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A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO 896 Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 ARTIGOS A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO1 TANIA LUDmILA DIAS TOSTA RESUMO O presente trabalho discute a articulação entre estudo trabalho e família para estudantes de ensino superior a partir dos resultados de uma pesquisa mais ampla realizada na Universidade Federal de Goiás Tomando como base uma amostra de 527 estudantes buscase caracterizálos de acordo com seus pertencimentos e posições sociais além de compreender os usos do tempo e a participação de homens e mulheres no trabalho produtivo e reprodutivo A análise indica que apesar de jovens mulheres constituírem a maioria da população universitária as construções hierárquicas das relações de gênero persistem e a responsabilidade pelos afazeres domésticos ainda é assumida de forma preponderante como feminina ENSINO SUPERIOR RELAÇÕES DE GÊNERO TRABALHO FAMÍLIAS 1 Uma primeira versão deste trabalho foi apresentada no IV Simpósio Internacional de Ciências Sociais da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás realizado em Goiânia de 11 a 14 de novembro de 2015 THE PARTICIPATION OF UNIVERSITY STUDENTS IN PRODUCTIVE AND REPRODUCTIVE WORK ABSTRACT This paper discusses the links among study work and family for higher education students based on the results of a broader research carried out at the Universidade Federal de Goiás BR Based on a sample of 527 students this work seeks to characterize them according to their sense of belonging and social positions their use of time and also the participation of men and women in productive and reproductive work The analysis indicates that although young women make up the majority of the population the hierarchical structures of gender relations persist and the responsibility for domestic work is still overwhelmingly assumed by women HIGHER EDUCATION GENDER RELATIONSHIP LABOUR FAMILY Tania Ludmila Dias Tosta Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 897 httpdxdoiorg101590198053144119 LA PARTICIPATION DES ÉTUDIANTS UNIVERSITAIRES DANS LE TRAVAIL PRODUCTIF ET REPRODUCTIF RÉSUMÉ Ce travail discute larticulation entre études travail et famille pour des étudiants de niveau supérieur et utilise des résultats dune recherche plus vaste menée à lUniversidade Federal de Goiás En prenant comme base un échantillon de 527 étudiants nous avons cherché à les caractériser en fonction de leur appartenance et de leur position sociale Nous avons par ailleurs tenté de comprendre comment ils utilisaient leur temps et quelle était la participation des hommes et des femmes dans le travail productif et reproductif Cette anlyse indique que même si les jeunes femmes constituent la majorité de la population universitaire les constructions hiérarchiques des relations de genre persistent et que la responsabilité pour les tâches domestiques est fondamentalement perçue comme appartenant au domaine féminin ENSEIGNEMENT SUPÉRIEUR RELATIONS DE GENRE TRAVAIL FAMILLE LA PARTICIPACIÓN DE ESTUDIANTES UNIVERSITARIOS EN EL TRABAJO PRODUCTIVO Y REPRODUCTIVO RESUMEN El presente trabajo discute la articulación entre estudio trabajo y familia para estudiantes de la educación superior a partir de los resultados de una investigación más amplia realizada en la Universidade Federal de Goiás Tomando como base una muestra de 527 estudiantes se busca caracterizarlos de acuerdo a sus pertenencias y posiciones sociales además de comprender los usos del tiempo y la participación de hombres y mujeres en el trabajo productivo y reproductivo El análisis indica que a pesar de que las mujeres jóvenes constituyen la mayoría de la población universitaria las construcciones jerárquicas de las relaciones de género persisten y la responsabilidad por las tareas domésticas todavía es considerada de forma preponderante como femenina ENSEÑANZA SUPERIOR RELACIONES DE GÉNERO TRABAJO FAMILIAS A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO 898 Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 P ARA AlÉM dE UM CRiTÉRiO ETáRiO fixO A jUvENTUdE É dEfiNidA COMO CATEgORiA SOCiAl importante para o entendimento das sociedades modernas GROPPO 2000 De acordo com a concepção de Mannheim o pertencimento ge racional não se caracterizaria apenas pelo tempo cronológico compar tilhado por pessoas nascidas em certa época sua posição em comum advém da possibilidade de vivenciar as mesmas experiências e de pro cessálas de forma semelhante MANNHEIM 1980 WELLER 2010 Independentemente de suas idades um grupo de pessoas pode ser apon tado como jovem por compartilhar um gradiente de valores em comum tais como vestuários tipos musicais e hábitos Mannheim também apon ta a juventude como elemento dinamizador da sociedade que tende a protagonizar e ajustarse às transformações sociais por constituir um segmento ainda em formação não completamente inserido na ordem social BEZERRA et al 2013 MANNHEIM 1980 Essa leitura indica que a participação de jovens nos processos de transformação social depende muito das condições sociais de sua inserção Podem ser revolucionários ou afiliarse a movimentos conservadores Pensando na Europa da déca da de 1930 tanto se engajaram em movimentos democráticos como em movimentos fascistas como foi o caso da juventude nazista Assim o uso do plural do termo juventudes alude à neces sidade de indicar a diversidade de vivências possíveis da juventude de acordo com classe gênero sexualidade raça etnia origem entre outros Tania Ludmila Dias Tosta Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 899 marcadores sociais da diferença CARMO 2001 FRAGA IULIANELLI 2003 Se a categoria juventude importa como construção social não deve apagar as identidades plurais que nela se inscrevem ABRAMO 1994 pois a experiência de um jovem negro da periferia não é a mes ma de um jovem branco de alta renda TAVARES 2012 WELLER 2011 Este artigo parte de um segmento particular da categoria es tudantes de ensino superior Mais especificamente estudantes de uma universidade pública brasileira Embora essa condição os aproxime ou tros tantos pertencimentos os diferenciam A juventude de uma univer sitária trabalhadora chefe de família é muito distinta da juventude de um universitário em dedicação integral aos estudos Com base em uma pesquisa realizada na Universidade Federal de Goiás2 UFG esta reflexão centrase nas diferenças de gênero para compreender como alunos e alunas dessa instituição articulam atividade remunerada formação educacional e cuidados com a casa e família Para isso analisa a divisão sexual do trabalho e a partilha do trabalho reproduti vo entre estudantes que participam do mercado de trabalho remunerado além de traçar um paralelo entre os dados da pesquisa e alguns indicado res do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira Inep Embora o trabalho reprodutivo possa ser compreendido de for ma mais ampla como todos os tipos de trabalho e cuidados necessários para a manutenção da vida e reprodução das próximas gerações DUFFY 2007 este artigo parte de uma concepção de trabalho reprodutivo mais restrita relacionada ao conjunto de tarefas executadas gratuitamente no contexto da família FOUGEYROLLASSCHWEBEL 2009 São portan to as atividades do trabalho doméstico não remunerado como limpeza preparação dos alimentos cuidado de crianças entre outras ESTUDANTES DE ENSINO SUPERIOR POSIÇÕES E PERTENCIMENTOS A pesquisa partiu de uma amostra representativa estratificada pro porcionalmente de acordo com as regionais da universidade Goiânia Goiás Catalão e Jataí e a categoria da população investigada estudan tes docentes técnicoadministrativosas e terceirizadosas Ao total fo ram 669 entrevistadosas dentre osas quais se contam 527 estudantes Para fins deste artigo serão contabilizadas apenas as respostas dosas estudantes segmento de maior peso da comunidade universitária Para localizar as alunas e os alunos entrevistadasos de acordo com seus pertencimentos e posições sociais delineiamse algumas das características mais significativas da amostra de estudantes da UFG Em primeiro lugar asos estudantes entrevistadasos dividemse em 292 mu lheres e 235 homens A proporção maior de mulheres 554 para 446 2 A pesquisa faz parte de um estudo mais amplo promovido pela UFG e realizado pelo Núcleo de Estudos sobre Criminalidade e Violência NECRIVI FCS intitulado Violências conflitos e crimes subsídios para a formulação da política de segurança da UFG 20142015 Agradeço a Ricardo Barbosa de Lima que coordenou a pesquisa survey pela incorporação das questões relativas ao trabalho e afazeres domésticos e a Guilherme Borges da Silva pela tabulação dos dados A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO 900 Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 reflete a realidade do ensino superior brasileiro em que as mulheres ul trapassaram os homens tanto em número de matrículas como em con cluintes de cursos de graduação Segundo o Censo de Educação Superior realizado pelo Inep as mulheres representavam 555 dos matriculados e 596 dos concluintes de 2012 BRASIL 2014 O pertencimento étnicoracial é outra importante condição para o melhor entendimento da categoria de jovens alunos e alunas universitá rios Quase metade dosas estudantes classificou sua corraça como branca 491 366 declararamna como parda e cerca de 10 como preta As demais formas de identificação foram 16 amarela 02 indígena e 09 outra resposta Não houve diferenças significativas de percentual de corraça entre as alunas e os alunos gRáfiCO 1 DISTRIBUIÇÃO DE ESTUDANTES SEGUNDO CORRAÇA 491 366 10 16 02 09 0 10 20 30 40 50 60 Branca Parda Preta Amarela Indígena Outras Fonte Elaborado pela autora com base na pesquisa NECRIVIUFG 20142015 No Brasil 53 das pessoas se declararam pretas e pardas segun do a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Pnad de 2013 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA IBGE 2015 o que resulta em um percentual um pouco maior de negros do que o encontrado na amostra de estudantes da UFG Segundo Lima e Prates 2015 a taxa de escolarização entre brancos e negros ainda é desigual no ensino médio o que se intensifica no ensino superior O estudo observa que a intersecção entre os indicadores de cor e renda aponta para uma desigualdade mais acentuada em que o negro pobre apresenta maior di ficuldade do que o branco pobre para atingir maior escolaridade LIMA PRATES 2015 No entanto o número de estudantes negrosas nas insti tuições de ensino superior está em plena expansão Embora ainda haja uma maioria de pessoas identificadas como brancas o percentual de negrasos e indígenas no ensino superior tem se ampliado nos últimos anos devido a uma maior democratização do acesso e de políticas pú blicas como as ações afirmativas que promovem maior equidade para Tania Ludmila Dias Tosta Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 901 reflete a realidade do ensino superior brasileiro em que as mulheres ul trapassaram os homens tanto em número de matrículas como em con cluintes de cursos de graduação Segundo o Censo de Educação Superior realizado pelo Inep as mulheres representavam 555 dos matriculados e 596 dos concluintes de 2012 BRASIL 2014 O pertencimento étnicoracial é outra importante condição para o melhor entendimento da categoria de jovens alunos e alunas universitá rios Quase metade dosas estudantes classificou sua corraça como branca 491 366 declararamna como parda e cerca de 10 como preta As demais formas de identificação foram 16 amarela 02 indígena e 09 outra resposta Não houve diferenças significativas de percentual de corraça entre as alunas e os alunos gRáfiCO 1 DISTRIBUIÇÃO DE ESTUDANTES SEGUNDO CORRAÇA 491 366 10 16 02 09 0 10 20 30 40 50 60 Branca Parda Preta Amarela Indígena Outras Fonte Elaborado pela autora com base na pesquisa NECRIVIUFG 20142015 No Brasil 53 das pessoas se declararam pretas e pardas segun do a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Pnad de 2013 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA IBGE 2015 o que resulta em um percentual um pouco maior de negros do que o encontrado na amostra de estudantes da UFG Segundo Lima e Prates 2015 a taxa de escolarização entre brancos e negros ainda é desigual no ensino médio o que se intensifica no ensino superior O estudo observa que a intersecção entre os indicadores de cor e renda aponta para uma desigualdade mais acentuada em que o negro pobre apresenta maior di ficuldade do que o branco pobre para atingir maior escolaridade LIMA PRATES 2015 No entanto o número de estudantes negrosas nas insti tuições de ensino superior está em plena expansão Embora ainda haja uma maioria de pessoas identificadas como brancas o percentual de negrasos e indígenas no ensino superior tem se ampliado nos últimos anos devido a uma maior democratização do acesso e de políticas pú blicas como as ações afirmativas que promovem maior equidade para inclusão de grupos e populações historicamente excluídos desse nível de ensino FERES JR DAFLON 2014 No que diz respeito à idade dos alunos e alunas da universidade a grande maioria é composta por jovens de até 26 anos 856 sendo que quase 40 estão na faixa etária entre 15 e 20 anos Assim não é muito expressivo o percentual de estudantes que está acima da faixa considerada adequada para frequentar o ensino superior Como forma de contextualizar o que demograficamente pode ser considerada a po pulação jovem as pessoas na faixa etária entre 15 e 24 anos correspon dem a 166 da população brasileira em 20133 IBGE 2015 Isso indica um decréscimo na proporção de jovens que em 1996 por exemplo representavam 198 do total da população IBGE 1999 Esse dado está relacionado à queda da taxa de natalidade e aumento da expectativa de vida e consequentemente ao maior envelhecimento populacional Desde meados dos anos 1980 o Brasil não é mais considerado um país de população jovem e com o crescimento acelerado da categoria dos idosos esses estão próximos de ultrapassar o número de jovens no país KUCHEMANN 2012 É importante destacar ainda o alto índice de mortalidade de jovens sobretudo por morte violenta Conforme dados do Mapa da Violência as mortes violentas passaram de 16487 em 1980 para 22041 em 2013 Aos 18 anos as causas externas homicídios sui cídios e acidentes de automóveis representam 775 das mortes de jo vens no Brasil WAISELFISZ 2015 Outro fator que permite melhor compreensão da população es tudada é a escolaridade da família A maior parte dosas estudantes pes quisadosas vem de famílias cuja pessoa de referência4 possui ensino médio ou superior completo Para 425 dosas estudantes a pessoa de referência da família possui ensino médio completo ou superior incom pleto enquanto para 321 essa pessoa já concluiu o ensino superior Ao considerarmos os indicadores de corraça verificase que 375 dosas es tudantes declaradosas brancosas vêm de famílias com escolaridade entre médio completo e superior incompleto e quase 40 de famílias com nível superior Para estudantes negrosas abrangendo pretos e pardos 484 são de famílias com ensino médio ou superior incompleto e somente 246 apresentam ensino superior completo5 Traçando um paralelo com os dados do país apenas 139 dos ocupados completaram o nível supe rior de escolaridade segundo a Pnad de 2013 IBGE 2015 Observase portanto que osas estudantes analisadosas pertencem a famílias com es colaridade mais elevada que a média dos ocupadosas brasileirosas Essa afirmativa sustentase face às visíveis desigualdades encontradas entre as famílias de estudantes negrosas e brancosas Embora o percentual de entrevistadosas negrosas de família com ensino superior completo seja bem inferior ao de estudantes brancosas ainda assim é maior do que a média brasileira 3 Não há consenso quanto a um critério etário delimitado para definir juventude GROPPO 2000 mas nesses estudos o IBGE está circunscrevendo a população jovem na faixa etária entre 15 e 24 anos IBGE 1999 IBGE 2015 4 Segundo o IBGE a pessoa de referência é a pessoa responsável pela unidade domiciliar ou pela família ou assim considerada pelos demais membros 5 As demais respostas em termos das classificações de corraça amarela indígena e outras não estão em análise por serem estatisticamente pouco significativas conforme visto acima A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO 902 Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 gRáfiCO 2 DISTRIBUIÇÃO DE ESTUDANTES SEGUNDO RENDA FAMILIAR 42 139 239 258 171 82 12 59 0 5 10 15 20 25 30 até 1 SM 12 SM 23 SM 35 SM 510 SM 10 20 SM 20 ou mais NSDNR NR nenhuma das respostas NSD não souberam dizer SM salário mínimo Fonte Elaborado pela autora com base na pesquisa NECRIVIUFG 20142015 Ainda em se tratando de caracterizar a família dosas alunos e alunas pesquisadosas é preciso considerar sua posição socioeconômica Osas estudantes em questão apresentam renda familiar dispersa entre média e baixa 258 estão na faixa de três a cinco salários mínimos 239 entre dois e três salários e 181 têm renda familiar de menos de dois salários No entanto os resultados apresentam variações significa tivas na interseção dos indicadores de renda e corraça Entre osas que se identificam como brancosas 131 têm renda familiar de até dois salários mínimos e 147 de mais de dez salários mínimos Em contra partida entre osas declaradosas negrosas 234 têm renda familiar de até dois salários mínimos e apenas 44 atingem a faixa de mais de dez salários De acordo com a Pnad de 2013 a média de rendimentos dos do micílios brasileiros desse ano foi de R293300 o que daria pouco mais de quatro salários mínimos se considerado o valor do salário mínimo do período IBGE 2015 Contudo o jovem que entra para a universidade destacase pela perspectiva de construção de sua autonomia e isso implica também em buscar sua própria renda em especial para aqueles cuja família não possui condições de arcar com suas despesas Assim um indicador fun damental nessa análise é distinguir entre estudantes que estão ou não inseridos no mercado de trabalho Do total de estudantes universitá rios pesquisados 323 trabalham de forma remunerada Esse percen tual é mais que o dobro do número de brasileirosas de 18 a 24 anos que aliam trabalho e estudo de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais de 2012 IBGE 2013 Segundo esses dados enquanto 148 das pessoas de 18 a 24 anos trabalham e estudam 145 só estudam 473 só trabalham e 234 não estudam nem trabalham Entre os jovens do último grupo há maioria de mulheres 68 fato que está fortemente Tania Ludmila Dias Tosta Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 903 relacionado com a maternidade e a dificuldade que muitas enfrentam de conciliála com o estudo e a participação em atividades remuneradas IBGE 2013 ARTICULAÇÃO ENTRE ESTUDO TRABALHO E FAMÍLIA Considerando a relação entre trabalho e gênero é possível perceber al gumas diferenças entre as alunas e os alunos na pesquisa Em primei ro lugar mais alunos do que alunas acumulam o estudo com trabalho remunerado Enquanto 38 dos estudantes são trabalhadores 28 das estudantes estão na mesma categoria Em segundo lugar há diferenças consideráveis na contribuição de estudantes para a renda familiar se gundo o sexo Entre os alunos ocupados 483 participam em menos de 40 do total da renda familiar 135 contribuem na faixa de 40 a 60 do total e 303 participam com mais de 60 da renda quase 8 não souberam responder qual sua contribuição na renda Em contrapartida a maioria das alunas que trabalha tem baixa participação na renda fa miliar 63 21 estão na faixa intermediária e apenas 74 na faixa de maior participação na renda da família 86 não souberam responder gRáfiCO 3 PERCENTUAL DE PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES NA RENDA FAMILIAR 0 10 20 30 40 50 60 70 Mulheres Homens Menos de 40 40 a 60 Mais de 60 Fonte Elaborado pela autora com base na pesquisa NECRIVIUFG 20142015 Esses resultados refletem a menor remuneração feminina no mercado de trabalho6 ARAÚJO LOMBARDI 2013 além da maior pres são sofrida pelos homens para trabalhar e assumir a responsabilidade pelo sustento familiar De modo geral os homens começam a trabalhar mais cedo do que as mulheres o que pode ser observado nos dados da Pnad de 2013 segundo os quais 646 das crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos que trabalham são do sexo masculino IBGE 2015 Nesse sentido os estereótipos de gênero contribuem para que os jovens de sexo masculino abandonem os estudos mais cedo para trabalhar enquanto 6 Segundo a Pnad de 2013 as mulheres ocupadas brasileiras recebem 735 do total do rendimento do trabalho dos homens IBGE 2015 A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO 904 Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 as jovens deixam de estudar em menor proporção principalmente por razões relacionadas à maternidade e ao trabalho reprodutivo É preciso ressaltar entretanto que embora a inserção no trabalho prejudique os meninos mais intensamente principalmente os negros e mais pobres esse fator não é suficiente para explicar a diferença entre os sexos na defasagem escolar ARTES CARVALHO 2010 Outros elementos como a construção das feminilidades e masculinidades e a diferença na ex pectativa escolar das famílias para meninas e meninos são apontados como pistas para compreender o maior êxito das mulheres no processo de escolarização SENKEVICS CARVALHO 2015 O tempo de trabalho configurase central para a análise da arti culação que osas estudantes realizam entre a atividade remunerada a formação educacional e os cuidados com a casa e família Comparando com a jornada média dosas brasileirosas e mais especificamente das demais categorias da comunidade universitária analisada a maioria apresenta jornada acima de 40 horas semanais o tempo de trabalho dessesas estudantes é consideravelmente menor Para os alunos do sexo masculino com trabalho remunerado 562 afirmam que dedicam menos de 40 horas por semana ao trabalho 247 dedicam 40 horas e 169 dedicam mais de 40 horas Enquanto isso para as mulheres as jornadas são ainda mais reduzidas 753 tra balham menos de 40 horas por semana 148 trabalham 40 horas e apenas 99 trabalham mais de 40 horas Em termos comparativos se gundo a Pnad de 2012 a jornada de trabalho média para os ocupados do sexo masculino é de 421 horas semanais e para as do sexo feminino é de 361 horas IBGE 2013 gRáfiCO 4 DISTRIBUIÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO REMUNERADO ENTRE ESTUDANTES Mulheres Homens Menos de 40 horas 40 horas Mais de 40 horas Fonte Elaborado pela autora com base na Pesquisa NECRIVIUFG 20142015 O índice de tempo total de trabalho expressa de forma mais adequada a quantidade de tempo investido por mulheres e homens no Tania Ludmila Dias Tosta Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 905 trabalho somando trabalho remunerado e não remunerado No Brasil 88 das mulheres ocupadas de 16 anos ou mais de idade realizam afa zeres domésticos enquanto entre os homens esse percentual cai para 46 segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais de 2013 IBGE 2015 As mulheres têm jornada média em afazeres domésticos mais que o dobro da observada para os homens 206 horassemana Somando o tempo de trabalho remunerado com o tempo de trabalho doméstico temse uma jornada feminina semanal total de 564 horas superior em quase cinco horas à jornada masculina Verificase assim que as mu lheres trabalham mais mesmo que a média de jornada masculina no trabalho produtivo seja maior As desigualdades de gênero no mundo do trabalho e na socieda de podem ser desveladas por meio da perspectiva das relações de gênero e da divisão sexual do trabalho KERGOAT 2009 Para a autora além da destinação prioritária de mulheres para a esfera reprodutiva e de ho mens para a produtiva a divisão sexual do trabalho estruturase a partir dos princípios de separação atividades de mulheres distintas de ativida des de homens e de hierarquização trabalho de homens vale mais que o trabalho de mulheres A partir dessa concepção a articulação entre trabalho produtivo remunerado e reprodutivo ou doméstico tornase fundamental para compreender as relações de trabalho como um todo Como o trabalho reprodutivo não remunerado é realizado majoritaria mente pelas mulheres é preciso compreender as implicações dessa rea lidade nas possibilidades e práticas sociais de homens e mulheres As esferas de produção e de reprodução devem ser pensadas de forma articulada uma vez que o tempo do trabalho remunerado é condi cionado pelo tempo do trabalho doméstico Com a atribuição da respon sabilidade principal pelo trabalho reprodutivo às mulheres seu tempo precisa multiplicarse entre família e ocupação HIRATA ZARIFIAN 2009 questão que geralmente não se coloca para os homens que mes mo diante do crescimento da participação feminina no mercado de tra balho ainda apresentam resistência à divisão do trabalho doméstico Quando ocorre a participação masculina enquadrase como ajuda e não como obrigação ou partilha de responsabilidades BILAC 2014 BRUSCHINI RICOLDI 2012 Pensando a população universitária como um todo 123 dos homens afirmaram que não despendem nenhuma hora por semana para os afazeres domésticos7 O índice de mulheres que não têm parti cipação nenhuma nos afazeres domésticos é de menos da metade desse valor Em geral os homens concentramse entre os que gastam pou co ou nenhum tempo para os afazeres domésticos e as mulheres estão mais presentes nas jornadas mais longas Assim na categoria de pessoas que dedicam mais de dez horas semanais ao trabalho doméstico há 245 de mulheres mas somente 68 dos homens 7 Na pesquisa utilizouse a definição de afazeres domésticos do IBGE que compreende a realização no domicílio de residência de tarefas de a Arrumar ou limpar toda ou parte da moradia b Cozinhar ou preparar alimentos passar roupa lavar roupa ou louça utilizando ou não aparelhos eletrodomésticos para executar essas tarefas para si ou para outros moradores c Orientar ou dirigir trabalhadores domésticos na execução das tarefas domésticas d Cuidar de filhos ou menores moradores ou e Limpar o quintal ou terreno que circunda a residência A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO 906 Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 Apesar de manter o padrão geral de mais longas horas de traba lho doméstico para mulheres o tempo gasto com afazeres domésticos das estudantes foi bem menor que das mulheres das demais categorias da comunidade universitária 62 das alunas não despendem nenhuma hora de seu tempo para as tarefas domésticas 421 despendem entre uma a cinco horas 264 entre seis e dez horas e 199 gastam mais de dez horas para o trabalho doméstico enquanto 55 não souberam res ponder Entre os alunos 128 não têm nenhuma participação 511 dedicam entre uma a cinco horas semanais 213 dedicam de seis a dez horas e somente 6 usam mais de dez horas semanais para os afazeres domésticos 89 não souberam responder a essa questão gRáfiCO 5 DISTRIBUIÇÃO DE HORAS SEMANAIS DE TRABALHO DOMÉSTICO ENTRE ESTUDANTES 0 10 20 30 40 50 60 Mulheres Homens 0 1 5 h 6 10 h mais de 10h Fonte Elaborado pela autora com base na pesquisa NECRIVIUFG 20142015 Para compreender o trabalho reprodutivo além de mensurar o tempo dedicado às atividades domésticas é preciso analisar quem as sume a responsabilidade principal por essas tarefas Considerando a resposta de todas as categorias da população universitária entrevistada segundo o sexo 432 das mulheres consideramse as principais res ponsáveis pelos afazeres domésticos Além de os respondentes homens representarem metade do percentual das mulheres que se consideram responsáveis pelas atividades domésticas a presença masculina em geral é muito baixa Ao contrário da mãe grande protagonista das atividades domésticas o pai tem participação insignificante ou nula como respon sável pelos afazeres tanto de entrevistadas como de entrevistados Tania Ludmila Dias Tosta Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 907 gRáfiCO 6 RESPONSABILIDADE PRINCIPAL PELOS AFAZERES DOMÉSTICOS ENTRE ESTUDANTES 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 Mulheres Homens Própria pessoa Mãe Pai Cônjuge Trabalhadora Outros Fonte Elaborado pela autora com base na pesquisa NECRIVIUFG 20142015 Entre as estudantes universitárias 404 assumem ser as princi pais responsáveis pelo trabalho doméstico para 377 as responsáveis são as mães para 11 são outras pessoas e para 62 são as trabalhado ras domésticas Em contrapartida os estudantes do sexo masculino dei xam a responsabilidade principal para a mãe em 383 dos casos 217 afirmam ser os responsáveis para 157 são outras pessoas para 132 são as trabalhadoras domésticas e para 64 as cônjuges Analisando a interseção entre gênero e raça há diferenças con sideráveis nas respostas entre os estudantes brancos e negros do sexo masculino Apenas 183 dos declarados brancos são os responsáveis pe las tarefas domésticas percentual que sobe para 257 entre os negros Outro dado importante é que enquanto 192 dos brancos transferem o trabalho para uma trabalhadora domésticoa apenas 64 dos negros fazem o mesmo Esses resultados são forte evidência da importância de pensar as imbricações entre as desigualdades de gênero raça e classe e concebêlas como relações sociais consubstanciais produzindose e coproduzindose mutuamente HIRATA 2014 KERGOAT 2010 No en tanto é preciso reconhecer que as relações de gênero ainda têm papel preponderante quando o foco está no trabalho reprodutivo Mesmo que os jovens negros assumam em maior número os afazeres domésticos em comparação aos brancos o percentual de estudantes mulheres que se atribuem o papel principal nos trabalhos de casa ainda é bem maior com pouca diferenciação entre elas em termos de corraça Enquanto os homens de todas as outras categorias docentes téc nicos e terceirizados têm em comum a resposta de que em cerca de 44 dos casos são as cônjuges as protagonistas do trabalho doméstico para os estudantes é a mãe quem ocupa o posto principal em quase 40 das A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO 908 Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 respostas Percebese portanto que mesmo entre estudantes universi tários jovens e com acesso ao ensino superior a divisão do trabalho doméstico segue os moldes tradicionais das normas de gênero em que as mulheres são as grandes responsáveis pelo trabalho doméstico CONSIDERAÇÕES FINAIS A representação da mulher destinada prioritariamente ao trabalho reprodutivo subsiste no imaginário e na prática social da população analisada levando em consideração o grande número de mulheres que é a principal responsável pelos afazeres domésticos Algumas pesqui sas apontam indícios de que os homens mais jovens participam mais do trabalho doméstico do que os das gerações anteriores embora as companheiras permaneçam como as principais realizadoras ÁVILA FERREIRA 2014 BRUSCHINI RICOLDI 2012 No caso dos estudantes universitários é provável que grande parte ainda esteja morando com familiares na condição de filhos o que de certa forma relativiza a ques tão da responsabilidade pelos afazeres da casa8 De todo modo não é possível constatar um rompimento com a concepção da divisão sexual do trabalho e consequente apropriação do trabalho gratuito das mulhe res o que acarreta sobrecarga feminina e concorre para o acirramento das desigualdades de gênero no mercado de trabalho Embora haja al guns sinais de mudança a concepção de Mannheim da juventude como força transformadora da sociedade não pode ser generalizada no caso das desigualdades de gênero que atravessam a sociedade Entretanto não se pode esquecer que o autor aponta que as novas gerações cons tituem um agente dinamizador em potencial mas que poderia ser também uma força de conservação GROPPO 2000 MANNHEIM 1980 O crescimento da inserção de mulheres no trabalho remunerado não foi acompanhado por maior participação do homem na partilha do trabalho doméstico nem por políticas públicas ou mudanças na organi zação produtiva que permitissem a conciliação entre estudo trabalho e vida privada e familiar Assim o modelo de articulação entre trabalho e família não sofre grandes modificações quando não é a responsável pelo trabalho doméstico a mulher delega a tarefa a outra mulher fami liar ou contratada No caso das estudantes mesmo que de ensino superior o traba lho reprodutivo é visto como responsabilidade da própria estudante ou da mãe ao contrário dos universitários do sexo masculino que delegam essa responsabilidade majoritariamente para a mãe Buscando maior qualificação e formação educacional além de assumir a responsabili dade pelo espaço reprodutivo muitas vezes aliada à inserção no traba lho produtivo as jovens estudantes buscam articular tempos e espaços em uma sociedade que não consolidou a socialização da reprodução 8 Ainda assim aqui também há grande distância entre mulheres e homens Entre as estudantes 34 das que moram com familiares assumemse como responsáveis principais pelos afazeres Entre eles são apenas 8 Tania Ludmila Dias Tosta Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 909 nem a partilha igualitária de responsabilidades na produção da vida Resta saber se as novas gerações de jovens que irromperam na chama da primavera feminista9 protagonizando movimentos de resistência e ocupando o espaço público deixarão um campo fértil para mudanças desafiando as hegemonias de gênero também na esfera do privado REFERÊNCIAS ABRAMO Helena Wendel Cenas juvenis punks e darks no espetáculo urbano São Paulo SP Scritta Anpocs 1994 ARAÚJO Ângela LOMBARDI Maria Rosa Trabalho informal gênero e raça no Brasil do início do século XXI Cadernos de Pesquisa São Paulo v 43 n 149 p 452477 2013 ARTES Amélia Cristina Abreu CARVALHO Marília Pinto de O trabalho como fator determinante da defasagem escolar dos meninos no Brasil mito ou realidade Cadernos Pagu Campinas n 34 p 4174 2010 ÁVILA Maria Betânia FERREIRA Verônica Trabalho remunerado e trabalho doméstico no cotidiano das mulheres Recife SOS Corpo São Paulo Instituto Patrícia Galvão 2014 BEZERRA Heloísa Dias et al Juventude e política entre a vontade geral e o abandono do Estado In BEZERRA Heloísa Dias OLIVEIRA Sandra Org Juventude no século XXI dilemas e perspectivas Goiânia GO Cânone 2013 p 95132 BILAC Elisabete Dória Trabalho e família articulações possíveis Tempo Social São Paulo v 26 n 1 p 129145 2014 BRASIL Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira Inep Censo da educação superior 2012 resumo técnico Brasília DF Inep 2014 BRUSCHINI Cristina RICOLDI Arlene Revendo estereótipos o papel dos homens no trabalho doméstico Revista Estudos Feministas Florianópolis v 20 n 1 p 259287 2012 CARMO Paulo Sérgio Juventude no singular e no plural Cadernos Adenauer Rio de Janeiro ano II n 6 p 929 2001 DUFFY Mignon Doing the dirty work gender race and reproductive labor in historical perspective Gender Society Thousand Oaks v 21 n 3 p 313336 2007 FERES JÚNIOR João DAFLON Verônica Políticas de igualdade racial no ensino superior Cadernos do Desenvolvimento Fluminense Rio de Janeiro n 5 p 3143 jul 2014 FOUGEYROLLASSCHWEBEL Dominique Trabalho doméstico In HIRATA Helena et al Org Dicionário crítico do feminismo São Paulo SP Unesp 2009 p 256262 FRAGA Paulo Cesar Pontes IULIANELLI Jorge Atílio Silva Org Jovens em tempo real Rio de Janeiro DPA 2003 GROPPO Luís Antonio Juventude ensaios sobre a sociologia e história das juventudes modernas Rio de Janeiro Difel 2000 HIRATA Helena Gênero classe e raça interseccionalidade e consubstancialidade das relações sociais Tempo Social São Paulo v 26 n 1 p 6173 jun 2014 HIRATA Helena ZARIFIAN Philippe Trabalho In HIRATA Helena et al Org Dicionário crítico do feminismo São Paulo SP Unesp 2009 p 251256 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA População jovem no Brasil Rio de Janeiro IBGE 1999 Estudos e pesquisas Informação demográfica e socioeconômica n 3 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA Pesquisa nacional por amostra de domicílios síntese de indicadores 2012 Rio de Janeiro IBGE 2013 9 A primavera feminista foi assim denominada pela mídia a partir de uma série de atos nas ruas e nas redes sociais que eclodiram na primavera de 2015 nos quais milhares de mulheres de todo o país manifestaramse contra uma pauta de retrocessos aos seus direitos abrangendo também o enfrentamento às várias formas de violência contra a mulher e o protagonismo feminino nas resistências de estudantes e na luta pela democracia A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO 910 Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA Pesquisa nacional por amostra de domicílios síntese de indicadores 2013 2 ed Rio de Janeiro IBGE 2015 KERGOAT Danièle Divisão sexual do trabalho e relações sociais de sexo In HIRATA Helena et al Org Dicionário crítico do feminismo São Paulo SP Unesp 2009 p 6775 KERGOAT Danièle Dinâmica e consubstancialidade das relações sociais Novos estudos Cebrap n 86 p 93103 mar 2010 KUCHEMANN Berlindes Astrid Envelhecimento populacional cuidado e cidadania velhos dilemas e novos desafios Sociedade e Estado Brasília v 27 n 1 p 165180 janabr 2012 LIMA Márcia PRATES Ian Desigualdades raciais no Brasil um desafio persistente In ARRETCHE Marta Org Trajetórias das desigualdades como o Brasil mudou nos últimos cinquenta anos São Paulo SP Editora Unesp CEM 2015 p 163189 MANNHEIM Karl O problema da juventude na sociedade moderna In MANNHEIM Karl Diagnóstico de nosso tempo Rio de Janeiro Zahar 1980 p 4772 SENKEVICS Adriano Souza CARVALHO Marília Pinto de Casa rua escola gênero e escolarização em setores populares urbanos Cadernos de Pesquisa São Paulo v 45 n 158 p 944968 2015 TAVARES Breitner Na quebrada a parceria é mais forte jovens vínculos afetivos e reconhecimento na periferia São Paulo SP Annablume 2012 WAISELFISZ Júlio Jacobo Mapa da violência 2015 adolescentes de 16 e 17 anos do Brasil Rio de Janeiro Flacso 2015 WELLER Wivian A atualidade do conceito de gerações de Karl Mannheim Sociedade e Estado Brasília v 25 n 2 p 204225 maioago 2010 WELLER Wivian Minha voz é tudo o que tenho manifestações juvenis em Berlim e São Paulo Belo Horizonte Humanitas 2011 TANIA LUDMILA DIAS TOSTA Professora da Universidade Federal de Goiás UFG Goiânia Goiás Brasil tantostahotmailcom Recebido em JULHO 2016 Aprovado para publicação em JANEIRO 2017
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Texto de pré-visualização
A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO 896 Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 ARTIGOS A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO1 TANIA LUDmILA DIAS TOSTA RESUMO O presente trabalho discute a articulação entre estudo trabalho e família para estudantes de ensino superior a partir dos resultados de uma pesquisa mais ampla realizada na Universidade Federal de Goiás Tomando como base uma amostra de 527 estudantes buscase caracterizálos de acordo com seus pertencimentos e posições sociais além de compreender os usos do tempo e a participação de homens e mulheres no trabalho produtivo e reprodutivo A análise indica que apesar de jovens mulheres constituírem a maioria da população universitária as construções hierárquicas das relações de gênero persistem e a responsabilidade pelos afazeres domésticos ainda é assumida de forma preponderante como feminina ENSINO SUPERIOR RELAÇÕES DE GÊNERO TRABALHO FAMÍLIAS 1 Uma primeira versão deste trabalho foi apresentada no IV Simpósio Internacional de Ciências Sociais da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás realizado em Goiânia de 11 a 14 de novembro de 2015 THE PARTICIPATION OF UNIVERSITY STUDENTS IN PRODUCTIVE AND REPRODUCTIVE WORK ABSTRACT This paper discusses the links among study work and family for higher education students based on the results of a broader research carried out at the Universidade Federal de Goiás BR Based on a sample of 527 students this work seeks to characterize them according to their sense of belonging and social positions their use of time and also the participation of men and women in productive and reproductive work The analysis indicates that although young women make up the majority of the population the hierarchical structures of gender relations persist and the responsibility for domestic work is still overwhelmingly assumed by women HIGHER EDUCATION GENDER RELATIONSHIP LABOUR FAMILY Tania Ludmila Dias Tosta Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 897 httpdxdoiorg101590198053144119 LA PARTICIPATION DES ÉTUDIANTS UNIVERSITAIRES DANS LE TRAVAIL PRODUCTIF ET REPRODUCTIF RÉSUMÉ Ce travail discute larticulation entre études travail et famille pour des étudiants de niveau supérieur et utilise des résultats dune recherche plus vaste menée à lUniversidade Federal de Goiás En prenant comme base un échantillon de 527 étudiants nous avons cherché à les caractériser en fonction de leur appartenance et de leur position sociale Nous avons par ailleurs tenté de comprendre comment ils utilisaient leur temps et quelle était la participation des hommes et des femmes dans le travail productif et reproductif Cette anlyse indique que même si les jeunes femmes constituent la majorité de la population universitaire les constructions hiérarchiques des relations de genre persistent et que la responsabilité pour les tâches domestiques est fondamentalement perçue comme appartenant au domaine féminin ENSEIGNEMENT SUPÉRIEUR RELATIONS DE GENRE TRAVAIL FAMILLE LA PARTICIPACIÓN DE ESTUDIANTES UNIVERSITARIOS EN EL TRABAJO PRODUCTIVO Y REPRODUCTIVO RESUMEN El presente trabajo discute la articulación entre estudio trabajo y familia para estudiantes de la educación superior a partir de los resultados de una investigación más amplia realizada en la Universidade Federal de Goiás Tomando como base una muestra de 527 estudiantes se busca caracterizarlos de acuerdo a sus pertenencias y posiciones sociales además de comprender los usos del tiempo y la participación de hombres y mujeres en el trabajo productivo y reproductivo El análisis indica que a pesar de que las mujeres jóvenes constituyen la mayoría de la población universitaria las construcciones jerárquicas de las relaciones de género persisten y la responsabilidad por las tareas domésticas todavía es considerada de forma preponderante como femenina ENSEÑANZA SUPERIOR RELACIONES DE GÉNERO TRABAJO FAMILIAS A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO 898 Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 P ARA AlÉM dE UM CRiTÉRiO ETáRiO fixO A jUvENTUdE É dEfiNidA COMO CATEgORiA SOCiAl importante para o entendimento das sociedades modernas GROPPO 2000 De acordo com a concepção de Mannheim o pertencimento ge racional não se caracterizaria apenas pelo tempo cronológico compar tilhado por pessoas nascidas em certa época sua posição em comum advém da possibilidade de vivenciar as mesmas experiências e de pro cessálas de forma semelhante MANNHEIM 1980 WELLER 2010 Independentemente de suas idades um grupo de pessoas pode ser apon tado como jovem por compartilhar um gradiente de valores em comum tais como vestuários tipos musicais e hábitos Mannheim também apon ta a juventude como elemento dinamizador da sociedade que tende a protagonizar e ajustarse às transformações sociais por constituir um segmento ainda em formação não completamente inserido na ordem social BEZERRA et al 2013 MANNHEIM 1980 Essa leitura indica que a participação de jovens nos processos de transformação social depende muito das condições sociais de sua inserção Podem ser revolucionários ou afiliarse a movimentos conservadores Pensando na Europa da déca da de 1930 tanto se engajaram em movimentos democráticos como em movimentos fascistas como foi o caso da juventude nazista Assim o uso do plural do termo juventudes alude à neces sidade de indicar a diversidade de vivências possíveis da juventude de acordo com classe gênero sexualidade raça etnia origem entre outros Tania Ludmila Dias Tosta Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 899 marcadores sociais da diferença CARMO 2001 FRAGA IULIANELLI 2003 Se a categoria juventude importa como construção social não deve apagar as identidades plurais que nela se inscrevem ABRAMO 1994 pois a experiência de um jovem negro da periferia não é a mes ma de um jovem branco de alta renda TAVARES 2012 WELLER 2011 Este artigo parte de um segmento particular da categoria es tudantes de ensino superior Mais especificamente estudantes de uma universidade pública brasileira Embora essa condição os aproxime ou tros tantos pertencimentos os diferenciam A juventude de uma univer sitária trabalhadora chefe de família é muito distinta da juventude de um universitário em dedicação integral aos estudos Com base em uma pesquisa realizada na Universidade Federal de Goiás2 UFG esta reflexão centrase nas diferenças de gênero para compreender como alunos e alunas dessa instituição articulam atividade remunerada formação educacional e cuidados com a casa e família Para isso analisa a divisão sexual do trabalho e a partilha do trabalho reproduti vo entre estudantes que participam do mercado de trabalho remunerado além de traçar um paralelo entre os dados da pesquisa e alguns indicado res do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira Inep Embora o trabalho reprodutivo possa ser compreendido de for ma mais ampla como todos os tipos de trabalho e cuidados necessários para a manutenção da vida e reprodução das próximas gerações DUFFY 2007 este artigo parte de uma concepção de trabalho reprodutivo mais restrita relacionada ao conjunto de tarefas executadas gratuitamente no contexto da família FOUGEYROLLASSCHWEBEL 2009 São portan to as atividades do trabalho doméstico não remunerado como limpeza preparação dos alimentos cuidado de crianças entre outras ESTUDANTES DE ENSINO SUPERIOR POSIÇÕES E PERTENCIMENTOS A pesquisa partiu de uma amostra representativa estratificada pro porcionalmente de acordo com as regionais da universidade Goiânia Goiás Catalão e Jataí e a categoria da população investigada estudan tes docentes técnicoadministrativosas e terceirizadosas Ao total fo ram 669 entrevistadosas dentre osas quais se contam 527 estudantes Para fins deste artigo serão contabilizadas apenas as respostas dosas estudantes segmento de maior peso da comunidade universitária Para localizar as alunas e os alunos entrevistadasos de acordo com seus pertencimentos e posições sociais delineiamse algumas das características mais significativas da amostra de estudantes da UFG Em primeiro lugar asos estudantes entrevistadasos dividemse em 292 mu lheres e 235 homens A proporção maior de mulheres 554 para 446 2 A pesquisa faz parte de um estudo mais amplo promovido pela UFG e realizado pelo Núcleo de Estudos sobre Criminalidade e Violência NECRIVI FCS intitulado Violências conflitos e crimes subsídios para a formulação da política de segurança da UFG 20142015 Agradeço a Ricardo Barbosa de Lima que coordenou a pesquisa survey pela incorporação das questões relativas ao trabalho e afazeres domésticos e a Guilherme Borges da Silva pela tabulação dos dados A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO 900 Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 reflete a realidade do ensino superior brasileiro em que as mulheres ul trapassaram os homens tanto em número de matrículas como em con cluintes de cursos de graduação Segundo o Censo de Educação Superior realizado pelo Inep as mulheres representavam 555 dos matriculados e 596 dos concluintes de 2012 BRASIL 2014 O pertencimento étnicoracial é outra importante condição para o melhor entendimento da categoria de jovens alunos e alunas universitá rios Quase metade dosas estudantes classificou sua corraça como branca 491 366 declararamna como parda e cerca de 10 como preta As demais formas de identificação foram 16 amarela 02 indígena e 09 outra resposta Não houve diferenças significativas de percentual de corraça entre as alunas e os alunos gRáfiCO 1 DISTRIBUIÇÃO DE ESTUDANTES SEGUNDO CORRAÇA 491 366 10 16 02 09 0 10 20 30 40 50 60 Branca Parda Preta Amarela Indígena Outras Fonte Elaborado pela autora com base na pesquisa NECRIVIUFG 20142015 No Brasil 53 das pessoas se declararam pretas e pardas segun do a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Pnad de 2013 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA IBGE 2015 o que resulta em um percentual um pouco maior de negros do que o encontrado na amostra de estudantes da UFG Segundo Lima e Prates 2015 a taxa de escolarização entre brancos e negros ainda é desigual no ensino médio o que se intensifica no ensino superior O estudo observa que a intersecção entre os indicadores de cor e renda aponta para uma desigualdade mais acentuada em que o negro pobre apresenta maior di ficuldade do que o branco pobre para atingir maior escolaridade LIMA PRATES 2015 No entanto o número de estudantes negrosas nas insti tuições de ensino superior está em plena expansão Embora ainda haja uma maioria de pessoas identificadas como brancas o percentual de negrasos e indígenas no ensino superior tem se ampliado nos últimos anos devido a uma maior democratização do acesso e de políticas pú blicas como as ações afirmativas que promovem maior equidade para Tania Ludmila Dias Tosta Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 901 reflete a realidade do ensino superior brasileiro em que as mulheres ul trapassaram os homens tanto em número de matrículas como em con cluintes de cursos de graduação Segundo o Censo de Educação Superior realizado pelo Inep as mulheres representavam 555 dos matriculados e 596 dos concluintes de 2012 BRASIL 2014 O pertencimento étnicoracial é outra importante condição para o melhor entendimento da categoria de jovens alunos e alunas universitá rios Quase metade dosas estudantes classificou sua corraça como branca 491 366 declararamna como parda e cerca de 10 como preta As demais formas de identificação foram 16 amarela 02 indígena e 09 outra resposta Não houve diferenças significativas de percentual de corraça entre as alunas e os alunos gRáfiCO 1 DISTRIBUIÇÃO DE ESTUDANTES SEGUNDO CORRAÇA 491 366 10 16 02 09 0 10 20 30 40 50 60 Branca Parda Preta Amarela Indígena Outras Fonte Elaborado pela autora com base na pesquisa NECRIVIUFG 20142015 No Brasil 53 das pessoas se declararam pretas e pardas segun do a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Pnad de 2013 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA IBGE 2015 o que resulta em um percentual um pouco maior de negros do que o encontrado na amostra de estudantes da UFG Segundo Lima e Prates 2015 a taxa de escolarização entre brancos e negros ainda é desigual no ensino médio o que se intensifica no ensino superior O estudo observa que a intersecção entre os indicadores de cor e renda aponta para uma desigualdade mais acentuada em que o negro pobre apresenta maior di ficuldade do que o branco pobre para atingir maior escolaridade LIMA PRATES 2015 No entanto o número de estudantes negrosas nas insti tuições de ensino superior está em plena expansão Embora ainda haja uma maioria de pessoas identificadas como brancas o percentual de negrasos e indígenas no ensino superior tem se ampliado nos últimos anos devido a uma maior democratização do acesso e de políticas pú blicas como as ações afirmativas que promovem maior equidade para inclusão de grupos e populações historicamente excluídos desse nível de ensino FERES JR DAFLON 2014 No que diz respeito à idade dos alunos e alunas da universidade a grande maioria é composta por jovens de até 26 anos 856 sendo que quase 40 estão na faixa etária entre 15 e 20 anos Assim não é muito expressivo o percentual de estudantes que está acima da faixa considerada adequada para frequentar o ensino superior Como forma de contextualizar o que demograficamente pode ser considerada a po pulação jovem as pessoas na faixa etária entre 15 e 24 anos correspon dem a 166 da população brasileira em 20133 IBGE 2015 Isso indica um decréscimo na proporção de jovens que em 1996 por exemplo representavam 198 do total da população IBGE 1999 Esse dado está relacionado à queda da taxa de natalidade e aumento da expectativa de vida e consequentemente ao maior envelhecimento populacional Desde meados dos anos 1980 o Brasil não é mais considerado um país de população jovem e com o crescimento acelerado da categoria dos idosos esses estão próximos de ultrapassar o número de jovens no país KUCHEMANN 2012 É importante destacar ainda o alto índice de mortalidade de jovens sobretudo por morte violenta Conforme dados do Mapa da Violência as mortes violentas passaram de 16487 em 1980 para 22041 em 2013 Aos 18 anos as causas externas homicídios sui cídios e acidentes de automóveis representam 775 das mortes de jo vens no Brasil WAISELFISZ 2015 Outro fator que permite melhor compreensão da população es tudada é a escolaridade da família A maior parte dosas estudantes pes quisadosas vem de famílias cuja pessoa de referência4 possui ensino médio ou superior completo Para 425 dosas estudantes a pessoa de referência da família possui ensino médio completo ou superior incom pleto enquanto para 321 essa pessoa já concluiu o ensino superior Ao considerarmos os indicadores de corraça verificase que 375 dosas es tudantes declaradosas brancosas vêm de famílias com escolaridade entre médio completo e superior incompleto e quase 40 de famílias com nível superior Para estudantes negrosas abrangendo pretos e pardos 484 são de famílias com ensino médio ou superior incompleto e somente 246 apresentam ensino superior completo5 Traçando um paralelo com os dados do país apenas 139 dos ocupados completaram o nível supe rior de escolaridade segundo a Pnad de 2013 IBGE 2015 Observase portanto que osas estudantes analisadosas pertencem a famílias com es colaridade mais elevada que a média dos ocupadosas brasileirosas Essa afirmativa sustentase face às visíveis desigualdades encontradas entre as famílias de estudantes negrosas e brancosas Embora o percentual de entrevistadosas negrosas de família com ensino superior completo seja bem inferior ao de estudantes brancosas ainda assim é maior do que a média brasileira 3 Não há consenso quanto a um critério etário delimitado para definir juventude GROPPO 2000 mas nesses estudos o IBGE está circunscrevendo a população jovem na faixa etária entre 15 e 24 anos IBGE 1999 IBGE 2015 4 Segundo o IBGE a pessoa de referência é a pessoa responsável pela unidade domiciliar ou pela família ou assim considerada pelos demais membros 5 As demais respostas em termos das classificações de corraça amarela indígena e outras não estão em análise por serem estatisticamente pouco significativas conforme visto acima A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO 902 Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 gRáfiCO 2 DISTRIBUIÇÃO DE ESTUDANTES SEGUNDO RENDA FAMILIAR 42 139 239 258 171 82 12 59 0 5 10 15 20 25 30 até 1 SM 12 SM 23 SM 35 SM 510 SM 10 20 SM 20 ou mais NSDNR NR nenhuma das respostas NSD não souberam dizer SM salário mínimo Fonte Elaborado pela autora com base na pesquisa NECRIVIUFG 20142015 Ainda em se tratando de caracterizar a família dosas alunos e alunas pesquisadosas é preciso considerar sua posição socioeconômica Osas estudantes em questão apresentam renda familiar dispersa entre média e baixa 258 estão na faixa de três a cinco salários mínimos 239 entre dois e três salários e 181 têm renda familiar de menos de dois salários No entanto os resultados apresentam variações significa tivas na interseção dos indicadores de renda e corraça Entre osas que se identificam como brancosas 131 têm renda familiar de até dois salários mínimos e 147 de mais de dez salários mínimos Em contra partida entre osas declaradosas negrosas 234 têm renda familiar de até dois salários mínimos e apenas 44 atingem a faixa de mais de dez salários De acordo com a Pnad de 2013 a média de rendimentos dos do micílios brasileiros desse ano foi de R293300 o que daria pouco mais de quatro salários mínimos se considerado o valor do salário mínimo do período IBGE 2015 Contudo o jovem que entra para a universidade destacase pela perspectiva de construção de sua autonomia e isso implica também em buscar sua própria renda em especial para aqueles cuja família não possui condições de arcar com suas despesas Assim um indicador fun damental nessa análise é distinguir entre estudantes que estão ou não inseridos no mercado de trabalho Do total de estudantes universitá rios pesquisados 323 trabalham de forma remunerada Esse percen tual é mais que o dobro do número de brasileirosas de 18 a 24 anos que aliam trabalho e estudo de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais de 2012 IBGE 2013 Segundo esses dados enquanto 148 das pessoas de 18 a 24 anos trabalham e estudam 145 só estudam 473 só trabalham e 234 não estudam nem trabalham Entre os jovens do último grupo há maioria de mulheres 68 fato que está fortemente Tania Ludmila Dias Tosta Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 903 relacionado com a maternidade e a dificuldade que muitas enfrentam de conciliála com o estudo e a participação em atividades remuneradas IBGE 2013 ARTICULAÇÃO ENTRE ESTUDO TRABALHO E FAMÍLIA Considerando a relação entre trabalho e gênero é possível perceber al gumas diferenças entre as alunas e os alunos na pesquisa Em primei ro lugar mais alunos do que alunas acumulam o estudo com trabalho remunerado Enquanto 38 dos estudantes são trabalhadores 28 das estudantes estão na mesma categoria Em segundo lugar há diferenças consideráveis na contribuição de estudantes para a renda familiar se gundo o sexo Entre os alunos ocupados 483 participam em menos de 40 do total da renda familiar 135 contribuem na faixa de 40 a 60 do total e 303 participam com mais de 60 da renda quase 8 não souberam responder qual sua contribuição na renda Em contrapartida a maioria das alunas que trabalha tem baixa participação na renda fa miliar 63 21 estão na faixa intermediária e apenas 74 na faixa de maior participação na renda da família 86 não souberam responder gRáfiCO 3 PERCENTUAL DE PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES NA RENDA FAMILIAR 0 10 20 30 40 50 60 70 Mulheres Homens Menos de 40 40 a 60 Mais de 60 Fonte Elaborado pela autora com base na pesquisa NECRIVIUFG 20142015 Esses resultados refletem a menor remuneração feminina no mercado de trabalho6 ARAÚJO LOMBARDI 2013 além da maior pres são sofrida pelos homens para trabalhar e assumir a responsabilidade pelo sustento familiar De modo geral os homens começam a trabalhar mais cedo do que as mulheres o que pode ser observado nos dados da Pnad de 2013 segundo os quais 646 das crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos que trabalham são do sexo masculino IBGE 2015 Nesse sentido os estereótipos de gênero contribuem para que os jovens de sexo masculino abandonem os estudos mais cedo para trabalhar enquanto 6 Segundo a Pnad de 2013 as mulheres ocupadas brasileiras recebem 735 do total do rendimento do trabalho dos homens IBGE 2015 A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO 904 Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 as jovens deixam de estudar em menor proporção principalmente por razões relacionadas à maternidade e ao trabalho reprodutivo É preciso ressaltar entretanto que embora a inserção no trabalho prejudique os meninos mais intensamente principalmente os negros e mais pobres esse fator não é suficiente para explicar a diferença entre os sexos na defasagem escolar ARTES CARVALHO 2010 Outros elementos como a construção das feminilidades e masculinidades e a diferença na ex pectativa escolar das famílias para meninas e meninos são apontados como pistas para compreender o maior êxito das mulheres no processo de escolarização SENKEVICS CARVALHO 2015 O tempo de trabalho configurase central para a análise da arti culação que osas estudantes realizam entre a atividade remunerada a formação educacional e os cuidados com a casa e família Comparando com a jornada média dosas brasileirosas e mais especificamente das demais categorias da comunidade universitária analisada a maioria apresenta jornada acima de 40 horas semanais o tempo de trabalho dessesas estudantes é consideravelmente menor Para os alunos do sexo masculino com trabalho remunerado 562 afirmam que dedicam menos de 40 horas por semana ao trabalho 247 dedicam 40 horas e 169 dedicam mais de 40 horas Enquanto isso para as mulheres as jornadas são ainda mais reduzidas 753 tra balham menos de 40 horas por semana 148 trabalham 40 horas e apenas 99 trabalham mais de 40 horas Em termos comparativos se gundo a Pnad de 2012 a jornada de trabalho média para os ocupados do sexo masculino é de 421 horas semanais e para as do sexo feminino é de 361 horas IBGE 2013 gRáfiCO 4 DISTRIBUIÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO REMUNERADO ENTRE ESTUDANTES Mulheres Homens Menos de 40 horas 40 horas Mais de 40 horas Fonte Elaborado pela autora com base na Pesquisa NECRIVIUFG 20142015 O índice de tempo total de trabalho expressa de forma mais adequada a quantidade de tempo investido por mulheres e homens no Tania Ludmila Dias Tosta Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 905 trabalho somando trabalho remunerado e não remunerado No Brasil 88 das mulheres ocupadas de 16 anos ou mais de idade realizam afa zeres domésticos enquanto entre os homens esse percentual cai para 46 segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais de 2013 IBGE 2015 As mulheres têm jornada média em afazeres domésticos mais que o dobro da observada para os homens 206 horassemana Somando o tempo de trabalho remunerado com o tempo de trabalho doméstico temse uma jornada feminina semanal total de 564 horas superior em quase cinco horas à jornada masculina Verificase assim que as mu lheres trabalham mais mesmo que a média de jornada masculina no trabalho produtivo seja maior As desigualdades de gênero no mundo do trabalho e na socieda de podem ser desveladas por meio da perspectiva das relações de gênero e da divisão sexual do trabalho KERGOAT 2009 Para a autora além da destinação prioritária de mulheres para a esfera reprodutiva e de ho mens para a produtiva a divisão sexual do trabalho estruturase a partir dos princípios de separação atividades de mulheres distintas de ativida des de homens e de hierarquização trabalho de homens vale mais que o trabalho de mulheres A partir dessa concepção a articulação entre trabalho produtivo remunerado e reprodutivo ou doméstico tornase fundamental para compreender as relações de trabalho como um todo Como o trabalho reprodutivo não remunerado é realizado majoritaria mente pelas mulheres é preciso compreender as implicações dessa rea lidade nas possibilidades e práticas sociais de homens e mulheres As esferas de produção e de reprodução devem ser pensadas de forma articulada uma vez que o tempo do trabalho remunerado é condi cionado pelo tempo do trabalho doméstico Com a atribuição da respon sabilidade principal pelo trabalho reprodutivo às mulheres seu tempo precisa multiplicarse entre família e ocupação HIRATA ZARIFIAN 2009 questão que geralmente não se coloca para os homens que mes mo diante do crescimento da participação feminina no mercado de tra balho ainda apresentam resistência à divisão do trabalho doméstico Quando ocorre a participação masculina enquadrase como ajuda e não como obrigação ou partilha de responsabilidades BILAC 2014 BRUSCHINI RICOLDI 2012 Pensando a população universitária como um todo 123 dos homens afirmaram que não despendem nenhuma hora por semana para os afazeres domésticos7 O índice de mulheres que não têm parti cipação nenhuma nos afazeres domésticos é de menos da metade desse valor Em geral os homens concentramse entre os que gastam pou co ou nenhum tempo para os afazeres domésticos e as mulheres estão mais presentes nas jornadas mais longas Assim na categoria de pessoas que dedicam mais de dez horas semanais ao trabalho doméstico há 245 de mulheres mas somente 68 dos homens 7 Na pesquisa utilizouse a definição de afazeres domésticos do IBGE que compreende a realização no domicílio de residência de tarefas de a Arrumar ou limpar toda ou parte da moradia b Cozinhar ou preparar alimentos passar roupa lavar roupa ou louça utilizando ou não aparelhos eletrodomésticos para executar essas tarefas para si ou para outros moradores c Orientar ou dirigir trabalhadores domésticos na execução das tarefas domésticas d Cuidar de filhos ou menores moradores ou e Limpar o quintal ou terreno que circunda a residência A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO 906 Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 Apesar de manter o padrão geral de mais longas horas de traba lho doméstico para mulheres o tempo gasto com afazeres domésticos das estudantes foi bem menor que das mulheres das demais categorias da comunidade universitária 62 das alunas não despendem nenhuma hora de seu tempo para as tarefas domésticas 421 despendem entre uma a cinco horas 264 entre seis e dez horas e 199 gastam mais de dez horas para o trabalho doméstico enquanto 55 não souberam res ponder Entre os alunos 128 não têm nenhuma participação 511 dedicam entre uma a cinco horas semanais 213 dedicam de seis a dez horas e somente 6 usam mais de dez horas semanais para os afazeres domésticos 89 não souberam responder a essa questão gRáfiCO 5 DISTRIBUIÇÃO DE HORAS SEMANAIS DE TRABALHO DOMÉSTICO ENTRE ESTUDANTES 0 10 20 30 40 50 60 Mulheres Homens 0 1 5 h 6 10 h mais de 10h Fonte Elaborado pela autora com base na pesquisa NECRIVIUFG 20142015 Para compreender o trabalho reprodutivo além de mensurar o tempo dedicado às atividades domésticas é preciso analisar quem as sume a responsabilidade principal por essas tarefas Considerando a resposta de todas as categorias da população universitária entrevistada segundo o sexo 432 das mulheres consideramse as principais res ponsáveis pelos afazeres domésticos Além de os respondentes homens representarem metade do percentual das mulheres que se consideram responsáveis pelas atividades domésticas a presença masculina em geral é muito baixa Ao contrário da mãe grande protagonista das atividades domésticas o pai tem participação insignificante ou nula como respon sável pelos afazeres tanto de entrevistadas como de entrevistados Tania Ludmila Dias Tosta Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 907 gRáfiCO 6 RESPONSABILIDADE PRINCIPAL PELOS AFAZERES DOMÉSTICOS ENTRE ESTUDANTES 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 Mulheres Homens Própria pessoa Mãe Pai Cônjuge Trabalhadora Outros Fonte Elaborado pela autora com base na pesquisa NECRIVIUFG 20142015 Entre as estudantes universitárias 404 assumem ser as princi pais responsáveis pelo trabalho doméstico para 377 as responsáveis são as mães para 11 são outras pessoas e para 62 são as trabalhado ras domésticas Em contrapartida os estudantes do sexo masculino dei xam a responsabilidade principal para a mãe em 383 dos casos 217 afirmam ser os responsáveis para 157 são outras pessoas para 132 são as trabalhadoras domésticas e para 64 as cônjuges Analisando a interseção entre gênero e raça há diferenças con sideráveis nas respostas entre os estudantes brancos e negros do sexo masculino Apenas 183 dos declarados brancos são os responsáveis pe las tarefas domésticas percentual que sobe para 257 entre os negros Outro dado importante é que enquanto 192 dos brancos transferem o trabalho para uma trabalhadora domésticoa apenas 64 dos negros fazem o mesmo Esses resultados são forte evidência da importância de pensar as imbricações entre as desigualdades de gênero raça e classe e concebêlas como relações sociais consubstanciais produzindose e coproduzindose mutuamente HIRATA 2014 KERGOAT 2010 No en tanto é preciso reconhecer que as relações de gênero ainda têm papel preponderante quando o foco está no trabalho reprodutivo Mesmo que os jovens negros assumam em maior número os afazeres domésticos em comparação aos brancos o percentual de estudantes mulheres que se atribuem o papel principal nos trabalhos de casa ainda é bem maior com pouca diferenciação entre elas em termos de corraça Enquanto os homens de todas as outras categorias docentes téc nicos e terceirizados têm em comum a resposta de que em cerca de 44 dos casos são as cônjuges as protagonistas do trabalho doméstico para os estudantes é a mãe quem ocupa o posto principal em quase 40 das A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO 908 Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 respostas Percebese portanto que mesmo entre estudantes universi tários jovens e com acesso ao ensino superior a divisão do trabalho doméstico segue os moldes tradicionais das normas de gênero em que as mulheres são as grandes responsáveis pelo trabalho doméstico CONSIDERAÇÕES FINAIS A representação da mulher destinada prioritariamente ao trabalho reprodutivo subsiste no imaginário e na prática social da população analisada levando em consideração o grande número de mulheres que é a principal responsável pelos afazeres domésticos Algumas pesqui sas apontam indícios de que os homens mais jovens participam mais do trabalho doméstico do que os das gerações anteriores embora as companheiras permaneçam como as principais realizadoras ÁVILA FERREIRA 2014 BRUSCHINI RICOLDI 2012 No caso dos estudantes universitários é provável que grande parte ainda esteja morando com familiares na condição de filhos o que de certa forma relativiza a ques tão da responsabilidade pelos afazeres da casa8 De todo modo não é possível constatar um rompimento com a concepção da divisão sexual do trabalho e consequente apropriação do trabalho gratuito das mulhe res o que acarreta sobrecarga feminina e concorre para o acirramento das desigualdades de gênero no mercado de trabalho Embora haja al guns sinais de mudança a concepção de Mannheim da juventude como força transformadora da sociedade não pode ser generalizada no caso das desigualdades de gênero que atravessam a sociedade Entretanto não se pode esquecer que o autor aponta que as novas gerações cons tituem um agente dinamizador em potencial mas que poderia ser também uma força de conservação GROPPO 2000 MANNHEIM 1980 O crescimento da inserção de mulheres no trabalho remunerado não foi acompanhado por maior participação do homem na partilha do trabalho doméstico nem por políticas públicas ou mudanças na organi zação produtiva que permitissem a conciliação entre estudo trabalho e vida privada e familiar Assim o modelo de articulação entre trabalho e família não sofre grandes modificações quando não é a responsável pelo trabalho doméstico a mulher delega a tarefa a outra mulher fami liar ou contratada No caso das estudantes mesmo que de ensino superior o traba lho reprodutivo é visto como responsabilidade da própria estudante ou da mãe ao contrário dos universitários do sexo masculino que delegam essa responsabilidade majoritariamente para a mãe Buscando maior qualificação e formação educacional além de assumir a responsabili dade pelo espaço reprodutivo muitas vezes aliada à inserção no traba lho produtivo as jovens estudantes buscam articular tempos e espaços em uma sociedade que não consolidou a socialização da reprodução 8 Ainda assim aqui também há grande distância entre mulheres e homens Entre as estudantes 34 das que moram com familiares assumemse como responsáveis principais pelos afazeres Entre eles são apenas 8 Tania Ludmila Dias Tosta Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 909 nem a partilha igualitária de responsabilidades na produção da vida Resta saber se as novas gerações de jovens que irromperam na chama da primavera feminista9 protagonizando movimentos de resistência e ocupando o espaço público deixarão um campo fértil para mudanças desafiando as hegemonias de gênero também na esfera do privado REFERÊNCIAS ABRAMO Helena Wendel Cenas juvenis punks e darks no espetáculo urbano São Paulo SP Scritta Anpocs 1994 ARAÚJO Ângela LOMBARDI Maria Rosa Trabalho informal gênero e raça no Brasil do início do século XXI Cadernos de Pesquisa São Paulo v 43 n 149 p 452477 2013 ARTES Amélia Cristina Abreu CARVALHO Marília Pinto de O trabalho como fator determinante da defasagem escolar dos meninos no Brasil mito ou realidade Cadernos Pagu Campinas n 34 p 4174 2010 ÁVILA Maria Betânia FERREIRA Verônica Trabalho remunerado e trabalho doméstico no cotidiano das mulheres Recife SOS Corpo São Paulo Instituto Patrícia Galvão 2014 BEZERRA Heloísa Dias et al Juventude e política entre a vontade geral e o abandono do Estado In BEZERRA Heloísa Dias OLIVEIRA Sandra Org Juventude no século XXI dilemas e perspectivas Goiânia GO Cânone 2013 p 95132 BILAC Elisabete Dória Trabalho e família articulações possíveis Tempo Social São Paulo v 26 n 1 p 129145 2014 BRASIL Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira Inep Censo da educação superior 2012 resumo técnico Brasília DF Inep 2014 BRUSCHINI Cristina RICOLDI Arlene Revendo estereótipos o papel dos homens no trabalho doméstico Revista Estudos Feministas Florianópolis v 20 n 1 p 259287 2012 CARMO Paulo Sérgio Juventude no singular e no plural Cadernos Adenauer Rio de Janeiro ano II n 6 p 929 2001 DUFFY Mignon Doing the dirty work gender race and reproductive labor in historical perspective Gender Society Thousand Oaks v 21 n 3 p 313336 2007 FERES JÚNIOR João DAFLON Verônica Políticas de igualdade racial no ensino superior Cadernos do Desenvolvimento Fluminense Rio de Janeiro n 5 p 3143 jul 2014 FOUGEYROLLASSCHWEBEL Dominique Trabalho doméstico In HIRATA Helena et al Org Dicionário crítico do feminismo São Paulo SP Unesp 2009 p 256262 FRAGA Paulo Cesar Pontes IULIANELLI Jorge Atílio Silva Org Jovens em tempo real Rio de Janeiro DPA 2003 GROPPO Luís Antonio Juventude ensaios sobre a sociologia e história das juventudes modernas Rio de Janeiro Difel 2000 HIRATA Helena Gênero classe e raça interseccionalidade e consubstancialidade das relações sociais Tempo Social São Paulo v 26 n 1 p 6173 jun 2014 HIRATA Helena ZARIFIAN Philippe Trabalho In HIRATA Helena et al Org Dicionário crítico do feminismo São Paulo SP Unesp 2009 p 251256 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA População jovem no Brasil Rio de Janeiro IBGE 1999 Estudos e pesquisas Informação demográfica e socioeconômica n 3 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA Pesquisa nacional por amostra de domicílios síntese de indicadores 2012 Rio de Janeiro IBGE 2013 9 A primavera feminista foi assim denominada pela mídia a partir de uma série de atos nas ruas e nas redes sociais que eclodiram na primavera de 2015 nos quais milhares de mulheres de todo o país manifestaramse contra uma pauta de retrocessos aos seus direitos abrangendo também o enfrentamento às várias formas de violência contra a mulher e o protagonismo feminino nas resistências de estudantes e na luta pela democracia A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO TRABALHO PRODUTIVO E REPRODUTIVO 910 Cadernos de Pesquisa v47 n165 p896910 julset 2017 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA Pesquisa nacional por amostra de domicílios síntese de indicadores 2013 2 ed Rio de Janeiro IBGE 2015 KERGOAT Danièle Divisão sexual do trabalho e relações sociais de sexo In HIRATA Helena et al Org Dicionário crítico do feminismo São Paulo SP Unesp 2009 p 6775 KERGOAT Danièle Dinâmica e consubstancialidade das relações sociais Novos estudos Cebrap n 86 p 93103 mar 2010 KUCHEMANN Berlindes Astrid Envelhecimento populacional cuidado e cidadania velhos dilemas e novos desafios Sociedade e Estado Brasília v 27 n 1 p 165180 janabr 2012 LIMA Márcia PRATES Ian Desigualdades raciais no Brasil um desafio persistente In ARRETCHE Marta Org Trajetórias das desigualdades como o Brasil mudou nos últimos cinquenta anos São Paulo SP Editora Unesp CEM 2015 p 163189 MANNHEIM Karl O problema da juventude na sociedade moderna In MANNHEIM Karl Diagnóstico de nosso tempo Rio de Janeiro Zahar 1980 p 4772 SENKEVICS Adriano Souza CARVALHO Marília Pinto de Casa rua escola gênero e escolarização em setores populares urbanos Cadernos de Pesquisa São Paulo v 45 n 158 p 944968 2015 TAVARES Breitner Na quebrada a parceria é mais forte jovens vínculos afetivos e reconhecimento na periferia São Paulo SP Annablume 2012 WAISELFISZ Júlio Jacobo Mapa da violência 2015 adolescentes de 16 e 17 anos do Brasil Rio de Janeiro Flacso 2015 WELLER Wivian A atualidade do conceito de gerações de Karl Mannheim Sociedade e Estado Brasília v 25 n 2 p 204225 maioago 2010 WELLER Wivian Minha voz é tudo o que tenho manifestações juvenis em Berlim e São Paulo Belo Horizonte Humanitas 2011 TANIA LUDMILA DIAS TOSTA Professora da Universidade Federal de Goiás UFG Goiânia Goiás Brasil tantostahotmailcom Recebido em JULHO 2016 Aprovado para publicação em JANEIRO 2017