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Psicologia ·
Psicologia Institucional
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wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 1 Siganos em facebookcompsicologiapt A PSICOLOGIA E A PRESCRIÇÃO PSICOFARMACOLÓGICA 2016 Alan Ferreira dos Santos Graduando de Psicologia na Universidade Paulista UNIP Discente na Universidade Estadual de Campinas UNICAMP na Faculdade de Ciências Médicas FCM Brasil Email de contato alanfs1995gmailcom RESUMO Com o avanço da neurociência passouse a pensar a bioquímica das doenças mentais e consequentemente se pôs em pauta a questão do que é biológico ou psicológico estando de um lado o aspecto físico e de outro o mental e não tendo ambos nenhuma interrelação e sendo instâncias independentes Tevese o intuito de demonstrar que o binômio biológicopsicológico ou físicomental é uma denominação incoerente e que a relação pacienteterapeuta tem funções e significados biológicos causando transformações neuronais e impactos na comunicação entre os neurônios Houve também a tentativa demonstrar que a cisão entre PsiquiatriaCorpo e PsicologiaAlma é incongruente e que a segunda não sendo metafísica trabalha com o organismo desenvolvendo modificações celulares Visouse compreender o impacto biológico das psicoterapias e a relação entre psicologia e psicofarmacologia bem como avaliar as justificativas da prescrição psicofarmacológica por parte dos psicólogos Concluiuse que a relação entre pacienteterapeuta produz transformações neurológicas e que as mesmas modificações ocorrem quando há prescrição farmacológica Além disso a relação entre psicologia e psicofarmacologia é benéfica desde que a articulação seja feita de modo minucioso e elaborado A utilização de psicofármacos por parte dos psicólogos é um tema controverso justificandose a sua utilização a partir do momento que o profissional tenha os estudos que o capacitem à prática Os estudos comprovam que a conjugação entre a psicoterapia e a prescrição medicamentosa por parte do mesmo profissional produz uma qualidade mais significativa no tratamento do que diversos profissionais trabalhando no mesmo caso Palavraschave Psicoterapia psicofarmacoterapia psicologia psicofármacos neurociência sofrimento psíquico wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 2 Siganos em facebookcompsicologiapt INTRODUÇÃO Com o desenvolvimento das ciências naturais se abriu um vasto campo de pesquisa em nível celular das diversas estruturas do organismo humano Isto incluí as neurociências com desenvolvimento da neuroquímica que empreende além de outros um esforço de compreender os sintomas em nível molecular da patologia mental e do sofrimento psíquico o que implicou uma revolução na compreensão da loucura e no tratamento do paciente RODRIGUES 2003 O conhecimento não se restringe apenas a um campo havendo a possibilidade de intersecções entre as áreas Com o estabelecimento da biologia do cérebro foi possível mapear as diversas áreas do sistema nervoso que correspondem a determinada função cognitiva Com os métodos da neurologia clínica permitiuse diagnósticos precisos sobre a epilepsia distúrbios do sono déficit de aprendizagem e outras neuropatologias Hoje é possível rastrear a etiopatogenia de determinado sintoma podendo até mesmo distinguirse entre a causa orgânica lesão ou psicológica traumas conflitos e dissociação psíquica possibilitando uma intervenção profilática A PSICOTERAPIA E A PSICOFARMACOTERAPIA No campo da neurobiologia e psicoterapia ocorre um envolvimento profícuo entre tais domínios podendo já ser explicada a cura do paciente por meio do tratamento psicoterapêutico com base na biologia celular eu gostaria de levantar uma ideia simplista mas talvez relevante segundo a qual o nível final de resolução para a compreensão de como a intervenção psicoterapêutica funciona é idêntica ao nível com que nós estamos atualmente buscando entender como intervenções psicofarmacológicas funcionam ao nível individual de células nervosas e suas conexões KANDEL 1979 p 1028 É de conhecimento da ciência que todo o modo de intervenção psicoterapêutica independentemente dos seus pressupostos teóricos produz modificações neurais alterando o padrão de comunicação entre os neurônios exatamente análogo às transformações induzidas por meio de substancias psicotrópicas mesmo que a linha de pensamento que subjaz o tratamento seja materialista naturalista ou metafísica BRANDÃO 1995 Existem pesquisas que comprovam os efeitos neurofisiológicos das práticas terapêuticas tanto medicamentosa quanto psicológica wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 3 Siganos em facebookcompsicologiapt um grupo de pacientes foi tratado exclusivamente com fluoxetina Prozac inibidor da recaptação da serotonina na dose diária de 20 mg aumentandose gradativamente conforme o caso específico para uma dose máxima de 80 mg por dia Outro grupo de pacientes foi exclusivamente tratado com terapia cognitivacomportamental com sessões de 1 hora de duração uma ou duas vezes por semana Técnicas de prevenção de resposta juntamente com várias técnicas cognitivas foram utilizadas Pacientes do grupo controle não foram submetidos a qualquer forma de terapia Após um período de aproximadamente dez semanas observouse através de tomografias por emissão de pósitrons uma redução específica na atividade do núcleo caudado do hemisfério direito em relação à atividade desse núcleo antes do início do tratamento psicológico ou farmacológico foi maior em relação a pacientes do grupo controle que não foram submetidos a qualquer forma de terapia Assim tanto a psicoterapia quanto a psicofarmacologia produziram exatamente as mesmas alterações neuronais sugerindo que ambas teriam funcionado através de mecanismos semelhantes Neste caso específico manipulações químicas ou comportamentais parecem alterar o funcionamento de certos sistemas serotonérgicos LANDEIRAFERNANDEZ 1998 p 134 Por ter uma capacidade plástica e mutável o sistema nervoso se adapta e se desenvolve conforme os aspectos exógenos ambientais KANDEL 1999 Os efeitos neurobiológicos que ocorrem no processo de psicoterapia é comprovado por inúmeros estudos e o aspecto notável das pesquisas é que cada orientação produz uma transformação neural diferente e produz em maior ou menor intensidade a modulação de áreas específicas do cérebro A psicoterapia cognitiva comportamental Essa modalidade de psicoterapia apresentou eficácia do seu modo intervenção nos seguintes transtornos episódio depressivo maior esquizofrenia ansiedade TOC transtorno obsessivocompulsivo De modo geral os resultados positivos da TCC estiveram relacionados ao restabelecimento do controle da atenção a reestruturação da memória em curto prazo e a ressignificação do pensamento por meio do aprendizado Essas modificações psicológicas promovidas pela TCC foram relacionadas à alteração da atividade metabólica neuronal nas seguintes áreas cerebrais giro do cíngulo córtex frontal incluindo o motor COUTO 2013 p 457 As áreas cerebrais trabalhadas por tal abordagem se deram no giro do cíngulo e córtex frontal Vejamos por sua vez a psicoterapia comportamental wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 4 Siganos em facebookcompsicologiapt Apresentou resultados positivos na modificação dos comportamentosproblema presentes nos seguintes transtornos ansiedade esquizofrenia fobia especifica e TOC transtorno obsessivo compulsivo Esses resultados positivos foram relacionados à modificação pela psicoterapia comportamental das seguintes áreas cerebrais sistema límbico giro do cíngulo fluxo sanguíneo regional dos córtices frontal e temporal córtex préfrontal e córtex insular COUTO 2013 p 458 A psicoterapia psicanalítica A psicoterapia psicanalítica foi eficaz no tratamento dos seguintes transtornos episodio depressivo maior ansiedade generalizada e pânico De acordo com a análise da amostra as áreas modificadas pela psicoterapia psicanalítica foram o hipocampo amígdala córtex préfrontal transportador de serotonina mesencéfalo transportadores de dopamina estriato giro do cíngulo Os principais efeitos promovidos pela psicoterapia psicanalítica nas áreas citadas foram a redução da atividade metabólica e o aumento de volume densidade COUTO 2013 p 459 E a psicoterapia interpessoal As áreas cerebrais alteradas pela psicoterapia interpessoal foram o sistema límbico giro cíngulo eixo HipotálamoHipófiseAdrenais HPA córtex préfrontal núcleo caudado tálamo lobo temporal A psicoterapia interpessoal modificou as áreas cerebrais citadas em termos de ativação do fluxo sanguíneo regional alteração morfológica redução da atividade elétrica redução da atividade metabólica COUTO 2013 p 460 As alterações que ocorreram no sistema nervoso decorrentes da intervenção das diversas abordagens são correspondentes às suas práticas e tais práticas refletem no cérebro humano como por exemplo a abordagem cognitivo comportamental havendo um aumento exponencial da atividade metabólica Isto ocorre por conta dos dispositivos práticos que tal terapia predispõe como as técnicas dessensibilização que objetivam o confronto do indivíduo com estímulos estressores e eliciadores de ansiedade contracondicionamento MOREIRA e MEDEIROS 2007 Isto provoca um aumento da atividade metabólica e consequentemente dos processos neuronais preparando o organismo para sua readaptação Dessa forma relações sociais tem um grande impacto no tecido neural alterando o seu funcionamento Na psicoterapia as atividades que se desenvolvem na corelação entre pacientecliente e terapeuta têm significado biológico LANDEIRAFERNANDEZ 1998 Nesse sentido é importante afirmar que não existe atividade psicológica independente da biológica e que toda a atividade psicológica é estritamente biológica tornando irrelevante qualquer leitura dicotômica COUTO 2013 wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 5 Siganos em facebookcompsicologiapt Após tudo o que foi dito é importante salientar que a utilização de psicotrópicos age de acordo não só com os seus componentes químicos mas também com a variável ambiental isto é em virtude das situações nas quais a droga esta sendo recomendada são também produzidas alterações significativas Finalmente tem sido amplamente demonstrado que o efeito de uma droga psicotrópica é determinado não somente pelo seu composto ativo como também pelo contexto social em que essa droga é administrada LANDEIRAFERNADEZ 1998 p 136 Eis alguns dados que podem nos orientar sobre a questão do psicólogo na prescrição de psicofármacos segundo Fischer e Greenberg 1998 os efeitos das drogas antipsicóticas são mais eficazes quando o paciente tem uma identificação positiva com o médico melhor do que aqueles que têm uma identificação negativa Com isso a translocação constante do paciente do psicólogo para o psiquiatra poderia causar certos imbróglios no próprio tratamento Kimura cita Balon explicitando a questão de como podem surgir transtornos é até mesmo uma ineficiência no processo terapêutico quando o médico que receita não é o mesmo que faz a psicoterapia Balon 2001 apud RIBA 2002 aponta os aspectos negativos quando o analista não é também aquele que receita a medicação falta de colaboração entre os profissionais percepções errôneas dos três envolvidos paciente analista e psiquiatra prescrição inadequada sem o conhecimento do conteúdo de análise informações dadas de forma distorcida pelo paciente a cada um dos profissionais envolvidos entre outros Os aspectos positivos seriam a maior informação clínica oferecida ao paciente por diferentes fontes de avaliação o suporte disponível por ambos os profissionais entre outros KIMURA 2005 p 22 Mas o problema crucial é a questão política ou seja se o psicólogo pode prescrever ou não não obstante pelo que foi demonstrado o tratamento conjugado medicamentoso e psicoterapêutico tender a produzir maiores efeitos benéficos permitindo maiores possibilidades interventivas não obstante wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 6 Siganos em facebookcompsicologiapt Todos nós sabemos que os interesses ou aspirações de estudante de medicina são completamente diferentes dos interesses ou aspirações do estudante de psicologia o médico tem uma preocupação com a integridade física do paciente enquanto o psicólogo tem uma preocupação com a integridade da sua vida mental Seria inviável forçar o aspirante a psicólogo a passar todo um curso de medicina estudando de forma minuciosa nomenclaturas de ossos e músculos ou técnicas relacionadas a intervenção cirúrgicas Da mesma forma seria inviável forçar um futuro médico cujo objetivo é se tornar um psiquiatria a passar por todo um curso de psicologia estudando matérias relacionadas à saúde mental e às diferentes posições históricas e filosóficas escolas psicológicas técnicas e testes relacionados com atividade psicológica do sujeito LANDEIRAFERNANDEZ 1998 p 143 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este artigo pretendeu demonstrar como a dicotomia entre corpo e alma ainda é presente na sociedade contemporânea no primeiro o psiquiatra atuaria com a psicofarmacologia enquanto que no segundo o psicólogo atuaria com a psicoterapia No entanto estudos vêm comprovando que tal dualidade é apenas aparente e que o processo psicoterapêutico atua do mesmo modo que a psicofarmacoterapia pois as modificações que ocorrem no organismo humano em ambos os casos são alterações dos padrões neurais das comunicações entre os neurônios embora saibamos que modo diferente Não obstante entendemos que existem questões políticas ideológicas envolvidas como a questão da manutenção do nicho de cada área ou até mesmo da legitimidade da psiquiatria que sairia do campo médico entrando no metafísico o que na verdade seria um equívoco já que sabemos que o comportamento e a ação do sujeito em relação ao terapeuta operamse de acordo com os processos de aprendizagem que modelam os circuitos neurais e estes por conseguinte o comportamento É importante ressaltar que as diversas abordagens psicoterapêuticas produzem resultados satisfatórios e alterações distintas na bioquímica do cérebro Contudo e mediante o desenvolvimento das neurociências cabe ainda entender os processos exatos que correspondem a cada alteração tanto comportamental quanto neurobiológica A implementação da prescrição de remédios por parte dos psicólogos é muito mal vista no Brasil No entanto nos Estados Unidos e desde de 1995 a APA American Psychological Association vem desenvolvendo projetos onde o psicólogo pode prescrever medicamentos contanto que tenha supervisão prática e os estudos teóricos necessários LANDEIRAFERNANDEZ 1998 Em 2002 o Novo México tornouse o primeiro estado a ter psicólogos prescrevendo abrindo assim novas possibilidades para a sua prática Existem argumentos a favor e contra os primeiros dizem que o psicólogo poderia ter maior efetivação no seu trabalho já que o paciente não precisaria se mover entre um especialista e outro o que é problemático pois como os estudos mostram isto acaba gerando complicações transferências impossibilitando o tratamento ou gerando resistências por parte do wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 7 Siganos em facebookcompsicologiapt paciente Aqueles que são contra têm o interesse na manutenção de sua classe principalmente os psiquiatras Existem também os psicólogos radicais que são contra qualquer tipo de medicação atitudes estas frequentemente assentes em posições meramente filosóficas WHITBOURNE 2015 Para o psicólogo estar apto a prescrever medicamentos passaria por todo um processo de estudo nas áreas necessárias Além disso temse a questão da psiquiatria e da psicologia em dicotomia A primeira trata os fenômenos psicológicos de modo puramente físico sem considerar os aspectos sociais que como demonstrado são de intenso significado biológico aplicando assim apenas o tratamento psicofarmacológico e esquecendo que não é apenas o composto ativo que produz modificações mas também a relação entre endógeno e exógeno Já a segunda trata de algo totalmente material os fenômenos psicológicos com a psicoterapia a qual não obstante a sua eficácia necessita de outros aparatos como o medicamento O impasse se dá nessa questão pois o médico psiquiatra tem uma formação na graduação puramente biológica e quando faz uma especialização em psiquiatria atua de modo naturalista sem considerar os aspectos sociais Por sua vez o psicólogo compreende os aspectos culturais filosóficos e as diversas escolas psicológicas mas é impossibilitado de compreender os aspectos orgânicos Nesse sentido ocorrem as polarizações onde a psiquiatria reivindica fortemente o seu status social enquanto detentora das substancias psicotrópicas ao passo que a psicologia no Brasil exige uma anulação completa do tratamento medicamentoso A questão é mais pungente do que pensávamos pois engloba até o aspecto moral no sentido dos psiquiatras serem ruins e os psicólogos bons refetindo a concepção cultural de que os medicamentos não são necessários além de fazer com que as batalhas sejam acirradas e sem consenso Isto é demonstrado na reportagem da Carolina Sarres A Associação Brasileira de Psiquiatria ABP e a Associação Brasileira de Déficit de Atenção Abda se posicionaram contrariamente à campanha Não à Medicalização da Vida lançada pelo Conselho Federal de Psicologia CFP Somos contrários à campanha porque é um movimento de psicologização das pessoas O CFP quer criar a necessidade de que todos sejam submetidos à psicoterapia disse o presidente da ABP Antônio Geraldo SARRES Psicólogos e Psiquiatras divergem sobre campanha contra medicalização de crianças e adolescentes 2012i E a neuropsicologia diz wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 8 Siganos em facebookcompsicologiapt Transtornos de atenção e de aprendizado são cientificamente estudados são processos que têm critérios para diagnóstico A banalização da medicalização ocorre porque qualquer pessoal julga que a criança mais desatenta e hiperativa tem um distúrbio Todos temos um ou outro sintoma Mas o diagnóstico é feito segundo um conjunto de sintomas que quando tratados trazem benefícios significativos à vida da pessoa e da família disse Edyleine Benzik SARRES Psicólogos e Psiquiatras divergem sobre campanha contra medicalização de crianças e adolescentes 2012 Nesse sentido podemos perceber como o movimento se faz Temos a psiquiatria de um lado com os abusos da medicalização não podendo a mesma no entanto se automonitorar Deve haver pesquisa para identificar o uso inadequado de medicamentos Se tivéssemos a adequada proteção à saúde no Brasil para esses casos em que o tratamento deve ser multidisciplinar o combate a diagnósticos equivocados seria facilitado O uso de psicofármacos deve ser racional por meio de diagnóstico bem feito com o uso do Código Internacional de Doenças informou o presidente da ABP SARRES Psicólogos e Psiquiatras divergem sobre campanha contra medicalização de crianças e adolescentes 2012 Por sua vez uma outra instância interfere psicologia Mas esta está interferindo no lado abusivo da psiquiatria e não no lado ético que seria o da medicalização controlada É importante ressaltar esse aspecto pois as batalham deveriam começar dentro da própria instituição ou seja a psiquiatria deveria combaterse a si própria eliminando o lado antiético de sua profissão o que não ocorre Por isto a interferência ocorre por parte de instâncias exteriores tomando a parte como um todo atacando diretamente a psiquiatria tomando casos singulares como gerais atribuindo a ela conotações morais psiquiatria mal Durante muito tempo os psicólogos se colocaram como sendo os mocinhos dentro de um debate com os psiquiatras sobre a prescrição médica Isto se deu pelo fato de que quando os medicamentos psicotrópicos eram prescritos nos hospitais psiquiátricos causavam efeitos colaterais severos fazendo com que fosse impossibilitado o trabalho do psicólogo já que este requer uma certa lucidez por parte de seu paciente Por conta disto os psiquiatras passaram a ter fama de bandidos e os psicólogos passaram a se opor a qualquer tipo de medicalização e com toda razão LANDEIRAFERNANDEZ Drogas Psicotrópicas e Psicoterapia 2016ii wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 9 Siganos em facebookcompsicologiapt Por sua vez outras linhas de raciocínio principalmente as filosóficas WHITBOURNE 2015 se agregam tomando partido da causa em psicologia Geralmente seriam abordagens sociais como a sócio histórica e a psicologia da libertação que por conta de um passado histórico na América latina de ditadura tornouse radical sendo mais política do que científica algo que é contraditório aos pressupostos marxistas nos quais dizem se basear pois o método de Marx não resulta de descobertas abruptas ou de intuições geniais ao contrário resulta de uma demorada investigação NETTO 2009 p4 As implicações de tal situação prendemse por um lado com o fato de que o tratamento tornase caro na maioria das vezes menos eficaz do que seria com um profissional por conta dos aspectos já citados de transferência identificação projeção sobre objeto químico e sobre o profissional Por outro o profissional liberal pode receitar mesmo estando em posição de médico geral nos serviços clínicos nãopsiquiátricos com potencial de atender principalmente transtornos depressivos fóbicoansiosos somatoformes e insônias multifatoriais onde a prescrição de remédios com potencial sedativo ação hipnótica ansiolítica e miorrelaxante costuma ser maior que a prescrição dos mesmos fármacos entre psiquiatras ANDRADE MF 2004 apud DA COSTA 2009 Por outro lado caso houvesse prescrição por parte dos psicólogos estes poderiam prescrever ou não ou seja o ato de prescrever é também o de não prescrever evitando assim medicações desnecessárias LANDEIRAFERNANDEZ 1998 Além disso é fundamental não esquecer que os profissionais formados em odontologia podem prescrever medicamentos inclusivé psicotrópicos ansiolíticos quando necessários diazepam bromazepam lorazepam e alprazolam ANDRADE 2006 Nesse sentido não se pretendeu fazer uma exigência por parte dos psicólogos de direito à prescrição de modo indiscriminado e sem fundamentação mas sim demonstrar como tal movimento é possível e necessário que a dicotomia entre corpo e alma já não é plausível que a divisão da psiquiatria e da psicologia como ciências naturais e humanas sem nenhuma relação é ineficaz e custosa havendo implicações políticas polarizações entre as ciências e principalmente ineficiência no tratamento do paciente No mais podemos dizer que se faz necessário movimentos de reivindicação por direitos A psicologia vem entrando numa isonomia completa com relação a saúde mental primeiro pelo fato dos cursos serem totalmente voltados as ciências humanas deixando o profissional despreparado para compreender o fenômeno de modo abrangente e segundo porque se realmente queremos pensar na saúde mental temos que pensar seriamente e não polarizados o que inclui entender a neurociências e seus avanços pois wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 10 Siganos em facebookcompsicologiapt Somente aqueles com consciência e dedicação profissional cujos objetivos estão voltados não para os seus interesses e crenças pessoais mas sim para o progresso e desenvolvimento da sua classe é que saberão hoje tomar decisões equilibradas a fim de que os horizontes do pensamento e da prática psicológica possam ser ampliados em um futuro próximo LANDEIRAFERNANDEZ 1998 p 148 Uma questão para se pensar por meios das palavras de Landeira 1998 citando Santos 1994 é a seguinte A psicologia é uma ciência básica tal como a física a química e a biologia ou uma ciência aplicada tal como a veterinária a medicina a engenharia e a odontologia Se realmente a psicologia pretende ser uma ciência aplicada deverá sem dúvida ajustar seu currículo a essa necessidade SANTOS 1994 apud LANDEIRAFERNANDEZ 1998 wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 11 Siganos em facebookcompsicologiapt REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRANDÃO MARCUS L Psicofisiologia 1995 COUTO Yedda Jacqueline Almeida SILVA Claudio Herbert NINA E DE ALVARENGA Lenny Francis Campos Efeito Neurobiológico da Psicoterapia Uma Revisão Sistemática Revista da Universidade Vale do Rio Verde v 11 n 2 p 455461 2013 DE FREITAS ANDRADE Márcia DE ANDRADE Regina Célia Garcia DOS SANTOS Vania Prescrição de psicotrópicos avaliação das informações contidas em receitas e notificações Braz J Pharm Sci v 40 n 4 2004 KANDEL Eric R Biology and the future of psychoanalysis a new intellectual framework for psychiatry revisited American journal of Psychiatry v 156 n 4 p 505524 1999 KANDEL Eric R Psychotherapy and the single synapse New England Journal of Medicine v 301 n 19 p 10281037 1979 KIMURA Adriana Marie Psicofármacos e Psicoterapia a visão de psicólogos sobre medicação no tratamento Trabalho de Conclusão de Curso Formação em Psicologia Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Universidade São Judas Tadeu São Paulo 2005 LANDEIRAFERNANDEZ Jesus CRUZ A P M A interpretação psicobiológica da clínica psicológica Por que a psicoterapia funciona Por que psicoterapeutas devem ter o direito de prescrever drogas psicotrópicas Cadernos de Psicologia v 9 p 121155 1998 MOREIRA BM MEDEIROS CA Princípios Básicos de Análise do Comportamento 1 ed Porto Alegre Artmed 2007 wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 12 Siganos em facebookcompsicologiapt NETTO José Paulo Introdução ao método da teoria social Serviço Social direitos sociais e competências profissionais Brasília CFESSABEPSS 2009 RODRIGUES J T A medicação como única resposta uma miragem do contemporâneo Psicologia em Estudo v 8 n 1 p 1322 janjun 2003 WHITBOURNE Susan Krauss HALGIN Richard P Psicopatologia AMGH Editora 2015 i SARRES Carolina Psicólogos e Psiquiatras divergem sobre campanha contra medicalização de crianças e adolescentes 2012 Disponível em httpmemoriaebccombragenciabrasilnoticia20120717psicologose psiquiatrasdivergemsobrecampanhacontraE2809CmedicalizacaoE2809Ddecriancase adolescentes Acesso em 11 de agosto de 2016 iiPsicológica Tv LandeiraFernandez Disponível em httpswwwyoutubecomwatchvZYf5hsCeWng Acesso em 11 de agosto de 2016 Com o avanço das ciências naturais especialmente no estudo das estruturas celulares do corpo humano a neurociência emergiu como um campo vital com a neuroquímica desempenhando um papel crucial na compreensão dos sintomas de patologias mentais e do sofrimento psíquico a nível molecular Isso revolucionou a percepção da loucura e o tratamento dos pacientes Rodrigues 2003 O conhecimento interdisciplinar permitiu mapear funções cognitivas específicas no cérebro facilitando diagnósticos precisos para condições como epilepsia distúrbios do sono e dificuldades de aprendizagem Hoje podemos rastrear a origem de sintomas até suas causas orgânicas ou psicológicas possibilitando intervenções preventivas No campo da neurobiologia e da psicoterapia há uma interseção frutífera entre essas disciplinas Tanto a intervenção psicoterapêutica quanto a psicofarmacológica produzem mudanças neurais semelhantes ao nível celular como apontado por Kandel 1979 A ciência confirma que qualquer forma de intervenção psicoterapêutica independentemente de sua base teórica altera os padrões de comunicação neuronal analogamente aos efeitos de substâncias psicotrópicas Brandão 1995 Estudos como o de LandeiraFernandez 1998 demonstram que tanto a fluoxetina quanto a terapia cognitivocomportamental TCC podem produzir mudanças específicas no núcleo caudado do cérebro mostrando que intervenções químicas e comportamentais podem alterar sistemas serotonérgicos de maneira semelhante O sistema nervoso devido à sua plasticidade adaptase às influências ambientais Kandel 1999 Diferentes abordagens psicoterapêuticas geram distintas transformações neurais A TCC mostrou eficácia em transtornos como depressão maior esquizofrenia e TOC promovendo modificações nas áreas cerebrais como o giro do cíngulo e o córtex frontal Couto 2013 A psicoterapia comportamental demonstrou modificar áreas cerebrais como o sistema límbico e o córtex préfrontal sendo eficaz para transtornos de ansiedade esquizofrenia e fobias específicas Couto 2013 A psicoterapia psicanalítica alterou estruturas como o hipocampo e a amígdala mostrandose eficaz para depressão maior e ansiedade generalizada promovendo redução da atividade metabólica e aumento da densidade em várias áreas cerebrais Couto 2013 Por fim a psicoterapia interpessoal impactou áreas como o sistema límbico e o lobo temporal modificando aspectos como o fluxo sanguíneo e a atividade metabólica sendo eficaz em transtornos como a depressão Couto 2013 Essas descobertas ressaltam a complexidade e a eficácia das diferentes abordagens terapêuticas na modulação e adaptação do sistema nervoso humano O estudo das intervenções terapêuticas no sistema nervoso revela que diferentes abordagens como a terapia cognitivocomportamental provocam alterações específicas no cérebro humano Por exemplo técnicas como a dessensibilização aumentam a atividade metabólica e neuronal preparando o organismo para se readaptar a estímulos estressores Moreira e Medeiros 2007 A interação social durante a psicoterapia também tem um impacto significativo no funcionamento neural mostrando que toda atividade psicológica possui uma base biológica inseparável LandeiraFernandez 1998 Couto 2013 Além disso a resposta aos psicotrópicos não depende apenas de seus componentes químicos mas também do contexto ambiental em que são administrados Como observado por LandeiraFernandez 1998 o efeito de uma droga psicotrópica é influenciado pelo ambiente social em que é prescrita o que sublinha a complexidade das respostas medicamentosas No debate sobre o papel do psicólogo na prescrição de psicofármacos Fischer e Greenberg 1998 apontam que a relação positiva entre paciente e profissional de saúde melhora a eficácia do tratamento enfatizando a importância da colaboração entre diferentes especialidades no cuidado integral ao paciente No entanto a separação entre o profissional que prescreve medicação e o que conduz a psicoterapia pode gerar desafios na comunicação e na eficácia do tratamento como discutido por Kimura 2005 Enquanto há benefícios claros na integração de abordagens medicamentosas e psicoterapêuticas para potencializar os resultados terapêuticos a questão política e prática de quem pode prescrever continua a ser um ponto de debate relevante respeitando as especializações e as responsabilidades de cada profissão na busca pelo bemestar integral dos pacientes LandeiraFernandez 1998 O artigo aborda ainda a persistência da dicotomia entre corpo e alma na sociedade contemporânea exemplificada pela separação de papéis entre psiquiatras que lidam principalmente com psicofarmacologia e psicólogos que focam na psicoterapia Entretanto estudos recentes desafiam essa dualidade ao demonstrar que tanto a psicoterapia quanto a psicofarmacoterapia provocam alterações neurais e modificam padrões de comunicação entre neurônios embora por caminhos distintos Esta percepção sublinha que não há atividade psicológica desvinculada da biologia refutando leituras dicotômicas simplistas A discussão também envolve questões políticas e ideológicas como a manutenção dos nichos profissionais e a legitimidade da psiquiatria como parte da medicina Em países como os Estados Unidos iniciativas permitiram que psicólogos prescrevessem medicamentos com supervisão e formação adequadas desde 1995 inaugurando novas práticas e debates Porém a implementação dessa prática não é livre de controvérsias Defensores argumentam que psicólogos poderiam integrar melhor o tratamento ao eliminar a necessidade de transferências entre especialistas enquanto críticos incluindo alguns psicólogos radicais resistem à medicalização em favor de abordagens exclusivamente psicoterapêuticas muitas vezes fundamentadas em convicções filosóficas A dicotomia entre psiquiatria e psicologia também é destacada A psiquiatria com sua base biológica e foco na psicofarmacologia contrasta com a psicologia que considera aspectos culturais e sociais além dos biológicos Este impasse refletese em debates acirrados sobre o papel ético e social da medicalização frequentemente tratando casos individuais como representativos de questões mais amplas Abordase diversas perspectivas sobre a prescrição de medicamentos por psicólogos destacando implicações filosóficas e políticas Enquanto algumas correntes como a psicologia social e histórica apoiam essa possibilidade como parte de uma abordagem mais integrativa e menos dicotômica outras resistem enfatizando os riscos de uma medicalização excessiva e defendendo abordagens exclusivamente psicoterapêuticas A discussão também inclui aspectos econômicos e de eficácia no tratamento sugerindo que a prescrição por psicólogos poderia oferecer uma alternativa viável desde que devidamente regulamentada e embasada em formação específica Com o avanço das ciências naturais especialmente no estudo das estruturas celulares do corpo humano a neurociência emergiu como um campo vital com a neuroquímica desempenhando um papel crucial na compreensão dos sintomas de patologias mentais e do sofrimento psíquico a nível molecular Isso revolucionou a percepção da loucura e o tratamento dos pacientes Rodrigues 2003 O conhecimento interdisciplinar permitiu mapear funções cognitivas específicas no cérebro facilitando diagnósticos precisos para condições como epilepsia distúrbios do sono e dificuldades de aprendizagem Hoje podemos rastrear a origem de sintomas até suas causas orgânicas ou psicológicas possibilitando intervenções preventivas No campo da neurobiologia e da psicoterapia há uma interseção frutífera entre essas disciplinas Tanto a intervenção psicoterapêutica quanto a psicofarmacológica produzem mudanças neurais semelhantes ao nível celular como apontado por Kandel 1979 A ciência confirma que qualquer forma de intervenção psicoterapêutica independentemente de sua base teórica altera os padrões de comunicação neuronal analogamente aos efeitos de substâncias psicotrópicas Brandão 1995 Estudos como o de LandeiraFernandez 1998 demonstram que tanto a fluoxetina quanto a terapia cognitivocomportamental TCC podem produzir mudanças específicas no núcleo caudado do cérebro mostrando que intervenções químicas e comportamentais podem alterar sistemas serotonérgicos de maneira semelhante O sistema nervoso devido à sua plasticidade adaptase às influências ambientais Kandel 1999 Diferentes abordagens psicoterapêuticas geram distintas transformações neurais A TCC mostrou eficácia em transtornos como depressão maior esquizofrenia e TOC promovendo modificações nas áreas cerebrais como o giro do cíngulo e o córtex frontal Couto 2013 A psicoterapia comportamental demonstrou modificar áreas cerebrais como o sistema límbico e o córtex préfrontal sendo eficaz para transtornos de ansiedade esquizofrenia e fobias específicas Couto 2013 A psicoterapia psicanalítica alterou estruturas como o hipocampo e a amígdala mostrandose eficaz para depressão maior e ansiedade generalizada promovendo redução da atividade metabólica e aumento da densidade em várias áreas cerebrais Couto 2013 Por fim a psicoterapia interpessoal impactou áreas como o sistema límbico e o lobo temporal modificando aspectos como o fluxo sanguíneo e a atividade metabólica sendo eficaz em transtornos como a depressão Couto 2013 Essas descobertas ressaltam a complexidade e a eficácia das diferentes abordagens terapêuticas na modulação e adaptação do sistema nervoso humano O estudo das intervenções terapêuticas no sistema nervoso revela que diferentes abordagens como a terapia cognitivocomportamental provocam alterações específicas no cérebro humano Por exemplo técnicas como a dessensibilização aumentam a atividade metabólica e neuronal preparando o organismo para se readaptar a estímulos estressores Moreira e Medeiros 2007 A interação social durante a psicoterapia também tem um impacto significativo no funcionamento neural mostrando que toda atividade psicológica possui uma base biológica inseparável LandeiraFernandez 1998 Couto 2013 Além disso a resposta aos psicotrópicos não depende apenas de seus componentes químicos mas também do contexto ambiental em que são administrados Como observado por LandeiraFernandez 1998 o efeito de uma droga psicotrópica é influenciado pelo ambiente social em que é prescrita o que sublinha a complexidade das respostas medicamentosas No debate sobre o papel do psicólogo na prescrição de psicofármacos Fischer e Greenberg 1998 apontam que a relação positiva entre paciente e profissional de saúde melhora a eficácia do tratamento enfatizando a importância da colaboração entre diferentes especialidades no cuidado integral ao paciente No entanto a separação entre o profissional que prescreve medicação e o que conduz a psicoterapia pode gerar desafios na comunicação e na eficácia do tratamento como discutido por Kimura 2005 Enquanto há benefícios claros na integração de abordagens medicamentosas e psicoterapêuticas para potencializar os resultados terapêuticos a questão política e prática de quem pode prescrever continua a ser um ponto de debate relevante respeitando as especializações e as responsabilidades de cada profissão na busca pelo bemestar integral dos pacientes LandeiraFernandez 1998 O artigo aborda ainda a persistência da dicotomia entre corpo e alma na sociedade contemporânea exemplificada pela separação de papéis entre psiquiatras que lidam principalmente com psicofarmacologia e psicólogos que focam na psicoterapia Entretanto estudos recentes desafiam essa dualidade ao demonstrar que tanto a psicoterapia quanto a psicofarmacoterapia provocam alterações neurais e modificam padrões de comunicação entre neurônios embora por caminhos distintos Esta percepção sublinha que não há atividade psicológica desvinculada da biologia refutando leituras dicotômicas simplistas A discussão também envolve questões políticas e ideológicas como a manutenção dos nichos profissionais e a legitimidade da psiquiatria como parte da medicina Em países como os Estados Unidos iniciativas permitiram que psicólogos prescrevessem medicamentos com supervisão e formação adequadas desde 1995 inaugurando novas práticas e debates Porém a implementação dessa prática não é livre de controvérsias Defensores argumentam que psicólogos poderiam integrar melhor o tratamento ao eliminar a necessidade de transferências entre especialistas enquanto críticos incluindo alguns psicólogos radicais resistem à medicalização em favor de abordagens exclusivamente psicoterapêuticas muitas vezes fundamentadas em convicções filosóficas A dicotomia entre psiquiatria e psicologia também é destacada A psiquiatria com sua base biológica e foco na psicofarmacologia contrasta com a psicologia que considera aspectos culturais e sociais além dos biológicos Este impasse refletese em debates acirrados sobre o papel ético e social da medicalização frequentemente tratando casos individuais como representativos de questões mais amplas Abordase diversas perspectivas sobre a prescrição de medicamentos por psicólogos destacando implicações filosóficas e políticas Enquanto algumas correntes como a psicologia social e histórica apoiam essa possibilidade como parte de uma abordagem mais integrativa e menos dicotômica outras resistem enfatizando os riscos de uma medicalização excessiva e defendendo abordagens exclusivamente psicoterapêuticas A discussão também inclui aspectos econômicos e de eficácia no tratamento sugerindo que a prescrição por psicólogos poderia oferecer uma alternativa viável desde que devidamente regulamentada e embasada em formação específica
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wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 1 Siganos em facebookcompsicologiapt A PSICOLOGIA E A PRESCRIÇÃO PSICOFARMACOLÓGICA 2016 Alan Ferreira dos Santos Graduando de Psicologia na Universidade Paulista UNIP Discente na Universidade Estadual de Campinas UNICAMP na Faculdade de Ciências Médicas FCM Brasil Email de contato alanfs1995gmailcom RESUMO Com o avanço da neurociência passouse a pensar a bioquímica das doenças mentais e consequentemente se pôs em pauta a questão do que é biológico ou psicológico estando de um lado o aspecto físico e de outro o mental e não tendo ambos nenhuma interrelação e sendo instâncias independentes Tevese o intuito de demonstrar que o binômio biológicopsicológico ou físicomental é uma denominação incoerente e que a relação pacienteterapeuta tem funções e significados biológicos causando transformações neuronais e impactos na comunicação entre os neurônios Houve também a tentativa demonstrar que a cisão entre PsiquiatriaCorpo e PsicologiaAlma é incongruente e que a segunda não sendo metafísica trabalha com o organismo desenvolvendo modificações celulares Visouse compreender o impacto biológico das psicoterapias e a relação entre psicologia e psicofarmacologia bem como avaliar as justificativas da prescrição psicofarmacológica por parte dos psicólogos Concluiuse que a relação entre pacienteterapeuta produz transformações neurológicas e que as mesmas modificações ocorrem quando há prescrição farmacológica Além disso a relação entre psicologia e psicofarmacologia é benéfica desde que a articulação seja feita de modo minucioso e elaborado A utilização de psicofármacos por parte dos psicólogos é um tema controverso justificandose a sua utilização a partir do momento que o profissional tenha os estudos que o capacitem à prática Os estudos comprovam que a conjugação entre a psicoterapia e a prescrição medicamentosa por parte do mesmo profissional produz uma qualidade mais significativa no tratamento do que diversos profissionais trabalhando no mesmo caso Palavraschave Psicoterapia psicofarmacoterapia psicologia psicofármacos neurociência sofrimento psíquico wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 2 Siganos em facebookcompsicologiapt INTRODUÇÃO Com o desenvolvimento das ciências naturais se abriu um vasto campo de pesquisa em nível celular das diversas estruturas do organismo humano Isto incluí as neurociências com desenvolvimento da neuroquímica que empreende além de outros um esforço de compreender os sintomas em nível molecular da patologia mental e do sofrimento psíquico o que implicou uma revolução na compreensão da loucura e no tratamento do paciente RODRIGUES 2003 O conhecimento não se restringe apenas a um campo havendo a possibilidade de intersecções entre as áreas Com o estabelecimento da biologia do cérebro foi possível mapear as diversas áreas do sistema nervoso que correspondem a determinada função cognitiva Com os métodos da neurologia clínica permitiuse diagnósticos precisos sobre a epilepsia distúrbios do sono déficit de aprendizagem e outras neuropatologias Hoje é possível rastrear a etiopatogenia de determinado sintoma podendo até mesmo distinguirse entre a causa orgânica lesão ou psicológica traumas conflitos e dissociação psíquica possibilitando uma intervenção profilática A PSICOTERAPIA E A PSICOFARMACOTERAPIA No campo da neurobiologia e psicoterapia ocorre um envolvimento profícuo entre tais domínios podendo já ser explicada a cura do paciente por meio do tratamento psicoterapêutico com base na biologia celular eu gostaria de levantar uma ideia simplista mas talvez relevante segundo a qual o nível final de resolução para a compreensão de como a intervenção psicoterapêutica funciona é idêntica ao nível com que nós estamos atualmente buscando entender como intervenções psicofarmacológicas funcionam ao nível individual de células nervosas e suas conexões KANDEL 1979 p 1028 É de conhecimento da ciência que todo o modo de intervenção psicoterapêutica independentemente dos seus pressupostos teóricos produz modificações neurais alterando o padrão de comunicação entre os neurônios exatamente análogo às transformações induzidas por meio de substancias psicotrópicas mesmo que a linha de pensamento que subjaz o tratamento seja materialista naturalista ou metafísica BRANDÃO 1995 Existem pesquisas que comprovam os efeitos neurofisiológicos das práticas terapêuticas tanto medicamentosa quanto psicológica wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 3 Siganos em facebookcompsicologiapt um grupo de pacientes foi tratado exclusivamente com fluoxetina Prozac inibidor da recaptação da serotonina na dose diária de 20 mg aumentandose gradativamente conforme o caso específico para uma dose máxima de 80 mg por dia Outro grupo de pacientes foi exclusivamente tratado com terapia cognitivacomportamental com sessões de 1 hora de duração uma ou duas vezes por semana Técnicas de prevenção de resposta juntamente com várias técnicas cognitivas foram utilizadas Pacientes do grupo controle não foram submetidos a qualquer forma de terapia Após um período de aproximadamente dez semanas observouse através de tomografias por emissão de pósitrons uma redução específica na atividade do núcleo caudado do hemisfério direito em relação à atividade desse núcleo antes do início do tratamento psicológico ou farmacológico foi maior em relação a pacientes do grupo controle que não foram submetidos a qualquer forma de terapia Assim tanto a psicoterapia quanto a psicofarmacologia produziram exatamente as mesmas alterações neuronais sugerindo que ambas teriam funcionado através de mecanismos semelhantes Neste caso específico manipulações químicas ou comportamentais parecem alterar o funcionamento de certos sistemas serotonérgicos LANDEIRAFERNANDEZ 1998 p 134 Por ter uma capacidade plástica e mutável o sistema nervoso se adapta e se desenvolve conforme os aspectos exógenos ambientais KANDEL 1999 Os efeitos neurobiológicos que ocorrem no processo de psicoterapia é comprovado por inúmeros estudos e o aspecto notável das pesquisas é que cada orientação produz uma transformação neural diferente e produz em maior ou menor intensidade a modulação de áreas específicas do cérebro A psicoterapia cognitiva comportamental Essa modalidade de psicoterapia apresentou eficácia do seu modo intervenção nos seguintes transtornos episódio depressivo maior esquizofrenia ansiedade TOC transtorno obsessivocompulsivo De modo geral os resultados positivos da TCC estiveram relacionados ao restabelecimento do controle da atenção a reestruturação da memória em curto prazo e a ressignificação do pensamento por meio do aprendizado Essas modificações psicológicas promovidas pela TCC foram relacionadas à alteração da atividade metabólica neuronal nas seguintes áreas cerebrais giro do cíngulo córtex frontal incluindo o motor COUTO 2013 p 457 As áreas cerebrais trabalhadas por tal abordagem se deram no giro do cíngulo e córtex frontal Vejamos por sua vez a psicoterapia comportamental wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 4 Siganos em facebookcompsicologiapt Apresentou resultados positivos na modificação dos comportamentosproblema presentes nos seguintes transtornos ansiedade esquizofrenia fobia especifica e TOC transtorno obsessivo compulsivo Esses resultados positivos foram relacionados à modificação pela psicoterapia comportamental das seguintes áreas cerebrais sistema límbico giro do cíngulo fluxo sanguíneo regional dos córtices frontal e temporal córtex préfrontal e córtex insular COUTO 2013 p 458 A psicoterapia psicanalítica A psicoterapia psicanalítica foi eficaz no tratamento dos seguintes transtornos episodio depressivo maior ansiedade generalizada e pânico De acordo com a análise da amostra as áreas modificadas pela psicoterapia psicanalítica foram o hipocampo amígdala córtex préfrontal transportador de serotonina mesencéfalo transportadores de dopamina estriato giro do cíngulo Os principais efeitos promovidos pela psicoterapia psicanalítica nas áreas citadas foram a redução da atividade metabólica e o aumento de volume densidade COUTO 2013 p 459 E a psicoterapia interpessoal As áreas cerebrais alteradas pela psicoterapia interpessoal foram o sistema límbico giro cíngulo eixo HipotálamoHipófiseAdrenais HPA córtex préfrontal núcleo caudado tálamo lobo temporal A psicoterapia interpessoal modificou as áreas cerebrais citadas em termos de ativação do fluxo sanguíneo regional alteração morfológica redução da atividade elétrica redução da atividade metabólica COUTO 2013 p 460 As alterações que ocorreram no sistema nervoso decorrentes da intervenção das diversas abordagens são correspondentes às suas práticas e tais práticas refletem no cérebro humano como por exemplo a abordagem cognitivo comportamental havendo um aumento exponencial da atividade metabólica Isto ocorre por conta dos dispositivos práticos que tal terapia predispõe como as técnicas dessensibilização que objetivam o confronto do indivíduo com estímulos estressores e eliciadores de ansiedade contracondicionamento MOREIRA e MEDEIROS 2007 Isto provoca um aumento da atividade metabólica e consequentemente dos processos neuronais preparando o organismo para sua readaptação Dessa forma relações sociais tem um grande impacto no tecido neural alterando o seu funcionamento Na psicoterapia as atividades que se desenvolvem na corelação entre pacientecliente e terapeuta têm significado biológico LANDEIRAFERNANDEZ 1998 Nesse sentido é importante afirmar que não existe atividade psicológica independente da biológica e que toda a atividade psicológica é estritamente biológica tornando irrelevante qualquer leitura dicotômica COUTO 2013 wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 5 Siganos em facebookcompsicologiapt Após tudo o que foi dito é importante salientar que a utilização de psicotrópicos age de acordo não só com os seus componentes químicos mas também com a variável ambiental isto é em virtude das situações nas quais a droga esta sendo recomendada são também produzidas alterações significativas Finalmente tem sido amplamente demonstrado que o efeito de uma droga psicotrópica é determinado não somente pelo seu composto ativo como também pelo contexto social em que essa droga é administrada LANDEIRAFERNADEZ 1998 p 136 Eis alguns dados que podem nos orientar sobre a questão do psicólogo na prescrição de psicofármacos segundo Fischer e Greenberg 1998 os efeitos das drogas antipsicóticas são mais eficazes quando o paciente tem uma identificação positiva com o médico melhor do que aqueles que têm uma identificação negativa Com isso a translocação constante do paciente do psicólogo para o psiquiatra poderia causar certos imbróglios no próprio tratamento Kimura cita Balon explicitando a questão de como podem surgir transtornos é até mesmo uma ineficiência no processo terapêutico quando o médico que receita não é o mesmo que faz a psicoterapia Balon 2001 apud RIBA 2002 aponta os aspectos negativos quando o analista não é também aquele que receita a medicação falta de colaboração entre os profissionais percepções errôneas dos três envolvidos paciente analista e psiquiatra prescrição inadequada sem o conhecimento do conteúdo de análise informações dadas de forma distorcida pelo paciente a cada um dos profissionais envolvidos entre outros Os aspectos positivos seriam a maior informação clínica oferecida ao paciente por diferentes fontes de avaliação o suporte disponível por ambos os profissionais entre outros KIMURA 2005 p 22 Mas o problema crucial é a questão política ou seja se o psicólogo pode prescrever ou não não obstante pelo que foi demonstrado o tratamento conjugado medicamentoso e psicoterapêutico tender a produzir maiores efeitos benéficos permitindo maiores possibilidades interventivas não obstante wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 6 Siganos em facebookcompsicologiapt Todos nós sabemos que os interesses ou aspirações de estudante de medicina são completamente diferentes dos interesses ou aspirações do estudante de psicologia o médico tem uma preocupação com a integridade física do paciente enquanto o psicólogo tem uma preocupação com a integridade da sua vida mental Seria inviável forçar o aspirante a psicólogo a passar todo um curso de medicina estudando de forma minuciosa nomenclaturas de ossos e músculos ou técnicas relacionadas a intervenção cirúrgicas Da mesma forma seria inviável forçar um futuro médico cujo objetivo é se tornar um psiquiatria a passar por todo um curso de psicologia estudando matérias relacionadas à saúde mental e às diferentes posições históricas e filosóficas escolas psicológicas técnicas e testes relacionados com atividade psicológica do sujeito LANDEIRAFERNANDEZ 1998 p 143 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este artigo pretendeu demonstrar como a dicotomia entre corpo e alma ainda é presente na sociedade contemporânea no primeiro o psiquiatra atuaria com a psicofarmacologia enquanto que no segundo o psicólogo atuaria com a psicoterapia No entanto estudos vêm comprovando que tal dualidade é apenas aparente e que o processo psicoterapêutico atua do mesmo modo que a psicofarmacoterapia pois as modificações que ocorrem no organismo humano em ambos os casos são alterações dos padrões neurais das comunicações entre os neurônios embora saibamos que modo diferente Não obstante entendemos que existem questões políticas ideológicas envolvidas como a questão da manutenção do nicho de cada área ou até mesmo da legitimidade da psiquiatria que sairia do campo médico entrando no metafísico o que na verdade seria um equívoco já que sabemos que o comportamento e a ação do sujeito em relação ao terapeuta operamse de acordo com os processos de aprendizagem que modelam os circuitos neurais e estes por conseguinte o comportamento É importante ressaltar que as diversas abordagens psicoterapêuticas produzem resultados satisfatórios e alterações distintas na bioquímica do cérebro Contudo e mediante o desenvolvimento das neurociências cabe ainda entender os processos exatos que correspondem a cada alteração tanto comportamental quanto neurobiológica A implementação da prescrição de remédios por parte dos psicólogos é muito mal vista no Brasil No entanto nos Estados Unidos e desde de 1995 a APA American Psychological Association vem desenvolvendo projetos onde o psicólogo pode prescrever medicamentos contanto que tenha supervisão prática e os estudos teóricos necessários LANDEIRAFERNANDEZ 1998 Em 2002 o Novo México tornouse o primeiro estado a ter psicólogos prescrevendo abrindo assim novas possibilidades para a sua prática Existem argumentos a favor e contra os primeiros dizem que o psicólogo poderia ter maior efetivação no seu trabalho já que o paciente não precisaria se mover entre um especialista e outro o que é problemático pois como os estudos mostram isto acaba gerando complicações transferências impossibilitando o tratamento ou gerando resistências por parte do wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 7 Siganos em facebookcompsicologiapt paciente Aqueles que são contra têm o interesse na manutenção de sua classe principalmente os psiquiatras Existem também os psicólogos radicais que são contra qualquer tipo de medicação atitudes estas frequentemente assentes em posições meramente filosóficas WHITBOURNE 2015 Para o psicólogo estar apto a prescrever medicamentos passaria por todo um processo de estudo nas áreas necessárias Além disso temse a questão da psiquiatria e da psicologia em dicotomia A primeira trata os fenômenos psicológicos de modo puramente físico sem considerar os aspectos sociais que como demonstrado são de intenso significado biológico aplicando assim apenas o tratamento psicofarmacológico e esquecendo que não é apenas o composto ativo que produz modificações mas também a relação entre endógeno e exógeno Já a segunda trata de algo totalmente material os fenômenos psicológicos com a psicoterapia a qual não obstante a sua eficácia necessita de outros aparatos como o medicamento O impasse se dá nessa questão pois o médico psiquiatra tem uma formação na graduação puramente biológica e quando faz uma especialização em psiquiatria atua de modo naturalista sem considerar os aspectos sociais Por sua vez o psicólogo compreende os aspectos culturais filosóficos e as diversas escolas psicológicas mas é impossibilitado de compreender os aspectos orgânicos Nesse sentido ocorrem as polarizações onde a psiquiatria reivindica fortemente o seu status social enquanto detentora das substancias psicotrópicas ao passo que a psicologia no Brasil exige uma anulação completa do tratamento medicamentoso A questão é mais pungente do que pensávamos pois engloba até o aspecto moral no sentido dos psiquiatras serem ruins e os psicólogos bons refetindo a concepção cultural de que os medicamentos não são necessários além de fazer com que as batalhas sejam acirradas e sem consenso Isto é demonstrado na reportagem da Carolina Sarres A Associação Brasileira de Psiquiatria ABP e a Associação Brasileira de Déficit de Atenção Abda se posicionaram contrariamente à campanha Não à Medicalização da Vida lançada pelo Conselho Federal de Psicologia CFP Somos contrários à campanha porque é um movimento de psicologização das pessoas O CFP quer criar a necessidade de que todos sejam submetidos à psicoterapia disse o presidente da ABP Antônio Geraldo SARRES Psicólogos e Psiquiatras divergem sobre campanha contra medicalização de crianças e adolescentes 2012i E a neuropsicologia diz wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 8 Siganos em facebookcompsicologiapt Transtornos de atenção e de aprendizado são cientificamente estudados são processos que têm critérios para diagnóstico A banalização da medicalização ocorre porque qualquer pessoal julga que a criança mais desatenta e hiperativa tem um distúrbio Todos temos um ou outro sintoma Mas o diagnóstico é feito segundo um conjunto de sintomas que quando tratados trazem benefícios significativos à vida da pessoa e da família disse Edyleine Benzik SARRES Psicólogos e Psiquiatras divergem sobre campanha contra medicalização de crianças e adolescentes 2012 Nesse sentido podemos perceber como o movimento se faz Temos a psiquiatria de um lado com os abusos da medicalização não podendo a mesma no entanto se automonitorar Deve haver pesquisa para identificar o uso inadequado de medicamentos Se tivéssemos a adequada proteção à saúde no Brasil para esses casos em que o tratamento deve ser multidisciplinar o combate a diagnósticos equivocados seria facilitado O uso de psicofármacos deve ser racional por meio de diagnóstico bem feito com o uso do Código Internacional de Doenças informou o presidente da ABP SARRES Psicólogos e Psiquiatras divergem sobre campanha contra medicalização de crianças e adolescentes 2012 Por sua vez uma outra instância interfere psicologia Mas esta está interferindo no lado abusivo da psiquiatria e não no lado ético que seria o da medicalização controlada É importante ressaltar esse aspecto pois as batalham deveriam começar dentro da própria instituição ou seja a psiquiatria deveria combaterse a si própria eliminando o lado antiético de sua profissão o que não ocorre Por isto a interferência ocorre por parte de instâncias exteriores tomando a parte como um todo atacando diretamente a psiquiatria tomando casos singulares como gerais atribuindo a ela conotações morais psiquiatria mal Durante muito tempo os psicólogos se colocaram como sendo os mocinhos dentro de um debate com os psiquiatras sobre a prescrição médica Isto se deu pelo fato de que quando os medicamentos psicotrópicos eram prescritos nos hospitais psiquiátricos causavam efeitos colaterais severos fazendo com que fosse impossibilitado o trabalho do psicólogo já que este requer uma certa lucidez por parte de seu paciente Por conta disto os psiquiatras passaram a ter fama de bandidos e os psicólogos passaram a se opor a qualquer tipo de medicalização e com toda razão LANDEIRAFERNANDEZ Drogas Psicotrópicas e Psicoterapia 2016ii wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 9 Siganos em facebookcompsicologiapt Por sua vez outras linhas de raciocínio principalmente as filosóficas WHITBOURNE 2015 se agregam tomando partido da causa em psicologia Geralmente seriam abordagens sociais como a sócio histórica e a psicologia da libertação que por conta de um passado histórico na América latina de ditadura tornouse radical sendo mais política do que científica algo que é contraditório aos pressupostos marxistas nos quais dizem se basear pois o método de Marx não resulta de descobertas abruptas ou de intuições geniais ao contrário resulta de uma demorada investigação NETTO 2009 p4 As implicações de tal situação prendemse por um lado com o fato de que o tratamento tornase caro na maioria das vezes menos eficaz do que seria com um profissional por conta dos aspectos já citados de transferência identificação projeção sobre objeto químico e sobre o profissional Por outro o profissional liberal pode receitar mesmo estando em posição de médico geral nos serviços clínicos nãopsiquiátricos com potencial de atender principalmente transtornos depressivos fóbicoansiosos somatoformes e insônias multifatoriais onde a prescrição de remédios com potencial sedativo ação hipnótica ansiolítica e miorrelaxante costuma ser maior que a prescrição dos mesmos fármacos entre psiquiatras ANDRADE MF 2004 apud DA COSTA 2009 Por outro lado caso houvesse prescrição por parte dos psicólogos estes poderiam prescrever ou não ou seja o ato de prescrever é também o de não prescrever evitando assim medicações desnecessárias LANDEIRAFERNANDEZ 1998 Além disso é fundamental não esquecer que os profissionais formados em odontologia podem prescrever medicamentos inclusivé psicotrópicos ansiolíticos quando necessários diazepam bromazepam lorazepam e alprazolam ANDRADE 2006 Nesse sentido não se pretendeu fazer uma exigência por parte dos psicólogos de direito à prescrição de modo indiscriminado e sem fundamentação mas sim demonstrar como tal movimento é possível e necessário que a dicotomia entre corpo e alma já não é plausível que a divisão da psiquiatria e da psicologia como ciências naturais e humanas sem nenhuma relação é ineficaz e custosa havendo implicações políticas polarizações entre as ciências e principalmente ineficiência no tratamento do paciente No mais podemos dizer que se faz necessário movimentos de reivindicação por direitos A psicologia vem entrando numa isonomia completa com relação a saúde mental primeiro pelo fato dos cursos serem totalmente voltados as ciências humanas deixando o profissional despreparado para compreender o fenômeno de modo abrangente e segundo porque se realmente queremos pensar na saúde mental temos que pensar seriamente e não polarizados o que inclui entender a neurociências e seus avanços pois wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 10 Siganos em facebookcompsicologiapt Somente aqueles com consciência e dedicação profissional cujos objetivos estão voltados não para os seus interesses e crenças pessoais mas sim para o progresso e desenvolvimento da sua classe é que saberão hoje tomar decisões equilibradas a fim de que os horizontes do pensamento e da prática psicológica possam ser ampliados em um futuro próximo LANDEIRAFERNANDEZ 1998 p 148 Uma questão para se pensar por meios das palavras de Landeira 1998 citando Santos 1994 é a seguinte A psicologia é uma ciência básica tal como a física a química e a biologia ou uma ciência aplicada tal como a veterinária a medicina a engenharia e a odontologia Se realmente a psicologia pretende ser uma ciência aplicada deverá sem dúvida ajustar seu currículo a essa necessidade SANTOS 1994 apud LANDEIRAFERNANDEZ 1998 wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 11 Siganos em facebookcompsicologiapt REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRANDÃO MARCUS L Psicofisiologia 1995 COUTO Yedda Jacqueline Almeida SILVA Claudio Herbert NINA E DE ALVARENGA Lenny Francis Campos Efeito Neurobiológico da Psicoterapia Uma Revisão Sistemática Revista da Universidade Vale do Rio Verde v 11 n 2 p 455461 2013 DE FREITAS ANDRADE Márcia DE ANDRADE Regina Célia Garcia DOS SANTOS Vania Prescrição de psicotrópicos avaliação das informações contidas em receitas e notificações Braz J Pharm Sci v 40 n 4 2004 KANDEL Eric R Biology and the future of psychoanalysis a new intellectual framework for psychiatry revisited American journal of Psychiatry v 156 n 4 p 505524 1999 KANDEL Eric R Psychotherapy and the single synapse New England Journal of Medicine v 301 n 19 p 10281037 1979 KIMURA Adriana Marie Psicofármacos e Psicoterapia a visão de psicólogos sobre medicação no tratamento Trabalho de Conclusão de Curso Formação em Psicologia Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Universidade São Judas Tadeu São Paulo 2005 LANDEIRAFERNANDEZ Jesus CRUZ A P M A interpretação psicobiológica da clínica psicológica Por que a psicoterapia funciona Por que psicoterapeutas devem ter o direito de prescrever drogas psicotrópicas Cadernos de Psicologia v 9 p 121155 1998 MOREIRA BM MEDEIROS CA Princípios Básicos de Análise do Comportamento 1 ed Porto Alegre Artmed 2007 wwwpsicologiapt ISSN 16466977 Documento publicado em 11092016 Alan Ferreira dos Santos 12 Siganos em facebookcompsicologiapt NETTO José Paulo Introdução ao método da teoria social Serviço Social direitos sociais e competências profissionais Brasília CFESSABEPSS 2009 RODRIGUES J T A medicação como única resposta uma miragem do contemporâneo Psicologia em Estudo v 8 n 1 p 1322 janjun 2003 WHITBOURNE Susan Krauss HALGIN Richard P Psicopatologia AMGH Editora 2015 i SARRES Carolina Psicólogos e Psiquiatras divergem sobre campanha contra medicalização de crianças e adolescentes 2012 Disponível em httpmemoriaebccombragenciabrasilnoticia20120717psicologose psiquiatrasdivergemsobrecampanhacontraE2809CmedicalizacaoE2809Ddecriancase adolescentes Acesso em 11 de agosto de 2016 iiPsicológica Tv LandeiraFernandez Disponível em httpswwwyoutubecomwatchvZYf5hsCeWng Acesso em 11 de agosto de 2016 Com o avanço das ciências naturais especialmente no estudo das estruturas celulares do corpo humano a neurociência emergiu como um campo vital com a neuroquímica desempenhando um papel crucial na compreensão dos sintomas de patologias mentais e do sofrimento psíquico a nível molecular Isso revolucionou a percepção da loucura e o tratamento dos pacientes Rodrigues 2003 O conhecimento interdisciplinar permitiu mapear funções cognitivas específicas no cérebro facilitando diagnósticos precisos para condições como epilepsia distúrbios do sono e dificuldades de aprendizagem Hoje podemos rastrear a origem de sintomas até suas causas orgânicas ou psicológicas possibilitando intervenções preventivas No campo da neurobiologia e da psicoterapia há uma interseção frutífera entre essas disciplinas Tanto a intervenção psicoterapêutica quanto a psicofarmacológica produzem mudanças neurais semelhantes ao nível celular como apontado por Kandel 1979 A ciência confirma que qualquer forma de intervenção psicoterapêutica independentemente de sua base teórica altera os padrões de comunicação neuronal analogamente aos efeitos de substâncias psicotrópicas Brandão 1995 Estudos como o de LandeiraFernandez 1998 demonstram que tanto a fluoxetina quanto a terapia cognitivocomportamental TCC podem produzir mudanças específicas no núcleo caudado do cérebro mostrando que intervenções químicas e comportamentais podem alterar sistemas serotonérgicos de maneira semelhante O sistema nervoso devido à sua plasticidade adaptase às influências ambientais Kandel 1999 Diferentes abordagens psicoterapêuticas geram distintas transformações neurais A TCC mostrou eficácia em transtornos como depressão maior esquizofrenia e TOC promovendo modificações nas áreas cerebrais como o giro do cíngulo e o córtex frontal Couto 2013 A psicoterapia comportamental demonstrou modificar áreas cerebrais como o sistema límbico e o córtex préfrontal sendo eficaz para transtornos de ansiedade esquizofrenia e fobias específicas Couto 2013 A psicoterapia psicanalítica alterou estruturas como o hipocampo e a amígdala mostrandose eficaz para depressão maior e ansiedade generalizada promovendo redução da atividade metabólica e aumento da densidade em várias áreas cerebrais Couto 2013 Por fim a psicoterapia interpessoal impactou áreas como o sistema límbico e o lobo temporal modificando aspectos como o fluxo sanguíneo e a atividade metabólica sendo eficaz em transtornos como a depressão Couto 2013 Essas descobertas ressaltam a complexidade e a eficácia das diferentes abordagens terapêuticas na modulação e adaptação do sistema nervoso humano O estudo das intervenções terapêuticas no sistema nervoso revela que diferentes abordagens como a terapia cognitivocomportamental provocam alterações específicas no cérebro humano Por exemplo técnicas como a dessensibilização aumentam a atividade metabólica e neuronal preparando o organismo para se readaptar a estímulos estressores Moreira e Medeiros 2007 A interação social durante a psicoterapia também tem um impacto significativo no funcionamento neural mostrando que toda atividade psicológica possui uma base biológica inseparável LandeiraFernandez 1998 Couto 2013 Além disso a resposta aos psicotrópicos não depende apenas de seus componentes químicos mas também do contexto ambiental em que são administrados Como observado por LandeiraFernandez 1998 o efeito de uma droga psicotrópica é influenciado pelo ambiente social em que é prescrita o que sublinha a complexidade das respostas medicamentosas No debate sobre o papel do psicólogo na prescrição de psicofármacos Fischer e Greenberg 1998 apontam que a relação positiva entre paciente e profissional de saúde melhora a eficácia do tratamento enfatizando a importância da colaboração entre diferentes especialidades no cuidado integral ao paciente No entanto a separação entre o profissional que prescreve medicação e o que conduz a psicoterapia pode gerar desafios na comunicação e na eficácia do tratamento como discutido por Kimura 2005 Enquanto há benefícios claros na integração de abordagens medicamentosas e psicoterapêuticas para potencializar os resultados terapêuticos a questão política e prática de quem pode prescrever continua a ser um ponto de debate relevante respeitando as especializações e as responsabilidades de cada profissão na busca pelo bemestar integral dos pacientes LandeiraFernandez 1998 O artigo aborda ainda a persistência da dicotomia entre corpo e alma na sociedade contemporânea exemplificada pela separação de papéis entre psiquiatras que lidam principalmente com psicofarmacologia e psicólogos que focam na psicoterapia Entretanto estudos recentes desafiam essa dualidade ao demonstrar que tanto a psicoterapia quanto a psicofarmacoterapia provocam alterações neurais e modificam padrões de comunicação entre neurônios embora por caminhos distintos Esta percepção sublinha que não há atividade psicológica desvinculada da biologia refutando leituras dicotômicas simplistas A discussão também envolve questões políticas e ideológicas como a manutenção dos nichos profissionais e a legitimidade da psiquiatria como parte da medicina Em países como os Estados Unidos iniciativas permitiram que psicólogos prescrevessem medicamentos com supervisão e formação adequadas desde 1995 inaugurando novas práticas e debates Porém a implementação dessa prática não é livre de controvérsias Defensores argumentam que psicólogos poderiam integrar melhor o tratamento ao eliminar a necessidade de transferências entre especialistas enquanto críticos incluindo alguns psicólogos radicais resistem à medicalização em favor de abordagens exclusivamente psicoterapêuticas muitas vezes fundamentadas em convicções filosóficas A dicotomia entre psiquiatria e psicologia também é destacada A psiquiatria com sua base biológica e foco na psicofarmacologia contrasta com a psicologia que considera aspectos culturais e sociais além dos biológicos Este impasse refletese em debates acirrados sobre o papel ético e social da medicalização frequentemente tratando casos individuais como representativos de questões mais amplas Abordase diversas perspectivas sobre a prescrição de medicamentos por psicólogos destacando implicações filosóficas e políticas Enquanto algumas correntes como a psicologia social e histórica apoiam essa possibilidade como parte de uma abordagem mais integrativa e menos dicotômica outras resistem enfatizando os riscos de uma medicalização excessiva e defendendo abordagens exclusivamente psicoterapêuticas A discussão também inclui aspectos econômicos e de eficácia no tratamento sugerindo que a prescrição por psicólogos poderia oferecer uma alternativa viável desde que devidamente regulamentada e embasada em formação específica Com o avanço das ciências naturais especialmente no estudo das estruturas celulares do corpo humano a neurociência emergiu como um campo vital com a neuroquímica desempenhando um papel crucial na compreensão dos sintomas de patologias mentais e do sofrimento psíquico a nível molecular Isso revolucionou a percepção da loucura e o tratamento dos pacientes Rodrigues 2003 O conhecimento interdisciplinar permitiu mapear funções cognitivas específicas no cérebro facilitando diagnósticos precisos para condições como epilepsia distúrbios do sono e dificuldades de aprendizagem Hoje podemos rastrear a origem de sintomas até suas causas orgânicas ou psicológicas possibilitando intervenções preventivas No campo da neurobiologia e da psicoterapia há uma interseção frutífera entre essas disciplinas Tanto a intervenção psicoterapêutica quanto a psicofarmacológica produzem mudanças neurais semelhantes ao nível celular como apontado por Kandel 1979 A ciência confirma que qualquer forma de intervenção psicoterapêutica independentemente de sua base teórica altera os padrões de comunicação neuronal analogamente aos efeitos de substâncias psicotrópicas Brandão 1995 Estudos como o de LandeiraFernandez 1998 demonstram que tanto a fluoxetina quanto a terapia cognitivocomportamental TCC podem produzir mudanças específicas no núcleo caudado do cérebro mostrando que intervenções químicas e comportamentais podem alterar sistemas serotonérgicos de maneira semelhante O sistema nervoso devido à sua plasticidade adaptase às influências ambientais Kandel 1999 Diferentes abordagens psicoterapêuticas geram distintas transformações neurais A TCC mostrou eficácia em transtornos como depressão maior esquizofrenia e TOC promovendo modificações nas áreas cerebrais como o giro do cíngulo e o córtex frontal Couto 2013 A psicoterapia comportamental demonstrou modificar áreas cerebrais como o sistema límbico e o córtex préfrontal sendo eficaz para transtornos de ansiedade esquizofrenia e fobias específicas Couto 2013 A psicoterapia psicanalítica alterou estruturas como o hipocampo e a amígdala mostrandose eficaz para depressão maior e ansiedade generalizada promovendo redução da atividade metabólica e aumento da densidade em várias áreas cerebrais Couto 2013 Por fim a psicoterapia interpessoal impactou áreas como o sistema límbico e o lobo temporal modificando aspectos como o fluxo sanguíneo e a atividade metabólica sendo eficaz em transtornos como a depressão Couto 2013 Essas descobertas ressaltam a complexidade e a eficácia das diferentes abordagens terapêuticas na modulação e adaptação do sistema nervoso humano O estudo das intervenções terapêuticas no sistema nervoso revela que diferentes abordagens como a terapia cognitivocomportamental provocam alterações específicas no cérebro humano Por exemplo técnicas como a dessensibilização aumentam a atividade metabólica e neuronal preparando o organismo para se readaptar a estímulos estressores Moreira e Medeiros 2007 A interação social durante a psicoterapia também tem um impacto significativo no funcionamento neural mostrando que toda atividade psicológica possui uma base biológica inseparável LandeiraFernandez 1998 Couto 2013 Além disso a resposta aos psicotrópicos não depende apenas de seus componentes químicos mas também do contexto ambiental em que são administrados Como observado por LandeiraFernandez 1998 o efeito de uma droga psicotrópica é influenciado pelo ambiente social em que é prescrita o que sublinha a complexidade das respostas medicamentosas No debate sobre o papel do psicólogo na prescrição de psicofármacos Fischer e Greenberg 1998 apontam que a relação positiva entre paciente e profissional de saúde melhora a eficácia do tratamento enfatizando a importância da colaboração entre diferentes especialidades no cuidado integral ao paciente No entanto a separação entre o profissional que prescreve medicação e o que conduz a psicoterapia pode gerar desafios na comunicação e na eficácia do tratamento como discutido por Kimura 2005 Enquanto há benefícios claros na integração de abordagens medicamentosas e psicoterapêuticas para potencializar os resultados terapêuticos a questão política e prática de quem pode prescrever continua a ser um ponto de debate relevante respeitando as especializações e as responsabilidades de cada profissão na busca pelo bemestar integral dos pacientes LandeiraFernandez 1998 O artigo aborda ainda a persistência da dicotomia entre corpo e alma na sociedade contemporânea exemplificada pela separação de papéis entre psiquiatras que lidam principalmente com psicofarmacologia e psicólogos que focam na psicoterapia Entretanto estudos recentes desafiam essa dualidade ao demonstrar que tanto a psicoterapia quanto a psicofarmacoterapia provocam alterações neurais e modificam padrões de comunicação entre neurônios embora por caminhos distintos Esta percepção sublinha que não há atividade psicológica desvinculada da biologia refutando leituras dicotômicas simplistas A discussão também envolve questões políticas e ideológicas como a manutenção dos nichos profissionais e a legitimidade da psiquiatria como parte da medicina Em países como os Estados Unidos iniciativas permitiram que psicólogos prescrevessem medicamentos com supervisão e formação adequadas desde 1995 inaugurando novas práticas e debates Porém a implementação dessa prática não é livre de controvérsias Defensores argumentam que psicólogos poderiam integrar melhor o tratamento ao eliminar a necessidade de transferências entre especialistas enquanto críticos incluindo alguns psicólogos radicais resistem à medicalização em favor de abordagens exclusivamente psicoterapêuticas muitas vezes fundamentadas em convicções filosóficas A dicotomia entre psiquiatria e psicologia também é destacada A psiquiatria com sua base biológica e foco na psicofarmacologia contrasta com a psicologia que considera aspectos culturais e sociais além dos biológicos Este impasse refletese em debates acirrados sobre o papel ético e social da medicalização frequentemente tratando casos individuais como representativos de questões mais amplas Abordase diversas perspectivas sobre a prescrição de medicamentos por psicólogos destacando implicações filosóficas e políticas Enquanto algumas correntes como a psicologia social e histórica apoiam essa possibilidade como parte de uma abordagem mais integrativa e menos dicotômica outras resistem enfatizando os riscos de uma medicalização excessiva e defendendo abordagens exclusivamente psicoterapêuticas A discussão também inclui aspectos econômicos e de eficácia no tratamento sugerindo que a prescrição por psicólogos poderia oferecer uma alternativa viável desde que devidamente regulamentada e embasada em formação específica