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Volume 2 Número 3 JanJul2009 221 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 A Tomada de Consciência da Crise de Identidade Profissional em Professores do Ensino Fundamental 1 Eliane Paganini da Silva2 Cilene Ribeiro de Sá Leite Chakur3 Resumo Este trabalho investigou se professores do II Ciclo do Ensino Fundamental 5ª a 8ª séries de uma escola paulista têm consciência de suas funções e responsabilidades como professores como avaliam a crise da profissão docente descrita na bibliografia educacional e se estão conscientes dessa crise com seus determinantes A pesquisa recorreu a estudos que tratam da identidade dos saberes e das dificuldades do professor utilizando como suporte teórico para a análise a teoria de Jean Piaget do desenvolvimento cognitivo e da tomada de consciência Foram entrevistados 12 professores com base em um roteiro semiestruturado tendo como eixo temático as características e consciência da crise de identidade docente A partir de análise qualitativa e quantitativa foi possível estabelecer níveis distintos da tomada de consciência dessa crise Nível I Consciência elementar ou periférica da crise de identidade profissional Nível II Consciência incipiente da crise de identidade profissional e Nível III Consciência refletida da crise de identidade profissional Concluiuse que a tomada de consciência da crise de identidade profissional docente não se mostra repentina nem consiste em um processo de iluminação mas se revela em certos níveis hierárquicos E para que os professores atinjam o terceiro nível de consciência devem ter refletido sobre as reais causas dos acontecimentos e dos problemas percebendo os elementos centrais da situação em detrimento dos seus elementos periféricos Palavraschave Identidade profissional do professor Tomada de consciência da crise de identidade docente Profissionalização docente Papel profissional do professor 1 Este trabalho foi em grande parte apresentado no XIV ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICA DE ENSINO realizado em Porto Alegre em 2008 2 Mestre em Educação Escolar pela UNESP campus de AraraquaraSP docente do Centro Universitário de São José do Rio PretoSP Email elianpshotmailcom 3 Doutora em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano pela USP professora livre docente aposentada da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de AraraquaraSP Email chakurfclarunespbr Volume 2 Número 3 JanJul2009 222 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 The Conscience Taking of the Professional Identity Crisis in Teachers of Primary Education Abstract This work researched if the Cycle II of the Primary School teachers 5th to 8th degrees from one school of a city of São Paulo State were aware of their functions and responsibilities as teachers how they evaluate the teaching professional crisis described in the educational bibliography and if they are conscious of this crisis with their determinants The research appealed to the studies that deal with the teachers identity knowledge and difficulties and used Jean Piagets theory of the cognitive development and the consciousness taking as the theoretical support of the analysis 12 teachers were interviewed by a semistructured guide which had as thematic axis the characteristics and conscience of the teaching identity crisis By means of qualitative and quantitative analysis it was possible to establish different levels of the consciousness taking of this crisis Level I Elementary or peripherical consciousness of the crisis of professional identity Level II Incipient consciousness of the professional identity crisis and Level III Reflected consciousness of the professional identity crisis It was concluded that the consciousness taking of the teaching professional crisis does not appear suddenly nor it consists a lighting process but it show some hierarquical levels And to reach the third level of consciousness the teachers must reflect on the genuine causes of the events and problems catching the central elements of the situation by relegating their peripherical elements Keywords Teachers professional identity Consciousness taking of the teaching identity crisis Teaching professionalization Teachers professional role Volume 2 Número 3 JanJul2009 223 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Introdução O processo de formação da identidade pessoal tem início na fase infantil na medida em que a criança assimila traços e características de pessoas e objetos externos valorizados É um processo que ocorre de acordo com a cultura e a categoria social do indivíduo O desenvolvimento do eu depende em grande parte das pessoas ou grupos de pessoas com os quais nos identificamos mas isto nunca ocorre em nível generalizável e a intensidade desta identificação é variável Nesse processo o indivíduo adota papéis e atividades das outras pessoas que lhe parecem significativas adquirindo sua identidade subjetiva ou seja a identidade se mantém modificase e remodelase em uma dialética entre o euoutros MOGONE 2001 p 16 Um aspecto importante para a definição de identidade segundo Vianna 1999 p 51 é a tensão entre imutabilidade e dinamicidade sendo a identidade o conjunto de representações do eu pelo qual o sujeito comprova que é sempre igual a si mesmo e diferente dos outros Alguns autores consideram que a identidade não é exclusiva do campo individual mas também do coletivo A identidade coletiva não é decorrência direta da individual mas possui outro sistema de relações ao qual os atores se referem e em relação ao qual tomam referimento VIANNA 1999 p 52 A identidade pessoal e a identidade construída coletivamente são essenciais para definir a identidade profissional do indivíduo A esse respeito Pimenta 1997 p 7 salienta que a identidade profissional docente Volume 2 Número 3 JanJul2009 224 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 se constrói pois a partir da significação social da profissão constróise também pelo significado que cada professor enquanto ator e autor confere à atividade docente no seu cotidiano a partir de seus valores de seus modo de situarse no mundo de sua história de vida de suas representações de seus saberes de suas angústias e anseios do sentido que tem em sua vida o ser professor Assim como a partir de sua rede de relações com outros professores nas escolas nos sindicatos e em outros agrupamentos Entendemos identidade profissional docente como um processo contínuo subjetivo que obedece às trajetórias individuais e sociais que tem como possibilidade a construçãodesconstruçãoreconstrução atribuindo sentido ao trabalho e centrado na imagem e autoimagem social que se tem da profissão e também legitimado a partir da relação de pertencimento a uma determinada profissão no caso o Magistério Mas a bibliografia educacional tem mostrado que os professores vivem já há algum tempo uma crise em sua profissão e em seu fazer ESTEVE 1995 e 1999 LOURENCETTI 2004 NACARATO VARANI e CARVALHO 2000 Essa crise se revela como uma espécie de malestar docente ESTEVE 1999 relacionado à tendência à desprofissionalização que é decorrente por sua vez de mudanças sociais que transformam a imagem e a autoimagem do professor causando desmotivação pessoal insatisfação com a profissão autoimagem negativa isenção de responsabilidade indefinição de sua função etc Essa é uma situação segundo pensamos que apresenta sinais de crise também na identidade profissional do professor Sabemos que a formação da identidade profissional do professor sofre um processo lento e se desenvolve por meio de apreciações e apropriações do mundo escolar ou seja nas relações de convívio social e na prática docente Nesse processo o professor provavelmente se depara com dificuldades ambiguidades e confusões quanto à própria imagem e papel e para que a identidade docente se estruture firmemente é necessária a tomada Volume 2 Número 3 JanJul2009 225 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 de consciência do que é realmente pertinente à profissão É com a preocupação de esclarecer esse processo que realizamos a presente pesquisa O referencial de análise a perspectiva piagetiana Para analisar os dados da presente pesquisa recorremos principalmente à perspectiva teórica de Piaget que segundo pensamos apresentase rica e coerente o bastante para poder ser aplicada a adultos e além disso a profissionais de uma certa área CHAKUR 2001 Segundo Piaget em suas interações com o mundo o indivíduo muitas vezes se depara com obstáculos e problemas e busca superálos Mas ocorre que muitas vezes suas condições intelectuais atuais estruturas cognitivas não dão conta das exigências encontradas no ambiente e tendem portanto a se modificar a se diferenciar em novas estruturas para que os conteúdos que o ambiente oferece possam ser assimilados e os obstáculos possam ser compensados Para Piaget é esse processo contínuo de busca de equilíbrio entre indivíduo e ambiente que ele chama de processo de equilibração o principal responsável pelo desenvolvimento intelectual Mas em sua proposta o autor não deixa de valorizar também os aspectos biológicos hereditariedade e maturação educativos e sociais em geral como fatores que interferem no desenvolvimento Pesquisando a tomada de consciência em crianças e adultos Piaget 1977 p 198 descobre que ela procede da periferia para o centro sendo esses termos definidos em função do percurso de um determinado comportamento Segundo Piaget quando o indivíduo realiza uma determinada ação pode obter êxito ou não entretanto mesmo quando obtém êxito comumente explica como o obteve sem uma reflexão sem realmente tomar consciência do porquê do êxito Volume 2 Número 3 JanJul2009 226 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 De acordo com Piaget 1977 muitas vezes analisamos apenas as relações aparentes mais externas sobre aquilo que fazemos desconsiderando o que realmente leva à realização de determinada ação essa parte superficial é o que ele chama de periferia da consciência a reação mais imediata e exterior do sujeito em face do objeto enquanto o centro seria formado pelos meios e razões quando buscamos o como e os porquês do êxito ou fracasso alcançado com nossas ações Para ele a tomada de consciência é um processo que obedece a níveis sucessivos e hierarquizados assim como ocorre com o processo de desenvolvimento cognitivo Desse modo a tomada de consciência consiste em fazer passar alguns elementos de um plano inferior inconsciente a um plano superior consciente e que esses dois estágios não possam ser idênticos A tomada de consciência constitui pois uma reconstrução no plano superior do que já está organizado mas de outra maneira no plano inferior PIAGET 1973 p 41 Consideramos que a tomada de consciência é um conceito bastante rico que pode ser tomado para analisar a consciência que os professores dispõem sobre a possível crise de identidade profissional que enfrentam e que é objeto do presente trabalho O desenvolvimento da pesquisa A pesquisa teve como objetivo investigar como professores do Ensino Fundamental avaliam a imagem do professor e a própria autoimagem e como enfrentam a crise em sua identidade e em sua profissão tal como descrita na bibliografia educacional recente Os professores estão conscientes dessa crise Conhecem por exemplo seu núcleo e seus determinantes Participaram da pesquisa doze professores de várias disciplinas curriculares de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental de uma cidade do interior paulista Os professores que serão a seguir identificados por siglas pertinentes às respectivas áreas se distribuíam do seguinte modo 2 professores de Volume 2 Número 3 JanJul2009 227 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Português P1 e P2 2 de Matemática M1 e M2 2 de História H1 e H2 2 de Geografia G1 e G2 1 de Educação Física F1 1 de Educação Artística A1 e 2 de Ciências C1 e C2 com idades variando de 25 a 56 anos e com tempo de serviço no magistério de 5 a 35 anos Os dados foram coletados mediante entrevista semiestruturada com um roteiro contendo dois blocos de questões O primeiro se referia à imagem de ser professor e à autoimagem de cada participante como tal O segundo buscava saber o que incomodadificulta o trabalho em sala de aula ou fora dela se os professores se encontravam em crise e qual o seu centro e determinantes As entrevistas foram gravadas com a devida autorização e transcritas pela pesquisadora de modo literal O procedimento seguiu os princípios do método clínico piagetiano o que permitiu explorar com certa profundidade o que pensam os professores a respeito do tema em questão Lembramos que o foco da entrevista clínica é a forma de pensamento do entrevistado e desse modo o roteiro de entrevista não segue uma sequência fixa de questões privilegiando o ritmo e a ordenação sugerida pelas respostas do entrevistado A análise dos dados foi eminentemente qualitativa Inicialmente foram agrupadas em categorias as respostas semelhantes e em seguida conforme a questão as categorias foram hierarquizadas em níveis distintos Os critérios de análise serão detalhados adiante juntamente com os resultados obtidos As respostas foram também submetidas à análise quantitativa quando procedemos à tabulação de frequências absoluta e porcentual de cada categoria com porcentagens calculadas pelo número de professores ou seja 100 equivalendo a 12 professores Volume 2 Número 3 JanJul2009 228 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Ser professor e suas imagens No primeiro eixo de análise questionamos os professores sobre sua função imagens que eles têm de si mesmos como profissionais da educação e valor de um professor na atualidade A função do professor como afirma Gimeno Sacristán 1991 encontrase em permanente elaboração e depende diretamente das relações e dos contextos sociais nos quais a comunidade docente se encontra A dificuldade de definição das atribuições do professor acaba por levar à incorporação de uma multiplicidade de tarefas que muitas vezes ultrapassam a função docente fugindo de seu alcance e caracterizando atividades próprias de profissões ou ocupações distintas das do magistério Todo esse contexto como salientam Esteve 1999 e Lourencetti 2004 dificulta e emperra o trabalho e o ânimo dos professores o que consequentemente interfere na imagem que eles próprios e a sociedade possuem do profissional docente Na questão sobre O que é ser professor as respostas variaram entre os que acreditam que ser professor é transmitir conhecimentos com seis depoimentos G1 H2 A1 H1 G2 F1 50 e os que apontam ser necessário ter consciência de seu papel e de sua responsabilidade para com os alunos com depoimentos de quatro professores P1 P2 H2 C2 333 São exemplos de depoimentos dessas categorias Ah eu não tenho assim muitas ilusões não eu acho que ser professor hoje em dia é conseguir passar o conteúdo alguns valores mas o sistema torna a gente um simples transmissor de conhecimento não tá dando para ser professor G1 É você saber valorizar aquela pessoa que você tá conduzindo você tem que ter consciência de que você tem alunos que precisam de você para saber determinados conhecimentos que só vai ter com você Eu acho que ser professor é você ter consciência da responsabilidade de ser professor H2 Volume 2 Número 3 JanJul2009 229 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Segundo um dos entrevistados C1 para ser professor é preciso cumprir tarefas diversificadas inclusive que não são próprias da profissão para outro tratase de uma profissão diferenciada M2 Eu acho que ser professor é ser muitas coisas é ser um profissional é ser um parente é ser um amigo porque acaba ficando muito tempo com a criança você não é só um profissional você acaba sendo uma parte do da continuação da família da criança Acho que ser professor é muito mais que ser só um profissional cumprir uma tarefa C1 Olha eu gosto muito do que eu faço acho que é muito gratificante eu sei lá primeiro lugar é uma profissão sem dúvida é uma profissão que é diferente de ser um advogado por exemplo porque você dá de você direto para pessoas você tem de ficar ali direto do lado dos alunos pra tentar passar pros alunos o que você sabe é uma profissão sem dúvida mas é um negócio muito gratificante M2 Percebemos em alguns depoimentos que a identidade profissional se apresenta confusa Ou será que ser professor é realmente cumprir tarefas diversificadas tal como atuar como parente amigo parte da família Para ser professor é preciso se sentir gratificado ou ver o progresso dos alunos Estes são elementos essenciais à profissionalidade docente Considerações feitas por Cunha 1998 e Hypolito 1998 apontam a existência de uma dificuldade histórica na constituição da profissionalização docente Isso nos levaria a pensar que a questão de ser professor de se tornar professor envolve uma série de atributos que nem sempre são facilitados pelas políticas públicas educacionais que também nem sempre visam à constituição da docência como uma profissão realmente Afirmarse como profissional é um sonho almejado há muito pelos professores Quando questionamos se qualquer pessoa poderia ser professor as respostas foram negativas com exceção de um deles mas que recorre à mesma explicação encontrada nas respostas negativas Seis professores M2 P2 C2 G2 H1 F1 50 afirmaram que tem que ter formação Cinco ou 416 F1 G1 H2 A1 M1 relataram que tem que gostar Volume 2 Número 3 JanJul2009 230 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 da profissão Quatro P1 P2 H2 M1 333 disseram que é necessário ter dom para ser professor Pode é pode se você receber formação H1 Eu acredito que não E acho que o equívoco reside nesta questão mesmo O professor é uma pessoa que precisa ser capacitada para o ofício de ensinar A ele devem ser dadas ensinadas teorias que fundamentem a sua prática Ele precisa ser formado na íntegra Tudo é essencial Além da teoria muita prática P2 Olha eu acho que para ser professor tem que gostar muito da profissão porque se a pessoa não gosta da profissão ela não vai fazer aquele trabalho com carinho e amor ela vai deixar tudo de qualquer jeito Não é QUALQUER pessoa não teria que gostar da educação ter dom A1 Para dois professores 167 é necessário ter paciência G2 G1 e ainda um único entrevistado 83 afirma que é preciso ter consciência C1 para ser educador Percebemos em certos casos que faz parte do imaginário docente a imagem de professor abnegado aquele que professa algo Brzezinski 2002 p 16 também ressalta que a profissão professor se mantém associada à idéia de fé de sacerdócio a vocação para ser professor diz respeito à dedicação e abnegação ao apostolado e segundo a autora tal concepção condiz com o imaginário social que relaciona a profissão professor com a fé como um chamado para prestar um serviço ao bem comum Talvez isso explique o fato de tais concepções permearem as afirmações de nossos participantes de que qualquer um pode ser professor desde que tenha dom ou paciência pois estas são características essenciais para uma profissão que se respalde na abnegação na fé e na dedicação ao bem comum Quando questionamos que imagem cada um teria de si próprio como professor apareceram basicamente cinco imagens sendo elas Volume 2 Número 3 JanJul2009 231 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Professoramigo segundo cinco professores C1 C2 P2 H1 G1 416 para ter uma boa imagem os professores têm que ter um bom relacionamento com os alunos que os mesmos gostem deles e ainda devem saber lidar com adolescentes A imagem que eu faço de mim é a imagem que eu percebo que os alunos representam pra mim como alguém muito fácil de fácil acesso Uma pessoa educada é eu não altero a voz eu procuro ser bem próxima a eles ser amiga divertida eu gosto de ser muito divertida eu acho que eles me vêem como uma amiga como um ser humano P2 Professor dedicado quatro entrevistados 333 M2 A1 P1 P2 entendem que possuem uma imagem de professor amoroso maternal Exemplo Primeiro eu achava que eu era muito enérgica meio carrasca hoje eu mudei Porque depois que eu casei tive filhos passei a ver as coisas de uma outra forma M2 Professorcompetente ainda quatro professores 333 indicam uma imagem de professor que domina o conteúdo C1 M1 H2 G2 Eu me acho uma pessoa competente e para você ser professor você tem que se interessar e ser muito interessado e tem que tentar se renovar sempre se atualizar H2 Professor menteabertaconsciente também para 333 dos entrevistados a autoimagem é daquele que se atualiza reconhece erros procura melhorar tem a mente aberta C2 P1 H1 H2 Eu procuro fazer o melhor sempre me dediquei bastante tenho muitas falhas procuro ter autocrítica para observar essas falhas e tentar corrigir mas a gente não consegue ser perfeito então eu procuro sempre melhorar observar onde eu tô falhando tentar consertar modificar P1 Professormodelo Apenas um dos professores 83 afirma que para ter uma boa imagem tem que dar exemplo para o aluno F1 Volume 2 Número 3 JanJul2009 232 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Eu acho que tenho uma imagem boa tento fazer o melhor de mim passar o que eu sei levar uma vida saudável que no caso da Educação Física eu tenho que saber lidar com isso praticar atividade física ser coerente com a minha profissão entendeu Tem muito professor de Educação Física que não se cuida vai na escola por ir eu cultivo o que eu ensino para eles na minha casa na minha família F1 Os depoimentos que sugerem uma ligação entre o instinto amoroso e maternal e a própria imagem de professor dedicado são sem dúvida imagens recorrentes no senso comum Segundo Arroyo 2000 essa imagem de devotamento é algo histórico pois os professores do Ensino Fundamental 5ª a 8ª séries trazem resquícios de um ciclo que tinha e continuou a ter como função intermediar a educação primária à formação universitária criandose portanto um vácuo de um saber profissional capaz de dar conta da educação e da formação cognitiva ética estética cultural etc da adolescência e da juventude p 31 Questionamos também qual o valor de um professor nos dias atuais e foi possível agrupar as respostas em três categorias distintas Para sete entrevistados F1 M2 P1 G1 H1 H2 M1 583 o professor atualmente tem muito pouco valor ou é desvalorizado três deles P2 A1 C2 25 acham que o professor não tem nenhum valor e ainda dois professores C1 G2 167 consideram que o professor tem seu valor mas não é reconhecido Exemplos Hoje em dia acho que professor não tem mais valor não sabe antigamente se respeitava pai e mãe acatava decisões hoje em dia eles não dão valor sabe tá muito desvalorizada tanto financeiramente como em termos de educação F1 Nenhum porque tá relacionado também com o quanto você ganha como é a sua vida porque a sociedade hoje se baseia por quem tem não quem é e o professor geralmente não tem a não ser que ele tenha tido a sorte de ganhar um carro uma casa ou casado com uma pessoa bem de vida então eu já tive épocas em que eu tive vergonha P2 Ai coitados eu não sei eu acho que o professor tem um valor muito grande mas ele não é reconhecido nos dias de hoje apesar de Volume 2 Número 3 JanJul2009 233 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 continuarem se formando muitas pessoas continuarem lutando pelas vagas nas universidades Agora essa imagem ela acaba não sendo boa C1 É necessário salientar o que os participantes entendem por valor Para um deles C1 o valor do professor tem correspondência direta com o fator financeiro com o fato de ele ser mal pago dois A1 F1 apelam para o aspecto educativo quatro P1 P2 G1 H2 para o profissional dois M2 H1 acreditam que moralmente respeito dos alunos o valor é pouco e finalmente para cinco deles M1 M2 P1 H1 G2 a desvalorização tem caráter social Percebemos então que para uma boa parte dos professores a desvalorização docente é predominantemente social O mesmo é legitimado por Esteve 1999 quando ressalta que a imagem pública do professor é que acaba por ser responsável por sua importância profissional Na realidade é de acordo com a avaliação que fazem de nós que acabamos por nos definir pois a valorização de uma categoria profissional é diretamente ligada à imagem veiculada socialmente A tomada de consciência da crise de identidade docente A maneira como uma dada profissão é vista externamente como ela é situada pública e socialmente tem um peso considerável No caso do Magistério a desvalorização social é atrelada ao fato de que atualmente o professor não é mais apenas o único detentor de informações e por isso ora é visto como um membro social importante ora não Com relação à desvalorização política podemos ressaltar que embora os professores formem uma categoria esta não possui força suficiente para mudar a situação em que se encontram Consideramos que toda esta situação também se reflete na identidade do professor resultando em uma crise de identidade profissional Esta crise diz respeito ao modo como os professores se veem e como são vistos Volume 2 Número 3 JanJul2009 234 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 pelos outros diz respeito ao próprio trabalho ao valor social que possuem ou não a seus saberes e à sua competência para ensinar É uma crise que confunde os papéis próprios à profissão docente fazendo com que o professor concorde em realizar tarefas que o desviam de sua função de ensinar Nossa análise mostrou que a tomada de consciência da crise de identidade profissional ocorre em certos níveis Algumas respostas se centram na periferia da crise vivida pelos professores ao focalizar elementos e fatores mais imediatos e aparentes da situação apresentada Outras respostas superam esse imediatismo na direção do que é central à identidade docente quando salientam o menos imediato e aparente tais como o sentimento de pertencimento a uma dada profissão que depende do contexto histórico no qual o indivíduo vive como ressalta Vianna 1999 a importância da imagem e da autoimagem da profissão ARROYO 2000 GIDDENS 2002 a presença de saberes específicos angústias e anseios do professor e suas relações com outros profissionais da categoria GAUTHIER et al 1998 PIMENTA 1997 TARDIF 2002 Este critério constituiu o fundamento para o estabelecimento de três níveis distintos de tomada de consciência da crise de identidade profissional docente descritos a seguir Classificamos no nível I Consciência elementar ou periférica da crise de identidade profissional respostas que se centravam em elementos periféricos da situação apresentada PIAGET 1977 O nível intermediário II Consciência incipiente da crise de identidade profissional ficou reservado aos depoimentos que apresentaram traços característicos dos níveis I e III simultaneamente na mesma questão quando as duas categorias centralperiférico aparecem com o mesmo peso de forma ambígua ou confusa Volume 2 Número 3 JanJul2009 235 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Por fim foram classificados no nível III Consciência refletida da crise de identidade profissional depoimentos que se ativeram aos elementos centrais das questões colocadas ou seja à consciência do como e do porquê da situação e dos seus resultados processo que ocorre por meio da abstração reflexionante PIAGET 1977 1978 Lembramos que a classificação em elementos centrais e periféricos não pode ser generalizada e diz respeito a certa situação Assim o que é central em certa situação pode se revelar como periférico em outra Os níveis de consciência dos professores em cada questão são definidos como segue Os depoimentos foram transcritos na íntegra e se encontram em itálico 1 A primeira questão sobre a tomada de consciência da crise de identidade profissional indagava ao professor O que incomoda ou dificulta a realização do seu trabalho seja dentro ou fora da sala de aula Para esta questão obtivemos os seguintes resultados Nível I Este nível ficou reservado aos cinco 417 professores M2 P1 P2 H2 F1 que se centraram em aspectos mais imediatos e aparentes da situação tais como indisciplina dos alunos ausência da família ausência de recursos materiais físicos da escola falhas da direção Entendemos que tais elementos são periféricos na questão pois apesar de dificultar a tarefa do professor não são determinantes do seu trabalho e atuam no aqui e agora Por exemplo Eu acho que fora da sala de aula é muita burocracia e dentro da sala de aula hoje eu acho que é comportamento disciplina de aluno é o que mais atrapalha P1 Indisciplina incomoda demais falta de vontade de o aluno aprender incomoda muito desinteresse acho que é uma coisa assim familiar a criança não tem interesse porque pai e mãe não cobra culpa dos pais e essa indisciplina dificulta meu trabalho M2 Volume 2 Número 3 JanJul2009 236 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Nível II Quatro professores C1 C2 M1 H1 apresentaram respostas ambíguas 333 baseadas em elementos centrais e periféricos ao mesmo tempo como por exemplo diretor amigo periféricoespírito corporativo central desinteresse dos alunos periféricomá remuneração central desinteresse dos alunos periféricosaberes central Exemplos Eu acho que muitas vezes não tem um comprometimento com a escola eles professores acabam apenas dando seus 50 minutos de aula e se esquecendo que tem outras atividades dentro da escola Acho que o diretor poderia ser mais amigo digamos assim mais companheiro eu acho que às vezes essa falta de coleguismo que existe Por que acontece Eu acho que hoje as pessoas vivem meio individualista pensam muito nelas elas têm os problemas particulares C1 O salário risos o baixo salário esse baixo salário me obriga a dar muitas aulas então eu dou muitas aulas eu tenho menos tempo para preparar essas aulas O que dificulta os alunos que não estão interessados em aprender que não tem cultura alguma que chegam para a escola muito cru é uma dificuldade imensa de você tentar fazer alguma coisa diferente e eles não responderem eles não querem eles não querem fazer Por que isso acontece Porque o Estado não investe de maneira adequada na educação a preocupação não é com a qualidade mas com a quantidade então isso tudo cria todo um sistema de desvalorização do trabalho docente H1 Nível III Depoimentos de três entrevistados G1 G2 A1 25 se basearam em elementos menos aparentes e mais centrais às reais dificuldades do professor desvalorização do trabalho docente políticas públicas educacionais exigências sociais saberes e espírito corporativo sempre tendo como interesse maior a afirmação da identidade Exemplos Baixos salários jornada estafante salas lotadas legislação absurda etc Porque existe um grande interesse das elites nacionais e internacionais em deixar o povo brasileiro cada vez mais idiota sem instrução para que eles possam comandar e roubar como vem se fazendo hoje Povo instruído reivindica seus direitos G1 Bem o que mais me incomoda é o fato de as leis mudarem constantemente e as teorias pedagógicas que temos que acatar só porque estão na moda Isso sem falar nas condições de trabalho que muitas vezes são péssimas G2 Volume 2 Número 3 JanJul2009 237 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 2 Perguntamos diretamente se os professores vivem ou não uma crise de identidade profissional qual o seu centro e suas causas e foi possível perceber mais precisamente os níveis de tomada de consciência Nível I Neste nível predominaram respostas vagas ou respostas que não apresentavam argumentações sobre sua avaliação Dois professores 167 M1 F1 focalizaram além disso uma crise pessoal existencial e não profissional quanto ao centro e às causas da crise referiramse ao cotidiano ou a tudo e a todos à falta de estrutura material falta de interesse dos alunos a ausência da família ou ainda apresentando respostas vagas Por exemplo Eu não diria crise crise existencial eu tô desde que eu nasci há 57 anos Você vê pessoas descontentes algumas estão em crise Qual o centro da crise A crise que o professor passa hoje é a crise de todo mundo não é diferente Ela se refere à preocupação com a vida com os filhos à situação do país você liga TV só vê corrupção o pai que ganha salário mínimo A crise é uma crise social é da sociedade como um todo e o indivíduo é coparticipante dessa crise O que causa Nos comportamos como os remadores na galera do Império Romano a gente não sabe exatamente aonde vai É um período negro o pessoal tem medo medo de ser assaltado de enfrentar tomar posição acaba atrapalhando a escola Interferiram na crise as reformas Para mim não mas para os outros professores acredito que sim porque eles não entenderam a progressão continuada e ficam martirizados com isso M1 Nível II Quatro entrevistados 333 C1 P1 G1 A1 apresentaram algumas confusões entre elementos centrais e periféricos como por exemplo a democratização do ensino e a falta de material assim como o desinteresse dos alunos as crianças não gostam da escola como sendo os motivos centrais da crise e ao mesmo tempo se preocupavam com a formação dos professores a má remuneração a questão da saúde dos professores e o sistema Eu não porque eu não crio falsas expectativas mas quem cria está em crise profunda Qual o centro dessa crise Tudo tá errado O sistema é absurdo ele é feito pras crianças não gostarem da escola não tem como Você acha que é o sistema que causa essa crise É Volume 2 Número 3 JanJul2009 238 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 por exemplo a criança tem vocação para música não se ensina música na escola a criança gosta de Educação Física são apenas 2 aulas por semana a criança gosta de Inglês a mesma coisa Não se trabalha aquilo que a criança gosta todo mundo tem que ser igual As reformas interferem Ah sim estão todos equivocados e contribuíram para piorar mais a situação a progressão continuada é um absurdo sem precedentes é aprovação automática só que é uma aprovação automática que vai reprovar o aluno na vida eles não vão ser reprovados na escola mas vão sair daqui semianalfabetos e vão quebrar a cara lá fora no mercado de trabalho G1 Nível III Seis entrevistados 50 C2 M2 P2 G2 H1 H2 perceberam a crise em seus elementos centrais a má remuneração a formação dos professores a desvalorização do magistério as condições sociais do contexto brasileiro e a saúde mental dos profissionais da educação Perguntados sobre as causas dessa crise os professores indicam fatores semelhantes má formação desprestígio social e econômico má remuneração sistema de ensino políticas e condições sociais condições emocionais saúde do professor afirmaram também que as reformas interferem na crise de identidade docente Por exemplo Sim eu acho que sei lá Acho que estamos sim E qual seria o centro dela Olha o centro é a má distribuição das verbas públicas e aí somos mal remunerados não temos apoio para a realização de muitas de nossas tarefas E as causas As causas são a falta de incentivo dos órgãos públicos seu descaso para com a educação fora a situação social e econômica da sociedade brasileira E as reformas interferem na crise do professor Acho que sim principalmente a progressão continuada teve um impacto muito grande em nosso trabalho ficamos de mãos atadas G2 As duas crises da profissão de Magistério e da identidade profissional docente muitas vezes são confundidas como se fossem a mesma coisa Mas consideramos que para que se instale uma crise de identidade profissional a profissão docente não precisa estar necessariamente em crise pois a identidade profissional implica a existência de elementos subjetivos além daqueles próprios da profissão em questão Desse modo não se pode confundir os dois tipos de crise embora a crise na profissão possa interferir na identidade do professor Volume 2 Número 3 JanJul2009 239 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Obviamente pode haver uma crise na profissão docente mas o professor pode não passar por nenhum conflito interno com relação à profissão que exerce e como a exerce Entretanto a crise na profissão se apresenta como um pano de fundo profundamente contagiante para uma crise também da identidade pois se a profissão não se encontra em crise os profissionais que a exercem podem atuar com maior tranquilidade Digamos que a crise do Magistério aumenta as chances de uma crise de identidade Tendo em vista os diferentes níveis de consciência fica claro que alguns professores percebem melhor que outros o que ocorre com a profissão e com a própria identidade O que nos mostra também que esses professores parecem não refletir também no sentido atribuído por Piaget sobre os reais problemas que interferem em seu dia a dia Pois para Piaget quando tomamos consciência não basta expor o que achamos que resolva os problemas mas precisamos refletir sobre como e por que se chegou ou não a tal resultado Considerações finais Podemos concluir que assim como a bibliografia educacional vem afirmando os professores se encontram em uma crise profissional e também em uma crise de identidade mantendo estas uma relação estreita com limites muito tênues entre os aspectos que as caracterizam Mas consideramos que nem sempre a crise de identidade é percebida pelos professores em seus aspectos centrais e em seus determinantes Tal como encontrado por Piaget 1978 no âmbito da ação a tomada de consciência da crise da profissão e da identidade se processa em níveis distintos O nível que apareceu predominantemente foi o intermediário um nível em que os professores na maioria das questões apresentam respostas ambíguas e confusas com relação aos elementos centrais e periféricos da consciência da identidade profissional Muitos professores não conseguem perceber o motivo central pelo qual se sentem incomodados ou que dificulta o próprio trabalho As reais causas da Volume 2 Número 3 JanJul2009 240 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 dificuldade e da crise ficam perdidas em meio às atribulações do cotidiano escolar Assim como os professores se mostraram confusos em muitos aspectos em muitos momentos deixaram surgir alguém com a profissionalidade abalada mal definida com uma autoimagem pouco expressiva e desvalorizada sem espírito de corpo entre seus pares comprometendo assim sua identidade Diante do processo de desvalorização profissional do professor e da eventual crise educacional que parece ser evidente nos dias atuais afirmar a identidade profissional docente pode contribuir para mudar este quadro e buscar melhores condições de trabalho para essa categoria O professor necessita de uma definição mais precisa de sua identidade profissional para se afirmar perante o ensino e até mesmo perante a categoria docente propriamente dita Um professor que reconhece e tem consciência do seu papel desempenha seu trabalho com maior segurança desenvoltura autonomia e pode assim desenvolver práticas pedagógicas mais criativas e de qualidade Sem dúvida este é o nosso maior desejo Referências ARROYO M G Ofício de Mestre imagens e autoimagens Petrópolis RJ Vozes 2000 BRZEZINSKI I Org Profissão professor identidade e profissionalização docente Brasília DF Editora Plano 2002 CHAKUR C R de S L Desenvolvimento profissional docente contribuições de uma leitura piagetiana Araraquara JM Editora 2001 CUNHA M I Profissionalização docente contradições e perspectivas In VEIGA I P A CUNHA M I da Org Desmistificando a profissionalização do magistério Campinas SP Papirus 1999 p 127147 ESTEVE J H Mudanças sociais e função docente In NÓVOA A Org Profissão professor 2 ed Porto Porto Editora 1995 p 95124 Volume 2 Número 3 JanJul2009 241 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 ESTEVE J H O malestar docente a sala de aula e a saúde dos professores São Paulo EDUSC 1999 GAUTHIER C et al Por uma teoria da Pedagogia pesquisas contemporâneas sobre o saber docente Ijuí Ed Unijuí 1998 GIDDENS A Modernidade e identidade Rio de Janeiro Zahar 2002 GIMENO SACRISTÁN J Consciência e acção sobre a prática como libertação profissional dos professores In NÓVOA A Profissão Professor Porto Porto Ed 1991 p 6192 HIPOLYTO A M Trabalho docente e profissionalização sonho prometido ou sonho negado In VEIGA I P A CUNHA M I da Org Desmistificando a profissionalização do magistério Campinas SP Papirus 1999 p 81100 LOURENCETTI G C Mudanças sociais e reformas educacionais repercussões no trabalho docente 2004 Tese Doutorado em Educação Escolar Faculdade de Ciências e Letras Universidade Estadual Paulista Araraquara 2004 MOGONE J A De alunas a professoras analisando o processo da construção inicial da docência 2001 Dissertação Mestrado em Educação Escolar Faculdade de Ciências e Letras Universidade Estadual Paulista Araraquara 2001 NACARATO et al O cotidiano do trabalho docente palco bastidores e trabalho invisível abrindo as cortinas In GERALDI C M G FIORENTINI D PEREIRA E M de A Org Cartografias do trabalho docente professora pesquisadora Campinas Mercado das Letras 2000 PIAGET J Problemas de psicologia genética Rio de Janeiro Forense 1973 PIAGET J A tomada de consciência São Paulo Melhoramentos 1977 PIAGET J Fazer e compreender São Paulo Melhoramentos 1978 PIMENTA S G Formação de Professores Saberes da Docência e Identidade do Professor Nuances v III Presidente Prudente 1997 p 0514 TARDIF M Saberes docentes e formação profissional Rio de janeiro Vozes 2002 VIANNA C Os nós do nós crise e perspectiva da ação coletiva docente em São Paulo São Paulo Xamã 1999 Recebido em 12 de outubro de 2009 Aprovado em 21 de outubro de 2009 Volume 2 Número 3 JanJul2009 221 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 A Tomada de Consciência da Crise de Identidade Profissional em Professores do Ensino Fundamental 1 Eliane Paganini da Silva2 Cilene Ribeiro de Sá Leite Chakur3 Resumo Este trabalho investigou se professores do II Ciclo do Ensino Fundamental 5ª a 8ª séries de uma escola paulista têm consciência de suas funções e responsabilidades como professores como avaliam a crise da profissão docente descrita na bibliografia educacional e se estão conscientes dessa crise com seus determinantes A pesquisa recorreu a estudos que tratam da identidade dos saberes e das dificuldades do professor utilizando como suporte teórico para a análise a teoria de Jean Piaget do desenvolvimento cognitivo e da tomada de consciência Foram entrevistados 12 professores com base em um roteiro semiestruturado tendo como eixo temático as características e consciência da crise de identidade docente A partir de análise qualitativa e quantitativa foi possível estabelecer níveis distintos da tomada de consciência dessa crise Nível I Consciência elementar ou periférica da crise de identidade profissional Nível II Consciência incipiente da crise de identidade profissional e Nível III Consciência refletida da crise de identidade profissional Concluiuse que a tomada de consciência da crise de identidade profissional docente não se mostra repentina nem consiste em um processo de iluminação mas se revela em certos níveis hierárquicos E para que os professores atinjam o terceiro nível de consciência devem ter refletido sobre as reais causas dos acontecimentos e dos problemas percebendo os elementos centrais da situação em detrimento dos seus elementos periféricos Palavraschave Identidade profissional do professor Tomada de consciência da crise de identidade docente Profissionalização docente Papel profissional do professor 1 Este trabalho foi em grande parte apresentado no XIV ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICA DE ENSINO realizado em Porto Alegre em 2008 2 Mestre em Educação Escolar pela UNESP campus de AraraquaraSP docente do Centro Universitário de São José do Rio PretoSP Email elianpshotmailcom 3 Doutora em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano pela USP professora livre docente aposentada da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de AraraquaraSP Email chakurfclarunespbr Volume 2 Número 3 JanJul2009 222 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 The Conscience Taking of the Professional Identity Crisis in Teachers of Primary Education Abstract This work researched if the Cycle II of the Primary School teachers 5th to 8th degrees from one school of a city of São Paulo State were aware of their functions and responsibilities as teachers how they evaluate the teaching professional crisis described in the educational bibliography and if they are conscious of this crisis with their determinants The research appealed to the studies that deal with the teachers identity knowledge and difficulties and used Jean Piagets theory of the cognitive development and the consciousness taking as the theoretical support of the analysis 12 teachers were interviewed by a semistructured guide which had as thematic axis the characteristics and conscience of the teaching identity crisis By means of qualitative and quantitative analysis it was possible to establish different levels of the consciousness taking of this crisis Level I Elementary or peripherical consciousness of the crisis of professional identity Level II Incipient consciousness of the professional identity crisis and Level III Reflected consciousness of the professional identity crisis It was concluded that the consciousness taking of the teaching professional crisis does not appear suddenly nor it consists a lighting process but it show some hierarquical levels And to reach the third level of consciousness the teachers must reflect on the genuine causes of the events and problems catching the central elements of the situation by relegating their peripherical elements Keywords Teachers professional identity Consciousness taking of the teaching identity crisis Teaching professionalization Teachers professional role Volume 2 Número 3 JanJul2009 223 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Introdução O processo de formação da identidade pessoal tem início na fase infantil na medida em que a criança assimila traços e características de pessoas e objetos externos valorizados É um processo que ocorre de acordo com a cultura e a categoria social do indivíduo O desenvolvimento do eu depende em grande parte das pessoas ou grupos de pessoas com os quais nos identificamos mas isto nunca ocorre em nível generalizável e a intensidade desta identificação é variável Nesse processo o indivíduo adota papéis e atividades das outras pessoas que lhe parecem significativas adquirindo sua identidade subjetiva ou seja a identidade se mantém modificase e remodelase em uma dialética entre o euoutros MOGONE 2001 p 16 Um aspecto importante para a definição de identidade segundo Vianna 1999 p 51 é a tensão entre imutabilidade e dinamicidade sendo a identidade o conjunto de representações do eu pelo qual o sujeito comprova que é sempre igual a si mesmo e diferente dos outros Alguns autores consideram que a identidade não é exclusiva do campo individual mas também do coletivo A identidade coletiva não é decorrência direta da individual mas possui outro sistema de relações ao qual os atores se referem e em relação ao qual tomam referimento VIANNA 1999 p 52 A identidade pessoal e a identidade construída coletivamente são essenciais para definir a identidade profissional do indivíduo A esse respeito Pimenta 1997 p 7 salienta que a identidade profissional docente Volume 2 Número 3 JanJul2009 224 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 se constrói pois a partir da significação social da profissão constróise também pelo significado que cada professor enquanto ator e autor confere à atividade docente no seu cotidiano a partir de seus valores de seus modo de situarse no mundo de sua história de vida de suas representações de seus saberes de suas angústias e anseios do sentido que tem em sua vida o ser professor Assim como a partir de sua rede de relações com outros professores nas escolas nos sindicatos e em outros agrupamentos Entendemos identidade profissional docente como um processo contínuo subjetivo que obedece às trajetórias individuais e sociais que tem como possibilidade a construçãodesconstruçãoreconstrução atribuindo sentido ao trabalho e centrado na imagem e autoimagem social que se tem da profissão e também legitimado a partir da relação de pertencimento a uma determinada profissão no caso o Magistério Mas a bibliografia educacional tem mostrado que os professores vivem já há algum tempo uma crise em sua profissão e em seu fazer ESTEVE 1995 e 1999 LOURENCETTI 2004 NACARATO VARANI e CARVALHO 2000 Essa crise se revela como uma espécie de malestar docente ESTEVE 1999 relacionado à tendência à desprofissionalização que é decorrente por sua vez de mudanças sociais que transformam a imagem e a autoimagem do professor causando desmotivação pessoal insatisfação com a profissão autoimagem negativa isenção de responsabilidade indefinição de sua função etc Essa é uma situação segundo pensamos que apresenta sinais de crise também na identidade profissional do professor Sabemos que a formação da identidade profissional do professor sofre um processo lento e se desenvolve por meio de apreciações e apropriações do mundo escolar ou seja nas relações de convívio social e na prática docente Nesse processo o professor provavelmente se depara com dificuldades ambiguidades e confusões quanto à própria imagem e papel e para que a identidade docente se estruture firmemente é necessária a tomada Volume 2 Número 3 JanJul2009 225 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 de consciência do que é realmente pertinente à profissão É com a preocupação de esclarecer esse processo que realizamos a presente pesquisa O referencial de análise a perspectiva piagetiana Para analisar os dados da presente pesquisa recorremos principalmente à perspectiva teórica de Piaget que segundo pensamos apresentase rica e coerente o bastante para poder ser aplicada a adultos e além disso a profissionais de uma certa área CHAKUR 2001 Segundo Piaget em suas interações com o mundo o indivíduo muitas vezes se depara com obstáculos e problemas e busca superálos Mas ocorre que muitas vezes suas condições intelectuais atuais estruturas cognitivas não dão conta das exigências encontradas no ambiente e tendem portanto a se modificar a se diferenciar em novas estruturas para que os conteúdos que o ambiente oferece possam ser assimilados e os obstáculos possam ser compensados Para Piaget é esse processo contínuo de busca de equilíbrio entre indivíduo e ambiente que ele chama de processo de equilibração o principal responsável pelo desenvolvimento intelectual Mas em sua proposta o autor não deixa de valorizar também os aspectos biológicos hereditariedade e maturação educativos e sociais em geral como fatores que interferem no desenvolvimento Pesquisando a tomada de consciência em crianças e adultos Piaget 1977 p 198 descobre que ela procede da periferia para o centro sendo esses termos definidos em função do percurso de um determinado comportamento Segundo Piaget quando o indivíduo realiza uma determinada ação pode obter êxito ou não entretanto mesmo quando obtém êxito comumente explica como o obteve sem uma reflexão sem realmente tomar consciência do porquê do êxito Volume 2 Número 3 JanJul2009 226 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 De acordo com Piaget 1977 muitas vezes analisamos apenas as relações aparentes mais externas sobre aquilo que fazemos desconsiderando o que realmente leva à realização de determinada ação essa parte superficial é o que ele chama de periferia da consciência a reação mais imediata e exterior do sujeito em face do objeto enquanto o centro seria formado pelos meios e razões quando buscamos o como e os porquês do êxito ou fracasso alcançado com nossas ações Para ele a tomada de consciência é um processo que obedece a níveis sucessivos e hierarquizados assim como ocorre com o processo de desenvolvimento cognitivo Desse modo a tomada de consciência consiste em fazer passar alguns elementos de um plano inferior inconsciente a um plano superior consciente e que esses dois estágios não possam ser idênticos A tomada de consciência constitui pois uma reconstrução no plano superior do que já está organizado mas de outra maneira no plano inferior PIAGET 1973 p 41 Consideramos que a tomada de consciência é um conceito bastante rico que pode ser tomado para analisar a consciência que os professores dispõem sobre a possível crise de identidade profissional que enfrentam e que é objeto do presente trabalho O desenvolvimento da pesquisa A pesquisa teve como objetivo investigar como professores do Ensino Fundamental avaliam a imagem do professor e a própria autoimagem e como enfrentam a crise em sua identidade e em sua profissão tal como descrita na bibliografia educacional recente Os professores estão conscientes dessa crise Conhecem por exemplo seu núcleo e seus determinantes Participaram da pesquisa doze professores de várias disciplinas curriculares de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental de uma cidade do interior paulista Os professores que serão a seguir identificados por siglas pertinentes às respectivas áreas se distribuíam do seguinte modo 2 professores de Volume 2 Número 3 JanJul2009 227 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Português P1 e P2 2 de Matemática M1 e M2 2 de História H1 e H2 2 de Geografia G1 e G2 1 de Educação Física F1 1 de Educação Artística A1 e 2 de Ciências C1 e C2 com idades variando de 25 a 56 anos e com tempo de serviço no magistério de 5 a 35 anos Os dados foram coletados mediante entrevista semiestruturada com um roteiro contendo dois blocos de questões O primeiro se referia à imagem de ser professor e à autoimagem de cada participante como tal O segundo buscava saber o que incomodadificulta o trabalho em sala de aula ou fora dela se os professores se encontravam em crise e qual o seu centro e determinantes As entrevistas foram gravadas com a devida autorização e transcritas pela pesquisadora de modo literal O procedimento seguiu os princípios do método clínico piagetiano o que permitiu explorar com certa profundidade o que pensam os professores a respeito do tema em questão Lembramos que o foco da entrevista clínica é a forma de pensamento do entrevistado e desse modo o roteiro de entrevista não segue uma sequência fixa de questões privilegiando o ritmo e a ordenação sugerida pelas respostas do entrevistado A análise dos dados foi eminentemente qualitativa Inicialmente foram agrupadas em categorias as respostas semelhantes e em seguida conforme a questão as categorias foram hierarquizadas em níveis distintos Os critérios de análise serão detalhados adiante juntamente com os resultados obtidos As respostas foram também submetidas à análise quantitativa quando procedemos à tabulação de frequências absoluta e porcentual de cada categoria com porcentagens calculadas pelo número de professores ou seja 100 equivalendo a 12 professores Volume 2 Número 3 JanJul2009 228 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Ser professor e suas imagens No primeiro eixo de análise questionamos os professores sobre sua função imagens que eles têm de si mesmos como profissionais da educação e valor de um professor na atualidade A função do professor como afirma Gimeno Sacristán 1991 encontrase em permanente elaboração e depende diretamente das relações e dos contextos sociais nos quais a comunidade docente se encontra A dificuldade de definição das atribuições do professor acaba por levar à incorporação de uma multiplicidade de tarefas que muitas vezes ultrapassam a função docente fugindo de seu alcance e caracterizando atividades próprias de profissões ou ocupações distintas das do magistério Todo esse contexto como salientam Esteve 1999 e Lourencetti 2004 dificulta e emperra o trabalho e o ânimo dos professores o que consequentemente interfere na imagem que eles próprios e a sociedade possuem do profissional docente Na questão sobre O que é ser professor as respostas variaram entre os que acreditam que ser professor é transmitir conhecimentos com seis depoimentos G1 H2 A1 H1 G2 F1 50 e os que apontam ser necessário ter consciência de seu papel e de sua responsabilidade para com os alunos com depoimentos de quatro professores P1 P2 H2 C2 333 São exemplos de depoimentos dessas categorias Ah eu não tenho assim muitas ilusões não eu acho que ser professor hoje em dia é conseguir passar o conteúdo alguns valores mas o sistema torna a gente um simples transmissor de conhecimento não tá dando para ser professor G1 É você saber valorizar aquela pessoa que você tá conduzindo você tem que ter consciência de que você tem alunos que precisam de você para saber determinados conhecimentos que só vai ter com você Eu acho que ser professor é você ter consciência da responsabilidade de ser professor H2 Volume 2 Número 3 JanJul2009 229 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Segundo um dos entrevistados C1 para ser professor é preciso cumprir tarefas diversificadas inclusive que não são próprias da profissão para outro tratase de uma profissão diferenciada M2 Eu acho que ser professor é ser muitas coisas é ser um profissional é ser um parente é ser um amigo porque acaba ficando muito tempo com a criança você não é só um profissional você acaba sendo uma parte do da continuação da família da criança Acho que ser professor é muito mais que ser só um profissional cumprir uma tarefa C1 Olha eu gosto muito do que eu faço acho que é muito gratificante eu sei lá primeiro lugar é uma profissão sem dúvida é uma profissão que é diferente de ser um advogado por exemplo porque você dá de você direto para pessoas você tem de ficar ali direto do lado dos alunos pra tentar passar pros alunos o que você sabe é uma profissão sem dúvida mas é um negócio muito gratificante M2 Percebemos em alguns depoimentos que a identidade profissional se apresenta confusa Ou será que ser professor é realmente cumprir tarefas diversificadas tal como atuar como parente amigo parte da família Para ser professor é preciso se sentir gratificado ou ver o progresso dos alunos Estes são elementos essenciais à profissionalidade docente Considerações feitas por Cunha 1998 e Hypolito 1998 apontam a existência de uma dificuldade histórica na constituição da profissionalização docente Isso nos levaria a pensar que a questão de ser professor de se tornar professor envolve uma série de atributos que nem sempre são facilitados pelas políticas públicas educacionais que também nem sempre visam à constituição da docência como uma profissão realmente Afirmarse como profissional é um sonho almejado há muito pelos professores Quando questionamos se qualquer pessoa poderia ser professor as respostas foram negativas com exceção de um deles mas que recorre à mesma explicação encontrada nas respostas negativas Seis professores M2 P2 C2 G2 H1 F1 50 afirmaram que tem que ter formação Cinco ou 416 F1 G1 H2 A1 M1 relataram que tem que gostar Volume 2 Número 3 JanJul2009 230 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 da profissão Quatro P1 P2 H2 M1 333 disseram que é necessário ter dom para ser professor Pode é pode se você receber formação H1 Eu acredito que não E acho que o equívoco reside nesta questão mesmo O professor é uma pessoa que precisa ser capacitada para o ofício de ensinar A ele devem ser dadas ensinadas teorias que fundamentem a sua prática Ele precisa ser formado na íntegra Tudo é essencial Além da teoria muita prática P2 Olha eu acho que para ser professor tem que gostar muito da profissão porque se a pessoa não gosta da profissão ela não vai fazer aquele trabalho com carinho e amor ela vai deixar tudo de qualquer jeito Não é QUALQUER pessoa não teria que gostar da educação ter dom A1 Para dois professores 167 é necessário ter paciência G2 G1 e ainda um único entrevistado 83 afirma que é preciso ter consciência C1 para ser educador Percebemos em certos casos que faz parte do imaginário docente a imagem de professor abnegado aquele que professa algo Brzezinski 2002 p 16 também ressalta que a profissão professor se mantém associada à idéia de fé de sacerdócio a vocação para ser professor diz respeito à dedicação e abnegação ao apostolado e segundo a autora tal concepção condiz com o imaginário social que relaciona a profissão professor com a fé como um chamado para prestar um serviço ao bem comum Talvez isso explique o fato de tais concepções permearem as afirmações de nossos participantes de que qualquer um pode ser professor desde que tenha dom ou paciência pois estas são características essenciais para uma profissão que se respalde na abnegação na fé e na dedicação ao bem comum Quando questionamos que imagem cada um teria de si próprio como professor apareceram basicamente cinco imagens sendo elas Volume 2 Número 3 JanJul2009 231 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Professoramigo segundo cinco professores C1 C2 P2 H1 G1 416 para ter uma boa imagem os professores têm que ter um bom relacionamento com os alunos que os mesmos gostem deles e ainda devem saber lidar com adolescentes A imagem que eu faço de mim é a imagem que eu percebo que os alunos representam pra mim como alguém muito fácil de fácil acesso Uma pessoa educada é eu não altero a voz eu procuro ser bem próxima a eles ser amiga divertida eu gosto de ser muito divertida eu acho que eles me vêem como uma amiga como um ser humano P2 Professor dedicado quatro entrevistados 333 M2 A1 P1 P2 entendem que possuem uma imagem de professor amoroso maternal Exemplo Primeiro eu achava que eu era muito enérgica meio carrasca hoje eu mudei Porque depois que eu casei tive filhos passei a ver as coisas de uma outra forma M2 Professorcompetente ainda quatro professores 333 indicam uma imagem de professor que domina o conteúdo C1 M1 H2 G2 Eu me acho uma pessoa competente e para você ser professor você tem que se interessar e ser muito interessado e tem que tentar se renovar sempre se atualizar H2 Professor menteabertaconsciente também para 333 dos entrevistados a autoimagem é daquele que se atualiza reconhece erros procura melhorar tem a mente aberta C2 P1 H1 H2 Eu procuro fazer o melhor sempre me dediquei bastante tenho muitas falhas procuro ter autocrítica para observar essas falhas e tentar corrigir mas a gente não consegue ser perfeito então eu procuro sempre melhorar observar onde eu tô falhando tentar consertar modificar P1 Professormodelo Apenas um dos professores 83 afirma que para ter uma boa imagem tem que dar exemplo para o aluno F1 Volume 2 Número 3 JanJul2009 232 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Eu acho que tenho uma imagem boa tento fazer o melhor de mim passar o que eu sei levar uma vida saudável que no caso da Educação Física eu tenho que saber lidar com isso praticar atividade física ser coerente com a minha profissão entendeu Tem muito professor de Educação Física que não se cuida vai na escola por ir eu cultivo o que eu ensino para eles na minha casa na minha família F1 Os depoimentos que sugerem uma ligação entre o instinto amoroso e maternal e a própria imagem de professor dedicado são sem dúvida imagens recorrentes no senso comum Segundo Arroyo 2000 essa imagem de devotamento é algo histórico pois os professores do Ensino Fundamental 5ª a 8ª séries trazem resquícios de um ciclo que tinha e continuou a ter como função intermediar a educação primária à formação universitária criandose portanto um vácuo de um saber profissional capaz de dar conta da educação e da formação cognitiva ética estética cultural etc da adolescência e da juventude p 31 Questionamos também qual o valor de um professor nos dias atuais e foi possível agrupar as respostas em três categorias distintas Para sete entrevistados F1 M2 P1 G1 H1 H2 M1 583 o professor atualmente tem muito pouco valor ou é desvalorizado três deles P2 A1 C2 25 acham que o professor não tem nenhum valor e ainda dois professores C1 G2 167 consideram que o professor tem seu valor mas não é reconhecido Exemplos Hoje em dia acho que professor não tem mais valor não sabe antigamente se respeitava pai e mãe acatava decisões hoje em dia eles não dão valor sabe tá muito desvalorizada tanto financeiramente como em termos de educação F1 Nenhum porque tá relacionado também com o quanto você ganha como é a sua vida porque a sociedade hoje se baseia por quem tem não quem é e o professor geralmente não tem a não ser que ele tenha tido a sorte de ganhar um carro uma casa ou casado com uma pessoa bem de vida então eu já tive épocas em que eu tive vergonha P2 Ai coitados eu não sei eu acho que o professor tem um valor muito grande mas ele não é reconhecido nos dias de hoje apesar de Volume 2 Número 3 JanJul2009 233 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 continuarem se formando muitas pessoas continuarem lutando pelas vagas nas universidades Agora essa imagem ela acaba não sendo boa C1 É necessário salientar o que os participantes entendem por valor Para um deles C1 o valor do professor tem correspondência direta com o fator financeiro com o fato de ele ser mal pago dois A1 F1 apelam para o aspecto educativo quatro P1 P2 G1 H2 para o profissional dois M2 H1 acreditam que moralmente respeito dos alunos o valor é pouco e finalmente para cinco deles M1 M2 P1 H1 G2 a desvalorização tem caráter social Percebemos então que para uma boa parte dos professores a desvalorização docente é predominantemente social O mesmo é legitimado por Esteve 1999 quando ressalta que a imagem pública do professor é que acaba por ser responsável por sua importância profissional Na realidade é de acordo com a avaliação que fazem de nós que acabamos por nos definir pois a valorização de uma categoria profissional é diretamente ligada à imagem veiculada socialmente A tomada de consciência da crise de identidade docente A maneira como uma dada profissão é vista externamente como ela é situada pública e socialmente tem um peso considerável No caso do Magistério a desvalorização social é atrelada ao fato de que atualmente o professor não é mais apenas o único detentor de informações e por isso ora é visto como um membro social importante ora não Com relação à desvalorização política podemos ressaltar que embora os professores formem uma categoria esta não possui força suficiente para mudar a situação em que se encontram Consideramos que toda esta situação também se reflete na identidade do professor resultando em uma crise de identidade profissional Esta crise diz respeito ao modo como os professores se veem e como são vistos Volume 2 Número 3 JanJul2009 234 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 pelos outros diz respeito ao próprio trabalho ao valor social que possuem ou não a seus saberes e à sua competência para ensinar É uma crise que confunde os papéis próprios à profissão docente fazendo com que o professor concorde em realizar tarefas que o desviam de sua função de ensinar Nossa análise mostrou que a tomada de consciência da crise de identidade profissional ocorre em certos níveis Algumas respostas se centram na periferia da crise vivida pelos professores ao focalizar elementos e fatores mais imediatos e aparentes da situação apresentada Outras respostas superam esse imediatismo na direção do que é central à identidade docente quando salientam o menos imediato e aparente tais como o sentimento de pertencimento a uma dada profissão que depende do contexto histórico no qual o indivíduo vive como ressalta Vianna 1999 a importância da imagem e da autoimagem da profissão ARROYO 2000 GIDDENS 2002 a presença de saberes específicos angústias e anseios do professor e suas relações com outros profissionais da categoria GAUTHIER et al 1998 PIMENTA 1997 TARDIF 2002 Este critério constituiu o fundamento para o estabelecimento de três níveis distintos de tomada de consciência da crise de identidade profissional docente descritos a seguir Classificamos no nível I Consciência elementar ou periférica da crise de identidade profissional respostas que se centravam em elementos periféricos da situação apresentada PIAGET 1977 O nível intermediário II Consciência incipiente da crise de identidade profissional ficou reservado aos depoimentos que apresentaram traços característicos dos níveis I e III simultaneamente na mesma questão quando as duas categorias centralperiférico aparecem com o mesmo peso de forma ambígua ou confusa Volume 2 Número 3 JanJul2009 235 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Por fim foram classificados no nível III Consciência refletida da crise de identidade profissional depoimentos que se ativeram aos elementos centrais das questões colocadas ou seja à consciência do como e do porquê da situação e dos seus resultados processo que ocorre por meio da abstração reflexionante PIAGET 1977 1978 Lembramos que a classificação em elementos centrais e periféricos não pode ser generalizada e diz respeito a certa situação Assim o que é central em certa situação pode se revelar como periférico em outra Os níveis de consciência dos professores em cada questão são definidos como segue Os depoimentos foram transcritos na íntegra e se encontram em itálico 1 A primeira questão sobre a tomada de consciência da crise de identidade profissional indagava ao professor O que incomoda ou dificulta a realização do seu trabalho seja dentro ou fora da sala de aula Para esta questão obtivemos os seguintes resultados Nível I Este nível ficou reservado aos cinco 417 professores M2 P1 P2 H2 F1 que se centraram em aspectos mais imediatos e aparentes da situação tais como indisciplina dos alunos ausência da família ausência de recursos materiais físicos da escola falhas da direção Entendemos que tais elementos são periféricos na questão pois apesar de dificultar a tarefa do professor não são determinantes do seu trabalho e atuam no aqui e agora Por exemplo Eu acho que fora da sala de aula é muita burocracia e dentro da sala de aula hoje eu acho que é comportamento disciplina de aluno é o que mais atrapalha P1 Indisciplina incomoda demais falta de vontade de o aluno aprender incomoda muito desinteresse acho que é uma coisa assim familiar a criança não tem interesse porque pai e mãe não cobra culpa dos pais e essa indisciplina dificulta meu trabalho M2 Volume 2 Número 3 JanJul2009 236 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Nível II Quatro professores C1 C2 M1 H1 apresentaram respostas ambíguas 333 baseadas em elementos centrais e periféricos ao mesmo tempo como por exemplo diretor amigo periféricoespírito corporativo central desinteresse dos alunos periféricomá remuneração central desinteresse dos alunos periféricosaberes central Exemplos Eu acho que muitas vezes não tem um comprometimento com a escola eles professores acabam apenas dando seus 50 minutos de aula e se esquecendo que tem outras atividades dentro da escola Acho que o diretor poderia ser mais amigo digamos assim mais companheiro eu acho que às vezes essa falta de coleguismo que existe Por que acontece Eu acho que hoje as pessoas vivem meio individualista pensam muito nelas elas têm os problemas particulares C1 O salário risos o baixo salário esse baixo salário me obriga a dar muitas aulas então eu dou muitas aulas eu tenho menos tempo para preparar essas aulas O que dificulta os alunos que não estão interessados em aprender que não tem cultura alguma que chegam para a escola muito cru é uma dificuldade imensa de você tentar fazer alguma coisa diferente e eles não responderem eles não querem eles não querem fazer Por que isso acontece Porque o Estado não investe de maneira adequada na educação a preocupação não é com a qualidade mas com a quantidade então isso tudo cria todo um sistema de desvalorização do trabalho docente H1 Nível III Depoimentos de três entrevistados G1 G2 A1 25 se basearam em elementos menos aparentes e mais centrais às reais dificuldades do professor desvalorização do trabalho docente políticas públicas educacionais exigências sociais saberes e espírito corporativo sempre tendo como interesse maior a afirmação da identidade Exemplos Baixos salários jornada estafante salas lotadas legislação absurda etc Porque existe um grande interesse das elites nacionais e internacionais em deixar o povo brasileiro cada vez mais idiota sem instrução para que eles possam comandar e roubar como vem se fazendo hoje Povo instruído reivindica seus direitos G1 Bem o que mais me incomoda é o fato de as leis mudarem constantemente e as teorias pedagógicas que temos que acatar só porque estão na moda Isso sem falar nas condições de trabalho que muitas vezes são péssimas G2 Volume 2 Número 3 JanJul2009 237 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 2 Perguntamos diretamente se os professores vivem ou não uma crise de identidade profissional qual o seu centro e suas causas e foi possível perceber mais precisamente os níveis de tomada de consciência Nível I Neste nível predominaram respostas vagas ou respostas que não apresentavam argumentações sobre sua avaliação Dois professores 167 M1 F1 focalizaram além disso uma crise pessoal existencial e não profissional quanto ao centro e às causas da crise referiramse ao cotidiano ou a tudo e a todos à falta de estrutura material falta de interesse dos alunos a ausência da família ou ainda apresentando respostas vagas Por exemplo Eu não diria crise crise existencial eu tô desde que eu nasci há 57 anos Você vê pessoas descontentes algumas estão em crise Qual o centro da crise A crise que o professor passa hoje é a crise de todo mundo não é diferente Ela se refere à preocupação com a vida com os filhos à situação do país você liga TV só vê corrupção o pai que ganha salário mínimo A crise é uma crise social é da sociedade como um todo e o indivíduo é coparticipante dessa crise O que causa Nos comportamos como os remadores na galera do Império Romano a gente não sabe exatamente aonde vai É um período negro o pessoal tem medo medo de ser assaltado de enfrentar tomar posição acaba atrapalhando a escola Interferiram na crise as reformas Para mim não mas para os outros professores acredito que sim porque eles não entenderam a progressão continuada e ficam martirizados com isso M1 Nível II Quatro entrevistados 333 C1 P1 G1 A1 apresentaram algumas confusões entre elementos centrais e periféricos como por exemplo a democratização do ensino e a falta de material assim como o desinteresse dos alunos as crianças não gostam da escola como sendo os motivos centrais da crise e ao mesmo tempo se preocupavam com a formação dos professores a má remuneração a questão da saúde dos professores e o sistema Eu não porque eu não crio falsas expectativas mas quem cria está em crise profunda Qual o centro dessa crise Tudo tá errado O sistema é absurdo ele é feito pras crianças não gostarem da escola não tem como Você acha que é o sistema que causa essa crise É Volume 2 Número 3 JanJul2009 238 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 por exemplo a criança tem vocação para música não se ensina música na escola a criança gosta de Educação Física são apenas 2 aulas por semana a criança gosta de Inglês a mesma coisa Não se trabalha aquilo que a criança gosta todo mundo tem que ser igual As reformas interferem Ah sim estão todos equivocados e contribuíram para piorar mais a situação a progressão continuada é um absurdo sem precedentes é aprovação automática só que é uma aprovação automática que vai reprovar o aluno na vida eles não vão ser reprovados na escola mas vão sair daqui semianalfabetos e vão quebrar a cara lá fora no mercado de trabalho G1 Nível III Seis entrevistados 50 C2 M2 P2 G2 H1 H2 perceberam a crise em seus elementos centrais a má remuneração a formação dos professores a desvalorização do magistério as condições sociais do contexto brasileiro e a saúde mental dos profissionais da educação Perguntados sobre as causas dessa crise os professores indicam fatores semelhantes má formação desprestígio social e econômico má remuneração sistema de ensino políticas e condições sociais condições emocionais saúde do professor afirmaram também que as reformas interferem na crise de identidade docente Por exemplo Sim eu acho que sei lá Acho que estamos sim E qual seria o centro dela Olha o centro é a má distribuição das verbas públicas e aí somos mal remunerados não temos apoio para a realização de muitas de nossas tarefas E as causas As causas são a falta de incentivo dos órgãos públicos seu descaso para com a educação fora a situação social e econômica da sociedade brasileira E as reformas interferem na crise do professor Acho que sim principalmente a progressão continuada teve um impacto muito grande em nosso trabalho ficamos de mãos atadas G2 As duas crises da profissão de Magistério e da identidade profissional docente muitas vezes são confundidas como se fossem a mesma coisa Mas consideramos que para que se instale uma crise de identidade profissional a profissão docente não precisa estar necessariamente em crise pois a identidade profissional implica a existência de elementos subjetivos além daqueles próprios da profissão em questão Desse modo não se pode confundir os dois tipos de crise embora a crise na profissão possa interferir na identidade do professor Volume 2 Número 3 JanJul2009 239 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Obviamente pode haver uma crise na profissão docente mas o professor pode não passar por nenhum conflito interno com relação à profissão que exerce e como a exerce Entretanto a crise na profissão se apresenta como um pano de fundo profundamente contagiante para uma crise também da identidade pois se a profissão não se encontra em crise os profissionais que a exercem podem atuar com maior tranquilidade Digamos que a crise do Magistério aumenta as chances de uma crise de identidade Tendo em vista os diferentes níveis de consciência fica claro que alguns professores percebem melhor que outros o que ocorre com a profissão e com a própria identidade O que nos mostra também que esses professores parecem não refletir também no sentido atribuído por Piaget sobre os reais problemas que interferem em seu dia a dia Pois para Piaget quando tomamos consciência não basta expor o que achamos que resolva os problemas mas precisamos refletir sobre como e por que se chegou ou não a tal resultado Considerações finais Podemos concluir que assim como a bibliografia educacional vem afirmando os professores se encontram em uma crise profissional e também em uma crise de identidade mantendo estas uma relação estreita com limites muito tênues entre os aspectos que as caracterizam Mas consideramos que nem sempre a crise de identidade é percebida pelos professores em seus aspectos centrais e em seus determinantes Tal como encontrado por Piaget 1978 no âmbito da ação a tomada de consciência da crise da profissão e da identidade se processa em níveis distintos O nível que apareceu predominantemente foi o intermediário um nível em que os professores na maioria das questões apresentam respostas ambíguas e confusas com relação aos elementos centrais e periféricos da consciência da identidade profissional Muitos professores não conseguem perceber o motivo central pelo qual se sentem incomodados ou que dificulta o próprio trabalho As reais causas da Volume 2 Número 3 JanJul2009 240 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 dificuldade e da crise ficam perdidas em meio às atribulações do cotidiano escolar Assim como os professores se mostraram confusos em muitos aspectos em muitos momentos deixaram surgir alguém com a profissionalidade abalada mal definida com uma autoimagem pouco expressiva e desvalorizada sem espírito de corpo entre seus pares comprometendo assim sua identidade Diante do processo de desvalorização profissional do professor e da eventual crise educacional que parece ser evidente nos dias atuais afirmar a identidade profissional docente pode contribuir para mudar este quadro e buscar melhores condições de trabalho para essa categoria O professor necessita de uma definição mais precisa de sua identidade profissional para se afirmar perante o ensino e até mesmo perante a categoria docente propriamente dita Um professor que reconhece e tem consciência do seu papel desempenha seu trabalho com maior segurança desenvoltura autonomia e pode assim desenvolver práticas pedagógicas mais criativas e de qualidade Sem dúvida este é o nosso maior desejo Referências ARROYO M G Ofício de Mestre imagens e autoimagens Petrópolis RJ Vozes 2000 BRZEZINSKI I Org Profissão professor identidade e profissionalização docente Brasília DF Editora Plano 2002 CHAKUR C R de S L Desenvolvimento profissional docente contribuições de uma leitura piagetiana Araraquara JM Editora 2001 CUNHA M I Profissionalização docente contradições e perspectivas In VEIGA I P A CUNHA M I da Org Desmistificando a profissionalização do magistério Campinas SP Papirus 1999 p 127147 ESTEVE J H Mudanças sociais e função docente In NÓVOA A Org Profissão professor 2 ed Porto Porto Editora 1995 p 95124 Volume 2 Número 3 JanJul2009 241 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 ESTEVE J H O malestar docente a sala de aula e a saúde dos professores São Paulo EDUSC 1999 GAUTHIER C et al Por uma teoria da Pedagogia pesquisas contemporâneas sobre o saber docente Ijuí Ed Unijuí 1998 GIDDENS A Modernidade e identidade Rio de Janeiro Zahar 2002 GIMENO SACRISTÁN J Consciência e acção sobre a prática como libertação profissional dos professores In NÓVOA A Profissão Professor Porto Porto Ed 1991 p 6192 HIPOLYTO A M Trabalho docente e profissionalização sonho prometido ou sonho negado In VEIGA I P A CUNHA M I da Org Desmistificando a profissionalização do magistério Campinas SP Papirus 1999 p 81100 LOURENCETTI G C Mudanças sociais e reformas educacionais repercussões no trabalho docente 2004 Tese Doutorado em Educação Escolar Faculdade de Ciências e Letras Universidade Estadual Paulista Araraquara 2004 MOGONE J A De alunas a professoras analisando o processo da construção inicial da docência 2001 Dissertação Mestrado em Educação Escolar Faculdade de Ciências e Letras Universidade Estadual Paulista Araraquara 2001 NACARATO et al O cotidiano do trabalho docente palco bastidores e trabalho invisível abrindo as cortinas In GERALDI C M G FIORENTINI D PEREIRA E M de A Org Cartografias do trabalho docente professora pesquisadora Campinas Mercado das Letras 2000 PIAGET J Problemas de psicologia genética Rio de Janeiro Forense 1973 PIAGET J A tomada de consciência São Paulo Melhoramentos 1977 PIAGET J Fazer e compreender São Paulo Melhoramentos 1978 PIMENTA S G Formação de Professores Saberes da Docência e Identidade do Professor Nuances v III Presidente Prudente 1997 p 0514 TARDIF M Saberes docentes e formação profissional Rio de janeiro Vozes 2002 VIANNA C Os nós do nós crise e perspectiva da ação coletiva docente em São Paulo São Paulo Xamã 1999 Recebido em 12 de outubro de 2009 Aprovado em 21 de outubro de 2009 Anhanguera Educacional Pedagogia Práticas Pedagógicas Identidade Docente NOME LOCALANO 1 INTRODUÇÃO O tema da identidade docente tem recebido bastante atenção no campo pedagógico atual devido sua importância e relação com as boas práticas pedagógicas e o desenvolvimento docente Em um mundo cada vez mais dinâmico e informativo tem sido evidente a busca por maiores reflexões a respeito do tema e neste sentido alguns artigos têm discutido a crise de identidade docente e seus reflexos nos envolvidos no processo de ensinoaprendizagem Silva e Chakur 2009 Nóvoa 2022 Como a crise de identidade docente impacta diretamente na qualidade da educação de maneira geral esta pesquisa acaba por se justificar devido à necessidade de melhor compreender a origem deste fenômeno Segundo Lomba Filho 2022 a falta de modelos formativos envolvendo práticas que permitam maior grau de reflexões estagnação profissional de professores e a falta de estratégias de valorização e reconhecimento profissional tem contribuído ainda mais para esta crise Em termos de problema central a crise de identidade docente pode ser estudada visando o atendimento às diversas necessidades atuais desses professores partindo de análises de causalidade entre os fenômenos que desembocam na crise de identidade docente permitindo a proposição de alternativas que promovam uma formação continuamente mais integrada e sólida É neste sentido que este texto busca contribuir com a discussão envolvendo a crise de identidade docente a partir de estudos publicados previamente mais especificamente os descritos pelos autores Lomba e Filho 2022 e Silva e Chakur 2009 2 DESENVOLVIMENTO Recentemente Lomba e Filho 2022 entrevistaram o Professor da Universidade de Lisboa António Manuel Seixas Sampaio da Nóvoa sobre a urgente necessidade de se retrabalhar os modelos formativos conhecidos atualmente Nesta entrevista Nóvoa destacou a importância de uma maior integração na formação docente visando mais práticas de autoconhecimento e autorreflexão na docência envolvendo dimensões pessoais e profissionais além de identificar a busca por uma identidade docente Ao longo da entrevista diversos pontos foram levantados e o professor apresentou com clareza diversas explicações e propostas detalhadas para se trabalhar as limitações causadas pela crise de identidade docente atual através de argumentação precisa contra a rigidez dos modelos tradicionais de ensino iniciais e continuados sem contar a baixa harmonia dos envolvidos no campo educacional Embora Nóvoa confirme os avanços tecnológicos e acadêmicos relacionados aos setores envolvidos na compreensão do meio educacional o professor ainda destacou que os profissionais do ensino básico se mostraram excluídos do processo o que influencia na perca de identidade profissional especialmente relacionado a falta de novos modelos de formação voltados para o ensino básico inclusão de práticas reflexivas e de autoconhecimento e reflexão além de práticas de conhecimento de formação docente e falta de revistas em formatos inovadores que mostrem a prática pedagógica de maneira menos rígida e mais realística Por outro lado Silva e Chakur 2009 estudaram a crise de identidade docente em professores de uma escola paulista do ensino fundamental II através de um grupo composto por um total de 12 professores de disciplinas e níveis de experiência variados Segundo os autores estes foram capazes de categorizar os docentes em relação ao seu nível de consciência em 3 categorias 1 Nível I consciência elementar 2 Nível II consciência incipiente 3 Nível III Consciência refletida Apesar das diferentes autoimagens observadas os pesquisadores verificaram ao longo do estudo que a profissão era vista como sendo desvalorizada mesmo em diferentes níveis de consciência Além de atuais ambos artigos anteriormente mencionados se mostraram complementares no que se refere a identificação e proposição de diferentes soluções para os variados problemas que surgem da crise de identidade docente sendo possível a combinação destes como um ponto de partida efetivo na busca implementação e desenvolvimentos de alternativas e caminhos que possam diminuir os obstáculos relacionados a esta problemática tando do ponto de vista teórico quanto do ponto de vista prático 3 CONCLUSÃO Diante de tudo que foi anteriormente mencionado definir a identidade docente continua a ser um grande e importante desafio nos dias atuais devido sua intrínseca complexidade e relevância no sucesso do processo de ensinoaprendizagem Apesar dessa complexidade buscar por um ponto convergente pode reduzir os efeitos negativos de tal crise Diante de toda a complexidade mencionada anteriormente um primeiro passo a ser dado no sentido de se trabalhar eficientemente a crise de identidade docente é dar consciência ao docente de que a profissão do Professor consiste no profissional dotado da capacidade de amar o aluno Com esta capacidade genuína e incondicional pode ser um primeiro passo na busca por um eixo sólido de atuação profissional elevada e humanizada em total conformidade com a altura da profissão do professor REFERÊNCIAS LOMBA Maria Lúcia Resende FILHO Luciano Mendes Faria Os professores e sua formação profissional entrevista com António Nóvoa Educar em Revista v 38 2022 SILVA Eliane Paganini CHAKUR Cilene Ribeiro de Sá Leite A Tomada de Consciência da Crise de Identidade Profissional em Revista Eletrônica de Psicologia e Epistemologia Genéticas v 2 p 221241 2009 Anhanguera Educacional Pedagogia Práticas Pedagógicas Identidade Docente NOME LOCALANO 1 INTRODUÇÃO O tema da identidade docente tem recebido bastante atenção no campo pedagógico atual devido sua importância e relação com as boas práticas pedagógicas e o desenvolvimento docente Em um mundo cada vez mais dinâmico e informativo tem sido evidente a busca por maiores reflexões a respeito do tema e neste sentido alguns artigos têm discutido a crise de identidade docente e seus reflexos nos envolvidos no processo de ensinoaprendizagem Silva e Chakur 2009 Nóvoa 2022 Como a crise de identidade docente impacta diretamente na qualidade da educação de maneira geral esta pesquisa acaba por se justificar devido à necessidade de melhor compreender a origem deste fenômeno Segundo Lomba Filho 2022 a falta de modelos formativos envolvendo práticas que permitam maior grau de reflexões estagnação profissional de professores e a falta de estratégias de valorização e reconhecimento profissional tem contribuído ainda mais para esta crise Em termos de problema central a crise de identidade docente pode ser estudada visando o atendimento às diversas necessidades atuais desses professores partindo de análises de causalidade entre os fenômenos que desembocam na crise de identidade docente permitindo a proposição de alternativas que promovam uma formação continuamente mais integrada e sólida É neste sentido que este texto busca contribuir com a discussão envolvendo a crise de identidade docente a partir de estudos publicados previamente mais especificamente os descritos pelos autores Lomba e Filho 2022 e Silva e Chakur 2009 2 DESENVOLVIMENTO Recentemente Lomba e Filho 2022 entrevistaram o Professor da Universidade de Lisboa António Manuel Seixas Sampaio da Nóvoa sobre a urgente necessidade de se retrabalhar os modelos formativos conhecidos atualmente Nesta entrevista Nóvoa destacou a importância de uma maior integração na formação docente visando mais práticas de autoconhecimento e autorreflexão na docência envolvendo dimensões pessoais e profissionais além de identificar a busca por uma identidade docente Ao longo da entrevista diversos pontos foram levantados e o professor apresentou com clareza diversas explicações e propostas detalhadas para se trabalhar as limitações causadas pela crise de identidade docente atual através de argumentação precisa contra a rigidez dos modelos tradicionais de ensino iniciais e continuados sem contar a baixa harmonia dos envolvidos no campo educacional Embora Nóvoa confirme os avanços tecnológicos e acadêmicos relacionados aos setores envolvidos na compreensão do meio educacional o professor ainda destacou que os profissionais do ensino básico se mostraram excluídos do processo o que influencia na perca de identidade profissional especialmente relacionado a falta de novos modelos de formação voltados para o ensino básico inclusão de práticas reflexivas e de autoconhecimento e reflexão além de práticas de conhecimento de formação docente e falta de revistas em formatos inovadores que mostrem a prática pedagógica de maneira menos rígida e mais realística Por outro lado Silva e Chakur 2009 estudaram a crise de identidade docente em professores de uma escola paulista do ensino fundamental II através de um grupo composto por um total de 12 professores de disciplinas e níveis de experiência variados Segundo os autores estes foram capazes de categorizar os docentes em relação ao seu nível de consciência em 3 categorias 1 Nível I consciência elementar 2 Nível II consciência incipiente 3 Nível III Consciência refletida Apesar das diferentes autoimagens observadas os pesquisadores verificaram ao longo do estudo que a profissão era vista como sendo desvalorizada mesmo em diferentes níveis de consciência Além de atuais ambos artigos anteriormente mencionados se mostraram complementares no que se refere a identificação e proposição de diferentes soluções para os variados problemas que surgem da crise de identidade docente sendo possível a combinação destes como um ponto de partida efetivo na busca implementação e desenvolvimentos de alternativas e caminhos que possam diminuir os obstáculos relacionados a esta problemática tando do ponto de vista teórico quanto do ponto de vista prático 3 CONCLUSÃO Diante de tudo que foi anteriormente mencionado definir a identidade docente continua a ser um grande e importante desafio nos dias atuais devido sua intrínseca complexidade e relevância no sucesso do processo de ensinoaprendizagem Apesar dessa complexidade buscar por um ponto convergente pode reduzir os efeitos negativos de tal crise Diante de toda a complexidade mencionada anteriormente um primeiro passo a ser dado no sentido de se trabalhar eficientemente a crise de identidade docente é dar consciência ao docente de que a profissão do Professor consiste no profissional dotado da capacidade de amar o aluno Com esta capacidade genuína e incondicional pode ser um primeiro passo na busca por um eixo sólido de atuação profissional elevada e humanizada em total conformidade com a altura da profissão do professor REFERÊNCIAS LOMBA Maria Lúcia Resende FILHO Luciano Mendes Faria Os professores e sua formação profissional entrevista com António Nóvoa Educar em Revista v 38 2022 SILVA Eliane Paganini CHAKUR Cilene Ribeiro de Sá Leite A Tomada de Consciência da Crise de Identidade Profissional em Revista Eletrônica de Psicologia e Epistemologia Genéticas v 2 p 221241 2009

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Volume 2 Número 3 JanJul2009 221 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 A Tomada de Consciência da Crise de Identidade Profissional em Professores do Ensino Fundamental 1 Eliane Paganini da Silva2 Cilene Ribeiro de Sá Leite Chakur3 Resumo Este trabalho investigou se professores do II Ciclo do Ensino Fundamental 5ª a 8ª séries de uma escola paulista têm consciência de suas funções e responsabilidades como professores como avaliam a crise da profissão docente descrita na bibliografia educacional e se estão conscientes dessa crise com seus determinantes A pesquisa recorreu a estudos que tratam da identidade dos saberes e das dificuldades do professor utilizando como suporte teórico para a análise a teoria de Jean Piaget do desenvolvimento cognitivo e da tomada de consciência Foram entrevistados 12 professores com base em um roteiro semiestruturado tendo como eixo temático as características e consciência da crise de identidade docente A partir de análise qualitativa e quantitativa foi possível estabelecer níveis distintos da tomada de consciência dessa crise Nível I Consciência elementar ou periférica da crise de identidade profissional Nível II Consciência incipiente da crise de identidade profissional e Nível III Consciência refletida da crise de identidade profissional Concluiuse que a tomada de consciência da crise de identidade profissional docente não se mostra repentina nem consiste em um processo de iluminação mas se revela em certos níveis hierárquicos E para que os professores atinjam o terceiro nível de consciência devem ter refletido sobre as reais causas dos acontecimentos e dos problemas percebendo os elementos centrais da situação em detrimento dos seus elementos periféricos Palavraschave Identidade profissional do professor Tomada de consciência da crise de identidade docente Profissionalização docente Papel profissional do professor 1 Este trabalho foi em grande parte apresentado no XIV ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICA DE ENSINO realizado em Porto Alegre em 2008 2 Mestre em Educação Escolar pela UNESP campus de AraraquaraSP docente do Centro Universitário de São José do Rio PretoSP Email elianpshotmailcom 3 Doutora em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano pela USP professora livre docente aposentada da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de AraraquaraSP Email chakurfclarunespbr Volume 2 Número 3 JanJul2009 222 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 The Conscience Taking of the Professional Identity Crisis in Teachers of Primary Education Abstract This work researched if the Cycle II of the Primary School teachers 5th to 8th degrees from one school of a city of São Paulo State were aware of their functions and responsibilities as teachers how they evaluate the teaching professional crisis described in the educational bibliography and if they are conscious of this crisis with their determinants The research appealed to the studies that deal with the teachers identity knowledge and difficulties and used Jean Piagets theory of the cognitive development and the consciousness taking as the theoretical support of the analysis 12 teachers were interviewed by a semistructured guide which had as thematic axis the characteristics and conscience of the teaching identity crisis By means of qualitative and quantitative analysis it was possible to establish different levels of the consciousness taking of this crisis Level I Elementary or peripherical consciousness of the crisis of professional identity Level II Incipient consciousness of the professional identity crisis and Level III Reflected consciousness of the professional identity crisis It was concluded that the consciousness taking of the teaching professional crisis does not appear suddenly nor it consists a lighting process but it show some hierarquical levels And to reach the third level of consciousness the teachers must reflect on the genuine causes of the events and problems catching the central elements of the situation by relegating their peripherical elements Keywords Teachers professional identity Consciousness taking of the teaching identity crisis Teaching professionalization Teachers professional role Volume 2 Número 3 JanJul2009 223 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Introdução O processo de formação da identidade pessoal tem início na fase infantil na medida em que a criança assimila traços e características de pessoas e objetos externos valorizados É um processo que ocorre de acordo com a cultura e a categoria social do indivíduo O desenvolvimento do eu depende em grande parte das pessoas ou grupos de pessoas com os quais nos identificamos mas isto nunca ocorre em nível generalizável e a intensidade desta identificação é variável Nesse processo o indivíduo adota papéis e atividades das outras pessoas que lhe parecem significativas adquirindo sua identidade subjetiva ou seja a identidade se mantém modificase e remodelase em uma dialética entre o euoutros MOGONE 2001 p 16 Um aspecto importante para a definição de identidade segundo Vianna 1999 p 51 é a tensão entre imutabilidade e dinamicidade sendo a identidade o conjunto de representações do eu pelo qual o sujeito comprova que é sempre igual a si mesmo e diferente dos outros Alguns autores consideram que a identidade não é exclusiva do campo individual mas também do coletivo A identidade coletiva não é decorrência direta da individual mas possui outro sistema de relações ao qual os atores se referem e em relação ao qual tomam referimento VIANNA 1999 p 52 A identidade pessoal e a identidade construída coletivamente são essenciais para definir a identidade profissional do indivíduo A esse respeito Pimenta 1997 p 7 salienta que a identidade profissional docente Volume 2 Número 3 JanJul2009 224 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 se constrói pois a partir da significação social da profissão constróise também pelo significado que cada professor enquanto ator e autor confere à atividade docente no seu cotidiano a partir de seus valores de seus modo de situarse no mundo de sua história de vida de suas representações de seus saberes de suas angústias e anseios do sentido que tem em sua vida o ser professor Assim como a partir de sua rede de relações com outros professores nas escolas nos sindicatos e em outros agrupamentos Entendemos identidade profissional docente como um processo contínuo subjetivo que obedece às trajetórias individuais e sociais que tem como possibilidade a construçãodesconstruçãoreconstrução atribuindo sentido ao trabalho e centrado na imagem e autoimagem social que se tem da profissão e também legitimado a partir da relação de pertencimento a uma determinada profissão no caso o Magistério Mas a bibliografia educacional tem mostrado que os professores vivem já há algum tempo uma crise em sua profissão e em seu fazer ESTEVE 1995 e 1999 LOURENCETTI 2004 NACARATO VARANI e CARVALHO 2000 Essa crise se revela como uma espécie de malestar docente ESTEVE 1999 relacionado à tendência à desprofissionalização que é decorrente por sua vez de mudanças sociais que transformam a imagem e a autoimagem do professor causando desmotivação pessoal insatisfação com a profissão autoimagem negativa isenção de responsabilidade indefinição de sua função etc Essa é uma situação segundo pensamos que apresenta sinais de crise também na identidade profissional do professor Sabemos que a formação da identidade profissional do professor sofre um processo lento e se desenvolve por meio de apreciações e apropriações do mundo escolar ou seja nas relações de convívio social e na prática docente Nesse processo o professor provavelmente se depara com dificuldades ambiguidades e confusões quanto à própria imagem e papel e para que a identidade docente se estruture firmemente é necessária a tomada Volume 2 Número 3 JanJul2009 225 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 de consciência do que é realmente pertinente à profissão É com a preocupação de esclarecer esse processo que realizamos a presente pesquisa O referencial de análise a perspectiva piagetiana Para analisar os dados da presente pesquisa recorremos principalmente à perspectiva teórica de Piaget que segundo pensamos apresentase rica e coerente o bastante para poder ser aplicada a adultos e além disso a profissionais de uma certa área CHAKUR 2001 Segundo Piaget em suas interações com o mundo o indivíduo muitas vezes se depara com obstáculos e problemas e busca superálos Mas ocorre que muitas vezes suas condições intelectuais atuais estruturas cognitivas não dão conta das exigências encontradas no ambiente e tendem portanto a se modificar a se diferenciar em novas estruturas para que os conteúdos que o ambiente oferece possam ser assimilados e os obstáculos possam ser compensados Para Piaget é esse processo contínuo de busca de equilíbrio entre indivíduo e ambiente que ele chama de processo de equilibração o principal responsável pelo desenvolvimento intelectual Mas em sua proposta o autor não deixa de valorizar também os aspectos biológicos hereditariedade e maturação educativos e sociais em geral como fatores que interferem no desenvolvimento Pesquisando a tomada de consciência em crianças e adultos Piaget 1977 p 198 descobre que ela procede da periferia para o centro sendo esses termos definidos em função do percurso de um determinado comportamento Segundo Piaget quando o indivíduo realiza uma determinada ação pode obter êxito ou não entretanto mesmo quando obtém êxito comumente explica como o obteve sem uma reflexão sem realmente tomar consciência do porquê do êxito Volume 2 Número 3 JanJul2009 226 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 De acordo com Piaget 1977 muitas vezes analisamos apenas as relações aparentes mais externas sobre aquilo que fazemos desconsiderando o que realmente leva à realização de determinada ação essa parte superficial é o que ele chama de periferia da consciência a reação mais imediata e exterior do sujeito em face do objeto enquanto o centro seria formado pelos meios e razões quando buscamos o como e os porquês do êxito ou fracasso alcançado com nossas ações Para ele a tomada de consciência é um processo que obedece a níveis sucessivos e hierarquizados assim como ocorre com o processo de desenvolvimento cognitivo Desse modo a tomada de consciência consiste em fazer passar alguns elementos de um plano inferior inconsciente a um plano superior consciente e que esses dois estágios não possam ser idênticos A tomada de consciência constitui pois uma reconstrução no plano superior do que já está organizado mas de outra maneira no plano inferior PIAGET 1973 p 41 Consideramos que a tomada de consciência é um conceito bastante rico que pode ser tomado para analisar a consciência que os professores dispõem sobre a possível crise de identidade profissional que enfrentam e que é objeto do presente trabalho O desenvolvimento da pesquisa A pesquisa teve como objetivo investigar como professores do Ensino Fundamental avaliam a imagem do professor e a própria autoimagem e como enfrentam a crise em sua identidade e em sua profissão tal como descrita na bibliografia educacional recente Os professores estão conscientes dessa crise Conhecem por exemplo seu núcleo e seus determinantes Participaram da pesquisa doze professores de várias disciplinas curriculares de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental de uma cidade do interior paulista Os professores que serão a seguir identificados por siglas pertinentes às respectivas áreas se distribuíam do seguinte modo 2 professores de Volume 2 Número 3 JanJul2009 227 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Português P1 e P2 2 de Matemática M1 e M2 2 de História H1 e H2 2 de Geografia G1 e G2 1 de Educação Física F1 1 de Educação Artística A1 e 2 de Ciências C1 e C2 com idades variando de 25 a 56 anos e com tempo de serviço no magistério de 5 a 35 anos Os dados foram coletados mediante entrevista semiestruturada com um roteiro contendo dois blocos de questões O primeiro se referia à imagem de ser professor e à autoimagem de cada participante como tal O segundo buscava saber o que incomodadificulta o trabalho em sala de aula ou fora dela se os professores se encontravam em crise e qual o seu centro e determinantes As entrevistas foram gravadas com a devida autorização e transcritas pela pesquisadora de modo literal O procedimento seguiu os princípios do método clínico piagetiano o que permitiu explorar com certa profundidade o que pensam os professores a respeito do tema em questão Lembramos que o foco da entrevista clínica é a forma de pensamento do entrevistado e desse modo o roteiro de entrevista não segue uma sequência fixa de questões privilegiando o ritmo e a ordenação sugerida pelas respostas do entrevistado A análise dos dados foi eminentemente qualitativa Inicialmente foram agrupadas em categorias as respostas semelhantes e em seguida conforme a questão as categorias foram hierarquizadas em níveis distintos Os critérios de análise serão detalhados adiante juntamente com os resultados obtidos As respostas foram também submetidas à análise quantitativa quando procedemos à tabulação de frequências absoluta e porcentual de cada categoria com porcentagens calculadas pelo número de professores ou seja 100 equivalendo a 12 professores Volume 2 Número 3 JanJul2009 228 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Ser professor e suas imagens No primeiro eixo de análise questionamos os professores sobre sua função imagens que eles têm de si mesmos como profissionais da educação e valor de um professor na atualidade A função do professor como afirma Gimeno Sacristán 1991 encontrase em permanente elaboração e depende diretamente das relações e dos contextos sociais nos quais a comunidade docente se encontra A dificuldade de definição das atribuições do professor acaba por levar à incorporação de uma multiplicidade de tarefas que muitas vezes ultrapassam a função docente fugindo de seu alcance e caracterizando atividades próprias de profissões ou ocupações distintas das do magistério Todo esse contexto como salientam Esteve 1999 e Lourencetti 2004 dificulta e emperra o trabalho e o ânimo dos professores o que consequentemente interfere na imagem que eles próprios e a sociedade possuem do profissional docente Na questão sobre O que é ser professor as respostas variaram entre os que acreditam que ser professor é transmitir conhecimentos com seis depoimentos G1 H2 A1 H1 G2 F1 50 e os que apontam ser necessário ter consciência de seu papel e de sua responsabilidade para com os alunos com depoimentos de quatro professores P1 P2 H2 C2 333 São exemplos de depoimentos dessas categorias Ah eu não tenho assim muitas ilusões não eu acho que ser professor hoje em dia é conseguir passar o conteúdo alguns valores mas o sistema torna a gente um simples transmissor de conhecimento não tá dando para ser professor G1 É você saber valorizar aquela pessoa que você tá conduzindo você tem que ter consciência de que você tem alunos que precisam de você para saber determinados conhecimentos que só vai ter com você Eu acho que ser professor é você ter consciência da responsabilidade de ser professor H2 Volume 2 Número 3 JanJul2009 229 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Segundo um dos entrevistados C1 para ser professor é preciso cumprir tarefas diversificadas inclusive que não são próprias da profissão para outro tratase de uma profissão diferenciada M2 Eu acho que ser professor é ser muitas coisas é ser um profissional é ser um parente é ser um amigo porque acaba ficando muito tempo com a criança você não é só um profissional você acaba sendo uma parte do da continuação da família da criança Acho que ser professor é muito mais que ser só um profissional cumprir uma tarefa C1 Olha eu gosto muito do que eu faço acho que é muito gratificante eu sei lá primeiro lugar é uma profissão sem dúvida é uma profissão que é diferente de ser um advogado por exemplo porque você dá de você direto para pessoas você tem de ficar ali direto do lado dos alunos pra tentar passar pros alunos o que você sabe é uma profissão sem dúvida mas é um negócio muito gratificante M2 Percebemos em alguns depoimentos que a identidade profissional se apresenta confusa Ou será que ser professor é realmente cumprir tarefas diversificadas tal como atuar como parente amigo parte da família Para ser professor é preciso se sentir gratificado ou ver o progresso dos alunos Estes são elementos essenciais à profissionalidade docente Considerações feitas por Cunha 1998 e Hypolito 1998 apontam a existência de uma dificuldade histórica na constituição da profissionalização docente Isso nos levaria a pensar que a questão de ser professor de se tornar professor envolve uma série de atributos que nem sempre são facilitados pelas políticas públicas educacionais que também nem sempre visam à constituição da docência como uma profissão realmente Afirmarse como profissional é um sonho almejado há muito pelos professores Quando questionamos se qualquer pessoa poderia ser professor as respostas foram negativas com exceção de um deles mas que recorre à mesma explicação encontrada nas respostas negativas Seis professores M2 P2 C2 G2 H1 F1 50 afirmaram que tem que ter formação Cinco ou 416 F1 G1 H2 A1 M1 relataram que tem que gostar Volume 2 Número 3 JanJul2009 230 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 da profissão Quatro P1 P2 H2 M1 333 disseram que é necessário ter dom para ser professor Pode é pode se você receber formação H1 Eu acredito que não E acho que o equívoco reside nesta questão mesmo O professor é uma pessoa que precisa ser capacitada para o ofício de ensinar A ele devem ser dadas ensinadas teorias que fundamentem a sua prática Ele precisa ser formado na íntegra Tudo é essencial Além da teoria muita prática P2 Olha eu acho que para ser professor tem que gostar muito da profissão porque se a pessoa não gosta da profissão ela não vai fazer aquele trabalho com carinho e amor ela vai deixar tudo de qualquer jeito Não é QUALQUER pessoa não teria que gostar da educação ter dom A1 Para dois professores 167 é necessário ter paciência G2 G1 e ainda um único entrevistado 83 afirma que é preciso ter consciência C1 para ser educador Percebemos em certos casos que faz parte do imaginário docente a imagem de professor abnegado aquele que professa algo Brzezinski 2002 p 16 também ressalta que a profissão professor se mantém associada à idéia de fé de sacerdócio a vocação para ser professor diz respeito à dedicação e abnegação ao apostolado e segundo a autora tal concepção condiz com o imaginário social que relaciona a profissão professor com a fé como um chamado para prestar um serviço ao bem comum Talvez isso explique o fato de tais concepções permearem as afirmações de nossos participantes de que qualquer um pode ser professor desde que tenha dom ou paciência pois estas são características essenciais para uma profissão que se respalde na abnegação na fé e na dedicação ao bem comum Quando questionamos que imagem cada um teria de si próprio como professor apareceram basicamente cinco imagens sendo elas Volume 2 Número 3 JanJul2009 231 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Professoramigo segundo cinco professores C1 C2 P2 H1 G1 416 para ter uma boa imagem os professores têm que ter um bom relacionamento com os alunos que os mesmos gostem deles e ainda devem saber lidar com adolescentes A imagem que eu faço de mim é a imagem que eu percebo que os alunos representam pra mim como alguém muito fácil de fácil acesso Uma pessoa educada é eu não altero a voz eu procuro ser bem próxima a eles ser amiga divertida eu gosto de ser muito divertida eu acho que eles me vêem como uma amiga como um ser humano P2 Professor dedicado quatro entrevistados 333 M2 A1 P1 P2 entendem que possuem uma imagem de professor amoroso maternal Exemplo Primeiro eu achava que eu era muito enérgica meio carrasca hoje eu mudei Porque depois que eu casei tive filhos passei a ver as coisas de uma outra forma M2 Professorcompetente ainda quatro professores 333 indicam uma imagem de professor que domina o conteúdo C1 M1 H2 G2 Eu me acho uma pessoa competente e para você ser professor você tem que se interessar e ser muito interessado e tem que tentar se renovar sempre se atualizar H2 Professor menteabertaconsciente também para 333 dos entrevistados a autoimagem é daquele que se atualiza reconhece erros procura melhorar tem a mente aberta C2 P1 H1 H2 Eu procuro fazer o melhor sempre me dediquei bastante tenho muitas falhas procuro ter autocrítica para observar essas falhas e tentar corrigir mas a gente não consegue ser perfeito então eu procuro sempre melhorar observar onde eu tô falhando tentar consertar modificar P1 Professormodelo Apenas um dos professores 83 afirma que para ter uma boa imagem tem que dar exemplo para o aluno F1 Volume 2 Número 3 JanJul2009 232 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Eu acho que tenho uma imagem boa tento fazer o melhor de mim passar o que eu sei levar uma vida saudável que no caso da Educação Física eu tenho que saber lidar com isso praticar atividade física ser coerente com a minha profissão entendeu Tem muito professor de Educação Física que não se cuida vai na escola por ir eu cultivo o que eu ensino para eles na minha casa na minha família F1 Os depoimentos que sugerem uma ligação entre o instinto amoroso e maternal e a própria imagem de professor dedicado são sem dúvida imagens recorrentes no senso comum Segundo Arroyo 2000 essa imagem de devotamento é algo histórico pois os professores do Ensino Fundamental 5ª a 8ª séries trazem resquícios de um ciclo que tinha e continuou a ter como função intermediar a educação primária à formação universitária criandose portanto um vácuo de um saber profissional capaz de dar conta da educação e da formação cognitiva ética estética cultural etc da adolescência e da juventude p 31 Questionamos também qual o valor de um professor nos dias atuais e foi possível agrupar as respostas em três categorias distintas Para sete entrevistados F1 M2 P1 G1 H1 H2 M1 583 o professor atualmente tem muito pouco valor ou é desvalorizado três deles P2 A1 C2 25 acham que o professor não tem nenhum valor e ainda dois professores C1 G2 167 consideram que o professor tem seu valor mas não é reconhecido Exemplos Hoje em dia acho que professor não tem mais valor não sabe antigamente se respeitava pai e mãe acatava decisões hoje em dia eles não dão valor sabe tá muito desvalorizada tanto financeiramente como em termos de educação F1 Nenhum porque tá relacionado também com o quanto você ganha como é a sua vida porque a sociedade hoje se baseia por quem tem não quem é e o professor geralmente não tem a não ser que ele tenha tido a sorte de ganhar um carro uma casa ou casado com uma pessoa bem de vida então eu já tive épocas em que eu tive vergonha P2 Ai coitados eu não sei eu acho que o professor tem um valor muito grande mas ele não é reconhecido nos dias de hoje apesar de Volume 2 Número 3 JanJul2009 233 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 continuarem se formando muitas pessoas continuarem lutando pelas vagas nas universidades Agora essa imagem ela acaba não sendo boa C1 É necessário salientar o que os participantes entendem por valor Para um deles C1 o valor do professor tem correspondência direta com o fator financeiro com o fato de ele ser mal pago dois A1 F1 apelam para o aspecto educativo quatro P1 P2 G1 H2 para o profissional dois M2 H1 acreditam que moralmente respeito dos alunos o valor é pouco e finalmente para cinco deles M1 M2 P1 H1 G2 a desvalorização tem caráter social Percebemos então que para uma boa parte dos professores a desvalorização docente é predominantemente social O mesmo é legitimado por Esteve 1999 quando ressalta que a imagem pública do professor é que acaba por ser responsável por sua importância profissional Na realidade é de acordo com a avaliação que fazem de nós que acabamos por nos definir pois a valorização de uma categoria profissional é diretamente ligada à imagem veiculada socialmente A tomada de consciência da crise de identidade docente A maneira como uma dada profissão é vista externamente como ela é situada pública e socialmente tem um peso considerável No caso do Magistério a desvalorização social é atrelada ao fato de que atualmente o professor não é mais apenas o único detentor de informações e por isso ora é visto como um membro social importante ora não Com relação à desvalorização política podemos ressaltar que embora os professores formem uma categoria esta não possui força suficiente para mudar a situação em que se encontram Consideramos que toda esta situação também se reflete na identidade do professor resultando em uma crise de identidade profissional Esta crise diz respeito ao modo como os professores se veem e como são vistos Volume 2 Número 3 JanJul2009 234 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 pelos outros diz respeito ao próprio trabalho ao valor social que possuem ou não a seus saberes e à sua competência para ensinar É uma crise que confunde os papéis próprios à profissão docente fazendo com que o professor concorde em realizar tarefas que o desviam de sua função de ensinar Nossa análise mostrou que a tomada de consciência da crise de identidade profissional ocorre em certos níveis Algumas respostas se centram na periferia da crise vivida pelos professores ao focalizar elementos e fatores mais imediatos e aparentes da situação apresentada Outras respostas superam esse imediatismo na direção do que é central à identidade docente quando salientam o menos imediato e aparente tais como o sentimento de pertencimento a uma dada profissão que depende do contexto histórico no qual o indivíduo vive como ressalta Vianna 1999 a importância da imagem e da autoimagem da profissão ARROYO 2000 GIDDENS 2002 a presença de saberes específicos angústias e anseios do professor e suas relações com outros profissionais da categoria GAUTHIER et al 1998 PIMENTA 1997 TARDIF 2002 Este critério constituiu o fundamento para o estabelecimento de três níveis distintos de tomada de consciência da crise de identidade profissional docente descritos a seguir Classificamos no nível I Consciência elementar ou periférica da crise de identidade profissional respostas que se centravam em elementos periféricos da situação apresentada PIAGET 1977 O nível intermediário II Consciência incipiente da crise de identidade profissional ficou reservado aos depoimentos que apresentaram traços característicos dos níveis I e III simultaneamente na mesma questão quando as duas categorias centralperiférico aparecem com o mesmo peso de forma ambígua ou confusa Volume 2 Número 3 JanJul2009 235 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Por fim foram classificados no nível III Consciência refletida da crise de identidade profissional depoimentos que se ativeram aos elementos centrais das questões colocadas ou seja à consciência do como e do porquê da situação e dos seus resultados processo que ocorre por meio da abstração reflexionante PIAGET 1977 1978 Lembramos que a classificação em elementos centrais e periféricos não pode ser generalizada e diz respeito a certa situação Assim o que é central em certa situação pode se revelar como periférico em outra Os níveis de consciência dos professores em cada questão são definidos como segue Os depoimentos foram transcritos na íntegra e se encontram em itálico 1 A primeira questão sobre a tomada de consciência da crise de identidade profissional indagava ao professor O que incomoda ou dificulta a realização do seu trabalho seja dentro ou fora da sala de aula Para esta questão obtivemos os seguintes resultados Nível I Este nível ficou reservado aos cinco 417 professores M2 P1 P2 H2 F1 que se centraram em aspectos mais imediatos e aparentes da situação tais como indisciplina dos alunos ausência da família ausência de recursos materiais físicos da escola falhas da direção Entendemos que tais elementos são periféricos na questão pois apesar de dificultar a tarefa do professor não são determinantes do seu trabalho e atuam no aqui e agora Por exemplo Eu acho que fora da sala de aula é muita burocracia e dentro da sala de aula hoje eu acho que é comportamento disciplina de aluno é o que mais atrapalha P1 Indisciplina incomoda demais falta de vontade de o aluno aprender incomoda muito desinteresse acho que é uma coisa assim familiar a criança não tem interesse porque pai e mãe não cobra culpa dos pais e essa indisciplina dificulta meu trabalho M2 Volume 2 Número 3 JanJul2009 236 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Nível II Quatro professores C1 C2 M1 H1 apresentaram respostas ambíguas 333 baseadas em elementos centrais e periféricos ao mesmo tempo como por exemplo diretor amigo periféricoespírito corporativo central desinteresse dos alunos periféricomá remuneração central desinteresse dos alunos periféricosaberes central Exemplos Eu acho que muitas vezes não tem um comprometimento com a escola eles professores acabam apenas dando seus 50 minutos de aula e se esquecendo que tem outras atividades dentro da escola Acho que o diretor poderia ser mais amigo digamos assim mais companheiro eu acho que às vezes essa falta de coleguismo que existe Por que acontece Eu acho que hoje as pessoas vivem meio individualista pensam muito nelas elas têm os problemas particulares C1 O salário risos o baixo salário esse baixo salário me obriga a dar muitas aulas então eu dou muitas aulas eu tenho menos tempo para preparar essas aulas O que dificulta os alunos que não estão interessados em aprender que não tem cultura alguma que chegam para a escola muito cru é uma dificuldade imensa de você tentar fazer alguma coisa diferente e eles não responderem eles não querem eles não querem fazer Por que isso acontece Porque o Estado não investe de maneira adequada na educação a preocupação não é com a qualidade mas com a quantidade então isso tudo cria todo um sistema de desvalorização do trabalho docente H1 Nível III Depoimentos de três entrevistados G1 G2 A1 25 se basearam em elementos menos aparentes e mais centrais às reais dificuldades do professor desvalorização do trabalho docente políticas públicas educacionais exigências sociais saberes e espírito corporativo sempre tendo como interesse maior a afirmação da identidade Exemplos Baixos salários jornada estafante salas lotadas legislação absurda etc Porque existe um grande interesse das elites nacionais e internacionais em deixar o povo brasileiro cada vez mais idiota sem instrução para que eles possam comandar e roubar como vem se fazendo hoje Povo instruído reivindica seus direitos G1 Bem o que mais me incomoda é o fato de as leis mudarem constantemente e as teorias pedagógicas que temos que acatar só porque estão na moda Isso sem falar nas condições de trabalho que muitas vezes são péssimas G2 Volume 2 Número 3 JanJul2009 237 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 2 Perguntamos diretamente se os professores vivem ou não uma crise de identidade profissional qual o seu centro e suas causas e foi possível perceber mais precisamente os níveis de tomada de consciência Nível I Neste nível predominaram respostas vagas ou respostas que não apresentavam argumentações sobre sua avaliação Dois professores 167 M1 F1 focalizaram além disso uma crise pessoal existencial e não profissional quanto ao centro e às causas da crise referiramse ao cotidiano ou a tudo e a todos à falta de estrutura material falta de interesse dos alunos a ausência da família ou ainda apresentando respostas vagas Por exemplo Eu não diria crise crise existencial eu tô desde que eu nasci há 57 anos Você vê pessoas descontentes algumas estão em crise Qual o centro da crise A crise que o professor passa hoje é a crise de todo mundo não é diferente Ela se refere à preocupação com a vida com os filhos à situação do país você liga TV só vê corrupção o pai que ganha salário mínimo A crise é uma crise social é da sociedade como um todo e o indivíduo é coparticipante dessa crise O que causa Nos comportamos como os remadores na galera do Império Romano a gente não sabe exatamente aonde vai É um período negro o pessoal tem medo medo de ser assaltado de enfrentar tomar posição acaba atrapalhando a escola Interferiram na crise as reformas Para mim não mas para os outros professores acredito que sim porque eles não entenderam a progressão continuada e ficam martirizados com isso M1 Nível II Quatro entrevistados 333 C1 P1 G1 A1 apresentaram algumas confusões entre elementos centrais e periféricos como por exemplo a democratização do ensino e a falta de material assim como o desinteresse dos alunos as crianças não gostam da escola como sendo os motivos centrais da crise e ao mesmo tempo se preocupavam com a formação dos professores a má remuneração a questão da saúde dos professores e o sistema Eu não porque eu não crio falsas expectativas mas quem cria está em crise profunda Qual o centro dessa crise Tudo tá errado O sistema é absurdo ele é feito pras crianças não gostarem da escola não tem como Você acha que é o sistema que causa essa crise É Volume 2 Número 3 JanJul2009 238 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 por exemplo a criança tem vocação para música não se ensina música na escola a criança gosta de Educação Física são apenas 2 aulas por semana a criança gosta de Inglês a mesma coisa Não se trabalha aquilo que a criança gosta todo mundo tem que ser igual As reformas interferem Ah sim estão todos equivocados e contribuíram para piorar mais a situação a progressão continuada é um absurdo sem precedentes é aprovação automática só que é uma aprovação automática que vai reprovar o aluno na vida eles não vão ser reprovados na escola mas vão sair daqui semianalfabetos e vão quebrar a cara lá fora no mercado de trabalho G1 Nível III Seis entrevistados 50 C2 M2 P2 G2 H1 H2 perceberam a crise em seus elementos centrais a má remuneração a formação dos professores a desvalorização do magistério as condições sociais do contexto brasileiro e a saúde mental dos profissionais da educação Perguntados sobre as causas dessa crise os professores indicam fatores semelhantes má formação desprestígio social e econômico má remuneração sistema de ensino políticas e condições sociais condições emocionais saúde do professor afirmaram também que as reformas interferem na crise de identidade docente Por exemplo Sim eu acho que sei lá Acho que estamos sim E qual seria o centro dela Olha o centro é a má distribuição das verbas públicas e aí somos mal remunerados não temos apoio para a realização de muitas de nossas tarefas E as causas As causas são a falta de incentivo dos órgãos públicos seu descaso para com a educação fora a situação social e econômica da sociedade brasileira E as reformas interferem na crise do professor Acho que sim principalmente a progressão continuada teve um impacto muito grande em nosso trabalho ficamos de mãos atadas G2 As duas crises da profissão de Magistério e da identidade profissional docente muitas vezes são confundidas como se fossem a mesma coisa Mas consideramos que para que se instale uma crise de identidade profissional a profissão docente não precisa estar necessariamente em crise pois a identidade profissional implica a existência de elementos subjetivos além daqueles próprios da profissão em questão Desse modo não se pode confundir os dois tipos de crise embora a crise na profissão possa interferir na identidade do professor Volume 2 Número 3 JanJul2009 239 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Obviamente pode haver uma crise na profissão docente mas o professor pode não passar por nenhum conflito interno com relação à profissão que exerce e como a exerce Entretanto a crise na profissão se apresenta como um pano de fundo profundamente contagiante para uma crise também da identidade pois se a profissão não se encontra em crise os profissionais que a exercem podem atuar com maior tranquilidade Digamos que a crise do Magistério aumenta as chances de uma crise de identidade Tendo em vista os diferentes níveis de consciência fica claro que alguns professores percebem melhor que outros o que ocorre com a profissão e com a própria identidade O que nos mostra também que esses professores parecem não refletir também no sentido atribuído por Piaget sobre os reais problemas que interferem em seu dia a dia Pois para Piaget quando tomamos consciência não basta expor o que achamos que resolva os problemas mas precisamos refletir sobre como e por que se chegou ou não a tal resultado Considerações finais Podemos concluir que assim como a bibliografia educacional vem afirmando os professores se encontram em uma crise profissional e também em uma crise de identidade mantendo estas uma relação estreita com limites muito tênues entre os aspectos que as caracterizam Mas consideramos que nem sempre a crise de identidade é percebida pelos professores em seus aspectos centrais e em seus determinantes Tal como encontrado por Piaget 1978 no âmbito da ação a tomada de consciência da crise da profissão e da identidade se processa em níveis distintos O nível que apareceu predominantemente foi o intermediário um nível em que os professores na maioria das questões apresentam respostas ambíguas e confusas com relação aos elementos centrais e periféricos da consciência da identidade profissional Muitos professores não conseguem perceber o motivo central pelo qual se sentem incomodados ou que dificulta o próprio trabalho As reais causas da Volume 2 Número 3 JanJul2009 240 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 dificuldade e da crise ficam perdidas em meio às atribulações do cotidiano escolar Assim como os professores se mostraram confusos em muitos aspectos em muitos momentos deixaram surgir alguém com a profissionalidade abalada mal definida com uma autoimagem pouco expressiva e desvalorizada sem espírito de corpo entre seus pares comprometendo assim sua identidade Diante do processo de desvalorização profissional do professor e da eventual crise educacional que parece ser evidente nos dias atuais afirmar a identidade profissional docente pode contribuir para mudar este quadro e buscar melhores condições de trabalho para essa categoria O professor necessita de uma definição mais precisa de sua identidade profissional para se afirmar perante o ensino e até mesmo perante a categoria docente propriamente dita Um professor que reconhece e tem consciência do seu papel desempenha seu trabalho com maior segurança desenvoltura autonomia e pode assim desenvolver práticas pedagógicas mais criativas e de qualidade Sem dúvida este é o nosso maior desejo Referências ARROYO M G Ofício de Mestre imagens e autoimagens Petrópolis RJ Vozes 2000 BRZEZINSKI I Org Profissão professor identidade e profissionalização docente Brasília DF Editora Plano 2002 CHAKUR C R de S L Desenvolvimento profissional docente contribuições de uma leitura piagetiana Araraquara JM Editora 2001 CUNHA M I Profissionalização docente contradições e perspectivas In VEIGA I P A CUNHA M I da Org Desmistificando a profissionalização do magistério Campinas SP Papirus 1999 p 127147 ESTEVE J H Mudanças sociais e função docente In NÓVOA A Org Profissão professor 2 ed Porto Porto Editora 1995 p 95124 Volume 2 Número 3 JanJul2009 241 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 ESTEVE J H O malestar docente a sala de aula e a saúde dos professores São Paulo EDUSC 1999 GAUTHIER C et al Por uma teoria da Pedagogia pesquisas contemporâneas sobre o saber docente Ijuí Ed Unijuí 1998 GIDDENS A Modernidade e identidade Rio de Janeiro Zahar 2002 GIMENO SACRISTÁN J Consciência e acção sobre a prática como libertação profissional dos professores In NÓVOA A Profissão Professor Porto Porto Ed 1991 p 6192 HIPOLYTO A M Trabalho docente e profissionalização sonho prometido ou sonho negado In VEIGA I P A CUNHA M I da Org Desmistificando a profissionalização do magistério Campinas SP Papirus 1999 p 81100 LOURENCETTI G C Mudanças sociais e reformas educacionais repercussões no trabalho docente 2004 Tese Doutorado em Educação Escolar Faculdade de Ciências e Letras Universidade Estadual Paulista Araraquara 2004 MOGONE J A De alunas a professoras analisando o processo da construção inicial da docência 2001 Dissertação Mestrado em Educação Escolar Faculdade de Ciências e Letras Universidade Estadual Paulista Araraquara 2001 NACARATO et al O cotidiano do trabalho docente palco bastidores e trabalho invisível abrindo as cortinas In GERALDI C M G FIORENTINI D PEREIRA E M de A Org Cartografias do trabalho docente professora pesquisadora Campinas Mercado das Letras 2000 PIAGET J Problemas de psicologia genética Rio de Janeiro Forense 1973 PIAGET J A tomada de consciência São Paulo Melhoramentos 1977 PIAGET J Fazer e compreender São Paulo Melhoramentos 1978 PIMENTA S G Formação de Professores Saberes da Docência e Identidade do Professor Nuances v III Presidente Prudente 1997 p 0514 TARDIF M Saberes docentes e formação profissional Rio de janeiro Vozes 2002 VIANNA C Os nós do nós crise e perspectiva da ação coletiva docente em São Paulo São Paulo Xamã 1999 Recebido em 12 de outubro de 2009 Aprovado em 21 de outubro de 2009 Volume 2 Número 3 JanJul2009 221 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 A Tomada de Consciência da Crise de Identidade Profissional em Professores do Ensino Fundamental 1 Eliane Paganini da Silva2 Cilene Ribeiro de Sá Leite Chakur3 Resumo Este trabalho investigou se professores do II Ciclo do Ensino Fundamental 5ª a 8ª séries de uma escola paulista têm consciência de suas funções e responsabilidades como professores como avaliam a crise da profissão docente descrita na bibliografia educacional e se estão conscientes dessa crise com seus determinantes A pesquisa recorreu a estudos que tratam da identidade dos saberes e das dificuldades do professor utilizando como suporte teórico para a análise a teoria de Jean Piaget do desenvolvimento cognitivo e da tomada de consciência Foram entrevistados 12 professores com base em um roteiro semiestruturado tendo como eixo temático as características e consciência da crise de identidade docente A partir de análise qualitativa e quantitativa foi possível estabelecer níveis distintos da tomada de consciência dessa crise Nível I Consciência elementar ou periférica da crise de identidade profissional Nível II Consciência incipiente da crise de identidade profissional e Nível III Consciência refletida da crise de identidade profissional Concluiuse que a tomada de consciência da crise de identidade profissional docente não se mostra repentina nem consiste em um processo de iluminação mas se revela em certos níveis hierárquicos E para que os professores atinjam o terceiro nível de consciência devem ter refletido sobre as reais causas dos acontecimentos e dos problemas percebendo os elementos centrais da situação em detrimento dos seus elementos periféricos Palavraschave Identidade profissional do professor Tomada de consciência da crise de identidade docente Profissionalização docente Papel profissional do professor 1 Este trabalho foi em grande parte apresentado no XIV ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICA DE ENSINO realizado em Porto Alegre em 2008 2 Mestre em Educação Escolar pela UNESP campus de AraraquaraSP docente do Centro Universitário de São José do Rio PretoSP Email elianpshotmailcom 3 Doutora em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano pela USP professora livre docente aposentada da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de AraraquaraSP Email chakurfclarunespbr Volume 2 Número 3 JanJul2009 222 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 The Conscience Taking of the Professional Identity Crisis in Teachers of Primary Education Abstract This work researched if the Cycle II of the Primary School teachers 5th to 8th degrees from one school of a city of São Paulo State were aware of their functions and responsibilities as teachers how they evaluate the teaching professional crisis described in the educational bibliography and if they are conscious of this crisis with their determinants The research appealed to the studies that deal with the teachers identity knowledge and difficulties and used Jean Piagets theory of the cognitive development and the consciousness taking as the theoretical support of the analysis 12 teachers were interviewed by a semistructured guide which had as thematic axis the characteristics and conscience of the teaching identity crisis By means of qualitative and quantitative analysis it was possible to establish different levels of the consciousness taking of this crisis Level I Elementary or peripherical consciousness of the crisis of professional identity Level II Incipient consciousness of the professional identity crisis and Level III Reflected consciousness of the professional identity crisis It was concluded that the consciousness taking of the teaching professional crisis does not appear suddenly nor it consists a lighting process but it show some hierarquical levels And to reach the third level of consciousness the teachers must reflect on the genuine causes of the events and problems catching the central elements of the situation by relegating their peripherical elements Keywords Teachers professional identity Consciousness taking of the teaching identity crisis Teaching professionalization Teachers professional role Volume 2 Número 3 JanJul2009 223 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Introdução O processo de formação da identidade pessoal tem início na fase infantil na medida em que a criança assimila traços e características de pessoas e objetos externos valorizados É um processo que ocorre de acordo com a cultura e a categoria social do indivíduo O desenvolvimento do eu depende em grande parte das pessoas ou grupos de pessoas com os quais nos identificamos mas isto nunca ocorre em nível generalizável e a intensidade desta identificação é variável Nesse processo o indivíduo adota papéis e atividades das outras pessoas que lhe parecem significativas adquirindo sua identidade subjetiva ou seja a identidade se mantém modificase e remodelase em uma dialética entre o euoutros MOGONE 2001 p 16 Um aspecto importante para a definição de identidade segundo Vianna 1999 p 51 é a tensão entre imutabilidade e dinamicidade sendo a identidade o conjunto de representações do eu pelo qual o sujeito comprova que é sempre igual a si mesmo e diferente dos outros Alguns autores consideram que a identidade não é exclusiva do campo individual mas também do coletivo A identidade coletiva não é decorrência direta da individual mas possui outro sistema de relações ao qual os atores se referem e em relação ao qual tomam referimento VIANNA 1999 p 52 A identidade pessoal e a identidade construída coletivamente são essenciais para definir a identidade profissional do indivíduo A esse respeito Pimenta 1997 p 7 salienta que a identidade profissional docente Volume 2 Número 3 JanJul2009 224 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 se constrói pois a partir da significação social da profissão constróise também pelo significado que cada professor enquanto ator e autor confere à atividade docente no seu cotidiano a partir de seus valores de seus modo de situarse no mundo de sua história de vida de suas representações de seus saberes de suas angústias e anseios do sentido que tem em sua vida o ser professor Assim como a partir de sua rede de relações com outros professores nas escolas nos sindicatos e em outros agrupamentos Entendemos identidade profissional docente como um processo contínuo subjetivo que obedece às trajetórias individuais e sociais que tem como possibilidade a construçãodesconstruçãoreconstrução atribuindo sentido ao trabalho e centrado na imagem e autoimagem social que se tem da profissão e também legitimado a partir da relação de pertencimento a uma determinada profissão no caso o Magistério Mas a bibliografia educacional tem mostrado que os professores vivem já há algum tempo uma crise em sua profissão e em seu fazer ESTEVE 1995 e 1999 LOURENCETTI 2004 NACARATO VARANI e CARVALHO 2000 Essa crise se revela como uma espécie de malestar docente ESTEVE 1999 relacionado à tendência à desprofissionalização que é decorrente por sua vez de mudanças sociais que transformam a imagem e a autoimagem do professor causando desmotivação pessoal insatisfação com a profissão autoimagem negativa isenção de responsabilidade indefinição de sua função etc Essa é uma situação segundo pensamos que apresenta sinais de crise também na identidade profissional do professor Sabemos que a formação da identidade profissional do professor sofre um processo lento e se desenvolve por meio de apreciações e apropriações do mundo escolar ou seja nas relações de convívio social e na prática docente Nesse processo o professor provavelmente se depara com dificuldades ambiguidades e confusões quanto à própria imagem e papel e para que a identidade docente se estruture firmemente é necessária a tomada Volume 2 Número 3 JanJul2009 225 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 de consciência do que é realmente pertinente à profissão É com a preocupação de esclarecer esse processo que realizamos a presente pesquisa O referencial de análise a perspectiva piagetiana Para analisar os dados da presente pesquisa recorremos principalmente à perspectiva teórica de Piaget que segundo pensamos apresentase rica e coerente o bastante para poder ser aplicada a adultos e além disso a profissionais de uma certa área CHAKUR 2001 Segundo Piaget em suas interações com o mundo o indivíduo muitas vezes se depara com obstáculos e problemas e busca superálos Mas ocorre que muitas vezes suas condições intelectuais atuais estruturas cognitivas não dão conta das exigências encontradas no ambiente e tendem portanto a se modificar a se diferenciar em novas estruturas para que os conteúdos que o ambiente oferece possam ser assimilados e os obstáculos possam ser compensados Para Piaget é esse processo contínuo de busca de equilíbrio entre indivíduo e ambiente que ele chama de processo de equilibração o principal responsável pelo desenvolvimento intelectual Mas em sua proposta o autor não deixa de valorizar também os aspectos biológicos hereditariedade e maturação educativos e sociais em geral como fatores que interferem no desenvolvimento Pesquisando a tomada de consciência em crianças e adultos Piaget 1977 p 198 descobre que ela procede da periferia para o centro sendo esses termos definidos em função do percurso de um determinado comportamento Segundo Piaget quando o indivíduo realiza uma determinada ação pode obter êxito ou não entretanto mesmo quando obtém êxito comumente explica como o obteve sem uma reflexão sem realmente tomar consciência do porquê do êxito Volume 2 Número 3 JanJul2009 226 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 De acordo com Piaget 1977 muitas vezes analisamos apenas as relações aparentes mais externas sobre aquilo que fazemos desconsiderando o que realmente leva à realização de determinada ação essa parte superficial é o que ele chama de periferia da consciência a reação mais imediata e exterior do sujeito em face do objeto enquanto o centro seria formado pelos meios e razões quando buscamos o como e os porquês do êxito ou fracasso alcançado com nossas ações Para ele a tomada de consciência é um processo que obedece a níveis sucessivos e hierarquizados assim como ocorre com o processo de desenvolvimento cognitivo Desse modo a tomada de consciência consiste em fazer passar alguns elementos de um plano inferior inconsciente a um plano superior consciente e que esses dois estágios não possam ser idênticos A tomada de consciência constitui pois uma reconstrução no plano superior do que já está organizado mas de outra maneira no plano inferior PIAGET 1973 p 41 Consideramos que a tomada de consciência é um conceito bastante rico que pode ser tomado para analisar a consciência que os professores dispõem sobre a possível crise de identidade profissional que enfrentam e que é objeto do presente trabalho O desenvolvimento da pesquisa A pesquisa teve como objetivo investigar como professores do Ensino Fundamental avaliam a imagem do professor e a própria autoimagem e como enfrentam a crise em sua identidade e em sua profissão tal como descrita na bibliografia educacional recente Os professores estão conscientes dessa crise Conhecem por exemplo seu núcleo e seus determinantes Participaram da pesquisa doze professores de várias disciplinas curriculares de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental de uma cidade do interior paulista Os professores que serão a seguir identificados por siglas pertinentes às respectivas áreas se distribuíam do seguinte modo 2 professores de Volume 2 Número 3 JanJul2009 227 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Português P1 e P2 2 de Matemática M1 e M2 2 de História H1 e H2 2 de Geografia G1 e G2 1 de Educação Física F1 1 de Educação Artística A1 e 2 de Ciências C1 e C2 com idades variando de 25 a 56 anos e com tempo de serviço no magistério de 5 a 35 anos Os dados foram coletados mediante entrevista semiestruturada com um roteiro contendo dois blocos de questões O primeiro se referia à imagem de ser professor e à autoimagem de cada participante como tal O segundo buscava saber o que incomodadificulta o trabalho em sala de aula ou fora dela se os professores se encontravam em crise e qual o seu centro e determinantes As entrevistas foram gravadas com a devida autorização e transcritas pela pesquisadora de modo literal O procedimento seguiu os princípios do método clínico piagetiano o que permitiu explorar com certa profundidade o que pensam os professores a respeito do tema em questão Lembramos que o foco da entrevista clínica é a forma de pensamento do entrevistado e desse modo o roteiro de entrevista não segue uma sequência fixa de questões privilegiando o ritmo e a ordenação sugerida pelas respostas do entrevistado A análise dos dados foi eminentemente qualitativa Inicialmente foram agrupadas em categorias as respostas semelhantes e em seguida conforme a questão as categorias foram hierarquizadas em níveis distintos Os critérios de análise serão detalhados adiante juntamente com os resultados obtidos As respostas foram também submetidas à análise quantitativa quando procedemos à tabulação de frequências absoluta e porcentual de cada categoria com porcentagens calculadas pelo número de professores ou seja 100 equivalendo a 12 professores Volume 2 Número 3 JanJul2009 228 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Ser professor e suas imagens No primeiro eixo de análise questionamos os professores sobre sua função imagens que eles têm de si mesmos como profissionais da educação e valor de um professor na atualidade A função do professor como afirma Gimeno Sacristán 1991 encontrase em permanente elaboração e depende diretamente das relações e dos contextos sociais nos quais a comunidade docente se encontra A dificuldade de definição das atribuições do professor acaba por levar à incorporação de uma multiplicidade de tarefas que muitas vezes ultrapassam a função docente fugindo de seu alcance e caracterizando atividades próprias de profissões ou ocupações distintas das do magistério Todo esse contexto como salientam Esteve 1999 e Lourencetti 2004 dificulta e emperra o trabalho e o ânimo dos professores o que consequentemente interfere na imagem que eles próprios e a sociedade possuem do profissional docente Na questão sobre O que é ser professor as respostas variaram entre os que acreditam que ser professor é transmitir conhecimentos com seis depoimentos G1 H2 A1 H1 G2 F1 50 e os que apontam ser necessário ter consciência de seu papel e de sua responsabilidade para com os alunos com depoimentos de quatro professores P1 P2 H2 C2 333 São exemplos de depoimentos dessas categorias Ah eu não tenho assim muitas ilusões não eu acho que ser professor hoje em dia é conseguir passar o conteúdo alguns valores mas o sistema torna a gente um simples transmissor de conhecimento não tá dando para ser professor G1 É você saber valorizar aquela pessoa que você tá conduzindo você tem que ter consciência de que você tem alunos que precisam de você para saber determinados conhecimentos que só vai ter com você Eu acho que ser professor é você ter consciência da responsabilidade de ser professor H2 Volume 2 Número 3 JanJul2009 229 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Segundo um dos entrevistados C1 para ser professor é preciso cumprir tarefas diversificadas inclusive que não são próprias da profissão para outro tratase de uma profissão diferenciada M2 Eu acho que ser professor é ser muitas coisas é ser um profissional é ser um parente é ser um amigo porque acaba ficando muito tempo com a criança você não é só um profissional você acaba sendo uma parte do da continuação da família da criança Acho que ser professor é muito mais que ser só um profissional cumprir uma tarefa C1 Olha eu gosto muito do que eu faço acho que é muito gratificante eu sei lá primeiro lugar é uma profissão sem dúvida é uma profissão que é diferente de ser um advogado por exemplo porque você dá de você direto para pessoas você tem de ficar ali direto do lado dos alunos pra tentar passar pros alunos o que você sabe é uma profissão sem dúvida mas é um negócio muito gratificante M2 Percebemos em alguns depoimentos que a identidade profissional se apresenta confusa Ou será que ser professor é realmente cumprir tarefas diversificadas tal como atuar como parente amigo parte da família Para ser professor é preciso se sentir gratificado ou ver o progresso dos alunos Estes são elementos essenciais à profissionalidade docente Considerações feitas por Cunha 1998 e Hypolito 1998 apontam a existência de uma dificuldade histórica na constituição da profissionalização docente Isso nos levaria a pensar que a questão de ser professor de se tornar professor envolve uma série de atributos que nem sempre são facilitados pelas políticas públicas educacionais que também nem sempre visam à constituição da docência como uma profissão realmente Afirmarse como profissional é um sonho almejado há muito pelos professores Quando questionamos se qualquer pessoa poderia ser professor as respostas foram negativas com exceção de um deles mas que recorre à mesma explicação encontrada nas respostas negativas Seis professores M2 P2 C2 G2 H1 F1 50 afirmaram que tem que ter formação Cinco ou 416 F1 G1 H2 A1 M1 relataram que tem que gostar Volume 2 Número 3 JanJul2009 230 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 da profissão Quatro P1 P2 H2 M1 333 disseram que é necessário ter dom para ser professor Pode é pode se você receber formação H1 Eu acredito que não E acho que o equívoco reside nesta questão mesmo O professor é uma pessoa que precisa ser capacitada para o ofício de ensinar A ele devem ser dadas ensinadas teorias que fundamentem a sua prática Ele precisa ser formado na íntegra Tudo é essencial Além da teoria muita prática P2 Olha eu acho que para ser professor tem que gostar muito da profissão porque se a pessoa não gosta da profissão ela não vai fazer aquele trabalho com carinho e amor ela vai deixar tudo de qualquer jeito Não é QUALQUER pessoa não teria que gostar da educação ter dom A1 Para dois professores 167 é necessário ter paciência G2 G1 e ainda um único entrevistado 83 afirma que é preciso ter consciência C1 para ser educador Percebemos em certos casos que faz parte do imaginário docente a imagem de professor abnegado aquele que professa algo Brzezinski 2002 p 16 também ressalta que a profissão professor se mantém associada à idéia de fé de sacerdócio a vocação para ser professor diz respeito à dedicação e abnegação ao apostolado e segundo a autora tal concepção condiz com o imaginário social que relaciona a profissão professor com a fé como um chamado para prestar um serviço ao bem comum Talvez isso explique o fato de tais concepções permearem as afirmações de nossos participantes de que qualquer um pode ser professor desde que tenha dom ou paciência pois estas são características essenciais para uma profissão que se respalde na abnegação na fé e na dedicação ao bem comum Quando questionamos que imagem cada um teria de si próprio como professor apareceram basicamente cinco imagens sendo elas Volume 2 Número 3 JanJul2009 231 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Professoramigo segundo cinco professores C1 C2 P2 H1 G1 416 para ter uma boa imagem os professores têm que ter um bom relacionamento com os alunos que os mesmos gostem deles e ainda devem saber lidar com adolescentes A imagem que eu faço de mim é a imagem que eu percebo que os alunos representam pra mim como alguém muito fácil de fácil acesso Uma pessoa educada é eu não altero a voz eu procuro ser bem próxima a eles ser amiga divertida eu gosto de ser muito divertida eu acho que eles me vêem como uma amiga como um ser humano P2 Professor dedicado quatro entrevistados 333 M2 A1 P1 P2 entendem que possuem uma imagem de professor amoroso maternal Exemplo Primeiro eu achava que eu era muito enérgica meio carrasca hoje eu mudei Porque depois que eu casei tive filhos passei a ver as coisas de uma outra forma M2 Professorcompetente ainda quatro professores 333 indicam uma imagem de professor que domina o conteúdo C1 M1 H2 G2 Eu me acho uma pessoa competente e para você ser professor você tem que se interessar e ser muito interessado e tem que tentar se renovar sempre se atualizar H2 Professor menteabertaconsciente também para 333 dos entrevistados a autoimagem é daquele que se atualiza reconhece erros procura melhorar tem a mente aberta C2 P1 H1 H2 Eu procuro fazer o melhor sempre me dediquei bastante tenho muitas falhas procuro ter autocrítica para observar essas falhas e tentar corrigir mas a gente não consegue ser perfeito então eu procuro sempre melhorar observar onde eu tô falhando tentar consertar modificar P1 Professormodelo Apenas um dos professores 83 afirma que para ter uma boa imagem tem que dar exemplo para o aluno F1 Volume 2 Número 3 JanJul2009 232 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Eu acho que tenho uma imagem boa tento fazer o melhor de mim passar o que eu sei levar uma vida saudável que no caso da Educação Física eu tenho que saber lidar com isso praticar atividade física ser coerente com a minha profissão entendeu Tem muito professor de Educação Física que não se cuida vai na escola por ir eu cultivo o que eu ensino para eles na minha casa na minha família F1 Os depoimentos que sugerem uma ligação entre o instinto amoroso e maternal e a própria imagem de professor dedicado são sem dúvida imagens recorrentes no senso comum Segundo Arroyo 2000 essa imagem de devotamento é algo histórico pois os professores do Ensino Fundamental 5ª a 8ª séries trazem resquícios de um ciclo que tinha e continuou a ter como função intermediar a educação primária à formação universitária criandose portanto um vácuo de um saber profissional capaz de dar conta da educação e da formação cognitiva ética estética cultural etc da adolescência e da juventude p 31 Questionamos também qual o valor de um professor nos dias atuais e foi possível agrupar as respostas em três categorias distintas Para sete entrevistados F1 M2 P1 G1 H1 H2 M1 583 o professor atualmente tem muito pouco valor ou é desvalorizado três deles P2 A1 C2 25 acham que o professor não tem nenhum valor e ainda dois professores C1 G2 167 consideram que o professor tem seu valor mas não é reconhecido Exemplos Hoje em dia acho que professor não tem mais valor não sabe antigamente se respeitava pai e mãe acatava decisões hoje em dia eles não dão valor sabe tá muito desvalorizada tanto financeiramente como em termos de educação F1 Nenhum porque tá relacionado também com o quanto você ganha como é a sua vida porque a sociedade hoje se baseia por quem tem não quem é e o professor geralmente não tem a não ser que ele tenha tido a sorte de ganhar um carro uma casa ou casado com uma pessoa bem de vida então eu já tive épocas em que eu tive vergonha P2 Ai coitados eu não sei eu acho que o professor tem um valor muito grande mas ele não é reconhecido nos dias de hoje apesar de Volume 2 Número 3 JanJul2009 233 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 continuarem se formando muitas pessoas continuarem lutando pelas vagas nas universidades Agora essa imagem ela acaba não sendo boa C1 É necessário salientar o que os participantes entendem por valor Para um deles C1 o valor do professor tem correspondência direta com o fator financeiro com o fato de ele ser mal pago dois A1 F1 apelam para o aspecto educativo quatro P1 P2 G1 H2 para o profissional dois M2 H1 acreditam que moralmente respeito dos alunos o valor é pouco e finalmente para cinco deles M1 M2 P1 H1 G2 a desvalorização tem caráter social Percebemos então que para uma boa parte dos professores a desvalorização docente é predominantemente social O mesmo é legitimado por Esteve 1999 quando ressalta que a imagem pública do professor é que acaba por ser responsável por sua importância profissional Na realidade é de acordo com a avaliação que fazem de nós que acabamos por nos definir pois a valorização de uma categoria profissional é diretamente ligada à imagem veiculada socialmente A tomada de consciência da crise de identidade docente A maneira como uma dada profissão é vista externamente como ela é situada pública e socialmente tem um peso considerável No caso do Magistério a desvalorização social é atrelada ao fato de que atualmente o professor não é mais apenas o único detentor de informações e por isso ora é visto como um membro social importante ora não Com relação à desvalorização política podemos ressaltar que embora os professores formem uma categoria esta não possui força suficiente para mudar a situação em que se encontram Consideramos que toda esta situação também se reflete na identidade do professor resultando em uma crise de identidade profissional Esta crise diz respeito ao modo como os professores se veem e como são vistos Volume 2 Número 3 JanJul2009 234 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 pelos outros diz respeito ao próprio trabalho ao valor social que possuem ou não a seus saberes e à sua competência para ensinar É uma crise que confunde os papéis próprios à profissão docente fazendo com que o professor concorde em realizar tarefas que o desviam de sua função de ensinar Nossa análise mostrou que a tomada de consciência da crise de identidade profissional ocorre em certos níveis Algumas respostas se centram na periferia da crise vivida pelos professores ao focalizar elementos e fatores mais imediatos e aparentes da situação apresentada Outras respostas superam esse imediatismo na direção do que é central à identidade docente quando salientam o menos imediato e aparente tais como o sentimento de pertencimento a uma dada profissão que depende do contexto histórico no qual o indivíduo vive como ressalta Vianna 1999 a importância da imagem e da autoimagem da profissão ARROYO 2000 GIDDENS 2002 a presença de saberes específicos angústias e anseios do professor e suas relações com outros profissionais da categoria GAUTHIER et al 1998 PIMENTA 1997 TARDIF 2002 Este critério constituiu o fundamento para o estabelecimento de três níveis distintos de tomada de consciência da crise de identidade profissional docente descritos a seguir Classificamos no nível I Consciência elementar ou periférica da crise de identidade profissional respostas que se centravam em elementos periféricos da situação apresentada PIAGET 1977 O nível intermediário II Consciência incipiente da crise de identidade profissional ficou reservado aos depoimentos que apresentaram traços característicos dos níveis I e III simultaneamente na mesma questão quando as duas categorias centralperiférico aparecem com o mesmo peso de forma ambígua ou confusa Volume 2 Número 3 JanJul2009 235 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Por fim foram classificados no nível III Consciência refletida da crise de identidade profissional depoimentos que se ativeram aos elementos centrais das questões colocadas ou seja à consciência do como e do porquê da situação e dos seus resultados processo que ocorre por meio da abstração reflexionante PIAGET 1977 1978 Lembramos que a classificação em elementos centrais e periféricos não pode ser generalizada e diz respeito a certa situação Assim o que é central em certa situação pode se revelar como periférico em outra Os níveis de consciência dos professores em cada questão são definidos como segue Os depoimentos foram transcritos na íntegra e se encontram em itálico 1 A primeira questão sobre a tomada de consciência da crise de identidade profissional indagava ao professor O que incomoda ou dificulta a realização do seu trabalho seja dentro ou fora da sala de aula Para esta questão obtivemos os seguintes resultados Nível I Este nível ficou reservado aos cinco 417 professores M2 P1 P2 H2 F1 que se centraram em aspectos mais imediatos e aparentes da situação tais como indisciplina dos alunos ausência da família ausência de recursos materiais físicos da escola falhas da direção Entendemos que tais elementos são periféricos na questão pois apesar de dificultar a tarefa do professor não são determinantes do seu trabalho e atuam no aqui e agora Por exemplo Eu acho que fora da sala de aula é muita burocracia e dentro da sala de aula hoje eu acho que é comportamento disciplina de aluno é o que mais atrapalha P1 Indisciplina incomoda demais falta de vontade de o aluno aprender incomoda muito desinteresse acho que é uma coisa assim familiar a criança não tem interesse porque pai e mãe não cobra culpa dos pais e essa indisciplina dificulta meu trabalho M2 Volume 2 Número 3 JanJul2009 236 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Nível II Quatro professores C1 C2 M1 H1 apresentaram respostas ambíguas 333 baseadas em elementos centrais e periféricos ao mesmo tempo como por exemplo diretor amigo periféricoespírito corporativo central desinteresse dos alunos periféricomá remuneração central desinteresse dos alunos periféricosaberes central Exemplos Eu acho que muitas vezes não tem um comprometimento com a escola eles professores acabam apenas dando seus 50 minutos de aula e se esquecendo que tem outras atividades dentro da escola Acho que o diretor poderia ser mais amigo digamos assim mais companheiro eu acho que às vezes essa falta de coleguismo que existe Por que acontece Eu acho que hoje as pessoas vivem meio individualista pensam muito nelas elas têm os problemas particulares C1 O salário risos o baixo salário esse baixo salário me obriga a dar muitas aulas então eu dou muitas aulas eu tenho menos tempo para preparar essas aulas O que dificulta os alunos que não estão interessados em aprender que não tem cultura alguma que chegam para a escola muito cru é uma dificuldade imensa de você tentar fazer alguma coisa diferente e eles não responderem eles não querem eles não querem fazer Por que isso acontece Porque o Estado não investe de maneira adequada na educação a preocupação não é com a qualidade mas com a quantidade então isso tudo cria todo um sistema de desvalorização do trabalho docente H1 Nível III Depoimentos de três entrevistados G1 G2 A1 25 se basearam em elementos menos aparentes e mais centrais às reais dificuldades do professor desvalorização do trabalho docente políticas públicas educacionais exigências sociais saberes e espírito corporativo sempre tendo como interesse maior a afirmação da identidade Exemplos Baixos salários jornada estafante salas lotadas legislação absurda etc Porque existe um grande interesse das elites nacionais e internacionais em deixar o povo brasileiro cada vez mais idiota sem instrução para que eles possam comandar e roubar como vem se fazendo hoje Povo instruído reivindica seus direitos G1 Bem o que mais me incomoda é o fato de as leis mudarem constantemente e as teorias pedagógicas que temos que acatar só porque estão na moda Isso sem falar nas condições de trabalho que muitas vezes são péssimas G2 Volume 2 Número 3 JanJul2009 237 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 2 Perguntamos diretamente se os professores vivem ou não uma crise de identidade profissional qual o seu centro e suas causas e foi possível perceber mais precisamente os níveis de tomada de consciência Nível I Neste nível predominaram respostas vagas ou respostas que não apresentavam argumentações sobre sua avaliação Dois professores 167 M1 F1 focalizaram além disso uma crise pessoal existencial e não profissional quanto ao centro e às causas da crise referiramse ao cotidiano ou a tudo e a todos à falta de estrutura material falta de interesse dos alunos a ausência da família ou ainda apresentando respostas vagas Por exemplo Eu não diria crise crise existencial eu tô desde que eu nasci há 57 anos Você vê pessoas descontentes algumas estão em crise Qual o centro da crise A crise que o professor passa hoje é a crise de todo mundo não é diferente Ela se refere à preocupação com a vida com os filhos à situação do país você liga TV só vê corrupção o pai que ganha salário mínimo A crise é uma crise social é da sociedade como um todo e o indivíduo é coparticipante dessa crise O que causa Nos comportamos como os remadores na galera do Império Romano a gente não sabe exatamente aonde vai É um período negro o pessoal tem medo medo de ser assaltado de enfrentar tomar posição acaba atrapalhando a escola Interferiram na crise as reformas Para mim não mas para os outros professores acredito que sim porque eles não entenderam a progressão continuada e ficam martirizados com isso M1 Nível II Quatro entrevistados 333 C1 P1 G1 A1 apresentaram algumas confusões entre elementos centrais e periféricos como por exemplo a democratização do ensino e a falta de material assim como o desinteresse dos alunos as crianças não gostam da escola como sendo os motivos centrais da crise e ao mesmo tempo se preocupavam com a formação dos professores a má remuneração a questão da saúde dos professores e o sistema Eu não porque eu não crio falsas expectativas mas quem cria está em crise profunda Qual o centro dessa crise Tudo tá errado O sistema é absurdo ele é feito pras crianças não gostarem da escola não tem como Você acha que é o sistema que causa essa crise É Volume 2 Número 3 JanJul2009 238 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 por exemplo a criança tem vocação para música não se ensina música na escola a criança gosta de Educação Física são apenas 2 aulas por semana a criança gosta de Inglês a mesma coisa Não se trabalha aquilo que a criança gosta todo mundo tem que ser igual As reformas interferem Ah sim estão todos equivocados e contribuíram para piorar mais a situação a progressão continuada é um absurdo sem precedentes é aprovação automática só que é uma aprovação automática que vai reprovar o aluno na vida eles não vão ser reprovados na escola mas vão sair daqui semianalfabetos e vão quebrar a cara lá fora no mercado de trabalho G1 Nível III Seis entrevistados 50 C2 M2 P2 G2 H1 H2 perceberam a crise em seus elementos centrais a má remuneração a formação dos professores a desvalorização do magistério as condições sociais do contexto brasileiro e a saúde mental dos profissionais da educação Perguntados sobre as causas dessa crise os professores indicam fatores semelhantes má formação desprestígio social e econômico má remuneração sistema de ensino políticas e condições sociais condições emocionais saúde do professor afirmaram também que as reformas interferem na crise de identidade docente Por exemplo Sim eu acho que sei lá Acho que estamos sim E qual seria o centro dela Olha o centro é a má distribuição das verbas públicas e aí somos mal remunerados não temos apoio para a realização de muitas de nossas tarefas E as causas As causas são a falta de incentivo dos órgãos públicos seu descaso para com a educação fora a situação social e econômica da sociedade brasileira E as reformas interferem na crise do professor Acho que sim principalmente a progressão continuada teve um impacto muito grande em nosso trabalho ficamos de mãos atadas G2 As duas crises da profissão de Magistério e da identidade profissional docente muitas vezes são confundidas como se fossem a mesma coisa Mas consideramos que para que se instale uma crise de identidade profissional a profissão docente não precisa estar necessariamente em crise pois a identidade profissional implica a existência de elementos subjetivos além daqueles próprios da profissão em questão Desse modo não se pode confundir os dois tipos de crise embora a crise na profissão possa interferir na identidade do professor Volume 2 Número 3 JanJul2009 239 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 Obviamente pode haver uma crise na profissão docente mas o professor pode não passar por nenhum conflito interno com relação à profissão que exerce e como a exerce Entretanto a crise na profissão se apresenta como um pano de fundo profundamente contagiante para uma crise também da identidade pois se a profissão não se encontra em crise os profissionais que a exercem podem atuar com maior tranquilidade Digamos que a crise do Magistério aumenta as chances de uma crise de identidade Tendo em vista os diferentes níveis de consciência fica claro que alguns professores percebem melhor que outros o que ocorre com a profissão e com a própria identidade O que nos mostra também que esses professores parecem não refletir também no sentido atribuído por Piaget sobre os reais problemas que interferem em seu dia a dia Pois para Piaget quando tomamos consciência não basta expor o que achamos que resolva os problemas mas precisamos refletir sobre como e por que se chegou ou não a tal resultado Considerações finais Podemos concluir que assim como a bibliografia educacional vem afirmando os professores se encontram em uma crise profissional e também em uma crise de identidade mantendo estas uma relação estreita com limites muito tênues entre os aspectos que as caracterizam Mas consideramos que nem sempre a crise de identidade é percebida pelos professores em seus aspectos centrais e em seus determinantes Tal como encontrado por Piaget 1978 no âmbito da ação a tomada de consciência da crise da profissão e da identidade se processa em níveis distintos O nível que apareceu predominantemente foi o intermediário um nível em que os professores na maioria das questões apresentam respostas ambíguas e confusas com relação aos elementos centrais e periféricos da consciência da identidade profissional Muitos professores não conseguem perceber o motivo central pelo qual se sentem incomodados ou que dificulta o próprio trabalho As reais causas da Volume 2 Número 3 JanJul2009 240 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 dificuldade e da crise ficam perdidas em meio às atribulações do cotidiano escolar Assim como os professores se mostraram confusos em muitos aspectos em muitos momentos deixaram surgir alguém com a profissionalidade abalada mal definida com uma autoimagem pouco expressiva e desvalorizada sem espírito de corpo entre seus pares comprometendo assim sua identidade Diante do processo de desvalorização profissional do professor e da eventual crise educacional que parece ser evidente nos dias atuais afirmar a identidade profissional docente pode contribuir para mudar este quadro e buscar melhores condições de trabalho para essa categoria O professor necessita de uma definição mais precisa de sua identidade profissional para se afirmar perante o ensino e até mesmo perante a categoria docente propriamente dita Um professor que reconhece e tem consciência do seu papel desempenha seu trabalho com maior segurança desenvoltura autonomia e pode assim desenvolver práticas pedagógicas mais criativas e de qualidade Sem dúvida este é o nosso maior desejo Referências ARROYO M G Ofício de Mestre imagens e autoimagens Petrópolis RJ Vozes 2000 BRZEZINSKI I Org Profissão professor identidade e profissionalização docente Brasília DF Editora Plano 2002 CHAKUR C R de S L Desenvolvimento profissional docente contribuições de uma leitura piagetiana Araraquara JM Editora 2001 CUNHA M I Profissionalização docente contradições e perspectivas In VEIGA I P A CUNHA M I da Org Desmistificando a profissionalização do magistério Campinas SP Papirus 1999 p 127147 ESTEVE J H Mudanças sociais e função docente In NÓVOA A Org Profissão professor 2 ed Porto Porto Editora 1995 p 95124 Volume 2 Número 3 JanJul2009 241 wwwmariliaunespbrscheme ISSN 19841655 ESTEVE J H O malestar docente a sala de aula e a saúde dos professores São Paulo EDUSC 1999 GAUTHIER C et al Por uma teoria da Pedagogia pesquisas contemporâneas sobre o saber docente Ijuí Ed Unijuí 1998 GIDDENS A Modernidade e identidade Rio de Janeiro Zahar 2002 GIMENO SACRISTÁN J Consciência e acção sobre a prática como libertação profissional dos professores In NÓVOA A Profissão Professor Porto Porto Ed 1991 p 6192 HIPOLYTO A M Trabalho docente e profissionalização sonho prometido ou sonho negado In VEIGA I P A CUNHA M I da Org Desmistificando a profissionalização do magistério Campinas SP Papirus 1999 p 81100 LOURENCETTI G C Mudanças sociais e reformas educacionais repercussões no trabalho docente 2004 Tese Doutorado em Educação Escolar Faculdade de Ciências e Letras Universidade Estadual Paulista Araraquara 2004 MOGONE J A De alunas a professoras analisando o processo da construção inicial da docência 2001 Dissertação Mestrado em Educação Escolar Faculdade de Ciências e Letras Universidade Estadual Paulista Araraquara 2001 NACARATO et al O cotidiano do trabalho docente palco bastidores e trabalho invisível abrindo as cortinas In GERALDI C M G FIORENTINI D PEREIRA E M de A Org Cartografias do trabalho docente professora pesquisadora Campinas Mercado das Letras 2000 PIAGET J Problemas de psicologia genética Rio de Janeiro Forense 1973 PIAGET J A tomada de consciência São Paulo Melhoramentos 1977 PIAGET J Fazer e compreender São Paulo Melhoramentos 1978 PIMENTA S G Formação de Professores Saberes da Docência e Identidade do Professor Nuances v III Presidente Prudente 1997 p 0514 TARDIF M Saberes docentes e formação profissional Rio de janeiro Vozes 2002 VIANNA C Os nós do nós crise e perspectiva da ação coletiva docente em São Paulo São Paulo Xamã 1999 Recebido em 12 de outubro de 2009 Aprovado em 21 de outubro de 2009 Anhanguera Educacional Pedagogia Práticas Pedagógicas Identidade Docente NOME LOCALANO 1 INTRODUÇÃO O tema da identidade docente tem recebido bastante atenção no campo pedagógico atual devido sua importância e relação com as boas práticas pedagógicas e o desenvolvimento docente Em um mundo cada vez mais dinâmico e informativo tem sido evidente a busca por maiores reflexões a respeito do tema e neste sentido alguns artigos têm discutido a crise de identidade docente e seus reflexos nos envolvidos no processo de ensinoaprendizagem Silva e Chakur 2009 Nóvoa 2022 Como a crise de identidade docente impacta diretamente na qualidade da educação de maneira geral esta pesquisa acaba por se justificar devido à necessidade de melhor compreender a origem deste fenômeno Segundo Lomba Filho 2022 a falta de modelos formativos envolvendo práticas que permitam maior grau de reflexões estagnação profissional de professores e a falta de estratégias de valorização e reconhecimento profissional tem contribuído ainda mais para esta crise Em termos de problema central a crise de identidade docente pode ser estudada visando o atendimento às diversas necessidades atuais desses professores partindo de análises de causalidade entre os fenômenos que desembocam na crise de identidade docente permitindo a proposição de alternativas que promovam uma formação continuamente mais integrada e sólida É neste sentido que este texto busca contribuir com a discussão envolvendo a crise de identidade docente a partir de estudos publicados previamente mais especificamente os descritos pelos autores Lomba e Filho 2022 e Silva e Chakur 2009 2 DESENVOLVIMENTO Recentemente Lomba e Filho 2022 entrevistaram o Professor da Universidade de Lisboa António Manuel Seixas Sampaio da Nóvoa sobre a urgente necessidade de se retrabalhar os modelos formativos conhecidos atualmente Nesta entrevista Nóvoa destacou a importância de uma maior integração na formação docente visando mais práticas de autoconhecimento e autorreflexão na docência envolvendo dimensões pessoais e profissionais além de identificar a busca por uma identidade docente Ao longo da entrevista diversos pontos foram levantados e o professor apresentou com clareza diversas explicações e propostas detalhadas para se trabalhar as limitações causadas pela crise de identidade docente atual através de argumentação precisa contra a rigidez dos modelos tradicionais de ensino iniciais e continuados sem contar a baixa harmonia dos envolvidos no campo educacional Embora Nóvoa confirme os avanços tecnológicos e acadêmicos relacionados aos setores envolvidos na compreensão do meio educacional o professor ainda destacou que os profissionais do ensino básico se mostraram excluídos do processo o que influencia na perca de identidade profissional especialmente relacionado a falta de novos modelos de formação voltados para o ensino básico inclusão de práticas reflexivas e de autoconhecimento e reflexão além de práticas de conhecimento de formação docente e falta de revistas em formatos inovadores que mostrem a prática pedagógica de maneira menos rígida e mais realística Por outro lado Silva e Chakur 2009 estudaram a crise de identidade docente em professores de uma escola paulista do ensino fundamental II através de um grupo composto por um total de 12 professores de disciplinas e níveis de experiência variados Segundo os autores estes foram capazes de categorizar os docentes em relação ao seu nível de consciência em 3 categorias 1 Nível I consciência elementar 2 Nível II consciência incipiente 3 Nível III Consciência refletida Apesar das diferentes autoimagens observadas os pesquisadores verificaram ao longo do estudo que a profissão era vista como sendo desvalorizada mesmo em diferentes níveis de consciência Além de atuais ambos artigos anteriormente mencionados se mostraram complementares no que se refere a identificação e proposição de diferentes soluções para os variados problemas que surgem da crise de identidade docente sendo possível a combinação destes como um ponto de partida efetivo na busca implementação e desenvolvimentos de alternativas e caminhos que possam diminuir os obstáculos relacionados a esta problemática tando do ponto de vista teórico quanto do ponto de vista prático 3 CONCLUSÃO Diante de tudo que foi anteriormente mencionado definir a identidade docente continua a ser um grande e importante desafio nos dias atuais devido sua intrínseca complexidade e relevância no sucesso do processo de ensinoaprendizagem Apesar dessa complexidade buscar por um ponto convergente pode reduzir os efeitos negativos de tal crise Diante de toda a complexidade mencionada anteriormente um primeiro passo a ser dado no sentido de se trabalhar eficientemente a crise de identidade docente é dar consciência ao docente de que a profissão do Professor consiste no profissional dotado da capacidade de amar o aluno Com esta capacidade genuína e incondicional pode ser um primeiro passo na busca por um eixo sólido de atuação profissional elevada e humanizada em total conformidade com a altura da profissão do professor REFERÊNCIAS LOMBA Maria Lúcia Resende FILHO Luciano Mendes Faria Os professores e sua formação profissional entrevista com António Nóvoa Educar em Revista v 38 2022 SILVA Eliane Paganini CHAKUR Cilene Ribeiro de Sá Leite A Tomada de Consciência da Crise de Identidade Profissional em Revista Eletrônica de Psicologia e Epistemologia Genéticas v 2 p 221241 2009 Anhanguera Educacional Pedagogia Práticas Pedagógicas Identidade Docente NOME LOCALANO 1 INTRODUÇÃO O tema da identidade docente tem recebido bastante atenção no campo pedagógico atual devido sua importância e relação com as boas práticas pedagógicas e o desenvolvimento docente Em um mundo cada vez mais dinâmico e informativo tem sido evidente a busca por maiores reflexões a respeito do tema e neste sentido alguns artigos têm discutido a crise de identidade docente e seus reflexos nos envolvidos no processo de ensinoaprendizagem Silva e Chakur 2009 Nóvoa 2022 Como a crise de identidade docente impacta diretamente na qualidade da educação de maneira geral esta pesquisa acaba por se justificar devido à necessidade de melhor compreender a origem deste fenômeno Segundo Lomba Filho 2022 a falta de modelos formativos envolvendo práticas que permitam maior grau de reflexões estagnação profissional de professores e a falta de estratégias de valorização e reconhecimento profissional tem contribuído ainda mais para esta crise Em termos de problema central a crise de identidade docente pode ser estudada visando o atendimento às diversas necessidades atuais desses professores partindo de análises de causalidade entre os fenômenos que desembocam na crise de identidade docente permitindo a proposição de alternativas que promovam uma formação continuamente mais integrada e sólida É neste sentido que este texto busca contribuir com a discussão envolvendo a crise de identidade docente a partir de estudos publicados previamente mais especificamente os descritos pelos autores Lomba e Filho 2022 e Silva e Chakur 2009 2 DESENVOLVIMENTO Recentemente Lomba e Filho 2022 entrevistaram o Professor da Universidade de Lisboa António Manuel Seixas Sampaio da Nóvoa sobre a urgente necessidade de se retrabalhar os modelos formativos conhecidos atualmente Nesta entrevista Nóvoa destacou a importância de uma maior integração na formação docente visando mais práticas de autoconhecimento e autorreflexão na docência envolvendo dimensões pessoais e profissionais além de identificar a busca por uma identidade docente Ao longo da entrevista diversos pontos foram levantados e o professor apresentou com clareza diversas explicações e propostas detalhadas para se trabalhar as limitações causadas pela crise de identidade docente atual através de argumentação precisa contra a rigidez dos modelos tradicionais de ensino iniciais e continuados sem contar a baixa harmonia dos envolvidos no campo educacional Embora Nóvoa confirme os avanços tecnológicos e acadêmicos relacionados aos setores envolvidos na compreensão do meio educacional o professor ainda destacou que os profissionais do ensino básico se mostraram excluídos do processo o que influencia na perca de identidade profissional especialmente relacionado a falta de novos modelos de formação voltados para o ensino básico inclusão de práticas reflexivas e de autoconhecimento e reflexão além de práticas de conhecimento de formação docente e falta de revistas em formatos inovadores que mostrem a prática pedagógica de maneira menos rígida e mais realística Por outro lado Silva e Chakur 2009 estudaram a crise de identidade docente em professores de uma escola paulista do ensino fundamental II através de um grupo composto por um total de 12 professores de disciplinas e níveis de experiência variados Segundo os autores estes foram capazes de categorizar os docentes em relação ao seu nível de consciência em 3 categorias 1 Nível I consciência elementar 2 Nível II consciência incipiente 3 Nível III Consciência refletida Apesar das diferentes autoimagens observadas os pesquisadores verificaram ao longo do estudo que a profissão era vista como sendo desvalorizada mesmo em diferentes níveis de consciência Além de atuais ambos artigos anteriormente mencionados se mostraram complementares no que se refere a identificação e proposição de diferentes soluções para os variados problemas que surgem da crise de identidade docente sendo possível a combinação destes como um ponto de partida efetivo na busca implementação e desenvolvimentos de alternativas e caminhos que possam diminuir os obstáculos relacionados a esta problemática tando do ponto de vista teórico quanto do ponto de vista prático 3 CONCLUSÃO Diante de tudo que foi anteriormente mencionado definir a identidade docente continua a ser um grande e importante desafio nos dias atuais devido sua intrínseca complexidade e relevância no sucesso do processo de ensinoaprendizagem Apesar dessa complexidade buscar por um ponto convergente pode reduzir os efeitos negativos de tal crise Diante de toda a complexidade mencionada anteriormente um primeiro passo a ser dado no sentido de se trabalhar eficientemente a crise de identidade docente é dar consciência ao docente de que a profissão do Professor consiste no profissional dotado da capacidade de amar o aluno Com esta capacidade genuína e incondicional pode ser um primeiro passo na busca por um eixo sólido de atuação profissional elevada e humanizada em total conformidade com a altura da profissão do professor REFERÊNCIAS LOMBA Maria Lúcia Resende FILHO Luciano Mendes Faria Os professores e sua formação profissional entrevista com António Nóvoa Educar em Revista v 38 2022 SILVA Eliane Paganini CHAKUR Cilene Ribeiro de Sá Leite A Tomada de Consciência da Crise de Identidade Profissional em Revista Eletrônica de Psicologia e Epistemologia Genéticas v 2 p 221241 2009

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