2
Bioestatística
FBB
5
Bioestatística
FBB
2
Bioestatística
FBB
27
Bioestatística
UNICESUMAR
4
Bioestatística
UNIESI
Texto de pré-visualização
Rev Bras Anestesiol 2017676619625 REVISTA BRASILEIRA DE ANESTESIOLOGIA Publicação Oficial da Sociedade Brasileira de Anestesiologia wwwsbacombr ARTIGO DE REVISÃO Importância do uso adequado da estatística básica nas pesquisas clínicas Célio Fernando de Sousa Rodriguesa Fernando José Camello de Limab e Fabiano Timbó Barbosab a Universidade Federal de Alagoas Morfologia Maceió AL Brasil b Universidade Federal de Alagoas Ciência da Saúde Maceió AL Brasil Recebido em 10 de junho de 2016 aceito em 17 de janeiro de 2017 Disponível na Internet em 10 de abril de 2017 PALAVRASCHAVE Bioestatística Anestesia Tamanho da amostra Resumo Justificativa e objetivo O uso inadequado da estatística básica é o maior responsável pelo erro de interpretação dos artigos científicos O objetivo deste artigo de revisão foi rever alguns tópicos básicos de estatística para alertar autores e leitores sobre a importância do relato adequado da estatística básica Conteúdo Foi feita pesquisa bibliográfica e transversal que analisou publicações em livros artigos nas bases de dados SciELO Scientific Electronic Library Online e PubMed do National Center for Biotechnology Information Pesquisas na área médica não estão livres do risco de resultados falso positivos e falso negativos devido à escolha dos testes estatísticos e à presença de pequenos tamanhos de amostra Conclusão A compreensão acerca do uso adequado da estatística básica propicia menores erros nos relatos dos resultados de estudos executados e na interpretação das suas conclusões 2017 Publicado por Elsevier Editora Ltda em nome de Sociedade Brasileira de Anestesiologia Este é um artigo Open Access sob uma licença CC BYNCND httpcreativecommonsorglicensesbyncnd40 KEYWORDS Biostatistics Anesthesia Sample size Importance of using basic statistics adequately in clinical research Abstract Background and objective The inadequate use of basic statistics is the main responsible for scientific article misinterpretation The purpose of this review article was to review some basic statistical topics to alert authors and readers about the importance of basic statistics proper reporting Pesquisa feita na Universidade Federal de Alagoas Autor para correspondência Email fabianotimboyahoocombr FT Barbosa httpdxdoiorg101016jbjan201701003 00347094 2017 Publicado por Elsevier Editora Ltda em nome de Sociedade Brasileira de Anestesiologia Este é um artigo Open Access sob uma licença CC BYNCND httpcreativecommonsorglicensesbyncnd40 620 CF Rodrigues et al Content A bibliographical and crosssectional study was carried outwhich analyzed publicati ons in books and articles in the following databases SciELO Scientific Electronic Library Online and PubMed Available from the National Center for Biotechnology Information Medical rese arch is not free from the risk of false positive and false negative results due to the choice of statistical tests and presence of small sample sizes Conclusion Understanding the correct use of basic statistics leads to fewer errors in reporting the results of studies performed and in the interpretation of their conclusions 2017 Published by Elsevier Editora Ltda on behalf of Sociedade Brasileira de Anestesiologia This is an open access article under the CC BYNCND license httpcreativecommonsorg licensesbyncnd40 Introducão A estatística é uma ciência que usa a análise dos dados para testar as hipóteses estatísticas verificar a forca da evidên cia clínica e assim se existem associacões entre grupos ou a veracidade de fenômenos de interesse1 O pesquisador deve formular hipóteses observar os fenômenos biológicos que ocorrem na populacão e retirar dessa populacão uma amos tra para testar suas hipóteses A semelhanca de uma amostra com a populacão que a originou permite que os resultados da análise dos dados sejam mais fidedignos para a elucidacão das hipóteses1 A análise estatística presente nas pesquisas científicas e relatada nos artigos originais permite ao leitor aos pacien tes e aos gestores de saúde interpretar a informacão advinda dos dados coletados durante a execucão de uma pesquisa e assim usála em prol da sociedade2 A preocupacão de relatar adequadamente os resultados de pesquisas biomé dicas está presente na literatura mundial desde décadas passadas3 A frequência do uso adequado dos testes estatísticos pode ser vista em diversas áreas médicas como oncologia radiologia cirurgia e anestesiologia246 As consequências podem ser sérias se a análise do conteúdo científico for inadequada como resultados falsos com suposicões não jus tificadas e conclusões sem respaldo biológico3 As mais diversas orientacões para relatos de dados e medidas estatísticas estão disponíveis aos pesquisadores e já foram publicadas por vários autores de artigos cientí ficos que demonstraram quais itens são importantes para ser usados em relatos de pesquisas científicas78 Apesar da existência de tais orientacões os erros nos relatos de pes quisas que usam a estatística ainda continuam a existir e se devem tanto ao uso da estatística básica como da estatística avancada porém a maior frequência ocorre com o uso da estatística básica ao contrário do que se pode acreditar29 O presente artigo de revisão é uma tentativa de tornar os anestesiologistas cônscios dos diversos aspectos dos méto dos estatísticos usados em pesquisas clínicas assim como tentar por meio desta revisão narrativa reduzir ao máximo os erros estatísticos que ainda são cometidos na parte básica da estatística O objetivo deste artigo foi rever alguns tópi cos básicos de estatística para alertar autores e leitores de pesquisas científicas sobre a importância do relato adequado da estatística básica Método Foi executada uma pesquisa bibliográfica e transversal por meio de publicacões de livros e artigos científicos obtidos em meios eletrônicos nas seguintes bases de dados SciELO Sci entific Electronic Library Online e PubMed National Center for Biotechnology Information Foram usados os seguintes descritores bioestatística anestesia e tamanho da amos tra Os mesh terms usados foram biostatistics anesthesia e sample size Revisão de literatura Conceitos básicos de estatística descritiva Os clínicos devem ser capazes de tomar as melhores decisões perante o paciente em sua prática rotineira e a aquisicão de novo conhecimento somente será possível se eles forem capazes de ler e analisar criticamente os artigos publica dos em periódicos científicos A estatística descritiva é uma parte da estatística que auxilia os pesquisadores e os lei tores a entenderem as informacões de dados coletados por meio da sua organizacão e sumarizacão10 A estatística des critiva é a única estatística usada em trabalhos descritivos e em alguns estudos epidemiológicos10 O uso de dados brutos em artigos científicos ou seja dados da forma como foram coletados na pesquisa não é comum e pode prejudicar a sua interpretacão e tornar a leitura desinteressante A estatística descritiva é usada para a descricão de dados por meio do uso de números ou medidas estatísticas que pos sam melhor representar todos os dados coletados durante a execucão de uma pesquisa É considerada um passo ini cial para a escolha adequada e o uso dos testes estatísticos de hipóteses11 É essencial conhecer qual estatística é mais apropriada para os mais diferentes níveis de mensuracão12 As mais usadas em artigos publicados na área de saúde podem ser vistas na tabela 1 A estatística descritiva pode ser dividida em medidas de tendência central e de dipersão13 A primeira usa um valor que representa o que é mais típico e que pode ser usado para representar todos os demais valores coletados numa pesquisa13 A segunda usa um valor que revela como os dados variam em torno desse valor que é mais típico11 As princi pais medidas de tendência central são a média a moda Importância do uso adequado da estatística básica nas pesquisas clínicas 621 Tabela 1 Resumo da estatística descritiva mais usada em publicacões na área de saúde12 Estatística descritiva Forma e normalidade Tendência central Dispersão ou variacão Percentil e quartil Simetria Moda Amplitude Percentil Curtose Mediana Variância Amplitude interquartílica Média Desvio padrão e a mediana13 As principais medidas de dispersão são a variância o desvio padrão e a amplitude interquartílica11 A média é uma medida importante porque incorpora o valor de cada participante da pesquisa12 Os passos necessá rios ao seu cálculo são contar o número total de casos que é conhecido usualmente em estatística como n somar todos os valores e dividir pelo número total de casos13 Essa vantagem da média também é seu problema pois é afetada por valores discrepantes altos ou baixos que distor cem a informacão que se deseja transmitir sobre os dados analisados12 A mediana difere da média porque é a posicão cujo valor numérico situase na metade da distribuicão dos demais valores quando organizados em ordem crescente14 Se tomarmos valores aleatórios 88 89 90 91 e 92 teremos como média 90 A moda é o valor que ocorre mais frequentemente e não providencia uma indicacão de todos os valores coletados numa pesquisa mas sim daquele que mais se repetiu13 Se tomarmos valores aleatórios 88 88 90 91 e 92 teremos como moda 88 A mediana e os quartis são valores representativos da posicão em escala percentual dos valores distribuídos em ordem crescente A mediana representa a posicão 50 na escala de distribuicão14 Para saber onde está a posicão da mediana basta dividir o valor total de casos por 212 Uma forma simples para saber qual é o valor numérico é ordenar os valores om ordem crescente eliminar gradati vamente os valores extremos e no fim identificar o valor que ficou no centro12 Esse valor será a mediana Em alguns casos todos os valores das extremidades são eliminados e não resta valor central Quando isso ocorrer devese fazer a média dos dois últimos valores e assim calcular o valor central12 A mediana não é influenciada pelos valores discrepantes e deve ser preferida quando eles estiverem presentes14 Se tomarmos valores aleatórios 85 89 90 91 e 97 teremos como mediana 90 As medidas de tendência central têm sua aplicabilidade A indicacão para a aplicacão de cada medida pode ser vista na tabela 2 Tomandose dois conjuntos de valores aleatórios o primeiro 88 89 90 91 e 92 e o segundo 30 70 90 120 140 teremos como média dos dois con juntos 90 Observandose exclusivamente a média não se percebe a informacão sobre o restante dos valores e por isso é preciso recorrer às medidas de dispersão para se perceber que os dados dos grupos não são iguais Os valores podem ser próximos ou distantes da média e essa distância do valor até a média é conhecida como discrepância12 A soma de todas as discrepâncias pode ser igual a zero então para poder usar essas discrepâncias é recomendável quadrar cada valor da discrepância antes de Tabela 2 Aplicabilidade das medidas de tendência central12 Medidas de tendência central Características Média Mediana Moda Dados intervalares e escalares Sim Sim Sim Dados ordinais Não Sim Sim Dados nominais Não Não Sim Distorcão com valores discrepantes Sim Não Não usálo matematicamente12 A média desses valores quadra dos é conhecida como variância12 A unidade de medida da variável analisada também fica quadrada por isso em alguns casos é difícil compreender seu significado12 O desvio padrão é uma das medidas estatísticas mais comumente usadas para demonstrar a variabilidade dos dados15 É uma medida que estima o grau em que o valor de determinada variável se desvia da média12 Matemati camente a raiz quadrada da variância é o desvio padrão12 A unidade de medida da variável permanece na sua forma original12 A amplitude total é a distância entre os valores mais alto e mais baixo12 É calculada pela subtracão entre o maior e o menor valor de um conjunto de dados12 A medida não informa se os valores estão distribuídos equitativamente se há grupos de valores próximos uns dos outros ou se há ausências de grupos de valores entre os dados coletados12 A amplitude interquartílica é uma medida de posicão que se relaciona com a mediana12 Os quartis representam a posicão 25 e 75 na escala de maneira que o primeiro quar til representa o valor que corresponde ao primeiro quarto da distribuicão 25 dos valores abaixo dessa posicão e o terceiro quartil representa o valor que corresponde ao terco quarto da distribuicão 75 dos valores acima dessa posicão As medidas de dispersão têm sua aplicabilidade Reanalisandose os dois conjuntos de valores aleatórios anteriores percebese que para o primeiro conjunto de dados temse média 90 desviopadrão 115 e amplitude total de 8892 o para o segundo temse a média 90 desvio padrão 4301 e amplitude total de 30140 Percebese pelo uso das medidas de dispersão que os conjuntos de valores são diferentes A indicacão de onde cada medida pode ser empregada pode ser vista na tabela 3 A média e o desvio padrão são mais bem empregados quando os dados têm distribuicão normal ou simétrica assim como a mediana e a amplitude interquartílica para dados com distribuicão assimétrica12 Uma das formas de identi ficar se ocorre simetria na distribuicão dos dados é criar 622 CF Rodrigues et al Tabela 3 Aplicabilidade das medidas de dispersão111213 Medidas de dispersão Características Amplitude Amplitude interquartílica Desvio padrão Dados intervalares e escalares Sim Sim Sim Dados ordinais Sim Sim Não Descricão da variabilidade da amostra Sim Sim Sim Participacão da inferência estatística Não Não Sim 30 25 25 20 15 15 13 7 10 5 5 0 Ausente Numero de casos Nívels da variável Leve Moderada Severa Insuportável Figura 1 Distribuicão do número de casos no eixo do y e do nível da variável analisada no eixo do x o gráfico do histograma e observar sua forma12 A criacão do gráfico comeca com a distribuicão do número de casos no eixo do y e do nível da variável analisada no eixo do x fig 1 Se a forma se assemelhar a um sino já existe forte indicativo para que os dados tenham distribuicão normal A distribuicão dos dados também pode ser verificada de forma estatística pela comparacão entre a curva formada pela distribuicão dos dados coletados em uma pesquisa e a curva normal Os aplicativos de computador podem executar o cálculo como BioEstat version 50 STATA EpiInfo e outros Conceitos básicos de estatística inferencial A estatística inferencial é a parte da estatística que é usada para formular conclusões e fazer inferências após a análise de dados coletados em pesquisas13 A estatística inferen cial usa os testes de hipóteses e a estimacão para fazer as comparacões e predicões e tirar conclusões que servi rão para as populacões baseados em dados de amostras1 As inferências estatísticas podem ser a análise bivariada e a análise multivariada1 A primeira analisa a relacão entre uma variável dependente e uma independente A segunda analisa a relacão entre uma variável dependente e múltiplas variáveis independentes e verifica o potencial de confusão ou confundimento dessas sobre aquela1 A inferência estatística somente é possível após testar as hipóteses estatísticas16 A hipótese é uma presuncão numé rica acerca de um parâmetro desconhecido ao pesquisador16 As duas hipóteses estatística são hipóteses de nulidade e alternativa16 A primeira hipótese de nulidade estatística referese à ausência de efeito ou de associacão1 A segunda hipótese alternativa defende que existe diferenca entre pelo menos duas populacões estudadas e quando positiva diz haver diferenca entre os grupos analisados16 Os pesquisadores podem ter dois erros quando se baseiam nessas duas hipóteses para formular conclusões erros tipo I e II1 O erro tipo I referese a um resultado falso positivo ou seja rejeitar a hipótese nula quando na ver dade essa é verdadeira1 O erro tipo II referese a um resultado falso negativo ou seja aceitar a hipótese nula quando na verdade essa é falsa1 A probabilidade de ocorrer o erro tipo I é conhecida como nível de signifi cância ou alfa1 O nível de significância aceitável e mais usado na área de saúde é de 51 Os testes estatísticos de hipóteses calculam a probabilidade de o evento pes quisado ocorrer assumindose que a hipótese nula seja verdadeira17 Essa probabilidade é conhecida como valor de p1 Se o valor de p calculado pelos testes estatísti cos for menor do que o nível de significância podese rejeitar a hipótese nula e aceitar a hipótese alternativa que diz haver diferenca ou associacão entre os grupos analisados1 Esse raciocínio se aplica aos ensaios clínicos de superioridade O erro mais comum entre os leitores é acreditar que o valor de p representa a probabilidade de a hipótese nula ser verdadeira17Os ensaios clínicos de não inferioridade ou de equivalência testam exatamente o contrário a lógica da interpretacão é oposta já que Importância do uso adequado da estatística básica nas pesquisas clínicas 623 a hipótese nula representa a diferenca entre os valores observados Kurichi et al2 fizeram um pesquisa em 2006 analisa ram publicacões em diversas revistas científicas na área de cirurgia e demonstraram que os testes t de Student e do quiquadrado foram os testes hipóteses mais usados Esse achado é corroborado por outras pesquisas em outras áreas da medicina46 O teste t de Student é um teste paramétrico que com para a média de duas amostras18 O uso desse teste requer algumas condicões18 a populacão que originou a amostra deve ter distribuicão simétrica as variâncias das amostras devem ser iguais ou próximas e as amostras devem ser independentes18 A estatística desse teste pode ser obtida de acordo com os seguintes passos calcular as médias amostrais e os respectivos desvios padrões encontrar a diferenca entre as duas médias amostrais calcular o erro padrão e dividir o valor da diferenca entre as médias pelo valor do erro padrão19 Uma vez encontrado o valor de t devese consultar uma tabela de valores críticos da estatística t de acordo com os graus de liberdade adequados a cada caso18 Se o valor de t encontrado for maior ou igual ao valor de t tabelado podese rejeitar a hipótese de nulidade18 O valor da estatística t pode também ser convertido ao valor de p19 Se o valor de p for menor do que nível de significância adotado para a pesquisa devese rejeitar a hipótese de nulidade19 As pesquisas médicas geralmente envolvem mais de dois grupos O teste de Anova é usado para simultaneamente testar a igualdade entre mais de dois grupos20 As diversas formas desse testes são Anova um fator para uma variá vel independente Anova dois fatores para duas variáveis independentes e Anova medidas repetidas analisa partici pantes que servem como controle para eles mesmos20 O uso desse teste requer algumas condicões a amostra deve ter distribuicão simétrica amostras devem ser escolhidas de forma aleatória e a homocedasticidade deve ser avaliada A variância representa a dispersão dos dados que serão ana lisados A homocedasticidade representa a homogeneidade das variâncias e é um pressuposto que deve ser observado para a execucão do teste20 O teste do quiquadrado é um teste não paramétrico usado para responder perguntas de pesquisa que envolvem taxas proporcões ou frequências21 O teste não requer que os dados assumam uma distribuicão simétrica21 Existem dois testes quiquadrado de independência e de aderência21 O teste de independência é o mais usado e avalia a frequência de dados de dois ou mais grupos21 O teste de aderên cia é usado para comparar dados amostrais com dados de populacões conhecidas21 A estatística do teste do quiquadrado para duas amostras pode ser obtida de acordo com os seguintes passos calcular as proporcões amostrais encontrar a diferenca entre essas duas proporcões calcular a proporcão amostral geral que será usada no cálculo do erro padrão calcular o erro padrão e dividir o valor da diferenca entre as proporcões pelo valor do erro padrão19 A hipótese nula pode ser rejeitada se o valor de p for menor do que o nível de significância adotado na pesquisa ou se o valor encontrado for maior ou igual a um valor tabelado tal qual ocorre com o teste t19 O uso dos testes estatísticos não paramétricos tem aumentado com o passar dos anos2 Uma pesquisa que analisou publicacões na área de cirurgia observou que em Archives of Surgery houve um aumento de 0 em 1985 para 33 em 2003 e em Annals of Surgery de 12 em 1985 para 49 em 20032 Os métodos não paramétricos são aplicados para dados que tenham distribuicão assimétrica ou prove nientes de escalas ordinais e nominais21 Os mais comuns e suas indicacões são quiquadrado e teste exato de Fisher para proporcões ou frequências testes U de MannWhitney Wilcoxon KruskalWallis e Friedman para dados ordinais e KruskalWallis e Friedman para comparacões intergrupos21 Os dados de amostras com pequeno número total de par ticipantes podem ser mais bem avaliados com testes não paramétricos1 A formacão profissional do médico geralmente lhe oferece um conhecimento básico em estatística porém muitos não estão aptos para usar esses conhecimentos na interpretacão dos dados1 A decisão de qual teste usar para cada situacão em particular requer o esclarecimento de alguns pontos escala de medida dos dados número de gru pos relacão entre os participantes ou seja se os grupos são independentes ou relacionados e intencão do pesquisador de estabelecer diferenca ou relacão entre os grupos22 Um exemplo hipotético seria analisar complicacões em sala de recuperacão anestésica O primeiro passo a se fazer é con tar o evento de interesse e dividilo pelo total de pacientes para achar a proporcão e ao se multiplicar essa proporcão por 100 temse a porcentagem Em seguida se pode verificar diferenca entre gêneros pelo teste do quiquadrado ou veri ficar a quantidade de anestésico usada por cada paciente e extrair a média Um guia geral para a escolha dos testes pode ser visto na tabela 4 Como executar o cálculo do tamanho amostral A estatística é usada para comparacões entre grupos e fazer predicões para populacões a partir de dados provenientes de amostras uma vez que geralmente não é viável fazer análise de dados de todos os membros de uma populacão1 A hipótese é formulada observando a populacão testada na amostra Um número adequado de participantes deve ser calculado antes da execucão da pesquisa23 Se o tamanho da amostra for menor do que o necessário o efeito real analisado pode ser negligenciado pelo pesquisador e se esse tamanho for muito grande ocorrerá desperdício de recursos e animais caso se trate de uma pesquisa experimental23 O cálculo do tamanho da amostra pode ser exe cutado por meio de aplicativos de computador Existem alguns aplicativos gratuitos online que usam o método do poder estatístico Alguns exemplos são httpwwwopenepicomMenuOE Menuhtm httpwwwbiomathinfopowerindexhtm http homepagestatuiowaedurlenthPowerDownload to run locally httpstatpagesorg httpbiostatmc vanderbiltedutwikibinviewMainPowerSampleSize httptinyurlcomtimbocalculo Erros comuns em anestesia A identificacão de erros em estatística foi pesquisada em literatura da Anaesthetic Research Society24 As categorias apontadas nesta pesquisa foram apresentacão de método 624 CF Rodrigues et al Tabela 4 Guia geral para escolha dos testes estatísticos12021 Teste de hipóteses Indicacões do teste estatístico t de Student Comparar médias de dois grupos cujos dados apresentaram distribuicão normal Amostras independentes ou amostras relacionadas Anova Comparar média de mais de dois grupos cujos dados apresentaram distribuicão normal Amostras independentes ou amostras relacionadas Quiquadrado Analisar dados nominais de mais de 40 participantes independentemente da distribuicão dos dados Amostras independentes Exato de Fisher Analisar dados nominais de até 40 participantes independentemente da distribuicão dos dados Amostras independentes U de MannWhitney Analisar dados escalares e ordinais de dois grupos independentemente da distribuicão dos dados Amostras independentes Postos sinalizados de Wilcoxon Analisar dados escalares e ordinais de dois grupos independentemente da distribuicão dos dados Amostras relacionadas KruskalWallis Analisar dados escalares e ordinais de mais de dois grupos independentemente da distribuicão dos dados Amostras independentes KolmogorovSmirnov Verificar se dados são da mesma populacão Amostras independentes ou escolha do teste estatístico variabilidade e probabili dade Os erros mais comuns foram ausência de identificacão de testes de estatística inferencial apresentacão inade quada dos dados para permitir a interpretacão dos valores de p e apresentacão inadequada do desvio padrão da média Os erros comuns encontrados em anestesia são3 escolha errada de um teste de hipóteses que desconsidera a distribuicão dos dados escolha errada de um teste de hipó teses que desconsidera a hipótese clínica que leva a erro tipo I durante análises de significância uso do quiquadrado quando a frequência esperada de uma célula é menor do que 5 uso do quiquadrado sem correcão de Yates em amostra pequenas uso do teste t para amostras pareada em amostras não pareadas e parear amostras para analisar com o teste t Consideracões finais O uso adequado da estatística básica permite que o clínico possa sentir mais confianca nos resultados das pesquisas e assim implantar novas intervencões ou fármacos na prática clínica As principais recomendacões para minimizar os erros no relato de artigos científicos são78 descrever a hipótese da pesquisa conceituar as variáveis usadas na pesquisa resumir os dados das varáveis por meio da estatística descri tiva descrever os métodos empregados na análise de cada variável e relacionar os métodos estatísticos empregados verificar a distribuicão dos dados antes da execucão das análises e relatar o teste ou técnica empregados descrever os métodos de ajuste usados para múltiplas comparacões descrever como os valores discrepantes foram tratados des crever o nível de significância descrever os parâmetros usados para a execucão do cálculo do tamanho da amostra de forma que os cálculos possam ser repetidos descrever o programa ou pacote estatístico usado na análise usar a média e o desvio padrão para dados com distribuicão nor mal usar a mediana e a amplitude interquartílica para dados com distribuicão assimétrica não substituir o desvio padrão pelo erro padrão Os maiores erros na interpretacão de dados provenientes de pesquisas científicas se devem ao uso inadequado da estatística básica abordada nesta revisão narrativa Os profissionais de saúde devem ser capazes de avaliar criti camente os resultados de estudos para que as informacões dispostas na literatura possam influenciar positivamente nos cuidados aos pacientes O entendimento da validade das conclusões propicia a aplicabilidade dos achados aos pacientes A compreensão acerca do uso adequado da estatística básica propicia menores erros nos relatos dos resultados de estudos executados e na interpretacão das suas conclusões Conflitos de interesse Os autores declaram não haver conflitos de interesse Referências 1 Windish DM DienerWest M A clinicianeducators roadmap to choosing and interpreting statistical tests J Gen Intern Med 20062165660 2 Kurichi JE Sonnad SS Statistical methods in the surgical litera ture J Am Coll Surg 200620247684 Importância do uso adequado da estatística básica nas pesquisas clínicas 625 3 Bajwa SJ Basics common errors and essentials of statistical tools and techniques in anesthesiology research J Anaesthesiol Clin Pharmacol 20153154753 4 Barbosa FT Sousa DA Frequency of the adequate use of sta tistical tests of hypothesis in original articles published in the Revista Brasileira de Anestesiologia between January 2008 and December 2009 Rev Bras Anestesiol 20106052836 5 Hokanson JA Luttman DJ Weiss GB Frequency and diversity of use of statistical techniques in oncology journals Cancer Treat Rep 19867058994 6 Goldin J Zhu W Sayre JW A review of the statistical analysis used in papers published in Clinical Radiology and British Journal of Radiology Clin Radiol 1996514750 7 Altman DG Gore SM Gardner MJ et al Statistical guidelines for contributors to medical journals Br Med J Clin Res Ed 1983728693 1489 8 Bailar JC Mosteller F Guidelines for statistical reporting in arti cles for medical journals Amplifications and explanations Ann Intern Med 198810826673 9 Kim M Statistical methods in arthritis rheumatism current trends Arthritis Rheum 20065437419 10 McHugh ML Descriptive statistics Part I Level of measurement J Spec Pediatr Nurs 200383547 11 Twycross A Shields L Statistics made simple Part 2 standard deviation variance and range Paediatr Nurs 20041624 12 McHugh ML Descriptive statistics Part II most commonly used descriptive statistics J Spec Pediatr Nurs 200381116 13 Twycross A Shields L Statistics made simple Part 1 mean medians and mode Paediatr Nurs 20041632 14 Gaddis GM Gaddis ML Introduction to biostatistics Part 2 des criptive statistics Ann Emer Med 19901930915 15 Clegg F Introduction to statistics I descriptive statistics Br J Hospital Med 19873735667 16 Gaddis GM Gaddis ML Introduction to biostatistics Part 3 sen sitivity specificity predictive value and hypothesis testing Ann Emerg Med 1990195917 17 Biau DJ Jolles BM Porcher R Pvalue and the theory of hypothe sis testing an explanation for new researchers Clin Orthop Relat Res 201046885562 18 Gaddis GM Gaddis ML Introduction to biostatistics Part 4sta tistical inference techniques in hypothesis testing Ann Emerg Med 1990198205 19 Rumsey D Testes de hipóteses mais utilizados In Rumsey D editor Estatística para Leigos Rio de Janeiro Alta Books 2010 p 23747 20 Gaddis ML Statistical methodology IV Analysis of variance analysis of covariance and multivariate analysis of variance Acad Emerg Med 1998525865 21 Gaddis GM Gaddis ML Introduction to biostatistics Part 5 statistical inference techniques for hypothesis testing with non parametric data Ann Emerg Med 19901910549 22 Twycross A Shields L Statistics made simple Part 4 choosing the right test Paediatr Nurs 20041624 23 Charan J Kantharia ND How to calculate sample size in animal studies J Pharmacol Pharmacother 201343036 24 Goodman NW Hughes AO Statistical awareness of rese arch workers in British anaesthesia Br J Anaesth 199268 3214 Alves et al Analise das principais sequelas observadas em pacientes vítimas de acidente vascular cerebral AVC 25 Revista da FAESF vol 2 n 4 p 2530 OutDez 2018 ISSN 2594 7125 Artigo Original Analise das principais sequelas observadas em pacientes vítimas de acidente vascular cerebral AVC Analysis of the main sequelae observed in stroke victims AVC Nágila Silva Alves1 Francisco Adalberto do Nascimento Paz2 Discente do Centro Universitário Santo Agostinho1 Docente do Centro Universitário Santo Agostinho2 RESUMO Objetivos Analisar as principais sequelas observadas em pacientes sequelados após AVC em um Centro Integrado de Reabilitação CEIR e no Espaço Querer Métodos Tratase de um estudo transversal quantitativo de uma amostra intencional de 25 profissionais de fisioterapia realizado em dois campos Para verificar as principais sequelas observadas pelos fisioterapêuticas em pacientes vítimas de pós acidente vascular cerebral foi aplicado um questionário elaborado pelos próprios pesquisadores Resultados A partir do estudo foi perceptível analisar que as principais sequelas encontradas pelos fisioterapeutas nos pacientes sequelados pós acidente vascular cerebral que corresponde a sequelas motoras equilíbrio e coordenação comportamental e emocional fala e sensibilidade PalavrasChave Acidente Vascular Cerebral Reabilitação Neurológica Fisioterapia ABSTRACT Objectives To analyze the main sequelae observed in sequelae patients after stroke at an Integrated Rehabilitation Center CEIR and Espaço Querer Methods This is a crosssectional quantitative study of an intentional sample of 25 physiotherapy professionals conducted in two fields In order to verify the main sequelae observed by physiotherapists in poststroke patients a questionnaire developed by the researchers was applied Results From the study it was perceptible to analyze that the main sequels found by physiotherapists in sequel patients post stroke which corresponds to motor sequelae balance and coodernation behavioral and emotional speech and sensitivity Keywords Cerebrovascular accident CVA Neurological Rehabilitation Physical Therapy INTRODUÇÃO O Acidente Vascular Cerebral AVC é uma alteração neurológica de rápido desenvolvimento causada pela interrupção do fluxo sanguíneo em estabelecida área encefálica Mendes et al 2014 De acordo com Scalzo et al 2010 o Acidente Vascular Cerebral é uma interrupção súbita do fluxo sanguíneo do encéfalo gerado Alves et al Analise das principais sequelas observadas em pacientes vítimas de acidente vascular cerebral AVC 26 Revista da FAESF vol 2 n 4 p 2530 OutDez 2018 ISSN 2594 7125 tanto por obstrução de uma artéria indicando o AVC isquêmico ou por ruptura descrevendo o AVC hemorrágico Segundo dados epidemiológicos o AVC é considerado a segunda principal causa de morte e incapacidade no mundo Garritano et al 2011 No Brasil são registradas cerca de 68 mil mortes anualmente por consequência do Acidente Vascular Cerebral resultando em grande impacto econômico e social pois muitos indivíduos permanecem dependentes de algum tipo de ajuda por pequeno tempo ou mesmo por toda a vida após a lesão Ferla Grave Perico 2015 Provocando danos e comprometimentos que dependem do local e da extensão da lesão as complicações do AVC pode desencadear sequelas em partes sensitivas motoras e cognitivas resultando em déficits na capacidade funcional na independência e também qualidade de vida dos indivíduos afetados Freitas et al 2016 No contexto da reabilitação a assistência fisioterapêutica tem um importante papel na redução de impactos negativos resultado de complicações desenvolvidas pelas sequelas do Acidente Vascular Cerebral trabalhando no desempenho funcional do paciente minimizando suas limitações funcionais e contribuindo para a recuperação Lopes Castaneda Sobral 2013 Portanto o objetivo do estudo visou analisar as principais sequelas observadas em pacientes vítimas após AVC em um Centro Integrado de Reabilitação CEIR e no Espaço Querer Habilitação e Reabilitação Intensiva de TeresinaPI Objetivos Analisar as principais sequelas observadas em pacientes vítimas de Acidente Vascular Cerebral AVC em um Centro Integrado de Reabilitação CEIR e na Querer Habilitação e Reabilitação Intensiva de TeresinaPiaui Coletouse através da aplicação um questionário direcionado aos profissionais fisioterapeutas atuantes na área neurológica proporcionando aos leitores a necessidade e a importância de saber sobre os benefícios da fisioterapia junto ao tratamento neurológico nesta patologia Métodos Este estudo tratase de uma pesquisa transversal onde cada participante foi avaliado apenas uma única vez e quantitativa realizada com profissionais fisioterapeutas do CEIR Centro Integrado de Reabilitação e da Clínica Espaço Querer em Teresina Piauí entre março a maio de 2018 De um total de 25 profissionais atuantes na fisioterapia número obtido através de amostra intencional Utilizou se 95 de confiança e um erro amostral de 5 para o cálculo da amostra Após a aprovação do projeto no Comitê de Ética em Pesquisa da UNIFSA sob o parecer de nº 25542972018 foi dado início ao estudo Foram adotados os seguintes critérios de inclusão a fisioterapeutas de ambos os sexos b fisioterapeutas atuantes na área neurológica c profissionais que trabalhassem no local de realização da pesquisa Todos os voluntários que aceitaram participar do estudo assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido contendo o título da pesquisa nome dos pesquisadores responsáveis objetivo justificativa riscos e benefícios bem como todas as informações necessárias sobre a pesquisa realizada Após a coleta todos os dados foram organizados e submetidos a análise Alves et al Analise das principais sequelas observadas em pacientes vítimas de acidente vascular cerebral AVC 27 Revista da FAESF vol 2 n 4 p 2530 OutDez 2018 ISSN 2594 7125 estatística Os participantes não tiveram acesso a esta etapa evitando qualquer intercorrência que pudesse atrapalhar nos resultados da pesquisa Os participantes foram submetidos a um questionário elaborado pelos próprios pesquisadores sobre as principais sequelas que os profissionais fisioterapeutas observam nos pacientes vítimas de acidente vascular cerebral Esse instrumento coletava informações pessoais nome idade sexo nível de especialidade na área neurológica tempo de atuação nível de satisfação com os resultados da fisioterapia e aspectos vistos pelos profissionais dos pacientes após acidente vascular cerebral perfil dos pacientes sequelas mais presentes pós acidente vascular cerebral Sobre as sequelas mais vistas nos pacientes afetados pós AVC os profissionais poderiam selecionar mais de uma opção Todos os voluntários foram previamente informados a respeito do procedimento sobre o questionário ao qual foram submetidos Os dados dos questionários respondidos foram analisados nos softwares R version 340 20170421 e na versão Trial do Excel 2016 e posteriormente foram criados os gráficos e tabelas Resultados Na Tabela 1 mostra o perfil sócio demográficos e as características dos entrevistados participantes do estudo Contendo quinze do sexo feminino 60 e dez do sexo masculino 40 A faixa etária que prevaleceu foi de 26 a 35 anos de idade 76 Em relação ao nível de especialidade na fisioterapia neurológica a maioria dos entrevistados possuem Especialização 44 e apenas 16 possuem apenas graduação ou mestrado No geral os entrevistados apresentam entre cinco e dez anos de atuação na fisioterapia neurológica 56 Por fim foi perguntado sobre a satisfação da fisioterapia no tratamento do AVC e assim como quando questionado sobre a definição de recuperação do paciente a maior parte dos entrevistados não especificou tendo apenas 40 respondido Bom ou Muito Bom Sobre as sequelas mais evidentes nos pacientes com acidente vascular cerebral observouse que 23 profissionais responderam que se observa mais motora 92 22 equilíbrio e coordenação 88 18 comportamental e emocional 72 17 fala 68 11 sensibilidade 44 8 paladar 32 4 interpretação 16 3 visão 12 3 outros 12 e 2 audição 8 Figura 1 Tabela 1 Perfil sócio demográfico e características dos entrevistados n25 Variáveis n Sexo Feminino 15 60 Masculino 10 40 Faixa Etária 20 a 25 anos 1 4 26 a 35 anos 19 76 36 a 45 anos 5 20 46 a 60 anos Alves et al Analise das principais sequelas observadas em pacientes vítimas de acidente vascular cerebral AVC 28 Revista da FAESF vol 2 n 4 p 2530 OutDez 2018 ISSN 2594 7125 Nível de especialidade na Fisioterapia Neurológica Graduado 4 16 Pós Graduado 6 24 Especializado 11 44 Mestre 4 16 Doutor Tempo de atuação na Fisioterapia Neurológica Menos de um ano De um a cinco anos 8 32 Entre cinco e dez anos 14 56 Mais de 10 anos 3 12 Satisfação da fisioterapia no tratamento do AVC Ruim Muito Ruim Regular Bom 2 8 Muito bom 8 32 Excelente Não especificado 15 60 Fonte Pesquisa Autoral Figura 1 Frequência de citação das sequelas mais identificadas nos pacientes com acidente vascular cerebral Resultados obtidos através do questionário com os profissionais da fisioterapia Discussão Os achados do presente trabalho corroboram com a literatura Foi demostrado por Albano et al 2013 que a fisioterapia por meio de técnicas e métodos produzem resultados significativos em indivíduos com sequelas após um AVC em condição crônica e aguda quando comparadas com as alterações encontradas em indivíduos nas mesmas condições a quem não foram prestados cuidados de fisioterapia No entanto Silva et al 2014 destaca que o sucesso da 9200 8800 7200 6800 4400 3200 1600 1200 1200 800 Motora Equilíbrio e cordenação Comportamental e Emocional Fala Sensibilidade Paladar Interpretação Visão Outros Audição Alves et al Analise das principais sequelas observadas em pacientes vítimas de acidente vascular cerebral AVC 29 Revista da FAESF vol 2 n 4 p 2530 OutDez 2018 ISSN 2594 7125 reabilitação não depende apenas de várias sessões de terapia como também do que ocorre com o paciente durante as horas restantes que o paciente não se encontra na reabilitação De acordo com Jacob et al 2012 em seus estudos com 46 idosos com sequelas de AVC demonstrou que a fisioterapia através de métodos e técnicas como a facilitação motora e os treinos de atividades de vida diária proporcionou aos idosos melhora no que se refere à capacidade funcional diminuindo as sequelas que surgiu pós o AVC Por meio da análise foi possível destacar neste estudo que as sequelas mais recorrentes em pacientes pós acidente vascular cerebral são a motora equilíbrio e coordenação comportamental e emocional fala e sensibilidade Resultados semelhantes foram observados nos achados de Scalzo et al 2010 que avaliou a qualidade de vida dos pacientes com Acidente Vascular Cerebral utilizando os escores dos domínios que constituem o SF36 Medical Outcones ShortForm 36item Health Survey em uma amostra de 21 pacientes Nos resultados demonstrou que todos os domínios foram comprometidos na sequência aspectos físicos capacidade funcional aspectos emocionais dor estado geral de saúde estado mental vitalidade e por último aspectos sociais Na literatura apresentada por Cruz Filho e Colaço 2010 foi possível encontrar diversos protocolos de tratamento fisioterapêutico que podem ser utilizados em pacientes com Acidente Vascular Cerebral de acordo com o tipo de sequela apresentada onde podem ser aplicados os recursos terapêuticos manuais aparelhos mecânicos e elétricos visando a inibição de padrões posturais treino de marcha melhora da propriocepção alongamento e fortalecimento muscular entre outros Desta forma retirando a limitação que as sequelas trazem as vítimas deste tipo de patologia CONCLUSÃO Os resultados obtidos no presente estudo demonstraram as principais sequelas que são observadas pelos profissionais da fisioterapia em pacientes vítimas de acidente vascular cerebral dos dois campos onde foi aplicada o estudo foi perceptível com mais relevância as sequelas motora de equilíbrio e coordenação comportamental e emocional da fala e sensibilidade Apesar de apresentarem uma grande variedade de sequelas que podem a vim após um AVC algumas se mostraram mais significativas para os profissionais em relação a outras citadas Assim esperase que este estudo estimule futuras investigações nesta área e temática REFERÊNCIAS Albano L et al Intervenção da fisioterapia em indivíduos após AVC em condição crônica In Congresso Português do AVC Anais do Congresso Português do AVC Sociedade Portuguesa de Neurologia Sociedade Portuguesa de Neurologia Lisboa 2013 Ferla FL Grave M Perico E Fisioterapia no tratamento do controle de tronco e equilíbrio de pacientes pós AVC Rev Neurociências 2015 232 211217 Freitas AS et al Jogo educativo sobre acidente vascular cerebral para préadolescentes Mostra Interdisciplinar do curso de Enfermagem v02 n2 2016 Alves et al Analise das principais sequelas observadas em pacientes vítimas de acidente vascular cerebral AVC 30 Revista da FAESF vol 2 n 4 p 2530 OutDez 2018 ISSN 2594 7125 Garritano C R et al Analysis of the Mortality Trend due to Cerebrovascular Accident in Brazil in the XXI Century Arq Bras Cardiol2011986519527 Jacob S G et al Avaliação dos cuidados de Fisioterapia domiciliária em idosos vítimas de acidente vascular cerebral Rev Bras Fisioter 2012 126 1147 11532012 Lopes G L Castaneda L SobralLL Abordagem das atividades funcionais e da influência dos fatores ambientais em pacientes hemiparéticos pósAVE antes e após o tratamento fisioterapêutico Acta Fisiatr 201319423742 Mendes LM et al Acesso de sujeitos pósacidente vascular cerebral aos serviços de fisioterapia Rev enferm UFPE online 2016 10238794 Scalzo PL et al Qualidade de vida em pacientes com acidente vascular cerebral clínica de fisioterapia Puc Minas Betim Rev Neurocienc 2010 1821391440 Silva T I et al Benefícios da fisioterapia no tratamento de um paciente com AVC relato de caso SBPCNET 2014 Correspondência a Nágila Silva Alves Email nglarraialgmailcomlcom recebido em 07122018 Aceito em 091218
2
Bioestatística
FBB
5
Bioestatística
FBB
2
Bioestatística
FBB
27
Bioestatística
UNICESUMAR
4
Bioestatística
UNIESI
Texto de pré-visualização
Rev Bras Anestesiol 2017676619625 REVISTA BRASILEIRA DE ANESTESIOLOGIA Publicação Oficial da Sociedade Brasileira de Anestesiologia wwwsbacombr ARTIGO DE REVISÃO Importância do uso adequado da estatística básica nas pesquisas clínicas Célio Fernando de Sousa Rodriguesa Fernando José Camello de Limab e Fabiano Timbó Barbosab a Universidade Federal de Alagoas Morfologia Maceió AL Brasil b Universidade Federal de Alagoas Ciência da Saúde Maceió AL Brasil Recebido em 10 de junho de 2016 aceito em 17 de janeiro de 2017 Disponível na Internet em 10 de abril de 2017 PALAVRASCHAVE Bioestatística Anestesia Tamanho da amostra Resumo Justificativa e objetivo O uso inadequado da estatística básica é o maior responsável pelo erro de interpretação dos artigos científicos O objetivo deste artigo de revisão foi rever alguns tópicos básicos de estatística para alertar autores e leitores sobre a importância do relato adequado da estatística básica Conteúdo Foi feita pesquisa bibliográfica e transversal que analisou publicações em livros artigos nas bases de dados SciELO Scientific Electronic Library Online e PubMed do National Center for Biotechnology Information Pesquisas na área médica não estão livres do risco de resultados falso positivos e falso negativos devido à escolha dos testes estatísticos e à presença de pequenos tamanhos de amostra Conclusão A compreensão acerca do uso adequado da estatística básica propicia menores erros nos relatos dos resultados de estudos executados e na interpretação das suas conclusões 2017 Publicado por Elsevier Editora Ltda em nome de Sociedade Brasileira de Anestesiologia Este é um artigo Open Access sob uma licença CC BYNCND httpcreativecommonsorglicensesbyncnd40 KEYWORDS Biostatistics Anesthesia Sample size Importance of using basic statistics adequately in clinical research Abstract Background and objective The inadequate use of basic statistics is the main responsible for scientific article misinterpretation The purpose of this review article was to review some basic statistical topics to alert authors and readers about the importance of basic statistics proper reporting Pesquisa feita na Universidade Federal de Alagoas Autor para correspondência Email fabianotimboyahoocombr FT Barbosa httpdxdoiorg101016jbjan201701003 00347094 2017 Publicado por Elsevier Editora Ltda em nome de Sociedade Brasileira de Anestesiologia Este é um artigo Open Access sob uma licença CC BYNCND httpcreativecommonsorglicensesbyncnd40 620 CF Rodrigues et al Content A bibliographical and crosssectional study was carried outwhich analyzed publicati ons in books and articles in the following databases SciELO Scientific Electronic Library Online and PubMed Available from the National Center for Biotechnology Information Medical rese arch is not free from the risk of false positive and false negative results due to the choice of statistical tests and presence of small sample sizes Conclusion Understanding the correct use of basic statistics leads to fewer errors in reporting the results of studies performed and in the interpretation of their conclusions 2017 Published by Elsevier Editora Ltda on behalf of Sociedade Brasileira de Anestesiologia This is an open access article under the CC BYNCND license httpcreativecommonsorg licensesbyncnd40 Introducão A estatística é uma ciência que usa a análise dos dados para testar as hipóteses estatísticas verificar a forca da evidên cia clínica e assim se existem associacões entre grupos ou a veracidade de fenômenos de interesse1 O pesquisador deve formular hipóteses observar os fenômenos biológicos que ocorrem na populacão e retirar dessa populacão uma amos tra para testar suas hipóteses A semelhanca de uma amostra com a populacão que a originou permite que os resultados da análise dos dados sejam mais fidedignos para a elucidacão das hipóteses1 A análise estatística presente nas pesquisas científicas e relatada nos artigos originais permite ao leitor aos pacien tes e aos gestores de saúde interpretar a informacão advinda dos dados coletados durante a execucão de uma pesquisa e assim usála em prol da sociedade2 A preocupacão de relatar adequadamente os resultados de pesquisas biomé dicas está presente na literatura mundial desde décadas passadas3 A frequência do uso adequado dos testes estatísticos pode ser vista em diversas áreas médicas como oncologia radiologia cirurgia e anestesiologia246 As consequências podem ser sérias se a análise do conteúdo científico for inadequada como resultados falsos com suposicões não jus tificadas e conclusões sem respaldo biológico3 As mais diversas orientacões para relatos de dados e medidas estatísticas estão disponíveis aos pesquisadores e já foram publicadas por vários autores de artigos cientí ficos que demonstraram quais itens são importantes para ser usados em relatos de pesquisas científicas78 Apesar da existência de tais orientacões os erros nos relatos de pes quisas que usam a estatística ainda continuam a existir e se devem tanto ao uso da estatística básica como da estatística avancada porém a maior frequência ocorre com o uso da estatística básica ao contrário do que se pode acreditar29 O presente artigo de revisão é uma tentativa de tornar os anestesiologistas cônscios dos diversos aspectos dos méto dos estatísticos usados em pesquisas clínicas assim como tentar por meio desta revisão narrativa reduzir ao máximo os erros estatísticos que ainda são cometidos na parte básica da estatística O objetivo deste artigo foi rever alguns tópi cos básicos de estatística para alertar autores e leitores de pesquisas científicas sobre a importância do relato adequado da estatística básica Método Foi executada uma pesquisa bibliográfica e transversal por meio de publicacões de livros e artigos científicos obtidos em meios eletrônicos nas seguintes bases de dados SciELO Sci entific Electronic Library Online e PubMed National Center for Biotechnology Information Foram usados os seguintes descritores bioestatística anestesia e tamanho da amos tra Os mesh terms usados foram biostatistics anesthesia e sample size Revisão de literatura Conceitos básicos de estatística descritiva Os clínicos devem ser capazes de tomar as melhores decisões perante o paciente em sua prática rotineira e a aquisicão de novo conhecimento somente será possível se eles forem capazes de ler e analisar criticamente os artigos publica dos em periódicos científicos A estatística descritiva é uma parte da estatística que auxilia os pesquisadores e os lei tores a entenderem as informacões de dados coletados por meio da sua organizacão e sumarizacão10 A estatística des critiva é a única estatística usada em trabalhos descritivos e em alguns estudos epidemiológicos10 O uso de dados brutos em artigos científicos ou seja dados da forma como foram coletados na pesquisa não é comum e pode prejudicar a sua interpretacão e tornar a leitura desinteressante A estatística descritiva é usada para a descricão de dados por meio do uso de números ou medidas estatísticas que pos sam melhor representar todos os dados coletados durante a execucão de uma pesquisa É considerada um passo ini cial para a escolha adequada e o uso dos testes estatísticos de hipóteses11 É essencial conhecer qual estatística é mais apropriada para os mais diferentes níveis de mensuracão12 As mais usadas em artigos publicados na área de saúde podem ser vistas na tabela 1 A estatística descritiva pode ser dividida em medidas de tendência central e de dipersão13 A primeira usa um valor que representa o que é mais típico e que pode ser usado para representar todos os demais valores coletados numa pesquisa13 A segunda usa um valor que revela como os dados variam em torno desse valor que é mais típico11 As princi pais medidas de tendência central são a média a moda Importância do uso adequado da estatística básica nas pesquisas clínicas 621 Tabela 1 Resumo da estatística descritiva mais usada em publicacões na área de saúde12 Estatística descritiva Forma e normalidade Tendência central Dispersão ou variacão Percentil e quartil Simetria Moda Amplitude Percentil Curtose Mediana Variância Amplitude interquartílica Média Desvio padrão e a mediana13 As principais medidas de dispersão são a variância o desvio padrão e a amplitude interquartílica11 A média é uma medida importante porque incorpora o valor de cada participante da pesquisa12 Os passos necessá rios ao seu cálculo são contar o número total de casos que é conhecido usualmente em estatística como n somar todos os valores e dividir pelo número total de casos13 Essa vantagem da média também é seu problema pois é afetada por valores discrepantes altos ou baixos que distor cem a informacão que se deseja transmitir sobre os dados analisados12 A mediana difere da média porque é a posicão cujo valor numérico situase na metade da distribuicão dos demais valores quando organizados em ordem crescente14 Se tomarmos valores aleatórios 88 89 90 91 e 92 teremos como média 90 A moda é o valor que ocorre mais frequentemente e não providencia uma indicacão de todos os valores coletados numa pesquisa mas sim daquele que mais se repetiu13 Se tomarmos valores aleatórios 88 88 90 91 e 92 teremos como moda 88 A mediana e os quartis são valores representativos da posicão em escala percentual dos valores distribuídos em ordem crescente A mediana representa a posicão 50 na escala de distribuicão14 Para saber onde está a posicão da mediana basta dividir o valor total de casos por 212 Uma forma simples para saber qual é o valor numérico é ordenar os valores om ordem crescente eliminar gradati vamente os valores extremos e no fim identificar o valor que ficou no centro12 Esse valor será a mediana Em alguns casos todos os valores das extremidades são eliminados e não resta valor central Quando isso ocorrer devese fazer a média dos dois últimos valores e assim calcular o valor central12 A mediana não é influenciada pelos valores discrepantes e deve ser preferida quando eles estiverem presentes14 Se tomarmos valores aleatórios 85 89 90 91 e 97 teremos como mediana 90 As medidas de tendência central têm sua aplicabilidade A indicacão para a aplicacão de cada medida pode ser vista na tabela 2 Tomandose dois conjuntos de valores aleatórios o primeiro 88 89 90 91 e 92 e o segundo 30 70 90 120 140 teremos como média dos dois con juntos 90 Observandose exclusivamente a média não se percebe a informacão sobre o restante dos valores e por isso é preciso recorrer às medidas de dispersão para se perceber que os dados dos grupos não são iguais Os valores podem ser próximos ou distantes da média e essa distância do valor até a média é conhecida como discrepância12 A soma de todas as discrepâncias pode ser igual a zero então para poder usar essas discrepâncias é recomendável quadrar cada valor da discrepância antes de Tabela 2 Aplicabilidade das medidas de tendência central12 Medidas de tendência central Características Média Mediana Moda Dados intervalares e escalares Sim Sim Sim Dados ordinais Não Sim Sim Dados nominais Não Não Sim Distorcão com valores discrepantes Sim Não Não usálo matematicamente12 A média desses valores quadra dos é conhecida como variância12 A unidade de medida da variável analisada também fica quadrada por isso em alguns casos é difícil compreender seu significado12 O desvio padrão é uma das medidas estatísticas mais comumente usadas para demonstrar a variabilidade dos dados15 É uma medida que estima o grau em que o valor de determinada variável se desvia da média12 Matemati camente a raiz quadrada da variância é o desvio padrão12 A unidade de medida da variável permanece na sua forma original12 A amplitude total é a distância entre os valores mais alto e mais baixo12 É calculada pela subtracão entre o maior e o menor valor de um conjunto de dados12 A medida não informa se os valores estão distribuídos equitativamente se há grupos de valores próximos uns dos outros ou se há ausências de grupos de valores entre os dados coletados12 A amplitude interquartílica é uma medida de posicão que se relaciona com a mediana12 Os quartis representam a posicão 25 e 75 na escala de maneira que o primeiro quar til representa o valor que corresponde ao primeiro quarto da distribuicão 25 dos valores abaixo dessa posicão e o terceiro quartil representa o valor que corresponde ao terco quarto da distribuicão 75 dos valores acima dessa posicão As medidas de dispersão têm sua aplicabilidade Reanalisandose os dois conjuntos de valores aleatórios anteriores percebese que para o primeiro conjunto de dados temse média 90 desviopadrão 115 e amplitude total de 8892 o para o segundo temse a média 90 desvio padrão 4301 e amplitude total de 30140 Percebese pelo uso das medidas de dispersão que os conjuntos de valores são diferentes A indicacão de onde cada medida pode ser empregada pode ser vista na tabela 3 A média e o desvio padrão são mais bem empregados quando os dados têm distribuicão normal ou simétrica assim como a mediana e a amplitude interquartílica para dados com distribuicão assimétrica12 Uma das formas de identi ficar se ocorre simetria na distribuicão dos dados é criar 622 CF Rodrigues et al Tabela 3 Aplicabilidade das medidas de dispersão111213 Medidas de dispersão Características Amplitude Amplitude interquartílica Desvio padrão Dados intervalares e escalares Sim Sim Sim Dados ordinais Sim Sim Não Descricão da variabilidade da amostra Sim Sim Sim Participacão da inferência estatística Não Não Sim 30 25 25 20 15 15 13 7 10 5 5 0 Ausente Numero de casos Nívels da variável Leve Moderada Severa Insuportável Figura 1 Distribuicão do número de casos no eixo do y e do nível da variável analisada no eixo do x o gráfico do histograma e observar sua forma12 A criacão do gráfico comeca com a distribuicão do número de casos no eixo do y e do nível da variável analisada no eixo do x fig 1 Se a forma se assemelhar a um sino já existe forte indicativo para que os dados tenham distribuicão normal A distribuicão dos dados também pode ser verificada de forma estatística pela comparacão entre a curva formada pela distribuicão dos dados coletados em uma pesquisa e a curva normal Os aplicativos de computador podem executar o cálculo como BioEstat version 50 STATA EpiInfo e outros Conceitos básicos de estatística inferencial A estatística inferencial é a parte da estatística que é usada para formular conclusões e fazer inferências após a análise de dados coletados em pesquisas13 A estatística inferen cial usa os testes de hipóteses e a estimacão para fazer as comparacões e predicões e tirar conclusões que servi rão para as populacões baseados em dados de amostras1 As inferências estatísticas podem ser a análise bivariada e a análise multivariada1 A primeira analisa a relacão entre uma variável dependente e uma independente A segunda analisa a relacão entre uma variável dependente e múltiplas variáveis independentes e verifica o potencial de confusão ou confundimento dessas sobre aquela1 A inferência estatística somente é possível após testar as hipóteses estatísticas16 A hipótese é uma presuncão numé rica acerca de um parâmetro desconhecido ao pesquisador16 As duas hipóteses estatística são hipóteses de nulidade e alternativa16 A primeira hipótese de nulidade estatística referese à ausência de efeito ou de associacão1 A segunda hipótese alternativa defende que existe diferenca entre pelo menos duas populacões estudadas e quando positiva diz haver diferenca entre os grupos analisados16 Os pesquisadores podem ter dois erros quando se baseiam nessas duas hipóteses para formular conclusões erros tipo I e II1 O erro tipo I referese a um resultado falso positivo ou seja rejeitar a hipótese nula quando na ver dade essa é verdadeira1 O erro tipo II referese a um resultado falso negativo ou seja aceitar a hipótese nula quando na verdade essa é falsa1 A probabilidade de ocorrer o erro tipo I é conhecida como nível de signifi cância ou alfa1 O nível de significância aceitável e mais usado na área de saúde é de 51 Os testes estatísticos de hipóteses calculam a probabilidade de o evento pes quisado ocorrer assumindose que a hipótese nula seja verdadeira17 Essa probabilidade é conhecida como valor de p1 Se o valor de p calculado pelos testes estatísti cos for menor do que o nível de significância podese rejeitar a hipótese nula e aceitar a hipótese alternativa que diz haver diferenca ou associacão entre os grupos analisados1 Esse raciocínio se aplica aos ensaios clínicos de superioridade O erro mais comum entre os leitores é acreditar que o valor de p representa a probabilidade de a hipótese nula ser verdadeira17Os ensaios clínicos de não inferioridade ou de equivalência testam exatamente o contrário a lógica da interpretacão é oposta já que Importância do uso adequado da estatística básica nas pesquisas clínicas 623 a hipótese nula representa a diferenca entre os valores observados Kurichi et al2 fizeram um pesquisa em 2006 analisa ram publicacões em diversas revistas científicas na área de cirurgia e demonstraram que os testes t de Student e do quiquadrado foram os testes hipóteses mais usados Esse achado é corroborado por outras pesquisas em outras áreas da medicina46 O teste t de Student é um teste paramétrico que com para a média de duas amostras18 O uso desse teste requer algumas condicões18 a populacão que originou a amostra deve ter distribuicão simétrica as variâncias das amostras devem ser iguais ou próximas e as amostras devem ser independentes18 A estatística desse teste pode ser obtida de acordo com os seguintes passos calcular as médias amostrais e os respectivos desvios padrões encontrar a diferenca entre as duas médias amostrais calcular o erro padrão e dividir o valor da diferenca entre as médias pelo valor do erro padrão19 Uma vez encontrado o valor de t devese consultar uma tabela de valores críticos da estatística t de acordo com os graus de liberdade adequados a cada caso18 Se o valor de t encontrado for maior ou igual ao valor de t tabelado podese rejeitar a hipótese de nulidade18 O valor da estatística t pode também ser convertido ao valor de p19 Se o valor de p for menor do que nível de significância adotado para a pesquisa devese rejeitar a hipótese de nulidade19 As pesquisas médicas geralmente envolvem mais de dois grupos O teste de Anova é usado para simultaneamente testar a igualdade entre mais de dois grupos20 As diversas formas desse testes são Anova um fator para uma variá vel independente Anova dois fatores para duas variáveis independentes e Anova medidas repetidas analisa partici pantes que servem como controle para eles mesmos20 O uso desse teste requer algumas condicões a amostra deve ter distribuicão simétrica amostras devem ser escolhidas de forma aleatória e a homocedasticidade deve ser avaliada A variância representa a dispersão dos dados que serão ana lisados A homocedasticidade representa a homogeneidade das variâncias e é um pressuposto que deve ser observado para a execucão do teste20 O teste do quiquadrado é um teste não paramétrico usado para responder perguntas de pesquisa que envolvem taxas proporcões ou frequências21 O teste não requer que os dados assumam uma distribuicão simétrica21 Existem dois testes quiquadrado de independência e de aderência21 O teste de independência é o mais usado e avalia a frequência de dados de dois ou mais grupos21 O teste de aderên cia é usado para comparar dados amostrais com dados de populacões conhecidas21 A estatística do teste do quiquadrado para duas amostras pode ser obtida de acordo com os seguintes passos calcular as proporcões amostrais encontrar a diferenca entre essas duas proporcões calcular a proporcão amostral geral que será usada no cálculo do erro padrão calcular o erro padrão e dividir o valor da diferenca entre as proporcões pelo valor do erro padrão19 A hipótese nula pode ser rejeitada se o valor de p for menor do que o nível de significância adotado na pesquisa ou se o valor encontrado for maior ou igual a um valor tabelado tal qual ocorre com o teste t19 O uso dos testes estatísticos não paramétricos tem aumentado com o passar dos anos2 Uma pesquisa que analisou publicacões na área de cirurgia observou que em Archives of Surgery houve um aumento de 0 em 1985 para 33 em 2003 e em Annals of Surgery de 12 em 1985 para 49 em 20032 Os métodos não paramétricos são aplicados para dados que tenham distribuicão assimétrica ou prove nientes de escalas ordinais e nominais21 Os mais comuns e suas indicacões são quiquadrado e teste exato de Fisher para proporcões ou frequências testes U de MannWhitney Wilcoxon KruskalWallis e Friedman para dados ordinais e KruskalWallis e Friedman para comparacões intergrupos21 Os dados de amostras com pequeno número total de par ticipantes podem ser mais bem avaliados com testes não paramétricos1 A formacão profissional do médico geralmente lhe oferece um conhecimento básico em estatística porém muitos não estão aptos para usar esses conhecimentos na interpretacão dos dados1 A decisão de qual teste usar para cada situacão em particular requer o esclarecimento de alguns pontos escala de medida dos dados número de gru pos relacão entre os participantes ou seja se os grupos são independentes ou relacionados e intencão do pesquisador de estabelecer diferenca ou relacão entre os grupos22 Um exemplo hipotético seria analisar complicacões em sala de recuperacão anestésica O primeiro passo a se fazer é con tar o evento de interesse e dividilo pelo total de pacientes para achar a proporcão e ao se multiplicar essa proporcão por 100 temse a porcentagem Em seguida se pode verificar diferenca entre gêneros pelo teste do quiquadrado ou veri ficar a quantidade de anestésico usada por cada paciente e extrair a média Um guia geral para a escolha dos testes pode ser visto na tabela 4 Como executar o cálculo do tamanho amostral A estatística é usada para comparacões entre grupos e fazer predicões para populacões a partir de dados provenientes de amostras uma vez que geralmente não é viável fazer análise de dados de todos os membros de uma populacão1 A hipótese é formulada observando a populacão testada na amostra Um número adequado de participantes deve ser calculado antes da execucão da pesquisa23 Se o tamanho da amostra for menor do que o necessário o efeito real analisado pode ser negligenciado pelo pesquisador e se esse tamanho for muito grande ocorrerá desperdício de recursos e animais caso se trate de uma pesquisa experimental23 O cálculo do tamanho da amostra pode ser exe cutado por meio de aplicativos de computador Existem alguns aplicativos gratuitos online que usam o método do poder estatístico Alguns exemplos são httpwwwopenepicomMenuOE Menuhtm httpwwwbiomathinfopowerindexhtm http homepagestatuiowaedurlenthPowerDownload to run locally httpstatpagesorg httpbiostatmc vanderbiltedutwikibinviewMainPowerSampleSize httptinyurlcomtimbocalculo Erros comuns em anestesia A identificacão de erros em estatística foi pesquisada em literatura da Anaesthetic Research Society24 As categorias apontadas nesta pesquisa foram apresentacão de método 624 CF Rodrigues et al Tabela 4 Guia geral para escolha dos testes estatísticos12021 Teste de hipóteses Indicacões do teste estatístico t de Student Comparar médias de dois grupos cujos dados apresentaram distribuicão normal Amostras independentes ou amostras relacionadas Anova Comparar média de mais de dois grupos cujos dados apresentaram distribuicão normal Amostras independentes ou amostras relacionadas Quiquadrado Analisar dados nominais de mais de 40 participantes independentemente da distribuicão dos dados Amostras independentes Exato de Fisher Analisar dados nominais de até 40 participantes independentemente da distribuicão dos dados Amostras independentes U de MannWhitney Analisar dados escalares e ordinais de dois grupos independentemente da distribuicão dos dados Amostras independentes Postos sinalizados de Wilcoxon Analisar dados escalares e ordinais de dois grupos independentemente da distribuicão dos dados Amostras relacionadas KruskalWallis Analisar dados escalares e ordinais de mais de dois grupos independentemente da distribuicão dos dados Amostras independentes KolmogorovSmirnov Verificar se dados são da mesma populacão Amostras independentes ou escolha do teste estatístico variabilidade e probabili dade Os erros mais comuns foram ausência de identificacão de testes de estatística inferencial apresentacão inade quada dos dados para permitir a interpretacão dos valores de p e apresentacão inadequada do desvio padrão da média Os erros comuns encontrados em anestesia são3 escolha errada de um teste de hipóteses que desconsidera a distribuicão dos dados escolha errada de um teste de hipó teses que desconsidera a hipótese clínica que leva a erro tipo I durante análises de significância uso do quiquadrado quando a frequência esperada de uma célula é menor do que 5 uso do quiquadrado sem correcão de Yates em amostra pequenas uso do teste t para amostras pareada em amostras não pareadas e parear amostras para analisar com o teste t Consideracões finais O uso adequado da estatística básica permite que o clínico possa sentir mais confianca nos resultados das pesquisas e assim implantar novas intervencões ou fármacos na prática clínica As principais recomendacões para minimizar os erros no relato de artigos científicos são78 descrever a hipótese da pesquisa conceituar as variáveis usadas na pesquisa resumir os dados das varáveis por meio da estatística descri tiva descrever os métodos empregados na análise de cada variável e relacionar os métodos estatísticos empregados verificar a distribuicão dos dados antes da execucão das análises e relatar o teste ou técnica empregados descrever os métodos de ajuste usados para múltiplas comparacões descrever como os valores discrepantes foram tratados des crever o nível de significância descrever os parâmetros usados para a execucão do cálculo do tamanho da amostra de forma que os cálculos possam ser repetidos descrever o programa ou pacote estatístico usado na análise usar a média e o desvio padrão para dados com distribuicão nor mal usar a mediana e a amplitude interquartílica para dados com distribuicão assimétrica não substituir o desvio padrão pelo erro padrão Os maiores erros na interpretacão de dados provenientes de pesquisas científicas se devem ao uso inadequado da estatística básica abordada nesta revisão narrativa Os profissionais de saúde devem ser capazes de avaliar criti camente os resultados de estudos para que as informacões dispostas na literatura possam influenciar positivamente nos cuidados aos pacientes O entendimento da validade das conclusões propicia a aplicabilidade dos achados aos pacientes A compreensão acerca do uso adequado da estatística básica propicia menores erros nos relatos dos resultados de estudos executados e na interpretacão das suas conclusões Conflitos de interesse Os autores declaram não haver conflitos de interesse Referências 1 Windish DM DienerWest M A clinicianeducators roadmap to choosing and interpreting statistical tests J Gen Intern Med 20062165660 2 Kurichi JE Sonnad SS Statistical methods in the surgical litera ture J Am Coll Surg 200620247684 Importância do uso adequado da estatística básica nas pesquisas clínicas 625 3 Bajwa SJ Basics common errors and essentials of statistical tools and techniques in anesthesiology research J Anaesthesiol Clin Pharmacol 20153154753 4 Barbosa FT Sousa DA Frequency of the adequate use of sta tistical tests of hypothesis in original articles published in the Revista Brasileira de Anestesiologia between January 2008 and December 2009 Rev Bras Anestesiol 20106052836 5 Hokanson JA Luttman DJ Weiss GB Frequency and diversity of use of statistical techniques in oncology journals Cancer Treat Rep 19867058994 6 Goldin J Zhu W Sayre JW A review of the statistical analysis used in papers published in Clinical Radiology and British Journal of Radiology Clin Radiol 1996514750 7 Altman DG Gore SM Gardner MJ et al Statistical guidelines for contributors to medical journals Br Med J Clin Res Ed 1983728693 1489 8 Bailar JC Mosteller F Guidelines for statistical reporting in arti cles for medical journals Amplifications and explanations Ann Intern Med 198810826673 9 Kim M Statistical methods in arthritis rheumatism current trends Arthritis Rheum 20065437419 10 McHugh ML Descriptive statistics Part I Level of measurement J Spec Pediatr Nurs 200383547 11 Twycross A Shields L Statistics made simple Part 2 standard deviation variance and range Paediatr Nurs 20041624 12 McHugh ML Descriptive statistics Part II most commonly used descriptive statistics J Spec Pediatr Nurs 200381116 13 Twycross A Shields L Statistics made simple Part 1 mean medians and mode Paediatr Nurs 20041632 14 Gaddis GM Gaddis ML Introduction to biostatistics Part 2 des criptive statistics Ann Emer Med 19901930915 15 Clegg F Introduction to statistics I descriptive statistics Br J Hospital Med 19873735667 16 Gaddis GM Gaddis ML Introduction to biostatistics Part 3 sen sitivity specificity predictive value and hypothesis testing Ann Emerg Med 1990195917 17 Biau DJ Jolles BM Porcher R Pvalue and the theory of hypothe sis testing an explanation for new researchers Clin Orthop Relat Res 201046885562 18 Gaddis GM Gaddis ML Introduction to biostatistics Part 4sta tistical inference techniques in hypothesis testing Ann Emerg Med 1990198205 19 Rumsey D Testes de hipóteses mais utilizados In Rumsey D editor Estatística para Leigos Rio de Janeiro Alta Books 2010 p 23747 20 Gaddis ML Statistical methodology IV Analysis of variance analysis of covariance and multivariate analysis of variance Acad Emerg Med 1998525865 21 Gaddis GM Gaddis ML Introduction to biostatistics Part 5 statistical inference techniques for hypothesis testing with non parametric data Ann Emerg Med 19901910549 22 Twycross A Shields L Statistics made simple Part 4 choosing the right test Paediatr Nurs 20041624 23 Charan J Kantharia ND How to calculate sample size in animal studies J Pharmacol Pharmacother 201343036 24 Goodman NW Hughes AO Statistical awareness of rese arch workers in British anaesthesia Br J Anaesth 199268 3214 Alves et al Analise das principais sequelas observadas em pacientes vítimas de acidente vascular cerebral AVC 25 Revista da FAESF vol 2 n 4 p 2530 OutDez 2018 ISSN 2594 7125 Artigo Original Analise das principais sequelas observadas em pacientes vítimas de acidente vascular cerebral AVC Analysis of the main sequelae observed in stroke victims AVC Nágila Silva Alves1 Francisco Adalberto do Nascimento Paz2 Discente do Centro Universitário Santo Agostinho1 Docente do Centro Universitário Santo Agostinho2 RESUMO Objetivos Analisar as principais sequelas observadas em pacientes sequelados após AVC em um Centro Integrado de Reabilitação CEIR e no Espaço Querer Métodos Tratase de um estudo transversal quantitativo de uma amostra intencional de 25 profissionais de fisioterapia realizado em dois campos Para verificar as principais sequelas observadas pelos fisioterapêuticas em pacientes vítimas de pós acidente vascular cerebral foi aplicado um questionário elaborado pelos próprios pesquisadores Resultados A partir do estudo foi perceptível analisar que as principais sequelas encontradas pelos fisioterapeutas nos pacientes sequelados pós acidente vascular cerebral que corresponde a sequelas motoras equilíbrio e coordenação comportamental e emocional fala e sensibilidade PalavrasChave Acidente Vascular Cerebral Reabilitação Neurológica Fisioterapia ABSTRACT Objectives To analyze the main sequelae observed in sequelae patients after stroke at an Integrated Rehabilitation Center CEIR and Espaço Querer Methods This is a crosssectional quantitative study of an intentional sample of 25 physiotherapy professionals conducted in two fields In order to verify the main sequelae observed by physiotherapists in poststroke patients a questionnaire developed by the researchers was applied Results From the study it was perceptible to analyze that the main sequels found by physiotherapists in sequel patients post stroke which corresponds to motor sequelae balance and coodernation behavioral and emotional speech and sensitivity Keywords Cerebrovascular accident CVA Neurological Rehabilitation Physical Therapy INTRODUÇÃO O Acidente Vascular Cerebral AVC é uma alteração neurológica de rápido desenvolvimento causada pela interrupção do fluxo sanguíneo em estabelecida área encefálica Mendes et al 2014 De acordo com Scalzo et al 2010 o Acidente Vascular Cerebral é uma interrupção súbita do fluxo sanguíneo do encéfalo gerado Alves et al Analise das principais sequelas observadas em pacientes vítimas de acidente vascular cerebral AVC 26 Revista da FAESF vol 2 n 4 p 2530 OutDez 2018 ISSN 2594 7125 tanto por obstrução de uma artéria indicando o AVC isquêmico ou por ruptura descrevendo o AVC hemorrágico Segundo dados epidemiológicos o AVC é considerado a segunda principal causa de morte e incapacidade no mundo Garritano et al 2011 No Brasil são registradas cerca de 68 mil mortes anualmente por consequência do Acidente Vascular Cerebral resultando em grande impacto econômico e social pois muitos indivíduos permanecem dependentes de algum tipo de ajuda por pequeno tempo ou mesmo por toda a vida após a lesão Ferla Grave Perico 2015 Provocando danos e comprometimentos que dependem do local e da extensão da lesão as complicações do AVC pode desencadear sequelas em partes sensitivas motoras e cognitivas resultando em déficits na capacidade funcional na independência e também qualidade de vida dos indivíduos afetados Freitas et al 2016 No contexto da reabilitação a assistência fisioterapêutica tem um importante papel na redução de impactos negativos resultado de complicações desenvolvidas pelas sequelas do Acidente Vascular Cerebral trabalhando no desempenho funcional do paciente minimizando suas limitações funcionais e contribuindo para a recuperação Lopes Castaneda Sobral 2013 Portanto o objetivo do estudo visou analisar as principais sequelas observadas em pacientes vítimas após AVC em um Centro Integrado de Reabilitação CEIR e no Espaço Querer Habilitação e Reabilitação Intensiva de TeresinaPI Objetivos Analisar as principais sequelas observadas em pacientes vítimas de Acidente Vascular Cerebral AVC em um Centro Integrado de Reabilitação CEIR e na Querer Habilitação e Reabilitação Intensiva de TeresinaPiaui Coletouse através da aplicação um questionário direcionado aos profissionais fisioterapeutas atuantes na área neurológica proporcionando aos leitores a necessidade e a importância de saber sobre os benefícios da fisioterapia junto ao tratamento neurológico nesta patologia Métodos Este estudo tratase de uma pesquisa transversal onde cada participante foi avaliado apenas uma única vez e quantitativa realizada com profissionais fisioterapeutas do CEIR Centro Integrado de Reabilitação e da Clínica Espaço Querer em Teresina Piauí entre março a maio de 2018 De um total de 25 profissionais atuantes na fisioterapia número obtido através de amostra intencional Utilizou se 95 de confiança e um erro amostral de 5 para o cálculo da amostra Após a aprovação do projeto no Comitê de Ética em Pesquisa da UNIFSA sob o parecer de nº 25542972018 foi dado início ao estudo Foram adotados os seguintes critérios de inclusão a fisioterapeutas de ambos os sexos b fisioterapeutas atuantes na área neurológica c profissionais que trabalhassem no local de realização da pesquisa Todos os voluntários que aceitaram participar do estudo assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido contendo o título da pesquisa nome dos pesquisadores responsáveis objetivo justificativa riscos e benefícios bem como todas as informações necessárias sobre a pesquisa realizada Após a coleta todos os dados foram organizados e submetidos a análise Alves et al Analise das principais sequelas observadas em pacientes vítimas de acidente vascular cerebral AVC 27 Revista da FAESF vol 2 n 4 p 2530 OutDez 2018 ISSN 2594 7125 estatística Os participantes não tiveram acesso a esta etapa evitando qualquer intercorrência que pudesse atrapalhar nos resultados da pesquisa Os participantes foram submetidos a um questionário elaborado pelos próprios pesquisadores sobre as principais sequelas que os profissionais fisioterapeutas observam nos pacientes vítimas de acidente vascular cerebral Esse instrumento coletava informações pessoais nome idade sexo nível de especialidade na área neurológica tempo de atuação nível de satisfação com os resultados da fisioterapia e aspectos vistos pelos profissionais dos pacientes após acidente vascular cerebral perfil dos pacientes sequelas mais presentes pós acidente vascular cerebral Sobre as sequelas mais vistas nos pacientes afetados pós AVC os profissionais poderiam selecionar mais de uma opção Todos os voluntários foram previamente informados a respeito do procedimento sobre o questionário ao qual foram submetidos Os dados dos questionários respondidos foram analisados nos softwares R version 340 20170421 e na versão Trial do Excel 2016 e posteriormente foram criados os gráficos e tabelas Resultados Na Tabela 1 mostra o perfil sócio demográficos e as características dos entrevistados participantes do estudo Contendo quinze do sexo feminino 60 e dez do sexo masculino 40 A faixa etária que prevaleceu foi de 26 a 35 anos de idade 76 Em relação ao nível de especialidade na fisioterapia neurológica a maioria dos entrevistados possuem Especialização 44 e apenas 16 possuem apenas graduação ou mestrado No geral os entrevistados apresentam entre cinco e dez anos de atuação na fisioterapia neurológica 56 Por fim foi perguntado sobre a satisfação da fisioterapia no tratamento do AVC e assim como quando questionado sobre a definição de recuperação do paciente a maior parte dos entrevistados não especificou tendo apenas 40 respondido Bom ou Muito Bom Sobre as sequelas mais evidentes nos pacientes com acidente vascular cerebral observouse que 23 profissionais responderam que se observa mais motora 92 22 equilíbrio e coordenação 88 18 comportamental e emocional 72 17 fala 68 11 sensibilidade 44 8 paladar 32 4 interpretação 16 3 visão 12 3 outros 12 e 2 audição 8 Figura 1 Tabela 1 Perfil sócio demográfico e características dos entrevistados n25 Variáveis n Sexo Feminino 15 60 Masculino 10 40 Faixa Etária 20 a 25 anos 1 4 26 a 35 anos 19 76 36 a 45 anos 5 20 46 a 60 anos Alves et al Analise das principais sequelas observadas em pacientes vítimas de acidente vascular cerebral AVC 28 Revista da FAESF vol 2 n 4 p 2530 OutDez 2018 ISSN 2594 7125 Nível de especialidade na Fisioterapia Neurológica Graduado 4 16 Pós Graduado 6 24 Especializado 11 44 Mestre 4 16 Doutor Tempo de atuação na Fisioterapia Neurológica Menos de um ano De um a cinco anos 8 32 Entre cinco e dez anos 14 56 Mais de 10 anos 3 12 Satisfação da fisioterapia no tratamento do AVC Ruim Muito Ruim Regular Bom 2 8 Muito bom 8 32 Excelente Não especificado 15 60 Fonte Pesquisa Autoral Figura 1 Frequência de citação das sequelas mais identificadas nos pacientes com acidente vascular cerebral Resultados obtidos através do questionário com os profissionais da fisioterapia Discussão Os achados do presente trabalho corroboram com a literatura Foi demostrado por Albano et al 2013 que a fisioterapia por meio de técnicas e métodos produzem resultados significativos em indivíduos com sequelas após um AVC em condição crônica e aguda quando comparadas com as alterações encontradas em indivíduos nas mesmas condições a quem não foram prestados cuidados de fisioterapia No entanto Silva et al 2014 destaca que o sucesso da 9200 8800 7200 6800 4400 3200 1600 1200 1200 800 Motora Equilíbrio e cordenação Comportamental e Emocional Fala Sensibilidade Paladar Interpretação Visão Outros Audição Alves et al Analise das principais sequelas observadas em pacientes vítimas de acidente vascular cerebral AVC 29 Revista da FAESF vol 2 n 4 p 2530 OutDez 2018 ISSN 2594 7125 reabilitação não depende apenas de várias sessões de terapia como também do que ocorre com o paciente durante as horas restantes que o paciente não se encontra na reabilitação De acordo com Jacob et al 2012 em seus estudos com 46 idosos com sequelas de AVC demonstrou que a fisioterapia através de métodos e técnicas como a facilitação motora e os treinos de atividades de vida diária proporcionou aos idosos melhora no que se refere à capacidade funcional diminuindo as sequelas que surgiu pós o AVC Por meio da análise foi possível destacar neste estudo que as sequelas mais recorrentes em pacientes pós acidente vascular cerebral são a motora equilíbrio e coordenação comportamental e emocional fala e sensibilidade Resultados semelhantes foram observados nos achados de Scalzo et al 2010 que avaliou a qualidade de vida dos pacientes com Acidente Vascular Cerebral utilizando os escores dos domínios que constituem o SF36 Medical Outcones ShortForm 36item Health Survey em uma amostra de 21 pacientes Nos resultados demonstrou que todos os domínios foram comprometidos na sequência aspectos físicos capacidade funcional aspectos emocionais dor estado geral de saúde estado mental vitalidade e por último aspectos sociais Na literatura apresentada por Cruz Filho e Colaço 2010 foi possível encontrar diversos protocolos de tratamento fisioterapêutico que podem ser utilizados em pacientes com Acidente Vascular Cerebral de acordo com o tipo de sequela apresentada onde podem ser aplicados os recursos terapêuticos manuais aparelhos mecânicos e elétricos visando a inibição de padrões posturais treino de marcha melhora da propriocepção alongamento e fortalecimento muscular entre outros Desta forma retirando a limitação que as sequelas trazem as vítimas deste tipo de patologia CONCLUSÃO Os resultados obtidos no presente estudo demonstraram as principais sequelas que são observadas pelos profissionais da fisioterapia em pacientes vítimas de acidente vascular cerebral dos dois campos onde foi aplicada o estudo foi perceptível com mais relevância as sequelas motora de equilíbrio e coordenação comportamental e emocional da fala e sensibilidade Apesar de apresentarem uma grande variedade de sequelas que podem a vim após um AVC algumas se mostraram mais significativas para os profissionais em relação a outras citadas Assim esperase que este estudo estimule futuras investigações nesta área e temática REFERÊNCIAS Albano L et al Intervenção da fisioterapia em indivíduos após AVC em condição crônica In Congresso Português do AVC Anais do Congresso Português do AVC Sociedade Portuguesa de Neurologia Sociedade Portuguesa de Neurologia Lisboa 2013 Ferla FL Grave M Perico E Fisioterapia no tratamento do controle de tronco e equilíbrio de pacientes pós AVC Rev Neurociências 2015 232 211217 Freitas AS et al Jogo educativo sobre acidente vascular cerebral para préadolescentes Mostra Interdisciplinar do curso de Enfermagem v02 n2 2016 Alves et al Analise das principais sequelas observadas em pacientes vítimas de acidente vascular cerebral AVC 30 Revista da FAESF vol 2 n 4 p 2530 OutDez 2018 ISSN 2594 7125 Garritano C R et al Analysis of the Mortality Trend due to Cerebrovascular Accident in Brazil in the XXI Century Arq Bras Cardiol2011986519527 Jacob S G et al Avaliação dos cuidados de Fisioterapia domiciliária em idosos vítimas de acidente vascular cerebral Rev Bras Fisioter 2012 126 1147 11532012 Lopes G L Castaneda L SobralLL Abordagem das atividades funcionais e da influência dos fatores ambientais em pacientes hemiparéticos pósAVE antes e após o tratamento fisioterapêutico Acta Fisiatr 201319423742 Mendes LM et al Acesso de sujeitos pósacidente vascular cerebral aos serviços de fisioterapia Rev enferm UFPE online 2016 10238794 Scalzo PL et al Qualidade de vida em pacientes com acidente vascular cerebral clínica de fisioterapia Puc Minas Betim Rev Neurocienc 2010 1821391440 Silva T I et al Benefícios da fisioterapia no tratamento de um paciente com AVC relato de caso SBPCNET 2014 Correspondência a Nágila Silva Alves Email nglarraialgmailcomlcom recebido em 07122018 Aceito em 091218