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Texto de pré-visualização
MACROECONOMIA I Professora Dra Juliana Franco Afonso GRADUAÇÃO Unicesumar C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ Núcleo de Educação a Distância AFONSO Juliana Franco Macroeconomia I Juliana Franco Afonso MaringáPr Unicesumar 2018 Reimpresso em 2024 234 p Graduação EaD 1 Macro 2 Economia EaD I Título ISBN 9788545910329 CDD 22 ed 338 CIP NBR 12899 AACR2 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza CRB8 6828 Impresso por Reitor Wilson de Matos Silva ViceReitor Wilson de Matos Silva Filho PróReitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva PróReitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD Núcleo de Educação a Distância Diretoria Executiva Chrystiano Mincof James Prestes Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pósgraduação Kátia Coelho Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Diretoria de Design Educacional Débora Leite Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira Gerência de Curadoria Carolina Abdalla Normann de Freitas Supervisão de Produção de Conteúdo Nádila Toledo Coordenador de Conteúdo Silvio César de Castro Designer Educacional Amanda Peçanha Dos Santos Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa Arthur Cantareli Silva Editoração Kleber Ribeiro da Silva Qualidade Textual Produção de Materiais Ilustração Marta Kakitani Bruno Cesar Pardinho Em um mundo global e dinâmico nós trabalha mos com princípios éticos e profissionalismo não somente para oferecer uma educação de qualida de mas acima de tudo para gerar uma conversão integral das pessoas ao conhecimento Baseamo nos em 4 pilares intelectual profissional emo cional e espiritual Iniciamos a Unicesumar em 1990 com dois cur sos de graduação e 180 alunos Hoje temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil nos quatro campi presenciais Maringá Curitiba Ponta Grossa e Londrina e em mais de 300 polos EAD no país com dezenas de cursos de graduação e pósgraduação Produzimos e revi samos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência com IGC 4 em 7 anos consecutivos Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil A rapidez do mundo moderno exige dos educa dores soluções inteligentes para as necessidades de todos Para continuar relevante a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes inovação coragem e compromisso com a quali dade Por isso desenvolvemos para os cursos de Engenharia metodologias ativas as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferen tes áreas do conhecimento formando profissio nais cidadãos que contribuam para o desenvolvi mento de uma sociedade justa e solidária Vamos juntos If a Portfolio can be replicated with a few assets then it must be inefficient The result is that investors should gain if they invest in a welldiversified portfolio Seja bemvindoa caroa acadêmicoa Você está iniciando um processo de transformação pois quando investimos em nossa formação seja ela pessoal seja profissional transformamonos e consequentemente transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos De que forma o fazemos Criando oportu nidades eou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância oa acompanhará durante todo este processo pois conforme Freire 1996 Os homens se educam juntos na transformação do mundo Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e se encontram integrados à proposta pedagógica con tribuindo no processo educacional complementando sua formação profissional desenvolvendo competên cias e habilidades e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade de maneira a inserilo no mercado de trabalho Ou seja estes materiais têm como principal objetivo provocar a aproximação entre você e o con teúdo desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessários para a sua formação pessoal e profissional Portanto nossa distância nesse processo de crescimen to e construção do conhecimento deve ser apenas ge ográfica Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita Ou seja acesse regularmente o Studeo que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem interaja nos fóruns e enque tes assista às aulas ao vivo e participe das discussões Além disso lembrese de que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliáloa em seu processo de aprendizagem possibilitandolhe trilhar com tranqui lidade e segurança sua trajetória acadêmica AUTORA Professora Dra Juliana Franco Afonso Economista com Doutorado e Mestrado em Teoria Econômica pela Universidade Estadual de Maringá UEM Especialista em Consultoria Econômica Financeira de Empresas pela mesma Universidade É professora de Economia na Unicesumar e na Faculdade Cidade Verde Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional pesquisas e publicações acesse seu currículo disponível no endereço a seguir httplattescnpqbr4882579117919191 SEJA BEMVINDOA Caro a aluno a é com muita satisfação que apresentamos a você o livro que fará parte da disciplina de Macroeconomia I O objetivo principal deste livro é introduzir você ao estudo sobre os determinantes do produto do emprego e da renda sob a ótica dos clás sicos da teoria Keynesiana e por fim a análise desenvolvida por Hicks e Hansen que faz uma reinterpretação da teoria keynesiana com a elaboração do modelo de equilíbrio macroeconômico denominado de modelo ISLM Este livro está constituído por cinco unidades Na Unidade I apresentarei a você o conceito da macroeconomia o que ela estuda e seus objetivos Também apresentarei a evolução histórica das principais teorias macroeconômicas desde as teorias clássicas desenvolvidas no século XVIII passando por Keynes no século XX até as teorias mais contemporâne as Nessa unidade você também aprenderá como é realizada a contabilidade nacional ou seja como é calculado o Produto Interno Bruto e a Renda Nacional e por fim como um país é uma grande empresa também aprenderemos sobre o Balanço de Pagamento do país Na Unidade II aprenderemos sobre o sistema monetário nacional começando com a definição de moeda sua evolução histórica e as funções que ela deve desempenhar para que seja considerada moeda forte Nessa unidade também aprenderemos os fato res condicionantes da oferta e da demanda por moeda ou seja estudaremos o processo de criação dela na economia seu efeito multiplicador e a relação da demanda por mo eda com a taxa de juros da economia Conhecidos os determinantes da oferta e demanda por moeda a Unidade III irá se concen trar em ensinar como o governo utiliza a Política Monetária para estimular o crescimento eco nômico e quais são os instrumentos que utiliza para alcançar tais objetivos Por fim apresen tarei a você os principais produtos financeiros que são negociados no mercado monetário A Unidade IV está focada na teoria clássica de determinação da produção da renda e do emprego na economia ou seja a formação da Oferta Agregada Aprenderemos sobre os principais postulados desta corrente teórica e o conceito de equilíbrio com pleno emprego Desta forma aprenderemos como é determinado o nível de emprego na eco nomia e o equilíbrio no mercado de trabalho Também estudaremos como é formada a demanda agregada clássica e a relação entre poupança investimento e taxa de juros Por último aprenderemos como se dá o equilíbrio macroeconômico entre a Oferta Agre gada e a Demanda Agregada clássica e os efeitos de política monetária e fiscal Na última unidade do livro a Unidade V apresentarei a teoria keynesiana de determi nação da renda dos juros e do emprego Aprenderemos quais são suas propriedades básicas e as principais divergências com a teoria clássica Estudaremos como se dá o equilíbrio no mercado monetário relacionando a renda e a taxa de juros para a constru ção da curva LM Também estudaremos como se dá o equilíbrio no mercado de bens e serviços e quais são as diferentes combinações de taxa de juros e a renda que equilibra este mercado dando origem à curva IS Por fim estudaremos o equilíbrio simultâneo do modelo ISLM de Hicks e Hansen e os impactos da política econômica e fiscal na deter minação do equilíbrio BOM ESTUDO APRESENTAÇÃO MACROECONOMIA I Truncation shows the asymmetry which is a measure of the degree of deviation with respect to a normal distribution Variance and standard deviation are measures of dispersion SUMÁRIO 09 UNIDADE I INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA 15 Introdução 16 Objetivos da Macroeconomia 18 Evolução da Teoria Macroeconômica 24 Contabilidade Nacional 35 Balanço de Pagamento 40 Considerações Finais 45 Referências 46 Gabarito UNIDADE II SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA 49 Introdução 50 As Funções da Moeda e sua Importância 55 Oferta de Moeda 65 Demanda por Moeda 74 Considerações Finais 80 Referências 81 Gabarito SUMÁRIO 10 UNIDADE III POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS 85 Introdução 86 A Moeda e a Taxa de Juros 99 Objetivos de Política e a Política Monetária 111 Produtos Financeiros 125 Considerações Finais 131 Referências 132 Gabarito UNIDADE IV MACROECONOMIA CLÁSSICA 135 Introdução 136 A Oferta Agregada Clássica 139 A Demanda e a Oferta de Trabalho no Modelo Clássico e Equilíbrio no Mercado 149 Oferta e Demanda Agregada Clássica 155 Poupança Investimento e Taxa de Juros no Modelo Clássico 160 Equilíbrio Entre Oferta e Demanda no Modelo Clássico e Política Fiscal 166 Considerações Finais 175 Referências 176 Gabarito SUMÁRIO 11 UNIDADE V MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM 179 Introdução 180 O Modelo Keynesiano 196 Equilíbrio no Mercado de Bens e Serviços A Curva IS 208 Equilíbrio no Mercado Monetário A Curva LM 214 O Modelo IS LM e o Efeito de Política Fiscal e Monetária 226 Considerações Finais 232 Referências 233 Gabarito 234 Conclusão The only problem in using variance as a measure of the risk is that the variance alone does not capture whether the variation is due to chance or whether the variation is due to systematic changes affecting all UNIDADE I Professora Dra Juliana Franco Afonso INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Objetivos de Aprendizagem Desenvolver no aluno uma visão panorâmica sobre a macroeconomia Apresentar a evolução histórica das principais teorias macroeconômicas Conhecer os agregados monetários e sua forma de mensuração por meio do Sistema de Contabilidade Nacional Apresentar as contas que fazem parte do Balanço de Pagamento e suas especificidades Plano de Estudo Objetivos da Macroeconomia Evolução da Teoria Macroeconômica Contabilidade Nacional Balanço de Pagamento Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 15 INTRODUÇÃO Caroa alunoa esta unidade introduzirá você ao estudo inicial da macroecono mia que tem como objetivo estudar o comportamento das variáveis econômicas e as políticas utilizadas pelo governo que afetam e determinam o nível de consumo e investimentos na economia o câmbio e a balança comercial os determinantes das variações de preços e salários o controle do estoque de moeda a definição do orçamento do governo por meio dos impostos a formação das taxas de juros e a dívida pública É importante entendermos que nós estamos inseridos em um ambiente eco nômico e que as variáveis econômicas influenciam nossas decisões correntes e futuras de gastos e investimentos o tempo todo Qualquer leigo em economia sabe que pegar empréstimos quando a taxa de juros está alta é problema que gas tar mais do que ganha pode levar à falência tanto pessoal como empresarial que abrir uma empresa em plena recessão econômica é arriscado Portanto podemos concluir que a macroeconomia lida com os problemas do dia a dia Além de definir o que é macroeconomia apresentarei a você nesta unidade a evolução histórica das principais teorias macroeconômicas que vai desde o desenvolvimento da teoria clássica com Adam Smith no século XVIII até os dias de hoje com as novas teorias contemporâneas Também apresentarei os principais agregados macroeconômicos e como é determinado o produto nacio nal em suas três abordagens do produto da demanda e da renda Estudaremos por meio da apresentação do fluxo circular da renda que estas três aborda gens são equivalentes Você já se perguntou como é contabilizado o dinheiro que entra e sai de nossa economia Ou se tem mais dinheiro entrando ou saindo Para responder a estas questões estudaremos a estrutura do balanço de pagamentos que representa o resumo contábil das transações econômicas de um país com o resto do mundo Assim espero que estude com entusiasmo esta unidade que foi elaborada especialmente para você Tenha uma boa leitura INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 16 OBJETIVOS DA MACROECONOMIA Os agentes econômicos pesquisadores famílias empresários governantes entre outros tomam decisões baseadas em sua racionalidade e por isso necessitam se aprofundar no conhecimento pela da busca incessante da verdade baseada em informações que possam transcrever a realidade do objeto de estudo Para isto o agente econômico deve trabalhar sobre dados relacionados a diferentes situações que posteriormente se refletirão em informações seguras para com parações e julgamentos Neste sentido a macroeconomia é a parte da teoria econômica que trata do estudo sobre o comportamento da economia como um todo buscando enten der como se dá o aumento do produto da renda e do emprego ao longo de um determinado período de tempo De acordo com Dornbusch et al 2006 a macroeconomia abrange as políticas que afetam o consumo das famílias o investimento a taxa de câmbio e a balança comercial os determinantes das variações dos preços e salários as Objetivos da Macroeconomia Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 17 políticas fiscal e monetária o volume de moeda em circulação o orçamento do governo e a dívida pública e por fim o comportamento da taxa de juros Assim a macroeconomia busca entender o comportamento destas variáveis econômi cas e seus efeitos sobre o produto a renda e a demanda agregada Na macroeconomia estudamos os mercados de forma agregada ou seja estudamos o mercado de bens e serviços como um todo o mercado de trabalho como um todo e de forma específica individual A área da economia que trata os mercados de forma específica é chamado de microeconomia Segundo Dornbusch et al 2006 as pesquisas macroeconômicas possuem três tópicos principais de análise Primeiro como explicaríamos períodos de desemprego alto e persistente Segundo quais são as causas da inflação e como combatêlas O que causa as hiperinflações Terceiro o que determina a taxa de crescimento do produto Por que alguns países crescem mais rapidamente que outros Para responder estas questões várias teorias foram desenvolvidas com o objetivo de desmistificar as causas do desemprego da inflação e do crescimento econô mico e definir quais políticas econômicas política fiscal monetária cambial comercial deveriam ser adotadas pelo governo para alcançar determinado fim Por exemplo alguns estudiosos dizem que o governo não tem muito o que fazer para conter o alto desemprego e que o melhor a ser feito é a instituição de políticas de compensação apropriadas como seguro desemprego bolsa família entre outros Por outro lado outros estudiosos defendem o uso de uma polí tica fiscal especial como o corte de impostos a redução do IPI Imposto Sobre Produto Industrializado sobre os automóveis e eletrodomésticos em 2009 Estes pontos de vista são sustentados por líderes das duas principais tradições inte lectuais da macroeconomia a teoria clássica e keynesiana que estudaremos nos próximos capítulos de nosso livro INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 18 EVOLUÇÃO DA TEORIA MACROECONÔMICA No século XVIII surge na Inglaterra um economista filósofo e professor de Filosofia Moral na Universidade de Oxford chamado Adam Smith conside rado o precursor da moderna teoria econômica e o pai da escola clássica Em 1776 publicou a obra A Riqueza das Nações na qual procurou demonstrar as principais diferenças entre economia política ciência política jurisprudência e ética Na obra como é de se esperar estão diversas e fortes críticas ao sistema mercantilista devido à sua intervenção sem limites na economia Em sua obra Smith procurou apresentar um modelo teórico para explicar o desenvolvimento econômico das nações a divisão do trabalho Segundo ele seria a divisão do trabalho o responsável por garantir que os custos de produção fossem reduzidos e assim os preços das mercadorias gerando um aumento de bemestar para a população Além da divisão do trabalho a livre concorrência e a acumulação de capitais também são fontes importantes para o desenvolvi mento econômico PINHO VASCONCELLOS 2004 Evolução da Teoria Macroeconômica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 19 Smith entendia que a atuação da livre concorrência sem intervenção do governo nas decisões de mercado levaria a sociedade ao crescimento econô mico guiado por uma mão invisível Para ele a iniciativa privada buscando o lucro máximo acaba gerarando um aumento da concorrência que impacta na redução dos preços e promove o bemestar de toda a comunidade E é esta mão invisível que orienta todas as decisões da economia não necessita da interfe rência do Estado sendo este o princípio do liberalismo econômico De acordo com Vasconcellos e Garcia 2008 a ideia de Smith era de que a produtividade da mão de obra era proveniente da divisão do trabalho que passa a ser necessária por causa do aumento das trocas decorrentes da ampliação dos mercados Assim as economias de mercado tinham a capacidade de utilizar de maneira eficiente todos os recursos disponíveis de forma a alcançar sempre o nível de pleno emprego segundo o qual não existiria desemprego voluntário e este seria garantido pela flexibilidade de preços e salários Para Smith o Estado tem apenas como papel oferecer proteção à sociedade criação e manutenção de instituições necessárias ao bom andamento do estado As teorias desenvolvidas por ele foram estudadas e aprimoradas por vários segui dores que contribuíram para a constituição do conjunto de obras que fazem parte da teoria clássica Dentre seus principais seguidores que se destacam pelas importantes contribuições à Ciência Econômica estão Thomas Malthus David Ricardo Stuart Mill e Jean Baptiste Say todos de meados dos séculos XVIII e XIX Jean Baptiste Say instituiu a chamada Lei de Say supondo que tudo o que seria produzido seria vendido ou seja a oferta cria sua própria demanda Desta forma as empresas produziam sem se preocupar com a demanda concentrandose apenas no modo de produção Assim a teoria clássica foi a base teórica do sis tema capitalista de produção que se instituiu na Europa em fins do século XVIII A partir de 1920 com o término da Primeira Guerra Mundial surgem muitos debates sobre a aplicabilidade das teorias neoclássicas para explicar os proble mas da atividade econômica alto nível de desemprego e recessão econômica Estas críticas atingem o seu auge com a Crise de 1929 decorrente da quebra da Bolsa de Valores de Nova York evidenciando a insuficiência da teoria clássica e neoclássica para solucionar a crise que os EUA e os países da Europa Ocidental estavam enfrentando INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 20 Neste cenário a teoria macroeconômica ganha um novo impulso com o eco nomista inglês John Maynard Keynes e a publicação de sua obra Teoria Geral do Emprego dos Juros e da Moeda em 1936 A contribuição de Keynes teve um impacto tão grande em relação ao rompimento com a teoria clássica que ficou conhecida como a revolução keynesiana Ao contrário dos economistas clássicos Keynes não acreditava que os paí ses capitalistas tinham a capacidade de promover de forma automática o pleno emprego e que os preços e salários de uma economia não eram perfeitamente flexíveis como diziam os clássicos por exemplo o mercado de trabalho é regu lado por contratos assim os trabalhadores não conseguem ajustar os seus salários de forma automática De acordo com Keynes 1992 o poder dos sindicatos de trabalhadores faz com que os salários sejam rígidos dando origem ao chamado desemprego involuntário ou seja a economia opera abaixo do pleno emprego Este pos tulado significa que o emprego só aumenta se o salário real dos trabalhadores expresso em bens de consumo dos assalariados diminuir e as empresas pude rem obter mais lucros Keynes defendeu que para que a economia pudesse ser elevada novamente ao pleno emprego o governo deveria intervir por meio de políticas públicas que incentivassem o crescimento da demanda agregada por bens e serviços reduzindo a capacidade ociosa das empresas e estimulando com isso mais contratações de mão de obra Desta forma a sua teoria inverte o sentido da Lei de Say ao enfatizar o papel da demanda agregada de bens e serviços como geradora do nível de emprego Assim para tirar uma economia que está em um estado de recessão econô mica o governo deve intervir por meio de uma política de gastos públicos Isto significa o fim da crença clássica no laissezfaire como mecanismo de ajuste dos mercados PINHO VASCONCELLOS 2004 Os argumentos da teoria keynesiana influenciaram muito a política econô mica dos países após 1930 principalmente nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial Em 1937 John Hicks publicou um artigo com o nome Mr Keynes and the classics a suggested interpetation que apresenta uma estrutura teórica conhecida como Modelo ISLM que foi a base para a formação da sín tese neoclássica no período pós guerra LOPES VASCONCELLOS 2000 Evolução da Teoria Macroeconômica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 21 A síntese neoclássica constituiuse em um movimento acadêmico que procurou introduzir os princípios da teoria keynesiana no pensamento da economia neoclássica Inicialmente foi desenvolvida por John Hicks mas foi popularizada pelo economista matemático Paul Samuelson com a publicação de seu livro Economics A partir de então as formulações de política são realizadas com base nessa estrutura teórica que admitia que a economia poderia alcançar um equilíbrio com desemprego abrindo espaço para a utilização de políticas monetárias e fiscais na promoção do pleno emprego No fim da década de 1950 surge a chamada curva de Phillips que pro cura relacionar a inflação com a taxa de desemprego sendo esta uma medida proxi do nível de atividade da economia Segundo este modelo teórico have ria um tradeoff entre inflação e desemprego uma vez que quanto maior o desemprego menor seria a taxa de inflação e viceversa Desde o seu surgi mento a teoria sofreu vários ajustes de acordo com a conjuntura econômica e questionamentos teóricos Apesar de adaptações a maneira como as variáveis desemprego e inflação relacionamse varia de país a país e ao longo do tempo BLANCHARD 2007 Assim durante a primeira metade da década de 1960 os formuladores de política tinham como instrumento o modelo ISLM que representa o equilíbrio no mercado de bens e serviços IS e no mercado monetário LM e por isso analisa os componentes da demanda agregada e a curva de Phillips que retrata as condições de oferta agregada De acordo com Blanchard 2007 a relação da curva de Phillips mostrouse verdadeira até a década de 1970 quando os choques do petróleo de 1973 e 1979 provocaram aumento no nível de preços ou seja a inflação subiu por razões não inerentes a custos relativos ao trabalho mas sim por causa do aumento do preço do petróleo sendo uma inflação de custo e não de demanda As mudanças na conjuntura internacional fizeram com que as críticas dos economistas Edmund Phelps 1967 e Milton Friedman 1968 ganhassem noto riedade Segundo eles os indivíduos preocupamse com a evolução das variáveis reais e não nominais assim as expectativas de evolução dos preços são impor tantes Neste sentido propõem a inclusão da expectativa da inflação na análise da curva de Phillips que fica conhecida como curva de Phillips modificada INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 22 Agora o importante é considerar de que forma os agentes formam suas expec tativas Friedman defendia as chamadas expectativas adaptativas por meio das quais os agentes formulavam suas expectativas de inflação baseados na inflação passada Por outro lado Robert Lucas e Thomas Sargent defendem as expecta tivas racionais nas quais os agentes possuem todas as informações e têm pleno domínio do instrumental macroeconômico ou seja inflação esperada é igual à inflação realizada Neste sentido surgem as análises da curva de Phillips com expectativas adaptativas e racionais esta última chamada de versão aceleracio nista BLACHARD 2007 De acordo com Pinho e Vasconcellos 2004 os grandes modelos macroeco nométricos foram desenvolvidos pelos autores adeptos à síntese neoclássica com destaque para Jonh R Hicks Roy F Harrod James E Meade Franco Modigliane Willian Phillips entre outros Durante as décadas de 1970 e 1980 surge a escola das expectativas racionais também conhecida como novos clássicos Esta escola defende que os agentes econômicos formam as suas expectativas sobre o comportamento futuro de uma determinada variável econômica baseado nas informações passadas e presentes assim não cometem erros sistemáticos Neste sentido vão se formando quatro grandes escolas do pensamento macroeconômico os keynesianos os neoclás sicos os novos clássicos e os póskeynesianos Os póskeynesianos surgem a partir da década de 1970 e fazem uma relei tura de Keynes Defendem que as deficiências na demanda agregada é que são responsáveis pelos níveis de desemprego verificados em muitos países pela redu ção da atividade econômica e desaceleração da taxa de crescimento do produto A demanda agregada da economia é formada pelas despesas com bens de con sumo e pelos gastos com investimento realizados pelas empresas gastos com bens de capital No entanto estes dependem das expectativas dos empresários com relação à lucratividade do investimento e ao seu custo de oportunidade ou seja o empresário avaliará se vale mais a pena investir na empresa ou deixar o capital aplicado em ativos do mercado financeiro Agindo assim o empresário está sendo racional Evolução da Teoria Macroeconômica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 23 Por outro lado os gastos com bens de consumo dependem da renda auferida pela população Quando maior a renda maior o consumo No entanto o rendi mento recebido depende do emprego Em períodos de alto investimento novos postos de trabalho são criados estimulando a renda e o consumo Assim temos que o investimento determina o nível de emprego o qual determina a renda e que por sua vez determina o consumo Para os póskeynesianos quando há uma deficiência de demanda agregada significa que há uma deficiência na geração de novos investimentos assim o governo deve atuar estimulando os investimentos De acordo com Lopes e Vasconcellos 2000 os neoclássicos e os novos clássicos são frequentemente denominados de monetaristas e os economistas póskeynesianos podem ser distribuídos em três grupos os neoricardianos os fundamentalistas e regulacionistas Finalmente devem ser lembrados os institucionalistas cuja principal carac terística é destacar em suas análises o papel das instituições e da tecnologia na formação dos preços e alocação de recursos Eles entendem que a estrutura de poder e o controle das várias instâncias decisórias devem ser incorporadas à análise econômica Nos dias atuais qual teoria macroeconômica é utilizada pelos governos dos países capitalistas INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 24 CONTABILIDADE NACIONAL Como o objetivo da macroeconomia é estudar a determinação e o comporta mento dos grandes agregados nacionais este tópico concentrará as suas análises na medição das variáveis que representam o fluxo de bens e serviços da economia como um todo que são medidos com base em um sistema contábil denominado sistema de contas nacionais DETERMINAÇÃO DO PRODUTO NACIONAL A medida mais ampla da atividade econômica agregada é o Produto Interno Bruto PIB que pode ser mensurado pela abordagem do produto da demanda e da renda Os conceitos de produto renda e despesas são equivalentes Esta igualdade pode ser representada de forma simplificada com base no fluxo cir cular da renda representado pela Figura 1 MERCADO DE BENS E SERVIÇOS MERCADO DE FATORES DE PRODUÇÃO EMPRESAS FAMÍLIAS Receita PIB Bens e serviços vendidos Despesas PIB Salários aluguéis e lucros PIB Renda PIB Bens e serviços comprados Insumos para a produção Fluxo de moeda Fluxo de bens e serviços Terra trabalho e capital Contabilidade Nacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 25 Figura 1 Fluxo circular da renda Fonte Mankiw 2006 De acordo com a Figura 1 as empresas ao produzirem bens e serviços contra tam os fatores de produção que são fornecidos pelas famílias Estes fatores ao serem empregados no processo produtivo são remunerados gerando renda às famílias que é inicialmente gasta na aquisição de bens e serviços fornecidos pelas empresas Desta forma as famílias geram renda para as empresas Com base neste fluxo podemos estabelecer a seguinte identidade macroeconômica MANKIW 2006 PRODUTO AGREGADO DESPESA AGREGADA RENDA AGREGADA INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 26 Assim o Produto Interno Bruto PIB pode ser medido sob a ótica da produ ção da renda e da despesa agregada Produto Interno Bruto sob a ótica do produto agregado é o valor total de mercado de todos os bens finais e serviços pro duzidos dentro de um país durante um dado período de tempo MANKIW 2006 Produto Interno Bruto sob a ótica da renda agregada repre senta a soma das rendas recebidas pelos produtores incluindo os lucros e os impostos pagos ao governo cujo conceito chave é a renda nacional ABEL BERNANKE CROUSHORE2008 Na renda nacional estão inclusos salários dos empregados renda dos proprietários aluguel lucros empresariais juros líquidos impostos sobre a produção e as importações pagamentos líquidos de transferências correntes das empresas superávit corrente de empreendimentos governamentais Produto Interno Bruto sob a ótica da despesa agregada representa a soma das despesas totais com bens e serviços finais BLANCHARD 2007 O PIB sobre a ótica da demandadespesa agregada pode ser representado pela seguinte equação Y C I G X M Contabilidade Nacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 27 Em que Y PIB produção total renda total despesa total C consumo I investimento G compras de bens e serviços pelo governo M importações X exportações Blanchard 2007 interpreta da seguinte forma os componentes do PIB na abor dagem da demanda agregada Consumo C são os bens e serviços comprados pelos consu midores e que variam de alimentos a passagens aéreas passando pelas férias pelo carro novo e assim por diante O consumo é o maior componente do PIB Investimento I também chamado de investimento fixo Pode ser não residencial que é o gasto feito pelas empresas em estruturas equipamentos e software e residencial que é o gasto na construção de novas casas e novos edifícios Gastos do Governo G são os bens e serviços comprados pelos governos federal estadual e municipal Exportações X são as vendas de bens e serviços para o resto do mundo Importações M são as compras de bens e serviços do resto do mundo De acordo com Mankiw 2006 as principais características do PIB são a produção é valorada a preços de mercado registrar somente o valor dos bens finais não dos bens inter mediários o valor é contado somente uma vez incluir tanto bens tangíveis alimentos vestuáriocarros como intangíveis serviços em geral não incluir transações envolvendo bens produzidos no passado medir o valor da produção dentro dos limites geográficos de um país INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 28 Podemos verificar pela equação do PIB sob a ótica da demanda agregada que um aumento do consumo do investimento dos gastos do governo e das expor tações causam elevação no PIB e viceversa e que o aumento nas importações causam a redução Assim quando o governo quer estimular o crescimento eco nômico ele pode adotar políticas que gerem aumento em uma das variáveis que compõem a fórmula do PIB no entanto deve levar em consideração os impac tos que isto pode gerar na economia como nos preços mas estudaremos estes impactos em capítulos posteriores O que devemos entender é que no Brasil o governo está presente em inú meras atividades econômicas seja como produtor de bens e serviços como consumidor ou como regulador dos mercados No caso de produtor de bens e serviços por meio das empresas estatais ou de economia mista esta atividade é registrada na contabilidade nacional como se fosse uma empresa privada Mas o que entraria na conta gastos do governo Na conta gastos do governo G são registradas as despesas com a oferta de bens públicos cujo fomento destas atividades provêm da arrecadação de impos tos taxas e contribuições Lopes e Vasconcellos 2000 definem bens públicos aqueles bens e serviços que não podem ser promovidos pelo mecanismo de mercado como justiça segurança nacional administração pública etc Mas e a oferta de serviços educacionais e de saúde Estes são providos pelo governo como forma de fazer uma redistribuição de renda Os impostos arrecadados pelo governo podem ser distribuídos em duas categorias i Impostos diretos inclui os impostos que incidem diretamente sobre a renda e riqueza das pessoas jurídicas empresas e físicas população São eles IRPJ IRPF CSLL IPTU ITR ii Impostos indiretos são aqueles que incidem sobre a produ ção e comercialização dos bens e serviços como IPI ICMS IX IM PIS COFINS Contabilidade Nacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 29 Nesse sentido a presença do governo na economia com a cobrança de impos tos faz com que a função consumo keynesiana no mercado de bens e serviço seja representada por DORNBUSCH et al 2006 C C0 cY T C C0 cYd Em que C consumo total C0 consumo autônomo que não depende da renda c propensão marginal a consumir Y PIB renda total produção total despesa total Yd renda disponível T tributos Desta forma percebemos que a carga tributária reduz a renda disponível e é esta que devemos levar em consideração quando analisamos o consumo agre gado da economia pois é esta renda de que os consumidores realmente dispõe para gastar ou poupar A função consumo keynesiana diznos que ele depende do consumo autônomo nível mínimo de consumo na economia que independe da renda e da propensão marginal a consumir da renda disponível c Esta pro pensão marginal a consumir varia de 0 a 1 quanto mais próximo de 1 maior será a propensão marginal a consumir e assim maior será o impacto da renda na determinação do consumo Por outro lado quanto mais próximo de 0 for a propensão marginal a consumir da renda disponível maior será a propensão marginal a poupar desta economia Como temos a identidade de que poupança é igual a investimento significa que nesta economia a demanda agregada acaba sendo incentivada mais pelo investimento do que pelo consumo em si Mas estas são questões que estudaremos a partir da Unidade 3 de nosso livro INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 30 Com a introdução do governo podemos chegar a mais dois conceitos sobre o pro duto produto a custo de fatores Pcf e o produto a preços de mercado Ppm Quando excluímos no cálculo do produto os impostos indiretos e incluímos os subsídios pagos pelo governo temos o conceito de produto a custo de fato res Pcf Por outro lado quando incluímos no cálculo do produto os impostos indiretos e excluímos os subsídios estamos trabalhando com o conceito de pro duto a preços de mercado Ppm Neste sentido temos a seguinte relação Ppm Pcf impostos indiretos subsídios Podemos verificar por esta relação que os impostos indiretos aumentam os preços de mercado dos produtos e serviços da economia e quem os paga são os consu midores Por outro lado quando o governo subsidia os custos de produção de determinados bens e serviços os consumidores são beneficiados Sabemos que o governo não pode gastar G mais do que arrecada com im postos taxas e contribuições T Quando G T temos um superávit do go verno quando os G T temos um déficit público No entanto o déficit deve ser financiado de alguma forma senão alguém vai ficar sem receber Mas quais as formas de financiamento do déficit público Algumas formas são lançamento e novos impostos como a CPMF o conhecido imposto do cheque aumento da carga tributária lançamento de títulos da dívida pública como Letras do Tesouro Nacio nal que podem ser compradas no site do Tesouro Direto Fonte a autora Contabilidade Nacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 31 PIB REAL E PIB NOMINAL O produto é medido em termos monetários e em um país como o Brasil que possui inflação temos dificuldade de interpretar a sua evolução Neste sentido devemos saber diferenciar o PIB nominal do PIB real Valor nominal é o valor de um bem medido em reais na data em que o paga mento é efetuado Assim o PIB nominal é a produção de bens e serviços avaliada a preços correntes Devido à inflação ou à desvalorização da moeda antes de fazermos qualquer comparação ou operação aritmética envolvendo o valor de um bem é necessário uniformizar a unidade de medida ou seja é necessário calcular os valores reais ou a preços constantes Neste sentido o PIB real é a pro dução de bens e serviços avaliada a preços constantes e são estes que utilizamos para verificar se houve ou não crescimento econômico Para tirar o efeito da inflação sobre a evolução dos agregados monetários utilizamos os chamados índices de preços No deflacionamento do PIB nominal utilizamos o deflator implícito do PIB que corresponde à razão entre a soma de todos os preços no período corrente atual multiplicados pelas quantidades do período corrente e a soma de todos os preços do período base multiplicado pelas quantidades do período base veja HOFFMAN 2009 Desta forma o deflator do PIB também pode ser medido como sendo a razão entre o PIB nominal e o PIB real multiplicada por cem Defator do PIB ΣQtPt x 100 ΣQ0P0 Defator do PIB PIB nominal x 100 PIB real INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 32 O valor real portanto responde à seguinte pergunta quanto o valor teria subido em determinado período se os preços permanecessem os mesmos do ano base Para isso devese excluir do valor nominal o efeito da inflação Isto pode ser realizado por meio de algum índice que sirva de deflator para o período Matematicamente isso não é nada mais do que a seguinte fórmula O deflator implícito do PIB para o período de 1995 a 2011 está apresentado na tabela a seguir Tabela 1 Deflator implícito do PIB anobase 1995 ANO DEFLATOR DO PIB 1995 100 1996 11813 1997 12329 1998 12949 1999 13966 2000 14800 2001 16368 2002 18391 2003 21362 2004 22876 2005 24636 2006 25593 2007 27055 2008 29745 2009 32303 2010 35414 2011 35170 Fonte adaptado de Ipeadata 2018 online1 PIB real x 100 PIB nominal Defator do PIB Contabilidade Nacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 33 Exemplo 1 Segundo dados disponíveis no Ipeadata o PIB nominal do Brasil para o período de 2008 a 2011 estão apresentados na Tabela 2 Dado que o deflator implícito do PIB para os anos de 2008 2009 2010 e 2011 são 29745 32303 25414 e 35170 calcule o PIB real para os períodos de 2008 a 2011 sendo 1995 o anobase ou seja calcule o PIB real a preços de 1995 Tabela 2 PIB nominal brasileiro ANO PIB NOMINAL MILHÕES 2011 437638200 2010 388584700 2009 333303900 2008 310980300 Fonte adaptado de Ipeadata 2018 online1 Solução FÓRMULA O Pib real de 2011 a preços de 1995 é PIB real x 100 124435087 437638200 35170 O Pib real de 2010 a preços de 1995 é PIB real x 100 109726295 388584700 35414 O Pib real de 2009 a preços de 1995 é PIB real x 100 103180479 333303900 32303 O Pib real de 2008 a preços de 1995 é PIB real x 100 104548765 310980300 29745 Assim podemos verificar que o valor do PIB real a preços de 1995 quando tira mos a inflação do período é bem menor Agora podemos calcular o crescimento econômico pela seguinte fórmula INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 34 Tabela 3 Cálculo do crescimento real do PIB ANO PIB REAL CRESCIMENTO 2008 104548765 2009 103180479 1 x 100 131 103180479 104548765 2010 109726295 1 x 100 634 109726295 103180479 2011 124435087 1 x 100 134 124435087 109726295 Fonte a autora Assim temos em nosso exemplo que a economia brasileira decresceu em 2009 em relação a 2008 mas apresentou alta recuperação real nos anos subsequentes 1 x 100 PIB real t PIB real t 1 O deflator do PIB do Brasil é calculado pelo IBGE Instituto Brasileiro de Ge ografia e Estatística As séries históricas trimestral e anual do deflator implí cito estão disponíveis no site do Ipeadata disponível em wwwipeadata govbr Fonte a autora Balanço de Pagamento Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 35 BALANÇO DE PAGAMENTO Todo dinheiro estrangeiro ou divisas que entra no Brasil e sai dele em um deter minado período é contabilizado em uma demonstração financeira nacional chamada balanço de pagamentos que representa o resumo contábil das transa ções econômicas de um país com o resto do mundo Na definição utilizada pelo FMI Fundo Monetário Internacional o balanço de pagamentos é o registro sistemático das transações econômicas realizadas durante determinado período de tempo entre residentes e não residentes de um país Definemse residentes as pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas em um país indivíduos com residência fixa mesmo imigrantes filiais de empresas estrangeiras sediadas no país funcionários em serviço no exterior indivíduos que se encontram transitoriamente no exterior entre outros Este balanço de pagamentos é elaborado pelo Banco Central tendo como referência as transa ções realizadas pelos residentes do país no caso o Brasil e os residentes de outros países Toda entrada de divisas constitui um crédito e toda saída de divisas cons titui um débito veja o Quadro 1 a seguir INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 36 Quadro 1 Entrada e saída de divisas CRÉDITO DÉBITO Exportação de bens e serviços Importação de bens e serviços Entrada de divisas por meio de doa ções e indenizações de estrangeiros Pagamentos de doações e indeniza ções a estrangeiros Entrada de divisas por meio de em préstimos de estrangeiros Pagamentos de empréstimos Venda de ativos financeiros para estrangeiros Compras de ativos estrangeiros Recebimento de fretes Pagamento de fretes Recebimento de royalties etc Pagamento de royalties etc Fonte adaptado de Lopes e Vasconcelos 2000 Assim todos os dias existem entradas e saídas de moeda estrangeira no Brasil Quando as operações de crédito são superiores às operações de débito o saldo do balanço de pagamento é superavitário significando que está entrando mais moeda estrangeira do que saindo dólar por exemplo e o dólar desvalori zase em relação ao real ocasionando valorização na taxa de câmbio nominal Por outro lado quando as operações de crédito são menores que as operações de débito o saldo do balanço de pagamento é deficitário significando que está saindo mais moeda estrangeira do que entrando e o dólar valorizase em relação ao real ocasionando desvalorização nominal da taxa de câmbio Por isso quando vemos no noticiário que a balança comercial é deficitária exportações meno res que as importações a taxa de câmbio tende a se desvalorizar e viceversa De acordo com Feijó 2007 a estrutura do balanço de pagamento segue três contas analíticas Transações correntes referemse à movimentação de mercadorias e de serviços inclusive os serviços de remuneração de capitais juros e divi dendos pagamentos e recebimentos de rendas de capital e trabalho e transferências unilaterais de renda Balanço de Pagamento Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 37 Conta capital registra as transferências unilaterais de ativos reais ati vos financeiros ou ativos intangíveis entre residentes e não residentes Conta financeira registra todos os tipos de fluxos de capitais entre o país e o resto do mundo Diferentemente a estrutura do balanço de paga mento é apresentada como se segue Quadro 2 Estrutura do balanço de pagamentos BALANÇO DE PAGAMENTOS A BALANÇA DE TRANSAÇÕES CORRENTES I Balanço comercial exportações FOB importações FOB II Balanço de serviços transportes fretes etc seguros viagens interna cionais turismo rendas de capital juros lucros dividendos envio de royalties patentes assistência técnica comissões aluguel de equipamen tos entre outros III Transferências unilaterais remessas feitas por empregado migrantes e doações Saldo em transações correntes I II III B BALANÇA MOVIMENTO DE CAPITAIS IV Investimentos investimentos estrangeiros diretos V Reinvestimentos VI Empréstimos e financiamentos de médio e longo prazo VII Empréstimos de curto prazo VIII Amortizações IX Capitais de curto prazo X Erros e omissões Saldo de capital IV V VI XI C ERROS E OMISSÕES SALDO DO BALANÇO DE PAGAMENTOS A BC D TRANSAÇÕES COMPENSATÓRIAS XI Variações das reservas internacionais XII Operações de regularização XIII Atrasados comerciais Fonte adaptado de Feijó 2007 FOB Free on board As despesas incluídas no valor das mercadorias são as incorridas até o embarque destas INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 38 Assim as contas do balanço de pagamentos contabilizam as diferentes transações internacionais de um país sendo que os créditos entram com sinal positivo e o débito negativo O saldo em transações correntes TC é chamado de poupança externa do país Quando o saldo é positivo dizemos que estamos transferindo bens e serviços para o resto do mundo assim a poupança externa é negativa Por outro lado quando há déficit no saldo em transações correntes dizemos que a poupança externa é positiva ou seja estamos absorvendo recursos do resto do mundo para financiar o nosso consumo e nossos investimentos A conta movimento de capitais MK inclui as contas que representam direi tos e obrigações de residentes no país com não residentes inclui os investimentos estrangeiros diretos os reinvestimentos das empresas multinacionais já locali zados no país os empréstimos e financiamentos de curto médio e longo prazo o pagamento de empréstimos amortização o capital especulativo direcionado às aplicações do mercado financeiros A conta erros e omissões serve para arrumar erros no registro das operações visto que muitas das transações com o exterior são lançadas com valores esti mados O resultado do balanço de pagamentos deve estar em equilíbrio e isto ocorre quando o total de créditos é igual ao total de débitos Assim temos que se o SBP 0 o BP está em equilíbrio se o SBP 0 o BP está superavitário se o SBP 0 o BP está deficitário O que ocorre quando o saldo do balanço de pagamentos não está em equilíbrio A resposta a essa pergunta levanta a importância das contas que fazem parte das transações compensatórias Quando o saldo do BP é positivo significa que temos excesso de divisas ou ouro e estas são direcionadas à conta denominada varia ção de reservas Quando o saldo do BP é deficitário este poderá ser coberto por uma saída de divisas ou de ouro da conta variação de reservas E quando usamos as contas operações de regulamentação e atrasados comerciais A conta operações de regulamentação é utilizada quando são realizadas operações com instituições internacionais como os empréstimos feitos com 350000 300000 250000 200000 150000 100000 50000 50000 100000 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 Saldo da Balança Comercial Exportações Importações Balanço de Pagamento Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 39 o FMI Fundo Monetário Internacional para cobrir déficits de BP Já a conta atrasados comerciais referese ao não pagamento de um compromisso no prazo que também é uma forma de financiar o déficit do BP A balança comercial do Brasil tem grande importância para a geração de sal dos positivos do balanço de pagamento Desta forma a Figura 2 apresenta o saldo da balança comercial e o volume de exportações e importações brasileiras no período de 1995 a 2016 Podemos verificar que logo após a implantação do Plano Real com a valorização do real em relação ao dólar até 2001 a balança comer cial brasileira foi deficitária Com a mudança do regime de cambial para regime de câmbio flexível administrado verificase que o saldo da balança comercial é superavitário até 2008 quando sofre uma queda decorrente da crise financeira de 2008 na economia internacional US milhões Figura 2 Evolução do Saldo da Balança Comercial no período de 1995 a 2016 Fonte adaptado de Banco Central 2018 online2 Verificase na Figura 2 que o pior resultado foi em 2015 no auge da crise política do governo que mesmo com o câmbio desvalorizado a balança comercial registrou um saldo negativo de US 54 733 milhões com recupe ração em 2016 INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 40 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade aprendemos que a macroeconomia é a parte da teoria econô mica que trata do estudo sobre o comportamento da economia como um todo buscando entender como se dá o aumento do produto da renda e do emprego ao longo de um determinado período de tempo Suas principais teorias origi naramse no século XVIII com o lançamento da obra A Riqueza das Nações desenvolvida pelo economista inglês Adam Smith considerado o precursor da teoria clássica Também aprendemos que a medida da atividade econômica agregada de um país é definida pelo Produto Interno Bruto PIB que pode ser mensurado pela abordagem do produto da demanda e da renda sendo o mais utilizado nas análises de impacto de políticas a definição do PIB pela ótica da demanda ou despesa agregada No entanto em um país como o Brasil que possui inflação devemos tirar o efeito desta do cálculo do PIB para que possamos interpretar corretamente a sua evolução assim na medição do crescimento econômico de um país utilizamos PIB real Vimos pela equação do PIB sob a ótica da demanda agregada que um aumento do consumo do investimento dos gastos do governo e das exporta ções causam elevação no PIB e viceversa e que um aumento nas importações causam redução Finalizamos esta unidade aprendendo como são contabilizados os recursos monetários que entram e saem de nossa economia por meio da demonstra ção financeira denominada balanço de pagamentos que é realizada pelo Banco Central e tem de estar em equilíbrio ou seja o total de créditos deve ser igual ao total de débitos quando isto não acontece o Balanço de Pagamentos está em desequilíbrio Quando há um superávit significa que há um excesso de divi sas moeda estrangeira que é então enviado para conta variação de divisas do Banco Central Quando há déficit significa que saiu mais divisas do que entrou e o balanço de pagamentos precisa ser financiado o que pode ser feito de várias formas entrada de divisas da conta variação de divisas empréstimos de insti tuições internacionais como o FMI ou deixar de realizar algum pagamento 41 1 Em 2015 o PIB do Brasil foi de X bilhões de reais No entanto em um cenário hi potético no ano de 2016 todos os componentes do PIB mantiveramse constan tes exceto as importações que cresceram 60 Dessa forma podemos afirmar que o PIB do Brasil em 2016 em relação ao de 2015 iria a Crescer b Diminuir c Manterse igual d Manterse igual em 2016 e variar em 2017 e Não é possível determinar 2 Para fins de compreensão digamos que em determinado ano fictício o Brasil apresentou a seguinte composição econômica Taxa de juros 15 ao ano Consumo R 30500000 Gastos do governo R 25000000 Investimentos R 11500000 Importações R 7500000 Exportações R 5500000 Dívida pública R 12000000 Produção agrícola R 8000000 Com base nos dados apresentados e no livro Macroeconomia I marque a alter nativa que representa o valor CORRETO do Produto Interno Bruto PIB a R 100000000 b R 85000000 c R 80000000 d R 69000000 e R 65000000 42 3 A política fiscal é uma das maneiras que o governo possui para intervir e regu lar a atividade econômica do país Para isso ele manipula seus próprios níveis de gastos e de arrecadação de tributos adotando políticas expansionistas ou contracionistas Dessa forma caso o governo queira realizar uma política fiscal expansionista ele poderá a Aumentar os gastos e reduzir os tributos b Aumentar os gastos e aumentar os tributos c Reduzir os gastos e reduzir os tributos d Reduzir os gastos e aumentar os tributos e Aumentar ou reduzir os gastos e aumentar os tributos 4 O PIB Produto Interno Bruto representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país em um determinado período de tempo Sendo assim com base nos indicadores abaixo assinale a alternativa que apresenta a fór mula CORRETA para a determinação do PIB A Consumo E Exportações B Importações F Investimento C Gastos do governo G Produção agrícola a ABCEFG b ABCEFG c ABCEF d ABCEF e ABCE 5 Considere que o PIB nominal do Brasil para o ano de 2001 é de R 1315756 e que o deflator implícito é 164 em relação a 1995 Calcule o valor do PIB real a preço de 1995 e assinale a alternativa correta a R 80229024 b R 80329242 c R 108329024 d R 129280342 e R 80239242 43 O texto abaixo faz parte da análise sobre a conjuntura brasileira para o primeiro trimes tre de 2017 realizada por Marcelo José Nonnenberg do IPEA O comércio exterior brasileiro parece estar entrando em um novo ciclo de preços Nos últimos 12 meses os preços das expor tações começam a dar mostras de forte recuperação Esse aumento é mais intenso nas commodities mas é observado tam bém nos demais produtos de exportação Ao mesmo tempo os preços das importa ções se mantêm constantes causando uma expressiva melhora dos termos de troca Por outro lado a taxa de câmbio vem se valorizando com efeitos opostos sobre as exportações e as importações No acumu lado do ano até fevereiro as exportações cresceram 236 principalmente devido ao aumento de 417 dos básicos Esse crescimento por sua vez reflete tanto um aumento generalizado dos preços de expor tação quanto um aumento das quantidades exportadas de básicos e semimanufatura dos Já as importações cresceram 12 no acumulado do ano devido basicamente ao aumento de 226 dos produtos interme diários em especial dos produtos agrícolas e alimentícios O déficit em transações cor rentes caiu fortemente entre 2015 e 2016 passando de US 594 bilhões para US 235 bilhões A queda do déficit corrente em 2016 foi devido principalmente ao aumento do superávit comercial em US 274 bilhões ao mesmo tempo em que o déficit da conta serviços experimentou uma redução de US 65 bilhões com relação a 2015 Já o déficit da conta de renda primá ria mantevese razoavelmente constante alcançando US 410 bilhões em 2016 Em janeiro deste ano esse valor foi um pouco superior ao verificado no mesmo mês do ano passado atingindo US 53 bilhões Em compensação o ingresso líquido de capitais externos também caiu bastante em 2016 na comparação com o ano ante rior O saldo da conta capital e financeira passou de US 556 bilhões em 2015 para US 164 bilhões em 2016 uma queda de US 392 bilhões Apesar de essa queda ser maior do que a observada na conta de tran sações correntes é preciso lembrar que a conta erros e omissões também cresceu fortemente em 2016 Fonte Nonnenberg 2017 online3 MATERIAL COMPLEMENTAR Princípios de Macroeconomia 6 edição N Gregory Mankiw Editora Cengage Learning Sinopse o estudo de economia é um dos mais fascinantes e complexos de todas as ciências Constituise portanto em estimulante desafio o domínio dos seus princípios fundamentais conjugados com a necessidade do entendimento das inúmeras dificuldades com que a economia global vem se defrontando Para melhor compreender o mundo e poder participar ativamente dele é preciso ter à mão um manual completo e atualizado Esta obra além dos ferramentais consagrados dispõe também das mais recentes descobertas da economia e dos instrumentos de política econômica para utilizála Pensando nisso N G Mankiw escreveu em linguagem clara e amigável Introdução à economia levando em conta três razões principais que segundo ele o estudante tem para aprender economia entender o mundo em que vive ser um participante mais perspicaz da economia e compreender melhor os potenciais e os limites da política econômica REFERÊNCIAS ABEL A B BERNANKE B S CROUSHORE D Macroeconomia 6 ed São Paulo Pe arson Addison Wesley 2008 BLANCHARD O Macroeconomia 4 ed São Paulo Prentice Hall 2007 DORNBUSH R FISCHER S STARTZ R Macroeconomia São Paulo McGrawHill do Brasil 2006 FEIJÓ C A et al Contabilidade Social Rio de Janeiro Elsevier 2007 HOFFMANN R Estatística para Economistas 4 ed São Paulo Cengage Learning 2009 KEYNES J M A Teoria Geral do Emprego do Juro e da Moeda São Paulo Atlas 1992 LOPES L M VASCONCELLOS M A S Manual de Macroeconomia Básico e Inter mediário São Paulo Atlas 2000 MANKIW NG Macroeconomia 5 ed Rio de Janeiro LTC 2004 Introdução à Economia princípios de micro e macroeconomia 3 ed Rio de Janeiro Pioneira Thomson 2006 PINHO D B VASCONCELLOS M A S Manual de Economia 5 ed São Paulo Sa raiva 2004 VASCONCELLOS M A S GARCIA M E Fundamentos de Economia 3 ed São Paulo Saraiva 2008 REFERÊNCIAS ONLINE 1 Em wwwipeadatagovbrDefaultaspx Acesso em 15 fev 2018 2 Em wwwbcbgovbrhtmsinfeconseriehistbpm6asp Acesso em 15 fev 2018 3 Em wwwipeagovbrportalimagesstoriesPDFsconjuntura170310CC34 setorexternopdf Acesso em 15 ev 2018 45 GABARITO 1 B 2 E 3 A 4 D 5 A GABARITO UNIDADE II Professora Dra Juliana Franco Afonso SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Objetivos de Aprendizagem Apresentar as funções da moeda e sua importância para a atividade econômica Conhecer o processo de criação de moeda na economia e seu efeito multiplicador Conhecer os determinantes da demanda por moeda e sua relação com a taxa de juros Plano de Estudo As funções da moeda e a sua importância Oferta de moeda Demanda por moeda Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 49 INTRODUÇÃO Hoje no século XXI não conseguimos nem imaginar como era o mundo antes do aparecimento da economia monetária Como as pessoas faziam as trocas de bens e serviços Pois é caroa alunoa o mundo não era tão fácil até o século XV quando as primeiras moedas metálicas começam a aparecer Antes as trocas eram rea lizadas por um mecanismo denominado escambo ou seja trocas diretas de mercadorias Mas para que a troca pudesse ser realizada havia a necessidade de ocorrer uma coincidência de desejos entre dois indivíduos o que dificultava muito as trocas pois nem sempre isso acontecia Com a evolução do comércio e com o aparecimento das cidades no entanto a sociedade começa a adotar a moeda mercadoria ou seja uma mercadoria com aceitação por toda a sociedade para servir como intermediária de troca Agora as trocas passam a ser realizadas de forma indireta Várias mercadorias funciona ram como moeda como o sal em Roma daí a denominação da palavra salário visto que os trabalhadores eram remunerados com sal A evolução deste meca nismo deu origem à moeda metálica de ouro e prata que ganha rapidamente a aceitação do público e passa a ser utilizada em grande escala nas transações comerciais Quando isso acontece surge a economia monetária nos países que ainda estavam se formando Diante do exposto meu objetivo é apresentar a você como se deu o sur gimento da moeda e suas transformações ao longo dos séculos até chegar na moeda como a conhecemos nos dias de hoje e como isto foi importante para a evolução da sociedade Além disso apresentarei a definição de oferta de moeda a sua mensuração e o processo de criação de moeda pelos bancos comerciais Isso mesmo Os bancos comerciais também têm o poder de criar moeda e não apenas o Banco Central A este processo de criação de moeda pelos bancos comerciais damos o nome de multiplicador da moeda e estudaremos o impacto disso na economia Boa leitura SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 50 AS FUNÇÕES DA MOEDA E SUA IMPORTÂNCIA Começarei este item apresentando a você como se deu a evolução da moeda ao longo da história da humanidade até chegarmos ao padrão que temos hoje Em seguida aprenderemos quais são as funções que a moeda deve desempenhar na economia para que seja considerada forte A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA MOEDA A moeda é um objeto de aceitação geral garantida por lei que é utilizado na troca de bens e serviços No entanto a história da humanidade revelanos que por muitos séculos o homem fez trocas sem a presença da moeda realizando escambo ou seja um indivíduo A troca as mercadorias que produz com exce dente por outras mercadorias produzidas pelo indivíduo B Assim o escambo era a troca direta de mercadoria que apresentava várias barreiras à evolução das transações comerciais visto que para que a troca fosse realizada era necessá rio que existisse uma contraparte que tivesse exatamente a necessidade oposta tinha de haver coincidência de desejos o que nem sempre acontecia Outra dificuldade era quanto à divisibilidade do produto Imagine um pecua rista que necessitasse de apenas dois quilos de trigo Por causa destas dificuldades As Funções da Moeda e sua Importância Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 51 a sociedade começa a buscar outras formas para agilizar as trocas e começam a aparecer as moedas mercadorias ou seja começa a se utilizar uma mercadoria como moeda de troca Agora as trocas passam a ser indiretas Veja o Esquema 1 ESCAMBO TROCA DIRETA PRODUTO X PRODUTO Y MOEDA MERCADORIA TROCA INDIRETA PRODUTO X MOEDAMERCADORIA PRODUTO Y Esquema 1 Fluxo de Mercadoria Fonte a autora Quando a sociedade passa a definir uma mercadoria que servirá como inter mediária de troca começa a surgir o conceito de moeda Isso facilitou muito as transações comerciais que eram realizadas nas feiras dentro das áreas feudais propiciando o surgimento das cidades Várias mercadorias foram utilizadas como moeda sal arroz trigo peixe entre outras dependia da região e do momento histórico Até a palavra salário teve sua origem pela utilização do sal em Roma para o pagamento de serviços prestados Mas mesmo tendo facilitado as tran sações comerciais este tipo de moeda continuava a apresentar os problemas de perecibilidade divisibilidade e estocagem a evolução da moeda mercadoria para a moeda metálica era uma questão de tempo As primeiras moedas metálicas utilizadas como instrumento monetário eram feitas com metais não preciosos como o cobre o bronze e o ferro Mas como estes metais existiam em abundância comprometiam uma das funções básicas da moeda que é servir como reserva de valor comprometendo a sua aceitação geral pela sociedade LOPES ROSETTI 1998 A substituição de metais não nobres pelo ouro e pela prata ocorreu de forma progressiva Como eles eram escassos o seu valor mantinhase relativamente está vel ao longo do tempo favorecendo a sua aceitação irrestrita LOPES ROSETTI 1998 Assim a existência de uma economia monetária só aparece de forma defi nitiva a partir do século XV com a utilização da moeda metálica feita de ouro e prata utilizada em grande escala como intermediária de troca Até o século SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 52 XIX o crescimento da produção destes metais acompanhou a evolução e cres cimento dos negócios pela descoberta de novas minas nas Américas no século XVI e na Austrália e África do Sul no século XIX LOPES ROSSETTI 1998 Este tipo de moeda resolve o problema da perecibilidade e da divisibilidade mas traz outros dois o custo do transporte decorrente de seu volume e o risco de assaltos Este último foi determinante para a decisão de se manterem as moe das em casas de custódia em troca de certificados de depósito os quais por comodidade e segurança começaram a circular no lugar dos metais monetários Tais certificados davam a seus titulares o direito de retirar o equivalente de ouro e prata junto às casas de custódia a qualquer momento Com o aumento da circulação dos certificados de depósito com lastro em ouro e prata estava criada uma nova modalidade de moeda denominada moedapapel com garan tia de plena conversibilidade Com o aumento da utilização deste tipo de moeda pelos agentes as casas de custódia verificaram que a conversão da moedapapel em metais preciosos não era solicitada ao mesmo tempo por todos os seus detentores e todos os dias novos depósitos eram realizados Diante disto as casas de custódia começa ram a emitir certificados de depósito sem lastro de conversão dando origem à moeda fiduciária ou papelmoeda A emissão de certificados sem lastro em metais preciosos permitiu às casas de custódia realizarem operações de empréstimos mediante a cobrança de juros emissão de títulos e ações Com a evolução destas operações os recibos de cus tódia passaram a ser fracionariamente conversíveis até chegarem aos dias atuais em que a moeda é de emissão privativa do Estado e não há conversibilidade Segundo Lopes e Rossetti 1998 foi a partir da crise de 19291933 chamada Grande Depressão que começou a quebra da bolsa de valores de Nova York as moedas nacionais deixaram de ter garantias com lastro metálico proporcional prevalecendo as seguintes características dos sistemas monetários inexistência de lastro metálico inconversibilidade absoluta monopólio estatal das emissões As Funções da Moeda e sua Importância Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 53 À medida que a sociedade evolui as formas de pagamentos das transações comer ciais também se modificaram e ao lado do papelmoeda de emissão privativa do Estado desenvolveuse outra modalidade de moeda a moeda bancária escri tural ou invisível São as moedas criadas pelos bancos comerciais por meio das operações de empréstimos ou seja transferência de recursos dos agentes superavitários para os agentes deficitários Os bancos perceberam que era possível emprestar uma parcela dos depósitos à vista realizados pelo público pois era improvável que todos sacas sem seus recursos ao mesmo tempo passando a manter sob a forma de encaixes apenas uma parcela dos depósitos à vista emprestando o valor restante Fazendo isto os bancos criam moeda escritural e o volume de meios de pagamentos torna se muito superior ao saldo de papelmoeda emitido pelo Banco Central É importante destacar que o depósito do público nos bancos comerciais é considerado moeda pois é uma promessa de pagar quando lhe for requerido Já o cheque por sua vez é apenas o mecanismo de conversão do depósito em moeda manual ou seja nada mais é do que uma ordem de transferência de fun dos da mesma forma o cartão de crédito CARTÃO DE CRÉDITO E OFERTA DE MOEDA A evolução das formas de moeda está vinculada ao objetivo de tornar mais fáceis as transações entre os agentes econômicos e os aspectos relaciona dos à redução dos custos de transação Hoje a grande maioria das compras são realizadas por cartões de débito e car tões de crédito O primeiro permite o acesso ao saldo da sua conta corrente que faz parte da oferta monetária mas o cartão de crédito permite que você tome dinheiro emprestado para realizar compras a prazo neste sentido não representa oferta de moeda pois é um passivo ou seja uma dívida Seu crédi to disponível é a quantidade que você pode tomar emprestado Fonte Krugman e Wells 2007 SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 54 AS DIFERENTES FUNÇÕES DA MOEDA Com a evolução econômica e social as transações passaram das trocas dire tas escambo para as trocas indiretas A mercadoria de aceitação geral pela sociedade para a realização das trocas indiretas é denominada moeda Seu uso generalizado gerou consenso a respeito das funções que deve exercer Segundo Krugman e Wells 2007 a moeda desempenha três funções principais na eco nomia moderna intermediária de trocas unidade de conta reserva de valor a Intermediária de trocas É a razão principal de sua existência Esta função possibilitou à sociedade passar de uma economia de escambo para uma economia monetária visto que não há mais a necessidade de haver coincidência de desejos entre as mercadorias para que as trocas aconteçam Segundo Lopes e Vasconcellos 2000 há vários bene fícios trazidos por esta função da moeda permite mais especialização e divisão social do trabalho reduz o tempo das transações e fornece à sociedade a liber dade de escolha do que e quando consumir A existência de uma economia monetária ao ajudar a sociedade a desco brir quais os bens de que necessita e em que quantidade orienta as empresas a decidir o que produzir b Unidade de conta ou medida de valor A moeda serve como uma unidade padrão de medida utilizada para comparar o valor de diversos bens e serviços que são expressos por meio dos preços Além disso é por meio da moeda que podemos somar itens distintos Oferta de Moeda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 55 c Reserva de valor Quando se recebe moeda por alguma transação que se tenha realizado não é preciso gastar todo o dinheiro imediatamente Podese guardálo para uso pos terior Isto significa que a moeda serve como reserva de valor Mas para que esta função seja cumprida é necessário que a moeda tenha o seu valor estável possi bilitando que a pessoa que a possui consiga quantificar o seu poder de compra Neste sentido a inflação leva à deterioração do valor da moeda e à perda de sua função como reserva de valor OFERTA DE MOEDA Neste item aprenderemos como é realizada a oferta de moeda na nossa econo mia ou seja quais são os mecanismos utilizados pelo Banco Central no processo de criação e emissão de moeda assim como o processo de criação de moeda rea lizado pelos bancos comerciais OFERTA MONETÁRIA Para que possamos entender o processo de criação de moeda definida como meios de pagamento devemos conhecer o que estamos considerando como moeda É importante esclarecer que em um sistema cuja moeda é lastreada por uma determinada mercadoria ouro por exemplo a sua circulação depende do estoque de ouro no país mas em um sistema sem lastro onde temos a moeda fiduciária o responsável pelo controle de oferta de moeda é o Banco Central sendo este o único órgão emissor da moeda nacional Assim devemos enten der o que é oferta de moeda na visão do Banco Central SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 56 Definimos como meios de pagamento o total de haveres monetários possuídos pelo setor não bancário de liquidez imediata O estoque de meios de pagamento M é representado por LOPES VASCONCELLOS 2000 M PMPP DV Sendo M estoque de meios de pagamento ou oferta de moeda PMPP papelmoeda em poder do público emitido pelo Banco Central DV depósitos à vista nos bancos comerciais O papelmoeda em poder do público PMPP é a moeda manual moeda metá lica papelmoeda e o depósito à vista DV é a moeda escritural ou bancária é o valor que o correntista tem depositado nos bancos comerciais Mas o que dizer das aplicações financeiras depósitos a prazo que rendem juros e possuem alta liquidez Segundo definição do Banco Central as aplicações financeiras são denomi nadas quasemoeda cujo surgimento levou a novos conceitos sobre agregados monetários classificados de acordo com seus graus de liquidez como afirmam Lopes e Vasconcellos 2000 Oferta de Moeda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 57 M1 Papel moeda em poder do público depósitos à vista M2 M1 título público em poder do setor privado M3 M2 depósitos de poupança M4 M3 depósitos a prazo e outros títulos privados O conceito M1 é o que utilizamos para mensurar o total de oferta de moeda na economia Do total de moedas criadas pela Casa da Moeda parte fica como caixa no Banco Central reserva e parte é emitida veja Papelmoeda em circulação Papelmoeda emitido Caixa do Banco Central Do papelmoeda em circulação retiramos o dinheiro que fica na forma de reserva ou caixa nos bancos comerciais e chegamos ao conceito de papelmo eda em poder do público Papelmoeda em poder do público Papelmoeda em circulação Caixa nos bancos comerciais O processo de criação de moeda O Banco Central possui o monopólio da emissão de moeda na economia mas os bancos comerciais também têm o poder de criar moeda denominada moeda escritural O processo de criação de moeda pelos bancos comerciais é resultado dos empréstimos de uma fração do dinheiro que é captado de seus correntistas sob a forma de depósitos à vista Ao fazer isto o banco abre novos depósitos cria meios de pagamentos adicionais gerando um efeito multipli cador da moeda Mas como se dá o processo de criação de moeda pelos bancos comerciais SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 58 Para responder esta pergunta devemos primeiro entender as contas do sis tema bancário O Quadro 1 apresenta o balanço patrimonial simplificado dos bancos comerciais Quadro 1 Balanço patrimonial simplificado dos bancos comerciais BALANÇO CONSOLIDADO DOS BANCOS COMERCIAIS ATIVO Aplicação de Recursos PASSIVO Origem de Recursos Caixa dos Bancos Comerciais Depósito à vista Reservas Compulsórias Depósito de poupança Reservas Voluntárias Depósito a prazo Empréstimos Empréstimos Títulos Repasses do BNDES e CEF Imobilizado Patrimônio líquido Fonte adaptado de Mishkin 2002 Verificase pelo Quadro 1 que os bancos possuem em seu passivo os recur sos próprios na conta denominada patrimônio líquido e recursos de terceiros representados pelos depósitos à vista dinheiro em conta corrente e a prazo aplicações financeiras do público em títulos de dívida privada como cader neta de poupança CDB LCI LCA etc captados junto ao público além de outros capitais de terceiros como recursos captados de outros bancos mercado interbancário repasses do BNDES Caixa Econômica Federal Em seu ativo os bancos constituem as reservas bancárias que são encaixes utilizados para fazer frente às suas obrigações saques diários descontos de cheques e duplica tas imobilizando o que é necessário às suas atividades operacionais e possui a conta investimento pois eles também investem em títulos públicos e privados e concedem empréstimos ao setor privado e público com a cobrança de juros LOPES VASCONCELLOS 2000 Vamos entender um pouco mais sobre as reservas bancárias Os bancos for mam três tipos de reservas MISHKIN 2002 Caixa dos bancos comerciais consiste na parcela dos depósitos à vista moeda corrente que fica guardada no banco para compensar o excesso Oferta de Moeda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 59 de pagamentos sobre recebimentos em papelmoeda isto é excesso de saques em relação aos depósitos Reservas voluntárias no Banco Central são a parcelas dos depósitos à vista que o banco comercial transfere ao Banco Central para atendem ao excesso de pagamentos frente a recebimentos na compensação de che ques e duplicatas Reservas compulsórias no Banco Central são parcelas dos depósitos à vista obrigatoriamente recolhidas pelo Banco Central São utilizadas para dois objetivos principais controlar a oferta de moeda na economia e garantir a segurança do sistema bancário quando os bancos precisam recorrer a empréstimos no Banco Central Assim a cada R 100 de depósito à vista uma parcela fica na forma de reserva ou encaixe e o restante o banco utiliza para realizar empréstimos criando moeda bancária ou discricionária uma vez que o repasse dos recursos a um terceiro não reduz os meios de pagamento oferta de moeda do depositante Assim se a taxa de reservas bancárias for de 20 significa que para cada R 100 de depósito à vista do público os bancos emprestam R 080 e deixam R 020 na forma de reserva Se a taxa de reserva aumentar para 50 o montante de recursos dispo níveis para empréstimo reduz tornando o crédito mais restrito e muitas vezes mais caro pois os bancos podem tentar compensar aumentando a taxa de juros de mercado Exemplo 1 do processo de criação de moeda Para analisarmos o processo de criação de moeda pelos bancos comerciais vamos supor que o público deposite todos os seus recursos no sistema bancá rio na forma de depósitos à vista e que os bancos comerciais têm um nível de reservas compulsórias de 50 Isso significa que metade do dinheiro depositado pode ser emprestado mas que a outra metade deve ser guardada Suponhamos também que você deposite R 10000 no Banco A e este terá depósitos de R 10000 e poderá emprestar a metade deles isto é R 5000 O que acontece agora é que os R 5000 emprestados pelo Banco A serão depositados pelo devedor no Banco B que por sua vez repetirá a história emprestando R 2500 e guardando R 2500 A história repetese ao longo de dez transações como podemos ver na Tabela 1 na qual a coluna de depósitos exibe o total de criação secundária de moeda saldos em contacorrente sacáveis à vista que tende a R 19881 isto é quase o dobro da quantidade de papelmoeda original Tabela 1 Processo de criação de moeda TRANSAÇÃO BANCO DEPÓSITOS EMPRÉSTIMOS 1 A 1000000 500000 2 B 500000 250000 3 C 250000 125000 4 D 125000 62500 5 E 52500 26250 6 F 31300 15650 7 G 15600 7800 8 H 7800 3900 9 I 3900 1950 10 J 2000 1000 1988100 Fonte a autora Este resultado pode ser facilmente encontrado aplicando a fórmula do multiplicador bancário Multiplicador Bancário 1 nível de reservas compulsória Assim ao aplicar a fórmula apresentada temos Multiplicador Bancário 1 050 2 Resposta o multiplicador bancário 2 significa que cada R 100 de reserva mantido por um banco serve de base para R 200 de depósitos bancários em conta corrente ou a cada R100 de depósito à vista criouse R 200 de moeda bancária por meio dos empréstimos SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Exemplo 2 do processo de criação de moeda Vamos supor agora que o público retenha 10 dos meios de pagamento na forma de papelmoeda e os bancos continuem a manter 50 dos depósitos na forma de reserva Imaginemos uma expansão inicial na base monetária de R 10000 Qual seria a expansão total dos meios de pagamento Para responder a esta questão devemos conhecer a fórmula do multiplicador monetário também conhecido como multiplicador da base monetária conforme Lopes e Vasconcellos 2000 Multiplicador Monetário m 1 1 d1 r Considere d a parcela dos meios de pagamento que o público mantém como depósito à vista e r a relação reservasdepósitos à vista dos bancos comerciais No exemplo d 90 e r 50 assim a expansão total dos meios de pagamento para cada R 10000 injetado na economia seria Multiplicador Monetário m 1 1 091 05 18181 x R 10 000 R 18181 Resposta para cada R 100 de depósito à vista o banco cria R181 o total da expansão monetária pelo aumento de R 10000 na base monetária foi de R 1818100 Podemos perceber pelos dois exemplos que o valor do multiplicador é tanto maior quanto maior for a preferência do público por depósito à vista em relação à retenção de papelmoeda No primeiro exemplo consideramos o depósito de 100 da renda recebida pelo público e o valor do multiplicador era de m 2 No segundo exemplo consideramos que a população retém 10 da renda recebida na forma de papelmoeda e 90 são colocados nos bancos comerciais como depósito à vista e o valor do multiplicador reduz para m 181 Também podemos verificar que o aumento das reservas bancárias reduz o valor do multiplicador Em síntese temos Quando d m Quando r m Na realidade para definirmos o multiplicador da moeda na prática é importante reconhecer que o Banco Central controla as reservas bancárias e a moeda em circulação PMPP mas não controla o percentual de depósitos à vista nos bancos comerciais visto que cada cidadão decide o quanto depositar nos bancos Assim é importante entendermos o conceito de base monetária KRUGMAN WELLS 2007 Base Monetária B papel moeda com o público PMPP Reservas R A base monetária representa a quantidade de moeda que pode ser controlada pelo Banco Central É importante frisar que a base monetária não é o mesmo que oferta de moeda por duas razões a primeira é porque as reservas bancárias não são consideradas parte da oferta de moeda pois não estão disponíveis para gastos e segundo os depósitos em conta corrente que fazem parte da oferta de moeda pois estão disponíveis para gastos não são parte da base monetária A Figura 2 mostra os dois conceitos em um esquema O círculo à direita representa a oferta de moeda e o da esquerda a base monetária Como se pode observar a moeda em circulação que está fora dos bancos é parte tanto da base monetária quanto da oferta de moeda Figura 1 Base monetária e oferta de moeda Fonte a autora Agora podemos definir novamente o multiplicador monetário como sendo a razão entre oferta de moeda e base monetária LOPES VASCONCELLOS 2000 multiplicador monetário m Meios de Pagamento M Base Monetária B Assim se a oferta de moeda for de R 1000 e a base monetária de R 40000 o multiplicador monetário será de multiplicador monetário m 1000 400 3 INSTRUMENTOS DE CONTROLE MONETÁRIO O Banco Central atua na economia controlando a oferta de moeda e faz isso por três mecanismos principais MISHKIN 2002 i controle das reservas compulsórias ii utilização da política de redesconto iii operações de openmarket a Reservas compulsórias O Banco Central é que determina a taxa de reservas compulsórias que os bancos comerciais devem recolher ao Banco Central para cada R 100 de depósito à vista Vimos que o aumento do percentual de reservas reduz o tamanho do multiplicador bancário e consequentemente o montante de criação de moeda pelos bancos Assim quando a autoridade monetária quer reduzir a Oferta de Moeda na economia ele pode aumentar a taxa de reservas bancárias tendo os bancos menos recursos disponíveis para emprestar a multiplicação da moeda será menor na economia Por outro lado quando o Banco Central quer aumentar a oferta de moeda por meio da maior disponibilidade de crédito concedidos pelos bancos comerciais ele reduz a taxa de reservas compulsória e o efeito será o aumento no tamanho do multiplicador bancário SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 64 b Política de redesconto Quando os bancos comerciais buscam empréstimos junto ao Banco Central a taxa de juros cobrada é denominada taxa de redesconto que é usada pelo Banco Central tanto para sinalizar as taxas de juros a serem praticadas pelos bancos comerciais em suas concessões de empréstimos como para determinar a dispo sição dos bancos a buscarem empréstimos junto ao Banco Central para financiar parte de suas operações de crédito Se a taxa de redesconto for muito alta e estiver acima da taxa de mercado taxa de empréstimo dos bancos os bancos serão mais cautelosos na concessão de crédito para evitarem recorrer a empréstimos do Banco Central para cobrir a sua liquidez Quando os bancos fazem isso a oferta de moeda reduz De outra forma se a taxa de redesconto estiver abaixo da taxa de juros de mercado os bancos possuem incentivos para expandir as suas operações de cré dito tornandose inclusive líquidos recorrem a empréstimos do Banco Central obtendo um ganho com a diferença entre a taxa paga pelo empréstimo junto ao Banco Central e a taxa de juros que ganha com os empréstimos c Operações de openmarket Este é o principal instrumento de controle monetário adotado no Brasil O Banco Central opera no mercado de Títulos Públicos ora comprando ora vendendo Quando o banco tem o objetivo de reduzir a Oferta de Moeda na economia ele atua vendendo parte dos títulos públicos de sua carteira retirando assim moeda de circulação Já quando o banco tem o objetivo de expansão monetária ele compra títulos públicos que estão em poder do público amplia a sua carteira e gera uma monetização na economia ou seja aumenta a moeda em circulação É importante destacar que o Tesouro Nacional pode financiar o seu défi cit por meio da venda de títulos junto ao público e ao Banco Central Quando o governo vende os títulos ao Banco Central ocorre uma expansão monetária monetizando o déficit público Demanda por Moeda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 65 DEMANDA POR MOEDA Agora que já aprendemos como é determinada a oferta de moeda em nossa eco nomia estudarems os fatores que determinam a demanda por moeda realizada pelos agentes econômicos famílias empresas governo Também veremos a relação existente entre a taxa de juros e a demanda por moeda TEORIAS DA DEMANDA POR MOEDA Estudamos até agora os fatores que envolvem a oferta de moeda realizada pelo Banco Central e pelos bancos comerciais Devemos agora analisar quais fato res determinam a demanda por moeda pelo público e pelas empresas isto é quais razões levam os indivíduos a reterem um determinado volume de moeda Segundo os economistas clássicos do século XVIII e XIX Adam Smith David Ricardo John Stuart Mill Jean Baptiste Say e Frederic Bastiat existem fundamentalmente duas razões principais para os indivíduos reterem moeda LOPES ROSSETTI 1998 SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 66 i Demanda por moeda para transação os indivíduos necessitam reter moeda para saldar compromissos passados e realizar transações corren tes Assim quanto maior o volume de trocas realizadas pelo indivíduo maior será a sua necessidade de reter moeda Ao considerarmos que as trocas dependem da renda podemos concluir que a demanda por moeda está diretamente relacionada ao maior ou menor nível de renda ii Demanda por moeda para precaução os indivíduos retêm moeda para fazer frente à imprevisibilidade de certas despesas é uma reserva de contingência A demanda agregada de moeda para o motivo transação segundo a versão clás sica pode então ser expressa como segue LOPESROSSETTI 1998 L k PY Sendo L demanda agregada de moeda k proporção de moeda retida pelo público em relação a um dado nível de renda Y nível de renda ou produto P nível geral de preços Por esta equação podemos verificar que quanto maior o nível de renda Y maior será a demanda por moeda Restanos entender quais fatores determi nam maior ou menor valor da proporção k Segundo Lopes e Rossetti 1998 estes fatores são a forma com os agentes econômicos o público e as empresas distribuem as suas despesas ao longo do tempo o intervalo entre pagamentos e recebimentos definidos por hábitos e práticas econômicas das empresas Por exemplo quando vamos ao supermercado normalmente pagamos as compras à vista mas a ener gia elétrica que consumimos em nossa residência pagamos com um prazo de 30 dias Demanda por Moeda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 67 a facilidade de créditos concedidos pelos bancos reduz a necessidade de retenção de moeda para a cobertura de gastos não programáveis isto é para o motivo precaução a existência de substitutos próximos da moeda denominados de quasemo eda cartão de débito cheques transferências eletrônicas por terem uma alta liquidez reduz a necessidade de manutenção de encaixes monetários o maior ou o menor nível da taxa real de juros taxa nominal de juros des contada a taxa de inflação definida como um custo de oportunidade de retenção da moeda Assim quanto maior for a taxa real de juros maior será o custo de retenção da moeda e menor será a propensão k de reter moeda por parte do público e das empresas quanto maior a inflação na economia perda do poder de compra do dinheiro maior será a demanda por moeda para transação visto que precisará de maior volume de moeda para a compra do mesmo produto ou serviço Segundo os economistas clássicos como a maioria dos fatores que determinam a propensão do indivíduo em reter moeda k é definida de forma institucio nal se uma economia não estiver em um clima inflacionário esta proporção k é considerada constante no curto prazo e a demanda por moeda varia direta mente com o nível geral de preços Em 1936 foi lançado o livro A Teoria Geral do Emprego do Juro e da Moeda escrito pelo economista John Maynard Keynes Este livro propôs uma teoria alter nativa à teoria clássica sobre a demanda por moeda Segundo a versão keynesiana a demanda por moeda não é realizada apenas para fins transacionais ou para precaução mas também para atender oportunidades de especulação Assim a demanda por moeda na versão keynesiana passou a ser vista sob a influência de três motivos principais LOPES ROSSETTI 1998 motivo transação motivo precaução motivo especulação ou portfólio O primeiro e o segundo motivos são semelhantes à versão clássica mas o motivo especulação é especificamente keynesiano Considerase a moeda como um ativo financeiro sendo uma forma alternativa aos títulos e às aplicações financeiras para se guardar a riqueza A característica da moeda como um ativo financeiro é que ela não rende juros pois possui liquidez imediata assim o juro representa um custo de oportunidade aquilo que o indivíduo deixará de ganhar se retiver moeda em vez de aplicar em um título que pague juros Diante disto quanto maior a taxa de juros maior será o custo de oportunidade e menor será o estímulo para reter moeda Assim a demanda por moeda na versão keynesiana é representada como segue LOPES ROSSETTI 1998 L LtY Lsi em que L é a demanda total de moeda Lt demanda de moeda para transação e precaução Ls demanda de moeda para especulação Y nível de renda real i taxa de juros A Figura 3 a seguir apresenta a demanda por moeda para transações na versão keynesiana Verificase pelo gráfico a que a demanda por moeda varia diretamente com a variação da renda nacional sendo independente da taxa de juros Pelo gráfico b podemos verificar que o montante da demanda por moeda para transações deslocase à medida que ocorrem deslocamentos no montante da renda nacional Isto é quando há crescimento da renda na economia a demanda de moeda para o motivo transações também aumenta SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Demanda por Moeda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 69 Lt Lt Y 0 i Lt Lt0 Lt1 Y0 Y1 Y 0 0 a b Figura 2 Demanda agregada de moeda para transação Fonte adaptado de Lopes e Rossetti 1998 A Figura 4 apresenta a demanda por moeda pelo motivo especulação e transação reunidos O gráfico a apresenta a demanda por moeda pelo motivo especula ção indicando que a retenção de moeda é uma função negativa da taxa de juros No entanto a taxas de juros muito baixas a retenção de moeda é perfeitamente elástica em relação a taxa de juros denominado de armadilha de liquidez O grá fico b apresenta a demanda por moeda total e segundo a versão keynesiana quanto maior a taxa de juros menor a preferência pela liquidez monetária no entanto há um determinado volume de demanda por moeda que permanece inalterado independente da taxa de juros que representa a parcela da demanda por moeda retida para transações i Ls Ls Lt Y0 Y1 0 i L 0 a b Figura 3 Demanda total de moeda Fonte adaptado de Lopes e Rossetti 1998 SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 70 Assim a relação entre a taxa de juros e a quantidade de moeda demandada pelo público é representada por uma curva com inclinação para baixo se a taxa de juros for muito baixa por exemplo 2 ao ano como nos EUA os juros sacri ficados por reter moeda são relativamente baixos e maior será a sua retenção para o motivo transação Por outro lado se a taxa de juros for alta em torno de 14 ano como no caso brasileiro o custo de oportunidade para reter moeda é muito alto e as pessoas tenderão a reter menor quantidade de moeda A TAXA DE JUROS E A DEMANDA POR MOEDA Vimos que a taxa de juros é um importante fator que determina as decisões dos agentes em reter ou não moeda Neste sentido é importante entendermos o conceito da taxa real de juros que é o retorno de uma aplicação financeira descontado a inflação do período ou seja é o retorno em termo de poder de compra Matematicamente representa a diferença entre a taxa nominal de juros e a inflação Veja r i π em que r taxa de juros real i taxa de juros nominal π taxa de inflação Quando você toma uma decisão de investimento em ativos financeiros ana lisa a rentabilidade real dos ativos Considera a inflação e suas análises Então qual é a taxa de juros que afeta a demanda por moeda Em relação à demanda para especulação o indivíduo determinará como alocar a sua riqueza comparando o retorno de diferentes ativos em termos de poder de compra O retorno real de um título é a taxa de juros real já a moeda não possui retorno nominal e seu retorno será a própria variação do seu poder de compra que é medido pela taxa de inflação Assim ao decidir entre comprar títulos ou reter moeda o agente compara os dois retornos taxa real de juros e a taxa de inflação A diferença entre o retorno do título e o da moeda será a própria taxa nominal de juros i Assim podemos concluir que a taxa de juros relevante para determinar a demanda por moeda é a taxa nominal de juros que segundo Carvalho 2007 mostra o quanto o indivíduo está perdendo em termos reais ao reter moeda em relação à alternativa de investir em títulos Efeito Fisher No entanto em uma economia inflacionária para induzir um indivíduo a adquirir um determinado título a taxa nominal de juros terá que se ajustar à sua expectativa com relação à inflação futura sendo denominado efeito Fisher Veja i r πe em que πe é a taxa de inflação esperada Assim a taxa nominal de juros elevase ou por aumento da taxa real de juros ex ante aquela que se espera receber ao fazer determinada aplicação ou por aumento na expectativa de inflação Portanto a demanda por moeda pode ser expressa como uma função da renda da taxa real de juros ex ante e da expectativa de inflação CARVALHO 2007 L MPd fYr πe Demanda por Moeda SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 72 sendo M P d a demanda real de moeda O efeito Fisher traz importantes implicações na determinação da política econô mica Ao introduzir a taxa nominal de juros como variável explicativa da demanda por moeda e a expectativa de inflação como um dos elementos que determina o tamanho da taxa de juros nominal no momento presente criamos um vín culo entre comportamento futuro do agregado monetário e a taxa de inflação no momento presente ou seja se os agentes esperam que o Banco Central aumente a oferta de moeda no futuro esta informação passa a ser incorporada nas expectati vas de inflação dos agentes no momento presente o aumento da oferta de moeda gera inflação elevando a taxa de juros nominal Isto reduz a demanda por moeda gerando excesso de oferta o que levará ao aumento dos preços no presente para equilibrar a oferta e a demanda por moeda Neste sentido a inflação pode ocorrer antes mesmo da emissão monetária LOPES VASCONCELLO 2000 Por outro lado se houver expectativa de que o Banco Central reduzirá a oferta de moeda no futuro as expectativas de inflação serão para baixo e a taxa de juros nominal reduz no presente aumentando a demanda por moeda para transação e os preços terão de reduzir para equilibrar o mercado monetário Assim se o governo tiver credibilidade ele consegue reduzir a inflação no presente com um simples anúncio de que no futuro adotará políticas restritivas Trabalho de James Tobin Outro trabalho importante na definição da demanda por moeda foi o traba lho de James Tobin publicado em 1958 em que inclui na função demanda por moeda a rentabilidade dos diversos ativos existentes e o estoque de riqueza a ser alocado Veja L M P M P r r r W d n e 1 2 em que r1 r2 rn rentabilidade real dos n ativos existentes na economia máqui nas equipamentos ações títulos etc Demanda por Moeda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 73 πe expectativa de inflação W estoque de riqueza Segundo este modelo de Tobin a demanda por moeda varia inversamente com a rentabilidade dos demais ativos e com a expectativa de inflação e positi vamente com a riqueza CARVALHO 2007 Veja Se o estoque de riqueza W aumentar aumentará a demanda por todos os ativos inclusive a moeda Se a rentabilidade de qualquer ativo se elevar aumentará a demanda por este ativo reduzindo a dos demais ativos Se aumentar a expectativa de inflação significa uma queda na rentabili dade da moeda perda do poder de compra reduzindo a demanda por moeda fazendo com que as pessoas procurem outros ativos Desta forma podemos verificar que a demanda por moeda depende do custo de oportunidade da moeda que é medido pela rentabilidade dos ativos financeiros Vimos que a taxa de juros é utilizada como medida desta rentabilidade assim o indivíduo decidirá se reterá moeda para utilizar em suas transações comerciais ou se deixará este recurso aplicado em ativo financeiro títulos que rende juros sendo esta uma forma de substituir o consumo presente pelo consumo futuro Dada uma inflação de 6 ao ano o que compensa mais aplicar o seu di nheiro na poupança rendendo 7 ao ano de juros nominal aplicar em Títu los do governo com um rendimento nominal de 11 ano ou gastar todo o dinheiro comprando bens e serviço SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 74 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade aprendemos como uma economia monetária com a utilização da moeda como intermediário de troca melhora a vida de todos nós Com o aparecimento da moeda as trocas foram facilitadas permitindo que o comér cio e a indústria pudessem se desenvolver Vimos que com o aparecimento das moedas metálicas cunhadas em ouro e prata muitos problemas encontrados nas moedas mercadorias como sal trigo e até mesmo o gado foram solucionados No entanto outros problemas apareceram sendo o principal os assaltos ocor ridos durante o transporte da moeda para se realizar as trocas Surge assim o aparecimento das casas de custódia onde as pessoas podiam depositar as suas moedas feitas com metais preciosos em troca do recebimento dos certificados de depósito com garantia de plena conversibilidade denominada de moedapapel Como a conversão da moedapapel em metais preciosos não era solicitada ao mesmo tempo por todos os seus detentores as casas de custódia começaram a emitir certificados de depósito sem lastro de conversão dando origem à moeda fiduciária ou papelmoeda Hoje a oferta de moeda na economia é definida pela classificação M1 do Banco Central representado pelo papelmoeda em poder do público papelmo eda moeda metálica mais os depósitos à vista que é o dinheiro que deixamos nos bancos em nossa conta corrente Aprendemos que os bancos deixam parte destes depósitos na forma de reservas e a outra parte ele empresta criando meios de pagamentos na economia gerando assim um efeito multiplicador da moeda Também aprendemos que existem três motivos para retermos moeda quere mos moeda para pagar nossas contas e comprar bens e serviços para nos prevenir da ocorrência de eventos que gerem despesas extras e por último para aplicar em títulos financeiros que rendem juros Neste sentido aprendemos que existe relação direta entre a renda e a demanda por moeda e uma relação inversa entre a demanda por moeda e a taxa de juros sendo agora este visto como um custo de oportunidade 75 A TEORIA QUANTITATIVA DA MOEDA O economista clássico norteamericano Irving Fisher ao estudar a demanda por moeda pelo motivo transação verificou que havia relação direta entre o aumento do volume de moeda na economia com o aumento do nível geral de preços Para explicar como isto acontecia elaborou uma equação conhecida como equação quantitativa da moeda que fornece uma relação entre a quantidade de moeda em circulação e o valor total das transações realizadas e liquidadas em moeda A expressão algébrica é dada por MV PT em que M e a quantidade total de moeda V velocidade de circulação da moeda P nível geral de preços T número de transações Assim o produto da quantidade de moeda pela sua velocidade de circulação é igual à soma de todos os preços multiplicados pelo volume de mercadorias transacionadas A velocidade de circulação da moeda representa o giro de uma unidade monetária em um dado período de tempo representando quantas vezes esta moeda muda de mãos por causa das trocas Por exemplo quando você gasta R 1000 em uma padaria para pagar o seu café da manhã esta mesma nota de R 1000 vai ser utilizada pelo dono da padaria para dar troco e a pessoa que pegou o troco pode utilizar esta nota para pagar outros itens como o estacionamento e assim por diante Para facilitar o entendimento desta teoria podemos transformar a equação quantitativa da moeda utilizando no lugar do número de transações T o produto renda da eco nomia Y representado pelo PIB nominal Podemos reescrever a equação quantitativa da moeda da seguinte forma MV PY em que Y produto real V velocidade renda da moeda Esta equação diz que a quantidade de moeda nominal multiplicada pela velocidade da moeda é igual ao PIB nominal Podemos reescrever a equação apresentada para estabelecer uma relação entre a quan tidade de moeda M e o produto nominal PY M 1V PY Supondo constante a velocidade de circulação da moeda V a equação quantitativa fornece a primeira explicação para o surgimento da inflação visto que toda variação no estoque de moeda deverá gerar a variação proporcional no produto nominal PY Considerando que no curto prazo o produto seja constante decorrente da demora na resposta da produção temos que a variação na quantidade de moeda aumenta o consumo acarretará aumento proporcional no nível de preços Assim o aumento contínuo da oferta na oferta de moeda leva ao aumento contínuo da inflação O mecanismo de transmissão ocorre da seguinte forma o aumento da oferta de moeda leva os indivíduos a aumentarem a demanda por bens e serviços como o setor produtivo não responde tão rapidamente ao aumento da demanda pode ocorrer excesso de demanda levando a posterior aumento de preços para restaurar o equilíbrio no mercado de bens e serviços Fonte Lopes e Vasconcellos 2000 77 1 Sobre a evolução histórica da moeda temse que a existência de uma economia monetária só aparece de forma definitiva a partir do século XV com a utilização da moeda metálica feita de ouro e prata utilizada em grande escala como in termediária de troca Sobre este tipo de moeda leia as afirmativas e assinale a alternativa correta I A moeda metálica resolve o problema da perecibilidade e da divisibilidade encontrada em outros tipos de moeda mercadoria mas traz outros dois o custo do transporte decorrente de seu volume e o risco de assaltos II O custo dos transportes da moeda metálica foram determinantes para a deci são de se manterem as moedas em casas de custódia III Quando a moeda metálica era colocada nas casas de custódias eram dados em troca certificados de depósito os quais por comodidade e segurança co meçaram a circular no lugar dos metais monetários IV Os certificados de custódia davam a seus titulares o direito de retirarem o equivalente de ouro e prata junto às casas de custódia a qualquer momento a Somente I e II estão corretas b Somente II e III estão corretas c Somente I II e IV estão corretas d Somente I III e IV estão corretas e Todas estão corretas 2 Na versão clássica a oferta de moeda é determinada pelo Banco Central sen do exógena ao sistema por outro lado a demanda por moeda é determinada por dois motivos principais Assinale a alternativa que apresenta esses dois motivos a Transação e especulação b Precaução e transação c Especulação e precaução d Propensão ao entesouramento e transação e Especulação e investimento 3 Vamos admitir que se ampliem os intervalos entre pagamentos e recebimentos que se torne mais difícil conseguir crédito junto aos bancos e que se verifique queda na taxa de juros qual o impacto disto na oferta de moeda a A oferta de moeda tende a cair b A oferta de moeda permanece inalterada c A oferta de moeda tende a aumentar d A oferta de moeda só aumentará se além dos fatores definidos existirem substitutos próximos da moeda como cartão de débito e Todas as alternativas estão erradas 4 Com relação ao processo de criação de moeda vamos supor que 80 dos meios de pagamentos são retidos pelo público sob a forma de depósitos à vista nos bancos comerciais Destes depósitos à vista 30 são recolhidos pelo Banco Central do Brasil sob a forma de recolhimentos compulsórios e 75 são retidos pelo próprio banco comercial para reserva de caixa Diante disso calcule o valor do multiplicador monetário Fórmula Multiplicador Monetário m 11 d1 r Sendo d a parcela dos meios de pagamento que o público mantém como depósito à vista e r a relação reservasdepósitos à vista dos bancos comerciais 5 Supondo que o multiplicador monetário seja igual 25 calcule a expansão dos meios de pagamentos oferta de moeda quando o Banco Central aumenta R 100000000 na base monetária Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Macroeconomia Oliver Blanchard Editora Pearson Education Sinopse por meio dessa edição de Macroeconomia o autor Olivier Blanchard teve dois objetivos principais estreitar o contato com os fatos macroeconômicos atuais como a introdução de uma nova moeda na Europa Ocidental a eliminação dos déficits orçamentários nos Estados Unidos a transformação da Europa Oriental a crise na Ásia Esses eventos e muitos mais estão descritos no livro em boxes pormenorizados cada um deles mostrando como a macroeconomia pode ser aplicada para entender o que aconteceu o segundo objetivo foi oferecer uma visão integrada da macroeconomia Agora o livro se organiza em duas partes importantes um fundamento e um conjunto de três extensões principais O fundamento apresenta uma visão integrada do curto prazo do médio prazo e do longo prazo As três extensões examinam o papel das expectativas as implicações da abertura e as patologias do desemprego elevado à hiperinflação Isto tem duas vantagens permite ao leitor obter rapidamente uma visão integrada da macroeconomia e das flutuações de curto prazo ao crescimento Caroa alunoa sugiro este vídeo para que você possa ampliar um pouco mais seu conhecimento sobre a evolução da moeda Ele apresenta de forma simples e didática como se deu a evolução da moeda na economia brasileira até a implantação do Plano Real Você conhecerá todos os tipos de moeda que tivemos Confira o vídeo no link wwwyoutubecomwatchvi6pPim5TQLM REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS CARVALHO F J C et al Economia Monetária e Financeira Rio de Janeiro Campus 2007 KRUGMAN P WELLS R Introdução à Economia Rio de Janeiro Elsevier 2007 LOPES J ROSSETTI J Economia Monetária São Paulo Atlas 1998 LOPES L M VASCONCELLOS M A S Manual de Macroeconomia São Paulo Atlas 2000 MISHKIN F The economics of money banking and financial markets 6 ed atu alizada Addison Wesley Longman 2002 80 GABARITO 1 D 2 B 3 C Questão 4 Sendo d a parcela dos meios de pagamento que o público mantém como depósito à vista e r a relação reservasdepósitos à vista dos bancos comerciais no exemplo d 80 e r 375 assim o valor do multiplicador monetário é Multiplicador Monetário m 11 d 1 r 11 08 1 0375 2 Resposta o valor do multiplicador monetário é igual a 2 significando que para cada R 100 de depósito à vista o banco cria R 200 Questão 5 Dado que a base monetária aumentou R 100000000 e que o multiplicador monetário é igual a 25 o aumento da oferta de moeda é de multiplicador monetáriom Meios de PagamentoMBase MonetáriaB Meios de PagamentoM 25 x R 1000000 R 250000000 Resposta o meios de pagamento aumentaram R 250000000 UNIDADE III Professora Dra Juliana Franco Afonso POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Objetivos de Aprendizagem Apresentar o conceito de moeda e sua relação com a determinação da taxa de juros Ensinar como o governo utiliza a política monetária para estimular o crescimento econômico e os instrumentos que utiliza para alcançar seus objetivos Mostrar os principais produtos financeiros que são negociados no mercado monetário Plano de Estudo A moeda e a taxa de Juros Objetivos de política e política monetária Produtos financeiros Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 85 INTRODUÇÃO Este estudo visa apresentar a você de forma simples e objetiva como a taxa de juros é determinada no mercado monetário e o que acontece na economia quando esta taxa está fora da sua condição de equilíbrio Como órgão emissor da moeda o Banco Central também é a instituição executora da política mone tária na economia a qual consiste no uso de mecanismos operacionais que visam controlar a oferta de moeda e a taxa básica de juros Mostrarei que o governo utilizase de meios para alcançar seus objetivos macroeconômicos que se configuram em prover o crescimento econômico da nação controle da inflação redução do desemprego distribuição equitativa da renda e equilíbrio no balanço de pagamento Para alcançar tais objetivos o governo utilizase de várias políticas política fiscal política de renda política cambial e política monetária Neste sentido apresentarei cada uma delas e sua importância com destaque para a execução da política monetária e seus instru mentos de operacionalização Veremos também que determinados objetivos de política não conseguem ser alcançados de forma conjunta ou seja que existe um trade off de política relação inversa fazendo com que alguns grupos de agentes econômicos fiquem prejudicados enquanto outros grupos são beneficiados Por fim apresentarei a vocês os produtos financeiros que são negociados no mercado monetário considerados ativos de renda fixa de baixo risco alta liqui dez e reduzidos prazos de resgate Veremos que estes ativos são importantes na formação das duas principais taxas de juros da economia a taxa Selic e a taxa DI que são os principais indexadores dos títulos de dívida pública e privada Assim por meio deste estudo você conhecerá as principais oportunidades de investimentos de baixo risco e suas formas de remuneração podendo ser a porta de entrada para que se torne também um investidor que comece a fazer o dinheiro trabalhar para você em vez de trabalhar para ele Boa leitura POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 86 A MOEDA E A TAXA DE JUROS Sabemos que a remuneração da moeda é dada pela taxa de juros sendo conside rada como um custo de oportunidade Neste sentido devemos entender como as taxas de juros são formadas na economia Para simplificar nosso entendimento vamos supor que exista apenas uma taxa de juros que é paga sobre os ativos financeiros não monetários tanto no curto como no longo prazo Utilizaremos esta simplificação para entendermos a formação da taxa de juros na formação do equilíbrio no mercado monetário Entendido como as taxas de juros são for madas apresentarei a você quais são as taxas de juros do mercado financeiro TAXA DE JUROS DE EQUILÍBRIO De acordo com Krugman e Wells 2007 o modelo de determinação da taxa de juros com base na preferência do público por liquidez está fundamentada no fato de que a taxa de juros é determinada no mercado de oferta e demanda por moeda por meio de uma condição de equilíbrio O equilíbrio no mercado monetário ocorre quando a quantidade ofertada Ms de moeda é igual à sua quantidade demandada Aquela é determinada pelo Banco Central e esta é determinada pela decisão dos agentes em reter moeda dada pela fórmula L Pf Yi em que P nível geral de preço Y renda ou produto nacional i taxa de juros nominal Substituindose as equações de demanda e oferta nesta condição de equilíbrio obtémse a equação da curva LM que representa o equilíbrio no mercado monetário LM M L M Pf Yi Esta equação de equilíbrio também pode ser expressa em termos da demanda agregada real MP f Yi A Figura 1 mostra o equilíbrio no mercado monetário A curva de oferta de moeda M é vertical porque é determinada pelo Banco Central Diferentemente a curva de demanda por moeda é negativamente inclinada pois quanto maior a taxa de juros maior o custo de oportunidade Assim de maneira simples podemos perceber pela Figura 1 que a taxa de juros de equilíbrio é aquela igual à demanda e à oferta de moeda POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 88 i0 Taxa de juros Oferta Equilíbrio Demanda Quantidade de moeda nominal Figura 1 Equilíbrio no mercado de moeda Fonte a autora Mas o que aconteceria se a taxa de juros não fosse a taxa de equilíbrio Vamos supor que a taxa de juros está mais elevada que a taxa de juros de equilíbrio i1 i0 Quando isso acontece a demanda por moeda pela população é menor que a oferta de moeda pois as pessoas preferem ter menos dinheiro líquido em mãos aplicando o máximo que puderem em ativos que rendem juros depósitos a prazo renda fixa etc O aumento da demanda por estes tipos de ativos também denominados títulos financeiros provocará a redução dos juros pagos por eles pois suas entidades emissoras não terão que oferecer altos pagamentos de juros para atrair dinheiro e a taxa de juros converge para a taxa de juros de equilíbrio Por outro lado se a taxa de juros está mais baixa que a taxa de juros de equilíbrio i1 i0 a população preferirá ter mais dinheiro líquido a ter dinheiro aplicado nos ativos financeiros que rendem juros e na tentativa de transferir a sua riqueza acabam pressionando a taxa de juros para cima em direção à taxa de juros de equilíbrio A Moeda e a Taxa de Juros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 89 Qual o efeito do aumento na oferta de moeda sobre a taxa de juros O Banco Central pode adotar uma política monetária expansionista aumento da oferta de moeda com o objetivo de baixar a taxa de juros A Figura 2 apre senta o que acontece quando a oferta de moeda aumenta i0 Taxa de juros Oferta Oferta2 Equilíbrio Demanda Quantidade de moeda nominal Equilíbrio Figura 2 Efeito de um aumento na oferta de moeda sobre a taxa de juros Fonte a autora Pela Figura 2 podemos ver como se dá o mecanismo de transmissão da polí tica monetária um aumento da oferta de moeda pelo Banco Central desloca a curva de oferta de moeda para a direita Ao mesmo nível de taxa de juros i0 a demanda por moeda permaneceria a mesma ocasionando um excesso de oferta de moeda Como consequência a taxa de juros cai até que o mercado alcance um novo equilíbrio A uma taxa de juros mais baixa a preferência do público por reter liquidez aumenta POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 90 Qual o efeito da redução na oferta de moeda sobre a taxa de juros O Banco Central pode adotar a política monetária contracionista reduzindo a oferta de moeda com o objetivo de aumentar a taxa de juros A Figura 3 apre senta o que acontece quando a oferta de moeda reduz i0 Taxa de juros Oferta Oferta2 Equilíbrio Demanda Quantidade de moeda nominal Equilíbrio Figura 3 Efeito de uma redução da oferta de moeda sobre a taxa de juros Fonte a autora Pela Figura 3 podemos ver que uma redução oferta de moeda pelo Banco Central desloca a curva de oferta de moeda para a esquerda Ao mesmo nível de taxa de juros i0 a demanda por moeda permaneceria a mesma ocasionando um excesso de demanda por moeda Como consequência a taxa de juros sobe até que o mer cado alcance um novo equilíbrio A uma taxa de juros mais alta a preferência do público por reter liquidez reduz visto que o custo de reter moeda aumenta e o público aumenta a sua demanda por ativos financeiros que rendem juros A Moeda e a Taxa de Juros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 91 Qual o efeito do aumento na renda nacional sobre a taxa de juros i0 Taxa de juros Oferta Oferta2 Equilíbrio Demanda Quantidade de moeda nominal Equilíbrio2 Figura 4 Efeito do aumento da renda sobre a taxa de juros Fonte a autora O aumento de renda da população causa impacto positivo da demanda por moeda A oferta de moeda é determinada pelo Banco Central e este aumento da demanda por moeda dada a taxa de juros ocasiona um excesso de demanda por liquidez e a taxa de juros começa a aumentar na economia pois o setor finan ceiro aumentará a remuneração dos títulos para atrair dinheiro Isto acontece até que novo equilíbrio seja alcançado agora com a taxa de juros mais elevada Segundo Blanchard 2007 como o equilíbrio dos mercados financeiros implica aumento da renda leva ao aumento da taxa de juros podemos derivar a curva LM que representa o equilíbrio no mercado monetário como sendo a função entre taxa de juros e renda nacional ou produto nacional Veja POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 92 i i i i Taxa de juros i Taxa de juros i MP Moeda real MP a Renda Y b curva LM A A Y Y A A MS Md M para Y para YY d Figura 5 Derivação da curva LM Fonte Blanchard 2007 Assim para cada oferta de moeda o equilíbrio dos mercados monetários indica que o aumento do nível de renda que aumenta a demanda por moeda leva ao aumento da taxa de juros Diante disso podemos constatar que o crescimento econômico com aumento do emprego e da renda gera aumento da demanda por moeda para o motivo transação e dada a oferta de moeda a taxa de juros de equilíbrio da economia elevase A determinação da Taxa de Juros em uma economia com inflação regra de Taylor Em uma economia como a brasileira cuja política monetária é conduzida sob um regime de meta de inflação a taxa de juros básica da economia é determinada segundo a proposta de Taylor que leva em consideração qua tro fatores básicos a a inflação b a taxa de juros real de equilíbrio c a diferença entre a inflação observada e a meta e d o hiato entre o produto efetivo e o potencial De acordo com a proposta original de Taylor a taxa básica de juros é obtida pela seguinte equação A Moeda e a Taxa de Juros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 93 TAXA DE JUROS DO MERCADO FINANCEIRO Agora que já sabemos como as taxas de juros são formadas no mercado mone tário é importante sabermos que existem várias taxas de juros que são tomadas como base ou referência nas transações financeiras Vamos aprender sobre as principais taxa DI taxa Selic taxa referencial de juros TR taxa financeira básica TBF e taxa de juros de longo prazo TJLP i r g y h t t t t em que ti taxa básica de juros nominais no período t π taxa real de juros de equilíbrio πt taxa média da inflação de um determinado período de tempo π meta de inflação y hiatodo produto PIBreal PIB potencial PIB poten t 100 cial Segundo Mendonça et al 2005 os dois primeiros fatores inflação e taxa de juros real servem de referência para o caso em que a economia encon trase funcionando no nível potencial Já os outros dois fatores subsequen tes representam os objetivos da política monetária sendo que os parâme tros de ajuste se referem ao tradeoff de curto prazo entre a inflação e o produto O terceiro fator indica quando a inflação está acima da meta a taxa de juros aumenta e quando a inflação está abaixo da meta a taxa de juros se reduz Já o quarto fator indica que no caso de uma diferença positiva ou negativa entre o produto efetivo e o produto potencial capacidade total de produção da economia deve haver um aumento ou uma queda na taxa de juros Fonte adaptado de Mendonça et al 2005 online1 POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 94 A taxa Selic Primeiramente conheceremos o Selic ou Sistema Especial de Liquidação e Custódia que foi desenvolvido pelo Banco Central do Brasil e a Andima Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto em 1979 voltado a operar com títulos públicos de emissão do Banco Central e do Tesouro Nacional Esse sistema é constituído na verdade num grande computador que tem por finalidade controlar e liquidar financeiramente as operações de compra e de venda de títulos públicos e manter sua custódia física e escritural Os pagamentos no Selic processamse por meio de reservas bancárias e as transferências dos títulos entre os investidores somente são autorizadas pelo sis tema mediante movimentações nessas reservas ASSAF NETO 2014 A taxa de juros apurada diariamente nas negociações destes títulos é conhecida como taxa Selic Esta taxa é fixada pelo Banco Central pelo Copom Comitê de Política Monetária sendo considerada a de mais baixo risco Por isso é utilizada como a taxa de referência para as demais taxas de juros do mercado financeiro Segundo o Banco Central a sua formulação básica é dada por ASSAF NETO 2014 Taxa Selic a a k xV V j j j 1 1 252 x aoano 100 em que Kj taxa diária aplicada a j ésima operação Vj valor R da j ésima operação Verificase que a taxa Selic é determinada pela capitalização da taxa média pon derada das operações por dia útil que por resolução do Banco Central são 252 dias úteis no ano Por meio do Selic as instituições financeiras podem adquirir e vender títulos todos os dias criando uma taxa diária conhecida como overni ght e representativa das operações de um dia útil A Moeda e a Taxa de Juros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 95 Como os títulos negociados no Selic são de grande liquidez e teoricamente de risco mínimo títulos públicos a taxa definida no âmbito desse sistema é aceita como uma taxa livre de risco da economia servindo de importante refe rencial para a formação dos juros de mercado taxa básica de juros A taxa DI A Cetip ou Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos Privados passou a funcionar a partir de 1986 como um sistema bastante semelhante ao Selic porém abrigando títulos privados É uma das maiores empresas de liquidação financeira e custódia da América Latina e suas atividades são regu lamentadas e fiscalizadas pelo Banco Central A Cetip constituise como um mercado de balcão organizado para registro da negociação de títulos e valores mobiliários de renda fixa Registra custodia e liquida também títulos públicos estaduais e municipais emitidos após 1992 títulos esses representativos de dívidas de responsabili dade do Tesouro Nacional bem como todos os créditos securitizados da União da dívida agrícola dos títulos da dívida agrária e dos certificados financeiros do Tesouro O principal título do sistema Cetip é o certificado de depósito interfinan ceiro CDI que permite transferência de recursos liquidez entre as instituições do sistema financeiro A Cetip opera também com outros títulos como CDB debêntures Commercial Papers notas promissórias Letras Financeiras do Tesouro LFT etc ASSAF NETO 2014 Mas como acontecem as operações financeiras na Cetip Essas operações processamse por transferências bancárias de fundos che ques ou outra forma equivalente e somente após as respectivas compensações é que o sistema providencia as transferências da custódia dos títulos As taxas CDI ou DI são formadas nas trocas financeiras do mercado inter bancário sendo como a Selic utilizada como referência no mercado financeiro e utilizada na formação das demais taxas de juros Este mercado procura man ter o equilíbrio do sistema transferindo recursos de agentes superavitários para aqueles que demandam liquidez POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 96 Os dois sistemas de liquidação e custódia Selic e Cetip têm por obje tivo básico promover a boa liquidação das operações do mercado monetário propiciando mais segurança e autenticidade aos negócios realizados Por sua importância no volume de operações no mercado monetário ambos divulgam periodicamente duas taxas de juros amplamente adotadas pelos agentes econô micos a taxa Selic e a taxa Cetip ASSAF NETO 2014 Atualmente com a entrada em funcionamento do Sistema Brasileiro de Pagamentos SBP a liquidação das operações na Cetip fazse no momento zero ou seja no mesmo dia e não mais no dia seguinte mediante a compensação de cheques Em termos de liquidação financeira das operações os sistemas Selic e Cetip passaram a ter o mesmo procedimento de pagamento ASSAF NETO 2014 Como a taxa Selic influencia as demais taxas de juros como a do financia mento de veículos Como já descrito a taxa Selic é a taxa média ponderada e ajustada de operações de financiamento por um dia lastreadas em títulos públicos federais O Copom Comitê de Política Monetária determina a meta para a taxa Selic a qual serve apenas para balizar as taxas praticadas pelo mercado Eventualmente a mesa de operações do mercado aberto do Banco Central pode entrar no mercado ora vendendo títulos ora resgatando títulos públicos para garantir que a taxa diária fique próxima da meta determinada pelo Copom Segundo os analistas do site Minhas Economias as taxas de juros de mercado para os financiamentos de longo prazo são definidas levando em considera ção as expectativas dos agentes financeiros em relação à evolução da taxa Selic através do mercado de derivativos principalmente o mercado de DI Futuro da BMFBovespa Os relatórios e dados divulgados pelo Banco Central dados eco nômicos e outras tantas informações afetam as taxas de juros a todo instante Diante disto a definição de uma meta para a taxa Selic nas reuniões do Copom serve para balizar as expectativas do mercado em relação aos próximos passos do Banco Central na condução da política monetária A Moeda e a Taxa de Juros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 97 Na figura a seguir temse o histórico da taxa Selic meta desde jul 1996 HISTÓRICO TAXA SELIC META 45 40 35 30 25 20 15 10 5 jul96 jan97 jul97 jan98 jul98 jan99 jul99 jan00 jul00 jan01 jul01 jan02 jul02 jan03 jul03 jan04 jul04 jan05 jul05 jan06 jul06 jan07 jul07 jan08 jul08 jan09 jul09 jan10 jul10 jan11 jul11 jan12 jul12 jan13 jul13 jan14 jul14 jan15 Taxa Selic ao ano 1275 Figura 6 Histórico da taxa Selic FonteMinhas Economias 2015 online2 Taxa referencial de juros TR Segundo Kerr 2011 a taxa referencial TR foi criada em 1991 com o objetivo de ser uma taxa referencial dos juros e promover a substituição da indexação presente na economia que era realizada pela ORTN Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional Bônus do Tesouro Nacional BTN entre outros A TR é obtida pela média ponderada mensal das taxas de remuneração dos títulos de dívida privada Certificados de Depósitos Bancários CDB e dos Recibos de Depósitos Bancários RDB prefixados das trinta maiores instituições financei ras cujo rendimento médio é atrelado ao CDI Sobre a média apurada das taxas dos CDBsRDBs é aplicado um redutor que varia mensalmente Esta taxa é apurada e anunciada mensalmente pelo governo e utilizada no cálculo do rendimento de vários investimentos tais como títulos públicos cader neta de poupança FGTS títulos da dívida agrária e outras operações como empréstimos do Sistema Financeiro da Habitação SFH pagamentos a prazo e seguros em geral POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 98 Taxa de juros de longo prazo TJLP A TJLP foi criada para remunerar os contratos de longo prazo Segundo Assaf Neto 2014 esta taxa veio substituir definitivamente a indexação na economia brasileira tendo um prazo de vigência de três meses Segundo Kerr 2011 são considerados os seguintes fatores no cálculo da TJLP a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional e prêmio de risco que incorpora a taxa de juros real internacional e um componente de risco Brasil perspectiva de médio e longo prazo A TJLP é aplicada em linhas de financiamento do BNDES recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador FAT fundo de participação PISPASEP Fundo de Marinha Mercante FMM A Figura 7 apresenta a evolução da taxa Selic e da TJLP Verificase que quando a inflação está alta o Banco Central aumenta a taxa Selic para desaquecer o mercado jan06 jul06 jan07 jul07 jan08 jul08 jan09 jul09 jan10 jul10 jan11 jul11 jan12 jul12 jan13 jul13 jan14 jul14 jan15 jul15 jan16 jul16 jan17 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 000 Selic 1375 1250 1425 750 500 600 TJLP Figura 7 Histórico da taxa Selic e TJLP Fonte Portal Apeop 2017 online3 Objetivos de Política e a Política Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 99 Com juros mais altos as pessoas e empresas tendem a consumir menos e por tanto a atividade econômica cede assim como a inflação No entanto a TJLP também é uma taxa de juros básica pois pauta os empréstimos do BNDES e não muda com as decisões do Comitê de Política Monetária Copom Assim na prática há duas taxas básicas de juros uma taxa de juros baixa para quem tem acesso ao BNDES e outra taxa de juros alta que baliza os empréstimos para as demais pessoas e empresas OBJETIVOS DE POLÍTICA E A POLÍTICA MONETÁRIA Esta seção destinase ao estudo da política monetária procurando mostrar os seus objetivos os instrumentos utilizados pelo Banco Central no seu exercício e sua verdadeira eficácia Inicialmente apresentarei o conceito de política monetá ria e como ela pode ser utilizada para que o governo possa alcançar os objetivos da política econômica global Em seguida serão analisados os instrumentos utilizados pelo Banco Central na condução da política monetária OBJETIVOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA Antes de começarmos nossa análise sobre os objetivos da política monetária devemos entender que esta é utilizada para que o governo alcance objetivos econô micos globais Mas quais são esses objetivos Vasconcellos 1994 defineos como a alto nível de emprego b estabilidade de preços c distribuição de renda socialmente justa d crescimento econômico e desenvolvimento econômico POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 100 Segundo este autor as questões relativas ao aumento do nível do emprego e ao controle da inflação são consideradas como conjunturais de curto prazo cons tituindose nas chamadas políticas de estabilização Alguns textos colocam também como meta de curto prazo o equilíbrio no balanço de pagamentos visto que o seu déficit gera redução de divisas moeda estrangeira na economia Já com relação à distribuição equitativa da renda alguns economistas como Mário Henrique Simonsen argumentam que no processo de crescimento ocorre desigualdade com mobilidade ou seja o indivíduo permanece pouco na mesma faixa salarial e tem facilidade de ascensão Isso seria um fator importante para a convivência com a má distribuição de renda VASCONCELLOS 1994 A quarta meta macroeconômica referese ao crescimento econômico que representa o crescimento da renda nacional per capita isto é que a produção de bens e serviços supere o crescimento populacional A renda per capita é uti lizada como um indicador para medir a melhoria do bemestar e do padrão de vida da população pois está implícito o aumento do emprego e da renda No entanto possui falhas pois não leva em consideração indicadores sociais como concentração de renda taxa de analfabetismos mortalidade infantil entre outros indicadores sociais Objetivos de Política e a Política Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 101 Assim podemos dizer que um país está realmente melhorando seu nível de desenvolvimento econômico e social se em conjunto com o aumento da renda per capita houver melhora dos indicadores sociais pobreza desemprego meio ambiente moradia etc Vasconcellos 1994 afirma que se existe desemprego e capacidade ociosa das empresas o produto da economia pode ser aumentado por meio de políticas econômicas que estimulem a atividade produtiva Mas há um limite à quantidade do que se pode produzir com os recursos disponíveis Assim se a economia alcançar o pleno emprego dos recursos produtivos para aumentar o produto além desse limite exigirá aumento nos recursos disponíveis ou avanço tecnológico ou seja tecnologia mais avançada novas manei ras de organizar a produção No entanto os objetivos de política macroeconômica não são independentes uns dos outros podendo inclusive ser conflitantes Atingir uma meta pode aju dar a alcançar outras ou até mesmo a abandonar Por exemplo o crescimento econômico pode reduzir o problema da pobreza quando este gera aumento do nível de emprego e renda mas por outro lado pode gerar inflação quando este aumento da renda aumenta o consumo das famílias dada a oferta de bens e serviços na economia Neste sentido temos um conflito entre as metas de redu ção de desemprego e a estabilidade de preços Veja a explicação de Vasconcellos 1994 p 200 Se essa redução de desemprego é obtida pelo aumento das compras isso pode aumentar a inflação O aumento das compras por exemplo de automóveis reduz o desemprego porque pessoas que estão desem pregadas serão contratadas para trabalhar nas fábricas de automóveis quando as famílias compram mais casas os operários da construção encontram trabalho com mais facilidade No entanto à medida que a economia aproximase do pleno emprego de recursos estes passam a escassear provocando um aumento dos custos de produção e o au mento das compras tende a agravar a inflação porque é muito provável que os produtores repassem o aumento de custos de produção para os preços de seus produtos Isso só não ocorrerá se ao mesmo tem po estiver ocorrendo um significativo aumento de produtividade que compense a elevação dos custos POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 102 Por outro lado políticas de estabilização da inflação podem gerar aumento da taxa de desemprego visto que tais políticas reduzem a demanda de bens e servi ços gerando queda da atividade econômica e consequentemente do emprego e da renda Podemos definir estas relações inversas entre taxas de inflação e taxas de desemprego como trade off relação inversa explicado por uma teoria cha mada curva de Phillip que surgiu na década de 1950 Segundo Dornbusch e Ficher 1991 a curva de Phillips corresponde à uma curva de oferta agregada positivamente inclinada que relaciona preços e pro duto Assim aumentos de preços inflação estão associados a variações positivas da produção agregada e portanto do emprego Diante do exposto até aqui podemos verificar que o administrador público policymaker tem de fazer uma escolha quanto à ênfase a ser dada a diferentes objetivos visto que cada combinação afeta diferentes grupos na sociedade de formas diferente e qualquer escolha estará sujeita à objeção política pelos repre sentantes dos grupos para os quais a escolha alternativa é pior Quando analisamos os partidos políticos geralmente conseguimos prever a alternativa de política econômica a ser escolhida a partir do conhecimento prévio das políticas de campanha e assim prever os futuros impactos do novo governo na economia Para atingir estes objetivos globais da economia o governo pode atuar sobre a capacidade produtiva produção agregada e despesas planejadas demanda agregada visando permitir à economia operar a pleno emprego dos fatores de produção com baixas taxas de inflação e distribuição equitativa de renda Os principais instrumentos utilizados pelo governo são política fiscal política cambial e comercial política de rendas controle de preços e salários política monetária Objetivos de Política e a Política Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 103 De forma simplificada podemos dizer que a política fiscal referese à utilização do governo de instrumentos que controlem a arrecadação tributária política tri butária e o controle dos gastos governamentais política de gastos Se o objetivo do governo for o crescimento econômico e a redução do nível de desemprego ele pode estimular os gastos do setor privado em consumo de bens e serviços e investimento reduzindo a carga tributária porém se o objetivo da política for a redução da inflação as medidas adotadas pelo governo normalmente são a redução dos gastos públicos ou o aumento da carga tributária Por outro lado quando o governo visa melhorar a distribuição de renda a política fiscal deve ser utilizada de forma seletiva em benefício dos grupos menos favorecidos como a implantação na economia brasileira do imposto de renda pelo método pro gressivo ou seja quem ganha mais paga mais impostos Outro exemplo são os gastos do governo em regiões e setores mais atrasados e a utilização de subsídios A política cambial e comercial estão relacionadas ao setor externo da eco nomia A primeira referese ao controle do governo sobre a taxa de câmbio ou seja adoção do regime de câmbio fixo ou flutuante entre outros E a segunda diz respeito aos instrumentos de incentivo às exportações e controle às impor tações como altas taxas alfandegárias cotas de importação isenção de impostos a produtos exportados etc A política de rendas está relacionada ao controle do governo sobre os pre ços e salários na economia normalmente relacionados ao objetivo do governo de combate à inflação São exemplos de política de renda o controle sobre os preços das tarifas de água de energia do petróleo política de salário mínimo política de preços mínimos da agricultura entre outros Em relação à política monetária esta é definida segundo Lopes e Rossetti 1998 p 253 como o controle da oferta de moeda e das taxas de juros no sen tido de que sejam atingidos os objetivos da política econômica global do governo Estes objetivos variam de acordo com o estágio e padrão de desenvolvimento econômico do país dos propósitos políticos dos governantes dos problemas de conjuntura de cada período e do conjunto de credos e valores sociais POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 104 INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MONETÁRIA Como vimos uma das formas de o governo atingir os objetivos das políticas globais é pela da utilização da política monetária que consiste no controle do governo sobre a quantidade de moeda o crédito e a taxa de juros que é reali zada pelos seguintes instrumentos de política CARVALHO 2007 emissões de moeda pelo Banco Central reservas compulsórias percentual sobre os depósitos que os bancos comer ciais devem reter junto ao Banco Central operações de open market compra e venda de títulos públicos política de redescontos empréstimos do Banco Central aos bancos comerciais regulamentação sobre crédito e taxa de juros Emissão de moeda pelo Banco Central A quantidade de moeda na economia é definida como a somatória da moeda manual papelmoeda e moeda metálica em poder do público e moeda escri tural depósito à vista do público nos bancos comerciais Esta quantidade de moeda depende das mudanças na base monetária que é constituída pelo papel moeda e moeda metálica em poder do público papelmoeda e moeda metálica mantida em caixa pelos bancos comerciais e pelas reservas voluntárias e com pulsória depositadas no Banco Central O que aconteceu com a demanda de carros novos e eletrodomésticos da linha branca quando o governo reduziu o valor do IPI imposto sobre o pro duto comercializado no período de 2008 a 2014 Que tipo de política é esta Além da base monetária a oferta de moeda também depende das mudanças do multiplicador monetário que representa a criação de moeda pelos bancos comerciais por meio dos empréstimos Assim podemos representar a variação da oferta de moeda na economia pela seguinte fórmula LOPES ROSSETTE 1998 ΔM kΔB Sendo ΔM variação dos meios de pagamentos ou oferta monetária K Multiplicados dos meios de pagamentos ΔB variação da base monetária A base monetária pode ser alterada pelo Banco Central com as seguintes finalidades CARVALHO 2007 financiar déficits orçamentários do governo conceder empréstimos de liquidez aos bancos comerciais realizar operações de compra e venda de moeda estrangeira as quais são necessárias às transações econômicas do país com as economias internacionais Quando o Banco Central com o aumento da moeda em circulação pelo seu efeito multiplicador gera um aumento da demanda agregada da economia estimula a produção e a renda podendo gerar um aumento do nível generalizado de preços ou seja inflação Fixação da taxa de reservas compulsórias A fixação da taxa de reservas que os bancos comerciais devem recolher sobre os depósitos à vista ao Banco Central é um dos instrumentos de política monetária mais utilizados para controle do efeito multiplicador da moeda Quando ao Banco Central aumenta a taxa de reservas compulsórias ele reduz a proporção de depósitos à vista que os bancos comerciais podem utilizar na realização de empréstimos criação de meios de pagamento o que reduz o valor do multiplicador monetário k e assim leva a uma contração da oferta de moeda POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 106 Por outro lado quando o Banco Central reduz as taxas de reservas com pulsórias a proporção dos depósitos à vista que podem ser direcionados aos empréstimos aumenta os bancos comerciais concedem mais empréstimos e o valor do multiplicador monetário k aumenta e consequentemente aumenta a oferta de moeda na economia Operações de open marketing As operações de open marketing consistem na compra e venda de títulos da dívida pública de emissão do Banco Central ou do Tesouro Nacional Por este instrumento o Banco Central consegue influenciar com rapidez e flexibilidade a oferta de moeda e a taxa de juros de curto prazo taxa Selic Quando o Banco Central objetiva estimular o crescimento econômico pela demanda agregada ele pode expandir a oferta de moeda realizando operações de resgate dos títulos da dívida pública em poder do público bancário e não bancário Dada a demanda por moeda o aumento da oferta de moeda causa a redução da taxa de juros básica da economia Já quando o Banco Central deseja reduzir a oferta de moeda ele vende ao público e aos bancos títulos da dívida pública retirando moeda da economia na proporção dos títulos adqui ridos A retração da oferta de moeda dada a demanda por moeda causa o aumento da taxa de juros No Brasil as taxas de reservas compulsórias são aplicadas não apenas sobre os depósitos à vista mas também sobre os depósitos a prazo dinheiro apli ca nas cadernetas de poupança CDB etc Fonte a autora Objetivos de Política e a Política Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 107 A Figura 8 apresenta de forma resumida as operações de mercado aberto e seus efeitos na economia Veja Expansão dos Meios de Pagamento Redução da taxa de Juros Redução dos Meios de Pagamentos Expansão da taxa de Juros Compra de títulos da Dívida Pública pelo Banco Central Venda de títulos da Dívida Pública pelo Banco Central Figura 8 Síntese das operações de mercado aberto Fonte a autora Segundo Lopes e Rossetti 1998 as operações de mercado aberto possibilitam o controle diário do volume de oferta de moeda a manipulação das taxas de juros de curto prazo uma alternativa de investimento para o público e para as instituições financeiras a criação de liquidez para os títulos públicos possibilitando o financia mento dos gastos públicos Diante do que foi apresentado até aqui temos que se o objetivo de política for o controle da inflação a medida de política monetária seria diminuir o estoque monetário da economia e isto poderia ser feito pelo aumento da taxa de reserva compulsória ou pela venda de títulos no mercado aberto open market Mas se a meta for o crescimento econômico o processo seria o inverso POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 108 Funcionamento operacional do Mercado Aberto O funcionamento do mercado aberto é relativamente simples Segundo Assaf Neto 2014 quando o Banco Central deseja captar recursos do mercado ele efe tua a venda primária leilão primário de títulos públicos de sua propriedade A colocação desses títulos é realizada por meio do recebimento de propostas feitas por instituições financeiras junto aos dealers os quais são instituições que representam o Banco Central nas operações de venda primária Cabe ao Banco Central aceitar ou não as propostas A instituição financeira que adquire o título no leilão primário pode revendelo no mercado secundário cujo instrumento operacional é o open market mercado aberto Por este mecanismo a institui ção financeira vende o título ao público com compromisso de recompra em data futura mediante remuneração chamada operações compromissadas O spread bancário receita financeira da instituição é formado no diferen cial entre a taxa de juros que é ganha na compra do título e a taxa de juros que é paga na sua venda Quando um banco vende um título público com compro misso de recompra comportase como se estivesse tomando empréstimos no mercado para financiar suas operações entregando os títulos como garantia No entanto caso o investidor decida permanecer com o título e a instituição des fizerse dele ocorre a operação definitiva ou seja a liquidação da transação Neste contexto é formada a taxa Selic que representa a taxa média diária das operações compromissadas conhecidas como overnight ASSAF NETO 2014 Outro aspecto importante é que o investidor como eu e você não é obri gado a manter o título até o seu vencimento pode revendêlo antecipadamente No entanto neste caso as negociações ocorrem à taxa do dia pode ser diferente da taxa contratada não conseguindo o investidor garantir a taxa prometida na compra do título Além disso há a incidência do Imposto de Renda sobre a ren tabilidade dos títulos que obedece à seguinte regra Objetivos de Política e a Política Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 109 Quadro 1 Alíquotas do imposto de renda PRAZO IR ALÍQUOTA Até 180 dias 225 De 181 a 360 dias 20 De 361 a 720 dias 1750 Acima de 720 dias 15 Fonte adaptado de Tesouro Direto 2018 online5 Como podemos verificar a maior rentabilidade ocorre quando deixamos o nosso capital aplicado por um prazo acima de dois anos Política de Redesconto Uma das funções do Banco Central é ser banco dos bancos o que significa que se os bancos comerciais precisarem de liquidez em última instância o Banco Central deve atuar suprindo os bancos de moeda por meio de desconto de títu los dos bancos comerciais a uma taxa préfixada chamada taxa de redesconto O controle dos meios de pagamentos por este instrumento de política mone tária resulta das seguintes operações LOPES ROSSETTI 1998 Alteração da taxa de redesconto Quando o Banco Central quer aumen tar a liquidez dos bancos ele reduz a taxa de redesconto e quando quer evitar que os bancos adquiram empréstimos ele aumenta a taxa de redes conto o que aumenta o custo de oportunidade dos empréstimos O rendimento dos títulos da dívida pública podem ser de dois tipos pré fixados ou pósfixados A remuneração é atrelada a um indexador como taxa Selic taxa referencial TR índice de inflação como o IPCA IGPM ou variação cambial Fonte adaptado de Tesouro Direto 2018 online6 POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 110 Mudança nos prazos concedidos aos bancos comerciais para resgate dos títulos redescontados Quanto menores os prazos de resgate maior será o percentual dos depósitos à vista deixados como reservas de caixa nos bancos comerciais e assim menor será a oferta de moeda e viceversa Fixação de limites operacionais Quanto menores os limites operacionais de crédito menor será o montante de empréstimos e assim da oferta de moeda e viceversa Restrição dos tipos de títulos redescontáveis Quanto maiores forem as restrições menores serão as possibilidades oferecidas aos bancos para se socorrerem junto ao Banco Central em caso de dificuldade de caixa Assim os bancos adotaram políticas mais conservadoras na concessão de cré dito e a oferta monetária é restringida O contrário também é verdadeiro Regulamento sobre o crédito e a taxa de juros Representam intervenções diretas das autoridades monetárias sobre o controle do volume de crédito e o seu preço Os mecanismos de controle podem ser controle do volume e da destinação do crédito controle da taxa de juros dos emprésti mos e determinação dos prazos limites e condições dos empréstimos Quanto mais rígido o controle menor a oferta de liquidez Produtos Financeiros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 111 PRODUTOS FINANCEIROS O mercado monetário encontrase estruturado com o objetivo de controlar a liquidez monetária da economia e a determinação das taxas de juros Os ativos negociados neste mercado têm como característica os reduzidos prazos de res gate alta liquidez e são responsáveis pela formação das taxas de juros básicas da economia a taxa Selic e a taxa DI São negociados no mercado monetário os papéis emitidos pelo Tesouro Nacional com o objetivo de financiar o orçamento da união Títulos Públicos Federais os títulos públicos de nível estadual e municipal Também são negocia dos os títulos representantes de dívida privada como Certificados de Depósitos Interfinanceiros CDI Certificados de Depósitos Bancários CDB Debêntures commercial papers Letras de Crédito Imobiliário LCI Letras de Crédito do Agronegócio LCA entre outros Com exceção do CDI cuja negociação é de exclusividade das instituições financeiras os outros ativos são oportunidades de investimento para nós Assim vamos conhecer algumas formas de obter renda que estão ao alcance de qual quer pessoa inclusive ao seu POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 112 Uma característica comum destes ativos é que eles são considerados renda fixa de baixo risco para o investidor A principal característica que define uma renda como fixa é que a sua rentabilidade é previamente definida no momento da aplicação financeira Os investimentos em renda fixa ainda podem ter a sua remuneração taxa de juros por exemplo préfixada e pósfixada a diferença é que os préfixados você já sabe exatamente a rentabilidade que receberá já com o pósfixado sabese previamente qual será a forma de cálculo da sua rentabi lidade mas ela pode variar Mesmo assim este último é uma renda fixa porque o valor inicial do investimento é preservado De acordo com Assaf Neto 2014 as aplicações em rendas fixas podem ser divididas em três grupos de emissores o governo emissão de Títulos Públicos Bancos DCBs RDBs Letras Hipotecárias Poupança Letras de Câmbio Previdência Privada e empresas debêntures commercial papers Vamos apren der um pouco mais sobre cada um deles TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA Muitos investidores acreditam que investir em papéis do governo é a melhor opção quando se trata de segurança Na verdade eles têm razão Pense bem caso o governo quebre imagine como estará o restante da economia O governo sabe desse desejo dos investidores em possuir seus papéis e tam bém tem interesse nesses investimentos de títulos públicos De acordo com o portal do Ministério da Fazenda títulos públicos são ativos de renda fixa e pos suem a finalidade primordial de captar recursos para o financiamento da dívida pública bem como para financiar atividades do governo federal como educação saúde e infraestrutura Pois bem pensando nisso há algum tempo o governo possibilitou investimentos em seus papéis de forma mais simples e acessível a praticamente qualquer investidor Tratase de um sistema de investimento cha mado Tesouro Direto Por meio deste sistema o investidor pode de forma totalmente informatizada comprar os papéis do governo que mais se adaptam ao perfil do investidor Produtos Financeiros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 113 Vamos conhecer alguns desses papéis O quadro a seguir apresenta os prin cipais títulos públicos brasileiros negociados pelo Tesouro Direto Quadro 2 Títulos Públicos Federais do Brasil TIPOS DE TÍTULOS CARACTERÍSTICAS LTN Letras do Tesouro Nacional Títulos com rentabilidade definida taxa fixa no momento da compra Forma de pagamento no vencimento LFT Letras Financeiras do Tesouro Títulos com rentabilidade diária vincu lada à taxa de juros básica da economia taxa média das operações diárias com títulos públicos registrados no sistema Selic ou simplesmente taxa Selic Forma de pagamento no vencimento NTNB Nota do Tesouro Nacional série B Título com rentabilidade vinculada à variação do IPCA acrescida de juros defi nidos no momento da compra Forma de pagamento semestralmente juros e no vencimento principal NTNB Principal Nota do Tesouro Nacio nal série B Título com rentabilidade vinculada à variação do IPCA acrescida de juros de finidos no momento da compra Não há pagamento de cupom de juros semestral Forma de pagamento no vencimento NTNF Notas do Tesouro Nacional série F Títulos com rentabilidade prefixada acrescida de juros definidos no momento da compra Forma de pagamento semestralmente juros e no vencimento principal Fonte adaptado de Tesouro Direto 2018 online6 E se você quiser investir nesses papéis como poderá fazer isso No lançamento do programa bastava apenas R 20000 duzentos reais para você começar a investir isso com a comodidade de operar com os papéis sem sair de casa pois as transações são feitas diretamente via internet É possível ao inves tidor definir sua estratégia de investimento se de curto médio ou longo prazo POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 114 Além disso as taxas cobradas são muito inferiores que a maioria de papéis de renda fixa existentes no mercado O investidor pode ainda caso necessitar converter os papéis em dinheiro por vender a preços de mercado todas as quar tasfeiras dia em que o Tesouro oferece a recompra a preços de mercado Outro benefício é fiscal pois diferente dos fundos de investimento que possuem o chamado comecotas que é a cobrança antecipada de parte do Imposto de Renda duas vezes por ano no caso do Tesouro Direto a cobrança do Imposto de Renda sobre os rendimentos só é feita no momento da venda ou do vencimento do título Podem investir nesses papéis qualquer pessoa residente no Brasil que possua Cadastro de Pessoa Física CPF e esteja cadastrada em alguma das instituições financeiras habilitadas a operar no Tesouro Direto TÍTULOS DE DÍVIDA PRIVADA Caderneta de Poupança A caderneta de poupança é o tipo de investimento mais tradicional conservador e popular do Brasil Envolve baixos riscos e por isso sua remuneração nominal também é baixa atualmente em torno de 05 ao mês aplicada sobre os valo res atualizados pela TR Taxa Referencial com capitalização mensal creditada na data de aniversário da aplicação FORTUNA 2008 As principais vantagens das aplicações na poupança são Vale a pena conhecer esta opção de investimento O Tesouro Nacional dis ponibiliza um portal com informações e regras que o investidor é convidado a acessar O portal é httpwwwtesourofazendagovbr Fonte a autora Produtos Financeiros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 115 liquidez imediata investimentos de até R 60 mil são garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito Assim em caso de falência do banco este valor fica garantido há isenção de incidência do Imposto de Renda para pessoas físicas Já as pessoas jurídicas sofrem incidência do IR sobre os rendimentos com as seguintes alíquotas aplicações de até 180 dias 225 aplicações de 181 a 360 dias 20 aplicações de 362 a 720 dias 175 aplicações acima de 720 dias 15 CDB Certificado de Depósito Bancário e RDB Recibo de Depósitos Bancários Quando se fala de tradição temos que obrigatoriamente falar de CDB e RDB Estes papéis são conhecidos como depósitos a prazo e são os mais tradicionais títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras para captação de recur sos Esses produtos permitem que o banco e o cliente saibam com antecedência as condições de remuneração para o prazo e os valores negociados O CDB e o RDB são títulos de captação de recursos financeiros emitidos pelos bancos Quem compra estes títulos está emprestando dinheiro aos ban cos recebendo uma remuneração em troca a taxa de juros Que diferença existe entre CDB e RDB A diferença básica entre os dois títulos é que o CDB pode ser transferido por meio de endosso sendo por tanto negociado no mercado Já os RDBs são obrigatoriamente nominativos e intransferíveis determinando muitas vezes variações nas taxas de juros pagas aos aplicadores Vamos entender como funciona a remuneração dos CDBRDBs CDBRDB préfixado o investidor recebe no vencimento a remuneração negociada conhecida antecipadamente e constante no contrato Nesta moda lidade não existe exigência legal de prazo mínimo Esta definição fica a cargo de cada instituição financeira POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 116 CDBRDB pósfixado os índices de remuneração do CDB são obtidos pela variação do indexador escolhido na contratação Existe atualmente uma exigência legal quanto ao prazo mínimo de contratação de CDB conforme o indexador utilizado As aplicações em CDB podem ser feitas por qualquer pessoa que seja corren tista de um banco e tenha dinheiro para investir O prazo varia de 30 a 180 dias e o valor mínimo depende da modalidade disponível no banco Geralmente os bancos oferecem taxas maiores de acordo com o valor investido No CDB há incidência do Imposto de Renda que varia de 15 a 225 de acordo com o tempo investido pago no resgate da aplicação Não há taxa de administração Se o valor ficar aplicado por menos de 30 dias será cobrado o Imposto sobre Operação Financeira IOF O risco de aplicação em CDBs é baixo pois está associado à solidez do banco O investidor só perde a aplicação caso a instituição vá à falência porém o FGC Fundo Garantidor de Crédito garante o valor de até R 250 mil por CPF se a instituição for associada ao Fundo A rentabilidade do CDB é atrelada ao CDI Assim um CDB pode render 100 do CDI mais que 100 do CDI menos que 100 do CDI Exemplo 1 Um CDB que rende 100 do CDI e este teve uma taxa acumulada de 1160 nos últimos 12 meses teria rendido exatamente 1160 no mesmo período Exemplo 2 Caso seu CDB renda 90 do CDI e o CDI foi de 1160 nos últimos 12 meses a rentabilidade do seu investimento no mesmo período será de 1044 1160 090 Exemplo 3 Se um CDB oferece remuneração por exemplo de 90 do CDI ao investidor e o valor do CDI é de 7 e for deixado capital investido durante 100 dias qual será a rentabilidade líquida do investidor Produtos Financeiros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 117 90 de 7 63 IR de 225 0225 x 63 142 Rentabilidade Líquida 63 142 488 Previdência complementar privada Talvez os produtos mais famosos na prateleira das rendas sejam os de previ dência complementar privada Dentre esses produtos estão o PGBL e o VGBL O que são estes produtos e para quem se destinam PGBL a sigla vem de plano gerador de benefício livre veja o P de plano é uma boa dica para você não confundir com o outro tipo As regras do PGBL são simples na sua essência tratase de um plano que visa compor uma reserva matemática para benefício futuro Muito parecida com o FAPI não concorda O PGBL é oferecido pela maioria dos grandes bancos e vai outra dica como se trata de um produto que vai vincular você a uma instituição financeira por muitos anos é preciso saber com quem você vai casar não é mesmo Se a ins tituição financeira entrar em dificuldades apesar da administração do plano ser à parte da própria instituição inclusive tem CNPJ diferente pode ser que o plano seja contaminado pela falta de confiança dos investidores No PGBL as contribuições são individuais ou seja cada participante tem o seu plano Pode ocorrer de o empregador querer pagar o plano como um bene fício ao funcionário seria ótimo não é verdade mas ao dinheiro acumulado somente o participante pode ter acesso Para quem se destina o PGBL Em um momento de juros já baixos com inflação girando em cerca de 55 o ganho já começa a perder da inflação POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 118 Aqui vão dicas importantes 1 O PGBL é destinado a quem declara IRPF no formulário completo e que utilizará os pagamentos ao plano para abatimento de imposto de renda 2 Para ter esse benefício o participante do plano também precisa contri buir para a previdência oficial 3 Caso o plano seja para um filho menor o responsável pode abater os valores pagos na sua declaração Importante somandose todas as contri buições para o PGBL próprio ou para filhos menores o teto máximo de abatimento é de 12 da renda bruta tributável anual Caso o filho menor tenha mais de 16 anos de idade é preciso que este menor também con tribua para a previdência oficial para poder contar com o benefício do abatimento de IR Exemplo imagine alguém que tenha uma renda bruta anual de R 20000000 Este contribuinte poderá abater então até 12 dessa renda a título de previdência privada ou seja R 2400000 desde que é claro tenha de fato contribuído para isso É necessário compro vação Ficaria assim a base de cálculo do IR passaria de R 20000000 para R 20000000 R 2400000 R17600000 4 Em caso de saque antecipado o valor sacado será tributado lembrese de que o Leão não é tão manso assim de acordo com a tabela progres siva do IRPF Geralmente os percentuais são elevados podendo chegar a 275 do montante capital mais juros acumulados 5 Em caso de recebimento do valor na forma de renda mensal o valor rece bido entrará como rendimento tributável igualzinho ao FAPI e deverá ser somado às outras rendas tributáveis para compor a base de cálculo do IRPF Portanto meu caro pense bem antes de escolher o plano Isto porque se você não se enquadrar na regra número 1 apresentada ou seja se não declarar no for mulário completo ou declara como isento ou ainda se já atingiu o teto máximo de abatimento de 12 a título de previdência complementar mas deseja contri buir além desse teto o ideal para você é o VGBL VGBL a sigla vem de vida gerador de benefício livre preste atenção no V de vida Esta forma de previdência complementar privada guarda todas as caracte rísticas do PGBL na questão de rendimentos portabilidade porém uma diferença importantíssima é o tratamento fiscal ao contrário do PGBL no VGBL não há Produtos Financeiros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 119 benefício fiscal algum Não se podem abater valores pagos neste plano que na verdade é uma forma de seguro de vida na declaração de IRPF Porém a vantagem é que caso você necessite resgatar o valor total ou parcial antes da época prevista para recebimento de benefícios o Imposto de Renda a ser cobrado incidirá somente nos rendimentos como acontece em qualquer outra apli cação financeira Isso é ótimo caso a pessoa decida investir em outro tipo de ativo financeiro como um imóvel por exemplo durante o período em que está acumu lando esses valores O resgate não trará nenhum prejuízo em relação a impostos Estas são apenas algumas características dos planos PGBL e VGBL Existem outras e eu recomendo entrar nos portais das empresas que oferecem esses produ tos e simular alguns planos que estejam dentro de seu perfil de renda e interesse Recomende isso também a quem você assessorar Letras Hipotecárias LH São títulos emitidos por instituições financeiras autorizadas a conceder crédi tos hipotecários como as sociedades de crédito imobiliário e bancos múltiplos com carteira imobiliária e a Caixa Econômica Federal com lastro em financia mentos habitacionais São emitidas com juros préfixados flutuantes e pósfixados em TR TJLP ou TBF no prazo mínimo de 180 dias pois se resgatados antes desse prazo não remuneram o investidor O prazo máximo é o do vencimento dos créditos hipo tecários caucionados em garantia Letras de Crédito Imobiliário LCI São títulos de crédito lastreados por crédito imobiliário garantidos por hipo teca ou por alienação fiduciária de imóvel Suas principais características são BMBOVESPA 2007 online7 títulos de renda fixa emissão exclusiva de instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central com carteira de crédito imobiliário emisão sob forma de certificado ou escritural obrigatoriamente regis trada na CETIP POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 120 nominativas transferíveis e de livre negociação no mercado secundário o preço unitário de emissão é de R 100000 mil reais garantia do emissor e FGC Fundo Garantidor de Crédito lastro de créditos imobiliários recebívelimóvel garantidos por primeira hipoteca ou alienação fiduciária a LCI poderá contar com garantia pessoal tais como aval e fiança adi cional de instituição financeira a LCI não poderá ter prazo de vencimento superior ao prazo de quais quer dos créditos imobiliários que lhe servem de lastro a pessoa física é isenta de Imposto de Renda mas à pessoa jurídica a tri butação vai em linha com a de renda fixa prazos de aplicação no caso da Caixa Econômica Federal atualmente a instituição mais ativa em crédito imobiliário no Brasil o prazo mínimo dessa aplicação é de dois meses e o máximo de 24 meses 2 anos aplicação mínima R 3000000 e o BB aceita a partir de R 100000 Remuneração atrelada ao CDI normalmente entre 80 e 95 do CDI Fonte Caixa Econômica Federal 2018 online8 Exemplo 1 Suponha um título de LCI que remunere 90 do CDI 1413 ano Qual o valor da sua rentabilidade líquida se você tivesse deixado aplicado no período de 1 ano Solução 09 x 1413 127 ano Resposta a rentabilidade é de 127 ao ano visto que não paga IR Letras de Crédito Agrícola LCA Letras de crédito agrícola é um tipo de título de dívida privadam emitido pelos bancos a fim de captar recursos para participantes da cadeia do agronegócio Ou seja quando compramos um LCA estamos emprestando dinheiro ao banco para ele alocar nosso dinheiro nos financiamentos voltados ao crédito rural Sabese que a emissão da Letra é condicionada à existência e à disponibilidade Produtos Financeiros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 121 no banco de direitos e créditos relacionados com a produção a comercialização o beneficiamento ou a industrialização de produtos ou insumos agropecuários ou máquinas e implementos utilizados na atividade agropecuária No Banco do Brasil a aplicação mínima é de R 5000000 e o resgate no primeiro dia útil após a carência de 90 dias da aplicação É importante salientar que cada banco tem suas próprias regras quanto ao limite mínimo de aplicação Estes ativos têm como principal características BMFBOVESPA 2017 online7 risco do investimento muito baixo pois possui cobertura do FGC até R 25000000 por CPF e por instituição financeira tem como remuneração um percentual do CDI rendimentos isentos de Imposto de Renda para pessoa física alíquota de IOF reduzida a zero o LCA é lastreado pelas garantias reais exigidas nos empréstimos agrícolas como soja café boi ou outra mercadoria para ficarem aptos a consegui rem algum financiamento no banco resgates antes do vencimento ou antes do prazo de carência não pagam juros resgates podem ser feitos a partir de 90 dias quando indexada ao CDI a depender do contrato Debêntures São títulos de dívida de médio e longo prazos emitidos por sociedades anô nimas privadas que conferem ao investidor debenturista um direito de crédito contra a mesma de acordo com as características constantes na escri tura de emissão É negociado em Bolsas de Valores e no Mercado de Balcão ASSAF NETO 2014 Normalmente os recursos captados com o lançamento de debêntures são uti lizados para financiamento de projetos reestruturação de passivos ou aumento do capital de giro das empresas Cada debênture emitida representa uma fração POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 122 do total da dívida contraída pela companhia no ato da emissão e pode ser nego ciada no mercado secundário Apesar de terem características de títulos de renda fixa ou seja tem índices de remuneração previamente conhecidos sejam pré ou pós fixados as debêntures podem ter características de renda variável como prêmios participação no lucro da empresa ou mesmo conversibilidade em ações da companhia emissora Quem adquire uma debênture passa a ser credor da empresa recebe juros periódicos pelo empréstimo e no vencimento recebe de volta o valor pago pelo título inicialmente As debêntures têm algumas classificações e é importante que você as conheça Essas classificações são quanto à posse à espécie e à garantia ABRASCA 2008 online9 Quanto à posse as debêntures podem ser nominativas quando consta o nome do titular nos certificados que são emitidos fisicamente escriturais são emitidas em meio eletrônico não existindo a emissão física do certificado embora sejam mesmo assim nominativas Quanto à espécie podem ser simples ou seja não conversíveis quando conferem ao debenturista um crédito a ser pago com correção monetária e juros conversíveis em ações quando os debenturistas podem receber seu cré dito com correção e juros como nas simples ou podem convertêlas em ações da empresa emissora passando assim da condição de dono de um crédito para dono de uma fração da empresa ou seja passa a ser um sócio permutáveis são debêntures que possibilitam ao detentor dentro de con dições prévias definidas na escritura de emissão da debênture a permuta deste papel por ações de outra empresa que não a emissora da debênture Quanto à garantia as debêntures podem ser ASSAF NETO 2014 com garantia real quando a garantia é oferecida por bens integrantes do ativo da empresa emissora ou de terceiros vinculados por hipoteca ou penhor por exemplo Produtos Financeiros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 123 com garantia subordinada quando os debenturistas passam a ter privi légio sobre os acionistas no ativo remanescente em caso de liquidação da empresa com garantia flutuante quando os credores têm preferência geral sobre os ativos da empresa não impedindo no entanto a negociação destes bens que compõem o ativo com garantia quirografária e sem garantia neste caso não há nenhuma garantia ou privilégio sobre o ativo da empresa O debenturista concorre em igualdade de condições com todos os credores quirografários em caso de liquidação sem nenhum tipo de preferência sobre os demais credores Obedecida à legislação as debêntures podem ser remuneradas das formas a seguir ABRASCA 2008 online9 taxa de juros prefixada taxa referencial TR observado o prazo mínimo de quatro meses para o vencimento ou período de repactuação Somente as empresas de leasing podem emitir com este indexador taxa de juros flutuantes observado o prazo mínimo de 120 dias para o vencimento ou período de repactuação admitindose que os interva los de reajuste da taxa utilizada como referencial ocorram em prazo não inferior a 30 dias taxa de juros fixa e cláusula de atualização com base em índice de pre ços atendido o prazo mínimo de um ano para vencimento ou período de repactuação Commercial papers Os commercial papers são títulos de dívida emitidos por empresas que podem ou não ser financeiras direcionados ao financiamento das necessidades de capi tal de giro como compra de estoques pagamentos de fornecedores entre outros Possuem um prazo de duração mais curto que o das debêntures e por isso são mais indicadas para investidores com interesse em aplicações a curto prazo sendo o prazo mínimo de um mês e o máximo de um ano POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 124 A rentabilidade destes títulos é por meio dos juros pagos pelas empresas emissoras dos títulos aos investidores podendo ser préfixados e pósfixados Também há a possibilidade de emissão de commercial papers fixados em dóla res A garantia desses títulos está vinculada à saúde financeira da empresa tendo um risco maior para o investidor ASSAF NETO 2014 O commercial paper tem como principal função permitir ao setor produ tivo a captação de recursos no mercado financeiro a curto prazo a juros mais baixos que os bancários Assim obtemse de capital de giro e pode até mesmo vir a financiar projetos de ampliação desenvolvimento de produtosserviços ou mesmo pagamento de impostos CETIP 92018 online11 Considerações Finais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 125 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste estudo aprendemos que a taxa de juros é determinada no mercado de oferta e demanda por moeda por meio de uma condição de equilíbrio quando a quantidade ofertada de moeda é igual à quantidade demandada de moeda A demanda por moeda é determinada pela decisão dos agentes em reter moeda para transação e especulação aplicação financeira Por outro lado a quanti dade ofertada é determinada pelo Banco Central Aprendemos que quando o Banco Central atua estimulando ou retraindo a oferta de moeda ele adota um mecanismo chamado política monetária a qual é operacionalizada pelos seguintes instrumentos política de redesconto reser vas compulsórias operações de open market mercado aberto e regulamentação sobre crédito e taxa de juros Quando o Banco Central quer aumentar a oferta de moeda na economia com o objetivo de estimular a produção a renda e o emprego ele adota a política expansionista e isto acontece ao reduzir a taxa de redesconto e a taxa de reservas compulsória ao comprar títulos da dívida pública pertencentes ao público e aos bancos ao flexibilizar a regulação sobre o créditos e ao aumentar a base monetária com a emissão de moeda Uma consequência destas medidas é a redução da taxa de juros que esti mula os investimentos o consumo e o aparecimento da inflação Assim quando o Banco Central tem como objetivo o combate à inflação de demanda ele atua adotando uma política monetária restritiva realizando o processo inverso Aprendemos também que as duas principais taxas de juros da nossa eco nomia são a taxa de juros Selic definida no mercado de títulos a partir das operações de mercado aberto e a taxa DI formada do mercado de emprésti mos interbancários Essas taxas são utilizadas como uma referência visto que são um custo de oportunidade para as instituições financeiras 126 FUNDOS DE INVESTIMENTO EM RENDA FIXA Fundo de Investimento é uma forma de aplicação financeira formada pela união de vá rios investidores que se juntam para a realização de um investimento financeiro organi zada sob a forma de pessoa jurídica tal qual um condomínio visando a um determinado objetivo ou retorno esperado dividindo as receitas geradas e as despesas necessárias para o empreendimento Com o objetivo de dar maior transparência ao investidor ao comparar fundos em ins tituições diferentes algumas regras foram estabelecidas com respeito por exemplo à nomenclatura do fundo A denominação do fundo deverá conter a expressão Fundo de Investimento com o acréscimo da referência à classe do fundo podendo ter ainda expressões que indiquem o tratamento tributário específico a que estejam sujeitos o fundo ou seus cotistas A administração e a gestão do fundo são realizadas por especialistas contratados Os administradores tratam dos aspectos jurídicos e legais do fundo os gestores da estraté gia de montagem da carteira de ativos do fundo visando ao maior lucro possível com o menor nível de risco Todo o dinheiro aplicado nos fundos é convertido em cotas que são distribuídas entre os aplicadores ou cotistas que passam a ser proprietários de partes da carteira propor cionais ao capital investido O valor da cota é atualizado diariamente e o cálculo do saldo do cotista é feito multiplicando o número de cotas adquiridas pelo valor da cota no dia Os principais fundos de renda fixa são Fundo Referenciado DI aplicam em títulos pósfixados como os títulos da dívida pública referenciados pela taxa DI taxa dos depósitos interbancários São indica dos para cenários de alta de juros Fundos de renda fixa aplicam em títulos pósfixados e préfixados de dívida públi ca Indicado para cenários de queda dos juros Fundos de renda fixa crédito aplicam parte dos recursos em títulos de dívida pri vada com juros mais elevados Fundos de renda fixa multiíndices aplicam no mercado futuros de índices de in flação ou de juros Fundos de renda fixa alavancados aplicam em derivativos para aumentar a renta bilidade de sua carteira São indicados para os investidores que não se importam em correr riscos Fonte adaptado de InfoMoney 2018 online11 127 1 Se você sempre recebe exatamente o que esperava de uma aplicação financeira estará aplicando em uma operação de renda fixa Já se você não sabe o quanto ganhará no período de aplicação e se o valor inicialmente investido principal será preservado então você aplicou em operações de renda variável Sobre os tipos de renda assinale a alternativa correta a A caderneta de poupança é o tipo de investimento em renda variável Envolve baixos riscos e por isso sua remuneração nominal também é baixa atualmen te em torno de 05 ao mês aplicada sobre os valores atualizados pela TR taxa referencial com capitalização mensal creditada na data de aniversário da aplicação b O CDB e RDB são conhecidos como depósitos a prazo e são os mais tradicio nais títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras para captação de recursos Esses produtos permitem que o banco e o cliente saibam com antecedência as condições de remuneração para o prazo e valores negocia dos c Letras de Crédito Imobiliário LCI são títulos de crédito de renda variável lastreados por crédito imobiliário garantidos por hipoteca ou por alienação fiduciária de imóvel d Os títulos públicos do governo são ativos de renda variável e possuem a fina lidade primordial de captar recursos para o financiamento da dívida pública bem como para financiar atividades do governo federal como educação saú de e infraestrutura e Nenhuma das alternativas está correta 2 As operações com títulos públicos são acertados diretamente entre os operado res das instituições financeiras credenciadas a operar no mercado monetário que repassam as informações via terminal ao Selic para que ocorra a transfe rência do dinheiro e a seguir dos títulos envolvidos nas operações Sobre tipos de títulos públicos e suas características leia as afirmativas e assinale a alter nativa correta I As Letras Financeiras do Tesouro são papéis com rendimento pósfixado as sim quando a taxa Selic varia impacta na rentabilidade destes títulos II As Letras do Tesouro Nacional são papéis com rendimento préfixado e desta forma a variação de seu indexador não impacta na rentabilidade prometida pelo título na data da sua compra III Os investidores que são pessoas físicas são isentos do pagamento de imposto de renda sobre a rentabilidade dos títulos públicos em seu poder IV O investidor em títulos públicos só pode resgatar seus recursos investidos na data de vencimento dos títulos ficando seu capital bloqueado durante este período 128 a Somente I e II estão corretas b Somente II e III estão corretas c Somente I II e IV estão corretas d Somente I III e IV estão corretas e Todas estão corretas 3 Vamos supor que o Banco Central do Brasil decida utilizar os instrumentos de economia monetária para estimular o crescimento econômico e o nível de em prego e renda Sobre o uso destes instrumentos para alcançar estes objetivos de política econômica leia as afirmativas e assinale a alternativa correta I O Banco Central pode aumentar a taxa de redesconto para estimular que os bancos concedam crédito aumentando a oferta de moeda na economia com consequente queda na taxa de juros estimulando o aumento do consumo e dos investimentos gerando crescimento econômico II O Banco Central pode reduzir a taxa de recolhimento compulsório sobre os depósitos à vista para estimular o crédito e assim o aumento da oferta de moeda que como consequência gera aumento do produto e da renda III Outra forma de estimular o crescimento econômico é por meio de operações de mercado aberto quando o Banco Central entra vendendo títulos públicos para retirar moeda da economia IV Quanto maiores os prazos concedidos aos bancos comerciais para resgate dos títulos redescontados menor será o percentual dos depósitos à vista dei xados como reservas de caixa nos bancos comerciais e assim maior será a oferta de moeda estimulando a demanda agregada na economia e assim a produção gerando crescimento econômico a Somente I e II estão corretas b Somente II e IV estão corretas c Somente I II e IV estão corretas d Somente I III e IV estão corretas e Todas estão corretas 129 4 Dado o equilíbrio no mercado monetário em que a demanda por moeda é igual à oferta de moeda quando a taxa de juros da economia é superior à taxa de juros de equilíbrio do mercado monetário temos que a A demanda por moeda pela população é menor que a oferta de moeda e a taxa de juros tende a cair convergindo para a taxa de juros de equilíbrio b A demanda por moeda pela população é superior à oferta de moeda e a taxa de juros tende a subir mais ainda afastandose da condição de equilíbrio c A curva de oferta de moeda deslocase para a direita d A curva de oferta de moeda deslocase para a esquerda e A curva de demanda por moeda deslocase para a esquerda 5 Se um CDB oferece remuneração por exemplo de 85 do CDI ao investidor e o valor do CDI é de 11 ao deixar o seu capital investido durante 3 anos com a incidência de uma alíquota de 15 de IR qual será a rentabilidade líquida do investidor a Aproximadamente de 935 ao ano b Aproximadamente de 900 ao ano c Aproximadamente de 835 ao ano d Aproximadamente de 795 ao ano e Aproximadamente de 8 95 ao ano MATERIAL COMPLEMENTAR Manual de Macroeconomia Básico e Intermediário Luiz Martins Lopes e Marco Antônio Vasconcellos Editora Atlas 3 ed Sinopse este livro objetiva apresentar de forma clara e didática os principais conceitos e modelos que fazem parte da moderna análise macroeconômica O livro reúne tópicos de macroeconomia básica e intermediária ministrados nas disciplinas de Macroeconomia I II e III da Faculdade de Economia Administração e Contabilidade de Universidade de São Paulo FEAUSP Caroa alunoa indico este vídeo para que você possa ampliar um pouco mais seu conhecimento sobre produtos financeiros Ele apresenta as características dos principais títulos de renda fixa Você pode acessálo neste link wwwyoutubecomwatchv2a8Jx9SdtAQ REFERÊNCIAS ASSAF NETO A Mercado Financeiro 12 ed São Paulo Atlas 2014 BLANCHARD O Macroeconomia 4 ed São Paulo Prentice Hall 2007 CARVALHO F J C PIRES S F E SICSU J PAULA L F R STUDART R Economia Mo netária e Financeira Rio de Janeiro Campus 2007 DORNBUSCH R FICHER S Macroeconomia 5 ed São Paulo Makron Books 1991 FORTUNA E Mercado Financeiro produtos e serviços 17 ed Rio de Janeiro Qua litymark Editora 2008 KERR R B Mercado Financeiro e de Capitais São Paulo Pearson 2011 KRUGMAN P WELLS R Introdução a Economia Rio de Janeiro Elsevier 2007 LOPES J ROSSETTI J Economia Monetária São Paulo Atlas 1998 VASCONCELLOS M C S Economia Micro e Macro 4 ed Rio de Janeiro Atlas 1994 REFERÊNCIAS ONLINE 1 Em httpcdnfeetchebrindicadores330311partepdf Acesso em 19 fev 2018 2 Em httpminhaseconomiascombrindicadoresfinanceirosoqueetaxase lic Acesso em 19 fev 2018 3 Em wwwportalapeoporgbrdepoisdaselicehoradatjlp Acesso em 19 fev 2018 4 Em wwwtesourofazendagovbrdetalhesdatributacaodotesourodireto Acesso em 19 fev 2018 5 Em httpwwwtesourofazendagovbrtesourodireto Acesso em 19 fev 2018 6 Em wwwtesourofazendagovbrtesourodiretoprecosetaxasdostitulos Acesso em 19 fev 2018 7 Em wwwbmfbovespacombr Acesso em 19 fev 2018 8 Em httpwwwcaixagovbrvocepoupancaeinvestimentosletrascreditoi mobiliarioPaginasdefaultaspx Acesso em 19 fev 2018 9 Em httpwwwdebenturescombrdownloadstextostecnicoscartilhade benturespdf Acesso em 19 fev 2018 10 Em wwwinfomoneycombrondeinvestirfundosdeinvestimento Acesso em 19 fev 2018 11 Em httpswwwcetipcombrvaloresmobiliarioscommercialpaper Acesso em 19 fev 2018 131 GABARITO GABARITO 1 B 2 A 3 B 4 A 5 D UNIDADE IV Professora Dra Juliana Franco Afonso MACROECONOMIA CLÁSSICA Objetivos de Aprendizagem Apresentar a oferta agregada clássica Entender como é determinado o nível de emprego na economia e o equilíbrio no mercado de trabalho Apresentar a demanda agregada clássica Conhecer a relação entre poupança investimento e taxa de juros Aprender como é determinado o equilíbrio macroeconômico no modelo clássico e os efeitos da política fiscal Plano de Estudo A oferta agregada clássica A demanda e a oferta de trabalho no modelo clássico e o equilíbrio de mercado Oferta e demanda agregada clássica Poupança investimento e taxa de juros no modelo clássico Equilíbrio entre oferta e demanda agregada no modelo clássico e política fiscal Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 135 INTRODUÇÃO Nesta unidade introduzirei você ao conhecimento das principais teorias do modelo clássico sobre como é determinado o nível de emprego a renda e a produ ção na economia Para isto esta unidade está dividida em cinco tópicos principais O primeiro tópico volta as suas análises ao setor produtivo nacional ou seja apresentarei a você como a teoria clássica explica a formação do nível de produ ção da economia a qual denominamos de oferta agregada Faremos isto dentro de uma visão de curto prazo Ainda analisando o lado da oferta aprenderemos no tópico dois como é determinado o nível de emprego na economia e para isso apresentarei como é formada a função demanda e oferta de trabalho e como ambas as funções se relacionam com o salário real da economia de forma a determinálo No tópico três voltamos nossa atenção para a demanda Com base na teo ria quantitativa da moeda já estudada em unidades anteriores de nosso livro derivaremos a demanda agregada no modelo clássico e verificaremos qual é o papel da determinação do nível de emprego e renda na economia Avançando em nossas análises estudaremos na sequência como são forma das a oferta de fundos na economia e a demanda de recursos para investimento e suas relações com a taxa de juros Por fim apresentarei a você como o mercado de bens e serviços equilibrase no modelo clássico determinando a taxa de juros real da economia e o impacto da política fiscal do governo pelo do aumento dos gastos públicos para estimu lar o nível de emprego e renda visando promover o crescimento econômico Para aprofundar os estudos da macroeconomia esta unidade sugere a lei tura de material complementar para que você possa ampliar o seu conhecimento Como economistas devemos conhecer todas as teorias que são a base para a formação de políticas públicas dos governos Portanto tenha uma boa leitura MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 136 A OFERTA AGREGADA CLÁSSICA Utilizamos nesta unidade o termo clássico para designar as correntes de pen samento estruturalistas que se baseiam em simplificações para poder estudar como a economia funciona De acordo com os teóricos desta corrente Adam Smith David Ricardo Jean B Say as hipóteses básicas da teoria clássica são flexibilidade de preços e salários esta hipótese garante que as forças de mercado de oferta e demanda tende a equilibrar a economia ao pleno emprego dos fatores de produção neutralidade da moeda como o nível de atividade econômica e o emprego é determinado pelas forças de mercado a quantidade de moeda afeta ape nas o nível geral de preços e salários Isto significa dizer que o aumento da oferta de moeda gera apenas inflação e não estimula a produção a renda e o emprego variáveis reais validade da Lei de Say segundo esta lei a oferta cria sua própria demanda dessa forma a demanda agregada não é vista como fator deter minante do nível do produto A Oferta Agregada Clássica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 137 Partindo destas hipóteses podemos definir a oferta agregada clássica como sendo o total de produto que as empresas e famílias estão dispostas a oferecer em um determinado período de tempo a um determinado padrão de preços LOPES VASCONCELLOS 2000 p 88 Como simplificação do modelo temse a hipótese de que cada empresa não tem poder sozinha de afetar o nível de preços das mercadorias e dos fatores de produção sendo cada firma tomadora de preços Desta forma partese de uma estrutura de mercado de concorrência perfeita A oferta agregada clássica é representada por meio de uma função de pro dução que apresenta a relação entre quantidade produzida e a utilização de diferentes fatores de produção como trabalho e capital máquinas equipamentos edifícios etc a um dado nível tecnológico Genericamente a função de produ ção pode ser definida como DORNBUSCH et al 2006 Y F K N T Y produto agregado K estoque de capital utilizado N quantidade de trabalho utilizada hora homem T nível tecnológico Podemos verificar pela função exposta que o nível de produto Y responde positivamente a qualquer das variáveis que o determina ou seja se o volume de capital trabalho e nível tecnológico aumentar o produto também aumenta e viceversa Desta forma a função de produção determina o máximo que uma economia pode produzir para uma dada combinação de capital e trabalho com uma dada tecnologia Além disso no modelo clássico a função de produção apresenta retornos constantes de escala isto é zY F zK zN Para que o nível de produto seja multiplicado por z os fatores de produção capital e trabalho também devem ser multiplicados por z assim se quisermos dobrar a produção também devemos dobrar o número de trabalhadores e capital A Demanda e a Oferta de Trabalho no Modelo Clássico e Equilíbrio no Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 139 unidade adicional de trabalho é cada vez menor ou seja a produtividade mar ginal do trabalho é decrescente representado na Figura 1 pela reta tangente à função de produção Assim temse que no curto prazo o nível de produto é determinado pela quantidade utilizada de trabalho A DEMANDA E A OFERTA DE TRABALHO NO MODELO CLÁSSICO E EQUILÍBRIO NO MERCADO Caroa alunoa nesta seção aprenderemos quais são os fatores da econo mia que determinam a oferta e a demanda de trabalhadores na teoria clássica Estudaremos como os salários são determinados na economia e a influência deste mercado na curva de oferta clássica DEMANDA DE TRABALHO Como vimos na seção anterior no curto prazo o nível de produto agregado é determinado pela utilização do fator de produção trabalho Assim devemos iniciar esta seção entendendo como é definido o nível de emprego na economia Considerando uma estrutura de mercado do tipo concorrência perfeita composto por um grande número de pequenas empresas que individualmente não conseguem afetar o nível de preço dos produtos e dos fatores de produção Temse que as firmas contratarão mão de obra para alcançar os seus objetivos de maximização de lucro O que acontece à função de produção de curto prazo se a utilização de tra balho reduzir No curto prazo o fator de produção capital é considerado fixo sendo o fator de produção trabalho variável Se isto é verdade temos que a função de produção de curto prazo apresenta rendimentos marginais decrescentes em relação ao fator de produção variável ou seja o aumento de uma unidade de trabalho aumentará o nível de produto em proporção cada vez menor Desta forma dizemos que a produtividade marginal do trabalho é decrescente Ao considerar o trabalho N como único fator variável podemos apresentar a função de produção de curto prazo como se segue Y FK N T ou Y F N Y produto agregado K volume fixo de estoque de capital N volume variável de quantidade de trabalho utilizada T nível tecnológico considerado como dado Graficamente podemos representar esta função de produção como Produtividade Marginal do Trabalho é a inclinação da reta tangente à função de produção em cada um de seus pontos Figura 1 Função de produção agregada Fonte adaptado de Mankiw 2004 Verificase pela Figura 1 que o nível de produto aumenta conforme aumenta a utilização do trabalho N e que o incremento de produção decorrente de uma MACROECONOMIA CLÁSSICA O lucro das empresas representa a diferença entre a receita com a venda das mercadorias ou serviços e os custos para produzir tais mercadorias e serviços Veja LUCRO RECEITA TOTAL CUSTO TOTAL LUCRO pY wN rK em que w salário nominal por unidade de trabalho N r custo por unidade do capital K p preço do produto Y K volume de capital N volume de trabalho MACROECONOMIA CLÁSSICA Como vimos na seção anterior no curto prazo o nível de produto agregado Y é uma função da utilização de trabalho assim podemos reescrever a função do lucro como LOPES VASCONCELLOS 2000 LUCRO pFN wN rK Dado que em um mercado de concorrência perfeita as empresas não determinam os preços de seus produtos nem os salários de seus funcionários sendo ambos determinados pelo mercado a decisão da empresa restringese a definir a quantidade de mão de obra que contratará para produzir determinado nível de produto dado o capital e a tecnologia existentes na empresa de modo que possa maximizar o seu lucro Desta forma a empresa maximizará o lucro quando LUCRO pFN wN rK Fazendo a derivada primeira em relação a N temos ΔLUCROΔN p ΔFNΔN w ΔNΔN 0 Considerando FN ΔFNΔN a produtividade marginal do trabalho e substituindo na equação acima temos pFN w 0 ou FN wp Assim a empresa contratará trabalhador até o ponto em que a produtividade marginal do trabalho FN igualese ao salário real wp Como a produtividade marginal do trabalho é decrescente a empresa só contratará mais trabalho se o salário real diminuir acompanhando a redução da FN Desta forma temse que a demanda por trabalho Nd possui relação inversa com o salário real MANKIW 2004 Nd Nd wp MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 142 Graficamente podemos representar a demanda por trabalho na economia como W p N N F d N Figura 2 Demanda de mão de obra no modelo clássico Fonte adaptados de Mankiw 2004 Para a empresa em sua decisão de contratação o que interessa é o custo da mão de obra em termos de produto ou seja o seu salário real e não o salário nominal w em termos monetários Assim se o preço recebido pela empresa na venda de seus produtos aumentar mas o salário nominal aumentar proporcionalmente o custo real da mão de obra será o mesmo logo ela não contratará mais tra balhadores Mas se o preço recebido pela empresa na venda de seus produtos aumentar mais que proporcional ao aumento do salário nominal ou se este não se alterar o custo real da mão de obra reduzirá e a empresa contratará mais tra balhadores Por outro lado se o salário nominal aumentar mais que os preços o salário real aumentará e as empresas reduzirão os postos de trabalho para eco nomizar demitindo pessoas Todos estes deslocamentos ocorrem ao longo da curva de demanda por mão de obra Com a inserção de máquinas e tecnologia no processo produtivo aumen tam a produtividade do trabalho e quando isto acontece dado o salário real a demanda por trabalho aumenta sendo representada por um deslocamento para a direita da curva de demanda por trabalho apresentada na Figura 3 Veja A Demanda e a Oferta de Trabalho no Modelo Clássico e Equilíbrio no Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 143 W p N N2 N1 W p N F d N Figura 3 Deslocamento da demanda de mão de obra Fonte adaptado de Mankiw 2004 Desta forma podemos verificar pela Figura 3 que inicialmente a demanda por trabalho era N1 ao salário real wp com o aumento do fator de produção capital ou com o aumento do nível tecnológico a função de produção aumenta repre sentando que com o mesmo nível de trabalho produzse muito mais ou seja a produtividade do trabalho aumentou assim as empresas estão dispostas a con tratar mais trabalhadores e a curva de demanda deslocase para a direita e o número de postos de trabalho aumenta para N2 OFERTA DE TRABALHO Entendido como é determinada a demanda por trabalhador no modelo clás sico agora definiremos como é determinada a oferta de trabalho que é realizada pelas famílias e é afetada pelo salário real w p e não nominal w ou seja pelo poder de compra recebido pelo trabalho De acordo com a teoria clássica o mercado de trabalho atua em um nível de pleno emprego ou seja não existe desemprego involuntário no qual o indi víduo procura trabalho independentemente do nível salarial e não encontra Existe apenas desemprego friccional e voluntário De acordo com Vasconcellos 2011 o desemprego friccional é aquele decorrente dos deslocamentos de MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 144 mão de obra de uma atividade para a outra ou seja da mudança de emprego e o desemprego voluntário ocorre quando o indivíduo decide não trabalhar em determinado nível salarial Assim temos que na teoria clássica outra hipótese simplificadora é de que o indivíduo deve decidir livremente entre trabalho e lazer O trabalho gera uma renda ao indivíduo para poder consumir bens que lhe proporcionarão certa satisfação mas o trabalho em si não gera nenhum prazer Já o lazer é uma satis fação em si mesmo Assim cada hora que o indivíduo dedica ao trabalho é uma hora a menos dedicada ao lazer e viceversa Desta forma a decisão de quanta horas trabalhar dependerá da maximização de uma função utilidade representada por uma cesta de bens composta pela renda e pelo lazer LOPES VASCONCELLOS 2000 O salário real representa o quanto o indivíduo pode consumir a mais de bens para cada hora adicional de trabalho De acordo com Dornbusch et al 2006 alterações no salário real podem implicar dois efeitos na decisão das famílias o efeito substituição e o efeito renda Vimos que é o salário real que estimulará o indivíduo a trocar o lazer por mais horas de trabalho assim vamos supor que houve um aumento no salário real da economia Pelo efeito substi tuição o aumento do salário real tornou o custo relativo do lazer mais elevado aumentando a oferta de trabalho Pelo efeito renda o aumento do salário real fez com que os indivíduos aumentassem o seu poder de compra demandando mais bens e mais lazer Desta forma a inclinação da curva de oferta de trabalho depende de qual dos dois efeitos substituição e renda é mais predominante já que pelo efeito substituição a oferta de trabalho aumenta mas pelo efeito renda a oferta diminui Para facilitar o entendimento iremos supor que o efeito substituição é pre ponderante para que a curva de oferta de trabalho apresentese positivamente inclinada evidenciando que quanto maior o salário real mais o indivíduo estará disposto a ofertar horas de trabalho em detrimento do lazer Posto desta forma podemos dizer que a curva de oferta de trabalho reflete a chamada desu tilidade marginal do trabalho que representa o tamanho do salário real que seria necessário para induzir as famílias a dedicarem mais tempo ao trabalho e menos tempo ao lazer Dessa forma a oferta de trabalho pode ser representada pela seguinte equação MANKIW 2004 Ns Ns wp em que Ns oferta de trabalho Observase pela equação que a oferta de trabalho possui relação positiva com o salário real Graficamente podemos apresentar a oferta de trabalho como uma curva positivamente inclinada Veja Figura 4 Oferta de trabalho positivamente inclinada Fonte adaptado de Mankiw 2004 Uma hipótese simplificadora da oferta de trabalho é considerarmos fixa a jornada de trabalho e o número de pessoas com idade economicamente ativa Ao multiplicarmos essas duas variáveis encontramos a oferta de trabalho que é independente do salário isto seria representado por uma curva de oferta de trabalho vertical como apresentada na Figura 5 Veja MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 146 W p N Ns Figura 5 Oferta de trabalho vertical Fonte adaptado de Mankiw 2004 Pela Figura 5 verificamos que quando a oferta de trabalho é fixa ela é indepen dente do salário real ou seja para qualquer nível de salário a oferta de trabalho é sempre a mesma EQUILÍBRIO NO MERCADO DE TRABALHO NO MODELO CLÁSSICO Agora que já aprendemos como são determinadas a demanda e a oferta de tra balho no modelo clássico analisaremos como é determinado o nível de emprego e o salário real no mercado de trabalho Como estamos nos baseando em um mercado de concorrência perfeita temos de um lado um grande número de pessoas ofertando trabalho e de outro um grande número de empresas deman dando trabalhadores Neste tipo de estrutura de mercado nem estes ou aquelas possuem poder para fixar o valor dos salários sendo ele determinado pelo meca nismo de mercado Assim o salário real w p e o nível de emprego de equilíbrio N ocorre no ponto em que a oferta de trabalho seja igual à demanda por tra balho N5 Nd Graficamente o equilíbrio é determinado pelo cruzamento das curvas de oferta e demanda por trabalho eja Como podemos observar pela Figura 6 quando o salário real estiver acima do nível de equilíbrio w2p wp o número de horas de trabalho oferecidas pelas famílias será superior ao requerido pelas empresas havendo um excesso de oferta de trabalho caracterizando uma situação de desemprego A concorrência entre os trabalhadores para conseguir emprego ocasionará a redução dos salários nominais que dado os preços das mercadorias reduz o salário real A um salário mais baixo menos trabalhadores estarão dispostos a ofertar horas a mais de trabalho em troca de lazer assim a oferta de trabalho reduz Por outro lado com o salário real mais baixo as empresas decidirão contratar mais horas de trabalho aumentando a demanda Isto ocorrerá até que as duas quantidades igualemse e o salário real de equilíbrio seja atingido sendo inferior ao inicial Por outro lado quando o salário real estiver abaixo do nível de equilíbrio w1p wp haverá excesso de demanda por trabalho sendo esta uma situação de superemprego A este salário menos pessoas estão dispostas a trocar lazer por trabalho e a concorrência entre as empresas acaba elevando os salários nominais que dado os preços dos produtos eleva o salário real Conforme o salário real vai subindo mais pessoas estarão dispostas a trocar lazer por mais horas de trabalho e a oferta de trabalho aumenta por outro lado menos empresas estão MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 148 dispostas a contratar mais horas de trabalhos por salários mais altos e a demanda reduz Este processo continua até que a quantidade demandada e a ofertada de trabalho igualemse e o salário real de equilíbrio seja atingido Assim podese afirmar que em um mercado de concorrência perfeita sem desemprego involuntário e com perfeita flexibilidade do valor dos salários o mecanismo de mercado leva ao equilíbrio de pleno emprego Pleno emprego no Brasil interpretando os conceitos e indicadores De acordo com a autora deste artigo Anita Kon o emprego e o rendimento real do trabalho no Brasil cresceram tanto de forma quantitativa como qua litativa no período de 2010 a 2012 apresentando uma melhora no padrão de crescimento do mercado de trabalho do país As baixas taxas de desem prego verificadas no período levaram alguns economistas a anunciarem a proximidade do pleno emprego no país Desde meados do ano de 2010 a economia brasileira iniciou uma fase de recuperação das perdas de em pregos verificadas no ano anterior devidas aos impactos da crise financeira internacional Em dezembro daquele ano a taxa de desocupação divulga da pelo IBGE se situou no patamar de 53 da PEA fechando o ano com uma média de 67 consideravelmente inferior à média histórica anterior A continuidade da diminuição gradativa das taxas em 2011 quando a mé dia anual atingiu 6 e no mês de dezembro foi registrado o nível de 47 o menor indicador desde 2002 ano em que as estatísticas de emprego do IBGE haviam sofrido uma reformulação metodológica Para ter acesso ao artigo completo acesse o link httprevistasufprbr retarticleviewFile2815918699 Fonte Kon 2012 Oferta e Demanda Agregada Clássica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 149 OFERTA E DEMANDA AGREGADA CLÁSSICA Nesta seção retomaremos o que já aprendemos sobre a oferta agregada clássica para entendermos como é determinado o produto de pleno emprego na economia ou seja qual é o nível de produto e renda em que todos os fatores de produção disponíveis em um país estão empregados Também aprenderemos sobre os determinantes da demanda agregada a partir da teoria quantitativa da moeda OFERTA AGREGADA CLÁSSICA Agora que já sabemos como é definido o nível de emprego e salário de equilíbrio no mercado de trabalho e o formato da função de produção podemos deter minar o produto de pleno emprego que será a oferta agregada da economia Vimos no início desta unidade que a oferta agregada clássica é representada por uma função de produção que depende do nível tecnológico do estoque de capital e das condições do mercado de trabalho que determina o salário real da economia Assim podemos representar a oferta agregada pela seguinte expres são LOPES VASCONCELLOS 2000 MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 150 Y Y w p K T s s Ys produto de pleno emprego ou oferta agregada K estoque de capital utilizado w p salário real de equilíbrio T nível tecnológico Verificase que todas as variáveis que afetam o nível do produto de pleno emprego da economia são variáveis reais salário real tecnologia estoque de capital e não variáveis nominais preço e salário nominal Por exemplo se ocorrer aumento dos preços dos produtos as empresas verificarão que o salário real diminuiu e ampliarão a demanda por trabalho gerando excesso de demanda Isto ocasionará elevação dos salários nominais até que o salário real volte ao seu nível de equi líbrio Desta forma podemos verificar que a oferta agregada de pleno emprego é inelástica independe ao nível de preços sendo vertical conforme a Figura 7 P Y OA YYp Y produto de equilíbrio Yp produto de pleno emprego Figura 7 Oferta agregada de pleno emprego Fonte adaptado de Lopes e Vasconcelos 2000 Desta forma temse que alterações no produto de pleno emprego só podem ser obtidas por mudanças que afetem o mercado de trabalho como elevação da Oferta e Demanda Agregada Clássica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 151 produtividade marginal do trabalho que impacta na demanda de trabalho ou mudanças populacionais que impactam a oferta de trabalho como migrações aumento da taxa de crescimento populacional etc A Figura 8 apresenta como o equilíbrio alcançado no mercado de trabalho define o produto de pleno emprego Y Y N N Y FN W p N N W² p W p W¹ p Ns Nd a Equilíbrio no mercado de trabalho b Produção de Pleno emprego Figura 8 Equilíbrio no mercado de trabalho e produção de pleno emprego Fonte adaptado de Dornbusch et al 2006 MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 152 Pela Figura 8 verificamos que primeiramente temos a determinação no nível de emprego pelo mecanismo de mercado apresentado no painel a com a defi nição do salário real de equilíbrio Definido o nível de emprego de equilíbrio e também o nível de pleno emprego leva à produção Y que é a produção de pleno emprego DEMANDA AGREGADA CLÁSSICA A demanda agregada representa a quantidade demandada de bens e serviços a um dado nível de preços De acordo com Lopes e Vasconcellos 2000 no modelo clássico a demanda agregada pode ser derivada da teoria quantitativa da moeda já estudada na Unidade II Veja MV PY em que Y produto real PY é o produto nominal V velocidade renda da moeda M quantidade de moeda P nível geral de preços Esta equação mostra que no equilíbrio a oferta de moeda é igual à demanda por moeda e que esta é proporcional à quantidade do produto real Y Assim ao supormos que a velocidade de circulação da moeda V é constante e que a oferta de moeda é dada pelo Banco Central temos uma relação inversa entre o nível geral de preços e produto real A Figura 9 apresenta esta relação inversa Oferta e Demanda Agregada Clássica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 153 P Y D1 M1 V0 D0 M0 V0 Figura 9 Demanda agregada no modelo clássico Fonte adaptado de Lopes e Vasconcellos 2000 Pela Figura 9 podemos observar que para determinada oferta de moeda M0 quanto menor o nível de preços maior será o estoque real de moeda M P 0 para realizar as transações e consequentemente maior a quantidade de bens e serviços a ser demandada Y Também podemos observar pela Figura 9 que ampliações na oferta de moeda de M0 para M1 desloca a demanda agregada para a direita indicando que para qualquer nível de preço a demanda agregada se ampliará Mas qual é o papel da demanda agregada no modelo clássico No modelo clássico são as condições de oferta tecnologia e estoque de fatores de produção que determinam o nível de produto na economia Assim a demanda agregada tem o papel de determinar apenas o nível de preços Desta forma de acordo com Simosen e Cysne 2007 a demanda agregada não representa res trição à expansão da oferta visto que no modelo clássico o que domina é a Lei de Say em que a oferta cria sua própria demanda Segundo esta teoria toda a renda gerada no processo de produção é gasta na aquisição dos bens e serviços da economia não havendo insuficiência de demanda agregada Mas para que MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 154 esta lei seja válida só deve existir um tipo de demanda por moeda o motivo transação sendo o motivo especulação descartado Desta forma dado que o nível de produto é definido pela oferta agregada e a oferta de moeda fixada pelo Banco Central sendo definida exogenamente cabe à demanda agregada a função apenas de determinar o nível geral de preços Assim alterações da demanda agregada decorrentes de alterações da oferta de moeda apenas impactam o nível de preços sem impactar o nível de produto real Veja P OA P1 P0 Y Y Yp D1 M1 V0 D0 M0 V0 Figura 10 Efeito do aumento da demanda agregada no modelo clássico Fonte adaptado de Lopes e Vasconcellos 2000 Podemos desta forma concluir que a política monetária só terá influência sobre as variáveis reais nível de produto emprego salário real e preços relativos se houver alguma imperfeição no mercado como rigidez de preços e salários Mas como estas imperfeições não são consideradas no modelo clássico podemos dizer que uma política monetária expansionista com aumento da oferta de moeda só causará aumento dos preços e salário nominais ou seja inflação sendo esta a chamada neutralidade da moeda Poupança Investimento e Taxa de Juros no Modelo Clássico Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 155 POUPANÇA INVESTIMENTO E TAXA DE JUROS NO MODELO CLÁSSICO Veremos neste tópico que o consumo a poupança e o investimento agregado dependem da taxa de juros da economia no modelo clássico CONSUMO E POUPANÇA NO MODELO CLÁSSICO Em uma economia fechada com governo o consumo agregado é uma função crescente da renda disponível Yd sendo esta representada pela seguinte equação Y Y tY d em que Y renda t carga tributária O consumo agregado é representado pela seguinte equação BLANCHARD 2007 C c0 c1 Yd em que C0 e C1 são ambos parâmetros C0 é o consumo autônomo que é independente da renda ou é o nível de consumo quando Yd 0 e C1 é a propensão marginal a consumir da renda disponível que varia de 0 a 1 ou seja representa o efeito sobre o consumo de uma determinada variação na renda disponível Por exemplo se C1 070 um aumento de R100 na renda disponível levará a um aumento de 70 centavos no consumo Podemos representar a propensão marginal a consumir pela seguinte fórmula c1 ΔC ΔYd em que C0 e C1 crepresentam a variação no consumo e a variação na renda disponível Dado que a renda disponível no modelo clássico ou é poupada ou é consumida temos Yd C S em que S é a poupança agregada Desta forma qualquer variação na renda disponível será dividida entre consumo e poupança Daí porque será maior do que 0 e menor do que 1 Desta forma podemos ver que as funções poupança e consumo são intimamente relacionadas e qualquer aumento na renda disponível gerará aumento no consumo e também aumento na poupança O grau em que tanto o consumo como a poupança aumentaram depende da propensão marginal a consumir Assim podemos apresentar a função poupança como se segue BLANCHARD 2007 S Yd C Substituindo a função consumo na equação temos S Y T c0 c1 Y T S c0 1 c1Y T MACROECONOMIA CLÁSSICA Poupança Investimento e Taxa de Juros no Modelo Clássico Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 157 A expressão 1 C1 representa a propensão marginal a poupar que mede a extensão em que a poupança varia em decorrência de uma dada variação na renda disponível Assim podemos verificar que quanto maior for o valor de propensão marginal a consumir menor será a propensão marginal a pou par da renda Por exemplo se C1 070 e a Yd aumentar de R100 o consumo aumentará 70 centavos Mas o que acontece aos 20 centavos remanescentes do adicional de renda disponível Estes serão poupados Desta forma podemos considerar a decisão de alocação da renda disponí vel entre poupança e consumo como sendo uma escolha intertemporal entre consumir hoje ou no futuro entendendo desta forma que o indivíduo poupa no presente para poder consumir no futuro sendo assim a poupança considerada como uma transferência de poder de compra do indivíduo ao longo do tempo No entanto o indivíduo só poupará se puder consumir mais no futuro que no presente desta forma o sacrifício presente do consumo exige uma remuneração ou prêmio que é representado pela taxa de juros que remunerará a poupança do indivíduo Assim quanto maior a taxa de juros maior será o custo de oportuni dade de consumir hoje que no futuro e a maior será o estímulo a poupar Desta forma podemos escrever que a poupança varia positivamente em relação à taxa de juros enquanto o consumo possui uma relação negativa com a taxa de juros S S r C C r em que S poupança agregada C consumo agregado r taxa de juros real É importante ressaltar que para que a poupança renda juros ela deve ser cana lizada na forma de aquisição de títulos caderneta de poupança CDB LCI etc Desta forma podemos deduzir que o volume de poupança corresponde à oferta de fundos no mercado financeiro e será tanto maior quanto maior a taxa de juros Graficamente podemos apresentar a função poupança como MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 158 r S S Sr Figura 11 Função poupança Fonte adaptado de Blanchard 2007 DEMANDA DE INVESTIMENTO NO MODELO CLÁSSICO Dado que a poupança representa o volume de fundos disponíveis no mercado financeiro temos que a demanda por estes fundos são realizados por aqueles que desejam realizar investimentos No modelo clássico investimento representa o acréscimo ao estoque de capital da economia visando ampliar a produção futura A decisão de investimento tem como objetivo a maximização do lucro e dependerá se a produtividade marginal do capital retorno adicional gerado pela introdução de uma unidade a mais de capital for maior que o seu custo adicional MANKIW 2004 O custo do investimento é representado pela taxa de juros cobrada pelas ins tituições financeiras na concessão dos empréstimos Também pode ser medida pelo custo de oportunidade taxa de juros em que o detentor de recursos incorre por não aplicar a sua poupança em títulos e decidir aplicálo no setor produtivo realizando investimento Portanto a demanda por recursos para rea lizar investimentos está negativamente relacionada com a taxa de juros isto é quanto maior a taxa de juros menor é a demanda por investimento e viceversa Assim podemos representar a função investimento clássica como I Ir Sendo I demanda de investimento r taxa real de juros sendo essa a diferença entre a taxa de juros nominal e a variação no nível geral de preços inflação Desta forma temos que a taxa real de juros de equilíbrio da economia é determinada pela preferência intertemporais das famílias entre consumir ou poupar e pela produtividade marginal do capital que é decrescente em relação à taxa de juros real representada pela demanda por investimento Graficamente temos Figura 12 Equilíbrio entre poupança e investimento Fonte adaptado de Blanchard 2007 Pela Figura 12 verificase que a taxa real de juros de mercado será aquela que equilibra a oferta e a demanda por fundos representada pelo volume de poupança e investimento Se a taxa real de juros estiver acima da de equilíbrio haverá maior oferta de fundos que demanda e a taxa de juros reduzirá ampliando os investimentos e diminuindo a poupança Isto acontece até que ambas as quantidades se igualem MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 160 O processo inverso acontece se a taxa de juros estiver abaixo da taxa de equilíbrio Neste caso devido ao baixo juros a demanda por recursos para inves timento supera a oferta de recursos visto que a uma taxa muito baixa as pessoas preferem consumir a poupar O excesso de demanda por recursos faz com que as taxas de juros aumentem até que o mercado se equilibre EQUILÍBRIO ENTRE OFERTA E DEMANDA AGREGADA NO MODELO CLÁSSICO E POLÍTICA FISCAL No modelo clássico temos que o equilíbrio no mercado de bens e serviços em uma economia fechada sem governo é dado pela seguinte identidade Oferta Agregada Demanda Agregada ou Y DA Considerando apenas o consumo e o investimento temos que a DA C I subs tituindo na condição de equilíbrio temos Y C I Como o consumo e o investimento dependem da taxa de juros real podemos reescrever a equação como Y Cr Ir O que acontece com a taxa de juros real quando o governo adota uma polí tica fiscal contracionista com redução dos gastos públicos Equilíbrio Entre Oferta e Demanda Agregada no Modelo Clássico e Política Fiscal Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 161 Sabemos que a função poupança é S Y C e dado que o nível de poupança na economia também depende da taxa de juros real S Sr temos a seguinte identidade de equilíbrio macroeconômico Sr Ir Por esta identidade verificamos que a taxa de juros real tem a função de equili brar o mercado de bens e serviços De acordo com Lopes e Vasconcellos 2000 esta identidade de equilíbrio macroeconômico independe do formato da função consumo ou poupança e pode ser representado pelo seguinte gráfico MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 162 r S Sr I Ir S I r I S Figura 13 Equilíbrio no modelo clássico para uma economia fechada sem governo Fonte adaptado de Blanchard 2007 Desta forma podemos perceber a importância da taxa de juros para atingir o equilíbrio macroeconômico em que o investimento planejado é igual à pou pança Assim dado que o produto de equilíbrio em uma economia fechada e sem governo é representado por Y C I a taxa de juros real deve ser tal que possa gerar uma poupança suficiente para financiar os investimentos que geram o aumento do PIB Y Ao introduzir o governo em nossas análises temos de acrescentar mais duas variáveis na equação de demanda agregada os impostos T que subtraem a renda do setor privado e os gastos do governo G que são elementos adicionais da demanda Tanto os impostos como os gastos do governo são considerados como variáveis exógenas isto é são determinadas fora do mecanismo de equilíbrio Podemos representar o equilíbrio macroeconômico em uma economia fechada com governo da seguinte forma LOPES VASCONCELLOS 2000 Y C I G Agora a decisão de consumo das famílias dependerá da renda disponível Yd Y T e da taxa real de juros r desta forma a equação consumo e a poupança podem ser apresentadas da seguinte forma Equilíbrio Entre Oferta e Demanda Agregada no Modelo Clássico e Política Fiscal Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 163 C CY Tr e S Y T r Os impostos representam a receita do governo e para manter a igualdade entre oferta agregada e demanda agregada toda a arrecadação deve ser gasta pelo governo Assim temse que T G Desta forma o equilíbrio no mercado de bens e serviços é representado pela seguinte igualdade SY T r T Ir G Então temos que a oferta de recursos proveniente da poupança e da arrecadação tributária deve ser igual à demanda de recursos para financiar os investimentos e os gastos do setor público Graficamente podemos representar este equilí brio como r S T I G S I T G r S T I G Figura 14 Equilíbrio no modelo clássico para uma economia fechada com governo Fonte adaptado de Lopes e Vasconcellos 2000 Por meio da igualdade S T I G podemos desmembrar a poupança nacio nal em poupança pública e privada Veja S T G 1 Sendo S Sp a poupança privada T G Sg a poupança pública MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 164 Temos que a poupança nacional é dada por S Sp Sg Assim o investimento é financiado tanto pela poupança público como pela pou pança privada Sp Sg 1 Como os T e G são exógenos não interferem na inclinação das curvas de oferta e demanda de recursos mas sim em suas posições ou seja quanto maior a arre cadação de impostos e os gastos governamentais mais para a direita estarão ambas as curvas Vejamos o impacto da política fiscal neste modelo Vamos supor uma polí tica fiscal e expansionista com aumento dos gastos do governo G Neste caso a curva de demanda de recursos deslocase horizontalmente na magnitude dos gastos do governo passando de I G0 para IG1 r S T I G0 S I T G r I C I G1 Figura 15 Política fiscal expansionista aumento dos gastos do governo Fonte adaptado de Lopes e Vasconcellos 2000 Pela Figura 15 percebemos que o aumento dos gastos do governo provocou o aumento da demanda por recursos que dada a oferta gerou pressão sobre os recursos existentes fazendo com que o setor financeiro aumentasse a taxa de juros para aumentar a poupança No entanto o aumento da taxa de juros reduziu os investimentos privados no montante ΔI pois aumentou o custo do capital e também reduziu o consumo em ΔC porque aumentou o custo de oportunidade ou seja o consumo presente ficou relativamente mais caro em relação ao consumo futuro Desta forma a variação dos gastos do governo gerou ΔG ΔC ΔI Posto desta forma percebemos que no modelo clássico o aumento dos gastos do governo apenas alteraram a composição da demanda elevando a taxa de juros da economia não gerando o aumento do produto e da renda visto que este tipo de gastos não altera as condições tecnológicas nem a alocação de fatores de produção Assim a política fiscal expansionista no modelo clássico apenas elevou a participação dos gastos públicos em detrimento dos gastos privados representados pela redução do consumo e investimento Este fenômeno é conhecido como crowdingout ou efeito deslocamento Desta forma não afetou a oferta agregada que se encontra no nível de pleno emprego MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 166 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade aprendemos que no modelo clássico a oferta agregada da eco nomia é determinada por uma função de produção agregada que representa a relação entre a quantidade produzida e a utilização de fatores de produção esto que de capital trabalho etc de acordo com uma dada tecnologia Aprendemos que no curto prazo o fator de produção capital é mantido fixo sendo o fator trabalho variável Por causa disto a função de produção apresenta rendimentos marginais decrescentes conforme aumenta a quantidade produzida Como o objetivo das empresas é a maximização do lucro estas contratarão trabalhadores até quando o produto marginal do trabalho for igual ao salário real isto é até que a receita adicional gerada na contratação de uma hora a mais de trabalho seja igual ao seu custo Desta forma a demanda por mão de obra é determinada pelas empresas Já a oferta é determinada pelas famílias que dada a hipótese de pleno emprego decidirão entre trabalho e lazer tendo como fator de decisão o salário real Analisando o lado da demanda agregada podemos concluir que para a teo ria clássica a demanda agregada tem um papel passivo na determinação do nível de produção da economia Sendo esta demanda derivada da teoria quantitativa da moeda vimos que um aumento da oferta de moeda impactará apenas o nível geral de preços não influenciando o nível de produto e emprego isto porque os preços são considerados flexíveis Assim o aumento dos preços reduz o salário real e menos pessoas querem trabalhar a este salário tendo as empresas que aumen tar o salário nominal No fim das contas só gera aumento de salários e preços A política fiscal por sua vez apenas altera a composição da demanda man tendo inalterada a oferta agregada da economia Assim pela teoria clássica não existe qualquer forma de o governo afetar o nível de emprego ou o produto agre gado da economia nem pela política monetária nem pela política fiscal Então o governo deve deixar o mercado funcionar livremente Esta foi a principal crí tica de Keynes como veremos na próxima unidade 167 A LEI DE WALRAS E DETERMINAÇÃO DA DEMANDA AGREGADA CLÁSSICA Nesta etapa aprenderemos como deduzir a demanda agregada clássica a partir da identidade de Walras De acordo com esta identidade em uma economia com n mer cados temos que se houver excesso de demanda em um mercado haverá escassez de demanda em outro ou outros que compensará o excesso de demanda verificado no primeiro Desta forma temos a definição da Lei de Walras segundo a qual em uma economia composta por n mercados se n1 estiverem em equilíbrio nésimo mercado também estará Para iniciar as nossas análises vamos primeiramente considerar as seguintes hipóteses simplificadoras vi A demanda por trabalho é uma demanda derivada isto é as empresas irão contratar mais trabalhadores se a demanda pelos bens e serviços que produzem aumentar dado que as empresas demandam trabalho para gerar produção Posto desta forma consideramos que os indivíduos realizarão demanda por produtos moeda e títulos vii A segunda hipótese é que as famílias não rasgam nem dinheiro nem títulos Dado que no equilíbrio macroeconômico a oferta agregada é igual à demanda agrega da temos que o valor da renda nacional R é igual ao produto nacional PY uma vez que tudo que é produzido esgotase na remuneração dos fatores de produção envolvidos na produção Assim temos R i n 1 PY i R Onde Ri renda nominal de cada indivíduo R Somatória da renda individual ou renda nacional P Y produto real Dadas as hipóteses simplificadoras temos que os indivíduos alocarão a sua renda na demanda por produtos moeda e títulos Essas demandas são representadas pelas se guintes equações Equação demanda por produto bens e serviços Y Y d i n i d 1 sendo Yi d a demanda individual por produto Equação demanda por títulos Bonds ΔBd ΣΔBdi sendo Bdi a demanda individual por títulos que altera o seu estoque Equação demanda por moeda ΔMd ΣΔMdi sendo Mdi a demanda individual por moeda que altera o seu estoque Como toda a renda nacional R deve ser alocada na demanda destes três mercados podemos escrever que R PYd ΔBd ΔMd Posto desta forma verificamos que os indivíduos destinam a sua renda para adquirir bens e serviços ou para aumentar o seu estoque de moeda ou de títulos Desta forma podemos deduzir Se no equilíbrio a renda é igual o produto R P Y E a renda nacional é igual à soma das demandas nos mercados de produto título e moeda temos PYd ΔBd ΔMd PY Simplificando temos PYd Y ΔBd ΔMd 0 sendo a variação do estoque desejado de moeda representado pela fórmula ΔMd Md M0 170 Simplificando temos PY M d Por esta fórmula podemos verificar que a equação quantitativa da moeda pode ser in terpretada como uma função de demanda por produto Assim dada a oferta de moeda M um aumento nos preços reduz a demanda por produto e uma redução dos preços aumenta a demanda por produto Fonte Simonsen e Cysne 2007 em que ΔMd Md m0 Substituindo na fórmula de equilíbrio macroeconômico temos PYd Y ΔBd Md M0 0 De acordo com a chamada conexão wickselliana os bancos ao fixarem a taxa de juros adquirem o excesso de oferta de títulos a esta taxa convertendoos em moeda conforme o desejo dos agentes Se isto é verdade as alterações na oferta de moeda em um dado período serão iguais às variações no estoque de títulos demandados pelas famílias Isto pode ser representado como M M0 ΔBd M0 ΔBd M Voltando à condição de equilíbrio de mercado temos PYd Y ΔBd Md M0 0 PYd Y ΔBd Md ΔBd M 0 PYd Y Md M 0 PYd Y Md M em que PYd Y o excesso da demanda por produtos Md M o excesso da demanda por moeda Desta forma verificamos que o excesso de demanda por produto é igual ao excesso de demanda por moeda com sinal investido Dado que de acordo com a teoria quantitativa da moeda a demanda por moeda pelo motivo transação é proporcional ao produto nominal Md kPY e que k 1V inverso da velocidade renda da moeda Considerando k 1 e substituindo a equação apresentada na condição de equilíbrio temos PYd Y Md M 0 PYd Y PY M 0 171 1 No modelo clássico alterações no salário real podem implicar dois efeitos na de cisão das famílias o efeito substituição e o efeito renda A inclinação da curva de oferta de trabalho depende de qual dos dois efeitos substituição e renda é mais predominante Dado um aumento do salário real na economia qual é a inclinação da curva de oferta de trabalho se o efeito renda for superior ao efeito substituição Assinale a alternativa verdadeira a A curva de oferta é positivamente inclinada b A curva de oferta é vertical c A curva de oferta é horizontal d A curva de oferta é negativamente inclinada e A curva de oferta é convexa 2 Vamos supor uma economia hipotética em que a função consumo é representa da pela seguinte equação C 1000 076Yd Dado que a renda na teoria clássi ca é gasta com consumo ou é poupada se a renda disponível Yd aumentar em R 100000 qual será o aumento da poupança Assinale a alternativa correta a A poupança aumenta em R 7600000 b A poupança aumenta em R 760000 c A poupança aumenta em R 076 d A poupança aumenta em R 2400000 e A poupança aumenta em R 024 3 Supondo uma economia fechada com governo a função de demanda agregada inclui os gastos com o governo G e a arrecadação pública por meio dos impos tos T fazendo com que a função consumo e a poupança sejam determinadas pela renda disponível e pela taxa de juros real Desta forma qual é o efeito de uma política fiscal contracionista com redução dos gastos públicos sobre a con dição de equilíbrio no mercado de bens e serviços Sobre esta questão leia as afirmativas I A redução dos gastos do governo provoca uma redução da demanda por recursos que dada a oferta gerou uma pressão sobre os recursos existentes fazendo com que o setor financeiro reduza a taxa de juros II A redução dos gastos do governo é representada por um deslocamento da curva de demanda por recursos para a direita III A redução da taxa de juros aumenta os investimentos privados no montante ΔI pois reduz o custo do capital e também aumenta o consumo em ΔC pois reduz o custo de oportunidade ou seja o consumo presente ficou relativa mente mais barato em relação ao consumo futuro 172 IV A política fiscal contracionista no modelo clássico apenas reduziu a partici pação dos gastos públicos em favor dos gastos privados representados pelo aumento do consumo e investimento mas não alterou a renda e o produto de equilíbrio Podemos afirmar que estão corretas as afirmativas a I e II apenas b II e IV apenas c I III e IV apenas d I II e III apenas e I II III e IV 4 No modelo clássico temos que o equilíbrio no mercado de bens e serviços em uma economia fechada com governo é dada pela seguinte identidade oferta agregada demanda agregada e que esta pode ser derivada da teoria quantita tiva da moeda Assim sobre o modelo clássico e a teoria quantitativa da moeda leia as afirmativas e assinale a alternativa correta I Na teoria clássica o aumento da oferta de moeda eleva o nível de emprego e a renda na economia II O aumento da oferta de moeda provocará alterações nos preços da economia ou seja gera inflação segundo a teoria clássica III A maior propensão da sociedade a poupar reduz a taxa de juros aumentando os investimentos IV Quando o progresso técnico torna o fator trabalho mais produtivo o nível de emprego aumenta desde que a oferta de trabalho reaja positivamente ao sa lário real Podemos afirmar que estão corretas as afirmativas a I e II apenas b II e IV apenas c II III e IV apenas d I II e III apenas e I II III e IV 173 5 Considerando o modelo clássico de determinação no nível de emprego na economia e as hipóteses simplificadoras de con corrência perfeita flexibilidade de preços e salários e validade da teoria quantitativa da moeda leia as afirmativas e assinale a alternativa correta I Dada a teoria quantitativa da moeda MV PY se o estoque de moeda M e a velocidade de circulação da moeda V mantive remse constantes o aumento do produto Y implicará queda dos preços II O progresso técnico eleva a produtividade do trabalho e deslo ca para cima e para a direita a função de produção Y fN e a curva de demanda por trabalho e as empresa estarão dispostas a pagar um salário real mais elevado para obter a mesma quan tidade de trabalho III Segundo a teoria quantitativa da moeda o aumento da oferta de moeda aumenta na mesma proporção o valor do salário no minal e não tem qualquer impacto sobre o nível de emprego IV O progresso técnico ao aumentar a produtividade do trabalho reduz o nível de preços e aumenta o salário real Podemos afirmar que estão corretas as afirmativas a I e II apenas b II e IV apenas c I III e IV apenas d I II e III apenas e I II III e IV MATERIAL COMPLEMENTAR Macroeconomia Rudiger Dornbusch Stanley Fischer Richard Startz Editora McGrawHill 11 edição Sinopse o livro apresenta explicações simples abordagem dos conceitos com enfoque acima da tecnicidade e a discussão de fatos empíricos que explicam e testam a teoria macroeconômica Apresenta um conjunto de modelos simples que pode ser aplicado em situações específicas para análise macroeconômica Também traz a abordagem de novos temas como medidas alternativas contra o desemprego política monetária heterodoxa e estímulo fiscal durante a Grande Recessão e uma discussão sobre as bolhas e o colapso que levaram à atual crise REFERÊNCIAS BLANCHARD O Macroeconomia ed 4 São Paulo Prentice Hall 2007 DORNBUSCH R FISCHER S STARTZ R Macroeconomia São Paulo McGrawHill do Brasil 2006 KON A Pleno emprego no Brasil interpretando os conceitos e indicadores Revista Economia Tecnologia RET vol 8 n 2 p 522 abrjun 2012 Disponível em httprevistasufprbrretarticleviewFile2815918699 Acesso em 19 fev 2018 LOPES L M VASCONCELLOS M A S Manual de Macroeconomia Básico e Inter mediário São Paulo Atlas 2000 MANKIW N G Macroeconomia ed 5 Rio de Janeiro LTC 2004 Introdução à Economia Princípios de Micro e Macroeconomia 3 ed Rio de Janeiro Pioneira Thomson 2006 VASCONCELLOS M A S Economia Micro e Macro ed 5 São Paulo Atlas 2011 SIMONSEN MH e CYSNE RP Macroeconomia ed 3 São Paulo Atlas 2007 175 GABARITO 1 D 2 D 3 C 4 C 5 C GABARITO GABARITO UNIDADE V Professora Dra Juliana Franco Afonso MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Objetivos de Aprendizagem Apresentar as propriedades básicas do modelo keynesiano Entender como se dá o equilíbrio no mercado de bens e serviços no modelo IS Entender o mecanismo de equilíbrio no mercado de ativos ou monetário no modelo LM Aprender a dinâmica do equilíbrio macroeconômico no modelo ISLM e os efeitos da política monetária e fiscal Plano de Estudo O modelo keynesiano Equilíbrio no mercado de bens e serviços a curva IS Equilíbrio no mercado monetário a curva LM O modelo IS LM e o efeito de política fiscal e monetária Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 179 INTRODUÇÃO Nesta unidade iremos nos aprofundar um pouco mais no universo da macroe conomia Começarei apresentando a você o modelo keynesiano e suas principais propriedades para a determinação da renda do produto e do emprego na eco nomia fazendo uma análise comparativa com o modelo clássico Também apresentarei o modelo IS LM também conhecido como Análise HicksHansen o qual é incorporado ao mercado de ativos e a determinação da taxa de juros que passa agora a também determinar o nível de investimento da economia O modelo ISLM representa a determinação simultânea da taxa de juros e da renda que equilibra tanto o mercado de bens e serviços como o mercado de ativos Assim para que possamos entender a dinâmica deste modelo devemos antes compreender como se dá o equilíbrio em cada um destes mercados tam bém chamado de equilíbrio parcial Iniciaremos nossa discussão pelo equilíbrio no mercado de bens e serviço A curva IS relaciona a renda com a taxa de juros apresentando as diferentes combinações destas variáveis que equilibram o mercado de bens e serviços na economia Aprenderemos que para obtermos esta relação entre renda e taxa de juros o modelo keynesiano simples deve ser ampliado com a introdução da taxa de juros na determinação do investimento Além disto também apresentarei a você o conceito do multiplicador da renda keynesiano Em seguida deduziremos a curva LM que é o equilíbrio no mercado de ativos também relacionando renda e taxa de juros Para isso recordaremos os concei tos e as fórmulas da demanda e da oferta de moeda já estudados no capítulo II Após entendido como se dá o equilíbrio nestes dois mercados analisaremos o equilíbrio simultâneo entre eles e os efeitos das políticas fiscal e monetária analisando cada uma separadamente Por fim estudaremos situações em que são utilizadas combinações de políticas fiscal e monetária e seus impactos na renda e taxa de juros de equilíbrio Portanto tenham uma boa leitura Fonte Independent 2015 online1 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 180 O MODELO KEYNESIANO Desde o século XVIII com o surgimento da Revolução Industrial e a consequente implantação do Sistema Capitalista de pro dução a teoria clássica vinha dominando o pensamento dos agentes econômicos com suas bases simplificadoras em que na ausên cia de imperfeições de mercado como o surgimento de monopólios e oligopólios conjugado com a ausência de intervenção governamental a economia tenderia a um equilíbrio de pleno emprego No entanto a teoria clássica não conseguia explicar o que estava ocorrendo com a economia mundial na chamada Grande Depressão que teve seu ápice com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929 O livre mercado não foi capaz de recolocar as economias na retomada do crescimento apresentando altos níveis de desemprego e recessão econômica Nesse cenário começam a ganhar destaques teorias heterodoxas que iam contra a ortodoxia clássica e a que teve maios destaque foi a teoria desenvolvida pelo economista inglês John Maynard Keynes apresentada na obra chamada Teoria Geral do Emprego do Juro e da Moeda publicada em 1936 Nela Keynes dá outro norte para a causa da Grande Depressão voltando sua atenção para o problema da insuficiência de demanda agregada desenvolvendo o chamado princípio da demanda efetiva O PRINCÍPIO DA DEMANDA EFETIVA Para Keynes 1992 o nível de produto e renda de uma economia é determi nado pela demanda agregada e não pelas condições de oferta agregada como postulavam os clássicos Segundo ele o empresário toma a decisão de quantos trabalhadores contratar e o nível de produção a realizar baseado em sua expec tativa de vendas defrontandose com duas curvas virtuais O Modelo Keynesiano Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 181 curva de oferta agregada de bens e serviços representa a renda necessá ria para o empresário oferecer determinado volume de emprego curva de demanda agregada de bens e serviços representa a renda que o empresário espera ganhar por oferecer determinado número de emprego Posto desta forma a oferta agregada apresenta custos marginais crescentes aumento do custo total por contratar uma hora a mais de trabalho e assim o aumento do emprego também implica aumento da renda necessária para o empresário Por outro lado a demanda agregada representa o quanto o empre sário espera receber com base nas expectativas de gastos dos consumidores consumo das famílias e dos empresários investimento As hipóteses básicas da teoria keynesiana são KEYNES 1992 i O nível de produção da economia é determinado pelo número de trabalha dores empregados com base em quanto os empresários esperam vender ii O volume de emprego é determinado pelo ponto de intersecção da oferta e demanda agregada e não no mercado de trabalho como no modelo clássico Assim reduções salariais não servem para induzir o aumento do emprego se os empresários não tiverem mais expectati vas de demanda iii A taxa geral de juros e o nível geral de preços são rígidos iv Os trabalhadores lutam por aumentos dos salários nominais e não reais havendo uma inflexibilidade para baixo dos salários nominais Isto acontece porque mesmo que uma categoria de trabalhadores em uma situação de desemprego aceitasse trabalhar por salários nominais mais baixos isto em nada garantiria que os empresários contratassem mais trabalhadores como preconizava a teoria clássica v A depreciação do capital é considerada inexistente vi Inexistência de transferência receita ou envio de receita líquida para o exterior vii Há equilíbrio sem pleno emprego viii A arrecadação tributária do governo é constituída apenas por impos tos diretos supõese a inexistência de impostos indiretos de subsídios e de outras receitas correntes do governo MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 182 ix Todos os lucros auferidos pelas empresas da economia são distribuí dos aos sócios e acionistas De acordo com Silva 2015 Keynes propõe entender como a economia se comporta baseado no princípio da demanda efetiva segundo a qual o nível de atividade decorre das decisões de produzir das empresas regidas por expecta tivas de curto prazo com relação à intensidade da demanda no momento em que os novos produtos chegarem ao mercado Para Keynes essas expectativas são influenciadas pelo comportamento efetivo da demanda no passado recente Ainda segundo Silva 2015 Keynes institui o conceito de demanda efe tiva deprimida que representa as expectativas de curto prazo pessimistas dos empresários que têm como consequência equipamentos ociosos e trabalhado res desempregados A grande novidade deste tratamento é que a subutilização de recursos produtivos é vista como um fenômeno de equilíbrio pois os empresá rios que corretamente antecipam uma demanda baixa produzem pouco vendem pouco e tendo evitado a acumulação involuntária de estoques estarão satisfeitos com a decisão de produzir menos adequando os seus custos à demanda esperada Por outro lado expectativas otimistas fazem com que os empresários aumen tem o nível de produto gerando um fluxo de renda ao remunerar os fatores de produção contratados induzindo novas decisões de gasto No entanto para Keynes parte destas decisões de gasto tem caráter autônomo em relação a esses fluxos de renda e não aumentará com a produção Se isto não é levado em consi deração nas decisões de produção as expectativas das empresas serão frustradas estoques de produtos serão acumulados e rapidamente voltarão atrás Para Keynes não há mecanismos de mercado capazes de garantir que o gasto autô nomo atinja precisamente o valor consistente com o produto potencial sendo esta a principal contribuição de Keynes à macroeconomia SILVA 2015 Assim o princípio da demanda efetiva determina o produto tanto no curto quanto no longo prazo e para assegurar o pleno emprego cabe ao governo garan tir a demanda adequada Assim Keynes propõe uma atuação mais efetiva do Estado por meio dos gastos públicos complementando a demanda privada e incentivos aos investimentos com a redução da carga tributária O Modelo Keynesiano Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 183 Com relação à intervenção do Estado na economia a principal proposta de Keynes consiste no desenvolvimento de mecanismos fiscais compensatórios que permitissem contrabalançar a falta de gastos privados permitindo manter o con sumo elevado São exemplos destes mecanismos seguro desemprego assistência social tributação progressiva entre outros LOPES VASCONCELLOS 2000 O MODELO KEYNESIANO SIMPLES Vamos agora aprender como que é definia a oferta agregada no modelo keyne siano e suas principais diferenças como o modelo clássico tratado na Unidade IV de nosso livro Oferta agregada No modelo keynesiano simples o produto é determinado pela demanda agre gada quando não há restrições pelo lado da oferta ou seja considerase que a economia apresente fatores de produção desempregados de forma que para qualquer nível de demanda as empresas possam aumentar a sua produção sem pressionar o nível de preços dos fatores e dos produtos ou seja os preços são con siderados constantes Assim a curva de oferta agregada de bens e serviços OA representa o quanto as empresas esperam vender de produtos no mercado sendo OA Renda nacional Produto nacional real De acordo com Vasconcellos 2011 existe a oferta agregada potencial e a oferta agregada efetiva A OA potencial é a produção máxima que pode ser alcançada por uma economia quando ocorre pleno emprego dos fatores de produção já a OA efetiva referese à produção que está sendo efetivamente colocada no mer cado que pode ocorrer com recursos abaixo do nível de pleno emprego isto é com a presença de capacidade ociosa no setor produtivo e desemprego de mão de obra Evidentemente a OA efetiva será igual à OA potencial quando os fato res de produção estiverem plenamente empregados MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 184 No modelo keynesiano dado que os preços são constantes o mecanismo de ajuste será a quantidade produzida ou seja as empresas produzem de acordo com a demanda efetiva Desta forma a curva de oferta agregada OA keyne siana é horizontal Veja P P Y Yp OA Modelo Clássico Pleno emprego Modelo Keynesiano Desemprego Figura 1 Oferta agregada keynesiana e clássica Fonte adaptada de Lopes e Vasconcelos 2000 A curva de OA horizontal indica que quando os fatores de produção não estão plenamente empregados o mecanismo de ajuste deixa de ser via preços quando existe excesso de demanda ou excesso de oferta transformando em alterações apenas na quantidade produzida O desemprego keynesiano ocorre pela insufici ência da demanda agregada para absorver a produção agregada de pleno emprego Demanda agregada Até agora trabalhamos o conceito de demanda agregada para a economia fechada vamos agora acrescentar o setor externo em nossas análises acrescentando um elemento de demanda as exportações e um elemento de vazamento de renda para o exterior as importações Posto desta forma a demanda agregada de bens e serviços é composta pela demanda dos quatro macroagentes econômicos a saber BLANCHARD 2007 O Modelo Keynesiano Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 185 DA C I G X M ou DA C I G NX sendo C Demanda de bens de consumo pelas famílias I Demanda de investimentos pelas empresas I G Demanda do governo NX Demanda líquida do setor externo Exportações X Importações Aí O formato da curva de demanda agregada é negativamente inclinada pois a ma dada renda nominal Y quando o nível de preços P elevase renda real Y P reduz indicando relação inversa entre P e Y conforme podemos verificar na Figura 2 P Y Curva de Demanda Agregada DA Figura 2 Curva de demanda agregada Fonte adaptada de Vasconcellos 2011 Esta relação inversa entre preços e quantidades de produto agregado é expli cada pela ocorrência de três tipos de efeitos efeitoriqueza efeito taxa de juros e efeito taxa de câmbio que podem ser resumidos da seguinte forma VASCONCELLOS 2011 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 186 a efeitoriqueza ou efeitopigou dada renda nominal constante Y uma queda do nível de preços leva ao aumento do valor real da riqueza dos consumidores estimulandoos a gastar mais Desta forma a queda da inflação deve elevar o consumo agregado que é um dos componen tes da demanda agregada b efeito taxa de juros o aumento da renda real decorrente da queda da inflação faz com que os consumidores necessitem de menos moeda para comprar bens e serviços e a demanda por moeda pelo motivo transação reduz As famílias poderão utilizar esta sobra de moeda para aplicações financeiras aumentando a demanda de títulos e assim a oferta de recur sos que tende a provocar a queda da taxa de juros de mercado Essa queda da taxa de juros além de baratear os empréstimos bancários e portanto estimular o consumo de muitas famílias poderá viabilizar muitos projetos de investimentos já que muitos empresários em vez de aplicarem seus recursos no mercado financeiro tendem a aplicálos em investimentos produtivos como na ampliação de sua empresa na modernização de equi pamentos etc Ou seja a queda do nível geral de preços tende a provocar a queda da taxa de juros que deve levar ao aumento tanto do consumo como do investimento agregado dois dos elementos da demanda agre gada de bens e serviços c efeito taxa de câmbio a queda do nível geral de preços internos torna nossos produtos mais competitivos relativamente aos preços dos pro dutos importados Esse efeito estimula as exportações X e desestimula as importações agregadas M elevando a demanda agregada HIPÓTESES DO MODELO KEYNESIANO SIMPLES O modelo keynesiano simples é composto por quatro hipóteses principais VASCONCELLOS 2011 a desemprego de recursos a demanda agregada da economia está em nível abaixo da produção AO de pleno emprego desta forma no modelo sim plificado os preços são mantidos constantes e as variáveis consideradas em valores reais deflacionados O Modelo Keynesiano Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 187 b curto prazo no curto prazo o estoque de fatores de produção nível tec nológico capital e mão de obra são considerados constantes No entanto o nível de utilização destes fatores variáveis ou seja a força de trabalho e a capacidade instalada são fixas mas sua utilização varia c a curva de oferta agregada é fixada a oferta agregada OA é afetada dire tamente pelo estoque dos fatores de produção mão de obra N capital K e pelo nível de conhecimento tecnológico T ou seja OA fNKT Como esses fatores são relativamente constantes a curto prazo segue que a OA permanece fixada a curto prazo Isto pode ser representado pelo gráfico da Figura 3 P P Y Yp Y0 Y1 OA Figura 3 Oferta agregada keynesiana de curto prazo Fonte adaptada de Vasconcelos 2011 No gráfico da Figura 3 verificase que em situação de desemprego quando o nível de produto passa de Y0 para Y1 a curva de OA permanece fixa embora a quantidade produzida varie decorrente da maior utilização do estoque de fato res de produção Isto mostra que não houve aumento da capacidade de produção da economia apenas do nível de produção visto que está se operando com capa cidade ociosa Posto desta forma verificase que não há deslocamento da curva de OA mas movimentos ao longo da curva de OA MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 188 d a curto prazo apenas a demanda agregada provoca variações no nível de equilíbrio da renda nacional a oferta agregada é fixa no curto prazo e as variações na renda nacional são decorrentes das variações na demanda agregada DA ressaltando o papel desta dentro da teoria keynesiana Assim no curto prazo para tirar a economia de uma situ ação de desemprego a política econômica deve procurar elevar a DA sendo este o princípio da demanda efetiva Isto pode ser verificado no gráfico da Figura 4 P P Y Yp Y0 OA DA2 DA1 Figura 4 Equilíbrio macroeconômico keynesiano de curto prazo Fonte adaptada de Vasconcelos 2011 Pela Figura 4 verificamos que quando a demanda agregada é estimulada por exemplo por uma expansão fiscal com aumento dos gastos do governo a renda e a produção de equilíbrio aumentam saindo da situação de desemprego Y0 e indo em direção à situação de pleno emprego Yp COMPORTAMENTO DAS VARIÁVEIS CONSUMO C INVESTIMENTO I GASTO DO GOVERNO G EXPORTAÇÃO X E IMPORTAÇÃO M Agora aprenderemos quais são as relações funcionais entre as variáveis econômicas em nível agregado e analisar como se pode atuar sobre elas aplicando os instrumentos de política econômica Para isto devemos aprender separadamente as funções que determinam o comportamento de cada uma das variáveis componentes da demanda agregada Função Consumo Uma das principais contribuições de Keynes foi instituir que o consumo agregado das famílias é composto por um componente autônomo e por outro que representa uma função crescente da renda nacional Y A função consumo linear simplificada é expressa segundo Blanchard 2007 C C0 cY em que C0 consumo autônomo independentemente da renda no gráfico é o intercepto c propensão marginal a consumir é o coeficiente angular ou a inclinação do gráfico A propensão marginal a consumir PMgC é o acréscimo de consumo dado um acréscimo na renda nacional e pode ser representado pela seguinte fórmula PMgC c ΔCΔY 0 c 1 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 190 A propensão marginal a consumir é positiva e menor do que um porque dado um aumento na renda as famílias poupam uma parte Já o consumo autônomo é a parcela do consumo que não depende da renda mas de outros fatores como a riqueza já acumulada do indivíduo herança renda futura etc Graficamente a função consumo pode ser representada como se segue C C C0 cY C C0 Y Figura 5 Função consumo agregado Fonte adaptada de Blanchard 2007 Função Poupança A poupança S da sociedade é a diferença entre a renda disponível e o consumo ou seja é a parcela não consumida da renda nacional em dado período de tempo S Y C A função poupança é definida como S C0 1 c Y Sendo 1c a propensão marginal a poupar que é o acréscimo da poupança agregada dado um acréscimo na renda nacional isto é PMgS 1 c ΔSΔY Graficamente podemos representar a função poupança como Figura 6 Função poupança agregado Fonte adaptada de Vasconcellos 2011 Exemplo 1 Suponhamos que a função consumo seja dada como C 8 070Y Sabemos então que a função poupança é o complemento da função consumo assim temos S 8 03y MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 192 Portanto PMgC c 07 e a PMgS 1c 03 graficamente podemos representar estas funções como se segue C S 0 8 S 8 07Y S 8 03Y 07 03 8 Y Figura 7 Função consumo e poupança agregado Fonte adaptada de Vasconcellos 2011 Função Investimento O investimento agregado é o principal determinante do crescimento do pro duto e do emprego desempenhando duplo papel De acordo com Vasconcellos 2011 pode ser entendido como a investimento visto como elemento da demanda agregada ocorre quando são realizados gastos com instalações equipamentos constru ções etc antes de o investimento maturar e resultar em acréscimos da produção ou seja refletimosnos ao curto prazo b investimento visto como elemento de oferta agregada ocorre após a maturação dos investimentos quando aumenta a capacidade produtiva De acordo com o modelo keynesiano simples existem duas hipóteses sobre o investimento KEYNES 1992 O Modelo Keynesiano Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 193 i Primeira hipótese em uma análise de curto prazo o investimento afeta apenas a demanda agregada Apenas no longo prazo é que a oferta agre gada aumento da capacidade produtiva é afetada ii Segunda hipótese o investimento é autônomo em relação à renda nacional Desta forma no modelo básico o investimento não depende da renda nacional podendo ser expresso como I I0 Assim qualquer que seja o nível de renda o investimento é um valor constante Graficamente temos I I0 I I0 Y Figura 8 Função investimento Fonte adaptada de Vasconcellos 2011 No investimento autônomo assumese que os empresários tomam suas decisões de investir sem levar em consideração o nível de renda presente O investimento depende de outras variáveis como as taxas de juros rentabilidade esperada rentabilidade passada disponibilidade de crédito entre outros No entanto não incluiremos estas variáveis em nossas análises Avançando um pouco veremos que o investimento pode ser considerado parcialmente autônomo sendo uma parcela dependente diretamente do nível de renda da economia ou seja quanto mais alta a renda mais alto será o nível de investimento Veja em Blanchard 2007 que I I0 dY em que I0 investimento autônomo d propensão marginal a investir Função Gastos do Governo No modelo keynesiano simples também se supõe que os gastos do governo são autônomos em relação à renda nacional Assim G G0 Os gastos públicos são considerados exógenos isto é não são determinados por outras variáveis econômicas mas se formam institucionais de acordo com os objetivos da política econômica adotada Função Imposto No modelo keynesiano simples a tributação também é suposta autônoma não depende da renda nacional T T0 Mas esta é uma hipótese simplificadora Assim a função imposto pode ser representada por uma parte autônoma e outra dependente do nível de renda T T0 tY em que T0 tributação autônoma t propensão marginal a tributar e 0 t 1 A primeira alteração decorrente da introdução do governo é na função consumo visto que agora devemos adotar o conceito de renda disponível do setor privado Yd que acaba por determinar o consumo das famílias e não a renda nacional Y Já vimos isto na Unidade III mas retomaremos este conceito devido à sua importância A função consumo fica de acordo com Lopes e Vasconcellos 2000 CC0cYd Sendo Yd YT Substituindo a função renda disponível da função consumo temos CC0 c Y T dado que TT0 tY Substituindo a função tributo na equação do consumo temos CC0 c Y T0 tY ou CC0T0 c Y tY Assim o aumento da tributação reduz o consumo e a demanda agregada da economia Função Exportação As exportações também são consideradas autônomas em relação à renda nacional dado que são afetadas pela renda dos outros países X X0 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 196 Função Importação As importações correspondem à demanda de residentes por bens e serviços pro duzidos no exterior Desta forma ela é posta como função crescente da renda interna numa proporção fixa m que representa a propensão marginal a importar da renda Assim temos M mY em que m propensão marginal a importar Por esta equação podemos verificar que quanto maior a renda nacional maior será a importação EQUILÍBRIO NO MERCADO DE BENS E SERVIÇOS A CURVA IS Agora que já aprendemos como são determinadas as variáveis que compõem a demanda agregada da economia analisaremos como se dá o equilíbrio no mer cado de bens e serviços O que acontece com a demanda agregada quando a renda do resto do mundo aumenta Equilíbrio no Mercado de Bens e Serviços A Curva IS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 197 DETERMINAÇÃO DO EQUILÍBRIO IGUALANDO A OFERTA AGREGADA E A DEMANDA AGREGADA Já estudamos que o equilíbrio macroeconômico se dá quando OFERTA AGREGADA OA DEMANDA AGREGADA DA Como AO Y DA C I G X M A condição de equilíbrio é apresentada como Y C I G X M MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 198 Graficamente esta condição de equilíbrio é apresentada por uma reta de 45 graus que representa os pontos possíveis de equilíbrio entre DA eixo das ordenadas e OA renda nacional eixo das abscissas Cada ponto da reta representa uma condição de equilíbrio Já o ponto de equilíbrio específico Ponto E é determi nado pela demanda agregada VASCONCELLOS 2011 No modelo Keynesiano o equilíbrio dáse abaixo da renda de pleno emprego Yp apresentando um equilíbrio com desemprego como mostra a Figura 9 DA E DA OA DA C I G X M A0 45º YAO Y Yp Renda de equilíbrio entre a DA e OA Figura 9 Equilíbrio de curto prazo em termos de oferta e demanda agregadas Fonte adaptado de Vasconcellos 2011 Na Figura 9 mostramos o nível de produto Y no eixo horizontal A reta de 45o for nece o nível de demanda agregada no eixo vertical que é igual ao nível de produto O ponto E é o ponto de equilíbrio do produto no qual a quantidade produzida é igual à quantidade demandada A qualquer nível mais alto da produção de equilíbrio Y a demanda agregada está abaixo do nível de produto as empresas começam a acumular estoques e a passam a produzir menos Assim no ponto E as pessoas estão comprando o volume que desejam comprar e não há uma tendência para que haja variação no nível de produção a não ser que a demanda agregada se altere Equilíbrio no Mercado de Bens e Serviços A Curva IS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 199 Desta forma temos que as variações da Demanda Agregada levam a varia ções no produto e na renda de equilíbrio e sofre elevação de valor determinada pelo aumento de valor de qualquer um dos componentes autônomos das variá veis que a influenciam positivamente a saber os investimentos os gastos do governo as exportações Elevações da demanda agregada também são causadas pela redução do valor dos componentes autônomos das variáveis que a influenciam negativamente como a tributação as importações O MULTIPLICADOR DOS GASTOS KEYNESIANOS Neste item desenvolveremos uma resposta à seguinte questão quanto o aumento de R 100 no gasto autônomo aumenta o nível de equilíbrio da renda A resposta a esta questão está no desenvolvimento do conceito do multiplica dor que segundo Dornbush et al 2006 p93 é o montante pelo qual a produção varia quando a demanda agregada autônoma aumenta em uma unidade No equilíbrio do modelo Keynesiano simples temos Y C I G X M Dadas as seguintes funções Função consumo C C0 cY T Função investimento I I0 Função tributação T T0 tY Função gastos do governo G G0 Função exportação X X0 Função importação M mY Substituindo estas funções na equação de equilíbrio temos Y C0 T0 c Y tY I0 G0 X0 mY Isolando a renda temos YmY c Y tY C0 I0 G0 X0 T0 Y 1 c 1 t m C0 I0 G0 X0 T0 Assim a nova condição de equilíbrio para uma economia aberta será a seguinte Y 1 1 c 1 t m C0 I0 G0 X0 T0 em que α 1 1 c 1 t m é o multiplicador de gastos keynesiano da economia aberta e A0 C0 I0 G0 X0 T0 nível de gastos autônomos Uma análise do multiplicador mostra que Quanto maior a propensão marginal a consumir da renda c maior será o multiplicador Quanto menor a propensão marginal a tributar t maior será o multiplicador porque eleva o aumento induzido do consumo autônomo Quanto menor a propensão marginal a importar m maior será o multiplicador Quanto maior o valor do multiplicador mais inclinada é a curva de demanda agregada na economia indicando que as variações na demanda agregada causada pelas variações nos gastos autônomos provocam maior variação da renda e na produção de equilíbrio Equilíbrio no Mercado de Bens e Serviços A Curva IS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 201 O gráfico apresentado na Figura 10 apresenta a variação da renda e da pro dução de equilíbrio decorrente da variação dos gastos autônomos DA DA2 α A0 DA1 α A0 A0 A0 E Y A0 E 45º YAO Y2 Y1 Figura 10 Efeito de um aumento nos gastos autônomos Fonte adaptada de Dornbusch et al 2006 Podemos verificar pela Figura 10 que quando ocorre aumento na demanda agregada autônoma a curva de demanda agregada deslocase para cima de DA1 para DA2 O equilíbrio movese do ponto E para o ponto E O aumento da pro dução de equilíbrio ΔY Y2 Y1 é maior que a variação dos gastos autônomos ΔDA por causa do efeito multiplicador da renda Podemos escrever a variação da renda de equilíbrio decorrente da variação de demanda agregada autônoma da seguinte forma Y A0 Agora analisaremos qual será o efeito na determinação da renda de equilíbrio se houver redução na alíquota dos impostos Isto está ilustrado na Figura 11 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 202 DA DA2 α A0 DA1 α A0 α A0 E E Y 45º YAO Y2 Y1 1 1 C1 t m Figura 11 Efeito de um aumento nos gastos autônomos Fonte adaptada de Dornbusch et al 2007 Pela Figura 11 vemos que uma redução na alíquota do imposto de renda aumenta a renda disponível do consumidor Yd Y T ficando este com a maior parcela da renda para gastar causando um deslocamento da curva de demanda agregada de DA1 para DA2 A redução da alíquota do imposto aumenta o valor do multiplicador keynesiano a curva de demanda agregada tornase mais incli nada e o nível de equilíbrio da renda aumenta de Y1 para Y2 Exemplo Vamos supor que inicialmente a demanda agregada autônoma é A0 500 a propensão marginal a consumir é c 07 a alíquota do imposto de renda é t 015 e a propensão marginal a importar é m 010 Qual é o valor do multiplicador Qual é o valor da renda de equilíbrio Y 1 1 0 7 1 015 0 10 500 99010 O valor do multiplicador é α 198 e a renda de equilíbrio é Y 99010 Interpretação do multiplicador para cada R 100 de despesa autônoma gera se de renda R 198 Agora vamos supor que um corte no imposto reduza a alíquota para t 010 Qual o valor do multiplicador Qual será a nova renda de equilíbrio na economia Y 1 1 07 1 010 010 500 106500 O valor do multiplicador é agora α 213 e a renda de equilíbrio é Y 106500 Interpretação do multiplicador para cada R 100 de despesa autônoma gerase de renda R 213 Verificamos que uma redução do imposto em 005 o multiplicador keynesiano aumentou em Δα 015 impactando na renda de equilíbrio que teve uma variação positiva de ΔY 7490 REFLETA O que acontece com o multiplicador da renda keynesiano se houver aumento na alíquota do imposto de renda Ele aumentará ou reduzirá A CURVA IS Ampliaremos agora a condição de equilíbrio introduzindo a taxa de juros como variável explicativa do investimento o que constituirá o chamado equilíbrio de mercado de bens e serviços representado pela curva IS de HicksHansen A função investimento passa a ser apresentada segundo Lopes e Vasconcellos 2000 como I I0 dr em que r taxa de juros real d é sensibilidade elasticidade do investimento em relação à taxa de juros I0 investimento autônomo No modelo keynesiano vimos que o investimento era determinado exogenamente mas no modelo de HicksHansen o investimento é considerado endógeno sendo determinado pela taxa de juros da economia Podemos verificar pela função investimento apresentada anteriormente que ele possui uma relação inversa com a taxa de juros Assim quanto menor a taxa de juro maior será o investimento Isso pode ser visto na Figura 12 Figura 12 Demanda de investimentos em função da taxa de juros Fonte adaptado de Vasconcellos 2011 Neste modelo a taxa de juros é um fenômeno estritamente monetário sendo independente dos planos de investimento e de poupança O equilíbrio no mercado de bens e serviços pela relação IS fica Y C0 T0 cY tY I0 dr G0 X0 mY Isolando a renda temos Y mY cY tY C0 I0 G0 X0 T0 dr Y 1 c1 t m C0 I0 G0 X0 T0 dr MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 206 Propriedades da inclinação da Curva IS Redução da taxa de juros gera aumento no investimento Aumento no investimento I provoca aumento na demanda agregada que gera aumento na produção de equilíbrio por meio do efeito multiplicador Uma i mais baixa portanto leva O aumento na produção de equilíbrio no mercado de bens A curva IS tem inclinação decrescente no sentido de refletir isso Variações em i e Y não causam deslocamentos da curva IS apenas movi mentos ao longo da curva IS Quanto maior for a elasticidade do investimento em relação à taxa de juros d mais horizontal é a curva IS ou seja menor será sua inclinação Isto significa que pequena variação na taxa de juros provoca grande variação no investimento e portanto na demanda agregada e na renda Por outro lado a baixa elasticidade do investimento em relação à taxa de juros d apresenta curva IS mais inclinada próxima da vertical significando que são necessárias grandes variações na taxa de juros para que haja variações no investimento e assim na demanda agregada e na renda de equilíbrio Quanto maior for o valor do multiplicador dos gastos α variações no investimento gerarão grandes expansões na demanda agregada e na renda levando a uma curva IS próxima da horizontal Quando o multiplicador é elevado as variações da taxa de juros causam grandes impactos sobre o investimento e assim sobre a demanda agregada e a renda Fatores que causam o deslocamento da curva IS A curva IS deslocase para a direita e para cima quando aumentam os gastos autônomos como os gastos do governo o consumo o investi mento as e exportações e quando os impostos T caem Assim a nova condição de equilíbrio para uma economia aberta será a seguinte Y 11 c1 t m C0 I0 G0 X0 T0 11 c1 t mdr sendo α 11 c1 t m o multiplicador de gastos keynesiano da economia aberta e A0 C0 I0 G0 X0 T0 nível de gastos autônomos Simplificando podemos escrever a equação de equilíbrio IS como Y α A0 αdr A curva IS representa as várias combinações de renda e de taxa de juros que equilibram o mercado de bens e serviços Graficamente é representada como Figura 13 Curva IS Fonte adaptado de Blanchard 2007 O intercepto da curva IS é dado pelos gastos autônomos αA0 que determinam a sua posição Já a inclinação da curva é dada por dr que mostra a relação inversa entre a taxa de juros e a renda Equilíbrio no Mercado de Bens e Serviços A Curva IS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 207 A curva IS deslocase para a esquerda e para baixo quando caem os gas tos autônomos e os impostos aumentam Dado o valor da taxa de juros o montante do deslocamento é dado pelo valor do multiplicador dos gastos vezes a variação na despesa A Figura 14 apresenta o impacto no equilíbrio do mercado de bens e serviços quando o governo adota uma política fiscal expansionista com aumento dos gastos públicos r1 r Y Y2 IS2 Y1 αΔG IS1 Figura 14 Elevação dos gastos públicos e o efeito multiplicador na curva IS Fonte adaptado de Blanchard 2007 Podemos assim verificar que o impacto inicial do aumento dos gastos públi cos dado a taxa de juros é o deslocamento para a direita e para cima da curva IS Isso mostra que quando o governo aumentou os seus gastos ele estimulou a demanda agregada e assim gerou aumento na produção e na renda de equi líbrio da economia A magnitude do deslocamento da curva IS é dada pelo incremento dos gastos público vezes o multiplicador αΔG representado pelo deslocamento horizon tal da curva IS como pode ser visto na Figura 14 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 208 EQUILÍBRIO NO MERCADO MONETÁRIO A CURVA LM A curva LM representa o equilíbrio no mercado financeiro ou monetário expresso em termos efetivos ou seja o equilíbrio ocorre quando a taxa de juros torna a oferta efetiva de moeda igual à demanda efetiva por moeda Como vimos na Unidade II a oferta de moeda é determinada pelo Banco Central sendo uma variável exógena Já a demanda por moeda é determinada pela decisão dos agentes em reter moeda pelo motivo transação e pelo motivo portfólio Quanto ao motivo transação a demanda por moeda L está diretamente relacionada com o nível de renda da economia assim quanto maior o nível de renda maior será o volume de transações e maior será a demanda por moeda Pelo motivo portfólio temos que a demanda por moeda está inversamente rela cionada com a taxa de juros pois esta funcionará como sendo um custo de oportunidade em reter moeda ou seja o indivíduo só reterá moeda se a taxa de juros estiver baixa de outra forma ele aplicará em títulos que são remunerados a taxa de juros Assim a demanda por moeda reduz com o aumento da taxa de juros e viceversa Equilíbrio no Mercado Monetário A Curva LM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 209 A curva LM pode assim ser expressa de acordo com Lopes e Vasconcellos 2000 M P L Y r Em que P nível geral de preço Y renda ou produto nacional R taxa de juros real M P oferta real de moeda controlada pelo Banco Central L Y r demanda por moeda que varia positivamente com a renda e negativamente com a taxa de juros Considerando a função demanda linear por moeda temos L eY fr em que e sensibilidade elasticidade da demanda por moeda em relação à renda f sensibilidade elasticidade da demanda por moeda em relação à taxa de juros Quando o valor destas elasticidades é maior que um dizemos que são altas pois a variação de 1 na renda ou na taxa de juros causa variação mais que pro porcional na demanda por moeda ou seja acima de 1 Já quando o valor das elasticidades é menor do que um dizemos que são baixas e a variação de 1 na renda ou na taxa de juros causa variação abaixo de 1 na demanda por moeda Podemos escrever o equilíbrio entre a oferta e a demanda por moeda como M P eY fr Isolando a taxa de juros obtemos a equação da curva LM que representa as várias combinações de renda e a taxa de juros que equilibram o mercado monetário r efY 1fMP Em que ef é a inclinação da curva LM 1f MP é o intercepto da curva LM Graficamente a determinação da curva LM pode ser apresentada pelos gráficos da Figura 15 a Equilíbrio entre oferta e demanda por moeda b Curva LM Figura 15 Determinação da curva LM Fonte adaptado de Lopes e Vasconcellos 2000 Equilíbrio no Mercado Monetário A Curva LM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 211 No gráfico a podemos ver que a demanda por moeda responde positiva mente às variações na renda mas negativamente à taxa de juros Assim dada a oferta de moeda quando a renda aumenta de Y1 para Y2 a demanda por moeda aumenta representada por um deslocamento para a direita da curva de demanda por moeda No entanto com maior demanda por moeda pelo motivo transação dada a oferta temos excesso de demanda pressionando os bancos a aumenta rem a taxa de juros Conforme os juros vão aumentado o excesso de demanda vai reduzindo até que seja anulado e novo equilíbrio monetário acontece a uma taxa de juros mais elevada r2 Os dois equilíbrios monetários que mostram as combinações diferentes de renda e taxa de juros são representados no gráfico b pela curva LM INCLINAÇÃO DA CURVA LM De acordo com Blanchard 2007 os fatores que afetam a inclinação da curva LM são A elasticidade da demanda por moeda em relação à renda e quanto maior for esta elasticidade maior será a inclinação da curva LM visto que pequena variação da renda levará a uma grande expansão da demanda por moda exigindo maior elevação da taxa de juros para compensar o excesso de demanda Por outro lado se a elasticidade da demanda por moeda for baixa em relação à renda a Curva LM é menos inclinada próxima da horizontal ou seja para qualquer alteração na renda será necessária apenas pequena alteração da taxa de juros para manter o mer cado monetário em equilíbrio A elasticidade da demanda por moeda em relação à taxa de juros f quanto maior for esta elasticidade menor será a inclinação da curva LM visto que qualquer variação da renda exigirá pequena mudança na taxa de juros para compensar o excesso de demanda e manter o mercado monetário em equilíbrio Mas se a elasticidade da demanda por moeda em relação à taxa de juros for baixa a curva LM tende a uma horizontal indicando que qualquer alteração no nível de renda exigirá grande alte ração na taxa de juros para manter o mercado monetário em equilíbrio MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 212 A Figura 16 a seguir apresenta a inclinação da curva LM de acordo com o valor das elasticidades r2 r1 Y1 Y2 Y r Curva LM mais inclinada Elasticidade renda da demanda por moeda elevada Elasticidade juros da demanda por moeda baixa Curva LM menos inclinada Elasticidade renda da demanda por moeda baixa Elasticidade juros da demanda por moeda elevada LM LM Figura 16 Inclinação da curva LM Fonte adaptado de Blanchard 2007 Em síntese podemos verificar pelo gráfico da Figura 16 que a curva LM é mais inclinada mais vertical quando a elasticidade renda for alta e a elasticidade juros da demanda por moeda for baixa Por outro lado a curva LM é menos inclinada mais horizontal quando a elasticidade renda for baixa e a elasticidade juros da demanda por moeda for alta DESLOCAMENTO DA CURVA LM Segundo Blanchard 2007 a posição da curva LM é dada pela oferta real de moeda M P e sofre um deslocamento DA quando a curva LM deslocase para baixo quando a oferta real de moeda M P aumenta porque se requer taxa de juros r mais baixa de modo a man ter o equilíbrio nos mercados financeiros a curva LM deslocase para cima quando a oferta real de moeda M P dimi nui porque se requer taxa de juros r mais elevada de modo a manter o equilíbrio nos mercados financeiros Equilíbrio no Mercado Monetário A Curva LM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 213 Desta forma podemos concluir que dados os preços constantes o desloca mento da curva LM é determinado pela política monetária Vejamos isto no gráfico da Figura 17 Y r Aumento da Oferta de moeda Curva LM deslocase para a direita de LM1 para LM2 Redução da Oferta de moeda Curva LM deslocase para a esquerda de LM1 para LM3 LM3 LM1 LM2 Figura 17 Deslocamento da curva LM Fonte adaptada de Blanchard 2007 Agora que nós já aprendemos como é determinado o equilíbrio no mercado de bens e serviços incluindo a taxa de juros em nossas análises e como é determi nado o equilíbrio no mercado monetário devemos aprender como é definido o equilíbrio geral em nossa economia Como é determinada a taxa de juros e o nível de renda que equilibram simultaneamente os dois mercados mercado de bens e de ativos Esta questão será respondida no próximo tópico O que acontece à curva LM se ocorrer uma redução no nível de geral de preços na economia ou seja uma deflação MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 214 O MODELO IS LM E O EFEITO DE POLÍTICA FISCAL E MONETÁRIA O equilíbrio simultâneo no mercado de bens e serviços e no mercado monetá rio ocorre no ponto em que as curvas IS e LM interceptamse como indicado na Figura 18 À taxa de juros r e ao nível de renda y os dois mercados estão simultaneamente em equilíbrio Veja r Y Y r Equilíbrio entre ISLM LM F IS Figura 18 Equilíbrio simultâneo no mercado de bens e serviços Fonte adaptada de Dornbusch et al 2006 No ponto E de equilíbrio podemos dizer que a economia está em estado de repouso ao nível de taxa de juros r e de renda Y Qualquer ponto fora desta condição está em áreas de desequilíbrio macroeconômico Isso está apresentado no gráfico da Figura 19 onde podemos verificar quatro áreas de desequilíbrio macroeco nômico que de acordo com Dornbusch et al 2006 podem ser definidas como i Área I esta região caracterizase pelo excesso de oferta de bens EOB e de moeda EOM pressionando tanto a redução da produção como da taxa de juros ii Área II esta região caracterizase pelo excesso de oferta de moeda EOM pressionando a taxa de juros para baixo e o excesso de demanda por bens EDB pressionando a ampliação do produto iii Área III esta região caracterizase pelo excesso de demanda por bens EDB e de moeda EDM pressionando tanto a ampliação da renda como da taxa de juros O Modelo IS LM e o Efeito de Política Fiscal e Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 215 iv Área IV esta região se caracteriza pelo excesso de demanda de moeda EOM pressionando a taxa de juros para cima e excesso de oferta por bens EDB pressionando a redução da produção Y r EOB excesso de oferta de bens EDB excesso de demanda de bens EOM excesso de oferta de moeda EDM excesso de demanda de moeda IS LM I EOM EOB II EOM EDB IV EDM EOB III EDM EDB Figura 19 Áreas de desequilíbrios macroeconômico Fonte adaptado de Dornbush et al 2006 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 218 r1 r2 Y1 Y2 Y r LM1 LM2 E1 E2 IS Figura 20 Efeito de uma política monetária expansionista Fonte adaptado de Dornbusch et al 2006 MAS QUAIS SÃO OS FATORES QUE REVELAM A EFICÁCIA DA POLÍTICA MONETÁRIA NA GERAÇÃO DO CRESCIMENTO ECONÔMICO O quanto a política monetária consegue estimular a economia dependerá de dois fatores a elasticidade da demanda por moeda em relação à taxa de juros e elasti cidade do investimento em relação à taxa de juros Com relação à elasticidade da demanda por moeda em relação a taxa de juros temos duas situações a elasticidade alta pequena variação da taxa de juros será o suficiente para ajustar o mercado de ativos e a curva LM é menos inclinada A pouca variação na taxa de juros gerará também pequena variação nos inves timentos e assim na demanda agregada na produção e na renda Desta forma a política monetária tem pouca eficácia b elasticidade baixa é necessário grande alteração na taxa de juros para ajus tar o mercado de ativos e a curva LM é mais inclinada Como a taxa de juros sofre uma significativa variação gerará também variação signifi O Modelo IS LM e o Efeito de Política Fiscal e Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 219 cativa nos investimentos e assim na demanda agregada na produção e na renda Desta forma a política monetária tem mais eficácia para esti mular a economia Podemos verificar isto analisando dois casos especiais apresentados na Figura 21 O primeiro caso gráfico a é chamado de Armadilha da Liquidez no qual a demanda por moeda é infinitamente elástica em relação à taxa de juros e a política monetária é ineficaz r1 r r2 r1 Y1 Y2 Y Y1 Y2 Y r LM1 E1 IS LM1 LM2 a Armadilha da Liquidez b Caso Clássico IS Figura 21 Casos especiais e eficácia da política monetária Fonte adaptado de Dornbusch et al 2006 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 220 O segundo caso é o chamado Caso Clássico em que a demanda por moeda independe da taxa de juros sendo a elasticidade igual a zero inelástica Neste caso a LM é vertical e o efeito da política monetária é completo para estimular a renda e a produção na economia Desta forma podemos concluir que quanto mais inclinada for a curva LM ou quanto menor for a elasticidade da demanda por moeda em relação à taxa de juros maior será a eficácia da política monetária IMPACTO DE POLÍTICA FISCAL Vamos avaliar o impacto de uma política fiscal expansionista por meio da ampliação dos gastos do governo apresentado na Figura 22 r1 r2 Y1 Y2 Y3 Y r LM IS1 E1 E2 IS2 αΔG Figura 22 Efeito de uma política fiscal expansionista Fonte adaptado de Dornbush et al 2006 O aumento dos gastos do governo ampliam a demanda agregada levando ao des locamento da curva IS para a direita e para cima A magnitude deste deslocamento O Modelo IS LM e o Efeito de Política Fiscal e Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 221 é representado pela variação dos gastos vezes o multiplicador da renda keyne siano simples αΔG sendo igual ao deslocamento horizontal da curva IS No entanto conforme a renda vai aumentando em direção a Y3 também aumenta a demanda por moeda dada a oferta de moeda fixa a taxa de juros elevase para manter o equilíbrio no mercado monetário Esta elevação da taxa de juros reduz a demanda por investimentos ameniza o impacto expansionista da política fis cal e o equilíbrio ocorre no ponto E2 apresentando taxa de juros e nível de renda e produção maior que a do nível inicial r2 y2 mas menor do que seria se a taxa de juros fosse mantida constante r1 y3 Mas o quanto a política fiscal conseguirá estimular a economia dependerá dos seguintes fatores a do tamanho do multiplicador da renda que determina a magnitude do deslocamento da IS b da elasticidade da demanda por moeda em relação à taxa de juros quanto maior for esta elasticidade menos inclinada será a LM e maior será o impacto da política fiscal Isto acontece porque é necessário apenas uma pequena variação da taxa de juros para equilibrar o mercado monetário e como o aumento dos gastos públicos leva a um aumento da demanda por moeda a taxa de juros elevase pouco e os investimentos caem pouco c da elasticidade do investimento em relação à taxa de juros quanto maior esta elasticidade menor será o efeito da política fiscal visto que pequena elevação na taxa de juros causa grande queda nos investimentos com pensando o aumento nos gastos públicos Vamos agora analisar a eficácia da política fiscal expansionista do caso da Armadilha da Liquidez e no Clássico Estes casos estão apresentados na Figura 23 O gráfico a apresenta o caso da Armadilha da Liquidez já estudado Neste caso o aumento dos gastos públicos eleva a demanda agregada deslocando a IS para a direita Uma vez que a taxa de juros não se altera não há redução do investimento sendo o impacto da política fiscal igual à magnitude do multipli cador da renda keynesiano É o máximo da eficácia da política fiscal MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 222 r1 r r2 r1 Y1 Y Y1 Y2 Y r LM1 E1 E1 IS1 IS1 IS2 IS2 LM1 a Armadilha da Liquidez b Caso Clássico Figura 23 Casos especiais e eficácia da política fiscal Fonte adaptado de Dornbush et al 2006 O gráfico b representa o Caso Clássico em que a curva LM é vertical e a demanda por moeda independe da taxa de juros Neste caso a política fiscal é totalmente ine ficaz pois o maior gasto do governo não gera qualquer alteração da renda apenas eleva a taxa de juros que provoca redução no investimento na mesma proporção do aumento dos gastos públicos ocorrendo apenas substituição dos gastos pri vados para o público sendo denominado efeito deslocamento crowdingout O Modelo IS LM e o Efeito de Política Fiscal e Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 223 COMBINAÇÃO DE POLÍTICA MONETÁRIA E FISCAL Normalmente o governo tem uma variedade de objetivos que devem ser atingi dos pelas políticas econômicas adotadas por causa disso ele se utiliza de vários instrumentos de forma combinada para alcançar as suas metas Até agora tra tamos os efeitos das políticas fiscal e monetária como sendo independentes no entanto em muitos casos existe reação de uma política sobre os efeitos da outra e é sobre isto que estudaremos agora Vamos supor que o governo tem como um de seus objetivos a estabilidade do nível de produção e renda na economia ou seja que y permaneça constante Um exemplo é a adoção de políticas assistencialistas em períodos de recessão econômica com ampliação dos gastos públicos como forma de compensar a A política fiscal brasileira limites e entraves ao crescimento O Brasil dos anos 90 lidou com agendas fiscais múltiplas mas a defesa da estabilização monetária e das exigências da nova estratégia de desenvolvi mento prevaleceu sobre as demais A reinserção da economia brasileira no mundo globalizado abriu a possibilidade de controlar a inflação e acirrou o debate em torno do papel da política fiscal A carga tributária experimentou o primeiro movimento de alta na implan tação do Plano Real alcançando 2976 do PIB em 1995 A modernização da administração fazendária e a majoração das alíquotas dos impostos pro duziram altas constantes da carga tributária que atingiu 3737 em 2005 O aumento da carga tributária teve como consequência a perda de competi tividade dos produtos nacionais no mercado interno e internacional além de criar distorções no setor produtivo nas relações entre as esferas de governo e reforçar os problemas de distribuição de renda pessoal O esforço tributário não serviu à melhoria da oferta de serviços públicos e de infraestrutura Para saber mais acesse link disponível em wwwecounicampbrdocprod downarqphpid1761tpa Fonte Lopreato 2007 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 224 queda dos gastos privados Vamos supor que o Banco Central resolve fazer a política restritiva contraindo a oferta de moeda na economia deslocando a LM para cima e para a esquerda pressionando a elevação da taxa de juros e a redu ção da renda Assim partindo de um equilíbrio inicial no Ponto 1 temos que a economia caminha para novo equilíbrio no Ponto 2 mas antes que isto aconteça o governo amplia os gastos públicos para manter a renda constante e a curva IS deslocase para cima e para a direita O resultado é o equilíbrio no Ponto 3 onde o nível de renda permaneceu constante mas com grande elevação da taxa de juros r3 como pode ser visto no gráfico da Figura 24 r2 r1 Y1 Y2 Y r IS1 IS2 LM1 LM2 3 2 1 Figura 24 Política fiscal expansionista em resposta à política monetária Fonte adaptada de Lopes e Vasconcellos 2000 Outro exemplo de combinação de política é quando o Banco Central tem como objetivo a estabilidade da taxa de juros e o Tesouro Nacional ou seja o governo resolve adotar a política fiscal expansionista Da mesma forma que no gráfico O Modelo IS LM e o Efeito de Política Fiscal e Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 225 anterior partindo de um ponto de equilíbrio inicial Ponto 1 primeiramente a política fiscal expansionista descolará a curva IS para cima e para a direita IS2 pressionando a taxa de juros para cima e a economia caminha para o ponto de equilíbrio 2 Para manter a taxa de juros constante o Banco Central aumenta a oferta de moeda deslocando a curva LM para a baixo e para a direita LM2 o que provoca grande ampliação na renda e evita o aumento da taxa de juros O equilíbrio final dáse no Ponto 3 Veja na Figura 25 r1 Y1 Y2 Y r IS1 IS2 LM1 LM2 2 3 1 Figura 25 Política monetária expansionista visando à estabilidade da taxa de juros em resposta à política fiscal expansionista Fonte adaptada de Lopes e Vasconcellos 2000 Podemos perceber nesta situação que mesmo a oferta da moeda sendo con siderada exógena quando o Banco Central tem por objetivo manter estável a taxa de juros a oferta de moeda fica condicionada à política fiscal tornandose assim uma variável endógena MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 226 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste livro você aprendeu que no modelo clássico a oferta agregada é deter minada pela função de produção a qual representa a quantidade máxima que a economia pode produzir decorrente da combinação dos fatores de produção disponíveis e do nível de tecnologia No modelo clássico havíamos aprendido que a Lei de Say em que a oferta cria sua própria demanda assim os empresá rio não tinham que se preocupar com o mercado deviam focar suas estratégias na produção Durante as primeiras décadas do século XX no entanto as principais eco nomias mundiais EUA Inglaterra Alemanha outras entram em profunda recessão econômica com altos níveis de desemprego e a teoria clássica não conse guia dar explicações de como os países poderiam retornar a crescer Diante deste contexto emerge uma nova explicação teórica para a crise a teoria keynesiana Nós aprendemos que o modelo keynesiano de determinação da produção e da renda está baseado no conceito da demanda efetiva Por este conceito quem determina a oferta agregada na economia é a demanda agregada pois o empresá rio definirá o quanto produzir baseado em suas expectativas de vendas ou seja de demanda esperada Assim se o empresário visualizar que terá poucas ven das reduzirá a sua produção trabalhando com capacidade ociosa produzindo apenas a quantidade que espera vender Posto desta forma o modelo keyne siano admite que o equilíbrio macroeconômico possa ocorrer sem estar em um nível de pleno emprego dos fatores de produção como postulavam os clássicos Ao avançarmos em nossas análises aprendemos o modelo ISLM que determina o equilíbrio simultâneo no mercado de bens e de ativos por meio da relação entre taxa de juros e renda Esse modelo também conhecido como Análise Hicks Hansen mantém os pressupostos básicos do modelo keynesiano simples com a demanda agregada determinando o nível de produção da eco nomia mantidos os níveis de preços constantes 227 Efeito da variação dos preços no Modelo ISLM O último caso a ser analisado é o efeito decorrente da variação dos preços no Modelo ISLM o chamado efeito pigou Para compreender os impactos das variações de preços vamos acrescentar a função consumo à riqueza real dos indivíduos Agora o consumo das famílias é determinado pelo consumo autônomo por uma fração que varia com a renda disponível propensão marginal a consumir da renda e pela riqueza real dos indi víduos Quanto maior a riqueza dos indivíduos maior será o consumo Consideraremos também que a oferta real de moeda faça parte da riqueza do indi víduo desta forma a variação da oferta real de moeda impacta tanto na posição da LM como da IS Suponhamos agora uma redução do nível de preços na economia Qual seria o im pacto de uma deflação na condição de equilíbrio apresentada no modelo ISLM Podemos responder esta questão analisando o gráfico apresentado na f igura a seguir 2 Figura Efeito pigou supondo queda no nível de preços Fonte adaptada de Lopes e Vasconcellos 2000 228 Partindo do ponto de equilíbrio inicial E1 a redução do nível geral de preços na econo mia primeiramente leva ao aumento na oferta real de moeda deslocando a curva LM1 para a direita indo para LM2 No entanto o aumento de saldos reais ampliará a riqueza dos indivíduos impactando no aumento do consumo autônomo e também no nível de investimentos dado que a taxa de juros real reduziu Desta forma a curva IS também se desloca para a direita e o equilíbrio da economia ocorrerá no ponto E2 a uma taxa de juros e nível de produto de equilíbrio mais elevados r2 y2 ampliando o impacto expansionista da queda dos preços Mas o que aconteceria no caso de aumento do nível de preços Partindo de uma si tuação inicial de equilíbrio ponto E1 o aumento do nível geral de preços na economia primeiramente leva a uma redução real da oferta de moeda na economia deslocando a curva LM agora para cima e para a esquerda O aumento do nível geral de preços faz com os salários reais reduzamse e também a riqueza real do indivíduo decorrente da perda do poder de compra da moeda ocasionada pela inflação Isto impacta no consu mo autônomo e também no nível de investimentos que se reduzirá visto que a taxa de juros real aumentou Desta forma a curva IS também deslocase para a esquerda e o equilíbrio da economia ocorrerá em um ponto com uma taxa de juros e nível de produto de equilíbrio mais baixos do que o encontrado no equilíbrio inicial Fonte Lopes e Vasconcellos 2000 229 1 O multiplicador da renda keynesiano representa o montante pelo qual a produção varia quando a demanda agregada autônoma aumenta em uma unidade Um au mento na propensão marginal a consumir deste multiplicador tende a gerar a Aumento no multiplicador e fazer uma dada variação nas despesas de gover no ter impacto menor na produção de equilíbrio b Aumento no multiplicador e fazer uma dada variação nas despesas de gover no ter impacto maior na produção de equilíbrio c Redução no multiplicador e fazer uma dada variação nas despesas de gover no ter impacto menor na produção de equilíbrio d Redução no multiplicador e fazer uma dada variação nas despesas de gover no ter impacto maior na produção de equilíbrio e O multiplicador mantémse constante 2 Dado que a condição de equilíbrio no modelo keynesiano é dado pela igualdade entre a oferta agregada e a demanda agregada ou seja Y C I G X M Ao incluir as funções de cada variável neste modelo encontramos que a renda de equi líbrio é determinada pelo multiplicador keynesiano α e pelos gastos autônomos C0 I0 G0 X0 T0 Diante disto um aumento nos gastos do governo G0 gerará a Redução na produção e redução do multiplicador b Aumento na produção e aumento do multiplicador c Aumento na produção e nenhuma variação do multiplicador d Nenhuma variação do multiplicador e por conseguinte nenhuma variação na produção e Aumento na produção e redução variação do multiplicador 230 3 Partindo de uma posição de equilíbrio inicial no modelo IS LM o que acontece com a renda e a taxa de juros de equilíbrio se o governo adotar a política fiscal contracionista com o aumento dos impostos Leia as afirmativas e assinale a alternativa correta a A curva LM deslocase para a cima e para direita aumentando a renda e redu zindo a taxa de juros b A curva IS deslocase para cima e para a direita e tanto a taxa de juros como a renda elevamse c A curva IS deslocase para baixo e para a esquerda e tanto a taxa de juros como a renda reduzemse d A curva IS deslocase para baixo e para a esquerda a taxa de juros aumenta e a renda reduzemse e Com o aumento dos impostos tanto a curva IS como a LM deslocamse para a esquerda e para baixo reduzindo a taxa de juros e a renda 4 Vamos considerar o modelo ISLM com as seguintes hipóteses ausência dos casos clássico e da armadilha da liquidez e a curva IS é dada pelo modelo Keynesiano simplificado supondo que os investimentos não dependam da taxa de juros Com base nessas informações é correto afirmar que a o aumento nos investimentos autônomos reduz o produto b a política monetária contracionista reduz o produto c o aumento no consumo autônomo eleva o produto d a elevação nas exportações reduz as taxas de juros e a política fiscal expansionista reduz as taxas de juros mas eleva o produto 5 Considere o modelo keynesiano básico para a economia fechada e sem governo Admitindo que a economia esteja em equilíbrio a tal ponto que a elevação de 50 unidades monetárias no investimento provoca um aumento de 250 unidades monetárias no produto neste caso a A propensão marginal a consumir é de 08 b A propensão marginal a poupar é de 08 c O multiplicador da renda keynesiano é de 02 d O multiplicador da renda keynesiano é de 2 e A propensão média a consumir é de 08 Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Macroeconomia N Gregory Mankiw Editora LTC Edição 8ª Nova Edição 2014 SINOPSE Macroeconomia oferece uma análise das diferentes teorias econômicas sua relação com correntes políticas e consequências dos acontecimentos no mundo em curto prazo como o ciclo de negócios e as políticas de estabilização e longo prazo como o crescimento econômico a taxa natural de desemprego a persistência da inflação e os efeitos do endividamento do governo Com esse enfoque seu objetivo é em última instância ensinar ao leitor a aplicar os princípios econômicos as questões relativas aos mais variados contextos cenários e sistemas com uma linguagem acessível e objetiva Enfatizando o caráter empírico da disciplina a obra proporciona uma ampla gama de ferramentas de aprendizagem como estudos de caso gráficos notas matemáticas resumos dos capítulos conceitoschave questões para revisão problemas e aplicações todas atualizadas quanto aos últimos acontecimentos que impactaram a economia de alguma forma REFERÊNCIAS BLANCHARD O Macroeconomia ed 4 São Paulo Prentice Hall 2007 DORNBUSH R FISCHER S e STARTZ R Macroeconomia São Paulo McGrawHill do Brasil 2006 KEYNES J M A Teoria Geral do Emprego do Juro e da Moeda São Paulo Atlas 1992 LOPES L M VASCONCELLOS M A S Manual de Macroeconomia Básico e Inter mediário São Paulo Atlas 2000 MANKIW N G Macroeconomia ed 5 Rio de Janeiro LTC 2004 VASCONCELLOS M A S Economia Micro e Macro ed 5 São Paulo Atlas 2011 SILVA A C M org et al Escolas da Macroeconomia Conselho Regional de Eco nomia 1ª região 1 ed Rio de Janeiro Albatroz 2015 REFERÊNCIA ONLINE 1 Em httpwwwindependentcouknewsbusinessanalysisandfeaturesjohn maynardkeynesnewbiographyrevealsshockingdetailsabouttheeconomists sexlife10101971html Acesso em 19 fev 2018 REFERÊNCIAS GABARITO 233 1 B 2 C 3 C 4 C 5 A GABARITO CONCLUSÃO Caro a aluno a este material foi desenvolvido com objetivo de ajudar na sua for mação profissional visto que saber avaliar os efeitos das variáveis macroeconômi cas sobre os agentes econômicos famílias empresas governo buscando entender a relação de causa e efeito entre as variáveis é a base para a formulação de políticas e estratégias empresariais Na Unidade I aprendemos sobre os principais fundamentos da teoria macroeconô mica que busca explicar o comportamento da economia como um todo como se dá o aumento do produto da renda e do emprego ao longo de um determinado pe ríodo de tempo Estudamos as diferentes correntes teóricas que dão base à formu lação de políticas macroeconômicas e sua evolução histórica Aprendemos como é calculada a formação da Renda Nacional ou Produto Interno Bruto e a construção do Balanço de Pagamentos As Unidades II e III estão centradas na dinâmica do Sistema Monetário Nacional como são formadas a oferta e a demanda por moeda e sua relação com a taxa de ju ros da economia Na Unidade IV estudamos o modelo clássico de determinação da oferta e demanda agregada de bens e serviços na economia Vimos como o merca do de bens e serviços equilibrase determinando a taxa de juros real da economia Por fim na Unidade V aprendemos os princípios base da teoria keynesiana de deter minação da renda dos juros e do emprego Vimos que uma das principais divergên cias com a teoria clássica está baseada no princípio da demanda efetiva em que é a demanda agregada que determina o nível de produção e emprego na economia e não apenas uma função de produção baseada no pleno emprego dos fatores Admi tese equilíbrio macroeconômico com desemprego Também aprendemos sobre o modelo ISLM que utiliza tanto os postulados da teoria keynesiana como da teoria clássica para explicar como é determinado o equilíbrio simultâneo do lado real e monetário de nossa economia e qual a taxa de juros e nível de produto que equili bra estes dois mercados CONCLUSÃO
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Texto de pré-visualização
MACROECONOMIA I Professora Dra Juliana Franco Afonso GRADUAÇÃO Unicesumar C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ Núcleo de Educação a Distância AFONSO Juliana Franco Macroeconomia I Juliana Franco Afonso MaringáPr Unicesumar 2018 Reimpresso em 2024 234 p Graduação EaD 1 Macro 2 Economia EaD I Título ISBN 9788545910329 CDD 22 ed 338 CIP NBR 12899 AACR2 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza CRB8 6828 Impresso por Reitor Wilson de Matos Silva ViceReitor Wilson de Matos Silva Filho PróReitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva PróReitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD Núcleo de Educação a Distância Diretoria Executiva Chrystiano Mincof James Prestes Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pósgraduação Kátia Coelho Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Diretoria de Design Educacional Débora Leite Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira Gerência de Curadoria Carolina Abdalla Normann de Freitas Supervisão de Produção de Conteúdo Nádila Toledo Coordenador de Conteúdo Silvio César de Castro Designer Educacional Amanda Peçanha Dos Santos Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa Arthur Cantareli Silva Editoração Kleber Ribeiro da Silva Qualidade Textual Produção de Materiais Ilustração Marta Kakitani Bruno Cesar Pardinho Em um mundo global e dinâmico nós trabalha mos com princípios éticos e profissionalismo não somente para oferecer uma educação de qualida de mas acima de tudo para gerar uma conversão integral das pessoas ao conhecimento Baseamo nos em 4 pilares intelectual profissional emo cional e espiritual Iniciamos a Unicesumar em 1990 com dois cur sos de graduação e 180 alunos Hoje temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil nos quatro campi presenciais Maringá Curitiba Ponta Grossa e Londrina e em mais de 300 polos EAD no país com dezenas de cursos de graduação e pósgraduação Produzimos e revi samos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência com IGC 4 em 7 anos consecutivos Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil A rapidez do mundo moderno exige dos educa dores soluções inteligentes para as necessidades de todos Para continuar relevante a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes inovação coragem e compromisso com a quali dade Por isso desenvolvemos para os cursos de Engenharia metodologias ativas as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferen tes áreas do conhecimento formando profissio nais cidadãos que contribuam para o desenvolvi mento de uma sociedade justa e solidária Vamos juntos If a Portfolio can be replicated with a few assets then it must be inefficient The result is that investors should gain if they invest in a welldiversified portfolio Seja bemvindoa caroa acadêmicoa Você está iniciando um processo de transformação pois quando investimos em nossa formação seja ela pessoal seja profissional transformamonos e consequentemente transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos De que forma o fazemos Criando oportu nidades eou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância oa acompanhará durante todo este processo pois conforme Freire 1996 Os homens se educam juntos na transformação do mundo Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e se encontram integrados à proposta pedagógica con tribuindo no processo educacional complementando sua formação profissional desenvolvendo competên cias e habilidades e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade de maneira a inserilo no mercado de trabalho Ou seja estes materiais têm como principal objetivo provocar a aproximação entre você e o con teúdo desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessários para a sua formação pessoal e profissional Portanto nossa distância nesse processo de crescimen to e construção do conhecimento deve ser apenas ge ográfica Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita Ou seja acesse regularmente o Studeo que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem interaja nos fóruns e enque tes assista às aulas ao vivo e participe das discussões Além disso lembrese de que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliáloa em seu processo de aprendizagem possibilitandolhe trilhar com tranqui lidade e segurança sua trajetória acadêmica AUTORA Professora Dra Juliana Franco Afonso Economista com Doutorado e Mestrado em Teoria Econômica pela Universidade Estadual de Maringá UEM Especialista em Consultoria Econômica Financeira de Empresas pela mesma Universidade É professora de Economia na Unicesumar e na Faculdade Cidade Verde Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional pesquisas e publicações acesse seu currículo disponível no endereço a seguir httplattescnpqbr4882579117919191 SEJA BEMVINDOA Caro a aluno a é com muita satisfação que apresentamos a você o livro que fará parte da disciplina de Macroeconomia I O objetivo principal deste livro é introduzir você ao estudo sobre os determinantes do produto do emprego e da renda sob a ótica dos clás sicos da teoria Keynesiana e por fim a análise desenvolvida por Hicks e Hansen que faz uma reinterpretação da teoria keynesiana com a elaboração do modelo de equilíbrio macroeconômico denominado de modelo ISLM Este livro está constituído por cinco unidades Na Unidade I apresentarei a você o conceito da macroeconomia o que ela estuda e seus objetivos Também apresentarei a evolução histórica das principais teorias macroeconômicas desde as teorias clássicas desenvolvidas no século XVIII passando por Keynes no século XX até as teorias mais contemporâne as Nessa unidade você também aprenderá como é realizada a contabilidade nacional ou seja como é calculado o Produto Interno Bruto e a Renda Nacional e por fim como um país é uma grande empresa também aprenderemos sobre o Balanço de Pagamento do país Na Unidade II aprenderemos sobre o sistema monetário nacional começando com a definição de moeda sua evolução histórica e as funções que ela deve desempenhar para que seja considerada moeda forte Nessa unidade também aprenderemos os fato res condicionantes da oferta e da demanda por moeda ou seja estudaremos o processo de criação dela na economia seu efeito multiplicador e a relação da demanda por mo eda com a taxa de juros da economia Conhecidos os determinantes da oferta e demanda por moeda a Unidade III irá se concen trar em ensinar como o governo utiliza a Política Monetária para estimular o crescimento eco nômico e quais são os instrumentos que utiliza para alcançar tais objetivos Por fim apresen tarei a você os principais produtos financeiros que são negociados no mercado monetário A Unidade IV está focada na teoria clássica de determinação da produção da renda e do emprego na economia ou seja a formação da Oferta Agregada Aprenderemos sobre os principais postulados desta corrente teórica e o conceito de equilíbrio com pleno emprego Desta forma aprenderemos como é determinado o nível de emprego na eco nomia e o equilíbrio no mercado de trabalho Também estudaremos como é formada a demanda agregada clássica e a relação entre poupança investimento e taxa de juros Por último aprenderemos como se dá o equilíbrio macroeconômico entre a Oferta Agre gada e a Demanda Agregada clássica e os efeitos de política monetária e fiscal Na última unidade do livro a Unidade V apresentarei a teoria keynesiana de determi nação da renda dos juros e do emprego Aprenderemos quais são suas propriedades básicas e as principais divergências com a teoria clássica Estudaremos como se dá o equilíbrio no mercado monetário relacionando a renda e a taxa de juros para a constru ção da curva LM Também estudaremos como se dá o equilíbrio no mercado de bens e serviços e quais são as diferentes combinações de taxa de juros e a renda que equilibra este mercado dando origem à curva IS Por fim estudaremos o equilíbrio simultâneo do modelo ISLM de Hicks e Hansen e os impactos da política econômica e fiscal na deter minação do equilíbrio BOM ESTUDO APRESENTAÇÃO MACROECONOMIA I Truncation shows the asymmetry which is a measure of the degree of deviation with respect to a normal distribution Variance and standard deviation are measures of dispersion SUMÁRIO 09 UNIDADE I INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA 15 Introdução 16 Objetivos da Macroeconomia 18 Evolução da Teoria Macroeconômica 24 Contabilidade Nacional 35 Balanço de Pagamento 40 Considerações Finais 45 Referências 46 Gabarito UNIDADE II SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA 49 Introdução 50 As Funções da Moeda e sua Importância 55 Oferta de Moeda 65 Demanda por Moeda 74 Considerações Finais 80 Referências 81 Gabarito SUMÁRIO 10 UNIDADE III POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS 85 Introdução 86 A Moeda e a Taxa de Juros 99 Objetivos de Política e a Política Monetária 111 Produtos Financeiros 125 Considerações Finais 131 Referências 132 Gabarito UNIDADE IV MACROECONOMIA CLÁSSICA 135 Introdução 136 A Oferta Agregada Clássica 139 A Demanda e a Oferta de Trabalho no Modelo Clássico e Equilíbrio no Mercado 149 Oferta e Demanda Agregada Clássica 155 Poupança Investimento e Taxa de Juros no Modelo Clássico 160 Equilíbrio Entre Oferta e Demanda no Modelo Clássico e Política Fiscal 166 Considerações Finais 175 Referências 176 Gabarito SUMÁRIO 11 UNIDADE V MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM 179 Introdução 180 O Modelo Keynesiano 196 Equilíbrio no Mercado de Bens e Serviços A Curva IS 208 Equilíbrio no Mercado Monetário A Curva LM 214 O Modelo IS LM e o Efeito de Política Fiscal e Monetária 226 Considerações Finais 232 Referências 233 Gabarito 234 Conclusão The only problem in using variance as a measure of the risk is that the variance alone does not capture whether the variation is due to chance or whether the variation is due to systematic changes affecting all UNIDADE I Professora Dra Juliana Franco Afonso INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Objetivos de Aprendizagem Desenvolver no aluno uma visão panorâmica sobre a macroeconomia Apresentar a evolução histórica das principais teorias macroeconômicas Conhecer os agregados monetários e sua forma de mensuração por meio do Sistema de Contabilidade Nacional Apresentar as contas que fazem parte do Balanço de Pagamento e suas especificidades Plano de Estudo Objetivos da Macroeconomia Evolução da Teoria Macroeconômica Contabilidade Nacional Balanço de Pagamento Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 15 INTRODUÇÃO Caroa alunoa esta unidade introduzirá você ao estudo inicial da macroecono mia que tem como objetivo estudar o comportamento das variáveis econômicas e as políticas utilizadas pelo governo que afetam e determinam o nível de consumo e investimentos na economia o câmbio e a balança comercial os determinantes das variações de preços e salários o controle do estoque de moeda a definição do orçamento do governo por meio dos impostos a formação das taxas de juros e a dívida pública É importante entendermos que nós estamos inseridos em um ambiente eco nômico e que as variáveis econômicas influenciam nossas decisões correntes e futuras de gastos e investimentos o tempo todo Qualquer leigo em economia sabe que pegar empréstimos quando a taxa de juros está alta é problema que gas tar mais do que ganha pode levar à falência tanto pessoal como empresarial que abrir uma empresa em plena recessão econômica é arriscado Portanto podemos concluir que a macroeconomia lida com os problemas do dia a dia Além de definir o que é macroeconomia apresentarei a você nesta unidade a evolução histórica das principais teorias macroeconômicas que vai desde o desenvolvimento da teoria clássica com Adam Smith no século XVIII até os dias de hoje com as novas teorias contemporâneas Também apresentarei os principais agregados macroeconômicos e como é determinado o produto nacio nal em suas três abordagens do produto da demanda e da renda Estudaremos por meio da apresentação do fluxo circular da renda que estas três aborda gens são equivalentes Você já se perguntou como é contabilizado o dinheiro que entra e sai de nossa economia Ou se tem mais dinheiro entrando ou saindo Para responder a estas questões estudaremos a estrutura do balanço de pagamentos que representa o resumo contábil das transações econômicas de um país com o resto do mundo Assim espero que estude com entusiasmo esta unidade que foi elaborada especialmente para você Tenha uma boa leitura INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 16 OBJETIVOS DA MACROECONOMIA Os agentes econômicos pesquisadores famílias empresários governantes entre outros tomam decisões baseadas em sua racionalidade e por isso necessitam se aprofundar no conhecimento pela da busca incessante da verdade baseada em informações que possam transcrever a realidade do objeto de estudo Para isto o agente econômico deve trabalhar sobre dados relacionados a diferentes situações que posteriormente se refletirão em informações seguras para com parações e julgamentos Neste sentido a macroeconomia é a parte da teoria econômica que trata do estudo sobre o comportamento da economia como um todo buscando enten der como se dá o aumento do produto da renda e do emprego ao longo de um determinado período de tempo De acordo com Dornbusch et al 2006 a macroeconomia abrange as políticas que afetam o consumo das famílias o investimento a taxa de câmbio e a balança comercial os determinantes das variações dos preços e salários as Objetivos da Macroeconomia Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 17 políticas fiscal e monetária o volume de moeda em circulação o orçamento do governo e a dívida pública e por fim o comportamento da taxa de juros Assim a macroeconomia busca entender o comportamento destas variáveis econômi cas e seus efeitos sobre o produto a renda e a demanda agregada Na macroeconomia estudamos os mercados de forma agregada ou seja estudamos o mercado de bens e serviços como um todo o mercado de trabalho como um todo e de forma específica individual A área da economia que trata os mercados de forma específica é chamado de microeconomia Segundo Dornbusch et al 2006 as pesquisas macroeconômicas possuem três tópicos principais de análise Primeiro como explicaríamos períodos de desemprego alto e persistente Segundo quais são as causas da inflação e como combatêlas O que causa as hiperinflações Terceiro o que determina a taxa de crescimento do produto Por que alguns países crescem mais rapidamente que outros Para responder estas questões várias teorias foram desenvolvidas com o objetivo de desmistificar as causas do desemprego da inflação e do crescimento econô mico e definir quais políticas econômicas política fiscal monetária cambial comercial deveriam ser adotadas pelo governo para alcançar determinado fim Por exemplo alguns estudiosos dizem que o governo não tem muito o que fazer para conter o alto desemprego e que o melhor a ser feito é a instituição de políticas de compensação apropriadas como seguro desemprego bolsa família entre outros Por outro lado outros estudiosos defendem o uso de uma polí tica fiscal especial como o corte de impostos a redução do IPI Imposto Sobre Produto Industrializado sobre os automóveis e eletrodomésticos em 2009 Estes pontos de vista são sustentados por líderes das duas principais tradições inte lectuais da macroeconomia a teoria clássica e keynesiana que estudaremos nos próximos capítulos de nosso livro INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 18 EVOLUÇÃO DA TEORIA MACROECONÔMICA No século XVIII surge na Inglaterra um economista filósofo e professor de Filosofia Moral na Universidade de Oxford chamado Adam Smith conside rado o precursor da moderna teoria econômica e o pai da escola clássica Em 1776 publicou a obra A Riqueza das Nações na qual procurou demonstrar as principais diferenças entre economia política ciência política jurisprudência e ética Na obra como é de se esperar estão diversas e fortes críticas ao sistema mercantilista devido à sua intervenção sem limites na economia Em sua obra Smith procurou apresentar um modelo teórico para explicar o desenvolvimento econômico das nações a divisão do trabalho Segundo ele seria a divisão do trabalho o responsável por garantir que os custos de produção fossem reduzidos e assim os preços das mercadorias gerando um aumento de bemestar para a população Além da divisão do trabalho a livre concorrência e a acumulação de capitais também são fontes importantes para o desenvolvi mento econômico PINHO VASCONCELLOS 2004 Evolução da Teoria Macroeconômica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 19 Smith entendia que a atuação da livre concorrência sem intervenção do governo nas decisões de mercado levaria a sociedade ao crescimento econô mico guiado por uma mão invisível Para ele a iniciativa privada buscando o lucro máximo acaba gerarando um aumento da concorrência que impacta na redução dos preços e promove o bemestar de toda a comunidade E é esta mão invisível que orienta todas as decisões da economia não necessita da interfe rência do Estado sendo este o princípio do liberalismo econômico De acordo com Vasconcellos e Garcia 2008 a ideia de Smith era de que a produtividade da mão de obra era proveniente da divisão do trabalho que passa a ser necessária por causa do aumento das trocas decorrentes da ampliação dos mercados Assim as economias de mercado tinham a capacidade de utilizar de maneira eficiente todos os recursos disponíveis de forma a alcançar sempre o nível de pleno emprego segundo o qual não existiria desemprego voluntário e este seria garantido pela flexibilidade de preços e salários Para Smith o Estado tem apenas como papel oferecer proteção à sociedade criação e manutenção de instituições necessárias ao bom andamento do estado As teorias desenvolvidas por ele foram estudadas e aprimoradas por vários segui dores que contribuíram para a constituição do conjunto de obras que fazem parte da teoria clássica Dentre seus principais seguidores que se destacam pelas importantes contribuições à Ciência Econômica estão Thomas Malthus David Ricardo Stuart Mill e Jean Baptiste Say todos de meados dos séculos XVIII e XIX Jean Baptiste Say instituiu a chamada Lei de Say supondo que tudo o que seria produzido seria vendido ou seja a oferta cria sua própria demanda Desta forma as empresas produziam sem se preocupar com a demanda concentrandose apenas no modo de produção Assim a teoria clássica foi a base teórica do sis tema capitalista de produção que se instituiu na Europa em fins do século XVIII A partir de 1920 com o término da Primeira Guerra Mundial surgem muitos debates sobre a aplicabilidade das teorias neoclássicas para explicar os proble mas da atividade econômica alto nível de desemprego e recessão econômica Estas críticas atingem o seu auge com a Crise de 1929 decorrente da quebra da Bolsa de Valores de Nova York evidenciando a insuficiência da teoria clássica e neoclássica para solucionar a crise que os EUA e os países da Europa Ocidental estavam enfrentando INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 20 Neste cenário a teoria macroeconômica ganha um novo impulso com o eco nomista inglês John Maynard Keynes e a publicação de sua obra Teoria Geral do Emprego dos Juros e da Moeda em 1936 A contribuição de Keynes teve um impacto tão grande em relação ao rompimento com a teoria clássica que ficou conhecida como a revolução keynesiana Ao contrário dos economistas clássicos Keynes não acreditava que os paí ses capitalistas tinham a capacidade de promover de forma automática o pleno emprego e que os preços e salários de uma economia não eram perfeitamente flexíveis como diziam os clássicos por exemplo o mercado de trabalho é regu lado por contratos assim os trabalhadores não conseguem ajustar os seus salários de forma automática De acordo com Keynes 1992 o poder dos sindicatos de trabalhadores faz com que os salários sejam rígidos dando origem ao chamado desemprego involuntário ou seja a economia opera abaixo do pleno emprego Este pos tulado significa que o emprego só aumenta se o salário real dos trabalhadores expresso em bens de consumo dos assalariados diminuir e as empresas pude rem obter mais lucros Keynes defendeu que para que a economia pudesse ser elevada novamente ao pleno emprego o governo deveria intervir por meio de políticas públicas que incentivassem o crescimento da demanda agregada por bens e serviços reduzindo a capacidade ociosa das empresas e estimulando com isso mais contratações de mão de obra Desta forma a sua teoria inverte o sentido da Lei de Say ao enfatizar o papel da demanda agregada de bens e serviços como geradora do nível de emprego Assim para tirar uma economia que está em um estado de recessão econô mica o governo deve intervir por meio de uma política de gastos públicos Isto significa o fim da crença clássica no laissezfaire como mecanismo de ajuste dos mercados PINHO VASCONCELLOS 2004 Os argumentos da teoria keynesiana influenciaram muito a política econô mica dos países após 1930 principalmente nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial Em 1937 John Hicks publicou um artigo com o nome Mr Keynes and the classics a suggested interpetation que apresenta uma estrutura teórica conhecida como Modelo ISLM que foi a base para a formação da sín tese neoclássica no período pós guerra LOPES VASCONCELLOS 2000 Evolução da Teoria Macroeconômica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 21 A síntese neoclássica constituiuse em um movimento acadêmico que procurou introduzir os princípios da teoria keynesiana no pensamento da economia neoclássica Inicialmente foi desenvolvida por John Hicks mas foi popularizada pelo economista matemático Paul Samuelson com a publicação de seu livro Economics A partir de então as formulações de política são realizadas com base nessa estrutura teórica que admitia que a economia poderia alcançar um equilíbrio com desemprego abrindo espaço para a utilização de políticas monetárias e fiscais na promoção do pleno emprego No fim da década de 1950 surge a chamada curva de Phillips que pro cura relacionar a inflação com a taxa de desemprego sendo esta uma medida proxi do nível de atividade da economia Segundo este modelo teórico have ria um tradeoff entre inflação e desemprego uma vez que quanto maior o desemprego menor seria a taxa de inflação e viceversa Desde o seu surgi mento a teoria sofreu vários ajustes de acordo com a conjuntura econômica e questionamentos teóricos Apesar de adaptações a maneira como as variáveis desemprego e inflação relacionamse varia de país a país e ao longo do tempo BLANCHARD 2007 Assim durante a primeira metade da década de 1960 os formuladores de política tinham como instrumento o modelo ISLM que representa o equilíbrio no mercado de bens e serviços IS e no mercado monetário LM e por isso analisa os componentes da demanda agregada e a curva de Phillips que retrata as condições de oferta agregada De acordo com Blanchard 2007 a relação da curva de Phillips mostrouse verdadeira até a década de 1970 quando os choques do petróleo de 1973 e 1979 provocaram aumento no nível de preços ou seja a inflação subiu por razões não inerentes a custos relativos ao trabalho mas sim por causa do aumento do preço do petróleo sendo uma inflação de custo e não de demanda As mudanças na conjuntura internacional fizeram com que as críticas dos economistas Edmund Phelps 1967 e Milton Friedman 1968 ganhassem noto riedade Segundo eles os indivíduos preocupamse com a evolução das variáveis reais e não nominais assim as expectativas de evolução dos preços são impor tantes Neste sentido propõem a inclusão da expectativa da inflação na análise da curva de Phillips que fica conhecida como curva de Phillips modificada INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 22 Agora o importante é considerar de que forma os agentes formam suas expec tativas Friedman defendia as chamadas expectativas adaptativas por meio das quais os agentes formulavam suas expectativas de inflação baseados na inflação passada Por outro lado Robert Lucas e Thomas Sargent defendem as expecta tivas racionais nas quais os agentes possuem todas as informações e têm pleno domínio do instrumental macroeconômico ou seja inflação esperada é igual à inflação realizada Neste sentido surgem as análises da curva de Phillips com expectativas adaptativas e racionais esta última chamada de versão aceleracio nista BLACHARD 2007 De acordo com Pinho e Vasconcellos 2004 os grandes modelos macroeco nométricos foram desenvolvidos pelos autores adeptos à síntese neoclássica com destaque para Jonh R Hicks Roy F Harrod James E Meade Franco Modigliane Willian Phillips entre outros Durante as décadas de 1970 e 1980 surge a escola das expectativas racionais também conhecida como novos clássicos Esta escola defende que os agentes econômicos formam as suas expectativas sobre o comportamento futuro de uma determinada variável econômica baseado nas informações passadas e presentes assim não cometem erros sistemáticos Neste sentido vão se formando quatro grandes escolas do pensamento macroeconômico os keynesianos os neoclás sicos os novos clássicos e os póskeynesianos Os póskeynesianos surgem a partir da década de 1970 e fazem uma relei tura de Keynes Defendem que as deficiências na demanda agregada é que são responsáveis pelos níveis de desemprego verificados em muitos países pela redu ção da atividade econômica e desaceleração da taxa de crescimento do produto A demanda agregada da economia é formada pelas despesas com bens de con sumo e pelos gastos com investimento realizados pelas empresas gastos com bens de capital No entanto estes dependem das expectativas dos empresários com relação à lucratividade do investimento e ao seu custo de oportunidade ou seja o empresário avaliará se vale mais a pena investir na empresa ou deixar o capital aplicado em ativos do mercado financeiro Agindo assim o empresário está sendo racional Evolução da Teoria Macroeconômica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 23 Por outro lado os gastos com bens de consumo dependem da renda auferida pela população Quando maior a renda maior o consumo No entanto o rendi mento recebido depende do emprego Em períodos de alto investimento novos postos de trabalho são criados estimulando a renda e o consumo Assim temos que o investimento determina o nível de emprego o qual determina a renda e que por sua vez determina o consumo Para os póskeynesianos quando há uma deficiência de demanda agregada significa que há uma deficiência na geração de novos investimentos assim o governo deve atuar estimulando os investimentos De acordo com Lopes e Vasconcellos 2000 os neoclássicos e os novos clássicos são frequentemente denominados de monetaristas e os economistas póskeynesianos podem ser distribuídos em três grupos os neoricardianos os fundamentalistas e regulacionistas Finalmente devem ser lembrados os institucionalistas cuja principal carac terística é destacar em suas análises o papel das instituições e da tecnologia na formação dos preços e alocação de recursos Eles entendem que a estrutura de poder e o controle das várias instâncias decisórias devem ser incorporadas à análise econômica Nos dias atuais qual teoria macroeconômica é utilizada pelos governos dos países capitalistas INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 24 CONTABILIDADE NACIONAL Como o objetivo da macroeconomia é estudar a determinação e o comporta mento dos grandes agregados nacionais este tópico concentrará as suas análises na medição das variáveis que representam o fluxo de bens e serviços da economia como um todo que são medidos com base em um sistema contábil denominado sistema de contas nacionais DETERMINAÇÃO DO PRODUTO NACIONAL A medida mais ampla da atividade econômica agregada é o Produto Interno Bruto PIB que pode ser mensurado pela abordagem do produto da demanda e da renda Os conceitos de produto renda e despesas são equivalentes Esta igualdade pode ser representada de forma simplificada com base no fluxo cir cular da renda representado pela Figura 1 MERCADO DE BENS E SERVIÇOS MERCADO DE FATORES DE PRODUÇÃO EMPRESAS FAMÍLIAS Receita PIB Bens e serviços vendidos Despesas PIB Salários aluguéis e lucros PIB Renda PIB Bens e serviços comprados Insumos para a produção Fluxo de moeda Fluxo de bens e serviços Terra trabalho e capital Contabilidade Nacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 25 Figura 1 Fluxo circular da renda Fonte Mankiw 2006 De acordo com a Figura 1 as empresas ao produzirem bens e serviços contra tam os fatores de produção que são fornecidos pelas famílias Estes fatores ao serem empregados no processo produtivo são remunerados gerando renda às famílias que é inicialmente gasta na aquisição de bens e serviços fornecidos pelas empresas Desta forma as famílias geram renda para as empresas Com base neste fluxo podemos estabelecer a seguinte identidade macroeconômica MANKIW 2006 PRODUTO AGREGADO DESPESA AGREGADA RENDA AGREGADA INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 26 Assim o Produto Interno Bruto PIB pode ser medido sob a ótica da produ ção da renda e da despesa agregada Produto Interno Bruto sob a ótica do produto agregado é o valor total de mercado de todos os bens finais e serviços pro duzidos dentro de um país durante um dado período de tempo MANKIW 2006 Produto Interno Bruto sob a ótica da renda agregada repre senta a soma das rendas recebidas pelos produtores incluindo os lucros e os impostos pagos ao governo cujo conceito chave é a renda nacional ABEL BERNANKE CROUSHORE2008 Na renda nacional estão inclusos salários dos empregados renda dos proprietários aluguel lucros empresariais juros líquidos impostos sobre a produção e as importações pagamentos líquidos de transferências correntes das empresas superávit corrente de empreendimentos governamentais Produto Interno Bruto sob a ótica da despesa agregada representa a soma das despesas totais com bens e serviços finais BLANCHARD 2007 O PIB sobre a ótica da demandadespesa agregada pode ser representado pela seguinte equação Y C I G X M Contabilidade Nacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 27 Em que Y PIB produção total renda total despesa total C consumo I investimento G compras de bens e serviços pelo governo M importações X exportações Blanchard 2007 interpreta da seguinte forma os componentes do PIB na abor dagem da demanda agregada Consumo C são os bens e serviços comprados pelos consu midores e que variam de alimentos a passagens aéreas passando pelas férias pelo carro novo e assim por diante O consumo é o maior componente do PIB Investimento I também chamado de investimento fixo Pode ser não residencial que é o gasto feito pelas empresas em estruturas equipamentos e software e residencial que é o gasto na construção de novas casas e novos edifícios Gastos do Governo G são os bens e serviços comprados pelos governos federal estadual e municipal Exportações X são as vendas de bens e serviços para o resto do mundo Importações M são as compras de bens e serviços do resto do mundo De acordo com Mankiw 2006 as principais características do PIB são a produção é valorada a preços de mercado registrar somente o valor dos bens finais não dos bens inter mediários o valor é contado somente uma vez incluir tanto bens tangíveis alimentos vestuáriocarros como intangíveis serviços em geral não incluir transações envolvendo bens produzidos no passado medir o valor da produção dentro dos limites geográficos de um país INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 28 Podemos verificar pela equação do PIB sob a ótica da demanda agregada que um aumento do consumo do investimento dos gastos do governo e das expor tações causam elevação no PIB e viceversa e que o aumento nas importações causam a redução Assim quando o governo quer estimular o crescimento eco nômico ele pode adotar políticas que gerem aumento em uma das variáveis que compõem a fórmula do PIB no entanto deve levar em consideração os impac tos que isto pode gerar na economia como nos preços mas estudaremos estes impactos em capítulos posteriores O que devemos entender é que no Brasil o governo está presente em inú meras atividades econômicas seja como produtor de bens e serviços como consumidor ou como regulador dos mercados No caso de produtor de bens e serviços por meio das empresas estatais ou de economia mista esta atividade é registrada na contabilidade nacional como se fosse uma empresa privada Mas o que entraria na conta gastos do governo Na conta gastos do governo G são registradas as despesas com a oferta de bens públicos cujo fomento destas atividades provêm da arrecadação de impos tos taxas e contribuições Lopes e Vasconcellos 2000 definem bens públicos aqueles bens e serviços que não podem ser promovidos pelo mecanismo de mercado como justiça segurança nacional administração pública etc Mas e a oferta de serviços educacionais e de saúde Estes são providos pelo governo como forma de fazer uma redistribuição de renda Os impostos arrecadados pelo governo podem ser distribuídos em duas categorias i Impostos diretos inclui os impostos que incidem diretamente sobre a renda e riqueza das pessoas jurídicas empresas e físicas população São eles IRPJ IRPF CSLL IPTU ITR ii Impostos indiretos são aqueles que incidem sobre a produ ção e comercialização dos bens e serviços como IPI ICMS IX IM PIS COFINS Contabilidade Nacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 29 Nesse sentido a presença do governo na economia com a cobrança de impos tos faz com que a função consumo keynesiana no mercado de bens e serviço seja representada por DORNBUSCH et al 2006 C C0 cY T C C0 cYd Em que C consumo total C0 consumo autônomo que não depende da renda c propensão marginal a consumir Y PIB renda total produção total despesa total Yd renda disponível T tributos Desta forma percebemos que a carga tributária reduz a renda disponível e é esta que devemos levar em consideração quando analisamos o consumo agre gado da economia pois é esta renda de que os consumidores realmente dispõe para gastar ou poupar A função consumo keynesiana diznos que ele depende do consumo autônomo nível mínimo de consumo na economia que independe da renda e da propensão marginal a consumir da renda disponível c Esta pro pensão marginal a consumir varia de 0 a 1 quanto mais próximo de 1 maior será a propensão marginal a consumir e assim maior será o impacto da renda na determinação do consumo Por outro lado quanto mais próximo de 0 for a propensão marginal a consumir da renda disponível maior será a propensão marginal a poupar desta economia Como temos a identidade de que poupança é igual a investimento significa que nesta economia a demanda agregada acaba sendo incentivada mais pelo investimento do que pelo consumo em si Mas estas são questões que estudaremos a partir da Unidade 3 de nosso livro INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 30 Com a introdução do governo podemos chegar a mais dois conceitos sobre o pro duto produto a custo de fatores Pcf e o produto a preços de mercado Ppm Quando excluímos no cálculo do produto os impostos indiretos e incluímos os subsídios pagos pelo governo temos o conceito de produto a custo de fato res Pcf Por outro lado quando incluímos no cálculo do produto os impostos indiretos e excluímos os subsídios estamos trabalhando com o conceito de pro duto a preços de mercado Ppm Neste sentido temos a seguinte relação Ppm Pcf impostos indiretos subsídios Podemos verificar por esta relação que os impostos indiretos aumentam os preços de mercado dos produtos e serviços da economia e quem os paga são os consu midores Por outro lado quando o governo subsidia os custos de produção de determinados bens e serviços os consumidores são beneficiados Sabemos que o governo não pode gastar G mais do que arrecada com im postos taxas e contribuições T Quando G T temos um superávit do go verno quando os G T temos um déficit público No entanto o déficit deve ser financiado de alguma forma senão alguém vai ficar sem receber Mas quais as formas de financiamento do déficit público Algumas formas são lançamento e novos impostos como a CPMF o conhecido imposto do cheque aumento da carga tributária lançamento de títulos da dívida pública como Letras do Tesouro Nacio nal que podem ser compradas no site do Tesouro Direto Fonte a autora Contabilidade Nacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 31 PIB REAL E PIB NOMINAL O produto é medido em termos monetários e em um país como o Brasil que possui inflação temos dificuldade de interpretar a sua evolução Neste sentido devemos saber diferenciar o PIB nominal do PIB real Valor nominal é o valor de um bem medido em reais na data em que o paga mento é efetuado Assim o PIB nominal é a produção de bens e serviços avaliada a preços correntes Devido à inflação ou à desvalorização da moeda antes de fazermos qualquer comparação ou operação aritmética envolvendo o valor de um bem é necessário uniformizar a unidade de medida ou seja é necessário calcular os valores reais ou a preços constantes Neste sentido o PIB real é a pro dução de bens e serviços avaliada a preços constantes e são estes que utilizamos para verificar se houve ou não crescimento econômico Para tirar o efeito da inflação sobre a evolução dos agregados monetários utilizamos os chamados índices de preços No deflacionamento do PIB nominal utilizamos o deflator implícito do PIB que corresponde à razão entre a soma de todos os preços no período corrente atual multiplicados pelas quantidades do período corrente e a soma de todos os preços do período base multiplicado pelas quantidades do período base veja HOFFMAN 2009 Desta forma o deflator do PIB também pode ser medido como sendo a razão entre o PIB nominal e o PIB real multiplicada por cem Defator do PIB ΣQtPt x 100 ΣQ0P0 Defator do PIB PIB nominal x 100 PIB real INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 32 O valor real portanto responde à seguinte pergunta quanto o valor teria subido em determinado período se os preços permanecessem os mesmos do ano base Para isso devese excluir do valor nominal o efeito da inflação Isto pode ser realizado por meio de algum índice que sirva de deflator para o período Matematicamente isso não é nada mais do que a seguinte fórmula O deflator implícito do PIB para o período de 1995 a 2011 está apresentado na tabela a seguir Tabela 1 Deflator implícito do PIB anobase 1995 ANO DEFLATOR DO PIB 1995 100 1996 11813 1997 12329 1998 12949 1999 13966 2000 14800 2001 16368 2002 18391 2003 21362 2004 22876 2005 24636 2006 25593 2007 27055 2008 29745 2009 32303 2010 35414 2011 35170 Fonte adaptado de Ipeadata 2018 online1 PIB real x 100 PIB nominal Defator do PIB Contabilidade Nacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 33 Exemplo 1 Segundo dados disponíveis no Ipeadata o PIB nominal do Brasil para o período de 2008 a 2011 estão apresentados na Tabela 2 Dado que o deflator implícito do PIB para os anos de 2008 2009 2010 e 2011 são 29745 32303 25414 e 35170 calcule o PIB real para os períodos de 2008 a 2011 sendo 1995 o anobase ou seja calcule o PIB real a preços de 1995 Tabela 2 PIB nominal brasileiro ANO PIB NOMINAL MILHÕES 2011 437638200 2010 388584700 2009 333303900 2008 310980300 Fonte adaptado de Ipeadata 2018 online1 Solução FÓRMULA O Pib real de 2011 a preços de 1995 é PIB real x 100 124435087 437638200 35170 O Pib real de 2010 a preços de 1995 é PIB real x 100 109726295 388584700 35414 O Pib real de 2009 a preços de 1995 é PIB real x 100 103180479 333303900 32303 O Pib real de 2008 a preços de 1995 é PIB real x 100 104548765 310980300 29745 Assim podemos verificar que o valor do PIB real a preços de 1995 quando tira mos a inflação do período é bem menor Agora podemos calcular o crescimento econômico pela seguinte fórmula INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 34 Tabela 3 Cálculo do crescimento real do PIB ANO PIB REAL CRESCIMENTO 2008 104548765 2009 103180479 1 x 100 131 103180479 104548765 2010 109726295 1 x 100 634 109726295 103180479 2011 124435087 1 x 100 134 124435087 109726295 Fonte a autora Assim temos em nosso exemplo que a economia brasileira decresceu em 2009 em relação a 2008 mas apresentou alta recuperação real nos anos subsequentes 1 x 100 PIB real t PIB real t 1 O deflator do PIB do Brasil é calculado pelo IBGE Instituto Brasileiro de Ge ografia e Estatística As séries históricas trimestral e anual do deflator implí cito estão disponíveis no site do Ipeadata disponível em wwwipeadata govbr Fonte a autora Balanço de Pagamento Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 35 BALANÇO DE PAGAMENTO Todo dinheiro estrangeiro ou divisas que entra no Brasil e sai dele em um deter minado período é contabilizado em uma demonstração financeira nacional chamada balanço de pagamentos que representa o resumo contábil das transa ções econômicas de um país com o resto do mundo Na definição utilizada pelo FMI Fundo Monetário Internacional o balanço de pagamentos é o registro sistemático das transações econômicas realizadas durante determinado período de tempo entre residentes e não residentes de um país Definemse residentes as pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas em um país indivíduos com residência fixa mesmo imigrantes filiais de empresas estrangeiras sediadas no país funcionários em serviço no exterior indivíduos que se encontram transitoriamente no exterior entre outros Este balanço de pagamentos é elaborado pelo Banco Central tendo como referência as transa ções realizadas pelos residentes do país no caso o Brasil e os residentes de outros países Toda entrada de divisas constitui um crédito e toda saída de divisas cons titui um débito veja o Quadro 1 a seguir INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 36 Quadro 1 Entrada e saída de divisas CRÉDITO DÉBITO Exportação de bens e serviços Importação de bens e serviços Entrada de divisas por meio de doa ções e indenizações de estrangeiros Pagamentos de doações e indeniza ções a estrangeiros Entrada de divisas por meio de em préstimos de estrangeiros Pagamentos de empréstimos Venda de ativos financeiros para estrangeiros Compras de ativos estrangeiros Recebimento de fretes Pagamento de fretes Recebimento de royalties etc Pagamento de royalties etc Fonte adaptado de Lopes e Vasconcelos 2000 Assim todos os dias existem entradas e saídas de moeda estrangeira no Brasil Quando as operações de crédito são superiores às operações de débito o saldo do balanço de pagamento é superavitário significando que está entrando mais moeda estrangeira do que saindo dólar por exemplo e o dólar desvalori zase em relação ao real ocasionando valorização na taxa de câmbio nominal Por outro lado quando as operações de crédito são menores que as operações de débito o saldo do balanço de pagamento é deficitário significando que está saindo mais moeda estrangeira do que entrando e o dólar valorizase em relação ao real ocasionando desvalorização nominal da taxa de câmbio Por isso quando vemos no noticiário que a balança comercial é deficitária exportações meno res que as importações a taxa de câmbio tende a se desvalorizar e viceversa De acordo com Feijó 2007 a estrutura do balanço de pagamento segue três contas analíticas Transações correntes referemse à movimentação de mercadorias e de serviços inclusive os serviços de remuneração de capitais juros e divi dendos pagamentos e recebimentos de rendas de capital e trabalho e transferências unilaterais de renda Balanço de Pagamento Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 37 Conta capital registra as transferências unilaterais de ativos reais ati vos financeiros ou ativos intangíveis entre residentes e não residentes Conta financeira registra todos os tipos de fluxos de capitais entre o país e o resto do mundo Diferentemente a estrutura do balanço de paga mento é apresentada como se segue Quadro 2 Estrutura do balanço de pagamentos BALANÇO DE PAGAMENTOS A BALANÇA DE TRANSAÇÕES CORRENTES I Balanço comercial exportações FOB importações FOB II Balanço de serviços transportes fretes etc seguros viagens interna cionais turismo rendas de capital juros lucros dividendos envio de royalties patentes assistência técnica comissões aluguel de equipamen tos entre outros III Transferências unilaterais remessas feitas por empregado migrantes e doações Saldo em transações correntes I II III B BALANÇA MOVIMENTO DE CAPITAIS IV Investimentos investimentos estrangeiros diretos V Reinvestimentos VI Empréstimos e financiamentos de médio e longo prazo VII Empréstimos de curto prazo VIII Amortizações IX Capitais de curto prazo X Erros e omissões Saldo de capital IV V VI XI C ERROS E OMISSÕES SALDO DO BALANÇO DE PAGAMENTOS A BC D TRANSAÇÕES COMPENSATÓRIAS XI Variações das reservas internacionais XII Operações de regularização XIII Atrasados comerciais Fonte adaptado de Feijó 2007 FOB Free on board As despesas incluídas no valor das mercadorias são as incorridas até o embarque destas INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 38 Assim as contas do balanço de pagamentos contabilizam as diferentes transações internacionais de um país sendo que os créditos entram com sinal positivo e o débito negativo O saldo em transações correntes TC é chamado de poupança externa do país Quando o saldo é positivo dizemos que estamos transferindo bens e serviços para o resto do mundo assim a poupança externa é negativa Por outro lado quando há déficit no saldo em transações correntes dizemos que a poupança externa é positiva ou seja estamos absorvendo recursos do resto do mundo para financiar o nosso consumo e nossos investimentos A conta movimento de capitais MK inclui as contas que representam direi tos e obrigações de residentes no país com não residentes inclui os investimentos estrangeiros diretos os reinvestimentos das empresas multinacionais já locali zados no país os empréstimos e financiamentos de curto médio e longo prazo o pagamento de empréstimos amortização o capital especulativo direcionado às aplicações do mercado financeiros A conta erros e omissões serve para arrumar erros no registro das operações visto que muitas das transações com o exterior são lançadas com valores esti mados O resultado do balanço de pagamentos deve estar em equilíbrio e isto ocorre quando o total de créditos é igual ao total de débitos Assim temos que se o SBP 0 o BP está em equilíbrio se o SBP 0 o BP está superavitário se o SBP 0 o BP está deficitário O que ocorre quando o saldo do balanço de pagamentos não está em equilíbrio A resposta a essa pergunta levanta a importância das contas que fazem parte das transações compensatórias Quando o saldo do BP é positivo significa que temos excesso de divisas ou ouro e estas são direcionadas à conta denominada varia ção de reservas Quando o saldo do BP é deficitário este poderá ser coberto por uma saída de divisas ou de ouro da conta variação de reservas E quando usamos as contas operações de regulamentação e atrasados comerciais A conta operações de regulamentação é utilizada quando são realizadas operações com instituições internacionais como os empréstimos feitos com 350000 300000 250000 200000 150000 100000 50000 50000 100000 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 Saldo da Balança Comercial Exportações Importações Balanço de Pagamento Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 39 o FMI Fundo Monetário Internacional para cobrir déficits de BP Já a conta atrasados comerciais referese ao não pagamento de um compromisso no prazo que também é uma forma de financiar o déficit do BP A balança comercial do Brasil tem grande importância para a geração de sal dos positivos do balanço de pagamento Desta forma a Figura 2 apresenta o saldo da balança comercial e o volume de exportações e importações brasileiras no período de 1995 a 2016 Podemos verificar que logo após a implantação do Plano Real com a valorização do real em relação ao dólar até 2001 a balança comer cial brasileira foi deficitária Com a mudança do regime de cambial para regime de câmbio flexível administrado verificase que o saldo da balança comercial é superavitário até 2008 quando sofre uma queda decorrente da crise financeira de 2008 na economia internacional US milhões Figura 2 Evolução do Saldo da Balança Comercial no período de 1995 a 2016 Fonte adaptado de Banco Central 2018 online2 Verificase na Figura 2 que o pior resultado foi em 2015 no auge da crise política do governo que mesmo com o câmbio desvalorizado a balança comercial registrou um saldo negativo de US 54 733 milhões com recupe ração em 2016 INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 40 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade aprendemos que a macroeconomia é a parte da teoria econô mica que trata do estudo sobre o comportamento da economia como um todo buscando entender como se dá o aumento do produto da renda e do emprego ao longo de um determinado período de tempo Suas principais teorias origi naramse no século XVIII com o lançamento da obra A Riqueza das Nações desenvolvida pelo economista inglês Adam Smith considerado o precursor da teoria clássica Também aprendemos que a medida da atividade econômica agregada de um país é definida pelo Produto Interno Bruto PIB que pode ser mensurado pela abordagem do produto da demanda e da renda sendo o mais utilizado nas análises de impacto de políticas a definição do PIB pela ótica da demanda ou despesa agregada No entanto em um país como o Brasil que possui inflação devemos tirar o efeito desta do cálculo do PIB para que possamos interpretar corretamente a sua evolução assim na medição do crescimento econômico de um país utilizamos PIB real Vimos pela equação do PIB sob a ótica da demanda agregada que um aumento do consumo do investimento dos gastos do governo e das exporta ções causam elevação no PIB e viceversa e que um aumento nas importações causam redução Finalizamos esta unidade aprendendo como são contabilizados os recursos monetários que entram e saem de nossa economia por meio da demonstra ção financeira denominada balanço de pagamentos que é realizada pelo Banco Central e tem de estar em equilíbrio ou seja o total de créditos deve ser igual ao total de débitos quando isto não acontece o Balanço de Pagamentos está em desequilíbrio Quando há um superávit significa que há um excesso de divi sas moeda estrangeira que é então enviado para conta variação de divisas do Banco Central Quando há déficit significa que saiu mais divisas do que entrou e o balanço de pagamentos precisa ser financiado o que pode ser feito de várias formas entrada de divisas da conta variação de divisas empréstimos de insti tuições internacionais como o FMI ou deixar de realizar algum pagamento 41 1 Em 2015 o PIB do Brasil foi de X bilhões de reais No entanto em um cenário hi potético no ano de 2016 todos os componentes do PIB mantiveramse constan tes exceto as importações que cresceram 60 Dessa forma podemos afirmar que o PIB do Brasil em 2016 em relação ao de 2015 iria a Crescer b Diminuir c Manterse igual d Manterse igual em 2016 e variar em 2017 e Não é possível determinar 2 Para fins de compreensão digamos que em determinado ano fictício o Brasil apresentou a seguinte composição econômica Taxa de juros 15 ao ano Consumo R 30500000 Gastos do governo R 25000000 Investimentos R 11500000 Importações R 7500000 Exportações R 5500000 Dívida pública R 12000000 Produção agrícola R 8000000 Com base nos dados apresentados e no livro Macroeconomia I marque a alter nativa que representa o valor CORRETO do Produto Interno Bruto PIB a R 100000000 b R 85000000 c R 80000000 d R 69000000 e R 65000000 42 3 A política fiscal é uma das maneiras que o governo possui para intervir e regu lar a atividade econômica do país Para isso ele manipula seus próprios níveis de gastos e de arrecadação de tributos adotando políticas expansionistas ou contracionistas Dessa forma caso o governo queira realizar uma política fiscal expansionista ele poderá a Aumentar os gastos e reduzir os tributos b Aumentar os gastos e aumentar os tributos c Reduzir os gastos e reduzir os tributos d Reduzir os gastos e aumentar os tributos e Aumentar ou reduzir os gastos e aumentar os tributos 4 O PIB Produto Interno Bruto representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país em um determinado período de tempo Sendo assim com base nos indicadores abaixo assinale a alternativa que apresenta a fór mula CORRETA para a determinação do PIB A Consumo E Exportações B Importações F Investimento C Gastos do governo G Produção agrícola a ABCEFG b ABCEFG c ABCEF d ABCEF e ABCE 5 Considere que o PIB nominal do Brasil para o ano de 2001 é de R 1315756 e que o deflator implícito é 164 em relação a 1995 Calcule o valor do PIB real a preço de 1995 e assinale a alternativa correta a R 80229024 b R 80329242 c R 108329024 d R 129280342 e R 80239242 43 O texto abaixo faz parte da análise sobre a conjuntura brasileira para o primeiro trimes tre de 2017 realizada por Marcelo José Nonnenberg do IPEA O comércio exterior brasileiro parece estar entrando em um novo ciclo de preços Nos últimos 12 meses os preços das expor tações começam a dar mostras de forte recuperação Esse aumento é mais intenso nas commodities mas é observado tam bém nos demais produtos de exportação Ao mesmo tempo os preços das importa ções se mantêm constantes causando uma expressiva melhora dos termos de troca Por outro lado a taxa de câmbio vem se valorizando com efeitos opostos sobre as exportações e as importações No acumu lado do ano até fevereiro as exportações cresceram 236 principalmente devido ao aumento de 417 dos básicos Esse crescimento por sua vez reflete tanto um aumento generalizado dos preços de expor tação quanto um aumento das quantidades exportadas de básicos e semimanufatura dos Já as importações cresceram 12 no acumulado do ano devido basicamente ao aumento de 226 dos produtos interme diários em especial dos produtos agrícolas e alimentícios O déficit em transações cor rentes caiu fortemente entre 2015 e 2016 passando de US 594 bilhões para US 235 bilhões A queda do déficit corrente em 2016 foi devido principalmente ao aumento do superávit comercial em US 274 bilhões ao mesmo tempo em que o déficit da conta serviços experimentou uma redução de US 65 bilhões com relação a 2015 Já o déficit da conta de renda primá ria mantevese razoavelmente constante alcançando US 410 bilhões em 2016 Em janeiro deste ano esse valor foi um pouco superior ao verificado no mesmo mês do ano passado atingindo US 53 bilhões Em compensação o ingresso líquido de capitais externos também caiu bastante em 2016 na comparação com o ano ante rior O saldo da conta capital e financeira passou de US 556 bilhões em 2015 para US 164 bilhões em 2016 uma queda de US 392 bilhões Apesar de essa queda ser maior do que a observada na conta de tran sações correntes é preciso lembrar que a conta erros e omissões também cresceu fortemente em 2016 Fonte Nonnenberg 2017 online3 MATERIAL COMPLEMENTAR Princípios de Macroeconomia 6 edição N Gregory Mankiw Editora Cengage Learning Sinopse o estudo de economia é um dos mais fascinantes e complexos de todas as ciências Constituise portanto em estimulante desafio o domínio dos seus princípios fundamentais conjugados com a necessidade do entendimento das inúmeras dificuldades com que a economia global vem se defrontando Para melhor compreender o mundo e poder participar ativamente dele é preciso ter à mão um manual completo e atualizado Esta obra além dos ferramentais consagrados dispõe também das mais recentes descobertas da economia e dos instrumentos de política econômica para utilizála Pensando nisso N G Mankiw escreveu em linguagem clara e amigável Introdução à economia levando em conta três razões principais que segundo ele o estudante tem para aprender economia entender o mundo em que vive ser um participante mais perspicaz da economia e compreender melhor os potenciais e os limites da política econômica REFERÊNCIAS ABEL A B BERNANKE B S CROUSHORE D Macroeconomia 6 ed São Paulo Pe arson Addison Wesley 2008 BLANCHARD O Macroeconomia 4 ed São Paulo Prentice Hall 2007 DORNBUSH R FISCHER S STARTZ R Macroeconomia São Paulo McGrawHill do Brasil 2006 FEIJÓ C A et al Contabilidade Social Rio de Janeiro Elsevier 2007 HOFFMANN R Estatística para Economistas 4 ed São Paulo Cengage Learning 2009 KEYNES J M A Teoria Geral do Emprego do Juro e da Moeda São Paulo Atlas 1992 LOPES L M VASCONCELLOS M A S Manual de Macroeconomia Básico e Inter mediário São Paulo Atlas 2000 MANKIW NG Macroeconomia 5 ed Rio de Janeiro LTC 2004 Introdução à Economia princípios de micro e macroeconomia 3 ed Rio de Janeiro Pioneira Thomson 2006 PINHO D B VASCONCELLOS M A S Manual de Economia 5 ed São Paulo Sa raiva 2004 VASCONCELLOS M A S GARCIA M E Fundamentos de Economia 3 ed São Paulo Saraiva 2008 REFERÊNCIAS ONLINE 1 Em wwwipeadatagovbrDefaultaspx Acesso em 15 fev 2018 2 Em wwwbcbgovbrhtmsinfeconseriehistbpm6asp Acesso em 15 fev 2018 3 Em wwwipeagovbrportalimagesstoriesPDFsconjuntura170310CC34 setorexternopdf Acesso em 15 ev 2018 45 GABARITO 1 B 2 E 3 A 4 D 5 A GABARITO UNIDADE II Professora Dra Juliana Franco Afonso SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Objetivos de Aprendizagem Apresentar as funções da moeda e sua importância para a atividade econômica Conhecer o processo de criação de moeda na economia e seu efeito multiplicador Conhecer os determinantes da demanda por moeda e sua relação com a taxa de juros Plano de Estudo As funções da moeda e a sua importância Oferta de moeda Demanda por moeda Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 49 INTRODUÇÃO Hoje no século XXI não conseguimos nem imaginar como era o mundo antes do aparecimento da economia monetária Como as pessoas faziam as trocas de bens e serviços Pois é caroa alunoa o mundo não era tão fácil até o século XV quando as primeiras moedas metálicas começam a aparecer Antes as trocas eram rea lizadas por um mecanismo denominado escambo ou seja trocas diretas de mercadorias Mas para que a troca pudesse ser realizada havia a necessidade de ocorrer uma coincidência de desejos entre dois indivíduos o que dificultava muito as trocas pois nem sempre isso acontecia Com a evolução do comércio e com o aparecimento das cidades no entanto a sociedade começa a adotar a moeda mercadoria ou seja uma mercadoria com aceitação por toda a sociedade para servir como intermediária de troca Agora as trocas passam a ser realizadas de forma indireta Várias mercadorias funciona ram como moeda como o sal em Roma daí a denominação da palavra salário visto que os trabalhadores eram remunerados com sal A evolução deste meca nismo deu origem à moeda metálica de ouro e prata que ganha rapidamente a aceitação do público e passa a ser utilizada em grande escala nas transações comerciais Quando isso acontece surge a economia monetária nos países que ainda estavam se formando Diante do exposto meu objetivo é apresentar a você como se deu o sur gimento da moeda e suas transformações ao longo dos séculos até chegar na moeda como a conhecemos nos dias de hoje e como isto foi importante para a evolução da sociedade Além disso apresentarei a definição de oferta de moeda a sua mensuração e o processo de criação de moeda pelos bancos comerciais Isso mesmo Os bancos comerciais também têm o poder de criar moeda e não apenas o Banco Central A este processo de criação de moeda pelos bancos comerciais damos o nome de multiplicador da moeda e estudaremos o impacto disso na economia Boa leitura SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 50 AS FUNÇÕES DA MOEDA E SUA IMPORTÂNCIA Começarei este item apresentando a você como se deu a evolução da moeda ao longo da história da humanidade até chegarmos ao padrão que temos hoje Em seguida aprenderemos quais são as funções que a moeda deve desempenhar na economia para que seja considerada forte A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA MOEDA A moeda é um objeto de aceitação geral garantida por lei que é utilizado na troca de bens e serviços No entanto a história da humanidade revelanos que por muitos séculos o homem fez trocas sem a presença da moeda realizando escambo ou seja um indivíduo A troca as mercadorias que produz com exce dente por outras mercadorias produzidas pelo indivíduo B Assim o escambo era a troca direta de mercadoria que apresentava várias barreiras à evolução das transações comerciais visto que para que a troca fosse realizada era necessá rio que existisse uma contraparte que tivesse exatamente a necessidade oposta tinha de haver coincidência de desejos o que nem sempre acontecia Outra dificuldade era quanto à divisibilidade do produto Imagine um pecua rista que necessitasse de apenas dois quilos de trigo Por causa destas dificuldades As Funções da Moeda e sua Importância Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 51 a sociedade começa a buscar outras formas para agilizar as trocas e começam a aparecer as moedas mercadorias ou seja começa a se utilizar uma mercadoria como moeda de troca Agora as trocas passam a ser indiretas Veja o Esquema 1 ESCAMBO TROCA DIRETA PRODUTO X PRODUTO Y MOEDA MERCADORIA TROCA INDIRETA PRODUTO X MOEDAMERCADORIA PRODUTO Y Esquema 1 Fluxo de Mercadoria Fonte a autora Quando a sociedade passa a definir uma mercadoria que servirá como inter mediária de troca começa a surgir o conceito de moeda Isso facilitou muito as transações comerciais que eram realizadas nas feiras dentro das áreas feudais propiciando o surgimento das cidades Várias mercadorias foram utilizadas como moeda sal arroz trigo peixe entre outras dependia da região e do momento histórico Até a palavra salário teve sua origem pela utilização do sal em Roma para o pagamento de serviços prestados Mas mesmo tendo facilitado as tran sações comerciais este tipo de moeda continuava a apresentar os problemas de perecibilidade divisibilidade e estocagem a evolução da moeda mercadoria para a moeda metálica era uma questão de tempo As primeiras moedas metálicas utilizadas como instrumento monetário eram feitas com metais não preciosos como o cobre o bronze e o ferro Mas como estes metais existiam em abundância comprometiam uma das funções básicas da moeda que é servir como reserva de valor comprometendo a sua aceitação geral pela sociedade LOPES ROSETTI 1998 A substituição de metais não nobres pelo ouro e pela prata ocorreu de forma progressiva Como eles eram escassos o seu valor mantinhase relativamente está vel ao longo do tempo favorecendo a sua aceitação irrestrita LOPES ROSETTI 1998 Assim a existência de uma economia monetária só aparece de forma defi nitiva a partir do século XV com a utilização da moeda metálica feita de ouro e prata utilizada em grande escala como intermediária de troca Até o século SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 52 XIX o crescimento da produção destes metais acompanhou a evolução e cres cimento dos negócios pela descoberta de novas minas nas Américas no século XVI e na Austrália e África do Sul no século XIX LOPES ROSSETTI 1998 Este tipo de moeda resolve o problema da perecibilidade e da divisibilidade mas traz outros dois o custo do transporte decorrente de seu volume e o risco de assaltos Este último foi determinante para a decisão de se manterem as moe das em casas de custódia em troca de certificados de depósito os quais por comodidade e segurança começaram a circular no lugar dos metais monetários Tais certificados davam a seus titulares o direito de retirar o equivalente de ouro e prata junto às casas de custódia a qualquer momento Com o aumento da circulação dos certificados de depósito com lastro em ouro e prata estava criada uma nova modalidade de moeda denominada moedapapel com garan tia de plena conversibilidade Com o aumento da utilização deste tipo de moeda pelos agentes as casas de custódia verificaram que a conversão da moedapapel em metais preciosos não era solicitada ao mesmo tempo por todos os seus detentores e todos os dias novos depósitos eram realizados Diante disto as casas de custódia começa ram a emitir certificados de depósito sem lastro de conversão dando origem à moeda fiduciária ou papelmoeda A emissão de certificados sem lastro em metais preciosos permitiu às casas de custódia realizarem operações de empréstimos mediante a cobrança de juros emissão de títulos e ações Com a evolução destas operações os recibos de cus tódia passaram a ser fracionariamente conversíveis até chegarem aos dias atuais em que a moeda é de emissão privativa do Estado e não há conversibilidade Segundo Lopes e Rossetti 1998 foi a partir da crise de 19291933 chamada Grande Depressão que começou a quebra da bolsa de valores de Nova York as moedas nacionais deixaram de ter garantias com lastro metálico proporcional prevalecendo as seguintes características dos sistemas monetários inexistência de lastro metálico inconversibilidade absoluta monopólio estatal das emissões As Funções da Moeda e sua Importância Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 53 À medida que a sociedade evolui as formas de pagamentos das transações comer ciais também se modificaram e ao lado do papelmoeda de emissão privativa do Estado desenvolveuse outra modalidade de moeda a moeda bancária escri tural ou invisível São as moedas criadas pelos bancos comerciais por meio das operações de empréstimos ou seja transferência de recursos dos agentes superavitários para os agentes deficitários Os bancos perceberam que era possível emprestar uma parcela dos depósitos à vista realizados pelo público pois era improvável que todos sacas sem seus recursos ao mesmo tempo passando a manter sob a forma de encaixes apenas uma parcela dos depósitos à vista emprestando o valor restante Fazendo isto os bancos criam moeda escritural e o volume de meios de pagamentos torna se muito superior ao saldo de papelmoeda emitido pelo Banco Central É importante destacar que o depósito do público nos bancos comerciais é considerado moeda pois é uma promessa de pagar quando lhe for requerido Já o cheque por sua vez é apenas o mecanismo de conversão do depósito em moeda manual ou seja nada mais é do que uma ordem de transferência de fun dos da mesma forma o cartão de crédito CARTÃO DE CRÉDITO E OFERTA DE MOEDA A evolução das formas de moeda está vinculada ao objetivo de tornar mais fáceis as transações entre os agentes econômicos e os aspectos relaciona dos à redução dos custos de transação Hoje a grande maioria das compras são realizadas por cartões de débito e car tões de crédito O primeiro permite o acesso ao saldo da sua conta corrente que faz parte da oferta monetária mas o cartão de crédito permite que você tome dinheiro emprestado para realizar compras a prazo neste sentido não representa oferta de moeda pois é um passivo ou seja uma dívida Seu crédi to disponível é a quantidade que você pode tomar emprestado Fonte Krugman e Wells 2007 SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 54 AS DIFERENTES FUNÇÕES DA MOEDA Com a evolução econômica e social as transações passaram das trocas dire tas escambo para as trocas indiretas A mercadoria de aceitação geral pela sociedade para a realização das trocas indiretas é denominada moeda Seu uso generalizado gerou consenso a respeito das funções que deve exercer Segundo Krugman e Wells 2007 a moeda desempenha três funções principais na eco nomia moderna intermediária de trocas unidade de conta reserva de valor a Intermediária de trocas É a razão principal de sua existência Esta função possibilitou à sociedade passar de uma economia de escambo para uma economia monetária visto que não há mais a necessidade de haver coincidência de desejos entre as mercadorias para que as trocas aconteçam Segundo Lopes e Vasconcellos 2000 há vários bene fícios trazidos por esta função da moeda permite mais especialização e divisão social do trabalho reduz o tempo das transações e fornece à sociedade a liber dade de escolha do que e quando consumir A existência de uma economia monetária ao ajudar a sociedade a desco brir quais os bens de que necessita e em que quantidade orienta as empresas a decidir o que produzir b Unidade de conta ou medida de valor A moeda serve como uma unidade padrão de medida utilizada para comparar o valor de diversos bens e serviços que são expressos por meio dos preços Além disso é por meio da moeda que podemos somar itens distintos Oferta de Moeda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 55 c Reserva de valor Quando se recebe moeda por alguma transação que se tenha realizado não é preciso gastar todo o dinheiro imediatamente Podese guardálo para uso pos terior Isto significa que a moeda serve como reserva de valor Mas para que esta função seja cumprida é necessário que a moeda tenha o seu valor estável possi bilitando que a pessoa que a possui consiga quantificar o seu poder de compra Neste sentido a inflação leva à deterioração do valor da moeda e à perda de sua função como reserva de valor OFERTA DE MOEDA Neste item aprenderemos como é realizada a oferta de moeda na nossa econo mia ou seja quais são os mecanismos utilizados pelo Banco Central no processo de criação e emissão de moeda assim como o processo de criação de moeda rea lizado pelos bancos comerciais OFERTA MONETÁRIA Para que possamos entender o processo de criação de moeda definida como meios de pagamento devemos conhecer o que estamos considerando como moeda É importante esclarecer que em um sistema cuja moeda é lastreada por uma determinada mercadoria ouro por exemplo a sua circulação depende do estoque de ouro no país mas em um sistema sem lastro onde temos a moeda fiduciária o responsável pelo controle de oferta de moeda é o Banco Central sendo este o único órgão emissor da moeda nacional Assim devemos enten der o que é oferta de moeda na visão do Banco Central SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 56 Definimos como meios de pagamento o total de haveres monetários possuídos pelo setor não bancário de liquidez imediata O estoque de meios de pagamento M é representado por LOPES VASCONCELLOS 2000 M PMPP DV Sendo M estoque de meios de pagamento ou oferta de moeda PMPP papelmoeda em poder do público emitido pelo Banco Central DV depósitos à vista nos bancos comerciais O papelmoeda em poder do público PMPP é a moeda manual moeda metá lica papelmoeda e o depósito à vista DV é a moeda escritural ou bancária é o valor que o correntista tem depositado nos bancos comerciais Mas o que dizer das aplicações financeiras depósitos a prazo que rendem juros e possuem alta liquidez Segundo definição do Banco Central as aplicações financeiras são denomi nadas quasemoeda cujo surgimento levou a novos conceitos sobre agregados monetários classificados de acordo com seus graus de liquidez como afirmam Lopes e Vasconcellos 2000 Oferta de Moeda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 57 M1 Papel moeda em poder do público depósitos à vista M2 M1 título público em poder do setor privado M3 M2 depósitos de poupança M4 M3 depósitos a prazo e outros títulos privados O conceito M1 é o que utilizamos para mensurar o total de oferta de moeda na economia Do total de moedas criadas pela Casa da Moeda parte fica como caixa no Banco Central reserva e parte é emitida veja Papelmoeda em circulação Papelmoeda emitido Caixa do Banco Central Do papelmoeda em circulação retiramos o dinheiro que fica na forma de reserva ou caixa nos bancos comerciais e chegamos ao conceito de papelmo eda em poder do público Papelmoeda em poder do público Papelmoeda em circulação Caixa nos bancos comerciais O processo de criação de moeda O Banco Central possui o monopólio da emissão de moeda na economia mas os bancos comerciais também têm o poder de criar moeda denominada moeda escritural O processo de criação de moeda pelos bancos comerciais é resultado dos empréstimos de uma fração do dinheiro que é captado de seus correntistas sob a forma de depósitos à vista Ao fazer isto o banco abre novos depósitos cria meios de pagamentos adicionais gerando um efeito multipli cador da moeda Mas como se dá o processo de criação de moeda pelos bancos comerciais SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 58 Para responder esta pergunta devemos primeiro entender as contas do sis tema bancário O Quadro 1 apresenta o balanço patrimonial simplificado dos bancos comerciais Quadro 1 Balanço patrimonial simplificado dos bancos comerciais BALANÇO CONSOLIDADO DOS BANCOS COMERCIAIS ATIVO Aplicação de Recursos PASSIVO Origem de Recursos Caixa dos Bancos Comerciais Depósito à vista Reservas Compulsórias Depósito de poupança Reservas Voluntárias Depósito a prazo Empréstimos Empréstimos Títulos Repasses do BNDES e CEF Imobilizado Patrimônio líquido Fonte adaptado de Mishkin 2002 Verificase pelo Quadro 1 que os bancos possuem em seu passivo os recur sos próprios na conta denominada patrimônio líquido e recursos de terceiros representados pelos depósitos à vista dinheiro em conta corrente e a prazo aplicações financeiras do público em títulos de dívida privada como cader neta de poupança CDB LCI LCA etc captados junto ao público além de outros capitais de terceiros como recursos captados de outros bancos mercado interbancário repasses do BNDES Caixa Econômica Federal Em seu ativo os bancos constituem as reservas bancárias que são encaixes utilizados para fazer frente às suas obrigações saques diários descontos de cheques e duplica tas imobilizando o que é necessário às suas atividades operacionais e possui a conta investimento pois eles também investem em títulos públicos e privados e concedem empréstimos ao setor privado e público com a cobrança de juros LOPES VASCONCELLOS 2000 Vamos entender um pouco mais sobre as reservas bancárias Os bancos for mam três tipos de reservas MISHKIN 2002 Caixa dos bancos comerciais consiste na parcela dos depósitos à vista moeda corrente que fica guardada no banco para compensar o excesso Oferta de Moeda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 59 de pagamentos sobre recebimentos em papelmoeda isto é excesso de saques em relação aos depósitos Reservas voluntárias no Banco Central são a parcelas dos depósitos à vista que o banco comercial transfere ao Banco Central para atendem ao excesso de pagamentos frente a recebimentos na compensação de che ques e duplicatas Reservas compulsórias no Banco Central são parcelas dos depósitos à vista obrigatoriamente recolhidas pelo Banco Central São utilizadas para dois objetivos principais controlar a oferta de moeda na economia e garantir a segurança do sistema bancário quando os bancos precisam recorrer a empréstimos no Banco Central Assim a cada R 100 de depósito à vista uma parcela fica na forma de reserva ou encaixe e o restante o banco utiliza para realizar empréstimos criando moeda bancária ou discricionária uma vez que o repasse dos recursos a um terceiro não reduz os meios de pagamento oferta de moeda do depositante Assim se a taxa de reservas bancárias for de 20 significa que para cada R 100 de depósito à vista do público os bancos emprestam R 080 e deixam R 020 na forma de reserva Se a taxa de reserva aumentar para 50 o montante de recursos dispo níveis para empréstimo reduz tornando o crédito mais restrito e muitas vezes mais caro pois os bancos podem tentar compensar aumentando a taxa de juros de mercado Exemplo 1 do processo de criação de moeda Para analisarmos o processo de criação de moeda pelos bancos comerciais vamos supor que o público deposite todos os seus recursos no sistema bancá rio na forma de depósitos à vista e que os bancos comerciais têm um nível de reservas compulsórias de 50 Isso significa que metade do dinheiro depositado pode ser emprestado mas que a outra metade deve ser guardada Suponhamos também que você deposite R 10000 no Banco A e este terá depósitos de R 10000 e poderá emprestar a metade deles isto é R 5000 O que acontece agora é que os R 5000 emprestados pelo Banco A serão depositados pelo devedor no Banco B que por sua vez repetirá a história emprestando R 2500 e guardando R 2500 A história repetese ao longo de dez transações como podemos ver na Tabela 1 na qual a coluna de depósitos exibe o total de criação secundária de moeda saldos em contacorrente sacáveis à vista que tende a R 19881 isto é quase o dobro da quantidade de papelmoeda original Tabela 1 Processo de criação de moeda TRANSAÇÃO BANCO DEPÓSITOS EMPRÉSTIMOS 1 A 1000000 500000 2 B 500000 250000 3 C 250000 125000 4 D 125000 62500 5 E 52500 26250 6 F 31300 15650 7 G 15600 7800 8 H 7800 3900 9 I 3900 1950 10 J 2000 1000 1988100 Fonte a autora Este resultado pode ser facilmente encontrado aplicando a fórmula do multiplicador bancário Multiplicador Bancário 1 nível de reservas compulsória Assim ao aplicar a fórmula apresentada temos Multiplicador Bancário 1 050 2 Resposta o multiplicador bancário 2 significa que cada R 100 de reserva mantido por um banco serve de base para R 200 de depósitos bancários em conta corrente ou a cada R100 de depósito à vista criouse R 200 de moeda bancária por meio dos empréstimos SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Exemplo 2 do processo de criação de moeda Vamos supor agora que o público retenha 10 dos meios de pagamento na forma de papelmoeda e os bancos continuem a manter 50 dos depósitos na forma de reserva Imaginemos uma expansão inicial na base monetária de R 10000 Qual seria a expansão total dos meios de pagamento Para responder a esta questão devemos conhecer a fórmula do multiplicador monetário também conhecido como multiplicador da base monetária conforme Lopes e Vasconcellos 2000 Multiplicador Monetário m 1 1 d1 r Considere d a parcela dos meios de pagamento que o público mantém como depósito à vista e r a relação reservasdepósitos à vista dos bancos comerciais No exemplo d 90 e r 50 assim a expansão total dos meios de pagamento para cada R 10000 injetado na economia seria Multiplicador Monetário m 1 1 091 05 18181 x R 10 000 R 18181 Resposta para cada R 100 de depósito à vista o banco cria R181 o total da expansão monetária pelo aumento de R 10000 na base monetária foi de R 1818100 Podemos perceber pelos dois exemplos que o valor do multiplicador é tanto maior quanto maior for a preferência do público por depósito à vista em relação à retenção de papelmoeda No primeiro exemplo consideramos o depósito de 100 da renda recebida pelo público e o valor do multiplicador era de m 2 No segundo exemplo consideramos que a população retém 10 da renda recebida na forma de papelmoeda e 90 são colocados nos bancos comerciais como depósito à vista e o valor do multiplicador reduz para m 181 Também podemos verificar que o aumento das reservas bancárias reduz o valor do multiplicador Em síntese temos Quando d m Quando r m Na realidade para definirmos o multiplicador da moeda na prática é importante reconhecer que o Banco Central controla as reservas bancárias e a moeda em circulação PMPP mas não controla o percentual de depósitos à vista nos bancos comerciais visto que cada cidadão decide o quanto depositar nos bancos Assim é importante entendermos o conceito de base monetária KRUGMAN WELLS 2007 Base Monetária B papel moeda com o público PMPP Reservas R A base monetária representa a quantidade de moeda que pode ser controlada pelo Banco Central É importante frisar que a base monetária não é o mesmo que oferta de moeda por duas razões a primeira é porque as reservas bancárias não são consideradas parte da oferta de moeda pois não estão disponíveis para gastos e segundo os depósitos em conta corrente que fazem parte da oferta de moeda pois estão disponíveis para gastos não são parte da base monetária A Figura 2 mostra os dois conceitos em um esquema O círculo à direita representa a oferta de moeda e o da esquerda a base monetária Como se pode observar a moeda em circulação que está fora dos bancos é parte tanto da base monetária quanto da oferta de moeda Figura 1 Base monetária e oferta de moeda Fonte a autora Agora podemos definir novamente o multiplicador monetário como sendo a razão entre oferta de moeda e base monetária LOPES VASCONCELLOS 2000 multiplicador monetário m Meios de Pagamento M Base Monetária B Assim se a oferta de moeda for de R 1000 e a base monetária de R 40000 o multiplicador monetário será de multiplicador monetário m 1000 400 3 INSTRUMENTOS DE CONTROLE MONETÁRIO O Banco Central atua na economia controlando a oferta de moeda e faz isso por três mecanismos principais MISHKIN 2002 i controle das reservas compulsórias ii utilização da política de redesconto iii operações de openmarket a Reservas compulsórias O Banco Central é que determina a taxa de reservas compulsórias que os bancos comerciais devem recolher ao Banco Central para cada R 100 de depósito à vista Vimos que o aumento do percentual de reservas reduz o tamanho do multiplicador bancário e consequentemente o montante de criação de moeda pelos bancos Assim quando a autoridade monetária quer reduzir a Oferta de Moeda na economia ele pode aumentar a taxa de reservas bancárias tendo os bancos menos recursos disponíveis para emprestar a multiplicação da moeda será menor na economia Por outro lado quando o Banco Central quer aumentar a oferta de moeda por meio da maior disponibilidade de crédito concedidos pelos bancos comerciais ele reduz a taxa de reservas compulsória e o efeito será o aumento no tamanho do multiplicador bancário SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 64 b Política de redesconto Quando os bancos comerciais buscam empréstimos junto ao Banco Central a taxa de juros cobrada é denominada taxa de redesconto que é usada pelo Banco Central tanto para sinalizar as taxas de juros a serem praticadas pelos bancos comerciais em suas concessões de empréstimos como para determinar a dispo sição dos bancos a buscarem empréstimos junto ao Banco Central para financiar parte de suas operações de crédito Se a taxa de redesconto for muito alta e estiver acima da taxa de mercado taxa de empréstimo dos bancos os bancos serão mais cautelosos na concessão de crédito para evitarem recorrer a empréstimos do Banco Central para cobrir a sua liquidez Quando os bancos fazem isso a oferta de moeda reduz De outra forma se a taxa de redesconto estiver abaixo da taxa de juros de mercado os bancos possuem incentivos para expandir as suas operações de cré dito tornandose inclusive líquidos recorrem a empréstimos do Banco Central obtendo um ganho com a diferença entre a taxa paga pelo empréstimo junto ao Banco Central e a taxa de juros que ganha com os empréstimos c Operações de openmarket Este é o principal instrumento de controle monetário adotado no Brasil O Banco Central opera no mercado de Títulos Públicos ora comprando ora vendendo Quando o banco tem o objetivo de reduzir a Oferta de Moeda na economia ele atua vendendo parte dos títulos públicos de sua carteira retirando assim moeda de circulação Já quando o banco tem o objetivo de expansão monetária ele compra títulos públicos que estão em poder do público amplia a sua carteira e gera uma monetização na economia ou seja aumenta a moeda em circulação É importante destacar que o Tesouro Nacional pode financiar o seu défi cit por meio da venda de títulos junto ao público e ao Banco Central Quando o governo vende os títulos ao Banco Central ocorre uma expansão monetária monetizando o déficit público Demanda por Moeda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 65 DEMANDA POR MOEDA Agora que já aprendemos como é determinada a oferta de moeda em nossa eco nomia estudarems os fatores que determinam a demanda por moeda realizada pelos agentes econômicos famílias empresas governo Também veremos a relação existente entre a taxa de juros e a demanda por moeda TEORIAS DA DEMANDA POR MOEDA Estudamos até agora os fatores que envolvem a oferta de moeda realizada pelo Banco Central e pelos bancos comerciais Devemos agora analisar quais fato res determinam a demanda por moeda pelo público e pelas empresas isto é quais razões levam os indivíduos a reterem um determinado volume de moeda Segundo os economistas clássicos do século XVIII e XIX Adam Smith David Ricardo John Stuart Mill Jean Baptiste Say e Frederic Bastiat existem fundamentalmente duas razões principais para os indivíduos reterem moeda LOPES ROSSETTI 1998 SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 66 i Demanda por moeda para transação os indivíduos necessitam reter moeda para saldar compromissos passados e realizar transações corren tes Assim quanto maior o volume de trocas realizadas pelo indivíduo maior será a sua necessidade de reter moeda Ao considerarmos que as trocas dependem da renda podemos concluir que a demanda por moeda está diretamente relacionada ao maior ou menor nível de renda ii Demanda por moeda para precaução os indivíduos retêm moeda para fazer frente à imprevisibilidade de certas despesas é uma reserva de contingência A demanda agregada de moeda para o motivo transação segundo a versão clás sica pode então ser expressa como segue LOPESROSSETTI 1998 L k PY Sendo L demanda agregada de moeda k proporção de moeda retida pelo público em relação a um dado nível de renda Y nível de renda ou produto P nível geral de preços Por esta equação podemos verificar que quanto maior o nível de renda Y maior será a demanda por moeda Restanos entender quais fatores determi nam maior ou menor valor da proporção k Segundo Lopes e Rossetti 1998 estes fatores são a forma com os agentes econômicos o público e as empresas distribuem as suas despesas ao longo do tempo o intervalo entre pagamentos e recebimentos definidos por hábitos e práticas econômicas das empresas Por exemplo quando vamos ao supermercado normalmente pagamos as compras à vista mas a ener gia elétrica que consumimos em nossa residência pagamos com um prazo de 30 dias Demanda por Moeda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 67 a facilidade de créditos concedidos pelos bancos reduz a necessidade de retenção de moeda para a cobertura de gastos não programáveis isto é para o motivo precaução a existência de substitutos próximos da moeda denominados de quasemo eda cartão de débito cheques transferências eletrônicas por terem uma alta liquidez reduz a necessidade de manutenção de encaixes monetários o maior ou o menor nível da taxa real de juros taxa nominal de juros des contada a taxa de inflação definida como um custo de oportunidade de retenção da moeda Assim quanto maior for a taxa real de juros maior será o custo de retenção da moeda e menor será a propensão k de reter moeda por parte do público e das empresas quanto maior a inflação na economia perda do poder de compra do dinheiro maior será a demanda por moeda para transação visto que precisará de maior volume de moeda para a compra do mesmo produto ou serviço Segundo os economistas clássicos como a maioria dos fatores que determinam a propensão do indivíduo em reter moeda k é definida de forma institucio nal se uma economia não estiver em um clima inflacionário esta proporção k é considerada constante no curto prazo e a demanda por moeda varia direta mente com o nível geral de preços Em 1936 foi lançado o livro A Teoria Geral do Emprego do Juro e da Moeda escrito pelo economista John Maynard Keynes Este livro propôs uma teoria alter nativa à teoria clássica sobre a demanda por moeda Segundo a versão keynesiana a demanda por moeda não é realizada apenas para fins transacionais ou para precaução mas também para atender oportunidades de especulação Assim a demanda por moeda na versão keynesiana passou a ser vista sob a influência de três motivos principais LOPES ROSSETTI 1998 motivo transação motivo precaução motivo especulação ou portfólio O primeiro e o segundo motivos são semelhantes à versão clássica mas o motivo especulação é especificamente keynesiano Considerase a moeda como um ativo financeiro sendo uma forma alternativa aos títulos e às aplicações financeiras para se guardar a riqueza A característica da moeda como um ativo financeiro é que ela não rende juros pois possui liquidez imediata assim o juro representa um custo de oportunidade aquilo que o indivíduo deixará de ganhar se retiver moeda em vez de aplicar em um título que pague juros Diante disto quanto maior a taxa de juros maior será o custo de oportunidade e menor será o estímulo para reter moeda Assim a demanda por moeda na versão keynesiana é representada como segue LOPES ROSSETTI 1998 L LtY Lsi em que L é a demanda total de moeda Lt demanda de moeda para transação e precaução Ls demanda de moeda para especulação Y nível de renda real i taxa de juros A Figura 3 a seguir apresenta a demanda por moeda para transações na versão keynesiana Verificase pelo gráfico a que a demanda por moeda varia diretamente com a variação da renda nacional sendo independente da taxa de juros Pelo gráfico b podemos verificar que o montante da demanda por moeda para transações deslocase à medida que ocorrem deslocamentos no montante da renda nacional Isto é quando há crescimento da renda na economia a demanda de moeda para o motivo transações também aumenta SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Demanda por Moeda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 69 Lt Lt Y 0 i Lt Lt0 Lt1 Y0 Y1 Y 0 0 a b Figura 2 Demanda agregada de moeda para transação Fonte adaptado de Lopes e Rossetti 1998 A Figura 4 apresenta a demanda por moeda pelo motivo especulação e transação reunidos O gráfico a apresenta a demanda por moeda pelo motivo especula ção indicando que a retenção de moeda é uma função negativa da taxa de juros No entanto a taxas de juros muito baixas a retenção de moeda é perfeitamente elástica em relação a taxa de juros denominado de armadilha de liquidez O grá fico b apresenta a demanda por moeda total e segundo a versão keynesiana quanto maior a taxa de juros menor a preferência pela liquidez monetária no entanto há um determinado volume de demanda por moeda que permanece inalterado independente da taxa de juros que representa a parcela da demanda por moeda retida para transações i Ls Ls Lt Y0 Y1 0 i L 0 a b Figura 3 Demanda total de moeda Fonte adaptado de Lopes e Rossetti 1998 SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 70 Assim a relação entre a taxa de juros e a quantidade de moeda demandada pelo público é representada por uma curva com inclinação para baixo se a taxa de juros for muito baixa por exemplo 2 ao ano como nos EUA os juros sacri ficados por reter moeda são relativamente baixos e maior será a sua retenção para o motivo transação Por outro lado se a taxa de juros for alta em torno de 14 ano como no caso brasileiro o custo de oportunidade para reter moeda é muito alto e as pessoas tenderão a reter menor quantidade de moeda A TAXA DE JUROS E A DEMANDA POR MOEDA Vimos que a taxa de juros é um importante fator que determina as decisões dos agentes em reter ou não moeda Neste sentido é importante entendermos o conceito da taxa real de juros que é o retorno de uma aplicação financeira descontado a inflação do período ou seja é o retorno em termo de poder de compra Matematicamente representa a diferença entre a taxa nominal de juros e a inflação Veja r i π em que r taxa de juros real i taxa de juros nominal π taxa de inflação Quando você toma uma decisão de investimento em ativos financeiros ana lisa a rentabilidade real dos ativos Considera a inflação e suas análises Então qual é a taxa de juros que afeta a demanda por moeda Em relação à demanda para especulação o indivíduo determinará como alocar a sua riqueza comparando o retorno de diferentes ativos em termos de poder de compra O retorno real de um título é a taxa de juros real já a moeda não possui retorno nominal e seu retorno será a própria variação do seu poder de compra que é medido pela taxa de inflação Assim ao decidir entre comprar títulos ou reter moeda o agente compara os dois retornos taxa real de juros e a taxa de inflação A diferença entre o retorno do título e o da moeda será a própria taxa nominal de juros i Assim podemos concluir que a taxa de juros relevante para determinar a demanda por moeda é a taxa nominal de juros que segundo Carvalho 2007 mostra o quanto o indivíduo está perdendo em termos reais ao reter moeda em relação à alternativa de investir em títulos Efeito Fisher No entanto em uma economia inflacionária para induzir um indivíduo a adquirir um determinado título a taxa nominal de juros terá que se ajustar à sua expectativa com relação à inflação futura sendo denominado efeito Fisher Veja i r πe em que πe é a taxa de inflação esperada Assim a taxa nominal de juros elevase ou por aumento da taxa real de juros ex ante aquela que se espera receber ao fazer determinada aplicação ou por aumento na expectativa de inflação Portanto a demanda por moeda pode ser expressa como uma função da renda da taxa real de juros ex ante e da expectativa de inflação CARVALHO 2007 L MPd fYr πe Demanda por Moeda SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 72 sendo M P d a demanda real de moeda O efeito Fisher traz importantes implicações na determinação da política econô mica Ao introduzir a taxa nominal de juros como variável explicativa da demanda por moeda e a expectativa de inflação como um dos elementos que determina o tamanho da taxa de juros nominal no momento presente criamos um vín culo entre comportamento futuro do agregado monetário e a taxa de inflação no momento presente ou seja se os agentes esperam que o Banco Central aumente a oferta de moeda no futuro esta informação passa a ser incorporada nas expectati vas de inflação dos agentes no momento presente o aumento da oferta de moeda gera inflação elevando a taxa de juros nominal Isto reduz a demanda por moeda gerando excesso de oferta o que levará ao aumento dos preços no presente para equilibrar a oferta e a demanda por moeda Neste sentido a inflação pode ocorrer antes mesmo da emissão monetária LOPES VASCONCELLO 2000 Por outro lado se houver expectativa de que o Banco Central reduzirá a oferta de moeda no futuro as expectativas de inflação serão para baixo e a taxa de juros nominal reduz no presente aumentando a demanda por moeda para transação e os preços terão de reduzir para equilibrar o mercado monetário Assim se o governo tiver credibilidade ele consegue reduzir a inflação no presente com um simples anúncio de que no futuro adotará políticas restritivas Trabalho de James Tobin Outro trabalho importante na definição da demanda por moeda foi o traba lho de James Tobin publicado em 1958 em que inclui na função demanda por moeda a rentabilidade dos diversos ativos existentes e o estoque de riqueza a ser alocado Veja L M P M P r r r W d n e 1 2 em que r1 r2 rn rentabilidade real dos n ativos existentes na economia máqui nas equipamentos ações títulos etc Demanda por Moeda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 73 πe expectativa de inflação W estoque de riqueza Segundo este modelo de Tobin a demanda por moeda varia inversamente com a rentabilidade dos demais ativos e com a expectativa de inflação e positi vamente com a riqueza CARVALHO 2007 Veja Se o estoque de riqueza W aumentar aumentará a demanda por todos os ativos inclusive a moeda Se a rentabilidade de qualquer ativo se elevar aumentará a demanda por este ativo reduzindo a dos demais ativos Se aumentar a expectativa de inflação significa uma queda na rentabili dade da moeda perda do poder de compra reduzindo a demanda por moeda fazendo com que as pessoas procurem outros ativos Desta forma podemos verificar que a demanda por moeda depende do custo de oportunidade da moeda que é medido pela rentabilidade dos ativos financeiros Vimos que a taxa de juros é utilizada como medida desta rentabilidade assim o indivíduo decidirá se reterá moeda para utilizar em suas transações comerciais ou se deixará este recurso aplicado em ativo financeiro títulos que rende juros sendo esta uma forma de substituir o consumo presente pelo consumo futuro Dada uma inflação de 6 ao ano o que compensa mais aplicar o seu di nheiro na poupança rendendo 7 ao ano de juros nominal aplicar em Títu los do governo com um rendimento nominal de 11 ano ou gastar todo o dinheiro comprando bens e serviço SISTEMA MONETÁRIO OFERTA E DEMANDA DE MOEDA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 74 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade aprendemos como uma economia monetária com a utilização da moeda como intermediário de troca melhora a vida de todos nós Com o aparecimento da moeda as trocas foram facilitadas permitindo que o comér cio e a indústria pudessem se desenvolver Vimos que com o aparecimento das moedas metálicas cunhadas em ouro e prata muitos problemas encontrados nas moedas mercadorias como sal trigo e até mesmo o gado foram solucionados No entanto outros problemas apareceram sendo o principal os assaltos ocor ridos durante o transporte da moeda para se realizar as trocas Surge assim o aparecimento das casas de custódia onde as pessoas podiam depositar as suas moedas feitas com metais preciosos em troca do recebimento dos certificados de depósito com garantia de plena conversibilidade denominada de moedapapel Como a conversão da moedapapel em metais preciosos não era solicitada ao mesmo tempo por todos os seus detentores as casas de custódia começaram a emitir certificados de depósito sem lastro de conversão dando origem à moeda fiduciária ou papelmoeda Hoje a oferta de moeda na economia é definida pela classificação M1 do Banco Central representado pelo papelmoeda em poder do público papelmo eda moeda metálica mais os depósitos à vista que é o dinheiro que deixamos nos bancos em nossa conta corrente Aprendemos que os bancos deixam parte destes depósitos na forma de reservas e a outra parte ele empresta criando meios de pagamentos na economia gerando assim um efeito multiplicador da moeda Também aprendemos que existem três motivos para retermos moeda quere mos moeda para pagar nossas contas e comprar bens e serviços para nos prevenir da ocorrência de eventos que gerem despesas extras e por último para aplicar em títulos financeiros que rendem juros Neste sentido aprendemos que existe relação direta entre a renda e a demanda por moeda e uma relação inversa entre a demanda por moeda e a taxa de juros sendo agora este visto como um custo de oportunidade 75 A TEORIA QUANTITATIVA DA MOEDA O economista clássico norteamericano Irving Fisher ao estudar a demanda por moeda pelo motivo transação verificou que havia relação direta entre o aumento do volume de moeda na economia com o aumento do nível geral de preços Para explicar como isto acontecia elaborou uma equação conhecida como equação quantitativa da moeda que fornece uma relação entre a quantidade de moeda em circulação e o valor total das transações realizadas e liquidadas em moeda A expressão algébrica é dada por MV PT em que M e a quantidade total de moeda V velocidade de circulação da moeda P nível geral de preços T número de transações Assim o produto da quantidade de moeda pela sua velocidade de circulação é igual à soma de todos os preços multiplicados pelo volume de mercadorias transacionadas A velocidade de circulação da moeda representa o giro de uma unidade monetária em um dado período de tempo representando quantas vezes esta moeda muda de mãos por causa das trocas Por exemplo quando você gasta R 1000 em uma padaria para pagar o seu café da manhã esta mesma nota de R 1000 vai ser utilizada pelo dono da padaria para dar troco e a pessoa que pegou o troco pode utilizar esta nota para pagar outros itens como o estacionamento e assim por diante Para facilitar o entendimento desta teoria podemos transformar a equação quantitativa da moeda utilizando no lugar do número de transações T o produto renda da eco nomia Y representado pelo PIB nominal Podemos reescrever a equação quantitativa da moeda da seguinte forma MV PY em que Y produto real V velocidade renda da moeda Esta equação diz que a quantidade de moeda nominal multiplicada pela velocidade da moeda é igual ao PIB nominal Podemos reescrever a equação apresentada para estabelecer uma relação entre a quan tidade de moeda M e o produto nominal PY M 1V PY Supondo constante a velocidade de circulação da moeda V a equação quantitativa fornece a primeira explicação para o surgimento da inflação visto que toda variação no estoque de moeda deverá gerar a variação proporcional no produto nominal PY Considerando que no curto prazo o produto seja constante decorrente da demora na resposta da produção temos que a variação na quantidade de moeda aumenta o consumo acarretará aumento proporcional no nível de preços Assim o aumento contínuo da oferta na oferta de moeda leva ao aumento contínuo da inflação O mecanismo de transmissão ocorre da seguinte forma o aumento da oferta de moeda leva os indivíduos a aumentarem a demanda por bens e serviços como o setor produtivo não responde tão rapidamente ao aumento da demanda pode ocorrer excesso de demanda levando a posterior aumento de preços para restaurar o equilíbrio no mercado de bens e serviços Fonte Lopes e Vasconcellos 2000 77 1 Sobre a evolução histórica da moeda temse que a existência de uma economia monetária só aparece de forma definitiva a partir do século XV com a utilização da moeda metálica feita de ouro e prata utilizada em grande escala como in termediária de troca Sobre este tipo de moeda leia as afirmativas e assinale a alternativa correta I A moeda metálica resolve o problema da perecibilidade e da divisibilidade encontrada em outros tipos de moeda mercadoria mas traz outros dois o custo do transporte decorrente de seu volume e o risco de assaltos II O custo dos transportes da moeda metálica foram determinantes para a deci são de se manterem as moedas em casas de custódia III Quando a moeda metálica era colocada nas casas de custódias eram dados em troca certificados de depósito os quais por comodidade e segurança co meçaram a circular no lugar dos metais monetários IV Os certificados de custódia davam a seus titulares o direito de retirarem o equivalente de ouro e prata junto às casas de custódia a qualquer momento a Somente I e II estão corretas b Somente II e III estão corretas c Somente I II e IV estão corretas d Somente I III e IV estão corretas e Todas estão corretas 2 Na versão clássica a oferta de moeda é determinada pelo Banco Central sen do exógena ao sistema por outro lado a demanda por moeda é determinada por dois motivos principais Assinale a alternativa que apresenta esses dois motivos a Transação e especulação b Precaução e transação c Especulação e precaução d Propensão ao entesouramento e transação e Especulação e investimento 3 Vamos admitir que se ampliem os intervalos entre pagamentos e recebimentos que se torne mais difícil conseguir crédito junto aos bancos e que se verifique queda na taxa de juros qual o impacto disto na oferta de moeda a A oferta de moeda tende a cair b A oferta de moeda permanece inalterada c A oferta de moeda tende a aumentar d A oferta de moeda só aumentará se além dos fatores definidos existirem substitutos próximos da moeda como cartão de débito e Todas as alternativas estão erradas 4 Com relação ao processo de criação de moeda vamos supor que 80 dos meios de pagamentos são retidos pelo público sob a forma de depósitos à vista nos bancos comerciais Destes depósitos à vista 30 são recolhidos pelo Banco Central do Brasil sob a forma de recolhimentos compulsórios e 75 são retidos pelo próprio banco comercial para reserva de caixa Diante disso calcule o valor do multiplicador monetário Fórmula Multiplicador Monetário m 11 d1 r Sendo d a parcela dos meios de pagamento que o público mantém como depósito à vista e r a relação reservasdepósitos à vista dos bancos comerciais 5 Supondo que o multiplicador monetário seja igual 25 calcule a expansão dos meios de pagamentos oferta de moeda quando o Banco Central aumenta R 100000000 na base monetária Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Macroeconomia Oliver Blanchard Editora Pearson Education Sinopse por meio dessa edição de Macroeconomia o autor Olivier Blanchard teve dois objetivos principais estreitar o contato com os fatos macroeconômicos atuais como a introdução de uma nova moeda na Europa Ocidental a eliminação dos déficits orçamentários nos Estados Unidos a transformação da Europa Oriental a crise na Ásia Esses eventos e muitos mais estão descritos no livro em boxes pormenorizados cada um deles mostrando como a macroeconomia pode ser aplicada para entender o que aconteceu o segundo objetivo foi oferecer uma visão integrada da macroeconomia Agora o livro se organiza em duas partes importantes um fundamento e um conjunto de três extensões principais O fundamento apresenta uma visão integrada do curto prazo do médio prazo e do longo prazo As três extensões examinam o papel das expectativas as implicações da abertura e as patologias do desemprego elevado à hiperinflação Isto tem duas vantagens permite ao leitor obter rapidamente uma visão integrada da macroeconomia e das flutuações de curto prazo ao crescimento Caroa alunoa sugiro este vídeo para que você possa ampliar um pouco mais seu conhecimento sobre a evolução da moeda Ele apresenta de forma simples e didática como se deu a evolução da moeda na economia brasileira até a implantação do Plano Real Você conhecerá todos os tipos de moeda que tivemos Confira o vídeo no link wwwyoutubecomwatchvi6pPim5TQLM REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS CARVALHO F J C et al Economia Monetária e Financeira Rio de Janeiro Campus 2007 KRUGMAN P WELLS R Introdução à Economia Rio de Janeiro Elsevier 2007 LOPES J ROSSETTI J Economia Monetária São Paulo Atlas 1998 LOPES L M VASCONCELLOS M A S Manual de Macroeconomia São Paulo Atlas 2000 MISHKIN F The economics of money banking and financial markets 6 ed atu alizada Addison Wesley Longman 2002 80 GABARITO 1 D 2 B 3 C Questão 4 Sendo d a parcela dos meios de pagamento que o público mantém como depósito à vista e r a relação reservasdepósitos à vista dos bancos comerciais no exemplo d 80 e r 375 assim o valor do multiplicador monetário é Multiplicador Monetário m 11 d 1 r 11 08 1 0375 2 Resposta o valor do multiplicador monetário é igual a 2 significando que para cada R 100 de depósito à vista o banco cria R 200 Questão 5 Dado que a base monetária aumentou R 100000000 e que o multiplicador monetário é igual a 25 o aumento da oferta de moeda é de multiplicador monetáriom Meios de PagamentoMBase MonetáriaB Meios de PagamentoM 25 x R 1000000 R 250000000 Resposta o meios de pagamento aumentaram R 250000000 UNIDADE III Professora Dra Juliana Franco Afonso POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Objetivos de Aprendizagem Apresentar o conceito de moeda e sua relação com a determinação da taxa de juros Ensinar como o governo utiliza a política monetária para estimular o crescimento econômico e os instrumentos que utiliza para alcançar seus objetivos Mostrar os principais produtos financeiros que são negociados no mercado monetário Plano de Estudo A moeda e a taxa de Juros Objetivos de política e política monetária Produtos financeiros Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 85 INTRODUÇÃO Este estudo visa apresentar a você de forma simples e objetiva como a taxa de juros é determinada no mercado monetário e o que acontece na economia quando esta taxa está fora da sua condição de equilíbrio Como órgão emissor da moeda o Banco Central também é a instituição executora da política mone tária na economia a qual consiste no uso de mecanismos operacionais que visam controlar a oferta de moeda e a taxa básica de juros Mostrarei que o governo utilizase de meios para alcançar seus objetivos macroeconômicos que se configuram em prover o crescimento econômico da nação controle da inflação redução do desemprego distribuição equitativa da renda e equilíbrio no balanço de pagamento Para alcançar tais objetivos o governo utilizase de várias políticas política fiscal política de renda política cambial e política monetária Neste sentido apresentarei cada uma delas e sua importância com destaque para a execução da política monetária e seus instru mentos de operacionalização Veremos também que determinados objetivos de política não conseguem ser alcançados de forma conjunta ou seja que existe um trade off de política relação inversa fazendo com que alguns grupos de agentes econômicos fiquem prejudicados enquanto outros grupos são beneficiados Por fim apresentarei a vocês os produtos financeiros que são negociados no mercado monetário considerados ativos de renda fixa de baixo risco alta liqui dez e reduzidos prazos de resgate Veremos que estes ativos são importantes na formação das duas principais taxas de juros da economia a taxa Selic e a taxa DI que são os principais indexadores dos títulos de dívida pública e privada Assim por meio deste estudo você conhecerá as principais oportunidades de investimentos de baixo risco e suas formas de remuneração podendo ser a porta de entrada para que se torne também um investidor que comece a fazer o dinheiro trabalhar para você em vez de trabalhar para ele Boa leitura POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 86 A MOEDA E A TAXA DE JUROS Sabemos que a remuneração da moeda é dada pela taxa de juros sendo conside rada como um custo de oportunidade Neste sentido devemos entender como as taxas de juros são formadas na economia Para simplificar nosso entendimento vamos supor que exista apenas uma taxa de juros que é paga sobre os ativos financeiros não monetários tanto no curto como no longo prazo Utilizaremos esta simplificação para entendermos a formação da taxa de juros na formação do equilíbrio no mercado monetário Entendido como as taxas de juros são for madas apresentarei a você quais são as taxas de juros do mercado financeiro TAXA DE JUROS DE EQUILÍBRIO De acordo com Krugman e Wells 2007 o modelo de determinação da taxa de juros com base na preferência do público por liquidez está fundamentada no fato de que a taxa de juros é determinada no mercado de oferta e demanda por moeda por meio de uma condição de equilíbrio O equilíbrio no mercado monetário ocorre quando a quantidade ofertada Ms de moeda é igual à sua quantidade demandada Aquela é determinada pelo Banco Central e esta é determinada pela decisão dos agentes em reter moeda dada pela fórmula L Pf Yi em que P nível geral de preço Y renda ou produto nacional i taxa de juros nominal Substituindose as equações de demanda e oferta nesta condição de equilíbrio obtémse a equação da curva LM que representa o equilíbrio no mercado monetário LM M L M Pf Yi Esta equação de equilíbrio também pode ser expressa em termos da demanda agregada real MP f Yi A Figura 1 mostra o equilíbrio no mercado monetário A curva de oferta de moeda M é vertical porque é determinada pelo Banco Central Diferentemente a curva de demanda por moeda é negativamente inclinada pois quanto maior a taxa de juros maior o custo de oportunidade Assim de maneira simples podemos perceber pela Figura 1 que a taxa de juros de equilíbrio é aquela igual à demanda e à oferta de moeda POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 88 i0 Taxa de juros Oferta Equilíbrio Demanda Quantidade de moeda nominal Figura 1 Equilíbrio no mercado de moeda Fonte a autora Mas o que aconteceria se a taxa de juros não fosse a taxa de equilíbrio Vamos supor que a taxa de juros está mais elevada que a taxa de juros de equilíbrio i1 i0 Quando isso acontece a demanda por moeda pela população é menor que a oferta de moeda pois as pessoas preferem ter menos dinheiro líquido em mãos aplicando o máximo que puderem em ativos que rendem juros depósitos a prazo renda fixa etc O aumento da demanda por estes tipos de ativos também denominados títulos financeiros provocará a redução dos juros pagos por eles pois suas entidades emissoras não terão que oferecer altos pagamentos de juros para atrair dinheiro e a taxa de juros converge para a taxa de juros de equilíbrio Por outro lado se a taxa de juros está mais baixa que a taxa de juros de equilíbrio i1 i0 a população preferirá ter mais dinheiro líquido a ter dinheiro aplicado nos ativos financeiros que rendem juros e na tentativa de transferir a sua riqueza acabam pressionando a taxa de juros para cima em direção à taxa de juros de equilíbrio A Moeda e a Taxa de Juros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 89 Qual o efeito do aumento na oferta de moeda sobre a taxa de juros O Banco Central pode adotar uma política monetária expansionista aumento da oferta de moeda com o objetivo de baixar a taxa de juros A Figura 2 apre senta o que acontece quando a oferta de moeda aumenta i0 Taxa de juros Oferta Oferta2 Equilíbrio Demanda Quantidade de moeda nominal Equilíbrio Figura 2 Efeito de um aumento na oferta de moeda sobre a taxa de juros Fonte a autora Pela Figura 2 podemos ver como se dá o mecanismo de transmissão da polí tica monetária um aumento da oferta de moeda pelo Banco Central desloca a curva de oferta de moeda para a direita Ao mesmo nível de taxa de juros i0 a demanda por moeda permaneceria a mesma ocasionando um excesso de oferta de moeda Como consequência a taxa de juros cai até que o mercado alcance um novo equilíbrio A uma taxa de juros mais baixa a preferência do público por reter liquidez aumenta POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 90 Qual o efeito da redução na oferta de moeda sobre a taxa de juros O Banco Central pode adotar a política monetária contracionista reduzindo a oferta de moeda com o objetivo de aumentar a taxa de juros A Figura 3 apre senta o que acontece quando a oferta de moeda reduz i0 Taxa de juros Oferta Oferta2 Equilíbrio Demanda Quantidade de moeda nominal Equilíbrio Figura 3 Efeito de uma redução da oferta de moeda sobre a taxa de juros Fonte a autora Pela Figura 3 podemos ver que uma redução oferta de moeda pelo Banco Central desloca a curva de oferta de moeda para a esquerda Ao mesmo nível de taxa de juros i0 a demanda por moeda permaneceria a mesma ocasionando um excesso de demanda por moeda Como consequência a taxa de juros sobe até que o mer cado alcance um novo equilíbrio A uma taxa de juros mais alta a preferência do público por reter liquidez reduz visto que o custo de reter moeda aumenta e o público aumenta a sua demanda por ativos financeiros que rendem juros A Moeda e a Taxa de Juros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 91 Qual o efeito do aumento na renda nacional sobre a taxa de juros i0 Taxa de juros Oferta Oferta2 Equilíbrio Demanda Quantidade de moeda nominal Equilíbrio2 Figura 4 Efeito do aumento da renda sobre a taxa de juros Fonte a autora O aumento de renda da população causa impacto positivo da demanda por moeda A oferta de moeda é determinada pelo Banco Central e este aumento da demanda por moeda dada a taxa de juros ocasiona um excesso de demanda por liquidez e a taxa de juros começa a aumentar na economia pois o setor finan ceiro aumentará a remuneração dos títulos para atrair dinheiro Isto acontece até que novo equilíbrio seja alcançado agora com a taxa de juros mais elevada Segundo Blanchard 2007 como o equilíbrio dos mercados financeiros implica aumento da renda leva ao aumento da taxa de juros podemos derivar a curva LM que representa o equilíbrio no mercado monetário como sendo a função entre taxa de juros e renda nacional ou produto nacional Veja POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 92 i i i i Taxa de juros i Taxa de juros i MP Moeda real MP a Renda Y b curva LM A A Y Y A A MS Md M para Y para YY d Figura 5 Derivação da curva LM Fonte Blanchard 2007 Assim para cada oferta de moeda o equilíbrio dos mercados monetários indica que o aumento do nível de renda que aumenta a demanda por moeda leva ao aumento da taxa de juros Diante disso podemos constatar que o crescimento econômico com aumento do emprego e da renda gera aumento da demanda por moeda para o motivo transação e dada a oferta de moeda a taxa de juros de equilíbrio da economia elevase A determinação da Taxa de Juros em uma economia com inflação regra de Taylor Em uma economia como a brasileira cuja política monetária é conduzida sob um regime de meta de inflação a taxa de juros básica da economia é determinada segundo a proposta de Taylor que leva em consideração qua tro fatores básicos a a inflação b a taxa de juros real de equilíbrio c a diferença entre a inflação observada e a meta e d o hiato entre o produto efetivo e o potencial De acordo com a proposta original de Taylor a taxa básica de juros é obtida pela seguinte equação A Moeda e a Taxa de Juros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 93 TAXA DE JUROS DO MERCADO FINANCEIRO Agora que já sabemos como as taxas de juros são formadas no mercado mone tário é importante sabermos que existem várias taxas de juros que são tomadas como base ou referência nas transações financeiras Vamos aprender sobre as principais taxa DI taxa Selic taxa referencial de juros TR taxa financeira básica TBF e taxa de juros de longo prazo TJLP i r g y h t t t t em que ti taxa básica de juros nominais no período t π taxa real de juros de equilíbrio πt taxa média da inflação de um determinado período de tempo π meta de inflação y hiatodo produto PIBreal PIB potencial PIB poten t 100 cial Segundo Mendonça et al 2005 os dois primeiros fatores inflação e taxa de juros real servem de referência para o caso em que a economia encon trase funcionando no nível potencial Já os outros dois fatores subsequen tes representam os objetivos da política monetária sendo que os parâme tros de ajuste se referem ao tradeoff de curto prazo entre a inflação e o produto O terceiro fator indica quando a inflação está acima da meta a taxa de juros aumenta e quando a inflação está abaixo da meta a taxa de juros se reduz Já o quarto fator indica que no caso de uma diferença positiva ou negativa entre o produto efetivo e o produto potencial capacidade total de produção da economia deve haver um aumento ou uma queda na taxa de juros Fonte adaptado de Mendonça et al 2005 online1 POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 94 A taxa Selic Primeiramente conheceremos o Selic ou Sistema Especial de Liquidação e Custódia que foi desenvolvido pelo Banco Central do Brasil e a Andima Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto em 1979 voltado a operar com títulos públicos de emissão do Banco Central e do Tesouro Nacional Esse sistema é constituído na verdade num grande computador que tem por finalidade controlar e liquidar financeiramente as operações de compra e de venda de títulos públicos e manter sua custódia física e escritural Os pagamentos no Selic processamse por meio de reservas bancárias e as transferências dos títulos entre os investidores somente são autorizadas pelo sis tema mediante movimentações nessas reservas ASSAF NETO 2014 A taxa de juros apurada diariamente nas negociações destes títulos é conhecida como taxa Selic Esta taxa é fixada pelo Banco Central pelo Copom Comitê de Política Monetária sendo considerada a de mais baixo risco Por isso é utilizada como a taxa de referência para as demais taxas de juros do mercado financeiro Segundo o Banco Central a sua formulação básica é dada por ASSAF NETO 2014 Taxa Selic a a k xV V j j j 1 1 252 x aoano 100 em que Kj taxa diária aplicada a j ésima operação Vj valor R da j ésima operação Verificase que a taxa Selic é determinada pela capitalização da taxa média pon derada das operações por dia útil que por resolução do Banco Central são 252 dias úteis no ano Por meio do Selic as instituições financeiras podem adquirir e vender títulos todos os dias criando uma taxa diária conhecida como overni ght e representativa das operações de um dia útil A Moeda e a Taxa de Juros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 95 Como os títulos negociados no Selic são de grande liquidez e teoricamente de risco mínimo títulos públicos a taxa definida no âmbito desse sistema é aceita como uma taxa livre de risco da economia servindo de importante refe rencial para a formação dos juros de mercado taxa básica de juros A taxa DI A Cetip ou Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos Privados passou a funcionar a partir de 1986 como um sistema bastante semelhante ao Selic porém abrigando títulos privados É uma das maiores empresas de liquidação financeira e custódia da América Latina e suas atividades são regu lamentadas e fiscalizadas pelo Banco Central A Cetip constituise como um mercado de balcão organizado para registro da negociação de títulos e valores mobiliários de renda fixa Registra custodia e liquida também títulos públicos estaduais e municipais emitidos após 1992 títulos esses representativos de dívidas de responsabili dade do Tesouro Nacional bem como todos os créditos securitizados da União da dívida agrícola dos títulos da dívida agrária e dos certificados financeiros do Tesouro O principal título do sistema Cetip é o certificado de depósito interfinan ceiro CDI que permite transferência de recursos liquidez entre as instituições do sistema financeiro A Cetip opera também com outros títulos como CDB debêntures Commercial Papers notas promissórias Letras Financeiras do Tesouro LFT etc ASSAF NETO 2014 Mas como acontecem as operações financeiras na Cetip Essas operações processamse por transferências bancárias de fundos che ques ou outra forma equivalente e somente após as respectivas compensações é que o sistema providencia as transferências da custódia dos títulos As taxas CDI ou DI são formadas nas trocas financeiras do mercado inter bancário sendo como a Selic utilizada como referência no mercado financeiro e utilizada na formação das demais taxas de juros Este mercado procura man ter o equilíbrio do sistema transferindo recursos de agentes superavitários para aqueles que demandam liquidez POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 96 Os dois sistemas de liquidação e custódia Selic e Cetip têm por obje tivo básico promover a boa liquidação das operações do mercado monetário propiciando mais segurança e autenticidade aos negócios realizados Por sua importância no volume de operações no mercado monetário ambos divulgam periodicamente duas taxas de juros amplamente adotadas pelos agentes econô micos a taxa Selic e a taxa Cetip ASSAF NETO 2014 Atualmente com a entrada em funcionamento do Sistema Brasileiro de Pagamentos SBP a liquidação das operações na Cetip fazse no momento zero ou seja no mesmo dia e não mais no dia seguinte mediante a compensação de cheques Em termos de liquidação financeira das operações os sistemas Selic e Cetip passaram a ter o mesmo procedimento de pagamento ASSAF NETO 2014 Como a taxa Selic influencia as demais taxas de juros como a do financia mento de veículos Como já descrito a taxa Selic é a taxa média ponderada e ajustada de operações de financiamento por um dia lastreadas em títulos públicos federais O Copom Comitê de Política Monetária determina a meta para a taxa Selic a qual serve apenas para balizar as taxas praticadas pelo mercado Eventualmente a mesa de operações do mercado aberto do Banco Central pode entrar no mercado ora vendendo títulos ora resgatando títulos públicos para garantir que a taxa diária fique próxima da meta determinada pelo Copom Segundo os analistas do site Minhas Economias as taxas de juros de mercado para os financiamentos de longo prazo são definidas levando em considera ção as expectativas dos agentes financeiros em relação à evolução da taxa Selic através do mercado de derivativos principalmente o mercado de DI Futuro da BMFBovespa Os relatórios e dados divulgados pelo Banco Central dados eco nômicos e outras tantas informações afetam as taxas de juros a todo instante Diante disto a definição de uma meta para a taxa Selic nas reuniões do Copom serve para balizar as expectativas do mercado em relação aos próximos passos do Banco Central na condução da política monetária A Moeda e a Taxa de Juros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 97 Na figura a seguir temse o histórico da taxa Selic meta desde jul 1996 HISTÓRICO TAXA SELIC META 45 40 35 30 25 20 15 10 5 jul96 jan97 jul97 jan98 jul98 jan99 jul99 jan00 jul00 jan01 jul01 jan02 jul02 jan03 jul03 jan04 jul04 jan05 jul05 jan06 jul06 jan07 jul07 jan08 jul08 jan09 jul09 jan10 jul10 jan11 jul11 jan12 jul12 jan13 jul13 jan14 jul14 jan15 Taxa Selic ao ano 1275 Figura 6 Histórico da taxa Selic FonteMinhas Economias 2015 online2 Taxa referencial de juros TR Segundo Kerr 2011 a taxa referencial TR foi criada em 1991 com o objetivo de ser uma taxa referencial dos juros e promover a substituição da indexação presente na economia que era realizada pela ORTN Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional Bônus do Tesouro Nacional BTN entre outros A TR é obtida pela média ponderada mensal das taxas de remuneração dos títulos de dívida privada Certificados de Depósitos Bancários CDB e dos Recibos de Depósitos Bancários RDB prefixados das trinta maiores instituições financei ras cujo rendimento médio é atrelado ao CDI Sobre a média apurada das taxas dos CDBsRDBs é aplicado um redutor que varia mensalmente Esta taxa é apurada e anunciada mensalmente pelo governo e utilizada no cálculo do rendimento de vários investimentos tais como títulos públicos cader neta de poupança FGTS títulos da dívida agrária e outras operações como empréstimos do Sistema Financeiro da Habitação SFH pagamentos a prazo e seguros em geral POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 98 Taxa de juros de longo prazo TJLP A TJLP foi criada para remunerar os contratos de longo prazo Segundo Assaf Neto 2014 esta taxa veio substituir definitivamente a indexação na economia brasileira tendo um prazo de vigência de três meses Segundo Kerr 2011 são considerados os seguintes fatores no cálculo da TJLP a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional e prêmio de risco que incorpora a taxa de juros real internacional e um componente de risco Brasil perspectiva de médio e longo prazo A TJLP é aplicada em linhas de financiamento do BNDES recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador FAT fundo de participação PISPASEP Fundo de Marinha Mercante FMM A Figura 7 apresenta a evolução da taxa Selic e da TJLP Verificase que quando a inflação está alta o Banco Central aumenta a taxa Selic para desaquecer o mercado jan06 jul06 jan07 jul07 jan08 jul08 jan09 jul09 jan10 jul10 jan11 jul11 jan12 jul12 jan13 jul13 jan14 jul14 jan15 jul15 jan16 jul16 jan17 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 000 Selic 1375 1250 1425 750 500 600 TJLP Figura 7 Histórico da taxa Selic e TJLP Fonte Portal Apeop 2017 online3 Objetivos de Política e a Política Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 99 Com juros mais altos as pessoas e empresas tendem a consumir menos e por tanto a atividade econômica cede assim como a inflação No entanto a TJLP também é uma taxa de juros básica pois pauta os empréstimos do BNDES e não muda com as decisões do Comitê de Política Monetária Copom Assim na prática há duas taxas básicas de juros uma taxa de juros baixa para quem tem acesso ao BNDES e outra taxa de juros alta que baliza os empréstimos para as demais pessoas e empresas OBJETIVOS DE POLÍTICA E A POLÍTICA MONETÁRIA Esta seção destinase ao estudo da política monetária procurando mostrar os seus objetivos os instrumentos utilizados pelo Banco Central no seu exercício e sua verdadeira eficácia Inicialmente apresentarei o conceito de política monetá ria e como ela pode ser utilizada para que o governo possa alcançar os objetivos da política econômica global Em seguida serão analisados os instrumentos utilizados pelo Banco Central na condução da política monetária OBJETIVOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA Antes de começarmos nossa análise sobre os objetivos da política monetária devemos entender que esta é utilizada para que o governo alcance objetivos econô micos globais Mas quais são esses objetivos Vasconcellos 1994 defineos como a alto nível de emprego b estabilidade de preços c distribuição de renda socialmente justa d crescimento econômico e desenvolvimento econômico POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 100 Segundo este autor as questões relativas ao aumento do nível do emprego e ao controle da inflação são consideradas como conjunturais de curto prazo cons tituindose nas chamadas políticas de estabilização Alguns textos colocam também como meta de curto prazo o equilíbrio no balanço de pagamentos visto que o seu déficit gera redução de divisas moeda estrangeira na economia Já com relação à distribuição equitativa da renda alguns economistas como Mário Henrique Simonsen argumentam que no processo de crescimento ocorre desigualdade com mobilidade ou seja o indivíduo permanece pouco na mesma faixa salarial e tem facilidade de ascensão Isso seria um fator importante para a convivência com a má distribuição de renda VASCONCELLOS 1994 A quarta meta macroeconômica referese ao crescimento econômico que representa o crescimento da renda nacional per capita isto é que a produção de bens e serviços supere o crescimento populacional A renda per capita é uti lizada como um indicador para medir a melhoria do bemestar e do padrão de vida da população pois está implícito o aumento do emprego e da renda No entanto possui falhas pois não leva em consideração indicadores sociais como concentração de renda taxa de analfabetismos mortalidade infantil entre outros indicadores sociais Objetivos de Política e a Política Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 101 Assim podemos dizer que um país está realmente melhorando seu nível de desenvolvimento econômico e social se em conjunto com o aumento da renda per capita houver melhora dos indicadores sociais pobreza desemprego meio ambiente moradia etc Vasconcellos 1994 afirma que se existe desemprego e capacidade ociosa das empresas o produto da economia pode ser aumentado por meio de políticas econômicas que estimulem a atividade produtiva Mas há um limite à quantidade do que se pode produzir com os recursos disponíveis Assim se a economia alcançar o pleno emprego dos recursos produtivos para aumentar o produto além desse limite exigirá aumento nos recursos disponíveis ou avanço tecnológico ou seja tecnologia mais avançada novas manei ras de organizar a produção No entanto os objetivos de política macroeconômica não são independentes uns dos outros podendo inclusive ser conflitantes Atingir uma meta pode aju dar a alcançar outras ou até mesmo a abandonar Por exemplo o crescimento econômico pode reduzir o problema da pobreza quando este gera aumento do nível de emprego e renda mas por outro lado pode gerar inflação quando este aumento da renda aumenta o consumo das famílias dada a oferta de bens e serviços na economia Neste sentido temos um conflito entre as metas de redu ção de desemprego e a estabilidade de preços Veja a explicação de Vasconcellos 1994 p 200 Se essa redução de desemprego é obtida pelo aumento das compras isso pode aumentar a inflação O aumento das compras por exemplo de automóveis reduz o desemprego porque pessoas que estão desem pregadas serão contratadas para trabalhar nas fábricas de automóveis quando as famílias compram mais casas os operários da construção encontram trabalho com mais facilidade No entanto à medida que a economia aproximase do pleno emprego de recursos estes passam a escassear provocando um aumento dos custos de produção e o au mento das compras tende a agravar a inflação porque é muito provável que os produtores repassem o aumento de custos de produção para os preços de seus produtos Isso só não ocorrerá se ao mesmo tem po estiver ocorrendo um significativo aumento de produtividade que compense a elevação dos custos POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 102 Por outro lado políticas de estabilização da inflação podem gerar aumento da taxa de desemprego visto que tais políticas reduzem a demanda de bens e servi ços gerando queda da atividade econômica e consequentemente do emprego e da renda Podemos definir estas relações inversas entre taxas de inflação e taxas de desemprego como trade off relação inversa explicado por uma teoria cha mada curva de Phillip que surgiu na década de 1950 Segundo Dornbusch e Ficher 1991 a curva de Phillips corresponde à uma curva de oferta agregada positivamente inclinada que relaciona preços e pro duto Assim aumentos de preços inflação estão associados a variações positivas da produção agregada e portanto do emprego Diante do exposto até aqui podemos verificar que o administrador público policymaker tem de fazer uma escolha quanto à ênfase a ser dada a diferentes objetivos visto que cada combinação afeta diferentes grupos na sociedade de formas diferente e qualquer escolha estará sujeita à objeção política pelos repre sentantes dos grupos para os quais a escolha alternativa é pior Quando analisamos os partidos políticos geralmente conseguimos prever a alternativa de política econômica a ser escolhida a partir do conhecimento prévio das políticas de campanha e assim prever os futuros impactos do novo governo na economia Para atingir estes objetivos globais da economia o governo pode atuar sobre a capacidade produtiva produção agregada e despesas planejadas demanda agregada visando permitir à economia operar a pleno emprego dos fatores de produção com baixas taxas de inflação e distribuição equitativa de renda Os principais instrumentos utilizados pelo governo são política fiscal política cambial e comercial política de rendas controle de preços e salários política monetária Objetivos de Política e a Política Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 103 De forma simplificada podemos dizer que a política fiscal referese à utilização do governo de instrumentos que controlem a arrecadação tributária política tri butária e o controle dos gastos governamentais política de gastos Se o objetivo do governo for o crescimento econômico e a redução do nível de desemprego ele pode estimular os gastos do setor privado em consumo de bens e serviços e investimento reduzindo a carga tributária porém se o objetivo da política for a redução da inflação as medidas adotadas pelo governo normalmente são a redução dos gastos públicos ou o aumento da carga tributária Por outro lado quando o governo visa melhorar a distribuição de renda a política fiscal deve ser utilizada de forma seletiva em benefício dos grupos menos favorecidos como a implantação na economia brasileira do imposto de renda pelo método pro gressivo ou seja quem ganha mais paga mais impostos Outro exemplo são os gastos do governo em regiões e setores mais atrasados e a utilização de subsídios A política cambial e comercial estão relacionadas ao setor externo da eco nomia A primeira referese ao controle do governo sobre a taxa de câmbio ou seja adoção do regime de câmbio fixo ou flutuante entre outros E a segunda diz respeito aos instrumentos de incentivo às exportações e controle às impor tações como altas taxas alfandegárias cotas de importação isenção de impostos a produtos exportados etc A política de rendas está relacionada ao controle do governo sobre os pre ços e salários na economia normalmente relacionados ao objetivo do governo de combate à inflação São exemplos de política de renda o controle sobre os preços das tarifas de água de energia do petróleo política de salário mínimo política de preços mínimos da agricultura entre outros Em relação à política monetária esta é definida segundo Lopes e Rossetti 1998 p 253 como o controle da oferta de moeda e das taxas de juros no sen tido de que sejam atingidos os objetivos da política econômica global do governo Estes objetivos variam de acordo com o estágio e padrão de desenvolvimento econômico do país dos propósitos políticos dos governantes dos problemas de conjuntura de cada período e do conjunto de credos e valores sociais POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 104 INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MONETÁRIA Como vimos uma das formas de o governo atingir os objetivos das políticas globais é pela da utilização da política monetária que consiste no controle do governo sobre a quantidade de moeda o crédito e a taxa de juros que é reali zada pelos seguintes instrumentos de política CARVALHO 2007 emissões de moeda pelo Banco Central reservas compulsórias percentual sobre os depósitos que os bancos comer ciais devem reter junto ao Banco Central operações de open market compra e venda de títulos públicos política de redescontos empréstimos do Banco Central aos bancos comerciais regulamentação sobre crédito e taxa de juros Emissão de moeda pelo Banco Central A quantidade de moeda na economia é definida como a somatória da moeda manual papelmoeda e moeda metálica em poder do público e moeda escri tural depósito à vista do público nos bancos comerciais Esta quantidade de moeda depende das mudanças na base monetária que é constituída pelo papel moeda e moeda metálica em poder do público papelmoeda e moeda metálica mantida em caixa pelos bancos comerciais e pelas reservas voluntárias e com pulsória depositadas no Banco Central O que aconteceu com a demanda de carros novos e eletrodomésticos da linha branca quando o governo reduziu o valor do IPI imposto sobre o pro duto comercializado no período de 2008 a 2014 Que tipo de política é esta Além da base monetária a oferta de moeda também depende das mudanças do multiplicador monetário que representa a criação de moeda pelos bancos comerciais por meio dos empréstimos Assim podemos representar a variação da oferta de moeda na economia pela seguinte fórmula LOPES ROSSETTE 1998 ΔM kΔB Sendo ΔM variação dos meios de pagamentos ou oferta monetária K Multiplicados dos meios de pagamentos ΔB variação da base monetária A base monetária pode ser alterada pelo Banco Central com as seguintes finalidades CARVALHO 2007 financiar déficits orçamentários do governo conceder empréstimos de liquidez aos bancos comerciais realizar operações de compra e venda de moeda estrangeira as quais são necessárias às transações econômicas do país com as economias internacionais Quando o Banco Central com o aumento da moeda em circulação pelo seu efeito multiplicador gera um aumento da demanda agregada da economia estimula a produção e a renda podendo gerar um aumento do nível generalizado de preços ou seja inflação Fixação da taxa de reservas compulsórias A fixação da taxa de reservas que os bancos comerciais devem recolher sobre os depósitos à vista ao Banco Central é um dos instrumentos de política monetária mais utilizados para controle do efeito multiplicador da moeda Quando ao Banco Central aumenta a taxa de reservas compulsórias ele reduz a proporção de depósitos à vista que os bancos comerciais podem utilizar na realização de empréstimos criação de meios de pagamento o que reduz o valor do multiplicador monetário k e assim leva a uma contração da oferta de moeda POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 106 Por outro lado quando o Banco Central reduz as taxas de reservas com pulsórias a proporção dos depósitos à vista que podem ser direcionados aos empréstimos aumenta os bancos comerciais concedem mais empréstimos e o valor do multiplicador monetário k aumenta e consequentemente aumenta a oferta de moeda na economia Operações de open marketing As operações de open marketing consistem na compra e venda de títulos da dívida pública de emissão do Banco Central ou do Tesouro Nacional Por este instrumento o Banco Central consegue influenciar com rapidez e flexibilidade a oferta de moeda e a taxa de juros de curto prazo taxa Selic Quando o Banco Central objetiva estimular o crescimento econômico pela demanda agregada ele pode expandir a oferta de moeda realizando operações de resgate dos títulos da dívida pública em poder do público bancário e não bancário Dada a demanda por moeda o aumento da oferta de moeda causa a redução da taxa de juros básica da economia Já quando o Banco Central deseja reduzir a oferta de moeda ele vende ao público e aos bancos títulos da dívida pública retirando moeda da economia na proporção dos títulos adqui ridos A retração da oferta de moeda dada a demanda por moeda causa o aumento da taxa de juros No Brasil as taxas de reservas compulsórias são aplicadas não apenas sobre os depósitos à vista mas também sobre os depósitos a prazo dinheiro apli ca nas cadernetas de poupança CDB etc Fonte a autora Objetivos de Política e a Política Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 107 A Figura 8 apresenta de forma resumida as operações de mercado aberto e seus efeitos na economia Veja Expansão dos Meios de Pagamento Redução da taxa de Juros Redução dos Meios de Pagamentos Expansão da taxa de Juros Compra de títulos da Dívida Pública pelo Banco Central Venda de títulos da Dívida Pública pelo Banco Central Figura 8 Síntese das operações de mercado aberto Fonte a autora Segundo Lopes e Rossetti 1998 as operações de mercado aberto possibilitam o controle diário do volume de oferta de moeda a manipulação das taxas de juros de curto prazo uma alternativa de investimento para o público e para as instituições financeiras a criação de liquidez para os títulos públicos possibilitando o financia mento dos gastos públicos Diante do que foi apresentado até aqui temos que se o objetivo de política for o controle da inflação a medida de política monetária seria diminuir o estoque monetário da economia e isto poderia ser feito pelo aumento da taxa de reserva compulsória ou pela venda de títulos no mercado aberto open market Mas se a meta for o crescimento econômico o processo seria o inverso POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 108 Funcionamento operacional do Mercado Aberto O funcionamento do mercado aberto é relativamente simples Segundo Assaf Neto 2014 quando o Banco Central deseja captar recursos do mercado ele efe tua a venda primária leilão primário de títulos públicos de sua propriedade A colocação desses títulos é realizada por meio do recebimento de propostas feitas por instituições financeiras junto aos dealers os quais são instituições que representam o Banco Central nas operações de venda primária Cabe ao Banco Central aceitar ou não as propostas A instituição financeira que adquire o título no leilão primário pode revendelo no mercado secundário cujo instrumento operacional é o open market mercado aberto Por este mecanismo a institui ção financeira vende o título ao público com compromisso de recompra em data futura mediante remuneração chamada operações compromissadas O spread bancário receita financeira da instituição é formado no diferen cial entre a taxa de juros que é ganha na compra do título e a taxa de juros que é paga na sua venda Quando um banco vende um título público com compro misso de recompra comportase como se estivesse tomando empréstimos no mercado para financiar suas operações entregando os títulos como garantia No entanto caso o investidor decida permanecer com o título e a instituição des fizerse dele ocorre a operação definitiva ou seja a liquidação da transação Neste contexto é formada a taxa Selic que representa a taxa média diária das operações compromissadas conhecidas como overnight ASSAF NETO 2014 Outro aspecto importante é que o investidor como eu e você não é obri gado a manter o título até o seu vencimento pode revendêlo antecipadamente No entanto neste caso as negociações ocorrem à taxa do dia pode ser diferente da taxa contratada não conseguindo o investidor garantir a taxa prometida na compra do título Além disso há a incidência do Imposto de Renda sobre a ren tabilidade dos títulos que obedece à seguinte regra Objetivos de Política e a Política Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 109 Quadro 1 Alíquotas do imposto de renda PRAZO IR ALÍQUOTA Até 180 dias 225 De 181 a 360 dias 20 De 361 a 720 dias 1750 Acima de 720 dias 15 Fonte adaptado de Tesouro Direto 2018 online5 Como podemos verificar a maior rentabilidade ocorre quando deixamos o nosso capital aplicado por um prazo acima de dois anos Política de Redesconto Uma das funções do Banco Central é ser banco dos bancos o que significa que se os bancos comerciais precisarem de liquidez em última instância o Banco Central deve atuar suprindo os bancos de moeda por meio de desconto de títu los dos bancos comerciais a uma taxa préfixada chamada taxa de redesconto O controle dos meios de pagamentos por este instrumento de política mone tária resulta das seguintes operações LOPES ROSSETTI 1998 Alteração da taxa de redesconto Quando o Banco Central quer aumen tar a liquidez dos bancos ele reduz a taxa de redesconto e quando quer evitar que os bancos adquiram empréstimos ele aumenta a taxa de redes conto o que aumenta o custo de oportunidade dos empréstimos O rendimento dos títulos da dívida pública podem ser de dois tipos pré fixados ou pósfixados A remuneração é atrelada a um indexador como taxa Selic taxa referencial TR índice de inflação como o IPCA IGPM ou variação cambial Fonte adaptado de Tesouro Direto 2018 online6 POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 110 Mudança nos prazos concedidos aos bancos comerciais para resgate dos títulos redescontados Quanto menores os prazos de resgate maior será o percentual dos depósitos à vista deixados como reservas de caixa nos bancos comerciais e assim menor será a oferta de moeda e viceversa Fixação de limites operacionais Quanto menores os limites operacionais de crédito menor será o montante de empréstimos e assim da oferta de moeda e viceversa Restrição dos tipos de títulos redescontáveis Quanto maiores forem as restrições menores serão as possibilidades oferecidas aos bancos para se socorrerem junto ao Banco Central em caso de dificuldade de caixa Assim os bancos adotaram políticas mais conservadoras na concessão de cré dito e a oferta monetária é restringida O contrário também é verdadeiro Regulamento sobre o crédito e a taxa de juros Representam intervenções diretas das autoridades monetárias sobre o controle do volume de crédito e o seu preço Os mecanismos de controle podem ser controle do volume e da destinação do crédito controle da taxa de juros dos emprésti mos e determinação dos prazos limites e condições dos empréstimos Quanto mais rígido o controle menor a oferta de liquidez Produtos Financeiros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 111 PRODUTOS FINANCEIROS O mercado monetário encontrase estruturado com o objetivo de controlar a liquidez monetária da economia e a determinação das taxas de juros Os ativos negociados neste mercado têm como característica os reduzidos prazos de res gate alta liquidez e são responsáveis pela formação das taxas de juros básicas da economia a taxa Selic e a taxa DI São negociados no mercado monetário os papéis emitidos pelo Tesouro Nacional com o objetivo de financiar o orçamento da união Títulos Públicos Federais os títulos públicos de nível estadual e municipal Também são negocia dos os títulos representantes de dívida privada como Certificados de Depósitos Interfinanceiros CDI Certificados de Depósitos Bancários CDB Debêntures commercial papers Letras de Crédito Imobiliário LCI Letras de Crédito do Agronegócio LCA entre outros Com exceção do CDI cuja negociação é de exclusividade das instituições financeiras os outros ativos são oportunidades de investimento para nós Assim vamos conhecer algumas formas de obter renda que estão ao alcance de qual quer pessoa inclusive ao seu POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 112 Uma característica comum destes ativos é que eles são considerados renda fixa de baixo risco para o investidor A principal característica que define uma renda como fixa é que a sua rentabilidade é previamente definida no momento da aplicação financeira Os investimentos em renda fixa ainda podem ter a sua remuneração taxa de juros por exemplo préfixada e pósfixada a diferença é que os préfixados você já sabe exatamente a rentabilidade que receberá já com o pósfixado sabese previamente qual será a forma de cálculo da sua rentabi lidade mas ela pode variar Mesmo assim este último é uma renda fixa porque o valor inicial do investimento é preservado De acordo com Assaf Neto 2014 as aplicações em rendas fixas podem ser divididas em três grupos de emissores o governo emissão de Títulos Públicos Bancos DCBs RDBs Letras Hipotecárias Poupança Letras de Câmbio Previdência Privada e empresas debêntures commercial papers Vamos apren der um pouco mais sobre cada um deles TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA Muitos investidores acreditam que investir em papéis do governo é a melhor opção quando se trata de segurança Na verdade eles têm razão Pense bem caso o governo quebre imagine como estará o restante da economia O governo sabe desse desejo dos investidores em possuir seus papéis e tam bém tem interesse nesses investimentos de títulos públicos De acordo com o portal do Ministério da Fazenda títulos públicos são ativos de renda fixa e pos suem a finalidade primordial de captar recursos para o financiamento da dívida pública bem como para financiar atividades do governo federal como educação saúde e infraestrutura Pois bem pensando nisso há algum tempo o governo possibilitou investimentos em seus papéis de forma mais simples e acessível a praticamente qualquer investidor Tratase de um sistema de investimento cha mado Tesouro Direto Por meio deste sistema o investidor pode de forma totalmente informatizada comprar os papéis do governo que mais se adaptam ao perfil do investidor Produtos Financeiros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 113 Vamos conhecer alguns desses papéis O quadro a seguir apresenta os prin cipais títulos públicos brasileiros negociados pelo Tesouro Direto Quadro 2 Títulos Públicos Federais do Brasil TIPOS DE TÍTULOS CARACTERÍSTICAS LTN Letras do Tesouro Nacional Títulos com rentabilidade definida taxa fixa no momento da compra Forma de pagamento no vencimento LFT Letras Financeiras do Tesouro Títulos com rentabilidade diária vincu lada à taxa de juros básica da economia taxa média das operações diárias com títulos públicos registrados no sistema Selic ou simplesmente taxa Selic Forma de pagamento no vencimento NTNB Nota do Tesouro Nacional série B Título com rentabilidade vinculada à variação do IPCA acrescida de juros defi nidos no momento da compra Forma de pagamento semestralmente juros e no vencimento principal NTNB Principal Nota do Tesouro Nacio nal série B Título com rentabilidade vinculada à variação do IPCA acrescida de juros de finidos no momento da compra Não há pagamento de cupom de juros semestral Forma de pagamento no vencimento NTNF Notas do Tesouro Nacional série F Títulos com rentabilidade prefixada acrescida de juros definidos no momento da compra Forma de pagamento semestralmente juros e no vencimento principal Fonte adaptado de Tesouro Direto 2018 online6 E se você quiser investir nesses papéis como poderá fazer isso No lançamento do programa bastava apenas R 20000 duzentos reais para você começar a investir isso com a comodidade de operar com os papéis sem sair de casa pois as transações são feitas diretamente via internet É possível ao inves tidor definir sua estratégia de investimento se de curto médio ou longo prazo POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 114 Além disso as taxas cobradas são muito inferiores que a maioria de papéis de renda fixa existentes no mercado O investidor pode ainda caso necessitar converter os papéis em dinheiro por vender a preços de mercado todas as quar tasfeiras dia em que o Tesouro oferece a recompra a preços de mercado Outro benefício é fiscal pois diferente dos fundos de investimento que possuem o chamado comecotas que é a cobrança antecipada de parte do Imposto de Renda duas vezes por ano no caso do Tesouro Direto a cobrança do Imposto de Renda sobre os rendimentos só é feita no momento da venda ou do vencimento do título Podem investir nesses papéis qualquer pessoa residente no Brasil que possua Cadastro de Pessoa Física CPF e esteja cadastrada em alguma das instituições financeiras habilitadas a operar no Tesouro Direto TÍTULOS DE DÍVIDA PRIVADA Caderneta de Poupança A caderneta de poupança é o tipo de investimento mais tradicional conservador e popular do Brasil Envolve baixos riscos e por isso sua remuneração nominal também é baixa atualmente em torno de 05 ao mês aplicada sobre os valo res atualizados pela TR Taxa Referencial com capitalização mensal creditada na data de aniversário da aplicação FORTUNA 2008 As principais vantagens das aplicações na poupança são Vale a pena conhecer esta opção de investimento O Tesouro Nacional dis ponibiliza um portal com informações e regras que o investidor é convidado a acessar O portal é httpwwwtesourofazendagovbr Fonte a autora Produtos Financeiros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 115 liquidez imediata investimentos de até R 60 mil são garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito Assim em caso de falência do banco este valor fica garantido há isenção de incidência do Imposto de Renda para pessoas físicas Já as pessoas jurídicas sofrem incidência do IR sobre os rendimentos com as seguintes alíquotas aplicações de até 180 dias 225 aplicações de 181 a 360 dias 20 aplicações de 362 a 720 dias 175 aplicações acima de 720 dias 15 CDB Certificado de Depósito Bancário e RDB Recibo de Depósitos Bancários Quando se fala de tradição temos que obrigatoriamente falar de CDB e RDB Estes papéis são conhecidos como depósitos a prazo e são os mais tradicionais títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras para captação de recur sos Esses produtos permitem que o banco e o cliente saibam com antecedência as condições de remuneração para o prazo e os valores negociados O CDB e o RDB são títulos de captação de recursos financeiros emitidos pelos bancos Quem compra estes títulos está emprestando dinheiro aos ban cos recebendo uma remuneração em troca a taxa de juros Que diferença existe entre CDB e RDB A diferença básica entre os dois títulos é que o CDB pode ser transferido por meio de endosso sendo por tanto negociado no mercado Já os RDBs são obrigatoriamente nominativos e intransferíveis determinando muitas vezes variações nas taxas de juros pagas aos aplicadores Vamos entender como funciona a remuneração dos CDBRDBs CDBRDB préfixado o investidor recebe no vencimento a remuneração negociada conhecida antecipadamente e constante no contrato Nesta moda lidade não existe exigência legal de prazo mínimo Esta definição fica a cargo de cada instituição financeira POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 116 CDBRDB pósfixado os índices de remuneração do CDB são obtidos pela variação do indexador escolhido na contratação Existe atualmente uma exigência legal quanto ao prazo mínimo de contratação de CDB conforme o indexador utilizado As aplicações em CDB podem ser feitas por qualquer pessoa que seja corren tista de um banco e tenha dinheiro para investir O prazo varia de 30 a 180 dias e o valor mínimo depende da modalidade disponível no banco Geralmente os bancos oferecem taxas maiores de acordo com o valor investido No CDB há incidência do Imposto de Renda que varia de 15 a 225 de acordo com o tempo investido pago no resgate da aplicação Não há taxa de administração Se o valor ficar aplicado por menos de 30 dias será cobrado o Imposto sobre Operação Financeira IOF O risco de aplicação em CDBs é baixo pois está associado à solidez do banco O investidor só perde a aplicação caso a instituição vá à falência porém o FGC Fundo Garantidor de Crédito garante o valor de até R 250 mil por CPF se a instituição for associada ao Fundo A rentabilidade do CDB é atrelada ao CDI Assim um CDB pode render 100 do CDI mais que 100 do CDI menos que 100 do CDI Exemplo 1 Um CDB que rende 100 do CDI e este teve uma taxa acumulada de 1160 nos últimos 12 meses teria rendido exatamente 1160 no mesmo período Exemplo 2 Caso seu CDB renda 90 do CDI e o CDI foi de 1160 nos últimos 12 meses a rentabilidade do seu investimento no mesmo período será de 1044 1160 090 Exemplo 3 Se um CDB oferece remuneração por exemplo de 90 do CDI ao investidor e o valor do CDI é de 7 e for deixado capital investido durante 100 dias qual será a rentabilidade líquida do investidor Produtos Financeiros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 117 90 de 7 63 IR de 225 0225 x 63 142 Rentabilidade Líquida 63 142 488 Previdência complementar privada Talvez os produtos mais famosos na prateleira das rendas sejam os de previ dência complementar privada Dentre esses produtos estão o PGBL e o VGBL O que são estes produtos e para quem se destinam PGBL a sigla vem de plano gerador de benefício livre veja o P de plano é uma boa dica para você não confundir com o outro tipo As regras do PGBL são simples na sua essência tratase de um plano que visa compor uma reserva matemática para benefício futuro Muito parecida com o FAPI não concorda O PGBL é oferecido pela maioria dos grandes bancos e vai outra dica como se trata de um produto que vai vincular você a uma instituição financeira por muitos anos é preciso saber com quem você vai casar não é mesmo Se a ins tituição financeira entrar em dificuldades apesar da administração do plano ser à parte da própria instituição inclusive tem CNPJ diferente pode ser que o plano seja contaminado pela falta de confiança dos investidores No PGBL as contribuições são individuais ou seja cada participante tem o seu plano Pode ocorrer de o empregador querer pagar o plano como um bene fício ao funcionário seria ótimo não é verdade mas ao dinheiro acumulado somente o participante pode ter acesso Para quem se destina o PGBL Em um momento de juros já baixos com inflação girando em cerca de 55 o ganho já começa a perder da inflação POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 118 Aqui vão dicas importantes 1 O PGBL é destinado a quem declara IRPF no formulário completo e que utilizará os pagamentos ao plano para abatimento de imposto de renda 2 Para ter esse benefício o participante do plano também precisa contri buir para a previdência oficial 3 Caso o plano seja para um filho menor o responsável pode abater os valores pagos na sua declaração Importante somandose todas as contri buições para o PGBL próprio ou para filhos menores o teto máximo de abatimento é de 12 da renda bruta tributável anual Caso o filho menor tenha mais de 16 anos de idade é preciso que este menor também con tribua para a previdência oficial para poder contar com o benefício do abatimento de IR Exemplo imagine alguém que tenha uma renda bruta anual de R 20000000 Este contribuinte poderá abater então até 12 dessa renda a título de previdência privada ou seja R 2400000 desde que é claro tenha de fato contribuído para isso É necessário compro vação Ficaria assim a base de cálculo do IR passaria de R 20000000 para R 20000000 R 2400000 R17600000 4 Em caso de saque antecipado o valor sacado será tributado lembrese de que o Leão não é tão manso assim de acordo com a tabela progres siva do IRPF Geralmente os percentuais são elevados podendo chegar a 275 do montante capital mais juros acumulados 5 Em caso de recebimento do valor na forma de renda mensal o valor rece bido entrará como rendimento tributável igualzinho ao FAPI e deverá ser somado às outras rendas tributáveis para compor a base de cálculo do IRPF Portanto meu caro pense bem antes de escolher o plano Isto porque se você não se enquadrar na regra número 1 apresentada ou seja se não declarar no for mulário completo ou declara como isento ou ainda se já atingiu o teto máximo de abatimento de 12 a título de previdência complementar mas deseja contri buir além desse teto o ideal para você é o VGBL VGBL a sigla vem de vida gerador de benefício livre preste atenção no V de vida Esta forma de previdência complementar privada guarda todas as caracte rísticas do PGBL na questão de rendimentos portabilidade porém uma diferença importantíssima é o tratamento fiscal ao contrário do PGBL no VGBL não há Produtos Financeiros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 119 benefício fiscal algum Não se podem abater valores pagos neste plano que na verdade é uma forma de seguro de vida na declaração de IRPF Porém a vantagem é que caso você necessite resgatar o valor total ou parcial antes da época prevista para recebimento de benefícios o Imposto de Renda a ser cobrado incidirá somente nos rendimentos como acontece em qualquer outra apli cação financeira Isso é ótimo caso a pessoa decida investir em outro tipo de ativo financeiro como um imóvel por exemplo durante o período em que está acumu lando esses valores O resgate não trará nenhum prejuízo em relação a impostos Estas são apenas algumas características dos planos PGBL e VGBL Existem outras e eu recomendo entrar nos portais das empresas que oferecem esses produ tos e simular alguns planos que estejam dentro de seu perfil de renda e interesse Recomende isso também a quem você assessorar Letras Hipotecárias LH São títulos emitidos por instituições financeiras autorizadas a conceder crédi tos hipotecários como as sociedades de crédito imobiliário e bancos múltiplos com carteira imobiliária e a Caixa Econômica Federal com lastro em financia mentos habitacionais São emitidas com juros préfixados flutuantes e pósfixados em TR TJLP ou TBF no prazo mínimo de 180 dias pois se resgatados antes desse prazo não remuneram o investidor O prazo máximo é o do vencimento dos créditos hipo tecários caucionados em garantia Letras de Crédito Imobiliário LCI São títulos de crédito lastreados por crédito imobiliário garantidos por hipo teca ou por alienação fiduciária de imóvel Suas principais características são BMBOVESPA 2007 online7 títulos de renda fixa emissão exclusiva de instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central com carteira de crédito imobiliário emisão sob forma de certificado ou escritural obrigatoriamente regis trada na CETIP POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 120 nominativas transferíveis e de livre negociação no mercado secundário o preço unitário de emissão é de R 100000 mil reais garantia do emissor e FGC Fundo Garantidor de Crédito lastro de créditos imobiliários recebívelimóvel garantidos por primeira hipoteca ou alienação fiduciária a LCI poderá contar com garantia pessoal tais como aval e fiança adi cional de instituição financeira a LCI não poderá ter prazo de vencimento superior ao prazo de quais quer dos créditos imobiliários que lhe servem de lastro a pessoa física é isenta de Imposto de Renda mas à pessoa jurídica a tri butação vai em linha com a de renda fixa prazos de aplicação no caso da Caixa Econômica Federal atualmente a instituição mais ativa em crédito imobiliário no Brasil o prazo mínimo dessa aplicação é de dois meses e o máximo de 24 meses 2 anos aplicação mínima R 3000000 e o BB aceita a partir de R 100000 Remuneração atrelada ao CDI normalmente entre 80 e 95 do CDI Fonte Caixa Econômica Federal 2018 online8 Exemplo 1 Suponha um título de LCI que remunere 90 do CDI 1413 ano Qual o valor da sua rentabilidade líquida se você tivesse deixado aplicado no período de 1 ano Solução 09 x 1413 127 ano Resposta a rentabilidade é de 127 ao ano visto que não paga IR Letras de Crédito Agrícola LCA Letras de crédito agrícola é um tipo de título de dívida privadam emitido pelos bancos a fim de captar recursos para participantes da cadeia do agronegócio Ou seja quando compramos um LCA estamos emprestando dinheiro ao banco para ele alocar nosso dinheiro nos financiamentos voltados ao crédito rural Sabese que a emissão da Letra é condicionada à existência e à disponibilidade Produtos Financeiros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 121 no banco de direitos e créditos relacionados com a produção a comercialização o beneficiamento ou a industrialização de produtos ou insumos agropecuários ou máquinas e implementos utilizados na atividade agropecuária No Banco do Brasil a aplicação mínima é de R 5000000 e o resgate no primeiro dia útil após a carência de 90 dias da aplicação É importante salientar que cada banco tem suas próprias regras quanto ao limite mínimo de aplicação Estes ativos têm como principal características BMFBOVESPA 2017 online7 risco do investimento muito baixo pois possui cobertura do FGC até R 25000000 por CPF e por instituição financeira tem como remuneração um percentual do CDI rendimentos isentos de Imposto de Renda para pessoa física alíquota de IOF reduzida a zero o LCA é lastreado pelas garantias reais exigidas nos empréstimos agrícolas como soja café boi ou outra mercadoria para ficarem aptos a consegui rem algum financiamento no banco resgates antes do vencimento ou antes do prazo de carência não pagam juros resgates podem ser feitos a partir de 90 dias quando indexada ao CDI a depender do contrato Debêntures São títulos de dívida de médio e longo prazos emitidos por sociedades anô nimas privadas que conferem ao investidor debenturista um direito de crédito contra a mesma de acordo com as características constantes na escri tura de emissão É negociado em Bolsas de Valores e no Mercado de Balcão ASSAF NETO 2014 Normalmente os recursos captados com o lançamento de debêntures são uti lizados para financiamento de projetos reestruturação de passivos ou aumento do capital de giro das empresas Cada debênture emitida representa uma fração POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 122 do total da dívida contraída pela companhia no ato da emissão e pode ser nego ciada no mercado secundário Apesar de terem características de títulos de renda fixa ou seja tem índices de remuneração previamente conhecidos sejam pré ou pós fixados as debêntures podem ter características de renda variável como prêmios participação no lucro da empresa ou mesmo conversibilidade em ações da companhia emissora Quem adquire uma debênture passa a ser credor da empresa recebe juros periódicos pelo empréstimo e no vencimento recebe de volta o valor pago pelo título inicialmente As debêntures têm algumas classificações e é importante que você as conheça Essas classificações são quanto à posse à espécie e à garantia ABRASCA 2008 online9 Quanto à posse as debêntures podem ser nominativas quando consta o nome do titular nos certificados que são emitidos fisicamente escriturais são emitidas em meio eletrônico não existindo a emissão física do certificado embora sejam mesmo assim nominativas Quanto à espécie podem ser simples ou seja não conversíveis quando conferem ao debenturista um crédito a ser pago com correção monetária e juros conversíveis em ações quando os debenturistas podem receber seu cré dito com correção e juros como nas simples ou podem convertêlas em ações da empresa emissora passando assim da condição de dono de um crédito para dono de uma fração da empresa ou seja passa a ser um sócio permutáveis são debêntures que possibilitam ao detentor dentro de con dições prévias definidas na escritura de emissão da debênture a permuta deste papel por ações de outra empresa que não a emissora da debênture Quanto à garantia as debêntures podem ser ASSAF NETO 2014 com garantia real quando a garantia é oferecida por bens integrantes do ativo da empresa emissora ou de terceiros vinculados por hipoteca ou penhor por exemplo Produtos Financeiros Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 123 com garantia subordinada quando os debenturistas passam a ter privi légio sobre os acionistas no ativo remanescente em caso de liquidação da empresa com garantia flutuante quando os credores têm preferência geral sobre os ativos da empresa não impedindo no entanto a negociação destes bens que compõem o ativo com garantia quirografária e sem garantia neste caso não há nenhuma garantia ou privilégio sobre o ativo da empresa O debenturista concorre em igualdade de condições com todos os credores quirografários em caso de liquidação sem nenhum tipo de preferência sobre os demais credores Obedecida à legislação as debêntures podem ser remuneradas das formas a seguir ABRASCA 2008 online9 taxa de juros prefixada taxa referencial TR observado o prazo mínimo de quatro meses para o vencimento ou período de repactuação Somente as empresas de leasing podem emitir com este indexador taxa de juros flutuantes observado o prazo mínimo de 120 dias para o vencimento ou período de repactuação admitindose que os interva los de reajuste da taxa utilizada como referencial ocorram em prazo não inferior a 30 dias taxa de juros fixa e cláusula de atualização com base em índice de pre ços atendido o prazo mínimo de um ano para vencimento ou período de repactuação Commercial papers Os commercial papers são títulos de dívida emitidos por empresas que podem ou não ser financeiras direcionados ao financiamento das necessidades de capi tal de giro como compra de estoques pagamentos de fornecedores entre outros Possuem um prazo de duração mais curto que o das debêntures e por isso são mais indicadas para investidores com interesse em aplicações a curto prazo sendo o prazo mínimo de um mês e o máximo de um ano POLÍTICA MONETÁRIA E PRODUTOS FINANCEIROS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 124 A rentabilidade destes títulos é por meio dos juros pagos pelas empresas emissoras dos títulos aos investidores podendo ser préfixados e pósfixados Também há a possibilidade de emissão de commercial papers fixados em dóla res A garantia desses títulos está vinculada à saúde financeira da empresa tendo um risco maior para o investidor ASSAF NETO 2014 O commercial paper tem como principal função permitir ao setor produ tivo a captação de recursos no mercado financeiro a curto prazo a juros mais baixos que os bancários Assim obtemse de capital de giro e pode até mesmo vir a financiar projetos de ampliação desenvolvimento de produtosserviços ou mesmo pagamento de impostos CETIP 92018 online11 Considerações Finais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 125 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste estudo aprendemos que a taxa de juros é determinada no mercado de oferta e demanda por moeda por meio de uma condição de equilíbrio quando a quantidade ofertada de moeda é igual à quantidade demandada de moeda A demanda por moeda é determinada pela decisão dos agentes em reter moeda para transação e especulação aplicação financeira Por outro lado a quanti dade ofertada é determinada pelo Banco Central Aprendemos que quando o Banco Central atua estimulando ou retraindo a oferta de moeda ele adota um mecanismo chamado política monetária a qual é operacionalizada pelos seguintes instrumentos política de redesconto reser vas compulsórias operações de open market mercado aberto e regulamentação sobre crédito e taxa de juros Quando o Banco Central quer aumentar a oferta de moeda na economia com o objetivo de estimular a produção a renda e o emprego ele adota a política expansionista e isto acontece ao reduzir a taxa de redesconto e a taxa de reservas compulsória ao comprar títulos da dívida pública pertencentes ao público e aos bancos ao flexibilizar a regulação sobre o créditos e ao aumentar a base monetária com a emissão de moeda Uma consequência destas medidas é a redução da taxa de juros que esti mula os investimentos o consumo e o aparecimento da inflação Assim quando o Banco Central tem como objetivo o combate à inflação de demanda ele atua adotando uma política monetária restritiva realizando o processo inverso Aprendemos também que as duas principais taxas de juros da nossa eco nomia são a taxa de juros Selic definida no mercado de títulos a partir das operações de mercado aberto e a taxa DI formada do mercado de emprésti mos interbancários Essas taxas são utilizadas como uma referência visto que são um custo de oportunidade para as instituições financeiras 126 FUNDOS DE INVESTIMENTO EM RENDA FIXA Fundo de Investimento é uma forma de aplicação financeira formada pela união de vá rios investidores que se juntam para a realização de um investimento financeiro organi zada sob a forma de pessoa jurídica tal qual um condomínio visando a um determinado objetivo ou retorno esperado dividindo as receitas geradas e as despesas necessárias para o empreendimento Com o objetivo de dar maior transparência ao investidor ao comparar fundos em ins tituições diferentes algumas regras foram estabelecidas com respeito por exemplo à nomenclatura do fundo A denominação do fundo deverá conter a expressão Fundo de Investimento com o acréscimo da referência à classe do fundo podendo ter ainda expressões que indiquem o tratamento tributário específico a que estejam sujeitos o fundo ou seus cotistas A administração e a gestão do fundo são realizadas por especialistas contratados Os administradores tratam dos aspectos jurídicos e legais do fundo os gestores da estraté gia de montagem da carteira de ativos do fundo visando ao maior lucro possível com o menor nível de risco Todo o dinheiro aplicado nos fundos é convertido em cotas que são distribuídas entre os aplicadores ou cotistas que passam a ser proprietários de partes da carteira propor cionais ao capital investido O valor da cota é atualizado diariamente e o cálculo do saldo do cotista é feito multiplicando o número de cotas adquiridas pelo valor da cota no dia Os principais fundos de renda fixa são Fundo Referenciado DI aplicam em títulos pósfixados como os títulos da dívida pública referenciados pela taxa DI taxa dos depósitos interbancários São indica dos para cenários de alta de juros Fundos de renda fixa aplicam em títulos pósfixados e préfixados de dívida públi ca Indicado para cenários de queda dos juros Fundos de renda fixa crédito aplicam parte dos recursos em títulos de dívida pri vada com juros mais elevados Fundos de renda fixa multiíndices aplicam no mercado futuros de índices de in flação ou de juros Fundos de renda fixa alavancados aplicam em derivativos para aumentar a renta bilidade de sua carteira São indicados para os investidores que não se importam em correr riscos Fonte adaptado de InfoMoney 2018 online11 127 1 Se você sempre recebe exatamente o que esperava de uma aplicação financeira estará aplicando em uma operação de renda fixa Já se você não sabe o quanto ganhará no período de aplicação e se o valor inicialmente investido principal será preservado então você aplicou em operações de renda variável Sobre os tipos de renda assinale a alternativa correta a A caderneta de poupança é o tipo de investimento em renda variável Envolve baixos riscos e por isso sua remuneração nominal também é baixa atualmen te em torno de 05 ao mês aplicada sobre os valores atualizados pela TR taxa referencial com capitalização mensal creditada na data de aniversário da aplicação b O CDB e RDB são conhecidos como depósitos a prazo e são os mais tradicio nais títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras para captação de recursos Esses produtos permitem que o banco e o cliente saibam com antecedência as condições de remuneração para o prazo e valores negocia dos c Letras de Crédito Imobiliário LCI são títulos de crédito de renda variável lastreados por crédito imobiliário garantidos por hipoteca ou por alienação fiduciária de imóvel d Os títulos públicos do governo são ativos de renda variável e possuem a fina lidade primordial de captar recursos para o financiamento da dívida pública bem como para financiar atividades do governo federal como educação saú de e infraestrutura e Nenhuma das alternativas está correta 2 As operações com títulos públicos são acertados diretamente entre os operado res das instituições financeiras credenciadas a operar no mercado monetário que repassam as informações via terminal ao Selic para que ocorra a transfe rência do dinheiro e a seguir dos títulos envolvidos nas operações Sobre tipos de títulos públicos e suas características leia as afirmativas e assinale a alter nativa correta I As Letras Financeiras do Tesouro são papéis com rendimento pósfixado as sim quando a taxa Selic varia impacta na rentabilidade destes títulos II As Letras do Tesouro Nacional são papéis com rendimento préfixado e desta forma a variação de seu indexador não impacta na rentabilidade prometida pelo título na data da sua compra III Os investidores que são pessoas físicas são isentos do pagamento de imposto de renda sobre a rentabilidade dos títulos públicos em seu poder IV O investidor em títulos públicos só pode resgatar seus recursos investidos na data de vencimento dos títulos ficando seu capital bloqueado durante este período 128 a Somente I e II estão corretas b Somente II e III estão corretas c Somente I II e IV estão corretas d Somente I III e IV estão corretas e Todas estão corretas 3 Vamos supor que o Banco Central do Brasil decida utilizar os instrumentos de economia monetária para estimular o crescimento econômico e o nível de em prego e renda Sobre o uso destes instrumentos para alcançar estes objetivos de política econômica leia as afirmativas e assinale a alternativa correta I O Banco Central pode aumentar a taxa de redesconto para estimular que os bancos concedam crédito aumentando a oferta de moeda na economia com consequente queda na taxa de juros estimulando o aumento do consumo e dos investimentos gerando crescimento econômico II O Banco Central pode reduzir a taxa de recolhimento compulsório sobre os depósitos à vista para estimular o crédito e assim o aumento da oferta de moeda que como consequência gera aumento do produto e da renda III Outra forma de estimular o crescimento econômico é por meio de operações de mercado aberto quando o Banco Central entra vendendo títulos públicos para retirar moeda da economia IV Quanto maiores os prazos concedidos aos bancos comerciais para resgate dos títulos redescontados menor será o percentual dos depósitos à vista dei xados como reservas de caixa nos bancos comerciais e assim maior será a oferta de moeda estimulando a demanda agregada na economia e assim a produção gerando crescimento econômico a Somente I e II estão corretas b Somente II e IV estão corretas c Somente I II e IV estão corretas d Somente I III e IV estão corretas e Todas estão corretas 129 4 Dado o equilíbrio no mercado monetário em que a demanda por moeda é igual à oferta de moeda quando a taxa de juros da economia é superior à taxa de juros de equilíbrio do mercado monetário temos que a A demanda por moeda pela população é menor que a oferta de moeda e a taxa de juros tende a cair convergindo para a taxa de juros de equilíbrio b A demanda por moeda pela população é superior à oferta de moeda e a taxa de juros tende a subir mais ainda afastandose da condição de equilíbrio c A curva de oferta de moeda deslocase para a direita d A curva de oferta de moeda deslocase para a esquerda e A curva de demanda por moeda deslocase para a esquerda 5 Se um CDB oferece remuneração por exemplo de 85 do CDI ao investidor e o valor do CDI é de 11 ao deixar o seu capital investido durante 3 anos com a incidência de uma alíquota de 15 de IR qual será a rentabilidade líquida do investidor a Aproximadamente de 935 ao ano b Aproximadamente de 900 ao ano c Aproximadamente de 835 ao ano d Aproximadamente de 795 ao ano e Aproximadamente de 8 95 ao ano MATERIAL COMPLEMENTAR Manual de Macroeconomia Básico e Intermediário Luiz Martins Lopes e Marco Antônio Vasconcellos Editora Atlas 3 ed Sinopse este livro objetiva apresentar de forma clara e didática os principais conceitos e modelos que fazem parte da moderna análise macroeconômica O livro reúne tópicos de macroeconomia básica e intermediária ministrados nas disciplinas de Macroeconomia I II e III da Faculdade de Economia Administração e Contabilidade de Universidade de São Paulo FEAUSP Caroa alunoa indico este vídeo para que você possa ampliar um pouco mais seu conhecimento sobre produtos financeiros Ele apresenta as características dos principais títulos de renda fixa Você pode acessálo neste link wwwyoutubecomwatchv2a8Jx9SdtAQ REFERÊNCIAS ASSAF NETO A Mercado Financeiro 12 ed São Paulo Atlas 2014 BLANCHARD O Macroeconomia 4 ed São Paulo Prentice Hall 2007 CARVALHO F J C PIRES S F E SICSU J PAULA L F R STUDART R Economia Mo netária e Financeira Rio de Janeiro Campus 2007 DORNBUSCH R FICHER S Macroeconomia 5 ed São Paulo Makron Books 1991 FORTUNA E Mercado Financeiro produtos e serviços 17 ed Rio de Janeiro Qua litymark Editora 2008 KERR R B Mercado Financeiro e de Capitais São Paulo Pearson 2011 KRUGMAN P WELLS R Introdução a Economia Rio de Janeiro Elsevier 2007 LOPES J ROSSETTI J Economia Monetária São Paulo Atlas 1998 VASCONCELLOS M C S Economia Micro e Macro 4 ed Rio de Janeiro Atlas 1994 REFERÊNCIAS ONLINE 1 Em httpcdnfeetchebrindicadores330311partepdf Acesso em 19 fev 2018 2 Em httpminhaseconomiascombrindicadoresfinanceirosoqueetaxase lic Acesso em 19 fev 2018 3 Em wwwportalapeoporgbrdepoisdaselicehoradatjlp Acesso em 19 fev 2018 4 Em wwwtesourofazendagovbrdetalhesdatributacaodotesourodireto Acesso em 19 fev 2018 5 Em httpwwwtesourofazendagovbrtesourodireto Acesso em 19 fev 2018 6 Em wwwtesourofazendagovbrtesourodiretoprecosetaxasdostitulos Acesso em 19 fev 2018 7 Em wwwbmfbovespacombr Acesso em 19 fev 2018 8 Em httpwwwcaixagovbrvocepoupancaeinvestimentosletrascreditoi mobiliarioPaginasdefaultaspx Acesso em 19 fev 2018 9 Em httpwwwdebenturescombrdownloadstextostecnicoscartilhade benturespdf Acesso em 19 fev 2018 10 Em wwwinfomoneycombrondeinvestirfundosdeinvestimento Acesso em 19 fev 2018 11 Em httpswwwcetipcombrvaloresmobiliarioscommercialpaper Acesso em 19 fev 2018 131 GABARITO GABARITO 1 B 2 A 3 B 4 A 5 D UNIDADE IV Professora Dra Juliana Franco Afonso MACROECONOMIA CLÁSSICA Objetivos de Aprendizagem Apresentar a oferta agregada clássica Entender como é determinado o nível de emprego na economia e o equilíbrio no mercado de trabalho Apresentar a demanda agregada clássica Conhecer a relação entre poupança investimento e taxa de juros Aprender como é determinado o equilíbrio macroeconômico no modelo clássico e os efeitos da política fiscal Plano de Estudo A oferta agregada clássica A demanda e a oferta de trabalho no modelo clássico e o equilíbrio de mercado Oferta e demanda agregada clássica Poupança investimento e taxa de juros no modelo clássico Equilíbrio entre oferta e demanda agregada no modelo clássico e política fiscal Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 135 INTRODUÇÃO Nesta unidade introduzirei você ao conhecimento das principais teorias do modelo clássico sobre como é determinado o nível de emprego a renda e a produ ção na economia Para isto esta unidade está dividida em cinco tópicos principais O primeiro tópico volta as suas análises ao setor produtivo nacional ou seja apresentarei a você como a teoria clássica explica a formação do nível de produ ção da economia a qual denominamos de oferta agregada Faremos isto dentro de uma visão de curto prazo Ainda analisando o lado da oferta aprenderemos no tópico dois como é determinado o nível de emprego na economia e para isso apresentarei como é formada a função demanda e oferta de trabalho e como ambas as funções se relacionam com o salário real da economia de forma a determinálo No tópico três voltamos nossa atenção para a demanda Com base na teo ria quantitativa da moeda já estudada em unidades anteriores de nosso livro derivaremos a demanda agregada no modelo clássico e verificaremos qual é o papel da determinação do nível de emprego e renda na economia Avançando em nossas análises estudaremos na sequência como são forma das a oferta de fundos na economia e a demanda de recursos para investimento e suas relações com a taxa de juros Por fim apresentarei a você como o mercado de bens e serviços equilibrase no modelo clássico determinando a taxa de juros real da economia e o impacto da política fiscal do governo pelo do aumento dos gastos públicos para estimu lar o nível de emprego e renda visando promover o crescimento econômico Para aprofundar os estudos da macroeconomia esta unidade sugere a lei tura de material complementar para que você possa ampliar o seu conhecimento Como economistas devemos conhecer todas as teorias que são a base para a formação de políticas públicas dos governos Portanto tenha uma boa leitura MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 136 A OFERTA AGREGADA CLÁSSICA Utilizamos nesta unidade o termo clássico para designar as correntes de pen samento estruturalistas que se baseiam em simplificações para poder estudar como a economia funciona De acordo com os teóricos desta corrente Adam Smith David Ricardo Jean B Say as hipóteses básicas da teoria clássica são flexibilidade de preços e salários esta hipótese garante que as forças de mercado de oferta e demanda tende a equilibrar a economia ao pleno emprego dos fatores de produção neutralidade da moeda como o nível de atividade econômica e o emprego é determinado pelas forças de mercado a quantidade de moeda afeta ape nas o nível geral de preços e salários Isto significa dizer que o aumento da oferta de moeda gera apenas inflação e não estimula a produção a renda e o emprego variáveis reais validade da Lei de Say segundo esta lei a oferta cria sua própria demanda dessa forma a demanda agregada não é vista como fator deter minante do nível do produto A Oferta Agregada Clássica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 137 Partindo destas hipóteses podemos definir a oferta agregada clássica como sendo o total de produto que as empresas e famílias estão dispostas a oferecer em um determinado período de tempo a um determinado padrão de preços LOPES VASCONCELLOS 2000 p 88 Como simplificação do modelo temse a hipótese de que cada empresa não tem poder sozinha de afetar o nível de preços das mercadorias e dos fatores de produção sendo cada firma tomadora de preços Desta forma partese de uma estrutura de mercado de concorrência perfeita A oferta agregada clássica é representada por meio de uma função de pro dução que apresenta a relação entre quantidade produzida e a utilização de diferentes fatores de produção como trabalho e capital máquinas equipamentos edifícios etc a um dado nível tecnológico Genericamente a função de produ ção pode ser definida como DORNBUSCH et al 2006 Y F K N T Y produto agregado K estoque de capital utilizado N quantidade de trabalho utilizada hora homem T nível tecnológico Podemos verificar pela função exposta que o nível de produto Y responde positivamente a qualquer das variáveis que o determina ou seja se o volume de capital trabalho e nível tecnológico aumentar o produto também aumenta e viceversa Desta forma a função de produção determina o máximo que uma economia pode produzir para uma dada combinação de capital e trabalho com uma dada tecnologia Além disso no modelo clássico a função de produção apresenta retornos constantes de escala isto é zY F zK zN Para que o nível de produto seja multiplicado por z os fatores de produção capital e trabalho também devem ser multiplicados por z assim se quisermos dobrar a produção também devemos dobrar o número de trabalhadores e capital A Demanda e a Oferta de Trabalho no Modelo Clássico e Equilíbrio no Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 139 unidade adicional de trabalho é cada vez menor ou seja a produtividade mar ginal do trabalho é decrescente representado na Figura 1 pela reta tangente à função de produção Assim temse que no curto prazo o nível de produto é determinado pela quantidade utilizada de trabalho A DEMANDA E A OFERTA DE TRABALHO NO MODELO CLÁSSICO E EQUILÍBRIO NO MERCADO Caroa alunoa nesta seção aprenderemos quais são os fatores da econo mia que determinam a oferta e a demanda de trabalhadores na teoria clássica Estudaremos como os salários são determinados na economia e a influência deste mercado na curva de oferta clássica DEMANDA DE TRABALHO Como vimos na seção anterior no curto prazo o nível de produto agregado é determinado pela utilização do fator de produção trabalho Assim devemos iniciar esta seção entendendo como é definido o nível de emprego na economia Considerando uma estrutura de mercado do tipo concorrência perfeita composto por um grande número de pequenas empresas que individualmente não conseguem afetar o nível de preço dos produtos e dos fatores de produção Temse que as firmas contratarão mão de obra para alcançar os seus objetivos de maximização de lucro O que acontece à função de produção de curto prazo se a utilização de tra balho reduzir No curto prazo o fator de produção capital é considerado fixo sendo o fator de produção trabalho variável Se isto é verdade temos que a função de produção de curto prazo apresenta rendimentos marginais decrescentes em relação ao fator de produção variável ou seja o aumento de uma unidade de trabalho aumentará o nível de produto em proporção cada vez menor Desta forma dizemos que a produtividade marginal do trabalho é decrescente Ao considerar o trabalho N como único fator variável podemos apresentar a função de produção de curto prazo como se segue Y FK N T ou Y F N Y produto agregado K volume fixo de estoque de capital N volume variável de quantidade de trabalho utilizada T nível tecnológico considerado como dado Graficamente podemos representar esta função de produção como Produtividade Marginal do Trabalho é a inclinação da reta tangente à função de produção em cada um de seus pontos Figura 1 Função de produção agregada Fonte adaptado de Mankiw 2004 Verificase pela Figura 1 que o nível de produto aumenta conforme aumenta a utilização do trabalho N e que o incremento de produção decorrente de uma MACROECONOMIA CLÁSSICA O lucro das empresas representa a diferença entre a receita com a venda das mercadorias ou serviços e os custos para produzir tais mercadorias e serviços Veja LUCRO RECEITA TOTAL CUSTO TOTAL LUCRO pY wN rK em que w salário nominal por unidade de trabalho N r custo por unidade do capital K p preço do produto Y K volume de capital N volume de trabalho MACROECONOMIA CLÁSSICA Como vimos na seção anterior no curto prazo o nível de produto agregado Y é uma função da utilização de trabalho assim podemos reescrever a função do lucro como LOPES VASCONCELLOS 2000 LUCRO pFN wN rK Dado que em um mercado de concorrência perfeita as empresas não determinam os preços de seus produtos nem os salários de seus funcionários sendo ambos determinados pelo mercado a decisão da empresa restringese a definir a quantidade de mão de obra que contratará para produzir determinado nível de produto dado o capital e a tecnologia existentes na empresa de modo que possa maximizar o seu lucro Desta forma a empresa maximizará o lucro quando LUCRO pFN wN rK Fazendo a derivada primeira em relação a N temos ΔLUCROΔN p ΔFNΔN w ΔNΔN 0 Considerando FN ΔFNΔN a produtividade marginal do trabalho e substituindo na equação acima temos pFN w 0 ou FN wp Assim a empresa contratará trabalhador até o ponto em que a produtividade marginal do trabalho FN igualese ao salário real wp Como a produtividade marginal do trabalho é decrescente a empresa só contratará mais trabalho se o salário real diminuir acompanhando a redução da FN Desta forma temse que a demanda por trabalho Nd possui relação inversa com o salário real MANKIW 2004 Nd Nd wp MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 142 Graficamente podemos representar a demanda por trabalho na economia como W p N N F d N Figura 2 Demanda de mão de obra no modelo clássico Fonte adaptados de Mankiw 2004 Para a empresa em sua decisão de contratação o que interessa é o custo da mão de obra em termos de produto ou seja o seu salário real e não o salário nominal w em termos monetários Assim se o preço recebido pela empresa na venda de seus produtos aumentar mas o salário nominal aumentar proporcionalmente o custo real da mão de obra será o mesmo logo ela não contratará mais tra balhadores Mas se o preço recebido pela empresa na venda de seus produtos aumentar mais que proporcional ao aumento do salário nominal ou se este não se alterar o custo real da mão de obra reduzirá e a empresa contratará mais tra balhadores Por outro lado se o salário nominal aumentar mais que os preços o salário real aumentará e as empresas reduzirão os postos de trabalho para eco nomizar demitindo pessoas Todos estes deslocamentos ocorrem ao longo da curva de demanda por mão de obra Com a inserção de máquinas e tecnologia no processo produtivo aumen tam a produtividade do trabalho e quando isto acontece dado o salário real a demanda por trabalho aumenta sendo representada por um deslocamento para a direita da curva de demanda por trabalho apresentada na Figura 3 Veja A Demanda e a Oferta de Trabalho no Modelo Clássico e Equilíbrio no Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 143 W p N N2 N1 W p N F d N Figura 3 Deslocamento da demanda de mão de obra Fonte adaptado de Mankiw 2004 Desta forma podemos verificar pela Figura 3 que inicialmente a demanda por trabalho era N1 ao salário real wp com o aumento do fator de produção capital ou com o aumento do nível tecnológico a função de produção aumenta repre sentando que com o mesmo nível de trabalho produzse muito mais ou seja a produtividade do trabalho aumentou assim as empresas estão dispostas a con tratar mais trabalhadores e a curva de demanda deslocase para a direita e o número de postos de trabalho aumenta para N2 OFERTA DE TRABALHO Entendido como é determinada a demanda por trabalhador no modelo clás sico agora definiremos como é determinada a oferta de trabalho que é realizada pelas famílias e é afetada pelo salário real w p e não nominal w ou seja pelo poder de compra recebido pelo trabalho De acordo com a teoria clássica o mercado de trabalho atua em um nível de pleno emprego ou seja não existe desemprego involuntário no qual o indi víduo procura trabalho independentemente do nível salarial e não encontra Existe apenas desemprego friccional e voluntário De acordo com Vasconcellos 2011 o desemprego friccional é aquele decorrente dos deslocamentos de MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 144 mão de obra de uma atividade para a outra ou seja da mudança de emprego e o desemprego voluntário ocorre quando o indivíduo decide não trabalhar em determinado nível salarial Assim temos que na teoria clássica outra hipótese simplificadora é de que o indivíduo deve decidir livremente entre trabalho e lazer O trabalho gera uma renda ao indivíduo para poder consumir bens que lhe proporcionarão certa satisfação mas o trabalho em si não gera nenhum prazer Já o lazer é uma satis fação em si mesmo Assim cada hora que o indivíduo dedica ao trabalho é uma hora a menos dedicada ao lazer e viceversa Desta forma a decisão de quanta horas trabalhar dependerá da maximização de uma função utilidade representada por uma cesta de bens composta pela renda e pelo lazer LOPES VASCONCELLOS 2000 O salário real representa o quanto o indivíduo pode consumir a mais de bens para cada hora adicional de trabalho De acordo com Dornbusch et al 2006 alterações no salário real podem implicar dois efeitos na decisão das famílias o efeito substituição e o efeito renda Vimos que é o salário real que estimulará o indivíduo a trocar o lazer por mais horas de trabalho assim vamos supor que houve um aumento no salário real da economia Pelo efeito substi tuição o aumento do salário real tornou o custo relativo do lazer mais elevado aumentando a oferta de trabalho Pelo efeito renda o aumento do salário real fez com que os indivíduos aumentassem o seu poder de compra demandando mais bens e mais lazer Desta forma a inclinação da curva de oferta de trabalho depende de qual dos dois efeitos substituição e renda é mais predominante já que pelo efeito substituição a oferta de trabalho aumenta mas pelo efeito renda a oferta diminui Para facilitar o entendimento iremos supor que o efeito substituição é pre ponderante para que a curva de oferta de trabalho apresentese positivamente inclinada evidenciando que quanto maior o salário real mais o indivíduo estará disposto a ofertar horas de trabalho em detrimento do lazer Posto desta forma podemos dizer que a curva de oferta de trabalho reflete a chamada desu tilidade marginal do trabalho que representa o tamanho do salário real que seria necessário para induzir as famílias a dedicarem mais tempo ao trabalho e menos tempo ao lazer Dessa forma a oferta de trabalho pode ser representada pela seguinte equação MANKIW 2004 Ns Ns wp em que Ns oferta de trabalho Observase pela equação que a oferta de trabalho possui relação positiva com o salário real Graficamente podemos apresentar a oferta de trabalho como uma curva positivamente inclinada Veja Figura 4 Oferta de trabalho positivamente inclinada Fonte adaptado de Mankiw 2004 Uma hipótese simplificadora da oferta de trabalho é considerarmos fixa a jornada de trabalho e o número de pessoas com idade economicamente ativa Ao multiplicarmos essas duas variáveis encontramos a oferta de trabalho que é independente do salário isto seria representado por uma curva de oferta de trabalho vertical como apresentada na Figura 5 Veja MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 146 W p N Ns Figura 5 Oferta de trabalho vertical Fonte adaptado de Mankiw 2004 Pela Figura 5 verificamos que quando a oferta de trabalho é fixa ela é indepen dente do salário real ou seja para qualquer nível de salário a oferta de trabalho é sempre a mesma EQUILÍBRIO NO MERCADO DE TRABALHO NO MODELO CLÁSSICO Agora que já aprendemos como são determinadas a demanda e a oferta de tra balho no modelo clássico analisaremos como é determinado o nível de emprego e o salário real no mercado de trabalho Como estamos nos baseando em um mercado de concorrência perfeita temos de um lado um grande número de pessoas ofertando trabalho e de outro um grande número de empresas deman dando trabalhadores Neste tipo de estrutura de mercado nem estes ou aquelas possuem poder para fixar o valor dos salários sendo ele determinado pelo meca nismo de mercado Assim o salário real w p e o nível de emprego de equilíbrio N ocorre no ponto em que a oferta de trabalho seja igual à demanda por tra balho N5 Nd Graficamente o equilíbrio é determinado pelo cruzamento das curvas de oferta e demanda por trabalho eja Como podemos observar pela Figura 6 quando o salário real estiver acima do nível de equilíbrio w2p wp o número de horas de trabalho oferecidas pelas famílias será superior ao requerido pelas empresas havendo um excesso de oferta de trabalho caracterizando uma situação de desemprego A concorrência entre os trabalhadores para conseguir emprego ocasionará a redução dos salários nominais que dado os preços das mercadorias reduz o salário real A um salário mais baixo menos trabalhadores estarão dispostos a ofertar horas a mais de trabalho em troca de lazer assim a oferta de trabalho reduz Por outro lado com o salário real mais baixo as empresas decidirão contratar mais horas de trabalho aumentando a demanda Isto ocorrerá até que as duas quantidades igualemse e o salário real de equilíbrio seja atingido sendo inferior ao inicial Por outro lado quando o salário real estiver abaixo do nível de equilíbrio w1p wp haverá excesso de demanda por trabalho sendo esta uma situação de superemprego A este salário menos pessoas estão dispostas a trocar lazer por trabalho e a concorrência entre as empresas acaba elevando os salários nominais que dado os preços dos produtos eleva o salário real Conforme o salário real vai subindo mais pessoas estarão dispostas a trocar lazer por mais horas de trabalho e a oferta de trabalho aumenta por outro lado menos empresas estão MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 148 dispostas a contratar mais horas de trabalhos por salários mais altos e a demanda reduz Este processo continua até que a quantidade demandada e a ofertada de trabalho igualemse e o salário real de equilíbrio seja atingido Assim podese afirmar que em um mercado de concorrência perfeita sem desemprego involuntário e com perfeita flexibilidade do valor dos salários o mecanismo de mercado leva ao equilíbrio de pleno emprego Pleno emprego no Brasil interpretando os conceitos e indicadores De acordo com a autora deste artigo Anita Kon o emprego e o rendimento real do trabalho no Brasil cresceram tanto de forma quantitativa como qua litativa no período de 2010 a 2012 apresentando uma melhora no padrão de crescimento do mercado de trabalho do país As baixas taxas de desem prego verificadas no período levaram alguns economistas a anunciarem a proximidade do pleno emprego no país Desde meados do ano de 2010 a economia brasileira iniciou uma fase de recuperação das perdas de em pregos verificadas no ano anterior devidas aos impactos da crise financeira internacional Em dezembro daquele ano a taxa de desocupação divulga da pelo IBGE se situou no patamar de 53 da PEA fechando o ano com uma média de 67 consideravelmente inferior à média histórica anterior A continuidade da diminuição gradativa das taxas em 2011 quando a mé dia anual atingiu 6 e no mês de dezembro foi registrado o nível de 47 o menor indicador desde 2002 ano em que as estatísticas de emprego do IBGE haviam sofrido uma reformulação metodológica Para ter acesso ao artigo completo acesse o link httprevistasufprbr retarticleviewFile2815918699 Fonte Kon 2012 Oferta e Demanda Agregada Clássica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 149 OFERTA E DEMANDA AGREGADA CLÁSSICA Nesta seção retomaremos o que já aprendemos sobre a oferta agregada clássica para entendermos como é determinado o produto de pleno emprego na economia ou seja qual é o nível de produto e renda em que todos os fatores de produção disponíveis em um país estão empregados Também aprenderemos sobre os determinantes da demanda agregada a partir da teoria quantitativa da moeda OFERTA AGREGADA CLÁSSICA Agora que já sabemos como é definido o nível de emprego e salário de equilíbrio no mercado de trabalho e o formato da função de produção podemos deter minar o produto de pleno emprego que será a oferta agregada da economia Vimos no início desta unidade que a oferta agregada clássica é representada por uma função de produção que depende do nível tecnológico do estoque de capital e das condições do mercado de trabalho que determina o salário real da economia Assim podemos representar a oferta agregada pela seguinte expres são LOPES VASCONCELLOS 2000 MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 150 Y Y w p K T s s Ys produto de pleno emprego ou oferta agregada K estoque de capital utilizado w p salário real de equilíbrio T nível tecnológico Verificase que todas as variáveis que afetam o nível do produto de pleno emprego da economia são variáveis reais salário real tecnologia estoque de capital e não variáveis nominais preço e salário nominal Por exemplo se ocorrer aumento dos preços dos produtos as empresas verificarão que o salário real diminuiu e ampliarão a demanda por trabalho gerando excesso de demanda Isto ocasionará elevação dos salários nominais até que o salário real volte ao seu nível de equi líbrio Desta forma podemos verificar que a oferta agregada de pleno emprego é inelástica independe ao nível de preços sendo vertical conforme a Figura 7 P Y OA YYp Y produto de equilíbrio Yp produto de pleno emprego Figura 7 Oferta agregada de pleno emprego Fonte adaptado de Lopes e Vasconcelos 2000 Desta forma temse que alterações no produto de pleno emprego só podem ser obtidas por mudanças que afetem o mercado de trabalho como elevação da Oferta e Demanda Agregada Clássica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 151 produtividade marginal do trabalho que impacta na demanda de trabalho ou mudanças populacionais que impactam a oferta de trabalho como migrações aumento da taxa de crescimento populacional etc A Figura 8 apresenta como o equilíbrio alcançado no mercado de trabalho define o produto de pleno emprego Y Y N N Y FN W p N N W² p W p W¹ p Ns Nd a Equilíbrio no mercado de trabalho b Produção de Pleno emprego Figura 8 Equilíbrio no mercado de trabalho e produção de pleno emprego Fonte adaptado de Dornbusch et al 2006 MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 152 Pela Figura 8 verificamos que primeiramente temos a determinação no nível de emprego pelo mecanismo de mercado apresentado no painel a com a defi nição do salário real de equilíbrio Definido o nível de emprego de equilíbrio e também o nível de pleno emprego leva à produção Y que é a produção de pleno emprego DEMANDA AGREGADA CLÁSSICA A demanda agregada representa a quantidade demandada de bens e serviços a um dado nível de preços De acordo com Lopes e Vasconcellos 2000 no modelo clássico a demanda agregada pode ser derivada da teoria quantitativa da moeda já estudada na Unidade II Veja MV PY em que Y produto real PY é o produto nominal V velocidade renda da moeda M quantidade de moeda P nível geral de preços Esta equação mostra que no equilíbrio a oferta de moeda é igual à demanda por moeda e que esta é proporcional à quantidade do produto real Y Assim ao supormos que a velocidade de circulação da moeda V é constante e que a oferta de moeda é dada pelo Banco Central temos uma relação inversa entre o nível geral de preços e produto real A Figura 9 apresenta esta relação inversa Oferta e Demanda Agregada Clássica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 153 P Y D1 M1 V0 D0 M0 V0 Figura 9 Demanda agregada no modelo clássico Fonte adaptado de Lopes e Vasconcellos 2000 Pela Figura 9 podemos observar que para determinada oferta de moeda M0 quanto menor o nível de preços maior será o estoque real de moeda M P 0 para realizar as transações e consequentemente maior a quantidade de bens e serviços a ser demandada Y Também podemos observar pela Figura 9 que ampliações na oferta de moeda de M0 para M1 desloca a demanda agregada para a direita indicando que para qualquer nível de preço a demanda agregada se ampliará Mas qual é o papel da demanda agregada no modelo clássico No modelo clássico são as condições de oferta tecnologia e estoque de fatores de produção que determinam o nível de produto na economia Assim a demanda agregada tem o papel de determinar apenas o nível de preços Desta forma de acordo com Simosen e Cysne 2007 a demanda agregada não representa res trição à expansão da oferta visto que no modelo clássico o que domina é a Lei de Say em que a oferta cria sua própria demanda Segundo esta teoria toda a renda gerada no processo de produção é gasta na aquisição dos bens e serviços da economia não havendo insuficiência de demanda agregada Mas para que MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 154 esta lei seja válida só deve existir um tipo de demanda por moeda o motivo transação sendo o motivo especulação descartado Desta forma dado que o nível de produto é definido pela oferta agregada e a oferta de moeda fixada pelo Banco Central sendo definida exogenamente cabe à demanda agregada a função apenas de determinar o nível geral de preços Assim alterações da demanda agregada decorrentes de alterações da oferta de moeda apenas impactam o nível de preços sem impactar o nível de produto real Veja P OA P1 P0 Y Y Yp D1 M1 V0 D0 M0 V0 Figura 10 Efeito do aumento da demanda agregada no modelo clássico Fonte adaptado de Lopes e Vasconcellos 2000 Podemos desta forma concluir que a política monetária só terá influência sobre as variáveis reais nível de produto emprego salário real e preços relativos se houver alguma imperfeição no mercado como rigidez de preços e salários Mas como estas imperfeições não são consideradas no modelo clássico podemos dizer que uma política monetária expansionista com aumento da oferta de moeda só causará aumento dos preços e salário nominais ou seja inflação sendo esta a chamada neutralidade da moeda Poupança Investimento e Taxa de Juros no Modelo Clássico Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 155 POUPANÇA INVESTIMENTO E TAXA DE JUROS NO MODELO CLÁSSICO Veremos neste tópico que o consumo a poupança e o investimento agregado dependem da taxa de juros da economia no modelo clássico CONSUMO E POUPANÇA NO MODELO CLÁSSICO Em uma economia fechada com governo o consumo agregado é uma função crescente da renda disponível Yd sendo esta representada pela seguinte equação Y Y tY d em que Y renda t carga tributária O consumo agregado é representado pela seguinte equação BLANCHARD 2007 C c0 c1 Yd em que C0 e C1 são ambos parâmetros C0 é o consumo autônomo que é independente da renda ou é o nível de consumo quando Yd 0 e C1 é a propensão marginal a consumir da renda disponível que varia de 0 a 1 ou seja representa o efeito sobre o consumo de uma determinada variação na renda disponível Por exemplo se C1 070 um aumento de R100 na renda disponível levará a um aumento de 70 centavos no consumo Podemos representar a propensão marginal a consumir pela seguinte fórmula c1 ΔC ΔYd em que C0 e C1 crepresentam a variação no consumo e a variação na renda disponível Dado que a renda disponível no modelo clássico ou é poupada ou é consumida temos Yd C S em que S é a poupança agregada Desta forma qualquer variação na renda disponível será dividida entre consumo e poupança Daí porque será maior do que 0 e menor do que 1 Desta forma podemos ver que as funções poupança e consumo são intimamente relacionadas e qualquer aumento na renda disponível gerará aumento no consumo e também aumento na poupança O grau em que tanto o consumo como a poupança aumentaram depende da propensão marginal a consumir Assim podemos apresentar a função poupança como se segue BLANCHARD 2007 S Yd C Substituindo a função consumo na equação temos S Y T c0 c1 Y T S c0 1 c1Y T MACROECONOMIA CLÁSSICA Poupança Investimento e Taxa de Juros no Modelo Clássico Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 157 A expressão 1 C1 representa a propensão marginal a poupar que mede a extensão em que a poupança varia em decorrência de uma dada variação na renda disponível Assim podemos verificar que quanto maior for o valor de propensão marginal a consumir menor será a propensão marginal a pou par da renda Por exemplo se C1 070 e a Yd aumentar de R100 o consumo aumentará 70 centavos Mas o que acontece aos 20 centavos remanescentes do adicional de renda disponível Estes serão poupados Desta forma podemos considerar a decisão de alocação da renda disponí vel entre poupança e consumo como sendo uma escolha intertemporal entre consumir hoje ou no futuro entendendo desta forma que o indivíduo poupa no presente para poder consumir no futuro sendo assim a poupança considerada como uma transferência de poder de compra do indivíduo ao longo do tempo No entanto o indivíduo só poupará se puder consumir mais no futuro que no presente desta forma o sacrifício presente do consumo exige uma remuneração ou prêmio que é representado pela taxa de juros que remunerará a poupança do indivíduo Assim quanto maior a taxa de juros maior será o custo de oportuni dade de consumir hoje que no futuro e a maior será o estímulo a poupar Desta forma podemos escrever que a poupança varia positivamente em relação à taxa de juros enquanto o consumo possui uma relação negativa com a taxa de juros S S r C C r em que S poupança agregada C consumo agregado r taxa de juros real É importante ressaltar que para que a poupança renda juros ela deve ser cana lizada na forma de aquisição de títulos caderneta de poupança CDB LCI etc Desta forma podemos deduzir que o volume de poupança corresponde à oferta de fundos no mercado financeiro e será tanto maior quanto maior a taxa de juros Graficamente podemos apresentar a função poupança como MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 158 r S S Sr Figura 11 Função poupança Fonte adaptado de Blanchard 2007 DEMANDA DE INVESTIMENTO NO MODELO CLÁSSICO Dado que a poupança representa o volume de fundos disponíveis no mercado financeiro temos que a demanda por estes fundos são realizados por aqueles que desejam realizar investimentos No modelo clássico investimento representa o acréscimo ao estoque de capital da economia visando ampliar a produção futura A decisão de investimento tem como objetivo a maximização do lucro e dependerá se a produtividade marginal do capital retorno adicional gerado pela introdução de uma unidade a mais de capital for maior que o seu custo adicional MANKIW 2004 O custo do investimento é representado pela taxa de juros cobrada pelas ins tituições financeiras na concessão dos empréstimos Também pode ser medida pelo custo de oportunidade taxa de juros em que o detentor de recursos incorre por não aplicar a sua poupança em títulos e decidir aplicálo no setor produtivo realizando investimento Portanto a demanda por recursos para rea lizar investimentos está negativamente relacionada com a taxa de juros isto é quanto maior a taxa de juros menor é a demanda por investimento e viceversa Assim podemos representar a função investimento clássica como I Ir Sendo I demanda de investimento r taxa real de juros sendo essa a diferença entre a taxa de juros nominal e a variação no nível geral de preços inflação Desta forma temos que a taxa real de juros de equilíbrio da economia é determinada pela preferência intertemporais das famílias entre consumir ou poupar e pela produtividade marginal do capital que é decrescente em relação à taxa de juros real representada pela demanda por investimento Graficamente temos Figura 12 Equilíbrio entre poupança e investimento Fonte adaptado de Blanchard 2007 Pela Figura 12 verificase que a taxa real de juros de mercado será aquela que equilibra a oferta e a demanda por fundos representada pelo volume de poupança e investimento Se a taxa real de juros estiver acima da de equilíbrio haverá maior oferta de fundos que demanda e a taxa de juros reduzirá ampliando os investimentos e diminuindo a poupança Isto acontece até que ambas as quantidades se igualem MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 160 O processo inverso acontece se a taxa de juros estiver abaixo da taxa de equilíbrio Neste caso devido ao baixo juros a demanda por recursos para inves timento supera a oferta de recursos visto que a uma taxa muito baixa as pessoas preferem consumir a poupar O excesso de demanda por recursos faz com que as taxas de juros aumentem até que o mercado se equilibre EQUILÍBRIO ENTRE OFERTA E DEMANDA AGREGADA NO MODELO CLÁSSICO E POLÍTICA FISCAL No modelo clássico temos que o equilíbrio no mercado de bens e serviços em uma economia fechada sem governo é dado pela seguinte identidade Oferta Agregada Demanda Agregada ou Y DA Considerando apenas o consumo e o investimento temos que a DA C I subs tituindo na condição de equilíbrio temos Y C I Como o consumo e o investimento dependem da taxa de juros real podemos reescrever a equação como Y Cr Ir O que acontece com a taxa de juros real quando o governo adota uma polí tica fiscal contracionista com redução dos gastos públicos Equilíbrio Entre Oferta e Demanda Agregada no Modelo Clássico e Política Fiscal Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 161 Sabemos que a função poupança é S Y C e dado que o nível de poupança na economia também depende da taxa de juros real S Sr temos a seguinte identidade de equilíbrio macroeconômico Sr Ir Por esta identidade verificamos que a taxa de juros real tem a função de equili brar o mercado de bens e serviços De acordo com Lopes e Vasconcellos 2000 esta identidade de equilíbrio macroeconômico independe do formato da função consumo ou poupança e pode ser representado pelo seguinte gráfico MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 162 r S Sr I Ir S I r I S Figura 13 Equilíbrio no modelo clássico para uma economia fechada sem governo Fonte adaptado de Blanchard 2007 Desta forma podemos perceber a importância da taxa de juros para atingir o equilíbrio macroeconômico em que o investimento planejado é igual à pou pança Assim dado que o produto de equilíbrio em uma economia fechada e sem governo é representado por Y C I a taxa de juros real deve ser tal que possa gerar uma poupança suficiente para financiar os investimentos que geram o aumento do PIB Y Ao introduzir o governo em nossas análises temos de acrescentar mais duas variáveis na equação de demanda agregada os impostos T que subtraem a renda do setor privado e os gastos do governo G que são elementos adicionais da demanda Tanto os impostos como os gastos do governo são considerados como variáveis exógenas isto é são determinadas fora do mecanismo de equilíbrio Podemos representar o equilíbrio macroeconômico em uma economia fechada com governo da seguinte forma LOPES VASCONCELLOS 2000 Y C I G Agora a decisão de consumo das famílias dependerá da renda disponível Yd Y T e da taxa real de juros r desta forma a equação consumo e a poupança podem ser apresentadas da seguinte forma Equilíbrio Entre Oferta e Demanda Agregada no Modelo Clássico e Política Fiscal Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 163 C CY Tr e S Y T r Os impostos representam a receita do governo e para manter a igualdade entre oferta agregada e demanda agregada toda a arrecadação deve ser gasta pelo governo Assim temse que T G Desta forma o equilíbrio no mercado de bens e serviços é representado pela seguinte igualdade SY T r T Ir G Então temos que a oferta de recursos proveniente da poupança e da arrecadação tributária deve ser igual à demanda de recursos para financiar os investimentos e os gastos do setor público Graficamente podemos representar este equilí brio como r S T I G S I T G r S T I G Figura 14 Equilíbrio no modelo clássico para uma economia fechada com governo Fonte adaptado de Lopes e Vasconcellos 2000 Por meio da igualdade S T I G podemos desmembrar a poupança nacio nal em poupança pública e privada Veja S T G 1 Sendo S Sp a poupança privada T G Sg a poupança pública MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 164 Temos que a poupança nacional é dada por S Sp Sg Assim o investimento é financiado tanto pela poupança público como pela pou pança privada Sp Sg 1 Como os T e G são exógenos não interferem na inclinação das curvas de oferta e demanda de recursos mas sim em suas posições ou seja quanto maior a arre cadação de impostos e os gastos governamentais mais para a direita estarão ambas as curvas Vejamos o impacto da política fiscal neste modelo Vamos supor uma polí tica fiscal e expansionista com aumento dos gastos do governo G Neste caso a curva de demanda de recursos deslocase horizontalmente na magnitude dos gastos do governo passando de I G0 para IG1 r S T I G0 S I T G r I C I G1 Figura 15 Política fiscal expansionista aumento dos gastos do governo Fonte adaptado de Lopes e Vasconcellos 2000 Pela Figura 15 percebemos que o aumento dos gastos do governo provocou o aumento da demanda por recursos que dada a oferta gerou pressão sobre os recursos existentes fazendo com que o setor financeiro aumentasse a taxa de juros para aumentar a poupança No entanto o aumento da taxa de juros reduziu os investimentos privados no montante ΔI pois aumentou o custo do capital e também reduziu o consumo em ΔC porque aumentou o custo de oportunidade ou seja o consumo presente ficou relativamente mais caro em relação ao consumo futuro Desta forma a variação dos gastos do governo gerou ΔG ΔC ΔI Posto desta forma percebemos que no modelo clássico o aumento dos gastos do governo apenas alteraram a composição da demanda elevando a taxa de juros da economia não gerando o aumento do produto e da renda visto que este tipo de gastos não altera as condições tecnológicas nem a alocação de fatores de produção Assim a política fiscal expansionista no modelo clássico apenas elevou a participação dos gastos públicos em detrimento dos gastos privados representados pela redução do consumo e investimento Este fenômeno é conhecido como crowdingout ou efeito deslocamento Desta forma não afetou a oferta agregada que se encontra no nível de pleno emprego MACROECONOMIA CLÁSSICA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 166 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade aprendemos que no modelo clássico a oferta agregada da eco nomia é determinada por uma função de produção agregada que representa a relação entre a quantidade produzida e a utilização de fatores de produção esto que de capital trabalho etc de acordo com uma dada tecnologia Aprendemos que no curto prazo o fator de produção capital é mantido fixo sendo o fator trabalho variável Por causa disto a função de produção apresenta rendimentos marginais decrescentes conforme aumenta a quantidade produzida Como o objetivo das empresas é a maximização do lucro estas contratarão trabalhadores até quando o produto marginal do trabalho for igual ao salário real isto é até que a receita adicional gerada na contratação de uma hora a mais de trabalho seja igual ao seu custo Desta forma a demanda por mão de obra é determinada pelas empresas Já a oferta é determinada pelas famílias que dada a hipótese de pleno emprego decidirão entre trabalho e lazer tendo como fator de decisão o salário real Analisando o lado da demanda agregada podemos concluir que para a teo ria clássica a demanda agregada tem um papel passivo na determinação do nível de produção da economia Sendo esta demanda derivada da teoria quantitativa da moeda vimos que um aumento da oferta de moeda impactará apenas o nível geral de preços não influenciando o nível de produto e emprego isto porque os preços são considerados flexíveis Assim o aumento dos preços reduz o salário real e menos pessoas querem trabalhar a este salário tendo as empresas que aumen tar o salário nominal No fim das contas só gera aumento de salários e preços A política fiscal por sua vez apenas altera a composição da demanda man tendo inalterada a oferta agregada da economia Assim pela teoria clássica não existe qualquer forma de o governo afetar o nível de emprego ou o produto agre gado da economia nem pela política monetária nem pela política fiscal Então o governo deve deixar o mercado funcionar livremente Esta foi a principal crí tica de Keynes como veremos na próxima unidade 167 A LEI DE WALRAS E DETERMINAÇÃO DA DEMANDA AGREGADA CLÁSSICA Nesta etapa aprenderemos como deduzir a demanda agregada clássica a partir da identidade de Walras De acordo com esta identidade em uma economia com n mer cados temos que se houver excesso de demanda em um mercado haverá escassez de demanda em outro ou outros que compensará o excesso de demanda verificado no primeiro Desta forma temos a definição da Lei de Walras segundo a qual em uma economia composta por n mercados se n1 estiverem em equilíbrio nésimo mercado também estará Para iniciar as nossas análises vamos primeiramente considerar as seguintes hipóteses simplificadoras vi A demanda por trabalho é uma demanda derivada isto é as empresas irão contratar mais trabalhadores se a demanda pelos bens e serviços que produzem aumentar dado que as empresas demandam trabalho para gerar produção Posto desta forma consideramos que os indivíduos realizarão demanda por produtos moeda e títulos vii A segunda hipótese é que as famílias não rasgam nem dinheiro nem títulos Dado que no equilíbrio macroeconômico a oferta agregada é igual à demanda agrega da temos que o valor da renda nacional R é igual ao produto nacional PY uma vez que tudo que é produzido esgotase na remuneração dos fatores de produção envolvidos na produção Assim temos R i n 1 PY i R Onde Ri renda nominal de cada indivíduo R Somatória da renda individual ou renda nacional P Y produto real Dadas as hipóteses simplificadoras temos que os indivíduos alocarão a sua renda na demanda por produtos moeda e títulos Essas demandas são representadas pelas se guintes equações Equação demanda por produto bens e serviços Y Y d i n i d 1 sendo Yi d a demanda individual por produto Equação demanda por títulos Bonds ΔBd ΣΔBdi sendo Bdi a demanda individual por títulos que altera o seu estoque Equação demanda por moeda ΔMd ΣΔMdi sendo Mdi a demanda individual por moeda que altera o seu estoque Como toda a renda nacional R deve ser alocada na demanda destes três mercados podemos escrever que R PYd ΔBd ΔMd Posto desta forma verificamos que os indivíduos destinam a sua renda para adquirir bens e serviços ou para aumentar o seu estoque de moeda ou de títulos Desta forma podemos deduzir Se no equilíbrio a renda é igual o produto R P Y E a renda nacional é igual à soma das demandas nos mercados de produto título e moeda temos PYd ΔBd ΔMd PY Simplificando temos PYd Y ΔBd ΔMd 0 sendo a variação do estoque desejado de moeda representado pela fórmula ΔMd Md M0 170 Simplificando temos PY M d Por esta fórmula podemos verificar que a equação quantitativa da moeda pode ser in terpretada como uma função de demanda por produto Assim dada a oferta de moeda M um aumento nos preços reduz a demanda por produto e uma redução dos preços aumenta a demanda por produto Fonte Simonsen e Cysne 2007 em que ΔMd Md m0 Substituindo na fórmula de equilíbrio macroeconômico temos PYd Y ΔBd Md M0 0 De acordo com a chamada conexão wickselliana os bancos ao fixarem a taxa de juros adquirem o excesso de oferta de títulos a esta taxa convertendoos em moeda conforme o desejo dos agentes Se isto é verdade as alterações na oferta de moeda em um dado período serão iguais às variações no estoque de títulos demandados pelas famílias Isto pode ser representado como M M0 ΔBd M0 ΔBd M Voltando à condição de equilíbrio de mercado temos PYd Y ΔBd Md M0 0 PYd Y ΔBd Md ΔBd M 0 PYd Y Md M 0 PYd Y Md M em que PYd Y o excesso da demanda por produtos Md M o excesso da demanda por moeda Desta forma verificamos que o excesso de demanda por produto é igual ao excesso de demanda por moeda com sinal investido Dado que de acordo com a teoria quantitativa da moeda a demanda por moeda pelo motivo transação é proporcional ao produto nominal Md kPY e que k 1V inverso da velocidade renda da moeda Considerando k 1 e substituindo a equação apresentada na condição de equilíbrio temos PYd Y Md M 0 PYd Y PY M 0 171 1 No modelo clássico alterações no salário real podem implicar dois efeitos na de cisão das famílias o efeito substituição e o efeito renda A inclinação da curva de oferta de trabalho depende de qual dos dois efeitos substituição e renda é mais predominante Dado um aumento do salário real na economia qual é a inclinação da curva de oferta de trabalho se o efeito renda for superior ao efeito substituição Assinale a alternativa verdadeira a A curva de oferta é positivamente inclinada b A curva de oferta é vertical c A curva de oferta é horizontal d A curva de oferta é negativamente inclinada e A curva de oferta é convexa 2 Vamos supor uma economia hipotética em que a função consumo é representa da pela seguinte equação C 1000 076Yd Dado que a renda na teoria clássi ca é gasta com consumo ou é poupada se a renda disponível Yd aumentar em R 100000 qual será o aumento da poupança Assinale a alternativa correta a A poupança aumenta em R 7600000 b A poupança aumenta em R 760000 c A poupança aumenta em R 076 d A poupança aumenta em R 2400000 e A poupança aumenta em R 024 3 Supondo uma economia fechada com governo a função de demanda agregada inclui os gastos com o governo G e a arrecadação pública por meio dos impos tos T fazendo com que a função consumo e a poupança sejam determinadas pela renda disponível e pela taxa de juros real Desta forma qual é o efeito de uma política fiscal contracionista com redução dos gastos públicos sobre a con dição de equilíbrio no mercado de bens e serviços Sobre esta questão leia as afirmativas I A redução dos gastos do governo provoca uma redução da demanda por recursos que dada a oferta gerou uma pressão sobre os recursos existentes fazendo com que o setor financeiro reduza a taxa de juros II A redução dos gastos do governo é representada por um deslocamento da curva de demanda por recursos para a direita III A redução da taxa de juros aumenta os investimentos privados no montante ΔI pois reduz o custo do capital e também aumenta o consumo em ΔC pois reduz o custo de oportunidade ou seja o consumo presente ficou relativa mente mais barato em relação ao consumo futuro 172 IV A política fiscal contracionista no modelo clássico apenas reduziu a partici pação dos gastos públicos em favor dos gastos privados representados pelo aumento do consumo e investimento mas não alterou a renda e o produto de equilíbrio Podemos afirmar que estão corretas as afirmativas a I e II apenas b II e IV apenas c I III e IV apenas d I II e III apenas e I II III e IV 4 No modelo clássico temos que o equilíbrio no mercado de bens e serviços em uma economia fechada com governo é dada pela seguinte identidade oferta agregada demanda agregada e que esta pode ser derivada da teoria quantita tiva da moeda Assim sobre o modelo clássico e a teoria quantitativa da moeda leia as afirmativas e assinale a alternativa correta I Na teoria clássica o aumento da oferta de moeda eleva o nível de emprego e a renda na economia II O aumento da oferta de moeda provocará alterações nos preços da economia ou seja gera inflação segundo a teoria clássica III A maior propensão da sociedade a poupar reduz a taxa de juros aumentando os investimentos IV Quando o progresso técnico torna o fator trabalho mais produtivo o nível de emprego aumenta desde que a oferta de trabalho reaja positivamente ao sa lário real Podemos afirmar que estão corretas as afirmativas a I e II apenas b II e IV apenas c II III e IV apenas d I II e III apenas e I II III e IV 173 5 Considerando o modelo clássico de determinação no nível de emprego na economia e as hipóteses simplificadoras de con corrência perfeita flexibilidade de preços e salários e validade da teoria quantitativa da moeda leia as afirmativas e assinale a alternativa correta I Dada a teoria quantitativa da moeda MV PY se o estoque de moeda M e a velocidade de circulação da moeda V mantive remse constantes o aumento do produto Y implicará queda dos preços II O progresso técnico eleva a produtividade do trabalho e deslo ca para cima e para a direita a função de produção Y fN e a curva de demanda por trabalho e as empresa estarão dispostas a pagar um salário real mais elevado para obter a mesma quan tidade de trabalho III Segundo a teoria quantitativa da moeda o aumento da oferta de moeda aumenta na mesma proporção o valor do salário no minal e não tem qualquer impacto sobre o nível de emprego IV O progresso técnico ao aumentar a produtividade do trabalho reduz o nível de preços e aumenta o salário real Podemos afirmar que estão corretas as afirmativas a I e II apenas b II e IV apenas c I III e IV apenas d I II e III apenas e I II III e IV MATERIAL COMPLEMENTAR Macroeconomia Rudiger Dornbusch Stanley Fischer Richard Startz Editora McGrawHill 11 edição Sinopse o livro apresenta explicações simples abordagem dos conceitos com enfoque acima da tecnicidade e a discussão de fatos empíricos que explicam e testam a teoria macroeconômica Apresenta um conjunto de modelos simples que pode ser aplicado em situações específicas para análise macroeconômica Também traz a abordagem de novos temas como medidas alternativas contra o desemprego política monetária heterodoxa e estímulo fiscal durante a Grande Recessão e uma discussão sobre as bolhas e o colapso que levaram à atual crise REFERÊNCIAS BLANCHARD O Macroeconomia ed 4 São Paulo Prentice Hall 2007 DORNBUSCH R FISCHER S STARTZ R Macroeconomia São Paulo McGrawHill do Brasil 2006 KON A Pleno emprego no Brasil interpretando os conceitos e indicadores Revista Economia Tecnologia RET vol 8 n 2 p 522 abrjun 2012 Disponível em httprevistasufprbrretarticleviewFile2815918699 Acesso em 19 fev 2018 LOPES L M VASCONCELLOS M A S Manual de Macroeconomia Básico e Inter mediário São Paulo Atlas 2000 MANKIW N G Macroeconomia ed 5 Rio de Janeiro LTC 2004 Introdução à Economia Princípios de Micro e Macroeconomia 3 ed Rio de Janeiro Pioneira Thomson 2006 VASCONCELLOS M A S Economia Micro e Macro ed 5 São Paulo Atlas 2011 SIMONSEN MH e CYSNE RP Macroeconomia ed 3 São Paulo Atlas 2007 175 GABARITO 1 D 2 D 3 C 4 C 5 C GABARITO GABARITO UNIDADE V Professora Dra Juliana Franco Afonso MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Objetivos de Aprendizagem Apresentar as propriedades básicas do modelo keynesiano Entender como se dá o equilíbrio no mercado de bens e serviços no modelo IS Entender o mecanismo de equilíbrio no mercado de ativos ou monetário no modelo LM Aprender a dinâmica do equilíbrio macroeconômico no modelo ISLM e os efeitos da política monetária e fiscal Plano de Estudo O modelo keynesiano Equilíbrio no mercado de bens e serviços a curva IS Equilíbrio no mercado monetário a curva LM O modelo IS LM e o efeito de política fiscal e monetária Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 179 INTRODUÇÃO Nesta unidade iremos nos aprofundar um pouco mais no universo da macroe conomia Começarei apresentando a você o modelo keynesiano e suas principais propriedades para a determinação da renda do produto e do emprego na eco nomia fazendo uma análise comparativa com o modelo clássico Também apresentarei o modelo IS LM também conhecido como Análise HicksHansen o qual é incorporado ao mercado de ativos e a determinação da taxa de juros que passa agora a também determinar o nível de investimento da economia O modelo ISLM representa a determinação simultânea da taxa de juros e da renda que equilibra tanto o mercado de bens e serviços como o mercado de ativos Assim para que possamos entender a dinâmica deste modelo devemos antes compreender como se dá o equilíbrio em cada um destes mercados tam bém chamado de equilíbrio parcial Iniciaremos nossa discussão pelo equilíbrio no mercado de bens e serviço A curva IS relaciona a renda com a taxa de juros apresentando as diferentes combinações destas variáveis que equilibram o mercado de bens e serviços na economia Aprenderemos que para obtermos esta relação entre renda e taxa de juros o modelo keynesiano simples deve ser ampliado com a introdução da taxa de juros na determinação do investimento Além disto também apresentarei a você o conceito do multiplicador da renda keynesiano Em seguida deduziremos a curva LM que é o equilíbrio no mercado de ativos também relacionando renda e taxa de juros Para isso recordaremos os concei tos e as fórmulas da demanda e da oferta de moeda já estudados no capítulo II Após entendido como se dá o equilíbrio nestes dois mercados analisaremos o equilíbrio simultâneo entre eles e os efeitos das políticas fiscal e monetária analisando cada uma separadamente Por fim estudaremos situações em que são utilizadas combinações de políticas fiscal e monetária e seus impactos na renda e taxa de juros de equilíbrio Portanto tenham uma boa leitura Fonte Independent 2015 online1 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 180 O MODELO KEYNESIANO Desde o século XVIII com o surgimento da Revolução Industrial e a consequente implantação do Sistema Capitalista de pro dução a teoria clássica vinha dominando o pensamento dos agentes econômicos com suas bases simplificadoras em que na ausên cia de imperfeições de mercado como o surgimento de monopólios e oligopólios conjugado com a ausência de intervenção governamental a economia tenderia a um equilíbrio de pleno emprego No entanto a teoria clássica não conseguia explicar o que estava ocorrendo com a economia mundial na chamada Grande Depressão que teve seu ápice com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929 O livre mercado não foi capaz de recolocar as economias na retomada do crescimento apresentando altos níveis de desemprego e recessão econômica Nesse cenário começam a ganhar destaques teorias heterodoxas que iam contra a ortodoxia clássica e a que teve maios destaque foi a teoria desenvolvida pelo economista inglês John Maynard Keynes apresentada na obra chamada Teoria Geral do Emprego do Juro e da Moeda publicada em 1936 Nela Keynes dá outro norte para a causa da Grande Depressão voltando sua atenção para o problema da insuficiência de demanda agregada desenvolvendo o chamado princípio da demanda efetiva O PRINCÍPIO DA DEMANDA EFETIVA Para Keynes 1992 o nível de produto e renda de uma economia é determi nado pela demanda agregada e não pelas condições de oferta agregada como postulavam os clássicos Segundo ele o empresário toma a decisão de quantos trabalhadores contratar e o nível de produção a realizar baseado em sua expec tativa de vendas defrontandose com duas curvas virtuais O Modelo Keynesiano Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 181 curva de oferta agregada de bens e serviços representa a renda necessá ria para o empresário oferecer determinado volume de emprego curva de demanda agregada de bens e serviços representa a renda que o empresário espera ganhar por oferecer determinado número de emprego Posto desta forma a oferta agregada apresenta custos marginais crescentes aumento do custo total por contratar uma hora a mais de trabalho e assim o aumento do emprego também implica aumento da renda necessária para o empresário Por outro lado a demanda agregada representa o quanto o empre sário espera receber com base nas expectativas de gastos dos consumidores consumo das famílias e dos empresários investimento As hipóteses básicas da teoria keynesiana são KEYNES 1992 i O nível de produção da economia é determinado pelo número de trabalha dores empregados com base em quanto os empresários esperam vender ii O volume de emprego é determinado pelo ponto de intersecção da oferta e demanda agregada e não no mercado de trabalho como no modelo clássico Assim reduções salariais não servem para induzir o aumento do emprego se os empresários não tiverem mais expectati vas de demanda iii A taxa geral de juros e o nível geral de preços são rígidos iv Os trabalhadores lutam por aumentos dos salários nominais e não reais havendo uma inflexibilidade para baixo dos salários nominais Isto acontece porque mesmo que uma categoria de trabalhadores em uma situação de desemprego aceitasse trabalhar por salários nominais mais baixos isto em nada garantiria que os empresários contratassem mais trabalhadores como preconizava a teoria clássica v A depreciação do capital é considerada inexistente vi Inexistência de transferência receita ou envio de receita líquida para o exterior vii Há equilíbrio sem pleno emprego viii A arrecadação tributária do governo é constituída apenas por impos tos diretos supõese a inexistência de impostos indiretos de subsídios e de outras receitas correntes do governo MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 182 ix Todos os lucros auferidos pelas empresas da economia são distribuí dos aos sócios e acionistas De acordo com Silva 2015 Keynes propõe entender como a economia se comporta baseado no princípio da demanda efetiva segundo a qual o nível de atividade decorre das decisões de produzir das empresas regidas por expecta tivas de curto prazo com relação à intensidade da demanda no momento em que os novos produtos chegarem ao mercado Para Keynes essas expectativas são influenciadas pelo comportamento efetivo da demanda no passado recente Ainda segundo Silva 2015 Keynes institui o conceito de demanda efe tiva deprimida que representa as expectativas de curto prazo pessimistas dos empresários que têm como consequência equipamentos ociosos e trabalhado res desempregados A grande novidade deste tratamento é que a subutilização de recursos produtivos é vista como um fenômeno de equilíbrio pois os empresá rios que corretamente antecipam uma demanda baixa produzem pouco vendem pouco e tendo evitado a acumulação involuntária de estoques estarão satisfeitos com a decisão de produzir menos adequando os seus custos à demanda esperada Por outro lado expectativas otimistas fazem com que os empresários aumen tem o nível de produto gerando um fluxo de renda ao remunerar os fatores de produção contratados induzindo novas decisões de gasto No entanto para Keynes parte destas decisões de gasto tem caráter autônomo em relação a esses fluxos de renda e não aumentará com a produção Se isto não é levado em consi deração nas decisões de produção as expectativas das empresas serão frustradas estoques de produtos serão acumulados e rapidamente voltarão atrás Para Keynes não há mecanismos de mercado capazes de garantir que o gasto autô nomo atinja precisamente o valor consistente com o produto potencial sendo esta a principal contribuição de Keynes à macroeconomia SILVA 2015 Assim o princípio da demanda efetiva determina o produto tanto no curto quanto no longo prazo e para assegurar o pleno emprego cabe ao governo garan tir a demanda adequada Assim Keynes propõe uma atuação mais efetiva do Estado por meio dos gastos públicos complementando a demanda privada e incentivos aos investimentos com a redução da carga tributária O Modelo Keynesiano Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 183 Com relação à intervenção do Estado na economia a principal proposta de Keynes consiste no desenvolvimento de mecanismos fiscais compensatórios que permitissem contrabalançar a falta de gastos privados permitindo manter o con sumo elevado São exemplos destes mecanismos seguro desemprego assistência social tributação progressiva entre outros LOPES VASCONCELLOS 2000 O MODELO KEYNESIANO SIMPLES Vamos agora aprender como que é definia a oferta agregada no modelo keyne siano e suas principais diferenças como o modelo clássico tratado na Unidade IV de nosso livro Oferta agregada No modelo keynesiano simples o produto é determinado pela demanda agre gada quando não há restrições pelo lado da oferta ou seja considerase que a economia apresente fatores de produção desempregados de forma que para qualquer nível de demanda as empresas possam aumentar a sua produção sem pressionar o nível de preços dos fatores e dos produtos ou seja os preços são con siderados constantes Assim a curva de oferta agregada de bens e serviços OA representa o quanto as empresas esperam vender de produtos no mercado sendo OA Renda nacional Produto nacional real De acordo com Vasconcellos 2011 existe a oferta agregada potencial e a oferta agregada efetiva A OA potencial é a produção máxima que pode ser alcançada por uma economia quando ocorre pleno emprego dos fatores de produção já a OA efetiva referese à produção que está sendo efetivamente colocada no mer cado que pode ocorrer com recursos abaixo do nível de pleno emprego isto é com a presença de capacidade ociosa no setor produtivo e desemprego de mão de obra Evidentemente a OA efetiva será igual à OA potencial quando os fato res de produção estiverem plenamente empregados MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 184 No modelo keynesiano dado que os preços são constantes o mecanismo de ajuste será a quantidade produzida ou seja as empresas produzem de acordo com a demanda efetiva Desta forma a curva de oferta agregada OA keyne siana é horizontal Veja P P Y Yp OA Modelo Clássico Pleno emprego Modelo Keynesiano Desemprego Figura 1 Oferta agregada keynesiana e clássica Fonte adaptada de Lopes e Vasconcelos 2000 A curva de OA horizontal indica que quando os fatores de produção não estão plenamente empregados o mecanismo de ajuste deixa de ser via preços quando existe excesso de demanda ou excesso de oferta transformando em alterações apenas na quantidade produzida O desemprego keynesiano ocorre pela insufici ência da demanda agregada para absorver a produção agregada de pleno emprego Demanda agregada Até agora trabalhamos o conceito de demanda agregada para a economia fechada vamos agora acrescentar o setor externo em nossas análises acrescentando um elemento de demanda as exportações e um elemento de vazamento de renda para o exterior as importações Posto desta forma a demanda agregada de bens e serviços é composta pela demanda dos quatro macroagentes econômicos a saber BLANCHARD 2007 O Modelo Keynesiano Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 185 DA C I G X M ou DA C I G NX sendo C Demanda de bens de consumo pelas famílias I Demanda de investimentos pelas empresas I G Demanda do governo NX Demanda líquida do setor externo Exportações X Importações Aí O formato da curva de demanda agregada é negativamente inclinada pois a ma dada renda nominal Y quando o nível de preços P elevase renda real Y P reduz indicando relação inversa entre P e Y conforme podemos verificar na Figura 2 P Y Curva de Demanda Agregada DA Figura 2 Curva de demanda agregada Fonte adaptada de Vasconcellos 2011 Esta relação inversa entre preços e quantidades de produto agregado é expli cada pela ocorrência de três tipos de efeitos efeitoriqueza efeito taxa de juros e efeito taxa de câmbio que podem ser resumidos da seguinte forma VASCONCELLOS 2011 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 186 a efeitoriqueza ou efeitopigou dada renda nominal constante Y uma queda do nível de preços leva ao aumento do valor real da riqueza dos consumidores estimulandoos a gastar mais Desta forma a queda da inflação deve elevar o consumo agregado que é um dos componen tes da demanda agregada b efeito taxa de juros o aumento da renda real decorrente da queda da inflação faz com que os consumidores necessitem de menos moeda para comprar bens e serviços e a demanda por moeda pelo motivo transação reduz As famílias poderão utilizar esta sobra de moeda para aplicações financeiras aumentando a demanda de títulos e assim a oferta de recur sos que tende a provocar a queda da taxa de juros de mercado Essa queda da taxa de juros além de baratear os empréstimos bancários e portanto estimular o consumo de muitas famílias poderá viabilizar muitos projetos de investimentos já que muitos empresários em vez de aplicarem seus recursos no mercado financeiro tendem a aplicálos em investimentos produtivos como na ampliação de sua empresa na modernização de equi pamentos etc Ou seja a queda do nível geral de preços tende a provocar a queda da taxa de juros que deve levar ao aumento tanto do consumo como do investimento agregado dois dos elementos da demanda agre gada de bens e serviços c efeito taxa de câmbio a queda do nível geral de preços internos torna nossos produtos mais competitivos relativamente aos preços dos pro dutos importados Esse efeito estimula as exportações X e desestimula as importações agregadas M elevando a demanda agregada HIPÓTESES DO MODELO KEYNESIANO SIMPLES O modelo keynesiano simples é composto por quatro hipóteses principais VASCONCELLOS 2011 a desemprego de recursos a demanda agregada da economia está em nível abaixo da produção AO de pleno emprego desta forma no modelo sim plificado os preços são mantidos constantes e as variáveis consideradas em valores reais deflacionados O Modelo Keynesiano Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 187 b curto prazo no curto prazo o estoque de fatores de produção nível tec nológico capital e mão de obra são considerados constantes No entanto o nível de utilização destes fatores variáveis ou seja a força de trabalho e a capacidade instalada são fixas mas sua utilização varia c a curva de oferta agregada é fixada a oferta agregada OA é afetada dire tamente pelo estoque dos fatores de produção mão de obra N capital K e pelo nível de conhecimento tecnológico T ou seja OA fNKT Como esses fatores são relativamente constantes a curto prazo segue que a OA permanece fixada a curto prazo Isto pode ser representado pelo gráfico da Figura 3 P P Y Yp Y0 Y1 OA Figura 3 Oferta agregada keynesiana de curto prazo Fonte adaptada de Vasconcelos 2011 No gráfico da Figura 3 verificase que em situação de desemprego quando o nível de produto passa de Y0 para Y1 a curva de OA permanece fixa embora a quantidade produzida varie decorrente da maior utilização do estoque de fato res de produção Isto mostra que não houve aumento da capacidade de produção da economia apenas do nível de produção visto que está se operando com capa cidade ociosa Posto desta forma verificase que não há deslocamento da curva de OA mas movimentos ao longo da curva de OA MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 188 d a curto prazo apenas a demanda agregada provoca variações no nível de equilíbrio da renda nacional a oferta agregada é fixa no curto prazo e as variações na renda nacional são decorrentes das variações na demanda agregada DA ressaltando o papel desta dentro da teoria keynesiana Assim no curto prazo para tirar a economia de uma situ ação de desemprego a política econômica deve procurar elevar a DA sendo este o princípio da demanda efetiva Isto pode ser verificado no gráfico da Figura 4 P P Y Yp Y0 OA DA2 DA1 Figura 4 Equilíbrio macroeconômico keynesiano de curto prazo Fonte adaptada de Vasconcelos 2011 Pela Figura 4 verificamos que quando a demanda agregada é estimulada por exemplo por uma expansão fiscal com aumento dos gastos do governo a renda e a produção de equilíbrio aumentam saindo da situação de desemprego Y0 e indo em direção à situação de pleno emprego Yp COMPORTAMENTO DAS VARIÁVEIS CONSUMO C INVESTIMENTO I GASTO DO GOVERNO G EXPORTAÇÃO X E IMPORTAÇÃO M Agora aprenderemos quais são as relações funcionais entre as variáveis econômicas em nível agregado e analisar como se pode atuar sobre elas aplicando os instrumentos de política econômica Para isto devemos aprender separadamente as funções que determinam o comportamento de cada uma das variáveis componentes da demanda agregada Função Consumo Uma das principais contribuições de Keynes foi instituir que o consumo agregado das famílias é composto por um componente autônomo e por outro que representa uma função crescente da renda nacional Y A função consumo linear simplificada é expressa segundo Blanchard 2007 C C0 cY em que C0 consumo autônomo independentemente da renda no gráfico é o intercepto c propensão marginal a consumir é o coeficiente angular ou a inclinação do gráfico A propensão marginal a consumir PMgC é o acréscimo de consumo dado um acréscimo na renda nacional e pode ser representado pela seguinte fórmula PMgC c ΔCΔY 0 c 1 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 190 A propensão marginal a consumir é positiva e menor do que um porque dado um aumento na renda as famílias poupam uma parte Já o consumo autônomo é a parcela do consumo que não depende da renda mas de outros fatores como a riqueza já acumulada do indivíduo herança renda futura etc Graficamente a função consumo pode ser representada como se segue C C C0 cY C C0 Y Figura 5 Função consumo agregado Fonte adaptada de Blanchard 2007 Função Poupança A poupança S da sociedade é a diferença entre a renda disponível e o consumo ou seja é a parcela não consumida da renda nacional em dado período de tempo S Y C A função poupança é definida como S C0 1 c Y Sendo 1c a propensão marginal a poupar que é o acréscimo da poupança agregada dado um acréscimo na renda nacional isto é PMgS 1 c ΔSΔY Graficamente podemos representar a função poupança como Figura 6 Função poupança agregado Fonte adaptada de Vasconcellos 2011 Exemplo 1 Suponhamos que a função consumo seja dada como C 8 070Y Sabemos então que a função poupança é o complemento da função consumo assim temos S 8 03y MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 192 Portanto PMgC c 07 e a PMgS 1c 03 graficamente podemos representar estas funções como se segue C S 0 8 S 8 07Y S 8 03Y 07 03 8 Y Figura 7 Função consumo e poupança agregado Fonte adaptada de Vasconcellos 2011 Função Investimento O investimento agregado é o principal determinante do crescimento do pro duto e do emprego desempenhando duplo papel De acordo com Vasconcellos 2011 pode ser entendido como a investimento visto como elemento da demanda agregada ocorre quando são realizados gastos com instalações equipamentos constru ções etc antes de o investimento maturar e resultar em acréscimos da produção ou seja refletimosnos ao curto prazo b investimento visto como elemento de oferta agregada ocorre após a maturação dos investimentos quando aumenta a capacidade produtiva De acordo com o modelo keynesiano simples existem duas hipóteses sobre o investimento KEYNES 1992 O Modelo Keynesiano Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 193 i Primeira hipótese em uma análise de curto prazo o investimento afeta apenas a demanda agregada Apenas no longo prazo é que a oferta agre gada aumento da capacidade produtiva é afetada ii Segunda hipótese o investimento é autônomo em relação à renda nacional Desta forma no modelo básico o investimento não depende da renda nacional podendo ser expresso como I I0 Assim qualquer que seja o nível de renda o investimento é um valor constante Graficamente temos I I0 I I0 Y Figura 8 Função investimento Fonte adaptada de Vasconcellos 2011 No investimento autônomo assumese que os empresários tomam suas decisões de investir sem levar em consideração o nível de renda presente O investimento depende de outras variáveis como as taxas de juros rentabilidade esperada rentabilidade passada disponibilidade de crédito entre outros No entanto não incluiremos estas variáveis em nossas análises Avançando um pouco veremos que o investimento pode ser considerado parcialmente autônomo sendo uma parcela dependente diretamente do nível de renda da economia ou seja quanto mais alta a renda mais alto será o nível de investimento Veja em Blanchard 2007 que I I0 dY em que I0 investimento autônomo d propensão marginal a investir Função Gastos do Governo No modelo keynesiano simples também se supõe que os gastos do governo são autônomos em relação à renda nacional Assim G G0 Os gastos públicos são considerados exógenos isto é não são determinados por outras variáveis econômicas mas se formam institucionais de acordo com os objetivos da política econômica adotada Função Imposto No modelo keynesiano simples a tributação também é suposta autônoma não depende da renda nacional T T0 Mas esta é uma hipótese simplificadora Assim a função imposto pode ser representada por uma parte autônoma e outra dependente do nível de renda T T0 tY em que T0 tributação autônoma t propensão marginal a tributar e 0 t 1 A primeira alteração decorrente da introdução do governo é na função consumo visto que agora devemos adotar o conceito de renda disponível do setor privado Yd que acaba por determinar o consumo das famílias e não a renda nacional Y Já vimos isto na Unidade III mas retomaremos este conceito devido à sua importância A função consumo fica de acordo com Lopes e Vasconcellos 2000 CC0cYd Sendo Yd YT Substituindo a função renda disponível da função consumo temos CC0 c Y T dado que TT0 tY Substituindo a função tributo na equação do consumo temos CC0 c Y T0 tY ou CC0T0 c Y tY Assim o aumento da tributação reduz o consumo e a demanda agregada da economia Função Exportação As exportações também são consideradas autônomas em relação à renda nacional dado que são afetadas pela renda dos outros países X X0 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 196 Função Importação As importações correspondem à demanda de residentes por bens e serviços pro duzidos no exterior Desta forma ela é posta como função crescente da renda interna numa proporção fixa m que representa a propensão marginal a importar da renda Assim temos M mY em que m propensão marginal a importar Por esta equação podemos verificar que quanto maior a renda nacional maior será a importação EQUILÍBRIO NO MERCADO DE BENS E SERVIÇOS A CURVA IS Agora que já aprendemos como são determinadas as variáveis que compõem a demanda agregada da economia analisaremos como se dá o equilíbrio no mer cado de bens e serviços O que acontece com a demanda agregada quando a renda do resto do mundo aumenta Equilíbrio no Mercado de Bens e Serviços A Curva IS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 197 DETERMINAÇÃO DO EQUILÍBRIO IGUALANDO A OFERTA AGREGADA E A DEMANDA AGREGADA Já estudamos que o equilíbrio macroeconômico se dá quando OFERTA AGREGADA OA DEMANDA AGREGADA DA Como AO Y DA C I G X M A condição de equilíbrio é apresentada como Y C I G X M MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 198 Graficamente esta condição de equilíbrio é apresentada por uma reta de 45 graus que representa os pontos possíveis de equilíbrio entre DA eixo das ordenadas e OA renda nacional eixo das abscissas Cada ponto da reta representa uma condição de equilíbrio Já o ponto de equilíbrio específico Ponto E é determi nado pela demanda agregada VASCONCELLOS 2011 No modelo Keynesiano o equilíbrio dáse abaixo da renda de pleno emprego Yp apresentando um equilíbrio com desemprego como mostra a Figura 9 DA E DA OA DA C I G X M A0 45º YAO Y Yp Renda de equilíbrio entre a DA e OA Figura 9 Equilíbrio de curto prazo em termos de oferta e demanda agregadas Fonte adaptado de Vasconcellos 2011 Na Figura 9 mostramos o nível de produto Y no eixo horizontal A reta de 45o for nece o nível de demanda agregada no eixo vertical que é igual ao nível de produto O ponto E é o ponto de equilíbrio do produto no qual a quantidade produzida é igual à quantidade demandada A qualquer nível mais alto da produção de equilíbrio Y a demanda agregada está abaixo do nível de produto as empresas começam a acumular estoques e a passam a produzir menos Assim no ponto E as pessoas estão comprando o volume que desejam comprar e não há uma tendência para que haja variação no nível de produção a não ser que a demanda agregada se altere Equilíbrio no Mercado de Bens e Serviços A Curva IS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 199 Desta forma temos que as variações da Demanda Agregada levam a varia ções no produto e na renda de equilíbrio e sofre elevação de valor determinada pelo aumento de valor de qualquer um dos componentes autônomos das variá veis que a influenciam positivamente a saber os investimentos os gastos do governo as exportações Elevações da demanda agregada também são causadas pela redução do valor dos componentes autônomos das variáveis que a influenciam negativamente como a tributação as importações O MULTIPLICADOR DOS GASTOS KEYNESIANOS Neste item desenvolveremos uma resposta à seguinte questão quanto o aumento de R 100 no gasto autônomo aumenta o nível de equilíbrio da renda A resposta a esta questão está no desenvolvimento do conceito do multiplica dor que segundo Dornbush et al 2006 p93 é o montante pelo qual a produção varia quando a demanda agregada autônoma aumenta em uma unidade No equilíbrio do modelo Keynesiano simples temos Y C I G X M Dadas as seguintes funções Função consumo C C0 cY T Função investimento I I0 Função tributação T T0 tY Função gastos do governo G G0 Função exportação X X0 Função importação M mY Substituindo estas funções na equação de equilíbrio temos Y C0 T0 c Y tY I0 G0 X0 mY Isolando a renda temos YmY c Y tY C0 I0 G0 X0 T0 Y 1 c 1 t m C0 I0 G0 X0 T0 Assim a nova condição de equilíbrio para uma economia aberta será a seguinte Y 1 1 c 1 t m C0 I0 G0 X0 T0 em que α 1 1 c 1 t m é o multiplicador de gastos keynesiano da economia aberta e A0 C0 I0 G0 X0 T0 nível de gastos autônomos Uma análise do multiplicador mostra que Quanto maior a propensão marginal a consumir da renda c maior será o multiplicador Quanto menor a propensão marginal a tributar t maior será o multiplicador porque eleva o aumento induzido do consumo autônomo Quanto menor a propensão marginal a importar m maior será o multiplicador Quanto maior o valor do multiplicador mais inclinada é a curva de demanda agregada na economia indicando que as variações na demanda agregada causada pelas variações nos gastos autônomos provocam maior variação da renda e na produção de equilíbrio Equilíbrio no Mercado de Bens e Serviços A Curva IS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 201 O gráfico apresentado na Figura 10 apresenta a variação da renda e da pro dução de equilíbrio decorrente da variação dos gastos autônomos DA DA2 α A0 DA1 α A0 A0 A0 E Y A0 E 45º YAO Y2 Y1 Figura 10 Efeito de um aumento nos gastos autônomos Fonte adaptada de Dornbusch et al 2006 Podemos verificar pela Figura 10 que quando ocorre aumento na demanda agregada autônoma a curva de demanda agregada deslocase para cima de DA1 para DA2 O equilíbrio movese do ponto E para o ponto E O aumento da pro dução de equilíbrio ΔY Y2 Y1 é maior que a variação dos gastos autônomos ΔDA por causa do efeito multiplicador da renda Podemos escrever a variação da renda de equilíbrio decorrente da variação de demanda agregada autônoma da seguinte forma Y A0 Agora analisaremos qual será o efeito na determinação da renda de equilíbrio se houver redução na alíquota dos impostos Isto está ilustrado na Figura 11 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 202 DA DA2 α A0 DA1 α A0 α A0 E E Y 45º YAO Y2 Y1 1 1 C1 t m Figura 11 Efeito de um aumento nos gastos autônomos Fonte adaptada de Dornbusch et al 2007 Pela Figura 11 vemos que uma redução na alíquota do imposto de renda aumenta a renda disponível do consumidor Yd Y T ficando este com a maior parcela da renda para gastar causando um deslocamento da curva de demanda agregada de DA1 para DA2 A redução da alíquota do imposto aumenta o valor do multiplicador keynesiano a curva de demanda agregada tornase mais incli nada e o nível de equilíbrio da renda aumenta de Y1 para Y2 Exemplo Vamos supor que inicialmente a demanda agregada autônoma é A0 500 a propensão marginal a consumir é c 07 a alíquota do imposto de renda é t 015 e a propensão marginal a importar é m 010 Qual é o valor do multiplicador Qual é o valor da renda de equilíbrio Y 1 1 0 7 1 015 0 10 500 99010 O valor do multiplicador é α 198 e a renda de equilíbrio é Y 99010 Interpretação do multiplicador para cada R 100 de despesa autônoma gera se de renda R 198 Agora vamos supor que um corte no imposto reduza a alíquota para t 010 Qual o valor do multiplicador Qual será a nova renda de equilíbrio na economia Y 1 1 07 1 010 010 500 106500 O valor do multiplicador é agora α 213 e a renda de equilíbrio é Y 106500 Interpretação do multiplicador para cada R 100 de despesa autônoma gerase de renda R 213 Verificamos que uma redução do imposto em 005 o multiplicador keynesiano aumentou em Δα 015 impactando na renda de equilíbrio que teve uma variação positiva de ΔY 7490 REFLETA O que acontece com o multiplicador da renda keynesiano se houver aumento na alíquota do imposto de renda Ele aumentará ou reduzirá A CURVA IS Ampliaremos agora a condição de equilíbrio introduzindo a taxa de juros como variável explicativa do investimento o que constituirá o chamado equilíbrio de mercado de bens e serviços representado pela curva IS de HicksHansen A função investimento passa a ser apresentada segundo Lopes e Vasconcellos 2000 como I I0 dr em que r taxa de juros real d é sensibilidade elasticidade do investimento em relação à taxa de juros I0 investimento autônomo No modelo keynesiano vimos que o investimento era determinado exogenamente mas no modelo de HicksHansen o investimento é considerado endógeno sendo determinado pela taxa de juros da economia Podemos verificar pela função investimento apresentada anteriormente que ele possui uma relação inversa com a taxa de juros Assim quanto menor a taxa de juro maior será o investimento Isso pode ser visto na Figura 12 Figura 12 Demanda de investimentos em função da taxa de juros Fonte adaptado de Vasconcellos 2011 Neste modelo a taxa de juros é um fenômeno estritamente monetário sendo independente dos planos de investimento e de poupança O equilíbrio no mercado de bens e serviços pela relação IS fica Y C0 T0 cY tY I0 dr G0 X0 mY Isolando a renda temos Y mY cY tY C0 I0 G0 X0 T0 dr Y 1 c1 t m C0 I0 G0 X0 T0 dr MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 206 Propriedades da inclinação da Curva IS Redução da taxa de juros gera aumento no investimento Aumento no investimento I provoca aumento na demanda agregada que gera aumento na produção de equilíbrio por meio do efeito multiplicador Uma i mais baixa portanto leva O aumento na produção de equilíbrio no mercado de bens A curva IS tem inclinação decrescente no sentido de refletir isso Variações em i e Y não causam deslocamentos da curva IS apenas movi mentos ao longo da curva IS Quanto maior for a elasticidade do investimento em relação à taxa de juros d mais horizontal é a curva IS ou seja menor será sua inclinação Isto significa que pequena variação na taxa de juros provoca grande variação no investimento e portanto na demanda agregada e na renda Por outro lado a baixa elasticidade do investimento em relação à taxa de juros d apresenta curva IS mais inclinada próxima da vertical significando que são necessárias grandes variações na taxa de juros para que haja variações no investimento e assim na demanda agregada e na renda de equilíbrio Quanto maior for o valor do multiplicador dos gastos α variações no investimento gerarão grandes expansões na demanda agregada e na renda levando a uma curva IS próxima da horizontal Quando o multiplicador é elevado as variações da taxa de juros causam grandes impactos sobre o investimento e assim sobre a demanda agregada e a renda Fatores que causam o deslocamento da curva IS A curva IS deslocase para a direita e para cima quando aumentam os gastos autônomos como os gastos do governo o consumo o investi mento as e exportações e quando os impostos T caem Assim a nova condição de equilíbrio para uma economia aberta será a seguinte Y 11 c1 t m C0 I0 G0 X0 T0 11 c1 t mdr sendo α 11 c1 t m o multiplicador de gastos keynesiano da economia aberta e A0 C0 I0 G0 X0 T0 nível de gastos autônomos Simplificando podemos escrever a equação de equilíbrio IS como Y α A0 αdr A curva IS representa as várias combinações de renda e de taxa de juros que equilibram o mercado de bens e serviços Graficamente é representada como Figura 13 Curva IS Fonte adaptado de Blanchard 2007 O intercepto da curva IS é dado pelos gastos autônomos αA0 que determinam a sua posição Já a inclinação da curva é dada por dr que mostra a relação inversa entre a taxa de juros e a renda Equilíbrio no Mercado de Bens e Serviços A Curva IS Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 207 A curva IS deslocase para a esquerda e para baixo quando caem os gas tos autônomos e os impostos aumentam Dado o valor da taxa de juros o montante do deslocamento é dado pelo valor do multiplicador dos gastos vezes a variação na despesa A Figura 14 apresenta o impacto no equilíbrio do mercado de bens e serviços quando o governo adota uma política fiscal expansionista com aumento dos gastos públicos r1 r Y Y2 IS2 Y1 αΔG IS1 Figura 14 Elevação dos gastos públicos e o efeito multiplicador na curva IS Fonte adaptado de Blanchard 2007 Podemos assim verificar que o impacto inicial do aumento dos gastos públi cos dado a taxa de juros é o deslocamento para a direita e para cima da curva IS Isso mostra que quando o governo aumentou os seus gastos ele estimulou a demanda agregada e assim gerou aumento na produção e na renda de equi líbrio da economia A magnitude do deslocamento da curva IS é dada pelo incremento dos gastos público vezes o multiplicador αΔG representado pelo deslocamento horizon tal da curva IS como pode ser visto na Figura 14 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 208 EQUILÍBRIO NO MERCADO MONETÁRIO A CURVA LM A curva LM representa o equilíbrio no mercado financeiro ou monetário expresso em termos efetivos ou seja o equilíbrio ocorre quando a taxa de juros torna a oferta efetiva de moeda igual à demanda efetiva por moeda Como vimos na Unidade II a oferta de moeda é determinada pelo Banco Central sendo uma variável exógena Já a demanda por moeda é determinada pela decisão dos agentes em reter moeda pelo motivo transação e pelo motivo portfólio Quanto ao motivo transação a demanda por moeda L está diretamente relacionada com o nível de renda da economia assim quanto maior o nível de renda maior será o volume de transações e maior será a demanda por moeda Pelo motivo portfólio temos que a demanda por moeda está inversamente rela cionada com a taxa de juros pois esta funcionará como sendo um custo de oportunidade em reter moeda ou seja o indivíduo só reterá moeda se a taxa de juros estiver baixa de outra forma ele aplicará em títulos que são remunerados a taxa de juros Assim a demanda por moeda reduz com o aumento da taxa de juros e viceversa Equilíbrio no Mercado Monetário A Curva LM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 209 A curva LM pode assim ser expressa de acordo com Lopes e Vasconcellos 2000 M P L Y r Em que P nível geral de preço Y renda ou produto nacional R taxa de juros real M P oferta real de moeda controlada pelo Banco Central L Y r demanda por moeda que varia positivamente com a renda e negativamente com a taxa de juros Considerando a função demanda linear por moeda temos L eY fr em que e sensibilidade elasticidade da demanda por moeda em relação à renda f sensibilidade elasticidade da demanda por moeda em relação à taxa de juros Quando o valor destas elasticidades é maior que um dizemos que são altas pois a variação de 1 na renda ou na taxa de juros causa variação mais que pro porcional na demanda por moeda ou seja acima de 1 Já quando o valor das elasticidades é menor do que um dizemos que são baixas e a variação de 1 na renda ou na taxa de juros causa variação abaixo de 1 na demanda por moeda Podemos escrever o equilíbrio entre a oferta e a demanda por moeda como M P eY fr Isolando a taxa de juros obtemos a equação da curva LM que representa as várias combinações de renda e a taxa de juros que equilibram o mercado monetário r efY 1fMP Em que ef é a inclinação da curva LM 1f MP é o intercepto da curva LM Graficamente a determinação da curva LM pode ser apresentada pelos gráficos da Figura 15 a Equilíbrio entre oferta e demanda por moeda b Curva LM Figura 15 Determinação da curva LM Fonte adaptado de Lopes e Vasconcellos 2000 Equilíbrio no Mercado Monetário A Curva LM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 211 No gráfico a podemos ver que a demanda por moeda responde positiva mente às variações na renda mas negativamente à taxa de juros Assim dada a oferta de moeda quando a renda aumenta de Y1 para Y2 a demanda por moeda aumenta representada por um deslocamento para a direita da curva de demanda por moeda No entanto com maior demanda por moeda pelo motivo transação dada a oferta temos excesso de demanda pressionando os bancos a aumenta rem a taxa de juros Conforme os juros vão aumentado o excesso de demanda vai reduzindo até que seja anulado e novo equilíbrio monetário acontece a uma taxa de juros mais elevada r2 Os dois equilíbrios monetários que mostram as combinações diferentes de renda e taxa de juros são representados no gráfico b pela curva LM INCLINAÇÃO DA CURVA LM De acordo com Blanchard 2007 os fatores que afetam a inclinação da curva LM são A elasticidade da demanda por moeda em relação à renda e quanto maior for esta elasticidade maior será a inclinação da curva LM visto que pequena variação da renda levará a uma grande expansão da demanda por moda exigindo maior elevação da taxa de juros para compensar o excesso de demanda Por outro lado se a elasticidade da demanda por moeda for baixa em relação à renda a Curva LM é menos inclinada próxima da horizontal ou seja para qualquer alteração na renda será necessária apenas pequena alteração da taxa de juros para manter o mer cado monetário em equilíbrio A elasticidade da demanda por moeda em relação à taxa de juros f quanto maior for esta elasticidade menor será a inclinação da curva LM visto que qualquer variação da renda exigirá pequena mudança na taxa de juros para compensar o excesso de demanda e manter o mercado monetário em equilíbrio Mas se a elasticidade da demanda por moeda em relação à taxa de juros for baixa a curva LM tende a uma horizontal indicando que qualquer alteração no nível de renda exigirá grande alte ração na taxa de juros para manter o mercado monetário em equilíbrio MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 212 A Figura 16 a seguir apresenta a inclinação da curva LM de acordo com o valor das elasticidades r2 r1 Y1 Y2 Y r Curva LM mais inclinada Elasticidade renda da demanda por moeda elevada Elasticidade juros da demanda por moeda baixa Curva LM menos inclinada Elasticidade renda da demanda por moeda baixa Elasticidade juros da demanda por moeda elevada LM LM Figura 16 Inclinação da curva LM Fonte adaptado de Blanchard 2007 Em síntese podemos verificar pelo gráfico da Figura 16 que a curva LM é mais inclinada mais vertical quando a elasticidade renda for alta e a elasticidade juros da demanda por moeda for baixa Por outro lado a curva LM é menos inclinada mais horizontal quando a elasticidade renda for baixa e a elasticidade juros da demanda por moeda for alta DESLOCAMENTO DA CURVA LM Segundo Blanchard 2007 a posição da curva LM é dada pela oferta real de moeda M P e sofre um deslocamento DA quando a curva LM deslocase para baixo quando a oferta real de moeda M P aumenta porque se requer taxa de juros r mais baixa de modo a man ter o equilíbrio nos mercados financeiros a curva LM deslocase para cima quando a oferta real de moeda M P dimi nui porque se requer taxa de juros r mais elevada de modo a manter o equilíbrio nos mercados financeiros Equilíbrio no Mercado Monetário A Curva LM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 213 Desta forma podemos concluir que dados os preços constantes o desloca mento da curva LM é determinado pela política monetária Vejamos isto no gráfico da Figura 17 Y r Aumento da Oferta de moeda Curva LM deslocase para a direita de LM1 para LM2 Redução da Oferta de moeda Curva LM deslocase para a esquerda de LM1 para LM3 LM3 LM1 LM2 Figura 17 Deslocamento da curva LM Fonte adaptada de Blanchard 2007 Agora que nós já aprendemos como é determinado o equilíbrio no mercado de bens e serviços incluindo a taxa de juros em nossas análises e como é determi nado o equilíbrio no mercado monetário devemos aprender como é definido o equilíbrio geral em nossa economia Como é determinada a taxa de juros e o nível de renda que equilibram simultaneamente os dois mercados mercado de bens e de ativos Esta questão será respondida no próximo tópico O que acontece à curva LM se ocorrer uma redução no nível de geral de preços na economia ou seja uma deflação MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 214 O MODELO IS LM E O EFEITO DE POLÍTICA FISCAL E MONETÁRIA O equilíbrio simultâneo no mercado de bens e serviços e no mercado monetá rio ocorre no ponto em que as curvas IS e LM interceptamse como indicado na Figura 18 À taxa de juros r e ao nível de renda y os dois mercados estão simultaneamente em equilíbrio Veja r Y Y r Equilíbrio entre ISLM LM F IS Figura 18 Equilíbrio simultâneo no mercado de bens e serviços Fonte adaptada de Dornbusch et al 2006 No ponto E de equilíbrio podemos dizer que a economia está em estado de repouso ao nível de taxa de juros r e de renda Y Qualquer ponto fora desta condição está em áreas de desequilíbrio macroeconômico Isso está apresentado no gráfico da Figura 19 onde podemos verificar quatro áreas de desequilíbrio macroeco nômico que de acordo com Dornbusch et al 2006 podem ser definidas como i Área I esta região caracterizase pelo excesso de oferta de bens EOB e de moeda EOM pressionando tanto a redução da produção como da taxa de juros ii Área II esta região caracterizase pelo excesso de oferta de moeda EOM pressionando a taxa de juros para baixo e o excesso de demanda por bens EDB pressionando a ampliação do produto iii Área III esta região caracterizase pelo excesso de demanda por bens EDB e de moeda EDM pressionando tanto a ampliação da renda como da taxa de juros O Modelo IS LM e o Efeito de Política Fiscal e Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 215 iv Área IV esta região se caracteriza pelo excesso de demanda de moeda EOM pressionando a taxa de juros para cima e excesso de oferta por bens EDB pressionando a redução da produção Y r EOB excesso de oferta de bens EDB excesso de demanda de bens EOM excesso de oferta de moeda EDM excesso de demanda de moeda IS LM I EOM EOB II EOM EDB IV EDM EOB III EDM EDB Figura 19 Áreas de desequilíbrios macroeconômico Fonte adaptado de Dornbush et al 2006 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 218 r1 r2 Y1 Y2 Y r LM1 LM2 E1 E2 IS Figura 20 Efeito de uma política monetária expansionista Fonte adaptado de Dornbusch et al 2006 MAS QUAIS SÃO OS FATORES QUE REVELAM A EFICÁCIA DA POLÍTICA MONETÁRIA NA GERAÇÃO DO CRESCIMENTO ECONÔMICO O quanto a política monetária consegue estimular a economia dependerá de dois fatores a elasticidade da demanda por moeda em relação à taxa de juros e elasti cidade do investimento em relação à taxa de juros Com relação à elasticidade da demanda por moeda em relação a taxa de juros temos duas situações a elasticidade alta pequena variação da taxa de juros será o suficiente para ajustar o mercado de ativos e a curva LM é menos inclinada A pouca variação na taxa de juros gerará também pequena variação nos inves timentos e assim na demanda agregada na produção e na renda Desta forma a política monetária tem pouca eficácia b elasticidade baixa é necessário grande alteração na taxa de juros para ajus tar o mercado de ativos e a curva LM é mais inclinada Como a taxa de juros sofre uma significativa variação gerará também variação signifi O Modelo IS LM e o Efeito de Política Fiscal e Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 219 cativa nos investimentos e assim na demanda agregada na produção e na renda Desta forma a política monetária tem mais eficácia para esti mular a economia Podemos verificar isto analisando dois casos especiais apresentados na Figura 21 O primeiro caso gráfico a é chamado de Armadilha da Liquidez no qual a demanda por moeda é infinitamente elástica em relação à taxa de juros e a política monetária é ineficaz r1 r r2 r1 Y1 Y2 Y Y1 Y2 Y r LM1 E1 IS LM1 LM2 a Armadilha da Liquidez b Caso Clássico IS Figura 21 Casos especiais e eficácia da política monetária Fonte adaptado de Dornbusch et al 2006 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 220 O segundo caso é o chamado Caso Clássico em que a demanda por moeda independe da taxa de juros sendo a elasticidade igual a zero inelástica Neste caso a LM é vertical e o efeito da política monetária é completo para estimular a renda e a produção na economia Desta forma podemos concluir que quanto mais inclinada for a curva LM ou quanto menor for a elasticidade da demanda por moeda em relação à taxa de juros maior será a eficácia da política monetária IMPACTO DE POLÍTICA FISCAL Vamos avaliar o impacto de uma política fiscal expansionista por meio da ampliação dos gastos do governo apresentado na Figura 22 r1 r2 Y1 Y2 Y3 Y r LM IS1 E1 E2 IS2 αΔG Figura 22 Efeito de uma política fiscal expansionista Fonte adaptado de Dornbush et al 2006 O aumento dos gastos do governo ampliam a demanda agregada levando ao des locamento da curva IS para a direita e para cima A magnitude deste deslocamento O Modelo IS LM e o Efeito de Política Fiscal e Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 221 é representado pela variação dos gastos vezes o multiplicador da renda keyne siano simples αΔG sendo igual ao deslocamento horizontal da curva IS No entanto conforme a renda vai aumentando em direção a Y3 também aumenta a demanda por moeda dada a oferta de moeda fixa a taxa de juros elevase para manter o equilíbrio no mercado monetário Esta elevação da taxa de juros reduz a demanda por investimentos ameniza o impacto expansionista da política fis cal e o equilíbrio ocorre no ponto E2 apresentando taxa de juros e nível de renda e produção maior que a do nível inicial r2 y2 mas menor do que seria se a taxa de juros fosse mantida constante r1 y3 Mas o quanto a política fiscal conseguirá estimular a economia dependerá dos seguintes fatores a do tamanho do multiplicador da renda que determina a magnitude do deslocamento da IS b da elasticidade da demanda por moeda em relação à taxa de juros quanto maior for esta elasticidade menos inclinada será a LM e maior será o impacto da política fiscal Isto acontece porque é necessário apenas uma pequena variação da taxa de juros para equilibrar o mercado monetário e como o aumento dos gastos públicos leva a um aumento da demanda por moeda a taxa de juros elevase pouco e os investimentos caem pouco c da elasticidade do investimento em relação à taxa de juros quanto maior esta elasticidade menor será o efeito da política fiscal visto que pequena elevação na taxa de juros causa grande queda nos investimentos com pensando o aumento nos gastos públicos Vamos agora analisar a eficácia da política fiscal expansionista do caso da Armadilha da Liquidez e no Clássico Estes casos estão apresentados na Figura 23 O gráfico a apresenta o caso da Armadilha da Liquidez já estudado Neste caso o aumento dos gastos públicos eleva a demanda agregada deslocando a IS para a direita Uma vez que a taxa de juros não se altera não há redução do investimento sendo o impacto da política fiscal igual à magnitude do multipli cador da renda keynesiano É o máximo da eficácia da política fiscal MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 222 r1 r r2 r1 Y1 Y Y1 Y2 Y r LM1 E1 E1 IS1 IS1 IS2 IS2 LM1 a Armadilha da Liquidez b Caso Clássico Figura 23 Casos especiais e eficácia da política fiscal Fonte adaptado de Dornbush et al 2006 O gráfico b representa o Caso Clássico em que a curva LM é vertical e a demanda por moeda independe da taxa de juros Neste caso a política fiscal é totalmente ine ficaz pois o maior gasto do governo não gera qualquer alteração da renda apenas eleva a taxa de juros que provoca redução no investimento na mesma proporção do aumento dos gastos públicos ocorrendo apenas substituição dos gastos pri vados para o público sendo denominado efeito deslocamento crowdingout O Modelo IS LM e o Efeito de Política Fiscal e Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 223 COMBINAÇÃO DE POLÍTICA MONETÁRIA E FISCAL Normalmente o governo tem uma variedade de objetivos que devem ser atingi dos pelas políticas econômicas adotadas por causa disso ele se utiliza de vários instrumentos de forma combinada para alcançar as suas metas Até agora tra tamos os efeitos das políticas fiscal e monetária como sendo independentes no entanto em muitos casos existe reação de uma política sobre os efeitos da outra e é sobre isto que estudaremos agora Vamos supor que o governo tem como um de seus objetivos a estabilidade do nível de produção e renda na economia ou seja que y permaneça constante Um exemplo é a adoção de políticas assistencialistas em períodos de recessão econômica com ampliação dos gastos públicos como forma de compensar a A política fiscal brasileira limites e entraves ao crescimento O Brasil dos anos 90 lidou com agendas fiscais múltiplas mas a defesa da estabilização monetária e das exigências da nova estratégia de desenvolvi mento prevaleceu sobre as demais A reinserção da economia brasileira no mundo globalizado abriu a possibilidade de controlar a inflação e acirrou o debate em torno do papel da política fiscal A carga tributária experimentou o primeiro movimento de alta na implan tação do Plano Real alcançando 2976 do PIB em 1995 A modernização da administração fazendária e a majoração das alíquotas dos impostos pro duziram altas constantes da carga tributária que atingiu 3737 em 2005 O aumento da carga tributária teve como consequência a perda de competi tividade dos produtos nacionais no mercado interno e internacional além de criar distorções no setor produtivo nas relações entre as esferas de governo e reforçar os problemas de distribuição de renda pessoal O esforço tributário não serviu à melhoria da oferta de serviços públicos e de infraestrutura Para saber mais acesse link disponível em wwwecounicampbrdocprod downarqphpid1761tpa Fonte Lopreato 2007 MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 224 queda dos gastos privados Vamos supor que o Banco Central resolve fazer a política restritiva contraindo a oferta de moeda na economia deslocando a LM para cima e para a esquerda pressionando a elevação da taxa de juros e a redu ção da renda Assim partindo de um equilíbrio inicial no Ponto 1 temos que a economia caminha para novo equilíbrio no Ponto 2 mas antes que isto aconteça o governo amplia os gastos públicos para manter a renda constante e a curva IS deslocase para cima e para a direita O resultado é o equilíbrio no Ponto 3 onde o nível de renda permaneceu constante mas com grande elevação da taxa de juros r3 como pode ser visto no gráfico da Figura 24 r2 r1 Y1 Y2 Y r IS1 IS2 LM1 LM2 3 2 1 Figura 24 Política fiscal expansionista em resposta à política monetária Fonte adaptada de Lopes e Vasconcellos 2000 Outro exemplo de combinação de política é quando o Banco Central tem como objetivo a estabilidade da taxa de juros e o Tesouro Nacional ou seja o governo resolve adotar a política fiscal expansionista Da mesma forma que no gráfico O Modelo IS LM e o Efeito de Política Fiscal e Monetária Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 225 anterior partindo de um ponto de equilíbrio inicial Ponto 1 primeiramente a política fiscal expansionista descolará a curva IS para cima e para a direita IS2 pressionando a taxa de juros para cima e a economia caminha para o ponto de equilíbrio 2 Para manter a taxa de juros constante o Banco Central aumenta a oferta de moeda deslocando a curva LM para a baixo e para a direita LM2 o que provoca grande ampliação na renda e evita o aumento da taxa de juros O equilíbrio final dáse no Ponto 3 Veja na Figura 25 r1 Y1 Y2 Y r IS1 IS2 LM1 LM2 2 3 1 Figura 25 Política monetária expansionista visando à estabilidade da taxa de juros em resposta à política fiscal expansionista Fonte adaptada de Lopes e Vasconcellos 2000 Podemos perceber nesta situação que mesmo a oferta da moeda sendo con siderada exógena quando o Banco Central tem por objetivo manter estável a taxa de juros a oferta de moeda fica condicionada à política fiscal tornandose assim uma variável endógena MACROECONOMIA KEYNESIANA E OS MODELOS ISLM Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 226 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste livro você aprendeu que no modelo clássico a oferta agregada é deter minada pela função de produção a qual representa a quantidade máxima que a economia pode produzir decorrente da combinação dos fatores de produção disponíveis e do nível de tecnologia No modelo clássico havíamos aprendido que a Lei de Say em que a oferta cria sua própria demanda assim os empresá rio não tinham que se preocupar com o mercado deviam focar suas estratégias na produção Durante as primeiras décadas do século XX no entanto as principais eco nomias mundiais EUA Inglaterra Alemanha outras entram em profunda recessão econômica com altos níveis de desemprego e a teoria clássica não conse guia dar explicações de como os países poderiam retornar a crescer Diante deste contexto emerge uma nova explicação teórica para a crise a teoria keynesiana Nós aprendemos que o modelo keynesiano de determinação da produção e da renda está baseado no conceito da demanda efetiva Por este conceito quem determina a oferta agregada na economia é a demanda agregada pois o empresá rio definirá o quanto produzir baseado em suas expectativas de vendas ou seja de demanda esperada Assim se o empresário visualizar que terá poucas ven das reduzirá a sua produção trabalhando com capacidade ociosa produzindo apenas a quantidade que espera vender Posto desta forma o modelo keyne siano admite que o equilíbrio macroeconômico possa ocorrer sem estar em um nível de pleno emprego dos fatores de produção como postulavam os clássicos Ao avançarmos em nossas análises aprendemos o modelo ISLM que determina o equilíbrio simultâneo no mercado de bens e de ativos por meio da relação entre taxa de juros e renda Esse modelo também conhecido como Análise Hicks Hansen mantém os pressupostos básicos do modelo keynesiano simples com a demanda agregada determinando o nível de produção da eco nomia mantidos os níveis de preços constantes 227 Efeito da variação dos preços no Modelo ISLM O último caso a ser analisado é o efeito decorrente da variação dos preços no Modelo ISLM o chamado efeito pigou Para compreender os impactos das variações de preços vamos acrescentar a função consumo à riqueza real dos indivíduos Agora o consumo das famílias é determinado pelo consumo autônomo por uma fração que varia com a renda disponível propensão marginal a consumir da renda e pela riqueza real dos indi víduos Quanto maior a riqueza dos indivíduos maior será o consumo Consideraremos também que a oferta real de moeda faça parte da riqueza do indi víduo desta forma a variação da oferta real de moeda impacta tanto na posição da LM como da IS Suponhamos agora uma redução do nível de preços na economia Qual seria o im pacto de uma deflação na condição de equilíbrio apresentada no modelo ISLM Podemos responder esta questão analisando o gráfico apresentado na f igura a seguir 2 Figura Efeito pigou supondo queda no nível de preços Fonte adaptada de Lopes e Vasconcellos 2000 228 Partindo do ponto de equilíbrio inicial E1 a redução do nível geral de preços na econo mia primeiramente leva ao aumento na oferta real de moeda deslocando a curva LM1 para a direita indo para LM2 No entanto o aumento de saldos reais ampliará a riqueza dos indivíduos impactando no aumento do consumo autônomo e também no nível de investimentos dado que a taxa de juros real reduziu Desta forma a curva IS também se desloca para a direita e o equilíbrio da economia ocorrerá no ponto E2 a uma taxa de juros e nível de produto de equilíbrio mais elevados r2 y2 ampliando o impacto expansionista da queda dos preços Mas o que aconteceria no caso de aumento do nível de preços Partindo de uma si tuação inicial de equilíbrio ponto E1 o aumento do nível geral de preços na economia primeiramente leva a uma redução real da oferta de moeda na economia deslocando a curva LM agora para cima e para a esquerda O aumento do nível geral de preços faz com os salários reais reduzamse e também a riqueza real do indivíduo decorrente da perda do poder de compra da moeda ocasionada pela inflação Isto impacta no consu mo autônomo e também no nível de investimentos que se reduzirá visto que a taxa de juros real aumentou Desta forma a curva IS também deslocase para a esquerda e o equilíbrio da economia ocorrerá em um ponto com uma taxa de juros e nível de produto de equilíbrio mais baixos do que o encontrado no equilíbrio inicial Fonte Lopes e Vasconcellos 2000 229 1 O multiplicador da renda keynesiano representa o montante pelo qual a produção varia quando a demanda agregada autônoma aumenta em uma unidade Um au mento na propensão marginal a consumir deste multiplicador tende a gerar a Aumento no multiplicador e fazer uma dada variação nas despesas de gover no ter impacto menor na produção de equilíbrio b Aumento no multiplicador e fazer uma dada variação nas despesas de gover no ter impacto maior na produção de equilíbrio c Redução no multiplicador e fazer uma dada variação nas despesas de gover no ter impacto menor na produção de equilíbrio d Redução no multiplicador e fazer uma dada variação nas despesas de gover no ter impacto maior na produção de equilíbrio e O multiplicador mantémse constante 2 Dado que a condição de equilíbrio no modelo keynesiano é dado pela igualdade entre a oferta agregada e a demanda agregada ou seja Y C I G X M Ao incluir as funções de cada variável neste modelo encontramos que a renda de equi líbrio é determinada pelo multiplicador keynesiano α e pelos gastos autônomos C0 I0 G0 X0 T0 Diante disto um aumento nos gastos do governo G0 gerará a Redução na produção e redução do multiplicador b Aumento na produção e aumento do multiplicador c Aumento na produção e nenhuma variação do multiplicador d Nenhuma variação do multiplicador e por conseguinte nenhuma variação na produção e Aumento na produção e redução variação do multiplicador 230 3 Partindo de uma posição de equilíbrio inicial no modelo IS LM o que acontece com a renda e a taxa de juros de equilíbrio se o governo adotar a política fiscal contracionista com o aumento dos impostos Leia as afirmativas e assinale a alternativa correta a A curva LM deslocase para a cima e para direita aumentando a renda e redu zindo a taxa de juros b A curva IS deslocase para cima e para a direita e tanto a taxa de juros como a renda elevamse c A curva IS deslocase para baixo e para a esquerda e tanto a taxa de juros como a renda reduzemse d A curva IS deslocase para baixo e para a esquerda a taxa de juros aumenta e a renda reduzemse e Com o aumento dos impostos tanto a curva IS como a LM deslocamse para a esquerda e para baixo reduzindo a taxa de juros e a renda 4 Vamos considerar o modelo ISLM com as seguintes hipóteses ausência dos casos clássico e da armadilha da liquidez e a curva IS é dada pelo modelo Keynesiano simplificado supondo que os investimentos não dependam da taxa de juros Com base nessas informações é correto afirmar que a o aumento nos investimentos autônomos reduz o produto b a política monetária contracionista reduz o produto c o aumento no consumo autônomo eleva o produto d a elevação nas exportações reduz as taxas de juros e a política fiscal expansionista reduz as taxas de juros mas eleva o produto 5 Considere o modelo keynesiano básico para a economia fechada e sem governo Admitindo que a economia esteja em equilíbrio a tal ponto que a elevação de 50 unidades monetárias no investimento provoca um aumento de 250 unidades monetárias no produto neste caso a A propensão marginal a consumir é de 08 b A propensão marginal a poupar é de 08 c O multiplicador da renda keynesiano é de 02 d O multiplicador da renda keynesiano é de 2 e A propensão média a consumir é de 08 Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Macroeconomia N Gregory Mankiw Editora LTC Edição 8ª Nova Edição 2014 SINOPSE Macroeconomia oferece uma análise das diferentes teorias econômicas sua relação com correntes políticas e consequências dos acontecimentos no mundo em curto prazo como o ciclo de negócios e as políticas de estabilização e longo prazo como o crescimento econômico a taxa natural de desemprego a persistência da inflação e os efeitos do endividamento do governo Com esse enfoque seu objetivo é em última instância ensinar ao leitor a aplicar os princípios econômicos as questões relativas aos mais variados contextos cenários e sistemas com uma linguagem acessível e objetiva Enfatizando o caráter empírico da disciplina a obra proporciona uma ampla gama de ferramentas de aprendizagem como estudos de caso gráficos notas matemáticas resumos dos capítulos conceitoschave questões para revisão problemas e aplicações todas atualizadas quanto aos últimos acontecimentos que impactaram a economia de alguma forma REFERÊNCIAS BLANCHARD O Macroeconomia ed 4 São Paulo Prentice Hall 2007 DORNBUSH R FISCHER S e STARTZ R Macroeconomia São Paulo McGrawHill do Brasil 2006 KEYNES J M A Teoria Geral do Emprego do Juro e da Moeda São Paulo Atlas 1992 LOPES L M VASCONCELLOS M A S Manual de Macroeconomia Básico e Inter mediário São Paulo Atlas 2000 MANKIW N G Macroeconomia ed 5 Rio de Janeiro LTC 2004 VASCONCELLOS M A S Economia Micro e Macro ed 5 São Paulo Atlas 2011 SILVA A C M org et al Escolas da Macroeconomia Conselho Regional de Eco nomia 1ª região 1 ed Rio de Janeiro Albatroz 2015 REFERÊNCIA ONLINE 1 Em httpwwwindependentcouknewsbusinessanalysisandfeaturesjohn maynardkeynesnewbiographyrevealsshockingdetailsabouttheeconomists sexlife10101971html Acesso em 19 fev 2018 REFERÊNCIAS GABARITO 233 1 B 2 C 3 C 4 C 5 A GABARITO CONCLUSÃO Caro a aluno a este material foi desenvolvido com objetivo de ajudar na sua for mação profissional visto que saber avaliar os efeitos das variáveis macroeconômi cas sobre os agentes econômicos famílias empresas governo buscando entender a relação de causa e efeito entre as variáveis é a base para a formulação de políticas e estratégias empresariais Na Unidade I aprendemos sobre os principais fundamentos da teoria macroeconô mica que busca explicar o comportamento da economia como um todo como se dá o aumento do produto da renda e do emprego ao longo de um determinado pe ríodo de tempo Estudamos as diferentes correntes teóricas que dão base à formu lação de políticas macroeconômicas e sua evolução histórica Aprendemos como é calculada a formação da Renda Nacional ou Produto Interno Bruto e a construção do Balanço de Pagamentos As Unidades II e III estão centradas na dinâmica do Sistema Monetário Nacional como são formadas a oferta e a demanda por moeda e sua relação com a taxa de ju ros da economia Na Unidade IV estudamos o modelo clássico de determinação da oferta e demanda agregada de bens e serviços na economia Vimos como o merca do de bens e serviços equilibrase determinando a taxa de juros real da economia Por fim na Unidade V aprendemos os princípios base da teoria keynesiana de deter minação da renda dos juros e do emprego Vimos que uma das principais divergên cias com a teoria clássica está baseada no princípio da demanda efetiva em que é a demanda agregada que determina o nível de produção e emprego na economia e não apenas uma função de produção baseada no pleno emprego dos fatores Admi tese equilíbrio macroeconômico com desemprego Também aprendemos sobre o modelo ISLM que utiliza tanto os postulados da teoria keynesiana como da teoria clássica para explicar como é determinado o equilíbrio simultâneo do lado real e monetário de nossa economia e qual a taxa de juros e nível de produto que equili bra estes dois mercados CONCLUSÃO