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Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg1022456 1 Decomposição Estrutural dos Coeficientes de Importação para o Brasil no Período de 2000 a 2016 Structural Decomposition of Import Coefficients for Brazil in the Period from 2000 to 2016 Rafael Alves Montanha1 Esther Dweck2 Ricardo de Figueiredo Summa3 Resumo Entre 2000 e 2016 a economia brasileira observou o crescimento médio das importações em ordem bastante superior ao produto No intuito de compreender tal dinâmica o presente trabalho realiza dois exercícios Primeiro calcula os coeficientes de importação para os principais componentes da demanda agregada Em um segundo momento realiza a decomposição estrutural destes coeficientes de modo a assinalar os fatores de maior impacto em suas variações Dentre os principais resultados ressaltamse o aumento dos coeficientes importados relacionado ao forte efeito composição setorial ie atividades mais intensivas em importações adquirem maior participação quando do aumento da atividade econômica em segundo lugar podese apontar o efeito direto especialmente no período póscrise 2008 09 ou seja a maior utilização de partes e bens intermediários importados em detrimento dos produzidos internamente Palavraschave Coeficientes de importação Decomposição estrutural Economia brasileira Abstract Along the years 2000 and 2016 the Brazilian economy observed an average import growth rate three times higher than the GDP In order to understand such dynamic the present work performs two exercises First it computes the import coefficient for the main component of aggregate demand In a second moment a structural decomposition of these coefficients is made in order to indicate the factors of greater impact in their variations Among the main results it can point out the 1 Diretoria de Pesquisas Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE rafaelmontanhaibgegovbr IBGE está isento de qualquer responsabilidade relacionada com as opiniões informações dados e conceitos expressos neste artigo que são de responsabilidade exclusiva do autor 2 Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ Instituto de Economia IEUFRJ Rio de Janeiro Rio de Janeiro Brasil 3 Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ Instituto de Economia IEUFRJ Rio de Janeiro Rio de Janeiro Brasil O autor agradece o apoio financeiro do CNPq por meio da bolsa PQ número 30727320202 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 2 coefficients growth related to the strong effect of the sectorial composition that is activities more intensive in imports acquire greater participation when the economic activity increases secondly the direct effect can be pointed out especially in the post crisis period 200809 that is the greater use of imported intermediate parts and goods over domestic ones Keywords Import coefficients Structural decomposition Brazilian economy JEL Classification 019 C670 1 INTRODUÇÃO A grande novidade econômica da década de 2000 para o Brasil e em grande medida para o conjunto dos países em desenvolvimento especialmente as economias primárioexportadoras foi o relaxamento da restrição externa Esse fato econômico é resultado da combinação de dois fatores primeiro a valorização do preço das commodities em virtude da grande demanda chinesa do Leste asiático como um todo por produtos primários segundo do aumento da liquidez internacional como consequência do influxo de capitais em busca de maior valorização uma vez que a taxa de juros praticada nos países centrais além de baixas em nível apresentava tendência de queda AKYUZ 2012 p 25 MEDEIROS 2015 p 62 Dado esse relaxamento nas contas externas a economia brasileira pôde realizar políticas de expansão da demanda agregada que por conseguinte promoveram taxas de crescimento significativamente maiores do que as obtidas nas duas décadas anteriores LARA BLACK 2016 MORCEIRO 2016 Após a crise econômica de 20082009 entretanto as taxas de crescimento desaceleraram De acordo com dados do IBGE entre 2000 e 2008 período anterior à crise a economia cresceu à taxa média de 38 aa No imediato póscrise 2010 a 2014 há desaceleração para 34 aa e entre 2014 e 2016 ocorre retração do PIB queda em nível de 35 aa Segundo Serrano e Summa 2015 p 2324 a Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 3 desaceleração da economia brasileira resultou da piora do cenário externo e especialmente da queda no ritmo dos gastos públicos e do consumo das famílias As importações nesse quadro se destacam pois apresentaram taxas de crescimento bastante acima do PIB bem como os demais componentes da demanda agregada Desse modo enfatizando os mesmos períodos temse entre 2000 e 2008 variação média das importações de 80 aa entre 2010 e 2014 alcance de 99 aa e no período recente entre 2014 e 2016 em consonância à renda diminuem significativamente em 87 aa Em resumo a variação das importações se deu em ordem de duas a três vezes superior ao produto Dessa forma dado o alto dinamismo das importações há um importante debate sobre o papel destas na estrutura produtiva brasileira em especial se está em curso um processo de penetração das importações muitas vezes associado à discussão de desindustrialização Adicionalmente esse mesmo debate procura ainda compreender como a atual conjuntura mundial de fragmentação produtiva por um lado e de redução da elasticidaderenda do comércio por outro4 tem impactado a estrutura da oferta da economia brasileira Nesse contexto o presente estudo apresenta um duplo objetivo avaliar se houve aumento do coeficiente de importação e em caso positivo assinalar quais foram os principais determinantes do aumento Destarte será calculado o coeficiente de importação para as principais categorias da demanda final da economia brasileira e mais especificamente o conteúdo importado para a demanda intermediária setorial no período 20002016 O cálculo dos indicadores é realizado utilizandose matrizes insumoproduto estimadas por Passoni 2019 Para avaliar os possíveis determinantes da variação dos indicadores será apresentada uma nova metodologia de decomposição estrutural da variação do conteúdo importado de cada componente da demanda final A análise dos resultados será feita em três períodos de acordo com a evolução do nível de atividade econômica 2000 a 2008 caracterizado pela aceleração 4 Em respeito à elasticidaderenda do comércio internacional ver por exemplo Hoekman 2015 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 4 da atividade 2010 a 2014 em que ocorre desaceleração e 2014 a 2016 marcado por forte crise econômica Este trabalho é composto além desta introdução por mais quatro seções a segunda aborda as contribuições da literatura para discutir o papel das importações na estrutura produtiva brasileira a terceira apresenta a metodologia de cálculo dos indicadores assim como o respectivo método de decomposição estrutural a quarta analisa os resultados obtidos e por fim a quinta traça as considerações finais 2 O PAPEL DAS IMPORTAÇÕES NA ESTRUTURA PRODUTIVA BRASILEIRA No debate sobre o comportamento das importações é possível identificar diferentes leituras sobre o seu papel na estrutura produtiva brasileira Em particular a interpretação sobre o movimento conjunto entre atividade econômica e importações varia bastante de acordo com as concepções e a filiação dos autores a determinadas escolas de pensamento econômico De todo modo há aqui um esforço em categorizar tais abordagens a partir de trabalhos das últimas décadas divididos em quatro principais perspectivas embora não excludentes entre si 21 Maior Produtividade Decorrente das Importações As principais análises e mais atuais nessa perspectiva são as de Bacha 2014 Barros e Pereira 2008 Bonelli e Pessoa 2010 e Veiga e Rios 2017 O ponto central dessa abordagem é o caráter positivo do aumento das importações Para os autores a maior participação de bens importados na oferta total é uma fonte de aumento da produtividade da economia O Brasil ao longo de todo o ciclo de substituição de importações teria se configurado como uma economia bastante fechada ao comércio exterior Com isso o processo de abertura iniciado ainda nos anos 1990 com a queda das tarifas comerciais deve continuar vigente necessitando inclusive ser aprofundado Desse modo o aumento da participação das importações na oferta total Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 5 é visto como um processo natural de convergência para um padrão global de crescimento do comércio exterior Ademais a valorização cambial encontrada a partir de 2003 é um movimento positivo pois gera transbordamento para o setor produtivo uma vez que o custo de formação de capital se torna mais barato assim a importação de maquinários e insumos de maior qualidade é uma forma de aumentar a produtividade e a eficiência da estrutura produtiva Um segundo ponto benéfico é a maior exposição das firmas nacionais à competição internacional Vale ressaltar que nessa linha teórica as importações assumem um aspecto muito mais complementar do que competitivo com a produção nacional Desse modo as políticas comerciais devem se afastar do cunho protecionista forjado ao longo do processo de substituição de importações expandindo a abertura comercial também para o setor de serviços A estratégia adotada deve se basear em acordos regionais e bilaterais diminuindo a escalada tarifária e os instrumentos de política industrial como por exemplo os mecanismos de conteúdo nacional 22 Câmbio e Recursos Naturais como Alavanca das Importações Na linha que segue a argumentação podem ser destacados os trabalhos de BresserPereira e Marconi 2010 BresserPereira 2012 Almeida e Feijó 2005 Palma 2005 e Oreiro e Feijó 2010 Dentre os economistas dessa abordagem sustentase a hipótese do aumento das compras externas como consequência de um processo de desindustrialização A perda do tecido industrial decorre de dois fatores a elevada valorização cambial e as altas taxas de juros praticadas Essas duas causas tornam a produção nacional menos competitiva em relação aos bens de origem externa e limitam o volume de investimentos5 A valorização cambial por sua vez é resultado das altas taxas de 5 Dos Santos et al 2015a estimam através de um exercício econométrico a função investimento para a economia brasileira ao longo dos anos 2000 Dentre os principais resultados os autores constatam a Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 6 juros praticadas pelo Banco Central e pelos altos preços das commodities exportadas pelo país Esses dois fatores têm gerado um regime de regressão da pauta exportadora a sua reprimarização e a exportação de bens com menor conteúdo tecnológico e por conseguinte perda de tecido industrial Um fato marcante dessa abordagem é a tese de que a economia brasileira estaria passando pelo processo denominado de doença holandesa Observase que esse conceito foi desenvolvido por Corden e Neary 1982 para representar a economia holandesa portanto um país avançado industrialmente nos anos 1970 quando essa descobriu uma grande reserva de gás natural em seu mar territorial6 Esses autores formulam um modelo de três setores para uma economia um exportador dinâmico booming sector um produtor de manufaturas porém atrasado e por fim um de bens não comercializados serviços O boom repentino da descoberta de uma commodity aumenta a produtividade marginal do setor dinâmico e promove o aumento da renda desse setor provocando dois efeitos o primeiro denominado de efeito gasto e o segundo de efeito movimento de recursos O primeiro efeito se dá pelo aumento do gasto a renda adicional decorrente do boom exportador gera apreciação cambial e maior demanda agregada nos três setores Porém no setor nontradable isto é o atrasado e o de serviços os preços se elevam em relação aos tradables fato que com tudo o mais constante gera uma segunda onda de valorização cambial7 Dessa forma com a moeda nacional apreciada ocorre a substituição da produção interna por importações promovendo assim a queda do emprego na indústria a diminuição desta no produto total da economia e consequentemente a expansão dos serviços não tradables 23 Aumento do Vazamento da Demanda Agregada relação negativa entre câmbio e investimento ou seja uma valorização cambial provoca aumento dos investimentos 6 Ressaltase que o modelo é de vertente neoclássica admitindo hipótese de pleno emprego 7 Aqui compreendido como câmbio real 𝑒 𝑒 ou seja quando os preços internos de uma economia aumentam 𝑃 logo ocorre uma valorização diminuição no valor do câmbio real 𝑒 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 7 Dentre os trabalhos contido nessa classificação podese ressaltar os de Sarti e Hiratuka 2010 Marcato e Ultremare 2018 De Paula Modenesi e Pires 2015 e Sarti e Hiratuka 2017 Nessa interpretação o aumento das importações se dá no sentido de que está em curso um processo e penetração delas Ou seja a estrutura produtiva vem perdendo a capacidade de atender aos impulsos gerados pela demanda devido à quebra de elos das cadeias produtivas Dessa forma a produção nacional crescentemente sobretudo após o período da crise financeira tem recorrido às importações para responder aos movimentos de procura efetiva O esgarçamento produtivo seria decorrente da baixa taxa de investimento brasileiro nas últimas décadas assim como do baixo desempenho inovativo no setor industrial Ademais o pequeno montante de inversões teria afastado a economia brasileira da fronteira tecnológica Um ponto que merece destaque é o relevante papel desempenhado pelas transnacionais localizadas no país para aumento das importações O aumento das importações é levado a cabo pois as empresas estrangeiras realizam suas decisões de produção e investimento de acordo com os diferenciais de capacidade de utilização e custos comparativos Desse modo difundese o comércio intrafirma promovendo o aumento do coeficiente importado nacional 24 Rigidez Estrutural e Descontinuidades Produtivas Destacamse como principais trabalhos os de Ferraz Kupfer e Iooty 2004 Carvalho e Kupfer 2008 Medeiros 2008 Carneiro 2010 Serrano e Summa 2015 Lara e Black 2016 e Medeiros Freitas e Passoni 2019 A análise dessa linha teórica parte da concepção de que o volume das importações responde mais que proporcionalmente às variações na renda ou seja considera a existência de elevada elasticidaderenda nas importações Assim as características estruturais da economia brasileira apresentam um caráter marcadamente prócíclico levando as importações a acompanharem em maior grau Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 8 o ritmo da atividade econômica Em essência a leitura dessa corrente observa que a estrutura produtiva brasileira é historicamente bem como no tempo presente marcada por atrasos e descontinuidades técnicas Os setores de maior conteúdo tecnológico como os bens de capital e os relacionados à microeletrônica não lograram ser introduzidos na estrutura produtiva brasileira Contudo a partir dos anos 1980 uma forte rigidez estrutural recai sobre o tecido produtivo brasileiro Esse movimento se explica como resposta das firmas ao cenário macroeconômico fortemente instável à limitada expansão da demanda efetiva8 à busca por maior competitividade através de estratégias de centralização de recursos Por sua vez a liberação comercial a partir dos anos 1990 promoveu a modernização e o aumento do patamar de produtividade por meio de processos de simplificação de produtos fragmentação e especialização regressiva no comércio exterior9 isto é aumento simultâneo da exportação de produtos mais simples e da importação de bens de maior sofisticação COUTINHO 1997 FERRAZ KUPFER IOOTY 2004 Desse modo dada a acomodação da estrutura produtiva conforme avance a fronteira tecnológica a economia tende a aumentar a parcela das importações na oferta total Com isso tal corrente embora admita o aumento de vazamento da demanda nas últimas décadas refuta a leitura de que é o perecimento dos setores de alto conteúdo tecnológico ou da perda de conexões entre tais atividades que explicariam o aumento das importações O argumento central é o caráter altamente prócíclico das importações associado ao engessamento da estrutura produtiva10 Vale por fim destacar que na análise de resultados seção 3 seguinte assumese essa perspectiva compreendese assim que nas últimas décadas a economia brasileira apresentou um quadro de rigidez estrutural Em outras palavras 8 Sobre o processo de rigidez estrutural da economia brasileira ver Ferraz Kupfer e Iooty 2004 9 Segundo Carvalho e Kupfer 2008 a característica da modernização brasileira a partir dos anos 1990 não é sustentável pois não ocorre em prol das inovações e aumento do conteúdo tecnológico 10 Observase ainda nessa linha que o fator detectado de maior preocupação nas últimas décadas para manter a possibilidade de crescimento não é o aumento do coeficiente de penetração das importações mas sim a queda do coeficiente das exportações Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 9 a disposição da oferta mantém um cenário de resiliência não regride tampouco altera sua trajetória para padrões tecnológicos mais avançados Destarte postulase que a tendência é de aumento dos coeficientes pois uma vez que a fronteira tecnológica avance pela difusão de inovações de produto eou processo as atividades produtivas devem necessariamente introduzir na produção itens importados 3 METODOLOGIA A oferta de bens e serviços da economia pode inicialmente ser dividida segundo sua origem em bens nacionais e importados A segunda forma de classificação ocorre segundo o uso do bem ou seja se o bemserviço será utilizado como insumo na produção ou se a utilização é para atender a demanda final Dessa forma os coeficientes de importação procuram estimar o quanto da oferta total ou do consumo aparente seja para o total dos bens seja para intermediários e finais é de procedência nacional e o quanto é de procedência estrangeira Assim temse a coeficiente de penetração de importações CPI 1 b coeficiente de importação da oferta total CIOT 2 em que 𝐶𝐴 é o consumo aparente 𝐸 as exportações 𝑀 as importações 𝑂𝑇 a oferta total 𝑉𝑃 o valor da produção e i as atividades Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 10 31 Coeficiente de Importação e o Método de Decomposição Estrutural Os dois indicadores apresentados habitualmente encontrados na literatura11 avaliam a substituição direta entre os bens segundo sua origem Entretanto a aquisição de bens importados possui efeitos secundários ou indiretos sobre a economia Quando uma atividade aumenta sua produção esta recorre ao uso de insumos nacionais e importados de outros setores Estes por sua vez igualmente demandam novos insumos tanto nacionais quanto importados Dessa forma há efeitos em cadeia sobre os insumos importados sobre outros setores Ambos os efeitos direto e indireto determinam a parcela da demanda de um setor específico que escapa via importações Tais resultados são possíveis de serem alcançados através da ferramenta de matriz insumoproduto da economia ou mais especificamente através da matriz inversa de Leontief Nesse intuito Hummels Ishii e Yi 2001 p 8082 inicialmente apenas para as exportações e Bravo e Álvares 2012 p 85 para as exportações e os demais componentes da demanda propõem um cálculo de conteúdo importado que seja compatível com a matriz de Leontief Assim o indicador proposto por esses autores mede o impacto do quanto de importações é necessário realizar para atender ao aumento de uma unidade monetária em determinado componente da demanda final ou de atividade específica Dessa forma o conteúdo importado dos bens intermediários pode ser formalmente apresentado do seguinte modo CI0 i1A2 L3 q0 3 no qual 𝐶𝐼4 é o conteúdo importado no período t para o componente j da demanda final em que o subscrito j assume valores para a demanda agregada consumo das famílias 11 Sobre a literatura que faz uso do coeficiente de importação como instrumento de análise ver Montanha 2019 capítulo 1 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 11 formação bruta de capital fixo e de exportações12 𝑖1 é o vetor linha composto pelo numeral 1 com dimensões 1 x n que produz a soma de cada atividade coluna 𝐴5 é a matriz de coeficientes técnicos importados n x n 𝐿6 é a matriz inversa de Leontief sobre os coeficientes técnicos de origem nacional n x n e 𝑞4 é o vetor n x 1 com a participação de cada setor em j Resultados para o nível setorial podem ser obtidos da seguinte forma CI i1A2 L3 4 em que 𝐶𝐼 é um vetor linha representando o conteúdo importado setorial L3 I A37 5 A3 U3x7 6 A2 U2x7 7 em que 𝐴6 é a matriz de coeficiente técnico nacionais 𝑈6 a matriz de consumo intermediário de origem nacional 𝑈5 a matriz de consumo intermediário de origem importada 𝐼 a matriz identidade 𝑥7 o inverso do valor bruto da produção sendo que o sobrescrito indica que está diagonalizado logo n x n As alterações promovidas por esse método permitem a obtenção de ganhos analíticos Primeiro trabalhase com a dimensão de oferta nacional no denominador e não o consumo aparente Desse modo evitase o efeito da volatilidade dos preços das exportações que o consumo aparente acomoda especialmente quando as vendas ao exterior se concentram em bens primários commodities Segundo o conjunto de 12 Neste trabalho não será enfatizado o papel do governo sobre os conteúdos importados O vetor governo existente nas matrizes insumoproduto reflete apenas desembolsos e manutenção da máquina pública logo com muito pouco conteúdo importado Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 12 informações aproveitado é mais completo pois é empregada toda a matriz de coeficientes técnicos importados 𝐴5 e não apenas um vetor de coeficientes diretos normalmente utilizados Terceiro há o avanço pelo fato de o indicador ser obtido integralmente através da multiplicação de matrizes e vetores permitindo a aplicação de métodos de decomposição estrutural Esses métodos são aplicados neste trabalho sob a variação dos conteúdos importados da demanda final e de seus principais componentes De modo sucinto a decomposição estrutural pode ser definida como uma técnica para fragmentar a mudança de algum aspecto da economia em contribuições realizadas por vários componentes Assim desagregase uma identidade em suas partes constituintes MILLER BLAIR 2009 ROSE CASLER 1996 Há diversas formas algébricas corretas para a decomposição aditiva de uma grandeza Neste texto adotase a forma descrita por Dietzenbacher e Los 1998 p 317318 e Miller e Blair 2009 que é comumente aceita possuindo como critério de ponderação a média aritmética das decomposições em dois períodos Desse modo partindose da equação 3 a variação do conteúdo importado pode ser decomposta inicialmente em três efeitos 𝐶𝐼4 1 2 D𝑖1 EF𝐴5𝐿6 8 𝑞4 8 𝐴5𝐿6 7 𝑞4 7 HIIIIIIJIIIIIIK 9 L M𝐴5 8 𝐿6𝑞4 7 𝐴5 7 𝐿6𝑞4 8 HIIIIIIJIIIIIIK 9 3óA N M𝐴5 8 𝐿68 𝑞4 𝐴5 7 𝐿67 𝑞4 8 HIIIIIIJIIIIIIK 9 2BCçã NOP 8 Conforme apresentado nas equações 5 e 6 a matriz inversa de Leontief é calculada a partir da matriz de coeficiente técnicos nacionais 𝐴6 que reflete a demanda por insumos nacionais portanto não aponta a demanda total por intermediários em cada atividade Adicionalmente 𝐴6 sofre o impacto das alterações de bens intermediários importados Assim de forma a capturar tanto os efeitos das Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 13 mudanças tecnológicas quanto do avanço das importações intermediárias podese decompor a inversa de Leontief em dois componentes Primeiramente obtémse a matriz A isto é a matriz de coeficientes técnicos totais A A3 A2 9 Λ A3 A7 10 A3 Λ A A2 1 Λ A 11 A A3 A2 A Λ A 1 Λ A 12 na qual 𝐴6 e 𝐴5 são complementares de 𝐴 1 16F6 é a matriz composta pelo numeral 1 e é o multiplicador de Hadamard operador que fornece o produto elemento a elemento entre duas matrizes de mesma dimensão Sendo a variação da matriz inversa de Leontief 𝐿6 definida como L3 L3 7 L3 8 13 De acordo com a metodologia de Miller e Blair 2009 p 602603 a mesma variação pode ser reescrita da seguinte forma L3 L37 A3L38 14 Por sua vez de acordo com a equação 11 a variação da matriz de coeficientes técnicos nacionais pode ser expressa como Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 14 A3 W1 2 XYZΛ7 Λ8 A ZΛ A7 A8 15 Ao substituir a equação 15 na 14 alcançase L3 L3 7 W1 2 XYZΛ7 Λ8 A ZΛ A7 A8 L3 8 16 Dessa forma ao se substituir a equação 16 na expressão 8 realizar as multiplicações distributivas e reordenála algebricamente encontrase a decomposição aditiva da variação do conteúdo importado em quatro termos a efeito direto mudanças na matriz de coeficientes técnicos importados b efeito tecnológico representado por mudanças na matriz de coeficientes técnicos totais c efeito adensamento exprime a variação na matriz de coeficientes técnicos nacionais com relação ao coeficiente técnico total d efeito composição espelha a variação do peso setorial na demanda final e em seus componentes Por fim a equação se expressa da seguinte forma 𝐂𝐈𝐣 𝐭 1 2 𝐢1 F𝐀𝐦𝐋𝐧 𝟎𝐪𝐣 𝟎 𝐀𝐦𝐋𝐧 𝟏𝐪𝐣 𝟏 HIIIIIIJIIIIIIK 9 L X 𝐀𝐦 𝟎 𝐋𝐧 𝟏 1 2 𝚲𝟏 𝚲𝟎 𝐀 𝐋𝐧 𝟎𝐪𝐣 𝟏 𝐀𝐦 𝟏 𝐋𝐧 𝟏 1 2 𝚲𝟏 𝚲𝟎 𝚫𝐀𝐋𝐧 𝟎𝐪𝐣 𝟎 HIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIJIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIK 9 3óA M𝐀𝐦 𝟎 W𝐋𝐧𝟏 Y1 2 𝚫𝚲 𝐀𝟏 𝐀𝟎𝐋𝐧𝟎 𝐪𝐣 𝟏 𝐀𝐦 𝟏 W𝐋𝐧𝟏 Y1 2 𝚫𝚲 𝐀𝟏 𝐀𝟎𝐋𝐧𝟎 𝐪𝐣 𝟎 HIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIJIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIK 9 M3CM23 M MM BNOM N M𝐀𝐦 𝟎 𝐋𝐧𝟎𝐪𝐣 𝐀𝐦 𝟏 𝐋𝐧𝟏𝐪𝐣 HIIIIIIJIIIIIIK 9 2BCçã N 17 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 15 Atribuise a seguir a interpretação econômica aos fatores alcançados na decomposição estrutural a efeito direto mede a variação imediata de importação de bens intermediários como requisito para que efetivamente ocorra um aumento na produção medido pelas mudanças em 𝐴5 b efeito tecnológico avalia o impacto das mudanças técnicas sobre as importações de intermediários ou ainda da estrutura técnica de produção sobre o volume de insumos importados medido pelas alterações em 𝐴 c efeito adensamento quantifica a capacidade das cadeias produtivas internas atenderem às consecutivas etapas pelas quais são transformados os intermediários Noutras palavras o quanto e em que grau as ligações intersetoriais são abastecidas pela estrutura produtiva nacional Desse modo quanto maior densidade observar uma rede produtiva maior é o impacto da produção sobre o volume de importações pois provoca maiores conexões com o mercado externo auferido pelas mudanças em 𝛬 d efeito composição estima a influência da mudança das parcelas dos setores na demanda final sobre o volume de importações Ou seja se um setor mais intensivo em importações ganha maior participação na demanda final tudo o mais constante o coeficiente de importação será maior avaliado pelas alterações em 𝑞4 32 Base de Dados e Preços Relativos A partir de 2010 os dados referentes a matrizes insumoproduto passaram por extensa revisão metodológica Nessa revisão procedeuse à adoção de novo sistema de referências nas contas nacionais Sistema de Contas Nacionais referência 2010 em que se aplica uma nova classificação de atividades e produtos bem como fonte de Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 16 dados atualizada13 Desse modo se por um lado as novas informações geradas adquirem maior aderência à realidade por outro constituemse dificuldades de comparabilidade dos resultados ao longo do tempo consequentemente as análises de longo prazo se veem comprometidas Sendo assim no intuito de contornar tal dificuldade analítica a fonte de dados utilizados neste trabalho é obtida a partir das matrizes estimadas por Passoni 2019 Essa base é composta por duas séries de matrizes insumoproduto a preços correntes e a preços do ano anterior As matrizes compreendem 42 atividades e o período de 2000 a 2016 O cálculo efetivo dos coeficientes foi feito sobre matrizes valoradas a preços constantes de 2010 Adicionalmente com objetivo de observar as mudanças nos preços dos bens importados em relação ao preço do total dos bens da economia realizouse o exercício de deflacionar as importações por dois índices O primeiro representa a variação anual de preço para o valor bruto da produção VBP ou seja a divisão do valor bruto a preço corrente pelo valor bruto a preço do ano anterior resultando em relativos Ao serem multiplicados encadeiamse em um índice para que então os valores das matrizes a preços correntes sejam expressos corrigidos a preços constantes14 A esse conjunto de matrizes denominamos de matrizes valoradas a preços médios O segundo segue lógica bastante semelhante porém na forma matricial Consiste na divisão elemento a elemento da matriz do ano corrente pela matriz a preços do ano anterior Como resultado obtêmse matrizes com relativos nas células que por sua vez são encadeadas formando índices matriciais de modo que ao se multiplicarem as matrizes originais a preços correntes alcançamse as matrizes a preços constantes para determinado ano escolhido Denominamos as matrizes valoradas por esse segundo método de matrizes a preços próprios 13 Para maior detalhamento sobre a mudança de referência no Sistema de Contas Nacionais ver as notas metodológicas de IBGE 2016 Disponível em httpsbitly2LHr9sE 14 Este foi o índice utilizado para colocar a preços constantes as matrizes utilizadas no cálculo dos coeficientes Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 17 Assim feito de posse das matrizes com as duas valorações podese então dividir o valor das importações obtido junto às matrizes a preços próprios pelo valor das importações a preços médios para cada ano O quociente dessa divisão por fim expressa a relação entre o preço dos bens importados visàvis o preço do conjunto total de bens15 4 ANÁLISE DOS RESULTADOS Essencialmente são três variáveis calculadas a coeficiente de importação b conteúdo importado relativo a bens intermediários c importação para uso final como percentual do total do componente da demanda final A primeira variável é a soma das duas seguintes ou seja a soma dos resultados para os conteúdos importados relativos aos bens intermediários e a importação para uso final como percentual do total do componente da demanda final A segunda conforme descrito na subseção 31 mede o impacto do quanto de importações intermediárias direta e indiretamente é necessário realizar para atender ao aumento da demanda de uma unidade monetária de um setor específico ou de um componente na demanda final A terceira é a proporção de bens finais importados relativos ao total dos bens finais adquiridos Conforme salientado na introdução a análise é segmentada em três períodos O primeiro de 2000 a 2008 é o recorte temporal anterior à crise financeira e caracterizado pelo aumento do ritmo de crescimento econômico O segundo compreendido pelo quartel 2010 a 2014 ao contrário do intervalo anterior identificase como período de desaceleração da atividade produtiva Por fim o terceiro de 2014 a 2016 tem como principal particularidade a manifestação da crise econômica no Brasil 15 Observase que há extensa literatura sobre métodos de deflação em matrizes insumoproduto Podese destacar os trabalhos de Balk e Reich 2008 Dietzenbacher e Termushoev 2012 e Passoni 2019 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 18 41 Crescimento de 2000 a 2008 Os dados relativos a esse intervalo apontam para o aumento do coeficiente de importação de todos os componentes da demanda final com exceção das exportações É digno de nota o crescimento do coeficiente de importação acompanhado da expansão do PIB isto é o conjunto dos coeficientes apresenta variação em mesmo sentido que a atividade econômica o que a princípio aponta para a correlação positiva entre as duas variáveis De modo a ilustrar os coeficientes de importação tanto do consumo das famílias quanto do conjunto da demanda final passaram respectivamente de 123 e de 144 no ano 2000 para 129 e 155 em 2008 Vale destacar que tais aumentos tiveram no comportamento dos intermediários o fator determinante uma vez que as importações para uso final a parcela de bens finais importados no total de cada componente da demanda final apresentou alta pouco significativa conforme a Tabela 1 Tabela 1 Coeficientes de importação para componentes da demanda final Fonte Elaboração própria a partir de Passoni 2019 Demanda final Consumo das famílias FBCF Exportações 2000 144 123 193 178 2008 155 129 221 165 2010 139 118 194 136 2014 158 137 216 160 2016 144 121 207 160 2000 34 31 65 2008 36 32 76 2010 39 35 70 2014 41 38 75 2016 39 36 73 2000 110 92 128 178 2008 119 97 144 165 2010 100 83 124 136 2014 116 99 141 160 2016 105 85 134 160 Importação para uso final como da demanda final A Conteúdo importado bens intermediários B Coeficiente de importação C A B Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 19 Dessa forma no que tange ao conteúdo importado referente aos bens intermediários desses componentes da demanda a decomposição estrutural apresentada na Figura 1 destaca três efeitos estruturais os efeitos da composição setorial e da tecnologia que contribuem significativamente para o aumento do conteúdo importado e por sua vez o efeito direto que atua no sentido oposto ou seja de reduzir o indicador Com relação ao primeiro composição setorial houve maior protagonismo dos setores com elevados conteúdos importados isto é sucedeu aumento do peso das atividades que demandam maior volume de itens importados O segundo fator tecnologia compreende a utilização de técnicas de produção mais intensivas em insumos e componentes importados O terceiro direto ocorre através do uso menos acentuado de intermediários importados Esse último efeito será visto em maior detalhe a seguir Figura 1 Taxa de variação do conteúdo importado segundo fatores estruturais Fonte Elaboração própria a partir de Passoni 2019 Quanto ao efeito composição o impulso importador advém do crescimento da demanda por bens duráveis Os setores produtores de tais bens além de possuírem Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 20 maior conteúdo importado ganharam peso nesse período A Tabela 2 destaca as principais atividades segundo períodos selecionados que obtiveram aumento de participação nos vetores da demanda16 Tabela 2 Conteúdo importado setorial e atividades com maiores ganhos de participação nos componentes da demanda Fonte Elaboração própria a partir de Passoni 2019 Vale notar que no intervalo de 2000 a 2008 o setor de veículos automotores apresenta aumento de participação em todos os componentes da demanda17 Assim como veículos automotores possuem elevados conteúdos importados a expansão dessa atividade impulsiona o crescimento do conteúdo médio da economia Em números o conteúdo importado da atividade automobilística alcança 20 em 2008 já o consumo familiar e o conjunto da demanda apresentam médias na ordem de 97 e 119 respectivamente 16 O conteúdo importado setorial para os anos selecionados encontrase no Apêndice A 17 Excetuando as exportações as quais analisaremos mais adiante 2000 a 2008 Ordem da Variação Conteúdo importado em 2008 Peso setorial em 2008 2010 a 2014 Ordem da Variação Conteúdo importado em 2014 Peso setorial em 2014 2014 a 2016 Ordem da Variação Conteúdo importado em 2016 Peso setorial em 2016 Demanda Final Auto caminhões ônibus 2o 200 46 Serv de alojamento 3o 85 44 Alimentos e Bebidas 2o 121 95 Ext de petróleo e gás 4o 109 13 Saúde privada 4o 71 29 Agropecuária e pesca 3o 105 47 1 Comércio 1o 55 115 Comércio 1o 60 137 Intermed Financeira 1o 32 59 3 Intermed Financeira 3o 39 43 Ativ Imobiliária 2o 09 89 Ativ Imobiliária 4o 09 96 Média 119 116 105 Consumo das famílias Auto caminhões ônibus 3o 200 32 Serv de alojamento 3o 85 65 Energia gás água 3o 119 31 Saúde privada 4o 79 39 Saúde privada 4o 71 45 Saúde privada 4o 65 05 Comércio 1o 55 153 Comércio 1o 60 180 Intermed Financeira 1o 32 83 Intermed Financeira 2o 39 67 Ativ Imobiliária 2o 09 137 Ativ Imobiliária 2o 09 147 Média 97 99 85 FBCF Outros equip de transp 4o 273 17 Maq e equips móveis 4o 254 158 Eletrodomésticos 4o 214 23 Maq e equips móveis 3o 248 172 Construção civil 1o 104 500 Agropecuária e pesca 3o 105 22 Auto caminhões ônibus 1o 200 83 Serv de informação 2o 95 55 Construção civil 1o 98 520 Comércio 2o 55 74 Comércio 3o 60 74 Serviços de informação 2o 87 70 Média 144 141 134 Exportações Refino de petróleo 4o 276 38 Fab de aço e derivados 3o 209 44 Outros equip de transp 1o 293 48 Ext minério de ferro 2o 135 65 Outros equip de transp 2o 127 30 Alimentos e Bebidas 2o 121 158 Alimentos e Bebidas 3o 127 145 Agropecuária e pesca 1o 116 134 Auto caminhões ônibus 3o 273 36 Ext de petróleo e gás 1o 109 58 Comércio 4o 60 35 Metalurgia 4o 221 33 Média 165 160 160 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 21 Quanto ao efeito tecnologia sua contribuição pode ser compreendida pois no ciclo expansivo a demanda tende a se deslocar para bens mais sofisticados sendo que muitos desses são providos diretamente ou via insumos através de importações MEDEIROS 2015 p 74 A produção de bens mais sofisticados transparece na decomposição através do fator tecnológico com aumento de 45 para a demanda final e de 39 para o consumo familiar18 Nos anos 2000 o consumo familiar foi apontado como um dos principais vetores do crescimento econômico19 Com efeito o intervalo 20002008 foi caracterizado pelo aumento do volume de emprego das taxas de reajuste do salário mínimo da expansão do crédito para bens duráveis e das políticas de transferência de renda Ressaltase que dentro da visão keynesiana tradicional ou nas diferentes vertentes o consumo é concebido como uma função positiva da renda disponível consequentemente compreendese o aumento dos coeficientes de importação em um período de expansão da atividade econômica especialmente em uma economia cuja elasticidaderenda das importações é elevada SANTOS et al 2015b p 28 Desse modo semelhante à demanda final a importação para bens de consumo observa um movimento positivamente correlacionado à renda Podese argumentar que os valores dos conteúdos importados tenham sido impactados em grande medida pela valorização cambial De fato assistiuse à valorização do real a partir de 2003 até 2010 quando então a trajetória é invertida20 Entretanto importantes trabalhos apontam para uma menor relevância do câmbio no comércio exterior ao longo dos anos 200021 Santos et al 2015b p 28 estimaram para o período 19962013 elasticidade câmbio de 051 e para a renda de 31 Ou 18 Ver Figura 2 gráficos a e b 19 Ver Medeiros 2015 p 6776 Carvalho e Rugitsky 2015 p 56 e Serrano e Summa 2015 20 Ver Figura 2 21 Ver por exemplo Minella e SouzaSobrinho 2011 Santos et al 2015b e Padrón et al 2015 Santos et al 2015b Os dois primeiros trabalhos ressaltam a baixa elasticidadecâmbio em relação às importações Padrón et al 2015 é relativo às exportações e Santos et al 2015b ressalta em relação aos investimentos que o câmbio teria um papel contrário ao esperado ou seja uma desvalorização provocaria a diminuição dos investimentos em virtude do aumento do preço em real dos bens de capital Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 22 seja enquanto 1 de desvalorização do câmbio leva à diminuição das importações em 05 1 de aumento na renda acarreta 31 de aumento no quantum importado Nesse mesmo trabalho Santos et al 2015b argumentam que a baixa elasticidadecâmbio bem como a alta elasticidaderenda das importações resultam da concentração da pauta importadora brasileira em bens intermediários processo intensificado na economia brasileira ao longo dos anos 1990 e 2000 Segundo os autores bens intermediários são insumos para processos manufatureiros específicos e por conseguinte há baixo grau de substituição para essa categoria Já em relação aos bens finais de modo contrário aos intermediários tanto para a categoria de uso de duráveis quanto para a de não duráveis o preço é um fator relevante quanto à escolha da origem ou seja se nacional ou importado Embora a substituibilidade não seja perfeita se o preço de um calçado ou de um perfume importados aumentar em moeda local devido à desvalorização cambial promovese o redirecionamento da demanda para o calçado o perfume ou até mesmo um bem durável como por exemplo um automóvel nacional Contudo o mesmo raciocínio não pode ser utilizado para os bens intermediários pois em muitos casos não existe a opção nacional seja por não atender às especificações técnicas seja por não haver produção suficiente Desse modo dado o baixo grau de substituibilidade os autores justificam o pessimismo da elasticidade cambial Nesse ponto vale destacar o resultado da decomposição estrutural ver Figura 1 pois revela variação negativa de 23 para o fator direto 𝐴5 para a demanda final nesse período De acordo com o parágrafo anterior relatando alta elasticidade renda das importações e valorização do cambial seria esperada maior utilização direta de bens intermediários importados e não menor Contudo o movimento do preço relativo exercício descrito na seção 32 ajuda a compreensão desse resultado O índice de preço relativo de acordo com a Figura 2 apresenta queda entre 2000 e 2008 de 100 para 847 isto é uma redução de 153 no preço dos importados visà vis o total dos bens Sendo assim podese compreender a variação negativa do fator Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 23 direto como uma decorrência do movimento dos preços relativos e não de menor quantum na utilização direta de intermediários importados Figura 2 Índice de preço relativo das importações e de câmbio 2000 100 Fonte Elaboração própria a partir de Passoni 2019 e Banco Central do Brasil 2019 De modo a melhor expor o argumento a Figura 2 apresenta três índices de preços o primeiro linha pontilhada é o índice de preços relativos o segundo e o terceiro referemse à taxa efetiva real e à taxa real de câmbio em relação ao dólar americano Observase que entre 2000 e 2008 tanto o índice de preços relativo quanto os referentes ao câmbio apresentaram trajetória de queda Desse modo postulase que a variação negativa do fator direto decorre da valorização cambial pois implica quando da conversão do valor das importações em dólar para o real a redução do preço dos importados em relação ao total de bens que já são expressos em real Em específico aos bens de capital a Tabela 1 destaca o maior coeficiente de importação entre todos os componentes da demanda e vale ainda notar a forte participação da importação para uso final bastante acima dos demais componentes Entre 2000 e 2008 observase crescimento do coeficiente de importação próximo a 30 pp porque passa de 193 para 221 Adicionalmente quanto aos bens Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 24 intermediários a decomposição estrutural evidencia os fatores composição e tecnologia com contribuição positiva para o aumento do coeficiente e por sua vez o fator direto atuando de modo a reduzilo Quanto ao fator composição dentre as atividades que adquiriram maior participação na estrutura produtiva encontramse justamente as que possuem maior conteúdo importado Como exemplo máquinas e equipamentos e a indústria automobilística ampliaram a participação setorial nesse intervalo Em 2008 tais atividades possuíam respectivamente conteúdos importados de 248 e 200 contra o valor médio do conteúdo importado para Formação Bruta de Capital Fixo FBCF de 144 Em outras palavras são atividades que possuem ao menos um quinto de insumos partes e componentes atendidos pelo mercado externo Posto isso compreendese o aumento do efeito composição pois uma vez que esses setores são expandidos provocase maior necessidade de importações O impacto positivo do efeito composição sobre o conteúdo importado via de regra ocorre em ciclos expansivos da economia quando atividades manufatureiras e produtoras de bens duráveis apresentam crescimento acima da média ou seja setores com perfis prócíclicos Segundo Lara e Black 2016 o caráter prócíclico das importações na economia especialmente para investimentos ocorre em virtude das descontinuidades produtivas em nossa capacidade instalada De outro modo a oferta interna não possui elasticidade suficiente pois são ausentes segmentos produtivos necessários para atender ao aumento da demanda Assim nas fases de aceleração da atividade a expansão da oferta interna em bens de investimentos é viabilizada pelo aumento das importações e não apenas mas especialmente por intermediários LARA BLACK 2016 p 11 MEDEIROS 2015 p 125126 Podese compreender o caráter prócíclico dos investimentos bem como de suas importações uma vez que aqueles funcionam via mecanismo acelerador flexível ou seja atuam em resposta à expansão tendencial da demanda e as inversões aumentam acima dos demais componentes de forma a regular a capacidade produtiva ao aumento da procura SERRANO SUMMA 2015 p 14 Ademais segundo Santos et Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 25 al 2015b p 18 o investimento em máquinas e equipamentos é afetado positivamente pelo aumento no preço das commodities pela formação bruta de capital da administração pública e pela valorização cambial Com efeito as três dinâmicas estiveram presentes nos anos 2000 período anterior à crise econômica Quanto ao fator tecnológico mais intensivo em importações dois argumentos podem ser alçados O primeiro em grande medida relacionado ao efeito composição consiste em atividades cuja produção aumenta e são preponderantemente do segmento de bens duráveis constituídos por técnicas de produção de maior complexidade necessitando assim insumos que a estrutura produtiva em muitos casos não oferta ou ao menos não em escala suficiente LARA BLACK 2016 O segundo provém da constatação de que a produção de bens duráveis é realizada em grande medida por empresas de capital transnacional O aumento da produção de tais atividades pertence ao conjunto de decisões de firmas que crescentemente se utilizam de sistemas de produção que perpassam fronteiras nacionais MENG FANG YAMANO 2012 p 24 Em respeito às exportações os resultados da Tabela 1 apontam para a queda do coeficiente de importação Vale notar o único componente da demanda a apresentar tal comportamento Em 2000 o patamar do coeficiente de importação era de 178 e em 2008 diminuía para 165 É necessário observar que as importações para atender às exportações ocorrem apenas para bens intermediários pois não existe no Brasil importação de bens da categoria de uso final para posterior transferência ao mercado externo Desse modo a queda do coeficiente de importação se deve na totalidade ao comportamento dos bens intermediários No exercício de decomposição estrutural os fatores composição e direto contribuíram de forma pronunciada para a redução do conteúdo importado Em relação à composição os resultados da Tabela 2 contendo os principais setores com ganho de participação no vetor das vendas externas destacam as atividades de alimentos e bebidas de extração de minério de ferro e de petróleo e gás Tais setores possuem conteúdo importado menor que a média das Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 26 exportações Ou seja caminhou em sentido contrário aos demais componentes da demanda descritos os setores que ganharam participação são justamente os menos intensivos em itens importados Por sua vez quanto ao impacto negativo do efeito direto a compreensão é similar à encontrada nos demais componentes da demanda analisados isto é a queda dos preços relativos implica na redução do efeito direto ver Figura 2 Ressaltase por fim que o movimento de queda do coeficiente vai na contramão do esperado em que pese o contexto produtivo mundial no qual paulatinamente tem se observado um movimento de fragmentação produtiva entre países De forma estilizada tal contexto promoveria o acréscimo do coeficiente importado das exportações fenômeno captado pela literatura empírica das chamadas cadeias globais de valor INOMATA 2017 Contudo ao menos nesse período a economia brasileira apresenta sinais contrários a esse cenário produtivo 42 Desaceleração de 2010 a 2014 Na imediata póscrise financeira a despeito da desaceleração econômica observamse as maiores taxas de aumento do coeficiente importado A expansão dos coeficientes de importação ocorreu em todos os componentes da demanda ver Tabela 1 Os acréscimos foram majoritariamente provenientes do comportamento dos intermediários uma vez que os conteúdos finais apresentaram ligeiro aumento nos componentes Na demanda final e no consumo das famílias os dados da Tabela 1 indicam aumento no coeficiente de importação respectivamente de 139 para 158 e de 118 para 137 Em relação ao comportamento dos intermediários desses componentes os resultados do exercício de decomposição estrutural apontaram para os fatores direto e composição como principais fatores a participarem da variação do coeficiente importado Eles atuaram em direções contrárias sobre os coeficientes o primeiro no sentido de aumentálo e o segundo de reduzilo Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 27 Vale destacar o efeito direto sob a importação de intermediários pois o aumento foi acima de 20 nos dois casos o mais expressivo entre os fatores analisados Com isso é necessário destacar o impacto dos preços relativos sobre o fator direto Embora a variação dos preços relativos tenha sido menor em relação ao período anterior eles aumentaram em 8522 refletindo assim um aumento do preço dos importados vis àvis a cesta total dos bens23 Além disso observase que o câmbio pelo índice efetivo cesta de 15 moedas calculado pelo Banco Central desvalorizouse em 257 fato que também contribui para elevação do fator direto pois torna os bens importados em reais mais caros Em suma câmbio e preços relativos concorrem para o aumento do fator direto24 Quanto à composição setorial participa na redução do conteúdo importado em 41 de ambos os componentes Podese inferir que o aumento do efeito direto isto é o aumento da utilização direta de insumos importados coincidente com a maior participação das atividades com menor necessidade de importações impacto negativo do efeito composição aponta para a tendência de acirramento da concorrência externa nos setores de tradables indicando assim o deslocamento de parte da produção nacional para o mercado externo HIRATUKA 2018 p 11 Em relação ao impacto negativo do fator composição sobre o conteúdo importado tanto na demanda final quanto no consumo das famílias tal movimento pode ser compreendido através da observação dos resultados obtidos na Tabela 2 pois os setores que apresentaram aumento na participação setorial são justamente aqueles cujos conteúdos importados em 2014 são menores do que a média Para a demanda final notamse as atividades ligadas a comércio aluguéis saúde privada e serviços de alojamento Por seu turno serviços pessoais de toda ordem financeiros saúde privada e atividades imobiliárias ganham espaço no orçamento das famílias Carvalho e 22 Contra um decréscimo de 153 no período anterior 23 Variações obtidas junto ao índice de preços relativos apresentado na Figura 2 24 Com efeito os preços relativos atuam sobre todos os fatores estruturais em todos os períodos Assim vale notar que há espaço para futuros exames com maiores aprofundamentos sobre o complexo vínculo entre os preços relativos e os principais agregados da economia em especial as importações Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 28 Rugitsky 2015 p 12 argumentam que o consumo em serviços em relação aos demais bens possui elevada elasticidaderenda e que a melhor distribuição salarial no período pode ser responsável pelo aumento dos serviços na cesta de consumo familiar Na formação bruta de capital há aumento do coeficiente importado ao passar de 194 para 216 ver Tabela 1 Contudo diferente dos demais componentes da demanda há importante expansão das importações para uso final a ampliação do coeficiente importado não foi impulsionada apenas pelos intermediários uma vez que a importação direta do bem final aumentou em 05 pp ao passar de 70 para 75 Nos intermediários a taxa de crescimento do conteúdo importado foi de 141 sendo que os fatores direto e tecnologia contribuíram para o aumento desse indicador Por sua vez adensamento e composição atuaram no sentido de mitigálo ver Figura 2 gráfico c O fator direto que é o de maior influência apresentou taxa de variação de 186 já o efeito tecnológico pressionou o aumento do coeficiente em 11 Quanto aos fatores que impactaram o indicador atenuandoo o adensamento impactou o conteúdo importado em 3 e a composição setorial em 27 Nesse ponto vale notar a relação inversa entre o efeito direto e o adensamento O forte efeito direto positivo contribui para a redução do adensamento da cadeia produtiva uma vez que a compra direta de intermediários promove a perda de elos entre setores e entre empresas De outro modo as importações diretas de bens intermediários promovem a perda de densidade da cadeia pois toda a rede de produção que demandaria importações em diferentes estágios produtivos é substituída pela compra imediata do bem no exterior O último fator de destaque em bens de investimento se dá para o efeito composição em que há decréscimo de 27 O sentido negativo pode ser compreendido através da observação da Tabela 2 observase que as quatro atividades que assumiram maior participação no componente FBCF possuem coeficiente abaixo da sua média Dentre as atividades que se expandiram e têm conteúdo importado abaixo da média destacase a construção civil que passa de 487 para 504 de toda a formação bruta realizada Essa atividade possui extensa gama de produtos não Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 29 transacionáveis logo seu coeficiente revela baixo valor em relação às demais como por exemplo os relativos à indústria de transformação Nas exportações o comportamento é bastante parecido ao observado nos bens de capital Contudo as variações são maiores O coeficiente de importação passa de 136 para 16 ver Tabela 1 No exercício de decomposição estrutural o efeito direto assumiu o valor de 204 e por seu turno o adensamento produtivo reduziu em 33 Entre 2010 e 2014 entretanto a pauta exportadora brasileira apresenta concentração em commodities que se caracterizam por possuírem reduzida cadeia produtiva em relação aos produtos do setor da indústria de transformação ver Tabela 2 De forma a ilustrar as atividades extrativas petróleo e gás assim como a agropecuária possuem forte participação nas exportações De modo oportuno vale destacar o aumento da participação da agropecuária tal atividade possui a segunda maior parcela no vetor exportador do país 43 Crise de 2014 a 2016 Neste último período destacase a redução no coeficiente importado para o conjunto da demanda final esta retornando a 144 ver Tabela 1 o mesmo valor observado para o primeiro ano da série em 2000 O principal fator explicativo foi novamente o comportamento dos intermediários uma vez que a parcela da importação para uso final no total dos bens finais consumidos apresentou leve redução Sendo assim os principais resultados do exercício de decomposição estrutural apresentaram queda do conteúdo importado com a contribuição de todos os fatores estruturais à exceção do adensamento produtivo ver Figura 1 Os fatores direto e composição atuaram como principais agentes para a redução dos indicadores respectivamente com valores de 45 e 35 isto é observase uma menor utilização de insumos importados bem como a concentração da demanda em atividades de menor exigência por importações tais como serviços alimentos e bebidas Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 30 Em específico quanto ao impacto dos preços relativos no fator direto o índice de preços relativos indicou aumento de 46 dos importados em relação ao total dos bens Entretanto o fator direto conforme apontado apresentou variação negativa Em outras palavras mesmo com a influência dos preços relativos em sentido de expandilo sua variação foi negativa apontando com efeito para a menor utilização imediata de insumos importados Observase que nos dados relativos aos agregados macroeconômicos o PIB para esse período diminui em média 22 aa e por sua vez as importações são reduzidas em 87 25 ou seja uma relação entre essas duas variáveis que chega a ser quatro vezes maior em favor das importações Desse modo reafirmase a correlação entre coeficiente importado e o ritmo da atividade econômica Quanto ao consumo das famílias a contração do coeficiente de importação é explicada em grande medida pela redução da importação de bens intermediários Assim os resultados da decomposição estrutural demonstram valores semelhantes aos encontrados para a demanda final todos os fatores exceto o adensamento contribuíram para a queda do conteúdo importado ver Figura 1 Os setores cuja parcela na cesta de consumo familiar cresceu foram intermediação financeira atividades imobiliárias aluguéis gastos com saúde privada e serviços de utilidade pública Tais atividades possuem demanda majoritariamente atendida pela produção nacional não necessitando assim incorrer em grandes volumes de importação Desse modo é compreensível o impacto negativo do efeito composição ver Tabela 2 consumo das famílias no período 20142016 Já na formação bruta de capital a retração no coeficiente importado foi da ordem de 09 pp o indicador passou de 216 para 207 Entretanto vale notar que mesmo com o aprofundamento da crise econômica um quinto dos bens dessa categoria foi provido direta e indiretamente através de importações A queda no coeficiente de importação foi concentrada nos intermediários e teve nos efeitos 25 Resultados a partir de dados do IBGE Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 31 composição e tecnologia os principais protagonistas No tocante ao efeito composição observase na Tabela 2 que as atividades de agropecuárias serviços de informação e sobretudo construção civil aumentaram a participação nesse componente da demanda Esses setores possuem conteúdos importados bastante inferiores ao da média da FBCF Por seu turno a utilização de tecnologia menos intensiva em partes componentes e insumos importados deriva do maior peso setorial das atividades descritas especialmente da construção civil que corresponde à metade da formação bruta brasileira Tais atividades possuem técnicas com menor grau de sofisticação logo com a estrutura produtiva nacional com maior potencialidade de atender à demanda por insumos desses setores CARNEIRO 2010 p 1415 Contudo vale ressaltar que máquinas e equipamentos respeitam fortes atributos de diferenciação especificidade não raro sendo produzidos sob demanda bem como requisitos quanto à sofisticação tecnológica Tais exigências junto à necessidade de exploração de economias de escala induzem a sua elaboração a um reduzido número de países levandoos a fabricarem tanto para si quanto para os demais mercados MAGACHO 2012 p 66 É de se esperar portanto que as peculiaridades no nível do produto sejam refletidas através de um alto coeficiente importado tanto em bens intermediários quanto em finais Quanto às exportações por fim essa categoria não teve o coeficiente de importação diminuído de forma significativa contudo as vendas externas foram o único componente da demanda a apresentar crescimento no período com uma média de 42 aa Os dados da decomposição estrutural permitiram avaliar que os fatores direto e tecnológico com variação negativa se equilibram com os efeitos positivos do adensamento da cadeia e da composição Neste último apontase para a maior participação das atividades produtoras de automóveis caminhões e demais equipamentos de transporte Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 32 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho examinou o comportamento do coeficiente de importação da economia brasileira entre os anos 2000 e 2016 Constatouse que em períodos de aceleração da atividade econômica ocorreu aumento mais que proporcional do coeficiente e quando da desaceleração houve retração igualmente mais que proporcional Em síntese identificouse o caráter prócíclico do indicador Essa característica foi mais explícita para a categoria de uso de bens intermediários Contudo apesar desse quadro a formação bruta de capital fixo observou alta dependência em relação aos bens importados de uso final Como exemplo a parcela das importações para uso final da FBCF apresentou valores duas vezes maiores que os demais componentes da demanda agregada Esse patamar discrepante se manteve inclusive em períodos de desaceleração econômica justificando assim a investigação dos vetores da demanda final de forma desagregada Quanto à decomposição estrutural do conteúdo importado vale notar o proeminente papel da mudança dos preços relativos no período 2000 a 2008 A forte valorização do real provocou a redução dos preços dos importados relativamente ao preço médio da cesta total de bens nacionais e importados Nessa conjuntura o fator direto atenuou em grande medida o crescimento do conteúdo importado devido à redução em real do preço médio dos importados visàvis o preço médio do conjunto total de bens Assim compreendese a exceção desse período o fator direto movendo se em sentido oposto ao ritmo da economia Nos demais períodos estudados em que não houve forte mudança nos preços relativos tampouco acentuada valorização do real o fator direto atua em consonância com a atividade econômica ou seja contribui para o aumento do conteúdo importado quando da expansão da renda e mitigao no período de desaceleração da economia Observase ainda na decomposição do conteúdo importado o papel da composição setorial Os bens duráveis são particularmente elásticos à renda isto é taxas de variações na renda promovem modificações na demanda por bens duráveis a Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 33 taxas mais elevadas Desse modo em ciclos expansivos atividades produtoras de bens duráveis tendem a obter maior participação na estrutura produtiva da economia Vale notar que bens duráveis possuem cadeias produtivas mais longas e técnicas mais complexas e intensivas em tecnologia Consequentemente a produção de tais bens implica a importação de insumos que a estrutura produtiva nacional em muitos casos não dispõe ou ao menos não em escala suficiente Por seu turno em períodos recessivos a demanda converge para itens menos sofisticados Nessa última circunstância o consumo das famílias bem como o investimento e a produção das firmas voltamse para produtos e processos mais simples que não necessitam maiores volumes de importados Notadamente no caso das famílias conforme pudemos notar através do ganho de participação setorial no período 20142016 sua renda se compromete a atenuar deveres financeiros de habitação e de serviços essenciais como saúde Vale notar por fim dois temas que em trabalhos futuros se sobressaem como misteres de maior aprofundamento O primeiro é a extensão para o nível setorial dos exercícios de decomposição estrutural de sorte a melhor compreender as distintas trajetórias do conteúdo importado entre as atividades O segundo consiste numa análise mais detida dos efeitos da mudança dos preços relativos à aferição dos fatores estruturais da economia brasileira em especial das importações REFERÊNCIAS AKYUZ Y The staggering rise of the south Turkish Economic Association 2012 Discussion paper n 20123 ALMEIDA S FEIJÓ C A Ocorreu uma desindustrialização no Brasil São Paulo Iedi 2005 BACHA E Integrar para crescer o Brasil na economia mundial In CDPP Coletânea de Capítulos da Agenda Sob a Luz do Sol Sl CDPP 2014 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 34 BALK B M REICH U P Additivity of national accounts reconsidered Journal of Economic and Social Measurement v 33 n 23 p 165178 2008 BANCO CENTRAL DO BRASIL Cotações e boletins Disponível em httpswwwbcbgovbrestabilidadefinanceirahistoricocotacoes Acesso em 2 jul 2019 BARROS O PEREIRA R Desmistificando a tese da desindustrialização reestruturação da indústria brasileira em uma época de transformações globais In BARROS O GIAMBIAGI F Org Brasil globalizado o Brasil em um mundo surpreendente Rio de Janeiro Elsevier 2008 BRAVO A C ÁLVARES M T The import content of the industrial sectors in Spain Economic Bulletin Spain Apr 2012 BRESSERPEREIRA L C MARCONI N Doença holandesa e indústria São Paulo FGV 2010 BRESSERPEREIRA LC Structuralist macroeconomics and the new developmentalism Brazilian Journal of Political Economy v 32 n 3 p 347366 2012 BONELLI R PESSOA S Desindustrialização no Brasil um resumo da evidência Fundação Getúlio Vargas 2010 Texto para Discussão n7 CARNEIRO R O desenvolvimento brasileiro póscrise financeira oportunidades e riscos Observatório da Economia Global Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica Campinas n 4 2010 CARVALHO L KUPFER D A transição estrutural da indústria brasileira uma análise dos fatores explicativos pela ótica da demanda In ENCONTRO NACIONAL DE ECONOMIA 36 2008 Salvador Anais Salvador ANPEC 2008 CARVALHO L RUGITSKY F Growth and distribution in Brazil the 21st century revisiting the wageled versus profitled debate Department of Economics FEAUSP Discussion Paper n 25 2015 Acesso em 13 jul 2018 CORDEN W M NEARY J P Booming sector and deindustrialisation in a small open economy The economic journal v 92 n 368 p 825848 JSTOR 1982 COUTINHO L A especialização regressiva Um balanço do desempenho industrial pós estabilização In VELOSO J P R Org Brasil desafios de um país em transformação Rio de Janeiro José Olympio 1997 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 35 DE PAULA L F MODENESI A PIRES M C The tale of the contagion of two crises and policy responses in Brazil a case of keynesian policy coordination Journal of Post Keynesian Economics v 37 n 3 p 408435 Reino Unido Taylor Francis 2015 DIETZENBACHER E LOS B Structural decomposition techniques sense and sensitivity Economic Systems Research v 10 n 4 p 307323 1998 Disponível em httpdxdoiorg10108009535319800000023 Acesso em 15 jan 2018 DIETZENBACHER E TERMURSHOEV U Inputoutput impact analysis in current or constant prices does it matter Journal of Economic Structures v 1 n 1 p 4 2012 FERRAZ J C KUPFER D IOOTY M Competitividad industrial en Brasil 10 años después de la liberalización Revista de la CEPAL v 82 2004 HIRATUKA C Changes in the Chinese development strategy after the global crisis and its impacts in Latin America Revista de Economia Contemporânea v 22 n 1 2018 HOEKMAN B The global trade slowdown A new normal London Centre for Economic Policy Research CEPR 2015 Ebook VoxEUorg HUMMELS D ISHII J YI K The nature and growth of vertical specialization in world trade Journal of International Economics v 1 n 1 p 7596 2001 IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Matriz de insumoproduto 2010 Rio de Janeiro IBGE 2016 INOMATA S Analytical framework for global value chains an overview In Global Value Chain Report measuring and analyzing the impact of GVCs measuring on economic development Sl International Bank for Reconstruction and DevelopmentThe World Bank 2017 Global value chain development report LARA F BLACK C A recessão brasileira em 2015 e seu efeito conjuntural sobre as importações Indicadores Econômicos FEE Porto Alegre v 44 n 2 p 926 2016 MAGACHO G A indústria de bens de capital no Brasil restrição externa e dependência tecnológica no ciclo de crescimento recente 2012 Dissertação Mestrado Universidade Estadual de Campinas 2012 MARCATO M ULTREMARE F Produção industrial e vazamento de demanda para o exterior uma análise da economia brasileira Economia e Sociedade Campinas v 27 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 36 n 2 2018 Disponível em httpdxdoiorg101590198235332017v27n2art10 Acesso em 15 ago 2018 MEDEIROS C A Integração produtiva a experiência asiática e algumas referências para o Mercosul Sl Mímeo 2008 MEDEIROS C A Inserção externa crescimento e padrões de consumo na economia brasileira Rio de Janeiro IPEA 2015 MEDEIROS C A FREITAS F PASSONI P Structural change and the manufacturing sector in the Brazilian economy 20002014 In SANTARCÁNGELO J E The Manufacturing Sector in Argentina Brazil and Mexico Berlim Springer Nature 2019 MENG B FANG Y YAMANO N Measuring global value chains and regional economic integration an international inputoutput approach Institute of Developing Economies Discussion Paper Institute of Developing Economies JETRO n 362 2012 MILLER R BLAIR P Inputoutput analysis foundations and extensions Cambridge Cambridge University Press 2009 ISBN 9780521739023 MINELLA A SOUZASOBRINHO N Canais monetários no Brasil sob a ótica de um modelo semiestrutural In BCB BANCO CENTRAL DO BRASIL Dez anos de metas para a inflação 19992009 Brasília BCB 2011 MONTANHA R A Análise comparativa das mudanças no coeficiente de importação Brasil China e principais blocos econômicos 2019 Tese Doutorado Instituto de economia UFRJ Rio de Janeiro 2019 MORCEIRO P C Desindustrialização na economia brasileira no período 20002011 abordagens e indicadores Rio Claro Cultura Acadêmica 2012 MORCEIRO P C Sectoral demand leakage and competitiveness of the Brazilian manufacturing industry University of São Paulo n 12 2016 Working paper series OREIRO J L FEIJO C Desindustrialização conceituação causa efeitos e o caso brasileiro Revista de Economia Política v 30 n 2 2010 PADRÓN A et al Por que a elasticidade preço das exportações brasileiras é baixa no brasil Novas evidências agregadas IPEA 2015 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 37 PALMA J G Quatro fontes de desindustrialização e um novo conceito de doença holandesa In CONFERÊNCIA DE INDUSTRIALIZAÇÃO DESINDUSTRIALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO S n 2005 S l Anais S l FIESP IEDI 2005 PASSONI P A Comportamento das importações brasileiras de 2000 a 2008 uma análise a partir da decomposição estrutural e insumoproduto In ENCONTRO NACIONAL DE ECONOMIA 44 2016 Foz do Iguaçu Anais Foz do Iguaçu ANPEC 2016 PASSONI P A Deindustrialization and regressive specialization in the Brazilian economy between 2000 and 2014 a critical assessment based on the inputoutput analysis 2019 Tese Doutorado UFRJ Rio de Janeiro 2019 ROSE A CASLER S Inputoutput structural decomposition analysis a critical appraisal Economic systems research v 8 n 1 p 3362 1996 SANTOS C H et al Por que a elasticidadecâmbio das importações é baixa no Brasil Evidências a partir das desagregações das importações por categoria de uso Rio de Janeiro IPEA 2015a Texto para discussão n 2046 SANTOS C H et al Revisitando a dinâmica trimestral do investimento no brasil 19962012 Brazilian Journal of Political Economy v 36 n 1 p 190213 2015b SARTI F HIRATUKA C Desempenho recente da indústria brasileira no contexto de mudanças estruturais domésticas e globais Unicamp Campinas 2017 Texto para discussão n 290 SARTI F HIRATUKA C Perspectivas do investimento na indústria In UFRJ UNICAMP Coord Projeto PIB perspectiva do investimento no Brasil Rio de Janeiro UNICAMP 2010 SERRANO F SUMMA R Demanda agregada e a desaceleração do crescimento econômico brasileiro de 2011 a 2014 Washington Center for Economic Policy Research CEPR 2015 VEIGA P RIOS S Inserção em cadeias globais de valor e políticas públicas o caso do Brasil In OLIVEIRA I T M CARNEIRO F L DA SILVA FILHO E B Org Cadeias globais de valor políticas públicas e desenvolvimento Brasília IPEA 2017 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 38 APÊNDICE A RESULTADOS SETORIAIS Tabela 3 Conteúdos importados de importação bens intermediários e participação na demanda final Cód Gic Descrição da atividade N 42 Coeficiente importado intermediário Participação setorial na demanda final 2000 2008 2010 2014 2016 2000 2008 2010 2014 2016 110 119 100 116 105 100 0 100 0 100 0 100 0 100 0 GICA01 Agricultura explor florestal Pecuária e pesca 75 113 85 116 105 34 38 35 39 47 GICA02 Ext de petróleo e gás 155 109 125 133 259 04 13 13 12 09 GICA03 Ext minerio de ferro 200 135 88 104 134 05 11 15 11 08 GICA04 Outros da indústria extrativa 200 162 143 191 170 01 02 01 02 02 GICA05 Alimentos e Bebidas 123 127 102 127 121 93 95 87 86 95 GICA06 Fab de produtos do fumo 97 103 80 86 90 05 05 05 04 04 GICA07 Fab de têxteis 174 222 190 205 190 07 06 05 04 04 GICA08 Confecção vestuário 118 133 120 140 130 19 15 14 13 12 GICA09 Fab de calçados de couro 160 162 128 159 140 11 09 08 08 07 GICA10 Fab de prods de madeira 108 96 83 113 116 03 02 02 02 02 GICA11 Fab de celulose prods de papel 160 188 155 193 174 07 06 06 06 07 GICA12 Impressão e reprodução de gravações 119 131 136 157 146 01 00 00 00 00 GICA13 Refino de petróleo e coquerias 299 276 242 339 189 22 22 19 21 20 GICA14 Fabricação de biocombustíveis 79 106 86 115 102 03 05 04 03 05 GICA15 Fab de químicos elastômeros 292 345 342 420 344 05 04 04 04 04 GICA16 Produtos farmacêuticos 127 139 135 161 160 11 10 11 10 10 GICA17 Perfumaria higiene e limpeza 187 237 191 244 212 09 08 08 08 08 GICA18 Fab de defensivos tintas etc 278 322 279 326 302 03 02 02 02 02 GICA19 Artigos de borracha e plástico 237 250 215 265 244 06 05 04 04 04 GICA20 Cimento e minerais nãometálicos 153 168 132 168 147 02 02 02 02 02 GICA21 Fab de aço e derivados 243 204 215 209 223 07 10 06 06 07 GICA22 Metalurgia de metais nãoferrosos 213 244 208 238 221 05 05 04 04 05 GICA23 Produtos de metal excl maq e equip 126 143 146 162 145 06 07 07 06 05 GICA24 Maq e equips móves e produtos diversos 292 248 237 259 258 65 67 64 60 50 GICA25 Eletrodomésticos e material eletronico 216 242 217 246 214 11 12 12 10 09 GICA26 Automóveis camionetas caminhões e ônibus 198 200 188 254 273 31 46 44 34 25 GICA27 Peças para automóveis 209 203 177 209 214 10 14 12 08 06 GICA28 Outros equip de transp 309 273 261 300 293 08 12 09 09 11 GICA29 Energia ele gás natural água e esgoto 105 138 99 148 119 22 21 20 17 21 GICA30 Construção civil 90 114 89 104 98 123 98 117 114 94 GICA31 Comércio 65 55 48 60 59 96 115 124 137 135 GICA32 Transporte armazenagem e correio 126 137 112 133 107 30 32 32 31 31 GICA33 Serviços de alojamento e alimentação 79 95 73 85 84 36 33 36 44 43 GICA34 Serviços de informação 68 69 71 95 87 36 40 36 34 34 GICA35 Intermed Financ seguros e prev comp 43 39 37 43 32 32 43 53 48 59 GICA36 Ativ Imob 09 09 07 09 09 121 82 80 89 96 GICA37 Serv às empresas e às famílias manut 62 62 55 63 56 61 56 55 55 56 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 39 GICA38 Adm Pub defesa e seg social 49 38 34 39 40 03 03 03 03 03 GICA39 Educação pública 31 27 25 25 24 01 01 01 01 01 GICA40 Educação privada 35 43 39 44 51 21 16 16 18 21 GICA41 Saúde pública 54 52 52 52 61 01 01 01 00 00 GICA42 Saúde privada 75 79 75 71 65 24 24 23 29 33 Fonte Elaboração própria a partir de Passoni 2019 Autor correspondente Rafael Alves Montanha Email montanharafaelgmailcom Recebido em 27092019 Aceito em 29062021

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Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg1022456 1 Decomposição Estrutural dos Coeficientes de Importação para o Brasil no Período de 2000 a 2016 Structural Decomposition of Import Coefficients for Brazil in the Period from 2000 to 2016 Rafael Alves Montanha1 Esther Dweck2 Ricardo de Figueiredo Summa3 Resumo Entre 2000 e 2016 a economia brasileira observou o crescimento médio das importações em ordem bastante superior ao produto No intuito de compreender tal dinâmica o presente trabalho realiza dois exercícios Primeiro calcula os coeficientes de importação para os principais componentes da demanda agregada Em um segundo momento realiza a decomposição estrutural destes coeficientes de modo a assinalar os fatores de maior impacto em suas variações Dentre os principais resultados ressaltamse o aumento dos coeficientes importados relacionado ao forte efeito composição setorial ie atividades mais intensivas em importações adquirem maior participação quando do aumento da atividade econômica em segundo lugar podese apontar o efeito direto especialmente no período póscrise 2008 09 ou seja a maior utilização de partes e bens intermediários importados em detrimento dos produzidos internamente Palavraschave Coeficientes de importação Decomposição estrutural Economia brasileira Abstract Along the years 2000 and 2016 the Brazilian economy observed an average import growth rate three times higher than the GDP In order to understand such dynamic the present work performs two exercises First it computes the import coefficient for the main component of aggregate demand In a second moment a structural decomposition of these coefficients is made in order to indicate the factors of greater impact in their variations Among the main results it can point out the 1 Diretoria de Pesquisas Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE rafaelmontanhaibgegovbr IBGE está isento de qualquer responsabilidade relacionada com as opiniões informações dados e conceitos expressos neste artigo que são de responsabilidade exclusiva do autor 2 Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ Instituto de Economia IEUFRJ Rio de Janeiro Rio de Janeiro Brasil 3 Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ Instituto de Economia IEUFRJ Rio de Janeiro Rio de Janeiro Brasil O autor agradece o apoio financeiro do CNPq por meio da bolsa PQ número 30727320202 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 2 coefficients growth related to the strong effect of the sectorial composition that is activities more intensive in imports acquire greater participation when the economic activity increases secondly the direct effect can be pointed out especially in the post crisis period 200809 that is the greater use of imported intermediate parts and goods over domestic ones Keywords Import coefficients Structural decomposition Brazilian economy JEL Classification 019 C670 1 INTRODUÇÃO A grande novidade econômica da década de 2000 para o Brasil e em grande medida para o conjunto dos países em desenvolvimento especialmente as economias primárioexportadoras foi o relaxamento da restrição externa Esse fato econômico é resultado da combinação de dois fatores primeiro a valorização do preço das commodities em virtude da grande demanda chinesa do Leste asiático como um todo por produtos primários segundo do aumento da liquidez internacional como consequência do influxo de capitais em busca de maior valorização uma vez que a taxa de juros praticada nos países centrais além de baixas em nível apresentava tendência de queda AKYUZ 2012 p 25 MEDEIROS 2015 p 62 Dado esse relaxamento nas contas externas a economia brasileira pôde realizar políticas de expansão da demanda agregada que por conseguinte promoveram taxas de crescimento significativamente maiores do que as obtidas nas duas décadas anteriores LARA BLACK 2016 MORCEIRO 2016 Após a crise econômica de 20082009 entretanto as taxas de crescimento desaceleraram De acordo com dados do IBGE entre 2000 e 2008 período anterior à crise a economia cresceu à taxa média de 38 aa No imediato póscrise 2010 a 2014 há desaceleração para 34 aa e entre 2014 e 2016 ocorre retração do PIB queda em nível de 35 aa Segundo Serrano e Summa 2015 p 2324 a Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 3 desaceleração da economia brasileira resultou da piora do cenário externo e especialmente da queda no ritmo dos gastos públicos e do consumo das famílias As importações nesse quadro se destacam pois apresentaram taxas de crescimento bastante acima do PIB bem como os demais componentes da demanda agregada Desse modo enfatizando os mesmos períodos temse entre 2000 e 2008 variação média das importações de 80 aa entre 2010 e 2014 alcance de 99 aa e no período recente entre 2014 e 2016 em consonância à renda diminuem significativamente em 87 aa Em resumo a variação das importações se deu em ordem de duas a três vezes superior ao produto Dessa forma dado o alto dinamismo das importações há um importante debate sobre o papel destas na estrutura produtiva brasileira em especial se está em curso um processo de penetração das importações muitas vezes associado à discussão de desindustrialização Adicionalmente esse mesmo debate procura ainda compreender como a atual conjuntura mundial de fragmentação produtiva por um lado e de redução da elasticidaderenda do comércio por outro4 tem impactado a estrutura da oferta da economia brasileira Nesse contexto o presente estudo apresenta um duplo objetivo avaliar se houve aumento do coeficiente de importação e em caso positivo assinalar quais foram os principais determinantes do aumento Destarte será calculado o coeficiente de importação para as principais categorias da demanda final da economia brasileira e mais especificamente o conteúdo importado para a demanda intermediária setorial no período 20002016 O cálculo dos indicadores é realizado utilizandose matrizes insumoproduto estimadas por Passoni 2019 Para avaliar os possíveis determinantes da variação dos indicadores será apresentada uma nova metodologia de decomposição estrutural da variação do conteúdo importado de cada componente da demanda final A análise dos resultados será feita em três períodos de acordo com a evolução do nível de atividade econômica 2000 a 2008 caracterizado pela aceleração 4 Em respeito à elasticidaderenda do comércio internacional ver por exemplo Hoekman 2015 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 4 da atividade 2010 a 2014 em que ocorre desaceleração e 2014 a 2016 marcado por forte crise econômica Este trabalho é composto além desta introdução por mais quatro seções a segunda aborda as contribuições da literatura para discutir o papel das importações na estrutura produtiva brasileira a terceira apresenta a metodologia de cálculo dos indicadores assim como o respectivo método de decomposição estrutural a quarta analisa os resultados obtidos e por fim a quinta traça as considerações finais 2 O PAPEL DAS IMPORTAÇÕES NA ESTRUTURA PRODUTIVA BRASILEIRA No debate sobre o comportamento das importações é possível identificar diferentes leituras sobre o seu papel na estrutura produtiva brasileira Em particular a interpretação sobre o movimento conjunto entre atividade econômica e importações varia bastante de acordo com as concepções e a filiação dos autores a determinadas escolas de pensamento econômico De todo modo há aqui um esforço em categorizar tais abordagens a partir de trabalhos das últimas décadas divididos em quatro principais perspectivas embora não excludentes entre si 21 Maior Produtividade Decorrente das Importações As principais análises e mais atuais nessa perspectiva são as de Bacha 2014 Barros e Pereira 2008 Bonelli e Pessoa 2010 e Veiga e Rios 2017 O ponto central dessa abordagem é o caráter positivo do aumento das importações Para os autores a maior participação de bens importados na oferta total é uma fonte de aumento da produtividade da economia O Brasil ao longo de todo o ciclo de substituição de importações teria se configurado como uma economia bastante fechada ao comércio exterior Com isso o processo de abertura iniciado ainda nos anos 1990 com a queda das tarifas comerciais deve continuar vigente necessitando inclusive ser aprofundado Desse modo o aumento da participação das importações na oferta total Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 5 é visto como um processo natural de convergência para um padrão global de crescimento do comércio exterior Ademais a valorização cambial encontrada a partir de 2003 é um movimento positivo pois gera transbordamento para o setor produtivo uma vez que o custo de formação de capital se torna mais barato assim a importação de maquinários e insumos de maior qualidade é uma forma de aumentar a produtividade e a eficiência da estrutura produtiva Um segundo ponto benéfico é a maior exposição das firmas nacionais à competição internacional Vale ressaltar que nessa linha teórica as importações assumem um aspecto muito mais complementar do que competitivo com a produção nacional Desse modo as políticas comerciais devem se afastar do cunho protecionista forjado ao longo do processo de substituição de importações expandindo a abertura comercial também para o setor de serviços A estratégia adotada deve se basear em acordos regionais e bilaterais diminuindo a escalada tarifária e os instrumentos de política industrial como por exemplo os mecanismos de conteúdo nacional 22 Câmbio e Recursos Naturais como Alavanca das Importações Na linha que segue a argumentação podem ser destacados os trabalhos de BresserPereira e Marconi 2010 BresserPereira 2012 Almeida e Feijó 2005 Palma 2005 e Oreiro e Feijó 2010 Dentre os economistas dessa abordagem sustentase a hipótese do aumento das compras externas como consequência de um processo de desindustrialização A perda do tecido industrial decorre de dois fatores a elevada valorização cambial e as altas taxas de juros praticadas Essas duas causas tornam a produção nacional menos competitiva em relação aos bens de origem externa e limitam o volume de investimentos5 A valorização cambial por sua vez é resultado das altas taxas de 5 Dos Santos et al 2015a estimam através de um exercício econométrico a função investimento para a economia brasileira ao longo dos anos 2000 Dentre os principais resultados os autores constatam a Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 6 juros praticadas pelo Banco Central e pelos altos preços das commodities exportadas pelo país Esses dois fatores têm gerado um regime de regressão da pauta exportadora a sua reprimarização e a exportação de bens com menor conteúdo tecnológico e por conseguinte perda de tecido industrial Um fato marcante dessa abordagem é a tese de que a economia brasileira estaria passando pelo processo denominado de doença holandesa Observase que esse conceito foi desenvolvido por Corden e Neary 1982 para representar a economia holandesa portanto um país avançado industrialmente nos anos 1970 quando essa descobriu uma grande reserva de gás natural em seu mar territorial6 Esses autores formulam um modelo de três setores para uma economia um exportador dinâmico booming sector um produtor de manufaturas porém atrasado e por fim um de bens não comercializados serviços O boom repentino da descoberta de uma commodity aumenta a produtividade marginal do setor dinâmico e promove o aumento da renda desse setor provocando dois efeitos o primeiro denominado de efeito gasto e o segundo de efeito movimento de recursos O primeiro efeito se dá pelo aumento do gasto a renda adicional decorrente do boom exportador gera apreciação cambial e maior demanda agregada nos três setores Porém no setor nontradable isto é o atrasado e o de serviços os preços se elevam em relação aos tradables fato que com tudo o mais constante gera uma segunda onda de valorização cambial7 Dessa forma com a moeda nacional apreciada ocorre a substituição da produção interna por importações promovendo assim a queda do emprego na indústria a diminuição desta no produto total da economia e consequentemente a expansão dos serviços não tradables 23 Aumento do Vazamento da Demanda Agregada relação negativa entre câmbio e investimento ou seja uma valorização cambial provoca aumento dos investimentos 6 Ressaltase que o modelo é de vertente neoclássica admitindo hipótese de pleno emprego 7 Aqui compreendido como câmbio real 𝑒 𝑒 ou seja quando os preços internos de uma economia aumentam 𝑃 logo ocorre uma valorização diminuição no valor do câmbio real 𝑒 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 7 Dentre os trabalhos contido nessa classificação podese ressaltar os de Sarti e Hiratuka 2010 Marcato e Ultremare 2018 De Paula Modenesi e Pires 2015 e Sarti e Hiratuka 2017 Nessa interpretação o aumento das importações se dá no sentido de que está em curso um processo e penetração delas Ou seja a estrutura produtiva vem perdendo a capacidade de atender aos impulsos gerados pela demanda devido à quebra de elos das cadeias produtivas Dessa forma a produção nacional crescentemente sobretudo após o período da crise financeira tem recorrido às importações para responder aos movimentos de procura efetiva O esgarçamento produtivo seria decorrente da baixa taxa de investimento brasileiro nas últimas décadas assim como do baixo desempenho inovativo no setor industrial Ademais o pequeno montante de inversões teria afastado a economia brasileira da fronteira tecnológica Um ponto que merece destaque é o relevante papel desempenhado pelas transnacionais localizadas no país para aumento das importações O aumento das importações é levado a cabo pois as empresas estrangeiras realizam suas decisões de produção e investimento de acordo com os diferenciais de capacidade de utilização e custos comparativos Desse modo difundese o comércio intrafirma promovendo o aumento do coeficiente importado nacional 24 Rigidez Estrutural e Descontinuidades Produtivas Destacamse como principais trabalhos os de Ferraz Kupfer e Iooty 2004 Carvalho e Kupfer 2008 Medeiros 2008 Carneiro 2010 Serrano e Summa 2015 Lara e Black 2016 e Medeiros Freitas e Passoni 2019 A análise dessa linha teórica parte da concepção de que o volume das importações responde mais que proporcionalmente às variações na renda ou seja considera a existência de elevada elasticidaderenda nas importações Assim as características estruturais da economia brasileira apresentam um caráter marcadamente prócíclico levando as importações a acompanharem em maior grau Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 8 o ritmo da atividade econômica Em essência a leitura dessa corrente observa que a estrutura produtiva brasileira é historicamente bem como no tempo presente marcada por atrasos e descontinuidades técnicas Os setores de maior conteúdo tecnológico como os bens de capital e os relacionados à microeletrônica não lograram ser introduzidos na estrutura produtiva brasileira Contudo a partir dos anos 1980 uma forte rigidez estrutural recai sobre o tecido produtivo brasileiro Esse movimento se explica como resposta das firmas ao cenário macroeconômico fortemente instável à limitada expansão da demanda efetiva8 à busca por maior competitividade através de estratégias de centralização de recursos Por sua vez a liberação comercial a partir dos anos 1990 promoveu a modernização e o aumento do patamar de produtividade por meio de processos de simplificação de produtos fragmentação e especialização regressiva no comércio exterior9 isto é aumento simultâneo da exportação de produtos mais simples e da importação de bens de maior sofisticação COUTINHO 1997 FERRAZ KUPFER IOOTY 2004 Desse modo dada a acomodação da estrutura produtiva conforme avance a fronteira tecnológica a economia tende a aumentar a parcela das importações na oferta total Com isso tal corrente embora admita o aumento de vazamento da demanda nas últimas décadas refuta a leitura de que é o perecimento dos setores de alto conteúdo tecnológico ou da perda de conexões entre tais atividades que explicariam o aumento das importações O argumento central é o caráter altamente prócíclico das importações associado ao engessamento da estrutura produtiva10 Vale por fim destacar que na análise de resultados seção 3 seguinte assumese essa perspectiva compreendese assim que nas últimas décadas a economia brasileira apresentou um quadro de rigidez estrutural Em outras palavras 8 Sobre o processo de rigidez estrutural da economia brasileira ver Ferraz Kupfer e Iooty 2004 9 Segundo Carvalho e Kupfer 2008 a característica da modernização brasileira a partir dos anos 1990 não é sustentável pois não ocorre em prol das inovações e aumento do conteúdo tecnológico 10 Observase ainda nessa linha que o fator detectado de maior preocupação nas últimas décadas para manter a possibilidade de crescimento não é o aumento do coeficiente de penetração das importações mas sim a queda do coeficiente das exportações Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 9 a disposição da oferta mantém um cenário de resiliência não regride tampouco altera sua trajetória para padrões tecnológicos mais avançados Destarte postulase que a tendência é de aumento dos coeficientes pois uma vez que a fronteira tecnológica avance pela difusão de inovações de produto eou processo as atividades produtivas devem necessariamente introduzir na produção itens importados 3 METODOLOGIA A oferta de bens e serviços da economia pode inicialmente ser dividida segundo sua origem em bens nacionais e importados A segunda forma de classificação ocorre segundo o uso do bem ou seja se o bemserviço será utilizado como insumo na produção ou se a utilização é para atender a demanda final Dessa forma os coeficientes de importação procuram estimar o quanto da oferta total ou do consumo aparente seja para o total dos bens seja para intermediários e finais é de procedência nacional e o quanto é de procedência estrangeira Assim temse a coeficiente de penetração de importações CPI 1 b coeficiente de importação da oferta total CIOT 2 em que 𝐶𝐴 é o consumo aparente 𝐸 as exportações 𝑀 as importações 𝑂𝑇 a oferta total 𝑉𝑃 o valor da produção e i as atividades Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 10 31 Coeficiente de Importação e o Método de Decomposição Estrutural Os dois indicadores apresentados habitualmente encontrados na literatura11 avaliam a substituição direta entre os bens segundo sua origem Entretanto a aquisição de bens importados possui efeitos secundários ou indiretos sobre a economia Quando uma atividade aumenta sua produção esta recorre ao uso de insumos nacionais e importados de outros setores Estes por sua vez igualmente demandam novos insumos tanto nacionais quanto importados Dessa forma há efeitos em cadeia sobre os insumos importados sobre outros setores Ambos os efeitos direto e indireto determinam a parcela da demanda de um setor específico que escapa via importações Tais resultados são possíveis de serem alcançados através da ferramenta de matriz insumoproduto da economia ou mais especificamente através da matriz inversa de Leontief Nesse intuito Hummels Ishii e Yi 2001 p 8082 inicialmente apenas para as exportações e Bravo e Álvares 2012 p 85 para as exportações e os demais componentes da demanda propõem um cálculo de conteúdo importado que seja compatível com a matriz de Leontief Assim o indicador proposto por esses autores mede o impacto do quanto de importações é necessário realizar para atender ao aumento de uma unidade monetária em determinado componente da demanda final ou de atividade específica Dessa forma o conteúdo importado dos bens intermediários pode ser formalmente apresentado do seguinte modo CI0 i1A2 L3 q0 3 no qual 𝐶𝐼4 é o conteúdo importado no período t para o componente j da demanda final em que o subscrito j assume valores para a demanda agregada consumo das famílias 11 Sobre a literatura que faz uso do coeficiente de importação como instrumento de análise ver Montanha 2019 capítulo 1 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 11 formação bruta de capital fixo e de exportações12 𝑖1 é o vetor linha composto pelo numeral 1 com dimensões 1 x n que produz a soma de cada atividade coluna 𝐴5 é a matriz de coeficientes técnicos importados n x n 𝐿6 é a matriz inversa de Leontief sobre os coeficientes técnicos de origem nacional n x n e 𝑞4 é o vetor n x 1 com a participação de cada setor em j Resultados para o nível setorial podem ser obtidos da seguinte forma CI i1A2 L3 4 em que 𝐶𝐼 é um vetor linha representando o conteúdo importado setorial L3 I A37 5 A3 U3x7 6 A2 U2x7 7 em que 𝐴6 é a matriz de coeficiente técnico nacionais 𝑈6 a matriz de consumo intermediário de origem nacional 𝑈5 a matriz de consumo intermediário de origem importada 𝐼 a matriz identidade 𝑥7 o inverso do valor bruto da produção sendo que o sobrescrito indica que está diagonalizado logo n x n As alterações promovidas por esse método permitem a obtenção de ganhos analíticos Primeiro trabalhase com a dimensão de oferta nacional no denominador e não o consumo aparente Desse modo evitase o efeito da volatilidade dos preços das exportações que o consumo aparente acomoda especialmente quando as vendas ao exterior se concentram em bens primários commodities Segundo o conjunto de 12 Neste trabalho não será enfatizado o papel do governo sobre os conteúdos importados O vetor governo existente nas matrizes insumoproduto reflete apenas desembolsos e manutenção da máquina pública logo com muito pouco conteúdo importado Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 12 informações aproveitado é mais completo pois é empregada toda a matriz de coeficientes técnicos importados 𝐴5 e não apenas um vetor de coeficientes diretos normalmente utilizados Terceiro há o avanço pelo fato de o indicador ser obtido integralmente através da multiplicação de matrizes e vetores permitindo a aplicação de métodos de decomposição estrutural Esses métodos são aplicados neste trabalho sob a variação dos conteúdos importados da demanda final e de seus principais componentes De modo sucinto a decomposição estrutural pode ser definida como uma técnica para fragmentar a mudança de algum aspecto da economia em contribuições realizadas por vários componentes Assim desagregase uma identidade em suas partes constituintes MILLER BLAIR 2009 ROSE CASLER 1996 Há diversas formas algébricas corretas para a decomposição aditiva de uma grandeza Neste texto adotase a forma descrita por Dietzenbacher e Los 1998 p 317318 e Miller e Blair 2009 que é comumente aceita possuindo como critério de ponderação a média aritmética das decomposições em dois períodos Desse modo partindose da equação 3 a variação do conteúdo importado pode ser decomposta inicialmente em três efeitos 𝐶𝐼4 1 2 D𝑖1 EF𝐴5𝐿6 8 𝑞4 8 𝐴5𝐿6 7 𝑞4 7 HIIIIIIJIIIIIIK 9 L M𝐴5 8 𝐿6𝑞4 7 𝐴5 7 𝐿6𝑞4 8 HIIIIIIJIIIIIIK 9 3óA N M𝐴5 8 𝐿68 𝑞4 𝐴5 7 𝐿67 𝑞4 8 HIIIIIIJIIIIIIK 9 2BCçã NOP 8 Conforme apresentado nas equações 5 e 6 a matriz inversa de Leontief é calculada a partir da matriz de coeficiente técnicos nacionais 𝐴6 que reflete a demanda por insumos nacionais portanto não aponta a demanda total por intermediários em cada atividade Adicionalmente 𝐴6 sofre o impacto das alterações de bens intermediários importados Assim de forma a capturar tanto os efeitos das Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 13 mudanças tecnológicas quanto do avanço das importações intermediárias podese decompor a inversa de Leontief em dois componentes Primeiramente obtémse a matriz A isto é a matriz de coeficientes técnicos totais A A3 A2 9 Λ A3 A7 10 A3 Λ A A2 1 Λ A 11 A A3 A2 A Λ A 1 Λ A 12 na qual 𝐴6 e 𝐴5 são complementares de 𝐴 1 16F6 é a matriz composta pelo numeral 1 e é o multiplicador de Hadamard operador que fornece o produto elemento a elemento entre duas matrizes de mesma dimensão Sendo a variação da matriz inversa de Leontief 𝐿6 definida como L3 L3 7 L3 8 13 De acordo com a metodologia de Miller e Blair 2009 p 602603 a mesma variação pode ser reescrita da seguinte forma L3 L37 A3L38 14 Por sua vez de acordo com a equação 11 a variação da matriz de coeficientes técnicos nacionais pode ser expressa como Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 14 A3 W1 2 XYZΛ7 Λ8 A ZΛ A7 A8 15 Ao substituir a equação 15 na 14 alcançase L3 L3 7 W1 2 XYZΛ7 Λ8 A ZΛ A7 A8 L3 8 16 Dessa forma ao se substituir a equação 16 na expressão 8 realizar as multiplicações distributivas e reordenála algebricamente encontrase a decomposição aditiva da variação do conteúdo importado em quatro termos a efeito direto mudanças na matriz de coeficientes técnicos importados b efeito tecnológico representado por mudanças na matriz de coeficientes técnicos totais c efeito adensamento exprime a variação na matriz de coeficientes técnicos nacionais com relação ao coeficiente técnico total d efeito composição espelha a variação do peso setorial na demanda final e em seus componentes Por fim a equação se expressa da seguinte forma 𝐂𝐈𝐣 𝐭 1 2 𝐢1 F𝐀𝐦𝐋𝐧 𝟎𝐪𝐣 𝟎 𝐀𝐦𝐋𝐧 𝟏𝐪𝐣 𝟏 HIIIIIIJIIIIIIK 9 L X 𝐀𝐦 𝟎 𝐋𝐧 𝟏 1 2 𝚲𝟏 𝚲𝟎 𝐀 𝐋𝐧 𝟎𝐪𝐣 𝟏 𝐀𝐦 𝟏 𝐋𝐧 𝟏 1 2 𝚲𝟏 𝚲𝟎 𝚫𝐀𝐋𝐧 𝟎𝐪𝐣 𝟎 HIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIJIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIK 9 3óA M𝐀𝐦 𝟎 W𝐋𝐧𝟏 Y1 2 𝚫𝚲 𝐀𝟏 𝐀𝟎𝐋𝐧𝟎 𝐪𝐣 𝟏 𝐀𝐦 𝟏 W𝐋𝐧𝟏 Y1 2 𝚫𝚲 𝐀𝟏 𝐀𝟎𝐋𝐧𝟎 𝐪𝐣 𝟎 HIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIJIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIK 9 M3CM23 M MM BNOM N M𝐀𝐦 𝟎 𝐋𝐧𝟎𝐪𝐣 𝐀𝐦 𝟏 𝐋𝐧𝟏𝐪𝐣 HIIIIIIJIIIIIIK 9 2BCçã N 17 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 15 Atribuise a seguir a interpretação econômica aos fatores alcançados na decomposição estrutural a efeito direto mede a variação imediata de importação de bens intermediários como requisito para que efetivamente ocorra um aumento na produção medido pelas mudanças em 𝐴5 b efeito tecnológico avalia o impacto das mudanças técnicas sobre as importações de intermediários ou ainda da estrutura técnica de produção sobre o volume de insumos importados medido pelas alterações em 𝐴 c efeito adensamento quantifica a capacidade das cadeias produtivas internas atenderem às consecutivas etapas pelas quais são transformados os intermediários Noutras palavras o quanto e em que grau as ligações intersetoriais são abastecidas pela estrutura produtiva nacional Desse modo quanto maior densidade observar uma rede produtiva maior é o impacto da produção sobre o volume de importações pois provoca maiores conexões com o mercado externo auferido pelas mudanças em 𝛬 d efeito composição estima a influência da mudança das parcelas dos setores na demanda final sobre o volume de importações Ou seja se um setor mais intensivo em importações ganha maior participação na demanda final tudo o mais constante o coeficiente de importação será maior avaliado pelas alterações em 𝑞4 32 Base de Dados e Preços Relativos A partir de 2010 os dados referentes a matrizes insumoproduto passaram por extensa revisão metodológica Nessa revisão procedeuse à adoção de novo sistema de referências nas contas nacionais Sistema de Contas Nacionais referência 2010 em que se aplica uma nova classificação de atividades e produtos bem como fonte de Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 16 dados atualizada13 Desse modo se por um lado as novas informações geradas adquirem maior aderência à realidade por outro constituemse dificuldades de comparabilidade dos resultados ao longo do tempo consequentemente as análises de longo prazo se veem comprometidas Sendo assim no intuito de contornar tal dificuldade analítica a fonte de dados utilizados neste trabalho é obtida a partir das matrizes estimadas por Passoni 2019 Essa base é composta por duas séries de matrizes insumoproduto a preços correntes e a preços do ano anterior As matrizes compreendem 42 atividades e o período de 2000 a 2016 O cálculo efetivo dos coeficientes foi feito sobre matrizes valoradas a preços constantes de 2010 Adicionalmente com objetivo de observar as mudanças nos preços dos bens importados em relação ao preço do total dos bens da economia realizouse o exercício de deflacionar as importações por dois índices O primeiro representa a variação anual de preço para o valor bruto da produção VBP ou seja a divisão do valor bruto a preço corrente pelo valor bruto a preço do ano anterior resultando em relativos Ao serem multiplicados encadeiamse em um índice para que então os valores das matrizes a preços correntes sejam expressos corrigidos a preços constantes14 A esse conjunto de matrizes denominamos de matrizes valoradas a preços médios O segundo segue lógica bastante semelhante porém na forma matricial Consiste na divisão elemento a elemento da matriz do ano corrente pela matriz a preços do ano anterior Como resultado obtêmse matrizes com relativos nas células que por sua vez são encadeadas formando índices matriciais de modo que ao se multiplicarem as matrizes originais a preços correntes alcançamse as matrizes a preços constantes para determinado ano escolhido Denominamos as matrizes valoradas por esse segundo método de matrizes a preços próprios 13 Para maior detalhamento sobre a mudança de referência no Sistema de Contas Nacionais ver as notas metodológicas de IBGE 2016 Disponível em httpsbitly2LHr9sE 14 Este foi o índice utilizado para colocar a preços constantes as matrizes utilizadas no cálculo dos coeficientes Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 17 Assim feito de posse das matrizes com as duas valorações podese então dividir o valor das importações obtido junto às matrizes a preços próprios pelo valor das importações a preços médios para cada ano O quociente dessa divisão por fim expressa a relação entre o preço dos bens importados visàvis o preço do conjunto total de bens15 4 ANÁLISE DOS RESULTADOS Essencialmente são três variáveis calculadas a coeficiente de importação b conteúdo importado relativo a bens intermediários c importação para uso final como percentual do total do componente da demanda final A primeira variável é a soma das duas seguintes ou seja a soma dos resultados para os conteúdos importados relativos aos bens intermediários e a importação para uso final como percentual do total do componente da demanda final A segunda conforme descrito na subseção 31 mede o impacto do quanto de importações intermediárias direta e indiretamente é necessário realizar para atender ao aumento da demanda de uma unidade monetária de um setor específico ou de um componente na demanda final A terceira é a proporção de bens finais importados relativos ao total dos bens finais adquiridos Conforme salientado na introdução a análise é segmentada em três períodos O primeiro de 2000 a 2008 é o recorte temporal anterior à crise financeira e caracterizado pelo aumento do ritmo de crescimento econômico O segundo compreendido pelo quartel 2010 a 2014 ao contrário do intervalo anterior identificase como período de desaceleração da atividade produtiva Por fim o terceiro de 2014 a 2016 tem como principal particularidade a manifestação da crise econômica no Brasil 15 Observase que há extensa literatura sobre métodos de deflação em matrizes insumoproduto Podese destacar os trabalhos de Balk e Reich 2008 Dietzenbacher e Termushoev 2012 e Passoni 2019 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 18 41 Crescimento de 2000 a 2008 Os dados relativos a esse intervalo apontam para o aumento do coeficiente de importação de todos os componentes da demanda final com exceção das exportações É digno de nota o crescimento do coeficiente de importação acompanhado da expansão do PIB isto é o conjunto dos coeficientes apresenta variação em mesmo sentido que a atividade econômica o que a princípio aponta para a correlação positiva entre as duas variáveis De modo a ilustrar os coeficientes de importação tanto do consumo das famílias quanto do conjunto da demanda final passaram respectivamente de 123 e de 144 no ano 2000 para 129 e 155 em 2008 Vale destacar que tais aumentos tiveram no comportamento dos intermediários o fator determinante uma vez que as importações para uso final a parcela de bens finais importados no total de cada componente da demanda final apresentou alta pouco significativa conforme a Tabela 1 Tabela 1 Coeficientes de importação para componentes da demanda final Fonte Elaboração própria a partir de Passoni 2019 Demanda final Consumo das famílias FBCF Exportações 2000 144 123 193 178 2008 155 129 221 165 2010 139 118 194 136 2014 158 137 216 160 2016 144 121 207 160 2000 34 31 65 2008 36 32 76 2010 39 35 70 2014 41 38 75 2016 39 36 73 2000 110 92 128 178 2008 119 97 144 165 2010 100 83 124 136 2014 116 99 141 160 2016 105 85 134 160 Importação para uso final como da demanda final A Conteúdo importado bens intermediários B Coeficiente de importação C A B Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 19 Dessa forma no que tange ao conteúdo importado referente aos bens intermediários desses componentes da demanda a decomposição estrutural apresentada na Figura 1 destaca três efeitos estruturais os efeitos da composição setorial e da tecnologia que contribuem significativamente para o aumento do conteúdo importado e por sua vez o efeito direto que atua no sentido oposto ou seja de reduzir o indicador Com relação ao primeiro composição setorial houve maior protagonismo dos setores com elevados conteúdos importados isto é sucedeu aumento do peso das atividades que demandam maior volume de itens importados O segundo fator tecnologia compreende a utilização de técnicas de produção mais intensivas em insumos e componentes importados O terceiro direto ocorre através do uso menos acentuado de intermediários importados Esse último efeito será visto em maior detalhe a seguir Figura 1 Taxa de variação do conteúdo importado segundo fatores estruturais Fonte Elaboração própria a partir de Passoni 2019 Quanto ao efeito composição o impulso importador advém do crescimento da demanda por bens duráveis Os setores produtores de tais bens além de possuírem Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 20 maior conteúdo importado ganharam peso nesse período A Tabela 2 destaca as principais atividades segundo períodos selecionados que obtiveram aumento de participação nos vetores da demanda16 Tabela 2 Conteúdo importado setorial e atividades com maiores ganhos de participação nos componentes da demanda Fonte Elaboração própria a partir de Passoni 2019 Vale notar que no intervalo de 2000 a 2008 o setor de veículos automotores apresenta aumento de participação em todos os componentes da demanda17 Assim como veículos automotores possuem elevados conteúdos importados a expansão dessa atividade impulsiona o crescimento do conteúdo médio da economia Em números o conteúdo importado da atividade automobilística alcança 20 em 2008 já o consumo familiar e o conjunto da demanda apresentam médias na ordem de 97 e 119 respectivamente 16 O conteúdo importado setorial para os anos selecionados encontrase no Apêndice A 17 Excetuando as exportações as quais analisaremos mais adiante 2000 a 2008 Ordem da Variação Conteúdo importado em 2008 Peso setorial em 2008 2010 a 2014 Ordem da Variação Conteúdo importado em 2014 Peso setorial em 2014 2014 a 2016 Ordem da Variação Conteúdo importado em 2016 Peso setorial em 2016 Demanda Final Auto caminhões ônibus 2o 200 46 Serv de alojamento 3o 85 44 Alimentos e Bebidas 2o 121 95 Ext de petróleo e gás 4o 109 13 Saúde privada 4o 71 29 Agropecuária e pesca 3o 105 47 1 Comércio 1o 55 115 Comércio 1o 60 137 Intermed Financeira 1o 32 59 3 Intermed Financeira 3o 39 43 Ativ Imobiliária 2o 09 89 Ativ Imobiliária 4o 09 96 Média 119 116 105 Consumo das famílias Auto caminhões ônibus 3o 200 32 Serv de alojamento 3o 85 65 Energia gás água 3o 119 31 Saúde privada 4o 79 39 Saúde privada 4o 71 45 Saúde privada 4o 65 05 Comércio 1o 55 153 Comércio 1o 60 180 Intermed Financeira 1o 32 83 Intermed Financeira 2o 39 67 Ativ Imobiliária 2o 09 137 Ativ Imobiliária 2o 09 147 Média 97 99 85 FBCF Outros equip de transp 4o 273 17 Maq e equips móveis 4o 254 158 Eletrodomésticos 4o 214 23 Maq e equips móveis 3o 248 172 Construção civil 1o 104 500 Agropecuária e pesca 3o 105 22 Auto caminhões ônibus 1o 200 83 Serv de informação 2o 95 55 Construção civil 1o 98 520 Comércio 2o 55 74 Comércio 3o 60 74 Serviços de informação 2o 87 70 Média 144 141 134 Exportações Refino de petróleo 4o 276 38 Fab de aço e derivados 3o 209 44 Outros equip de transp 1o 293 48 Ext minério de ferro 2o 135 65 Outros equip de transp 2o 127 30 Alimentos e Bebidas 2o 121 158 Alimentos e Bebidas 3o 127 145 Agropecuária e pesca 1o 116 134 Auto caminhões ônibus 3o 273 36 Ext de petróleo e gás 1o 109 58 Comércio 4o 60 35 Metalurgia 4o 221 33 Média 165 160 160 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 21 Quanto ao efeito tecnologia sua contribuição pode ser compreendida pois no ciclo expansivo a demanda tende a se deslocar para bens mais sofisticados sendo que muitos desses são providos diretamente ou via insumos através de importações MEDEIROS 2015 p 74 A produção de bens mais sofisticados transparece na decomposição através do fator tecnológico com aumento de 45 para a demanda final e de 39 para o consumo familiar18 Nos anos 2000 o consumo familiar foi apontado como um dos principais vetores do crescimento econômico19 Com efeito o intervalo 20002008 foi caracterizado pelo aumento do volume de emprego das taxas de reajuste do salário mínimo da expansão do crédito para bens duráveis e das políticas de transferência de renda Ressaltase que dentro da visão keynesiana tradicional ou nas diferentes vertentes o consumo é concebido como uma função positiva da renda disponível consequentemente compreendese o aumento dos coeficientes de importação em um período de expansão da atividade econômica especialmente em uma economia cuja elasticidaderenda das importações é elevada SANTOS et al 2015b p 28 Desse modo semelhante à demanda final a importação para bens de consumo observa um movimento positivamente correlacionado à renda Podese argumentar que os valores dos conteúdos importados tenham sido impactados em grande medida pela valorização cambial De fato assistiuse à valorização do real a partir de 2003 até 2010 quando então a trajetória é invertida20 Entretanto importantes trabalhos apontam para uma menor relevância do câmbio no comércio exterior ao longo dos anos 200021 Santos et al 2015b p 28 estimaram para o período 19962013 elasticidade câmbio de 051 e para a renda de 31 Ou 18 Ver Figura 2 gráficos a e b 19 Ver Medeiros 2015 p 6776 Carvalho e Rugitsky 2015 p 56 e Serrano e Summa 2015 20 Ver Figura 2 21 Ver por exemplo Minella e SouzaSobrinho 2011 Santos et al 2015b e Padrón et al 2015 Santos et al 2015b Os dois primeiros trabalhos ressaltam a baixa elasticidadecâmbio em relação às importações Padrón et al 2015 é relativo às exportações e Santos et al 2015b ressalta em relação aos investimentos que o câmbio teria um papel contrário ao esperado ou seja uma desvalorização provocaria a diminuição dos investimentos em virtude do aumento do preço em real dos bens de capital Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 22 seja enquanto 1 de desvalorização do câmbio leva à diminuição das importações em 05 1 de aumento na renda acarreta 31 de aumento no quantum importado Nesse mesmo trabalho Santos et al 2015b argumentam que a baixa elasticidadecâmbio bem como a alta elasticidaderenda das importações resultam da concentração da pauta importadora brasileira em bens intermediários processo intensificado na economia brasileira ao longo dos anos 1990 e 2000 Segundo os autores bens intermediários são insumos para processos manufatureiros específicos e por conseguinte há baixo grau de substituição para essa categoria Já em relação aos bens finais de modo contrário aos intermediários tanto para a categoria de uso de duráveis quanto para a de não duráveis o preço é um fator relevante quanto à escolha da origem ou seja se nacional ou importado Embora a substituibilidade não seja perfeita se o preço de um calçado ou de um perfume importados aumentar em moeda local devido à desvalorização cambial promovese o redirecionamento da demanda para o calçado o perfume ou até mesmo um bem durável como por exemplo um automóvel nacional Contudo o mesmo raciocínio não pode ser utilizado para os bens intermediários pois em muitos casos não existe a opção nacional seja por não atender às especificações técnicas seja por não haver produção suficiente Desse modo dado o baixo grau de substituibilidade os autores justificam o pessimismo da elasticidade cambial Nesse ponto vale destacar o resultado da decomposição estrutural ver Figura 1 pois revela variação negativa de 23 para o fator direto 𝐴5 para a demanda final nesse período De acordo com o parágrafo anterior relatando alta elasticidade renda das importações e valorização do cambial seria esperada maior utilização direta de bens intermediários importados e não menor Contudo o movimento do preço relativo exercício descrito na seção 32 ajuda a compreensão desse resultado O índice de preço relativo de acordo com a Figura 2 apresenta queda entre 2000 e 2008 de 100 para 847 isto é uma redução de 153 no preço dos importados visà vis o total dos bens Sendo assim podese compreender a variação negativa do fator Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 23 direto como uma decorrência do movimento dos preços relativos e não de menor quantum na utilização direta de intermediários importados Figura 2 Índice de preço relativo das importações e de câmbio 2000 100 Fonte Elaboração própria a partir de Passoni 2019 e Banco Central do Brasil 2019 De modo a melhor expor o argumento a Figura 2 apresenta três índices de preços o primeiro linha pontilhada é o índice de preços relativos o segundo e o terceiro referemse à taxa efetiva real e à taxa real de câmbio em relação ao dólar americano Observase que entre 2000 e 2008 tanto o índice de preços relativo quanto os referentes ao câmbio apresentaram trajetória de queda Desse modo postulase que a variação negativa do fator direto decorre da valorização cambial pois implica quando da conversão do valor das importações em dólar para o real a redução do preço dos importados em relação ao total de bens que já são expressos em real Em específico aos bens de capital a Tabela 1 destaca o maior coeficiente de importação entre todos os componentes da demanda e vale ainda notar a forte participação da importação para uso final bastante acima dos demais componentes Entre 2000 e 2008 observase crescimento do coeficiente de importação próximo a 30 pp porque passa de 193 para 221 Adicionalmente quanto aos bens Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 24 intermediários a decomposição estrutural evidencia os fatores composição e tecnologia com contribuição positiva para o aumento do coeficiente e por sua vez o fator direto atuando de modo a reduzilo Quanto ao fator composição dentre as atividades que adquiriram maior participação na estrutura produtiva encontramse justamente as que possuem maior conteúdo importado Como exemplo máquinas e equipamentos e a indústria automobilística ampliaram a participação setorial nesse intervalo Em 2008 tais atividades possuíam respectivamente conteúdos importados de 248 e 200 contra o valor médio do conteúdo importado para Formação Bruta de Capital Fixo FBCF de 144 Em outras palavras são atividades que possuem ao menos um quinto de insumos partes e componentes atendidos pelo mercado externo Posto isso compreendese o aumento do efeito composição pois uma vez que esses setores são expandidos provocase maior necessidade de importações O impacto positivo do efeito composição sobre o conteúdo importado via de regra ocorre em ciclos expansivos da economia quando atividades manufatureiras e produtoras de bens duráveis apresentam crescimento acima da média ou seja setores com perfis prócíclicos Segundo Lara e Black 2016 o caráter prócíclico das importações na economia especialmente para investimentos ocorre em virtude das descontinuidades produtivas em nossa capacidade instalada De outro modo a oferta interna não possui elasticidade suficiente pois são ausentes segmentos produtivos necessários para atender ao aumento da demanda Assim nas fases de aceleração da atividade a expansão da oferta interna em bens de investimentos é viabilizada pelo aumento das importações e não apenas mas especialmente por intermediários LARA BLACK 2016 p 11 MEDEIROS 2015 p 125126 Podese compreender o caráter prócíclico dos investimentos bem como de suas importações uma vez que aqueles funcionam via mecanismo acelerador flexível ou seja atuam em resposta à expansão tendencial da demanda e as inversões aumentam acima dos demais componentes de forma a regular a capacidade produtiva ao aumento da procura SERRANO SUMMA 2015 p 14 Ademais segundo Santos et Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 25 al 2015b p 18 o investimento em máquinas e equipamentos é afetado positivamente pelo aumento no preço das commodities pela formação bruta de capital da administração pública e pela valorização cambial Com efeito as três dinâmicas estiveram presentes nos anos 2000 período anterior à crise econômica Quanto ao fator tecnológico mais intensivo em importações dois argumentos podem ser alçados O primeiro em grande medida relacionado ao efeito composição consiste em atividades cuja produção aumenta e são preponderantemente do segmento de bens duráveis constituídos por técnicas de produção de maior complexidade necessitando assim insumos que a estrutura produtiva em muitos casos não oferta ou ao menos não em escala suficiente LARA BLACK 2016 O segundo provém da constatação de que a produção de bens duráveis é realizada em grande medida por empresas de capital transnacional O aumento da produção de tais atividades pertence ao conjunto de decisões de firmas que crescentemente se utilizam de sistemas de produção que perpassam fronteiras nacionais MENG FANG YAMANO 2012 p 24 Em respeito às exportações os resultados da Tabela 1 apontam para a queda do coeficiente de importação Vale notar o único componente da demanda a apresentar tal comportamento Em 2000 o patamar do coeficiente de importação era de 178 e em 2008 diminuía para 165 É necessário observar que as importações para atender às exportações ocorrem apenas para bens intermediários pois não existe no Brasil importação de bens da categoria de uso final para posterior transferência ao mercado externo Desse modo a queda do coeficiente de importação se deve na totalidade ao comportamento dos bens intermediários No exercício de decomposição estrutural os fatores composição e direto contribuíram de forma pronunciada para a redução do conteúdo importado Em relação à composição os resultados da Tabela 2 contendo os principais setores com ganho de participação no vetor das vendas externas destacam as atividades de alimentos e bebidas de extração de minério de ferro e de petróleo e gás Tais setores possuem conteúdo importado menor que a média das Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 26 exportações Ou seja caminhou em sentido contrário aos demais componentes da demanda descritos os setores que ganharam participação são justamente os menos intensivos em itens importados Por sua vez quanto ao impacto negativo do efeito direto a compreensão é similar à encontrada nos demais componentes da demanda analisados isto é a queda dos preços relativos implica na redução do efeito direto ver Figura 2 Ressaltase por fim que o movimento de queda do coeficiente vai na contramão do esperado em que pese o contexto produtivo mundial no qual paulatinamente tem se observado um movimento de fragmentação produtiva entre países De forma estilizada tal contexto promoveria o acréscimo do coeficiente importado das exportações fenômeno captado pela literatura empírica das chamadas cadeias globais de valor INOMATA 2017 Contudo ao menos nesse período a economia brasileira apresenta sinais contrários a esse cenário produtivo 42 Desaceleração de 2010 a 2014 Na imediata póscrise financeira a despeito da desaceleração econômica observamse as maiores taxas de aumento do coeficiente importado A expansão dos coeficientes de importação ocorreu em todos os componentes da demanda ver Tabela 1 Os acréscimos foram majoritariamente provenientes do comportamento dos intermediários uma vez que os conteúdos finais apresentaram ligeiro aumento nos componentes Na demanda final e no consumo das famílias os dados da Tabela 1 indicam aumento no coeficiente de importação respectivamente de 139 para 158 e de 118 para 137 Em relação ao comportamento dos intermediários desses componentes os resultados do exercício de decomposição estrutural apontaram para os fatores direto e composição como principais fatores a participarem da variação do coeficiente importado Eles atuaram em direções contrárias sobre os coeficientes o primeiro no sentido de aumentálo e o segundo de reduzilo Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 27 Vale destacar o efeito direto sob a importação de intermediários pois o aumento foi acima de 20 nos dois casos o mais expressivo entre os fatores analisados Com isso é necessário destacar o impacto dos preços relativos sobre o fator direto Embora a variação dos preços relativos tenha sido menor em relação ao período anterior eles aumentaram em 8522 refletindo assim um aumento do preço dos importados vis àvis a cesta total dos bens23 Além disso observase que o câmbio pelo índice efetivo cesta de 15 moedas calculado pelo Banco Central desvalorizouse em 257 fato que também contribui para elevação do fator direto pois torna os bens importados em reais mais caros Em suma câmbio e preços relativos concorrem para o aumento do fator direto24 Quanto à composição setorial participa na redução do conteúdo importado em 41 de ambos os componentes Podese inferir que o aumento do efeito direto isto é o aumento da utilização direta de insumos importados coincidente com a maior participação das atividades com menor necessidade de importações impacto negativo do efeito composição aponta para a tendência de acirramento da concorrência externa nos setores de tradables indicando assim o deslocamento de parte da produção nacional para o mercado externo HIRATUKA 2018 p 11 Em relação ao impacto negativo do fator composição sobre o conteúdo importado tanto na demanda final quanto no consumo das famílias tal movimento pode ser compreendido através da observação dos resultados obtidos na Tabela 2 pois os setores que apresentaram aumento na participação setorial são justamente aqueles cujos conteúdos importados em 2014 são menores do que a média Para a demanda final notamse as atividades ligadas a comércio aluguéis saúde privada e serviços de alojamento Por seu turno serviços pessoais de toda ordem financeiros saúde privada e atividades imobiliárias ganham espaço no orçamento das famílias Carvalho e 22 Contra um decréscimo de 153 no período anterior 23 Variações obtidas junto ao índice de preços relativos apresentado na Figura 2 24 Com efeito os preços relativos atuam sobre todos os fatores estruturais em todos os períodos Assim vale notar que há espaço para futuros exames com maiores aprofundamentos sobre o complexo vínculo entre os preços relativos e os principais agregados da economia em especial as importações Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 28 Rugitsky 2015 p 12 argumentam que o consumo em serviços em relação aos demais bens possui elevada elasticidaderenda e que a melhor distribuição salarial no período pode ser responsável pelo aumento dos serviços na cesta de consumo familiar Na formação bruta de capital há aumento do coeficiente importado ao passar de 194 para 216 ver Tabela 1 Contudo diferente dos demais componentes da demanda há importante expansão das importações para uso final a ampliação do coeficiente importado não foi impulsionada apenas pelos intermediários uma vez que a importação direta do bem final aumentou em 05 pp ao passar de 70 para 75 Nos intermediários a taxa de crescimento do conteúdo importado foi de 141 sendo que os fatores direto e tecnologia contribuíram para o aumento desse indicador Por sua vez adensamento e composição atuaram no sentido de mitigálo ver Figura 2 gráfico c O fator direto que é o de maior influência apresentou taxa de variação de 186 já o efeito tecnológico pressionou o aumento do coeficiente em 11 Quanto aos fatores que impactaram o indicador atenuandoo o adensamento impactou o conteúdo importado em 3 e a composição setorial em 27 Nesse ponto vale notar a relação inversa entre o efeito direto e o adensamento O forte efeito direto positivo contribui para a redução do adensamento da cadeia produtiva uma vez que a compra direta de intermediários promove a perda de elos entre setores e entre empresas De outro modo as importações diretas de bens intermediários promovem a perda de densidade da cadeia pois toda a rede de produção que demandaria importações em diferentes estágios produtivos é substituída pela compra imediata do bem no exterior O último fator de destaque em bens de investimento se dá para o efeito composição em que há decréscimo de 27 O sentido negativo pode ser compreendido através da observação da Tabela 2 observase que as quatro atividades que assumiram maior participação no componente FBCF possuem coeficiente abaixo da sua média Dentre as atividades que se expandiram e têm conteúdo importado abaixo da média destacase a construção civil que passa de 487 para 504 de toda a formação bruta realizada Essa atividade possui extensa gama de produtos não Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 29 transacionáveis logo seu coeficiente revela baixo valor em relação às demais como por exemplo os relativos à indústria de transformação Nas exportações o comportamento é bastante parecido ao observado nos bens de capital Contudo as variações são maiores O coeficiente de importação passa de 136 para 16 ver Tabela 1 No exercício de decomposição estrutural o efeito direto assumiu o valor de 204 e por seu turno o adensamento produtivo reduziu em 33 Entre 2010 e 2014 entretanto a pauta exportadora brasileira apresenta concentração em commodities que se caracterizam por possuírem reduzida cadeia produtiva em relação aos produtos do setor da indústria de transformação ver Tabela 2 De forma a ilustrar as atividades extrativas petróleo e gás assim como a agropecuária possuem forte participação nas exportações De modo oportuno vale destacar o aumento da participação da agropecuária tal atividade possui a segunda maior parcela no vetor exportador do país 43 Crise de 2014 a 2016 Neste último período destacase a redução no coeficiente importado para o conjunto da demanda final esta retornando a 144 ver Tabela 1 o mesmo valor observado para o primeiro ano da série em 2000 O principal fator explicativo foi novamente o comportamento dos intermediários uma vez que a parcela da importação para uso final no total dos bens finais consumidos apresentou leve redução Sendo assim os principais resultados do exercício de decomposição estrutural apresentaram queda do conteúdo importado com a contribuição de todos os fatores estruturais à exceção do adensamento produtivo ver Figura 1 Os fatores direto e composição atuaram como principais agentes para a redução dos indicadores respectivamente com valores de 45 e 35 isto é observase uma menor utilização de insumos importados bem como a concentração da demanda em atividades de menor exigência por importações tais como serviços alimentos e bebidas Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 30 Em específico quanto ao impacto dos preços relativos no fator direto o índice de preços relativos indicou aumento de 46 dos importados em relação ao total dos bens Entretanto o fator direto conforme apontado apresentou variação negativa Em outras palavras mesmo com a influência dos preços relativos em sentido de expandilo sua variação foi negativa apontando com efeito para a menor utilização imediata de insumos importados Observase que nos dados relativos aos agregados macroeconômicos o PIB para esse período diminui em média 22 aa e por sua vez as importações são reduzidas em 87 25 ou seja uma relação entre essas duas variáveis que chega a ser quatro vezes maior em favor das importações Desse modo reafirmase a correlação entre coeficiente importado e o ritmo da atividade econômica Quanto ao consumo das famílias a contração do coeficiente de importação é explicada em grande medida pela redução da importação de bens intermediários Assim os resultados da decomposição estrutural demonstram valores semelhantes aos encontrados para a demanda final todos os fatores exceto o adensamento contribuíram para a queda do conteúdo importado ver Figura 1 Os setores cuja parcela na cesta de consumo familiar cresceu foram intermediação financeira atividades imobiliárias aluguéis gastos com saúde privada e serviços de utilidade pública Tais atividades possuem demanda majoritariamente atendida pela produção nacional não necessitando assim incorrer em grandes volumes de importação Desse modo é compreensível o impacto negativo do efeito composição ver Tabela 2 consumo das famílias no período 20142016 Já na formação bruta de capital a retração no coeficiente importado foi da ordem de 09 pp o indicador passou de 216 para 207 Entretanto vale notar que mesmo com o aprofundamento da crise econômica um quinto dos bens dessa categoria foi provido direta e indiretamente através de importações A queda no coeficiente de importação foi concentrada nos intermediários e teve nos efeitos 25 Resultados a partir de dados do IBGE Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 31 composição e tecnologia os principais protagonistas No tocante ao efeito composição observase na Tabela 2 que as atividades de agropecuárias serviços de informação e sobretudo construção civil aumentaram a participação nesse componente da demanda Esses setores possuem conteúdos importados bastante inferiores ao da média da FBCF Por seu turno a utilização de tecnologia menos intensiva em partes componentes e insumos importados deriva do maior peso setorial das atividades descritas especialmente da construção civil que corresponde à metade da formação bruta brasileira Tais atividades possuem técnicas com menor grau de sofisticação logo com a estrutura produtiva nacional com maior potencialidade de atender à demanda por insumos desses setores CARNEIRO 2010 p 1415 Contudo vale ressaltar que máquinas e equipamentos respeitam fortes atributos de diferenciação especificidade não raro sendo produzidos sob demanda bem como requisitos quanto à sofisticação tecnológica Tais exigências junto à necessidade de exploração de economias de escala induzem a sua elaboração a um reduzido número de países levandoos a fabricarem tanto para si quanto para os demais mercados MAGACHO 2012 p 66 É de se esperar portanto que as peculiaridades no nível do produto sejam refletidas através de um alto coeficiente importado tanto em bens intermediários quanto em finais Quanto às exportações por fim essa categoria não teve o coeficiente de importação diminuído de forma significativa contudo as vendas externas foram o único componente da demanda a apresentar crescimento no período com uma média de 42 aa Os dados da decomposição estrutural permitiram avaliar que os fatores direto e tecnológico com variação negativa se equilibram com os efeitos positivos do adensamento da cadeia e da composição Neste último apontase para a maior participação das atividades produtoras de automóveis caminhões e demais equipamentos de transporte Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 32 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho examinou o comportamento do coeficiente de importação da economia brasileira entre os anos 2000 e 2016 Constatouse que em períodos de aceleração da atividade econômica ocorreu aumento mais que proporcional do coeficiente e quando da desaceleração houve retração igualmente mais que proporcional Em síntese identificouse o caráter prócíclico do indicador Essa característica foi mais explícita para a categoria de uso de bens intermediários Contudo apesar desse quadro a formação bruta de capital fixo observou alta dependência em relação aos bens importados de uso final Como exemplo a parcela das importações para uso final da FBCF apresentou valores duas vezes maiores que os demais componentes da demanda agregada Esse patamar discrepante se manteve inclusive em períodos de desaceleração econômica justificando assim a investigação dos vetores da demanda final de forma desagregada Quanto à decomposição estrutural do conteúdo importado vale notar o proeminente papel da mudança dos preços relativos no período 2000 a 2008 A forte valorização do real provocou a redução dos preços dos importados relativamente ao preço médio da cesta total de bens nacionais e importados Nessa conjuntura o fator direto atenuou em grande medida o crescimento do conteúdo importado devido à redução em real do preço médio dos importados visàvis o preço médio do conjunto total de bens Assim compreendese a exceção desse período o fator direto movendo se em sentido oposto ao ritmo da economia Nos demais períodos estudados em que não houve forte mudança nos preços relativos tampouco acentuada valorização do real o fator direto atua em consonância com a atividade econômica ou seja contribui para o aumento do conteúdo importado quando da expansão da renda e mitigao no período de desaceleração da economia Observase ainda na decomposição do conteúdo importado o papel da composição setorial Os bens duráveis são particularmente elásticos à renda isto é taxas de variações na renda promovem modificações na demanda por bens duráveis a Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 33 taxas mais elevadas Desse modo em ciclos expansivos atividades produtoras de bens duráveis tendem a obter maior participação na estrutura produtiva da economia Vale notar que bens duráveis possuem cadeias produtivas mais longas e técnicas mais complexas e intensivas em tecnologia Consequentemente a produção de tais bens implica a importação de insumos que a estrutura produtiva nacional em muitos casos não dispõe ou ao menos não em escala suficiente Por seu turno em períodos recessivos a demanda converge para itens menos sofisticados Nessa última circunstância o consumo das famílias bem como o investimento e a produção das firmas voltamse para produtos e processos mais simples que não necessitam maiores volumes de importados Notadamente no caso das famílias conforme pudemos notar através do ganho de participação setorial no período 20142016 sua renda se compromete a atenuar deveres financeiros de habitação e de serviços essenciais como saúde Vale notar por fim dois temas que em trabalhos futuros se sobressaem como misteres de maior aprofundamento O primeiro é a extensão para o nível setorial dos exercícios de decomposição estrutural de sorte a melhor compreender as distintas trajetórias do conteúdo importado entre as atividades O segundo consiste numa análise mais detida dos efeitos da mudança dos preços relativos à aferição dos fatores estruturais da economia brasileira em especial das importações REFERÊNCIAS AKYUZ Y The staggering rise of the south Turkish Economic Association 2012 Discussion paper n 20123 ALMEIDA S FEIJÓ C A Ocorreu uma desindustrialização no Brasil São Paulo Iedi 2005 BACHA E Integrar para crescer o Brasil na economia mundial In CDPP Coletânea de Capítulos da Agenda Sob a Luz do Sol Sl CDPP 2014 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 34 BALK B M REICH U P Additivity of national accounts reconsidered Journal of Economic and Social Measurement v 33 n 23 p 165178 2008 BANCO CENTRAL DO BRASIL Cotações e boletins Disponível em httpswwwbcbgovbrestabilidadefinanceirahistoricocotacoes Acesso em 2 jul 2019 BARROS O 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florestal Pecuária e pesca 75 113 85 116 105 34 38 35 39 47 GICA02 Ext de petróleo e gás 155 109 125 133 259 04 13 13 12 09 GICA03 Ext minerio de ferro 200 135 88 104 134 05 11 15 11 08 GICA04 Outros da indústria extrativa 200 162 143 191 170 01 02 01 02 02 GICA05 Alimentos e Bebidas 123 127 102 127 121 93 95 87 86 95 GICA06 Fab de produtos do fumo 97 103 80 86 90 05 05 05 04 04 GICA07 Fab de têxteis 174 222 190 205 190 07 06 05 04 04 GICA08 Confecção vestuário 118 133 120 140 130 19 15 14 13 12 GICA09 Fab de calçados de couro 160 162 128 159 140 11 09 08 08 07 GICA10 Fab de prods de madeira 108 96 83 113 116 03 02 02 02 02 GICA11 Fab de celulose prods de papel 160 188 155 193 174 07 06 06 06 07 GICA12 Impressão e reprodução de gravações 119 131 136 157 146 01 00 00 00 00 GICA13 Refino de petróleo e coquerias 299 276 242 339 189 22 22 19 21 20 GICA14 Fabricação de biocombustíveis 79 106 86 115 102 03 05 04 03 05 GICA15 Fab de químicos elastômeros 292 345 342 420 344 05 04 04 04 04 GICA16 Produtos farmacêuticos 127 139 135 161 160 11 10 11 10 10 GICA17 Perfumaria higiene e limpeza 187 237 191 244 212 09 08 08 08 08 GICA18 Fab de defensivos tintas etc 278 322 279 326 302 03 02 02 02 02 GICA19 Artigos de borracha e plástico 237 250 215 265 244 06 05 04 04 04 GICA20 Cimento e minerais nãometálicos 153 168 132 168 147 02 02 02 02 02 GICA21 Fab de aço e derivados 243 204 215 209 223 07 10 06 06 07 GICA22 Metalurgia de metais nãoferrosos 213 244 208 238 221 05 05 04 04 05 GICA23 Produtos de metal excl maq e equip 126 143 146 162 145 06 07 07 06 05 GICA24 Maq e equips móves e produtos diversos 292 248 237 259 258 65 67 64 60 50 GICA25 Eletrodomésticos e material eletronico 216 242 217 246 214 11 12 12 10 09 GICA26 Automóveis camionetas caminhões e ônibus 198 200 188 254 273 31 46 44 34 25 GICA27 Peças para automóveis 209 203 177 209 214 10 14 12 08 06 GICA28 Outros equip de transp 309 273 261 300 293 08 12 09 09 11 GICA29 Energia ele gás natural água e esgoto 105 138 99 148 119 22 21 20 17 21 GICA30 Construção civil 90 114 89 104 98 123 98 117 114 94 GICA31 Comércio 65 55 48 60 59 96 115 124 137 135 GICA32 Transporte armazenagem e correio 126 137 112 133 107 30 32 32 31 31 GICA33 Serviços de alojamento e alimentação 79 95 73 85 84 36 33 36 44 43 GICA34 Serviços de informação 68 69 71 95 87 36 40 36 34 34 GICA35 Intermed Financ seguros e prev comp 43 39 37 43 32 32 43 53 48 59 GICA36 Ativ Imob 09 09 07 09 09 121 82 80 89 96 GICA37 Serv às empresas e às famílias manut 62 62 55 63 56 61 56 55 55 56 Análise Econômica Porto Alegre v 40 n 82 jun 2022 e96269 DOI dxdoiorg10224562176545696269 39 GICA38 Adm Pub defesa e seg social 49 38 34 39 40 03 03 03 03 03 GICA39 Educação pública 31 27 25 25 24 01 01 01 01 01 GICA40 Educação privada 35 43 39 44 51 21 16 16 18 21 GICA41 Saúde pública 54 52 52 52 61 01 01 01 00 00 GICA42 Saúde privada 75 79 75 71 65 24 24 23 29 33 Fonte Elaboração própria a partir de Passoni 2019 Autor correspondente Rafael Alves Montanha Email montanharafaelgmailcom Recebido em 27092019 Aceito em 29062021

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