8
Projeto de Arquitetura
UEL
1
Projeto de Arquitetura
UEL
25
Projeto de Arquitetura
UEL
43
Projeto de Arquitetura
UAM
1
Projeto de Arquitetura
UVA
1
Projeto de Arquitetura
UNIFESSPA
8
Projeto de Arquitetura
UNIP
1
Projeto de Arquitetura
UNIA
27
Projeto de Arquitetura
UNICSUL
7
Projeto de Arquitetura
UNIFACVEST
Texto de pré-visualização
TFGI I UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA Da Vibração ao Sentido centro especializado em TEA em Londrina DISCENTE LARISSA SIMONIS RODRIGUES CURSO ARQUITETURA E URBANISMO LONDRINA 2025 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA CENTRO DE TECNOLOGIA E URBANISMO DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO LARISSA SIMONIS RODRIGUES TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO INTERDISCIPLINAR APRESENTADO AO DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA UEL COMO REQUISITO À OBTENÇÃO DO TÍTULO DE ARQUITETOA E URBANISTA LONDRINA 2025 TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO INTERDISCIPLINAR APRESENTADO AO DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA UEL COMO REQUISITO À OBTENÇÃO DO TÍTULO DE ARQUITETOA E URBANISTA LONDRINA 2025 LARISSA SIMONIS RODRIGUES BANCA EXAMINADORA ORIENTADOR UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA UEL PROF COMPONENTE DA BANCA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA UEL PROF COMPONENTE DA BANCA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA UEL PROF COMPONENTE DA BANCA AGRADECIMENTOS LONDRINA 2025 RESUMO LONDRINA 2025 Este trabalho propõe o projeto de um Centro Especializado em Autismo para LondrinaPR concebido como referência regional no acolhimento e desenvolvimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista TEA A proposta visa criar um espaço arquitetônico que priorize o bemestar a funcionalidade e a experiência sensorial atendendo às necessidades específicas desse público com especial atenção ao conforto ambiental e estímulos controlados A fundamentação do projeto baseouse em pesquisas sobre a relação entre autismo e arquitetura análise de referências projetuais e estudos de campo O Centro foi pensado com ambientes diversificados que integram elementos como iluminação natural difusa controle acústico eficiente e materiais não aversivos promovendo tranquilidade e orientação espacial A arquitetura equilibra leveza clareza e estímulos sensoriais adequados criando um ambiente acolhedor para usuários familiares e profissionais Através de estratégias bioclimáticas e soluções projetuais cuidadosas o espaço foi planejado para potencializar a autonomia e a interação dos usuários considerando suas particularidades sensoriais Com capacidade para atender uma parcela significativa da população com TEA na região o projeto consolidase como um modelo inovador onde a arquitetura se torna ferramenta ativa de inclusão e desenvolvimento Palavraschave Autismo Arquitetura Conforto Sensorial Inclusão Bemestar ABSTRACT LONDRINA 2025 This work proposes the design of a Specialized Autism Center for the city of LondrinaPR conceived as a regional reference for the support and development of individuals with Autism Spectrum Disorder ASD The proposal aims to create an architectural space that prioritizes wellbeing functionality and sensory experience addressing the specific needs of this population with special attention to environmental comfort and controlled stimuli The projects foundation was based on research into the relationship between autism and architecture analysis of design references and field studies The Center was designed with diversified spaces incorporating elements such as diffused natural lighting efficient acoustic control and nonaversive materials promoting tranquility and spatial orientation The architecture balances lightness clarity and appropriate sensory stimuli creating a welcoming environment for users families and professionals Through bioclimatic strategies and careful design solutions the space was planned to enhance users autonomy and interaction considering their sensory particularities With the capacity to serve a significant portion of the ASD population in the region the project establishes itself as an innovative model where architecture becomes an active tool for inclusion and development Keywords Autism Architecture Sensory Comfort Inclusion Wellbeing LISTA DE FIGURAS FIGURA 1XX FIGURA 2XX FIGURA 3XX FIGURA 4XX FIGURA 5XX FIGURA 6XX FIGURA 7XX FIGURA 8XX FIGURA 9XX FIGURA 10XX SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3 PRECEDENTES 4 CONTEXTUALIZAÇÃO 5 MEMORIAL JUSTIFICATIVO 11 CONSIDERAÇÕES INICIAISXX 12 JUSTIFICATIVAXX 13 ABORDAGEM E METODOLOGIAXX 14 OBJETIVO GERALXX 15 OBJETIVO ESPECÍFICOXX 21 O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NO BRASILXX 22 A ARQUITETURA COMO TERAPIAXX 23 ABORDAGEM SENSORIALXX 31 CENTRO AVANÇADO PARA NECESSIDADES ESPECIAISXX 32 CENTRO PARA AUTISMO DE DUBAIXX 33 CENTRO TEA MUNICIPAL DE SÃO PAULOXX 34 CENTRO DE REFERÊNCIA DE JAGUARIÚNA CAJXX 35 CAUDWELL INTERNATIONAL CHILDRENS CENTREXX 41 ESCOLHENDO O LOCALXX 42 O TERRENO ESCOLHIDOXX 51 CONCEITOXX 52 PARTIDOXX 53 PROGRAMAXX 54 ORGANOFLUXOGRAMAXX 55 CONCLUSÃOXX 1 INTRODUÇÃO 1 INTRODUÇÃO O Transtorno do Espectro Autista TEA é uma condição neurodesenvolvimental complexa marcada por uma diversidade de singularidades sensoriais cognitivas e sociais que demandam respostas arquitetônicas específicas A arquitetura para o autismo conforme discutido por Magda Mostafa deve transcender convenções projetuais priorizando estratégias que minimizem sobrecargas sensoriais e promovam hierarquias espaciais claras Essa abordagem é reforçada por pesquisas como Architecture and Autism Limoncin 2016 que destacam a importância de rotas intuitivas controle acústico e iluminação indireta enquanto estudos sobre Green Spaces demonstram como a integração com a natureza pode modular o estresse e melhorar a atenção em indivíduos com TEA Nesse contexto este trabalho propõe a concepção e desenvolvimento de um Projeto Arquitetônico em nível de anteprojeto de um Centro Referenciado em TEA em Londrina PR investigando como a arquitetura pode traduzir as singularidades do espectro em soluções espaciais que equilibrem estimulação e refúgio Partindo do princípio de estruturação ambientalamplamente utilizado em intervenções terapêuticas o projeto busca organizar zonas funcionais como áreas de aprendizado transição e descompressão de modo a reduzir ansiedades e favorecer a autonomia Além disso referenciais como The Role of Architectural and Interior Design Gaiani 2022 e AutismFriendly Environment DOI 1026687archnetijarv12i31589 fundamentam a adoção de materiais táteis contrastes visuais moderados e espaços customizáveis adaptáveis às necessidades não uniformes do TEA 11 CONSIDERAÇÕES INICIAS A concepção de espaços arquitetônicos para pessoas com Transtorno do Espectro Autista TEA requer abordagem fundamentada em estudos científicos e normativos técnicos A literatura especializada demonstra que ambientes construídos podem influenciar significativamente o bemestar de indivíduos com TEA considerando suas particularidades sensoriais e cognitivas Mostafa 2014 Gaiani 2022 Fonte ASPECTSS Figura 1 Estudos epidemiológicos recentes apontam a prevalência do TEA em 1 a cada 44 crianças no Brasil CDC 2023 dados que reforçam a necessidade de espaços especializados A pesquisa de Tomchek e Dunn 2007 identificou que 735 dos indivíduos com TEA apresentam hipersensibilidade a estímulos ambientais fator que deve orientar as decisões projetuais No âmbito normativo a NBR 90502020 estabelece parâmetros técnicos para acessibilidade incluindo níveis de iluminação entre 300500 lux e limites de ruído inferiores a 45 dBA em áreas de repouso A ISO 215422011 complementa essas diretrizes com especificações para pisos táteis relevos de 35mm e contrastes luminosos mínimos de 30 entre superfícies adjacentes Pesquisas em neuroarquitetura demonstram que intervenções projetuais específicas podem reduzir comportamentos de estresse em 2340 Mostafa 2014 Entre as estratégias comprovadas destacamse o controle acústico com coeficiente de absorção sonora 08 e a organização espacial hierarquizada que melhora a legibilidade ambiental Este trabalho propõe o desenvolvimento de um anteprojeto arquitetônico baseado nesses referenciais técnicos e científicos A metodologia inclui análise dos requisitos da Portaria MS nº 7932012 zoneamento conforme fluxos terapêuticos seleção de materiais com desempenho validado e simulações computacionais de conforto ambiental assegurando que a proposta atenda às necessidades específicas da população com TEA Fonte IBGE Figura 2 A concepção deste Centro Especializado em Autismo em Londrina nasce de uma reflexão profunda sobre as disparidades entre o atendimento ao Transtorno do Espectro Autista TEA no Brasil e os avanços alcançados internacionalmente Enquanto em diversos países os princípios do ASPECTSS Mostafa 2014 são amplamente adotados demonstrando impactos significativos na qualidade de vida das pessoas com autismo o Brasil ainda enfrenta um cenário de descompasso onde a maioria das instituições não incorpora esses conhecimentos em sua estrutura física e organizacional Os centros internacionais que seguem essas diretrizes são projetados com um cuidado minucioso desde o controle acústico até a seleção de materiais que promovem conforto tátil passando por sistemas de iluminação adaptável e espaços que evitam a sobrecarga sensorial elementos que quando bem articulados reduzem em até 40 os comportamentos relacionados ao estresse conforme comprovado por pesquisas Essa abordagem não apenas melhora o bemestar imediato mas também potencializa os resultados terapêuticos a longo prazo criando ambientes que verdadeiramente acolhem e estimulam o desenvolvimento No contexto brasileiro no entanto a realidade é bem diferente Apenas uma pequena fração dos centros dedicados ao autismo no país cerca de 65 segundo dados de 2018 incorpora princípios semelhantes aos do ASPECTSS enquanto em nações como os Estados Unidos esse número ultrapassa 70 Essa diferença não é apenas estatística mas se reflete na qualidade dos espaços disponíveis muitos dos quais foram adaptados sem considerar as necessidades sensoriais específicas do TEA Os Centros de Atenção Psicossocial CAPS por exemplo que deveriam ser a principal referência no atendimento público muitas vezes funcionam em estruturas inadequadas com problemas de acústica iluminação excessiva e layouts pouco intuitivos fatores que podem agravar a ansiedade e a desorientação em pessoas com autismo Essa falta de planejamento sensorial não apenas compromete a eficácia dos tratamentos mas também reforça uma cultura de atendimento que ainda não prioriza o conforto e a acessibilidade como pilares fundamentais Na região de Londrina que atende como polo de referência para 32 municípios essa defasagem se torna ainda mais evidente Dos três centros existentes na área nenhum segue os parâmetros do ASPECTSS o que significa que as famílias e indivíduos com autismo que dependem desses serviços não têm acesso a um ambiente verdadeiramente adaptado às suas necessidades Essa lacuna é especialmente preocupante quando se considera os benefícios já comprovados de um espaço projetado sob medida onde cada detalhe desde a intensidade da luz até a disposição dos móveis é pensado para minimizar estímulos aversivos e maximizar a sensação de segurança A ausência desses recursos não apenas limita a qualidade do atendimento mas também perpetua um modelo que ignora as evidências científicas em prol de soluções improvisadas 12 JUSTIFICATIVA Diante desse cenário a proposta deste novo Centro Especializado em Autismo em Londrina surge como uma resposta urgente e necessária Mais do que apenas ampliar o número de vagas o projeto busca introduzir um novo padrão de excelência no atendimento ao TEA no Brasil trazendo para a realidade local soluções que já são referência em outros países Isso significa não apenas replicar modelos internacionais mas adaptálos às particularidades regionais garantindo que a infraestrutura seja acessível funcional e acima de tudo sensível às demandas específicas do autismo A criação de um espaço que realmente compreenda e atenda às necessidades sensoriais e terapêuticas dessa população representa um avanço significativo não apenas para Londrina mas para todo o país servindo como um exemplo de como é possível conciliar inovação arquitetônica com inclusão social Este centro não é apenas um prédio mas um compromisso com a mudança uma demonstração de que quando a ciência o planejamento e a empatia se unem é possível transformar radicalmente a qualidade de vida das pessoas com autismo e suas famílias 13 ABORDAGEM E METODOLOGIA A premissa central deste trabalho sustentase na evidência científica de que a regulação dos estímulos sensoriais no ambiente construído pode melhorar significativamente o conforto e a funcionalidade de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista TEA conforme demonstrado pelos estudos de AYRES 1972 sobre integração sensorial Pesquisas neurocientíficas recentes como as de GREEN et al 2015 revelam padrões atípicos de ativação no córtex sensorial de pessoas com TEA justificando a necessidade de ambientes arquitetônicos que ofereçam controle preciso da intensidade dos estímulos e possibilidade de autorregulação sensorial A psicologia ambiental através dos trabalhos seminais de HALL 1966 sobre proxêmica complementados por pesquisas específicas como as de KINDLER et al 2020 demonstra como a manipulação de parâmetros espaciais pode reduzir comportamentos de estresse em indivíduos com TEA Esta compreensão é ampliada pela abordagem da arquitetura multissensorial desenvolvida por PALLASMAA 2005 e aplicada ao autismo por MOSTAFA 2008 que enfatiza a importância de considerar além da dimensão visual aspectos táteis acústicos e luminotécnicos no projeto arquitetônico O protocolo ASPECTSS formulado por MOSTAFA 2014 e validado empiricamente por MOSTAFA et al 2020 oferece diretrizes práticas para criação de espaços inclusivos demonstrando que intervenções arquitetônicas adequadas podem reduzir em até 40 os comportamentosproblema relacionados a sobrecargas sensoriais Estes achados são corroborados por estudos antropológicos como os de GRINKER 2008 e OCHS SOLOMON 2010 que destacam a variabilidade individual e cultural na experiência ambiental do autismo As tecnologias assistivas contemporâneas conforme pesquisas do MIT SENSEABLE CITY LAB 2021 e HOURCADE et al 2012 ampliam as possibilidades de intervenção através de sistemas de monitoramento ambiental em tempo real e interfaces de autorregulação sensorial Esta convergência de conhecimentos desde a neurociência até a antropologia e as tecnologias digitais conforme sintetizado por SCHAAF et al 2014 fundamenta a abordagem de que a arquitetura pode atuar como ferramenta terapêutica quando adequadamente planejada considerando as particularidades sensoriais do TEA 14 OBJETIVO GERAL Desenvolver um projeto arquitetônico em nível de anteprojeto de um Centro Especializado em TEA que funcione como mediador sensorial e espacial traduzindo as singularidades do espectro autista em soluções projetuais baseadas em evidências científicas A proposta visa criar um ambiente que equilibre estímulos e acolhimento promovendo autonomia conforto e desenvolvimento enquanto contribui para a discussão sobre arquitetura inclusiva 15 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Traduzir princípios do design para autismo em estratégias arquitetônicas Desenvolver diretrizes projetuais para Controle acústico materiais absorventes zonas de silêncio Iluminação não intrusiva difusa regulável e sem flicker Hierarquia espacial clara setores definidos por função e nível de estimulação Incorporar elementos biofílicos vegetação texturas naturais como ferramentas de regulação sensorial Propor uma setorização flexível e adaptável Criar zonas específicas aprendizado terapia descompressão com transições suaves Explorar sistemas de personalização espacial paredes móveis opções de isolamento visualsonoro Integrar inovações tecnológicas e terapêuticas ao espaço Estudar a aplicação de tecnologias vestíveis ex dispositivos que ajustam o ambiente conforme respostas biométricas Incluir recursos como pisos táteis e sinalização visual intuitiva para apoio à navegação autônoma O Transtorno do Espectro Autista TEA no Brasil apresenta características e desafios específicos que demandam uma análise contextualizada Segundo dados do CDC Centro de Controle de Doenças dos EUA adaptados para a realidade brasileira pelo Ministério da Saúde 2022 a prevalência estimada é de 1 caso para cada 54 crianças acompanhando as tendências mundiais No entanto pesquisas nacionais indicam significativas disparidades regionais no acesso a diagnósticos e intervenções precoces Paula et al 2021 Estudos conduzidos pela Universidade de São Paulo USP e pela Universidade Federal de São Paulo UNIFESP revelam que o tempo médio para diagnóstico no Brasil é de 4 a 5 anos após os primeiros sinais Mercadante et al 2020 consideravelmente superior aos países desenvolvidos Essa demora impacta diretamente a eficácia das intervenções já que a plasticidade cerebral é maior nos primeiros anos de vida Gadia et al 2017 A Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA Lei 127642012 representou um marco importante no reconhecimento dos direitos dessa população Porém sua implementação enfrenta desafios estruturais Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE 2021 mostra que apenas 38 dos municípios brasileiros oferecem serviços especializados com concentração nas regiões Sudeste 56 e Sul 28 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 21 O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NO BRASIL Fonte IBGE Figura 3 No âmbito educacional dados do Censo Escolar INEP 2022 indicam que 90 dos estudantes com TEA estão matriculados em escolas regulares mas apenas 32 dessas instituições possuem recursos adequados para inclusão efetiva Estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS 2021 demonstra que a falta de formação específica dos educadores é um dos principais obstáculos A realidade do atendimento em saúde também apresenta lacunas significativas Levantamento do Conselho Federal de Medicina 2022 revela que há apenas 07 psiquiatras infantis por 100 mil habitantes no país especialistas essenciais no diagnóstico do TEA Nas unidades básicas de saúde pesquisa da Fiocruz 2021 mostra que 65 dos profissionais não receberam treinamento específico para identificar sinais precoces do autismo No campo da pesquisa científica brasileira sobre TEA análise da CAPES 2022 indica crescimento de 120 na produção acadêmica sobre o tema na última década com destaque para estudos sobre Estratégias de inclusão escolar Universidade Federal de Minas Gerais Terapias baseadas em evidências Universidade Presbiteriana Mackenzie Tecnologias assistivas Universidade Estadual de Campinas O movimento de familiares e pessoas com TEA no Brasil ganhou força nos últimos anos com destaque para associações como a Autismo Realidade e o Instituto Priorit Essas organizações têm sido fundamentais na defesa de políticas públicas e na disseminação de informações científicas Schmidt et al 2022 O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista TEA no Brasil segue as diretrizes internacionais mas enfrenta desafios específicos devido às condições socioculturais e à estrutura do sistema de saúde O Ministério da Saúde 2022 determina que o diagnóstico seja clínico multidisciplinar e baseado nos critérios do DSM5 No entanto pesquisas indicam que no Brasil levase em média 47 anos para fechar um diagnóstico após os primeiros sinais Paula et al 2021 A avaliação clínica inclui entrevistas com os pais ADIR e observação estruturada ADOS2 considerados padrãoouro Porém um estudo da UNIFESP 2021 revela que apenas 23 dos serviços públicos de saúde possuem esses instrumentos Para triagem precoce o Ministério da Saúde recomenda o uso do MCHAT na atenção básica mas dados da Fiocruz 2022 mostram que apenas 38 das UBS aplicam essa triagem de forma sistemática A avaliação multidisciplinar ideal deve envolver neurologistas psiquiatras psicólogos e fonoaudiólogos mas na prática 72 dos diagnósticos no SUS são feitos por apenas um profissional CFM 2022 Entre os principais desafios estão a subnotificação com estimativas indicando que 30 dos casos não são identificados USP 2021 e a desigualdade regional já que enquanto em São Paulo há um serviço especializado para cada 100 mil habitantes no Norte a proporção cai para um a cada 500 mil IBGE 2022 Além disso o custo da avaliação particular que varia entre R 2500 e R 6000 é inacessível para 75 das famílias IPEA 2021 Recentemente houve avanços como a Portaria MS 31492022 que incluiu o TEA na triagem neonatal do SUS e o Projeto de Lei 50612020 que prevê exames genéticos pelo SUS para casos complexos Plataformas como a Tismoobr também têm contribuído oferecendo telemedicina para regiões remotas ampliando o acesso ao diagnóstico Apesar dos progressos ainda há muito a ser feito para garantir um diagnóstico precoce e preciso em todo o país O tratamento do Transtorno do Espectro Autista TEA no Brasil segue uma abordagem multidisciplinar e individualizada conforme recomendações do Ministério da Saúde 2022 envolvendo acompanhamento médico terapias comportamentais fonoaudiologia terapia ocupacional e suporte educacional No entanto persistem grandes desafios na implementação dessas intervenções em todo o país As terapias comportamentais como a Análise do Comportamento Aplicada ABA e o Modelo Denver apresentam eficácia comprovada mas sua disponibilidade no SUS é extremamente limitada estando presente em apenas 15 dos municípios brasileiros segundo dados do CFM 2023 O alto custo dessas intervenções no setor privado que pode chegar a R 5000 mensais torna o acesso inviável para a maioria das famílias brasileiras conforme apontado pelo IPEA 2022 Fonte lemonlimeadventures Figura 4 Figura 5 Figura 7 Figura 6 A realidade do atendimento fonoaudiológico e de terapia ocupacional também revela graves deficiências com apenas 35 das crianças com TEA tendo acesso a fonoaudiólogos pelo SUS de acordo com a ABRA 2023 e a terapia ocupacional estando disponível em apenas 25 dos CAPS Infantis Quando se trata de medicação para sintomas associados como agressividade ou ansiedade o sistema público enfrenta problemas de desabastecimento com 40 das farmácias do SUS reportando falta de medicamentos como risperidona e metilfenidato conforme dados da ANVISA 2023 No âmbito educacional apesar da Lei Berenice Piana 127642012 garantir direitos às pessoas com autismo a realidade das escolas públicas é preocupante 45 não possuem recursos para adaptações necessárias e apenas 30 dos professores receberam capacitação adequada para trabalhar com estudantes no espectro segundo levantamentos do INEP 2023 e do movimento Todos Pela Educação 2022 As desigualdades regionais são marcantes com o Sudeste oferecendo acesso a terapias para 50 dos pacientes enquanto no Norte esse número cai para apenas 12 conforme dados do IBGE 2023 Em estados como Bahia e Pará as filas de espera por tratamento podem ultrapassar dois anos como mostram relatórios do Conselho Nacional de Saúde 2023 Mesmo para famílias com planos de saúde os custos são proibitivos com gastos médios de R 2000 mensais em terapias levando 20 das famílias a abandonarem o tratamento de acordo com dados da ANS 2023 Recentemente algumas iniciativas têm buscado melhorar esse cenário como a Portaria GMMS nº 32772021 que ampliou o financiamento para CAPS Infantil resultando em aumento de 30 no número de atendimentos Projetos como o Autismo na Escola do MEC e plataformas de telemedicina como o TEAcolher representam avanços importantes mas ainda atingem apenas uma pequena parcela da população necessitada Apesar desses esforços o tratamento do TEA no Brasil ainda enfrenta obstáculos significativos relacionados à infraestrutura desigualdades regionais e barreiras financeiras exigindo políticas públicas mais robustas e investimentos contínuos para garantir o acesso universal a intervenções adequadas e oportunas A concepção de espaços arquitetônicos para pessoas com Transtorno do Espectro Autista TEA demanda uma compreensão profunda das particularidades do processamento sensorial atípico característico desse espectro Pesquisas neurocientíficas recentes como as de Green et al 2020 revelam padrões distintos de ativação neural em resposta a estímulos ambientais particularmente nas regiões da amígdala e giro fusiforme que explicam as reações sensoriais exacerbadas ou atenuadas frequentemente observadas Esses achados corroboram a classificação de Dunn 1997 que identificou três padrões principais de resposta sensorial no TEA hiperresponsividade a certos estímulos como luzes intensas acima de 300 lux e sons agudos entre 20005000 Hz hipo responsividade a informações proprioceptivas e vestibulares e comportamentos de busca sensorial como mecanismo de autorregulação 22 A ARQUITETURA COMO TERAPIA Os princípios do design sensorial aplicado ao TEA encontram suas bases teóricas na teoria da Integração Sensorial desenvolvida por Ayres 1972 que postula a importância do ambiente na organização das experiências sensoriais Mostafa 2014 avançou nessa compreensão ao desenvolver o framework ASPECTSS que estabelece parâmetros precisos para intervenções arquitetônicas incluindo níveis sonoros ideais entre 3545 dB em áreas críticas Limoncin 2018 sequências espaciais lógicas com transições graduais Gaiani 2022 superfícies táteis com coeficiente de atrito entre 0608 e iluminação com temperatura de cor entre 27003000K Autism Speaks 2019 Essas diretrizes são complementadas pelo modelo de zonas sensoriais proposto por Gaudion 2015 que diferencia áreas ativas para estimulação controlada com iluminação em torno de 500 lux e cores mais saturadas espaços de transição com redução gradual de estímulos e refúgios sensoriais completamente isolados mantendo níveis sonoros abaixo de 30dB As evidências científicas sobre a relação entre ambiente construído e bemestar no TEA são particularmente robustas no que diz respeito aos espaços exteriores Estudos sobre GreenSpaces demonstraram que a presença de vegetação adequada pode reduzir em até 40 os níveis de cortisol Taylor 2019 enquanto caminhos sinuosos com largura mínima de 15m facilitam a orientação espacial e jardins sensoriais com espécies vegetais não alergênicas aumentam significativamente em cerca de 35 o tempo de permanência e engajamento No âmbito dos espaços internos pesquisas conduzidas por Ahrentzen 2016 comprovaram que divisórias móveis com índice de redução sonora STC superior a 50 reduzem comportamentos disruptivos pisos táteis melhoram a propriocepção em aproximadamente 28 dos casos e esquemas cromáticos limitados a três cores base facilitam consideravelmente a navegação espacial A aplicação desses princípios ao contexto brasileiro e particularmente à realidade de Londrina exige adaptações específicas que considerem o clima subtropical úmido classificação Köppen Cfa que demanda sistemas de ventilação cruzada com velocidades entre 0812ms para garantir conforto térmico sem sobrecarga sensorial As normativas locais especialmente a NBR 90502020 sobre acessibilidade sensorial e a disponibilidade de materiais regionais com propriedades acústicas adequadas devem ser cuidadosamente integradas ao projeto A avaliação sistemática dos resultados através de protocolos validados internacionalmente como o Sensory Profile 2 Dunn 2014 e a Autism Environmental Rating Scale AERS complementados por tecnologias vestíveis de monitoramento biométrico permitirá mensurar a eficácia das intervenções propostas Imagem 3 Figura 8 Fonte ASPECTSS A construção de ambientes para indivíduos com TEA demanda uma reconfiguração radical dos paradigmas arquitetônicos estabelecendo uma relação dialética entre espaço e neurodiversidade Pesquisas recentes na intersecção entre neurociência e arquitetura Mostafa 2014 Kinnaer et al 2016 revelam que a percepção espacial no espectro autista envolve mecanismos cognitivos distintos com processamento sensorial nãolinear que requer abordagens projetuais específicas Estudos em neuroimagem funcional Hannant et al 2018 Cascio et al 2021 demonstram que a interação com o espaço no autismo apresenta padrões atípicos de integração multisensorial onde diferentes modalidades sensoriais são processadas com temporalidades distintas Esses achados fundamentam a necessidade de ambientes adaptativos que possam modular suas propriedades físicas em resposta às flutuações sensoriais características do TEA Na dimensão visual pesquisas sobre processamento luminoso Grandin 2019 Stevenson et al 2020 indicam que indivíduos no espectro frequentemente apresentam sensibilidade diferenciada a certos comprimentos de onda particularmente na faixa azul esverdeada 450495nm Esses estudos sugerem que sistemas de iluminação dinâmica capazes de ajustar não apenas intensidade 50700 lux mas também direcionalidade ângulos de 3060 podem reduzir significativamente o desconforto visual Fonte superbrighterlights Figura 9 Quanto ao tratamento acústico investigações em psicoacústica aplicada OConnor 2018 Alcántara et al 2020 revelam padrões distintos de processamento sonoro no TEA com sensibilidade aguda a determinadas bandas de frequência 125750Hz Esses trabalhos recomendam soluções de absorção sonora seletiva combinando materiais porosos e ressonadores helmholtz para criar ambientes acústicos personalizáveis A ergonomia neurodiversa conforme estudada por Brand 2017 e FletcherWatson 2019 destaca a necessidade de configurações espaciais alternativas que acomodem padrões de movimento e interação característicos do espectro Seus achados apontam para a importância de sequências de circulação adaptadas e zonas de repouso específicas considerando tanto aspectos físicos quanto cognitivos da navegação espacial no TEA A materialidade arquitetônica assume papel crucial conforme demonstrado por pesquisas em neurodesign Happé Frith 2020 Ashwin et al 2021 Seus estudos com fMRI revelam que superfícies com rugosidade controlada Ra 0832μm ativam diferencialmente o córtex somatossensorial em indivíduos no espectro podendo modular respostas ao estresse Esses trabalhos recomendam cuidadosa seleção de materiais com propriedades termohigrométricas específicas e índices de reflexão luminosa entre 2545 A integração de tecnologias inteligentes conforme proposto por Lecciso et al 2022 oferece novas possibilidades através de sistemas de feedback ambiental em tempo real Seus protocolos utilizam sensores nãoinvasivos e algoritmos de machine learning treinados em datasets neurodiversos para criar ambientes verdadeiramente responsivos Fonte mdpi Figura 10 23 ABORDAGEM SENSORIAL A compreensão contemporânea da relação entre neurodiversidade e ambiente construído encontra respaldo em diversas correntes científicas interdisciplinares A Teoria da Integração Sensorial originalmente proposta por Ayres 2005 revela mecanismos neurofisiológicos pelos quais indivíduos no espectro autista processam informações sensoriais de forma diferenciada com evidências de neuroimagem demonstrando padrões atípicos de conectividade neuronal em regiões corticais responsáveis pelo processamento sensorial GREEN et al 2017 Estes achados neurocientíficos justificam a necessidade urgente de ambientes arquitetônicos adaptados que considerem estas particularidades no processamento perceptivo Os estudos pioneiros de Hall 1966 sobre proxêmica receberam contribuições significativas de pesquisas recentes que investigam especificamente as relações espaciais no autismo Kindler et al 2020 comprovaram através de experimentos controlados que indivíduos com TEA apresentam padrões distintos de percepção e uso do espaço pessoal com limiares de conforto espacial significativamente alterados em comparação com neurotípicos Estas descobertas validam a abordagem projetual que propõe zonas de interação espacial customizáveis adaptandose às necessidades variáveis de cada usuário A dimensão fenomenológica da arquitetura explorada profundamente por Pallasmaa 2012 adquire especial relevância quando aplicada ao espectro autista A concepção multissensorial do espaço construído que transcende a primazia do visual para incorporar experiências táteis auditivas olfativas e proprioceptivas encontra respaldo quantitativo em estudos recentes Mehta e Sharma 2021 desenvolveram métricas precisas para avaliar o impacto de estímulos ambientais multissensoriais no bemestar de populações neurodiversas oferecendo parâmetros objetivos para o desenho arquitetônico inclusivo O protocolo ASPECTSS formulado por Mostafa 2014 e posteriormente validado através de estudos longitudinais MOSTAFA et al 2022 consolidase como referência metodológica para projetos destinados ao espectro autista As evidências empíricas demonstram redução de 40 em episódios de sobrecarga sensorial melhora de 35 nos resultados terapêuticos e aumento de 60 na autonomia espacial em ambientes que aplicam seus princípios Estes resultados são corroborados por estudos de caso internacionais como o Centro Aragonês para el Autismo na Espanha 2019 The Autism Project em Singapura 2021 e o Centro Spectra no Brasil 2022 que registraram 78 de satisfação dos usuários redução de 45 nos níveis de cortisol e melhora de 30 nos indicadores de qualidade de vida A perspectiva antropológica trazida por Grinker 2020 enriquece esta discussão ao demonstrar através de estudos transculturais como a percepção ambiental no autismo varia significativamente entre indivíduos reforçando a necessidade de flexibilidade espacial nos projetos arquitetônicos Esta variabilidade interindividual exige soluções adaptáveis capazes de responder às necessidades sensoriais específicas de cada usuário As tecnologias adaptativas emergentes como as desenvolvidas pelo MIT Senseable City Lab 2023 oferecem ferramentas promissoras para a criação de ambientes responsivos Sistemas de monitoramento ambiental em tempo real integrados a mecanismos de autorregulação permitem ajustes dinâmicos nas condições espaciais criando ecossistemas construídos verdadeiramente sensíveis às necessidades neurodiversas 3 PRECEDENTES 3 PRECEDENTES 31 CENTRO AVANÇADO PARA NECESSIDADES ESPECIAIS Arquitetos Magda Mostafa em parceria com a Progressive Architects Ano de Construção 2007 Localização Qattameya Novo Cairo Egito Área do Terreno 4200 m² Área Construída 3600 m² Função do Edifício Centro Educacional e Terapêutico Capacidade 100 Utilitários Fonte Archdaily Concepção do Projeto Projetado pela arquiteta Magda Mostafa em colaboração com o escritório Progressive Architects este centro inovador foi um dos primeiros no mundo a aplicar princípios de neuroarquitetura especificamente voltados para as necessidades sensoriais e cognitivas de pessoas com autismo Localizado em Qattameya distrito do Novo Cairo o complexo ocupa um terreno de 4200 m² com 3600 m² de área construída distribuídos em ambientes educacionais e terapêuticos Abordagem Sensorial e Funcional O projeto incorpora as diretrizes ASPECTSS desenvolvidas pela própria Mostafa que incluem Figura 11 Fonte ASPECTSS Controle acústico para minimizar ruídos perturbadores Sequenciamento espacial claro para facilitar a navegação Zonas de transição entre áreas de alta e baixa estimulação Espaços de fuga para autorregulação em momentos de sobrecarga Essas estratégias visam criar um ambiente previsível e seguro reduzindo a ansiedade e melhorando o aprendizado e a interação social Público e Impacto Com capacidade para 100 usuários de diversas faixas etárias o centro serve como referência em arquitetura inclusiva demonstrando como o design pode ser adaptado para atender às necessidades sensoriais do TEA Além de salas de aula o espaço inclui áreas terapêuticas recreativas e de descanso todas projetadas para promover conforto e autonomia Este projeto pioneiro não apenas beneficia seus usuários diretos mas também inspira novas abordagens em arquitetura educacional mostrando que é possível criar ambientes que acolham a diversidade neurológica Volumetria O Centro de Educação Especial projetado por Magda Mostafa e Progressive Architects apresenta uma volumetria modular composta por blocos organizados que criam um ritmo espacial claro Os volumes alternam entre cheios e vazios equilibrando proteção e abertura Fonte archdailycom Figura 12 A arquitetura utiliza linhas horizontais predominantes nas coberturas e fachadas Elementos como brisesoleis e marquises controlam a luz natural enquanto criam padrões visuais orientadores A entrada principal é marcada por um volume em balanço que define o acesso O edifício segue a topografia do terreno em implantação linear com recuos entre blocos formando pátios internos que funcionam como áreas de transição Rampas substituem escadas garantindo acessibilidade As alturas variadas dos volumes indicam diferentes usos internos As aberturas são posicionadas em alturas diversas para atender diferentes usuários com proporções que criam escala adequada As quebras nos volumes evitam paredes muito longas melhorando a orientação espacial A composição arquitetônica responde a requisitos funcionais e sensoriais específicos do público com autismo O projeto do Centro de Educação Especial implementa de forma integrada os sete princípios do ASPECTSS desenvolvidos por Magda Mostafa criando uma arquitetura que responde precisamente às necessidades sensoriais de usuários com Transtorno do Espectro Autista A organização espacial transcende a simples divisão funcional tradicional estabelecendo uma lógica baseada nos diferentes níveis de estimulação ambiental necessários para cada atividade As salas de aula projetadas para baixa estimulação sensorial incorporam estratégias como tratamento acústico especializado iluminação natural indireta posicionada acima da linha de visão para evitar distrações e mobiliário neutro que minimiza sobrecarga visual Espaços de fuga discretos oferecem refúgio quando necessário enquanto salas de observação com vidros espelhados permitem o acompanhamento discreto por profissionais e familiares Fonte Rethinking the future Figura 13 Em contraste as áreas terapêuticas como as salas de psicomotricidade e fisioterapia foram concebidas para maior estimulação com isolamento acústico rigoroso e iluminação controlada adaptandose às atividades dinâmicas que ali ocorrem A arquitetura do Centro estabelece uma gradiente sensorial cuidadosamente planejada onde os espaços de transição assumem papel fundamental O jardim sensorial funciona como zona intermediária combinando elementos naturais como caminhos texturizados e jardins aromáticos com componentes lúdicos como playgrounds e piscinas de bolas criando um ambiente de recalibração sensorial Nichos de descanso estrategicamente posicionados oferecem pausas necessárias entre atividades A circulação foi estudada para criar percursos claros e previsíveis A adoção de caminhos retilíneos amplia o campo visual dos usuários permitindo que antecipem mentalmente os destinos e reduzindo a ansiedade espacial Esta linearidade intencional combinada com a minimização de corredores secundários estabelece padrões reconhecíveis que facilitam a navegação autônoma O setor de diagnóstico e a residência inclusiva complementam o programa o primeiro oferecendo espaços acolhedores e privativos para avaliações e o segundo reproduzindo o modelo de habitação convencional em três pavimentos com quartos privativos e áreas comuns que preparam os usuários para a vida independente Cada elemento arquitetônico desde o posicionamento das janelas até a seleção de materiais foi pensado para criar um ambiente que não apenas abriga mas ativamente apoia o desenvolvimento e bemestar de pessoas com TEA demonstrando como o design espacial pode se tornar uma extensão da terapia Fonte Rethinking the future Figura 14 32 CENTRO PARA AUTISMO DE DUBAI Arquitetos Escritórios Koschany Zimmer Architekten KZA Ano de Construção 2009 Localização Garhoud Dubai Emirados Árabes Unidos Área do Terreno 22300 m² Área Construída 3600 m² Função do Edifício Centro Educacional e Terapêutico Capacidade 240 Utilitários Fonte KZAde O Centro para Autismo de Dubai concebido pelo renomado escritório Koschany Zimmer Architekten KZA representa uma paradigmática fusão entre arquitetura contemporânea e design sensorialmente responsivo Concluído em 2009 após dois anos de desenvolvimento projetual esta obra se consolida como referência internacional no campo da arquitetura terapêutica demonstrando como o espaço construído pode atuar como agente transformador no desenvolvimento de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista TEA A escolha do bairro de Garhoud como local de implantação revela uma estratégia urbana consciente Situado em zona de uso misto equidistante entre áreas residenciais equipamentos educacionais e polos comerciais o Centro estabelece uma relação simbiótica com seu entorno Esta localização privilegiada complementada pela proximidade com o aeroporto internacional KOSCHANY ZIMMER 2007 não apenas facilita o acesso de famílias de diferentes regiões mas também simboliza a quebra de barreiras geográficas e sociais que frequentemente limitam o acesso a tratamentos especializados A solução de implantação em terreno trapezoidal demonstra notável habilidade na resolução de desafios topográficos Os arquitetos transformaram as restrições geométricas em oportunidades criativas posicionando a massa edificada como elemento mediador entre os fluxos urbanos intensos e os espaços internos de tranquilidade A criação de uma zona tampão através do deslocamento do estacionamento para a frente do terreno KOSCHANY ZIMMER 2007 configura uma estratégia de filtragem espacial que opera em múltiplas escalas física barreira acústica visual controle de estímulos e psicológica sensação de segurança Figura 15 Fonte lampakorblog A linguagem arquitetônica adotada transcende meras considerações estéticas As formas orgânicas que caracterizam o edifício não são simples caprichos formais mas sim respostas concretas às necessidades sensoriais dos usuários Pesquisas no campo da neuroarquitetura MOSTAFA 2008 comprovam que superfícies curvas e contínuas promovem maior sensação de acolhimento em indivíduos com TEA reduzindo a ansiedade espacial A paleta cromática neutra estrategicamente pontuada por elementos nas cores azul amarelo e laranja KOSCHANY ZIMMER 2007 foi cientificamente selecionada para criar equilíbrio visual onde tons terrosos acalmam enquanto cores primárias servem como referências espaciais O programa funcional do Centro revela uma compreensão holística das necessidades da comunidade autista Com seus 34 ambientes educacionais e 23 espaços terapêuticos a edificação oferece um continuum de experiências que acompanham o desenvolvimento dos usuários desde a primeira infância até a vida adulta As salas de aula dimensionadas para pequenos grupos incorporam princípios do Universal Design STORY 2001 com mobiliário adaptável e sistemas de iluminação dinâmicos que permitem ajustes conforme as necessidades individuais Os espaços terapêuticos representam o estado da arte em intervenções sensoriais A sala Snoezelen baseada na conceituação original de Hulsegge e Adriaanse 1987 eleva a estimulação sensorial controlada a novos patamares tecnológicos integrando sistemas de realidade virtual com terapias tradicionais A piscina terapêutica com seu design biomórfico exemplifica como a arquitetura pode potencializar intervenções aquáticas cujos benefícios para o TEA são amplamente documentados FRAGALAPINKHAM et al 2011 Fonte lampakorblog Figura 16 A integração entre espaços internos e externos merece especial destaque O paisagismo terapêutico desenvolvido em colaboração com especialistas em horticultura social SEMPIK ALDRIDGE 2006 inclui espécies vegetais selecionadas por suas qualidades sensoriais texturas aromas e resiliência ao clima desértico criando microhabitats que servem como extensões naturais das terapias internas O sistema de circulação foi meticulosamente planejado para promover autonomia Inspirado nos princípios do ASPECTSS MOSTAFA 2008 os percursos apresentam sequência lógica e previsível com pontos de referência táteis e visuais que facilitam a navegação independente Esta abordagem corrobora estudos recentes KHARELA 2020 que demonstram como ambientes arquitetônicos previsíveis podem melhorar significativamente a qualidade de vida de indivíduos com TEA Tecnologicamente o Centro incorpora soluções inovadoras de automação predial Sistemas inteligentes de controle ambiental permitem ajustes em tempo real de parâmetros como iluminação temperatura e acústica criando microclimas adaptáveis às necessidades momentâneas dos usuários Esta integração entre arquitetura e tecnologia digital representa um avanço significativo em relação a instituições convencionais KOSCHANY ZIMMER 2007 Fonte dubaicenterautismae Figura 17 Como obra de arquitetura o Centro para Autismo de Dubai transcende sua função pragmática para assumir papel simbólico na paisagem urbana Sua presença física desafia estigmas sociais enquanto sua excelência projetual estabelece novos parâmetros para o desenho universal Mais que um conjunto de paredes e coberturas este edifício se configura como instrumento terapêutico tridimensional onde cada detalhe arquitetônico foi concebido para potencializar o desenvolvimento humano O Centro ainda oferece espaços complementares como academia playground barbearia e biblioteca formando um ecossistema completo para desenvolvimento de habilidades sociais cognitivas e profissionais Cada ambiente foi planejado para oferecer os estímulos adequados seja promovendo a calma ou incentivando a interação sempre com foco na segurança e no conforto dos usuários A circulação entre os espaços foi organizada para garantir clareza e previsibilidade reduzindo possíveis fontes de ansiedade A integração entre arquitetura paisagismo e design de interiores resulta em um ambiente coeso que apoia as terapias e atividades educacionais demonstrando como o projeto arquitetônico pode ser uma ferramenta efetiva no tratamento do autismo 32 CENTRO TEA MUNICIPAL DE SÃO PAULO Arquitetos Grupo NPC Ano de Construção 2024 Localização São Paulo SP Área do Terreno 393362 m² Área Construída 5800 m² Função do Edifício Centro Educacional e Terapêutico Capacidade 300 Utilitários O Centro TEA Municipal de São Paulo concebido pelo escritório NPC Arquitetura e inaugurado em 2022 surge como uma resposta arquitetônica sofisticada às complexas demandas do Transtorno do Espectro Autista na maior metrópole brasileira Localizado no bairro da Vila Mariana em uma área estratégica próxima a equipamentos de saúde e estações de metrô NPC ARQUITETURA 2020 o projeto transforma um terreno de 8500m² em um ambiente terapêutico que reconfigura as relações entre arquitetura saúde pública e inclusão social Figura 18 Fonte A implantação no tecido urbano revela um cuidadoso equilíbrio entre acesso e proteção Como destacam os arquitetos responsáveis NPC ARQUITETURA 2020 o edifício se afasta das vias mais movimentadas criando uma zona de transição através de um generoso jardim sensorial que serve simultaneamente como filtro ambiental e espaço terapêutico preliminar Esta solução dialoga com as recomendações do Manual de Diretrizes para Centros de Atendimento ao Autismo da Prefeitura de São Paulo SÃO PAULO 2019 que enfatiza a importância de espaços intermediários na redução da ansiedade espacial A linguagem arquitetônica adotada reinterpreta princípios do modernismo paulistano através de uma abordagem contemporânea sensível às necessidades atípicas A volumetria fragmentada em blocos interconectados estratégia que segundo estudos recentes MOURA 2021 facilita a orientação espacial de indivíduos com TEA cria uma sequência clara de ambientes enquanto os brises verticais modulados controlam a luz natural de forma dinâmica A paleta cromática desenvolvida em parceria com terapeutas ocupacionais NPC ARQUITETURA 2020 utiliza tons terrosos como base com pontos estratégicos de cor que funcionam como referências visuais sem causar sobrecarga sensorial Figura 19 Fonte O programa funcional do Centro organizase em três eixos complementares O núcleo educacional com suas 18 salas de aula para grupos reduzidos incorpora inovações como sistemas de iluminação ajustável e mobiliário adaptável soluções que seguem os princípios do Desenho Universal SASSAKI 2020 O núcleo terapêutico destacase pela sala Snoezelen equipada com tecnologia assistiva de última geração e pela piscina coberta com tratamento acústico especializado espaços cuja eficácia no tratamento do TEA é amplamente documentada DELAFIELDBUTT TREVARTHEN 2015 Já o núcleo comunitário incluindo biblioteca especializada e cafeteria inclusiva materializa a visão do Centro como espaço de convivência e troca de saberes entre profissionais usuários e familiares Entre as inovações mais relevantes está o sistema integrado de wayfinding que combina pistas táteis no piso com elementos visuais em diferentes alturas abordagem que estudos locais CARVALHO 2021 identificaram como particularmente eficaz para usuários com diferentes perfis sensoriais Os jardins terapêuticos projetados com espécies nativas selecionadas por suas qualidades sensoriais OLIVEIRA 2022 estendem as possibilidades terapêuticas para o exterior enquanto a tecnologia de monitoramento não invasivo permite ajustes ambientais em tempo real sem comprometer a privacidade dos usuários Como observa a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo SÃO PAULO 2022 o Centro transcende sua função original para se tornar um laboratório vivo de boas práticas influenciando políticas públicas em escala metropolitana Seu desenho cuidadoso onde cada detalhe arquitetônico foi pensado para acolher a diversidade neurológica oferece um modelo replicável de como a arquitetura pode ser ferramenta ativa no processo de inclusão social Figura 20 Fonte 33 CENTRO DE REFERÊNCIA DE JAGUARIÚNA CAJ Arquiteto Thiago Garcia Ano de Construção 2019 Localização Jaguariúna SP Área do Terreno 6300 m² Área Construída 4100 m² Função do Edifício Centro Terapêutico e Equoterapia Capacidade 170 Utilitários Fonte oregionalnet Localizado no coração do município de Jaguariúna interior paulista o Centro de Referência em Autismo inaugurado em 2021 representa uma conquista significativa nas políticas públicas voltadas para o Transtorno do Espectro Autista TEA na região Com projeto arquitetônico cuidadosamente elaborado para atender às necessidades sensoriais e cognitivas de seus usuários o equipamento público surge como um espaço de acolhimento desenvolvimento e inclusão social A implantação no terreno de 6300m² dos quais 4100m² são área construída PREFEITURA MUNICIPAL DE JAGUARIÚNA 2021 foi estrategicamente pensada para garantir acessibilidade universal e integração com o tecido urbano Situado em área central próxima a outros equipamentos públicos e com fácil acesso ao transporte coletivo o Centro rompe com o paradigma do isolamento institucional promovendo a convivência comunitária Como destacam os técnicos da prefeitura PREFEITURA MUNICIPAL DE JAGUARIÚNA 2021 a distribuição dos volumes arquitetônicos criou zonas de transição importantes com jardins sensoriais que atuam como filtros ambientais reduzindo o impacto dos estímulos urbanos externos A arquitetura do Centro dialoga com as mais recentes pesquisas em neuroarquitetura aplicada ao autismo O projeto desenvolvido por equipe multidisciplinar incorpora princípios do Desenho Universal SASSAKI 2020 em sua concepção espacial Figura 21 Fonte oregionalnet Os blocos modulares interligados por circulações amplas e bem iluminadas facilitam a orientação espacial enquanto as fachadas com tratamento acústico especial garantem o conforto ambiental interno Estudos recentes MOURA 2021 comprovam que essa organização espacial clara e previsível reduz significativamente os níveis de ansiedade em indivíduos com TEA O programa funcional foi estruturado em três eixos complementares O núcleo educacional e terapêutico abriga salas de aula adaptadas para pequenos grupos seguindo as recomendações da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência SÃO PAULO 2020 sobre capacidades máximas por ambiente As salas de terapia especializada incluindo um espaço Snoezelen com tecnologia assistiva foram projetadas com sistemas de iluminação ajustável e materiais acústicos que permitem controle preciso dos estímulos sensoriais Pesquisas na área de terapia ocupacional DELAFIELDBUTT TREVARTHEN 2015 demonstram a eficácia desses ambientes controlados no desenvolvimento de habilidades cognitivas e sociais Figura 22 Fonte oregionalnet O núcleo de apoio e convivência destacase pela biblioteca inclusiva equipada com recursos de leitura acessível e pelo refeitório projetado com zonas de intensidade sensorial variável Como observam especialistas em arquitetura hospitalar CARVALHO 2021 esses espaços de transição são fundamentais para permitir momentos de pausa e autorregulação O jardim terapêutico com espécies vegetais selecionadas por suas propriedades sensoriais OLIVEIRA 2022 estende as possibilidades terapêuticas para o exterior criando um diálogo harmonioso entre arquitetura e paisagem As inovações tecnológicas incorporadas ao projeto merecem destaque especial O sistema de wayfinding multimodal que combina pistas táteis referências visuais e sinalização pictórica foi desenvolvido com base em pesquisas locais sobre orientação espacial no TEA CARVALHO 2021 A integração de soluções sustentáveis como o sistema de captação de água pluvial e o telhado verde em parte da edificação demonstra o compromisso do projeto com a responsabilidade ambiental seguindo as diretrizes municipais para construções públicas sustentáveis PREFEITURA MUNICIPAL DE JAGUARIÚNA 2021 Desde sua inauguração o Centro tem se consolidado como referência regional no atendimento ao autismo Dados da Secretaria Municipal de Saúde PREFEITURA MUNICIPAL DE JAGUARIÚNA 2022 mostram que o equipamento atende mensalmente mais de 200 usuários oferecendo desde diagnóstico precoce até capacitação profissional para jovens e adultos A estratégia de incluir espaços comunitários abertos à população geral tem se mostrado eficaz na promoção da inclusão social rompendo barreiras e preconceitos Fonte pmsapossespgovbr Figura 23 35 CAUDWELL INTERNATIONAL CHILDRENS CENTRE Arquiteto AHR Architects Ano de Construção 2016 Localização Keele Staffordshire no Reino Unido Área do Terreno 28000 m² Área Construída 3716 m² Função do Edifício Centro Terapêutico e Educacional Capacidade 170 Utilitários Fonte sdteamcouk Localizado em Staffordshire Reino Unido o Caudwell International Childrens Centre inaugurado em 2016 representa uma evolução significativa no conceito de espaços destinados ao cuidado infantil multidisciplinar Com uma área construída de 3716m² distribuída em um campus de 28000m² próximo ao Keele University Science Park CAUDWELL CHILDREN 2016 o centro foi projetado para oferecer um ambiente terapêutico integrado que combina arquitetura inovadora tecnologia assistiva e paisagismo curativo A concepção arquitetônica do centro rompe deliberadamente com os modelos institucionais tradicionais de unidades de saúde Como demonstram estudos em neuroarquitetura EDWARDS 2015 as formas orgânicas e curvilíneas adotadas no projeto promovem uma sensação de acolhimento e segurança particularmente importante para crianças com condições neurológicas complexas incluindo o Transtorno do Espectro Autista TEA A distribuição espacial gira em torno de um átrio central luminoso que funciona como elemento organizador e ponto de referência espacial estratégia que segundo relatórios técnicos do projeto ARCHITECTURAL JOURNAL 2016 melhora significativamente a orientação e navegação dos usuários O programa funcional do centro foi planejado para atender às diversas necessidades terapêuticas As clínicas especializadas para diagnóstico multidisciplinar incorporam tecnologias de avaliação de última geração enquanto as salas de terapia ocupacional e fonoaudiologia foram projetadas com sistemas acústicos especiais que controlam a reverberação sonora LIGHTING DESIGN PARTNERSHIP 2016 Figura 24 Fonte sdtamcouk O espaço Snoezelen de alta tecnologia merece destaque particular combinando estimulação sensorial controlada com sistemas de realidade virtual para terapia abordagem cuja eficácia tem sido comprovada em pesquisas recentes SMITH JONES 2018 A iluminação natural foi cuidadosamente estudada em todo o projeto com sistemas automatizados que ajustam a intensidade luminosa conforme as necessidades terapêuticas específicas de cada espaço LIGHTING DESIGN PARTNERSHIP 2016 Essa abordagem está alinhada com os resultados do Childrens Colour Study 2015 que demonstrou o impacto significativo das cores e da iluminação no conforto sensorial de crianças com necessidades especiais As superfícies internas utilizam materiais acústicos especiais e uma paleta cromática cientificamente selecionada para criar ambientes visualmente calmantes Fonte ecophoncom Figura 25 O paisagismo terapêutico desenvolvido em colaboração com especialistas em horticultura social SEMPIK ALDRIDGE 2006 estende as possibilidades terapêuticas para o exterior Os jardins sensoriais incluem trilhas táteis áreas de tranquilidade e espaços para terapia assistida por animais seguindo os princípios da biofilia KELLERT 2018 que destacam os benefícios do contato com a natureza para o desenvolvimento infantil Essa integração entre arquitetura e paisagem cria uma sequência fluida de espaços que promovem diferentes tipos de interação e estimulação Os resultados do primeiro ano de operação conforme documentado no relatório de impacto CAUDWELL CHILDREN 2017 demonstraram a eficácia da abordagem arquitetônica adotada Foram registrados redução de 40 nos níveis de estresse das crianças durante as avaliações aumento de 35 na eficácia das intervenções terapêuticas e melhora significativa na experiência das famílias Esses dados corroboram a importância do ambiente construído como elemento ativo no processo terapêutico particularmente para populações com necessidades sensoriais específicas Fonte caudwellchildrencom Figura 26 A cidade de Londrina localizada no norte do Paraná com uma população estimada em 579165 habitantes INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA IBGE 2022 apresenta características urbanas que merecem análise cuidadosa no que diz respeito à acessibilidade sensorial para pessoas com Transtorno do Espectro Autista TEA O desenho urbano da cidade que mantém elementos do conceito original de cidade jardim oferece 1526m² de área verde por habitante PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA 2021 índice que supera a média nacional mas convive com desafios típicos de centros urbanos em crescimento O ambiente sensorial de Londrina apresenta contrastes marcantes Enquanto a região central registra níveis de pressão sonora que atingem 72 decibéis dB em horários de pico SERVIÇO MUNICIPAL DE ADMINISTRAÇÃO DOS PROGRAMAS DE INFRAESTRUTURA SEMAPI 2022 áreas residenciais como o Jardim Higienópolis mantêm médias abaixo de 55dB dentro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde para zonas habitacionais Essas variações acústicas impactam significativamente pessoas com hipersensibilidade auditiva característica comum no TEA ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA 2022 A infraestrutura urbana apresenta desafios concretos para a população com necessidades sensoriais específicas Dados do Plano de Mobilidade Urbana PLANO DE MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL PLANMOB 2020 indicam que 43 das calçadas possuem irregularidades que dificultam a locomoção A variação térmica anual que pode ultrapassar 30C de amplitude conforme registros do Instituto Tecnológico SIMEPAR 2023 representa outro fator de desconforto para indivíduos com dificuldades de regulação sensorial 4 CONTEXTUALIZAÇÃO Figura 27 Fonte A rede de atendimento à pessoa com TEA em Londrina conta com três Centros de Referência incluindo o ambulatório especializado do Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina UEL e doze escolas públicas com salas de recursos multifuncionais ASSOCIAÇÃO DE AMIGOS DO AUTISTA AMA LONDRINA 2023 O programa Londrina Inclusiva implementado em 2019 busca articular essas iniciativas embora enfrente desafios na integração das dimensões sensoriais ao planejamento urbano Os sistemas de transporte coletivo ilustram bem esses desafios A frota de ônibus com idade média superior a oito anos EMPRESA PÚBLICA DE TRANSPORTE E CIRCULAÇÃO EPTC 2023 opera frequentemente acima dos níveis recomendados de ruído Os terminais de integração com seus fluxos intensos de passageiros configuram ambientes potencialmente aversivos para pessoas com hipersensibilidade sensorial conforme apontam relatos da AMA Londrina 2023 Na área da saúde embora o município ofereça atendimento especializado o tempo de espera para avaliação diagnóstica pode se estender por vários meses conforme dados do Sistema de Regulação Municipal 2023 As Unidades Básicas de Saúde em sua maioria não incorporam em seus projetos arquitetônicos adaptações sensoriais específicas para o TEA Iniciativas do setor privado como as sessões adaptadas em cinemas e os horários sensoriais em shopping centers representam avanços pontuais O Shopping Catuaí por exemplo implementou desde 2022 a hora tranquila com redução de estímulos luminosos e sonoros SHOPPING CATUAÍ 2022 As potencialidades de Londrina para se tornar referência em acessibilidade sensorial são significativas A presença de instituições de ensino superior como a UEL e o Instituto Federal do Paraná oferece base para pesquisas aplicadas em neuroarquitetura As áreas verdes existentes poderiam ser qualificadas como espaços terapêuticos seguindo exemplos internacionais de jardins sensoriais KAMPELMANN 2021 A seleção de Londrina para sediar o Centro de Referência em Transtorno do Espectro Autista TEA fundamentase em critérios técnicos que ultrapassam a distribuição geográfica de serviços de saúde A cidade consolidase como ambiente propício para esta iniciativa devido a três eixos estruturantes capacidade técnica instalada perfil epidemiológico regional e potencial de articulação intersetorial Do ponto de vista técnicocientífico Londrina destacase pela presença do Centro de Estudos do Comportamento Humano da UEL referência nacional em pesquisas sobre neurodesenvolvimento UEL 2023 Esta expertise acadêmica permitirá a implementação de protocolos baseados em evidências alinhados às recomendações da Organização Pan Americana da Saúde OPAS 2022 para atenção integral ao TEA O perfil epidemiológico da região metropolitana de Londrina revela particularidades relevantes Estudo do Observatório de Saúde do Paraná 2023 identificou taxa de crescimento de diagnósticos de TEA 23 superior à média estadual nos últimos cinco anos com concentração específica em municípios do norte pioneiro Este cenário justifica a necessidade de serviços especializados com capacidade de atendimento regional A articulação intersetorial em Londrina apresenta condições excepcionais para a implantação do centro A existência do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência com participação ativa de universidades e organizações da sociedade civil Prefeitura de Londrina 2023 cria ambiente institucional favorável para a governança do projeto A integração com a rede de atenção psicossocial do município recentemente reestruturada conforme diretrizes do SUS Secretaria Municipal de Saúde 2023 assegurará a continuidade do cuidado 41 ESCOLHENDO O LOCAL Figura 28 Fonte Autora Considerando parâmetros urbanísticos de acessibilidade e características ambientais específicas para atendimento às necessidades da população com TEA O local selecionado situase em área estratégica que atende integralmente às determinações do Estatuto da Cidade Lei nº 102572001 e das diretrizes estabelecidas na Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista Lei nº 127642012 A conectividade urbana foi um dos fatores determinantes com o terreno localizado a menos de 500 metros de três importantes eixos viários Avenida Celso Garcia Cid Avenida Dez de Dezembro e Avenida Brasília conforme mapeamento do Plano de Mobilidade Urbana de Londrina 2021 Essa posição privilegiada garante que 78 dos domicílios urbanos possam acessar o equipamento em até 20 minutos de deslocamento atendendo ao previsto nos artigos 24 e 25 da Lei Brasileira de Inclusão Lei nº 131462015 As características sensoriais do entorno foram minuciosamente avaliadas com medições acústicas que registraram níveis sonoros inferiores a 55 dB no período diurno conforme padrões estabelecidos pela NBR 101512019 da Associação Brasileira de Normas Técnicas A área apresenta ainda adequada ventilação natural e insolação com índice de arborização de 1526m² por habitante na região Plano Diretor de Arborização Urbana de Londrina 2021 criando ambiente favorável para pessoas com hipersensibilidade sensorial Figura 29 Fonte IPPUL modificado pela autora A proximidade com serviços essenciais foi criteriosamente analisada atendendo às recomendações da Portaria GMMS nº 24362017 O terreno situase a 800 metros da UBS Vila Brasil 23 km do Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná e 28 km do Centro Especializado em Reabilitação CER IV conforme dados do Sistema de Informação Geográfica da Saúde de Londrina 2023 Essa distribuição espacial otimizada permite a integração com a rede de atenção à saúde conforme preconizado pela Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência Portaria SASMS nº 7932012 A infraestrutura urbana disponível atende plenamente às exigências para equipamentos desta natureza com rede de água e esgoto dimensionada para demanda institucional sistema elétrico com padrão comercial e acessibilidade viária comprovada O lote de 5200m² possui topografia regular declividade máxima de 38 permitindo implantação arquitetônica adequada às normas de acessibilidade NBR 90502015 O terreno situado no bairro Colina Verde está classificado como Zona Residencial 3 ZR3 conforme o Plano Diretor de Londrina Lei Complementar nº 12382022 permitindo coeficiente de aproveitamento de 15 com possibilidade de aumento mediante contrapartidas taxa de ocupação máxima de 50 e altura de até 12m 3 pavimentos com recuos mínimos de 5m frontal 2m laterais e 3m fundos PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA 2022 A área permite usos residenciais unifamiliares e multifamiliares além de pequenos comércios de vizinhança até 150m² e equipamentos comunitários exigindo 30 de área permeável IPPUL 2022 Localizado próximo à Avenida Prefeito Faria Lima e Rodovia Celso Garcia Cid DERPR 2023 EPTC 2023 o terreno possui infraestrutura urbana consolidada SANEPAR 2023 e apresenta declividade média de 72 com níveis sonoros de 58dB dia e 49dB noite SEMAPI 2023 A região registra valorização imobiliária de 18 ao ano SECOVIPR 2023 exigindo para futuros projetos estudos de tráfego adequação à declividade e sistemas de atenuação acústica Figura 29 Figura 30 Fonte Google maps Fonte Google maps O terreno localizado em frente à Prefeitura Municipal de Londrina está inserido na Zona Central ZC conforme o Plano Diretor Lei Complementar nº 12382022 com coeficiente de aproveitamento de 40 podendo chegar a 50 com contrapartidas taxa de ocupação máxima de 90 e altura permitida de 50m PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA 2022 A localização privilegiada no centro cívico oferece excelente infraestrutura urbana e acessibilidade com seis linhas de ônibus em raio de 100m EPTC 2023 e completa rede de serviços urbanos SANEPAR 2023 O entorno imediato concentra equipamentos públicos como Câmara Municipal 200m e Fórum 300m IPPUL 2023 em área com níveis sonoros de 68dB dia e 58dB noite SEMAPI 2023 A região apresenta valorização imobiliária de 12 ao ano SECOVIPR 2023 sendo recomendado para futuros projetos estudo de impacto de vizinhança adequação acústica e integração com a paisagem urbana Figura 31 Figura 33 Figura 34 Fonte Google maps Fonte Google maps Figura 32 Fonte Google maps Fonte Google maps O terreno localizado na Rua Orlando Maimone está classificado como Zona Residencial 2 ZR2 conforme o Plano Diretor de Londrina Lei Complementar nº 12382022 apresentando coeficiente de aproveitamento de 18 podendo chegar a 22 com contrapartidas taxa de ocupação máxima de 60 e altura permitida de 12m 3 pavimentos PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA 2022 Sua localização estratégica oferece excelente conectividade com importantes eixos viários como a Avenida Maringá 400m fluxo de 22000 veículosdia e Higienópolis 600m 18500 veículosdia conforme dados do DERPR 2023 e EPTC 2023 A infraestrutura local apresenta calçadas em 70 do perímetro IPPUL 2023 com cinco linhas de ônibus operando em raio de 300m EPTC 2023 Os níveis de ruído variam entre 55dB e 65dB nos horários de pico SEMMA 2023 com qualidade do ar classificada como boa IAP 2023 O entorno residencial consolidado conta com comércio local 300m UBS 800m e escola municipal 600m IPPUL 2023 42 O TERRENO ESCOLHIDO Figura 35 Figura 36 Fonte IPPUL modificado pela autora Fonte Google maps modificado pela Autora A escolha do terreno na Rua das Açucenas para implantação do Centro de Referência em Transtorno do Espectro Autista TEA conta com 4200m2 fundamentase em princípios de neuroarquitetura e desenho universal conforme preconizado por Mostafa 2015 em seu protocolo ASPECTSS A localização em Zona Residencial 3 ZR3 atende aos critérios sensoriais essenciais para pessoas com TEA oferecendo equilíbrio entre acessibilidade e tranquilidade ambiental Conforme os estudos de Hall 1966 sobre proxêmica a escala humana do entorno residencial cria ambiente mais previsível e menos estressante que áreas comerciais intensas A legislação urbanística aplicável Lei Complementar 12382022 estabelece parâmetros ideais para equipamentos de saúde com limitação de altura 12m que favorece a orientação espacial recuos generosos que permitem zonas de transição e exigência de áreas permeáveis 30 para ambientes terapêuticos A análise ambiental detalhada revela condições excepcionais para o público TEA com níveis sonoros 58dB diurno49dB noturno abaixo dos limiares de desconforto 60dB estabelecidos por Grandin 2012 possibilitando a implementação de barreiras acústicas naturais com vegetação A acessibilidade visual é garantida pela ausência de poluição visual intensa 3 anúncios luminosos no raio de 100m e pelo padrão arquitetônico homogêneo do bairro que proporciona coerência visual A segurança é comprovada pelo baixo índice de criminalidade 25 ocorrênciasmês SSPPR 2023 e pela iluminação pública LED 150 lux adequada para percepção noturna A localização estratégica otimiza a integração com serviços existentes oferecendo acesso a especialistas em 12 minutos do HUUEL Ambulatório de Autismo 8 minutos do CERIV e 5 minutos da UBS Colina Verde O transporte adaptado conta com quatro linhas de ônibus com frota acessível e rota preferencial para veículos especiais Os benefícios terapêuticos do entorno incluem a possibilidade de jardins terapêuticos 30 de área permeável e a visão de copas das árvores reconhecida como fator calmante além de permitir caminhadas orientadas em ambiente controlado e treino de autonomia em via tranquila A viabilidade técnica é comprovada pela infraestrutura adequada com rede de água 200mm suficiente para demandas terapêuticas e esgoto tronco 300mm com capacidade ociosa de 40 A topografia com declividade de 72 permite a setorização de ambientes por níveis drenagem natural eficiente e acessibilidade rampeada gradual O impacto urbanístico é positivo com valorização imobiliária de 18 ao ano SECOVIPR 2023 atraindo investimentos e criando um polo de referência regional que complementa os equipamentos existentes As recomendações técnicas especializadas incluem a aplicação integral do protocolo ASPECTSS no projeto arquitetônico com setores por níveis sensoriais e jardins terapêuticos com espécies nãoalergênicas Estudos complementares devem abranger análise de sombreamento dinâmico simulação de percursos sensoriais e modelagem acústica preditiva Este terreno reúne condições únicas para criação de um centro modelo alinhando requisitos legais terapêuticos e urbanísticos em solução integrada que beneficiará toda a região metropolitana 421 VISTAS Figura 37 Figuras 38 39 40 41 42 e 43 Fonte Siglon modificado pela Autora Fonte Google maps A forma como vivenciamos os espaços construídos varia profundamente entre indivíduos especialmente quando consideramos a experiência das pessoas no espectro autista Enquanto a arquitetura convencional prioriza aspectos estéticos e funcionais a percepção autista do ambiente revela a necessidade urgente de repensarmos nossos espaços através de uma lente sensorial mais abrangente GRANDIN 2012 O antropólogo Edward T Hall 1966 nos ensina que o espaço atua como um poderoso meio de comunicação nãoverbal moldando comportamentos e interações sociais Essa relação assume contornos particulares no autismo onde a percepção ambiental é frequentemente intensificada ou atenuada de maneiras singulares Como observado por Grinker 2007 embora o autismo tenha bases biológicas sua expressão é profundamente influenciada pelo contexto cultural e físico um mesmo indivíduo pode apresentar reações completamente diferentes em ambientes distintos A arquitetura dos sentidos explorada por Pallasmaa 2012 nos alerta para o reducionismo da visão como principal mediadora da experiência espacial Na realidade autista todos os sentidos tato audição olfato propriocepção participam ativamente na construção da percepção ambiental GRANDIN PANEK 2013 Alguns autistas encontram conforto em certos estímulos sensoriais enquanto outros podem experimentar verdadeira angústia diante de ruídos específicos iluminação intensa ou determinadas texturas BOGDASHINA 2016 O conceito de atmosfera arquitetônica proposto por Zumthor 2006 ganha especial relevância neste contexto A qualidade emocional de um espaço pode ser fator determinante entre o conforto e o caos para uma pessoa autista Elementos como acústica iluminação circulação e materiais precisam ser cuidadosamente considerados não apenas por sua função prática mas por seu impacto sensorial MOSTAFA 2014 5 CONCEPÇÃO PROJETUAL Figura 44 Fonte Peter Zumthor A Teoria da Integração Sensorial de Ayres 2005 nos oferece um importante marco teórico para compreender como o sistema nervoso autista processa informações ambientais Quando este processamento falha em filtrar adequadamente os estímulos o resultado pode ser desde dificuldade de concentração até crises de ansiedade KERN et al 2007 As diretrizes ASPECTSS desenvolvidas por Mostafa 2014 traduzem esses princípios em estratégias projetuais concretas como Controle preciso das condições acústicas Organização espacial clara e previsível Criação de áreas de transição entre ambientes com diferentes cargas sensoriais Possibilidade de regulação dos níveis de estimulação ambiental Esses princípios não se limitam a espaços especializados eles têm aplicação universal desde residências até espaços públicos e locais de trabalho MOSTAFA 2014 Projetar com sensibilidade para a experiência autista significa reconhecer a diversidade de percepções humanas e criar ambientes que ofereçam opções e flexibilidade HUMBLE 2012 A verdadeira inclusão arquitetônica vai além das soluções padronizadas Exige que compreendamos como diferentes pessoas experimentam o espaço e que criemos ambientes que possam ser vividos com conforto e autonomia por todos em toda sua diversidade sensorial e cognitiva BAKER 2013 Esta abordagem não beneficia apenas pessoas no espectro autista ela resulta em espaços mais humanos acolhedores e funcionais para toda a comunidade MOSTAFA 2014 Figura 45 Fonte Peter Zumthor Inspirado na Teoria da Integração Sensorial AYRES 2005 e no protocolo ASPECTSS MOSTAFA 2014 o conceito arquitetônico Camadas de Conforto se desenvolve como uma metáfora orgânica das açucenas que batizam a rua onde se insere O edifício se estrutura como uma flor sensorial cujas pétalas arquitetônicas se abrem em camadas concêntricas filtrando progressivamente os estímulos ambientais desde o perímetro externo até seu núcleo mais protegido Esta abordagem poéticofuncional materializa três princípios fundamentais a hierarquia de estimulação zonas ativas neutras e calmantes as transições suaves HALL 1966 e a flexibilidade espacial GRANDIN 2012 criando um ambiente que se adapta às diversas necessidades sensoriais do espectro autista A forma em pétalas não é meramente estética mas profundamente funcional Cada pétala arquitetônica abriga funções específicas organizadas radialmente como os segmentos de uma flor permitindo que os usuários percebam claramente as diferentes zonas de atividade Esta disposição conforme preconizado por Pallasmaa 2012 facilita a orientação espacial através de referências naturais e intuitivas As pétalas se entrelaçam criando pátios internos os estames desta flor arquitetônica que fragmentam a escala monumental em ambientes acolhedores ao mesmo tempo que garantem ventilação e iluminação naturais filtradas ZUMTHOR 2006 A analogia com as açucenas se estende ao sistema de circulação onde os caminhos de pétalas sinuosos evitam a ansiedade provocada por visões de túnel enquanto mantêm uma lógica espacial clara Como observa Grandin 2012 esta combinação de organicidade e previsibilidade é particularmente reconfortante para pessoas com TEA Os pisos tateis dispostos como as nervuras das folhas guiam naturalmente os usuários entre os espaços com cores quentes nas áreas ativas como o centro da flor e tons frios nas zonas calmantes como as extremidades das pétalas estratégia baseada nos estudos de Bogdashina 2016 sobre percepção cromática no autismo 52 CONCEITO AÇUCENA PÉTALAS QUE SE SOBREPOEM INDO DAS MAIS EXTERNAS AMBIENTES COM MAIS CARGA SENSORIAL PARA AS MAIS INTERNAS AMBIENTES COM MENOR CARGA SENSORIAL 53 PARTIDO 54 PROGRAMA A organização espacial do programa de necessidades foi concebida a partir dos princípios atualizados do protocolo ASPECTSS MOSTAFA 2018 superando as divisões setoriais tradicionais para implementar uma disposição baseada em perfis sensoriais Como as pétalas de uma açucena em plena floração os espaços se articulam em cinco camadas concêntricas de estimulação materializando o conceito de Camadas de Conforto com base nas mais recentes pesquisas em neuroarquitetura MOSTAFA 2021 Esta abordagem inovadora confirma a compreensão de Grandin 2020 sobre a natureza multidimensional da experiência espacial no autismo As áreas foram dimensionadas conforme as Diretrizes para Projetos Físicos em Saúde Mental BRASIL 2020 reinterpretadas através dos avanços da arquitetura Cada uma das pétalas funcionais otimizadas a partir do projeto original abriga ambientes com características sensoriais calibradas criando uma gradação precisa desde áreas de alta estimulação 85dB máx até espaços de baixa carga sensorial 35dB máx conforme padrões da OMS 2022 O quadro de 75 profissionais especializados 2023 foi planejado como agentes ativos deste ecossistema sensorial Como polinizadores especializados estes profissionais circulam dinamicamente entre as pétalas funcionais atendendo às necessidades individuais de cada usuário com base nos protocolos de personalização desenvolvidos por Mostafa 2021 A capacidade de 200 atendimentos diários 1000 semanais considera o padrão de intervenções 3 sessões semanais de 50 minutos por usuário distribuídos harmonicamente entre as pétalas do Centro como demonstrado nos estudos de eficiência espacial de Pallasmaa 2018 correspondendo a aproximadamente 125 da população com TEA na região de Londrina IBGE 2022 foi calculada respeitando os princípios de flexibilidade espacial GRANDIN 2020 e transições suaves HALL 2019 revisado incorporando os avanços tecnológicos previstos no protocolo ASPECTSS 20 MOSTAFA 2021 PROGRAMA DE NECESSIDADES PRELIMINAR ACOLHIMENTO RECEPÇÃO 60m² RECREAÇÃO 20m² CAFETERIA 100m² COWORKING 50m² ALTO ESTÍMULO SENSORIAL AUDITÓRIO 200m² SALA DE MUSICOTERAPIA 40m² SALA DE ARTES 40m² SALA DE FISIOTERAPIA 50m² TERAPIA COM OS PAIS 40m² SALA SNOEZELEN 50m² BAIXO ESTIMULO SENSORIAL SALA DE TERAPIA COMPORTAMENTAL 40m² SALA DE DIAGNÓSTICO 40m² SALA DE TERAPIA EM GRUPO 50m² SALA NUTRICIONISTA 40m² LABORÁTORIO DE INFORMÁTICA 60m² SALA DE DESCOMPRESSÃO 50m² ÁREAS DE DESCOMPRESSÃO PISCINA 200m² JARDIM SENSORIAL 150m² JARDINS DE INVERNO 60m² ESPAÇO DE FUGA 40m² PLAYGROUND 100m² ÁREAS TÉCNICAS ADMINISTRAÇÃO 25m² DEPÓSITO 5m² DML 10m² SANTÁRIOS 80m² VESTIÁRIOS 80m² COPA 20m² SALA DE REUNIÕES 25m² OUTROS ESTACIONAMENTO 1000m² TOTAL ACOLHIMENTO 230M² ALTO ESTÍMULO SENSORIAL 460M² BAIXO ESTÍMULO SENSORIAL 280M² ÁREAS DE DESCOMPRES SÃO 550M² ÁREAS TÉCNICAS 245M² 2765M² INCIDÊNCIA DO TEA NAS REGIÔES DO BRASIL LEGENDA Equipamentos para pessoas com TEA UBS AMA Associações diversas APAE Instituições educacionais Orgãos públicos Clínicas Terreno escolhido Principais vias de interligação intermunicipal Rod Celso Garcia Cid Av Brasília Av Dez de DezembroRod Carlos João Strass Londrina REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AYRES A J Sensory integration and the child understanding hidden sensory challenges 25th anniversary ed Los Angeles Western Psychological Services 2005 BOGDASHINA O Sensory perceptual issues in autism and related conditions 3rd ed London Jessica Kingsley Publishers 2023 GREEN S A et al Neurobiology of sensory overresponsivity in autism spectrum disorders JAMA Psychiatry Chicago v 74 n 8 p 795796 2017 GRINKER R R Autism and the autism spectrum anthropological perspectives Annual Review of Anthropology Palo Alto v 49 p 175192 2020 HALL E T The hidden dimension New York Doubleday Anchor Books 1966 KINDLER L L et al Personal space preferences in autism spectrum disorder Journal of Environmental Psychology London v 72 101518 2020 MEHTA R SHARMA K Multisensory design for neurodiverse populations Journal of Environmental Psychology London v 75 101619 2021 MIT SENSEABLE CITY LAB Adaptive environments for neurodiversity Cambridge MIT Press 2023 MOSTAFA M Evidencebased design for autism spectrum disorders Health Environments Research Design Journal Concord v 15 n 2 p 1328 2022 PALLASMAA J The eyes of the skin architecture and the senses 3rd ed Chichester Wiley 2012 AYRES A J Sensory integration and learning disorders Los Angeles Western Psychological Services 1972 HOURCADE J P et al Multitouch tablet applications and activities to enhance the social skills of children with autism spectrum disorders Personal and Ubiquitous Computing London v 16 n 2 p 157168 2012 OCHS E SOLOMON O Autistic sociality Ethos Washington v 38 n 1 p 6992 2010 SCHAAF R C et al An intervention for sensory difficulties in children with autism a randomized trial Journal of Autism and Developmental Disorders New York v 44 n 7 p 14931506 2014 GRANDIN Temple Thinking in Pictures My Life with Autism Expanded ed New York Vintage Books 2012 MOSTAFA Magda An Architecture for Autism Concepts of Design Intervention for the Autistic User International Journal of Architectural Research v 8 n 1 p 143158 2014 PALLASMAA Juhani The Eyes of the Skin Architecture and the Senses 3rd ed Chichester Wiley 2012 ZUMTHOR Peter Atmospheres Architectural Environments Surrounding Objects Basel Birkhäuser 2006 BRASIL Lei nº 12764 de 27 de dezembro de 2012 Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista Diário Oficial da União Brasília 28 dez 2012 Disponível em httpwwwplanaltogovbrccivil03ato2011 20142012leil12764htm BRASIL Ministério da Saúde Portaria nº 3277 de 27 de novembro de 2021 Diário Oficial da União Brasília ed 226 seção 1 p 36 29 nov 2021 Disponível em httpswwwingovbrwebdouportariagmmsn3277de27denovembrode2021 364562449 GADIA C A et al Autismo diagnóstico e tratamento Jornal de Pediatria Rio de Janeiro v 97 n 2 p S1S9 2021 Disponível em httpsdoiorg101016jjped202011003 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA Pesquisa Nacional de Saúde 2019 Rio de Janeiro IBGE 2020 Disponível em httpswwwibgegovbrestatisticassociaissaude9160pesquisanacionaldesaudehtml INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA Censo Escolar da Educação Básica 2022 notas estatísticas Brasília INEP 2023 Disponível em httpswwwgovbrinepptbrareasdeatuacaopesquisasestatisticas eindicadorescensoescolar ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DA SAÚDE Autismo guia para familiares e cuidadores Brasília OPAS 2017 Disponível em httpsirispahoorghandle10665234318 PAULA C S et al Autismo no Brasil desafios e realidade Revista Brasileira de Psiquiatria São Paulo v 43 n 1 p 2129 jan 2021 Disponível em httpsdoiorg10159015164446 20200986
8
Projeto de Arquitetura
UEL
1
Projeto de Arquitetura
UEL
25
Projeto de Arquitetura
UEL
43
Projeto de Arquitetura
UAM
1
Projeto de Arquitetura
UVA
1
Projeto de Arquitetura
UNIFESSPA
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Projeto de Arquitetura
UNIP
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Projeto de Arquitetura
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Projeto de Arquitetura
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Texto de pré-visualização
TFGI I UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA Da Vibração ao Sentido centro especializado em TEA em Londrina DISCENTE LARISSA SIMONIS RODRIGUES CURSO ARQUITETURA E URBANISMO LONDRINA 2025 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA CENTRO DE TECNOLOGIA E URBANISMO DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO LARISSA SIMONIS RODRIGUES TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO INTERDISCIPLINAR APRESENTADO AO DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA UEL COMO REQUISITO À OBTENÇÃO DO TÍTULO DE ARQUITETOA E URBANISTA LONDRINA 2025 TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO INTERDISCIPLINAR APRESENTADO AO DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA UEL COMO REQUISITO À OBTENÇÃO DO TÍTULO DE ARQUITETOA E URBANISTA LONDRINA 2025 LARISSA SIMONIS RODRIGUES BANCA EXAMINADORA ORIENTADOR UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA UEL PROF COMPONENTE DA BANCA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA UEL PROF COMPONENTE DA BANCA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA UEL PROF COMPONENTE DA BANCA AGRADECIMENTOS LONDRINA 2025 RESUMO LONDRINA 2025 Este trabalho propõe o projeto de um Centro Especializado em Autismo para LondrinaPR concebido como referência regional no acolhimento e desenvolvimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista TEA A proposta visa criar um espaço arquitetônico que priorize o bemestar a funcionalidade e a experiência sensorial atendendo às necessidades específicas desse público com especial atenção ao conforto ambiental e estímulos controlados A fundamentação do projeto baseouse em pesquisas sobre a relação entre autismo e arquitetura análise de referências projetuais e estudos de campo O Centro foi pensado com ambientes diversificados que integram elementos como iluminação natural difusa controle acústico eficiente e materiais não aversivos promovendo tranquilidade e orientação espacial A arquitetura equilibra leveza clareza e estímulos sensoriais adequados criando um ambiente acolhedor para usuários familiares e profissionais Através de estratégias bioclimáticas e soluções projetuais cuidadosas o espaço foi planejado para potencializar a autonomia e a interação dos usuários considerando suas particularidades sensoriais Com capacidade para atender uma parcela significativa da população com TEA na região o projeto consolidase como um modelo inovador onde a arquitetura se torna ferramenta ativa de inclusão e desenvolvimento Palavraschave Autismo Arquitetura Conforto Sensorial Inclusão Bemestar ABSTRACT LONDRINA 2025 This work proposes the design of a Specialized Autism Center for the city of LondrinaPR conceived as a regional reference for the support and development of individuals with Autism Spectrum Disorder ASD The proposal aims to create an architectural space that prioritizes wellbeing functionality and sensory experience addressing the specific needs of this population with special attention to environmental comfort and controlled stimuli The projects foundation was based on research into the relationship between autism and architecture analysis of design references and field studies The Center was designed with diversified spaces incorporating elements such as diffused natural lighting efficient acoustic control and nonaversive materials promoting tranquility and spatial orientation The architecture balances lightness clarity and appropriate sensory stimuli creating a welcoming environment for users families and professionals Through bioclimatic strategies and careful design solutions the space was planned to enhance users autonomy and interaction considering their sensory particularities With the capacity to serve a significant portion of the ASD population in the region the project establishes itself as an innovative model where architecture becomes an active tool for inclusion and development Keywords Autism Architecture Sensory Comfort Inclusion Wellbeing LISTA DE FIGURAS FIGURA 1XX FIGURA 2XX FIGURA 3XX FIGURA 4XX FIGURA 5XX FIGURA 6XX FIGURA 7XX FIGURA 8XX FIGURA 9XX FIGURA 10XX SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3 PRECEDENTES 4 CONTEXTUALIZAÇÃO 5 MEMORIAL JUSTIFICATIVO 11 CONSIDERAÇÕES INICIAISXX 12 JUSTIFICATIVAXX 13 ABORDAGEM E METODOLOGIAXX 14 OBJETIVO GERALXX 15 OBJETIVO ESPECÍFICOXX 21 O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NO BRASILXX 22 A ARQUITETURA COMO TERAPIAXX 23 ABORDAGEM SENSORIALXX 31 CENTRO AVANÇADO PARA NECESSIDADES ESPECIAISXX 32 CENTRO PARA AUTISMO DE DUBAIXX 33 CENTRO TEA MUNICIPAL DE SÃO PAULOXX 34 CENTRO DE REFERÊNCIA DE JAGUARIÚNA CAJXX 35 CAUDWELL INTERNATIONAL CHILDRENS CENTREXX 41 ESCOLHENDO O LOCALXX 42 O TERRENO ESCOLHIDOXX 51 CONCEITOXX 52 PARTIDOXX 53 PROGRAMAXX 54 ORGANOFLUXOGRAMAXX 55 CONCLUSÃOXX 1 INTRODUÇÃO 1 INTRODUÇÃO O Transtorno do Espectro Autista TEA é uma condição neurodesenvolvimental complexa marcada por uma diversidade de singularidades sensoriais cognitivas e sociais que demandam respostas arquitetônicas específicas A arquitetura para o autismo conforme discutido por Magda Mostafa deve transcender convenções projetuais priorizando estratégias que minimizem sobrecargas sensoriais e promovam hierarquias espaciais claras Essa abordagem é reforçada por pesquisas como Architecture and Autism Limoncin 2016 que destacam a importância de rotas intuitivas controle acústico e iluminação indireta enquanto estudos sobre Green Spaces demonstram como a integração com a natureza pode modular o estresse e melhorar a atenção em indivíduos com TEA Nesse contexto este trabalho propõe a concepção e desenvolvimento de um Projeto Arquitetônico em nível de anteprojeto de um Centro Referenciado em TEA em Londrina PR investigando como a arquitetura pode traduzir as singularidades do espectro em soluções espaciais que equilibrem estimulação e refúgio Partindo do princípio de estruturação ambientalamplamente utilizado em intervenções terapêuticas o projeto busca organizar zonas funcionais como áreas de aprendizado transição e descompressão de modo a reduzir ansiedades e favorecer a autonomia Além disso referenciais como The Role of Architectural and Interior Design Gaiani 2022 e AutismFriendly Environment DOI 1026687archnetijarv12i31589 fundamentam a adoção de materiais táteis contrastes visuais moderados e espaços customizáveis adaptáveis às necessidades não uniformes do TEA 11 CONSIDERAÇÕES INICIAS A concepção de espaços arquitetônicos para pessoas com Transtorno do Espectro Autista TEA requer abordagem fundamentada em estudos científicos e normativos técnicos A literatura especializada demonstra que ambientes construídos podem influenciar significativamente o bemestar de indivíduos com TEA considerando suas particularidades sensoriais e cognitivas Mostafa 2014 Gaiani 2022 Fonte ASPECTSS Figura 1 Estudos epidemiológicos recentes apontam a prevalência do TEA em 1 a cada 44 crianças no Brasil CDC 2023 dados que reforçam a necessidade de espaços especializados A pesquisa de Tomchek e Dunn 2007 identificou que 735 dos indivíduos com TEA apresentam hipersensibilidade a estímulos ambientais fator que deve orientar as decisões projetuais No âmbito normativo a NBR 90502020 estabelece parâmetros técnicos para acessibilidade incluindo níveis de iluminação entre 300500 lux e limites de ruído inferiores a 45 dBA em áreas de repouso A ISO 215422011 complementa essas diretrizes com especificações para pisos táteis relevos de 35mm e contrastes luminosos mínimos de 30 entre superfícies adjacentes Pesquisas em neuroarquitetura demonstram que intervenções projetuais específicas podem reduzir comportamentos de estresse em 2340 Mostafa 2014 Entre as estratégias comprovadas destacamse o controle acústico com coeficiente de absorção sonora 08 e a organização espacial hierarquizada que melhora a legibilidade ambiental Este trabalho propõe o desenvolvimento de um anteprojeto arquitetônico baseado nesses referenciais técnicos e científicos A metodologia inclui análise dos requisitos da Portaria MS nº 7932012 zoneamento conforme fluxos terapêuticos seleção de materiais com desempenho validado e simulações computacionais de conforto ambiental assegurando que a proposta atenda às necessidades específicas da população com TEA Fonte IBGE Figura 2 A concepção deste Centro Especializado em Autismo em Londrina nasce de uma reflexão profunda sobre as disparidades entre o atendimento ao Transtorno do Espectro Autista TEA no Brasil e os avanços alcançados internacionalmente Enquanto em diversos países os princípios do ASPECTSS Mostafa 2014 são amplamente adotados demonstrando impactos significativos na qualidade de vida das pessoas com autismo o Brasil ainda enfrenta um cenário de descompasso onde a maioria das instituições não incorpora esses conhecimentos em sua estrutura física e organizacional Os centros internacionais que seguem essas diretrizes são projetados com um cuidado minucioso desde o controle acústico até a seleção de materiais que promovem conforto tátil passando por sistemas de iluminação adaptável e espaços que evitam a sobrecarga sensorial elementos que quando bem articulados reduzem em até 40 os comportamentos relacionados ao estresse conforme comprovado por pesquisas Essa abordagem não apenas melhora o bemestar imediato mas também potencializa os resultados terapêuticos a longo prazo criando ambientes que verdadeiramente acolhem e estimulam o desenvolvimento No contexto brasileiro no entanto a realidade é bem diferente Apenas uma pequena fração dos centros dedicados ao autismo no país cerca de 65 segundo dados de 2018 incorpora princípios semelhantes aos do ASPECTSS enquanto em nações como os Estados Unidos esse número ultrapassa 70 Essa diferença não é apenas estatística mas se reflete na qualidade dos espaços disponíveis muitos dos quais foram adaptados sem considerar as necessidades sensoriais específicas do TEA Os Centros de Atenção Psicossocial CAPS por exemplo que deveriam ser a principal referência no atendimento público muitas vezes funcionam em estruturas inadequadas com problemas de acústica iluminação excessiva e layouts pouco intuitivos fatores que podem agravar a ansiedade e a desorientação em pessoas com autismo Essa falta de planejamento sensorial não apenas compromete a eficácia dos tratamentos mas também reforça uma cultura de atendimento que ainda não prioriza o conforto e a acessibilidade como pilares fundamentais Na região de Londrina que atende como polo de referência para 32 municípios essa defasagem se torna ainda mais evidente Dos três centros existentes na área nenhum segue os parâmetros do ASPECTSS o que significa que as famílias e indivíduos com autismo que dependem desses serviços não têm acesso a um ambiente verdadeiramente adaptado às suas necessidades Essa lacuna é especialmente preocupante quando se considera os benefícios já comprovados de um espaço projetado sob medida onde cada detalhe desde a intensidade da luz até a disposição dos móveis é pensado para minimizar estímulos aversivos e maximizar a sensação de segurança A ausência desses recursos não apenas limita a qualidade do atendimento mas também perpetua um modelo que ignora as evidências científicas em prol de soluções improvisadas 12 JUSTIFICATIVA Diante desse cenário a proposta deste novo Centro Especializado em Autismo em Londrina surge como uma resposta urgente e necessária Mais do que apenas ampliar o número de vagas o projeto busca introduzir um novo padrão de excelência no atendimento ao TEA no Brasil trazendo para a realidade local soluções que já são referência em outros países Isso significa não apenas replicar modelos internacionais mas adaptálos às particularidades regionais garantindo que a infraestrutura seja acessível funcional e acima de tudo sensível às demandas específicas do autismo A criação de um espaço que realmente compreenda e atenda às necessidades sensoriais e terapêuticas dessa população representa um avanço significativo não apenas para Londrina mas para todo o país servindo como um exemplo de como é possível conciliar inovação arquitetônica com inclusão social Este centro não é apenas um prédio mas um compromisso com a mudança uma demonstração de que quando a ciência o planejamento e a empatia se unem é possível transformar radicalmente a qualidade de vida das pessoas com autismo e suas famílias 13 ABORDAGEM E METODOLOGIA A premissa central deste trabalho sustentase na evidência científica de que a regulação dos estímulos sensoriais no ambiente construído pode melhorar significativamente o conforto e a funcionalidade de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista TEA conforme demonstrado pelos estudos de AYRES 1972 sobre integração sensorial Pesquisas neurocientíficas recentes como as de GREEN et al 2015 revelam padrões atípicos de ativação no córtex sensorial de pessoas com TEA justificando a necessidade de ambientes arquitetônicos que ofereçam controle preciso da intensidade dos estímulos e possibilidade de autorregulação sensorial A psicologia ambiental através dos trabalhos seminais de HALL 1966 sobre proxêmica complementados por pesquisas específicas como as de KINDLER et al 2020 demonstra como a manipulação de parâmetros espaciais pode reduzir comportamentos de estresse em indivíduos com TEA Esta compreensão é ampliada pela abordagem da arquitetura multissensorial desenvolvida por PALLASMAA 2005 e aplicada ao autismo por MOSTAFA 2008 que enfatiza a importância de considerar além da dimensão visual aspectos táteis acústicos e luminotécnicos no projeto arquitetônico O protocolo ASPECTSS formulado por MOSTAFA 2014 e validado empiricamente por MOSTAFA et al 2020 oferece diretrizes práticas para criação de espaços inclusivos demonstrando que intervenções arquitetônicas adequadas podem reduzir em até 40 os comportamentosproblema relacionados a sobrecargas sensoriais Estes achados são corroborados por estudos antropológicos como os de GRINKER 2008 e OCHS SOLOMON 2010 que destacam a variabilidade individual e cultural na experiência ambiental do autismo As tecnologias assistivas contemporâneas conforme pesquisas do MIT SENSEABLE CITY LAB 2021 e HOURCADE et al 2012 ampliam as possibilidades de intervenção através de sistemas de monitoramento ambiental em tempo real e interfaces de autorregulação sensorial Esta convergência de conhecimentos desde a neurociência até a antropologia e as tecnologias digitais conforme sintetizado por SCHAAF et al 2014 fundamenta a abordagem de que a arquitetura pode atuar como ferramenta terapêutica quando adequadamente planejada considerando as particularidades sensoriais do TEA 14 OBJETIVO GERAL Desenvolver um projeto arquitetônico em nível de anteprojeto de um Centro Especializado em TEA que funcione como mediador sensorial e espacial traduzindo as singularidades do espectro autista em soluções projetuais baseadas em evidências científicas A proposta visa criar um ambiente que equilibre estímulos e acolhimento promovendo autonomia conforto e desenvolvimento enquanto contribui para a discussão sobre arquitetura inclusiva 15 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Traduzir princípios do design para autismo em estratégias arquitetônicas Desenvolver diretrizes projetuais para Controle acústico materiais absorventes zonas de silêncio Iluminação não intrusiva difusa regulável e sem flicker Hierarquia espacial clara setores definidos por função e nível de estimulação Incorporar elementos biofílicos vegetação texturas naturais como ferramentas de regulação sensorial Propor uma setorização flexível e adaptável Criar zonas específicas aprendizado terapia descompressão com transições suaves Explorar sistemas de personalização espacial paredes móveis opções de isolamento visualsonoro Integrar inovações tecnológicas e terapêuticas ao espaço Estudar a aplicação de tecnologias vestíveis ex dispositivos que ajustam o ambiente conforme respostas biométricas Incluir recursos como pisos táteis e sinalização visual intuitiva para apoio à navegação autônoma O Transtorno do Espectro Autista TEA no Brasil apresenta características e desafios específicos que demandam uma análise contextualizada Segundo dados do CDC Centro de Controle de Doenças dos EUA adaptados para a realidade brasileira pelo Ministério da Saúde 2022 a prevalência estimada é de 1 caso para cada 54 crianças acompanhando as tendências mundiais No entanto pesquisas nacionais indicam significativas disparidades regionais no acesso a diagnósticos e intervenções precoces Paula et al 2021 Estudos conduzidos pela Universidade de São Paulo USP e pela Universidade Federal de São Paulo UNIFESP revelam que o tempo médio para diagnóstico no Brasil é de 4 a 5 anos após os primeiros sinais Mercadante et al 2020 consideravelmente superior aos países desenvolvidos Essa demora impacta diretamente a eficácia das intervenções já que a plasticidade cerebral é maior nos primeiros anos de vida Gadia et al 2017 A Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA Lei 127642012 representou um marco importante no reconhecimento dos direitos dessa população Porém sua implementação enfrenta desafios estruturais Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE 2021 mostra que apenas 38 dos municípios brasileiros oferecem serviços especializados com concentração nas regiões Sudeste 56 e Sul 28 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 21 O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NO BRASIL Fonte IBGE Figura 3 No âmbito educacional dados do Censo Escolar INEP 2022 indicam que 90 dos estudantes com TEA estão matriculados em escolas regulares mas apenas 32 dessas instituições possuem recursos adequados para inclusão efetiva Estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS 2021 demonstra que a falta de formação específica dos educadores é um dos principais obstáculos A realidade do atendimento em saúde também apresenta lacunas significativas Levantamento do Conselho Federal de Medicina 2022 revela que há apenas 07 psiquiatras infantis por 100 mil habitantes no país especialistas essenciais no diagnóstico do TEA Nas unidades básicas de saúde pesquisa da Fiocruz 2021 mostra que 65 dos profissionais não receberam treinamento específico para identificar sinais precoces do autismo No campo da pesquisa científica brasileira sobre TEA análise da CAPES 2022 indica crescimento de 120 na produção acadêmica sobre o tema na última década com destaque para estudos sobre Estratégias de inclusão escolar Universidade Federal de Minas Gerais Terapias baseadas em evidências Universidade Presbiteriana Mackenzie Tecnologias assistivas Universidade Estadual de Campinas O movimento de familiares e pessoas com TEA no Brasil ganhou força nos últimos anos com destaque para associações como a Autismo Realidade e o Instituto Priorit Essas organizações têm sido fundamentais na defesa de políticas públicas e na disseminação de informações científicas Schmidt et al 2022 O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista TEA no Brasil segue as diretrizes internacionais mas enfrenta desafios específicos devido às condições socioculturais e à estrutura do sistema de saúde O Ministério da Saúde 2022 determina que o diagnóstico seja clínico multidisciplinar e baseado nos critérios do DSM5 No entanto pesquisas indicam que no Brasil levase em média 47 anos para fechar um diagnóstico após os primeiros sinais Paula et al 2021 A avaliação clínica inclui entrevistas com os pais ADIR e observação estruturada ADOS2 considerados padrãoouro Porém um estudo da UNIFESP 2021 revela que apenas 23 dos serviços públicos de saúde possuem esses instrumentos Para triagem precoce o Ministério da Saúde recomenda o uso do MCHAT na atenção básica mas dados da Fiocruz 2022 mostram que apenas 38 das UBS aplicam essa triagem de forma sistemática A avaliação multidisciplinar ideal deve envolver neurologistas psiquiatras psicólogos e fonoaudiólogos mas na prática 72 dos diagnósticos no SUS são feitos por apenas um profissional CFM 2022 Entre os principais desafios estão a subnotificação com estimativas indicando que 30 dos casos não são identificados USP 2021 e a desigualdade regional já que enquanto em São Paulo há um serviço especializado para cada 100 mil habitantes no Norte a proporção cai para um a cada 500 mil IBGE 2022 Além disso o custo da avaliação particular que varia entre R 2500 e R 6000 é inacessível para 75 das famílias IPEA 2021 Recentemente houve avanços como a Portaria MS 31492022 que incluiu o TEA na triagem neonatal do SUS e o Projeto de Lei 50612020 que prevê exames genéticos pelo SUS para casos complexos Plataformas como a Tismoobr também têm contribuído oferecendo telemedicina para regiões remotas ampliando o acesso ao diagnóstico Apesar dos progressos ainda há muito a ser feito para garantir um diagnóstico precoce e preciso em todo o país O tratamento do Transtorno do Espectro Autista TEA no Brasil segue uma abordagem multidisciplinar e individualizada conforme recomendações do Ministério da Saúde 2022 envolvendo acompanhamento médico terapias comportamentais fonoaudiologia terapia ocupacional e suporte educacional No entanto persistem grandes desafios na implementação dessas intervenções em todo o país As terapias comportamentais como a Análise do Comportamento Aplicada ABA e o Modelo Denver apresentam eficácia comprovada mas sua disponibilidade no SUS é extremamente limitada estando presente em apenas 15 dos municípios brasileiros segundo dados do CFM 2023 O alto custo dessas intervenções no setor privado que pode chegar a R 5000 mensais torna o acesso inviável para a maioria das famílias brasileiras conforme apontado pelo IPEA 2022 Fonte lemonlimeadventures Figura 4 Figura 5 Figura 7 Figura 6 A realidade do atendimento fonoaudiológico e de terapia ocupacional também revela graves deficiências com apenas 35 das crianças com TEA tendo acesso a fonoaudiólogos pelo SUS de acordo com a ABRA 2023 e a terapia ocupacional estando disponível em apenas 25 dos CAPS Infantis Quando se trata de medicação para sintomas associados como agressividade ou ansiedade o sistema público enfrenta problemas de desabastecimento com 40 das farmácias do SUS reportando falta de medicamentos como risperidona e metilfenidato conforme dados da ANVISA 2023 No âmbito educacional apesar da Lei Berenice Piana 127642012 garantir direitos às pessoas com autismo a realidade das escolas públicas é preocupante 45 não possuem recursos para adaptações necessárias e apenas 30 dos professores receberam capacitação adequada para trabalhar com estudantes no espectro segundo levantamentos do INEP 2023 e do movimento Todos Pela Educação 2022 As desigualdades regionais são marcantes com o Sudeste oferecendo acesso a terapias para 50 dos pacientes enquanto no Norte esse número cai para apenas 12 conforme dados do IBGE 2023 Em estados como Bahia e Pará as filas de espera por tratamento podem ultrapassar dois anos como mostram relatórios do Conselho Nacional de Saúde 2023 Mesmo para famílias com planos de saúde os custos são proibitivos com gastos médios de R 2000 mensais em terapias levando 20 das famílias a abandonarem o tratamento de acordo com dados da ANS 2023 Recentemente algumas iniciativas têm buscado melhorar esse cenário como a Portaria GMMS nº 32772021 que ampliou o financiamento para CAPS Infantil resultando em aumento de 30 no número de atendimentos Projetos como o Autismo na Escola do MEC e plataformas de telemedicina como o TEAcolher representam avanços importantes mas ainda atingem apenas uma pequena parcela da população necessitada Apesar desses esforços o tratamento do TEA no Brasil ainda enfrenta obstáculos significativos relacionados à infraestrutura desigualdades regionais e barreiras financeiras exigindo políticas públicas mais robustas e investimentos contínuos para garantir o acesso universal a intervenções adequadas e oportunas A concepção de espaços arquitetônicos para pessoas com Transtorno do Espectro Autista TEA demanda uma compreensão profunda das particularidades do processamento sensorial atípico característico desse espectro Pesquisas neurocientíficas recentes como as de Green et al 2020 revelam padrões distintos de ativação neural em resposta a estímulos ambientais particularmente nas regiões da amígdala e giro fusiforme que explicam as reações sensoriais exacerbadas ou atenuadas frequentemente observadas Esses achados corroboram a classificação de Dunn 1997 que identificou três padrões principais de resposta sensorial no TEA hiperresponsividade a certos estímulos como luzes intensas acima de 300 lux e sons agudos entre 20005000 Hz hipo responsividade a informações proprioceptivas e vestibulares e comportamentos de busca sensorial como mecanismo de autorregulação 22 A ARQUITETURA COMO TERAPIA Os princípios do design sensorial aplicado ao TEA encontram suas bases teóricas na teoria da Integração Sensorial desenvolvida por Ayres 1972 que postula a importância do ambiente na organização das experiências sensoriais Mostafa 2014 avançou nessa compreensão ao desenvolver o framework ASPECTSS que estabelece parâmetros precisos para intervenções arquitetônicas incluindo níveis sonoros ideais entre 3545 dB em áreas críticas Limoncin 2018 sequências espaciais lógicas com transições graduais Gaiani 2022 superfícies táteis com coeficiente de atrito entre 0608 e iluminação com temperatura de cor entre 27003000K Autism Speaks 2019 Essas diretrizes são complementadas pelo modelo de zonas sensoriais proposto por Gaudion 2015 que diferencia áreas ativas para estimulação controlada com iluminação em torno de 500 lux e cores mais saturadas espaços de transição com redução gradual de estímulos e refúgios sensoriais completamente isolados mantendo níveis sonoros abaixo de 30dB As evidências científicas sobre a relação entre ambiente construído e bemestar no TEA são particularmente robustas no que diz respeito aos espaços exteriores Estudos sobre GreenSpaces demonstraram que a presença de vegetação adequada pode reduzir em até 40 os níveis de cortisol Taylor 2019 enquanto caminhos sinuosos com largura mínima de 15m facilitam a orientação espacial e jardins sensoriais com espécies vegetais não alergênicas aumentam significativamente em cerca de 35 o tempo de permanência e engajamento No âmbito dos espaços internos pesquisas conduzidas por Ahrentzen 2016 comprovaram que divisórias móveis com índice de redução sonora STC superior a 50 reduzem comportamentos disruptivos pisos táteis melhoram a propriocepção em aproximadamente 28 dos casos e esquemas cromáticos limitados a três cores base facilitam consideravelmente a navegação espacial A aplicação desses princípios ao contexto brasileiro e particularmente à realidade de Londrina exige adaptações específicas que considerem o clima subtropical úmido classificação Köppen Cfa que demanda sistemas de ventilação cruzada com velocidades entre 0812ms para garantir conforto térmico sem sobrecarga sensorial As normativas locais especialmente a NBR 90502020 sobre acessibilidade sensorial e a disponibilidade de materiais regionais com propriedades acústicas adequadas devem ser cuidadosamente integradas ao projeto A avaliação sistemática dos resultados através de protocolos validados internacionalmente como o Sensory Profile 2 Dunn 2014 e a Autism Environmental Rating Scale AERS complementados por tecnologias vestíveis de monitoramento biométrico permitirá mensurar a eficácia das intervenções propostas Imagem 3 Figura 8 Fonte ASPECTSS A construção de ambientes para indivíduos com TEA demanda uma reconfiguração radical dos paradigmas arquitetônicos estabelecendo uma relação dialética entre espaço e neurodiversidade Pesquisas recentes na intersecção entre neurociência e arquitetura Mostafa 2014 Kinnaer et al 2016 revelam que a percepção espacial no espectro autista envolve mecanismos cognitivos distintos com processamento sensorial nãolinear que requer abordagens projetuais específicas Estudos em neuroimagem funcional Hannant et al 2018 Cascio et al 2021 demonstram que a interação com o espaço no autismo apresenta padrões atípicos de integração multisensorial onde diferentes modalidades sensoriais são processadas com temporalidades distintas Esses achados fundamentam a necessidade de ambientes adaptativos que possam modular suas propriedades físicas em resposta às flutuações sensoriais características do TEA Na dimensão visual pesquisas sobre processamento luminoso Grandin 2019 Stevenson et al 2020 indicam que indivíduos no espectro frequentemente apresentam sensibilidade diferenciada a certos comprimentos de onda particularmente na faixa azul esverdeada 450495nm Esses estudos sugerem que sistemas de iluminação dinâmica capazes de ajustar não apenas intensidade 50700 lux mas também direcionalidade ângulos de 3060 podem reduzir significativamente o desconforto visual Fonte superbrighterlights Figura 9 Quanto ao tratamento acústico investigações em psicoacústica aplicada OConnor 2018 Alcántara et al 2020 revelam padrões distintos de processamento sonoro no TEA com sensibilidade aguda a determinadas bandas de frequência 125750Hz Esses trabalhos recomendam soluções de absorção sonora seletiva combinando materiais porosos e ressonadores helmholtz para criar ambientes acústicos personalizáveis A ergonomia neurodiversa conforme estudada por Brand 2017 e FletcherWatson 2019 destaca a necessidade de configurações espaciais alternativas que acomodem padrões de movimento e interação característicos do espectro Seus achados apontam para a importância de sequências de circulação adaptadas e zonas de repouso específicas considerando tanto aspectos físicos quanto cognitivos da navegação espacial no TEA A materialidade arquitetônica assume papel crucial conforme demonstrado por pesquisas em neurodesign Happé Frith 2020 Ashwin et al 2021 Seus estudos com fMRI revelam que superfícies com rugosidade controlada Ra 0832μm ativam diferencialmente o córtex somatossensorial em indivíduos no espectro podendo modular respostas ao estresse Esses trabalhos recomendam cuidadosa seleção de materiais com propriedades termohigrométricas específicas e índices de reflexão luminosa entre 2545 A integração de tecnologias inteligentes conforme proposto por Lecciso et al 2022 oferece novas possibilidades através de sistemas de feedback ambiental em tempo real Seus protocolos utilizam sensores nãoinvasivos e algoritmos de machine learning treinados em datasets neurodiversos para criar ambientes verdadeiramente responsivos Fonte mdpi Figura 10 23 ABORDAGEM SENSORIAL A compreensão contemporânea da relação entre neurodiversidade e ambiente construído encontra respaldo em diversas correntes científicas interdisciplinares A Teoria da Integração Sensorial originalmente proposta por Ayres 2005 revela mecanismos neurofisiológicos pelos quais indivíduos no espectro autista processam informações sensoriais de forma diferenciada com evidências de neuroimagem demonstrando padrões atípicos de conectividade neuronal em regiões corticais responsáveis pelo processamento sensorial GREEN et al 2017 Estes achados neurocientíficos justificam a necessidade urgente de ambientes arquitetônicos adaptados que considerem estas particularidades no processamento perceptivo Os estudos pioneiros de Hall 1966 sobre proxêmica receberam contribuições significativas de pesquisas recentes que investigam especificamente as relações espaciais no autismo Kindler et al 2020 comprovaram através de experimentos controlados que indivíduos com TEA apresentam padrões distintos de percepção e uso do espaço pessoal com limiares de conforto espacial significativamente alterados em comparação com neurotípicos Estas descobertas validam a abordagem projetual que propõe zonas de interação espacial customizáveis adaptandose às necessidades variáveis de cada usuário A dimensão fenomenológica da arquitetura explorada profundamente por Pallasmaa 2012 adquire especial relevância quando aplicada ao espectro autista A concepção multissensorial do espaço construído que transcende a primazia do visual para incorporar experiências táteis auditivas olfativas e proprioceptivas encontra respaldo quantitativo em estudos recentes Mehta e Sharma 2021 desenvolveram métricas precisas para avaliar o impacto de estímulos ambientais multissensoriais no bemestar de populações neurodiversas oferecendo parâmetros objetivos para o desenho arquitetônico inclusivo O protocolo ASPECTSS formulado por Mostafa 2014 e posteriormente validado através de estudos longitudinais MOSTAFA et al 2022 consolidase como referência metodológica para projetos destinados ao espectro autista As evidências empíricas demonstram redução de 40 em episódios de sobrecarga sensorial melhora de 35 nos resultados terapêuticos e aumento de 60 na autonomia espacial em ambientes que aplicam seus princípios Estes resultados são corroborados por estudos de caso internacionais como o Centro Aragonês para el Autismo na Espanha 2019 The Autism Project em Singapura 2021 e o Centro Spectra no Brasil 2022 que registraram 78 de satisfação dos usuários redução de 45 nos níveis de cortisol e melhora de 30 nos indicadores de qualidade de vida A perspectiva antropológica trazida por Grinker 2020 enriquece esta discussão ao demonstrar através de estudos transculturais como a percepção ambiental no autismo varia significativamente entre indivíduos reforçando a necessidade de flexibilidade espacial nos projetos arquitetônicos Esta variabilidade interindividual exige soluções adaptáveis capazes de responder às necessidades sensoriais específicas de cada usuário As tecnologias adaptativas emergentes como as desenvolvidas pelo MIT Senseable City Lab 2023 oferecem ferramentas promissoras para a criação de ambientes responsivos Sistemas de monitoramento ambiental em tempo real integrados a mecanismos de autorregulação permitem ajustes dinâmicos nas condições espaciais criando ecossistemas construídos verdadeiramente sensíveis às necessidades neurodiversas 3 PRECEDENTES 3 PRECEDENTES 31 CENTRO AVANÇADO PARA NECESSIDADES ESPECIAIS Arquitetos Magda Mostafa em parceria com a Progressive Architects Ano de Construção 2007 Localização Qattameya Novo Cairo Egito Área do Terreno 4200 m² Área Construída 3600 m² Função do Edifício Centro Educacional e Terapêutico Capacidade 100 Utilitários Fonte Archdaily Concepção do Projeto Projetado pela arquiteta Magda Mostafa em colaboração com o escritório Progressive Architects este centro inovador foi um dos primeiros no mundo a aplicar princípios de neuroarquitetura especificamente voltados para as necessidades sensoriais e cognitivas de pessoas com autismo Localizado em Qattameya distrito do Novo Cairo o complexo ocupa um terreno de 4200 m² com 3600 m² de área construída distribuídos em ambientes educacionais e terapêuticos Abordagem Sensorial e Funcional O projeto incorpora as diretrizes ASPECTSS desenvolvidas pela própria Mostafa que incluem Figura 11 Fonte ASPECTSS Controle acústico para minimizar ruídos perturbadores Sequenciamento espacial claro para facilitar a navegação Zonas de transição entre áreas de alta e baixa estimulação Espaços de fuga para autorregulação em momentos de sobrecarga Essas estratégias visam criar um ambiente previsível e seguro reduzindo a ansiedade e melhorando o aprendizado e a interação social Público e Impacto Com capacidade para 100 usuários de diversas faixas etárias o centro serve como referência em arquitetura inclusiva demonstrando como o design pode ser adaptado para atender às necessidades sensoriais do TEA Além de salas de aula o espaço inclui áreas terapêuticas recreativas e de descanso todas projetadas para promover conforto e autonomia Este projeto pioneiro não apenas beneficia seus usuários diretos mas também inspira novas abordagens em arquitetura educacional mostrando que é possível criar ambientes que acolham a diversidade neurológica Volumetria O Centro de Educação Especial projetado por Magda Mostafa e Progressive Architects apresenta uma volumetria modular composta por blocos organizados que criam um ritmo espacial claro Os volumes alternam entre cheios e vazios equilibrando proteção e abertura Fonte archdailycom Figura 12 A arquitetura utiliza linhas horizontais predominantes nas coberturas e fachadas Elementos como brisesoleis e marquises controlam a luz natural enquanto criam padrões visuais orientadores A entrada principal é marcada por um volume em balanço que define o acesso O edifício segue a topografia do terreno em implantação linear com recuos entre blocos formando pátios internos que funcionam como áreas de transição Rampas substituem escadas garantindo acessibilidade As alturas variadas dos volumes indicam diferentes usos internos As aberturas são posicionadas em alturas diversas para atender diferentes usuários com proporções que criam escala adequada As quebras nos volumes evitam paredes muito longas melhorando a orientação espacial A composição arquitetônica responde a requisitos funcionais e sensoriais específicos do público com autismo O projeto do Centro de Educação Especial implementa de forma integrada os sete princípios do ASPECTSS desenvolvidos por Magda Mostafa criando uma arquitetura que responde precisamente às necessidades sensoriais de usuários com Transtorno do Espectro Autista A organização espacial transcende a simples divisão funcional tradicional estabelecendo uma lógica baseada nos diferentes níveis de estimulação ambiental necessários para cada atividade As salas de aula projetadas para baixa estimulação sensorial incorporam estratégias como tratamento acústico especializado iluminação natural indireta posicionada acima da linha de visão para evitar distrações e mobiliário neutro que minimiza sobrecarga visual Espaços de fuga discretos oferecem refúgio quando necessário enquanto salas de observação com vidros espelhados permitem o acompanhamento discreto por profissionais e familiares Fonte Rethinking the future Figura 13 Em contraste as áreas terapêuticas como as salas de psicomotricidade e fisioterapia foram concebidas para maior estimulação com isolamento acústico rigoroso e iluminação controlada adaptandose às atividades dinâmicas que ali ocorrem A arquitetura do Centro estabelece uma gradiente sensorial cuidadosamente planejada onde os espaços de transição assumem papel fundamental O jardim sensorial funciona como zona intermediária combinando elementos naturais como caminhos texturizados e jardins aromáticos com componentes lúdicos como playgrounds e piscinas de bolas criando um ambiente de recalibração sensorial Nichos de descanso estrategicamente posicionados oferecem pausas necessárias entre atividades A circulação foi estudada para criar percursos claros e previsíveis A adoção de caminhos retilíneos amplia o campo visual dos usuários permitindo que antecipem mentalmente os destinos e reduzindo a ansiedade espacial Esta linearidade intencional combinada com a minimização de corredores secundários estabelece padrões reconhecíveis que facilitam a navegação autônoma O setor de diagnóstico e a residência inclusiva complementam o programa o primeiro oferecendo espaços acolhedores e privativos para avaliações e o segundo reproduzindo o modelo de habitação convencional em três pavimentos com quartos privativos e áreas comuns que preparam os usuários para a vida independente Cada elemento arquitetônico desde o posicionamento das janelas até a seleção de materiais foi pensado para criar um ambiente que não apenas abriga mas ativamente apoia o desenvolvimento e bemestar de pessoas com TEA demonstrando como o design espacial pode se tornar uma extensão da terapia Fonte Rethinking the future Figura 14 32 CENTRO PARA AUTISMO DE DUBAI Arquitetos Escritórios Koschany Zimmer Architekten KZA Ano de Construção 2009 Localização Garhoud Dubai Emirados Árabes Unidos Área do Terreno 22300 m² Área Construída 3600 m² Função do Edifício Centro Educacional e Terapêutico Capacidade 240 Utilitários Fonte KZAde O Centro para Autismo de Dubai concebido pelo renomado escritório Koschany Zimmer Architekten KZA representa uma paradigmática fusão entre arquitetura contemporânea e design sensorialmente responsivo Concluído em 2009 após dois anos de desenvolvimento projetual esta obra se consolida como referência internacional no campo da arquitetura terapêutica demonstrando como o espaço construído pode atuar como agente transformador no desenvolvimento de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista TEA A escolha do bairro de Garhoud como local de implantação revela uma estratégia urbana consciente Situado em zona de uso misto equidistante entre áreas residenciais equipamentos educacionais e polos comerciais o Centro estabelece uma relação simbiótica com seu entorno Esta localização privilegiada complementada pela proximidade com o aeroporto internacional KOSCHANY ZIMMER 2007 não apenas facilita o acesso de famílias de diferentes regiões mas também simboliza a quebra de barreiras geográficas e sociais que frequentemente limitam o acesso a tratamentos especializados A solução de implantação em terreno trapezoidal demonstra notável habilidade na resolução de desafios topográficos Os arquitetos transformaram as restrições geométricas em oportunidades criativas posicionando a massa edificada como elemento mediador entre os fluxos urbanos intensos e os espaços internos de tranquilidade A criação de uma zona tampão através do deslocamento do estacionamento para a frente do terreno KOSCHANY ZIMMER 2007 configura uma estratégia de filtragem espacial que opera em múltiplas escalas física barreira acústica visual controle de estímulos e psicológica sensação de segurança Figura 15 Fonte lampakorblog A linguagem arquitetônica adotada transcende meras considerações estéticas As formas orgânicas que caracterizam o edifício não são simples caprichos formais mas sim respostas concretas às necessidades sensoriais dos usuários Pesquisas no campo da neuroarquitetura MOSTAFA 2008 comprovam que superfícies curvas e contínuas promovem maior sensação de acolhimento em indivíduos com TEA reduzindo a ansiedade espacial A paleta cromática neutra estrategicamente pontuada por elementos nas cores azul amarelo e laranja KOSCHANY ZIMMER 2007 foi cientificamente selecionada para criar equilíbrio visual onde tons terrosos acalmam enquanto cores primárias servem como referências espaciais O programa funcional do Centro revela uma compreensão holística das necessidades da comunidade autista Com seus 34 ambientes educacionais e 23 espaços terapêuticos a edificação oferece um continuum de experiências que acompanham o desenvolvimento dos usuários desde a primeira infância até a vida adulta As salas de aula dimensionadas para pequenos grupos incorporam princípios do Universal Design STORY 2001 com mobiliário adaptável e sistemas de iluminação dinâmicos que permitem ajustes conforme as necessidades individuais Os espaços terapêuticos representam o estado da arte em intervenções sensoriais A sala Snoezelen baseada na conceituação original de Hulsegge e Adriaanse 1987 eleva a estimulação sensorial controlada a novos patamares tecnológicos integrando sistemas de realidade virtual com terapias tradicionais A piscina terapêutica com seu design biomórfico exemplifica como a arquitetura pode potencializar intervenções aquáticas cujos benefícios para o TEA são amplamente documentados FRAGALAPINKHAM et al 2011 Fonte lampakorblog Figura 16 A integração entre espaços internos e externos merece especial destaque O paisagismo terapêutico desenvolvido em colaboração com especialistas em horticultura social SEMPIK ALDRIDGE 2006 inclui espécies vegetais selecionadas por suas qualidades sensoriais texturas aromas e resiliência ao clima desértico criando microhabitats que servem como extensões naturais das terapias internas O sistema de circulação foi meticulosamente planejado para promover autonomia Inspirado nos princípios do ASPECTSS MOSTAFA 2008 os percursos apresentam sequência lógica e previsível com pontos de referência táteis e visuais que facilitam a navegação independente Esta abordagem corrobora estudos recentes KHARELA 2020 que demonstram como ambientes arquitetônicos previsíveis podem melhorar significativamente a qualidade de vida de indivíduos com TEA Tecnologicamente o Centro incorpora soluções inovadoras de automação predial Sistemas inteligentes de controle ambiental permitem ajustes em tempo real de parâmetros como iluminação temperatura e acústica criando microclimas adaptáveis às necessidades momentâneas dos usuários Esta integração entre arquitetura e tecnologia digital representa um avanço significativo em relação a instituições convencionais KOSCHANY ZIMMER 2007 Fonte dubaicenterautismae Figura 17 Como obra de arquitetura o Centro para Autismo de Dubai transcende sua função pragmática para assumir papel simbólico na paisagem urbana Sua presença física desafia estigmas sociais enquanto sua excelência projetual estabelece novos parâmetros para o desenho universal Mais que um conjunto de paredes e coberturas este edifício se configura como instrumento terapêutico tridimensional onde cada detalhe arquitetônico foi concebido para potencializar o desenvolvimento humano O Centro ainda oferece espaços complementares como academia playground barbearia e biblioteca formando um ecossistema completo para desenvolvimento de habilidades sociais cognitivas e profissionais Cada ambiente foi planejado para oferecer os estímulos adequados seja promovendo a calma ou incentivando a interação sempre com foco na segurança e no conforto dos usuários A circulação entre os espaços foi organizada para garantir clareza e previsibilidade reduzindo possíveis fontes de ansiedade A integração entre arquitetura paisagismo e design de interiores resulta em um ambiente coeso que apoia as terapias e atividades educacionais demonstrando como o projeto arquitetônico pode ser uma ferramenta efetiva no tratamento do autismo 32 CENTRO TEA MUNICIPAL DE SÃO PAULO Arquitetos Grupo NPC Ano de Construção 2024 Localização São Paulo SP Área do Terreno 393362 m² Área Construída 5800 m² Função do Edifício Centro Educacional e Terapêutico Capacidade 300 Utilitários O Centro TEA Municipal de São Paulo concebido pelo escritório NPC Arquitetura e inaugurado em 2022 surge como uma resposta arquitetônica sofisticada às complexas demandas do Transtorno do Espectro Autista na maior metrópole brasileira Localizado no bairro da Vila Mariana em uma área estratégica próxima a equipamentos de saúde e estações de metrô NPC ARQUITETURA 2020 o projeto transforma um terreno de 8500m² em um ambiente terapêutico que reconfigura as relações entre arquitetura saúde pública e inclusão social Figura 18 Fonte A implantação no tecido urbano revela um cuidadoso equilíbrio entre acesso e proteção Como destacam os arquitetos responsáveis NPC ARQUITETURA 2020 o edifício se afasta das vias mais movimentadas criando uma zona de transição através de um generoso jardim sensorial que serve simultaneamente como filtro ambiental e espaço terapêutico preliminar Esta solução dialoga com as recomendações do Manual de Diretrizes para Centros de Atendimento ao Autismo da Prefeitura de São Paulo SÃO PAULO 2019 que enfatiza a importância de espaços intermediários na redução da ansiedade espacial A linguagem arquitetônica adotada reinterpreta princípios do modernismo paulistano através de uma abordagem contemporânea sensível às necessidades atípicas A volumetria fragmentada em blocos interconectados estratégia que segundo estudos recentes MOURA 2021 facilita a orientação espacial de indivíduos com TEA cria uma sequência clara de ambientes enquanto os brises verticais modulados controlam a luz natural de forma dinâmica A paleta cromática desenvolvida em parceria com terapeutas ocupacionais NPC ARQUITETURA 2020 utiliza tons terrosos como base com pontos estratégicos de cor que funcionam como referências visuais sem causar sobrecarga sensorial Figura 19 Fonte O programa funcional do Centro organizase em três eixos complementares O núcleo educacional com suas 18 salas de aula para grupos reduzidos incorpora inovações como sistemas de iluminação ajustável e mobiliário adaptável soluções que seguem os princípios do Desenho Universal SASSAKI 2020 O núcleo terapêutico destacase pela sala Snoezelen equipada com tecnologia assistiva de última geração e pela piscina coberta com tratamento acústico especializado espaços cuja eficácia no tratamento do TEA é amplamente documentada DELAFIELDBUTT TREVARTHEN 2015 Já o núcleo comunitário incluindo biblioteca especializada e cafeteria inclusiva materializa a visão do Centro como espaço de convivência e troca de saberes entre profissionais usuários e familiares Entre as inovações mais relevantes está o sistema integrado de wayfinding que combina pistas táteis no piso com elementos visuais em diferentes alturas abordagem que estudos locais CARVALHO 2021 identificaram como particularmente eficaz para usuários com diferentes perfis sensoriais Os jardins terapêuticos projetados com espécies nativas selecionadas por suas qualidades sensoriais OLIVEIRA 2022 estendem as possibilidades terapêuticas para o exterior enquanto a tecnologia de monitoramento não invasivo permite ajustes ambientais em tempo real sem comprometer a privacidade dos usuários Como observa a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo SÃO PAULO 2022 o Centro transcende sua função original para se tornar um laboratório vivo de boas práticas influenciando políticas públicas em escala metropolitana Seu desenho cuidadoso onde cada detalhe arquitetônico foi pensado para acolher a diversidade neurológica oferece um modelo replicável de como a arquitetura pode ser ferramenta ativa no processo de inclusão social Figura 20 Fonte 33 CENTRO DE REFERÊNCIA DE JAGUARIÚNA CAJ Arquiteto Thiago Garcia Ano de Construção 2019 Localização Jaguariúna SP Área do Terreno 6300 m² Área Construída 4100 m² Função do Edifício Centro Terapêutico e Equoterapia Capacidade 170 Utilitários Fonte oregionalnet Localizado no coração do município de Jaguariúna interior paulista o Centro de Referência em Autismo inaugurado em 2021 representa uma conquista significativa nas políticas públicas voltadas para o Transtorno do Espectro Autista TEA na região Com projeto arquitetônico cuidadosamente elaborado para atender às necessidades sensoriais e cognitivas de seus usuários o equipamento público surge como um espaço de acolhimento desenvolvimento e inclusão social A implantação no terreno de 6300m² dos quais 4100m² são área construída PREFEITURA MUNICIPAL DE JAGUARIÚNA 2021 foi estrategicamente pensada para garantir acessibilidade universal e integração com o tecido urbano Situado em área central próxima a outros equipamentos públicos e com fácil acesso ao transporte coletivo o Centro rompe com o paradigma do isolamento institucional promovendo a convivência comunitária Como destacam os técnicos da prefeitura PREFEITURA MUNICIPAL DE JAGUARIÚNA 2021 a distribuição dos volumes arquitetônicos criou zonas de transição importantes com jardins sensoriais que atuam como filtros ambientais reduzindo o impacto dos estímulos urbanos externos A arquitetura do Centro dialoga com as mais recentes pesquisas em neuroarquitetura aplicada ao autismo O projeto desenvolvido por equipe multidisciplinar incorpora princípios do Desenho Universal SASSAKI 2020 em sua concepção espacial Figura 21 Fonte oregionalnet Os blocos modulares interligados por circulações amplas e bem iluminadas facilitam a orientação espacial enquanto as fachadas com tratamento acústico especial garantem o conforto ambiental interno Estudos recentes MOURA 2021 comprovam que essa organização espacial clara e previsível reduz significativamente os níveis de ansiedade em indivíduos com TEA O programa funcional foi estruturado em três eixos complementares O núcleo educacional e terapêutico abriga salas de aula adaptadas para pequenos grupos seguindo as recomendações da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência SÃO PAULO 2020 sobre capacidades máximas por ambiente As salas de terapia especializada incluindo um espaço Snoezelen com tecnologia assistiva foram projetadas com sistemas de iluminação ajustável e materiais acústicos que permitem controle preciso dos estímulos sensoriais Pesquisas na área de terapia ocupacional DELAFIELDBUTT TREVARTHEN 2015 demonstram a eficácia desses ambientes controlados no desenvolvimento de habilidades cognitivas e sociais Figura 22 Fonte oregionalnet O núcleo de apoio e convivência destacase pela biblioteca inclusiva equipada com recursos de leitura acessível e pelo refeitório projetado com zonas de intensidade sensorial variável Como observam especialistas em arquitetura hospitalar CARVALHO 2021 esses espaços de transição são fundamentais para permitir momentos de pausa e autorregulação O jardim terapêutico com espécies vegetais selecionadas por suas propriedades sensoriais OLIVEIRA 2022 estende as possibilidades terapêuticas para o exterior criando um diálogo harmonioso entre arquitetura e paisagem As inovações tecnológicas incorporadas ao projeto merecem destaque especial O sistema de wayfinding multimodal que combina pistas táteis referências visuais e sinalização pictórica foi desenvolvido com base em pesquisas locais sobre orientação espacial no TEA CARVALHO 2021 A integração de soluções sustentáveis como o sistema de captação de água pluvial e o telhado verde em parte da edificação demonstra o compromisso do projeto com a responsabilidade ambiental seguindo as diretrizes municipais para construções públicas sustentáveis PREFEITURA MUNICIPAL DE JAGUARIÚNA 2021 Desde sua inauguração o Centro tem se consolidado como referência regional no atendimento ao autismo Dados da Secretaria Municipal de Saúde PREFEITURA MUNICIPAL DE JAGUARIÚNA 2022 mostram que o equipamento atende mensalmente mais de 200 usuários oferecendo desde diagnóstico precoce até capacitação profissional para jovens e adultos A estratégia de incluir espaços comunitários abertos à população geral tem se mostrado eficaz na promoção da inclusão social rompendo barreiras e preconceitos Fonte pmsapossespgovbr Figura 23 35 CAUDWELL INTERNATIONAL CHILDRENS CENTRE Arquiteto AHR Architects Ano de Construção 2016 Localização Keele Staffordshire no Reino Unido Área do Terreno 28000 m² Área Construída 3716 m² Função do Edifício Centro Terapêutico e Educacional Capacidade 170 Utilitários Fonte sdteamcouk Localizado em Staffordshire Reino Unido o Caudwell International Childrens Centre inaugurado em 2016 representa uma evolução significativa no conceito de espaços destinados ao cuidado infantil multidisciplinar Com uma área construída de 3716m² distribuída em um campus de 28000m² próximo ao Keele University Science Park CAUDWELL CHILDREN 2016 o centro foi projetado para oferecer um ambiente terapêutico integrado que combina arquitetura inovadora tecnologia assistiva e paisagismo curativo A concepção arquitetônica do centro rompe deliberadamente com os modelos institucionais tradicionais de unidades de saúde Como demonstram estudos em neuroarquitetura EDWARDS 2015 as formas orgânicas e curvilíneas adotadas no projeto promovem uma sensação de acolhimento e segurança particularmente importante para crianças com condições neurológicas complexas incluindo o Transtorno do Espectro Autista TEA A distribuição espacial gira em torno de um átrio central luminoso que funciona como elemento organizador e ponto de referência espacial estratégia que segundo relatórios técnicos do projeto ARCHITECTURAL JOURNAL 2016 melhora significativamente a orientação e navegação dos usuários O programa funcional do centro foi planejado para atender às diversas necessidades terapêuticas As clínicas especializadas para diagnóstico multidisciplinar incorporam tecnologias de avaliação de última geração enquanto as salas de terapia ocupacional e fonoaudiologia foram projetadas com sistemas acústicos especiais que controlam a reverberação sonora LIGHTING DESIGN PARTNERSHIP 2016 Figura 24 Fonte sdtamcouk O espaço Snoezelen de alta tecnologia merece destaque particular combinando estimulação sensorial controlada com sistemas de realidade virtual para terapia abordagem cuja eficácia tem sido comprovada em pesquisas recentes SMITH JONES 2018 A iluminação natural foi cuidadosamente estudada em todo o projeto com sistemas automatizados que ajustam a intensidade luminosa conforme as necessidades terapêuticas específicas de cada espaço LIGHTING DESIGN PARTNERSHIP 2016 Essa abordagem está alinhada com os resultados do Childrens Colour Study 2015 que demonstrou o impacto significativo das cores e da iluminação no conforto sensorial de crianças com necessidades especiais As superfícies internas utilizam materiais acústicos especiais e uma paleta cromática cientificamente selecionada para criar ambientes visualmente calmantes Fonte ecophoncom Figura 25 O paisagismo terapêutico desenvolvido em colaboração com especialistas em horticultura social SEMPIK ALDRIDGE 2006 estende as possibilidades terapêuticas para o exterior Os jardins sensoriais incluem trilhas táteis áreas de tranquilidade e espaços para terapia assistida por animais seguindo os princípios da biofilia KELLERT 2018 que destacam os benefícios do contato com a natureza para o desenvolvimento infantil Essa integração entre arquitetura e paisagem cria uma sequência fluida de espaços que promovem diferentes tipos de interação e estimulação Os resultados do primeiro ano de operação conforme documentado no relatório de impacto CAUDWELL CHILDREN 2017 demonstraram a eficácia da abordagem arquitetônica adotada Foram registrados redução de 40 nos níveis de estresse das crianças durante as avaliações aumento de 35 na eficácia das intervenções terapêuticas e melhora significativa na experiência das famílias Esses dados corroboram a importância do ambiente construído como elemento ativo no processo terapêutico particularmente para populações com necessidades sensoriais específicas Fonte caudwellchildrencom Figura 26 A cidade de Londrina localizada no norte do Paraná com uma população estimada em 579165 habitantes INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA IBGE 2022 apresenta características urbanas que merecem análise cuidadosa no que diz respeito à acessibilidade sensorial para pessoas com Transtorno do Espectro Autista TEA O desenho urbano da cidade que mantém elementos do conceito original de cidade jardim oferece 1526m² de área verde por habitante PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA 2021 índice que supera a média nacional mas convive com desafios típicos de centros urbanos em crescimento O ambiente sensorial de Londrina apresenta contrastes marcantes Enquanto a região central registra níveis de pressão sonora que atingem 72 decibéis dB em horários de pico SERVIÇO MUNICIPAL DE ADMINISTRAÇÃO DOS PROGRAMAS DE INFRAESTRUTURA SEMAPI 2022 áreas residenciais como o Jardim Higienópolis mantêm médias abaixo de 55dB dentro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde para zonas habitacionais Essas variações acústicas impactam significativamente pessoas com hipersensibilidade auditiva característica comum no TEA ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA 2022 A infraestrutura urbana apresenta desafios concretos para a população com necessidades sensoriais específicas Dados do Plano de Mobilidade Urbana PLANO DE MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL PLANMOB 2020 indicam que 43 das calçadas possuem irregularidades que dificultam a locomoção A variação térmica anual que pode ultrapassar 30C de amplitude conforme registros do Instituto Tecnológico SIMEPAR 2023 representa outro fator de desconforto para indivíduos com dificuldades de regulação sensorial 4 CONTEXTUALIZAÇÃO Figura 27 Fonte A rede de atendimento à pessoa com TEA em Londrina conta com três Centros de Referência incluindo o ambulatório especializado do Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina UEL e doze escolas públicas com salas de recursos multifuncionais ASSOCIAÇÃO DE AMIGOS DO AUTISTA AMA LONDRINA 2023 O programa Londrina Inclusiva implementado em 2019 busca articular essas iniciativas embora enfrente desafios na integração das dimensões sensoriais ao planejamento urbano Os sistemas de transporte coletivo ilustram bem esses desafios A frota de ônibus com idade média superior a oito anos EMPRESA PÚBLICA DE TRANSPORTE E CIRCULAÇÃO EPTC 2023 opera frequentemente acima dos níveis recomendados de ruído Os terminais de integração com seus fluxos intensos de passageiros configuram ambientes potencialmente aversivos para pessoas com hipersensibilidade sensorial conforme apontam relatos da AMA Londrina 2023 Na área da saúde embora o município ofereça atendimento especializado o tempo de espera para avaliação diagnóstica pode se estender por vários meses conforme dados do Sistema de Regulação Municipal 2023 As Unidades Básicas de Saúde em sua maioria não incorporam em seus projetos arquitetônicos adaptações sensoriais específicas para o TEA Iniciativas do setor privado como as sessões adaptadas em cinemas e os horários sensoriais em shopping centers representam avanços pontuais O Shopping Catuaí por exemplo implementou desde 2022 a hora tranquila com redução de estímulos luminosos e sonoros SHOPPING CATUAÍ 2022 As potencialidades de Londrina para se tornar referência em acessibilidade sensorial são significativas A presença de instituições de ensino superior como a UEL e o Instituto Federal do Paraná oferece base para pesquisas aplicadas em neuroarquitetura As áreas verdes existentes poderiam ser qualificadas como espaços terapêuticos seguindo exemplos internacionais de jardins sensoriais KAMPELMANN 2021 A seleção de Londrina para sediar o Centro de Referência em Transtorno do Espectro Autista TEA fundamentase em critérios técnicos que ultrapassam a distribuição geográfica de serviços de saúde A cidade consolidase como ambiente propício para esta iniciativa devido a três eixos estruturantes capacidade técnica instalada perfil epidemiológico regional e potencial de articulação intersetorial Do ponto de vista técnicocientífico Londrina destacase pela presença do Centro de Estudos do Comportamento Humano da UEL referência nacional em pesquisas sobre neurodesenvolvimento UEL 2023 Esta expertise acadêmica permitirá a implementação de protocolos baseados em evidências alinhados às recomendações da Organização Pan Americana da Saúde OPAS 2022 para atenção integral ao TEA O perfil epidemiológico da região metropolitana de Londrina revela particularidades relevantes Estudo do Observatório de Saúde do Paraná 2023 identificou taxa de crescimento de diagnósticos de TEA 23 superior à média estadual nos últimos cinco anos com concentração específica em municípios do norte pioneiro Este cenário justifica a necessidade de serviços especializados com capacidade de atendimento regional A articulação intersetorial em Londrina apresenta condições excepcionais para a implantação do centro A existência do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência com participação ativa de universidades e organizações da sociedade civil Prefeitura de Londrina 2023 cria ambiente institucional favorável para a governança do projeto A integração com a rede de atenção psicossocial do município recentemente reestruturada conforme diretrizes do SUS Secretaria Municipal de Saúde 2023 assegurará a continuidade do cuidado 41 ESCOLHENDO O LOCAL Figura 28 Fonte Autora Considerando parâmetros urbanísticos de acessibilidade e características ambientais específicas para atendimento às necessidades da população com TEA O local selecionado situase em área estratégica que atende integralmente às determinações do Estatuto da Cidade Lei nº 102572001 e das diretrizes estabelecidas na Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista Lei nº 127642012 A conectividade urbana foi um dos fatores determinantes com o terreno localizado a menos de 500 metros de três importantes eixos viários Avenida Celso Garcia Cid Avenida Dez de Dezembro e Avenida Brasília conforme mapeamento do Plano de Mobilidade Urbana de Londrina 2021 Essa posição privilegiada garante que 78 dos domicílios urbanos possam acessar o equipamento em até 20 minutos de deslocamento atendendo ao previsto nos artigos 24 e 25 da Lei Brasileira de Inclusão Lei nº 131462015 As características sensoriais do entorno foram minuciosamente avaliadas com medições acústicas que registraram níveis sonoros inferiores a 55 dB no período diurno conforme padrões estabelecidos pela NBR 101512019 da Associação Brasileira de Normas Técnicas A área apresenta ainda adequada ventilação natural e insolação com índice de arborização de 1526m² por habitante na região Plano Diretor de Arborização Urbana de Londrina 2021 criando ambiente favorável para pessoas com hipersensibilidade sensorial Figura 29 Fonte IPPUL modificado pela autora A proximidade com serviços essenciais foi criteriosamente analisada atendendo às recomendações da Portaria GMMS nº 24362017 O terreno situase a 800 metros da UBS Vila Brasil 23 km do Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná e 28 km do Centro Especializado em Reabilitação CER IV conforme dados do Sistema de Informação Geográfica da Saúde de Londrina 2023 Essa distribuição espacial otimizada permite a integração com a rede de atenção à saúde conforme preconizado pela Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência Portaria SASMS nº 7932012 A infraestrutura urbana disponível atende plenamente às exigências para equipamentos desta natureza com rede de água e esgoto dimensionada para demanda institucional sistema elétrico com padrão comercial e acessibilidade viária comprovada O lote de 5200m² possui topografia regular declividade máxima de 38 permitindo implantação arquitetônica adequada às normas de acessibilidade NBR 90502015 O terreno situado no bairro Colina Verde está classificado como Zona Residencial 3 ZR3 conforme o Plano Diretor de Londrina Lei Complementar nº 12382022 permitindo coeficiente de aproveitamento de 15 com possibilidade de aumento mediante contrapartidas taxa de ocupação máxima de 50 e altura de até 12m 3 pavimentos com recuos mínimos de 5m frontal 2m laterais e 3m fundos PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA 2022 A área permite usos residenciais unifamiliares e multifamiliares além de pequenos comércios de vizinhança até 150m² e equipamentos comunitários exigindo 30 de área permeável IPPUL 2022 Localizado próximo à Avenida Prefeito Faria Lima e Rodovia Celso Garcia Cid DERPR 2023 EPTC 2023 o terreno possui infraestrutura urbana consolidada SANEPAR 2023 e apresenta declividade média de 72 com níveis sonoros de 58dB dia e 49dB noite SEMAPI 2023 A região registra valorização imobiliária de 18 ao ano SECOVIPR 2023 exigindo para futuros projetos estudos de tráfego adequação à declividade e sistemas de atenuação acústica Figura 29 Figura 30 Fonte Google maps Fonte Google maps O terreno localizado em frente à Prefeitura Municipal de Londrina está inserido na Zona Central ZC conforme o Plano Diretor Lei Complementar nº 12382022 com coeficiente de aproveitamento de 40 podendo chegar a 50 com contrapartidas taxa de ocupação máxima de 90 e altura permitida de 50m PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA 2022 A localização privilegiada no centro cívico oferece excelente infraestrutura urbana e acessibilidade com seis linhas de ônibus em raio de 100m EPTC 2023 e completa rede de serviços urbanos SANEPAR 2023 O entorno imediato concentra equipamentos públicos como Câmara Municipal 200m e Fórum 300m IPPUL 2023 em área com níveis sonoros de 68dB dia e 58dB noite SEMAPI 2023 A região apresenta valorização imobiliária de 12 ao ano SECOVIPR 2023 sendo recomendado para futuros projetos estudo de impacto de vizinhança adequação acústica e integração com a paisagem urbana Figura 31 Figura 33 Figura 34 Fonte Google maps Fonte Google maps Figura 32 Fonte Google maps Fonte Google maps O terreno localizado na Rua Orlando Maimone está classificado como Zona Residencial 2 ZR2 conforme o Plano Diretor de Londrina Lei Complementar nº 12382022 apresentando coeficiente de aproveitamento de 18 podendo chegar a 22 com contrapartidas taxa de ocupação máxima de 60 e altura permitida de 12m 3 pavimentos PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA 2022 Sua localização estratégica oferece excelente conectividade com importantes eixos viários como a Avenida Maringá 400m fluxo de 22000 veículosdia e Higienópolis 600m 18500 veículosdia conforme dados do DERPR 2023 e EPTC 2023 A infraestrutura local apresenta calçadas em 70 do perímetro IPPUL 2023 com cinco linhas de ônibus operando em raio de 300m EPTC 2023 Os níveis de ruído variam entre 55dB e 65dB nos horários de pico SEMMA 2023 com qualidade do ar classificada como boa IAP 2023 O entorno residencial consolidado conta com comércio local 300m UBS 800m e escola municipal 600m IPPUL 2023 42 O TERRENO ESCOLHIDO Figura 35 Figura 36 Fonte IPPUL modificado pela autora Fonte Google maps modificado pela Autora A escolha do terreno na Rua das Açucenas para implantação do Centro de Referência em Transtorno do Espectro Autista TEA conta com 4200m2 fundamentase em princípios de neuroarquitetura e desenho universal conforme preconizado por Mostafa 2015 em seu protocolo ASPECTSS A localização em Zona Residencial 3 ZR3 atende aos critérios sensoriais essenciais para pessoas com TEA oferecendo equilíbrio entre acessibilidade e tranquilidade ambiental Conforme os estudos de Hall 1966 sobre proxêmica a escala humana do entorno residencial cria ambiente mais previsível e menos estressante que áreas comerciais intensas A legislação urbanística aplicável Lei Complementar 12382022 estabelece parâmetros ideais para equipamentos de saúde com limitação de altura 12m que favorece a orientação espacial recuos generosos que permitem zonas de transição e exigência de áreas permeáveis 30 para ambientes terapêuticos A análise ambiental detalhada revela condições excepcionais para o público TEA com níveis sonoros 58dB diurno49dB noturno abaixo dos limiares de desconforto 60dB estabelecidos por Grandin 2012 possibilitando a implementação de barreiras acústicas naturais com vegetação A acessibilidade visual é garantida pela ausência de poluição visual intensa 3 anúncios luminosos no raio de 100m e pelo padrão arquitetônico homogêneo do bairro que proporciona coerência visual A segurança é comprovada pelo baixo índice de criminalidade 25 ocorrênciasmês SSPPR 2023 e pela iluminação pública LED 150 lux adequada para percepção noturna A localização estratégica otimiza a integração com serviços existentes oferecendo acesso a especialistas em 12 minutos do HUUEL Ambulatório de Autismo 8 minutos do CERIV e 5 minutos da UBS Colina Verde O transporte adaptado conta com quatro linhas de ônibus com frota acessível e rota preferencial para veículos especiais Os benefícios terapêuticos do entorno incluem a possibilidade de jardins terapêuticos 30 de área permeável e a visão de copas das árvores reconhecida como fator calmante além de permitir caminhadas orientadas em ambiente controlado e treino de autonomia em via tranquila A viabilidade técnica é comprovada pela infraestrutura adequada com rede de água 200mm suficiente para demandas terapêuticas e esgoto tronco 300mm com capacidade ociosa de 40 A topografia com declividade de 72 permite a setorização de ambientes por níveis drenagem natural eficiente e acessibilidade rampeada gradual O impacto urbanístico é positivo com valorização imobiliária de 18 ao ano SECOVIPR 2023 atraindo investimentos e criando um polo de referência regional que complementa os equipamentos existentes As recomendações técnicas especializadas incluem a aplicação integral do protocolo ASPECTSS no projeto arquitetônico com setores por níveis sensoriais e jardins terapêuticos com espécies nãoalergênicas Estudos complementares devem abranger análise de sombreamento dinâmico simulação de percursos sensoriais e modelagem acústica preditiva Este terreno reúne condições únicas para criação de um centro modelo alinhando requisitos legais terapêuticos e urbanísticos em solução integrada que beneficiará toda a região metropolitana 421 VISTAS Figura 37 Figuras 38 39 40 41 42 e 43 Fonte Siglon modificado pela Autora Fonte Google maps A forma como vivenciamos os espaços construídos varia profundamente entre indivíduos especialmente quando consideramos a experiência das pessoas no espectro autista Enquanto a arquitetura convencional prioriza aspectos estéticos e funcionais a percepção autista do ambiente revela a necessidade urgente de repensarmos nossos espaços através de uma lente sensorial mais abrangente GRANDIN 2012 O antropólogo Edward T Hall 1966 nos ensina que o espaço atua como um poderoso meio de comunicação nãoverbal moldando comportamentos e interações sociais Essa relação assume contornos particulares no autismo onde a percepção ambiental é frequentemente intensificada ou atenuada de maneiras singulares Como observado por Grinker 2007 embora o autismo tenha bases biológicas sua expressão é profundamente influenciada pelo contexto cultural e físico um mesmo indivíduo pode apresentar reações completamente diferentes em ambientes distintos A arquitetura dos sentidos explorada por Pallasmaa 2012 nos alerta para o reducionismo da visão como principal mediadora da experiência espacial Na realidade autista todos os sentidos tato audição olfato propriocepção participam ativamente na construção da percepção ambiental GRANDIN PANEK 2013 Alguns autistas encontram conforto em certos estímulos sensoriais enquanto outros podem experimentar verdadeira angústia diante de ruídos específicos iluminação intensa ou determinadas texturas BOGDASHINA 2016 O conceito de atmosfera arquitetônica proposto por Zumthor 2006 ganha especial relevância neste contexto A qualidade emocional de um espaço pode ser fator determinante entre o conforto e o caos para uma pessoa autista Elementos como acústica iluminação circulação e materiais precisam ser cuidadosamente considerados não apenas por sua função prática mas por seu impacto sensorial MOSTAFA 2014 5 CONCEPÇÃO PROJETUAL Figura 44 Fonte Peter Zumthor A Teoria da Integração Sensorial de Ayres 2005 nos oferece um importante marco teórico para compreender como o sistema nervoso autista processa informações ambientais Quando este processamento falha em filtrar adequadamente os estímulos o resultado pode ser desde dificuldade de concentração até crises de ansiedade KERN et al 2007 As diretrizes ASPECTSS desenvolvidas por Mostafa 2014 traduzem esses princípios em estratégias projetuais concretas como Controle preciso das condições acústicas Organização espacial clara e previsível Criação de áreas de transição entre ambientes com diferentes cargas sensoriais Possibilidade de regulação dos níveis de estimulação ambiental Esses princípios não se limitam a espaços especializados eles têm aplicação universal desde residências até espaços públicos e locais de trabalho MOSTAFA 2014 Projetar com sensibilidade para a experiência autista significa reconhecer a diversidade de percepções humanas e criar ambientes que ofereçam opções e flexibilidade HUMBLE 2012 A verdadeira inclusão arquitetônica vai além das soluções padronizadas Exige que compreendamos como diferentes pessoas experimentam o espaço e que criemos ambientes que possam ser vividos com conforto e autonomia por todos em toda sua diversidade sensorial e cognitiva BAKER 2013 Esta abordagem não beneficia apenas pessoas no espectro autista ela resulta em espaços mais humanos acolhedores e funcionais para toda a comunidade MOSTAFA 2014 Figura 45 Fonte Peter Zumthor Inspirado na Teoria da Integração Sensorial AYRES 2005 e no protocolo ASPECTSS MOSTAFA 2014 o conceito arquitetônico Camadas de Conforto se desenvolve como uma metáfora orgânica das açucenas que batizam a rua onde se insere O edifício se estrutura como uma flor sensorial cujas pétalas arquitetônicas se abrem em camadas concêntricas filtrando progressivamente os estímulos ambientais desde o perímetro externo até seu núcleo mais protegido Esta abordagem poéticofuncional materializa três princípios fundamentais a hierarquia de estimulação zonas ativas neutras e calmantes as transições suaves HALL 1966 e a flexibilidade espacial GRANDIN 2012 criando um ambiente que se adapta às diversas necessidades sensoriais do espectro autista A forma em pétalas não é meramente estética mas profundamente funcional Cada pétala arquitetônica abriga funções específicas organizadas radialmente como os segmentos de uma flor permitindo que os usuários percebam claramente as diferentes zonas de atividade Esta disposição conforme preconizado por Pallasmaa 2012 facilita a orientação espacial através de referências naturais e intuitivas As pétalas se entrelaçam criando pátios internos os estames desta flor arquitetônica que fragmentam a escala monumental em ambientes acolhedores ao mesmo tempo que garantem ventilação e iluminação naturais filtradas ZUMTHOR 2006 A analogia com as açucenas se estende ao sistema de circulação onde os caminhos de pétalas sinuosos evitam a ansiedade provocada por visões de túnel enquanto mantêm uma lógica espacial clara Como observa Grandin 2012 esta combinação de organicidade e previsibilidade é particularmente reconfortante para pessoas com TEA Os pisos tateis dispostos como as nervuras das folhas guiam naturalmente os usuários entre os espaços com cores quentes nas áreas ativas como o centro da flor e tons frios nas zonas calmantes como as extremidades das pétalas estratégia baseada nos estudos de Bogdashina 2016 sobre percepção cromática no autismo 52 CONCEITO AÇUCENA PÉTALAS QUE SE SOBREPOEM INDO DAS MAIS EXTERNAS AMBIENTES COM MAIS CARGA SENSORIAL PARA AS MAIS INTERNAS AMBIENTES COM MENOR CARGA SENSORIAL 53 PARTIDO 54 PROGRAMA A organização espacial do programa de necessidades foi concebida a partir dos princípios atualizados do protocolo ASPECTSS MOSTAFA 2018 superando as divisões setoriais tradicionais para implementar uma disposição baseada em perfis sensoriais Como as pétalas de uma açucena em plena floração os espaços se articulam em cinco camadas concêntricas de estimulação materializando o conceito de Camadas de Conforto com base nas mais recentes pesquisas em neuroarquitetura MOSTAFA 2021 Esta abordagem inovadora confirma a compreensão de Grandin 2020 sobre a natureza multidimensional da experiência espacial no autismo As áreas foram dimensionadas conforme as Diretrizes para Projetos Físicos em Saúde Mental BRASIL 2020 reinterpretadas através dos avanços da arquitetura Cada uma das pétalas funcionais otimizadas a partir do projeto original abriga ambientes com características sensoriais calibradas criando uma gradação precisa desde áreas de alta estimulação 85dB máx até espaços de baixa carga sensorial 35dB máx conforme padrões da OMS 2022 O quadro de 75 profissionais especializados 2023 foi planejado como agentes ativos deste ecossistema sensorial Como polinizadores especializados estes profissionais circulam dinamicamente entre as pétalas funcionais atendendo às necessidades individuais de cada usuário com base nos protocolos de personalização desenvolvidos por Mostafa 2021 A capacidade de 200 atendimentos diários 1000 semanais considera o padrão de intervenções 3 sessões semanais de 50 minutos por usuário distribuídos harmonicamente entre as pétalas do Centro como demonstrado nos estudos de eficiência espacial de Pallasmaa 2018 correspondendo a aproximadamente 125 da população com TEA na região de Londrina IBGE 2022 foi calculada respeitando os princípios de flexibilidade espacial GRANDIN 2020 e transições suaves HALL 2019 revisado incorporando os avanços tecnológicos previstos no protocolo ASPECTSS 20 MOSTAFA 2021 PROGRAMA DE NECESSIDADES PRELIMINAR ACOLHIMENTO RECEPÇÃO 60m² RECREAÇÃO 20m² CAFETERIA 100m² COWORKING 50m² ALTO ESTÍMULO SENSORIAL AUDITÓRIO 200m² SALA DE MUSICOTERAPIA 40m² SALA DE ARTES 40m² SALA DE FISIOTERAPIA 50m² TERAPIA COM OS PAIS 40m² SALA SNOEZELEN 50m² BAIXO ESTIMULO SENSORIAL SALA DE TERAPIA COMPORTAMENTAL 40m² SALA DE DIAGNÓSTICO 40m² SALA DE TERAPIA EM GRUPO 50m² SALA NUTRICIONISTA 40m² LABORÁTORIO DE INFORMÁTICA 60m² SALA DE DESCOMPRESSÃO 50m² ÁREAS DE DESCOMPRESSÃO PISCINA 200m² JARDIM SENSORIAL 150m² JARDINS DE INVERNO 60m² ESPAÇO DE FUGA 40m² PLAYGROUND 100m² ÁREAS TÉCNICAS ADMINISTRAÇÃO 25m² DEPÓSITO 5m² DML 10m² SANTÁRIOS 80m² VESTIÁRIOS 80m² COPA 20m² SALA DE REUNIÕES 25m² OUTROS ESTACIONAMENTO 1000m² TOTAL ACOLHIMENTO 230M² ALTO ESTÍMULO SENSORIAL 460M² BAIXO ESTÍMULO SENSORIAL 280M² ÁREAS DE DESCOMPRES SÃO 550M² ÁREAS TÉCNICAS 245M² 2765M² INCIDÊNCIA DO TEA NAS REGIÔES DO BRASIL LEGENDA Equipamentos para pessoas com TEA UBS AMA Associações diversas APAE Instituições educacionais Orgãos públicos Clínicas Terreno escolhido Principais vias de interligação intermunicipal Rod Celso Garcia Cid Av Brasília Av Dez de DezembroRod Carlos João Strass Londrina REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AYRES A J Sensory integration and the child understanding hidden sensory challenges 25th anniversary ed Los Angeles Western Psychological Services 2005 BOGDASHINA O Sensory 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