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O PROCESSO DE TRABALHO E A PRODUÇÃO DE MAISVALIA SEGUNDO MARX RESUMO Sob o modo de produção capitalista a produção da vida se dá sob certas condições específicas que o caracterizam desde sua fundação e que não sofreram grande modificação mesmo com sua evolução e desenvolvimento histórico no decorrer dos anos Dentre essas características está o fato de que os donos dos meios de produção os patrões se apropriam do excedente produzido pela classe trabalhadora os funcionários Essa apropriação do excedente produzido pelos trabalhadores denominase exploração do trabalho alheio e é por meio dessa exploração que se dá o enriquecimento da classe burguesa Para compreensão do modus operandi desse processo de apropriação do trabalho alheio com Marx a presente pesquisa bibliográfica partirá da compreensão das mercadorias como forma elementar da riqueza das sociedades para em seguida esmiuçar o processo de trabalho abordando cada uma das fases desse processo explorando os significados de termos importantes como objeto de trabalho meios de trabalho meios de produção força de trabalho e capital Também trabalhará com as noções de valor de uso valor de troca e valor para compreensão do todo do processo de produção Deterse á sobretudo na fase de produção do excedente visando a compreender o modo como ocorre a apropriação da maisvalia portanto da exploração do trabalho alheio por parte dos donos dos meios de produção PALAVRAS CHAVE Trabalho Capitalismo Maisvalia A sociedade capitalista se caracteriza dentre outras coisas pelo fato de que os donos dos meios de produção se apropriam do trabalho excedente a maisvalia dos proprietários da força de trabalho Essa apropriação exploração do trabalho alheio ocorre graças à produção de excedente por parte dos trabalhadores que é expropriado e assimilado pelo patrão o capitalista Sem a produção do excedente por uns não é possível sua apropriação por outros PARO 1988 p 35 Para entender bem como isso ocorre analisaremos alguns trechos do livro de Marx O capital Crítica da Economia Política procurando desvendar o modo como ocorre a exploração da classe trabalhadora pela classe burguesa por meio da produção da maisvalia A produção da maisvalia ocorre no processo de produção de mercadorias e Karl Marx inicia sua obra O capital afirmando que a riqueza das sociedades organizadas pelo modo de produção capitalista aparece como uma coleção de mercadorias e a mercadoria individual como sua forma elementar MARX 1983 p 45 Partindo dessa premissa o autor elabora toda uma análise acerca das mercadorias Marx explica que a mercadoria é algo externo que pelas suas características atende as precisões humanas sejam elas quais forem não importando se vêm do estômago ou da fantasia MARX 1983 p 45 Não interessa também se essa coisa a que chama mercadoria atende a necessidade dos homens como meio de subsistência ou seja como objeto de consumo ou se indiretamente como meio de produção de outras coisas em que se incorpora durante o processo de produção Cada uma dessas mercadorias tem sua serventia que advém do conjunto de suas características podendo ser útil sob diferentes aspectos A utilidade de uma coisa faz dela um valor de uso dirá Marx 1983 p 45 afirmando que o valor de uso se cumpre somente no uso ou no consumo da mercadoria Os valores de uso constituem o conteúdo material da riqueza qualquer que seja a forma social desta MARX 1983 p 46 e no mundo capitalista esses valores de uso conformam os hospedeiros materiais do valor de troca Para se determinar o valor de uso de uma mercadoria basta responder a questão Para que serve essa mercadoria Já o valor de troca representa a relação quantitativa que determina a proporção na qual diferentes valores de uso podem ser trocados Tem a ver portanto com a relação de troca que se estabelece quantitativamente entre mercadorias diferentes Quanto da mercadoria A se troca pela mercadoria B A resposta a essa questão determina o valor de troca da mercadoria A em sua relação com a mercadoria B e viceversa Como uma determinada mercadoria A pode ser trocada por uma gama de outras mercadorias B C D etc depreendese que a mercadoria A possui inúmeros valores de troca e não somente um único Segundo Vitor Paro Diferentemente do valor de uso que é a manifestação de uma relação entre homem e coisa entre consumidor e objeto de consumo o valor de troca advém da relação entre pessoas revelandose na troca entre bens de diferentes utilidades O valor de troca só se revela portanto quando na relação de troca contrapõemse mercadorias de valores de uso diversos PARO 1988 p 37 Os diferentes valores de troca de uma mesma mercadoria propagam algo igual porém expressando uma relação que a difere de cada outra mercadoria a que se compare Notese que para se poder comparar duas mercadorias diferentes é necessário identificar se algo que ambas tenham em comum Marx assevera Tomemos ainda duas mercadorias por exemplo trigo e ferro Qualquer que seja sua relação de troca poderseá sempre representála por uma equação em que dada quantidade de trigo é igualada a alguma quantidade de ferro por exemplo 1 quarter de trigo a quintais de ferro Que diz essa equação Que algo em comum da mesma grandeza existe em duas coisas diferentes em 1 quarter de trigo e igualmente em a quintais de ferro MARX 1983 p 46 Ambas se igualam a uma terceira que não é nem a primeira nem a segunda mercadoria Devem portanto ser consideradas redutíveis enquanto valor de troca a essa terceira cf MARX 1983 p 46 É preciso reduzirse os valores de troca das diferentes mercadorias a algo comum que esteja contido em cada uma delas seja em maior ou menor quantidade para se poder comparálas Os valores de uso contidos nas diferentes mercadorias possuem valor de troca igual desde que estejam disponíveis em proporção adequada apesar de serem absolutamente diferentes Desde o ponto de vista de sua utilidade as mercadorias possuem o valor de uso de diferente qualidade já do ponto de vista do valor de troca só podem estar presentes em quantidade diferente Deixando de lado então o valor de uso dos corpos das mercadorias resta a elas apenas uma propriedade que é a de serem produtos do trabalho MARX 1983 p 47 E o trabalho do qual são produtos quaisquer valores de uso independe de suas características específicas enquanto trabalho Tratase do trabalho humano abstrato que pode ser encontrado no feitio de qualquer mercadoria seja ela do tipo que for Resta nos valores de uso o dispêndio de força de trabalho humano independentemente de como tenha sido despendido O que essas coisas ainda representam é apenas que em sua produção foi consumida força de trabalho humano foi acumulado trabalho humano Como cristalizações dessa substância social comum a todas elas são elas valores valores mercantis MARX 1983 p 47 O que há de comum entre todas as mercadorias que se expõe na relação de troca ou valor de troca da mercadoria é portanto seu valor O valor de troca é a forma de manifestação do valor Uma mercadoria ou um valor de uso qualquer produzido pelo homem possui valor porque nela se materializa trabalho humano abstrato A forma de medir o valor de uma mercadoria é determinar a quantia de trabalho humano despendida para sua feitura O trabalho humano é a substância constituidora de valor MARX 1983 p 47 A quantidade de trabalho presente num dado valor de uso é determinada por seu tempo de duração Essa duração é medida não pela atuação de um único indivíduo mas pela média do tempo despendido socialmente para produção da mercadoria Tempo de trabalho socialmente necessário é aquele que se necessita para produzir um valor de uso qualquer em condições normais de produção e com o grau social médio de habilidade e de intensidade de trabalho MARX 1983 p 48 O valor de uma mercadoria manterseia constante se o tempo de trabalho necessário para produzila também permanecesse constante Entretanto na medida em que ocorrem mudanças na força produtiva do trabalho vai variando o tempo de trabalho necessário para produção das mercadorias Essas mudanças ocorrem de acordo com as variabilidades que ocorrem em diferentes circunstâncias entre outras pelo grau médio de habilidade dos trabalhadores o nível de desenvolvimento da ciência e sua aplicabilidade tecnológica a combinação social do processo de produção o volume e a eficácia dos meios de produção e as condições naturais MARX 1983 p 48 Em outras palavras as mudanças nas forças produtivas podem ocorrer por exemplo quando se investe no maquinário necessário para a produção de dada mercadoria fazendose que diminua o tempo necessário para sua produção Podem acontecer também quando se treina com maior eficácia os trabalhadores que se dedicarão a produzir a dita mercadoria etc Em geral quanto maior for a quantidade de força de trabalho despendida na produção de um valor de uso menor o tempo de trabalho exigido para a produção do valor de uso portanto menor o seu valor e viceversa Um valor de uso pode não ser um valor É assim quando sua utilidade não é determinada a partir do trabalho como por exemplo o ar o solo virgem as matas não cultivadas etc Da mesma forma um valor de uso pode ser fruto do trabalho humano sem ser mercadoria É o caso dos produtos que satisfazem a própria necessidade do produtor como por exemplo algo que se faz para o próprio consumo como um bolo para se comer com café o próprio café um banco de madeira que se fabrica para o próprio uso etc Por fim nada pode ser valor sem que seja também valor de uso Se algo for inútil também o trabalho ali contido será inútil não constituindo pois qualquer valor A utilidade de cada mercadoria leva em si uma determinada atividade produtiva adequada a um fim a que chamamos trabalho útil O trabalho cuja utilidade representa se assim no valor de uso de seu produto ou no fato de que seu produto é um valor de uso a que chamamos em resumo trabalho útil MARX 1983 p 50 Valores de uso não se podem comparar como mercadorias se não contiverem trabalhos úteis qualitativamente diferentes já que é no desenvolvimento do trabalho útil que produz cada mercadoria que se determina seu valor Trabalho mais complexo e elaborado vale tanto quanto trabalho simples potenciado de modo que uma pequena quantidade de trabalho mais complexo vale o mesmo que uma grande quantidade de trabalho mais simples É por isso que se pode trocar mercadorias tão distintas quanto anéis de pedras lapidadas por bancos rudimentares de madeira Afinal independente da complexidade necessária para produção de cada uma dessas mercadorias ambas necessitaram da execução de trabalho para poderem ser produzidas Como a distinção do valor de uma mercadoria representa apenas a quantidade de trabalho nela despendido mercadorias devem dentro de determinadas proporções ser sempre valores da mesma grandeza a saber trabalho simples Mantendose inalterada a força produtiva de todos os trabalhos úteis precisos para a produção de uma dada mercadoria o valor da mercadoria aumenta com sua própria quantidade Se a mercadoria é fruto de uma certa quantia de dias de trabalho duas mercadorias representam o dobro do valor e assim por diante Entretanto se o trabalho necessário para a produção da mercadoria subir para o dobro do tempo necessário ou diminuir para a metade do tempo o valor da mercadoria no primeiro caso alterarseá para o dobro do valor da mesma e no segundo caso cairá para a metade Ou seja ainda que uma dada mercadoria apresente e mantenha as mesmíssimas qualidades e utilidades seu valor mudará de acordo com a variação do tempo necessário para sua produção Agora examinemos com maior vagar o processo de trabalho em suas múltiplas especificações Como já vimos trabalho útil pode ser definido como atividade produtiva adequada a um fim MARX 1983 p 50 Como gerador de valores de uso o trabalho é condição de existência do homem e isso independe da forma de sociedade a que estejamos nos referindo Para Marx Abstraindose da determinação da atividade produtiva e portanto do caráter útil do trabalho resta apenas que ele é um dispêndio de força humana de trabalho Alfaiataria e tecelagem apesar de serem atividades produtivas qualitativamente diferentes são ambas dispêndio produtivo de cérebro músculos nervos mãos etc humanos e nesse sentido são ambas trabalho humano São apenas duas formas diferentes de despender força humana de trabalho MARX 1983 p 51 O trabalho é um processo que se dá na relação entre os seres humanos e a Natureza de modo que eles mediam adéquam controlam seu metabolismo com a Natureza Para que isso ocorra os seres humanos colocamse em atividade física e mental ativando suas próprias forças naturais mãos braços pernas e cabeça para atuar sobre a Natureza e ao modificála modificam sua própria natureza A atividade humana aqui descrita pressupõe o trabalho como atividade exclusivamente humana uma vez que apenas os humanos são capazes de estabelecer uma finalidade para o desenvolvimento de suas atividades e adequar modos de realização racionais para essas atividades Para que se realize trabalho é necessário que estejam presentes no processo três componentes a saber objeto de trabalho meios de trabalho e força de trabalho Apenas na relação entre esses três elementos é que se realiza o processo de trabalho seja ele qual for Para melhor compreensão desse processo vejamos no que se constitui cada um desses elementos Objeto de trabalho é aquilo que sofre transformação no decorrer do processo de trabalho Para Marx identificamse basicamente dois tipos de objetos de trabalho A terra que do ponto de vista econômico inclui também a água é encontrada sem contribuição do homem como objeto geral do trabalho humano Todas as coisas que o trabalho só desprende de sua conexão direta com o conjunto da terra são objetos de trabalho preexistentes por natureza MARX 1983 p 150 Partindo dessa premissa podese entender que tudo que existe na Natureza quando submetido a transformação por meio da atividade humana a que denominamos trabalho é objeto de trabalho Entretanto se o próprio objeto de trabalho já é por assim dizer filtrado por meio de trabalho anterior denominamolo matériaprima Toda matériaprima é objeto de trabalho mas nem todo objeto de trabalho é matériaprimaMARX 1983 p 150 Ou seja aquilo que já existia como objeto de trabalho na Natureza mas que já sofreu ação humana transformandose em outra coisa é o que chamamos matéria prima Por exemplo uma árvore fruto da ação da própria Natureza pode ser um objeto de trabalho Já a madeira derivada do manejo dessa mesma árvore depois de passar pelo processo de serragem e planura tornase outro tipo de objeto de trabalho a que Marx chama de matériaprima Para exemplificar o que seja o objeto de trabalho imaginese um banquinho de madeira bem simples Neste caso o que sofre transformação no decorrer do processo de trabalho é basicamente a madeira e os pregos Então os objetos de trabalho aqui devem ser identificados como madeira e pregos e são o que Marx denomina como sendo matéria prima pois já sofreram ação humana quando saíram da Natureza Meio de trabalho é aquilo que se coloca ente o trabalhador e o objeto de trabalho para modificálo O trabalhador utiliza as propriedades mecânicas físicas químicas das coisas para fazêlas atuar como meios de poder sobre outras coisas conforme o seu objetivo MARX 1983 p 150 Ainda tomando como exemplo o banquinho de madeira bem simples os meios de trabalho aqui são martelo serrote bancada de trabalho e oficina ou ambiente onde se produziu o banquinho Levandose em conta o processo de trabalho como um todo meio e objeto de trabalho apresentamse como meios de produçãoi Como explica Vitor Henrique Paro são meios de produção portanto todos os elementos que direta ou indiretamente participam do processo de produção PARO 1988 p 21 Outro nome que recebem os meios de produção é capital Ou seja meios de produção capital No caso do banquinho meios de produção seriam a madeira os pregos o martelo o serrote a bancada e a oficina onde o banquinho foi produzido Frisese que no processo de trabalho por intermédio do meio de trabalho o homem realiza uma transformação do objeto de trabalho conforme seu objetivo inicial O valor de uso aqui gerado é o produto desse processo que tanto pode ser utilizado pelo homem para satisfação de suas necessidades diretas como pode ser inserido como meio de trabalho na produção de outro valor de uso Finalmente convenhamos que a mera junção de objeto de trabalho com meio de trabalho não produz coisa alguma Se alguém trancar dentro de uma oficina objetos de trabalho juntamente com meios de trabalho o trabalho não se realiza É necessário que se aplique a força humana aos meios de produção para que o trabalho se realize e a produção ocorra Essa força do trabalhador energia humana despendida no processo de trabalho por meio de suas mãos braços pernas e cérebro é o que chamamos de força de trabalho O processo de trabalho como apresentamos em seus elementos simples e abstratos é atividade orientada a um fim para produzir valores de uso apropriação do natural para satisfazer a necessidades humanas condição universal do metabolismo entre o homem e a Natureza condição natural eterna da vida humana e portanto independente de qualquer forma dessa vida sendo antes igualmente comum a todas as formas sociais MARX 1988 p 153 O processo de trabalho é por assim dizer um processo de consumo O capitalista proprietário dos meios de produção além de consumir a força de trabalho que comprou faz o trabalhador consumir os meios de produção através de seu trabalho Esse processo de consumo da força de trabalho pelo capitalista escancara dois fenômenos característicos Primeiro o trabalhador trabalha controlado pelo capitalista que é o dono de seu trabalho pois o comprou e paga por ele por meio do salário pago ao trabalhador O capitalista administra o processo de trabalho para que o trabalhador realize seu trabalho em ordem e para que os meios de produção sejam bem utilizados com a máxima racionalidade de acordo com sua finalidade Evita que seja desperdiçado objeto de trabalho e garante que o meio de trabalho seja preservado Segundo O produto do trabalho é propriedade do capitalista e não de seu produtor direto o trabalhador O capitalista mediante a compra da força de trabalho incorporou o próprio trabalho como fermento vivo aos elementos mortos constitutivos do produto que lhe pertencem igualmente MARX 1988 p 154 Para o capitalista o processo de trabalho consiste apenas no consumo da força de trabalho adquirida como mercadoria que só pode ser consumida por meio do uso dos meios de produção Para o capitalista o processo de trabalho é um mero processo entre coisas que ele comprou sejam elas os meios de produção ou a força de trabalho A compra e venda da força de trabalho ocorre em função de haver trabalhadores livres donos de sua própria força de trabalho e dispostos a vendêla Carentes de meios de produção necessitados de utilizar sua força de trabalho só resta negociála com os proprietários dos meios de produção Na troca de mercadorias o produtor busca diferentes valores de uso para intercambiar com sua produção Sendo assim a negociação se realiza de modo que o produtor troca sua mercadoria por dinheiro para em seguida trocar o dinheiro pela outra mercadoria Como explica Vitor Paro a operação pode ser expressa simbolicamente pela fórmula MDM mercadoriadinheiromercadoria Começa e termina com M mercadoria mas encontra sua razão de ser na diferença entre os valores de uso na mercadoria que inicia e da que encerra a operação PARO 1988 p 42 Quando do modo de produção capitalista a operação se dá de maneira diferente iniciandose com D dinheiro que é utilizado para pagar pelos meios de produção e pela força de trabalho que produzem mercadorias M que são vendidas em troca de dinheiro D novamente Aqui a operação se inicia e finaliza por dinheiro D Neste caso a motivação para a operação de troca já não é mais os valores de uso de mercadorias mas as quantidades de dinheiro D antes e depois da troca Ao empregar seu dinheiro o capitalista não tinha por intenção obter após o processo de produção a mesma quantidade de dinheiro Seu objetivo era obter um valor superior àquele que ele empregou A expressão correta deve ser pois DMD sendo D maior que D PARO 1988 p 42 Vejamos como se dá esse processo de troca em que as mercadorias negociadas ganham mais valor do que a soma de a soma de seus valores iniciais O dono dos meios de produção como dissemos acima compra os meios de produção e a força de trabalho que são mercadorias por uma certa quantidade de dinheiro No processo de produção de suas mercadorias pois o dono dos meios de produção utiliza exatamente os meios de produção mais a força de trabalho que comprou É durante o processo de produção de mercadorias que a utilização da força de trabalho produz valor pois que os meios de produção apenas sofrem transformação durante esse processo transformando se nas novas mercadorias que serão trocadas por dinheiro no mercado Enquanto que com a utilização dos meios de produção o capitalista consegue apenas ver transferida a mesma magnitude de valor para o novo produto a utilização da força de trabalho a realização de seu valor de uso ou seja o trabalho do trabalhador é criador de valor PARO 1988 p 43 Seu trabalho gera maior valor do que o que foi pago pelo dono dos meios de produção Durante a jornada de trabalho o trabalhador produz mais do que o necessário para a reprodução de sua força de trabalho que é paga pelo dono dos meios de produção em forma de salário Digamos assim sua jornada pode ser dividia então em duas partes Numa parte de seu dia de trabalho durante o tempo de trabalho necessário ele cria o valor equivalente ao de sua força de trabalho Mas sua jornada de trabalho não termina aí Durante o restante da jornada de trabalho ele vai produzir um valor adicional que fica nas mãos do capitalista e que faz a diferença entre D e D PARO 1988 p 43 A mais valia é exatamente esse valor produzido durante a segunda parte da jornada de trabalho e é o principal objetivo do processo de produção capitalista O valor a mais a maisvalia que foi produzido fica com o dono dos meios de produção constituindo a exploração do trabalho alheio O capitalista paga o justo valor pela força de trabalho mas não recompensa todo o trabalho realizado pelo trabalhador O salário paga apenas aquela parte da jornada de trabalho em que o trabalhador reproduziu o valor de sua força de trabalho Ao comprar meios de produção e força de trabalho o capitalista tem por finalidade a valorização de seu capital Seu objetivo último é a produção de maisvalia Só assim ele consegue ter seu capital ampliado Mas essa expansão do capital só se dá como acabamos de ver pela exploração do trabalhador O capitalista pode na verdade remunerar o trabalhador um pouco acima do valor de sua força de trabalho diminuindo com isso a parte não paga do tempo de trabalho excedente A exploração entretanto continua a se dar embora em menor proporção Para que não houvesse exploração do trabalhador o dono dos meios de produção teria que pagar todo o tempo de trabalho o necessário e o excedente Entretanto nesse caso o capitalismo já não faria sentido pois não haveria como expandiremse os meios de produção capitalista REFERÊNCIAS MARX Karl O capital Crítica da Economia Política V 1 Abril Cultural São Paulo 1983 PARO Vitor Henrique Administração escolar introdução crítica 3 ed São Paulo CortezAutores Associados 1988 i Juntamente com os meios de produção propriamente ditos segundo Vitor Henrique Paro 1988 p 21 o homem faz uso também daquilo que estou denominando recursos conceptuais que consistem nos conhecimentos e técnicas que ele acumula historicamente O PROCESSO DE TRABALHO E A PRODUÇÃO DE MAISVALIA SEGUNDO MARX Introdução A sociedade capitalista é caracterizada por um modo de produção que envolve a apropriação do excedente produzido pelos trabalhadores pelos donos dos meios de produção Esse excedente chamado de maisvalia é essencial para a acumulação de riqueza da burguesia e sustenta o sistema capitalista Karl Marx em sua obra O Capital analisa minuciosamente como essa exploração acontece partindo do conceito de mercadoria passando pelo processo de trabalho e chegando às formas de extração da maisvalia O objetivo deste texto é sintetizar essas ideias e demonstrar como a dinâmica capitalista se sustenta na exploração da força de trabalho O Conceito de Mercadoria e Valor Para compreender o funcionamento do sistema capitalista é essencial entender como as mercadorias são produzidas e trocadas Marx define a mercadoria como um bem criado para a troca e não apenas para o consumo imediato de quem o produz Essa característica é fundamental para diferenciar as sociedades baseadas na produção para subsistência das sociedades capitalistas onde a circulação de mercadorias é um elemento central da economia Cada mercadoria possui duas dimensões fundamentais A primeira é o valor de uso que se refere à sua utilidade ou seja à capacidade de atender a uma necessidade humana seja ela material ou simbólica O valor de uso está presente independentemente do sistema econômico em que a mercadoria circula e se concretiza apenas no ato de consumo ou utilização A segunda dimensão é o valor de troca que expressa a proporção em que uma mercadoria pode ser trocada por outra dentro do mercado Esse valor não se baseia apenas nas características físicas da mercadoria mas na quantidade de trabalho necessária para sua produção O valor de troca é determinado pelo tempo de trabalho socialmente necessário isto é pelo tempo médio gasto na produção de um bem sob condições normais de trabalho considerando o nível tecnológico e a habilidade média dos trabalhadores Isso significa que mercadorias que exigem mais tempo de trabalho para serem produzidas tendem a ter um valor maior enquanto aquelas que demandam menos tempo terão um valor mais baixo Entretanto esse tempo de trabalho não é fixo pois depende do avanço das forças produtivas como a introdução de novas tecnologias e a organização social do trabalho Ao comparar diferentes mercadorias é preciso identificar um fator comum que permita essa equivalência Marx demonstra que esse fator é o trabalho humano abstrato ou seja a quantidade de esforço humano despendida na produção da mercadoria Independentemente de sua natureza ou forma todas as mercadorias possuem em comum o fato de serem produto do trabalho humano Dessa forma o valor de uma mercadoria não é determinado apenas por sua utilidade mas pela quantidade de trabalho que foi socialmente necessário para sua criação Esse conceito é essencial para compreender como a riqueza se manifesta no sistema capitalista e como a exploração do trabalho ocorre por meio da apropriação do valor gerado pelos trabalhadores O Processo de Trabalho e Seus Elementos O trabalho é um processo essencial para a existência da humanidade e ocorre por meio da interação entre o ser humano e a natureza Ele não apenas transforma os recursos naturais em bens utilizáveis mas também molda a própria relação dos indivíduos com o mundo material Para que o trabalho se concretize três elementos fundamentais devem estar presentes O primeiro é o objeto de trabalho que corresponde àquilo que será transformado durante o processo produtivo Esse objeto pode ser encontrado na natureza em seu estado bruto como o minério de ferro extraído diretamente do solo ou já ter passado por modificações anteriores feitas pelo trabalho humano como a madeira serrada utilizada na fabricação de móveis Quando um objeto de trabalho já sofreu algum nível de processamento ele passa a ser chamado de matériaprima O segundo elemento é o meio de trabalho que consiste nos instrumentos utilizados para modificar o objeto de trabalho Isso inclui ferramentas manuais como martelos e serrotes máquinas industriais infraestrutura de fábricas e até mesmo o ambiente de trabalho onde a produção ocorre Os meios de trabalho atuam como intermediários entre o trabalhador e o objeto de trabalho possibilitando sua transformação de maneira eficiente Por fim há a força de trabalho que representa a energia humana empregada no processo produtivo Sem a aplicação dessa força os meios de trabalho e os objetos de trabalho permaneceriam inertes incapazes de gerar produtos A força de trabalho é a única mercadoria que ao ser consumida no processo produtivo tem a capacidade de criar valor O conjunto formado pelos objetos e meios de trabalho é denominado meios de produção que no capitalismo pertencem aos donos do capital Já os trabalhadores possuem apenas sua força de trabalho que são obrigados a vender em troca de um salário para garantir sua sobrevivência Esse mecanismo de venda da força de trabalho e apropriação dos meios de produção pelos capitalistas constitui a base da dinâmica produtiva do sistema capitalista A Produção da MaisValia A maisvalia é o excedente de valor criado pelo trabalhador durante sua jornada de trabalho e apropriado pelo capitalista Esse conceito é essencial para entender a dinâmica da exploração no sistema capitalista pois revela como os donos dos meios de produção conseguem ampliar sua riqueza sem oferecer uma compensação justa pelo trabalho realizado Para compreender esse processo é fundamental analisar como se estrutura a jornada de trabalho sob o capitalismo Quando um trabalhador é contratado ele recebe um salário que representa apenas o valor necessário para que ele possa continuar vendendo sua força de trabalho Esse valor cobre suas despesas básicas como alimentação moradia vestuário e outros itens essenciais para a sua sobrevivência e reprodução enquanto força de trabalho No entanto esse pagamento não reflete o valor total que ele produz ao longo de sua jornada Durante uma parte do seu expediente o trabalhador gera bens ou serviços cujo valor equivale ao de seu próprio salário Esse é o tempo de trabalho necessário no qual ele repõe o valor que recebe em forma de pagamento Contudo sua jornada não se encerra nesse ponto Ele continua a trabalhar além desse período e nesse tempo excedente tudo o que ele produz constitui um valor adicional que não lhe é remunerado Esse valor extra apropriado integralmente pelo capitalista é o que Marx denomina maisvalia A operação capitalista segue a seguinte lógica representada na fórmula DMD D dinheiro O capitalista investe na compra de meios de produção e força de trabalho M mercadoria Os trabalhadores utilizam esses recursos para produzir bens ou serviços D dinheiro aumentado As mercadorias produzidas são vendidas gerando um valor maior do que o inicialmente investido graças à maisvalia extraída do trabalho dos operários Dessa maneira o capitalista não paga ao trabalhador pelo valor total do que ele produz mas apenas pelo tempo necessário para sua subsistência A diferença entre o valor total gerado e o salário pago constitui a base da acumulação capitalista Esse mecanismo permite que a riqueza dos donos dos meios de produção cresça continuamente enquanto os trabalhadores seguem presos à necessidade de vender sua força de trabalho para sobreviver A maisvalia portanto não é um mero detalhe do sistema capitalista mas seu princípio fundamental Sem ela não haveria lucro e o próprio capitalismo deixaria de existir Esse processo de apropriação do excedente é o que sustenta a desigualdade entre as classes sociais garantindo a permanência da exploração do trabalho pelo capital Formas de Extração da MaisValia A extração da maisvalia é o mecanismo central da acumulação capitalista e ocorre de duas formas principais maisvalia absoluta e maisvalia relativa Ambas têm o objetivo de maximizar os lucros do capitalista por meio da exploração do trabalho mas diferem em seus métodos e implicações sobre a jornada de trabalho e a produtividade A maisvalia absoluta é obtida pelo prolongamento da jornada de trabalho sem aumento proporcional nos salários Isso significa que o trabalhador passa a produzir um volume maior de bens ou serviços sem que receba uma compensação equivalente ao tempo adicional despendido Por exemplo se um operário inicialmente trabalhava 8 horas e seu salário cobria apenas o valor necessário para sua sobrevivência a ampliação da jornada para 10 ou 12 horas diárias permitirá ao capitalista extrair um valor excedente ainda maior sem precisar aumentar o pagamento do trabalhador Esse método foi amplamente utilizado durante o início da Revolução Industrial quando os trabalhadores eram submetidos a jornadas exaustivas muitas vezes superiores a 14 horas diárias sem qualquer acréscimo proporcional em sua remuneração A maisvalia relativa por sua vez não depende do aumento da jornada mas sim da elevação da produtividade O capitalista busca aumentar a eficiência do processo produtivo reduzindo o tempo necessário para fabricar as mercadorias que garantem a subsistência do trabalhador Isso é alcançado por meio da mecanização da reorganização do trabalho e do avanço tecnológico Se antes um trabalhador levava 4 horas para produzir o equivalente ao seu salário diário a introdução de máquinas mais rápidas pode reduzir esse tempo para 2 horas Com isso a parcela da jornada de trabalho dedicada à produção da maisvalia se estende sem que seja necessário aumentar o número total de horas trabalhadas A introdução de novas tecnologias a especialização do trabalho e a intensificação dos ritmos de produção são estratégias frequentes para ampliar a extração da maisvalia relativa No entanto ao longo do tempo essas mesmas medidas acabam reduzindo o valor das mercadorias básicas de consumo pressionando o capitalista a encontrar novas formas de exploração Assim muitas vezes a maisvalia absoluta e a relativa são combinadas com aumentos na jornada de trabalho acompanhados por avanços tecnológicos que aceleram a produtividade Esses mecanismos de extração da maisvalia revelam como o capitalismo se sustenta por meio da exploração contínua da força de trabalho garantindo que a riqueza gerada pelos trabalhadores seja apropriada pelos donos dos meios de produção Conclusão A maisvalia é a chave para entender a exploração no capitalismo O trabalhador vende sua força de trabalho mas não recebe pelo valor total que produz O capitalista por sua vez acumula riqueza apropriandose desse excedente Esse mecanismo é essencial para a expansão do capital e a reprodução do sistema Sem a maisvalia não haveria lucro e o capitalismo deixaria de existir Assim a exploração do trabalho alheio é um pilar fundamental do modo de produção capitalista e sua compreensão é indispensável para o estudo crítico da economia política
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O PROCESSO DE TRABALHO E A PRODUÇÃO DE MAISVALIA SEGUNDO MARX RESUMO Sob o modo de produção capitalista a produção da vida se dá sob certas condições específicas que o caracterizam desde sua fundação e que não sofreram grande modificação mesmo com sua evolução e desenvolvimento histórico no decorrer dos anos Dentre essas características está o fato de que os donos dos meios de produção os patrões se apropriam do excedente produzido pela classe trabalhadora os funcionários Essa apropriação do excedente produzido pelos trabalhadores denominase exploração do trabalho alheio e é por meio dessa exploração que se dá o enriquecimento da classe burguesa Para compreensão do modus operandi desse processo de apropriação do trabalho alheio com Marx a presente pesquisa bibliográfica partirá da compreensão das mercadorias como forma elementar da riqueza das sociedades para em seguida esmiuçar o processo de trabalho abordando cada uma das fases desse processo explorando os significados de termos importantes como objeto de trabalho meios de trabalho meios de produção força de trabalho e capital Também trabalhará com as noções de valor de uso valor de troca e valor para compreensão do todo do processo de produção Deterse á sobretudo na fase de produção do excedente visando a compreender o modo como ocorre a apropriação da maisvalia portanto da exploração do trabalho alheio por parte dos donos dos meios de produção PALAVRAS CHAVE Trabalho Capitalismo Maisvalia A sociedade capitalista se caracteriza dentre outras coisas pelo fato de que os donos dos meios de produção se apropriam do trabalho excedente a maisvalia dos proprietários da força de trabalho Essa apropriação exploração do trabalho alheio ocorre graças à produção de excedente por parte dos trabalhadores que é expropriado e assimilado pelo patrão o capitalista Sem a produção do excedente por uns não é possível sua apropriação por outros PARO 1988 p 35 Para entender bem como isso ocorre analisaremos alguns trechos do livro de Marx O capital Crítica da Economia Política procurando desvendar o modo como ocorre a exploração da classe trabalhadora pela classe burguesa por meio da produção da maisvalia A produção da maisvalia ocorre no processo de produção de mercadorias e Karl Marx inicia sua obra O capital afirmando que a riqueza das sociedades organizadas pelo modo de produção capitalista aparece como uma coleção de mercadorias e a mercadoria individual como sua forma elementar MARX 1983 p 45 Partindo dessa premissa o autor elabora toda uma análise acerca das mercadorias Marx explica que a mercadoria é algo externo que pelas suas características atende as precisões humanas sejam elas quais forem não importando se vêm do estômago ou da fantasia MARX 1983 p 45 Não interessa também se essa coisa a que chama mercadoria atende a necessidade dos homens como meio de subsistência ou seja como objeto de consumo ou se indiretamente como meio de produção de outras coisas em que se incorpora durante o processo de produção Cada uma dessas mercadorias tem sua serventia que advém do conjunto de suas características podendo ser útil sob diferentes aspectos A utilidade de uma coisa faz dela um valor de uso dirá Marx 1983 p 45 afirmando que o valor de uso se cumpre somente no uso ou no consumo da mercadoria Os valores de uso constituem o conteúdo material da riqueza qualquer que seja a forma social desta MARX 1983 p 46 e no mundo capitalista esses valores de uso conformam os hospedeiros materiais do valor de troca Para se determinar o valor de uso de uma mercadoria basta responder a questão Para que serve essa mercadoria Já o valor de troca representa a relação quantitativa que determina a proporção na qual diferentes valores de uso podem ser trocados Tem a ver portanto com a relação de troca que se estabelece quantitativamente entre mercadorias diferentes Quanto da mercadoria A se troca pela mercadoria B A resposta a essa questão determina o valor de troca da mercadoria A em sua relação com a mercadoria B e viceversa Como uma determinada mercadoria A pode ser trocada por uma gama de outras mercadorias B C D etc depreendese que a mercadoria A possui inúmeros valores de troca e não somente um único Segundo Vitor Paro Diferentemente do valor de uso que é a manifestação de uma relação entre homem e coisa entre consumidor e objeto de consumo o valor de troca advém da relação entre pessoas revelandose na troca entre bens de diferentes utilidades O valor de troca só se revela portanto quando na relação de troca contrapõemse mercadorias de valores de uso diversos PARO 1988 p 37 Os diferentes valores de troca de uma mesma mercadoria propagam algo igual porém expressando uma relação que a difere de cada outra mercadoria a que se compare Notese que para se poder comparar duas mercadorias diferentes é necessário identificar se algo que ambas tenham em comum Marx assevera Tomemos ainda duas mercadorias por exemplo trigo e ferro Qualquer que seja sua relação de troca poderseá sempre representála por uma equação em que dada quantidade de trigo é igualada a alguma quantidade de ferro por exemplo 1 quarter de trigo a quintais de ferro Que diz essa equação Que algo em comum da mesma grandeza existe em duas coisas diferentes em 1 quarter de trigo e igualmente em a quintais de ferro MARX 1983 p 46 Ambas se igualam a uma terceira que não é nem a primeira nem a segunda mercadoria Devem portanto ser consideradas redutíveis enquanto valor de troca a essa terceira cf MARX 1983 p 46 É preciso reduzirse os valores de troca das diferentes mercadorias a algo comum que esteja contido em cada uma delas seja em maior ou menor quantidade para se poder comparálas Os valores de uso contidos nas diferentes mercadorias possuem valor de troca igual desde que estejam disponíveis em proporção adequada apesar de serem absolutamente diferentes Desde o ponto de vista de sua utilidade as mercadorias possuem o valor de uso de diferente qualidade já do ponto de vista do valor de troca só podem estar presentes em quantidade diferente Deixando de lado então o valor de uso dos corpos das mercadorias resta a elas apenas uma propriedade que é a de serem produtos do trabalho MARX 1983 p 47 E o trabalho do qual são produtos quaisquer valores de uso independe de suas características específicas enquanto trabalho Tratase do trabalho humano abstrato que pode ser encontrado no feitio de qualquer mercadoria seja ela do tipo que for Resta nos valores de uso o dispêndio de força de trabalho humano independentemente de como tenha sido despendido O que essas coisas ainda representam é apenas que em sua produção foi consumida força de trabalho humano foi acumulado trabalho humano Como cristalizações dessa substância social comum a todas elas são elas valores valores mercantis MARX 1983 p 47 O que há de comum entre todas as mercadorias que se expõe na relação de troca ou valor de troca da mercadoria é portanto seu valor O valor de troca é a forma de manifestação do valor Uma mercadoria ou um valor de uso qualquer produzido pelo homem possui valor porque nela se materializa trabalho humano abstrato A forma de medir o valor de uma mercadoria é determinar a quantia de trabalho humano despendida para sua feitura O trabalho humano é a substância constituidora de valor MARX 1983 p 47 A quantidade de trabalho presente num dado valor de uso é determinada por seu tempo de duração Essa duração é medida não pela atuação de um único indivíduo mas pela média do tempo despendido socialmente para produção da mercadoria Tempo de trabalho socialmente necessário é aquele que se necessita para produzir um valor de uso qualquer em condições normais de produção e com o grau social médio de habilidade e de intensidade de trabalho MARX 1983 p 48 O valor de uma mercadoria manterseia constante se o tempo de trabalho necessário para produzila também permanecesse constante Entretanto na medida em que ocorrem mudanças na força produtiva do trabalho vai variando o tempo de trabalho necessário para produção das mercadorias Essas mudanças ocorrem de acordo com as variabilidades que ocorrem em diferentes circunstâncias entre outras pelo grau médio de habilidade dos trabalhadores o nível de desenvolvimento da ciência e sua aplicabilidade tecnológica a combinação social do processo de produção o volume e a eficácia dos meios de produção e as condições naturais MARX 1983 p 48 Em outras palavras as mudanças nas forças produtivas podem ocorrer por exemplo quando se investe no maquinário necessário para a produção de dada mercadoria fazendose que diminua o tempo necessário para sua produção Podem acontecer também quando se treina com maior eficácia os trabalhadores que se dedicarão a produzir a dita mercadoria etc Em geral quanto maior for a quantidade de força de trabalho despendida na produção de um valor de uso menor o tempo de trabalho exigido para a produção do valor de uso portanto menor o seu valor e viceversa Um valor de uso pode não ser um valor É assim quando sua utilidade não é determinada a partir do trabalho como por exemplo o ar o solo virgem as matas não cultivadas etc Da mesma forma um valor de uso pode ser fruto do trabalho humano sem ser mercadoria É o caso dos produtos que satisfazem a própria necessidade do produtor como por exemplo algo que se faz para o próprio consumo como um bolo para se comer com café o próprio café um banco de madeira que se fabrica para o próprio uso etc Por fim nada pode ser valor sem que seja também valor de uso Se algo for inútil também o trabalho ali contido será inútil não constituindo pois qualquer valor A utilidade de cada mercadoria leva em si uma determinada atividade produtiva adequada a um fim a que chamamos trabalho útil O trabalho cuja utilidade representa se assim no valor de uso de seu produto ou no fato de que seu produto é um valor de uso a que chamamos em resumo trabalho útil MARX 1983 p 50 Valores de uso não se podem comparar como mercadorias se não contiverem trabalhos úteis qualitativamente diferentes já que é no desenvolvimento do trabalho útil que produz cada mercadoria que se determina seu valor Trabalho mais complexo e elaborado vale tanto quanto trabalho simples potenciado de modo que uma pequena quantidade de trabalho mais complexo vale o mesmo que uma grande quantidade de trabalho mais simples É por isso que se pode trocar mercadorias tão distintas quanto anéis de pedras lapidadas por bancos rudimentares de madeira Afinal independente da complexidade necessária para produção de cada uma dessas mercadorias ambas necessitaram da execução de trabalho para poderem ser produzidas Como a distinção do valor de uma mercadoria representa apenas a quantidade de trabalho nela despendido mercadorias devem dentro de determinadas proporções ser sempre valores da mesma grandeza a saber trabalho simples Mantendose inalterada a força produtiva de todos os trabalhos úteis precisos para a produção de uma dada mercadoria o valor da mercadoria aumenta com sua própria quantidade Se a mercadoria é fruto de uma certa quantia de dias de trabalho duas mercadorias representam o dobro do valor e assim por diante Entretanto se o trabalho necessário para a produção da mercadoria subir para o dobro do tempo necessário ou diminuir para a metade do tempo o valor da mercadoria no primeiro caso alterarseá para o dobro do valor da mesma e no segundo caso cairá para a metade Ou seja ainda que uma dada mercadoria apresente e mantenha as mesmíssimas qualidades e utilidades seu valor mudará de acordo com a variação do tempo necessário para sua produção Agora examinemos com maior vagar o processo de trabalho em suas múltiplas especificações Como já vimos trabalho útil pode ser definido como atividade produtiva adequada a um fim MARX 1983 p 50 Como gerador de valores de uso o trabalho é condição de existência do homem e isso independe da forma de sociedade a que estejamos nos referindo Para Marx Abstraindose da determinação da atividade produtiva e portanto do caráter útil do trabalho resta apenas que ele é um dispêndio de força humana de trabalho Alfaiataria e tecelagem apesar de serem atividades produtivas qualitativamente diferentes são ambas dispêndio produtivo de cérebro músculos nervos mãos etc humanos e nesse sentido são ambas trabalho humano São apenas duas formas diferentes de despender força humana de trabalho MARX 1983 p 51 O trabalho é um processo que se dá na relação entre os seres humanos e a Natureza de modo que eles mediam adéquam controlam seu metabolismo com a Natureza Para que isso ocorra os seres humanos colocamse em atividade física e mental ativando suas próprias forças naturais mãos braços pernas e cabeça para atuar sobre a Natureza e ao modificála modificam sua própria natureza A atividade humana aqui descrita pressupõe o trabalho como atividade exclusivamente humana uma vez que apenas os humanos são capazes de estabelecer uma finalidade para o desenvolvimento de suas atividades e adequar modos de realização racionais para essas atividades Para que se realize trabalho é necessário que estejam presentes no processo três componentes a saber objeto de trabalho meios de trabalho e força de trabalho Apenas na relação entre esses três elementos é que se realiza o processo de trabalho seja ele qual for Para melhor compreensão desse processo vejamos no que se constitui cada um desses elementos Objeto de trabalho é aquilo que sofre transformação no decorrer do processo de trabalho Para Marx identificamse basicamente dois tipos de objetos de trabalho A terra que do ponto de vista econômico inclui também a água é encontrada sem contribuição do homem como objeto geral do trabalho humano Todas as coisas que o trabalho só desprende de sua conexão direta com o conjunto da terra são objetos de trabalho preexistentes por natureza MARX 1983 p 150 Partindo dessa premissa podese entender que tudo que existe na Natureza quando submetido a transformação por meio da atividade humana a que denominamos trabalho é objeto de trabalho Entretanto se o próprio objeto de trabalho já é por assim dizer filtrado por meio de trabalho anterior denominamolo matériaprima Toda matériaprima é objeto de trabalho mas nem todo objeto de trabalho é matériaprimaMARX 1983 p 150 Ou seja aquilo que já existia como objeto de trabalho na Natureza mas que já sofreu ação humana transformandose em outra coisa é o que chamamos matéria prima Por exemplo uma árvore fruto da ação da própria Natureza pode ser um objeto de trabalho Já a madeira derivada do manejo dessa mesma árvore depois de passar pelo processo de serragem e planura tornase outro tipo de objeto de trabalho a que Marx chama de matériaprima Para exemplificar o que seja o objeto de trabalho imaginese um banquinho de madeira bem simples Neste caso o que sofre transformação no decorrer do processo de trabalho é basicamente a madeira e os pregos Então os objetos de trabalho aqui devem ser identificados como madeira e pregos e são o que Marx denomina como sendo matéria prima pois já sofreram ação humana quando saíram da Natureza Meio de trabalho é aquilo que se coloca ente o trabalhador e o objeto de trabalho para modificálo O trabalhador utiliza as propriedades mecânicas físicas químicas das coisas para fazêlas atuar como meios de poder sobre outras coisas conforme o seu objetivo MARX 1983 p 150 Ainda tomando como exemplo o banquinho de madeira bem simples os meios de trabalho aqui são martelo serrote bancada de trabalho e oficina ou ambiente onde se produziu o banquinho Levandose em conta o processo de trabalho como um todo meio e objeto de trabalho apresentamse como meios de produçãoi Como explica Vitor Henrique Paro são meios de produção portanto todos os elementos que direta ou indiretamente participam do processo de produção PARO 1988 p 21 Outro nome que recebem os meios de produção é capital Ou seja meios de produção capital No caso do banquinho meios de produção seriam a madeira os pregos o martelo o serrote a bancada e a oficina onde o banquinho foi produzido Frisese que no processo de trabalho por intermédio do meio de trabalho o homem realiza uma transformação do objeto de trabalho conforme seu objetivo inicial O valor de uso aqui gerado é o produto desse processo que tanto pode ser utilizado pelo homem para satisfação de suas necessidades diretas como pode ser inserido como meio de trabalho na produção de outro valor de uso Finalmente convenhamos que a mera junção de objeto de trabalho com meio de trabalho não produz coisa alguma Se alguém trancar dentro de uma oficina objetos de trabalho juntamente com meios de trabalho o trabalho não se realiza É necessário que se aplique a força humana aos meios de produção para que o trabalho se realize e a produção ocorra Essa força do trabalhador energia humana despendida no processo de trabalho por meio de suas mãos braços pernas e cérebro é o que chamamos de força de trabalho O processo de trabalho como apresentamos em seus elementos simples e abstratos é atividade orientada a um fim para produzir valores de uso apropriação do natural para satisfazer a necessidades humanas condição universal do metabolismo entre o homem e a Natureza condição natural eterna da vida humana e portanto independente de qualquer forma dessa vida sendo antes igualmente comum a todas as formas sociais MARX 1988 p 153 O processo de trabalho é por assim dizer um processo de consumo O capitalista proprietário dos meios de produção além de consumir a força de trabalho que comprou faz o trabalhador consumir os meios de produção através de seu trabalho Esse processo de consumo da força de trabalho pelo capitalista escancara dois fenômenos característicos Primeiro o trabalhador trabalha controlado pelo capitalista que é o dono de seu trabalho pois o comprou e paga por ele por meio do salário pago ao trabalhador O capitalista administra o processo de trabalho para que o trabalhador realize seu trabalho em ordem e para que os meios de produção sejam bem utilizados com a máxima racionalidade de acordo com sua finalidade Evita que seja desperdiçado objeto de trabalho e garante que o meio de trabalho seja preservado Segundo O produto do trabalho é propriedade do capitalista e não de seu produtor direto o trabalhador O capitalista mediante a compra da força de trabalho incorporou o próprio trabalho como fermento vivo aos elementos mortos constitutivos do produto que lhe pertencem igualmente MARX 1988 p 154 Para o capitalista o processo de trabalho consiste apenas no consumo da força de trabalho adquirida como mercadoria que só pode ser consumida por meio do uso dos meios de produção Para o capitalista o processo de trabalho é um mero processo entre coisas que ele comprou sejam elas os meios de produção ou a força de trabalho A compra e venda da força de trabalho ocorre em função de haver trabalhadores livres donos de sua própria força de trabalho e dispostos a vendêla Carentes de meios de produção necessitados de utilizar sua força de trabalho só resta negociála com os proprietários dos meios de produção Na troca de mercadorias o produtor busca diferentes valores de uso para intercambiar com sua produção Sendo assim a negociação se realiza de modo que o produtor troca sua mercadoria por dinheiro para em seguida trocar o dinheiro pela outra mercadoria Como explica Vitor Paro a operação pode ser expressa simbolicamente pela fórmula MDM mercadoriadinheiromercadoria Começa e termina com M mercadoria mas encontra sua razão de ser na diferença entre os valores de uso na mercadoria que inicia e da que encerra a operação PARO 1988 p 42 Quando do modo de produção capitalista a operação se dá de maneira diferente iniciandose com D dinheiro que é utilizado para pagar pelos meios de produção e pela força de trabalho que produzem mercadorias M que são vendidas em troca de dinheiro D novamente Aqui a operação se inicia e finaliza por dinheiro D Neste caso a motivação para a operação de troca já não é mais os valores de uso de mercadorias mas as quantidades de dinheiro D antes e depois da troca Ao empregar seu dinheiro o capitalista não tinha por intenção obter após o processo de produção a mesma quantidade de dinheiro Seu objetivo era obter um valor superior àquele que ele empregou A expressão correta deve ser pois DMD sendo D maior que D PARO 1988 p 42 Vejamos como se dá esse processo de troca em que as mercadorias negociadas ganham mais valor do que a soma de a soma de seus valores iniciais O dono dos meios de produção como dissemos acima compra os meios de produção e a força de trabalho que são mercadorias por uma certa quantidade de dinheiro No processo de produção de suas mercadorias pois o dono dos meios de produção utiliza exatamente os meios de produção mais a força de trabalho que comprou É durante o processo de produção de mercadorias que a utilização da força de trabalho produz valor pois que os meios de produção apenas sofrem transformação durante esse processo transformando se nas novas mercadorias que serão trocadas por dinheiro no mercado Enquanto que com a utilização dos meios de produção o capitalista consegue apenas ver transferida a mesma magnitude de valor para o novo produto a utilização da força de trabalho a realização de seu valor de uso ou seja o trabalho do trabalhador é criador de valor PARO 1988 p 43 Seu trabalho gera maior valor do que o que foi pago pelo dono dos meios de produção Durante a jornada de trabalho o trabalhador produz mais do que o necessário para a reprodução de sua força de trabalho que é paga pelo dono dos meios de produção em forma de salário Digamos assim sua jornada pode ser dividia então em duas partes Numa parte de seu dia de trabalho durante o tempo de trabalho necessário ele cria o valor equivalente ao de sua força de trabalho Mas sua jornada de trabalho não termina aí Durante o restante da jornada de trabalho ele vai produzir um valor adicional que fica nas mãos do capitalista e que faz a diferença entre D e D PARO 1988 p 43 A mais valia é exatamente esse valor produzido durante a segunda parte da jornada de trabalho e é o principal objetivo do processo de produção capitalista O valor a mais a maisvalia que foi produzido fica com o dono dos meios de produção constituindo a exploração do trabalho alheio O capitalista paga o justo valor pela força de trabalho mas não recompensa todo o trabalho realizado pelo trabalhador O salário paga apenas aquela parte da jornada de trabalho em que o trabalhador reproduziu o valor de sua força de trabalho Ao comprar meios de produção e força de trabalho o capitalista tem por finalidade a valorização de seu capital Seu objetivo último é a produção de maisvalia Só assim ele consegue ter seu capital ampliado Mas essa expansão do capital só se dá como acabamos de ver pela exploração do trabalhador O capitalista pode na verdade remunerar o trabalhador um pouco acima do valor de sua força de trabalho diminuindo com isso a parte não paga do tempo de trabalho excedente A exploração entretanto continua a se dar embora em menor proporção Para que não houvesse exploração do trabalhador o dono dos meios de produção teria que pagar todo o tempo de trabalho o necessário e o excedente Entretanto nesse caso o capitalismo já não faria sentido pois não haveria como expandiremse os meios de produção capitalista REFERÊNCIAS MARX Karl O capital Crítica da Economia Política V 1 Abril Cultural São Paulo 1983 PARO Vitor Henrique Administração escolar introdução crítica 3 ed São Paulo CortezAutores Associados 1988 i Juntamente com os meios de produção propriamente ditos segundo Vitor Henrique Paro 1988 p 21 o homem faz uso também daquilo que estou denominando recursos conceptuais que consistem nos conhecimentos e técnicas que ele acumula historicamente O PROCESSO DE TRABALHO E A PRODUÇÃO DE MAISVALIA SEGUNDO MARX Introdução A sociedade capitalista é caracterizada por um modo de produção que envolve a apropriação do excedente produzido pelos trabalhadores pelos donos dos meios de produção Esse excedente chamado de maisvalia é essencial para a acumulação de riqueza da burguesia e sustenta o sistema capitalista Karl Marx em sua obra O Capital analisa minuciosamente como essa exploração acontece partindo do conceito de mercadoria passando pelo processo de trabalho e chegando às formas de extração da maisvalia O objetivo deste texto é sintetizar essas ideias e demonstrar como a dinâmica capitalista se sustenta na exploração da força de trabalho O Conceito de Mercadoria e Valor Para compreender o funcionamento do sistema capitalista é essencial entender como as mercadorias são produzidas e trocadas Marx define a mercadoria como um bem criado para a troca e não apenas para o consumo imediato de quem o produz Essa característica é fundamental para diferenciar as sociedades baseadas na produção para subsistência das sociedades capitalistas onde a circulação de mercadorias é um elemento central da economia Cada mercadoria possui duas dimensões fundamentais A primeira é o valor de uso que se refere à sua utilidade ou seja à capacidade de atender a uma necessidade humana seja ela material ou simbólica O valor de uso está presente independentemente do sistema econômico em que a mercadoria circula e se concretiza apenas no ato de consumo ou utilização A segunda dimensão é o valor de troca que expressa a proporção em que uma mercadoria pode ser trocada por outra dentro do mercado Esse valor não se baseia apenas nas características físicas da mercadoria mas na quantidade de trabalho necessária para sua produção O valor de troca é determinado pelo tempo de trabalho socialmente necessário isto é pelo tempo médio gasto na produção de um bem sob condições normais de trabalho considerando o nível tecnológico e a habilidade média dos trabalhadores Isso significa que mercadorias que exigem mais tempo de trabalho para serem produzidas tendem a ter um valor maior enquanto aquelas que demandam menos tempo terão um valor mais baixo Entretanto esse tempo de trabalho não é fixo pois depende do avanço das forças produtivas como a introdução de novas tecnologias e a organização social do trabalho Ao comparar diferentes mercadorias é preciso identificar um fator comum que permita essa equivalência Marx demonstra que esse fator é o trabalho humano abstrato ou seja a quantidade de esforço humano despendida na produção da mercadoria Independentemente de sua natureza ou forma todas as mercadorias possuem em comum o fato de serem produto do trabalho humano Dessa forma o valor de uma mercadoria não é determinado apenas por sua utilidade mas pela quantidade de trabalho que foi socialmente necessário para sua criação Esse conceito é essencial para compreender como a riqueza se manifesta no sistema capitalista e como a exploração do trabalho ocorre por meio da apropriação do valor gerado pelos trabalhadores O Processo de Trabalho e Seus Elementos O trabalho é um processo essencial para a existência da humanidade e ocorre por meio da interação entre o ser humano e a natureza Ele não apenas transforma os recursos naturais em bens utilizáveis mas também molda a própria relação dos indivíduos com o mundo material Para que o trabalho se concretize três elementos fundamentais devem estar presentes O primeiro é o objeto de trabalho que corresponde àquilo que será transformado durante o processo produtivo Esse objeto pode ser encontrado na natureza em seu estado bruto como o minério de ferro extraído diretamente do solo ou já ter passado por modificações anteriores feitas pelo trabalho humano como a madeira serrada utilizada na fabricação de móveis Quando um objeto de trabalho já sofreu algum nível de processamento ele passa a ser chamado de matériaprima O segundo elemento é o meio de trabalho que consiste nos instrumentos utilizados para modificar o objeto de trabalho Isso inclui ferramentas manuais como martelos e serrotes máquinas industriais infraestrutura de fábricas e até mesmo o ambiente de trabalho onde a produção ocorre Os meios de trabalho atuam como intermediários entre o trabalhador e o objeto de trabalho possibilitando sua transformação de maneira eficiente Por fim há a força de trabalho que representa a energia humana empregada no processo produtivo Sem a aplicação dessa força os meios de trabalho e os objetos de trabalho permaneceriam inertes incapazes de gerar produtos A força de trabalho é a única mercadoria que ao ser consumida no processo produtivo tem a capacidade de criar valor O conjunto formado pelos objetos e meios de trabalho é denominado meios de produção que no capitalismo pertencem aos donos do capital Já os trabalhadores possuem apenas sua força de trabalho que são obrigados a vender em troca de um salário para garantir sua sobrevivência Esse mecanismo de venda da força de trabalho e apropriação dos meios de produção pelos capitalistas constitui a base da dinâmica produtiva do sistema capitalista A Produção da MaisValia A maisvalia é o excedente de valor criado pelo trabalhador durante sua jornada de trabalho e apropriado pelo capitalista Esse conceito é essencial para entender a dinâmica da exploração no sistema capitalista pois revela como os donos dos meios de produção conseguem ampliar sua riqueza sem oferecer uma compensação justa pelo trabalho realizado Para compreender esse processo é fundamental analisar como se estrutura a jornada de trabalho sob o capitalismo Quando um trabalhador é contratado ele recebe um salário que representa apenas o valor necessário para que ele possa continuar vendendo sua força de trabalho Esse valor cobre suas despesas básicas como alimentação moradia vestuário e outros itens essenciais para a sua sobrevivência e reprodução enquanto força de trabalho No entanto esse pagamento não reflete o valor total que ele produz ao longo de sua jornada Durante uma parte do seu expediente o trabalhador gera bens ou serviços cujo valor equivale ao de seu próprio salário Esse é o tempo de trabalho necessário no qual ele repõe o valor que recebe em forma de pagamento Contudo sua jornada não se encerra nesse ponto Ele continua a trabalhar além desse período e nesse tempo excedente tudo o que ele produz constitui um valor adicional que não lhe é remunerado Esse valor extra apropriado integralmente pelo capitalista é o que Marx denomina maisvalia A operação capitalista segue a seguinte lógica representada na fórmula DMD D dinheiro O capitalista investe na compra de meios de produção e força de trabalho M mercadoria Os trabalhadores utilizam esses recursos para produzir bens ou serviços D dinheiro aumentado As mercadorias produzidas são vendidas gerando um valor maior do que o inicialmente investido graças à maisvalia extraída do trabalho dos operários Dessa maneira o capitalista não paga ao trabalhador pelo valor total do que ele produz mas apenas pelo tempo necessário para sua subsistência A diferença entre o valor total gerado e o salário pago constitui a base da acumulação capitalista Esse mecanismo permite que a riqueza dos donos dos meios de produção cresça continuamente enquanto os trabalhadores seguem presos à necessidade de vender sua força de trabalho para sobreviver A maisvalia portanto não é um mero detalhe do sistema capitalista mas seu princípio fundamental Sem ela não haveria lucro e o próprio capitalismo deixaria de existir Esse processo de apropriação do excedente é o que sustenta a desigualdade entre as classes sociais garantindo a permanência da exploração do trabalho pelo capital Formas de Extração da MaisValia A extração da maisvalia é o mecanismo central da acumulação capitalista e ocorre de duas formas principais maisvalia absoluta e maisvalia relativa Ambas têm o objetivo de maximizar os lucros do capitalista por meio da exploração do trabalho mas diferem em seus métodos e implicações sobre a jornada de trabalho e a produtividade A maisvalia absoluta é obtida pelo prolongamento da jornada de trabalho sem aumento proporcional nos salários Isso significa que o trabalhador passa a produzir um volume maior de bens ou serviços sem que receba uma compensação equivalente ao tempo adicional despendido Por exemplo se um operário inicialmente trabalhava 8 horas e seu salário cobria apenas o valor necessário para sua sobrevivência a ampliação da jornada para 10 ou 12 horas diárias permitirá ao capitalista extrair um valor excedente ainda maior sem precisar aumentar o pagamento do trabalhador Esse método foi amplamente utilizado durante o início da Revolução Industrial quando os trabalhadores eram submetidos a jornadas exaustivas muitas vezes superiores a 14 horas diárias sem qualquer acréscimo proporcional em sua remuneração A maisvalia relativa por sua vez não depende do aumento da jornada mas sim da elevação da produtividade O capitalista busca aumentar a eficiência do processo produtivo reduzindo o tempo necessário para fabricar as mercadorias que garantem a subsistência do trabalhador Isso é alcançado por meio da mecanização da reorganização do trabalho e do avanço tecnológico Se antes um trabalhador levava 4 horas para produzir o equivalente ao seu salário diário a introdução de máquinas mais rápidas pode reduzir esse tempo para 2 horas Com isso a parcela da jornada de trabalho dedicada à produção da maisvalia se estende sem que seja necessário aumentar o número total de horas trabalhadas A introdução de novas tecnologias a especialização do trabalho e a intensificação dos ritmos de produção são estratégias frequentes para ampliar a extração da maisvalia relativa No entanto ao longo do tempo essas mesmas medidas acabam reduzindo o valor das mercadorias básicas de consumo pressionando o capitalista a encontrar novas formas de exploração Assim muitas vezes a maisvalia absoluta e a relativa são combinadas com aumentos na jornada de trabalho acompanhados por avanços tecnológicos que aceleram a produtividade Esses mecanismos de extração da maisvalia revelam como o capitalismo se sustenta por meio da exploração contínua da força de trabalho garantindo que a riqueza gerada pelos trabalhadores seja apropriada pelos donos dos meios de produção Conclusão A maisvalia é a chave para entender a exploração no capitalismo O trabalhador vende sua força de trabalho mas não recebe pelo valor total que produz O capitalista por sua vez acumula riqueza apropriandose desse excedente Esse mecanismo é essencial para a expansão do capital e a reprodução do sistema Sem a maisvalia não haveria lucro e o capitalismo deixaria de existir Assim a exploração do trabalho alheio é um pilar fundamental do modo de produção capitalista e sua compreensão é indispensável para o estudo crítico da economia política