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KLS Atelier de Projeto de Arquitetura VI Atelier de Projeto de Arquitetura VI Carolina Cardoso 2019 por Editora e Distribuidora Educacional SA Todos os direitos reservados Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio eletrônico ou mecânico incluindo fotocópia gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação sem prévia autorização por escrito da Editora e Distribuidora Educacional SA Presidência Rodrigo Galindo VicePresidência de Produto Gestão e Expansão Julia Gonçalves VicePresidência Acadêmica Marcos Lemos Diretoria de Produção e Responsabilidade Social Camilla Veiga Gerência Editorial Fernanda Migliorança Editoração Gráfica e Eletrônica Renata Galdino Supervisão da Disciplina Sandra Leonora Alvares Revisão Técnica Adriana Cezar Estela Regina De Almeida Ruy Flávio De Oliveira Sandra Leonora Alvares Thamiris Mantovani CRB89491 2019 Editora e Distribuidora Educacional SA Avenida Paris 675 Parque Residencial João Piza CEP 86041100 Londrina PR email editoraeducacionalkrotoncombr Homepage httpwwwkrotoncombr Dados Internacionais de Catalogação na Publicação CIP Cardoso Carolina C268a Atelier de projeto de arquitetura VI Carolina Cardoso Londrina Editora e Distribuidora Educacional SA 2019 208 p ISBN 9788552215868 1 Projeto de arquitetura 2 Unidade de Pronto Atendimento UPA 3 Arquitetura hospitalar I Cardoso Carolina II Título CDD 720 Sumário Unidade 1 Atelier VI pesquisa e levantamento de dados sobre a temática 7 Seção 1 Atelier VI temática do projeto 9 Seção 2 Atelier VI metodologia de projetos de arquitetura hospitalar 24 Seção 3 Legislação vigente e normas pertinentes 38 Unidade 2 Concepção do projeto 57 Seção 1 Análise do terreno 59 Seção 2 Programa de necessidades 75 Seção 3 Conceito do projeto e a concepção do partido arquitetônico 89 Unidade 3 Desenvolvimento do projeto 107 Seção 1 Prédimensionamento do edifício 109 Seção 2 Sistema estrutural 130 Seção 3 Desenhos técnicos 145 Unidade 4 Desenhos e apresentação do projeto 161 Seção 1 Detalhamento de projeto 163 Seção 2 Elaboração de maquete física e virtual 177 Seção 3 Apresentação do anteprojeto189 Palavras do autor O lá Bemvindoa à disciplina de Atelier de Projeto de Arquitetura VI O que seria de um arquiteto se não soubesse como projetar Caminhamos ao longo de toda a trajetória acadêmica estudando sobre formas proporção elementos construtivos e metodologia de projeto para nos tornarmos aptos para exercer a profissão No entanto devemos consi derar que existem inúmeros tipos de edificações cada qual com a sua função e particularidade Conhecer as características que diferenciam os edifícios é fundamental para criar soluções que atendam às necessidades e aos desejos de quem usufruirá do espaço Por isso esta disciplina tem como objetivo respaldar o futuro profissional nas mais variadas situações Desta vez abordaremos a ampla e complexa temática da arquitetura hospitalar Este livro trata desde a evolução histórica dos hospitais e a concepção do projeto de edifícios de saúde até o detalhamento e a apresen tação do projeto arquitetônico Em síntese temos como foco orientar o aluno na compreensão da temática dos edifícios de saúde e na metodologia de análise de projetos e fazer com que ele conheça a legislação vigente e entenda a concepção do projeto de edifícios de saúde que vai desde o prédimensio namento o sistema estrutural e os detalhamentos até as técnicas de apresen tação do projeto arquitetônico A Unidade 1 tem caráter introdutório e versará sobre assuntos gerais para que você possa compreender de forma efetiva como funciona um edifício da área da saúde Nas Unidades 2 3 e 4 relacionaremos a temática com o processo projetual já desenvolvido peloa alunoa em disciplinas anteriores Tópicos como análise do entorno programa de necessidades partido arqui tetônico prédimensionamento desenhos técnicos e apresentação de projeto serão abordados ao longo do material Este livro funciona como um guia mas não se limite a ele Busque por conhecimento em outras fontes como livros palestras e pesquisas científicas a fim de vivenciar a arquitetura com olhos mais atentos Aprofundese nos conteúdos tratados neste material didático e conte com a ajuda doa professora neste processo de aprendizagem Bons estudos Leis e normas regulamentadoras do dimensionamento No dimensionamento o profissional deve atentar para as normas e leis que regulamentam o tipo de edificação que será construída Para residências o código de obras do município fornece as dimensões mínimas dos ambientes Da mesma forma a Resolução RDC nº 50 BRASIL 2002 indica o dimensionamento mínimo para os ambientes hospitalares Considerando um consultório indiferenciado como no exemplo apresentado a resolução estipula como área mínima 75m² enquanto a dimensão mínima da sala é de 22 metros O resultado do seu cálculo é maior ou menor que essa área Assimile Para auxiliar no dimensionamento você pode elaborar padrões de ambientes de acordo com a atividade pretendida Desenhe uma planta baixa e organize o mobiliário e os equipamentos de forma adequada Assim além do dimensionamento mínimo você terá um modelo de ambiente que pode ser utilizado no momento da confecção dos desenhos técnicos Voltemos ao exemplo do consultório indiferenciado como você organizaria esses objetos Veja uma proposta na Figura 32 Figura 32 Layout de consultório indiferenciado M001 E030 E052 E068 E008 E053 E044 M004 E010 E075 M009 M015 M019 M006 M012 E043 E057 M013 E054 0 30 60 90 120cm 112 Unidade 1 Carolina Cardoso Atelier VI pesquisa e levantamento de dados sobre a temática Convite ao estudo Olá alunoa Nesta unidade teremos como foco a temática da arquitetura hospitalar Você sabe quando surgiram os primeiros médicos e hospitais Qual era a confi guração desses espaços e quais as modificações que aconteceram no decorrer da história Existe leis e normas que regem o funcionamento destes edifícios Para responder a essas questões introduziremos o assunto e conhece remos a temática do projeto de arquitetura hospitalar buscando referências projetuais a partir de análises de projetos correlatos Além disso conhece remos as normas que regem o projeto dos edifícios de saúde Por fim teremos conhecimento sobre o histórico do tema do projeto e a legislação vigente e criaremos um repertório de referências arquitetônicas Imagine a situação na qual você foi contratadoa por um escritório de arquitetura especializado em construções da área da saúde A prefei tura da sua cidade localizada no interior do estado está em um acelerado processo de expansão que envolve a abertura de novos loteamentos Dessa forma a prefeitura lançou um edital para um concurso municipal de projeto arquitetônico para uma Unidade Básica de Saúde UBS do novo bairro recémaprovado Este edital apresenta como requisitos a apresentação de um projeto arqui tetônico no nível de anteprojeto de um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS com capacidade entre 2400 e 4000 pacientes e que atenda aos critérios estabelecidos pelo Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde publicado pelo Ministério da Saúde Na Seção 11 você iniciará uma pesquisa sobre a temática de projeto e analisará algumas edificações voltadas para o uso da saúde a fim de conhecer melhor as características dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS Com isso você compreenderá a setorização e circulação entre os ambientes necessários em uma edificação da área de saúde Na Seção 12 identificará as tipologias existentes e compreenderá o processo de concepção do projeto arquitetônico Nesse contexto terá contato com o Plano Diretor Hospitalar e qual é o processo projetual que envolve a criação de uma edificação Para terminar na Seção 13 você se aprofundará na legislação vigente sobre edifício de saúde que norteará o desenvolvimento do projeto que deverá atender a todas as normativas Com os conteúdos apresentados nesta disciplina será possível entender que a arquitetura pode influenciar no processo de cura dos doentes atuando inclusive como um tratamento auxiliar Está prontoa para descobrir os poderes do projeto arquitetônico 9 Seção 1 Atelier VI temática do projeto Diálogo aberto Hospitais clínicas médicas postos de saúde e laboratório de análises clínicas o projeto de edifícios voltados para a área da saúde exige atenção especial pois nestas construções existe a aglomeração de pessoas enfermas infectadas e debilitadas o que aumenta o risco de contaminação e disseminação de doenças Devemos considerar ainda que os Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS prestam serviços de atendimento para indivíduos abatidos e que a maneira com que o projeto de arquitetura destas edificações for ideali zada impacta diretamente sobre o bemestar da pessoa que precisa ser curada Pense em um cenário em que você faz parte de um escritório de arquitetura especializado em projetos de EAS e a sua equipe trabalhará em uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade onde mora Você gostaria de compreender mais sobre a temática para apresentar maior segurança e melhores escolhas no momento de começar a projetar Sendo assim decidiu estudar o processo histórico que moldou as edificações de atendimento à saúde no Brasil além de buscar por referências de projetos de arquitetura hospitalar e analisar as soluções que foram utilizadas para atingir o resultado final Analise o processo histórico das construções de edifícios de saúde Quais foram as transformações e influências que culminaram na tipologia construtiva que vivenciamos hoje Quais dos elementos identificados devem estar presentes no seu projeto arquitetônico Que referências arquitetônicas poderão auxiliálo no processo criativo enriquecendo seu projeto Sua pesquisa acerca das edificações de arquitetura hospitalar executadas no Brasil fez com que você identificasse alguns nomes que se destacaram no projeto de edifícios de saúde dentre eles João Filgueiras Lima Nesse contexto vcê opta por analisar uma obra completa do arquiteto para auxili álo na elaboração de um processo metodológico para EAS Inicie observando quais são os setores que compõem o projeto os ambientes e suas respec tivas funções Existem várias especialidades médicas atuando em conjunto Analise como os espaços se relacionam e os fluxos de circulação O fluxo de pacientes se cruza com o fluxo de médicos e funcionários Observe também fotografias dos ambientes internos Este edifício é inteiramente branco ou apresenta cores Como são os móveis Existe paisagismo Estes são alguns dos questionamentos que você deve levantar ao analisar a obra 10 Para tanto veremos nesta seção a evolução histórica dos hospitais contextualizando a temática da arquitetura hospitalar Nesse sentido desco briremos como eram os hospitais da antiguidade e quais acontecimentos os transformaram nos complexos de saúde atuais Compreender como ocorreu a evolução destas edificações auxilia na criação de um panorama geral que possibilitará o entendimento acerca da função e das percepções dos edifí cios de saúde A análise de projetos arquitetônicos atuais lhe permitirá criar um repertório de referências que poderão ser utilizadas futuramente no momento de projetar um edifício de saúde Está curiosoa para descobrir como a arquitetura pode influenciar no tratamento dos pacientes Vamos começar nossa jornada de aprendizagem sobre a arquitetura hospitalar Não pode faltar Não se sabe com precisão a origem da medicina e dos hospitais como conhecemos hoje Entretanto existem registros de locais destinados ao tratamento de doentes que datam de épocas anteriores ao cristianismo A cura dos enfermos já se mostrava uma preocupação desde a antiguidade nas primeiras cidades da civilização MINISTÉRIO DA SAÚDE 1944 Conforme a população crescia os indivíduos que antes se preocupavam apenas com a sua vitalidade e de sua família passaram a atentar à saúde coletiva das sociedades urbanas primitivas Saiba mais A profissão de médico foi estabelecida na Babilônia sendo dissemi nada para o Egito Os registros encontrados nos pergaminhos egípcios mostram uma variedade de especialidades médicas como olhos dentes e distúrbios internos A remuneração era farta e os tratamentos eram custeados pelo governo Imhotep considerado o primeiro arquiteto que já existiu e responsável pela construção da pirâmide mais antiga era também um excelente médico GÓES 2004 cap 2 Os médicos da Antiguidade e Idade Clássica recebiam muito prestígio sendo relacionados aos sacerdotes egípcios e gregos MINISTÉRIO DA SAÚDE 1944 Nestes períodos assim como na Idade Média o exercício da medicina era associado à divindade e ao cristianismo A função do hospital não se restringia ao tratamento de doenças e se caracterizava por locais que recebiam não só os enfermos mas também os pobres e peregrinos 11 Vocabulário Por esse motivo a palavra hospital tem origem no latim hospitalis adjetivo derivado de hospes que significa hóspedes O termo como conhecemos hoje tem a conotação de nosocomium do grego que signi fica tratar os doentes Os primeiros locais que concebiam a função da cura de doenças estavam associados aos templos Na Grécia surgiram as Asclepéia templos dedicados ao culto de Esculápio um ser com habilidades médicas excepcionais MINISTÉRIO DA SAÚDE 1944 Estes templos eram edificados em locais propícios ao tratamento médico As construções deveriam ser implantadas nas colinas abrigadas contra os ventos fortes e próximas à floresta e a uma fonte de água mineral A preocupação com a higiene e alimentação já acontecia naquela época Antes que os enfermos adentrassem nos santuários estes eram subme tidos a processos de purificação com banhos massagens e unções A medicina e os médicos gregos ganharam importância e conquistaram espaço em Roma O prestígio era tanto que o imperador Júlio César concedeu a cidadania romana a todos os médicos No período governado pelo seu sucessor Augusto o arquiteto romano Marcus Vitruvius escreveu um livro que ficou conhecido como Tratado de Arquitetura No compilado Vitruvius 2007 apresenta como reconhecer um local saudável para implantação das cidades e a escolha do ambiente de implantação das edificações resgatando os princípios utilizados pelos gregos localidades altas com boa ventilação evitando áreas pantanosas e nebulosas Além disso relembra a relação com o alimento e com a água fatores que indicam a salubridade dos locais O autor incorpora os conceitos de conforto térmico indicando a orientação solar mais adequada evitando insolações extenuantes Pesquise mais O livro De Architectura Libri Decem de Marcus Vitruvius Pollio intro duziu os princípios da arquitetura clássica que influenciaram as construções do Renascimento e são utilizados até os dias atuais Este compêndio está dividido em dez volumes que apresentam aspectos arquitetônicos desde a escolha do local para implantar uma cidade até a decoração do interior das construções O artigo escrito pela profes sora Giselle Luzia Dziura apresenta mais detalhadamente quais foram as contribuições dos escritos de Vitruvius Leia o intervalo de páginas de 20 a 26 e saiba mais DZIURA G L Três tratadistas da arquitetura e a ênfase no uso do espaço Da Vinci Curitiba v 3 n 1 p 1936 2006 12 A Idade Média ficou conhecida como Idade das Trevas por diferentes razões por exemplo a infestação de pestes que culminou em grandes epide mias aumentando a necessidade de implantação de locais para quaren tena Assim acelerouse o processo de construção de hospitais localizados próximos aos mosteiros e às igrejas reforçando o poder do cristianismo MINISTÉRIO DA SAÚDE 1944 Um dos marcos da arquitetura hospitalar está associado à construção de dois Hotéis Dieu em Lyon e em Paris Figura 11 A planta baixa destes estabelecimentos abrigava uma capela e deveria permitir que todos os pacientes observassem os atos religiosos enquanto repousavam em suas camas GÓES 2004 Porém em meados do século XII surgiram diversos concílios que proibiram o exercício da medicina pelo clero incluindo as operações com derramamento de sangue Apenas as doenças da alma deveriam ser tratadas pelo clero enquanto o exercício da medicina ficou nas mãos de leigos Figura 11 Catedral de NotreDame com o antigo Hotel Dieu à direita Paris Fonte Wikimedia Commons Disponível em httpsfrwikipediaorgwikiHC3B4telDieudeParis Aces so em 5 jul 2019 O advento das universidades e da invenção do microscópio serviu de impulso para o desenvolvimento da ciência Durante o Renascimento os concílios da igreja foram abandonados o que permitiu avanços nos proce dimentos cirúrgicos que foram determinantes para o melhoramento dos hospitais A medicina deixou de ter um caráter monástico para ser reconhe cida como parte da física o que culminou na municipalidade dos hospitais MINISTÉRIO DA SAÚDE 1944 13 Após o incêndio do Hotel Dieu em Paris no ano de 1772 ocorreram mudanças significativas acerca da construção e do planejamento dos estabe lecimentos de saúde O hospital era imenso para a época com capacidade de 2500 leitos e apresentava diversos problemas de contaminação e disse minação de doenças GÓES 2004 A Academia de Ciências de Paris ficou encarregada pela sua reconstrução Diversos projetos foram apresentados e cada um deles previa atender 5000 leitos Contudo a comissão se opôs às propostas e estabeleceu novos parâmetros para a construção incluindo dentre outros aspectos a redução do número de leitos por hospital 1200 a disposição em pavilhões nos quais as enfermarias ficariam isoladas e não haveriam salas contínuas e a utilização de preferivelmente apenas um pavimento com o máximo de dois ou três conforme a concessão Estes princípios foram utilizados para direcionar a construção de vários hospitais durante mais de um século GÓES 2004 Reflita A preocupação com a contaminação e infecção dispersa pelos próprios doentes acarretou mudanças na estrutura física das edificações hospita lares Quais outros aspectos podem ser influenciados pela arquitetura Portugal foi influenciado pelas características propostas pela Academia de Ciências e transferiu sua cultura para a colônia assim como o fez em diversos outros aspectos O Brasil recebeu edificações para assistência hospi talar desde o seu descobrimento Em 1543 foi construído o primeiro hospital nacional na cidade de Santos sendo sucedido pela construção de instala ções em Olinda e São Paulo antes do final do século XVI Desde então não houveram novas normas para a construção de edificações de saúde até a Revolução de 1930 Neste período já estavam sendo construídos nos Estados Unidos edifí cios hospitalares em um único bloco de inúmeros pavimentos funcionando em perfeitas condições de salubridade que sobrepunham aos princípios da Academia de Ciências MINISTÉRIO DA SAÚDE 1944 Estes parâmetros foram utilizados pelos arquitetos brasileiros para construir as novas instala ções de saúde do país Alguns exemplos são o Hospital da Brigada Militar em Recife 1934 projetado por Luís Nunes a Faculdade de Medicina de São Paulo 1944 Figura 12 do arquiteto Ramos de Azevedo e o Hospital Israelita Albert Einstein 1954 idealizado por Rino Levi 14 Figura 12 Faculdade de Medicina de São Paulo 1978 Fonte Wikimedia Commons Disponível em httpsptwikipediaorgwikiFaculdadedeMedicinadaUnie versidadedeSC3A3oPaulo Acesso em 5 jul 2018 A partir daí podemos traçar um repertório de referências em arquite tura hospitalar no Brasil Além dos arquitetos já citados nomes como Jarbas Karman João Filgueiras Lima João Carlos Bross e Carlos Eduardo Pompeu se destacam no projeto dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS Saiba mais A denominação Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS é dada a qualquer edifício destinado a prestar serviços de assistência à saúde para a população Independentemente do nível de complexidade do projeto todos eles devem garantir o acesso do paciente seja em regime de internação ou não As obras dos hospitais da Rede Sarah Kubitschek se destacam dentre o acervo de projetos realizados por João Filgueiras Lima conhecido como Lelé O primeiro hospital foi inaugurado em Brasília no ano de 1980 o que levou à criação do Centro Tecnológico Sarah Kubitschek CTRS que originou a Rede Sarah Para a terceira unidade construída em 1994 na cidade de Salvador Figura 13 o arquiteto utilizou um sistema muito particular para o conforto térmico A iluminação e ventilação natural foram incorporadas ao projeto por meio do sistema de cobertura denominado shed que permitiu a redução do uso de aparelhos de ar condicionado e consequentemente o gasto energético Os elementos que se assemelham a ondas permitem a entrada da luz do sol de forma indireta e direciona os ventos para o interior da edificação Existem 15 ainda outros fatores que se unem ao elemento da cobertura para contribuírem com a melhor eficiência do edifício como o sistema de galerias de manutenção que funcionam também como dutos de ventilação natural e que canalizam os ventos favorecendo a circulação do ar e o resfriamento evaporativo que usa a nebulização de água para diminuir a temperatura do ar Este último também funciona como um filtro para as partículas de poeira Figura 13 Hospital Sarah Unidade Salvador Fonte Rede Sarah Disponível em httpwwwsarahbrmedia1368aredeSARAHunidsalvadorgrande2 jpganchorcentermodecroprnd130536445810000000 Acesso em 5 jul 2018 Depois da capital baiana diversas outras cidades receberam obras da Rede Sarah que utilizavam a cobertura em sheds e seguiam os mesmos princí pios de conforto térmico A última unidade foi construída em 2009 no Rio de Janeiro Figura 14 É possível notar a evolução arquitetônica de Lelé no decorrer dos 15 anos que separam as duas obras A cobertura da construção carioca é mais alta e foi desassociada das paredes permitindo mais flexibi lidade na organização dos ambientes diferente da unidade de Salvador na qual os sheds eram limitados à largura das salas Assimile Os sheds são aberturas zenitais ou seja posicionadas na cobertura com um formato característico que se assemelha aos dentes de uma serra muito utilizados na construção de fábricas As obras de Lelé popularizaram este elemento no Brasil que se transformou e originou uma estrutura única em cada obra na qual fora empregado O shed favorece o efeito chaminé com o qual o ar quente é dissipado pela abertura por meio da diferença de densidade do ar Mas cuidado O posicionamento da abertura deve calcular a incidência solar para que 16 ela não se transforme em um canalizador dos raios solares e prejudique o conforto térmico do edifício Outra diferença é percebida na composição da cobertura isto é existe uma externa feita com telha e forro de alumínio com um vão entre eles da mesma forma como acontece em Salvador e uma interna produzida com estrutura metálica e policarbonato alveolar translúcido que envolve os ambientes Esta estrutura apresenta aberturas basculantes automatizadas que permitem alternar entre os sistemas de ventilação natural e artificial já que o Hospital Sarah do Rio de Janeiro é o único que tem ar condicionado devido às suas condições climáticas Figura 14 Hospital Sarah Unidade Rio de Janeiro Fonte Rede Sarah Disponível em httpwwwsarahbrmedia1401aredeSARAHunidriograndejpgan chorcentermodecroprnd130537087220000000 Acesso em 5 jul 2018 A partir da análise das obras de arquitetos renomados na área da saúde é possível identificar as características essenciais para o projeto destas edifi cações Em primeiro lugar devese considerar que o paciente está ali para ser curado e para isso precisa de um local que lhe ofereça além do trata mento médico necessário ambientes agradáveis e humanitários que contri buam para o seu bemestar Os recursos naturais como iluminação venti lação e vegetação tornamse aliados no momento de compor espaços que apresentem conforto ambiental Exemplificando Os elementos vegetais apresentam influência sobre as sensações do usuário Estudos apontam a contribuição da vegetação para uma 17 melhor saúde mental com menos estresse e ansiedade BARTON PRETTY 2010 LEE JORDAN HORSLEY 2015 AKPINAR 2016 Dessa forma o paisagismo pode ser incorporado aos espaços hospitalares como tratamento auxiliar ao paciente Um exemplo é a proposta do projeto de extensão do Hospital de Helsin gborg na Suécia Note que existe uma grande porção da área destinada às localidades verdes Figura 15 Implantação da proposta vencedora da extensão do Hospital de Helsingborg Suécia Disponível em httpswwwarchdailycombrbr01107796propostavencedoradaextensaodohospitals dehelsingborgslashschmidthammerlassenarchitects514b7e02b3fc4b095e0000c5helsingborghospi talextensionwinningproposalschmidthammerlassenarchitectsimage Acesso em 5 jul 2018 O arquiteto pode e deve projetar espaços confortáveis seja ele de uma residência um comércio uma indústria entre outros No entanto devemos nos lembrar de que um EAS não é como uma edificação Existem normas e fluxos que precisam ser respeitados para que tudo funcione corretamente e de forma segura Falaremos sobre a metodologia e as orientações para elabo ração de um projeto de arquitetura hospitalar na próxima seção Sem medo de errar O escritório de arquitetura do qual você faz parte participará de um concurso público para projetar uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade em que você mora Antes de iniciar o projeto você 18 optou por buscar referências em obras desenvolvidas por outros arquitetos que lhe auxiliarão na elaboração do anteprojeto A pesquisa histórica desenvolvida mostrou que a preocupação com a saúde da população existe desde os primórdios da civilização Nesse contexto você identificou características como a escolha correta do local de implantação o aproveitamento da insolação e ventilação natural e a organização dos ambientes visando a funcionalidade da edificação Neste momento deverá enriquecer o seu projeto com referências arquitetônicas de projetos correlatos Além disso terá como função escolher uma obra do arquiteto João Filgueiras Lima dentro da temática apresentada na seção Comece pesqui sando em revistas livros e sites o acervo desenvolvido pelo arquiteto durante a sua carreira e selecione uma obra da área da saúde para ser analisada Faça uma ficha técnica da edificação na qual deve constar o nome da obra local de implantação data do projeto e de início e fim da construção Inclua também dados referentes ao tamanho da edificação em m² Com estas informações você poderá procurar pelos desenhos técnicos plantas baixas cortes eleva ções e por fotografias da obra Primeiramente analise uma escala macro verificando como o sol incide sobre a edificação identifique a direção do Norte e quais as faces de maior e menor insolação Obtenha a informação dos ventos dominantes por exemplo no Rio de Janeiro estes são provenientes da direção leste Observe a existência de áreas vegetadas no terreno ou se ele é todo pavimentado Depois de analisar o entorno e com a planta baixa em mãos identi fique os setores que fazem parte da construção Quais são eles Recepção ambulatório maternidade centro cirúrgico patologia clínica Unidade de Tratamento Intensivo UTI e administração Consegue reconhecer algum deles Você pode usar lápis de cor ou canetas hidrocor para identificar os ambientes que fazem parte de um mesmo setor Identifique também como são distribuídos os fluxos Use linhas e setas com cores de acordo com cada setor e classifiqueos como fluxo interno dos médicos e enfermeiros e externo dos pacientes e visitantes Esses fluxos se cruzam Veja o exemplo a seguir Figura 16 que analisa o Centro de Apoio ao Grande Incapacitado Físico uma das unidades da Rede Sarah em Brasília DF Veja como a planta baixa colorida facilita a visualização de como foram organizados os ambientes em setores ou unidades funcionais 19 Figura 16 Exemplo de análise de obra o Centro de Apoio ao Grande Incapacitado Físico Brasília DF Fonte adaptado de WESTPHAL 2007 Utilizando os cortes e detalhamentos verifique quais foram as soluções construtivas empregadas ao edifício Como é a estrutura De que material ela é composta Analise os detalhes construtivos que foram desenvolvidos para este projeto Por fim identifique os ambientes internos a partir das fotografias anali sando quais foram os revestimentos empregados como é o design do mobili ário além das cores utilizadas Como a luz se comporta nesse ambiente O paisagismo está presente 20 Faça uma descrição de todas as características que você achar pertinente e organizeas em pranchas que serão anexadas ao memorial descritivo do projeto o qual será entregue ao final da disciplina Por fim vale acrescentar que você pode colocar imagens para ilustrar o texto e facilitar a compreensão Avançando na prática Hospital do passado ao presente As doenças que acometiam as primeiras civilizações estavam forte mente relacionadas com a falta de saneamento básico Portanto as instala ções hospitalares apresentavam características que auxiliavam o tratamento dessas enfermidades no sentido de fornecer condições sanitárias salubres como água potável ventilação e iluminação adequados A evolução da urbanização ocasionou o desenvolvimento de redes de abastecimento de água e sistemas de esgoto sanitário o que reduziu deter minados tipos de doenças características da Idade Média Atualmente os problemas de saúde enfrentados pela população são outros e requerem recursos diferentes e mais abrangentes Pela vasta experiência do seu escritório em desenvolver projetos de edifi cações de saúde você foi convidado a palestrar para estudantes de arquitetura na universidade próxima à sua cidade Neste sentido faça uma retrospectiva histórica e identifique quais características dos edifícios de saúde se manti veram ao longo dos anos e quais foram incorporadas ou modificadas para se adequar à nova realidade Observe o que mudou na configuração dos hospi tais onde estão localizados Quem prestava o serviço e qual o público que ele atende Como era o sistema construtivo Quais equipamentos são utilizados Utilize o conhecimento adquirido para relacionar a arquitetura hospitalar com o período histórico Resolução da situaçãoproblema Faça um quadro para te ajudar a organizar as características de cada período Na linha de cabeçalho escreva os períodos históricos que deseja comparar A primeira coluna determinará qual característica será analisada Utilize algumas das citadas anteriormente e crie o seu quadro Veja um exemplo 21 Quadro 11 Modelo de quadro comparativo dos edifícios de saúde ao longo da história Antiguidade Idade Média Renascimento Atualidade Localização Público Médicos Sistema construtivo Equipamentos Fonte elaborado pela autora Preencha as colunas com as informações referentes a cada período Fique à vontade para adicionar outros períodos e características Ao completar o quadro observe se alguma das informações se repetiram em mais de um período Faça um texto pontuando quais foram as principais mudanças ocorridas ao longo do tempo Faça a valer a pena 1 Esculápio foi um médico grego que possuía habilidades de cura excepcionais Segundo a história este médico foi destruído por Zeus que temia que ele tornasse os homens imortais A partir de então surgiram templos dedicados à preservação da memória de Esculápio e seu legado denominados Asclepéia Assinale a alternativa que melhor descreve as características das Asclepéias a Localizadas próximas ao mar que facilitava o transporte dos médicos b Construídas no centro da cidade no qual todos pudessem ter acesso c Localizadas sobre áreas rochosas nas quais havia abundância de matéria prima d Construídas nas colinas próximas às florestas e abrigadas contra os ventos fortes e Localizadas próximas às montanhas nas quais os sacerdotes invocavam o poder curativo dos deuses 2 No início do século XX surgiu uma tipologia construtiva das edificações hospita lares nos Estados Unidos A estas construções davase o nome de monobloco As afirmativas a seguir indicam características destas construções 22 I Economia na construção e manutenção a partir da concentração de instala ções hidráulicas elétricas de esgoto etc II Menor isolamento por pavimento do que em pavilhões térreos III Possibilidade de serviços operatórios como raio X laboratórios clínicos e fisiodiagnóstico IV Facilidade na administração e mais cooperação entre o setor técnico Com base no texto assinale a alternativa correta a Apenas as afirmativas I II e III estão corretas b Apenas as afirmativas I II e IV estão corretas c Apenas as afirmativas I III e IV estão corretas d Apenas as afirmativas II e IV estão corretas e Todas as afirmativas estão corretas 3 A Rede Sarah consiste em uma série de unidades hospitalares distribuídas em várias cidades do Brasil João Filgueiras Lima o arquiteto que projetou os edifícios incorporou características muito peculiares em sua arquitetura A figura a seguir mostra o desenho técnico do corte da última unidade implantada na cidade do Rio de Janeiro Figura 17 Corte do hospital Sarah do Rio de Janeiro Fonte adaptado de Lukiantchuki 2010 Observe o corte apresentado e avalie as afirmativas a seguir I O arquiteto utilizou a cobertura do tipo shed em todos os hospitais da Rede Sarah visando aproveitar a luz e ventilação natural II A cobertura em forma de ondas foi utilizada apenas para conferir ao edifício um apelo estético com forte identidade visual 23 III A cobertura da unidade do Rio de Janeiro está desassociada das divisórias permitindo maior flexibilidade dos ambientes Assinale a alternativa que contém apenas as afirmativas corretas a Apenas a afirmativa I está correta b Apenas a afirmativa II está correta c Apenas a afirmativa III está correta d As afirmativas I e III estão corretas e As afirmativas I II e III estão corretas 24 Seção 2 Atelier VI metodologia de projetos de arquitetura hospitalar Diálogo aberto Para que o arquiteto seja capaz de desenvolver um projeto arquitetônico eficiente no setor de saúde é necessário que se tenha conhecimento acerca do funcionamento dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS e da metodologia aplicada ao projeto Neste sentido o Plano Diretor Hospitalar PDH se transforma em um documento norteador das ações e soluções voltadas para o desenvolvimento das edificações de saúde Voltemos ao cenário profissional em que você trabalha em um escritório de arquitetura especializado em projetos de EAS e a equipe da qual faz parte participará de um concurso público para um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade na qual você mora Já foi criado um repertório de referências arquitetônicas que lhe auxiliará na criação do projeto arquitetônico do EAS Agora você iniciará o processo projetual a partir do desenvolvimento de um PDH e da adoção de uma metodologia que indicará algumas técnicas que poderão ser utilizadas no decorrer do projeto Para isso será necessário que você identifique como são classificados os EAS Quais informações devem constar no PDH Quais são as etapas metodoló gicas a serem seguidas no processo criativo de elaboração do projeto Nesta seção apresentaremos um embasamento teórico sobre a rede de saúde no Brasil que nos permitirá conhecer e caracterizar os tipos de edifí cios de saúde Versaremos também sobre o PDH e sua importância para o levantamento de soluções técnicas e organizacionais que influenciarão o funcionamento do EAS Ainda estudaremos a metodologia de projeto que define as etapas que envolvem a concepção de um projeto arquitetônico Vamos diferenciar os conceitos de máquina de curar e máquina de cuidar a partir da utilização de recursos de humanização da arquitetura hospitalar Está pronto para compreender o que está por trás da elaboração de um projeto arquitetônico Não pode faltar No ano de 1978 foi realizada a Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde com o objetivo de estabelecer ações para a promoção da 25 saúde O resultado da conferência ficou registrado em um documento denomi nado Declaração de AlmaAta no qual foram determinados dez tópicos acerca dos cuidados primários em saúde Dentre eles é enfatizado o caráter multifato rial do conceito de saúde entendido não só pela ausência de enfermidades mas também pelo estado de completo bemestar físico mental e social ALMA ATA 1978 Ainda a declaração afirma é direito e dever dos povos participar individual e coletivamente no planejamento e na execução de seus cuidados de saúde ALMAATA 1978 Neste contexto entra o papel do arquiteto projetar e planejar um ambiente propício para a promoção da saúde envolvendo todos os aspectos que ela abrange físico mental e social O Ministério da Saúde surgiu a partir da fragmentação do Ministério de Educação e Saúde no ano de 1953 Nas décadas seguintes foram desenvol vidos planos e políticas de promoção de saúde dentre as quais destacase A III Conferência Nacional da Saúde CNS realizada em 1963 pelo ministro Wilson Fadul que defendia a municipalização dos serviços de saúde A criação do Plano Nacional de Saúde instituído pelo ministro e médico Lionel Miranda no ano de 1967 a partir das diretrizes estabe lecidas pela III CNS A Constituição Federal de 1988 incumbiu ao poder público a responsa bilidade da saúde da população sendo dever do Estado a garantia da saúde A partir disso o governo criou o Sistema Único de Saúde SUS regulamen tado pela Lei Orgânica da Saúde BRASIL 1990 Reflita Dentre os assuntos abordados pela Constituição Federal estão as políticas públicas acerca do sistema de saúde O Artigo 196 diz que a saúde é direito de todos e dever do Estado garan tido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção proteção e recuperação BRASIL 1988 sp Ainda a Constituição instaura o sistema único de saúde provido com os recursos do governo e complementado pelas ações da iniciativa privada Entretanto devemos analisar como isso funciona na prática As insti tuições privadas realmente atuam como complemento ao tratamento 26 oferecido pelo SUS Ou aqueles que tem menos recursos estão fadados ao atendimento muitas vezes precário da rede de saúde pública A rede de saúde no Brasil pode ser classificada de três formas esferas de atuação níveis de atendimento e tipos de estabelecimentos A esfera de atuação diz respeito à integração dos serviços ofere cidos a partir da hierarquização da gestão São identificados pela escala nacional regida pelo Ministério da Saúde escala estadual administrada pelas Secretarias de Saúde correspondentes consiste no nível vertical de atuação e escala municipal corresponde ao nível horizontal de atuação e está sob a responsabilidade dos órgãos equivalentes BRASIL 1990 Já os níveis de atendimento têm relação com as atividades realizadas pelo EAS São classificados em nível primário secundário e terciário O nível primário é responsável por promover os serviços de assistência à saúde e ambulatório Realiza atividades relacionadas ao saneamento e de diagnóstico básico O nível secundário além das atividades do nível primário também oferece atendimento clínico nas áreas médica cirúrgica ginecológica obstétrica e pediátrica São realizados atendi mentos ambulatoriais que apresentam o suporte dos laboratórios de patologia clínica e radiodiagnóstico para determinar o diagnóstico Por fim o nível terciário abrange os casos mais complexos prestando serviços ambulatoriais de urgência e internação Quanto ao tipo dos estabelecimentos estes são hierarquizados de acordo com os níveis de atendimento O nível primário está relacio nado com estruturas físicas correspondentes aos postos e centros de saúde também chamados de Unidade Básica de Saúde UBS O nível secundário corresponde às unidades mistas ambulatórios gerais e hospitais enquanto o nível terciário é abrangido pelos ambulatórios hospitais regionais e especializados Alguns estabelecimentos têm o Serviço de Apoio Diagnóstico Terapêutico SADT como comple mento ao diagnóstico a partir da realização de exames O Quadro 12 descreve os tipos de estabelecimentos Quadro 12 Tipos de estabelecimentos de saúde NÍVEL TIPOLOGIA DESCRIÇÃO 1 Posto de saúde Unidade destinada à prestação de assistência a uma determinada população de forma programada ou não por profissional de nível médio com a presença intermitente ou não do profissional médico 27 1 Centro de saúde Unidade Básica de Saúde Unidade para realização de atendimentos de atenção básica e integral a uma população de forma programada ou não nas especialidades básicas podendo oferecer assistência odontológica e de outros profissionais de nível superior A assistência deve ser permanente e prestada por médico generalista ou especialista nestas áreas podendo ou não oferecer SADT e pronto atendimento 24 Horas 2 Unidade mista Unidade destinada à prestação de atendimento em atenção básica e integral à saúde de forma programada ou não nas especialidades básicas podendo oferecer assistência odontológica e de outros profissionais com unidade de internação sob administração única A assistência médica deve ser permanente e prestada por médico especialista ou generalista Além disso pode dispor de urgênciaemergência e SADT básico ou de rotina 2 Pronto socorro Unidade destinada à prestação de assistência a pacientes com ou sem risco de vida cujos agravos necessitam de atendimento imediato podendo ter ou não internação 2 Hospital geral Hospital destinado à prestação de atendimento nas especialidades básicas por especialistas eou outras especialidades médicas Além disso pode dispor de serviço de urgênciaemergência e de SADT de média complexidade 2 Unidade de apoio de diagnose e terapia Unidades isoladas nas quais são realizadas atividades que auxiliam a determinação de diagnóstico e ou complementam o tratamento e a reabilitação do paciente 3 Hospital especializado Hospital destinado à prestação de assistência à saúde em uma única especialidadeárea Dispõe serviço de urgência emergência e SADT podendo ter ou não SIPAC Por fim vale acrescentar que este tipo de hospital é geralmente de referência regional macro regional ou estadual 3 Ambulatório especializado Clínica destinada à assistência ambulatorial em apenas uma especialidadeárea da assistência Fonte adaptado de CNES 2008 Para que cada um destes tipos de EAS funcionem de maneira correta e condizente com a função a qual se propõe executar é necessário que haja um planejamento dos métodos e das estratégias que nortearão o desenvolvi mento do projeto arquitetônico Para isso a elaboração de um Plano Diretor Hospitalar PDH é fundamental para o funcionamento do EAS Assim como o Plano Diretor Municipal PDM orienta e dá diretrizes para o desempenho adequado das cidades o PDH é o documento que organizará os aspectos físicos e criará ações operacionais do edifício hospitalar MENDES 2007 28 Assimile Os hospitais são instituições complexas que abrangem além do trata mento médico diversos setores podendo desempenhar a função de hotel restaurante lavanderia farmácia laboratório empresa adminis tração dentre outros Por isso o planejamento é imprescindível para que todos os setores funcionem dentro da sua própria individualidade além de se relacionar e trabalhar em conjunto Considerando a multidisciplinaridade de um EAS o planejamento pode ser subdivido em áreas por exemplo o planejamento econômico o plane jamento tecnológico e a área na qual o arquiteto se torna o protagonista o planejamento físicoespacial O arquiteto será responsável por projetar um edifício que permite a integração dos diversos setores que compõem o EAS garantindo que seu funcionamento esteja de acordo com o modelo assisten cial definido pela equipe De acordo com Fabrício 2002 existem sete etapas em um processo de projeto de arquitetura explanadas na Figura 16 Cada uma delas envolve um aspecto arquitetônico da obra e o cumprimento e a realização de suas orien tações garantem a eficiência projetual do empreendimento Figura 16 Principais serviços e atividades do processo de projeto 29 Fonte Mendes 2007 p 82 No decorrer da disciplina abordaremos de forma mais enfática o produto da segunda etapa deste processo o projeto arquitetônico Este por sua vez é subdi vidido em três etapas estudo preliminar projeto básico e projeto executivo O estudo preliminar é a representação gráfica do partido arquitetô nico por meio de desenhos técnicos Este estudo utilizará os aspectos levantados no PDH como base e deverá consolidar o programa de necessidades definido previamente Também faz parte do estudo preli minar a elaboração do memorial justificativo no qual são descritas todas as soluções escolhidas fundamentadas em algum aspecto que deve ficar claro neste relatório O projeto básico consiste na apresentação técnica de tudo o que foi definido no estudo preliminar incluindo os projetos complementares como elétrico hidráulico e estrutural Já o projeto executivo detalha de forma precisa e clara todos os elementos construtivos sem os quais seria impossível executar a obra 30 O conteúdo destas etapas será retomado e aprofundado nas unidades seguintes deste material Você pode estar se perguntando mas qual caminho devo seguir para atingir o resultado que é o projeto arquitetônico Christopher Alexander arquiteto austríaco desenvolveu o design methodis um método que sistematiza o processo de criação ALEXANDER 1964 GÓES 2004 Quando aplicado à arquitetura o método é decomposto em metaprojeto e projeto Figura 17 Figura 17 Sistematização da metodologia de projeto Fonte adaptado de Góes 2004 O conceito surgirá das discussões acerca do empreendimento de pesquisas bibliográficas análise de projetos correlatos lembrese do reper tório de referências que criamos na seção anterior e experiências acumu ladas ao longo da carreira A elaboração do PDH pode sugerir alguns dos aspectos que serão considerados no momento de conceituação do projeto Com o conceito definido o próximo passo é a geração de requisitos isto é a verificação das atividades que serão realizadas no projeto e consequente determinação do programa de necessidades Estas atividades deverão ser hierarquizadas de acordo com a sua prioridade A matriz de requisitos identificará a relação entre os requisitos definidos anteriormente com a finalidade de resolver o problema ou seja eliminar os conflitos e favorecer a conexão das partes complementares Esta matriz corresponde às etapas de zoneamento funcional e fluxograma que serão apresentadas em um outro momento A última etapa antes da concepção final do projeto consiste no diagrama espacial no qual o arquiteto desenvolverá desenhos esquemá ticos para facilitar a leitura da estrutura do problema definido na matriz de requisitos Os diagramas podem estar relacionados às partes do problema ou à estrutura como um todo Essa sequência esquematizada fornece os meios pelos quais será possível determinar soluções do problema e atingir o resultado A partir do momento em que o arquiteto internaliza as etapas 31 do processo criativo ele poderá desenvolver as suas próprias técnicas e seus próprios métodos para concepção de projetos Exemplificando Existem exemplos nacionais de profissionais que atuam na promoção de novos processos e normas que regem a arquitetura hospitalar dentre eles Sylvia Caldas Ferreira Pinto que participa dos trabalhos escritos pelo Ministério da Saúde João Carlos Bross que estuda sobre técnicas de gerenciamento do projeto e João Filgueiras Lima Lelé que desenvolveu processos de padronização e industrialização aplicada aos edifícios hospitalares A Rede Sarah é um exemplo de aplicação dos conceitos de préfabri cação desenvolvidos por Lelé durante seus estudos na Europa Todos os hospitais da rede utilizam sistemas préfabricados desde a superes trutura até os objetos hospitalares LUKIANTCHUKI et al 2011 A expansão da rede permitiu o aperfeiçoamento das técnicas garantindo estruturas mais leves e funcionais Um destes materiais consiste na argamassa armada utilizada nas lajes da estrutura do Hospital Sarah do Rio de Janeiro Figura 18 Figura 18 Hospital Sarah do Rio de Janeiro Fonte Arcoweb Disponível em httpswwwarcowebcombrfinestratecnologiaecoeficienb ciaarquiteturabioclimatica Acesso em 8 jul 2019Novos métodos devem ser criados a fim de resolver os problemas enfrentados sejam eles de ordem geográfica físicaestrutural social ou econômica Novos métodos devem ser criados a fim de resolver os problemas enfrentados sejam eles de ordem geográfica físicaestrutural social ou econômica 32 Um dos problemas enfrentados pela grande parte dos EAS modernos e que merece destaque é a desumanização dos ambientes hospitalares Na seção anterior vimos como os princípios da Academia de Ciências de Paris transformaram o modo de projetar os edifícios de saúde Nesse contexto surgiu o modelo construtivo pavilhonar no qual a preocupação com a conta minação até então acreditavase que esta seria contida por meio de barreiras físicas originou uma estrutura que utilizava a ventilação a iluminação e a redistribuição das unidades funcionais como fatores dificultadores da disse minação de doenças Desse modo as construções eram concebidas sob os princípios do conforto ambiental provendo maiores quantidades de ar por leito e pátios ajardinados para separação dos enfermos de acordo com a patologia MINISTÉRIO DA SAÚDE 1944 A partir do século XIX os avanços tecnológicos permitiram identificar os microorganismos até então desconhecidos como a causa da dissemi nação de doenças além da adoção de técnicas de assepsia que se tornaram mais eficazes que a disposição de barreiras físicas para eliminar os fatores de contaminação TOLEDO 2008 Uma vez que o confinamento do ar e a concentração de gás carbônico deixaram de ser responsáveis pela insalu bridade surgiu um novo modelo arquitetônico denominado monobloco que concentrou todas as funções em um único bloco construtivo com vários pavimentos A preocupação excessiva com o rigor funcional dos hospitais levou a uma abdicação de qualquer fator que não fosse necessário do ponto de vista da clínica médica o que afastou a prática terapêutica dos hospitais modernos TOLEDO 2008 Dessa forma a humanização se apresenta como a maneira de tratamento do paciente a partir da qual ele é visto como ser humano e não apenas como um doente O foco do atendimento à saúde não deverá ser simplesmente curar e sim cuidar por meio do conforto físico e psicológico oferecido ao indivíduo Este aspecto deve ser incorporado em todos os EAS indepen dente do nível de complexidade visando universalizar o tratamento humani tário na arquitetura hospitalar Pesquise mais O seguinte artigo de Júlio Nardino descreve algumas ações de humani zação da arquitetura hospitalar e aponta as características a serem observadas no PDH NARDINO J C dos S Planejando o hospital do futuro a importância do Plano Diretor Hospitalar In XII Semana de Extensão Pesquisa e PósGraduação SEPesq 2016 33 Dessa forma encerramos mais uma etapa de aprendizado sobre a arqui tetura hospitalar Na próxima seção compreenderemos as normas e leis aplicadas ao projeto arquitetônico de edifícios da área da saúde Sem medo de errar O escritório de arquitetura no qual você trabalha participará de um concurso para o projeto de um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS no bairro novo que está sendo construído Agora que você já tem um reper tório de referências arquitetônicas poderá iniciar o processo projetual Você deverá partir da elaboração de um Plano Diretor Hospitalar PDH que orientará a execução do projeto arquitetônico O PDH deverá conter um breve histórico da cidade na qual o EAS será implantado relacionando com os dados de saúde do município você poderá obter essas informações nos órgãos públicos como o IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Além disso você deverá descrever e caracterizar o tipo de EAS a ser desen volvido a Unidade Básica de Saúde UBS Verifique quais atividades ela se propõe a realizar qual o público atingido e os funcionários envolvidos O edital do concurso público prevê a construção de uma UBS com capacidade de atendimento para 2400 a 4000 pacientes ou seja terá uma Equipe Saúde da Família ESF Esta acompanhará o paciente provindo do Sistema Único de Saúde SUS desde a sua chegada ao estabelecimento e terá contato perene com o indivíduo O Ministério da Saúde desenvolveu o Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde que poderá ser utilizado para identificar as atividades oferecidas pela UBS Este estabelecimento deverá resolver 85 dos problemas de saúde da comunidade e o encaminhamento dos pacientes para centros especializados só deverá ocorrer na menor parte dos casos apenas quando necessário Dessa forma a UBS deverá oferecer serviços como recepção registro e marcação de consultas consultas médicas e de enfermagem trata mentos odontológicos procedimentos como imunização inalação e curativos atendimento de urgência básico e apenas em casos de maior complexidade o encaminhamento para centros de urgência ou especializados Além disso a ESF é responsável pelo mapeamento das características da saúde da população e pelo planejamento de ações individuais ou coletivas visando a promoção da saúde e recuperação de doenças Após descrever as atividades realizadas na UBS você deverá realizar a caracterização do edifício Uma vez que não existem edificações prévias e o projeto será concebido por completo não é necessário fazer a descrição dos elementos físicos existentes Dessa forma você poderá analisar e refletir sobre quais ações devem nortear o funcionamento e a elaboração da UBS Faça uma descrição de todas as diretrizes que orientarão a elaboração do projeto 34 Você poderá incluir princípios como humanização economia e tecnologias neste texto Por fim este relatório será anexado ao memorial descritivo do projeto e entregue ao final da disciplina Desenvolvido o PDH partiremos para a conceituação do projeto primeira etapa descrita no método de projeto Relacione o seu repertório de referên cias o PDH e as discussões acerca do assunto para criar um conceito próprio deste projeto de arquitetura hospitalar Tenha em mente que o conceito é o aspecto no qual a edificação se destaca e no qual será fundamentada Deve ser algo palpável como elaborar um projeto sustentável com base nas certi ficações ou utilizar a industrialização para facilitar o processo construtivo O conceito não precisa representar apenas uma face do projeto e pode ser destrinchado em vários fatores Um exemplo é o Dell Childrens Medical Center Figura 19 no Texas EUA que usou a sustentabilidade como um dos conceitos do projeto Este hospital foi o primeiro a obter a certificação LEED Platinum que consiste em uma espécie de selo de edificação sustentável utilizado globalmente Figura 19 Dell Childrens Medical Center Texas EUA Fonte Polkinghorn Group Architects Disponível em httpwwwpolkinghorngrouparchitectscomworkhee althcaredellchildrensmedicalcenterphp Acesso em 8 jul 2018 O PDH deverá ser redigido em forma de relatório e a conceituação do projeto deverá ser demonstrada em uma folha sulfite tamanho A3 Para ilustrar 35 os conceitos escolhidos você pode utilizar imagens Além disso não se esqueça de diagramar a prancha para melhorar a apresentação do projeto Anexe estes documentos no memorial descritivo que será entregue ao final da disciplina Avançando na prática Exemplos de humanização na área da saúde Você e a equipe do seu escritório de arquitetura trabalharão em um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS Você reconhece a importância de um bom atendimento ao paciente e da influência que a arquitetura tem no tratamento das doenças e por isso apresenta interesse em conhecer os princípios de humani zação dos espaços e alguns exemplos práticos Sendo assim você decide fazer uma pesquisa que enriquecerá o seu repertório de referências permitindo a incorpo ração do princípio básico da humanização em seu projeto A leitura do seguinte artigo intitulado poderá lhe ajudar a entender o processo de humanização TOLEDO L C de M Humanização do edifício hospitalar um tema em aberto Rede HumanizaSUS s d Resolução da situaçãoproblema Para aprofundar o seu conhecimento sobre a humanização leia o artigo apresentado e anote os principais pontos de uma edificação humanizada Em seguida pesquise por referências e exemplos da prática de humanização em livros revistas sites na internet e artigos ou trabalhos acadêmicos como teses e dissertações Escolha uma edificação hospitalar humanizada ou retire os exemplos de princípios humanizadores de várias referências Um exemplo é o Hospital Miguel Piltcher do arquiteto Irineu Breitman Figura 110 construído em 1973 As obras de Irineu muito se assemelham aos projetos de João Filgueiras Lima apesar de terem suas divergências técnicas A valorização da iluminação e ventilação naturais por meio do uso de sheds é um dos pontos em comum dos arquitetos Figura 110 Hospital Miguel Piltcher Pelotas RS Brasil 36 Fonte Toledo 2008 p 205 Apresente a caracterização da edificação humanizada e a análise de projetos correlatos em uma prancha tamanho A3 Não se esqueça de identi ficar as obras nome local data e arquiteto responsável e utilizar imagens para ilustrar os exemplos Por fim anexe a prancha ao memorial descritivo que será entregue ao final da disciplina Faça a valer a pena 1 A rede de saúde pode ser caracterizada de acordo com o nível de atendimento em nível primário nível secundário e nível terciário Com base nisso analise as afirmações a seguir I O nível primário é responsável pelos atendimentos de assistência à saúde e ambulatório com ações de saneamento e diagnóstico básico II O nível secundário engloba o atendimento cirúrgico e ambulatorial com diagnósticos baseados em exames laboratoriais III O nível terciário está relacionado com os hospitais especializados e serviços mais complexos de urgência e internação Assinale a alternativa que contém apenas as afirmações corretas a Apenas as afirmações I e II estão corretas b Apenas as afirmações II e III estão corretas c Apenas as afirmações I e III estão corretas d Todas as afirmações estão corretas e Nenhuma das alternativas está correta 37 2 O Plano Diretor Hospitalar PDH é um instrumento utilizado como suporte para a elaboração de um projeto arquitetônico na área da saúde Seu desenvolvimento é fundamental para que a edificação seja concebida de forma adequada e apresente uma funcionalidade eficiente Assinale a alternativa que melhor descreve o Plano Diretor Hospitalar PDH a Contém a legislação e normas vigentes para os edifícios de saúde b Relaciona os itens do Plano Diretor Municipal PDM à arquitetura hospi talar c Apresenta o conceito do projeto arquitetônico da edificação de saúde d Cria diretrizes para as ações e soluções do projeto de arquitetura hospitalar e Descreve a metodologia de projeto utilizada no processo criativo 3 A metodologia tem como finalidade a estruturação do processo criativo que envolve a criação de um projeto arquitetônico O arquiteto austríaco Christopher Alexander desenvolveu o design methodis que envolve as seguintes etapas 1 Diagrama espacial 2 Matriz de requisitos 3 Conceituação 4 Geração de requisitos 5 Solução arquitetônica Assinale a alternativa que apresenta a ordem correta das etapas do método a 1 2 3 4 5 b 3 4 2 1 5 c 4 2 1 3 5 d 3 1 2 4 5 e 2 4 3 1 5 38 Seção 3 Legislação vigente e normas pertinentes Diálogo aberto As leis e normas são fundamentais para a regulamentação e determinação de critérios de segurança conforto funcionalidade e higiene necessários em um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS As atividades exercidas em um EAS requerem situações específicas para que possam atuar de maneira eficiente Voltemos ao cenário em que você é um dos arquitetos que compõem a equipe responsável por projetar uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade na qual o escritório está instalado Neste ponto você já criou um repertório de referências e desenvolveu o Plano Diretor Hospitalar do EAS O próximo passo é conhecer a legislação vigente para que você tenha subsídio técnico no momento de projetar A atividade desta seção propõe uma análise de um projeto correlato em formato de pranchas no qual você poderá verificar a relação entre a legislação e o projeto Você sabe qual é a função das leis e qual é o impacto que elas causam no desenho de um projeto Como uma lei pode determinar algumas diretrizes Quais elementos e soluções deverão estar contidas no projeto para que atenda às normas do corpo de bombeiro Nesse sentido conheceremos nesta seção as normas as leis os manuais e outros documentos relacionados ao projeto de arquitetura hospitalar Além disso discutiremos sobre o Ministério da Saúde e seu papel na promoção de condições básicas para a população as características de edificações e as normas técnicas voltadas para os EAS O descumprimento de qualquer uma destas normas resultará na não aprovação do projeto arquitetônico ou ainda pior em falhas funcionais e proce dimentais do EAS que podem prejudicar a saúde e o bemestar da população Prepare o papel e a caneta pois o estudo da legislação vigente requer que você identifique e anote as instalações necessárias a determinado ambiente dimensões mínimas de circulação procedimentos e processos envolvidos nas atividades médicas e de serviços entre outras situações necessárias nos ambientes hospitalares Está pronto para começar 39 Não pode faltar O Ministério da Saúde é o setor governamental responsável pelos assuntos relacionados à saúde pública no Brasil A primeira iniciativa em criar um órgão público para a gestão da saúde surgiu com o governo de Getúlio Vargas no ano de 1930 SILVA 2017 Este presidente fundou o Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública que passou a se chamar apenas Ministério da Educação e Saúde alguns anos depois Durante dezesseis anos a gestão da saúde e da educação ficou sob a responsabilidade de um único ministério até que em 1953 houve uma fragmentação em Ministério da Educação e Cultura e Ministério da Saúde MINISTÉRIO DA SAÚDE 2017 A função do Ministério da Saúde é promover condições adequadas de saúde a partir da redução de enfermidades do controle de doenças endêmicas da vigilância dos setores de saúde entre outros aspectos garan tindo a melhora da qualidade de vida da população A Lei nº 6229 de 17 de julho de 1975 instituiu o Sistema Nacional de Saúde e determinou as compe tências do Ministério da Saúde por exemplo fixar normas e padrões para prédios e instalações destinados a serviços de saúde BRASIL 1975b No mesmo ano surge o Decreto nº 76973 de 31 de dezembro que regulariza a aprovação dos projetos relacionados à saúde A evolução das normas de saúde teve como ponto de partida uma publi cação do Serviço Especial de Saúde Pública SESP com o título Padrões Mínimos Hospitais no final da década de 1940 Este livro tinha como base um manual elaborado pelo Departamento de Saúde Americano Em 1954 o Instituto de Arquitetos do Brasil IAB publicou o título Planejamento de Hospitais uma obra literária que se originou do I Curso de Planejamento de Hospitais do IABSP Em 1965 o Ministério da Saúde publicou o livro Projeto de Normas Disciplinadoras das Construções Hospitalares um aprimoramento das técnicas e modelos disponibilizados pelo SESP Estas normas foram utilizadas para a elaboração de projetos hospitalares até 1974 quando o Ministério da Saúde publicou as Normas de Construção e Instalação do Hospital Geral que tinha por finalidade a orientação dos profissionais com relação às normas hospitalares sem no entanto limitar as inovações de técnicas construtivas e partido arquitetônico Estas normas foram revisadas pela Portaria nº 400BSB de 6 de dezembro de 1977 e novamente pela Portaria nº 1884GM de 11 de novembro de 1994 a qual está em vigor atualmente A portaria originou o manual intitulado Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde É sobre estas normativas que trataremos nesta seção 40 Assimile A aprovação de um projeto de arquitetura hospitalar é semelhante a qualquer outro projeto Assim como na aprovação de um projeto de uma residência por exemplo o arquiteto deverá seguir as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT referentes à apresentação do projeto arquitetônico NBR nº 8402 8403 e 8404 de 1984 NBR nº 10126 e 10068 de 1987 NBR nº 10582 de 1988 e NBR nº 10067 de 1995 bem como as diretrizes determinadas pela prefeitura da cidade na qual será implantado como o Código de Obras e o Plano Diretor Municipal A diferença é que os Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS deverão obedecer às normativas impostas pelo Ministério da Saúde que abrangem aspectos de circulação conforto ambiental controle de infecções e contaminação além de combate a incêndios De acordo com ao manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde BRASIL 1994a podemos estabe lecer os seguintes critérios circulações externas e internas condições ambien tais de conforto controle de infecção hospitalar e combate a incêndios Circulações externas e internas As circulações externas e internas compreendem os acessos o estaciona mento e as circulações horizontais e verticais e deverão estar em conformi dade com a Norma de Acessibilidade nº 90502015 Os acessos devem ser o mais restrito possível A setorização destes pode ser realizada a partir de seis categorias Paciente externo ambulante doador e acompanhante Paciente externo transportado e acompanhante Paciente a ser internado ambulante ou transportado Cadáver acompanhante e visita Funcionário e residente vendedor fornecedor e prestador de serviço etc Materiais e resíduos O número de acessos depende do tamanho do EAS Um EAS de pequeno porte pode atender a várias categorias em um único acesso físico enquanto um mais complexo e de maior porte poderá ter vários acessos físicos de uma mesma categoria 41 A quantificação das vagas de estacionamento deve seguir as orientações previstas na legislação municipal sendo prevista ao menos uma vaga ou 1200 m² para cada quatro leitos Além disso devem ser reservadas as áreas de estacionamento das viaturas de serviço ambulâncias por exemplo As circulações horizontais correspondem aos corredores que devem ter largura mínima de 200 metros em casos de circulação de pacientes seja ambulante cadeirante transportado em maca ou cama ou de tráfego intenso de materiais ou pessoas Ambos devem servir exclusivamente para circulação e a largura mínima deve permanecer livre caso seja instalado um equipamento como bebedouro telefone público extintores ou lavatórios Corredores para tráfego baixo de pessoas ou cargas podem ter largura mínima de 120 metros A dimensão das portas também deve ser observada Com exceção das portas utilizadas para passagem de macas que devem ter largura mínima de 110 metros e em caso de portas de acesso às unidades de diagnóstico e terapia que requer largura mínima de 120 metros as demais aberturas podem apresentar largura de 080 metros A altura de qualquer uma das aberturas deve apresentar no mínimo 210 metros As portas dos sanitários de pacientes devem abrir para fora ou permitir a retirada da folha pelo lado externo caso o paciente esteja dentro do banheiro e precise de socorro As circulações verticais compreendem as escadas e rampas Neste caso além das normativas referentes à prevenção de incêndio à NBR nº 90502015 e aos órgãos municipais as circulações verticais devem atender a critérios específicos As escadas de uso dos pacientes devem ter uma largura mínima de 150 metros enquanto que as de uso exclusivo do pessoal pode ter largura mínima de 120 metros Figura 111 Nenhum lance de escada pode vencer mais de 200 metros e não é permitido a utilização de degraus em leque A largura mínima das rampas deverá ser 200 metros ou em caso de circulação restrita a funcionários 120 metros O número máximo de pavimentos a ser vencido pelas rampas é dois e as inclinações devem obedecer às regras da NBR nº 90502015 Figura 111 Exemplo de dimensionamento de circulação vertical Fonte elaborado pela autora 42 Os elevadores devem obedecer às normas da NBR nº 147122013 e ser instalados em um EAS no qual as atividades de unidade de internação centro cirúrgico centro obstétrico unidade de terapia intensiva e radiologia estejam em um pavimento diferente do térreo e não acessíveis por meio de rampas Condições ambientais de conforto O conforto ambiental dos edifícios parte de duas situações a endógena na qual a construção garante o conforto do usuário por meio da eliminação ou atenuação dos efeitos dos fatores externos temperatura umidade do ar poluição entre outros e exógena que avalia o impacto causado pela edificação no ambiente externo A dimensão endógena deve ser garantida desde que não interfira negativamente no entorno As normas técnicas de conforto ambiental térmico luminoso acústico de higiene e de segurança do trabalho regem o funcionamento da dimensão endógena enquanto documentos como Código de Obras e Plano Diretor Municipal e leis do Código Florestal estão relacionados à dimensão exógena As soluções encontradas para o conforto térmico e qualidade do ar dependerá do tipo da unidade funcional Ambientes que não exijam condi ções especiais de temperatura umidade e qualidade do ar podem optar pela iluminação e ventilação direta ou indireta Já espaços que exigem o controle da qualidade de ar devem ter soluções adequadas Por exemplo lugares nos quais são realizadas atividades poluentes ou que emitem odores devem ser dotados de exaustão mecânica Algumas unidades funcionais demandam soluções especiais devido ao tempo de permanência dos pacientes como as áreas de internação Neste caso as condições de temperatura umidade e qualidade do ar deverão prever a insolação com o devido controle de exposição ventilação e exaustão diretas Outros ambientes demandam condições especiais devido aos equipamentos e às atividades realizadas Um exemplo são as salas de cirurgia que necessitam de climatização artificial e exaustão mecânica O conforto acústico também levará em consideração as unidades funcio nais do EAD Partindo do princípio que para se obter o conforto térmico é necessário isolar as fontes de ruído os ambientes nos quais são realizadas atividades produtoras de ruído como as áreas de manutenção lavanderia e cozinha deverão ser isolados acusticamente Da mesma forma os espaços que abrigam pacientes e usuários que precisam de níveis mínimos de ruído como as salas de atendimento de emergência e urgência também devem apresentar tratamento acústico 43 O conforto luminoso será atingido a partir do cumprimento das regula mentações dispostas na norma NBR ISOCIE nº 899512013 e das diretrizes do Código de Obras e Posturas do município Algumas unidades funcionais em especial necessitam da incidência da luz solar direta como os ambula tórios os consultórios as salas de exame e observação internação materni dade e berçário os laboratórios e as salas para diálise A iluminação natural deve ser complementada pela luz artificial em todos os ambientes nos quais há a manipulação de pacientes Reflita Relembre as obras de João Filgueiras Lima para a Rede Sarah de hospitais e identifique as características utilizadas pelo arquiteto para promover o conforto ambiental e o bemestar dos pacientes e usuários Observe a Figura 112 que mostra um dos ambientes da unidade de Brasília Figura 112 Hospital Sarah de Brasília DF Brasil Fonte Wikimedia Commons Disponível em httpscommonswikimediaorgwikiFileRedeSa rahmodelodeexcelC3AAncianagestC3A3odehospitaisC3A9referC3A AnciaparaacriaC3A7C3A3odaAbram30611248367jpg Acesso em 10 jul 2019 Além da iluminação e ventilação natural o paisagismo também está muito presente nas obras de Lelé De que forma a vegetação pode atuar na qualidade de vida da população Controle de infecção hospitalar A infecção hospitalar é aquela contraída dentro do EAS proveniente de falhas operacionais e de planejamento O controle de contaminação e infecção hospitalar está relacionado a dois princípios os procedimentos que se referem ao manuseio de utensílios roupas e resíduos e o projeto arquitetônico no qual 44 o arquiteto tem papel fundamental Diversos fatores interferem no controle da contaminação por exemplo fluxos e padrões de circulação transportes de materiais equipamentos e resíduos sólidos sistemas de renovação de ar facili dade de limpeza das superfícies e materiais entre outros No que diz respeito aos critérios do projeto um dos primeiros pontos a se considerar a fim de evitar a infecção hospitalar é o zoneamento das unidades funcionais Isto implica no isolamento das áreas críticas com risco maior de infecção como ambientes para internação de pacientes póscirúr gico ou no pósparto recémnascidos diálises preparo de alimentos entre outros áreas semicríticas compartimentos ocupados por pacientes que não se enquadram nas categorias de alto risco de infecção e áreas não críticas ambientes não ocupados por pacientes O segundo aspecto a ser considerado é a adoção de barreiras físicas a partir da compartimentação das etapas do procedimento Qualquer atividade que envolva a separação de objetos contaminados e não contaminados deve prever salas ou equipamentos que permitam esse isolamento Por exemplo os centros cirúrgicos obstétricos lactário entre outros recebem vestíbulos acoplados a eles que funciona como uma barreira ao acesso direto a estes ambientes Estes vestíbulos são classificados em área limpa sem contato com material contaminado e área suja apresenta contato com material contami nado e devem ser dispostos de maneira estanque e com acessos separados Exemplificando A lavagem de roupas é outro processo que necessita de separação entre a área limpa e a suja Primeiro existe a classificação da roupa suja cujo ambiente é tratado como altamente contaminado e deve apresentar uma série de requisitos arquitetônicos exaustão mecanizada processo de recepção da roupa por meio de carros ou tubulões pisos e paredes laváveis entre outros O processo de lavagem da roupa também neces sita de setorização Uma das maneiras de solucionar esta situação é por meio da adoção de uma máquina de lavar com porta dupla uma delas voltada para a área suja na qual a roupa será depositada e outra voltada para a área limpa na qual outro operador recolherá a roupa já lavada A comunicação entre estes compartimentos deverá ser feita por meio de visores e interfones A adoção de barreiras físicas deve estar associada ao fluxo de trabalho de determinados procedimentos como nutrição e dietética processamento de roupas e central de esterilização de material Por exemplo o processo de nutrição apresenta duas etapas preparação preparo dos alimentos 45 envaze de refeições distribuição e lavagem recepção lavagem de recipientes e utensílios esterilização A compartimentação deve se adequar a este fluxo para garantir o funcionamento do processo As ativi dades de recepção desinfecção e separação de materiais são consideradas áreas sujas portanto devem ser realizadas em ambientes para uso exclusivo e com paramentação adequada Os acabamentos e materiais utilizados no projeto devem permitir a sua higienização Pisos paredes balcões etc devem ser laváveis e resistentes a agentes químicos de limpeza e desinfetantes Os forros das áreas críticas não podem ser removíveis Combate a incêndios O primeiro passo para garantir o controle contra incêndios é permitir a aproximação dos veículos do corpo de bombeiros O edifício deve ser acessado por pelo menos duas fachadas opostas e os acesos devem estar livres de congestionamento O zoneamento dos ambientes do EAS deve ser setorizado de acordo com as instalações físicas e função a fim de identificar os espaços com maior ou menor risco de incêndio A compartimentação deve impedir que o fogo se propague de um ambiente ao outro horizontal e verticalmente Dentre os setores os que merecem atenção por terem maior risco são apoio ao diagnóstico e terapia laboratórios serviço de nutrição e dieté tica cozinha farmácia área para armazenagem e controle Central de Material Esterilizado processamento de roupa lavanderia arquivo e área para armazenagem devido ao material combustível gerador e subestação elétrica e caldeiras Os setores de médio e alto risco devem ser interligados às áreas de circulação ou garagem por meio de uma antecâmara e não podem ser utilizados como rota de via de escape Os materiais construtivos devem ser especificados de modo que resistam à ação do fogo em especial do sistema estrutural e das portas dos setores de incêndio As escadas podem ser do tipo protegida paredes e portas resistentes ao fogo enclausurada paredes e portas cortafogo ou à prova de fumaça antecâmara com duto de ventilação Devem ser dispostas no mínimo duas escadas nas unidades de internação situadas em posições opostas e o raio de abrangência não pode ultrapassar 15 metros para os setores de alto risco ou 30 metros para os demais locais Os sistemas de detecção de incêndio e sinalização devem ser executados em conformidade com NBR nº 172402010 e 90772001 46 Pesquise mais O Manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assis tenciais de Saúde publicado pelo Ministério da Saúde determina critérios para instalações prediais ordinárias e especiais nos EAS Leia o capítulo 7 página 117 a 129 que trata das instalações hidrossani tárias elétricas e eletrônicas fluidomecânicas e de climatização BRASIL Normas para projetos físicos de estabelecimentos assisten ciais de saúde Brasília DF Ministério da Saúde1994a É importante ressaltar que o conteúdo deste material foi abordado de maneira resumida e que sempre é possível consultar as normas técnicas as regulamentações e os documentos referentes ao projeto arquitetônico de EAS Dessa forma encerramos a Unidade 1 sobre a arquitetura hospitalar Agora você já tem conhecimento sobre os fundamentos básicos para iniciar o processo criativo de projetar Sem medo de errar Imagine que o escritório no qual você trabalha esteja encarregado de projetar uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade na qual mora Você já tem um repertório de referências e elaborou o Plano Diretor Hospitalar que orientará as decisões tomadas durante o processo de projetar Agora você deverá desenvolver um quadro com o resumo de todas as exigências indicadas no Manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde publicado pelo Ministério da Saúde Muitas delas já foram abordadas nesta seção mas você pode consultar o manual para obter informações mais precisas Não se atenha apenas às normas citadas pois a intenção é criar um quadro que lhe auxiliará no processo de projeto Você pode utilizar outros documentos como o Código de Obras ou Plano Diretor Municipal para complementar a pesquisa Faça um quadro e preencha as colunas com os requisitos apontados pela norma e outras informações que você puder encontrar que forem pertinentes ao projeto Subdivida os critérios para projetos em circulações externas e internas condições ambientais de conforto controle de infecção hospitalar e combate a incêndios Dentro de todos estes critérios deverão conter os itens relativos a ele Por exemplo no critério circulações externas e internas poderão ser elencados os itens acessos estacionamentos circulações horizontais e circulações verticais Você também pode criar algumas colunas 47 como tipo dimensão e quantidade mínima e características A seguir o Quadro 12 mostra um exemplo que poderá ser seguido Quadro 12 Modelo de quadro para resumo dos requisitos e características dos EAS Item Tipo Dimensão e quantidade mínima Características Critério circulações externas e internas Acessos Paciente externo ambulante doador e acompanhante paciente externo transportado paciente a ser inter nado ambulante ou transportado cadáver funcioná rios fornecedor e prestador de serviço outros materiais e resíduos Depende do porte do EAS Restrição maior controle de movimentação Estacionamentos Paciente externo transportado paciente a ser internado visitas paciente externo de ambulatório funcio nários fornecedores entregas combus tível mantimentos medicamentos etc remoção de mortos remoção de resíduos 1200 m² ou uma vaga a cada quatro leitos ou menos Consultar Código de Obras municipal Circulações horizontais 1 Corredores 2 Portas 1 Circulação de pacien tes 2 metros de largura Circulação de pessoal e de carga 120 metros de largura 2 Passagem de macas e camas largura mínima 110 metros altura míni ma 210 metros Unidades de diagnóstico e terapia largura mínima 120 metros altura míni ma 210 metros Demais portas largura mínima 080 metros altura mínima 210 metros Desníveis superiores a 3 cm usar rampa Não é permitido usar o corre dor como sala de espera Portas dos banheiros deve abrir para fora e permitir retirada da folha para o lado externo 48 Circulações verticais 1 Escadas 2 Rampas 3 Elevadores 4 Montacargas 5 Tubos de queda 1 Uso por pacientes largura mínima 150 metros Uso por pessoal largu ra mínima 120 metros Lance máximo a ser vencido 200 metros caso seja acima disso utilizar patamar inter mediário 2 Uso por pacientes largura mínima 200 metros Uso por funcionários largura mínima 120 metros Pé direito mínimo 200 metros Inclinações admissíveis 625 para desníveis até 300 metros 833 para desníveis até 150 metros 1000 para desníveis até 0274 metros 125 para desníveis até 0183 metros 3 Área mínima da cabine 220 x 120 metros Largura livre da porta 110 metros 4 5 1 As larguras mínimas devem estar livres de equipamentos bebedouros telefones etc Distância entre a escada e a porta do quarto mais distante não pode ser superior a 3500 metros Piso revestido com material antiderrapante Não são permitidos degraus em leque Os degraus devem obedecer à formula 2 vezes altura profundidade 064 metros 2 A rampa pode vencer no máximo dois pavimentos Em caso de mudança de direção devemos ter patamares intermediários São obrigatórios o piso an tiderrapante o corrimão e o guardacorpo Não é permitido abrir portas sobre a rampa caso seja necessário criar um vestíbulo com no mínimo 150 metros de largura e 120 metros de comprimento 3 É necessário em um EAS que qualquer um dos seguintes ambientes estejam em um pavi mento diferente do térreo e não acessível por rampa unidade de internação unidade de diagnós tico e tratamento dos pacientes internados centro cirúrgico centro obstétrico unidade de terapia intensiva e radiologia 4 Devem ser dotados de porta cortafogo A abertura deve ser feita em recintos fechados e nunca em corredores 5 Uso exclusivo para roupa suja Mecanismo de limpeza e desinfecção Fonte adaptado de Brasil 1994a 49 Complete o quadro com o restante dos critérios e elabore um relatório com as informações A partir disso você deverá selecionar um projeto corre lato um hospital preferencialmente e identificar quais soluções adotadas no projeto foram impactadas pelas limitações e recomendações da legis lação Identifique os pontos em comum entre a legislação apresentada no seu relatório e os elementos projetuais Apresente sua análise em pranchas no tamanho A3 no máximo 3 diagramadas podem ser realizadas à mão com colagens dos projetos analisados ou algum software de desenho gráfico Avançando na prática Uso e ocupação do solo para edificações de saúde O Plano Diretor Municipal PDM contém a Lei de Uso e Ocupação do Solo Urbano Esta lei divide a cidade em zonas cada uma com características e padrões próprios O zoneamento é determinado pelo grau de urbanização e tem a finalidade de organizar a cidade permitindo a compatibilização dos usos e das atividades dentro do solo urbano Cada município tem autonomia para desenvolver o seu próprio PDM porém via de regra cada zona apresentará os usos permitidos tolerados e permissíveis além de regulamen tações como área mínima do lote tamanho mínimo da testada coeficiente de aproveitamento taxa de ocupação e permeabilidade altura máxima em pavimentos recuos e afastamentos da divisa Os usos permitidos consistem em atividades compatíveis com a finalidade da zona urbana Os usos tolerados apresentam algum incômodo ou prejuízo ao entorno que possa ser causado pela atividade exercida na edificação Os usos permissíveis dependerão da aprovação de uma comissão municipal e poderão apresentar índices mais restritivos que os descritos na lei Cada cidade pode determinar sua própria classificação de usos entre tanto é comum utilizar a seguinte categorização Usos habitacionais unifamiliares habitações coletivas condomínio horizontal habitações de uso institucional habitações transitórias e residências em série Usos comunitários tipo 1 atendimento direto ao uso residencial tipo 2 lugar no qual há concentração de pessoas e veículos divididos 50 em educação saúde lazer e cultura e culto religioso e tipo 3 ativi dades de grande porte Usos comerciais vicinal de bairro setorial geral e específico Usos industriais tipo 1 compatíveis com o uso residencial não causam incômodos tipo 2 não geradoras de fluxo intenso e compa tíveis com o entorno e tipo 3 usos e padrões específicos como agropecuária e uso extrativista Usos de serviços vicinal de bairro setorial geral e específico Para implantar um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS é neces sário que o zoneamento da cidade permita o seu uso no bairro no qual se deseja construílo Desta forma as edificações de saúde podem ser implan tadas em zonas que permitem o Uso Comunitário 1 no que se refere aos ambulatórios de pequeno porte postos de saúde e mais enfaticamente no Uso Comunitário 2 de Saúde Para compreender como funciona o uso e a ocupação do solo urbano no que diz respeito aos EAS você deverá verificar no PDM da sua cidade quais zonas permitem o uso na área de saúde e identificálas em um mapa Resolução da situaçãoproblema Você deverá obter o PDM da sua cidade seja fazendo uma busca no site municipal ou indo até a prefeitura e solicitando o arquivo normalmente disponibilizado em formato PDF Dentro do PDM você deverá encontrar a Lei de Uso e Ocupação do Solo e identificar como é feita a classificação dos usos e das atividades desenvolvidas no município Tomando como exemplo a cidade de Umuarama no noroeste do Paraná a zona que permite o Uso Comunitário 2 Saúde é somente a Zona Central ZC sendo que a ativi dade é tolerada nas zonas de Comércio e Serviços ZCS Zona Residencial de Baixa Densidade ZBD Zona Residencial de Média Densidade ZMD Zona Residencial de Alta Densidade ZAD e Zona de Serviços I ZSI As zonas ZBD ZMD e ZAD também permitem o Uso Comunitário 1 com ressalva para a ZBD no qual o porte deve ser até 100m² Observe no PDM da sua cidade quais zonas permitem ou toleram o uso para atividades de saúde Em seguida identifique no mapa do município no qual estão estas zonas Você pode usar cores diferentes de acordo com o uso Comunitário 1 ou Comunitário 2 de Saúde eou de acordo com a permissão uso permitido ou tolerado 51 Faça a valer a pena 1 A Lei nº 6229 de 17 de julho de 1975 instituiu o Sistema Nacional de Saúde e determinou as competências do Ministério da Saúde por exemplo fixar normas e padrões para prédios e instalações destinados a serviços de saúde A partir daí surgiram vários manuais e normativas para regulamentar a instalação de Estabele cimentos Assistenciais de Saúde EAS O manual mais recente surgiu da Portaria nº 1884GM de 11 de novembro de 1994 Assinale a alternativa que descreve o conteúdo do manual elaborado pelo Ministério da Saúde em 1994 a O manual contém os critérios para elaboração do projeto de EAS incluindo circulações confortos ambientais controle de infecção hospitalar instalações prediais e segurança contra incêndio b O manual contém as legislações de uso e ocupação do solo urbano envol vendo o zoneamento e a indicação dos setores que permitem o uso para ativi dades do setor de saúde c O manual contém as dimensões e os parâmetros da construção como taxa de permeabilidade área máxima ocupada pela edificação no terreno e número máximo de pavimentos d O manual contém a explanação dos procedimentos médicos que devem ser seguidos pelos profissionais da área da saúde de acordo com a atividade que será realizada no ambiente e O manual indica quais são os tipos de estabelecimentos voltados para a área da saúde apresentando que os postos e as unidades básicas de saúde estão categorizados como nível primário de atendimento 2 A infecção hospitalar é aquela contraída durante a internação do paciente dentro do próprio estabelecimento de saúde O Ministério da Saúde criou diretrizes para o controle da contaminação e infecção hospitalar que devem ser utilizadas no projeto arquitetônico de edifícios da área da saúde Com base nisso avalie as afirmativas a seguir I A setorização das atividades exercidas no edifício consiste em catego rizar os ambientes em áreas críticas semicríticas e não críticas de acordo com o risco de contaminação II Para maior isolamento das atividades é necessário compartimenta lizar os espaços e classificálos em áreas limpas e sujas a partir do contato ou não com materiais e agentes contaminantes 52 III A compartimentação dos ambientes deverá prever a setorização dos espaços de acordo com o maior ou menor risco de incêndio em baixo médio e alto risco IV As superfícies devem permitir a sua completa higienização e serem confeccionadas com materiais resistentes à ação de agentes químicos e desinfetantes Assinale a alternativa que contém apenas as alternativas relacionadas ao controle da infecção hospitalar a Apenas as afirmativas I e IV estão corretas b Apenas as afirmativas II e III estão corretas c Apenas as afirmativas I II e III estão corretas d Apenas as afirmativas I II e IV estão corretas e As afirmativas I II III e IV estão corretas 3 Você é arquiteto e foi contratado para projetar um hospital geral privado com capacidade para 1500 leitos O cliente já encontrou um terreno para implantar o edifício porém quer a sua opinião antes de realizar a compra do lote A Lei de Uso e Ocupação da cidade mostra que o lote escolhido está inserido na Zona Residencial de Baixa Densidade cuja tabela de parâmetros é a seguinte Quadro 13 Parâmetros de uso e ocupação do solo ZONA RESIDENCIAL DE BAIXA DENSIDADE ZBD Parâmetros de uso e ocupação do solo USOS PERMITIDOS TOLERADOS PERMISSÍVEIS Habitação unifamiliar Comércio e serviço vicinal 2² Uso industrial tipo 1 e 25 Habitações unifamiliares em série Uso comunitário 24 Ensino porte até 100 m² Condomínios Comércio e serviço vicinal 1¹ Uso comunitário 24 Saúde porte até 100 m² Loteamentos fechados Uso comunitário 1³ porte até 100 m² Uso comunitário 24 Religioso Notas ¹ Comércio e serviço vicinal 1 atividade comercial varejista serviços pessoais ou profissional de pequeno porte de utilização imediata e cotidiana e não incômodas ao uso residencial ² Comércio e serviço vicinal 2 atividades comerciais varejistas ou de prestação de serviços de médio porte e destinadas ao atendimento de um determinado bairro ou zona ³ Uso comunitário 1 atividades de atendimento direto e funcional ao uso residencial como ambulatórios es tabelecimentos de assistência social berçários creches hotéis para bebês bibliotecas estabelecimentos de 53 educação infantil ensino maternal préescola jardim de infância e estabelecimentos de educação especial 4 Uso comunitário 2 atividades com concentração de pessoas ou veículos níveis altos de ruídos e padrões viários especiais 5 Uso industrial Tipo 1 atividades industriais compatíveis com o uso residencial não incômodas Tipo 2 atividades industriais compatíveis ao seu entorno e aos parâmetros construtivos da zona não geradoras de intenso fluxo de pessoas e veículos Fonte adaptado do Plano Diretor Municipal de UmuaramaPR p 64 Considerando a zona na qual o terreno que o cliente escolheu está inserido assinale a alternativa correta a O terreno está adequado para a implantação do hospital pois na tabela consta o Uso Comunitário 2 de Saúde como uso tolerado b O terreno está adequado para a implantação do hospital pois os usos permi tidos e tolerados pela zona compatibilizam as atividades residenciais e de saúde c O terreno não está adequado para a implantação do hospital pois na tabela existe uma restrição quanto ao porte do Uso Comunitário 2 de Saúde d O terreno não está adequado para a implantação do hospital pois o Uso Comunitário 2 de Saúde é classificado como uso tolerado ou seja não está compatível com o uso residencial e Não é possível saber se o terreno está adequado para a implantação do hospital pois a área do lote não foi informada pelo cliente Referências ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR 14712 elevadores elétricos elevadores de carga montacargas e elevadores de maca requisitos de segurança para projeto fabricação e instalação Rio de Janeiro 2013 ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR 17240 sistemas de detecção e alarme de incêndio projeto instalação comissionamento e manutenção de sistemas de detecção e alarme de incêndio requisitos Rio de Janeiro 2010 ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR 9050 acessibilidade a edificações mobiliário espaços e equipamentos urbanos 3 ed Rio de Janeiro 2015 ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR 9077 saídas de emergência em edifí cios Rio de Janeiro 2001 ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR ISOCIE 89951 iluminação de ambientes de trabalho parte 1 interior Rio de Janeiro 2013 AKPINAR A How is quality of urban green spaces associated with physical activity and health Urban forestry and urban greening v 16 p 7683 2016 ALEXANDER C Notes on the synthesis of form Cambridge Massachusetts Harvard University Press 1964 ALMAATA Declaração de AlmaAta URSS Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde set 1978 BARTON J PRETTY J What is the best dose of nature and green exercise for improving mental health A multistudy analysis Environmental science and technology v 44 n 10 p 39473955 maio 2010 BRASIL Constituição da República Federativa do Brasil Brasília DF Senado FederalCentro Gráfico 1988 292 p BRASIL Decreto nº 76973 de 31 de dezembro de 1975 Dispõe sobre normas e padrões para prédios destinados a serviços de saúde credenciação e contratos com o mesmo e dá outras providências Brasília DF 1975a BRASIL Lei nº 6229 de 17 de julho de 1975 Dispõe sobre a organização do Sistema Nacional de Saúde Brasília DF 1975b BRASIL Lei nº 8080 de 19 de setembro de 1990 Dispõe sobre as condições para a promoção proteção e recuperação da saúde a organização e o funcionamento dos serviços correspon dentes e dá outras providências Brasília DF 1990 BRASIL Normas do Hospital Geral Brasília Ministério da SaúdeSecretaria de Assistência Médica 1974 BRASIL Normas para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília DF Ministério da Saúde 1994a Disponível em httpbvsmssaudegovbrbvspublicacoes normasmontarcentropdf Acesso em 10 jul 2018 BRASIL Portaria 1884GM de 11 de novembro de 1994 Brasília DF 1994b BRASIL Portaria 400BSB de 6 de dezembro de 1977 Brasília DF 1977 CARVALHO A P A de Normas de Arquitetura de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde no Brasil Instituto de Pesquisas Hospitalares Arquiteto Jarbas Karman Disponível em http wwwiphorgbrrevistaiphmaterianormasdearquiteturadeestabelecimentosassistenciais desaudenobrasil Acesso em 10 jul 2019 CBCA Centro Brasileiro de Construção em Aço Técnica e arte a serviço da cura Revista Au Arquitetura e Urbanismo out 2008 Disponível em httpwwwcbcaacobrasilorgbr noticiasdetalhesphpcod3108origobrascodOrig90339 Acesso em 8 jul 2019 CNES Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde Anexo do manual técnico do cadastro nacional de estabelecimentos de saúde Tabelas atualizadas Brasília DF Ministério da Saúde 2008 DZIURA G L Três tratadistas da arquitetura e a ênfase no uso do espaço Da Vinci Curitiba v 3 n 1 p 1936 2006 Disponível em httpswwwupedubrdavinci3303trestratadistas daarquiteturapdf Acesso em 5 jul 2019 FABRÍCIO M M Projeto simultâneo na construção de edifícios 2002 350 f Tese Doutorado em Engenharia Escola Politécnica da Universidade de São Paulo São Paulo 2002 GÓES R de Manual prático de arquitetura hospitalar São Paulo Edgard Blucher 2004 IAB Instituto de Arquitetos do Brasil Planejamento de Hospitais São Paulo Departamento de São Paulo 1954 LEE A JORDAN H HORSLEY J Value of urban green spaces in promoting healthy living and wellbeing prospects for planning Risk management and healthcare policy p 131137 ago 2015 LUKIANTCHUKI M A A evolução das estratégias de conforto térmico e ventilação natural na obra de João Filgueiras Lima Lelé hospitais Sarah de Salvador e Rio de Janeiro 2010 324 f Dissertação Mestrado em Arquitetura e Urbanismo Universidade de São Paulo São Paulo 2010 LUKIANTCHUKI M A CAIXETA M C B F FABRICIO M M CARAM R Industrialização da construção no Centro de Tecnologia da Rede Sarah CTRS Revista Vitruvius jul 2011 Disponível em httpvitruviuscombrrevistasreadarquitextos121343975 Acesso em 8 jul 2019 MENDES A C P Plano diretor físico hospitalar uma abordagem metodológica frente a problemas complexos 2007 184 f Dissertação Mestrado em Engenharia Civil 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Acesso em 8 jul 2019 TOLEDO L C M de Feitos para cuidar a arquitetura como um gesto médico e a humanização do edifício hospitalar 2008 241 f Tese Doutorado em Ciências da Arquitetura Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro Rio de Janeiro 2008 VALDETARO O et al Padrões Mínimos Hospitais Brasília Ministério da SaúdeServiço Especial de Saúde Pública SESP sd VALDETARO O NADALUTTI R Projeto de Normas Disciplinadoras das Construções Hospitalares Rio de Janeiro Ministério da SaúdeDepartamento Nacional de Saúde 1965 VITRUVIUS M P Tratado de Arquitetura São Paulo Martins 2007 WESTPHAL E A Linguagem da Arquitetura Hospitalar de João Filgueiras Lima 2007 130 f Dissertação Mestrado em Arquitetura Universidade Federal do Rio Grande do Sul Porto Alegre 2010 Unidade 2 Carolina Cardoso Concepção do projeto Convite ao estudo Caro aluno vamos iniciar o processo criativo que envolve a concepção de um projeto arquitetônico Você sabe como identificar as condicionantes do projeto Quantos e quais são os ambientes de um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS e a função de cada um deles Como desenvolver um partido arquitetônico coerente Nesta unidade aprofundaremos o nosso conhecimento acerca das características que envolvem o processo criativo que se interrelacionam formando propostas estruturadas que serão a base de um projeto arquitetô nico funcional e com soluções próprias Ao final da unidade você será capaz de desenvolver um partido arquitetônico a partir das informações levantadas e analisadas Por onde o profissional deve começar a elaboração do projeto Quais informações ele deverá obter Existe um método que ele poderá seguir Qual é a etapa que sintetiza as ideias envolvidas no processo criativo para a concretização de uma proposta arquitetônica Para nos ajudar a responder a esses questionamentos temos a seguinte situação você foi contratado por um escritório especializado em arquite tura hospitalar A cidade onde mora está localizada no interior do estado e apresenta um crescimento urbano intenso Diante desse cenário a prefeitura inaugurou recentemente um novo loteamento e para atender às necessidades da população do novo bairro foi aberto um edital de concurso público para o projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde UBS Os requisitos impostos pelo edital do concurso incluem a apresentação de um projeto arquitetônico no nível de anteprojeto de um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS com capacidade entre 2400 e 4000 pacientes e que atenda aos critérios estabelecidos pelo Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde publicado pelo Ministério da Saúde Até agora você já conheceu a contextualização histórica da temática o repertório de referências o Plano Diretor Hospitalar os princípios de humanização em hospitais a legislação e normas vigentes e a estruturação da rede de saúde pública De posse dessas informações você continuará a sua caminhada rumo à concepção do projeto arquitetônico Na Seção 21 você analisará o meio onde o edifício será implantado Isso representa a observação das condicionantes climáticas do uso e ocupação do solo do entorno e o levantamento das características do terreno como a topografia e a vegetação existente Na Seção 22 identificará quais são os ambientes que compõem o projeto de um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS a partir de um programa de necessidades Você aprenderá as particularidades relacionadas à arquitetura hospitalar no que diz respeito às atividades realizadas e à qualidade dos ambientes Finalmente na Seção 23 você reunirá todas as análises e informações obtidas até então para criar o partido arquitetônico e a organização do EAS plano de massas setorização e fluxograma Todos esses aspectos compreendem o ponto de partida para a concepção do projeto 59 Seção 1 Análise do terreno Diálogo aberto Você já parou para pensar que cada pedacinho de terra possui carac terísticas específicas de relevo e está situado em uma área com condições climáticas próprias Que a vegetação e os cursos dágua conferem detalhes únicos para cada terreno E que a forma como modificamos a paisagem para a criação de cidades interfere nas vistas e na disposição e movimentação natural desses elementos Cada terreno representa um novo desafio projetual e por isso dificil mente o mesmo projeto poderá ser replicado em vários locais ao menos não com a mesma eficácia do terreno original Da mesma forma devido às inúmeras possibilidades de combinação de elementos e de princípios que norteiam a tomada de decisão dos arquitetos o mesmo terreno poderá receber várias propostas diferentes ainda que o projeto tenha a mesma função Sendo assim a análise das condicionantes deficiências e potencia lidades de cada local é o que determinará o funcionamento e a eficiência do projeto arquitetônico Você foi contratado em um escritório de arquitetura especializado em projetos de EAS e a equipe da qual faz parte participará de um concurso público para um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade onde mora Você já possui o Plano Diretor Hospitalar e conhece as características e os critérios para elaboração de um edifício de saúde Agora deverá realizar uma análise de todos os componentes que fazem parte do meio ambiente em que o EAS será implantado Com as infor mações iniciais em mãos fazse necessária a visita técnica ao terreno Quais são as condicionantes locais encontradas O que se pode registrar sobre a topografia Quais características podem ser observadas sobre o entorno do terreno Qual o partido arquitetônico que você adotará nesse projeto e por quê Nesta seção aprenderemos a analisar as condições climáticas as caracte rísticas locais do terreno e do entorno as vistas e as orientações para edifícios de saúde Não podemos nos esquecer de que esses fatores apresentam forte influência na ventilação de bactérias e na disseminação de agentes conta minantes que podem colocar em risco a saúde dos pacientes internados no 60 hospital Conheceremos ainda algumas certificações de sustentabilidade em edificações que poderão ser utilizadas para a criação de estratégias que preservem o meio ambiente e promovam a eficiência do edifício Estamos iniciando uma das partes mais interessantes da disciplina que consiste na concepção de ideias criativas para desenvolver uma proposta arquitetônica Bons estudos Não pode faltar Não é difícil perceber que cada lugar é diferente do outro Basta observar em sua própria cidade que existem locais mais planos que outros mais ventilados mais iluminados ou mais úmidos As condições climáticas e topográficas vão influenciar o comportamento do edifício além de serem fatores importantes para a concepção do projeto arquitetônico Por isso tais elementos são chamados condicionantes pois representam limitações ou restrições no momento de projetar Dessa forma as condicionantes se confi guram em todo e qualquer aspecto ou elemento que não é passível de modifi cações como é o caso dos ventos e da incidência solar ou que sua alteração seja inviável ou desaconselhável A seguir conheça alguns exemplos Topografia pode se apresentar como uma condicionante pois o ideal é manter o terreno o mais próximo do perfil natural de relevo evitando problemas de drenagem de águas pluviais Terrenos com cursos dágua a modificação desses elementos é possível por meio de terraplanagem e canalizações mas pode ser custosa e deverá prever outra solução para que a drenagem não se torne um problema Construções no entorno edifícios verticais com vários pavimentos por exemplo podem impedir que o terreno receba a incidência solar e você não poderá demolir o prédio vizinho para que sua janela tenha iluminação natural Sendo assim as condicionantes são os primeiros fatores a serem anali sados no início do processo projetual pois elas impõem condições como o próprio nome diz para o projeto arquitetônico Assimile Classificação das condicionantes As condicionantes do projeto podem ser classificadas em físicas locais e legais 61 As condicionantes físicas representam os aspectos naturais e constru ídos que envolvem o terreno sendo representadas entre outros pelos seguintes aspectos Condições climáticas Topografia Sistema viário Vegetação Construções existentes Já as condicionantes locais representam as características e as ativi dades existentes no entorno como Infraestrutura redes de abastecimento de água esgotamento sanitário distribuição de energia elétrica entre outros Equipamentos urbanos comércio e serviços áreas verdes e edifí cios institucionais Usos do entorno Acessos Por fim as condicionantes legais estão relacionadas à legislação como os índices do Plano Diretor Municipal por exemplo o zoneamento a taxa de ocupação e permeabilidade e o coeficiente de aproveitamento e do Código de Obras Condições ambientais de insolação e ventilação As condições ambientais de insolação e ventilação apresentam uma impor tância maior quando tratamos de Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS Isso porque esses dois fatores contribuem para a salubridade da construção garantindo que os microrganismos sejam ventilados e dissipados do ambiente Para isso precisamos utilizar esses aspectos a nosso favor de forma a permitir que o ar circule pelos ambientes e seja renovado garantindo que os espaços principalmente as enfermarias recebam a luz natural Isso só será possível a partir das análises da incidência solar e dos ventos dominantes A insolação poderá ser observada a partir da identificação do norte geográ fico no terreno Uma vez que o sol nasce à leste e se põe à oeste e que no hemis fério sul ele apresenta uma inclinação para norte podemos afirmar que a face leste da edificação receberá a luz solar direta proveniente da parte da manhã de intensidade mais suave e que as faces norte e oeste receberão a insolação direta mais intensa decorrente do período vespertino Figura 21 A face sul receberá apenas a iluminação indireta Com base nessas informações podemos orientar os ambientes do EAS de acordo com a sua necessidade de exposição solar O Ministério da Saúde estipula que as salas de ambulatório atendimento ao paciente exame clínico e observação internação enfermarias berçários 62 internação intensiva e especiais e de apoio ao diagnóstico e terapia necessitam da incidência de luz solar direta BRASIL 1994 Figura 21 Esquema de insolação no hemisfério sul Fonte elaborada pela autora Com relação à ventilação uma das informações que irão auxiliar no desenvolvimento do projeto é a indicação da direção de onde provém os ventos dominantes Esse dado pode ser obtido em órgãos municipais da cidade que fornecerão inclusive qual a velocidade média dos ventos e outras informações A ventilação também pode ser percebida de maneira mais prática visitando o terreno que receberá a edificação em dias e horários variados e anotando a direção do vento De acordo com o Ministério da Saúde BRASIL 1994 alguns ambientes poderão receber apenas a ventilação direta natural como é o caso dos ambientes de internação enfermarias berçários e internação intensiva e apoio ao diagnóstico e terapia quimioterapia Existem espaços que precisarão de controles mais rigorosos da qualidade do ar temperatura e umidade a partir da adoção de sistemas de ventilação específicos Os ambientes que produzem odores ou favorecem a poluição atmosférica necessitam de exaustão mecânica enquanto outros ambientes vão necessitar também de climatização como é o caso dos centros cirúrgicos Além das condicionantes existem outros dois aspectos que podem ser analisados para auxiliar o processo projetual as deficiências e potencialidades Deficiências são aspectos entendidos como negativos que devem ser amenizados ou solucionados pelo projeto Potencialidades são características que apresentam algum potencial não utilizado e possibilidade de exploração pelo projeto 63 Exemplificando As deficiências e potencialidades não são tão fáceis de serem identifi cadas como as condicionantes sendo representadas por alguns fatores específicos como as condições climáticas Por isso é necessária uma análise mais aprofundada do terreno e do entorno para determinar os pontos de interesse do projeto Por exemplo existem estudos que indicam os benefícios de áreas verdes para a saúde da população BEDIMORUNG MOWEN COHEN 2005 MAAS et al 2006 CHOU LEE CHANG 2016 Dessa forma a falta de áreas verdes no entorno poderia se caracterizar como uma deficiência do mesmo modo que um terreno de grandes proporções poderia ser considerado uma potencialidade pois permite a incorporação do paisagismo ao projeto de forma a criar um espaço verde dentro da área do EAS Um exemplo é o Hospital Khoo Teck Puat em Singapura China que incor porou áreas verdes ao projeto visando o bemestar dos pacientes e o auxílio na cura das enfermidades por meio de uma atmosfera natural Figura 22 Figura 22 Hospital Khoo Teck Puat Singapura China Fonte Shutterstock As próprias condicionantes podem derivar algumas deficiências ou poten cialidades Digamos que existe uma Área de Preservação Permanente APP no fundo do terreno Isso se caracteriza em uma condicionante pois a APP não pode ser modificada No entanto podemos utilizála como potenciali dade e incorporála em uma ampla área verde que será usada pelos pacientes como solário auxiliando no tratamento Agora imagine que o terreno está localizado na porção da topografia mais alta da cidade De certo que o relevo proporcionará uma vista panorâmica do ambiente urbano Figura 23 ao menos que o terreno esteja rodeado por edifícios verticais que impedirão a visão Figura 24 64 Figura 23 Vista panorâmica da cidade vista de um ponto alto da topografia Praça do Pôr do Sol São Paulo Fonte Shutterstock Figura 24 Visão comprometida pelos edifícios do entorno Rua Gran Via Madri Espanha Fonte Shutterstock A análise das condicionantes deficiências e potencialidades envolvem diversos fatores e podem ser detalhadas em um quadro chamado Matriz CDP Matriz CDP A Matriz CDP identificará todos os elementos observados pelo arqui teto que servirão de base para a elaboração do projeto Sendo assim a matriz é composta por item a ser observado condicionante deficiência e 65 ou potencialidade e diretriz que orientará o profissional durante o processo projetual Quadro 21 Quadro 21 Exemplo de Matriz CDP Item Condicionante Deficiência Potencialidade Diretriz Topografia Relevo do terreno com grande des nível Requer a criação de sistemas de circulação vertical rampas e escadas para transpor os níveis do relevo Desnível localiza do na face norte recebe maior par te da incidência solar Criação de pavilhões em níveis diferentes com terraços para aproveitamento da iluminação natural Fonte elaborado pela autora O Quadro 21 traz a análise do item topografia e mostra que o relevo do terreno em questão apresenta um desnível acentuado Uma das deficiências apontadas foi a necessidade de criação de rampas e escadas para transpor os desníveis Em contrapartida o desnível está situado para a face leste que como vimos recebe a luz solar da parte da manhã com intensidade desejável para um banho de sol Esse aspecto foi considerado uma potencialidade que culminou na criação de uma diretriz projetual a criação de pavilhões em níveis diferentes com terraços para aproveitamento da iluminação natural Na Figura 25 podemos observar um esquema de como estes elementos se organizam Figura 25 Diagramas para exemplificação da Matriz CDP a terreno em declive b maior área de insolação c criação de pavilhões d terraços para aproveitamento da luz solar e amplas áreas de vegetação Fonte elaborado pela autora com os softwares Sketchup Pro e Adobe Illustrator 66 Esse exemplo serviu para mostrar que o mesmo item analisado pode apresentar uma condicionante uma deficiência e uma potencialidade Nem todos os elementos vão possuir as três características mas é importante que o profissional esteja atento para perceber os aspectos envolvidos Nós falamos muito em como as características existentes poderão influenciar o projeto mas você já parou para pensar que o seu projeto também poderá influenciar o entorno Em se tratando de um edifício de saúde esse impacto é claro o hospital apresenta uma aglomeração de pessoas doentes que carregam vírus e bactérias e produzem resíduos contaminados Esses impactos são negativos e devem ser trabalhados com cautela no projeto arquitetônico Porém também existem impactos positivos um hospital atua na promoção da saúde e na qualidade de vida da população por exemplo Sendo assim é recomendável que os empreendimentos que causem algum tipo de impacto uma indústria uma nova linha de metrô ou neste caso uma edificação hospitalar sejam públicos ou privados realizem um Estudo de Impacto de Vizinhança EIV previamente à sua implantação O EIV é uma ferramenta utilizada pelo poder público municipal e apresenta três princípios básicos de acordo com Schvarsberg et al 2016 1 Ordenar o crescimento equilibrado das cidades 2 Garantir condições mínimas de qualidade urbana 3 Promover o uso urbano ambientalmente equilibrado e socialmente justo O Ministério das Cidades entende que toda atividade causa algum tipo de impacto que pode ser de caráter social econômico ambiental urbanís tico entre outros Além disso pode ser caracterizado conforme vimos como positivo ou negativo O EIV entretanto compreende apenas as atividades com impactos negativos que geram algum tipo de incômodo visando à manutenção da qualidade de vida da população urbana SCHVARSBERG et al 2016 Cabe ao município determinar quais serão os empreendimentos que deverão apresentar um EIV antes de sua implementação Normalmente esse estudo é requisitado para projetos de grande porte com um tipo especí fico como os da área da saúde ou dependentes do local de implantação próximo a APPs por exemplo Reflita Nos últimos anos muito se tem discutido sobre o impacto ambiental gerado pela construção civil e pelo ambiente urbano De que forma o arquiteto pode contribuir para a proteção do meio ambiente sem pôr em risco o crescimento das cidades 67 Programas de edificações com iniciativas sustentáveis Visando à redução dos impactos ambientais surgiram alguns programas que certificam edificações com iniciativas sustentáveis voltadas para o gerenciamento de energia economia dos recursos naturais ou financeiros e estratégias de proteção do meio ambiente Em 1993 foi criada a primeira certificação denominada LEED Leadership in Energy and Environmental Design que consiste em critérios práticos que mensuram a sustentabili dade aplicada a uma edificação Esta certificação foi criada pelo United States Green Building Council USGBC visando fomentar práticas de construções verdes que apresentam sistemas que garantem edifícios mais econômicos eficientes e saudáveis Para obter a certificação o edifício precisa atingir uma pontuação mínima de acordo com os critérios estabelecidos Existem sete categorias de análise localização e transporte lotes sustentáveis eficiência da água energia e atmosfera materiais e recursos qualidade interna dos ambientes e inovação e prioridades regionais Para cada categoria existem prérequisitos sem os quais a construção não obterá a certificação além dos créditos que consistem em sistemas extras que poderão contribuir para um nível mais alto de certificação Quanto mais alta é a pontuação obtida maior será o nível de certificação sendo quatro selos certified silver gold ou platinum Figura 26 Figura 26 Selos de certificação LEED Fonte httpsbitly2EMvgyA Acesso em 30 jul 2019 No ano de 2014 o International WELL Building Institute criou uma certi ficação que dá suporte à saúde e ao bemestar da população originando o programa WELL Building Standard Essa certificação se baseia em evidências científicas obtidas por meio de estudos e pesquisas para determinar padrões e critérios que impactam a saúde e o bemestar sendo eles ar água alimen tação iluminação atividade física conforto e mente O processo de obtenção da certificação é semelhante ao LEED cada categoria possui prérequisitos obrigatórios e créditos que poderão melhorar a pontuação e garantir níveis maiores de certificação que neste caso são três silver gold e platinum Figura 27 68 Figura 27 Selos de certificação WELL Fonte httpwwwctecombrinteriores Acesso em 26 jul 2019 Pesquise mais Assista ao Webinar BemEstar e Produtividade produzido pela arqui teta Luiza Junqueira especialista em construções sustentáveis creden ciada pela LEED e por Eduardo Straub engenheiro civil especializado em gestão ambiental e sustentabilidade credenciado pela LEED e WELL Neste vídeo disponível no youtube os profissionais falam sobre as certificações e expõem alguns dados que poderão auxiliar em um projeto arquitetônico Assista do minuto 6 até o minuto 19 WEBINAR BemEstar Produtividade WELL BUILDING STANDARD Sl sn 2016 Publicado pelo canal StraubJunqueira Construindo Valores No ano de 2017 o escritório da Sociedade Americana de Design de Interiores do inglês American Society of Interior Designers ASID locali zado em Washington foi a primeira edificação do mundo a obter as certifica ções LEED e WELL no nível platinum O projeto foi criado com o objetivo de mostrar como o design pode afetar a vida dos usuários a partir da promoção do bemestar e do uso eficiente de recursos ASID 2017 Até agora discutimos os aspectos externos à edificação que envolvem a análise do entorno e dos recursos disponíveis É muito importante que o arquiteto realize visitas técnicas ao terreno principalmente nos primeiros momentos do projeto a fim de observar suas características de forma mais intensa e precisa Os dados obtidos como insolação ventilação e vegetação serão de suma importância para a elaboração da proposta arquitetônica Sem medo de errar Você é um arquiteto contratado em um escritório especializado em arquitetura hospitalar A sua equipe participará do desenvolvimento de um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS para o bairro novo da cidade 69 onde mora Você já tem um Plano Diretor Hospitalar PDH e agora chegou a hora de aprofundar suas análises acerca do local de implantação do edifício O edital do concurso público cujo escritório ao que pertence submeterá um projeto já forneceu o terreno onde será construída a UBS A sua tarefa é analisar as condicionantes deficiências e potencialidades do lote e do entorno Você pode realizar o levantamento por meio de diagramas que podem ser feitos à mão com lápis colorido usando o mapaterreno impresso como base e esquemas para organizar as análises com maior clareza Observe os seguintes aspectos físicos Direção do Norte Insolação Direção dos ventos dominantes Topografia Vegetação existente Presença de cursos dágua Em seguida analise os elementos urbanos como se dá a malha viária qual o fluxo de tráfego por quais pontos é possível acessar o terreno e como é o gabarito das edificações do entorno Figura 28 Figura 28 Exemplo de identificação de condicionantes no terreno 1 Aclive no terreno no sentido NorteSul 2 Fachada principal localizada na face sul que não recebe insolação direta 3 Vegetação existente pode ser utilizada para criação de área verde 4 Ponto de ônibus garante a mobilidade urbana ao empreendimento 5 Via de tráfego intenso causa conflitos entre o fluxo de automóveis e pedestres Fonte elaborado pela autora com os softwares Sketchup Pro e Adobe Illustrator 70 Procure no Plano Diretor Municipal PDM em qual zona o terreno está inserido e quais os índices urbanísticos incidentes sobre ele Identifique como cada um destes itens influencia na sua tomada de decisão e classifiqueos em condicionantes deficiências ou potencialidades organizados em uma Matriz CDP Lembrese de que nem todos os aspectos terão uma condicionante uma deficiência e uma potencialidade mas você deverá indicar uma diretriz projetual para todos os itens analisados Essa diretriz visará a solução de um problema ou recurso mal explorado ou ainda se originará de uma limitação imposta pelos fatores externos Organize o levantamento em pranchas que serão anexadas ao memorial descritivo no final da disciplina Avançando na prática Certificação Sustentável Atualmente muito se discute sobre a importância da proteção e economia dos recursos naturais principalmente no que diz respeito à arquitetura e ao urbanismo As cidades correspondem ao local onde vivemos e o seu cresci mento desordenado tem impactado o meio ambiente de formas negativas a partir da contaminação de rios e cursos dágua do desmatamento da vegetação nativa e da poluição proveniente das indústrias A preocupação com a natureza deu origem a certificações que avaliam a sustentabilidade aplicada aos projetos de arquitetura O escritório em que você trabalha está atento a essas mudanças e pretende mudar o perfil de trabalho a partir da adoção de critérios sustentáveis no próximo projeto que será desenvolvido Portanto a sua tarefa será escolher uma das certificações de sustentabilidade e pesquisar sobre os prérequisitos e as estratégias que poderão ser utilizadas no projeto Resolução da situaçãoproblema A primeira atitude do profissional no momento em que inicia uma nova empreitada é pesquisar sobre o que se pretende aprimorar Portanto o estudo de edificações que possuam certificação de sustentabilidade pode ser a certificação LEED WELL ou outra podem se tornar um método de análise e uma das estratégias utilizadas pelo profissional visando a sua capacitação 71 Um exemplo de edificação que poderá entrar no repertório utilizado pelo profissional é o Hospital Albert Einstein Unidade Morumbi São Paulo que recebeu a certificação LEED gold no ano de 2013 Figura 29 As estratégias para sustentabilidade tiveram início logo nas primeiras etapas da construção Durante a obra houve um controle da poluição e gerenciamento de erosão assoreamento poeira e resíduos Com relação às águas pluviais existem reservatórios e jardins inclusive na cobertura que retardam a descarga da água da chuva coletada no terreno reduzindo o volume de água enviado para a rede de drenagem urbana em aproximadamente 30 HOSPITAL ALBERT EINSTEIN 2013 Figura 29 Hospital Israelita Abert Einstein durante sua reforma em 2009 São Paulo Fonte httpsenmwikipediaorgwikiFileHospitalAlbertEinsteinjpg Acesso em 26 jul 2019 Faça valer a pena 1 As certificações para edifícios sustentáveis como a LEED Leadership in Energy and Environmental Design e a WELL Building Standart foram criadas visando à premiação de construções que utilizam tecnologias e sistemas que melhoram a qualidade de vida da população Com base no texto anterior assinale a alternativa que contém os princípios das certificações citadas a Rapidez na execução das obras e crescimento ordenado das cidades b Redução dos impactos ambientais uso eficiente dos recursos e promoção da saúde e bemestar 72 c Promoção do consumo consciente e redução da poluição gerada pelo setor industrial d Incentivo ao desenvolvimento humano por meio de tecnologias de comunicação e informação e Aumento da conscientização sobre o design dos edifícios utilizando a economia de recursos financeiros 2 Por meio da Matriz CDP que diz respeito à identificação das condicio nantes deficiências e potencialidades é possível realizar o levantamento e a análise do terreno que dará suporte ao projeto de arquitetura Com base nisso avalie as afirmativas a seguir I As condicionantes são aspectos imutáveis do terreno e consistem em limitações e restrições que serão impostas ao projeto arquitetônico II As deficiências são elementos negativos compreendidas por problemas e conflitos que devem ser resolvidos ou amenizados pelo projeto arquitetônico III As potencialidades são fatores que apresentam um potencial positivo mal explorado que podem ser utilizados para oferecer vantagens e benefícios ao projeto arquitetônico Assinale a alternativa que contém as afirmações corretas a As afirmativas I II e III estão corretas b Apenas as afirmativas I e III estão corretas c Apenas as afirmativas II e III estão corretas d Apenas as afirmativas I e III estão corretas e Apenas a afirmativa II está correta 1 Uma das categorias de análise da certificação LEED Leadership in Energy and Environmental Design para edifícios sustentáveis diz respeito à gestão dos recursos hídricos A Clínica Cleveland em Abu Dhabi recebeu a certi ficação nível gold principalmente pelo seu empenho em reduzir o consumo de água em 30 o que corresponde a mais de 10000 m³ O uso da água não foi explorado apenas em termos sustentáveis mas também foi um elemento utilizado pelos arquitetos para criar um edifício que praticamente flutua sobre a água um simbolismo de cura e serenidade 73 Figura Planta baixa da Clínica Cleverland Abu Dhabi Fonte Jordana 2012 Figura Perspectiva da Clínica Cleverland Abu Dhabi Fonte Jordana 2012 Com relação ao projeto apresentado analise as afirmativas a seguir I O projeto não poderia receber a certificação LEED uma vez que desperdiça os recursos hídricos ao usar piscinas que apresentarão apenas benefícios estéticos à construção 74 II As piscinas e as áreas verdes conjugadas à clínica são benéficas à saúde do paciente oferecendo um ambiente tranquilo que auxilia no trata mento de suas enfermidades III O azul usado na fachada faz referência à cor do Golfo Pérsico que envolve toda a ilha de Abu Dhabi A proximidade do projeto com o corpo hídrico do Golfo reforça a importância do elemento água para o projeto Assinale a alternativa que contém as afirmativas corretas a Apenas a afirmativa I está correta b Apenas a afirmativa II está correta c Apenas a afirmativa III está correta d Apenas as afirmativas II e III estão corretas e As afirmativas I II e III estão corretas 75 Seção 2 Programa de necessidades Diálogo aberto Caro aluno você já imaginou como seria morar em uma casa sem banheiro Ou almoçar em um restaurante que não tivesse cozinha Seria no mínimo um caos Cada projeto é único e nasce de um problema a ser resolvido Quando o projeto arquitetônico não é capaz de atender às demandas existentes a vivência do espaço se torna complicada ou pior é aniquilada Por isso o programa de necessidades se torna o instrumento inicial da concepção do projeto arquitetônico esquematizado logo na primeira entrevista com o cliente Ele nada mais é do que uma listagem das atividades que serão reali zadas no espaço incluindo a identificação dos equipamentos e as condições necessárias para a sua execução Para estudar esse tema imagine que você foi contratado por um escri tório de arquitetura especializado em projetos de EAS A equipe da qual você faz parte participará de um concurso público para um projeto de Unidade Básica de Saúde UBS do bairro novo da cidade onde mora Neste momento você se debruçará sobre o programa de necessidades desse projeto e preci sará identificar os ambientes que devem compor a UBS além de suas carac terísticas e funções Não se esqueça de avaliar as particularidades de cada ambiente os equipamentos necessários e a qualidade dos espaços Imaginese sendo um paciente um médico um enfermeiro e um funcionário do hospital para avaliar as atividades desenvolvidas nesse espaço Quais são os ambientes envolvidos Quais equipamentos são necessários para realizar as atividades Nesta seção abordaremos o programa de necessidades e todas as suas esferas Falaremos sobre as atividades realizadas nos espaços assistenciais e áreas críticas semicríticas e não críticas além de avaliar a qualidade dos espaços e identificar as particularidades em um projeto da área da saúde por exemplo o gerenciamento de resíduos Bons estudos Não pode faltar Cada projeto arquitetônico surge de uma necessidade Uma família que procura o arquiteto para projetar uma casa precisa sanar a necessidade de 76 moradia Um empresário busca atender à necessidade de trabalho quando solicita um projeto comercial Da mesma forma quando uma instituição pública ou privada contrata um arquiteto para desenvolver um hospital está visando atender à necessidade de tratamento e cura de enfermidades E assim como cada cliente tem suas necessidades específicas o casal quer a suíte na cor vermelha e o empresário precisa de uma mesa para a cafeteira cada projeto deverá oferecer soluções adequadas às particularidades da edifi cação Por isso um dos principais aspectos a ser identificado é o programa de necessidades que consiste em uma listagem das atividades que serão realizadas no edifício das condições e dos equipamentos necessários para o desenvolvimento dessas atividades e também das limitações impostas ao projetista por meio de normas técnicas e legislações Programa de necessidades Nos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS o programa de necessidades depende da tipologia do edifício e pode alcançar níveis altos de complexidade Para determinar esse programa devese primeiramente identificar as atividades funções a serem exercidas no EAS O Ministério da Saúde BRASIL 1994 identifica nove atribuições básicas dos EAS sendo elas 1 Ações básicas de saúde consistem nas ações de atenção promoção e prevenção da saúde e vigilância sanitária 2 Ambulatório atividade de assistência à saúde em regime ambulato rial com atendimento a pacientes externos de forma programada e continuada 3 Atendimento imediato assistência à saúde com prestação de atendi mento imediato a pacientes externos em situações agravadas carac terizada como urgência quando não existe risco de morte ou como emergência quando há o risco de morte 4 Internação assistência à saúde em regime de internação a partir da prestação de atendimento aos pacientes que necessitam de assistência por período superior a 24 horas caracterizandoos como pacientes internos 5 Diagnóstico e terapia serviços de apoio ao diagnóstico e à terapia voltados para o reconhecimento e para a recuperação do estado da saúde de pacientes internos e externos 6 Apoio técnico atividades que oferecem apoio à assistência à saúde caracterizada por serviços como esterilização nutrição e atendimento farmacêutico 77 7 Ensino e pesquisa formação de profissionais capacitados e desenvol vimento de recursos humanos e de pesquisa relacionados à assistência à saúde 8 Apoio administrativo gestão e execução administrativa planeja mento e documentação 9 Apoio logístico suporte operacional do edifício a partir de serviços de manutenção e limpeza como lavanderia inspeção de equipa mentos e infraestrutura A partir de cada uma dessas funções é possível identificar atividades ou subatividades que serão realizadas pelo EAS No Quadro 22 observase a identificação da função associada à algumas das atividades executadas Quadro 22 Funções e atividades exercidas pelo EAS FUNÇÃO ATIVIDADES REALIZADAS 1 Ações básicas de saúde Prevenção à saúde primeiros atendimentos imunização controle de doenças transmissíveis coleta de materiais para exame etc Processamento de dados informação sobre doenças vigilância epidemiológica e dados nutricionais vigilância nutricional Educação e orientação palestras e campanhas orientação de ações de saneamento básico Controle e fiscalização garantia da qualidade dos produtos serviços e meio ambiente vigilância sanitária 2 Ambulatório Atendimento à saúde recepção marcação de consultas e preparo de pacientes Atendimento clínico procedimentos de enfermagem con sultas médicas odontologia psicologia assistência social fisioterapia entre outros Cirurgias e exames endoscópicos anestesia execução de cirurgias e exames e procedimentos pósanestésicos Atendimento imediato Atendimento triagemprimeiros socorros enfermagem procedimentos de urgência apoio diagnóstico e terapêutico por 24 horas e observação do paciente por até 24 horas Urgências baixa média e alta complexidade e emergência 4 Internação Pacientes adultos e infantis internação conforme faixaetá ria patologia sexo e intensidade de cuidados Recémnascidos pacientes normais e patológicos prematu ros ou externos que necessitam de observação Unidade de Tratamento Intensivo UTI internação confor me grau de risco intensivo ou semiintensivo faixa etária patologia e requisitos de privacidade Queimados internação de pacientes com queimaduras gra ves conforme faixa etária sexo e grau de queimadura 78 FUNÇÃO ATIVIDADES REALIZADAS 5 Diagnóstico e terapia Patologia clínica coleta e triagem de material análise labo ratorial e desinfecção de descartes Imagenologia procedimentos anestésicos realização de exames radiológicos ressonâncias tomografias ultrassono grafias etc e armazenamento dos exames realizados Exames com métodos gráficos eletrocardiograma ecocar diograma ergometria fonocardiograma etc Anatomia patológica realização de necropsias análise de biópsias e armazenamento dos cadáveres Cirurgias e exames endoscópicos anestesia execução de cirurgias e exames e procedimentos pósanestésicos Partos normais e cirúrgicos acompanhamento do trabalho de parto realização de partos normais e cirúrgicos assistên cia médica e de enfermagem ao recémnascido Atividades de reabilitação fisioterapia terapia ocupacional e fonoaudiologia Atividades hemoterápicas triagem hematológica e clínica dos doadores coleta de sangue análise armazenamento e estoque de amostras coletadas e terapêutica transfusional Radioterapia e quimioterapia enfermagem preparo de radioelementossoluções químicas assistência pósterapia Diálise realização de diálise peritoneal ou hemodiálise enfermagem e cuidados médicos para pacientes com inter corrências Amamentação coleta de leite materno processamento e estoque controle de qualidade e distribuição 6 Apoio técnico Nutrição preparo e armazenamento de alimentos distribui ção e higienização de utensílios Farmácia armazenamento inspeção e distribuição de medi camentos e produtos farmacêuticos Esterilização de materiais lavagem e higienização esterili zação por meio de métodos físicos ou químicos controle microbiótico armazenamento e distribuição 7 Ensino e pesquisa Treinamento de funcionários Promoção de ensino técnico de graduação e pósgraduação Promoção do desenvolvimento de pesquisas da área da saúde 8 Apoio administrativo Administração direção dos serviços administrativos com pra de materiais e equipamentos administração orçamentá ria e financeira Planejamento clínico direção dos serviços clínicos plane jamento e supervisão prestação de informações clínicas aos pacientes Documentação registros de pacientes e serviços histórico de marcação de consultas e exames estatísticas e processa mento de dados e notificação policial em casos de acidente e violência 79 FUNÇÃO ATIVIDADES REALIZADAS 9 Apoio logístico Lavanderia Armazenamento de materiais e equipamentos Manutenção predial obras de construção civil jardina gem marcenaria etc e de equipamentos das condições de conforto e higiene e infraestrutura Fonte adaptado de BRASIL 1994 Assimile Tipologias de edificações de saúde Pela grande quantidade de funções atribuídas aos EAS é praticamente impossível que apenas uma unidade tenha estrutura física para atender a todas elas É por isso que existem as tipologias de edificações de saúde cada uma com sua função prioritária e nível de complexidade As tipologias criam uma rede de saúde pública que deve funcionar de modo sistêmico de modo que as unidades possam encaminhar os pacientes para outras unidades especializadas e adaptadas para oferecer o tratamento necessário Essa diversificação é interessante do ponto de vista funcional pois permite o controle da qualidade dos serviços oferecidos por cada uma das unidades que não serão sobre carregadas pelo excesso de atribuições Cada uma das atividades listadas necessitará de um espaço disponível para ela equipado com aparelhos que permitam sua execução No caso de um ambulatório por exemplo uma das atividades é a recepção e a marcação de consultas Para isso os equipamentos são simples basta uma escrivaninha para a secretária e algumas cadeiras para os pacientes externos esperarem pelo atendimento No entanto existem áreas mais complexas que neces sitarão de uma aparelhagem específica para seu funcionamento como é o caso dos centros cirúrgicos unidades de internação Central de Material Esterilizado CME entre outros Pesquise mais Para conhecer mais sobre os equipamentos necessários em um centro cirúrgico assista ao vídeo do Hospital São Pedro em que as enfer meiras mostram como é o ambiente da sala de cirurgia e quais os aparelhos utilizados POR DENTRO do hospital Centro cirúrgico Garibaldi RS Hospital Beneficente São Pedro HBSP 2016 1 vídeo 9 min 17 s Publicado pelo canal Hospital São Pedro HBSP 80 Qualidade do ambiente Independentemente das atividades exercidas e dos equipamentos requi sitados devemos sempre nos atentar à qualidade dos ambientes Uma das maneiras de mensurar a qualidade é a condição de que os ambientes não causem nenhum mal aos pacientes Dessa forma é necessário eliminar qualquer risco de contaminação que se apresente no interior da edificação A contaminação por sua vez acontece em grande parte devido aos resíduos gerados pelo EAS A norma NBR 128081993 ABNT 1993 classifica os resíduos em três categorias conforme observado no Quadro 23 Quadro 23 Classificação de resíduos de serviços da saúde CLASSE TIPO DESCRIÇÃO A Infectantes 1 Biológico Cultura inóculo mistura de microrga nismos e meio de cultura inoculado proveniente de labora tório clínico ou de pesquisa vacina vencida ou inutiliza da filtro de gases aspirados de áreas contaminadas por agentes infectantes e qualquer resíduo contaminado por esses materiais 2 Sangue e hemoderivados Bolsa de sangue após transfusão com prazo de validade vencido ou sorologia positiva amostra de sangue para análise soro plasma e outros subprodutos 3 Cirúrgico anatomopato lógico e exsudato Tecido órgão feto peça anatômica sangue e outros líquidos orgânicos resul tantes de cirurgia necropsia e resíduos contaminados por esses materiais 4 Perfurante ou cortante Agulha ampola pipeta lâmina de bisturi e vidro 5 Animal contaminado Carcaça ou parte de animal inoculado exposto à microrganismos patogênicos ou portador de doença infectocontagiosa bem como resíduos que tenham estado em contato com este 6 Assistência ao paciente Secreções excreções e demais líquidos orgânicos procedentes de pacientes bem como os resíduos contaminados por esses materiais inclusive restos de refeições 81 CLASSE TIPO DESCRIÇÃO B Especiais 3 Rejeito radioativo Material radioativo ou contaminado com radionuclídeos proveniente de laboratório de análises clínicas serviços de medicina nuclear e radioterapia 4 Resíduo farmacêutico Medicamento vencido contaminado interditado ou não utilizado 5 Resíduo químico perigoso Resíduo tóxico corrosivo inflamável explosivo reativo genotóxico ou muta gênico conforme NBR 10004 BRASIL 2004 C Comum Todos aqueles que não se enquadram nos tipos A e B e que por sua semelhança aos resíduos domésticos não oferecem risco adicional à saúde pública Por exemplo resíduo da atividade administrativa dos serviços de varrição e limpeza de jardins e restos alimentares que não entraram em contato com pacientes Fonte adaptado de ABNT 1993 A Resolução CONAMA nº 3582005 BRASIL 2005 determinou que os EAS deveriam ser responsáveis pelo gerenciamento dos resíduos sólidos descartados pela edificação desde a geração até a disposição final a partir da apresentação de um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde PGRSS O gerenciamento de resíduos garante que não só os próprios pacientes do EAS como também a população geral estejam protegidos de contaminações que podem ser contraídas a partir do contato com resíduos infecciosos Afinal o descarte inadequado desses resíduos poderá poluir o solo e a água contaminando o meio ambiente e causando danos aos indiví duos e à natureza A resolução dá diversas orientações para o descarte correto dos materiais de acordo com uma classificação própria em grupo A agentes biológicos grupo B substâncias químicas grupo C radiológico grupo D sem risco comparados aos resíduos domiciliares e grupo E materiais perfurocortantes Para que o gerenciamento dos resíduos funcione adequadamente os dejetos devem ser segregados de acordo com a sua classe logo no momento em que foram gerados a fim de reduzir o volume de resíduos e facilitar o seu descarte correto Dessa forma é necessária a adoção de um sistema de expurgo hospitalar que consiste em uma forma de despejo para os resíduos 82 provenientes principalmente de procedimentos cirúrgicos em que há a excreção de resíduos sólidos como tecidos e órgãos e soluções líquidas como sangue e secreções orgânicas Reflita Todos os ambientes do EAS produzem algum tipo de resíduo Desde um papel com uma anotação que foi amassado pela secretária até produtos oriundos de procedimentos cirúrgicos como partes de tecido e órgãos Se os resíduos podem ser classificados como infecciosos como será a classificação do ambiente onde o resíduo foi produzido Classificação dos ambientes hospitalares A ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária classifica os ambientes hospitalares de acordo com o risco para o desenvolvimento de infecções BRASIL 2009 São elas Áreas não críticas risco mínimo ou inexistente São caraterizadas por ambientes onde não são realizadas atividades assistenciais ou que não apresentam processos que envolvem materiais contaminantes exceto quando estão embalados e protegidos Exemplos escritórios almoxarifados salas administrativas entre outros Áreas semicríticas risco baixo a moderado Consiste em ambientes onde são realizadas atividades assistenciais não invasivas em pacientes que não têm infecções ou contaminações biológicas ou quando os procedimentos envolvem a utilização de materiais esteri lizados que entraram em contato com a pele não íntegra ou com mucosa Exemplos enfermarias consultórios e área limpa de lavan deria hospitalar Áreas críticas alto risco São os ambientes onde são realizados proce dimentos invasivos envolvendo o uso de equipamentos que penetram tecidos ou órgãos ou que apresentam pacientes suscetíveis aos agentes infecciosos ou portadores de microrganismos de importância epidemiológica Exemplos salas de cirurgia UTI salas de hemodiá lise salas de isolamento CME bancos de sangue e área suja de lavan deria hospitalar Cada uma dessas áreas deverá ser submetida a procedimentos de esterili zação e desinfecção de acordo com o risco apresentado Nas áreas não críticas o uso do álcool líquido é suficiente para promover a assepsia enquanto em áreas críticas deverão ser utilizados outros materiais desinfetantes mais 83 potentes como hipoclorito de sódio formaldeído compostos fenólicos e iodo Ainda os profissionais que realizarão os procedimentos deverão estar devidamente protegidos com Equipamentos de Proteção Individual EPIs como luvas máscaras protetores faciais ou óculos gorros e aventais Exemplificando Centros cirúrgicos exemplo de área crítica Um exemplo de área crítica são os centros cirúrgicos onde os cuidados com a circulação de equipamentos e resíduos deverão ser redobrados a fim de evitar a infecção hospitalar O organograma do centro cirúrgico Figura 210 poderá auxiliar na compreensão de como são realizadas as trocas e movimentações de pacientes e resíduos Figura 210 Organograma do centro cirúrgico Fonte adaptada de Góes 2004 Com as análises e informações acerca do programa de necessidades para espaços assistenciais de saúde encerramos mais uma seção sobre arquitetura hospitalar O próximo passo será organizar os ambientes a partir da identifi cação de setores e fluxos Sem medo de errar Você é um arquiteto contratado por um escritório especializado em arqui tetura hospitalar A sua equipe participará do desenvolvimento de um projeto 84 de uma Unidade Básica de Saúde UBS do bairro novo da cidade onde mora Chegou a hora de determinar o programa de necessidades da UBS O edital do projeto requer que sejam seguidas as recomendações do Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde publicado pelo Ministério da Saúde BRASIL 2006 De acordo com o edital a UBS terá capacidade de 2400 a 4 mil pessoas o que demandará apenas uma equipe de Saúde da Família De acordo com o manual as atividades realizadas na UBS são a Mapeamento da área adscrita e dos equipamentos sociais presentes nesse território como escolas associações comunitárias ONGs etc b Planejamento busca ativa captação cadastramento e acompanha mento das famílias de sua área adscrita c Acolhimento recepção registro e marcação de consultas d Ações individuais eou coletivas de promoção à saúde e prevenção de doenças e Consultas médicas eou de enfermagem f Consultas e procedimentos odontológicos quando existir a equipe de saúde bucal g Realização de procedimentos médicos e de enfermagem imunizações inalações curativos drenagem de abscessos e suturas administração de medicamentos orais e injetáveis terapia de reidratação oral etc h Atendimento em urgências básicas de médicos de enfermagem e de odontologia i Realização de encaminhamento adequado das urgências emergên cias e de casos de maior complexidade Para isso o mesmo manual sugere a estrutura física indicada na Quadro 24 Quadro 24 Estrutura física de uma UBS com uma equipe de Saúde da Família Ambiente Quantidade Recepção para pacientes e acompanhantes 1 Sala de espera para pacientes e acompanhantes 1 a 3 Consultório com sanitário 1 Consultório 1 Sala de procedimentos 2 Almoxarifado 1 85 Ambiente Quantidade Consultório odontológico com área para escovário 1 Área para compressor e bomba a vácuo 1 Área para Depósito de Material de Limpeza DML 1 Sanitário para usuários 2 Copacozinha alternativa 1 Sala de utilidades 1 Área para reuniões e educação em saúde 1 Abrigo de resíduos sólidos 1 Se a UBS proceder à esterilização no local Sala de esterilização e estocagem de material esterilizado 1 Se a UBS proceder à esterilização no local Sala de recepção lavagem e descontaminação 1 Pode ser substituída pela sala de utilidades se essa for contígua à sala de esterilização e esto cagem de material esterilizado Muitos municípios de médio e grande porte optam por centralizar a esterilização em uma unidade de esterilização vinculada a unidades de referência ou hospital como forma de reduzir custos de manutenção com garantia de qualidade Fonte BRASIL 2006 A sua tarefa será aprimorar a sugestão de estrutura física disponibilizada pelo Ministério da Saúde acrescentando os equipamentos utilizados em cada sala Elabore uma tabela que contenha o nome do ambiente a descrição das atividades e procedimentos que serão realizados nele os equipamentos necessários para a sua execução e a quantidade a ser implantada Imprimaa em folhas de sulfite e anexea ao memorial descritivo que será entregue no final da disciplina Avançando na prática Análise de fatores de qualidade dos ambientes A qualidade dos espaços hospitalares é entendida principalmente pela prevenção de infecções hospitalares Nós já vimos em seções anteriores que existem outros fatores que interferem na qualidade ambiental 86 Imagine que você foi convidado por uma instituição de ensino para palestrar sobre a qualidade ambiental em edificações da área da saúde Você deverá elaborar um roteiro de apresentação em forma de texto que descre verá quais são os fatores que influenciam a qualidade dos espaços Resolução da situaçãoproblema Retome os conceitos acerca da funcionalidade da legislação do conforto ambiental e da humanização vistos anteriormente e escreva um texto como se fosse um roteiro para a apresentação de uma palestra sobre as condições de qualidade ambiental em espaços hospitalares Inclua na apresentação informações sobre a localização geográfica o aproveitamento dos recursos naturais e as condições exigidas pelas normas Você poderá estruturar o roteiro partindo de uma escala macro para uma escala micro Para isso relembre os conceitos de Vitruvius para o local de implantação do empre endimento as características de conforto térmico apresentadas pelo manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde BRASIL 1994 e os sistemas de controle de infecção hospitalar apresentados nesta seção Utilize imagens para ilustrar o texto e não se esqueça de citar a fonte O texto deverá ter no mínimo 3 três páginas e poderá ser digitado com fonte Arial tamanho 12 ou manuscrito Anexe o roteiro ao memorial descritivo que será entregue ao final da disciplina Faça valer a pena 1 A qualidade dos ambientes em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS é determinada principalmente pelo controle de agentes nocivos à saúde humana e que podem causar infecções hospitalares Sobre isso analise as afirmativas a seguir I Os ambientes do EAS serão classificados em infectantes especiais e comuns a fim de verificar qual o risco para o desenvolvimento de infecções II O expurgo consiste em um setor do hospital destinado ao descarte dos resíduos gerados no local em diversos tipos de procedimentos III Os espaços do empreendimento deverão ser submetidos a procedi mentos de esterilização e desinfecção de acordo com o risco para desenvolvimento de infecções apresentado Assinale a alternativa correta a Apenas as afirmativas I e II estão corretas 87 b Apenas as afirmativas I e III estão corretas c Apenas as afirmativas II e III estão corretas d Apenas a afirmativa III está correta e As afirmativas I II e III estão corretas 2 O Ministério da Saúde BRASIL 1994 identifica nove funções básicas dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS além das atividades realizadas em cada uma dessas atribuições De acordo com as informações apresentadas a seguir faça a associação das atribuições contidas na Coluna A com sua respectiva atividade na Coluna B COLUNA A COLUNA B I Ações básicas de saúde 1 Desenvolvimento de pesquisas da área da saúde II Ambulatório 2 Atendimento à saúde de pacientes externos III Atendimento imediato 3 Planejamento clínico e documentação IV Internação 4 Prevenção à saúde V Diagnóstico e terapia 5 Lavanderia VI Apoio técnico 6 Patologia clínica VII Ensino e pesquisa 7 Cirurgias e exames endoscópicos VIII Apoio administrativo 8 Atendimento para pacientes internos IX Apoio logístico 9 Nutrição farmácia e esterilização de materiais Assinale a alternativa com a associação correta a ID IIG IIIB IVH VF VII VIIA VIIIC IXE b IG IIA IIII IVB VE VIF VIIH VIIID IXC c IC IIB IIIH IVD VG VIE VIIA VIIII IXF d IA IIF IIIB IVH VG VIE VIII VIIID IXC e IF IIH IIIE IVI VA VIG VIID VIIIC IXB 3 O programa de necessidades é uma das primeiras etapas de elaboração do projeto arquitetônico Com base nisso avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas 88 I O programa de necessidades é imprescindível para um projeto arqui tetônico pois é a partir dele que serão determinadas as atividades a serem realizadas na edificação A identificação dos equipamentos utilizados também faz parte do programa de necessidades visando entender o funcionamento do edifício PORQUE II A qualidade dos ambientes hospitalares é determinada principal mente pela sua capacidade de preservar a saúde dos pacientes e usuários Dessa forma os ambientes são classificados em críticos semicríticos e não críticos e cada um deverá receber tratamentos e cuidados específicos A respeito dessas asserções assinale a alternativa correta a As asserções I e II são proposições verdadeiras mas a II não é uma justificativa da I b As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justifica tiva da I c A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa d A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verda deira e As asserções I e II são proposições falsas 89 Seção 3 Conceito do projeto e a concepção do partido arquitetônico Diálogo aberto Olá aluno Nós estamos passando pelo momento mais importante do projeto arquitetônico a concepção projetual É a partir da organização clara dos elementos e das diretrizes as quais conduzirão as ações do profissional que o seu projeto se diferenciará daqueles idealizados por outros profis sionais Essas etapas do processo projetual devem estar muito bem funda mentadas para que a funcionalidade das edificações não seja prejudicada Dependendo do quão inadequada foi a concepção do projeto isso poderá colocar em risco a vida do edifício uma vez que este não seria utilizado pela população e se deterioraria devido à falta de manutenção Você foi contratado por um escritório de arquitetura especializado em arquitetura hospitalar e faz parte da equipe que participará de um concurso público para um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade onde você mora Até agora a equipe já desenvolveu a análise do terreno e do entorno o programa de necessidades e o conceito do projeto A próxima etapa será sintetizar todas as informações para criar um partido arquitetônico Assim você e toda a equipe dando continuidade ao desenvol vimento do projeto passa para uma nova etapa que os leva a pensar Como será a organização dos espaços em edifícios hospitalares De que forma o fluxo impactará no funcionamento do hospital Como conceber uma forma arquitetônica Nesta seção conheceremos os conceitos de setorização que identificam as unidades funcionais do Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS o fluxograma que verifica os fluxos de circulação de pessoas e materiais o plano de massas o estudo volumétrico que corresponde à forma do projeto e o partido arquitetônico o qual consiste nas diretrizes projetuais Daremos continuidade ao método de projeto iniciado em seções anteriores que resultará na concepção de uma solução arquitetônica a partir das etapas determinadas pelo idealizador do método o arquiteto e matemático Christopher Alexander Vamos exercer a criatividade com croquis e diagramas espaciais Prepare a sua prancheta 90 Não pode faltar Primeiramente vamos relembrar o método desenvolvido por Christopher Alexander que sistematiza o processo de criação ALEXANDER 1973 aplicado ao projeto arquitetônico Figura 211 Figura 211 Etapas do design methods desenvolvido por Christopher Alexander Conceituação Gerar requisitos Matriz requisitos Diagrama espacial Solução arquitetônica Fonte adaptada de Góes 2004 As etapas de conceituação e geração de requisitos que correspondem ao programa de necessidades já foram tratadas anteriormente Portanto passa remos ao próximo passo Matriz de requisitos A matriz de requisitos consiste na sistematização do programa de neces sidades Essa organização por sua vez é determinada pela setorização dos ambientes e pelos fluxos de circulação entre os espaços A setorização corresponde à ordenação dos ambientes de acordo com setores Essa classificação é realizada de modo a identificar uma caracterís tica em comum dos ambientes por exemplo possuírem a mesma função unidades funcionais ou serem utilizados pelo mesmo público Em uma casa a setorização normalmente é feita com base no nível de privacidade dos usuários sendo observados os setores social aos quais a maior parte das pessoas tem acesso de serviços aos quais somente algumas pessoas têm acesso e íntimo normalmente quando só os moradores e pessoas muito próximas têm acesso No caso dos hospitais a setorização pode ser realizada de acordo com a função utilizando as atribuições básicas do Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS determinadas pelo Ministério da Saúde BRASIL 1994 Vamos recordálas ações básicas de saúde ambula tório atendimento imediato internação diagnóstico e terapia abrangem várias funções e podem ser destrinchados em exames clínicos e laboratoriais hemoterapia e diálise centro cirúrgico mater nidade e reabilitação por exemplo apoio técnico pode ser subdivi dido em nutrição farmácia e centro de material esterilizado ensino e pesquisa apoio administrativo e apoio logístico A partir dessas 91 atribuições é possível definir as unidades funcionais com maior precisão e aprofundamento Todos os ambientes necessários para realizar uma atividade farão parte de uma mesma unidade funcional e deverão estar agrupados para facilitar o fluxo entre eles O acesso e principalmente as circulações são fatores que exercem muita influência no funcionamento do hospital sob o risco do EAS se tornar inutilizado caso haja problemas de fluxo No início do século XIX a importância da setorização e organização dos fluxos foi reconhecida em uma publicação de Jacques Tenon denominada Memórias nos Hospitais de Paris TENON 1816 Nesse relatório Tenon identificou que quando as parturientes eram internadas em enfermarias adjacentes a pacientes infec tados elas apresentavam taxa de mortalidade maior que o normal Isso reforça a importância da correta setorização e distribuição dos fluxos dentro do hospital visando a eliminação da contaminação hospitalar e buscando agilidade nos atendimentos prestados Assimile No século XVIII a comissão da Academia de Ciências de Paris estabeleceu novos parâmetros para a construção hospitalar A tipologia pavilhonar buscava isolar as enfermarias e especializar os hospitais para diminuir a concentração de doentes e evitar a contaminação No entanto os longos corredores típicos dessa tipologia aumentam o tempo de deslocamento entre um setor e outro o que minimiza a agilidade do atendimento Por isso o hospital do tipo monobloco se mostrou mais eficiente nesse sentido pois apresentava corredores mais curtos dentro de um mesmo setor e utilizava elevadores para o deslocamento entre os pavimentos A organização dos fluxos e dos setores pode ser classificada de acordo com sua função ou público atingido Por exemplo um corredor onde apenas os funcionários da área da saúde do hospital têm acesso é denominado circu lação branca TOLEDO 2006 Com relação à função é possível determinar duas categorias principais de fluxos hospitalares Interfuncionais desenvolvemse entre diferentes unidades funcionais Intrafuncionais desenvolvemse dentro de uma única unidade funcional Cada um deles possui subcategorias de acordo com o Quadro 25 Enquanto os fluxos interfuncionais são categorizados com relação ao público atingido a classificação dos fluxos intrafuncionais se dá pelo risco de infecção hospitalar 92 Quadro 25 Fluxos interfuncionais e intrafuncionais na arquitetura hospitalar Fluxos Categoria Descrição Interfuncionais Paciente externo Fluxo de pacientes que procuram atendi mento imediato urgência e emergência ambulatorial ou de apoio ao diagnóstico e terapia e que não se encontram em regime de internação Paciente interno Fluxos de pacientes internados que ocorrem dentro da própria unidade de internação ou entre unidades funcionais quando acompa nhados por funcionários Acompanhantes Fluxo de familiares dos pacientes internos e externos que o acompanham durante a permanência no hospital Funcionários Fluxos dos profissionais de saúde e de todos os técnicos e pessoal de apoio necessários ao funcionamento da unidade Insumos Fluxos de insumos alimentos roupa limpa material cirúrgico medicamentos equipa mentos etc Material contaminado e resíduos sólidos Fluxo de materiais contaminantes roupa suja resíduos de serviços de saúde etc e pe los resíduos sólidos contaminados ou não Cadáver Fluxo de circulação do corpo de pacientes que vieram à óbito Visitantes Fluxo de todas as pessoas externas que vão até o EAS para visitar pacientes internados para alguma atividade administrativa ou prestação de serviços Intrafuncionais Contaminados Circulação que ocorre dentro de uma mes ma unidade funcional que apresenta riscos de infecção hospitalar Não contaminados Circulação que ocorre dentro de uma mes ma unidade funcional sem risco de infecção hospitalar Fonte adaptada de Toledo 2006 Toledo 2006 destaca algumas observações com relação à categorização dos fluxos No que diz respeito ao fluxo interfuncional de funcionários é comum que se mescle com a circulação dos pacientes internados No entanto a circulação de funcionários não deve se misturar com a de pacientes externos Pode acontecer de alguns funcionários terem sua circulação restrita à unidade funcional onde atuam entretanto o mais comum é que todos os profissionais 93 da saúde estejam permitidos de circular pelo hospital Em se tratando dos fluxos de insumos devese atentar para o seu volume a fim de que o dimen sionamento dos corredores por onde passam esteja adequado O fluxo de cadáveres deve ser tratado com cautela devido ao impacto psicológico causado nos pacientes e acompanhantes que possam ver o corpo Por isso a circulação do cadáver deve evitar as áreas de internação sala de espera refeitórios e outros ambientes que permitem o acesso a pacientes acompanhantes e visitantes O risco de infecção hospitalar é altamente influenciado pelas circulações dentro do EAS Com relação ao fluxo de resíduos é recomendado que o trata mento dos agentes contaminantes seja feito diretamente na fonte com a utili zação de procedimentos de desinfecção e técnicas adequadas de transporte até o seu destino final Dessa forma os fluxos intrafuncionais são os principais responsáveis por manter o controle da contaminação sendo possível eliminar circulações exclusivas para os resíduos Contudo algumas restrições deverão garantir a assepsia dos materiais em cada unidade funcional como a instalação de lavatórios nos ambientes das unidades funcionais e a utilização de barreiras físicas como vestiários e antecâmaras quando necessário TOLEDO 2006 Segundo as definições da Resolução nº 50 BRASIL 2002 as circulações das áreas críticas ou seja aquelas que apresentam um alto risco de contaminação hospitalar devem permanecer com restrições e necessitam de barreiras físicas Da mesma forma que as circulações os acessos também devem ser setorizados de acordo com o público a função e os insumos envolvidos O planejamento e organização dos fluxos de um EAS acontece por meio de um fluxograma que consiste em um diagrama onde estarão representados os ambientes e suas interrelações Figura 212 Figura 212 Exemplo de fluxograma hospitalar simplificado Fonte elaborada pela autora 94 Depois de determinados o programa de necessidades a setorização e o fluxograma chega o momento de organizar esses ambientes em um diagrama espacial Diagrama espacial O diagrama espacial consiste no plano de massas e na volumetria Plano ou estudo de massas compreende a organização dos ambientes no terreno levando em consideração a sua área topografia e legis lação municipal taxas recuos etc Volumetria compreende a relação de volumes planos cheios e vazios ou seja a idealização da forma arquitetônica da construção De acordo com Alexander 1964 o processo de criação da forma arqui tetônica deve ser conduzido de maneira racional e matemática Segundo o autor todos os processos de criação provêm da relação entre dois elementos a forma e o contexto Ele afirma que o produto final de um processo criativo corresponde à forma e que ela só poderá ser alcançada a partir de uma clareza programática na mente e nas ações do arquiteto Essa percepção acerca dos conceitos que envolvem o projeto só será obtida quando o profissional encontrar a origem do problema que ele deve resolver Forma contexto e problema possuem uma relação linear uma vez que a forma é a solução para o problema o contexto define o problema ALEXANDER 1964 p 15 Reflita O arquiteto Louis Henry Sullivan precursor do movimento moderno trouxe consigo o princípio que a forma segue a função instaurando o funcionalismo racional que caracteriza este período SULLIVAN 1918 O pósmodernismo contestou esse princípio alegando que o funciona lismo do período moderno e a falta de princípios artísticos resultava em uma desarmonia entre os espaços urbanos e a vida diária de seus habitantes SITTE 1992 Christopher Alexander 1964 diz algo comple tamente diferente a forma não segue a função tampouco a função segue a forma ela é criada a partir do contexto Qual é o seu modo de encarar o processo de criação da forma arquitetônica A visão de Alexander 1964 deixa claro a importância de se analisar o contexto como visto anteriormente A questão mais importante para um arquiteto se torna portanto a capacidade de gerar uma forma que seja funcional e confortável para seus usuários a partir do contexto Em outras 95 palavras o arquiteto deverá sintetizar a forma a partir do contexto que nada mais é do que a situação que envolve o edifício e tudo aquilo que constitui o ambiente onde o edifício opera ou seja não é apenas uma situação física limitada por área um terreno e suas características geográficas mas todas as situações de uso culturais urbanas estruturais e assim por diante MOREIRA 2007 p 61 É a partir dessas informações que o arquiteto adquire subsídios para elaborar o partido arquitetônico Antes de mais nada é necessário esclarecer uma confusão frequente entre os alunos de arquitetura a diferença entre conceito e partido arquitetônico Partido arquitetônico consiste em uma diretriz projetual ou mais comumente um conjunto de diretrizes projetuais que são origi nadas de análises acerca do levantamento do entorno caracterís ticas do terreno programa de necessidades organização funcional e espacial entre outros aspectos Ou seja ele é influenciado por fatores externos e o resultado dependerá da síntese realizada pelo arquiteto a partir dos dados e das informações que ele detém sobre esses fatores Conceito não é determinado pelos fatores externos eles podem estar relacionados mas não apresentam a mesma condição de causa lidade como no partido arquitetônico Assimile Um partido arquitetônico consiste em uma diretriz determinada pelo arquiteto a partir de um fator externo a ele e à construção Por exemplo a decisão de projetar um edifício de até 2 dois pavimentos diretriz está relacionada com a legislação municipal cujos índices de uso e ocupação do solo fatores externos não permitem a construção de um edifício vertical com mais de dois pavimentos na zona onde o terreno está inserido Relembre os exemplos apresentados anterior mente quando aprendemos sobre a Matriz CDP As diretrizes indicadas na tabela nada mais são do que dados e informações que norteiam o partido arquitetônico O conceito se difere do partido arquitetônico pois está muito mais relacionado com uma ideologia do profissional ou do cliente do que com fatores externos O conceito é algo que acrescentará uma qualidade extra ao projeto que fará com que a edificação se destaque enquanto o partido arquitetônico provém da busca de soluções para aspectos que devem ser corrigidos visando o funcionamento adequado da construção Ambos devem ser palpáveis mensuráveis e passíveis de serem aplicados O conceito poderá ser exposto a partir de pranchas informativas ou palestras com frases de 96 efeito que refletem a ideia principal do projeto Já os partidos arquitetônicos serão apresentados por meio de diagramas sequenciais que deverão explicar o processo mental e criativo que originou a forma arquitetônica Depois de desenvolver todas as etapas do processo criativo o profissional chegará a uma solução arquitetônica a qual dependerá dos diferentes fatores que envolvem o processo de projeto Para ilustrar veremos alguns exemplos de edifícios hospitalares Figura 213 Hospital Netcare em Rosebank Joanesburgo Fonte iStock Figura 214 Clínica de Cleveland de Abu Dhabi Emirados Árabes Unidos Fonte Shutterstock 97 Figura 215 Centro Médico Universitário Rush Tower em Chicago Fonte iStock Dessa forma encerramos a etapa de concepção do projeto e iniciaremos o desenvolvimento da solução arquitetônica Nas próximas unidades trata remos sobre os desenhos técnicos detalhamentos e a apresentação do projeto Sem medo de errar O escritório onde você trabalha está participando de um concurso público para o projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS de um bairro novo na cidade Você e sua equipe já desenvolveram o Plano Diretor Hospitalar PDH a análise do terreno o conceito do projeto e o programa de necessidades Agora chegou a hora de aprofundarmos a concepção do projeto arquitetônico e faremos isso dando continuidade à elaboração do projeto a partir do método desenvolvido pelo arquiteto Christopher Alexander Alexander 1964 A primeira etapa do método em que é realizada a conceituação bem como a segunda etapa que consiste na geração de requisitos ou no programa de necessidades já foram desenvolvidas examine seus trabalhos anteriores caso precise recordálos Nesta seção iniciaremos as etapas de matriz de requisitos e diagrama espacial A matriz de requisitos corresponde à setorização e fluxograma que deverão ser elaborados com base no programa de necessidades já desenvolvido 98 Primeiramente identifique todos os setores que compõem uma UBS e então relacione cada um dos ambientes do programa de necessidades ao seu setor correspondente Sugerimos que a setorização seja classificada em Atendimento primário recepção espera marcação de consultas Atendimento clínico médico odontológico e psicológico Atendimento de enfermagem curativos procedimentos Prevenção e saúde imunização coleta de materiais Desinfecção e limpeza central de material esterilizado lavanderia depósito de material de limpeza Administração gerência sala de reuniões Fique à vontade para discutir com a sua turma e com o professor para encontrar outras possibilidades de setorização que se adequem ao programa de necessidades Com a setorização realizada você deverá desenvolver o fluxograma do hospital Não se esqueça de que o controle dos fluxos é um dos aspectos mais importantes para garantir o controle de infecções e contaminações e conse quentemente o funcionamento correto do Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS Como a UBS é uma unidade de saúde de menor complexidade alguns fluxos não existirão por exemplo o fluxo de pacientes externos prove nientes de atendimentos de emergência ou o fluxo de cadáveres uma vez que a UBS não realiza procedimentos de alta complexidade devendo estes serem encaminhados para o EAS competente É preciso deixar claro que setorização e fluxograma não estão relacio nados com planta baixa Essas análises são apenas etapas da concepção do projeto e não representam um posicionamento físico das unidades no terreno de implantação O plano de massas e o estudo volumétrico corres pondente à etapa de diagrama espacial determinarão a forma do edifício e consequentemente a planta baixa O diagrama espacial consiste no resultado da aplicação dos partidos arqui tetônicos Recupere suas atividades realizadas anteriormente e veja quais foram as diretrizes que você determinou na Matriz CDP pois elas serão os seus partidos arquitetônicos Se necessário reviseas com base nos assuntos discutidos nesta seção Você deverá apresentar o plano de massas por meio de diagramas croquis esquemas e outros meios gráficos que permitam a compreensão dos partidos arquitetônicos adotados Legende os desenhos com frases objetivas e curtas para facilitar o entendimento 99 Ao final da atividade você deverá produzir duas pranchas uma para cada etapa do método que desenvolveu nesta seção Organize as informações em pranchas no tamanho A3 diagramadas que poderão ser realizadas tanto à mão quanto com o auxílio de softwares gráficos Avançando na prática Desenvolvimento de um centro cirúrgico Imagine que você é um arquiteto especialista em arquitetura hospitalar e foi contratado por um hospital privado para construir um novo bloco de centro cirúrgico A direção do hospital determinou que a construção deverá ter quatro salas de cirurgia uma sala de recuperação pósanestésica sala de expurgo sala de materiais sala de prescriçãoconsultório médico e vestiários além das salas de barreiras físicas e circulações A construção será realizada como um anexo e o acesso a ela será feito a partir de uma circulação que leva até a ala de internação existente A planta a seguir Figura 216 apresenta os elementos existentes ao qual o projeto de ampliação deverá se adequar Figura 216 Área disponível para implantação do centro cirúrgico Fonte elaborada pela autora Resolução da situaçãoproblema Para propor uma solução de ampliação do hospital você deverá desen volver um centro cirúrgico conforme as especificações da diretoria Para isso 100 o processo metodológico segue os mesmos princípios de qualquer outro projeto arquitetônico você deverá inicialmente definir o programa de neces sidades a setorização e o fluxograma Uma vez que não existem condicio nantes significantes no terreno a não ser o ponto de acesso que conectará a ampliação com o edifício existente a determinação de partidos arquitetô nicos é simplificada Lembrese dos fluxos internos do centro cirúrgico e das medidas para evitar a contaminação Um exemplo pode ser observado na planta baixa da ampliação do Hospital Adventista de São Paulo Figura 214 Figura 214 Ampliação do centro cirúrgico do Hospital Adventista de São Paulo Fonte elaborado pela autora Não é necessário que a planta baixa do seu projeto acompanhe os limites da área disponível Você pode propor formas e organizações dos ambientes de forma diferente da geometria retangular desde que atendam ao funciona lismo proposto Faça valer a pena 1 Christopher Alexander 1964 é um arquiteto e matemático austríaco que desenvolveu um método de projeto que passa por várias etapas Em seu livro Notas sobre a Síntese da Forma ele diz que a forma é a solução para um problema e o problema é gerado pelo contexto Com relação ao processo projetual associe a coluna A que representa as etapas do design methods desenvolvido pelo arquiteto com a coluna B que mostra os produtos desenvolvidos em cada etapa 101 Coluna A Coluna B Conceitualização Plano de massas e volumetria Geração de requisitos Setorização e fluxograma Matriz de requisitos Conceito Diagrama espacial Projeto Solução arquitetônica Programa de necessidades Assinale a alternativa que apresenta a associação correta entre as colunas a AIII BII CV DIV EI b AII BV CI DIV EIII c AIII BV CII DI EIV d AV BII CI DIV EIII e AIII BII CIV DI EV 2 A setorização é um dos processos projetuais que o arquiteto deve realizar visando o funcionamento adequado da edificação Com base nisso avalie as afirmativas a seguir I A setorização também chamada de zoneamento consiste na catego rização dos ambientes em unidades funcionais II A setorização de um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS será feita sempre da mesma forma pois existem leis que regulamentam seu projeto III Cada setor do projeto hospitalar deve ser pensado como uma unidade individual que funciona de forma completa e se relaciona com outros setores IV Os fluxos entre um setor e outro são chamados de interfuncionais enquanto aqueles realizados dentro do mesmo setor são os fluxos intrafuncionais Assinale a alternativa correta a As alternativas I II e III estão corretas b As alternativas I III e IV estão corretas c As alternativas II e III estão corretas d As alternativas II e IV estão corretas e As alternativas I II III e IV estão corretas 102 3 Uma das últimas etapas do processo projetual desenvolvido pelo arquiteto Christopher Alexander 1964 consiste na elaboração do diagrama espacial Com relação a isso avalie as afirmativas a seguir I O diagrama espacial corresponde ao plano de massas que determina a volumetria da edificação considerando aspectos estéticos dos estilos arquitetônicos II Os partidos arquitetônicos são diretrizes projetuais desenvolvidas com base nos aspectos externos que resultarão na volumetria da edificação III Plano de massas e partido arquitetônico são duas formas diferentes de nomear o processo pelo qual a edificação ganha forma Assinale a alternativa correta a As alternativas I II e III estão corretas b As alternativas I e III estão corretas c As alternativas II e III estão corretas d As alternativas I e II estão corretas e Apenas a alternativa II está correta Referências ALEXANDER C Notes on the synthesis of form Cambridge Massachusetts Harvard University Press 1964 ASID The American Society of Interior Designers ASID Headquarters is First Space in the World to Earn Both LEED and WELL Platinum Certification under WELL Building Standard v1 News nov 2017 Disponível em httpswwwasidorgnewsasidheadquarter sinwashingtondcisfirstspaceintheworldtoearnbothleedandwellplatinumcertifi cationunderwellbuildingstandardv1 Acesso em 29 jul 2019 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 10004 resíduos sólidos classificação Rio de Janeiro ABNT 2004 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 12808 resíduos de serviços de saúde classificação Rio de Janeiro ABNT 1993 p 2 BEDIMORUNG A L MOWEN A J COHEN D A The significance of parks to physical activity and public health a conceptual model American Journal of Preventive Medicine v 28 p159168 2005 BRASIL Ministério da Saúde Secretaria de Assistência à Saúde SAS CoordenaçãoGeral de Normas CGNOR Normas para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília DF Ministério da Saúde SAS CGNOR 1994 BRASIL Ministério do Meio Ambiente MMA Conselho Nacional do Meio Ambiente CONAMA Resolução CONAMA nº 358 de 29 de abril de 2005 Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências Brasília DF MMA 2005 BRASIL Agência Nacional De Vigilância Sanitária ANVISA Segurança No Ambiente Hospitalar Portal ANVISA Brasília DF sd Disponível em httpportalanvisagovbr documents33852271855SeguranC3A7anoambientehospitalar473c5e32025a4dc2 ab2efb5905d7233a Acesso em 29 jul 2019 BRASIL Ministério da Saúde Normas para projetos físicos de estabelecimentos assisten ciais de saúde Brasília DFMinistério da Saúde1994 BRASIL Ministério da Saúde ResoluçãoRDC nº 50 de 21 de fevereiro de 2002 Dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento programação elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília DFMinistério da Saúde 2002 BRASIL Ministério da Saúde Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde Saúde da Família Brasília DF Ministério da Saúde 2006 BRASIL Ministério da Saúde Portaria nº 3012 de 1º de dezembro de 2009 Brasília DF Ministério da Saúde 2009 BRASIL Normas para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília DF Ministério da Saúde 1994 CHOU W LEE C CHANG C Relationships between urban open spaces and humans health benefits from an ecological perspective a study in an urban campus Landscape And Ecological Engineering v 12 n 2 p255267 27 abr 2016 GÓES R de Manual Prático de Arquitetura Hospitalar São Paulo Edgard Blücher 2004 HOSPITAL ALBERT EINSTEIN Einstein é certificado por prédio ecologicamente correto Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Disponível em httpswwweinsteinbrnoticias noticiaeinsteinecertificadoporpredioecologicamentecorreto Acesso em 29 jul 2019 INTERNATIONAL WELL BUILDING INSTITUTE WELL Building Standard Disponível em httpswwwwellcertifiedcomen Acesso em 13 jan 2019 JORDANA S Cleveland Clinic Abu Dhabi HDR ARCHDAILY the worlds most visited archi tecture website 12 nov 2012 Disponível em httpswwwarchdailycom292167inprogress clevelandclinicabudhabihdrarchitectureadmediumgallery Acesso em 13 fev 2019 MAAS J et al Green space urbanity and health how strong is the relation J Epidemiol Community Health v 60 p 58792 2006 MOREIRA D de C Os princípios da síntese da forma e a análise de projetos arquitetônicos 2007 351f Tese doutorado 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dimensionamento dos ambientes sobre a definição de um sistema estrutural e sobre a confecção dos desenhos técnicos Ao final dessa traje tória você compreenderá a importância do dimensionamento dos espaços seus materiais e as especificidades de projetos de edifícios de saúde Imagine que você tenha sido contratado por um escritório de arquite tura que desenvolve projetos de arquitetura hospitalar A cidade onde você trabalha localizada no interior do estado tem apresentado um crescimento urbano intenso e por essa razão a prefeitura inaugurou recentemente um novo loteamento Para atender às necessidades da população do novo bairro a prefeitura municipal abriu um edital de concurso público para o projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde UBS Os requisitos impostos pelo edital do concurso incluem a apresentação de um projeto arquitetônico no nível de anteprojeto de um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS com capacidade para atender entre 2400 e 4000 pacientes respeitando todos os critérios estabelecidos pelo Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde publicado pelo Ministério da Saúde Você já iniciou o processo criativo que envolve a concepção de um projeto arquitetônico Até agora você desenvolveu o programa de neces sidades a setorização o fluxograma e o plano de massas alinhado com os partidos arquitetônicos e com o conceito do projeto Inicialmente você deve alinhar o dimensionamento dos ambientes ao porte e às atividades desenvolvidas no EAS Os espaços de cada setor devem ser adequados às dimensões recomendadas ou exigidas pelas normas para o perfeito funcio namento da edificação de saúde Na segunda etapa você deve incorporar um sistema estrutural que permita a segurança plasticidade e flexibilidade do projeto A modulação da estrutura é de extrema importância pois é ela que determina a disposição dos ambientes E finalmente na última etapa todos os estudos e análises realizados até o momento devem ser condensados em uma proposta projetual e apresentados na forma de desenhos técnicos Na primeira seção de estudo você alinhará o dimensionamento dos ambientes ao porte e às atividades desenvolvidas no EAS Os espaços de cada setor devem ser adequados às dimensões recomendadas ou exigidas pelas normas para o perfeito funcionamento da edificação de saúde Na segunda seção você incorporará um sistema estrutural que permita a segurança plasticidade e flexibilidade do projeto E finalmente na terceira seção todos os estudos e análises realizados até o momento deverão ser condensados em uma proposta projetual e apresentados na forma de desenhos técnicos 109 Seção 1 Prédimensionamento do edifício Diálogo aberto Você presta atenção nas medidas dos mobiliários ao seu redor Sabe quanto mede uma cadeira E uma mesinha lateral Se elas forem colocadas juntas quanto espaço elas vão ocupar E se em vez da mesinha lateral houver uma escrivaninha Existe uma infinidade de mobiliários e equipamentos que são dispostos nos ambientes das mais diversas formas Cada um dos objetos ocupa uma área determinada pela sua forma sólida e os seres humanos se encarregam de ocupar os vazios originando as áreas de circulação Quando projetamos um edifício devemos ter em mente que esse espaço abrigará atividades humanas e portanto deve fornecer os meios adequados para a execução delas Cada compartimento exercerá uma função diferente e necessitará de objetos específicos Não é viável projetar uma cozinha sem uma geladeira da mesma forma que uma sala cirúrgica não funcionará se não tiver uma mesa cirúrgica Dessa maneira o dimensionamento garante que as atividades estipuladas pelo programa de necessidades sejam possíveis de serem implementadas no espaço físico em questão Você trabalha em um escritório de arquitetura especializado em projetos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS e a equipe da qual você faz parte vai participar de um concurso público para assumir um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS no novo bairro da cidade localizada no interior do estado Você já possui o programa de necessidades setorização fluxograma e plano de massas O próximo passo é organizar os ambientes em uma volumetria que possui dimensões próprias Assim você deve elaborar o dimensionamento dos espaços de acordo com as atividades envolvidas a capacidade do público e as normas que regem os EAS Inicialmente retome a tabela do programa de necessidades que indica os ambientes e seus respectivos equipamentos A partir das medidas do mobili ário objetos e das áreas de circulação identifique qual é o dimensionamento adequado para cada um dos espaços Estabeleça o dimensionamento de cada setor a partir da soma das áreas dos ambientes que o compõem Nesta seção aprenderemos como é feito o prédimensionamento e quais são as normativas que regulam o tamanho dos ambientes das edificações de saúde Estudaremos as especificidades de todos os espaços do EAS espaços assistenciais unidades de internação serviços de apoio a diagnóstico e terapia setor de apoio técnico logístico e administrativo Vamos incorporar o 110 conhecimento técnico ao processo criativo desenvolvido anteriormente para propor uma solução arquitetônica coerente e possível de ser implementada Não pode faltar Quando iniciamos um projeto principalmente quando se trata de algo grande e complexo é imprescindível que seja realizado o prédimensiona mento dos espaços para que a volumetria do edifício possa comportar as ativi dades realizadas na edificação Falhas no dimensionamento podem resultar em desperdício de recursos e de área caso estejam superdimensionados ou o que é ainda pior podem resultar em ambientes apertados subdimensio nados que anulam as possibilidades de uso e impedem o funcionamento do espaço Figura 31 também ocasionando desperdício de recursos e de área Figura 31 Erros de dimensionamento criam ambientes inutilizáveis Fonte Shutterstock No exemplo da Figura 31 o dimensionamento da sala de espera foi tão falho que impossibilitou a disposição correta do mobiliário inutilizando o ambiente visto que ele não apresenta as dimensões adequadas para servir à atividade a que se propõe um ambiente para as pessoas aguardarem o atendimento médico 111 Dimensionamento das áreas dos ambientes Programa de necessidades O dimensionamento das áreas dos ambientes deve ser calculado para abrigar os objetos com espaço mínimo para a utilização e circulação das pessoas Assim garantimos que o ambiente terá a área mínima necessária para seu perfeito funcionamento O programa de necessidades configurase como um prérequisito para a elaboração do dimensionamento dos espaços pois é nele que o projetista elenca todos os equipamentos necessários para a realização das tarefas e atividades desenvolvidas no ambiente Com a lista dos equipamentos e mobiliários você pode calcular a área que cada um deles deve ocupar bem como a área correspondente à circulação Exemplificando Vamos utilizar como exemplo um consultório médico sem indicação de especialização O espaço precisa de uma mesa para atendimento cadeira giratória e duas cadeiras simples uma para o paciente e outra para o acompa nhante para que o médico realize a primeira conversa com o paciente analise exames entre outros É conveniente que haja um computador e uma impressora nessa mesa para que o médico possa acessar o histórico do paciente ou prescrever medicações e exames Para o atendimento clínico é necessária a maca para exames a mesa para instrumentos um suporte para hamper onde é depositada a roupa suja além de uma escada de dois degraus para que o paciente suba na maca Como suporte ao atendimento o consultório deve ter um tripé para soro fisiológico tripé de iluminação balança antropométrica e um lavatório Também é necessário um armário para o armazenamento de instrumentos médicos O primeiro passo é verificar a área que cada um dos objetos ocupa Identi fique a largura e o comprimento de cada um deles e calcule sua área Essas medidas são disponibilizadas nas especificações dos produtos Também podemos utilizar uma medida padrão Comecemos pela mesa de atendimento uma medida comumente encontrada em mesas de escritório é de 150 cm x 60 cm Fazendo o cálculo da área largura x comprimento temos 2 090m Faça isso com todos os outros mobiliários e some todas as áreas encontradas Ao final adicione 30 para a área de circulação O resultado será a área mínima para o ambiente Legenda E008 Balança antropométrica E010 Biombo E030 Escada com dois degraus E043 Impressora E044 Instrumentais cirúrgicos caixa básica E052 Mesa para exames E053 Mesa auxiliar para instrumental E054 Microcomputador E057 Negatoscópio E068 Refletor parabólico de luz fria E075 Suporte de hamper M001 Armário vitrine com porta M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal M006 Cadeira M009 Cesto de lixo M012 Mesa para impressora M013 Mesa para microcomputador M015 Mesa tipo escritório com gavetas M019 Cadeira giratória com braços Fonte Brasil 2011 sp O manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde BRASIL 1994 publicado pelo Ministério da Saúde determina algumas metragens mínimas para os ambientes de EAS de acordo com cada unidade funcional setor Apesar de o manual apresentar uma listagem completa dos ambientes ele destaca que a existência de cada um só acontecerá se a atividade correspondente a ele for oferecida pelo edifício de saúde Existem diversas tipologias de EAS e cada uma oferece serviços específicos Por essa razão nem todas as edificações de saúde têm todos os ambientes listados mas apenas aqueles adequados para as atividades que exercem No entanto dentro de cada função exercida existem ambientes obrigatórios para que ela seja realizada com eficiência Espaços assistenciais Quando falamos nos espaços assistenciais ou seja aqueles voltados para as ações básicas de saúde ambulatórios e procedimentos de enfermagem necessitamos de ambientes que possibilitem a separação dos pacientes de acordo com o tratamento de que cada um necessita São espaços onde o paciente receberá os primeiros atendimentos com tratamentos de menor complexidade Alguns dos espaços obrigatórios são sala de atendimento individualizado Figura 33a sala de imunização Figura 33b e sala de curativos suturas e coleta de material Figura 33c Figura 33 Dimensionamento de espaços assistenciais a Sala de atendimento individualizado área mínima de 900m² e área média de 1135m² M001 M004 E030 E008 E010 M006 M015 M012 E043 E057 E052 E083 M019 M009 E075 Legenda E008 Balança antropométrica E010 Biombo E030 Escada com dois degraus E043 Impressora E052 Mesa para exames E054 Microcomputador E057 Negatoscópio E075 Suporte de hamper E083 Mesa auxiliar M001 Armário vitrine com porta M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal M006 Cadeira M009 Cesto de lixo M012 Mesa para impressora M013 Mesa para microcomputador M015 Mesa tipo escritório com gavetas M019 Cadeira giratória com braços Fonte adaptada de Brasil 2011 sp b Sala de imunização área mínima de 600m² e área média de 1390m² E017 E070 M003 M001 E052 E030 E010 M019 M006 M009 M015 M006 M004 Legenda E010 Biombo E017 Caixa térmica E030 Escadas com dois degraus E052 Mesa para exames E070 Refrigerador para vacinas M001 Armário vitrine com porta M003 Arquivo tipo gaveta M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal M006 Cadeira M009 Cesto de lixo M015 Mesa tipo escritório com gavetas M019 Cadeira giratória com braços Fonte adaptada de Brasil 2011 sp c Sala de curativossuturas e coleta de material área mínima de 900m² e área média de 1080m² Legenda E012 Braçadeira de injeção E075 Suporte de hamper E019 Carro de curativos E076 Suporte de soro de chão E030 Escada com dois degraus M001 Armário vitrine com porta E044 Instrumentais cirúrgicos caixa básica M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal E052 Mesa para exames M005 Banqueta giratóriamocho E053 Mesa auxiliar para instrumental M006 Cadeira E068 Refletor parabólico de luz fria M024 Cadeira universitária Fonte adaptada de Brasil 2011 sp 117 de consultas ambulatoriais fica em torno de 10 a 18 dependendo da região GÓES 2004 Para uma maior precisão no momento de projetar o ideal é realizar o dimensionamento com base em pesquisas e estudos estatísticos na própria cidade ou região onde o EAS será implantado GÓES 2004 Além dos quartos para os pacientes o setor de internação conta com ambientes de apoio como posto de enfermagem e prescrição médica salas de exames e enfermarias que assim como os quartos também devem estar diferenciadas de acordo com a situação do paciente internado Ainda existem os ambientes que são obrigatórios como a enfermaria de lactentes Figura 34a o quarto de isolamento para a Unidade de Tratamento Intensivo UTI Figura 34b e a sala de serviços Figura 34c Figura 34 Dimensionamento das unidades de internação a Enfermaria de lactentes área mínima de 450 ² m por leito e área média de 3280 ² m 6 leitos 0 30 60 90 120cm E071 E071 E071 E071 M030 M004 M010 E056 M030 E056 E076 M004 M004 M030 M010 E056 E076 M004 M030 M010 E056 E076 E076 M010 E010 E010 E010 Biombo E056 Berço hospitalar com colchão E071 Régua de gases E075 Suporte de hamper E076 Suporte de soro de chão M004 Balde cilíndrico portadetritos com pedal M010 Mesa de cabeceira M030 Poltrona Legenda Fonte adaptada de Brasil 2013a 118 b Sala de serviços área mínima de 570 ² m e área média de 720 ² m E016 Geladeira Negatoscópio E057 Armário M002 M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal M008 Balcão com pia M023 Quadro de avisos 0 30 60 90 120cm M002 E016 M004 M023 E057 Armário suspenso M008 Legenda Fonte adaptada de Brasil 2013a c Quarto área mínima de 1000 ² m e área média de 1190 ² m E018 Cama hospitalar com colchão fawler Escada com degraus E030 dois E049 Maca para transporte E075 Suporte de hamper Suporte de soro de chão E076 E095 Mesa para refeição M001 Armário vitrine com porta M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal M010 Mesa de cabeceira Poltrona M030 0 30 60 90 120cm M004 E049 E095 M001 E075 E076 E030 M030 M010 E018 Legenda Fonte adaptada de Brasil 2013a Unidades de apoio a diagnóstico e terapia 119 Com relação aos serviços de apoio a diagnóstico e terapia a quanti dade e o tipo de ambiente vão variar de acordo com as atividades oferecidas pelo EAS Existem vários tipos de serviços dentro dessa unidade funcional como os de reabilitação imagenologia anatomia patológica hemoterapia e hematologia medicina nuclear e patologia clínica O dimensionamento depende dos equipamentos utilizados Na área da reabilitação um dos ambientes obrigatórios é a sala para cinesioterapia e mecanoterapia Figura 35a enquanto na área de image nologia a sala de exames e terapias é obrigatória Figura 35b Na área de patologia clínica estão localizados os laboratórios sendo o laboratório de bioquímica um exemplo deles Figura 35c Já a área de hematologia conta com a sala para coleta de sangue de doadores Figura 35d Figura 35 Dimensionamento das unidades de apoio ao diagnóstico e terapia a Sala para cinesioterapia e mecanoterapia área mínima a depender do equipamento utilizado e área média de 4540 ² m 0 60 120cm E030 M004 E288 E213 E213 E264 E170 E170 E089 M006 M006 M006 E452 E052 E052 E030 E010 E262 Barra paralela E262 Espelho de postura E264 Tatame E288 Barras de apoio E452 Jogo de bolas bobath M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal Cadeira M006 E010 Biombo E030 Escada com dois E052 Mesa para exames E089 Rampa com degraus E170 Esteira ergométrica Bicicleta ergométrica E213 degraus Fonte adaptada de Brasil 2013a 2013b 2014 120 b Sala de exames e terapias área mínima a depender do equipamento utilizado e área média de 3890 ² m 0 60 120 cm E030 Escada com dois degraus E053 Mesa auxiliar para instrumental E057 Negatoscópio E068 Refletor parabólico de luz fria E076 Suporte de soro de chão E087 Carro de anestesia E088 Carro de emergência E160 Hemodinâmica E247 Bomba injetora de contraste M005 Banqueta giratóriamocho E057 E160 M005 E087 E088 E076 E053 E053 E053 E030 E068 E247 Legenda Fonte adaptada de Brasil 2013a 2013b 2014 121 c Laboratório de bioquímica área mínima de 600 ² m e área média de 2020 ² m 0 60 120 cm M006 M006 M004 E249 E143 M026 M005 M026 E227 Armário suspenso E404 E233 E248 E228 E224 E229 E231 M019 M013 E155 E054 E043 Impressora E054 Microcomputador E134 Centrífuga de mesa E142 Estufa bacteriológica E143 Freezer científico vertical E145 Microscópio biológico binocular E148 Analisador de gases sanguíneos E155 Banhomaria E224 Analisador automático para Na K e Cl E227 Agitador de tubos E228 Analisador automático para bioquímica E229 Analisador para Ca e pH E231 Fotômetro para leitura em microplacas E233 Espectrofotômetro de absorção atômica E248 Bilirrubinômetro E249 Refrigerador laboratorial M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal M005 Banqueta giratóriamocho M006 Cadeira M012 Mesa para impressora M013 Mesa para microcomputador M019 Cadeira giratória com braços M026 Mesa de trabalho tipo bancada M048 Mesa de trabalho em aço inox Legenda Fonte adaptado de Brasil 2013a 2013b 2014 122 d Sala para coleta de sangue de doadores área mínima de 400 ² m por poltrona de doação e área média de 2380 ² m 2 poltronas 1 maca 0 30 60 90 120 cm Armário suspenso E083 E447 E447 E010 M004 E016 E010 M004 M004 E076 E076 E083 M004 E030 E076 E052 E083 E010 Biombo E016 Geladeira E030 Escada com dois degraus E052 Mesa para exames E076 Suporte de soro de chão E083 Mesa auxiliar E447 Cadeira para doador de sangue M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal Legenda Fonte adaptada de Brasil 2013a 2013b 2014 Reflita Você percebeu que os dados dos livros Programação Arquitetônica de Unidades Funcionais de Saúde Volumes 1 2 3 e 4 publicados pelo Ministério da Saúde apresentam a área mínima e a área média para cada ambiente A área média é sempre maior que a mínima estipu lada BRASIL 2011 2013a 2013b 2014 A área mínima é suficiente para comportar os equipamentos de cada espaço mas ela é capaz de promover o uso confortável e eficiente do espaço Áreas de apoio técnico logístico e administrativo Nas áreas de apoio temos o dimensionamento do setor técnico logístico e administrativo No setor de apoio técnico há espaços de nutrição e dieté tica farmácia e central de material esterilizado Na unidade funcional de apoio logístico há o processamento de roupa manutenção e administração de materiais e equipamentos enquanto no apoio administrativo há serviços de administração clínico enfermagem e técnico documentação e informação Por fim alguns EAS contam com a unidade funcional de ensino e pesquisa 123 Pesquise mais Assim como todas as outras unidades funcionais os setores de apoio de ensino e pesquisa também possuem ambientes obrigatórios para o seu desenvolvimento Você pode encontrálos no manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde BRASIL1994 publicado pelo Ministério da Saúde da página 78 a 91 BRASIL Ministério da Saúde Normas para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília DFMinistério da Saúde1994 p 7891 Além das unidades funcionais descritas existe outro fator que pode gerar aumento de áreas em um EAS os ambientes voltados para a humani zação do espaço Principalmente na Europa e nos Estados Unidos algumas edificações de saúde contam com ambientes como galerias de arte lojas bancos praças de alimentação entre outros que garantem uma atmosfera lúdica e descontraída possibilitando o aumento do bemestar dos pacientes e visitantes GÓES 2004 O dimensionamento dos espaços em arquitetura hospitalar é complexo e envolve normativas federais legislações e determinações do Ministério da Saúde e municipais Código de Obras e Plano Diretor Municipal Esta seção de estudo serve de apoio para você aprender a dimensionar os ambientes corretamente no entanto é imprescindível que você busque nos órgãos públicos dados mais precisos e abrangentes Sem medo de errar O escritório onde você trabalha está participando de um concurso público para o projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS de um bairro novo na cidade Sua equipe está prestes a concretizar a solução arquitetô nica que será submetida ao concurso Para isso é necessário sintetizar todo o processo criativo desenvolvido até o momento com os detalhes técnicos que garantirão o funcionamento do edifício Inicialmente você deve elaborar o prédimensionamento dos ambientes listados no programa de necessidades Lá você já determinou quais foram os equipamentos utilizados em cada um dos espaços Agora você deve buscar informações sobre as dimensões médias e utilizálas para determinar a área mínima de cada um deles 124 Vamos utilizar como exemplo o consultório odontológico Reveja os equipamentos necessários para a execução e incorpore suas dimensões Quadro 31 Quadro 31 Prédimensionamento de equipamentos de consultório odontológico EQUIPAMENTO MODELO MARCA DIMENSÃO ÁREA Conjunto odontológico S200F Saevo Largura 213 cm Profundidade 204 cm 435 ² m Mocho Slim Shopfisio Largura 55 cm Profundidade 65 cm 036 ² m Aparelho de raios x odontológico D70 Xdent Largura 65 cm até 140 cm Profundidade 65 cm 042 ² m Mesa tipo escritório com gavetas ME4113 Tec nomobili Largura 60 cm Profundidade 155 cm 093 ² m Cadeiras para pa ciente 2 Eiffel Eames Mobly Largura 46 cm Profundidade 51 cm 023 ² 2048 ² m m Cadeira giratória com braços para o dentista Escritório Ea mes Mobly Largura 47 cm Profundidade 54 cm 026 ² m Armários para ar mazenamento 2 ME4105 Tec nomobili Largura 315 cm Comprimento 60 cm 019 ² 2038 ² m m Balde cilíndrico para descarte de material 94538130 Tramontina Diâmetro 295 cm 007 ² m Área para escovação e lavatório L79S17 Deca Largura 425 cm Comprimento 92 cm 039 ² m Fonte adaptado de httpsbitly2ZeCK3R httpsbitly2ZamWiB httpsbitly2ZduVM2 httpsbit ly30gnyVe httpsbitly30hT1qj httpsbitly2P4UkHN httpsbitly30s05kh httpsbitly2P4jF4zht tpsbitly33JCtcH Acesso em 19 ago 2019 Realizando o cálculo do somatório de todas as áreas encontradas temos 764 ² m Mas dessa forma não sobra espaço para as áreas de circulação Portanto é preciso adicionar mais 30 para permitir o funcionamento do ambiente Assim a área mínima para o consultório odontológico passa a ser de 993 ² m De acordo com a Resolução RDC no 50 a área mínima para consultórios odontológicos é de 900 ² m bem próxima da que encontramos sendo que a área média é de 1640 ² m BRASIL 2002 Veja na Figura 36 um exemplo de layout para o ambiente que estamos analisando Figura 36 Modelo de consultório odontológico Legenda E023 Conjunto odontológico M005 Banqueta giratóriamocho E067 Aparelho de raio x odontológico M006 Cadeira M002 Armário M015 Mesa tipo escritório com gavetas M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal M019 Cadeira giratória com braços Fonte Brasil 2011 sp 126 o terreno onde será implantada a Unidade Básica de Saúde UBS comporta a quantidade de ambientes determinada no programa de necessidades e se o plano de massas está adequado para o dimensionamento proposto Lembrese de verificar as restrições impostas pelas leis municipais e conside rálas em seu estudo Resolução da situaçãoproblema Para verificar se o tamanho do terreno comporta o edifício basta dividir a área do edifício aquela que consta no dimensionamento pela área do terreno Se o valor for menor que 1 a construção pode ser realizada no terreno e ainda sobrará área disponível Se o valor for igual a 1 a construção cabe no terreno inteiro sem nenhuma área sobrante E se o valor for maior que 1 o terreno é pequeno para a construção o que indica que ela deve ter mais de um pavimento ou então ter sua área reduzida Contudo é preciso lembrar que o código de obras do município deter mina uma taxa de ocupação máxima e portanto nem sempre é possível construir utilizando toda a área do terreno inteiro Nesse caso para fazer o cálculo a área do terreno deve ser compatível com o máximo a ser edificado Por exemplo se a taxa de ocupação for 75 e o terreno tiver 100 ² m para fazer o cálculo da relação terreno x construção você deve utilizar 75 ² m apenas Vamos imaginar um terreno hipotético de 200 ² m e taxa de ocupação igual a 70 A área que permite construções será de 200 070 140 ² m m m Agora imaginemos que a edificação que será implantada nesse terreno tenha um prédimensionamento de 440 ² m A relação entre terreno x construção será igual a 440 140 314 Isso significa que a construção não cabe no terreno e terá de ser construída em mais de um pavimento nesse caso em 4 pavimentos pois não é possível construir 3 pavimentos e mais 17 um sétimo de um pavimento No entanto devemos considerar ainda que o código de obras pode estabelecer uma taxa de ocupação diferente para o térreo e para os outros pavimentos Vamos considerar que nesse exemplo a taxa de ocupação para os demais pavimentos exceto térreo seja de 40 Como será feito o cálculo nesse caso Sabemos que no pavimento térreo pode ser construído 140 ² m Vamos subtrair essa área do total para descobrirmos quanto será distribuído nos outros pavimentos 440 140 300 ² m Agora vamos verificar quanto é 40 do terreno 200 040 80 ² m m m O novo cálculo deve ser feito conside rando a área remanescente para os pavimentos além do térreo e a nova área de terreno possível de receber construções Nesse caso temos 300 80 375 Pelo fator de arredondamento teremos 4 pavimentos de 75 ² m cada 127 O resultado desse cálculo corresponde à tipologia construtiva da edifi cação uma edificação de 5 pavimentos sendo o térreo com 140 ² m e os demais com 75 ² m totalizando 440 ² m Faça esse mesmo cálculo para o terreno onde será implantada a UBS e verifique se seu plano de massas está condizente com o dimensionamento e a legislação municipal Caso não esteja readéque o plano de massas Faça valer a pena 1 O dimensionamento dos espaços é um aspecto muito importante do processo projetual Consiste na etapa de transição entre a concepção do projeto de caráter criativo e a solução arquitetônica de caráter técnico Sobre o dimensionamento avalie as afirmativas a seguir I O dimensionamento consiste em verificar a área mínima dos espaços para que eles comportem todos os equipamentos necessários permi tindo a utilização e circulação entre eles II O dimensionamento possui caráter legal devendose verificar nas legislações e normas quais são as áreas e dimensões mínimas para cada ambiente III O dimensionamento é necessário apenas no momento da escolha do terreno uma vez que é por meio dele que é estimada a área total da construção Assinale a alternativa que contém as afirmativas corretas a Apenas a afirmativa I está correta b Apenas a afirmativa II está correta c As afirmativas I e II estão corretas d As afirmativas I e III estão corretas e As afirmativas I II e III estão corretas 2 O posto de saúde da sua cidade está passando por uma ampliação A gestão municipal quer aumentar o tamanho da sala de espera que hoje fica frequentemente superlotada A área disponível para ampliação corresponde a uma sala de 600 metros por 350 metros Considere que essa área só será ocupada por cadeiras e que cada uma delas mede 45 cm x 50 cm Quantas pessoas essa nova sala de espera comportará 128 a 15 pessoas b 30 pessoas c 40 pessoas d 60 pessoas e 70 pessoas 3 Joaquina é psicóloga e atua na área de terapia ocupacional Ela pediu para que você desenvolvesse um projeto para seu consultório e forneceu a lista de equipamentos de que ela precisa Quadro Listagem de equipamentos para consultório médico neurologia EQUIPAMENTO LARGURA PROFUNDIDADE Mesa tipo escritório com gavetas 60 cm 155 cm Duas cadeiras para paciente 45 cm 50 cm Cadeira giratória com braços 50 cm 50 cm Maca para exames 70 cm 180 cm Negatoscópio 80 cm 15 cm Mesa para impressora 90 cm 80 cm Armário para armazenamento de prontuários 150 cm 50 cm Escada com dois degraus 70 cm 60 cm Fonte elaborado pela autora Joaquina pesquisou diversos estabelecimentos privados de saúde por salas para locação e préselecionou três delas uma que apresenta 500 ² m e tem um aluguel mais baixo outra que tem 700 ² m e está localizada em uma região central e uma terceira que tem 1000 ² m mas fica muito longe do centro da cidade A dúvida de Joaquina é qual das três salas melhor se adequa às suas necessidades Assinale a alternativa que responde a dúvida de Joaquina a O consultório de 500 ² m é suficiente pois o prédimensionamento determinou uma área mínima de 490 ² m Dessa forma Joaquina pode se beneficiar do preço baixo do aluguel b O consultório de 700 ² m é o mais adequado pois o prédimensiona mento determinou uma área mínima de 637 ² m Assim o consultório de Joaquina estará mais bem localizado na cidade 129 c O consultório de 1000 ² m é necessário pois o prédimensionamento determinou uma área mínima de 735 ² m Ainda que localizado longe do centro da cidade Joaquina terá de alugar esse consultório d Não importa o prédimensionamento do ambiente pois a legislação nacional determina uma área mínima de 750 ² m Portanto o único consultório possível é o de 1000 ² m e Todos os consultórios estão adequados portanto caberá a Joaquina decidir qual benefício ela deseja desfrutar aluguel baixo boa locali zação ou espaço amplo 130 Seção 2 Sistema estrutural Diálogo aberto Era uma casa muito engraçada não tinha teto não tinha nada Ninguém podia entrar nela não porque na casa não tinha chão MORAES 1980 Você certamente completou mentalmente a letra dessa música ou pode até ter cantarolado algum trecho dela De uma forma lúdica a música de Vinícius de Moraes representa o que aconteceria se as nossas construções não fossem dotadas de estrutura Sem ela não existiriam os elementos que sustentam os edifícios e lhe conferem forma rigidez e segurança As construções não surgem do nada elas são criadas com elementos sólidos como tijolos cimento concreto aço entre tantos outros materiais que quando colocados juntos de maneira estratégica formam a estrutura física dos edifícios Existem ainda aqueles elementos que são responsáveis por suportar todo o peso e a carga que atuam sobre a construção os quais fazem parte da denominada estrutura resistente Existem várias possibili dades de composição das estruturas tanto em forma quanto em materiais e cabe ao arquiteto compatibilizar o partido arquitetônico às tecnologias disponíveis no mercado Você é um dos arquitetos que compõem uma equipe de trabalho especializada em projetos de arquitetura hospitalar Sua equipe vai participar de um concurso público para o projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde UBS no novo bairro da cidade onde você mora Você já tem todas as informações referentes à concepção do projeto sua forma seu conceito e sua função Agora chegou o momento de propor soluções técnicas para o desenvolvimento do projeto Pesquise acerca dos sistemas estruturais disponíveis e selecione aquele que permita a plasti cidade do edifício e a flexibilidade dos ambientes além é claro da segurança dos usuários Depois da escolha da estrutura apropriada determine o esqueleto do projeto onde estão inseridos as vigas os pilares e planos de piso e de cobertura Trace a malha estrutural que sustentará o edifício levando em consideração o seu plano de massas e o dimensionamento dos espaços Nesta seção você conhecerá alguns dos sistemas de estrutura resistente mais utilizados e aprenderá a determinar a sua modulação e volumetria de acordo com os parâmetros de economia e funcionalidade Além disso você identifi cará as particularidades de compartimentação dos ambientes e conhecerá quais são os novos programas e tecnologias envolvidos na arquitetura hospitalar Vamos criar o esqueleto que sustentará o seu projeto 131 Não pode faltar Compreendemos por estrutura o conjunto de planos verticais e horizontais que solidificam as edificações Os planos verticais compreendem paredes pilares esquadrias aberturas de portas e janelas e acabamentos reboco e revestimentos Já os planos horizontais são lajes coberturas contrapiso e piso Entre estes podemos identificar os elementos que fazem parte da estrutura resistente ou seja que suportam as cargas que atuam sobre a construção São eles pilares vigas e lajes O arquiteto conta com diversas possibilidades de materiais para confec cionar a estrutura da edificação Quando falamos de estrutura resistente o mais comum no Brasil é o uso de estruturas de concreto armado que consiste em unir a resistência à tração do aço com a resistência à compressão do concreto Normalmente são estruturas robustas confeccionadas in loco no local da obra a partir da armadura das barras de aço do cobrimento com o concreto na forma líquida moldadas com o auxílio de caixarias de madeira que são descartadas ou reutilizadas em outra obra Existe ainda a opção de se usar o concreto armado prémoldado em que os elementos pilares vigas e lajes são confeccionados em uma indústria e transportados ao local da obra onde serão montados O concreto armado possui grande resistência ao fogo e é uma das estruturas que apresentam menor custo de execução Outro tipo de estrutura resistente é a metálica na qual os pilares e as vigas são feitos em perfis metálicos produzidos industrialmente utili zando principalmente o aço ferro e carbono como matériaprima o qual apresenta algumas vantagens como tamanho reduzido quando comparado ao concreto armado maior velocidade de execução se considerarmos o concreto feito in loco e vãos livres maiores Assimile O vão livre corresponde ao espaço existente entre dois pilares Figura 37 Figura 37 Exemplo de vão livre na estrutura resistente Fonte elaborada pela autora 132 Independentemente do tipo de estrutura resistente escolhido todas as opções possuem propriedades de resistência diferentes o que garante características específicas de dimensionamento e distanciamento de seus elementos para cada uma delas A esse posicionamento de vigas e pilares damos o nome de modulação estrutural Uma vez que a modulação estrutural condiciona o tamanho dos espaços à distância entre um pilar e outro ela terá grande influência sobre o tamanho dos ambientes Já sabemos que existem dimensões mínimas para os ambientes do Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS Ora se o ambiente possui uma medida mínima que influenciará a estrutura e a estrutura possui uma modulação própria que afetará o tamanho do ambiente como você arqui teto solucionará esse problema Saiba mais Um estudo realizado por Peter Cowan e John Weeks analisou a dimensão dos compartimentos de hospitais britânicos e identificou que a maior parte das salas tinha 15 ² m MIQUELIN 1992 O mesmo estudo mostrou que a maioria das atividades humanas pode ser realizada em ambientes com menos de 20 ² m Assim é conveniente adotar uma modulação estrutural que permita a compartimentação de acordo com esses parâmetros Hoje em dia existem sistemas estruturais que suportam vãos livres de 15 metros ou até mais Você pode estar pensando já que há essa possibili dade por que não utilizar essa tecnologia e construir edificações sem pilares ou com o mínimo possível deles maximizando o tamanho dos vãos livres Essa seria uma ótima alternativa se não fosse pelo alto custo de implantação desses sistemas estruturais avançados Devemos lembrar que as edifica ções hospitalares são frequentemente construídas com verba pública e por isso devem visar ao menor custo possível Portanto a economia é o que geralmente norteia a definição da modulação estrutural e todos os outros aspectos do EAS Exemplificando A modulação estrutural é realizada com base em uma malha ortogonal A Portaria 400BSB de 6 de dezembro de 1977 que antecedeu a legis lação vigente afirmava que a modulação mais adequada para as edifica ções hospitalares é de 120 metro x 120 metro Essa malha tem funda 133 mentação nas medidas antropológicas que defendem que a largura média do corpo humano é de 60 cm No entanto ao considerarmos que essa malha é medida eixo a eixo a dimensão livre ficaria menor com a subtração das espessuras dos elementos construídos ocasionando ambientes muito pequenos A partir disso convencionouse a adoção de múltiplos e submúltiplos dessa malha A adoção do submúltiplo de 30 cm se mostrou eficiente na padronização do edifício permitindo sua utilização para a distribuição tanto do sistema estrutural quanto dos elementos verticais como peitoris corrimãos pédireito e vergas de portas e janelas Com base nisso a trama quadrada de 720 metros x 720 metros Figura 38 se mostra eficiente e foi bastante utilizada especialmente no conti nente europeu praticamente se transformando em um padrão para as construções hospitalares MIQUELIN 1992 GÓES 2004 Figura 38 Exemplo de modulação estrutural Fonte elaborada pela autora Em relação à implantação de um edifício hospitalar 60 do custo corresponde à construção os espaços e os 40 restantes correspondem às instalações os equipamentos utilizados MASCARÓ 1985 O custo de construção pode ser dividido ainda em planos horizontais 26 e planos verticais 34 Quando dividimos o custo total da obra de acordo com os elementos construídos vemos que a maior parte dos gastos nos planos horizontais é da estrutura resistente Quadro 33 o que justifica a sua neces sidade de ser econômica Já nos planos verticais a maior parte dos gastos acontece nos produtos de acabamento e esquadrias 134 Quadro 32 Participação dos planos horizontal e vertical nos custos da construção Elemento construtivo Participação no custo total PLANOS HORIZONTAIS Estrutura resistente 65 a 75 Contrapiso 3 a 6 Piso 15 a 30 Total 100 PLANOS VERTICAIS Alvenaria isolamento e pilares estruturais 25 a 35 Acabamentos verticais rebocos pintura e azulejos 30 a 40 Caixilharia e esquadrias internas e externas 30 a 40 Total 100 Fonte Mascaró 1985 p 26 Em se tratando de planos verticais a estrutura resistente tem pouca influ ência sobre o custo Nesse caso os elementos de acabamento como reboco de paredes revestimentos cerâmicos e pinturas representam gastos mais elevados ficando entre 9 e 22 do custo total da obra MASCARÓ 1985 Para economizar nesses elementos podemos destacar duas medidas I Adoção de alvenaria de alta qualidade com blocos ou tijolos regulares diminuindo os custos com emboços espessos II Redução da aplicação de revestimentos cerâmicos para as regiões necessárias com alturas de 150 metro e utilização de pintura impermeável no restante Quando se trata de instalações o custo deve ser mais elevado no momento de sua implantação visando à redução do custo de manutenção que se mostra um dos critérios que mais prejudicam a longevidade do estabe lecimento uma vez que os custos com manutenção das instalações chegam a 70 MASCARÓ 1985 A forma da edificação também influencia nos custos da obra Volumetrias mais compactas como o círculo e o quadrado são mais baratas quando comparadas com formas alongadas retangulares pois solicitam uma quantidade menor de paredes No entanto devido à dificuldade de execução e problemas práticos relacionados às formas redondas recomendase partir da forma quadrada para a composição das construções MASCARÓ 1985 Para avaliar a volumetria da construção existe o índice de compacidade que relaciona as paredes que envolvem um edifício e sua superfície horizontal GÓES 2004 A Equação 31 pode ser expressa como 135 2 100 A Ic P p 31 Onde Ic índice de compacidade A área da superfície P perímetro da superfície O círculo é a forma que apresenta o índice de compacidade Ic igual a 100 O quadrado apresenta um Ic de 885 As formas com índices superiores a 885 são aquelas com partes curvas ou com ângulos maiores que 90 entre as paredes de caráter antieconômico Portanto quanto mais próximo de 885 sem no entanto ultrapassar essa marca mais econômico será o custo de construção e menores serão as perdas e os ganhos térmicos indesejáveis o que consequentemente diminuirá os custos de manutenção MASCARÓ 1985 GÓES 2004 Pesquise mais A altura das edificações também pode influenciar no custo da obra Projetar um edifício com mais pavimentos implica aumentar o custo da estrutura resistente com elevadores das fachadas das instalações em geral da duração da obra e do insumo de mão de obra Leia o Capítulo V do livro O Custo das Decisões Arquitetônicas no Projeto de Hospitais da página 48 a 57 de Juan Luiz Mascaró para saber mais sobre a verticalização na arquitetura hospitalar BRASIL Ministério da Saúde O custo das decisões arquitetônicas no projeto de hospitais Série Saúde Tecnologia Textos de apoio à programação física dos estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília 1995 O índice de compacidade pode ser aplicado até mesmo aos comparti mentos do EAS O setor de internação é o que demanda maior área no EAS GÓES 2004 e corresponde à hotelaria hospitalar As circulações horizon tais corredores desse setor são geralmente estreitas e compridas o que causa a perda de compacidade MASCARÓ 1985 Para melhorar o fator econômico dos corredores é possível que em um primeiro momento alguém pense em reduzir sua largura reduzindo conse quentemente a área e o custo No entanto essa medida diminuiria ainda mais seu índice de compacidade o que se mostra ineficiente Nesse caso a medida mais adequada para reduzir custos seria eliminar os planos verticais 136 a partir da utilização do mesmo corredor para um número maior de quartos Assim criamse duas categorias de circulação os corredores simplesmente carregados ou duplamente carregados GÓES 2004 Os corredores simples mente carregados Figura 39a são aqueles que possuem quartos ou enfer marias em apenas um lado enquanto os duplamente carregados Figura 39b apresentam ambientes nos dois lados e consequentemente têm seu custo amortizado Figura 39 Exemplo de corredor simplesmente carregado e duplamente carregado Fonte Brasil 1995 p 57 Com relação às circulações verticais é possível realizálas por meio de escadas rampas ou elevadores As escadas devem ser calculadas de acordo com o pédireito da edificação com o cuidado de não criar degraus altos demais A fórmula de Blondel indica o dimensionamento do espelho e do piso para que a escada seja utilizada com conforto e segurança A Equação 32 pode ser expressa como 63 2 64 E P 32 Onde E altura do espelho P largura do piso Já as rampas devem atender às normas da NBR 9050 ABNT 2015 que aborda a acessibilidade A norma aponta quais são as inclinações máximas permitidas de acordo com a altura a ser transposta Por fim o elevador é 137 uma forma mecanizada de realizar a circulação vertical No entanto devese observar que o uso de elevadores aumenta consideravelmente o custo da edificação tanto de construção como de manutenção Segundo Mascaró 1985 os edifícios com elevadores só serão econômicos se tiverem entre 6 e 8 pavimentos Assim buscando minimizar o impacto da circulação vertical nos custos da construção os ambientes devem ser setorizados de forma a manter aqueles de menor frequência de pessoas nos andares mais altos e os de maior trânsito no andar térreo MASCARÓ 1985 Além disso quanto mais concentrados estiverem os núcleos de circulação vertical maiores serão os corredores da circulação horizontal MASCARÓ 1985 Ainda sobre a circulação em ambientes com estacionamentos e garagens devemos considerar o espaço necessário para manobra dos carros e ambulân cias O dimensionamento das vagas deve atender ao código de obras do município além da NBR 9050 ABNT 2015 que determina a quantidade de vagas destinadas a portadores de necessidades especiais A modulação estrutural apresenta especial importância quando as garagens estão posicio nadas no subsolo da edificação por exemplo onde há a influência de pilares e outros elementos estruturais da construção Também não se pode esquecer que existem restrições para a utilização dos corredores de pacientes de funcionários de material contaminado etc Assim o posicionamento e dimensionamento adequado das circulações são fatores que contribuem para a eficiência dos serviços prestados e para a economia de recursos Um dos setores hospitalares que mais demandam área inclusive dos espaços de circulação são as alas de internação conhecidas também como hotelaria hospitalar Um dos principais fatores a serem observados nesse setor está relacionado com a tipologia da enfermaria ou do quarto Existem quatro tipologias básicas de padrões dos quartos Figura 310 utilizadas tanto em hotéis quanto em hospitais Figura 310 Tipologias de quartosenfermarias Fonte Góes 2004 p 7273 138 Estudos mostram que a Tipologia A é a mais eficiente GÓES 2004 devido a fatores como maior área para iluminação e ventilação natural maior isolamento dos pacientes menor ruído vindo da circulação limpeza dos sanitários sem causar incômodo ao paciente manutenção das instala ções facilitada pelo acesso ao shaft e redução do perímetro ocasionando um índice de compacidade maior Figura 311 Figura 311 Modelo padrão de quarto com Tipologia A do Hospital Albert Einstein São Paulo Fonte Góes 2004 p 78 Reflita Apesar de essa tipologia ser utilizada tanto em hotéis como em hospi tais existe um fator que diferencia o serviço oferecido por essas instituições Enquanto os clientes do hotel visam única e exclusiva mente ao conforto de uma hospedagem os clientes do hospital no caso os pacientes estão vulneráveis pois se encontram debilitados em processo de tratamento de uma doença ou com medo do proce dimento pelo qual vão passar uma cirurgia ou um trabalho de parto por exemplo Nesse caso o hospital deve apresentar um cuidado ainda maior no tratamento de seus clientes A hotelaria hospitalar tem utilizado cada vez mais novos programas para eliminar o aspecto negativo e amedrontador das internações Esse processo de humanização ocorre com a construção de ambientes lúdicos que propor cionem novas experiências ao paciente como praças de alimentação parques 139 com atividades ao ar livre galerias de arte e pequenos teatros No entanto a adoção desses critérios encarece ainda mais a construção e depende muitas vezes de recursos privados para sua execução GÓES 2004 A incorporação de tecnologias de sistemas de informação ao funciona mento do EAS também se apresenta como um aspecto de incremento de qualidade aos espaços hospitalares Um edifício de alta tecnologia utiliza as tecnologias de informação integradas a uma rede de comunicação e controladas por meio de computadores para o melhor gerenciamento das instalações e infraestruturas tornandoas mais seguras e com menos falhas MARINELLI CAMARGO 2004 Esse sistema visa à identificação de pontos defeituosos ou ineficientes das instalações prediais tornando sua manutenção mais ágil e reduzindo seu custo de funcionamento proporcio nando maior economia de recursos Ainda que a incorporação de tecnologias tenha um custo de implan tação maior sua instalação é justificada por vantagens como vigilância do prédio por uma única pessoa por turno diminuição do número de funcio nários para a manutenção melhor manutenção das instalações economia de energia detecção imediata de avarias maior conforto ambiental maior eficiência na resposta a alarmes e análise rápida de rendimentos por meio de relatórios emitidos pelo sistema CASTRO NETO 1994 Assim encerramos mais um assunto sobre a arquitetura hospitalar Os conceitos apresentados nesta seção visam à otimização dos recursos dispo níveis para a execução do EAS Com todas as informações obtidas até aqui você está apto para projetar um edifício hospitalar eficiente sem compro meter a qualidade dos espaços e o conforto ambiental Sem medo de errar Você se lembra que o escritório em que você trabalha está participando de um concurso público para o projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde UBS de um bairro novo na sua cidade Sua equipe está desen volvendo uma proposta e chegou o momento de determinar a estrutura da edificação Você deve pesquisar sobre os sistemas estruturais disponíveis na região onde será implantada a UBS incluindo mão de obra especializada e selecionar aquele que mais se adeque às exigências econômicas e volumé tricas do edifício A partir disso você deve identificar a dimensão de seus componentes vigas pilares e lajes espessuras distanciamento máximo entre outras propriedades que condicionam a modulação estrutural Depois de identifi cados os elementos comece a traçar a malha estrutural de acordo com o 140 plano de massas que você já desenvolveu A estrutura deve ser compatível com a volumetria criada ou então a volumetria deve ser ajustada ao sistema estrutural escolhido Lembrese de que a modulação deve ser a mesma e alinhada em todos os pavimentos se for o caso Com a modulação ajustada posicione os componentes da estrutura de acordo com as dimensões encontradas em sua pesquisa Por exemplo em uma estrutura de concreto armado os pilares possuem normalmente 20 cm x 30 cm enquanto as vigas acompanham sua largura 20 cm e possuem altura variável de acordo com o vão livre normalmente estando entre 30 cm e 60 cm se considerarmos um vão livre de 720 m Figura 312 É claro que essas medidas vão variar de acordo com o porte do edifício e as cargas atuantes sobre a estrutura mas quem vai fazer o cálculo mais preciso é o engenheiro civil A fim de elaborar um prédimensionamento estrutural podemos utilizar esses valores Figura 312 Prédimensionamento de estrutura em concreto armado Fonte elaborada pela autora Você deve elaborar a planta baixa de todos os pavimentos dois cortes um transversal e um longitudinal e pelo menos uma perspectiva da estru tura da edificação Utilize pranchas tamanho A3 e a escala 1100 para todos os desenhos técnicos Faça a diagramação e incorpore as informações da estrutura nas pranchas que desenvolver no máximo três Anexe as folhas no memorial descritivo que será entregue no final da disciplina 141 Avançando na prática Novos programas para os Estabelecimentos Assistenciais de Saúde Os hospitais são espaços que recebem pessoas que estão vulneráveis e fragilizadas por causa de sua condição de saúde Para tornar a experiência do paciente mais agradável com menos medo e sem a sensação de frieza e impessoalidade os Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS podem apropriarse de espaços lúdicos que deixam o ambiente mais humanizado Você deve incorporar ao menos um desses espaços ao projeto da Unidade Básica de Saúde UBS que seu escritório está desenvolvendo Uma vez que o EAS será construído e mantido com verbas públicas e considerando que o governo sempre preza pela economia você deve planejar uma ótima apresentação capaz de convencer os gestores da importância da implantação do espaço escolhido ao programa da UBS Resolução da situaçãoproblema Escolha ao menos um ambiente que será responsável por transformar a vivência do paciente dos visitantes acompanhantes e até dos funcionários do hospital em uma experiência alegre agradável despreocupada e que aumente o bemestar dos usuários A partir daí elenque todos os benefícios e as vanta gens da incorporação desse ambiente ao programa da UBS enfatizando os conceitos que você acredita serem relevantes para a comissão julgadora do concurso público que avaliará o projeto Você deve utilizar argumentos capazes de persuadir os gestores municipais que estão pensando principal mente na economia de recursos de construção e manutenção da obra Elabore sua apresentação em pranchas tamanho A3 no máximo três com diagramação que chame a atenção dos gestores e os envolva de forma positiva Você pode utilizar softwares de design gráfico para deixála mais atrativa caso tenha mais familiaridade com essa forma de trabalhar Por fim anexe as pranchas no memorial descritivo que será entregue ao final da disciplina 142 Faça valer a pena 1 A modulação estrutural consiste em uma malha ortogonal em que são posicionados os componentes da estrutura resistente Os componentes são compreendidos por pilares vigas e lajes que podem ser confeccionados em diversos materiais Entre eles o mais utilizado é o concreto armado devido ao seu custo reduzido e à facilidade de obtenção de matériaprima e mão de obra A modulação que se mostrou a mais eficiente na arquitetura hospitalar é a de 720 m x 720 m Com base nas informações apresentadas assinale a alternativa correta a A modulação de 720 m x 720 m se mostra a mais eficiente porque o concreto armado só consegue suportar vãos livres com essa dimensão b A modulação descrita só é válida para as estruturas metálicas visto que as estruturas em concreto armado conseguem atingir vãos livres de até 12 m c A modulação de 720 m x 720 m foi adotada com base no módulo mínimo de 120 m x 120 m originado das medidas antropológicas do corpo humano d A modulação independe do tipo de estrutura utilizado pois todos os materiais possuem a mesma capacidade de resistência divergindo apenas em seu caráter estético e de execução e A modulação deve levar em consideração apenas o tamanho dos ambientes e não o tipo de estrutura utilizado 2 A tipologia em hotelaria hospitalar consiste no modelo padrão de quartos e enfermarias utilizados pelo Estabelecimento Assistencial de Saúde Góes 2004 identificou quatro tipologias básicas A Tipologia B está apresentada na figura a seguir 143 Figura Tipologia B para hotelaria hospitalar Fonte Góes 2004 p 72 Com base nas características dessa tipologia classifique as afirmativas a seguir como verdadeiras V ou falsas F A Tipologia B apresenta maior índice de compacidade A limpeza do sanitário dos quartos com a Tipologia B causa incômodo nos pacientes Nos quartos da Tipologia B o ruído proveniente da circulação é mais intenso A Tipologia B apresenta facilidade de manutenção devido ao acesso às instalações do poço A Tipologia B leva a um menor perímetro da edificação Assinale a alternativa com a sequência correta a V V F F F b F V F F V c V V F F V d F V V F F e F F V V F 144 3 Os hospitais da Rede Sarah projetados pelo arquiteto João Filgueiras Lima adotam atualmente uma modulação básica de 125 m x 125 m Todos os elementos da construção são baseados neste módulo como os pisos prensado melamínico de 125 m x 125 m revestimentos cerâmicos com padrão de 50 cm x 50 cm paredes placas de argamassa armada de 625 cm boxes dos leitos da enfermaria 250 m e até mesmo esquadrias divisórias e mobiliários A estrutura metálica é posicionada a partir de múltiplos da modulação básica CARVALHO TAVARES 2002 Com base no texto apresentado avalie as afirmativas a seguir I A modulação confere agilidade à obra a partir da diminuição da diversidade de tamanhos dos revestimentos uma vez que estarão adaptados ao projeto executivo o que facilita a execução dos compo nentes II A compatibilização dos projetos complementares estrutural hidros sanitário e elétrico é facilitada pela adoção de uma modulação padrão para os elementos que compõem a edificação III A modulação utilizada nas obras da Rede Sarah não segue o padrão mais conhecido que utiliza como base as medidas antropométricas o que não afeta de forma negativa a eficiência do projeto Assinale a alternativa que contém as afirmativas corretas a As afirmativas I II e III estão corretas b Apenas as afirmativas I e II estão corretas c Apenas as afirmativas I e III estão corretas d Apenas as afirmativas II e III estão corretas e Apenas a afirmativa I está correta 145 Seção 3 Desenhos técnicos Diálogo aberto Caro aluno chegou o momento de apresentar uma solução arquitetônica Iniciamos a concepção projetual no mundo dos conceitos regidos pela criatividade e passamos para o desenvolvimento prático a partir da raciona lização das ideias Agora estamos no ápice da proposta de projeto momento em que devemos transformar todos os elementos e aspectos idealizados em uma forma física concreta que será apresentada por meio de desenhos técnicos Os desenhos técnicos permitem que as ideias abstratas idealizadas pelo arquiteto possam ser entendidas não só pelo cliente mas também por outros profissionais envolvidos na construção como engenheiros eletri cistas encanadores etc Para que isso seja possível existem normas que visam à padronização dos desenhos facilitando a compreensão Você foi contratado por um escritório de arquitetura especializado em projetos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS e a equipe da qual você faz parte vai participar de um concurso público para um projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade onde mora Neste momento o projeto já foi praticamente todo conce bido desde a sua estrutura até os objetos utilizados dentro dos ambientes O que falta é transferir suas ideias para o papel de maneira clara precisa e organizada Assim a sua tarefa é elaborar todos os desenhos referentes ao projeto Você sabe quais são eles Quais são as normas que regem a represen tação gráfica de um projeto arquitetônico Quantos desenhos são necessários para o entendimento do projeto Como você organizará as ideias para que a proposta arquitetônica seja coerente Nesta seção veremos como os desenhos técnicos devem ser elaborados e quais são as representações gráficas necessárias para a compreensão do projeto Além disso verificaremos as etapas de apresentação de projeto cada qual com suas particularidades e características Não pode faltar Os projetos de arquitetura são representados graficamente por meio de desenhos que podem ter caráter técnico ou artístico Os desenhos técnicos são regidos por normas e apresentam todos os detalhes para que o projeto seja executado corretamente São utilizados também para a aprovação do 146 projeto junto aos órgãos governamentais e nos canteiros de obras para a construção Já os desenhos artísticos possuem uma forma de apresentação menos rígida o que possibilita o uso de cores e texturas para enriquecer a representação gráfica Esse tipo de representação normalmente é utilizado em apresentação do projeto para clientes vendas imobiliárias e outros meios em que a finalidade do desenho não é a execução do projeto Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT e os dese nhos técnicos em arquitetura Em se tratando de desenhos técnicos em arquitetura a Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT determina as regras que regem a sua confecção desde o tamanho da folha utilizada NBR 100681987 até o tipo e a largura das linhas do desenho NBR 84031984 A norma NBR 64921994 detalha a representação de projetos de arquitetura descrevendo e quali ficando os desenhos projetivos utilizados para a apresentação da proposta arquitetônica São eles planta de situação implantação planta de edificação cortes elevações fachada e detalhes Cada um deles exige elementos especí ficos como cotas indicação de áreas norte geográfico entre outros A planta de situação abrange uma área maior do empreendimento onde são representados uma vista superior simplificada da edificação as divisas do lote o contorno da quadra as ruas lindeiras os acessos ao terreno o relevo e a orientação norte MONTENEGRO 1978 Ela compreende o partido arquitetônico em seus múltiplos aspectos portanto é composta pelas vias e quadras do entorno além de informações como o gabarito das edificações ou pontos de interesse da região edificações ou elementos importantes Para a aprovação do projeto nos órgãos oficiais a planta de situação deve conter todas as informações referentes à localização do terreno ABNT 1994 A implantação também chamada de planta de locação é aquela que representa o projeto como um todo ABNT 1994 Ela é composta pelo desenho da cobertura da edificação além de apresentar informações dos projetos complementares como movimentação de terra redes hidráulicas elétricas e de drenagem O objetivo desse desenho é locar a construção no terreno e mostrar como devem ser feitas as ligações com as redes públicas de esgoto e abastecimento de água por exemplo Portanto as cotas gerais da construção e aquelas que conectam a edificação com o terreno são muito importantes De acordo com Montenegro 1978 na implantação devem constar também muros portões árvores calçada ou passeio e caso seja necessário construções vizinhas Além disso outras informações como o norte geográfico e as áreas permeáveis devem estar presentes 147 A planta de edificação ou simplesmente planta baixa Figura 313 é a vista superior da construção a partir de um plano de corte traçado horizontalmente a uma altura de aproximadamente 150 metros do piso MONTENEGRO 1978 Os pavimentos da edificação devem ser represen tados individualmente em um desenho próprio onde são indicados a locali zação das paredes as aberturas e outros elementos construídos A planta baixa é um dos desenhos que mais apresentam diversificações pois ela pode ser utilizada para representar diferentes projetos arquite tônico de interiores hidráulico elétrico estrutural etc Por exemplo é possível citar Planta de layout indica a posição dos móveis Planta de instalações hidrossanitárias indica as tubulações de esgoto e abastecimento de água Planta de pontos elétricos indica as tomadas luminárias e outros elementos elétricos As plantas devem ser cotadas de acordo com o que está representado Figura 313 Projeção de uma planta baixa Fonte Shutterstock 148 Os cortes são vistas de um plano secante vertical que divide a edificação em duas partes como se estivesse cortada ao meio Os cortes são necessá rios para mostrar os ambientes internos com maior nível de detalhamento MONTENEGRO 1978 Assim a disposição dos planos de corte deve ser determinada de forma que o desenho mostre o máximo possível de detalhes construtivos Os órgãos públicos responsáveis pela aprovação do projeto podem deter minar algum critério para o posicionamento dos cortes por exemplo sob a circulação vertical ou em áreas que apresentam revestimentos cerâmicos impermeáveis como banheiros e cozinhas Normalmente são apresentados pelo menos um corte no sentido longitudinal e outro no sentido transversal O corte longitudinal é aquele traçado no sentido de maior comprimento da edificação enquanto o transversal é traçado no sentido de menor compri mento A determinação do sentido é dificultada em casos em que a edificação é quadrada portanto é importante ter dois cortes perpendiculares entre si MONTENEGRO 1978 É necessário ressaltar que nos cortes as cotas verticais são fundamentais para identificar as alturas internas e externas da construção Figura 314 Figura 314 Esquema de um corte Fonte Shutterstock As elevações são vistas de planos ou elementos construídos Diferentemente dos cortes em que os elementos são seccionados as elevações mostram as faces da edificação referentes a cada um dos lados do objeto Por isso são divididas em elevação frontal posterior e laterais direita e esquerda As fachadas Figura 315 nada mais são do que as elevações das faces externas da edificação Esses desenhos são mais utilizados para a identificação 149 dos materiais e sua locação na construção Portanto dependendo da situação as cotas podem ser dispensáveis As informações nesse caso devem ser apresentadas em forma de hachuras com legendas que as relacionem ao material especificado Figura 315 Exemplo de elevações Fonte Shutterstock Por fim os detalhes construtivos são desenhos que mostram uma quanti dade maior de informações de um elemento da edificação normalmente em escalas ampliadas que facilitam a sua compreensão Os detalhes servem para mostrar o encaixe de objetos a composição interna de elementos o funcionamento de peças que foram confeccionadas exclusivamente para a edificação etc Eles devem apresentar cotas anotações hachuras e todos os aspectos que garantam que o objeto seja compreendido de forma clara para que sua construção seja possível Exemplificando Um detalhe construtivo deve ser elaborado nos casos em que o elemento representado exige maior nível de detalhamento para sua correta execução Por exemplo em um projeto arquitetônico sempre é necessário detalhar a escada A Figura 316 mostra um exemplo do detalhamento de uma escada 150 Figura 316 Detalhe construtivo de uma escada Fonte Shutterstock Todos os tipos de desenhos mencionados são projetivos ou seja são confec cionados a partir da projeção de um objeto nesse caso uma construção em um plano a folha de papel Podemos incluir ainda outro tipo de desenho denominado não projetivo em que estão inclusos os diagramas as perspec tivas os diagramas esquemas fluxogramas entre outros Exemplificando Os desenhos não projetivos são utilizados com finalidades diversas Por exemplo as perspectivas facilitam a compreensão da construção de forma global a partir de uma representação em três dimensões enquanto os diagramas são usados para explanar processos Documentações que podem acompanhar o projeto arquitetônico Além dos desenhos outros documentos podem ser incluídos ao projeto visando facilitar a compreensão e ampliar o detalhamento do projeto como o memorial justificativo a discriminação técnica a especificação e lista de materiais a orçamentação e o cronograma O memorial justificativo é o documento que apresenta o partido arqui tetônico e todas as soluções adotadas pelo profissional buscando atender 151 às exigências físicas do terreno e técnicas determinadas pelo programa de necessidades A discriminação técnica ou memorial descritivo é um texto que descreve todo o projeto de forma precisa completa e ordenada indicando os materiais utilizados em cada local bem como as características e exigências técnicas para sua aplicação A especificação e lista de materiais consiste no levantamento quantita tivo de todos os materiais especificados no projeto inclusive com indicação de fornecedores que pode ser utilizada como base para a criação de um orçamento do projeto O orçamento deve prever não só os materiais mas também a mão de obra os serviços e outras taxas referentes ao projeto eou à construção Assimile Para cada etapa do projeto são requisitados desenhos e documentos específicos A NBR 64921994 dá algumas recomendações porém os órgãos municipais são os responsáveis por determinar quais desenhos serão exigidos A prefeitura municipal pode exigir documentos diferentes daqueles exigidos pela vigilância sanitária por exemplo Etapas do projeto arquitetônico e seus desenhos É importante ter consciência de que cada etapa do projeto arquitetônico é desenvolvida em paralelo com um tipo de desenho que a representa No estudo preliminar por exemplo são desenvolvidas as primeiras ideias a partir do levantamento de dados do terreno da determinação do programa de necessidades e da elaboração de uma Matriz CDP condicio nantes deficiências e potencialidades Essa fase resulta na criação do partido arquitetônico A finalidade da representação gráfica no estudo preliminar é de cunho explicativo visando à exposição do conceito e das soluções ideali zadas pelo arquiteto Portanto os desenhos mais utilizados são do tipo não projetivo podendo valerse de diagramas esquemas e fluxogramas para a apresentação do estudo Alguns desenhos também podem ser desenvolvidos visando à organização das ideias Nesse caso grande parte dos desenhos é feita à mão livre também chamados de croqui Figura 317 Desenhar à mão livre incentiva o processo criativo uma vez que o profissional pode explorar toda sua capacidade intelectual sem se limitar ao funcionamento racional dos softwares de desenho Os programas computacionais podem ser utili zados ao final do estudo visando apenas melhorar a representação gráfica do projeto No entanto um croqui bem elaborado dispensa o uso da tecnologia 152 Figura 317 Exemplo de estudo preliminar feito com croqui Fonte Shutterstock O anteprojeto compreende a etapa em que é proposta a solução arqui tetônica ou seja etapa em que as ideias adquirem forma e são desenvol vidas de maneira completa É importante que o projeto arquitetônico seja concebido pensando na compatibilização com os projetos complementares como o estrutural hidrossanitário elétrico e de prevenção de incêndio Estes não precisam estar detalhados mas sua solução deve estar alinhada com os elementos construtivos já formalizados Nessa etapa o projeto é apresentado ao cliente Portanto é interessante que os desenhos tenham caráter artístico para garantir que o projeto seja compreendido facilmente e causem o encantamento do cliente Enquanto os desenhos técnicos realçam os elementos construídos paredes aberturas e coberturas representados apenas por linhas de diferentes espessuras e cores para diferenciar elementos os quais devem estar devidamente legen dados os desenhos humanizados recebem a inserção de elementos gráficos humanizadores layout vegetação e figura humana ELALI et al 2009 Essa categoria de desenho também é conhecida como planta comer cial MORAIS 2008 e tem a intenção de valorizar a ambientação e a utili zação da edificação ou seja dos elementos que compõem os espaços Assimile De acordo com Morais 2008 os desenhos humanizados são um tipo de representação que passa a ter a responsabilidade de registrar avaliar e comunicar o conteúdo além de antecipar o espaço construído MORAIS 2008 p 12 153 Nos desenhos humanizados Figura 318 os elementos de destaque são os objetos e os materiais utilizados na elaboração do projeto Veja o exemplo ilustrado a seguir Figura 318 Exemplo de planta baixa humanizada Fonte Shutterstock Na etapa de anteprojeto os desenhos podem ser confeccionados à mão ou utilizando recursos computacionais Porém independentemente da forma como serão produzidos eles devem atender às mesmas normativas determi nadas pela ABNT No caso dos desenhos humanizados algumas informa ções podem ser simplificadas como no caso das cotas em que as linhas de chamada podem ser suprimidas Nos desenhos feitos à mão são utilizados vários instrumentos para garantir sua precisão como escalímetros esquadros lapiseiras ou canetas com espessuras diferentes régua paralela compasso entre outros Para os desenhos artísticos também são utilizados lápis de cor e canetas hidrocor Já nos desenhos computacionais o único equipamento é um computador com o software desejado O projeto legal é desenvolvido depois da aprovação do anteprojeto pelo cliente Nessa etapa do projeto são requisitados os desenhos técnicos referentes ao 154 projeto de acordo com as exigências dos órgãos competentes Normalmente os desenhos solicitados são planta de situação implantação plantas baixas cortes e fachadas além da documentação necessária O profissional deve consultar a instituição que fará a aprovação do projeto para saber exatamente o que é neces sário nesse processo Já existem prefeituras adaptadas às tecnologias da infor mação que realizam a aprovação dos projetos digitalmente por isso nessa etapa é mais comum a execução dos desenhos com o uso de softwares gráficos Reflita Em vários concursos públicos de projetos de arquitetura o cliente é a própria prefeitura Nesse caso o profissional deve apresentar sua proposta na forma de anteprojeto ou de projeto legal O projeto executivo se configura como a última etapa projetual antes do início das obras Ele está encarregado de fornecer todas as informações necessárias para a execução da obra e por isso deve ser claro preciso e completo Nessa etapa todos os desenhos e documentos são solicitados como implantação plantas baixas Figura 319 cortes fachadas detalhamentos discriminação técnica especifica ções e lista de materiais Devido à complexidade dos desenhos a confecção é feita com o uso de computadores e eles são impressos para utilização no local da obra Figura 319 Exemplo de planta baixa de projeto executivo Fonte iStock 155 Encerramos esta seção sobre os desenhos em arquitetura Uma edificação só pode ser materializada a partir dos desenhos técnicos que representam a formalização das ideias concebidas pelo profissional Sem medo de errar Você faz parte da equipe de um escritório de arquitetura especializado em projetos hospitalares que vai participar de um concurso público para o projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade onde mora A equipe está trabalhando nos arquivos do projeto e você ficou encarregado de confeccionar os desenhos do anteprojeto que serão usados na apresentação da proposta à banca examinadora do concurso Você deve elaborar os desenhos das plantas baixas elevações cortes implan tação e detalhes construtivos Lembrese de que os desenhos devem permitir que o projeto seja compreendido de forma simples portanto as informações da prancha devem estar organizadas em uma diagramação e alguns desenhos devem ser humanizados O escritório possui a licença de softwares que podem ser utilizados para a elaboração dos desenhos Comece transpondo seu plano de massas e a estrutura da UBS para o programa AutoCAD e então desenvolva as plantas baixas cortes elevações implantação e detalhamentos As anotações podem ser adicionadas posteriormente no momento de humanização dos desenhos mas as cotas devem ser incluídas no AutoCAD visando agilizar o processo Terminados os desenhos inicie a humanização daqueles que achar mais importantes Você pode adicionar os preenchimentos nos objetos para que os desenhos fiquem coloridos É interessante determinar uma cartela de cores para que o desenho fique harmônico Procure referências para estimular a criatividade durante a elaboração dos desenhos Uma dica é pesquisar em um site de concursos o resultado das competições passadas Ao concluir faça a impressão dos desenhos para conferir o resultado e verificar a necessidade de alterações na espessura das linhas nas cores ou em outros detalhes que você julgar pertinente para a melhoria da apresentação do projeto Essas impressões devem ser anexadas ao memorial descritivo do projeto ao final da disciplina 156 Avançando na prática O croqui como parte da apresentação do projeto Um casal foi até seu escritório para solicitar o projeto de interiores da sala de estar do apartamento que alugaram para morar Ana disse que quer uma mobília moderna e várias plantas para decorar o ambiente enquanto João quer um sofá grande e confortável Ambos expuseram necessidades e desejos e você combinou um novo encontro dentro de um mês para apresentar o projeto Porém três dias antes da reunião seu computador de trabalho quebrou e você perdeu os arquivos da sala de estar cujo projeto já estava finalizado O conserto do computador não ficará pronto a tempo mas você não pode adiar a reunião pois o casal está com a viagem de lua de mel marcada e só voltará depois de três semanas período em que a mãe de Ana ficará com as chaves do apartamento para dar andamento à reforma O que você faria nesse caso Resolução da situaçãoproblema O profissional que pratica sua habilidade de desenho não se limita à utilização de equipamentos mais complexos como é o caso de programas computadorizados A tecnologia pode ajudar muito o trabalho do profis sional mas é um erro confiar demais em uma máquina que pode apresentar falhas Assim o desenho à mão pode ser uma solução para casos em que a tecnologia não pode ser utilizada ou até mesmo para expor ideias aos clientes ou a outros profissionais de forma rápida sem depender dos processos utili zados por softwares de arquitetura Portanto você pode resgatar seus instru mentos de desenho arquitetônico réguatê esquadros lapiseiras e montar sua apresentação com desenhos arquitetônicos feitos à mão complementan doos com croquis à mão livre Faça valer a pena 1 A planta baixa é um dos primeiros desenhos técnicos desenvolvidos pelo profissional da arquitetura na confecção do anteprojeto De acordo com o tipo de projeto a planta baixa pode conter informações diferentes Associe a coluna A que contém os tipos de projetos com a coluna B que indica os elementos realçados em cada uma das plantas correspondentes 157 COLUNA A COLUNA B 1 Projeto arquitetônico I Tubulações de esgoto e abastecimento de água 2 Projeto de interiores II Estrutura resistente 3 Projeto estrutural III Elementos construídos 4 Projeto hidrossanitário IV Tomadas iluminação e quadros de energia 5 Projeto elétrico V Mobiliários e decoração Assinale a alternativa que apresenta a associação correta entre as colunas a 1I 2II 3III 4V 5IV b 1III 2V 3II 4I 5IV c 1V 2III 3II 4IV 5V d 1IV 2II 3V 4III 5I e 1II 2IV 3III 4I 5V 2 O projeto executivo é a última etapa do processo de projeto Ele envolve a criação de desenhos técnicos e deve conter os detalhamentos necessários para que o projeto seja executado sem complicações É confeccionado em pranchas que serão utilizadas no canteiro de obras pelos profissionais execu tores como o arquiteto ou engenheiro responsável pela execução da obra os pedreiros pintores encanadores e eletricistas Acerca do projeto executivo assinale a alternativa correta a Um projeto executivo de qualidade é aquele que permite o enten dimento total de todos os elementos que compõem a construção de acordo com o tipo de projeto desenvolvido arquitetônico de interiores ou complementar b O projeto executivo é aquele que deve compatibilizar todos os projetos complementares ao arquitetônico uma vez que é a partir dele que será organizada a execução da obra cada projeto de uma vez estrutural arquitetônico hidráulico e elétrico c O projeto executivo não é necessário nos casos em que o profissional responsável pelo projeto arquitetônico vai executar o empreendi mento e estará presente diariamente no canteiro de obras para tirar as dúvidas e orientar os profissionais executores d O projeto executivo deve ser entregue na prefeitura com o nível máximo de detalhamento possível visando à aprovação da edificação pelos órgãos competentes garantindo a legalidade da construção e a qualidade da obra 158 e Um projeto executivo ideal é aquele que apresenta os desenhos proje tivos com caráter artístico garantindo a compreensão do projeto pelo cliente e outros profissionais de forma fácil e descomplicada 3 Cada vez mais os desenhos de arquitetura estão sendo elaborados com o auxílio de softwares o que deixou o desenho à mão em desuso ou até inuti lizado No entanto os desenhos elaborados artesanalmente pelo arquiteto apresentam algumas características que os tornam mais ágeis nas etapas preliminares de concepção do projeto Enquanto o profissional fica limitado à racionalidade dos programas computadorizados o desenho à mão permite uma maior liberdade e fluidez no desenho Assinale a alternativa que apresenta uma das vantagens do desenho feito à mão quando comparado aos desenhos computadorizados a Os desenhos feitos em softwares ficam suscetíveis ao funcionamento dos computadores enquanto os desenhos à mão não necessitam de nenhum tipo de instrumentos para serem realizados b Os desenhos realizados com esquadros e réguas são mais precisos que aqueles confeccionados em computadores pois não estão sujeitos a falhas de impressão c Os desenhos feitos à mão são ótimos para explicações rápidas de elementos do projeto seja para o cliente ou para outros profissionais pois é rápido de ser realizado e não necessita de impressão d Os desenhos feitos à mão possuem caráter artístico enquanto os programas são utilizados apenas para a produção de desenhos técnicos e Os desenhos computadorizados são melhores que os feitos à mão em todos os sentidos pois com a tecnologia atual é possível reproduzir o efeito de pintura e grafite obtido com os lápis dos desenhos artesanais Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 10068 folha de desenho Leiaute e dimensões Rio de Janeiro 1987 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 6492 representação de projetos de arquitetura Rio de Janeiro 1994 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 8403 aplicação de linhas em desenhos Tipos de linhas Larguras das linhas Rio de Janeiro 1984 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 9050 acessibilidade a edifica ções mobiliário espaços e equipamentos urbanos 3 ed Rio de Janeiro 2015 BRASIL Ministério da Saúde Normas para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília DFMinistério da Saúde1994 BRASIL Ministério da Saúde O custo das decisões arquitetônicas no projeto de hospitais Série Saúde Tecnologia Textos de apoio à programação física dos estabelecimentos assisten ciais de saúde Brasília 1995 Disponível em httpsbitly33H2JEJ Acesso em 20 ago 2019 BRASIL Ministério da Saúde Programação arquitetônica de unidades funcionais de saúde Volume 1 Atendimento ambulatorial e atendimento imediato Departamento de Economia da Saúde e Desenvolvimento BrasíliaDF 2011 BRASIL Ministério da Saúde Programação arquitetônica de unidades funcionais de saúde Volume 2 Internação e apoio ao diagnóstico e à terapia reabilitação Departamento de Economia da Saúde e Desenvolvimento BrasíliaDF 2013a BRASIL Ministério da Saúde Programação arquitetônica de unidades funcionais de saúde Volume 3 Apoio ao diagnóstico e à terapia imagenologia Departamento de Economia da Saúde e Desenvolvimento BrasíliaDF 2013b BRASIL Ministério da Saúde Programação arquitetônica de unidades funcionais de saúde Volume 4 Apoio ao diagnóstico e à terapia anatomia patológica hemoterapia e hematologia medicina nuclear e patologia clínica Departamento de Economia da Saúde e Desenvolvimento BrasíliaDF 2014 BRASIL Ministério da Saúde Resolução RDC no 50 de 21 de fevereiro de 2002 Dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento programação elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Agência Nacional de Vigilância Sanitária BrasílaDF 2002 BRASIL Portaria 400BSB de 6 de dezembro de 1977 Brasília DF 1977 CARVALHO A P TAVARES I Modulação no Projeto Arquitetônico de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde o caso dos Hospitais SARAH In FÓRUM DE TECNOLOGIA APLICADA À SAÚDE 3 2002 Salvador Anais Salvador Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia 2002 CASTRO NETO J S Edifício de alta tecnologia São Paulo Carthago Forte 19945 ELALI G A et al In PROJETAR 4 2009 São Paulo Anais São Paulo FauMackenzie p 112 GÓES R de Manual prático de arquitetura hospitalar São Paulo Edgard Blücher 2004 MARINELLI A CAMARGO A R O estabelecimento de saúde e o edifício de alta tecnologia In CONGRESSO NACIONAL DA ABDEH 1 SEMINÁRIO DE ENGENHARIA CLÍNICA 4 2004 LOCAL Anais Brasil Ministério da saúde 2004 Disponível em httpbvsmssaude govbrbvspublicacoesestabelecimentosaudepdf Acesso em 20 ago 2019 MASCARÓ J L O custo das decisões arquitetônicas São Paulo Nobel 1985 MIQUELIN L C Anatomia dos Edifícios Hospitalares São Paulo CEDAS 1992 MONTENEGRO G Desenho Arquitetônico São Paulo Edgard Blücher 1978 MORAES V de A Casa LP A Arca de Noé Rio de Janeiro Polygram 1980 MORAIS V R R O projeto e a imagem a interface entre representação e investigação projetual em arquitetura 2008 104 f Dissertação Mestrado em Engenharia Civil Universidade Federal Fluminense Rio de Janeiro 2008 Disponível em httpwwwposciviluffbrsitesdefaultfiles dissertacaotesedissertacaoviniciuspdf Acesso em 21 ago 2019 Unidade 4 Carolina Cardoso Desenhos e apresentação do projeto Convite ao estudo Olá aluno Nesta unidade de ensino vamos abordar a etapa avançada de desenvol vimento de um projeto arquitetônico ou seja discutiremos a fase de ajustes finais da proposta arquitetônica Você sabe quantos e quais projetos são necessários para a correta execução de uma obra Como e por que elaborar uma maquete física ou virtual da edificação Como preparar a apresen tação do projeto para a aprovação Nesta unidade denominada Desenhos e apresentação do projeto estuda remos temas como projetos complementares especificação de materiais elaboração de maquetes e preparação do projeto para as etapas de apresen tação e aprovação nos órgãos competentes Ao final desta unidade você estará apto a desenvolver desenhos específicos de alta complexidade e modelos tridimensionais do projeto Para iniciar nossas reflexões imagine que você tenha sido contratado por um escritório de arquitetura especializado em arquitetura hospitalar A cidade onde você trabalha localizada no interior do estado tem apresentado um crescimento urbano intenso e por essa razão a prefeitura inaugurou recen temente um novo loteamento Para atender às necessidades da população do novo bairro a prefeitura municipal abriu um edital para concurso público para o projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde UBS Você e sua equipe devem elaborar um projeto arquitetônico em nível de anteprojeto de um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS com capaci dade para atender entre 2400 e 4000 pacientes respeitando todos os crité rios estabelecidos pelo Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde publicado pelo Ministério da Saúde Além dessas exigências o edital do concurso exige a apresentação de um caderno com as documentações necessárias para a aprovação do projeto na Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA O projeto já está quase finalizado pela equipe Faltam apenas os detalhes finais e a apresentação Nesta unidade de ensino realizaremos o detalhamento do projeto a compatibilização com as instalações prediais a especificação de materiais e a elaboração da apresentação do projeto Na primeira seção aprenderemos a compatibilizar o projeto arquitetô nico com os projetos complementares bem como faremos a especificação dos materiais pois existem tipos de materiais específicos para a área da saúde já que é necessário priorizar uma maior higienização e consequente mente maior controle de infecção hospitalar Na segunda seção abordaremos a maquete física e virtual além de programas computacionais que auxiliam o processo de detalhamento do projeto Finalmente na terceira seção sintetizaremos todos os desenhos e as peças gráficas produzidas até o momento para elaborarmos uma apresentação de projeto que permita o entendimento das suas ideias A forma como você justifica suas propostas é decisiva tanto no momento da apresentação do projeto quanto na utilização do edifício depois de construído uma vez que soluções bem fundamentadas proporcionam melhores condições de trabalho e conforto 163 Seção 1 Detalhamento de projeto Diálogo aberto Você já parou para pensar qual é o objetivo principal de uma edificação As construções surgiram para garantir abrigo aos seres humanos os quais buscavam se proteger de intempéries e animais selvagens No entanto a função de abrigar possui outra conotação nos dias atuais já que abrigar para além de oferecer proteção e segurança significa proporcionar conforto e bemestar E para que isso seja possível o projeto arquitetônico de edifícios deve considerar os elementos que compõem a vida nas cidades onde a maior parte da população vive Retomando o contexto de aprendizagem desta unidade considere que o escritório de arquitetura onde você trabalha especializado em projetos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS vai participar de um concurso público para um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade localizada no interior do estado Você e sua equipe já finalizaram a solução arquitetônica e elaboraram todos os desenhos técnicos necessários Agora chegou o momento de compatibilizar o projeto arquite tônico com os projetos complementares elétrico hidrossanitário e de clima tização Quais aspectos o arquiteto deve observar para que as instalações e estruturas sejam executadas corretamente Como o profissional deve compa tibilizar os projetos para evitar erros e problemas Quais são os materiais mais indicados para as edificações hospitalares Nesta seção conheceremos quais são os projetos complementares neces sários para a aprovação e o detalhamento do projeto de EAS bem como as particularidades de cada um deles aplicadas ao setor de saúde Ainda veremos como a especificação de materiais pode contribuir para a higieni zação e prevenção da infecção hospitalar além de promover o bemestar dos usuários O aspecto de conforto ambiental é influenciado pela forma como foram idealizados os elementos construídos e os ambientes internos do edifício de saúde Não pode faltar Depois que os desenhos técnicos do projeto arquitetônico foram elabo rados é comum pensarmos que o trabalho do projetista está terminado mas isso não é verdade Uma construção é composta por diversos elementos e 164 instalações prediais cada qual com seu projeto específico Surgem assim os projetos complementares como o projeto estrutural elétrico de telefonia hidrossanitário de climatização segurança prevenção de incêndios etc Depois de elaborado o projeto o arquiteto deve encaminhálo aos outros profissionais que vão realizar os projetos complementares Assimile Os projetos complementares consistem na elaboração de soluções técnicas para os aspectos que integram o projeto arquitetônico como as instalações elétricas e hidrossanitárias sistemas estruturais terra planagem luminotecnia entre outros CAU 2013 Cada um desses projetos é realizado por especialistas da área No entanto cabe ao arquiteto fazer a coordenação e a compatibilização entre o projeto arquitetônico e os complementares O arquiteto pode contribuir com outros profissionais da construção civil facilitando a elaboração dos projetos complementares durante o desenvol vimento do projeto arquitetônico Para isso é necessário que ele conheça minimamente o funcionamento das instalações prediais para que consiga coordenar e compatibilizar todos os projetos da edificação Projeto de climatização Um bom projeto arquitetônico pode inclusive reduzir ou eliminar algumas instalações prediais como é o caso da climatização O Brasil é um país tropical que diferentemente dos países com clima temperado não apresenta grandes variações de temperatura durante o ano Essa caracterís tica climática confere à arquitetura brasileira uma oportunidade de utilizar iluminação e ventilação natural nas edificações diminuindo o gasto com sistemas de refrigeração Alguns ambientes dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS necessitam de condições controladas de temperatura e umidade como os centros cirúrgicos centros obstétricos Unidades de Tratamento Intensivo UTI entre outros Nesses casos o sistema de climatização é indispen sável e deve atender às normas contidas na NBR 7256 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS 2005 Os espaços assistenciais administrativos e quartos de internação por exemplo podem se beneficiar do uso de iluminação e ventilação natural e dependendo das condições climáticas da região onde o EAS será insta lado o sistema de climatização artificial pode ser eliminado Em cidades 165 onde a temperatura se mantém alta durante a maior parte do ano somente as condições naturais de ventilação não são suficientes para garantir o conforto térmico dos usuários Assim os sistemas de climatização gerais devem atender às normas da NBR 16401 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS 2008b Exemplificando Nos projetos arquitetônicos dos hospitais da rede Sarah o arquiteto João Figueiras Lima projetou uma cobertura em sheds a qual permite iluminação e ventilação natural nos edifícios Para a unidade localizada no Rio de Janeiro Figura 41 uma cidade que apresenta temperaturas altas em vários dias do ano o arquiteto pensou em um sistema que integra ventilação natural e climatização Além da cobertura em sheds característica de seus projetos o arquiteto idealizou um fechamento retrátil que permite a utilização de ar condicionado nos dias de alta temperatura Assim nos dias de temperatura amena essa segunda cobertura fica aberta mantendo a passagem da ventilação natural enquanto nos dias de muito calor a cobertura é fechada e o sistema de climatização é acionado Figura 41 Hospital Sarah Kubitschek Rio de JaneiroRJ Fonte Leonardo Finotti Disponível em httparqguiacomobrahospitalsarahlangptbr Acesso em 2 mar 2019 Os projetos complementares de instalações elétricas e hidrossanitá rias devem ser elaborados para qualquer edificação uma vez que a vida nas cidades exige energia elétrica abastecimento de água e esgotamento 166 sanitário Com os EAS isso não é diferente no entanto nesses casos existem algumas outras particularidades a serem observadas O projeto hidrossanitário consiste no projeto das instalações hidráulicas e de esgotamento sanitário Projeto hidrossanitário Instalações hidráulicas Quanto às instalações hidráulicas elas devem atender às exigências da NBR 5626 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS 1998 e da NBR 7198 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS 1993 para o abastecimento de água fria e quente respectivamente Um dos principais pontos a serem observados quanto ao abastecimento de água está relacionado ao consumo Esse cálculo deve ser realizado com base em Quantidade de quartos de internação Número de pacientes externos atendidos Quantidade de funcionários e estudantes Consumo específico de algumas atividades como hidroterapia diálise cozinha laboratório entre outros BRASIL 1994 O arquiteto precisa ter em mente que toda a água utilizada na edificação deve ser armazenada em um reservatório com capacidade de abastecimento autônomo para dois dias ou mais caso a rede pública falhe no abasteci mento As caixas dágua e cisternas ocupam determinada área no terreno e o arquiteto deve prever um local adequado para elas As caixas dágua geral mente são instaladas na cobertura da edificação onde a gravidade pode atuar na distribuição de água até os pontos determinados no projeto Lembrese de que a capacidade da caixa dágua influencia tanto em seu posicionamento uma vez que caixas dágua com capacidade maior possuem tamanho maior e consequentemente necessitam de área maior quanto em seu dimensiona mento estrutural pois quanto mais água mais peso atua sobre a estrutura No caso de cisternas elas normalmente estão no nível do solo ou subterrâ neas e necessitam de uma bomba que leve a água até o reservatório superior O arquiteto e o profissional responsável pelo projeto hidráulico devem estar alinhados para garantir que o sistema funcione corretamente e que seus elementos não prejudiquem a funcionalidade ou a estética do edifício 167 Esgotamento sanitário Com relação ao projeto de esgoto sanitário é preciso levar em conside ração a NBR 8160 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS 1999 e algumas particularidades próprias do EAS Além das tradicionais caixas de gordura e caixa de inspeção devem ser utilizadas outras caixas de separação de material de acordo com a atividade envolvida Cabe ao arqui teto saber posicionálas de forma que nenhum elemento construído interfira em seu acesso Por exemplo se houver algum piso sobre a caixa este deve ter uma tampa que permita a manutenção e a limpeza da caixa Caso o local onde será implantado o EAS tenha rede pública de esgoto todos os dejetos podem ser lançados nela Caso contrário devem ser previstos sistemas de tratamento de detritos para que eles sejam lançados em rios e lagos sem danos ao meio ambiente Projeto elétrico No projeto elétrico as normas a serem seguidas estão contidas na NBR 13534 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS 2008a Não existe um padrão de consumo uma vez que este depende do tipo de equipamento utilizado No entanto alguns cuidados devem ser tomados uma vez que alguns equipamentos eletroeletrônicos são de vital impor tância para os pacientes seja porque são utilizados em uma ação terapêutica seja porque são responsáveis pelo monitoramento dos parâmetros fisioló gicos desses pacientes É o caso das UTIs por exemplo Por conta disso as instalações elétricas devem contar com um sistema de alimentação capaz de fornecer energia mesmo em caso de falhas ou quedas superiores a 10 do valor nominal BRASIL 1994 Com base nisso foram determinadas três classes de emergência em que os ambientes são classificados de acordo com o tempo de restabelecimento da alimentação de energia BRASIL 1994 Classe 05 fonte capaz de assumir automaticamente o suprimento de energia nos casos de falha em no máximo 05 segundo e mantêla por no mínimo 1 hora Classe 15 fonte com chaveamento automático superior a 15 segundos ou manual que garante o suprimento de energia por 24 horas São alimentados por essa fonte os equipamentos eletroeletrônicos não ligados diretamente a pacientes por exemplo equipamentos de lavan deria esterilização de materiais e sistemas de descarte de resíduos 168 Classe 15 fonte de emergência que assume automaticamente o suprimento de energia quando a rede elétrica acusa queda superior a 10 do valor nominal por um período superior a 3 segundos É ativada em no máximo 15 segundos e mantém o suprimento de energia por 24 horas São alimentados por essa fonte os equipamentos eletromédicos utilizados em procedimentos cirúrgicos de susten tação da vida e aqueles integrados ao suprimento de gases Os sistemas de emergência demandam do arquiteto de forma semelhante ao caso das instalações hidrossanitárias uma conversa com o profissional responsável pelo projeto elétrico uma vez que os geradores de energia ocupam uma área considerável e são fontes de calor Ainda sobre as instalações elétricas o arquiteto deve estar atento para compatibilizar os pontos de tomada e a iluminação As tomadas devem estar distribuídas de maneira adequada no ambiente de acordo com os equipa mentos utilizados e o layout desenvolvido Não podem ser localizadas atrás de móveis e devem ficar afastadas de equipamentos que possam soltar líquidos para evitar curtocircuito A iluminação deve atender a algumas particularidades como a escolha de luminárias de teto para iluminação geral dos quartos de internação que não incomodem o paciente deitado além da disponibilização de uma arandela na parede próxima à cama para leitura O Quadro 41 sintetiza alguns aspectos a serem observados acerca dos projetos complementares de climatização instalações hidrossanitárias e elétricas Quadro 41 Características das instalações prediais de EAS Instalações de climatização Tomada de ar as tomadas de ar não podem estar próximas aos dutos de exaustão de cozinhas sanitários laboratórios centrais de gás combustí vel grupos geradores vácuo estacionamento interno e edificação bem como de outros locais onde haja emanação de agentes infecciosos ou gases nocivos estabelecendose a distância mínima de 8 metros desses locais Renovação de ar o sistema de condicionamento artificial de ar necessita de insuflamento e exaustão de ar do tipo forçado atendendo aos requisi tos quanto à localização de dutos em relação aos ventiladores pontos de exaustão do ar e tomadas do mesmo Ininterrupção do sistema para os setores que necessitam de troca de ar constante tem de ser previsto um sistema energético para atender às condições mínimas de utilização do recinto quando da falta do sistema elétrico principal com o mínimo período de interrupção 169 Instalações hidráulicas Consumo médio de água fria Paciente interno 120 Ldia Paciente externo doador e público 10 Ldia Funcionário e estudante 50 Ldia Reabilitação hidroterapia depende dos equipamentos utilizados piscina tanque de turbilhão tanque de Hubbard tanque de gelo etc Diálise 300 Ldia por cadeira Cozinha 25 Ldia Laboratórios depende do tipo de laboratório Lavanderia 35 a 40 Ldia por kg de roupa seca Observação atendimento imediato clínica obstétrica internação intensiva 6 kgleitodia Internação em clínicas médicas cirúrgicas e pediátricas 4 kg leitodia Internação em clínica especializada variável Consumo médio de água quente Higienização pacientes e funcionários 30 Lbanho a 60ºC Cozinha 12 Lrefeição a 60ºC Lavanderia 15 Lkg de roupa seca a 74ºC Instalações de esgotamento sanitário Caixas de separação de material Unidade de Nutrição e Dietética Lactário e Nutrição Enteral caixa de gordura Laboratório de bioquímica caixa de separação de material químico em atividade Laboratório para revelação de filmes e chapas caixa de separação de prata Unidade de Medicina Nuclear caixa de separação de material radio ativo Unidade de Processamento de Roupa caixa de separação de produto de lavagem Sala de gesso caixa de separação de gesso Oficina de manutenção caixa de separação de graxa Caixa de separação para os efluentes de lavadores de gás de chaminés de caldeiras 170 Instalações elétricas Tomadas Enfermaria da Unidade de Internação Geral uma tomada para equi pamento biomédico por leito isolado ou a cada dois leitos adjacentes alimentada por circuito semicrítico além de acesso à tomada para aparelho transportável de raios X distante no máximo 15 metros de cada leito Berçário uma tomada para cada quatro berços e uma tomada para cada incubadora As incubadoras são alimentadas por circuito semicrítico Área coletiva da Unidade de Internação Intensiva seis tomadas para equipamento biomédico por leito berçário ou incubadora alimen tadas por circuitos críticos além de acesso à tomada para aparelho transportável de raios X distante no máximo 15 metros de cada leito Sala de cirurgia e sala de parto três conjuntos com quatro tomadas cada em paredes distintas alimentados por circuitos críticos e toma da para aparelho transportável de raios X Iluminação dos quartos de internação e UTI Iluminação geral em posição que não incomode o paciente deitado Iluminação de cabeceira de leito na parede arandela Iluminação de exame no leito com lâmpada fluorescente Iluminação de vigília na parede a 50 cm do piso Fonte adaptado de Brasil 1994 Projeto de instalações fluidomecânicas Além dos projetos complementares mencionados os edifícios hospi talares contam com instalações fluidomecânicas vapor gás combustível oxigênio medicinal ar comprimido vácuo e óxido nitroso Esse projeto é bastante complexo e deve ser realizado por um profissional especializado No entanto o arquiteto precisa compreender ao menos o básico sobre ele para que possa compatibilizar os projetos Pesquise mais O manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assis tenciais de Saúde fornece as diretrizes para as instalações fluidomecâ nicas do edifício hospitalar No Capítulo 7 Instalações Prediais Ordiná rias e Especiais o item 3 aborda o tema Instalações Fluido Mecânicas páginas 124 a 128 BRASIL Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assisten ciais de Saúde Brasília Ministério da Saúde 1994 171 Projeto de interiores Materiais e limpeza Outro tipo de instalação que apesar de não receber essa denominação possui muita importância no desempenho do edifício são os materiais Revestimentos como peças cerâmicas porcelanatos pintura pisos vinílicos madeira entre tantos outros fazem parte da composição dos ambientes de uma edificação Os materiais escolhidos através de suas caracterís ticas físicoquímicas texturas e cores devem transmitir uma sensação de bemestar segurança e limpeza GÓES 2004 A limpeza se refere à facili dade de higienização de um material devendo ser evitados materiais porosos que acumulem poeira e outras substâncias O ideal é que as paredes sejam pintadas com tinta lavável ou tenham revestimento cerâmico no caso de banheiros cozinhas centros cirúrgicos e laboratórios Quanto aos pisos existem opções de rodapés curvos que eliminam o acúmulo de poeira e facilitam a limpeza dos cantos como no caso do piso vinílico Figura 42 Figura 42 Exemplo de rodapé curvo com piso vinílico Fonte DiPiso Disponível em httpwwwdipisocombrprodutos57suporteparacantocurvo Acesso em 3 mar 2019 Segurança Em se tratando de segurança é aconselhável evitar materiais com frestas e quinas que possam machucar o paciente Os pisos não podem ser escorre gadios e devem estar nivelados inclusive os rejuntes caso existam para que não haja trepidação do paciente que é carregado sobre uma maca ou cadeira de rodas É interessante notar que como na maior parte do tempo o paciente está deitado o teto deve receber um tratamento especial que estimule a recuperação do enfermo GÓES 2004 172 Bemestar Quando falamos de bemestar existem inúmeros fatores que podem contribuir para esse sentimento os espaços humanizados a influência da iluminação e ventilação natural e os benefícios da vegetação para a recupe ração dos doentes O bom uso de cores e texturas em um ambiente interno pode influenciar o modo como os pacientes enxergam o edifício O projeto de interiores deve ter por objetivo evitar a criação de ambientes com condições muito estáveis monótonas e impessoais GÓES 2004 fugindo do conhecido padrão hospitalar de ambientes completamente brancos desde os elementos da construção até o jaleco dos funcionários A monotonia não prejudica apenas o conforto ambiental dos pacientes mas também diminui o desempenho das tarefas do trabalho GÓES 2004 Reflita Durante a elaboração do projeto do EAS é fundamental pensar sobre funcionalidade e conforto ambiental A percepção do usuário sobre os espaços pode influenciar seu tratamento e essas condições podem ser determinadas pelo arquiteto a partir de algumas escolhas Pensando nisso de que forma a estética do edifício pode contribuir para a cura dos doentes Segundo Góes 2004 as boas condições ambientais devem representar o principal objetivo de um edifício hospitalar estando implícitas em sua própria essência Nesse sentido a especificação de materiais e o planejamento adequado das instalações prediais representam a consolidação do projeto arquitetônico que deve ser idealizado segundo os princípios de funcionali dade e conforto ambiental Chegamos ao fim de mais um tópico temático sobre arquitetura hospi talar e estamos caminhando para a finalização do projeto Com os conceitos aqui aprendidos você já pode refinar sua proposta para que ela esteja apta a ser edificada e utilizada com eficiência e conforto Sem medo de errar Você e sua equipe de trabalho estão prestes a finalizar uma proposta arquitetônica para uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo que será inaugurado na cidade Com quase tudo definido restam os ajustes finais para a concretização da apresentação do projeto 173 Agora que todos os desenhos técnicos do projeto arquitetônico já foram desenvolvidos você deve orientar a elaboração dos projetos complementares instalações hidrossanitárias instalações elétricas e de climatização Antes de enviar o projeto para os profissionais responsáveis você pode estipular previamente como gostaria que eles fossem resolvidos Por exemplo os desenhos enviados ao engenheiro eletricista podem constar os pontos de tomada e iluminação de acordo com o layout que você desenvolveu para os ambientes Não se esqueça de que alguns dos equipamentos utilizados no Estabelecimento Assistencial de Saúde precisam de sistema elétrico diferen ciado ou de emergência Da mesma forma os pontos para ar condicio nado exaustão e as instalações fluidomecânicas ar comprimido vácuo oxigênio óxido nitroso e vapor devem ser posicionados de acordo com o ambiente Você pode consultar o manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde elaborado pelo Ministério da Saúde BRASIL 1994 p 4591 para verificar quais instalações são necessárias em cada um dos ambientes hospitalares Ainda você deve prever um espaço laje técnica sala de máquinas ou similar que comporte os equipamentos necessários nas instalações prediais caixas dágua cisternas geradores de energia evaporadores do sistema de climatização etc Você pode realizar o prédimensionamento das caixas dágua e cisternas de acordo com os dados sobre consumo apresentados no Quadro 41 desta seção Você deve incorporar essas informações ao projeto a partir da elabo ração de novos desenhos técnicos que identifiquem os elementos citados Desenvolva a planta baixa de pontos elétricos planta de iluminação e planta de pontos hidrossanitários Não se esqueça de compatibilizar a locação dos pontos com o layout já desenvolvido O projeto de instalações fluidomecânicas apesar de também ser um projeto complementar da área da saúde deve ser realizado por profis sional especializado A fim de iniciar os detalhamentos do projeto você também deve elaborar uma lista de especificação dos materiais que vão compor a estrutura física do EAS Assim escolha o acabamento de piso parede e teto de acordo com cada ambiente Essas informações podem ser identificadas em uma planta baixa de acabamentos e em elevações das paredes que vão receber algum tipo de revestimento Organize os desenhos em pranchas tamanho A3 sem necessidade de humanização das peças gráficas Esses desenhos devem ser anexados ao memorial descritivo do projeto e entregues ao final da disciplina 174 Avançando na prática Especificação de materiais como solução de problemas Um cliente deseja utilizar um terreno anexo a um hospital como estaciona mento para os funcionários Em uma visita ao lote você percebeu que o terreno é plano de terra batida e não possui nenhuma cobertura vegetal Você identi ficou também que a rua onde o terreno está localizado recebe muita água proveniente das chuvas por estar em uma cota de nível inferior ao entorno Como você solucionaria o problema do projeto do estacionamento e qual proposta apresentaria ao cliente Resolução da situaçãoproblema Todo projeto por mais simples que seja envolve a análise de diversos aspectos Um estacionamento em um terreno vazio parece algo fácil de ser resolvido basta pavimentar todo o lote e pintar as vagas no chão Mas será que isso é eficiente Proporcionaria algum conforto aos usuários Vamos analisar a situação do ponto de vista de desempenho Como foi obser vado em uma visita técnica o lote recebe muita água da chuva pois está localizado em uma área mais baixa em relação ao entorno O terreno está em terra batida ou seja é completamente permeável É possível que a impermeabilização do solo possa ocasionar enchentes no lote uma vez que a água não infiltrará mais no solo Assim a especificação de pisos drenantes ou de pavimentos semipermeáveis como o concregrama Figura 43 evitaria problemas com a drenagem urbana Figura 43 Exemplo de piso concregrama Fonte Wikimedia Commons Disponível em httpscommonswikimediaorgwikiFileRasenpflasterstein1 jpg Acesso em 3 mar 2019 175 Em cada projeto é necessário analisar a qual atividade ou função ele se propõe para que seja possível oferecer as melhores condições para sua reali zação A função de um estacionamento é guardar o automóvel enquanto ele não está sendo utilizado para locomoção Qual é a melhor forma de se fazer isso Do ponto de vista de conforto um carro esquenta quando fica no sol durante um período de tempo sendo desconfortável permanecer em seu interior Proporcionar áreas de sombra para que os usuários tenham mais conforto quando retornem a seus veículos seria uma boa maneira de exercer a função proposta Nesse caso poderiam ser colocadas coberturas com tela solar ou outros materiais que permitam a passagem de iluminação natural porém de forma filtrada e com menor transmissão de calor O plantio de árvores também é uma solução adequada uma vez que a vegetação propor ciona bemestar psicológico Faça valer a pena 1 Os projetos complementares são soluções técnicas desenvolvidas para as instalações prediais associadas ao projeto arquitetônico Alguns desses projetos são de caráter genérico sendo aplicados em praticamente todas as edificações Outros no entanto são mais específicos e necessários em alguns tipos de estabelecimentos Assinale a alternativa que contém o projeto complementar específico apenas da área de saúde a Instalações de climatização b Instalações hidrossanitárias c Instalações elétricas d Instalações fluidomecânicas e Instalações luminotécnicas 2 A especificação de materiais faz parte do detalhamento do projeto e consiste em indicar quais produtos serão utilizados na construção e seu local e forma de aplicação Os materiais escolhidos dependem do tipo de estabele cimento da oferta no mercado local do preço entre outros fatores Escolha a alternativa que apresenta as características que devem ser obser vadas pelo arquiteto no momento de escolher os materiais para uma edifi cação de saúde 176 a Os materiais devem ter cores e texturas que garantam o bemestar dos usuários independentemente de suas características físicoquímicas b Os materiais devem ser os mais baratos do mercado pois as edifica ções de saúde são construídas com verba pública c Os materiais devem ser resistentes e impermeáveis garantindo a completa higienização e assepsia das superfícies d Os materiais escolhidos devem ser classificados como lançamentos do mercado pois apresentam tecnologia mais avançada e Os materiais devem ser escolhidos de acordo com o gosto pessoal do arquiteto ignorando fatores como economia durabilidade e limpeza 3 Segundo Góes 2004 p 105 um aspecto do edifício hospitalar que deveria estar implícito na própria essência dos seus objetivos é o das suas condições ambientais Com base no conforto ambiental das edificações avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas I A especificação de materiais em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde devem levar em consideração fatores como resistência durabi lidade higienização e economia Outros elementos como cores e texturas podem ser incorporados ao processo de seleção visando oferecer um ambiente que proporcione bemestar aos usuários PORQUE II O conforto ambiental de um espaço é determinado pela forma como seus elementos foram selecionados e organizados Além da escolha correta de materiais a estrutura física dos edifícios possui grande influência na sensação de conforto uma vez que por meio dela é possível utilizar a iluminação e a ventilação natural de maneira adequada A respeito dessas asserções assinale a alternativa correta a As asserções I e II são proposições verdadeiras mas a II não justifica a I b As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I c A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é falsa d A asserção I é uma proposição falsa e a II é verdadeira e As asserções I e II são proposições falsas 177 Seção 2 Elaboração de maquete física e virtual Diálogo aberto Você já se sentiu perdido ao conversar com alguém que fala sobre algo que você não domina É assim que alguém que não é da área da construção civil se sente quando observa uma planta baixa pela primeira vez Antes que o profissional explique o que é cada símbolo no desenho um leigo olhará para um emaranhado de linhas e provavelmente não entenderá absoluta mente nada Os modelos tridimensionais diferentemente dos desenhos técnicos são muito mais facilmente compreendidos pelos indivíduos auxiliando na apresentação do projeto além de outros recursos durante o processo projetual Lembrese de que você é um arquiteto especialista em arquitetura hospi talar e que seu escritório participará de um concurso público para o projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS a ser implantada em um loteamento recéminaugurado localizado no interior do estado Até agora boa parte do projeto já foi desenvolvido e você já tem os desenhos técnicos a compatibili zação dos projetos complementares e a especificação dos materiais Chegou o momento de você e sua equipe realizarem as maquetes desse projeto que garantirão a completa compreensão das ideias do arquiteto Uma imagem em três dimensões feita em um computador ou uma maquete física por mais simples que sejam transmitem as ideias do profissional com muita clareza Contudo a maquete não é utilizada apenas na etapa de apresentação do projeto Para quais outros aspectos do projeto a maquete poderá contribuir Quais as formas de elaboração de maquetes Nesta seção veremos em quais etapas do projeto a maquete pode ser utilizada quais as diferenças entre a maquete virtual e a física e os equipa mentos ou softwares utilizados para a confecção delas Ainda veremos como as maquetes são úteis na elaboração de estudos que contribuirão para a quali dade final da edificação Bons estudos Não pode faltar As maquetes arquitetônicas são muito importantes para a concepção do projeto pois o modelo em três dimensões confere mais realismo do que o desenho no papel KOWALTOWSKI et al 2006 As maquetes de 178 arquitetura exigem técnicas e execução precisas pois elas representarão uma edificação um mobiliário uma parte da cidade entre outros a fim de transmitir os conceitos do projeto por meio de um modelo tridimensional Dessa forma assim como os desenhos arquitetônicos a maquete deverá ser confeccionada em uma escala apropriada para que seja mantida a proporção de suas dimensões Geralmente a escala é reduzida sendo as mais utilizadas 1100 ou 1200 A maquete de ampliação é utilizada somente para mostrar detalhes importantes Existem dois tipos de maquete as físicas e as virtuais As maquetes físicas como o próprio nome diz são produzidas a partir de materiais palpáveis como os papéis cartolina papel duplex papel triplex papel paraná papel pardo etc madeiras balsa MDF aglomerado etc e plásticos acetato PVC acrílico isopor etc entre outros Já as maquetes virtuais são feitas a partir de programas computacionais desenvolvidos especialmente para a produção de modelos tridimensionais Para Pallasmaa 2005 as maquetes físicas têm o poder de estabelecer um vínculo entre o expectador e o projeto onde o projetista pode manusear o modelo permitindo que a imaginação seja estimulada enquanto as maquetes virtuais estão condicionadas a um comportamento passivo de manipulação visual que cria um distanciamento entre o modelo e o sujeito Unir a experiência proporcionada pelas maquetes físicas à racionalização e à precisão das maquetes virtuais pode garantir que o projeto seja analisado segundo os aspectos dos sentidos e da técnica Existe hoje uma infinidade de softwares que podem ser utilizados na confecção de maquetes virtuais Uma das tecnologias que ajudou o trabalho do arquiteto é a chamada BIM do inglês Building Information Model ou Modelo da Informação da Construção Essa tecnologia consiste em incor porar informações a cada um dos elementos do projeto conferindolhes detalhes referentes à composição de materiais Dessa forma qualquer alteração feita em alguns dos objetos é automaticamente atualizada em todas as vistas do projeto planta baixa cortes elevações modelo tridi mensional o que agiliza muito a elaboração de maquetes virtuais Um dos principais softwares dessa tecnologia é o Revit da empresa Autodesk a mesma empresa que desenvolveu o AutoCAD muito utilizado para desenhos técnicos Outro programa computacional muito utilizado para a elaboração de maquetes virtuais é o Sketchup comercializado pela Google O Sketchup é mais intuitivo e fácil de trabalhar do que o Revit porém a tecno logia BIM só poderá ser incorporada ao programa com o uso de módulos de extensão ou plugins como o Sketchup BIMTools e o BIMobject A função destes plugins é adicionar informações ao projeto que permitam a sua automação e a sua sincronização com dados quantitativos de materiais de custo entre outros Uma das vantagens da tecnologia BIM é permitir a 179 parametrização ou seja a identificação de parâmetros que podem constituir dimensões materiais estrutura entre outras especificações do objeto Com isso é possível modificar os objetos de forma rápida elaborar orçamentos de acordo com os produtos utilizados ou calcular a quantidade de material Pesquise mais No Revit cada grupo de componentes objetos é chamado de família A atribuição de parâmetros a essa família possibilitará a sua edição de forma rápida Por exemplo o comprimento ou largura de um elemento poderá ser definido como parâmetro e uma vez modificado o modelo será atualizado em todas as vistas Sugerimos que assista ao vídeo indicado a seguir disponível no YouTube que mostra um exemplo de parametrização PARAMETRIZAÇÃO de Famílias no Revit Sl DANEngenharia 2017 1 vídeo 1 min 10 s Publicado pelo canal DANEngenharia Além dos programas de modelagem existem também aqueles voltados para a renderização das imagens tridimensionais ou seja a adição de efeitos como luzes e propriedades dos materiais reflexão refração transparência textura etc A renderização é a responsável por conferir realismo às imagens obtidas do modelo tridimensional Alguns dos softwares dessa categoria são o Lumion o Twinmotion e o VRay Esse último consiste na verdade em um plugin que pode ser associado aos programas de modelagem 3D As imagens obtidas com esses softwares conseguem atingir um nível de realismo tão alto que podem ser confundidas com fotografias reais dos edifícios Figura 44 Figura 44 Imagem renderizada Fonte Shutterstock 180 Para garantir a qualidade da maquete alguns aspectos devem ser obser vados tanto em maquetes físicas quanto em virtuais Nas maquetes físicas é importante que os materiais a estação de trabalho e as ferramentas estejam constantemente limpos para evitar manchas de tinta marcas de cola ou sujeira Além disso é importante que a lâmina do estilete esteja afiada caso contrário o corte dos materiais terá rebarbas e não apresentará um bom acabamento Tenha muito cuidado ao manusear os objetos cortantes pois você poderá se machucar Nas maquetes virtuais um dos pontos a serem observados é a organi zação do modelo separandoo em blocos e camadas que ajudem a identificar o que é cada coisa dentro do desenho A modelagem dos objetos blocos deve ser feita com geometria detalhada para garantir um bom acabamento Figura 45 Além disso as imagens texturas que serão utilizadas para representar os materiais devem ter alta qualidade Figura 45 Exemplo de um objeto modelado com mais faces a e com menos faces b Fonte adaptada de Shutterstock Uma das funções da maquete durante o desenvolvimento do projeto é permitir a realização de testes e estudos preliminares de iluminação venti lação implantação entre outros funcionando como um protótipo do objeto que será edificado O processo de obtenção de uma cópia de um produto que ainda será executado a fim de analisálo é chamado de prototipagem SAURA 2003 Segundo Saura 2003 é possível determinar três categorias de prototipagem manual virtual e rápida A prototipagem manual consiste a b 181 na elaboração da maquete física confeccionada artesanalmente com ferra mentas como estiletes réguas e lapiseiras A prototipagem virtual é aquela em que os modelos são produzidos em programas computacionais maquetes virtuais e submetidos a testes diversos como os de iluminação e ventilação Assimile O estudo das condições acústicas lumínicas de insolação e ventilação dentre outras características ambientais de uma construção é de extrema importância para garantir o conforto nos espaços As maquetes auxiliam nesse processo pois a partir delas é possível verificar diversos aspectos como o melhor posicionamento de aberturas para aprovei tamento da luz solar e da ventilação de acordo com o clima da região a distribuição e a intensidade da iluminação artificial e o tratamento adequado ao nível de ruído do ambiente Existem softwares que permitem a elaboração de estudos de insolação ventilação tensionamento de estruturas iluminação artificial entre outros aspectos que envolvem a edificação Podemos citar o próprio Sketchup como um dos programas que permitem a análise da insolação sobre a construção Para isso é necessário configurar o programa com a geolocalização do terreno latitude e longitude a fim de obter o caminho do sol corretamente Essa funcionalidade é relativamente simples de ser utilizada e permite a obtenção de dados importantes que influenciarão o conforto térmico da edificação Podemos citar ainda outros softwares mais avançados como o SONarchitect que avalia o desempenho acústico da edificação e o DIALux que afere a iluminância gerada pela iluminação artificial Com relação às maquetes físicas equipamentos como o Heliodon e o túnel do vento são utilizados para analisar as condições de insolação e ventilação respectivamente O Heliodon é um equipamento que simula a trajetória do sol de acordo com o dia o horário e a localização da construção Com ele é possível analisar quais faces do projeto receberá mais ou menos sol e propor uma proteção solar adequada à intensidade de luz recebida Nos túneis de vento é possível analisar como o fluxo de circulação do ar acontecerá no edifício além de permitir estudos de segurança estrutural Já a prototipagem rápida é uma mistura de ambas e consiste em produzir maquetes físicas a partir de um modelo gerado por um programa do tipo CAD SAURA 2003 Segundo Sass e Oxman 2006 existem três tipos de máquinas capazes de produzir os protótipos cortadoras subtrativas e aditivas As máquinas cortadoras mais comuns são as de corte a laser que permitem 182 cortar um material plano de acordo com peças desenhadas com o auxílio dos softwares As peças obtidas serão utilizadas posteriormente para a montagem da maquete Nesse processo é importante que exista o planejamento das peças que comporão o modelo a partir da planificação da edificação e da elaboração de encaixes que viabilizarão a montagem do modelo As máquinas subtrativas realizam um processo semelhante ao de uma escultura em que as peças brutas são esculpidas para a obtenção do modelo Já as máquinas aditivas produzem a maquete a partir da deposição de material normalmente um plástico camada por camada São conhecidas como impressoras 3D A Figura 46 mostra exemplos de prototipagem rápida obtidas com diferentes máquinas Figura 46 Exemplo de máquinas cortadora a subtrativa b e aditiva c Fonte adaptada de a Pixabay b Shutterstock c httpscommonswikimediaorgwikiFile3DDrucke rE28093CeBIT201602jpg Acesso em 16 set 2019 b c a 183 As maquetes de edificações podem ser utilizadas em várias etapas do projeto desde o desenvolvimento inicial até a apresentação final No momento da concepção do projeto a sua principal função é permitir estudos volumétricos de implantação de insolação e ventilação natural que orien tarão o profissional nas decisões a respeito do projeto Assim cada maquete de estudo dará ênfase ao aspecto que ela deseja analisar sem destacar cores ou elementos para que não chamem a atenção Por isso as maquetes de estudo geralmente são monocromáticas Figura 47 Figura 47 Exemplo de maquete física de estudo Fonte Shutterstock Exemplificando Em uma maquete de estudo de volumetria pouco importa quais são os materiais da fachada A ênfase maior deve ser dada à solução formal da edificação portanto as cores e texturas não devem ser utilizadas Em vez disso talvez seja interessante representar o gabarito das edifica ções do entorno na maquete para analisar como o edifício será perce bido no contexto da cidade Nesta etapa é recomendada a confecção de maquetes físicas já que elas não estão suscetíveis às distorções de perspectiva ocasionadas por falhas de configuração dos softwares Essas falhas podem ocasionar uma 184 falsa percepção da realidade dando a impressão de elementos maiores ou menores dependendo da situação Já nas etapas finais o principal intuito é auxiliar o arquiteto a transmitir as suas ideias uma vez que o entendimento de um modelo tridimensional é mais simples e fácil do que o de desenhos técnicos KOWALTOWSKI et al 2006 Nesse caso o aspecto a ser enfatizado é aquele que o cliente considera como o mais importante porém sem prejudicar a representação do projeto como um todo sua forma e seus materiais São recomendadas as maquetes virtuais e principalmente as imagens renderizadas obtidas a partir desses modelos Figura 48 Dependendo das texturas e dos blocos utilizados e das configurações realizadas pelo arquiteto essas imagens poderão apresentar um nível de realismo muito alto com o poder de encantar o cliente Dessa forma é possível convencêlo a adotar as ideias propostas pelo profissional de forma muito mais fácil pois o cliente terá compreendido o projeto Figura 48 Exemplo de imagem renderizada Fonte Shutterstock Reflita Os softwares estão sempre recebendo atualizações que modificam e aperfeiçoam o seu funcionamento De que forma os projetos poderão ser aprimorados com o uso dessa tecnologia e como ela influencia o cotidiano profissional A maquete é uma parte importante do projeto e atualmente podemos dizer que é obrigatória principalmente na etapa de apresentação do projeto 185 Muitos clientes solicitam e esperam ver as imagens renderizadas a fim de obterem uma prévia de como ficará a sua edificação antes mesmo de ser construída Por isso é imprescindível que o arquiteto tenha conhecimento sobre as ferramentas de elaboração de maquetes a fim de enriquecer o seu trabalho Sem medo de errar Você e sua equipe fazem parte de um escritório especializado em arquite tura hospitalar e estão participando de um concurso público para um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS O projeto que vocês estão desenvol vendo está quase finalizado A fim de melhorar a apresentação das ideias da equipe à banca do concurso será apresentada uma maquete virtual da UBS Utilize os desenhos técnicos como base para elaborar a modelagem tridi mensional do edifício Você pode escolher o programa de modelagem com que tenha mais habilidade O uso do software Sketchup é recomendado devido à sua maior facilidade de utilização Inicie importando a planta baixa em formato dwg que servirá como base do projeto Desenhe as estruturas as paredes as coberturas e os pisos e utilize diferentes camadas e blocos para organizar os desenhos Depois desenhe as aberturas e por último os elementos como mobiliário e vegetação Utilizando o Sketchup você terá uma biblioteca de blocos disponíveis gratuitamente no 3D Warehouse Porém cuidado ao fazer a seleção pois ela não deve ser feita aleatoriamente com base apenas na facilidade de obtenção oferecida pela biblioteca Isso porque são os próprios usuários que adicionam os modelos à galeria e existem objetos de todas as partes do mundo desde árvores que só crescem em climas frios até mobiliários de design que são vendidos apenas na Europa Você deverá selecionar os blocos de forma criteriosa levando em consideração aqueles que poderão ser executados no projeto Se a intenção da maquete é mostrar como a construção ou o ambiente ficará depois de pronto esse cuidado é muito importante Depois de todos os objetos e elementos desenhados acrescente os materiais ao projeto Não se esqueça de utilizar imagens de alta qualidade para representar as texturas dos materiais a fim de obter um acabamento melhor do modelo Existem sites na internet que disponibilizam pacotes de texturas como o Sketchup Texture Club Nesse site você pode baixar as texturas gratuitamente ou optar por comprar a imagem em alta resolução juntamente com os mapeamentos necessários para a configuração do material nos softwares de renderização 186 Feito tudo isso você terá um modelo tridimensional da UBS pronto para ser renderizado Guarde o arquivo em um local seguro para utilizálo nas próximas etapas do projeto Avançando na prática Avaliação de conforto em maquetes físicas As maquetes físicas em especial são muito utilizadas para a realização de estudos de conforto ambiental que garantirão a qualidade dos ambientes dos quais o usuário desfrutará com bemestar livre de situações desconfortáveis A insolação e a ventilação são dois fatores que influenciam de maneira signi ficativa o desempenho térmico da edificação Portanto no Brasil os estudos voltados para a proteção contra o sol e o aproveitamento dos recursos naturais são ótimas formas não só de garantir o conforto mas também de gerar economia para a edificação Você já fez a análise da insolação que incide no terreno com o Heliodon porém agora você deverá analisar se o seu projeto conseguiu aproveitar as condições climáticas para gerar conforto ambiental Resolução da situaçãoproblema Você deverá utilizar a maquete volumétrica da Unidade Básica de Saúde UBS que está desenvolvendo para realizar novos estudos com o Heliodon Caso o projeto tenha sido alterado ao longo de seu desenvolvimento será necessária a confecção de um novo modelo tridimensional que deve ser simples monocromático e em escala 1200 Identifique quais as áreas de sombra e quais as áreas que recebem maior insolação e analise se a incidência solar está adequada ao clima da região permitindo a obtenção de luz natural sem prejudicar o conforto térmico Você deverá propor soluções para as incompatibilidades observadas que dependerão do problema encontrado como aumentar a área das janelas para receber mais luz natural ou incorporar algum tipo de proteção contra a insolação Essa proteção poderá ser feita por meio de brises fachadas venti ladas redução de aberturas aumento da espessura das paredes e até mesmo com vegetação Cabe ao arquiteto solucionar o problema em questão para minimizar o desconforto ocasionado pelo calor tropical de nosso país Tire fotos do estudo e organizeas em uma prancha indicando os aspectos obser vados e qual foi a solução adotada 187 Faça valer a pena 1 A execução das maquetes físicas ou virtuais é uma etapa importante para qualquer projeto arquitetônico No entanto o uso de cada uma delas apresenta vantagens e desvantagens Com base nisso avalie as afirmativas a seguir I A maquete física será sempre mais realista do que a maquete virtual pois ela não permite distorções de perspectiva ocasionadas pelos programas computacionais que poderão tornar os elementos maiores ou menores II A partir da maquete virtual é possível gerar imagens utilizando os softwares de renderização em que os efeitos de luz e os materiais realistas aproximam o modelo tridimensional do projeto executado III Os profissionais geralmente adaptamse melhor a um tipo de maquete Eles poderão adequar a sua forma de projetar e apresentar as propostas de acordo com a sua habilidade em elaborálas IV Apesar de a maquete não ser considerada obrigatória pelos órgãos públicos responsáveis pela aprovação do projeto ela se faz necessária no mercado atual uma vez que são demandadas pelos clientes Assinale a alternativa que contém apenas as afirmativas corretas a I III e IV apenas b II e III apenas c II III e IV apenas d II e IV apenas e I II III e IV 2 Entre os softwares para modelagem tridimensional de projetos de arqui tetura existem aqueles que contam com a tecnologia BIM Modelo da Infor mação da Construção Essa tecnologia consiste em incorporar informações a cada um dos elementos do projeto conferindolhes detalhes referentes à composição de materiais e ao dimensionamento O nome desse processo é parametrização Com base no texto apresentado assinale a alternativa correta a Parametrização e prototipagem rápida são um mesmo processo que consiste na produção de maquetes de forma ágil e eficiente 188 b Com a parametrização as alterações feitas em qualquer um dos objetos não será atualizada automaticamente em todos os desenhos do projeto c A parametrização serve apenas para agilizar o trabalho do arquiteto facilitando a edição das características dos componentes do projeto d Uma das vantagens da parametrização é permitir a realização de orçamentos e cálculos da quantidade de materiais que serão utilizados na obra e A parametrização não é uma ferramenta exclusiva da tecnologia BIM uma vez que os programas do tipo CAD também contam com esse recurso 3 O desempenho térmico da edificação é importante para garantir o conforto dos usuários Existem formas de realizar estudos de insolação e ventilação que ajudarão o arquiteto a propor soluções de acordo com a locali zação do terreno e da construção Com base nisso avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas I O Heliodon e o túnel de vento são equipamentos utilizados para a elaboração de estudos em maquetes físicas enquanto nas maquetes virtuais as análises são realizadas por meio de uso de softwares PORQUE II As análises de maquetes virtuais realizadas em programas computa cionais não dependem da intervenção do arquiteto uma vez que o software dá todas as informações e dados referentes ao desempenho da edificação A respeito dessas asserções assinale a alternativa correta a As asserções I e II são proposições verdadeiras mas a II não justifica a I b As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I c A asserção I é uma proposição verdadeira e a II falsa d A asserção I é uma proposição falsa e a II verdadeira e As asserções I e II são proposições falsas 189 Seção 3 Apresentação do anteprojeto Diálogo aberto Caro aluno você acompanhou todas as aulas e desenvolveu um projeto de arquitetura para um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS Os conteúdos deste material possibilitaram ampliar o seu conhecimento técnico acerca de um nicho específico de projeto com características que demandam soluções cuidadosas de caráter técnico e humanitário Agora chegou o momento de realizar a última etapa do projeto arquitetônico a apresentação Você trabalha em um escritório de arquitetura especializado em projetos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS e a equipe da qual faz parte participará de um concurso público para um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS a ser implantada no bairro novo da cidade onde mora no interior do estado Você já tem tudo o que precisa para apresentar o projeto agora falta apenas planejar como será feita essa apresentação Além dos desenhos técnicos e das peças gráficas você também deverá elaborar um memorial justificativo e descritivo que explanará suas ideias em forma de texto Você sabe como as informações do projeto deverão ser organizadas Quais os tipos de apresentação e qual a finalidade de cada uma delas Como criar uma apresentação envolvente e relevante ao público Nesta seção veremos como preparar a apresentação do projeto de acordo com a situação Abordaremos os elementos que conferem identidade visual às pranchas como diagramação paleta de cores fontes e símbolos Além disso por se tratar de um projeto da área de saúde veremos quais são as documen tações específicas que serão utilizadas para a aprovação do projeto nos órgãos competentes Ao final desta unidade você terá concluído um projeto arquite tônico com desenhos de alta complexidade como um anteprojeto Não pode faltar Depois de passar pelas diferentes fases de desenvolvimento de um projeto de arquitetura elaboração do programa arquitetônico estudo preliminar e anteprojeto é chegada a hora da apresentação da proposta arquitetônica um dos momentos mais importantes do projeto de arquitetura O sucesso ou fracasso do projeto será influenciado pela capacidade do profissional de transmitir as suas ideias a um público específico Esse público pode ser um cliente uma comunidade um órgão institucional ou uma banca avaliadora 190 de um concurso ou de uma instituição de ensino Caso esse público compreenda o projeto e considereo adequado às necessidades do cliente a edificação terá mais chances de ser aprovada e utilizada pela população Sendo assim o primeiro aspecto a ser considerado é o tipo de público para o qual a apresentação será direcionada pois dependendo do nível de familiaridade que ele tiver com a linguagem de projeto desenhos diferentes deverão ser utilizados Quando a plateia é leiga os desenhos deverão ter uma linguagem mais simples para que sejam mais facilmente compreendidos podem ser apresentados croquis desenhos 3D e maquetes No caso de uma plateia com conhecimento na área a linguagem poderá ser mais técnica e podem ser apresentados desenhos técnicos e detalhamentos bem como maquetes e desenhos 3D Outro aspecto importante a ser observado são os interesses do público alvo Para criar uma apresentação envolvente e com conteúdo relevante é necessário conhecer quais são as necessidades do público e enfatizálas no momento da explicação do projeto Durante a concepção projetual o arqui teto já terá solucionado alguns dos problemas encontrados e elaborado uma proposta que atenda às necessidades dos usuários portanto a apresentação deverá mostrar a maneira com que esses aspectos foram resolvidos É possível categorizar a apresentação de projetos de duas formas distintas Uma diz respeito a apresentações que visam à venda seja um empreendi mento a futuros investidores um espaço público para a população geral ou uma residência para uma família Neste caso a apresentação deve ser o mais envolvente possível por isso o uso de cores e peças gráficas que impressionam como desenhos humanizados e imagens tridimensionais é recomendado As dicas quanto ao grau de conhecimento técnico do público vale para essa situação quanto mais a audiência souber sobre o assunto mais técnicas e aprofundadas serão as informações No entanto isso não signi fica que os desenhos deverão ser estritamente técnicos podendo valerse de diagramas esquemas e outros recursos visuais para transmitir as informa ções necessárias Reflita Se você achou estranho o uso do verbo vender repense pois o arqui teto também vende os projetos que criou Não importa qual é o cliente se é uma pessoa comum uma empresa a população de uma cidade ou o seu professor na faculdade você sempre estará vendendo a sua ideia representada em um projeto arquitetônico 191 O arquiteto tem liberdade para determinar como as informações serão transmitidas Quanto ao formato poderá existir algumas exigências por parte da instituição ao qual a apresentação será submetida Por exemplo é comum que concursos públicos determinem o tamanho e quantidade de pranchas Casos em que o público é muito grande inviabilizando o uso de pranchas o projeto poderá ser apresentado em formato multimídia elaborado por meio de softwares como o Power Point Seja qual for o caso é interessante que o arquiteto adote uma identidade visual que seja harmônica e que proporcione a sensação de continuidade ao longo da apresentação A identidade visual é obtida a partir da repetição de determinados elementos a mesma paleta de cores grade de diagramação fontes e símbolos gráficos A escolha desses elementos poderá ser feita com base no conceito do projeto Quanto à escolha da paleta de cores existem esquemas que auxiliam na harmonização dos matizes escolhidos Esses esquemas utilizam combinações de acordo com o círculo cromático uma roda composta de cores primárias secundárias e terciárias Figura 49 Figura 49 Círculo cromático e esquema de cores Fonte elaborada pela autora As cores complementares são opostas no círculo cromático e esse esquema é formado sempre por um tom frio e um tom quente com um forte contraste entre eles As cores análogas estão situadas lado a lado no círculo e corres pondem a uma harmonia mais sutil com pouco contraste O esquema de cores triangular é formado por uma harmonia vibrante entre três cores em que normalmente uma é a principal e as outras a realçam É uma composição 192 que deve ser utilizada com cautela para que a apresentação não cause descon forto visual O esquema de cores complementares alternas é menos vibrante e tem menos contraste Ainda existem os esquemas quadrados ou retangu lares que correspondem ao equilíbrio entre cores quentes e frias Todos os esquemas de cores poderão ser utilizados porém o uso de cores comple mentares em composições de texto e fundo não é recomendado pois preju dica a legibilidade das palavras Figura 410 Figura 410 Relação de cores entre texto e fundo Fonte elaborada pela autora A escolha da paleta de cores pode considerar além de um esquema do círculo cromático o efeito psicológico que ela representa Cada cor tem um significado diferente e atua sobre os indivíduos gerando sensações como frieza aconchego higiene ou perigo Assim como as cores utilizadas nos ambientes do EAS influenciam o comportamento humano e o conforto ambiental as cores das pranchas poderão representar uma sensação relacio nada ao conceito do projeto Pesquise mais No livro Manual prático de arquitetura é possível encontrar uma breve associação das cores às sensações psicológicas que elas produzem Leia as páginas 109 e 110 para saber mais a respeito GÓES R de Manual prático de arquitetura hospitalar São Paulo Edgard Blücher 2004 193 Outra forma importante de manter a identidade visual da apresentação é usando a mesma grade de diagramação A diagramação consiste na forma como as informações serão organizadas na prancha Figura 411 A determi nação de uma grade permite planejar com maior eficiência como os assuntos estarão posicionados gerando clareza e equilíbrio entre eles Para isso é necessário dividir o espaço que receberá o conteúdo com linhas verticais e horizontais gerando uma malha A regra dos terços malha 3x3 é utilizada principalmente em pinturas e fotografias para destacar alguns dos elementos da imagem Figura 411 Exemplo de prancha com diagramação Fonte elaborado pela autora Exemplificando Na arquitetura grades do tipo 4x4 são mais comuns Figura 412 O conteúdo gráfico e textual será distribuído dentro dessa malha podendo ocupar um ou mais módulos de acordo com a ênfase dada pelo arqui teto Utilizar a mesma grade não significa que os conteúdos imagens e textos serão dispostos sempre da mesma forma A possibilidade de junção de módulos oferece inúmeras opções de organização das infor mações mantendo os eixos de alinhamento que serão os responsáveis por dar a sensação de continuidade 194 Figura 412 Exemplos de diagramação com grade 4x4 Fonte elaborada pela autora As fontes representam o formato das letras que serão utilizadas na apresentação Devem ser utilizadas as mesmas fontes em toda a apresen tação evitando o uso de mais que duas opções geralmente utilizase uma para títulos e destaques e outra para textos As fontes escolhidas não devem ter detalhes artísticos muito rebuscados que comprometerão a sua compre ensão Assim as linhas devem ser limpas e claras para manter a legibili dade do texto Um cuidado ao escolher as fontes é se certificar de que ela esteja condizente com o conceito do projeto apresentado Por exemplo a fonte Comic Sans é muito popular e seu estilo tem uma conotação infantil enquanto a fonte Times New Roman tem características que a tornam mais sóbria Por fim os símbolos como o norte geográfico a numeração as legendas os quadros e outros elementos devem seguir um padrão Assim como as fontes e a paleta de cores eles devem transmitir o conceito do projeto Por exemplo o uso de uma rosa dos ventos Figura 413 para indicar a posição do norte geográfico em um projeto de uma galeria de arte com características minimalistas seria incompatível 195 Figura 413 Exemplos de representação de norte geográfico Fonte httpswwwarchdailycombrbr872666bibliotecadedesenhosarquitetonicosemdwgdisponid veisparadownload59301421e58eced5470000a3bibliotecadedesenhosarquitetonicosemdwgdisponi veisparadownloadimagem Acesso em 17 set 2019 A segunda forma de apresentação é a que visa a aprovação do projeto em órgãos públicos Aqui entram as prefeituras municipais o corpo de bombeiros os institutos ambientais e no caso dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS a Anvisa Agência Nacional de Vigilância Sanitária A intenção é aprovar o projeto segundo as normas e legislações que o acometem portanto o próprio órgão determinará quais desenhos e documentos deverão ser entregues além da forma de apresentação A Anvisa publicou um manual com as orientações para aprovação de projetos de arquitetura AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA 2009 que deverá ser feita a partir da apresentação do projeto arquitetônico e do relatório técnico Segundo o manual o projeto arquitetônico deverá conter as informações mínimas necessárias para a sua compreensão respeitando as normas de simbologia e nomenclatura dos ambientes Ainda o projeto deverá seguir as recomendações da Resolução RDC Nº 502002 O Quadro 42 mostra as solicitações referentes ao desenho técnico feitas pelo órgão Quadro 42 Itens exigidos para aprovação de projetos na Anvisa desenhos arquitetônicos Exigências para aprovação do projeto arquitetônico na Anvisa Planta de situação Planta de implantação com indicação de acessos de pedestres e veículos estacionamentos etc Plantas baixas cortes e fachadas em escala não menores do que 1100 exceto plantas de locação situação e cobertura Indicação dos cortes nas plantas baixas Registro de todas as dimensões cotas áreas e cotas de nível dos ambientes 196 Locação de louças sanitárias e bancadas Locação de leitos e macas quando houver Locação de equipamentos não portáteis médicohospitalares e de infraestrutura Fonte adaptado de Agência Nacional de Vigilância Sanitária 2009 O relatório técnico consiste em um memorial descritivo e justificativo do projeto O memorial descritivo é o documento onde serão dispostas todas as informações que caracterizam a construção tais como a proposta do estabelecimento no caso do EAS a proposta assistencial e as atividades envolvidas além daquelas que descrevem o projeto como materiais de acabamento locação de aberturas indicação de sistemas construtivos entre outros O memorial justificativo é onde o arquiteto esclarecerá as propostas do projeto as soluções adotadas e outros esclarecimentos relacionados à concepção do projeto Assimile Nas apresentações que visam à aprovação do projeto pelo cliente normalmente o memorial descritivo e justificativo será detalhado na fala do apresentador Os textos das pranchas deverão ser muito claros e objetivos mas sem comprometer a qualidade do assunto abordado Já os memoriais enviados aos órgãos públicos em geral são mais robustos e compostos de dissertações detalhadas acerca de todos os aspectos do projeto Independentemente do tipo de apresentação o arquiteto sempre deverá colocar a identificação do projeto do profissional a instituição as datas o número de pranchas além de outras informações básicas de classificação do empreendimento Esses dados são adicionados em uma área específica da folha denominada carimbo normalmente situada na margem inferior do projeto ocupando toda a largura da prancha ou apenas a parte à direita A apresentação consiste na última etapa da elaboração de um projeto arquitetônico Os conteúdos vistos até aqui ofereceram conhecimento técnico para propor soluções criar espaços e concretizar ideias e princípios em desenhos e textos que serão utilizados para transmitir as informações do projeto a um público específico Vimos as particularidades que acometem a arquitetura hospitalar e agora você está preparado para mostrar a sua proposta para a audiência A próxima etapa é a elaboração do projeto executivo 197 Sem medo de errar Você e sua equipe de arquitetos finalizaram o projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde UBS para um concurso público do qual o escritório onde trabalha está participando Tudo o que resta a fazer é preparar a apresentação da proposta desenvolvida pelos profissionais A prefeitura que lançou o concurso está localizada em uma cidade do interior do estado e o edital prevê a apresentação dos projetos participantes por meio de banners de tamanho 80 x 120 cm Essa solicitação foi feita pois a prefeitura gostaria de realizar uma exposição com os melhores projetos na casa de cultura do município para que a população pudesse conhecêlos Além do banner outro requisito do concurso é a entrega de um caderno de tamanho A4 com o projeto de arquitetura e o relatório técnico que serão avaliados por profissionais da Anvisa Você deverá preparar as duas formas de apresentação para a entrega do projeto Para o banner você deve considerar que as pessoas que visitarão a casa de cultura onde o material estará exposto provavelmente não têm conhe cimento técnico em arquitetura Portanto a linguagem gráfica e textual deverá ser adaptada para esse público Utilize as imagens tridimensionais as plantas humanizadas e textos descritivos para explicar os pontos importantes do projeto Como esse banner também será analisado pela comissão julga dora do concurso o ideal é que o partido arquitetônico esteja demonstrado na apresentação Para o caderno da Anvisa você deverá utilizar os desenhos técnicos e todos os detalhamentos referentes ao projeto Ainda você deverá escrever o memorial descritivo e justificativo O caderno deverá ser em formato A4 e encadernado no entanto as folhas de projeto poderão ser maiores e dobradas para se adequar ao tamanho Avançando na prática Apresentação de projetos para públicos diferenciados Você faz parte de um escritório de arquitetura especializado em arquite tura hospitalar e sua equipe está desenvolvendo o projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS para o novo bairro da cidade O projeto está completo e você e a equipe elaboraram uma proposta de paisagismo para a área externa 198 do terreno para valorizar a construção Agora resta montar a apresentação do projeto de forma a enfatizar o aspecto paisagístico Existem dois públicos a serem considerados O primeiro consiste em um público leigo composto de proprietários moradores e outros citadinos que serão impactados pelo projeto da UBS Já o segundo é formado pelos profissionais que atuarão na execução do paisagismo como jardineiros fornecedores de plantas entre outros Além disso paisagistas agrônomos e engenheiros ambientais que compõem a equipe do projeto também estarão presentes Você como arquiteto é quem coordenará o projeto e portanto deverá apresentálo para ambos os públicos Resolução da situaçãoproblema Você deverá montar duas apresentações diferenciadas uma para os moradores do bairro e outra para o grupo de profissionais que trabalhará com o paisagismo Note que em apresentações para públicos especializados o nível de informações e detalhamentos será muito mais aprofundado do que em uma apresentação para leigos Coisas mais simples não precisarão ser explicadas enquanto dados técnicos mais precisos deverão ser abordados Por exemplo para um leigo não é importante a quantidade exata de árvores que serão plantadas quais são as espécies se estão ameaçadas de extinção ou se são consideradas espécies exóticas No entanto para os engenheiros ambiental e agrônomo e para o paisagista que faz parte da equipe de desen volvimento do projeto todas essas informações são imensamente relevantes Dessa forma você deverá realizar duas apresentações distintas que consigam enfatizar as características do projeto de acordo com o público para o qual ele será apresentado Faça valer a pena 1 Criar uma identidade visual das pranchas de projeto é o meio de se obter a continuidade e a harmonia na apresentação do projeto Com base nessa afirmação analise a sentença a seguir e complete corretamente as lacunas A consiste na forma como os assuntos são organizados na prancha enquanto a é composta dos esquemas do círculo cromático Além desses e devem ser as mesmas para todas as pranchas Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas 199 a simbologia paleta de cores diagramação fontes b diagramação simbologia fonte paleta de cores c paleta de cores simbologia fonte diagramação d diagramação paleta de cores simbologia fontes e fonte diagramação simbologia paleta de cores 2 A apresentação é a última etapa de elaboração de um projeto arquite tônico Para cada tipo de público determinada característica deverá ser enfatizada Assim o profissional garante que o projeto será compreendido e aprofundado de acordo com o nível de conhecimento técnico da audiência Com base no texto apresentado assinale a alternativa correta a A apresentação sempre deverá ser muito detalhada para permitir o completo entendimento do projeto b O arquiteto deverá seguir as recomendações dos órgãos públicos quando for realizar uma apresentação com foco em vendas c A apresentação deve ser feita da forma mais breve possível porém sem prejudicar a transmissão do conteúdo d O profissional deve considerar os interesses da equipe de projeto para preparar uma apresentação que agrade à audiência e O arquiteto tem autonomia para escolher a paleta de cores a diagra mação a simbologia e as fontes utilizadas em uma apresentação para aprovação de projetos 3 O círculo cromático consiste em uma roda composta de cores primárias secundárias e terciárias A partir dele é possível definir esquemas de cores que poderão servir como base para criar uma paleta harmônica utilizada na definição de uma identidade visual para as pranchas de apresentação Sobre o círculo cromático avalie as sentenças a seguir e marque V para verdadeiro ou F para falso O esquema de cores complementar consiste em duas cores diametral mente opostas no círculo cromático É composto de uma cor quente e outra fria como a harmonia vermelhoazul As cores análogas formam uma harmonização suave e natural com pouco contraste Representam cores sempre frias ou quentes sendo a combi nação azulazul esverdeadoverde um exemplo desse esquema cromático 200 O esquema triangular é composto de três cores equidistantes no círculo cromático que têm grande contraste entre elas As cores primárias vermelho amareloazul representam uma paleta de cores com esse esquema O esquema complementar alterno consiste em uma forma de obter menos contraste do que com o esquema complementar É formado por três cores normalmente uma dominante como o esquema vermelhoazul esver deadoverde amarelado Os esquemas quadrado e retangular são duas formas diferentes de denominar uma paleta composta de quatro cores com forte contraste entre si A paleta laranjaamareloazulvioleta é um exemplo desse esquema Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta a V V V V F b F F V V F c V F V V V d F V V F F e V V F F V Referências AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA Anvisa Orientações para elabo ração apresentação análise avaliação e aprovação de projetos básicos de arquitetura Florianópolis SC Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina 2009 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 10152 Acústica Níveis de pressão sonora em ambientes internos a edificações Rio de Janeiro ABNT 2017 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 13534 Instalações elétricas de baixa tensão Requisitos específicos para instalação em estabelecimentos assisten ciais de saúde Rio de Janeiro ABNT 2008a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 16401 Instalações de arcondicionado Sistemas centrais e unitários Rio de Janeiro ABNT 2008b ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 5626 Instalação predial de água fria Rio de Janeiro ABNT 1998 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 7198 Projeto e execução de instalações prediais de água quente Rio de Janeiro ABNT 1993 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 7256 Tratamento de ar em estabelecimentos assistenciais de saúde EAS Requisitos para projeto e execução das instalações Rio de Janeiro ABNT 2005 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 8160 Sistemas prediais de esgoto sanitário Projeto e execução Rio de Janeiro ABNT 1999 BRASIL Ministério da Saúde Normas para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília DF Ministério da Saúde 1994 Disponível em httpbvsmssaudegovbr bvspublicacoesnormasmontarcentropdf Acesso em 2 mar 2019 BRASIL Ministério da Saúde Resolução RCD nº 50 de 21 de fevereiro de 2002 Dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento programação elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília DF Ministério da Saúde 2002 CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO CAU CAUBR esclarece dúvidas sobre atividades privativas de arquitetos e urbanistas 29 jul 2013 Disponível em httpwwwcaubr govbrcaubresclareceduvidassobreatividadesquesopodemserrealizadasporarquitetos eurbanistas Acesso em 2 mar 2019 GÓES R de Manual Prático de Arquitetura Hospitalar São Paulo Edgard Blücher 2004 KOWALTOWSKI D C C K et al Reflexão sobre metodologias de projeto arquitetônico Ambiente Construído Porto Alegre v 6 n 2 p 0719 abrjun 2006 PALLASMAA J The eyes of the skyn architecture and the senses Chichester John Wiley Sons 2005 PARAMETRIZAÇÃO de Famílias no Revit Sl DANEngenharia 2017 1 vídeo 1 min 10 s Publicado pelo canal DANEngenharia Disponível em httpswwwyoutubecomwatchvyE 6zB64aAc Acesso em 16 set 2019 SASS L OXMAN R Materializing design the implicationsof rapid prototyping in digital design Design Studies sl v 27 n 3 p 325355 maio 2006 SAURA C E Aplicação da prototipagem rápida na melhoria do processo de desenvolvi mento de produtos em pequenas e médias empresas Dissertação Mestrado em Engenharia Mecânica Universidade Estadual de Campinas Campinas 2003 SKETCHUP TEXTURE CLUB portal Sl sd Disponível em httpswwwsketchuptextu reclubcom Acesso em 16 set 2019 Agora repita o mesmo processo de dimensionamento para todos os ambientes listados em seu programa de necessidades Se precisar você pode desenhar o modelo do ambiente para facilitar o processo Avançando na prática Compatibilização do plano de massas ao dimensionamento Outra função para o dimensionamento das edificações é verificar as condições de implantação da construção no terreno pretendido Dependendo da relação entre a área total da edificação e a área do terreno é possível determinar se ele comporta a edificação ou não e qual será sua tipologia construtiva térreo ou em mais pavimentos Dessa forma sua tarefa será verificar se ISBN 9788552215868 9788552215868
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KLS Atelier de Projeto de Arquitetura VI Atelier de Projeto de Arquitetura VI Carolina Cardoso 2019 por Editora e Distribuidora Educacional SA Todos os direitos reservados Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio eletrônico ou mecânico incluindo fotocópia gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação sem prévia autorização por escrito da Editora e Distribuidora Educacional SA Presidência Rodrigo Galindo VicePresidência de Produto Gestão e Expansão Julia Gonçalves VicePresidência Acadêmica Marcos Lemos Diretoria de Produção e Responsabilidade Social Camilla Veiga Gerência Editorial Fernanda Migliorança Editoração Gráfica e Eletrônica Renata Galdino Supervisão da Disciplina Sandra Leonora Alvares Revisão Técnica Adriana Cezar Estela Regina De Almeida Ruy Flávio De Oliveira Sandra Leonora Alvares Thamiris Mantovani CRB89491 2019 Editora e Distribuidora Educacional SA Avenida 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Desenhos técnicos 145 Unidade 4 Desenhos e apresentação do projeto 161 Seção 1 Detalhamento de projeto 163 Seção 2 Elaboração de maquete física e virtual 177 Seção 3 Apresentação do anteprojeto189 Palavras do autor O lá Bemvindoa à disciplina de Atelier de Projeto de Arquitetura VI O que seria de um arquiteto se não soubesse como projetar Caminhamos ao longo de toda a trajetória acadêmica estudando sobre formas proporção elementos construtivos e metodologia de projeto para nos tornarmos aptos para exercer a profissão No entanto devemos consi derar que existem inúmeros tipos de edificações cada qual com a sua função e particularidade Conhecer as características que diferenciam os edifícios é fundamental para criar soluções que atendam às necessidades e aos desejos de quem usufruirá do espaço Por isso esta disciplina tem como objetivo respaldar o futuro profissional nas mais variadas situações Desta vez abordaremos a ampla e complexa temática da arquitetura hospitalar Este livro trata desde a evolução histórica dos hospitais e a concepção do projeto de edifícios de saúde até o detalhamento e a apresen tação do projeto arquitetônico Em síntese temos como foco orientar o aluno na compreensão da temática dos edifícios de saúde e na metodologia de análise de projetos e fazer com que ele conheça a legislação vigente e entenda a concepção do projeto de edifícios de saúde que vai desde o prédimensio namento o sistema estrutural e os detalhamentos até as técnicas de apresen tação do projeto arquitetônico A Unidade 1 tem caráter introdutório e versará sobre assuntos gerais para que você possa compreender de forma efetiva como funciona um edifício da área da saúde Nas Unidades 2 3 e 4 relacionaremos a temática com o processo projetual já desenvolvido peloa alunoa em disciplinas anteriores Tópicos como análise do entorno programa de necessidades partido arqui tetônico prédimensionamento desenhos técnicos e apresentação de projeto serão abordados ao longo do material Este livro funciona como um guia mas não se limite a ele Busque por conhecimento em outras fontes como livros palestras e pesquisas científicas a fim de vivenciar a arquitetura com olhos mais atentos Aprofundese nos conteúdos tratados neste material didático e conte com a ajuda doa professora neste processo de aprendizagem Bons estudos Leis e normas regulamentadoras do dimensionamento No dimensionamento o profissional deve atentar para as normas e leis que regulamentam o tipo de edificação que será construída Para residências o código de obras do município fornece as dimensões mínimas dos ambientes Da mesma forma a Resolução RDC nº 50 BRASIL 2002 indica o dimensionamento mínimo para os ambientes hospitalares Considerando um consultório indiferenciado como no exemplo apresentado a resolução estipula como área mínima 75m² enquanto a dimensão mínima da sala é de 22 metros O resultado do seu cálculo é maior ou menor que essa área Assimile Para auxiliar no dimensionamento você pode elaborar padrões de ambientes de acordo com a atividade pretendida Desenhe uma planta baixa e organize o mobiliário e os equipamentos de forma adequada Assim além do dimensionamento mínimo você terá um modelo de ambiente que pode ser utilizado no momento da confecção dos desenhos técnicos Voltemos ao exemplo do consultório indiferenciado como você organizaria esses objetos Veja uma proposta na Figura 32 Figura 32 Layout de consultório indiferenciado M001 E030 E052 E068 E008 E053 E044 M004 E010 E075 M009 M015 M019 M006 M012 E043 E057 M013 E054 0 30 60 90 120cm 112 Unidade 1 Carolina Cardoso Atelier VI pesquisa e levantamento de dados sobre a temática Convite ao estudo Olá alunoa Nesta unidade teremos como foco a temática da arquitetura hospitalar Você sabe quando surgiram os primeiros médicos e hospitais Qual era a confi guração desses espaços e quais as modificações que aconteceram no decorrer da história Existe leis e normas que regem o funcionamento destes edifícios Para responder a essas questões introduziremos o assunto e conhece remos a temática do projeto de arquitetura hospitalar buscando referências projetuais a partir de análises de projetos correlatos Além disso conhece remos as normas que regem o projeto dos edifícios de saúde Por fim teremos conhecimento sobre o histórico do tema do projeto e a legislação vigente e criaremos um repertório de referências arquitetônicas Imagine a situação na qual você foi contratadoa por um escritório de arquitetura especializado em construções da área da saúde A prefei tura da sua cidade localizada no interior do estado está em um acelerado processo de expansão que envolve a abertura de novos loteamentos Dessa forma a prefeitura lançou um edital para um concurso municipal de projeto arquitetônico para uma Unidade Básica de Saúde UBS do novo bairro recémaprovado Este edital apresenta como requisitos a apresentação de um projeto arqui tetônico no nível de anteprojeto de um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS com capacidade entre 2400 e 4000 pacientes e que atenda aos critérios estabelecidos pelo Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde publicado pelo Ministério da Saúde Na Seção 11 você iniciará uma pesquisa sobre a temática de projeto e analisará algumas edificações voltadas para o uso da saúde a fim de conhecer melhor as características dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS Com isso você compreenderá a setorização e circulação entre os ambientes necessários em uma edificação da área de saúde Na Seção 12 identificará as tipologias existentes e compreenderá o processo de concepção do projeto arquitetônico Nesse contexto terá contato com o Plano Diretor Hospitalar e qual é o processo projetual que envolve a criação de uma edificação Para terminar na Seção 13 você se aprofundará na legislação vigente sobre edifício de saúde que norteará o desenvolvimento do projeto que deverá atender a todas as normativas Com os conteúdos apresentados nesta disciplina será possível entender que a arquitetura pode influenciar no processo de cura dos doentes atuando inclusive como um tratamento auxiliar Está prontoa para descobrir os poderes do projeto arquitetônico 9 Seção 1 Atelier VI temática do projeto Diálogo aberto Hospitais clínicas médicas postos de saúde e laboratório de análises clínicas o projeto de edifícios voltados para a área da saúde exige atenção especial pois nestas construções existe a aglomeração de pessoas enfermas infectadas e debilitadas o que aumenta o risco de contaminação e disseminação de doenças Devemos considerar ainda que os Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS prestam serviços de atendimento para indivíduos abatidos e que a maneira com que o projeto de arquitetura destas edificações for ideali zada impacta diretamente sobre o bemestar da pessoa que precisa ser curada Pense em um cenário em que você faz parte de um escritório de arquitetura especializado em projetos de EAS e a sua equipe trabalhará em uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade onde mora Você gostaria de compreender mais sobre a temática para apresentar maior segurança e melhores escolhas no momento de começar a projetar Sendo assim decidiu estudar o processo histórico que moldou as edificações de atendimento à saúde no Brasil além de buscar por referências de projetos de arquitetura hospitalar e analisar as soluções que foram utilizadas para atingir o resultado final Analise o processo histórico das construções de edifícios de saúde Quais foram as transformações e influências que culminaram na tipologia construtiva que vivenciamos hoje Quais dos elementos identificados devem estar presentes no seu projeto arquitetônico Que referências arquitetônicas poderão auxiliálo no processo criativo enriquecendo seu projeto Sua pesquisa acerca das edificações de arquitetura hospitalar executadas no Brasil fez com que você identificasse alguns nomes que se destacaram no projeto de edifícios de saúde dentre eles João Filgueiras Lima Nesse contexto vcê opta por analisar uma obra completa do arquiteto para auxili álo na elaboração de um processo metodológico para EAS Inicie observando quais são os setores que compõem o projeto os ambientes e suas respec tivas funções Existem várias especialidades médicas atuando em conjunto Analise como os espaços se relacionam e os fluxos de circulação O fluxo de pacientes se cruza com o fluxo de médicos e funcionários Observe também fotografias dos ambientes internos Este edifício é inteiramente branco ou apresenta cores Como são os móveis Existe paisagismo Estes são alguns dos questionamentos que você deve levantar ao analisar a obra 10 Para tanto veremos nesta seção a evolução histórica dos hospitais contextualizando a temática da arquitetura hospitalar Nesse sentido desco briremos como eram os hospitais da antiguidade e quais acontecimentos os transformaram nos complexos de saúde atuais Compreender como ocorreu a evolução destas edificações auxilia na criação de um panorama geral que possibilitará o entendimento acerca da função e das percepções dos edifí cios de saúde A análise de projetos arquitetônicos atuais lhe permitirá criar um repertório de referências que poderão ser utilizadas futuramente no momento de projetar um edifício de saúde Está curiosoa para descobrir como a arquitetura pode influenciar no tratamento dos pacientes Vamos começar nossa jornada de aprendizagem sobre a arquitetura hospitalar Não pode faltar Não se sabe com precisão a origem da medicina e dos hospitais como conhecemos hoje Entretanto existem registros de locais destinados ao tratamento de doentes que datam de épocas anteriores ao cristianismo A cura dos enfermos já se mostrava uma preocupação desde a antiguidade nas primeiras cidades da civilização MINISTÉRIO DA SAÚDE 1944 Conforme a população crescia os indivíduos que antes se preocupavam apenas com a sua vitalidade e de sua família passaram a atentar à saúde coletiva das sociedades urbanas primitivas Saiba mais A profissão de médico foi estabelecida na Babilônia sendo dissemi nada para o Egito Os registros encontrados nos pergaminhos egípcios mostram uma variedade de especialidades médicas como olhos dentes e distúrbios internos A remuneração era farta e os tratamentos eram custeados pelo governo Imhotep considerado o primeiro arquiteto que já existiu e responsável pela construção da pirâmide mais antiga era também um excelente médico GÓES 2004 cap 2 Os médicos da Antiguidade e Idade Clássica recebiam muito prestígio sendo relacionados aos sacerdotes egípcios e gregos MINISTÉRIO DA SAÚDE 1944 Nestes períodos assim como na Idade Média o exercício da medicina era associado à divindade e ao cristianismo A função do hospital não se restringia ao tratamento de doenças e se caracterizava por locais que recebiam não só os enfermos mas também os pobres e peregrinos 11 Vocabulário Por esse motivo a palavra hospital tem origem no latim hospitalis adjetivo derivado de hospes que significa hóspedes O termo como conhecemos hoje tem a conotação de nosocomium do grego que signi fica tratar os doentes Os primeiros locais que concebiam a função da cura de doenças estavam associados aos templos Na Grécia surgiram as Asclepéia templos dedicados ao culto de Esculápio um ser com habilidades médicas excepcionais MINISTÉRIO DA SAÚDE 1944 Estes templos eram edificados em locais propícios ao tratamento médico As construções deveriam ser implantadas nas colinas abrigadas contra os ventos fortes e próximas à floresta e a uma fonte de água mineral A preocupação com a higiene e alimentação já acontecia naquela época Antes que os enfermos adentrassem nos santuários estes eram subme tidos a processos de purificação com banhos massagens e unções A medicina e os médicos gregos ganharam importância e conquistaram espaço em Roma O prestígio era tanto que o imperador Júlio César concedeu a cidadania romana a todos os médicos No período governado pelo seu sucessor Augusto o arquiteto romano Marcus Vitruvius escreveu um livro que ficou conhecido como Tratado de Arquitetura No compilado Vitruvius 2007 apresenta como reconhecer um local saudável para implantação das cidades e a escolha do ambiente de implantação das edificações resgatando os princípios utilizados pelos gregos localidades altas com boa ventilação evitando áreas pantanosas e nebulosas Além disso relembra a relação com o alimento e com a água fatores que indicam a salubridade dos locais O autor incorpora os conceitos de conforto térmico indicando a orientação solar mais adequada evitando insolações extenuantes Pesquise mais O livro De Architectura Libri Decem de Marcus Vitruvius Pollio intro duziu os princípios da arquitetura clássica que influenciaram as construções do Renascimento e são utilizados até os dias atuais Este compêndio está dividido em dez volumes que apresentam aspectos arquitetônicos desde a escolha do local para implantar uma cidade até a decoração do interior das construções O artigo escrito pela profes sora Giselle Luzia Dziura apresenta mais detalhadamente quais foram as contribuições dos escritos de Vitruvius Leia o intervalo de páginas de 20 a 26 e saiba mais DZIURA G L Três tratadistas da arquitetura e a ênfase no uso do espaço Da Vinci Curitiba v 3 n 1 p 1936 2006 12 A Idade Média ficou conhecida como Idade das Trevas por diferentes razões por exemplo a infestação de pestes que culminou em grandes epide mias aumentando a necessidade de implantação de locais para quaren tena Assim acelerouse o processo de construção de hospitais localizados próximos aos mosteiros e às igrejas reforçando o poder do cristianismo MINISTÉRIO DA SAÚDE 1944 Um dos marcos da arquitetura hospitalar está associado à construção de dois Hotéis Dieu em Lyon e em Paris Figura 11 A planta baixa destes estabelecimentos abrigava uma capela e deveria permitir que todos os pacientes observassem os atos religiosos enquanto repousavam em suas camas GÓES 2004 Porém em meados do século XII surgiram diversos concílios que proibiram o exercício da medicina pelo clero incluindo as operações com derramamento de sangue Apenas as doenças da alma deveriam ser tratadas pelo clero enquanto o exercício da medicina ficou nas mãos de leigos Figura 11 Catedral de NotreDame com o antigo Hotel Dieu à direita Paris Fonte Wikimedia Commons Disponível em httpsfrwikipediaorgwikiHC3B4telDieudeParis Aces so em 5 jul 2019 O advento das universidades e da invenção do microscópio serviu de impulso para o desenvolvimento da ciência Durante o Renascimento os concílios da igreja foram abandonados o que permitiu avanços nos proce dimentos cirúrgicos que foram determinantes para o melhoramento dos hospitais A medicina deixou de ter um caráter monástico para ser reconhe cida como parte da física o que culminou na municipalidade dos hospitais MINISTÉRIO DA SAÚDE 1944 13 Após o incêndio do Hotel Dieu em Paris no ano de 1772 ocorreram mudanças significativas acerca da construção e do planejamento dos estabe lecimentos de saúde O hospital era imenso para a época com capacidade de 2500 leitos e apresentava diversos problemas de contaminação e disse minação de doenças GÓES 2004 A Academia de Ciências de Paris ficou encarregada pela sua reconstrução Diversos projetos foram apresentados e cada um deles previa atender 5000 leitos Contudo a comissão se opôs às propostas e estabeleceu novos parâmetros para a construção incluindo dentre outros aspectos a redução do número de leitos por hospital 1200 a disposição em pavilhões nos quais as enfermarias ficariam isoladas e não haveriam salas contínuas e a utilização de preferivelmente apenas um pavimento com o máximo de dois ou três conforme a concessão Estes princípios foram utilizados para direcionar a construção de vários hospitais durante mais de um século GÓES 2004 Reflita A preocupação com a contaminação e infecção dispersa pelos próprios doentes acarretou mudanças na estrutura física das edificações hospita lares Quais outros aspectos podem ser influenciados pela arquitetura Portugal foi influenciado pelas características propostas pela Academia de Ciências e transferiu sua cultura para a colônia assim como o fez em diversos outros aspectos O Brasil recebeu edificações para assistência hospi talar desde o seu descobrimento Em 1543 foi construído o primeiro hospital nacional na cidade de Santos sendo sucedido pela construção de instala ções em Olinda e São Paulo antes do final do século XVI Desde então não houveram novas normas para a construção de edificações de saúde até a Revolução de 1930 Neste período já estavam sendo construídos nos Estados Unidos edifí cios hospitalares em um único bloco de inúmeros pavimentos funcionando em perfeitas condições de salubridade que sobrepunham aos princípios da Academia de Ciências MINISTÉRIO DA SAÚDE 1944 Estes parâmetros foram utilizados pelos arquitetos brasileiros para construir as novas instala ções de saúde do país Alguns exemplos são o Hospital da Brigada Militar em Recife 1934 projetado por Luís Nunes a Faculdade de Medicina de São Paulo 1944 Figura 12 do arquiteto Ramos de Azevedo e o Hospital Israelita Albert Einstein 1954 idealizado por Rino Levi 14 Figura 12 Faculdade de Medicina de São Paulo 1978 Fonte Wikimedia Commons Disponível em httpsptwikipediaorgwikiFaculdadedeMedicinadaUnie versidadedeSC3A3oPaulo Acesso em 5 jul 2018 A partir daí podemos traçar um repertório de referências em arquite tura hospitalar no Brasil Além dos arquitetos já citados nomes como Jarbas Karman João Filgueiras Lima João Carlos Bross e Carlos Eduardo Pompeu se destacam no projeto dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS Saiba mais A denominação Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS é dada a qualquer edifício destinado a prestar serviços de assistência à saúde para a população Independentemente do nível de complexidade do projeto todos eles devem garantir o acesso do paciente seja em regime de internação ou não As obras dos hospitais da Rede Sarah Kubitschek se destacam dentre o acervo de projetos realizados por João Filgueiras Lima conhecido como Lelé O primeiro hospital foi inaugurado em Brasília no ano de 1980 o que levou à criação do Centro Tecnológico Sarah Kubitschek CTRS que originou a Rede Sarah Para a terceira unidade construída em 1994 na cidade de Salvador Figura 13 o arquiteto utilizou um sistema muito particular para o conforto térmico A iluminação e ventilação natural foram incorporadas ao projeto por meio do sistema de cobertura denominado shed que permitiu a redução do uso de aparelhos de ar condicionado e consequentemente o gasto energético Os elementos que se assemelham a ondas permitem a entrada da luz do sol de forma indireta e direciona os ventos para o interior da edificação Existem 15 ainda outros fatores que se unem ao elemento da cobertura para contribuírem com a melhor eficiência do edifício como o sistema de galerias de manutenção que funcionam também como dutos de ventilação natural e que canalizam os ventos favorecendo a circulação do ar e o resfriamento evaporativo que usa a nebulização de água para diminuir a temperatura do ar Este último também funciona como um filtro para as partículas de poeira Figura 13 Hospital Sarah Unidade Salvador Fonte Rede Sarah Disponível em httpwwwsarahbrmedia1368aredeSARAHunidsalvadorgrande2 jpganchorcentermodecroprnd130536445810000000 Acesso em 5 jul 2018 Depois da capital baiana diversas outras cidades receberam obras da Rede Sarah que utilizavam a cobertura em sheds e seguiam os mesmos princí pios de conforto térmico A última unidade foi construída em 2009 no Rio de Janeiro Figura 14 É possível notar a evolução arquitetônica de Lelé no decorrer dos 15 anos que separam as duas obras A cobertura da construção carioca é mais alta e foi desassociada das paredes permitindo mais flexibi lidade na organização dos ambientes diferente da unidade de Salvador na qual os sheds eram limitados à largura das salas Assimile Os sheds são aberturas zenitais ou seja posicionadas na cobertura com um formato característico que se assemelha aos dentes de uma serra muito utilizados na construção de fábricas As obras de Lelé popularizaram este elemento no Brasil que se transformou e originou uma estrutura única em cada obra na qual fora empregado O shed favorece o efeito chaminé com o qual o ar quente é dissipado pela abertura por meio da diferença de densidade do ar Mas cuidado O posicionamento da abertura deve calcular a incidência solar para que 16 ela não se transforme em um canalizador dos raios solares e prejudique o conforto térmico do edifício Outra diferença é percebida na composição da cobertura isto é existe uma externa feita com telha e forro de alumínio com um vão entre eles da mesma forma como acontece em Salvador e uma interna produzida com estrutura metálica e policarbonato alveolar translúcido que envolve os ambientes Esta estrutura apresenta aberturas basculantes automatizadas que permitem alternar entre os sistemas de ventilação natural e artificial já que o Hospital Sarah do Rio de Janeiro é o único que tem ar condicionado devido às suas condições climáticas Figura 14 Hospital Sarah Unidade Rio de Janeiro Fonte Rede Sarah Disponível em httpwwwsarahbrmedia1401aredeSARAHunidriograndejpgan chorcentermodecroprnd130537087220000000 Acesso em 5 jul 2018 A partir da análise das obras de arquitetos renomados na área da saúde é possível identificar as características essenciais para o projeto destas edifi cações Em primeiro lugar devese considerar que o paciente está ali para ser curado e para isso precisa de um local que lhe ofereça além do trata mento médico necessário ambientes agradáveis e humanitários que contri buam para o seu bemestar Os recursos naturais como iluminação venti lação e vegetação tornamse aliados no momento de compor espaços que apresentem conforto ambiental Exemplificando Os elementos vegetais apresentam influência sobre as sensações do usuário Estudos apontam a contribuição da vegetação para uma 17 melhor saúde mental com menos estresse e ansiedade BARTON PRETTY 2010 LEE JORDAN HORSLEY 2015 AKPINAR 2016 Dessa forma o paisagismo pode ser incorporado aos espaços hospitalares como tratamento auxiliar ao paciente Um exemplo é a proposta do projeto de extensão do Hospital de Helsin gborg na Suécia Note que existe uma grande porção da área destinada às localidades verdes Figura 15 Implantação da proposta vencedora da extensão do Hospital de Helsingborg Suécia Disponível em httpswwwarchdailycombrbr01107796propostavencedoradaextensaodohospitals dehelsingborgslashschmidthammerlassenarchitects514b7e02b3fc4b095e0000c5helsingborghospi talextensionwinningproposalschmidthammerlassenarchitectsimage Acesso em 5 jul 2018 O arquiteto pode e deve projetar espaços confortáveis seja ele de uma residência um comércio uma indústria entre outros No entanto devemos nos lembrar de que um EAS não é como uma edificação Existem normas e fluxos que precisam ser respeitados para que tudo funcione corretamente e de forma segura Falaremos sobre a metodologia e as orientações para elabo ração de um projeto de arquitetura hospitalar na próxima seção Sem medo de errar O escritório de arquitetura do qual você faz parte participará de um concurso público para projetar uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade em que você mora Antes de iniciar o projeto você 18 optou por buscar referências em obras desenvolvidas por outros arquitetos que lhe auxiliarão na elaboração do anteprojeto A pesquisa histórica desenvolvida mostrou que a preocupação com a saúde da população existe desde os primórdios da civilização Nesse contexto você identificou características como a escolha correta do local de implantação o aproveitamento da insolação e ventilação natural e a organização dos ambientes visando a funcionalidade da edificação Neste momento deverá enriquecer o seu projeto com referências arquitetônicas de projetos correlatos Além disso terá como função escolher uma obra do arquiteto João Filgueiras Lima dentro da temática apresentada na seção Comece pesqui sando em revistas livros e sites o acervo desenvolvido pelo arquiteto durante a sua carreira e selecione uma obra da área da saúde para ser analisada Faça uma ficha técnica da edificação na qual deve constar o nome da obra local de implantação data do projeto e de início e fim da construção Inclua também dados referentes ao tamanho da edificação em m² Com estas informações você poderá procurar pelos desenhos técnicos plantas baixas cortes eleva ções e por fotografias da obra Primeiramente analise uma escala macro verificando como o sol incide sobre a edificação identifique a direção do Norte e quais as faces de maior e menor insolação Obtenha a informação dos ventos dominantes por exemplo no Rio de Janeiro estes são provenientes da direção leste Observe a existência de áreas vegetadas no terreno ou se ele é todo pavimentado Depois de analisar o entorno e com a planta baixa em mãos identi fique os setores que fazem parte da construção Quais são eles Recepção ambulatório maternidade centro cirúrgico patologia clínica Unidade de Tratamento Intensivo UTI e administração Consegue reconhecer algum deles Você pode usar lápis de cor ou canetas hidrocor para identificar os ambientes que fazem parte de um mesmo setor Identifique também como são distribuídos os fluxos Use linhas e setas com cores de acordo com cada setor e classifiqueos como fluxo interno dos médicos e enfermeiros e externo dos pacientes e visitantes Esses fluxos se cruzam Veja o exemplo a seguir Figura 16 que analisa o Centro de Apoio ao Grande Incapacitado Físico uma das unidades da Rede Sarah em Brasília DF Veja como a planta baixa colorida facilita a visualização de como foram organizados os ambientes em setores ou unidades funcionais 19 Figura 16 Exemplo de análise de obra o Centro de Apoio ao Grande Incapacitado Físico Brasília DF Fonte adaptado de WESTPHAL 2007 Utilizando os cortes e detalhamentos verifique quais foram as soluções construtivas empregadas ao edifício Como é a estrutura De que material ela é composta Analise os detalhes construtivos que foram desenvolvidos para este projeto Por fim identifique os ambientes internos a partir das fotografias anali sando quais foram os revestimentos empregados como é o design do mobili ário além das cores utilizadas Como a luz se comporta nesse ambiente O paisagismo está presente 20 Faça uma descrição de todas as características que você achar pertinente e organizeas em pranchas que serão anexadas ao memorial descritivo do projeto o qual será entregue ao final da disciplina Por fim vale acrescentar que você pode colocar imagens para ilustrar o texto e facilitar a compreensão Avançando na prática Hospital do passado ao presente As doenças que acometiam as primeiras civilizações estavam forte mente relacionadas com a falta de saneamento básico Portanto as instala ções hospitalares apresentavam características que auxiliavam o tratamento dessas enfermidades no sentido de fornecer condições sanitárias salubres como água potável ventilação e iluminação adequados A evolução da urbanização ocasionou o desenvolvimento de redes de abastecimento de água e sistemas de esgoto sanitário o que reduziu deter minados tipos de doenças características da Idade Média Atualmente os problemas de saúde enfrentados pela população são outros e requerem recursos diferentes e mais abrangentes Pela vasta experiência do seu escritório em desenvolver projetos de edifi cações de saúde você foi convidado a palestrar para estudantes de arquitetura na universidade próxima à sua cidade Neste sentido faça uma retrospectiva histórica e identifique quais características dos edifícios de saúde se manti veram ao longo dos anos e quais foram incorporadas ou modificadas para se adequar à nova realidade Observe o que mudou na configuração dos hospi tais onde estão localizados Quem prestava o serviço e qual o público que ele atende Como era o sistema construtivo Quais equipamentos são utilizados Utilize o conhecimento adquirido para relacionar a arquitetura hospitalar com o período histórico Resolução da situaçãoproblema Faça um quadro para te ajudar a organizar as características de cada período Na linha de cabeçalho escreva os períodos históricos que deseja comparar A primeira coluna determinará qual característica será analisada Utilize algumas das citadas anteriormente e crie o seu quadro Veja um exemplo 21 Quadro 11 Modelo de quadro comparativo dos edifícios de saúde ao longo da história Antiguidade Idade Média Renascimento Atualidade Localização Público Médicos Sistema construtivo Equipamentos Fonte elaborado pela autora Preencha as colunas com as informações referentes a cada período Fique à vontade para adicionar outros períodos e características Ao completar o quadro observe se alguma das informações se repetiram em mais de um período Faça um texto pontuando quais foram as principais mudanças ocorridas ao longo do tempo Faça a valer a pena 1 Esculápio foi um médico grego que possuía habilidades de cura excepcionais Segundo a história este médico foi destruído por Zeus que temia que ele tornasse os homens imortais A partir de então surgiram templos dedicados à preservação da memória de Esculápio e seu legado denominados Asclepéia Assinale a alternativa que melhor descreve as características das Asclepéias a Localizadas próximas ao mar que facilitava o transporte dos médicos b Construídas no centro da cidade no qual todos pudessem ter acesso c Localizadas sobre áreas rochosas nas quais havia abundância de matéria prima d Construídas nas colinas próximas às florestas e abrigadas contra os ventos fortes e Localizadas próximas às montanhas nas quais os sacerdotes invocavam o poder curativo dos deuses 2 No início do século XX surgiu uma tipologia construtiva das edificações hospita lares nos Estados Unidos A estas construções davase o nome de monobloco As afirmativas a seguir indicam características destas construções 22 I Economia na construção e manutenção a partir da concentração de instala ções hidráulicas elétricas de esgoto etc II Menor isolamento por pavimento do que em pavilhões térreos III Possibilidade de serviços operatórios como raio X laboratórios clínicos e fisiodiagnóstico IV Facilidade na administração e mais cooperação entre o setor técnico Com base no texto assinale a alternativa correta a Apenas as afirmativas I II e III estão corretas b Apenas as afirmativas I II e IV estão corretas c Apenas as afirmativas I III e IV estão corretas d Apenas as afirmativas II e IV estão corretas e Todas as afirmativas estão corretas 3 A Rede Sarah consiste em uma série de unidades hospitalares distribuídas em várias cidades do Brasil João Filgueiras Lima o arquiteto que projetou os edifícios incorporou características muito peculiares em sua arquitetura A figura a seguir mostra o desenho técnico do corte da última unidade implantada na cidade do Rio de Janeiro Figura 17 Corte do hospital Sarah do Rio de Janeiro Fonte adaptado de Lukiantchuki 2010 Observe o corte apresentado e avalie as afirmativas a seguir I O arquiteto utilizou a cobertura do tipo shed em todos os hospitais da Rede Sarah visando aproveitar a luz e ventilação natural II A cobertura em forma de ondas foi utilizada apenas para conferir ao edifício um apelo estético com forte identidade visual 23 III A cobertura da unidade do Rio de Janeiro está desassociada das divisórias permitindo maior flexibilidade dos ambientes Assinale a alternativa que contém apenas as afirmativas corretas a Apenas a afirmativa I está correta b Apenas a afirmativa II está correta c Apenas a afirmativa III está correta d As afirmativas I e III estão corretas e As afirmativas I II e III estão corretas 24 Seção 2 Atelier VI metodologia de projetos de arquitetura hospitalar Diálogo aberto Para que o arquiteto seja capaz de desenvolver um projeto arquitetônico eficiente no setor de saúde é necessário que se tenha conhecimento acerca do funcionamento dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS e da metodologia aplicada ao projeto Neste sentido o Plano Diretor Hospitalar PDH se transforma em um documento norteador das ações e soluções voltadas para o desenvolvimento das edificações de saúde Voltemos ao cenário profissional em que você trabalha em um escritório de arquitetura especializado em projetos de EAS e a equipe da qual faz parte participará de um concurso público para um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade na qual você mora Já foi criado um repertório de referências arquitetônicas que lhe auxiliará na criação do projeto arquitetônico do EAS Agora você iniciará o processo projetual a partir do desenvolvimento de um PDH e da adoção de uma metodologia que indicará algumas técnicas que poderão ser utilizadas no decorrer do projeto Para isso será necessário que você identifique como são classificados os EAS Quais informações devem constar no PDH Quais são as etapas metodoló gicas a serem seguidas no processo criativo de elaboração do projeto Nesta seção apresentaremos um embasamento teórico sobre a rede de saúde no Brasil que nos permitirá conhecer e caracterizar os tipos de edifí cios de saúde Versaremos também sobre o PDH e sua importância para o levantamento de soluções técnicas e organizacionais que influenciarão o funcionamento do EAS Ainda estudaremos a metodologia de projeto que define as etapas que envolvem a concepção de um projeto arquitetônico Vamos diferenciar os conceitos de máquina de curar e máquina de cuidar a partir da utilização de recursos de humanização da arquitetura hospitalar Está pronto para compreender o que está por trás da elaboração de um projeto arquitetônico Não pode faltar No ano de 1978 foi realizada a Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde com o objetivo de estabelecer ações para a promoção da 25 saúde O resultado da conferência ficou registrado em um documento denomi nado Declaração de AlmaAta no qual foram determinados dez tópicos acerca dos cuidados primários em saúde Dentre eles é enfatizado o caráter multifato rial do conceito de saúde entendido não só pela ausência de enfermidades mas também pelo estado de completo bemestar físico mental e social ALMA ATA 1978 Ainda a declaração afirma é direito e dever dos povos participar individual e coletivamente no planejamento e na execução de seus cuidados de saúde ALMAATA 1978 Neste contexto entra o papel do arquiteto projetar e planejar um ambiente propício para a promoção da saúde envolvendo todos os aspectos que ela abrange físico mental e social O Ministério da Saúde surgiu a partir da fragmentação do Ministério de Educação e Saúde no ano de 1953 Nas décadas seguintes foram desenvol vidos planos e políticas de promoção de saúde dentre as quais destacase A III Conferência Nacional da Saúde CNS realizada em 1963 pelo ministro Wilson Fadul que defendia a municipalização dos serviços de saúde A criação do Plano Nacional de Saúde instituído pelo ministro e médico Lionel Miranda no ano de 1967 a partir das diretrizes estabe lecidas pela III CNS A Constituição Federal de 1988 incumbiu ao poder público a responsa bilidade da saúde da população sendo dever do Estado a garantia da saúde A partir disso o governo criou o Sistema Único de Saúde SUS regulamen tado pela Lei Orgânica da Saúde BRASIL 1990 Reflita Dentre os assuntos abordados pela Constituição Federal estão as políticas públicas acerca do sistema de saúde O Artigo 196 diz que a saúde é direito de todos e dever do Estado garan tido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção proteção e recuperação BRASIL 1988 sp Ainda a Constituição instaura o sistema único de saúde provido com os recursos do governo e complementado pelas ações da iniciativa privada Entretanto devemos analisar como isso funciona na prática As insti tuições privadas realmente atuam como complemento ao tratamento 26 oferecido pelo SUS Ou aqueles que tem menos recursos estão fadados ao atendimento muitas vezes precário da rede de saúde pública A rede de saúde no Brasil pode ser classificada de três formas esferas de atuação níveis de atendimento e tipos de estabelecimentos A esfera de atuação diz respeito à integração dos serviços ofere cidos a partir da hierarquização da gestão São identificados pela escala nacional regida pelo Ministério da Saúde escala estadual administrada pelas Secretarias de Saúde correspondentes consiste no nível vertical de atuação e escala municipal corresponde ao nível horizontal de atuação e está sob a responsabilidade dos órgãos equivalentes BRASIL 1990 Já os níveis de atendimento têm relação com as atividades realizadas pelo EAS São classificados em nível primário secundário e terciário O nível primário é responsável por promover os serviços de assistência à saúde e ambulatório Realiza atividades relacionadas ao saneamento e de diagnóstico básico O nível secundário além das atividades do nível primário também oferece atendimento clínico nas áreas médica cirúrgica ginecológica obstétrica e pediátrica São realizados atendi mentos ambulatoriais que apresentam o suporte dos laboratórios de patologia clínica e radiodiagnóstico para determinar o diagnóstico Por fim o nível terciário abrange os casos mais complexos prestando serviços ambulatoriais de urgência e internação Quanto ao tipo dos estabelecimentos estes são hierarquizados de acordo com os níveis de atendimento O nível primário está relacio nado com estruturas físicas correspondentes aos postos e centros de saúde também chamados de Unidade Básica de Saúde UBS O nível secundário corresponde às unidades mistas ambulatórios gerais e hospitais enquanto o nível terciário é abrangido pelos ambulatórios hospitais regionais e especializados Alguns estabelecimentos têm o Serviço de Apoio Diagnóstico Terapêutico SADT como comple mento ao diagnóstico a partir da realização de exames O Quadro 12 descreve os tipos de estabelecimentos Quadro 12 Tipos de estabelecimentos de saúde NÍVEL TIPOLOGIA DESCRIÇÃO 1 Posto de saúde Unidade destinada à prestação de assistência a uma determinada população de forma programada ou não por profissional de nível médio com a presença intermitente ou não do profissional médico 27 1 Centro de saúde Unidade Básica de Saúde Unidade para realização de atendimentos de atenção básica e integral a uma população de forma programada ou não nas especialidades básicas podendo oferecer assistência odontológica e de outros profissionais de nível superior A assistência deve ser permanente e prestada por médico generalista ou especialista nestas áreas podendo ou não oferecer SADT e pronto atendimento 24 Horas 2 Unidade mista Unidade destinada à prestação de atendimento em atenção básica e integral à saúde de forma programada ou não nas especialidades básicas podendo oferecer assistência odontológica e de outros profissionais com unidade de internação sob administração única A assistência médica deve ser permanente e prestada por médico especialista ou generalista Além disso pode dispor de urgênciaemergência e SADT básico ou de rotina 2 Pronto socorro Unidade destinada à prestação de assistência a pacientes com ou sem risco de vida cujos agravos necessitam de atendimento imediato podendo ter ou não internação 2 Hospital geral Hospital destinado à prestação de atendimento nas especialidades básicas por especialistas eou outras especialidades médicas Além disso pode dispor de serviço de urgênciaemergência e de SADT de média complexidade 2 Unidade de apoio de diagnose e terapia Unidades isoladas nas quais são realizadas atividades que auxiliam a determinação de diagnóstico e ou complementam o tratamento e a reabilitação do paciente 3 Hospital especializado Hospital destinado à prestação de assistência à saúde em uma única especialidadeárea Dispõe serviço de urgência emergência e SADT podendo ter ou não SIPAC Por fim vale acrescentar que este tipo de hospital é geralmente de referência regional macro regional ou estadual 3 Ambulatório especializado Clínica destinada à assistência ambulatorial em apenas uma especialidadeárea da assistência Fonte adaptado de CNES 2008 Para que cada um destes tipos de EAS funcionem de maneira correta e condizente com a função a qual se propõe executar é necessário que haja um planejamento dos métodos e das estratégias que nortearão o desenvolvi mento do projeto arquitetônico Para isso a elaboração de um Plano Diretor Hospitalar PDH é fundamental para o funcionamento do EAS Assim como o Plano Diretor Municipal PDM orienta e dá diretrizes para o desempenho adequado das cidades o PDH é o documento que organizará os aspectos físicos e criará ações operacionais do edifício hospitalar MENDES 2007 28 Assimile Os hospitais são instituições complexas que abrangem além do trata mento médico diversos setores podendo desempenhar a função de hotel restaurante lavanderia farmácia laboratório empresa adminis tração dentre outros Por isso o planejamento é imprescindível para que todos os setores funcionem dentro da sua própria individualidade além de se relacionar e trabalhar em conjunto Considerando a multidisciplinaridade de um EAS o planejamento pode ser subdivido em áreas por exemplo o planejamento econômico o plane jamento tecnológico e a área na qual o arquiteto se torna o protagonista o planejamento físicoespacial O arquiteto será responsável por projetar um edifício que permite a integração dos diversos setores que compõem o EAS garantindo que seu funcionamento esteja de acordo com o modelo assisten cial definido pela equipe De acordo com Fabrício 2002 existem sete etapas em um processo de projeto de arquitetura explanadas na Figura 16 Cada uma delas envolve um aspecto arquitetônico da obra e o cumprimento e a realização de suas orien tações garantem a eficiência projetual do empreendimento Figura 16 Principais serviços e atividades do processo de projeto 29 Fonte Mendes 2007 p 82 No decorrer da disciplina abordaremos de forma mais enfática o produto da segunda etapa deste processo o projeto arquitetônico Este por sua vez é subdi vidido em três etapas estudo preliminar projeto básico e projeto executivo O estudo preliminar é a representação gráfica do partido arquitetô nico por meio de desenhos técnicos Este estudo utilizará os aspectos levantados no PDH como base e deverá consolidar o programa de necessidades definido previamente Também faz parte do estudo preli minar a elaboração do memorial justificativo no qual são descritas todas as soluções escolhidas fundamentadas em algum aspecto que deve ficar claro neste relatório O projeto básico consiste na apresentação técnica de tudo o que foi definido no estudo preliminar incluindo os projetos complementares como elétrico hidráulico e estrutural Já o projeto executivo detalha de forma precisa e clara todos os elementos construtivos sem os quais seria impossível executar a obra 30 O conteúdo destas etapas será retomado e aprofundado nas unidades seguintes deste material Você pode estar se perguntando mas qual caminho devo seguir para atingir o resultado que é o projeto arquitetônico Christopher Alexander arquiteto austríaco desenvolveu o design methodis um método que sistematiza o processo de criação ALEXANDER 1964 GÓES 2004 Quando aplicado à arquitetura o método é decomposto em metaprojeto e projeto Figura 17 Figura 17 Sistematização da metodologia de projeto Fonte adaptado de Góes 2004 O conceito surgirá das discussões acerca do empreendimento de pesquisas bibliográficas análise de projetos correlatos lembrese do reper tório de referências que criamos na seção anterior e experiências acumu ladas ao longo da carreira A elaboração do PDH pode sugerir alguns dos aspectos que serão considerados no momento de conceituação do projeto Com o conceito definido o próximo passo é a geração de requisitos isto é a verificação das atividades que serão realizadas no projeto e consequente determinação do programa de necessidades Estas atividades deverão ser hierarquizadas de acordo com a sua prioridade A matriz de requisitos identificará a relação entre os requisitos definidos anteriormente com a finalidade de resolver o problema ou seja eliminar os conflitos e favorecer a conexão das partes complementares Esta matriz corresponde às etapas de zoneamento funcional e fluxograma que serão apresentadas em um outro momento A última etapa antes da concepção final do projeto consiste no diagrama espacial no qual o arquiteto desenvolverá desenhos esquemá ticos para facilitar a leitura da estrutura do problema definido na matriz de requisitos Os diagramas podem estar relacionados às partes do problema ou à estrutura como um todo Essa sequência esquematizada fornece os meios pelos quais será possível determinar soluções do problema e atingir o resultado A partir do momento em que o arquiteto internaliza as etapas 31 do processo criativo ele poderá desenvolver as suas próprias técnicas e seus próprios métodos para concepção de projetos Exemplificando Existem exemplos nacionais de profissionais que atuam na promoção de novos processos e normas que regem a arquitetura hospitalar dentre eles Sylvia Caldas Ferreira Pinto que participa dos trabalhos escritos pelo Ministério da Saúde João Carlos Bross que estuda sobre técnicas de gerenciamento do projeto e João Filgueiras Lima Lelé que desenvolveu processos de padronização e industrialização aplicada aos edifícios hospitalares A Rede Sarah é um exemplo de aplicação dos conceitos de préfabri cação desenvolvidos por Lelé durante seus estudos na Europa Todos os hospitais da rede utilizam sistemas préfabricados desde a superes trutura até os objetos hospitalares LUKIANTCHUKI et al 2011 A expansão da rede permitiu o aperfeiçoamento das técnicas garantindo estruturas mais leves e funcionais Um destes materiais consiste na argamassa armada utilizada nas lajes da estrutura do Hospital Sarah do Rio de Janeiro Figura 18 Figura 18 Hospital Sarah do Rio de Janeiro Fonte Arcoweb Disponível em httpswwwarcowebcombrfinestratecnologiaecoeficienb ciaarquiteturabioclimatica Acesso em 8 jul 2019Novos métodos devem ser criados a fim de resolver os problemas enfrentados sejam eles de ordem geográfica físicaestrutural social ou econômica Novos métodos devem ser criados a fim de resolver os problemas enfrentados sejam eles de ordem geográfica físicaestrutural social ou econômica 32 Um dos problemas enfrentados pela grande parte dos EAS modernos e que merece destaque é a desumanização dos ambientes hospitalares Na seção anterior vimos como os princípios da Academia de Ciências de Paris transformaram o modo de projetar os edifícios de saúde Nesse contexto surgiu o modelo construtivo pavilhonar no qual a preocupação com a conta minação até então acreditavase que esta seria contida por meio de barreiras físicas originou uma estrutura que utilizava a ventilação a iluminação e a redistribuição das unidades funcionais como fatores dificultadores da disse minação de doenças Desse modo as construções eram concebidas sob os princípios do conforto ambiental provendo maiores quantidades de ar por leito e pátios ajardinados para separação dos enfermos de acordo com a patologia MINISTÉRIO DA SAÚDE 1944 A partir do século XIX os avanços tecnológicos permitiram identificar os microorganismos até então desconhecidos como a causa da dissemi nação de doenças além da adoção de técnicas de assepsia que se tornaram mais eficazes que a disposição de barreiras físicas para eliminar os fatores de contaminação TOLEDO 2008 Uma vez que o confinamento do ar e a concentração de gás carbônico deixaram de ser responsáveis pela insalu bridade surgiu um novo modelo arquitetônico denominado monobloco que concentrou todas as funções em um único bloco construtivo com vários pavimentos A preocupação excessiva com o rigor funcional dos hospitais levou a uma abdicação de qualquer fator que não fosse necessário do ponto de vista da clínica médica o que afastou a prática terapêutica dos hospitais modernos TOLEDO 2008 Dessa forma a humanização se apresenta como a maneira de tratamento do paciente a partir da qual ele é visto como ser humano e não apenas como um doente O foco do atendimento à saúde não deverá ser simplesmente curar e sim cuidar por meio do conforto físico e psicológico oferecido ao indivíduo Este aspecto deve ser incorporado em todos os EAS indepen dente do nível de complexidade visando universalizar o tratamento humani tário na arquitetura hospitalar Pesquise mais O seguinte artigo de Júlio Nardino descreve algumas ações de humani zação da arquitetura hospitalar e aponta as características a serem observadas no PDH NARDINO J C dos S Planejando o hospital do futuro a importância do Plano Diretor Hospitalar In XII Semana de Extensão Pesquisa e PósGraduação SEPesq 2016 33 Dessa forma encerramos mais uma etapa de aprendizado sobre a arqui tetura hospitalar Na próxima seção compreenderemos as normas e leis aplicadas ao projeto arquitetônico de edifícios da área da saúde Sem medo de errar O escritório de arquitetura no qual você trabalha participará de um concurso para o projeto de um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS no bairro novo que está sendo construído Agora que você já tem um reper tório de referências arquitetônicas poderá iniciar o processo projetual Você deverá partir da elaboração de um Plano Diretor Hospitalar PDH que orientará a execução do projeto arquitetônico O PDH deverá conter um breve histórico da cidade na qual o EAS será implantado relacionando com os dados de saúde do município você poderá obter essas informações nos órgãos públicos como o IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Além disso você deverá descrever e caracterizar o tipo de EAS a ser desen volvido a Unidade Básica de Saúde UBS Verifique quais atividades ela se propõe a realizar qual o público atingido e os funcionários envolvidos O edital do concurso público prevê a construção de uma UBS com capacidade de atendimento para 2400 a 4000 pacientes ou seja terá uma Equipe Saúde da Família ESF Esta acompanhará o paciente provindo do Sistema Único de Saúde SUS desde a sua chegada ao estabelecimento e terá contato perene com o indivíduo O Ministério da Saúde desenvolveu o Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde que poderá ser utilizado para identificar as atividades oferecidas pela UBS Este estabelecimento deverá resolver 85 dos problemas de saúde da comunidade e o encaminhamento dos pacientes para centros especializados só deverá ocorrer na menor parte dos casos apenas quando necessário Dessa forma a UBS deverá oferecer serviços como recepção registro e marcação de consultas consultas médicas e de enfermagem trata mentos odontológicos procedimentos como imunização inalação e curativos atendimento de urgência básico e apenas em casos de maior complexidade o encaminhamento para centros de urgência ou especializados Além disso a ESF é responsável pelo mapeamento das características da saúde da população e pelo planejamento de ações individuais ou coletivas visando a promoção da saúde e recuperação de doenças Após descrever as atividades realizadas na UBS você deverá realizar a caracterização do edifício Uma vez que não existem edificações prévias e o projeto será concebido por completo não é necessário fazer a descrição dos elementos físicos existentes Dessa forma você poderá analisar e refletir sobre quais ações devem nortear o funcionamento e a elaboração da UBS Faça uma descrição de todas as diretrizes que orientarão a elaboração do projeto 34 Você poderá incluir princípios como humanização economia e tecnologias neste texto Por fim este relatório será anexado ao memorial descritivo do projeto e entregue ao final da disciplina Desenvolvido o PDH partiremos para a conceituação do projeto primeira etapa descrita no método de projeto Relacione o seu repertório de referên cias o PDH e as discussões acerca do assunto para criar um conceito próprio deste projeto de arquitetura hospitalar Tenha em mente que o conceito é o aspecto no qual a edificação se destaca e no qual será fundamentada Deve ser algo palpável como elaborar um projeto sustentável com base nas certi ficações ou utilizar a industrialização para facilitar o processo construtivo O conceito não precisa representar apenas uma face do projeto e pode ser destrinchado em vários fatores Um exemplo é o Dell Childrens Medical Center Figura 19 no Texas EUA que usou a sustentabilidade como um dos conceitos do projeto Este hospital foi o primeiro a obter a certificação LEED Platinum que consiste em uma espécie de selo de edificação sustentável utilizado globalmente Figura 19 Dell Childrens Medical Center Texas EUA Fonte Polkinghorn Group Architects Disponível em httpwwwpolkinghorngrouparchitectscomworkhee althcaredellchildrensmedicalcenterphp Acesso em 8 jul 2018 O PDH deverá ser redigido em forma de relatório e a conceituação do projeto deverá ser demonstrada em uma folha sulfite tamanho A3 Para ilustrar 35 os conceitos escolhidos você pode utilizar imagens Além disso não se esqueça de diagramar a prancha para melhorar a apresentação do projeto Anexe estes documentos no memorial descritivo que será entregue ao final da disciplina Avançando na prática Exemplos de humanização na área da saúde Você e a equipe do seu escritório de arquitetura trabalharão em um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS Você reconhece a importância de um bom atendimento ao paciente e da influência que a arquitetura tem no tratamento das doenças e por isso apresenta interesse em conhecer os princípios de humani zação dos espaços e alguns exemplos práticos Sendo assim você decide fazer uma pesquisa que enriquecerá o seu repertório de referências permitindo a incorpo ração do princípio básico da humanização em seu projeto A leitura do seguinte artigo intitulado poderá lhe ajudar a entender o processo de humanização TOLEDO L C de M Humanização do edifício hospitalar um tema em aberto Rede HumanizaSUS s d Resolução da situaçãoproblema Para aprofundar o seu conhecimento sobre a humanização leia o artigo apresentado e anote os principais pontos de uma edificação humanizada Em seguida pesquise por referências e exemplos da prática de humanização em livros revistas sites na internet e artigos ou trabalhos acadêmicos como teses e dissertações Escolha uma edificação hospitalar humanizada ou retire os exemplos de princípios humanizadores de várias referências Um exemplo é o Hospital Miguel Piltcher do arquiteto Irineu Breitman Figura 110 construído em 1973 As obras de Irineu muito se assemelham aos projetos de João Filgueiras Lima apesar de terem suas divergências técnicas A valorização da iluminação e ventilação naturais por meio do uso de sheds é um dos pontos em comum dos arquitetos Figura 110 Hospital Miguel Piltcher Pelotas RS Brasil 36 Fonte Toledo 2008 p 205 Apresente a caracterização da edificação humanizada e a análise de projetos correlatos em uma prancha tamanho A3 Não se esqueça de identi ficar as obras nome local data e arquiteto responsável e utilizar imagens para ilustrar os exemplos Por fim anexe a prancha ao memorial descritivo que será entregue ao final da disciplina Faça a valer a pena 1 A rede de saúde pode ser caracterizada de acordo com o nível de atendimento em nível primário nível secundário e nível terciário Com base nisso analise as afirmações a seguir I O nível primário é responsável pelos atendimentos de assistência à saúde e ambulatório com ações de saneamento e diagnóstico básico II O nível secundário engloba o atendimento cirúrgico e ambulatorial com diagnósticos baseados em exames laboratoriais III O nível terciário está relacionado com os hospitais especializados e serviços mais complexos de urgência e internação Assinale a alternativa que contém apenas as afirmações corretas a Apenas as afirmações I e II estão corretas b Apenas as afirmações II e III estão corretas c Apenas as afirmações I e III estão corretas d Todas as afirmações estão corretas e Nenhuma das alternativas está correta 37 2 O Plano Diretor Hospitalar PDH é um instrumento utilizado como suporte para a elaboração de um projeto arquitetônico na área da saúde Seu desenvolvimento é fundamental para que a edificação seja concebida de forma adequada e apresente uma funcionalidade eficiente Assinale a alternativa que melhor descreve o Plano Diretor Hospitalar PDH a Contém a legislação e normas vigentes para os edifícios de saúde b Relaciona os itens do Plano Diretor Municipal PDM à arquitetura hospi talar c Apresenta o conceito do projeto arquitetônico da edificação de saúde d Cria diretrizes para as ações e soluções do projeto de arquitetura hospitalar e Descreve a metodologia de projeto utilizada no processo criativo 3 A metodologia tem como finalidade a estruturação do processo criativo que envolve a criação de um projeto arquitetônico O arquiteto austríaco Christopher Alexander desenvolveu o design methodis que envolve as seguintes etapas 1 Diagrama espacial 2 Matriz de requisitos 3 Conceituação 4 Geração de requisitos 5 Solução arquitetônica Assinale a alternativa que apresenta a ordem correta das etapas do método a 1 2 3 4 5 b 3 4 2 1 5 c 4 2 1 3 5 d 3 1 2 4 5 e 2 4 3 1 5 38 Seção 3 Legislação vigente e normas pertinentes Diálogo aberto As leis e normas são fundamentais para a regulamentação e determinação de critérios de segurança conforto funcionalidade e higiene necessários em um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS As atividades exercidas em um EAS requerem situações específicas para que possam atuar de maneira eficiente Voltemos ao cenário em que você é um dos arquitetos que compõem a equipe responsável por projetar uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade na qual o escritório está instalado Neste ponto você já criou um repertório de referências e desenvolveu o Plano Diretor Hospitalar do EAS O próximo passo é conhecer a legislação vigente para que você tenha subsídio técnico no momento de projetar A atividade desta seção propõe uma análise de um projeto correlato em formato de pranchas no qual você poderá verificar a relação entre a legislação e o projeto Você sabe qual é a função das leis e qual é o impacto que elas causam no desenho de um projeto Como uma lei pode determinar algumas diretrizes Quais elementos e soluções deverão estar contidas no projeto para que atenda às normas do corpo de bombeiro Nesse sentido conheceremos nesta seção as normas as leis os manuais e outros documentos relacionados ao projeto de arquitetura hospitalar Além disso discutiremos sobre o Ministério da Saúde e seu papel na promoção de condições básicas para a população as características de edificações e as normas técnicas voltadas para os EAS O descumprimento de qualquer uma destas normas resultará na não aprovação do projeto arquitetônico ou ainda pior em falhas funcionais e proce dimentais do EAS que podem prejudicar a saúde e o bemestar da população Prepare o papel e a caneta pois o estudo da legislação vigente requer que você identifique e anote as instalações necessárias a determinado ambiente dimensões mínimas de circulação procedimentos e processos envolvidos nas atividades médicas e de serviços entre outras situações necessárias nos ambientes hospitalares Está pronto para começar 39 Não pode faltar O Ministério da Saúde é o setor governamental responsável pelos assuntos relacionados à saúde pública no Brasil A primeira iniciativa em criar um órgão público para a gestão da saúde surgiu com o governo de Getúlio Vargas no ano de 1930 SILVA 2017 Este presidente fundou o Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública que passou a se chamar apenas Ministério da Educação e Saúde alguns anos depois Durante dezesseis anos a gestão da saúde e da educação ficou sob a responsabilidade de um único ministério até que em 1953 houve uma fragmentação em Ministério da Educação e Cultura e Ministério da Saúde MINISTÉRIO DA SAÚDE 2017 A função do Ministério da Saúde é promover condições adequadas de saúde a partir da redução de enfermidades do controle de doenças endêmicas da vigilância dos setores de saúde entre outros aspectos garan tindo a melhora da qualidade de vida da população A Lei nº 6229 de 17 de julho de 1975 instituiu o Sistema Nacional de Saúde e determinou as compe tências do Ministério da Saúde por exemplo fixar normas e padrões para prédios e instalações destinados a serviços de saúde BRASIL 1975b No mesmo ano surge o Decreto nº 76973 de 31 de dezembro que regulariza a aprovação dos projetos relacionados à saúde A evolução das normas de saúde teve como ponto de partida uma publi cação do Serviço Especial de Saúde Pública SESP com o título Padrões Mínimos Hospitais no final da década de 1940 Este livro tinha como base um manual elaborado pelo Departamento de Saúde Americano Em 1954 o Instituto de Arquitetos do Brasil IAB publicou o título Planejamento de Hospitais uma obra literária que se originou do I Curso de Planejamento de Hospitais do IABSP Em 1965 o Ministério da Saúde publicou o livro Projeto de Normas Disciplinadoras das Construções Hospitalares um aprimoramento das técnicas e modelos disponibilizados pelo SESP Estas normas foram utilizadas para a elaboração de projetos hospitalares até 1974 quando o Ministério da Saúde publicou as Normas de Construção e Instalação do Hospital Geral que tinha por finalidade a orientação dos profissionais com relação às normas hospitalares sem no entanto limitar as inovações de técnicas construtivas e partido arquitetônico Estas normas foram revisadas pela Portaria nº 400BSB de 6 de dezembro de 1977 e novamente pela Portaria nº 1884GM de 11 de novembro de 1994 a qual está em vigor atualmente A portaria originou o manual intitulado Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde É sobre estas normativas que trataremos nesta seção 40 Assimile A aprovação de um projeto de arquitetura hospitalar é semelhante a qualquer outro projeto Assim como na aprovação de um projeto de uma residência por exemplo o arquiteto deverá seguir as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT referentes à apresentação do projeto arquitetônico NBR nº 8402 8403 e 8404 de 1984 NBR nº 10126 e 10068 de 1987 NBR nº 10582 de 1988 e NBR nº 10067 de 1995 bem como as diretrizes determinadas pela prefeitura da cidade na qual será implantado como o Código de Obras e o Plano Diretor Municipal A diferença é que os Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS deverão obedecer às normativas impostas pelo Ministério da Saúde que abrangem aspectos de circulação conforto ambiental controle de infecções e contaminação além de combate a incêndios De acordo com ao manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde BRASIL 1994a podemos estabe lecer os seguintes critérios circulações externas e internas condições ambien tais de conforto controle de infecção hospitalar e combate a incêndios Circulações externas e internas As circulações externas e internas compreendem os acessos o estaciona mento e as circulações horizontais e verticais e deverão estar em conformi dade com a Norma de Acessibilidade nº 90502015 Os acessos devem ser o mais restrito possível A setorização destes pode ser realizada a partir de seis categorias Paciente externo ambulante doador e acompanhante Paciente externo transportado e acompanhante Paciente a ser internado ambulante ou transportado Cadáver acompanhante e visita Funcionário e residente vendedor fornecedor e prestador de serviço etc Materiais e resíduos O número de acessos depende do tamanho do EAS Um EAS de pequeno porte pode atender a várias categorias em um único acesso físico enquanto um mais complexo e de maior porte poderá ter vários acessos físicos de uma mesma categoria 41 A quantificação das vagas de estacionamento deve seguir as orientações previstas na legislação municipal sendo prevista ao menos uma vaga ou 1200 m² para cada quatro leitos Além disso devem ser reservadas as áreas de estacionamento das viaturas de serviço ambulâncias por exemplo As circulações horizontais correspondem aos corredores que devem ter largura mínima de 200 metros em casos de circulação de pacientes seja ambulante cadeirante transportado em maca ou cama ou de tráfego intenso de materiais ou pessoas Ambos devem servir exclusivamente para circulação e a largura mínima deve permanecer livre caso seja instalado um equipamento como bebedouro telefone público extintores ou lavatórios Corredores para tráfego baixo de pessoas ou cargas podem ter largura mínima de 120 metros A dimensão das portas também deve ser observada Com exceção das portas utilizadas para passagem de macas que devem ter largura mínima de 110 metros e em caso de portas de acesso às unidades de diagnóstico e terapia que requer largura mínima de 120 metros as demais aberturas podem apresentar largura de 080 metros A altura de qualquer uma das aberturas deve apresentar no mínimo 210 metros As portas dos sanitários de pacientes devem abrir para fora ou permitir a retirada da folha pelo lado externo caso o paciente esteja dentro do banheiro e precise de socorro As circulações verticais compreendem as escadas e rampas Neste caso além das normativas referentes à prevenção de incêndio à NBR nº 90502015 e aos órgãos municipais as circulações verticais devem atender a critérios específicos As escadas de uso dos pacientes devem ter uma largura mínima de 150 metros enquanto que as de uso exclusivo do pessoal pode ter largura mínima de 120 metros Figura 111 Nenhum lance de escada pode vencer mais de 200 metros e não é permitido a utilização de degraus em leque A largura mínima das rampas deverá ser 200 metros ou em caso de circulação restrita a funcionários 120 metros O número máximo de pavimentos a ser vencido pelas rampas é dois e as inclinações devem obedecer às regras da NBR nº 90502015 Figura 111 Exemplo de dimensionamento de circulação vertical Fonte elaborado pela autora 42 Os elevadores devem obedecer às normas da NBR nº 147122013 e ser instalados em um EAS no qual as atividades de unidade de internação centro cirúrgico centro obstétrico unidade de terapia intensiva e radiologia estejam em um pavimento diferente do térreo e não acessíveis por meio de rampas Condições ambientais de conforto O conforto ambiental dos edifícios parte de duas situações a endógena na qual a construção garante o conforto do usuário por meio da eliminação ou atenuação dos efeitos dos fatores externos temperatura umidade do ar poluição entre outros e exógena que avalia o impacto causado pela edificação no ambiente externo A dimensão endógena deve ser garantida desde que não interfira negativamente no entorno As normas técnicas de conforto ambiental térmico luminoso acústico de higiene e de segurança do trabalho regem o funcionamento da dimensão endógena enquanto documentos como Código de Obras e Plano Diretor Municipal e leis do Código Florestal estão relacionados à dimensão exógena As soluções encontradas para o conforto térmico e qualidade do ar dependerá do tipo da unidade funcional Ambientes que não exijam condi ções especiais de temperatura umidade e qualidade do ar podem optar pela iluminação e ventilação direta ou indireta Já espaços que exigem o controle da qualidade de ar devem ter soluções adequadas Por exemplo lugares nos quais são realizadas atividades poluentes ou que emitem odores devem ser dotados de exaustão mecânica Algumas unidades funcionais demandam soluções especiais devido ao tempo de permanência dos pacientes como as áreas de internação Neste caso as condições de temperatura umidade e qualidade do ar deverão prever a insolação com o devido controle de exposição ventilação e exaustão diretas Outros ambientes demandam condições especiais devido aos equipamentos e às atividades realizadas Um exemplo são as salas de cirurgia que necessitam de climatização artificial e exaustão mecânica O conforto acústico também levará em consideração as unidades funcio nais do EAD Partindo do princípio que para se obter o conforto térmico é necessário isolar as fontes de ruído os ambientes nos quais são realizadas atividades produtoras de ruído como as áreas de manutenção lavanderia e cozinha deverão ser isolados acusticamente Da mesma forma os espaços que abrigam pacientes e usuários que precisam de níveis mínimos de ruído como as salas de atendimento de emergência e urgência também devem apresentar tratamento acústico 43 O conforto luminoso será atingido a partir do cumprimento das regula mentações dispostas na norma NBR ISOCIE nº 899512013 e das diretrizes do Código de Obras e Posturas do município Algumas unidades funcionais em especial necessitam da incidência da luz solar direta como os ambula tórios os consultórios as salas de exame e observação internação materni dade e berçário os laboratórios e as salas para diálise A iluminação natural deve ser complementada pela luz artificial em todos os ambientes nos quais há a manipulação de pacientes Reflita Relembre as obras de João Filgueiras Lima para a Rede Sarah de hospitais e identifique as características utilizadas pelo arquiteto para promover o conforto ambiental e o bemestar dos pacientes e usuários Observe a Figura 112 que mostra um dos ambientes da unidade de Brasília Figura 112 Hospital Sarah de Brasília DF Brasil Fonte Wikimedia Commons Disponível em httpscommonswikimediaorgwikiFileRedeSa rahmodelodeexcelC3AAncianagestC3A3odehospitaisC3A9referC3A AnciaparaacriaC3A7C3A3odaAbram30611248367jpg Acesso em 10 jul 2019 Além da iluminação e ventilação natural o paisagismo também está muito presente nas obras de Lelé De que forma a vegetação pode atuar na qualidade de vida da população Controle de infecção hospitalar A infecção hospitalar é aquela contraída dentro do EAS proveniente de falhas operacionais e de planejamento O controle de contaminação e infecção hospitalar está relacionado a dois princípios os procedimentos que se referem ao manuseio de utensílios roupas e resíduos e o projeto arquitetônico no qual 44 o arquiteto tem papel fundamental Diversos fatores interferem no controle da contaminação por exemplo fluxos e padrões de circulação transportes de materiais equipamentos e resíduos sólidos sistemas de renovação de ar facili dade de limpeza das superfícies e materiais entre outros No que diz respeito aos critérios do projeto um dos primeiros pontos a se considerar a fim de evitar a infecção hospitalar é o zoneamento das unidades funcionais Isto implica no isolamento das áreas críticas com risco maior de infecção como ambientes para internação de pacientes póscirúr gico ou no pósparto recémnascidos diálises preparo de alimentos entre outros áreas semicríticas compartimentos ocupados por pacientes que não se enquadram nas categorias de alto risco de infecção e áreas não críticas ambientes não ocupados por pacientes O segundo aspecto a ser considerado é a adoção de barreiras físicas a partir da compartimentação das etapas do procedimento Qualquer atividade que envolva a separação de objetos contaminados e não contaminados deve prever salas ou equipamentos que permitam esse isolamento Por exemplo os centros cirúrgicos obstétricos lactário entre outros recebem vestíbulos acoplados a eles que funciona como uma barreira ao acesso direto a estes ambientes Estes vestíbulos são classificados em área limpa sem contato com material contaminado e área suja apresenta contato com material contami nado e devem ser dispostos de maneira estanque e com acessos separados Exemplificando A lavagem de roupas é outro processo que necessita de separação entre a área limpa e a suja Primeiro existe a classificação da roupa suja cujo ambiente é tratado como altamente contaminado e deve apresentar uma série de requisitos arquitetônicos exaustão mecanizada processo de recepção da roupa por meio de carros ou tubulões pisos e paredes laváveis entre outros O processo de lavagem da roupa também neces sita de setorização Uma das maneiras de solucionar esta situação é por meio da adoção de uma máquina de lavar com porta dupla uma delas voltada para a área suja na qual a roupa será depositada e outra voltada para a área limpa na qual outro operador recolherá a roupa já lavada A comunicação entre estes compartimentos deverá ser feita por meio de visores e interfones A adoção de barreiras físicas deve estar associada ao fluxo de trabalho de determinados procedimentos como nutrição e dietética processamento de roupas e central de esterilização de material Por exemplo o processo de nutrição apresenta duas etapas preparação preparo dos alimentos 45 envaze de refeições distribuição e lavagem recepção lavagem de recipientes e utensílios esterilização A compartimentação deve se adequar a este fluxo para garantir o funcionamento do processo As ativi dades de recepção desinfecção e separação de materiais são consideradas áreas sujas portanto devem ser realizadas em ambientes para uso exclusivo e com paramentação adequada Os acabamentos e materiais utilizados no projeto devem permitir a sua higienização Pisos paredes balcões etc devem ser laváveis e resistentes a agentes químicos de limpeza e desinfetantes Os forros das áreas críticas não podem ser removíveis Combate a incêndios O primeiro passo para garantir o controle contra incêndios é permitir a aproximação dos veículos do corpo de bombeiros O edifício deve ser acessado por pelo menos duas fachadas opostas e os acesos devem estar livres de congestionamento O zoneamento dos ambientes do EAS deve ser setorizado de acordo com as instalações físicas e função a fim de identificar os espaços com maior ou menor risco de incêndio A compartimentação deve impedir que o fogo se propague de um ambiente ao outro horizontal e verticalmente Dentre os setores os que merecem atenção por terem maior risco são apoio ao diagnóstico e terapia laboratórios serviço de nutrição e dieté tica cozinha farmácia área para armazenagem e controle Central de Material Esterilizado processamento de roupa lavanderia arquivo e área para armazenagem devido ao material combustível gerador e subestação elétrica e caldeiras Os setores de médio e alto risco devem ser interligados às áreas de circulação ou garagem por meio de uma antecâmara e não podem ser utilizados como rota de via de escape Os materiais construtivos devem ser especificados de modo que resistam à ação do fogo em especial do sistema estrutural e das portas dos setores de incêndio As escadas podem ser do tipo protegida paredes e portas resistentes ao fogo enclausurada paredes e portas cortafogo ou à prova de fumaça antecâmara com duto de ventilação Devem ser dispostas no mínimo duas escadas nas unidades de internação situadas em posições opostas e o raio de abrangência não pode ultrapassar 15 metros para os setores de alto risco ou 30 metros para os demais locais Os sistemas de detecção de incêndio e sinalização devem ser executados em conformidade com NBR nº 172402010 e 90772001 46 Pesquise mais O Manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assis tenciais de Saúde publicado pelo Ministério da Saúde determina critérios para instalações prediais ordinárias e especiais nos EAS Leia o capítulo 7 página 117 a 129 que trata das instalações hidrossani tárias elétricas e eletrônicas fluidomecânicas e de climatização BRASIL Normas para projetos físicos de estabelecimentos assisten ciais de saúde Brasília DF Ministério da Saúde1994a É importante ressaltar que o conteúdo deste material foi abordado de maneira resumida e que sempre é possível consultar as normas técnicas as regulamentações e os documentos referentes ao projeto arquitetônico de EAS Dessa forma encerramos a Unidade 1 sobre a arquitetura hospitalar Agora você já tem conhecimento sobre os fundamentos básicos para iniciar o processo criativo de projetar Sem medo de errar Imagine que o escritório no qual você trabalha esteja encarregado de projetar uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade na qual mora Você já tem um repertório de referências e elaborou o Plano Diretor Hospitalar que orientará as decisões tomadas durante o processo de projetar Agora você deverá desenvolver um quadro com o resumo de todas as exigências indicadas no Manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde publicado pelo Ministério da Saúde Muitas delas já foram abordadas nesta seção mas você pode consultar o manual para obter informações mais precisas Não se atenha apenas às normas citadas pois a intenção é criar um quadro que lhe auxiliará no processo de projeto Você pode utilizar outros documentos como o Código de Obras ou Plano Diretor Municipal para complementar a pesquisa Faça um quadro e preencha as colunas com os requisitos apontados pela norma e outras informações que você puder encontrar que forem pertinentes ao projeto Subdivida os critérios para projetos em circulações externas e internas condições ambientais de conforto controle de infecção hospitalar e combate a incêndios Dentro de todos estes critérios deverão conter os itens relativos a ele Por exemplo no critério circulações externas e internas poderão ser elencados os itens acessos estacionamentos circulações horizontais e circulações verticais Você também pode criar algumas colunas 47 como tipo dimensão e quantidade mínima e características A seguir o Quadro 12 mostra um exemplo que poderá ser seguido Quadro 12 Modelo de quadro para resumo dos requisitos e características dos EAS Item Tipo Dimensão e quantidade mínima Características Critério circulações externas e internas Acessos Paciente externo ambulante doador e acompanhante paciente externo transportado paciente a ser inter nado ambulante ou transportado cadáver funcioná rios fornecedor e prestador de serviço outros materiais e resíduos Depende do porte do EAS Restrição maior controle de movimentação Estacionamentos Paciente externo transportado paciente a ser internado visitas paciente externo de ambulatório funcio nários fornecedores entregas combus tível mantimentos medicamentos etc remoção de mortos remoção de resíduos 1200 m² ou uma vaga a cada quatro leitos ou menos Consultar Código de Obras municipal Circulações horizontais 1 Corredores 2 Portas 1 Circulação de pacien tes 2 metros de largura Circulação de pessoal e de carga 120 metros de largura 2 Passagem de macas e camas largura mínima 110 metros altura míni ma 210 metros Unidades de diagnóstico e terapia largura mínima 120 metros altura míni ma 210 metros Demais portas largura mínima 080 metros altura mínima 210 metros Desníveis superiores a 3 cm usar rampa Não é permitido usar o corre dor como sala de espera Portas dos banheiros deve abrir para fora e permitir retirada da folha para o lado externo 48 Circulações verticais 1 Escadas 2 Rampas 3 Elevadores 4 Montacargas 5 Tubos de queda 1 Uso por pacientes largura mínima 150 metros Uso por pessoal largu ra mínima 120 metros Lance máximo a ser vencido 200 metros caso seja acima disso utilizar patamar inter mediário 2 Uso por pacientes largura mínima 200 metros Uso por funcionários largura mínima 120 metros Pé direito mínimo 200 metros Inclinações admissíveis 625 para desníveis até 300 metros 833 para desníveis até 150 metros 1000 para desníveis até 0274 metros 125 para desníveis até 0183 metros 3 Área mínima da cabine 220 x 120 metros Largura livre da porta 110 metros 4 5 1 As larguras mínimas devem estar livres de equipamentos bebedouros telefones etc Distância entre a escada e a porta do quarto mais distante não pode ser superior a 3500 metros Piso revestido com material antiderrapante Não são permitidos degraus em leque Os degraus devem obedecer à formula 2 vezes altura profundidade 064 metros 2 A rampa pode vencer no máximo dois pavimentos Em caso de mudança de direção devemos ter patamares intermediários São obrigatórios o piso an tiderrapante o corrimão e o guardacorpo Não é permitido abrir portas sobre a rampa caso seja necessário criar um vestíbulo com no mínimo 150 metros de largura e 120 metros de comprimento 3 É necessário em um EAS que qualquer um dos seguintes ambientes estejam em um pavi mento diferente do térreo e não acessível por rampa unidade de internação unidade de diagnós tico e tratamento dos pacientes internados centro cirúrgico centro obstétrico unidade de terapia intensiva e radiologia 4 Devem ser dotados de porta cortafogo A abertura deve ser feita em recintos fechados e nunca em corredores 5 Uso exclusivo para roupa suja Mecanismo de limpeza e desinfecção Fonte adaptado de Brasil 1994a 49 Complete o quadro com o restante dos critérios e elabore um relatório com as informações A partir disso você deverá selecionar um projeto corre lato um hospital preferencialmente e identificar quais soluções adotadas no projeto foram impactadas pelas limitações e recomendações da legis lação Identifique os pontos em comum entre a legislação apresentada no seu relatório e os elementos projetuais Apresente sua análise em pranchas no tamanho A3 no máximo 3 diagramadas podem ser realizadas à mão com colagens dos projetos analisados ou algum software de desenho gráfico Avançando na prática Uso e ocupação do solo para edificações de saúde O Plano Diretor Municipal PDM contém a Lei de Uso e Ocupação do Solo Urbano Esta lei divide a cidade em zonas cada uma com características e padrões próprios O zoneamento é determinado pelo grau de urbanização e tem a finalidade de organizar a cidade permitindo a compatibilização dos usos e das atividades dentro do solo urbano Cada município tem autonomia para desenvolver o seu próprio PDM porém via de regra cada zona apresentará os usos permitidos tolerados e permissíveis além de regulamen tações como área mínima do lote tamanho mínimo da testada coeficiente de aproveitamento taxa de ocupação e permeabilidade altura máxima em pavimentos recuos e afastamentos da divisa Os usos permitidos consistem em atividades compatíveis com a finalidade da zona urbana Os usos tolerados apresentam algum incômodo ou prejuízo ao entorno que possa ser causado pela atividade exercida na edificação Os usos permissíveis dependerão da aprovação de uma comissão municipal e poderão apresentar índices mais restritivos que os descritos na lei Cada cidade pode determinar sua própria classificação de usos entre tanto é comum utilizar a seguinte categorização Usos habitacionais unifamiliares habitações coletivas condomínio horizontal habitações de uso institucional habitações transitórias e residências em série Usos comunitários tipo 1 atendimento direto ao uso residencial tipo 2 lugar no qual há concentração de pessoas e veículos divididos 50 em educação saúde lazer e cultura e culto religioso e tipo 3 ativi dades de grande porte Usos comerciais vicinal de bairro setorial geral e específico Usos industriais tipo 1 compatíveis com o uso residencial não causam incômodos tipo 2 não geradoras de fluxo intenso e compa tíveis com o entorno e tipo 3 usos e padrões específicos como agropecuária e uso extrativista Usos de serviços vicinal de bairro setorial geral e específico Para implantar um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS é neces sário que o zoneamento da cidade permita o seu uso no bairro no qual se deseja construílo Desta forma as edificações de saúde podem ser implan tadas em zonas que permitem o Uso Comunitário 1 no que se refere aos ambulatórios de pequeno porte postos de saúde e mais enfaticamente no Uso Comunitário 2 de Saúde Para compreender como funciona o uso e a ocupação do solo urbano no que diz respeito aos EAS você deverá verificar no PDM da sua cidade quais zonas permitem o uso na área de saúde e identificálas em um mapa Resolução da situaçãoproblema Você deverá obter o PDM da sua cidade seja fazendo uma busca no site municipal ou indo até a prefeitura e solicitando o arquivo normalmente disponibilizado em formato PDF Dentro do PDM você deverá encontrar a Lei de Uso e Ocupação do Solo e identificar como é feita a classificação dos usos e das atividades desenvolvidas no município Tomando como exemplo a cidade de Umuarama no noroeste do Paraná a zona que permite o Uso Comunitário 2 Saúde é somente a Zona Central ZC sendo que a ativi dade é tolerada nas zonas de Comércio e Serviços ZCS Zona Residencial de Baixa Densidade ZBD Zona Residencial de Média Densidade ZMD Zona Residencial de Alta Densidade ZAD e Zona de Serviços I ZSI As zonas ZBD ZMD e ZAD também permitem o Uso Comunitário 1 com ressalva para a ZBD no qual o porte deve ser até 100m² Observe no PDM da sua cidade quais zonas permitem ou toleram o uso para atividades de saúde Em seguida identifique no mapa do município no qual estão estas zonas Você pode usar cores diferentes de acordo com o uso Comunitário 1 ou Comunitário 2 de Saúde eou de acordo com a permissão uso permitido ou tolerado 51 Faça a valer a pena 1 A Lei nº 6229 de 17 de julho de 1975 instituiu o Sistema Nacional de Saúde e determinou as competências do Ministério da Saúde por exemplo fixar normas e padrões para prédios e instalações destinados a serviços de saúde A partir daí surgiram vários manuais e normativas para regulamentar a instalação de Estabele cimentos Assistenciais de Saúde EAS O manual mais recente surgiu da Portaria nº 1884GM de 11 de novembro de 1994 Assinale a alternativa que descreve o conteúdo do manual elaborado pelo Ministério da Saúde em 1994 a O manual contém os critérios para elaboração do projeto de EAS incluindo circulações confortos ambientais controle de infecção hospitalar instalações prediais e segurança contra incêndio b O manual contém as legislações de uso e ocupação do solo urbano envol vendo o zoneamento e a indicação dos setores que permitem o uso para ativi dades do setor de saúde c O manual contém as dimensões e os parâmetros da construção como taxa de permeabilidade área máxima ocupada pela edificação no terreno e número máximo de pavimentos d O manual contém a explanação dos procedimentos médicos que devem ser seguidos pelos profissionais da área da saúde de acordo com a atividade que será realizada no ambiente e O manual indica quais são os tipos de estabelecimentos voltados para a área da saúde apresentando que os postos e as unidades básicas de saúde estão categorizados como nível primário de atendimento 2 A infecção hospitalar é aquela contraída durante a internação do paciente dentro do próprio estabelecimento de saúde O Ministério da Saúde criou diretrizes para o controle da contaminação e infecção hospitalar que devem ser utilizadas no projeto arquitetônico de edifícios da área da saúde Com base nisso avalie as afirmativas a seguir I A setorização das atividades exercidas no edifício consiste em catego rizar os ambientes em áreas críticas semicríticas e não críticas de acordo com o risco de contaminação II Para maior isolamento das atividades é necessário compartimenta lizar os espaços e classificálos em áreas limpas e sujas a partir do contato ou não com materiais e agentes contaminantes 52 III A compartimentação dos ambientes deverá prever a setorização dos espaços de acordo com o maior ou menor risco de incêndio em baixo médio e alto risco IV As superfícies devem permitir a sua completa higienização e serem confeccionadas com materiais resistentes à ação de agentes químicos e desinfetantes Assinale a alternativa que contém apenas as alternativas relacionadas ao controle da infecção hospitalar a Apenas as afirmativas I e IV estão corretas b Apenas as afirmativas II e III estão corretas c Apenas as afirmativas I II e III estão corretas d Apenas as afirmativas I II e IV estão corretas e As afirmativas I II III e IV estão corretas 3 Você é arquiteto e foi contratado para projetar um hospital geral privado com capacidade para 1500 leitos O cliente já encontrou um terreno para implantar o edifício porém quer a sua opinião antes de realizar a compra do lote A Lei de Uso e Ocupação da cidade mostra que o lote escolhido está inserido na Zona Residencial de Baixa Densidade cuja tabela de parâmetros é a seguinte Quadro 13 Parâmetros de uso e ocupação do solo ZONA RESIDENCIAL DE BAIXA DENSIDADE ZBD Parâmetros de uso e ocupação do solo USOS PERMITIDOS TOLERADOS PERMISSÍVEIS Habitação unifamiliar Comércio e serviço vicinal 2² Uso industrial tipo 1 e 25 Habitações unifamiliares em série Uso comunitário 24 Ensino porte até 100 m² Condomínios Comércio e serviço vicinal 1¹ Uso comunitário 24 Saúde porte até 100 m² Loteamentos fechados Uso comunitário 1³ porte até 100 m² Uso comunitário 24 Religioso Notas ¹ Comércio e serviço vicinal 1 atividade comercial varejista serviços pessoais ou profissional de pequeno porte de utilização imediata e cotidiana e não incômodas ao uso residencial ² Comércio e serviço vicinal 2 atividades comerciais varejistas ou de prestação de serviços de médio porte e destinadas ao atendimento de um determinado bairro ou zona ³ Uso comunitário 1 atividades de atendimento direto e funcional ao uso residencial como ambulatórios es tabelecimentos de assistência social berçários creches hotéis para bebês bibliotecas estabelecimentos de 53 educação infantil ensino maternal préescola jardim de infância e estabelecimentos de educação especial 4 Uso comunitário 2 atividades com concentração de pessoas ou veículos níveis altos de ruídos e padrões viários especiais 5 Uso industrial Tipo 1 atividades industriais compatíveis com o uso residencial não incômodas Tipo 2 atividades industriais compatíveis ao seu entorno e aos parâmetros construtivos da zona não geradoras de intenso fluxo de pessoas e veículos Fonte adaptado do Plano Diretor Municipal de UmuaramaPR p 64 Considerando a zona na qual o terreno que o cliente escolheu está inserido assinale a alternativa correta a O terreno está adequado para a implantação do hospital pois na tabela consta o Uso Comunitário 2 de Saúde como uso tolerado b O terreno está adequado para a implantação do hospital pois os usos permi tidos e tolerados pela zona compatibilizam as atividades residenciais e de saúde c O terreno não está adequado para a implantação do hospital pois na tabela existe uma restrição quanto ao porte do Uso Comunitário 2 de Saúde d O terreno não está adequado para a implantação do hospital pois o Uso Comunitário 2 de Saúde é classificado como uso tolerado ou seja não está compatível com o uso residencial e Não é possível saber se o terreno está adequado para a implantação do hospital pois a área do lote não foi informada pelo cliente Referências ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR 14712 elevadores elétricos elevadores de carga montacargas e elevadores de maca requisitos de segurança para projeto fabricação e instalação Rio de Janeiro 2013 ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR 17240 sistemas de detecção e alarme de incêndio projeto instalação comissionamento e manutenção de sistemas de detecção e alarme de incêndio requisitos Rio de Janeiro 2010 ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR 9050 acessibilidade a edificações mobiliário espaços e equipamentos urbanos 3 ed Rio de Janeiro 2015 ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR 9077 saídas de emergência em edifí cios Rio de Janeiro 2001 ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR ISOCIE 89951 iluminação de ambientes de trabalho parte 1 interior Rio de Janeiro 2013 AKPINAR A How is quality of urban green spaces associated with physical activity and health Urban forestry and urban greening v 16 p 7683 2016 ALEXANDER C Notes on the synthesis of form Cambridge Massachusetts Harvard University Press 1964 ALMAATA Declaração de AlmaAta URSS Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde set 1978 BARTON J PRETTY J What is the best dose of nature and green exercise for improving mental health A multistudy analysis Environmental science and technology v 44 n 10 p 39473955 maio 2010 BRASIL Constituição da República Federativa do Brasil Brasília DF Senado FederalCentro Gráfico 1988 292 p BRASIL Decreto nº 76973 de 31 de dezembro de 1975 Dispõe sobre normas e padrões para prédios destinados a serviços de saúde credenciação e contratos com o mesmo e dá outras providências Brasília DF 1975a BRASIL Lei nº 6229 de 17 de julho de 1975 Dispõe sobre a organização do Sistema Nacional de Saúde Brasília DF 1975b BRASIL Lei nº 8080 de 19 de setembro de 1990 Dispõe sobre as condições para a promoção proteção e recuperação da saúde a organização e o funcionamento dos serviços correspon dentes e dá outras providências Brasília DF 1990 BRASIL Normas do Hospital Geral Brasília Ministério da SaúdeSecretaria de Assistência Médica 1974 BRASIL Normas para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília DF Ministério da Saúde 1994a Disponível em httpbvsmssaudegovbrbvspublicacoes normasmontarcentropdf Acesso em 10 jul 2018 BRASIL Portaria 1884GM de 11 de novembro de 1994 Brasília DF 1994b BRASIL Portaria 400BSB de 6 de dezembro de 1977 Brasília DF 1977 CARVALHO A P A de Normas de Arquitetura de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde no Brasil Instituto de Pesquisas Hospitalares Arquiteto Jarbas Karman Disponível em http wwwiphorgbrrevistaiphmaterianormasdearquiteturadeestabelecimentosassistenciais desaudenobrasil Acesso em 10 jul 2019 CBCA Centro Brasileiro de Construção em Aço Técnica e arte a serviço da cura Revista Au Arquitetura e Urbanismo out 2008 Disponível em httpwwwcbcaacobrasilorgbr noticiasdetalhesphpcod3108origobrascodOrig90339 Acesso em 8 jul 2019 CNES Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde Anexo do manual técnico do cadastro nacional de estabelecimentos de saúde Tabelas atualizadas Brasília DF Ministério da Saúde 2008 DZIURA G L Três tratadistas da arquitetura e a ênfase no uso do espaço Da Vinci Curitiba v 3 n 1 p 1936 2006 Disponível em httpswwwupedubrdavinci3303trestratadistas daarquiteturapdf Acesso em 5 jul 2019 FABRÍCIO M M Projeto simultâneo na construção de edifícios 2002 350 f Tese Doutorado em Engenharia Escola Politécnica da Universidade de São Paulo São Paulo 2002 GÓES R de Manual prático de arquitetura hospitalar São Paulo Edgard Blucher 2004 IAB Instituto de Arquitetos do Brasil Planejamento de Hospitais São Paulo Departamento de São Paulo 1954 LEE A JORDAN H HORSLEY J Value of urban green spaces in promoting healthy living and wellbeing prospects for planning Risk management and healthcare policy p 131137 ago 2015 LUKIANTCHUKI M A A evolução das estratégias de conforto térmico e ventilação natural na obra de João Filgueiras Lima Lelé hospitais Sarah de Salvador e Rio de Janeiro 2010 324 f Dissertação Mestrado em Arquitetura e Urbanismo Universidade de São Paulo São Paulo 2010 LUKIANTCHUKI M A CAIXETA M C B F FABRICIO M M CARAM R Industrialização da construção no Centro de Tecnologia da Rede Sarah CTRS Revista Vitruvius jul 2011 Disponível em httpvitruviuscombrrevistasreadarquitextos121343975 Acesso em 8 jul 2019 MENDES A C P Plano diretor físico hospitalar uma abordagem metodológica frente a problemas complexos 2007 184 f Dissertação Mestrado em Engenharia Civil 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Acesso em 8 jul 2019 TOLEDO L C M de Feitos para cuidar a arquitetura como um gesto médico e a humanização do edifício hospitalar 2008 241 f Tese Doutorado em Ciências da Arquitetura Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro Rio de Janeiro 2008 VALDETARO O et al Padrões Mínimos Hospitais Brasília Ministério da SaúdeServiço Especial de Saúde Pública SESP sd VALDETARO O NADALUTTI R Projeto de Normas Disciplinadoras das Construções Hospitalares Rio de Janeiro Ministério da SaúdeDepartamento Nacional de Saúde 1965 VITRUVIUS M P Tratado de Arquitetura São Paulo Martins 2007 WESTPHAL E A Linguagem da Arquitetura Hospitalar de João Filgueiras Lima 2007 130 f Dissertação Mestrado em Arquitetura Universidade Federal do Rio Grande do Sul Porto Alegre 2010 Unidade 2 Carolina Cardoso Concepção do projeto Convite ao estudo Caro aluno vamos iniciar o processo criativo que envolve a concepção de um projeto arquitetônico Você sabe como identificar as condicionantes do projeto Quantos e quais são os ambientes de um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS e a função de cada um deles Como desenvolver um partido arquitetônico coerente Nesta unidade aprofundaremos o nosso conhecimento acerca das características que envolvem o processo criativo que se interrelacionam formando propostas estruturadas que serão a base de um projeto arquitetô nico funcional e com soluções próprias Ao final da unidade você será capaz de desenvolver um partido arquitetônico a partir das informações levantadas e analisadas Por onde o profissional deve começar a elaboração do projeto Quais informações ele deverá obter Existe um método que ele poderá seguir Qual é a etapa que sintetiza as ideias envolvidas no processo criativo para a concretização de uma proposta arquitetônica Para nos ajudar a responder a esses questionamentos temos a seguinte situação você foi contratado por um escritório especializado em arquite tura hospitalar A cidade onde mora está localizada no interior do estado e apresenta um crescimento urbano intenso Diante desse cenário a prefeitura inaugurou recentemente um novo loteamento e para atender às necessidades da população do novo bairro foi aberto um edital de concurso público para o projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde UBS Os requisitos impostos pelo edital do concurso incluem a apresentação de um projeto arquitetônico no nível de anteprojeto de um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS com capacidade entre 2400 e 4000 pacientes e que atenda aos critérios estabelecidos pelo Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde publicado pelo Ministério da Saúde Até agora você já conheceu a contextualização histórica da temática o repertório de referências o Plano Diretor Hospitalar os princípios de humanização em hospitais a legislação e normas vigentes e a estruturação da rede de saúde pública De posse dessas informações você continuará a sua caminhada rumo à concepção do projeto arquitetônico Na Seção 21 você analisará o meio onde o edifício será implantado Isso representa a observação das condicionantes climáticas do uso e ocupação do solo do entorno e o levantamento das características do terreno como a topografia e a vegetação existente Na Seção 22 identificará quais são os ambientes que compõem o projeto de um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS a partir de um programa de necessidades Você aprenderá as particularidades relacionadas à arquitetura hospitalar no que diz respeito às atividades realizadas e à qualidade dos ambientes Finalmente na Seção 23 você reunirá todas as análises e informações obtidas até então para criar o partido arquitetônico e a organização do EAS plano de massas setorização e fluxograma Todos esses aspectos compreendem o ponto de partida para a concepção do projeto 59 Seção 1 Análise do terreno Diálogo aberto Você já parou para pensar que cada pedacinho de terra possui carac terísticas específicas de relevo e está situado em uma área com condições climáticas próprias Que a vegetação e os cursos dágua conferem detalhes únicos para cada terreno E que a forma como modificamos a paisagem para a criação de cidades interfere nas vistas e na disposição e movimentação natural desses elementos Cada terreno representa um novo desafio projetual e por isso dificil mente o mesmo projeto poderá ser replicado em vários locais ao menos não com a mesma eficácia do terreno original Da mesma forma devido às inúmeras possibilidades de combinação de elementos e de princípios que norteiam a tomada de decisão dos arquitetos o mesmo terreno poderá receber várias propostas diferentes ainda que o projeto tenha a mesma função Sendo assim a análise das condicionantes deficiências e potencia lidades de cada local é o que determinará o funcionamento e a eficiência do projeto arquitetônico Você foi contratado em um escritório de arquitetura especializado em projetos de EAS e a equipe da qual faz parte participará de um concurso público para um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade onde mora Você já possui o Plano Diretor Hospitalar e conhece as características e os critérios para elaboração de um edifício de saúde Agora deverá realizar uma análise de todos os componentes que fazem parte do meio ambiente em que o EAS será implantado Com as infor mações iniciais em mãos fazse necessária a visita técnica ao terreno Quais são as condicionantes locais encontradas O que se pode registrar sobre a topografia Quais características podem ser observadas sobre o entorno do terreno Qual o partido arquitetônico que você adotará nesse projeto e por quê Nesta seção aprenderemos a analisar as condições climáticas as caracte rísticas locais do terreno e do entorno as vistas e as orientações para edifícios de saúde Não podemos nos esquecer de que esses fatores apresentam forte influência na ventilação de bactérias e na disseminação de agentes conta minantes que podem colocar em risco a saúde dos pacientes internados no 60 hospital Conheceremos ainda algumas certificações de sustentabilidade em edificações que poderão ser utilizadas para a criação de estratégias que preservem o meio ambiente e promovam a eficiência do edifício Estamos iniciando uma das partes mais interessantes da disciplina que consiste na concepção de ideias criativas para desenvolver uma proposta arquitetônica Bons estudos Não pode faltar Não é difícil perceber que cada lugar é diferente do outro Basta observar em sua própria cidade que existem locais mais planos que outros mais ventilados mais iluminados ou mais úmidos As condições climáticas e topográficas vão influenciar o comportamento do edifício além de serem fatores importantes para a concepção do projeto arquitetônico Por isso tais elementos são chamados condicionantes pois representam limitações ou restrições no momento de projetar Dessa forma as condicionantes se confi guram em todo e qualquer aspecto ou elemento que não é passível de modifi cações como é o caso dos ventos e da incidência solar ou que sua alteração seja inviável ou desaconselhável A seguir conheça alguns exemplos Topografia pode se apresentar como uma condicionante pois o ideal é manter o terreno o mais próximo do perfil natural de relevo evitando problemas de drenagem de águas pluviais Terrenos com cursos dágua a modificação desses elementos é possível por meio de terraplanagem e canalizações mas pode ser custosa e deverá prever outra solução para que a drenagem não se torne um problema Construções no entorno edifícios verticais com vários pavimentos por exemplo podem impedir que o terreno receba a incidência solar e você não poderá demolir o prédio vizinho para que sua janela tenha iluminação natural Sendo assim as condicionantes são os primeiros fatores a serem anali sados no início do processo projetual pois elas impõem condições como o próprio nome diz para o projeto arquitetônico Assimile Classificação das condicionantes As condicionantes do projeto podem ser classificadas em físicas locais e legais 61 As condicionantes físicas representam os aspectos naturais e constru ídos que envolvem o terreno sendo representadas entre outros pelos seguintes aspectos Condições climáticas Topografia Sistema viário Vegetação Construções existentes Já as condicionantes locais representam as características e as ativi dades existentes no entorno como Infraestrutura redes de abastecimento de água esgotamento sanitário distribuição de energia elétrica entre outros Equipamentos urbanos comércio e serviços áreas verdes e edifí cios institucionais Usos do entorno Acessos Por fim as condicionantes legais estão relacionadas à legislação como os índices do Plano Diretor Municipal por exemplo o zoneamento a taxa de ocupação e permeabilidade e o coeficiente de aproveitamento e do Código de Obras Condições ambientais de insolação e ventilação As condições ambientais de insolação e ventilação apresentam uma impor tância maior quando tratamos de Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS Isso porque esses dois fatores contribuem para a salubridade da construção garantindo que os microrganismos sejam ventilados e dissipados do ambiente Para isso precisamos utilizar esses aspectos a nosso favor de forma a permitir que o ar circule pelos ambientes e seja renovado garantindo que os espaços principalmente as enfermarias recebam a luz natural Isso só será possível a partir das análises da incidência solar e dos ventos dominantes A insolação poderá ser observada a partir da identificação do norte geográ fico no terreno Uma vez que o sol nasce à leste e se põe à oeste e que no hemis fério sul ele apresenta uma inclinação para norte podemos afirmar que a face leste da edificação receberá a luz solar direta proveniente da parte da manhã de intensidade mais suave e que as faces norte e oeste receberão a insolação direta mais intensa decorrente do período vespertino Figura 21 A face sul receberá apenas a iluminação indireta Com base nessas informações podemos orientar os ambientes do EAS de acordo com a sua necessidade de exposição solar O Ministério da Saúde estipula que as salas de ambulatório atendimento ao paciente exame clínico e observação internação enfermarias berçários 62 internação intensiva e especiais e de apoio ao diagnóstico e terapia necessitam da incidência de luz solar direta BRASIL 1994 Figura 21 Esquema de insolação no hemisfério sul Fonte elaborada pela autora Com relação à ventilação uma das informações que irão auxiliar no desenvolvimento do projeto é a indicação da direção de onde provém os ventos dominantes Esse dado pode ser obtido em órgãos municipais da cidade que fornecerão inclusive qual a velocidade média dos ventos e outras informações A ventilação também pode ser percebida de maneira mais prática visitando o terreno que receberá a edificação em dias e horários variados e anotando a direção do vento De acordo com o Ministério da Saúde BRASIL 1994 alguns ambientes poderão receber apenas a ventilação direta natural como é o caso dos ambientes de internação enfermarias berçários e internação intensiva e apoio ao diagnóstico e terapia quimioterapia Existem espaços que precisarão de controles mais rigorosos da qualidade do ar temperatura e umidade a partir da adoção de sistemas de ventilação específicos Os ambientes que produzem odores ou favorecem a poluição atmosférica necessitam de exaustão mecânica enquanto outros ambientes vão necessitar também de climatização como é o caso dos centros cirúrgicos Além das condicionantes existem outros dois aspectos que podem ser analisados para auxiliar o processo projetual as deficiências e potencialidades Deficiências são aspectos entendidos como negativos que devem ser amenizados ou solucionados pelo projeto Potencialidades são características que apresentam algum potencial não utilizado e possibilidade de exploração pelo projeto 63 Exemplificando As deficiências e potencialidades não são tão fáceis de serem identifi cadas como as condicionantes sendo representadas por alguns fatores específicos como as condições climáticas Por isso é necessária uma análise mais aprofundada do terreno e do entorno para determinar os pontos de interesse do projeto Por exemplo existem estudos que indicam os benefícios de áreas verdes para a saúde da população BEDIMORUNG MOWEN COHEN 2005 MAAS et al 2006 CHOU LEE CHANG 2016 Dessa forma a falta de áreas verdes no entorno poderia se caracterizar como uma deficiência do mesmo modo que um terreno de grandes proporções poderia ser considerado uma potencialidade pois permite a incorporação do paisagismo ao projeto de forma a criar um espaço verde dentro da área do EAS Um exemplo é o Hospital Khoo Teck Puat em Singapura China que incor porou áreas verdes ao projeto visando o bemestar dos pacientes e o auxílio na cura das enfermidades por meio de uma atmosfera natural Figura 22 Figura 22 Hospital Khoo Teck Puat Singapura China Fonte Shutterstock As próprias condicionantes podem derivar algumas deficiências ou poten cialidades Digamos que existe uma Área de Preservação Permanente APP no fundo do terreno Isso se caracteriza em uma condicionante pois a APP não pode ser modificada No entanto podemos utilizála como potenciali dade e incorporála em uma ampla área verde que será usada pelos pacientes como solário auxiliando no tratamento Agora imagine que o terreno está localizado na porção da topografia mais alta da cidade De certo que o relevo proporcionará uma vista panorâmica do ambiente urbano Figura 23 ao menos que o terreno esteja rodeado por edifícios verticais que impedirão a visão Figura 24 64 Figura 23 Vista panorâmica da cidade vista de um ponto alto da topografia Praça do Pôr do Sol São Paulo Fonte Shutterstock Figura 24 Visão comprometida pelos edifícios do entorno Rua Gran Via Madri Espanha Fonte Shutterstock A análise das condicionantes deficiências e potencialidades envolvem diversos fatores e podem ser detalhadas em um quadro chamado Matriz CDP Matriz CDP A Matriz CDP identificará todos os elementos observados pelo arqui teto que servirão de base para a elaboração do projeto Sendo assim a matriz é composta por item a ser observado condicionante deficiência e 65 ou potencialidade e diretriz que orientará o profissional durante o processo projetual Quadro 21 Quadro 21 Exemplo de Matriz CDP Item Condicionante Deficiência Potencialidade Diretriz Topografia Relevo do terreno com grande des nível Requer a criação de sistemas de circulação vertical rampas e escadas para transpor os níveis do relevo Desnível localiza do na face norte recebe maior par te da incidência solar Criação de pavilhões em níveis diferentes com terraços para aproveitamento da iluminação natural Fonte elaborado pela autora O Quadro 21 traz a análise do item topografia e mostra que o relevo do terreno em questão apresenta um desnível acentuado Uma das deficiências apontadas foi a necessidade de criação de rampas e escadas para transpor os desníveis Em contrapartida o desnível está situado para a face leste que como vimos recebe a luz solar da parte da manhã com intensidade desejável para um banho de sol Esse aspecto foi considerado uma potencialidade que culminou na criação de uma diretriz projetual a criação de pavilhões em níveis diferentes com terraços para aproveitamento da iluminação natural Na Figura 25 podemos observar um esquema de como estes elementos se organizam Figura 25 Diagramas para exemplificação da Matriz CDP a terreno em declive b maior área de insolação c criação de pavilhões d terraços para aproveitamento da luz solar e amplas áreas de vegetação Fonte elaborado pela autora com os softwares Sketchup Pro e Adobe Illustrator 66 Esse exemplo serviu para mostrar que o mesmo item analisado pode apresentar uma condicionante uma deficiência e uma potencialidade Nem todos os elementos vão possuir as três características mas é importante que o profissional esteja atento para perceber os aspectos envolvidos Nós falamos muito em como as características existentes poderão influenciar o projeto mas você já parou para pensar que o seu projeto também poderá influenciar o entorno Em se tratando de um edifício de saúde esse impacto é claro o hospital apresenta uma aglomeração de pessoas doentes que carregam vírus e bactérias e produzem resíduos contaminados Esses impactos são negativos e devem ser trabalhados com cautela no projeto arquitetônico Porém também existem impactos positivos um hospital atua na promoção da saúde e na qualidade de vida da população por exemplo Sendo assim é recomendável que os empreendimentos que causem algum tipo de impacto uma indústria uma nova linha de metrô ou neste caso uma edificação hospitalar sejam públicos ou privados realizem um Estudo de Impacto de Vizinhança EIV previamente à sua implantação O EIV é uma ferramenta utilizada pelo poder público municipal e apresenta três princípios básicos de acordo com Schvarsberg et al 2016 1 Ordenar o crescimento equilibrado das cidades 2 Garantir condições mínimas de qualidade urbana 3 Promover o uso urbano ambientalmente equilibrado e socialmente justo O Ministério das Cidades entende que toda atividade causa algum tipo de impacto que pode ser de caráter social econômico ambiental urbanís tico entre outros Além disso pode ser caracterizado conforme vimos como positivo ou negativo O EIV entretanto compreende apenas as atividades com impactos negativos que geram algum tipo de incômodo visando à manutenção da qualidade de vida da população urbana SCHVARSBERG et al 2016 Cabe ao município determinar quais serão os empreendimentos que deverão apresentar um EIV antes de sua implementação Normalmente esse estudo é requisitado para projetos de grande porte com um tipo especí fico como os da área da saúde ou dependentes do local de implantação próximo a APPs por exemplo Reflita Nos últimos anos muito se tem discutido sobre o impacto ambiental gerado pela construção civil e pelo ambiente urbano De que forma o arquiteto pode contribuir para a proteção do meio ambiente sem pôr em risco o crescimento das cidades 67 Programas de edificações com iniciativas sustentáveis Visando à redução dos impactos ambientais surgiram alguns programas que certificam edificações com iniciativas sustentáveis voltadas para o gerenciamento de energia economia dos recursos naturais ou financeiros e estratégias de proteção do meio ambiente Em 1993 foi criada a primeira certificação denominada LEED Leadership in Energy and Environmental Design que consiste em critérios práticos que mensuram a sustentabili dade aplicada a uma edificação Esta certificação foi criada pelo United States Green Building Council USGBC visando fomentar práticas de construções verdes que apresentam sistemas que garantem edifícios mais econômicos eficientes e saudáveis Para obter a certificação o edifício precisa atingir uma pontuação mínima de acordo com os critérios estabelecidos Existem sete categorias de análise localização e transporte lotes sustentáveis eficiência da água energia e atmosfera materiais e recursos qualidade interna dos ambientes e inovação e prioridades regionais Para cada categoria existem prérequisitos sem os quais a construção não obterá a certificação além dos créditos que consistem em sistemas extras que poderão contribuir para um nível mais alto de certificação Quanto mais alta é a pontuação obtida maior será o nível de certificação sendo quatro selos certified silver gold ou platinum Figura 26 Figura 26 Selos de certificação LEED Fonte httpsbitly2EMvgyA Acesso em 30 jul 2019 No ano de 2014 o International WELL Building Institute criou uma certi ficação que dá suporte à saúde e ao bemestar da população originando o programa WELL Building Standard Essa certificação se baseia em evidências científicas obtidas por meio de estudos e pesquisas para determinar padrões e critérios que impactam a saúde e o bemestar sendo eles ar água alimen tação iluminação atividade física conforto e mente O processo de obtenção da certificação é semelhante ao LEED cada categoria possui prérequisitos obrigatórios e créditos que poderão melhorar a pontuação e garantir níveis maiores de certificação que neste caso são três silver gold e platinum Figura 27 68 Figura 27 Selos de certificação WELL Fonte httpwwwctecombrinteriores Acesso em 26 jul 2019 Pesquise mais Assista ao Webinar BemEstar e Produtividade produzido pela arqui teta Luiza Junqueira especialista em construções sustentáveis creden ciada pela LEED e por Eduardo Straub engenheiro civil especializado em gestão ambiental e sustentabilidade credenciado pela LEED e WELL Neste vídeo disponível no youtube os profissionais falam sobre as certificações e expõem alguns dados que poderão auxiliar em um projeto arquitetônico Assista do minuto 6 até o minuto 19 WEBINAR BemEstar Produtividade WELL BUILDING STANDARD Sl sn 2016 Publicado pelo canal StraubJunqueira Construindo Valores No ano de 2017 o escritório da Sociedade Americana de Design de Interiores do inglês American Society of Interior Designers ASID locali zado em Washington foi a primeira edificação do mundo a obter as certifica ções LEED e WELL no nível platinum O projeto foi criado com o objetivo de mostrar como o design pode afetar a vida dos usuários a partir da promoção do bemestar e do uso eficiente de recursos ASID 2017 Até agora discutimos os aspectos externos à edificação que envolvem a análise do entorno e dos recursos disponíveis É muito importante que o arquiteto realize visitas técnicas ao terreno principalmente nos primeiros momentos do projeto a fim de observar suas características de forma mais intensa e precisa Os dados obtidos como insolação ventilação e vegetação serão de suma importância para a elaboração da proposta arquitetônica Sem medo de errar Você é um arquiteto contratado em um escritório especializado em arquitetura hospitalar A sua equipe participará do desenvolvimento de um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS para o bairro novo da cidade 69 onde mora Você já tem um Plano Diretor Hospitalar PDH e agora chegou a hora de aprofundar suas análises acerca do local de implantação do edifício O edital do concurso público cujo escritório ao que pertence submeterá um projeto já forneceu o terreno onde será construída a UBS A sua tarefa é analisar as condicionantes deficiências e potencialidades do lote e do entorno Você pode realizar o levantamento por meio de diagramas que podem ser feitos à mão com lápis colorido usando o mapaterreno impresso como base e esquemas para organizar as análises com maior clareza Observe os seguintes aspectos físicos Direção do Norte Insolação Direção dos ventos dominantes Topografia Vegetação existente Presença de cursos dágua Em seguida analise os elementos urbanos como se dá a malha viária qual o fluxo de tráfego por quais pontos é possível acessar o terreno e como é o gabarito das edificações do entorno Figura 28 Figura 28 Exemplo de identificação de condicionantes no terreno 1 Aclive no terreno no sentido NorteSul 2 Fachada principal localizada na face sul que não recebe insolação direta 3 Vegetação existente pode ser utilizada para criação de área verde 4 Ponto de ônibus garante a mobilidade urbana ao empreendimento 5 Via de tráfego intenso causa conflitos entre o fluxo de automóveis e pedestres Fonte elaborado pela autora com os softwares Sketchup Pro e Adobe Illustrator 70 Procure no Plano Diretor Municipal PDM em qual zona o terreno está inserido e quais os índices urbanísticos incidentes sobre ele Identifique como cada um destes itens influencia na sua tomada de decisão e classifiqueos em condicionantes deficiências ou potencialidades organizados em uma Matriz CDP Lembrese de que nem todos os aspectos terão uma condicionante uma deficiência e uma potencialidade mas você deverá indicar uma diretriz projetual para todos os itens analisados Essa diretriz visará a solução de um problema ou recurso mal explorado ou ainda se originará de uma limitação imposta pelos fatores externos Organize o levantamento em pranchas que serão anexadas ao memorial descritivo no final da disciplina Avançando na prática Certificação Sustentável Atualmente muito se discute sobre a importância da proteção e economia dos recursos naturais principalmente no que diz respeito à arquitetura e ao urbanismo As cidades correspondem ao local onde vivemos e o seu cresci mento desordenado tem impactado o meio ambiente de formas negativas a partir da contaminação de rios e cursos dágua do desmatamento da vegetação nativa e da poluição proveniente das indústrias A preocupação com a natureza deu origem a certificações que avaliam a sustentabilidade aplicada aos projetos de arquitetura O escritório em que você trabalha está atento a essas mudanças e pretende mudar o perfil de trabalho a partir da adoção de critérios sustentáveis no próximo projeto que será desenvolvido Portanto a sua tarefa será escolher uma das certificações de sustentabilidade e pesquisar sobre os prérequisitos e as estratégias que poderão ser utilizadas no projeto Resolução da situaçãoproblema A primeira atitude do profissional no momento em que inicia uma nova empreitada é pesquisar sobre o que se pretende aprimorar Portanto o estudo de edificações que possuam certificação de sustentabilidade pode ser a certificação LEED WELL ou outra podem se tornar um método de análise e uma das estratégias utilizadas pelo profissional visando a sua capacitação 71 Um exemplo de edificação que poderá entrar no repertório utilizado pelo profissional é o Hospital Albert Einstein Unidade Morumbi São Paulo que recebeu a certificação LEED gold no ano de 2013 Figura 29 As estratégias para sustentabilidade tiveram início logo nas primeiras etapas da construção Durante a obra houve um controle da poluição e gerenciamento de erosão assoreamento poeira e resíduos Com relação às águas pluviais existem reservatórios e jardins inclusive na cobertura que retardam a descarga da água da chuva coletada no terreno reduzindo o volume de água enviado para a rede de drenagem urbana em aproximadamente 30 HOSPITAL ALBERT EINSTEIN 2013 Figura 29 Hospital Israelita Abert Einstein durante sua reforma em 2009 São Paulo Fonte httpsenmwikipediaorgwikiFileHospitalAlbertEinsteinjpg Acesso em 26 jul 2019 Faça valer a pena 1 As certificações para edifícios sustentáveis como a LEED Leadership in Energy and Environmental Design e a WELL Building Standart foram criadas visando à premiação de construções que utilizam tecnologias e sistemas que melhoram a qualidade de vida da população Com base no texto anterior assinale a alternativa que contém os princípios das certificações citadas a Rapidez na execução das obras e crescimento ordenado das cidades b Redução dos impactos ambientais uso eficiente dos recursos e promoção da saúde e bemestar 72 c Promoção do consumo consciente e redução da poluição gerada pelo setor industrial d Incentivo ao desenvolvimento humano por meio de tecnologias de comunicação e informação e Aumento da conscientização sobre o design dos edifícios utilizando a economia de recursos financeiros 2 Por meio da Matriz CDP que diz respeito à identificação das condicio nantes deficiências e potencialidades é possível realizar o levantamento e a análise do terreno que dará suporte ao projeto de arquitetura Com base nisso avalie as afirmativas a seguir I As condicionantes são aspectos imutáveis do terreno e consistem em limitações e restrições que serão impostas ao projeto arquitetônico II As deficiências são elementos negativos compreendidas por problemas e conflitos que devem ser resolvidos ou amenizados pelo projeto arquitetônico III As potencialidades são fatores que apresentam um potencial positivo mal explorado que podem ser utilizados para oferecer vantagens e benefícios ao projeto arquitetônico Assinale a alternativa que contém as afirmações corretas a As afirmativas I II e III estão corretas b Apenas as afirmativas I e III estão corretas c Apenas as afirmativas II e III estão corretas d Apenas as afirmativas I e III estão corretas e Apenas a afirmativa II está correta 1 Uma das categorias de análise da certificação LEED Leadership in Energy and Environmental Design para edifícios sustentáveis diz respeito à gestão dos recursos hídricos A Clínica Cleveland em Abu Dhabi recebeu a certi ficação nível gold principalmente pelo seu empenho em reduzir o consumo de água em 30 o que corresponde a mais de 10000 m³ O uso da água não foi explorado apenas em termos sustentáveis mas também foi um elemento utilizado pelos arquitetos para criar um edifício que praticamente flutua sobre a água um simbolismo de cura e serenidade 73 Figura Planta baixa da Clínica Cleverland Abu Dhabi Fonte Jordana 2012 Figura Perspectiva da Clínica Cleverland Abu Dhabi Fonte Jordana 2012 Com relação ao projeto apresentado analise as afirmativas a seguir I O projeto não poderia receber a certificação LEED uma vez que desperdiça os recursos hídricos ao usar piscinas que apresentarão apenas benefícios estéticos à construção 74 II As piscinas e as áreas verdes conjugadas à clínica são benéficas à saúde do paciente oferecendo um ambiente tranquilo que auxilia no trata mento de suas enfermidades III O azul usado na fachada faz referência à cor do Golfo Pérsico que envolve toda a ilha de Abu Dhabi A proximidade do projeto com o corpo hídrico do Golfo reforça a importância do elemento água para o projeto Assinale a alternativa que contém as afirmativas corretas a Apenas a afirmativa I está correta b Apenas a afirmativa II está correta c Apenas a afirmativa III está correta d Apenas as afirmativas II e III estão corretas e As afirmativas I II e III estão corretas 75 Seção 2 Programa de necessidades Diálogo aberto Caro aluno você já imaginou como seria morar em uma casa sem banheiro Ou almoçar em um restaurante que não tivesse cozinha Seria no mínimo um caos Cada projeto é único e nasce de um problema a ser resolvido Quando o projeto arquitetônico não é capaz de atender às demandas existentes a vivência do espaço se torna complicada ou pior é aniquilada Por isso o programa de necessidades se torna o instrumento inicial da concepção do projeto arquitetônico esquematizado logo na primeira entrevista com o cliente Ele nada mais é do que uma listagem das atividades que serão reali zadas no espaço incluindo a identificação dos equipamentos e as condições necessárias para a sua execução Para estudar esse tema imagine que você foi contratado por um escri tório de arquitetura especializado em projetos de EAS A equipe da qual você faz parte participará de um concurso público para um projeto de Unidade Básica de Saúde UBS do bairro novo da cidade onde mora Neste momento você se debruçará sobre o programa de necessidades desse projeto e preci sará identificar os ambientes que devem compor a UBS além de suas carac terísticas e funções Não se esqueça de avaliar as particularidades de cada ambiente os equipamentos necessários e a qualidade dos espaços Imaginese sendo um paciente um médico um enfermeiro e um funcionário do hospital para avaliar as atividades desenvolvidas nesse espaço Quais são os ambientes envolvidos Quais equipamentos são necessários para realizar as atividades Nesta seção abordaremos o programa de necessidades e todas as suas esferas Falaremos sobre as atividades realizadas nos espaços assistenciais e áreas críticas semicríticas e não críticas além de avaliar a qualidade dos espaços e identificar as particularidades em um projeto da área da saúde por exemplo o gerenciamento de resíduos Bons estudos Não pode faltar Cada projeto arquitetônico surge de uma necessidade Uma família que procura o arquiteto para projetar uma casa precisa sanar a necessidade de 76 moradia Um empresário busca atender à necessidade de trabalho quando solicita um projeto comercial Da mesma forma quando uma instituição pública ou privada contrata um arquiteto para desenvolver um hospital está visando atender à necessidade de tratamento e cura de enfermidades E assim como cada cliente tem suas necessidades específicas o casal quer a suíte na cor vermelha e o empresário precisa de uma mesa para a cafeteira cada projeto deverá oferecer soluções adequadas às particularidades da edifi cação Por isso um dos principais aspectos a ser identificado é o programa de necessidades que consiste em uma listagem das atividades que serão realizadas no edifício das condições e dos equipamentos necessários para o desenvolvimento dessas atividades e também das limitações impostas ao projetista por meio de normas técnicas e legislações Programa de necessidades Nos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS o programa de necessidades depende da tipologia do edifício e pode alcançar níveis altos de complexidade Para determinar esse programa devese primeiramente identificar as atividades funções a serem exercidas no EAS O Ministério da Saúde BRASIL 1994 identifica nove atribuições básicas dos EAS sendo elas 1 Ações básicas de saúde consistem nas ações de atenção promoção e prevenção da saúde e vigilância sanitária 2 Ambulatório atividade de assistência à saúde em regime ambulato rial com atendimento a pacientes externos de forma programada e continuada 3 Atendimento imediato assistência à saúde com prestação de atendi mento imediato a pacientes externos em situações agravadas carac terizada como urgência quando não existe risco de morte ou como emergência quando há o risco de morte 4 Internação assistência à saúde em regime de internação a partir da prestação de atendimento aos pacientes que necessitam de assistência por período superior a 24 horas caracterizandoos como pacientes internos 5 Diagnóstico e terapia serviços de apoio ao diagnóstico e à terapia voltados para o reconhecimento e para a recuperação do estado da saúde de pacientes internos e externos 6 Apoio técnico atividades que oferecem apoio à assistência à saúde caracterizada por serviços como esterilização nutrição e atendimento farmacêutico 77 7 Ensino e pesquisa formação de profissionais capacitados e desenvol vimento de recursos humanos e de pesquisa relacionados à assistência à saúde 8 Apoio administrativo gestão e execução administrativa planeja mento e documentação 9 Apoio logístico suporte operacional do edifício a partir de serviços de manutenção e limpeza como lavanderia inspeção de equipa mentos e infraestrutura A partir de cada uma dessas funções é possível identificar atividades ou subatividades que serão realizadas pelo EAS No Quadro 22 observase a identificação da função associada à algumas das atividades executadas Quadro 22 Funções e atividades exercidas pelo EAS FUNÇÃO ATIVIDADES REALIZADAS 1 Ações básicas de saúde Prevenção à saúde primeiros atendimentos imunização controle de doenças transmissíveis coleta de materiais para exame etc Processamento de dados informação sobre doenças vigilância epidemiológica e dados nutricionais vigilância nutricional Educação e orientação palestras e campanhas orientação de ações de saneamento básico Controle e fiscalização garantia da qualidade dos produtos serviços e meio ambiente vigilância sanitária 2 Ambulatório Atendimento à saúde recepção marcação de consultas e preparo de pacientes Atendimento clínico procedimentos de enfermagem con sultas médicas odontologia psicologia assistência social fisioterapia entre outros Cirurgias e exames endoscópicos anestesia execução de cirurgias e exames e procedimentos pósanestésicos Atendimento imediato Atendimento triagemprimeiros socorros enfermagem procedimentos de urgência apoio diagnóstico e terapêutico por 24 horas e observação do paciente por até 24 horas Urgências baixa média e alta complexidade e emergência 4 Internação Pacientes adultos e infantis internação conforme faixaetá ria patologia sexo e intensidade de cuidados Recémnascidos pacientes normais e patológicos prematu ros ou externos que necessitam de observação Unidade de Tratamento Intensivo UTI internação confor me grau de risco intensivo ou semiintensivo faixa etária patologia e requisitos de privacidade Queimados internação de pacientes com queimaduras gra ves conforme faixa etária sexo e grau de queimadura 78 FUNÇÃO ATIVIDADES REALIZADAS 5 Diagnóstico e terapia Patologia clínica coleta e triagem de material análise labo ratorial e desinfecção de descartes Imagenologia procedimentos anestésicos realização de exames radiológicos ressonâncias tomografias ultrassono grafias etc e armazenamento dos exames realizados Exames com métodos gráficos eletrocardiograma ecocar diograma ergometria fonocardiograma etc Anatomia patológica realização de necropsias análise de biópsias e armazenamento dos cadáveres Cirurgias e exames endoscópicos anestesia execução de cirurgias e exames e procedimentos pósanestésicos Partos normais e cirúrgicos acompanhamento do trabalho de parto realização de partos normais e cirúrgicos assistên cia médica e de enfermagem ao recémnascido Atividades de reabilitação fisioterapia terapia ocupacional e fonoaudiologia Atividades hemoterápicas triagem hematológica e clínica dos doadores coleta de sangue análise armazenamento e estoque de amostras coletadas e terapêutica transfusional Radioterapia e quimioterapia enfermagem preparo de radioelementossoluções químicas assistência pósterapia Diálise realização de diálise peritoneal ou hemodiálise enfermagem e cuidados médicos para pacientes com inter corrências Amamentação coleta de leite materno processamento e estoque controle de qualidade e distribuição 6 Apoio técnico Nutrição preparo e armazenamento de alimentos distribui ção e higienização de utensílios Farmácia armazenamento inspeção e distribuição de medi camentos e produtos farmacêuticos Esterilização de materiais lavagem e higienização esterili zação por meio de métodos físicos ou químicos controle microbiótico armazenamento e distribuição 7 Ensino e pesquisa Treinamento de funcionários Promoção de ensino técnico de graduação e pósgraduação Promoção do desenvolvimento de pesquisas da área da saúde 8 Apoio administrativo Administração direção dos serviços administrativos com pra de materiais e equipamentos administração orçamentá ria e financeira Planejamento clínico direção dos serviços clínicos plane jamento e supervisão prestação de informações clínicas aos pacientes Documentação registros de pacientes e serviços histórico de marcação de consultas e exames estatísticas e processa mento de dados e notificação policial em casos de acidente e violência 79 FUNÇÃO ATIVIDADES REALIZADAS 9 Apoio logístico Lavanderia Armazenamento de materiais e equipamentos Manutenção predial obras de construção civil jardina gem marcenaria etc e de equipamentos das condições de conforto e higiene e infraestrutura Fonte adaptado de BRASIL 1994 Assimile Tipologias de edificações de saúde Pela grande quantidade de funções atribuídas aos EAS é praticamente impossível que apenas uma unidade tenha estrutura física para atender a todas elas É por isso que existem as tipologias de edificações de saúde cada uma com sua função prioritária e nível de complexidade As tipologias criam uma rede de saúde pública que deve funcionar de modo sistêmico de modo que as unidades possam encaminhar os pacientes para outras unidades especializadas e adaptadas para oferecer o tratamento necessário Essa diversificação é interessante do ponto de vista funcional pois permite o controle da qualidade dos serviços oferecidos por cada uma das unidades que não serão sobre carregadas pelo excesso de atribuições Cada uma das atividades listadas necessitará de um espaço disponível para ela equipado com aparelhos que permitam sua execução No caso de um ambulatório por exemplo uma das atividades é a recepção e a marcação de consultas Para isso os equipamentos são simples basta uma escrivaninha para a secretária e algumas cadeiras para os pacientes externos esperarem pelo atendimento No entanto existem áreas mais complexas que neces sitarão de uma aparelhagem específica para seu funcionamento como é o caso dos centros cirúrgicos unidades de internação Central de Material Esterilizado CME entre outros Pesquise mais Para conhecer mais sobre os equipamentos necessários em um centro cirúrgico assista ao vídeo do Hospital São Pedro em que as enfer meiras mostram como é o ambiente da sala de cirurgia e quais os aparelhos utilizados POR DENTRO do hospital Centro cirúrgico Garibaldi RS Hospital Beneficente São Pedro HBSP 2016 1 vídeo 9 min 17 s Publicado pelo canal Hospital São Pedro HBSP 80 Qualidade do ambiente Independentemente das atividades exercidas e dos equipamentos requi sitados devemos sempre nos atentar à qualidade dos ambientes Uma das maneiras de mensurar a qualidade é a condição de que os ambientes não causem nenhum mal aos pacientes Dessa forma é necessário eliminar qualquer risco de contaminação que se apresente no interior da edificação A contaminação por sua vez acontece em grande parte devido aos resíduos gerados pelo EAS A norma NBR 128081993 ABNT 1993 classifica os resíduos em três categorias conforme observado no Quadro 23 Quadro 23 Classificação de resíduos de serviços da saúde CLASSE TIPO DESCRIÇÃO A Infectantes 1 Biológico Cultura inóculo mistura de microrga nismos e meio de cultura inoculado proveniente de labora tório clínico ou de pesquisa vacina vencida ou inutiliza da filtro de gases aspirados de áreas contaminadas por agentes infectantes e qualquer resíduo contaminado por esses materiais 2 Sangue e hemoderivados Bolsa de sangue após transfusão com prazo de validade vencido ou sorologia positiva amostra de sangue para análise soro plasma e outros subprodutos 3 Cirúrgico anatomopato lógico e exsudato Tecido órgão feto peça anatômica sangue e outros líquidos orgânicos resul tantes de cirurgia necropsia e resíduos contaminados por esses materiais 4 Perfurante ou cortante Agulha ampola pipeta lâmina de bisturi e vidro 5 Animal contaminado Carcaça ou parte de animal inoculado exposto à microrganismos patogênicos ou portador de doença infectocontagiosa bem como resíduos que tenham estado em contato com este 6 Assistência ao paciente Secreções excreções e demais líquidos orgânicos procedentes de pacientes bem como os resíduos contaminados por esses materiais inclusive restos de refeições 81 CLASSE TIPO DESCRIÇÃO B Especiais 3 Rejeito radioativo Material radioativo ou contaminado com radionuclídeos proveniente de laboratório de análises clínicas serviços de medicina nuclear e radioterapia 4 Resíduo farmacêutico Medicamento vencido contaminado interditado ou não utilizado 5 Resíduo químico perigoso Resíduo tóxico corrosivo inflamável explosivo reativo genotóxico ou muta gênico conforme NBR 10004 BRASIL 2004 C Comum Todos aqueles que não se enquadram nos tipos A e B e que por sua semelhança aos resíduos domésticos não oferecem risco adicional à saúde pública Por exemplo resíduo da atividade administrativa dos serviços de varrição e limpeza de jardins e restos alimentares que não entraram em contato com pacientes Fonte adaptado de ABNT 1993 A Resolução CONAMA nº 3582005 BRASIL 2005 determinou que os EAS deveriam ser responsáveis pelo gerenciamento dos resíduos sólidos descartados pela edificação desde a geração até a disposição final a partir da apresentação de um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde PGRSS O gerenciamento de resíduos garante que não só os próprios pacientes do EAS como também a população geral estejam protegidos de contaminações que podem ser contraídas a partir do contato com resíduos infecciosos Afinal o descarte inadequado desses resíduos poderá poluir o solo e a água contaminando o meio ambiente e causando danos aos indiví duos e à natureza A resolução dá diversas orientações para o descarte correto dos materiais de acordo com uma classificação própria em grupo A agentes biológicos grupo B substâncias químicas grupo C radiológico grupo D sem risco comparados aos resíduos domiciliares e grupo E materiais perfurocortantes Para que o gerenciamento dos resíduos funcione adequadamente os dejetos devem ser segregados de acordo com a sua classe logo no momento em que foram gerados a fim de reduzir o volume de resíduos e facilitar o seu descarte correto Dessa forma é necessária a adoção de um sistema de expurgo hospitalar que consiste em uma forma de despejo para os resíduos 82 provenientes principalmente de procedimentos cirúrgicos em que há a excreção de resíduos sólidos como tecidos e órgãos e soluções líquidas como sangue e secreções orgânicas Reflita Todos os ambientes do EAS produzem algum tipo de resíduo Desde um papel com uma anotação que foi amassado pela secretária até produtos oriundos de procedimentos cirúrgicos como partes de tecido e órgãos Se os resíduos podem ser classificados como infecciosos como será a classificação do ambiente onde o resíduo foi produzido Classificação dos ambientes hospitalares A ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária classifica os ambientes hospitalares de acordo com o risco para o desenvolvimento de infecções BRASIL 2009 São elas Áreas não críticas risco mínimo ou inexistente São caraterizadas por ambientes onde não são realizadas atividades assistenciais ou que não apresentam processos que envolvem materiais contaminantes exceto quando estão embalados e protegidos Exemplos escritórios almoxarifados salas administrativas entre outros Áreas semicríticas risco baixo a moderado Consiste em ambientes onde são realizadas atividades assistenciais não invasivas em pacientes que não têm infecções ou contaminações biológicas ou quando os procedimentos envolvem a utilização de materiais esteri lizados que entraram em contato com a pele não íntegra ou com mucosa Exemplos enfermarias consultórios e área limpa de lavan deria hospitalar Áreas críticas alto risco São os ambientes onde são realizados proce dimentos invasivos envolvendo o uso de equipamentos que penetram tecidos ou órgãos ou que apresentam pacientes suscetíveis aos agentes infecciosos ou portadores de microrganismos de importância epidemiológica Exemplos salas de cirurgia UTI salas de hemodiá lise salas de isolamento CME bancos de sangue e área suja de lavan deria hospitalar Cada uma dessas áreas deverá ser submetida a procedimentos de esterili zação e desinfecção de acordo com o risco apresentado Nas áreas não críticas o uso do álcool líquido é suficiente para promover a assepsia enquanto em áreas críticas deverão ser utilizados outros materiais desinfetantes mais 83 potentes como hipoclorito de sódio formaldeído compostos fenólicos e iodo Ainda os profissionais que realizarão os procedimentos deverão estar devidamente protegidos com Equipamentos de Proteção Individual EPIs como luvas máscaras protetores faciais ou óculos gorros e aventais Exemplificando Centros cirúrgicos exemplo de área crítica Um exemplo de área crítica são os centros cirúrgicos onde os cuidados com a circulação de equipamentos e resíduos deverão ser redobrados a fim de evitar a infecção hospitalar O organograma do centro cirúrgico Figura 210 poderá auxiliar na compreensão de como são realizadas as trocas e movimentações de pacientes e resíduos Figura 210 Organograma do centro cirúrgico Fonte adaptada de Góes 2004 Com as análises e informações acerca do programa de necessidades para espaços assistenciais de saúde encerramos mais uma seção sobre arquitetura hospitalar O próximo passo será organizar os ambientes a partir da identifi cação de setores e fluxos Sem medo de errar Você é um arquiteto contratado por um escritório especializado em arqui tetura hospitalar A sua equipe participará do desenvolvimento de um projeto 84 de uma Unidade Básica de Saúde UBS do bairro novo da cidade onde mora Chegou a hora de determinar o programa de necessidades da UBS O edital do projeto requer que sejam seguidas as recomendações do Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde publicado pelo Ministério da Saúde BRASIL 2006 De acordo com o edital a UBS terá capacidade de 2400 a 4 mil pessoas o que demandará apenas uma equipe de Saúde da Família De acordo com o manual as atividades realizadas na UBS são a Mapeamento da área adscrita e dos equipamentos sociais presentes nesse território como escolas associações comunitárias ONGs etc b Planejamento busca ativa captação cadastramento e acompanha mento das famílias de sua área adscrita c Acolhimento recepção registro e marcação de consultas d Ações individuais eou coletivas de promoção à saúde e prevenção de doenças e Consultas médicas eou de enfermagem f Consultas e procedimentos odontológicos quando existir a equipe de saúde bucal g Realização de procedimentos médicos e de enfermagem imunizações inalações curativos drenagem de abscessos e suturas administração de medicamentos orais e injetáveis terapia de reidratação oral etc h Atendimento em urgências básicas de médicos de enfermagem e de odontologia i Realização de encaminhamento adequado das urgências emergên cias e de casos de maior complexidade Para isso o mesmo manual sugere a estrutura física indicada na Quadro 24 Quadro 24 Estrutura física de uma UBS com uma equipe de Saúde da Família Ambiente Quantidade Recepção para pacientes e acompanhantes 1 Sala de espera para pacientes e acompanhantes 1 a 3 Consultório com sanitário 1 Consultório 1 Sala de procedimentos 2 Almoxarifado 1 85 Ambiente Quantidade Consultório odontológico com área para escovário 1 Área para compressor e bomba a vácuo 1 Área para Depósito de Material de Limpeza DML 1 Sanitário para usuários 2 Copacozinha alternativa 1 Sala de utilidades 1 Área para reuniões e educação em saúde 1 Abrigo de resíduos sólidos 1 Se a UBS proceder à esterilização no local Sala de esterilização e estocagem de material esterilizado 1 Se a UBS proceder à esterilização no local Sala de recepção lavagem e descontaminação 1 Pode ser substituída pela sala de utilidades se essa for contígua à sala de esterilização e esto cagem de material esterilizado Muitos municípios de médio e grande porte optam por centralizar a esterilização em uma unidade de esterilização vinculada a unidades de referência ou hospital como forma de reduzir custos de manutenção com garantia de qualidade Fonte BRASIL 2006 A sua tarefa será aprimorar a sugestão de estrutura física disponibilizada pelo Ministério da Saúde acrescentando os equipamentos utilizados em cada sala Elabore uma tabela que contenha o nome do ambiente a descrição das atividades e procedimentos que serão realizados nele os equipamentos necessários para a sua execução e a quantidade a ser implantada Imprimaa em folhas de sulfite e anexea ao memorial descritivo que será entregue no final da disciplina Avançando na prática Análise de fatores de qualidade dos ambientes A qualidade dos espaços hospitalares é entendida principalmente pela prevenção de infecções hospitalares Nós já vimos em seções anteriores que existem outros fatores que interferem na qualidade ambiental 86 Imagine que você foi convidado por uma instituição de ensino para palestrar sobre a qualidade ambiental em edificações da área da saúde Você deverá elaborar um roteiro de apresentação em forma de texto que descre verá quais são os fatores que influenciam a qualidade dos espaços Resolução da situaçãoproblema Retome os conceitos acerca da funcionalidade da legislação do conforto ambiental e da humanização vistos anteriormente e escreva um texto como se fosse um roteiro para a apresentação de uma palestra sobre as condições de qualidade ambiental em espaços hospitalares Inclua na apresentação informações sobre a localização geográfica o aproveitamento dos recursos naturais e as condições exigidas pelas normas Você poderá estruturar o roteiro partindo de uma escala macro para uma escala micro Para isso relembre os conceitos de Vitruvius para o local de implantação do empre endimento as características de conforto térmico apresentadas pelo manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde BRASIL 1994 e os sistemas de controle de infecção hospitalar apresentados nesta seção Utilize imagens para ilustrar o texto e não se esqueça de citar a fonte O texto deverá ter no mínimo 3 três páginas e poderá ser digitado com fonte Arial tamanho 12 ou manuscrito Anexe o roteiro ao memorial descritivo que será entregue ao final da disciplina Faça valer a pena 1 A qualidade dos ambientes em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS é determinada principalmente pelo controle de agentes nocivos à saúde humana e que podem causar infecções hospitalares Sobre isso analise as afirmativas a seguir I Os ambientes do EAS serão classificados em infectantes especiais e comuns a fim de verificar qual o risco para o desenvolvimento de infecções II O expurgo consiste em um setor do hospital destinado ao descarte dos resíduos gerados no local em diversos tipos de procedimentos III Os espaços do empreendimento deverão ser submetidos a procedi mentos de esterilização e desinfecção de acordo com o risco para desenvolvimento de infecções apresentado Assinale a alternativa correta a Apenas as afirmativas I e II estão corretas 87 b Apenas as afirmativas I e III estão corretas c Apenas as afirmativas II e III estão corretas d Apenas a afirmativa III está correta e As afirmativas I II e III estão corretas 2 O Ministério da Saúde BRASIL 1994 identifica nove funções básicas dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS além das atividades realizadas em cada uma dessas atribuições De acordo com as informações apresentadas a seguir faça a associação das atribuições contidas na Coluna A com sua respectiva atividade na Coluna B COLUNA A COLUNA B I Ações básicas de saúde 1 Desenvolvimento de pesquisas da área da saúde II Ambulatório 2 Atendimento à saúde de pacientes externos III Atendimento imediato 3 Planejamento clínico e documentação IV Internação 4 Prevenção à saúde V Diagnóstico e terapia 5 Lavanderia VI Apoio técnico 6 Patologia clínica VII Ensino e pesquisa 7 Cirurgias e exames endoscópicos VIII Apoio administrativo 8 Atendimento para pacientes internos IX Apoio logístico 9 Nutrição farmácia e esterilização de materiais Assinale a alternativa com a associação correta a ID IIG IIIB IVH VF VII VIIA VIIIC IXE b IG IIA IIII IVB VE VIF VIIH VIIID IXC c IC IIB IIIH IVD VG VIE VIIA VIIII IXF d IA IIF IIIB IVH VG VIE VIII VIIID IXC e IF IIH IIIE IVI VA VIG VIID VIIIC IXB 3 O programa de necessidades é uma das primeiras etapas de elaboração do projeto arquitetônico Com base nisso avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas 88 I O programa de necessidades é imprescindível para um projeto arqui tetônico pois é a partir dele que serão determinadas as atividades a serem realizadas na edificação A identificação dos equipamentos utilizados também faz parte do programa de necessidades visando entender o funcionamento do edifício PORQUE II A qualidade dos ambientes hospitalares é determinada principal mente pela sua capacidade de preservar a saúde dos pacientes e usuários Dessa forma os ambientes são classificados em críticos semicríticos e não críticos e cada um deverá receber tratamentos e cuidados específicos A respeito dessas asserções assinale a alternativa correta a As asserções I e II são proposições verdadeiras mas a II não é uma justificativa da I b As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justifica tiva da I c A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa d A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verda deira e As asserções I e II são proposições falsas 89 Seção 3 Conceito do projeto e a concepção do partido arquitetônico Diálogo aberto Olá aluno Nós estamos passando pelo momento mais importante do projeto arquitetônico a concepção projetual É a partir da organização clara dos elementos e das diretrizes as quais conduzirão as ações do profissional que o seu projeto se diferenciará daqueles idealizados por outros profis sionais Essas etapas do processo projetual devem estar muito bem funda mentadas para que a funcionalidade das edificações não seja prejudicada Dependendo do quão inadequada foi a concepção do projeto isso poderá colocar em risco a vida do edifício uma vez que este não seria utilizado pela população e se deterioraria devido à falta de manutenção Você foi contratado por um escritório de arquitetura especializado em arquitetura hospitalar e faz parte da equipe que participará de um concurso público para um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade onde você mora Até agora a equipe já desenvolveu a análise do terreno e do entorno o programa de necessidades e o conceito do projeto A próxima etapa será sintetizar todas as informações para criar um partido arquitetônico Assim você e toda a equipe dando continuidade ao desenvol vimento do projeto passa para uma nova etapa que os leva a pensar Como será a organização dos espaços em edifícios hospitalares De que forma o fluxo impactará no funcionamento do hospital Como conceber uma forma arquitetônica Nesta seção conheceremos os conceitos de setorização que identificam as unidades funcionais do Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS o fluxograma que verifica os fluxos de circulação de pessoas e materiais o plano de massas o estudo volumétrico que corresponde à forma do projeto e o partido arquitetônico o qual consiste nas diretrizes projetuais Daremos continuidade ao método de projeto iniciado em seções anteriores que resultará na concepção de uma solução arquitetônica a partir das etapas determinadas pelo idealizador do método o arquiteto e matemático Christopher Alexander Vamos exercer a criatividade com croquis e diagramas espaciais Prepare a sua prancheta 90 Não pode faltar Primeiramente vamos relembrar o método desenvolvido por Christopher Alexander que sistematiza o processo de criação ALEXANDER 1973 aplicado ao projeto arquitetônico Figura 211 Figura 211 Etapas do design methods desenvolvido por Christopher Alexander Conceituação Gerar requisitos Matriz requisitos Diagrama espacial Solução arquitetônica Fonte adaptada de Góes 2004 As etapas de conceituação e geração de requisitos que correspondem ao programa de necessidades já foram tratadas anteriormente Portanto passa remos ao próximo passo Matriz de requisitos A matriz de requisitos consiste na sistematização do programa de neces sidades Essa organização por sua vez é determinada pela setorização dos ambientes e pelos fluxos de circulação entre os espaços A setorização corresponde à ordenação dos ambientes de acordo com setores Essa classificação é realizada de modo a identificar uma caracterís tica em comum dos ambientes por exemplo possuírem a mesma função unidades funcionais ou serem utilizados pelo mesmo público Em uma casa a setorização normalmente é feita com base no nível de privacidade dos usuários sendo observados os setores social aos quais a maior parte das pessoas tem acesso de serviços aos quais somente algumas pessoas têm acesso e íntimo normalmente quando só os moradores e pessoas muito próximas têm acesso No caso dos hospitais a setorização pode ser realizada de acordo com a função utilizando as atribuições básicas do Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS determinadas pelo Ministério da Saúde BRASIL 1994 Vamos recordálas ações básicas de saúde ambula tório atendimento imediato internação diagnóstico e terapia abrangem várias funções e podem ser destrinchados em exames clínicos e laboratoriais hemoterapia e diálise centro cirúrgico mater nidade e reabilitação por exemplo apoio técnico pode ser subdivi dido em nutrição farmácia e centro de material esterilizado ensino e pesquisa apoio administrativo e apoio logístico A partir dessas 91 atribuições é possível definir as unidades funcionais com maior precisão e aprofundamento Todos os ambientes necessários para realizar uma atividade farão parte de uma mesma unidade funcional e deverão estar agrupados para facilitar o fluxo entre eles O acesso e principalmente as circulações são fatores que exercem muita influência no funcionamento do hospital sob o risco do EAS se tornar inutilizado caso haja problemas de fluxo No início do século XIX a importância da setorização e organização dos fluxos foi reconhecida em uma publicação de Jacques Tenon denominada Memórias nos Hospitais de Paris TENON 1816 Nesse relatório Tenon identificou que quando as parturientes eram internadas em enfermarias adjacentes a pacientes infec tados elas apresentavam taxa de mortalidade maior que o normal Isso reforça a importância da correta setorização e distribuição dos fluxos dentro do hospital visando a eliminação da contaminação hospitalar e buscando agilidade nos atendimentos prestados Assimile No século XVIII a comissão da Academia de Ciências de Paris estabeleceu novos parâmetros para a construção hospitalar A tipologia pavilhonar buscava isolar as enfermarias e especializar os hospitais para diminuir a concentração de doentes e evitar a contaminação No entanto os longos corredores típicos dessa tipologia aumentam o tempo de deslocamento entre um setor e outro o que minimiza a agilidade do atendimento Por isso o hospital do tipo monobloco se mostrou mais eficiente nesse sentido pois apresentava corredores mais curtos dentro de um mesmo setor e utilizava elevadores para o deslocamento entre os pavimentos A organização dos fluxos e dos setores pode ser classificada de acordo com sua função ou público atingido Por exemplo um corredor onde apenas os funcionários da área da saúde do hospital têm acesso é denominado circu lação branca TOLEDO 2006 Com relação à função é possível determinar duas categorias principais de fluxos hospitalares Interfuncionais desenvolvemse entre diferentes unidades funcionais Intrafuncionais desenvolvemse dentro de uma única unidade funcional Cada um deles possui subcategorias de acordo com o Quadro 25 Enquanto os fluxos interfuncionais são categorizados com relação ao público atingido a classificação dos fluxos intrafuncionais se dá pelo risco de infecção hospitalar 92 Quadro 25 Fluxos interfuncionais e intrafuncionais na arquitetura hospitalar Fluxos Categoria Descrição Interfuncionais Paciente externo Fluxo de pacientes que procuram atendi mento imediato urgência e emergência ambulatorial ou de apoio ao diagnóstico e terapia e que não se encontram em regime de internação Paciente interno Fluxos de pacientes internados que ocorrem dentro da própria unidade de internação ou entre unidades funcionais quando acompa nhados por funcionários Acompanhantes Fluxo de familiares dos pacientes internos e externos que o acompanham durante a permanência no hospital Funcionários Fluxos dos profissionais de saúde e de todos os técnicos e pessoal de apoio necessários ao funcionamento da unidade Insumos Fluxos de insumos alimentos roupa limpa material cirúrgico medicamentos equipa mentos etc Material contaminado e resíduos sólidos Fluxo de materiais contaminantes roupa suja resíduos de serviços de saúde etc e pe los resíduos sólidos contaminados ou não Cadáver Fluxo de circulação do corpo de pacientes que vieram à óbito Visitantes Fluxo de todas as pessoas externas que vão até o EAS para visitar pacientes internados para alguma atividade administrativa ou prestação de serviços Intrafuncionais Contaminados Circulação que ocorre dentro de uma mes ma unidade funcional que apresenta riscos de infecção hospitalar Não contaminados Circulação que ocorre dentro de uma mes ma unidade funcional sem risco de infecção hospitalar Fonte adaptada de Toledo 2006 Toledo 2006 destaca algumas observações com relação à categorização dos fluxos No que diz respeito ao fluxo interfuncional de funcionários é comum que se mescle com a circulação dos pacientes internados No entanto a circulação de funcionários não deve se misturar com a de pacientes externos Pode acontecer de alguns funcionários terem sua circulação restrita à unidade funcional onde atuam entretanto o mais comum é que todos os profissionais 93 da saúde estejam permitidos de circular pelo hospital Em se tratando dos fluxos de insumos devese atentar para o seu volume a fim de que o dimen sionamento dos corredores por onde passam esteja adequado O fluxo de cadáveres deve ser tratado com cautela devido ao impacto psicológico causado nos pacientes e acompanhantes que possam ver o corpo Por isso a circulação do cadáver deve evitar as áreas de internação sala de espera refeitórios e outros ambientes que permitem o acesso a pacientes acompanhantes e visitantes O risco de infecção hospitalar é altamente influenciado pelas circulações dentro do EAS Com relação ao fluxo de resíduos é recomendado que o trata mento dos agentes contaminantes seja feito diretamente na fonte com a utili zação de procedimentos de desinfecção e técnicas adequadas de transporte até o seu destino final Dessa forma os fluxos intrafuncionais são os principais responsáveis por manter o controle da contaminação sendo possível eliminar circulações exclusivas para os resíduos Contudo algumas restrições deverão garantir a assepsia dos materiais em cada unidade funcional como a instalação de lavatórios nos ambientes das unidades funcionais e a utilização de barreiras físicas como vestiários e antecâmaras quando necessário TOLEDO 2006 Segundo as definições da Resolução nº 50 BRASIL 2002 as circulações das áreas críticas ou seja aquelas que apresentam um alto risco de contaminação hospitalar devem permanecer com restrições e necessitam de barreiras físicas Da mesma forma que as circulações os acessos também devem ser setorizados de acordo com o público a função e os insumos envolvidos O planejamento e organização dos fluxos de um EAS acontece por meio de um fluxograma que consiste em um diagrama onde estarão representados os ambientes e suas interrelações Figura 212 Figura 212 Exemplo de fluxograma hospitalar simplificado Fonte elaborada pela autora 94 Depois de determinados o programa de necessidades a setorização e o fluxograma chega o momento de organizar esses ambientes em um diagrama espacial Diagrama espacial O diagrama espacial consiste no plano de massas e na volumetria Plano ou estudo de massas compreende a organização dos ambientes no terreno levando em consideração a sua área topografia e legis lação municipal taxas recuos etc Volumetria compreende a relação de volumes planos cheios e vazios ou seja a idealização da forma arquitetônica da construção De acordo com Alexander 1964 o processo de criação da forma arqui tetônica deve ser conduzido de maneira racional e matemática Segundo o autor todos os processos de criação provêm da relação entre dois elementos a forma e o contexto Ele afirma que o produto final de um processo criativo corresponde à forma e que ela só poderá ser alcançada a partir de uma clareza programática na mente e nas ações do arquiteto Essa percepção acerca dos conceitos que envolvem o projeto só será obtida quando o profissional encontrar a origem do problema que ele deve resolver Forma contexto e problema possuem uma relação linear uma vez que a forma é a solução para o problema o contexto define o problema ALEXANDER 1964 p 15 Reflita O arquiteto Louis Henry Sullivan precursor do movimento moderno trouxe consigo o princípio que a forma segue a função instaurando o funcionalismo racional que caracteriza este período SULLIVAN 1918 O pósmodernismo contestou esse princípio alegando que o funciona lismo do período moderno e a falta de princípios artísticos resultava em uma desarmonia entre os espaços urbanos e a vida diária de seus habitantes SITTE 1992 Christopher Alexander 1964 diz algo comple tamente diferente a forma não segue a função tampouco a função segue a forma ela é criada a partir do contexto Qual é o seu modo de encarar o processo de criação da forma arquitetônica A visão de Alexander 1964 deixa claro a importância de se analisar o contexto como visto anteriormente A questão mais importante para um arquiteto se torna portanto a capacidade de gerar uma forma que seja funcional e confortável para seus usuários a partir do contexto Em outras 95 palavras o arquiteto deverá sintetizar a forma a partir do contexto que nada mais é do que a situação que envolve o edifício e tudo aquilo que constitui o ambiente onde o edifício opera ou seja não é apenas uma situação física limitada por área um terreno e suas características geográficas mas todas as situações de uso culturais urbanas estruturais e assim por diante MOREIRA 2007 p 61 É a partir dessas informações que o arquiteto adquire subsídios para elaborar o partido arquitetônico Antes de mais nada é necessário esclarecer uma confusão frequente entre os alunos de arquitetura a diferença entre conceito e partido arquitetônico Partido arquitetônico consiste em uma diretriz projetual ou mais comumente um conjunto de diretrizes projetuais que são origi nadas de análises acerca do levantamento do entorno caracterís ticas do terreno programa de necessidades organização funcional e espacial entre outros aspectos Ou seja ele é influenciado por fatores externos e o resultado dependerá da síntese realizada pelo arquiteto a partir dos dados e das informações que ele detém sobre esses fatores Conceito não é determinado pelos fatores externos eles podem estar relacionados mas não apresentam a mesma condição de causa lidade como no partido arquitetônico Assimile Um partido arquitetônico consiste em uma diretriz determinada pelo arquiteto a partir de um fator externo a ele e à construção Por exemplo a decisão de projetar um edifício de até 2 dois pavimentos diretriz está relacionada com a legislação municipal cujos índices de uso e ocupação do solo fatores externos não permitem a construção de um edifício vertical com mais de dois pavimentos na zona onde o terreno está inserido Relembre os exemplos apresentados anterior mente quando aprendemos sobre a Matriz CDP As diretrizes indicadas na tabela nada mais são do que dados e informações que norteiam o partido arquitetônico O conceito se difere do partido arquitetônico pois está muito mais relacionado com uma ideologia do profissional ou do cliente do que com fatores externos O conceito é algo que acrescentará uma qualidade extra ao projeto que fará com que a edificação se destaque enquanto o partido arquitetônico provém da busca de soluções para aspectos que devem ser corrigidos visando o funcionamento adequado da construção Ambos devem ser palpáveis mensuráveis e passíveis de serem aplicados O conceito poderá ser exposto a partir de pranchas informativas ou palestras com frases de 96 efeito que refletem a ideia principal do projeto Já os partidos arquitetônicos serão apresentados por meio de diagramas sequenciais que deverão explicar o processo mental e criativo que originou a forma arquitetônica Depois de desenvolver todas as etapas do processo criativo o profissional chegará a uma solução arquitetônica a qual dependerá dos diferentes fatores que envolvem o processo de projeto Para ilustrar veremos alguns exemplos de edifícios hospitalares Figura 213 Hospital Netcare em Rosebank Joanesburgo Fonte iStock Figura 214 Clínica de Cleveland de Abu Dhabi Emirados Árabes Unidos Fonte Shutterstock 97 Figura 215 Centro Médico Universitário Rush Tower em Chicago Fonte iStock Dessa forma encerramos a etapa de concepção do projeto e iniciaremos o desenvolvimento da solução arquitetônica Nas próximas unidades trata remos sobre os desenhos técnicos detalhamentos e a apresentação do projeto Sem medo de errar O escritório onde você trabalha está participando de um concurso público para o projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS de um bairro novo na cidade Você e sua equipe já desenvolveram o Plano Diretor Hospitalar PDH a análise do terreno o conceito do projeto e o programa de necessidades Agora chegou a hora de aprofundarmos a concepção do projeto arquitetônico e faremos isso dando continuidade à elaboração do projeto a partir do método desenvolvido pelo arquiteto Christopher Alexander Alexander 1964 A primeira etapa do método em que é realizada a conceituação bem como a segunda etapa que consiste na geração de requisitos ou no programa de necessidades já foram desenvolvidas examine seus trabalhos anteriores caso precise recordálos Nesta seção iniciaremos as etapas de matriz de requisitos e diagrama espacial A matriz de requisitos corresponde à setorização e fluxograma que deverão ser elaborados com base no programa de necessidades já desenvolvido 98 Primeiramente identifique todos os setores que compõem uma UBS e então relacione cada um dos ambientes do programa de necessidades ao seu setor correspondente Sugerimos que a setorização seja classificada em Atendimento primário recepção espera marcação de consultas Atendimento clínico médico odontológico e psicológico Atendimento de enfermagem curativos procedimentos Prevenção e saúde imunização coleta de materiais Desinfecção e limpeza central de material esterilizado lavanderia depósito de material de limpeza Administração gerência sala de reuniões Fique à vontade para discutir com a sua turma e com o professor para encontrar outras possibilidades de setorização que se adequem ao programa de necessidades Com a setorização realizada você deverá desenvolver o fluxograma do hospital Não se esqueça de que o controle dos fluxos é um dos aspectos mais importantes para garantir o controle de infecções e contaminações e conse quentemente o funcionamento correto do Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS Como a UBS é uma unidade de saúde de menor complexidade alguns fluxos não existirão por exemplo o fluxo de pacientes externos prove nientes de atendimentos de emergência ou o fluxo de cadáveres uma vez que a UBS não realiza procedimentos de alta complexidade devendo estes serem encaminhados para o EAS competente É preciso deixar claro que setorização e fluxograma não estão relacio nados com planta baixa Essas análises são apenas etapas da concepção do projeto e não representam um posicionamento físico das unidades no terreno de implantação O plano de massas e o estudo volumétrico corres pondente à etapa de diagrama espacial determinarão a forma do edifício e consequentemente a planta baixa O diagrama espacial consiste no resultado da aplicação dos partidos arqui tetônicos Recupere suas atividades realizadas anteriormente e veja quais foram as diretrizes que você determinou na Matriz CDP pois elas serão os seus partidos arquitetônicos Se necessário reviseas com base nos assuntos discutidos nesta seção Você deverá apresentar o plano de massas por meio de diagramas croquis esquemas e outros meios gráficos que permitam a compreensão dos partidos arquitetônicos adotados Legende os desenhos com frases objetivas e curtas para facilitar o entendimento 99 Ao final da atividade você deverá produzir duas pranchas uma para cada etapa do método que desenvolveu nesta seção Organize as informações em pranchas no tamanho A3 diagramadas que poderão ser realizadas tanto à mão quanto com o auxílio de softwares gráficos Avançando na prática Desenvolvimento de um centro cirúrgico Imagine que você é um arquiteto especialista em arquitetura hospitalar e foi contratado por um hospital privado para construir um novo bloco de centro cirúrgico A direção do hospital determinou que a construção deverá ter quatro salas de cirurgia uma sala de recuperação pósanestésica sala de expurgo sala de materiais sala de prescriçãoconsultório médico e vestiários além das salas de barreiras físicas e circulações A construção será realizada como um anexo e o acesso a ela será feito a partir de uma circulação que leva até a ala de internação existente A planta a seguir Figura 216 apresenta os elementos existentes ao qual o projeto de ampliação deverá se adequar Figura 216 Área disponível para implantação do centro cirúrgico Fonte elaborada pela autora Resolução da situaçãoproblema Para propor uma solução de ampliação do hospital você deverá desen volver um centro cirúrgico conforme as especificações da diretoria Para isso 100 o processo metodológico segue os mesmos princípios de qualquer outro projeto arquitetônico você deverá inicialmente definir o programa de neces sidades a setorização e o fluxograma Uma vez que não existem condicio nantes significantes no terreno a não ser o ponto de acesso que conectará a ampliação com o edifício existente a determinação de partidos arquitetô nicos é simplificada Lembrese dos fluxos internos do centro cirúrgico e das medidas para evitar a contaminação Um exemplo pode ser observado na planta baixa da ampliação do Hospital Adventista de São Paulo Figura 214 Figura 214 Ampliação do centro cirúrgico do Hospital Adventista de São Paulo Fonte elaborado pela autora Não é necessário que a planta baixa do seu projeto acompanhe os limites da área disponível Você pode propor formas e organizações dos ambientes de forma diferente da geometria retangular desde que atendam ao funciona lismo proposto Faça valer a pena 1 Christopher Alexander 1964 é um arquiteto e matemático austríaco que desenvolveu um método de projeto que passa por várias etapas Em seu livro Notas sobre a Síntese da Forma ele diz que a forma é a solução para um problema e o problema é gerado pelo contexto Com relação ao processo projetual associe a coluna A que representa as etapas do design methods desenvolvido pelo arquiteto com a coluna B que mostra os produtos desenvolvidos em cada etapa 101 Coluna A Coluna B Conceitualização Plano de massas e volumetria Geração de requisitos Setorização e fluxograma Matriz de requisitos Conceito Diagrama espacial Projeto Solução arquitetônica Programa de necessidades Assinale a alternativa que apresenta a associação correta entre as colunas a AIII BII CV DIV EI b AII BV CI DIV EIII c AIII BV CII DI EIV d AV BII CI DIV EIII e AIII BII CIV DI EV 2 A setorização é um dos processos projetuais que o arquiteto deve realizar visando o funcionamento adequado da edificação Com base nisso avalie as afirmativas a seguir I A setorização também chamada de zoneamento consiste na catego rização dos ambientes em unidades funcionais II A setorização de um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS será feita sempre da mesma forma pois existem leis que regulamentam seu projeto III Cada setor do projeto hospitalar deve ser pensado como uma unidade individual que funciona de forma completa e se relaciona com outros setores IV Os fluxos entre um setor e outro são chamados de interfuncionais enquanto aqueles realizados dentro do mesmo setor são os fluxos intrafuncionais Assinale a alternativa correta a As alternativas I II e III estão corretas b As alternativas I III e IV estão corretas c As alternativas II e III estão corretas d As alternativas II e IV estão corretas e As alternativas I II III e IV estão corretas 102 3 Uma das últimas etapas do processo projetual desenvolvido pelo arquiteto Christopher Alexander 1964 consiste na elaboração do diagrama espacial Com relação a isso avalie as afirmativas a seguir I O diagrama espacial corresponde ao plano de massas que determina a volumetria da edificação considerando aspectos estéticos dos estilos arquitetônicos II Os partidos arquitetônicos são diretrizes projetuais desenvolvidas com base nos aspectos externos que resultarão na volumetria da edificação III Plano de massas e partido arquitetônico são duas formas diferentes de nomear o processo pelo qual a edificação ganha forma Assinale a alternativa correta a As alternativas I II e III estão corretas b As alternativas I e III estão corretas c As alternativas II e III estão corretas d As alternativas I e II estão corretas e Apenas a alternativa II está correta Referências ALEXANDER C Notes on the synthesis of form Cambridge Massachusetts Harvard University Press 1964 ASID The American Society of Interior Designers ASID Headquarters is First Space in the World to Earn Both LEED and WELL Platinum Certification under WELL Building Standard v1 News nov 2017 Disponível em httpswwwasidorgnewsasidheadquarter sinwashingtondcisfirstspaceintheworldtoearnbothleedandwellplatinumcertifi cationunderwellbuildingstandardv1 Acesso em 29 jul 2019 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 10004 resíduos sólidos classificação Rio de Janeiro ABNT 2004 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 12808 resíduos de serviços de saúde classificação Rio de Janeiro ABNT 1993 p 2 BEDIMORUNG A L MOWEN A J COHEN D A The significance of parks to physical activity and public health a conceptual model American Journal of Preventive Medicine v 28 p159168 2005 BRASIL Ministério da Saúde Secretaria de Assistência à Saúde SAS CoordenaçãoGeral de Normas CGNOR Normas para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília DF Ministério da Saúde SAS CGNOR 1994 BRASIL Ministério do Meio Ambiente MMA Conselho Nacional do Meio Ambiente CONAMA Resolução CONAMA nº 358 de 29 de abril de 2005 Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências Brasília DF MMA 2005 BRASIL Agência Nacional De Vigilância Sanitária ANVISA Segurança No Ambiente Hospitalar Portal ANVISA Brasília DF sd Disponível em httpportalanvisagovbr documents33852271855SeguranC3A7anoambientehospitalar473c5e32025a4dc2 ab2efb5905d7233a Acesso em 29 jul 2019 BRASIL Ministério da Saúde Normas para projetos físicos de estabelecimentos assisten ciais de saúde Brasília DFMinistério da Saúde1994 BRASIL Ministério da Saúde ResoluçãoRDC nº 50 de 21 de fevereiro de 2002 Dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento programação elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília DFMinistério da Saúde 2002 BRASIL Ministério da Saúde Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde Saúde da Família Brasília DF Ministério da Saúde 2006 BRASIL Ministério da Saúde Portaria nº 3012 de 1º de dezembro de 2009 Brasília DF Ministério da Saúde 2009 BRASIL Normas para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília DF Ministério da Saúde 1994 CHOU W LEE C CHANG C Relationships between urban open spaces and humans health benefits from an ecological perspective a study in an 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Universidade Estadual de Campinas Faculdade de Engenharia Civil Arquitetura e Urbanismo Campinas SP Disponível em httpwwwrepositoriounicamp brhandleREPOSIP258191 Acesso em 29 jul 2019 POR DENTRO do hospital Centro cirúrgico Garibaldi RS Hospital Beneficente São Pedro HBSP 2016 1 vídeo 9 min 17 s Publicado pelo canal Hospital São Pedro HBSP Disponível em httpswwwyoutubecomwatchvofsSmymDtCA Acesso em 29 jul 2019 SCHVARSBERG B et al Estudo de Impacto de Vizinhança Caderno Técnico de Regulamentação e Implementação Ministério das Cidades Brasília Universidade de Brasília 2016 SITTE C A construção das cidades segundo seus princípios artísticos São Paulo Ática 1992 SULLIVAN L Kindergarten Chats and Other Writings Londres Courthope Press 1918 2013 TENON J Mémoires sur les hôpitaux de Paris 1816 Disponível em httpbooksgooglecom booksid3Fxk1ri5qW8Camphlampsourcegbsapi Acesso em 29 jul 2019 TOLEDO Luiz Carlos O Estudo dos Fluxos no Projeto Hospitalar 2006 Disponível em 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dimensionamento dos ambientes sobre a definição de um sistema estrutural e sobre a confecção dos desenhos técnicos Ao final dessa traje tória você compreenderá a importância do dimensionamento dos espaços seus materiais e as especificidades de projetos de edifícios de saúde Imagine que você tenha sido contratado por um escritório de arquite tura que desenvolve projetos de arquitetura hospitalar A cidade onde você trabalha localizada no interior do estado tem apresentado um crescimento urbano intenso e por essa razão a prefeitura inaugurou recentemente um novo loteamento Para atender às necessidades da população do novo bairro a prefeitura municipal abriu um edital de concurso público para o projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde UBS Os requisitos impostos pelo edital do concurso incluem a apresentação de um projeto arquitetônico no nível de anteprojeto de um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS com capacidade para atender entre 2400 e 4000 pacientes respeitando todos os critérios estabelecidos pelo Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde publicado pelo Ministério da Saúde Você já iniciou o processo criativo que envolve a concepção de um projeto arquitetônico Até agora você desenvolveu o programa de neces sidades a setorização o fluxograma e o plano de massas alinhado com os partidos arquitetônicos e com o conceito do projeto Inicialmente você deve alinhar o dimensionamento dos ambientes ao porte e às atividades desenvolvidas no EAS Os espaços de cada setor devem ser adequados às dimensões recomendadas ou exigidas pelas normas para o perfeito funcio namento da edificação de saúde Na segunda etapa você deve incorporar um sistema estrutural que permita a segurança plasticidade e flexibilidade do projeto A modulação da estrutura é de extrema importância pois é ela que determina a disposição dos ambientes E finalmente na última etapa todos os estudos e análises realizados até o momento devem ser condensados em uma proposta projetual e apresentados na forma de desenhos técnicos Na primeira seção de estudo você alinhará o dimensionamento dos ambientes ao porte e às atividades desenvolvidas no EAS Os espaços de cada setor devem ser adequados às dimensões recomendadas ou exigidas pelas normas para o perfeito funcionamento da edificação de saúde Na segunda seção você incorporará um sistema estrutural que permita a segurança plasticidade e flexibilidade do projeto E finalmente na terceira seção todos os estudos e análises realizados até o momento deverão ser condensados em uma proposta projetual e apresentados na forma de desenhos técnicos 109 Seção 1 Prédimensionamento do edifício Diálogo aberto Você presta atenção nas medidas dos mobiliários ao seu redor Sabe quanto mede uma cadeira E uma mesinha lateral Se elas forem colocadas juntas quanto espaço elas vão ocupar E se em vez da mesinha lateral houver uma escrivaninha Existe uma infinidade de mobiliários e equipamentos que são dispostos nos ambientes das mais diversas formas Cada um dos objetos ocupa uma área determinada pela sua forma sólida e os seres humanos se encarregam de ocupar os vazios originando as áreas de circulação Quando projetamos um edifício devemos ter em mente que esse espaço abrigará atividades humanas e portanto deve fornecer os meios adequados para a execução delas Cada compartimento exercerá uma função diferente e necessitará de objetos específicos Não é viável projetar uma cozinha sem uma geladeira da mesma forma que uma sala cirúrgica não funcionará se não tiver uma mesa cirúrgica Dessa maneira o dimensionamento garante que as atividades estipuladas pelo programa de necessidades sejam possíveis de serem implementadas no espaço físico em questão Você trabalha em um escritório de arquitetura especializado em projetos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS e a equipe da qual você faz parte vai participar de um concurso público para assumir um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS no novo bairro da cidade localizada no interior do estado Você já possui o programa de necessidades setorização fluxograma e plano de massas O próximo passo é organizar os ambientes em uma volumetria que possui dimensões próprias Assim você deve elaborar o dimensionamento dos espaços de acordo com as atividades envolvidas a capacidade do público e as normas que regem os EAS Inicialmente retome a tabela do programa de necessidades que indica os ambientes e seus respectivos equipamentos A partir das medidas do mobili ário objetos e das áreas de circulação identifique qual é o dimensionamento adequado para cada um dos espaços Estabeleça o dimensionamento de cada setor a partir da soma das áreas dos ambientes que o compõem Nesta seção aprenderemos como é feito o prédimensionamento e quais são as normativas que regulam o tamanho dos ambientes das edificações de saúde Estudaremos as especificidades de todos os espaços do EAS espaços assistenciais unidades de internação serviços de apoio a diagnóstico e terapia setor de apoio técnico logístico e administrativo Vamos incorporar o 110 conhecimento técnico ao processo criativo desenvolvido anteriormente para propor uma solução arquitetônica coerente e possível de ser implementada Não pode faltar Quando iniciamos um projeto principalmente quando se trata de algo grande e complexo é imprescindível que seja realizado o prédimensiona mento dos espaços para que a volumetria do edifício possa comportar as ativi dades realizadas na edificação Falhas no dimensionamento podem resultar em desperdício de recursos e de área caso estejam superdimensionados ou o que é ainda pior podem resultar em ambientes apertados subdimensio nados que anulam as possibilidades de uso e impedem o funcionamento do espaço Figura 31 também ocasionando desperdício de recursos e de área Figura 31 Erros de dimensionamento criam ambientes inutilizáveis Fonte Shutterstock No exemplo da Figura 31 o dimensionamento da sala de espera foi tão falho que impossibilitou a disposição correta do mobiliário inutilizando o ambiente visto que ele não apresenta as dimensões adequadas para servir à atividade a que se propõe um ambiente para as pessoas aguardarem o atendimento médico 111 Dimensionamento das áreas dos ambientes Programa de necessidades O dimensionamento das áreas dos ambientes deve ser calculado para abrigar os objetos com espaço mínimo para a utilização e circulação das pessoas Assim garantimos que o ambiente terá a área mínima necessária para seu perfeito funcionamento O programa de necessidades configurase como um prérequisito para a elaboração do dimensionamento dos espaços pois é nele que o projetista elenca todos os equipamentos necessários para a realização das tarefas e atividades desenvolvidas no ambiente Com a lista dos equipamentos e mobiliários você pode calcular a área que cada um deles deve ocupar bem como a área correspondente à circulação Exemplificando Vamos utilizar como exemplo um consultório médico sem indicação de especialização O espaço precisa de uma mesa para atendimento cadeira giratória e duas cadeiras simples uma para o paciente e outra para o acompa nhante para que o médico realize a primeira conversa com o paciente analise exames entre outros É conveniente que haja um computador e uma impressora nessa mesa para que o médico possa acessar o histórico do paciente ou prescrever medicações e exames Para o atendimento clínico é necessária a maca para exames a mesa para instrumentos um suporte para hamper onde é depositada a roupa suja além de uma escada de dois degraus para que o paciente suba na maca Como suporte ao atendimento o consultório deve ter um tripé para soro fisiológico tripé de iluminação balança antropométrica e um lavatório Também é necessário um armário para o armazenamento de instrumentos médicos O primeiro passo é verificar a área que cada um dos objetos ocupa Identi fique a largura e o comprimento de cada um deles e calcule sua área Essas medidas são disponibilizadas nas especificações dos produtos Também podemos utilizar uma medida padrão Comecemos pela mesa de atendimento uma medida comumente encontrada em mesas de escritório é de 150 cm x 60 cm Fazendo o cálculo da área largura x comprimento temos 2 090m Faça isso com todos os outros mobiliários e some todas as áreas encontradas Ao final adicione 30 para a área de circulação O resultado será a área mínima para o ambiente Legenda E008 Balança antropométrica E010 Biombo E030 Escada com dois degraus E043 Impressora E044 Instrumentais cirúrgicos caixa básica E052 Mesa para exames E053 Mesa auxiliar para instrumental E054 Microcomputador E057 Negatoscópio E068 Refletor parabólico de luz fria E075 Suporte de hamper M001 Armário vitrine com porta M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal M006 Cadeira M009 Cesto de lixo M012 Mesa para impressora M013 Mesa para microcomputador M015 Mesa tipo escritório com gavetas M019 Cadeira giratória com braços Fonte Brasil 2011 sp O manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde BRASIL 1994 publicado pelo Ministério da Saúde determina algumas metragens mínimas para os ambientes de EAS de acordo com cada unidade funcional setor Apesar de o manual apresentar uma listagem completa dos ambientes ele destaca que a existência de cada um só acontecerá se a atividade correspondente a ele for oferecida pelo edifício de saúde Existem diversas tipologias de EAS e cada uma oferece serviços específicos Por essa razão nem todas as edificações de saúde têm todos os ambientes listados mas apenas aqueles adequados para as atividades que exercem No entanto dentro de cada função exercida existem ambientes obrigatórios para que ela seja realizada com eficiência Espaços assistenciais Quando falamos nos espaços assistenciais ou seja aqueles voltados para as ações básicas de saúde ambulatórios e procedimentos de enfermagem necessitamos de ambientes que possibilitem a separação dos pacientes de acordo com o tratamento de que cada um necessita São espaços onde o paciente receberá os primeiros atendimentos com tratamentos de menor complexidade Alguns dos espaços obrigatórios são sala de atendimento individualizado Figura 33a sala de imunização Figura 33b e sala de curativos suturas e coleta de material Figura 33c Figura 33 Dimensionamento de espaços assistenciais a Sala de atendimento individualizado área mínima de 900m² e área média de 1135m² M001 M004 E030 E008 E010 M006 M015 M012 E043 E057 E052 E083 M019 M009 E075 Legenda E008 Balança antropométrica E010 Biombo E030 Escada com dois degraus E043 Impressora E052 Mesa para exames E054 Microcomputador E057 Negatoscópio E075 Suporte de hamper E083 Mesa auxiliar M001 Armário vitrine com porta M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal M006 Cadeira M009 Cesto de lixo M012 Mesa para impressora M013 Mesa para microcomputador M015 Mesa tipo escritório com gavetas M019 Cadeira giratória com braços Fonte adaptada de Brasil 2011 sp b Sala de imunização área mínima de 600m² e área média de 1390m² E017 E070 M003 M001 E052 E030 E010 M019 M006 M009 M015 M006 M004 Legenda E010 Biombo E017 Caixa térmica E030 Escadas com dois degraus E052 Mesa para exames E070 Refrigerador para vacinas M001 Armário vitrine com porta M003 Arquivo tipo gaveta M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal M006 Cadeira M009 Cesto de lixo M015 Mesa tipo escritório com gavetas M019 Cadeira giratória com braços Fonte adaptada de Brasil 2011 sp c Sala de curativossuturas e coleta de material área mínima de 900m² e área média de 1080m² Legenda E012 Braçadeira de injeção E075 Suporte de hamper E019 Carro de curativos E076 Suporte de soro de chão E030 Escada com dois degraus M001 Armário vitrine com porta E044 Instrumentais cirúrgicos caixa básica M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal E052 Mesa para exames M005 Banqueta giratóriamocho E053 Mesa auxiliar para instrumental M006 Cadeira E068 Refletor parabólico de luz fria M024 Cadeira universitária Fonte adaptada de Brasil 2011 sp 117 de consultas ambulatoriais fica em torno de 10 a 18 dependendo da região GÓES 2004 Para uma maior precisão no momento de projetar o ideal é realizar o dimensionamento com base em pesquisas e estudos estatísticos na própria cidade ou região onde o EAS será implantado GÓES 2004 Além dos quartos para os pacientes o setor de internação conta com ambientes de apoio como posto de enfermagem e prescrição médica salas de exames e enfermarias que assim como os quartos também devem estar diferenciadas de acordo com a situação do paciente internado Ainda existem os ambientes que são obrigatórios como a enfermaria de lactentes Figura 34a o quarto de isolamento para a Unidade de Tratamento Intensivo UTI Figura 34b e a sala de serviços Figura 34c Figura 34 Dimensionamento das unidades de internação a Enfermaria de lactentes área mínima de 450 ² m por leito e área média de 3280 ² m 6 leitos 0 30 60 90 120cm E071 E071 E071 E071 M030 M004 M010 E056 M030 E056 E076 M004 M004 M030 M010 E056 E076 M004 M030 M010 E056 E076 E076 M010 E010 E010 E010 Biombo E056 Berço hospitalar com colchão E071 Régua de gases E075 Suporte de hamper E076 Suporte de soro de chão M004 Balde cilíndrico portadetritos com pedal M010 Mesa de cabeceira M030 Poltrona Legenda Fonte adaptada de Brasil 2013a 118 b Sala de serviços área mínima de 570 ² m e área média de 720 ² m E016 Geladeira Negatoscópio E057 Armário M002 M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal M008 Balcão com pia M023 Quadro de avisos 0 30 60 90 120cm M002 E016 M004 M023 E057 Armário suspenso M008 Legenda Fonte adaptada de Brasil 2013a c Quarto área mínima de 1000 ² m e área média de 1190 ² m E018 Cama hospitalar com colchão fawler Escada com degraus E030 dois E049 Maca para transporte E075 Suporte de hamper Suporte de soro de chão E076 E095 Mesa para refeição M001 Armário vitrine com porta M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal M010 Mesa de cabeceira Poltrona M030 0 30 60 90 120cm M004 E049 E095 M001 E075 E076 E030 M030 M010 E018 Legenda Fonte adaptada de Brasil 2013a Unidades de apoio a diagnóstico e terapia 119 Com relação aos serviços de apoio a diagnóstico e terapia a quanti dade e o tipo de ambiente vão variar de acordo com as atividades oferecidas pelo EAS Existem vários tipos de serviços dentro dessa unidade funcional como os de reabilitação imagenologia anatomia patológica hemoterapia e hematologia medicina nuclear e patologia clínica O dimensionamento depende dos equipamentos utilizados Na área da reabilitação um dos ambientes obrigatórios é a sala para cinesioterapia e mecanoterapia Figura 35a enquanto na área de image nologia a sala de exames e terapias é obrigatória Figura 35b Na área de patologia clínica estão localizados os laboratórios sendo o laboratório de bioquímica um exemplo deles Figura 35c Já a área de hematologia conta com a sala para coleta de sangue de doadores Figura 35d Figura 35 Dimensionamento das unidades de apoio ao diagnóstico e terapia a Sala para cinesioterapia e mecanoterapia área mínima a depender do equipamento utilizado e área média de 4540 ² m 0 60 120cm E030 M004 E288 E213 E213 E264 E170 E170 E089 M006 M006 M006 E452 E052 E052 E030 E010 E262 Barra paralela E262 Espelho de postura E264 Tatame E288 Barras de apoio E452 Jogo de bolas bobath M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal Cadeira M006 E010 Biombo E030 Escada com dois E052 Mesa para exames E089 Rampa com degraus E170 Esteira ergométrica Bicicleta ergométrica E213 degraus Fonte adaptada de Brasil 2013a 2013b 2014 120 b Sala de exames e terapias área mínima a depender do equipamento utilizado e área média de 3890 ² m 0 60 120 cm E030 Escada com dois degraus E053 Mesa auxiliar para instrumental E057 Negatoscópio E068 Refletor parabólico de luz fria E076 Suporte de soro de chão E087 Carro de anestesia E088 Carro de emergência E160 Hemodinâmica E247 Bomba injetora de contraste M005 Banqueta giratóriamocho E057 E160 M005 E087 E088 E076 E053 E053 E053 E030 E068 E247 Legenda Fonte adaptada de Brasil 2013a 2013b 2014 121 c Laboratório de bioquímica área mínima de 600 ² m e área média de 2020 ² m 0 60 120 cm M006 M006 M004 E249 E143 M026 M005 M026 E227 Armário suspenso E404 E233 E248 E228 E224 E229 E231 M019 M013 E155 E054 E043 Impressora E054 Microcomputador E134 Centrífuga de mesa E142 Estufa bacteriológica E143 Freezer científico vertical E145 Microscópio biológico binocular E148 Analisador de gases sanguíneos E155 Banhomaria E224 Analisador automático para Na K e Cl E227 Agitador de tubos E228 Analisador automático para bioquímica E229 Analisador para Ca e pH E231 Fotômetro para leitura em microplacas E233 Espectrofotômetro de absorção atômica E248 Bilirrubinômetro E249 Refrigerador laboratorial M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal M005 Banqueta giratóriamocho M006 Cadeira M012 Mesa para impressora M013 Mesa para microcomputador M019 Cadeira giratória com braços M026 Mesa de trabalho tipo bancada M048 Mesa de trabalho em aço inox Legenda Fonte adaptado de Brasil 2013a 2013b 2014 122 d Sala para coleta de sangue de doadores área mínima de 400 ² m por poltrona de doação e área média de 2380 ² m 2 poltronas 1 maca 0 30 60 90 120 cm Armário suspenso E083 E447 E447 E010 M004 E016 E010 M004 M004 E076 E076 E083 M004 E030 E076 E052 E083 E010 Biombo E016 Geladeira E030 Escada com dois degraus E052 Mesa para exames E076 Suporte de soro de chão E083 Mesa auxiliar E447 Cadeira para doador de sangue M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal Legenda Fonte adaptada de Brasil 2013a 2013b 2014 Reflita Você percebeu que os dados dos livros Programação Arquitetônica de Unidades Funcionais de Saúde Volumes 1 2 3 e 4 publicados pelo Ministério da Saúde apresentam a área mínima e a área média para cada ambiente A área média é sempre maior que a mínima estipu lada BRASIL 2011 2013a 2013b 2014 A área mínima é suficiente para comportar os equipamentos de cada espaço mas ela é capaz de promover o uso confortável e eficiente do espaço Áreas de apoio técnico logístico e administrativo Nas áreas de apoio temos o dimensionamento do setor técnico logístico e administrativo No setor de apoio técnico há espaços de nutrição e dieté tica farmácia e central de material esterilizado Na unidade funcional de apoio logístico há o processamento de roupa manutenção e administração de materiais e equipamentos enquanto no apoio administrativo há serviços de administração clínico enfermagem e técnico documentação e informação Por fim alguns EAS contam com a unidade funcional de ensino e pesquisa 123 Pesquise mais Assim como todas as outras unidades funcionais os setores de apoio de ensino e pesquisa também possuem ambientes obrigatórios para o seu desenvolvimento Você pode encontrálos no manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde BRASIL1994 publicado pelo Ministério da Saúde da página 78 a 91 BRASIL Ministério da Saúde Normas para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília DFMinistério da Saúde1994 p 7891 Além das unidades funcionais descritas existe outro fator que pode gerar aumento de áreas em um EAS os ambientes voltados para a humani zação do espaço Principalmente na Europa e nos Estados Unidos algumas edificações de saúde contam com ambientes como galerias de arte lojas bancos praças de alimentação entre outros que garantem uma atmosfera lúdica e descontraída possibilitando o aumento do bemestar dos pacientes e visitantes GÓES 2004 O dimensionamento dos espaços em arquitetura hospitalar é complexo e envolve normativas federais legislações e determinações do Ministério da Saúde e municipais Código de Obras e Plano Diretor Municipal Esta seção de estudo serve de apoio para você aprender a dimensionar os ambientes corretamente no entanto é imprescindível que você busque nos órgãos públicos dados mais precisos e abrangentes Sem medo de errar O escritório onde você trabalha está participando de um concurso público para o projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS de um bairro novo na cidade Sua equipe está prestes a concretizar a solução arquitetô nica que será submetida ao concurso Para isso é necessário sintetizar todo o processo criativo desenvolvido até o momento com os detalhes técnicos que garantirão o funcionamento do edifício Inicialmente você deve elaborar o prédimensionamento dos ambientes listados no programa de necessidades Lá você já determinou quais foram os equipamentos utilizados em cada um dos espaços Agora você deve buscar informações sobre as dimensões médias e utilizálas para determinar a área mínima de cada um deles 124 Vamos utilizar como exemplo o consultório odontológico Reveja os equipamentos necessários para a execução e incorpore suas dimensões Quadro 31 Quadro 31 Prédimensionamento de equipamentos de consultório odontológico EQUIPAMENTO MODELO MARCA DIMENSÃO ÁREA Conjunto odontológico S200F Saevo Largura 213 cm Profundidade 204 cm 435 ² m Mocho Slim Shopfisio Largura 55 cm Profundidade 65 cm 036 ² m Aparelho de raios x odontológico D70 Xdent Largura 65 cm até 140 cm Profundidade 65 cm 042 ² m Mesa tipo escritório com gavetas ME4113 Tec nomobili Largura 60 cm Profundidade 155 cm 093 ² m Cadeiras para pa ciente 2 Eiffel Eames Mobly Largura 46 cm Profundidade 51 cm 023 ² 2048 ² m m Cadeira giratória com braços para o dentista Escritório Ea mes Mobly Largura 47 cm Profundidade 54 cm 026 ² m Armários para ar mazenamento 2 ME4105 Tec nomobili Largura 315 cm Comprimento 60 cm 019 ² 2038 ² m m Balde cilíndrico para descarte de material 94538130 Tramontina Diâmetro 295 cm 007 ² m Área para escovação e lavatório L79S17 Deca Largura 425 cm Comprimento 92 cm 039 ² m Fonte adaptado de httpsbitly2ZeCK3R httpsbitly2ZamWiB httpsbitly2ZduVM2 httpsbit ly30gnyVe httpsbitly30hT1qj httpsbitly2P4UkHN httpsbitly30s05kh httpsbitly2P4jF4zht tpsbitly33JCtcH Acesso em 19 ago 2019 Realizando o cálculo do somatório de todas as áreas encontradas temos 764 ² m Mas dessa forma não sobra espaço para as áreas de circulação Portanto é preciso adicionar mais 30 para permitir o funcionamento do ambiente Assim a área mínima para o consultório odontológico passa a ser de 993 ² m De acordo com a Resolução RDC no 50 a área mínima para consultórios odontológicos é de 900 ² m bem próxima da que encontramos sendo que a área média é de 1640 ² m BRASIL 2002 Veja na Figura 36 um exemplo de layout para o ambiente que estamos analisando Figura 36 Modelo de consultório odontológico Legenda E023 Conjunto odontológico M005 Banqueta giratóriamocho E067 Aparelho de raio x odontológico M006 Cadeira M002 Armário M015 Mesa tipo escritório com gavetas M004 Balde cilíndrico porta detritos com pedal M019 Cadeira giratória com braços Fonte Brasil 2011 sp 126 o terreno onde será implantada a Unidade Básica de Saúde UBS comporta a quantidade de ambientes determinada no programa de necessidades e se o plano de massas está adequado para o dimensionamento proposto Lembrese de verificar as restrições impostas pelas leis municipais e conside rálas em seu estudo Resolução da situaçãoproblema Para verificar se o tamanho do terreno comporta o edifício basta dividir a área do edifício aquela que consta no dimensionamento pela área do terreno Se o valor for menor que 1 a construção pode ser realizada no terreno e ainda sobrará área disponível Se o valor for igual a 1 a construção cabe no terreno inteiro sem nenhuma área sobrante E se o valor for maior que 1 o terreno é pequeno para a construção o que indica que ela deve ter mais de um pavimento ou então ter sua área reduzida Contudo é preciso lembrar que o código de obras do município deter mina uma taxa de ocupação máxima e portanto nem sempre é possível construir utilizando toda a área do terreno inteiro Nesse caso para fazer o cálculo a área do terreno deve ser compatível com o máximo a ser edificado Por exemplo se a taxa de ocupação for 75 e o terreno tiver 100 ² m para fazer o cálculo da relação terreno x construção você deve utilizar 75 ² m apenas Vamos imaginar um terreno hipotético de 200 ² m e taxa de ocupação igual a 70 A área que permite construções será de 200 070 140 ² m m m Agora imaginemos que a edificação que será implantada nesse terreno tenha um prédimensionamento de 440 ² m A relação entre terreno x construção será igual a 440 140 314 Isso significa que a construção não cabe no terreno e terá de ser construída em mais de um pavimento nesse caso em 4 pavimentos pois não é possível construir 3 pavimentos e mais 17 um sétimo de um pavimento No entanto devemos considerar ainda que o código de obras pode estabelecer uma taxa de ocupação diferente para o térreo e para os outros pavimentos Vamos considerar que nesse exemplo a taxa de ocupação para os demais pavimentos exceto térreo seja de 40 Como será feito o cálculo nesse caso Sabemos que no pavimento térreo pode ser construído 140 ² m Vamos subtrair essa área do total para descobrirmos quanto será distribuído nos outros pavimentos 440 140 300 ² m Agora vamos verificar quanto é 40 do terreno 200 040 80 ² m m m O novo cálculo deve ser feito conside rando a área remanescente para os pavimentos além do térreo e a nova área de terreno possível de receber construções Nesse caso temos 300 80 375 Pelo fator de arredondamento teremos 4 pavimentos de 75 ² m cada 127 O resultado desse cálculo corresponde à tipologia construtiva da edifi cação uma edificação de 5 pavimentos sendo o térreo com 140 ² m e os demais com 75 ² m totalizando 440 ² m Faça esse mesmo cálculo para o terreno onde será implantada a UBS e verifique se seu plano de massas está condizente com o dimensionamento e a legislação municipal Caso não esteja readéque o plano de massas Faça valer a pena 1 O dimensionamento dos espaços é um aspecto muito importante do processo projetual Consiste na etapa de transição entre a concepção do projeto de caráter criativo e a solução arquitetônica de caráter técnico Sobre o dimensionamento avalie as afirmativas a seguir I O dimensionamento consiste em verificar a área mínima dos espaços para que eles comportem todos os equipamentos necessários permi tindo a utilização e circulação entre eles II O dimensionamento possui caráter legal devendose verificar nas legislações e normas quais são as áreas e dimensões mínimas para cada ambiente III O dimensionamento é necessário apenas no momento da escolha do terreno uma vez que é por meio dele que é estimada a área total da construção Assinale a alternativa que contém as afirmativas corretas a Apenas a afirmativa I está correta b Apenas a afirmativa II está correta c As afirmativas I e II estão corretas d As afirmativas I e III estão corretas e As afirmativas I II e III estão corretas 2 O posto de saúde da sua cidade está passando por uma ampliação A gestão municipal quer aumentar o tamanho da sala de espera que hoje fica frequentemente superlotada A área disponível para ampliação corresponde a uma sala de 600 metros por 350 metros Considere que essa área só será ocupada por cadeiras e que cada uma delas mede 45 cm x 50 cm Quantas pessoas essa nova sala de espera comportará 128 a 15 pessoas b 30 pessoas c 40 pessoas d 60 pessoas e 70 pessoas 3 Joaquina é psicóloga e atua na área de terapia ocupacional Ela pediu para que você desenvolvesse um projeto para seu consultório e forneceu a lista de equipamentos de que ela precisa Quadro Listagem de equipamentos para consultório médico neurologia EQUIPAMENTO LARGURA PROFUNDIDADE Mesa tipo escritório com gavetas 60 cm 155 cm Duas cadeiras para paciente 45 cm 50 cm Cadeira giratória com braços 50 cm 50 cm Maca para exames 70 cm 180 cm Negatoscópio 80 cm 15 cm Mesa para impressora 90 cm 80 cm Armário para armazenamento de prontuários 150 cm 50 cm Escada com dois degraus 70 cm 60 cm Fonte elaborado pela autora Joaquina pesquisou diversos estabelecimentos privados de saúde por salas para locação e préselecionou três delas uma que apresenta 500 ² m e tem um aluguel mais baixo outra que tem 700 ² m e está localizada em uma região central e uma terceira que tem 1000 ² m mas fica muito longe do centro da cidade A dúvida de Joaquina é qual das três salas melhor se adequa às suas necessidades Assinale a alternativa que responde a dúvida de Joaquina a O consultório de 500 ² m é suficiente pois o prédimensionamento determinou uma área mínima de 490 ² m Dessa forma Joaquina pode se beneficiar do preço baixo do aluguel b O consultório de 700 ² m é o mais adequado pois o prédimensiona mento determinou uma área mínima de 637 ² m Assim o consultório de Joaquina estará mais bem localizado na cidade 129 c O consultório de 1000 ² m é necessário pois o prédimensionamento determinou uma área mínima de 735 ² m Ainda que localizado longe do centro da cidade Joaquina terá de alugar esse consultório d Não importa o prédimensionamento do ambiente pois a legislação nacional determina uma área mínima de 750 ² m Portanto o único consultório possível é o de 1000 ² m e Todos os consultórios estão adequados portanto caberá a Joaquina decidir qual benefício ela deseja desfrutar aluguel baixo boa locali zação ou espaço amplo 130 Seção 2 Sistema estrutural Diálogo aberto Era uma casa muito engraçada não tinha teto não tinha nada Ninguém podia entrar nela não porque na casa não tinha chão MORAES 1980 Você certamente completou mentalmente a letra dessa música ou pode até ter cantarolado algum trecho dela De uma forma lúdica a música de Vinícius de Moraes representa o que aconteceria se as nossas construções não fossem dotadas de estrutura Sem ela não existiriam os elementos que sustentam os edifícios e lhe conferem forma rigidez e segurança As construções não surgem do nada elas são criadas com elementos sólidos como tijolos cimento concreto aço entre tantos outros materiais que quando colocados juntos de maneira estratégica formam a estrutura física dos edifícios Existem ainda aqueles elementos que são responsáveis por suportar todo o peso e a carga que atuam sobre a construção os quais fazem parte da denominada estrutura resistente Existem várias possibili dades de composição das estruturas tanto em forma quanto em materiais e cabe ao arquiteto compatibilizar o partido arquitetônico às tecnologias disponíveis no mercado Você é um dos arquitetos que compõem uma equipe de trabalho especializada em projetos de arquitetura hospitalar Sua equipe vai participar de um concurso público para o projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde UBS no novo bairro da cidade onde você mora Você já tem todas as informações referentes à concepção do projeto sua forma seu conceito e sua função Agora chegou o momento de propor soluções técnicas para o desenvolvimento do projeto Pesquise acerca dos sistemas estruturais disponíveis e selecione aquele que permita a plasti cidade do edifício e a flexibilidade dos ambientes além é claro da segurança dos usuários Depois da escolha da estrutura apropriada determine o esqueleto do projeto onde estão inseridos as vigas os pilares e planos de piso e de cobertura Trace a malha estrutural que sustentará o edifício levando em consideração o seu plano de massas e o dimensionamento dos espaços Nesta seção você conhecerá alguns dos sistemas de estrutura resistente mais utilizados e aprenderá a determinar a sua modulação e volumetria de acordo com os parâmetros de economia e funcionalidade Além disso você identifi cará as particularidades de compartimentação dos ambientes e conhecerá quais são os novos programas e tecnologias envolvidos na arquitetura hospitalar Vamos criar o esqueleto que sustentará o seu projeto 131 Não pode faltar Compreendemos por estrutura o conjunto de planos verticais e horizontais que solidificam as edificações Os planos verticais compreendem paredes pilares esquadrias aberturas de portas e janelas e acabamentos reboco e revestimentos Já os planos horizontais são lajes coberturas contrapiso e piso Entre estes podemos identificar os elementos que fazem parte da estrutura resistente ou seja que suportam as cargas que atuam sobre a construção São eles pilares vigas e lajes O arquiteto conta com diversas possibilidades de materiais para confec cionar a estrutura da edificação Quando falamos de estrutura resistente o mais comum no Brasil é o uso de estruturas de concreto armado que consiste em unir a resistência à tração do aço com a resistência à compressão do concreto Normalmente são estruturas robustas confeccionadas in loco no local da obra a partir da armadura das barras de aço do cobrimento com o concreto na forma líquida moldadas com o auxílio de caixarias de madeira que são descartadas ou reutilizadas em outra obra Existe ainda a opção de se usar o concreto armado prémoldado em que os elementos pilares vigas e lajes são confeccionados em uma indústria e transportados ao local da obra onde serão montados O concreto armado possui grande resistência ao fogo e é uma das estruturas que apresentam menor custo de execução Outro tipo de estrutura resistente é a metálica na qual os pilares e as vigas são feitos em perfis metálicos produzidos industrialmente utili zando principalmente o aço ferro e carbono como matériaprima o qual apresenta algumas vantagens como tamanho reduzido quando comparado ao concreto armado maior velocidade de execução se considerarmos o concreto feito in loco e vãos livres maiores Assimile O vão livre corresponde ao espaço existente entre dois pilares Figura 37 Figura 37 Exemplo de vão livre na estrutura resistente Fonte elaborada pela autora 132 Independentemente do tipo de estrutura resistente escolhido todas as opções possuem propriedades de resistência diferentes o que garante características específicas de dimensionamento e distanciamento de seus elementos para cada uma delas A esse posicionamento de vigas e pilares damos o nome de modulação estrutural Uma vez que a modulação estrutural condiciona o tamanho dos espaços à distância entre um pilar e outro ela terá grande influência sobre o tamanho dos ambientes Já sabemos que existem dimensões mínimas para os ambientes do Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS Ora se o ambiente possui uma medida mínima que influenciará a estrutura e a estrutura possui uma modulação própria que afetará o tamanho do ambiente como você arqui teto solucionará esse problema Saiba mais Um estudo realizado por Peter Cowan e John Weeks analisou a dimensão dos compartimentos de hospitais britânicos e identificou que a maior parte das salas tinha 15 ² m MIQUELIN 1992 O mesmo estudo mostrou que a maioria das atividades humanas pode ser realizada em ambientes com menos de 20 ² m Assim é conveniente adotar uma modulação estrutural que permita a compartimentação de acordo com esses parâmetros Hoje em dia existem sistemas estruturais que suportam vãos livres de 15 metros ou até mais Você pode estar pensando já que há essa possibili dade por que não utilizar essa tecnologia e construir edificações sem pilares ou com o mínimo possível deles maximizando o tamanho dos vãos livres Essa seria uma ótima alternativa se não fosse pelo alto custo de implantação desses sistemas estruturais avançados Devemos lembrar que as edifica ções hospitalares são frequentemente construídas com verba pública e por isso devem visar ao menor custo possível Portanto a economia é o que geralmente norteia a definição da modulação estrutural e todos os outros aspectos do EAS Exemplificando A modulação estrutural é realizada com base em uma malha ortogonal A Portaria 400BSB de 6 de dezembro de 1977 que antecedeu a legis lação vigente afirmava que a modulação mais adequada para as edifica ções hospitalares é de 120 metro x 120 metro Essa malha tem funda 133 mentação nas medidas antropológicas que defendem que a largura média do corpo humano é de 60 cm No entanto ao considerarmos que essa malha é medida eixo a eixo a dimensão livre ficaria menor com a subtração das espessuras dos elementos construídos ocasionando ambientes muito pequenos A partir disso convencionouse a adoção de múltiplos e submúltiplos dessa malha A adoção do submúltiplo de 30 cm se mostrou eficiente na padronização do edifício permitindo sua utilização para a distribuição tanto do sistema estrutural quanto dos elementos verticais como peitoris corrimãos pédireito e vergas de portas e janelas Com base nisso a trama quadrada de 720 metros x 720 metros Figura 38 se mostra eficiente e foi bastante utilizada especialmente no conti nente europeu praticamente se transformando em um padrão para as construções hospitalares MIQUELIN 1992 GÓES 2004 Figura 38 Exemplo de modulação estrutural Fonte elaborada pela autora Em relação à implantação de um edifício hospitalar 60 do custo corresponde à construção os espaços e os 40 restantes correspondem às instalações os equipamentos utilizados MASCARÓ 1985 O custo de construção pode ser dividido ainda em planos horizontais 26 e planos verticais 34 Quando dividimos o custo total da obra de acordo com os elementos construídos vemos que a maior parte dos gastos nos planos horizontais é da estrutura resistente Quadro 33 o que justifica a sua neces sidade de ser econômica Já nos planos verticais a maior parte dos gastos acontece nos produtos de acabamento e esquadrias 134 Quadro 32 Participação dos planos horizontal e vertical nos custos da construção Elemento construtivo Participação no custo total PLANOS HORIZONTAIS Estrutura resistente 65 a 75 Contrapiso 3 a 6 Piso 15 a 30 Total 100 PLANOS VERTICAIS Alvenaria isolamento e pilares estruturais 25 a 35 Acabamentos verticais rebocos pintura e azulejos 30 a 40 Caixilharia e esquadrias internas e externas 30 a 40 Total 100 Fonte Mascaró 1985 p 26 Em se tratando de planos verticais a estrutura resistente tem pouca influ ência sobre o custo Nesse caso os elementos de acabamento como reboco de paredes revestimentos cerâmicos e pinturas representam gastos mais elevados ficando entre 9 e 22 do custo total da obra MASCARÓ 1985 Para economizar nesses elementos podemos destacar duas medidas I Adoção de alvenaria de alta qualidade com blocos ou tijolos regulares diminuindo os custos com emboços espessos II Redução da aplicação de revestimentos cerâmicos para as regiões necessárias com alturas de 150 metro e utilização de pintura impermeável no restante Quando se trata de instalações o custo deve ser mais elevado no momento de sua implantação visando à redução do custo de manutenção que se mostra um dos critérios que mais prejudicam a longevidade do estabe lecimento uma vez que os custos com manutenção das instalações chegam a 70 MASCARÓ 1985 A forma da edificação também influencia nos custos da obra Volumetrias mais compactas como o círculo e o quadrado são mais baratas quando comparadas com formas alongadas retangulares pois solicitam uma quantidade menor de paredes No entanto devido à dificuldade de execução e problemas práticos relacionados às formas redondas recomendase partir da forma quadrada para a composição das construções MASCARÓ 1985 Para avaliar a volumetria da construção existe o índice de compacidade que relaciona as paredes que envolvem um edifício e sua superfície horizontal GÓES 2004 A Equação 31 pode ser expressa como 135 2 100 A Ic P p 31 Onde Ic índice de compacidade A área da superfície P perímetro da superfície O círculo é a forma que apresenta o índice de compacidade Ic igual a 100 O quadrado apresenta um Ic de 885 As formas com índices superiores a 885 são aquelas com partes curvas ou com ângulos maiores que 90 entre as paredes de caráter antieconômico Portanto quanto mais próximo de 885 sem no entanto ultrapassar essa marca mais econômico será o custo de construção e menores serão as perdas e os ganhos térmicos indesejáveis o que consequentemente diminuirá os custos de manutenção MASCARÓ 1985 GÓES 2004 Pesquise mais A altura das edificações também pode influenciar no custo da obra Projetar um edifício com mais pavimentos implica aumentar o custo da estrutura resistente com elevadores das fachadas das instalações em geral da duração da obra e do insumo de mão de obra Leia o Capítulo V do livro O Custo das Decisões Arquitetônicas no Projeto de Hospitais da página 48 a 57 de Juan Luiz Mascaró para saber mais sobre a verticalização na arquitetura hospitalar BRASIL Ministério da Saúde O custo das decisões arquitetônicas no projeto de hospitais Série Saúde Tecnologia Textos de apoio à programação física dos estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília 1995 O índice de compacidade pode ser aplicado até mesmo aos comparti mentos do EAS O setor de internação é o que demanda maior área no EAS GÓES 2004 e corresponde à hotelaria hospitalar As circulações horizon tais corredores desse setor são geralmente estreitas e compridas o que causa a perda de compacidade MASCARÓ 1985 Para melhorar o fator econômico dos corredores é possível que em um primeiro momento alguém pense em reduzir sua largura reduzindo conse quentemente a área e o custo No entanto essa medida diminuiria ainda mais seu índice de compacidade o que se mostra ineficiente Nesse caso a medida mais adequada para reduzir custos seria eliminar os planos verticais 136 a partir da utilização do mesmo corredor para um número maior de quartos Assim criamse duas categorias de circulação os corredores simplesmente carregados ou duplamente carregados GÓES 2004 Os corredores simples mente carregados Figura 39a são aqueles que possuem quartos ou enfer marias em apenas um lado enquanto os duplamente carregados Figura 39b apresentam ambientes nos dois lados e consequentemente têm seu custo amortizado Figura 39 Exemplo de corredor simplesmente carregado e duplamente carregado Fonte Brasil 1995 p 57 Com relação às circulações verticais é possível realizálas por meio de escadas rampas ou elevadores As escadas devem ser calculadas de acordo com o pédireito da edificação com o cuidado de não criar degraus altos demais A fórmula de Blondel indica o dimensionamento do espelho e do piso para que a escada seja utilizada com conforto e segurança A Equação 32 pode ser expressa como 63 2 64 E P 32 Onde E altura do espelho P largura do piso Já as rampas devem atender às normas da NBR 9050 ABNT 2015 que aborda a acessibilidade A norma aponta quais são as inclinações máximas permitidas de acordo com a altura a ser transposta Por fim o elevador é 137 uma forma mecanizada de realizar a circulação vertical No entanto devese observar que o uso de elevadores aumenta consideravelmente o custo da edificação tanto de construção como de manutenção Segundo Mascaró 1985 os edifícios com elevadores só serão econômicos se tiverem entre 6 e 8 pavimentos Assim buscando minimizar o impacto da circulação vertical nos custos da construção os ambientes devem ser setorizados de forma a manter aqueles de menor frequência de pessoas nos andares mais altos e os de maior trânsito no andar térreo MASCARÓ 1985 Além disso quanto mais concentrados estiverem os núcleos de circulação vertical maiores serão os corredores da circulação horizontal MASCARÓ 1985 Ainda sobre a circulação em ambientes com estacionamentos e garagens devemos considerar o espaço necessário para manobra dos carros e ambulân cias O dimensionamento das vagas deve atender ao código de obras do município além da NBR 9050 ABNT 2015 que determina a quantidade de vagas destinadas a portadores de necessidades especiais A modulação estrutural apresenta especial importância quando as garagens estão posicio nadas no subsolo da edificação por exemplo onde há a influência de pilares e outros elementos estruturais da construção Também não se pode esquecer que existem restrições para a utilização dos corredores de pacientes de funcionários de material contaminado etc Assim o posicionamento e dimensionamento adequado das circulações são fatores que contribuem para a eficiência dos serviços prestados e para a economia de recursos Um dos setores hospitalares que mais demandam área inclusive dos espaços de circulação são as alas de internação conhecidas também como hotelaria hospitalar Um dos principais fatores a serem observados nesse setor está relacionado com a tipologia da enfermaria ou do quarto Existem quatro tipologias básicas de padrões dos quartos Figura 310 utilizadas tanto em hotéis quanto em hospitais Figura 310 Tipologias de quartosenfermarias Fonte Góes 2004 p 7273 138 Estudos mostram que a Tipologia A é a mais eficiente GÓES 2004 devido a fatores como maior área para iluminação e ventilação natural maior isolamento dos pacientes menor ruído vindo da circulação limpeza dos sanitários sem causar incômodo ao paciente manutenção das instala ções facilitada pelo acesso ao shaft e redução do perímetro ocasionando um índice de compacidade maior Figura 311 Figura 311 Modelo padrão de quarto com Tipologia A do Hospital Albert Einstein São Paulo Fonte Góes 2004 p 78 Reflita Apesar de essa tipologia ser utilizada tanto em hotéis como em hospi tais existe um fator que diferencia o serviço oferecido por essas instituições Enquanto os clientes do hotel visam única e exclusiva mente ao conforto de uma hospedagem os clientes do hospital no caso os pacientes estão vulneráveis pois se encontram debilitados em processo de tratamento de uma doença ou com medo do proce dimento pelo qual vão passar uma cirurgia ou um trabalho de parto por exemplo Nesse caso o hospital deve apresentar um cuidado ainda maior no tratamento de seus clientes A hotelaria hospitalar tem utilizado cada vez mais novos programas para eliminar o aspecto negativo e amedrontador das internações Esse processo de humanização ocorre com a construção de ambientes lúdicos que propor cionem novas experiências ao paciente como praças de alimentação parques 139 com atividades ao ar livre galerias de arte e pequenos teatros No entanto a adoção desses critérios encarece ainda mais a construção e depende muitas vezes de recursos privados para sua execução GÓES 2004 A incorporação de tecnologias de sistemas de informação ao funciona mento do EAS também se apresenta como um aspecto de incremento de qualidade aos espaços hospitalares Um edifício de alta tecnologia utiliza as tecnologias de informação integradas a uma rede de comunicação e controladas por meio de computadores para o melhor gerenciamento das instalações e infraestruturas tornandoas mais seguras e com menos falhas MARINELLI CAMARGO 2004 Esse sistema visa à identificação de pontos defeituosos ou ineficientes das instalações prediais tornando sua manutenção mais ágil e reduzindo seu custo de funcionamento proporcio nando maior economia de recursos Ainda que a incorporação de tecnologias tenha um custo de implan tação maior sua instalação é justificada por vantagens como vigilância do prédio por uma única pessoa por turno diminuição do número de funcio nários para a manutenção melhor manutenção das instalações economia de energia detecção imediata de avarias maior conforto ambiental maior eficiência na resposta a alarmes e análise rápida de rendimentos por meio de relatórios emitidos pelo sistema CASTRO NETO 1994 Assim encerramos mais um assunto sobre a arquitetura hospitalar Os conceitos apresentados nesta seção visam à otimização dos recursos dispo níveis para a execução do EAS Com todas as informações obtidas até aqui você está apto para projetar um edifício hospitalar eficiente sem compro meter a qualidade dos espaços e o conforto ambiental Sem medo de errar Você se lembra que o escritório em que você trabalha está participando de um concurso público para o projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde UBS de um bairro novo na sua cidade Sua equipe está desen volvendo uma proposta e chegou o momento de determinar a estrutura da edificação Você deve pesquisar sobre os sistemas estruturais disponíveis na região onde será implantada a UBS incluindo mão de obra especializada e selecionar aquele que mais se adeque às exigências econômicas e volumé tricas do edifício A partir disso você deve identificar a dimensão de seus componentes vigas pilares e lajes espessuras distanciamento máximo entre outras propriedades que condicionam a modulação estrutural Depois de identifi cados os elementos comece a traçar a malha estrutural de acordo com o 140 plano de massas que você já desenvolveu A estrutura deve ser compatível com a volumetria criada ou então a volumetria deve ser ajustada ao sistema estrutural escolhido Lembrese de que a modulação deve ser a mesma e alinhada em todos os pavimentos se for o caso Com a modulação ajustada posicione os componentes da estrutura de acordo com as dimensões encontradas em sua pesquisa Por exemplo em uma estrutura de concreto armado os pilares possuem normalmente 20 cm x 30 cm enquanto as vigas acompanham sua largura 20 cm e possuem altura variável de acordo com o vão livre normalmente estando entre 30 cm e 60 cm se considerarmos um vão livre de 720 m Figura 312 É claro que essas medidas vão variar de acordo com o porte do edifício e as cargas atuantes sobre a estrutura mas quem vai fazer o cálculo mais preciso é o engenheiro civil A fim de elaborar um prédimensionamento estrutural podemos utilizar esses valores Figura 312 Prédimensionamento de estrutura em concreto armado Fonte elaborada pela autora Você deve elaborar a planta baixa de todos os pavimentos dois cortes um transversal e um longitudinal e pelo menos uma perspectiva da estru tura da edificação Utilize pranchas tamanho A3 e a escala 1100 para todos os desenhos técnicos Faça a diagramação e incorpore as informações da estrutura nas pranchas que desenvolver no máximo três Anexe as folhas no memorial descritivo que será entregue no final da disciplina 141 Avançando na prática Novos programas para os Estabelecimentos Assistenciais de Saúde Os hospitais são espaços que recebem pessoas que estão vulneráveis e fragilizadas por causa de sua condição de saúde Para tornar a experiência do paciente mais agradável com menos medo e sem a sensação de frieza e impessoalidade os Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS podem apropriarse de espaços lúdicos que deixam o ambiente mais humanizado Você deve incorporar ao menos um desses espaços ao projeto da Unidade Básica de Saúde UBS que seu escritório está desenvolvendo Uma vez que o EAS será construído e mantido com verbas públicas e considerando que o governo sempre preza pela economia você deve planejar uma ótima apresentação capaz de convencer os gestores da importância da implantação do espaço escolhido ao programa da UBS Resolução da situaçãoproblema Escolha ao menos um ambiente que será responsável por transformar a vivência do paciente dos visitantes acompanhantes e até dos funcionários do hospital em uma experiência alegre agradável despreocupada e que aumente o bemestar dos usuários A partir daí elenque todos os benefícios e as vanta gens da incorporação desse ambiente ao programa da UBS enfatizando os conceitos que você acredita serem relevantes para a comissão julgadora do concurso público que avaliará o projeto Você deve utilizar argumentos capazes de persuadir os gestores municipais que estão pensando principal mente na economia de recursos de construção e manutenção da obra Elabore sua apresentação em pranchas tamanho A3 no máximo três com diagramação que chame a atenção dos gestores e os envolva de forma positiva Você pode utilizar softwares de design gráfico para deixála mais atrativa caso tenha mais familiaridade com essa forma de trabalhar Por fim anexe as pranchas no memorial descritivo que será entregue ao final da disciplina 142 Faça valer a pena 1 A modulação estrutural consiste em uma malha ortogonal em que são posicionados os componentes da estrutura resistente Os componentes são compreendidos por pilares vigas e lajes que podem ser confeccionados em diversos materiais Entre eles o mais utilizado é o concreto armado devido ao seu custo reduzido e à facilidade de obtenção de matériaprima e mão de obra A modulação que se mostrou a mais eficiente na arquitetura hospitalar é a de 720 m x 720 m Com base nas informações apresentadas assinale a alternativa correta a A modulação de 720 m x 720 m se mostra a mais eficiente porque o concreto armado só consegue suportar vãos livres com essa dimensão b A modulação descrita só é válida para as estruturas metálicas visto que as estruturas em concreto armado conseguem atingir vãos livres de até 12 m c A modulação de 720 m x 720 m foi adotada com base no módulo mínimo de 120 m x 120 m originado das medidas antropológicas do corpo humano d A modulação independe do tipo de estrutura utilizado pois todos os materiais possuem a mesma capacidade de resistência divergindo apenas em seu caráter estético e de execução e A modulação deve levar em consideração apenas o tamanho dos ambientes e não o tipo de estrutura utilizado 2 A tipologia em hotelaria hospitalar consiste no modelo padrão de quartos e enfermarias utilizados pelo Estabelecimento Assistencial de Saúde Góes 2004 identificou quatro tipologias básicas A Tipologia B está apresentada na figura a seguir 143 Figura Tipologia B para hotelaria hospitalar Fonte Góes 2004 p 72 Com base nas características dessa tipologia classifique as afirmativas a seguir como verdadeiras V ou falsas F A Tipologia B apresenta maior índice de compacidade A limpeza do sanitário dos quartos com a Tipologia B causa incômodo nos pacientes Nos quartos da Tipologia B o ruído proveniente da circulação é mais intenso A Tipologia B apresenta facilidade de manutenção devido ao acesso às instalações do poço A Tipologia B leva a um menor perímetro da edificação Assinale a alternativa com a sequência correta a V V F F F b F V F F V c V V F F V d F V V F F e F F V V F 144 3 Os hospitais da Rede Sarah projetados pelo arquiteto João Filgueiras Lima adotam atualmente uma modulação básica de 125 m x 125 m Todos os elementos da construção são baseados neste módulo como os pisos prensado melamínico de 125 m x 125 m revestimentos cerâmicos com padrão de 50 cm x 50 cm paredes placas de argamassa armada de 625 cm boxes dos leitos da enfermaria 250 m e até mesmo esquadrias divisórias e mobiliários A estrutura metálica é posicionada a partir de múltiplos da modulação básica CARVALHO TAVARES 2002 Com base no texto apresentado avalie as afirmativas a seguir I A modulação confere agilidade à obra a partir da diminuição da diversidade de tamanhos dos revestimentos uma vez que estarão adaptados ao projeto executivo o que facilita a execução dos compo nentes II A compatibilização dos projetos complementares estrutural hidros sanitário e elétrico é facilitada pela adoção de uma modulação padrão para os elementos que compõem a edificação III A modulação utilizada nas obras da Rede Sarah não segue o padrão mais conhecido que utiliza como base as medidas antropométricas o que não afeta de forma negativa a eficiência do projeto Assinale a alternativa que contém as afirmativas corretas a As afirmativas I II e III estão corretas b Apenas as afirmativas I e II estão corretas c Apenas as afirmativas I e III estão corretas d Apenas as afirmativas II e III estão corretas e Apenas a afirmativa I está correta 145 Seção 3 Desenhos técnicos Diálogo aberto Caro aluno chegou o momento de apresentar uma solução arquitetônica Iniciamos a concepção projetual no mundo dos conceitos regidos pela criatividade e passamos para o desenvolvimento prático a partir da raciona lização das ideias Agora estamos no ápice da proposta de projeto momento em que devemos transformar todos os elementos e aspectos idealizados em uma forma física concreta que será apresentada por meio de desenhos técnicos Os desenhos técnicos permitem que as ideias abstratas idealizadas pelo arquiteto possam ser entendidas não só pelo cliente mas também por outros profissionais envolvidos na construção como engenheiros eletri cistas encanadores etc Para que isso seja possível existem normas que visam à padronização dos desenhos facilitando a compreensão Você foi contratado por um escritório de arquitetura especializado em projetos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS e a equipe da qual você faz parte vai participar de um concurso público para um projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade onde mora Neste momento o projeto já foi praticamente todo conce bido desde a sua estrutura até os objetos utilizados dentro dos ambientes O que falta é transferir suas ideias para o papel de maneira clara precisa e organizada Assim a sua tarefa é elaborar todos os desenhos referentes ao projeto Você sabe quais são eles Quais são as normas que regem a represen tação gráfica de um projeto arquitetônico Quantos desenhos são necessários para o entendimento do projeto Como você organizará as ideias para que a proposta arquitetônica seja coerente Nesta seção veremos como os desenhos técnicos devem ser elaborados e quais são as representações gráficas necessárias para a compreensão do projeto Além disso verificaremos as etapas de apresentação de projeto cada qual com suas particularidades e características Não pode faltar Os projetos de arquitetura são representados graficamente por meio de desenhos que podem ter caráter técnico ou artístico Os desenhos técnicos são regidos por normas e apresentam todos os detalhes para que o projeto seja executado corretamente São utilizados também para a aprovação do 146 projeto junto aos órgãos governamentais e nos canteiros de obras para a construção Já os desenhos artísticos possuem uma forma de apresentação menos rígida o que possibilita o uso de cores e texturas para enriquecer a representação gráfica Esse tipo de representação normalmente é utilizado em apresentação do projeto para clientes vendas imobiliárias e outros meios em que a finalidade do desenho não é a execução do projeto Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT e os dese nhos técnicos em arquitetura Em se tratando de desenhos técnicos em arquitetura a Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT determina as regras que regem a sua confecção desde o tamanho da folha utilizada NBR 100681987 até o tipo e a largura das linhas do desenho NBR 84031984 A norma NBR 64921994 detalha a representação de projetos de arquitetura descrevendo e quali ficando os desenhos projetivos utilizados para a apresentação da proposta arquitetônica São eles planta de situação implantação planta de edificação cortes elevações fachada e detalhes Cada um deles exige elementos especí ficos como cotas indicação de áreas norte geográfico entre outros A planta de situação abrange uma área maior do empreendimento onde são representados uma vista superior simplificada da edificação as divisas do lote o contorno da quadra as ruas lindeiras os acessos ao terreno o relevo e a orientação norte MONTENEGRO 1978 Ela compreende o partido arquitetônico em seus múltiplos aspectos portanto é composta pelas vias e quadras do entorno além de informações como o gabarito das edificações ou pontos de interesse da região edificações ou elementos importantes Para a aprovação do projeto nos órgãos oficiais a planta de situação deve conter todas as informações referentes à localização do terreno ABNT 1994 A implantação também chamada de planta de locação é aquela que representa o projeto como um todo ABNT 1994 Ela é composta pelo desenho da cobertura da edificação além de apresentar informações dos projetos complementares como movimentação de terra redes hidráulicas elétricas e de drenagem O objetivo desse desenho é locar a construção no terreno e mostrar como devem ser feitas as ligações com as redes públicas de esgoto e abastecimento de água por exemplo Portanto as cotas gerais da construção e aquelas que conectam a edificação com o terreno são muito importantes De acordo com Montenegro 1978 na implantação devem constar também muros portões árvores calçada ou passeio e caso seja necessário construções vizinhas Além disso outras informações como o norte geográfico e as áreas permeáveis devem estar presentes 147 A planta de edificação ou simplesmente planta baixa Figura 313 é a vista superior da construção a partir de um plano de corte traçado horizontalmente a uma altura de aproximadamente 150 metros do piso MONTENEGRO 1978 Os pavimentos da edificação devem ser represen tados individualmente em um desenho próprio onde são indicados a locali zação das paredes as aberturas e outros elementos construídos A planta baixa é um dos desenhos que mais apresentam diversificações pois ela pode ser utilizada para representar diferentes projetos arquite tônico de interiores hidráulico elétrico estrutural etc Por exemplo é possível citar Planta de layout indica a posição dos móveis Planta de instalações hidrossanitárias indica as tubulações de esgoto e abastecimento de água Planta de pontos elétricos indica as tomadas luminárias e outros elementos elétricos As plantas devem ser cotadas de acordo com o que está representado Figura 313 Projeção de uma planta baixa Fonte Shutterstock 148 Os cortes são vistas de um plano secante vertical que divide a edificação em duas partes como se estivesse cortada ao meio Os cortes são necessá rios para mostrar os ambientes internos com maior nível de detalhamento MONTENEGRO 1978 Assim a disposição dos planos de corte deve ser determinada de forma que o desenho mostre o máximo possível de detalhes construtivos Os órgãos públicos responsáveis pela aprovação do projeto podem deter minar algum critério para o posicionamento dos cortes por exemplo sob a circulação vertical ou em áreas que apresentam revestimentos cerâmicos impermeáveis como banheiros e cozinhas Normalmente são apresentados pelo menos um corte no sentido longitudinal e outro no sentido transversal O corte longitudinal é aquele traçado no sentido de maior comprimento da edificação enquanto o transversal é traçado no sentido de menor compri mento A determinação do sentido é dificultada em casos em que a edificação é quadrada portanto é importante ter dois cortes perpendiculares entre si MONTENEGRO 1978 É necessário ressaltar que nos cortes as cotas verticais são fundamentais para identificar as alturas internas e externas da construção Figura 314 Figura 314 Esquema de um corte Fonte Shutterstock As elevações são vistas de planos ou elementos construídos Diferentemente dos cortes em que os elementos são seccionados as elevações mostram as faces da edificação referentes a cada um dos lados do objeto Por isso são divididas em elevação frontal posterior e laterais direita e esquerda As fachadas Figura 315 nada mais são do que as elevações das faces externas da edificação Esses desenhos são mais utilizados para a identificação 149 dos materiais e sua locação na construção Portanto dependendo da situação as cotas podem ser dispensáveis As informações nesse caso devem ser apresentadas em forma de hachuras com legendas que as relacionem ao material especificado Figura 315 Exemplo de elevações Fonte Shutterstock Por fim os detalhes construtivos são desenhos que mostram uma quanti dade maior de informações de um elemento da edificação normalmente em escalas ampliadas que facilitam a sua compreensão Os detalhes servem para mostrar o encaixe de objetos a composição interna de elementos o funcionamento de peças que foram confeccionadas exclusivamente para a edificação etc Eles devem apresentar cotas anotações hachuras e todos os aspectos que garantam que o objeto seja compreendido de forma clara para que sua construção seja possível Exemplificando Um detalhe construtivo deve ser elaborado nos casos em que o elemento representado exige maior nível de detalhamento para sua correta execução Por exemplo em um projeto arquitetônico sempre é necessário detalhar a escada A Figura 316 mostra um exemplo do detalhamento de uma escada 150 Figura 316 Detalhe construtivo de uma escada Fonte Shutterstock Todos os tipos de desenhos mencionados são projetivos ou seja são confec cionados a partir da projeção de um objeto nesse caso uma construção em um plano a folha de papel Podemos incluir ainda outro tipo de desenho denominado não projetivo em que estão inclusos os diagramas as perspec tivas os diagramas esquemas fluxogramas entre outros Exemplificando Os desenhos não projetivos são utilizados com finalidades diversas Por exemplo as perspectivas facilitam a compreensão da construção de forma global a partir de uma representação em três dimensões enquanto os diagramas são usados para explanar processos Documentações que podem acompanhar o projeto arquitetônico Além dos desenhos outros documentos podem ser incluídos ao projeto visando facilitar a compreensão e ampliar o detalhamento do projeto como o memorial justificativo a discriminação técnica a especificação e lista de materiais a orçamentação e o cronograma O memorial justificativo é o documento que apresenta o partido arqui tetônico e todas as soluções adotadas pelo profissional buscando atender 151 às exigências físicas do terreno e técnicas determinadas pelo programa de necessidades A discriminação técnica ou memorial descritivo é um texto que descreve todo o projeto de forma precisa completa e ordenada indicando os materiais utilizados em cada local bem como as características e exigências técnicas para sua aplicação A especificação e lista de materiais consiste no levantamento quantita tivo de todos os materiais especificados no projeto inclusive com indicação de fornecedores que pode ser utilizada como base para a criação de um orçamento do projeto O orçamento deve prever não só os materiais mas também a mão de obra os serviços e outras taxas referentes ao projeto eou à construção Assimile Para cada etapa do projeto são requisitados desenhos e documentos específicos A NBR 64921994 dá algumas recomendações porém os órgãos municipais são os responsáveis por determinar quais desenhos serão exigidos A prefeitura municipal pode exigir documentos diferentes daqueles exigidos pela vigilância sanitária por exemplo Etapas do projeto arquitetônico e seus desenhos É importante ter consciência de que cada etapa do projeto arquitetônico é desenvolvida em paralelo com um tipo de desenho que a representa No estudo preliminar por exemplo são desenvolvidas as primeiras ideias a partir do levantamento de dados do terreno da determinação do programa de necessidades e da elaboração de uma Matriz CDP condicio nantes deficiências e potencialidades Essa fase resulta na criação do partido arquitetônico A finalidade da representação gráfica no estudo preliminar é de cunho explicativo visando à exposição do conceito e das soluções ideali zadas pelo arquiteto Portanto os desenhos mais utilizados são do tipo não projetivo podendo valerse de diagramas esquemas e fluxogramas para a apresentação do estudo Alguns desenhos também podem ser desenvolvidos visando à organização das ideias Nesse caso grande parte dos desenhos é feita à mão livre também chamados de croqui Figura 317 Desenhar à mão livre incentiva o processo criativo uma vez que o profissional pode explorar toda sua capacidade intelectual sem se limitar ao funcionamento racional dos softwares de desenho Os programas computacionais podem ser utili zados ao final do estudo visando apenas melhorar a representação gráfica do projeto No entanto um croqui bem elaborado dispensa o uso da tecnologia 152 Figura 317 Exemplo de estudo preliminar feito com croqui Fonte Shutterstock O anteprojeto compreende a etapa em que é proposta a solução arqui tetônica ou seja etapa em que as ideias adquirem forma e são desenvol vidas de maneira completa É importante que o projeto arquitetônico seja concebido pensando na compatibilização com os projetos complementares como o estrutural hidrossanitário elétrico e de prevenção de incêndio Estes não precisam estar detalhados mas sua solução deve estar alinhada com os elementos construtivos já formalizados Nessa etapa o projeto é apresentado ao cliente Portanto é interessante que os desenhos tenham caráter artístico para garantir que o projeto seja compreendido facilmente e causem o encantamento do cliente Enquanto os desenhos técnicos realçam os elementos construídos paredes aberturas e coberturas representados apenas por linhas de diferentes espessuras e cores para diferenciar elementos os quais devem estar devidamente legen dados os desenhos humanizados recebem a inserção de elementos gráficos humanizadores layout vegetação e figura humana ELALI et al 2009 Essa categoria de desenho também é conhecida como planta comer cial MORAIS 2008 e tem a intenção de valorizar a ambientação e a utili zação da edificação ou seja dos elementos que compõem os espaços Assimile De acordo com Morais 2008 os desenhos humanizados são um tipo de representação que passa a ter a responsabilidade de registrar avaliar e comunicar o conteúdo além de antecipar o espaço construído MORAIS 2008 p 12 153 Nos desenhos humanizados Figura 318 os elementos de destaque são os objetos e os materiais utilizados na elaboração do projeto Veja o exemplo ilustrado a seguir Figura 318 Exemplo de planta baixa humanizada Fonte Shutterstock Na etapa de anteprojeto os desenhos podem ser confeccionados à mão ou utilizando recursos computacionais Porém independentemente da forma como serão produzidos eles devem atender às mesmas normativas determi nadas pela ABNT No caso dos desenhos humanizados algumas informa ções podem ser simplificadas como no caso das cotas em que as linhas de chamada podem ser suprimidas Nos desenhos feitos à mão são utilizados vários instrumentos para garantir sua precisão como escalímetros esquadros lapiseiras ou canetas com espessuras diferentes régua paralela compasso entre outros Para os desenhos artísticos também são utilizados lápis de cor e canetas hidrocor Já nos desenhos computacionais o único equipamento é um computador com o software desejado O projeto legal é desenvolvido depois da aprovação do anteprojeto pelo cliente Nessa etapa do projeto são requisitados os desenhos técnicos referentes ao 154 projeto de acordo com as exigências dos órgãos competentes Normalmente os desenhos solicitados são planta de situação implantação plantas baixas cortes e fachadas além da documentação necessária O profissional deve consultar a instituição que fará a aprovação do projeto para saber exatamente o que é neces sário nesse processo Já existem prefeituras adaptadas às tecnologias da infor mação que realizam a aprovação dos projetos digitalmente por isso nessa etapa é mais comum a execução dos desenhos com o uso de softwares gráficos Reflita Em vários concursos públicos de projetos de arquitetura o cliente é a própria prefeitura Nesse caso o profissional deve apresentar sua proposta na forma de anteprojeto ou de projeto legal O projeto executivo se configura como a última etapa projetual antes do início das obras Ele está encarregado de fornecer todas as informações necessárias para a execução da obra e por isso deve ser claro preciso e completo Nessa etapa todos os desenhos e documentos são solicitados como implantação plantas baixas Figura 319 cortes fachadas detalhamentos discriminação técnica especifica ções e lista de materiais Devido à complexidade dos desenhos a confecção é feita com o uso de computadores e eles são impressos para utilização no local da obra Figura 319 Exemplo de planta baixa de projeto executivo Fonte iStock 155 Encerramos esta seção sobre os desenhos em arquitetura Uma edificação só pode ser materializada a partir dos desenhos técnicos que representam a formalização das ideias concebidas pelo profissional Sem medo de errar Você faz parte da equipe de um escritório de arquitetura especializado em projetos hospitalares que vai participar de um concurso público para o projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade onde mora A equipe está trabalhando nos arquivos do projeto e você ficou encarregado de confeccionar os desenhos do anteprojeto que serão usados na apresentação da proposta à banca examinadora do concurso Você deve elaborar os desenhos das plantas baixas elevações cortes implan tação e detalhes construtivos Lembrese de que os desenhos devem permitir que o projeto seja compreendido de forma simples portanto as informações da prancha devem estar organizadas em uma diagramação e alguns desenhos devem ser humanizados O escritório possui a licença de softwares que podem ser utilizados para a elaboração dos desenhos Comece transpondo seu plano de massas e a estrutura da UBS para o programa AutoCAD e então desenvolva as plantas baixas cortes elevações implantação e detalhamentos As anotações podem ser adicionadas posteriormente no momento de humanização dos desenhos mas as cotas devem ser incluídas no AutoCAD visando agilizar o processo Terminados os desenhos inicie a humanização daqueles que achar mais importantes Você pode adicionar os preenchimentos nos objetos para que os desenhos fiquem coloridos É interessante determinar uma cartela de cores para que o desenho fique harmônico Procure referências para estimular a criatividade durante a elaboração dos desenhos Uma dica é pesquisar em um site de concursos o resultado das competições passadas Ao concluir faça a impressão dos desenhos para conferir o resultado e verificar a necessidade de alterações na espessura das linhas nas cores ou em outros detalhes que você julgar pertinente para a melhoria da apresentação do projeto Essas impressões devem ser anexadas ao memorial descritivo do projeto ao final da disciplina 156 Avançando na prática O croqui como parte da apresentação do projeto Um casal foi até seu escritório para solicitar o projeto de interiores da sala de estar do apartamento que alugaram para morar Ana disse que quer uma mobília moderna e várias plantas para decorar o ambiente enquanto João quer um sofá grande e confortável Ambos expuseram necessidades e desejos e você combinou um novo encontro dentro de um mês para apresentar o projeto Porém três dias antes da reunião seu computador de trabalho quebrou e você perdeu os arquivos da sala de estar cujo projeto já estava finalizado O conserto do computador não ficará pronto a tempo mas você não pode adiar a reunião pois o casal está com a viagem de lua de mel marcada e só voltará depois de três semanas período em que a mãe de Ana ficará com as chaves do apartamento para dar andamento à reforma O que você faria nesse caso Resolução da situaçãoproblema O profissional que pratica sua habilidade de desenho não se limita à utilização de equipamentos mais complexos como é o caso de programas computadorizados A tecnologia pode ajudar muito o trabalho do profis sional mas é um erro confiar demais em uma máquina que pode apresentar falhas Assim o desenho à mão pode ser uma solução para casos em que a tecnologia não pode ser utilizada ou até mesmo para expor ideias aos clientes ou a outros profissionais de forma rápida sem depender dos processos utili zados por softwares de arquitetura Portanto você pode resgatar seus instru mentos de desenho arquitetônico réguatê esquadros lapiseiras e montar sua apresentação com desenhos arquitetônicos feitos à mão complementan doos com croquis à mão livre Faça valer a pena 1 A planta baixa é um dos primeiros desenhos técnicos desenvolvidos pelo profissional da arquitetura na confecção do anteprojeto De acordo com o tipo de projeto a planta baixa pode conter informações diferentes Associe a coluna A que contém os tipos de projetos com a coluna B que indica os elementos realçados em cada uma das plantas correspondentes 157 COLUNA A COLUNA B 1 Projeto arquitetônico I Tubulações de esgoto e abastecimento de água 2 Projeto de interiores II Estrutura resistente 3 Projeto estrutural III Elementos construídos 4 Projeto hidrossanitário IV Tomadas iluminação e quadros de energia 5 Projeto elétrico V Mobiliários e decoração Assinale a alternativa que apresenta a associação correta entre as colunas a 1I 2II 3III 4V 5IV b 1III 2V 3II 4I 5IV c 1V 2III 3II 4IV 5V d 1IV 2II 3V 4III 5I e 1II 2IV 3III 4I 5V 2 O projeto executivo é a última etapa do processo de projeto Ele envolve a criação de desenhos técnicos e deve conter os detalhamentos necessários para que o projeto seja executado sem complicações É confeccionado em pranchas que serão utilizadas no canteiro de obras pelos profissionais execu tores como o arquiteto ou engenheiro responsável pela execução da obra os pedreiros pintores encanadores e eletricistas Acerca do projeto executivo assinale a alternativa correta a Um projeto executivo de qualidade é aquele que permite o enten dimento total de todos os elementos que compõem a construção de acordo com o tipo de projeto desenvolvido arquitetônico de interiores ou complementar b O projeto executivo é aquele que deve compatibilizar todos os projetos complementares ao arquitetônico uma vez que é a partir dele que será organizada a execução da obra cada projeto de uma vez estrutural arquitetônico hidráulico e elétrico c O projeto executivo não é necessário nos casos em que o profissional responsável pelo projeto arquitetônico vai executar o empreendi mento e estará presente diariamente no canteiro de obras para tirar as dúvidas e orientar os profissionais executores d O projeto executivo deve ser entregue na prefeitura com o nível máximo de detalhamento possível visando à aprovação da edificação pelos órgãos competentes garantindo a legalidade da construção e a qualidade da obra 158 e Um projeto executivo ideal é aquele que apresenta os desenhos proje tivos com caráter artístico garantindo a compreensão do projeto pelo cliente e outros profissionais de forma fácil e descomplicada 3 Cada vez mais os desenhos de arquitetura estão sendo elaborados com o auxílio de softwares o que deixou o desenho à mão em desuso ou até inuti lizado No entanto os desenhos elaborados artesanalmente pelo arquiteto apresentam algumas características que os tornam mais ágeis nas etapas preliminares de concepção do projeto Enquanto o profissional fica limitado à racionalidade dos programas computadorizados o desenho à mão permite uma maior liberdade e fluidez no desenho Assinale a alternativa que apresenta uma das vantagens do desenho feito à mão quando comparado aos desenhos computadorizados a Os desenhos feitos em softwares ficam suscetíveis ao funcionamento dos computadores enquanto os desenhos à mão não necessitam de nenhum tipo de instrumentos para serem realizados b Os desenhos realizados com esquadros e réguas são mais precisos que aqueles confeccionados em computadores pois não estão sujeitos a falhas de impressão c Os desenhos feitos à mão são ótimos para explicações rápidas de elementos do projeto seja para o cliente ou para outros profissionais pois é rápido de ser realizado e não necessita de impressão d Os desenhos feitos à mão possuem caráter artístico enquanto os programas são utilizados apenas para a produção de desenhos técnicos e Os desenhos computadorizados são melhores que os feitos à mão em todos os sentidos pois com a tecnologia atual é possível reproduzir o efeito de pintura e grafite obtido com os lápis dos desenhos artesanais Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 10068 folha de desenho Leiaute e dimensões Rio de Janeiro 1987 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 6492 representação de projetos de arquitetura Rio de Janeiro 1994 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 8403 aplicação de linhas em desenhos Tipos de linhas Larguras das linhas Rio de Janeiro 1984 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 9050 acessibilidade a edifica ções mobiliário espaços e equipamentos urbanos 3 ed Rio de Janeiro 2015 BRASIL Ministério da Saúde Normas para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília DFMinistério da Saúde1994 BRASIL Ministério da Saúde O custo das decisões arquitetônicas no projeto de hospitais Série Saúde Tecnologia Textos de apoio à programação física dos estabelecimentos assisten ciais de saúde Brasília 1995 Disponível em httpsbitly33H2JEJ Acesso em 20 ago 2019 BRASIL Ministério da Saúde Programação arquitetônica de unidades funcionais de saúde Volume 1 Atendimento ambulatorial e atendimento imediato Departamento de Economia da Saúde e Desenvolvimento BrasíliaDF 2011 BRASIL Ministério da Saúde Programação arquitetônica de unidades funcionais de saúde Volume 2 Internação e apoio ao diagnóstico e à terapia reabilitação Departamento de Economia da Saúde e Desenvolvimento BrasíliaDF 2013a BRASIL Ministério da Saúde Programação arquitetônica de unidades funcionais de saúde Volume 3 Apoio ao diagnóstico e à terapia imagenologia Departamento de Economia da Saúde e Desenvolvimento BrasíliaDF 2013b BRASIL Ministério da Saúde Programação arquitetônica de unidades funcionais de saúde Volume 4 Apoio ao diagnóstico e à terapia anatomia patológica hemoterapia e hematologia medicina nuclear e patologia clínica Departamento de Economia da Saúde e Desenvolvimento BrasíliaDF 2014 BRASIL Ministério da Saúde Resolução RDC no 50 de 21 de fevereiro de 2002 Dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento programação elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Agência Nacional de Vigilância Sanitária BrasílaDF 2002 BRASIL Portaria 400BSB de 6 de dezembro de 1977 Brasília DF 1977 CARVALHO A P TAVARES I Modulação no Projeto Arquitetônico de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde o caso dos Hospitais SARAH In FÓRUM DE TECNOLOGIA APLICADA À SAÚDE 3 2002 Salvador Anais Salvador Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia 2002 CASTRO NETO J S Edifício de alta tecnologia São Paulo Carthago Forte 19945 ELALI G A et al In PROJETAR 4 2009 São Paulo Anais São Paulo FauMackenzie p 112 GÓES R de Manual prático de arquitetura hospitalar São Paulo Edgard Blücher 2004 MARINELLI A CAMARGO A R O estabelecimento de saúde e o edifício de alta tecnologia In CONGRESSO NACIONAL DA ABDEH 1 SEMINÁRIO DE ENGENHARIA CLÍNICA 4 2004 LOCAL Anais Brasil Ministério da saúde 2004 Disponível em httpbvsmssaude govbrbvspublicacoesestabelecimentosaudepdf Acesso em 20 ago 2019 MASCARÓ J L O custo das decisões arquitetônicas São Paulo Nobel 1985 MIQUELIN L C Anatomia dos Edifícios Hospitalares São Paulo CEDAS 1992 MONTENEGRO G Desenho Arquitetônico São Paulo Edgard Blücher 1978 MORAES V de A Casa LP A Arca de Noé Rio de Janeiro Polygram 1980 MORAIS V R R O projeto e a imagem a interface entre representação e investigação projetual em arquitetura 2008 104 f Dissertação Mestrado em Engenharia Civil Universidade Federal Fluminense Rio de Janeiro 2008 Disponível em httpwwwposciviluffbrsitesdefaultfiles dissertacaotesedissertacaoviniciuspdf Acesso em 21 ago 2019 Unidade 4 Carolina Cardoso Desenhos e apresentação do projeto Convite ao estudo Olá aluno Nesta unidade de ensino vamos abordar a etapa avançada de desenvol vimento de um projeto arquitetônico ou seja discutiremos a fase de ajustes finais da proposta arquitetônica Você sabe quantos e quais projetos são necessários para a correta execução de uma obra Como e por que elaborar uma maquete física ou virtual da edificação Como preparar a apresen tação do projeto para a aprovação Nesta unidade denominada Desenhos e apresentação do projeto estuda remos temas como projetos complementares especificação de materiais elaboração de maquetes e preparação do projeto para as etapas de apresen tação e aprovação nos órgãos competentes Ao final desta unidade você estará apto a desenvolver desenhos específicos de alta complexidade e modelos tridimensionais do projeto Para iniciar nossas reflexões imagine que você tenha sido contratado por um escritório de arquitetura especializado em arquitetura hospitalar A cidade onde você trabalha localizada no interior do estado tem apresentado um crescimento urbano intenso e por essa razão a prefeitura inaugurou recen temente um novo loteamento Para atender às necessidades da população do novo bairro a prefeitura municipal abriu um edital para concurso público para o projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde UBS Você e sua equipe devem elaborar um projeto arquitetônico em nível de anteprojeto de um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS com capaci dade para atender entre 2400 e 4000 pacientes respeitando todos os crité rios estabelecidos pelo Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde publicado pelo Ministério da Saúde Além dessas exigências o edital do concurso exige a apresentação de um caderno com as documentações necessárias para a aprovação do projeto na Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA O projeto já está quase finalizado pela equipe Faltam apenas os detalhes finais e a apresentação Nesta unidade de ensino realizaremos o detalhamento do projeto a compatibilização com as instalações prediais a especificação de materiais e a elaboração da apresentação do projeto Na primeira seção aprenderemos a compatibilizar o projeto arquitetô nico com os projetos complementares bem como faremos a especificação dos materiais pois existem tipos de materiais específicos para a área da saúde já que é necessário priorizar uma maior higienização e consequente mente maior controle de infecção hospitalar Na segunda seção abordaremos a maquete física e virtual além de programas computacionais que auxiliam o processo de detalhamento do projeto Finalmente na terceira seção sintetizaremos todos os desenhos e as peças gráficas produzidas até o momento para elaborarmos uma apresentação de projeto que permita o entendimento das suas ideias A forma como você justifica suas propostas é decisiva tanto no momento da apresentação do projeto quanto na utilização do edifício depois de construído uma vez que soluções bem fundamentadas proporcionam melhores condições de trabalho e conforto 163 Seção 1 Detalhamento de projeto Diálogo aberto Você já parou para pensar qual é o objetivo principal de uma edificação As construções surgiram para garantir abrigo aos seres humanos os quais buscavam se proteger de intempéries e animais selvagens No entanto a função de abrigar possui outra conotação nos dias atuais já que abrigar para além de oferecer proteção e segurança significa proporcionar conforto e bemestar E para que isso seja possível o projeto arquitetônico de edifícios deve considerar os elementos que compõem a vida nas cidades onde a maior parte da população vive Retomando o contexto de aprendizagem desta unidade considere que o escritório de arquitetura onde você trabalha especializado em projetos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS vai participar de um concurso público para um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo da cidade localizada no interior do estado Você e sua equipe já finalizaram a solução arquitetônica e elaboraram todos os desenhos técnicos necessários Agora chegou o momento de compatibilizar o projeto arquite tônico com os projetos complementares elétrico hidrossanitário e de clima tização Quais aspectos o arquiteto deve observar para que as instalações e estruturas sejam executadas corretamente Como o profissional deve compa tibilizar os projetos para evitar erros e problemas Quais são os materiais mais indicados para as edificações hospitalares Nesta seção conheceremos quais são os projetos complementares neces sários para a aprovação e o detalhamento do projeto de EAS bem como as particularidades de cada um deles aplicadas ao setor de saúde Ainda veremos como a especificação de materiais pode contribuir para a higieni zação e prevenção da infecção hospitalar além de promover o bemestar dos usuários O aspecto de conforto ambiental é influenciado pela forma como foram idealizados os elementos construídos e os ambientes internos do edifício de saúde Não pode faltar Depois que os desenhos técnicos do projeto arquitetônico foram elabo rados é comum pensarmos que o trabalho do projetista está terminado mas isso não é verdade Uma construção é composta por diversos elementos e 164 instalações prediais cada qual com seu projeto específico Surgem assim os projetos complementares como o projeto estrutural elétrico de telefonia hidrossanitário de climatização segurança prevenção de incêndios etc Depois de elaborado o projeto o arquiteto deve encaminhálo aos outros profissionais que vão realizar os projetos complementares Assimile Os projetos complementares consistem na elaboração de soluções técnicas para os aspectos que integram o projeto arquitetônico como as instalações elétricas e hidrossanitárias sistemas estruturais terra planagem luminotecnia entre outros CAU 2013 Cada um desses projetos é realizado por especialistas da área No entanto cabe ao arquiteto fazer a coordenação e a compatibilização entre o projeto arquitetônico e os complementares O arquiteto pode contribuir com outros profissionais da construção civil facilitando a elaboração dos projetos complementares durante o desenvol vimento do projeto arquitetônico Para isso é necessário que ele conheça minimamente o funcionamento das instalações prediais para que consiga coordenar e compatibilizar todos os projetos da edificação Projeto de climatização Um bom projeto arquitetônico pode inclusive reduzir ou eliminar algumas instalações prediais como é o caso da climatização O Brasil é um país tropical que diferentemente dos países com clima temperado não apresenta grandes variações de temperatura durante o ano Essa caracterís tica climática confere à arquitetura brasileira uma oportunidade de utilizar iluminação e ventilação natural nas edificações diminuindo o gasto com sistemas de refrigeração Alguns ambientes dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS necessitam de condições controladas de temperatura e umidade como os centros cirúrgicos centros obstétricos Unidades de Tratamento Intensivo UTI entre outros Nesses casos o sistema de climatização é indispen sável e deve atender às normas contidas na NBR 7256 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS 2005 Os espaços assistenciais administrativos e quartos de internação por exemplo podem se beneficiar do uso de iluminação e ventilação natural e dependendo das condições climáticas da região onde o EAS será insta lado o sistema de climatização artificial pode ser eliminado Em cidades 165 onde a temperatura se mantém alta durante a maior parte do ano somente as condições naturais de ventilação não são suficientes para garantir o conforto térmico dos usuários Assim os sistemas de climatização gerais devem atender às normas da NBR 16401 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS 2008b Exemplificando Nos projetos arquitetônicos dos hospitais da rede Sarah o arquiteto João Figueiras Lima projetou uma cobertura em sheds a qual permite iluminação e ventilação natural nos edifícios Para a unidade localizada no Rio de Janeiro Figura 41 uma cidade que apresenta temperaturas altas em vários dias do ano o arquiteto pensou em um sistema que integra ventilação natural e climatização Além da cobertura em sheds característica de seus projetos o arquiteto idealizou um fechamento retrátil que permite a utilização de ar condicionado nos dias de alta temperatura Assim nos dias de temperatura amena essa segunda cobertura fica aberta mantendo a passagem da ventilação natural enquanto nos dias de muito calor a cobertura é fechada e o sistema de climatização é acionado Figura 41 Hospital Sarah Kubitschek Rio de JaneiroRJ Fonte Leonardo Finotti Disponível em httparqguiacomobrahospitalsarahlangptbr Acesso em 2 mar 2019 Os projetos complementares de instalações elétricas e hidrossanitá rias devem ser elaborados para qualquer edificação uma vez que a vida nas cidades exige energia elétrica abastecimento de água e esgotamento 166 sanitário Com os EAS isso não é diferente no entanto nesses casos existem algumas outras particularidades a serem observadas O projeto hidrossanitário consiste no projeto das instalações hidráulicas e de esgotamento sanitário Projeto hidrossanitário Instalações hidráulicas Quanto às instalações hidráulicas elas devem atender às exigências da NBR 5626 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS 1998 e da NBR 7198 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS 1993 para o abastecimento de água fria e quente respectivamente Um dos principais pontos a serem observados quanto ao abastecimento de água está relacionado ao consumo Esse cálculo deve ser realizado com base em Quantidade de quartos de internação Número de pacientes externos atendidos Quantidade de funcionários e estudantes Consumo específico de algumas atividades como hidroterapia diálise cozinha laboratório entre outros BRASIL 1994 O arquiteto precisa ter em mente que toda a água utilizada na edificação deve ser armazenada em um reservatório com capacidade de abastecimento autônomo para dois dias ou mais caso a rede pública falhe no abasteci mento As caixas dágua e cisternas ocupam determinada área no terreno e o arquiteto deve prever um local adequado para elas As caixas dágua geral mente são instaladas na cobertura da edificação onde a gravidade pode atuar na distribuição de água até os pontos determinados no projeto Lembrese de que a capacidade da caixa dágua influencia tanto em seu posicionamento uma vez que caixas dágua com capacidade maior possuem tamanho maior e consequentemente necessitam de área maior quanto em seu dimensiona mento estrutural pois quanto mais água mais peso atua sobre a estrutura No caso de cisternas elas normalmente estão no nível do solo ou subterrâ neas e necessitam de uma bomba que leve a água até o reservatório superior O arquiteto e o profissional responsável pelo projeto hidráulico devem estar alinhados para garantir que o sistema funcione corretamente e que seus elementos não prejudiquem a funcionalidade ou a estética do edifício 167 Esgotamento sanitário Com relação ao projeto de esgoto sanitário é preciso levar em conside ração a NBR 8160 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS 1999 e algumas particularidades próprias do EAS Além das tradicionais caixas de gordura e caixa de inspeção devem ser utilizadas outras caixas de separação de material de acordo com a atividade envolvida Cabe ao arqui teto saber posicionálas de forma que nenhum elemento construído interfira em seu acesso Por exemplo se houver algum piso sobre a caixa este deve ter uma tampa que permita a manutenção e a limpeza da caixa Caso o local onde será implantado o EAS tenha rede pública de esgoto todos os dejetos podem ser lançados nela Caso contrário devem ser previstos sistemas de tratamento de detritos para que eles sejam lançados em rios e lagos sem danos ao meio ambiente Projeto elétrico No projeto elétrico as normas a serem seguidas estão contidas na NBR 13534 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS 2008a Não existe um padrão de consumo uma vez que este depende do tipo de equipamento utilizado No entanto alguns cuidados devem ser tomados uma vez que alguns equipamentos eletroeletrônicos são de vital impor tância para os pacientes seja porque são utilizados em uma ação terapêutica seja porque são responsáveis pelo monitoramento dos parâmetros fisioló gicos desses pacientes É o caso das UTIs por exemplo Por conta disso as instalações elétricas devem contar com um sistema de alimentação capaz de fornecer energia mesmo em caso de falhas ou quedas superiores a 10 do valor nominal BRASIL 1994 Com base nisso foram determinadas três classes de emergência em que os ambientes são classificados de acordo com o tempo de restabelecimento da alimentação de energia BRASIL 1994 Classe 05 fonte capaz de assumir automaticamente o suprimento de energia nos casos de falha em no máximo 05 segundo e mantêla por no mínimo 1 hora Classe 15 fonte com chaveamento automático superior a 15 segundos ou manual que garante o suprimento de energia por 24 horas São alimentados por essa fonte os equipamentos eletroeletrônicos não ligados diretamente a pacientes por exemplo equipamentos de lavan deria esterilização de materiais e sistemas de descarte de resíduos 168 Classe 15 fonte de emergência que assume automaticamente o suprimento de energia quando a rede elétrica acusa queda superior a 10 do valor nominal por um período superior a 3 segundos É ativada em no máximo 15 segundos e mantém o suprimento de energia por 24 horas São alimentados por essa fonte os equipamentos eletromédicos utilizados em procedimentos cirúrgicos de susten tação da vida e aqueles integrados ao suprimento de gases Os sistemas de emergência demandam do arquiteto de forma semelhante ao caso das instalações hidrossanitárias uma conversa com o profissional responsável pelo projeto elétrico uma vez que os geradores de energia ocupam uma área considerável e são fontes de calor Ainda sobre as instalações elétricas o arquiteto deve estar atento para compatibilizar os pontos de tomada e a iluminação As tomadas devem estar distribuídas de maneira adequada no ambiente de acordo com os equipa mentos utilizados e o layout desenvolvido Não podem ser localizadas atrás de móveis e devem ficar afastadas de equipamentos que possam soltar líquidos para evitar curtocircuito A iluminação deve atender a algumas particularidades como a escolha de luminárias de teto para iluminação geral dos quartos de internação que não incomodem o paciente deitado além da disponibilização de uma arandela na parede próxima à cama para leitura O Quadro 41 sintetiza alguns aspectos a serem observados acerca dos projetos complementares de climatização instalações hidrossanitárias e elétricas Quadro 41 Características das instalações prediais de EAS Instalações de climatização Tomada de ar as tomadas de ar não podem estar próximas aos dutos de exaustão de cozinhas sanitários laboratórios centrais de gás combustí vel grupos geradores vácuo estacionamento interno e edificação bem como de outros locais onde haja emanação de agentes infecciosos ou gases nocivos estabelecendose a distância mínima de 8 metros desses locais Renovação de ar o sistema de condicionamento artificial de ar necessita de insuflamento e exaustão de ar do tipo forçado atendendo aos requisi tos quanto à localização de dutos em relação aos ventiladores pontos de exaustão do ar e tomadas do mesmo Ininterrupção do sistema para os setores que necessitam de troca de ar constante tem de ser previsto um sistema energético para atender às condições mínimas de utilização do recinto quando da falta do sistema elétrico principal com o mínimo período de interrupção 169 Instalações hidráulicas Consumo médio de água fria Paciente interno 120 Ldia Paciente externo doador e público 10 Ldia Funcionário e estudante 50 Ldia Reabilitação hidroterapia depende dos equipamentos utilizados piscina tanque de turbilhão tanque de Hubbard tanque de gelo etc Diálise 300 Ldia por cadeira Cozinha 25 Ldia Laboratórios depende do tipo de laboratório Lavanderia 35 a 40 Ldia por kg de roupa seca Observação atendimento imediato clínica obstétrica internação intensiva 6 kgleitodia Internação em clínicas médicas cirúrgicas e pediátricas 4 kg leitodia Internação em clínica especializada variável Consumo médio de água quente Higienização pacientes e funcionários 30 Lbanho a 60ºC Cozinha 12 Lrefeição a 60ºC Lavanderia 15 Lkg de roupa seca a 74ºC Instalações de esgotamento sanitário Caixas de separação de material Unidade de Nutrição e Dietética Lactário e Nutrição Enteral caixa de gordura Laboratório de bioquímica caixa de separação de material químico em atividade Laboratório para revelação de filmes e chapas caixa de separação de prata Unidade de Medicina Nuclear caixa de separação de material radio ativo Unidade de Processamento de Roupa caixa de separação de produto de lavagem Sala de gesso caixa de separação de gesso Oficina de manutenção caixa de separação de graxa Caixa de separação para os efluentes de lavadores de gás de chaminés de caldeiras 170 Instalações elétricas Tomadas Enfermaria da Unidade de Internação Geral uma tomada para equi pamento biomédico por leito isolado ou a cada dois leitos adjacentes alimentada por circuito semicrítico além de acesso à tomada para aparelho transportável de raios X distante no máximo 15 metros de cada leito Berçário uma tomada para cada quatro berços e uma tomada para cada incubadora As incubadoras são alimentadas por circuito semicrítico Área coletiva da Unidade de Internação Intensiva seis tomadas para equipamento biomédico por leito berçário ou incubadora alimen tadas por circuitos críticos além de acesso à tomada para aparelho transportável de raios X distante no máximo 15 metros de cada leito Sala de cirurgia e sala de parto três conjuntos com quatro tomadas cada em paredes distintas alimentados por circuitos críticos e toma da para aparelho transportável de raios X Iluminação dos quartos de internação e UTI Iluminação geral em posição que não incomode o paciente deitado Iluminação de cabeceira de leito na parede arandela Iluminação de exame no leito com lâmpada fluorescente Iluminação de vigília na parede a 50 cm do piso Fonte adaptado de Brasil 1994 Projeto de instalações fluidomecânicas Além dos projetos complementares mencionados os edifícios hospi talares contam com instalações fluidomecânicas vapor gás combustível oxigênio medicinal ar comprimido vácuo e óxido nitroso Esse projeto é bastante complexo e deve ser realizado por um profissional especializado No entanto o arquiteto precisa compreender ao menos o básico sobre ele para que possa compatibilizar os projetos Pesquise mais O manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assis tenciais de Saúde fornece as diretrizes para as instalações fluidomecâ nicas do edifício hospitalar No Capítulo 7 Instalações Prediais Ordiná rias e Especiais o item 3 aborda o tema Instalações Fluido Mecânicas páginas 124 a 128 BRASIL Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assisten ciais de Saúde Brasília Ministério da Saúde 1994 171 Projeto de interiores Materiais e limpeza Outro tipo de instalação que apesar de não receber essa denominação possui muita importância no desempenho do edifício são os materiais Revestimentos como peças cerâmicas porcelanatos pintura pisos vinílicos madeira entre tantos outros fazem parte da composição dos ambientes de uma edificação Os materiais escolhidos através de suas caracterís ticas físicoquímicas texturas e cores devem transmitir uma sensação de bemestar segurança e limpeza GÓES 2004 A limpeza se refere à facili dade de higienização de um material devendo ser evitados materiais porosos que acumulem poeira e outras substâncias O ideal é que as paredes sejam pintadas com tinta lavável ou tenham revestimento cerâmico no caso de banheiros cozinhas centros cirúrgicos e laboratórios Quanto aos pisos existem opções de rodapés curvos que eliminam o acúmulo de poeira e facilitam a limpeza dos cantos como no caso do piso vinílico Figura 42 Figura 42 Exemplo de rodapé curvo com piso vinílico Fonte DiPiso Disponível em httpwwwdipisocombrprodutos57suporteparacantocurvo Acesso em 3 mar 2019 Segurança Em se tratando de segurança é aconselhável evitar materiais com frestas e quinas que possam machucar o paciente Os pisos não podem ser escorre gadios e devem estar nivelados inclusive os rejuntes caso existam para que não haja trepidação do paciente que é carregado sobre uma maca ou cadeira de rodas É interessante notar que como na maior parte do tempo o paciente está deitado o teto deve receber um tratamento especial que estimule a recuperação do enfermo GÓES 2004 172 Bemestar Quando falamos de bemestar existem inúmeros fatores que podem contribuir para esse sentimento os espaços humanizados a influência da iluminação e ventilação natural e os benefícios da vegetação para a recupe ração dos doentes O bom uso de cores e texturas em um ambiente interno pode influenciar o modo como os pacientes enxergam o edifício O projeto de interiores deve ter por objetivo evitar a criação de ambientes com condições muito estáveis monótonas e impessoais GÓES 2004 fugindo do conhecido padrão hospitalar de ambientes completamente brancos desde os elementos da construção até o jaleco dos funcionários A monotonia não prejudica apenas o conforto ambiental dos pacientes mas também diminui o desempenho das tarefas do trabalho GÓES 2004 Reflita Durante a elaboração do projeto do EAS é fundamental pensar sobre funcionalidade e conforto ambiental A percepção do usuário sobre os espaços pode influenciar seu tratamento e essas condições podem ser determinadas pelo arquiteto a partir de algumas escolhas Pensando nisso de que forma a estética do edifício pode contribuir para a cura dos doentes Segundo Góes 2004 as boas condições ambientais devem representar o principal objetivo de um edifício hospitalar estando implícitas em sua própria essência Nesse sentido a especificação de materiais e o planejamento adequado das instalações prediais representam a consolidação do projeto arquitetônico que deve ser idealizado segundo os princípios de funcionali dade e conforto ambiental Chegamos ao fim de mais um tópico temático sobre arquitetura hospi talar e estamos caminhando para a finalização do projeto Com os conceitos aqui aprendidos você já pode refinar sua proposta para que ela esteja apta a ser edificada e utilizada com eficiência e conforto Sem medo de errar Você e sua equipe de trabalho estão prestes a finalizar uma proposta arquitetônica para uma Unidade Básica de Saúde UBS no bairro novo que será inaugurado na cidade Com quase tudo definido restam os ajustes finais para a concretização da apresentação do projeto 173 Agora que todos os desenhos técnicos do projeto arquitetônico já foram desenvolvidos você deve orientar a elaboração dos projetos complementares instalações hidrossanitárias instalações elétricas e de climatização Antes de enviar o projeto para os profissionais responsáveis você pode estipular previamente como gostaria que eles fossem resolvidos Por exemplo os desenhos enviados ao engenheiro eletricista podem constar os pontos de tomada e iluminação de acordo com o layout que você desenvolveu para os ambientes Não se esqueça de que alguns dos equipamentos utilizados no Estabelecimento Assistencial de Saúde precisam de sistema elétrico diferen ciado ou de emergência Da mesma forma os pontos para ar condicio nado exaustão e as instalações fluidomecânicas ar comprimido vácuo oxigênio óxido nitroso e vapor devem ser posicionados de acordo com o ambiente Você pode consultar o manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde elaborado pelo Ministério da Saúde BRASIL 1994 p 4591 para verificar quais instalações são necessárias em cada um dos ambientes hospitalares Ainda você deve prever um espaço laje técnica sala de máquinas ou similar que comporte os equipamentos necessários nas instalações prediais caixas dágua cisternas geradores de energia evaporadores do sistema de climatização etc Você pode realizar o prédimensionamento das caixas dágua e cisternas de acordo com os dados sobre consumo apresentados no Quadro 41 desta seção Você deve incorporar essas informações ao projeto a partir da elabo ração de novos desenhos técnicos que identifiquem os elementos citados Desenvolva a planta baixa de pontos elétricos planta de iluminação e planta de pontos hidrossanitários Não se esqueça de compatibilizar a locação dos pontos com o layout já desenvolvido O projeto de instalações fluidomecânicas apesar de também ser um projeto complementar da área da saúde deve ser realizado por profis sional especializado A fim de iniciar os detalhamentos do projeto você também deve elaborar uma lista de especificação dos materiais que vão compor a estrutura física do EAS Assim escolha o acabamento de piso parede e teto de acordo com cada ambiente Essas informações podem ser identificadas em uma planta baixa de acabamentos e em elevações das paredes que vão receber algum tipo de revestimento Organize os desenhos em pranchas tamanho A3 sem necessidade de humanização das peças gráficas Esses desenhos devem ser anexados ao memorial descritivo do projeto e entregues ao final da disciplina 174 Avançando na prática Especificação de materiais como solução de problemas Um cliente deseja utilizar um terreno anexo a um hospital como estaciona mento para os funcionários Em uma visita ao lote você percebeu que o terreno é plano de terra batida e não possui nenhuma cobertura vegetal Você identi ficou também que a rua onde o terreno está localizado recebe muita água proveniente das chuvas por estar em uma cota de nível inferior ao entorno Como você solucionaria o problema do projeto do estacionamento e qual proposta apresentaria ao cliente Resolução da situaçãoproblema Todo projeto por mais simples que seja envolve a análise de diversos aspectos Um estacionamento em um terreno vazio parece algo fácil de ser resolvido basta pavimentar todo o lote e pintar as vagas no chão Mas será que isso é eficiente Proporcionaria algum conforto aos usuários Vamos analisar a situação do ponto de vista de desempenho Como foi obser vado em uma visita técnica o lote recebe muita água da chuva pois está localizado em uma área mais baixa em relação ao entorno O terreno está em terra batida ou seja é completamente permeável É possível que a impermeabilização do solo possa ocasionar enchentes no lote uma vez que a água não infiltrará mais no solo Assim a especificação de pisos drenantes ou de pavimentos semipermeáveis como o concregrama Figura 43 evitaria problemas com a drenagem urbana Figura 43 Exemplo de piso concregrama Fonte Wikimedia Commons Disponível em httpscommonswikimediaorgwikiFileRasenpflasterstein1 jpg Acesso em 3 mar 2019 175 Em cada projeto é necessário analisar a qual atividade ou função ele se propõe para que seja possível oferecer as melhores condições para sua reali zação A função de um estacionamento é guardar o automóvel enquanto ele não está sendo utilizado para locomoção Qual é a melhor forma de se fazer isso Do ponto de vista de conforto um carro esquenta quando fica no sol durante um período de tempo sendo desconfortável permanecer em seu interior Proporcionar áreas de sombra para que os usuários tenham mais conforto quando retornem a seus veículos seria uma boa maneira de exercer a função proposta Nesse caso poderiam ser colocadas coberturas com tela solar ou outros materiais que permitam a passagem de iluminação natural porém de forma filtrada e com menor transmissão de calor O plantio de árvores também é uma solução adequada uma vez que a vegetação propor ciona bemestar psicológico Faça valer a pena 1 Os projetos complementares são soluções técnicas desenvolvidas para as instalações prediais associadas ao projeto arquitetônico Alguns desses projetos são de caráter genérico sendo aplicados em praticamente todas as edificações Outros no entanto são mais específicos e necessários em alguns tipos de estabelecimentos Assinale a alternativa que contém o projeto complementar específico apenas da área de saúde a Instalações de climatização b Instalações hidrossanitárias c Instalações elétricas d Instalações fluidomecânicas e Instalações luminotécnicas 2 A especificação de materiais faz parte do detalhamento do projeto e consiste em indicar quais produtos serão utilizados na construção e seu local e forma de aplicação Os materiais escolhidos dependem do tipo de estabele cimento da oferta no mercado local do preço entre outros fatores Escolha a alternativa que apresenta as características que devem ser obser vadas pelo arquiteto no momento de escolher os materiais para uma edifi cação de saúde 176 a Os materiais devem ter cores e texturas que garantam o bemestar dos usuários independentemente de suas características físicoquímicas b Os materiais devem ser os mais baratos do mercado pois as edifica ções de saúde são construídas com verba pública c Os materiais devem ser resistentes e impermeáveis garantindo a completa higienização e assepsia das superfícies d Os materiais escolhidos devem ser classificados como lançamentos do mercado pois apresentam tecnologia mais avançada e Os materiais devem ser escolhidos de acordo com o gosto pessoal do arquiteto ignorando fatores como economia durabilidade e limpeza 3 Segundo Góes 2004 p 105 um aspecto do edifício hospitalar que deveria estar implícito na própria essência dos seus objetivos é o das suas condições ambientais Com base no conforto ambiental das edificações avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas I A especificação de materiais em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde devem levar em consideração fatores como resistência durabi lidade higienização e economia Outros elementos como cores e texturas podem ser incorporados ao processo de seleção visando oferecer um ambiente que proporcione bemestar aos usuários PORQUE II O conforto ambiental de um espaço é determinado pela forma como seus elementos foram selecionados e organizados Além da escolha correta de materiais a estrutura física dos edifícios possui grande influência na sensação de conforto uma vez que por meio dela é possível utilizar a iluminação e a ventilação natural de maneira adequada A respeito dessas asserções assinale a alternativa correta a As asserções I e II são proposições verdadeiras mas a II não justifica a I b As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I c A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é falsa d A asserção I é uma proposição falsa e a II é verdadeira e As asserções I e II são proposições falsas 177 Seção 2 Elaboração de maquete física e virtual Diálogo aberto Você já se sentiu perdido ao conversar com alguém que fala sobre algo que você não domina É assim que alguém que não é da área da construção civil se sente quando observa uma planta baixa pela primeira vez Antes que o profissional explique o que é cada símbolo no desenho um leigo olhará para um emaranhado de linhas e provavelmente não entenderá absoluta mente nada Os modelos tridimensionais diferentemente dos desenhos técnicos são muito mais facilmente compreendidos pelos indivíduos auxiliando na apresentação do projeto além de outros recursos durante o processo projetual Lembrese de que você é um arquiteto especialista em arquitetura hospi talar e que seu escritório participará de um concurso público para o projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS a ser implantada em um loteamento recéminaugurado localizado no interior do estado Até agora boa parte do projeto já foi desenvolvido e você já tem os desenhos técnicos a compatibili zação dos projetos complementares e a especificação dos materiais Chegou o momento de você e sua equipe realizarem as maquetes desse projeto que garantirão a completa compreensão das ideias do arquiteto Uma imagem em três dimensões feita em um computador ou uma maquete física por mais simples que sejam transmitem as ideias do profissional com muita clareza Contudo a maquete não é utilizada apenas na etapa de apresentação do projeto Para quais outros aspectos do projeto a maquete poderá contribuir Quais as formas de elaboração de maquetes Nesta seção veremos em quais etapas do projeto a maquete pode ser utilizada quais as diferenças entre a maquete virtual e a física e os equipa mentos ou softwares utilizados para a confecção delas Ainda veremos como as maquetes são úteis na elaboração de estudos que contribuirão para a quali dade final da edificação Bons estudos Não pode faltar As maquetes arquitetônicas são muito importantes para a concepção do projeto pois o modelo em três dimensões confere mais realismo do que o desenho no papel KOWALTOWSKI et al 2006 As maquetes de 178 arquitetura exigem técnicas e execução precisas pois elas representarão uma edificação um mobiliário uma parte da cidade entre outros a fim de transmitir os conceitos do projeto por meio de um modelo tridimensional Dessa forma assim como os desenhos arquitetônicos a maquete deverá ser confeccionada em uma escala apropriada para que seja mantida a proporção de suas dimensões Geralmente a escala é reduzida sendo as mais utilizadas 1100 ou 1200 A maquete de ampliação é utilizada somente para mostrar detalhes importantes Existem dois tipos de maquete as físicas e as virtuais As maquetes físicas como o próprio nome diz são produzidas a partir de materiais palpáveis como os papéis cartolina papel duplex papel triplex papel paraná papel pardo etc madeiras balsa MDF aglomerado etc e plásticos acetato PVC acrílico isopor etc entre outros Já as maquetes virtuais são feitas a partir de programas computacionais desenvolvidos especialmente para a produção de modelos tridimensionais Para Pallasmaa 2005 as maquetes físicas têm o poder de estabelecer um vínculo entre o expectador e o projeto onde o projetista pode manusear o modelo permitindo que a imaginação seja estimulada enquanto as maquetes virtuais estão condicionadas a um comportamento passivo de manipulação visual que cria um distanciamento entre o modelo e o sujeito Unir a experiência proporcionada pelas maquetes físicas à racionalização e à precisão das maquetes virtuais pode garantir que o projeto seja analisado segundo os aspectos dos sentidos e da técnica Existe hoje uma infinidade de softwares que podem ser utilizados na confecção de maquetes virtuais Uma das tecnologias que ajudou o trabalho do arquiteto é a chamada BIM do inglês Building Information Model ou Modelo da Informação da Construção Essa tecnologia consiste em incor porar informações a cada um dos elementos do projeto conferindolhes detalhes referentes à composição de materiais Dessa forma qualquer alteração feita em alguns dos objetos é automaticamente atualizada em todas as vistas do projeto planta baixa cortes elevações modelo tridi mensional o que agiliza muito a elaboração de maquetes virtuais Um dos principais softwares dessa tecnologia é o Revit da empresa Autodesk a mesma empresa que desenvolveu o AutoCAD muito utilizado para desenhos técnicos Outro programa computacional muito utilizado para a elaboração de maquetes virtuais é o Sketchup comercializado pela Google O Sketchup é mais intuitivo e fácil de trabalhar do que o Revit porém a tecno logia BIM só poderá ser incorporada ao programa com o uso de módulos de extensão ou plugins como o Sketchup BIMTools e o BIMobject A função destes plugins é adicionar informações ao projeto que permitam a sua automação e a sua sincronização com dados quantitativos de materiais de custo entre outros Uma das vantagens da tecnologia BIM é permitir a 179 parametrização ou seja a identificação de parâmetros que podem constituir dimensões materiais estrutura entre outras especificações do objeto Com isso é possível modificar os objetos de forma rápida elaborar orçamentos de acordo com os produtos utilizados ou calcular a quantidade de material Pesquise mais No Revit cada grupo de componentes objetos é chamado de família A atribuição de parâmetros a essa família possibilitará a sua edição de forma rápida Por exemplo o comprimento ou largura de um elemento poderá ser definido como parâmetro e uma vez modificado o modelo será atualizado em todas as vistas Sugerimos que assista ao vídeo indicado a seguir disponível no YouTube que mostra um exemplo de parametrização PARAMETRIZAÇÃO de Famílias no Revit Sl DANEngenharia 2017 1 vídeo 1 min 10 s Publicado pelo canal DANEngenharia Além dos programas de modelagem existem também aqueles voltados para a renderização das imagens tridimensionais ou seja a adição de efeitos como luzes e propriedades dos materiais reflexão refração transparência textura etc A renderização é a responsável por conferir realismo às imagens obtidas do modelo tridimensional Alguns dos softwares dessa categoria são o Lumion o Twinmotion e o VRay Esse último consiste na verdade em um plugin que pode ser associado aos programas de modelagem 3D As imagens obtidas com esses softwares conseguem atingir um nível de realismo tão alto que podem ser confundidas com fotografias reais dos edifícios Figura 44 Figura 44 Imagem renderizada Fonte Shutterstock 180 Para garantir a qualidade da maquete alguns aspectos devem ser obser vados tanto em maquetes físicas quanto em virtuais Nas maquetes físicas é importante que os materiais a estação de trabalho e as ferramentas estejam constantemente limpos para evitar manchas de tinta marcas de cola ou sujeira Além disso é importante que a lâmina do estilete esteja afiada caso contrário o corte dos materiais terá rebarbas e não apresentará um bom acabamento Tenha muito cuidado ao manusear os objetos cortantes pois você poderá se machucar Nas maquetes virtuais um dos pontos a serem observados é a organi zação do modelo separandoo em blocos e camadas que ajudem a identificar o que é cada coisa dentro do desenho A modelagem dos objetos blocos deve ser feita com geometria detalhada para garantir um bom acabamento Figura 45 Além disso as imagens texturas que serão utilizadas para representar os materiais devem ter alta qualidade Figura 45 Exemplo de um objeto modelado com mais faces a e com menos faces b Fonte adaptada de Shutterstock Uma das funções da maquete durante o desenvolvimento do projeto é permitir a realização de testes e estudos preliminares de iluminação venti lação implantação entre outros funcionando como um protótipo do objeto que será edificado O processo de obtenção de uma cópia de um produto que ainda será executado a fim de analisálo é chamado de prototipagem SAURA 2003 Segundo Saura 2003 é possível determinar três categorias de prototipagem manual virtual e rápida A prototipagem manual consiste a b 181 na elaboração da maquete física confeccionada artesanalmente com ferra mentas como estiletes réguas e lapiseiras A prototipagem virtual é aquela em que os modelos são produzidos em programas computacionais maquetes virtuais e submetidos a testes diversos como os de iluminação e ventilação Assimile O estudo das condições acústicas lumínicas de insolação e ventilação dentre outras características ambientais de uma construção é de extrema importância para garantir o conforto nos espaços As maquetes auxiliam nesse processo pois a partir delas é possível verificar diversos aspectos como o melhor posicionamento de aberturas para aprovei tamento da luz solar e da ventilação de acordo com o clima da região a distribuição e a intensidade da iluminação artificial e o tratamento adequado ao nível de ruído do ambiente Existem softwares que permitem a elaboração de estudos de insolação ventilação tensionamento de estruturas iluminação artificial entre outros aspectos que envolvem a edificação Podemos citar o próprio Sketchup como um dos programas que permitem a análise da insolação sobre a construção Para isso é necessário configurar o programa com a geolocalização do terreno latitude e longitude a fim de obter o caminho do sol corretamente Essa funcionalidade é relativamente simples de ser utilizada e permite a obtenção de dados importantes que influenciarão o conforto térmico da edificação Podemos citar ainda outros softwares mais avançados como o SONarchitect que avalia o desempenho acústico da edificação e o DIALux que afere a iluminância gerada pela iluminação artificial Com relação às maquetes físicas equipamentos como o Heliodon e o túnel do vento são utilizados para analisar as condições de insolação e ventilação respectivamente O Heliodon é um equipamento que simula a trajetória do sol de acordo com o dia o horário e a localização da construção Com ele é possível analisar quais faces do projeto receberá mais ou menos sol e propor uma proteção solar adequada à intensidade de luz recebida Nos túneis de vento é possível analisar como o fluxo de circulação do ar acontecerá no edifício além de permitir estudos de segurança estrutural Já a prototipagem rápida é uma mistura de ambas e consiste em produzir maquetes físicas a partir de um modelo gerado por um programa do tipo CAD SAURA 2003 Segundo Sass e Oxman 2006 existem três tipos de máquinas capazes de produzir os protótipos cortadoras subtrativas e aditivas As máquinas cortadoras mais comuns são as de corte a laser que permitem 182 cortar um material plano de acordo com peças desenhadas com o auxílio dos softwares As peças obtidas serão utilizadas posteriormente para a montagem da maquete Nesse processo é importante que exista o planejamento das peças que comporão o modelo a partir da planificação da edificação e da elaboração de encaixes que viabilizarão a montagem do modelo As máquinas subtrativas realizam um processo semelhante ao de uma escultura em que as peças brutas são esculpidas para a obtenção do modelo Já as máquinas aditivas produzem a maquete a partir da deposição de material normalmente um plástico camada por camada São conhecidas como impressoras 3D A Figura 46 mostra exemplos de prototipagem rápida obtidas com diferentes máquinas Figura 46 Exemplo de máquinas cortadora a subtrativa b e aditiva c Fonte adaptada de a Pixabay b Shutterstock c httpscommonswikimediaorgwikiFile3DDrucke rE28093CeBIT201602jpg Acesso em 16 set 2019 b c a 183 As maquetes de edificações podem ser utilizadas em várias etapas do projeto desde o desenvolvimento inicial até a apresentação final No momento da concepção do projeto a sua principal função é permitir estudos volumétricos de implantação de insolação e ventilação natural que orien tarão o profissional nas decisões a respeito do projeto Assim cada maquete de estudo dará ênfase ao aspecto que ela deseja analisar sem destacar cores ou elementos para que não chamem a atenção Por isso as maquetes de estudo geralmente são monocromáticas Figura 47 Figura 47 Exemplo de maquete física de estudo Fonte Shutterstock Exemplificando Em uma maquete de estudo de volumetria pouco importa quais são os materiais da fachada A ênfase maior deve ser dada à solução formal da edificação portanto as cores e texturas não devem ser utilizadas Em vez disso talvez seja interessante representar o gabarito das edifica ções do entorno na maquete para analisar como o edifício será perce bido no contexto da cidade Nesta etapa é recomendada a confecção de maquetes físicas já que elas não estão suscetíveis às distorções de perspectiva ocasionadas por falhas de configuração dos softwares Essas falhas podem ocasionar uma 184 falsa percepção da realidade dando a impressão de elementos maiores ou menores dependendo da situação Já nas etapas finais o principal intuito é auxiliar o arquiteto a transmitir as suas ideias uma vez que o entendimento de um modelo tridimensional é mais simples e fácil do que o de desenhos técnicos KOWALTOWSKI et al 2006 Nesse caso o aspecto a ser enfatizado é aquele que o cliente considera como o mais importante porém sem prejudicar a representação do projeto como um todo sua forma e seus materiais São recomendadas as maquetes virtuais e principalmente as imagens renderizadas obtidas a partir desses modelos Figura 48 Dependendo das texturas e dos blocos utilizados e das configurações realizadas pelo arquiteto essas imagens poderão apresentar um nível de realismo muito alto com o poder de encantar o cliente Dessa forma é possível convencêlo a adotar as ideias propostas pelo profissional de forma muito mais fácil pois o cliente terá compreendido o projeto Figura 48 Exemplo de imagem renderizada Fonte Shutterstock Reflita Os softwares estão sempre recebendo atualizações que modificam e aperfeiçoam o seu funcionamento De que forma os projetos poderão ser aprimorados com o uso dessa tecnologia e como ela influencia o cotidiano profissional A maquete é uma parte importante do projeto e atualmente podemos dizer que é obrigatória principalmente na etapa de apresentação do projeto 185 Muitos clientes solicitam e esperam ver as imagens renderizadas a fim de obterem uma prévia de como ficará a sua edificação antes mesmo de ser construída Por isso é imprescindível que o arquiteto tenha conhecimento sobre as ferramentas de elaboração de maquetes a fim de enriquecer o seu trabalho Sem medo de errar Você e sua equipe fazem parte de um escritório especializado em arquite tura hospitalar e estão participando de um concurso público para um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS O projeto que vocês estão desenvol vendo está quase finalizado A fim de melhorar a apresentação das ideias da equipe à banca do concurso será apresentada uma maquete virtual da UBS Utilize os desenhos técnicos como base para elaborar a modelagem tridi mensional do edifício Você pode escolher o programa de modelagem com que tenha mais habilidade O uso do software Sketchup é recomendado devido à sua maior facilidade de utilização Inicie importando a planta baixa em formato dwg que servirá como base do projeto Desenhe as estruturas as paredes as coberturas e os pisos e utilize diferentes camadas e blocos para organizar os desenhos Depois desenhe as aberturas e por último os elementos como mobiliário e vegetação Utilizando o Sketchup você terá uma biblioteca de blocos disponíveis gratuitamente no 3D Warehouse Porém cuidado ao fazer a seleção pois ela não deve ser feita aleatoriamente com base apenas na facilidade de obtenção oferecida pela biblioteca Isso porque são os próprios usuários que adicionam os modelos à galeria e existem objetos de todas as partes do mundo desde árvores que só crescem em climas frios até mobiliários de design que são vendidos apenas na Europa Você deverá selecionar os blocos de forma criteriosa levando em consideração aqueles que poderão ser executados no projeto Se a intenção da maquete é mostrar como a construção ou o ambiente ficará depois de pronto esse cuidado é muito importante Depois de todos os objetos e elementos desenhados acrescente os materiais ao projeto Não se esqueça de utilizar imagens de alta qualidade para representar as texturas dos materiais a fim de obter um acabamento melhor do modelo Existem sites na internet que disponibilizam pacotes de texturas como o Sketchup Texture Club Nesse site você pode baixar as texturas gratuitamente ou optar por comprar a imagem em alta resolução juntamente com os mapeamentos necessários para a configuração do material nos softwares de renderização 186 Feito tudo isso você terá um modelo tridimensional da UBS pronto para ser renderizado Guarde o arquivo em um local seguro para utilizálo nas próximas etapas do projeto Avançando na prática Avaliação de conforto em maquetes físicas As maquetes físicas em especial são muito utilizadas para a realização de estudos de conforto ambiental que garantirão a qualidade dos ambientes dos quais o usuário desfrutará com bemestar livre de situações desconfortáveis A insolação e a ventilação são dois fatores que influenciam de maneira signi ficativa o desempenho térmico da edificação Portanto no Brasil os estudos voltados para a proteção contra o sol e o aproveitamento dos recursos naturais são ótimas formas não só de garantir o conforto mas também de gerar economia para a edificação Você já fez a análise da insolação que incide no terreno com o Heliodon porém agora você deverá analisar se o seu projeto conseguiu aproveitar as condições climáticas para gerar conforto ambiental Resolução da situaçãoproblema Você deverá utilizar a maquete volumétrica da Unidade Básica de Saúde UBS que está desenvolvendo para realizar novos estudos com o Heliodon Caso o projeto tenha sido alterado ao longo de seu desenvolvimento será necessária a confecção de um novo modelo tridimensional que deve ser simples monocromático e em escala 1200 Identifique quais as áreas de sombra e quais as áreas que recebem maior insolação e analise se a incidência solar está adequada ao clima da região permitindo a obtenção de luz natural sem prejudicar o conforto térmico Você deverá propor soluções para as incompatibilidades observadas que dependerão do problema encontrado como aumentar a área das janelas para receber mais luz natural ou incorporar algum tipo de proteção contra a insolação Essa proteção poderá ser feita por meio de brises fachadas venti ladas redução de aberturas aumento da espessura das paredes e até mesmo com vegetação Cabe ao arquiteto solucionar o problema em questão para minimizar o desconforto ocasionado pelo calor tropical de nosso país Tire fotos do estudo e organizeas em uma prancha indicando os aspectos obser vados e qual foi a solução adotada 187 Faça valer a pena 1 A execução das maquetes físicas ou virtuais é uma etapa importante para qualquer projeto arquitetônico No entanto o uso de cada uma delas apresenta vantagens e desvantagens Com base nisso avalie as afirmativas a seguir I A maquete física será sempre mais realista do que a maquete virtual pois ela não permite distorções de perspectiva ocasionadas pelos programas computacionais que poderão tornar os elementos maiores ou menores II A partir da maquete virtual é possível gerar imagens utilizando os softwares de renderização em que os efeitos de luz e os materiais realistas aproximam o modelo tridimensional do projeto executado III Os profissionais geralmente adaptamse melhor a um tipo de maquete Eles poderão adequar a sua forma de projetar e apresentar as propostas de acordo com a sua habilidade em elaborálas IV Apesar de a maquete não ser considerada obrigatória pelos órgãos públicos responsáveis pela aprovação do projeto ela se faz necessária no mercado atual uma vez que são demandadas pelos clientes Assinale a alternativa que contém apenas as afirmativas corretas a I III e IV apenas b II e III apenas c II III e IV apenas d II e IV apenas e I II III e IV 2 Entre os softwares para modelagem tridimensional de projetos de arqui tetura existem aqueles que contam com a tecnologia BIM Modelo da Infor mação da Construção Essa tecnologia consiste em incorporar informações a cada um dos elementos do projeto conferindolhes detalhes referentes à composição de materiais e ao dimensionamento O nome desse processo é parametrização Com base no texto apresentado assinale a alternativa correta a Parametrização e prototipagem rápida são um mesmo processo que consiste na produção de maquetes de forma ágil e eficiente 188 b Com a parametrização as alterações feitas em qualquer um dos objetos não será atualizada automaticamente em todos os desenhos do projeto c A parametrização serve apenas para agilizar o trabalho do arquiteto facilitando a edição das características dos componentes do projeto d Uma das vantagens da parametrização é permitir a realização de orçamentos e cálculos da quantidade de materiais que serão utilizados na obra e A parametrização não é uma ferramenta exclusiva da tecnologia BIM uma vez que os programas do tipo CAD também contam com esse recurso 3 O desempenho térmico da edificação é importante para garantir o conforto dos usuários Existem formas de realizar estudos de insolação e ventilação que ajudarão o arquiteto a propor soluções de acordo com a locali zação do terreno e da construção Com base nisso avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas I O Heliodon e o túnel de vento são equipamentos utilizados para a elaboração de estudos em maquetes físicas enquanto nas maquetes virtuais as análises são realizadas por meio de uso de softwares PORQUE II As análises de maquetes virtuais realizadas em programas computa cionais não dependem da intervenção do arquiteto uma vez que o software dá todas as informações e dados referentes ao desempenho da edificação A respeito dessas asserções assinale a alternativa correta a As asserções I e II são proposições verdadeiras mas a II não justifica a I b As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I c A asserção I é uma proposição verdadeira e a II falsa d A asserção I é uma proposição falsa e a II verdadeira e As asserções I e II são proposições falsas 189 Seção 3 Apresentação do anteprojeto Diálogo aberto Caro aluno você acompanhou todas as aulas e desenvolveu um projeto de arquitetura para um Estabelecimento Assistencial de Saúde EAS Os conteúdos deste material possibilitaram ampliar o seu conhecimento técnico acerca de um nicho específico de projeto com características que demandam soluções cuidadosas de caráter técnico e humanitário Agora chegou o momento de realizar a última etapa do projeto arquitetônico a apresentação Você trabalha em um escritório de arquitetura especializado em projetos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS e a equipe da qual faz parte participará de um concurso público para um projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS a ser implantada no bairro novo da cidade onde mora no interior do estado Você já tem tudo o que precisa para apresentar o projeto agora falta apenas planejar como será feita essa apresentação Além dos desenhos técnicos e das peças gráficas você também deverá elaborar um memorial justificativo e descritivo que explanará suas ideias em forma de texto Você sabe como as informações do projeto deverão ser organizadas Quais os tipos de apresentação e qual a finalidade de cada uma delas Como criar uma apresentação envolvente e relevante ao público Nesta seção veremos como preparar a apresentação do projeto de acordo com a situação Abordaremos os elementos que conferem identidade visual às pranchas como diagramação paleta de cores fontes e símbolos Além disso por se tratar de um projeto da área de saúde veremos quais são as documen tações específicas que serão utilizadas para a aprovação do projeto nos órgãos competentes Ao final desta unidade você terá concluído um projeto arquite tônico com desenhos de alta complexidade como um anteprojeto Não pode faltar Depois de passar pelas diferentes fases de desenvolvimento de um projeto de arquitetura elaboração do programa arquitetônico estudo preliminar e anteprojeto é chegada a hora da apresentação da proposta arquitetônica um dos momentos mais importantes do projeto de arquitetura O sucesso ou fracasso do projeto será influenciado pela capacidade do profissional de transmitir as suas ideias a um público específico Esse público pode ser um cliente uma comunidade um órgão institucional ou uma banca avaliadora 190 de um concurso ou de uma instituição de ensino Caso esse público compreenda o projeto e considereo adequado às necessidades do cliente a edificação terá mais chances de ser aprovada e utilizada pela população Sendo assim o primeiro aspecto a ser considerado é o tipo de público para o qual a apresentação será direcionada pois dependendo do nível de familiaridade que ele tiver com a linguagem de projeto desenhos diferentes deverão ser utilizados Quando a plateia é leiga os desenhos deverão ter uma linguagem mais simples para que sejam mais facilmente compreendidos podem ser apresentados croquis desenhos 3D e maquetes No caso de uma plateia com conhecimento na área a linguagem poderá ser mais técnica e podem ser apresentados desenhos técnicos e detalhamentos bem como maquetes e desenhos 3D Outro aspecto importante a ser observado são os interesses do público alvo Para criar uma apresentação envolvente e com conteúdo relevante é necessário conhecer quais são as necessidades do público e enfatizálas no momento da explicação do projeto Durante a concepção projetual o arqui teto já terá solucionado alguns dos problemas encontrados e elaborado uma proposta que atenda às necessidades dos usuários portanto a apresentação deverá mostrar a maneira com que esses aspectos foram resolvidos É possível categorizar a apresentação de projetos de duas formas distintas Uma diz respeito a apresentações que visam à venda seja um empreendi mento a futuros investidores um espaço público para a população geral ou uma residência para uma família Neste caso a apresentação deve ser o mais envolvente possível por isso o uso de cores e peças gráficas que impressionam como desenhos humanizados e imagens tridimensionais é recomendado As dicas quanto ao grau de conhecimento técnico do público vale para essa situação quanto mais a audiência souber sobre o assunto mais técnicas e aprofundadas serão as informações No entanto isso não signi fica que os desenhos deverão ser estritamente técnicos podendo valerse de diagramas esquemas e outros recursos visuais para transmitir as informa ções necessárias Reflita Se você achou estranho o uso do verbo vender repense pois o arqui teto também vende os projetos que criou Não importa qual é o cliente se é uma pessoa comum uma empresa a população de uma cidade ou o seu professor na faculdade você sempre estará vendendo a sua ideia representada em um projeto arquitetônico 191 O arquiteto tem liberdade para determinar como as informações serão transmitidas Quanto ao formato poderá existir algumas exigências por parte da instituição ao qual a apresentação será submetida Por exemplo é comum que concursos públicos determinem o tamanho e quantidade de pranchas Casos em que o público é muito grande inviabilizando o uso de pranchas o projeto poderá ser apresentado em formato multimídia elaborado por meio de softwares como o Power Point Seja qual for o caso é interessante que o arquiteto adote uma identidade visual que seja harmônica e que proporcione a sensação de continuidade ao longo da apresentação A identidade visual é obtida a partir da repetição de determinados elementos a mesma paleta de cores grade de diagramação fontes e símbolos gráficos A escolha desses elementos poderá ser feita com base no conceito do projeto Quanto à escolha da paleta de cores existem esquemas que auxiliam na harmonização dos matizes escolhidos Esses esquemas utilizam combinações de acordo com o círculo cromático uma roda composta de cores primárias secundárias e terciárias Figura 49 Figura 49 Círculo cromático e esquema de cores Fonte elaborada pela autora As cores complementares são opostas no círculo cromático e esse esquema é formado sempre por um tom frio e um tom quente com um forte contraste entre eles As cores análogas estão situadas lado a lado no círculo e corres pondem a uma harmonia mais sutil com pouco contraste O esquema de cores triangular é formado por uma harmonia vibrante entre três cores em que normalmente uma é a principal e as outras a realçam É uma composição 192 que deve ser utilizada com cautela para que a apresentação não cause descon forto visual O esquema de cores complementares alternas é menos vibrante e tem menos contraste Ainda existem os esquemas quadrados ou retangu lares que correspondem ao equilíbrio entre cores quentes e frias Todos os esquemas de cores poderão ser utilizados porém o uso de cores comple mentares em composições de texto e fundo não é recomendado pois preju dica a legibilidade das palavras Figura 410 Figura 410 Relação de cores entre texto e fundo Fonte elaborada pela autora A escolha da paleta de cores pode considerar além de um esquema do círculo cromático o efeito psicológico que ela representa Cada cor tem um significado diferente e atua sobre os indivíduos gerando sensações como frieza aconchego higiene ou perigo Assim como as cores utilizadas nos ambientes do EAS influenciam o comportamento humano e o conforto ambiental as cores das pranchas poderão representar uma sensação relacio nada ao conceito do projeto Pesquise mais No livro Manual prático de arquitetura é possível encontrar uma breve associação das cores às sensações psicológicas que elas produzem Leia as páginas 109 e 110 para saber mais a respeito GÓES R de Manual prático de arquitetura hospitalar São Paulo Edgard Blücher 2004 193 Outra forma importante de manter a identidade visual da apresentação é usando a mesma grade de diagramação A diagramação consiste na forma como as informações serão organizadas na prancha Figura 411 A determi nação de uma grade permite planejar com maior eficiência como os assuntos estarão posicionados gerando clareza e equilíbrio entre eles Para isso é necessário dividir o espaço que receberá o conteúdo com linhas verticais e horizontais gerando uma malha A regra dos terços malha 3x3 é utilizada principalmente em pinturas e fotografias para destacar alguns dos elementos da imagem Figura 411 Exemplo de prancha com diagramação Fonte elaborado pela autora Exemplificando Na arquitetura grades do tipo 4x4 são mais comuns Figura 412 O conteúdo gráfico e textual será distribuído dentro dessa malha podendo ocupar um ou mais módulos de acordo com a ênfase dada pelo arqui teto Utilizar a mesma grade não significa que os conteúdos imagens e textos serão dispostos sempre da mesma forma A possibilidade de junção de módulos oferece inúmeras opções de organização das infor mações mantendo os eixos de alinhamento que serão os responsáveis por dar a sensação de continuidade 194 Figura 412 Exemplos de diagramação com grade 4x4 Fonte elaborada pela autora As fontes representam o formato das letras que serão utilizadas na apresentação Devem ser utilizadas as mesmas fontes em toda a apresen tação evitando o uso de mais que duas opções geralmente utilizase uma para títulos e destaques e outra para textos As fontes escolhidas não devem ter detalhes artísticos muito rebuscados que comprometerão a sua compre ensão Assim as linhas devem ser limpas e claras para manter a legibili dade do texto Um cuidado ao escolher as fontes é se certificar de que ela esteja condizente com o conceito do projeto apresentado Por exemplo a fonte Comic Sans é muito popular e seu estilo tem uma conotação infantil enquanto a fonte Times New Roman tem características que a tornam mais sóbria Por fim os símbolos como o norte geográfico a numeração as legendas os quadros e outros elementos devem seguir um padrão Assim como as fontes e a paleta de cores eles devem transmitir o conceito do projeto Por exemplo o uso de uma rosa dos ventos Figura 413 para indicar a posição do norte geográfico em um projeto de uma galeria de arte com características minimalistas seria incompatível 195 Figura 413 Exemplos de representação de norte geográfico Fonte httpswwwarchdailycombrbr872666bibliotecadedesenhosarquitetonicosemdwgdisponid veisparadownload59301421e58eced5470000a3bibliotecadedesenhosarquitetonicosemdwgdisponi veisparadownloadimagem Acesso em 17 set 2019 A segunda forma de apresentação é a que visa a aprovação do projeto em órgãos públicos Aqui entram as prefeituras municipais o corpo de bombeiros os institutos ambientais e no caso dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde EAS a Anvisa Agência Nacional de Vigilância Sanitária A intenção é aprovar o projeto segundo as normas e legislações que o acometem portanto o próprio órgão determinará quais desenhos e documentos deverão ser entregues além da forma de apresentação A Anvisa publicou um manual com as orientações para aprovação de projetos de arquitetura AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA 2009 que deverá ser feita a partir da apresentação do projeto arquitetônico e do relatório técnico Segundo o manual o projeto arquitetônico deverá conter as informações mínimas necessárias para a sua compreensão respeitando as normas de simbologia e nomenclatura dos ambientes Ainda o projeto deverá seguir as recomendações da Resolução RDC Nº 502002 O Quadro 42 mostra as solicitações referentes ao desenho técnico feitas pelo órgão Quadro 42 Itens exigidos para aprovação de projetos na Anvisa desenhos arquitetônicos Exigências para aprovação do projeto arquitetônico na Anvisa Planta de situação Planta de implantação com indicação de acessos de pedestres e veículos estacionamentos etc Plantas baixas cortes e fachadas em escala não menores do que 1100 exceto plantas de locação situação e cobertura Indicação dos cortes nas plantas baixas Registro de todas as dimensões cotas áreas e cotas de nível dos ambientes 196 Locação de louças sanitárias e bancadas Locação de leitos e macas quando houver Locação de equipamentos não portáteis médicohospitalares e de infraestrutura Fonte adaptado de Agência Nacional de Vigilância Sanitária 2009 O relatório técnico consiste em um memorial descritivo e justificativo do projeto O memorial descritivo é o documento onde serão dispostas todas as informações que caracterizam a construção tais como a proposta do estabelecimento no caso do EAS a proposta assistencial e as atividades envolvidas além daquelas que descrevem o projeto como materiais de acabamento locação de aberturas indicação de sistemas construtivos entre outros O memorial justificativo é onde o arquiteto esclarecerá as propostas do projeto as soluções adotadas e outros esclarecimentos relacionados à concepção do projeto Assimile Nas apresentações que visam à aprovação do projeto pelo cliente normalmente o memorial descritivo e justificativo será detalhado na fala do apresentador Os textos das pranchas deverão ser muito claros e objetivos mas sem comprometer a qualidade do assunto abordado Já os memoriais enviados aos órgãos públicos em geral são mais robustos e compostos de dissertações detalhadas acerca de todos os aspectos do projeto Independentemente do tipo de apresentação o arquiteto sempre deverá colocar a identificação do projeto do profissional a instituição as datas o número de pranchas além de outras informações básicas de classificação do empreendimento Esses dados são adicionados em uma área específica da folha denominada carimbo normalmente situada na margem inferior do projeto ocupando toda a largura da prancha ou apenas a parte à direita A apresentação consiste na última etapa da elaboração de um projeto arquitetônico Os conteúdos vistos até aqui ofereceram conhecimento técnico para propor soluções criar espaços e concretizar ideias e princípios em desenhos e textos que serão utilizados para transmitir as informações do projeto a um público específico Vimos as particularidades que acometem a arquitetura hospitalar e agora você está preparado para mostrar a sua proposta para a audiência A próxima etapa é a elaboração do projeto executivo 197 Sem medo de errar Você e sua equipe de arquitetos finalizaram o projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde UBS para um concurso público do qual o escritório onde trabalha está participando Tudo o que resta a fazer é preparar a apresentação da proposta desenvolvida pelos profissionais A prefeitura que lançou o concurso está localizada em uma cidade do interior do estado e o edital prevê a apresentação dos projetos participantes por meio de banners de tamanho 80 x 120 cm Essa solicitação foi feita pois a prefeitura gostaria de realizar uma exposição com os melhores projetos na casa de cultura do município para que a população pudesse conhecêlos Além do banner outro requisito do concurso é a entrega de um caderno de tamanho A4 com o projeto de arquitetura e o relatório técnico que serão avaliados por profissionais da Anvisa Você deverá preparar as duas formas de apresentação para a entrega do projeto Para o banner você deve considerar que as pessoas que visitarão a casa de cultura onde o material estará exposto provavelmente não têm conhe cimento técnico em arquitetura Portanto a linguagem gráfica e textual deverá ser adaptada para esse público Utilize as imagens tridimensionais as plantas humanizadas e textos descritivos para explicar os pontos importantes do projeto Como esse banner também será analisado pela comissão julga dora do concurso o ideal é que o partido arquitetônico esteja demonstrado na apresentação Para o caderno da Anvisa você deverá utilizar os desenhos técnicos e todos os detalhamentos referentes ao projeto Ainda você deverá escrever o memorial descritivo e justificativo O caderno deverá ser em formato A4 e encadernado no entanto as folhas de projeto poderão ser maiores e dobradas para se adequar ao tamanho Avançando na prática Apresentação de projetos para públicos diferenciados Você faz parte de um escritório de arquitetura especializado em arquite tura hospitalar e sua equipe está desenvolvendo o projeto de uma Unidade Básica de Saúde UBS para o novo bairro da cidade O projeto está completo e você e a equipe elaboraram uma proposta de paisagismo para a área externa 198 do terreno para valorizar a construção Agora resta montar a apresentação do projeto de forma a enfatizar o aspecto paisagístico Existem dois públicos a serem considerados O primeiro consiste em um público leigo composto de proprietários moradores e outros citadinos que serão impactados pelo projeto da UBS Já o segundo é formado pelos profissionais que atuarão na execução do paisagismo como jardineiros fornecedores de plantas entre outros Além disso paisagistas agrônomos e engenheiros ambientais que compõem a equipe do projeto também estarão presentes Você como arquiteto é quem coordenará o projeto e portanto deverá apresentálo para ambos os públicos Resolução da situaçãoproblema Você deverá montar duas apresentações diferenciadas uma para os moradores do bairro e outra para o grupo de profissionais que trabalhará com o paisagismo Note que em apresentações para públicos especializados o nível de informações e detalhamentos será muito mais aprofundado do que em uma apresentação para leigos Coisas mais simples não precisarão ser explicadas enquanto dados técnicos mais precisos deverão ser abordados Por exemplo para um leigo não é importante a quantidade exata de árvores que serão plantadas quais são as espécies se estão ameaçadas de extinção ou se são consideradas espécies exóticas No entanto para os engenheiros ambiental e agrônomo e para o paisagista que faz parte da equipe de desen volvimento do projeto todas essas informações são imensamente relevantes Dessa forma você deverá realizar duas apresentações distintas que consigam enfatizar as características do projeto de acordo com o público para o qual ele será apresentado Faça valer a pena 1 Criar uma identidade visual das pranchas de projeto é o meio de se obter a continuidade e a harmonia na apresentação do projeto Com base nessa afirmação analise a sentença a seguir e complete corretamente as lacunas A consiste na forma como os assuntos são organizados na prancha enquanto a é composta dos esquemas do círculo cromático Além desses e devem ser as mesmas para todas as pranchas Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas 199 a simbologia paleta de cores diagramação fontes b diagramação simbologia fonte paleta de cores c paleta de cores simbologia fonte diagramação d diagramação paleta de cores simbologia fontes e fonte diagramação simbologia paleta de cores 2 A apresentação é a última etapa de elaboração de um projeto arquite tônico Para cada tipo de público determinada característica deverá ser enfatizada Assim o profissional garante que o projeto será compreendido e aprofundado de acordo com o nível de conhecimento técnico da audiência Com base no texto apresentado assinale a alternativa correta a A apresentação sempre deverá ser muito detalhada para permitir o completo entendimento do projeto b O arquiteto deverá seguir as recomendações dos órgãos públicos quando for realizar uma apresentação com foco em vendas c A apresentação deve ser feita da forma mais breve possível porém sem prejudicar a transmissão do conteúdo d O profissional deve considerar os interesses da equipe de projeto para preparar uma apresentação que agrade à audiência e O arquiteto tem autonomia para escolher a paleta de cores a diagra mação a simbologia e as fontes utilizadas em uma apresentação para aprovação de projetos 3 O círculo cromático consiste em uma roda composta de cores primárias secundárias e terciárias A partir dele é possível definir esquemas de cores que poderão servir como base para criar uma paleta harmônica utilizada na definição de uma identidade visual para as pranchas de apresentação Sobre o círculo cromático avalie as sentenças a seguir e marque V para verdadeiro ou F para falso O esquema de cores complementar consiste em duas cores diametral mente opostas no círculo cromático É composto de uma cor quente e outra fria como a harmonia vermelhoazul As cores análogas formam uma harmonização suave e natural com pouco contraste Representam cores sempre frias ou quentes sendo a combi nação azulazul esverdeadoverde um exemplo desse esquema cromático 200 O esquema triangular é composto de três cores equidistantes no círculo cromático que têm grande contraste entre elas As cores primárias vermelho amareloazul representam uma paleta de cores com esse esquema O esquema complementar alterno consiste em uma forma de obter menos contraste do que com o esquema complementar É formado por três cores normalmente uma dominante como o esquema vermelhoazul esver deadoverde amarelado Os esquemas quadrado e retangular são duas formas diferentes de denominar uma paleta composta de quatro cores com forte contraste entre si A paleta laranjaamareloazulvioleta é um exemplo desse esquema Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta a V V V V F b F F V V F c V F V V V d F V V F F e V V F F V Referências AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA Anvisa Orientações para elabo ração apresentação análise avaliação e aprovação de projetos básicos de arquitetura Florianópolis SC Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina 2009 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 10152 Acústica Níveis de pressão sonora em ambientes internos a edificações Rio de Janeiro ABNT 2017 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 13534 Instalações elétricas de baixa tensão Requisitos específicos para instalação em estabelecimentos assisten ciais de saúde Rio de Janeiro ABNT 2008a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 16401 Instalações de arcondicionado Sistemas centrais e unitários Rio de Janeiro ABNT 2008b ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 5626 Instalação predial de água fria Rio de Janeiro ABNT 1998 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 7198 Projeto e execução de instalações prediais de água quente Rio de Janeiro ABNT 1993 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 7256 Tratamento de ar em estabelecimentos assistenciais de saúde EAS Requisitos para projeto e execução das instalações Rio de Janeiro ABNT 2005 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 8160 Sistemas prediais de esgoto sanitário Projeto e execução Rio de Janeiro ABNT 1999 BRASIL Ministério da Saúde Normas para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília DF Ministério da Saúde 1994 Disponível em httpbvsmssaudegovbr bvspublicacoesnormasmontarcentropdf Acesso em 2 mar 2019 BRASIL Ministério da Saúde Resolução RCD nº 50 de 21 de fevereiro de 2002 Dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento programação elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde Brasília DF Ministério da Saúde 2002 CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO CAU CAUBR esclarece dúvidas sobre atividades privativas de arquitetos e urbanistas 29 jul 2013 Disponível em httpwwwcaubr govbrcaubresclareceduvidassobreatividadesquesopodemserrealizadasporarquitetos eurbanistas Acesso em 2 mar 2019 GÓES R de Manual Prático de Arquitetura Hospitalar São Paulo Edgard Blücher 2004 KOWALTOWSKI D C C K et al Reflexão sobre metodologias de projeto arquitetônico Ambiente Construído Porto Alegre v 6 n 2 p 0719 abrjun 2006 PALLASMAA J The eyes of the skyn architecture and the senses Chichester John Wiley Sons 2005 PARAMETRIZAÇÃO de Famílias no Revit Sl DANEngenharia 2017 1 vídeo 1 min 10 s Publicado pelo canal DANEngenharia Disponível em httpswwwyoutubecomwatchvyE 6zB64aAc Acesso em 16 set 2019 SASS L OXMAN R Materializing design the implicationsof rapid prototyping in digital design Design Studies sl v 27 n 3 p 325355 maio 2006 SAURA C E Aplicação da prototipagem rápida na melhoria do processo de desenvolvi mento de produtos em pequenas e médias empresas Dissertação Mestrado em Engenharia Mecânica Universidade Estadual de Campinas Campinas 2003 SKETCHUP TEXTURE CLUB portal Sl sd Disponível em httpswwwsketchuptextu reclubcom Acesso em 16 set 2019 Agora repita o mesmo processo de dimensionamento para todos os ambientes listados em seu programa de necessidades Se precisar você pode desenhar o modelo do ambiente para facilitar o processo Avançando na prática Compatibilização do plano de massas ao dimensionamento Outra função para o dimensionamento das edificações é verificar as condições de implantação da construção no terreno pretendido Dependendo da relação entre a área total da edificação e a área do terreno é possível determinar se ele comporta a edificação ou não e qual será sua tipologia construtiva térreo ou em mais pavimentos Dessa forma sua tarefa será verificar se ISBN 9788552215868 9788552215868