1
Irrigação
IFES
14
Irrigação
IFES
17
Irrigação
IFES
66
Irrigação
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2
Irrigação
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4
Irrigação
FAF
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Irrigação
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43
Irrigação
ULBRA
1
Irrigação
ULBRA
2
Irrigação
UNIPAM
Texto de pré-visualização
Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão Eugênio Ferreira Coelho Arlene Maria Gomes de Oliveira José Geraldo Ferreira da Silva Maurício Antonio Coelho Filho Jailson Lopes Cruz Capítulo 15 443 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão Introdução A irrigação tem como função principal corrigir o deficit hídrico do solo permi tindo à planta manter um contínuo fluxo de água e nutrientes do solo para as raízes e parte aérea favorecendo os processos de crescimento desenvolvimento floração e frutificação o que pode se converter em aumento de produtividade e melhoria da qualidade da fruta O mamoeiro é muito exigente em água sem no entanto tolerar o excesso hídri co Dessa forma em regiões onde ocorrem deficit hídricos do solo prolongados a cultura não apresenta rendimentos satisfatórios tornandose obrigatório o uso da irrigação O efeito do deficit hídrico é ainda mais grave quando o pomar é im plantado em solos de textura arenosa e rasos Os constantes incrementos na instalação de sistemas de irrigação associados às vantagens da fertirrigação têm resultado em aumento contínuo das áreas de ma moeiro fertirrigadas no Brasil A adoção da tecnologia de irrigação e de fertirrigação para a cultura do mamoeiro deve ser respaldada por recomendações adequadas de manejo de água e nu trientes que permitam o seu uso racional e resultem em alta produtividade física e econômica da cultura sem agressão ao meio ambiente Este capítulo objetiva disponibilizar informações sobre as relações soloágua plantaatmosfera e guias para o manejo da irrigação e da fertirrigação na cultura do mamoeiro em diferentes condições edafoclimáticas Crescimento do mamoeiro sob irrigação O mamoeiro é uma planta exigente em água principalmente na fase do floresci mento quando a ocorrência de uma semana ou mais de deficiência hídrica pode resultar em queda de flores As plantas adultas são mais tolerantes ao deficit de umidade embora não produzam o máximo nessas condições O estresse hídrico leva a uma clorose das folhas mais velhas com subsequente queda das mesmas MARLER et al 1994 não havendo entretanto interrupção da emissão foliar O nível de umidade do solo é um fator fundamental para o crescimento e desen volvimento da planta já que quase todos os processos fisiológicos são direta ou indiretamente afetados pelo suprimento hídrico 444 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças A área foliar o diâmetro do caule e a altura são variáveis relacionadas ao cres cimento das plantas e são indicativos da produtividade da cultura O efeito da irrigação nos parâmetros de crescimento depende da região onde é cultivado o mamoeiro Nas condições edafoclimáticas em que a irrigação é necessária ape nas em pequenos períodos de deficit hídrico no solo seu efeito é inferior ao ob servado em regiões semiáridas onde a irrigação é imprescindível para o cultivo dessa fruteira As taxas de alongamento do caule e das folhas do mamoeiro são afetadas pelo deficit hídrico principalmente na fase vegetativa entre 7 e 11 semanas após o transplantio O diâmetro do caule a projeção da copa e o número de folhas por planta também são significativamente reduzidos com o deficit hídrico do solo AIYELAAGBE et al 1986 AWADA et al 1979 SRINIVAS 1996 O diâmetro do caule e a área foliar são os parâmetros de crescimento do mamo eiro de maior sensibilidade em resposta aos níveis de água no solo Figura 1 Re sultados experimentais mostram que a área foliar de plantas de mamão nas con dições dos Tabuleiros Costeiros do Recôncavo Baiano apresenta um crescimento contínuo até 370 dias após o plantio quando começa a reduzirse Com relação ao diâmetro do caule há manutenção do crescimento contínuo até 24 meses após o plantio quando ocorre a estabilização no entanto a taxa de aumento da su perfície foliar é superior à observada para o diâmetro do caule até os 12 meses após o plantio Figura 1 Em condições de climas úmidos e subúmidos o mamo eiro cultivado sob irrigação tem um crescimento do diâmetro do caule contínuo e acelerado até 483 dias após o plantio Figura 1 quando há uma redução da taxa de crescimento havendo uma estabilização definitiva a partir de 595 dias após o plantio COELHO et al 2002a 2002b Nas condições dos Tabuleiros Costeiros a altura da planta do mamoeiro mantém se em crescimento contínuo até pelo menos 884 dias após o plantio com uma redução da sua taxa de crescimento médio aos 431 dias após o plantio COELHO et al 2002a 2002b sendo o parâmetro de crescimento de menor sensibilidade aos níveis de irrigação Nas condições de clima semiárido o mamoeiro cultivar Tainung no 1 apresenta aumento da área foliar até 230 dias após o plantio Figura 2 atingindo valores superiores aos registrados em condições de Tabuleiros Costeiros no caso do diâ metro do caule os valores para as duas condições foram semelhantes 445 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão Floração pegamento e crescimento de frutos do mamoeiro sob irrigação Na fase de florescimento do mamoeiro a ocorrência de deficit hídrico no solo pode causar grande queda de flores implicando a redução da produtividade HARKNESS 1967 O problema da queda de flores em deficit hídrico pode ser agravado com a elevação de temperaturas acima de 28 oC e umidades relativas do ar abaixo de 60 A irrigação reduz os efeitos negativos das altas temperaturas na Figura 1 Área foliar para as cultivares Sunrise Solo A e Tainung no 1 B e diâme tro do caule para as cultivares Sunrise Solo C e Tainung no 1 D nas condições dos Tabuleiros Costeiros da Bahia Cruz das Almas 2001 Fonte Coelho et al 2002a 2002b Figura 2 Área foliar A e diâmetro do caule B para o mamoeiro Tainung no 1 irrigado nas condições do Semiárido da Bahia Iaçu 2001 Fonte Coelho et al 2002a 446 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças floração do mamoeiro e contribui positivamente para o pegamento de flores Figura 3 Em condições de Tabuleiros Costeiros a lâmina equivalente à reposição de 152 da evapotranspiração potencial utilizandose o gotejamento superficial foi suficien te para garantir a floração em situação de temperatura acima de 28 oC e umidade relativa abaixo de 60 impróprias à floração do mamoeiro SILVA et al 2003 O pegamento de frutos também pode ser afetado pelo deficit hídrico do solo Nas condições edafoclimáticas dos Tabuleiros Costeiros o uso da frequência de irriga ção de 2 dias resultou em maior incidência de pegamento de frutos comparada às frequências de 3 e 4 dias SANTOS et al 2001 Necessidades hídricas e produtividade do mamoeiro A irrigação permite a obtenção de frutos maiores e melhores e maior superfície foliar que pode contribuir para a redução dos efeitos negativos da incidência di reta da radiação solar sobre os frutos que em excesso pode causar queimaduras Trabalhos de pesquisa têm mostrado que em condições de baixa demanda evapotranspirométrica temperatura amena reduzido número de horas de céu claro e umidade relativa mais alta o consumo de água da cultura varia de 2 mm dia1 a 4 mm dia1 até 7 mm dia1 a 8 mm dia1 em períodos de alta demanda evapo Figura 3 Comportamento do índice de floração número de plantas com pegamen to de floresnúmero de plantas total em virtude da irrigação calculada pela porcen tagem da evapotranspiração potencial ETo Fonte Silva et al 2003 447 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão transpirométrica alta temperatura e luminosidade e baixa umidade relativa Em condições de elevada demanda atmosférica com as plantas adultas e em produ ção entre o 9o e o 12o mês podese recomendar a aplicação máxima diária de até 35 litros de água planta1 dia1 Nas condições edafoclimáticas da região norte do Estado do Espírito Santo a cur va da produtividade em razão da lâmina de água aplicada por microaspersão apresentou um comportamento linear com máximo de produtividade para a lâ mina aplicada até 120 vezes a água evaporada do tanque Classe A SILVA 1999 Os coeficientes de cultura aproximados determinados pelo método inverso isto é partindose de produtividades obtidas para coeficientes de cultura preesta belecidos para as condições dos Tabuleiros Costeiros do Recôncavo Baiano que resultaram em maior produtividade física do mamoeiro da cultivar Sunrise Solo foram de 031 042 052 e 084 para 030 dias após o plantio dap 3160 dap 61120 dap e acima de 120 dap respectivamente Esses valores também permi tiram uma maior eficiência no uso da água Para a cultivar Tainung no 1 os coe ficientes de cultura que resultaram em maior produtividade física do mamoeiro associados à maior eficiência de uso da água foram de 038 051 064 e 102 para 030 dap 3160 dap 61120 dap e acima de 120 dap respectivamente para uma precipitação anual variando de 1332 mm a 1423 mm O valor máximo do coeficiente de cultivo a ser usado durante o ciclo do mamo eiro deve permanecer pelo menos até 370 dias após o plantio quando pode ocorrer uma queda da área foliar e da própria produção do mamoeiro de até 50 para a cultivar Sunrise Solo e de até 35 para a cultivar Tainung no 1 COE LHO et al 2003a o que necessitará caso ocorra do ajuste do coeficiente para a nova condição Nas condições climáticas do Semiárido em solo francoarenoso e para o mamo eiro do grupo Formosa houve resposta positiva aos incrementos das lâminas de irrigação até 190 da evapotranspiração potencial resultando em uma produtivi dade de 135 t ha1 embora a reposição de 137 da evapotranspiração potencial tenha resultado em uma produtividade de 117 t ha1 LORDELO et al 2002 Coelho Filho et al 2006 tomou como base áreas foliares de cultivares de ma moeiro Tainung no 1 e Sunrise Solo e obteve as curvas de coeficiente de cultura conforme a Figura 4 O coeficiente de cultivo máximo tomado como 120 ocor reu 225 dias após o plantio para a cultivar Tainung no 1 e 270 dias após o plantio para a cultivar Sunrise Solo quando a área foliar média atinge o valor máximo para as cultivares 448 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças Transpiração de plantas de mamão A maior fonte de perda de água de um pomar adulto é mediante a água transpirada pelas plantas principalmente quando se utilizam sistemas localizados de irrigação microaspersão gotejamentosuperficial gotejamentoenterrado que quando comparados aos sistemas de irrigação por aspersão molham pequenas faixas de solo reduzindo drasticamente a água evaporada Por isso a transpiração é um ele mento que se bem determinada pode ser utilizada como parâmetro para quanti ficação da lâmina de irrigação Quando se minimiza a evaporação da água no solo a transpiração passa a ser a lâmina mínima necessária para manter um pomar com bom estado hídrico ANGELOCCI 1996 COELHO FILHO et al 2006 O mamoeiro é uma planta herbácea que possui elevada condutividade hidráulica o que contribui para elevadas trocas de energia com o ambiente favorecida pela elevada exposição das folhas à radiação solar Essas características fazem que a transpiração por unidade de área foliar seja alta quando comparada a espécies que possuem elevada densidade de folhas quando adultas e reduzida condutividade hidráulica A Tabela 1 contém dados de transpiração máxima por unidade de área foliar de plantas de mamão Tainung no 1 Como se pode observar nas Figuras 5A e 5B é possível separar o efeito do ambiente e da planta que interferem nos valores de fluxo de seiva Primeiro verificase que as Figura 4 Coeficientes de cultura Kc para as cultivares Tainung nº 1 e Sunrise Solo ao longo do tempo obtidos como função da área foliar Fonte Coelho Filho et al 2006 449 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão plantas respondem às condições meteorológicas reinantes acompanhando dinami camente as variações da radiação solar global MJ m2 h1 ao longo de uma sequência de 3 dias seguidos Figura 5a Podese observar que a transpiração cai drasticamente a valores próximos de zero em razão da ocorrência de chuva próxima às 12h do pri meiro dia da sequência No segundo dia da sequência predominantemente nubla do as pequenas taxas de transpiração refletem a baixa disponibilidade energética reinante no dia efeito ambiental Segundo as plantas com maior superfície foliar AF transpiram sempre mais quando comparadas às de menor AF efeito da planta contudo respondendo igualmente às variações de radiação global Figura 5a e 5b É possível comparar os valores de transpiração de plantas com superfícies foliares diferentes e em dias com demandas atmosféricas variáveis ao se realizar a modela gem da transpiração com padronização das plantas utilizandose a área foliar Para plantas de mamão Coelho Filho et al 2003a chegaram à seguinte equação T 056ETo x AF 1 em que T é a transpiração por unidade de área foliar L m2 dia1 ETo a evapo transpiração de referência mm dia1 e AF a área foliar m2 Na Tabela 2 são apresentadas as lâminas de irrigação mínimas sem considerar as perdas de água por evaporação nem os acréscimos correspondentes às per das pela ineficiência do sistema de irrigação calculadas com base na variação da área foliar e na evapotranspiração de referência Esses valores podem servir como referência para pomares irrigados em que se realizam manejos de conservação de água do solo ou mediante a utilização de sistemas de irrigação mais eficientes como a irrigação por gotejamento enterrado que minimiza a evaporação A van tagem de se utilizar essa metodologia de cálculo é que as lâminas serão ajustadas Tabela 1 Transpiração máxima por unidade de área foliar em razão da evapotrans piração de referência ETo de plantas do mamoeiro Tainung no 1 em condições de campo Cruz das Almas BA ETo mm dia 1 Transpiração mm dia 1 2 116 3 159 4 236 5 274 6 325 Fonte Coelho Filho et al 2003b 450 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças às condições de crescimento das plantas e das variações das condições meteoro lógicas sendo portanto menos subjetivo do que o simples estabelecimento de um único coeficiente como o caso Kc Figura 5 Transpiração máxima de plantas de mamão Tainung no 1 em dias chu vosos e com baixa disponibilidade energética A e em dias sem nuvens e com elevada disponibilidade energética B Fonte Coelho Filho et al 2003b A B 451 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão Distribuição do sistema radicular e absorção de água pelas raízes Os limites do sistema radicular podem variar conforme as características genéti cas das plantas as propriedades físicas do solo como a textura e a estrutura e o teor de água do solo que atua na resistência à penetração das raízes GREGORY 1987 KLEPPER 1987 No entanto sabese que o sistema e o manejo da irrigação influenciam sobremaneira a magnitude dessa resistência Os sistemas de irrigação que restringem a área molhada caso da irrigação loca lizada tendem a apresentar menor volume de solo explorado pelas raízes que os sistemas de aspersão Os sistemas de irrigação por microaspersão possuem maior área e volume molhados que os sistemas de gotejamento propiciando maior es paço para o desenvolvimento de raízes Para o gotejamento superficial Silva et al 2001 em Latossolo Amarelo de textura argilosa obtiveram a profundidade efetiva do sistema radicular equivalente a 80 do comprimento total das raízes critério estabelecido por Vieira et al 1996 a 045 m e pelo menos 60 das raízes concentraramse à profundidade de 025 m Figura 6a No caso do gotejamento enterrado com a linha lateral junto à fileira de plantas houve um deslocamento vertical da região de maior concentração de raízes isto é entre Tabela 2 Valores estimados da transpiração de plantas de mamão L dia1 com base na área foliar AF e na evapotranspiração de referência ETo AF ETo mm dia1 m² 2 3 4 5 6 1 112 168 224 280 336 2 224 336 448 560 672 3 336 504 672 840 1008 4 448 672 896 1120 1344 5 560 840 1120 1400 1680 6 672 1008 1344 1680 2016 7 784 1176 1568 1960 2352 8 448 896 1344 1792 2680 9 504 1008 1512 2016 3024 10 560 1120 1680 2240 3360 Fonte Coelho Filho et al 2003b 452 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças 010 m e 045 m e distâncias da planta entre 010 m e 065 m Comparada ao gote jamento a distribuição das raízes no solo irrigado por microaspersão ocupou maior volume principalmente na região entre a planta e o microaspersor atingindo pro fundidades superiores a 060 m e distância da planta de 080 m Figura 6b A máxima concentração de raízes ocorreu nas profundidades entre 025 m e 045 m Os limites do volume molhado de solo dependem do total de água aplicado na irrigação que depende da demanda evapotranspirométrica da eficiência do sis tema de irrigação e do intervalo entre irrigações Altas frequências de irrigação condicionam menores volumes molhados que baixas frequências o que pode influenciar os padrões de distribuição das raízes Coelho et al 2003b verificaram que para o intervalo de irrigação de 2 e 3 dias as raízes concentraramse na pro fundidade até 050 m atingindo a distância de 075 m da planta Para o intervalo de 4 dias a profundidade das raízes atingiu valores superiores a 075 m A absorção de água pelo sistema radicular depende da densidade e da distribui ção de raízes no volume molhado do solo CHANDRA RAI 1996 HAYHOE 1981 Assim esperase que nas regiões de maior densidade de comprimento de raízes ocorra maior absorção de água O diâmetro das raízes também deve ser levado em conta uma vez que as raízes muito finas e finas são consideradas as maiores responsáveis pela absorção de água e nutrientes Portanto as mesmas variáveis que influem na distribuição das raízes também influenciam a distribuição das zo nas de extração de água no sistema radicular Figura 6 Distribuição do sistema radicular do mamoeiro densidade de comprimen to de raízes g m3 irrigado por gotejamento A e por microaspersão B Fonte Coelho et al 2003c 453 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão As regiões de absorção de água do sistema radicular do mamoeiro variam con forme o sistema de irrigação que condiciona a distribuição de água dos emis sores em relação à posição da planta A extração de água na zona radicular en tre duas irrigações para o sistema de gotejamento na fileira de plantas Figura 7a ocorre na região entre a planta até 050 m desta à profundidade máxima de 040 m A maior atividade das raízes é detectada à distância horizontal da planta de 020 m e à profundidade de 022 m No caso da microaspersão Figura 7b a distribuição da extração de água na zona radicular do mamoeiro foi abran gente tanto no lado do emissor quanto no lado oposto a este atingindo 050 m de distância da planta em ambos os lados e profundidades superiores a 050 m A região de máxima absorção ficou situada à profundidade de 038 m e apresentouse mais profunda que no caso do gotejamento Tal abrangência é Figura 7 Distribuição da extração de água cm3 cm3 na zona radicular do mamoei ro irrigado por gotejamento na fileira de plantas A e por microaspersão B Fonte Silva et al 2001 454 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças justificada pela distribuição de água da irrigação numa condição de área molha da superior à obtida no caso do gotejamento As frequências de irrigação também influem na absorção de água pelo sistema radicular do mamoeiro Coelho et al 2003b avaliaram a extração de água na zona radicular do mamoeiro sob gotejamento para três frequências de irrigação 2 3 e 4 dias A região de predominância da extração de água aumentou com a diminuição da frequência de irrigação Figura 8 Na frequência de 2 dias houve predominância na extração de água até a distância horizontal de 040 m e profun didade de 030 m Na frequência de 3 dias a distância horizontal aumentou para 055 m mantendose a mesma profundidade em relação à frequência de 2 dias Na frequência de 4 dias houve um aumento considerável na região de predomi nância da extração de água cuja profundidade de predominância de extração aumentou para 080 m e houve extração em todas as posições ao longo da fileira de plantas distanciadas entre si de 150 m Figura 8 Distribuição da extração de água na zona radicular do mamoeiro irrigado por gotejamento na fileira de plantas para intervalo de irrigação de 3 dias A e 4 dias B Fonte Coelho et al 2003c Diagramador indicar na figura a correspondente a A e B Métodos de irrigação Os métodos de irrigação mais recomendados para a cultura do mamoeiro são os métodos pressurizados isto é a irrigação por aspersão e localizada Entre os sistemas de irrigação por aspersão os autopropelidos e os pivôs cen trais são os mais utilizados Os sistemas autopropelidos têm a desvantagem da baixa eficiência energética necessidade de mão de obra para a troca de posição A B 455 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão requerendo inclusive o uso de tratores para seu transporte de um local para outro além de severa influência dos ventos No caso dos sistemas de pivôs centrais o requerimento de mão de obra é baixo e o consumo de energia é médio e apresenta uma razoável influência dos ventos O método de aspersão principalmente considerandose sistemas de alta pressão contribui para o aumento da queda de flores causada pelo impacto das gotas de água nas plantas e propicia condições microclimáticas favoráveis ao aparecimen to de doenças A uniformidade de distribuição de água também deve ser levada em consideração pois quando baixa implica elevados ou baixos conteúdos de umidade do solo em alguns setores da área irrigada comprometendo o balanço de arágua do solo e causando efeito negativo ao desenvolvimento e produtivi dade da cultura Nos sistemas de irrigação localizada Figura 9 tanto o gotejamento como a mi croaspersão vêm sendo muito utilizados A microaspersão funciona com baixa pressão 100 kPa a 300 kPa e vazão por microaspersor entre 20 L h1 e 175 L h1 A disposição dos emissores é normalmente de um emissor para duas ou quatro plantas sendo esperada uma uniformidade de distribuição de água nesses emis sores acima de 85 O gotejamento que funciona na faixa de pressão de 50 kPa a 250 kPa apresenta vazões mais comuns entre 2 L h1 e 4 L h1 Para a cultura do mamão recomendam se dois gotejadores por planta com vazão próxima ou igual a 4 L h1 instalados Figura 9 Sistema de irrigação por microaspersão em mamoeiro Foto Eugênio Ferreira Coelho 456 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças a 025 m do caule para solos arenosos e a 050 m para solos argilosos O sistema de gotejamento pode ser superficial ou enterrado ou seja com as linhas laterais à superfície do solo ou enterradas Quando enterradas recomendase o uso de gotejadores de fluxo turbulento de vazão igual ou próxima de 2 L h1 enterrados de 020 m a 030 m de profundidade de forma a prover uma distribuição de água que possa facilitar o desenvolvimento das raízes mantendo uma adequada rela ção arágua ao sistema radicular Para o gotejamento enterrado recomendase o plantio no período chuvoso visando estabelecer para o período de deficit hídrico um sistema radicular suficiente para usar a água disponível no volume molhado criado pelo gotejador O sistema de microaspersão proporciona maior área molhada ao solo dando me lhores condições às raízes de se desenvolverem Entretanto as diferenças em pro dutividade comparadas ao gotejamento superficial ao longo da fileira de plan tas são pequenas inferiores a 10 A utilização do gotejamento enterrado em solos de Tabuleiros Costeiros plantados com mamoeiro do grupo Solo resultou em produtividade média 15 menor que a obtida com o uso do sistema superfi cial O uso da microaspersão deve levar em consideração a fase inicial da cultura quando as raízes podem receber lâminas inferiores às necessárias em razão da distribuição de água no microaspersor Essa distribuição apresenta lâminas maio res próximas do emissor e decrescem à medida que se afastam dele O uso de fileiras duplas e de microaspersores de maior raio de ação acima de 30 m reduz esse problema Manejo da irrigação O manejo da irrigação envolve a tomada de decisão sobre quando irrigar e quan to de água aplicar Para auxiliar o produtor a tomar a decisão mais apropriada diferentes métodos foram desenvolvidos Podese programar a irrigação de uma área cultivada usandose um método ou uma combinação de dois ou mais mé todos O produtor deve usar os métodos existentes de manejo da irrigação mas ciente de que um ajuste local muitas vezes poderá ser necessário dadas as muitas variáveis envolvidas nos processos do sistema soloáguaplantaatmosfera A definição de quando irrigar no caso da irrigação localizada pode ser preesta belecida Nas condições dos Tabuleiros Costeiros da Bahia e do norte do Espírito Santo as maiores produtividades foram conseguidas para o intervalo de 3 dias entre irrigações No caso de regiões semiáridas devese estabelecer o intervalo 457 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão de irrigação de 1 dia Tratandose da aspersão considerar o turno de rega em razão da lâmina de irrigação real necessária ou lâmina líquida mm LRN a ser reposta e a evapotranspiração da cultura ETc 2 O valor da LRN é dado por LRN qCC qPM x Z x f 3 em que qCC e qPM correspondem ao teor de umidade do solo cm3 cm3 na capa cidade de campo e no ponto de murcha permanente respectivamente Z repre senta a profundidade efetiva do sistema radicular mm e f representa a variação máxima permissível da disponibilidade de água no solo decimal sem causar re dução da produtividade da cultura Os valores de f recomendáveis para o mamoeiro são de no máximo 025 O valor de Z deve levar em conta que o sistema radicular das plantas de mamão em regiões produtoras de Tabuleiros Costeiros envolve um volume de solo limitado por um raio próximo de 070 m em relação ao tronco e a profundidade Z de 050 m cuja maioria das raízes se encontra num raio de 035 m a partir do tronco Entretanto tais valores podem variar conforme a textura e estrutura no perfil do solo O cálculo da quantidade de água a ser aplicada pode ser feito determinandose a umidade do solo ou indiretamente pela determinação do potencial matricial do solo O momento da irrigação também pode ser determinado por meio do estado atual da água do solo como índice de estresse hídrico da cultura potencial matri cial utilizandose sensores apropriados como o tensiômetro Monitoramento do estado da água do solo A umidade do solo pode ser obtida pelo método gravimétrico pelo uso da reflec tometria no domínio do tempo TDR além de outros Os blocos de resistência elétrica e o tensiômetro permitem a obtenção do potencial matricial que pode ser convertido na umidade do solo pela curva de retenção da água do solo O tensiômetro indica o potencial matricial da água no solo ym em razão do seu conteúdo de umidade a uma dada profundidade Alguns trabalhos de pesquisa 458 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças em solos de textura média têm mostrado que para o desenvolvimento e pro dução adequada do mamoeiro os teores de água do solo devem corresponder a valores de potencial matricial próximos de 20 kPa Para solos arenosos deve ser acima de 15 kPa Esses valores devem ser tomados como referências iniciais devendo ser ajustados conforme as condições locais de solo Uma vez conhecido um potencial matricial crítico ymc isto é aquele abaixo do qual haverá comprometimento da produtividade a irrigação será feita quando a umidade do solo cair a esses níveis de potencial A quantidade de água a ser apli cada ou a lâmina líquida será calculada pela equação LRN qcc qc 4 em que qcc é o conteúdo de umidade do solo equivalente ao potencial matricial à capacidade de campo m3 m3 e qc o conteúdo de umidade do solo equivalente ao potencial crítico Um ponto importante a ser observado é quanto à localização dos sensores no perfil do solo Figura 10 Como regra devemse instalar os sensores no centro de atividade do sistema radicular ou numa região do sistema radicular representati va do cenário geral de extração de água a distâncias inferiores a 030 m da planta e a profundidades entre 020 m e 040 m devendose também padronizar as po sições dos sensores em relação ao emissor Figura 10 Tensiômetros de mercúrio A e do tipo vacuômetro B Fotos Eugênio Ferreira Coelho A B 459 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão Uso do balanço de água no solo O uso do método do balanço de água no solo requer conhecimento de um signi ficativo número de variáveis tanto meteorológicas como físicohídricas do solo o que pode limitar mais o seu uso No entanto é o método que melhor permite avaliar e tomar decisões sobre o manejo da irrigação É um método disponível em aplicativos computacionais Sisda Irriga Irriger IrriPlus IrriSimples MDIC e Irrigafácil O seu uso requer o estado inicial do solo com umidade à capacidade de campo uma vez que são feitas reposições da evapotranspiração O acompa nhamento com sensores de água no solo é fundamental principalmente ime diatamente após os períodos chuvosos para se determinar o momento certo do retorno da irrigação Fertirrigação do mamoeiro Calagem e adubação O mamoeiro apresenta bom desenvolvimento em solos com pH variando de 55 a 67 Em solos ácidos pH 4550 ou de acidez média pH 5155 com teores de Al3 maiores que 04 cmolcdm3 ou de Ca2 Mg2 menores que 2 cmolcdm3 a correção da acidez é obrigatória A quantidade necessária de calcário NC com base nos teores de cálcio Ca magnésio Mg e alumínio Al é determinada por uma das seguintes fórmulas utilizandose a maior quantidade obtida a NC t ha1 22 cmolc Ca2 Mg2dm3 x fi ou b NC t ha1 2cmolc Al3dm3 x fi em que fi 100PRNT do calcário A recomendação de calagem com base na saturação de bases visa elevar a satura ção do solo a 80 sendo a NC calculada pela seguinte fórmula NC t ha1 CTCV2 V1100fi 460 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças em que CTC é a capacidade de troca de cátions V2 é a porcentagem da saturação por bases que se pretende atingir sendo 80 para o mamoeiro V1 é a porcenta gem inicial de saturação por bases V A aplicação de calcário quando recomendada deve ser realizada com antece dência de 2 a 3 meses antes do plantio Orientase para áreas novas a substituição de 30 do calcário pelo sulfato de cálcio como forma de reduzir o efeito tóxico do Al3 do subsolo e permitir o crescimento das raízes do mamoeiro nas camadas subsuperficiais Quando o teor de Mg2 for inferior a 9 mmolcdm3 devese dar preferência ao calcário dolomítico 2535 de CaO e MgO 12 O teor míni mo de Ca2 no solo deve ser de 20 mmolcdm3 Nas Tabelas 3 4 e 5 são apresentadas as recomendações de adubação com ma cronutrientes e boro com base na análise de solo A cada 6 meses após o plantio devese fazer nova análise de solo visando ajustar a adubação seguindose as recomendações descritas Na implantação da cultura devemse aplicar do total de nutrientes recomenda dos para o primeiro ano 15 do N na cova de plantio na forma orgânica torta de mamona e estercos de gado de aves ou de cabra juntamente com 33 do P su perfosfato simples para suprir a planta com enxofre S na forma líquida como fosfato mono ou diamônico ou outra fonte de fósforo de solubilidade aceitável Tabela 3 Recomendação de adubação com base na análise química de solo do plantio aos 120 dias pósplantio Plantio e pósplantio Fase N orgânico P resina mg dm3 K trocável mmolc dm3 B água quente mg dm3 012 1330 30 015 1630 3 002 0206 06 Plantio kg ha1 P2O5 kg ha1 K2O kg ha1 B kg ha1 60 60 40 20 Pósplantio N mineral P resina mg dm3 K trocável mmolc dm3 B água quente mg dm3 012 1330 30 015 1630 3 002 0206 06 Dias kg ha1 P2O5 kg ha1 K2O kg ha1 B kg ha1 30120 60 40 30 20 80 60 40 1 05 0 Fonte Oliveira 2002 461 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão O mamoeiro é uma cultura de demanda nutricional relativamente alta o que é justificado pelas elevadas produtividades que pode apresentar É uma cultura que começa a fase de floração a partir do terceiro mês após o transplantio e em pro dução continua a partir do sétimooitavo mês Essa característica indica que as plantas para manterem seu regime produtivo contínuo absorvem nutrientes ao longo de todo o ciclo Marcha de absorção O mamoeiro é uma planta que extrai quantidades relativamente altas de nutrien tes e apresenta extrações contínuas durante o primeiro ano conforme pode ser Tabela 4 Recomendação de adubação com base na análise química de solo da floração aos 360 dias pósplantio Floração e frutificação 5º mês em diante Produtividade esperada t ha1 N mineral P resina mg dm3 K trocável mmolc dm3 B água quente mg dm3 012 1330 30 015 1630 3 002 0206 06 kg ha1 P2O5 kg ha1 K2O kg ha1 B kg ha1 3050 180 60 40 20 220 140 60 1 05 0 5070 230 70 50 30 270 180 80 1 05 0 70 280 80 60 40 320 210 100 1 05 0 Fonte Oliveira 2002 Tabela 5 Recomendação de adubação com base na análise química de solo no segundo ano pósplantio Segundo ano produção Produtividade esperada t ha1 N Mineral P resina mg dm3 K trocável mmolc dm3 B água quente mg dm3 012 1330 30 015 1630 3 002 0206 06 Kg ha1 P2O5 kg ha1 K2O kg ha1 B kg ha1 3050 200 130 80 40 240 160 80 2 1 0 5070 240 150 100 50 280 190 95 2 1 0 70 280 170 120 60 320 220 110 2 1 0 Fonte Oliveira 2002 462 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças Figura 11 Extração de macronutrientes A g planta1 dia1 e micronutrientes B mg planta1 dia1 pelo mamoeiro Sunrise solo fertirrigado com ureia e densidade de 1543 plantas ha1 Fonte Coelho Filho et al 2007 observado na Figura 11 que ilustra as marchas de absorção de macronutrientes e micronutrientes estabelecidas por Coelho Filho et al 2007 Analisando a Figura 11 verificase no caso dos macronutrientes que aos 60 dias após o plantio as taxas de extração foram de 009 g dia1 para nitrogênio N e potássio K A B 463 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão e de 001 g dia1 para cálcio Ca magnésio Mg enxofre S e fósforo P Há significa tivo acréscimo das taxas a partir de 120 dias até 240 dias após o plantio quando se atingem níveis máximos 114 g dia1 para K 115 g dia1 para N 038 g dia1 para Ca 03 g dia1 para Mg 023 g dia1 para S 013 g dia1 para P Esse período conforme os resultados configurase como o mais exigente em termo de nutrição pela cultura Após 240 dias há decréscimo das taxas de extração de todos os macronutrientes talvez por coincidir com o período final de colheita desse primeiro ciclo Nessa fase ocorre um decréscimo abrupto das taxas de extração ficando em média 038 g dia1 para K 032 g dia1 para N 005 g dia1 para P 011 g dia1 para Mg e 008 g dia1 para S Com relação aos micronutrientes a extração também se eleva decorridos 120 dias após o plantio crescendo lentamente até o final da análise sendo verificados picos para Zn 64 mg dia1 Fe 32 mg dia1 B 61 mg dia1 e Mn 322 mg dia1 respecti vamente aos 300 330 e 270 dias após o plantio Cunha 1979 também determinou a extração de nutrientes e exportação pela co lheita da espécie Carica papaya cultivada em uma densidade de 1650 plantas ha1 Os resultados estão na Tabela 6 e mostram as quantidades totais absorvidas pela parte aérea da planta e o percentual exportado pelas flores e frutos durante um período de 360 dias de cultivo Ressaltase que no primeiro ano a planta apresen ta exportação de nutrientes pelos frutos em apenas 3 a 5 meses de colheita Dos macronutrientes o N o K e o Ca foram os nutrientes mais absorvidos enquanto o P foi o que apresentou a menor absorção Dos micronutrientes o Fe o Mn o Zn e o B foram os elementos mais absorvidos enquanto o Cu e o Mo foram extraídos em menores quantidades Tabela 6 Quantidades totais de macronutrientes e micronutrientes absorvidas AB pelo mamoeiro e acumuladas nas flores e frutos AC no primeiro ano de cultivo Macronutriente kg ha1 N P K Ca Mg S AB AC AB AC AB AC AB AC AB AC AB AC 104 25 10 3 108 27 37 5 16 2 12 3 Micronutriente g ha1 B Cu Fe Mn Mo Zn AB AC AB AC AB AC AB AC AB AC AB AC 102 20 30 6 338 54 211 29 025 009 106 22 Fonte Cunha 1979 464 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças As menores quantidades acumuladas de macronutrientes nos órgãos reprodutivos do mamoeiro são de Ca e Mg na ordem de 13 e 14 respectivamente Em relação ao P 30 do total absorvido no primeiro ano de cultivo é acumulado nas flores e frutos enquanto o N o K e o S apresentam acumulações na faixa de 24 a 25 O Mo é proporcionalmente o micronutriente mais acumulado nas flores e frutos apresentando taxas de 36 do total absorvido Para o B o Cu e o Zn as taxas de acumulação nos órgãos reprodutivos situamse em torno de 20 O Mn e o Fe apesar das altas taxas de absorção apresentam valores próximos a 15 de acu mulação nas flores e frutos Coelho Filho et al 2007 em estudo de absorção de nutrientes pelo mamoeiro também verificaram para o primeiro ano de cultivo que a absorção de macronu trientes seguiu a mesma tendência do acúmulo de matéria seca apresentando a seguinte ordem de extração KNCaMgSP A quantidade do K absorvida ficou ligeiramente superior à do N obtendose uma relação de 1151 O P apesar de ser absorvido em menor quantidade foi proporcionalmente o macroelemento mais acumulado nas flores e frutos aproximadamente 32 enquanto os valores das exportações dos demais ficaram entre 28 e 31 Tabela 7 Considerando se os micronutrientes absorvidos foi observada a seguinte ordem de extração Fe Zn Mn B Cu Tabela 7 Os micronutrientes mais acumulados nas flores e frutos foram o Cu e o Zn com 49 do total extraído pela planta seguidos do Fe Mn e B com acumulações respectivas de 38 42 e 37 A exportação de macronutrientes em kg ha1 durante 12 meses de colheita em uma produtividade média de 49 t ha1 ano1 é da ordem de 87 de N 10 de P 103 Tabela 7 Totais de macronutrientes g planta1 e micronutrientes mg planta1 acumu lados nos tecidos das plantas fertirrigadas com fonte amídica acúmulo de 12 meses N P K Ca Mg S Cu Fe Zn Mn B g planta1 mg planta1 Caule 480 92 762 207 140 155 511 5541 2333 1027 765 Folha 291 35 145 127 86 45 319 11590 1400 1573 2058 Flores Fruto 335 47 337 139 101 88 821 11620 3612 2001 1767 Pecíolo 45 07 136 68 40 14 41 1473 98 181 198 Total 1150 147 1335 500 329 285 1691 30224 7443 4781 4787 Flores Frutos 1 291 323 253 278 306 309 485 384 485 418 369 1 Percentual de nutrientes acumulados pelas flores e frutos em relação ao total extraído Fonte Oliveira 2002 465 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão de K 17 de Ca 10 de Mg e 10 de S CUNHA 1979 O K ocupa o primeiro lugar na exportação pela colheita seguido pelo N O Ca aparece em terceiro lugar na ex portação enquanto quantidades similares de P Mg e S são exportadas Em relação aos micronutrientes a exportação em g ha1 ano1 durante 12 meses de colheita situase em 48 de B 16 de Cu 164 de Fe 90 de Mn 038 de Mo e 68 de Zn Embora o B ocupe apenas o quarto lugar na exportação pela colheita sua deficiência é comum em plantios onde não são efetuadas adubações orgânicas ou químicas com esse micronutriente Parcelamento dos fertilizantes para fertirrigação Pela marcha de absorção de nutrientes Figura 11 podemse obter taxas de ab sorção diárias mensais bimensais ou na escala de tempo que se preferir e dessa forma estabelecer um parcelamento na aplicação de macro e micronutrientes Foram estabelecidos intervalos de tempo em que a taxa de absorção se manteve constante isto é a declividade da curva de absorção mantevese sem variação significativa Dessa forma obtiveramse os valores da Figura 12 para os principais Figura 12 Porcentagem de nutrientes absorvidos ao longo do primeiro ano de cul tivo do mamoeiro Fonte adaptada de Coelho Filho et al 2007 466 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças macronutrientes utilizados em fertirrigação Podemse verificar para cada nu triente as porcentagens que deverão ser aplicadas no período de tempo corres pondente Como exemplo se for necessária uma aplicação de 350 kg de K2O no primeiro ano deverão ser aplicados 86 ou 301 kg nos primeiros 120 dias 142 ou 497 kg no período de 121180 dias 517 ou 1809 kg no período de 181270 dias e 255 ou 892 kg no período de 271360 dias Manejo da fertirrigação O uso da fertirrigação visa atender à demanda por nutrientes das culturas nos perí odos corretos de exigência minimizar as perdas por processos de lixiviação fixação e volatização e por conseguinte aumentar a eficiência do processo de adubação Porém assim como os fatores que influenciam os parâmetros de irrigação devem ser acompanhados também é importante acompanhar os parâmetros nutricionais das plantas para adequação do esquema de fertirrigação Esse aspecto é relevante já que as condições edafoclimáticas são variáveis para cada local e a planta é uma expressão viva de todas as interações que ocorrem no ambiente em que é cultivada As adubações com nitrogênio e potássio via água de irrigação devem ser aplicadas em frequências de 3 ou 7 dias devendose ajustar os intervalos de aplicação de acordo com a resposta da cultura e a economicidade do processo O fósforo pela sua menor exigência e menor mobilidade no solo deve ser parcelado em intervalos de 30 dias Com base nas Tabelas 3 e 4 e considerandose uma produtividade espe rada de 50 t ha1 a 70 t ha1 obtêmse as doses totais de adubo mineral a serem apli cadas em cobertura 290 kg ha1 de N 50 kg ha1 a 110 kg ha1 de P2O5 e 120 kg ha1 a 350 kg ha1 de K2O A partir desses dados foram simuladas nas Tabelas 8 9 e 10 as quantidades necessárias de adubos minerais para serem aplicadas via fertirrigação Tabela 8 Quantidades de nitrogênio na forma mineral a serem aplicadas em cada fertirrigação Período após o plantio dias Quantidade de N kg ha1 Total 28990 Frequência de aplicação 3 dias Frequência de aplicação 7 dias 090 1220 051 102 91150 2360 148 296 151240 16330 681 1361 241360 9080 284 567 Fonte Coelho Filho et al 2007 467 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão Diagnose foliar A diagnose foliar consiste em método de avaliação por meio de análise quími ca das folhas e de aspectos visuais que indiquem anomalia das plantas sendo uma importante ferramenta para o acompanhamento do estado nutricional da plantação Para que seja utilizada adequadamente é necessário que se observem principalmente a época de amostragem e a posição das folhas coletadas Para o mamoeiro existem controvérsias quanto ao tecido que melhor represente o seu estado nutricional Diversos autores estabeleceram os índices nutricionais toman do como base o limbo foliar Tabela 11 Para o pecíolo Awada 1969 1976 1977 Awada e Long 1969 1971a 1971b 1978 Awada e Suehisa 1984 e Awada et al 1975 indicam os seguintes níveis padrões em dag kg1 125 a 145 para N 016 a 025 para P 361 para K e 073 a 093 para Ca Em estudos desenvolvidos na região produtora de mamão do norte do Espírito Santo foram estabelecidos padrões de referências para o desenvolvimento do Tabela 9 Quantidades de potássio K2O na forma mineral a serem aplicadas em cada fertirrigação Período após o plantio dias Quantidade de K2O kg ha1 Total 120350 Frequência de aplicação 3 dias Frequência de aplicação 7 dias 0120 10313009 032094 064188 121180 17024966 106310 213621 181270 620018084 258753 5171507 271360 30658939 127372 255745 Fonte Coelho Filho et al 2007 Tabela 10 Quantidades de fósforo P2O5 na forma mineral a serem aplicadas em cada fertirrigação Período após o plantio dias Total 50110 Quantidade de P2O5 kg ha1 Total 50110 Frequência de aplicação 30 dias 0180 7631680 127280 181300 35587827 8891957 301360 6781492 339746 Fonte Coelho Filho et al 2007 468 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação para o Mamoeiro Dris Tabe la 12 Nesses estudos Costa 1995 determinou para o pecíolo as melhores cor relações com vista à determinação do estado nutricional da planta Verificou que a quantidade de água disponível para as plantas também influenciou os teores de nutrientes nas folhas do mamoeiro de maneira que a época seca apresentou índices nutricionais mais bem ajustados Esses índices podem ser utilizados para acompanhar a absorção dos nutrientes pelas plantas e adequar o modelo de adu bação adotado As folhas para análise química devem ser amostras de uma mesma cultivar de plantas com a mesma idade e que representem a média da plantação em termos de crescimento e produtividade Devemse retirar apenas as folhas que apresen tarem em sua axila uma flor prestes a abrir ou recentemente aberta com um mí nimo de 12 folhas por amostra Separar o limbo do pecíolo e analisar um deles Posteriormente comparar com os teores padrões aqui apresentados Tabela 11 Teores padrões de macronutrientes e micronutrientes no limbo foliar do mamoeiro indicados por alguns autores Nutriente Cunha 1979 Agarwala et al 1986 e Nautiyal et al 1986 Cibes e Gaztambide 1978 Prezotti 1992 Macronutriente C1 D1 C D C D Adequado g kg1 N 424 361 225 196 4550 P 52 14 82 14 57 K 381 136 158 40 2530 Ca 129 28 361 148 2022 Mg 65 17 121 30 10 S 31 34 121 54 46 Micronutriente C1 D1 C D C D Adequado mg kg1 B 136 20 173 67 109 26 15 Fe 1400 850 252 140 291 Mn 627 45 88 16 Zn 224 130 43 Cu 118 64 11 Mo 185 014 1 C solução nutritiva completa com todos os nutrientes D solução nutritiva deficiente com omissão do nutriente em estudo 469 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão Referências AGARWALA S C NAUTIYAL B D CHATTERJEE C Manganese copper and molybdenum nutrition of papaya Journal of Horticultural Science Ashford v 61 n 3 p 397405 1986 AIYELAAGBE I O O FAWSI M O A BABALOLA O Growth development and yield of pawpaw Carica papaya L Homestead selection in response to soil moisture stress Plant and Soil The Hague v 93 p 427435 1986 ANGELOCCI L R Estimativa da transpiração máxima de macieiras Malus spp em pomares pelo método de PenmanMonteith 1996 75 p Tese Livre Docência Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz Universidade de São Paulo Piracicaba AWADA M Relation of nitrogen phosphorus and potassium fertilization to nutrient composition of the petiole and growth of papaya Journal of the American Society for Horticultural Science Mount Vernon v 102 n 4 p 413418 1977 AWADA M Relation of phosphorus fertilization to petiole phosphorus concentrations and vegetative growth of young papaya plants Tropical Agriculture Saint Augustine v 53 p 173 181 1976 AWADA M The selection of the nitrogen index in papaya tissue analysis Journal of the American Society for Horticultural Science Mount Vernon v 94 n 6 p 687690 1969 AWADA M LONG C Relation of nitrogen and phosphorus fertilization to fruiting and petiole of Solo papaya Journal of the American Society for Horticultural Science Mount Vernon v 103 p 217219 1978 AWADA M LONG C Relation of petiole levels to nitrogen fertilization and yield of papaya Journal of the American Society for Horticultural Science Mount Vernon v 96 n 6 p 745749 1971a AWADA M LONG C The selection of the phosphorus index in papaya tissue analysis Journal of the American Society for Horticultural Science Mount Vernon v 94 n 5 p 501504 1969 Tabela 12 Teores padrões de macronutrientes e micronutrientes no pecíolo do ma moeiro nas épocas seca e chuvosa Época Macronutriente N P K Ca Mg S g kg1 Seca 110 17 281 184 53 26 Chuvosa 264 16 249 165 57 32 Época Micronutriente B Cu Fe Mn Zn mg kg1 Seca 2520 240 5100 4170 1530 Chuvosa 2310 290 4330 4290 1050 Fonte Costa 1995 470 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças AWADA M LONG C The selection of the potassium index in papaya tissue analysis Journal of the American Society for Horticultural Science Mount Vernon v 96 n 1 p 7477 1971b AWADA M SUEHISA R Effects of calcium and sodium on growth of papaya plants Tropical Agriculture Saint Augustine v 61 n 2 p 102105 1984 AWADA M SUEHISA R KANEHIRO Y Effects of lime and petiole composition of papaya Journal of the American Society for Horticultural Science Mount Vernon v 100 n 3 p 294298 1975 AWADA M WU I P SUEHISA R H PADGETT M M Effects of drip irrigation and fertilization on vegetative growth fruit yield and mineral composition of the petioles and fruits of papaya Honolulu Hawaii Agricultural Experiment StationUniversity of Hawaii 1979 20 p Boletim Técnico 103 CHANDRA S P RAI A K Nonlinear root water uptake model Journal Irrigation and Drainage Engineering New York v 122 n 4 p 198202 1996 CIBES H R GAZTAMBIDE S Mineraldeficiency symptoms displayed by papaya grown under controlled conditions Journal Agriculture University of Puerto Rico Río Piedras v 62 p 413 423 1978 COELHO FILHO M A CASTRO NETO M T COELHO E F Transpiração máxima de plantas de mamão Carica Papaya L em pomar fertirrigado nas condições de Cruz das Almas BA In CONGRESSO NACIONAL DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM 13 2003 Juazeiro Anais Viçosa ABID 2003a 1 CDROM COELHO FILHO M A CASTRO NETO M T COELHO E F CRUZ J L Uso mínimo de água de um pomar irrigado de mamão Tainung No 1 nas condições dos tabuleiros costeiros In MARTINS D dos S Ed Papaya Brasil qualidade do mamão para o mercado internoVitória Incaper 2003b p 511514 COELHO FILHO M A COELHO E F CRUZ J L Uso da transpiração máxima de mamoeiro para o manejo irrigação por gotejamento em regiões úmidas e subúmidas Cruz das Almas Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical 2006 29 p Documentos 106 COELHO FILHO M A COELHO E F CRUZ J L SOUZA L F da S OLIVEIRA A M de SILVA T S M da Marcha de absorção de macro e micronutrientes do mamoeiro sunrise solo In MARTINS D dos S COSTA A N COSTA A F S Ed Papaya Brasil manejo qualidade e mercado do mamão Vitória Incaper 2007 p 2940 COELHO E F ALVES A A CRUZ J L Irrigação do mamoeiro Cruz das Almas Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical 2003a 8 p Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical Circular Técnica 54 COELHO E F LIMA D M FARIAS M A A CALDAS R C Crescimento do mamoeiro cultivar Tainung No1 sob diferentes regimes de irrigação In CONGRESSO NACIONAL DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM 12 2002 Uberlândia Anais Uberlândia ABID 2002a 1 CDROM COELHO E F LIMA D M QUEIRÓZ J S CALDAS R C FARIAS M A A Crescimento do mamoeiro Sunrise Solo sob irrigação em Tabuleiros In CONGRESSO NACIONAL DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM 12 2002 Uberlândia Anais Uberlândia ABID 2002b 1 CDROM COELHO E F SANTOS M R COELHO FILHO M A Distribuição de raízes do mamoeiro sob três freqüências de irrigação por gotejamento In CONGRESSO NACIONAL DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM 13 2003 Juazeiro Anais Viçosa ABID 2003b 1 CDROM COELHO E F SANTOS M R COELHO FILHO M A Distribuição de raízes de mamoeiro sob diferentes sistemas de microirrigação em solos de tabuleiros costeiros In CONGRESSO NACIONAL DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM 13 2003 Juazeiro Anais Viçosa ABID 2003c 1 CDROM 471 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão COSTA A N da Uso do sistema integrado de diagnose e recomendação DRIS na avaliação do estado nutricional do mamoeiro Carica papapya L no Estado do Espírito Santo 1995 95 p Tese Doutorado em Fitotecnia Universidade Federal de Viçosa Viçosa CUNHA R J P Marcha de absorção de nutrientes em condições de campo e sintomatologia de deficiências de macronutrientes e do boro em mamoeiro 1979 131 p Tese Doutorado Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz Universidade de São Paulo Piracicaba GREGORY P J Development and growth of root systems in plant communities In GREGORY P J LAKE J V ROSE D A Ed Root development and function New York Cambridge University 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Horticulturae Amsterdam NL v 29 n 12 p 115123 1986 OLIVEIRA A M G Mamão In BORGES A L COELHO E F TRINDADE A V Org Fertirrigação em fruteiras tropicais Cruz das Almas Embrapa Mandioca e Fruticultura 2002 p 114121 PREZOTTI L C Recomendação de calagem e adubação para o Estado do Espírito Santo 3 aproximação Vitória Emcapa 1992 73 p Emcapa Circular Técnica 12 SANTOS D B COELHO E F CALDAS R C SILVA T S M LIMA D M Pegamento e crescimento de frutos de mamoeiro cv Tainung No1 sob diferentes níveis de irrigação In CONGRESSO NACIONAL DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM 11 2001 Fortaleza Uso competitivo da água e a preservação dos recursos naturais para o desenvolvimento sustentável da agricultura irrigada Fortaleza ABID 2001 v 1 p 241245 SILVA J G F Efeitos de diferentes lâminas e freqüências de irrigação sobre o desenvolvimento e a produtividade do mamoeiro Carica papaya L 1999 90 p Tese Doutorado em Recursos Hídricos Universidade Federal de Viçosa Viçosa SILVA T S M COELHO E F LIMA D M SANTOS D B Absorção de água pelo sistema radicular do mamoeiro irrigado por diferentes sistemas de microirrigação In CONGRESSO NACIONAL DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM 11 2001 Fortaleza Uso competitivo da água e a preservação dos recursos naturais para o desenvolvimento sustentável da agricultura irrigada Fortaleza ABID 2001 v 1 p 611 SILVA T S M COELHO E F PAZ V P S CRUZ J L COELHO FILHO M A Efeito da temperatura do ar e de diferentes lâminas de irrigação sob o índice de floração e pegamento de frutos do mamoeiro In CONGRESSO NACIONAL DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM 13 2003 Juazeiro Anais Juazeiro ABID 2003 1 CDROM 472 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças SRINIVAS K Plant water relations yield and water use of papaya Carica papaya L at different evaporationreplenishment rates under drip irrigation Trinidad Tropical Agriculture Saint Augustine v 73 n 4 p 264269 1996 VIEIRA D B GENOVEZ A M GOMES E M Determinação da profundidade efetiva do sistema radicular do milho Zea mays L irrigado In CONGRESSO NACIONAL DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM 1996 Campinas Anais Campinas ABID 1996 p 95106
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Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão Eugênio Ferreira Coelho Arlene Maria Gomes de Oliveira José Geraldo Ferreira da Silva Maurício Antonio Coelho Filho Jailson Lopes Cruz Capítulo 15 443 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão Introdução A irrigação tem como função principal corrigir o deficit hídrico do solo permi tindo à planta manter um contínuo fluxo de água e nutrientes do solo para as raízes e parte aérea favorecendo os processos de crescimento desenvolvimento floração e frutificação o que pode se converter em aumento de produtividade e melhoria da qualidade da fruta O mamoeiro é muito exigente em água sem no entanto tolerar o excesso hídri co Dessa forma em regiões onde ocorrem deficit hídricos do solo prolongados a cultura não apresenta rendimentos satisfatórios tornandose obrigatório o uso da irrigação O efeito do deficit hídrico é ainda mais grave quando o pomar é im plantado em solos de textura arenosa e rasos Os constantes incrementos na instalação de sistemas de irrigação associados às vantagens da fertirrigação têm resultado em aumento contínuo das áreas de ma moeiro fertirrigadas no Brasil A adoção da tecnologia de irrigação e de fertirrigação para a cultura do mamoeiro deve ser respaldada por recomendações adequadas de manejo de água e nu trientes que permitam o seu uso racional e resultem em alta produtividade física e econômica da cultura sem agressão ao meio ambiente Este capítulo objetiva disponibilizar informações sobre as relações soloágua plantaatmosfera e guias para o manejo da irrigação e da fertirrigação na cultura do mamoeiro em diferentes condições edafoclimáticas Crescimento do mamoeiro sob irrigação O mamoeiro é uma planta exigente em água principalmente na fase do floresci mento quando a ocorrência de uma semana ou mais de deficiência hídrica pode resultar em queda de flores As plantas adultas são mais tolerantes ao deficit de umidade embora não produzam o máximo nessas condições O estresse hídrico leva a uma clorose das folhas mais velhas com subsequente queda das mesmas MARLER et al 1994 não havendo entretanto interrupção da emissão foliar O nível de umidade do solo é um fator fundamental para o crescimento e desen volvimento da planta já que quase todos os processos fisiológicos são direta ou indiretamente afetados pelo suprimento hídrico 444 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças A área foliar o diâmetro do caule e a altura são variáveis relacionadas ao cres cimento das plantas e são indicativos da produtividade da cultura O efeito da irrigação nos parâmetros de crescimento depende da região onde é cultivado o mamoeiro Nas condições edafoclimáticas em que a irrigação é necessária ape nas em pequenos períodos de deficit hídrico no solo seu efeito é inferior ao ob servado em regiões semiáridas onde a irrigação é imprescindível para o cultivo dessa fruteira As taxas de alongamento do caule e das folhas do mamoeiro são afetadas pelo deficit hídrico principalmente na fase vegetativa entre 7 e 11 semanas após o transplantio O diâmetro do caule a projeção da copa e o número de folhas por planta também são significativamente reduzidos com o deficit hídrico do solo AIYELAAGBE et al 1986 AWADA et al 1979 SRINIVAS 1996 O diâmetro do caule e a área foliar são os parâmetros de crescimento do mamo eiro de maior sensibilidade em resposta aos níveis de água no solo Figura 1 Re sultados experimentais mostram que a área foliar de plantas de mamão nas con dições dos Tabuleiros Costeiros do Recôncavo Baiano apresenta um crescimento contínuo até 370 dias após o plantio quando começa a reduzirse Com relação ao diâmetro do caule há manutenção do crescimento contínuo até 24 meses após o plantio quando ocorre a estabilização no entanto a taxa de aumento da su perfície foliar é superior à observada para o diâmetro do caule até os 12 meses após o plantio Figura 1 Em condições de climas úmidos e subúmidos o mamo eiro cultivado sob irrigação tem um crescimento do diâmetro do caule contínuo e acelerado até 483 dias após o plantio Figura 1 quando há uma redução da taxa de crescimento havendo uma estabilização definitiva a partir de 595 dias após o plantio COELHO et al 2002a 2002b Nas condições dos Tabuleiros Costeiros a altura da planta do mamoeiro mantém se em crescimento contínuo até pelo menos 884 dias após o plantio com uma redução da sua taxa de crescimento médio aos 431 dias após o plantio COELHO et al 2002a 2002b sendo o parâmetro de crescimento de menor sensibilidade aos níveis de irrigação Nas condições de clima semiárido o mamoeiro cultivar Tainung no 1 apresenta aumento da área foliar até 230 dias após o plantio Figura 2 atingindo valores superiores aos registrados em condições de Tabuleiros Costeiros no caso do diâ metro do caule os valores para as duas condições foram semelhantes 445 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão Floração pegamento e crescimento de frutos do mamoeiro sob irrigação Na fase de florescimento do mamoeiro a ocorrência de deficit hídrico no solo pode causar grande queda de flores implicando a redução da produtividade HARKNESS 1967 O problema da queda de flores em deficit hídrico pode ser agravado com a elevação de temperaturas acima de 28 oC e umidades relativas do ar abaixo de 60 A irrigação reduz os efeitos negativos das altas temperaturas na Figura 1 Área foliar para as cultivares Sunrise Solo A e Tainung no 1 B e diâme tro do caule para as cultivares Sunrise Solo C e Tainung no 1 D nas condições dos Tabuleiros Costeiros da Bahia Cruz das Almas 2001 Fonte Coelho et al 2002a 2002b Figura 2 Área foliar A e diâmetro do caule B para o mamoeiro Tainung no 1 irrigado nas condições do Semiárido da Bahia Iaçu 2001 Fonte Coelho et al 2002a 446 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças floração do mamoeiro e contribui positivamente para o pegamento de flores Figura 3 Em condições de Tabuleiros Costeiros a lâmina equivalente à reposição de 152 da evapotranspiração potencial utilizandose o gotejamento superficial foi suficien te para garantir a floração em situação de temperatura acima de 28 oC e umidade relativa abaixo de 60 impróprias à floração do mamoeiro SILVA et al 2003 O pegamento de frutos também pode ser afetado pelo deficit hídrico do solo Nas condições edafoclimáticas dos Tabuleiros Costeiros o uso da frequência de irriga ção de 2 dias resultou em maior incidência de pegamento de frutos comparada às frequências de 3 e 4 dias SANTOS et al 2001 Necessidades hídricas e produtividade do mamoeiro A irrigação permite a obtenção de frutos maiores e melhores e maior superfície foliar que pode contribuir para a redução dos efeitos negativos da incidência di reta da radiação solar sobre os frutos que em excesso pode causar queimaduras Trabalhos de pesquisa têm mostrado que em condições de baixa demanda evapotranspirométrica temperatura amena reduzido número de horas de céu claro e umidade relativa mais alta o consumo de água da cultura varia de 2 mm dia1 a 4 mm dia1 até 7 mm dia1 a 8 mm dia1 em períodos de alta demanda evapo Figura 3 Comportamento do índice de floração número de plantas com pegamen to de floresnúmero de plantas total em virtude da irrigação calculada pela porcen tagem da evapotranspiração potencial ETo Fonte Silva et al 2003 447 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão transpirométrica alta temperatura e luminosidade e baixa umidade relativa Em condições de elevada demanda atmosférica com as plantas adultas e em produ ção entre o 9o e o 12o mês podese recomendar a aplicação máxima diária de até 35 litros de água planta1 dia1 Nas condições edafoclimáticas da região norte do Estado do Espírito Santo a cur va da produtividade em razão da lâmina de água aplicada por microaspersão apresentou um comportamento linear com máximo de produtividade para a lâ mina aplicada até 120 vezes a água evaporada do tanque Classe A SILVA 1999 Os coeficientes de cultura aproximados determinados pelo método inverso isto é partindose de produtividades obtidas para coeficientes de cultura preesta belecidos para as condições dos Tabuleiros Costeiros do Recôncavo Baiano que resultaram em maior produtividade física do mamoeiro da cultivar Sunrise Solo foram de 031 042 052 e 084 para 030 dias após o plantio dap 3160 dap 61120 dap e acima de 120 dap respectivamente Esses valores também permi tiram uma maior eficiência no uso da água Para a cultivar Tainung no 1 os coe ficientes de cultura que resultaram em maior produtividade física do mamoeiro associados à maior eficiência de uso da água foram de 038 051 064 e 102 para 030 dap 3160 dap 61120 dap e acima de 120 dap respectivamente para uma precipitação anual variando de 1332 mm a 1423 mm O valor máximo do coeficiente de cultivo a ser usado durante o ciclo do mamo eiro deve permanecer pelo menos até 370 dias após o plantio quando pode ocorrer uma queda da área foliar e da própria produção do mamoeiro de até 50 para a cultivar Sunrise Solo e de até 35 para a cultivar Tainung no 1 COE LHO et al 2003a o que necessitará caso ocorra do ajuste do coeficiente para a nova condição Nas condições climáticas do Semiárido em solo francoarenoso e para o mamo eiro do grupo Formosa houve resposta positiva aos incrementos das lâminas de irrigação até 190 da evapotranspiração potencial resultando em uma produtivi dade de 135 t ha1 embora a reposição de 137 da evapotranspiração potencial tenha resultado em uma produtividade de 117 t ha1 LORDELO et al 2002 Coelho Filho et al 2006 tomou como base áreas foliares de cultivares de ma moeiro Tainung no 1 e Sunrise Solo e obteve as curvas de coeficiente de cultura conforme a Figura 4 O coeficiente de cultivo máximo tomado como 120 ocor reu 225 dias após o plantio para a cultivar Tainung no 1 e 270 dias após o plantio para a cultivar Sunrise Solo quando a área foliar média atinge o valor máximo para as cultivares 448 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças Transpiração de plantas de mamão A maior fonte de perda de água de um pomar adulto é mediante a água transpirada pelas plantas principalmente quando se utilizam sistemas localizados de irrigação microaspersão gotejamentosuperficial gotejamentoenterrado que quando comparados aos sistemas de irrigação por aspersão molham pequenas faixas de solo reduzindo drasticamente a água evaporada Por isso a transpiração é um ele mento que se bem determinada pode ser utilizada como parâmetro para quanti ficação da lâmina de irrigação Quando se minimiza a evaporação da água no solo a transpiração passa a ser a lâmina mínima necessária para manter um pomar com bom estado hídrico ANGELOCCI 1996 COELHO FILHO et al 2006 O mamoeiro é uma planta herbácea que possui elevada condutividade hidráulica o que contribui para elevadas trocas de energia com o ambiente favorecida pela elevada exposição das folhas à radiação solar Essas características fazem que a transpiração por unidade de área foliar seja alta quando comparada a espécies que possuem elevada densidade de folhas quando adultas e reduzida condutividade hidráulica A Tabela 1 contém dados de transpiração máxima por unidade de área foliar de plantas de mamão Tainung no 1 Como se pode observar nas Figuras 5A e 5B é possível separar o efeito do ambiente e da planta que interferem nos valores de fluxo de seiva Primeiro verificase que as Figura 4 Coeficientes de cultura Kc para as cultivares Tainung nº 1 e Sunrise Solo ao longo do tempo obtidos como função da área foliar Fonte Coelho Filho et al 2006 449 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão plantas respondem às condições meteorológicas reinantes acompanhando dinami camente as variações da radiação solar global MJ m2 h1 ao longo de uma sequência de 3 dias seguidos Figura 5a Podese observar que a transpiração cai drasticamente a valores próximos de zero em razão da ocorrência de chuva próxima às 12h do pri meiro dia da sequência No segundo dia da sequência predominantemente nubla do as pequenas taxas de transpiração refletem a baixa disponibilidade energética reinante no dia efeito ambiental Segundo as plantas com maior superfície foliar AF transpiram sempre mais quando comparadas às de menor AF efeito da planta contudo respondendo igualmente às variações de radiação global Figura 5a e 5b É possível comparar os valores de transpiração de plantas com superfícies foliares diferentes e em dias com demandas atmosféricas variáveis ao se realizar a modela gem da transpiração com padronização das plantas utilizandose a área foliar Para plantas de mamão Coelho Filho et al 2003a chegaram à seguinte equação T 056ETo x AF 1 em que T é a transpiração por unidade de área foliar L m2 dia1 ETo a evapo transpiração de referência mm dia1 e AF a área foliar m2 Na Tabela 2 são apresentadas as lâminas de irrigação mínimas sem considerar as perdas de água por evaporação nem os acréscimos correspondentes às per das pela ineficiência do sistema de irrigação calculadas com base na variação da área foliar e na evapotranspiração de referência Esses valores podem servir como referência para pomares irrigados em que se realizam manejos de conservação de água do solo ou mediante a utilização de sistemas de irrigação mais eficientes como a irrigação por gotejamento enterrado que minimiza a evaporação A van tagem de se utilizar essa metodologia de cálculo é que as lâminas serão ajustadas Tabela 1 Transpiração máxima por unidade de área foliar em razão da evapotrans piração de referência ETo de plantas do mamoeiro Tainung no 1 em condições de campo Cruz das Almas BA ETo mm dia 1 Transpiração mm dia 1 2 116 3 159 4 236 5 274 6 325 Fonte Coelho Filho et al 2003b 450 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças às condições de crescimento das plantas e das variações das condições meteoro lógicas sendo portanto menos subjetivo do que o simples estabelecimento de um único coeficiente como o caso Kc Figura 5 Transpiração máxima de plantas de mamão Tainung no 1 em dias chu vosos e com baixa disponibilidade energética A e em dias sem nuvens e com elevada disponibilidade energética B Fonte Coelho Filho et al 2003b A B 451 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão Distribuição do sistema radicular e absorção de água pelas raízes Os limites do sistema radicular podem variar conforme as características genéti cas das plantas as propriedades físicas do solo como a textura e a estrutura e o teor de água do solo que atua na resistência à penetração das raízes GREGORY 1987 KLEPPER 1987 No entanto sabese que o sistema e o manejo da irrigação influenciam sobremaneira a magnitude dessa resistência Os sistemas de irrigação que restringem a área molhada caso da irrigação loca lizada tendem a apresentar menor volume de solo explorado pelas raízes que os sistemas de aspersão Os sistemas de irrigação por microaspersão possuem maior área e volume molhados que os sistemas de gotejamento propiciando maior es paço para o desenvolvimento de raízes Para o gotejamento superficial Silva et al 2001 em Latossolo Amarelo de textura argilosa obtiveram a profundidade efetiva do sistema radicular equivalente a 80 do comprimento total das raízes critério estabelecido por Vieira et al 1996 a 045 m e pelo menos 60 das raízes concentraramse à profundidade de 025 m Figura 6a No caso do gotejamento enterrado com a linha lateral junto à fileira de plantas houve um deslocamento vertical da região de maior concentração de raízes isto é entre Tabela 2 Valores estimados da transpiração de plantas de mamão L dia1 com base na área foliar AF e na evapotranspiração de referência ETo AF ETo mm dia1 m² 2 3 4 5 6 1 112 168 224 280 336 2 224 336 448 560 672 3 336 504 672 840 1008 4 448 672 896 1120 1344 5 560 840 1120 1400 1680 6 672 1008 1344 1680 2016 7 784 1176 1568 1960 2352 8 448 896 1344 1792 2680 9 504 1008 1512 2016 3024 10 560 1120 1680 2240 3360 Fonte Coelho Filho et al 2003b 452 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças 010 m e 045 m e distâncias da planta entre 010 m e 065 m Comparada ao gote jamento a distribuição das raízes no solo irrigado por microaspersão ocupou maior volume principalmente na região entre a planta e o microaspersor atingindo pro fundidades superiores a 060 m e distância da planta de 080 m Figura 6b A máxima concentração de raízes ocorreu nas profundidades entre 025 m e 045 m Os limites do volume molhado de solo dependem do total de água aplicado na irrigação que depende da demanda evapotranspirométrica da eficiência do sis tema de irrigação e do intervalo entre irrigações Altas frequências de irrigação condicionam menores volumes molhados que baixas frequências o que pode influenciar os padrões de distribuição das raízes Coelho et al 2003b verificaram que para o intervalo de irrigação de 2 e 3 dias as raízes concentraramse na pro fundidade até 050 m atingindo a distância de 075 m da planta Para o intervalo de 4 dias a profundidade das raízes atingiu valores superiores a 075 m A absorção de água pelo sistema radicular depende da densidade e da distribui ção de raízes no volume molhado do solo CHANDRA RAI 1996 HAYHOE 1981 Assim esperase que nas regiões de maior densidade de comprimento de raízes ocorra maior absorção de água O diâmetro das raízes também deve ser levado em conta uma vez que as raízes muito finas e finas são consideradas as maiores responsáveis pela absorção de água e nutrientes Portanto as mesmas variáveis que influem na distribuição das raízes também influenciam a distribuição das zo nas de extração de água no sistema radicular Figura 6 Distribuição do sistema radicular do mamoeiro densidade de comprimen to de raízes g m3 irrigado por gotejamento A e por microaspersão B Fonte Coelho et al 2003c 453 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão As regiões de absorção de água do sistema radicular do mamoeiro variam con forme o sistema de irrigação que condiciona a distribuição de água dos emis sores em relação à posição da planta A extração de água na zona radicular en tre duas irrigações para o sistema de gotejamento na fileira de plantas Figura 7a ocorre na região entre a planta até 050 m desta à profundidade máxima de 040 m A maior atividade das raízes é detectada à distância horizontal da planta de 020 m e à profundidade de 022 m No caso da microaspersão Figura 7b a distribuição da extração de água na zona radicular do mamoeiro foi abran gente tanto no lado do emissor quanto no lado oposto a este atingindo 050 m de distância da planta em ambos os lados e profundidades superiores a 050 m A região de máxima absorção ficou situada à profundidade de 038 m e apresentouse mais profunda que no caso do gotejamento Tal abrangência é Figura 7 Distribuição da extração de água cm3 cm3 na zona radicular do mamoei ro irrigado por gotejamento na fileira de plantas A e por microaspersão B Fonte Silva et al 2001 454 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças justificada pela distribuição de água da irrigação numa condição de área molha da superior à obtida no caso do gotejamento As frequências de irrigação também influem na absorção de água pelo sistema radicular do mamoeiro Coelho et al 2003b avaliaram a extração de água na zona radicular do mamoeiro sob gotejamento para três frequências de irrigação 2 3 e 4 dias A região de predominância da extração de água aumentou com a diminuição da frequência de irrigação Figura 8 Na frequência de 2 dias houve predominância na extração de água até a distância horizontal de 040 m e profun didade de 030 m Na frequência de 3 dias a distância horizontal aumentou para 055 m mantendose a mesma profundidade em relação à frequência de 2 dias Na frequência de 4 dias houve um aumento considerável na região de predomi nância da extração de água cuja profundidade de predominância de extração aumentou para 080 m e houve extração em todas as posições ao longo da fileira de plantas distanciadas entre si de 150 m Figura 8 Distribuição da extração de água na zona radicular do mamoeiro irrigado por gotejamento na fileira de plantas para intervalo de irrigação de 3 dias A e 4 dias B Fonte Coelho et al 2003c Diagramador indicar na figura a correspondente a A e B Métodos de irrigação Os métodos de irrigação mais recomendados para a cultura do mamoeiro são os métodos pressurizados isto é a irrigação por aspersão e localizada Entre os sistemas de irrigação por aspersão os autopropelidos e os pivôs cen trais são os mais utilizados Os sistemas autopropelidos têm a desvantagem da baixa eficiência energética necessidade de mão de obra para a troca de posição A B 455 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão requerendo inclusive o uso de tratores para seu transporte de um local para outro além de severa influência dos ventos No caso dos sistemas de pivôs centrais o requerimento de mão de obra é baixo e o consumo de energia é médio e apresenta uma razoável influência dos ventos O método de aspersão principalmente considerandose sistemas de alta pressão contribui para o aumento da queda de flores causada pelo impacto das gotas de água nas plantas e propicia condições microclimáticas favoráveis ao aparecimen to de doenças A uniformidade de distribuição de água também deve ser levada em consideração pois quando baixa implica elevados ou baixos conteúdos de umidade do solo em alguns setores da área irrigada comprometendo o balanço de arágua do solo e causando efeito negativo ao desenvolvimento e produtivi dade da cultura Nos sistemas de irrigação localizada Figura 9 tanto o gotejamento como a mi croaspersão vêm sendo muito utilizados A microaspersão funciona com baixa pressão 100 kPa a 300 kPa e vazão por microaspersor entre 20 L h1 e 175 L h1 A disposição dos emissores é normalmente de um emissor para duas ou quatro plantas sendo esperada uma uniformidade de distribuição de água nesses emis sores acima de 85 O gotejamento que funciona na faixa de pressão de 50 kPa a 250 kPa apresenta vazões mais comuns entre 2 L h1 e 4 L h1 Para a cultura do mamão recomendam se dois gotejadores por planta com vazão próxima ou igual a 4 L h1 instalados Figura 9 Sistema de irrigação por microaspersão em mamoeiro Foto Eugênio Ferreira Coelho 456 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças a 025 m do caule para solos arenosos e a 050 m para solos argilosos O sistema de gotejamento pode ser superficial ou enterrado ou seja com as linhas laterais à superfície do solo ou enterradas Quando enterradas recomendase o uso de gotejadores de fluxo turbulento de vazão igual ou próxima de 2 L h1 enterrados de 020 m a 030 m de profundidade de forma a prover uma distribuição de água que possa facilitar o desenvolvimento das raízes mantendo uma adequada rela ção arágua ao sistema radicular Para o gotejamento enterrado recomendase o plantio no período chuvoso visando estabelecer para o período de deficit hídrico um sistema radicular suficiente para usar a água disponível no volume molhado criado pelo gotejador O sistema de microaspersão proporciona maior área molhada ao solo dando me lhores condições às raízes de se desenvolverem Entretanto as diferenças em pro dutividade comparadas ao gotejamento superficial ao longo da fileira de plan tas são pequenas inferiores a 10 A utilização do gotejamento enterrado em solos de Tabuleiros Costeiros plantados com mamoeiro do grupo Solo resultou em produtividade média 15 menor que a obtida com o uso do sistema superfi cial O uso da microaspersão deve levar em consideração a fase inicial da cultura quando as raízes podem receber lâminas inferiores às necessárias em razão da distribuição de água no microaspersor Essa distribuição apresenta lâminas maio res próximas do emissor e decrescem à medida que se afastam dele O uso de fileiras duplas e de microaspersores de maior raio de ação acima de 30 m reduz esse problema Manejo da irrigação O manejo da irrigação envolve a tomada de decisão sobre quando irrigar e quan to de água aplicar Para auxiliar o produtor a tomar a decisão mais apropriada diferentes métodos foram desenvolvidos Podese programar a irrigação de uma área cultivada usandose um método ou uma combinação de dois ou mais mé todos O produtor deve usar os métodos existentes de manejo da irrigação mas ciente de que um ajuste local muitas vezes poderá ser necessário dadas as muitas variáveis envolvidas nos processos do sistema soloáguaplantaatmosfera A definição de quando irrigar no caso da irrigação localizada pode ser preesta belecida Nas condições dos Tabuleiros Costeiros da Bahia e do norte do Espírito Santo as maiores produtividades foram conseguidas para o intervalo de 3 dias entre irrigações No caso de regiões semiáridas devese estabelecer o intervalo 457 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão de irrigação de 1 dia Tratandose da aspersão considerar o turno de rega em razão da lâmina de irrigação real necessária ou lâmina líquida mm LRN a ser reposta e a evapotranspiração da cultura ETc 2 O valor da LRN é dado por LRN qCC qPM x Z x f 3 em que qCC e qPM correspondem ao teor de umidade do solo cm3 cm3 na capa cidade de campo e no ponto de murcha permanente respectivamente Z repre senta a profundidade efetiva do sistema radicular mm e f representa a variação máxima permissível da disponibilidade de água no solo decimal sem causar re dução da produtividade da cultura Os valores de f recomendáveis para o mamoeiro são de no máximo 025 O valor de Z deve levar em conta que o sistema radicular das plantas de mamão em regiões produtoras de Tabuleiros Costeiros envolve um volume de solo limitado por um raio próximo de 070 m em relação ao tronco e a profundidade Z de 050 m cuja maioria das raízes se encontra num raio de 035 m a partir do tronco Entretanto tais valores podem variar conforme a textura e estrutura no perfil do solo O cálculo da quantidade de água a ser aplicada pode ser feito determinandose a umidade do solo ou indiretamente pela determinação do potencial matricial do solo O momento da irrigação também pode ser determinado por meio do estado atual da água do solo como índice de estresse hídrico da cultura potencial matri cial utilizandose sensores apropriados como o tensiômetro Monitoramento do estado da água do solo A umidade do solo pode ser obtida pelo método gravimétrico pelo uso da reflec tometria no domínio do tempo TDR além de outros Os blocos de resistência elétrica e o tensiômetro permitem a obtenção do potencial matricial que pode ser convertido na umidade do solo pela curva de retenção da água do solo O tensiômetro indica o potencial matricial da água no solo ym em razão do seu conteúdo de umidade a uma dada profundidade Alguns trabalhos de pesquisa 458 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças em solos de textura média têm mostrado que para o desenvolvimento e pro dução adequada do mamoeiro os teores de água do solo devem corresponder a valores de potencial matricial próximos de 20 kPa Para solos arenosos deve ser acima de 15 kPa Esses valores devem ser tomados como referências iniciais devendo ser ajustados conforme as condições locais de solo Uma vez conhecido um potencial matricial crítico ymc isto é aquele abaixo do qual haverá comprometimento da produtividade a irrigação será feita quando a umidade do solo cair a esses níveis de potencial A quantidade de água a ser apli cada ou a lâmina líquida será calculada pela equação LRN qcc qc 4 em que qcc é o conteúdo de umidade do solo equivalente ao potencial matricial à capacidade de campo m3 m3 e qc o conteúdo de umidade do solo equivalente ao potencial crítico Um ponto importante a ser observado é quanto à localização dos sensores no perfil do solo Figura 10 Como regra devemse instalar os sensores no centro de atividade do sistema radicular ou numa região do sistema radicular representati va do cenário geral de extração de água a distâncias inferiores a 030 m da planta e a profundidades entre 020 m e 040 m devendose também padronizar as po sições dos sensores em relação ao emissor Figura 10 Tensiômetros de mercúrio A e do tipo vacuômetro B Fotos Eugênio Ferreira Coelho A B 459 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão Uso do balanço de água no solo O uso do método do balanço de água no solo requer conhecimento de um signi ficativo número de variáveis tanto meteorológicas como físicohídricas do solo o que pode limitar mais o seu uso No entanto é o método que melhor permite avaliar e tomar decisões sobre o manejo da irrigação É um método disponível em aplicativos computacionais Sisda Irriga Irriger IrriPlus IrriSimples MDIC e Irrigafácil O seu uso requer o estado inicial do solo com umidade à capacidade de campo uma vez que são feitas reposições da evapotranspiração O acompa nhamento com sensores de água no solo é fundamental principalmente ime diatamente após os períodos chuvosos para se determinar o momento certo do retorno da irrigação Fertirrigação do mamoeiro Calagem e adubação O mamoeiro apresenta bom desenvolvimento em solos com pH variando de 55 a 67 Em solos ácidos pH 4550 ou de acidez média pH 5155 com teores de Al3 maiores que 04 cmolcdm3 ou de Ca2 Mg2 menores que 2 cmolcdm3 a correção da acidez é obrigatória A quantidade necessária de calcário NC com base nos teores de cálcio Ca magnésio Mg e alumínio Al é determinada por uma das seguintes fórmulas utilizandose a maior quantidade obtida a NC t ha1 22 cmolc Ca2 Mg2dm3 x fi ou b NC t ha1 2cmolc Al3dm3 x fi em que fi 100PRNT do calcário A recomendação de calagem com base na saturação de bases visa elevar a satura ção do solo a 80 sendo a NC calculada pela seguinte fórmula NC t ha1 CTCV2 V1100fi 460 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças em que CTC é a capacidade de troca de cátions V2 é a porcentagem da saturação por bases que se pretende atingir sendo 80 para o mamoeiro V1 é a porcenta gem inicial de saturação por bases V A aplicação de calcário quando recomendada deve ser realizada com antece dência de 2 a 3 meses antes do plantio Orientase para áreas novas a substituição de 30 do calcário pelo sulfato de cálcio como forma de reduzir o efeito tóxico do Al3 do subsolo e permitir o crescimento das raízes do mamoeiro nas camadas subsuperficiais Quando o teor de Mg2 for inferior a 9 mmolcdm3 devese dar preferência ao calcário dolomítico 2535 de CaO e MgO 12 O teor míni mo de Ca2 no solo deve ser de 20 mmolcdm3 Nas Tabelas 3 4 e 5 são apresentadas as recomendações de adubação com ma cronutrientes e boro com base na análise de solo A cada 6 meses após o plantio devese fazer nova análise de solo visando ajustar a adubação seguindose as recomendações descritas Na implantação da cultura devemse aplicar do total de nutrientes recomenda dos para o primeiro ano 15 do N na cova de plantio na forma orgânica torta de mamona e estercos de gado de aves ou de cabra juntamente com 33 do P su perfosfato simples para suprir a planta com enxofre S na forma líquida como fosfato mono ou diamônico ou outra fonte de fósforo de solubilidade aceitável Tabela 3 Recomendação de adubação com base na análise química de solo do plantio aos 120 dias pósplantio Plantio e pósplantio Fase N orgânico P resina mg dm3 K trocável mmolc dm3 B água quente mg dm3 012 1330 30 015 1630 3 002 0206 06 Plantio kg ha1 P2O5 kg ha1 K2O kg ha1 B kg ha1 60 60 40 20 Pósplantio N mineral P resina mg dm3 K trocável mmolc dm3 B água quente mg dm3 012 1330 30 015 1630 3 002 0206 06 Dias kg ha1 P2O5 kg ha1 K2O kg ha1 B kg ha1 30120 60 40 30 20 80 60 40 1 05 0 Fonte Oliveira 2002 461 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão O mamoeiro é uma cultura de demanda nutricional relativamente alta o que é justificado pelas elevadas produtividades que pode apresentar É uma cultura que começa a fase de floração a partir do terceiro mês após o transplantio e em pro dução continua a partir do sétimooitavo mês Essa característica indica que as plantas para manterem seu regime produtivo contínuo absorvem nutrientes ao longo de todo o ciclo Marcha de absorção O mamoeiro é uma planta que extrai quantidades relativamente altas de nutrien tes e apresenta extrações contínuas durante o primeiro ano conforme pode ser Tabela 4 Recomendação de adubação com base na análise química de solo da floração aos 360 dias pósplantio Floração e frutificação 5º mês em diante Produtividade esperada t ha1 N mineral P resina mg dm3 K trocável mmolc dm3 B água quente mg dm3 012 1330 30 015 1630 3 002 0206 06 kg ha1 P2O5 kg ha1 K2O kg ha1 B kg ha1 3050 180 60 40 20 220 140 60 1 05 0 5070 230 70 50 30 270 180 80 1 05 0 70 280 80 60 40 320 210 100 1 05 0 Fonte Oliveira 2002 Tabela 5 Recomendação de adubação com base na análise química de solo no segundo ano pósplantio Segundo ano produção Produtividade esperada t ha1 N Mineral P resina mg dm3 K trocável mmolc dm3 B água quente mg dm3 012 1330 30 015 1630 3 002 0206 06 Kg ha1 P2O5 kg ha1 K2O kg ha1 B kg ha1 3050 200 130 80 40 240 160 80 2 1 0 5070 240 150 100 50 280 190 95 2 1 0 70 280 170 120 60 320 220 110 2 1 0 Fonte Oliveira 2002 462 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças Figura 11 Extração de macronutrientes A g planta1 dia1 e micronutrientes B mg planta1 dia1 pelo mamoeiro Sunrise solo fertirrigado com ureia e densidade de 1543 plantas ha1 Fonte Coelho Filho et al 2007 observado na Figura 11 que ilustra as marchas de absorção de macronutrientes e micronutrientes estabelecidas por Coelho Filho et al 2007 Analisando a Figura 11 verificase no caso dos macronutrientes que aos 60 dias após o plantio as taxas de extração foram de 009 g dia1 para nitrogênio N e potássio K A B 463 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão e de 001 g dia1 para cálcio Ca magnésio Mg enxofre S e fósforo P Há significa tivo acréscimo das taxas a partir de 120 dias até 240 dias após o plantio quando se atingem níveis máximos 114 g dia1 para K 115 g dia1 para N 038 g dia1 para Ca 03 g dia1 para Mg 023 g dia1 para S 013 g dia1 para P Esse período conforme os resultados configurase como o mais exigente em termo de nutrição pela cultura Após 240 dias há decréscimo das taxas de extração de todos os macronutrientes talvez por coincidir com o período final de colheita desse primeiro ciclo Nessa fase ocorre um decréscimo abrupto das taxas de extração ficando em média 038 g dia1 para K 032 g dia1 para N 005 g dia1 para P 011 g dia1 para Mg e 008 g dia1 para S Com relação aos micronutrientes a extração também se eleva decorridos 120 dias após o plantio crescendo lentamente até o final da análise sendo verificados picos para Zn 64 mg dia1 Fe 32 mg dia1 B 61 mg dia1 e Mn 322 mg dia1 respecti vamente aos 300 330 e 270 dias após o plantio Cunha 1979 também determinou a extração de nutrientes e exportação pela co lheita da espécie Carica papaya cultivada em uma densidade de 1650 plantas ha1 Os resultados estão na Tabela 6 e mostram as quantidades totais absorvidas pela parte aérea da planta e o percentual exportado pelas flores e frutos durante um período de 360 dias de cultivo Ressaltase que no primeiro ano a planta apresen ta exportação de nutrientes pelos frutos em apenas 3 a 5 meses de colheita Dos macronutrientes o N o K e o Ca foram os nutrientes mais absorvidos enquanto o P foi o que apresentou a menor absorção Dos micronutrientes o Fe o Mn o Zn e o B foram os elementos mais absorvidos enquanto o Cu e o Mo foram extraídos em menores quantidades Tabela 6 Quantidades totais de macronutrientes e micronutrientes absorvidas AB pelo mamoeiro e acumuladas nas flores e frutos AC no primeiro ano de cultivo Macronutriente kg ha1 N P K Ca Mg S AB AC AB AC AB AC AB AC AB AC AB AC 104 25 10 3 108 27 37 5 16 2 12 3 Micronutriente g ha1 B Cu Fe Mn Mo Zn AB AC AB AC AB AC AB AC AB AC AB AC 102 20 30 6 338 54 211 29 025 009 106 22 Fonte Cunha 1979 464 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças As menores quantidades acumuladas de macronutrientes nos órgãos reprodutivos do mamoeiro são de Ca e Mg na ordem de 13 e 14 respectivamente Em relação ao P 30 do total absorvido no primeiro ano de cultivo é acumulado nas flores e frutos enquanto o N o K e o S apresentam acumulações na faixa de 24 a 25 O Mo é proporcionalmente o micronutriente mais acumulado nas flores e frutos apresentando taxas de 36 do total absorvido Para o B o Cu e o Zn as taxas de acumulação nos órgãos reprodutivos situamse em torno de 20 O Mn e o Fe apesar das altas taxas de absorção apresentam valores próximos a 15 de acu mulação nas flores e frutos Coelho Filho et al 2007 em estudo de absorção de nutrientes pelo mamoeiro também verificaram para o primeiro ano de cultivo que a absorção de macronu trientes seguiu a mesma tendência do acúmulo de matéria seca apresentando a seguinte ordem de extração KNCaMgSP A quantidade do K absorvida ficou ligeiramente superior à do N obtendose uma relação de 1151 O P apesar de ser absorvido em menor quantidade foi proporcionalmente o macroelemento mais acumulado nas flores e frutos aproximadamente 32 enquanto os valores das exportações dos demais ficaram entre 28 e 31 Tabela 7 Considerando se os micronutrientes absorvidos foi observada a seguinte ordem de extração Fe Zn Mn B Cu Tabela 7 Os micronutrientes mais acumulados nas flores e frutos foram o Cu e o Zn com 49 do total extraído pela planta seguidos do Fe Mn e B com acumulações respectivas de 38 42 e 37 A exportação de macronutrientes em kg ha1 durante 12 meses de colheita em uma produtividade média de 49 t ha1 ano1 é da ordem de 87 de N 10 de P 103 Tabela 7 Totais de macronutrientes g planta1 e micronutrientes mg planta1 acumu lados nos tecidos das plantas fertirrigadas com fonte amídica acúmulo de 12 meses N P K Ca Mg S Cu Fe Zn Mn B g planta1 mg planta1 Caule 480 92 762 207 140 155 511 5541 2333 1027 765 Folha 291 35 145 127 86 45 319 11590 1400 1573 2058 Flores Fruto 335 47 337 139 101 88 821 11620 3612 2001 1767 Pecíolo 45 07 136 68 40 14 41 1473 98 181 198 Total 1150 147 1335 500 329 285 1691 30224 7443 4781 4787 Flores Frutos 1 291 323 253 278 306 309 485 384 485 418 369 1 Percentual de nutrientes acumulados pelas flores e frutos em relação ao total extraído Fonte Oliveira 2002 465 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão de K 17 de Ca 10 de Mg e 10 de S CUNHA 1979 O K ocupa o primeiro lugar na exportação pela colheita seguido pelo N O Ca aparece em terceiro lugar na ex portação enquanto quantidades similares de P Mg e S são exportadas Em relação aos micronutrientes a exportação em g ha1 ano1 durante 12 meses de colheita situase em 48 de B 16 de Cu 164 de Fe 90 de Mn 038 de Mo e 68 de Zn Embora o B ocupe apenas o quarto lugar na exportação pela colheita sua deficiência é comum em plantios onde não são efetuadas adubações orgânicas ou químicas com esse micronutriente Parcelamento dos fertilizantes para fertirrigação Pela marcha de absorção de nutrientes Figura 11 podemse obter taxas de ab sorção diárias mensais bimensais ou na escala de tempo que se preferir e dessa forma estabelecer um parcelamento na aplicação de macro e micronutrientes Foram estabelecidos intervalos de tempo em que a taxa de absorção se manteve constante isto é a declividade da curva de absorção mantevese sem variação significativa Dessa forma obtiveramse os valores da Figura 12 para os principais Figura 12 Porcentagem de nutrientes absorvidos ao longo do primeiro ano de cul tivo do mamoeiro Fonte adaptada de Coelho Filho et al 2007 466 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças macronutrientes utilizados em fertirrigação Podemse verificar para cada nu triente as porcentagens que deverão ser aplicadas no período de tempo corres pondente Como exemplo se for necessária uma aplicação de 350 kg de K2O no primeiro ano deverão ser aplicados 86 ou 301 kg nos primeiros 120 dias 142 ou 497 kg no período de 121180 dias 517 ou 1809 kg no período de 181270 dias e 255 ou 892 kg no período de 271360 dias Manejo da fertirrigação O uso da fertirrigação visa atender à demanda por nutrientes das culturas nos perí odos corretos de exigência minimizar as perdas por processos de lixiviação fixação e volatização e por conseguinte aumentar a eficiência do processo de adubação Porém assim como os fatores que influenciam os parâmetros de irrigação devem ser acompanhados também é importante acompanhar os parâmetros nutricionais das plantas para adequação do esquema de fertirrigação Esse aspecto é relevante já que as condições edafoclimáticas são variáveis para cada local e a planta é uma expressão viva de todas as interações que ocorrem no ambiente em que é cultivada As adubações com nitrogênio e potássio via água de irrigação devem ser aplicadas em frequências de 3 ou 7 dias devendose ajustar os intervalos de aplicação de acordo com a resposta da cultura e a economicidade do processo O fósforo pela sua menor exigência e menor mobilidade no solo deve ser parcelado em intervalos de 30 dias Com base nas Tabelas 3 e 4 e considerandose uma produtividade espe rada de 50 t ha1 a 70 t ha1 obtêmse as doses totais de adubo mineral a serem apli cadas em cobertura 290 kg ha1 de N 50 kg ha1 a 110 kg ha1 de P2O5 e 120 kg ha1 a 350 kg ha1 de K2O A partir desses dados foram simuladas nas Tabelas 8 9 e 10 as quantidades necessárias de adubos minerais para serem aplicadas via fertirrigação Tabela 8 Quantidades de nitrogênio na forma mineral a serem aplicadas em cada fertirrigação Período após o plantio dias Quantidade de N kg ha1 Total 28990 Frequência de aplicação 3 dias Frequência de aplicação 7 dias 090 1220 051 102 91150 2360 148 296 151240 16330 681 1361 241360 9080 284 567 Fonte Coelho Filho et al 2007 467 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão Diagnose foliar A diagnose foliar consiste em método de avaliação por meio de análise quími ca das folhas e de aspectos visuais que indiquem anomalia das plantas sendo uma importante ferramenta para o acompanhamento do estado nutricional da plantação Para que seja utilizada adequadamente é necessário que se observem principalmente a época de amostragem e a posição das folhas coletadas Para o mamoeiro existem controvérsias quanto ao tecido que melhor represente o seu estado nutricional Diversos autores estabeleceram os índices nutricionais toman do como base o limbo foliar Tabela 11 Para o pecíolo Awada 1969 1976 1977 Awada e Long 1969 1971a 1971b 1978 Awada e Suehisa 1984 e Awada et al 1975 indicam os seguintes níveis padrões em dag kg1 125 a 145 para N 016 a 025 para P 361 para K e 073 a 093 para Ca Em estudos desenvolvidos na região produtora de mamão do norte do Espírito Santo foram estabelecidos padrões de referências para o desenvolvimento do Tabela 9 Quantidades de potássio K2O na forma mineral a serem aplicadas em cada fertirrigação Período após o plantio dias Quantidade de K2O kg ha1 Total 120350 Frequência de aplicação 3 dias Frequência de aplicação 7 dias 0120 10313009 032094 064188 121180 17024966 106310 213621 181270 620018084 258753 5171507 271360 30658939 127372 255745 Fonte Coelho Filho et al 2007 Tabela 10 Quantidades de fósforo P2O5 na forma mineral a serem aplicadas em cada fertirrigação Período após o plantio dias Total 50110 Quantidade de P2O5 kg ha1 Total 50110 Frequência de aplicação 30 dias 0180 7631680 127280 181300 35587827 8891957 301360 6781492 339746 Fonte Coelho Filho et al 2007 468 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação para o Mamoeiro Dris Tabe la 12 Nesses estudos Costa 1995 determinou para o pecíolo as melhores cor relações com vista à determinação do estado nutricional da planta Verificou que a quantidade de água disponível para as plantas também influenciou os teores de nutrientes nas folhas do mamoeiro de maneira que a época seca apresentou índices nutricionais mais bem ajustados Esses índices podem ser utilizados para acompanhar a absorção dos nutrientes pelas plantas e adequar o modelo de adu bação adotado As folhas para análise química devem ser amostras de uma mesma cultivar de plantas com a mesma idade e que representem a média da plantação em termos de crescimento e produtividade Devemse retirar apenas as folhas que apresen tarem em sua axila uma flor prestes a abrir ou recentemente aberta com um mí nimo de 12 folhas por amostra Separar o limbo do pecíolo e analisar um deles Posteriormente comparar com os teores padrões aqui apresentados Tabela 11 Teores padrões de macronutrientes e micronutrientes no limbo foliar do mamoeiro indicados por alguns autores Nutriente Cunha 1979 Agarwala et al 1986 e Nautiyal et al 1986 Cibes e Gaztambide 1978 Prezotti 1992 Macronutriente C1 D1 C D C D Adequado g kg1 N 424 361 225 196 4550 P 52 14 82 14 57 K 381 136 158 40 2530 Ca 129 28 361 148 2022 Mg 65 17 121 30 10 S 31 34 121 54 46 Micronutriente C1 D1 C D C D Adequado mg kg1 B 136 20 173 67 109 26 15 Fe 1400 850 252 140 291 Mn 627 45 88 16 Zn 224 130 43 Cu 118 64 11 Mo 185 014 1 C solução nutritiva completa com todos os nutrientes D solução nutritiva deficiente com omissão do nutriente em estudo 469 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão Referências AGARWALA S C NAUTIYAL B D CHATTERJEE C Manganese copper and molybdenum nutrition of papaya Journal of Horticultural Science Ashford v 61 n 3 p 397405 1986 AIYELAAGBE I O O FAWSI M O A BABALOLA O Growth development and yield of pawpaw Carica papaya L Homestead selection in response to soil moisture stress Plant and Soil The Hague v 93 p 427435 1986 ANGELOCCI L R Estimativa da transpiração máxima de macieiras Malus spp em pomares pelo método de PenmanMonteith 1996 75 p Tese Livre Docência Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz Universidade de São Paulo Piracicaba AWADA M Relation of nitrogen phosphorus and potassium fertilization to nutrient composition of the petiole and growth of papaya Journal of the American Society for Horticultural Science Mount Vernon v 102 n 4 p 413418 1977 AWADA M Relation of phosphorus fertilization to petiole phosphorus concentrations and vegetative growth of young papaya plants Tropical Agriculture Saint Augustine v 53 p 173 181 1976 AWADA 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290 4330 4290 1050 Fonte Costa 1995 470 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças AWADA M LONG C The selection of the potassium index in papaya tissue analysis Journal of the American Society for Horticultural Science Mount Vernon v 96 n 1 p 7477 1971b AWADA M SUEHISA R Effects of calcium and sodium on growth of papaya plants Tropical Agriculture Saint Augustine v 61 n 2 p 102105 1984 AWADA M SUEHISA R KANEHIRO Y Effects of lime and petiole composition of papaya Journal of the American Society for Horticultural Science Mount Vernon v 100 n 3 p 294298 1975 AWADA M WU I P SUEHISA R H PADGETT M M Effects of drip irrigation and fertilization on vegetative growth fruit yield and mineral composition of the petioles and fruits of papaya Honolulu Hawaii Agricultural Experiment StationUniversity of Hawaii 1979 20 p Boletim Técnico 103 CHANDRA S P RAI A K Nonlinear root water uptake model Journal Irrigation and Drainage Engineering New York v 122 n 4 p 198202 1996 CIBES H R GAZTAMBIDE S Mineraldeficiency symptoms displayed by papaya grown under controlled conditions Journal Agriculture University of Puerto Rico Río Piedras v 62 p 413 423 1978 COELHO FILHO M A CASTRO NETO M T COELHO E F Transpiração máxima de plantas de mamão Carica Papaya L em pomar fertirrigado nas condições de Cruz das Almas BA In CONGRESSO NACIONAL DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM 13 2003 Juazeiro Anais Viçosa ABID 2003a 1 CDROM COELHO FILHO M A CASTRO NETO M T COELHO E F CRUZ J L Uso mínimo de água de um pomar irrigado de mamão Tainung No 1 nas condições dos tabuleiros costeiros In MARTINS D dos S Ed Papaya Brasil qualidade do mamão para o mercado internoVitória Incaper 2003b p 511514 COELHO FILHO M A COELHO E F CRUZ J L Uso da transpiração máxima de mamoeiro para o manejo irrigação por gotejamento em regiões úmidas e subúmidas Cruz das Almas Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical 2006 29 p Documentos 106 COELHO FILHO M A COELHO E F CRUZ J L SOUZA L F da S OLIVEIRA A M de SILVA T S M da Marcha de absorção de macro e micronutrientes do mamoeiro sunrise solo In MARTINS D dos S COSTA A N COSTA A F S Ed Papaya Brasil manejo qualidade e mercado do mamão Vitória Incaper 2007 p 2940 COELHO E F ALVES A A CRUZ J L Irrigação do mamoeiro Cruz das Almas Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical 2003a 8 p Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical Circular Técnica 54 COELHO E F LIMA D M FARIAS M A A CALDAS R C Crescimento do mamoeiro cultivar Tainung No1 sob diferentes regimes de irrigação In CONGRESSO NACIONAL DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM 12 2002 Uberlândia Anais Uberlândia ABID 2002a 1 CDROM COELHO E F LIMA D M QUEIRÓZ J S CALDAS R C FARIAS M A A Crescimento do mamoeiro Sunrise Solo sob irrigação em Tabuleiros In CONGRESSO NACIONAL DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM 12 2002 Uberlândia Anais Uberlândia ABID 2002b 1 CDROM COELHO E F SANTOS M R COELHO FILHO M A Distribuição de raízes do mamoeiro sob três freqüências de irrigação por gotejamento In CONGRESSO NACIONAL DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM 13 2003 Juazeiro Anais Viçosa ABID 2003b 1 CDROM COELHO E F SANTOS M R COELHO FILHO M A Distribuição de raízes de mamoeiro sob diferentes sistemas de microirrigação em solos de tabuleiros costeiros In CONGRESSO NACIONAL DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM 13 2003 Juazeiro Anais Viçosa ABID 2003c 1 CDROM 471 Capítulo 15 Irrigação e fertirrigação na cultura do mamão COSTA A N da Uso do sistema integrado de diagnose e recomendação DRIS na avaliação do estado nutricional do mamoeiro Carica papapya L no Estado do Espírito Santo 1995 95 p Tese Doutorado em Fitotecnia Universidade Federal de Viçosa Viçosa CUNHA R J P Marcha de absorção de nutrientes em condições de campo e sintomatologia de deficiências de macronutrientes e do boro em mamoeiro 1979 131 p Tese Doutorado Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz Universidade de São Paulo Piracicaba GREGORY P J Development and growth of root systems in plant communities In GREGORY P J LAKE J V ROSE D A Ed Root development and function New York Cambridge University 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de água pelo sistema radicular do mamoeiro irrigado por diferentes sistemas de microirrigação In CONGRESSO NACIONAL DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM 11 2001 Fortaleza Uso competitivo da água e a preservação dos recursos naturais para o desenvolvimento sustentável da agricultura irrigada Fortaleza ABID 2001 v 1 p 611 SILVA T S M COELHO E F PAZ V P S CRUZ J L COELHO FILHO M A Efeito da temperatura do ar e de diferentes lâminas de irrigação sob o índice de floração e pegamento de frutos do mamoeiro In CONGRESSO NACIONAL DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM 13 2003 Juazeiro Anais Juazeiro ABID 2003 1 CDROM 472 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças SRINIVAS K Plant water relations yield and water use of papaya Carica papaya L at different evaporationreplenishment rates under drip irrigation Trinidad Tropical Agriculture Saint Augustine v 73 n 4 p 264269 1996 VIEIRA D B GENOVEZ A M GOMES E M Determinação da profundidade efetiva do sistema radicular do milho Zea mays L irrigado In CONGRESSO NACIONAL 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