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FACULDADE INGÁ CURSO DE PSICOLOGIA RODOLFO RODRIGO BENEDETTI RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL III CLÍNICA DE PSICOLOGIA UNINGÁ MARINGÁ 2025 RODOLFO RODRIGO BENEDETTI RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL III CLÍNICA DE PSICOLOGIA UNINGÁ Relatório apresentado ao curso de Psicologia do Centro Universitário Ingá na disciplina de estágio de formação profissional III como requisito parcial para obtenção de nota no curso de Psicologia da faculdade INGÁ Prof Ms Bruna Luzia Garcia de Oliveira MARINGÁ 2025 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO5 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA6 21 PRIMEIRO CONTATO E ENTREVISTA COM O PACIENTE7 211 A importância da entrevista inicial na terapia psicanalítica7 212 Expectativas na terapia analítica o papel do paciente e do psicanalista9 22 A EVOLUÇÃO DO DIAGNÓSTICO PSICANALÍTICO10 22 REGRAS PSICANALÍTICAS DA ATUALIDADE12 221 Regra da abstinência13 222 Regra da atenção flutuante14 223 Regra da neutralidade15 224 Regra do amor à verdade16 24 A COMPREENSÃO DO RELACIONAMENTO INTERPESSOAL SOB A PERSPECTIVA DA PSICANÁLISE19 241 As pulsações e vínculos na teoria psicanalítica o papel da pulsão e do desejo20 242 Significado simbólico e mitológico das relações conjugais20 243 Alianças inconscientes e a formação psíquica do vínculo amoroso21 244 Vínculos afetivos segundo Bion espaço psíquico e conteúdo emocional 22 245 O casal como uma unidade psíquica e a influência do desenvolvimento emocional22 3 METODOLOGIA23 4 PROCESSO TERAPÊUTICO24 REFERÊNCIAS29 Relato de IntervençãoSessão Estágio31 Estágio Supervisionado31 Carga Horária31 Relato de IntervençãoSessão Estágio32 Estágio Supervisionado32 Carga Horária32 Relato de IntervençãoSessão Estágio33 Estágio Supervisionado33 Carga Horária33 Relato de IntervençãoSessão Estágio34 Estágio Supervisionado34 Carga Horária34 Relato de IntervençãoSessão Estágio35 Estágio Supervisionado35 Carga Horária35 Relato de IntervençãoSessão Estágio36 Estágio Supervisionado36 Carga Horária36 Relato de IntervençãoSessão Estágio38 Estágio Supervisionado38 Carga Horária38 Relato de IntervençãoSessão Estágio39 Estágio Supervisionado39 Carga Horária39 5 1 INTRODUÇÃO O presente relatório tem como objetivo refletir sobre a experiência de estágio supervisionado em Psicologia com ênfase na prática clínica orientada pela abordagem psicanalítica e a partir da articulação entre teoria e prática buscase apresentar os principais fundamentos teóricos que sustentaram a atuação descrever a vivência do estágio e analisar criticamente os aspectos éticos e técnicos envolvidos no processo Conforme a Resolução n 62011CNEMEC o estágio supervisionado é um componente crucial na formação em Psicologia dividido em duas etapas o Estágio Supervisionado Básico realizado no 3 ano que se concentra na integração de competências por meio de visitas técnicas e observações e os Estágios Supervisionados de Formação desenvolvidos nos 4 e 5 anos voltados ao aprofundamento profissional em áreas específicas como clínica institucional escolar e organizacional Cada etapa é organizada por meio de projetos de ensino elaborados pelos professores supervisores os quais incluem justificativas competências a serem desenvolvidas métodos de trabalho e critérios de avaliação A supervisão ocorre na ClínicaEscola de Psicologia do Centro Universitário Ingá Uningá em grupos de até seis alunos com o propósito de promover uma formação crítica e prática para os futuros psicólogos Este relatório está alinhado à estrutura e regulamentação dos Estágios Supervisionados do curso de Psicologia da Uningá conforme descrito nos documentos institucionais Os alunos do 5º ano devem cumprir um total de 200 horas no Estágio de Formação III e 160 horas no Estágio de Formação IV com carga horária distribuída ao longo dos períodos letivos regulares sem previsão de interrupções para férias intermediárias Os estágios são formalizados por meio de instrumentos jurídicos entre o Centro Universitário Ingá e as instituições concedentes sendo realizados tanto na ClínicaEscola de Psicologia da Uningá quanto em instituições conveniadas como hospitais unidades básicas de saúde instituições de educação infantil e educação especial entre outras A supervisão dos estágios é de responsabilidade dos professores supervisores do supervisor de estágio e da coordenação do curso Os professores supervisores são docentes do curso de Psicologia atuando conforme suas áreas de formação e experiências profissionais e em casos específicos profissionais de áreas técnicas externas podem ser incluídos na supervisão mediante solicitação escrita e aprovação institucional Durante todo o processo o Código de Ética 6 Profissional do Psicólogo aprovado em agosto de 2005 pelo Conselho Federal de Psicologia serve como guia essencial para a prática profissional Este documento elaborado em um contexto de transformações sociais e demandas profissionais reforça princípios como o respeito à dignidade humana a promoção da saúde e a qualidade dos serviços psicológicos além de definir deveres proibições e penalidades para assegurar uma atuação ética e responsável A estrutura do relatório segue três eixos principais inicialmente uma fundamentação teórica baseada em autores da psicanálise seguida da descrição detalhada da experiência prática em contexto clínicoinstitucional Em seguida são discutidas as implicações éticas da atuação profissional conforme previsto no Código de Ética do Psicólogo e propõese uma análise crítica dos desafios e aprendizados construídos ao longo do estágio Por fim o texto conclui com considerações sobre a integração entre teoria prática e ética na formação do psicólogo ressaltando a importância do estágio supervisionado como espaço de consolidação do conhecimento e da identidade profissional 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A psicanálise desde seus fundamentos estabelecidos por Freud consolidou se como um campo teóricoclínico de grande complexidade enriquecido ao longo do século XX por contribuições de diversos autores Inicialmente Freud estruturou pilares centrais como o conceito de inconsciente a sexualidade infantil os mecanismos de defesa e a transferência que permanecem como eixos estruturantes da prática psicanalítica Em A Interpretação dos Sonhos 1900 obra seminal ele enfatiza a função do inconsciente na produção simbólica demonstrando que os processos psíquicos transcendem a consciência imediata Essa perspectiva revolucionária revela que o sujeito não é plenamente senhor de sua própria razão uma ideia que redefine a compreensão do sofrimento humano Ao reconhecer a dimensão inconsciente como núcleo da subjetividade Freud inaugurou uma metodologia clínica baseada na escuta atenta da singularidade do paciente e na valorização de sua narrativa Essa abordagem detalhada em suas obras FREUD 2016 desloca a ênfase de interpretações normativas para uma prática que acolhe a ambiguidade e a multiplicidade de sentidos presentes no discurso Dessa forma a psicanálise não apenas ampliou o horizonte teórico sobre a 7 mente humana mas também estabeleceu um paradigma ético e técnico orientado pelo respeito à expressão individual legado que continuou a ser expandido e reinterpretado por gerações posteriores de analistas 21 PRIMEIRO CONTATO E ENTREVISTA COM O PACIENTE A comunicação não verbal constitui um elemento fundamental nas interações humanas sobretudo nas etapas iniciais de um relacionamento seja em âmbito pessoal ou profissional Essa forma de expressão que engloba gestos expressões faciais postura e movimentos corporais transcende a dimensão verbal revelando emoções genuínas e facilitando a construção de conexões mais profundas entre os indivíduos Durante os primeiros contatos a habilidade de decifrar esses sinais tornase especialmente relevante já que eles podem transmitir nuances como interesse confiança abertura ou resistência muitas vezes de maneira mais autêntica do que as palavras ZIMMERMAN 2004 Além de expressar sentimentos a comunicação não verbal atua em paralelo à linguagem falada servindo como um complemento essencial para a clareza das mensagens Ao harmonizar gestos tom de voz e expressões com o conteúdo verbal reduzse o risco de ambiguidades e malentendidos permitindo que a intenção comunicativa seja transmitida com maior precisão Segundo Zimerman 2004 Essa sincronia entre o que é dito e o que é demonstrado corporalmente não apenas fortalece a credibilidade do emissor como também promove um diálogo mais coeso e empático Reconhecer a relevância desses elementos é portanto determinante para otimizar a qualidade das interações em diferentes contextos seja em uma negociação profissional no estabelecimento de vínculos afetivos ou em situações cotidianas a atenção aos sinais não verbais possibilita uma leitura mais integral do outro favorecendo relações baseadas em compreensão mútua e efetividade comunicativa 211 A importância da entrevista inicial na terapia psicanalítica A entrevista inicial configurase como um momento decisivo na prática psicanalítica estabelecendo as bases para o relacionamento terapêutico e permitindo que tanto o analista quanto o paciente avaliem a compatibilidade e a viabilidade do tratamento Esse contato preliminar que pode se estender por mais 8 de um encontro dependendo das particularidades do paciente não se limita a uma mera formalidade Mesmo em situações em que o terapeuta já reconhece a impossibilidade de assumir um tratamento sistemático a realização de uma entrevista de avaliação mantém seu valor pois possibilita orientações ou encaminhamentos adequados preservando o compromisso ético com o cuidado ZIMMERMAN 2004 Para Zimerman 2004 será importante diferenciar a entrevista inicial da primeira sessão analítica pois enquanto a primeira ocorre antes da formalização do contrato terapêutico funcionando como um espaço de avaliação mútua a segunda marca o início efetivo da análise A profundidade e a duração dessa etapa variam conforme o repertório prévio do paciente aqueles familiarizados com o processo psicanalítico podem experienciar um fluxo mais ágil enquanto indivíduos que buscam alívio imediato para sintomas demandam uma abordagem mais cautelosa capaz de acolher ansiedades e expectativas não verbalizadas O objetivo central da entrevista inicial reside na avaliação das condições mentais emocionais e contextuais do paciente permitindo ao analista ponderar riscos e benefícios do tratamento Essa análise inclui a identificação da psicopatologia apresentada a elaboração de uma impressão diagnóstica e prognóstica e a atenção aos efeitos contratransferenciais que emergem na interação Nesse contexto o uso de classificações como o DSMIVTR que abrange aspectos sindrômicos transtornos de personalidade e estressores ambientais exige uma abordagem multidimensional integrando dimensões dinâmicas como conflitos inconscientes evolutivas histórico de desenvolvimento e comunicacionais formas de expressão e resistências ZIMMERMAN 2004 Além da avaliação técnica a entrevista demanda uma escuta sensível às motivações e expectativas do paciente que nem sempre coincidem com o projeto terapêutico do analista A veracidade das queixas o grau de insight e a disposição para engajarse em um processo introspectivo são fatores críticos Paralelamente o terapeuta deve confrontar suas próprias limitações e reações emocionais evitando avaliações precipitadas baseadas em impressões superficiais Assim a entrevista inicial transcende sua função diagnóstica é um espaço de negociação simbólica no qual paciente e analista delineiam a possibilidade de uma jornada compartilhada 9 212 Expectativas na terapia analítica o papel do paciente e do psicanalista O papel do analista assume centralidade já na primeira entrevista momento em que ele se apresenta como profissional fundamentado em sua formação teórica e experiência clínica contudo para o paciente essa figura ainda não está consolidada como referência terapêutica É através da transferência processo no qual o paciente atribui ao analista emoções e expectativas originadas em relações passadas que se estabelece a possibilidade de reconhecêlo como guia no processo analítico Segundo Chemama 2002 esse fenômeno é estruturante nas entrevistas preliminares pois cria um vínculo que permite ao paciente confiar na direção proposta pelo tratamento mesmo em um contexto de incerteza inicial Nesse cenário as expectativas mútuas entre paciente e analista são determinantes para o avanço da terapia O paciente é convidado a assumir uma postura ativa engajandose de maneira autêntica na exploração de suas vivências emocionais Esse compromisso não se resume à verbalização de sintomas mas envolve a disposição para confrontar resistências e ambiguidades inerentes ao processo introspectivo Paralelamente cabe ao psicanalista definir com clareza suas motivações para acolher o caso delineando um projeto terapêutico que oriente suas intervenções Essa delimitação não é estática exige flexibilidade para adaptarse às demandas emergentes sem perder de vista os objetivos centrais do tratamento ZIMMERMAN 2004 A preparação do analista para lidar com desafios emocionais como situações transferenciais intensas ou manifestações de contratransferência é um pilar da prática clínica A empatia aliada ao reconhecimento das próprias limitações e reações inconscientes permite que ele sustente um ambiente seguro onde o paciente se sinta acolhido em sua vulnerabilidade Essa habilidade não se restringe à técnica envolve uma reflexão contínua sobre como as histórias pessoais do terapeuta podem influenciar sua escuta exigindo um equilíbrio delicado entre envolvimento e neutralidade Além disso o contexto físico e emocional em que o analista trabalha repercute diretamente na qualidade do atendimento no qual manter um ambiente organizado e garantir um equilíbrio entre vida profissional e pessoal não são meros detalhes operacionais mas condições essenciais para preservar a integridade do setting terapêutico 10 O autocuidado do analista incluindo a gestão do estresse e a supervisão regular assegura que ele esteja emocionalmente disponível para acolher as demandas complexas do paciente evitando esgotamento ou interferências prejudiciais assim a interação entre paciente e analista revelase uma teia de interdependências na qual a clareza técnica a ética do cuidado e a gestão das emoções se entrelaçam A primeira entrevista longe de ser um mero protocolo é um microcosmo desse processo nela avaliamse não apenas as condições psíquicas do paciente mas também a capacidade do analista de sustentar uma aliança terapêutica pautada pela confiança e pelo rigor metodológico Essa sintonia inicial quando bem conduzida lança as bases para um trabalho transformador onde a complexidade humana é abordada em sua plenitude ZIMMERMAN 2004 22 A EVOLUÇÃO DO DIAGNÓSTICO PSICANALÍTICO O diagnóstico psicanalítico contemporâneo configurase como um campo em constante evolução que busca transcender as classificações clássicas das doenças mentais Essa abordagem prioriza um entendimento profundo do paciente considerando não apenas os aspectos sintomáticos mas também as dinâmicas psíquicas subjacentes Nesse contexto a avaliação do prognóstico emerge como elemento central frequentemente realizada ao longo do processo analítico dinâmica que pode surpreender tanto o analista quanto o analisando revelando nuances que ultrapassam as expectativas iniciais e destacando a complexidade humana em sua busca por autoconhecimento Um dos critérios fundamentais nesse paradigma é o de acessibilidade que se concentra na motivação coragem e capacidade do paciente de permitir o acesso ao seu inconsciente ZIMMERMAN 2004 Essa compreensão é particularmente relevante na seleção de pacientes que à primeira vista podem ser considerados de difícil acesso como aqueles com regressões significativas ou paradoxalmente com estrutura psíquica aparentemente bem ajustada Para Bechara m m 2009 a psicanálise contemporânea tem se mostrado receptiva a configurações diversas adaptando técnicas e táticas para atender às necessidades específicas de cada indivíduo o que reforça sua flexibilidade como ferramenta terapêutica Observase ainda uma diminuição progressiva dos critérios de contraindicação na prática clínica atual refletindo maior abertura à diversidade de 11 pacientes Questões como a idade antes vistas como limitantes são agora abordadas com relativismo permitindo a inclusão de crianças e idosos no tratamento psicanalítico com resultados positivos Além disso a psicanálise contemporânea não hesita em enfrentar situações críticas como quadros emocionais agudos integrandose a outros recursos como psicofármacos em uma abordagem holística que busca eficácia sem abandonar a profundidade analítica O diagnóstico clínico psicanalítico é permeado por um relativismo acentuado no qual condições aparentemente alarmantes como uma reação esquizofrênica aguda podem ter prognóstico favorável se manejadas com competência técnica enquanto neuroses crônicas podem apresentar desafios imprevistos Essa dualidade exige do analista um olhar crítico e atento capaz de discernir as nuances singulares de cada caso sem se apoiar em generalizações Entretanto algumas contraindicações permanecem inegáveis como a degenerescência mental a incapacidade de abstração e casos com motivações distorcidas Em situações de avaliação inicial inconclusiva a análise de prova surge como alternativa viável Essa abordagem que prolonga a entrevista inicial permite uma reflexão mais detalhada sobre as condições do paciente antes da formalização do contrato analítico assegurando que ambos analista e analisando possam estabelecer um vínculo seguro e comprometido Essas práticas alinhamse à Resolução CFP nº 0052025 que enfatiza a supervisão e orientação de estágios em Psicologia com base em fundamentação teórica e ética A psicanálise contribui não apenas com técnicas específicas mas com uma postura clínica que valoriza a alteridade o silêncio a história singular e o tempo subjetivo Essa escuta ética associada ao rigor técnico oferece ao profissional de Psicologia uma base sólida para atuar em contextos clínicos diversos mantendo o compromisso com o sofrimento humano em sua complexidade e singularidade Assim a psicanálise reafirma seu papel na saúde mental contemporânea um campo que se reinventa e se amplia acolhendo a diversidade de pacientes e integrandose a marcos regulatórios que fortalecem a formação crítica e ética dos futuros psicólogos ZIMMERMAN 2004 12 22 REGRAS PSICANALÍTICAS DA ATUALIDADE A evolução das regras fundamentais da psicanálise ao longo do tempo reflete as transformações nas dinâmicas sociais e nas expectativas dos pacientes A regra da livre associação de ideias que enfatiza a verbalização espontânea por parte do paciente mantém sua centralidade mas sua aplicação prática tem se adaptado às demandas atuais Hoje os analistas reconhecem a necessidade de criar um ambiente terapêutico que favoreça não apenas a expressão livre mas também a autenticidade considerando a diversidade de experiências e a complexidade das questões contemporâneas trazidas pelos pacientes Essa adaptação não descaracteriza a técnica mas amplia sua capacidade de acolher subjetividades em contextos cada vez mais pluralizados ZIMMERMAN 2004 A regra da abstinência tradicionalmente associada à contenção de gratificações pessoais por parte do analista tem sido reinterpretada em um cenário clínico que valoriza a empatia e a conexão humana Embora sua essência evitar satisfações substitutivas que desviem o foco do processo analítico permaneça válida a prática contemporânea enfrenta o desafio de equilibrar essa contenção com a construção de uma relação de confiança e segurança Essa tensão produtiva permite que a relação analítica transcenda a função meramente interpretativa tornandose um espaço de interação genuína onde a vulnerabilidade é reconhecida como parte integrante do trabalho terapêutico SOUZA COELHO 2012 Por outro lado Zimerman 2004 também afirma que a regra da neutralidade que historicamente exigia um distanciamento emocional do analista é revisitada à luz de abordagens que defendem maior transparência na relação terapêutica Isso não implica a perda da postura técnica mas o reconhecimento de que a neutralidade pode coexistir com uma presença mais autêntica O analista contemporâneo ao acolher suas próprias emoções e reações contratransferenciais pode oferecer uma escuta mais engajada sem abandonar o rigor metodológico Essa flexibilidade não enfraquece o setting mas o torna mais sensível às nuances afetivas que emergem no processo A ênfase na verdade e na honestidade incorporada como uma quinta regra em discussões recentes responde à demanda por autenticidade nas relações terapêuticas pois os pacientes buscam não apenas uma análise técnica mas uma conexão que os auxilie a navegar realidades emocionais complexas marcadas por 13 incertezas e paradoxos da vida moderna Essa dimensão exige que analista e paciente se envolvam em um processo de descoberta mútua onde a honestidade tanto sobre limites quanto sobre possibilidades fortalece a aliança terapêutica Assim as regras psicanalíticas embora preservem seu núcleo ético e técnico demandam revisão contínua para dialogar com as transformações sociais e científicas A prática clínica atual ao integrar essas adaptações não apenas honra o legado freudiano mas assegura que a psicanálise permaneça relevante como ferramenta de compreensão e intervenção diante das complexidades humanas do século XXI 221 Regra da abstinência A regra da abstinência formulada por Freud em 1915 surgiu em resposta ao desenvolvimento de vínculos eróticos entre pacientes histéricas e analistas em um período em que as análises eram breves Com a expansão da psicanálise e o aumento das críticas sobre a sexualidade na prática clínica Freud viu a necessidade de estabelecer limites claros para evitar envolvimentos sexuais entre analistas e analisandos Em 1912 ele começa a esboçar essa diretriz preocupado com a integridade ética da psicanálise A abstinência implica que o psicanalista deve absterse de qualquer atividade além da interpretação proibindo gratificações externas e preservando o anonimato do paciente posição reforçada por Freud em 1918 em seus escritos sobre terapias psicanalíticas ZIMMERMAN 2004 Ressaltase a relevância da abstinência analítica conforme proposta por Freud que defende que os analistas evitem gratificações externas e intervenções significativas na vida dos pacientes durante o tratamento Para ele era imperativo que os pacientes não tomassem decisões importantes como escolhas profissionais ou amorosas sem uma análise prévia a fim de evitar que impulsos inconscientes fossem mal direcionados protegendoos de possíveis danos Entretanto críticas contemporâneas apontam que a interpretação rígida dessa recomendação pode levar a um distanciamento excessivo entre analista e analisando prejudicando o tratamento A preocupação freudiana com envolvimentos emocionais e sexuais embora válida corre o risco de ser aplicada de forma extremada gerando uma dinâmica fóbica que compromete a aliança terapêutica ZIMMERMAN 2004 14 Com a evolução da prática psicanalítica observase uma mudança significativa no perfil emocional e situacional dos pacientes assim como nas condições sociológicas e econômicas em que a análise ocorre Muitos analistas contemporâneos adotam portanto uma postura mais flexível promovendo um ambiente acolhedor e interativo sem abandonar a estrutura normativa do setting analítico Argumentase que a rigidez na aplicação das diretrizes originais de Freud pode criar um clima de falsidade e paranoia Assim uma abordagem adaptativa e humanizada é considerada essencial nas práticas atuais permitindo que analistas se conectem de maneira autêntica com seus pacientes fator que pode potencializar a eficácia do processo terapêutico O conceito de amor de transferência na psicanálise evidencia a evolução das práticas desde Freud destacando os riscos de envolvimento emocional entre analista e paciente A abstinência do psicanalista permanece crucial para evitar a gratificação de desejos que refletem carências do próprio terapeuta não do paciente É fundamental diferenciar curiosidades patológicas que demandam interpretação daquelas saudáveis que merecem acolhimento como expressões genuínas do sujeito Além disso as atitudes em relação a encontros sociais entre analistas e pacientes modificaramse antes rigidamente evitados hoje são abordados com maior flexibilidade ainda que cautelosa Zimerman 2004 aponta essa mudança a qual reflete uma adaptação às demandas contemporâneas sem descuidar dos princípios éticos que preservam a integridade do vínculo terapêutico 222 Regra da atenção flutuante A regra da atenção flutuante proposta por Freud estabelece um princípio fundamental para a prática analítica implicando a criação de condições que favoreçam uma comunicação autêntica entre os inconscientes do analista e do paciente Bion amplia essa concepção ao destacar o papel da intuição frequentemente obscurecida pela ênfase excessiva na percepção sensorial como ferramenta essencial para decifrar as camadas simbólicas do discurso ZIMMERMAN 2004 Uma das dificuldades centrais para o analista reside em sua capacidade de se desvincular de desejos e memórias pessoais durante o processo Embora seja natural que emoções surjam é importante que o terapeuta mantenha clareza sobre 15 esses sentimentos discriminando adequadamente entre suas experiências subjetivas e as dinâmicas transferenciais em jogo Essa distinção preserva a neutralidade técnica e assegura que as intervenções estejam alinhadas às necessidades do paciente evitando projeções que comprometam a eficácia terapêutica A prática psicanalítica exige assim uma dissociação útil habilidade de reconhecer e diferenciar as diversas áreas do mapa psíquico do analista incluindo emoções que emergem durante a sessão Essa dissociação sustenta tanto a teorização flutuante entendida como a capacidade de elaborar hipóteses sem fixação prévia quanto à atenção flutuante que consiste em uma escuta aberta a múltiplos significados Esses mecanismos facilitam a conexão com a realidade externa e com o inconsciente permitindo uma escuta intuitiva que capta nuances escapadas a abordagens lineares SOUZA COELHO 2012 Por outro lado uma atenção excessivamente direcionada pode levar a um estado patogênico no qual o analista busca informações irrelevantes à situação analítica movido por curiosidade pessoal ou necessidade de controle Essa postura desvia o foco do trabalho terapêutico e pode gerar vínculos transferenciais prejudiciais nos quais as projeções do analista contaminam a relação Além disso a tentativa de manter a atenção flutuante de forma rigorosa pode gerar desconforto e sensação de fracasso no analista já que divagações e distrações são inevitáveis durante as sessões A flexibilidade mental tornase portanto um elementochave pois ela permite que o analista navegue entre suas próprias emoções e as dinâmicas do setting terapêutico ajustandose às flutuações do processo sem perder a postura técnica necessária Essa habilidade reconhece que a eficácia reside no equilíbrio entre disciplina clínica e adaptação às contingências humanas ZIMMERMAN 2004 223 Regra da neutralidade A regra da neutralidade conforme proposta por Freud é um princípio essencial na psicanálise sugerindo que o psicanalista deve atuar como um espelho opaco refletindo apenas o conteúdo apresentado pelo paciente e evitando expor suas próprias emoções Embora o termo neutralidade não seja frequente em seus textos Freud defende uma postura imparcial distante da indiferença que poderia prejudicar o processo analítico Essa neutralidade inclui a gestão dos desejos do 16 analista permitindo uma interação aberta e profunda com o paciente o que cria um ambiente favorável à exploração emocional e psicológica PINHEIRO 1999 Contudo a regra da neutralidade tem sido reavaliada na prática contemporânea distante da visão tradicional de Freud que comparava o analista a um espelho mecânico Atualmente entendese que o analista deve funcionar como um espelho que possibilita ao paciente uma reflexão abrangente sobre si mesmo sem que isso implique a supressão total de sua subjetividade A neutralidade é reconhecida como um ideal inatingível já que o analista inevitavelmente traz suas crenças valores e perspectivas para a relação terapêutica influenciando dinâmicas interpretativas e escolhas técnicas ZIMMERMAN 2004 O envolvimento afetivo do terapeuta desde que não se torne patológico é considerado essencial para estabelecer uma aliança terapêutica significativa As escolhas interpretativas como decidir quando intervir ou como formular uma interpretação revelam a subjetividade inerente à prática demonstrando que a neutralidade não se traduz em ausência de posicionamento mas em um equilíbrio entre acolhimento e contenção Essa postura permite que o paciente se sinta reconhecido em sua singularidade ao mesmo tempo que preserva o espaço analítico como um campo de investigação livre de projeções excessivas do terapeuta Assim a neutralidade na psicanálise contemporânea não nega a influência do analista mas reconhece a complexidade de sua função ser um interlocutor que mesmo com suas limitações humanas mantém o foco no processo de desvelamento do inconsciente equilibrando técnica e sensibilidade ZIMMERMAN 2004 224 Regra do amor à verdade A psicanálise segundo Freud fundamentase na verdade e na ética sendo a honestidade do psicanalista um elemento fundamental para promover mudanças significativas nos pacientes O terapeuta deve evitar julgamentos sobre terceiros já que os pacientes podem induzir quebras éticas por meio de projeções ou tentativas de envolver o analista em dinâmicas externas à terapia Um dilema recorrente é o envolvimento amoroso entre terapeuta e paciente tratado com rigor por sociedades psicanalíticas para preservar a integridade da relação analítica Dessa forma a ética e a verdade configuramse como pilares indissociáveis da prática freudiana 17 A discussão sobre transgressões éticas e sexuais na psicanálise revela um campo marcado por tensões e controvérsias conforme destacado por Daniel Widlocher expresidente da Associação Psicanalítica Internacional IPA Ele argumenta que tais transgressões não devem ser simplificadas como meros erros ou pecados irreparáveis mas sim compreendidas como fenômenos complexos que exigem análise crítica Widlocher observa ainda que transgressões éticas como vínculos românticos não consumados entre analistas e pacientes que frequentemente permanecem ocultas apesar de seu impacto relevante Freud já enfatizava a necessidade de honestidade mútua afirmando que a falta de verdade por parte do analista comprometeria a eficácia do tratamento corroendo a confiança essencial ao processo Complementando essa perspectiva Bion introduz a reflexão sobre a análise de indivíduos que utilizam a mentira como mecanismo de defesa Ele ressalta que a verdade é um elemento vital para a saúde psíquica comparando a a um alimento indispensável e sua ausência levaria à deterioração do psiquismo Assim a abordagem psicanalítica da verdade deve transcender o moralismo focandose na construção de uma atitude autêntica que permita ao paciente alcançar liberdade interna e engajarse plenamente no processo analítico ZIMERMAN 2004 A preservação do setting analítico é outro aspecto essencial pois garante a estruturação da relação terapêutica mantendo a assimetria necessária entre os papéis de analista e paciente O enquadre estabelece limites claros e promove o princípio da realidade contrapondose ao princípio do prazer que muitas vezes domina a subjetividade do paciente Essa estrutura é especialmente crítica no trabalho com pacientes regressivos que podem enfrentar dificuldades em lidar com limites e frustrações No entanto é fundamental evitar uma rigidez excessiva na aplicação dessas regras pois isso pode gerar uma atmosfera coercitiva prejudicando a aliança terapêutica A própria prática de Freud ilustra a complexidade desse equilíbrio que frequentemente flexibilizava suas próprias recomendações adotando abordagens não convencionais que refletiam o contexto histórico e teórico da psicanálise em sua época ZIMERMAN 2004 23 AS FUNÇÕES DO ANALISTA Na psicanálise o analista é um profissional cuja atuação se baseia na escuta clínica e na interpretação do inconsciente Diferente de áreas como negócios ele não 18 busca solucionar problemas imediatos mas atua como um guia na exploração das dinâmicas psíquicas Formado nos princípios de Freud e seus herdeiros o psicanalista mergulha nas complexidades do desejo e dos traumas reprimidos Minerbo 2024 Escuta Analítica e Setting A escuta analítica é uma habilidade que permite ao analista decifrar significados ocultos nos lapsos sonhos e discursos do paciente Esse processo é facilitado por um setting analítico rigoroso que inclui horários fixos sigilo e uma postura neutra criando um ambiente seguro para a livre associação de ideiasZIMERMAN 2004 Transferência e Contratransferência O manejo da transferência projeção de sentimentos do paciente e da contratransferência reações emocionais do analista é fundamental O psicanalista deve reconhecer e modular essas dinâmicas utilizandoas para desvendar conflitos psíquicos ZIMERMAN 2004 Autoconhecimento e Resistências Diferente de terapias que buscam a eliminação rápida de sintomas a psicanálise prioriza o autoconhecimento Técnicas como a associação livre e a interpretação de sonhos ajudam a revelar estruturas invisíveis que governam comportamentos enquanto o trabalho com resistências permite que o paciente enfrente conteúdos dolorososFreud 1920 Ética e Formação do Psicanalista A ética é um alicerce essencial na psicanálise onde o analista não emite julgamentos morais A formação do psicanalista inclui estudo teórico análise pessoal e supervisão clínica preparandoo para lidar com projeções e evitar interferências pessoais Zimerman 2004 19 A Transformação Subjetiva como Horizonte Clínico O analista atua como um mediador do inconsciente ajudando o paciente a desatar nós invisíveis que causam sofrimento O sucesso na psicanálise é medido pela capacidade de permitir que o paciente reinvente sua relação consigo mesmo e com o mundo O processo de transformação subjetiva é lento e singular proporcionando ao paciente uma nova forma de habitar sua história e confrontar seu passado O analista assim não oferece respostas prontas mas sustenta um espaço onde a verdade do sujeito pode emergir como um ato de liberdadeMinerbo 2024 24 A COMPREENSÃO DO RELACIONAMENTO INTERPESSOAL SOB A PERSPECTIVA DA PSICANÁLISE A análise do relacionamento interpessoal quando vista sob a ótica psicanalítica exige uma investigação minuciosa das forças inconscientes que moldam as interações humanas Essas forças muitas vezes surgem a partir de experiências precocemente vivenciadas na infância que ficam armazenadas no inconsciente e influenciam não apenas as emoções e comportamentos atuais mas também a maneira como os indivíduos percebem e se relacionam com os outros Este entendimento é fundamental para compreender questões como ciúmes inseguranças projeções e padrões de comunicação disfuncionais já que muitas dessas características têm raízes profundas e subconscientes Além disso essa abordagem permite uma compreensão mais abrangente dos conflitos internos que podem dificultar a construção de vínculos afetivos seguros e satisfatórios favorecendo processos de autoconhecimento que são essenciais tanto na clínica quanto na vida cotidiana De acordo com Freud 1900 as experiências formativas na infância não apenas moldam o desenvolvimento psíquico mas também deixam marcas que podem perdurar ao longo da vida influenciando todas as relações seguintes Essas experiências muitas vezes são reprimidas ou não totalmente resolvidas permanecendo no inconsciente e se manifestando através de sintomas ou padrões relacionais recorrentes na fase adulta Por exemplo uma criança que vivenciou negligência ou rejeição pode desenvolver uma ansiedade de separação ou padrões de busca de validação constantes na vida adulta Assim ao revisar e entender essas 20 experiências e seus efeitos o terapeuta e o indivíduo podem trabalhar a resolução de conflitos internos promovendo relações mais saudáveis e equilibradas e uma melhor gestão emocional 241 As pulsações e vínculos na teoria psicanalítica o papel da pulsão e do desejo Segundo Treiguer 2007 a compreensão da pulsão na psicanálise não se limita à sua força de impulso biológico mas deve ser entendida na relação com os vínculos estabelecidos entre os indivíduos A pulsão como força reguladora das interações atua tanto na esfera consciente quanto na inconsciente moldando desejos necessidades e fantasias O desejo por sua vez é uma força que unifica o sujeito embora seja frequentemente influenciado por fatores externos como o alheio ou seja o outro suas expectativas desejos e projeções Essas dinâmicas complexas resultam na multiplicidade de emoções que experimentamos nas relações como novela de desejo medo mistério e insegurança que enriquecem ou dificultam o relacionamento dependendo de como são elaboradas e integradas 242 Significado simbólico e mitológico das relações conjugais Ao analisar as relações amorosas sob a perspectiva simbólica e mitológica a narrativa bíblica de Adão e Eva serve como uma poderosa metáfora para entender a busca pela perfeição a ilusão de imortalidade e a vulnerabilidade inerente aos relacionamentos O desejo de ser igual a Deus simboliza a tentativa de superar os limites humanos o que na relação de casal pode refletir a busca por uma união idealizada que muitas vezes é inatingível A expulsão do Éden revela como a tentativa de alcançar essa perfeição pode resultar na fragilidade e na necessidade de aceitar a vulnerabilidade como parte fundamental do amor e da convivência Na perspectiva psicanalítica há a compreensão de que os casais frequentemente criam uma dinâmica de inseparabilidade na qual as diferenças individuais são minimizadas ou até negadas Para isso usam mecanismos de defesa como a cisão dividir aspectos positivos e negativos e a identificação projetiva que reduzem as diferenças ao transferir aspectos indesejados ou 21 conflitantes para o outro Essa fusão embora possa parecer uma busca por completude tende a ser prejudicial a longo prazo pois impede o desenvolvimento da autonomia emocional e limita a autenticidade no relacionamento Quando essa fusão se torna excessiva a relação pode se transformar em uma ilusão de perfeição que ao se desmoronar leva ao conflito ou à crise de identidade de ambos os parceiros 243 Alianças inconscientes e a formação psíquica do vínculo amoroso De acordo com Pignataro FerrésCarneiro e Mello 2019 as alianças inconscientes estruturam as relações amorosas formando um sistema de funções que mantêm o vínculo e protegem os indivíduos de ameaças internas e externas Essas alianças que se originam na infância e nas primeiras experiências afetivas podem ser primárias secundárias defensivas ou criativasdestrutivas cada uma desempenhando papéis diferentes na vida psíquica e relacional Elas moldam percepções expectativas e comportamentos além de influenciar a forma como o parceiro é visto e tratado na relação Compreender esses mecanismos ajuda a desmistificar padrões repetitivos e a elaborar vínculos mais conscientes e satisfatórios promovendo maior autonomia emocional e resistência às dificuldades do cotidiano Dentro das alianças inconscientes existe o pacto denegativo também discutido na literatura psicanalítica referese a uma aliança inconsciente que os parceiros assumem muitas vezes de forma automática para proteger a relação de conflitos internos ou de demandas emocionais que podem ameaçála Essa aliança funciona por meio da mobilização de fantasias identificações e realidades psíquicas partilhadas que mantêm o vínculo mesmo que envolvam negação ou repressão de aspectos desagradáveis ou conflitantes Essa dinâmica atua como um mecanismo de defesa contribuindo para a estabilidade emocional do casal ao evitar confrontar certas verdades dolorosas mas também pode limitar o crescimento e a autenticidade na relação Além do pacto denegativo Pignataro FérresCarneiro e Mello 2019 descrevem os contratos inconscientes como entendimentos tácitos que emergem na relação estabelecendo limites expectativas e trocas que sustentam o vínculo 22 Esses contratos podem ser conscientes ou inconscientes e dizem respeito às concessões mútuas necessárias para a convivência Enquanto os acordos representam negociações mais conscientes os pactos envolvem trocas intransmissíveis ou insuspeitas muitas vezes influenciadas por elementos da infância ou experiências passadas Essas dinâmicas facilitam ou dificultam a elaboração de desejos e necessidades moldando o modo como o casal enfrenta as dificuldades e constrói a sua história conjunta 244 Vínculos afetivos segundo Bion espaço psíquico e conteúdo emocional Segundo Mondrzak 2007 a teoria de Bion destaca que os vínculos amorosos de ódio ou de conhecimento dependem do espaço psíquico chamado por ele de contenedor e do conteúdo emocional que nele reside O espaço psíquico funciona como um recipiente onde emoções e experiências conflitantes podem ser armazenadas elaboradas e integradas fortalecendo a relação As emoções como inveja ciúme raiva ou insegurança sentimentos típicos de uma relação conjugal não apenas emergem do conteúdo mas são moduladas pelo espaço psíquico que deve ser acolhedor para que os conflitos possam ser trabalhados de forma saudável Essa capacidade de acolhimento e elaboração emocional possibilita uma convivência mais madura empática e segura emocionalmente promovendo um vínculo mais sólido e autêntico No contexto de Bion a relação entre o analista e o espaço psíquico é fundamental para o processo terapêutico O analista ao atuar como um recipiente deve criar um espaço psíquico seguro e receptivo capaz de acolher e processar as experiências emoções e pensamentos do paciente Nesta teoria o analista é um facilitador do espaço psíquico criando uma condição em que o paciente possa explorar processar e integrar suas experiências internas de forma segura e significante Essa dinâmica é essencial para que o processo terapêutico seja efetivo e transformador 245 O casal como uma unidade psíquica e a influência do desenvolvimento emocional Na psicanálise a concepção de que o casal constitui uma unidade psíquica com estrutura própria traz reflexões importantes sobre a dinâmica do 23 relacionamento Cada indivíduo traz para o casal seu desenvolvimento emocional suas carências suas dores e conflitos internos que ao interagirem podem resultar tanto em harmonia quanto em disfunções Quando há conflitos não resolvidos ou projeções esses fatores podem gerar uma relação disfuncional marcada por conflitos constantes ou mesmo por padrões de fusão excessiva onde os limites entre os parceiros se tornam difusos A intervenção clínica busca muitas vezes desconstruir essas dinâmicas promovendo autonomia emocional e a compreensão dos acontecimentos internos de cada um além de favorecer uma relação mais equilibrada capaz de suportar conflitos de forma construtiva A participação em processos terapêuticos seja individual ou de casal muitas vezes revela ou provoca desequilíbrios na relação como ciúmes resistência às mudanças ou boicotes que surgem como mecanismos de defesa ou tentativas de manter o status quo Essas reações muitas vezes dificultam o avanço do tratamento e requerem atenção específica do terapeuta que deve trabalhar a compreensão dessas resistências promovendo maior autorreflexão e autoconhecimento A terapia assim atua como uma ferramenta de resistência e reconstrução emocional possibilitando a elaboração de conflitos a superação de obstáculos e a promoção de relações mais satisfatórias e maduras 3 METODOLOGIA A metodologia adotada neste estudo é fundamentada em princípios clássicos da psicanálise utilizando a técnica da associação livre como um dos pilares do processo terapêutico Essa técnica permite ao paciente expressar livremente seus pensamentos sentimentos e imagens sem censura ou restrições o que facilita a acessibilidade a conteúdos inconscientes Ao criar um espaço onde o paciente se sente à vontade para compartilhar suas ideias a associação livre se torna um meio poderoso para explorar as camadas mais profundas da psique Freud 1920 A primeira entrevista desempenha um papel crucial nesse contexto uma vez que estabelece as bases para a relação analítica Neste encontro inicial o analista busca criar um ambiente de confiança e segurança onde o paciente se sinta confortável para se abrir É um momento de construção do vínculo onde se discutem as expectativas do tratamento e se delineiam os objetivos da terapia A 24 receptividade e a empatia do analista são essenciais para fazer com que o paciente sinta que sua história e suas vivências são valorizadas Zimerman 2004 Durante as sessões subsequentes a atenção flutuante do analista se torna uma prática fundamental Essa abordagem implica que o analista mantenha uma escuta atenta e flexível permitindo que sua atenção se mova entre diferentes temas e conteúdos que emergem das falas do paciente Essa atenção não é direcionada apenas a pontos específicos mas busca captar nuances sentimentos e associações que possam surgir criando um espaço onde o paciente pode explorar livremente seu mundo interno Zimerman 2004 A interpretação por sua vez é uma ferramenta vital que emerge desse processo Quando o analista oferece interpretações ele busca conectar os conteúdos manifestos do discurso do paciente com questões mais profundas e inconscientes Essas intervenções interpretativas têm o potencial de iluminar padrões de comportamento conflitos internos e dinâmicas emocionais que o paciente pode não ter consciência Através desse processo interpretativo o paciente é incentivado a refletir sobre suas experiências promovendo um entendimento mais profundo de si mesmo e facilitando o avanço do tratamento Minerbo 2016 Assim a combinação da associação livre da construção do vínculo na primeira entrevista da atenção flutuante e das interpretações do analista cria um ambiente terapêutico rico e dinâmico propício para o processo de autoconhecimento e transformação psíquica do paciente Essa metodologia busca não apenas a resolução de sintomas mas a promoção de uma maior compreensão da própria subjetividade contribuindo para o desenvolvimento pessoal e emocional ao longo do tratamento Jorge 2000 4 PROCESSO TERAPÊUTICO Na sessão de 290425 o paciente J relatou angústia no trabalho devido à pressão do chefe e à carga horária excessiva afetando sua vida familiar Ele enfrenta conflitos com a esposa que possui traumas da infância e preocupase com o comportamento do filho mais velho Apesar das dificuldades J demonstra motivação para o processo terapêutico e deseja explorar suas emoções melhorar a comunicação familiar e promover um ambiente mais saudável 25 Na sessão de 060525 J expressou preocupações sobre a relação tensa entre sua esposa e sua mãe especialmente em relação a uma visita programada Ele também relatou um ambiente de trabalho insustentável devido à pressão do novo chefe apesar da recente promoção e a insatisfação com o salário J enfrenta desafios significativos em sua vida pessoal e profissional que serão explorados nas próximas sessões Na sessão de 20052025 J expressou sobrecarga e falta de apoio no trabalho comparando as exigências de seu chefe e sua esposa Ele relatou frustrações na vida conjugal incluindo incertezas sobre o relacionamento e dificuldades financeiras atribuídas à esposa que geraram ansiedade e medo de perder a família Apesar das queixas J mostrou disposição para agir manifestando interesse em conversar diretamente com seu chefe sobre suas responsabilidades Na sessão de 29052025 J expressou preocupação com as mentiras de seu filho que nega responsabilidades refletindo uma personalidade forte que J reconhece em si mesmo Ele compartilhou sobre sua dependência emocional na infância e como sua relação com os pais influenciou seu comportamento além de relatar sua trajetória de mudança para Maringá e os desafios enfrentados ao se tornar pai J também recordou sua experiência de morar sozinho e a necessidade de se estabelecer uma nova vida com Érica e o filho que estava por vir Na sessão 030625 o paciente não compareceu sem justificar a sua falta Na sessão de 100625 J relatou sobrecarga de trabalho e os desafios emocionais causados pelas oscilações de humor de sua esposa Érica com quem ele enfrenta uma comunicação frágil e dinâmica de culpa Ele mencionou incidentes em que Érica projetou suas frustrações sobre ele evidenciando a ambivalência no relacionamento A sessão terminou com a proposta de explorar essas dinâmicas e focar na melhoria da comunicação e na compreensão mútua nas próximas conversas Na sessão do dia 170625 J chegou atrasado e relembrou que algo na Érica o atraiu mencionando que ela tinha características que suas exnamoradas não tinham Ele comentou sobre suas duas namoradas anteriores destacando que a primeira era muito diferente dele e a segunda terminou abruptamente J admira a Érica por se dar ao respeito no trabalho e acredita que isso contrasta com suas ex namoradas que o deixavam inseguro No entanto ele se sente desrespeitado quando ela fala mal dele na frente dos outros embora perceba momentos 26 carinhosos entre eles J também notou que Érica desconta frustrações do trabalho nele mas acredita que ela ainda tem sentimentos por ele A sessão foi concluída antes de aprofundar mais esses temas Na sessão 010725 J chegou atrasado à sessão explicando que esteve viajando a trabalho e justificando sua ausência anterior Ele relatou a demissão de seu chefe que gerou caos na empresa e o forçou a assumir responsabilidades de liderança J destacou a arrogância do expatrão mas enfatizou que o principal problema era a gestão de perdas financeiras que aumentaram para cerca de 4 milhões Durante sua viagem trabalhou além do horário para apresentar relatórios mas não teve a discussão esperada resultando em frustração Apesar das dificuldades ele demonstrou respeito pelo antigo chefe A sessão foi encerrada rapidamente com J pedindo desculpas pelo atraso Na sessão de 150725 J explicou sua ausência por estar na apresentação da filha na escola Ele relatou desafios no trabalho devido à pressão de três diretores e confusão sobre com quem deve prestar contas J compartilhou um conflito com seu filho onde o chamou de mentiroso após ele assistir a vídeos proibidos resultando em um episódio de agressão Ambos os pais refletem sobre a educação permissiva atual em comparação com suas infâncias J também mencionou o desempenho escolar do filho levantando a possibilidade de TDAH com apoio dos avós para sessões com uma psicopedagoga Ele se vê como alguém concentrado enquanto sua esposa Érica se distrai facilmente 42 ANÁLISE DO PROCESSO TERAPÊUTICO Absolutamente Aqui está o texto com as referências bibliográficas adicionadas Análise Psicanalítica do Caso do Paciente A psicanálise oferece uma rica estrutura teórica para entender as dinâmicas emocionais e relacionais que o paciente J enfrenta permitindo uma exploração profunda de seus conflitos internos e das interações familiares que moldam sua experiência A seguir apresento uma análise que reúne e desenvolve os conceitos centrais da teoria freudiana e correntes contemporâneas proporcionando uma visão integrada do que está em jogo na vida de J 1 Inconsciente e Conflitos Internos Sigmund Freud postulou que muitos comportamentos e emoções humanas são guiados por processos inconscientes frequentemente em conflito Freud 1900 No caso de J esse conflito se manifesta em um estresse significativo tanto no trabalho quanto nas relações familiares A pressão exercida por seu chefe combinada com a sobrecarga de responsabilidades gera um choque entre seus desejos pessoais e as exigências sociais e 27 familiares que o cercam Essa luta entre as necessidades internas de J e as expectativas externas resulta em sentimentos de angústia e inadequação Em sua obra O MalEstar na Civilização Freud 1930 argumenta que a cultura impõe uma troca inevitável ganhamos proteção e avanços mas perdemos a liberdade pulsional O preço que pagamos por essa civilização é a angústia permanente um reflexo do paradoxo de sermos ao mesmo tempo seres instintivos e socializados A promessa de felicidade pela cultura é para Freud uma utopia O indivíduo busca prazer segundo o princípio do prazer Freud 1920 mas se depara com as limitações impostas pela vida social leis e moralidade levando a uma sensação de desamparo Essa angústia que J expressa em relação à sua infelicidade no trabalho e na vida familiar pode estar relacionada a uma idealização inconsciente da vida moderna que contrasta com a realidade repleta de cobranças e limitações 2 Dinâmicas Relacionais e Alianças Inconscientes Desde a infância J pode ter desenvolvido alianças inconscientes que o levam a evitar conflitos e a manter a harmonia possivelmente como resultado de experiências familiares nas quais discussões eram vistas como negativas Spivacow 2018 Essa tendência é evidente em sua relação com a esposa onde ele frequentemente se mantém passivo mesmo quando ela o ofende publicamente Essa dinâmica não apenas perpetua o ressentimento mas também sugere uma estrutura de defesa que impede J de confrontar questões importantes em sua vida conjugal Adicionalmente a presença de traumas da infância da esposa como uma relação difícil com a mãe adiciona mais camadas ao conflito Isso sugere que os desafios que J enfrenta não são apenas externos mas também profundamente enraizados em questões emocionais e históricas A projeção de frustrações e expectativas dela sobre J pode indicar que ele assume o papel de figuras parentais ou de autoridade evocando sentimentos de culpa e raiva que complicam ainda mais a dinâmica entre eles Spivacow 2018 Nesse contexto as experiências da infância da esposa influenciam seu comportamento atual gerando padrões de interação conflituosos que dificultam a comunicação e a empatia 3 Mecanismos de Defesa e Intelectualização A busca de J para lidar com os problemas que o angustiam especialmente na vida conjugal é frequentemente acompanhada por uma resistência em reconhecer suas próprias fraquezas e sua parcela de culpa Seu discurso tende a focar na fragilidade da esposa e nas feridas que ela carrega enquanto ele evita explorar suas próprias vulnerabilidades Essa abordagem pode ser vista como um mecanismo de defesa especificamente a intelectualização Mcwilliams 2014 onde J formula teorias complexas sobre as feridas da esposa enquanto projeta seus próprios problemas internos sobre ela J parece confundir sua esposa com um objeto reduzindo sua complexidade a meras representações Cremasco 2018 Essa confusão é especialmente pronunciada em momentos de conflito onde ele tende a ver sua esposa apenas como um objeto de suas frustrações sem reconhecer sua subjetividade Essa limitação na percepção do outro restringe a possibilidade de um relacionamento 28 verdadeiro e saudável perpetuando um ciclo de desentendimentos e ressentimentos Cremasco 2018 4 Mudança e Desenvolvimento Pessoal A disposição de J para buscar mudança e trabalhar em terapia reflete um desejo genuíno de desenvolver uma nova identidade e promover um ambiente familiar mais saudável A psicanálise enfatiza a capacidade de transformação por meio da reflexão sobre experiências passadas e do reconhecimento de padrões repetitivos Winnicott 1965 O momento atual de J é crucial sua consciência dos conflitos e a disposição para enfrentálos podem permitir uma resolução significativa e um crescimento pessoal A análise da situação de J revela uma interação complexa entre suas experiências pessoais dinâmicas familiares e pressões externas A pressão do trabalho e a carga horária excessiva não apenas afetam seu bemestar emocional mas também impactam negativamente sua vida familiar e seu relacionamento com sua esposa A disposição de J para explorar suas emoções e melhorar a comunicação é um aspecto positivo é crucial para seu progresso na terapia As queixas sobre a dinâmica de culpa e a projeção de frustrações de esposa sobre J indicam um ciclo de conflito que pode ser quebrado através de uma comunicação mais aberta e honesta A proposta de explorar essas dinâmicas nas próximas sessões pode oferecer a J e sua esposa uma oportunidade de entender melhor suas próprias necessidades e as do outro promovendo um ambiente mais saudável para a família 9 A Autonomia Emocional e Respeito Mútuo Além disso a dependência emocional de J na infância e sua resistência a mudanças que ele reconhece em si mesmo e em seu filho são temas centrais a serem explorados nas sessões Isso pode ajudar J a entender como essas experiências moldaram suas reações atuais e seu papel na dinâmica familiar O fato de J ter manifestado interesse em discutir suas responsabilidades com seu chefe também é um sinal de sua disposição para enfrentar desafios o que pode ser uma alavanca para seu desenvolvimento emocional e crescimento pessoal É vital que J desenvolva uma autonomia emocional que lhe permita se posicionar diante das críticas de Érica Sua atitude passiva em relação às ofensas dela não contribui para um relacionamento saudável Em algumas ocasiões J apontou que a diferença entre sua atual esposa e uma exnamorada era o respeito que aquela última demonstrava ao confrontálo sobre situações passadas Reconhecer a falta de respeito nas interações é crucial para que J possa se posicionar e confrontar sua esposa sobre seu comportamento Essa assertividade é o primeiro passo para que ele se autorespeite e consequentemente exija respeito em suas relações sua vida permitindo que J explore seus conflitos internos e suas interações familiares O acompanhamento terapêutico é essencial para ajudálo a navegar por essas complexidades promovendo mudanças significativas em sua vida e favorecendo um ambiente familiar mais equilibrado Ao trabalhar na construção de uma comunicação mais efetiva e na identificação de padrões disfuncionais J pode dar passos importantes em direção a um relacionamento mais saudável e satisfatório tanto com sua esposa quanto consigo mesmo 29 PRESA Giovanna Amanda CREMASCO Maria Virgínia Filomena Viver sem o objeto Revista Subjetividades Fortaleza v 18 n 1 p 110 janabr 2018 DOI httpsdoiorg10502023590777RSV18I15682 REFERÊNCIAS CHEMAMA R Psicanálise do cotidiano elementos lacanianos para uma psicanálise do cotidiano Porto Alegre CMC Editora 2002 CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA Código de ética profissional do psicólogo Brasília DF 2005 Disponível em httpssitecfporgbrwpcontentuploads201207codigodeeticapsicologiapdf Acesso em 3 maio 2025 FREUD S A interpretação dos sonhos 1900 Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2016 FREUD S História de uma neurose infantil o homem dos lobos Além do princípio do prazer e outros textos 19171920 Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2010 FREUD Sigmund Obras completas volume 4 A interpretação dos sonhos Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2019 MONDRZAK Viviane Sprinz Processo psicanalítico e pensamento aproximando Bion e MatteBlanco Revista Brasileira de Psicanálise São Paulo v 41 n 3 set 2007 Disponível em httpspepsicbvsaludorgscielophppidS0486 641X2007000300004 Acesso em Sex 20 de Junho PIGNATARO Marina Beatriz FÉRESCARNEIRO Terezinha MELLO Renata A formação do casal conjugal um enfoque psicanalítico Pensando Famílias Porto Alegre v 23 n 1 p 120 janjun 2019 Disponível em httpspepsicbvsaludorg Acesso em 20 de junho de 2025 SAMPAIO Alexandra de Oliveira A clínica de casal canalise das relações vinculares MIMESIS v 30 n2 2009 30 TREIGUER Lisie Ellwanger Moreira O paradoxo vincular no casal desejo constituição e morte Disponível em wwwcontemporâneoorgbrcontemporânea PHP 2007 Acesso em 20 de junho de 2025 ZASLAVSKY Jacó PIRES DOS SANTOS Manuel José Sobre o papel das identificações na relação amorosa Revista de Psicanálise SPPA Porto Alegre v II n 2 p 47514933 ago 1996 ZIMERMAN D E Manual de técnica psicanalítica um estudo teóricoclínico da entrevista inicial dos critérios de analisabilidade e do contrato Porto Alegre Artmed 2004 FREUD Sigmund Psicologia das massas e análise do eu e outros textos 1920 1923 Tradução de Paulo César de Sowa São Paulo Companhia das Letras 2011 SPIVACOW Miguel Alejo O casal em conflito contribuições psicanalíticas Prólogo de René Kaës Tradução e edição de Adriana May Mendonça Denise Martinez Souza e Marcia Zart Terra de Areia RS Triangullo Gráfica e Editora LTDA 2018 MINERBO Marion Diálogos sobre a clínica psicanalítica São Paulo Blucher 2016 MINERBO Marion Ateliê clínico Para que serve uma análise Volume 1 São Paulo Blucher 2024 JORGE Marco Antonio Coutinho Fundamentos da psicanálise de Freud a Lacan 2 ed rev Rio de Janeiro Zahar 2005 PRESA Giovanna Amanda CREMASCO Maria Virgínia Filomena Viver sem o objeto Revista Subjetividades Fortaleza v 18 n 1 p 110 janabr 2018 DOI httpsdoiorg10502023590777RSV18I15682 ANEXOS 31 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 290425 IntervençãoSessão nº 1 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 29042025 O paciente J apresentouse na sessão realizada em 290425 Ele relatou angústia no trabalho motivada pela pressão exercida pelo chefe e pela carga horária excessiva o que resulta em pouco tempo para sua família Sua esposa expressa insatisfação com a falta de tempo que o marido dedica aos filhos e à situação financeira em que se encontram O paciente descreve sua esposa como uma pessoa difícil de lidar com quem tem enfrentado frequentes conflitos Ele menciona que ela foi criada apenas pela avó materna o que segundo ele contribui para traumas que dificultam a convivência entre eles As discussões se intensificam durante os dias de TPM e o paciente relata que utiliza um aplicativo para monitorar o ciclo menstrual da esposa tentando evitar conflitos nesses períodos Além disso o paciente demonstra preocupação com o comportamento do filho mais velho que se envolveu em episódios de furto incluindo o roubo de dinheiro da irmã e a destruição de figurinhas na escola Essa situação o leva a refletir sobre a educação e o desenvolvimento moral da criança Apesar das dificuldades o paciente está motivado para o processo terapêutico e expressa interesse em continuar as sessões inclusive na modalidade online caso não seja possível realizar atendimentos presenciais Para as próximas sessões será importante explorar seus sentimentos de angústia e identificar as fontes de estresse melhorar a comunicação com a esposa discutir estratégias para equilibrar trabalho e vida familiar abordar o comportamento do filho e considerar formas de incentivar a esposa a buscar terapia respeitando sua resistência O paciente demonstra consciência das dinâmicas familiares que impactam seu bemestar emocional e está disposto a trabalhar nessas questões As futuras sessões deverão focar nas áreas mencionadas visando promover um ambiente familiar mais saudável 32 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 060525 IntervençãoSessão nº 2 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 06052025 J chegou pontualmente às 17h e iniciou a conversa expressando suas preocupações sobre a relação da esposa com sua mãe Ele está apreensivo em relação à visita marcada para o próximo domingo à casa de seus pais Ao investigar essa apreensão J compartilhou um incidente recente durante um almoço na casa de sua mãe onde sua esposa o criticou por sua falta de compromisso com a casa e a família Sua mãe interveio questionando a esposa sobre a falta de reconhecimento e apoio o que levou a esposa a se retirar da mesa e solicitar a saída Perguntei a J sobre a situação atual com a esposa e ele mencionou que as coisas melhoraram um pouco mas a relação com a mãe ainda é tensa Ele expressou a preocupação de não querer deixar os filhos sob os cuidados da mãe uma vez que sua esposa só aceita deixálos com a mãe e a irmã J também revelou receios em deixar seu filho com o pai devido a temores de abuso embora não tenha confirmado se sua esposa já passou por essa experiência No que diz respeito à vida profissional J relatou que a situação com seu chefe se tornou insustentável Ele acredita que a recente mudança na gestão da rede de supermercados está gerando pressão por resultados imediatos e eficazes o que tem impactado negativamente a dinâmica com sua equipe Apesar de ter recebido uma promoção recentemente J não está satisfeito com o salário pois não houve um aumento que correspondesse à nova função Ele suspeita que a empresa esteja realizando uma avaliação prometendo um aumento após seis meses caso os resultados esperados sejam atingidos A sessão foi encerrada destacando que J enfrenta 33 desafios tanto em sua vida pessoal quanto profissional que precisam ser explorados e refletidos nas próximas sessões RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 200525 IntervençãoSessão nº 3 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 20052025 Na sessão de hoje J apresentou uma série de queixas relacionadas à sua vida profissional e pessoal destacando a sensação de sobrecarga e a falta de apoio em ambas as esferas Ele relatou que está se sentindo pressionado no trabalho enfrentando um volume elevado de tarefas sem o devido suporte de seu chefe J mencionou que seu chefe propõe a necessidade de um bom desempenho mas paradoxalmente continua a sobrecarregálo com mais responsabilidades Fez uma comparação entre seu chefe e sua esposa ambos considerados sem lógica em suas exigências Em relação à sua vida conjugal J expressou frustração em relação à sua esposa citando um recente convite dela para não chegar tarde em casa mas sem clareza sobre o compromisso Ele observou que essa instabilidade gera ansiedade pois pode se tratar de um convite para um momento agradável ou uma conversa sobre separação J revelou que já considerou a separação em duas ocasiões mas uma oração em um momento de reflexão o levou a interpretar que deveria permanecer no casamento especialmente após a notícia da gravidez de sua filha J também trouxe à tona a dificuldade financeira que enfrenta atribuindo parte da culpa a sua esposa Ele explicou que após ela seguir um guru financeiro e fazer investimentos de alto risco acabou assumindo uma dívida significativa com a compra de um carro cujas parcelas se tornaram uma carga pesada comprometendo seu orçamento Atualmente J mencionou que não recebe ajuda dela para os gastos uma vez que ela também 34 lida com suas próprias dívidas O medo de perder a esposa e os filhos é um tema recorrente em suas queixas J expressou preocupações sobre a possibilidade de sua esposa levar as crianças para morar com a família dela em Amaporã o que o angustia especialmente em relação à influência negativa que a família dela pode ter sobre os filhos Um aspecto positivo observado na sessão foi a disposição de J em agir de forma proativa Ele demonstrou interesse em ter uma conversa direta com seu chefe para discutir suas preocupações e buscar um entendimento mais claro sobre suas responsabilidades RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 290525 IntervençãoSessão nº 4 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 29052025 J Comecou a sessão dizendo que seu filho esta mentindo muito que isso está o preocupando Perguntei se as mentiras são histórias inventadas J Explicou que as mentiras são feitas a partir de uma discussão na qual ele faz uma coisa e nega ter feito Como por exemplo quando sua mãe reclamou que ele não tinha feito a tarefa e quando ele perguntou ele disse que havia feito só depois de muita insistência que admitiu não ter feito J disse que seu filho não tem muito gosto pelos estudos e que nisso é muito diferente dele Perguntei se tem coisas semelhantes com filho disse que sim a personalidade forte de confrontar os pais disse que é igual e que inclusive seu comportamento era diferente dos outros dois irmãos pergunte se era o mais velho ele disse que era o mais novo Lembrou de um dia que entrou em confronto com seu pai pois avisou que eatava estava indo para uma festa em astorga e seu pai disse que nao 35 iria ele então falou que estava apenas avisando Lembrou que seus pais fazia tudo por ele desde o levar a escola buscar e que por exemplo nunca cozinhou sendo isso uma das críticas que Érica sua esposa faz a ele Foi se sentir mais dependente quando deixou Marília e veio para Maringa estudar Perguntei entao como foi que os seus pais vieram para Maringá Falou que ele passou no vestibular na UEM e veio morar com um primo dele no segundo ano de faculdade ele foi morar sozinho entao primeiro veio sua mãe mas deixou bem claro que nao queria ser vigiado depois veio seu pai e sua irmã e seu cunhado Após a faculdade arrumou emprego em Astorga em uma usina Morava em um quarto com banheiro apenas Neste período engravidou a Érica então ela foi morar com seus pais e ele se viu obrigado a voltar e arrumar uma casa para morar um junto com a Érica e seu filho que iria nascer RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 100525 IntervençãoSessão nº 5 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 10062025 Na sessão de hoje J chegou com um atraso de 20 minutos justificandose com problemas relacionados ao serviço Ele também mencionou a ausência na sessão anterior devido a uma viagem durante a qual não teve acesso ao celular Ao longo da conversa J expressou uma série de dificuldades que enfrenta tanto em sua vida profissional quanto no âmbito familiar Ele relatou uma sobrecarga significativa de trabalho mencionando a dificuldade em gerenciar sua carga horária o que parece impactar sua saúde mental e emocional refletindo um estado de estresse e cansaço J trouxe à tona a situação de sua esposa Érica que continua apresentando oscilações de humor Ao questionálo sobre o cansaço que isso poderia causar ele afirmou ter se acostumado e optado por uma postura passiva diante das oscilações dela Exemplos foram dados para ilustrar essa dinâmica em uma visita recente dos padrinhos do 36 filho Érica começou a reclamar que ele não ajuda em casa J optou por se afastar da situação indicando uma estratégia de evitar conflitos Outro exemplo relevante foi o incidente em que seu filho se queimou com um ferro quente J relatou que Érica o culpou pela situação mesmo reconhecendo que ela deveria ter mais cuidado com a criança que estava sob sua responsabilidade na parte superior da casa Essa dinâmica de culpas parece ser um padrão recorrente no relacionamento onde Érica projeta suas frustrações em J Durante a sessão J foi questionado sobre a natureza do relacionamento com Érica Ele mencionou que embora tenham momentos de boa convivência a situação se torna complicada em momentos de tensão A comunicação entre eles parece frágil especialmente em situações emocionais delicadas J trouxe um episódio marcante de uma terapia de casal onde Érica respondeu não sei quando questionada se ainda se gostam evidenciando a ambivalência no relacionamento J relatou que sempre percebeu Érica com esse comportamento desde o início do relacionamento que começou na empresa onde trabalhavam A narrativa de como se conheceram sugere uma atração inicial mas também revela que desde o início houve uma desarmonia que pode ter se intensificado com o tempo A gravidez planejada e a mudança para a casa dos pais de Érica também foram pontos importantes trazendo à tona atritos familiares que contribuíram para a tensão no relacionamento A sessão foi encerrada com a proposta de retomar as questões levantadas nas próximas conversas permitindo que J reflita sobre as dinâmicas familiares e emocionais discutidas É fundamental continuar trabalhando na comunicação e na compreensão mútua entre J e Érica assim como explorar mais a fundo as questões de culpa e frustração que permeiam o relacionamento Os próximos passos incluem explorar as dinâmicas de culpa e projeção de frustrações focar na melhoria da comunicação entre J e Érica e analisar o impacto da carga de trabalho na saúde emocional de J RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 170625 IntervençãoSessão nº 5 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 37 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 17062025 J Se atrazou vinte minutos novamente Cemecei a sessão lembrando de uma fala de J A qual dizia que alguma coisa o atraiu na Érica Então fiz a pergunta o que seria esse algo que o atraiu nela Respondeu que ela tinha algo que a sua ex namorada não tinha Perguntei o que seria Disse que teve duas namoradas antes da Érica e que a primeira era mais velha que ele e tinham pensamentos diferentes sobre a vida Ela pensava em casar pois já era formada e quando ele estava ainda na faculdade e queria aproveita mais a vida Então conheceu a segunda namorada e ficaram pouco tempo em torno de 9 meses Ela o achou para jantar e disse que não queria mais continuar ficou muito mal e mantinha contato com ela por mensagens até que um dia ela mandou uma mensagem falando que não queria mais conversar com ele para não dar esperanças foi aí que disse que tinha que deixar de ser trouxa e seguir sua vida e cortar contato com ela Disse que foi interessante pois neste dia que ele viu a Érica pela primeira vez mas apenas achou uma mulher bonita e admirou que ela trabalhando em um chão de fábrica onde os homens de todas as idades mexiam com ela sempre se deu ao respeito Então concluiu que a Érica diferente da antiga namorada sempre o respeitou Mesmo quando não namorava ela se dava ao respeito mantendo a distância das pessoas e até hoje é assim Sua antiga namorada era muito de brincar com as pessoas inclusive com homens isso o deixava e acredita que se permanecesse com ela o deixaria inseguro Perguntei se quanto a palavra respeito o qual diz a Érica ter para com ele não sente desrespeitado quando ela fala mal dele na frente dele para as outras pessoas Respondeu nisso sim é muito ruim isso que ela faz Perguntei se ele acredita que ela tem a imagem dele das reclamações que ela faz dele para as pessoas Respondeu que acha que sim mas também vê momentos em que ela é carinhosa com ele Continuou que percebe quando ela se frustra com alguma coisa no trabalho ela desconta nele Mas acredita que ela tenha sentimento por ele Antes do namoro ela era apegada a ele e muito mais carinhosa quando nasceu seu primeiro filho ela se apegou demais e tinha nele uma fixação exagerada depois que nasceu a filha deixou o filho de lado e tem essa fixação com a filha Como o tempo estava acabando concluí a sessão 38 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 010725 IntervençãoSessão nº 8 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 01072025 J apresentouse atrasado chegando aproximadamente 15 minutos após o início da sessão Quando questionado acerca do motivo de sua ausência na sessão anterior esclareceu que esteve viajando a trabalho demonstrando esforço em justificar as faltas e admitindo que anteriormente por uma única ocasião não enviou justificativa No entanto reforçou que naquela última ausência explicou a ausência devido à viagem profissional Durante a sessão comentou que pretendia falar de trás para frente o que inicialmente suspeitei tratarse de uma abordagem reflexiva sobre os eventos recentes confirmação essa que veio com sua narrativa subsequente J contou que seu chefe foi demitido recentemente causando uma situação de caos na empresa na qual recaiu sobre ele a responsabilidade de assumir temporariamente funções de liderança já que ocupava uma posição de coordenação abaixo do seu antigo chefe Destacou que seu expatrão tinha um comportamento de soberba exibindo arrogância e uma postura de superioridade por possuir trinta anos de experiência Quando questionei se essa postura afetava sua performance ou relação no trabalho ele respondeu que o problema principal não era a postura do chefe mas sim as dificuldades relativas à gestão de perdas financeiras que estavam aumentando de forma preocupante J revelou que em uma viagem a Umuarama e Foz do Iguaçu participou de ações voltadas para analisar perdas constatando uma perda de aproximadamente 4 milhões Sua função era desenvolver estratégias para reduzir essa perda mas percebeu que ao invés disso o cenário se agravava e sua principal responsabilidade se limitava a exercer pressão sobre si mesmo e sobre sua equipe 39 J admitiu não sentir alívio após a demissão do antigo chefe demonstrando respeito e consideração por ele reconhecendo que foi o responsável por sua contratação apesar das dificuldades de relacionamento Relatou que se sentia pressionado pela postura do exchefe o que lhe causava malestar Durante a viagem de trabalho J descreveu que trabalhou além do horário habitual inclusive no sábado para apresentar relatórios de perdas ao seu patrão na expectativa de obter um momento de análise e discussão dos resultados na sextafeira mas isso não ocorreu pois seu chefe o criticou em vez de dialogar A sensação de frustração por esse episódio foi perceptível Pelo tempo curto encerramos a sessão J Pediu desculpas pelo atraso e disse que ele tem mandado no número que tem da clínica avisando sobre seus atrasos RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 150725 IntervençãoSessão nº 8 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 15072025 Na última reunião J chegou pontual e embora não tenha justificado sua ausência explicou que teve que comparecer à apresentação da filha na escola durante a Festa Junina Ele compartilhou os desafios que enfrenta no trabalho mencionando a falta de referências sobre com quem conversar e a pressão que sente de três diretores que o cobram de maneira diferente Durante a conversa ele relatou um episódio em que um dos diretores o chamou para uma reunião enquanto estava atendendo a uma demanda o que aumentou sua confusão sobre a quem realmente deve prestar contas J também expressou sua preocupação com a relação com seu filho que apresentou um comportamento estranho recentemente Ele compartilhou um conflito em que chamou o filho de mentiroso o que resultou em um impulso de agressão ao dar um soco em sua perna O motivo do desentendimento foi que o filho estava assistindo a vídeos no YouTube mesmo 40 sabendo que tanto ele quanto a mãe não queriam que ele visse aquele conteúdo Após o incidente J ficou angustiado e acabou se retirando do local mas o filho pediu desculpas assim como sua esposa que ressaltou que a forma de educar não deveria ser a violência J refletiu sobre a dificuldade de criar os filhos nos dias de hoje comparandose a sua própria infância quando ele enfrentou reprimendas severas de seus pais Ele mencionou que na sua visão a educação dos filhos atualmente é marcada pela permissividade Sua esposa por sua vez relatou uma situação em que em um momento de desespero deu um tapa no rosto do filho quando ele a desafiou demonstrando que ambos os pais ainda estão aprendendo sobre a melhor forma de educar A conversa também abordou o desempenho escolar do filho J comentou que apesar de não estar com notas ruins ele se mostra distraído e desinteressado nas tarefas de casa Para ajudar os avós do menino estão contribuindo financeiramente para que ele frequente sessões com uma psicopedagoga A possibilidade de o filho ter TDAH foi levantada pela esposa que se identificou com alguns dos comportamentos do filho J mostrouse compreensivo e observador notando que o filho tem hiperfoco em determinados assuntos como música e esportes o que pode indicar características do TDAH Por fim J se considera alguém que se concentra profundamente nas atividades ao contrário de Érica de sua esposa que tende a se distrair facilmente Reconhece que a personalidade dos filhos é uma mistura dele com sua mulher com características físicas e intelectuais que remetem a cada um FACULDADE INGÁ CURSO DE PSICOLOGIA RODOLFO RODRIGO BENEDETTI RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL III CLÍNICA DE PSICOLOGIA UNINGÁ MARINGÁ 2025 RODOLFO RODRIGO BENEDETTI RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL III CLÍNICA DE PSICOLOGIA UNINGÁ Relatório apresentado ao curso de Psicologia do Centro Universitário Ingá na disciplina de estágio de formação profissional III como requisito parcial para obtenção de nota no curso de Psicologia da faculdade INGÁ Prof Ms Bruna Luzia Garcia de Oliveira MARINGÁ 2025 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO4 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA5 21 Primeiro contato e entrevista com o paciente6 211 A importância da entrevista inicial na terapia psicanalítica6 212 Expectativas na terapia analítica o papel do paciente e do psicanalista8 22 A evolução do diagnóstico psicanalítico9 23 Regras psicanalíticas da atualidade11 231 Regra da abstinência12 232 Regra da atenção flutuante13 233 Regra da neutralidade14 234 Regra do amor à verdade15 24 As funções do analista17 241 Escuta analítica e Setting17 242 Transferência e contratransferência17 243 Autoconhecimento e resistências17 244 Ética e formação do psicanalista17 245 A transformação subjetiva como horizonte clínico18 25 A compreensão do relacionamento interpessoal sob a perspectiva da psicanálise18 251 As pulsações e vínculos na teoria psicanalítica o papel da pulsão e do desejo 19 252 Significado simbólico e mitológico das relações conjugais19 253 Alianças inconscientes e a formação psíquica do vínculo amoroso20 254 Vínculos afetivos segundo Bion espaço psíquico e conteúdo emocional21 255 O casal como uma unidade psíquica e a influência do desenvolvimento emocional22 3 METODOLOGIA22 4 PROCESSO TERAPÊUTICO23 41 ANÁLISE DO PROCESSO TERAPÊUTICO25 411 Análise psicanalítica do caso do paciente25 412 Inconsciente e conflitos internos26 413 Dinâmicas relacionais e alianças inconscientes26 414 Mecanismos de defesa e intelectualização27 415 Mudança e desenvolvimento pessoal27 416 A autonomia emocional e respeito mútuo28 Referências29 5 ANEXO A Atendimento dia 29042531 6 ANEXO B Atendimento dia 06052533 7 ANEXO C Atendimento dia 20052535 8 ANEXO D Atendimento dia 29052537 9 ANEXO E Atendimento dia 10052539 10 ANEXO F Atendimento dia 17062541 11 ANEXO G Atendimento dia 07072543 12 ANEXO H Atendimento dia 15072545 4 1 INTRODUÇÃO O presente relatório tem como objetivo refletir sobre a experiência de estágio supervisionado em Psicologia com ênfase na prática clínica orientada pela abordagem psicanalítica e a partir da articulação entre teoria e prática buscase apresentar os principais fundamentos teóricos que sustentaram a atuação descrever a vivência do estágio e analisar criticamente os aspectos éticos e técnicos envolvidos no processo Conforme a Resolução n 62011CNEMEC o estágio supervisionado é um componente crucial na formação em Psicologia dividido em duas etapas o Estágio Supervisionado Básico realizado no 3 ano que se concentra na integração de competências por meio de visitas técnicas e observações e os Estágios Supervisionados de Formação desenvolvidos nos 4 e 5 anos voltados ao aprofundamento profissional em áreas específicas como clínica institucional escolar e organizacional Cada etapa é organizada por meio de projetos de ensino elaborados pelos professores supervisores os quais incluem justificativas competências a serem desenvolvidas métodos de trabalho e critérios de avaliação A supervisão ocorre na ClínicaEscola de Psicologia do Centro Universitário Ingá Uningá em grupos de até seis alunos com o propósito de promover uma formação crítica e prática para os futuros psicólogos Este relatório está alinhado à estrutura e regulamentação dos Estágios Supervisionados do curso de Psicologia da Uningá conforme descrito nos documentos institucionais Os alunos do 5º ano devem cumprir um total de 200 horas no Estágio de Formação III e 160 horas no Estágio de Formação IV com carga horária distribuída ao longo dos períodos letivos regulares sem previsão de interrupções para férias intermediárias Os estágios são formalizados por meio de instrumentos jurídicos entre o Centro Universitário Ingá e as instituições concedentes sendo realizados tanto na ClínicaEscola de Psicologia da Uningá quanto em instituições conveniadas como hospitais unidades básicas de saúde instituições de educação infantil e educação especial entre outras A supervisão dos estágios é de responsabilidade dos professores supervisores do supervisor de estágio e da coordenação do curso Os professores supervisores são docentes do curso de Psicologia atuando conforme suas áreas de formação e experiências profissionais e em casos específicos profissionais de áreas técnicas externas podem ser incluídos na supervisão mediante solicitação escrita e aprovação institucional Durante todo o processo o Código de Ética 5 Profissional do Psicólogo aprovado em agosto de 2005 pelo Conselho Federal de Psicologia serve como guia essencial para a prática profissional Este documento elaborado em um contexto de transformações sociais e demandas profissionais reforça princípios como o respeito à dignidade humana a promoção da saúde e a qualidade dos serviços psicológicos além de definir deveres proibições e penalidades para assegurar uma atuação ética e responsável A estrutura do relatório segue três eixos principais inicialmente uma fundamentação teórica baseada em autores da psicanálise seguida da descrição detalhada da experiência prática em contexto clínicoinstitucional Em seguida são discutidas as implicações éticas da atuação profissional conforme previsto no Código de Ética do Psicólogo e propõese uma análise crítica dos desafios e aprendizados construídos ao longo do estágio Por fim o texto conclui com considerações sobre a integração entre teoria prática e ética na formação do psicólogo ressaltando a importância do estágio supervisionado como espaço de consolidação do conhecimento e da identidade profissional 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A psicanálise desde seus fundamentos estabelecidos por Freud consolidou se como um campo teóricoclínico de grande complexidade enriquecido ao longo do século XX por contribuições de diversos autores Inicialmente Freud estruturou pilares centrais como o conceito de inconsciente a sexualidade infantil os mecanismos de defesa e a transferência que permanecem como eixos estruturantes da prática psicanalítica Em A Interpretação dos Sonhos 1900 obra seminal ele enfatiza a função do inconsciente na produção simbólica demonstrando que os processos psíquicos transcendem a consciência imediata Essa perspectiva revolucionária revela que o sujeito não é plenamente senhor de sua própria razão uma ideia que redefine a compreensão do sofrimento humano Ao reconhecer a dimensão inconsciente como núcleo da subjetividade Freud inaugurou uma metodologia clínica baseada na escuta atenta da singularidade do paciente e na valorização de sua narrativa Essa abordagem detalhada em suas obras FREUD 2016 desloca a ênfase de interpretações normativas para uma prática que acolhe a ambiguidade e a multiplicidade de sentidos presentes no discurso Dessa forma a psicanálise não apenas ampliou o horizonte teórico sobre a 6 mente humana mas também estabeleceu um paradigma ético e técnico orientado pelo respeito à expressão individual legado que continuou a ser expandido e reinterpretado por gerações posteriores de analistas 21 Primeiro contato e entrevista com o paciente A comunicação não verbal constitui um elemento fundamental nas interações humanas sobretudo nas etapas iniciais de um relacionamento seja em âmbito pessoal ou profissional Essa forma de expressão que engloba gestos expressões faciais postura e movimentos corporais transcende a dimensão verbal revelando emoções genuínas e facilitando a construção de conexões mais profundas entre os indivíduos Durante os primeiros contatos a habilidade de decifrar esses sinais tornase especialmente relevante já que eles podem transmitir nuances como interesse confiança abertura ou resistência muitas vezes de maneira mais autêntica do que as palavras Zimmerman 2004 Além de expressar sentimentos a comunicação não verbal atua em paralelo à linguagem falada servindo como um complemento essencial para a clareza das mensagens Ao harmonizar gestos tom de voz e expressões com o conteúdo verbal reduzse o risco de ambiguidades e malentendidos permitindo que a intenção comunicativa seja transmitida com maior precisão Segundo Zimerman 2004 Essa sincronia entre o que é dito e o que é demonstrado corporalmente não apenas fortalece a credibilidade do emissor como também promove um diálogo mais coeso e empático Reconhecer a relevância desses elementos é portanto determinante para otimizar a qualidade das interações em diferentes contextos seja em uma negociação profissional no estabelecimento de vínculos afetivos ou em situações cotidianas a atenção aos sinais não verbais possibilita uma leitura mais integral do outro favorecendo relações baseadas em compreensão mútua e efetividade comunicativa 211 A importância da entrevista inicial na terapia psicanalítica A entrevista inicial configurase como um momento decisivo na prática psicanalítica estabelecendo as bases para o relacionamento terapêutico e permitindo que tanto o analista quanto o paciente avaliem a compatibilidade e a 7 viabilidade do tratamento Esse contato preliminar que pode se estender por mais de um encontro dependendo das particularidades do paciente não se limita a uma mera formalidade Mesmo em situações em que o terapeuta já reconhece a impossibilidade de assumir um tratamento sistemático a realização de uma entrevista de avaliação mantém seu valor pois possibilita orientações ou encaminhamentos adequados preservando o compromisso ético com o cuidado Zimmerman 2004 Para Zimerman 2004 será importante diferenciar a entrevista inicial da primeira sessão analítica pois enquanto a primeira ocorre antes da formalização do contrato terapêutico funcionando como um espaço de avaliação mútua a segunda marca o início efetivo da análise A profundidade e a duração dessa etapa variam conforme o repertório prévio do paciente aqueles familiarizados com o processo psicanalítico podem experienciar um fluxo mais ágil enquanto indivíduos que buscam alívio imediato para sintomas demandam uma abordagem mais cautelosa capaz de acolher ansiedades e expectativas não verbalizadas O objetivo central da entrevista inicial reside na avaliação das condições mentais emocionais e contextuais do paciente permitindo ao analista ponderar riscos e benefícios do tratamento Essa análise inclui a identificação da psicopatologia apresentada a elaboração de uma impressão diagnóstica e prognóstica e a atenção aos efeitos contratransferenciais que emergem na interação Nesse contexto o uso de classificações como o DSMIVTR que abrange aspectos sindrômicos transtornos de personalidade e estressores ambientais exige uma abordagem multidimensional integrando dimensões dinâmicas como conflitos inconscientes evolutivas histórico de desenvolvimento e comunicacionais formas de expressão e resistências Zimmerman 2004 Além da avaliação técnica a entrevista demanda uma escuta sensível às motivações e expectativas do paciente que nem sempre coincidem com o projeto terapêutico do analista A veracidade das queixas o grau de insight e a disposição para engajarse em um processo introspectivo são fatores críticos Paralelamente o terapeuta deve confrontar suas próprias limitações e reações emocionais evitando avaliações precipitadas baseadas em impressões superficiais Assim a entrevista inicial transcende sua função diagnóstica é um espaço de negociação simbólica no qual paciente e analista delineiam a possibilidade de uma jornada compartilhada 8 212 Expectativas na terapia analítica o papel do paciente e do psicanalista O papel do analista assume centralidade já na primeira entrevista momento em que ele se apresenta como profissional fundamentado em sua formação teórica e experiência clínica contudo para o paciente essa figura ainda não está consolidada como referência terapêutica É através da transferência processo no qual o paciente atribui ao analista emoções e expectativas originadas em relações passadas que se estabelece a possibilidade de reconhecêlo como guia no processo analítico Segundo Chemama 2002 esse fenômeno é estruturante nas entrevistas preliminares pois cria um vínculo que permite ao paciente confiar na direção proposta pelo tratamento mesmo em um contexto de incerteza inicial Nesse cenário as expectativas mútuas entre paciente e analista são determinantes para o avanço da terapia O paciente é convidado a assumir uma postura ativa engajandose de maneira autêntica na exploração de suas vivências emocionais Esse compromisso não se resume à verbalização de sintomas mas envolve a disposição para confrontar resistências e ambiguidades inerentes ao processo introspectivo Paralelamente cabe ao psicanalista definir com clareza suas motivações para acolher o caso delineando um projeto terapêutico que oriente suas intervenções Essa delimitação não é estática exige flexibilidade para adaptarse às demandas emergentes sem perder de vista os objetivos centrais do tratamento Zimmerman 2004 A preparação do analista para lidar com desafios emocionais como situações transferenciais intensas ou manifestações de contratransferência é um pilar da prática clínica A empatia aliada ao reconhecimento das próprias limitações e reações inconscientes permite que ele sustente um ambiente seguro onde o paciente se sinta acolhido em sua vulnerabilidade Essa habilidade não se restringe à técnica envolve uma reflexão contínua sobre como as histórias pessoais do terapeuta podem influenciar sua escuta exigindo um equilíbrio delicado entre envolvimento e neutralidade Além disso o contexto físico e emocional em que o analista trabalha repercute diretamente na qualidade do atendimento no qual manter um ambiente organizado e garantir um equilíbrio entre vida profissional e pessoal não são meros detalhes operacionais mas condições essenciais para preservar a integridade do setting terapêutico 9 O autocuidado do analista incluindo a gestão do estresse e a supervisão regular assegura que ele esteja emocionalmente disponível para acolher as demandas complexas do paciente evitando esgotamento ou interferências prejudiciais assim a interação entre paciente e analista revelase uma teia de interdependências na qual a clareza técnica a ética do cuidado e a gestão das emoções se entrelaçam A primeira entrevista longe de ser um mero protocolo é um microcosmo desse processo nela avaliamse não apenas as condições psíquicas do paciente mas também a capacidade do analista de sustentar uma aliança terapêutica pautada pela confiança e pelo rigor metodológico Essa sintonia inicial quando bem conduzida lança as bases para um trabalho transformador onde a complexidade humana é abordada em sua plenitude Zimmerman 2004 22 A evolução do diagnóstico psicanalítico O diagnóstico psicanalítico contemporâneo configurase como um campo em constante evolução que busca transcender as classificações clássicas das doenças mentais Essa abordagem prioriza um entendimento profundo do paciente considerando não apenas os aspectos sintomáticos mas também as dinâmicas psíquicas subjacentes Nesse contexto a avaliação do prognóstico emerge como elemento central frequentemente realizada ao longo do processo analítico dinâmica que pode surpreender tanto o analista quanto o analisando revelando nuances que ultrapassam as expectativas iniciais e destacando a complexidade humana em sua busca por autoconhecimento Um dos critérios fundamentais nesse paradigma é o de acessibilidade que se concentra na motivação coragem e capacidade do paciente de permitir o acesso ao seu inconsciente Zimmerman 2004 Essa compreensão é particularmente relevante na seleção de pacientes que à primeira vista podem ser considerados de difícil acesso como aqueles com regressões significativas ou paradoxalmente com estrutura psíquica aparentemente bem ajustada Para Bechara 2009 a psicanálise contemporânea tem se mostrado receptiva a configurações diversas adaptando técnicas e táticas para atender às necessidades específicas de cada indivíduo o que reforça sua flexibilidade como ferramenta terapêutica Observase ainda uma diminuição progressiva dos critérios de contraindicação na prática clínica atual refletindo maior abertura à diversidade de 10 pacientes Questões como a idade antes vistas como limitantes são agora abordadas com relativismo permitindo a inclusão de crianças e idosos no tratamento psicanalítico com resultados positivos Além disso a psicanálise contemporânea não hesita em enfrentar situações críticas como quadros emocionais agudos integrandose a outros recursos como psicofármacos em uma abordagem holística que busca eficácia sem abandonar a profundidade analítica O diagnóstico clínico psicanalítico é permeado por um relativismo acentuado no qual condições aparentemente alarmantes como uma reação esquizofrênica aguda podem ter prognóstico favorável se manejadas com competência técnica enquanto neuroses crônicas podem apresentar desafios imprevistos Essa dualidade exige do analista um olhar crítico e atento capaz de discernir as nuances singulares de cada caso sem se apoiar em generalizações Entretanto algumas contraindicações permanecem inegáveis como a degenerescência mental a incapacidade de abstração e casos com motivações distorcidas Em situações de avaliação inicial inconclusiva a análise de prova surge como alternativa viável Essa abordagem que prolonga a entrevista inicial permite uma reflexão mais detalhada sobre as condições do paciente antes da formalização do contrato analítico assegurando que ambos analista e analisando possam estabelecer um vínculo seguro e comprometido Essas práticas alinhamse à Resolução CFP nº 0052025 que enfatiza a supervisão e orientação de estágios em Psicologia com base em fundamentação teórica e ética A psicanálise contribui não apenas com técnicas específicas mas com uma postura clínica que valoriza a alteridade o silêncio a história singular e o tempo subjetivo Essa escuta ética associada ao rigor técnico oferece ao profissional de Psicologia uma base sólida para atuar em contextos clínicos diversos mantendo o compromisso com o sofrimento humano em sua complexidade e singularidade Assim a psicanálise reafirma seu papel na saúde mental contemporânea um campo que se reinventa e se amplia acolhendo a diversidade de pacientes e integrandose a marcos regulatórios que fortalecem a formação crítica e ética dos futuros psicólogos Zimmerman 2004 11 23 Regras psicanalíticas da atualidade A evolução das regras fundamentais da psicanálise ao longo do tempo reflete as transformações nas dinâmicas sociais e nas expectativas dos pacientes A regra da livre associação de ideias que enfatiza a verbalização espontânea por parte do paciente mantém sua centralidade mas sua aplicação prática tem se adaptado às demandas atuais Hoje os analistas reconhecem a necessidade de criar um ambiente terapêutico que favoreça não apenas a expressão livre mas também a autenticidade considerando a diversidade de experiências e a complexidade das questões contemporâneas trazidas pelos pacientes Essa adaptação não descaracteriza a técnica mas amplia sua capacidade de acolher subjetividades em contextos cada vez mais pluralizados Zimmerman 2004 A regra da abstinência tradicionalmente associada à contenção de gratificações pessoais por parte do analista tem sido reinterpretada em um cenário clínico que valoriza a empatia e a conexão humana Embora sua essência evitar satisfações substitutivas que desviem o foco do processo analítico permaneça válida a prática contemporânea enfrenta o desafio de equilibrar essa contenção com a construção de uma relação de confiança e segurança Essa tensão produtiva permite que a relação analítica transcenda a função meramente interpretativa tornandose um espaço de interação genuína onde a vulnerabilidade é reconhecida como parte integrante do trabalho terapêutico Souza e Coelho 2012 Por outro lado Zimerman 2004 também afirma que a regra da neutralidade que historicamente exigia um distanciamento emocional do analista é revisitada à luz de abordagens que defendem maior transparência na relação terapêutica Isso não implica a perda da postura técnica mas o reconhecimento de que a neutralidade pode coexistir com uma presença mais autêntica O analista contemporâneo ao acolher suas próprias emoções e reações contratransferenciais pode oferecer uma escuta mais engajada sem abandonar o rigor metodológico Essa flexibilidade não enfraquece o setting mas o torna mais sensível às nuances afetivas que emergem no processo A ênfase na verdade e na honestidade incorporada como uma quinta regra em discussões recentes responde à demanda por autenticidade nas relações terapêuticas pois os pacientes buscam não apenas uma análise técnica mas uma conexão que os auxilie a navegar realidades emocionais complexas marcadas por 12 incertezas e paradoxos da vida moderna Essa dimensão exige que analista e paciente se envolvam em um processo de descoberta mútua onde a honestidade tanto sobre limites quanto sobre possibilidades fortalece a aliança terapêutica Assim as regras psicanalíticas embora preservem seu núcleo ético e técnico demandam revisão contínua para dialogar com as transformações sociais e científicas A prática clínica atual ao integrar essas adaptações não apenas honra o legado freudiano mas assegura que a psicanálise permaneça relevante como ferramenta de compreensão e intervenção diante das complexidades humanas do século XXI 231 Regra da abstinência A regra da abstinência formulada por Freud em 1915 surgiu em resposta ao desenvolvimento de vínculos eróticos entre pacientes histéricas e analistas em um período em que as análises eram breves Com a expansão da psicanálise e o aumento das críticas sobre a sexualidade na prática clínica Freud viu a necessidade de estabelecer limites claros para evitar envolvimentos sexuais entre analistas e analisandos Em 1912 ele começa a esboçar essa diretriz preocupado com a integridade ética da psicanálise A abstinência implica que o psicanalista deve absterse de qualquer atividade além da interpretação proibindo gratificações externas e preservando o anonimato do paciente posição reforçada por Freud em 1918 em seus escritos sobre terapias psicanalíticas Zimmerman 2004 Ressaltase a relevância da abstinência analítica conforme proposta por Freud que defende que os analistas evitem gratificações externas e intervenções significativas na vida dos pacientes durante o tratamento Para ele era imperativo que os pacientes não tomassem decisões importantes como escolhas profissionais ou amorosas sem uma análise prévia a fim de evitar que impulsos inconscientes fossem mal direcionados protegendoos de possíveis danos Entretanto críticas contemporâneas apontam que a interpretação rígida dessa recomendação pode levar a um distanciamento excessivo entre analista e analisando prejudicando o tratamento A preocupação freudiana com envolvimentos emocionais e sexuais embora válida corre o risco de ser aplicada de forma extremada gerando uma dinâmica fóbica que compromete a aliança terapêutica Zimmerman 2004 13 Com a evolução da prática psicanalítica observase uma mudança significativa no perfil emocional e situacional dos pacientes assim como nas condições sociológicas e econômicas em que a análise ocorre Muitos analistas contemporâneos adotam portanto uma postura mais flexível promovendo um ambiente acolhedor e interativo sem abandonar a estrutura normativa do setting analítico Argumentase que a rigidez na aplicação das diretrizes originais de Freud pode criar um clima de falsidade e paranoia Assim uma abordagem adaptativa e humanizada é considerada essencial nas práticas atuais permitindo que analistas se conectem de maneira autêntica com seus pacientes fator que pode potencializar a eficácia do processo terapêutico O conceito de amor de transferência na psicanálise evidencia a evolução das práticas desde Freud destacando os riscos de envolvimento emocional entre analista e paciente A abstinência do psicanalista permanece crucial para evitar a gratificação de desejos que refletem carências do próprio terapeuta não do paciente É fundamental diferenciar curiosidades patológicas que demandam interpretação daquelas saudáveis que merecem acolhimento como expressões genuínas do sujeito Além disso as atitudes em relação a encontros sociais entre analistas e pacientes modificaramse antes rigidamente evitados hoje são abordados com maior flexibilidade ainda que cautelosa Zimerman 2004 aponta essa mudança a qual reflete uma adaptação às demandas contemporâneas sem descuidar dos princípios éticos que preservam a integridade do vínculo terapêutico 232 Regra da atenção flutuante A regra da atenção flutuante proposta por Freud estabelece um princípio fundamental para a prática analítica implicando a criação de condições que favoreçam uma comunicação autêntica entre os inconscientes do analista e do paciente Bion amplia essa concepção ao destacar o papel da intuição frequentemente obscurecida pela ênfase excessiva na percepção sensorial como ferramenta essencial para decifrar as camadas simbólicas do discurso Zimmerman 2004 Uma das dificuldades centrais para o analista reside em sua capacidade de se desvincular de desejos e memórias pessoais durante o processo Embora seja natural que emoções surjam é importante que o terapeuta mantenha clareza sobre 14 esses sentimentos discriminando adequadamente entre suas experiências subjetivas e as dinâmicas transferenciais em jogo Essa distinção preserva a neutralidade técnica e assegura que as intervenções estejam alinhadas às necessidades do paciente evitando projeções que comprometam a eficácia terapêutica A prática psicanalítica exige assim uma dissociação útil habilidade de reconhecer e diferenciar as diversas áreas do mapa psíquico do analista incluindo emoções que emergem durante a sessão Essa dissociação sustenta tanto a teorização flutuante entendida como a capacidade de elaborar hipóteses sem fixação prévia quanto à atenção flutuante que consiste em uma escuta aberta a múltiplos significados Esses mecanismos facilitam a conexão com a realidade externa e com o inconsciente permitindo uma escuta intuitiva que capta nuances escapadas a abordagens lineares Souza e Coelho 2012 Por outro lado uma atenção excessivamente direcionada pode levar a um estado patogênico no qual o analista busca informações irrelevantes à situação analítica movido por curiosidade pessoal ou necessidade de controle Essa postura desvia o foco do trabalho terapêutico e pode gerar vínculos transferenciais prejudiciais nos quais as projeções do analista contaminam a relação Além disso a tentativa de manter a atenção flutuante de forma rigorosa pode gerar desconforto e sensação de fracasso no analista já que divagações e distrações são inevitáveis durante as sessões A flexibilidade mental tornase portanto um elementochave pois ela permite que o analista navegue entre suas próprias emoções e as dinâmicas do setting terapêutico ajustandose às flutuações do processo sem perder a postura técnica necessária Essa habilidade reconhece que a eficácia reside no equilíbrio entre disciplina clínica e adaptação às contingências humanas Zimmerman 2004 233 Regra da neutralidade A regra da neutralidade conforme proposta por Freud é um princípio essencial na psicanálise sugerindo que o psicanalista deve atuar como um espelho opaco refletindo apenas o conteúdo apresentado pelo paciente e evitando expor suas próprias emoções Embora o termo neutralidade não seja frequente em seus textos Freud defende uma postura imparcial distante da indiferença que poderia prejudicar o processo analítico Essa neutralidade inclui a gestão dos desejos do 15 analista permitindo uma interação aberta e profunda com o paciente o que cria um ambiente favorável à exploração emocional e psicológica Pinheiro 1999 Contudo a regra da neutralidade tem sido reavaliada na prática contemporânea distante da visão tradicional de Freud que comparava o analista a um espelho mecânico Atualmente entendese que o analista deve funcionar como um espelho que possibilita ao paciente uma reflexão abrangente sobre si mesmo sem que isso implique a supressão total de sua subjetividade A neutralidade é reconhecida como um ideal inatingível já que o analista inevitavelmente traz suas crenças valores e perspectivas para a relação terapêutica influenciando dinâmicas interpretativas e escolhas técnicas Zimmerman 2004 O envolvimento afetivo do terapeuta desde que não se torne patológico é considerado essencial para estabelecer uma aliança terapêutica significativa As escolhas interpretativas como decidir quando intervir ou como formular uma interpretação revelam a subjetividade inerente à prática demonstrando que a neutralidade não se traduz em ausência de posicionamento mas em um equilíbrio entre acolhimento e contenção Essa postura permite que o paciente se sinta reconhecido em sua singularidade ao mesmo tempo que preserva o espaço analítico como um campo de investigação livre de projeções excessivas do terapeuta Assim a neutralidade na psicanálise contemporânea não nega a influência do analista mas reconhece a complexidade de sua função ser um interlocutor que mesmo com suas limitações humanas mantém o foco no processo de desvelamento do inconsciente equilibrando técnica e sensibilidade Zimmerman 2004 234 Regra do amor à verdade A psicanálise segundo Freud fundamentase na verdade e na ética sendo a honestidade do psicanalista um elemento fundamental para promover mudanças significativas nos pacientes O terapeuta deve evitar julgamentos sobre terceiros já que os pacientes podem induzir quebras éticas por meio de projeções ou tentativas de envolver o analista em dinâmicas externas à terapia Um dilema recorrente é o envolvimento amoroso entre terapeuta e paciente tratado com rigor por sociedades psicanalíticas para preservar a integridade da relação analítica Dessa forma a ética e a verdade configuramse como pilares indissociáveis da prática freudiana 16 A discussão sobre transgressões éticas e sexuais na psicanálise revela um campo marcado por tensões e controvérsias conforme destacado por Daniel Widlocher expresidente da Associação Psicanalítica Internacional IPA Ele argumenta que tais transgressões não devem ser simplificadas como meros erros ou pecados irreparáveis mas sim compreendidas como fenômenos complexos que exigem análise crítica Widlocher observa ainda que transgressões éticas como vínculos românticos não consumados entre analistas e pacientes que frequentemente permanecem ocultas apesar de seu impacto relevante Freud já enfatizava a necessidade de honestidade mútua afirmando que a falta de verdade por parte do analista comprometeria a eficácia do tratamento corroendo a confiança essencial ao processo Complementando essa perspectiva Bion introduz a reflexão sobre a análise de indivíduos que utilizam a mentira como mecanismo de defesa Ele ressalta que a verdade é um elemento vital para a saúde psíquica comparando a a um alimento indispensável e sua ausência levaria à deterioração do psiquismo Assim a abordagem psicanalítica da verdade deve transcender o moralismo focandose na construção de uma atitude autêntica que permita ao paciente alcançar liberdade interna e engajarse plenamente no processo analítico ZIMERMAN 2004 A preservação do setting analítico é outro aspecto essencial pois garante a estruturação da relação terapêutica mantendo a assimetria necessária entre os papéis de analista e paciente O enquadre estabelece limites claros e promove o princípio da realidade contrapondose ao princípio do prazer que muitas vezes domina a subjetividade do paciente Essa estrutura é especialmente crítica no trabalho com pacientes regressivos que podem enfrentar dificuldades em lidar com limites e frustrações No entanto é fundamental evitar uma rigidez excessiva na aplicação dessas regras pois isso pode gerar uma atmosfera coercitiva prejudicando a aliança terapêutica A própria prática de Freud ilustra a complexidade desse equilíbrio que frequentemente flexibilizava suas próprias recomendações adotando abordagens não convencionais que refletiam o contexto histórico e teórico da psicanálise em sua época ZIMERMAN 2004 17 24 As funções do analista Na psicanálise o analista é um profissional cuja atuação se baseia na escuta clínica e na interpretação do inconsciente Diferente de áreas como negócios ele não busca solucionar problemas imediatos mas atua como um guia na exploração das dinâmicas psíquicas Formado nos princípios de Freud e seus herdeiros o psicanalista mergulha nas complexidades do desejo e dos traumas reprimidos Minerbo 2024 241 Escuta analítica e Setting A escuta analítica é uma habilidade que permite ao analista decifrar significados ocultos nos lapsos sonhos e discursos do paciente Esse processo é facilitado por um setting analítico rigoroso que inclui horários fixos sigilo e uma postura neutra criando um ambiente seguro para a livre associação de ideias Zimerman 2004 242 Transferência e contratransferência O manejo da transferência projeção de sentimentos do paciente e da contratransferência reações emocionais do analista é fundamental O psicanalista deve reconhecer e modular essas dinâmicas utilizandoas para desvendar conflitos psíquicos Zimerman 2004 243 Autoconhecimento e resistências Diferente de terapias que buscam a eliminação rápida de sintomas a psicanálise prioriza o autoconhecimento Técnicas como a associação livre e a interpretação de sonhos ajudam a revelar estruturas invisíveis que governam comportamentos enquanto o trabalho com resistências permite que o paciente enfrente conteúdos dolorosos Freud 1920 244 Ética e formação do psicanalista A ética é um alicerce essencial na psicanálise onde o analista não emite julgamentos morais A formação do psicanalista inclui estudo teórico análise 18 pessoal e supervisão clínica preparandoo para lidar com projeções e evitar interferências pessoais Zimerman 2004 245 A transformação subjetiva como horizonte clínico O analista atua como um mediador do inconsciente ajudando o paciente a desatar nós invisíveis que causam sofrimento O sucesso na psicanálise é medido pela capacidade de permitir que o paciente reinvente sua relação consigo mesmo e com o mundo O processo de transformação subjetiva é lento e singular proporcionando ao paciente uma nova forma de habitar sua história e confrontar seu passado O analista assim não oferece respostas prontas mas sustenta um espaço onde a verdade do sujeito pode emergir como um ato de liberdade Minerbo 2024 25 A compreensão do relacionamento interpessoal sob a perspectiva da psicanálise A análise do relacionamento interpessoal quando vista sob a ótica psicanalítica exige uma investigação minuciosa das forças inconscientes que moldam as interações humanas Essas forças muitas vezes surgem a partir de experiências precocemente vivenciadas na infância que ficam armazenadas no inconsciente e influenciam não apenas as emoções e comportamentos atuais mas também a maneira como os indivíduos percebem e se relacionam com os outros Este entendimento é fundamental para compreender questões como ciúmes inseguranças projeções e padrões de comunicação disfuncionais já que muitas dessas características têm raízes profundas e subconscientes Além disso essa abordagem permite uma compreensão mais abrangente dos conflitos internos que podem dificultar a construção de vínculos afetivos seguros e satisfatórios favorecendo processos de autoconhecimento que são essenciais tanto na clínica quanto na vida cotidiana De acordo com Freud 1900 as experiências formativas na infância não apenas moldam o desenvolvimento psíquico mas também deixam marcas que podem perdurar ao longo da vida influenciando todas as relações seguintes Essas experiências muitas vezes são reprimidas ou não totalmente resolvidas permanecendo no inconsciente e se manifestando através de sintomas ou padrões 19 relacionais recorrentes na fase adulta Por exemplo uma criança que vivenciou negligência ou rejeição pode desenvolver uma ansiedade de separação ou padrões de busca de validação constantes na vida adulta Assim ao revisar e entender essas experiências e seus efeitos o terapeuta e o indivíduo podem trabalhar a resolução de conflitos internos promovendo relações mais saudáveis e equilibradas e uma melhor gestão emocional 251 As pulsações e vínculos na teoria psicanalítica o papel da pulsão e do desejo Segundo Treiguer 2007 a compreensão da pulsão na psicanálise não se limita à sua força de impulso biológico mas deve ser entendida na relação com os vínculos estabelecidos entre os indivíduos A pulsão como força reguladora das interações atua tanto na esfera consciente quanto na inconsciente moldando desejos necessidades e fantasias O desejo por sua vez é uma força que unifica o sujeito embora seja frequentemente influenciado por fatores externos como o alheio ou seja o outro suas expectativas desejos e projeções Essas dinâmicas complexas resultam na multiplicidade de emoções que experimentamos nas relações como novela de desejo medo mistério e insegurança que enriquecem ou dificultam o relacionamento dependendo de como são elaboradas e integradas 252 Significado simbólico e mitológico das relações conjugais Ao analisar as relações amorosas sob a perspectiva simbólica e mitológica a narrativa bíblica de Adão e Eva serve como uma poderosa metáfora para entender a busca pela perfeição a ilusão de imortalidade e a vulnerabilidade inerente aos relacionamentos O desejo de ser igual a Deus simboliza a tentativa de superar os limites humanos o que na relação de casal pode refletir a busca por uma união idealizada que muitas vezes é inatingível A expulsão do Éden revela como a tentativa de alcançar essa perfeição pode resultar na fragilidade e na necessidade de aceitar a vulnerabilidade como parte fundamental do amor e da convivência Na perspectiva psicanalítica há a compreensão de que os casais frequentemente criam uma dinâmica de inseparabilidade na qual as diferenças individuais são minimizadas ou até negadas Para isso usam mecanismos de defesa como a cisão dividir aspectos positivos e negativos e a identificação 20 projetiva que reduzem as diferenças ao transferir aspectos indesejados ou conflitantes para o outro Essa fusão embora possa parecer uma busca por completude tende a ser prejudicial a longo prazo pois impede o desenvolvimento da autonomia emocional e limita a autenticidade no relacionamento Quando essa fusão se torna excessiva a relação pode se transformar em uma ilusão de perfeição que ao se desmoronar leva ao conflito ou à crise de identidade de ambos os parceiros 253 Alianças inconscientes e a formação psíquica do vínculo amoroso De acordo com Pignataro FerrésCarneiro e Mello 2019 as alianças inconscientes estruturam as relações amorosas formando um sistema de funções que mantêm o vínculo e protegem os indivíduos de ameaças internas e externas Essas alianças que se originam na infância e nas primeiras experiências afetivas podem ser primárias secundárias defensivas ou criativasdestrutivas cada uma desempenhando papéis diferentes na vida psíquica e relacional Elas moldam percepções expectativas e comportamentos além de influenciar a forma como o parceiro é visto e tratado na relação Compreender esses mecanismos ajuda a desmistificar padrões repetitivos e a elaborar vínculos mais conscientes e satisfatórios promovendo maior autonomia emocional e resistência às dificuldades do cotidiano Dentro das alianças inconscientes existe o pacto denegativo também discutido na literatura psicanalítica referese a uma aliança inconsciente que os parceiros assumem muitas vezes de forma automática para proteger a relação de conflitos internos ou de demandas emocionais que podem ameaçála Essa aliança funciona por meio da mobilização de fantasias identificações e realidades psíquicas partilhadas que mantêm o vínculo mesmo que envolvam negação ou repressão de aspectos desagradáveis ou conflitantes Essa dinâmica atua como um mecanismo de defesa contribuindo para a estabilidade emocional do casal ao evitar confrontar certas verdades dolorosas mas também pode limitar o crescimento e a autenticidade na relação Além do pacto denegativo Pignataro FérresCarneiro e Mello 2019 descrevem os contratos inconscientes como entendimentos tácitos que emergem na relação estabelecendo limites expectativas e trocas que sustentam o vínculo 21 Esses contratos podem ser conscientes ou inconscientes e dizem respeito às concessões mútuas necessárias para a convivência Enquanto os acordos representam negociações mais conscientes os pactos envolvem trocas intransmissíveis ou insuspeitas muitas vezes influenciadas por elementos da infância ou experiências passadas Essas dinâmicas facilitam ou dificultam a elaboração de desejos e necessidades moldando o modo como o casal enfrenta as dificuldades e constrói a sua história conjunta 254 Vínculos afetivos segundo Bion espaço psíquico e conteúdo emocional Segundo Mondrzak 2007 a teoria de Bion destaca que os vínculos amorosos de ódio ou de conhecimento dependem do espaço psíquico chamado por ele de contenedor e do conteúdo emocional que nele reside O espaço psíquico funciona como um recipiente onde emoções e experiências conflitantes podem ser armazenadas elaboradas e integradas fortalecendo a relação As emoções como inveja ciúme raiva ou insegurança sentimentos típicos de uma relação conjugal não apenas emergem do conteúdo mas são moduladas pelo espaço psíquico que deve ser acolhedor para que os conflitos possam ser trabalhados de forma saudável Essa capacidade de acolhimento e elaboração emocional possibilita uma convivência mais madura empática e segura emocionalmente promovendo um vínculo mais sólido e autêntico No contexto de Bion a relação entre o analista e o espaço psíquico é fundamental para o processo terapêutico O analista ao atuar como um recipiente deve criar um espaço psíquico seguro e receptivo capaz de acolher e processar as experiências emoções e pensamentos do paciente Nesta teoria o analista é um facilitador do espaço psíquico criando uma condição em que o paciente possa explorar processar e integrar suas experiências internas de forma segura e significante Essa dinâmica é essencial para que o processo terapêutico seja efetivo e transformador 22 255 O casal como uma unidade psíquica e a influência do desenvolvimento emocional Na psicanálise a concepção de que o casal constitui uma unidade psíquica com estrutura própria traz reflexões importantes sobre a dinâmica do relacionamento Cada indivíduo traz para o casal seu desenvolvimento emocional suas carências suas dores e conflitos internos que ao interagirem podem resultar tanto em harmonia quanto em disfunções Quando há conflitos não resolvidos ou projeções esses fatores podem gerar uma relação disfuncional marcada por conflitos constantes ou mesmo por padrões de fusão excessiva onde os limites entre os parceiros se tornam difusos A intervenção clínica busca muitas vezes desconstruir essas dinâmicas promovendo autonomia emocional e a compreensão dos acontecimentos internos de cada um além de favorecer uma relação mais equilibrada capaz de suportar conflitos de forma construtiva A participação em processos terapêuticos seja individual ou de casal muitas vezes revela ou provoca desequilíbrios na relação como ciúmes resistência às mudanças ou boicotes que surgem como mecanismos de defesa ou tentativas de manter o status quo Essas reações muitas vezes dificultam o avanço do tratamento e requerem atenção específica do terapeuta que deve trabalhar a compreensão dessas resistências promovendo maior autorreflexão e autoconhecimento A terapia assim atua como uma ferramenta de resistência e reconstrução emocional possibilitando a elaboração de conflitos a superação de obstáculos e a promoção de relações mais satisfatórias e maduras 3 METODOLOGIA A metodologia adotada neste estudo é fundamentada em princípios clássicos da psicanálise utilizando a técnica da associação livre como um dos pilares do processo terapêutico Essa técnica permite ao paciente expressar livremente seus pensamentos sentimentos e imagens sem censura ou restrições o que facilita a acessibilidade a conteúdos inconscientes Ao criar um espaço onde o paciente se sente à vontade para compartilhar suas ideias a associação livre se torna um meio poderoso para explorar as camadas mais profundas da psique Freud 1920 23 A primeira entrevista desempenha um papel crucial nesse contexto uma vez que estabelece as bases para a relação analítica Neste encontro inicial o analista busca criar um ambiente de confiança e segurança onde o paciente se sinta confortável para se abrir É um momento de construção do vínculo onde se discutem as expectativas do tratamento e se delineiam os objetivos da terapia A receptividade e a empatia do analista são essenciais para fazer com que o paciente sinta que sua história e suas vivências são valorizadas Zimerman 2004 Durante as sessões subsequentes a atenção flutuante do analista se torna uma prática fundamental Essa abordagem implica que o analista mantenha uma escuta atenta e flexível permitindo que sua atenção se mova entre diferentes temas e conteúdos que emergem das falas do paciente Essa atenção não é direcionada apenas a pontos específicos mas busca captar nuances sentimentos e associações que possam surgir criando um espaço onde o paciente pode explorar livremente seu mundo interno Zimerman 2004 A interpretação por sua vez é uma ferramenta vital que emerge desse processo Quando o analista oferece interpretações ele busca conectar os conteúdos manifestos do discurso do paciente com questões mais profundas e inconscientes Essas intervenções interpretativas têm o potencial de iluminar padrões de comportamento conflitos internos e dinâmicas emocionais que o paciente pode não ter consciência Através desse processo interpretativo o paciente é incentivado a refletir sobre suas experiências promovendo um entendimento mais profundo de si mesmo e facilitando o avanço do tratamento Minerbo 2016 Assim a combinação da associação livre da construção do vínculo na primeira entrevista da atenção flutuante e das interpretações do analista cria um ambiente terapêutico rico e dinâmico propício para o processo de autoconhecimento e transformação psíquica do paciente Essa metodologia busca não apenas a resolução de sintomas mas a promoção de uma maior compreensão da própria subjetividade contribuindo para o desenvolvimento pessoal e emocional ao longo do tratamento Jorge 2000 4 PROCESSO TERAPÊUTICO Na sessão de 290425 o paciente J relatou angústia no trabalho devido à pressão do chefe e à carga horária excessiva afetando sua vida familiar Ele 24 enfrenta conflitos com a esposa que possui traumas da infância e preocupase com o comportamento do filho mais velho Apesar das dificuldades J demonstra motivação para o processo terapêutico e deseja explorar suas emoções melhorar a comunicação familiar e promover um ambiente mais saudável Na sessão de 060525 J expressou preocupações sobre a relação tensa entre sua esposa e sua mãe especialmente em relação a uma visita programada Ele também relatou um ambiente de trabalho insustentável devido à pressão do novo chefe apesar da recente promoção e a insatisfação com o salário J enfrenta desafios significativos em sua vida pessoal e profissional que serão explorados nas próximas sessões Na sessão de 20052025 J expressou sobrecarga e falta de apoio no trabalho comparando as exigências de seu chefe e sua esposa Ele relatou frustrações na vida conjugal incluindo incertezas sobre o relacionamento e dificuldades financeiras atribuídas à esposa que geraram ansiedade e medo de perder a família Apesar das queixas J mostrou disposição para agir manifestando interesse em conversar diretamente com seu chefe sobre suas responsabilidades Na sessão de 29052025 J expressou preocupação com as mentiras de seu filho que nega responsabilidades refletindo uma personalidade forte que J reconhece em si mesmo Ele compartilhou sobre sua dependência emocional na infância e como sua relação com os pais influenciou seu comportamento além de relatar sua trajetória de mudança para Maringá e os desafios enfrentados ao se tornar pai J também recordou sua experiência de morar sozinho e a necessidade de se estabelecer uma nova vida com Érica e o filho que estava por vir Na sessão 030625 o paciente não compareceu sem justificar a sua falta Na sessão de 100625 J relatou sobrecarga de trabalho e os desafios emocionais causados pelas oscilações de humor de sua esposa Érica com quem ele enfrenta uma comunicação frágil e dinâmica de culpa Ele mencionou incidentes em que Érica projetou suas frustrações sobre ele evidenciando a ambivalência no relacionamento A sessão terminou com a proposta de explorar essas dinâmicas e focar na melhoria da comunicação e na compreensão mútua nas próximas conversas Na sessão do dia 170625 J chegou atrasado e relembrou que algo na Érica o atraiu mencionando que ela tinha características que suas exnamoradas não tinham Ele comentou sobre suas duas namoradas anteriores destacando que a 25 primeira era muito diferente dele e a segunda terminou abruptamente J admira a Érica por se dar ao respeito no trabalho e acredita que isso contrasta com suas ex namoradas que o deixavam inseguro No entanto ele se sente desrespeitado quando ela fala mal dele na frente dos outros embora perceba momentos carinhosos entre eles J também notou que Érica desconta frustrações do trabalho nele mas acredita que ela ainda tem sentimentos por ele A sessão foi concluída antes de aprofundar mais esses temas Na sessão 010725 J chegou atrasado à sessão explicando que esteve viajando a trabalho e justificando sua ausência anterior Ele relatou a demissão de seu chefe que gerou caos na empresa e o forçou a assumir responsabilidades de liderança J destacou a arrogância do expatrão mas enfatizou que o principal problema era a gestão de perdas financeiras que aumentaram para cerca de 4 milhões Durante sua viagem trabalhou além do horário para apresentar relatórios mas não teve a discussão esperada resultando em frustração Apesar das dificuldades ele demonstrou respeito pelo antigo chefe A sessão foi encerrada rapidamente com J pedindo desculpas pelo atraso Na sessão de 150725 J explicou sua ausência por estar na apresentação da filha na escola Ele relatou desafios no trabalho devido à pressão de três diretores e confusão sobre com quem deve prestar contas J compartilhou um conflito com seu filho onde o chamou de mentiroso após ele assistir a vídeos proibidos resultando em um episódio de agressão Ambos os pais refletem sobre a educação permissiva atual em comparação com suas infâncias J também mencionou o desempenho escolar do filho levantando a possibilidade de TDAH com apoio dos avós para sessões com uma psicopedagoga Ele se vê como alguém concentrado enquanto sua esposa Érica se distrai facilmente 41 ANÁLISE DO PROCESSO TERAPÊUTICO 411 Análise psicanalítica do caso do paciente A psicanálise oferece uma rica estrutura teórica para entender as dinâmicas emocionais e relacionais que o paciente J enfrenta permitindo uma exploração profunda de seus conflitos internos e das interações familiares que moldam sua experiência A seguir apresento uma análise que reúne e desenvolve os conceitos 26 centrais da teoria freudiana e correntes contemporâneas proporcionando uma visão integrada do que está em jogo na vida de J 412 Inconsciente e conflitos internos Sigmund Freud postulou que muitos comportamentos e emoções humanas são guiados por processos inconscientes frequentemente em conflito Freud 1900 No caso de J esse conflito se manifesta em um estresse significativo tanto no trabalho quanto nas relações familiares A pressão exercida por seu chefe combinada com a sobrecarga de responsabilidades gera um choque entre seus desejos pessoais e as exigências sociais e familiares que o cercam Essa luta entre as necessidades internas de J e as expectativas externas resulta em sentimentos de angústia e inadequação Em sua obra O MalEstar na Civilização Freud 1930 argumenta que a cultura impõe uma troca inevitável ganhamos proteção e avanços mas perdemos a liberdade pulsional O preço que pagamos por essa civilização é a angústia permanente um reflexo do paradoxo de sermos ao mesmo tempo seres instintivos e socializados A promessa de felicidade pela cultura é para Freud uma utopia O indivíduo busca prazer segundo o princípio do prazer Freud 1920 mas se depara com as limitações impostas pela vida social leis e moralidade levando a uma sensação de desamparo Essa angústia que J expressa em relação à sua infelicidade no trabalho e na vida familiar pode estar relacionada a uma idealização inconsciente da vida moderna que contrasta com a realidade repleta de cobranças e limitações 413 Dinâmicas relacionais e alianças inconscientes Desde a infância J pode ter desenvolvido alianças inconscientes que o levam a evitar conflitos e a manter a harmonia possivelmente como resultado de experiências familiares nas quais discussões eram vistas como negativas Spivacow 2018 Essa tendência é evidente em sua relação com a esposa onde ele frequentemente se mantém passivo mesmo quando ela o ofende publicamente Essa dinâmica não apenas perpetua o ressentimento mas também sugere uma 27 estrutura de defesa que impede J de confrontar questões importantes em sua vida conjugal Adicionalmente a presença de traumas da infância da esposa como uma relação difícil com a mãe adiciona mais camadas ao conflito Isso sugere que os desafios que J enfrenta não são apenas externos mas também profundamente enraizados em questões emocionais e históricas A projeção de frustrações e expectativas dela sobre J pode indicar que ele assume o papel de figuras parentais ou de autoridade evocando sentimentos de culpa e raiva que complicam ainda mais a dinâmica entre eles Spivacow 2018 Nesse contexto as experiências da infância da esposa influenciam seu comportamento atual gerando padrões de interação conflituosos que dificultam a comunicação e a empatia 414 Mecanismos de defesa e intelectualização A busca de J para lidar com os problemas que o angustiam especialmente na vida conjugal é frequentemente acompanhada por uma resistência em reconhecer suas próprias fraquezas e sua parcela de culpa Seu discurso tende a focar na fragilidade da esposa e nas feridas que ela carrega enquanto ele evita explorar suas próprias vulnerabilidades Essa abordagem pode ser vista como um mecanismo de defesa especificamente a intelectualização Mcwilliams 2014 onde J formula teorias complexas sobre as feridas da esposa enquanto projeta seus próprios problemas internos sobre ela J parece confundir sua esposa com um objeto reduzindo sua complexidade a meras representações Cremasco 2018 Essa confusão é especialmente pronunciada em momentos de conflito onde ele tende a ver sua esposa apenas como um objeto de suas frustrações sem reconhecer sua subjetividade Essa limitação na percepção do outro restringe a possibilidade de um relacionamento verdadeiro e saudável perpetuando um ciclo de desentendimentos e ressentimentos Cremasco 2018 415 Mudança e desenvolvimento pessoal A disposição de J para buscar mudança e trabalhar em terapia reflete um desejo genuíno de desenvolver uma nova identidade e promover um ambiente 28 familiar mais saudável A psicanálise enfatiza a capacidade de transformação por meio da reflexão sobre experiências passadas e do reconhecimento de padrões repetitivos Winnicott 1965 O momento atual de J é crucial sua consciência dos conflitos e a disposição para enfrentálos podem permitir uma resolução significativa e um crescimento pessoal A análise da situação de J revela uma interação complexa entre suas experiências pessoais dinâmicas familiares e pressões externas A pressão do trabalho e a carga horária excessiva não apenas afetam seu bemestar emocional mas também impactam negativamente sua vida familiar e seu relacionamento com sua esposa A disposição de J para explorar suas emoções e melhorar a comunicação é um aspecto positivo é crucial para seu progresso na terapia As queixas sobre a dinâmica de culpa e a projeção de frustrações de esposa sobre J indicam um ciclo de conflito que pode ser quebrado através de uma comunicação mais aberta e honesta A proposta de explorar essas dinâmicas nas próximas sessões pode oferecer a J e sua esposa uma oportunidade de entender melhor suas próprias necessidades e as do outro promovendo um ambiente mais saudável para a família 416 A autonomia emocional e respeito mútuo Além disso a dependência emocional de J na infância e sua resistência a mudanças que ele reconhece em si mesmo e em seu filho são temas centrais a serem explorados nas sessões Isso pode ajudar J a entender como essas experiências moldaram suas reações atuais e seu papel na dinâmica familiar O fato de J ter manifestado interesse em discutir suas responsabilidades com seu chefe também é um sinal de sua disposição para enfrentar desafios o que pode ser uma alavanca para seu desenvolvimento emocional e crescimento pessoal É vital que J desenvolva uma autonomia emocional que lhe permita se posicionar diante das críticas de Érica Sua atitude passiva em relação às ofensas dela não contribui para um relacionamento saudável Em algumas ocasiões J apontou que a diferença entre sua atual esposa e uma exnamorada era o respeito que aquela última demonstrava ao confrontálo sobre situações passadas Reconhecer a falta de respeito nas interações é crucial para que J possa se posicionar e confrontar sua esposa sobre seu comportamento Essa assertividade é 29 o primeiro passo para que ele se autorrespeite e consequentemente exija respeito em suas relações de vida permitindo que J explore seus conflitos internos e suas interações familiares O acompanhamento terapêutico é essencial para ajudálo a navegar por essas complexidades promovendo mudanças significativas em sua vida e favorecendo um ambiente familiar mais equilibrado Ao trabalhar na construção de uma comunicação mais efetiva e na identificação de padrões disfuncionais J pode dar passos importantes em direção a um relacionamento mais saudável e satisfatório tanto com sua esposa quanto consigo mesmo Referências CHEMAMA R Psicanálise do cotidiano elementos lacanianos para uma psicanálise do cotidiano Porto Alegre CMC Editora 2002 CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA Código de ética profissional do psicólogo Brasília DF 2005 Disponível em httpssitecfporgbrwpcontentuploads201207codigodeeticapsicologiapdf Acesso em 3 maio 2025 FREUD S A interpretação dos sonhos 1900 Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2016 FREUD S História de uma neurose infantil o homem dos lobos Além do princípio do prazer e outros textos 19171920 Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2010 FREUD S Psicologia das massas e análise do eu e outros textos 19201923 In Psicologia das massas e análise do eu e outros textos 19201923 2011 p 343 343 FREUD Sigmund Obras completas volume 4 A interpretação dos sonhos Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2019 JORGE M A C Fundamentos da psicanálise de Freud a Lacan 2 ed Rio de Janeiro Zahar 2005 MINERBO M Ateliê clínico Para que serve uma análise Volume 1 São Paulo Blucher 2024 MINERBO M Diálogos sobre a clínica psicanalítica São Paulo Blucher 2016 MONDRZAK V S Processo psicanalítico e pensamento aproximando Bion e MatteBlanco Revista Brasileira de Psicanálise v 41 n 3 2007 PIGNATARO M B FÉRESCARNEIRO T MELLO R A formação do casal conjugal um enfoque psicanalítico Pensando Famílias v 23 n 1 p 120 2019 30 PRESA G A CREMASCO M V F Viver sem o objeto Revista Subjetividades Fortaleza v 18 n 1 p 110 2018 SAMPAIO A de O A clínica de casal análise das relações vinculares Mimesis v 30 n 2 2009 SPIVACOW M A O casal em conflito contribuições psicanalíticas Pról René Kaës Trad e ed Adriana May Mendonça Denise Martinez Souza Marcia Zart Terra de Areia RS Triangullo Gráfica e Editora 2018 TREIGUER L E M O paradoxo vincular no casal desejo constituição e morte PHP 2007 ZASLAVSKY J DOS SANTOS M J P Sobre o papel das identificações na relação amorosa Revista de Psicanálise SPPA Porto Alegre v 2 n 2 p 4751 4933 1996 ZIMERMAN D E Manual de técnica psicanalítica um estudo teóricoclínico da entrevista inicial dos critérios de analisabilidade e do contrato Porto Alegre Artmed 2004 31 5 ANEXO A ATENDIMENTO DIA 290425 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio Clínica Local Clínica de psicologia Uningá Horário 17 h às 18h Data 29042 5 IntervençãoSessão nº 1 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio Supervisionado Carga Horária 1 Aluno grupo Rodolfo Rodrigo Benedetti Professor sup Bruna Garcia Data 29042025 O paciente J apresentouse na sessão realizada em 290425 Ele relatou angústia no trabalho motivada pela pressão exercida pelo chefe e pela carga horária excessiva o que resulta em pouco tempo para sua família Sua esposa expressa insatisfação com a falta de tempo que o marido dedica aos filhos e à situação financeira em que se encontram O paciente descreve sua esposa como uma pessoa difícil de lidar com quem tem enfrentado frequentes conflitos Ele menciona que ela foi criada apenas pela avó materna o que segundo ele contribui para traumas que dificultam a convivência entre eles As discussões se intensificam durante os dias de TPM e o paciente relata que utiliza um aplicativo para monitorar o ciclo menstrual da esposa tentando evitar conflitos nesses períodos Além disso o paciente demonstra preocupação com o comportamento do filho mais velho que se envolveu em episódios de furto incluindo o roubo de dinheiro da irmã e a destruição de figurinhas na escola Essa situação o leva a refletir sobre a educação e o desenvolvimento moral da criança Apesar das dificuldades o paciente está motivado para o processo terapêutico e expressa interesse em continuar as sessões inclusive na modalidade online caso não seja possível realizar atendimentos presenciais Para as próximas sessões será importante explorar seus sentimentos de angústia e identificar as fontes de estresse melhorar a comunicação com a esposa discutir estratégias para equilibrar trabalho e vida familiar abordar o 32 comportamento do filho e considerar formas de incentivar a esposa a buscar terapia respeitando sua resistência O paciente demonstra consciência das dinâmicas familiares que impactam seu bemestar emocional e está disposto a trabalhar nessas questões As futuras sessões deverão focar nas áreas mencionadas visando promover um ambiente familiar mais saudável 33 6 ANEXO B ATENDIMENTO DIA 060525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horári o 17 h às 18h Data 06052 5 Intervençãosessão nº 2 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga horária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 06052025 J chegou pontualmente às 17h e iniciou a conversa expressando suas preocupações sobre a relação da esposa com sua mãe Ele está apreensivo em relação à visita marcada para o próximo domingo à casa de seus pais Ao investigar essa apreensão J compartilhou um incidente recente durante um almoço na casa de sua mãe onde sua esposa o criticou por sua falta de compromisso com a casa e a família Sua mãe interveio questionando a esposa sobre a falta de reconhecimento e apoio o que levou a esposa a se retirar da mesa e solicitar a saída Perguntei a J sobre a situação atual com a esposa e ele mencionou que as coisas melhoraram um pouco mas a relação com a mãe ainda é tensa Ele expressou a preocupação de não querer deixar os filhos sob os cuidados da mãe uma vez que sua esposa só aceita deixálos com a mãe e a irmã J também revelou receios em deixar seu filho com o pai devido a temores de abuso embora não tenha confirmado se sua esposa já passou por essa experiência No que diz respeito à vida profissional J relatou que a situação com seu chefe se tornou insustentável Ele acredita que a recente mudança na gestão da rede de supermercados está gerando pressão por resultados imediatos e eficazes o que tem impactado negativamente a dinâmica com sua equipe Apesar de ter recebido uma promoção recentemente J não está satisfeito com o salário pois não houve um aumento que correspondesse à nova função Ele suspeita que a empresa esteja realizando uma avaliação prometendo um aumento 34 após seis meses caso os resultados esperados sejam atingidos A sessão foi encerrada destacando que J enfrenta desafios tanto em sua vida pessoal quanto profissional que precisam ser explorados e refletidos nas próximas sessões 35 7 ANEXO C ATENDIMENTO DIA 200525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 20052 5 Intervenção Sessão nº 3 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 20052025 Na sessão de hoje J apresentou uma série de queixas relacionadas à sua vida profissional e pessoal destacando a sensação de sobrecarga e a falta de apoio em ambas as esferas Ele relatou que está se sentindo pressionado no trabalho enfrentando um volume elevado de tarefas sem o devido suporte de seu chefe J mencionou que seu chefe propõe a necessidade de um bom desempenho mas paradoxalmente continua a sobrecarregálo com mais responsabilidades Fez uma comparação entre seu chefe e sua esposa ambos considerados sem lógica em suas exigências Em relação à sua vida conjugal J expressou frustração em relação à sua esposa citando um recente convite dela para não chegar tarde em casa mas sem clareza sobre o compromisso Ele observou que essa instabilidade gera ansiedade pois pode se tratar de um convite para um momento agradável ou uma conversa sobre separação J revelou que já considerou a separação em duas ocasiões mas uma oração em um momento de reflexão o levou a interpretar que deveria permanecer no casamento especialmente após a notícia da gravidez de sua filha J também trouxe à tona a dificuldade financeira que enfrenta atribuindo parte da culpa a sua esposa Ele explicou que após ela seguir um guru financeiro e fazer investimentos de alto risco acabou assumindo uma dívida significativa com a compra de um carro cujas parcelas se tornaram uma carga pesada comprometendo seu orçamento Atualmente J mencionou que não recebe ajuda 36 dela para os gastos uma vez que ela também lida com suas próprias dívidas O medo de perder a esposa e os filhos é um tema recorrente em suas queixas J expressou preocupações sobre a possibilidade de sua esposa levar as crianças para morar com a família dela em Amaporã o que o angustia especialmente em relação à influência negativa que a família dela pode ter sobre os filhos Um aspecto positivo observado na sessão foi a disposição de J em agir de forma proativa Ele demonstrou interesse em ter uma conversa direta com seu chefe para discutir suas preocupações e buscar um entendimento mais claro sobre suas responsabilidades 37 8 ANEXO D ATENDIMENTO DIA 290525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 29052 5 Intervenção Sessão nº 4 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 29052025 J começou a sessão dizendo que seu filho esta mentindo muito que isso está o preocupando Perguntei se as mentiras são histórias inventadas J Explicou que as mentiras são feitas a partir de uma discussão na qual ele faz uma coisa e nega ter feito Como por exemplo quando sua mãe reclamou que ele não tinha feito a tarefa e quando ele perguntou ele disse que havia feito só depois de muita insistência que admitiu não ter feito J disse que seu filho não tem muito gosto pelos estudos e que nisso é muito diferente dele Perguntei se tem coisas semelhantes com filho disse que sim a personalidade forte de confrontar os pais disse que é igual e que inclusive seu comportamento era diferente dos outros dois irmãos pergunte se era o mais velho ele disse que era o mais novo Lembrou de um dia que entrou em confronto com seu pai pois avisou que eatava estava indo para uma festa em astorga e seu pai disse que nao iria ele então falou que estava apenas avisando Lembrou que seus pais fazia tudo por ele desde o levar a escola buscar e que por exemplo nunca cozinhou sendo isso uma das críticas que Érica sua esposa faz a ele Foi se sentir mais dependente quando deixou Marília e veio para Maringa estudar Perguntei entao como foi que os seus pais vieram para Maringá Falou que ele passou no vestibular na UEM e veio morar com um primo dele no segundo ano de faculdade ele foi morar sozinho entao primeiro veio sua mãe mas deixou bem claro que nao queria ser vigiado depois veio seu pai e sua irmã e seu cunhado Após 38 a faculdade arrumou emprego em Astorga em uma usina Morava em um quarto com banheiro apenas Neste período engravidou a Érica então ela foi morar com seus pais e ele se viu obrigado a voltar e arrumar uma casa para morar um junto com a Érica e seu filho que iria nascer 39 9 ANEXO E ATENDIMENTO DIA 100525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 10052 5 Intervenção sessão nº 5 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga horária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 10062025 Na sessão de hoje J chegou com um atraso de 20 minutos justificandose com problemas relacionados ao serviço Ele também mencionou a ausência na sessão anterior devido a uma viagem durante a qual não teve acesso ao celular Ao longo da conversa J expressou uma série de dificuldades que enfrenta tanto em sua vida profissional quanto no âmbito familiar Ele relatou uma sobrecarga significativa de trabalho mencionando a dificuldade em gerenciar sua carga horária o que parece impactar sua saúde mental e emocional refletindo um estado de estresse e cansaço J trouxe à tona a situação de sua esposa Érica que continua apresentando oscilações de humor Ao questionálo sobre o cansaço que isso poderia causar ele afirmou ter se acostumado e optado por uma postura passiva diante das oscilações dela Exemplos foram dados para ilustrar essa dinâmica em uma visita recente dos padrinhos do filho Érica começou a reclamar que ele não ajuda em casa J optou por se afastar da situação indicando uma estratégia de evitar conflitos Outro exemplo relevante foi o incidente em que seu filho se queimou com um ferro quente J relatou que Érica o culpou pela situação mesmo reconhecendo que ela deveria ter mais cuidado com a criança que estava sob sua responsabilidade na parte superior da casa Essa dinâmica de culpas parece ser um padrão recorrente no relacionamento onde Érica projeta suas frustrações em J 40 Durante a sessão J foi questionado sobre a natureza do relacionamento com Érica Ele mencionou que embora tenham momentos de boa convivência a situação se torna complicada em momentos de tensão A comunicação entre eles parece frágil especialmente em situações emocionais delicadas J trouxe um episódio marcante de uma terapia de casal onde Érica respondeu não sei quando questionada se ainda se gostam evidenciando a ambivalência no relacionamento J relatou que sempre percebeu Érica com esse comportamento desde o início do relacionamento que começou na empresa onde trabalhavam A narrativa de como se conheceram sugere uma atração inicial mas também revela que desde o início houve uma desarmonia que pode ter se intensificado com o tempo A gravidez planejada e a mudança para a casa dos pais de Érica também foram pontos importantes trazendo à tona atritos familiares que contribuíram para a tensão no relacionamento A sessão foi encerrada com a proposta de retomar as questões levantadas nas próximas conversas permitindo que J reflita sobre as dinâmicas familiares e emocionais discutidas É fundamental continuar trabalhando na comunicação e na compreensão mútua entre J e Érica assim como explorar mais a fundo as questões de culpa e frustração que permeiam o relacionamento Os próximos passos incluem explorar as dinâmicas de culpa e projeção de frustrações focar na melhoria da comunicação entre J e Érica e analisar o impacto da carga de trabalho na saúde emocional de J 41 10 ANEXO F ATENDIMENTO DIA 170625 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 17062 5 Intervenção sessão nº 5 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga horária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 17062025 J se atrasou vinte minutos novamente Comecei a sessão lembrando de uma fala de J A qual dizia que alguma coisa o atraiu na Érica Então fiz a pergunta o que seria esse algo que o atraiu nela Respondeu que ela tinha algo que a sua ex namorada não tinha Perguntei o que seria Disse que teve duas namoradas antes da Érica e que a primeira era mais velha que ele e tinham pensamentos diferentes sobre a vida Ela pensava em casar pois já era formada e quando ele estava ainda na faculdade e queria aproveitar mais a vida Então conheceu a segunda namorada e ficaram pouco tempo em torno de 9 meses Ela o achou para jantar e disse que não queria mais continuar ficou muito mal e mantinha contato com ela por mensagens até que um dia ela mandou uma mensagem falando que não queria mais conversar com ele para não dar esperanças foi aí que disse que tinha que deixar de ser trouxa e seguir sua vida e cortar contato com ela Disse que foi interessante pois neste dia que ele viu a Érica pela primeira vez mas apenas achou uma mulher bonita e admirou que ela trabalhando em um chão de fábrica onde os homens de todas as idades mexiam com ela sempre se deu ao respeito Então concluiu que a Érica diferente da antiga namorada sempre o respeitou Mesmo quando não namorava ela se dava ao respeito mantendo a distância das pessoas e até hoje é assim Sua antiga namorada era muito de brincar com as pessoas inclusive com homens isso o deixava e acredita que se permanecesse com ela o 42 deixaria inseguro Perguntei se quanto a palavra respeito o qual diz a Érica ter para com ele não sente desrespeitado quando ela fala mal dele na frente dele para as outras pessoas Respondeu nisso sim é muito ruim isso que ela faz Perguntei se ele acredita que ela tem a imagem dele das reclamações que ela faz dele para as pessoas Respondeu que acha que sim mas também vê momentos em que ela é carinhosa com ele Continuou que percebe quando ela se frustra com alguma coisa no trabalho ela desconta nele Mas acredita que ela tenha sentimento por ele Antes do namoro ela era apegada a ele e muito mais carinhosa quando nasceu seu primeiro filho ela se apegou demais e tinha nele uma fixação exagerada depois que nasceu a filha deixou o filho de lado e tem essa fixação com a filha Como o tempo estava acabando concluí a sessão 43 11 ANEXO G ATENDIMENTO DIA 070725 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 01072 5 Intervenção sessão nº 8 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga horária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 01072025 J apresentouse atrasado chegando aproximadamente 15 minutos após o início da sessão Quando questionado acerca do motivo de sua ausência na sessão anterior esclareceu que esteve viajando a trabalho demonstrando esforço em justificar as faltas e admitindo que anteriormente por uma única ocasião não enviou justificativa No entanto reforçou que naquela última ausência explicou a ausência devido à viagem profissional Durante a sessão comentou que pretendia falar de trás para frente o que inicialmente suspeitei tratarse de uma abordagem reflexiva sobre os eventos recentes confirmação essa que veio com sua narrativa subsequente J contou que seu chefe foi demitido recentemente causando uma situação de caos na empresa na qual recaiu sobre ele a responsabilidade de assumir temporariamente funções de liderança já que ocupava uma posição de coordenação abaixo do seu antigo chefe Destacou que seu expatrão tinha um comportamento de soberba exibindo arrogância e uma postura de superioridade por possuir trinta anos de experiência Quando questionei se essa postura afetava sua performance ou relação no trabalho ele respondeu que o problema principal não era a postura do chefe mas sim as dificuldades relativas à gestão de perdas financeiras que estavam aumentando de forma preocupante J revelou que em uma viagem a Umuarama e Foz do Iguaçu participou de ações voltadas para analisar perdas constatando uma perda de aproximadamente 4 44 milhões Sua função era desenvolver estratégias para reduzir essa perda mas percebeu que ao invés disso o cenário se agravava e sua principal responsabilidade se limitava a exercer pressão sobre si mesmo e sobre sua equipe J admitiu não sentir alívio após a demissão do antigo chefe demonstrando respeito e consideração por ele reconhecendo que foi o responsável por sua contratação apesar das dificuldades de relacionamento Relatou que se sentia pressionado pela postura do exchefe o que lhe causava malestar Durante a viagem de trabalho J descreveu que trabalhou além do horário habitual inclusive no sábado para apresentar relatórios de perdas ao seu patrão na expectativa de obter um momento de análise e discussão dos resultados na sexta feira mas isso não ocorreu pois seu chefe o criticou em vez de dialogar A sensação de frustração por esse episódio foi perceptível Pelo tempo curto encerramos a sessão J Pediu desculpas pelo atraso e disse que ele tem mandado no número que tem da clínica avisando sobre seus atrasos 45 12 ANEXO H ATENDIMENTO DIA 150725 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 15072 5 Intervenção sessão nº 8 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga horária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 15072025 Na última reunião J chegou pontual e embora não tenha justificado sua ausência explicou que teve que comparecer à apresentação da filha na escola durante a Festa Junina Ele compartilhou os desafios que enfrenta no trabalho mencionando a falta de referências sobre com quem conversar e a pressão que sente de três diretores que o cobram de maneira diferente Durante a conversa ele relatou um episódio em que um dos diretores o chamou para uma reunião enquanto estava atendendo a uma demanda o que aumentou sua confusão sobre a quem realmente deve prestar contas J também expressou sua preocupação com a relação com seu filho que apresentou um comportamento estranho recentemente Ele compartilhou um conflito em que chamou o filho de mentiroso o que resultou em um impulso de agressão ao dar um soco em sua perna O motivo do desentendimento foi que o filho estava assistindo a vídeos no YouTube mesmo sabendo que tanto ele quanto a mãe não queriam que ele visse aquele conteúdo Após o incidente J ficou angustiado e acabou se retirando do local mas o filho pediu desculpas assim como sua esposa que ressaltou que a forma de educar não deveria ser a violência J refletiu sobre a dificuldade de criar os filhos nos dias de hoje comparando se a sua própria infância quando ele enfrentou reprimendas severas de seus pais Ele mencionou que na sua visão a educação dos filhos atualmente é marcada pela 46 permissividade Sua esposa por sua vez relatou uma situação em que em um momento de desespero deu um tapa no rosto do filho quando ele a desafiou demonstrando que ambos os pais ainda estão aprendendo sobre a melhor forma de educar A conversa também abordou o desempenho escolar do filho J comentou que apesar de não estar com notas ruins ele se mostra distraído e desinteressado nas tarefas de casa Para ajudar os avós do menino estão contribuindo financeiramente para que ele frequente sessões com uma psicopedagoga A possibilidade de o filho ter TDAH foi levantada pela esposa que se identificou com alguns dos comportamentos do filho J mostrouse compreensivo e observador notando que o filho tem hiperfoco em determinados assuntos como música e esportes o que pode indicar características do TDAH Por fim J se considera alguém que se concentra profundamente nas atividades ao contrário de Érica de sua esposa que tende a se distrair facilmente Reconhece que a personalidade dos filhos é uma mistura dele com sua mulher com características físicas e intelectuais que remetem a cada um

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FACULDADE INGÁ CURSO DE PSICOLOGIA RODOLFO RODRIGO BENEDETTI RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL III CLÍNICA DE PSICOLOGIA UNINGÁ MARINGÁ 2025 RODOLFO RODRIGO BENEDETTI RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL III CLÍNICA DE PSICOLOGIA UNINGÁ Relatório apresentado ao curso de Psicologia do Centro Universitário Ingá na disciplina de estágio de formação profissional III como requisito parcial para obtenção de nota no curso de Psicologia da faculdade INGÁ Prof Ms Bruna Luzia Garcia de Oliveira MARINGÁ 2025 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO5 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA6 21 PRIMEIRO CONTATO E ENTREVISTA COM O PACIENTE7 211 A importância da entrevista inicial na terapia psicanalítica7 212 Expectativas na terapia analítica o papel do paciente e do psicanalista9 22 A EVOLUÇÃO DO DIAGNÓSTICO PSICANALÍTICO10 22 REGRAS PSICANALÍTICAS DA ATUALIDADE12 221 Regra da abstinência13 222 Regra da atenção flutuante14 223 Regra da neutralidade15 224 Regra do amor à verdade16 24 A COMPREENSÃO DO RELACIONAMENTO INTERPESSOAL SOB A PERSPECTIVA DA PSICANÁLISE19 241 As pulsações e vínculos na teoria psicanalítica o papel da pulsão e do desejo20 242 Significado simbólico e mitológico das relações conjugais20 243 Alianças inconscientes e a formação psíquica do vínculo amoroso21 244 Vínculos afetivos segundo Bion espaço psíquico e conteúdo emocional 22 245 O casal como uma unidade psíquica e a influência do desenvolvimento emocional22 3 METODOLOGIA23 4 PROCESSO TERAPÊUTICO24 REFERÊNCIAS29 Relato de IntervençãoSessão Estágio31 Estágio Supervisionado31 Carga Horária31 Relato de IntervençãoSessão Estágio32 Estágio Supervisionado32 Carga Horária32 Relato de IntervençãoSessão Estágio33 Estágio Supervisionado33 Carga Horária33 Relato de IntervençãoSessão Estágio34 Estágio Supervisionado34 Carga Horária34 Relato de IntervençãoSessão Estágio35 Estágio Supervisionado35 Carga Horária35 Relato de IntervençãoSessão Estágio36 Estágio Supervisionado36 Carga Horária36 Relato de IntervençãoSessão Estágio38 Estágio Supervisionado38 Carga Horária38 Relato de IntervençãoSessão Estágio39 Estágio Supervisionado39 Carga Horária39 5 1 INTRODUÇÃO O presente relatório tem como objetivo refletir sobre a experiência de estágio supervisionado em Psicologia com ênfase na prática clínica orientada pela abordagem psicanalítica e a partir da articulação entre teoria e prática buscase apresentar os principais fundamentos teóricos que sustentaram a atuação descrever a vivência do estágio e analisar criticamente os aspectos éticos e técnicos envolvidos no processo Conforme a Resolução n 62011CNEMEC o estágio supervisionado é um componente crucial na formação em Psicologia dividido em duas etapas o Estágio Supervisionado Básico realizado no 3 ano que se concentra na integração de competências por meio de visitas técnicas e observações e os Estágios Supervisionados de Formação desenvolvidos nos 4 e 5 anos voltados ao aprofundamento profissional em áreas específicas como clínica institucional escolar e organizacional Cada etapa é organizada por meio de projetos de ensino elaborados pelos professores supervisores os quais incluem justificativas competências a serem desenvolvidas métodos de trabalho e critérios de avaliação A supervisão ocorre na ClínicaEscola de Psicologia do Centro Universitário Ingá Uningá em grupos de até seis alunos com o propósito de promover uma formação crítica e prática para os futuros psicólogos Este relatório está alinhado à estrutura e regulamentação dos Estágios Supervisionados do curso de Psicologia da Uningá conforme descrito nos documentos institucionais Os alunos do 5º ano devem cumprir um total de 200 horas no Estágio de Formação III e 160 horas no Estágio de Formação IV com carga horária distribuída ao longo dos períodos letivos regulares sem previsão de interrupções para férias intermediárias Os estágios são formalizados por meio de instrumentos jurídicos entre o Centro Universitário Ingá e as instituições concedentes sendo realizados tanto na ClínicaEscola de Psicologia da Uningá quanto em instituições conveniadas como hospitais unidades básicas de saúde instituições de educação infantil e educação especial entre outras A supervisão dos estágios é de responsabilidade dos professores supervisores do supervisor de estágio e da coordenação do curso Os professores supervisores são docentes do curso de Psicologia atuando conforme suas áreas de formação e experiências profissionais e em casos específicos profissionais de áreas técnicas externas podem ser incluídos na supervisão mediante solicitação escrita e aprovação institucional Durante todo o processo o Código de Ética 6 Profissional do Psicólogo aprovado em agosto de 2005 pelo Conselho Federal de Psicologia serve como guia essencial para a prática profissional Este documento elaborado em um contexto de transformações sociais e demandas profissionais reforça princípios como o respeito à dignidade humana a promoção da saúde e a qualidade dos serviços psicológicos além de definir deveres proibições e penalidades para assegurar uma atuação ética e responsável A estrutura do relatório segue três eixos principais inicialmente uma fundamentação teórica baseada em autores da psicanálise seguida da descrição detalhada da experiência prática em contexto clínicoinstitucional Em seguida são discutidas as implicações éticas da atuação profissional conforme previsto no Código de Ética do Psicólogo e propõese uma análise crítica dos desafios e aprendizados construídos ao longo do estágio Por fim o texto conclui com considerações sobre a integração entre teoria prática e ética na formação do psicólogo ressaltando a importância do estágio supervisionado como espaço de consolidação do conhecimento e da identidade profissional 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A psicanálise desde seus fundamentos estabelecidos por Freud consolidou se como um campo teóricoclínico de grande complexidade enriquecido ao longo do século XX por contribuições de diversos autores Inicialmente Freud estruturou pilares centrais como o conceito de inconsciente a sexualidade infantil os mecanismos de defesa e a transferência que permanecem como eixos estruturantes da prática psicanalítica Em A Interpretação dos Sonhos 1900 obra seminal ele enfatiza a função do inconsciente na produção simbólica demonstrando que os processos psíquicos transcendem a consciência imediata Essa perspectiva revolucionária revela que o sujeito não é plenamente senhor de sua própria razão uma ideia que redefine a compreensão do sofrimento humano Ao reconhecer a dimensão inconsciente como núcleo da subjetividade Freud inaugurou uma metodologia clínica baseada na escuta atenta da singularidade do paciente e na valorização de sua narrativa Essa abordagem detalhada em suas obras FREUD 2016 desloca a ênfase de interpretações normativas para uma prática que acolhe a ambiguidade e a multiplicidade de sentidos presentes no discurso Dessa forma a psicanálise não apenas ampliou o horizonte teórico sobre a 7 mente humana mas também estabeleceu um paradigma ético e técnico orientado pelo respeito à expressão individual legado que continuou a ser expandido e reinterpretado por gerações posteriores de analistas 21 PRIMEIRO CONTATO E ENTREVISTA COM O PACIENTE A comunicação não verbal constitui um elemento fundamental nas interações humanas sobretudo nas etapas iniciais de um relacionamento seja em âmbito pessoal ou profissional Essa forma de expressão que engloba gestos expressões faciais postura e movimentos corporais transcende a dimensão verbal revelando emoções genuínas e facilitando a construção de conexões mais profundas entre os indivíduos Durante os primeiros contatos a habilidade de decifrar esses sinais tornase especialmente relevante já que eles podem transmitir nuances como interesse confiança abertura ou resistência muitas vezes de maneira mais autêntica do que as palavras ZIMMERMAN 2004 Além de expressar sentimentos a comunicação não verbal atua em paralelo à linguagem falada servindo como um complemento essencial para a clareza das mensagens Ao harmonizar gestos tom de voz e expressões com o conteúdo verbal reduzse o risco de ambiguidades e malentendidos permitindo que a intenção comunicativa seja transmitida com maior precisão Segundo Zimerman 2004 Essa sincronia entre o que é dito e o que é demonstrado corporalmente não apenas fortalece a credibilidade do emissor como também promove um diálogo mais coeso e empático Reconhecer a relevância desses elementos é portanto determinante para otimizar a qualidade das interações em diferentes contextos seja em uma negociação profissional no estabelecimento de vínculos afetivos ou em situações cotidianas a atenção aos sinais não verbais possibilita uma leitura mais integral do outro favorecendo relações baseadas em compreensão mútua e efetividade comunicativa 211 A importância da entrevista inicial na terapia psicanalítica A entrevista inicial configurase como um momento decisivo na prática psicanalítica estabelecendo as bases para o relacionamento terapêutico e permitindo que tanto o analista quanto o paciente avaliem a compatibilidade e a viabilidade do tratamento Esse contato preliminar que pode se estender por mais 8 de um encontro dependendo das particularidades do paciente não se limita a uma mera formalidade Mesmo em situações em que o terapeuta já reconhece a impossibilidade de assumir um tratamento sistemático a realização de uma entrevista de avaliação mantém seu valor pois possibilita orientações ou encaminhamentos adequados preservando o compromisso ético com o cuidado ZIMMERMAN 2004 Para Zimerman 2004 será importante diferenciar a entrevista inicial da primeira sessão analítica pois enquanto a primeira ocorre antes da formalização do contrato terapêutico funcionando como um espaço de avaliação mútua a segunda marca o início efetivo da análise A profundidade e a duração dessa etapa variam conforme o repertório prévio do paciente aqueles familiarizados com o processo psicanalítico podem experienciar um fluxo mais ágil enquanto indivíduos que buscam alívio imediato para sintomas demandam uma abordagem mais cautelosa capaz de acolher ansiedades e expectativas não verbalizadas O objetivo central da entrevista inicial reside na avaliação das condições mentais emocionais e contextuais do paciente permitindo ao analista ponderar riscos e benefícios do tratamento Essa análise inclui a identificação da psicopatologia apresentada a elaboração de uma impressão diagnóstica e prognóstica e a atenção aos efeitos contratransferenciais que emergem na interação Nesse contexto o uso de classificações como o DSMIVTR que abrange aspectos sindrômicos transtornos de personalidade e estressores ambientais exige uma abordagem multidimensional integrando dimensões dinâmicas como conflitos inconscientes evolutivas histórico de desenvolvimento e comunicacionais formas de expressão e resistências ZIMMERMAN 2004 Além da avaliação técnica a entrevista demanda uma escuta sensível às motivações e expectativas do paciente que nem sempre coincidem com o projeto terapêutico do analista A veracidade das queixas o grau de insight e a disposição para engajarse em um processo introspectivo são fatores críticos Paralelamente o terapeuta deve confrontar suas próprias limitações e reações emocionais evitando avaliações precipitadas baseadas em impressões superficiais Assim a entrevista inicial transcende sua função diagnóstica é um espaço de negociação simbólica no qual paciente e analista delineiam a possibilidade de uma jornada compartilhada 9 212 Expectativas na terapia analítica o papel do paciente e do psicanalista O papel do analista assume centralidade já na primeira entrevista momento em que ele se apresenta como profissional fundamentado em sua formação teórica e experiência clínica contudo para o paciente essa figura ainda não está consolidada como referência terapêutica É através da transferência processo no qual o paciente atribui ao analista emoções e expectativas originadas em relações passadas que se estabelece a possibilidade de reconhecêlo como guia no processo analítico Segundo Chemama 2002 esse fenômeno é estruturante nas entrevistas preliminares pois cria um vínculo que permite ao paciente confiar na direção proposta pelo tratamento mesmo em um contexto de incerteza inicial Nesse cenário as expectativas mútuas entre paciente e analista são determinantes para o avanço da terapia O paciente é convidado a assumir uma postura ativa engajandose de maneira autêntica na exploração de suas vivências emocionais Esse compromisso não se resume à verbalização de sintomas mas envolve a disposição para confrontar resistências e ambiguidades inerentes ao processo introspectivo Paralelamente cabe ao psicanalista definir com clareza suas motivações para acolher o caso delineando um projeto terapêutico que oriente suas intervenções Essa delimitação não é estática exige flexibilidade para adaptarse às demandas emergentes sem perder de vista os objetivos centrais do tratamento ZIMMERMAN 2004 A preparação do analista para lidar com desafios emocionais como situações transferenciais intensas ou manifestações de contratransferência é um pilar da prática clínica A empatia aliada ao reconhecimento das próprias limitações e reações inconscientes permite que ele sustente um ambiente seguro onde o paciente se sinta acolhido em sua vulnerabilidade Essa habilidade não se restringe à técnica envolve uma reflexão contínua sobre como as histórias pessoais do terapeuta podem influenciar sua escuta exigindo um equilíbrio delicado entre envolvimento e neutralidade Além disso o contexto físico e emocional em que o analista trabalha repercute diretamente na qualidade do atendimento no qual manter um ambiente organizado e garantir um equilíbrio entre vida profissional e pessoal não são meros detalhes operacionais mas condições essenciais para preservar a integridade do setting terapêutico 10 O autocuidado do analista incluindo a gestão do estresse e a supervisão regular assegura que ele esteja emocionalmente disponível para acolher as demandas complexas do paciente evitando esgotamento ou interferências prejudiciais assim a interação entre paciente e analista revelase uma teia de interdependências na qual a clareza técnica a ética do cuidado e a gestão das emoções se entrelaçam A primeira entrevista longe de ser um mero protocolo é um microcosmo desse processo nela avaliamse não apenas as condições psíquicas do paciente mas também a capacidade do analista de sustentar uma aliança terapêutica pautada pela confiança e pelo rigor metodológico Essa sintonia inicial quando bem conduzida lança as bases para um trabalho transformador onde a complexidade humana é abordada em sua plenitude ZIMMERMAN 2004 22 A EVOLUÇÃO DO DIAGNÓSTICO PSICANALÍTICO O diagnóstico psicanalítico contemporâneo configurase como um campo em constante evolução que busca transcender as classificações clássicas das doenças mentais Essa abordagem prioriza um entendimento profundo do paciente considerando não apenas os aspectos sintomáticos mas também as dinâmicas psíquicas subjacentes Nesse contexto a avaliação do prognóstico emerge como elemento central frequentemente realizada ao longo do processo analítico dinâmica que pode surpreender tanto o analista quanto o analisando revelando nuances que ultrapassam as expectativas iniciais e destacando a complexidade humana em sua busca por autoconhecimento Um dos critérios fundamentais nesse paradigma é o de acessibilidade que se concentra na motivação coragem e capacidade do paciente de permitir o acesso ao seu inconsciente ZIMMERMAN 2004 Essa compreensão é particularmente relevante na seleção de pacientes que à primeira vista podem ser considerados de difícil acesso como aqueles com regressões significativas ou paradoxalmente com estrutura psíquica aparentemente bem ajustada Para Bechara m m 2009 a psicanálise contemporânea tem se mostrado receptiva a configurações diversas adaptando técnicas e táticas para atender às necessidades específicas de cada indivíduo o que reforça sua flexibilidade como ferramenta terapêutica Observase ainda uma diminuição progressiva dos critérios de contraindicação na prática clínica atual refletindo maior abertura à diversidade de 11 pacientes Questões como a idade antes vistas como limitantes são agora abordadas com relativismo permitindo a inclusão de crianças e idosos no tratamento psicanalítico com resultados positivos Além disso a psicanálise contemporânea não hesita em enfrentar situações críticas como quadros emocionais agudos integrandose a outros recursos como psicofármacos em uma abordagem holística que busca eficácia sem abandonar a profundidade analítica O diagnóstico clínico psicanalítico é permeado por um relativismo acentuado no qual condições aparentemente alarmantes como uma reação esquizofrênica aguda podem ter prognóstico favorável se manejadas com competência técnica enquanto neuroses crônicas podem apresentar desafios imprevistos Essa dualidade exige do analista um olhar crítico e atento capaz de discernir as nuances singulares de cada caso sem se apoiar em generalizações Entretanto algumas contraindicações permanecem inegáveis como a degenerescência mental a incapacidade de abstração e casos com motivações distorcidas Em situações de avaliação inicial inconclusiva a análise de prova surge como alternativa viável Essa abordagem que prolonga a entrevista inicial permite uma reflexão mais detalhada sobre as condições do paciente antes da formalização do contrato analítico assegurando que ambos analista e analisando possam estabelecer um vínculo seguro e comprometido Essas práticas alinhamse à Resolução CFP nº 0052025 que enfatiza a supervisão e orientação de estágios em Psicologia com base em fundamentação teórica e ética A psicanálise contribui não apenas com técnicas específicas mas com uma postura clínica que valoriza a alteridade o silêncio a história singular e o tempo subjetivo Essa escuta ética associada ao rigor técnico oferece ao profissional de Psicologia uma base sólida para atuar em contextos clínicos diversos mantendo o compromisso com o sofrimento humano em sua complexidade e singularidade Assim a psicanálise reafirma seu papel na saúde mental contemporânea um campo que se reinventa e se amplia acolhendo a diversidade de pacientes e integrandose a marcos regulatórios que fortalecem a formação crítica e ética dos futuros psicólogos ZIMMERMAN 2004 12 22 REGRAS PSICANALÍTICAS DA ATUALIDADE A evolução das regras fundamentais da psicanálise ao longo do tempo reflete as transformações nas dinâmicas sociais e nas expectativas dos pacientes A regra da livre associação de ideias que enfatiza a verbalização espontânea por parte do paciente mantém sua centralidade mas sua aplicação prática tem se adaptado às demandas atuais Hoje os analistas reconhecem a necessidade de criar um ambiente terapêutico que favoreça não apenas a expressão livre mas também a autenticidade considerando a diversidade de experiências e a complexidade das questões contemporâneas trazidas pelos pacientes Essa adaptação não descaracteriza a técnica mas amplia sua capacidade de acolher subjetividades em contextos cada vez mais pluralizados ZIMMERMAN 2004 A regra da abstinência tradicionalmente associada à contenção de gratificações pessoais por parte do analista tem sido reinterpretada em um cenário clínico que valoriza a empatia e a conexão humana Embora sua essência evitar satisfações substitutivas que desviem o foco do processo analítico permaneça válida a prática contemporânea enfrenta o desafio de equilibrar essa contenção com a construção de uma relação de confiança e segurança Essa tensão produtiva permite que a relação analítica transcenda a função meramente interpretativa tornandose um espaço de interação genuína onde a vulnerabilidade é reconhecida como parte integrante do trabalho terapêutico SOUZA COELHO 2012 Por outro lado Zimerman 2004 também afirma que a regra da neutralidade que historicamente exigia um distanciamento emocional do analista é revisitada à luz de abordagens que defendem maior transparência na relação terapêutica Isso não implica a perda da postura técnica mas o reconhecimento de que a neutralidade pode coexistir com uma presença mais autêntica O analista contemporâneo ao acolher suas próprias emoções e reações contratransferenciais pode oferecer uma escuta mais engajada sem abandonar o rigor metodológico Essa flexibilidade não enfraquece o setting mas o torna mais sensível às nuances afetivas que emergem no processo A ênfase na verdade e na honestidade incorporada como uma quinta regra em discussões recentes responde à demanda por autenticidade nas relações terapêuticas pois os pacientes buscam não apenas uma análise técnica mas uma conexão que os auxilie a navegar realidades emocionais complexas marcadas por 13 incertezas e paradoxos da vida moderna Essa dimensão exige que analista e paciente se envolvam em um processo de descoberta mútua onde a honestidade tanto sobre limites quanto sobre possibilidades fortalece a aliança terapêutica Assim as regras psicanalíticas embora preservem seu núcleo ético e técnico demandam revisão contínua para dialogar com as transformações sociais e científicas A prática clínica atual ao integrar essas adaptações não apenas honra o legado freudiano mas assegura que a psicanálise permaneça relevante como ferramenta de compreensão e intervenção diante das complexidades humanas do século XXI 221 Regra da abstinência A regra da abstinência formulada por Freud em 1915 surgiu em resposta ao desenvolvimento de vínculos eróticos entre pacientes histéricas e analistas em um período em que as análises eram breves Com a expansão da psicanálise e o aumento das críticas sobre a sexualidade na prática clínica Freud viu a necessidade de estabelecer limites claros para evitar envolvimentos sexuais entre analistas e analisandos Em 1912 ele começa a esboçar essa diretriz preocupado com a integridade ética da psicanálise A abstinência implica que o psicanalista deve absterse de qualquer atividade além da interpretação proibindo gratificações externas e preservando o anonimato do paciente posição reforçada por Freud em 1918 em seus escritos sobre terapias psicanalíticas ZIMMERMAN 2004 Ressaltase a relevância da abstinência analítica conforme proposta por Freud que defende que os analistas evitem gratificações externas e intervenções significativas na vida dos pacientes durante o tratamento Para ele era imperativo que os pacientes não tomassem decisões importantes como escolhas profissionais ou amorosas sem uma análise prévia a fim de evitar que impulsos inconscientes fossem mal direcionados protegendoos de possíveis danos Entretanto críticas contemporâneas apontam que a interpretação rígida dessa recomendação pode levar a um distanciamento excessivo entre analista e analisando prejudicando o tratamento A preocupação freudiana com envolvimentos emocionais e sexuais embora válida corre o risco de ser aplicada de forma extremada gerando uma dinâmica fóbica que compromete a aliança terapêutica ZIMMERMAN 2004 14 Com a evolução da prática psicanalítica observase uma mudança significativa no perfil emocional e situacional dos pacientes assim como nas condições sociológicas e econômicas em que a análise ocorre Muitos analistas contemporâneos adotam portanto uma postura mais flexível promovendo um ambiente acolhedor e interativo sem abandonar a estrutura normativa do setting analítico Argumentase que a rigidez na aplicação das diretrizes originais de Freud pode criar um clima de falsidade e paranoia Assim uma abordagem adaptativa e humanizada é considerada essencial nas práticas atuais permitindo que analistas se conectem de maneira autêntica com seus pacientes fator que pode potencializar a eficácia do processo terapêutico O conceito de amor de transferência na psicanálise evidencia a evolução das práticas desde Freud destacando os riscos de envolvimento emocional entre analista e paciente A abstinência do psicanalista permanece crucial para evitar a gratificação de desejos que refletem carências do próprio terapeuta não do paciente É fundamental diferenciar curiosidades patológicas que demandam interpretação daquelas saudáveis que merecem acolhimento como expressões genuínas do sujeito Além disso as atitudes em relação a encontros sociais entre analistas e pacientes modificaramse antes rigidamente evitados hoje são abordados com maior flexibilidade ainda que cautelosa Zimerman 2004 aponta essa mudança a qual reflete uma adaptação às demandas contemporâneas sem descuidar dos princípios éticos que preservam a integridade do vínculo terapêutico 222 Regra da atenção flutuante A regra da atenção flutuante proposta por Freud estabelece um princípio fundamental para a prática analítica implicando a criação de condições que favoreçam uma comunicação autêntica entre os inconscientes do analista e do paciente Bion amplia essa concepção ao destacar o papel da intuição frequentemente obscurecida pela ênfase excessiva na percepção sensorial como ferramenta essencial para decifrar as camadas simbólicas do discurso ZIMMERMAN 2004 Uma das dificuldades centrais para o analista reside em sua capacidade de se desvincular de desejos e memórias pessoais durante o processo Embora seja natural que emoções surjam é importante que o terapeuta mantenha clareza sobre 15 esses sentimentos discriminando adequadamente entre suas experiências subjetivas e as dinâmicas transferenciais em jogo Essa distinção preserva a neutralidade técnica e assegura que as intervenções estejam alinhadas às necessidades do paciente evitando projeções que comprometam a eficácia terapêutica A prática psicanalítica exige assim uma dissociação útil habilidade de reconhecer e diferenciar as diversas áreas do mapa psíquico do analista incluindo emoções que emergem durante a sessão Essa dissociação sustenta tanto a teorização flutuante entendida como a capacidade de elaborar hipóteses sem fixação prévia quanto à atenção flutuante que consiste em uma escuta aberta a múltiplos significados Esses mecanismos facilitam a conexão com a realidade externa e com o inconsciente permitindo uma escuta intuitiva que capta nuances escapadas a abordagens lineares SOUZA COELHO 2012 Por outro lado uma atenção excessivamente direcionada pode levar a um estado patogênico no qual o analista busca informações irrelevantes à situação analítica movido por curiosidade pessoal ou necessidade de controle Essa postura desvia o foco do trabalho terapêutico e pode gerar vínculos transferenciais prejudiciais nos quais as projeções do analista contaminam a relação Além disso a tentativa de manter a atenção flutuante de forma rigorosa pode gerar desconforto e sensação de fracasso no analista já que divagações e distrações são inevitáveis durante as sessões A flexibilidade mental tornase portanto um elementochave pois ela permite que o analista navegue entre suas próprias emoções e as dinâmicas do setting terapêutico ajustandose às flutuações do processo sem perder a postura técnica necessária Essa habilidade reconhece que a eficácia reside no equilíbrio entre disciplina clínica e adaptação às contingências humanas ZIMMERMAN 2004 223 Regra da neutralidade A regra da neutralidade conforme proposta por Freud é um princípio essencial na psicanálise sugerindo que o psicanalista deve atuar como um espelho opaco refletindo apenas o conteúdo apresentado pelo paciente e evitando expor suas próprias emoções Embora o termo neutralidade não seja frequente em seus textos Freud defende uma postura imparcial distante da indiferença que poderia prejudicar o processo analítico Essa neutralidade inclui a gestão dos desejos do 16 analista permitindo uma interação aberta e profunda com o paciente o que cria um ambiente favorável à exploração emocional e psicológica PINHEIRO 1999 Contudo a regra da neutralidade tem sido reavaliada na prática contemporânea distante da visão tradicional de Freud que comparava o analista a um espelho mecânico Atualmente entendese que o analista deve funcionar como um espelho que possibilita ao paciente uma reflexão abrangente sobre si mesmo sem que isso implique a supressão total de sua subjetividade A neutralidade é reconhecida como um ideal inatingível já que o analista inevitavelmente traz suas crenças valores e perspectivas para a relação terapêutica influenciando dinâmicas interpretativas e escolhas técnicas ZIMMERMAN 2004 O envolvimento afetivo do terapeuta desde que não se torne patológico é considerado essencial para estabelecer uma aliança terapêutica significativa As escolhas interpretativas como decidir quando intervir ou como formular uma interpretação revelam a subjetividade inerente à prática demonstrando que a neutralidade não se traduz em ausência de posicionamento mas em um equilíbrio entre acolhimento e contenção Essa postura permite que o paciente se sinta reconhecido em sua singularidade ao mesmo tempo que preserva o espaço analítico como um campo de investigação livre de projeções excessivas do terapeuta Assim a neutralidade na psicanálise contemporânea não nega a influência do analista mas reconhece a complexidade de sua função ser um interlocutor que mesmo com suas limitações humanas mantém o foco no processo de desvelamento do inconsciente equilibrando técnica e sensibilidade ZIMMERMAN 2004 224 Regra do amor à verdade A psicanálise segundo Freud fundamentase na verdade e na ética sendo a honestidade do psicanalista um elemento fundamental para promover mudanças significativas nos pacientes O terapeuta deve evitar julgamentos sobre terceiros já que os pacientes podem induzir quebras éticas por meio de projeções ou tentativas de envolver o analista em dinâmicas externas à terapia Um dilema recorrente é o envolvimento amoroso entre terapeuta e paciente tratado com rigor por sociedades psicanalíticas para preservar a integridade da relação analítica Dessa forma a ética e a verdade configuramse como pilares indissociáveis da prática freudiana 17 A discussão sobre transgressões éticas e sexuais na psicanálise revela um campo marcado por tensões e controvérsias conforme destacado por Daniel Widlocher expresidente da Associação Psicanalítica Internacional IPA Ele argumenta que tais transgressões não devem ser simplificadas como meros erros ou pecados irreparáveis mas sim compreendidas como fenômenos complexos que exigem análise crítica Widlocher observa ainda que transgressões éticas como vínculos românticos não consumados entre analistas e pacientes que frequentemente permanecem ocultas apesar de seu impacto relevante Freud já enfatizava a necessidade de honestidade mútua afirmando que a falta de verdade por parte do analista comprometeria a eficácia do tratamento corroendo a confiança essencial ao processo Complementando essa perspectiva Bion introduz a reflexão sobre a análise de indivíduos que utilizam a mentira como mecanismo de defesa Ele ressalta que a verdade é um elemento vital para a saúde psíquica comparando a a um alimento indispensável e sua ausência levaria à deterioração do psiquismo Assim a abordagem psicanalítica da verdade deve transcender o moralismo focandose na construção de uma atitude autêntica que permita ao paciente alcançar liberdade interna e engajarse plenamente no processo analítico ZIMERMAN 2004 A preservação do setting analítico é outro aspecto essencial pois garante a estruturação da relação terapêutica mantendo a assimetria necessária entre os papéis de analista e paciente O enquadre estabelece limites claros e promove o princípio da realidade contrapondose ao princípio do prazer que muitas vezes domina a subjetividade do paciente Essa estrutura é especialmente crítica no trabalho com pacientes regressivos que podem enfrentar dificuldades em lidar com limites e frustrações No entanto é fundamental evitar uma rigidez excessiva na aplicação dessas regras pois isso pode gerar uma atmosfera coercitiva prejudicando a aliança terapêutica A própria prática de Freud ilustra a complexidade desse equilíbrio que frequentemente flexibilizava suas próprias recomendações adotando abordagens não convencionais que refletiam o contexto histórico e teórico da psicanálise em sua época ZIMERMAN 2004 23 AS FUNÇÕES DO ANALISTA Na psicanálise o analista é um profissional cuja atuação se baseia na escuta clínica e na interpretação do inconsciente Diferente de áreas como negócios ele não 18 busca solucionar problemas imediatos mas atua como um guia na exploração das dinâmicas psíquicas Formado nos princípios de Freud e seus herdeiros o psicanalista mergulha nas complexidades do desejo e dos traumas reprimidos Minerbo 2024 Escuta Analítica e Setting A escuta analítica é uma habilidade que permite ao analista decifrar significados ocultos nos lapsos sonhos e discursos do paciente Esse processo é facilitado por um setting analítico rigoroso que inclui horários fixos sigilo e uma postura neutra criando um ambiente seguro para a livre associação de ideiasZIMERMAN 2004 Transferência e Contratransferência O manejo da transferência projeção de sentimentos do paciente e da contratransferência reações emocionais do analista é fundamental O psicanalista deve reconhecer e modular essas dinâmicas utilizandoas para desvendar conflitos psíquicos ZIMERMAN 2004 Autoconhecimento e Resistências Diferente de terapias que buscam a eliminação rápida de sintomas a psicanálise prioriza o autoconhecimento Técnicas como a associação livre e a interpretação de sonhos ajudam a revelar estruturas invisíveis que governam comportamentos enquanto o trabalho com resistências permite que o paciente enfrente conteúdos dolorososFreud 1920 Ética e Formação do Psicanalista A ética é um alicerce essencial na psicanálise onde o analista não emite julgamentos morais A formação do psicanalista inclui estudo teórico análise pessoal e supervisão clínica preparandoo para lidar com projeções e evitar interferências pessoais Zimerman 2004 19 A Transformação Subjetiva como Horizonte Clínico O analista atua como um mediador do inconsciente ajudando o paciente a desatar nós invisíveis que causam sofrimento O sucesso na psicanálise é medido pela capacidade de permitir que o paciente reinvente sua relação consigo mesmo e com o mundo O processo de transformação subjetiva é lento e singular proporcionando ao paciente uma nova forma de habitar sua história e confrontar seu passado O analista assim não oferece respostas prontas mas sustenta um espaço onde a verdade do sujeito pode emergir como um ato de liberdadeMinerbo 2024 24 A COMPREENSÃO DO RELACIONAMENTO INTERPESSOAL SOB A PERSPECTIVA DA PSICANÁLISE A análise do relacionamento interpessoal quando vista sob a ótica psicanalítica exige uma investigação minuciosa das forças inconscientes que moldam as interações humanas Essas forças muitas vezes surgem a partir de experiências precocemente vivenciadas na infância que ficam armazenadas no inconsciente e influenciam não apenas as emoções e comportamentos atuais mas também a maneira como os indivíduos percebem e se relacionam com os outros Este entendimento é fundamental para compreender questões como ciúmes inseguranças projeções e padrões de comunicação disfuncionais já que muitas dessas características têm raízes profundas e subconscientes Além disso essa abordagem permite uma compreensão mais abrangente dos conflitos internos que podem dificultar a construção de vínculos afetivos seguros e satisfatórios favorecendo processos de autoconhecimento que são essenciais tanto na clínica quanto na vida cotidiana De acordo com Freud 1900 as experiências formativas na infância não apenas moldam o desenvolvimento psíquico mas também deixam marcas que podem perdurar ao longo da vida influenciando todas as relações seguintes Essas experiências muitas vezes são reprimidas ou não totalmente resolvidas permanecendo no inconsciente e se manifestando através de sintomas ou padrões relacionais recorrentes na fase adulta Por exemplo uma criança que vivenciou negligência ou rejeição pode desenvolver uma ansiedade de separação ou padrões de busca de validação constantes na vida adulta Assim ao revisar e entender essas 20 experiências e seus efeitos o terapeuta e o indivíduo podem trabalhar a resolução de conflitos internos promovendo relações mais saudáveis e equilibradas e uma melhor gestão emocional 241 As pulsações e vínculos na teoria psicanalítica o papel da pulsão e do desejo Segundo Treiguer 2007 a compreensão da pulsão na psicanálise não se limita à sua força de impulso biológico mas deve ser entendida na relação com os vínculos estabelecidos entre os indivíduos A pulsão como força reguladora das interações atua tanto na esfera consciente quanto na inconsciente moldando desejos necessidades e fantasias O desejo por sua vez é uma força que unifica o sujeito embora seja frequentemente influenciado por fatores externos como o alheio ou seja o outro suas expectativas desejos e projeções Essas dinâmicas complexas resultam na multiplicidade de emoções que experimentamos nas relações como novela de desejo medo mistério e insegurança que enriquecem ou dificultam o relacionamento dependendo de como são elaboradas e integradas 242 Significado simbólico e mitológico das relações conjugais Ao analisar as relações amorosas sob a perspectiva simbólica e mitológica a narrativa bíblica de Adão e Eva serve como uma poderosa metáfora para entender a busca pela perfeição a ilusão de imortalidade e a vulnerabilidade inerente aos relacionamentos O desejo de ser igual a Deus simboliza a tentativa de superar os limites humanos o que na relação de casal pode refletir a busca por uma união idealizada que muitas vezes é inatingível A expulsão do Éden revela como a tentativa de alcançar essa perfeição pode resultar na fragilidade e na necessidade de aceitar a vulnerabilidade como parte fundamental do amor e da convivência Na perspectiva psicanalítica há a compreensão de que os casais frequentemente criam uma dinâmica de inseparabilidade na qual as diferenças individuais são minimizadas ou até negadas Para isso usam mecanismos de defesa como a cisão dividir aspectos positivos e negativos e a identificação projetiva que reduzem as diferenças ao transferir aspectos indesejados ou 21 conflitantes para o outro Essa fusão embora possa parecer uma busca por completude tende a ser prejudicial a longo prazo pois impede o desenvolvimento da autonomia emocional e limita a autenticidade no relacionamento Quando essa fusão se torna excessiva a relação pode se transformar em uma ilusão de perfeição que ao se desmoronar leva ao conflito ou à crise de identidade de ambos os parceiros 243 Alianças inconscientes e a formação psíquica do vínculo amoroso De acordo com Pignataro FerrésCarneiro e Mello 2019 as alianças inconscientes estruturam as relações amorosas formando um sistema de funções que mantêm o vínculo e protegem os indivíduos de ameaças internas e externas Essas alianças que se originam na infância e nas primeiras experiências afetivas podem ser primárias secundárias defensivas ou criativasdestrutivas cada uma desempenhando papéis diferentes na vida psíquica e relacional Elas moldam percepções expectativas e comportamentos além de influenciar a forma como o parceiro é visto e tratado na relação Compreender esses mecanismos ajuda a desmistificar padrões repetitivos e a elaborar vínculos mais conscientes e satisfatórios promovendo maior autonomia emocional e resistência às dificuldades do cotidiano Dentro das alianças inconscientes existe o pacto denegativo também discutido na literatura psicanalítica referese a uma aliança inconsciente que os parceiros assumem muitas vezes de forma automática para proteger a relação de conflitos internos ou de demandas emocionais que podem ameaçála Essa aliança funciona por meio da mobilização de fantasias identificações e realidades psíquicas partilhadas que mantêm o vínculo mesmo que envolvam negação ou repressão de aspectos desagradáveis ou conflitantes Essa dinâmica atua como um mecanismo de defesa contribuindo para a estabilidade emocional do casal ao evitar confrontar certas verdades dolorosas mas também pode limitar o crescimento e a autenticidade na relação Além do pacto denegativo Pignataro FérresCarneiro e Mello 2019 descrevem os contratos inconscientes como entendimentos tácitos que emergem na relação estabelecendo limites expectativas e trocas que sustentam o vínculo 22 Esses contratos podem ser conscientes ou inconscientes e dizem respeito às concessões mútuas necessárias para a convivência Enquanto os acordos representam negociações mais conscientes os pactos envolvem trocas intransmissíveis ou insuspeitas muitas vezes influenciadas por elementos da infância ou experiências passadas Essas dinâmicas facilitam ou dificultam a elaboração de desejos e necessidades moldando o modo como o casal enfrenta as dificuldades e constrói a sua história conjunta 244 Vínculos afetivos segundo Bion espaço psíquico e conteúdo emocional Segundo Mondrzak 2007 a teoria de Bion destaca que os vínculos amorosos de ódio ou de conhecimento dependem do espaço psíquico chamado por ele de contenedor e do conteúdo emocional que nele reside O espaço psíquico funciona como um recipiente onde emoções e experiências conflitantes podem ser armazenadas elaboradas e integradas fortalecendo a relação As emoções como inveja ciúme raiva ou insegurança sentimentos típicos de uma relação conjugal não apenas emergem do conteúdo mas são moduladas pelo espaço psíquico que deve ser acolhedor para que os conflitos possam ser trabalhados de forma saudável Essa capacidade de acolhimento e elaboração emocional possibilita uma convivência mais madura empática e segura emocionalmente promovendo um vínculo mais sólido e autêntico No contexto de Bion a relação entre o analista e o espaço psíquico é fundamental para o processo terapêutico O analista ao atuar como um recipiente deve criar um espaço psíquico seguro e receptivo capaz de acolher e processar as experiências emoções e pensamentos do paciente Nesta teoria o analista é um facilitador do espaço psíquico criando uma condição em que o paciente possa explorar processar e integrar suas experiências internas de forma segura e significante Essa dinâmica é essencial para que o processo terapêutico seja efetivo e transformador 245 O casal como uma unidade psíquica e a influência do desenvolvimento emocional Na psicanálise a concepção de que o casal constitui uma unidade psíquica com estrutura própria traz reflexões importantes sobre a dinâmica do 23 relacionamento Cada indivíduo traz para o casal seu desenvolvimento emocional suas carências suas dores e conflitos internos que ao interagirem podem resultar tanto em harmonia quanto em disfunções Quando há conflitos não resolvidos ou projeções esses fatores podem gerar uma relação disfuncional marcada por conflitos constantes ou mesmo por padrões de fusão excessiva onde os limites entre os parceiros se tornam difusos A intervenção clínica busca muitas vezes desconstruir essas dinâmicas promovendo autonomia emocional e a compreensão dos acontecimentos internos de cada um além de favorecer uma relação mais equilibrada capaz de suportar conflitos de forma construtiva A participação em processos terapêuticos seja individual ou de casal muitas vezes revela ou provoca desequilíbrios na relação como ciúmes resistência às mudanças ou boicotes que surgem como mecanismos de defesa ou tentativas de manter o status quo Essas reações muitas vezes dificultam o avanço do tratamento e requerem atenção específica do terapeuta que deve trabalhar a compreensão dessas resistências promovendo maior autorreflexão e autoconhecimento A terapia assim atua como uma ferramenta de resistência e reconstrução emocional possibilitando a elaboração de conflitos a superação de obstáculos e a promoção de relações mais satisfatórias e maduras 3 METODOLOGIA A metodologia adotada neste estudo é fundamentada em princípios clássicos da psicanálise utilizando a técnica da associação livre como um dos pilares do processo terapêutico Essa técnica permite ao paciente expressar livremente seus pensamentos sentimentos e imagens sem censura ou restrições o que facilita a acessibilidade a conteúdos inconscientes Ao criar um espaço onde o paciente se sente à vontade para compartilhar suas ideias a associação livre se torna um meio poderoso para explorar as camadas mais profundas da psique Freud 1920 A primeira entrevista desempenha um papel crucial nesse contexto uma vez que estabelece as bases para a relação analítica Neste encontro inicial o analista busca criar um ambiente de confiança e segurança onde o paciente se sinta confortável para se abrir É um momento de construção do vínculo onde se discutem as expectativas do tratamento e se delineiam os objetivos da terapia A 24 receptividade e a empatia do analista são essenciais para fazer com que o paciente sinta que sua história e suas vivências são valorizadas Zimerman 2004 Durante as sessões subsequentes a atenção flutuante do analista se torna uma prática fundamental Essa abordagem implica que o analista mantenha uma escuta atenta e flexível permitindo que sua atenção se mova entre diferentes temas e conteúdos que emergem das falas do paciente Essa atenção não é direcionada apenas a pontos específicos mas busca captar nuances sentimentos e associações que possam surgir criando um espaço onde o paciente pode explorar livremente seu mundo interno Zimerman 2004 A interpretação por sua vez é uma ferramenta vital que emerge desse processo Quando o analista oferece interpretações ele busca conectar os conteúdos manifestos do discurso do paciente com questões mais profundas e inconscientes Essas intervenções interpretativas têm o potencial de iluminar padrões de comportamento conflitos internos e dinâmicas emocionais que o paciente pode não ter consciência Através desse processo interpretativo o paciente é incentivado a refletir sobre suas experiências promovendo um entendimento mais profundo de si mesmo e facilitando o avanço do tratamento Minerbo 2016 Assim a combinação da associação livre da construção do vínculo na primeira entrevista da atenção flutuante e das interpretações do analista cria um ambiente terapêutico rico e dinâmico propício para o processo de autoconhecimento e transformação psíquica do paciente Essa metodologia busca não apenas a resolução de sintomas mas a promoção de uma maior compreensão da própria subjetividade contribuindo para o desenvolvimento pessoal e emocional ao longo do tratamento Jorge 2000 4 PROCESSO TERAPÊUTICO Na sessão de 290425 o paciente J relatou angústia no trabalho devido à pressão do chefe e à carga horária excessiva afetando sua vida familiar Ele enfrenta conflitos com a esposa que possui traumas da infância e preocupase com o comportamento do filho mais velho Apesar das dificuldades J demonstra motivação para o processo terapêutico e deseja explorar suas emoções melhorar a comunicação familiar e promover um ambiente mais saudável 25 Na sessão de 060525 J expressou preocupações sobre a relação tensa entre sua esposa e sua mãe especialmente em relação a uma visita programada Ele também relatou um ambiente de trabalho insustentável devido à pressão do novo chefe apesar da recente promoção e a insatisfação com o salário J enfrenta desafios significativos em sua vida pessoal e profissional que serão explorados nas próximas sessões Na sessão de 20052025 J expressou sobrecarga e falta de apoio no trabalho comparando as exigências de seu chefe e sua esposa Ele relatou frustrações na vida conjugal incluindo incertezas sobre o relacionamento e dificuldades financeiras atribuídas à esposa que geraram ansiedade e medo de perder a família Apesar das queixas J mostrou disposição para agir manifestando interesse em conversar diretamente com seu chefe sobre suas responsabilidades Na sessão de 29052025 J expressou preocupação com as mentiras de seu filho que nega responsabilidades refletindo uma personalidade forte que J reconhece em si mesmo Ele compartilhou sobre sua dependência emocional na infância e como sua relação com os pais influenciou seu comportamento além de relatar sua trajetória de mudança para Maringá e os desafios enfrentados ao se tornar pai J também recordou sua experiência de morar sozinho e a necessidade de se estabelecer uma nova vida com Érica e o filho que estava por vir Na sessão 030625 o paciente não compareceu sem justificar a sua falta Na sessão de 100625 J relatou sobrecarga de trabalho e os desafios emocionais causados pelas oscilações de humor de sua esposa Érica com quem ele enfrenta uma comunicação frágil e dinâmica de culpa Ele mencionou incidentes em que Érica projetou suas frustrações sobre ele evidenciando a ambivalência no relacionamento A sessão terminou com a proposta de explorar essas dinâmicas e focar na melhoria da comunicação e na compreensão mútua nas próximas conversas Na sessão do dia 170625 J chegou atrasado e relembrou que algo na Érica o atraiu mencionando que ela tinha características que suas exnamoradas não tinham Ele comentou sobre suas duas namoradas anteriores destacando que a primeira era muito diferente dele e a segunda terminou abruptamente J admira a Érica por se dar ao respeito no trabalho e acredita que isso contrasta com suas ex namoradas que o deixavam inseguro No entanto ele se sente desrespeitado quando ela fala mal dele na frente dos outros embora perceba momentos 26 carinhosos entre eles J também notou que Érica desconta frustrações do trabalho nele mas acredita que ela ainda tem sentimentos por ele A sessão foi concluída antes de aprofundar mais esses temas Na sessão 010725 J chegou atrasado à sessão explicando que esteve viajando a trabalho e justificando sua ausência anterior Ele relatou a demissão de seu chefe que gerou caos na empresa e o forçou a assumir responsabilidades de liderança J destacou a arrogância do expatrão mas enfatizou que o principal problema era a gestão de perdas financeiras que aumentaram para cerca de 4 milhões Durante sua viagem trabalhou além do horário para apresentar relatórios mas não teve a discussão esperada resultando em frustração Apesar das dificuldades ele demonstrou respeito pelo antigo chefe A sessão foi encerrada rapidamente com J pedindo desculpas pelo atraso Na sessão de 150725 J explicou sua ausência por estar na apresentação da filha na escola Ele relatou desafios no trabalho devido à pressão de três diretores e confusão sobre com quem deve prestar contas J compartilhou um conflito com seu filho onde o chamou de mentiroso após ele assistir a vídeos proibidos resultando em um episódio de agressão Ambos os pais refletem sobre a educação permissiva atual em comparação com suas infâncias J também mencionou o desempenho escolar do filho levantando a possibilidade de TDAH com apoio dos avós para sessões com uma psicopedagoga Ele se vê como alguém concentrado enquanto sua esposa Érica se distrai facilmente 42 ANÁLISE DO PROCESSO TERAPÊUTICO Absolutamente Aqui está o texto com as referências bibliográficas adicionadas Análise Psicanalítica do Caso do Paciente A psicanálise oferece uma rica estrutura teórica para entender as dinâmicas emocionais e relacionais que o paciente J enfrenta permitindo uma exploração profunda de seus conflitos internos e das interações familiares que moldam sua experiência A seguir apresento uma análise que reúne e desenvolve os conceitos centrais da teoria freudiana e correntes contemporâneas proporcionando uma visão integrada do que está em jogo na vida de J 1 Inconsciente e Conflitos Internos Sigmund Freud postulou que muitos comportamentos e emoções humanas são guiados por processos inconscientes frequentemente em conflito Freud 1900 No caso de J esse conflito se manifesta em um estresse significativo tanto no trabalho quanto nas relações familiares A pressão exercida por seu chefe combinada com a sobrecarga de responsabilidades gera um choque entre seus desejos pessoais e as exigências sociais e 27 familiares que o cercam Essa luta entre as necessidades internas de J e as expectativas externas resulta em sentimentos de angústia e inadequação Em sua obra O MalEstar na Civilização Freud 1930 argumenta que a cultura impõe uma troca inevitável ganhamos proteção e avanços mas perdemos a liberdade pulsional O preço que pagamos por essa civilização é a angústia permanente um reflexo do paradoxo de sermos ao mesmo tempo seres instintivos e socializados A promessa de felicidade pela cultura é para Freud uma utopia O indivíduo busca prazer segundo o princípio do prazer Freud 1920 mas se depara com as limitações impostas pela vida social leis e moralidade levando a uma sensação de desamparo Essa angústia que J expressa em relação à sua infelicidade no trabalho e na vida familiar pode estar relacionada a uma idealização inconsciente da vida moderna que contrasta com a realidade repleta de cobranças e limitações 2 Dinâmicas Relacionais e Alianças Inconscientes Desde a infância J pode ter desenvolvido alianças inconscientes que o levam a evitar conflitos e a manter a harmonia possivelmente como resultado de experiências familiares nas quais discussões eram vistas como negativas Spivacow 2018 Essa tendência é evidente em sua relação com a esposa onde ele frequentemente se mantém passivo mesmo quando ela o ofende publicamente Essa dinâmica não apenas perpetua o ressentimento mas também sugere uma estrutura de defesa que impede J de confrontar questões importantes em sua vida conjugal Adicionalmente a presença de traumas da infância da esposa como uma relação difícil com a mãe adiciona mais camadas ao conflito Isso sugere que os desafios que J enfrenta não são apenas externos mas também profundamente enraizados em questões emocionais e históricas A projeção de frustrações e expectativas dela sobre J pode indicar que ele assume o papel de figuras parentais ou de autoridade evocando sentimentos de culpa e raiva que complicam ainda mais a dinâmica entre eles Spivacow 2018 Nesse contexto as experiências da infância da esposa influenciam seu comportamento atual gerando padrões de interação conflituosos que dificultam a comunicação e a empatia 3 Mecanismos de Defesa e Intelectualização A busca de J para lidar com os problemas que o angustiam especialmente na vida conjugal é frequentemente acompanhada por uma resistência em reconhecer suas próprias fraquezas e sua parcela de culpa Seu discurso tende a focar na fragilidade da esposa e nas feridas que ela carrega enquanto ele evita explorar suas próprias vulnerabilidades Essa abordagem pode ser vista como um mecanismo de defesa especificamente a intelectualização Mcwilliams 2014 onde J formula teorias complexas sobre as feridas da esposa enquanto projeta seus próprios problemas internos sobre ela J parece confundir sua esposa com um objeto reduzindo sua complexidade a meras representações Cremasco 2018 Essa confusão é especialmente pronunciada em momentos de conflito onde ele tende a ver sua esposa apenas como um objeto de suas frustrações sem reconhecer sua subjetividade Essa limitação na percepção do outro restringe a possibilidade de um relacionamento 28 verdadeiro e saudável perpetuando um ciclo de desentendimentos e ressentimentos Cremasco 2018 4 Mudança e Desenvolvimento Pessoal A disposição de J para buscar mudança e trabalhar em terapia reflete um desejo genuíno de desenvolver uma nova identidade e promover um ambiente familiar mais saudável A psicanálise enfatiza a capacidade de transformação por meio da reflexão sobre experiências passadas e do reconhecimento de padrões repetitivos Winnicott 1965 O momento atual de J é crucial sua consciência dos conflitos e a disposição para enfrentálos podem permitir uma resolução significativa e um crescimento pessoal A análise da situação de J revela uma interação complexa entre suas experiências pessoais dinâmicas familiares e pressões externas A pressão do trabalho e a carga horária excessiva não apenas afetam seu bemestar emocional mas também impactam negativamente sua vida familiar e seu relacionamento com sua esposa A disposição de J para explorar suas emoções e melhorar a comunicação é um aspecto positivo é crucial para seu progresso na terapia As queixas sobre a dinâmica de culpa e a projeção de frustrações de esposa sobre J indicam um ciclo de conflito que pode ser quebrado através de uma comunicação mais aberta e honesta A proposta de explorar essas dinâmicas nas próximas sessões pode oferecer a J e sua esposa uma oportunidade de entender melhor suas próprias necessidades e as do outro promovendo um ambiente mais saudável para a família 9 A Autonomia Emocional e Respeito Mútuo Além disso a dependência emocional de J na infância e sua resistência a mudanças que ele reconhece em si mesmo e em seu filho são temas centrais a serem explorados nas sessões Isso pode ajudar J a entender como essas experiências moldaram suas reações atuais e seu papel na dinâmica familiar O fato de J ter manifestado interesse em discutir suas responsabilidades com seu chefe também é um sinal de sua disposição para enfrentar desafios o que pode ser uma alavanca para seu desenvolvimento emocional e crescimento pessoal É vital que J desenvolva uma autonomia emocional que lhe permita se posicionar diante das críticas de Érica Sua atitude passiva em relação às ofensas dela não contribui para um relacionamento saudável Em algumas ocasiões J apontou que a diferença entre sua atual esposa e uma exnamorada era o respeito que aquela última demonstrava ao confrontálo sobre situações passadas Reconhecer a falta de respeito nas interações é crucial para que J possa se posicionar e confrontar sua esposa sobre seu comportamento Essa assertividade é o primeiro passo para que ele se autorespeite e consequentemente exija respeito em suas relações sua vida permitindo que J explore seus conflitos internos e suas interações familiares O acompanhamento terapêutico é essencial para ajudálo a navegar por essas complexidades promovendo mudanças significativas em sua vida e favorecendo um ambiente familiar mais equilibrado Ao trabalhar na construção de uma comunicação mais efetiva e na identificação de padrões disfuncionais J pode dar passos importantes em direção a um relacionamento mais saudável e satisfatório tanto com sua esposa quanto consigo mesmo 29 PRESA Giovanna Amanda CREMASCO Maria Virgínia Filomena Viver sem o objeto Revista Subjetividades Fortaleza v 18 n 1 p 110 janabr 2018 DOI httpsdoiorg10502023590777RSV18I15682 REFERÊNCIAS CHEMAMA R Psicanálise do cotidiano elementos lacanianos para uma psicanálise do cotidiano Porto Alegre CMC Editora 2002 CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA Código de ética profissional do psicólogo Brasília DF 2005 Disponível em httpssitecfporgbrwpcontentuploads201207codigodeeticapsicologiapdf Acesso em 3 maio 2025 FREUD S A interpretação dos sonhos 1900 Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2016 FREUD S História de uma neurose infantil o homem dos lobos Além do princípio do prazer e outros textos 19171920 Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2010 FREUD Sigmund Obras completas volume 4 A interpretação dos sonhos Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2019 MONDRZAK Viviane Sprinz Processo psicanalítico e pensamento aproximando Bion e MatteBlanco Revista Brasileira de Psicanálise São Paulo v 41 n 3 set 2007 Disponível em httpspepsicbvsaludorgscielophppidS0486 641X2007000300004 Acesso em Sex 20 de Junho PIGNATARO Marina Beatriz FÉRESCARNEIRO Terezinha MELLO Renata A formação do casal conjugal um enfoque psicanalítico Pensando Famílias Porto Alegre v 23 n 1 p 120 janjun 2019 Disponível em httpspepsicbvsaludorg Acesso em 20 de junho de 2025 SAMPAIO Alexandra de Oliveira A clínica de casal canalise das relações vinculares MIMESIS v 30 n2 2009 30 TREIGUER Lisie Ellwanger Moreira O paradoxo vincular no casal desejo constituição e morte Disponível em wwwcontemporâneoorgbrcontemporânea PHP 2007 Acesso em 20 de junho de 2025 ZASLAVSKY Jacó PIRES DOS SANTOS Manuel José Sobre o papel das identificações na relação amorosa Revista de Psicanálise SPPA Porto Alegre v II n 2 p 47514933 ago 1996 ZIMERMAN D E Manual de técnica psicanalítica um estudo teóricoclínico da entrevista inicial dos critérios de analisabilidade e do contrato Porto Alegre Artmed 2004 FREUD Sigmund Psicologia das massas e análise do eu e outros textos 1920 1923 Tradução de Paulo César de Sowa São Paulo Companhia das Letras 2011 SPIVACOW Miguel Alejo O casal em conflito contribuições psicanalíticas Prólogo de René Kaës Tradução e edição de Adriana May Mendonça Denise Martinez Souza e Marcia Zart Terra de Areia RS Triangullo Gráfica e Editora LTDA 2018 MINERBO Marion Diálogos sobre a clínica psicanalítica São Paulo Blucher 2016 MINERBO Marion Ateliê clínico Para que serve uma análise Volume 1 São Paulo Blucher 2024 JORGE Marco Antonio Coutinho Fundamentos da psicanálise de Freud a Lacan 2 ed rev Rio de Janeiro Zahar 2005 PRESA Giovanna Amanda CREMASCO Maria Virgínia Filomena Viver sem o objeto Revista Subjetividades Fortaleza v 18 n 1 p 110 janabr 2018 DOI httpsdoiorg10502023590777RSV18I15682 ANEXOS 31 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 290425 IntervençãoSessão nº 1 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 29042025 O paciente J apresentouse na sessão realizada em 290425 Ele relatou angústia no trabalho motivada pela pressão exercida pelo chefe e pela carga horária excessiva o que resulta em pouco tempo para sua família Sua esposa expressa insatisfação com a falta de tempo que o marido dedica aos filhos e à situação financeira em que se encontram O paciente descreve sua esposa como uma pessoa difícil de lidar com quem tem enfrentado frequentes conflitos Ele menciona que ela foi criada apenas pela avó materna o que segundo ele contribui para traumas que dificultam a convivência entre eles As discussões se intensificam durante os dias de TPM e o paciente relata que utiliza um aplicativo para monitorar o ciclo menstrual da esposa tentando evitar conflitos nesses períodos Além disso o paciente demonstra preocupação com o comportamento do filho mais velho que se envolveu em episódios de furto incluindo o roubo de dinheiro da irmã e a destruição de figurinhas na escola Essa situação o leva a refletir sobre a educação e o desenvolvimento moral da criança Apesar das dificuldades o paciente está motivado para o processo terapêutico e expressa interesse em continuar as sessões inclusive na modalidade online caso não seja possível realizar atendimentos presenciais Para as próximas sessões será importante explorar seus sentimentos de angústia e identificar as fontes de estresse melhorar a comunicação com a esposa discutir estratégias para equilibrar trabalho e vida familiar abordar o comportamento do filho e considerar formas de incentivar a esposa a buscar terapia respeitando sua resistência O paciente demonstra consciência das dinâmicas familiares que impactam seu bemestar emocional e está disposto a trabalhar nessas questões As futuras sessões deverão focar nas áreas mencionadas visando promover um ambiente familiar mais saudável 32 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 060525 IntervençãoSessão nº 2 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 06052025 J chegou pontualmente às 17h e iniciou a conversa expressando suas preocupações sobre a relação da esposa com sua mãe Ele está apreensivo em relação à visita marcada para o próximo domingo à casa de seus pais Ao investigar essa apreensão J compartilhou um incidente recente durante um almoço na casa de sua mãe onde sua esposa o criticou por sua falta de compromisso com a casa e a família Sua mãe interveio questionando a esposa sobre a falta de reconhecimento e apoio o que levou a esposa a se retirar da mesa e solicitar a saída Perguntei a J sobre a situação atual com a esposa e ele mencionou que as coisas melhoraram um pouco mas a relação com a mãe ainda é tensa Ele expressou a preocupação de não querer deixar os filhos sob os cuidados da mãe uma vez que sua esposa só aceita deixálos com a mãe e a irmã J também revelou receios em deixar seu filho com o pai devido a temores de abuso embora não tenha confirmado se sua esposa já passou por essa experiência No que diz respeito à vida profissional J relatou que a situação com seu chefe se tornou insustentável Ele acredita que a recente mudança na gestão da rede de supermercados está gerando pressão por resultados imediatos e eficazes o que tem impactado negativamente a dinâmica com sua equipe Apesar de ter recebido uma promoção recentemente J não está satisfeito com o salário pois não houve um aumento que correspondesse à nova função Ele suspeita que a empresa esteja realizando uma avaliação prometendo um aumento após seis meses caso os resultados esperados sejam atingidos A sessão foi encerrada destacando que J enfrenta 33 desafios tanto em sua vida pessoal quanto profissional que precisam ser explorados e refletidos nas próximas sessões RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 200525 IntervençãoSessão nº 3 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 20052025 Na sessão de hoje J apresentou uma série de queixas relacionadas à sua vida profissional e pessoal destacando a sensação de sobrecarga e a falta de apoio em ambas as esferas Ele relatou que está se sentindo pressionado no trabalho enfrentando um volume elevado de tarefas sem o devido suporte de seu chefe J mencionou que seu chefe propõe a necessidade de um bom desempenho mas paradoxalmente continua a sobrecarregálo com mais responsabilidades Fez uma comparação entre seu chefe e sua esposa ambos considerados sem lógica em suas exigências Em relação à sua vida conjugal J expressou frustração em relação à sua esposa citando um recente convite dela para não chegar tarde em casa mas sem clareza sobre o compromisso Ele observou que essa instabilidade gera ansiedade pois pode se tratar de um convite para um momento agradável ou uma conversa sobre separação J revelou que já considerou a separação em duas ocasiões mas uma oração em um momento de reflexão o levou a interpretar que deveria permanecer no casamento especialmente após a notícia da gravidez de sua filha J também trouxe à tona a dificuldade financeira que enfrenta atribuindo parte da culpa a sua esposa Ele explicou que após ela seguir um guru financeiro e fazer investimentos de alto risco acabou assumindo uma dívida significativa com a compra de um carro cujas parcelas se tornaram uma carga pesada comprometendo seu orçamento Atualmente J mencionou que não recebe ajuda dela para os gastos uma vez que ela também 34 lida com suas próprias dívidas O medo de perder a esposa e os filhos é um tema recorrente em suas queixas J expressou preocupações sobre a possibilidade de sua esposa levar as crianças para morar com a família dela em Amaporã o que o angustia especialmente em relação à influência negativa que a família dela pode ter sobre os filhos Um aspecto positivo observado na sessão foi a disposição de J em agir de forma proativa Ele demonstrou interesse em ter uma conversa direta com seu chefe para discutir suas preocupações e buscar um entendimento mais claro sobre suas responsabilidades RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 290525 IntervençãoSessão nº 4 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 29052025 J Comecou a sessão dizendo que seu filho esta mentindo muito que isso está o preocupando Perguntei se as mentiras são histórias inventadas J Explicou que as mentiras são feitas a partir de uma discussão na qual ele faz uma coisa e nega ter feito Como por exemplo quando sua mãe reclamou que ele não tinha feito a tarefa e quando ele perguntou ele disse que havia feito só depois de muita insistência que admitiu não ter feito J disse que seu filho não tem muito gosto pelos estudos e que nisso é muito diferente dele Perguntei se tem coisas semelhantes com filho disse que sim a personalidade forte de confrontar os pais disse que é igual e que inclusive seu comportamento era diferente dos outros dois irmãos pergunte se era o mais velho ele disse que era o mais novo Lembrou de um dia que entrou em confronto com seu pai pois avisou que eatava estava indo para uma festa em astorga e seu pai disse que nao 35 iria ele então falou que estava apenas avisando Lembrou que seus pais fazia tudo por ele desde o levar a escola buscar e que por exemplo nunca cozinhou sendo isso uma das críticas que Érica sua esposa faz a ele Foi se sentir mais dependente quando deixou Marília e veio para Maringa estudar Perguntei entao como foi que os seus pais vieram para Maringá Falou que ele passou no vestibular na UEM e veio morar com um primo dele no segundo ano de faculdade ele foi morar sozinho entao primeiro veio sua mãe mas deixou bem claro que nao queria ser vigiado depois veio seu pai e sua irmã e seu cunhado Após a faculdade arrumou emprego em Astorga em uma usina Morava em um quarto com banheiro apenas Neste período engravidou a Érica então ela foi morar com seus pais e ele se viu obrigado a voltar e arrumar uma casa para morar um junto com a Érica e seu filho que iria nascer RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 100525 IntervençãoSessão nº 5 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 10062025 Na sessão de hoje J chegou com um atraso de 20 minutos justificandose com problemas relacionados ao serviço Ele também mencionou a ausência na sessão anterior devido a uma viagem durante a qual não teve acesso ao celular Ao longo da conversa J expressou uma série de dificuldades que enfrenta tanto em sua vida profissional quanto no âmbito familiar Ele relatou uma sobrecarga significativa de trabalho mencionando a dificuldade em gerenciar sua carga horária o que parece impactar sua saúde mental e emocional refletindo um estado de estresse e cansaço J trouxe à tona a situação de sua esposa Érica que continua apresentando oscilações de humor Ao questionálo sobre o cansaço que isso poderia causar ele afirmou ter se acostumado e optado por uma postura passiva diante das oscilações dela Exemplos foram dados para ilustrar essa dinâmica em uma visita recente dos padrinhos do 36 filho Érica começou a reclamar que ele não ajuda em casa J optou por se afastar da situação indicando uma estratégia de evitar conflitos Outro exemplo relevante foi o incidente em que seu filho se queimou com um ferro quente J relatou que Érica o culpou pela situação mesmo reconhecendo que ela deveria ter mais cuidado com a criança que estava sob sua responsabilidade na parte superior da casa Essa dinâmica de culpas parece ser um padrão recorrente no relacionamento onde Érica projeta suas frustrações em J Durante a sessão J foi questionado sobre a natureza do relacionamento com Érica Ele mencionou que embora tenham momentos de boa convivência a situação se torna complicada em momentos de tensão A comunicação entre eles parece frágil especialmente em situações emocionais delicadas J trouxe um episódio marcante de uma terapia de casal onde Érica respondeu não sei quando questionada se ainda se gostam evidenciando a ambivalência no relacionamento J relatou que sempre percebeu Érica com esse comportamento desde o início do relacionamento que começou na empresa onde trabalhavam A narrativa de como se conheceram sugere uma atração inicial mas também revela que desde o início houve uma desarmonia que pode ter se intensificado com o tempo A gravidez planejada e a mudança para a casa dos pais de Érica também foram pontos importantes trazendo à tona atritos familiares que contribuíram para a tensão no relacionamento A sessão foi encerrada com a proposta de retomar as questões levantadas nas próximas conversas permitindo que J reflita sobre as dinâmicas familiares e emocionais discutidas É fundamental continuar trabalhando na comunicação e na compreensão mútua entre J e Érica assim como explorar mais a fundo as questões de culpa e frustração que permeiam o relacionamento Os próximos passos incluem explorar as dinâmicas de culpa e projeção de frustrações focar na melhoria da comunicação entre J e Érica e analisar o impacto da carga de trabalho na saúde emocional de J RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 170625 IntervençãoSessão nº 5 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 37 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 17062025 J Se atrazou vinte minutos novamente Cemecei a sessão lembrando de uma fala de J A qual dizia que alguma coisa o atraiu na Érica Então fiz a pergunta o que seria esse algo que o atraiu nela Respondeu que ela tinha algo que a sua ex namorada não tinha Perguntei o que seria Disse que teve duas namoradas antes da Érica e que a primeira era mais velha que ele e tinham pensamentos diferentes sobre a vida Ela pensava em casar pois já era formada e quando ele estava ainda na faculdade e queria aproveita mais a vida Então conheceu a segunda namorada e ficaram pouco tempo em torno de 9 meses Ela o achou para jantar e disse que não queria mais continuar ficou muito mal e mantinha contato com ela por mensagens até que um dia ela mandou uma mensagem falando que não queria mais conversar com ele para não dar esperanças foi aí que disse que tinha que deixar de ser trouxa e seguir sua vida e cortar contato com ela Disse que foi interessante pois neste dia que ele viu a Érica pela primeira vez mas apenas achou uma mulher bonita e admirou que ela trabalhando em um chão de fábrica onde os homens de todas as idades mexiam com ela sempre se deu ao respeito Então concluiu que a Érica diferente da antiga namorada sempre o respeitou Mesmo quando não namorava ela se dava ao respeito mantendo a distância das pessoas e até hoje é assim Sua antiga namorada era muito de brincar com as pessoas inclusive com homens isso o deixava e acredita que se permanecesse com ela o deixaria inseguro Perguntei se quanto a palavra respeito o qual diz a Érica ter para com ele não sente desrespeitado quando ela fala mal dele na frente dele para as outras pessoas Respondeu nisso sim é muito ruim isso que ela faz Perguntei se ele acredita que ela tem a imagem dele das reclamações que ela faz dele para as pessoas Respondeu que acha que sim mas também vê momentos em que ela é carinhosa com ele Continuou que percebe quando ela se frustra com alguma coisa no trabalho ela desconta nele Mas acredita que ela tenha sentimento por ele Antes do namoro ela era apegada a ele e muito mais carinhosa quando nasceu seu primeiro filho ela se apegou demais e tinha nele uma fixação exagerada depois que nasceu a filha deixou o filho de lado e tem essa fixação com a filha Como o tempo estava acabando concluí a sessão 38 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 010725 IntervençãoSessão nº 8 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 01072025 J apresentouse atrasado chegando aproximadamente 15 minutos após o início da sessão Quando questionado acerca do motivo de sua ausência na sessão anterior esclareceu que esteve viajando a trabalho demonstrando esforço em justificar as faltas e admitindo que anteriormente por uma única ocasião não enviou justificativa No entanto reforçou que naquela última ausência explicou a ausência devido à viagem profissional Durante a sessão comentou que pretendia falar de trás para frente o que inicialmente suspeitei tratarse de uma abordagem reflexiva sobre os eventos recentes confirmação essa que veio com sua narrativa subsequente J contou que seu chefe foi demitido recentemente causando uma situação de caos na empresa na qual recaiu sobre ele a responsabilidade de assumir temporariamente funções de liderança já que ocupava uma posição de coordenação abaixo do seu antigo chefe Destacou que seu expatrão tinha um comportamento de soberba exibindo arrogância e uma postura de superioridade por possuir trinta anos de experiência Quando questionei se essa postura afetava sua performance ou relação no trabalho ele respondeu que o problema principal não era a postura do chefe mas sim as dificuldades relativas à gestão de perdas financeiras que estavam aumentando de forma preocupante J revelou que em uma viagem a Umuarama e Foz do Iguaçu participou de ações voltadas para analisar perdas constatando uma perda de aproximadamente 4 milhões Sua função era desenvolver estratégias para reduzir essa perda mas percebeu que ao invés disso o cenário se agravava e sua principal responsabilidade se limitava a exercer pressão sobre si mesmo e sobre sua equipe 39 J admitiu não sentir alívio após a demissão do antigo chefe demonstrando respeito e consideração por ele reconhecendo que foi o responsável por sua contratação apesar das dificuldades de relacionamento Relatou que se sentia pressionado pela postura do exchefe o que lhe causava malestar Durante a viagem de trabalho J descreveu que trabalhou além do horário habitual inclusive no sábado para apresentar relatórios de perdas ao seu patrão na expectativa de obter um momento de análise e discussão dos resultados na sextafeira mas isso não ocorreu pois seu chefe o criticou em vez de dialogar A sensação de frustração por esse episódio foi perceptível Pelo tempo curto encerramos a sessão J Pediu desculpas pelo atraso e disse que ele tem mandado no número que tem da clínica avisando sobre seus atrasos RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 150725 IntervençãoSessão nº 8 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 15072025 Na última reunião J chegou pontual e embora não tenha justificado sua ausência explicou que teve que comparecer à apresentação da filha na escola durante a Festa Junina Ele compartilhou os desafios que enfrenta no trabalho mencionando a falta de referências sobre com quem conversar e a pressão que sente de três diretores que o cobram de maneira diferente Durante a conversa ele relatou um episódio em que um dos diretores o chamou para uma reunião enquanto estava atendendo a uma demanda o que aumentou sua confusão sobre a quem realmente deve prestar contas J também expressou sua preocupação com a relação com seu filho que apresentou um comportamento estranho recentemente Ele compartilhou um conflito em que chamou o filho de mentiroso o que resultou em um impulso de agressão ao dar um soco em sua perna O motivo do desentendimento foi que o filho estava assistindo a vídeos no YouTube mesmo 40 sabendo que tanto ele quanto a mãe não queriam que ele visse aquele conteúdo Após o incidente J ficou angustiado e acabou se retirando do local mas o filho pediu desculpas assim como sua esposa que ressaltou que a forma de educar não deveria ser a violência J refletiu sobre a dificuldade de criar os filhos nos dias de hoje comparandose a sua própria infância quando ele enfrentou reprimendas severas de seus pais Ele mencionou que na sua visão a educação dos filhos atualmente é marcada pela permissividade Sua esposa por sua vez relatou uma situação em que em um momento de desespero deu um tapa no rosto do filho quando ele a desafiou demonstrando que ambos os pais ainda estão aprendendo sobre a melhor forma de educar A conversa também abordou o desempenho escolar do filho J comentou que apesar de não estar com notas ruins ele se mostra distraído e desinteressado nas tarefas de casa Para ajudar os avós do menino estão contribuindo financeiramente para que ele frequente sessões com uma psicopedagoga A possibilidade de o filho ter TDAH foi levantada pela esposa que se identificou com alguns dos comportamentos do filho J mostrouse compreensivo e observador notando que o filho tem hiperfoco em determinados assuntos como música e esportes o que pode indicar características do TDAH Por fim J se considera alguém que se concentra profundamente nas atividades ao contrário de Érica de sua esposa que tende a se distrair facilmente Reconhece que a personalidade dos filhos é uma mistura dele com sua mulher com características físicas e intelectuais que remetem a cada um FACULDADE INGÁ CURSO DE PSICOLOGIA RODOLFO RODRIGO BENEDETTI RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL III CLÍNICA DE PSICOLOGIA UNINGÁ MARINGÁ 2025 RODOLFO RODRIGO BENEDETTI RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL III CLÍNICA DE PSICOLOGIA UNINGÁ Relatório apresentado ao curso de Psicologia do Centro Universitário Ingá na disciplina de estágio de formação profissional III como requisito parcial para obtenção de nota no curso de Psicologia da faculdade INGÁ Prof Ms Bruna Luzia Garcia de Oliveira MARINGÁ 2025 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO4 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA5 21 Primeiro contato e entrevista com o paciente6 211 A importância da entrevista inicial na terapia psicanalítica6 212 Expectativas na terapia analítica o papel do paciente e do psicanalista8 22 A evolução do diagnóstico psicanalítico9 23 Regras psicanalíticas da atualidade11 231 Regra da abstinência12 232 Regra da atenção flutuante13 233 Regra da neutralidade14 234 Regra do amor à verdade15 24 As funções do analista17 241 Escuta analítica e Setting17 242 Transferência e contratransferência17 243 Autoconhecimento e resistências17 244 Ética e formação do psicanalista17 245 A transformação subjetiva como horizonte clínico18 25 A compreensão do relacionamento interpessoal sob a perspectiva da psicanálise18 251 As pulsações e vínculos na teoria psicanalítica o papel da pulsão e do desejo 19 252 Significado simbólico e mitológico das relações conjugais19 253 Alianças inconscientes e a formação psíquica do vínculo amoroso20 254 Vínculos afetivos segundo Bion espaço psíquico e conteúdo emocional21 255 O casal como uma unidade psíquica e a influência do desenvolvimento emocional22 3 METODOLOGIA22 4 PROCESSO TERAPÊUTICO23 41 ANÁLISE DO PROCESSO TERAPÊUTICO25 411 Análise psicanalítica do caso do paciente25 412 Inconsciente e conflitos internos26 413 Dinâmicas relacionais e alianças inconscientes26 414 Mecanismos de defesa e intelectualização27 415 Mudança e desenvolvimento pessoal27 416 A autonomia emocional e respeito mútuo28 Referências29 5 ANEXO A Atendimento dia 29042531 6 ANEXO B Atendimento dia 06052533 7 ANEXO C Atendimento dia 20052535 8 ANEXO D Atendimento dia 29052537 9 ANEXO E Atendimento dia 10052539 10 ANEXO F Atendimento dia 17062541 11 ANEXO G Atendimento dia 07072543 12 ANEXO H Atendimento dia 15072545 4 1 INTRODUÇÃO O presente relatório tem como objetivo refletir sobre a experiência de estágio supervisionado em Psicologia com ênfase na prática clínica orientada pela abordagem psicanalítica e a partir da articulação entre teoria e prática buscase apresentar os principais fundamentos teóricos que sustentaram a atuação descrever a vivência do estágio e analisar criticamente os aspectos éticos e técnicos envolvidos no processo Conforme a Resolução n 62011CNEMEC o estágio supervisionado é um componente crucial na formação em Psicologia dividido em duas etapas o Estágio Supervisionado Básico realizado no 3 ano que se concentra na integração de competências por meio de visitas técnicas e observações e os Estágios Supervisionados de Formação desenvolvidos nos 4 e 5 anos voltados ao aprofundamento profissional em áreas específicas como clínica institucional escolar e organizacional Cada etapa é organizada por meio de projetos de ensino elaborados pelos professores supervisores os quais incluem justificativas competências a serem desenvolvidas métodos de trabalho e critérios de avaliação A supervisão ocorre na ClínicaEscola de Psicologia do Centro Universitário Ingá Uningá em grupos de até seis alunos com o propósito de promover uma formação crítica e prática para os futuros psicólogos Este relatório está alinhado à estrutura e regulamentação dos Estágios Supervisionados do curso de Psicologia da Uningá conforme descrito nos documentos institucionais Os alunos do 5º ano devem cumprir um total de 200 horas no Estágio de Formação III e 160 horas no Estágio de Formação IV com carga horária distribuída ao longo dos períodos letivos regulares sem previsão de interrupções para férias intermediárias Os estágios são formalizados por meio de instrumentos jurídicos entre o Centro Universitário Ingá e as instituições concedentes sendo realizados tanto na ClínicaEscola de Psicologia da Uningá quanto em instituições conveniadas como hospitais unidades básicas de saúde instituições de educação infantil e educação especial entre outras A supervisão dos estágios é de responsabilidade dos professores supervisores do supervisor de estágio e da coordenação do curso Os professores supervisores são docentes do curso de Psicologia atuando conforme suas áreas de formação e experiências profissionais e em casos específicos profissionais de áreas técnicas externas podem ser incluídos na supervisão mediante solicitação escrita e aprovação institucional Durante todo o processo o Código de Ética 5 Profissional do Psicólogo aprovado em agosto de 2005 pelo Conselho Federal de Psicologia serve como guia essencial para a prática profissional Este documento elaborado em um contexto de transformações sociais e demandas profissionais reforça princípios como o respeito à dignidade humana a promoção da saúde e a qualidade dos serviços psicológicos além de definir deveres proibições e penalidades para assegurar uma atuação ética e responsável A estrutura do relatório segue três eixos principais inicialmente uma fundamentação teórica baseada em autores da psicanálise seguida da descrição detalhada da experiência prática em contexto clínicoinstitucional Em seguida são discutidas as implicações éticas da atuação profissional conforme previsto no Código de Ética do Psicólogo e propõese uma análise crítica dos desafios e aprendizados construídos ao longo do estágio Por fim o texto conclui com considerações sobre a integração entre teoria prática e ética na formação do psicólogo ressaltando a importância do estágio supervisionado como espaço de consolidação do conhecimento e da identidade profissional 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A psicanálise desde seus fundamentos estabelecidos por Freud consolidou se como um campo teóricoclínico de grande complexidade enriquecido ao longo do século XX por contribuições de diversos autores Inicialmente Freud estruturou pilares centrais como o conceito de inconsciente a sexualidade infantil os mecanismos de defesa e a transferência que permanecem como eixos estruturantes da prática psicanalítica Em A Interpretação dos Sonhos 1900 obra seminal ele enfatiza a função do inconsciente na produção simbólica demonstrando que os processos psíquicos transcendem a consciência imediata Essa perspectiva revolucionária revela que o sujeito não é plenamente senhor de sua própria razão uma ideia que redefine a compreensão do sofrimento humano Ao reconhecer a dimensão inconsciente como núcleo da subjetividade Freud inaugurou uma metodologia clínica baseada na escuta atenta da singularidade do paciente e na valorização de sua narrativa Essa abordagem detalhada em suas obras FREUD 2016 desloca a ênfase de interpretações normativas para uma prática que acolhe a ambiguidade e a multiplicidade de sentidos presentes no discurso Dessa forma a psicanálise não apenas ampliou o horizonte teórico sobre a 6 mente humana mas também estabeleceu um paradigma ético e técnico orientado pelo respeito à expressão individual legado que continuou a ser expandido e reinterpretado por gerações posteriores de analistas 21 Primeiro contato e entrevista com o paciente A comunicação não verbal constitui um elemento fundamental nas interações humanas sobretudo nas etapas iniciais de um relacionamento seja em âmbito pessoal ou profissional Essa forma de expressão que engloba gestos expressões faciais postura e movimentos corporais transcende a dimensão verbal revelando emoções genuínas e facilitando a construção de conexões mais profundas entre os indivíduos Durante os primeiros contatos a habilidade de decifrar esses sinais tornase especialmente relevante já que eles podem transmitir nuances como interesse confiança abertura ou resistência muitas vezes de maneira mais autêntica do que as palavras Zimmerman 2004 Além de expressar sentimentos a comunicação não verbal atua em paralelo à linguagem falada servindo como um complemento essencial para a clareza das mensagens Ao harmonizar gestos tom de voz e expressões com o conteúdo verbal reduzse o risco de ambiguidades e malentendidos permitindo que a intenção comunicativa seja transmitida com maior precisão Segundo Zimerman 2004 Essa sincronia entre o que é dito e o que é demonstrado corporalmente não apenas fortalece a credibilidade do emissor como também promove um diálogo mais coeso e empático Reconhecer a relevância desses elementos é portanto determinante para otimizar a qualidade das interações em diferentes contextos seja em uma negociação profissional no estabelecimento de vínculos afetivos ou em situações cotidianas a atenção aos sinais não verbais possibilita uma leitura mais integral do outro favorecendo relações baseadas em compreensão mútua e efetividade comunicativa 211 A importância da entrevista inicial na terapia psicanalítica A entrevista inicial configurase como um momento decisivo na prática psicanalítica estabelecendo as bases para o relacionamento terapêutico e permitindo que tanto o analista quanto o paciente avaliem a compatibilidade e a 7 viabilidade do tratamento Esse contato preliminar que pode se estender por mais de um encontro dependendo das particularidades do paciente não se limita a uma mera formalidade Mesmo em situações em que o terapeuta já reconhece a impossibilidade de assumir um tratamento sistemático a realização de uma entrevista de avaliação mantém seu valor pois possibilita orientações ou encaminhamentos adequados preservando o compromisso ético com o cuidado Zimmerman 2004 Para Zimerman 2004 será importante diferenciar a entrevista inicial da primeira sessão analítica pois enquanto a primeira ocorre antes da formalização do contrato terapêutico funcionando como um espaço de avaliação mútua a segunda marca o início efetivo da análise A profundidade e a duração dessa etapa variam conforme o repertório prévio do paciente aqueles familiarizados com o processo psicanalítico podem experienciar um fluxo mais ágil enquanto indivíduos que buscam alívio imediato para sintomas demandam uma abordagem mais cautelosa capaz de acolher ansiedades e expectativas não verbalizadas O objetivo central da entrevista inicial reside na avaliação das condições mentais emocionais e contextuais do paciente permitindo ao analista ponderar riscos e benefícios do tratamento Essa análise inclui a identificação da psicopatologia apresentada a elaboração de uma impressão diagnóstica e prognóstica e a atenção aos efeitos contratransferenciais que emergem na interação Nesse contexto o uso de classificações como o DSMIVTR que abrange aspectos sindrômicos transtornos de personalidade e estressores ambientais exige uma abordagem multidimensional integrando dimensões dinâmicas como conflitos inconscientes evolutivas histórico de desenvolvimento e comunicacionais formas de expressão e resistências Zimmerman 2004 Além da avaliação técnica a entrevista demanda uma escuta sensível às motivações e expectativas do paciente que nem sempre coincidem com o projeto terapêutico do analista A veracidade das queixas o grau de insight e a disposição para engajarse em um processo introspectivo são fatores críticos Paralelamente o terapeuta deve confrontar suas próprias limitações e reações emocionais evitando avaliações precipitadas baseadas em impressões superficiais Assim a entrevista inicial transcende sua função diagnóstica é um espaço de negociação simbólica no qual paciente e analista delineiam a possibilidade de uma jornada compartilhada 8 212 Expectativas na terapia analítica o papel do paciente e do psicanalista O papel do analista assume centralidade já na primeira entrevista momento em que ele se apresenta como profissional fundamentado em sua formação teórica e experiência clínica contudo para o paciente essa figura ainda não está consolidada como referência terapêutica É através da transferência processo no qual o paciente atribui ao analista emoções e expectativas originadas em relações passadas que se estabelece a possibilidade de reconhecêlo como guia no processo analítico Segundo Chemama 2002 esse fenômeno é estruturante nas entrevistas preliminares pois cria um vínculo que permite ao paciente confiar na direção proposta pelo tratamento mesmo em um contexto de incerteza inicial Nesse cenário as expectativas mútuas entre paciente e analista são determinantes para o avanço da terapia O paciente é convidado a assumir uma postura ativa engajandose de maneira autêntica na exploração de suas vivências emocionais Esse compromisso não se resume à verbalização de sintomas mas envolve a disposição para confrontar resistências e ambiguidades inerentes ao processo introspectivo Paralelamente cabe ao psicanalista definir com clareza suas motivações para acolher o caso delineando um projeto terapêutico que oriente suas intervenções Essa delimitação não é estática exige flexibilidade para adaptarse às demandas emergentes sem perder de vista os objetivos centrais do tratamento Zimmerman 2004 A preparação do analista para lidar com desafios emocionais como situações transferenciais intensas ou manifestações de contratransferência é um pilar da prática clínica A empatia aliada ao reconhecimento das próprias limitações e reações inconscientes permite que ele sustente um ambiente seguro onde o paciente se sinta acolhido em sua vulnerabilidade Essa habilidade não se restringe à técnica envolve uma reflexão contínua sobre como as histórias pessoais do terapeuta podem influenciar sua escuta exigindo um equilíbrio delicado entre envolvimento e neutralidade Além disso o contexto físico e emocional em que o analista trabalha repercute diretamente na qualidade do atendimento no qual manter um ambiente organizado e garantir um equilíbrio entre vida profissional e pessoal não são meros detalhes operacionais mas condições essenciais para preservar a integridade do setting terapêutico 9 O autocuidado do analista incluindo a gestão do estresse e a supervisão regular assegura que ele esteja emocionalmente disponível para acolher as demandas complexas do paciente evitando esgotamento ou interferências prejudiciais assim a interação entre paciente e analista revelase uma teia de interdependências na qual a clareza técnica a ética do cuidado e a gestão das emoções se entrelaçam A primeira entrevista longe de ser um mero protocolo é um microcosmo desse processo nela avaliamse não apenas as condições psíquicas do paciente mas também a capacidade do analista de sustentar uma aliança terapêutica pautada pela confiança e pelo rigor metodológico Essa sintonia inicial quando bem conduzida lança as bases para um trabalho transformador onde a complexidade humana é abordada em sua plenitude Zimmerman 2004 22 A evolução do diagnóstico psicanalítico O diagnóstico psicanalítico contemporâneo configurase como um campo em constante evolução que busca transcender as classificações clássicas das doenças mentais Essa abordagem prioriza um entendimento profundo do paciente considerando não apenas os aspectos sintomáticos mas também as dinâmicas psíquicas subjacentes Nesse contexto a avaliação do prognóstico emerge como elemento central frequentemente realizada ao longo do processo analítico dinâmica que pode surpreender tanto o analista quanto o analisando revelando nuances que ultrapassam as expectativas iniciais e destacando a complexidade humana em sua busca por autoconhecimento Um dos critérios fundamentais nesse paradigma é o de acessibilidade que se concentra na motivação coragem e capacidade do paciente de permitir o acesso ao seu inconsciente Zimmerman 2004 Essa compreensão é particularmente relevante na seleção de pacientes que à primeira vista podem ser considerados de difícil acesso como aqueles com regressões significativas ou paradoxalmente com estrutura psíquica aparentemente bem ajustada Para Bechara 2009 a psicanálise contemporânea tem se mostrado receptiva a configurações diversas adaptando técnicas e táticas para atender às necessidades específicas de cada indivíduo o que reforça sua flexibilidade como ferramenta terapêutica Observase ainda uma diminuição progressiva dos critérios de contraindicação na prática clínica atual refletindo maior abertura à diversidade de 10 pacientes Questões como a idade antes vistas como limitantes são agora abordadas com relativismo permitindo a inclusão de crianças e idosos no tratamento psicanalítico com resultados positivos Além disso a psicanálise contemporânea não hesita em enfrentar situações críticas como quadros emocionais agudos integrandose a outros recursos como psicofármacos em uma abordagem holística que busca eficácia sem abandonar a profundidade analítica O diagnóstico clínico psicanalítico é permeado por um relativismo acentuado no qual condições aparentemente alarmantes como uma reação esquizofrênica aguda podem ter prognóstico favorável se manejadas com competência técnica enquanto neuroses crônicas podem apresentar desafios imprevistos Essa dualidade exige do analista um olhar crítico e atento capaz de discernir as nuances singulares de cada caso sem se apoiar em generalizações Entretanto algumas contraindicações permanecem inegáveis como a degenerescência mental a incapacidade de abstração e casos com motivações distorcidas Em situações de avaliação inicial inconclusiva a análise de prova surge como alternativa viável Essa abordagem que prolonga a entrevista inicial permite uma reflexão mais detalhada sobre as condições do paciente antes da formalização do contrato analítico assegurando que ambos analista e analisando possam estabelecer um vínculo seguro e comprometido Essas práticas alinhamse à Resolução CFP nº 0052025 que enfatiza a supervisão e orientação de estágios em Psicologia com base em fundamentação teórica e ética A psicanálise contribui não apenas com técnicas específicas mas com uma postura clínica que valoriza a alteridade o silêncio a história singular e o tempo subjetivo Essa escuta ética associada ao rigor técnico oferece ao profissional de Psicologia uma base sólida para atuar em contextos clínicos diversos mantendo o compromisso com o sofrimento humano em sua complexidade e singularidade Assim a psicanálise reafirma seu papel na saúde mental contemporânea um campo que se reinventa e se amplia acolhendo a diversidade de pacientes e integrandose a marcos regulatórios que fortalecem a formação crítica e ética dos futuros psicólogos Zimmerman 2004 11 23 Regras psicanalíticas da atualidade A evolução das regras fundamentais da psicanálise ao longo do tempo reflete as transformações nas dinâmicas sociais e nas expectativas dos pacientes A regra da livre associação de ideias que enfatiza a verbalização espontânea por parte do paciente mantém sua centralidade mas sua aplicação prática tem se adaptado às demandas atuais Hoje os analistas reconhecem a necessidade de criar um ambiente terapêutico que favoreça não apenas a expressão livre mas também a autenticidade considerando a diversidade de experiências e a complexidade das questões contemporâneas trazidas pelos pacientes Essa adaptação não descaracteriza a técnica mas amplia sua capacidade de acolher subjetividades em contextos cada vez mais pluralizados Zimmerman 2004 A regra da abstinência tradicionalmente associada à contenção de gratificações pessoais por parte do analista tem sido reinterpretada em um cenário clínico que valoriza a empatia e a conexão humana Embora sua essência evitar satisfações substitutivas que desviem o foco do processo analítico permaneça válida a prática contemporânea enfrenta o desafio de equilibrar essa contenção com a construção de uma relação de confiança e segurança Essa tensão produtiva permite que a relação analítica transcenda a função meramente interpretativa tornandose um espaço de interação genuína onde a vulnerabilidade é reconhecida como parte integrante do trabalho terapêutico Souza e Coelho 2012 Por outro lado Zimerman 2004 também afirma que a regra da neutralidade que historicamente exigia um distanciamento emocional do analista é revisitada à luz de abordagens que defendem maior transparência na relação terapêutica Isso não implica a perda da postura técnica mas o reconhecimento de que a neutralidade pode coexistir com uma presença mais autêntica O analista contemporâneo ao acolher suas próprias emoções e reações contratransferenciais pode oferecer uma escuta mais engajada sem abandonar o rigor metodológico Essa flexibilidade não enfraquece o setting mas o torna mais sensível às nuances afetivas que emergem no processo A ênfase na verdade e na honestidade incorporada como uma quinta regra em discussões recentes responde à demanda por autenticidade nas relações terapêuticas pois os pacientes buscam não apenas uma análise técnica mas uma conexão que os auxilie a navegar realidades emocionais complexas marcadas por 12 incertezas e paradoxos da vida moderna Essa dimensão exige que analista e paciente se envolvam em um processo de descoberta mútua onde a honestidade tanto sobre limites quanto sobre possibilidades fortalece a aliança terapêutica Assim as regras psicanalíticas embora preservem seu núcleo ético e técnico demandam revisão contínua para dialogar com as transformações sociais e científicas A prática clínica atual ao integrar essas adaptações não apenas honra o legado freudiano mas assegura que a psicanálise permaneça relevante como ferramenta de compreensão e intervenção diante das complexidades humanas do século XXI 231 Regra da abstinência A regra da abstinência formulada por Freud em 1915 surgiu em resposta ao desenvolvimento de vínculos eróticos entre pacientes histéricas e analistas em um período em que as análises eram breves Com a expansão da psicanálise e o aumento das críticas sobre a sexualidade na prática clínica Freud viu a necessidade de estabelecer limites claros para evitar envolvimentos sexuais entre analistas e analisandos Em 1912 ele começa a esboçar essa diretriz preocupado com a integridade ética da psicanálise A abstinência implica que o psicanalista deve absterse de qualquer atividade além da interpretação proibindo gratificações externas e preservando o anonimato do paciente posição reforçada por Freud em 1918 em seus escritos sobre terapias psicanalíticas Zimmerman 2004 Ressaltase a relevância da abstinência analítica conforme proposta por Freud que defende que os analistas evitem gratificações externas e intervenções significativas na vida dos pacientes durante o tratamento Para ele era imperativo que os pacientes não tomassem decisões importantes como escolhas profissionais ou amorosas sem uma análise prévia a fim de evitar que impulsos inconscientes fossem mal direcionados protegendoos de possíveis danos Entretanto críticas contemporâneas apontam que a interpretação rígida dessa recomendação pode levar a um distanciamento excessivo entre analista e analisando prejudicando o tratamento A preocupação freudiana com envolvimentos emocionais e sexuais embora válida corre o risco de ser aplicada de forma extremada gerando uma dinâmica fóbica que compromete a aliança terapêutica Zimmerman 2004 13 Com a evolução da prática psicanalítica observase uma mudança significativa no perfil emocional e situacional dos pacientes assim como nas condições sociológicas e econômicas em que a análise ocorre Muitos analistas contemporâneos adotam portanto uma postura mais flexível promovendo um ambiente acolhedor e interativo sem abandonar a estrutura normativa do setting analítico Argumentase que a rigidez na aplicação das diretrizes originais de Freud pode criar um clima de falsidade e paranoia Assim uma abordagem adaptativa e humanizada é considerada essencial nas práticas atuais permitindo que analistas se conectem de maneira autêntica com seus pacientes fator que pode potencializar a eficácia do processo terapêutico O conceito de amor de transferência na psicanálise evidencia a evolução das práticas desde Freud destacando os riscos de envolvimento emocional entre analista e paciente A abstinência do psicanalista permanece crucial para evitar a gratificação de desejos que refletem carências do próprio terapeuta não do paciente É fundamental diferenciar curiosidades patológicas que demandam interpretação daquelas saudáveis que merecem acolhimento como expressões genuínas do sujeito Além disso as atitudes em relação a encontros sociais entre analistas e pacientes modificaramse antes rigidamente evitados hoje são abordados com maior flexibilidade ainda que cautelosa Zimerman 2004 aponta essa mudança a qual reflete uma adaptação às demandas contemporâneas sem descuidar dos princípios éticos que preservam a integridade do vínculo terapêutico 232 Regra da atenção flutuante A regra da atenção flutuante proposta por Freud estabelece um princípio fundamental para a prática analítica implicando a criação de condições que favoreçam uma comunicação autêntica entre os inconscientes do analista e do paciente Bion amplia essa concepção ao destacar o papel da intuição frequentemente obscurecida pela ênfase excessiva na percepção sensorial como ferramenta essencial para decifrar as camadas simbólicas do discurso Zimmerman 2004 Uma das dificuldades centrais para o analista reside em sua capacidade de se desvincular de desejos e memórias pessoais durante o processo Embora seja natural que emoções surjam é importante que o terapeuta mantenha clareza sobre 14 esses sentimentos discriminando adequadamente entre suas experiências subjetivas e as dinâmicas transferenciais em jogo Essa distinção preserva a neutralidade técnica e assegura que as intervenções estejam alinhadas às necessidades do paciente evitando projeções que comprometam a eficácia terapêutica A prática psicanalítica exige assim uma dissociação útil habilidade de reconhecer e diferenciar as diversas áreas do mapa psíquico do analista incluindo emoções que emergem durante a sessão Essa dissociação sustenta tanto a teorização flutuante entendida como a capacidade de elaborar hipóteses sem fixação prévia quanto à atenção flutuante que consiste em uma escuta aberta a múltiplos significados Esses mecanismos facilitam a conexão com a realidade externa e com o inconsciente permitindo uma escuta intuitiva que capta nuances escapadas a abordagens lineares Souza e Coelho 2012 Por outro lado uma atenção excessivamente direcionada pode levar a um estado patogênico no qual o analista busca informações irrelevantes à situação analítica movido por curiosidade pessoal ou necessidade de controle Essa postura desvia o foco do trabalho terapêutico e pode gerar vínculos transferenciais prejudiciais nos quais as projeções do analista contaminam a relação Além disso a tentativa de manter a atenção flutuante de forma rigorosa pode gerar desconforto e sensação de fracasso no analista já que divagações e distrações são inevitáveis durante as sessões A flexibilidade mental tornase portanto um elementochave pois ela permite que o analista navegue entre suas próprias emoções e as dinâmicas do setting terapêutico ajustandose às flutuações do processo sem perder a postura técnica necessária Essa habilidade reconhece que a eficácia reside no equilíbrio entre disciplina clínica e adaptação às contingências humanas Zimmerman 2004 233 Regra da neutralidade A regra da neutralidade conforme proposta por Freud é um princípio essencial na psicanálise sugerindo que o psicanalista deve atuar como um espelho opaco refletindo apenas o conteúdo apresentado pelo paciente e evitando expor suas próprias emoções Embora o termo neutralidade não seja frequente em seus textos Freud defende uma postura imparcial distante da indiferença que poderia prejudicar o processo analítico Essa neutralidade inclui a gestão dos desejos do 15 analista permitindo uma interação aberta e profunda com o paciente o que cria um ambiente favorável à exploração emocional e psicológica Pinheiro 1999 Contudo a regra da neutralidade tem sido reavaliada na prática contemporânea distante da visão tradicional de Freud que comparava o analista a um espelho mecânico Atualmente entendese que o analista deve funcionar como um espelho que possibilita ao paciente uma reflexão abrangente sobre si mesmo sem que isso implique a supressão total de sua subjetividade A neutralidade é reconhecida como um ideal inatingível já que o analista inevitavelmente traz suas crenças valores e perspectivas para a relação terapêutica influenciando dinâmicas interpretativas e escolhas técnicas Zimmerman 2004 O envolvimento afetivo do terapeuta desde que não se torne patológico é considerado essencial para estabelecer uma aliança terapêutica significativa As escolhas interpretativas como decidir quando intervir ou como formular uma interpretação revelam a subjetividade inerente à prática demonstrando que a neutralidade não se traduz em ausência de posicionamento mas em um equilíbrio entre acolhimento e contenção Essa postura permite que o paciente se sinta reconhecido em sua singularidade ao mesmo tempo que preserva o espaço analítico como um campo de investigação livre de projeções excessivas do terapeuta Assim a neutralidade na psicanálise contemporânea não nega a influência do analista mas reconhece a complexidade de sua função ser um interlocutor que mesmo com suas limitações humanas mantém o foco no processo de desvelamento do inconsciente equilibrando técnica e sensibilidade Zimmerman 2004 234 Regra do amor à verdade A psicanálise segundo Freud fundamentase na verdade e na ética sendo a honestidade do psicanalista um elemento fundamental para promover mudanças significativas nos pacientes O terapeuta deve evitar julgamentos sobre terceiros já que os pacientes podem induzir quebras éticas por meio de projeções ou tentativas de envolver o analista em dinâmicas externas à terapia Um dilema recorrente é o envolvimento amoroso entre terapeuta e paciente tratado com rigor por sociedades psicanalíticas para preservar a integridade da relação analítica Dessa forma a ética e a verdade configuramse como pilares indissociáveis da prática freudiana 16 A discussão sobre transgressões éticas e sexuais na psicanálise revela um campo marcado por tensões e controvérsias conforme destacado por Daniel Widlocher expresidente da Associação Psicanalítica Internacional IPA Ele argumenta que tais transgressões não devem ser simplificadas como meros erros ou pecados irreparáveis mas sim compreendidas como fenômenos complexos que exigem análise crítica Widlocher observa ainda que transgressões éticas como vínculos românticos não consumados entre analistas e pacientes que frequentemente permanecem ocultas apesar de seu impacto relevante Freud já enfatizava a necessidade de honestidade mútua afirmando que a falta de verdade por parte do analista comprometeria a eficácia do tratamento corroendo a confiança essencial ao processo Complementando essa perspectiva Bion introduz a reflexão sobre a análise de indivíduos que utilizam a mentira como mecanismo de defesa Ele ressalta que a verdade é um elemento vital para a saúde psíquica comparando a a um alimento indispensável e sua ausência levaria à deterioração do psiquismo Assim a abordagem psicanalítica da verdade deve transcender o moralismo focandose na construção de uma atitude autêntica que permita ao paciente alcançar liberdade interna e engajarse plenamente no processo analítico ZIMERMAN 2004 A preservação do setting analítico é outro aspecto essencial pois garante a estruturação da relação terapêutica mantendo a assimetria necessária entre os papéis de analista e paciente O enquadre estabelece limites claros e promove o princípio da realidade contrapondose ao princípio do prazer que muitas vezes domina a subjetividade do paciente Essa estrutura é especialmente crítica no trabalho com pacientes regressivos que podem enfrentar dificuldades em lidar com limites e frustrações No entanto é fundamental evitar uma rigidez excessiva na aplicação dessas regras pois isso pode gerar uma atmosfera coercitiva prejudicando a aliança terapêutica A própria prática de Freud ilustra a complexidade desse equilíbrio que frequentemente flexibilizava suas próprias recomendações adotando abordagens não convencionais que refletiam o contexto histórico e teórico da psicanálise em sua época ZIMERMAN 2004 17 24 As funções do analista Na psicanálise o analista é um profissional cuja atuação se baseia na escuta clínica e na interpretação do inconsciente Diferente de áreas como negócios ele não busca solucionar problemas imediatos mas atua como um guia na exploração das dinâmicas psíquicas Formado nos princípios de Freud e seus herdeiros o psicanalista mergulha nas complexidades do desejo e dos traumas reprimidos Minerbo 2024 241 Escuta analítica e Setting A escuta analítica é uma habilidade que permite ao analista decifrar significados ocultos nos lapsos sonhos e discursos do paciente Esse processo é facilitado por um setting analítico rigoroso que inclui horários fixos sigilo e uma postura neutra criando um ambiente seguro para a livre associação de ideias Zimerman 2004 242 Transferência e contratransferência O manejo da transferência projeção de sentimentos do paciente e da contratransferência reações emocionais do analista é fundamental O psicanalista deve reconhecer e modular essas dinâmicas utilizandoas para desvendar conflitos psíquicos Zimerman 2004 243 Autoconhecimento e resistências Diferente de terapias que buscam a eliminação rápida de sintomas a psicanálise prioriza o autoconhecimento Técnicas como a associação livre e a interpretação de sonhos ajudam a revelar estruturas invisíveis que governam comportamentos enquanto o trabalho com resistências permite que o paciente enfrente conteúdos dolorosos Freud 1920 244 Ética e formação do psicanalista A ética é um alicerce essencial na psicanálise onde o analista não emite julgamentos morais A formação do psicanalista inclui estudo teórico análise 18 pessoal e supervisão clínica preparandoo para lidar com projeções e evitar interferências pessoais Zimerman 2004 245 A transformação subjetiva como horizonte clínico O analista atua como um mediador do inconsciente ajudando o paciente a desatar nós invisíveis que causam sofrimento O sucesso na psicanálise é medido pela capacidade de permitir que o paciente reinvente sua relação consigo mesmo e com o mundo O processo de transformação subjetiva é lento e singular proporcionando ao paciente uma nova forma de habitar sua história e confrontar seu passado O analista assim não oferece respostas prontas mas sustenta um espaço onde a verdade do sujeito pode emergir como um ato de liberdade Minerbo 2024 25 A compreensão do relacionamento interpessoal sob a perspectiva da psicanálise A análise do relacionamento interpessoal quando vista sob a ótica psicanalítica exige uma investigação minuciosa das forças inconscientes que moldam as interações humanas Essas forças muitas vezes surgem a partir de experiências precocemente vivenciadas na infância que ficam armazenadas no inconsciente e influenciam não apenas as emoções e comportamentos atuais mas também a maneira como os indivíduos percebem e se relacionam com os outros Este entendimento é fundamental para compreender questões como ciúmes inseguranças projeções e padrões de comunicação disfuncionais já que muitas dessas características têm raízes profundas e subconscientes Além disso essa abordagem permite uma compreensão mais abrangente dos conflitos internos que podem dificultar a construção de vínculos afetivos seguros e satisfatórios favorecendo processos de autoconhecimento que são essenciais tanto na clínica quanto na vida cotidiana De acordo com Freud 1900 as experiências formativas na infância não apenas moldam o desenvolvimento psíquico mas também deixam marcas que podem perdurar ao longo da vida influenciando todas as relações seguintes Essas experiências muitas vezes são reprimidas ou não totalmente resolvidas permanecendo no inconsciente e se manifestando através de sintomas ou padrões 19 relacionais recorrentes na fase adulta Por exemplo uma criança que vivenciou negligência ou rejeição pode desenvolver uma ansiedade de separação ou padrões de busca de validação constantes na vida adulta Assim ao revisar e entender essas experiências e seus efeitos o terapeuta e o indivíduo podem trabalhar a resolução de conflitos internos promovendo relações mais saudáveis e equilibradas e uma melhor gestão emocional 251 As pulsações e vínculos na teoria psicanalítica o papel da pulsão e do desejo Segundo Treiguer 2007 a compreensão da pulsão na psicanálise não se limita à sua força de impulso biológico mas deve ser entendida na relação com os vínculos estabelecidos entre os indivíduos A pulsão como força reguladora das interações atua tanto na esfera consciente quanto na inconsciente moldando desejos necessidades e fantasias O desejo por sua vez é uma força que unifica o sujeito embora seja frequentemente influenciado por fatores externos como o alheio ou seja o outro suas expectativas desejos e projeções Essas dinâmicas complexas resultam na multiplicidade de emoções que experimentamos nas relações como novela de desejo medo mistério e insegurança que enriquecem ou dificultam o relacionamento dependendo de como são elaboradas e integradas 252 Significado simbólico e mitológico das relações conjugais Ao analisar as relações amorosas sob a perspectiva simbólica e mitológica a narrativa bíblica de Adão e Eva serve como uma poderosa metáfora para entender a busca pela perfeição a ilusão de imortalidade e a vulnerabilidade inerente aos relacionamentos O desejo de ser igual a Deus simboliza a tentativa de superar os limites humanos o que na relação de casal pode refletir a busca por uma união idealizada que muitas vezes é inatingível A expulsão do Éden revela como a tentativa de alcançar essa perfeição pode resultar na fragilidade e na necessidade de aceitar a vulnerabilidade como parte fundamental do amor e da convivência Na perspectiva psicanalítica há a compreensão de que os casais frequentemente criam uma dinâmica de inseparabilidade na qual as diferenças individuais são minimizadas ou até negadas Para isso usam mecanismos de defesa como a cisão dividir aspectos positivos e negativos e a identificação 20 projetiva que reduzem as diferenças ao transferir aspectos indesejados ou conflitantes para o outro Essa fusão embora possa parecer uma busca por completude tende a ser prejudicial a longo prazo pois impede o desenvolvimento da autonomia emocional e limita a autenticidade no relacionamento Quando essa fusão se torna excessiva a relação pode se transformar em uma ilusão de perfeição que ao se desmoronar leva ao conflito ou à crise de identidade de ambos os parceiros 253 Alianças inconscientes e a formação psíquica do vínculo amoroso De acordo com Pignataro FerrésCarneiro e Mello 2019 as alianças inconscientes estruturam as relações amorosas formando um sistema de funções que mantêm o vínculo e protegem os indivíduos de ameaças internas e externas Essas alianças que se originam na infância e nas primeiras experiências afetivas podem ser primárias secundárias defensivas ou criativasdestrutivas cada uma desempenhando papéis diferentes na vida psíquica e relacional Elas moldam percepções expectativas e comportamentos além de influenciar a forma como o parceiro é visto e tratado na relação Compreender esses mecanismos ajuda a desmistificar padrões repetitivos e a elaborar vínculos mais conscientes e satisfatórios promovendo maior autonomia emocional e resistência às dificuldades do cotidiano Dentro das alianças inconscientes existe o pacto denegativo também discutido na literatura psicanalítica referese a uma aliança inconsciente que os parceiros assumem muitas vezes de forma automática para proteger a relação de conflitos internos ou de demandas emocionais que podem ameaçála Essa aliança funciona por meio da mobilização de fantasias identificações e realidades psíquicas partilhadas que mantêm o vínculo mesmo que envolvam negação ou repressão de aspectos desagradáveis ou conflitantes Essa dinâmica atua como um mecanismo de defesa contribuindo para a estabilidade emocional do casal ao evitar confrontar certas verdades dolorosas mas também pode limitar o crescimento e a autenticidade na relação Além do pacto denegativo Pignataro FérresCarneiro e Mello 2019 descrevem os contratos inconscientes como entendimentos tácitos que emergem na relação estabelecendo limites expectativas e trocas que sustentam o vínculo 21 Esses contratos podem ser conscientes ou inconscientes e dizem respeito às concessões mútuas necessárias para a convivência Enquanto os acordos representam negociações mais conscientes os pactos envolvem trocas intransmissíveis ou insuspeitas muitas vezes influenciadas por elementos da infância ou experiências passadas Essas dinâmicas facilitam ou dificultam a elaboração de desejos e necessidades moldando o modo como o casal enfrenta as dificuldades e constrói a sua história conjunta 254 Vínculos afetivos segundo Bion espaço psíquico e conteúdo emocional Segundo Mondrzak 2007 a teoria de Bion destaca que os vínculos amorosos de ódio ou de conhecimento dependem do espaço psíquico chamado por ele de contenedor e do conteúdo emocional que nele reside O espaço psíquico funciona como um recipiente onde emoções e experiências conflitantes podem ser armazenadas elaboradas e integradas fortalecendo a relação As emoções como inveja ciúme raiva ou insegurança sentimentos típicos de uma relação conjugal não apenas emergem do conteúdo mas são moduladas pelo espaço psíquico que deve ser acolhedor para que os conflitos possam ser trabalhados de forma saudável Essa capacidade de acolhimento e elaboração emocional possibilita uma convivência mais madura empática e segura emocionalmente promovendo um vínculo mais sólido e autêntico No contexto de Bion a relação entre o analista e o espaço psíquico é fundamental para o processo terapêutico O analista ao atuar como um recipiente deve criar um espaço psíquico seguro e receptivo capaz de acolher e processar as experiências emoções e pensamentos do paciente Nesta teoria o analista é um facilitador do espaço psíquico criando uma condição em que o paciente possa explorar processar e integrar suas experiências internas de forma segura e significante Essa dinâmica é essencial para que o processo terapêutico seja efetivo e transformador 22 255 O casal como uma unidade psíquica e a influência do desenvolvimento emocional Na psicanálise a concepção de que o casal constitui uma unidade psíquica com estrutura própria traz reflexões importantes sobre a dinâmica do relacionamento Cada indivíduo traz para o casal seu desenvolvimento emocional suas carências suas dores e conflitos internos que ao interagirem podem resultar tanto em harmonia quanto em disfunções Quando há conflitos não resolvidos ou projeções esses fatores podem gerar uma relação disfuncional marcada por conflitos constantes ou mesmo por padrões de fusão excessiva onde os limites entre os parceiros se tornam difusos A intervenção clínica busca muitas vezes desconstruir essas dinâmicas promovendo autonomia emocional e a compreensão dos acontecimentos internos de cada um além de favorecer uma relação mais equilibrada capaz de suportar conflitos de forma construtiva A participação em processos terapêuticos seja individual ou de casal muitas vezes revela ou provoca desequilíbrios na relação como ciúmes resistência às mudanças ou boicotes que surgem como mecanismos de defesa ou tentativas de manter o status quo Essas reações muitas vezes dificultam o avanço do tratamento e requerem atenção específica do terapeuta que deve trabalhar a compreensão dessas resistências promovendo maior autorreflexão e autoconhecimento A terapia assim atua como uma ferramenta de resistência e reconstrução emocional possibilitando a elaboração de conflitos a superação de obstáculos e a promoção de relações mais satisfatórias e maduras 3 METODOLOGIA A metodologia adotada neste estudo é fundamentada em princípios clássicos da psicanálise utilizando a técnica da associação livre como um dos pilares do processo terapêutico Essa técnica permite ao paciente expressar livremente seus pensamentos sentimentos e imagens sem censura ou restrições o que facilita a acessibilidade a conteúdos inconscientes Ao criar um espaço onde o paciente se sente à vontade para compartilhar suas ideias a associação livre se torna um meio poderoso para explorar as camadas mais profundas da psique Freud 1920 23 A primeira entrevista desempenha um papel crucial nesse contexto uma vez que estabelece as bases para a relação analítica Neste encontro inicial o analista busca criar um ambiente de confiança e segurança onde o paciente se sinta confortável para se abrir É um momento de construção do vínculo onde se discutem as expectativas do tratamento e se delineiam os objetivos da terapia A receptividade e a empatia do analista são essenciais para fazer com que o paciente sinta que sua história e suas vivências são valorizadas Zimerman 2004 Durante as sessões subsequentes a atenção flutuante do analista se torna uma prática fundamental Essa abordagem implica que o analista mantenha uma escuta atenta e flexível permitindo que sua atenção se mova entre diferentes temas e conteúdos que emergem das falas do paciente Essa atenção não é direcionada apenas a pontos específicos mas busca captar nuances sentimentos e associações que possam surgir criando um espaço onde o paciente pode explorar livremente seu mundo interno Zimerman 2004 A interpretação por sua vez é uma ferramenta vital que emerge desse processo Quando o analista oferece interpretações ele busca conectar os conteúdos manifestos do discurso do paciente com questões mais profundas e inconscientes Essas intervenções interpretativas têm o potencial de iluminar padrões de comportamento conflitos internos e dinâmicas emocionais que o paciente pode não ter consciência Através desse processo interpretativo o paciente é incentivado a refletir sobre suas experiências promovendo um entendimento mais profundo de si mesmo e facilitando o avanço do tratamento Minerbo 2016 Assim a combinação da associação livre da construção do vínculo na primeira entrevista da atenção flutuante e das interpretações do analista cria um ambiente terapêutico rico e dinâmico propício para o processo de autoconhecimento e transformação psíquica do paciente Essa metodologia busca não apenas a resolução de sintomas mas a promoção de uma maior compreensão da própria subjetividade contribuindo para o desenvolvimento pessoal e emocional ao longo do tratamento Jorge 2000 4 PROCESSO TERAPÊUTICO Na sessão de 290425 o paciente J relatou angústia no trabalho devido à pressão do chefe e à carga horária excessiva afetando sua vida familiar Ele 24 enfrenta conflitos com a esposa que possui traumas da infância e preocupase com o comportamento do filho mais velho Apesar das dificuldades J demonstra motivação para o processo terapêutico e deseja explorar suas emoções melhorar a comunicação familiar e promover um ambiente mais saudável Na sessão de 060525 J expressou preocupações sobre a relação tensa entre sua esposa e sua mãe especialmente em relação a uma visita programada Ele também relatou um ambiente de trabalho insustentável devido à pressão do novo chefe apesar da recente promoção e a insatisfação com o salário J enfrenta desafios significativos em sua vida pessoal e profissional que serão explorados nas próximas sessões Na sessão de 20052025 J expressou sobrecarga e falta de apoio no trabalho comparando as exigências de seu chefe e sua esposa Ele relatou frustrações na vida conjugal incluindo incertezas sobre o relacionamento e dificuldades financeiras atribuídas à esposa que geraram ansiedade e medo de perder a família Apesar das queixas J mostrou disposição para agir manifestando interesse em conversar diretamente com seu chefe sobre suas responsabilidades Na sessão de 29052025 J expressou preocupação com as mentiras de seu filho que nega responsabilidades refletindo uma personalidade forte que J reconhece em si mesmo Ele compartilhou sobre sua dependência emocional na infância e como sua relação com os pais influenciou seu comportamento além de relatar sua trajetória de mudança para Maringá e os desafios enfrentados ao se tornar pai J também recordou sua experiência de morar sozinho e a necessidade de se estabelecer uma nova vida com Érica e o filho que estava por vir Na sessão 030625 o paciente não compareceu sem justificar a sua falta Na sessão de 100625 J relatou sobrecarga de trabalho e os desafios emocionais causados pelas oscilações de humor de sua esposa Érica com quem ele enfrenta uma comunicação frágil e dinâmica de culpa Ele mencionou incidentes em que Érica projetou suas frustrações sobre ele evidenciando a ambivalência no relacionamento A sessão terminou com a proposta de explorar essas dinâmicas e focar na melhoria da comunicação e na compreensão mútua nas próximas conversas Na sessão do dia 170625 J chegou atrasado e relembrou que algo na Érica o atraiu mencionando que ela tinha características que suas exnamoradas não tinham Ele comentou sobre suas duas namoradas anteriores destacando que a 25 primeira era muito diferente dele e a segunda terminou abruptamente J admira a Érica por se dar ao respeito no trabalho e acredita que isso contrasta com suas ex namoradas que o deixavam inseguro No entanto ele se sente desrespeitado quando ela fala mal dele na frente dos outros embora perceba momentos carinhosos entre eles J também notou que Érica desconta frustrações do trabalho nele mas acredita que ela ainda tem sentimentos por ele A sessão foi concluída antes de aprofundar mais esses temas Na sessão 010725 J chegou atrasado à sessão explicando que esteve viajando a trabalho e justificando sua ausência anterior Ele relatou a demissão de seu chefe que gerou caos na empresa e o forçou a assumir responsabilidades de liderança J destacou a arrogância do expatrão mas enfatizou que o principal problema era a gestão de perdas financeiras que aumentaram para cerca de 4 milhões Durante sua viagem trabalhou além do horário para apresentar relatórios mas não teve a discussão esperada resultando em frustração Apesar das dificuldades ele demonstrou respeito pelo antigo chefe A sessão foi encerrada rapidamente com J pedindo desculpas pelo atraso Na sessão de 150725 J explicou sua ausência por estar na apresentação da filha na escola Ele relatou desafios no trabalho devido à pressão de três diretores e confusão sobre com quem deve prestar contas J compartilhou um conflito com seu filho onde o chamou de mentiroso após ele assistir a vídeos proibidos resultando em um episódio de agressão Ambos os pais refletem sobre a educação permissiva atual em comparação com suas infâncias J também mencionou o desempenho escolar do filho levantando a possibilidade de TDAH com apoio dos avós para sessões com uma psicopedagoga Ele se vê como alguém concentrado enquanto sua esposa Érica se distrai facilmente 41 ANÁLISE DO PROCESSO TERAPÊUTICO 411 Análise psicanalítica do caso do paciente A psicanálise oferece uma rica estrutura teórica para entender as dinâmicas emocionais e relacionais que o paciente J enfrenta permitindo uma exploração profunda de seus conflitos internos e das interações familiares que moldam sua experiência A seguir apresento uma análise que reúne e desenvolve os conceitos 26 centrais da teoria freudiana e correntes contemporâneas proporcionando uma visão integrada do que está em jogo na vida de J 412 Inconsciente e conflitos internos Sigmund Freud postulou que muitos comportamentos e emoções humanas são guiados por processos inconscientes frequentemente em conflito Freud 1900 No caso de J esse conflito se manifesta em um estresse significativo tanto no trabalho quanto nas relações familiares A pressão exercida por seu chefe combinada com a sobrecarga de responsabilidades gera um choque entre seus desejos pessoais e as exigências sociais e familiares que o cercam Essa luta entre as necessidades internas de J e as expectativas externas resulta em sentimentos de angústia e inadequação Em sua obra O MalEstar na Civilização Freud 1930 argumenta que a cultura impõe uma troca inevitável ganhamos proteção e avanços mas perdemos a liberdade pulsional O preço que pagamos por essa civilização é a angústia permanente um reflexo do paradoxo de sermos ao mesmo tempo seres instintivos e socializados A promessa de felicidade pela cultura é para Freud uma utopia O indivíduo busca prazer segundo o princípio do prazer Freud 1920 mas se depara com as limitações impostas pela vida social leis e moralidade levando a uma sensação de desamparo Essa angústia que J expressa em relação à sua infelicidade no trabalho e na vida familiar pode estar relacionada a uma idealização inconsciente da vida moderna que contrasta com a realidade repleta de cobranças e limitações 413 Dinâmicas relacionais e alianças inconscientes Desde a infância J pode ter desenvolvido alianças inconscientes que o levam a evitar conflitos e a manter a harmonia possivelmente como resultado de experiências familiares nas quais discussões eram vistas como negativas Spivacow 2018 Essa tendência é evidente em sua relação com a esposa onde ele frequentemente se mantém passivo mesmo quando ela o ofende publicamente Essa dinâmica não apenas perpetua o ressentimento mas também sugere uma 27 estrutura de defesa que impede J de confrontar questões importantes em sua vida conjugal Adicionalmente a presença de traumas da infância da esposa como uma relação difícil com a mãe adiciona mais camadas ao conflito Isso sugere que os desafios que J enfrenta não são apenas externos mas também profundamente enraizados em questões emocionais e históricas A projeção de frustrações e expectativas dela sobre J pode indicar que ele assume o papel de figuras parentais ou de autoridade evocando sentimentos de culpa e raiva que complicam ainda mais a dinâmica entre eles Spivacow 2018 Nesse contexto as experiências da infância da esposa influenciam seu comportamento atual gerando padrões de interação conflituosos que dificultam a comunicação e a empatia 414 Mecanismos de defesa e intelectualização A busca de J para lidar com os problemas que o angustiam especialmente na vida conjugal é frequentemente acompanhada por uma resistência em reconhecer suas próprias fraquezas e sua parcela de culpa Seu discurso tende a focar na fragilidade da esposa e nas feridas que ela carrega enquanto ele evita explorar suas próprias vulnerabilidades Essa abordagem pode ser vista como um mecanismo de defesa especificamente a intelectualização Mcwilliams 2014 onde J formula teorias complexas sobre as feridas da esposa enquanto projeta seus próprios problemas internos sobre ela J parece confundir sua esposa com um objeto reduzindo sua complexidade a meras representações Cremasco 2018 Essa confusão é especialmente pronunciada em momentos de conflito onde ele tende a ver sua esposa apenas como um objeto de suas frustrações sem reconhecer sua subjetividade Essa limitação na percepção do outro restringe a possibilidade de um relacionamento verdadeiro e saudável perpetuando um ciclo de desentendimentos e ressentimentos Cremasco 2018 415 Mudança e desenvolvimento pessoal A disposição de J para buscar mudança e trabalhar em terapia reflete um desejo genuíno de desenvolver uma nova identidade e promover um ambiente 28 familiar mais saudável A psicanálise enfatiza a capacidade de transformação por meio da reflexão sobre experiências passadas e do reconhecimento de padrões repetitivos Winnicott 1965 O momento atual de J é crucial sua consciência dos conflitos e a disposição para enfrentálos podem permitir uma resolução significativa e um crescimento pessoal A análise da situação de J revela uma interação complexa entre suas experiências pessoais dinâmicas familiares e pressões externas A pressão do trabalho e a carga horária excessiva não apenas afetam seu bemestar emocional mas também impactam negativamente sua vida familiar e seu relacionamento com sua esposa A disposição de J para explorar suas emoções e melhorar a comunicação é um aspecto positivo é crucial para seu progresso na terapia As queixas sobre a dinâmica de culpa e a projeção de frustrações de esposa sobre J indicam um ciclo de conflito que pode ser quebrado através de uma comunicação mais aberta e honesta A proposta de explorar essas dinâmicas nas próximas sessões pode oferecer a J e sua esposa uma oportunidade de entender melhor suas próprias necessidades e as do outro promovendo um ambiente mais saudável para a família 416 A autonomia emocional e respeito mútuo Além disso a dependência emocional de J na infância e sua resistência a mudanças que ele reconhece em si mesmo e em seu filho são temas centrais a serem explorados nas sessões Isso pode ajudar J a entender como essas experiências moldaram suas reações atuais e seu papel na dinâmica familiar O fato de J ter manifestado interesse em discutir suas responsabilidades com seu chefe também é um sinal de sua disposição para enfrentar desafios o que pode ser uma alavanca para seu desenvolvimento emocional e crescimento pessoal É vital que J desenvolva uma autonomia emocional que lhe permita se posicionar diante das críticas de Érica Sua atitude passiva em relação às ofensas dela não contribui para um relacionamento saudável Em algumas ocasiões J apontou que a diferença entre sua atual esposa e uma exnamorada era o respeito que aquela última demonstrava ao confrontálo sobre situações passadas Reconhecer a falta de respeito nas interações é crucial para que J possa se posicionar e confrontar sua esposa sobre seu comportamento Essa assertividade é 29 o primeiro passo para que ele se autorrespeite e consequentemente exija respeito em suas relações de vida permitindo que J explore seus conflitos internos e suas interações familiares O acompanhamento terapêutico é essencial para ajudálo a navegar por essas complexidades promovendo mudanças significativas em sua vida e favorecendo um ambiente familiar mais equilibrado Ao trabalhar na construção de uma comunicação mais efetiva e na identificação de padrões disfuncionais J pode dar passos importantes em direção a um relacionamento mais saudável e satisfatório tanto com sua esposa quanto consigo mesmo Referências CHEMAMA R Psicanálise do cotidiano elementos lacanianos para uma psicanálise do cotidiano Porto Alegre CMC Editora 2002 CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA Código de ética profissional do psicólogo Brasília DF 2005 Disponível em httpssitecfporgbrwpcontentuploads201207codigodeeticapsicologiapdf Acesso em 3 maio 2025 FREUD S A interpretação dos sonhos 1900 Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2016 FREUD S História de uma neurose infantil o homem dos lobos Além do princípio do prazer e outros textos 19171920 Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2010 FREUD S Psicologia das massas e análise do eu e outros textos 19201923 In Psicologia das massas e análise do eu e outros textos 19201923 2011 p 343 343 FREUD Sigmund Obras completas volume 4 A interpretação dos sonhos Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2019 JORGE M A C Fundamentos da psicanálise de Freud a Lacan 2 ed Rio de Janeiro Zahar 2005 MINERBO M Ateliê clínico Para que serve uma análise Volume 1 São Paulo Blucher 2024 MINERBO M Diálogos sobre a clínica psicanalítica São Paulo Blucher 2016 MONDRZAK V S Processo psicanalítico e pensamento aproximando Bion e MatteBlanco Revista Brasileira de Psicanálise v 41 n 3 2007 PIGNATARO M B FÉRESCARNEIRO T MELLO R A formação do casal conjugal um enfoque psicanalítico Pensando Famílias v 23 n 1 p 120 2019 30 PRESA G A CREMASCO M V F Viver sem o objeto Revista Subjetividades Fortaleza v 18 n 1 p 110 2018 SAMPAIO A de O A clínica de casal análise das relações vinculares Mimesis v 30 n 2 2009 SPIVACOW M A O casal em conflito contribuições psicanalíticas Pról René Kaës Trad e ed Adriana May Mendonça Denise Martinez Souza Marcia Zart Terra de Areia RS Triangullo Gráfica e Editora 2018 TREIGUER L E M O paradoxo vincular no casal desejo constituição e morte PHP 2007 ZASLAVSKY J DOS SANTOS M J P Sobre o papel das identificações na relação amorosa Revista de Psicanálise SPPA Porto Alegre v 2 n 2 p 4751 4933 1996 ZIMERMAN D E Manual de técnica psicanalítica um estudo teóricoclínico da entrevista inicial dos critérios de analisabilidade e do contrato Porto Alegre Artmed 2004 31 5 ANEXO A ATENDIMENTO DIA 290425 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio Clínica Local Clínica de psicologia Uningá Horário 17 h às 18h Data 29042 5 IntervençãoSessão nº 1 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio Supervisionado Carga Horária 1 Aluno grupo Rodolfo Rodrigo Benedetti Professor sup Bruna Garcia Data 29042025 O paciente J apresentouse na sessão realizada em 290425 Ele relatou angústia no trabalho motivada pela pressão exercida pelo chefe e pela carga horária excessiva o que resulta em pouco tempo para sua família Sua esposa expressa insatisfação com a falta de tempo que o marido dedica aos filhos e à situação financeira em que se encontram O paciente descreve sua esposa como uma pessoa difícil de lidar com quem tem enfrentado frequentes conflitos Ele menciona que ela foi criada apenas pela avó materna o que segundo ele contribui para traumas que dificultam a convivência entre eles As discussões se intensificam durante os dias de TPM e o paciente relata que utiliza um aplicativo para monitorar o ciclo menstrual da esposa tentando evitar conflitos nesses períodos Além disso o paciente demonstra preocupação com o comportamento do filho mais velho que se envolveu em episódios de furto incluindo o roubo de dinheiro da irmã e a destruição de figurinhas na escola Essa situação o leva a refletir sobre a educação e o desenvolvimento moral da criança Apesar das dificuldades o paciente está motivado para o processo terapêutico e expressa interesse em continuar as sessões inclusive na modalidade online caso não seja possível realizar atendimentos presenciais Para as próximas sessões será importante explorar seus sentimentos de angústia e identificar as fontes de estresse melhorar a comunicação com a esposa discutir estratégias para equilibrar trabalho e vida familiar abordar o 32 comportamento do filho e considerar formas de incentivar a esposa a buscar terapia respeitando sua resistência O paciente demonstra consciência das dinâmicas familiares que impactam seu bemestar emocional e está disposto a trabalhar nessas questões As futuras sessões deverão focar nas áreas mencionadas visando promover um ambiente familiar mais saudável 33 6 ANEXO B ATENDIMENTO DIA 060525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horári o 17 h às 18h Data 06052 5 Intervençãosessão nº 2 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga horária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 06052025 J chegou pontualmente às 17h e iniciou a conversa expressando suas preocupações sobre a relação da esposa com sua mãe Ele está apreensivo em relação à visita marcada para o próximo domingo à casa de seus pais Ao investigar essa apreensão J compartilhou um incidente recente durante um almoço na casa de sua mãe onde sua esposa o criticou por sua falta de compromisso com a casa e a família Sua mãe interveio questionando a esposa sobre a falta de reconhecimento e apoio o que levou a esposa a se retirar da mesa e solicitar a saída Perguntei a J sobre a situação atual com a esposa e ele mencionou que as coisas melhoraram um pouco mas a relação com a mãe ainda é tensa Ele expressou a preocupação de não querer deixar os filhos sob os cuidados da mãe uma vez que sua esposa só aceita deixálos com a mãe e a irmã J também revelou receios em deixar seu filho com o pai devido a temores de abuso embora não tenha confirmado se sua esposa já passou por essa experiência No que diz respeito à vida profissional J relatou que a situação com seu chefe se tornou insustentável Ele acredita que a recente mudança na gestão da rede de supermercados está gerando pressão por resultados imediatos e eficazes o que tem impactado negativamente a dinâmica com sua equipe Apesar de ter recebido uma promoção recentemente J não está satisfeito com o salário pois não houve um aumento que correspondesse à nova função Ele suspeita que a empresa esteja realizando uma avaliação prometendo um aumento 34 após seis meses caso os resultados esperados sejam atingidos A sessão foi encerrada destacando que J enfrenta desafios tanto em sua vida pessoal quanto profissional que precisam ser explorados e refletidos nas próximas sessões 35 7 ANEXO C ATENDIMENTO DIA 200525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 20052 5 Intervenção Sessão nº 3 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 20052025 Na sessão de hoje J apresentou uma série de queixas relacionadas à sua vida profissional e pessoal destacando a sensação de sobrecarga e a falta de apoio em ambas as esferas Ele relatou que está se sentindo pressionado no trabalho enfrentando um volume elevado de tarefas sem o devido suporte de seu chefe J mencionou que seu chefe propõe a necessidade de um bom desempenho mas paradoxalmente continua a sobrecarregálo com mais responsabilidades Fez uma comparação entre seu chefe e sua esposa ambos considerados sem lógica em suas exigências Em relação à sua vida conjugal J expressou frustração em relação à sua esposa citando um recente convite dela para não chegar tarde em casa mas sem clareza sobre o compromisso Ele observou que essa instabilidade gera ansiedade pois pode se tratar de um convite para um momento agradável ou uma conversa sobre separação J revelou que já considerou a separação em duas ocasiões mas uma oração em um momento de reflexão o levou a interpretar que deveria permanecer no casamento especialmente após a notícia da gravidez de sua filha J também trouxe à tona a dificuldade financeira que enfrenta atribuindo parte da culpa a sua esposa Ele explicou que após ela seguir um guru financeiro e fazer investimentos de alto risco acabou assumindo uma dívida significativa com a compra de um carro cujas parcelas se tornaram uma carga pesada comprometendo seu orçamento Atualmente J mencionou que não recebe ajuda 36 dela para os gastos uma vez que ela também lida com suas próprias dívidas O medo de perder a esposa e os filhos é um tema recorrente em suas queixas J expressou preocupações sobre a possibilidade de sua esposa levar as crianças para morar com a família dela em Amaporã o que o angustia especialmente em relação à influência negativa que a família dela pode ter sobre os filhos Um aspecto positivo observado na sessão foi a disposição de J em agir de forma proativa Ele demonstrou interesse em ter uma conversa direta com seu chefe para discutir suas preocupações e buscar um entendimento mais claro sobre suas responsabilidades 37 8 ANEXO D ATENDIMENTO DIA 290525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 29052 5 Intervenção Sessão nº 4 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 29052025 J começou a sessão dizendo que seu filho esta mentindo muito que isso está o preocupando Perguntei se as mentiras são histórias inventadas J Explicou que as mentiras são feitas a partir de uma discussão na qual ele faz uma coisa e nega ter feito Como por exemplo quando sua mãe reclamou que ele não tinha feito a tarefa e quando ele perguntou ele disse que havia feito só depois de muita insistência que admitiu não ter feito J disse que seu filho não tem muito gosto pelos estudos e que nisso é muito diferente dele Perguntei se tem coisas semelhantes com filho disse que sim a personalidade forte de confrontar os pais disse que é igual e que inclusive seu comportamento era diferente dos outros dois irmãos pergunte se era o mais velho ele disse que era o mais novo Lembrou de um dia que entrou em confronto com seu pai pois avisou que eatava estava indo para uma festa em astorga e seu pai disse que nao iria ele então falou que estava apenas avisando Lembrou que seus pais fazia tudo por ele desde o levar a escola buscar e que por exemplo nunca cozinhou sendo isso uma das críticas que Érica sua esposa faz a ele Foi se sentir mais dependente quando deixou Marília e veio para Maringa estudar Perguntei entao como foi que os seus pais vieram para Maringá Falou que ele passou no vestibular na UEM e veio morar com um primo dele no segundo ano de faculdade ele foi morar sozinho entao primeiro veio sua mãe mas deixou bem claro que nao queria ser vigiado depois veio seu pai e sua irmã e seu cunhado Após 38 a faculdade arrumou emprego em Astorga em uma usina Morava em um quarto com banheiro apenas Neste período engravidou a Érica então ela foi morar com seus pais e ele se viu obrigado a voltar e arrumar uma casa para morar um junto com a Érica e seu filho que iria nascer 39 9 ANEXO E ATENDIMENTO DIA 100525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 10052 5 Intervenção sessão nº 5 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga horária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 10062025 Na sessão de hoje J chegou com um atraso de 20 minutos justificandose com problemas relacionados ao serviço Ele também mencionou a ausência na sessão anterior devido a uma viagem durante a qual não teve acesso ao celular Ao longo da conversa J expressou uma série de dificuldades que enfrenta tanto em sua vida profissional quanto no âmbito familiar Ele relatou uma sobrecarga significativa de trabalho mencionando a dificuldade em gerenciar sua carga horária o que parece impactar sua saúde mental e emocional refletindo um estado de estresse e cansaço J trouxe à tona a situação de sua esposa Érica que continua apresentando oscilações de humor Ao questionálo sobre o cansaço que isso poderia causar ele afirmou ter se acostumado e optado por uma postura passiva diante das oscilações dela Exemplos foram dados para ilustrar essa dinâmica em uma visita recente dos padrinhos do filho Érica começou a reclamar que ele não ajuda em casa J optou por se afastar da situação indicando uma estratégia de evitar conflitos Outro exemplo relevante foi o incidente em que seu filho se queimou com um ferro quente J relatou que Érica o culpou pela situação mesmo reconhecendo que ela deveria ter mais cuidado com a criança que estava sob sua responsabilidade na parte superior da casa Essa dinâmica de culpas parece ser um padrão recorrente no relacionamento onde Érica projeta suas frustrações em J 40 Durante a sessão J foi questionado sobre a natureza do relacionamento com Érica Ele mencionou que embora tenham momentos de boa convivência a situação se torna complicada em momentos de tensão A comunicação entre eles parece frágil especialmente em situações emocionais delicadas J trouxe um episódio marcante de uma terapia de casal onde Érica respondeu não sei quando questionada se ainda se gostam evidenciando a ambivalência no relacionamento J relatou que sempre percebeu Érica com esse comportamento desde o início do relacionamento que começou na empresa onde trabalhavam A narrativa de como se conheceram sugere uma atração inicial mas também revela que desde o início houve uma desarmonia que pode ter se intensificado com o tempo A gravidez planejada e a mudança para a casa dos pais de Érica também foram pontos importantes trazendo à tona atritos familiares que contribuíram para a tensão no relacionamento A sessão foi encerrada com a proposta de retomar as questões levantadas nas próximas conversas permitindo que J reflita sobre as dinâmicas familiares e emocionais discutidas É fundamental continuar trabalhando na comunicação e na compreensão mútua entre J e Érica assim como explorar mais a fundo as questões de culpa e frustração que permeiam o relacionamento Os próximos passos incluem explorar as dinâmicas de culpa e projeção de frustrações focar na melhoria da comunicação entre J e Érica e analisar o impacto da carga de trabalho na saúde emocional de J 41 10 ANEXO F ATENDIMENTO DIA 170625 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 17062 5 Intervenção sessão nº 5 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga horária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 17062025 J se atrasou vinte minutos novamente Comecei a sessão lembrando de uma fala de J A qual dizia que alguma coisa o atraiu na Érica Então fiz a pergunta o que seria esse algo que o atraiu nela Respondeu que ela tinha algo que a sua ex namorada não tinha Perguntei o que seria Disse que teve duas namoradas antes da Érica e que a primeira era mais velha que ele e tinham pensamentos diferentes sobre a vida Ela pensava em casar pois já era formada e quando ele estava ainda na faculdade e queria aproveitar mais a vida Então conheceu a segunda namorada e ficaram pouco tempo em torno de 9 meses Ela o achou para jantar e disse que não queria mais continuar ficou muito mal e mantinha contato com ela por mensagens até que um dia ela mandou uma mensagem falando que não queria mais conversar com ele para não dar esperanças foi aí que disse que tinha que deixar de ser trouxa e seguir sua vida e cortar contato com ela Disse que foi interessante pois neste dia que ele viu a Érica pela primeira vez mas apenas achou uma mulher bonita e admirou que ela trabalhando em um chão de fábrica onde os homens de todas as idades mexiam com ela sempre se deu ao respeito Então concluiu que a Érica diferente da antiga namorada sempre o respeitou Mesmo quando não namorava ela se dava ao respeito mantendo a distância das pessoas e até hoje é assim Sua antiga namorada era muito de brincar com as pessoas inclusive com homens isso o deixava e acredita que se permanecesse com ela o 42 deixaria inseguro Perguntei se quanto a palavra respeito o qual diz a Érica ter para com ele não sente desrespeitado quando ela fala mal dele na frente dele para as outras pessoas Respondeu nisso sim é muito ruim isso que ela faz Perguntei se ele acredita que ela tem a imagem dele das reclamações que ela faz dele para as pessoas Respondeu que acha que sim mas também vê momentos em que ela é carinhosa com ele Continuou que percebe quando ela se frustra com alguma coisa no trabalho ela desconta nele Mas acredita que ela tenha sentimento por ele Antes do namoro ela era apegada a ele e muito mais carinhosa quando nasceu seu primeiro filho ela se apegou demais e tinha nele uma fixação exagerada depois que nasceu a filha deixou o filho de lado e tem essa fixação com a filha Como o tempo estava acabando concluí a sessão 43 11 ANEXO G ATENDIMENTO DIA 070725 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 01072 5 Intervenção sessão nº 8 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga horária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 01072025 J apresentouse atrasado chegando aproximadamente 15 minutos após o início da sessão Quando questionado acerca do motivo de sua ausência na sessão anterior esclareceu que esteve viajando a trabalho demonstrando esforço em justificar as faltas e admitindo que anteriormente por uma única ocasião não enviou justificativa No entanto reforçou que naquela última ausência explicou a ausência devido à viagem profissional Durante a sessão comentou que pretendia falar de trás para frente o que inicialmente suspeitei tratarse de uma abordagem reflexiva sobre os eventos recentes confirmação essa que veio com sua narrativa subsequente J contou que seu chefe foi demitido recentemente causando uma situação de caos na empresa na qual recaiu sobre ele a responsabilidade de assumir temporariamente funções de liderança já que ocupava uma posição de coordenação abaixo do seu antigo chefe Destacou que seu expatrão tinha um comportamento de soberba exibindo arrogância e uma postura de superioridade por possuir trinta anos de experiência Quando questionei se essa postura afetava sua performance ou relação no trabalho ele respondeu que o problema principal não era a postura do chefe mas sim as dificuldades relativas à gestão de perdas financeiras que estavam aumentando de forma preocupante J revelou que em uma viagem a Umuarama e Foz do Iguaçu participou de ações voltadas para analisar perdas constatando uma perda de aproximadamente 4 44 milhões Sua função era desenvolver estratégias para reduzir essa perda mas percebeu que ao invés disso o cenário se agravava e sua principal responsabilidade se limitava a exercer pressão sobre si mesmo e sobre sua equipe J admitiu não sentir alívio após a demissão do antigo chefe demonstrando respeito e consideração por ele reconhecendo que foi o responsável por sua contratação apesar das dificuldades de relacionamento Relatou que se sentia pressionado pela postura do exchefe o que lhe causava malestar Durante a viagem de trabalho J descreveu que trabalhou além do horário habitual inclusive no sábado para apresentar relatórios de perdas ao seu patrão na expectativa de obter um momento de análise e discussão dos resultados na sexta feira mas isso não ocorreu pois seu chefe o criticou em vez de dialogar A sensação de frustração por esse episódio foi perceptível Pelo tempo curto encerramos a sessão J Pediu desculpas pelo atraso e disse que ele tem mandado no número que tem da clínica avisando sobre seus atrasos 45 12 ANEXO H ATENDIMENTO DIA 150725 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 15072 5 Intervenção sessão nº 8 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga horária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 15072025 Na última reunião J chegou pontual e embora não tenha justificado sua ausência explicou que teve que comparecer à apresentação da filha na escola durante a Festa Junina Ele compartilhou os desafios que enfrenta no trabalho mencionando a falta de referências sobre com quem conversar e a pressão que sente de três diretores que o cobram de maneira diferente Durante a conversa ele relatou um episódio em que um dos diretores o chamou para uma reunião enquanto estava atendendo a uma demanda o que aumentou sua confusão sobre a quem realmente deve prestar contas J também expressou sua preocupação com a relação com seu filho que apresentou um comportamento estranho recentemente Ele compartilhou um conflito em que chamou o filho de mentiroso o que resultou em um impulso de agressão ao dar um soco em sua perna O motivo do desentendimento foi que o filho estava assistindo a vídeos no YouTube mesmo sabendo que tanto ele quanto a mãe não queriam que ele visse aquele conteúdo Após o incidente J ficou angustiado e acabou se retirando do local mas o filho pediu desculpas assim como sua esposa que ressaltou que a forma de educar não deveria ser a violência J refletiu sobre a dificuldade de criar os filhos nos dias de hoje comparando se a sua própria infância quando ele enfrentou reprimendas severas de seus pais Ele mencionou que na sua visão a educação dos filhos atualmente é marcada pela 46 permissividade Sua esposa por sua vez relatou uma situação em que em um momento de desespero deu um tapa no rosto do filho quando ele a desafiou demonstrando que ambos os pais ainda estão aprendendo sobre a melhor forma de educar A conversa também abordou o desempenho escolar do filho J comentou que apesar de não estar com notas ruins ele se mostra distraído e desinteressado nas tarefas de casa Para ajudar os avós do menino estão contribuindo financeiramente para que ele frequente sessões com uma psicopedagoga A possibilidade de o filho ter TDAH foi levantada pela esposa que se identificou com alguns dos comportamentos do filho J mostrouse compreensivo e observador notando que o filho tem hiperfoco em determinados assuntos como música e esportes o que pode indicar características do TDAH Por fim J se considera alguém que se concentra profundamente nas atividades ao contrário de Érica de sua esposa que tende a se distrair facilmente Reconhece que a personalidade dos filhos é uma mistura dele com sua mulher com características físicas e intelectuais que remetem a cada um

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