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UNIVERSIDADE PAULISTA INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E COMUNICAÇÃO ICSC CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS PROJETO DE PESQUISA BANCOS DIGITAIS NO BRASIL O MODELO DE NEGÓCIO FAVORECE OU DIFICULTA A SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA DE SEUS USUÁRIOS CAMPINAS SP 2025 ALUNO X RA X PROJETO DE PESQUISA BANCOS DIGITAIS NO BRASIL O MODELO DE NEGÓCIO FAVORECE OU DIFICULTA A SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA DE SEUS USUÁRIOS Projeto de pesquisa apresentado como exigência para a disciplina de Economia Contemporânea do curso de Ciências Econômicas da Universidade Paulista sob a orientação do professor X CAMPINAS SP 2025 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO4 2 OBJETIVO5 21 PROBLEMA5 22 HIPÓTESE5 3 REFERENCIAL TEÓRICO6 31 ASPECTOS DOS BANCOS DIGITAIS NO BRASIL6 32 DEMOCRATIZAÇÃO FINANCEIRA7 33 SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA INDIVIDUAL8 34 RISCO DE AUMENTO DO ENDIVIDAMENTO11 35 COMPORTAMENTO DO CLIENTE E EDUCAÇÃO FINANCEIRA13 4 METODOLOGIA16 5 JUSTIFICATIVA17 6 CRONOGRAMA DE ATIVIDADES18 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS19 ANEXO I PLANO DE TRABALHO22 1 INTRODUÇÃO Este projeto de pesquisa apresenta as demarcações referentes à pesquisa que será realizada tendo em vista as exigências do curso de bacharelado em Ciências Econômicas da Universidade Paulista O estudo aqui sugerido buscará analisar a questão da sustentabilidade financeira individual O foco não se limita a saber se os indivíduos têm acesso a serviços financeiros mas se esse acesso os capacita a gerenciar seus recursos de forma eficaz para atender às suas necessidades presentes e futuras resistir a choques financeiros inesperados e alcançar objetivos de vida de longo prazo A compreensão da sustentabilidade financeira individual é crucial pois o sucesso da bancarização digital não deve ser medido apenas pelo número de contas abertas mas pela melhoria duradoura da saúde financeira e da resiliência dos usuários A pesquisa busca portanto investigar se o modelo de negócio dos bancos digitais favorece ou dificulta essa sustentabilidade 4 2 OBJETIVO Analisar se o modelo de negócio adotado pelos bancos digitais favorece ou dificulta a sustentabilidade financeira de seus usuários considerando suas estratégias de acessibilidade oferta de crédito estrutura de tarifas e relação com o comportamento financeiro dos clientes Para isso serão abordados temas como a proposta de valor dos bancos digitais e sua atuação na inclusão financeira facilidades e desafios do crédito digital os mecanismos utilizados para incentivar o consumo via plataformas digitais e os impactos regulatórios sobre essas instituições Também será realizada uma comparação com bancos tradicionais buscando avaliar se os diferenciais operacionais e comerciais dos bancos digitais contribuem efetivamente para a saúde financeira dos usuários ou se geram riscos adicionais de instabilidade econômica pessoal 21 PROBLEMA Esta pesquisa busca contribuir para o entendimento e formulação da resposta ao seguinte problema O modelo de negócio dos bancos digitais favorece ou dificulta a sustentabilidade financeira de seus usuários 22 HIPÓTESE A hipótese a ser explorada parte do pressuposto de que o modelo de negócio dos bancos digitais ao promover a inclusão e o acesso facilitado ao crédito oferece oportunidades para a democratização financeira mas na ausência de educação financeira adequada e mecanismos de gestão de risco eficazes pode comprometer a sustentabilidade financeira dos usuários levando ao endividamento excessivo Essa hipótese explora a ideia de que a facilidade de acesso ao crédito nos bancos digitais muitas vezes sem a necessidade de agências físicas ou uma análise criteriosa pode levar os consumidores a assumir dívidas que não conseguem pagar aumentando assim o risco de endividamento Além disso o modelo de negócios de muitos bancos digitais que frequentemente oferecem limites de crédito generosos e facilidades de parcelamento pode incentivar o uso excessivo do crédito especialmente em uma cultura de consumo instantâneo Ademais levanta a questão de que sem uma educação financeira adequada o consumidor pode não entender plenamente os custos envolvidos como juros e taxas o que pode resultar em dívidas acumuladas e problemas financeiros O aumento da oferta de crédito pode assim ser visto mais como um fator de risco do que uma oportunidade para muitos usuários 5 3 REFERENCIAL TEÓRICO 31 ASPECTOS DOS BANCOS DIGITAIS NO BRASIL Um banco digital é uma instituição financeira que opera predominantemente ou exclusivamente por meio de canais digitais como aplicativos móveis e plataformas online sem a necessidade de agências físicas Essa característica fundamental os diferencia dos bancos tradicionais O conceito de fintech tecnologia financeira está intrinsecamente ligado ao surgimento e desenvolvimento dos bancos digitais representando a aplicação de tecnologia para inovar e otimizar a oferta de serviços financeiros No Brasil o sistema bancário passou por uma evolução desde o surgimento do primeiro banco em 1808 mas foi com a popularização da internet e dos smartphones que os bancos digitais ganharam força e se tornaram protagonistas O crescimento desses bancos no país tem sido notável nos últimos anos impulsionado pela alta penetração da internet e de dispositivos móveis bem como por um ambiente regulatório favorável às fintechs Instituições como Nubank Inter C6 Bank e Neon são exemplos proeminentes cada uma com uma proposta de valor única mas compartilhando características como a ausência de taxas ou tarifas reduzidas processos simplificados para abertura de contas e solicitação de serviços e uma experiência de usuário focada em plataformas digitais A conveniência e a facilidade de uso percebida aliadas à percepção de segurança e privacidade impactam positivamente a aceitação dos bancos digitais pelos consumidores A concorrência entre bancos virtuais e tradicionais tem se intensificado especialmente no período póspandêmico A Tabela 1 ilustra as principais diferenças entre esses dois modelos bancários Característica Bancos Tradicionais Bancos Digitais Agências Físicas Ampla rede de agências Ausência de agências físicas Taxas e Tarifas Geralmente mais altas Geralmente mais baixas ou inexistentes Abertura de Conta Processo mais burocrático pode exigir presença física Processo simplificado totalmente online Atendimento ao Cliente Agências telefone online Predominantemente online chatbots email telefone Foco em Adoção gradual de tecnologia Tecnologia como pilar central da 6 Tecnologia operação Tabela 1 Comparação de Características Bancos Tradicionais e Bancos Digitais O suporte regulatório por parte do Banco Central do Brasil BCB tem sido um fator crucial para o desenvolvimento dos bancos digitais O BCB implementou regulações que visam estimular a competição e a inovação no setor financeiro como a criação de diferentes tipos de entidades jurídicas para fintechs Sociedade de Crédito Direto SCD e Instituição de Pagamento IP o estabelecimento do Sandbox regulatório a implementação do Open Banking e o lançamento do sistema de pagamentos instantâneos PIX Essas medidas contribuíram para reduzir as barreiras de entrada no mercado financeiro permitindo o surgimento de novos players e fomentando um ambiente mais competitivo É importante notar que a regulação ao mesmo tempo em que catalisa a inovação e o crescimento também pode criar condições para o surgimento de desafios A abordagem proativa do BCB em reduzir a fricção e aumentar o acesso a serviços financeiros embora fundamental para a democratização inadvertidamente estabelece um ambiente onde o endividamento excessivo pode se manifestar se não houver um equilíbrio adequado com mecanismos de proteção ao consumidor e educação financeira Assim a capacidade regulatória futura deve ser ágil o suficiente para continuar promovendo a inovação ao mesmo tempo em que aborda proativamente os riscos sistêmicos emergentes especialmente aqueles relacionados à saúde financeira dos consumidores 32 DEMOCRATIZAÇÃO FINANCEIRA Sob a ótica dos clássicos da economia como Schumpeter 1911 a inovação financeira é vista como um motor essencial para o desenvolvimento econômico capaz de promover eficiência e inclusão Para Keynes 1936 o crédito possui um papel fundamental na dinâmica econômica especialmente na promoção de investimentos produtivos A democratização financeira no contexto brasileiro referese ao esforço para ampliar o acesso a serviços financeiros de qualidade para todos os segmentos da sociedade com foco especial na inclusão de indivíduos historicamente excluídos ou mal atendidos pelo sistema financeiro tradicional Essa democratização vai além da simples bancarização abrangendo o acesso a uma gama completa de produtos e serviços financeiros como pagamentos transferências poupança crédito e investimentos A tecnologia e em particular os bancos digitais tem desempenhado um papel fundamental nesse processo Os bancos digitais facilitam a inclusão financeira de diversas maneiras A ausência de agências físicas e a simplificação dos processos de abertura de contas eliminam barreiras 7 geográficas e burocráticas permitindo que indivíduos em áreas remotas ou com menor familiaridade com processos tradicionais acessem serviços financeiros A oferta de serviços com baixas taxas ou isentos de tarifas torna os bancos digitais mais acessíveis para a população de baixa renda Além disso a utilização de tecnologias como aplicativos móveis intuitivos e plataformas online fáceis de usar contribui para uma experiência do usuário mais agradável e acessível A facilidade de abrir uma conta corrente de maneira digital e gerenciá la sem custos tem o potencial de incluir financeiramente milhões de brasileiros desbancarizados Os bancos digitais têm sido bemsucedidos em alcançar populações previamente desbancarizadas ou mal atendidas Após o lançamento do PIX sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central oferecendo transferências rápidas gratuitas e disponíveis 24 horas por dia 7 dias por semana mais de 70 milhões de clientes realizaram sua primeira transferência digital e a parcela da população sem conta bancária diminuiu significativamente de 29 no início de 2020 para apenas 16 atualmente Um estudo do Centre for Economics and Business Research no Reino Unido mostrou que o Brasil avançou 14 posições no ranking global de inclusão financeira entre 2022 e 2023 impulsionado por serviços digitais especialmente o PIX O conceito de democratização financeira está intimamente ligado ao acesso mais amplo a instrumentos financeiros como crédito que antes eram limitados a uma parcela restrita da população A possibilidade de acesso fácil e rápido a produtos financeiros exige uma reflexão sobre os limites e cuidados no uso dessas ferramentas 33 SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA INDIVIDUAL A sustentabilidade financeira individual é um conceito abrangente que vai além da simples posse de uma conta bancária ou acesso a crédito Ela se refere à capacidade de um indivíduo ou família de gerenciar seus recursos financeiros de forma eficaz para atender às necessidades presentes e futuras resistir a choques financeiros inesperados e alcançar objetivos de vida de longo prazo Não se trata apenas de ter acesso a serviços mas de usálos de forma prudente para construir resiliência e bemestar financeiro Os pilares da sustentabilidade financeira individual conforme detalhado em relatórios do Banco Central do Brasil abrangem a gestão de dívidas a capacidade de poupança e o acesso a serviços financeiros adequados 1 Gestão de Dívidas O crédito embora seja um instrumento que pode suavizar o consumo ao longo do tempo permitindo o uso de recursos no presente com a expectativa de 8 pagamento futuro deve ser adequado ao perfil às necessidades específicas e à capacidade de pagamento de cada indivíduo para ser sustentável Quando essa adequação não ocorre os níveis de endividamento e comprometimento de renda podem exceder o limite financeiramente gerenciável levando à inadimplência O cartão de crédito nas modalidades à vista e parcelado lojista sem juros das instituições financeiras é o produto de crédito mais utilizado pelos brasileiros No entanto o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial apesar de serem as modalidades com as taxas de juros mais altas também estão entre as mais utilizadas em termos de quantidade de tomadores A praticidade desses instrumentos de crédito préaprovado pode ser um fator para sua alta utilização Em relação ao comprometimento de renda a parcela da renda destinada ao pagamento de juros e amortização de dívidas houve uma redução geral entre 2015 e 2017 para todas as faixas de renda dos tomadores de crédito pessoa física Contudo a faixa de renda de até 1 salário mínimo foi a única a registrar um aumento no comprometimento de renda entre 2016 e 2017 passando de 236 para 252 Embora o endividamento total para essa faixa tenha caído de 743 para 518 o aumento do comprometimento de renda juntamente com uma provável queda na renda e o aumento do desemprego pode indicar uma dificuldade em obter crédito levando à contratação de créditos de menor montante e mais caros Isso revela uma vulnerabilidade estrutural na base da pirâmide financeira onde indivíduos de baixa renda mesmo com menor dívida total enfrentam um ônus desproporcional de dívidas de alto custo Os bancos digitais ao expandir o acesso a essa demografia devem implementar avaliações de risco robustas e educação financeira adaptada para evitar que esses usuários caiam em armadilhas de dívidas caras o que minaria diretamente sua sustentabilidade financeira A inadimplência que se configura quando o pagamento da dívida entra em atraso de forma persistente diminuiu para quase todas as faixas de renda no período observado acompanhando a queda no comprometimento de renda A exceção foi a faixa de até 1 salário mínimo que passou a ter o maior percentual de inadimplência O rotativo do cartão de crédito que representa apenas 2 do saldo das operações de crédito corresponde a 208 da carteira inadimplente reforçando a necessidade de educação financeira para alertar sobre os riscos do uso inadequado 2 Capacidade de Poupança Poupar é fundamental para a resiliência financeira permitindo que as pessoas enfrentem imprevistos com maior tranquilidade e acumulem recursos para 9 alcançar seus objetivos A educação financeira é vista como uma ferramenta importante para estimular o hábito de poupar e a gestão sustentável dos recursos Dados do Global Findex de 2017 indicam que o percentual de brasileiros que poupam aumentou de 28 em 2014 para 32 em 2017 Apesar do aumento o número ainda é considerado baixo e a principal razão declarada pela maioria dos brasileiros para não poupar é a falta de dinheiro 87 No entanto a variação na porcentagem de poupadores entre países com renda per capita semelhante é grande sugerindo que a renda não é o único fator determinante cultura educação comunicação e instrumentos de poupança também influenciam A capacidade de poupança é portanto um indicador de resiliência que vai além da simples renda sendo influenciada por fatores comportamentais e educacionais Bancos digitais com suas interfaces amigáveis e serviços de baixo custo têm uma oportunidade única de incentivar hábitos de poupança por meio de funcionalidades como gamificação poupança automatizada e educação financeira personalizada contribuindo assim para a sustentabilidade financeira dos usuários 3 Acesso a Serviços Financeiros Adequados A cidadania financeira pressupõe que o cidadão tenha acesso a serviços financeiros que se adequem às suas necessidades e que tenha a oportunidade de desenvolver capacidades e autoconfiança para gerenciar bem seus recursos financeiros A educação financeira é vista como um pilar para estimular a poupança e a gestão de finanças pessoais A Estratégia Nacional de Educação Financeira Enef instituída em 2010 visa fortalecer a cidadania a eficiência e a solidez do sistema financeiro nacional promovendo a tomada de decisões conscientes pelos consumidores A Tabela 2 sintetiza os pilares e indicadores que serão utilizados para avaliar a sustentabilidade financeira individual no contexto deste estudo Pilar Indicadores Chave Descrição Gestão de dívidas Taxa de Comprometimento de Renda Taxa de Inadimplência Diversidade e Custo do crédito Capacidade de honrar compromissos financeiros sem comprometer o bem estar e de usar o crédito de forma prudente Capacidade de Poupança Taxa de Poupança Existência de Reserva de Emergência Investimentos de Longo Prazo Habilidade de acumular recursos para o futuro para imprevistos e para a realização de objetivos Acesso a Serviços Bancarização Acesso a Crédito Responsável Diversidade de Disponibilidade e utilização de produtos e serviços financeiros que 10 Financeiros Adequados Produtos Financeiros seguros investimentos atendam às necessidades do indivíduo e promovam seu bemestar Tabela 2 Pilares e Indicadores da Sustentabilidade Financeira Individual Esta tabela é fundamental para estruturar a análise da sustentabilidade financeira fornecendo um framework claro para avaliar o impacto dos bancos digitais Ela permite que se compreendam os múltiplos aspectos da sustentabilidade além do simples endividamento e como cada pilar pode ser afetado pelo modelo de negócio dos bancos digitais 34 RISCO DE AUMENTO DO ENDIVIDAMENTO Friedman 1968 alerta para os riscos do crédito excessivo especialmente quando não acompanhado por controles adequados o que pode resultar em crises econômicas e endividamento excessivo Pesquisas indicam que o crédito rápido e simplificado oferecido por bancos digitais pode incentivar o uso irresponsável por parte dos consumidores especialmente aqueles com menor alfabetização financeira Lopes e Martins 2022 Além disso o crédito fácil pode se tornar um problema quando a concessão não é acompanhada de mecanismos adequados de educação financeira e de avaliação do perfil de risco dos tomadores Carvalho e Pereira 2020 O Brasil é um dos países onde os bancos digitais têm experimentado um crescimento mais rápido com instituições como Nubank Banco Inter e C6 Bank alcançando milhões de clientes em poucos anos Esse fenômeno é frequentemente visto como um movimento positivo em direção à democratização financeira mas também gera preocupações quanto ao risco de endividamento desenfreado Ferreira et al 2023 No livro O Cartão de Crédito e a Revolução do Dinheiro André Silres 2022 explora como a diversidade de tipos de crédito no histórico financeiro de um indivíduo pode afetar positivamente sua pontuação de crédito e consequentemente sua saúde financeira geral Ele argumenta que ter uma variedade de instrumentos de crédito como cartões de crédito empréstimos e financiamentos pode demonstrar a capacidade de gerenciar diferentes obrigações financeiras o que contribui para a construção de um perfil financeiro robusto Essa prática pode de fato resultar em benefícios como melhores condições para acesso a novos créditos e taxas de juros mais baixas uma vez que as agências de crédito consideram a diversidade e o bom gerenciamento de dívidas como indicativos de um comportamento financeiro responsável 11 Entretanto o autor também alerta para os riscos da utilização indiscriminada do crédito A facilidade de acesso a diferentes tipos de crédito que caracteriza o modelo de negócio dos bancos digitais pode criar uma falsa sensação de segurança financeira levando os consumidores a contraírem dívidas sem considerar suas reais capacidades de pagamento Esse comportamento pode resultar no aumento do consumo e eventualmente no endividamento excessivo com sérias consequências tanto para o indivíduo quanto para a economia como um todo A diversidade de crédito embora vantajosa quando bem gerida pode se transformar em um fardo financeiro quando mal administrada o que se reflete diretamente no aumento do risco de inadimplência e na deterioração do perfil financeiro do consumidor André 2022 Dados da Serasa revelam a dimensão do problema da inadimplência no Brasil Em março de 2025 o número de inadimplentes no país cresceu para 757 milhões um aumento de 102 em comparação com fevereiro do mesmo ano A faixa etária de 41 a 60 anos representa a maior parte dos inadimplentes 351 seguida pelas faixas de 26 a 40 anos 34 e acima de 60 anos 192 O valor médio dos acordos de renegociação de dívidas realizados na plataforma Serasa Limpa Nome foi de R 714 com mais de R 1775 bilhões em descontos concedidos A Tabela 3 apresenta a evolução da inadimplência no Brasil com base nos dados da Serasa demonstrando a persistência e o crescimento do problema Período Número de Inadimplentes milhões Variação Mensal Faixa Etária 4160 anos Faixa Etária 26 40 anos Valor Médio Acordo R Março25 757 102 351 340 714 Fevereiro25 750 054 351 340 698 Janeiro25 746 148 351 340 676 Tabela 3 Evolução da Inadimplência no Brasil Dados Serasa O Banco Central do Brasil em seu estudo Endividamento de Risco no Brasil identificou que em março de 2023 havia 151 milhões de indivíduos em situação de endividamento de risco representando 142 da população tomadora de crédito no Sistema Financeiro Nacional SFN Isso marcou um aumento de 43 pontos percentuais em comparação com março de 2021 Os critérios para identificar o endividamento de risco incluem inadimplência atrasos superiores a 90 dias comprometimento da renda mensal com 12 o pagamento de dívidas acima de 50 exposição simultânea a múltiplas modalidades de crédito de alto custo cheque especial crédito pessoal não consignado rotativo e renda disponível mensal após o pagamento das dívidas abaixo da linha de pobreza O Relatório de Economia Bancária 2023 do BCB também aponta que o crescimento do crédito no SFN desacelerou em 2023 devido aos efeitos da política monetária restritiva e ao aumento da inadimplência Para pessoas físicas a inadimplência aumentou até meados do segundo trimestre impulsionada por modalidades de crédito livre de alto custo embora tenha recuado na segunda metade do ano A combinação do modelo de negócios dos bancos digitais com limites generosos facilidade de parcelamento e baixa fricção e as evidências empíricas de endividamento de risco sugerem uma forte ligação entre a facilidade de obtenção de crédito e a probabilidade de cair em uma situação de endividamento insustentável Isso indica que o design dos produtos de crédito digital precisa incorporar salvaguardas ou incentivos que promovam o empréstimo responsável em vez de depender apenas da autorregulação do consumidor Além disso a análise dos dados revela que embora as modalidades de crédito de alto custo como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial representem uma parcela menor do saldo total de crédito elas contribuem desproporcionalmente para a inadimplência Os bancos digitais frequentemente oferecem esses produtos com grande facilidade Isso sugere que o tipo de crédito facilitado pelos bancos digitais e não apenas o volume é um fator crítico que compromete a sustentabilidade financeira Portanto reguladores e bancos digitais devem focar na mitigação dos riscos associados a esses produtos de alto custo talvez por meio de critérios de elegibilidade mais rigorosos avisos mais claros ou a oferta de alternativas de menor custo 35 COMPORTAMENTO DO CLIENTE E EDUCAÇÃO FINANCEIRA A preocupação levantada por Friedman 1968 sobre os riscos do crédito excessivo ganha contornos ainda mais complexos no cenário dos bancos digitais A facilidade e a instantaneidade na obtenção de crédito características marcantes dessas instituições Lopes e Martins 2022 podem exacerbar tendências comportamentais que levam ao endividamento A análise dos fatores comportamentais que influenciam a tomada de decisões financeiras especialmente no contexto do crédito facilitado oferecido pelos bancos digitais pode ser enriquecida pela Teoria dos Dois Sistemas de Pensamento proposta por Daniel Kahneman 2011 em sua obra Rápido e Devagar Duas Formas de Pensar Segundo Kahneman nosso pensamento opera em dois sistemas distintos o Sistema 1 rápido intuitivo 13 e emocional e o Sistema 2 lento deliberativo e lógico Compreender como esses sistemas interagem pode lançar luz sobre os mecanismos psicológicos que levam ao uso impulsivo e potencialmente ao endividamento excessivo No ambiente dos bancos digitais a facilidade com que o crédito é oferecido pode levar a uma predominância do Sistema 1 no processo decisório A atratividade das ofertas instantâneas e a ausência de fricção no processo de contratação podem gerar uma resposta impulsiva sem que o Sistema 2 seja adequadamente engajado para avaliar os riscos e as consequências a longo prazo A sensação de dinheiro fácil e a gratificação imediata proporcionada pelo crédito podem obscurecer a necessidade de uma análise cuidadosa das condições contratuais e da real capacidade de pagamento A compreensão dos mecanismos cognitivos descritos por Kahneman 2011 tem implicações importantes para a formulação de estratégias de educação financeira e para a regulação do crédito digital Iniciativas de educação financeira podem ser mais eficazes se projetadas para engajar o Sistema 2 fornecendo ferramentas e informações que incentivem a análise deliberativa das decisões de crédito Da mesma forma as políticas regulatórias podem considerar os vieses comportamentais estabelecendo salvaguardas que ajudem a mitigar os riscos de decisões impulsivas e o endividamento excessivo Correa e Coletta 2024 investigaram a relação entre o acesso ao crédito em bancos digitais e fintechs e a probabilidade de endividamento pessoal no Brasil Os resultados do estudo evidenciaram que a facilidade de acesso ao crédito por meio de instituições financeiras digitais está positivamente associada à probabilidade de endividamento em diferentes níveis incluindo o risco de sobreendividamento e o sobreendividamento em si Além disso os autores também encontraram uma relação positiva entre alfabetização financeira e a probabilidade de endividamento sugerindo que a falta de habilidades básicas de gestão financeira contribui para o problema Esses achados corroboram a preocupação de que a facilidade de acesso ao crédito característica dos bancos digitais pode levar a um uso irresponsável e ao endividamento excessivo como discutido por Ferreira et al 2023 Correa e Coletta 2024 fornecem evidências empíricas de que essa relação existe no contexto brasileiro A pesquisa destaca que a falta de alfabetização financeira agrava esse problema pois indivíduos sem habilidades de orçamento e gestão de dívidas têm maior dificuldade em lidar com as consequências do crédito e com crises econômicas Correa e Coletta 2024 Isso reforça a importância da educação financeira como um fator crucial para mitigar os riscos do 14 endividamento no ambiente dos bancos digitais conforme já apontado por outros autores Carvalho e Pereira 2020 Silres 2022 Correa e Coletta 2024 enfatizam que a carência de conhecimentos financeiros pode levar a decisões de consumo insustentáveis endividamento excessivo e uso inadequado do crédito o que gera dificuldades financeiras prolongadas e prejudica a realização de objetivos financeiros de longo prazo Com base em suas descobertas sugerem que a gestão do acesso ao crédito deve ser cuidadosa independentemente do nível de alfabetização financeira dos consumidores para evitar altos níveis de endividamento e problemas financeiros a longo prazo Eles defendem a necessidade de políticas e regulações que promovam a inclusão financeira por meio do acesso ao crédito digital mas de forma que os indivíduos não sejam expostos a riscos excessivos de endividamento e inadimplência Os autores propõem a inclusão de disciplinas de alfabetização financeira na grade curricular do ensino médio e fundamental com metodologias que auxiliem no desenvolvimento do conhecimento e do senso crítico em relação ao crédito especialmente no contexto dos bancos digitais A questão do endividamento não pode ser atribuída exclusivamente à falta de educação do consumidor ou apenas à facilidade de crédito dos bancos É um problema sistêmico que surge da interação entre um modelo de negócios projetado para baixa fricção vieses comportamentais humanos inerentes e uma lacuna social na literacia financeira Isso implica uma responsabilidade compartilhada entre consumidores instituições financeiras e órgãos reguladores Soluções eficazes para promover a sustentabilidade financeira devem ser multifacetadas envolvendo supervisão regulatória práticas de empréstimo responsável lideradas pela indústria e iniciativas de educação financeira amplas e direcionadas 15 4 METODOLOGIA A metodologia desta pesquisa será composta por uma combinação de pesquisa bibliográfica e análise documental A escolha por essa abordagem devese ao fato de que para compreender como o modelo de negócio dos bancos digitais impacta a sustentabilidade financeira individual de seus usuários analisando tanto os fatores que a favorecem quanto os que a dificultam é fundamental analisar as contribuições teóricas de autores especializados nas áreas de inclusão financeira bancos digitais e educação financeira A pesquisa bibliográfica será sustentada pelas principais contribuições literárias de autores como Schumpeter 1911 Keynes 1936 e Kahneman 2011 Essas obras foram escolhidas devido à forma como os autores abordam de maneira distinta os temas relacionados à inovação financeira à relação entre crédito e consumo e os aspectos comportamentais envolvidos na tomada de decisões financeiras que são cruciais para entender a dinâmica da sustentabilidade financeira Além disso serão revisados artigos acadêmicos que abordam o impacto dos bancos digitais no consumo e no endividamento como os de Correa e Coletta 2024 que trazem dados empíricos sobre o uso do crédito digital no Brasil e sua relação com a saúde financeira dos usuários A análise documental será baseada em dados oficiais e relatórios do Banco Central do Brasil BCB que analisam a regulamentação dos bancos digitais e o comportamento do crédito no Brasil Serão utilizados relatórios como o Relatório de Cidadania Financeira e o Relatório de Economia Bancária para obter dados sobre endividamento capacidade de poupança e as políticas públicas relacionadas à sustentabilidade financeira Adicionalmente serão consultados relatórios de instituições como a Serasa para dados recentes sobre inadimplência no Brasil um indicador chave da saúde financeira A combinação desses métodos visa construir uma análise aprofundada sobre os efeitos da expansão dos bancos digitais avaliando como seu modelo de negócio se relaciona com os pilares da sustentabilidade financeira individual gestão de dívidas capacidade de poupança e acesso a serviços financeiros adequados para determinar se ele favorece ou dificulta o bemestar financeiro dos usuários 16 5 JUSTIFICATIVA A pesquisa é relevante pois aborda um fenômeno crescente e transformador no sistema financeiro brasileiro Nos últimos anos os bancos digitais se tornaram protagonistas na inclusão financeira oferecendo uma alternativa acessível e sem a burocracia dos bancos tradicionais Essa transformação é contínua e rápida o que torna a investigação sobre seus impactos na sustentabilidade financeira dos usuários uma questão com valor preditivo para o futuro do setor Dentre os inúmeros temas possíveis de serem investigados a importância deste estudo reside justamente em compreender como o modelo de negócio e a expansão desses bancos embora apresente uma oportunidade de democratização financeira também traz à tona questões críticas relacionadas ao risco de endividamento excessivo A facilidade no acesso ao crédito sem a devida educação financeira pode levar ao uso irresponsável de produtos financeiros e consequentemente ao aumento das taxas de inadimplência o que prejudica a saúde financeira dos consumidores e compromete sua sustentabilidade Ao focar na sustentabilidade financeira individual este estudo busca ir além da mera inclusão avaliando a capacidade dos usuários de manter uma saúde financeira robusta a longo prazo As descobertas desta pesquisa podem informar medidas políticas proativas e melhores práticas da indústria para guiar o desenvolvimento futuro dos serviços financeiros digitais em direção a resultados mais sustentáveis O estudo contribuirá assim para o entendimento dos desafios e oportunidades que os bancos digitais representam para a saúde financeira de seus usuários no Brasil 17 6 CRONOGRAMA DE ATIVIDADES Semanas Atividade 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Levantamento das referências bibliográficas X Redação Capítulo 1 X Redação Capítulo 2 X X Redação Capítulo 3 X Redação Capítulo 4 X X Redação Capítulo 5 X X Considerações finais X Revisão X Entrega do relatório X 18 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BANCO CENTRAL DO BRASIL Caderno de Educação Financeira Brasília DF out 2013 Disponível em httpswwwbcbgovbrcontentcidadaniafinanceiradocumentoscidadania CuidandodoseudinheiroGestaodeFinancasPessoais cadernocidadaniafinanceirapdf Acesso em 01 maio 2025 BANCO CENTRAL DO 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acesso ao crédito em bancos digitais e fintechs aumenta a probabilidade de endividamento pessoal no Brasil Revista Ciências Administrativas v 30 p 113 2024 Disponível em httpswwwresearchgatenetpublication388893318Oacessoaocreditoembancosdigit 19 aisefintechsaumentaaprobabilidadedeendividamentopessoalnoBrasil Acesso em 09 março 2025 DAMACENA Ana Bárbara As finanças e a evolução dos bancos digitais uma resenha Revista Brasileira de Economia de Empresas v 22 n 2 2022 Disponível em httpsportalrevistasucbbrindexphprbeearticleview14425 Acesso em 22 março 2025 DINIZ Bruno O Fenômeno Fintech Rio de Janeiro Alta Books 2020 Ebook p 174 FRIEDMAN Milton The Role of Monetary Policy The American Economic Review v 58 n 1 p 117 1968 GARCIA Késsia Raquel Matos et al Clientes de Bancos Digitais Perfis e Preferências Revista de Empreendedorismo Negócios e Inovação v 7 n 2 p 2646 2022 Disponível em httpsperiodicosufabcedubrindexphpreniarticleview650 Acesso em 05 abril 2025 KAHNEMAN Daniel Rápido e Devagar 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bancos digitais Capítulo 5 Tendências comportamentais crédito digital e educação financeira 22 1 UNIVERSIDADE PAULISTA INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E COMUNICAÇÃO ICSC CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS ALUNO XXXXXX RELATÓRIO DE PESQUISA BANCOS DIGITAIS NO BRASIL O MODELO DE NEGÓCIO FAVORECE OU DIFICULTA A SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA DE SEUS USUÁRIOS CAMPINAS SP 2025 2 ALUNO XXXXXXXX RELATÓRIO DE PESQUISA BANCOS DIGITAIS NO BRASIL O MODELO DE NEGÓCIO FAVORECE OU DIFICULTA A SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA DE SEUS USUÁRIOS Relatório de pesquisa apresentado como exigência para a disciplina de Economia Contemporânea do curso de Ciências Econômicas da Universidade Paulista sob a orientação do professor X CAMPINAS SP 3 2025 RESUMO O relatório tem como objetivo verificar se o modelo de negócio dos bancos digitais no Brasil ajuda ou atrapalha o bemestar financeiro de quem os utiliza a partir de uma análise qualitativa e exploratória que mostra que essas instituições expandem o acesso a serviços financeiros e indicam que além de promover a inclusão também estimulam os clientes a entender melhor e gerenciar com mais segurança suas finanças pessoais Palavraschaves Banco digital Educação financeira Sustentabilidade financeira 4 SUMÁRIO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS18 1 INTRODUÇÃO A transformação digital dos bancos no Brasil tem impactado de maneira significativa as rotinas financeiras diárias tornandoas mais acessíveis e práticas trazendo consigo novas formas de consumo e crédito que requerem que os usuários sejam atentos e disciplinados A agilidade nas transações e a disponibilização de serviços interligados podem modificar a forma como as pessoas fazem suas escolhas de gastos e economias 5 Conforme Furtado 2020 o banco digital é uma entidade financeira que disponibiliza seus produtos e serviços predominantemente pela internet utilizando uma infraestrutura avançada que dispensa a visita física a uma agência para a realização de operações Frequente nesses bancos o cliente pode se beneficiar da isenção de tarifas bancárias ter acesso a cartões de crédito sem anuidade e contas sem cobranças de manutenção Esse processo exige uma avaliação cuidadosa das relações entre tecnologia estratégias de negócios e o comportamento das pessoas destacando que a simples inclusão no sistema financeiro não assegura uma verdadeira sofisticação financeira e que os incentivos presentes nas plataformas moldam os hábitos dos usuários influenciando tanto as chances quanto as ameaças de maneira que entender essas dinâmicas é crucial para analisar o verdadeiro efeito da era digital na viabilidade financeira das pessoas Os bancos digitais emergiram oferecendo todos os serviços disponibilizados pelos bancos convencionais mas agora por meio da internet ou aplicativos em dispositivos como computadores smartphones e tablets o que proporciona aos usuários desses bancos digitais ter a possibilidade de gerenciar serviços como limites de cartão de crédito financiamentos abertura de contas e diversas outras opções igualmente disponíveis nas instituições bancárias tradicionais Miranda 2017 A pesquisa vai além de simplesmente checar se os indivíduos conseguem acessar serviços financeiros investigando se o acesso aos bancos digitais possibilita a gestão eficaz de seus recursos para atender tanto às necessidades presentes quanto às futuras Entender a sustentabilidade financeira individual é fundamental pois o sucesso da inclusão financeira digital deve ser analisado não apenas pelo número de contas abertas mas também pelo aprimoramento duradouro da saúde financeira e da habilidade de adaptação dos usuários Diante disso o objetivo desta pesquisa é analisar de maneira crítica de que maneira o modelo de negócios utilizado pelos bancos digitais afeta a sustentabilidade financeira de seus clientes verificando se suas ações promovem a estabilidade econômica individual ou aumentam as fragilidades financeiras levando em conta fatores como acesso políticas de financiamento configuração de tarifas e as atitudes dos consumidores em relação às inovações tecnológicas Sobre os objetivos específicos pretendese analisar a proposta de valor dessas organizações na facilitação da inclusão financeira e confrontar seus impactos com os 6 verificados nos bancos convencionais verificando a atualização dos serviços bancários digitais constitui um progresso real na administração responsável das finanças pessoais ou se representa um elemento de risco em relação ao aumento do consumo e do endividamento Surge assim a urgência de abordar a principal questão que norteia esta pesquisa O modelo de negócio dos bancos digitais favorece ou dificulta a sustentabilidade financeira de seus usuários Essa questão resume o atual dilema entre inclusão e fragilidade uma vez que o aumento do acesso a serviços e crédito não assegura por si mesmo a estabilidade econômica Para responder a questão problema da pesquisa partimos da hipótese que o modelo de operação dos bancos digitais ao tornar os serviços financeiros mais acessíveis e promover a inclusão bancária possui uma dualidade de um lado promove a democratização do sistema financeiro e estimula a independência dos usuários por outro ao facilitar o acesso ao crédito e eliminar barreiras convencionais de supervisão pode propiciar comportamentos financeiros impulsivos e insustentáveis Nesta ótica entendese que a falta de uma educação financeira robusta e de estratégias eficientes para gerenciamento de riscos amplifica os impactos adversos dessa facilidade de obter crédito Portanto a suposição sugere que mesmo que os bancos digitais marquem um progresso em relação à inclusão eles podem favorecer a deterioração da sustentabilidade financeira se não forem acompanhados por ações educativas e normativas apropriadas Este estudo se justifica pela urgência de analisar de maneira crítica os efeitos da crescente presença dos bancos digitais na saúde financeira das pessoas em um cenário de rápida mudança no sistema bancário do Brasil apresentando um valor prático e social uma vez que pode apoiar a formulação de políticas públicas desenvolver estratégias de educação financeira e promover melhorias nas regulamentações contexto digital A metodologia empregada neste estudo une a pesquisa bibliográfica à análise de documentos incorporando diversas visões teóricas e informações reais a respeito do desempenho dos bancos digitais no Brasil permitindo entender de que maneira a estrutura de negócios dessas organizações impacta a saúde financeira de seus clientes analisando de modo crítico tanto as vantagens da inclusão e da inovação quanto os perigos relacionados ao acesso facilitado ao crédito e à falta de educação financeira 7 A fase de pesquisa bibliográfica sustentará a base teórica do estudo embasada por autores cujas ideias possibilitam a análise da inovação do crédito e da racionalidade econômica sob diversas perspectiva e em paralelo a pesquisa documental fará uso de relatórios elaborados pelo Banco Central do Brasil Serasa e outras fontes oficiais para investigar informações relativas ao endividamento à inadimplência e à regulamentação do setor digital Este Relatório de Pesquisa é divido em partes visando facilitar o entendimento do leitor composto pelo resumo do trabalho por esta introdução seguindo do seu referencial teórico dos dados coletados análise dos resultados e por último a conclusão da pesquisa trazendo a nota a análise final sobre o alcance dos objetivos resposta da questão problema e confirmação ou negação da hipótese lançada 2 REFERENCIAL TEÓRICO No quadro teórico serão interligados os principais aspectos da pesquisa abrangendo as dimensões técnicas e comportamentais que influenciam a interação entre usuários e bancos digitais Isso visa vincular as particularidades dos modelos de negócio digitais aos seus efeitos em termos de inclusão disponibilização de crédito taxas e escolhas financeiras Sob uma abordagem multidisciplinar o referencial integrará ideias da economia da inovação das finanças comportamentais e dos estudos regulatórios para embasar a análise empírica subsequente cada seção detalhará conceitos evidências e discussões que vão desde a estrutura funcional dos bancos digitais até a importância da educação financeira 21 Aspectos dos Bancos Digitais no Brasil O banco digital é uma entidade financeira que funciona majoritariamente ou apenas através de canais digitais como aplicativos para smartphones e sites eliminando a necessidade de agências físicas Nesse contexto o conceito de fintech está profundamente relacionado ao seu aparecimento e evolução simbolizando o uso de tecnologia para modernizar e melhorar a disponibilização de serviços financeiros 8 As instituições financeiras digitais e as Fintechs têm o potencial de impulsionar a economia ao expandir o volume de transações no setor financeiro embora não esteja claro se suas operações podem intensificar crises econômicas em momentos de tensão no mercado Ozilli 2018 As Fintechs são empresas modernas e emergentes que operam no setor financeiro oferecendo serviços financeiros por meio de inovações tecnológicas usando para facilitar modernizar e tornar mais acessíveis os serviços financeiros através de um custo reduzido Andrade 2019 As fintechs apresentam propostas inovadoras e uma abordagem totalmente digital o que intensificou a concorrência nos setores financeiros oferecendo serviços que as instituições tradicionais realizam de forma menos eficiente ampliando o alcance de seus usuários estabelecendo um novo modelo de demanda e interesses do consumidor digital resultado do progresso das tecnologias e das comunicações Cordeiro 2019 Os bancos digitais têm conquistado uma posição importante no setor bancário do Brasil pois utilizaram inovações tecnológicas para melhorar os processos financeiros reduzindo a burocracia Eles se esforçam para disponibilizar produtos e serviços com mais qualidade e agilidade aos seus clientes resultando em um efeito benéfico em todo o mercado Andrade 2019 As instituições financeiras digitais e as fintechs estão explorando formas de proporcionar mais facilidade e conforto a seus usuários introduzindo tecnologias e inovações nos serviços financeiros resultando em vantagens como a inclusão de novos clientes ao sistema bancário experiências renovadas na utilização desses serviços aceleração nas transações financeiras entre outras Andrade 2019 Um banco digital se caracteriza por oferecer produtos e serviços exclusivamente em formato virtual utilizando uma plataforma online da instituição financeira onde essa via de comunicação digital se transforma em um ponto central que integra todas as demais formas de interação Dessa maneira os clientes interagem com o banco diariamente através de meios digitais permitindo decisões ágeis e em tempo real Petrova Kuznetsova Eremina Kalachev 2020 Os bancos digitais oferecem vantagens tanto para o setor financeiro quanto para as entidades reguladoras pois a realização de transações digitais em larga escala diminui consideravelmente a movimentação de dinheiro físico proporcionando aos consumidores um controle aprimorado sobre suas finanças facilitam decisões 9 financeiras ágeis e permitem a execução e o recebimento de pagamentos em questão de segundos Ozilli 2018 22 Democratização Financeira A remoção dos obstáculos no Sistema Financeiro Nacional permite por um lado um crescimento contínuo da receita do setor e por outro o avanço social e econômico dos indivíduos Assim a redução das despesas por transação e a manutenção de relações bancárias são essenciais para promover a inclusão e a democratização financeira Santiago Zanetoni Vita 2020 Os bancos digitais fornecem tecnologias que removem obstáculos geográficos e administrativos facilitando a criação de contas e o acesso a serviços financeiros e ao cortar despesas e oferecer interfaces amigáveis ampliam e aceleram o acesso atingindo grupos que anteriormente eram deixados de lado pelo sistema bancário convencional Por outro lado a expansão do acesso a bens digitais e financiamentos demanda uma análise cuidadosa dos possíveis riscos considerando que um uso indevido pode ameaçar a saúde financeira pessoal A verdadeira democratização das finanças ocorre quando é acompanhada por educação e conscientização econômica possibilitando que os indivíduos tomem decisões informadas e evitem cair em dívidas excessivas Segundo Schumpeter 1911 a inovação no setor financeiro é essencial para o crescimento econômico pois pode aumentar a eficiência promover inclusão e transformar a organização dos mercados Nesse contexto os bancos digitais exemplificam essa ideia já que ao incorporarem novas tecnologias e estratégias ampliam o acesso a serviços financeiros e incluem pessoas que historicamente ficaram à margem do sistema bancário tradicional De acordo com Keynes 1936 o crédito desempenha uma função crucial na estimulação de investimentos produtivos e na dinâmica econômica atuando como um vínculo entre a poupança e o consumo sendo essencial para a estabilidade e o crescimento financeiro e assim os bancos digitais com disponibilização simplificada de crédito abrange essa perspectiva keynesiana 23 Sustentabilidade Financeira Individual 10 Quando falamos em saúde financeira individual estamos nos referindo à capacidade de gerenciar os recursos de forma a atender tanto às necessidades imediatas quanto às futuras confrontar imprevistos e alcançar objetivos a longo prazo implicando em utilizar os recursos financeiros disponíveis de maneira prudente fortalecendo a habilidade de se ajustar e assim promover o bemestar econômico A organização das finanças pessoais abrange ações como manter um registro minucioso das receitas e despesas definir objetivos financeiros para diferentes prazos curto médio e longo avaliar de maneira crítica os hábitos de consumo e implementar táticas que melhorem a utilização dos recursos disponíveis Robles 2025 A sustentabilidade individual é frequentemente mencionada no contexto econômico e financeiro referindose à obrigação que as instituições têm de produzir seus próprios recursos para viabilizar suas operações O conceito de sustentabilidade é mais abrangente sendo compreendido como a habilidade de um projeto se manter de maneira sustentável podendo assegurar uma continuidade técnica constante ou estável ao longo do tempo com essa estabilidade se refletindo em aspectos institucionais técnicos políticos e financeiros Fernandes 2011 A gestão financeira desempenha nesse cenário uma função crucial para fomentar a independência econômica e a segurança tanto individual quanto em grupo A ausência de um planejamento adequado está claramente ligada ao acúmulo de dívidas à dificuldade em honrar compromissos financeiros e à frustração de chances de avanço e evolução pessoal Robles 2025 Itens como cartões de crédito e limites de cheque especial apesar de sua praticidade podem levar a dívidas excessivas se não forem utilizados com uma adequada análise de riscos e uma boa compreensão sobre gestão financeira Dessa forma as instituições financeiras digitais enfrentam o desafio de unir a facilidade de acesso a sistemas de proteção e aconselhamento assegurando que a concessão de crédito não prejudique a saúde financeira de seus usuários A poupança possibilita lidar com situações inesperadas e alcançar metas de longo prazo ao passo que serviços apropriados oferecem oportunidades para o desenvolvimento de habilidades e autoconfiança na administração dos recursos Iniciativas de educação financeira como a Estratégia Nacional de Educação Financeira têm um papel crucial ao incentivar decisões informadas consolidando a sustentabilidade financeira como uma meta viável e palpável para as pessoas 11 A educação financeira oferece as bases necessárias para que os indivíduos entendam os princípios de orçamento economia investimento e crédito permitindo lhes fazer escolhas mais conscientes e sensatas onde a gestão financeira se transforma em uma ferramenta para obter além da estabilidade também independência e liberdade econômica Robles 2025 24 Risco de aumento do endividamento O empréstimo ágil e descomplicado proporcionado por instituições financeiras digitais pode estimular um comportamento irresponsável entre os consumidores principalmente entre aqueles que possuem menos conhecimento sobre finanças Friedman 1968 aponta para os perigos do crédito abusivo sobretudo na ausência de supervisão apropriada o que pode levar a crises financeiras e a um nível elevado de endividamento A facilidade de obtenção de crédito apesar de ser uma ferramenta significativa para expandir as chances financeiras pode gerar complicações se não houver uma educação financeira apropriada e uma avaliação cuidadosa do perfil de risco do cliente Caso não tenha um planejamento financeiro as pessoas podem contrair débitos além do que conseguem arcar prejudicando sua segurança financeira e causando problemas no futuro Os bancos digitais vêm mostrando um rápido crescimento conquistando milhões de usuários em um curto período contudo o crescimento acelerado na quantidade de clientes e a simplicidade na obtenção de produtos financeiros podem acarretar riscos principalmente quando os consumidores não se sentem prontos para gerenciar diversos tipos de crédito de maneira adequada O acúmulo de dívidas gera graves repercussões afetando tanto a pessoa que pode até chegar a extremos como o suicídio quanto a estabilidade financeira das organizações Borsato et al 2009 afirmam que devido ao consumo desenfreado diversas pessoas acabam contraindo dívidas o que consome uma parte considerável de suas receitas e em muitas situações leva à inadimplência por não conseguirem honrar seus compromissos financeiros O endividado portanto é uma pessoa que faz compromissos financeiros sem uma compreensão clara de sua capacidade de quitação sendo classificado em ativo que acumula dívidas repetidamente devido a eventos inesperados o sobrecarregado 12 que enfrenta várias obrigações financeiras ao mesmo tempo em diferentes formas de crédito e o passivo cuja condição resulta de ocorrências imprevistas como problemas de saúde perda de emprego separação ou morte de parentes Lucena et al 2014 Zerrener 2007 destaca que uma pessoa com dívidas ou que enfrenta dificuldades financeiras tornase mais suscetível a situações adversas na vida como enfermidades separações e perda de emprego o que pode em casos extremos resultar na incapacidade de honrar suas responsabilidades e até na busca pelo suicídio 25 Comportamento do cliente e educação financeira A inquietação expressa por Friedman 1968 a respeito dos perigos do excesso de crédito se torna ainda mais complicada no contexto dos bancos digitais uma vez que a conveniência e a rapidez na aquisição de crédito que são traços distintivos dessas instituições podem intensificar comportamentos que resultam em dívidas Entender a maneira como esses sistemas se relacionam pode esclarecer os processos psicológicos que conduzem ao uso compulsivo e possivelmente à acumulação de dívidas Promoções imediatas e procedimentos descomplicados intensificam o apelo ao consumo imediato enquanto a satisfação rápida pode diminuir a consideração das cláusulas contratuais Abordagens educacionais e normativas podem ser implementadas para promover uma avaliação criteriosa e diminuir a tendência ao endividamento buscando um equilíbrio entre a facilidade de acesso e a responsabilidade financeira Pesquisas recentes mostram que o acesso facilitado ao crédito em instituições financeiras digitais e fintechs está relacionado a uma maior chance de pessoas se endividarem o que pode incluir situações de endividamento excessivo Correa e Coletta 2024 destacam que enquanto o crédito digital contribui para a maior inclusão financeira ele pode também promover um uso desmedido e desordenado dos recursos elevando os riscos de afetar negativamente a saúde financeira dos usuários Ademais o estudo revela que a educação financeira desempenha um papel crucial no manejo dessas obrigações visto que a falta de competências essenciais em administração financeira favorece escolhas de consumo que não são sustentáveis Correa e Coletta 2024 ressaltam que pessoas que não possuem uma compreensão adequada sobre orçamento e administração de crédito enfrentam mais desafios em 13 cumprir com suas responsabilidades financeiras o que pode resultar em efeitos duradouros e prejudicar metas financeiras de longo prazo Nesse contexto Correa e Coletta 2024 propõem a implementação conjunta de políticas regulatórias e programas educacionais buscando harmonizar o acesso ao crédito e as medidas de proteção ao consumidor A introdução de cursos sobre educação financeira nas escolas e a fomento de hábitos de empréstimo consciente são consideradas abordagens fundamentais para diminuir os perigos de endividamento excessivo e incentivar a saúde financeira no contexto digital 3 DADOS COLETADOS No Brasil o setor bancário evoluiu desde a fundação do primeiro banco em 1808 porém foi com a disseminação da internet e dos smartphones que os bancos digitais se destacaram e assumiram um papel central sendo estimulada pela ampla disseminação da internet e de aparelhos móveis além de um contexto regulatório que favorece as fintechs Entidades como Nubank Inter C6 Bank e Neon se destacam no mercado cada uma oferecendo um valor distinto No entanto elas têm em comum aspectos como a eliminação de taxas ou a cobrança de tarifas baixas procedimentos descomplicados para a criação de contas e requisição de serviços além de priorizarem uma experiência do usuário centrada em ambientes digitais A praticidade e a usabilidade percebidas juntamente com a sensação de segurança e proteção de dados influenciam favoravelmente a adoção dos serviços de bancos digitais pelos usuários A rivalidade entre instituições financeiras virtuais e convencionais tem aumentado especialmente após a pandemia A Tabela 1 demonstra as principais distinções entre esses dois tipos de instituições bancárias Característica Bancos Tradicionais Bancos Digitais Agências Físicas Ampla rede de agências Ausência de agências físicas Taxas e Tarifas Geralmente mais altas Geralmente mais baixas ou inexistentes 14 Abertura de Conta Processo mais burocrático pode exigir presença física Processo simplificado totalmente online Atendimento ao Cliente Agências telefone online Predominantemente online chatbots email telefone Foco em Tecnologia Adoção gradual de tecnologia Tecnologia como pilar central da operação Tabela 1 Comparação de Características Bancos Tradicionais e Bancos Digitais Realizada pelo autor O Banco Central do Brasil introduziu normas destinadas a promover a concorrência e a inovação no mercado financeiro incluindo a formação de várias categorias legais para fintechs a criação de um ambiente regulatório chamado Sandbox a adoção do Open Banking e a implementação do sistema de pagamentos instantâneos conhecido como PIX ajudando assim a diminuir os obstáculos para acessar o mercado financeiro A atuação ativa do BCB na diminuição de barreiras e ampliação do acesso a serviços financeiros é essencial para a democratização mas de forma involuntária cria um cenário onde o aumento das dívidas pode ocorrer se não houver uma harmonização adequada com dispositivos de proteção ao consumidor e iniciativas de educação financeira Com a introdução do PIX mais de 70 milhões de pessoas efetuaram sua primeira transação digital e a proporção de indivíduos sem conta bancária caiu de 29 no começo de 2020 para apenas 16 atualmente Banco Central do Brasil o que mostra que investimentos tecnológicos quando acessíveis a população podem proporcionar um aquecimento na economia O crescimento da proporção da renda comprometida aliado a uma possível diminuição na renda e ao aumento do desemprego pode sugerir uma dificuldade em conseguir crédito resultando na adesão a empréstimos de menor valor e com taxas mais elevadas SERASA Isso aponta para uma fragilidade estrutural na base da pirâmide financeira onde pessoas com renda reduzida apesar de possuírem uma dívida total menor lidam com um fardo desigual de dívidas de elevado custo Pilar Indicadores Chave Descrição Gestão de dívidas Taxa de Comprometimento de Renda Taxa de Inadimplência Capacidade de honrar compromissos financeiros sem comprometer o bem 15 Diversidade e Custo do crédito estar e de usar o crédito de forma prudente Capacidade de Poupança Taxa de Poupança Existência de Reserva de Emergência Investimentos de Longo Prazo Habilidade de acumular recursos para o futuro para imprevistos e para a realização de objetivos Acesso a Serviços Financeiros Adequados Bancarização Acesso a Crédito Responsável Diversidade de Produtos Financeiros seguros investimentos Disponibilidade e utilização de produtos e serviços financeiros que atendam às necessidades do indivíduo e promovam seu bemestar Tabela 2 Pilares e Indicadores da Sustentabilidade Financeira Individual Realizada pelo autor A tabela 2 é essencial para organizar a avaliação da sustentabilidade financeira oferecendo uma estrutura precisa para analisar o efeito dos bancos digitais pois facilita o entendimento dos diversos elementos que compõem a sustentabilidade indo além da mera questão do endividamento e ilustra como cada componente pode ser influenciado pelo modelo de operação dos bancos digitais Período Número de Inadimplentes milhões Variação Mensal Faixa Etária 4160 anos Faixa Etária 2640 anos Valor Médio Acordo R Março25 757 102 351 340 714 Fevereiro 25 750 054 351 340 698 Janeiro25 746 148 351 340 676 Tabela 3 Evolução da Inadimplência no Brasil Dados Serasa Realizada pelo autor A Tabela 3 mostra como a inadimplência tem evoluído no Brasil segundo informações da Serasa evidenciando a continuidade e a ampliação desse desafio Informações da Serasa indicam a gravidade da questão da inadimplência no Brasil sendo que em março de 2025 a quantidade de pessoas inadimplentes no país atingiu 16 757 milhões representando um crescimento de 102 em relação a fevereiro desse mesmo ano Os parâmetros para reconhecer um endividamento problemático englobam a inadimplência atrasos que ultrapassam 90 dias um comprometimento da renda mensal superior a 50 para quitar dívidas a exposição a diversas formas de crédito com alto juros como cheque especial empréstimos pessoais não consignados e crédito rotativo e uma renda disponível mensal após o pagamento das obrigações que fique abaixo do limite de pobreza 4 RESULTADO E DISCUSSÃO O crescimento dos bancos digitais no Brasil impulsionado pela disseminação da internet pela ampla utilização de smartphones e por iniciativas regulatórias como o Open Banking e o PIX levou a uma considerável inclusão financeira Isso é demonstrado pela redução do número de pessoas sem conta bancária e pelo elevado volume de transações iniciais realizadas por meio de plataformas eletrônicas Enquanto bancos como Nubank Inter C6 e Neon estabeleceram ofertas focadas na facilidade de uso tarifas baixas e processos simplificados para abertura de contas evidenciam que esses modelos são capazes de ultrapassar obstáculos geográficos e burocráticos ampliando o acesso ao sistema financeiro formal A junção das características dos bancos digitais como limites amplos facilidade para dividir pagamentos e baixo nível de complicações junto com dados concretos sobre endividamento problemático indica uma conexão significativa entre a facilidade de acessar crédito e a chance de enfrentar dificuldades financeiras insustentáveis o que sugere a criação de produtos de crédito digital deve incluir mecanismos de proteção ou estímulos que incentivem o empréstimo consciente ao invés de confiar exclusivamente na autorregulação do usuário A avaliação das informações mostra que apesar de os tipos de crédito com taxas elevadas como o rotativo do cartão e o cheque especial constituírem uma parte reduzida do total de crédito disponível eles têm um impacto desproporcional nas taxas de inadimplência Os bancos digitais geralmente disponibilizam esses produtos de maneira bastante simples o que pode afetar a saúde financeira da pessoa As informações relacionadas à vulnerabilidade financeira revelam riscos interligados pois a elevação na porcentagem de renda destinada ao pagamento de 17 dívidas a tendência de procurar créditos menores com custos mais altos e os índices de inadimplência que atingiram níveis elevados em 2025 indicam que uma maior inclusão financeira pode coexistir com um aumento do endividamento excessivo particularmente entre indivíduos de baixa renda que utilizam produtos de crédito com taxas de juros altas As características funcionais dos bancos digitais revelam a razão pela qual foram rapidamente aceitos e apresentam uma tendência maior a escolhas impulsivas Nesse contexto a estrutura da plataforma e os estímulos comerciais se combinam com preconceitos comportamentais e fatores socioeconômicos resultando em impactos variados na saúde financeira dos clientes Ao comparar os resultados com a hipótese apresentada podemos apontar que o modelo de negócio dos bancos digitais desempenha um papel significativo na democratização do acesso a serviços financeiros No entanto também intensifica determinados riscos que na ausência de uma educação financeira adequada e de mecanismos institucionais para mitigação podem prejudicar a saúde financeira das pessoas 5 CONCLUSÃO Portanto os objetivos estabelecidos foram atingidos de maneira eficaz possibilitando uma avaliação crítica sobre a forma como o modelo de negócios das instituições financeiras digitais impacta a saúde financeira dos clientes O problema da pesquisa também foi respondido de forma satisfatória através da análise dos dados coletados A questão foi abordada ao mostrar que a expansão do acesso a crédito e serviços financeiros constitui um progresso importante na inclusão econômica mas também apresenta riscos se não for acompanhada por uma educação financeira apropriada o que levou a confirmação da hipótese levantada pois ficou claro que os bancos digitais apesar de promoverem a democratização do sistema financeiro podem estimular comportamentos de consumo desenfreado e afetar a estabilidade financeira individual O estudo revelou que a ascensão dos bancos digitais catalisada por inovações como o PIX e o Open Banking está mudando o panorama do sistema financeiro no Brasil tornandoo mais acessível e competitivo Contudo a elevação da inadimplência 18 e a redução da renda mostradas em informações recentes sinalizam que a oferta de crédito sem a devida orientação educacional e supervisão regulamentar pode intensificar o endividamento Diante dos dados pesquisados deixamos como sugestão a necessidade de implementar políticas públicas que promovam a alfabetização financeira desde o ensino fundamental incorporando o uso consciente do crédito digital nos conteúdos escolares Recomendase também a evolução da regulamentação das fintechs focando na clareza das tarifas e dos limites de crédito além de incentivar o desenvolvimento de mecanismos que acompanhem os hábitos financeiros dos clientes Pesquisas futuras têm o potencial de ampliar a investigação acerca das consequências psicológicas e comportamentais relacionadas ao uso digital ajudando na criação de um ambiente financeiro mais sustentável e harmônico e sendo assim deixamos em aberto a possibilidade da continuação desta pesquisa para acompanhar as constantes mudanças do mercado e do comportamento do consumidor REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE I J F de Avaliação de desempenho financeiro dos bancos digitais e dos bancos tradicionais 2019 Trabalho de Conclusão de Curso em Ciências Contábeis Universidade Federal da Paraíba João Pessoa BANCO CENTRAL DO BRASIL Caderno de Educação Financeira Brasília DF out 2013 Disponível em httpswwwbcbgovbrcontentcidadaniafinanceiradocumentoscidadania CuidandodoseudinheiroGestaodeFinancasPessoais cadernocidadaniafinanceirapdf Acesso em 01 maios 2025 BANCO CENTRAL DO BRASIL Endividamento de Risco no Brasil Atualização impacto no Sistema Financeiro Nacional e qualificação dos indicadores Série Cidadania Financeira n 8 2 ed Brasília DF nov 2023 Disponível em httpswwwbcbgovbrcontentcidadaniafinanceiradocumentoscidadania 19 seriecidadaniaseriecidadaniafinanceira8endividamentorisco2edpdf Acesso em 01 maios 2025 BANCO CENTRAL DO BRASIL Relatório de Cidadania Financeira Capítulo 2 Disponível em httpswwwbcbgovbrnorrelcidfincap02html Acesso em 01 maios 2025 BANCO CENTRAL DO BRASIL Relatório de Economia Bancária 2023 Brasília DF dez 2023 Disponível em httpswwwbcbgovbrcontentpublicacoesrelatorioeconomiabancariareb2023ppdf Acesso em 01 maios 2025 BORSATO Jaluza Maria Lima Silva et al Otimismo e excesso de confiança Um estudo do perfil comportamental dos indivíduos à luz das finanças comportamentais In XII SEMEAD 2009 São Paulo Empreendedorismo e Inovação 2009 CORDEIRO Joaquim Pedro de Vasconcelos Fintechs e inclusão financeira no Brasil uma abordagem Delphi 2019 Dissertação de Mestrado em Administração Pública Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas Rio de Janeiro CORRÊA Barbara COLETTA Carolina O acesso ao crédito em bancos digitais e fintechs aumenta a probabilidade de endividamento pessoal no Brasil Revista Ciências Administrativas v 30 p 113 2024 FERNANDES Miriane de Almeida Sustentabilidade financeira proposta de indicador de sustentabilidade financeira aplicável às micro e pequenas empresas 2011 Dissertação de Mestrado em Administração Faculdade Campo Limpo Paulista Campo Limpo Paulista SP FRIEDMAN Milton The Role of Monetary Policy The American Economic Review v 58 n 1 p 117 1968 20 FURTADO E de O Dinâmica competitiva entre bancos tradicionais e bancos digitais no Brasil uma perspectiva do cliente 2020 KEYNES John Maynard The General Theory of Employment Interest and Money London Macmillan 1936 LUCENA W G L L SANTOS J M A ASSIS J T SANTOS M C Fatores que influenciam o endividamento e a inadimplência no setor imobiliário da cidade de ToritamaPE à luz das finanças comportamentais Holos S l v 30 n 4 p 1084 dez 2014 DOI 1015628holos20141084 MIRANDA G M C B de As diferenças entre os níveis de satisfação dos consumidores de bancos tradicionais e de bancos digitais 2017 UniCEUB Brasília OZILI P K Impact of digital finance on financial inclusion and stability Borsa Istanbul Review v 18 n 4 p 329340 2018 PETROVA L A KUZNETSOVA T E EREMINA S A KALACHEV O A Digital bank of the future In International Scientific and Practical Conference Digital Economy and Finances ISPCDEF 2020 3 2020 Anais p 5760 DOI 102991aebmrk200423013 ROBLES Gislene A organização financeira como instrumento de autonomia econômica e crescimento sustentável uma análise sobre planejamento e investimento responsável RCMOS Revista Científica Multidisciplinar O Saber São Paulo v 5 n 1 jan Jul 2025 SANTIAGO Mariana Ribeiro ZANETONI Jaqueline de Paula Leite VITA Jonathan Barros Inclusão financeira inovação e promoção ao desenvolvimento social e econômico através do PIX Revista Jurídica Unicuritiba Curitiba v 4 n 61 p 123152 out Dez 2020 21 SCHUMPETER Joseph A The Theory of Economic Development An Inquiry into Profits Capital Credit Interest and the Business Cycle Cambridge MA Harvard University Press 1911 SERASA Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas no Brasil 2025 Disponível em httpswwwserasacombrlimpanomeonlineblogmapada inadimplenciaerenogociacaodedividasnobrasil Acesso em 02 maios 2025 ZERRENNER Sabrina Arruda Estudo sobre as razões para o endividamento da população de baixa renda 2007 Dissertação Mestre em ciências Administrativas Universidade de São Paulo São Paulo 2007
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UNIVERSIDADE PAULISTA INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E COMUNICAÇÃO ICSC CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS PROJETO DE PESQUISA BANCOS DIGITAIS NO BRASIL O MODELO DE NEGÓCIO FAVORECE OU DIFICULTA A SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA DE SEUS USUÁRIOS CAMPINAS SP 2025 ALUNO X RA X PROJETO DE PESQUISA BANCOS DIGITAIS NO BRASIL O MODELO DE NEGÓCIO FAVORECE OU DIFICULTA A SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA DE SEUS USUÁRIOS Projeto de pesquisa apresentado como exigência para a disciplina de Economia Contemporânea do curso de Ciências Econômicas da Universidade Paulista sob a orientação do professor X CAMPINAS SP 2025 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO4 2 OBJETIVO5 21 PROBLEMA5 22 HIPÓTESE5 3 REFERENCIAL TEÓRICO6 31 ASPECTOS DOS BANCOS DIGITAIS NO BRASIL6 32 DEMOCRATIZAÇÃO FINANCEIRA7 33 SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA INDIVIDUAL8 34 RISCO DE AUMENTO DO ENDIVIDAMENTO11 35 COMPORTAMENTO DO CLIENTE E EDUCAÇÃO FINANCEIRA13 4 METODOLOGIA16 5 JUSTIFICATIVA17 6 CRONOGRAMA DE ATIVIDADES18 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS19 ANEXO I PLANO DE TRABALHO22 1 INTRODUÇÃO Este projeto de pesquisa apresenta as demarcações referentes à pesquisa que será realizada tendo em vista as exigências do curso de bacharelado em Ciências Econômicas da Universidade Paulista O estudo aqui sugerido buscará analisar a questão da sustentabilidade financeira individual O foco não se limita a saber se os indivíduos têm acesso a serviços financeiros mas se esse acesso os capacita a gerenciar seus recursos de forma eficaz para atender às suas necessidades presentes e futuras resistir a choques financeiros inesperados e alcançar objetivos de vida de longo prazo A compreensão da sustentabilidade financeira individual é crucial pois o sucesso da bancarização digital não deve ser medido apenas pelo número de contas abertas mas pela melhoria duradoura da saúde financeira e da resiliência dos usuários A pesquisa busca portanto investigar se o modelo de negócio dos bancos digitais favorece ou dificulta essa sustentabilidade 4 2 OBJETIVO Analisar se o modelo de negócio adotado pelos bancos digitais favorece ou dificulta a sustentabilidade financeira de seus usuários considerando suas estratégias de acessibilidade oferta de crédito estrutura de tarifas e relação com o comportamento financeiro dos clientes Para isso serão abordados temas como a proposta de valor dos bancos digitais e sua atuação na inclusão financeira facilidades e desafios do crédito digital os mecanismos utilizados para incentivar o consumo via plataformas digitais e os impactos regulatórios sobre essas instituições Também será realizada uma comparação com bancos tradicionais buscando avaliar se os diferenciais operacionais e comerciais dos bancos digitais contribuem efetivamente para a saúde financeira dos usuários ou se geram riscos adicionais de instabilidade econômica pessoal 21 PROBLEMA Esta pesquisa busca contribuir para o entendimento e formulação da resposta ao seguinte problema O modelo de negócio dos bancos digitais favorece ou dificulta a sustentabilidade financeira de seus usuários 22 HIPÓTESE A hipótese a ser explorada parte do pressuposto de que o modelo de negócio dos bancos digitais ao promover a inclusão e o acesso facilitado ao crédito oferece oportunidades para a democratização financeira mas na ausência de educação financeira adequada e mecanismos de gestão de risco eficazes pode comprometer a sustentabilidade financeira dos usuários levando ao endividamento excessivo Essa hipótese explora a ideia de que a facilidade de acesso ao crédito nos bancos digitais muitas vezes sem a necessidade de agências físicas ou uma análise criteriosa pode levar os consumidores a assumir dívidas que não conseguem pagar aumentando assim o risco de endividamento Além disso o modelo de negócios de muitos bancos digitais que frequentemente oferecem limites de crédito generosos e facilidades de parcelamento pode incentivar o uso excessivo do crédito especialmente em uma cultura de consumo instantâneo Ademais levanta a questão de que sem uma educação financeira adequada o consumidor pode não entender plenamente os custos envolvidos como juros e taxas o que pode resultar em dívidas acumuladas e problemas financeiros O aumento da oferta de crédito pode assim ser visto mais como um fator de risco do que uma oportunidade para muitos usuários 5 3 REFERENCIAL TEÓRICO 31 ASPECTOS DOS BANCOS DIGITAIS NO BRASIL Um banco digital é uma instituição financeira que opera predominantemente ou exclusivamente por meio de canais digitais como aplicativos móveis e plataformas online sem a necessidade de agências físicas Essa característica fundamental os diferencia dos bancos tradicionais O conceito de fintech tecnologia financeira está intrinsecamente ligado ao surgimento e desenvolvimento dos bancos digitais representando a aplicação de tecnologia para inovar e otimizar a oferta de serviços financeiros No Brasil o sistema bancário passou por uma evolução desde o surgimento do primeiro banco em 1808 mas foi com a popularização da internet e dos smartphones que os bancos digitais ganharam força e se tornaram protagonistas O crescimento desses bancos no país tem sido notável nos últimos anos impulsionado pela alta penetração da internet e de dispositivos móveis bem como por um ambiente regulatório favorável às fintechs Instituições como Nubank Inter C6 Bank e Neon são exemplos proeminentes cada uma com uma proposta de valor única mas compartilhando características como a ausência de taxas ou tarifas reduzidas processos simplificados para abertura de contas e solicitação de serviços e uma experiência de usuário focada em plataformas digitais A conveniência e a facilidade de uso percebida aliadas à percepção de segurança e privacidade impactam positivamente a aceitação dos bancos digitais pelos consumidores A concorrência entre bancos virtuais e tradicionais tem se intensificado especialmente no período póspandêmico A Tabela 1 ilustra as principais diferenças entre esses dois modelos bancários Característica Bancos Tradicionais Bancos Digitais Agências Físicas Ampla rede de agências Ausência de agências físicas Taxas e Tarifas Geralmente mais altas Geralmente mais baixas ou inexistentes Abertura de Conta Processo mais burocrático pode exigir presença física Processo simplificado totalmente online Atendimento ao Cliente Agências telefone online Predominantemente online chatbots email telefone Foco em Adoção gradual de tecnologia Tecnologia como pilar central da 6 Tecnologia operação Tabela 1 Comparação de Características Bancos Tradicionais e Bancos Digitais O suporte regulatório por parte do Banco Central do Brasil BCB tem sido um fator crucial para o desenvolvimento dos bancos digitais O BCB implementou regulações que visam estimular a competição e a inovação no setor financeiro como a criação de diferentes tipos de entidades jurídicas para fintechs Sociedade de Crédito Direto SCD e Instituição de Pagamento IP o estabelecimento do Sandbox regulatório a implementação do Open Banking e o lançamento do sistema de pagamentos instantâneos PIX Essas medidas contribuíram para reduzir as barreiras de entrada no mercado financeiro permitindo o surgimento de novos players e fomentando um ambiente mais competitivo É importante notar que a regulação ao mesmo tempo em que catalisa a inovação e o crescimento também pode criar condições para o surgimento de desafios A abordagem proativa do BCB em reduzir a fricção e aumentar o acesso a serviços financeiros embora fundamental para a democratização inadvertidamente estabelece um ambiente onde o endividamento excessivo pode se manifestar se não houver um equilíbrio adequado com mecanismos de proteção ao consumidor e educação financeira Assim a capacidade regulatória futura deve ser ágil o suficiente para continuar promovendo a inovação ao mesmo tempo em que aborda proativamente os riscos sistêmicos emergentes especialmente aqueles relacionados à saúde financeira dos consumidores 32 DEMOCRATIZAÇÃO FINANCEIRA Sob a ótica dos clássicos da economia como Schumpeter 1911 a inovação financeira é vista como um motor essencial para o desenvolvimento econômico capaz de promover eficiência e inclusão Para Keynes 1936 o crédito possui um papel fundamental na dinâmica econômica especialmente na promoção de investimentos produtivos A democratização financeira no contexto brasileiro referese ao esforço para ampliar o acesso a serviços financeiros de qualidade para todos os segmentos da sociedade com foco especial na inclusão de indivíduos historicamente excluídos ou mal atendidos pelo sistema financeiro tradicional Essa democratização vai além da simples bancarização abrangendo o acesso a uma gama completa de produtos e serviços financeiros como pagamentos transferências poupança crédito e investimentos A tecnologia e em particular os bancos digitais tem desempenhado um papel fundamental nesse processo Os bancos digitais facilitam a inclusão financeira de diversas maneiras A ausência de agências físicas e a simplificação dos processos de abertura de contas eliminam barreiras 7 geográficas e burocráticas permitindo que indivíduos em áreas remotas ou com menor familiaridade com processos tradicionais acessem serviços financeiros A oferta de serviços com baixas taxas ou isentos de tarifas torna os bancos digitais mais acessíveis para a população de baixa renda Além disso a utilização de tecnologias como aplicativos móveis intuitivos e plataformas online fáceis de usar contribui para uma experiência do usuário mais agradável e acessível A facilidade de abrir uma conta corrente de maneira digital e gerenciá la sem custos tem o potencial de incluir financeiramente milhões de brasileiros desbancarizados Os bancos digitais têm sido bemsucedidos em alcançar populações previamente desbancarizadas ou mal atendidas Após o lançamento do PIX sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central oferecendo transferências rápidas gratuitas e disponíveis 24 horas por dia 7 dias por semana mais de 70 milhões de clientes realizaram sua primeira transferência digital e a parcela da população sem conta bancária diminuiu significativamente de 29 no início de 2020 para apenas 16 atualmente Um estudo do Centre for Economics and Business Research no Reino Unido mostrou que o Brasil avançou 14 posições no ranking global de inclusão financeira entre 2022 e 2023 impulsionado por serviços digitais especialmente o PIX O conceito de democratização financeira está intimamente ligado ao acesso mais amplo a instrumentos financeiros como crédito que antes eram limitados a uma parcela restrita da população A possibilidade de acesso fácil e rápido a produtos financeiros exige uma reflexão sobre os limites e cuidados no uso dessas ferramentas 33 SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA INDIVIDUAL A sustentabilidade financeira individual é um conceito abrangente que vai além da simples posse de uma conta bancária ou acesso a crédito Ela se refere à capacidade de um indivíduo ou família de gerenciar seus recursos financeiros de forma eficaz para atender às necessidades presentes e futuras resistir a choques financeiros inesperados e alcançar objetivos de vida de longo prazo Não se trata apenas de ter acesso a serviços mas de usálos de forma prudente para construir resiliência e bemestar financeiro Os pilares da sustentabilidade financeira individual conforme detalhado em relatórios do Banco Central do Brasil abrangem a gestão de dívidas a capacidade de poupança e o acesso a serviços financeiros adequados 1 Gestão de Dívidas O crédito embora seja um instrumento que pode suavizar o consumo ao longo do tempo permitindo o uso de recursos no presente com a expectativa de 8 pagamento futuro deve ser adequado ao perfil às necessidades específicas e à capacidade de pagamento de cada indivíduo para ser sustentável Quando essa adequação não ocorre os níveis de endividamento e comprometimento de renda podem exceder o limite financeiramente gerenciável levando à inadimplência O cartão de crédito nas modalidades à vista e parcelado lojista sem juros das instituições financeiras é o produto de crédito mais utilizado pelos brasileiros No entanto o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial apesar de serem as modalidades com as taxas de juros mais altas também estão entre as mais utilizadas em termos de quantidade de tomadores A praticidade desses instrumentos de crédito préaprovado pode ser um fator para sua alta utilização Em relação ao comprometimento de renda a parcela da renda destinada ao pagamento de juros e amortização de dívidas houve uma redução geral entre 2015 e 2017 para todas as faixas de renda dos tomadores de crédito pessoa física Contudo a faixa de renda de até 1 salário mínimo foi a única a registrar um aumento no comprometimento de renda entre 2016 e 2017 passando de 236 para 252 Embora o endividamento total para essa faixa tenha caído de 743 para 518 o aumento do comprometimento de renda juntamente com uma provável queda na renda e o aumento do desemprego pode indicar uma dificuldade em obter crédito levando à contratação de créditos de menor montante e mais caros Isso revela uma vulnerabilidade estrutural na base da pirâmide financeira onde indivíduos de baixa renda mesmo com menor dívida total enfrentam um ônus desproporcional de dívidas de alto custo Os bancos digitais ao expandir o acesso a essa demografia devem implementar avaliações de risco robustas e educação financeira adaptada para evitar que esses usuários caiam em armadilhas de dívidas caras o que minaria diretamente sua sustentabilidade financeira A inadimplência que se configura quando o pagamento da dívida entra em atraso de forma persistente diminuiu para quase todas as faixas de renda no período observado acompanhando a queda no comprometimento de renda A exceção foi a faixa de até 1 salário mínimo que passou a ter o maior percentual de inadimplência O rotativo do cartão de crédito que representa apenas 2 do saldo das operações de crédito corresponde a 208 da carteira inadimplente reforçando a necessidade de educação financeira para alertar sobre os riscos do uso inadequado 2 Capacidade de Poupança Poupar é fundamental para a resiliência financeira permitindo que as pessoas enfrentem imprevistos com maior tranquilidade e acumulem recursos para 9 alcançar seus objetivos A educação financeira é vista como uma ferramenta importante para estimular o hábito de poupar e a gestão sustentável dos recursos Dados do Global Findex de 2017 indicam que o percentual de brasileiros que poupam aumentou de 28 em 2014 para 32 em 2017 Apesar do aumento o número ainda é considerado baixo e a principal razão declarada pela maioria dos brasileiros para não poupar é a falta de dinheiro 87 No entanto a variação na porcentagem de poupadores entre países com renda per capita semelhante é grande sugerindo que a renda não é o único fator determinante cultura educação comunicação e instrumentos de poupança também influenciam A capacidade de poupança é portanto um indicador de resiliência que vai além da simples renda sendo influenciada por fatores comportamentais e educacionais Bancos digitais com suas interfaces amigáveis e serviços de baixo custo têm uma oportunidade única de incentivar hábitos de poupança por meio de funcionalidades como gamificação poupança automatizada e educação financeira personalizada contribuindo assim para a sustentabilidade financeira dos usuários 3 Acesso a Serviços Financeiros Adequados A cidadania financeira pressupõe que o cidadão tenha acesso a serviços financeiros que se adequem às suas necessidades e que tenha a oportunidade de desenvolver capacidades e autoconfiança para gerenciar bem seus recursos financeiros A educação financeira é vista como um pilar para estimular a poupança e a gestão de finanças pessoais A Estratégia Nacional de Educação Financeira Enef instituída em 2010 visa fortalecer a cidadania a eficiência e a solidez do sistema financeiro nacional promovendo a tomada de decisões conscientes pelos consumidores A Tabela 2 sintetiza os pilares e indicadores que serão utilizados para avaliar a sustentabilidade financeira individual no contexto deste estudo Pilar Indicadores Chave Descrição Gestão de dívidas Taxa de Comprometimento de Renda Taxa de Inadimplência Diversidade e Custo do crédito Capacidade de honrar compromissos financeiros sem comprometer o bem estar e de usar o crédito de forma prudente Capacidade de Poupança Taxa de Poupança Existência de Reserva de Emergência Investimentos de Longo Prazo Habilidade de acumular recursos para o futuro para imprevistos e para a realização de objetivos Acesso a Serviços Bancarização Acesso a Crédito Responsável Diversidade de Disponibilidade e utilização de produtos e serviços financeiros que 10 Financeiros Adequados Produtos Financeiros seguros investimentos atendam às necessidades do indivíduo e promovam seu bemestar Tabela 2 Pilares e Indicadores da Sustentabilidade Financeira Individual Esta tabela é fundamental para estruturar a análise da sustentabilidade financeira fornecendo um framework claro para avaliar o impacto dos bancos digitais Ela permite que se compreendam os múltiplos aspectos da sustentabilidade além do simples endividamento e como cada pilar pode ser afetado pelo modelo de negócio dos bancos digitais 34 RISCO DE AUMENTO DO ENDIVIDAMENTO Friedman 1968 alerta para os riscos do crédito excessivo especialmente quando não acompanhado por controles adequados o que pode resultar em crises econômicas e endividamento excessivo Pesquisas indicam que o crédito rápido e simplificado oferecido por bancos digitais pode incentivar o uso irresponsável por parte dos consumidores especialmente aqueles com menor alfabetização financeira Lopes e Martins 2022 Além disso o crédito fácil pode se tornar um problema quando a concessão não é acompanhada de mecanismos adequados de educação financeira e de avaliação do perfil de risco dos tomadores Carvalho e Pereira 2020 O Brasil é um dos países onde os bancos digitais têm experimentado um crescimento mais rápido com instituições como Nubank Banco Inter e C6 Bank alcançando milhões de clientes em poucos anos Esse fenômeno é frequentemente visto como um movimento positivo em direção à democratização financeira mas também gera preocupações quanto ao risco de endividamento desenfreado Ferreira et al 2023 No livro O Cartão de Crédito e a Revolução do Dinheiro André Silres 2022 explora como a diversidade de tipos de crédito no histórico financeiro de um indivíduo pode afetar positivamente sua pontuação de crédito e consequentemente sua saúde financeira geral Ele argumenta que ter uma variedade de instrumentos de crédito como cartões de crédito empréstimos e financiamentos pode demonstrar a capacidade de gerenciar diferentes obrigações financeiras o que contribui para a construção de um perfil financeiro robusto Essa prática pode de fato resultar em benefícios como melhores condições para acesso a novos créditos e taxas de juros mais baixas uma vez que as agências de crédito consideram a diversidade e o bom gerenciamento de dívidas como indicativos de um comportamento financeiro responsável 11 Entretanto o autor também alerta para os riscos da utilização indiscriminada do crédito A facilidade de acesso a diferentes tipos de crédito que caracteriza o modelo de negócio dos bancos digitais pode criar uma falsa sensação de segurança financeira levando os consumidores a contraírem dívidas sem considerar suas reais capacidades de pagamento Esse comportamento pode resultar no aumento do consumo e eventualmente no endividamento excessivo com sérias consequências tanto para o indivíduo quanto para a economia como um todo A diversidade de crédito embora vantajosa quando bem gerida pode se transformar em um fardo financeiro quando mal administrada o que se reflete diretamente no aumento do risco de inadimplência e na deterioração do perfil financeiro do consumidor André 2022 Dados da Serasa revelam a dimensão do problema da inadimplência no Brasil Em março de 2025 o número de inadimplentes no país cresceu para 757 milhões um aumento de 102 em comparação com fevereiro do mesmo ano A faixa etária de 41 a 60 anos representa a maior parte dos inadimplentes 351 seguida pelas faixas de 26 a 40 anos 34 e acima de 60 anos 192 O valor médio dos acordos de renegociação de dívidas realizados na plataforma Serasa Limpa Nome foi de R 714 com mais de R 1775 bilhões em descontos concedidos A Tabela 3 apresenta a evolução da inadimplência no Brasil com base nos dados da Serasa demonstrando a persistência e o crescimento do problema Período Número de Inadimplentes milhões Variação Mensal Faixa Etária 4160 anos Faixa Etária 26 40 anos Valor Médio Acordo R Março25 757 102 351 340 714 Fevereiro25 750 054 351 340 698 Janeiro25 746 148 351 340 676 Tabela 3 Evolução da Inadimplência no Brasil Dados Serasa O Banco Central do Brasil em seu estudo Endividamento de Risco no Brasil identificou que em março de 2023 havia 151 milhões de indivíduos em situação de endividamento de risco representando 142 da população tomadora de crédito no Sistema Financeiro Nacional SFN Isso marcou um aumento de 43 pontos percentuais em comparação com março de 2021 Os critérios para identificar o endividamento de risco incluem inadimplência atrasos superiores a 90 dias comprometimento da renda mensal com 12 o pagamento de dívidas acima de 50 exposição simultânea a múltiplas modalidades de crédito de alto custo cheque especial crédito pessoal não consignado rotativo e renda disponível mensal após o pagamento das dívidas abaixo da linha de pobreza O Relatório de Economia Bancária 2023 do BCB também aponta que o crescimento do crédito no SFN desacelerou em 2023 devido aos efeitos da política monetária restritiva e ao aumento da inadimplência Para pessoas físicas a inadimplência aumentou até meados do segundo trimestre impulsionada por modalidades de crédito livre de alto custo embora tenha recuado na segunda metade do ano A combinação do modelo de negócios dos bancos digitais com limites generosos facilidade de parcelamento e baixa fricção e as evidências empíricas de endividamento de risco sugerem uma forte ligação entre a facilidade de obtenção de crédito e a probabilidade de cair em uma situação de endividamento insustentável Isso indica que o design dos produtos de crédito digital precisa incorporar salvaguardas ou incentivos que promovam o empréstimo responsável em vez de depender apenas da autorregulação do consumidor Além disso a análise dos dados revela que embora as modalidades de crédito de alto custo como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial representem uma parcela menor do saldo total de crédito elas contribuem desproporcionalmente para a inadimplência Os bancos digitais frequentemente oferecem esses produtos com grande facilidade Isso sugere que o tipo de crédito facilitado pelos bancos digitais e não apenas o volume é um fator crítico que compromete a sustentabilidade financeira Portanto reguladores e bancos digitais devem focar na mitigação dos riscos associados a esses produtos de alto custo talvez por meio de critérios de elegibilidade mais rigorosos avisos mais claros ou a oferta de alternativas de menor custo 35 COMPORTAMENTO DO CLIENTE E EDUCAÇÃO FINANCEIRA A preocupação levantada por Friedman 1968 sobre os riscos do crédito excessivo ganha contornos ainda mais complexos no cenário dos bancos digitais A facilidade e a instantaneidade na obtenção de crédito características marcantes dessas instituições Lopes e Martins 2022 podem exacerbar tendências comportamentais que levam ao endividamento A análise dos fatores comportamentais que influenciam a tomada de decisões financeiras especialmente no contexto do crédito facilitado oferecido pelos bancos digitais pode ser enriquecida pela Teoria dos Dois Sistemas de Pensamento proposta por Daniel Kahneman 2011 em sua obra Rápido e Devagar Duas Formas de Pensar Segundo Kahneman nosso pensamento opera em dois sistemas distintos o Sistema 1 rápido intuitivo 13 e emocional e o Sistema 2 lento deliberativo e lógico Compreender como esses sistemas interagem pode lançar luz sobre os mecanismos psicológicos que levam ao uso impulsivo e potencialmente ao endividamento excessivo No ambiente dos bancos digitais a facilidade com que o crédito é oferecido pode levar a uma predominância do Sistema 1 no processo decisório A atratividade das ofertas instantâneas e a ausência de fricção no processo de contratação podem gerar uma resposta impulsiva sem que o Sistema 2 seja adequadamente engajado para avaliar os riscos e as consequências a longo prazo A sensação de dinheiro fácil e a gratificação imediata proporcionada pelo crédito podem obscurecer a necessidade de uma análise cuidadosa das condições contratuais e da real capacidade de pagamento A compreensão dos mecanismos cognitivos descritos por Kahneman 2011 tem implicações importantes para a formulação de estratégias de educação financeira e para a regulação do crédito digital Iniciativas de educação financeira podem ser mais eficazes se projetadas para engajar o Sistema 2 fornecendo ferramentas e informações que incentivem a análise deliberativa das decisões de crédito Da mesma forma as políticas regulatórias podem considerar os vieses comportamentais estabelecendo salvaguardas que ajudem a mitigar os riscos de decisões impulsivas e o endividamento excessivo Correa e Coletta 2024 investigaram a relação entre o acesso ao crédito em bancos digitais e fintechs e a probabilidade de endividamento pessoal no Brasil Os resultados do estudo evidenciaram que a facilidade de acesso ao crédito por meio de instituições financeiras digitais está positivamente associada à probabilidade de endividamento em diferentes níveis incluindo o risco de sobreendividamento e o sobreendividamento em si Além disso os autores também encontraram uma relação positiva entre alfabetização financeira e a probabilidade de endividamento sugerindo que a falta de habilidades básicas de gestão financeira contribui para o problema Esses achados corroboram a preocupação de que a facilidade de acesso ao crédito característica dos bancos digitais pode levar a um uso irresponsável e ao endividamento excessivo como discutido por Ferreira et al 2023 Correa e Coletta 2024 fornecem evidências empíricas de que essa relação existe no contexto brasileiro A pesquisa destaca que a falta de alfabetização financeira agrava esse problema pois indivíduos sem habilidades de orçamento e gestão de dívidas têm maior dificuldade em lidar com as consequências do crédito e com crises econômicas Correa e Coletta 2024 Isso reforça a importância da educação financeira como um fator crucial para mitigar os riscos do 14 endividamento no ambiente dos bancos digitais conforme já apontado por outros autores Carvalho e Pereira 2020 Silres 2022 Correa e Coletta 2024 enfatizam que a carência de conhecimentos financeiros pode levar a decisões de consumo insustentáveis endividamento excessivo e uso inadequado do crédito o que gera dificuldades financeiras prolongadas e prejudica a realização de objetivos financeiros de longo prazo Com base em suas descobertas sugerem que a gestão do acesso ao crédito deve ser cuidadosa independentemente do nível de alfabetização financeira dos consumidores para evitar altos níveis de endividamento e problemas financeiros a longo prazo Eles defendem a necessidade de políticas e regulações que promovam a inclusão financeira por meio do acesso ao crédito digital mas de forma que os indivíduos não sejam expostos a riscos excessivos de endividamento e inadimplência Os autores propõem a inclusão de disciplinas de alfabetização financeira na grade curricular do ensino médio e fundamental com metodologias que auxiliem no desenvolvimento do conhecimento e do senso crítico em relação ao crédito especialmente no contexto dos bancos digitais A questão do endividamento não pode ser atribuída exclusivamente à falta de educação do consumidor ou apenas à facilidade de crédito dos bancos É um problema sistêmico que surge da interação entre um modelo de negócios projetado para baixa fricção vieses comportamentais humanos inerentes e uma lacuna social na literacia financeira Isso implica uma responsabilidade compartilhada entre consumidores instituições financeiras e órgãos reguladores Soluções eficazes para promover a sustentabilidade financeira devem ser multifacetadas envolvendo supervisão regulatória práticas de empréstimo responsável lideradas pela indústria e iniciativas de educação financeira amplas e direcionadas 15 4 METODOLOGIA A metodologia desta pesquisa será composta por uma combinação de pesquisa bibliográfica e análise documental A escolha por essa abordagem devese ao fato de que para compreender como o modelo de negócio dos bancos digitais impacta a sustentabilidade financeira individual de seus usuários analisando tanto os fatores que a favorecem quanto os que a dificultam é fundamental analisar as contribuições teóricas de autores especializados nas áreas de inclusão financeira bancos digitais e educação financeira A pesquisa bibliográfica será sustentada pelas principais contribuições literárias de autores como Schumpeter 1911 Keynes 1936 e Kahneman 2011 Essas obras foram escolhidas devido à forma como os autores abordam de maneira distinta os temas relacionados à inovação financeira à relação entre crédito e consumo e os aspectos comportamentais envolvidos na tomada de decisões financeiras que são cruciais para entender a dinâmica da sustentabilidade financeira Além disso serão revisados artigos acadêmicos que abordam o impacto dos bancos digitais no consumo e no endividamento como os de Correa e Coletta 2024 que trazem dados empíricos sobre o uso do crédito digital no Brasil e sua relação com a saúde financeira dos usuários A análise documental será baseada em dados oficiais e relatórios do Banco Central do Brasil BCB que analisam a regulamentação dos bancos digitais e o comportamento do crédito no Brasil Serão utilizados relatórios como o Relatório de Cidadania Financeira e o Relatório de Economia Bancária para obter dados sobre endividamento capacidade de poupança e as políticas públicas relacionadas à sustentabilidade financeira Adicionalmente serão consultados relatórios de instituições como a Serasa para dados recentes sobre inadimplência no Brasil um indicador chave da saúde financeira A combinação desses métodos visa construir uma análise aprofundada sobre os efeitos da expansão dos bancos digitais avaliando como seu modelo de negócio se relaciona com os pilares da sustentabilidade financeira individual gestão de dívidas capacidade de poupança e acesso a serviços financeiros adequados para determinar se ele favorece ou dificulta o bemestar financeiro dos usuários 16 5 JUSTIFICATIVA A pesquisa é relevante pois aborda um fenômeno crescente e transformador no sistema financeiro brasileiro Nos últimos anos os bancos digitais se tornaram protagonistas na inclusão financeira oferecendo uma alternativa acessível e sem a burocracia dos bancos tradicionais Essa transformação é contínua e rápida o que torna a investigação sobre seus impactos na sustentabilidade financeira dos usuários uma questão com valor preditivo para o futuro do setor Dentre os inúmeros temas possíveis de serem investigados a importância deste estudo reside justamente em compreender como o modelo de negócio e a expansão desses bancos embora apresente uma oportunidade de democratização financeira também traz à tona questões críticas relacionadas ao risco de endividamento excessivo A facilidade no acesso ao crédito sem a devida educação financeira pode levar ao uso irresponsável de produtos financeiros e consequentemente ao aumento das taxas de inadimplência o que prejudica a saúde financeira dos consumidores e compromete sua sustentabilidade Ao focar na sustentabilidade financeira individual este estudo busca ir além da mera inclusão avaliando a capacidade dos usuários de manter uma saúde financeira robusta a longo prazo As descobertas desta pesquisa podem informar medidas políticas proativas e melhores práticas da indústria para guiar o desenvolvimento futuro dos serviços financeiros digitais em direção a resultados mais sustentáveis O estudo contribuirá assim para o entendimento dos desafios e oportunidades que os bancos digitais representam para a saúde financeira de seus usuários no Brasil 17 6 CRONOGRAMA DE ATIVIDADES Semanas Atividade 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Levantamento das referências bibliográficas X Redação Capítulo 1 X Redação Capítulo 2 X X Redação Capítulo 3 X Redação Capítulo 4 X X Redação Capítulo 5 X X Considerações finais X Revisão X Entrega do relatório X 18 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BANCO CENTRAL DO BRASIL Caderno de Educação Financeira Brasília DF out 2013 Disponível em httpswwwbcbgovbrcontentcidadaniafinanceiradocumentoscidadania CuidandodoseudinheiroGestaodeFinancasPessoais cadernocidadaniafinanceirapdf Acesso em 01 maio 2025 BANCO CENTRAL DO BRASIL Endividamento de Risco no Brasil Atualização impacto no Sistema Financeiro Nacional e qualificação dos indicadores Série Cidadania Financeira n 8 2 ed Brasília DF nov 2023 Disponível em httpswwwbcbgovbrcontentcidadaniafinanceiradocumentoscidadaniaseriecidadania seriecidadaniafinanceira8endividamentorisco2edpdf Acesso em 01 maio 2025 BANCO CENTRAL DO BRASIL Relatório de Cidadania Financeira Capítulo 2 Disponível em httpswwwbcbgovbrnorrelcidfincap02html Acesso em 01 maio 2025 BANCO CENTRAL DO BRASIL Relatório de Economia Bancária 2023 Brasília DF dez 2023 Disponível em httpswwwbcbgovbrcontentpublicacoesrelatorioeconomiabancariareb2023ppdf Acesso em 01 maio 2025 BORGES MARQUES F FREITAS V FREITAS DE PAULA V A Cadê o Banco que estava aqui O Impacto dos Bancos Digitais no Mercado Brasileiro Journal of Information Systems and Technology Management v 19 2022 Disponível em httpsjistemtecsiorgindexphpjistemarticleview3155747 Acesso em 07 março 2025 CORRÊA Barbara COLETTA Carolina O 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bancos digitais Capítulo 5 Tendências comportamentais crédito digital e educação financeira 22 1 UNIVERSIDADE PAULISTA INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E COMUNICAÇÃO ICSC CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS ALUNO XXXXXX RELATÓRIO DE PESQUISA BANCOS DIGITAIS NO BRASIL O MODELO DE NEGÓCIO FAVORECE OU DIFICULTA A SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA DE SEUS USUÁRIOS CAMPINAS SP 2025 2 ALUNO XXXXXXXX RELATÓRIO DE PESQUISA BANCOS DIGITAIS NO BRASIL O MODELO DE NEGÓCIO FAVORECE OU DIFICULTA A SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA DE SEUS USUÁRIOS Relatório de pesquisa apresentado como exigência para a disciplina de Economia Contemporânea do curso de Ciências Econômicas da Universidade Paulista sob a orientação do professor X CAMPINAS SP 3 2025 RESUMO O relatório tem como objetivo verificar se o modelo de negócio dos bancos digitais no Brasil ajuda ou atrapalha o bemestar financeiro de quem os utiliza a partir de uma análise qualitativa e exploratória que mostra que essas instituições expandem o acesso a serviços financeiros e indicam que além de promover a inclusão também estimulam os clientes a entender melhor e gerenciar com mais segurança suas finanças pessoais Palavraschaves Banco digital Educação financeira Sustentabilidade financeira 4 SUMÁRIO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS18 1 INTRODUÇÃO A transformação digital dos bancos no Brasil tem impactado de maneira significativa as rotinas financeiras diárias tornandoas mais acessíveis e práticas trazendo consigo novas formas de consumo e crédito que requerem que os usuários sejam atentos e disciplinados A agilidade nas transações e a disponibilização de serviços interligados podem modificar a forma como as pessoas fazem suas escolhas de gastos e economias 5 Conforme Furtado 2020 o banco digital é uma entidade financeira que disponibiliza seus produtos e serviços predominantemente pela internet utilizando uma infraestrutura avançada que dispensa a visita física a uma agência para a realização de operações Frequente nesses bancos o cliente pode se beneficiar da isenção de tarifas bancárias ter acesso a cartões de crédito sem anuidade e contas sem cobranças de manutenção Esse processo exige uma avaliação cuidadosa das relações entre tecnologia estratégias de negócios e o comportamento das pessoas destacando que a simples inclusão no sistema financeiro não assegura uma verdadeira sofisticação financeira e que os incentivos presentes nas plataformas moldam os hábitos dos usuários influenciando tanto as chances quanto as ameaças de maneira que entender essas dinâmicas é crucial para analisar o verdadeiro efeito da era digital na viabilidade financeira das pessoas Os bancos digitais emergiram oferecendo todos os serviços disponibilizados pelos bancos convencionais mas agora por meio da internet ou aplicativos em dispositivos como computadores smartphones e tablets o que proporciona aos usuários desses bancos digitais ter a possibilidade de gerenciar serviços como limites de cartão de crédito financiamentos abertura de contas e diversas outras opções igualmente disponíveis nas instituições bancárias tradicionais Miranda 2017 A pesquisa vai além de simplesmente checar se os indivíduos conseguem acessar serviços financeiros investigando se o acesso aos bancos digitais possibilita a gestão eficaz de seus recursos para atender tanto às necessidades presentes quanto às futuras Entender a sustentabilidade financeira individual é fundamental pois o sucesso da inclusão financeira digital deve ser analisado não apenas pelo número de contas abertas mas também pelo aprimoramento duradouro da saúde financeira e da habilidade de adaptação dos usuários Diante disso o objetivo desta pesquisa é analisar de maneira crítica de que maneira o modelo de negócios utilizado pelos bancos digitais afeta a sustentabilidade financeira de seus clientes verificando se suas ações promovem a estabilidade econômica individual ou aumentam as fragilidades financeiras levando em conta fatores como acesso políticas de financiamento configuração de tarifas e as atitudes dos consumidores em relação às inovações tecnológicas Sobre os objetivos específicos pretendese analisar a proposta de valor dessas organizações na facilitação da inclusão financeira e confrontar seus impactos com os 6 verificados nos bancos convencionais verificando a atualização dos serviços bancários digitais constitui um progresso real na administração responsável das finanças pessoais ou se representa um elemento de risco em relação ao aumento do consumo e do endividamento Surge assim a urgência de abordar a principal questão que norteia esta pesquisa O modelo de negócio dos bancos digitais favorece ou dificulta a sustentabilidade financeira de seus usuários Essa questão resume o atual dilema entre inclusão e fragilidade uma vez que o aumento do acesso a serviços e crédito não assegura por si mesmo a estabilidade econômica Para responder a questão problema da pesquisa partimos da hipótese que o modelo de operação dos bancos digitais ao tornar os serviços financeiros mais acessíveis e promover a inclusão bancária possui uma dualidade de um lado promove a democratização do sistema financeiro e estimula a independência dos usuários por outro ao facilitar o acesso ao crédito e eliminar barreiras convencionais de supervisão pode propiciar comportamentos financeiros impulsivos e insustentáveis Nesta ótica entendese que a falta de uma educação financeira robusta e de estratégias eficientes para gerenciamento de riscos amplifica os impactos adversos dessa facilidade de obter crédito Portanto a suposição sugere que mesmo que os bancos digitais marquem um progresso em relação à inclusão eles podem favorecer a deterioração da sustentabilidade financeira se não forem acompanhados por ações educativas e normativas apropriadas Este estudo se justifica pela urgência de analisar de maneira crítica os efeitos da crescente presença dos bancos digitais na saúde financeira das pessoas em um cenário de rápida mudança no sistema bancário do Brasil apresentando um valor prático e social uma vez que pode apoiar a formulação de políticas públicas desenvolver estratégias de educação financeira e promover melhorias nas regulamentações contexto digital A metodologia empregada neste estudo une a pesquisa bibliográfica à análise de documentos incorporando diversas visões teóricas e informações reais a respeito do desempenho dos bancos digitais no Brasil permitindo entender de que maneira a estrutura de negócios dessas organizações impacta a saúde financeira de seus clientes analisando de modo crítico tanto as vantagens da inclusão e da inovação quanto os perigos relacionados ao acesso facilitado ao crédito e à falta de educação financeira 7 A fase de pesquisa bibliográfica sustentará a base teórica do estudo embasada por autores cujas ideias possibilitam a análise da inovação do crédito e da racionalidade econômica sob diversas perspectiva e em paralelo a pesquisa documental fará uso de relatórios elaborados pelo Banco Central do Brasil Serasa e outras fontes oficiais para investigar informações relativas ao endividamento à inadimplência e à regulamentação do setor digital Este Relatório de Pesquisa é divido em partes visando facilitar o entendimento do leitor composto pelo resumo do trabalho por esta introdução seguindo do seu referencial teórico dos dados coletados análise dos resultados e por último a conclusão da pesquisa trazendo a nota a análise final sobre o alcance dos objetivos resposta da questão problema e confirmação ou negação da hipótese lançada 2 REFERENCIAL TEÓRICO No quadro teórico serão interligados os principais aspectos da pesquisa abrangendo as dimensões técnicas e comportamentais que influenciam a interação entre usuários e bancos digitais Isso visa vincular as particularidades dos modelos de negócio digitais aos seus efeitos em termos de inclusão disponibilização de crédito taxas e escolhas financeiras Sob uma abordagem multidisciplinar o referencial integrará ideias da economia da inovação das finanças comportamentais e dos estudos regulatórios para embasar a análise empírica subsequente cada seção detalhará conceitos evidências e discussões que vão desde a estrutura funcional dos bancos digitais até a importância da educação financeira 21 Aspectos dos Bancos Digitais no Brasil O banco digital é uma entidade financeira que funciona majoritariamente ou apenas através de canais digitais como aplicativos para smartphones e sites eliminando a necessidade de agências físicas Nesse contexto o conceito de fintech está profundamente relacionado ao seu aparecimento e evolução simbolizando o uso de tecnologia para modernizar e melhorar a disponibilização de serviços financeiros 8 As instituições financeiras digitais e as Fintechs têm o potencial de impulsionar a economia ao expandir o volume de transações no setor financeiro embora não esteja claro se suas operações podem intensificar crises econômicas em momentos de tensão no mercado Ozilli 2018 As Fintechs são empresas modernas e emergentes que operam no setor financeiro oferecendo serviços financeiros por meio de inovações tecnológicas usando para facilitar modernizar e tornar mais acessíveis os serviços financeiros através de um custo reduzido Andrade 2019 As fintechs apresentam propostas inovadoras e uma abordagem totalmente digital o que intensificou a concorrência nos setores financeiros oferecendo serviços que as instituições tradicionais realizam de forma menos eficiente ampliando o alcance de seus usuários estabelecendo um novo modelo de demanda e interesses do consumidor digital resultado do progresso das tecnologias e das comunicações Cordeiro 2019 Os bancos digitais têm conquistado uma posição importante no setor bancário do Brasil pois utilizaram inovações tecnológicas para melhorar os processos financeiros reduzindo a burocracia Eles se esforçam para disponibilizar produtos e serviços com mais qualidade e agilidade aos seus clientes resultando em um efeito benéfico em todo o mercado Andrade 2019 As instituições financeiras digitais e as fintechs estão explorando formas de proporcionar mais facilidade e conforto a seus usuários introduzindo tecnologias e inovações nos serviços financeiros resultando em vantagens como a inclusão de novos clientes ao sistema bancário experiências renovadas na utilização desses serviços aceleração nas transações financeiras entre outras Andrade 2019 Um banco digital se caracteriza por oferecer produtos e serviços exclusivamente em formato virtual utilizando uma plataforma online da instituição financeira onde essa via de comunicação digital se transforma em um ponto central que integra todas as demais formas de interação Dessa maneira os clientes interagem com o banco diariamente através de meios digitais permitindo decisões ágeis e em tempo real Petrova Kuznetsova Eremina Kalachev 2020 Os bancos digitais oferecem vantagens tanto para o setor financeiro quanto para as entidades reguladoras pois a realização de transações digitais em larga escala diminui consideravelmente a movimentação de dinheiro físico proporcionando aos consumidores um controle aprimorado sobre suas finanças facilitam decisões 9 financeiras ágeis e permitem a execução e o recebimento de pagamentos em questão de segundos Ozilli 2018 22 Democratização Financeira A remoção dos obstáculos no Sistema Financeiro Nacional permite por um lado um crescimento contínuo da receita do setor e por outro o avanço social e econômico dos indivíduos Assim a redução das despesas por transação e a manutenção de relações bancárias são essenciais para promover a inclusão e a democratização financeira Santiago Zanetoni Vita 2020 Os bancos digitais fornecem tecnologias que removem obstáculos geográficos e administrativos facilitando a criação de contas e o acesso a serviços financeiros e ao cortar despesas e oferecer interfaces amigáveis ampliam e aceleram o acesso atingindo grupos que anteriormente eram deixados de lado pelo sistema bancário convencional Por outro lado a expansão do acesso a bens digitais e financiamentos demanda uma análise cuidadosa dos possíveis riscos considerando que um uso indevido pode ameaçar a saúde financeira pessoal A verdadeira democratização das finanças ocorre quando é acompanhada por educação e conscientização econômica possibilitando que os indivíduos tomem decisões informadas e evitem cair em dívidas excessivas Segundo Schumpeter 1911 a inovação no setor financeiro é essencial para o crescimento econômico pois pode aumentar a eficiência promover inclusão e transformar a organização dos mercados Nesse contexto os bancos digitais exemplificam essa ideia já que ao incorporarem novas tecnologias e estratégias ampliam o acesso a serviços financeiros e incluem pessoas que historicamente ficaram à margem do sistema bancário tradicional De acordo com Keynes 1936 o crédito desempenha uma função crucial na estimulação de investimentos produtivos e na dinâmica econômica atuando como um vínculo entre a poupança e o consumo sendo essencial para a estabilidade e o crescimento financeiro e assim os bancos digitais com disponibilização simplificada de crédito abrange essa perspectiva keynesiana 23 Sustentabilidade Financeira Individual 10 Quando falamos em saúde financeira individual estamos nos referindo à capacidade de gerenciar os recursos de forma a atender tanto às necessidades imediatas quanto às futuras confrontar imprevistos e alcançar objetivos a longo prazo implicando em utilizar os recursos financeiros disponíveis de maneira prudente fortalecendo a habilidade de se ajustar e assim promover o bemestar econômico A organização das finanças pessoais abrange ações como manter um registro minucioso das receitas e despesas definir objetivos financeiros para diferentes prazos curto médio e longo avaliar de maneira crítica os hábitos de consumo e implementar táticas que melhorem a utilização dos recursos disponíveis Robles 2025 A sustentabilidade individual é frequentemente mencionada no contexto econômico e financeiro referindose à obrigação que as instituições têm de produzir seus próprios recursos para viabilizar suas operações O conceito de sustentabilidade é mais abrangente sendo compreendido como a habilidade de um projeto se manter de maneira sustentável podendo assegurar uma continuidade técnica constante ou estável ao longo do tempo com essa estabilidade se refletindo em aspectos institucionais técnicos políticos e financeiros Fernandes 2011 A gestão financeira desempenha nesse cenário uma função crucial para fomentar a independência econômica e a segurança tanto individual quanto em grupo A ausência de um planejamento adequado está claramente ligada ao acúmulo de dívidas à dificuldade em honrar compromissos financeiros e à frustração de chances de avanço e evolução pessoal Robles 2025 Itens como cartões de crédito e limites de cheque especial apesar de sua praticidade podem levar a dívidas excessivas se não forem utilizados com uma adequada análise de riscos e uma boa compreensão sobre gestão financeira Dessa forma as instituições financeiras digitais enfrentam o desafio de unir a facilidade de acesso a sistemas de proteção e aconselhamento assegurando que a concessão de crédito não prejudique a saúde financeira de seus usuários A poupança possibilita lidar com situações inesperadas e alcançar metas de longo prazo ao passo que serviços apropriados oferecem oportunidades para o desenvolvimento de habilidades e autoconfiança na administração dos recursos Iniciativas de educação financeira como a Estratégia Nacional de Educação Financeira têm um papel crucial ao incentivar decisões informadas consolidando a sustentabilidade financeira como uma meta viável e palpável para as pessoas 11 A educação financeira oferece as bases necessárias para que os indivíduos entendam os princípios de orçamento economia investimento e crédito permitindo lhes fazer escolhas mais conscientes e sensatas onde a gestão financeira se transforma em uma ferramenta para obter além da estabilidade também independência e liberdade econômica Robles 2025 24 Risco de aumento do endividamento O empréstimo ágil e descomplicado proporcionado por instituições financeiras digitais pode estimular um comportamento irresponsável entre os consumidores principalmente entre aqueles que possuem menos conhecimento sobre finanças Friedman 1968 aponta para os perigos do crédito abusivo sobretudo na ausência de supervisão apropriada o que pode levar a crises financeiras e a um nível elevado de endividamento A facilidade de obtenção de crédito apesar de ser uma ferramenta significativa para expandir as chances financeiras pode gerar complicações se não houver uma educação financeira apropriada e uma avaliação cuidadosa do perfil de risco do cliente Caso não tenha um planejamento financeiro as pessoas podem contrair débitos além do que conseguem arcar prejudicando sua segurança financeira e causando problemas no futuro Os bancos digitais vêm mostrando um rápido crescimento conquistando milhões de usuários em um curto período contudo o crescimento acelerado na quantidade de clientes e a simplicidade na obtenção de produtos financeiros podem acarretar riscos principalmente quando os consumidores não se sentem prontos para gerenciar diversos tipos de crédito de maneira adequada O acúmulo de dívidas gera graves repercussões afetando tanto a pessoa que pode até chegar a extremos como o suicídio quanto a estabilidade financeira das organizações Borsato et al 2009 afirmam que devido ao consumo desenfreado diversas pessoas acabam contraindo dívidas o que consome uma parte considerável de suas receitas e em muitas situações leva à inadimplência por não conseguirem honrar seus compromissos financeiros O endividado portanto é uma pessoa que faz compromissos financeiros sem uma compreensão clara de sua capacidade de quitação sendo classificado em ativo que acumula dívidas repetidamente devido a eventos inesperados o sobrecarregado 12 que enfrenta várias obrigações financeiras ao mesmo tempo em diferentes formas de crédito e o passivo cuja condição resulta de ocorrências imprevistas como problemas de saúde perda de emprego separação ou morte de parentes Lucena et al 2014 Zerrener 2007 destaca que uma pessoa com dívidas ou que enfrenta dificuldades financeiras tornase mais suscetível a situações adversas na vida como enfermidades separações e perda de emprego o que pode em casos extremos resultar na incapacidade de honrar suas responsabilidades e até na busca pelo suicídio 25 Comportamento do cliente e educação financeira A inquietação expressa por Friedman 1968 a respeito dos perigos do excesso de crédito se torna ainda mais complicada no contexto dos bancos digitais uma vez que a conveniência e a rapidez na aquisição de crédito que são traços distintivos dessas instituições podem intensificar comportamentos que resultam em dívidas Entender a maneira como esses sistemas se relacionam pode esclarecer os processos psicológicos que conduzem ao uso compulsivo e possivelmente à acumulação de dívidas Promoções imediatas e procedimentos descomplicados intensificam o apelo ao consumo imediato enquanto a satisfação rápida pode diminuir a consideração das cláusulas contratuais Abordagens educacionais e normativas podem ser implementadas para promover uma avaliação criteriosa e diminuir a tendência ao endividamento buscando um equilíbrio entre a facilidade de acesso e a responsabilidade financeira Pesquisas recentes mostram que o acesso facilitado ao crédito em instituições financeiras digitais e fintechs está relacionado a uma maior chance de pessoas se endividarem o que pode incluir situações de endividamento excessivo Correa e Coletta 2024 destacam que enquanto o crédito digital contribui para a maior inclusão financeira ele pode também promover um uso desmedido e desordenado dos recursos elevando os riscos de afetar negativamente a saúde financeira dos usuários Ademais o estudo revela que a educação financeira desempenha um papel crucial no manejo dessas obrigações visto que a falta de competências essenciais em administração financeira favorece escolhas de consumo que não são sustentáveis Correa e Coletta 2024 ressaltam que pessoas que não possuem uma compreensão adequada sobre orçamento e administração de crédito enfrentam mais desafios em 13 cumprir com suas responsabilidades financeiras o que pode resultar em efeitos duradouros e prejudicar metas financeiras de longo prazo Nesse contexto Correa e Coletta 2024 propõem a implementação conjunta de políticas regulatórias e programas educacionais buscando harmonizar o acesso ao crédito e as medidas de proteção ao consumidor A introdução de cursos sobre educação financeira nas escolas e a fomento de hábitos de empréstimo consciente são consideradas abordagens fundamentais para diminuir os perigos de endividamento excessivo e incentivar a saúde financeira no contexto digital 3 DADOS COLETADOS No Brasil o setor bancário evoluiu desde a fundação do primeiro banco em 1808 porém foi com a disseminação da internet e dos smartphones que os bancos digitais se destacaram e assumiram um papel central sendo estimulada pela ampla disseminação da internet e de aparelhos móveis além de um contexto regulatório que favorece as fintechs Entidades como Nubank Inter C6 Bank e Neon se destacam no mercado cada uma oferecendo um valor distinto No entanto elas têm em comum aspectos como a eliminação de taxas ou a cobrança de tarifas baixas procedimentos descomplicados para a criação de contas e requisição de serviços além de priorizarem uma experiência do usuário centrada em ambientes digitais A praticidade e a usabilidade percebidas juntamente com a sensação de segurança e proteção de dados influenciam favoravelmente a adoção dos serviços de bancos digitais pelos usuários A rivalidade entre instituições financeiras virtuais e convencionais tem aumentado especialmente após a pandemia A Tabela 1 demonstra as principais distinções entre esses dois tipos de instituições bancárias Característica Bancos Tradicionais Bancos Digitais Agências Físicas Ampla rede de agências Ausência de agências físicas Taxas e Tarifas Geralmente mais altas Geralmente mais baixas ou inexistentes 14 Abertura de Conta Processo mais burocrático pode exigir presença física Processo simplificado totalmente online Atendimento ao Cliente Agências telefone online Predominantemente online chatbots email telefone Foco em Tecnologia Adoção gradual de tecnologia Tecnologia como pilar central da operação Tabela 1 Comparação de Características Bancos Tradicionais e Bancos Digitais Realizada pelo autor O Banco Central do Brasil introduziu normas destinadas a promover a concorrência e a inovação no mercado financeiro incluindo a formação de várias categorias legais para fintechs a criação de um ambiente regulatório chamado Sandbox a adoção do Open Banking e a implementação do sistema de pagamentos instantâneos conhecido como PIX ajudando assim a diminuir os obstáculos para acessar o mercado financeiro A atuação ativa do BCB na diminuição de barreiras e ampliação do acesso a serviços financeiros é essencial para a democratização mas de forma involuntária cria um cenário onde o aumento das dívidas pode ocorrer se não houver uma harmonização adequada com dispositivos de proteção ao consumidor e iniciativas de educação financeira Com a introdução do PIX mais de 70 milhões de pessoas efetuaram sua primeira transação digital e a proporção de indivíduos sem conta bancária caiu de 29 no começo de 2020 para apenas 16 atualmente Banco Central do Brasil o que mostra que investimentos tecnológicos quando acessíveis a população podem proporcionar um aquecimento na economia O crescimento da proporção da renda comprometida aliado a uma possível diminuição na renda e ao aumento do desemprego pode sugerir uma dificuldade em conseguir crédito resultando na adesão a empréstimos de menor valor e com taxas mais elevadas SERASA Isso aponta para uma fragilidade estrutural na base da pirâmide financeira onde pessoas com renda reduzida apesar de possuírem uma dívida total menor lidam com um fardo desigual de dívidas de elevado custo Pilar Indicadores Chave Descrição Gestão de dívidas Taxa de Comprometimento de Renda Taxa de Inadimplência Capacidade de honrar compromissos financeiros sem comprometer o bem 15 Diversidade e Custo do crédito estar e de usar o crédito de forma prudente Capacidade de Poupança Taxa de Poupança Existência de Reserva de Emergência Investimentos de Longo Prazo Habilidade de acumular recursos para o futuro para imprevistos e para a realização de objetivos Acesso a Serviços Financeiros Adequados Bancarização Acesso a Crédito Responsável Diversidade de Produtos Financeiros seguros investimentos Disponibilidade e utilização de produtos e serviços financeiros que atendam às necessidades do indivíduo e promovam seu bemestar Tabela 2 Pilares e Indicadores da Sustentabilidade Financeira Individual Realizada pelo autor A tabela 2 é essencial para organizar a avaliação da sustentabilidade financeira oferecendo uma estrutura precisa para analisar o efeito dos bancos digitais pois facilita o entendimento dos diversos elementos que compõem a sustentabilidade indo além da mera questão do endividamento e ilustra como cada componente pode ser influenciado pelo modelo de operação dos bancos digitais Período Número de Inadimplentes milhões Variação Mensal Faixa Etária 4160 anos Faixa Etária 2640 anos Valor Médio Acordo R Março25 757 102 351 340 714 Fevereiro 25 750 054 351 340 698 Janeiro25 746 148 351 340 676 Tabela 3 Evolução da Inadimplência no Brasil Dados Serasa Realizada pelo autor A Tabela 3 mostra como a inadimplência tem evoluído no Brasil segundo informações da Serasa evidenciando a continuidade e a ampliação desse desafio Informações da Serasa indicam a gravidade da questão da inadimplência no Brasil sendo que em março de 2025 a quantidade de pessoas inadimplentes no país atingiu 16 757 milhões representando um crescimento de 102 em relação a fevereiro desse mesmo ano Os parâmetros para reconhecer um endividamento problemático englobam a inadimplência atrasos que ultrapassam 90 dias um comprometimento da renda mensal superior a 50 para quitar dívidas a exposição a diversas formas de crédito com alto juros como cheque especial empréstimos pessoais não consignados e crédito rotativo e uma renda disponível mensal após o pagamento das obrigações que fique abaixo do limite de pobreza 4 RESULTADO E DISCUSSÃO O crescimento dos bancos digitais no Brasil impulsionado pela disseminação da internet pela ampla utilização de smartphones e por iniciativas regulatórias como o Open Banking e o PIX levou a uma considerável inclusão financeira Isso é demonstrado pela redução do número de pessoas sem conta bancária e pelo elevado volume de transações iniciais realizadas por meio de plataformas eletrônicas Enquanto bancos como Nubank Inter C6 e Neon estabeleceram ofertas focadas na facilidade de uso tarifas baixas e processos simplificados para abertura de contas evidenciam que esses modelos são capazes de ultrapassar obstáculos geográficos e burocráticos ampliando o acesso ao sistema financeiro formal A junção das características dos bancos digitais como limites amplos facilidade para dividir pagamentos e baixo nível de complicações junto com dados concretos sobre endividamento problemático indica uma conexão significativa entre a facilidade de acessar crédito e a chance de enfrentar dificuldades financeiras insustentáveis o que sugere a criação de produtos de crédito digital deve incluir mecanismos de proteção ou estímulos que incentivem o empréstimo consciente ao invés de confiar exclusivamente na autorregulação do usuário A avaliação das informações mostra que apesar de os tipos de crédito com taxas elevadas como o rotativo do cartão e o cheque especial constituírem uma parte reduzida do total de crédito disponível eles têm um impacto desproporcional nas taxas de inadimplência Os bancos digitais geralmente disponibilizam esses produtos de maneira bastante simples o que pode afetar a saúde financeira da pessoa As informações relacionadas à vulnerabilidade financeira revelam riscos interligados pois a elevação na porcentagem de renda destinada ao pagamento de 17 dívidas a tendência de procurar créditos menores com custos mais altos e os índices de inadimplência que atingiram níveis elevados em 2025 indicam que uma maior inclusão financeira pode coexistir com um aumento do endividamento excessivo particularmente entre indivíduos de baixa renda que utilizam produtos de crédito com taxas de juros altas As características funcionais dos bancos digitais revelam a razão pela qual foram rapidamente aceitos e apresentam uma tendência maior a escolhas impulsivas Nesse contexto a estrutura da plataforma e os estímulos comerciais se combinam com preconceitos comportamentais e fatores socioeconômicos resultando em impactos variados na saúde financeira dos clientes Ao comparar os resultados com a hipótese apresentada podemos apontar que o modelo de negócio dos bancos digitais desempenha um papel significativo na democratização do acesso a serviços financeiros No entanto também intensifica determinados riscos que na ausência de uma educação financeira adequada e de mecanismos institucionais para mitigação podem prejudicar a saúde financeira das pessoas 5 CONCLUSÃO Portanto os objetivos estabelecidos foram atingidos de maneira eficaz possibilitando uma avaliação crítica sobre a forma como o modelo de negócios das instituições financeiras digitais impacta a saúde financeira dos clientes O problema da pesquisa também foi respondido de forma satisfatória através da análise dos dados coletados A questão foi abordada ao mostrar que a expansão do acesso a crédito e serviços financeiros constitui um progresso importante na inclusão econômica mas também apresenta riscos se não for acompanhada por uma educação financeira apropriada o que levou a confirmação da hipótese levantada pois ficou claro que os bancos digitais apesar de promoverem a democratização do sistema financeiro podem estimular comportamentos de consumo desenfreado e afetar a estabilidade financeira individual O estudo revelou que a ascensão dos bancos digitais catalisada por inovações como o PIX e o Open Banking está mudando o panorama do sistema financeiro no Brasil tornandoo mais acessível e competitivo Contudo a elevação da inadimplência 18 e a redução da renda mostradas em informações recentes sinalizam que a oferta de crédito sem a devida orientação educacional e supervisão regulamentar pode intensificar o endividamento Diante dos dados pesquisados deixamos como sugestão a necessidade de implementar políticas públicas que promovam a alfabetização financeira desde o ensino fundamental incorporando o uso consciente do crédito digital nos conteúdos escolares Recomendase também a evolução da regulamentação das fintechs focando na clareza das tarifas e dos limites de crédito além de incentivar o desenvolvimento de mecanismos que acompanhem os hábitos financeiros dos clientes Pesquisas futuras têm o potencial de ampliar a investigação acerca das consequências psicológicas e comportamentais relacionadas ao uso digital ajudando na criação de um ambiente financeiro mais sustentável e harmônico e sendo assim deixamos em aberto a possibilidade da continuação desta pesquisa para acompanhar as constantes mudanças do mercado e do comportamento do consumidor REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE I J F de Avaliação de desempenho financeiro dos bancos digitais e dos bancos tradicionais 2019 Trabalho de Conclusão de Curso em Ciências Contábeis Universidade Federal da Paraíba João Pessoa BANCO CENTRAL DO BRASIL Caderno de Educação Financeira Brasília DF out 2013 Disponível em httpswwwbcbgovbrcontentcidadaniafinanceiradocumentoscidadania CuidandodoseudinheiroGestaodeFinancasPessoais cadernocidadaniafinanceirapdf Acesso em 01 maios 2025 BANCO CENTRAL DO BRASIL Endividamento de Risco no Brasil 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Administração Pública Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas Rio de Janeiro CORRÊA Barbara COLETTA Carolina O acesso ao crédito em bancos digitais e fintechs aumenta a probabilidade de endividamento pessoal no Brasil Revista Ciências Administrativas v 30 p 113 2024 FERNANDES Miriane de Almeida Sustentabilidade financeira proposta de indicador de sustentabilidade financeira aplicável às micro e pequenas empresas 2011 Dissertação de Mestrado em Administração Faculdade Campo Limpo Paulista Campo Limpo Paulista SP FRIEDMAN Milton The Role of Monetary Policy The American Economic Review v 58 n 1 p 117 1968 20 FURTADO E de O Dinâmica competitiva entre bancos tradicionais e bancos digitais no Brasil uma perspectiva do cliente 2020 KEYNES John Maynard The General Theory of Employment Interest and Money London Macmillan 1936 LUCENA W G L L SANTOS J M A ASSIS J T SANTOS M C Fatores que influenciam o endividamento e a inadimplência no setor imobiliário da cidade de ToritamaPE à luz das finanças comportamentais Holos S l v 30 n 4 p 1084 dez 2014 DOI 1015628holos20141084 MIRANDA G M C B de As diferenças entre os níveis de satisfação dos consumidores de bancos tradicionais e de bancos digitais 2017 UniCEUB Brasília OZILI P K Impact of digital finance on financial inclusion and stability Borsa Istanbul Review v 18 n 4 p 329340 2018 PETROVA L A KUZNETSOVA T E EREMINA S A KALACHEV O A Digital bank of the future In International Scientific and Practical Conference Digital Economy and Finances ISPCDEF 2020 3 2020 Anais p 5760 DOI 102991aebmrk200423013 ROBLES Gislene A organização financeira como instrumento de autonomia econômica e crescimento sustentável uma análise sobre planejamento e investimento responsável RCMOS Revista Científica Multidisciplinar O Saber São Paulo v 5 n 1 jan Jul 2025 SANTIAGO Mariana Ribeiro ZANETONI Jaqueline de Paula Leite VITA Jonathan Barros Inclusão financeira inovação e promoção ao desenvolvimento social e econômico através do PIX Revista Jurídica Unicuritiba Curitiba v 4 n 61 p 123152 out Dez 2020 21 SCHUMPETER Joseph A The Theory of Economic Development An Inquiry into Profits Capital Credit Interest and the Business Cycle Cambridge MA Harvard University Press 1911 SERASA Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas no Brasil 2025 Disponível em httpswwwserasacombrlimpanomeonlineblogmapada inadimplenciaerenogociacaodedividasnobrasil Acesso em 02 maios 2025 ZERRENNER Sabrina Arruda Estudo sobre as razões para o endividamento da população de baixa renda 2007 Dissertação Mestre em ciências Administrativas Universidade de São Paulo São Paulo 2007