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677 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 A dimensão política do trabalho do assistente social The political dimension of the social workers work Maria Carmelita Yazbek Resumo Este artigo analisa o trabalho do assistente social no atual contexto de mudanças do capitalismo contemporâneo particula rizando as transformações que caracterizam a esfera da produção e o mundo do trabalho e as consequentes alterações que ocorrem nesse contexto para as políticas sociais âmbito privilegiado da intervenção profissional O texto enfatiza a dimensão política do trabalho profis sional na construção da hegemonia dos interesses das classes subal ternas em seu trabalho cotidiano tendo como referência principal o pensamento de Antonio Gramsci Palavraschave Serviço Social Questão social Dimensão política do exercício profissional Hegemonia Abstract This article analyzes the social workers work in the current changing context of the contemporary capitalism and it focuses on the transformations characterizing production and the labor world as well as the resulting changes for social policies in such a context where the professional intervention is privileged The article emphasizes the political dimension of the professional work to build up the hegemony of the subaltern classes interests in their daily work and to do that its main reference is Antonio Gramscis thoughts Keywords Social Work Social issue Political dimension of the professional work Hegemony Doutora em Serviço Social docente e pesquisadora do Programa de PósGraduação em Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUCSP Brasil pesquisadora 1A do CNPq Email mcyazuolcombr httpdxdoiorg10159001016628004 678 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 A s reflexões que se seguem apresentam alguns dilemas desafios e ten dências do trabalho do assistente social engendradas no contexto do atual regime de acumulação com seus impactos sobre a questão social e com seus enormes custos sociais especialmente sobre o trabalho Nesse sentido são reflexões que vêm sendo construídas tendo como referên cia a análise do contexto resultante da complexa e multifacetada crise do capital com seu mundo de mercado sua ênfase no neoliberalismo como estratégia espe cífica de promoção de mais mercado Sum 2012 p 4 e seus processos de priva tização multiplicadores dos mecanismos a favor do capital suas perspectivas de monetarização de políticas sociais residuais que evidenciam a orgânica relação entre as mudanças em andamento na esfera da economia política e as políticas sociais contemporâneas que se tornam cada vez menos universais e mais focaliza das Âmbito privilegiado do exercício profissional e lugar onde a profissão partici pa de processos de resistência e constrói alianças estratégicas na direção de um outro projeto societário O ponto de partida é portanto de que há uma profunda relação entre as trans formações em andamento no regime de acumulação na ordem capitalista espe cialmente as mudanças que caracterizam a esfera da produção e o mundo do traba lho associadas à nova hegemonia liberalfinanceira e as transformações que ocorrem nas políticas sociais com o advento por um lado da ruptura trabalho proteção social e por outro com a recomposição das políticas sociais que se tornam cada vez mais focalizadas e condicionadas e trazem a lógica do workfare ou da contrapartida por parte dos que recebem algum benefício Yazbek pronunciamen to no XIII Enpess 2012 Tratase de um tempo caracterizado por mudanças aceleradas em diferentes dimensões da vida social por uma nova sociabilidade e uma nova política É sempre bom lembrar com Iamamoto 2008 p 107 que nesse processo o capital financeiro assumiu o comando da acumulação envolvendo a economia e a sociedade a política e a cultura marcando profundamente as formas de sociabili dade e o jogo das forças sociais A produção se mundializou com processos de flexibilização produtiva com avanços tecnológicos e informacionais com a robó tica com fortes impactos ambientais e sobretudo nas formas de organização das relações de trabalho e da economia modifica o emprego estrutural caracterizado pela flexibilização produtiva e a segmentação dos trabalhadores em estruturas ocupacionais cada vez mais complexas e a expansão dos serviços Esse quadro que 679 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 se agrava com a crise de 2008 traz desestabilização da ordem do trabalho sua precarização e insegurança interferindo no sistema de proteções e garantias que se vinculou historicamente ao emprego Como nos lembra Raichelis 2013 p 617618 as transformações que o mundo do trabalho vem experimentando nas últimas décadas caracterizam uma nova era de precarização estrutural do trabalho Antunes 2013 Alves 2013 que desencadeia mudanças profundas nas formas de organização e rela ções do trabalho gerando processos continuados de informalização insegurança e desproteção no trabalho e novas formas de contratação da força de trabalho assala riada através de trabalhos terceirizados subcontratados temporários domésticos em tempo parcial ou por projeto além das formas regressivas que se supunha eliminadas como o trabalho escravo o trabalho infantil para citar apenas algumas das diferentes formas de precarização a que estão submetidos os trabalhadores no mundo do trabalho Essa situação coloca o trabalho em condição de grande instabilidade sob múltiplas dimensões entre as quais a ruptura entre trabalho e proteção social con dição que vai redefinir as bases dos sistemas de proteção social e as intervenções do Estado no âmbito das políticas sociais pois com a nova hegemonia liberal fi nanceira redefinese a intervenção do Estado no âmbito do processo de reprodução das relações sociais principalmente nos países da periferia O assistente social como trabalhador sofre as consequências dessas mudan ças e se vê como aponta Raichelis 2013 que vem aprofundando seus estudos nesse âmbito submetido a constrangimentos diante dos processos de intensificação e precarização do trabalho assalariado nos espaços institucionais onde desenvolve seu trabalho Segundo a autora a dinâmica societária desencadeada pela crise contemporânea atinge a totalidade dos processos produtivos e dos serviços alterando perfis profissionais e espaços de trabalho das diferentes profissões e também do Serviço Social que tem na prestação de serviços sociais seu campo de intervenção privilegiado e nas instituições sociais públicas e privadas seu espaço ocupacional Raichelis 2013 p 619620 Como sabemos essas transformações trouxeram consequências devastadoras não apenas para a economia mas também para a política a cultura e as políticas 680 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 sociais e nos aprisionaram na agenda neoliberal O campo da política vem sendo modificado e as classes trabalhadoras e seus interesses dele excluído1 Na política social a luta contra a pobreza toma o lugar da luta de classes A perspectiva é de desenvolvimento dos ativos dos pobres desconsiderando os fatores estruturais da pobreza atribuindo a responsabilidade da pobreza aos próprios pobres Desvinculando a pobreza de seus determinantes estruturais separamse os indivíduos submetidos a essa condição de seus lugares no sistema produtivo cf Lautier 1999 apud Ivo 2006 p 69 Tratase de ativar trabalhos precariza dos intensificados e superexplorados Dessa forma passamos a viver uma era de despolitização da questão social cf Yazbek 2009 p 19 Esse processo requer a contínua reinvenção da classe e de seu protagonismo político Como nos lembra o professor Francisco de Oliveira os que fazem política buscam no sentido gramsciniano pautar os movimentos do outro imporlhe minimamente uma agenda de questões sobre as quais e em torno das quais se desenrola o conflito Impor a agenda não significa necessaria mente ter êxito ganhar a disputa antes significa criar um campo específico dentro do qual o adversário é obrigado a moverse e é neste intercâmbio desigual que se es trutura o jogo da política Essa concepção abre as portas para sua permanente rein venção no sentido que toda proposta cria um novo campo que é em si mesmo uma nova qualidade dos atores políticos Oliveira 2007 p 16 O movimento das classes fazem a política e se os indivíduos são jogados em seus espaços privados e na insegurança que decorre da privação do espaço público corremos o risco de não termos política mas apenas administração que pode ser inclusive de alta qualidade técnica Risco que corremos sermos bons gestores despolitizados Marilda Iamamoto no capítulo II de seu livro Relações sociais e Serviço Social no Brasil cuja primeira edição foi em 1982 apresenta um item que se 1 A política é a invenção maior do Ocidente o que não quer dizer que as civilizações não ocidentais não tivessem suas formas próprias da política maior mesmo que a imprensa de Gutenberg e que a desco berta da América É nela que se revela propriamente o caráter humano do humano ou nos termos de Marx segundo Mészáros o naturalmente humano ou o humano natural Tudo o mais se constitui no seu interior A lição grega é insuperável através da política na política o homem realiza seu destino constróise como humano Pois a política é a negação da fatalidade do inescapável do determinado para sempre pela natu reza simplesmente biológica Oliveira 2007 681 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 denomina Serviço Social e reprodução do controle e da ideologia dominante no qual expõe suas teses sobre a dimensão que vou denominar nessa reflexão de políticoideológica da profissão Nessa dimensão de análise o Serviço Social é considerado pela autora como um instrumento auxiliar e subsidiário para concretizar o modo capitalista de pensar necessário à reelaboração das bases de sustentação ideológicas e sociais do capitalismo enquanto expressa a força e as ambiguidades da ideologia do minante Como nos afirma a autora É indispensável um mínimo de unidade na aceitação da ordem do capital para que ela sobreviva e se renove Iamamoto 2011 p 112115 É José de Souza Martins que nos lembra que o modo capitalista de produção na sua acepção clássica é também um modo capitalista de pensar e deste não se separa Em síntese a economia capitalista não prescinde de renovar suas formas de controle social para garantir o consenso social e como sabemos para esse con trole conta com o poder de influência de determinados agentes sociais sobre o cotidiano de vida dos indivíduos reforçando a internalização de normas e compor tamentos legitimados socialmente Iamamoto 2011 p 116 O cotidiano é o solo do processo de produção e reprodução das relações sociais Esse processo portan to vinculase como afirma a autora a classes sociais em disputa em luta pela hegemonia sobre o conjunto da sociedade Do que estamos tratando Estamos tratando de um processo contraditório que nos permite em primeiro lugar apreender as implicações políticas do exercício profissional que se desenvolve no contexto de relações entre classes Ou seja compreender que a prática profissional do Serviço Social é necessariamente pola rizada pelos interesses das classes sociais em relação não podendo ser pensada fora dessa trama Relação que como já afirmamos é essencialmente contraditória e na qual o mesmo movimento que permite a reprodução e a continuidade da sociedade de classes cria as possibilidades de sua transformação Trazendo essa tese para o exercício profissional em sua contemporaneidade estamos tratando das disputas políticas no espaço das políticas sociais mediações centrais no exercício da profissão Estamos tratando das disputas políticas na esfe ra pública e nas lutas sociais em seus impactos sobre as relações sociais Estamos tratando da questão de construção de hegemonia na condução dos serviços sociais e das necessidades que atendem bem como dos direitos que asseguram não apenas como questão técnica mas como questão essencialmente política lugar de contra dições e resistência Âmbito a partir do qual é possível modificar lugares de poder 682 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 demarcados tradicionalmente e portanto de abertura para construir outros e não apenas realizar gestões bemsucedidas de necessidades encobertas pelos signos de uma nova legitimação Estamos falando do desafio de construir parâmetros públicos que reinventem a política no reconhecimento dos direitos como medida de negociação e deliberação de políticas que afetam a vida de todos Telles 1998 p 13 Não pode haver outra medida Parâmetros capazes de construir caminhos alternativos na negociação que possam trazer a marca do debate ampliado e da deliberação pública ou seja da cidadania e da democracia Paoli 2001 p 17 Onde está a hegemonia nos espaços ocupados profissionalmente pelos assis tentes sociais brasileiros Se como analisamos com base em Oliveira 2007 p 16 construir hegemonia supõe criar uma cultura que torne indeclináveis as questões propostas pela população com quem trabalhamos que obriga o adversário a jogar com as linguagens situações instituições cultura inventados e que se tornam assim a cultura dominante se construir hegemonia envolve a produção conflitiva do consenso indagamos quem pauta hoje no país o debate no âmbito das políticas que operacionalizamos Que interesses prevalecem nos espaços institucionais em que atuamos profissionalmente Difícil conjuntura global tempo de perdas e de mudanças em relação à ordem econômica e às referências políticas culturais e simbólicas que tornavam o mundo reconhecível hoje colocadas em questão Tempo em que múltiplos processos in terferem na reprodução social da vida lugar de nosso trabalho cotidiano Isso porque não se trata de um único processo mas de um conjunto de processos inte grados porém assimétricos e desiguais que atingem de forma absolutamente di versa os diferentes países nações e regiões do planeta e mesmo dentro de cada país cidades classes sociais gêneros e etnias Processos que interferem nas múltiplas dimensões da vida que alcançam a esfera da cultura da sociabilidade da comunicação homogeneizando comporta mentos hábitos de consumo preferências valores Por outro lado esses processos geram profundas resistências novos antagonismos e brutais desequilíbrios de poder na sociedade global São antagonismos em que a parte fraca está sujeita a processos que desumanizam e tornam impossível a negociação o compromisso e a institu cionalização dos conflitos porque inseridos nessa nova configuração do capitalis mo pouco passível de acolher o contrato a responsabilização a reciprocidade e a contestação 683 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 São vários os antagonismos as lutas e as rebeldias que se confrontam com as políticas globais de desenvolvimento econômico centradas na voracidade dos novos paradigmas de acumulação Como nos colocamos nesse contexto Como sabemos a questão social permeia a sociabilidade da sociedade de classes e seus antagonismos constituintes Envolve disputa social política e cultu ral em confronto com as desigualdades socialmente produzidas E como nos lembra Chaui 2006 p 324 em sua forma contemporânea a sociedade capitalista caracterizase pela fragmentação de todas as esferas da vida social desde a produção com a dispersão espacial e temporal do trabalho até a destruição dos referenciais que balizavam a identidade de classe e as formas de luta de classes Valorizando a instabilidade e a dispersão a ideologia neoliberal pósmoderna declara o fracasso dos projetos emancipatórios das orientações éticas pautadas em valores universais da razão moderna da ideia de progresso histórico e de totalidade O estí mulo à vivência fragmentada centrada no presente resumida ao aqui e ao agora sem passado e sem futuro ao individualismo exacerbado num contexto penetrado pela violência dá origem a novas formas de comportamento Barroco 2011 p 207 Nesse quadro sem dúvida é possível constatar nesse contexto o enorme custo social da crise de 2008 expresso especialmente nos efeitos devastadores da corrosão das condições de trabalho e dos direitos sociais Agrava esse quadro o fato de que permanece orientando as políticas sociais a herança neoconservadora e desestruturadora do neoliberalismo dominante particularmente na última década com consequências para a política e para a esfera pública E com impactos desuni versalizantes para as políticas sociais e para os direitos sociais Nessa conjuntura ressurgem processos de remercantilização de direitos sociais e fortalecese a tese de que cada indivíduo é responsável por seu bemestar No Brasil embora o país continue um dos mais desiguais do mundo registra se uma melhoria de indicadores como a elevação do valor real do salário mínimo e a elevação do nível de emprego a despeito de seu caráter precário Observase no país um processo de redução da pobreza e da extrema pobreza ONU PNUD 20102 embora esse processo mantenha a pobreza e sobretudo desconsidere as 2 Relatório do PNUD Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano de 2010 sobre o Desenvolvimento Humano no Brasil 684 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 razões e os mecanismos estruturais mais profundos que reproduzem as desigual dades Filgueiras e Gonçalves 2009 p 107 E dessa forma são deixadas de lado as estruturas concentradas de propriedade e poder que caracterizam particularmen te as periferias do capitalismo No país a combinação de medidas de natureza oposta articula dubiedades que se expressam em grandes tensões na política social de um lado a tendência à sele tividade e focalização de outro a perspectiva de construção de direitos A ideologia do workfare propagase rapidamente endurecendo contrapartidas e cri térios de elegibilidade exercendo pressão para que os beneficiários da assistência social pública que estejam aptos ao trabalho ingressem no mercado a qualquer custo mesmo que seja para estabilizar os instáveis na precariedade laboral e nos baixos salários Raichelis 2013 p 616 Serviço Social e construção de hegemonia das classes subalternas Para pensar o Serviço Social nesse processo minha referência principal será Gramsci e sobretudo recorrerei à atualidade da chave conceitual encontrada nas categorias hegemonia e subalternidade dialeticamente interligadas pela política na relação com o Estado e a sociedade civil A subalternidade é uma categoria política e faz parte do mundo dos dominados dos submetidos à exploração social econômica e política Supõe como comple mentar o exercício do domínio ou da direção por meio de relações políticosociais em que predominam os interesses dos que detêm o poder econômico e de decisão política Nesse sentido não podemos abordar indivíduos e grupos subalternos isolandoos do conjunto da sociedade A subalternidade diz respeito à ausência de poder de mando de poder de decisão de poder de criação e de direção Almeida 1990 p 35 É nos Cadernos do cárcere Caderno 25 de 1934 que Gramsci amplia a noção de classes e grupos subalternos relacionandoos com as categorias de Estado Sociedade civil hegemonia ideologia cultura e filosofia da práxis Nesse Caderno Gramsci apresenta as principais características dos grupos sociais subalternos desagregação traços de iniciativa autônoma e tendência à unificação rompida pelas iniciativas dos grupos dominantes 685 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 O Estado como nos lembra Simionatto educa o consenso por meio dos aparelhos privados de hegemonia mecanismos fortalecedores da fragmentação social das classes subalternas criação de um novo senso comum do qual são expelidos a política a participação a vida em relação aos outros o sentido de co munidade No âmbito da sociedade civil a classe dominante por meio do uso do poder por meios não violentos contribui para reforçar o conformismo apostando na desestruturação das lutas das classes subalternas reduzindoas e apostando na desestruturação das lutas das classes subalternas reduzindoas a interesses mera mente econômicocorporativos Simionato 2009 p 41 Caracterizando as reivindicações dos grupos subalternos Simionatto 2009 p 42 sugere a observação de mediações tais como suas relações com o desen volvimento das transformações econômicas sua adesão ativa ou passiva às formações políticas dominantes às lutas travadas a fim de influir sobre os pro gramas dessas formações para impor reivindicações próprias à formação de novos partidos dos grupos dominantes para manter o consenso e o controle dos grupos sociais subalternos à caracterização das reivindicações dos grupos subal ternos e às formas que afirmam a autonomia Gramsci 2002 p 140 Simionatto 2009 p 42 Historicamente os subalternizados vêm construindo seus projetos com base em interesses que não são seus mas que lhe são inculcados como seus Experienciam a dominação e a aceitam uma vez que as classes dominantes para assegurar sua hegemonia ou dominação criam formas de difundir e reproduzir seus interesses como aspirações legítimas de toda a sociedade Uma análise dessas relações de dominação do ponto de vista políticoideoló gico coloca em evidência que o Estado por intermédio de suas instituições sociais e políticas é veiculado como instância da ordem e da autoridade superior sobre a sociedade civil Nesse sentido através de seu monopólio de instituições o Esta do ajuda a manter e a reproduzir as estruturas da sociedade a partir da ótica dos interesses dominantes cf Almeida 1990 p 37 É importante lembrar que da sociedade civil partem demandas que o Estado deve atender Ambos sociedade civil e Estado expressam relações sociais contraditórias e produzem instituições e políticas voltadas para o atendimento das necessidades sociais e políticas da socie dade Yazbek 2009 p 27 Entendo que o contexto de crise e mudanças interpela o Serviço Social sob múltiplas dimensões e aspectos 686 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 1 A primeira dimensão que interpela o Serviço Social nesse contexto são as novas manifestações e expressões da questão social resultantes dessas transforma ções estruturais do capitalismo com as quais nos deparamos no cotidiano institu cional ao lado das velhas questões de sempre Sobre a questão social cada vez mais estruturante de relações sociais desiguais impossibilidade de alcançar a realidade da população com a qual trabalhamos sendo estranhos ao lugar que ocupa nas re lações sociais à sua cultura à sua linguagem a seu saber do mundo ao seu sofri mento e às suas estratégias de resistência nesse universo de dimensões insuspeita das Claro mudanças vêm ocorrendo nas periferias das cidades brasileiras nas formas de circulação e distribuição da riqueza na economia informal no cresci mento da violência da droga da vida matável inserida na expansiva trama de ilegalidades que se entrelaçam nas práticas urbanas3 nos programas sociais que se multiplicaram pelas periferias afora e nas formas de organização e lutas sociais que emergem nesse contexto Sabemos que novos fios estão tecendo novas socia bilidades que precisam ser desvendadas sabemos que a exclusão de bens materiais e culturais faz parte da reprodução do cotidiano de um grande contingente popula cional na sociedade brasileira e que são atuais os profundos e vastos sofrimentos gerados por uma ordem societária assentada na exploração de poucos sobre muitos 2 Outra dimensão que interpela a profissão diz respeito aos processos de re definição dos sistemas de proteção social e da política social em geral que emergem nesse contexto Como sabemos foi no âmbito do enfrentamento das consequências indesejáveis do novo regime de acumulação e suas medidas de ajuste econômico que a política social foi transformada total ou parcialmente em políticas focalizadas contra a pobreza principalmente nos países da periferia do capitalismo 3 Finalmente a profissão é interpelada e desafiada pela necessidade de cons truir mediações políticas e ideológicas expressas sobretudo por ações de resistência e de alianças estratégicas no jogo da política em suas múltiplas dimensões por dentro dos espaços institucionais e especialmente no contexto das lutas sociais Isso porque como sabemos questão social é luta é disputa pela riqueza socialmente construída Nesses termos situamos a questão em dois âmbitos 31 Em práticas cotidianas de contestação e resistência em que vamos en contrar experiências concretas de busca e fortalecimento dos interesses e projetos 3 Sobre o tema ver Telles 2007 687 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 de superação da condição subalterna Também por dentro dos espaços institucionais onde atuamos profissionalmente podemos desenvolver iniciativas de resistência buscar as novas práticas que se esboçam como alternativa Esse é outro caminho a ser procurado considerando as variadas lutas e propostas de resistência onde há espaços a ocupar como fóruns conselhos movimentos Aqui mais uma vez cabe deixar claras as diferenças entre pluralismo e ecletismo como constituintes desse processo Uma perspectiva plural supõe a diversidade supõe o diálogo entre posi ções correntes teóricosmetodológicos mas não concilia o inconciliável e muito menos abre mão da direção hegemônica É cada vez mais evidente que diferentes projetos sociopolíticos societários e da profissão se confrontam nesse processo O projeto neoconservador valendose de novas roupagens fragmentará cada vez mais as análises e ações do profissional Eu não diria que essas dimensões não sejam importantes na ação profissional mas no bojo do projeto conservador vêm isoladas tecnificadas sem história sem contexto sem referentes totalizantes vêm em si mesmas Outro aspecto de nosso trabalho é apoiar as resistências cotidianas das clas ses subalternas em nossa sociedade Conforme Boaventura de Sousa Santos infor ma que as rebeldias tem que se encontrar a partir de baixo da participação de todos de todos os dias substituindo relações de poder por relações e responsabi lidades partilhadas É quando nos referimos às relações de poder não podemos excluir as relações dos profissionais com a população É o poder das triagens das elegibilidades das governabilidades das concessões dos laudos das visitas con troladoras das definições de quem fica e quem não fica de quem pode participar de um programa etc Em diferentes situações precisamos expressar que caminhamos profissional mente junto aos nossos usuários sem deixar de lado os que vão mais devagar levando em conta o papel estratégico da comunicação e da informação para mostrar que não se está só na luta Nesse âmbito evidenciase a relevância da dimensão cultural e política do exercício da profissão A superação da condição de subalternidade requer para Gramsci a construção de novos modos de pensar a elaboração de uma concepção de mundo crítica e coerente necessária para suplantar o senso comum e tornar as classes subalternas capazes de produzir uma contrahegemonia A cultura é apontada por Gramsci como um dos elementos fundamentais na organização das classes subalternas capaz de romper com a sua desagregação e abrir caminhos para a construção de uma vonta 688 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 de coletiva contrapondose às concepções de mundo oficiais Entendida de forma crítica a cultura é instrumento de emancipação política das classes subalternas o amálgama o elo de ligação entre os que se encontram nas mesmas condições e buscam construir uma contrahegemonia Simionatto 2009 p 45 A luta pela hegemonia nas sociedades de capitalismo avançado não se trava para Gramsci apenas nas instâncias econômica e política relações materiais de produção e poder estatal mas também na esfera da cultura Nesse processo no entanto aprofundar e aperfeiçoar o conhecimento da realidade impõese como condição essencial na luta por sua própria transformação efetivandose a crítica real da racionalidade e historicidade dos modos de pensar Gramsci 1999 p 111 o que poderá ocorrer através da filosofia da práxis ou seja do marxismo Simio natto 2009 p 43 práticas de enfrentamento e busca de superação da subalternidade são observa das nos movimentos sociais nos partidos políticos nas lutas sociais e políticas da maioria da população brasileira e em práticas cotidianas de contestação e resistência a dominação a coletividade criada pela consciência de que são iguais na condição de classe coloca a questão das lutas dos subalternos em um novo patamar na perspectiva de sua constituição como sujeitos políticos portadores de um projeto de classe Ao ad quirir visibilidade conquistar direitos e protagonismo social as classes subalternas avançam no processo de ruptura com a condição subalterna e na produção de uma outra cultura em que prevaleçam seus interesses Yazbek 2009 p 2728 A questão que se coloca é se isso pode ocorrer o âmbito da política social e particularmente no âmbito de uma profissão e aí eu diria que estamos diante de uma difícil equação Cabe lembrar que historicamente em uma sociedade assentada na exploração de poucos sobre muitos como é a sociedade bra sileira as políticas de corte social ao regularem as relações sociais não só favorecem a acumulação e oferecem bases para legitimação do Estado como reproduzem a do minação mas se a administração da desigualdade é a ótica da ação estatal para as classes subalternizadas e excluídas dos serviços sociais em geral as políticas sociais se colocam como modalidade de acesso a recursos sociais e é assim que se apresentam como reivindicação de movimentos dos subalternos em seu processo de luta por di 689 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 reitos sociais O social tornase campo de lutas e de manifestação dos espoliados o que não significa ruptura com o padrão de dominação e clientelismo do estado brasi leiro no trato com a questão social Yazbek 2009 p 2930 Em síntese nos movemos em um espaço contraditório no qual o Estado e suas políticas não pode ser autonomizado em relação à sociedade expressando relações e interesses vigentes nessa sociedade Relações em que estão sempre em disputa os sentidos da sociedade Nessa disputa há sempre um conjunto de determinações dentro das quais as opções operam Yazbek 2009 p 2930 É isso que Gramsci denomina luta pela hegemonia Estou reafirmando pois a necessária construção de hegemonia das classes subalternas na condução do processo de construção de seus direitos não apenas como questão técnica mas como questão essencialmente política lugar de contra dições e resistência A partir desse âmbito é possível modificar lugares de poder demarcados tradicionalmente construir outros e não apenas realizar gestões bem sucedidas de necessidades Quando falamos em protagonismo tendo como refe rência o pensamento de Gramsci é ao poder que nos referimos Esse é um dos aspectos que devemos ter presente em nossa busca de construir parâmetros de negociação de interesses e direitos de nossos usuários Parâmetros que devem trazer a marca do debate ampliado e da deliberação pública ou seja da cidadania e democracia Se temos hoje como assinalam Paoli e Oliveira a vitória da concepção de vida de visão de mundo de valores das classes dominantes inclusive à escala mundial temos também iniciativas de contradesmanche assim como o esta belecimento do dissenso em múltiplas instâncias da vida social Segundo Mota não se trata aqui da cidadania construída na ordem como resultado da conci liação de interesses inconciliáveis em que usuários transformamse em cida dãos como se a causa da desigualdade fosse a ausência de cidadania Yazbek 2009 p 19 Essas atividades se constituem em mediações técnicopolíticas e se redefinem necessariamente a partir de condições concretas E à medida em que novas situações colocam novos desafios e exigências a profissão busca atualizarse redefinindo seus procedimentos e estratégias de ação adequandose às novas demandas e re definições do mercado de trabalho e da conjuntura social Este movimento da profissão que pode ou não realizar direitos de cidadania não se faz sem referen 690 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 tes mas segue uma direção social apoiada na força de um projeto profissional ético político teórico metodológico e técnico operativo 32 Em um âmbito mais amplo e coletivo de luta e resistência entendo que a inserção da profissão nas lutas sociais seu protagonismo conquistas e desafios é uma construção coletiva e se realiza por meio dos organismos políticoorganiza tivos dos assistentes sociais brasileiros Se voltarmos o olhar e acompanharmos nas três últimas décadas o trabalho de nossas entidades é possível constatar que construímos coletivamente o que conforme Iamamoto constitui um patrimônio sociopolítico e profissional que atribui uma face peculiar ao Serviço Social brasi leiro no cenário da América Latina e Caribe e no circuito mundial do Serviço Social Nessa história encontramos entidades politicamente fortes representativas e ar ticuladas entre si com legitimidade política e capilaridade organizativa inédita como bem expressam os muitos eventos da categoria sejam acadêmicos sejam aqueles resultantes da experiência associativa dos profissionais como suas conven ções congressos encontros e seminários Gostaria de destacar os encontros CFESS Cress que reúnem delegados de todo o país e deliberam sobre propostas discutidas e indicadas inicialmente nos encontros descentralizados acerca de questões relativas à profissão em diferentes eixos temáticos A título de exemplo trago o resultado do 42º Encontro Nacional CFESSCress realizado no Recife nos dias 5 a 8 de setembro último Esse encontro revelou 135545 assistentes sociais inscritosativos no país e deliberou sobre sete eixos temáticos Fiscalização profissional Ética e direitos humanos Seguridade social Formação profissional Relações internacionais Co municação e administrativofinanceiro Decisões que orientarão as ações do con junto para 2014 É bom lembrar que essa legitimidade política está presente no nosso Código de Ética e nos marcos legais que regulamentam o exercício profissional e seu pro cesso formativo assim como nas múltiplas decisões deliberações que reafirmam o fortalecimento do projeto éticopolítico profissional e a organização coletiva da categoria profissional Em síntese esta legitimidade política e capilaridade organizativa inédita nos permitem afirmar e atribuir às nossas organizações um caráter de intelectual cole tivo capaz de articular organizar e pactuar a presença dos assistentes sociais nas lutas coletivas e em movimentos sociais mais amplos na direção da construção de outra ordem societária Se entendermos que no contexto de crise e na nova ordem das coisas está em disputa uma direção social para a sociedade brasileira cabe interferir na construção 691 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 dessa direção em que a medida seja os interesses e as necessidades das classes su balternas na sociedade como tanto tenho afirmado Cabe construir sua hegemonia criar uma cultura que torne indeclináveis seus interesses Para isso é preciso enfren tar desafios e nos desvencilhar de certas determinações e de certos condicionamen tos impostos pela realidade socioinstitucional em que estamos inseridos e de algum modo limitados por ela Nossa relativa autonomia profissional como sabemos está sempre no olho do furacão E embora saibamos que escapa às políticas sociais às suas capacidades desenhos e objetivos reverter níveis tão elevados de desigualdade como os encontrados no Brasil não podemos duvidar das virtualidades possíveis dessas políticas que podem ser possibilidade de construção de direitos e iniciativas de contradesmanche de uma ordem injusta e desigual Recebido em 882014 Aprovado em 1382014 Referências bibliográficas ALMEIDA Bernadete de Lourdes Figueiredo As práticas do Serviço Social afirmação ou superação da subalternidade Tese Doutorado Programa de PósGraduação em Serviço Social Pontifícia Universidade Católica São Paulo 1990 ALVES Giovanni Dimensões da precarização ensaios de sociologia do trabalho Bauru Canal 6 EditoraProjeto Editorial Praxis 2013 ANTUNES Ricardo A nova morfologia do Trabalho e suas principais tendências In Org Riqueza e miséria do trabalho no Brasil São Paulo Boitempo 2013 BARROCO Maria Lucia S Barbárie e neoconservadorismo os desafios do projeto ético político Serviço Social Sociedade São Paulo n 106 abrjun 2011 FILGUEIRAS Luiz GONÇALVES Reinaldo Desestruturação do trabalho e política social In PEREIRA Potyara Amazoneida et al Orgs Política social trabalho e democracia em questão Programa de PósGraduação em Política Social Universidade de Brasília Brasília 2009 GRAMSCI A Cadernos do cárcere Tradução de Carlos Nelson Coutinho com a colabo ração de Luiz Sergio Henriques e Marco Aurélio Nogueira Rio de Janeiro Civilização Brasileira 1999 v 1 692 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 GRAMSCI A Cadernos do cárcere Tradução de Carlos Nelson Coutinho com a colabo ração de Luiz Sergio Henriques e Marco Aurélio Nogueira Rio de Janeiro Civilização Brasileira 2002 v 5 IAMAMOTO Marilda Vilela Serviço Social em tempo de capital fetiche capital financei ro trabalho e questão social São Paulo Cortez 2008 CARVALHO Raul Relações sociais e Serviço Social no Brasil esboço de uma interpretação históricometodológica 10 ed São Paulo CortezCelats 1995 IVO Anete Brito Leal A reconversão da questão social e a retórica da pobreza nos anos de 1990 In DEAN Hartley CLIMADAMORE Alberto SIQUEIRA Jorge Orgs A pobre za do Estado reconsiderando o papel do Estado na luta contra a pobreza global Buenos Aires Clacso 2006 LAUTIER Bruno Les politiques sociales en Amérique Latine Propositions de méthode pour analyser um éclatement em cours Les Cahiers das Ameriques Latines Paris n 30 1999 MARTINS José de Souza Sobre o modo capitalista de pensar São Paulo Hucitec 1978 p xixii Col Ciências Sociais Série Linha de Frente OLIVEIRA Francisco PAOLI Maria Célia Os sentidos da democracia políticas do dis senso e hegemonia global Petrópolis VozesNedic 1999 OLIVEIRA Francisco Política numa era de indeterminação opacidade e reencantamento In RIZEK Oliveira Francisco RIZEK Cibele Saliba Orgs A era da indeterminação São Paulo Boitempo 2007 PAOLI Maria Célia Cidadania e democracia as rupturas no pensamento da política Pro jeto Temático Fapesp 2000042984 Segundo Relatório Parcial de Atividades 2001 RAICHELIS Raquel Proteção social e trabalho do assistente social tendências e disputas na conjuntura de crise mundial Serviço Social Sociedade São Paulo n 116 2013 SIMIONATTO Ivete Classes subalternas lutas de classe e hegemonia uma abordagem gramsciana Katálysis Universidade Federal de Santa Catarina v 12 n 1 p 4149 2009 SUM Ngai Ling Crise do capitalismo financeiro e seu ataque às necessidades sociais Politizando boletim do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Política Social NepposCeam UnB Brasília ano 4 n 12 dez 2012 TELLES Vera da Silva No fio da Navalha entre carências e direitos Notas a propósito dos programas de renda mínima no Brasil In Programas de renda mínima no Brasil impactos e potencialidades São Paulo Pólis 1998 693 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 TELLES Vera da Silva Transitando na linha de sombra tecendo as tramas da cidade In RIZEK Oliveira Francisco RIZEK Cibele Saliba Orgs A era da indeterminação São Paulo Boitempo 2007 VIANNA Maria Lúcia Teixeira Werneck A nova política social no Brasil uma prática acima de qualquer suspeita Sl 2008 Mimeo YAZBEK Maria Carmelita Classes subalternas e assistência social São Paulo Cortez 2009 Estado e Políticas Sociais uma aproximação conceitual In MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE À FOME E INSTITUTO DE ESTUDOS ESPECIAIS DA PUCSP Suas configurando os eixos de mudança Brasília MDS 2008 INSIRA AQUI O TÍTULO DE SEU PAPER Acadêmico Turma Tutor RESUMO Insira neste quadro o resumo da sua pesquisa O resumo deve conter no máximo 250 palavras ser composto de um único parágrafo sem recuo na primeira linha A fonte usada deve ser Times New Roman espaçamento simples justificado tamanho 12 O resumo deve conter o tema a ser tratado o objetivo geral a metodologia adotada e as conclusões Palavraschave Insira nesse campo três palavraschave que remetem ao seu trabalho INTRODUÇÃO A introdução é a apresentação inicial do trabalho e deve conter uma breve apresentação sobre o tema estudado a pergunta que moveu a pesquisa o objetivo geral e os objetivos específicos do trabalho FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A fundamentação teórica precisa conter no mínimo dez parágrafos Aqui é possível utilizar citações diretas curtas citações diretas longas citações indiretas Neste caso todas devem ser referenciadas As citações utilizadas devem ser retiradas de livros e artigos científicos Além da parte textual você poderá inserir aqui gráficos mapas tabelas fotografias ou imagens desde que todas relacionadas ao conteúdo e contextualizados Lembrese de inserir o título e fonte da imagem METODOLOGIA A metodologia de um trabalho acadêmico deve conter basicamente os seguintes itens Método de pesquisa a referência teórica que vai orientar seu caminho abordagem de pesquisa É quantitativa qualitativa ambas Qual é o tipo de pesquisa bibliográfica documental de campo participante Quais foram os instrumentais de pesquisa questionário formulário Também é importante responder qual a fonte dessas informações A ideia aqui é apresentar como você chegou até os resultados APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Neste campo apresente os resultados de sua entrevista e as pesquisas sobre o tema Utilize gráficos e tabelas para apresentar seus resultados Lembrese abaixo dos gráficos e das tabelas faça uma pequena descrição dos dados e após utilize um autor para analisar os dados CONSIDERAÇÕES Utilize este campo para fazer a finalização do seu trabalho Aproveite para expor suas conclusões sobre a pesquisa e listar o que você aprendeu com esta experiência REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Listar as referências bibliográficas utilizadas de acordo com as normas da ABNT
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677 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 A dimensão política do trabalho do assistente social The political dimension of the social workers work Maria Carmelita Yazbek Resumo Este artigo analisa o trabalho do assistente social no atual contexto de mudanças do capitalismo contemporâneo particula rizando as transformações que caracterizam a esfera da produção e o mundo do trabalho e as consequentes alterações que ocorrem nesse contexto para as políticas sociais âmbito privilegiado da intervenção profissional O texto enfatiza a dimensão política do trabalho profis sional na construção da hegemonia dos interesses das classes subal ternas em seu trabalho cotidiano tendo como referência principal o pensamento de Antonio Gramsci Palavraschave Serviço Social Questão social Dimensão política do exercício profissional Hegemonia Abstract This article analyzes the social workers work in the current changing context of the contemporary capitalism and it focuses on the transformations characterizing production and the labor world as well as the resulting changes for social policies in such a context where the professional intervention is privileged The article emphasizes the political dimension of the professional work to build up the hegemony of the subaltern classes interests in their daily work and to do that its main reference is Antonio Gramscis thoughts Keywords Social Work Social issue Political dimension of the professional work Hegemony Doutora em Serviço Social docente e pesquisadora do Programa de PósGraduação em Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUCSP Brasil pesquisadora 1A do CNPq Email mcyazuolcombr httpdxdoiorg10159001016628004 678 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 A s reflexões que se seguem apresentam alguns dilemas desafios e ten dências do trabalho do assistente social engendradas no contexto do atual regime de acumulação com seus impactos sobre a questão social e com seus enormes custos sociais especialmente sobre o trabalho Nesse sentido são reflexões que vêm sendo construídas tendo como referên cia a análise do contexto resultante da complexa e multifacetada crise do capital com seu mundo de mercado sua ênfase no neoliberalismo como estratégia espe cífica de promoção de mais mercado Sum 2012 p 4 e seus processos de priva tização multiplicadores dos mecanismos a favor do capital suas perspectivas de monetarização de políticas sociais residuais que evidenciam a orgânica relação entre as mudanças em andamento na esfera da economia política e as políticas sociais contemporâneas que se tornam cada vez menos universais e mais focaliza das Âmbito privilegiado do exercício profissional e lugar onde a profissão partici pa de processos de resistência e constrói alianças estratégicas na direção de um outro projeto societário O ponto de partida é portanto de que há uma profunda relação entre as trans formações em andamento no regime de acumulação na ordem capitalista espe cialmente as mudanças que caracterizam a esfera da produção e o mundo do traba lho associadas à nova hegemonia liberalfinanceira e as transformações que ocorrem nas políticas sociais com o advento por um lado da ruptura trabalho proteção social e por outro com a recomposição das políticas sociais que se tornam cada vez mais focalizadas e condicionadas e trazem a lógica do workfare ou da contrapartida por parte dos que recebem algum benefício Yazbek pronunciamen to no XIII Enpess 2012 Tratase de um tempo caracterizado por mudanças aceleradas em diferentes dimensões da vida social por uma nova sociabilidade e uma nova política É sempre bom lembrar com Iamamoto 2008 p 107 que nesse processo o capital financeiro assumiu o comando da acumulação envolvendo a economia e a sociedade a política e a cultura marcando profundamente as formas de sociabili dade e o jogo das forças sociais A produção se mundializou com processos de flexibilização produtiva com avanços tecnológicos e informacionais com a robó tica com fortes impactos ambientais e sobretudo nas formas de organização das relações de trabalho e da economia modifica o emprego estrutural caracterizado pela flexibilização produtiva e a segmentação dos trabalhadores em estruturas ocupacionais cada vez mais complexas e a expansão dos serviços Esse quadro que 679 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 se agrava com a crise de 2008 traz desestabilização da ordem do trabalho sua precarização e insegurança interferindo no sistema de proteções e garantias que se vinculou historicamente ao emprego Como nos lembra Raichelis 2013 p 617618 as transformações que o mundo do trabalho vem experimentando nas últimas décadas caracterizam uma nova era de precarização estrutural do trabalho Antunes 2013 Alves 2013 que desencadeia mudanças profundas nas formas de organização e rela ções do trabalho gerando processos continuados de informalização insegurança e desproteção no trabalho e novas formas de contratação da força de trabalho assala riada através de trabalhos terceirizados subcontratados temporários domésticos em tempo parcial ou por projeto além das formas regressivas que se supunha eliminadas como o trabalho escravo o trabalho infantil para citar apenas algumas das diferentes formas de precarização a que estão submetidos os trabalhadores no mundo do trabalho Essa situação coloca o trabalho em condição de grande instabilidade sob múltiplas dimensões entre as quais a ruptura entre trabalho e proteção social con dição que vai redefinir as bases dos sistemas de proteção social e as intervenções do Estado no âmbito das políticas sociais pois com a nova hegemonia liberal fi nanceira redefinese a intervenção do Estado no âmbito do processo de reprodução das relações sociais principalmente nos países da periferia O assistente social como trabalhador sofre as consequências dessas mudan ças e se vê como aponta Raichelis 2013 que vem aprofundando seus estudos nesse âmbito submetido a constrangimentos diante dos processos de intensificação e precarização do trabalho assalariado nos espaços institucionais onde desenvolve seu trabalho Segundo a autora a dinâmica societária desencadeada pela crise contemporânea atinge a totalidade dos processos produtivos e dos serviços alterando perfis profissionais e espaços de trabalho das diferentes profissões e também do Serviço Social que tem na prestação de serviços sociais seu campo de intervenção privilegiado e nas instituições sociais públicas e privadas seu espaço ocupacional Raichelis 2013 p 619620 Como sabemos essas transformações trouxeram consequências devastadoras não apenas para a economia mas também para a política a cultura e as políticas 680 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 sociais e nos aprisionaram na agenda neoliberal O campo da política vem sendo modificado e as classes trabalhadoras e seus interesses dele excluído1 Na política social a luta contra a pobreza toma o lugar da luta de classes A perspectiva é de desenvolvimento dos ativos dos pobres desconsiderando os fatores estruturais da pobreza atribuindo a responsabilidade da pobreza aos próprios pobres Desvinculando a pobreza de seus determinantes estruturais separamse os indivíduos submetidos a essa condição de seus lugares no sistema produtivo cf Lautier 1999 apud Ivo 2006 p 69 Tratase de ativar trabalhos precariza dos intensificados e superexplorados Dessa forma passamos a viver uma era de despolitização da questão social cf Yazbek 2009 p 19 Esse processo requer a contínua reinvenção da classe e de seu protagonismo político Como nos lembra o professor Francisco de Oliveira os que fazem política buscam no sentido gramsciniano pautar os movimentos do outro imporlhe minimamente uma agenda de questões sobre as quais e em torno das quais se desenrola o conflito Impor a agenda não significa necessaria mente ter êxito ganhar a disputa antes significa criar um campo específico dentro do qual o adversário é obrigado a moverse e é neste intercâmbio desigual que se es trutura o jogo da política Essa concepção abre as portas para sua permanente rein venção no sentido que toda proposta cria um novo campo que é em si mesmo uma nova qualidade dos atores políticos Oliveira 2007 p 16 O movimento das classes fazem a política e se os indivíduos são jogados em seus espaços privados e na insegurança que decorre da privação do espaço público corremos o risco de não termos política mas apenas administração que pode ser inclusive de alta qualidade técnica Risco que corremos sermos bons gestores despolitizados Marilda Iamamoto no capítulo II de seu livro Relações sociais e Serviço Social no Brasil cuja primeira edição foi em 1982 apresenta um item que se 1 A política é a invenção maior do Ocidente o que não quer dizer que as civilizações não ocidentais não tivessem suas formas próprias da política maior mesmo que a imprensa de Gutenberg e que a desco berta da América É nela que se revela propriamente o caráter humano do humano ou nos termos de Marx segundo Mészáros o naturalmente humano ou o humano natural Tudo o mais se constitui no seu interior A lição grega é insuperável através da política na política o homem realiza seu destino constróise como humano Pois a política é a negação da fatalidade do inescapável do determinado para sempre pela natu reza simplesmente biológica Oliveira 2007 681 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 denomina Serviço Social e reprodução do controle e da ideologia dominante no qual expõe suas teses sobre a dimensão que vou denominar nessa reflexão de políticoideológica da profissão Nessa dimensão de análise o Serviço Social é considerado pela autora como um instrumento auxiliar e subsidiário para concretizar o modo capitalista de pensar necessário à reelaboração das bases de sustentação ideológicas e sociais do capitalismo enquanto expressa a força e as ambiguidades da ideologia do minante Como nos afirma a autora É indispensável um mínimo de unidade na aceitação da ordem do capital para que ela sobreviva e se renove Iamamoto 2011 p 112115 É José de Souza Martins que nos lembra que o modo capitalista de produção na sua acepção clássica é também um modo capitalista de pensar e deste não se separa Em síntese a economia capitalista não prescinde de renovar suas formas de controle social para garantir o consenso social e como sabemos para esse con trole conta com o poder de influência de determinados agentes sociais sobre o cotidiano de vida dos indivíduos reforçando a internalização de normas e compor tamentos legitimados socialmente Iamamoto 2011 p 116 O cotidiano é o solo do processo de produção e reprodução das relações sociais Esse processo portan to vinculase como afirma a autora a classes sociais em disputa em luta pela hegemonia sobre o conjunto da sociedade Do que estamos tratando Estamos tratando de um processo contraditório que nos permite em primeiro lugar apreender as implicações políticas do exercício profissional que se desenvolve no contexto de relações entre classes Ou seja compreender que a prática profissional do Serviço Social é necessariamente pola rizada pelos interesses das classes sociais em relação não podendo ser pensada fora dessa trama Relação que como já afirmamos é essencialmente contraditória e na qual o mesmo movimento que permite a reprodução e a continuidade da sociedade de classes cria as possibilidades de sua transformação Trazendo essa tese para o exercício profissional em sua contemporaneidade estamos tratando das disputas políticas no espaço das políticas sociais mediações centrais no exercício da profissão Estamos tratando das disputas políticas na esfe ra pública e nas lutas sociais em seus impactos sobre as relações sociais Estamos tratando da questão de construção de hegemonia na condução dos serviços sociais e das necessidades que atendem bem como dos direitos que asseguram não apenas como questão técnica mas como questão essencialmente política lugar de contra dições e resistência Âmbito a partir do qual é possível modificar lugares de poder 682 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 demarcados tradicionalmente e portanto de abertura para construir outros e não apenas realizar gestões bemsucedidas de necessidades encobertas pelos signos de uma nova legitimação Estamos falando do desafio de construir parâmetros públicos que reinventem a política no reconhecimento dos direitos como medida de negociação e deliberação de políticas que afetam a vida de todos Telles 1998 p 13 Não pode haver outra medida Parâmetros capazes de construir caminhos alternativos na negociação que possam trazer a marca do debate ampliado e da deliberação pública ou seja da cidadania e da democracia Paoli 2001 p 17 Onde está a hegemonia nos espaços ocupados profissionalmente pelos assis tentes sociais brasileiros Se como analisamos com base em Oliveira 2007 p 16 construir hegemonia supõe criar uma cultura que torne indeclináveis as questões propostas pela população com quem trabalhamos que obriga o adversário a jogar com as linguagens situações instituições cultura inventados e que se tornam assim a cultura dominante se construir hegemonia envolve a produção conflitiva do consenso indagamos quem pauta hoje no país o debate no âmbito das políticas que operacionalizamos Que interesses prevalecem nos espaços institucionais em que atuamos profissionalmente Difícil conjuntura global tempo de perdas e de mudanças em relação à ordem econômica e às referências políticas culturais e simbólicas que tornavam o mundo reconhecível hoje colocadas em questão Tempo em que múltiplos processos in terferem na reprodução social da vida lugar de nosso trabalho cotidiano Isso porque não se trata de um único processo mas de um conjunto de processos inte grados porém assimétricos e desiguais que atingem de forma absolutamente di versa os diferentes países nações e regiões do planeta e mesmo dentro de cada país cidades classes sociais gêneros e etnias Processos que interferem nas múltiplas dimensões da vida que alcançam a esfera da cultura da sociabilidade da comunicação homogeneizando comporta mentos hábitos de consumo preferências valores Por outro lado esses processos geram profundas resistências novos antagonismos e brutais desequilíbrios de poder na sociedade global São antagonismos em que a parte fraca está sujeita a processos que desumanizam e tornam impossível a negociação o compromisso e a institu cionalização dos conflitos porque inseridos nessa nova configuração do capitalis mo pouco passível de acolher o contrato a responsabilização a reciprocidade e a contestação 683 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 São vários os antagonismos as lutas e as rebeldias que se confrontam com as políticas globais de desenvolvimento econômico centradas na voracidade dos novos paradigmas de acumulação Como nos colocamos nesse contexto Como sabemos a questão social permeia a sociabilidade da sociedade de classes e seus antagonismos constituintes Envolve disputa social política e cultu ral em confronto com as desigualdades socialmente produzidas E como nos lembra Chaui 2006 p 324 em sua forma contemporânea a sociedade capitalista caracterizase pela fragmentação de todas as esferas da vida social desde a produção com a dispersão espacial e temporal do trabalho até a destruição dos referenciais que balizavam a identidade de classe e as formas de luta de classes Valorizando a instabilidade e a dispersão a ideologia neoliberal pósmoderna declara o fracasso dos projetos emancipatórios das orientações éticas pautadas em valores universais da razão moderna da ideia de progresso histórico e de totalidade O estí mulo à vivência fragmentada centrada no presente resumida ao aqui e ao agora sem passado e sem futuro ao individualismo exacerbado num contexto penetrado pela violência dá origem a novas formas de comportamento Barroco 2011 p 207 Nesse quadro sem dúvida é possível constatar nesse contexto o enorme custo social da crise de 2008 expresso especialmente nos efeitos devastadores da corrosão das condições de trabalho e dos direitos sociais Agrava esse quadro o fato de que permanece orientando as políticas sociais a herança neoconservadora e desestruturadora do neoliberalismo dominante particularmente na última década com consequências para a política e para a esfera pública E com impactos desuni versalizantes para as políticas sociais e para os direitos sociais Nessa conjuntura ressurgem processos de remercantilização de direitos sociais e fortalecese a tese de que cada indivíduo é responsável por seu bemestar No Brasil embora o país continue um dos mais desiguais do mundo registra se uma melhoria de indicadores como a elevação do valor real do salário mínimo e a elevação do nível de emprego a despeito de seu caráter precário Observase no país um processo de redução da pobreza e da extrema pobreza ONU PNUD 20102 embora esse processo mantenha a pobreza e sobretudo desconsidere as 2 Relatório do PNUD Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano de 2010 sobre o Desenvolvimento Humano no Brasil 684 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 razões e os mecanismos estruturais mais profundos que reproduzem as desigual dades Filgueiras e Gonçalves 2009 p 107 E dessa forma são deixadas de lado as estruturas concentradas de propriedade e poder que caracterizam particularmen te as periferias do capitalismo No país a combinação de medidas de natureza oposta articula dubiedades que se expressam em grandes tensões na política social de um lado a tendência à sele tividade e focalização de outro a perspectiva de construção de direitos A ideologia do workfare propagase rapidamente endurecendo contrapartidas e cri térios de elegibilidade exercendo pressão para que os beneficiários da assistência social pública que estejam aptos ao trabalho ingressem no mercado a qualquer custo mesmo que seja para estabilizar os instáveis na precariedade laboral e nos baixos salários Raichelis 2013 p 616 Serviço Social e construção de hegemonia das classes subalternas Para pensar o Serviço Social nesse processo minha referência principal será Gramsci e sobretudo recorrerei à atualidade da chave conceitual encontrada nas categorias hegemonia e subalternidade dialeticamente interligadas pela política na relação com o Estado e a sociedade civil A subalternidade é uma categoria política e faz parte do mundo dos dominados dos submetidos à exploração social econômica e política Supõe como comple mentar o exercício do domínio ou da direção por meio de relações políticosociais em que predominam os interesses dos que detêm o poder econômico e de decisão política Nesse sentido não podemos abordar indivíduos e grupos subalternos isolandoos do conjunto da sociedade A subalternidade diz respeito à ausência de poder de mando de poder de decisão de poder de criação e de direção Almeida 1990 p 35 É nos Cadernos do cárcere Caderno 25 de 1934 que Gramsci amplia a noção de classes e grupos subalternos relacionandoos com as categorias de Estado Sociedade civil hegemonia ideologia cultura e filosofia da práxis Nesse Caderno Gramsci apresenta as principais características dos grupos sociais subalternos desagregação traços de iniciativa autônoma e tendência à unificação rompida pelas iniciativas dos grupos dominantes 685 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 O Estado como nos lembra Simionatto educa o consenso por meio dos aparelhos privados de hegemonia mecanismos fortalecedores da fragmentação social das classes subalternas criação de um novo senso comum do qual são expelidos a política a participação a vida em relação aos outros o sentido de co munidade No âmbito da sociedade civil a classe dominante por meio do uso do poder por meios não violentos contribui para reforçar o conformismo apostando na desestruturação das lutas das classes subalternas reduzindoas e apostando na desestruturação das lutas das classes subalternas reduzindoas a interesses mera mente econômicocorporativos Simionato 2009 p 41 Caracterizando as reivindicações dos grupos subalternos Simionatto 2009 p 42 sugere a observação de mediações tais como suas relações com o desen volvimento das transformações econômicas sua adesão ativa ou passiva às formações políticas dominantes às lutas travadas a fim de influir sobre os pro gramas dessas formações para impor reivindicações próprias à formação de novos partidos dos grupos dominantes para manter o consenso e o controle dos grupos sociais subalternos à caracterização das reivindicações dos grupos subal ternos e às formas que afirmam a autonomia Gramsci 2002 p 140 Simionatto 2009 p 42 Historicamente os subalternizados vêm construindo seus projetos com base em interesses que não são seus mas que lhe são inculcados como seus Experienciam a dominação e a aceitam uma vez que as classes dominantes para assegurar sua hegemonia ou dominação criam formas de difundir e reproduzir seus interesses como aspirações legítimas de toda a sociedade Uma análise dessas relações de dominação do ponto de vista políticoideoló gico coloca em evidência que o Estado por intermédio de suas instituições sociais e políticas é veiculado como instância da ordem e da autoridade superior sobre a sociedade civil Nesse sentido através de seu monopólio de instituições o Esta do ajuda a manter e a reproduzir as estruturas da sociedade a partir da ótica dos interesses dominantes cf Almeida 1990 p 37 É importante lembrar que da sociedade civil partem demandas que o Estado deve atender Ambos sociedade civil e Estado expressam relações sociais contraditórias e produzem instituições e políticas voltadas para o atendimento das necessidades sociais e políticas da socie dade Yazbek 2009 p 27 Entendo que o contexto de crise e mudanças interpela o Serviço Social sob múltiplas dimensões e aspectos 686 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 1 A primeira dimensão que interpela o Serviço Social nesse contexto são as novas manifestações e expressões da questão social resultantes dessas transforma ções estruturais do capitalismo com as quais nos deparamos no cotidiano institu cional ao lado das velhas questões de sempre Sobre a questão social cada vez mais estruturante de relações sociais desiguais impossibilidade de alcançar a realidade da população com a qual trabalhamos sendo estranhos ao lugar que ocupa nas re lações sociais à sua cultura à sua linguagem a seu saber do mundo ao seu sofri mento e às suas estratégias de resistência nesse universo de dimensões insuspeita das Claro mudanças vêm ocorrendo nas periferias das cidades brasileiras nas formas de circulação e distribuição da riqueza na economia informal no cresci mento da violência da droga da vida matável inserida na expansiva trama de ilegalidades que se entrelaçam nas práticas urbanas3 nos programas sociais que se multiplicaram pelas periferias afora e nas formas de organização e lutas sociais que emergem nesse contexto Sabemos que novos fios estão tecendo novas socia bilidades que precisam ser desvendadas sabemos que a exclusão de bens materiais e culturais faz parte da reprodução do cotidiano de um grande contingente popula cional na sociedade brasileira e que são atuais os profundos e vastos sofrimentos gerados por uma ordem societária assentada na exploração de poucos sobre muitos 2 Outra dimensão que interpela a profissão diz respeito aos processos de re definição dos sistemas de proteção social e da política social em geral que emergem nesse contexto Como sabemos foi no âmbito do enfrentamento das consequências indesejáveis do novo regime de acumulação e suas medidas de ajuste econômico que a política social foi transformada total ou parcialmente em políticas focalizadas contra a pobreza principalmente nos países da periferia do capitalismo 3 Finalmente a profissão é interpelada e desafiada pela necessidade de cons truir mediações políticas e ideológicas expressas sobretudo por ações de resistência e de alianças estratégicas no jogo da política em suas múltiplas dimensões por dentro dos espaços institucionais e especialmente no contexto das lutas sociais Isso porque como sabemos questão social é luta é disputa pela riqueza socialmente construída Nesses termos situamos a questão em dois âmbitos 31 Em práticas cotidianas de contestação e resistência em que vamos en contrar experiências concretas de busca e fortalecimento dos interesses e projetos 3 Sobre o tema ver Telles 2007 687 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 de superação da condição subalterna Também por dentro dos espaços institucionais onde atuamos profissionalmente podemos desenvolver iniciativas de resistência buscar as novas práticas que se esboçam como alternativa Esse é outro caminho a ser procurado considerando as variadas lutas e propostas de resistência onde há espaços a ocupar como fóruns conselhos movimentos Aqui mais uma vez cabe deixar claras as diferenças entre pluralismo e ecletismo como constituintes desse processo Uma perspectiva plural supõe a diversidade supõe o diálogo entre posi ções correntes teóricosmetodológicos mas não concilia o inconciliável e muito menos abre mão da direção hegemônica É cada vez mais evidente que diferentes projetos sociopolíticos societários e da profissão se confrontam nesse processo O projeto neoconservador valendose de novas roupagens fragmentará cada vez mais as análises e ações do profissional Eu não diria que essas dimensões não sejam importantes na ação profissional mas no bojo do projeto conservador vêm isoladas tecnificadas sem história sem contexto sem referentes totalizantes vêm em si mesmas Outro aspecto de nosso trabalho é apoiar as resistências cotidianas das clas ses subalternas em nossa sociedade Conforme Boaventura de Sousa Santos infor ma que as rebeldias tem que se encontrar a partir de baixo da participação de todos de todos os dias substituindo relações de poder por relações e responsabi lidades partilhadas É quando nos referimos às relações de poder não podemos excluir as relações dos profissionais com a população É o poder das triagens das elegibilidades das governabilidades das concessões dos laudos das visitas con troladoras das definições de quem fica e quem não fica de quem pode participar de um programa etc Em diferentes situações precisamos expressar que caminhamos profissional mente junto aos nossos usuários sem deixar de lado os que vão mais devagar levando em conta o papel estratégico da comunicação e da informação para mostrar que não se está só na luta Nesse âmbito evidenciase a relevância da dimensão cultural e política do exercício da profissão A superação da condição de subalternidade requer para Gramsci a construção de novos modos de pensar a elaboração de uma concepção de mundo crítica e coerente necessária para suplantar o senso comum e tornar as classes subalternas capazes de produzir uma contrahegemonia A cultura é apontada por Gramsci como um dos elementos fundamentais na organização das classes subalternas capaz de romper com a sua desagregação e abrir caminhos para a construção de uma vonta 688 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 de coletiva contrapondose às concepções de mundo oficiais Entendida de forma crítica a cultura é instrumento de emancipação política das classes subalternas o amálgama o elo de ligação entre os que se encontram nas mesmas condições e buscam construir uma contrahegemonia Simionatto 2009 p 45 A luta pela hegemonia nas sociedades de capitalismo avançado não se trava para Gramsci apenas nas instâncias econômica e política relações materiais de produção e poder estatal mas também na esfera da cultura Nesse processo no entanto aprofundar e aperfeiçoar o conhecimento da realidade impõese como condição essencial na luta por sua própria transformação efetivandose a crítica real da racionalidade e historicidade dos modos de pensar Gramsci 1999 p 111 o que poderá ocorrer através da filosofia da práxis ou seja do marxismo Simio natto 2009 p 43 práticas de enfrentamento e busca de superação da subalternidade são observa das nos movimentos sociais nos partidos políticos nas lutas sociais e políticas da maioria da população brasileira e em práticas cotidianas de contestação e resistência a dominação a coletividade criada pela consciência de que são iguais na condição de classe coloca a questão das lutas dos subalternos em um novo patamar na perspectiva de sua constituição como sujeitos políticos portadores de um projeto de classe Ao ad quirir visibilidade conquistar direitos e protagonismo social as classes subalternas avançam no processo de ruptura com a condição subalterna e na produção de uma outra cultura em que prevaleçam seus interesses Yazbek 2009 p 2728 A questão que se coloca é se isso pode ocorrer o âmbito da política social e particularmente no âmbito de uma profissão e aí eu diria que estamos diante de uma difícil equação Cabe lembrar que historicamente em uma sociedade assentada na exploração de poucos sobre muitos como é a sociedade bra sileira as políticas de corte social ao regularem as relações sociais não só favorecem a acumulação e oferecem bases para legitimação do Estado como reproduzem a do minação mas se a administração da desigualdade é a ótica da ação estatal para as classes subalternizadas e excluídas dos serviços sociais em geral as políticas sociais se colocam como modalidade de acesso a recursos sociais e é assim que se apresentam como reivindicação de movimentos dos subalternos em seu processo de luta por di 689 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 reitos sociais O social tornase campo de lutas e de manifestação dos espoliados o que não significa ruptura com o padrão de dominação e clientelismo do estado brasi leiro no trato com a questão social Yazbek 2009 p 2930 Em síntese nos movemos em um espaço contraditório no qual o Estado e suas políticas não pode ser autonomizado em relação à sociedade expressando relações e interesses vigentes nessa sociedade Relações em que estão sempre em disputa os sentidos da sociedade Nessa disputa há sempre um conjunto de determinações dentro das quais as opções operam Yazbek 2009 p 2930 É isso que Gramsci denomina luta pela hegemonia Estou reafirmando pois a necessária construção de hegemonia das classes subalternas na condução do processo de construção de seus direitos não apenas como questão técnica mas como questão essencialmente política lugar de contra dições e resistência A partir desse âmbito é possível modificar lugares de poder demarcados tradicionalmente construir outros e não apenas realizar gestões bem sucedidas de necessidades Quando falamos em protagonismo tendo como refe rência o pensamento de Gramsci é ao poder que nos referimos Esse é um dos aspectos que devemos ter presente em nossa busca de construir parâmetros de negociação de interesses e direitos de nossos usuários Parâmetros que devem trazer a marca do debate ampliado e da deliberação pública ou seja da cidadania e democracia Se temos hoje como assinalam Paoli e Oliveira a vitória da concepção de vida de visão de mundo de valores das classes dominantes inclusive à escala mundial temos também iniciativas de contradesmanche assim como o esta belecimento do dissenso em múltiplas instâncias da vida social Segundo Mota não se trata aqui da cidadania construída na ordem como resultado da conci liação de interesses inconciliáveis em que usuários transformamse em cida dãos como se a causa da desigualdade fosse a ausência de cidadania Yazbek 2009 p 19 Essas atividades se constituem em mediações técnicopolíticas e se redefinem necessariamente a partir de condições concretas E à medida em que novas situações colocam novos desafios e exigências a profissão busca atualizarse redefinindo seus procedimentos e estratégias de ação adequandose às novas demandas e re definições do mercado de trabalho e da conjuntura social Este movimento da profissão que pode ou não realizar direitos de cidadania não se faz sem referen 690 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 tes mas segue uma direção social apoiada na força de um projeto profissional ético político teórico metodológico e técnico operativo 32 Em um âmbito mais amplo e coletivo de luta e resistência entendo que a inserção da profissão nas lutas sociais seu protagonismo conquistas e desafios é uma construção coletiva e se realiza por meio dos organismos políticoorganiza tivos dos assistentes sociais brasileiros Se voltarmos o olhar e acompanharmos nas três últimas décadas o trabalho de nossas entidades é possível constatar que construímos coletivamente o que conforme Iamamoto constitui um patrimônio sociopolítico e profissional que atribui uma face peculiar ao Serviço Social brasi leiro no cenário da América Latina e Caribe e no circuito mundial do Serviço Social Nessa história encontramos entidades politicamente fortes representativas e ar ticuladas entre si com legitimidade política e capilaridade organizativa inédita como bem expressam os muitos eventos da categoria sejam acadêmicos sejam aqueles resultantes da experiência associativa dos profissionais como suas conven ções congressos encontros e seminários Gostaria de destacar os encontros CFESS Cress que reúnem delegados de todo o país e deliberam sobre propostas discutidas e indicadas inicialmente nos encontros descentralizados acerca de questões relativas à profissão em diferentes eixos temáticos A título de exemplo trago o resultado do 42º Encontro Nacional CFESSCress realizado no Recife nos dias 5 a 8 de setembro último Esse encontro revelou 135545 assistentes sociais inscritosativos no país e deliberou sobre sete eixos temáticos Fiscalização profissional Ética e direitos humanos Seguridade social Formação profissional Relações internacionais Co municação e administrativofinanceiro Decisões que orientarão as ações do con junto para 2014 É bom lembrar que essa legitimidade política está presente no nosso Código de Ética e nos marcos legais que regulamentam o exercício profissional e seu pro cesso formativo assim como nas múltiplas decisões deliberações que reafirmam o fortalecimento do projeto éticopolítico profissional e a organização coletiva da categoria profissional Em síntese esta legitimidade política e capilaridade organizativa inédita nos permitem afirmar e atribuir às nossas organizações um caráter de intelectual cole tivo capaz de articular organizar e pactuar a presença dos assistentes sociais nas lutas coletivas e em movimentos sociais mais amplos na direção da construção de outra ordem societária Se entendermos que no contexto de crise e na nova ordem das coisas está em disputa uma direção social para a sociedade brasileira cabe interferir na construção 691 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 dessa direção em que a medida seja os interesses e as necessidades das classes su balternas na sociedade como tanto tenho afirmado Cabe construir sua hegemonia criar uma cultura que torne indeclináveis seus interesses Para isso é preciso enfren tar desafios e nos desvencilhar de certas determinações e de certos condicionamen tos impostos pela realidade socioinstitucional em que estamos inseridos e de algum modo limitados por ela Nossa relativa autonomia profissional como sabemos está sempre no olho do furacão E embora saibamos que escapa às políticas sociais às suas capacidades desenhos e objetivos reverter níveis tão elevados de desigualdade como os encontrados no Brasil não podemos duvidar das virtualidades possíveis dessas políticas que podem ser possibilidade de construção de direitos e iniciativas de contradesmanche de uma ordem injusta e desigual Recebido em 882014 Aprovado em 1382014 Referências bibliográficas ALMEIDA Bernadete de Lourdes Figueiredo As práticas do Serviço Social afirmação ou superação da subalternidade Tese Doutorado Programa de PósGraduação em Serviço Social Pontifícia Universidade Católica São Paulo 1990 ALVES Giovanni Dimensões da precarização ensaios de sociologia do trabalho Bauru Canal 6 EditoraProjeto Editorial Praxis 2013 ANTUNES Ricardo A nova morfologia do Trabalho e suas principais tendências In Org Riqueza e miséria do trabalho no Brasil São Paulo Boitempo 2013 BARROCO Maria Lucia S Barbárie e neoconservadorismo os desafios do projeto ético político Serviço Social Sociedade São Paulo n 106 abrjun 2011 FILGUEIRAS Luiz GONÇALVES Reinaldo Desestruturação do trabalho e política social In PEREIRA Potyara Amazoneida et al Orgs Política social trabalho e democracia em questão Programa de PósGraduação em Política Social Universidade de Brasília Brasília 2009 GRAMSCI A Cadernos do cárcere Tradução de Carlos Nelson Coutinho com a colabo ração de Luiz Sergio Henriques e Marco Aurélio Nogueira Rio de Janeiro Civilização Brasileira 1999 v 1 692 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 GRAMSCI A Cadernos do cárcere Tradução de Carlos Nelson Coutinho com a colabo ração de Luiz Sergio Henriques e Marco Aurélio Nogueira Rio de Janeiro Civilização Brasileira 2002 v 5 IAMAMOTO Marilda Vilela Serviço Social em tempo de capital fetiche capital financei ro trabalho e questão social São Paulo Cortez 2008 CARVALHO Raul Relações sociais e Serviço Social no Brasil esboço de uma interpretação históricometodológica 10 ed São Paulo CortezCelats 1995 IVO Anete Brito Leal A reconversão da questão social e a retórica da pobreza nos anos de 1990 In DEAN Hartley CLIMADAMORE Alberto SIQUEIRA Jorge Orgs A pobre za do Estado reconsiderando o papel do Estado na luta contra a pobreza global Buenos Aires Clacso 2006 LAUTIER Bruno Les politiques sociales en Amérique Latine Propositions de méthode pour analyser um éclatement em cours Les Cahiers das Ameriques Latines Paris n 30 1999 MARTINS José de Souza Sobre o modo capitalista de pensar São Paulo Hucitec 1978 p xixii Col Ciências Sociais Série Linha de Frente OLIVEIRA Francisco PAOLI Maria Célia Os sentidos da democracia políticas do dis senso e hegemonia global Petrópolis VozesNedic 1999 OLIVEIRA Francisco Política numa era de indeterminação opacidade e reencantamento In RIZEK Oliveira Francisco RIZEK Cibele Saliba Orgs A era da indeterminação São Paulo Boitempo 2007 PAOLI Maria Célia Cidadania e democracia as rupturas no pensamento da política Pro jeto Temático Fapesp 2000042984 Segundo Relatório Parcial de Atividades 2001 RAICHELIS Raquel Proteção social e trabalho do assistente social tendências e disputas na conjuntura de crise mundial Serviço Social Sociedade São Paulo n 116 2013 SIMIONATTO Ivete Classes subalternas lutas de classe e hegemonia uma abordagem gramsciana Katálysis Universidade Federal de Santa Catarina v 12 n 1 p 4149 2009 SUM Ngai Ling Crise do capitalismo financeiro e seu ataque às necessidades sociais Politizando boletim do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Política Social NepposCeam UnB Brasília ano 4 n 12 dez 2012 TELLES Vera da Silva No fio da Navalha entre carências e direitos Notas a propósito dos programas de renda mínima no Brasil In Programas de renda mínima no Brasil impactos e potencialidades São Paulo Pólis 1998 693 Serv Soc Soc São Paulo n 120 p 677693 outdez 2014 TELLES Vera da Silva Transitando na linha de sombra tecendo as tramas da cidade In RIZEK Oliveira Francisco RIZEK Cibele Saliba Orgs A era da indeterminação São Paulo Boitempo 2007 VIANNA Maria Lúcia Teixeira Werneck A nova política social no Brasil uma prática acima de qualquer suspeita Sl 2008 Mimeo YAZBEK Maria Carmelita Classes subalternas e assistência social São Paulo Cortez 2009 Estado e Políticas Sociais uma aproximação conceitual In MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE À FOME E INSTITUTO DE ESTUDOS ESPECIAIS DA PUCSP Suas configurando os eixos de mudança Brasília MDS 2008 INSIRA AQUI O TÍTULO DE SEU PAPER Acadêmico Turma Tutor RESUMO Insira neste quadro o resumo da sua pesquisa O resumo deve conter no máximo 250 palavras ser composto de um único parágrafo sem recuo na primeira linha A fonte usada deve ser Times New Roman espaçamento simples justificado tamanho 12 O resumo deve conter o tema a ser tratado o objetivo geral a metodologia adotada e as conclusões Palavraschave Insira nesse campo três palavraschave que remetem ao seu trabalho INTRODUÇÃO A introdução é a apresentação inicial do trabalho e deve conter uma breve apresentação sobre o tema estudado a pergunta que moveu a pesquisa o objetivo geral e os objetivos específicos do trabalho FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A fundamentação teórica precisa conter no mínimo dez parágrafos Aqui é possível utilizar citações diretas curtas citações diretas longas citações indiretas Neste caso todas devem ser referenciadas As citações utilizadas devem ser retiradas de livros e artigos científicos Além da parte textual você poderá inserir aqui gráficos mapas tabelas fotografias ou imagens desde que todas relacionadas ao conteúdo e contextualizados Lembrese de inserir o título e fonte da imagem METODOLOGIA A metodologia de um trabalho acadêmico deve conter basicamente os seguintes itens Método de pesquisa a referência teórica que vai orientar seu caminho abordagem de pesquisa É quantitativa qualitativa ambas Qual é o tipo de pesquisa bibliográfica documental de campo participante Quais foram os instrumentais de pesquisa questionário formulário Também é importante responder qual a fonte dessas informações A ideia aqui é apresentar como você chegou até os resultados APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Neste campo apresente os resultados de sua entrevista e as pesquisas sobre o tema Utilize gráficos e tabelas para apresentar seus resultados Lembrese abaixo dos gráficos e das tabelas faça uma pequena descrição dos dados e após utilize um autor para analisar os dados CONSIDERAÇÕES Utilize este campo para fazer a finalização do seu trabalho Aproveite para expor suas conclusões sobre a pesquisa e listar o que você aprendeu com esta experiência REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Listar as referências bibliográficas utilizadas de acordo com as normas da ABNT