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Psicologia ·

Psicologia Institucional

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1 de 14 Revista Psychologica Recebido a 19112021 e aprovado para publicação a 22082022 Ensino da psicofarmacologia para psicólogos e065007 DOI httpsdoiorg101419516478606657 O ensino da psicofarmacologia na formação inicial dos psicólogos portugueses Estado da arte Ana Beatriz Leite1 Carlos Fernandes da Silva2 Anabela Sousa Pereira3 e Daniel Ruivo Marques4 Resumo A psicofarmacologia representa cada vez mais uma área de conhecimento com importantes implicações na atuação profissional dos psicólogos Em vários países temse assistido ao longo dos últimos anos a uma crescente importância dada à formação em psicofarmaco logia para psicólogos O objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento dos planos curriculares de todas as instituições de Ensino Superior portuguesas que lecionam cursos de licenciatura e mestrado em psicologia de modo a verificar quais destes incluem uni dades curriculares sobre psicofarmacologia Para tal foram recolhidos dados através do sítio da Direção Geral do Ensino Superior DGES e dos sítios oficiais das instituições de Ensino Superior durante o mês de julho de 2021 Os resultados observados indicam que a formação em psicofarmacologia apesar de existir é em número reduzido Num total de 97 cursos de licenciatura e mestrado em psicologia analisados apenas 11 unidades cur riculares relacionadas com psicofarmacologia foram identificadas sendo que três destas são ministradas na mesma instituição No geral estes dados sugerem que a formação em psicofarmacologia dada nas formações iniciais dos psicólogos apesar de existir é ainda 1 Universidade de Aveiro Departamento de Educação e Psicologia Campus Universitário de Santiago Aveiro Portugal Email abeatrizcfluapt ORCID httpsorcidorg000000033836657X 2 Universidade de Aveiro Departamento de Educação e Psicologia Campus Universitário de Santiago Aveiro Portugal William James Center for Research WJCRUA Portugal Email csilvauapt ORCID httpsorcidorg0000000213996674 3 Universidade de Évora Departamento de Psicologia Centro de Investigação em Educação e Psicologia CIEP William James Center for Research WJCRUA Évora Portugal Email anabelapereirauevorapt ORCID httpsorcidorg0000 000238972732 4 Universidade de Aveiro Departamento de Educação e Psicologia Campus Universitário de Santiago Aveiro Portugal Universidade de Coimbra Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação CINEICC Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção CognitivoComportamental Coimbra Portugal Email drmarquesuapt ORCID https orcidorg0000000337290120 2 de 14 Ana Beatriz Leite Carlos Fernandes da Silva Anabela Sousa Pereira e Daniel Ruivo Marques residual No final do artigo são referidas as implicações dos resultados para os currículos da formação dos psicólogos bem como perspetivadas consequências para a prática pro fissional da psicologia Palavraschave psicofarmacologia psicologia formação Ensino Superior Portugal The teaching of psychopharmacology in the initial training of Portuguese psycho logists State of the art Abstract Psychopharmacology is an important scientific field for psychologists practice Over the last years in several countries there has been given an increasing importance to psycho pharmacological training for psychologists The aim of this paper was to perform a study recurring to an exhaustive analysis of the curricula of all Portuguese Higher Education institutions that teach Bachelors and Masters Degrees in psychology to verify which of them offer curricular units on psychopharmacology For that purpose data from Direção Geral do Ensino Superior DGES site and webpages from higher education institutions were collected during the month of July 2021 The results indicate that training in psycho pharmacology does exist however it is scarce Within the 97 Bachelor and Master Degree courses in psychology analyzed only 11 curricular units about psychopharmacology were identified From those three are taught at the same institution Overall these data suggest that the training in psychopharmacology given to psychology students is residual At the end of the article we discuss implications of these results for psychologists training and potential consequences for the professional practice of Portuguese psychologists Keywords psychopharmacology psychology training higher education Portugal INTRODUÇÃO A psicofarmacologia é uma disciplina científica que está intimamente relacionada com a profissão médica nomeadamente a psiquiatria Dubovsky 2005 Sammons et al 1996 Stahl 2008 A partir da década de 50 do século XX a psiquiatria modi ficou significativamente o seu arsenal terapêutico com a introdução dos primeiros psicofármacos no mercado especificamente dos antipsicóticos de 1ª geração na altura designados por neuroléticosou grandes tranquilizantes Muse Moore 3 de 14 PSYCHOLOGICA VOLUME 65 2022 Ensino da psicofarmacologia para psicólogos 2012 Nascia assim aquilo que na literatura viria a ficar conhecido como a era da psicofarmacologia moderna Healy 2002 De uma forma simples pode definirse psicofarmacologia como a área da farma cologia que estuda o efeito das drogas com ações diretas no sistema nervoso central sobre o comportamento no seu sentido mais lato Afonso et al 2018 Anderson McAllisterWilliams 2016 Kraly 2014 Renca et al 2014 Stahl 2008 2014 Stein et al 2012 Stolerman 2010 Alguns autores fazem uma distinção entre psicofármacos e psicotrópicos Os primeiros englobariam os fármacos especificamente concebidos para tratar pro blemas psiquiátricos e associados à ação direta sobre o sistema nervoso central ao passo que os psicotrópicos corresponderiam a uma categoria mais genérica que para além de incluírem os psicofármacos incluiriam também outras substâncias com potencial aplicação em saúde mental eg antihistamínicos betabloqueadores etc e drogas herbais como a valeriana por exemplo ainda que não tenham sido originalmente concebidas para essa finalidade Pires 2018 A este propósito vale a pena ressaltar que cada vez mais é utilizado o termo neuropsicofarmacologia para enfatizar a aproximação da neurologia à psiquiatria e a importância de perspetivar as perturbações mentais como perturbações com comprometimento do cérebro e sistema nervoso central O comportamento dos fármacos com ação direta sobre o sistema nervoso central é um tema que se cruza com muitas outras disciplinas não médicas em particular a psicologia Evans 2019 Sammons et al 2003 Sammons et al 1996 Atualmente é interessante constatar que dentro das principais áreas de especialidade e settings da psicologia aplicada o conhecimento elementar em psicofarmacologia se torna cada vez mais relevante e pertinente a saber na saúde em particular no contexto da saúde mental dado que grande parte dos doentes está ou já esteve a fazer tratamento farmacológico Breggin 2012 Pires 2018 Sammons et al 1996 na educação contexto no qual o psicólogo se confronta frequentemente com crianças medicadas para o défice de atenção ou para problemas associados às perturbações do neurodesenvolvimento DuPaul Carlson 2005 Roberts et al 2009 e nas organizações por exemplo com os efeitos associados às prescrições farmacológicas em particular na área da saúde ocupacional especificamente no desempenho de determinado tipo de funções e tarefas quando envolve o regime de trabalho por turnos Wickwire et al 2017 O efeito dos fármacos no comportamento tem vindo a suscitar interesse na psico logia de diversas maneiras Evans 2019 Historicamente surge primeiro o conceito de farmacopsicologia clínica que se define como uma área dentro da psicologia clínica que se interessa pelos efeitos psicológicos dos medicamentos oferecendo uma estrutura para a compreensão dos fenómenos clínicos em ambientes médicos e 4 de 14 Ana Beatriz Leite Carlos Fernandes da Silva Anabela Sousa Pereira e Daniel Ruivo Marques psiquiátricos Os domínios desta área abrangem o estudo dos benefícios clínicos das drogas psicotrópicas das características que predizem a capacidade de resposta ao tratamento das vulnerabilidades induzidas pelo tratamento eg efeitos adversos e das interações entre tratamentos farmacológicos e variáveis psicológicas Bech 2009 Fava et al 2017 Uma área relacionada com emergência a partir da década de 50 do século XX foi a farmacologia comportamental Esta última resultou da junção entre a análise experimental do comportamento muito ancorada no para digma de condicionamento operante e da farmacologia centrandose grosso modo no estudo do impacto das variáveis contextuais e do ambiente na ação das drogas Barrett 2002 Leonardi Bravin 2011 Atualmente esta é uma designação que tem caído em desuso na literatura tendo sido integrada no conceito mais amplo de psicofarmacologia ainda que de forma não consensual na comunidade científica Barrett 2002 Nas últimas décadas a importância do conhecimento sobre psicofarmacologia na formação dos psicólogos deu origem a que nalguns estados dos Estado Unidos da América e posteriormente noutros países os psicólogos com formação pós doutoral especializada em psicofarmacologia adquirissem a competência de pre scrição de psicofármacos Antonuccio et al 2003 RodriguezMenendez et al 2022 Sammons et al 2003 Esta realidade motivou a publicação de diversas monografias dirigidas especialmente a psicólogos e outros prescritores nãomédicos adaptando o conhecimento da psicofarmacologia às necessidades particulares destes técnicos eg Evans 2019 Kelsey et al 2006 McGrath Moore 2010 Muse 2018 Muse Moore 2012 Pagliaro Pagliaro 1997 2015 Patterson et al 2006 Preston et al 2017 Schwartz 2017 Sinacola et al 2019 Weggmann 2021 Em Portugal a prescrição psicofarmacológica por parte dos psicólogos não é possível No entanto algum conhecimento elementar sobre psicofarmacologia direcionada a estes profissionais parece ganhar alguma expressão ainda que pouco intensa em meios académicos com a introdução de algumas disciplinas ou mais frequentemente com a adição de módulos específicos ainda que gerais sobre esta temática inseridos noutras unidades curriculares eg neuropsicologia psicofi siologia neuropsicopatologia psicologia da saúde na formação em psicologia Marques 2010 Pires 2018 Em 2011 a Associação Americana de Psicologia APA publicou um impor tante artigo na revista American Psychologist para orientar os psicólogos na sua relação com a psicofarmacologia propondo três perfis com funções diferenciadas prescribing collaborating e providing information O primeiro seria o único perfil com autoridade prescritiva enquanto que o último corresponderia apenas ao psicólogo que tem formação elementar em psicofarmacologia e que poderia aconselhar ou fornecer informação aos doentes sobre questões relacionadas com 5 de 14 PSYCHOLOGICA VOLUME 65 2022 Ensino da psicofarmacologia para psicólogos os psicofármacos De forma complementar refirase a proposta de Kinghorn e Nussbaum 2021 destinada a internos de psiquiatria e psiquiatras de passar de um modelo de clínicos distribuidores dispensers a clínicos colaboradores colla borators Desde 2020 a Associação Americana de Psicologia APA reconheceu a psicofarmacologia clínica como uma área de especialidade da psicologia definindoa como uma especialidade dentro da psicologia clínica dedicada ao estudo e à utili zação terapêutica de medicação psicotrópica na sua interação com as intervenções psicológicas para o tratamento de perturbações mentais e promoção da saúde e bemestar geral do doente APA 2021 Esta especialidade encontrase relacionada com a Divisão 55 da APA denominada The Society for Prescribing Psychology que visa entre outras coisas promover o estudo da associação entre tratamentos psicológicos e psicofarmacológicos APA 2022 Nesta linha podemse apontar várias razões para o profissional de psicologia possuir conhecimentos de psicofarmacologia a maioria dos doentes que consulta o psicólogo tende a vir medicada Pires 2018 o doente solicita frequentemente aconselhamento sobre psicofármacos ao psicólogo os efeitos adversos e da des continuação das drogas psiquiátricas Breggin 2012 Breggin Cohen 2007 os efeitos psicológicos de sugestão efeito placebo e efeito nocebo e o seu impacto nas expectativas de cura Kirsch 2001 a solicitação de apoio do psicólogo por parte dos médicos para problemáticas em torno da adesão à medicação e à tera pêutica Bento 2019 o impacto da medicação psiquiátrica em tarefas de avaliação psicológica e a interferência dos psicofármacos com as terapêuticas psicológicas Oliveira et al 2014 A propósito deste último ponto talvez um dos mais re levantes vejamse dois exemplos simples 1 a experiência clínica de fazer exposição com prevenção de resposta a um doente com perturbação obsessivocompulsiva é diferente consoante o doente esteja ou não medicado e até consoante a medicação que este esteja a tomar e 2 a aplicação de métodos de restruturação cognitiva em doentes a tomar diazepam pode resultar num efeito clinicamente diferente caso esses mesmos doentes estejam a tomar alprazolam por exemplo ainda que os doentes possam estar corretamente medicados Isto porque o diazepam compro mete significativamente mais as funções executivas e as capacidades cognitivas dos doentes comparativamente ao alprazolam o que afeta diferencialmente os recursos cognitivos necessários para se aplicarem métodos de restruturação cognitiva com eficácia Marques 2010 Spiegel Bruce 1997 Este conhecimento pode ajudar a balizar as expectativas do psicólogo do médico prescritor que pode eventualmente ter solicitado o acompanhamento psicológico e em última análise do próprio doente Bento 2019 A acrescentar a este cenário deve referirse o elevado consumo de psicofármacos que se tem registado em Portugal sobretudo no que toca às benzo diazepinas e aos antidepressivos Programa Nacional para a Saúde Mental 2016 6 de 14 Ana Beatriz Leite Carlos Fernandes da Silva Anabela Sousa Pereira e Daniel Ruivo Marques Por exemplo o relatório da OECD 2019 refere que entre 2000 e 2017 o consumo de antidepressivos mais do que triplicou em Portugal Aquilo que tem sido descrito nas últimas décadas é uma escassez de formação pré e pósgraduada dos psicólogos portugueses neste domínio Marques 2010 Pires 2018 Esta falta de conhecimentos e a sua importância é bem visível por exemplo quando os estudantes iniciam um estágio curricular e se deparam com a necessi dade de compreenderem relatórios médicos ou com a história clínica dos doentes que observam neste âmbito dado que grande parte destes se encontram medicados sobretudo se nos referirmos aos estágios académicos em contextos clínicos e da saúde Dada a relevância que a psicofarmacologia parece cada vez mais assumir no espaço de formação dos psicólogos será importante perceber de que maneira e em que grau o conhecimento sobre psicofarmacologia está contemplado na formação inicial licenciatura e mestrado dos psicólogos portugueses Em 2010 foi feito um primeiro levantamento exploratório das unidades curriculares sobre psicofarmacolo gia em cursos de licenciatura e mestrado em psicologia ministrados em instituições públicas e privadas portuguesas tendose verificado que na sua maioria as poucas opções existentes eram de carácter opcional e lecionadas em instituições de Ensino Superior privadas Marques 2010 Em suma o objetivo central do presente estudo é atualizar e aprofundar o estudo de Marques 2010 identificando unidades curriculares que incidam especificamente sobre psicofarmacologia nos cursos de 1º e 2º ciclos licenciaturas e mestrados em psicologia ministrados em instituições de Ensino Superior portuguesas a partir do ano letivo 20212022 MÉTODO Amostra A amostra deste estudo é constituída pelas 29 instituições de Ensino Superior que lecionam psicologia correspondendo 12 413 a escolas públicas e 17 587 a escolas privadas No total foram considerados 97 cursos de licenciatura e mestrado em psicologia mestrados profissionalizantes conducentes ao acesso à profissão de psicólogo que são ministrados em instituições de Ensino Superior correspondendo 31 32 a cursos do 1º ciclo e 66 68 a cursos do 2º ciclo Quarenta e três 443 dos cursos são ministrados em instituições públicas e 54 556 em instituições privadas 7 de 14 PSYCHOLOGICA VOLUME 65 2022 Ensino da psicofarmacologia para psicólogos Critérios de inclusão Para este estudo foi considerado o cenário previsto para o ano letivo 20212022 das instituições de Ensino Superior portuguesas sendo estabelecidos os seguintes critérios de inclusão 1 possuir no mínimo um curso de 1º ciclo em psicologia e ou um curso de 2º ciclo em psicologia 2 oferecer uma unidade curricular especí fica de psicofarmacologia ou área similar 3 a unidade curricular lecionada poder ser lecionada na licenciatura ou no mestrado e 4 a unidade curricular poder ser obrigatória ou opcional As unidades curriculares dos programas doutorais em psicologia foram proposi tadamente excluídas desta análise assim como os mestrados em psicologia que não conferissem acesso à profissão de psicólogo Procedimentos Os dados foram recolhidos através da consulta do sítio da Direção Geral do Ensino Superior DGES httpswwwdgesgovptpt e dos sítios oficiais das instituições de Ensino Superior durante o mês de julho de 2021 Em setembro do mesmo ano foi feita nova verificação Dois autores ABL e DRM realizaram as pesquisas de forma independente sendo discutidas posteriormente as discordâncias até se chegar a um consenso Os documentos finais e que foram analisados foram constituídos como o corpus do trabalho Quando foram identificadas informações em falta foram contactos diretamente os docentes das unidades curriculares em causa ou nessa impossibilidade os diretores dos cursos em que essas disciplinas eram lecionadas Para a análise e elaboração do presente estudo seguimos de perto a metodologia que Castro et al 2020 e Cordeiro et al 2018 privilegiaram para efetuarem uma análise similar mas respeitante à psicologia vocacional e de desenvolvimento da carreira RESULTADOS Relativamente à representação da psicofarmacologia nas diversas ofertas for mativas públicas e privadas nos cursos de licenciatura e mestrado em Portugal identificaramse 11 unidades curriculares Apenas sete 24 escolas de psicologia oferecem alguma formação em psicofarmacologia sendo apenas duas em 12 16 em instituição públicas e sete em 17 41 em escolas privadas Da totalidade das unidades curriculares identificadas quatro são lecionadas em universidades públicas e sete em universidades privadas Quanto à duração todas elas são semestrais à 8 de 14 Ana Beatriz Leite Carlos Fernandes da Silva Anabela Sousa Pereira e Daniel Ruivo Marques exceção da unidade curricular de Psicofarmacologia referente ao Mestrado em Intervenções CognitivoComportamentais em Psicologia Clínica e da Saúde 2º Ciclo e ao Mestrado em Psicologia Clínica Forense 2º Ciclo da Universidade de Coimbra que é trimestral quanto ao tipo cinco são obrigatórias e seis são opcionais De destacar também que apenas três das dez unidades curriculares são lecionadas no âmbito de licenciaturas Importa realçar que só uma das instituições ie FPCEUniversidade de Coimbra oferece três das dez unidades curriculares em psicofarmacologia disponíveis em Portugal cf Tabela 1 Adicionalmente verificouse que a formação dos docentes das unidades curriculares é variável indo da medicina à psicologia sendo que no caso da medicina a especialidade de psiquiatria e psiquiatria da infância e da adolescência são as mais expressivas Tabela 1 Instituições de Ensino Superior com unidades curriculares sobre psicofarmacologia em cursos de 1º e 2º ciclos em psicologia ano letivo 20212022 Instituição Tipo de Ensino Unidade Curricular Grau de Estudos Regime Tipo Créditos ECTS Área dos Docentes Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação Universidade de Coimbra Público Bases de Psicofarmacologia Licenciatura 1º Ciclo Semestral Opcional 60 Psicologia Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação Universidade de Coimbra Público Psicofarmacologia Clínica para Psicólogos Licenciatura 1º Ciclo Semestral Opcional 60 Psicologia Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação Universidade de Coimbra Público Psicofarmacologia Mestrado em Intervenções Cognitivo Comportamentais em Psicologia Clínica e da Saúde 2º Ciclo e Mestrado em Psicologia Clínica Forense 2º Ciclo Trimestral Opcional 30 Medicina Psiquiatria Universidade do Minho Público Psicofarmacologia Mestrado em Psicologia Clínica e Psicoterapia de Adultos 2º Ciclo Semestral Obrigatória 60 Psicologia 9 de 14 PSYCHOLOGICA VOLUME 65 2022 Ensino da psicofarmacologia para psicólogos Tabela 1 continuação Instituições de Ensino Superior com unidades curriculares sobre psicofarmacologia em cursos de 1º e 2º ciclos em psicologia ano letivo 20212022 Instituição Tipo de Ensino Unidade Curricular Grau de Estudos Regime Tipo Créditos ECTS Área dos Docentes Instituto Superior Miguel Torga Coimbra Privado Psicofarmacologia Licenciatura em Psicologia 1º Ciclo Semestral Obrigatória 50 Psicologia Universidade Católica Portuguesa Porto Privado Psicofarmacologia Mestrado em Psicologia especialização em Psicologia Clínica e da Saúde 1º Ciclo Semestral Obrigatória 30 Medicina Psiquiatria da Infância e Adolescência Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões Privado Introdução à Psicofarmacologia Mestrado em Psicologia Clínica e de Aconselhamento 2º Ciclo Semestral Obrigatória 50 Medicina Neurocirurgia Universidade Fernando Pessoa Porto Privado Fármacos em Psicologia Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde 2º Ciclo Semestral Obrigatória 40 Medicina Medicina Interna Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias Lisboa Privado Psicofarmacologia Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde 2º Ciclo Semestral Opcional 50 Medicina Psiquiatria da Infância e Adolescência Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias Lisboa Privado Neuropsicofarmacologia Mestrado em Neuropsicologia Aplicada 2º Ciclo e Mestrado em Ciberterapia e Reabilitação Neurocognitiva 2º Ciclo Semestral Opcional 50 Medicina Psiquiatria da Infância e Adolescência Instituto Superior de Psicologia Aplicada ISPA ICS da Universidade Católica Portuguesa Lisboa Privado Psicofarmacologia Mestrado em Neuropsicologia 2º Ciclo Semestral Opcional 30 Medicina Psiquiatria 10 de 14 Ana Beatriz Leite Carlos Fernandes da Silva Anabela Sousa Pereira e Daniel Ruivo Marques DISCUSSÃO O objetivo central deste trabalho foi identificar as disciplinas que incidem sobre psicofarmacologia nos planos curriculares de licenciaturas e mestrados em psicologia lecionados por instituições de Ensino Superior portuguesas Os resultados obtidos neste levantamento sugerem que a psicofarmacologia tem ainda pouca expressão nos currículos dos cursos de psicologia No entanto deve sublinharse a preocupação que algumas instituições parecem dar a esta área algo que parece ser evidenciado pelo caráter obrigatório dessas unidades curriculares nalgumas escolas Comparativamente aos dados reportados em Marques 2010 verificase que existem menos unidades curriculares atualmente e que aproxima damente metade da oferta formativa continua a ser de caráter opcional e oferecida maioritariamente por instituições de ensino particularesprivadas A este propósito deve referirse que as unidades curriculares opcionais podem pelo menos nalguns casos não ser disponibilizadas aos estudantes todos os anos alternando com outras unidades curriculares que a instituição disponibilize Este cenário torna ainda mais frágil a oferta e o contacto dos estudantes de psicologia com conteúdos da psicofarmacologia A questão que surge desta análise é por que razão tão poucas instituições ofe recem unidades curricularesformação ao nível da psicofarmacologia Duas razões poderão ser apontadas por um lado uma aposta das instituições mais focada em disciplinas nas quais os psicólogos terão um papel mais ativo ou direto isto é com uma componente de avaliação e intervenção psicológicas e por outro lado a não priorização da psicofarmacologia dado que essa formação poderádeverá ser pro curada posteriormente pelos psicólogos interessados em cursos de pósgraduação ou de especialização por exemplo Se é verdade que o direito de prescrição psicofarmacológica concedido aos psicólogos nalguns países tem gerado polémica e acessos debates Antonuccio et al 2003 RodriguezMenendez et al 2022 parecenos indiscutível a importân cia da formação em psicofarmacologia pelo menos na ótica do conhecedor aos psicólogos da mesma maneira que o conhecimento dos tratamentos psicológicos baseados na evidência deverão ser conhecidos dos médicos psiquiatras e outros técnicos de saúde mental independentemente de terem competência científica e legal para os aplicarem Obviamente que existem diferenças entre ser um especialista em psicofarma cologia ou um simples conhecedor Pensamos que este grau mínimo de conhe cimentos em psicofarmacologia se torna imprescindível em qualquer contexto de atuação profissional do psicólogo em consonância com o que a APA 2011 sugere como a função providing information Deste modo temas como o entendimento 11 de 14 PSYCHOLOGICA VOLUME 65 2022 Ensino da psicofarmacologia para psicólogos estratégico das prescrições como por exemplo a noção de que o efeito adverso de uma determinada substância pode ser estrategicamente utilizado como efeito terapêutico nalguns casos eg trazodona utilizada para lidar com dificuldades em iniciar o sono dada a marcada sonolência efeito adverso que provoca enquanto antidepressivo ainda que não seja um fármaco destinado a tratar insónia ou que consoante a dosagem do fármaco podemse obter efeitos terapêuticos diferentes o que explica por exemplo que fármacos como a quetiapina sejam utilizados como hipnóticos antidepressivos eou antipsicóticos consoante a dosagem vai aumentando Stahl 2008 2014 Nesta linha existe já uma proposta de que as habituais classes farmacológicas eg antipsicóticos antidepressivos estabilizadores de humor sedativoshipnóticos psicoestimulantes etc sejam substituídas por Neuroscience based Nomenclature NbN ou seja pelos princípios neuroquímicos associados aos fármacos evitando confusões concetuais e terminológicas Stahl 2016 inclusiva mente para psicólogos que se iniciam no estudo desta área Nos próximos anos será relevante ponderar sobre o papel que a psicofarma cologia pode ou não ter na formação dos psicólogos portugueses nomeadamente refletir criticamente em que grau de ensino deve ser ensinada licenciatura mes trado curso pósmestrado com que profundidade semestral repartida com outra temática ou inserida noutras unidades curriculares etc em que regime unidade curricular obrigatória ou opcional por quem médicos psiquiatras médicos de outra especialidade psicólogos etc ou em parcerias e em que contextos ie em que áreas de especialização de mestrado A importância das variáveis psicológicas para a prescrição psicofarmacológica tem assumido um papel tão relevante que mesmo em relação aos médicos psi quiatras alguns autores propõem uma formação sólida destes em psicologia da psicofarmacologia Mintz 2005 Algumas limitações inerentes ao presente trabalho são a possível desatuali zação dos programas curriculares disponibilizados por algumas instituições de ensino que não apresentaram mudanças curriculares contrariamente àquilo que se passou noutras instituições com o término dos mestrados integrados mesmo em planos curriculares atuais disponíveis nos websites das instituições há sempre a possibilidade de haver algumas alterações nos conteúdos e a possibilidade de os conteúdos relacionados com psicofarmacologia poderem estar integrados ou ser abordados noutras unidades curriculares cujo nome não faça referência explícita à mesma eg psicofisiologia neuropsicologia etc Além disso o estudo apenas teve em consideração o ano letivo 20212022 sendo por isso reduzido o número de documentos De futuro será importante por exemplo fazer um inquérito a psicólogos diplo mados já inseridos no mercado de trabalho e a exercer psicologia questionando 12 de 14 Ana Beatriz Leite Carlos Fernandes da Silva Anabela Sousa Pereira e Daniel Ruivo Marques os sobre a necessidadepertinência de formação na área da psicofarmacologia e de que maneira percecionam esse conhecimento como necessário e importante na formação básica dos psicólogos assim como a análise da potencial relevância desses conhecimentos para o contexto no qual exercem psicologia atualmente Por fim seria também relevante explorar junto dos psicólogos que tiveram unidades curriculares sobre psicofarmacologia na sua formação inicial em que medida os conhecimentos adquiridos nestas foramsão úteis e pertinentes para o seu campo de atuação atual Esperamos que este estudo possa sensibilizar as instituições do Ensino Superior para a necessidade de integrarem a psicofarmacologia nos seus currículos académicos e científicos ou pelo menos estimular a discussão em torno do tema No entanto devemos ter presente que a maneira específica pela qual a psicofarmacologia pode ser integrada eficaz e eficientemente nas formações em psicologia deverá merecer reflexões aprofundadas no futuro AGRADECIMENTOS Os autores agradecem aos docentes e coordenadores de curso que após serem contactados gentilmente forneceram informações adicionais para que se pudesse caracterizar as unidades curriculares de psicofarmacologia REFERÊNCIAS Afonso P Figueira M L Teixeira J Palha A 2018 Manual de psicofarmacologia na prática clínica Lidel American Psychological Association 2011 Practice guidelines regarding psychologists involvement in pharmacological issues American Psychologist 669 835849 httpsdoiorg101037a0025890 American Psychological Association 2021 Recognized specialties subspecialties and proficiencies in professional psychology httpswwwapaorgedgraduatespecializerecognized American Psychological Association 2022 The society for prescribing psychology httpswwwapa divisionsorgdivision55about Anderson I McAllisterWilliams R 2016 Fundamentals of clinical psychopharmacology 4ª ed CRC Press Antonuccio D O Danton W G 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Sammons M T Sexton J L Meredith J M 1996 Basic science training in psychopharmacology How much is enough The American Psychologist 513 230234 httpsdoiorg1010370003 066x513230 Schwartz T 2017 Practical psychopharmacology Basic to advanced principles Routledge Sinacola R PetersStrickland T Wyner J 2019 Basic psychopharmacology for mental health professionals 3ª ed Pearson Spiegel D Bruce T 1997 Benzodiazepines and exposurebased cognitive behavior therapies for panic disorder Conclusions from combined treatment trials American Journal of Psychiatry 1546 773781 httpsdoiorg101176ajp1546773 Stahl S 2008 Stahls essential psychopharmacology Neuroscientific basis and practical applications 3ª ed Cambridge University Press Stahl S 2014 Prescribers guide 5ª ed Cambridge Stahl S 2016 Using neuroscience for naming psychotropic drugs CNS Spectrums 213 219220 httpsdoiorg101017S1092852916000237 Stein D Lerer B Stahl S 2012 Essential evidencebased psychopharmacology 2ª ed Cambridge Stolerman I Ed 2010 Encyclopedia of psychopharmacology Vol I e II Springer Weggmann J 2021 Psychopharmacology Straight talk on mental health medications 4ª ed PESI Publishing Inc Wickwire E M GeigerBrown J Scharf S M Drake C L 2017 Shift work and shift work sleep disorder Clinical and organizational perspectives Chest 1515 11561172 httpsdoi org101016jchest201612007 A psicofarmacologia que estuda os efeitos das drogas no sistema nervoso central e no comportamento é crucial para a psiquiatria Na década de 1950 a introdução dos primeiros antipsicóticos iniciou a era da psicofarmacologia moderna revolucionando o tratamento psiquiátrico Distinguemse psicofármacos específicos para transtornos psiquiátricos e psicotrópicos que incluem outras substâncias com potenciais aplicações na saúde mental O termo neuropsicofarmacologia enfatiza a ligação entre neurologia e psiquiatria considerando distúrbios mentais como problemas cerebrais A psicofarmacologia se conecta com a psicologia em diversas áreas na saúde mental ajuda na compreensão dos efeitos dos medicamentos na educação psicólogos lidam com crianças medicadas para transtornos de atenção e no ambiente de trabalho drogas podem afetar o desempenho A psicologia se interessa cada vez mais pelos efeitos dos fármacos no comportamento desde a farmacopsicologia clínica focada nos efeitos psicológicos até a farmacologia comportamental que integra análise comportamental e farmacologia Hoje o conhecimento em psicofarmacologia é essencial na formação dos psicólogos permitindo que alguns psicólogos com formação especial em certos países prescrevam medicamentos Em Portugal embora psicólogos não prescrevam medicamentos a psicofarmacologia está sendo integrada na formação acadêmica especialmente em cursos de neuropsicologia e psicologia da saúde para orientar pacientes sobre medicamentos A American Psychological Association APA delineou três perfis para psicólogos em relação à psicofarmacologia prescribing collaborating e providing information Em 2020 a APA reconheceu a psicofarmacologia clínica como uma especialidade Psicólogos precisam de conhecimentos em psicofarmacologia já que muitos pacientes estão medicados e os efeitos dos psicofármacos podem interferir nas avaliações e tratamentos psicológicos O uso de psicofármacos em Portugal aumentou especialmente de benzodiazepinas e antidepressivos Porém há uma lacuna na formação pré e pósgraduada em psicofarmacologia evidenciada quando estudantes começam estágios clínicos Um estudo de 2021 investigou a presença de disciplinas de psicofarmacologia em cursos de psicologia em Portugal analisando 97 cursos em 29 instituições Apenas 24 das instituições oferecem alguma formação em psicofarmacologia predominando em instituições privadas e sendo geralmente opcional Esse estudo sugere que o conhecimento básico em psicofarmacologia é vital para psicólogos mesmo que não prescrevam medicamentos e defende a inclusão dessas disciplinas nos currículos O estudo também sugere uma formação colaborativa entre médicos psiquiatras e psicólogos Reconhecendo as limitações como desatualização dos programas curriculares e integração de conteúdos sob outros nomes o estudo propõe uma reflexão sobre como integrar a psicofarmacologia na formação dos psicólogos portugueses A psicofarmacologia que estuda os efeitos das drogas no sistema nervoso central e no comportamento é crucial para a psiquiatria Na década de 1950 a introdução dos primeiros antipsicóticos iniciou a era da psicofarmacologia moderna revolucionando o tratamento psiquiátrico Distinguemse psicofármacos específicos para transtornos psiquiátricos e psicotrópicos que incluem outras substâncias com potenciais aplicações na saúde mental O termo neuropsicofarmacologia enfatiza a ligação entre neurologia e psiquiatria considerando distúrbios mentais como problemas cerebrais A psicofarmacologia se conecta com a psicologia em diversas áreas na saúde mental ajuda na compreensão dos efeitos dos medicamentos na educação psicólogos lidam com crianças medicadas para transtornos de atenção e no ambiente de trabalho drogas podem afetar o desempenho A psicologia se interessa cada vez mais pelos efeitos dos fármacos no comportamento desde a farmacopsicologia clínica focada nos efeitos psicológicos até a farmacologia comportamental que integra análise comportamental e farmacologia Hoje o conhecimento em psicofarmacologia é essencial na formação dos psicólogos permitindo que alguns psicólogos com formação especial em certos países prescrevam medicamentos Em Portugal embora psicólogos não prescrevam medicamentos a psicofarmacologia está sendo integrada na formação acadêmica especialmente em cursos de neuropsicologia e psicologia da saúde para orientar pacientes sobre medicamentos A American Psychological Association APA delineou três perfis para psicólogos em relação à psicofarmacologia prescribing collaborating e providing information Em 2020 a APA reconheceu a psicofarmacologia clínica como uma especialidade Psicólogos precisam de conhecimentos em psicofarmacologia já que muitos pacientes estão medicados e os efeitos dos psicofármacos podem interferir nas avaliações e tratamentos psicológicos O uso de psicofármacos em Portugal aumentou especialmente de benzodiazepinas e antidepressivos Porém há uma lacuna na formação pré e pósgraduada em psicofarmacologia evidenciada quando estudantes começam estágios clínicos Um estudo de 2021 investigou a presença de disciplinas de psicofarmacologia em cursos de psicologia em Portugal analisando 97 cursos em 29 instituições Apenas 24 das instituições oferecem alguma formação em psicofarmacologia predominando em instituições privadas e sendo geralmente opcional Esse estudo sugere que o conhecimento básico em psicofarmacologia é vital para psicólogos mesmo que não prescrevam medicamentos e defende a inclusão dessas disciplinas nos currículos O estudo também sugere uma formação colaborativa entre médicos psiquiatras e psicólogos Reconhecendo as limitações como desatualização dos programas curriculares e integração de conteúdos sob outros nomes o estudo propõe uma reflexão sobre como integrar a psicofarmacologia na formação dos psicólogos portugueses