objeto fóbico que por um lado vela a falta colocandose como um anteparo para nada saber dela e por outro lado a revela pois sua escolha nunca é aleatória uma vez que será congruente com a história do sujeito2 Diferentemente do objeto fetiche que visa especificamente a encobrir a castração da mulher como se verá mais adiante o objeto fóbico é mais plástico pode utilizarse de vários objetos animais lugares fechados altura trovão etc É necessário que a criança faça a neurose infantil ou seja inscreva psiquicamente o representante fálico o NomedoPai O trabalho clínico só é necessário quando nesse processo ocorrem impasses importantes que atrapalhem o processo de estruturação Aliás é exatamente com esses impasses da neurose infantil que o tratamento analítico tem de se ocupar visto que eles dão base para os sintomas as inibições e a angústia que aparecem na neurose adulta 2 Como bem nos mostra o caso clínico do Pequeno Hans FREUD 1909 1996g 80 Temas para pensar e ensinar a psicologia Perversão Para iniciar esse tópico é necessário destacar que a psicanálise e a psiquiatria não concebem da mesma forma o uso do termo perversão Atualmente a classificação dos transtornos mentais é feita pela Associação Americana de Psiquiatria APA por meio do Manual de Diagnósticos e Estatísticas das Perturbações Mentais 2002 Neste manual não se encontra o termo perversão mas parafilia3 que é caracterizado por anseios fantasias ou comportamentos sexuais recorrentes e intensos que envolvem objetos atividades ou situações incomuns e causam sofrimento ou prejuízo no funcionamento social Os comportamentos sexualmente excitantes em geral envolvem objetos não humanos sofrimento ou humilhação próprios ou do parceiro crianças ou outras pessoas sem o seu consentimento Tudo isso ocorre durante um período mínimo de seis meses São tipos de parafilias exibicionismo voyeurismo sadismo masoquismo fetichismo pedofilia entre outros MANUAL 2002 Tal transtorno era denominado pela psiquiatria clássica como perversão ou seja aberrações no campo sexual De acordo com Laurindo 2008 o primeiro livro a tratar de tal tema foi Psychopathia sexualis de Heinrich Kaan publicado em 1844 Outra obra considerada relevante foi escrita em 1886 por KrafftEbing cujo título é o mesmo dado por Kaan A partir de então a psiquiatria tomou como sua a tarefa de categorizar todos os problemas sexuais Mas ao considerarse 3 Parafilia do grego πaρa para fora de e φιλια filia amor é um padrão de comportamento sexual no qual a fonte predominante de prazer não se encontra na cópula mas em alguma outra atividade 81 Teorias e técnicas em psicologia o estudo feito em meados do século XIX e a caracterização atual é digno observar que não houve progresso substancial na compreensão das parafilias pois a descrição permanece praticamente a mesma Conforme anunciado anteriormente a psiquiatria e a psicanálise utilizam de forma diferente o termo perversão A psiquiatria faz uma classificação descritiva do comportamento dito desviante do sujeito enquanto a psicanálise introduz a noção de estrutura perversa e que não se refere a uma patologia Seguindose então com a explicação do uso peculiar que a psicanálise faz do termo há a possibilidade de desvincular o que popularmente se entende por perversão bem como discutir uma provável ruptura entre a psicanálise e o discurso da psiquiatriapsicologia no entendimento de tal conceito Aqui se torna relevante retomar a relação mãecriançafalo A princípio a mãe é percebida pela criança como toda potência um Outro absoluto portadora de todos os objetos e esse engodo imaginário começa a falhar a partir de algumas questões levantadas pela criança a saber a mãe deseja outras coisas para além do filho É o momento de separarse desse Grande Outro é o encontro com a Lei A criança reluta em abandonar essa imagem da Mãe Fálica inclusive tenta jogar com a imagem tentando ser o falo mas não encontrando a possibilidade de ser o que complementa a mãe esta se torna castrada barrada o que remete à sua própria castração LAURINDO 2009 Para Guy Clastres 1991 p 164 toda a estrutura da perversão se organizará a partir dessa relação ternária onde se tratará para a criança seja de se identificar ao falo porquanto é o que a mãe deseja seja de se identificar à mãe porquanto pensa que ela porta o falo O que significa para uma mulher ter um filho Freud nos diz que uma criança pode atenuar mais ou menos bem sua necessidade de falo Entre a mãecriançafalo é preciso a intervenção de um quarto elemento a Lei do Pai4 Segundo Freud no caso da perversão o mecanismo defensivo perante a angústia de castração seria Verleugnung que é traduzido como desmentido Tratase de desmentir a castração Em seu trabalho sobre o Fetichismo 1927 é possível abordar satisfatoriamente tal recurso de defesa O fetichista elege um objeto o qual garante sua satisfação pulsional Há exemplos clássicos de sujeitos que têm o pé ou uma calcinha como fetiche mas para essa investigação tratase de desvendar o mecanismo da perversão Podese dizer que o fetiche é um substituto do pênis mas de um pênis em especial o da mulher da mãe Até então o menino acreditava que a mãe possuía um pênis O que se sucedeu foi que o menino se recusou a tomar conhecimento do fato de ter percebido que a mulher não tem pênis Não isso não podia ser verdade pois se uma mulher tinha sido castrada então sua própria posse de um pênis estava em perigo e contra isso se ergueu em revolta a parte de seu narcisismo que a Natureza como precaução vinculou a esse órgão específico FREUD 1927 1996m p 180 Jacques Lacan em O seminário livro 4 a relação de objeto atenta para o fato de que Freud não está se referindo ao pênis 4 Para complementar o tema A Intervenção do 4º elemento NomedoPai na relação ternária mãecriançafalo ver LACAN J 19561957 Seminário livro 4 a relação de objeto Rio de Janeiro J Zahar 1995a 82 Temas para pensar e ensinar a psicologia 83 Teorias e técnicas em psicologia real mas sim ao falo simbólico Tudo o que se pode transmitir na troca simbólica comporta a alternância ausênciapresença em outras palavras o falo em questão é um objeto simbólico Este falo a mulher não o tem simbolicamente Mas não ter o falo simbolicamente é dele participar a título de ausência logo é têlo de alguma forma LACAN 19561957 1995a p 155 Ainda de acordo com o texto Fetichismo 1927 a castração desse ser absolutoobjeto amoroso a mãe ou quem venha a exercer a função materna remete o sujeito à sua própria castração Há um conflito entre a percepção e o desejo em que a castração é ao mesmo tempo afirmada e negada a é verdade a mulher é castrada mantém a percepção que é consciente b não é verdade que a mulher é castrada seu desejo inconsciente O mecanismo defensivo diante da angústia de castração é o de desmentila apesar de percebêla Recusou a percepção de que a mulher não tem o falo cristalizou a imagem antes de depararse com a castração e elegeu um substituto um objeto capaz de satisfazêlo sexualmente isto é um objeto fetiche Podese dizer que o fetichista cria uma lei própria faz uma recuperação do falo que não há O objeto lhe garante satisfação antes de depararse com a angústia deslocaa para o objeto que é inanimado Assim é possível protegerse da castração Freud aponta que seus adeptos não o sentem como sintoma pois raramente é acompanhado de sofrimento na verdade estão satisfeitos já que tal objeto facilitalhe a vida erótica Muitas vezes a ereção eou ato sexual só é possível em função do objeto como por exemplo o sapato para um fetichista ou ser humilhado para um masoquista Mas é possível ainda articular a eleição do objeto fetiche como garantia de satisfação e também como um dispositivo de proteção às questões levantadas por Freud sobre a sexualidade infantil A vida sexual infantil se caracteriza por ser inicialmente autoerótica em que as pulsões parciais estariam desligadas e independentes na sua busca de prazer caracterizando o que Freud 1905 1996f chamou de aspecto perversopolimorfo da sexualidade infantil Há uma aptidão na criança para tornarse perversa polimorfa isto significa que extrai prazer de qualquer parte do corpo não importando se há objeto ou alvo sexual definido A vida sexual universalmente se inicia perversa a diferença se dá na passagem ou não pelo processo de recalçamento onde então a neurose tomaria lugar da perversão É o que permite ao perverso atuar sua fantasia sexual enquanto no neurótico o recalçamento o impede A vida sexual normal do adulto ao contrário seria orientada para a busca do prazer sob a influência da função reprodutora e as pulsões parciais estariam organizadas e unificadas para atingir o novo objetivo sexual enquanto as zonas erógenas ficariam subordinadas ao primado do genital A sexualidade adulta não é uma aquisição natural é uma saída satisfatória mas que poderia ter tomado um rumo diferente Nas palavras de Freud Se de fato uma criança tem vida sexual esta não pode ser senão uma vida sexual de tipo pervertido pois exceto quanto a alguns detalhes obscuros as crianças são desprovidas daquilo que transforma a sexualidade 85 Teorias e técnicas em psicologia 84 Temas para pensar e ensinar a psicologia em função reprodutiva Por outro lado o abandono da função reprodutiva é o aspecto comum de todas as perversões Realmente consideramos pervertida uma atividade sexual quando foi abandonado o objetivo da reprodução e permanece a obtenção de prazer como objetivo independente Portanto conforme poderão ver a brecha e o ponto crítico da evolução da vida sexual situamse no fato de esta permanecer subordinada aos propósitos da reprodução Tudo o que acontece antes dessa mudança de rumo e igualmente tudo o que a despreza e que visa somente a obter prazer recebe o nome pouco lisonjeiro de pervertido e como tal é proscrito FREUD 1917 1996i p 321 Para finalizar conforme dito anteriormente o perverso não se vê como sintomático pois não há sofrimento A psicanálise de fato é uma técnica terapêutica mas sem a exigência de que o indivíduo se integre à norma em termos do uso de sua sexualidade Se a psicanálise considera que apenas o sofrimento do indivíduo seja na esfera profissional ou amorosa justifica seu tratamento cabe a pergunta no caso da perversão há possibilidade de tratamento Psicose Na psicose há como já foi abordado a foraclusão ou um rechaço radical do representante fálico o NomedoPai do campo do inconsciente Isso se dá durante o processo de estruturação psíquica durante o Complexo de Édipo que ressignifica as marcas anteriores da falta O NomedoPai é fundamental para que o Sujeito se localize diante do seu sexo e de sua história Sem esse significante o Sujeito será afetado na sua relação com o simbólico A falta desse significante traz uma desordem faz com que o psicótico tenha uma relação muito particular com a linguagem Qualquer significante que evoque o NP pode desencadear a psicose A ausência do ordenator simbólico faz com que o processo de estruturação fique alicerçado no registro imaginário Quando há um evento qualquer que exija que esse ordenador seja acionado ocorre normalmente o surto Lacan 19551956 1997 em O seminário livro 3 as psicoses destaca um importante aspecto que deve ser levado em conta para o estabelecimento de um diagnóstico diferencial da psicose São os chamados fenômenos elementares ou sinais suspeitos como diria Freud que podem indicar a ocorrência de uma psicose ainda sem o surto prépsicose que podem ser relevantes tanto para o estabelecimento do diagnóstico como para as possibilidades de tratamento São os fenômenos de automatismo mental tais como Fenômenos inefáveis são aqueles fenômenos relativos ao sentido e à verdade aos quais só a pessoa tem acesso por exemplo que o fim do mundo está próximo que há uma conspiração internacional disposta a acabar com o governo que Deus se comunica com ela por meio de uma série de sinais que ela sabe a cura para doenças graves etc Fenômenos relativos ao corpo aparecem de forma mais severa Há a sensação de fragmentação despedaçamento apodrecimento do corpo Fenômenos relativos aos sentidos a pessoa tem a percepção alterada e começa a perceber cheiros a presença de alguém vozes que vêm de fora e que às vezes lhe dão ordens etc 87 Teorias e técnicas em psicologia 86 Temas para pensar e ensinar a psicologia Fenômenos de linguagem dentre todos os fenômenos destacados os relativos às alterações na linguagem são os fundamentais para o diagnóstico Nem sempre um prépsicótico apresenta os demais fenômenos mas em toda psicose há alterações na linguagem em virtude da ausência do significante fálico As principais alterações são a o neologismo uma ou mais palavras novas que possuem um significado estrito e não remetem a outras significações palavra pesada b o ritor nello que é como um bordão que aparece na fala muitas vezes fora de contexto c a ecolalia que é a repetição de uma palavra durante o discurso como se fosse um eco O psicótico ou prépsicótico pode vir ao tratamento porque notou algum desses fenômenos elementares ou porque percebeu que algo não vai bem e uma palavra do analista pode fazêlo surtar O psicótico tem certeza absoluta sobre a veracidade dessas experiências diferente do neurótico cuja característica é a dúvida como citado anteriormente Na psicose realidade psíquica e mundo externo estão diluídos Para Freud o delírio é uma tentativa de cura o delírio diz de uma verdade histórica são carentes de sentido apenas na aparência mas há um método a formação delirante que presumimos ser o produto patológico é na realidade uma tentativa de restabelecimento um processo de reconstrução FREUD 1911 1996h p 95 É isso que faz Lacan dizer que o psicótico pode produzir uma metáfora delirante para tentar reparar o dano que a ausência da metáfora paterna causa na estrutura e assim estabilizála novamente Na clínica muitas vezes isso aparece como se fosse um texto com pedaços censurados mas não há a possibilidade de interpretálo como no caso da neurose A possibilidade do tratamento consiste em permitir que essa metáfora possa ser construída Podemse destacar alguns tipos clínicos de psicose a paranoia cuja característica principal consiste nos delírios sistematizados a esquizofrenia que tem as alucinações como sinal mais evidente a mania caracterizada como uma produção desenfreada de ações e a melancolia que é uma depressão severa com uma lentificação geral das funções do ego Quanto à mania e à melancolia elas podem ocorrer de forma cíclica é a chamada psicose maníacodepressiva ou psicose circular em que a pessoa alterna períodos de mania e euforia com outros de melancolia O propósito deste artigo foi apresentar ao leitor um panorama bastante geral sobre as estruturas clínicas como forma de uma primeira aproximação com o assunto Certamente muito mais haveria para ser destacado mas se espera que o interesse pela pesquisa deste tema tão fascinante tenha sido despertado Referências CLASTRES G Seminário sobre a perversão Letras da Coisa Curitiba n 11 p 157202 1991 FREUD S 18931895 Estudos sobre a histeria In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996a v II 88 Temas para pensar e ensinar a psicologia 89 Teorias e técnicas em psicologia FREUD S 1894 As neuropsicoses de defesa In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996b v III FREUD S 1896 Observações adicionais sobre as neuropsicoses de defesa a natureza e o mecanismo da neurose obsessiva In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996c v III FREUD S 1900 A interpretação dos sonhos In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996d v IV FREUD S 19011905 Fragmento da análise de um caso de Histeria Caso Dora In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996e v IV FREUD S 1905 Três ensaios sobre a teoria da sexualidade In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996f v VII FREUD S 1909 Análise de uma fobia de um menino de cinco anos O pequeno Hans In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996g v X FREUD S 1911 Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranóia dementia paranoides In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996h v XII FREUD S 1914 A história do movimento psicanalítico In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996i v XIV FREUD S 1917 Conferência XX A vida sexual dos seres humanos In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996j v XVI FREUD S 1917 Conferência XXIII O caminho de formação dos sintomas In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996k v XVI FREUD S 1926 Inibição sintoma e angústia In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996l v XX FREUD S 1927 Fetichismo In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996m v XXI FREUD S 1938 Esboço de psicanálise In FREUD S Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud Rio de Janeiro Imago 1996n v XXIII LACAN J 19561957 O seminário livro 4 a relação de objeto Rio de Janeiro J Zahar 1995a LACAN J 19571958 O seminário livro 5 as formações do inconsciente Rio de Janeiro J Zahar 1995b LACAN J 19551956 O seminário livro 3 as psicoses 19551956 2 ed Rio de Janeiro J Zahar 1997 LAURINDO M C A noção de perversão na psiquiatria e na psicanálise In GUARNIERI I L BOCCA M C Org Psicologia em foco uma abordagem no plural Cascavel Coluna do Saber 2008 p 1530 LAURINDO M C Uma forma particular de negação da castração um estudo de caso In CONGRESSO INTERNACIONAL DE PSICOLOGIA 4 2009 Maringá Anais Maringá UEM 2009 1 CDROM Introdução às estruturas clínicas em psicanálise Disciplina Terapia Psicanalítica Prof Luíza Bernardini Ferrari Introdução às estruturas clínicas em psicanálise Livro Temas para pensar e ensinar a psicologia Michaella Carla Laurindo org Disponível no AVA PERVERSÃO PERVERSÃO ESTRUTURA CLÍNICA FORMA DE NEGAÇÃO FENÔMENO Perversão Recusa ou desmentido Fetiche A psicanálise e a psiquiatria não concebem da mesma forma o uso do termo perversão DSM Não se encontra o termo perversão mas parafilia Anseios fantasias ou comportamentos sexuais recorrentes e intensos que envolvem objetos atividades ou situações incomuns e causam sofrimento ou prejuízo no funcionamento social Os comportamentos sexualmente excitantes em geral envolvem objetos não humanos sofrimento ou humilhação próprios ou do parceiro crianças ou outras pessoas sem o seu consentimento Tudo isso ocorre durante um período mínimo de seis meses PERVERSÃO NA PSIQUIATRIA Era denominado pela psiquiatria clássica como perversão aberrações no campo sexual Tipos de parafilias atuais exibicionismo voyeurismo sadismo masoquismo fetichismo pedofilia entre outros Parafilia padrão de comportamento sexual no qual a fonte predominante de prazer não se encontra na cópula mas em alguma outra atividade PERVERSÃO NA PSIQUIATRIA TRÊS ENSAIOS SOBRE A TEORIA DA SEXUALIDADE 1905 Livro Ler Freud Guia de leitura da obra de S Freud Páginas 71 à 79 Disponível na Biblioteca Virtual Biblioteca A PRIMEIRO ENSAIO AS ABERRAÇÕES SEXUAIS Freud critica os preconceitos populares e contesta a opinião predominante entre os cientistas da época segundo a qual as perversões resultam de uma degenerescência ou são uma tara constitutiva Degenerar mudar para um estado ou condição qualitativamente inferior declinar estragarse Tara degradação moral desvio de conduta DICIONÁRIO DE PSICANÁLISE Roland Chemama PERVERSÃO A PERVERSÃO EM SEU CONTEXTO MORAL O termo perversão bastante antigo significa inversão e por isso logo sugere a noção de uma norma moral ou da natureza da qual o perverso está se afastando Devese lembrar que há muito tempo a Igreja havia relegado a sexualidade estritamente à finalidade reprodutiva Essa referência moral deu origem no século XIX ao movimento de integração das perversões no campo da competência médica PRIMEIRO ENSAIO AS ABERRAÇÕES SEXUAIS Freud propõe buscar a verdadeira origem na infância isto é no nível do desenvolvimento psicossocial Partindo das noções de pulsão e de objeto conceitos que terão uma importância decisiva na psicanálise Freud introduz uma distinção dentro das perversões ele diferencia na verdade os desvios sexuais em relação ao objeto sexual isto é em relação à pessoa da qual emana atração sexual e os desvios em relação à meta sexual isto é em relação ao ato que leva a pulsão AS PULSÕES PARCIAIS Freud aborda em seguida a questão dos desvios em relação à meta sexual A pulsão sexual se desintegra em diferentes componentes que ele chama de pulsões parciais As pulsões parciais têm como fonte de excitação sexual uma zona erógena As perversões se baseiam na dominação de uma pulsão parcial de origem infantil AS PULSÕES PARCIAIS Entre as formas de perversão ligadas às pulsões sexuais umas utilizam partes do corpo ou objetos fetiches para fins de satisfação sexual como substituto de zonas corporais normalmente destinadas à união sexual Outras formas de perversão constituem fixações em metas sexuais preliminares como as práticas eróticas ligadas à zona oral o tocar ou olhar ou ainda o sadismo e o masoquismo Resumindo seu ponto de vista podemos dizer que nas perversões a pulsão sexual se desintegra em vários componentes chamados de pulsões parciais enquanto na sexualidade normal as pulsões parciais se reúnem e se colocam a serviço da maturidade genital PERVERSÃO NEUROSE E NORMALIDADE Freud chegou a duas conclusões que chocarão particularmente o público 1 Afirma que os sintomas neuróticos não se criam unicamente em detrimento da pulsão sexual normal mas em parte também em detrimento de uma sexualidade anormal Ele sintetiza isso em uma frase célebre ao declarar A neurose é por assim dizer o negativo da perversão p 80 A metáfora tirada da fotografia que significa que o que é agido pelos perversos através de seus comportamentos sexuais aberrantes os neuróticos imaginam em suas fantasias e em seus sonhos PERVERSÃO NEUROSE E NORMALIDADE 2 Freud conclui que a predisposição às perversões não é um traço excepcional mas que pertence integralmente à constituição dita normal cujo esboço podemos observar na criança Mas devemos dizer ainda que essa suposta constituição que exibe os germes de todas as perversões só é demonstrável na criança mesmo que nela todas as pulsões possam emergir com intensidade moderada FREUD p 162 TRÊS ENSAIOS SOBRE A TEORIA DA SEXUALIDADE 1905 Edição Standart Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud Volume VII Disciplina Teoria Freudiana Prof Luíza Bernardini Ferrari Em nenhuma pessoa sadia falta algum acréscimo ao alvo sexual normal que se possa chamar de perverso e essa universalidade basta por si só para mostrar quão imprópria é a utilização reprobatória da palavra perversão FREUD p 152 Relação mãecriançafalo A princípio a mãe é percebida pela criança como toda potência Esse engodo imaginário começa a falhar a partir de algumas questões levantadas pela criança a mãe deseja outras coisas para além do filho PERVERSÃO NA PSICANÁLISE É o momento de separarse É o encontro com a Lei A criança não encontra a possibilidade de ser o que complementa a mãe Esta se torna castradabarrada o que remete à sua própria castração toda a estrutura da perversão se organizará a partir dessa relação ternária mãecriançafalo onde se tratará para a criança seja de se identificar ao falo porquanto é o que a mãe deseja seja de se identificar à mãe porquanto pensa que ela porta o falo PERVERSÃO NA PSICANÁLISE No caso da perversão o mecanismo defensivo perante a angústia de castração é o desmentido Tratase de desmentir a castração Texto de Freud Fetichismo 1927 aborda tal recurso de defesa O fetichista elege um objeto o qual garante sua satisfação pulsional O fetiche é um substituto do pênis mas de um pênis especial da mulher da mãe PERVERSÃO NA PSICANÁLISE O fetiche é um substituto do pênis mas de um pênis especial da mulher da mãe O que se sucedeu foi que o menino se recusou a tomar conhecimento do fato de ter percebido que a mulher não tem pênis Não isso não podia ser verdade pois se uma mulher tinha sido castrada então sua própria posse de um pênis estava em perigo FREUD 1927 p 180 PERVERSÃO NA PSICANÁLISE Jacques Lacan em O seminário livro 4 a relação de objeto atenta para o fato de que Freud não está se referindo ao pênis real mas sim ao falo simbólico A castração desse ser absolutoobjeto amoroso a mãe ou quem venha a exercer a função materna remete o sujeito à sua própria castração PERVERSÃO NA PSICANÁLISE Há um conflito entre a percepção e o desejo A castração é ao mesmo tempo afirmada e negada a é verdade a mulher é castrada mantém a percepção que é consciente b não é verdade que a mulher é castrada seu desejo inconsciente PERVERSÃO NA PSICANÁLISE Recusou a percepção de que a mulher não tem o falo Cristalizou a imagem antes de depararse com a castração Elegeu um substituto um objeto capaz de satisfazêlo sexualmente Um objeto fetiche Podese dizer que o fetichista cria uma lei própria faz uma recuperação do falo que não há O objeto lhe garante satisfação antes de depararse com a angústia desloca a para o objeto que é inanimado PERVERSÃO NA PSICANÁLISE É possível ainda articular a eleição do objeto fetiche como garantia de satisfação e também como um dispositivo de proteção às questões levantadas por Freud sobre a sexualidade infantil A vida sexual universalmente se inicia perversa A vida sexual infantil é inicialmente autoerótica As pulsões parciais estariam desligadas e independentes na sua busca de prazer Aspecto perversopolimorfo da sexualidade infantil FREUD 1905 Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade A criança extrai prazer de qualquer parte do corpo não importando se há objeto ou alvo sexual definido A PERVERSÃO E A SEXUALIDADE INFANTIL O perverso não se vê como sintomático pois não há sofrimento A psicanálise de fato é uma técnica terapêutica mas sem a exigência de que o indivíduo se integre à norma em termos do uso de sua sexualidade Se a psicanálise considera que apenas o sofrimento do indivíduo seja na esfera profissional ou amorosa justifica seu tratamento cabe a pergunta no caso da perversão há possibilidade de tratamento HÁ POSSIBILIDADE DE TRATAMENTO NA PERVERSÃO Introdução às estruturas clínicas em psicanálise Disciplina Terapia Psicanalítica Prof Luíza Bernardini Ferrari Introdução às estruturas clínicas em psicanálise Livro Temas para pensar e ensinar a psicologia Michaella Carla Laurindo org Disponível no AVA A FUNÇÃO PATERNA NA PSICANÁLISE Valeria Codato httpswwwyoutubecomwatchvL323NFnLVqY VÍDEO NEUROSE NEUROSE ESTRUTURA CLÍNICA FORMA DE NEGAÇÃO FENÔMENO Neurose Recalque Sintoma Na neurose há a instalação da função paterna Vídeo Valéria Codato O mecanismo defensivo ante a castração é o recalque O representante da falta é conservado no inconsciente O retorno do recalcado O sintoma é um retorno dessas representações recalcadas que se ligam às representações atuais para vir à tona NEUROSE NEUROSE Livro Introdução clínica à psicanálise lacaniana Bruce Fink Inscrição ou registro separado de uma percepção ou uma ideia que um dia passou pela mente O que é recalcado não é a percepção nem o afeto mas os pensamentos representações referentes às percepções os pensamentos a que o afeto está ligado A primeira coisa a dizer sobre o inconsciente é o que Freud diz dele ele consiste em pensamentos Lacan Scilicet 1 1968 p 35 O inconsciente é uma linguagem uma espécie de língua estrangeira que não sabemos ler de imediato RECALCAMENTO O inconsciente compõese de pensamentos e os pensamentos só podem se expressar ou formular em palavras em significantes O afeto e o pensamento costumam estar ligados ou vinculados desde o começo Quando ocorre o recalcamento costumam se separar e o pensamento pode ser excluído da consciência RECALCAMENTO Quando um pensamento é recalcado ele não permanece adormecido Ligase a outros pensamentos correlatos e procura expressarse sempre que possível em sonhos lapsos atos falhos e sintomas O RETORNO DO RECALCADO É uma forma de satisfação distorcida e mal reconhecida como tal Fornece um acesso à organização simbólica que representa o sujeito É uma resposta sinal de que há uma questão que a pessoa desconhece O SINTOMA A perda da realidade na neurose e na psicose 1924 Na neurose uma parte da realidade é evitada por uma espécie de fuga Dito ainda de outro modo a neurose não recusa a realidade apenas não quer saber nada sobre ela p 281 Neurose e Psicose 1923 A neurose é o resultado de um conflito entre o Eu e seu Isso p 271 Há uma questão que o paciente desconhece O papel do analista é o de aproximar o paciente de sua questão O analista privilegia as formações do inconsciente Escandindo o discurso Pondo em evidência os lapsos de linguagem Considerando o material fornecido pelos sonhos A DIREÇÃO DO TRATAMENTO NA NEUROSE Neurose histérica Neurose obsessiva Neurose fóbica TIPOS CLÍNICOS NA NEUROSE Modo histérico sofrer conscientemente no corpo Modo obsessivo sofrer conscientemente no pensamento Modo fóbico projetar a angústia para o mundo exterior e transformála num objeto ameaçador o qual deve temer TIPOS CLÍNICOS NA NEUROSE NEUROSE HISTÉRICA O desejo insatisfeito A histérica denuncia a impossibilidade de haver um objeto que possa satisfazer o desejo A causa do desejo é justamente a falta do objeto NEUROSE HISTÉRICA Estratégia Colocarse como sendo esse objeto que satisfaça o desejo Embora não sustente essa posição Empenho no intuito de manter esse desejo insatisfeito Para que a histérica mantenha um relacionamento amoroso que a satisfaça é necessário que ela deseje outra coisa e que essa coisa não lhe seja dada Mantém o seu desejo insatisfeito ao mesmo tempo também mantém insatisfeito o desejo do outro Aquilo a que os histéricos aspiram mais ardentemente em seus devaneios é aquilo de que fogem TÃO LOGO A REALIDADE O OFERECE A ELES Quando não há nenhuma realização a temer Se entregam com maior boa vontade a suas fantasias NEUROSE HISTÉRICA Repugnância conferida ao gozo sexual geralmente a fruição sexual ou não está presente frigidez ou apresenta uma aversão ao gozo sexual CONVERSÕES Sintomas sensoriais e motores Manifestações comumente exageradas Dor dita como extremamente dolorosa anestesia paralisia Geralmente não seguem as inervações comuns do sistema nervoso funcionam como se a anatomia não existisse A linguagem da histeria Uma metáfora Corpo expressa uma questão relativa ao desejo e à sua satisfação pulsional Submissão somática às questões psíquicas NEUROSE HISTÉRICA NEUROSE OBSESSIVA As ideias obsessivas são invariavelmente autoacusações transformadas que emergiram do recalque e que sempre se relacionam com algum ato sexual executado com prazer na infância FREUD 1896 NEUROSE OBSESSIVA Histeria Esquecimento amnésia das lembranças da primeira infância O obsessivo consegue lembrarse de muitas coisas importantes mas não faz um elo associativo com a sua vida atual Obsessão Desconexão causal entre a lembrança infantil e o fato atual Base da obsessão culpa de algo que não se sabe o que é Características O conteúdo das ideias distorcido Mecanismo de deslocamento constante De representação em representação O contemporâneo toma o lugar do passado O sexual toma o lugar de algo representativo não sexual NEUROSE OBSESSIVA Ritual obsessivo simboliza defesa contra a tentação proteção contra a desgraça Culpa suscitada por sentimentos hostis ou pela sexualidade exacerbada na infância Processo inconsciente Deslocamento mecanismo atuante Responsável por atos repetitivos e inúteis Dispositivos protetores contra a emergência do conteúdo recalcado Contra aquelas ideias de destruição e agressividade para consigo mesmo e para com os outros NEUROSE OBSESSIVA Defesas secundárias ações obsessivas para combater o material recalcado Penitenciais cerimoniais opressivos observação de números Precaução superstiçãominuciosidade Medidas relacionadas ao medo de delatarse colecionar retalhos de papel Autoacusação vergonha angústia hipocondríaca angústias sociais angústias religiosas angústia de ser observado e vigiado NEUROSE OBSESSIVA CLÍNICA Muitas vezes o processo analítico não avança embora o obsessivo demonstre disposição para tal Também pode ser creditado ao processo contínuo de deslocamento das representações NEUROSE OBSESSIVA NEUROSE FÓBICA Primeiro crise de angústia difusa O sujeito não consegue localizar do que tem medo especificamente Em seguida deslocamento para um objeto que passa a ser temido causando inibição Distorção a angústia sinaliza o perigo da castração que é substituído por um objeto diferente NEUROSE FÓBICA As fobias têm a natureza de uma projeção devido ao fato de que substituem um perigo interno pulsional por outro externo e perceptual A vantagem disto é que o indivíduo pode protegerse contra um perigo externo dele fugindo e evitando a percepção do mesmo ao passo que é inútil fugir de perigos que surgem de dentro FREUD1926 p 126 Texto Inibição sintoma e angústia NEUROSE FÓBICA A fobia é a neurose infantil por excelência Ocorre no período da primeira infância O objeto fóbico é plástico pode utilizarse de vários objetos animais lugares fechados altura trovão etc NEUROSE FÓBICA Estão presentes as questões relativas à estruturação psíquica pela vivência do Complexo de Édipo A angústia de castração advinda da descoberta do outro sexo o feminino para ambos menino e menina Pode desencadear uma forma de defesa por meio do deslocamento para um objeto fóbico Por um lado vela a falta como um anteparo para nada saber dela Por outro lado a revela a escolha é congruente com a história do sujeito NEUROSE FÓBICA