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CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 14 h às 15h DATA 220925 IntervençãoSessão nº 2 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 220925 O paciente apresenta uma história familiar complexa marcada pela relação conturbada entre seus pais onde a mãe costureira e o pai mecânico de máquinas de costura enfrentam problemas sérios incluindo traições e uma tentativa de suicídio por parte da mãe Essa dinâmica familiar impactou significativamente sua infância levandoo a desenvolver uma relação tensa com o pai que se agravou pelo uso de maconha considerado uma forma de fuga de seus problemas emocionais O paciente relata ter sofrido bullying na infância sendo muitas vezes agredido por colegas o que o levou a adotar comportamentos agressivos como uma defesa contra a dor que sentia Sua relação com o pai é tumultuada houve momentos de agressão física entre eles principalmente relacionados ao uso de substâncias No entanto após um retiro da igreja o paciente conseguiu perdoar o pai o que marcou uma mudança significativa em sua percepção e sentimentos em relação a ele Hoje apesar de considerar o pai grosso ele expressa amor e uma nova compreensão sobre a figura paterna Por outro lado a relação com a mãe é descrita como mais positiva embora tenha passado por um período de depressão após sair de casa para viver com Isabela O paciente demonstra preocupação com a saúde emocional da mãe e menciona que atualmente ela aceita melhor sua decisão de fumar maconha embora ele não compartilhe essa informação com o pai O passado do paciente é também marcado por um relacionamento tumultuado com Isabela sua exnamorada que possui um histórico de comportamentos violentos Ele relata medo em relação a ela especialmente após episódios em que ela apontou armas para outras pessoas e menciona que está jurado de morte por um chefe de Isabela o que amplifica seu ambiente de medo e insegurança Além disso o paciente possui um histórico criminal relacionado ao tráfico de drogas em Astorga onde chegou a ganhar quantias significativas Sua notoriedade na região o levou a considerar uma carreira política mas a fama negativa associada ao tráfico prejudicou essa aspiração Um incidente em que sua arma foi usada pela polícia em um crime demonstra a complexidade de sua relação com a lei e as influências de grupos criminosos em sua vida CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 Em suma o paciente vive um conflito interno profundo repleto de medos traumas e uma busca por reconciliação Sua evolução em relação ao pai e a necessidade de enfrentar seus medos e experiências passadas são pontos cruciais a serem explorados em um acompanhamento terapêutico contínuo FACULDADE INGÁ CURSO DE PSICOLOGIA RODOLFO RODRIGO BENEDETTI RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL III CLÍNICA DE PSICOLOGIA UNINGÁ MARINGÁ 2025 RODOLFO RODRIGO BENEDETTI RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL III CLÍNICA DE PSICOLOGIA UNINGÁ Relatório apresentado ao curso de Psicologia do Centro Universitário Ingá na disciplina de estágio de formação profissional III como requisito parcial para obtenção de nota no curso de Psicologia da faculdade INGÁ Prof Ms Bruna Luzia Garcia de Oliveira MARINGÁ 2025 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO4 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA5 21 Primeiro contato e entrevista com o paciente6 211 A importância da entrevista inicial na terapia psicanalítica6 212 Expectativas na terapia analítica o papel do paciente e do psicanalista8 22 A evolução do diagnóstico psicanalítico9 221 Regras psicanalíticas da atualidade11 222 Regra da abstinência12 221 Regra da atenção flutuante13 223 Regra da neutralidade14 224 Regra do amor à verdade15 23 As funções do analista17 231 Escuta analítica e Setting17 232 Transferência e contratransferência17 233 Autoconhecimento e resistências17 234 Ética e formação do psicanalista17 235 A transformação subjetiva como horizonte clínico18 24 A compreensão do relacionamento interpessoal sob a perspectiva da psicanálise18 241 As pulsações e vínculos na teoria psicanalítica o papel da pulsão e do desejo19 242 Significado simbólico e mitológico das relações conjugais19 243 Alianças inconscientes e a formação psíquica do vínculo amoroso20 244 Vínculos afetivos segundo Bion espaço psíquico e conteúdo emocional 21 245 O casal como uma unidade psíquica e a influência do desenvolvimento emocional21 3 METODOLOGIA26 4 PROCESSO TERAPÊUTICO27 41 ANÁLISE DO PROCESSO TERAPÊUTICO29 411 Análise psicanalítica do caso do paciente 129 412 Inconsciente e conflitos internos30 413 Dinâmicas relacionais e alianças inconscientes30 414 Mecanismos de defesa e intelectualização31 415 Mudança e desenvolvimento pessoal31 416 A autonomia emocional e respeito mútuo32 Referências35 5 ANEXO A Atendimento dia 29042537 6 ANEXO B Atendimento dia 06052539 7 ANEXO C Atendimento dia 20052541 8 ANEXO D Atendimento dia 29052543 9 ANEXO E Atendimento dia 10052545 10 ANEXO F Atendimento dia 17062547 11 ANEXO G Atendimento dia 07072549 12 ANEXO H Atendimento dia 15072551 4 1 INTRODUÇÃO O presente relatório tem como objetivo refletir sobre a experiência de estágio supervisionado em Psicologia com ênfase na prática clínica orientada pela abordagem psicanalítica e a partir da articulação entre teoria e prática buscase apresentar os principais fundamentos teóricos que sustentaram a atuação descrever a vivência do estágio e analisar criticamente os aspectos éticos e técnicos envolvidos no processo Conforme a Resolução n 62011CNEMEC o estágio supervisionado é um componente crucial na formação em Psicologia dividido em duas etapas o Estágio Supervisionado Básico realizado no 3 ano que se concentra na integração de competências por meio de visitas técnicas e observações e os Estágios Supervisionados de Formação desenvolvidos nos 4 e 5 anos voltados ao aprofundamento profissional em áreas específicas como clínica institucional escolar e organizacional Cada etapa é organizada por meio de projetos de ensino elaborados pelos professores supervisores os quais incluem justificativas competências a serem desenvolvidas métodos de trabalho e critérios de avaliação A supervisão ocorre na ClínicaEscola de Psicologia do Centro Universitário Ingá Uningá em grupos de até seis alunos com o propósito de promover uma formação crítica e prática para os futuros psicólogos Este relatório está alinhado à estrutura e regulamentação dos Estágios Supervisionados do curso de Psicologia da Uningá conforme descrito nos documentos institucionais Os alunos do 5º ano devem cumprir um total de 200 horas no Estágio de Formação III e 160 horas no Estágio de Formação IV com carga horária distribuída ao longo dos períodos letivos regulares sem previsão de interrupções para férias intermediárias Os estágios são formalizados por meio de instrumentos jurídicos entre o Centro Universitário Ingá e as instituições concedentes sendo realizados tanto na ClínicaEscola de Psicologia da Uningá quanto em instituições conveniadas como hospitais unidades básicas de saúde instituições de educação infantil e educação especial entre outras A supervisão dos estágios é de responsabilidade dos professores supervisores do supervisor de estágio e da coordenação do curso Os professores supervisores são docentes do curso de Psicologia atuando conforme suas áreas de formação e experiências profissionais e em casos específicos profissionais de áreas técnicas externas podem ser incluídos na supervisão mediante solicitação escrita e aprovação institucional Durante todo o processo o Código de Ética 5 Profissional do Psicólogo aprovado em agosto de 2005 pelo Conselho Federal de Psicologia serve como guia essencial para a prática profissional Este documento elaborado em um contexto de transformações sociais e demandas profissionais reforça princípios como o respeito à dignidade humana a promoção da saúde e a qualidade dos serviços psicológicos além de definir deveres proibições e penalidades para assegurar uma atuação ética e responsável A estrutura do relatório segue três eixos principais inicialmente uma fundamentação teórica baseada em autores da psicanálise seguida da descrição detalhada da experiência prática em contexto clínicoinstitucional Em seguida são discutidas as implicações éticas da atuação profissional conforme previsto no Código de Ética do Psicólogo e propõese uma análise crítica dos desafios e aprendizados construídos ao longo do estágio Por fim o texto conclui com considerações sobre a integração entre teoria prática e ética na formação do psicólogo ressaltando a importância do estágio supervisionado como espaço de consolidação do conhecimento e da identidade profissional 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A psicanálise desde seus fundamentos estabelecidos por Freud consolidou se como um campo teóricoclínico de grande complexidade enriquecido ao longo do século XX por contribuições de diversos autores Inicialmente Freud estruturou pilares centrais como o conceito de inconsciente a sexualidade infantil os mecanismos de defesa e a transferência que permanecem como eixos estruturantes da prática psicanalítica Em A Interpretação dos Sonhos 1900 obra seminal ele enfatiza a função do inconsciente na produção simbólica demonstrando que os processos psíquicos transcendem a consciência imediata Essa perspectiva revolucionária revela que o sujeito não é plenamente senhor de sua própria razão uma ideia que redefine a compreensão do sofrimento humano Ao reconhecer a dimensão inconsciente como núcleo da subjetividade Freud inaugurou uma metodologia clínica baseada na escuta atenta da singularidade do paciente e na valorização de sua narrativa Essa abordagem detalhada em suas obras FREUD 2016 desloca a ênfase de interpretações normativas para uma prática que acolhe a ambiguidade e a multiplicidade de sentidos presentes no discurso Dessa forma a psicanálise não apenas ampliou o horizonte teórico sobre a 6 mente humana mas também estabeleceu um paradigma ético e técnico orientado pelo respeito à expressão individual legado que continuou a ser expandido e reinterpretado por gerações posteriores de analistas 21 Primeiro contato e entrevista com o paciente A comunicação não verbal constitui um elemento fundamental nas interações humanas sobretudo nas etapas iniciais de um relacionamento seja em âmbito pessoal ou profissional Essa forma de expressão que engloba gestos expressões faciais postura e movimentos corporais transcende a dimensão verbal revelando emoções genuínas e facilitando a construção de conexões mais profundas entre os indivíduos Durante os primeiros contatos a habilidade de decifrar esses sinais tornase especialmente relevante já que eles podem transmitir nuances como interesse confiança abertura ou resistência muitas vezes de maneira mais autêntica do que as palavras Zimmerman 2004 Além de expressar sentimentos a comunicação não verbal atua em paralelo à linguagem falada servindo como um complemento essencial para a clareza das mensagens Ao harmonizar gestos tom de voz e expressões com o conteúdo verbal reduzse o risco de ambiguidades e malentendidos permitindo que a intenção comunicativa seja transmitida com maior precisão Segundo Zimerman 2004 Essa sincronia entre o que é dito e o que é demonstrado corporalmente não apenas fortalece a credibilidade do emissor como também promove um diálogo mais coeso e empático Reconhecer a relevância desses elementos é portanto determinante para otimizar a qualidade das interações em diferentes contextos seja em uma negociação profissional no estabelecimento de vínculos afetivos ou em situações cotidianas a atenção aos sinais não verbais possibilita uma leitura mais integral do outro favorecendo relações baseadas em compreensão mútua e efetividade comunicativa 211 A importância da entrevista inicial na terapia psicanalítica A entrevista inicial configurase como um momento decisivo na prática psicanalítica estabelecendo as bases para o relacionamento terapêutico e permitindo que tanto o analista quanto o paciente avaliem a compatibilidade e a viabilidade do tratamento Esse contato preliminar que pode se estender por mais 7 de um encontro dependendo das particularidades do paciente não se limita a uma mera formalidade Mesmo em situações em que o terapeuta já reconhece a impossibilidade de assumir um tratamento sistemático a realização de uma entrevista de avaliação mantém seu valor pois possibilita orientações ou encaminhamentos adequados preservando o compromisso ético com o cuidado Zimmerman 2004 Para Zimerman 2004 será importante diferenciar a entrevista inicial da primeira sessão analítica pois enquanto a primeira ocorre antes da formalização do contrato terapêutico funcionando como um espaço de avaliação mútua a segunda marca o início efetivo da análise A profundidade e a duração dessa etapa variam conforme o repertório prévio do paciente aqueles familiarizados com o processo psicanalítico podem experienciar um fluxo mais ágil enquanto indivíduos que buscam alívio imediato para sintomas demandam uma abordagem mais cautelosa capaz de acolher ansiedades e expectativas não verbalizadas O objetivo central da entrevista inicial reside na avaliação das condições mentais emocionais e contextuais do paciente permitindo ao analista ponderar riscos e benefícios do tratamento Essa análise inclui a identificação da psicopatologia apresentada a elaboração de uma impressão diagnóstica e prognóstica e a atenção aos efeitos contratransferenciais que emergem na interação Nesse contexto o uso de classificações como o DSMIVTR que abrange aspectos sindrômicos transtornos de personalidade e estressores ambientais exige uma abordagem multidimensional integrando dimensões dinâmicas como conflitos inconscientes evolutivas histórico de desenvolvimento e comunicacionais formas de expressão e resistências Zimmerman 2004 Além da avaliação técnica a entrevista demanda uma escuta sensível às motivações e expectativas do paciente que nem sempre coincidem com o projeto terapêutico do analista A veracidade das queixas o grau de insight e a disposição para engajarse em um processo introspectivo são fatores críticos Paralelamente o terapeuta deve confrontar suas próprias limitações e reações emocionais evitando avaliações precipitadas baseadas em impressões superficiais Assim a entrevista inicial transcende sua função diagnóstica é um espaço de negociação simbólica no qual paciente e analista delineiam a possibilidade de uma jornada compartilhada 8 212 Expectativas na terapia analítica o papel do paciente e do psicanalista O papel do analista assume centralidade já na primeira entrevista momento em que ele se apresenta como profissional fundamentado em sua formação teórica e experiência clínica contudo para o paciente essa figura ainda não está consolidada como referência terapêutica É através da transferência processo no qual o paciente atribui ao analista emoções e expectativas originadas em relações passadas que se estabelece a possibilidade de reconhecêlo como guia no processo analítico Segundo Chemama 2002 esse fenômeno é estruturante nas entrevistas preliminares pois cria um vínculo que permite ao paciente confiar na direção proposta pelo tratamento mesmo em um contexto de incerteza inicial Nesse cenário as expectativas mútuas entre paciente e analista são determinantes para o avanço da terapia O paciente é convidado a assumir uma postura ativa engajandose de maneira autêntica na exploração de suas vivências emocionais Esse compromisso não se resume à verbalização de sintomas mas envolve a disposição para confrontar resistências e ambiguidades inerentes ao processo introspectivo Paralelamente cabe ao psicanalista definir com clareza suas motivações para acolher o caso delineando um projeto terapêutico que oriente suas intervenções Essa delimitação não é estática exige flexibilidade para adaptarse às demandas emergentes sem perder de vista os objetivos centrais do tratamento Zimmerman 2004 A preparação do analista para lidar com desafios emocionais como situações transferenciais intensas ou manifestações de contratransferência é um pilar da prática clínica A empatia aliada ao reconhecimento das próprias limitações e reações inconscientes permite que ele sustente um ambiente seguro onde o paciente se sinta acolhido em sua vulnerabilidade Essa habilidade não se restringe à técnica envolve uma reflexão contínua sobre como as histórias pessoais do terapeuta podem influenciar sua escuta exigindo um equilíbrio delicado entre envolvimento e neutralidade Além disso o contexto físico e emocional em que o analista trabalha repercute diretamente na qualidade do atendimento no qual manter um ambiente organizado e garantir um equilíbrio entre vida profissional e pessoal não são meros detalhes operacionais mas condições essenciais para preservar a integridade do setting terapêutico 9 O autocuidado do analista incluindo a gestão do estresse e a supervisão regular assegura que ele esteja emocionalmente disponível para acolher as demandas complexas do paciente evitando esgotamento ou interferências prejudiciais assim a interação entre paciente e analista revelase uma teia de interdependências na qual a clareza técnica a ética do cuidado e a gestão das emoções se entrelaçam A primeira entrevista longe de ser um mero protocolo é um microcosmo desse processo nela avaliamse não apenas as condições psíquicas do paciente mas também a capacidade do analista de sustentar uma aliança terapêutica pautada pela confiança e pelo rigor metodológico Essa sintonia inicial quando bem conduzida lança as bases para um trabalho transformador onde a complexidade humana é abordada em sua plenitude Zimmerman 2004 22 A evolução do diagnóstico psicanalítico O diagnóstico psicanalítico contemporâneo configurase como um campo em constante evolução que busca transcender as classificações clássicas das doenças mentais Essa abordagem prioriza um entendimento profundo do paciente considerando não apenas os aspectos sintomáticos mas também as dinâmicas psíquicas subjacentes Nesse contexto a avaliação do prognóstico emerge como elemento central frequentemente realizada ao longo do processo analítico dinâmica que pode surpreender tanto o analista quanto o analisando revelando nuances que ultrapassam as expectativas iniciais e destacando a complexidade humana em sua busca por autoconhecimento Um dos critérios fundamentais nesse paradigma é o de acessibilidade que se concentra na motivação coragem e capacidade do paciente de permitir o acesso ao seu inconsciente Zimmerman 2004 Essa compreensão é particularmente relevante na seleção de pacientes que à primeira vista podem ser considerados de difícil acesso como aqueles com regressões significativas ou paradoxalmente com estrutura psíquica aparentemente bem ajustada Para Bechara 2009 a psicanálise contemporânea tem se mostrado receptiva a configurações diversas adaptando técnicas e táticas para atender às necessidades específicas de cada indivíduo o que reforça sua flexibilidade como ferramenta terapêutica Observase ainda uma diminuição progressiva dos critérios de contraindicação na prática clínica atual refletindo maior abertura à diversidade de 10 pacientes Questões como a idade antes vistas como limitantes são agora abordadas com relativismo permitindo a inclusão de crianças e idosos no tratamento psicanalítico com resultados positivos Além disso a psicanálise contemporânea não hesita em enfrentar situações críticas como quadros emocionais agudos integrandose a outros recursos como psicofármacos em uma abordagem holística que busca eficácia sem abandonar a profundidade analítica O diagnóstico clínico psicanalítico é permeado por um relativismo acentuado no qual condições aparentemente alarmantes como uma reação esquizofrênica aguda podem ter prognóstico favorável se manejadas com competência técnica enquanto neuroses crônicas podem apresentar desafios imprevistos Essa dualidade exige do analista um olhar crítico e atento capaz de discernir as nuances singulares de cada caso sem se apoiar em generalizações Entretanto algumas contraindicações permanecem inegáveis como a degenerescência mental a incapacidade de abstração e casos com motivações distorcidas Em situações de avaliação inicial inconclusiva a análise de prova surge como alternativa viável Essa abordagem que prolonga a entrevista inicial permite uma reflexão mais detalhada sobre as condições do paciente antes da formalização do contrato analítico assegurando que ambos analista e analisando possam estabelecer um vínculo seguro e comprometido Essas práticas alinhamse à Resolução CFP nº 0052025 que enfatiza a supervisão e orientação de estágios em Psicologia com base em fundamentação teórica e ética A psicanálise contribui não apenas com técnicas específicas mas com uma postura clínica que valoriza a alteridade o silêncio a história singular e o tempo subjetivo Essa escuta ética associada ao rigor técnico oferece ao profissional de Psicologia uma base sólida para atuar em contextos clínicos diversos mantendo o compromisso com o sofrimento humano em sua complexidade e singularidade Assim a psicanálise reafirma seu papel na saúde mental contemporânea um campo que se reinventa e se amplia acolhendo a diversidade de pacientes e integrandose a marcos regulatórios que fortalecem a formação crítica e ética dos futuros psicólogos Zimmerman 2004 11 221 Regras psicanalíticas da atualidade A evolução das regras fundamentais da psicanálise ao longo do tempo reflete as transformações nas dinâmicas sociais e nas expectativas dos pacientes A regra da livre associação de ideias que enfatiza a verbalização espontânea por parte do paciente mantém sua centralidade mas sua aplicação prática tem se adaptado às demandas atuais Hoje os analistas reconhecem a necessidade de criar um ambiente terapêutico que favoreça não apenas a expressão livre mas também a autenticidade considerando a diversidade de experiências e a complexidade das questões contemporâneas trazidas pelos pacientes Essa adaptação não descaracteriza a técnica mas amplia sua capacidade de acolher subjetividades em contextos cada vez mais pluralizados Zimmerman 2004 A regra da abstinência tradicionalmente associada à contenção de gratificações pessoais por parte do analista tem sido reinterpretada em um cenário clínico que valoriza a empatia e a conexão humana Embora sua essência evitar satisfações substitutivas que desviem o foco do processo analítico permaneça válida a prática contemporânea enfrenta o desafio de equilibrar essa contenção com a construção de uma relação de confiança e segurança Essa tensão produtiva permite que a relação analítica transcenda a função meramente interpretativa tornandose um espaço de interação genuína onde a vulnerabilidade é reconhecida como parte integrante do trabalho terapêutico Souza e Coelho 2012 Por outro lado Zimerman 2004 também afirma que a regra da neutralidade que historicamente exigia um distanciamento emocional do analista é revisitada à luz de abordagens que defendem maior transparência na relação terapêutica Isso não implica a perda da postura técnica mas o reconhecimento de que a neutralidade pode coexistir com uma presença mais autêntica O analista contemporâneo ao acolher suas próprias emoções e reações contratransferenciais pode oferecer uma escuta mais engajada sem abandonar o rigor metodológico Essa flexibilidade não enfraquece o setting mas o torna mais sensível às nuances afetivas que emergem no processo A ênfase na verdade e na honestidade incorporada como uma quinta regra em discussões recentes responde à demanda por autenticidade nas relações terapêuticas pois os pacientes buscam não apenas uma análise técnica mas uma conexão que os auxilie a navegar realidades emocionais complexas marcadas por 12 incertezas e paradoxos da vida moderna Essa dimensão exige que analista e paciente se envolvam em um processo de descoberta mútua onde a honestidade tanto sobre limites quanto sobre possibilidades fortalece a aliança terapêutica Assim as regras psicanalíticas embora preservem seu núcleo ético e técnico demandam revisão contínua para dialogar com as transformações sociais e científicas A prática clínica atual ao integrar essas adaptações não apenas honra o legado freudiano mas assegura que a psicanálise permaneça relevante como ferramenta de compreensão e intervenção diante das complexidades humanas do século XXI 222 Regra da abstinência A regra da abstinência formulada por Freud em 1915 surgiu em resposta ao desenvolvimento de vínculos eróticos entre pacientes histéricas e analistas em um período em que as análises eram breves Com a expansão da psicanálise e o aumento das críticas sobre a sexualidade na prática clínica Freud viu a necessidade de estabelecer limites claros para evitar envolvimentos sexuais entre analistas e analisandos Em 1912 ele começa a esboçar essa diretriz preocupado com a integridade ética da psicanálise A abstinência implica que o psicanalista deve absterse de qualquer atividade além da interpretação proibindo gratificações externas e preservando o anonimato do paciente posição reforçada por Freud em 1918 em seus escritos sobre terapias psicanalíticas Zimmerman 2004 Ressaltase a relevância da abstinência analítica conforme proposta por Freud que defende que os analistas evitem gratificações externas e intervenções significativas na vida dos pacientes durante o tratamento Para ele era imperativo que os pacientes não tomassem decisões importantes como escolhas profissionais ou amorosas sem uma análise prévia a fim de evitar que impulsos inconscientes fossem mal direcionados protegendoos de possíveis danos Entretanto críticas contemporâneas apontam que a interpretação rígida dessa recomendação pode levar a um distanciamento excessivo entre analista e analisando prejudicando o tratamento A preocupação freudiana com envolvimentos emocionais e sexuais embora válida corre o risco de ser aplicada de forma extremada gerando uma dinâmica fóbica que compromete a aliança terapêutica Zimmerman 2004 13 Com a evolução da prática psicanalítica observase uma mudança significativa no perfil emocional e situacional dos pacientes assim como nas condições sociológicas e econômicas em que a análise ocorre Muitos analistas contemporâneos adotam portanto uma postura mais flexível promovendo um ambiente acolhedor e interativo sem abandonar a estrutura normativa do setting analítico Argumentase que a rigidez na aplicação das diretrizes originais de Freud pode criar um clima de falsidade e paranoia Assim uma abordagem adaptativa e humanizada é considerada essencial nas práticas atuais permitindo que analistas se conectem de maneira autêntica com seus pacientes fator que pode potencializar a eficácia do processo terapêutico O conceito de amor de transferência na psicanálise evidencia a evolução das práticas desde Freud destacando os riscos de envolvimento emocional entre analista e paciente A abstinência do psicanalista permanece crucial para evitar a gratificação de desejos que refletem carências do próprio terapeuta não do paciente É fundamental diferenciar curiosidades patológicas que demandam interpretação daquelas saudáveis que merecem acolhimento como expressões genuínas do sujeito Além disso as atitudes em relação a encontros sociais entre analistas e pacientes modificaramse antes rigidamente evitados hoje são abordados com maior flexibilidade ainda que cautelosa Zimerman 2004 aponta essa mudança a qual reflete uma adaptação às demandas contemporâneas sem descuidar dos princípios éticos que preservam a integridade do vínculo terapêutico 221 Regra da atenção flutuante A regra da atenção flutuante proposta por Freud estabelece um princípio fundamental para a prática analítica implicando a criação de condições que favoreçam uma comunicação autêntica entre os inconscientes do analista e do paciente Bion amplia essa concepção ao destacar o papel da intuição frequentemente obscurecida pela ênfase excessiva na percepção sensorial como ferramenta essencial para decifrar as camadas simbólicas do discurso Zimmerman 2004 Uma das dificuldades centrais para o analista reside em sua capacidade de se desvincular de desejos e memórias pessoais durante o processo Embora seja natural que emoções surjam é importante que o terapeuta mantenha clareza sobre 14 esses sentimentos discriminando adequadamente entre suas experiências subjetivas e as dinâmicas transferenciais em jogo Essa distinção preserva a neutralidade técnica e assegura que as intervenções estejam alinhadas às necessidades do paciente evitando projeções que comprometam a eficácia terapêutica A prática psicanalítica exige assim uma dissociação útil habilidade de reconhecer e diferenciar as diversas áreas do mapa psíquico do analista incluindo emoções que emergem durante a sessão Essa dissociação sustenta tanto a teorização flutuante entendida como a capacidade de elaborar hipóteses sem fixação prévia quanto à atenção flutuante que consiste em uma escuta aberta a múltiplos significados Esses mecanismos facilitam a conexão com a realidade externa e com o inconsciente permitindo uma escuta intuitiva que capta nuances escapadas a abordagens lineares Souza e Coelho 2012 Por outro lado uma atenção excessivamente direcionada pode levar a um estado patogênico no qual o analista busca informações irrelevantes à situação analítica movido por curiosidade pessoal ou necessidade de controle Essa postura desvia o foco do trabalho terapêutico e pode gerar vínculos transferenciais prejudiciais nos quais as projeções do analista contaminam a relação Além disso a tentativa de manter a atenção flutuante de forma rigorosa pode gerar desconforto e sensação de fracasso no analista já que divagações e distrações são inevitáveis durante as sessões A flexibilidade mental tornase portanto um elementochave pois ela permite que o analista navegue entre suas próprias emoções e as dinâmicas do setting terapêutico ajustandose às flutuações do processo sem perder a postura técnica necessária Essa habilidade reconhece que a eficácia reside no equilíbrio entre disciplina clínica e adaptação às contingências humanas Zimmerman 2004 223 Regra da neutralidade A regra da neutralidade conforme proposta por Freud é um princípio essencial na psicanálise sugerindo que o psicanalista deve atuar como um espelho opaco refletindo apenas o conteúdo apresentado pelo paciente e evitando expor suas próprias emoções Embora o termo neutralidade não seja frequente em seus textos Freud defende uma postura imparcial distante da indiferença que poderia prejudicar o processo analítico Essa neutralidade inclui a gestão dos desejos do 15 analista permitindo uma interação aberta e profunda com o paciente o que cria um ambiente favorável à exploração emocional e psicológica Pinheiro 1999 Contudo a regra da neutralidade tem sido reavaliada na prática contemporânea distante da visão tradicional de Freud que comparava o analista a um espelho mecânico Atualmente entendese que o analista deve funcionar como um espelho que possibilita ao paciente uma reflexão abrangente sobre si mesmo sem que isso implique a supressão total de sua subjetividade A neutralidade é reconhecida como um ideal inatingível já que o analista inevitavelmente traz suas crenças valores e perspectivas para a relação terapêutica influenciando dinâmicas interpretativas e escolhas técnicas Zimmerman 2004 O envolvimento afetivo do terapeuta desde que não se torne patológico é considerado essencial para estabelecer uma aliança terapêutica significativa As escolhas interpretativas como decidir quando intervir ou como formular uma interpretação revelam a subjetividade inerente à prática demonstrando que a neutralidade não se traduz em ausência de posicionamento mas em um equilíbrio entre acolhimento e contenção Essa postura permite que o paciente se sinta reconhecido em sua singularidade ao mesmo tempo que preserva o espaço analítico como um campo de investigação livre de projeções excessivas do terapeuta Assim a neutralidade na psicanálise contemporânea não nega a influência do analista mas reconhece a complexidade de sua função ser um interlocutor que mesmo com suas limitações humanas mantém o foco no processo de desvelamento do inconsciente equilibrando técnica e sensibilidade Zimmerman 2004 224 Regra do amor à verdade A psicanálise segundo Freud fundamentase na verdade e na ética sendo a honestidade do psicanalista um elemento fundamental para promover mudanças significativas nos pacientes O terapeuta deve evitar julgamentos sobre terceiros já que os pacientes podem induzir quebras éticas por meio de projeções ou tentativas de envolver o analista em dinâmicas externas à terapia Um dilema recorrente é o envolvimento amoroso entre terapeuta e paciente tratado com rigor por sociedades psicanalíticas para preservar a integridade da relação analítica Dessa forma a ética e a verdade configuramse como pilares indissociáveis da prática freudiana 16 A discussão sobre transgressões éticas e sexuais na psicanálise revela um campo marcado por tensões e controvérsias conforme destacado por Daniel Widlocher expresidente da Associação Psicanalítica Internacional IPA Ele argumenta que tais transgressões não devem ser simplificadas como meros erros ou pecados irreparáveis mas sim compreendidas como fenômenos complexos que exigem análise crítica Widlocher observa ainda que transgressões éticas como vínculos românticos não consumados entre analistas e pacientes que frequentemente permanecem ocultas apesar de seu impacto relevante Freud já enfatizava a necessidade de honestidade mútua afirmando que a falta de verdade por parte do analista comprometeria a eficácia do tratamento corroendo a confiança essencial ao processo Complementando essa perspectiva Bion introduz a reflexão sobre a análise de indivíduos que utilizam a mentira como mecanismo de defesa Ele ressalta que a verdade é um elemento vital para a saúde psíquica comparando a a um alimento indispensável e sua ausência levaria à deterioração do psiquismo Assim a abordagem psicanalítica da verdade deve transcender o moralismo focandose na construção de uma atitude autêntica que permita ao paciente alcançar liberdade interna e engajarse plenamente no processo analítico ZIMERMAN 2004 A preservação do setting analítico é outro aspecto essencial pois garante a estruturação da relação terapêutica mantendo a assimetria necessária entre os papéis de analista e paciente O enquadre estabelece limites claros e promove o princípio da realidade contrapondose ao princípio do prazer que muitas vezes domina a subjetividade do paciente Essa estrutura é especialmente crítica no trabalho com pacientes regressivos que podem enfrentar dificuldades em lidar com limites e frustrações No entanto é fundamental evitar uma rigidez excessiva na aplicação dessas regras pois isso pode gerar uma atmosfera coercitiva prejudicando a aliança terapêutica A própria prática de Freud ilustra a complexidade desse equilíbrio que frequentemente flexibilizava suas próprias recomendações adotando abordagens não convencionais que refletiam o contexto histórico e teórico da psicanálise em sua época ZIMERMAN 2004 17 23 As funções do analista Na psicanálise o analista é um profissional cuja atuação se baseia na escuta clínica e na interpretação do inconsciente Diferente de áreas como negócios ele não busca solucionar problemas imediatos mas atua como um guia na exploração das dinâmicas psíquicas Formado nos princípios de Freud e seus herdeiros o psicanalista mergulha nas complexidades do desejo e dos traumas reprimidos Minerbo 2024 231 Escuta analítica e Setting A escuta analítica é uma habilidade que permite ao analista decifrar significados ocultos nos lapsos sonhos e discursos do paciente Esse processo é facilitado por um setting analítico rigoroso que inclui horários fixos sigilo e uma postura neutra criando um ambiente seguro para a livre associação de ideias Zimerman 2004 232 Transferência e contratransferência O manejo da transferência projeção de sentimentos do paciente e da contratransferência reações emocionais do analista é fundamental O psicanalista deve reconhecer e modular essas dinâmicas utilizandoas para desvendar conflitos psíquicos Zimerman 2004 233 Autoconhecimento e resistências Diferente de terapias que buscam a eliminação rápida de sintomas a psicanálise prioriza o autoconhecimento Técnicas como a associação livre e a interpretação de sonhos ajudam a revelar estruturas invisíveis que governam comportamentos enquanto o trabalho com resistências permite que o paciente enfrente conteúdos dolorosos Freud 1920 234 Ética e formação do psicanalista A ética é um alicerce essencial na psicanálise onde o analista não emite julgamentos morais A formação do psicanalista inclui estudo teórico análise 18 pessoal e supervisão clínica preparandoo para lidar com projeções e evitar interferências pessoais Zimerman 2004 235 A transformação subjetiva como horizonte clínico O analista atua como um mediador do inconsciente ajudando o paciente a desatar nós invisíveis que causam sofrimento O sucesso na psicanálise é medido pela capacidade de permitir que o paciente reinvente sua relação consigo mesmo e com o mundo O processo de transformação subjetiva é lento e singular proporcionando ao paciente uma nova forma de habitar sua história e confrontar seu passado O analista assim não oferece respostas prontas mas sustenta um espaço onde a verdade do sujeito pode emergir como um ato de liberdade Minerbo 2024 24 A compreensão do relacionamento interpessoal sob a perspectiva da psicanálise A análise do relacionamento interpessoal quando vista sob a ótica psicanalítica exige uma investigação minuciosa das forças inconscientes que moldam as interações humanas Essas forças muitas vezes surgem a partir de experiências precocemente vivenciadas na infância que ficam armazenadas no inconsciente e influenciam não apenas as emoções e comportamentos atuais mas também a maneira como os indivíduos percebem e se relacionam com os outros Este entendimento é fundamental para compreender questões como ciúmes inseguranças projeções e padrões de comunicação disfuncionais já que muitas dessas características têm raízes profundas e subconscientes Além disso essa abordagem permite uma compreensão mais abrangente dos conflitos internos que podem dificultar a construção de vínculos afetivos seguros e satisfatórios favorecendo processos de autoconhecimento que são essenciais tanto na clínica quanto na vida cotidiana De acordo com Freud 1900 as experiências formativas na infância não apenas moldam o desenvolvimento psíquico mas também deixam marcas que podem perdurar ao longo da vida influenciando todas as relações seguintes Essas experiências muitas vezes são reprimidas ou não totalmente resolvidas permanecendo no inconsciente e se manifestando através de sintomas ou padrões relacionais recorrentes na fase adulta Por exemplo uma criança que vivenciou 19 negligência ou rejeição pode desenvolver uma ansiedade de separação ou padrões de busca de validação constantes na vida adulta Assim ao revisar e entender essas experiências e seus efeitos o terapeuta e o indivíduo podem trabalhar a resolução de conflitos internos promovendo relações mais saudáveis e equilibradas e uma melhor gestão emocional 241 As pulsações e vínculos na teoria psicanalítica o papel da pulsão e do desejo Segundo Treiguer 2007 a compreensão da pulsão na psicanálise não se limita à sua força de impulso biológico mas deve ser entendida na relação com os vínculos estabelecidos entre os indivíduos A pulsão como força reguladora das interações atua tanto na esfera consciente quanto na inconsciente moldando desejos necessidades e fantasias O desejo por sua vez é uma força que unifica o sujeito embora seja frequentemente influenciado por fatores externos como o alheio ou seja o outro suas expectativas desejos e projeções Essas dinâmicas complexas resultam na multiplicidade de emoções que experimentamos nas relações como novela de desejo medo mistério e insegurança que enriquecem ou dificultam o relacionamento dependendo de como são elaboradas e integradas 242 Significado simbólico e mitológico das relações conjugais Ao analisar as relações amorosas sob a perspectiva simbólica e mitológica a narrativa bíblica de Adão e Eva serve como uma poderosa metáfora para entender a busca pela perfeição a ilusão de imortalidade e a vulnerabilidade inerente aos relacionamentos O desejo de ser igual a Deus simboliza a tentativa de superar os limites humanos o que na relação de casal pode refletir a busca por uma união idealizada que muitas vezes é inatingível A expulsão do Éden revela como a tentativa de alcançar essa perfeição pode resultar na fragilidade e na necessidade de aceitar a vulnerabilidade como parte fundamental do amor e da convivência Na perspectiva psicanalítica há a compreensão de que os casais frequentemente criam uma dinâmica de inseparabilidade na qual as diferenças individuais são minimizadas ou até negadas Para isso usam mecanismos de defesa como a cisão dividir aspectos positivos e negativos e a identificação projetiva que reduzem as diferenças ao transferir aspectos indesejados ou conflitantes para o outro Essa fusão embora possa parecer uma busca por 20 completude tende a ser prejudicial a longo prazo pois impede o desenvolvimento da autonomia emocional e limita a autenticidade no relacionamento Quando essa fusão se torna excessiva a relação pode se transformar em uma ilusão de perfeição que ao se desmoronar leva ao conflito ou à crise de identidade de ambos os parceiros 243 Alianças inconscientes e a formação psíquica do vínculo amoroso De acordo com Pignataro FerrésCarneiro e Mello 2019 as alianças inconscientes estruturam as relações amorosas formando um sistema de funções que mantêm o vínculo e protegem os indivíduos de ameaças internas e externas Essas alianças que se originam na infância e nas primeiras experiências afetivas podem ser primárias secundárias defensivas ou criativasdestrutivas cada uma desempenhando papéis diferentes na vida psíquica e relacional Elas moldam percepções expectativas e comportamentos além de influenciar a forma como o parceiro é visto e tratado na relação Compreender esses mecanismos ajuda a desmistificar padrões repetitivos e a elaborar vínculos mais conscientes e satisfatórios promovendo maior autonomia emocional e resistência às dificuldades do cotidiano Dentro das alianças inconscientes existe o pacto denegativo também discutido na literatura psicanalítica referese a uma aliança inconsciente que os parceiros assumem muitas vezes de forma automática para proteger a relação de conflitos internos ou de demandas emocionais que podem ameaçála Essa aliança funciona por meio da mobilização de fantasias identificações e realidades psíquicas partilhadas que mantêm o vínculo mesmo que envolvam negação ou repressão de aspectos desagradáveis ou conflitantes Essa dinâmica atua como um mecanismo de defesa contribuindo para a estabilidade emocional do casal ao evitar confrontar certas verdades dolorosas mas também pode limitar o crescimento e a autenticidade na relação Além do pacto denegativo Pignataro FérresCarneiro e Mello 2019 descrevem os contratos inconscientes como entendimentos tácitos que emergem na relação estabelecendo limites expectativas e trocas que sustentam o vínculo Esses contratos podem ser conscientes ou inconscientes e dizem respeito às concessões mútuas necessárias para a convivência Enquanto os acordos 21 representam negociações mais conscientes os pactos envolvem trocas intransmissíveis ou insuspeitas muitas vezes influenciadas por elementos da infância ou experiências passadas Essas dinâmicas facilitam ou dificultam a elaboração de desejos e necessidades moldando o modo como o casal enfrenta as dificuldades e constrói a sua história conjunta 244 Vínculos afetivos segundo Bion espaço psíquico e conteúdo emocional Segundo Mondrzak 2007 a teoria de Bion destaca que os vínculos amorosos de ódio ou de conhecimento dependem do espaço psíquico chamado por ele de contenedor e do conteúdo emocional que nele reside O espaço psíquico funciona como um recipiente onde emoções e experiências conflitantes podem ser armazenadas elaboradas e integradas fortalecendo a relação As emoções como inveja ciúme raiva ou insegurança sentimentos típicos de uma relação conjugal não apenas emergem do conteúdo mas são moduladas pelo espaço psíquico que deve ser acolhedor para que os conflitos possam ser trabalhados de forma saudável Essa capacidade de acolhimento e elaboração emocional possibilita uma convivência mais madura empática e segura emocionalmente promovendo um vínculo mais sólido e autêntico Mondrzak 2007 No contexto de Bion a relação entre o analista e o espaço psíquico é fundamental para o processo terapêutico O analista ao atuar como um recipiente deve criar um espaço psíquico seguro e receptivo capaz de acolher e processar as experiências emoções e pensamentos do Mondrzak 2007 Nesta teoria o analista é um facilitador do espaço psíquico criando uma condição em que o paciente possa explorar processar e integrar suas experiências internas de forma segura e significante Essa dinâmica é essencial para que o processo terapêutico seja efetivo e transformador Mondrzak 2007 245 O casal como uma unidade psíquica e a influência do desenvolvimento emocional Na psicanálise a concepção de que o casal constitui uma unidade psíquica com estrutura própria traz reflexões importantes sobre a dinâmica do relacionamento Cada indivíduo traz para o casal seu desenvolvimento emocional suas carências suas dores e conflitos internos que ao interagirem podem resultar 22 tanto em harmonia quanto em disfunções Quando há conflitos não resolvidos ou projeções esses fatores podem gerar uma relação disfuncional marcada por conflitos constantes ou mesmo por padrões de fusão excessiva onde os limites entre os parceiros se tornam difusos A intervenção clínica busca muitas vezes desconstruir essas dinâmicas promovendo autonomia emocional e a compreensão dos acontecimentos internos de cada um além de favorecer uma relação mais equilibrada capaz de suportar conflitos de forma construtiva A participação em processos terapêuticos seja individual ou de casal muitas vezes revela ou provoca desequilíbrios na relação como ciúmes resistência às mudanças ou boicotes que surgem como mecanismos de defesa ou tentativas de manter o status quo Essas reações muitas vezes dificultam o avanço do tratamento e requerem atenção específica do terapeuta que deve trabalhar a compreensão dessas resistências promovendo maior autorreflexão e autoconhecimento A terapia assim atua como uma ferramenta de resistência e reconstrução emocional possibilitando a elaboração de conflitos a superação de obstáculos e a promoção de relações mais satisfatórias e maduras Fundamentação teórica 25 fundamentação teórica paciente do Paciente 2 Devido a poucas sessões não foi possível fazer a fundamentação teórica deste paciente 26 fundamentação teórica paciente 3 261 A masculinidade na clínica psicanalítica O conceito de masculinidade é frequentemente abordado como uma construção social e discursiva em que se destaca sua legitimidade por meio de relações sociais repetitivas Essa perspectiva sugere que a masculinidade não é um dado natural mas sim uma instituição que demanda investigação metodológica diversificada incluindo a psicanálise institucional e as análises discursivas de Michel Foucault Nesse sentido a masculinidade atua como um mecanismo que organiza as expressões corporais categorizando os sujeitos em diferentes grupos homens 23 brancos negros gays e trans enquanto também se configura como um campo de disputa onde diversas formas de ser homem se confrontam e se redefinem Segundo Barbarine e Martins2021 a masculinidade hegemônica se manifesta predominantemente na figura do pai de família burguês branco e heterossexual evidenciando uma estrutura profundamente enraizada em práticas patriarcais e racistas Essa masculinidade hegemônica não apenas perpetua uma hierarquia social mas também marginaliza as masculinidades periféricas que buscam expressões alternativas e contestam o modelo hegemônico Essa complexidade revela a diversidade das experiências masculinas e destaca a importância de se reconhecer e estudar essas diferentes formas de masculinidade Portanto compreender a masculinidade como uma instituição histórica e discursiva demanda uma análise cuidadosa de suas bases sociais e culturais O desafio para a psicologia é integrar essa compreensão utilizando metodologias que permitam explorar as regras funções e os impactos da masculinidade sobre os sujeitos A masculinidade deve ser vista como uma performance social que se legitima a partir de cada ato enfatizando a necessidade de problematizar as normas e discursos que estruturam as identidades masculinas no Brasil contribuindo assim para um entendimento mais profundo e crítico desse fenômeno O ser homem pode dominar o sujeito a ponto de este alienarse do seu desejo a fim de satisfazer às exigências do script masculino determinado BARBARINI MARTINS 2021 p 16 262 Trauma na infância e vínculos afetivos Sándor Ferenczi em suas reflexões sobre as necessidades infantis de ternura aborda a confusão emocional que surge da relação entre crianças e adultos especialmente em contextos de violência e insensibilidade Ele argumenta que essa confusão representa um estado de perda no qual a criança se sente enganada por um adulto que deveria proporcionar segurança mas que em vez disso se comporta de forma agressiva Essa discrepância entre a expectativa de cuidado e a realidade da agressão não apenas gera um conflito interno mas também impede a criança de compreender o que ocorreu tornando o trauma patogênico não apenas pelo ato violento mas pela impossibilidade de dar sentido à experiência vivida 24 vinculação é fundamental para a formação da identidade e para o desenvolvimento emocional da criança A construção do vínculo entre mãe e filho não se limita a uma relação biológica mas se estende a uma dimensão emocional complexa na qual as experiências passadas da mãe influenciam diretamente a sua capacidade de cuidar e estabelecer uma conexão afetiva com o bebê Autores como Zimerman 2010 e Winnicott 2001 enfatizam que o vínculo primitivo formado nas interações iniciais continua a impactar as relações futuras moldando a maneira como a criança se relaciona com os outros ao longo de sua vida 263 Os Vínculos Afetivos na Perspectiva Psicanalítica Estruturas Inconscientes e Dinâmicas Relacionais Na psicanálise os vínculos afetivos são compreendidos como construções dinâmicas enraizadas nas primeiras experiências relacionais que configuram a economia psíquica do sujeito A teoria pulsional freudiana postula que a libido se investe em objetos pessoas ou suas representações estruturando laços marcados por ambivalência e dependência O complexo de Édipo como eixo organizador introduz a triangulação edípica paimãecriança mediando identificações e internalização de normas sociais que reverberam nos padrões afetivos adultos Autores como Melanie Klein e Donald Winnicott ampliaram essa perspectiva ao destacar a internalização de objetos parciais Klein como o seio bom ou mau e a importância do ambiente suficientemente bom Winnicott que possibilita a transição da dependência para a autonomia por meio de objetos transicionais Tais processos fundamentam a capacidade de estabelecer vínculos que integrem ambiguidades evitando cisões entre amor e ódio Mondrzak 2007 Clinicamente as patologias dos vínculos como apego ansioso ou evitativo remetem a falhas precoces na constituição de um espaço transicional ou na resolução de conflitos edípicos A transferência fenômeno central na técnica analítica permite acessar essas matrizes relacionais inconscientes reeditandoas no setting terapêutico como via de reelaboração simbólica O processo analítico visa desconstruir fantasias de fusão ou rejeição absoluta habilitando o sujeito a 25 reconhecer a alteridade e a lidar com a incompletude inerente aos laços humanos Assim a psicanálise propõe que a transformação dos vínculos ocorre não pela eliminação de conflitos mas pela integração crítica das histórias inconscientes que os moldam Mondrzak 2007 264 Isolamento do afeto Na teoria psicanalítica o isolamento do afeto é compreendido como um mecanismo de defesa do ego que visa dissociar conteúdos psíquicos potencialmente ameaçadores de suas cargas emocionais correspondentes preservando a estabilidade consciente do sujeito Freud em sua segunda tópica descreveu essa operação como característica das neuroses obsessivas nas quais ideias ou memórias traumáticas são admitidas na consciência porém despojadas de seu afeto original resultando em discursos racionalizados ou ações ritualísticas desprovidas de conexão emocional Diferentemente da repressão que exclui totalmente o conteúdo conflituoso do campo consciente o isolamento permite a manutenção da ideia no plano intelectual neutralizando seu impacto disruptivo Esse processo revela a tentativa do ego de administrar angústias ligadas a desejos ambivalentes ou experiências traumáticas fragmentando a unidade entre pensamento e emoção para evitar o desequilíbrio psíquico Mcwilliams 2014 Clinicamente o isolamento do afeto manifestase em padrões de fala excessivamente lógicos relatos de eventos traumáticos com frieza emocional ou comportamentos repetitivos que mascaram conflitos inconscientes Pacientes obsessivos por exemplo podem descrever situações de perda ou agressão com detalhes minuciosos mas sem demonstrar tristeza ou raiva sinalizando a cisão entre cognição e afeto Anna Freud ressaltou que essa defesa embora adaptativa 26 em curto prazo pode levar a uma alienação emocional crônica dificultando a formação de vínculos autênticos e perpetuando estados de ansiedade difusa A rigidez defensiva também está associada à formação de sintomas como ruminações ou compulsões nos quais o pensamento isolado de seu contexto afetivo adquire caráter persecutório Além disso o isolamento frequentemente coexiste com outros mecanismos como a formação reativa gerando atitudes de hipercontrole que ocultam impulsos recalcados Mcwilliams 2014 No setting analítico o desafio terapêutico reside em facilitar a reintegração entre afeto e representação processo que exige a elaboração progressiva dos conflitos subjacentes A interpretação das resistências associada à análise da transferência permite identificar momentos em que o paciente relata vivências intensas com indiferença revelando a operação defensiva Winnicott ao enfatizar a importância do ambiente seguro sugere que a contenção emocional oferecida pelo analista pode gradualmente permitir ao sujeito tolerar a ambivalência afetiva sem recorrer ao isolamento O uso excessivo desse mecanismo a distúrbios de personalidade destacando a necessidade de intervenções que estimulem a mentalização Assim a superação do isolamento do afeto não implica sua eliminação mas a integração dos aspectos dissociados permitindo ao ego lidar com a complexidade emocional sem fragmentála Mcwilliams 2014 3 METODOLOGIA A metodologia adotada neste estudo é fundamentada em princípios clássicos da psicanálise utilizando a técnica da associação livre como um dos pilares do processo terapêutico Essa técnica permite ao paciente expressar livremente seus pensamentos sentimentos e imagens sem censura ou restrições o que facilita a acessibilidade a conteúdos inconscientes Ao criar um espaço onde o paciente se sente à vontade para compartilhar suas ideias a associação livre se torna um meio poderoso para explorar as camadas mais profundas da psique Freud 1920 A primeira entrevista desempenha um papel crucial nesse contexto uma vez que estabelece as bases para a relação analítica Neste encontro inicial o analista busca criar um ambiente de confiança e segurança onde o paciente se sinta confortável para se abrir É um momento de construção do vínculo onde se 27 discutem as expectativas do tratamento e se delineiam os objetivos da terapia A receptividade e a empatia do analista são essenciais para fazer com que o paciente sinta que sua história e suas vivências são valorizadas Zimerman 2004 Durante as sessões subsequentes a atenção flutuante do analista se torna uma prática fundamental Essa abordagem implica que o analista mantenha uma escuta atenta e flexível permitindo que sua atenção se mova entre diferentes temas e conteúdos que emergem das falas do paciente Essa atenção não é direcionada apenas a pontos específicos mas busca captar nuances sentimentos e associações que possam surgir criando um espaço onde o paciente pode explorar livremente seu mundo interno Zimerman 2004 A interpretação por sua vez é uma ferramenta vital que emerge desse processo Quando o analista oferece interpretações ele busca conectar os conteúdos manifestos do discurso do paciente com questões mais profundas e inconscientes Essas intervenções interpretativas têm o potencial de iluminar padrões de comportamento conflitos internos e dinâmicas emocionais que o paciente pode não ter consciência Através desse processo interpretativo o paciente é incentivado a refletir sobre suas experiências promovendo um entendimento mais profundo de si mesmo e facilitando o avanço do tratamento Minerbo 2016 Assim a combinação da associação livre da construção do vínculo na primeira entrevista da atenção flutuante e das interpretações do analista cria um ambiente terapêutico rico e dinâmico propício para o processo de autoconhecimento e transformação psíquica do paciente Essa metodologia busca não apenas a resolução de sintomas mas a promoção de uma maior compreensão da própria subjetividade contribuindo para o desenvolvimento pessoal e emocional ao longo do tratamento Jorge 2000 4 PROCESSO TERAPÊUTICO 41 descrição resumida do paciente 1 Na sessão de 290425 o paciente J relatou angústia no trabalho devido à pressão do chefe e à carga horária excessiva afetando sua vida familiar Ele enfrenta conflitos com a esposa que possui traumas da infância e preocupase com o comportamento do filho mais velho Apesar das dificuldades J demonstra 28 motivação para o processo terapêutico e deseja explorar suas emoções melhorar a comunicação familiar e promover um ambiente mais saudável Na sessão de 060525 J expressou preocupações sobre a relação tensa entre sua esposa e sua mãe especialmente em relação a uma visita programada Ele também relatou um ambiente de trabalho insustentável devido à pressão do novo chefe apesar da recente promoção e a insatisfação com o salário J enfrenta desafios significativos em sua vida pessoal e profissional que serão explorados nas próximas sessões Na sessão de 20052025 J expressou sobrecarga e falta de apoio no trabalho comparando as exigências de seu chefe e sua esposa Ele relatou frustrações na vida conjugal incluindo incertezas sobre o relacionamento e dificuldades financeiras atribuídas à esposa que geraram ansiedade e medo de perder a família Apesar das queixas J mostrou disposição para agir manifestando interesse em conversar diretamente com seu chefe sobre suas responsabilidades Na sessão de 29052025 J expressou preocupação com as mentiras de seu filho que nega responsabilidades refletindo uma personalidade forte que J reconhece em si mesmo Ele compartilhou sobre sua dependência emocional na infância e como sua relação com os pais influenciou seu comportamento além de relatar sua trajetória de mudança para Maringá e os desafios enfrentados ao se tornar pai J também recordou sua experiência de morar sozinho e a necessidade de se estabelecer uma nova vida com Érica e o filho que estava por vir Na sessão 030625 o paciente não compareceu sem justificar a sua falta Na sessão de 100625 J relatou sobrecarga de trabalho e os desafios emocionais causados pelas oscilações de humor de sua esposa Érica com quem ele enfrenta uma comunicação frágil e dinâmica de culpa Ele mencionou incidentes em que Érica projetou suas frustrações sobre ele evidenciando a ambivalência no relacionamento A sessão terminou com a proposta de explorar essas dinâmicas e focar na melhoria da comunicação e na compreensão mútua nas próximas conversas Na sessão do dia 170625 J chegou atrasado e relembrou que algo na Érica o atraiu mencionando que ela tinha características que suas exnamoradas não tinham Ele comentou sobre suas duas namoradas anteriores destacando que a primeira era muito diferente dele e a segunda terminou abruptamente J admira a Érica por se dar ao respeito no trabalho e acredita que isso contrasta com suas ex 29 namoradas que o deixavam inseguro No entanto ele se sente desrespeitado quando ela fala mal dele na frente dos outros embora perceba momentos carinhosos entre eles J também notou que Érica desconta frustrações do trabalho nele mas acredita que ela ainda tem sentimentos por ele A sessão foi concluída antes de aprofundar mais esses temas Na sessão 010725 J chegou atrasado à sessão explicando que esteve viajando a trabalho e justificando sua ausência anterior Ele relatou a demissão de seu chefe que gerou caos na empresa e o forçou a assumir responsabilidades de liderança J destacou a arrogância do expatrão mas enfatizou que o principal problema era a gestão de perdas financeiras que aumentaram para cerca de 4 milhões Durante sua viagem trabalhou além do horário para apresentar relatórios mas não teve a discussão esperada resultando em frustração Apesar das dificuldades ele demonstrou respeito pelo antigo chefe A sessão foi encerrada rapidamente com J pedindo desculpas pelo atraso Na sessão de 150725 J explicou sua ausência por estar na apresentação da filha na escola Ele relatou desafios no trabalho devido à pressão de três diretores e confusão sobre com quem deve prestar contas J compartilhou um conflito com seu filho onde o chamou de mentiroso após ele assistir a vídeos proibidos resultando em um episódio de agressão Ambos os pais refletem sobre a educação permissiva atual em comparação com suas infâncias J também mencionou o desempenho escolar do filho levantando a possibilidade de TDAH com apoio dos avós para sessões com uma psicopedagoga Ele se vê como alguém concentrado enquanto sua esposa Érica se distrai facilmente 41 ANÁLISE DO PROCESSO TERAPÊUTICO 411 Análise psicanalítica do caso do paciente 1 A psicanálise oferece uma rica estrutura teórica para entender as dinâmicas emocionais e relacionais que o paciente J enfrenta permitindo uma exploração profunda de seus conflitos internos e das interações familiares que moldam sua experiência A seguir apresento uma análise que reúne e desenvolve os conceitos centrais da teoria freudiana e correntes contemporâneas proporcionando uma visão integrada do que está em jogo na vida de J 30 412 Inconsciente e conflitos internos Sigmund Freud postulou que muitos comportamentos e emoções humanas são guiados por processos inconscientes frequentemente em conflito Freud 1900 No caso de J esse conflito se manifesta em um estresse significativo tanto no trabalho quanto nas relações familiares A pressão exercida por seu chefe combinada com a sobrecarga de responsabilidades gera um choque entre seus desejos pessoais e as exigências sociais e familiares que o cercam Essa luta entre as necessidades internas de J e as expectativas externas resulta em sentimentos de angústia e inadequação Em sua obra O MalEstar na Civilização Freud 1930 argumenta que a cultura impõe uma troca inevitável ganhamos proteção e avanços mas perdemos a liberdade pulsional O preço que pagamos por essa civilização é a angústia permanente um reflexo do paradoxo de sermos ao mesmo tempo seres instintivos e socializados A promessa de felicidade pela cultura é para Freud uma utopia O indivíduo busca prazer segundo o princípio do prazer Freud 1920 mas se depara com as limitações impostas pela vida social leis e moralidade levando a uma sensação de desamparo Essa angústia que J expressa em relação à sua infelicidade no trabalho e na vida familiar pode estar relacionada a uma idealização inconsciente da vida moderna que contrasta com a realidade repleta de cobranças e limitações 413 Dinâmicas relacionais e alianças inconscientes Desde a infância J pode ter desenvolvido alianças inconscientes que o levam a evitar conflitos e a manter a harmonia possivelmente como resultado de experiências familiares nas quais discussões eram vistas como negativas Spivacow 2018 Essa tendência é evidente em sua relação com a esposa onde ele frequentemente se mantém passivo mesmo quando ela o ofende publicamente Essa dinâmica não apenas perpetua o ressentimento mas também sugere uma estrutura de defesa que impede J de confrontar questões importantes em sua vida conjugal Adicionalmente a presença de traumas da infância da esposa como uma relação difícil com a mãe adiciona mais camadas ao conflito Isso sugere que os desafios que J enfrenta não são apenas externos mas também profundamente 31 enraizados em questões emocionais e históricas A projeção de frustrações e expectativas dela sobre J pode indicar que ele assume o papel de figuras parentais ou de autoridade evocando sentimentos de culpa e raiva que complicam ainda mais a dinâmica entre eles Spivacow 2018 Nesse contexto as experiências da infância da esposa influenciam seu comportamento atual gerando padrões de interação conflituosos que dificultam a comunicação e a empatia 414 Mecanismos de defesa e intelectualização A busca de J para lidar com os problemas que o angustiam especialmente na vida conjugal é frequentemente acompanhada por uma resistência em reconhecer suas próprias fraquezas e sua parcela de culpa Seu discurso tende a focar na fragilidade da esposa e nas feridas que ela carrega enquanto ele evita explorar suas próprias vulnerabilidades Essa abordagem pode ser vista como um mecanismo de defesa especificamente a intelectualização Mcwilliams 2014 onde J formula teorias complexas sobre as feridas da esposa enquanto projeta seus próprios problemas internos sobre ela J parece confundir sua esposa com um objeto reduzindo sua complexidade a meras representações Cremasco 2018 Essa confusão é especialmente pronunciada em momentos de conflito onde ele tende a ver sua esposa apenas como um objeto de suas frustrações sem reconhecer sua subjetividade Essa limitação na percepção do outro restringe a possibilidade de um relacionamento verdadeiro e saudável perpetuando um ciclo de desentendimentos e ressentimentos Cremasco 2018 415 Mudança e desenvolvimento pessoal A disposição de J para buscar mudança e trabalhar em terapia reflete um desejo genuíno de desenvolver uma nova identidade e promover um ambiente familiar mais saudável A psicanálise enfatiza a capacidade de transformação por meio da reflexão sobre experiências passadas e do reconhecimento de padrões repetitivos Winnicott 1965 O momento atual de J é crucial sua consciência dos conflitos e a disposição para enfrentálos podem permitir uma resolução significativa e um crescimento pessoal 32 A análise da situação de J revela uma interação complexa entre suas experiências pessoais dinâmicas familiares e pressões externas A pressão do trabalho e a carga horária excessiva não apenas afetam seu bemestar emocional mas também impactam negativamente sua vida familiar e seu relacionamento com sua esposa A disposição de J para explorar suas emoções e melhorar a comunicação é um aspecto positivo é crucial para seu progresso na terapia As queixas sobre a dinâmica de culpa e a projeção de frustrações de esposa sobre J indicam um ciclo de conflito que pode ser quebrado através de uma comunicação mais aberta e honesta A proposta de explorar essas dinâmicas nas próximas sessões pode oferecer a J e sua esposa uma oportunidade de entender melhor suas próprias necessidades e as do outro promovendo um ambiente mais saudável para a família 416 A autonomia emocional e respeito mútuo Além disso a dependência emocional de J na infância e sua resistência a mudanças que ele reconhece em si mesmo e em seu filho são temas centrais a serem explorados nas sessões Isso pode ajudar J a entender como essas experiências moldaram suas reações atuais e seu papel na dinâmica familiar O fato de J ter manifestado interesse em discutir suas responsabilidades com seu chefe também é um sinal de sua disposição para enfrentar desafios o que pode ser uma alavanca para seu desenvolvimento emocional e crescimento pessoal Spivacow 2018 É vital que J desenvolva uma autonomia emocional que lhe permita se posicionar diante das críticas de Érica Sua atitude passiva em relação às ofensas dela não contribui para um relacionamento saudável Em algumas ocasiões J apontou que a diferença entre sua atual esposa e uma exnamorada era o respeito que aquela última demonstrava ao confrontálo sobre situações passadas Reconhecer a falta de respeito nas interações é crucial para que J possa se posicionar e confrontar sua esposa sobre seu comportamento Essa assertividade é o primeiro passo para que ele se autorrespeite e consequentemente exija respeito em suas relações de vida permitindo que J explore seus conflitos internos e suas interações familiares O acompanhamento terapêutico é essencial para ajudálo a navegar por essas complexidades promovendo mudanças significativas em sua 33 vida e favorecendo um ambiente familiar mais equilibrado Ao trabalhar na construção de uma comunicação mais efetiva e na identificação de padrões disfuncionais J pode dar passos importantes em direção a um relacionamento mais saudável e satisfatório tanto com sua esposa quanto consigo mesmo Mondrzak 2007 42 análise do paciente 2 Não foi possível fazer analise do caso devido as poucas sessões 43 descrição resumida do paciente 3 150925 O paciente é agente de saúde enfrenta inseguranças em seu relacionamento devido a episódios de ciúmes e ações da namorada Ele possui uma filha de três anos cuja guarda controla preocupado com influências negativas da mãe Histórico de conflitos e ciúmes excessivos marcaram seu relacionamento anterior causando perda de empregos Augusto também passou por dificuldades financeiras envolvendose com drogas o que resultou em prisão mas atualmente trabalha na prefeitura Sua maior preocupação é a educação e bemestar da filha considerando sua relação com a mãe e o impacto do estilo de vida dela 220925 O paciente tem uma infância marcada por conflitos familiares violência e uso de drogas na relação com os pais mas busca reconciliação com o pai após um retiro religioso Ele viveu relacionamentos tumultuados e possui um passado criminal ligado ao tráfico enfrentando inseguranças e medos Sua história é de conflitos internos traumas e uma busca por compreensão e transformação através do acompanhamento terapêutico 290925 Ele está ansioso e refletindo sobre uma rotina de encontros com uma menina de Santa Fé enquanto seu relacionamento com Larissa que é frio e resistente se deteriora mesmo após ele parar de beber Ele pensa em terminar mas preocupase com a filha e a relação com a sogra além de questionar se deve se envolver com a menina rica de Santa Fé O paciente demonstra conflito entre suas emoções relacionamentos e medo de mudanças 061025 Gustavo e Larissa tiveram uma briga que interrompeu a comunicação agravada por problemas no carro e desentendimentos sobre tarefas domésticas Ele considerou terminar mas ela pediu para continuar enquanto ele planeja concursos e melhorias 34 profissionais A relação está marcada por frustração insegurança e tentativas de reconciliação Data 161025 Gustavo terminou o relacionamento após uma briga séria envolvendo uma discussão e agressão de Larissa mas afirma estar tranquilo e focado na venda de lápides para sustentar sua filha Apesar de sentir carência ele deseja trabalhar viajar e aprender novos instrumentos musicais sem planos de reatar Não deseja continuar o acompanhamento psicológico neste momento aguardando nova convocação O caso de Gustavo traz à tona diversas questões que podem ser analisadas à luz das teorias psicanalíticas sobre vínculos afetivos e mecanismos de defesa 432 análise do caso clínico do Paciente 3 Vínculos Afetivos e Conflitos Internos Gustavo apresenta um histórico de vínculos familiares tumultuados e experiências de violência que segundo a psicanálise podem ter contribuído para a formação de padrões relacionais disfuncionais A relação com os pais marcada por conflitos e uso de drogas indica que sua capacidade de estabelecer vínculos saudáveis pode estar comprometida Isso se alinha com as ideias de Ferenczi sobre a confusão emocional e a perda onde a expectativa de cuidado é frustrada gerando inseguranças e um estado de dependência em relação a relacionamentos Barbarine e Martins 2021 Masculinidade e Identidade A questão da masculinidade conforme discutido por Barbarini e Martins 2021 também é relevante Gustavo ao lidar com ciúmes e inseguranças pode estar internalizando uma forma de masculinidade que se baseia em padrões hegemônicos onde a dominação e o controle se tornam centrais nas suas relações Esse aspecto pode estar ligado à sua preocupação com a influência da mãe na educação da filha e sua necessidade de afirmar um papel masculino protetor que é frequentemente associado a um estilo de vida mais tradicional Isolamento do Afeto 35 O isolamento do afeto pode ser observado em suas reações emocionais Apesar de relatar tranquilidade após o término do relacionamento com Larissa há uma carência emocional subjacente que ele parece não reconhecer Isso pode indicar um uso do isolamento como defesa onde ele dissocia as emoções relacionadas ao término e à ausência de um vínculo afetivo significativo para focar em atividades práticas como sustentar a filha e trabalhar Mcwilliams 2014 Conclusão A trajetória de Gustavo ilustra a complexidade dos vínculos afetivos e a influência de experiências passadas na formação da identidade e nas dinâmicas relacionais atuais O acompanhamento terapêutico poderia ajudálo a integrar suas experiências emocionais reconhecer seus padrões de comportamento e explorar novas formas de se relacionar tanto consigo mesmo quanto com os outros A busca por compreender e transformar suas relações é um passo importante para lidar com os conflitos internos e promover um desenvolvimento emocional saudável Referências BARBARINI Neuzi MARTINS Daniel Fauth Washington Masculinidade como instituição uma análise conceitual do ser homem no Brasil Psicologia em Estudo v 36 n 1 p 4560 janmar 2021 CHEMAMA R Psicanálise do cotidiano elementos lacanianos para uma psicanálise do cotidiano Porto Alegre CMC Editora 2002 CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA Código de ética profissional do psicólogo Brasília DF 2005 Disponível em httpssitecfporgbrwpcontentuploads201207codigodeeticapsicologiapdf Acesso em 3 maio 2025 FREUD S A interpretação dos sonhos 1900 Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2016 36 FREUD S História de uma neurose infantil o homem dos lobos Além do princípio do prazer e outros textos 19171920 Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2010 FREUD S Psicologia das massas e análise do eu e outros textos 19201923 In Psicologia das massas e análise do eu e outros textos 19201923 2011 p 343 343 FREUD Sigmund Obras completas volume 4 A interpretação dos sonhos Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2019 JORGE M A C Fundamentos da psicanálise de Freud a Lacan 2 ed Rio de Janeiro Zahar 2005 LEJARRAGA Ana Lila Clínica do trauma em Ferenczi e Winnicott SãoPaulov10n2dez2008Disponívelemhttpspepsicbvsaludorgscielophp scriptsciarttextpidS151724302008000200005 Acesso em 25102025 MINERBO M Ateliê clínico Para que serve uma análise Volume 1 São Paulo Blucher 2024 MINERBO M Diálogos sobre a clínica psicanalítica São Paulo Blucher 2016 MONDRZAK V S Processo psicanalítico e pensamento aproximando Bion e MatteBlanco Revista Brasileira de Psicanálise v 41 n 3 2007 PIGNATARO M B FÉRESCARNEIRO T MELLO R A formação do casal conjugal um enfoque psicanalítico Pensando Famílias v 23 n 1 p 120 2019 PRESA G A CREMASCO M V F Viver sem o objeto Revista Subjetividades Fortaleza v 18 n 1 p 110 2018 SAMPAIO A de O A clínica de casal análise das relações vinculares Mimesis v 30 n 2 2009 SPIVACOW M A O casal em conflito contribuições psicanalíticas Pról René Kaës Trad e ed Adriana May Mendonça Denise Martinez Souza Marcia Zart Terra de Areia RS Triangullo Gráfica e Editora 2018 TREIGUER L E M O paradoxo vincular no casal desejo constituição e morte PHP 2007 ZASLAVSKY J DOS SANTOS M J P Sobre o papel das identificações na relação amorosa Revista de Psicanálise SPPA Porto Alegre v 2 n 2 p 4751 4933 1996 ZIMERMAN D E Manual de técnica psicanalítica um estudo teóricoclínico da entrevista inicial dos critérios de analisabilidade e do contrato Porto Alegre Artmed 2004 37 5 ANEXO A ATENDIMENTO DIA 290425 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio Clínica Local Clínica de psicologia Uningá Horário 17 h às 18h Data 29042 5 IntervençãoSessão nº 1 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio Supervisionado Carga H o r á r i a 1 Aluno grupo Rodolfo Rodrigo Benedetti Professor sup Bruna Garcia Data 29042025 O paciente J apresentouse na sessão realizada em 290425 Ele relatou angústia no trabalho motivada pela pressão exercida pelo chefe e pela carga horária excessiva o que resulta em pouco tempo para sua família Sua esposa expressa insatisfação com a falta de tempo que o marido dedica aos filhos e à situação financeira em que se encontram O paciente descreve sua esposa como uma pessoa difícil de lidar com quem tem enfrentado frequentes conflitos Ele menciona que ela foi criada apenas pela avó materna o que segundo ele contribui para traumas que dificultam a convivência entre eles As discussões se intensificam durante os dias de TPM e o paciente relata que utiliza um aplicativo para monitorar o ciclo menstrual da esposa tentando evitar conflitos nesses períodos Além disso o paciente demonstra preocupação com o comportamento do filho mais velho que se envolveu em episódios de furto incluindo o roubo de dinheiro da irmã e a destruição de figurinhas na escola Essa situação o leva a refletir sobre a educação e o desenvolvimento moral da criança Apesar das dificuldades o paciente está motivado para o processo terapêutico e expressa interesse em continuar as 38 sessões inclusive na modalidade online caso não seja possível realizar atendimentos presenciais Para as próximas sessões será importante explorar seus sentimentos de angústia e identificar as fontes de estresse melhorar a comunicação com a esposa discutir estratégias para equilibrar trabalho e vida familiar abordar o comportamento do filho e considerar formas de incentivar a esposa a buscar terapia respeitando sua resistência O paciente demonstra consciência das dinâmicas familiares que impactam seu bemestar emocional e está disposto a trabalhar nessas questões As futuras sessões deverão focar nas áreas mencionadas visando promover um ambiente familiar mais saudável 39 6 ANEXO B ATENDIMENTO DIA 060525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horári o 17 h às 18h Data 06052 5 Intervençãosessão nº 2 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga hor ária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 06052025 J chegou pontualmente às 17h e iniciou a conversa expressando suas preocupações sobre a relação da esposa com sua mãe Ele está apreensivo em relação à visita marcada para o próximo domingo à casa de seus pais Ao investigar essa apreensão J compartilhou um incidente recente durante um almoço na casa de sua mãe onde sua esposa o criticou por sua falta de compromisso com a casa e a família Sua mãe interveio questionando a esposa sobre a falta de reconhecimento e apoio o que levou a esposa a se retirar da mesa e solicitar a saída Perguntei a J sobre a situação atual com a esposa e ele mencionou que as coisas melhoraram um pouco mas a relação com a mãe ainda é tensa Ele expressou a preocupação de não querer deixar os filhos sob os cuidados da mãe uma vez que sua esposa só aceita deixálos com a mãe e a irmã J também revelou receios em deixar seu filho com o pai devido a temores de abuso embora não tenha confirmado se sua esposa já passou por essa experiência No que diz respeito à vida profissional J relatou que a situação com seu chefe se tornou insustentável Ele acredita que a recente mudança na gestão da rede de supermercados está gerando pressão por resultados imediatos e eficazes o que tem impactado negativamente a dinâmica com sua equipe Apesar de ter recebido uma promoção recentemente J não está satisfeito com o salário pois não houve um aumento que correspondesse à nova função Ele 40 suspeita que a empresa esteja realizando uma avaliação prometendo um aumento após seis meses caso os resultados esperados sejam atingidos A sessão foi encerrada destacando que J enfrenta desafios tanto em sua vida pessoal quanto profissional que precisam ser explorados e refletidos nas próximas sessões 41 7 ANEXO C ATENDIMENTO DIA 200525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 20052 5 Intervenção Sessão nº 3 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Hor ári a 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 20052025 Na sessão de hoje J apresentou uma série de queixas relacionadas à sua vida profissional e pessoal destacando a sensação de sobrecarga e a falta de apoio em ambas as esferas Ele relatou que está se sentindo pressionado no trabalho enfrentando um volume elevado de tarefas sem o devido suporte de seu chefe J mencionou que seu chefe propõe a necessidade de um bom desempenho mas paradoxalmente continua a sobrecarregálo com mais responsabilidades Fez uma comparação entre seu chefe e sua esposa ambos considerados sem lógica em suas exigências Em relação à sua vida conjugal J expressou frustração em relação à sua esposa citando um recente convite dela para não chegar tarde em casa mas sem clareza sobre o compromisso Ele observou que essa instabilidade gera ansiedade pois pode se tratar de um convite para um momento agradável ou uma conversa sobre separação J revelou que já considerou a separação em duas ocasiões mas uma oração em um momento de reflexão o levou a interpretar que deveria permanecer no casamento especialmente após a notícia da gravidez de sua filha J também trouxe à tona a dificuldade financeira que enfrenta atribuindo parte da culpa a sua esposa Ele explicou que após ela seguir um guru financeiro e fazer investimentos de alto risco acabou assumindo uma dívida significativa com a compra de um carro cujas parcelas se tornaram uma carga pesada 42 comprometendo seu orçamento Atualmente J mencionou que não recebe ajuda dela para os gastos uma vez que ela também lida com suas próprias dívidas O medo de perder a esposa e os filhos é um tema recorrente em suas queixas J expressou preocupações sobre a possibilidade de sua esposa levar as crianças para morar com a família dela em Amaporã o que o angustia especialmente em relação à influência negativa que a família dela pode ter sobre os filhos Um aspecto positivo observado na sessão foi a disposição de J em agir de forma proativa Ele demonstrou interesse em ter uma conversa direta com seu chefe para discutir suas preocupações e buscar um entendimento mais claro sobre suas responsabilidades 43 8 ANEXO D ATENDIMENTO DIA 290525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 29052 5 Intervenção Sessão nº 4 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga h o r á ri a 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 29052025 J começou a sessão dizendo que seu filho esta mentindo muito que isso está o preocupando Perguntei se as mentiras são histórias inventadas J Explicou que as mentiras são feitas a partir de uma discussão na qual ele faz uma coisa e nega ter feito Como por exemplo quando sua mãe reclamou que ele não tinha feito a tarefa e quando ele perguntou ele disse que havia feito só depois de muita insistência que admitiu não ter feito J disse que seu filho não tem muito gosto pelos estudos e que nisso é muito diferente dele Perguntei se tem coisas semelhantes com filho disse que sim a personalidade forte de confrontar os pais disse que é igual e que inclusive seu comportamento era diferente dos outros dois irmãos pergunte se era o mais velho ele disse que era o mais novo Lembrou de um dia que entrou em confronto com seu pai pois avisou que eatava estava indo para uma festa em astorga e seu pai disse que nao iria ele então falou que estava apenas avisando Lembrou que seus pais fazia tudo por ele desde o levar a escola buscar e que por exemplo nunca cozinhou sendo isso uma das críticas que Érica sua esposa faz a ele Foi se sentir mais dependente quando deixou Marília e veio para Maringa estudar Perguntei entao como foi que os seus pais vieram para Maringá Falou que 44 ele passou no vestibular na UEM e veio morar com um primo dele no segundo ano de faculdade ele foi morar sozinho entao primeiro veio sua mãe mas deixou bem claro que nao queria ser vigiado depois veio seu pai e sua irmã e seu cunhado Após a faculdade arrumou emprego em Astorga em uma usina Morava em um quarto com banheiro apenas Neste período engravidou a Érica então ela foi morar com seus pais e ele se viu obrigado a voltar e arrumar uma casa para morar um junto com a Érica e seu filho que iria nascer 45 9 ANEXO E ATENDIMENTO DIA 100525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 10052 5 Intervenção sessão nº 5 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga hor ária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 10062025 Na sessão de hoje J chegou com um atraso de 20 minutos justificandose com problemas relacionados ao serviço Ele também mencionou a ausência na sessão anterior devido a uma viagem durante a qual não teve acesso ao celular Ao longo da conversa J expressou uma série de dificuldades que enfrenta tanto em sua vida profissional quanto no âmbito familiar Ele relatou uma sobrecarga significativa de trabalho mencionando a dificuldade em gerenciar sua carga horária o que parece impactar sua saúde mental e emocional refletindo um estado de estresse e cansaço J trouxe à tona a situação de sua esposa Érica que continua apresentando oscilações de humor Ao questionálo sobre o cansaço que isso poderia causar ele afirmou ter se acostumado e optado por uma postura passiva diante das oscilações dela Exemplos foram dados para ilustrar essa dinâmica em uma visita recente dos padrinhos do filho Érica começou a reclamar que ele não ajuda em casa J optou por se afastar da situação indicando uma estratégia de evitar conflitos Outro exemplo relevante foi o incidente em que seu filho se queimou com um ferro quente J relatou que Érica o culpou pela situação mesmo reconhecendo que ela deveria ter mais cuidado com a criança que estava sob sua responsabilidade na parte superior da casa Essa dinâmica de culpas parece ser um padrão recorrente no relacionamento onde Érica projeta suas frustrações em J 46 Durante a sessão J foi questionado sobre a natureza do relacionamento com Érica Ele mencionou que embora tenham momentos de boa convivência a situação se torna complicada em momentos de tensão A comunicação entre eles parece frágil especialmente em situações emocionais delicadas J trouxe um episódio marcante de uma terapia de casal onde Érica respondeu não sei quando questionada se ainda se gostam evidenciando a ambivalência no relacionamento J relatou que sempre percebeu Érica com esse comportamento desde o início do relacionamento que começou na empresa onde trabalhavam A narrativa de como se conheceram sugere uma atração inicial mas também revela que desde o início houve uma desarmonia que pode ter se intensificado com o tempo A gravidez planejada e a mudança para a casa dos pais de Érica também foram pontos importantes trazendo à tona atritos familiares que contribuíram para a tensão no relacionamento A sessão foi encerrada com a proposta de retomar as questões levantadas nas próximas conversas permitindo que J reflita sobre as dinâmicas familiares e emocionais discutidas É fundamental continuar trabalhando na comunicação e na compreensão mútua entre J e Érica assim como explorar mais a fundo as questões de culpa e frustração que permeiam o relacionamento Os próximos passos incluem explorar as dinâmicas de culpa e projeção de frustrações focar na melhoria da comunicação entre J e Érica e analisar o impacto da carga de trabalho na saúde emocional de J 47 10 ANEXO F ATENDIMENTO DIA 170625 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 17062 5 Intervenção sessão nº 5 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga hor ári a 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 17062025 J se atrasou vinte minutos novamente Comecei a sessão lembrando de uma fala de J A qual dizia que alguma coisa o atraiu na Érica Então fiz a pergunta o que seria esse algo que o atraiu nela Respondeu que ela tinha algo que a sua ex namorada não tinha Perguntei o que seria Disse que teve duas namoradas antes da Érica e que a primeira era mais velha que ele e tinham pensamentos diferentes sobre a vida Ela pensava em casar pois já era formada e quando ele estava ainda na faculdade e queria aproveitar mais a vida Então conheceu a segunda namorada e ficaram pouco tempo em torno de 9 meses Ela o achou para jantar e disse que não queria mais continuar ficou muito mal e mantinha contato com ela por mensagens até que um dia ela mandou uma mensagem falando que não queria mais conversar com ele para não dar esperanças foi aí que disse que tinha que deixar de ser trouxa e seguir sua vida e cortar contato com ela Disse que foi interessante pois neste dia que ele viu a Érica pela primeira vez mas apenas achou uma mulher bonita e admirou que ela trabalhando em um chão de fábrica onde os homens de todas as idades mexiam com ela sempre se deu ao respeito Então concluiu que a Érica diferente da antiga namorada sempre o respeitou Mesmo quando não namorava ela se dava ao respeito mantendo a distância das pessoas e até hoje é assim Sua antiga namorada era muito de brincar com as pessoas 48 inclusive com homens isso o deixava e acredita que se permanecesse com ela o deixaria inseguro Perguntei se quanto a palavra respeito o qual diz a Érica ter para com ele não sente desrespeitado quando ela fala mal dele na frente dele para as outras pessoas Respondeu nisso sim é muito ruim isso que ela faz Perguntei se ele acredita que ela tem a imagem dele das reclamações que ela faz dele para as pessoas Respondeu que acha que sim mas também vê momentos em que ela é carinhosa com ele Continuou que percebe quando ela se frustra com alguma coisa no trabalho ela desconta nele Mas acredita que ela tenha sentimento por ele Antes do namoro ela era apegada a ele e muito mais carinhosa quando nasceu seu primeiro filho ela se apegou demais e tinha nele uma fixação exagerada depois que nasceu a filha deixou o filho de lado e tem essa fixação com a filha Como o tempo estava acabando concluí a sessão 49 11 ANEXO G ATENDIMENTO DIA 070725 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 01072 5 Intervenção sessão nº 8 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga hor ária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 01072025 J apresentouse atrasado chegando aproximadamente 15 minutos após o início da sessão Quando questionado acerca do motivo de sua ausência na sessão anterior esclareceu que esteve viajando a trabalho demonstrando esforço em justificar as faltas e admitindo que anteriormente por uma única ocasião não enviou justificativa No entanto reforçou que naquela última ausência explicou a ausência devido à viagem profissional Durante a sessão comentou que pretendia falar de trás para frente o que inicialmente suspeitei tratarse de uma abordagem reflexiva sobre os eventos recentes confirmação essa que veio com sua narrativa subsequente J contou que seu chefe foi demitido recentemente causando uma situação de caos na empresa na qual recaiu sobre ele a responsabilidade de assumir temporariamente funções de liderança já que ocupava uma posição de coordenação abaixo do seu antigo chefe Destacou que seu expatrão tinha um comportamento de soberba exibindo arrogância e uma postura de superioridade por possuir trinta anos de experiência Quando questionei se essa postura afetava sua performance ou relação no trabalho ele respondeu que o problema principal não era a postura do chefe mas sim as dificuldades relativas à gestão de perdas financeiras que estavam aumentando de forma preocupante 50 J revelou que em uma viagem a Umuarama e Foz do Iguaçu participou de ações voltadas para analisar perdas constatando uma perda de aproximadamente 4 milhões Sua função era desenvolver estratégias para reduzir essa perda mas percebeu que ao invés disso o cenário se agravava e sua principal responsabilidade se limitava a exercer pressão sobre si mesmo e sobre sua equipe J admitiu não sentir alívio após a demissão do antigo chefe demonstrando respeito e consideração por ele reconhecendo que foi o responsável por sua contratação apesar das dificuldades de relacionamento Relatou que se sentia pressionado pela postura do exchefe o que lhe causava malestar Durante a viagem de trabalho J descreveu que trabalhou além do horário habitual inclusive no sábado para apresentar relatórios de perdas ao seu patrão na expectativa de obter um momento de análise e discussão dos resultados na sexta feira mas isso não ocorreu pois seu chefe o criticou em vez de dialogar A sensação de frustração por esse episódio foi perceptível Pelo tempo curto encerramos a sessão J Pediu desculpas pelo atraso e disse que ele tem mandado no número que tem da clínica avisando sobre seus atrasos 51 12 ANEXO H ATENDIMENTO DIA 150725 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 15072 5 Intervenção sessão nº 8 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga hor ári a 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 15072025 Na última reunião J chegou pontual e embora não tenha justificado sua ausência explicou que teve que comparecer à apresentação da filha na escola durante a Festa Junina Ele compartilhou os desafios que enfrenta no trabalho mencionando a falta de referências sobre com quem conversar e a pressão que sente de três diretores que o cobram de maneira diferente Durante a conversa ele relatou um episódio em que um dos diretores o chamou para uma reunião enquanto estava atendendo a uma demanda o que aumentou sua confusão sobre a quem realmente deve prestar contas J também expressou sua preocupação com a relação com seu filho que apresentou um comportamento estranho recentemente Ele compartilhou um conflito em que chamou o filho de mentiroso o que resultou em um impulso de agressão ao dar um soco em sua perna O motivo do desentendimento foi que o filho estava assistindo a vídeos no YouTube mesmo sabendo que tanto ele quanto a mãe não queriam que ele visse aquele conteúdo Após o incidente J ficou angustiado e acabou se retirando do local mas o filho pediu desculpas assim como sua esposa que ressaltou que a forma de educar não deveria ser a violência J refletiu sobre a dificuldade de criar os filhos nos dias de hoje comparando se a sua própria infância quando ele enfrentou reprimendas severas de seus pais 52 Ele mencionou que na sua visão a educação dos filhos atualmente é marcada pela permissividade Sua esposa por sua vez relatou uma situação em que em um momento de desespero deu um tapa no rosto do filho quando ele a desafiou demonstrando que ambos os pais ainda estão aprendendo sobre a melhor forma de educar A conversa também abordou o desempenho escolar do filho J comentou que apesar de não estar com notas ruins ele se mostra distraído e desinteressado nas tarefas de casa Para ajudar os avós do menino estão contribuindo financeiramente para que ele frequente sessões com uma psicopedagoga A possibilidade de o filho ter TDAH foi levantada pela esposa que se identificou com alguns dos comportamentos do filho J mostrouse compreensivo e observador notando que o filho tem hiperfoco em determinados assuntos como música e esportes o que pode indicar características do TDAH Por fim J se considera alguém que se concentra profundamente nas atividades ao contrário de Érica de sua esposa que tende a se distrair facilmente Reconhece que a personalidade dos filhos é uma mistura dele com sua mulher com características físicas e intelectuais que remetem a cada um UNINGÁ Centro Universitário Ingá Credenciada pela Portaria N 7762016 MEC PR 317 Av Morangueira n 6114 CEP 87035510 Maringá Paraná 44 30335009 uningauningaedubr wwwuningabr Página 1 de 2 TERMO DE COMPROMISSO DE ESTÁGIO OBRIGATÓRIO VERSÃO 20251 UNIDADPE DE ENSINO SUPERIOR INGÁ LTDA pessoa jurídica de direito privado inscrito no sob nº 01207056000184 com sede à Rodovia PR 317 Nº 6114 CEP 87035510 em MaringáPR neste ato representada por QUALIFICAÇÃO COMPLETA REPRESENTANTE LEGAL Adriana Rocha Beluco 75479727 CPF 02937664954 cargo responsável técnica pela clínica de psicologia email profadrianarochauningaedubr doravante denominada UNIDADE CONCEDENTE Rodolfo Rodrigo Benedetti do curso de Psicologia 5º ano turno matutino portadora do RG N76931399 e do CPF Nº 06916811986 residente e domiciliado à rua José Peres Gonçales 41 Presidente Castelo Branco CEP 87180000 por intermédio da UNIDADPE DE ENSINO SUPERIOR INGÁ LTDA ora designada de UNINGÁ CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ com sede à Rodovia PR 317 Nº 6114 CEP 87035510 em MaringáPR inscrita no CNPJ sob Nº 01207056000184 neste ato representada pela Coordenadora da Central de Estágios ao final assinada doravante denominada UNINGÁ celebram estágio vigente no período de 24022025 a 19122025 conforme condições a seguir CLÁUSULA 1ª O presente termo tem por objetivo regulamentar o desenvolvimento de estágio supervisionado obrigatório assim definido como tal no projeto do curso cuja integralização da carga horária é requisito indispensável para aprovação e obtenção de diploma pelo ESTAGIÁRIO CLÁUSULA 2ª Este Termo de Compromisso regerseá pela legislação vigente em especial pela Lei Federal n º 11788 de 25 de setembro de 2008 e pelo Convênio celebrado entre a CONCEDENTE e a INSTITUIÇÃO DE ENSINO 21 As atividades do a serem realizadas pelo ESTAGIÁRIO na CONCEDENTE não configurarão a existência de vínculo empregatício conforme previsto na Lei Federal nº 11788 de 25 de setembro de 2008 CLÁUSULA 3ª O estágio será realizado no período de 24022025 a 19122025 junto à UNIDADE CONCEDENTE totalizando 200 horas de atividades conforme Plano de Estágio CLÁUSULA 4ª Durante as atividades oa ESTAGIÁRIOA se compromete a observar estritamente o regulamento disciplinar e as normas internas da UNIDADE CONCEDENTE CLÁUSULA 5ª OA ESTAGIÁRIOA comprometese ainda a cumprir fielmente o Plano de Estágio estabelecido pela UNINGÁ Supervisão e Estágio e UNIDADE CONCEDENTE bem como atender às orientações gerais recebidas doa supervisora designadoa responsabilizandose por danos advindos de eventual inobservância CLÁUSULA 6ª OA ESTAGIÁRIOA se compromete a tratar todas as informações pessoais e pessoais sensíveis dos pacientes usuários e terceiros mantidos pela CONCEDENTE a que tiverem acesso como Informações Confidenciais não podendo sob qualquer pretexto divulgálas revelálas reproduzilas e utilizálas para fins outros que não aqueles relacionados ao Estágio Supervisionado Obrigatório ou dar conhecimento destas informações a terceiros estranhos a esta relação jurídica salvo mediante expressa e prévia autorização sob pena de responsabilização civil e criminal CLÁUSULA 7ª O estágio poderá ser interrompido pela CONCEDENTE ou pelo ESTAGIÁRIO mediante comunicação por escrito feita com 5 cinco dias de antecedência no mínimo não implicando em indenização de qualquer espécie para qualquer uma das partes CLÁUSULA 8ª OA ESTAGIÁRIOA no local período e horários das atividades estará seguradoa contra acidentes pessoais por força da Apólice n 820203595 MAG SEGUROS contratado pela UNINGÁ UNINGÁ Centro Universitário Ingá Credenciada pela Portaria N 7762016 MEC PR 317 Av Morangueira n 6114 CEP 87035510 Maringá Paraná 44 30335009 uningauningaedubr wwwuningabr Página 2 de 2 CLÁUSULA 9ª Por se tratar de estágio curricular obrigatório durante a realização do estágio oa ESTAGIÁRIOA não fará jus à bolsa ou qualquer outra forma de remuneração CLÁUSULA 10ª Em se tratando de estágio curricular obrigatório desenvolvido em UNIDADE CONCEDENTE mediante convênio específico fica oa ESTAGIÁRIOA ciente da obrigatoriedade da frequência assídua no estágio no período e horários estabelecido no presente termo bem como que a integralização da carga horária prevista é condição indispensável para aprovação no correspondente componente curricular e conclusão do curso de modo que eventuais faltas acarretarão em reprovação não estando a UNINGÁ obrigada a oferecer reposição CLÁUSULA 11ª As partes qualificadas no preâmbulo do presente instrumento manifestam sua concordância com a utilização de procedimentos e recursos tecnológicos que possibilitem a realização de assinatura digital ou eletrônica do presente termo eou de seus aditivos com fundamento da Lei Nº 14063 de 23 de setembro de 2020 e Medida Provisória No 22002 de 24 de agosto de 2001 atribuindolhe pela validade jurídica CLÁUSULA 12ª Fica eleito o foro da Comarca de Maringá estado do Paraná para dirimir as questões porventura oriundas deste Termo de Compromisso com renúncia a qualquer outro por mais privilegiado que seja E por estarem assim juntos e compromissados assinam o presente termo de convênio para estágio cujo teor é de todas as partes conhecido firmam digitaleletronicamente o presente instrumento UNINGÁ e CONCEDENTE bem como 02 duas testemunhas idôneas para que se produzam todos os efeitos legais MaringáPR 24 de fevereiro de 2025 UNIDADE DE ENSINO SUPERIOR INGÁ LTDA ESTAGIÁRIO A UNIDADE CONCEDENTE Instrumento assinado digitaleletronicamente com fundamento na Lei Nº 14063 de 23 de setembro de 2020 e Medida Provisória No 22002 de 24 de agosto de 2001 conforme registros seguintes Rodolfo B Assinado eletronicamente Daniele A Este documento não pode conter rasuras PLANO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO OBRIGATÓRIO VERSÃO 20251 RA 9648821 NOME Rodolfo Rodrigo Benedetti Telefone 44 99754 3377 Curso Psicologia Série 5º Turno matutino Unidade Concedente Público ou X Privado Nome fantasia UNINGÁCENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ RAMO DE ATIVIDADE DA CONCEDENTE instituição de ensino SETOR DE ESTÁGIO PSICOLOGIACLÍNICA DE PSICOLOGIA PERÍODO DO ESTÁGIO Início 24022025 Término 19122025 2 HORÁRIO DO ESTÁGIO DIAS DA SEMANA M A N H Ã T A R D E N O I T E CARGA HORÁRIA DIÁRIA ENTRADA SAÍDA ENTRADA SAÍDA ENTRADA SAÍDA Segundafeira 00 h 00 h 00 h 00 h 00 h Terçafeira 00 h 00 h 00 h 00 h 00 h Quartafeira 00 h 00 h 00 h 00 h 00 h Quintafeira 00 h 00 h 00 h 00 h 00 h Sextafeira 00 h 00 h 00 h 00 h 00 h Sábado Domingo TOTAL DA CARGA HORÁRIA SEMANAL 5 h 3 SUPERVISORA DESIGNADO PELA CONCEDENTE Nome do a Supervisora Bruna Luzia Garcia de Oliveira CPF 044859188980 CargoFunção DOCENTE Emailprofbrunaluziaoliveirauningaedubr Curso de Formação psicologia Registro no conselho de classe CRP 0817627 4 ORIENTADORA DESIGNADOA PELA INSTITUIÇÃO DE ENSINO Nome do Orientadora Alexsandra Oliveira Área Psicologia Email psicologiauningáedubr 5 ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS Descrever detalhadamente cada tarefa eou etapa de desenvolvimento do estágio Leitura do regulamento de estágio Preenchimento das documentações de estágio Explicação sobre as normas do estágio e da clínica Leitura de materiais teóricos que embasem os atendimentos clínicos Realização de atendimento clínicospreenchimento das documentações do paciente Supervisão dos casos clínicos atendidos por cada acadêmico Elaboração de relatos e relatórios Devolutiva para o paciente 6 Os RELATÓRIOS DE ESTÁGIO DEVERÃO SER APRESENTADOS A CADA 60 HORAS DE ESTÁGIO CUMPRIDAS Assinaturas Supervisora do Estágio Concedente Rodolfo B Este documento não pode conter rasuras Estagiárioa Com carimbo do Setor Concedente Orientadora do Estágio UNINGÁ Central de Estágios UNINGÁ Assinado eletronicamente Daniele A Autenticação eletrônica 56 Data e horários em GMT 300 Sao Paulo Última atualização em 15 mai 2025 às 1756 Identificador 7ff39f4ca573cfe5e41b210d77b95ecd0377c23727f85f5a1 Página de assinaturas Rodolfo B Rodolfo Benedetti Bruna Oliveira 06916811986 04485918980 Signatário Signatário Assinado eletronicamente Assinado eletronicamente Adriana Beluco Alexsandra Oliveira 02937664954 04941847954 Signatário Signatário Daniele A Daniele Aguiar 30799590860 Signatário HISTÓRICO 28 mar 2025 112602 Daniele de Oliveira Aguiar criou este documento Email centraldeestagiosuningaedubr CPF 30799590860 28 mar 2025 172729 Rodolfo Rodrigo Benedetti Email rodolfobenedettihotmailcom CPF 06916811986 visualizou este documento por meio do IP 18795109216 localizado em Curitiba Paraná Brazil 28 mar 2025 172744 Rodolfo Rodrigo Benedetti Email rodolfobenedettihotmailcom CPF 06916811986 assinou este documento por meio do IP 18795109216 localizado em Curitiba Paraná Brazil 13 mai 2025 102137 Bruna Luzia Garcia de Oliveira Email profbrunaluziaoliveirauningaedubr CPF 04485918980 visualizou este documento por meio do IP 177220176177 localizado em Curitiba Paraná Brazil Escaneie a imagem para verificar a autenticidade do documento Hash SHA256 do PDF original c5cfe2563b411dbbceac0659311ac681a28cc51293bc0e2d727505b7a4572f7a httpsvalidaae7ff39f4ca573cfe5e41b210d77b95ecd0377c23727f85f5a1 Autenticação eletrônica 66 Data e horários em GMT 300 Sao Paulo Última atualização em 15 mai 2025 às 1756 Identificador 7ff39f4ca573cfe5e41b210d77b95ecd0377c23727f85f5a1 13 mai 2025 102147 Bruna Luzia Garcia de Oliveira Email profbrunaluziaoliveirauningaedubr CPF 04485918980 assinou este documento por meio do IP 177220176177 localizado em Curitiba Paraná Brazil 14 mai 2025 073656 Adriana Cridtina Rocha Beluco Email profadrianarochauningaedubr CPF 02937664954 visualizou este documento por meio do IP 18711284218 localizado em Maringá Paraná Brazil 14 mai 2025 073706 Adriana Cridtina Rocha Beluco Email profadrianarochauningaedubr CPF 02937664954 assinou este documento por meio do IP 18711284218 localizado em Maringá Paraná Brazil 14 mai 2025 195310 Alexsandra Silva de Oliveira Email psicologiauningaedubr CPF 04941847954 visualizou este documento por meio do IP 4571104232 localizado em Maringá Paraná Brazil 14 mai 2025 195318 Alexsandra Silva de Oliveira Email psicologiauningaedubr CPF 04941847954 assinou este documento por meio do IP 4571104232 localizado em Maringá Paraná Brazil 28 mar 2025 112603 Daniele de Oliveira Aguiar Email centraldeestagiosuningaedubr CPF 30799590860 visualizou este documento por meio do IP 177125217147 localizado em Maringá Paraná Brazil 15 mai 2025 175650 Daniele de Oliveira Aguiar Email centraldeestagiosuningaedubr CPF 30799590860 assinou este 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contexto envolve uma atividade em que ela participa tocando trombone na fanfarra Em suas reflexões Augusto também compartilhou experiências passadas com sua ex namorada caracterizadas por conflitos significativos Ele destacou que ela era extremamente ciumenta a ponto de colocar sua segurança em risco A relação começou em uma festa em Iguaraçu mas o ciúme excessivo se tornou um problema recorrente manifestandose em situações do dia a dia como quando ele trabalhava como açougueiro Ele relatou que ao atender clientes mulheres sua ex frequentemente aparecia fazendo escândalos e ameaçando tanto as clientes quanto ele o que resultou na perda de seis empregos em um período de apenas dois meses Augusto e sua exnamorada têm uma filha de três anos que está sob a guarda dele Durante a separação a ex reagiu de maneira contrária a princípio mas acabou aceitando a situação Hoje ela tem um novo namorado e visita a filha às quintasfeiras CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 O paciente também mencionou que devido a dificuldades financeiras se envolveu com o tráfico de drogas o que resultou em sua prisão e atualmente está cumprindo pena em serviço comunitário Apesar dessas dificuldades ele conseguiu um emprego na prefeitura de Maringá como agente de saúde Por fim Augusto demonstrou um profundo cuidado pela filha expressando o amor que sente por ela e suas preocupações em relação à sua educação Ele teme que a criança seja influenciada negativamente pela mãe e pelo estilo de vida dela que ele considera imprudente e sem juízo Assim a narrativa de Augusto revela questões complexas relacionadas à confiança ciúmes e os desafios enfrentados em seus relacionamentos além de destacar a importância de sua relação com a filha que se tornou um ponto central em sua vida CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 14 h às 15h DATA 290925 IntervençãoSessão nº 3 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 290925 Falou que estava ansioso para falar esta semana e estava com a cabeça a mil Voltou a conversar com uma menina de Santa Fé que namorou quando tinha 14 anos por acaso isso se repetiu quando ela namorou ele pois ele tinha uma menina que namorava Ele falou que esses negócios de karma e repetição eu acredito Ele faz o cadastro de famílias no PSF e mandou para ela que precisava fazer cadastro Ela respondeu que tinha um amigo com esse nome e ele apenas falou que legal kkkkk Quando ela perguntou se ele era de Santa Fé já deu um frio na barriga Daí ele disse que veio as memórias e que agora eles estão conversando todo dia e que a relação com a Larissa que já não estava boa piorou Ela é muito fria não procura carinho afeto Não pergunta se quero comer o que vamos comer se não for ele quem procurar ela não se mexe Perguntei se ele pretende terminar com ela e ele disse que vai observar a situação mas que já alertou ela na sextafeira pois no sábado tinha o aniversário da mãe dele e ele não queria chegar no aniversário com cara de clima ruim Disse que essas conversas estão sendo frequentes e que ela se justifica tentando jogar a culpa nele mas que ela não assume o que pode melhorar Ele disse que bebia muito e era agressivo e que teve duas brigas feias Na segundafeira ele tomou a decisão de parar de beber e até hoje nunca mais bebeu Mas ela não se propõe a mudar Ele não sabe o que fazer caso separe porque a neném é muito apegada a ela Ela tem qualidades faz tudo na minha casa eu só lavo a roupa e limpo o chão o resto ela faz Perguntei há quanto tempo eles se encontram e ele disse que quase todo dia à noite ele passa lá Perguntei se ela já negou ir alegando algo e ele disse que não mas que percebe que virou rotina Disse também que os pais dela são bem secos assim como ela bem diferente dele Ele fala que ele beija o pai até pega ele no colo senta no colo da mãe e ela faz carinho Que até o sogro ele tentou beijar mas ele se esquiva Perguntei se em outras situações a Larissa se mostra mais empolgada e ele disse que sim quando vem parentes de fora Ela fica outra pessoa Falei que parece que tende a romper e ele disse que vai observar porque não sabe se é da Carina que tem medo dela pensar que está se aproximando pois ela tem dinheiro faz CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 medicina na Cesumar Perguntei se ela tem dinheiro e ele disse que sim Falou o nome da família que é uma das mais ricas e que seria um plot twist incrível ele indo lá em Santa Fé com a menina que é a mais rica da cidade Disse que ela falou que ele foi a primeira pessoa que tocou nela sem blusa que das outras ele falava que tinha pego e contava detalhes mas ela não falou Perguntei por quê e ele disse que tinha carinho Disse que precisava sair mais cedo mas já eram 1455 então encerramos a sessão CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 14 h às 15h DATA 220925 IntervençãoSessão nº 2 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 061025 Na sextafeira houve uma briga entre Gustavo e Larissa o que interrompeu a comunicação entre eles Ele iria buscalá mas acabou que por cinta de chuva não iria conseguir ir de moto até por que estava com pneu furado e seu carro estava estragado por isso Gustavo mandou uma mensagem para a mãe de Larissa para buscalá no serviço pois não conseguiria ir Ela brincou mas disse que o pai dela iria Ao ser informada por Gustavo que ele não conseguiria ir por causa da chuva larissa mandou uma mensagem falando que por que tem essa merda de carro que não funciona então Ele disse que não precisava falar assim e mandou um print da conversa dele com a mãe dela e que podia ficar tranquila que o pai dela ia buscar Gustavo percebe que ela não ajuda na casa e fica acumulando pratos e louças o que parece estar causando uma certa frustração ela mandou dinheiro para ele comprar uma peça do carro e disse que mesmo pensando em terminar aceitou pois ela usa bastante o carro Depois houve uma discussão entre eles Ele falou que do jeito que as coisas estão acha melhor terminar Ela ficou muito chateada chorou e ficou nervosa Apesar disso ela pediu para continuar a relação e ele tentou dar uma nova chance pensando em manter o relacionamento CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 14 h às 15h DATA 161025 IntervençãoSessão nº 5 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 161025 Gustavo começou falando que sua semana foi agitada e terminou o relacionamento Na sexta tiveram uma conversa séria e se comprometeram a tentar porém no sábado tiveram uma discussão por causa de uma compra que ela foi fazer na farmácia um soro fisiológico em spray Ele questionou a necessidade de comprar pois ele tinha em casa Ela respondeu de forma ríspida na frente das pessoas O dinheiro é seu ou é meu Gustavo ficou quieto foi lá fora pegar a moto para passar na porta e pegála Chegando em sua casa perguntou se havia necessidade de falar com ele daquela forma na frente das pessoas ela começou a dizer que queria continuar mas que estava difícil Ela respondeu que realmente estava difícil e eles começaram a discutir Em meio à discussão ele viu que ela colocou para gravar no contato de WhatsApp da prima dela Ele foi desligar o aparelho e ela deu um tapa em seu rosto Gustavo pediu para ela se retirar da casa dele e ela pediu desculpas reconhecendo que estava errada A irmã dele veio perguntar o que estava acontecendo e ele contou que Larissa havia dado um tapa em seu rosto Ao ouvir isso a irmã ficou furiosa e foi atrás de Larissa para agredila mas Gustavo interveio Ele pediu para a mãe avisar Larissa para retirar tudo o que era dela da casa dele e assim ela o fez Desde então Gustavo disse que não teve mais contato Perguntei se ele ficou muito triste ele disse que não que está tranquilo e que não quer mais relacionamento que quer focar em ganhar dinheiro com sua empresa de xícaras e lápides Falou que está vendendo muitas lápides morre muita gente e também que muita gente está trocando pois a lápide de porcelana não tem valor e evita roubo Novamente perguntei se ele não está sentindo nada após o término já que tentou continuar com ela diante dessa falta de sentimento Respondeu que gosta dela mais por ela ser uma pessoa que está sempre junto mas não por ela especificamente Perguntei Você acha que não vai ter esse sentimento de carência estando sozinho Ele disse que acha que isso será o mais difícil Mas quer focar em trabalhar e ganhar dinheiro que está juntando e não se importar com carro novo moto ou CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 casa então questionei por que ganhar dinheiro e ele respondeu para dar uma vida boa para minha filha Disse que era pobre não a ponto de passar fome mas sem condições para muitas vontades e quer que a filha tenha tudo de bom Perguntei sobre a outra menina com quem estava conversando falou que se encontraram e deram um beijo mas não vê futuro Perguntei sobre o futuro do Gustavo ele respondeu quero fazer umas viagens aprender a tocar instrumentos que ainda não sei Falei que não sabia que ele tocava ele disse que toca guitarra teclado e bateria é DJ e quer aprender a tocar sanfona e cavaquinho Perguntei se fez aulas para aprender disse que tem facilidade para aprender e que fez aulas apenas para ser DJ Eu comentei que para mim ser DJ é só colocar música para tocar mas ele explicou que envolve técnica por exemplo ao colocar duas músicas ao mesmo tempo é preciso alinhar a batida e o ritmo Avisei que a próxima sessão seria a última ele perguntou se eu o atenderei fora daqui expliquei que a princípio não Ele perguntou se continuará sendo atendido expliquei que seu nome voltará para a lista de espera e que terá que aguardar ser chamado novamente FACULDADE INGÁ CURSO DE PSICOLOGIA RODOLFO RODRIGO BENEDETTI RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL III CLÍNICA DE PSICOLOGIA UNINGÁ MARINGÁ 2025 2 RODOLFO RODRIGO BENEDETTI RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL III CLÍNICA DE PSICOLOGIA UNINGÁ Relatório apresentado ao curso de Psicologia do Centro Universitário Ingá na disciplina de estágio de formação profissional III como requisito parcial para obtenção de nota no curso de Psicologia da faculdade INGÁ Prof Ms Bruna Luzia Garcia de Oliveira MARINGÁ 2025 3 SUMÁRIO 1INTRODUÇÃO 7 2FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 8 21Primeiro contato e entrevista com o paciente 9 211A importância da entrevista inicial na terapia psicanalítica 9 212Expectativas na terapia analítica o papel do paciente e do psicanalista11 22A evolução do diagnóstico psicanalítico 12 221 Regras psicanalíticas da atualidade 14 222 Regra da abstinência 15 223Regra da atenção flutuante 16 224Regra da neutralidade 17 225Regra do amor à verdade 18 23As funções do analista 20 231Escuta analítica e Setting 20 232Transferência e contratransferência 20 4 233Autoconhecimento e resistências 20 234Ética e formação do psicanalista 20 235A transformação subjetiva como horizonte clínico 21 24A compreensão do relacionamento interpessoal sob a perspectiva da psicanálise21 241As pulsações e vínculos na teoria psicanalítica o papel da pulsão e do desejo22 242Significado simbólico e mitológico das relações conjugais 22 243Alianças inconscientes e a formação psíquica do vínculo amoroso 23 244Vínculos afetivos segundo Bion espaço psíquico e conteúdo emocional24 245O casal como uma unidade psíquica e a influência do desenvolvimento emocional25 3Fundamentação teórica 25 31Fundamentação teórica paciente 2 25 32Fundamentação teórica paciente 3 26 321A masculinidade na clínica psicanalítica 26 322Trauma na infância e vínculos afetivos 27 323Os vínculos afetivos na perspectiva psicanalítica estruturas inconscientes e dinâmicas relacionais27 5 324Isolamento do afeto 28 4METODOLOGIA 29 5PROCESSO TERAPÊUTICO 30 51Descrição resumida do paciente 1 30 52Análise do processo terapêutico 32 521Análise psicanalítica do caso do paciente 1 32 522Inconsciente e conflitos internos 33 523Dinâmicas relacionais e alianças inconscientes 33 524Mecanismos de defesa e intelectualização 34 525Mudança e desenvolvimento pessoal 34 526A autonomia emocional e respeito mútuo 35 53Análise do paciente 2 36 54Descrição resumida do paciente 3 36 55Análise do caso clínico do paciente 3 37 Referências 38 6 1ANEXO A Atendimento dia 290425 41 2ANEXO B Atendimento dia 060525 43 3ANEXO C Atendimento dia 200525 45 4ANEXO D Atendimento dia 290525 47 5ANEXO E Atendimento dia 100525 49 6ANEXO F Atendimento dia 170625 51 7ANEXO G Atendimento dia 070725 53 8ANEXO H Atendimento dia 150725 55 6ANEXO I Atendimento dia 150925 57 7ANEXO J Atendimento dia 220925 59 8ANEXO K Atendimento dia 290925 61 9ANEXO L Atendimento dia 061025 63 10ANEXO M Atendimento dia 161025 65 7 1 INTRODUÇÃO O presente relatório tem como objetivo refletir sobre a experiência de estágio supervisionado em Psicologia com ênfase na prática clínica orientada pela abordagem psicanalítica e a partir da articulação entre teoria e prática buscase apresentar os principais fundamentos teóricos que sustentaram a atuação descrever a vivência do estágio e analisar criticamente os aspectos éticos e técnicos envolvidos no processo Conforme a Resolução n 62011CNEMEC o estágio supervisionado é um componente crucial na formação em Psicologia dividido em duas etapas o Estágio Supervisionado Básico realizado no 3 ano que se concentra na integração de competências por meio de visitas técnicas e observações e os Estágios Supervisionados de Formação desenvolvidos nos 4 e 5 anos voltados ao aprofundamento profissional em áreas específicas como clínica institucional escolar e organizacional Cada etapa é organizada por meio de projetos de ensino elaborados pelos professores supervisores os quais incluem justificativas competências a serem desenvolvidas métodos de trabalho e critérios de avaliação A supervisão ocorre na ClínicaEscola de Psicologia do Centro Universitário Ingá Uningá em grupos de até seis alunos com o propósito de promover uma formação crítica e prática para os futuros psicólogos Este relatório está alinhado à estrutura e regulamentação dos Estágios Supervisionados do curso de Psicologia da Uningá conforme descrito nos documentos institucionais Os alunos do 5º ano devem cumprir um total de 200 horas no Estágio de Formação III e 160 horas no Estágio de Formação IV com carga horária distribuída ao longo dos períodos letivos regulares sem previsão de interrupções para férias intermediárias Os estágios são formalizados por meio de instrumentos jurídicos entre o Centro Universitário Ingá e as instituições concedentes sendo realizados tanto na ClínicaEscola de Psicologia da Uningá quanto em instituições conveniadas como hospitais unidades básicas de saúde instituições de educação infantil e educação especial entre outras A supervisão dos estágios é de responsabilidade dos professores supervisores do supervisor de estágio e da coordenação do curso Os professores supervisores são docentes do curso de Psicologia atuando conforme suas áreas de formação e experiências profissionais e em casos específicos profissionais de áreas técnicas externas podem ser incluídos na supervisão mediante solicitação escrita e aprovação institucional Durante todo o processo o Código de Ética 8 Profissional do Psicólogo aprovado em agosto de 2005 pelo Conselho Federal de Psicologia serve como guia essencial para a prática profissional Este documento elaborado em um contexto de transformações sociais e demandas profissionais reforça princípios como o respeito à dignidade humana a promoção da saúde e a qualidade dos serviços psicológicos além de definir deveres proibições e penalidades para assegurar uma atuação ética e responsável A estrutura do relatório segue três eixos principais inicialmente uma fundamentação teórica baseada em autores da psicanálise seguida da descrição detalhada da experiência prática em contexto clínicoinstitucional Em seguida são discutidas as implicações éticas da atuação profissional conforme previsto no Código de Ética do Psicólogo e propõese uma análise crítica dos desafios e aprendizados construídos ao longo do estágio Por fim o texto conclui com considerações sobre a integração entre teoria prática e ética na formação do psicólogo ressaltando a importância do estágio supervisionado como espaço de consolidação do conhecimento e da identidade profissional 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A psicanálise desde seus fundamentos estabelecidos por Freud consolidou se como um campo teóricoclínico de grande complexidade enriquecido ao longo do século XX por contribuições de diversos autores Inicialmente Freud estruturou pilares centrais como o conceito de inconsciente a sexualidade infantil os mecanismos de defesa e a transferência que permanecem como eixos estruturantes da prática psicanalítica Em A Interpretação dos Sonhos 1900 obra seminal ele enfatiza a função do inconsciente na produção simbólica demonstrando que os processos psíquicos transcendem a consciência imediata Essa perspectiva revolucionária revela que o sujeito não é plenamente senhor de sua própria razão uma ideia que redefine a compreensão do sofrimento humano Ao reconhecer a dimensão inconsciente como núcleo da subjetividade Freud inaugurou uma metodologia clínica baseada na escuta atenta da singularidade do paciente e na valorização de sua narrativa Essa abordagem detalhada em suas obras FREUD 2016 desloca a ênfase de interpretações normativas para uma prática que acolhe a ambiguidade e a multiplicidade de sentidos presentes no discurso Dessa forma a psicanálise não apenas ampliou o horizonte teórico sobre a 9 mente humana mas também estabeleceu um paradigma ético e técnico orientado pelo respeito à expressão individual legado que continuou a ser expandido e reinterpretado por gerações posteriores de analistas 21 Primeiro contato e entrevista com o paciente A comunicação não verbal constitui um elemento fundamental nas interações humanas sobretudo nas etapas iniciais de um relacionamento seja em âmbito pessoal ou profissional Essa forma de expressão que engloba gestos expressões faciais postura e movimentos corporais transcende a dimensão verbal revelando emoções genuínas e facilitando a construção de conexões mais profundas entre os indivíduos Durante os primeiros contatos a habilidade de decifrar esses sinais tornase especialmente relevante já que eles podem transmitir nuances como interesse confiança abertura ou resistência muitas vezes de maneira mais autêntica do que as palavras Zimmerman 2004 Além de expressar sentimentos a comunicação não verbal atua em paralelo à linguagem falada servindo como um complemento essencial para a clareza das mensagens Ao harmonizar gestos tom de voz e expressões com o conteúdo verbal reduzse o risco de ambiguidades e malentendidos permitindo que a intenção comunicativa seja transmitida com maior precisão Segundo Zimerman 2004 Essa sincronia entre o que é dito e o que é demonstrado corporalmente não apenas fortalece a credibilidade do emissor como também promove um diálogo mais coeso e empático Reconhecer a relevância desses elementos é portanto determinante para otimizar a qualidade das interações em diferentes contextos seja em uma negociação profissional no estabelecimento de vínculos afetivos ou em situações cotidianas a atenção aos sinais não verbais possibilita uma leitura mais integral do outro favorecendo relações baseadas em compreensão mútua e efetividade comunicativa 211 A importância da entrevista inicial na terapia psicanalítica A entrevista inicial configurase como um momento decisivo na prática psicanalítica estabelecendo as bases para o relacionamento terapêutico e permitindo que tanto o analista quanto o paciente avaliem a compatibilidade e a 10 viabilidade do tratamento Esse contato preliminar que pode se estender por mais de um encontro dependendo das particularidades do paciente não se limita a uma mera formalidade Mesmo em situações em que o terapeuta já reconhece a impossibilidade de assumir um tratamento sistemático a realização de uma entrevista de avaliação mantém seu valor pois possibilita orientações ou encaminhamentos adequados preservando o compromisso ético com o cuidado Zimmerman 2004 Para Zimerman 2004 será importante diferenciar a entrevista inicial da primeira sessão analítica pois enquanto a primeira ocorre antes da formalização do contrato terapêutico funcionando como um espaço de avaliação mútua a segunda marca o início efetivo da análise A profundidade e a duração dessa etapa variam conforme o repertório prévio do paciente aqueles familiarizados com o processo psicanalítico podem experienciar um fluxo mais ágil enquanto indivíduos que buscam alívio imediato para sintomas demandam uma abordagem mais cautelosa capaz de acolher ansiedades e expectativas não verbalizadas O objetivo central da entrevista inicial reside na avaliação das condições mentais emocionais e contextuais do paciente permitindo ao analista ponderar riscos e benefícios do tratamento Essa análise inclui a identificação da psicopatologia apresentada a elaboração de uma impressão diagnóstica e prognóstica e a atenção aos efeitos contratransferenciais que emergem na interação Nesse contexto o uso de classificações como o DSMIVTR que abrange aspectos sindrômicos transtornos de personalidade e estressores ambientais exige uma abordagem multidimensional integrando dimensões dinâmicas como conflitos inconscientes evolutivas histórico de desenvolvimento e comunicacionais formas de expressão e resistências Zimmerman 2004 Além da avaliação técnica a entrevista demanda uma escuta sensível às motivações e expectativas do paciente que nem sempre coincidem com o projeto terapêutico do analista A veracidade das queixas o grau de insight e a disposição para engajarse em um processo introspectivo são fatores críticos Paralelamente o terapeuta deve confrontar suas próprias limitações e reações emocionais evitando avaliações precipitadas baseadas em impressões superficiais Assim a entrevista inicial transcende sua função diagnóstica é um espaço de negociação simbólica no qual paciente e analista delineiam a possibilidade de uma jornada compartilhada 11 212 Expectativas na terapia analítica o papel do paciente e do psicanalista O papel do analista assume centralidade já na primeira entrevista momento em que ele se apresenta como profissional fundamentado em sua formação teórica e experiência clínica contudo para o paciente essa figura ainda não está consolidada como referência terapêutica É através da transferência processo no qual o paciente atribui ao analista emoções e expectativas originadas em relações passadas que se estabelece a possibilidade de reconhecêlo como guia no processo analítico Segundo Chemama 2002 esse fenômeno é estruturante nas entrevistas preliminares pois cria um vínculo que permite ao paciente confiar na direção proposta pelo tratamento mesmo em um contexto de incerteza inicial Nesse cenário as expectativas mútuas entre paciente e analista são determinantes para o avanço da terapia O paciente é convidado a assumir uma postura ativa engajandose de maneira autêntica na exploração de suas vivências emocionais Esse compromisso não se resume à verbalização de sintomas mas envolve a disposição para confrontar resistências e ambiguidades inerentes ao processo introspectivo Paralelamente cabe ao psicanalista definir com clareza suas motivações para acolher o caso delineando um projeto terapêutico que oriente suas intervenções Essa delimitação não é estática exige flexibilidade para adaptarse às demandas emergentes sem perder de vista os objetivos centrais do tratamento Zimmerman 2004 A preparação do analista para lidar com desafios emocionais como situações transferenciais intensas ou manifestações de contratransferência é um pilar da prática clínica A empatia aliada ao reconhecimento das próprias limitações e reações inconscientes permite que ele sustente um ambiente seguro onde o paciente se sinta acolhido em sua vulnerabilidade Essa habilidade não se restringe à técnica envolve uma reflexão contínua sobre como as histórias pessoais do terapeuta podem influenciar sua escuta exigindo um equilíbrio delicado entre envolvimento e neutralidade Além disso o contexto físico e emocional em que o analista trabalha repercute diretamente na qualidade do atendimento no qual manter um ambiente organizado e garantir um equilíbrio entre vida profissional e pessoal não são meros detalhes operacionais mas condições essenciais para preservar a integridade do setting terapêutico 12 O autocuidado do analista incluindo a gestão do estresse e a supervisão regular assegura que ele esteja emocionalmente disponível para acolher as demandas complexas do paciente evitando esgotamento ou interferências prejudiciais assim a interação entre paciente e analista revelase uma teia de interdependências na qual a clareza técnica a ética do cuidado e a gestão das emoções se entrelaçam A primeira entrevista longe de ser um mero protocolo é um microcosmo desse processo nela avaliamse não apenas as condições psíquicas do paciente mas também a capacidade do analista de sustentar uma aliança terapêutica pautada pela confiança e pelo rigor metodológico Essa sintonia inicial quando bem conduzida lança as bases para um trabalho transformador onde a complexidade humana é abordada em sua plenitude Zimmerman 2004 22 A evolução do diagnóstico psicanalítico O diagnóstico psicanalítico contemporâneo configurase como um campo em constante evolução que busca transcender as classificações clássicas das doenças mentais Essa abordagem prioriza um entendimento profundo do paciente considerando não apenas os aspectos sintomáticos mas também as dinâmicas psíquicas subjacentes Nesse contexto a avaliação do prognóstico emerge como elemento central frequentemente realizada ao longo do processo analítico dinâmica que pode surpreender tanto o analista quanto o analisando revelando nuances que ultrapassam as expectativas iniciais e destacando a complexidade humana em sua busca por autoconhecimento Um dos critérios fundamentais nesse paradigma é o de acessibilidade que se concentra na motivação coragem e capacidade do paciente de permitir o acesso ao seu inconsciente Zimmerman 2004 Essa compreensão é particularmente relevante na seleção de pacientes que à primeira vista podem ser considerados de difícil acesso como aqueles com regressões significativas ou paradoxalmente com estrutura psíquica aparentemente bem ajustada Para Bechara 2009 a psicanálise contemporânea tem se mostrado receptiva a configurações diversas adaptando técnicas e táticas para atender às necessidades específicas de cada indivíduo o que reforça sua flexibilidade como ferramenta terapêutica Observase ainda uma diminuição progressiva dos critérios de contraindicação na prática clínica atual refletindo maior abertura à diversidade de 13 pacientes Questões como a idade antes vistas como limitantes são agora abordadas com relativismo permitindo a inclusão de crianças e idosos no tratamento psicanalítico com resultados positivos Além disso a psicanálise contemporânea não hesita em enfrentar situações críticas como quadros emocionais agudos integrandose a outros recursos como psicofármacos em uma abordagem holística que busca eficácia sem abandonar a profundidade analítica O diagnóstico clínico psicanalítico é permeado por um relativismo acentuado no qual condições aparentemente alarmantes como uma reação esquizofrênica aguda podem ter prognóstico favorável se manejadas com competência técnica enquanto neuroses crônicas podem apresentar desafios imprevistos Essa dualidade exige do analista um olhar crítico e atento capaz de discernir as nuances singulares de cada caso sem se apoiar em generalizações Entretanto algumas contraindicações permanecem inegáveis como a degenerescência mental a incapacidade de abstração e casos com motivações distorcidas Em situações de avaliação inicial inconclusiva a análise de prova surge como alternativa viável Essa abordagem que prolonga a entrevista inicial permite uma reflexão mais detalhada sobre as condições do paciente antes da formalização do contrato analítico assegurando que ambos analista e analisando possam estabelecer um vínculo seguro e comprometido Essas práticas alinhamse à Resolução CFP nº 0052025 que enfatiza a supervisão e orientação de estágios em Psicologia com base em fundamentação teórica e ética A psicanálise contribui não apenas com técnicas específicas mas com uma postura clínica que valoriza a alteridade o silêncio a história singular e o tempo subjetivo Essa escuta ética associada ao rigor técnico oferece ao profissional de Psicologia uma base sólida para atuar em contextos clínicos diversos mantendo o compromisso com o sofrimento humano em sua complexidade e singularidade Assim a psicanálise reafirma seu papel na saúde mental contemporânea um campo que se reinventa e se amplia acolhendo a diversidade de pacientes e integrandose a marcos regulatórios que fortalecem a formação crítica e ética dos futuros psicólogos Zimmerman 2004 14 221 Regras psicanalíticas da atualidade A evolução das regras fundamentais da psicanálise ao longo do tempo reflete as transformações nas dinâmicas sociais e nas expectativas dos pacientes A regra da livre associação de ideias que enfatiza a verbalização espontânea por parte do paciente mantém sua centralidade mas sua aplicação prática tem se adaptado às demandas atuais Hoje os analistas reconhecem a necessidade de criar um ambiente terapêutico que favoreça não apenas a expressão livre mas também a autenticidade considerando a diversidade de experiências e a complexidade das questões contemporâneas trazidas pelos pacientes Essa adaptação não descaracteriza a técnica mas amplia sua capacidade de acolher subjetividades em contextos cada vez mais pluralizados Zimmerman 2004 A regra da abstinência tradicionalmente associada à contenção de gratificações pessoais por parte do analista tem sido reinterpretada em um cenário clínico que valoriza a empatia e a conexão humana Embora sua essência evitar satisfações substitutivas que desviem o foco do processo analítico permaneça válida a prática contemporânea enfrenta o desafio de equilibrar essa contenção com a construção de uma relação de confiança e segurança Essa tensão produtiva permite que a relação analítica transcenda a função meramente interpretativa tornandose um espaço de interação genuína onde a vulnerabilidade é reconhecida como parte integrante do trabalho terapêutico Souza e Coelho 2012 Por outro lado Zimerman 2004 também afirma que a regra da neutralidade que historicamente exigia um distanciamento emocional do analista é revisitada à luz de abordagens que defendem maior transparência na relação terapêutica Isso não implica a perda da postura técnica mas o reconhecimento de que a neutralidade pode coexistir com uma presença mais autêntica O analista contemporâneo ao acolher suas próprias emoções e reações contratransferenciais pode oferecer uma escuta mais engajada sem abandonar o rigor metodológico Essa flexibilidade não enfraquece o setting mas o torna mais sensível às nuances afetivas que emergem no processo A ênfase na verdade e na honestidade incorporada como uma quinta regra em discussões recentes responde à demanda por autenticidade nas relações terapêuticas pois os pacientes buscam não apenas uma análise técnica mas uma conexão que os auxilie a navegar realidades emocionais complexas marcadas por 15 incertezas e paradoxos da vida moderna Essa dimensão exige que analista e paciente se envolvam em um processo de descoberta mútua onde a honestidade tanto sobre limites quanto sobre possibilidades fortalece a aliança terapêutica Assim as regras psicanalíticas embora preservem seu núcleo ético e técnico demandam revisão contínua para dialogar com as transformações sociais e científicas A prática clínica atual ao integrar essas adaptações não apenas honra o legado freudiano mas assegura que a psicanálise permaneça relevante como ferramenta de compreensão e intervenção diante das complexidades humanas do século XXI 222 Regra da abstinência A regra da abstinência formulada por Freud em 1915 surgiu em resposta ao desenvolvimento de vínculos eróticos entre pacientes histéricas e analistas em um período em que as análises eram breves Com a expansão da psicanálise e o aumento das críticas sobre a sexualidade na prática clínica Freud viu a necessidade de estabelecer limites claros para evitar envolvimentos sexuais entre analistas e analisandos Em 1912 ele começa a esboçar essa diretriz preocupado com a integridade ética da psicanálise A abstinência implica que o psicanalista deve absterse de qualquer atividade além da interpretação proibindo gratificações externas e preservando o anonimato do paciente posição reforçada por Freud em 1918 em seus escritos sobre terapias psicanalíticas Zimmerman 2004 Ressaltase a relevância da abstinência analítica conforme proposta por Freud que defende que os analistas evitem gratificações externas e intervenções significativas na vida dos pacientes durante o tratamento Para ele era imperativo que os pacientes não tomassem decisões importantes como escolhas profissionais ou amorosas sem uma análise prévia a fim de evitar que impulsos inconscientes fossem mal direcionados protegendoos de possíveis danos Entretanto críticas contemporâneas apontam que a interpretação rígida dessa recomendação pode levar a um distanciamento excessivo entre analista e analisando prejudicando o tratamento A preocupação freudiana com envolvimentos emocionais e sexuais embora válida corre o risco de ser aplicada de forma extremada gerando uma dinâmica fóbica que compromete a aliança terapêutica Zimmerman 2004 16 Com a evolução da prática psicanalítica observase uma mudança significativa no perfil emocional e situacional dos pacientes assim como nas condições sociológicas e econômicas em que a análise ocorre Muitos analistas contemporâneos adotam portanto uma postura mais flexível promovendo um ambiente acolhedor e interativo sem abandonar a estrutura normativa do setting analítico Argumentase que a rigidez na aplicação das diretrizes originais de Freud pode criar um clima de falsidade e paranoia Assim uma abordagem adaptativa e humanizada é considerada essencial nas práticas atuais permitindo que analistas se conectem de maneira autêntica com seus pacientes fator que pode potencializar a eficácia do processo terapêutico O conceito de amor de transferência na psicanálise evidencia a evolução das práticas desde Freud destacando os riscos de envolvimento emocional entre analista e paciente A abstinência do psicanalista permanece crucial para evitar a gratificação de desejos que refletem carências do próprio terapeuta não do paciente É fundamental diferenciar curiosidades patológicas que demandam interpretação daquelas saudáveis que merecem acolhimento como expressões genuínas do sujeito Além disso as atitudes em relação a encontros sociais entre analistas e pacientes modificaramse antes rigidamente evitados hoje são abordados com maior flexibilidade ainda que cautelosa Zimerman 2004 aponta essa mudança a qual reflete uma adaptação às demandas contemporâneas sem descuidar dos princípios éticos que preservam a integridade do vínculo terapêutico 223 Regra da atenção flutuante A regra da atenção flutuante proposta por Freud estabelece um princípio fundamental para a prática analítica implicando a criação de condições que favoreçam uma comunicação autêntica entre os inconscientes do analista e do paciente Bion amplia essa concepção ao destacar o papel da intuição frequentemente obscurecida pela ênfase excessiva na percepção sensorial como ferramenta essencial para decifrar as camadas simbólicas do discurso Zimmerman 2004 Uma das dificuldades centrais para o analista reside em sua capacidade de se desvincular de desejos e memórias pessoais durante o processo Embora seja natural que emoções surjam é importante que o terapeuta mantenha clareza sobre 17 esses sentimentos discriminando adequadamente entre suas experiências subjetivas e as dinâmicas transferenciais em jogo Essa distinção preserva a neutralidade técnica e assegura que as intervenções estejam alinhadas às necessidades do paciente evitando projeções que comprometam a eficácia terapêutica A prática psicanalítica exige assim uma dissociação útil habilidade de reconhecer e diferenciar as diversas áreas do mapa psíquico do analista incluindo emoções que emergem durante a sessão Essa dissociação sustenta tanto a teorização flutuante entendida como a capacidade de elaborar hipóteses sem fixação prévia quanto à atenção flutuante que consiste em uma escuta aberta a múltiplos significados Esses mecanismos facilitam a conexão com a realidade externa e com o inconsciente permitindo uma escuta intuitiva que capta nuances escapadas a abordagens lineares Souza e Coelho 2012 Por outro lado uma atenção excessivamente direcionada pode levar a um estado patogênico no qual o analista busca informações irrelevantes à situação analítica movido por curiosidade pessoal ou necessidade de controle Essa postura desvia o foco do trabalho terapêutico e pode gerar vínculos transferenciais prejudiciais nos quais as projeções do analista contaminam a relação Além disso a tentativa de manter a atenção flutuante de forma rigorosa pode gerar desconforto e sensação de fracasso no analista já que divagações e distrações são inevitáveis durante as sessões A flexibilidade mental tornase portanto um elementochave pois ela permite que o analista navegue entre suas próprias emoções e as dinâmicas do setting terapêutico ajustandose às flutuações do processo sem perder a postura técnica necessária Essa habilidade reconhece que a eficácia reside no equilíbrio entre disciplina clínica e adaptação às contingências humanas Zimmerman 2004 224 Regra da neutralidade A regra da neutralidade conforme proposta por Freud é um princípio essencial na psicanálise sugerindo que o psicanalista deve atuar como um espelho opaco refletindo apenas o conteúdo apresentado pelo paciente e evitando expor suas próprias emoções Embora o termo neutralidade não seja frequente em seus textos Freud defende uma postura imparcial distante da indiferença que poderia prejudicar o processo analítico Essa neutralidade inclui a gestão dos desejos do 18 analista permitindo uma interação aberta e profunda com o paciente o que cria um ambiente favorável à exploração emocional e psicológica Pinheiro 1999 Contudo a regra da neutralidade tem sido reavaliada na prática contemporânea distante da visão tradicional de Freud que comparava o analista a um espelho mecânico Atualmente entendese que o analista deve funcionar como um espelho que possibilita ao paciente uma reflexão abrangente sobre si mesmo sem que isso implique a supressão total de sua subjetividade A neutralidade é reconhecida como um ideal inatingível já que o analista inevitavelmente traz suas crenças valores e perspectivas para a relação terapêutica influenciando dinâmicas interpretativas e escolhas técnicas Zimmerman 2004 O envolvimento afetivo do terapeuta desde que não se torne patológico é considerado essencial para estabelecer uma aliança terapêutica significativa As escolhas interpretativas como decidir quando intervir ou como formular uma interpretação revelam a subjetividade inerente à prática demonstrando que a neutralidade não se traduz em ausência de posicionamento mas em um equilíbrio entre acolhimento e contenção Essa postura permite que o paciente se sinta reconhecido em sua singularidade ao mesmo tempo que preserva o espaço analítico como um campo de investigação livre de projeções excessivas do terapeuta Assim a neutralidade na psicanálise contemporânea não nega a influência do analista mas reconhece a complexidade de sua função ser um interlocutor que mesmo com suas limitações humanas mantém o foco no processo de desvelamento do inconsciente equilibrando técnica e sensibilidade Zimmerman 2004 225 Regra do amor à verdade A psicanálise segundo Freud fundamentase na verdade e na ética sendo a honestidade do psicanalista um elemento fundamental para promover mudanças significativas nos pacientes O terapeuta deve evitar julgamentos sobre terceiros já que os pacientes podem induzir quebras éticas por meio de projeções ou tentativas de envolver o analista em dinâmicas externas à terapia Um dilema recorrente é o envolvimento amoroso entre terapeuta e paciente tratado com rigor por sociedades psicanalíticas para preservar a integridade da relação analítica Dessa forma a ética e a verdade configuramse como pilares indissociáveis da prática freudiana 19 A discussão sobre transgressões éticas e sexuais na psicanálise revela um campo marcado por tensões e controvérsias conforme destacado por Daniel Widlocher expresidente da Associação Psicanalítica Internacional IPA Ele argumenta que tais transgressões não devem ser simplificadas como meros erros ou pecados irreparáveis mas sim compreendidas como fenômenos complexos que exigem análise crítica Widlocher observa ainda que transgressões éticas como vínculos românticos não consumados entre analistas e pacientes que frequentemente permanecem ocultas apesar de seu impacto relevante Freud já enfatizava a necessidade de honestidade mútua afirmando que a falta de verdade por parte do analista comprometeria a eficácia do tratamento corroendo a confiança essencial ao processo Complementando essa perspectiva Bion introduz a reflexão sobre a análise de indivíduos que utilizam a mentira como mecanismo de defesa Ele ressalta que a verdade é um elemento vital para a saúde psíquica comparando a a um alimento indispensável e sua ausência levaria à deterioração do psiquismo Assim a abordagem psicanalítica da verdade deve transcender o moralismo focandose na construção de uma atitude autêntica que permita ao paciente alcançar liberdade interna e engajarse plenamente no processo analítico Zimerman 2004 A preservação do setting analítico é outro aspecto essencial pois garante a estruturação da relação terapêutica mantendo a assimetria necessária entre os papéis de analista e paciente O enquadre estabelece limites claros e promove o princípio da realidade contrapondose ao princípio do prazer que muitas vezes domina a subjetividade do paciente Essa estrutura é especialmente crítica no trabalho com pacientes regressivos que podem enfrentar dificuldades em lidar com limites e frustrações No entanto é fundamental evitar uma rigidez excessiva na aplicação dessas regras pois isso pode gerar uma atmosfera coercitiva prejudicando a aliança terapêutica A própria prática de Freud ilustra a complexidade desse equilíbrio que frequentemente flexibilizava suas próprias recomendações adotando abordagens não convencionais que refletiam o contexto histórico e teórico da psicanálise em sua época Zimerman 2004 20 23 As funções do analista Na psicanálise o analista é um profissional cuja atuação se baseia na escuta clínica e na interpretação do inconsciente Diferente de áreas como negócios ele não busca solucionar problemas imediatos mas atua como um guia na exploração das dinâmicas psíquicas Formado nos princípios de Freud e seus herdeiros o psicanalista mergulha nas complexidades do desejo e dos traumas reprimidos Minerbo 2024 231 Escuta analítica e Setting A escuta analítica é uma habilidade que permite ao analista decifrar significados ocultos nos lapsos sonhos e discursos do paciente Esse processo é facilitado por um setting analítico rigoroso que inclui horários fixos sigilo e uma postura neutra criando um ambiente seguro para a livre associação de ideias Zimerman 2004 232 Transferência e contratransferência O manejo da transferência projeção de sentimentos do paciente e da contratransferência reações emocionais do analista é fundamental O psicanalista deve reconhecer e modular essas dinâmicas utilizandoas para desvendar conflitos psíquicos Zimerman 2004 233 Autoconhecimento e resistências Diferente de terapias que buscam a eliminação rápida de sintomas a psicanálise prioriza o autoconhecimento Técnicas como a associação livre e a interpretação de sonhos ajudam a revelar estruturas invisíveis que governam comportamentos enquanto o trabalho com resistências permite que o paciente enfrente conteúdos dolorosos Freud 1920 234 Ética e formação do psicanalista A ética é um alicerce essencial na psicanálise onde o analista não emite julgamentos morais A formação do psicanalista inclui estudo teórico análise 21 pessoal e supervisão clínica preparandoo para lidar com projeções e evitar interferências pessoais Zimerman 2004 235 A transformação subjetiva como horizonte clínico O analista atua como um mediador do inconsciente ajudando o paciente a desatar nós invisíveis que causam sofrimento O sucesso na psicanálise é medido pela capacidade de permitir que o paciente reinvente sua relação consigo mesmo e com o mundo O processo de transformação subjetiva é lento e singular proporcionando ao paciente uma nova forma de habitar sua história e confrontar seu passado O analista assim não oferece respostas prontas mas sustenta um espaço onde a verdade do sujeito pode emergir como um ato de liberdade Minerbo 2024 24 A compreensão do relacionamento interpessoal sob a perspectiva da psicanálise A análise do relacionamento interpessoal quando vista sob a ótica psicanalítica exige uma investigação minuciosa das forças inconscientes que moldam as interações humanas Essas forças muitas vezes surgem a partir de experiências precocemente vivenciadas na infância que ficam armazenadas no inconsciente e influenciam não apenas as emoções e comportamentos atuais mas também a maneira como os indivíduos percebem e se relacionam com os outros Este entendimento é fundamental para compreender questões como ciúmes inseguranças projeções e padrões de comunicação disfuncionais já que muitas dessas características têm raízes profundas e subconscientes Além disso essa abordagem permite uma compreensão mais abrangente dos conflitos internos que podem dificultar a construção de vínculos afetivos seguros e satisfatórios favorecendo processos de autoconhecimento que são essenciais tanto na clínica quanto na vida cotidiana De acordo com Freud 1900 as experiências formativas na infância não apenas moldam o desenvolvimento psíquico mas também deixam marcas que podem perdurar ao longo da vida influenciando todas as relações seguintes Essas experiências muitas vezes são reprimidas ou não totalmente resolvidas permanecendo no inconsciente e se manifestando através de sintomas ou padrões 22 relacionais recorrentes na fase adulta Por exemplo uma criança que vivenciou negligência ou rejeição pode desenvolver uma ansiedade de separação ou padrões de busca de validação constantes na vida adulta Assim ao revisar e entender essas experiências e seus efeitos o terapeuta e o indivíduo podem trabalhar a resolução de conflitos internos promovendo relações mais saudáveis e equilibradas e uma melhor gestão emocional 241 As pulsações e vínculos na teoria psicanalítica o papel da pulsão e do desejo Segundo Treiguer 2007 a compreensão da pulsão na psicanálise não se limita à sua força de impulso biológico mas deve ser entendida na relação com os vínculos estabelecidos entre os indivíduos A pulsão como força reguladora das interações atua tanto na esfera consciente quanto na inconsciente moldando desejos necessidades e fantasias O desejo por sua vez é uma força que unifica o sujeito embora seja frequentemente influenciado por fatores externos como o alheio ou seja o outro suas expectativas desejos e projeções Essas dinâmicas complexas resultam na multiplicidade de emoções que experimentamos nas relações como novela de desejo medo mistério e insegurança que enriquecem ou dificultam o relacionamento dependendo de como são elaboradas e integradas 242 Significado simbólico e mitológico das relações conjugais Ao analisar as relações amorosas sob a perspectiva simbólica e mitológica a narrativa bíblica de Adão e Eva serve como uma poderosa metáfora para entender a busca pela perfeição a ilusão de imortalidade e a vulnerabilidade inerente aos relacionamentos O desejo de ser igual a Deus simboliza a tentativa de superar os limites humanos o que na relação de casal pode refletir a busca por uma união idealizada que muitas vezes é inatingível A expulsão do Éden revela como a tentativa de alcançar essa perfeição pode resultar na fragilidade e na necessidade de aceitar a vulnerabilidade como parte fundamental do amor e da convivência Na perspectiva psicanalítica há a compreensão de que os casais frequentemente criam uma dinâmica de inseparabilidade na qual as diferenças individuais são minimizadas ou até negadas Para isso usam mecanismos de defesa como a cisão dividir aspectos positivos e negativos e a identificação 23 projetiva que reduzem as diferenças ao transferir aspectos indesejados ou conflitantes para o outro Essa fusão embora possa parecer uma busca por completude tende a ser prejudicial a longo prazo pois impede o desenvolvimento da autonomia emocional e limita a autenticidade no relacionamento Quando essa fusão se torna excessiva a relação pode se transformar em uma ilusão de perfeição que ao se desmoronar leva ao conflito ou à crise de identidade de ambos os parceiros 243 Alianças inconscientes e a formação psíquica do vínculo amoroso De acordo com Pignataro FerrésCarneiro e Mello 2019 as alianças inconscientes estruturam as relações amorosas formando um sistema de funções que mantêm o vínculo e protegem os indivíduos de ameaças internas e externas Essas alianças que se originam na infância e nas primeiras experiências afetivas podem ser primárias secundárias defensivas ou criativasdestrutivas cada uma desempenhando papéis diferentes na vida psíquica e relacional Elas moldam percepções expectativas e comportamentos além de influenciar a forma como o parceiro é visto e tratado na relação Compreender esses mecanismos ajuda a desmistificar padrões repetitivos e a elaborar vínculos mais conscientes e satisfatórios promovendo maior autonomia emocional e resistência às dificuldades do cotidiano Dentro das alianças inconscientes existe o pacto denegativo também discutido na literatura psicanalítica referese a uma aliança inconsciente que os parceiros assumem muitas vezes de forma automática para proteger a relação de conflitos internos ou de demandas emocionais que podem ameaçála Essa aliança funciona por meio da mobilização de fantasias identificações e realidades psíquicas partilhadas que mantêm o vínculo mesmo que envolvam negação ou repressão de aspectos desagradáveis ou conflitantes Essa dinâmica atua como um mecanismo de defesa contribuindo para a estabilidade emocional do casal ao evitar confrontar certas verdades dolorosas mas também pode limitar o crescimento e a autenticidade na relação Além do pacto denegativo Pignataro FérresCarneiro e Mello 2019 descrevem os contratos inconscientes como entendimentos tácitos que emergem na relação estabelecendo limites expectativas e trocas que sustentam o vínculo 24 Esses contratos podem ser conscientes ou inconscientes e dizem respeito às concessões mútuas necessárias para a convivência Enquanto os acordos representam negociações mais conscientes os pactos envolvem trocas intransmissíveis ou insuspeitas muitas vezes influenciadas por elementos da infância ou experiências passadas Essas dinâmicas facilitam ou dificultam a elaboração de desejos e necessidades moldando o modo como o casal enfrenta as dificuldades e constrói a sua história conjunta 244 Vínculos afetivos segundo Bion espaço psíquico e conteúdo emocional Segundo Mondrzak 2007 a teoria de Bion destaca que os vínculos amorosos de ódio ou de conhecimento dependem do espaço psíquico chamado por ele de contenedor e do conteúdo emocional que nele reside O espaço psíquico funciona como um recipiente onde emoções e experiências conflitantes podem ser armazenadas elaboradas e integradas fortalecendo a relação As emoções como inveja ciúme raiva ou insegurança sentimentos típicos de uma relação conjugal não apenas emergem do conteúdo mas são moduladas pelo espaço psíquico que deve ser acolhedor para que os conflitos possam ser trabalhados de forma saudável Essa capacidade de acolhimento e elaboração emocional possibilita uma convivência mais madura empática e segura emocionalmente promovendo um vínculo mais sólido e autêntico Mondrzak 2007 No contexto de Bion a relação entre o analista e o espaço psíquico é fundamental para o processo terapêutico O analista ao atuar como um recipiente deve criar um espaço psíquico seguro e receptivo capaz de acolher e processar as experiências emoções e pensamentos do Mondrzak 2007 Nesta teoria o analista é um facilitador do espaço psíquico criando uma condição em que o paciente possa explorar processar e integrar suas experiências internas de forma segura e significante Essa dinâmica é essencial para que o processo terapêutico seja efetivo e transformador Mondrzak 2007 25 245 O casal como uma unidade psíquica e a influência do desenvolvimento emocional Na psicanálise a concepção de que o casal constitui uma unidade psíquica com estrutura própria traz reflexões importantes sobre a dinâmica do relacionamento Cada indivíduo traz para o casal seu desenvolvimento emocional suas carências suas dores e conflitos internos que ao interagirem podem resultar tanto em harmonia quanto em disfunções Quando há conflitos não resolvidos ou projeções esses fatores podem gerar uma relação disfuncional marcada por conflitos constantes ou mesmo por padrões de fusão excessiva onde os limites entre os parceiros se tornam difusos A intervenção clínica busca muitas vezes desconstruir essas dinâmicas promovendo autonomia emocional e a compreensão dos acontecimentos internos de cada um além de favorecer uma relação mais equilibrada capaz de suportar conflitos de forma construtiva A participação em processos terapêuticos seja individual ou de casal muitas vezes revela ou provoca desequilíbrios na relação como ciúmes resistência às mudanças ou boicotes que surgem como mecanismos de defesa ou tentativas de manter o status quo Essas reações muitas vezes dificultam o avanço do tratamento e requerem atenção específica do terapeuta que deve trabalhar a compreensão dessas resistências promovendo maior autorreflexão e autoconhecimento A terapia assim atua como uma ferramenta de resistência e reconstrução emocional possibilitando a elaboração de conflitos a superação de obstáculos e a promoção de relações mais satisfatórias e maduras 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 31 Fundamentação teórica paciente 2 Devido a poucas sessões não foi possível fazer a fundamentação teórica deste paciente 26 32 Fundamentação teórica paciente 3 321 A masculinidade na clínica psicanalítica O conceito de masculinidade é frequentemente abordado como uma construção social e discursiva em que se destaca sua legitimidade por meio de relações sociais repetitivas Essa perspectiva sugere que a masculinidade não é um dado natural mas sim uma instituição que demanda investigação metodológica diversificada incluindo a psicanálise institucional e as análises discursivas de Michel Foucault Nesse sentido a masculinidade atua como um mecanismo que organiza as expressões corporais categorizando os sujeitos em diferentes grupos homens brancos negros gays e trans enquanto também se configura como um campo de disputa onde diversas formas de ser homem se confrontam e se redefinem Segundo Barbarine e Martins 2021 a masculinidade hegemônica se manifesta predominantemente na figura do pai de família burguês branco e heterossexual evidenciando uma estrutura profundamente enraizada em práticas patriarcais e racistas Essa masculinidade hegemônica não apenas perpetua uma hierarquia social mas também marginaliza as masculinidades periféricas que buscam expressões alternativas e contestam o modelo hegemônico Essa complexidade revela a diversidade das experiências masculinas e destaca a importância de se reconhecer e estudar essas diferentes formas de masculinidade Portanto compreender a masculinidade como uma instituição histórica e discursiva demanda uma análise cuidadosa de suas bases sociais e culturais O desafio para a psicologia é integrar essa compreensão utilizando metodologias que permitam explorar as regras funções e os impactos da masculinidade sobre os sujeitos A masculinidade deve ser vista como uma performance social que se legitima a partir de cada ato enfatizando a necessidade de problematizar as normas e discursos que estruturam as identidades masculinas no Brasil contribuindo assim para um entendimento mais profundo e crítico desse fenômeno O ser homem pode dominar o sujeito a ponto de este alienarse do seu desejo a fim de satisfazer às exigências do script masculino determinado Barbarini e Martins 2021 p 16 27 322 Trauma na infância e vínculos afetivos Sándor Ferenczi em suas reflexões sobre as necessidades infantis de ternura aborda a confusão emocional que surge da relação entre crianças e adultos especialmente em contextos de violência e insensibilidade Ele argumenta que essa confusão representa um estado de perda no qual a criança se sente enganada por um adulto que deveria proporcionar segurança mas que em vez disso se comporta de forma agressiva Essa discrepância entre a expectativa de cuidado e a realidade da agressão não apenas gera um conflito interno mas também impede a criança de compreender o que ocorreu tornando o trauma patogênico não apenas pelo ato violento mas pela impossibilidade de dar sentido à experiência vivida A vinculação é fundamental para a formação da identidade e para o desenvolvimento emocional da criança A construção do vínculo entre mãe e filho não se limita a uma relação biológica mas se estende a uma dimensão emocional complexa na qual as experiências passadas da mãe influenciam diretamente a sua capacidade de cuidar e estabelecer uma conexão afetiva com o bebê Autores como Zimerman 2010 e Winnicott 2001 enfatizam que o vínculo primitivo formado nas interações iniciais continua a impactar as relações futuras moldando a maneira como a criança se relaciona com os outros ao longo de sua vida 323 Os vínculos afetivos na perspectiva psicanalítica estruturas inconscientes e dinâmicas relacionais Na psicanálise os vínculos afetivos são compreendidos como construções dinâmicas enraizadas nas primeiras experiências relacionais que configuram a economia psíquica do sujeito A teoria pulsional freudiana postula que a libido se investe em objetos pessoas ou suas representações estruturando laços marcados por ambivalência e dependência O complexo de Édipo como eixo organizador introduz a triangulação edípica paimãecriança mediando identificações e internalização de normas sociais que reverberam nos padrões afetivos adultos Autores como Melanie Klein e Donald Winnicott ampliaram essa perspectiva ao destacar a internalização de objetos parciais Klein como o seio bom ou mau e a importância do ambiente suficientemente bom Winnicott que possibilita a transição da dependência para a autonomia por meio de objetos transicionais Tais 28 processos fundamentam a capacidade de estabelecer vínculos que integrem ambiguidades evitando cisões entre amor e ódio Mondrzak 2007 Clinicamente as patologias dos vínculos como apego ansioso ou evitativo remetem a falhas precoces na constituição de um espaço transicional ou na resolução de conflitos edípicos A transferência fenômeno central na técnica analítica permite acessar essas matrizes relacionais inconscientes reeditandoas no setting terapêutico como via de reelaboração simbólica O processo analítico visa desconstruir fantasias de fusão ou rejeição absoluta habilitando o sujeito a reconhecer a alteridade e a lidar com a incompletude inerente aos laços humanos Assim a psicanálise propõe que a transformação dos vínculos ocorre não pela eliminação de conflitos mas pela integração crítica das histórias inconscientes que os moldam Mondrzak 2007 324 Isolamento do afeto Na teoria psicanalítica o isolamento do afeto é compreendido como um mecanismo de defesa do ego que visa dissociar conteúdos psíquicos potencialmente ameaçadores de suas cargas emocionais correspondentes preservando a estabilidade consciente do sujeito Freud em sua segunda tópica descreveu essa operação como característica das neuroses obsessivas nas quais ideias ou memórias traumáticas são admitidas na consciência porém despojadas de seu afeto original resultando em discursos racionalizados ou ações ritualísticas desprovidas de conexão emocional Diferentemente da repressão que exclui totalmente o conteúdo conflituoso do campo consciente o isolamento permite a manutenção da ideia no plano intelectual neutralizando seu impacto disruptivo Esse processo revela a tentativa do ego de administrar angústias ligadas a desejos ambivalentes ou experiências traumáticas fragmentando a unidade entre pensamento e emoção para evitar o desequilíbrio psíquico Mcwilliams 2014 Clinicamente o isolamento do afeto manifestase em padrões de fala excessivamente lógicos relatos de eventos traumáticos com frieza emocional ou comportamentos repetitivos que mascaram conflitos inconscientes Pacientes obsessivos por exemplo podem descrever situações de perda ou agressão com detalhes minuciosos mas sem demonstrar tristeza ou raiva sinalizando a cisão entre cognição e afeto Anna Freud ressaltou que essa defesa embora adaptativa 29 em curto prazo pode levar a uma alienação emocional crônica dificultando a formação de vínculos autênticos e perpetuando estados de ansiedade difusa A rigidez defensiva também está associada à formação de sintomas como ruminações ou compulsões nos quais o pensamento isolado de seu contexto afetivo adquire caráter persecutório Além disso o isolamento frequentemente coexiste com outros mecanismos como a formação reativa gerando atitudes de hipercontrole que ocultam impulsos recalcados Mcwilliams 2014 No setting analítico o desafio terapêutico reside em facilitar a reintegração entre afeto e representação processo que exige a elaboração progressiva dos conflitos subjacentes A interpretação das resistências associada à análise da transferência permite identificar momentos em que o paciente relata vivências intensas com indiferença revelando a operação defensiva Winnicott ao enfatizar a importância do ambiente seguro sugere que a contenção emocional oferecida pelo analista pode gradualmente permitir ao sujeito tolerar a ambivalência afetiva sem recorrer ao isolamento O uso excessivo desse mecanismo a distúrbios de personalidade destacando a necessidade de intervenções que estimulem a mentalização Assim a superação do isolamento do afeto não implica sua eliminação mas a integração dos aspectos dissociados permitindo ao ego lidar com a complexidade emocional sem fragmentála Mcwilliams 2014 4 METODOLOGIA A metodologia adotada neste estudo é fundamentada em princípios clássicos da psicanálise utilizando a técnica da associação livre como um dos pilares do processo terapêutico Essa técnica permite ao paciente expressar livremente seus pensamentos sentimentos e imagens sem censura ou restrições o que facilita a acessibilidade a conteúdos inconscientes Ao criar um espaço onde o paciente se sente à vontade para compartilhar suas ideias a associação livre se torna um meio poderoso para explorar as camadas mais profundas da psique Freud 1920 A primeira entrevista desempenha um papel crucial nesse contexto uma vez que estabelece as bases para a relação analítica Neste encontro inicial o analista busca criar um ambiente de confiança e segurança onde o paciente se sinta confortável para se abrir É um momento de construção do vínculo onde se discutem as expectativas do tratamento e se delineiam os objetivos da terapia A 30 receptividade e a empatia do analista são essenciais para fazer com que o paciente sinta que sua história e suas vivências são valorizadas Zimerman 2004 Durante as sessões subsequentes a atenção flutuante do analista se torna uma prática fundamental Essa abordagem implica que o analista mantenha uma escuta atenta e flexível permitindo que sua atenção se mova entre diferentes temas e conteúdos que emergem das falas do paciente Essa atenção não é direcionada apenas a pontos específicos mas busca captar nuances sentimentos e associações que possam surgir criando um espaço onde o paciente pode explorar livremente seu mundo interno Zimerman 2004 A interpretação por sua vez é uma ferramenta vital que emerge desse processo Quando o analista oferece interpretações ele busca conectar os conteúdos manifestos do discurso do paciente com questões mais profundas e inconscientes Essas intervenções interpretativas têm o potencial de iluminar padrões de comportamento conflitos internos e dinâmicas emocionais que o paciente pode não ter consciência Através desse processo interpretativo o paciente é incentivado a refletir sobre suas experiências promovendo um entendimento mais profundo de si mesmo e facilitando o avanço do tratamento Minerbo 2016 Assim a combinação da associação livre da construção do vínculo na primeira entrevista da atenção flutuante e das interpretações do analista cria um ambiente terapêutico rico e dinâmico propício para o processo de autoconhecimento e transformação psíquica do paciente Essa metodologia busca não apenas a resolução de sintomas mas a promoção de uma maior compreensão da própria subjetividade contribuindo para o desenvolvimento pessoal e emocional ao longo do tratamento Jorge 2000 5 PROCESSO TERAPÊUTICO 51 Descrição resumida do paciente 1 Na sessão de 290425 o paciente J relatou angústia no trabalho devido à pressão do chefe e à carga horária excessiva afetando sua vida familiar Ele enfrenta conflitos com a esposa que possui traumas da infância e preocupase com o comportamento do filho mais velho Apesar das dificuldades J demonstra 31 motivação para o processo terapêutico e deseja explorar suas emoções melhorar a comunicação familiar e promover um ambiente mais saudável Na sessão de 060525 J expressou preocupações sobre a relação tensa entre sua esposa e sua mãe especialmente em relação a uma visita programada Ele também relatou um ambiente de trabalho insustentável devido à pressão do novo chefe apesar da recente promoção e a insatisfação com o salário J enfrenta desafios significativos em sua vida pessoal e profissional que serão explorados nas próximas sessões Na sessão de 20052025 J expressou sobrecarga e falta de apoio no trabalho comparando as exigências de seu chefe e sua esposa Ele relatou frustrações na vida conjugal incluindo incertezas sobre o relacionamento e dificuldades financeiras atribuídas à esposa que geraram ansiedade e medo de perder a família Apesar das queixas J mostrou disposição para agir manifestando interesse em conversar diretamente com seu chefe sobre suas responsabilidades Na sessão de 29052025 J expressou preocupação com as mentiras de seu filho que nega responsabilidades refletindo uma personalidade forte que J reconhece em si mesmo Ele compartilhou sobre sua dependência emocional na infância e como sua relação com os pais influenciou seu comportamento além de relatar sua trajetória de mudança para Maringá e os desafios enfrentados ao se tornar pai J também recordou sua experiência de morar sozinho e a necessidade de se estabelecer uma nova vida com Érica e o filho que estava por vir Na sessão 030625 o paciente não compareceu sem justificar a sua falta Na sessão de 100625 J relatou sobrecarga de trabalho e os desafios emocionais causados pelas oscilações de humor de sua esposa Érica com quem ele enfrenta uma comunicação frágil e dinâmica de culpa Ele mencionou incidentes em que Érica projetou suas frustrações sobre ele evidenciando a ambivalência no relacionamento A sessão terminou com a proposta de explorar essas dinâmicas e focar na melhoria da comunicação e na compreensão mútua nas próximas conversas Na sessão do dia 170625 J chegou atrasado e relembrou que algo na Érica o atraiu mencionando que ela tinha características que suas exnamoradas não tinham Ele comentou sobre suas duas namoradas anteriores destacando que a primeira era muito diferente dele e a segunda terminou abruptamente J admira a Érica por se dar ao respeito no trabalho e acredita que isso contrasta com suas ex 32 namoradas que o deixavam inseguro No entanto ele se sente desrespeitado quando ela fala mal dele na frente dos outros embora perceba momentos carinhosos entre eles J também notou que Érica desconta frustrações do trabalho nele mas acredita que ela ainda tem sentimentos por ele A sessão foi concluída antes de aprofundar mais esses temas Na sessão 010725 J chegou atrasado à sessão explicando que esteve viajando a trabalho e justificando sua ausência anterior Ele relatou a demissão de seu chefe que gerou caos na empresa e o forçou a assumir responsabilidades de liderança J destacou a arrogância do expatrão mas enfatizou que o principal problema era a gestão de perdas financeiras que aumentaram para cerca de 4 milhões Durante sua viagem trabalhou além do horário para apresentar relatórios mas não teve a discussão esperada resultando em frustração Apesar das dificuldades ele demonstrou respeito pelo antigo chefe A sessão foi encerrada rapidamente com J pedindo desculpas pelo atraso Na sessão de 150725 J explicou sua ausência por estar na apresentação da filha na escola Ele relatou desafios no trabalho devido à pressão de três diretores e confusão sobre com quem deve prestar contas J compartilhou um conflito com seu filho onde o chamou de mentiroso após ele assistir a vídeos proibidos resultando em um episódio de agressão Ambos os pais refletem sobre a educação permissiva atual em comparação com suas infâncias J também mencionou o desempenho escolar do filho levantando a possibilidade de TDAH com apoio dos avós para sessões com uma psicopedagoga Ele se vê como alguém concentrado enquanto sua esposa Érica se distrai facilmente 52 Análise do processo terapêutico 521 Análise psicanalítica do caso do paciente 1 A psicanálise oferece uma rica estrutura teórica para entender as dinâmicas emocionais e relacionais que o paciente J enfrenta permitindo uma exploração profunda de seus conflitos internos e das interações familiares que moldam sua experiência A seguir apresento uma análise que reúne e desenvolve os conceitos centrais da teoria freudiana e correntes contemporâneas proporcionando uma visão integrada do que está em jogo na vida de J 33 522 Inconsciente e conflitos internos Sigmund Freud postulou que muitos comportamentos e emoções humanas são guiados por processos inconscientes frequentemente em conflito Freud 1900 No caso de J esse conflito se manifesta em um estresse significativo tanto no trabalho quanto nas relações familiares A pressão exercida por seu chefe combinada com a sobrecarga de responsabilidades gera um choque entre seus desejos pessoais e as exigências sociais e familiares que o cercam Essa luta entre as necessidades internas de J e as expectativas externas resulta em sentimentos de angústia e inadequação Em sua obra O MalEstar na Civilização Freud 1930 argumenta que a cultura impõe uma troca inevitável ganhamos proteção e avanços mas perdemos a liberdade pulsional O preço que pagamos por essa civilização é a angústia permanente um reflexo do paradoxo de sermos ao mesmo tempo seres instintivos e socializados A promessa de felicidade pela cultura é para Freud uma utopia O indivíduo busca prazer segundo o princípio do prazer Freud 1920 mas se depara com as limitações impostas pela vida social leis e moralidade levando a uma sensação de desamparo Essa angústia que J expressa em relação à sua infelicidade no trabalho e na vida familiar pode estar relacionada a uma idealização inconsciente da vida moderna que contrasta com a realidade repleta de cobranças e limitações 523 Dinâmicas relacionais e alianças inconscientes Desde a infância J pode ter desenvolvido alianças inconscientes que o levam a evitar conflitos e a manter a harmonia possivelmente como resultado de experiências familiares nas quais discussões eram vistas como negativas Spivacow 2018 Essa tendência é evidente em sua relação com a esposa onde ele frequentemente se mantém passivo mesmo quando ela o ofende publicamente Essa dinâmica não apenas perpetua o ressentimento mas também sugere uma estrutura de defesa que impede J de confrontar questões importantes em sua vida conjugal 34 Adicionalmente a presença de traumas da infância da esposa como uma relação difícil com a mãe adiciona mais camadas ao conflito Isso sugere que os desafios que J enfrenta não são apenas externos mas também profundamente enraizados em questões emocionais e históricas A projeção de frustrações e expectativas dela sobre J pode indicar que ele assume o papel de figuras parentais ou de autoridade evocando sentimento de culpa e raiva que complicam ainda mais a dinâmica entre eles Spivacow 2018 Nesse contexto as experiências da infância da esposa influenciam seu comportamento atual gerando padrões de interação conflituosos que dificultam a comunicação e a empatia 524 Mecanismos de defesa e intelectualização A busca de J para lidar com os problemas que o angustiam especialmente na vida conjugal é frequentemente acompanhada por uma resistência em reconhecer suas próprias fraquezas e sua parcela de culpa Seu discurso tende a focar na fragilidade da esposa e nas feridas que ela carrega enquanto ele evita explorar suas próprias vulnerabilidades Essa abordagem pode ser vista como um mecanismo de defesa especificamente a intelectualização Mcwilliams 2014 onde J formula teorias complexas sobre as feridas da esposa enquanto projeta seus próprios problemas internos sobre ela J parece confundir sua esposa com um objeto reduzindo sua complexidade a meras representações Cremasco 2018 Essa confusão é especialmente pronunciada em momentos de conflito onde ele tende a ver sua esposa apenas como um objeto de suas frustrações sem reconhecer sua subjetividade Essa limitação na percepção do outro restringe a possibilidade de um relacionamento verdadeiro e saudável perpetuando um ciclo de desentendimentos e ressentimentos Cremasco 2018 525 Mudança e desenvolvimento pessoal A disposição de J para buscar mudança e trabalhar em terapia reflete um desejo genuíno de desenvolver uma nova identidade e promover um ambiente familiar mais saudável A psicanálise enfatiza a capacidade de transformação por meio da reflexão sobre experiências passadas e do reconhecimento de padrões 35 repetitivos Winnicott 1965 O momento atual de J é crucial sua consciência dos conflitos e a disposição para enfrentálos podem permitir uma resolução significativa e um crescimento pessoal A análise da situação de J revela uma interação complexa entre suas experiências pessoais dinâmicas familiares e pressões externas A pressão do trabalho e a carga horária excessiva não apenas afetam seu bemestar emocional mas também impactam negativamente sua vida familiar e seu relacionamento com sua esposa A disposição de J para explorar suas emoções e melhorar a comunicação é um aspecto positivo é crucial para seu progresso na terapia As queixas sobre a dinâmica de culpa e a projeção de frustrações de esposa sobre J indicam um ciclo de conflito que pode ser quebrado através de uma comunicação mais aberta e honesta A proposta de explorar essas dinâmicas nas próximas sessões pode oferecer a J e sua esposa uma oportunidade de entender melhor suas próprias necessidades e as do outro promovendo um ambiente mais saudável para a família 526 A autonomia emocional e respeito mútuo Além disso a dependência emocional de J na infância e sua resistência a mudanças que ele reconhece em si mesmo e em seu filho são temas centrais a serem explorados nas sessões Isso pode ajudar J a entender como essas experiências moldaram suas reações atuais e seu papel na dinâmica familiar O fato de J ter manifestado interesse em discutir suas responsabilidades com seu chefe também é um sinal de sua disposição para enfrentar desafios o que pode ser uma alavanca para seu desenvolvimento emocional e crescimento pessoal Spivacow 2018 É vital que J desenvolva uma autonomia emocional que lhe permita se posicionar diante das críticas de Érica Sua atitude passiva em relação às ofensas dela não contribui para um relacionamento saudável Em algumas ocasiões J apontou que a diferença entre sua atual esposa e uma exnamorada era o respeito que aquela última demonstrava ao confrontálo sobre situações passadas Reconhecer a falta de respeito nas interações é crucial para que J possa se posicionar e confrontar sua esposa sobre seu comportamento Essa assertividade é o primeiro passo para que ele se autorrespeite e consequentemente exija respeito 36 em suas relações de vida permitindo que J explore seus conflitos internos e suas interações familiares O acompanhamento terapêutico é essencial para ajudálo a navegar por essas complexidades promovendo mudanças significativas em sua vida e favorecendo um ambiente familiar mais equilibrado Ao trabalhar na construção de uma comunicação mais efetiva e na identificação de padrões disfuncionais J pode dar passos importantes em direção a um relacionamento mais saudável e satisfatório tanto com sua esposa quanto consigo mesmo Mondrzak 2007 53 Análise do paciente 2 Não foi possível fazer análise do caso devido as poucas sessões 54 Descrição resumida do paciente 3 Data 150925 O paciente é agente de saúde enfrenta inseguranças em seu relacionamento devido a episódios de ciúmes e ações da namorada Ele possui uma filha de três anos cuja guarda controla preocupado com influências negativas da mãe Histórico de conflitos e ciúmes excessivos marcaram seu relacionamento anterior causando perda de empregos Augusto também passou por dificuldades financeiras envolvendose com drogas o que resultou em prisão mas atualmente trabalha na prefeitura Sua maior preocupação é a educação e bemestar da filha considerando sua relação com a mãe e o impacto do estilo de vida dela Data 220925 O paciente tem uma infância marcada por conflitos familiares violência e uso de drogas na relação com os pais mas busca reconciliação com o pai após um retiro religioso Ele viveu relacionamentos tumultuados e possui um passado criminal ligado ao tráfico enfrentando inseguranças e medos Sua história é de conflitos internos traumas e uma busca por compreensão e transformação através do acompanhamento terapêutico Data 290925 37 Ele está ansioso e refletindo sobre uma rotina de encontros com uma menina de Santa Fé enquanto seu relacionamento com Larissa que é frio e resistente se deteriora mesmo após ele parar de beber Ele pensa em terminar mas preocupase com a filha e a relação com a sogra além de questionar se deve se envolver com a menina rica de Santa Fé O paciente demonstra conflito entre suas emoções relacionamentos e medo de mudanças Data 061025 Gustavo e Larissa tiveram uma briga que interrompeu a comunicação agravada por problemas no carro e desentendimentos sobre tarefas domésticas Ele considerou terminar mas ela pediu para continuar enquanto ele planeja concursos e melhorias profissionais A relação está marcada por frustração insegurança e tentativas de reconciliação Data 161025 Gustavo terminou o relacionamento após uma briga séria envolvendo uma discussão e agressão de Larissa mas afirma estar tranquilo e focado na venda de lápides para sustentar sua filha Apesar de sentir carência ele deseja trabalhar viajar e aprender novos instrumentos musicais sem planos de reatar Não deseja continuar o acompanhamento psicológico neste momento aguardando nova convocação O caso de Gustavo traz à tona diversas questões que podem ser analisadas à luz das teorias psicanalíticas sobre vínculos afetivos e mecanismos de defesa 55 Análise do caso clínico do paciente 3 Vínculos Afetivos e Conflitos Internos Gustavo apresenta um histórico de vínculos familiares tumultuados e experiências de violência que segundo a psicanálise podem ter contribuído para a formação de padrões relacionais disfuncionais A relação com os pais marcada por conflitos e uso de drogas indica que sua capacidade de estabelecer vínculos saudáveis pode estar comprometida Isso se alinha com as ideias de Ferenczi sobre a confusão emocional e a perda onde a expectativa de cuidado é frustrada 38 gerando inseguranças e um estado de dependência em relação a relacionamentos Barbarine e Martins 2021 Masculinidade e Identidade A questão da masculinidade conforme discutido por Barbarini e Martins 2021 também é relevante Gustavo ao lidar com ciúmes e inseguranças pode estar internalizando uma forma de masculinidade que se baseia em padrões hegemônicos onde a dominação e o controle se tornam centrais nas suas relações Esse aspecto pode estar ligado à sua preocupação com a influência da mãe na educação da filha e sua necessidade de afirmar um papel masculino protetor que é frequentemente associado a um estilo de vida mais tradicional Isolamento do Afeto O isolamento do afeto pode ser observado em suas reações emocionais Apesar de relatar tranquilidade após o término do relacionamento com Larissa há uma carência emocional subjacente que ele parece não reconhecer Isso pode indicar um uso do isolamento como defesa onde ele dissocia as emoções relacionadas ao término e à ausência de um vínculo afetivo significativo para focar em atividades práticas como sustentar a filha e trabalhar Mcwilliams 2014 Conclusão A trajetória de Gustavo ilustra a complexidade dos vínculos afetivos e a influência de experiências passadas na formação da identidade e nas dinâmicas relacionais atuais O acompanhamento terapêutico poderia ajudálo a integrar suas experiências emocionais reconhecer seus padrões de comportamento e explorar novas formas de se relacionar tanto consigo mesmo quanto com os outros A busca por compreender e transformar suas relações é um passo importante para lidar com os conflitos internos e promover um desenvolvimento emocional saudável REFERÊNCIAS BARBARINI N MARTINS D F W Masculinidade como instituição uma análise conceitual do ser homem no Brasil Psicologia em Estudo v 36 n 1 p 4560 janmar 2021 39 CHEMAMA R Psicanálise do cotidiano elementos lacanianos para uma psicanálise do cotidiano Porto Alegre CMC Editora 2002 Conselho Federal de Psicologia Código de ética profissional do psicólogo Brasília DF 2005 Disponível em httpssitecfporgbrwpcontentuploads201207codigo deeticapsicologiapdf Acesso em 3 maio 2025 FREUD S A interpretação dos sonhos 1900 Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2016 FREUD S História de uma neurose infantil o homem dos lobos Além do princípio do prazer e outros textos 19171920 Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2010 FREUD S Psicologia das massas e análise do eu e outros textos 19201923 In Psicologia das massas e análise do eu e outros textos 19201923 2011 p 343 343 FREUD Sigmund Obras completas volume 4 A interpretação dos sonhos Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2019 JORGE M A C Fundamentos da psicanálise de Freud a Lacan 2 ed Rio de Janeiro Zahar 2005 LEJARRAGA A L Clínica do trauma em Ferenczi e Winnicott São Paulo v10 n 2 2008 Disponível em httpspepsicbvsaludorgscielophp scriptsciarttextpidS151724302008000200005 Acesso em 25102025 MINERBO M Ateliê clínico Para que serve uma análise Volume 1 São Paulo Blucher 2024 MINERBO M Diálogos sobre a clínica psicanalítica São Paulo Blucher 2016 MONDRZAK V S Processo psicanalítico e pensamento aproximando Bion e MatteBlanco Revista Brasileira de Psicanálise v 41 n 3 2007 PIGNATARO M B FÉRESCARNEIRO T MELLO R A formação do casal conjugal um enfoque psicanalítico Pensando Famílias v 23 n 1 p 120 2019 PRESA G A CREMASCO M V F Viver sem o objeto Revista Subjetividades Fortaleza v 18 n 1 p 110 2018 SAMPAIO A de O A clínica de casal análise das relações vinculares Mimesis v 30 n 2 2009 SPIVACOW M A O casal em conflito contribuições psicanalíticas Pról René Kaës Trad e ed Adriana May Mendonça Denise Martinez Souza Marcia Zart Terra de Areia RS Triangullo Gráfica e Editora 2018 TREIGUER L E M O paradoxo vincular no casal desejo constituição e morte PHP 2007 40 ZASLAVSKY J DOS SANTOS M J P Sobre o papel das identificações na relação amorosa Revista de Psicanálise SPPA Porto Alegre v 2 n 2 p 4751 4933 1996 ZIMERMAN D E Manual de técnica psicanalítica um estudo teóricoclínico da entrevista inicial dos critérios de analisabilidade e do contrato Porto Alegre Artmed 2004 41 1 ANEXO A ATENDIMENTO DIA 290425 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio Clínica Local Clínica de psicologia Uningá Horário 17 h às 18h Data 29042 5 IntervençãoSessão nº 1 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio Supervisionado 1 Aluno grupo Rodolfo Rodrigo Benedetti Professor sup Bruna Garcia Data 29042025 O paciente J apresentouse na sessão realizada em 290425 Ele relatou angústia no trabalho motivada pela pressão exercida pelo chefe e pela carga horária excessiva o que resulta em pouco tempo para sua família Sua esposa expressa insatisfação com a falta de tempo que o marido dedica aos filhos e à situação financeira em que se encontram O paciente descreve sua esposa como uma pessoa difícil de lidar com quem tem enfrentado frequentes conflitos Ele menciona que ela foi criada apenas pela avó materna o que segundo ele contribui para traumas que dificultam a convivência entre eles As discussões se intensificam durante os dias de TPM e o paciente relata que utiliza um aplicativo para monitorar o ciclo menstrual da esposa tentando evitar conflitos nesses períodos Além disso o paciente demonstra preocupação com o comportamento do filho mais velho que se envolveu em episódios de furto incluindo o roubo de dinheiro da irmã e a destruição de figurinhas na escola Essa situação o leva a refletir sobre a educação e o desenvolvimento moral da criança Apesar das dificuldades o paciente está motivado para o processo terapêutico e expressa interesse em continuar as sessões inclusive na modalidade online caso não seja possível realizar atendimentos presenciais Para as próximas sessões será importante explorar seus sentimentos de angústia e identificar as fontes de estresse melhorar a comunicação com a esposa discutir estratégias para equilibrar trabalho e vida familiar abordar o 42 comportamento do filho e considerar formas de incentivar a esposa a buscar terapia respeitando sua resistência O paciente demonstra consciência das dinâmicas familiares que impactam seu bemestar emocional e está disposto a trabalhar nessas questões As futuras sessões deverão focar nas áreas mencionadas visando promover um ambiente familiar mais saudável 43 2 ANEXO B ATENDIMENTO DIA 060525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horári o 17 h às 18h Data 06052 5 Intervençãosessão nº 2 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 06052025 J chegou pontualmente às 17h e iniciou a conversa expressando suas preocupações sobre a relação da esposa com sua mãe Ele está apreensivo em relação à visita marcada para o próximo domingo à casa de seus pais Ao investigar essa apreensão J compartilhou um incidente recente durante um almoço na casa de sua mãe onde sua esposa o criticou por sua falta de compromisso com a casa e a família Sua mãe interveio questionando a esposa sobre a falta de reconhecimento e apoio o que levou a esposa a se retirar da mesa e solicitar a saída Perguntei a J sobre a situação atual com a esposa e ele mencionou que as coisas melhoraram um pouco mas a relação com a mãe ainda é tensa Ele expressou a preocupação de não querer deixar os filhos sob os cuidados da mãe uma vez que sua esposa só aceita deixálos com a mãe e a irmã J também revelou receios em deixar seu filho com o pai devido a temores de abuso embora não tenha confirmado se sua esposa já passou por essa experiência No que diz respeito à vida profissional J relatou que a situação com seu chefe se tornou insustentável Ele acredita que a recente mudança na gestão da rede de supermercados está gerando pressão por resultados imediatos e eficazes o que tem impactado negativamente a dinâmica com sua equipe Apesar de ter recebido uma promoção recentemente J não está satisfeito com o salário pois não houve um aumento que correspondesse à nova função Ele suspeita que a empresa esteja realizando uma avaliação prometendo um aumento 44 após seis meses caso os resultados esperados sejam atingidos A sessão foi encerrada destacando que J enfrenta desafios tanto em sua vida pessoal quanto profissional que precisam ser explorados e refletidos nas próximas sessões 45 3 ANEXO C ATENDIMENTO DIA 200525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 20052 5 Intervenção Sessão nº 3 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 DISCIPLINA Estágio Supervisionado 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 20052025 Na sessão de hoje J apresentou uma série de queixas relacionadas à sua vida profissional e pessoal destacando a sensação de sobrecarga e a falta de apoio em ambas as esferas Ele relatou que está se sentindo pressionado no trabalho enfrentando um volume elevado de tarefas sem o devido suporte de seu chefe J mencionou que seu chefe propõe a necessidade de um bom desempenho mas paradoxalmente continua a sobrecarregálo com mais responsabilidades Fez uma comparação entre seu chefe e sua esposa ambos considerados sem lógica em suas exigências Em relação à sua vida conjugal J expressou frustração em relação à sua esposa citando um recente convite dela para não chegar tarde em casa mas sem clareza sobre o compromisso Ele observou que essa instabilidade gera ansiedade pois pode se tratar de um convite para um momento agradável ou uma conversa sobre separação J revelou que já considerou a separação em duas ocasiões mas uma oração em um momento de reflexão o levou a interpretar que deveria permanecer no casamento especialmente após a notícia da gravidez de sua filha J também trouxe à tona a dificuldade financeira que enfrenta atribuindo parte da culpa a sua esposa Ele explicou que após ela seguir um guru financeiro e fazer investimentos de alto risco acabou assumindo uma dívida significativa com a compra de um carro cujas parcelas se tornaram uma carga pesada comprometendo seu orçamento Atualmente J mencionou que não recebe ajuda dela para os gastos uma vez que ela também lida com suas próprias dívidas O 46 medo de perder a esposa e os filhos é um tema recorrente em suas queixas J expressou preocupações sobre a possibilidade de sua esposa levar as crianças para morar com a família dela em Amaporã o que o angustia especialmente em relação à influência negativa que a família dela pode ter sobre os filhos Um aspecto positivo observado na sessão foi a disposição de J em agir de forma proativa Ele demonstrou interesse em ter uma conversa direta com seu chefe para discutir suas preocupações e buscar um entendimento mais claro sobre suas responsabilidades 47 4 ANEXO D ATENDIMENTO DIA 290525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 29052 5 Intervenção Sessão nº 4 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 DISCIPLINA Estágio Supervisionado 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 29052025 J começou a sessão dizendo que seu filho esta mentindo muito que isso está o preocupando Perguntei se as mentiras são histórias inventadas J Explicou que as mentiras são feitas a partir de uma discussão na qual ele faz uma coisa e nega ter feito Como por exemplo quando sua mãe reclamou que ele não tinha feito a tarefa e quando ele perguntou ele disse que havia feito só depois de muita insistência que admitiu não ter feito J disse que seu filho não tem muito gosto pelos estudos e que nisso é muito diferente dele Perguntei se tem coisas semelhantes com filho disse que sim a personalidade forte de confrontar os pais disse que é igual e que inclusive seu comportamento era diferente dos outros dois irmãos pergunte se era o mais velho ele disse que era o mais novo Lembrou de um dia que entrou em confronto com seu pai pois avisou que eatava estava indo para uma festa em astorga e seu pai disse que nao iria ele então falou que estava apenas avisando Lembrou que seus pais fazia tudo por ele desde o levar a escola buscar e que por exemplo nunca cozinhou sendo isso uma das críticas que Érica sua esposa faz a ele Foi se sentir mais dependente quando deixou Marília e veio para Maringa estudar Perguntei entao como foi que os seus pais vieram para Maringá Falou que ele passou no vestibular na UEM e veio morar com um primo dele no segundo ano de faculdade ele foi morar sozinho entao primeiro veio sua mãe mas deixou bem claro que nao queria ser vigiado depois veio seu pai e sua irmã e seu cunhado Após a faculdade arrumou emprego em Astorga em uma usina Morava em um quarto 48 com banheiro apenas Neste período engravidou a Érica então ela foi morar com seus pais e ele se viu obrigado a voltar e arrumar uma casa para morar um junto com a Érica e seu filho que iria nascer 49 5 ANEXO E ATENDIMENTO DIA 100525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 10052 5 Intervenção sessão nº 5 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 10062025 Na sessão de hoje J chegou com um atraso de 20 minutos justificandose com problemas relacionados ao serviço Ele também mencionou a ausência na sessão anterior devido a uma viagem durante a qual não teve acesso ao celular Ao longo da conversa J expressou uma série de dificuldades que enfrenta tanto em sua vida profissional quanto no âmbito familiar Ele relatou uma sobrecarga significativa de trabalho mencionando a dificuldade em gerenciar sua carga horária o que parece impactar sua saúde mental e emocional refletindo um estado de estresse e cansaço J trouxe à tona a situação de sua esposa Érica que continua apresentando oscilações de humor Ao questionálo sobre o cansaço que isso poderia causar ele afirmou ter se acostumado e optado por uma postura passiva diante das oscilações dela Exemplos foram dados para ilustrar essa dinâmica em uma visita recente dos padrinhos do filho Érica começou a reclamar que ele não ajuda em casa J optou por se afastar da situação indicando uma estratégia de evitar conflitos Outro exemplo relevante foi o incidente em que seu filho se queimou com um ferro quente J relatou que Érica o culpou pela situação mesmo reconhecendo que ela deveria ter mais cuidado com a criança que estava sob sua responsabilidade na parte superior da casa Essa dinâmica de culpas parece ser um padrão recorrente no relacionamento onde Érica projeta suas frustrações em J 50 Durante a sessão J foi questionado sobre a natureza do relacionamento com Érica Ele mencionou que embora tenham momentos de boa convivência a situação se torna complicada em momentos de tensão A comunicação entre eles parece frágil especialmente em situações emocionais delicadas J trouxe um episódio marcante de uma terapia de casal onde Érica respondeu não sei quando questionada se ainda se gostam evidenciando a ambivalência no relacionamento J relatou que sempre percebeu Érica com esse comportamento desde o início do relacionamento que começou na empresa onde trabalhavam A narrativa de como se conheceram sugere uma atração inicial mas também revela que desde o início houve uma desarmonia que pode ter se intensificado com o tempo A gravidez planejada e a mudança para a casa dos pais de Érica também foram pontos importantes trazendo à tona atritos familiares que contribuíram para a tensão no relacionamento A sessão foi encerrada com a proposta de retomar as questões levantadas nas próximas conversas permitindo que J reflita sobre as dinâmicas familiares e emocionais discutidas É fundamental continuar trabalhando na comunicação e na compreensão mútua entre J e Érica assim como explorar mais a fundo as questões de culpa e frustração que permeiam o relacionamento Os próximos passos incluem explorar as dinâmicas de culpa e projeção de frustrações focar na melhoria da comunicação entre J e Érica e analisar o impacto da carga de trabalho na saúde emocional de J 51 6 ANEXO F ATENDIMENTO DIA 170625 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 17062 5 Intervenção sessão nº 5 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 17062025 J se atrasou vinte minutos novamente Comecei a sessão lembrando de uma fala de J A qual dizia que alguma coisa o atraiu na Érica Então fiz a pergunta o que seria esse algo que o atraiu nela Respondeu que ela tinha algo que a sua ex namorada não tinha Perguntei o que seria Disse que teve duas namoradas antes da Érica e que a primeira era mais velha que ele e tinham pensamentos diferentes sobre a vida Ela pensava em casar pois já era formada e quando ele estava ainda na faculdade e queria aproveitar mais a vida Então conheceu a segunda namorada e ficaram pouco tempo em torno de 9 meses Ela o achou para jantar e disse que não queria mais continuar ficou muito mal e mantinha contato com ela por mensagens até que um dia ela mandou uma mensagem falando que não queria mais conversar com ele para não dar esperanças foi aí que disse que tinha que deixar de ser trouxa e seguir sua vida e cortar contato com ela Disse que foi interessante pois neste dia que ele viu a Érica pela primeira vez mas apenas achou uma mulher bonita e admirou que ela trabalhando em um chão de fábrica onde os homens de todas as idades mexiam com ela sempre se deu ao respeito Então concluiu que a Érica diferente da antiga namorada sempre o respeitou Mesmo quando não namorava ela se dava ao respeito mantendo a distância das pessoas e até hoje é assim Sua antiga namorada era muito de brincar com as pessoas inclusive com homens isso o deixava e acredita que se permanecesse com ela o deixaria inseguro Perguntei se quanto a palavra respeito o qual diz a Érica ter 52 para com ele não sente desrespeitado quando ela fala mal dele na frente dele para as outras pessoas Respondeu nisso sim é muito ruim isso que ela faz Perguntei se ele acredita que ela tem a imagem dele das reclamações que ela faz dele para as pessoas Respondeu que acha que sim mas também vê momentos em que ela é carinhosa com ele Continuou que percebe quando ela se frustra com alguma coisa no trabalho ela desconta nele Mas acredita que ela tenha sentimento por ele Antes do namoro ela era apegada a ele e muito mais carinhosa quando nasceu seu primeiro filho ela se apegou demais e tinha nele uma fixação exagerada depois que nasceu a filha deixou o filho de lado e tem essa fixação com a filha Como o tempo estava acabando concluí a sessão 53 7 ANEXO G ATENDIMENTO DIA 070725 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 01072 5 Intervenção sessão nº 8 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 01072025 J apresentouse atrasado chegando aproximadamente 15 minutos após o início da sessão Quando questionado acerca do motivo de sua ausência na sessão anterior esclareceu que esteve viajando a trabalho demonstrando esforço em justificar as faltas e admitindo que anteriormente por uma única ocasião não enviou justificativa No entanto reforçou que naquela última ausência explicou a ausência devido à viagem profissional Durante a sessão comentou que pretendia falar de trás para frente o que inicialmente suspeitei tratarse de uma abordagem reflexiva sobre os eventos recentes confirmação essa que veio com sua narrativa subsequente J contou que seu chefe foi demitido recentemente causando uma situação de caos na empresa na qual recaiu sobre ele a responsabilidade de assumir temporariamente funções de liderança já que ocupava uma posição de coordenação abaixo do seu antigo chefe Destacou que seu expatrão tinha um comportamento de soberba exibindo arrogância e uma postura de superioridade por possuir trinta anos de experiência Quando questionei se essa postura afetava sua performance ou relação no trabalho ele respondeu que o problema principal não era a postura do chefe mas sim as dificuldades relativas à gestão de perdas financeiras que estavam aumentando de forma preocupante J revelou que em uma viagem a Umuarama e Foz do Iguaçu participou de ações voltadas para analisar perdas constatando uma perda de aproximadamente 4 54 milhões Sua função era desenvolver estratégias para reduzir essa perda mas percebeu que ao invés disso o cenário se agravava e sua principal responsabilidade se limitava a exercer pressão sobre si mesmo e sobre sua equipe J admitiu não sentir alívio após a demissão do antigo chefe demonstrando respeito e consideração por ele reconhecendo que foi o responsável por sua contratação apesar das dificuldades de relacionamento Relatou que se sentia pressionado pela postura do exchefe o que lhe causava malestar Durante a viagem de trabalho J descreveu que trabalhou além do horário habitual inclusive no sábado para apresentar relatórios de perdas ao seu patrão na expectativa de obter um momento de análise e discussão dos resultados na sexta feira mas isso não ocorreu pois seu chefe o criticou em vez de dialogar A sensação de frustração por esse episódio foi perceptível Pelo tempo curto encerramos a sessão J Pediu desculpas pelo atraso e disse que ele tem mandado no número que tem da clínica avisando sobre seus atrasos 55 8 ANEXO H ATENDIMENTO DIA 150725 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 15072 5 Intervenção sessão nº 8 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga horária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 15072025 Na última reunião J chegou pontual e embora não tenha justificado sua ausência explicou que teve que comparecer à apresentação da filha na escola durante a Festa Junina Ele compartilhou os desafios que enfrenta no trabalho mencionando a falta de referências sobre com quem conversar e a pressão que sente de três diretores que o cobram de maneira diferente Durante a conversa ele relatou um episódio em que um dos diretores o chamou para uma reunião enquanto estava atendendo a uma demanda o que aumentou sua confusão sobre a quem realmente deve prestar contas J também expressou sua preocupação com a relação com seu filho que apresentou um comportamento estranho recentemente Ele compartilhou um conflito em que chamou o filho de mentiroso o que resultou em um impulso de agressão ao dar um soco em sua perna O motivo do desentendimento foi que o filho estava assistindo a vídeos no YouTube mesmo sabendo que tanto ele quanto a mãe não queriam que ele visse aquele conteúdo Após o incidente J ficou angustiado e acabou se retirando do local mas o filho pediu desculpas assim como sua esposa que ressaltou que a forma de educar não deveria ser a violência J refletiu sobre a dificuldade de criar os filhos nos dias de hoje comparando se a sua própria infância quando ele enfrentou reprimendas severas de seus pais Ele mencionou que na sua visão a educação dos filhos atualmente é marcada pela 56 permissividade Sua esposa por sua vez relatou uma situação em que em um momento de desespero deu um tapa no rosto do filho quando ele a desafiou demonstrando que ambos os pais ainda estão aprendendo sobre a melhor forma de educar A conversa também abordou o desempenho escolar do filho J comentou que apesar de não estar com notas ruins ele se mostra distraído e desinteressado nas tarefas de casa Para ajudar os avós do menino estão contribuindo financeiramente para que ele frequente sessões com uma psicopedagoga A possibilidade de o filho ter TDAH foi levantada pela esposa que se identificou com alguns dos comportamentos do filho J mostrouse compreensivo e observador notando que o filho tem hiperfoco em determinados assuntos como música e esportes o que pode indicar características do TDAH Por fim J se considera alguém que se concentra profundamente nas atividades ao contrário de Érica de sua esposa que tende a se distrair facilmente Reconhece que a personalidade dos filhos é uma mistura dele com sua mulher com características físicas e intelectuais que remetem a cada um 57 6 ANEXO I ATENDIMENTO DIA 150925 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTEEstágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horário 14 h às 15h DATA 150925 Intervençã oSessão nº SÉRIE 5 º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 150925 Augusto é um paciente que expressou preocupações sobre a confiança em sua atual namorada especialmente após um episódio em que ela pesquisou o nome de seu exnamorado no Instagram Ao ser questionada sobre isso ela justificou que queria saber se Augusto falaria a respeito o que gerou inseguranças nele O contexto envolve uma atividade em que ela participa tocando trombone na fanfarra Em suas reflexões Augusto também compartilhou experiências passadas com sua exnamorada caracterizadas por conflitos significativos Ele destacou que ela era extremamente ciumenta a ponto de colocar sua segurança em risco A relação começou em uma festa em Iguaraçu mas o ciúme excessivo se tornou um problema recorrente manifestandose em situações do dia a dia como quando ele trabalhava como açougueiro Ele relatou que ao atender clientes mulheres sua ex frequentemente aparecia fazendo escândalos e ameaçando tanto as clientes quanto ele o que resultou na perda de seis empregos em um período de apenas dois meses Augusto e sua exnamorada têm uma filha de três anos que está sob a guarda dele Durante a separação a ex reagiu de maneira contrária a princípio mas acabou aceitando a situação Hoje ela tem um novo namorado e visita a filha às quintasfeiras 58 O paciente também mencionou que devido a dificuldades financeiras se envolveu com o tráfico de drogas o que resultou em sua prisão e atualmente está cumprindo pena em serviço comunitário Apesar dessas dificuldades ele conseguiu um emprego na prefeitura de Maringá como agente de saúde Por fim Augusto demonstrou um profundo cuidado pela filha expressando o amor que sente por ela e suas preocupações em relação à sua educação Ele teme que a criança seja influenciada negativamente pela mãe e pelo estilo de vida dela que ele considera imprudente e sem juízo Assim a narrativa de Augusto revela questões complexas relacionadas à confiança ciúmes e os desafios enfrentados em seus relacionamentos além de destacar a importância de sua relação com a filha que se tornou um ponto central em sua vida 59 7 ANEXO J ATENDIMENTO DIA 220925 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horário 14 h às 15h DATA 22 09 25 Intervenção Sessão nº SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 220925 O paciente apresenta uma história familiar complexa marcada pela relação conturbada entre seus pais onde a mãe costureira e o pai mecânico de máquinas de costura enfrentam problemas sérios incluindo traições e uma tentativa de suicídio por parte da mãe Essa dinâmica familiar impactou significativamente sua infância levandoo a desenvolver uma relação tensa com o pai que se agravou pelo uso de maconha considerado uma forma de fuga de seus problemas emocionais O paciente relata ter sofrido bullying na infância sendo muitas vezes agredido por colegas o que o levou a adotar comportamentos agressivos como uma defesa contra a dor que sentia Sua relação com o pai é tumultuada houve momentos de agressão física entre eles principalmente relacionados ao uso de substâncias No entanto após um retiro da igreja o paciente conseguiu perdoar o pai o que marcou uma mudança significativa em sua percepção e sentimento em relação a ele Hoje apesar de considerar o pai grosso ele expressa amor e uma nova compreensão sobre a figura paterna 60 Por outro lado a relação com a mãe é descrita como mais positiva embora tenha passado por um período de depressão após sair de casa para viver com Isabela O paciente demonstra preocupação com a saúde emocional da mãe e menciona que atualmente ela aceita melhor sua decisão de fumar maconha embora ele não compartilhe essa informação com o pai O passado do paciente é também marcado por um relacionamento tumultuado com Isabela sua exnamorada que possui um histórico de comportamentos violentos Ele relata medo em relação a ela especialmente após episódios em que ela apontou armas para outras pessoas e menciona que está jurado de morte por um chefe de Isabela o que amplifica seu ambiente de medo e insegurança Além disso o paciente possui um histórico criminal relacionado ao tráfico de drogas em Astorga onde chegou a ganhar quantias significativas Sua notoriedade na região o levou a considerar uma carreira política mas a fama negativa associada ao tráfico prejudicou essa aspiração Um incidente em que sua arma foi usada pela polícia em um crime demonstra a complexidade de sua relação com a lei e as influências de grupos criminosos em sua vida Em suma o paciente vive um conflito interno profundo repleto de medos traumas e uma busca por reconciliação Sua evolução em relação ao pai e a necessidade de enfrentar seus medos e experiências passadas são pontos cruciais a serem explorados em um acompanhamento terapêutico contínuo 61 8 ANEXO K ATENDIMENTO DIA 290925 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 14 h às 15h DATA 290925 Intervenção Sessão nº 3 SÉRIE 5 º ANO LETIVO 2 025 DISCIPLIN A Estágio Supervisionado ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSO R SUP Bruna Garcia Data 290925 Falou que estava ansioso para falar esta semana e estava com a cabeça a mil Voltou a conversar com uma menina de Santa Fé que namorou quando tinha 14 anos por acaso isso se repetiu quando ela namorou ele pois ele tinha uma menina que namorava Ele falou que esses negócios de karma e repetição eu acredito Ele faz o cadastro de famílias no PSF e mandou para ela que precisava fazer cadastro Ela respondeu que tinha um amigo com esse nome e ele apenas falou que legal kkkkk Quando ela perguntou se ele era de Santa Fé já deu um frio na barriga Daí ele disse que veio as memórias e que agora eles estão conversando todo dia e que a relação com a Larissa que já não estava boa piorou Ela é muito fria não procura carinho afeto Não pergunta se quero comer o que vamos comer se não for ele quem procurar ela não se mexe Perguntei se ele pretende terminar com ela e ele disse que vai observar a situação mas que já alertou ela na sextafeira pois no sábado tinha o aniversário da mãe dele e ele não queria chegar no aniversário com cara de clima ruim Disse que essas conversas 62 estão sendo frequentes e que ela se justifica tentando jogar a culpa nele mas que ela não assume o que pode melhorar Ele disse que bebia muito e era agressivo e que teve duas brigas feias Na segundafeira ele tomou a decisão de parar de beber e até hoje nunca mais bebeu Mas ela não se propõe a mudar Ele não sabe o que fazer caso separe porque a neném é muito apegada a ela Ela tem qualidades faz tudo na minha casa eu só lavo a roupa e limpo o chão o resto ela faz Perguntei há quanto tempo eles se encontram e ele disse que quase todo dia à noite ele passa lá Perguntei se ela já negou ir alegando algo e ele disse que não mas que percebe que virou rotina Disse também que os pais dela são bem secos assim como ela bem diferente dele Ele fala que ele beija o pai até pega ele no colo senta no colo da mãe e ela faz carinho Que até o sogro ele tentou beijar mas ele se esquiva Perguntei se em outras situações a Larissa se mostra mais empolgada e ele disse que sim quando vem parentes de fora Ela fica outra pessoa Falei que parece que tende a romper e ele disse que vai observar porque não sabe se é da Carina que tem medo dela pensar que está se aproximando pois ela tem dinheiro faz medicina na Cesumar Perguntei se ela tem dinheiro e ele disse que sim Falou o nome da família que é uma das mais ricas e que seria um plot twist incrível ele indo lá em Santa Fé com a menina que é a mais rica da cidade Disse que ela falou que ele foi a primeira pessoa que tocou nela sem blusa que das outras ele falava que tinha pego e contava detalhes mas ela não falou Perguntei por quê e ele disse que tinha carinho Disse que precisava sair mais cedo mas já eram 1455 então encerramos a sessão 63 9 ANEXO L ATENDIMENTO DIA 061025 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horário 14 h às 15h DATA 220925 Intervenção Sessão nº 2 SÉRIE 5 º ANO LETIVO 2 025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSO R SUP Bruna Garcia Data 061025 Na sextafeira houve uma briga entre Gustavo e Larissa o que interrompeu a comunicação entre eles Ele iria buscalá mas acabou que por cinta de chuva não iria conseguir ir de moto até porque estava com pneu furado e seu carro estava estragado por isso Gustavo mandou uma mensagem para a mãe de Larissa para buscala no serviço pois não conseguiria ir Ela brincou mas disse que o pai dela iria Ao ser informada por Gustavo que ele não conseguiria ir por causa da chuva larissa mandou uma mensagem falando que porque tem essa merda de carro que não funciona então Ele disse que não precisava falar assim e mandou um print da conversa dele com a mãe dela e que podia ficar tranquila que o pai dela ia buscar Gustavo percebe que ela não ajuda na casa e fica acumulando pratos e louças o que parece estar causando uma certa frustração ela mandou dinheiro para ele comprar uma peça do carro e disse que mesmo pensando em terminar aceitou pois ela usa bastante o carro Depois houve uma discussão entre eles Ele falou que do jeito que as coisas estão acha melhor terminar Ela ficou muito chateada chorou e ficou nervosa 64 Apesar disso ela pediu para continuar a relação e ele tentou dar uma nova chance pensando em manter o relacionamento 65 10 ANEXO M ATENDIMENTO DIA 161025 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horário 14 h às 15h DATA 1610 25 Intervenção Sessão nº 5 SÉRIE 5 º ANO LETIVO 2 025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 161025 Gustavo começou falando que sua semana foi agitada e terminou o relacionamento Na sexta tiveram uma conversa séria e se comprometeram a tentar porém no sábado tiveram uma discussão por causa de uma compra que ela foi fazer na farmácia um soro fisiológico em spray Ele questionou a necessidade de comprar pois ele tinha em casa Ela respondeu de forma ríspida na frente das pessoas O dinheiro é seu ou é meu Gustavo ficou quieto foi lá fora pegar a moto para passar na porta e pegála Chegando em sua casa perguntou se havia necessidade de falar com ele daquela forma na frente das pessoas ela começou a dizer que queria continuar mas que estava difícil Ela respondeu que realmente estava difícil e eles começaram a discutir Em meio à discussão ele viu que ela colocou para gravar no contato de WhatsApp da prima dela Ele foi desligar o aparelho e ela deu um tapa em seu rosto Gustavo pediu para ela se retirar da casa dele e ela pediu desculpas reconhecendo que estava errada A irmã dele veio perguntar o que estava acontecendo e ele contou que Larissa havia dado um tapa em seu rosto Ao ouvir isso a irmã ficou furiosa e foi atrás de Larissa para agredila mas Gustavo interveio Ele pediu para a mãe avisar Larissa para retirar tudo o que era dela da casa dele e assim ela o fez Desde então Gustavo disse que não teve 66 mais contato Perguntei se ele ficou muito triste ele disse que não que está tranquilo e que não quer mais relacionamento que quer focar em ganhar dinheiro com sua empresa de xícaras e lápides Falou que está vendendo muitas lápides morre muita gente e também que muita gente está trocando pois a lápide de porcelana não tem valor e evita roubo Novamente perguntei se ele não está sentindo nada após o término já que tentou continuar com ela diante dessa falta de sentimento Respondeu que gosta dela mais por ela ser uma pessoa que está sempre junto mas não por ela especificamente Perguntei Você acha que não vai ter esse sentimento de carência estando sozinho Ele disse que acha que isso será o mais difícil Mas quer focar em trabalhar e ganhar dinheiro que está juntando e não se importar com carro novo moto ou casa então questionei por que ganhar dinheiro e ele respondeu para dar uma vida boa para minha filha Disse que era pobre não a ponto de passar fome mas sem condições para muitas vontades e quer que a filha tenha tudo de bom Perguntei sobre a outra menina com quem estava conversando falou que se encontraram e deram um beijo mas não vê futuro Perguntei sobre o futuro do Gustavo ele respondeu quero fazer umas viagens aprender a tocar instrumentos que ainda não sei Falei que não sabia que ele tocava ele disse que toca guitarra teclado e bateria é DJ e quer aprender a tocar sanfona e cavaquinho Perguntei se fez aulas para aprender disse que tem facilidade para aprender e que fez aulas apenas para ser DJ Eu comentei que para mim ser DJ é só colocar música para tocar mas ele explicou que envolve técnica por exemplo ao colocar duas músicas ao mesmo tempo é preciso alinhar a batida e o ritmo Avisei que a próxima sessão seria a última ele perguntou se eu o atenderei fora daqui expliquei que a princípio não Ele perguntou se continuará sendo atendido expliquei que seu nome voltará para a lista de espera e que terá que aguardar ser chamado novamente
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CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 14 h às 15h DATA 220925 IntervençãoSessão nº 2 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 220925 O paciente apresenta uma história familiar complexa marcada pela relação conturbada entre seus pais onde a mãe costureira e o pai mecânico de máquinas de costura enfrentam problemas sérios incluindo traições e uma tentativa de suicídio por parte da mãe Essa dinâmica familiar impactou significativamente sua infância levandoo a desenvolver uma relação tensa com o pai que se agravou pelo uso de maconha considerado uma forma de fuga de seus problemas emocionais O paciente relata ter sofrido bullying na infância sendo muitas vezes agredido por colegas o que o levou a adotar comportamentos agressivos como uma defesa contra a dor que sentia Sua relação com o pai é tumultuada houve momentos de agressão física entre eles principalmente relacionados ao uso de substâncias No entanto após um retiro da igreja o paciente conseguiu perdoar o pai o que marcou uma mudança significativa em sua percepção e sentimentos em relação a ele Hoje apesar de considerar o pai grosso ele expressa amor e uma nova compreensão sobre a figura paterna Por outro lado a relação com a mãe é descrita como mais positiva embora tenha passado por um período de depressão após sair de casa para viver com Isabela O paciente demonstra preocupação com a saúde emocional da mãe e menciona que atualmente ela aceita melhor sua decisão de fumar maconha embora ele não compartilhe essa informação com o pai O passado do paciente é também marcado por um relacionamento tumultuado com Isabela sua exnamorada que possui um histórico de comportamentos violentos Ele relata medo em relação a ela especialmente após episódios em que ela apontou armas para outras pessoas e menciona que está jurado de morte por um chefe de Isabela o que amplifica seu ambiente de medo e insegurança Além disso o paciente possui um histórico criminal relacionado ao tráfico de drogas em Astorga onde chegou a ganhar quantias significativas Sua notoriedade na região o levou a considerar uma carreira política mas a fama negativa associada ao tráfico prejudicou essa aspiração Um incidente em que sua arma foi usada pela polícia em um crime demonstra a complexidade de sua relação com a lei e as influências de grupos criminosos em sua vida CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 Em suma o paciente vive um conflito interno profundo repleto de medos traumas e uma busca por reconciliação Sua evolução em relação ao pai e a necessidade de enfrentar seus medos e experiências passadas são pontos cruciais a serem explorados em um acompanhamento terapêutico contínuo FACULDADE INGÁ CURSO DE PSICOLOGIA RODOLFO RODRIGO BENEDETTI RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL III CLÍNICA DE PSICOLOGIA UNINGÁ MARINGÁ 2025 RODOLFO RODRIGO BENEDETTI RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL III CLÍNICA DE PSICOLOGIA UNINGÁ Relatório apresentado ao curso de Psicologia do Centro Universitário Ingá na disciplina de estágio de formação profissional III como requisito parcial para obtenção de nota no curso de Psicologia da faculdade INGÁ Prof Ms Bruna Luzia Garcia de Oliveira MARINGÁ 2025 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO4 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA5 21 Primeiro contato e entrevista com o paciente6 211 A importância da entrevista inicial na terapia psicanalítica6 212 Expectativas na terapia analítica o papel do paciente e do psicanalista8 22 A evolução do diagnóstico psicanalítico9 221 Regras psicanalíticas da atualidade11 222 Regra da abstinência12 221 Regra da atenção flutuante13 223 Regra da neutralidade14 224 Regra do amor à verdade15 23 As funções do analista17 231 Escuta analítica e Setting17 232 Transferência e contratransferência17 233 Autoconhecimento e resistências17 234 Ética e formação do psicanalista17 235 A transformação subjetiva como horizonte clínico18 24 A compreensão do relacionamento interpessoal sob a perspectiva da psicanálise18 241 As pulsações e vínculos na teoria psicanalítica o papel da pulsão e do desejo19 242 Significado simbólico e mitológico das relações conjugais19 243 Alianças inconscientes e a formação psíquica do vínculo amoroso20 244 Vínculos afetivos segundo Bion espaço psíquico e conteúdo emocional 21 245 O casal como uma unidade psíquica e a influência do desenvolvimento emocional21 3 METODOLOGIA26 4 PROCESSO TERAPÊUTICO27 41 ANÁLISE DO PROCESSO TERAPÊUTICO29 411 Análise psicanalítica do caso do paciente 129 412 Inconsciente e conflitos internos30 413 Dinâmicas relacionais e alianças inconscientes30 414 Mecanismos de defesa e intelectualização31 415 Mudança e desenvolvimento pessoal31 416 A autonomia emocional e respeito mútuo32 Referências35 5 ANEXO A Atendimento dia 29042537 6 ANEXO B Atendimento dia 06052539 7 ANEXO C Atendimento dia 20052541 8 ANEXO D Atendimento dia 29052543 9 ANEXO E Atendimento dia 10052545 10 ANEXO F Atendimento dia 17062547 11 ANEXO G Atendimento dia 07072549 12 ANEXO H Atendimento dia 15072551 4 1 INTRODUÇÃO O presente relatório tem como objetivo refletir sobre a experiência de estágio supervisionado em Psicologia com ênfase na prática clínica orientada pela abordagem psicanalítica e a partir da articulação entre teoria e prática buscase apresentar os principais fundamentos teóricos que sustentaram a atuação descrever a vivência do estágio e analisar criticamente os aspectos éticos e técnicos envolvidos no processo Conforme a Resolução n 62011CNEMEC o estágio supervisionado é um componente crucial na formação em Psicologia dividido em duas etapas o Estágio Supervisionado Básico realizado no 3 ano que se concentra na integração de competências por meio de visitas técnicas e observações e os Estágios Supervisionados de Formação desenvolvidos nos 4 e 5 anos voltados ao aprofundamento profissional em áreas específicas como clínica institucional escolar e organizacional Cada etapa é organizada por meio de projetos de ensino elaborados pelos professores supervisores os quais incluem justificativas competências a serem desenvolvidas métodos de trabalho e critérios de avaliação A supervisão ocorre na ClínicaEscola de Psicologia do Centro Universitário Ingá Uningá em grupos de até seis alunos com o propósito de promover uma formação crítica e prática para os futuros psicólogos Este relatório está alinhado à estrutura e regulamentação dos Estágios Supervisionados do curso de Psicologia da Uningá conforme descrito nos documentos institucionais Os alunos do 5º ano devem cumprir um total de 200 horas no Estágio de Formação III e 160 horas no Estágio de Formação IV com carga horária distribuída ao longo dos períodos letivos regulares sem previsão de interrupções para férias intermediárias Os estágios são formalizados por meio de instrumentos jurídicos entre o Centro Universitário Ingá e as instituições concedentes sendo realizados tanto na ClínicaEscola de Psicologia da Uningá quanto em instituições conveniadas como hospitais unidades básicas de saúde instituições de educação infantil e educação especial entre outras A supervisão dos estágios é de responsabilidade dos professores supervisores do supervisor de estágio e da coordenação do curso Os professores supervisores são docentes do curso de Psicologia atuando conforme suas áreas de formação e experiências profissionais e em casos específicos profissionais de áreas técnicas externas podem ser incluídos na supervisão mediante solicitação escrita e aprovação institucional Durante todo o processo o Código de Ética 5 Profissional do Psicólogo aprovado em agosto de 2005 pelo Conselho Federal de Psicologia serve como guia essencial para a prática profissional Este documento elaborado em um contexto de transformações sociais e demandas profissionais reforça princípios como o respeito à dignidade humana a promoção da saúde e a qualidade dos serviços psicológicos além de definir deveres proibições e penalidades para assegurar uma atuação ética e responsável A estrutura do relatório segue três eixos principais inicialmente uma fundamentação teórica baseada em autores da psicanálise seguida da descrição detalhada da experiência prática em contexto clínicoinstitucional Em seguida são discutidas as implicações éticas da atuação profissional conforme previsto no Código de Ética do Psicólogo e propõese uma análise crítica dos desafios e aprendizados construídos ao longo do estágio Por fim o texto conclui com considerações sobre a integração entre teoria prática e ética na formação do psicólogo ressaltando a importância do estágio supervisionado como espaço de consolidação do conhecimento e da identidade profissional 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A psicanálise desde seus fundamentos estabelecidos por Freud consolidou se como um campo teóricoclínico de grande complexidade enriquecido ao longo do século XX por contribuições de diversos autores Inicialmente Freud estruturou pilares centrais como o conceito de inconsciente a sexualidade infantil os mecanismos de defesa e a transferência que permanecem como eixos estruturantes da prática psicanalítica Em A Interpretação dos Sonhos 1900 obra seminal ele enfatiza a função do inconsciente na produção simbólica demonstrando que os processos psíquicos transcendem a consciência imediata Essa perspectiva revolucionária revela que o sujeito não é plenamente senhor de sua própria razão uma ideia que redefine a compreensão do sofrimento humano Ao reconhecer a dimensão inconsciente como núcleo da subjetividade Freud inaugurou uma metodologia clínica baseada na escuta atenta da singularidade do paciente e na valorização de sua narrativa Essa abordagem detalhada em suas obras FREUD 2016 desloca a ênfase de interpretações normativas para uma prática que acolhe a ambiguidade e a multiplicidade de sentidos presentes no discurso Dessa forma a psicanálise não apenas ampliou o horizonte teórico sobre a 6 mente humana mas também estabeleceu um paradigma ético e técnico orientado pelo respeito à expressão individual legado que continuou a ser expandido e reinterpretado por gerações posteriores de analistas 21 Primeiro contato e entrevista com o paciente A comunicação não verbal constitui um elemento fundamental nas interações humanas sobretudo nas etapas iniciais de um relacionamento seja em âmbito pessoal ou profissional Essa forma de expressão que engloba gestos expressões faciais postura e movimentos corporais transcende a dimensão verbal revelando emoções genuínas e facilitando a construção de conexões mais profundas entre os indivíduos Durante os primeiros contatos a habilidade de decifrar esses sinais tornase especialmente relevante já que eles podem transmitir nuances como interesse confiança abertura ou resistência muitas vezes de maneira mais autêntica do que as palavras Zimmerman 2004 Além de expressar sentimentos a comunicação não verbal atua em paralelo à linguagem falada servindo como um complemento essencial para a clareza das mensagens Ao harmonizar gestos tom de voz e expressões com o conteúdo verbal reduzse o risco de ambiguidades e malentendidos permitindo que a intenção comunicativa seja transmitida com maior precisão Segundo Zimerman 2004 Essa sincronia entre o que é dito e o que é demonstrado corporalmente não apenas fortalece a credibilidade do emissor como também promove um diálogo mais coeso e empático Reconhecer a relevância desses elementos é portanto determinante para otimizar a qualidade das interações em diferentes contextos seja em uma negociação profissional no estabelecimento de vínculos afetivos ou em situações cotidianas a atenção aos sinais não verbais possibilita uma leitura mais integral do outro favorecendo relações baseadas em compreensão mútua e efetividade comunicativa 211 A importância da entrevista inicial na terapia psicanalítica A entrevista inicial configurase como um momento decisivo na prática psicanalítica estabelecendo as bases para o relacionamento terapêutico e permitindo que tanto o analista quanto o paciente avaliem a compatibilidade e a viabilidade do tratamento Esse contato preliminar que pode se estender por mais 7 de um encontro dependendo das particularidades do paciente não se limita a uma mera formalidade Mesmo em situações em que o terapeuta já reconhece a impossibilidade de assumir um tratamento sistemático a realização de uma entrevista de avaliação mantém seu valor pois possibilita orientações ou encaminhamentos adequados preservando o compromisso ético com o cuidado Zimmerman 2004 Para Zimerman 2004 será importante diferenciar a entrevista inicial da primeira sessão analítica pois enquanto a primeira ocorre antes da formalização do contrato terapêutico funcionando como um espaço de avaliação mútua a segunda marca o início efetivo da análise A profundidade e a duração dessa etapa variam conforme o repertório prévio do paciente aqueles familiarizados com o processo psicanalítico podem experienciar um fluxo mais ágil enquanto indivíduos que buscam alívio imediato para sintomas demandam uma abordagem mais cautelosa capaz de acolher ansiedades e expectativas não verbalizadas O objetivo central da entrevista inicial reside na avaliação das condições mentais emocionais e contextuais do paciente permitindo ao analista ponderar riscos e benefícios do tratamento Essa análise inclui a identificação da psicopatologia apresentada a elaboração de uma impressão diagnóstica e prognóstica e a atenção aos efeitos contratransferenciais que emergem na interação Nesse contexto o uso de classificações como o DSMIVTR que abrange aspectos sindrômicos transtornos de personalidade e estressores ambientais exige uma abordagem multidimensional integrando dimensões dinâmicas como conflitos inconscientes evolutivas histórico de desenvolvimento e comunicacionais formas de expressão e resistências Zimmerman 2004 Além da avaliação técnica a entrevista demanda uma escuta sensível às motivações e expectativas do paciente que nem sempre coincidem com o projeto terapêutico do analista A veracidade das queixas o grau de insight e a disposição para engajarse em um processo introspectivo são fatores críticos Paralelamente o terapeuta deve confrontar suas próprias limitações e reações emocionais evitando avaliações precipitadas baseadas em impressões superficiais Assim a entrevista inicial transcende sua função diagnóstica é um espaço de negociação simbólica no qual paciente e analista delineiam a possibilidade de uma jornada compartilhada 8 212 Expectativas na terapia analítica o papel do paciente e do psicanalista O papel do analista assume centralidade já na primeira entrevista momento em que ele se apresenta como profissional fundamentado em sua formação teórica e experiência clínica contudo para o paciente essa figura ainda não está consolidada como referência terapêutica É através da transferência processo no qual o paciente atribui ao analista emoções e expectativas originadas em relações passadas que se estabelece a possibilidade de reconhecêlo como guia no processo analítico Segundo Chemama 2002 esse fenômeno é estruturante nas entrevistas preliminares pois cria um vínculo que permite ao paciente confiar na direção proposta pelo tratamento mesmo em um contexto de incerteza inicial Nesse cenário as expectativas mútuas entre paciente e analista são determinantes para o avanço da terapia O paciente é convidado a assumir uma postura ativa engajandose de maneira autêntica na exploração de suas vivências emocionais Esse compromisso não se resume à verbalização de sintomas mas envolve a disposição para confrontar resistências e ambiguidades inerentes ao processo introspectivo Paralelamente cabe ao psicanalista definir com clareza suas motivações para acolher o caso delineando um projeto terapêutico que oriente suas intervenções Essa delimitação não é estática exige flexibilidade para adaptarse às demandas emergentes sem perder de vista os objetivos centrais do tratamento Zimmerman 2004 A preparação do analista para lidar com desafios emocionais como situações transferenciais intensas ou manifestações de contratransferência é um pilar da prática clínica A empatia aliada ao reconhecimento das próprias limitações e reações inconscientes permite que ele sustente um ambiente seguro onde o paciente se sinta acolhido em sua vulnerabilidade Essa habilidade não se restringe à técnica envolve uma reflexão contínua sobre como as histórias pessoais do terapeuta podem influenciar sua escuta exigindo um equilíbrio delicado entre envolvimento e neutralidade Além disso o contexto físico e emocional em que o analista trabalha repercute diretamente na qualidade do atendimento no qual manter um ambiente organizado e garantir um equilíbrio entre vida profissional e pessoal não são meros detalhes operacionais mas condições essenciais para preservar a integridade do setting terapêutico 9 O autocuidado do analista incluindo a gestão do estresse e a supervisão regular assegura que ele esteja emocionalmente disponível para acolher as demandas complexas do paciente evitando esgotamento ou interferências prejudiciais assim a interação entre paciente e analista revelase uma teia de interdependências na qual a clareza técnica a ética do cuidado e a gestão das emoções se entrelaçam A primeira entrevista longe de ser um mero protocolo é um microcosmo desse processo nela avaliamse não apenas as condições psíquicas do paciente mas também a capacidade do analista de sustentar uma aliança terapêutica pautada pela confiança e pelo rigor metodológico Essa sintonia inicial quando bem conduzida lança as bases para um trabalho transformador onde a complexidade humana é abordada em sua plenitude Zimmerman 2004 22 A evolução do diagnóstico psicanalítico O diagnóstico psicanalítico contemporâneo configurase como um campo em constante evolução que busca transcender as classificações clássicas das doenças mentais Essa abordagem prioriza um entendimento profundo do paciente considerando não apenas os aspectos sintomáticos mas também as dinâmicas psíquicas subjacentes Nesse contexto a avaliação do prognóstico emerge como elemento central frequentemente realizada ao longo do processo analítico dinâmica que pode surpreender tanto o analista quanto o analisando revelando nuances que ultrapassam as expectativas iniciais e destacando a complexidade humana em sua busca por autoconhecimento Um dos critérios fundamentais nesse paradigma é o de acessibilidade que se concentra na motivação coragem e capacidade do paciente de permitir o acesso ao seu inconsciente Zimmerman 2004 Essa compreensão é particularmente relevante na seleção de pacientes que à primeira vista podem ser considerados de difícil acesso como aqueles com regressões significativas ou paradoxalmente com estrutura psíquica aparentemente bem ajustada Para Bechara 2009 a psicanálise contemporânea tem se mostrado receptiva a configurações diversas adaptando técnicas e táticas para atender às necessidades específicas de cada indivíduo o que reforça sua flexibilidade como ferramenta terapêutica Observase ainda uma diminuição progressiva dos critérios de contraindicação na prática clínica atual refletindo maior abertura à diversidade de 10 pacientes Questões como a idade antes vistas como limitantes são agora abordadas com relativismo permitindo a inclusão de crianças e idosos no tratamento psicanalítico com resultados positivos Além disso a psicanálise contemporânea não hesita em enfrentar situações críticas como quadros emocionais agudos integrandose a outros recursos como psicofármacos em uma abordagem holística que busca eficácia sem abandonar a profundidade analítica O diagnóstico clínico psicanalítico é permeado por um relativismo acentuado no qual condições aparentemente alarmantes como uma reação esquizofrênica aguda podem ter prognóstico favorável se manejadas com competência técnica enquanto neuroses crônicas podem apresentar desafios imprevistos Essa dualidade exige do analista um olhar crítico e atento capaz de discernir as nuances singulares de cada caso sem se apoiar em generalizações Entretanto algumas contraindicações permanecem inegáveis como a degenerescência mental a incapacidade de abstração e casos com motivações distorcidas Em situações de avaliação inicial inconclusiva a análise de prova surge como alternativa viável Essa abordagem que prolonga a entrevista inicial permite uma reflexão mais detalhada sobre as condições do paciente antes da formalização do contrato analítico assegurando que ambos analista e analisando possam estabelecer um vínculo seguro e comprometido Essas práticas alinhamse à Resolução CFP nº 0052025 que enfatiza a supervisão e orientação de estágios em Psicologia com base em fundamentação teórica e ética A psicanálise contribui não apenas com técnicas específicas mas com uma postura clínica que valoriza a alteridade o silêncio a história singular e o tempo subjetivo Essa escuta ética associada ao rigor técnico oferece ao profissional de Psicologia uma base sólida para atuar em contextos clínicos diversos mantendo o compromisso com o sofrimento humano em sua complexidade e singularidade Assim a psicanálise reafirma seu papel na saúde mental contemporânea um campo que se reinventa e se amplia acolhendo a diversidade de pacientes e integrandose a marcos regulatórios que fortalecem a formação crítica e ética dos futuros psicólogos Zimmerman 2004 11 221 Regras psicanalíticas da atualidade A evolução das regras fundamentais da psicanálise ao longo do tempo reflete as transformações nas dinâmicas sociais e nas expectativas dos pacientes A regra da livre associação de ideias que enfatiza a verbalização espontânea por parte do paciente mantém sua centralidade mas sua aplicação prática tem se adaptado às demandas atuais Hoje os analistas reconhecem a necessidade de criar um ambiente terapêutico que favoreça não apenas a expressão livre mas também a autenticidade considerando a diversidade de experiências e a complexidade das questões contemporâneas trazidas pelos pacientes Essa adaptação não descaracteriza a técnica mas amplia sua capacidade de acolher subjetividades em contextos cada vez mais pluralizados Zimmerman 2004 A regra da abstinência tradicionalmente associada à contenção de gratificações pessoais por parte do analista tem sido reinterpretada em um cenário clínico que valoriza a empatia e a conexão humana Embora sua essência evitar satisfações substitutivas que desviem o foco do processo analítico permaneça válida a prática contemporânea enfrenta o desafio de equilibrar essa contenção com a construção de uma relação de confiança e segurança Essa tensão produtiva permite que a relação analítica transcenda a função meramente interpretativa tornandose um espaço de interação genuína onde a vulnerabilidade é reconhecida como parte integrante do trabalho terapêutico Souza e Coelho 2012 Por outro lado Zimerman 2004 também afirma que a regra da neutralidade que historicamente exigia um distanciamento emocional do analista é revisitada à luz de abordagens que defendem maior transparência na relação terapêutica Isso não implica a perda da postura técnica mas o reconhecimento de que a neutralidade pode coexistir com uma presença mais autêntica O analista contemporâneo ao acolher suas próprias emoções e reações contratransferenciais pode oferecer uma escuta mais engajada sem abandonar o rigor metodológico Essa flexibilidade não enfraquece o setting mas o torna mais sensível às nuances afetivas que emergem no processo A ênfase na verdade e na honestidade incorporada como uma quinta regra em discussões recentes responde à demanda por autenticidade nas relações terapêuticas pois os pacientes buscam não apenas uma análise técnica mas uma conexão que os auxilie a navegar realidades emocionais complexas marcadas por 12 incertezas e paradoxos da vida moderna Essa dimensão exige que analista e paciente se envolvam em um processo de descoberta mútua onde a honestidade tanto sobre limites quanto sobre possibilidades fortalece a aliança terapêutica Assim as regras psicanalíticas embora preservem seu núcleo ético e técnico demandam revisão contínua para dialogar com as transformações sociais e científicas A prática clínica atual ao integrar essas adaptações não apenas honra o legado freudiano mas assegura que a psicanálise permaneça relevante como ferramenta de compreensão e intervenção diante das complexidades humanas do século XXI 222 Regra da abstinência A regra da abstinência formulada por Freud em 1915 surgiu em resposta ao desenvolvimento de vínculos eróticos entre pacientes histéricas e analistas em um período em que as análises eram breves Com a expansão da psicanálise e o aumento das críticas sobre a sexualidade na prática clínica Freud viu a necessidade de estabelecer limites claros para evitar envolvimentos sexuais entre analistas e analisandos Em 1912 ele começa a esboçar essa diretriz preocupado com a integridade ética da psicanálise A abstinência implica que o psicanalista deve absterse de qualquer atividade além da interpretação proibindo gratificações externas e preservando o anonimato do paciente posição reforçada por Freud em 1918 em seus escritos sobre terapias psicanalíticas Zimmerman 2004 Ressaltase a relevância da abstinência analítica conforme proposta por Freud que defende que os analistas evitem gratificações externas e intervenções significativas na vida dos pacientes durante o tratamento Para ele era imperativo que os pacientes não tomassem decisões importantes como escolhas profissionais ou amorosas sem uma análise prévia a fim de evitar que impulsos inconscientes fossem mal direcionados protegendoos de possíveis danos Entretanto críticas contemporâneas apontam que a interpretação rígida dessa recomendação pode levar a um distanciamento excessivo entre analista e analisando prejudicando o tratamento A preocupação freudiana com envolvimentos emocionais e sexuais embora válida corre o risco de ser aplicada de forma extremada gerando uma dinâmica fóbica que compromete a aliança terapêutica Zimmerman 2004 13 Com a evolução da prática psicanalítica observase uma mudança significativa no perfil emocional e situacional dos pacientes assim como nas condições sociológicas e econômicas em que a análise ocorre Muitos analistas contemporâneos adotam portanto uma postura mais flexível promovendo um ambiente acolhedor e interativo sem abandonar a estrutura normativa do setting analítico Argumentase que a rigidez na aplicação das diretrizes originais de Freud pode criar um clima de falsidade e paranoia Assim uma abordagem adaptativa e humanizada é considerada essencial nas práticas atuais permitindo que analistas se conectem de maneira autêntica com seus pacientes fator que pode potencializar a eficácia do processo terapêutico O conceito de amor de transferência na psicanálise evidencia a evolução das práticas desde Freud destacando os riscos de envolvimento emocional entre analista e paciente A abstinência do psicanalista permanece crucial para evitar a gratificação de desejos que refletem carências do próprio terapeuta não do paciente É fundamental diferenciar curiosidades patológicas que demandam interpretação daquelas saudáveis que merecem acolhimento como expressões genuínas do sujeito Além disso as atitudes em relação a encontros sociais entre analistas e pacientes modificaramse antes rigidamente evitados hoje são abordados com maior flexibilidade ainda que cautelosa Zimerman 2004 aponta essa mudança a qual reflete uma adaptação às demandas contemporâneas sem descuidar dos princípios éticos que preservam a integridade do vínculo terapêutico 221 Regra da atenção flutuante A regra da atenção flutuante proposta por Freud estabelece um princípio fundamental para a prática analítica implicando a criação de condições que favoreçam uma comunicação autêntica entre os inconscientes do analista e do paciente Bion amplia essa concepção ao destacar o papel da intuição frequentemente obscurecida pela ênfase excessiva na percepção sensorial como ferramenta essencial para decifrar as camadas simbólicas do discurso Zimmerman 2004 Uma das dificuldades centrais para o analista reside em sua capacidade de se desvincular de desejos e memórias pessoais durante o processo Embora seja natural que emoções surjam é importante que o terapeuta mantenha clareza sobre 14 esses sentimentos discriminando adequadamente entre suas experiências subjetivas e as dinâmicas transferenciais em jogo Essa distinção preserva a neutralidade técnica e assegura que as intervenções estejam alinhadas às necessidades do paciente evitando projeções que comprometam a eficácia terapêutica A prática psicanalítica exige assim uma dissociação útil habilidade de reconhecer e diferenciar as diversas áreas do mapa psíquico do analista incluindo emoções que emergem durante a sessão Essa dissociação sustenta tanto a teorização flutuante entendida como a capacidade de elaborar hipóteses sem fixação prévia quanto à atenção flutuante que consiste em uma escuta aberta a múltiplos significados Esses mecanismos facilitam a conexão com a realidade externa e com o inconsciente permitindo uma escuta intuitiva que capta nuances escapadas a abordagens lineares Souza e Coelho 2012 Por outro lado uma atenção excessivamente direcionada pode levar a um estado patogênico no qual o analista busca informações irrelevantes à situação analítica movido por curiosidade pessoal ou necessidade de controle Essa postura desvia o foco do trabalho terapêutico e pode gerar vínculos transferenciais prejudiciais nos quais as projeções do analista contaminam a relação Além disso a tentativa de manter a atenção flutuante de forma rigorosa pode gerar desconforto e sensação de fracasso no analista já que divagações e distrações são inevitáveis durante as sessões A flexibilidade mental tornase portanto um elementochave pois ela permite que o analista navegue entre suas próprias emoções e as dinâmicas do setting terapêutico ajustandose às flutuações do processo sem perder a postura técnica necessária Essa habilidade reconhece que a eficácia reside no equilíbrio entre disciplina clínica e adaptação às contingências humanas Zimmerman 2004 223 Regra da neutralidade A regra da neutralidade conforme proposta por Freud é um princípio essencial na psicanálise sugerindo que o psicanalista deve atuar como um espelho opaco refletindo apenas o conteúdo apresentado pelo paciente e evitando expor suas próprias emoções Embora o termo neutralidade não seja frequente em seus textos Freud defende uma postura imparcial distante da indiferença que poderia prejudicar o processo analítico Essa neutralidade inclui a gestão dos desejos do 15 analista permitindo uma interação aberta e profunda com o paciente o que cria um ambiente favorável à exploração emocional e psicológica Pinheiro 1999 Contudo a regra da neutralidade tem sido reavaliada na prática contemporânea distante da visão tradicional de Freud que comparava o analista a um espelho mecânico Atualmente entendese que o analista deve funcionar como um espelho que possibilita ao paciente uma reflexão abrangente sobre si mesmo sem que isso implique a supressão total de sua subjetividade A neutralidade é reconhecida como um ideal inatingível já que o analista inevitavelmente traz suas crenças valores e perspectivas para a relação terapêutica influenciando dinâmicas interpretativas e escolhas técnicas Zimmerman 2004 O envolvimento afetivo do terapeuta desde que não se torne patológico é considerado essencial para estabelecer uma aliança terapêutica significativa As escolhas interpretativas como decidir quando intervir ou como formular uma interpretação revelam a subjetividade inerente à prática demonstrando que a neutralidade não se traduz em ausência de posicionamento mas em um equilíbrio entre acolhimento e contenção Essa postura permite que o paciente se sinta reconhecido em sua singularidade ao mesmo tempo que preserva o espaço analítico como um campo de investigação livre de projeções excessivas do terapeuta Assim a neutralidade na psicanálise contemporânea não nega a influência do analista mas reconhece a complexidade de sua função ser um interlocutor que mesmo com suas limitações humanas mantém o foco no processo de desvelamento do inconsciente equilibrando técnica e sensibilidade Zimmerman 2004 224 Regra do amor à verdade A psicanálise segundo Freud fundamentase na verdade e na ética sendo a honestidade do psicanalista um elemento fundamental para promover mudanças significativas nos pacientes O terapeuta deve evitar julgamentos sobre terceiros já que os pacientes podem induzir quebras éticas por meio de projeções ou tentativas de envolver o analista em dinâmicas externas à terapia Um dilema recorrente é o envolvimento amoroso entre terapeuta e paciente tratado com rigor por sociedades psicanalíticas para preservar a integridade da relação analítica Dessa forma a ética e a verdade configuramse como pilares indissociáveis da prática freudiana 16 A discussão sobre transgressões éticas e sexuais na psicanálise revela um campo marcado por tensões e controvérsias conforme destacado por Daniel Widlocher expresidente da Associação Psicanalítica Internacional IPA Ele argumenta que tais transgressões não devem ser simplificadas como meros erros ou pecados irreparáveis mas sim compreendidas como fenômenos complexos que exigem análise crítica Widlocher observa ainda que transgressões éticas como vínculos românticos não consumados entre analistas e pacientes que frequentemente permanecem ocultas apesar de seu impacto relevante Freud já enfatizava a necessidade de honestidade mútua afirmando que a falta de verdade por parte do analista comprometeria a eficácia do tratamento corroendo a confiança essencial ao processo Complementando essa perspectiva Bion introduz a reflexão sobre a análise de indivíduos que utilizam a mentira como mecanismo de defesa Ele ressalta que a verdade é um elemento vital para a saúde psíquica comparando a a um alimento indispensável e sua ausência levaria à deterioração do psiquismo Assim a abordagem psicanalítica da verdade deve transcender o moralismo focandose na construção de uma atitude autêntica que permita ao paciente alcançar liberdade interna e engajarse plenamente no processo analítico ZIMERMAN 2004 A preservação do setting analítico é outro aspecto essencial pois garante a estruturação da relação terapêutica mantendo a assimetria necessária entre os papéis de analista e paciente O enquadre estabelece limites claros e promove o princípio da realidade contrapondose ao princípio do prazer que muitas vezes domina a subjetividade do paciente Essa estrutura é especialmente crítica no trabalho com pacientes regressivos que podem enfrentar dificuldades em lidar com limites e frustrações No entanto é fundamental evitar uma rigidez excessiva na aplicação dessas regras pois isso pode gerar uma atmosfera coercitiva prejudicando a aliança terapêutica A própria prática de Freud ilustra a complexidade desse equilíbrio que frequentemente flexibilizava suas próprias recomendações adotando abordagens não convencionais que refletiam o contexto histórico e teórico da psicanálise em sua época ZIMERMAN 2004 17 23 As funções do analista Na psicanálise o analista é um profissional cuja atuação se baseia na escuta clínica e na interpretação do inconsciente Diferente de áreas como negócios ele não busca solucionar problemas imediatos mas atua como um guia na exploração das dinâmicas psíquicas Formado nos princípios de Freud e seus herdeiros o psicanalista mergulha nas complexidades do desejo e dos traumas reprimidos Minerbo 2024 231 Escuta analítica e Setting A escuta analítica é uma habilidade que permite ao analista decifrar significados ocultos nos lapsos sonhos e discursos do paciente Esse processo é facilitado por um setting analítico rigoroso que inclui horários fixos sigilo e uma postura neutra criando um ambiente seguro para a livre associação de ideias Zimerman 2004 232 Transferência e contratransferência O manejo da transferência projeção de sentimentos do paciente e da contratransferência reações emocionais do analista é fundamental O psicanalista deve reconhecer e modular essas dinâmicas utilizandoas para desvendar conflitos psíquicos Zimerman 2004 233 Autoconhecimento e resistências Diferente de terapias que buscam a eliminação rápida de sintomas a psicanálise prioriza o autoconhecimento Técnicas como a associação livre e a interpretação de sonhos ajudam a revelar estruturas invisíveis que governam comportamentos enquanto o trabalho com resistências permite que o paciente enfrente conteúdos dolorosos Freud 1920 234 Ética e formação do psicanalista A ética é um alicerce essencial na psicanálise onde o analista não emite julgamentos morais A formação do psicanalista inclui estudo teórico análise 18 pessoal e supervisão clínica preparandoo para lidar com projeções e evitar interferências pessoais Zimerman 2004 235 A transformação subjetiva como horizonte clínico O analista atua como um mediador do inconsciente ajudando o paciente a desatar nós invisíveis que causam sofrimento O sucesso na psicanálise é medido pela capacidade de permitir que o paciente reinvente sua relação consigo mesmo e com o mundo O processo de transformação subjetiva é lento e singular proporcionando ao paciente uma nova forma de habitar sua história e confrontar seu passado O analista assim não oferece respostas prontas mas sustenta um espaço onde a verdade do sujeito pode emergir como um ato de liberdade Minerbo 2024 24 A compreensão do relacionamento interpessoal sob a perspectiva da psicanálise A análise do relacionamento interpessoal quando vista sob a ótica psicanalítica exige uma investigação minuciosa das forças inconscientes que moldam as interações humanas Essas forças muitas vezes surgem a partir de experiências precocemente vivenciadas na infância que ficam armazenadas no inconsciente e influenciam não apenas as emoções e comportamentos atuais mas também a maneira como os indivíduos percebem e se relacionam com os outros Este entendimento é fundamental para compreender questões como ciúmes inseguranças projeções e padrões de comunicação disfuncionais já que muitas dessas características têm raízes profundas e subconscientes Além disso essa abordagem permite uma compreensão mais abrangente dos conflitos internos que podem dificultar a construção de vínculos afetivos seguros e satisfatórios favorecendo processos de autoconhecimento que são essenciais tanto na clínica quanto na vida cotidiana De acordo com Freud 1900 as experiências formativas na infância não apenas moldam o desenvolvimento psíquico mas também deixam marcas que podem perdurar ao longo da vida influenciando todas as relações seguintes Essas experiências muitas vezes são reprimidas ou não totalmente resolvidas permanecendo no inconsciente e se manifestando através de sintomas ou padrões relacionais recorrentes na fase adulta Por exemplo uma criança que vivenciou 19 negligência ou rejeição pode desenvolver uma ansiedade de separação ou padrões de busca de validação constantes na vida adulta Assim ao revisar e entender essas experiências e seus efeitos o terapeuta e o indivíduo podem trabalhar a resolução de conflitos internos promovendo relações mais saudáveis e equilibradas e uma melhor gestão emocional 241 As pulsações e vínculos na teoria psicanalítica o papel da pulsão e do desejo Segundo Treiguer 2007 a compreensão da pulsão na psicanálise não se limita à sua força de impulso biológico mas deve ser entendida na relação com os vínculos estabelecidos entre os indivíduos A pulsão como força reguladora das interações atua tanto na esfera consciente quanto na inconsciente moldando desejos necessidades e fantasias O desejo por sua vez é uma força que unifica o sujeito embora seja frequentemente influenciado por fatores externos como o alheio ou seja o outro suas expectativas desejos e projeções Essas dinâmicas complexas resultam na multiplicidade de emoções que experimentamos nas relações como novela de desejo medo mistério e insegurança que enriquecem ou dificultam o relacionamento dependendo de como são elaboradas e integradas 242 Significado simbólico e mitológico das relações conjugais Ao analisar as relações amorosas sob a perspectiva simbólica e mitológica a narrativa bíblica de Adão e Eva serve como uma poderosa metáfora para entender a busca pela perfeição a ilusão de imortalidade e a vulnerabilidade inerente aos relacionamentos O desejo de ser igual a Deus simboliza a tentativa de superar os limites humanos o que na relação de casal pode refletir a busca por uma união idealizada que muitas vezes é inatingível A expulsão do Éden revela como a tentativa de alcançar essa perfeição pode resultar na fragilidade e na necessidade de aceitar a vulnerabilidade como parte fundamental do amor e da convivência Na perspectiva psicanalítica há a compreensão de que os casais frequentemente criam uma dinâmica de inseparabilidade na qual as diferenças individuais são minimizadas ou até negadas Para isso usam mecanismos de defesa como a cisão dividir aspectos positivos e negativos e a identificação projetiva que reduzem as diferenças ao transferir aspectos indesejados ou conflitantes para o outro Essa fusão embora possa parecer uma busca por 20 completude tende a ser prejudicial a longo prazo pois impede o desenvolvimento da autonomia emocional e limita a autenticidade no relacionamento Quando essa fusão se torna excessiva a relação pode se transformar em uma ilusão de perfeição que ao se desmoronar leva ao conflito ou à crise de identidade de ambos os parceiros 243 Alianças inconscientes e a formação psíquica do vínculo amoroso De acordo com Pignataro FerrésCarneiro e Mello 2019 as alianças inconscientes estruturam as relações amorosas formando um sistema de funções que mantêm o vínculo e protegem os indivíduos de ameaças internas e externas Essas alianças que se originam na infância e nas primeiras experiências afetivas podem ser primárias secundárias defensivas ou criativasdestrutivas cada uma desempenhando papéis diferentes na vida psíquica e relacional Elas moldam percepções expectativas e comportamentos além de influenciar a forma como o parceiro é visto e tratado na relação Compreender esses mecanismos ajuda a desmistificar padrões repetitivos e a elaborar vínculos mais conscientes e satisfatórios promovendo maior autonomia emocional e resistência às dificuldades do cotidiano Dentro das alianças inconscientes existe o pacto denegativo também discutido na literatura psicanalítica referese a uma aliança inconsciente que os parceiros assumem muitas vezes de forma automática para proteger a relação de conflitos internos ou de demandas emocionais que podem ameaçála Essa aliança funciona por meio da mobilização de fantasias identificações e realidades psíquicas partilhadas que mantêm o vínculo mesmo que envolvam negação ou repressão de aspectos desagradáveis ou conflitantes Essa dinâmica atua como um mecanismo de defesa contribuindo para a estabilidade emocional do casal ao evitar confrontar certas verdades dolorosas mas também pode limitar o crescimento e a autenticidade na relação Além do pacto denegativo Pignataro FérresCarneiro e Mello 2019 descrevem os contratos inconscientes como entendimentos tácitos que emergem na relação estabelecendo limites expectativas e trocas que sustentam o vínculo Esses contratos podem ser conscientes ou inconscientes e dizem respeito às concessões mútuas necessárias para a convivência Enquanto os acordos 21 representam negociações mais conscientes os pactos envolvem trocas intransmissíveis ou insuspeitas muitas vezes influenciadas por elementos da infância ou experiências passadas Essas dinâmicas facilitam ou dificultam a elaboração de desejos e necessidades moldando o modo como o casal enfrenta as dificuldades e constrói a sua história conjunta 244 Vínculos afetivos segundo Bion espaço psíquico e conteúdo emocional Segundo Mondrzak 2007 a teoria de Bion destaca que os vínculos amorosos de ódio ou de conhecimento dependem do espaço psíquico chamado por ele de contenedor e do conteúdo emocional que nele reside O espaço psíquico funciona como um recipiente onde emoções e experiências conflitantes podem ser armazenadas elaboradas e integradas fortalecendo a relação As emoções como inveja ciúme raiva ou insegurança sentimentos típicos de uma relação conjugal não apenas emergem do conteúdo mas são moduladas pelo espaço psíquico que deve ser acolhedor para que os conflitos possam ser trabalhados de forma saudável Essa capacidade de acolhimento e elaboração emocional possibilita uma convivência mais madura empática e segura emocionalmente promovendo um vínculo mais sólido e autêntico Mondrzak 2007 No contexto de Bion a relação entre o analista e o espaço psíquico é fundamental para o processo terapêutico O analista ao atuar como um recipiente deve criar um espaço psíquico seguro e receptivo capaz de acolher e processar as experiências emoções e pensamentos do Mondrzak 2007 Nesta teoria o analista é um facilitador do espaço psíquico criando uma condição em que o paciente possa explorar processar e integrar suas experiências internas de forma segura e significante Essa dinâmica é essencial para que o processo terapêutico seja efetivo e transformador Mondrzak 2007 245 O casal como uma unidade psíquica e a influência do desenvolvimento emocional Na psicanálise a concepção de que o casal constitui uma unidade psíquica com estrutura própria traz reflexões importantes sobre a dinâmica do relacionamento Cada indivíduo traz para o casal seu desenvolvimento emocional suas carências suas dores e conflitos internos que ao interagirem podem resultar 22 tanto em harmonia quanto em disfunções Quando há conflitos não resolvidos ou projeções esses fatores podem gerar uma relação disfuncional marcada por conflitos constantes ou mesmo por padrões de fusão excessiva onde os limites entre os parceiros se tornam difusos A intervenção clínica busca muitas vezes desconstruir essas dinâmicas promovendo autonomia emocional e a compreensão dos acontecimentos internos de cada um além de favorecer uma relação mais equilibrada capaz de suportar conflitos de forma construtiva A participação em processos terapêuticos seja individual ou de casal muitas vezes revela ou provoca desequilíbrios na relação como ciúmes resistência às mudanças ou boicotes que surgem como mecanismos de defesa ou tentativas de manter o status quo Essas reações muitas vezes dificultam o avanço do tratamento e requerem atenção específica do terapeuta que deve trabalhar a compreensão dessas resistências promovendo maior autorreflexão e autoconhecimento A terapia assim atua como uma ferramenta de resistência e reconstrução emocional possibilitando a elaboração de conflitos a superação de obstáculos e a promoção de relações mais satisfatórias e maduras Fundamentação teórica 25 fundamentação teórica paciente do Paciente 2 Devido a poucas sessões não foi possível fazer a fundamentação teórica deste paciente 26 fundamentação teórica paciente 3 261 A masculinidade na clínica psicanalítica O conceito de masculinidade é frequentemente abordado como uma construção social e discursiva em que se destaca sua legitimidade por meio de relações sociais repetitivas Essa perspectiva sugere que a masculinidade não é um dado natural mas sim uma instituição que demanda investigação metodológica diversificada incluindo a psicanálise institucional e as análises discursivas de Michel Foucault Nesse sentido a masculinidade atua como um mecanismo que organiza as expressões corporais categorizando os sujeitos em diferentes grupos homens 23 brancos negros gays e trans enquanto também se configura como um campo de disputa onde diversas formas de ser homem se confrontam e se redefinem Segundo Barbarine e Martins2021 a masculinidade hegemônica se manifesta predominantemente na figura do pai de família burguês branco e heterossexual evidenciando uma estrutura profundamente enraizada em práticas patriarcais e racistas Essa masculinidade hegemônica não apenas perpetua uma hierarquia social mas também marginaliza as masculinidades periféricas que buscam expressões alternativas e contestam o modelo hegemônico Essa complexidade revela a diversidade das experiências masculinas e destaca a importância de se reconhecer e estudar essas diferentes formas de masculinidade Portanto compreender a masculinidade como uma instituição histórica e discursiva demanda uma análise cuidadosa de suas bases sociais e culturais O desafio para a psicologia é integrar essa compreensão utilizando metodologias que permitam explorar as regras funções e os impactos da masculinidade sobre os sujeitos A masculinidade deve ser vista como uma performance social que se legitima a partir de cada ato enfatizando a necessidade de problematizar as normas e discursos que estruturam as identidades masculinas no Brasil contribuindo assim para um entendimento mais profundo e crítico desse fenômeno O ser homem pode dominar o sujeito a ponto de este alienarse do seu desejo a fim de satisfazer às exigências do script masculino determinado BARBARINI MARTINS 2021 p 16 262 Trauma na infância e vínculos afetivos Sándor Ferenczi em suas reflexões sobre as necessidades infantis de ternura aborda a confusão emocional que surge da relação entre crianças e adultos especialmente em contextos de violência e insensibilidade Ele argumenta que essa confusão representa um estado de perda no qual a criança se sente enganada por um adulto que deveria proporcionar segurança mas que em vez disso se comporta de forma agressiva Essa discrepância entre a expectativa de cuidado e a realidade da agressão não apenas gera um conflito interno mas também impede a criança de compreender o que ocorreu tornando o trauma patogênico não apenas pelo ato violento mas pela impossibilidade de dar sentido à experiência vivida 24 vinculação é fundamental para a formação da identidade e para o desenvolvimento emocional da criança A construção do vínculo entre mãe e filho não se limita a uma relação biológica mas se estende a uma dimensão emocional complexa na qual as experiências passadas da mãe influenciam diretamente a sua capacidade de cuidar e estabelecer uma conexão afetiva com o bebê Autores como Zimerman 2010 e Winnicott 2001 enfatizam que o vínculo primitivo formado nas interações iniciais continua a impactar as relações futuras moldando a maneira como a criança se relaciona com os outros ao longo de sua vida 263 Os Vínculos Afetivos na Perspectiva Psicanalítica Estruturas Inconscientes e Dinâmicas Relacionais Na psicanálise os vínculos afetivos são compreendidos como construções dinâmicas enraizadas nas primeiras experiências relacionais que configuram a economia psíquica do sujeito A teoria pulsional freudiana postula que a libido se investe em objetos pessoas ou suas representações estruturando laços marcados por ambivalência e dependência O complexo de Édipo como eixo organizador introduz a triangulação edípica paimãecriança mediando identificações e internalização de normas sociais que reverberam nos padrões afetivos adultos Autores como Melanie Klein e Donald Winnicott ampliaram essa perspectiva ao destacar a internalização de objetos parciais Klein como o seio bom ou mau e a importância do ambiente suficientemente bom Winnicott que possibilita a transição da dependência para a autonomia por meio de objetos transicionais Tais processos fundamentam a capacidade de estabelecer vínculos que integrem ambiguidades evitando cisões entre amor e ódio Mondrzak 2007 Clinicamente as patologias dos vínculos como apego ansioso ou evitativo remetem a falhas precoces na constituição de um espaço transicional ou na resolução de conflitos edípicos A transferência fenômeno central na técnica analítica permite acessar essas matrizes relacionais inconscientes reeditandoas no setting terapêutico como via de reelaboração simbólica O processo analítico visa desconstruir fantasias de fusão ou rejeição absoluta habilitando o sujeito a 25 reconhecer a alteridade e a lidar com a incompletude inerente aos laços humanos Assim a psicanálise propõe que a transformação dos vínculos ocorre não pela eliminação de conflitos mas pela integração crítica das histórias inconscientes que os moldam Mondrzak 2007 264 Isolamento do afeto Na teoria psicanalítica o isolamento do afeto é compreendido como um mecanismo de defesa do ego que visa dissociar conteúdos psíquicos potencialmente ameaçadores de suas cargas emocionais correspondentes preservando a estabilidade consciente do sujeito Freud em sua segunda tópica descreveu essa operação como característica das neuroses obsessivas nas quais ideias ou memórias traumáticas são admitidas na consciência porém despojadas de seu afeto original resultando em discursos racionalizados ou ações ritualísticas desprovidas de conexão emocional Diferentemente da repressão que exclui totalmente o conteúdo conflituoso do campo consciente o isolamento permite a manutenção da ideia no plano intelectual neutralizando seu impacto disruptivo Esse processo revela a tentativa do ego de administrar angústias ligadas a desejos ambivalentes ou experiências traumáticas fragmentando a unidade entre pensamento e emoção para evitar o desequilíbrio psíquico Mcwilliams 2014 Clinicamente o isolamento do afeto manifestase em padrões de fala excessivamente lógicos relatos de eventos traumáticos com frieza emocional ou comportamentos repetitivos que mascaram conflitos inconscientes Pacientes obsessivos por exemplo podem descrever situações de perda ou agressão com detalhes minuciosos mas sem demonstrar tristeza ou raiva sinalizando a cisão entre cognição e afeto Anna Freud ressaltou que essa defesa embora adaptativa 26 em curto prazo pode levar a uma alienação emocional crônica dificultando a formação de vínculos autênticos e perpetuando estados de ansiedade difusa A rigidez defensiva também está associada à formação de sintomas como ruminações ou compulsões nos quais o pensamento isolado de seu contexto afetivo adquire caráter persecutório Além disso o isolamento frequentemente coexiste com outros mecanismos como a formação reativa gerando atitudes de hipercontrole que ocultam impulsos recalcados Mcwilliams 2014 No setting analítico o desafio terapêutico reside em facilitar a reintegração entre afeto e representação processo que exige a elaboração progressiva dos conflitos subjacentes A interpretação das resistências associada à análise da transferência permite identificar momentos em que o paciente relata vivências intensas com indiferença revelando a operação defensiva Winnicott ao enfatizar a importância do ambiente seguro sugere que a contenção emocional oferecida pelo analista pode gradualmente permitir ao sujeito tolerar a ambivalência afetiva sem recorrer ao isolamento O uso excessivo desse mecanismo a distúrbios de personalidade destacando a necessidade de intervenções que estimulem a mentalização Assim a superação do isolamento do afeto não implica sua eliminação mas a integração dos aspectos dissociados permitindo ao ego lidar com a complexidade emocional sem fragmentála Mcwilliams 2014 3 METODOLOGIA A metodologia adotada neste estudo é fundamentada em princípios clássicos da psicanálise utilizando a técnica da associação livre como um dos pilares do processo terapêutico Essa técnica permite ao paciente expressar livremente seus pensamentos sentimentos e imagens sem censura ou restrições o que facilita a acessibilidade a conteúdos inconscientes Ao criar um espaço onde o paciente se sente à vontade para compartilhar suas ideias a associação livre se torna um meio poderoso para explorar as camadas mais profundas da psique Freud 1920 A primeira entrevista desempenha um papel crucial nesse contexto uma vez que estabelece as bases para a relação analítica Neste encontro inicial o analista busca criar um ambiente de confiança e segurança onde o paciente se sinta confortável para se abrir É um momento de construção do vínculo onde se 27 discutem as expectativas do tratamento e se delineiam os objetivos da terapia A receptividade e a empatia do analista são essenciais para fazer com que o paciente sinta que sua história e suas vivências são valorizadas Zimerman 2004 Durante as sessões subsequentes a atenção flutuante do analista se torna uma prática fundamental Essa abordagem implica que o analista mantenha uma escuta atenta e flexível permitindo que sua atenção se mova entre diferentes temas e conteúdos que emergem das falas do paciente Essa atenção não é direcionada apenas a pontos específicos mas busca captar nuances sentimentos e associações que possam surgir criando um espaço onde o paciente pode explorar livremente seu mundo interno Zimerman 2004 A interpretação por sua vez é uma ferramenta vital que emerge desse processo Quando o analista oferece interpretações ele busca conectar os conteúdos manifestos do discurso do paciente com questões mais profundas e inconscientes Essas intervenções interpretativas têm o potencial de iluminar padrões de comportamento conflitos internos e dinâmicas emocionais que o paciente pode não ter consciência Através desse processo interpretativo o paciente é incentivado a refletir sobre suas experiências promovendo um entendimento mais profundo de si mesmo e facilitando o avanço do tratamento Minerbo 2016 Assim a combinação da associação livre da construção do vínculo na primeira entrevista da atenção flutuante e das interpretações do analista cria um ambiente terapêutico rico e dinâmico propício para o processo de autoconhecimento e transformação psíquica do paciente Essa metodologia busca não apenas a resolução de sintomas mas a promoção de uma maior compreensão da própria subjetividade contribuindo para o desenvolvimento pessoal e emocional ao longo do tratamento Jorge 2000 4 PROCESSO TERAPÊUTICO 41 descrição resumida do paciente 1 Na sessão de 290425 o paciente J relatou angústia no trabalho devido à pressão do chefe e à carga horária excessiva afetando sua vida familiar Ele enfrenta conflitos com a esposa que possui traumas da infância e preocupase com o comportamento do filho mais velho Apesar das dificuldades J demonstra 28 motivação para o processo terapêutico e deseja explorar suas emoções melhorar a comunicação familiar e promover um ambiente mais saudável Na sessão de 060525 J expressou preocupações sobre a relação tensa entre sua esposa e sua mãe especialmente em relação a uma visita programada Ele também relatou um ambiente de trabalho insustentável devido à pressão do novo chefe apesar da recente promoção e a insatisfação com o salário J enfrenta desafios significativos em sua vida pessoal e profissional que serão explorados nas próximas sessões Na sessão de 20052025 J expressou sobrecarga e falta de apoio no trabalho comparando as exigências de seu chefe e sua esposa Ele relatou frustrações na vida conjugal incluindo incertezas sobre o relacionamento e dificuldades financeiras atribuídas à esposa que geraram ansiedade e medo de perder a família Apesar das queixas J mostrou disposição para agir manifestando interesse em conversar diretamente com seu chefe sobre suas responsabilidades Na sessão de 29052025 J expressou preocupação com as mentiras de seu filho que nega responsabilidades refletindo uma personalidade forte que J reconhece em si mesmo Ele compartilhou sobre sua dependência emocional na infância e como sua relação com os pais influenciou seu comportamento além de relatar sua trajetória de mudança para Maringá e os desafios enfrentados ao se tornar pai J também recordou sua experiência de morar sozinho e a necessidade de se estabelecer uma nova vida com Érica e o filho que estava por vir Na sessão 030625 o paciente não compareceu sem justificar a sua falta Na sessão de 100625 J relatou sobrecarga de trabalho e os desafios emocionais causados pelas oscilações de humor de sua esposa Érica com quem ele enfrenta uma comunicação frágil e dinâmica de culpa Ele mencionou incidentes em que Érica projetou suas frustrações sobre ele evidenciando a ambivalência no relacionamento A sessão terminou com a proposta de explorar essas dinâmicas e focar na melhoria da comunicação e na compreensão mútua nas próximas conversas Na sessão do dia 170625 J chegou atrasado e relembrou que algo na Érica o atraiu mencionando que ela tinha características que suas exnamoradas não tinham Ele comentou sobre suas duas namoradas anteriores destacando que a primeira era muito diferente dele e a segunda terminou abruptamente J admira a Érica por se dar ao respeito no trabalho e acredita que isso contrasta com suas ex 29 namoradas que o deixavam inseguro No entanto ele se sente desrespeitado quando ela fala mal dele na frente dos outros embora perceba momentos carinhosos entre eles J também notou que Érica desconta frustrações do trabalho nele mas acredita que ela ainda tem sentimentos por ele A sessão foi concluída antes de aprofundar mais esses temas Na sessão 010725 J chegou atrasado à sessão explicando que esteve viajando a trabalho e justificando sua ausência anterior Ele relatou a demissão de seu chefe que gerou caos na empresa e o forçou a assumir responsabilidades de liderança J destacou a arrogância do expatrão mas enfatizou que o principal problema era a gestão de perdas financeiras que aumentaram para cerca de 4 milhões Durante sua viagem trabalhou além do horário para apresentar relatórios mas não teve a discussão esperada resultando em frustração Apesar das dificuldades ele demonstrou respeito pelo antigo chefe A sessão foi encerrada rapidamente com J pedindo desculpas pelo atraso Na sessão de 150725 J explicou sua ausência por estar na apresentação da filha na escola Ele relatou desafios no trabalho devido à pressão de três diretores e confusão sobre com quem deve prestar contas J compartilhou um conflito com seu filho onde o chamou de mentiroso após ele assistir a vídeos proibidos resultando em um episódio de agressão Ambos os pais refletem sobre a educação permissiva atual em comparação com suas infâncias J também mencionou o desempenho escolar do filho levantando a possibilidade de TDAH com apoio dos avós para sessões com uma psicopedagoga Ele se vê como alguém concentrado enquanto sua esposa Érica se distrai facilmente 41 ANÁLISE DO PROCESSO TERAPÊUTICO 411 Análise psicanalítica do caso do paciente 1 A psicanálise oferece uma rica estrutura teórica para entender as dinâmicas emocionais e relacionais que o paciente J enfrenta permitindo uma exploração profunda de seus conflitos internos e das interações familiares que moldam sua experiência A seguir apresento uma análise que reúne e desenvolve os conceitos centrais da teoria freudiana e correntes contemporâneas proporcionando uma visão integrada do que está em jogo na vida de J 30 412 Inconsciente e conflitos internos Sigmund Freud postulou que muitos comportamentos e emoções humanas são guiados por processos inconscientes frequentemente em conflito Freud 1900 No caso de J esse conflito se manifesta em um estresse significativo tanto no trabalho quanto nas relações familiares A pressão exercida por seu chefe combinada com a sobrecarga de responsabilidades gera um choque entre seus desejos pessoais e as exigências sociais e familiares que o cercam Essa luta entre as necessidades internas de J e as expectativas externas resulta em sentimentos de angústia e inadequação Em sua obra O MalEstar na Civilização Freud 1930 argumenta que a cultura impõe uma troca inevitável ganhamos proteção e avanços mas perdemos a liberdade pulsional O preço que pagamos por essa civilização é a angústia permanente um reflexo do paradoxo de sermos ao mesmo tempo seres instintivos e socializados A promessa de felicidade pela cultura é para Freud uma utopia O indivíduo busca prazer segundo o princípio do prazer Freud 1920 mas se depara com as limitações impostas pela vida social leis e moralidade levando a uma sensação de desamparo Essa angústia que J expressa em relação à sua infelicidade no trabalho e na vida familiar pode estar relacionada a uma idealização inconsciente da vida moderna que contrasta com a realidade repleta de cobranças e limitações 413 Dinâmicas relacionais e alianças inconscientes Desde a infância J pode ter desenvolvido alianças inconscientes que o levam a evitar conflitos e a manter a harmonia possivelmente como resultado de experiências familiares nas quais discussões eram vistas como negativas Spivacow 2018 Essa tendência é evidente em sua relação com a esposa onde ele frequentemente se mantém passivo mesmo quando ela o ofende publicamente Essa dinâmica não apenas perpetua o ressentimento mas também sugere uma estrutura de defesa que impede J de confrontar questões importantes em sua vida conjugal Adicionalmente a presença de traumas da infância da esposa como uma relação difícil com a mãe adiciona mais camadas ao conflito Isso sugere que os desafios que J enfrenta não são apenas externos mas também profundamente 31 enraizados em questões emocionais e históricas A projeção de frustrações e expectativas dela sobre J pode indicar que ele assume o papel de figuras parentais ou de autoridade evocando sentimentos de culpa e raiva que complicam ainda mais a dinâmica entre eles Spivacow 2018 Nesse contexto as experiências da infância da esposa influenciam seu comportamento atual gerando padrões de interação conflituosos que dificultam a comunicação e a empatia 414 Mecanismos de defesa e intelectualização A busca de J para lidar com os problemas que o angustiam especialmente na vida conjugal é frequentemente acompanhada por uma resistência em reconhecer suas próprias fraquezas e sua parcela de culpa Seu discurso tende a focar na fragilidade da esposa e nas feridas que ela carrega enquanto ele evita explorar suas próprias vulnerabilidades Essa abordagem pode ser vista como um mecanismo de defesa especificamente a intelectualização Mcwilliams 2014 onde J formula teorias complexas sobre as feridas da esposa enquanto projeta seus próprios problemas internos sobre ela J parece confundir sua esposa com um objeto reduzindo sua complexidade a meras representações Cremasco 2018 Essa confusão é especialmente pronunciada em momentos de conflito onde ele tende a ver sua esposa apenas como um objeto de suas frustrações sem reconhecer sua subjetividade Essa limitação na percepção do outro restringe a possibilidade de um relacionamento verdadeiro e saudável perpetuando um ciclo de desentendimentos e ressentimentos Cremasco 2018 415 Mudança e desenvolvimento pessoal A disposição de J para buscar mudança e trabalhar em terapia reflete um desejo genuíno de desenvolver uma nova identidade e promover um ambiente familiar mais saudável A psicanálise enfatiza a capacidade de transformação por meio da reflexão sobre experiências passadas e do reconhecimento de padrões repetitivos Winnicott 1965 O momento atual de J é crucial sua consciência dos conflitos e a disposição para enfrentálos podem permitir uma resolução significativa e um crescimento pessoal 32 A análise da situação de J revela uma interação complexa entre suas experiências pessoais dinâmicas familiares e pressões externas A pressão do trabalho e a carga horária excessiva não apenas afetam seu bemestar emocional mas também impactam negativamente sua vida familiar e seu relacionamento com sua esposa A disposição de J para explorar suas emoções e melhorar a comunicação é um aspecto positivo é crucial para seu progresso na terapia As queixas sobre a dinâmica de culpa e a projeção de frustrações de esposa sobre J indicam um ciclo de conflito que pode ser quebrado através de uma comunicação mais aberta e honesta A proposta de explorar essas dinâmicas nas próximas sessões pode oferecer a J e sua esposa uma oportunidade de entender melhor suas próprias necessidades e as do outro promovendo um ambiente mais saudável para a família 416 A autonomia emocional e respeito mútuo Além disso a dependência emocional de J na infância e sua resistência a mudanças que ele reconhece em si mesmo e em seu filho são temas centrais a serem explorados nas sessões Isso pode ajudar J a entender como essas experiências moldaram suas reações atuais e seu papel na dinâmica familiar O fato de J ter manifestado interesse em discutir suas responsabilidades com seu chefe também é um sinal de sua disposição para enfrentar desafios o que pode ser uma alavanca para seu desenvolvimento emocional e crescimento pessoal Spivacow 2018 É vital que J desenvolva uma autonomia emocional que lhe permita se posicionar diante das críticas de Érica Sua atitude passiva em relação às ofensas dela não contribui para um relacionamento saudável Em algumas ocasiões J apontou que a diferença entre sua atual esposa e uma exnamorada era o respeito que aquela última demonstrava ao confrontálo sobre situações passadas Reconhecer a falta de respeito nas interações é crucial para que J possa se posicionar e confrontar sua esposa sobre seu comportamento Essa assertividade é o primeiro passo para que ele se autorrespeite e consequentemente exija respeito em suas relações de vida permitindo que J explore seus conflitos internos e suas interações familiares O acompanhamento terapêutico é essencial para ajudálo a navegar por essas complexidades promovendo mudanças significativas em sua 33 vida e favorecendo um ambiente familiar mais equilibrado Ao trabalhar na construção de uma comunicação mais efetiva e na identificação de padrões disfuncionais J pode dar passos importantes em direção a um relacionamento mais saudável e satisfatório tanto com sua esposa quanto consigo mesmo Mondrzak 2007 42 análise do paciente 2 Não foi possível fazer analise do caso devido as poucas sessões 43 descrição resumida do paciente 3 150925 O paciente é agente de saúde enfrenta inseguranças em seu relacionamento devido a episódios de ciúmes e ações da namorada Ele possui uma filha de três anos cuja guarda controla preocupado com influências negativas da mãe Histórico de conflitos e ciúmes excessivos marcaram seu relacionamento anterior causando perda de empregos Augusto também passou por dificuldades financeiras envolvendose com drogas o que resultou em prisão mas atualmente trabalha na prefeitura Sua maior preocupação é a educação e bemestar da filha considerando sua relação com a mãe e o impacto do estilo de vida dela 220925 O paciente tem uma infância marcada por conflitos familiares violência e uso de drogas na relação com os pais mas busca reconciliação com o pai após um retiro religioso Ele viveu relacionamentos tumultuados e possui um passado criminal ligado ao tráfico enfrentando inseguranças e medos Sua história é de conflitos internos traumas e uma busca por compreensão e transformação através do acompanhamento terapêutico 290925 Ele está ansioso e refletindo sobre uma rotina de encontros com uma menina de Santa Fé enquanto seu relacionamento com Larissa que é frio e resistente se deteriora mesmo após ele parar de beber Ele pensa em terminar mas preocupase com a filha e a relação com a sogra além de questionar se deve se envolver com a menina rica de Santa Fé O paciente demonstra conflito entre suas emoções relacionamentos e medo de mudanças 061025 Gustavo e Larissa tiveram uma briga que interrompeu a comunicação agravada por problemas no carro e desentendimentos sobre tarefas domésticas Ele considerou terminar mas ela pediu para continuar enquanto ele planeja concursos e melhorias 34 profissionais A relação está marcada por frustração insegurança e tentativas de reconciliação Data 161025 Gustavo terminou o relacionamento após uma briga séria envolvendo uma discussão e agressão de Larissa mas afirma estar tranquilo e focado na venda de lápides para sustentar sua filha Apesar de sentir carência ele deseja trabalhar viajar e aprender novos instrumentos musicais sem planos de reatar Não deseja continuar o acompanhamento psicológico neste momento aguardando nova convocação O caso de Gustavo traz à tona diversas questões que podem ser analisadas à luz das teorias psicanalíticas sobre vínculos afetivos e mecanismos de defesa 432 análise do caso clínico do Paciente 3 Vínculos Afetivos e Conflitos Internos Gustavo apresenta um histórico de vínculos familiares tumultuados e experiências de violência que segundo a psicanálise podem ter contribuído para a formação de padrões relacionais disfuncionais A relação com os pais marcada por conflitos e uso de drogas indica que sua capacidade de estabelecer vínculos saudáveis pode estar comprometida Isso se alinha com as ideias de Ferenczi sobre a confusão emocional e a perda onde a expectativa de cuidado é frustrada gerando inseguranças e um estado de dependência em relação a relacionamentos Barbarine e Martins 2021 Masculinidade e Identidade A questão da masculinidade conforme discutido por Barbarini e Martins 2021 também é relevante Gustavo ao lidar com ciúmes e inseguranças pode estar internalizando uma forma de masculinidade que se baseia em padrões hegemônicos onde a dominação e o controle se tornam centrais nas suas relações Esse aspecto pode estar ligado à sua preocupação com a influência da mãe na educação da filha e sua necessidade de afirmar um papel masculino protetor que é frequentemente associado a um estilo de vida mais tradicional Isolamento do Afeto 35 O isolamento do afeto pode ser observado em suas reações emocionais Apesar de relatar tranquilidade após o término do relacionamento com Larissa há uma carência emocional subjacente que ele parece não reconhecer Isso pode indicar um uso do isolamento como defesa onde ele dissocia as emoções relacionadas ao término e à ausência de um vínculo afetivo significativo para focar em atividades práticas como sustentar a filha e trabalhar Mcwilliams 2014 Conclusão A trajetória de Gustavo ilustra a complexidade dos vínculos afetivos e a influência de experiências passadas na formação da identidade e nas dinâmicas relacionais atuais O acompanhamento terapêutico poderia ajudálo a integrar suas experiências emocionais reconhecer seus padrões de comportamento e explorar novas formas de se relacionar tanto consigo mesmo quanto com os outros A busca por compreender e transformar suas relações é um passo importante para lidar com os conflitos internos e promover um desenvolvimento emocional saudável Referências BARBARINI Neuzi MARTINS Daniel Fauth Washington Masculinidade como instituição uma análise conceitual do ser homem no Brasil Psicologia em Estudo v 36 n 1 p 4560 janmar 2021 CHEMAMA R Psicanálise do cotidiano elementos lacanianos para uma psicanálise do cotidiano Porto Alegre CMC Editora 2002 CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA Código de ética profissional do psicólogo Brasília DF 2005 Disponível em httpssitecfporgbrwpcontentuploads201207codigodeeticapsicologiapdf Acesso em 3 maio 2025 FREUD S A interpretação dos sonhos 1900 Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2016 36 FREUD S História de uma neurose infantil o homem dos lobos Além do princípio do prazer e outros textos 19171920 Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2010 FREUD S Psicologia das massas e análise do eu e outros textos 19201923 In Psicologia das massas e análise do eu e outros textos 19201923 2011 p 343 343 FREUD Sigmund Obras completas volume 4 A interpretação dos sonhos Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2019 JORGE M A C Fundamentos da psicanálise de Freud a Lacan 2 ed Rio de Janeiro Zahar 2005 LEJARRAGA Ana Lila Clínica do trauma em Ferenczi e Winnicott SãoPaulov10n2dez2008Disponívelemhttpspepsicbvsaludorgscielophp scriptsciarttextpidS151724302008000200005 Acesso em 25102025 MINERBO M Ateliê clínico Para que serve uma análise Volume 1 São Paulo Blucher 2024 MINERBO M Diálogos sobre a clínica psicanalítica São Paulo Blucher 2016 MONDRZAK V S Processo psicanalítico e pensamento aproximando Bion e MatteBlanco Revista Brasileira de Psicanálise v 41 n 3 2007 PIGNATARO M B FÉRESCARNEIRO T MELLO R A formação do casal conjugal um enfoque psicanalítico Pensando Famílias v 23 n 1 p 120 2019 PRESA G A CREMASCO M V F Viver sem o objeto Revista Subjetividades Fortaleza v 18 n 1 p 110 2018 SAMPAIO A de O A clínica de casal análise das relações vinculares Mimesis v 30 n 2 2009 SPIVACOW M A O casal em conflito contribuições psicanalíticas Pról René Kaës Trad e ed Adriana May Mendonça Denise Martinez Souza Marcia Zart Terra de Areia RS Triangullo Gráfica e Editora 2018 TREIGUER L E M O paradoxo vincular no casal desejo constituição e morte PHP 2007 ZASLAVSKY J DOS SANTOS M J P Sobre o papel das identificações na relação amorosa Revista de Psicanálise SPPA Porto Alegre v 2 n 2 p 4751 4933 1996 ZIMERMAN D E Manual de técnica psicanalítica um estudo teóricoclínico da entrevista inicial dos critérios de analisabilidade e do contrato Porto Alegre Artmed 2004 37 5 ANEXO A ATENDIMENTO DIA 290425 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio Clínica Local Clínica de psicologia Uningá Horário 17 h às 18h Data 29042 5 IntervençãoSessão nº 1 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio Supervisionado Carga H o r á r i a 1 Aluno grupo Rodolfo Rodrigo Benedetti Professor sup Bruna Garcia Data 29042025 O paciente J apresentouse na sessão realizada em 290425 Ele relatou angústia no trabalho motivada pela pressão exercida pelo chefe e pela carga horária excessiva o que resulta em pouco tempo para sua família Sua esposa expressa insatisfação com a falta de tempo que o marido dedica aos filhos e à situação financeira em que se encontram O paciente descreve sua esposa como uma pessoa difícil de lidar com quem tem enfrentado frequentes conflitos Ele menciona que ela foi criada apenas pela avó materna o que segundo ele contribui para traumas que dificultam a convivência entre eles As discussões se intensificam durante os dias de TPM e o paciente relata que utiliza um aplicativo para monitorar o ciclo menstrual da esposa tentando evitar conflitos nesses períodos Além disso o paciente demonstra preocupação com o comportamento do filho mais velho que se envolveu em episódios de furto incluindo o roubo de dinheiro da irmã e a destruição de figurinhas na escola Essa situação o leva a refletir sobre a educação e o desenvolvimento moral da criança Apesar das dificuldades o paciente está motivado para o processo terapêutico e expressa interesse em continuar as 38 sessões inclusive na modalidade online caso não seja possível realizar atendimentos presenciais Para as próximas sessões será importante explorar seus sentimentos de angústia e identificar as fontes de estresse melhorar a comunicação com a esposa discutir estratégias para equilibrar trabalho e vida familiar abordar o comportamento do filho e considerar formas de incentivar a esposa a buscar terapia respeitando sua resistência O paciente demonstra consciência das dinâmicas familiares que impactam seu bemestar emocional e está disposto a trabalhar nessas questões As futuras sessões deverão focar nas áreas mencionadas visando promover um ambiente familiar mais saudável 39 6 ANEXO B ATENDIMENTO DIA 060525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horári o 17 h às 18h Data 06052 5 Intervençãosessão nº 2 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga hor ária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 06052025 J chegou pontualmente às 17h e iniciou a conversa expressando suas preocupações sobre a relação da esposa com sua mãe Ele está apreensivo em relação à visita marcada para o próximo domingo à casa de seus pais Ao investigar essa apreensão J compartilhou um incidente recente durante um almoço na casa de sua mãe onde sua esposa o criticou por sua falta de compromisso com a casa e a família Sua mãe interveio questionando a esposa sobre a falta de reconhecimento e apoio o que levou a esposa a se retirar da mesa e solicitar a saída Perguntei a J sobre a situação atual com a esposa e ele mencionou que as coisas melhoraram um pouco mas a relação com a mãe ainda é tensa Ele expressou a preocupação de não querer deixar os filhos sob os cuidados da mãe uma vez que sua esposa só aceita deixálos com a mãe e a irmã J também revelou receios em deixar seu filho com o pai devido a temores de abuso embora não tenha confirmado se sua esposa já passou por essa experiência No que diz respeito à vida profissional J relatou que a situação com seu chefe se tornou insustentável Ele acredita que a recente mudança na gestão da rede de supermercados está gerando pressão por resultados imediatos e eficazes o que tem impactado negativamente a dinâmica com sua equipe Apesar de ter recebido uma promoção recentemente J não está satisfeito com o salário pois não houve um aumento que correspondesse à nova função Ele 40 suspeita que a empresa esteja realizando uma avaliação prometendo um aumento após seis meses caso os resultados esperados sejam atingidos A sessão foi encerrada destacando que J enfrenta desafios tanto em sua vida pessoal quanto profissional que precisam ser explorados e refletidos nas próximas sessões 41 7 ANEXO C ATENDIMENTO DIA 200525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 20052 5 Intervenção Sessão nº 3 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Hor ári a 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 20052025 Na sessão de hoje J apresentou uma série de queixas relacionadas à sua vida profissional e pessoal destacando a sensação de sobrecarga e a falta de apoio em ambas as esferas Ele relatou que está se sentindo pressionado no trabalho enfrentando um volume elevado de tarefas sem o devido suporte de seu chefe J mencionou que seu chefe propõe a necessidade de um bom desempenho mas paradoxalmente continua a sobrecarregálo com mais responsabilidades Fez uma comparação entre seu chefe e sua esposa ambos considerados sem lógica em suas exigências Em relação à sua vida conjugal J expressou frustração em relação à sua esposa citando um recente convite dela para não chegar tarde em casa mas sem clareza sobre o compromisso Ele observou que essa instabilidade gera ansiedade pois pode se tratar de um convite para um momento agradável ou uma conversa sobre separação J revelou que já considerou a separação em duas ocasiões mas uma oração em um momento de reflexão o levou a interpretar que deveria permanecer no casamento especialmente após a notícia da gravidez de sua filha J também trouxe à tona a dificuldade financeira que enfrenta atribuindo parte da culpa a sua esposa Ele explicou que após ela seguir um guru financeiro e fazer investimentos de alto risco acabou assumindo uma dívida significativa com a compra de um carro cujas parcelas se tornaram uma carga pesada 42 comprometendo seu orçamento Atualmente J mencionou que não recebe ajuda dela para os gastos uma vez que ela também lida com suas próprias dívidas O medo de perder a esposa e os filhos é um tema recorrente em suas queixas J expressou preocupações sobre a possibilidade de sua esposa levar as crianças para morar com a família dela em Amaporã o que o angustia especialmente em relação à influência negativa que a família dela pode ter sobre os filhos Um aspecto positivo observado na sessão foi a disposição de J em agir de forma proativa Ele demonstrou interesse em ter uma conversa direta com seu chefe para discutir suas preocupações e buscar um entendimento mais claro sobre suas responsabilidades 43 8 ANEXO D ATENDIMENTO DIA 290525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 29052 5 Intervenção Sessão nº 4 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga h o r á ri a 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 29052025 J começou a sessão dizendo que seu filho esta mentindo muito que isso está o preocupando Perguntei se as mentiras são histórias inventadas J Explicou que as mentiras são feitas a partir de uma discussão na qual ele faz uma coisa e nega ter feito Como por exemplo quando sua mãe reclamou que ele não tinha feito a tarefa e quando ele perguntou ele disse que havia feito só depois de muita insistência que admitiu não ter feito J disse que seu filho não tem muito gosto pelos estudos e que nisso é muito diferente dele Perguntei se tem coisas semelhantes com filho disse que sim a personalidade forte de confrontar os pais disse que é igual e que inclusive seu comportamento era diferente dos outros dois irmãos pergunte se era o mais velho ele disse que era o mais novo Lembrou de um dia que entrou em confronto com seu pai pois avisou que eatava estava indo para uma festa em astorga e seu pai disse que nao iria ele então falou que estava apenas avisando Lembrou que seus pais fazia tudo por ele desde o levar a escola buscar e que por exemplo nunca cozinhou sendo isso uma das críticas que Érica sua esposa faz a ele Foi se sentir mais dependente quando deixou Marília e veio para Maringa estudar Perguntei entao como foi que os seus pais vieram para Maringá Falou que 44 ele passou no vestibular na UEM e veio morar com um primo dele no segundo ano de faculdade ele foi morar sozinho entao primeiro veio sua mãe mas deixou bem claro que nao queria ser vigiado depois veio seu pai e sua irmã e seu cunhado Após a faculdade arrumou emprego em Astorga em uma usina Morava em um quarto com banheiro apenas Neste período engravidou a Érica então ela foi morar com seus pais e ele se viu obrigado a voltar e arrumar uma casa para morar um junto com a Érica e seu filho que iria nascer 45 9 ANEXO E ATENDIMENTO DIA 100525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 10052 5 Intervenção sessão nº 5 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga hor ária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 10062025 Na sessão de hoje J chegou com um atraso de 20 minutos justificandose com problemas relacionados ao serviço Ele também mencionou a ausência na sessão anterior devido a uma viagem durante a qual não teve acesso ao celular Ao longo da conversa J expressou uma série de dificuldades que enfrenta tanto em sua vida profissional quanto no âmbito familiar Ele relatou uma sobrecarga significativa de trabalho mencionando a dificuldade em gerenciar sua carga horária o que parece impactar sua saúde mental e emocional refletindo um estado de estresse e cansaço J trouxe à tona a situação de sua esposa Érica que continua apresentando oscilações de humor Ao questionálo sobre o cansaço que isso poderia causar ele afirmou ter se acostumado e optado por uma postura passiva diante das oscilações dela Exemplos foram dados para ilustrar essa dinâmica em uma visita recente dos padrinhos do filho Érica começou a reclamar que ele não ajuda em casa J optou por se afastar da situação indicando uma estratégia de evitar conflitos Outro exemplo relevante foi o incidente em que seu filho se queimou com um ferro quente J relatou que Érica o culpou pela situação mesmo reconhecendo que ela deveria ter mais cuidado com a criança que estava sob sua responsabilidade na parte superior da casa Essa dinâmica de culpas parece ser um padrão recorrente no relacionamento onde Érica projeta suas frustrações em J 46 Durante a sessão J foi questionado sobre a natureza do relacionamento com Érica Ele mencionou que embora tenham momentos de boa convivência a situação se torna complicada em momentos de tensão A comunicação entre eles parece frágil especialmente em situações emocionais delicadas J trouxe um episódio marcante de uma terapia de casal onde Érica respondeu não sei quando questionada se ainda se gostam evidenciando a ambivalência no relacionamento J relatou que sempre percebeu Érica com esse comportamento desde o início do relacionamento que começou na empresa onde trabalhavam A narrativa de como se conheceram sugere uma atração inicial mas também revela que desde o início houve uma desarmonia que pode ter se intensificado com o tempo A gravidez planejada e a mudança para a casa dos pais de Érica também foram pontos importantes trazendo à tona atritos familiares que contribuíram para a tensão no relacionamento A sessão foi encerrada com a proposta de retomar as questões levantadas nas próximas conversas permitindo que J reflita sobre as dinâmicas familiares e emocionais discutidas É fundamental continuar trabalhando na comunicação e na compreensão mútua entre J e Érica assim como explorar mais a fundo as questões de culpa e frustração que permeiam o relacionamento Os próximos passos incluem explorar as dinâmicas de culpa e projeção de frustrações focar na melhoria da comunicação entre J e Érica e analisar o impacto da carga de trabalho na saúde emocional de J 47 10 ANEXO F ATENDIMENTO DIA 170625 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 17062 5 Intervenção sessão nº 5 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga hor ári a 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 17062025 J se atrasou vinte minutos novamente Comecei a sessão lembrando de uma fala de J A qual dizia que alguma coisa o atraiu na Érica Então fiz a pergunta o que seria esse algo que o atraiu nela Respondeu que ela tinha algo que a sua ex namorada não tinha Perguntei o que seria Disse que teve duas namoradas antes da Érica e que a primeira era mais velha que ele e tinham pensamentos diferentes sobre a vida Ela pensava em casar pois já era formada e quando ele estava ainda na faculdade e queria aproveitar mais a vida Então conheceu a segunda namorada e ficaram pouco tempo em torno de 9 meses Ela o achou para jantar e disse que não queria mais continuar ficou muito mal e mantinha contato com ela por mensagens até que um dia ela mandou uma mensagem falando que não queria mais conversar com ele para não dar esperanças foi aí que disse que tinha que deixar de ser trouxa e seguir sua vida e cortar contato com ela Disse que foi interessante pois neste dia que ele viu a Érica pela primeira vez mas apenas achou uma mulher bonita e admirou que ela trabalhando em um chão de fábrica onde os homens de todas as idades mexiam com ela sempre se deu ao respeito Então concluiu que a Érica diferente da antiga namorada sempre o respeitou Mesmo quando não namorava ela se dava ao respeito mantendo a distância das pessoas e até hoje é assim Sua antiga namorada era muito de brincar com as pessoas 48 inclusive com homens isso o deixava e acredita que se permanecesse com ela o deixaria inseguro Perguntei se quanto a palavra respeito o qual diz a Érica ter para com ele não sente desrespeitado quando ela fala mal dele na frente dele para as outras pessoas Respondeu nisso sim é muito ruim isso que ela faz Perguntei se ele acredita que ela tem a imagem dele das reclamações que ela faz dele para as pessoas Respondeu que acha que sim mas também vê momentos em que ela é carinhosa com ele Continuou que percebe quando ela se frustra com alguma coisa no trabalho ela desconta nele Mas acredita que ela tenha sentimento por ele Antes do namoro ela era apegada a ele e muito mais carinhosa quando nasceu seu primeiro filho ela se apegou demais e tinha nele uma fixação exagerada depois que nasceu a filha deixou o filho de lado e tem essa fixação com a filha Como o tempo estava acabando concluí a sessão 49 11 ANEXO G ATENDIMENTO DIA 070725 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 01072 5 Intervenção sessão nº 8 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga hor ária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 01072025 J apresentouse atrasado chegando aproximadamente 15 minutos após o início da sessão Quando questionado acerca do motivo de sua ausência na sessão anterior esclareceu que esteve viajando a trabalho demonstrando esforço em justificar as faltas e admitindo que anteriormente por uma única ocasião não enviou justificativa No entanto reforçou que naquela última ausência explicou a ausência devido à viagem profissional Durante a sessão comentou que pretendia falar de trás para frente o que inicialmente suspeitei tratarse de uma abordagem reflexiva sobre os eventos recentes confirmação essa que veio com sua narrativa subsequente J contou que seu chefe foi demitido recentemente causando uma situação de caos na empresa na qual recaiu sobre ele a responsabilidade de assumir temporariamente funções de liderança já que ocupava uma posição de coordenação abaixo do seu antigo chefe Destacou que seu expatrão tinha um comportamento de soberba exibindo arrogância e uma postura de superioridade por possuir trinta anos de experiência Quando questionei se essa postura afetava sua performance ou relação no trabalho ele respondeu que o problema principal não era a postura do chefe mas sim as dificuldades relativas à gestão de perdas financeiras que estavam aumentando de forma preocupante 50 J revelou que em uma viagem a Umuarama e Foz do Iguaçu participou de ações voltadas para analisar perdas constatando uma perda de aproximadamente 4 milhões Sua função era desenvolver estratégias para reduzir essa perda mas percebeu que ao invés disso o cenário se agravava e sua principal responsabilidade se limitava a exercer pressão sobre si mesmo e sobre sua equipe J admitiu não sentir alívio após a demissão do antigo chefe demonstrando respeito e consideração por ele reconhecendo que foi o responsável por sua contratação apesar das dificuldades de relacionamento Relatou que se sentia pressionado pela postura do exchefe o que lhe causava malestar Durante a viagem de trabalho J descreveu que trabalhou além do horário habitual inclusive no sábado para apresentar relatórios de perdas ao seu patrão na expectativa de obter um momento de análise e discussão dos resultados na sexta feira mas isso não ocorreu pois seu chefe o criticou em vez de dialogar A sensação de frustração por esse episódio foi perceptível Pelo tempo curto encerramos a sessão J Pediu desculpas pelo atraso e disse que ele tem mandado no número que tem da clínica avisando sobre seus atrasos 51 12 ANEXO H ATENDIMENTO DIA 150725 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 15072 5 Intervenção sessão nº 8 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga hor ári a 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 15072025 Na última reunião J chegou pontual e embora não tenha justificado sua ausência explicou que teve que comparecer à apresentação da filha na escola durante a Festa Junina Ele compartilhou os desafios que enfrenta no trabalho mencionando a falta de referências sobre com quem conversar e a pressão que sente de três diretores que o cobram de maneira diferente Durante a conversa ele relatou um episódio em que um dos diretores o chamou para uma reunião enquanto estava atendendo a uma demanda o que aumentou sua confusão sobre a quem realmente deve prestar contas J também expressou sua preocupação com a relação com seu filho que apresentou um comportamento estranho recentemente Ele compartilhou um conflito em que chamou o filho de mentiroso o que resultou em um impulso de agressão ao dar um soco em sua perna O motivo do desentendimento foi que o filho estava assistindo a vídeos no YouTube mesmo sabendo que tanto ele quanto a mãe não queriam que ele visse aquele conteúdo Após o incidente J ficou angustiado e acabou se retirando do local mas o filho pediu desculpas assim como sua esposa que ressaltou que a forma de educar não deveria ser a violência J refletiu sobre a dificuldade de criar os filhos nos dias de hoje comparando se a sua própria infância quando ele enfrentou reprimendas severas de seus pais 52 Ele mencionou que na sua visão a educação dos filhos atualmente é marcada pela permissividade Sua esposa por sua vez relatou uma situação em que em um momento de desespero deu um tapa no rosto do filho quando ele a desafiou demonstrando que ambos os pais ainda estão aprendendo sobre a melhor forma de educar A conversa também abordou o desempenho escolar do filho J comentou que apesar de não estar com notas ruins ele se mostra distraído e desinteressado nas tarefas de casa Para ajudar os avós do menino estão contribuindo financeiramente para que ele frequente sessões com uma psicopedagoga A possibilidade de o filho ter TDAH foi levantada pela esposa que se identificou com alguns dos comportamentos do filho J mostrouse compreensivo e observador notando que o filho tem hiperfoco em determinados assuntos como música e esportes o que pode indicar características do TDAH Por fim J se considera alguém que se concentra profundamente nas atividades ao contrário de Érica de sua esposa que tende a se distrair facilmente Reconhece que a personalidade dos filhos é uma mistura dele com sua mulher com características físicas e intelectuais que remetem a cada um UNINGÁ Centro Universitário Ingá Credenciada pela Portaria N 7762016 MEC PR 317 Av Morangueira n 6114 CEP 87035510 Maringá Paraná 44 30335009 uningauningaedubr wwwuningabr Página 1 de 2 TERMO DE COMPROMISSO DE ESTÁGIO OBRIGATÓRIO VERSÃO 20251 UNIDADPE DE ENSINO SUPERIOR INGÁ LTDA pessoa jurídica de direito privado inscrito no sob nº 01207056000184 com sede à Rodovia PR 317 Nº 6114 CEP 87035510 em MaringáPR neste ato representada por QUALIFICAÇÃO COMPLETA REPRESENTANTE LEGAL Adriana Rocha Beluco 75479727 CPF 02937664954 cargo responsável técnica pela clínica de psicologia email profadrianarochauningaedubr doravante denominada UNIDADE CONCEDENTE Rodolfo Rodrigo Benedetti do curso de Psicologia 5º ano turno matutino portadora do RG N76931399 e do CPF Nº 06916811986 residente e domiciliado à rua José Peres Gonçales 41 Presidente Castelo Branco CEP 87180000 por intermédio da UNIDADPE DE ENSINO SUPERIOR INGÁ LTDA ora designada de UNINGÁ CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ com sede à Rodovia PR 317 Nº 6114 CEP 87035510 em MaringáPR inscrita no CNPJ sob Nº 01207056000184 neste ato representada pela Coordenadora da Central de Estágios ao final assinada doravante denominada UNINGÁ celebram estágio vigente no período de 24022025 a 19122025 conforme condições a seguir CLÁUSULA 1ª O presente termo tem por objetivo regulamentar o desenvolvimento de estágio supervisionado obrigatório assim definido como tal no projeto do curso cuja integralização da carga horária é requisito indispensável para aprovação e obtenção de diploma pelo ESTAGIÁRIO CLÁUSULA 2ª Este Termo de Compromisso regerseá pela legislação vigente em especial pela Lei Federal n º 11788 de 25 de setembro de 2008 e pelo Convênio celebrado entre a CONCEDENTE e a INSTITUIÇÃO DE ENSINO 21 As atividades do a serem realizadas pelo ESTAGIÁRIO na CONCEDENTE não configurarão a existência de vínculo empregatício conforme previsto na Lei Federal nº 11788 de 25 de setembro de 2008 CLÁUSULA 3ª O estágio será realizado no período de 24022025 a 19122025 junto à UNIDADE CONCEDENTE totalizando 200 horas de atividades conforme Plano de Estágio CLÁUSULA 4ª Durante as atividades oa ESTAGIÁRIOA se compromete a observar estritamente o regulamento disciplinar e as normas internas da UNIDADE CONCEDENTE CLÁUSULA 5ª OA ESTAGIÁRIOA comprometese ainda a cumprir fielmente o Plano de Estágio estabelecido pela UNINGÁ Supervisão e Estágio e UNIDADE CONCEDENTE bem como atender às orientações gerais recebidas doa supervisora designadoa responsabilizandose por danos advindos de eventual inobservância CLÁUSULA 6ª OA ESTAGIÁRIOA se compromete a tratar todas as informações pessoais e pessoais sensíveis dos pacientes usuários e terceiros mantidos pela CONCEDENTE a que tiverem acesso como Informações Confidenciais não podendo sob qualquer pretexto divulgálas revelálas reproduzilas e utilizálas para fins outros que não aqueles relacionados ao Estágio Supervisionado Obrigatório ou dar conhecimento destas informações a terceiros estranhos a esta relação jurídica salvo mediante expressa e prévia autorização sob pena de responsabilização civil e criminal CLÁUSULA 7ª O estágio poderá ser interrompido pela CONCEDENTE ou pelo ESTAGIÁRIO mediante comunicação por escrito feita com 5 cinco dias de antecedência no mínimo não implicando em indenização de qualquer espécie para qualquer uma das partes CLÁUSULA 8ª OA ESTAGIÁRIOA no local período e horários das atividades estará seguradoa contra acidentes pessoais por força da Apólice n 820203595 MAG SEGUROS contratado pela UNINGÁ UNINGÁ Centro Universitário Ingá Credenciada pela Portaria N 7762016 MEC PR 317 Av Morangueira n 6114 CEP 87035510 Maringá Paraná 44 30335009 uningauningaedubr wwwuningabr Página 2 de 2 CLÁUSULA 9ª Por se tratar de estágio curricular obrigatório durante a realização do estágio oa ESTAGIÁRIOA não fará jus à bolsa ou qualquer outra forma de remuneração CLÁUSULA 10ª Em se tratando de estágio curricular obrigatório desenvolvido em UNIDADE CONCEDENTE mediante convênio específico fica oa ESTAGIÁRIOA ciente da obrigatoriedade da frequência assídua no estágio no período e horários estabelecido no presente termo bem como que a integralização da carga horária prevista é condição indispensável para aprovação no correspondente componente curricular e conclusão do curso de modo que eventuais faltas acarretarão em reprovação não estando a UNINGÁ obrigada a oferecer reposição CLÁUSULA 11ª As partes qualificadas no preâmbulo do presente instrumento manifestam sua concordância com a utilização de procedimentos e recursos tecnológicos que possibilitem a realização de assinatura digital ou eletrônica do presente termo eou de seus aditivos com fundamento da Lei Nº 14063 de 23 de setembro de 2020 e Medida Provisória No 22002 de 24 de agosto de 2001 atribuindolhe pela validade jurídica CLÁUSULA 12ª Fica eleito o foro da Comarca de Maringá estado do Paraná para dirimir as questões porventura oriundas deste Termo de Compromisso com renúncia a qualquer outro por mais privilegiado que seja E por estarem assim juntos e compromissados assinam o presente termo de convênio para estágio cujo teor é de todas as partes conhecido firmam digitaleletronicamente o presente instrumento UNINGÁ e CONCEDENTE bem como 02 duas testemunhas idôneas para que se produzam todos os efeitos legais MaringáPR 24 de fevereiro de 2025 UNIDADE DE ENSINO SUPERIOR INGÁ LTDA ESTAGIÁRIO A UNIDADE CONCEDENTE Instrumento assinado digitaleletronicamente com fundamento na Lei Nº 14063 de 23 de setembro de 2020 e Medida Provisória No 22002 de 24 de agosto de 2001 conforme registros seguintes Rodolfo B Assinado eletronicamente Daniele A Este documento não pode conter rasuras PLANO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO OBRIGATÓRIO VERSÃO 20251 RA 9648821 NOME Rodolfo Rodrigo Benedetti Telefone 44 99754 3377 Curso Psicologia Série 5º Turno matutino Unidade Concedente Público ou X Privado Nome fantasia UNINGÁCENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ RAMO DE ATIVIDADE DA CONCEDENTE instituição de ensino SETOR DE ESTÁGIO PSICOLOGIACLÍNICA DE PSICOLOGIA PERÍODO DO ESTÁGIO Início 24022025 Término 19122025 2 HORÁRIO DO ESTÁGIO DIAS DA SEMANA M A N H Ã T A R D E N O I T E CARGA HORÁRIA DIÁRIA ENTRADA SAÍDA ENTRADA SAÍDA ENTRADA SAÍDA Segundafeira 00 h 00 h 00 h 00 h 00 h Terçafeira 00 h 00 h 00 h 00 h 00 h Quartafeira 00 h 00 h 00 h 00 h 00 h Quintafeira 00 h 00 h 00 h 00 h 00 h Sextafeira 00 h 00 h 00 h 00 h 00 h Sábado Domingo TOTAL DA CARGA HORÁRIA SEMANAL 5 h 3 SUPERVISORA DESIGNADO PELA CONCEDENTE Nome do a Supervisora Bruna Luzia Garcia de Oliveira CPF 044859188980 CargoFunção DOCENTE Emailprofbrunaluziaoliveirauningaedubr Curso de Formação psicologia Registro no conselho de classe CRP 0817627 4 ORIENTADORA DESIGNADOA PELA INSTITUIÇÃO DE ENSINO Nome do Orientadora Alexsandra Oliveira Área Psicologia Email psicologiauningáedubr 5 ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS Descrever detalhadamente cada tarefa eou etapa de desenvolvimento do estágio Leitura do regulamento de estágio Preenchimento das documentações de estágio Explicação sobre as normas do estágio e da clínica Leitura de materiais teóricos que embasem os atendimentos clínicos Realização de atendimento clínicospreenchimento das documentações do paciente Supervisão dos casos clínicos atendidos por cada acadêmico Elaboração de relatos e relatórios Devolutiva para o paciente 6 Os RELATÓRIOS DE ESTÁGIO DEVERÃO SER APRESENTADOS A CADA 60 HORAS DE ESTÁGIO CUMPRIDAS Assinaturas Supervisora do Estágio Concedente Rodolfo B Este documento não pode conter rasuras Estagiárioa Com carimbo do Setor Concedente Orientadora do Estágio UNINGÁ Central de Estágios UNINGÁ Assinado eletronicamente Daniele A Autenticação eletrônica 56 Data e horários em GMT 300 Sao Paulo Última atualização em 15 mai 2025 às 1756 Identificador 7ff39f4ca573cfe5e41b210d77b95ecd0377c23727f85f5a1 Página de assinaturas Rodolfo B Rodolfo Benedetti Bruna Oliveira 06916811986 04485918980 Signatário Signatário Assinado eletronicamente Assinado eletronicamente Adriana Beluco Alexsandra Oliveira 02937664954 04941847954 Signatário Signatário Daniele A Daniele Aguiar 30799590860 Signatário HISTÓRICO 28 mar 2025 112602 Daniele de Oliveira Aguiar criou este documento Email centraldeestagiosuningaedubr CPF 30799590860 28 mar 2025 172729 Rodolfo Rodrigo Benedetti Email rodolfobenedettihotmailcom CPF 06916811986 visualizou este documento por meio do IP 18795109216 localizado em Curitiba Paraná Brazil 28 mar 2025 172744 Rodolfo Rodrigo Benedetti Email rodolfobenedettihotmailcom CPF 06916811986 assinou este documento por meio do IP 18795109216 localizado em Curitiba Paraná Brazil 13 mai 2025 102137 Bruna Luzia Garcia de Oliveira Email profbrunaluziaoliveirauningaedubr CPF 04485918980 visualizou este documento por meio do IP 177220176177 localizado em Curitiba Paraná Brazil Escaneie a imagem para verificar a autenticidade do documento Hash SHA256 do PDF original c5cfe2563b411dbbceac0659311ac681a28cc51293bc0e2d727505b7a4572f7a httpsvalidaae7ff39f4ca573cfe5e41b210d77b95ecd0377c23727f85f5a1 Autenticação eletrônica 66 Data e horários em GMT 300 Sao Paulo Última atualização em 15 mai 2025 às 1756 Identificador 7ff39f4ca573cfe5e41b210d77b95ecd0377c23727f85f5a1 13 mai 2025 102147 Bruna Luzia Garcia de Oliveira Email profbrunaluziaoliveirauningaedubr CPF 04485918980 assinou este documento por meio do IP 177220176177 localizado em Curitiba Paraná Brazil 14 mai 2025 073656 Adriana Cridtina Rocha Beluco Email profadrianarochauningaedubr CPF 02937664954 visualizou este documento por meio do IP 18711284218 localizado em Maringá Paraná Brazil 14 mai 2025 073706 Adriana Cridtina Rocha Beluco Email profadrianarochauningaedubr CPF 02937664954 assinou este documento por meio do IP 18711284218 localizado em Maringá Paraná Brazil 14 mai 2025 195310 Alexsandra Silva de Oliveira Email psicologiauningaedubr CPF 04941847954 visualizou este documento por meio do IP 4571104232 localizado em Maringá Paraná Brazil 14 mai 2025 195318 Alexsandra Silva de Oliveira Email psicologiauningaedubr CPF 04941847954 assinou este documento por meio do IP 4571104232 localizado em Maringá Paraná Brazil 28 mar 2025 112603 Daniele de Oliveira Aguiar Email centraldeestagiosuningaedubr CPF 30799590860 visualizou este documento por meio do IP 177125217147 localizado em Maringá Paraná Brazil 15 mai 2025 175650 Daniele de Oliveira Aguiar Email centraldeestagiosuningaedubr CPF 30799590860 assinou este documento por meio do IP 177125217147 localizado em Maringá Paraná Brazil Escaneie a imagem para verificar a autenticidade do documento Hash SHA256 do PDF original c5cfe2563b411dbbceac0659311ac681a28cc51293bc0e2d727505b7a4572f7a httpsvalidaae7ff39f4ca573cfe5e41b210d77b95ecd0377c23727f85f5a1 CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 14 h às 15h DATA 150925 IntervençãoSessão nº 1 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 150925 Augusto é um paciente que expressou preocupações sobre a confiança em sua atual namorada especialmente após um episódio em que ela pesquisou o nome de seu exnamorado no Instagram Ao ser questionada sobre isso ela justificou que queria saber se Augusto falaria a respeito o que gerou inseguranças nele O contexto envolve uma atividade em que ela participa tocando trombone na fanfarra Em suas reflexões Augusto também compartilhou experiências passadas com sua ex namorada caracterizadas por conflitos significativos Ele destacou que ela era extremamente ciumenta a ponto de colocar sua segurança em risco A relação começou em uma festa em Iguaraçu mas o ciúme excessivo se tornou um problema recorrente manifestandose em situações do dia a dia como quando ele trabalhava como açougueiro Ele relatou que ao atender clientes mulheres sua ex frequentemente aparecia fazendo escândalos e ameaçando tanto as clientes quanto ele o que resultou na perda de seis empregos em um período de apenas dois meses Augusto e sua exnamorada têm uma filha de três anos que está sob a guarda dele Durante a separação a ex reagiu de maneira contrária a princípio mas acabou aceitando a situação Hoje ela tem um novo namorado e visita a filha às quintasfeiras CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 O paciente também mencionou que devido a dificuldades financeiras se envolveu com o tráfico de drogas o que resultou em sua prisão e atualmente está cumprindo pena em serviço comunitário Apesar dessas dificuldades ele conseguiu um emprego na prefeitura de Maringá como agente de saúde Por fim Augusto demonstrou um profundo cuidado pela filha expressando o amor que sente por ela e suas preocupações em relação à sua educação Ele teme que a criança seja influenciada negativamente pela mãe e pelo estilo de vida dela que ele considera imprudente e sem juízo Assim a narrativa de Augusto revela questões complexas relacionadas à confiança ciúmes e os desafios enfrentados em seus relacionamentos além de destacar a importância de sua relação com a filha que se tornou um ponto central em sua vida CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 14 h às 15h DATA 290925 IntervençãoSessão nº 3 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 290925 Falou que estava ansioso para falar esta semana e estava com a cabeça a mil Voltou a conversar com uma menina de Santa Fé que namorou quando tinha 14 anos por acaso isso se repetiu quando ela namorou ele pois ele tinha uma menina que namorava Ele falou que esses negócios de karma e repetição eu acredito Ele faz o cadastro de famílias no PSF e mandou para ela que precisava fazer cadastro Ela respondeu que tinha um amigo com esse nome e ele apenas falou que legal kkkkk Quando ela perguntou se ele era de Santa Fé já deu um frio na barriga Daí ele disse que veio as memórias e que agora eles estão conversando todo dia e que a relação com a Larissa que já não estava boa piorou Ela é muito fria não procura carinho afeto Não pergunta se quero comer o que vamos comer se não for ele quem procurar ela não se mexe Perguntei se ele pretende terminar com ela e ele disse que vai observar a situação mas que já alertou ela na sextafeira pois no sábado tinha o aniversário da mãe dele e ele não queria chegar no aniversário com cara de clima ruim Disse que essas conversas estão sendo frequentes e que ela se justifica tentando jogar a culpa nele mas que ela não assume o que pode melhorar Ele disse que bebia muito e era agressivo e que teve duas brigas feias Na segundafeira ele tomou a decisão de parar de beber e até hoje nunca mais bebeu Mas ela não se propõe a mudar Ele não sabe o que fazer caso separe porque a neném é muito apegada a ela Ela tem qualidades faz tudo na minha casa eu só lavo a roupa e limpo o chão o resto ela faz Perguntei há quanto tempo eles se encontram e ele disse que quase todo dia à noite ele passa lá Perguntei se ela já negou ir alegando algo e ele disse que não mas que percebe que virou rotina Disse também que os pais dela são bem secos assim como ela bem diferente dele Ele fala que ele beija o pai até pega ele no colo senta no colo da mãe e ela faz carinho Que até o sogro ele tentou beijar mas ele se esquiva Perguntei se em outras situações a Larissa se mostra mais empolgada e ele disse que sim quando vem parentes de fora Ela fica outra pessoa Falei que parece que tende a romper e ele disse que vai observar porque não sabe se é da Carina que tem medo dela pensar que está se aproximando pois ela tem dinheiro faz CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 medicina na Cesumar Perguntei se ela tem dinheiro e ele disse que sim Falou o nome da família que é uma das mais ricas e que seria um plot twist incrível ele indo lá em Santa Fé com a menina que é a mais rica da cidade Disse que ela falou que ele foi a primeira pessoa que tocou nela sem blusa que das outras ele falava que tinha pego e contava detalhes mas ela não falou Perguntei por quê e ele disse que tinha carinho Disse que precisava sair mais cedo mas já eram 1455 então encerramos a sessão CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 14 h às 15h DATA 220925 IntervençãoSessão nº 2 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 061025 Na sextafeira houve uma briga entre Gustavo e Larissa o que interrompeu a comunicação entre eles Ele iria buscalá mas acabou que por cinta de chuva não iria conseguir ir de moto até por que estava com pneu furado e seu carro estava estragado por isso Gustavo mandou uma mensagem para a mãe de Larissa para buscalá no serviço pois não conseguiria ir Ela brincou mas disse que o pai dela iria Ao ser informada por Gustavo que ele não conseguiria ir por causa da chuva larissa mandou uma mensagem falando que por que tem essa merda de carro que não funciona então Ele disse que não precisava falar assim e mandou um print da conversa dele com a mãe dela e que podia ficar tranquila que o pai dela ia buscar Gustavo percebe que ela não ajuda na casa e fica acumulando pratos e louças o que parece estar causando uma certa frustração ela mandou dinheiro para ele comprar uma peça do carro e disse que mesmo pensando em terminar aceitou pois ela usa bastante o carro Depois houve uma discussão entre eles Ele falou que do jeito que as coisas estão acha melhor terminar Ela ficou muito chateada chorou e ficou nervosa Apesar disso ela pediu para continuar a relação e ele tentou dar uma nova chance pensando em manter o relacionamento CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 14 h às 15h DATA 161025 IntervençãoSessão nº 5 SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 161025 Gustavo começou falando que sua semana foi agitada e terminou o relacionamento Na sexta tiveram uma conversa séria e se comprometeram a tentar porém no sábado tiveram uma discussão por causa de uma compra que ela foi fazer na farmácia um soro fisiológico em spray Ele questionou a necessidade de comprar pois ele tinha em casa Ela respondeu de forma ríspida na frente das pessoas O dinheiro é seu ou é meu Gustavo ficou quieto foi lá fora pegar a moto para passar na porta e pegála Chegando em sua casa perguntou se havia necessidade de falar com ele daquela forma na frente das pessoas ela começou a dizer que queria continuar mas que estava difícil Ela respondeu que realmente estava difícil e eles começaram a discutir Em meio à discussão ele viu que ela colocou para gravar no contato de WhatsApp da prima dela Ele foi desligar o aparelho e ela deu um tapa em seu rosto Gustavo pediu para ela se retirar da casa dele e ela pediu desculpas reconhecendo que estava errada A irmã dele veio perguntar o que estava acontecendo e ele contou que Larissa havia dado um tapa em seu rosto Ao ouvir isso a irmã ficou furiosa e foi atrás de Larissa para agredila mas Gustavo interveio Ele pediu para a mãe avisar Larissa para retirar tudo o que era dela da casa dele e assim ela o fez Desde então Gustavo disse que não teve mais contato Perguntei se ele ficou muito triste ele disse que não que está tranquilo e que não quer mais relacionamento que quer focar em ganhar dinheiro com sua empresa de xícaras e lápides Falou que está vendendo muitas lápides morre muita gente e também que muita gente está trocando pois a lápide de porcelana não tem valor e evita roubo Novamente perguntei se ele não está sentindo nada após o término já que tentou continuar com ela diante dessa falta de sentimento Respondeu que gosta dela mais por ela ser uma pessoa que está sempre junto mas não por ela especificamente Perguntei Você acha que não vai ter esse sentimento de carência estando sozinho Ele disse que acha que isso será o mais difícil Mas quer focar em trabalhar e ganhar dinheiro que está juntando e não se importar com carro novo moto ou CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ CREDENCIADA PELA PORTARIA Nº 77616 MEC DE 22 DE JULHO DE 2016 casa então questionei por que ganhar dinheiro e ele respondeu para dar uma vida boa para minha filha Disse que era pobre não a ponto de passar fome mas sem condições para muitas vontades e quer que a filha tenha tudo de bom Perguntei sobre a outra menina com quem estava conversando falou que se encontraram e deram um beijo mas não vê futuro Perguntei sobre o futuro do Gustavo ele respondeu quero fazer umas viagens aprender a tocar instrumentos que ainda não sei Falei que não sabia que ele tocava ele disse que toca guitarra teclado e bateria é DJ e quer aprender a tocar sanfona e cavaquinho Perguntei se fez aulas para aprender disse que tem facilidade para aprender e que fez aulas apenas para ser DJ Eu comentei que para mim ser DJ é só colocar música para tocar mas ele explicou que envolve técnica por exemplo ao colocar duas músicas ao mesmo tempo é preciso alinhar a batida e o ritmo Avisei que a próxima sessão seria a última ele perguntou se eu o atenderei fora daqui expliquei que a princípio não Ele perguntou se continuará sendo atendido expliquei que seu nome voltará para a lista de espera e que terá que aguardar ser chamado novamente FACULDADE INGÁ CURSO DE PSICOLOGIA RODOLFO RODRIGO BENEDETTI RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL III CLÍNICA DE PSICOLOGIA UNINGÁ MARINGÁ 2025 2 RODOLFO RODRIGO BENEDETTI RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL III CLÍNICA DE PSICOLOGIA UNINGÁ Relatório apresentado ao curso de Psicologia do Centro Universitário Ingá na disciplina de estágio de formação profissional III como requisito parcial para obtenção de nota no curso de Psicologia da faculdade INGÁ Prof Ms Bruna Luzia Garcia de Oliveira MARINGÁ 2025 3 SUMÁRIO 1INTRODUÇÃO 7 2FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 8 21Primeiro contato e entrevista com o paciente 9 211A importância da entrevista inicial na terapia psicanalítica 9 212Expectativas na terapia analítica o papel do paciente e do psicanalista11 22A evolução do diagnóstico psicanalítico 12 221 Regras psicanalíticas da atualidade 14 222 Regra da abstinência 15 223Regra da atenção flutuante 16 224Regra da neutralidade 17 225Regra do amor à verdade 18 23As funções do analista 20 231Escuta analítica e Setting 20 232Transferência e contratransferência 20 4 233Autoconhecimento e resistências 20 234Ética e formação do psicanalista 20 235A transformação subjetiva como horizonte clínico 21 24A compreensão do relacionamento interpessoal sob a perspectiva da psicanálise21 241As pulsações e vínculos na teoria psicanalítica o papel da pulsão e do desejo22 242Significado simbólico e mitológico das relações conjugais 22 243Alianças inconscientes e a formação psíquica do vínculo amoroso 23 244Vínculos afetivos segundo Bion espaço psíquico e conteúdo emocional24 245O casal como uma unidade psíquica e a influência do desenvolvimento emocional25 3Fundamentação teórica 25 31Fundamentação teórica paciente 2 25 32Fundamentação teórica paciente 3 26 321A masculinidade na clínica psicanalítica 26 322Trauma na infância e vínculos afetivos 27 323Os vínculos afetivos na perspectiva psicanalítica estruturas inconscientes e dinâmicas relacionais27 5 324Isolamento do afeto 28 4METODOLOGIA 29 5PROCESSO TERAPÊUTICO 30 51Descrição resumida do paciente 1 30 52Análise do processo terapêutico 32 521Análise psicanalítica do caso do paciente 1 32 522Inconsciente e conflitos internos 33 523Dinâmicas relacionais e alianças inconscientes 33 524Mecanismos de defesa e intelectualização 34 525Mudança e desenvolvimento pessoal 34 526A autonomia emocional e respeito mútuo 35 53Análise do paciente 2 36 54Descrição resumida do paciente 3 36 55Análise do caso clínico do paciente 3 37 Referências 38 6 1ANEXO A Atendimento dia 290425 41 2ANEXO B Atendimento dia 060525 43 3ANEXO C Atendimento dia 200525 45 4ANEXO D Atendimento dia 290525 47 5ANEXO E Atendimento dia 100525 49 6ANEXO F Atendimento dia 170625 51 7ANEXO G Atendimento dia 070725 53 8ANEXO H Atendimento dia 150725 55 6ANEXO I Atendimento dia 150925 57 7ANEXO J Atendimento dia 220925 59 8ANEXO K Atendimento dia 290925 61 9ANEXO L Atendimento dia 061025 63 10ANEXO M Atendimento dia 161025 65 7 1 INTRODUÇÃO O presente relatório tem como objetivo refletir sobre a experiência de estágio supervisionado em Psicologia com ênfase na prática clínica orientada pela abordagem psicanalítica e a partir da articulação entre teoria e prática buscase apresentar os principais fundamentos teóricos que sustentaram a atuação descrever a vivência do estágio e analisar criticamente os aspectos éticos e técnicos envolvidos no processo Conforme a Resolução n 62011CNEMEC o estágio supervisionado é um componente crucial na formação em Psicologia dividido em duas etapas o Estágio Supervisionado Básico realizado no 3 ano que se concentra na integração de competências por meio de visitas técnicas e observações e os Estágios Supervisionados de Formação desenvolvidos nos 4 e 5 anos voltados ao aprofundamento profissional em áreas específicas como clínica institucional escolar e organizacional Cada etapa é organizada por meio de projetos de ensino elaborados pelos professores supervisores os quais incluem justificativas competências a serem desenvolvidas métodos de trabalho e critérios de avaliação A supervisão ocorre na ClínicaEscola de Psicologia do Centro Universitário Ingá Uningá em grupos de até seis alunos com o propósito de promover uma formação crítica e prática para os futuros psicólogos Este relatório está alinhado à estrutura e regulamentação dos Estágios Supervisionados do curso de Psicologia da Uningá conforme descrito nos documentos institucionais Os alunos do 5º ano devem cumprir um total de 200 horas no Estágio de Formação III e 160 horas no Estágio de Formação IV com carga horária distribuída ao longo dos períodos letivos regulares sem previsão de interrupções para férias intermediárias Os estágios são formalizados por meio de instrumentos jurídicos entre o Centro Universitário Ingá e as instituições concedentes sendo realizados tanto na ClínicaEscola de Psicologia da Uningá quanto em instituições conveniadas como hospitais unidades básicas de saúde instituições de educação infantil e educação especial entre outras A supervisão dos estágios é de responsabilidade dos professores supervisores do supervisor de estágio e da coordenação do curso Os professores supervisores são docentes do curso de Psicologia atuando conforme suas áreas de formação e experiências profissionais e em casos específicos profissionais de áreas técnicas externas podem ser incluídos na supervisão mediante solicitação escrita e aprovação institucional Durante todo o processo o Código de Ética 8 Profissional do Psicólogo aprovado em agosto de 2005 pelo Conselho Federal de Psicologia serve como guia essencial para a prática profissional Este documento elaborado em um contexto de transformações sociais e demandas profissionais reforça princípios como o respeito à dignidade humana a promoção da saúde e a qualidade dos serviços psicológicos além de definir deveres proibições e penalidades para assegurar uma atuação ética e responsável A estrutura do relatório segue três eixos principais inicialmente uma fundamentação teórica baseada em autores da psicanálise seguida da descrição detalhada da experiência prática em contexto clínicoinstitucional Em seguida são discutidas as implicações éticas da atuação profissional conforme previsto no Código de Ética do Psicólogo e propõese uma análise crítica dos desafios e aprendizados construídos ao longo do estágio Por fim o texto conclui com considerações sobre a integração entre teoria prática e ética na formação do psicólogo ressaltando a importância do estágio supervisionado como espaço de consolidação do conhecimento e da identidade profissional 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A psicanálise desde seus fundamentos estabelecidos por Freud consolidou se como um campo teóricoclínico de grande complexidade enriquecido ao longo do século XX por contribuições de diversos autores Inicialmente Freud estruturou pilares centrais como o conceito de inconsciente a sexualidade infantil os mecanismos de defesa e a transferência que permanecem como eixos estruturantes da prática psicanalítica Em A Interpretação dos Sonhos 1900 obra seminal ele enfatiza a função do inconsciente na produção simbólica demonstrando que os processos psíquicos transcendem a consciência imediata Essa perspectiva revolucionária revela que o sujeito não é plenamente senhor de sua própria razão uma ideia que redefine a compreensão do sofrimento humano Ao reconhecer a dimensão inconsciente como núcleo da subjetividade Freud inaugurou uma metodologia clínica baseada na escuta atenta da singularidade do paciente e na valorização de sua narrativa Essa abordagem detalhada em suas obras FREUD 2016 desloca a ênfase de interpretações normativas para uma prática que acolhe a ambiguidade e a multiplicidade de sentidos presentes no discurso Dessa forma a psicanálise não apenas ampliou o horizonte teórico sobre a 9 mente humana mas também estabeleceu um paradigma ético e técnico orientado pelo respeito à expressão individual legado que continuou a ser expandido e reinterpretado por gerações posteriores de analistas 21 Primeiro contato e entrevista com o paciente A comunicação não verbal constitui um elemento fundamental nas interações humanas sobretudo nas etapas iniciais de um relacionamento seja em âmbito pessoal ou profissional Essa forma de expressão que engloba gestos expressões faciais postura e movimentos corporais transcende a dimensão verbal revelando emoções genuínas e facilitando a construção de conexões mais profundas entre os indivíduos Durante os primeiros contatos a habilidade de decifrar esses sinais tornase especialmente relevante já que eles podem transmitir nuances como interesse confiança abertura ou resistência muitas vezes de maneira mais autêntica do que as palavras Zimmerman 2004 Além de expressar sentimentos a comunicação não verbal atua em paralelo à linguagem falada servindo como um complemento essencial para a clareza das mensagens Ao harmonizar gestos tom de voz e expressões com o conteúdo verbal reduzse o risco de ambiguidades e malentendidos permitindo que a intenção comunicativa seja transmitida com maior precisão Segundo Zimerman 2004 Essa sincronia entre o que é dito e o que é demonstrado corporalmente não apenas fortalece a credibilidade do emissor como também promove um diálogo mais coeso e empático Reconhecer a relevância desses elementos é portanto determinante para otimizar a qualidade das interações em diferentes contextos seja em uma negociação profissional no estabelecimento de vínculos afetivos ou em situações cotidianas a atenção aos sinais não verbais possibilita uma leitura mais integral do outro favorecendo relações baseadas em compreensão mútua e efetividade comunicativa 211 A importância da entrevista inicial na terapia psicanalítica A entrevista inicial configurase como um momento decisivo na prática psicanalítica estabelecendo as bases para o relacionamento terapêutico e permitindo que tanto o analista quanto o paciente avaliem a compatibilidade e a 10 viabilidade do tratamento Esse contato preliminar que pode se estender por mais de um encontro dependendo das particularidades do paciente não se limita a uma mera formalidade Mesmo em situações em que o terapeuta já reconhece a impossibilidade de assumir um tratamento sistemático a realização de uma entrevista de avaliação mantém seu valor pois possibilita orientações ou encaminhamentos adequados preservando o compromisso ético com o cuidado Zimmerman 2004 Para Zimerman 2004 será importante diferenciar a entrevista inicial da primeira sessão analítica pois enquanto a primeira ocorre antes da formalização do contrato terapêutico funcionando como um espaço de avaliação mútua a segunda marca o início efetivo da análise A profundidade e a duração dessa etapa variam conforme o repertório prévio do paciente aqueles familiarizados com o processo psicanalítico podem experienciar um fluxo mais ágil enquanto indivíduos que buscam alívio imediato para sintomas demandam uma abordagem mais cautelosa capaz de acolher ansiedades e expectativas não verbalizadas O objetivo central da entrevista inicial reside na avaliação das condições mentais emocionais e contextuais do paciente permitindo ao analista ponderar riscos e benefícios do tratamento Essa análise inclui a identificação da psicopatologia apresentada a elaboração de uma impressão diagnóstica e prognóstica e a atenção aos efeitos contratransferenciais que emergem na interação Nesse contexto o uso de classificações como o DSMIVTR que abrange aspectos sindrômicos transtornos de personalidade e estressores ambientais exige uma abordagem multidimensional integrando dimensões dinâmicas como conflitos inconscientes evolutivas histórico de desenvolvimento e comunicacionais formas de expressão e resistências Zimmerman 2004 Além da avaliação técnica a entrevista demanda uma escuta sensível às motivações e expectativas do paciente que nem sempre coincidem com o projeto terapêutico do analista A veracidade das queixas o grau de insight e a disposição para engajarse em um processo introspectivo são fatores críticos Paralelamente o terapeuta deve confrontar suas próprias limitações e reações emocionais evitando avaliações precipitadas baseadas em impressões superficiais Assim a entrevista inicial transcende sua função diagnóstica é um espaço de negociação simbólica no qual paciente e analista delineiam a possibilidade de uma jornada compartilhada 11 212 Expectativas na terapia analítica o papel do paciente e do psicanalista O papel do analista assume centralidade já na primeira entrevista momento em que ele se apresenta como profissional fundamentado em sua formação teórica e experiência clínica contudo para o paciente essa figura ainda não está consolidada como referência terapêutica É através da transferência processo no qual o paciente atribui ao analista emoções e expectativas originadas em relações passadas que se estabelece a possibilidade de reconhecêlo como guia no processo analítico Segundo Chemama 2002 esse fenômeno é estruturante nas entrevistas preliminares pois cria um vínculo que permite ao paciente confiar na direção proposta pelo tratamento mesmo em um contexto de incerteza inicial Nesse cenário as expectativas mútuas entre paciente e analista são determinantes para o avanço da terapia O paciente é convidado a assumir uma postura ativa engajandose de maneira autêntica na exploração de suas vivências emocionais Esse compromisso não se resume à verbalização de sintomas mas envolve a disposição para confrontar resistências e ambiguidades inerentes ao processo introspectivo Paralelamente cabe ao psicanalista definir com clareza suas motivações para acolher o caso delineando um projeto terapêutico que oriente suas intervenções Essa delimitação não é estática exige flexibilidade para adaptarse às demandas emergentes sem perder de vista os objetivos centrais do tratamento Zimmerman 2004 A preparação do analista para lidar com desafios emocionais como situações transferenciais intensas ou manifestações de contratransferência é um pilar da prática clínica A empatia aliada ao reconhecimento das próprias limitações e reações inconscientes permite que ele sustente um ambiente seguro onde o paciente se sinta acolhido em sua vulnerabilidade Essa habilidade não se restringe à técnica envolve uma reflexão contínua sobre como as histórias pessoais do terapeuta podem influenciar sua escuta exigindo um equilíbrio delicado entre envolvimento e neutralidade Além disso o contexto físico e emocional em que o analista trabalha repercute diretamente na qualidade do atendimento no qual manter um ambiente organizado e garantir um equilíbrio entre vida profissional e pessoal não são meros detalhes operacionais mas condições essenciais para preservar a integridade do setting terapêutico 12 O autocuidado do analista incluindo a gestão do estresse e a supervisão regular assegura que ele esteja emocionalmente disponível para acolher as demandas complexas do paciente evitando esgotamento ou interferências prejudiciais assim a interação entre paciente e analista revelase uma teia de interdependências na qual a clareza técnica a ética do cuidado e a gestão das emoções se entrelaçam A primeira entrevista longe de ser um mero protocolo é um microcosmo desse processo nela avaliamse não apenas as condições psíquicas do paciente mas também a capacidade do analista de sustentar uma aliança terapêutica pautada pela confiança e pelo rigor metodológico Essa sintonia inicial quando bem conduzida lança as bases para um trabalho transformador onde a complexidade humana é abordada em sua plenitude Zimmerman 2004 22 A evolução do diagnóstico psicanalítico O diagnóstico psicanalítico contemporâneo configurase como um campo em constante evolução que busca transcender as classificações clássicas das doenças mentais Essa abordagem prioriza um entendimento profundo do paciente considerando não apenas os aspectos sintomáticos mas também as dinâmicas psíquicas subjacentes Nesse contexto a avaliação do prognóstico emerge como elemento central frequentemente realizada ao longo do processo analítico dinâmica que pode surpreender tanto o analista quanto o analisando revelando nuances que ultrapassam as expectativas iniciais e destacando a complexidade humana em sua busca por autoconhecimento Um dos critérios fundamentais nesse paradigma é o de acessibilidade que se concentra na motivação coragem e capacidade do paciente de permitir o acesso ao seu inconsciente Zimmerman 2004 Essa compreensão é particularmente relevante na seleção de pacientes que à primeira vista podem ser considerados de difícil acesso como aqueles com regressões significativas ou paradoxalmente com estrutura psíquica aparentemente bem ajustada Para Bechara 2009 a psicanálise contemporânea tem se mostrado receptiva a configurações diversas adaptando técnicas e táticas para atender às necessidades específicas de cada indivíduo o que reforça sua flexibilidade como ferramenta terapêutica Observase ainda uma diminuição progressiva dos critérios de contraindicação na prática clínica atual refletindo maior abertura à diversidade de 13 pacientes Questões como a idade antes vistas como limitantes são agora abordadas com relativismo permitindo a inclusão de crianças e idosos no tratamento psicanalítico com resultados positivos Além disso a psicanálise contemporânea não hesita em enfrentar situações críticas como quadros emocionais agudos integrandose a outros recursos como psicofármacos em uma abordagem holística que busca eficácia sem abandonar a profundidade analítica O diagnóstico clínico psicanalítico é permeado por um relativismo acentuado no qual condições aparentemente alarmantes como uma reação esquizofrênica aguda podem ter prognóstico favorável se manejadas com competência técnica enquanto neuroses crônicas podem apresentar desafios imprevistos Essa dualidade exige do analista um olhar crítico e atento capaz de discernir as nuances singulares de cada caso sem se apoiar em generalizações Entretanto algumas contraindicações permanecem inegáveis como a degenerescência mental a incapacidade de abstração e casos com motivações distorcidas Em situações de avaliação inicial inconclusiva a análise de prova surge como alternativa viável Essa abordagem que prolonga a entrevista inicial permite uma reflexão mais detalhada sobre as condições do paciente antes da formalização do contrato analítico assegurando que ambos analista e analisando possam estabelecer um vínculo seguro e comprometido Essas práticas alinhamse à Resolução CFP nº 0052025 que enfatiza a supervisão e orientação de estágios em Psicologia com base em fundamentação teórica e ética A psicanálise contribui não apenas com técnicas específicas mas com uma postura clínica que valoriza a alteridade o silêncio a história singular e o tempo subjetivo Essa escuta ética associada ao rigor técnico oferece ao profissional de Psicologia uma base sólida para atuar em contextos clínicos diversos mantendo o compromisso com o sofrimento humano em sua complexidade e singularidade Assim a psicanálise reafirma seu papel na saúde mental contemporânea um campo que se reinventa e se amplia acolhendo a diversidade de pacientes e integrandose a marcos regulatórios que fortalecem a formação crítica e ética dos futuros psicólogos Zimmerman 2004 14 221 Regras psicanalíticas da atualidade A evolução das regras fundamentais da psicanálise ao longo do tempo reflete as transformações nas dinâmicas sociais e nas expectativas dos pacientes A regra da livre associação de ideias que enfatiza a verbalização espontânea por parte do paciente mantém sua centralidade mas sua aplicação prática tem se adaptado às demandas atuais Hoje os analistas reconhecem a necessidade de criar um ambiente terapêutico que favoreça não apenas a expressão livre mas também a autenticidade considerando a diversidade de experiências e a complexidade das questões contemporâneas trazidas pelos pacientes Essa adaptação não descaracteriza a técnica mas amplia sua capacidade de acolher subjetividades em contextos cada vez mais pluralizados Zimmerman 2004 A regra da abstinência tradicionalmente associada à contenção de gratificações pessoais por parte do analista tem sido reinterpretada em um cenário clínico que valoriza a empatia e a conexão humana Embora sua essência evitar satisfações substitutivas que desviem o foco do processo analítico permaneça válida a prática contemporânea enfrenta o desafio de equilibrar essa contenção com a construção de uma relação de confiança e segurança Essa tensão produtiva permite que a relação analítica transcenda a função meramente interpretativa tornandose um espaço de interação genuína onde a vulnerabilidade é reconhecida como parte integrante do trabalho terapêutico Souza e Coelho 2012 Por outro lado Zimerman 2004 também afirma que a regra da neutralidade que historicamente exigia um distanciamento emocional do analista é revisitada à luz de abordagens que defendem maior transparência na relação terapêutica Isso não implica a perda da postura técnica mas o reconhecimento de que a neutralidade pode coexistir com uma presença mais autêntica O analista contemporâneo ao acolher suas próprias emoções e reações contratransferenciais pode oferecer uma escuta mais engajada sem abandonar o rigor metodológico Essa flexibilidade não enfraquece o setting mas o torna mais sensível às nuances afetivas que emergem no processo A ênfase na verdade e na honestidade incorporada como uma quinta regra em discussões recentes responde à demanda por autenticidade nas relações terapêuticas pois os pacientes buscam não apenas uma análise técnica mas uma conexão que os auxilie a navegar realidades emocionais complexas marcadas por 15 incertezas e paradoxos da vida moderna Essa dimensão exige que analista e paciente se envolvam em um processo de descoberta mútua onde a honestidade tanto sobre limites quanto sobre possibilidades fortalece a aliança terapêutica Assim as regras psicanalíticas embora preservem seu núcleo ético e técnico demandam revisão contínua para dialogar com as transformações sociais e científicas A prática clínica atual ao integrar essas adaptações não apenas honra o legado freudiano mas assegura que a psicanálise permaneça relevante como ferramenta de compreensão e intervenção diante das complexidades humanas do século XXI 222 Regra da abstinência A regra da abstinência formulada por Freud em 1915 surgiu em resposta ao desenvolvimento de vínculos eróticos entre pacientes histéricas e analistas em um período em que as análises eram breves Com a expansão da psicanálise e o aumento das críticas sobre a sexualidade na prática clínica Freud viu a necessidade de estabelecer limites claros para evitar envolvimentos sexuais entre analistas e analisandos Em 1912 ele começa a esboçar essa diretriz preocupado com a integridade ética da psicanálise A abstinência implica que o psicanalista deve absterse de qualquer atividade além da interpretação proibindo gratificações externas e preservando o anonimato do paciente posição reforçada por Freud em 1918 em seus escritos sobre terapias psicanalíticas Zimmerman 2004 Ressaltase a relevância da abstinência analítica conforme proposta por Freud que defende que os analistas evitem gratificações externas e intervenções significativas na vida dos pacientes durante o tratamento Para ele era imperativo que os pacientes não tomassem decisões importantes como escolhas profissionais ou amorosas sem uma análise prévia a fim de evitar que impulsos inconscientes fossem mal direcionados protegendoos de possíveis danos Entretanto críticas contemporâneas apontam que a interpretação rígida dessa recomendação pode levar a um distanciamento excessivo entre analista e analisando prejudicando o tratamento A preocupação freudiana com envolvimentos emocionais e sexuais embora válida corre o risco de ser aplicada de forma extremada gerando uma dinâmica fóbica que compromete a aliança terapêutica Zimmerman 2004 16 Com a evolução da prática psicanalítica observase uma mudança significativa no perfil emocional e situacional dos pacientes assim como nas condições sociológicas e econômicas em que a análise ocorre Muitos analistas contemporâneos adotam portanto uma postura mais flexível promovendo um ambiente acolhedor e interativo sem abandonar a estrutura normativa do setting analítico Argumentase que a rigidez na aplicação das diretrizes originais de Freud pode criar um clima de falsidade e paranoia Assim uma abordagem adaptativa e humanizada é considerada essencial nas práticas atuais permitindo que analistas se conectem de maneira autêntica com seus pacientes fator que pode potencializar a eficácia do processo terapêutico O conceito de amor de transferência na psicanálise evidencia a evolução das práticas desde Freud destacando os riscos de envolvimento emocional entre analista e paciente A abstinência do psicanalista permanece crucial para evitar a gratificação de desejos que refletem carências do próprio terapeuta não do paciente É fundamental diferenciar curiosidades patológicas que demandam interpretação daquelas saudáveis que merecem acolhimento como expressões genuínas do sujeito Além disso as atitudes em relação a encontros sociais entre analistas e pacientes modificaramse antes rigidamente evitados hoje são abordados com maior flexibilidade ainda que cautelosa Zimerman 2004 aponta essa mudança a qual reflete uma adaptação às demandas contemporâneas sem descuidar dos princípios éticos que preservam a integridade do vínculo terapêutico 223 Regra da atenção flutuante A regra da atenção flutuante proposta por Freud estabelece um princípio fundamental para a prática analítica implicando a criação de condições que favoreçam uma comunicação autêntica entre os inconscientes do analista e do paciente Bion amplia essa concepção ao destacar o papel da intuição frequentemente obscurecida pela ênfase excessiva na percepção sensorial como ferramenta essencial para decifrar as camadas simbólicas do discurso Zimmerman 2004 Uma das dificuldades centrais para o analista reside em sua capacidade de se desvincular de desejos e memórias pessoais durante o processo Embora seja natural que emoções surjam é importante que o terapeuta mantenha clareza sobre 17 esses sentimentos discriminando adequadamente entre suas experiências subjetivas e as dinâmicas transferenciais em jogo Essa distinção preserva a neutralidade técnica e assegura que as intervenções estejam alinhadas às necessidades do paciente evitando projeções que comprometam a eficácia terapêutica A prática psicanalítica exige assim uma dissociação útil habilidade de reconhecer e diferenciar as diversas áreas do mapa psíquico do analista incluindo emoções que emergem durante a sessão Essa dissociação sustenta tanto a teorização flutuante entendida como a capacidade de elaborar hipóteses sem fixação prévia quanto à atenção flutuante que consiste em uma escuta aberta a múltiplos significados Esses mecanismos facilitam a conexão com a realidade externa e com o inconsciente permitindo uma escuta intuitiva que capta nuances escapadas a abordagens lineares Souza e Coelho 2012 Por outro lado uma atenção excessivamente direcionada pode levar a um estado patogênico no qual o analista busca informações irrelevantes à situação analítica movido por curiosidade pessoal ou necessidade de controle Essa postura desvia o foco do trabalho terapêutico e pode gerar vínculos transferenciais prejudiciais nos quais as projeções do analista contaminam a relação Além disso a tentativa de manter a atenção flutuante de forma rigorosa pode gerar desconforto e sensação de fracasso no analista já que divagações e distrações são inevitáveis durante as sessões A flexibilidade mental tornase portanto um elementochave pois ela permite que o analista navegue entre suas próprias emoções e as dinâmicas do setting terapêutico ajustandose às flutuações do processo sem perder a postura técnica necessária Essa habilidade reconhece que a eficácia reside no equilíbrio entre disciplina clínica e adaptação às contingências humanas Zimmerman 2004 224 Regra da neutralidade A regra da neutralidade conforme proposta por Freud é um princípio essencial na psicanálise sugerindo que o psicanalista deve atuar como um espelho opaco refletindo apenas o conteúdo apresentado pelo paciente e evitando expor suas próprias emoções Embora o termo neutralidade não seja frequente em seus textos Freud defende uma postura imparcial distante da indiferença que poderia prejudicar o processo analítico Essa neutralidade inclui a gestão dos desejos do 18 analista permitindo uma interação aberta e profunda com o paciente o que cria um ambiente favorável à exploração emocional e psicológica Pinheiro 1999 Contudo a regra da neutralidade tem sido reavaliada na prática contemporânea distante da visão tradicional de Freud que comparava o analista a um espelho mecânico Atualmente entendese que o analista deve funcionar como um espelho que possibilita ao paciente uma reflexão abrangente sobre si mesmo sem que isso implique a supressão total de sua subjetividade A neutralidade é reconhecida como um ideal inatingível já que o analista inevitavelmente traz suas crenças valores e perspectivas para a relação terapêutica influenciando dinâmicas interpretativas e escolhas técnicas Zimmerman 2004 O envolvimento afetivo do terapeuta desde que não se torne patológico é considerado essencial para estabelecer uma aliança terapêutica significativa As escolhas interpretativas como decidir quando intervir ou como formular uma interpretação revelam a subjetividade inerente à prática demonstrando que a neutralidade não se traduz em ausência de posicionamento mas em um equilíbrio entre acolhimento e contenção Essa postura permite que o paciente se sinta reconhecido em sua singularidade ao mesmo tempo que preserva o espaço analítico como um campo de investigação livre de projeções excessivas do terapeuta Assim a neutralidade na psicanálise contemporânea não nega a influência do analista mas reconhece a complexidade de sua função ser um interlocutor que mesmo com suas limitações humanas mantém o foco no processo de desvelamento do inconsciente equilibrando técnica e sensibilidade Zimmerman 2004 225 Regra do amor à verdade A psicanálise segundo Freud fundamentase na verdade e na ética sendo a honestidade do psicanalista um elemento fundamental para promover mudanças significativas nos pacientes O terapeuta deve evitar julgamentos sobre terceiros já que os pacientes podem induzir quebras éticas por meio de projeções ou tentativas de envolver o analista em dinâmicas externas à terapia Um dilema recorrente é o envolvimento amoroso entre terapeuta e paciente tratado com rigor por sociedades psicanalíticas para preservar a integridade da relação analítica Dessa forma a ética e a verdade configuramse como pilares indissociáveis da prática freudiana 19 A discussão sobre transgressões éticas e sexuais na psicanálise revela um campo marcado por tensões e controvérsias conforme destacado por Daniel Widlocher expresidente da Associação Psicanalítica Internacional IPA Ele argumenta que tais transgressões não devem ser simplificadas como meros erros ou pecados irreparáveis mas sim compreendidas como fenômenos complexos que exigem análise crítica Widlocher observa ainda que transgressões éticas como vínculos românticos não consumados entre analistas e pacientes que frequentemente permanecem ocultas apesar de seu impacto relevante Freud já enfatizava a necessidade de honestidade mútua afirmando que a falta de verdade por parte do analista comprometeria a eficácia do tratamento corroendo a confiança essencial ao processo Complementando essa perspectiva Bion introduz a reflexão sobre a análise de indivíduos que utilizam a mentira como mecanismo de defesa Ele ressalta que a verdade é um elemento vital para a saúde psíquica comparando a a um alimento indispensável e sua ausência levaria à deterioração do psiquismo Assim a abordagem psicanalítica da verdade deve transcender o moralismo focandose na construção de uma atitude autêntica que permita ao paciente alcançar liberdade interna e engajarse plenamente no processo analítico Zimerman 2004 A preservação do setting analítico é outro aspecto essencial pois garante a estruturação da relação terapêutica mantendo a assimetria necessária entre os papéis de analista e paciente O enquadre estabelece limites claros e promove o princípio da realidade contrapondose ao princípio do prazer que muitas vezes domina a subjetividade do paciente Essa estrutura é especialmente crítica no trabalho com pacientes regressivos que podem enfrentar dificuldades em lidar com limites e frustrações No entanto é fundamental evitar uma rigidez excessiva na aplicação dessas regras pois isso pode gerar uma atmosfera coercitiva prejudicando a aliança terapêutica A própria prática de Freud ilustra a complexidade desse equilíbrio que frequentemente flexibilizava suas próprias recomendações adotando abordagens não convencionais que refletiam o contexto histórico e teórico da psicanálise em sua época Zimerman 2004 20 23 As funções do analista Na psicanálise o analista é um profissional cuja atuação se baseia na escuta clínica e na interpretação do inconsciente Diferente de áreas como negócios ele não busca solucionar problemas imediatos mas atua como um guia na exploração das dinâmicas psíquicas Formado nos princípios de Freud e seus herdeiros o psicanalista mergulha nas complexidades do desejo e dos traumas reprimidos Minerbo 2024 231 Escuta analítica e Setting A escuta analítica é uma habilidade que permite ao analista decifrar significados ocultos nos lapsos sonhos e discursos do paciente Esse processo é facilitado por um setting analítico rigoroso que inclui horários fixos sigilo e uma postura neutra criando um ambiente seguro para a livre associação de ideias Zimerman 2004 232 Transferência e contratransferência O manejo da transferência projeção de sentimentos do paciente e da contratransferência reações emocionais do analista é fundamental O psicanalista deve reconhecer e modular essas dinâmicas utilizandoas para desvendar conflitos psíquicos Zimerman 2004 233 Autoconhecimento e resistências Diferente de terapias que buscam a eliminação rápida de sintomas a psicanálise prioriza o autoconhecimento Técnicas como a associação livre e a interpretação de sonhos ajudam a revelar estruturas invisíveis que governam comportamentos enquanto o trabalho com resistências permite que o paciente enfrente conteúdos dolorosos Freud 1920 234 Ética e formação do psicanalista A ética é um alicerce essencial na psicanálise onde o analista não emite julgamentos morais A formação do psicanalista inclui estudo teórico análise 21 pessoal e supervisão clínica preparandoo para lidar com projeções e evitar interferências pessoais Zimerman 2004 235 A transformação subjetiva como horizonte clínico O analista atua como um mediador do inconsciente ajudando o paciente a desatar nós invisíveis que causam sofrimento O sucesso na psicanálise é medido pela capacidade de permitir que o paciente reinvente sua relação consigo mesmo e com o mundo O processo de transformação subjetiva é lento e singular proporcionando ao paciente uma nova forma de habitar sua história e confrontar seu passado O analista assim não oferece respostas prontas mas sustenta um espaço onde a verdade do sujeito pode emergir como um ato de liberdade Minerbo 2024 24 A compreensão do relacionamento interpessoal sob a perspectiva da psicanálise A análise do relacionamento interpessoal quando vista sob a ótica psicanalítica exige uma investigação minuciosa das forças inconscientes que moldam as interações humanas Essas forças muitas vezes surgem a partir de experiências precocemente vivenciadas na infância que ficam armazenadas no inconsciente e influenciam não apenas as emoções e comportamentos atuais mas também a maneira como os indivíduos percebem e se relacionam com os outros Este entendimento é fundamental para compreender questões como ciúmes inseguranças projeções e padrões de comunicação disfuncionais já que muitas dessas características têm raízes profundas e subconscientes Além disso essa abordagem permite uma compreensão mais abrangente dos conflitos internos que podem dificultar a construção de vínculos afetivos seguros e satisfatórios favorecendo processos de autoconhecimento que são essenciais tanto na clínica quanto na vida cotidiana De acordo com Freud 1900 as experiências formativas na infância não apenas moldam o desenvolvimento psíquico mas também deixam marcas que podem perdurar ao longo da vida influenciando todas as relações seguintes Essas experiências muitas vezes são reprimidas ou não totalmente resolvidas permanecendo no inconsciente e se manifestando através de sintomas ou padrões 22 relacionais recorrentes na fase adulta Por exemplo uma criança que vivenciou negligência ou rejeição pode desenvolver uma ansiedade de separação ou padrões de busca de validação constantes na vida adulta Assim ao revisar e entender essas experiências e seus efeitos o terapeuta e o indivíduo podem trabalhar a resolução de conflitos internos promovendo relações mais saudáveis e equilibradas e uma melhor gestão emocional 241 As pulsações e vínculos na teoria psicanalítica o papel da pulsão e do desejo Segundo Treiguer 2007 a compreensão da pulsão na psicanálise não se limita à sua força de impulso biológico mas deve ser entendida na relação com os vínculos estabelecidos entre os indivíduos A pulsão como força reguladora das interações atua tanto na esfera consciente quanto na inconsciente moldando desejos necessidades e fantasias O desejo por sua vez é uma força que unifica o sujeito embora seja frequentemente influenciado por fatores externos como o alheio ou seja o outro suas expectativas desejos e projeções Essas dinâmicas complexas resultam na multiplicidade de emoções que experimentamos nas relações como novela de desejo medo mistério e insegurança que enriquecem ou dificultam o relacionamento dependendo de como são elaboradas e integradas 242 Significado simbólico e mitológico das relações conjugais Ao analisar as relações amorosas sob a perspectiva simbólica e mitológica a narrativa bíblica de Adão e Eva serve como uma poderosa metáfora para entender a busca pela perfeição a ilusão de imortalidade e a vulnerabilidade inerente aos relacionamentos O desejo de ser igual a Deus simboliza a tentativa de superar os limites humanos o que na relação de casal pode refletir a busca por uma união idealizada que muitas vezes é inatingível A expulsão do Éden revela como a tentativa de alcançar essa perfeição pode resultar na fragilidade e na necessidade de aceitar a vulnerabilidade como parte fundamental do amor e da convivência Na perspectiva psicanalítica há a compreensão de que os casais frequentemente criam uma dinâmica de inseparabilidade na qual as diferenças individuais são minimizadas ou até negadas Para isso usam mecanismos de defesa como a cisão dividir aspectos positivos e negativos e a identificação 23 projetiva que reduzem as diferenças ao transferir aspectos indesejados ou conflitantes para o outro Essa fusão embora possa parecer uma busca por completude tende a ser prejudicial a longo prazo pois impede o desenvolvimento da autonomia emocional e limita a autenticidade no relacionamento Quando essa fusão se torna excessiva a relação pode se transformar em uma ilusão de perfeição que ao se desmoronar leva ao conflito ou à crise de identidade de ambos os parceiros 243 Alianças inconscientes e a formação psíquica do vínculo amoroso De acordo com Pignataro FerrésCarneiro e Mello 2019 as alianças inconscientes estruturam as relações amorosas formando um sistema de funções que mantêm o vínculo e protegem os indivíduos de ameaças internas e externas Essas alianças que se originam na infância e nas primeiras experiências afetivas podem ser primárias secundárias defensivas ou criativasdestrutivas cada uma desempenhando papéis diferentes na vida psíquica e relacional Elas moldam percepções expectativas e comportamentos além de influenciar a forma como o parceiro é visto e tratado na relação Compreender esses mecanismos ajuda a desmistificar padrões repetitivos e a elaborar vínculos mais conscientes e satisfatórios promovendo maior autonomia emocional e resistência às dificuldades do cotidiano Dentro das alianças inconscientes existe o pacto denegativo também discutido na literatura psicanalítica referese a uma aliança inconsciente que os parceiros assumem muitas vezes de forma automática para proteger a relação de conflitos internos ou de demandas emocionais que podem ameaçála Essa aliança funciona por meio da mobilização de fantasias identificações e realidades psíquicas partilhadas que mantêm o vínculo mesmo que envolvam negação ou repressão de aspectos desagradáveis ou conflitantes Essa dinâmica atua como um mecanismo de defesa contribuindo para a estabilidade emocional do casal ao evitar confrontar certas verdades dolorosas mas também pode limitar o crescimento e a autenticidade na relação Além do pacto denegativo Pignataro FérresCarneiro e Mello 2019 descrevem os contratos inconscientes como entendimentos tácitos que emergem na relação estabelecendo limites expectativas e trocas que sustentam o vínculo 24 Esses contratos podem ser conscientes ou inconscientes e dizem respeito às concessões mútuas necessárias para a convivência Enquanto os acordos representam negociações mais conscientes os pactos envolvem trocas intransmissíveis ou insuspeitas muitas vezes influenciadas por elementos da infância ou experiências passadas Essas dinâmicas facilitam ou dificultam a elaboração de desejos e necessidades moldando o modo como o casal enfrenta as dificuldades e constrói a sua história conjunta 244 Vínculos afetivos segundo Bion espaço psíquico e conteúdo emocional Segundo Mondrzak 2007 a teoria de Bion destaca que os vínculos amorosos de ódio ou de conhecimento dependem do espaço psíquico chamado por ele de contenedor e do conteúdo emocional que nele reside O espaço psíquico funciona como um recipiente onde emoções e experiências conflitantes podem ser armazenadas elaboradas e integradas fortalecendo a relação As emoções como inveja ciúme raiva ou insegurança sentimentos típicos de uma relação conjugal não apenas emergem do conteúdo mas são moduladas pelo espaço psíquico que deve ser acolhedor para que os conflitos possam ser trabalhados de forma saudável Essa capacidade de acolhimento e elaboração emocional possibilita uma convivência mais madura empática e segura emocionalmente promovendo um vínculo mais sólido e autêntico Mondrzak 2007 No contexto de Bion a relação entre o analista e o espaço psíquico é fundamental para o processo terapêutico O analista ao atuar como um recipiente deve criar um espaço psíquico seguro e receptivo capaz de acolher e processar as experiências emoções e pensamentos do Mondrzak 2007 Nesta teoria o analista é um facilitador do espaço psíquico criando uma condição em que o paciente possa explorar processar e integrar suas experiências internas de forma segura e significante Essa dinâmica é essencial para que o processo terapêutico seja efetivo e transformador Mondrzak 2007 25 245 O casal como uma unidade psíquica e a influência do desenvolvimento emocional Na psicanálise a concepção de que o casal constitui uma unidade psíquica com estrutura própria traz reflexões importantes sobre a dinâmica do relacionamento Cada indivíduo traz para o casal seu desenvolvimento emocional suas carências suas dores e conflitos internos que ao interagirem podem resultar tanto em harmonia quanto em disfunções Quando há conflitos não resolvidos ou projeções esses fatores podem gerar uma relação disfuncional marcada por conflitos constantes ou mesmo por padrões de fusão excessiva onde os limites entre os parceiros se tornam difusos A intervenção clínica busca muitas vezes desconstruir essas dinâmicas promovendo autonomia emocional e a compreensão dos acontecimentos internos de cada um além de favorecer uma relação mais equilibrada capaz de suportar conflitos de forma construtiva A participação em processos terapêuticos seja individual ou de casal muitas vezes revela ou provoca desequilíbrios na relação como ciúmes resistência às mudanças ou boicotes que surgem como mecanismos de defesa ou tentativas de manter o status quo Essas reações muitas vezes dificultam o avanço do tratamento e requerem atenção específica do terapeuta que deve trabalhar a compreensão dessas resistências promovendo maior autorreflexão e autoconhecimento A terapia assim atua como uma ferramenta de resistência e reconstrução emocional possibilitando a elaboração de conflitos a superação de obstáculos e a promoção de relações mais satisfatórias e maduras 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 31 Fundamentação teórica paciente 2 Devido a poucas sessões não foi possível fazer a fundamentação teórica deste paciente 26 32 Fundamentação teórica paciente 3 321 A masculinidade na clínica psicanalítica O conceito de masculinidade é frequentemente abordado como uma construção social e discursiva em que se destaca sua legitimidade por meio de relações sociais repetitivas Essa perspectiva sugere que a masculinidade não é um dado natural mas sim uma instituição que demanda investigação metodológica diversificada incluindo a psicanálise institucional e as análises discursivas de Michel Foucault Nesse sentido a masculinidade atua como um mecanismo que organiza as expressões corporais categorizando os sujeitos em diferentes grupos homens brancos negros gays e trans enquanto também se configura como um campo de disputa onde diversas formas de ser homem se confrontam e se redefinem Segundo Barbarine e Martins 2021 a masculinidade hegemônica se manifesta predominantemente na figura do pai de família burguês branco e heterossexual evidenciando uma estrutura profundamente enraizada em práticas patriarcais e racistas Essa masculinidade hegemônica não apenas perpetua uma hierarquia social mas também marginaliza as masculinidades periféricas que buscam expressões alternativas e contestam o modelo hegemônico Essa complexidade revela a diversidade das experiências masculinas e destaca a importância de se reconhecer e estudar essas diferentes formas de masculinidade Portanto compreender a masculinidade como uma instituição histórica e discursiva demanda uma análise cuidadosa de suas bases sociais e culturais O desafio para a psicologia é integrar essa compreensão utilizando metodologias que permitam explorar as regras funções e os impactos da masculinidade sobre os sujeitos A masculinidade deve ser vista como uma performance social que se legitima a partir de cada ato enfatizando a necessidade de problematizar as normas e discursos que estruturam as identidades masculinas no Brasil contribuindo assim para um entendimento mais profundo e crítico desse fenômeno O ser homem pode dominar o sujeito a ponto de este alienarse do seu desejo a fim de satisfazer às exigências do script masculino determinado Barbarini e Martins 2021 p 16 27 322 Trauma na infância e vínculos afetivos Sándor Ferenczi em suas reflexões sobre as necessidades infantis de ternura aborda a confusão emocional que surge da relação entre crianças e adultos especialmente em contextos de violência e insensibilidade Ele argumenta que essa confusão representa um estado de perda no qual a criança se sente enganada por um adulto que deveria proporcionar segurança mas que em vez disso se comporta de forma agressiva Essa discrepância entre a expectativa de cuidado e a realidade da agressão não apenas gera um conflito interno mas também impede a criança de compreender o que ocorreu tornando o trauma patogênico não apenas pelo ato violento mas pela impossibilidade de dar sentido à experiência vivida A vinculação é fundamental para a formação da identidade e para o desenvolvimento emocional da criança A construção do vínculo entre mãe e filho não se limita a uma relação biológica mas se estende a uma dimensão emocional complexa na qual as experiências passadas da mãe influenciam diretamente a sua capacidade de cuidar e estabelecer uma conexão afetiva com o bebê Autores como Zimerman 2010 e Winnicott 2001 enfatizam que o vínculo primitivo formado nas interações iniciais continua a impactar as relações futuras moldando a maneira como a criança se relaciona com os outros ao longo de sua vida 323 Os vínculos afetivos na perspectiva psicanalítica estruturas inconscientes e dinâmicas relacionais Na psicanálise os vínculos afetivos são compreendidos como construções dinâmicas enraizadas nas primeiras experiências relacionais que configuram a economia psíquica do sujeito A teoria pulsional freudiana postula que a libido se investe em objetos pessoas ou suas representações estruturando laços marcados por ambivalência e dependência O complexo de Édipo como eixo organizador introduz a triangulação edípica paimãecriança mediando identificações e internalização de normas sociais que reverberam nos padrões afetivos adultos Autores como Melanie Klein e Donald Winnicott ampliaram essa perspectiva ao destacar a internalização de objetos parciais Klein como o seio bom ou mau e a importância do ambiente suficientemente bom Winnicott que possibilita a transição da dependência para a autonomia por meio de objetos transicionais Tais 28 processos fundamentam a capacidade de estabelecer vínculos que integrem ambiguidades evitando cisões entre amor e ódio Mondrzak 2007 Clinicamente as patologias dos vínculos como apego ansioso ou evitativo remetem a falhas precoces na constituição de um espaço transicional ou na resolução de conflitos edípicos A transferência fenômeno central na técnica analítica permite acessar essas matrizes relacionais inconscientes reeditandoas no setting terapêutico como via de reelaboração simbólica O processo analítico visa desconstruir fantasias de fusão ou rejeição absoluta habilitando o sujeito a reconhecer a alteridade e a lidar com a incompletude inerente aos laços humanos Assim a psicanálise propõe que a transformação dos vínculos ocorre não pela eliminação de conflitos mas pela integração crítica das histórias inconscientes que os moldam Mondrzak 2007 324 Isolamento do afeto Na teoria psicanalítica o isolamento do afeto é compreendido como um mecanismo de defesa do ego que visa dissociar conteúdos psíquicos potencialmente ameaçadores de suas cargas emocionais correspondentes preservando a estabilidade consciente do sujeito Freud em sua segunda tópica descreveu essa operação como característica das neuroses obsessivas nas quais ideias ou memórias traumáticas são admitidas na consciência porém despojadas de seu afeto original resultando em discursos racionalizados ou ações ritualísticas desprovidas de conexão emocional Diferentemente da repressão que exclui totalmente o conteúdo conflituoso do campo consciente o isolamento permite a manutenção da ideia no plano intelectual neutralizando seu impacto disruptivo Esse processo revela a tentativa do ego de administrar angústias ligadas a desejos ambivalentes ou experiências traumáticas fragmentando a unidade entre pensamento e emoção para evitar o desequilíbrio psíquico Mcwilliams 2014 Clinicamente o isolamento do afeto manifestase em padrões de fala excessivamente lógicos relatos de eventos traumáticos com frieza emocional ou comportamentos repetitivos que mascaram conflitos inconscientes Pacientes obsessivos por exemplo podem descrever situações de perda ou agressão com detalhes minuciosos mas sem demonstrar tristeza ou raiva sinalizando a cisão entre cognição e afeto Anna Freud ressaltou que essa defesa embora adaptativa 29 em curto prazo pode levar a uma alienação emocional crônica dificultando a formação de vínculos autênticos e perpetuando estados de ansiedade difusa A rigidez defensiva também está associada à formação de sintomas como ruminações ou compulsões nos quais o pensamento isolado de seu contexto afetivo adquire caráter persecutório Além disso o isolamento frequentemente coexiste com outros mecanismos como a formação reativa gerando atitudes de hipercontrole que ocultam impulsos recalcados Mcwilliams 2014 No setting analítico o desafio terapêutico reside em facilitar a reintegração entre afeto e representação processo que exige a elaboração progressiva dos conflitos subjacentes A interpretação das resistências associada à análise da transferência permite identificar momentos em que o paciente relata vivências intensas com indiferença revelando a operação defensiva Winnicott ao enfatizar a importância do ambiente seguro sugere que a contenção emocional oferecida pelo analista pode gradualmente permitir ao sujeito tolerar a ambivalência afetiva sem recorrer ao isolamento O uso excessivo desse mecanismo a distúrbios de personalidade destacando a necessidade de intervenções que estimulem a mentalização Assim a superação do isolamento do afeto não implica sua eliminação mas a integração dos aspectos dissociados permitindo ao ego lidar com a complexidade emocional sem fragmentála Mcwilliams 2014 4 METODOLOGIA A metodologia adotada neste estudo é fundamentada em princípios clássicos da psicanálise utilizando a técnica da associação livre como um dos pilares do processo terapêutico Essa técnica permite ao paciente expressar livremente seus pensamentos sentimentos e imagens sem censura ou restrições o que facilita a acessibilidade a conteúdos inconscientes Ao criar um espaço onde o paciente se sente à vontade para compartilhar suas ideias a associação livre se torna um meio poderoso para explorar as camadas mais profundas da psique Freud 1920 A primeira entrevista desempenha um papel crucial nesse contexto uma vez que estabelece as bases para a relação analítica Neste encontro inicial o analista busca criar um ambiente de confiança e segurança onde o paciente se sinta confortável para se abrir É um momento de construção do vínculo onde se discutem as expectativas do tratamento e se delineiam os objetivos da terapia A 30 receptividade e a empatia do analista são essenciais para fazer com que o paciente sinta que sua história e suas vivências são valorizadas Zimerman 2004 Durante as sessões subsequentes a atenção flutuante do analista se torna uma prática fundamental Essa abordagem implica que o analista mantenha uma escuta atenta e flexível permitindo que sua atenção se mova entre diferentes temas e conteúdos que emergem das falas do paciente Essa atenção não é direcionada apenas a pontos específicos mas busca captar nuances sentimentos e associações que possam surgir criando um espaço onde o paciente pode explorar livremente seu mundo interno Zimerman 2004 A interpretação por sua vez é uma ferramenta vital que emerge desse processo Quando o analista oferece interpretações ele busca conectar os conteúdos manifestos do discurso do paciente com questões mais profundas e inconscientes Essas intervenções interpretativas têm o potencial de iluminar padrões de comportamento conflitos internos e dinâmicas emocionais que o paciente pode não ter consciência Através desse processo interpretativo o paciente é incentivado a refletir sobre suas experiências promovendo um entendimento mais profundo de si mesmo e facilitando o avanço do tratamento Minerbo 2016 Assim a combinação da associação livre da construção do vínculo na primeira entrevista da atenção flutuante e das interpretações do analista cria um ambiente terapêutico rico e dinâmico propício para o processo de autoconhecimento e transformação psíquica do paciente Essa metodologia busca não apenas a resolução de sintomas mas a promoção de uma maior compreensão da própria subjetividade contribuindo para o desenvolvimento pessoal e emocional ao longo do tratamento Jorge 2000 5 PROCESSO TERAPÊUTICO 51 Descrição resumida do paciente 1 Na sessão de 290425 o paciente J relatou angústia no trabalho devido à pressão do chefe e à carga horária excessiva afetando sua vida familiar Ele enfrenta conflitos com a esposa que possui traumas da infância e preocupase com o comportamento do filho mais velho Apesar das dificuldades J demonstra 31 motivação para o processo terapêutico e deseja explorar suas emoções melhorar a comunicação familiar e promover um ambiente mais saudável Na sessão de 060525 J expressou preocupações sobre a relação tensa entre sua esposa e sua mãe especialmente em relação a uma visita programada Ele também relatou um ambiente de trabalho insustentável devido à pressão do novo chefe apesar da recente promoção e a insatisfação com o salário J enfrenta desafios significativos em sua vida pessoal e profissional que serão explorados nas próximas sessões Na sessão de 20052025 J expressou sobrecarga e falta de apoio no trabalho comparando as exigências de seu chefe e sua esposa Ele relatou frustrações na vida conjugal incluindo incertezas sobre o relacionamento e dificuldades financeiras atribuídas à esposa que geraram ansiedade e medo de perder a família Apesar das queixas J mostrou disposição para agir manifestando interesse em conversar diretamente com seu chefe sobre suas responsabilidades Na sessão de 29052025 J expressou preocupação com as mentiras de seu filho que nega responsabilidades refletindo uma personalidade forte que J reconhece em si mesmo Ele compartilhou sobre sua dependência emocional na infância e como sua relação com os pais influenciou seu comportamento além de relatar sua trajetória de mudança para Maringá e os desafios enfrentados ao se tornar pai J também recordou sua experiência de morar sozinho e a necessidade de se estabelecer uma nova vida com Érica e o filho que estava por vir Na sessão 030625 o paciente não compareceu sem justificar a sua falta Na sessão de 100625 J relatou sobrecarga de trabalho e os desafios emocionais causados pelas oscilações de humor de sua esposa Érica com quem ele enfrenta uma comunicação frágil e dinâmica de culpa Ele mencionou incidentes em que Érica projetou suas frustrações sobre ele evidenciando a ambivalência no relacionamento A sessão terminou com a proposta de explorar essas dinâmicas e focar na melhoria da comunicação e na compreensão mútua nas próximas conversas Na sessão do dia 170625 J chegou atrasado e relembrou que algo na Érica o atraiu mencionando que ela tinha características que suas exnamoradas não tinham Ele comentou sobre suas duas namoradas anteriores destacando que a primeira era muito diferente dele e a segunda terminou abruptamente J admira a Érica por se dar ao respeito no trabalho e acredita que isso contrasta com suas ex 32 namoradas que o deixavam inseguro No entanto ele se sente desrespeitado quando ela fala mal dele na frente dos outros embora perceba momentos carinhosos entre eles J também notou que Érica desconta frustrações do trabalho nele mas acredita que ela ainda tem sentimentos por ele A sessão foi concluída antes de aprofundar mais esses temas Na sessão 010725 J chegou atrasado à sessão explicando que esteve viajando a trabalho e justificando sua ausência anterior Ele relatou a demissão de seu chefe que gerou caos na empresa e o forçou a assumir responsabilidades de liderança J destacou a arrogância do expatrão mas enfatizou que o principal problema era a gestão de perdas financeiras que aumentaram para cerca de 4 milhões Durante sua viagem trabalhou além do horário para apresentar relatórios mas não teve a discussão esperada resultando em frustração Apesar das dificuldades ele demonstrou respeito pelo antigo chefe A sessão foi encerrada rapidamente com J pedindo desculpas pelo atraso Na sessão de 150725 J explicou sua ausência por estar na apresentação da filha na escola Ele relatou desafios no trabalho devido à pressão de três diretores e confusão sobre com quem deve prestar contas J compartilhou um conflito com seu filho onde o chamou de mentiroso após ele assistir a vídeos proibidos resultando em um episódio de agressão Ambos os pais refletem sobre a educação permissiva atual em comparação com suas infâncias J também mencionou o desempenho escolar do filho levantando a possibilidade de TDAH com apoio dos avós para sessões com uma psicopedagoga Ele se vê como alguém concentrado enquanto sua esposa Érica se distrai facilmente 52 Análise do processo terapêutico 521 Análise psicanalítica do caso do paciente 1 A psicanálise oferece uma rica estrutura teórica para entender as dinâmicas emocionais e relacionais que o paciente J enfrenta permitindo uma exploração profunda de seus conflitos internos e das interações familiares que moldam sua experiência A seguir apresento uma análise que reúne e desenvolve os conceitos centrais da teoria freudiana e correntes contemporâneas proporcionando uma visão integrada do que está em jogo na vida de J 33 522 Inconsciente e conflitos internos Sigmund Freud postulou que muitos comportamentos e emoções humanas são guiados por processos inconscientes frequentemente em conflito Freud 1900 No caso de J esse conflito se manifesta em um estresse significativo tanto no trabalho quanto nas relações familiares A pressão exercida por seu chefe combinada com a sobrecarga de responsabilidades gera um choque entre seus desejos pessoais e as exigências sociais e familiares que o cercam Essa luta entre as necessidades internas de J e as expectativas externas resulta em sentimentos de angústia e inadequação Em sua obra O MalEstar na Civilização Freud 1930 argumenta que a cultura impõe uma troca inevitável ganhamos proteção e avanços mas perdemos a liberdade pulsional O preço que pagamos por essa civilização é a angústia permanente um reflexo do paradoxo de sermos ao mesmo tempo seres instintivos e socializados A promessa de felicidade pela cultura é para Freud uma utopia O indivíduo busca prazer segundo o princípio do prazer Freud 1920 mas se depara com as limitações impostas pela vida social leis e moralidade levando a uma sensação de desamparo Essa angústia que J expressa em relação à sua infelicidade no trabalho e na vida familiar pode estar relacionada a uma idealização inconsciente da vida moderna que contrasta com a realidade repleta de cobranças e limitações 523 Dinâmicas relacionais e alianças inconscientes Desde a infância J pode ter desenvolvido alianças inconscientes que o levam a evitar conflitos e a manter a harmonia possivelmente como resultado de experiências familiares nas quais discussões eram vistas como negativas Spivacow 2018 Essa tendência é evidente em sua relação com a esposa onde ele frequentemente se mantém passivo mesmo quando ela o ofende publicamente Essa dinâmica não apenas perpetua o ressentimento mas também sugere uma estrutura de defesa que impede J de confrontar questões importantes em sua vida conjugal 34 Adicionalmente a presença de traumas da infância da esposa como uma relação difícil com a mãe adiciona mais camadas ao conflito Isso sugere que os desafios que J enfrenta não são apenas externos mas também profundamente enraizados em questões emocionais e históricas A projeção de frustrações e expectativas dela sobre J pode indicar que ele assume o papel de figuras parentais ou de autoridade evocando sentimento de culpa e raiva que complicam ainda mais a dinâmica entre eles Spivacow 2018 Nesse contexto as experiências da infância da esposa influenciam seu comportamento atual gerando padrões de interação conflituosos que dificultam a comunicação e a empatia 524 Mecanismos de defesa e intelectualização A busca de J para lidar com os problemas que o angustiam especialmente na vida conjugal é frequentemente acompanhada por uma resistência em reconhecer suas próprias fraquezas e sua parcela de culpa Seu discurso tende a focar na fragilidade da esposa e nas feridas que ela carrega enquanto ele evita explorar suas próprias vulnerabilidades Essa abordagem pode ser vista como um mecanismo de defesa especificamente a intelectualização Mcwilliams 2014 onde J formula teorias complexas sobre as feridas da esposa enquanto projeta seus próprios problemas internos sobre ela J parece confundir sua esposa com um objeto reduzindo sua complexidade a meras representações Cremasco 2018 Essa confusão é especialmente pronunciada em momentos de conflito onde ele tende a ver sua esposa apenas como um objeto de suas frustrações sem reconhecer sua subjetividade Essa limitação na percepção do outro restringe a possibilidade de um relacionamento verdadeiro e saudável perpetuando um ciclo de desentendimentos e ressentimentos Cremasco 2018 525 Mudança e desenvolvimento pessoal A disposição de J para buscar mudança e trabalhar em terapia reflete um desejo genuíno de desenvolver uma nova identidade e promover um ambiente familiar mais saudável A psicanálise enfatiza a capacidade de transformação por meio da reflexão sobre experiências passadas e do reconhecimento de padrões 35 repetitivos Winnicott 1965 O momento atual de J é crucial sua consciência dos conflitos e a disposição para enfrentálos podem permitir uma resolução significativa e um crescimento pessoal A análise da situação de J revela uma interação complexa entre suas experiências pessoais dinâmicas familiares e pressões externas A pressão do trabalho e a carga horária excessiva não apenas afetam seu bemestar emocional mas também impactam negativamente sua vida familiar e seu relacionamento com sua esposa A disposição de J para explorar suas emoções e melhorar a comunicação é um aspecto positivo é crucial para seu progresso na terapia As queixas sobre a dinâmica de culpa e a projeção de frustrações de esposa sobre J indicam um ciclo de conflito que pode ser quebrado através de uma comunicação mais aberta e honesta A proposta de explorar essas dinâmicas nas próximas sessões pode oferecer a J e sua esposa uma oportunidade de entender melhor suas próprias necessidades e as do outro promovendo um ambiente mais saudável para a família 526 A autonomia emocional e respeito mútuo Além disso a dependência emocional de J na infância e sua resistência a mudanças que ele reconhece em si mesmo e em seu filho são temas centrais a serem explorados nas sessões Isso pode ajudar J a entender como essas experiências moldaram suas reações atuais e seu papel na dinâmica familiar O fato de J ter manifestado interesse em discutir suas responsabilidades com seu chefe também é um sinal de sua disposição para enfrentar desafios o que pode ser uma alavanca para seu desenvolvimento emocional e crescimento pessoal Spivacow 2018 É vital que J desenvolva uma autonomia emocional que lhe permita se posicionar diante das críticas de Érica Sua atitude passiva em relação às ofensas dela não contribui para um relacionamento saudável Em algumas ocasiões J apontou que a diferença entre sua atual esposa e uma exnamorada era o respeito que aquela última demonstrava ao confrontálo sobre situações passadas Reconhecer a falta de respeito nas interações é crucial para que J possa se posicionar e confrontar sua esposa sobre seu comportamento Essa assertividade é o primeiro passo para que ele se autorrespeite e consequentemente exija respeito 36 em suas relações de vida permitindo que J explore seus conflitos internos e suas interações familiares O acompanhamento terapêutico é essencial para ajudálo a navegar por essas complexidades promovendo mudanças significativas em sua vida e favorecendo um ambiente familiar mais equilibrado Ao trabalhar na construção de uma comunicação mais efetiva e na identificação de padrões disfuncionais J pode dar passos importantes em direção a um relacionamento mais saudável e satisfatório tanto com sua esposa quanto consigo mesmo Mondrzak 2007 53 Análise do paciente 2 Não foi possível fazer análise do caso devido as poucas sessões 54 Descrição resumida do paciente 3 Data 150925 O paciente é agente de saúde enfrenta inseguranças em seu relacionamento devido a episódios de ciúmes e ações da namorada Ele possui uma filha de três anos cuja guarda controla preocupado com influências negativas da mãe Histórico de conflitos e ciúmes excessivos marcaram seu relacionamento anterior causando perda de empregos Augusto também passou por dificuldades financeiras envolvendose com drogas o que resultou em prisão mas atualmente trabalha na prefeitura Sua maior preocupação é a educação e bemestar da filha considerando sua relação com a mãe e o impacto do estilo de vida dela Data 220925 O paciente tem uma infância marcada por conflitos familiares violência e uso de drogas na relação com os pais mas busca reconciliação com o pai após um retiro religioso Ele viveu relacionamentos tumultuados e possui um passado criminal ligado ao tráfico enfrentando inseguranças e medos Sua história é de conflitos internos traumas e uma busca por compreensão e transformação através do acompanhamento terapêutico Data 290925 37 Ele está ansioso e refletindo sobre uma rotina de encontros com uma menina de Santa Fé enquanto seu relacionamento com Larissa que é frio e resistente se deteriora mesmo após ele parar de beber Ele pensa em terminar mas preocupase com a filha e a relação com a sogra além de questionar se deve se envolver com a menina rica de Santa Fé O paciente demonstra conflito entre suas emoções relacionamentos e medo de mudanças Data 061025 Gustavo e Larissa tiveram uma briga que interrompeu a comunicação agravada por problemas no carro e desentendimentos sobre tarefas domésticas Ele considerou terminar mas ela pediu para continuar enquanto ele planeja concursos e melhorias profissionais A relação está marcada por frustração insegurança e tentativas de reconciliação Data 161025 Gustavo terminou o relacionamento após uma briga séria envolvendo uma discussão e agressão de Larissa mas afirma estar tranquilo e focado na venda de lápides para sustentar sua filha Apesar de sentir carência ele deseja trabalhar viajar e aprender novos instrumentos musicais sem planos de reatar Não deseja continuar o acompanhamento psicológico neste momento aguardando nova convocação O caso de Gustavo traz à tona diversas questões que podem ser analisadas à luz das teorias psicanalíticas sobre vínculos afetivos e mecanismos de defesa 55 Análise do caso clínico do paciente 3 Vínculos Afetivos e Conflitos Internos Gustavo apresenta um histórico de vínculos familiares tumultuados e experiências de violência que segundo a psicanálise podem ter contribuído para a formação de padrões relacionais disfuncionais A relação com os pais marcada por conflitos e uso de drogas indica que sua capacidade de estabelecer vínculos saudáveis pode estar comprometida Isso se alinha com as ideias de Ferenczi sobre a confusão emocional e a perda onde a expectativa de cuidado é frustrada 38 gerando inseguranças e um estado de dependência em relação a relacionamentos Barbarine e Martins 2021 Masculinidade e Identidade A questão da masculinidade conforme discutido por Barbarini e Martins 2021 também é relevante Gustavo ao lidar com ciúmes e inseguranças pode estar internalizando uma forma de masculinidade que se baseia em padrões hegemônicos onde a dominação e o controle se tornam centrais nas suas relações Esse aspecto pode estar ligado à sua preocupação com a influência da mãe na educação da filha e sua necessidade de afirmar um papel masculino protetor que é frequentemente associado a um estilo de vida mais tradicional Isolamento do Afeto O isolamento do afeto pode ser observado em suas reações emocionais Apesar de relatar tranquilidade após o término do relacionamento com Larissa há uma carência emocional subjacente que ele parece não reconhecer Isso pode indicar um uso do isolamento como defesa onde ele dissocia as emoções relacionadas ao término e à ausência de um vínculo afetivo significativo para focar em atividades práticas como sustentar a filha e trabalhar Mcwilliams 2014 Conclusão A trajetória de Gustavo ilustra a complexidade dos vínculos afetivos e a influência de experiências passadas na formação da identidade e nas dinâmicas relacionais atuais O acompanhamento terapêutico poderia ajudálo a integrar suas experiências emocionais reconhecer seus padrões de comportamento e explorar novas formas de se relacionar tanto consigo mesmo quanto com os outros A busca por compreender e transformar suas relações é um passo importante para lidar com os conflitos internos e promover um desenvolvimento emocional saudável REFERÊNCIAS BARBARINI N MARTINS D F W Masculinidade como instituição uma análise conceitual do ser homem no Brasil Psicologia em Estudo v 36 n 1 p 4560 janmar 2021 39 CHEMAMA R Psicanálise do cotidiano elementos lacanianos para uma psicanálise do cotidiano Porto Alegre CMC Editora 2002 Conselho Federal de Psicologia Código de ética profissional do psicólogo Brasília DF 2005 Disponível em httpssitecfporgbrwpcontentuploads201207codigo deeticapsicologiapdf Acesso em 3 maio 2025 FREUD S A interpretação dos sonhos 1900 Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2016 FREUD S História de uma neurose infantil o homem dos lobos Além do princípio do prazer e outros textos 19171920 Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2010 FREUD S Psicologia das massas e análise do eu e outros textos 19201923 In Psicologia das massas e análise do eu e outros textos 19201923 2011 p 343 343 FREUD Sigmund Obras completas volume 4 A interpretação dos sonhos Tradução Paulo César de Souza 1 ed São Paulo Companhia das Letras 2019 JORGE M A C Fundamentos da psicanálise de Freud a Lacan 2 ed Rio de Janeiro Zahar 2005 LEJARRAGA A L Clínica do trauma em Ferenczi e Winnicott São Paulo v10 n 2 2008 Disponível em httpspepsicbvsaludorgscielophp scriptsciarttextpidS151724302008000200005 Acesso em 25102025 MINERBO M Ateliê clínico Para que serve uma análise Volume 1 São Paulo Blucher 2024 MINERBO M Diálogos sobre a clínica psicanalítica São Paulo Blucher 2016 MONDRZAK V S Processo psicanalítico e pensamento aproximando Bion e MatteBlanco Revista Brasileira de Psicanálise v 41 n 3 2007 PIGNATARO M B FÉRESCARNEIRO T MELLO R A formação do casal conjugal um enfoque psicanalítico Pensando Famílias v 23 n 1 p 120 2019 PRESA G A CREMASCO M V F Viver sem o objeto Revista Subjetividades Fortaleza v 18 n 1 p 110 2018 SAMPAIO A de O A clínica de casal análise das relações vinculares Mimesis v 30 n 2 2009 SPIVACOW M A O casal em conflito contribuições psicanalíticas Pról René Kaës Trad e ed Adriana May Mendonça Denise Martinez Souza Marcia Zart Terra de Areia RS Triangullo Gráfica e Editora 2018 TREIGUER L E M O paradoxo vincular no casal desejo constituição e morte PHP 2007 40 ZASLAVSKY J DOS SANTOS M J P Sobre o papel das identificações na relação amorosa Revista de Psicanálise SPPA Porto Alegre v 2 n 2 p 4751 4933 1996 ZIMERMAN D E Manual de técnica psicanalítica um estudo teóricoclínico da entrevista inicial dos critérios de analisabilidade e do contrato Porto Alegre Artmed 2004 41 1 ANEXO A ATENDIMENTO DIA 290425 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio Clínica Local Clínica de psicologia Uningá Horário 17 h às 18h Data 29042 5 IntervençãoSessão nº 1 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio Supervisionado 1 Aluno grupo Rodolfo Rodrigo Benedetti Professor sup Bruna Garcia Data 29042025 O paciente J apresentouse na sessão realizada em 290425 Ele relatou angústia no trabalho motivada pela pressão exercida pelo chefe e pela carga horária excessiva o que resulta em pouco tempo para sua família Sua esposa expressa insatisfação com a falta de tempo que o marido dedica aos filhos e à situação financeira em que se encontram O paciente descreve sua esposa como uma pessoa difícil de lidar com quem tem enfrentado frequentes conflitos Ele menciona que ela foi criada apenas pela avó materna o que segundo ele contribui para traumas que dificultam a convivência entre eles As discussões se intensificam durante os dias de TPM e o paciente relata que utiliza um aplicativo para monitorar o ciclo menstrual da esposa tentando evitar conflitos nesses períodos Além disso o paciente demonstra preocupação com o comportamento do filho mais velho que se envolveu em episódios de furto incluindo o roubo de dinheiro da irmã e a destruição de figurinhas na escola Essa situação o leva a refletir sobre a educação e o desenvolvimento moral da criança Apesar das dificuldades o paciente está motivado para o processo terapêutico e expressa interesse em continuar as sessões inclusive na modalidade online caso não seja possível realizar atendimentos presenciais Para as próximas sessões será importante explorar seus sentimentos de angústia e identificar as fontes de estresse melhorar a comunicação com a esposa discutir estratégias para equilibrar trabalho e vida familiar abordar o 42 comportamento do filho e considerar formas de incentivar a esposa a buscar terapia respeitando sua resistência O paciente demonstra consciência das dinâmicas familiares que impactam seu bemestar emocional e está disposto a trabalhar nessas questões As futuras sessões deverão focar nas áreas mencionadas visando promover um ambiente familiar mais saudável 43 2 ANEXO B ATENDIMENTO DIA 060525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horári o 17 h às 18h Data 06052 5 Intervençãosessão nº 2 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 06052025 J chegou pontualmente às 17h e iniciou a conversa expressando suas preocupações sobre a relação da esposa com sua mãe Ele está apreensivo em relação à visita marcada para o próximo domingo à casa de seus pais Ao investigar essa apreensão J compartilhou um incidente recente durante um almoço na casa de sua mãe onde sua esposa o criticou por sua falta de compromisso com a casa e a família Sua mãe interveio questionando a esposa sobre a falta de reconhecimento e apoio o que levou a esposa a se retirar da mesa e solicitar a saída Perguntei a J sobre a situação atual com a esposa e ele mencionou que as coisas melhoraram um pouco mas a relação com a mãe ainda é tensa Ele expressou a preocupação de não querer deixar os filhos sob os cuidados da mãe uma vez que sua esposa só aceita deixálos com a mãe e a irmã J também revelou receios em deixar seu filho com o pai devido a temores de abuso embora não tenha confirmado se sua esposa já passou por essa experiência No que diz respeito à vida profissional J relatou que a situação com seu chefe se tornou insustentável Ele acredita que a recente mudança na gestão da rede de supermercados está gerando pressão por resultados imediatos e eficazes o que tem impactado negativamente a dinâmica com sua equipe Apesar de ter recebido uma promoção recentemente J não está satisfeito com o salário pois não houve um aumento que correspondesse à nova função Ele suspeita que a empresa esteja realizando uma avaliação prometendo um aumento 44 após seis meses caso os resultados esperados sejam atingidos A sessão foi encerrada destacando que J enfrenta desafios tanto em sua vida pessoal quanto profissional que precisam ser explorados e refletidos nas próximas sessões 45 3 ANEXO C ATENDIMENTO DIA 200525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 20052 5 Intervenção Sessão nº 3 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 DISCIPLINA Estágio Supervisionado 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 20052025 Na sessão de hoje J apresentou uma série de queixas relacionadas à sua vida profissional e pessoal destacando a sensação de sobrecarga e a falta de apoio em ambas as esferas Ele relatou que está se sentindo pressionado no trabalho enfrentando um volume elevado de tarefas sem o devido suporte de seu chefe J mencionou que seu chefe propõe a necessidade de um bom desempenho mas paradoxalmente continua a sobrecarregálo com mais responsabilidades Fez uma comparação entre seu chefe e sua esposa ambos considerados sem lógica em suas exigências Em relação à sua vida conjugal J expressou frustração em relação à sua esposa citando um recente convite dela para não chegar tarde em casa mas sem clareza sobre o compromisso Ele observou que essa instabilidade gera ansiedade pois pode se tratar de um convite para um momento agradável ou uma conversa sobre separação J revelou que já considerou a separação em duas ocasiões mas uma oração em um momento de reflexão o levou a interpretar que deveria permanecer no casamento especialmente após a notícia da gravidez de sua filha J também trouxe à tona a dificuldade financeira que enfrenta atribuindo parte da culpa a sua esposa Ele explicou que após ela seguir um guru financeiro e fazer investimentos de alto risco acabou assumindo uma dívida significativa com a compra de um carro cujas parcelas se tornaram uma carga pesada comprometendo seu orçamento Atualmente J mencionou que não recebe ajuda dela para os gastos uma vez que ela também lida com suas próprias dívidas O 46 medo de perder a esposa e os filhos é um tema recorrente em suas queixas J expressou preocupações sobre a possibilidade de sua esposa levar as crianças para morar com a família dela em Amaporã o que o angustia especialmente em relação à influência negativa que a família dela pode ter sobre os filhos Um aspecto positivo observado na sessão foi a disposição de J em agir de forma proativa Ele demonstrou interesse em ter uma conversa direta com seu chefe para discutir suas preocupações e buscar um entendimento mais claro sobre suas responsabilidades 47 4 ANEXO D ATENDIMENTO DIA 290525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 17 h às 18h DATA 29052 5 Intervenção Sessão nº 4 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 DISCIPLINA Estágio Supervisionado 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 29052025 J começou a sessão dizendo que seu filho esta mentindo muito que isso está o preocupando Perguntei se as mentiras são histórias inventadas J Explicou que as mentiras são feitas a partir de uma discussão na qual ele faz uma coisa e nega ter feito Como por exemplo quando sua mãe reclamou que ele não tinha feito a tarefa e quando ele perguntou ele disse que havia feito só depois de muita insistência que admitiu não ter feito J disse que seu filho não tem muito gosto pelos estudos e que nisso é muito diferente dele Perguntei se tem coisas semelhantes com filho disse que sim a personalidade forte de confrontar os pais disse que é igual e que inclusive seu comportamento era diferente dos outros dois irmãos pergunte se era o mais velho ele disse que era o mais novo Lembrou de um dia que entrou em confronto com seu pai pois avisou que eatava estava indo para uma festa em astorga e seu pai disse que nao iria ele então falou que estava apenas avisando Lembrou que seus pais fazia tudo por ele desde o levar a escola buscar e que por exemplo nunca cozinhou sendo isso uma das críticas que Érica sua esposa faz a ele Foi se sentir mais dependente quando deixou Marília e veio para Maringa estudar Perguntei entao como foi que os seus pais vieram para Maringá Falou que ele passou no vestibular na UEM e veio morar com um primo dele no segundo ano de faculdade ele foi morar sozinho entao primeiro veio sua mãe mas deixou bem claro que nao queria ser vigiado depois veio seu pai e sua irmã e seu cunhado Após a faculdade arrumou emprego em Astorga em uma usina Morava em um quarto 48 com banheiro apenas Neste período engravidou a Érica então ela foi morar com seus pais e ele se viu obrigado a voltar e arrumar uma casa para morar um junto com a Érica e seu filho que iria nascer 49 5 ANEXO E ATENDIMENTO DIA 100525 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 10052 5 Intervenção sessão nº 5 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 10062025 Na sessão de hoje J chegou com um atraso de 20 minutos justificandose com problemas relacionados ao serviço Ele também mencionou a ausência na sessão anterior devido a uma viagem durante a qual não teve acesso ao celular Ao longo da conversa J expressou uma série de dificuldades que enfrenta tanto em sua vida profissional quanto no âmbito familiar Ele relatou uma sobrecarga significativa de trabalho mencionando a dificuldade em gerenciar sua carga horária o que parece impactar sua saúde mental e emocional refletindo um estado de estresse e cansaço J trouxe à tona a situação de sua esposa Érica que continua apresentando oscilações de humor Ao questionálo sobre o cansaço que isso poderia causar ele afirmou ter se acostumado e optado por uma postura passiva diante das oscilações dela Exemplos foram dados para ilustrar essa dinâmica em uma visita recente dos padrinhos do filho Érica começou a reclamar que ele não ajuda em casa J optou por se afastar da situação indicando uma estratégia de evitar conflitos Outro exemplo relevante foi o incidente em que seu filho se queimou com um ferro quente J relatou que Érica o culpou pela situação mesmo reconhecendo que ela deveria ter mais cuidado com a criança que estava sob sua responsabilidade na parte superior da casa Essa dinâmica de culpas parece ser um padrão recorrente no relacionamento onde Érica projeta suas frustrações em J 50 Durante a sessão J foi questionado sobre a natureza do relacionamento com Érica Ele mencionou que embora tenham momentos de boa convivência a situação se torna complicada em momentos de tensão A comunicação entre eles parece frágil especialmente em situações emocionais delicadas J trouxe um episódio marcante de uma terapia de casal onde Érica respondeu não sei quando questionada se ainda se gostam evidenciando a ambivalência no relacionamento J relatou que sempre percebeu Érica com esse comportamento desde o início do relacionamento que começou na empresa onde trabalhavam A narrativa de como se conheceram sugere uma atração inicial mas também revela que desde o início houve uma desarmonia que pode ter se intensificado com o tempo A gravidez planejada e a mudança para a casa dos pais de Érica também foram pontos importantes trazendo à tona atritos familiares que contribuíram para a tensão no relacionamento A sessão foi encerrada com a proposta de retomar as questões levantadas nas próximas conversas permitindo que J reflita sobre as dinâmicas familiares e emocionais discutidas É fundamental continuar trabalhando na comunicação e na compreensão mútua entre J e Érica assim como explorar mais a fundo as questões de culpa e frustração que permeiam o relacionamento Os próximos passos incluem explorar as dinâmicas de culpa e projeção de frustrações focar na melhoria da comunicação entre J e Érica e analisar o impacto da carga de trabalho na saúde emocional de J 51 6 ANEXO F ATENDIMENTO DIA 170625 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 17062 5 Intervenção sessão nº 5 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 17062025 J se atrasou vinte minutos novamente Comecei a sessão lembrando de uma fala de J A qual dizia que alguma coisa o atraiu na Érica Então fiz a pergunta o que seria esse algo que o atraiu nela Respondeu que ela tinha algo que a sua ex namorada não tinha Perguntei o que seria Disse que teve duas namoradas antes da Érica e que a primeira era mais velha que ele e tinham pensamentos diferentes sobre a vida Ela pensava em casar pois já era formada e quando ele estava ainda na faculdade e queria aproveitar mais a vida Então conheceu a segunda namorada e ficaram pouco tempo em torno de 9 meses Ela o achou para jantar e disse que não queria mais continuar ficou muito mal e mantinha contato com ela por mensagens até que um dia ela mandou uma mensagem falando que não queria mais conversar com ele para não dar esperanças foi aí que disse que tinha que deixar de ser trouxa e seguir sua vida e cortar contato com ela Disse que foi interessante pois neste dia que ele viu a Érica pela primeira vez mas apenas achou uma mulher bonita e admirou que ela trabalhando em um chão de fábrica onde os homens de todas as idades mexiam com ela sempre se deu ao respeito Então concluiu que a Érica diferente da antiga namorada sempre o respeitou Mesmo quando não namorava ela se dava ao respeito mantendo a distância das pessoas e até hoje é assim Sua antiga namorada era muito de brincar com as pessoas inclusive com homens isso o deixava e acredita que se permanecesse com ela o deixaria inseguro Perguntei se quanto a palavra respeito o qual diz a Érica ter 52 para com ele não sente desrespeitado quando ela fala mal dele na frente dele para as outras pessoas Respondeu nisso sim é muito ruim isso que ela faz Perguntei se ele acredita que ela tem a imagem dele das reclamações que ela faz dele para as pessoas Respondeu que acha que sim mas também vê momentos em que ela é carinhosa com ele Continuou que percebe quando ela se frustra com alguma coisa no trabalho ela desconta nele Mas acredita que ela tenha sentimento por ele Antes do namoro ela era apegada a ele e muito mais carinhosa quando nasceu seu primeiro filho ela se apegou demais e tinha nele uma fixação exagerada depois que nasceu a filha deixou o filho de lado e tem essa fixação com a filha Como o tempo estava acabando concluí a sessão 53 7 ANEXO G ATENDIMENTO DIA 070725 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 01072 5 Intervenção sessão nº 8 SÉRIE 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 01072025 J apresentouse atrasado chegando aproximadamente 15 minutos após o início da sessão Quando questionado acerca do motivo de sua ausência na sessão anterior esclareceu que esteve viajando a trabalho demonstrando esforço em justificar as faltas e admitindo que anteriormente por uma única ocasião não enviou justificativa No entanto reforçou que naquela última ausência explicou a ausência devido à viagem profissional Durante a sessão comentou que pretendia falar de trás para frente o que inicialmente suspeitei tratarse de uma abordagem reflexiva sobre os eventos recentes confirmação essa que veio com sua narrativa subsequente J contou que seu chefe foi demitido recentemente causando uma situação de caos na empresa na qual recaiu sobre ele a responsabilidade de assumir temporariamente funções de liderança já que ocupava uma posição de coordenação abaixo do seu antigo chefe Destacou que seu expatrão tinha um comportamento de soberba exibindo arrogância e uma postura de superioridade por possuir trinta anos de experiência Quando questionei se essa postura afetava sua performance ou relação no trabalho ele respondeu que o problema principal não era a postura do chefe mas sim as dificuldades relativas à gestão de perdas financeiras que estavam aumentando de forma preocupante J revelou que em uma viagem a Umuarama e Foz do Iguaçu participou de ações voltadas para analisar perdas constatando uma perda de aproximadamente 4 54 milhões Sua função era desenvolver estratégias para reduzir essa perda mas percebeu que ao invés disso o cenário se agravava e sua principal responsabilidade se limitava a exercer pressão sobre si mesmo e sobre sua equipe J admitiu não sentir alívio após a demissão do antigo chefe demonstrando respeito e consideração por ele reconhecendo que foi o responsável por sua contratação apesar das dificuldades de relacionamento Relatou que se sentia pressionado pela postura do exchefe o que lhe causava malestar Durante a viagem de trabalho J descreveu que trabalhou além do horário habitual inclusive no sábado para apresentar relatórios de perdas ao seu patrão na expectativa de obter um momento de análise e discussão dos resultados na sexta feira mas isso não ocorreu pois seu chefe o criticou em vez de dialogar A sensação de frustração por esse episódio foi perceptível Pelo tempo curto encerramos a sessão J Pediu desculpas pelo atraso e disse que ele tem mandado no número que tem da clínica avisando sobre seus atrasos 55 8 ANEXO H ATENDIMENTO DIA 150725 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO Paciente estágio Estágio clínica Local Clínica de psicologia uningá Horário 17 h às 18h Data 15072 5 Intervenção sessão nº 8 Série 5 º Ano letivo 202 5 Disciplina Estágio supervisionado Carga horária 1 Aluno grupo Rodolfo rodrigo benedetti Professor sup Bruna garcia Data 15072025 Na última reunião J chegou pontual e embora não tenha justificado sua ausência explicou que teve que comparecer à apresentação da filha na escola durante a Festa Junina Ele compartilhou os desafios que enfrenta no trabalho mencionando a falta de referências sobre com quem conversar e a pressão que sente de três diretores que o cobram de maneira diferente Durante a conversa ele relatou um episódio em que um dos diretores o chamou para uma reunião enquanto estava atendendo a uma demanda o que aumentou sua confusão sobre a quem realmente deve prestar contas J também expressou sua preocupação com a relação com seu filho que apresentou um comportamento estranho recentemente Ele compartilhou um conflito em que chamou o filho de mentiroso o que resultou em um impulso de agressão ao dar um soco em sua perna O motivo do desentendimento foi que o filho estava assistindo a vídeos no YouTube mesmo sabendo que tanto ele quanto a mãe não queriam que ele visse aquele conteúdo Após o incidente J ficou angustiado e acabou se retirando do local mas o filho pediu desculpas assim como sua esposa que ressaltou que a forma de educar não deveria ser a violência J refletiu sobre a dificuldade de criar os filhos nos dias de hoje comparando se a sua própria infância quando ele enfrentou reprimendas severas de seus pais Ele mencionou que na sua visão a educação dos filhos atualmente é marcada pela 56 permissividade Sua esposa por sua vez relatou uma situação em que em um momento de desespero deu um tapa no rosto do filho quando ele a desafiou demonstrando que ambos os pais ainda estão aprendendo sobre a melhor forma de educar A conversa também abordou o desempenho escolar do filho J comentou que apesar de não estar com notas ruins ele se mostra distraído e desinteressado nas tarefas de casa Para ajudar os avós do menino estão contribuindo financeiramente para que ele frequente sessões com uma psicopedagoga A possibilidade de o filho ter TDAH foi levantada pela esposa que se identificou com alguns dos comportamentos do filho J mostrouse compreensivo e observador notando que o filho tem hiperfoco em determinados assuntos como música e esportes o que pode indicar características do TDAH Por fim J se considera alguém que se concentra profundamente nas atividades ao contrário de Érica de sua esposa que tende a se distrair facilmente Reconhece que a personalidade dos filhos é uma mistura dele com sua mulher com características físicas e intelectuais que remetem a cada um 57 6 ANEXO I ATENDIMENTO DIA 150925 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTEEstágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horário 14 h às 15h DATA 150925 Intervençã oSessão nº SÉRIE 5 º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado Carga Horária 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 150925 Augusto é um paciente que expressou preocupações sobre a confiança em sua atual namorada especialmente após um episódio em que ela pesquisou o nome de seu exnamorado no Instagram Ao ser questionada sobre isso ela justificou que queria saber se Augusto falaria a respeito o que gerou inseguranças nele O contexto envolve uma atividade em que ela participa tocando trombone na fanfarra Em suas reflexões Augusto também compartilhou experiências passadas com sua exnamorada caracterizadas por conflitos significativos Ele destacou que ela era extremamente ciumenta a ponto de colocar sua segurança em risco A relação começou em uma festa em Iguaraçu mas o ciúme excessivo se tornou um problema recorrente manifestandose em situações do dia a dia como quando ele trabalhava como açougueiro Ele relatou que ao atender clientes mulheres sua ex frequentemente aparecia fazendo escândalos e ameaçando tanto as clientes quanto ele o que resultou na perda de seis empregos em um período de apenas dois meses Augusto e sua exnamorada têm uma filha de três anos que está sob a guarda dele Durante a separação a ex reagiu de maneira contrária a princípio mas acabou aceitando a situação Hoje ela tem um novo namorado e visita a filha às quintasfeiras 58 O paciente também mencionou que devido a dificuldades financeiras se envolveu com o tráfico de drogas o que resultou em sua prisão e atualmente está cumprindo pena em serviço comunitário Apesar dessas dificuldades ele conseguiu um emprego na prefeitura de Maringá como agente de saúde Por fim Augusto demonstrou um profundo cuidado pela filha expressando o amor que sente por ela e suas preocupações em relação à sua educação Ele teme que a criança seja influenciada negativamente pela mãe e pelo estilo de vida dela que ele considera imprudente e sem juízo Assim a narrativa de Augusto revela questões complexas relacionadas à confiança ciúmes e os desafios enfrentados em seus relacionamentos além de destacar a importância de sua relação com a filha que se tornou um ponto central em sua vida 59 7 ANEXO J ATENDIMENTO DIA 220925 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horário 14 h às 15h DATA 22 09 25 Intervenção Sessão nº SÉRIE 5º ANO LETIVO 2025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado 1 ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 220925 O paciente apresenta uma história familiar complexa marcada pela relação conturbada entre seus pais onde a mãe costureira e o pai mecânico de máquinas de costura enfrentam problemas sérios incluindo traições e uma tentativa de suicídio por parte da mãe Essa dinâmica familiar impactou significativamente sua infância levandoo a desenvolver uma relação tensa com o pai que se agravou pelo uso de maconha considerado uma forma de fuga de seus problemas emocionais O paciente relata ter sofrido bullying na infância sendo muitas vezes agredido por colegas o que o levou a adotar comportamentos agressivos como uma defesa contra a dor que sentia Sua relação com o pai é tumultuada houve momentos de agressão física entre eles principalmente relacionados ao uso de substâncias No entanto após um retiro da igreja o paciente conseguiu perdoar o pai o que marcou uma mudança significativa em sua percepção e sentimento em relação a ele Hoje apesar de considerar o pai grosso ele expressa amor e uma nova compreensão sobre a figura paterna 60 Por outro lado a relação com a mãe é descrita como mais positiva embora tenha passado por um período de depressão após sair de casa para viver com Isabela O paciente demonstra preocupação com a saúde emocional da mãe e menciona que atualmente ela aceita melhor sua decisão de fumar maconha embora ele não compartilhe essa informação com o pai O passado do paciente é também marcado por um relacionamento tumultuado com Isabela sua exnamorada que possui um histórico de comportamentos violentos Ele relata medo em relação a ela especialmente após episódios em que ela apontou armas para outras pessoas e menciona que está jurado de morte por um chefe de Isabela o que amplifica seu ambiente de medo e insegurança Além disso o paciente possui um histórico criminal relacionado ao tráfico de drogas em Astorga onde chegou a ganhar quantias significativas Sua notoriedade na região o levou a considerar uma carreira política mas a fama negativa associada ao tráfico prejudicou essa aspiração Um incidente em que sua arma foi usada pela polícia em um crime demonstra a complexidade de sua relação com a lei e as influências de grupos criminosos em sua vida Em suma o paciente vive um conflito interno profundo repleto de medos traumas e uma busca por reconciliação Sua evolução em relação ao pai e a necessidade de enfrentar seus medos e experiências passadas são pontos cruciais a serem explorados em um acompanhamento terapêutico contínuo 61 8 ANEXO K ATENDIMENTO DIA 290925 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horári o 14 h às 15h DATA 290925 Intervenção Sessão nº 3 SÉRIE 5 º ANO LETIVO 2 025 DISCIPLIN A Estágio Supervisionado ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSO R SUP Bruna Garcia Data 290925 Falou que estava ansioso para falar esta semana e estava com a cabeça a mil Voltou a conversar com uma menina de Santa Fé que namorou quando tinha 14 anos por acaso isso se repetiu quando ela namorou ele pois ele tinha uma menina que namorava Ele falou que esses negócios de karma e repetição eu acredito Ele faz o cadastro de famílias no PSF e mandou para ela que precisava fazer cadastro Ela respondeu que tinha um amigo com esse nome e ele apenas falou que legal kkkkk Quando ela perguntou se ele era de Santa Fé já deu um frio na barriga Daí ele disse que veio as memórias e que agora eles estão conversando todo dia e que a relação com a Larissa que já não estava boa piorou Ela é muito fria não procura carinho afeto Não pergunta se quero comer o que vamos comer se não for ele quem procurar ela não se mexe Perguntei se ele pretende terminar com ela e ele disse que vai observar a situação mas que já alertou ela na sextafeira pois no sábado tinha o aniversário da mãe dele e ele não queria chegar no aniversário com cara de clima ruim Disse que essas conversas 62 estão sendo frequentes e que ela se justifica tentando jogar a culpa nele mas que ela não assume o que pode melhorar Ele disse que bebia muito e era agressivo e que teve duas brigas feias Na segundafeira ele tomou a decisão de parar de beber e até hoje nunca mais bebeu Mas ela não se propõe a mudar Ele não sabe o que fazer caso separe porque a neném é muito apegada a ela Ela tem qualidades faz tudo na minha casa eu só lavo a roupa e limpo o chão o resto ela faz Perguntei há quanto tempo eles se encontram e ele disse que quase todo dia à noite ele passa lá Perguntei se ela já negou ir alegando algo e ele disse que não mas que percebe que virou rotina Disse também que os pais dela são bem secos assim como ela bem diferente dele Ele fala que ele beija o pai até pega ele no colo senta no colo da mãe e ela faz carinho Que até o sogro ele tentou beijar mas ele se esquiva Perguntei se em outras situações a Larissa se mostra mais empolgada e ele disse que sim quando vem parentes de fora Ela fica outra pessoa Falei que parece que tende a romper e ele disse que vai observar porque não sabe se é da Carina que tem medo dela pensar que está se aproximando pois ela tem dinheiro faz medicina na Cesumar Perguntei se ela tem dinheiro e ele disse que sim Falou o nome da família que é uma das mais ricas e que seria um plot twist incrível ele indo lá em Santa Fé com a menina que é a mais rica da cidade Disse que ela falou que ele foi a primeira pessoa que tocou nela sem blusa que das outras ele falava que tinha pego e contava detalhes mas ela não falou Perguntei por quê e ele disse que tinha carinho Disse que precisava sair mais cedo mas já eram 1455 então encerramos a sessão 63 9 ANEXO L ATENDIMENTO DIA 061025 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horário 14 h às 15h DATA 220925 Intervenção Sessão nº 2 SÉRIE 5 º ANO LETIVO 2 025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSO R SUP Bruna Garcia Data 061025 Na sextafeira houve uma briga entre Gustavo e Larissa o que interrompeu a comunicação entre eles Ele iria buscalá mas acabou que por cinta de chuva não iria conseguir ir de moto até porque estava com pneu furado e seu carro estava estragado por isso Gustavo mandou uma mensagem para a mãe de Larissa para buscala no serviço pois não conseguiria ir Ela brincou mas disse que o pai dela iria Ao ser informada por Gustavo que ele não conseguiria ir por causa da chuva larissa mandou uma mensagem falando que porque tem essa merda de carro que não funciona então Ele disse que não precisava falar assim e mandou um print da conversa dele com a mãe dela e que podia ficar tranquila que o pai dela ia buscar Gustavo percebe que ela não ajuda na casa e fica acumulando pratos e louças o que parece estar causando uma certa frustração ela mandou dinheiro para ele comprar uma peça do carro e disse que mesmo pensando em terminar aceitou pois ela usa bastante o carro Depois houve uma discussão entre eles Ele falou que do jeito que as coisas estão acha melhor terminar Ela ficou muito chateada chorou e ficou nervosa 64 Apesar disso ela pediu para continuar a relação e ele tentou dar uma nova chance pensando em manter o relacionamento 65 10 ANEXO M ATENDIMENTO DIA 161025 RELATO DE INTERVENÇÃOSESSÃO ESTÁGIO PACIENTE Estágio Estágio Clínica LOCAL Clínica de psicologia Uningá Horário 14 h às 15h DATA 1610 25 Intervenção Sessão nº 5 SÉRIE 5 º ANO LETIVO 2 025 DISCIPLINA Estágio Supervisionado ALUNO GRUPO Rodolfo Rodrigo Benedetti PROFESSOR SUP Bruna Garcia Data 161025 Gustavo começou falando que sua semana foi agitada e terminou o relacionamento Na sexta tiveram uma conversa séria e se comprometeram a tentar porém no sábado tiveram uma discussão por causa de uma compra que ela foi fazer na farmácia um soro fisiológico em spray Ele questionou a necessidade de comprar pois ele tinha em casa Ela respondeu de forma ríspida na frente das pessoas O dinheiro é seu ou é meu Gustavo ficou quieto foi lá fora pegar a moto para passar na porta e pegála Chegando em sua casa perguntou se havia necessidade de falar com ele daquela forma na frente das pessoas ela começou a dizer que queria continuar mas que estava difícil Ela respondeu que realmente estava difícil e eles começaram a discutir Em meio à discussão ele viu que ela colocou para gravar no contato de WhatsApp da prima dela Ele foi desligar o aparelho e ela deu um tapa em seu rosto Gustavo pediu para ela se retirar da casa dele e ela pediu desculpas reconhecendo que estava errada A irmã dele veio perguntar o que estava acontecendo e ele contou que Larissa havia dado um tapa em seu rosto Ao ouvir isso a irmã ficou furiosa e foi atrás de Larissa para agredila mas Gustavo interveio Ele pediu para a mãe avisar Larissa para retirar tudo o que era dela da casa dele e assim ela o fez Desde então Gustavo disse que não teve 66 mais contato Perguntei se ele ficou muito triste ele disse que não que está tranquilo e que não quer mais relacionamento que quer focar em ganhar dinheiro com sua empresa de xícaras e lápides Falou que está vendendo muitas lápides morre muita gente e também que muita gente está trocando pois a lápide de porcelana não tem valor e evita roubo Novamente perguntei se ele não está sentindo nada após o término já que tentou continuar com ela diante dessa falta de sentimento Respondeu que gosta dela mais por ela ser uma pessoa que está sempre junto mas não por ela especificamente Perguntei Você acha que não vai ter esse sentimento de carência estando sozinho Ele disse que acha que isso será o mais difícil Mas quer focar em trabalhar e ganhar dinheiro que está juntando e não se importar com carro novo moto ou casa então questionei por que ganhar dinheiro e ele respondeu para dar uma vida boa para minha filha Disse que era pobre não a ponto de passar fome mas sem condições para muitas vontades e quer que a filha tenha tudo de bom Perguntei sobre a outra menina com quem estava conversando falou que se encontraram e deram um beijo mas não vê futuro Perguntei sobre o futuro do Gustavo ele respondeu quero fazer umas viagens aprender a tocar instrumentos que ainda não sei Falei que não sabia que ele tocava ele disse que toca guitarra teclado e bateria é DJ e quer aprender a tocar sanfona e cavaquinho Perguntei se fez aulas para aprender disse que tem facilidade para aprender e que fez aulas apenas para ser DJ Eu comentei que para mim ser DJ é só colocar música para tocar mas ele explicou que envolve técnica por exemplo ao colocar duas músicas ao mesmo tempo é preciso alinhar a batida e o ritmo Avisei que a próxima sessão seria a última ele perguntou se eu o atenderei fora daqui expliquei que a princípio não Ele perguntou se continuará sendo atendido expliquei que seu nome voltará para a lista de espera e que terá que aguardar ser chamado novamente