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Visão geral Um ensaio estendido EE em estudos de língua e literatura dá aos alunos a oportunidade de realizar pesquisas independentes sobre um tópico de interesse especial para eles dentro do assunto Destinase a promover habilidades avançadas de pesquisa e escrita descoberta intelectual e criatividade A redação está aberta a alunos que escrevem em um idioma que seriam capazes de oferecer como idioma A Deve ser escrito no idioma para o qual está registrado Os alunos não devem enviar um EE do Grupo 1 no idioma do Grupo 2 Os estudos em língua e literatura EEs são divididos em três categorias Categoria 1 Estudos de uma ou mais obras literárias escritas originalmente na língua em que o ensaio é apresentado Categoria 2 Estudos de uma obra literária ou obras originalmente escritas no idioma do ensaio em comparação com uma ou mais obras literárias originalmente escritas em outro idioma A obra originalmente escrita em outro idioma poderá ser estudada em tradução Categoria 3 Estudos de linguagem baseados em um ou mais textos originalmente produzidos na língua em que o ensaio é apresentado Os textos podem ser comparados com um texto traduzido originalmente escrito em outro idioma Quando for adotada uma abordagem comparativa e pelo menos um dos tipos de texto for não literário eou multimodal o ensaio seria uma categoria 3 No momento da submissão a categoria de idioma Um ensaio deve ser identificada Categorias 1 e 2 Um EE nas categorias 1 e 2 dá aos alunos a oportunidade de estudar em profundidade um tema literário envolverse em crítica literária independente envolverse com comentários críticos estabelecidos desenvolver a capacidade de expor os seus pontos de vista de forma persuasiva e bem estruturada utilizando um registo adequado ao estudo da literatura Os alunos deverão situar a análise dos textos escolhidos no contexto mais amplo da disciplina Isto deve incluir outros textos literários ou perspectivas ou percepções críticas específicas No entanto esta discussão mais ampla deverá melhorar o conhecimento e a compreensão dos textos escolhidos pelo leitor sem desviar o foco principal da sua questão de investigação CAPA O contexto literário Neorealista Uma análise da obra Capitães da Areia SUMÁRIO1 1 INTRODUÇÃO2 2 O NEOREALISMO PORTUGUÊS2 3 A LITERATURA E A ESCRITA4 4 A OBRA6 41 PERSONAGENS6 42 ANTAGONISTAS7 43 A NARRATIVA7 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS10 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS11 1 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho tem por objetivo geral investigar o contexto literário neorealista presente na obra Capitães da Areia de Jorge Amado Jorge Leal Amado de Faria nasceu em 10 de Agosto de 1913 e morreu com 89 anos no dia 06 de Agosto de 2001 Natural do município de Itabuna na fazenda Auricídia no sul da Bahia O escritor passou toda sua infância na cidade de Ilhéus a qual é retratada em diferentes obras de Jorge Amado Buscava desvendar a realidade e promover a conscientização crítica do povo para subverter a ordem social opressora O objetivo específico deste ensaio é analisar as características marcantes da obra de Amado além de descrever os personagens do romance 2 O NEOREALISMO PORTUGUÊS O NeoRealismo está ligado ao Realismo do século XX de forma íntima para ele o processo que culmina com o aparecimento da literatura neorealista do século XX tem início nas propostas do Realismo Oitocentista O Realismo acaba sendo uma reação contra o Romantismo O romantismo surge de uma oposição a essa realidade capitalistamoderna designada por vezes na linguagem romântica como a realidade sem mais No dicionário dos irmãos Grimm romantisch definese em parte como pertencente ao mundo da poesia por oposição à realidade prosaica e para Chateaubriand e Musset a superabundância de sentimentos contrasta com o vazio desolador do real Segundo a fórmula do jovem Lukács de Teoria do romance o romantismo da desilusão é caracterizado por uma inadequação da alma à realidade a alma é mais ampla e vasta do que todos os destinos que a vida esteja em condições de lhe oferecer SAYRE R e LÖWY M 1995 O nascimento do realismo enquanto movimento estético está ligado a uma tradição mimética de imitação da natureza de observação real e em seguida a ramificação dessa teoria da mimesis para uma teoria da representação Para Aristóteles existiam apenas dois modos de enunciação são eles modo narrativo epopéia e paródia e o modo dramático sendo eles dois tipos de mímesis Podese definir a mímesis como uma representaçãoimitação há muitas formas de mímesis como as artes e esculturas que operam a partir da lógica da mímesis Para o filósofo grego a mímesis é absolutamente fundamental algo inato do ser humano uma forma de aprendizado e entendimento do mundo considerase como algo prazeroso natural belo e ético 2 A necessidade inerente de representar a realidade o real é marcadamente pertencente a todo ideário estético do Realismo na Europa o projeto de modernização de Portugal por via do Realismo implica em muitos caminhos Para Eça o realismo tal como ele o compreendia não era simplesmente um processo de forma mas sim uma base filosófica para todas as concepções do espírito uma lei uma carta de guia um roteiro do pensamento humano na eterna religião artística do belo do bom e do justo MOOG 1939 Precursor do realismonaturalismo nas letras portuguesas Eça de Queirós retratou a sociedade tal como ela era O romantismo era a apoteose do sentimento o realismo é a anatomia do carácter É a crítica do homem É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos para nos conhecermos para que saibamos se somos verdadeiros ou falsos para condenar o que houver de mau na nossa sociedade QUEIRÓS Eça Eça de Queirós a literatura nova o realismo como nova expressão de arte In REIS Carlos As conferências do Cassino Lisboa Alfa 1990 p 135142 p 140 Na literatura portuguesa houve vários períodos literários muito importantes e significativos que entre outras coisas revelaram grandes autores O NeoRealismo literário portugues é ainda hoje o ponto de partida ou a continuidade de uma série de discussões sobre uma parte da produção literária portuguesa elaborada no século passado o Neorrealismo alcança sua legitimidade através do gênero narrativo uma das características mais marcantes dessa corrente é o engajamento de seus escritores nas causas sociais os neorealistas buscavam através da literatura denunciar as desigualdades a opressão e as injustiças sociais Um movimento sempre inspirado nos ideais marxistas de consciência de classe e das lutas dessas classes que tem como ponto de partida os conflitos sociais que trazem como protagonistas camponeses operários patrões e senhores donos de terra dentro da literatura traz a público o antifascismo e a denúncia social A literatura neorealista se difunde em Portugal encontrando uma série de entraves para se consolidar um dos motivos que obstruíram o caminho era o regime ditatorial que de modo arbitrário impedia um avanço mais significativo da literatura e da ideologia que trazia consigo Além da constante vigilância que reprimia de forma violenta toda e qualquer ação que parecesse subversiva ou ofensiva ao regime do governo os neorealistas enfrentavam um outro obstáculo as críticas de setores ligados à arte que questionavam o tipo de escrita desenvolvida pela literatura neorealista as críticas partiam de setores contrários às manifestações de uma literatura que naquela época passava a se aliar a se integrar a realidade trazendo para a arte elementos que eram considerados estranhos 3 Para MASSAUD 2008 a eclosão do movimento neorrealista esteve associada à resistência antifascista ao final da década de 1930 E além disso ele se colocou como a nova tendência literária contra o descompromisso do movimento anterior o Presencismo e defendia uma literatura engajada voltada para os problemas concretos do país O Realismo buscou uma maior aproximação com a realidade ao descrever os costumes os conflitos interiores do ser humano as relações sociais analisando o comportamento humano e retratou através da literatura os problemas sociais isto é o Realismo concentrou seu interesse na natureza humana Enquanto o NeoRealismo buscava a conscientização do leitor para que ele pudesse perceber a realidade social e a alienação em que se encontra Ou seja este movimento sempre atuou como um instrumento de transformação social que dentre outras coisas objetivava buscava acabar com a alienação 3 A LITERATURA E A ESCRITA A escrita perspicaz engenhosa e libertadora do romance revela e explora a realidade social de forma abrangente promovendo uma experiência de leitura enriquecedora Ao deslocar o olhar do autor e do leitor para diversas áreas permite uma compreensão mais profunda e reflexiva do mundo ao nosso redor O sonho neorealista é prospectivo Projetase no futuro contudo toma a realidade como a ponta mais imediata deste para ansiando construílo E apesar de também utópico sua utopia futura tem início com a práxis transformadora a ação que possibilita a realização do sonhoPONTES R 2005 p 50 A escrita é o instrumento de mediação da realidade segundo Candido 2004 a literatura além de ser um direito básico é também uma necessidade inseparável para a formação do indivíduo Em sua obra afirma que a literatura convive nas dimensões coletivas e individuais dos sujeitos de uma sociedade A história da literatura reflete nos seus movimentos diversos a história da sociedade brasileira na sua formação social econômica e política como em Alencar Macedo Machado de Assis e outros A fase da literatura do Segundo Império exprime a inquietação dominante no País uma fase caracterizada precisamente pela vontade de conhecer de apreciar e tirar conclusão das razões do desenvolvimento da sociedade brasileira Assim as condições sociais é que não possibilitavam a existência de uma consciência aguda capaz de permitir a elaboração de um complexo cultural forte e próprio para valorizar o que era passível de denúncia e que constituía entre nós a força do passado colonial poderosa e ativa Do ponto de vista intelectual a aquisição de conhecimento estava acentuadamente subordinada às 4 condições de classe social A história literária foi em muito responsável pela construção difusão e consolidação do cânone a teoria da literatura por sua vez explicou sua perenidade o racionalizou e legitimou No pensamento de Antonio Gramsci os intelectuais têm um papel preponderante na vida social sendo compreendidos como todo o estrato social que exerce funções organizativas no campo da produção no da cultura e no políticoadministrativo GRAMSCI 2004 p 96 Um marco da ação de Jorge Amado para refletir sobre a presença africana na Bahia foi a organização do II Congresso AfroBrasileiro sediado em Salvador em 1937 com a participação de intelectuais mas também do povodesanto Para Bell Hooks as mulheres negras e os homens negros desenvolvem uma maneira particular de ver a realidade tanto de fora para dentro quanto de dentro para fora Centramos a atenção no centro e na margem porque desta consciência depende a nossa sobrevivência Desde o início da escravatura que nos tornamos especialistas em leituras psicanalíticas dao outrao brancao Hooks 1995 31 a literatura torna possível dar voz aqueles que foram calados pela história contadas pelo ponto de vista do homem branco A identidade está intimamente ligada à narrativa Bernd 2011 afirma que a construção da identidade é indissociável da narrativa e consequentemente da literatura Com essa afirmação os indivíduos se definem através das histórias que narram a si mesmos sobre si mesmos como forma de auto afirmarse A literatura com sua característica ficcional e simbólica sua polifonia e variedades de sentidos é um meio de resgatar a memória histórica da cultura afrobrasileira e ir em busca das suas raízes através de fatos da história do afrodescendente no Brasil que foram apagados ou inventados sob a ótica dominante Lutar contra o esquecimento preservar a memória coletiva são modos de fortalecer a identidade Foi nessa busca pelo Brasil real que o romance Capitães da Areia encontrou na produção sociológica um rico repertório temático e expressivo Uma obra escrita em 1937 durante a primeira fase da carreira do escritor Jorge Amado é um poderoso testemunho das desigualdades sociais e dos problemas que assolam o Brasil especialmente na cidade de Salvador Enquanto as preocupações sociais dominam a narrativa as lutas internas e as histórias de vida dos meninos os tornam personagens notáveis únicos e acima de tudo corajosos Roger Bastide 1972 ressalta que o projeto ideológico tão evidente no neorealismo regionalista de Amado transcende uma simples posição partidária tornandose um procedimento artístico e estético que inaugura um novo modelo de romance no Brasil Este 5 novo modelo concentrase no homem social explorando suas características e expressões enquanto atua vigorosamente no centro das contradições de classe Jorge Amado foi um renomado escritor brasileiro cujo legado literário continua a influenciar a cultura e a literatura brasileira Sua escrita é caracterizada por retratar vividamente as tradições do povo brasileiro especialmente os marginalizados e desfavorecidos Amado explorou temas como a cultura afrobrasileira a luta dos trabalhadores rurais o sincretismo religioso e a luta contra a opressão política Entre suas obras mais famosas estão Dona Flor e Seus Dois Maridos Gabriela Cravo e Canela e Capitães da Areia que se tornaram clássicos da literatura brasileira e foram adaptadas para o cinema e televisão Segundo Veloso 2012 p9 Jorge Amado mescla uma linguagem forte realista com uma linguagem poética marcada por um sentimento profundo que algumas vezes faz o narrador parecer tomar partido dada a carga emotiva das palavras escolhidas para destrinchar os acontecimentos ou mesmo para descrever os ambientes Através de sua escrita Amado não apenas contou histórias cativantes mas também explorou questões sociais e políticas profundas contribuindo para o enriquecimento do panorama literário brasileiro 4 A OBRA Nesta narrativa intensa e comovente Amado desvela a vida de um grupo de meninos desfavorecidos que habitam um trapiche abandonado em Salvador Os Capitães da Areia com idades entre nove e dezesseis anos sobrevivem à margem da sociedade por meio de artimanhas e pequenos furtos semeando o terror na capital baiana 41 PERSONAGENS Pedro Bala Conhecido como o chefe do grupo de meninos foi parar nas ruas de Salvador aos cinco anos de idade Ágil e com um forte senso de justiça perdeu os pais muito cedo Seu pai foi um reconhecido líder operário brutalmente assassinado durante uma greve Professor Considerado o braço direito de Pedro Bala na supervisão do bando Muito inteligente e o único do grupo que sabia ler e escrever é um leitor apaixonado e possui um talento artístico admirável 6 Gato Reconhecido por sua malandragem é um dos mais bonitos do grupo e cheio de vaidades Com a sexualidade aflorada desde muito novo se envolve com uma mulher mais velha a prostituta Dalva ao longo do romance SemPernas O personagem mais complexo da narrativa com conflitos internos mais intensos que os dos demais membros do grupo Seu apelido é uma referência a sua deficiência física Sua amargura resulta dos maus tratos por parte dos pais e das torturas físicas que sofreu quando capturado por policiais VoltaSeca Personagem que faz referência à cultura sertaneja é um admirador do cangaço especialmente do cangaceiro Lampião Suas ações são temidas até pelos meninos do grupo João Grande Um menino amável doce e protetor Durante o desfecho da narrativa mostra seu cuidado com os demais capitães especialmente com os mais frágeis BoaVida Um grande malandro mas distinto de Gato Sua malandragem é para se esquivar de qualquer tipo de trabalho prezando pelo descanso e a folga constante Pirulito A personificação da religiosidade Sonha em ser padre e acredita que seus atos serão perdoados por Deus Sua fé é admirável Dora A única menina no grupo dos Capitães da Areia Perdeu os pais para a varíola Sua entrada no bando é conflituosa a princípio mas com o tempo tornase admirada e amada pelos meninos Ela é uma figura materna para o grupo e tem um romance com Pedro Bala 42 ANTAGONISTAS Dalva Uma prostituta que se envolve com o malandro Gato DonAninha Uma respeitada macumbeira protetora dos Capitães da Areia agindo como uma figura materna Padre José Pedro Defensor dos meninos do trapiche que tenta acalmar seus corações com palavras doces e religiosas João de Adão O grevista que revela a Pedro Bala a história de seu pai QueridodeDeus Um capoeirista baiano respeitado pelo grupo que ensina sua arte aos meninos e exerce influência sobre o bando 43 A NARRATIVA A narrativa se concentra nos Capitães da Areia um grupo de meninos de rua que vagam pelas ruas de Salvador na Bahia Abandonados e marginalizados todos os garotos são 7 menores de idade e possuem histórias de vida marcadas por conflitos familiares perda dos pais ou outras adversidades Essas são as razões que levam os meninos a ingressar no grupo que conta com mais de cem membros incluindo apenas uma menina Dora Ao longo do romance várias histórias são introduzidas e ganham destaque enquanto outras se somam à trajetória dos Capitães da Areia Os meninos sobrevivem cometendo furtos nas ruas de Salvador e ao final do dia retornam ao trapiche um galpão abandonado à beira da praia onde moram Cada membro do grupo desempenha uma função específica e ao observarmos as características descritas no livro notamos que essas funções estão sempre associadas às suas características psicológicas ou físicas Desde o destemido líder Pedro Bala cujo rosto é marcado por uma cicatriz de navalha até o devoto Pirulito que busca redenção em suas preces noturnas cada integrante deste grupo tem sua própria personalidade visão de mundo e sonhos modestos O Professor o único alfabetizado do bando contrasta com o sedutor Gato que trilha os passos de um aprendiz de cafetão Apesar da má reputação que os precede alguns indivíduos da cidade estendem a mão para ajudálos como o padre José Pedro a mãe de santo DonAninha o estivador João de Adão e o capoeirista QueridodeDeus Os cuidados recebidos estão evidenciados na música de Oswaldo Matheus e Zé do Violão Garoto abandonado na Bahia é Capitão de Areia é Capitão de Areia Garoto abandonado na Bahia é Capitão de Areia é Capitão de Areia Ganha o pão de cada dia Carregando o tabuleiro De Água de Meninos para o Largo do Terreiro Para no fim do dia ter algum dinheiro Para no fim do dia ter algum dinheiro Garoto abandonado na Bahia é Capitão de Areia é Capitão de Areia Garoto abandonado na Bahia é Capitão de Areia é Capitão de Areia A noitinha já cansado Coitadinho ele adormece Distraído sobre a areia nada de mau lhe acontece Ele é protegido da Mamãe Sereia Ele é protegido da Mamãe Sereia Ele é protegido da Mamãe Sereia Ele é protegido da Mamãe Sereia A noitinha já cansado Coitadinho ele adormece Distraído sobre a areia nada de mau lhe acontece Ele é protegido da Mamãe Sereia Ele é protegido da Mamãe Sereia Capitão de Areia 1964 8 À medida que os meninos crescem trilham caminhos diversos alguns se tornam marinheiros artistas frades gigolôs ou até cangaceiros Pedro Bala o líder decide lutar para mudar o destino dos menos favorecidos Influenciada pela militância comunista do autor na época de sua escrita a narrativa de Capitães da Areia transcende as questões políticas imediatas Divididos entre a inocência da infância e a dureza do mundo adulto essas crianças enfrentam um cotidiano livre porém vulnerável revelando um desamparo e fragilidade que em muitos aspectos continuam pertinentes até os dias atuais Capitães da Areia é um romance permeado pela ausência Esse princípio fundamental direciona a relação entre sujeito e objeto de valor de tal maneira que as relações interpessoais se encontram hierarquizadas ou mais precisamente em um estado de fragmentação mútua revelando a presença da contradição na dinâmica social A inferioridade um processo de subalternidade é vividamente retratada em várias partes da obra especialmente relacionada às condições de moradia das crianças Durante anos foi povoado exclusivamente pelos ratos que ai atravessavam em corridas brincalhonas que rolam a madeira das portas monumentais que o habitavam como senhores exclusivos Em certa época um cachorro vagabundo o procurou como refúgio contra o vento e contra a chuva AMADO 2008 p 21 grifos meus Logo depois transferiram para o trapiche o depósito dos objetos que o trabalho do dia lhes proporcionava Estranhas coisas entraram então para o trapiche Não mais estranhas porém que aqueles meninos moleques de todas as cores e de idades as mais variadas desde os 9 aos 16 anos que à 17 noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte e dormiam AMADO 2008 p 21 grifos meus A obra tem uma linguagem simples coloquial e popular algo que era característico em suas obras deixando o leitor ainda mais próximo com a realidade dos seus personagens Candido 2012 p 434 aborda sobre a produção da prosa brasileira foi essencialmente empenhada O desenvolvimento do romance brasileiro de Macedo a Jorge Amado mostra quanto a nossa literatura tem sido consciente de sua aplicação social e responsabilidade na construção de uma cultura de um senso de missão A vocação pública o senso de dever 15 literários não bastam de vez que o próprio alcance social de uma obra é decidido pela sua densidade artística e a receptividade que desperta em certos meios p 434 Jorge Amado dá voz às classes subalternas aproximando o leitor da realidade dos seus personagens Amado faz isso muito bem através da linguagem 9 Eles roubavam e furtavam brigavam nas ruas xingavam nomes derrubavam negrinhas no areal por vezes feriam com navalhas ou punhal homens e polícias Mas no entanto eram bons uns eram amigos dos outros Se fazia tudo aquilo é que não tinham casa nem pai nem mãe a vida deles era uma vida sem ter comida certa e dormindo num casarão quase sem teto Se não fizessem aquilo morreriam de fome porque eram raras as casas que davam de comer a um de vestir o outro E nem toda a cidade poderia dar a todos AMADO 2008 p 100 É importante destacar que na década de 1930 ocorreu um confronto de ideias pois a elite não apreciava a visibilidade que Jorge Amado dava aos segmentos considerados mais baixos da população No entanto o romancista não se deixou abalar pelas críticas à sua escrita ou à representação de personagens típicos do povo baiano especialmente de origem negra e das classes sociais subalternas em seus romances 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O texto aborda a complexidade do movimento neorealista em Portugal destacando os desafios enfrentados pelos escritores que buscavam retratar a realidade social em meio a um regime ditatorial As restrições políticas e a repressão cultural impuseram barreiras significativas ao desenvolvimento da literatura engajada que buscava conscientizar o leitor sobre as injustiças e a alienação na sociedade A crítica literária também se mostrou dividida em relação ao neorealismo questionando sua abordagem e estilo Enquanto alguns setores valorizavam a inserção da realidade social na arte outros criticavam a forma como isso era feito considerandoa estranha ou inadequada O movimento neorealista surgiu como uma resposta antifascista e como uma nova tendência literária comprometida com os problemas reais do país em contraposição ao descompromisso do movimento anterior Enquanto o Realismo buscava uma aproximação com a realidade ao retratar os costumes e conflitos humanos o NeoRealismo ia além visando conscientizar o leitor sobre a realidade social e sua alienação A literatura conforme enfatizado por Cândido desempenha um papel fundamental na formação individual e coletiva dos sujeitos de uma sociedade sendo não apenas um direito básico mas também uma necessidade inseparável Ela serve como instrumento de mediação da realidade permitindo que os leitores se identifiquem reflitam e se engajem com as questões sociais apresentadas A narrativa dos Capitães da Areia retrata nitidamente a vida de um grupo de meninos de rua em Salvador destacando suas histórias marcadas por adversidades e conflitos 10 familiares O romance evidencia as lutas diárias desses jovens para sobreviver em uma sociedade que os marginaliza enquanto também revela suas complexas dinâmicas internas e individuais A transição do ensaio para a análise da obra Capitães da Areia de Jorge Amado demonstra uma conexão relevante uma vez que a obra literária ilustra muitos dos princípios e preocupações do movimento neorealista A descrição dos personagens suas histórias de vida marcadas pela marginalização e adversidades e sua sobrevivência nas ruas de Salvador evidenciam as questões sociais e humanas que o neorealismo se propôs a abordar 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMADO Jorge Capitães da Areia São Paulo Companhia das letras 2008 BERND Zilá Literatura e Identidade Nacional 3ed Porto Alegre Editora da UFRGS 2011 CANDIDO Antonio O direito à literatura In Vários Escritos Rio de Janeiro Duas cidades 2004 PONTES Roberto Revista de Letras N0 27 Vol 12 jandez 2005 VELOSO Maria Cecília de Figueiredo A Liberdade em Capitães da Areia uma análise literária e social Brasília DF 2012 11 CAPA O contexto literário Neorealista Uma análise da obra Capitães da Areia SUMÁRIO1 1 INTRODUÇÃO2 2 O NEOREALISMO PORTUGUÊS2 3 A LITERATURA E A ESCRITA 4 4 A OBRA6 41 PERSONAGENS6 42 ANTAGONISTAS7 43 A NARRATIVA7 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS10 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS11 1 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho tem por objetivo geral investigar o contexto literário neorealista presente na obra Capitães da Areia de Jorge Amado Jorge Leal Amado de Faria nasceu em 10 de Agosto de 1913 e morreu com 89 anos no dia 06 de Agosto de 2001 Natural do município de Itabuna na fazenda Auricídia no sul da Bahia O escritor passou toda sua infância na cidade de Ilhéus a qual é retratada em diferentes obras de Jorge Amado Buscava desvendar a realidade e promover a conscientização crítica do povo para subverter a ordem social opressora O objetivo específico deste ensaio é analisar as características marcantes da obra de Amado além de descrever os personagens do romance 2 O NEOREALISMO PORTUGUÊS O NeoRealismo está ligado ao Realismo do século XX de forma íntima para ele o processo que culmina com o aparecimento da literatura neorealista do século XX tem início nas propostas do Realismo Oitocentista O Realismo acaba sendo uma reação contra o Romantismo O romantismo surge de uma oposição a essa realidade capitalistamoderna designada por vezes na linguagem romântica como a realidade sem mais No dicionário dos irmãos Grimm romantisch definese em parte como pertencente ao mundo da poesia por oposição à realidade prosaica e para Chateaubriand e Musset a superabundância de sentimentos contrasta com o vazio desolador do real Segundo a fórmula do jovem Lukács de Teoria do romance o romantismo da desilusão é caracterizado por uma inadequação da alma à realidade a alma é mais ampla e vasta do que todos os destinos que a vida esteja em condições de lhe oferecer SAYRE R e LÖWY M 1995 O nascimento do realismo enquanto movimento estético está ligado a uma tradição mimética de imitação da natureza de observação real e em seguida a ramificação dessa teoria da mimesis para uma teoria da representação Para Aristóteles existiam apenas dois modos de enunciação são eles modo narrativo epopéia e paródia e o modo dramático sendo eles dois tipos de mímesis Podese definir a mímesis como uma representaçãoimitação há muitas formas de mímesis como as artes e esculturas que operam a partir da lógica da mímesis Para o filósofo grego a mímesis é absolutamente fundamental 2 algo inato do ser humano uma forma de aprendizado e entendimento do mundo considerase como algo prazeroso natural belo e ético A necessidade inerente de representar a realidade o real é marcadamente pertencente a todo ideário estético do Realismo na Europa o projeto de modernização de Portugal por via do Realismo implica em muitos caminhos Para Eça o realismo tal como ele o compreendia não era simplesmente um processo de forma mas sim uma base filosófica para todas as concepções do espírito uma lei uma carta de guia um roteiro do pensamento humano na eterna religião artística do belo do bom e do justo MOOG 1939 Precursor do realismonaturalismo nas letras portuguesas Eça de Queirós retratou a sociedade tal como ela era O romantismo era a apoteose do sentimento o realismo é a anatomia do carácter É a crítica do homem É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos para nos conhecermos para que saibamos se somos verdadeiros ou falsos para condenar o que houver de mau na nossa sociedade QUEIRÓS Eça Eça de Queirós a literatura nova o realismo como nova expressão de arte In REIS Carlos As conferências do Cassino Lisboa Alfa 1990 p 135 142 p 140 Na literatura portuguesa houve vários períodos literários muito importantes e significativos que entre outras coisas revelaram grandes autores O NeoRealismo literário portugues é ainda hoje o ponto de partida ou a continuidade de uma série de discussões sobre uma parte da produção literária portuguesa elaborada no século passado o Neorrealismo alcança sua legitimidade através do gênero narrativo uma das características mais marcantes dessa corrente é o engajamento de seus escritores nas causas sociais os neo realistas buscavam através da literatura denunciar as desigualdades a opressão e as injustiças sociais Um movimento sempre inspirado nos ideais marxistas de consciência de classe e das lutas dessas classes que tem como ponto de partida os conflitos sociais que trazem como protagonistas camponeses operários patrões e senhores donos de terra dentro da literatura traz a público o antifascismo e a denúncia social A literatura neorealista se difunde em Portugal encontrando uma série de entraves para se consolidar um dos motivos que obstruíram o caminho era o regime ditatorial que de modo arbitrário impedia um avanço mais significativo da literatura e da ideologia que trazia consigo Além da constante vigilância que reprimia de forma violenta toda e qualquer ação que parecesse subversiva ou ofensiva ao regime do governo os neorealistas enfrentavam um outro obstáculo as críticas de setores ligados à arte que questionavam o tipo de escrita desenvolvida pela literatura neorealista as críticas partiam de setores contrários às 3 manifestações de uma literatura que naquela época passava a se aliar a se integrar a realidade trazendo para a arte elementos que eram considerados estranhos Para MASSAUD 2008 a eclosão do movimento neorrealista esteve associada à resistência antifascista ao final da década de 1930 E além disso ele se colocou como a nova tendência literária contra o descompromisso do movimento anterior o Presencismo e defendia uma literatura engajada voltada para os problemas concretos do país O Realismo buscou uma maior aproximação com a realidade ao descrever os costumes os conflitos interiores do ser humano as relações sociais analisando o comportamento humano e retratou através da literatura os problemas sociais isto é o Realismo concentrou seu interesse na natureza humana Enquanto o NeoRealismo buscava a conscientização do leitor para que ele pudesse perceber a realidade social e a alienação em que se encontra Ou seja este movimento sempre atuou como um instrumento de transformação social que dentre outras coisas objetivava buscava acabar com a alienação 3 A LITERATURA E A ESCRITA A escrita perspicaz engenhosa e libertadora do romance revela e explora a realidade social de forma abrangente promovendo uma experiência de leitura enriquecedora Ao deslocar o olhar do autor e do leitor para diversas áreas permite uma compreensão mais profunda e reflexiva do mundo ao nosso redor O sonho neorealista é prospectivo Projetase no futuro contudo toma a realidade como a ponta mais imediata deste para ansiando construílo E apesar de também utópico sua utopia futura tem início com a práxis transformadora a ação que possibilita a realização do sonhoPONTES R 2005 p 50 A escrita é o instrumento de mediação da realidade segundo Candido 2004 a literatura além de ser um direito básico é também uma necessidade inseparável para a formação do indivíduo Em sua obra afirma que a literatura convive nas dimensões coletivas e individuais dos sujeitos de uma sociedade A história da literatura reflete nos seus movimentos diversos a história da sociedade brasileira na sua formação social econômica e política como em Alencar Macedo Machado de Assis e outros A fase da literatura do Segundo Império exprime a inquietação dominante no País uma fase caracterizada precisamente pela vontade de conhecer de apreciar e tirar conclusão das razões do desenvolvimento da sociedade brasileira Assim as condições sociais é que não possibilitavam a existência de uma consciência aguda capaz de permitir a elaboração de um complexo cultural forte e próprio para valorizar o que era passível de 4 denúncia e que constituía entre nós a força do passado colonial poderosa e ativa Do ponto de vista intelectual a aquisição de conhecimento estava acentuadamente subordinada às condições de classe social A história literária foi em muito responsável pela construção difusão e consolidação do cânone a teoria da literatura por sua vez explicou sua perenidade o racionalizou e legitimou No pensamento de Antonio Gramsci os intelectuais têm um papel preponderante na vida social sendo compreendidos como todo o estrato social que exerce funções organizativas no campo da produção no da cultura e no políticoadministrativo GRAMSCI 2004 p 96 Um marco da ação de Jorge Amado para refletir sobre a presença africana na Bahia foi a organização do II Congresso AfroBrasileiro sediado em Salvador em 1937 com a participação de intelectuais mas também do povodesanto Para Bell Hooks as mulheres negras e os homens negros desenvolvem uma maneira particular de ver a realidade tanto de fora para dentro quanto de dentro para fora Centramos a atenção no centro e na margem porque desta consciência depende a nossa sobrevivência Desde o início da escravatura que nos tornamos especialistas em leituras psicanalíticas dao outrao brancao Hooks 1995 31 a literatura torna possível dar voz aqueles que foram calados pela história contadas pelo ponto de vista do homem branco A identidade está intimamente ligada à narrativa Bernd 2011 afirma que a construção da identidade é indissociável da narrativa e consequentemente da literatura Com essa afirmação os indivíduos se definem através das histórias que narram a si mesmos sobre si mesmos como forma de auto afirmarse A literatura com sua característica ficcional e simbólica sua polifonia e variedades de sentidos é um meio de resgatar a memória histórica da cultura afro brasileira e ir em busca das suas raízes através de fatos da história do afrodescendente no Brasil que foram apagados ou inventados sob a ótica dominante Lutar contra o esquecimento preservar a memória coletiva são modos de fortalecer a identidade Foi nessa busca pelo Brasil real que o romance Capitães da Areia encontrou na produção sociológica um rico repertório temático e expressivo Uma obra escrita em 1937 durante a primeira fase da carreira do escritor Jorge Amado é um poderoso testemunho das desigualdades sociais e dos problemas que assolam o Brasil especialmente na cidade de Salvador Enquanto as preocupações sociais dominam a narrativa as lutas internas e as histórias de vida dos meninos os tornam personagens notáveis únicos e acima de tudo corajosos 5 Roger Bastide 1972 ressalta que o projeto ideológico tão evidente no neorealismo regionalista de Amado transcende uma simples posição partidária tornandose um procedimento artístico e estético que inaugura um novo modelo de romance no Brasil Este novo modelo concentrase no homem social explorando suas características e expressões enquanto atua vigorosamente no centro das contradições de classe Jorge Amado foi um renomado escritor brasileiro cujo legado literário continua a influenciar a cultura e a literatura brasileira Sua escrita é caracterizada por retratar vividamente as tradições do povo brasileiro especialmente os marginalizados e desfavorecidos Amado explorou temas como a cultura afrobrasileira a luta dos trabalhadores rurais o sincretismo religioso e a luta contra a opressão política Entre suas obras mais famosas estão Dona Flor e Seus Dois Maridos Gabriela Cravo e Canela e Capitães da Areia que se tornaram clássicos da literatura brasileira e foram adaptadas para o cinema e televisão Segundo Veloso 2012 p9 Jorge Amado mescla uma linguagem forte realista com uma linguagem poética marcada por um sentimento profundo que algumas vezes faz o narrador parecer tomar partido dada a carga emotiva das palavras escolhidas para destrinchar os acontecimentos ou mesmo para descrever os ambientes Através de sua escrita Amado não apenas contou histórias cativantes mas também explorou questões sociais e políticas profundas contribuindo para o enriquecimento do panorama literário brasileiro 4 A OBRA Nesta narrativa intensa e comovente Amado desvela a vida de um grupo de meninos desfavorecidos que habitam um trapiche abandonado em Salvador Os Capitães da Areia com idades entre nove e dezesseis anos sobrevivem à margem da sociedade por meio de artimanhas e pequenos furtos semeando o terror na capital baiana 41 PERSONAGENS Pedro Bala Conhecido como o chefe do grupo de meninos foi parar nas ruas de Salvador aos cinco anos de idade Ágil e com um forte senso de justiça perdeu os pais muito cedo Seu pai foi um reconhecido líder operário brutalmente assassinado durante uma greve 6 Professor Considerado o braço direito de Pedro Bala na supervisão do bando Muito inteligente e o único do grupo que sabia ler e escrever é um leitor apaixonado e possui um talento artístico admirável Gato Reconhecido por sua malandragem é um dos mais bonitos do grupo e cheio de vaidades Com a sexualidade aflorada desde muito novo se envolve com uma mulher mais velha a prostituta Dalva ao longo do romance SemPernas O personagem mais complexo da narrativa com conflitos internos mais intensos que os dos demais membros do grupo Seu apelido é uma referência a sua deficiência física Sua amargura resulta dos maus tratos por parte dos pais e das torturas físicas que sofreu quando capturado por policiais VoltaSeca Personagem que faz referência à cultura sertaneja é um admirador do cangaço especialmente do cangaceiro Lampião Suas ações são temidas até pelos meninos do grupo João Grande Um menino amável doce e protetor Durante o desfecho da narrativa mostra seu cuidado com os demais capitães especialmente com os mais frágeis BoaVida Um grande malandro mas distinto de Gato Sua malandragem é para se esquivar de qualquer tipo de trabalho prezando pelo descanso e a folga constante Pirulito A personificação da religiosidade Sonha em ser padre e acredita que seus atos serão perdoados por Deus Sua fé é admirável Dora A única menina no grupo dos Capitães da Areia Perdeu os pais para a varíola Sua entrada no bando é conflituosa a princípio mas com o tempo tornase admirada e amada pelos meninos Ela é uma figura materna para o grupo e tem um romance com Pedro Bala 42 ANTAGONISTAS Dalva Uma prostituta que se envolve com o malandro Gato DonAninha Uma respeitada macumbeira protetora dos Capitães da Areia agindo como uma figura materna Padre José Pedro Defensor dos meninos do trapiche que tenta acalmar seus corações com palavras doces e religiosas João de Adão O grevista que revela a Pedro Bala a história de seu pai QueridodeDeus Um capoeirista baiano respeitado pelo grupo que ensina sua arte aos meninos e exerce influência sobre o bando 43 A NARRATIVA 7 A narrativa se concentra nos Capitães da Areia um grupo de meninos de rua que vagam pelas ruas de Salvador na Bahia Abandonados e marginalizados todos os garotos são menores de idade e possuem histórias de vida marcadas por conflitos familiares perda dos pais ou outras adversidades Essas são as razões que levam os meninos a ingressar no grupo que conta com mais de cem membros incluindo apenas uma menina Dora Ao longo do romance várias histórias são introduzidas e ganham destaque enquanto outras se somam à trajetória dos Capitães da Areia Os meninos sobrevivem cometendo furtos nas ruas de Salvador e ao final do dia retornam ao trapiche um galpão abandonado à beira da praia onde moram Cada membro do grupo desempenha uma função específica e ao observarmos as características descritas no livro notamos que essas funções estão sempre associadas às suas características psicológicas ou físicas Desde o destemido líder Pedro Bala cujo rosto é marcado por uma cicatriz de navalha até o devoto Pirulito que busca redenção em suas preces noturnas cada integrante deste grupo tem sua própria personalidade visão de mundo e sonhos modestos O Professor o único alfabetizado do bando contrasta com o sedutor Gato que trilha os passos de um aprendiz de cafetão Apesar da má reputação que os precede alguns indivíduos da cidade estendem a mão para ajudálos como o padre José Pedro a mãe de santo DonAninha o estivador João de Adão e o capoeirista QueridodeDeus Os cuidados recebidos estão evidenciados na música de Oswaldo Matheus e Zé do Violão Garoto abandonado na Bahia é Capitão de Areia é Capitão de Areia Garoto abandonado na Bahia é Capitão de Areia é Capitão de Areia Ganha o pão de cada dia Carregando o tabuleiro De Água de Meninos para o Largo do Terreiro Para no fim do dia ter algum dinheiro Para no fim do dia ter algum dinheiro Garoto abandonado na Bahia é Capitão de Areia é Capitão de Areia Garoto abandonado na Bahia é Capitão de Areia é Capitão de Areia A noitinha já cansado Coitadinho ele adormece Distraído sobre a areia nada de mau lhe acontece Ele é protegido da Mamãe Sereia Ele é protegido da Mamãe Sereia Ele é protegido da Mamãe Sereia Ele é protegido da Mamãe Sereia A noitinha já cansado Coitadinho ele adormece 8 Distraído sobre a areia nada de mau lhe acontece Ele é protegido da Mamãe Sereia Ele é protegido da Mamãe Sereia Capitão de Areia 1964 À medida que os meninos crescem trilham caminhos diversos alguns se tornam marinheiros artistas frades gigolôs ou até cangaceiros Pedro Bala o líder decide lutar para mudar o destino dos menos favorecidos Influenciada pela militância comunista do autor na época de sua escrita a narrativa de Capitães da Areia transcende as questões políticas imediatas Divididos entre a inocência da infância e a dureza do mundo adulto essas crianças enfrentam um cotidiano livre porém vulnerável revelando um desamparo e fragilidade que em muitos aspectos continuam pertinentes até os dias atuais Capitães da Areia é um romance permeado pela ausência Esse princípio fundamental direciona a relação entre sujeito e objeto de valor de tal maneira que as relações interpessoais se encontram hierarquizadas ou mais precisamente em um estado de fragmentação mútua revelando a presença da contradição na dinâmica social A inferioridade um processo de subalternidade é vividamente retratada em várias partes da obra especialmente relacionada às condições de moradia das crianças Durante anos foi povoado exclusivamente pelos ratos que ai atravessavam em corridas brincalhonas que rolam a madeira das portas monumentais que o habitavam como senhores exclusivos Em certa época um cachorro vagabundo o procurou como refúgio contra o vento e contra a chuva AMADO 2008 p 21 grifos meus Logo depois transferiram para o trapiche o depósito dos objetos que o trabalho do dia lhes proporcionava Estranhas coisas entraram então para o trapiche Não mais estranhas porém que aqueles meninos moleques de todas as cores e de idades as mais variadas desde os 9 aos 16 anos que à 17 noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte e dormiam AMADO 2008 p 21 grifos meus A obra tem uma linguagem simples coloquial e popular algo que era característico em suas obras deixando o leitor ainda mais próximo com a realidade dos seus personagens Candido 2012 p 434 aborda sobre a produção da prosa brasileira foi essencialmente empenhada O desenvolvimento do romance brasileiro de Macedo a Jorge Amado mostra quanto a nossa literatura tem sido consciente de sua aplicação social e responsabilidade na construção de uma cultura de um senso de missão A vocação pública o senso de dever 15 literários não bastam de vez que o próprio alcance social de uma obra é decidido pela sua densidade artística e a receptividade que desperta em certos meios p 434 9 Jorge Amado dá voz às classes subalternas aproximando o leitor da realidade dos seus personagens Amado faz isso muito bem através da linguagem Eles roubavam e furtavam brigavam nas ruas xingavam nomes derrubavam negrinhas no areal por vezes feriam com navalhas ou punhal homens e polícias Mas no entanto eram bons uns eram amigos dos outros Se fazia tudo aquilo é que não tinham casa nem pai nem mãe a vida deles era uma vida sem ter comida certa e dormindo num casarão quase sem teto Se não fizessem aquilo morreriam de fome porque eram raras as casas que davam de comer a um de vestir o outro E nem toda a cidade poderia dar a todos AMADO 2008 p 100 É importante destacar que na década de 1930 ocorreu um confronto de ideias pois a elite não apreciava a visibilidade que Jorge Amado dava aos segmentos considerados mais baixos da população No entanto o romancista não se deixou abalar pelas críticas à sua escrita ou à representação de personagens típicos do povo baiano especialmente de origem negra e das classes sociais subalternas em seus romances 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O texto aborda a complexidade do movimento neorealista em Portugal destacando os desafios enfrentados pelos escritores que buscavam retratar a realidade social em meio a um regime ditatorial As restrições políticas e a repressão cultural impuseram barreiras significativas ao desenvolvimento da literatura engajada que buscava conscientizar o leitor sobre as injustiças e a alienação na sociedade A crítica literária também se mostrou dividida em relação ao neorealismo questionando sua abordagem e estilo Enquanto alguns setores valorizavam a inserção da realidade social na arte outros criticavam a forma como isso era feito considerandoa estranha ou inadequada O movimento neorealista surgiu como uma resposta antifascista e como uma nova tendência literária comprometida com os problemas reais do país em contraposição ao descompromisso do movimento anterior Enquanto o Realismo buscava uma aproximação com a realidade ao retratar os costumes e conflitos humanos o NeoRealismo ia além visando conscientizar o leitor sobre a realidade social e sua alienação A literatura conforme enfatizado por Cândido desempenha um papel fundamental na formação individual e coletiva dos sujeitos de uma sociedade sendo não apenas um direito básico mas também uma necessidade inseparável Ela serve como instrumento de mediação 10 da realidade permitindo que os leitores se identifiquem reflitam e se engajem com as questões sociais apresentadas A narrativa dos Capitães da Areia retrata nitidamente a vida de um grupo de meninos de rua em Salvador destacando suas histórias marcadas por adversidades e conflitos familiares O romance evidencia as lutas diárias desses jovens para sobreviver em uma sociedade que os marginaliza enquanto também revela suas complexas dinâmicas internas e individuais A transição do ensaio para a análise da obra Capitães da Areia de Jorge Amado demonstra uma conexão relevante uma vez que a obra literária ilustra muitos dos princípios e preocupações do movimento neorealista A descrição dos personagens suas histórias de vida marcadas pela marginalização e adversidades e sua sobrevivência nas ruas de Salvador evidenciam as questões sociais e humanas que o neorealismo se propôs a abordar 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMADO Jorge Capitães da Areia São Paulo Companhia das letras 2008 BERND Zilá Literatura e Identidade Nacional 3ed Porto Alegre Editora da UFRGS 2011 CANDIDO Antonio O direito à literatura In Vários Escritos Rio de Janeiro Duas cidades 2004 PONTES Roberto Revista de Letras N0 27 Vol 12 jandez 2005 VELOSO Maria Cecília de Figueiredo A Liberdade em Capitães da Areia uma análise literária e social Brasília DF 2012 11
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Visão geral Um ensaio estendido EE em estudos de língua e literatura dá aos alunos a oportunidade de realizar pesquisas independentes sobre um tópico de interesse especial para eles dentro do assunto Destinase a promover habilidades avançadas de pesquisa e escrita descoberta intelectual e criatividade A redação está aberta a alunos que escrevem em um idioma que seriam capazes de oferecer como idioma A Deve ser escrito no idioma para o qual está registrado Os alunos não devem enviar um EE do Grupo 1 no idioma do Grupo 2 Os estudos em língua e literatura EEs são divididos em três categorias Categoria 1 Estudos de uma ou mais obras literárias escritas originalmente na língua em que o ensaio é apresentado Categoria 2 Estudos de uma obra literária ou obras originalmente escritas no idioma do ensaio em comparação com uma ou mais obras literárias originalmente escritas em outro idioma A obra originalmente escrita em outro idioma poderá ser estudada em tradução Categoria 3 Estudos de linguagem baseados em um ou mais textos originalmente produzidos na língua em que o ensaio é apresentado Os textos podem ser comparados com um texto traduzido originalmente escrito em outro idioma Quando for adotada uma abordagem comparativa e pelo menos um dos tipos de texto for não literário eou multimodal o ensaio seria uma categoria 3 No momento da submissão a categoria de idioma Um ensaio deve ser identificada Categorias 1 e 2 Um EE nas categorias 1 e 2 dá aos alunos a oportunidade de estudar em profundidade um tema literário envolverse em crítica literária independente envolverse com comentários críticos estabelecidos desenvolver a capacidade de expor os seus pontos de vista de forma persuasiva e bem estruturada utilizando um registo adequado ao estudo da literatura Os alunos deverão situar a análise dos textos escolhidos no contexto mais amplo da disciplina Isto deve incluir outros textos literários ou perspectivas ou percepções críticas específicas No entanto esta discussão mais ampla deverá melhorar o conhecimento e a compreensão dos textos escolhidos pelo leitor sem desviar o foco principal da sua questão de investigação CAPA O contexto literário Neorealista Uma análise da obra Capitães da Areia SUMÁRIO1 1 INTRODUÇÃO2 2 O NEOREALISMO PORTUGUÊS2 3 A LITERATURA E A ESCRITA4 4 A OBRA6 41 PERSONAGENS6 42 ANTAGONISTAS7 43 A NARRATIVA7 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS10 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS11 1 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho tem por objetivo geral investigar o contexto literário neorealista presente na obra Capitães da Areia de Jorge Amado Jorge Leal Amado de Faria nasceu em 10 de Agosto de 1913 e morreu com 89 anos no dia 06 de Agosto de 2001 Natural do município de Itabuna na fazenda Auricídia no sul da Bahia O escritor passou toda sua infância na cidade de Ilhéus a qual é retratada em diferentes obras de Jorge Amado Buscava desvendar a realidade e promover a conscientização crítica do povo para subverter a ordem social opressora O objetivo específico deste ensaio é analisar as características marcantes da obra de Amado além de descrever os personagens do romance 2 O NEOREALISMO PORTUGUÊS O NeoRealismo está ligado ao Realismo do século XX de forma íntima para ele o processo que culmina com o aparecimento da literatura neorealista do século XX tem início nas propostas do Realismo Oitocentista O Realismo acaba sendo uma reação contra o Romantismo O romantismo surge de uma oposição a essa realidade capitalistamoderna designada por vezes na linguagem romântica como a realidade sem mais No dicionário dos irmãos Grimm romantisch definese em parte como pertencente ao mundo da poesia por oposição à realidade prosaica e para Chateaubriand e Musset a superabundância de sentimentos contrasta com o vazio desolador do real Segundo a fórmula do jovem Lukács de Teoria do romance o romantismo da desilusão é caracterizado por uma inadequação da alma à realidade a alma é mais ampla e vasta do que todos os destinos que a vida esteja em condições de lhe oferecer SAYRE R e LÖWY M 1995 O nascimento do realismo enquanto movimento estético está ligado a uma tradição mimética de imitação da natureza de observação real e em seguida a ramificação dessa teoria da mimesis para uma teoria da representação Para Aristóteles existiam apenas dois modos de enunciação são eles modo narrativo epopéia e paródia e o modo dramático sendo eles dois tipos de mímesis Podese definir a mímesis como uma representaçãoimitação há muitas formas de mímesis como as artes e esculturas que operam a partir da lógica da mímesis Para o filósofo grego a mímesis é absolutamente fundamental algo inato do ser humano uma forma de aprendizado e entendimento do mundo considerase como algo prazeroso natural belo e ético 2 A necessidade inerente de representar a realidade o real é marcadamente pertencente a todo ideário estético do Realismo na Europa o projeto de modernização de Portugal por via do Realismo implica em muitos caminhos Para Eça o realismo tal como ele o compreendia não era simplesmente um processo de forma mas sim uma base filosófica para todas as concepções do espírito uma lei uma carta de guia um roteiro do pensamento humano na eterna religião artística do belo do bom e do justo MOOG 1939 Precursor do realismonaturalismo nas letras portuguesas Eça de Queirós retratou a sociedade tal como ela era O romantismo era a apoteose do sentimento o realismo é a anatomia do carácter É a crítica do homem É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos para nos conhecermos para que saibamos se somos verdadeiros ou falsos para condenar o que houver de mau na nossa sociedade QUEIRÓS Eça Eça de Queirós a literatura nova o realismo como nova expressão de arte In REIS Carlos As conferências do Cassino Lisboa Alfa 1990 p 135142 p 140 Na literatura portuguesa houve vários períodos literários muito importantes e significativos que entre outras coisas revelaram grandes autores O NeoRealismo literário portugues é ainda hoje o ponto de partida ou a continuidade de uma série de discussões sobre uma parte da produção literária portuguesa elaborada no século passado o Neorrealismo alcança sua legitimidade através do gênero narrativo uma das características mais marcantes dessa corrente é o engajamento de seus escritores nas causas sociais os neorealistas buscavam através da literatura denunciar as desigualdades a opressão e as injustiças sociais Um movimento sempre inspirado nos ideais marxistas de consciência de classe e das lutas dessas classes que tem como ponto de partida os conflitos sociais que trazem como protagonistas camponeses operários patrões e senhores donos de terra dentro da literatura traz a público o antifascismo e a denúncia social A literatura neorealista se difunde em Portugal encontrando uma série de entraves para se consolidar um dos motivos que obstruíram o caminho era o regime ditatorial que de modo arbitrário impedia um avanço mais significativo da literatura e da ideologia que trazia consigo Além da constante vigilância que reprimia de forma violenta toda e qualquer ação que parecesse subversiva ou ofensiva ao regime do governo os neorealistas enfrentavam um outro obstáculo as críticas de setores ligados à arte que questionavam o tipo de escrita desenvolvida pela literatura neorealista as críticas partiam de setores contrários às manifestações de uma literatura que naquela época passava a se aliar a se integrar a realidade trazendo para a arte elementos que eram considerados estranhos 3 Para MASSAUD 2008 a eclosão do movimento neorrealista esteve associada à resistência antifascista ao final da década de 1930 E além disso ele se colocou como a nova tendência literária contra o descompromisso do movimento anterior o Presencismo e defendia uma literatura engajada voltada para os problemas concretos do país O Realismo buscou uma maior aproximação com a realidade ao descrever os costumes os conflitos interiores do ser humano as relações sociais analisando o comportamento humano e retratou através da literatura os problemas sociais isto é o Realismo concentrou seu interesse na natureza humana Enquanto o NeoRealismo buscava a conscientização do leitor para que ele pudesse perceber a realidade social e a alienação em que se encontra Ou seja este movimento sempre atuou como um instrumento de transformação social que dentre outras coisas objetivava buscava acabar com a alienação 3 A LITERATURA E A ESCRITA A escrita perspicaz engenhosa e libertadora do romance revela e explora a realidade social de forma abrangente promovendo uma experiência de leitura enriquecedora Ao deslocar o olhar do autor e do leitor para diversas áreas permite uma compreensão mais profunda e reflexiva do mundo ao nosso redor O sonho neorealista é prospectivo Projetase no futuro contudo toma a realidade como a ponta mais imediata deste para ansiando construílo E apesar de também utópico sua utopia futura tem início com a práxis transformadora a ação que possibilita a realização do sonhoPONTES R 2005 p 50 A escrita é o instrumento de mediação da realidade segundo Candido 2004 a literatura além de ser um direito básico é também uma necessidade inseparável para a formação do indivíduo Em sua obra afirma que a literatura convive nas dimensões coletivas e individuais dos sujeitos de uma sociedade A história da literatura reflete nos seus movimentos diversos a história da sociedade brasileira na sua formação social econômica e política como em Alencar Macedo Machado de Assis e outros A fase da literatura do Segundo Império exprime a inquietação dominante no País uma fase caracterizada precisamente pela vontade de conhecer de apreciar e tirar conclusão das razões do desenvolvimento da sociedade brasileira Assim as condições sociais é que não possibilitavam a existência de uma consciência aguda capaz de permitir a elaboração de um complexo cultural forte e próprio para valorizar o que era passível de denúncia e que constituía entre nós a força do passado colonial poderosa e ativa Do ponto de vista intelectual a aquisição de conhecimento estava acentuadamente subordinada às 4 condições de classe social A história literária foi em muito responsável pela construção difusão e consolidação do cânone a teoria da literatura por sua vez explicou sua perenidade o racionalizou e legitimou No pensamento de Antonio Gramsci os intelectuais têm um papel preponderante na vida social sendo compreendidos como todo o estrato social que exerce funções organizativas no campo da produção no da cultura e no políticoadministrativo GRAMSCI 2004 p 96 Um marco da ação de Jorge Amado para refletir sobre a presença africana na Bahia foi a organização do II Congresso AfroBrasileiro sediado em Salvador em 1937 com a participação de intelectuais mas também do povodesanto Para Bell Hooks as mulheres negras e os homens negros desenvolvem uma maneira particular de ver a realidade tanto de fora para dentro quanto de dentro para fora Centramos a atenção no centro e na margem porque desta consciência depende a nossa sobrevivência Desde o início da escravatura que nos tornamos especialistas em leituras psicanalíticas dao outrao brancao Hooks 1995 31 a literatura torna possível dar voz aqueles que foram calados pela história contadas pelo ponto de vista do homem branco A identidade está intimamente ligada à narrativa Bernd 2011 afirma que a construção da identidade é indissociável da narrativa e consequentemente da literatura Com essa afirmação os indivíduos se definem através das histórias que narram a si mesmos sobre si mesmos como forma de auto afirmarse A literatura com sua característica ficcional e simbólica sua polifonia e variedades de sentidos é um meio de resgatar a memória histórica da cultura afrobrasileira e ir em busca das suas raízes através de fatos da história do afrodescendente no Brasil que foram apagados ou inventados sob a ótica dominante Lutar contra o esquecimento preservar a memória coletiva são modos de fortalecer a identidade Foi nessa busca pelo Brasil real que o romance Capitães da Areia encontrou na produção sociológica um rico repertório temático e expressivo Uma obra escrita em 1937 durante a primeira fase da carreira do escritor Jorge Amado é um poderoso testemunho das desigualdades sociais e dos problemas que assolam o Brasil especialmente na cidade de Salvador Enquanto as preocupações sociais dominam a narrativa as lutas internas e as histórias de vida dos meninos os tornam personagens notáveis únicos e acima de tudo corajosos Roger Bastide 1972 ressalta que o projeto ideológico tão evidente no neorealismo regionalista de Amado transcende uma simples posição partidária tornandose um procedimento artístico e estético que inaugura um novo modelo de romance no Brasil Este 5 novo modelo concentrase no homem social explorando suas características e expressões enquanto atua vigorosamente no centro das contradições de classe Jorge Amado foi um renomado escritor brasileiro cujo legado literário continua a influenciar a cultura e a literatura brasileira Sua escrita é caracterizada por retratar vividamente as tradições do povo brasileiro especialmente os marginalizados e desfavorecidos Amado explorou temas como a cultura afrobrasileira a luta dos trabalhadores rurais o sincretismo religioso e a luta contra a opressão política Entre suas obras mais famosas estão Dona Flor e Seus Dois Maridos Gabriela Cravo e Canela e Capitães da Areia que se tornaram clássicos da literatura brasileira e foram adaptadas para o cinema e televisão Segundo Veloso 2012 p9 Jorge Amado mescla uma linguagem forte realista com uma linguagem poética marcada por um sentimento profundo que algumas vezes faz o narrador parecer tomar partido dada a carga emotiva das palavras escolhidas para destrinchar os acontecimentos ou mesmo para descrever os ambientes Através de sua escrita Amado não apenas contou histórias cativantes mas também explorou questões sociais e políticas profundas contribuindo para o enriquecimento do panorama literário brasileiro 4 A OBRA Nesta narrativa intensa e comovente Amado desvela a vida de um grupo de meninos desfavorecidos que habitam um trapiche abandonado em Salvador Os Capitães da Areia com idades entre nove e dezesseis anos sobrevivem à margem da sociedade por meio de artimanhas e pequenos furtos semeando o terror na capital baiana 41 PERSONAGENS Pedro Bala Conhecido como o chefe do grupo de meninos foi parar nas ruas de Salvador aos cinco anos de idade Ágil e com um forte senso de justiça perdeu os pais muito cedo Seu pai foi um reconhecido líder operário brutalmente assassinado durante uma greve Professor Considerado o braço direito de Pedro Bala na supervisão do bando Muito inteligente e o único do grupo que sabia ler e escrever é um leitor apaixonado e possui um talento artístico admirável 6 Gato Reconhecido por sua malandragem é um dos mais bonitos do grupo e cheio de vaidades Com a sexualidade aflorada desde muito novo se envolve com uma mulher mais velha a prostituta Dalva ao longo do romance SemPernas O personagem mais complexo da narrativa com conflitos internos mais intensos que os dos demais membros do grupo Seu apelido é uma referência a sua deficiência física Sua amargura resulta dos maus tratos por parte dos pais e das torturas físicas que sofreu quando capturado por policiais VoltaSeca Personagem que faz referência à cultura sertaneja é um admirador do cangaço especialmente do cangaceiro Lampião Suas ações são temidas até pelos meninos do grupo João Grande Um menino amável doce e protetor Durante o desfecho da narrativa mostra seu cuidado com os demais capitães especialmente com os mais frágeis BoaVida Um grande malandro mas distinto de Gato Sua malandragem é para se esquivar de qualquer tipo de trabalho prezando pelo descanso e a folga constante Pirulito A personificação da religiosidade Sonha em ser padre e acredita que seus atos serão perdoados por Deus Sua fé é admirável Dora A única menina no grupo dos Capitães da Areia Perdeu os pais para a varíola Sua entrada no bando é conflituosa a princípio mas com o tempo tornase admirada e amada pelos meninos Ela é uma figura materna para o grupo e tem um romance com Pedro Bala 42 ANTAGONISTAS Dalva Uma prostituta que se envolve com o malandro Gato DonAninha Uma respeitada macumbeira protetora dos Capitães da Areia agindo como uma figura materna Padre José Pedro Defensor dos meninos do trapiche que tenta acalmar seus corações com palavras doces e religiosas João de Adão O grevista que revela a Pedro Bala a história de seu pai QueridodeDeus Um capoeirista baiano respeitado pelo grupo que ensina sua arte aos meninos e exerce influência sobre o bando 43 A NARRATIVA A narrativa se concentra nos Capitães da Areia um grupo de meninos de rua que vagam pelas ruas de Salvador na Bahia Abandonados e marginalizados todos os garotos são 7 menores de idade e possuem histórias de vida marcadas por conflitos familiares perda dos pais ou outras adversidades Essas são as razões que levam os meninos a ingressar no grupo que conta com mais de cem membros incluindo apenas uma menina Dora Ao longo do romance várias histórias são introduzidas e ganham destaque enquanto outras se somam à trajetória dos Capitães da Areia Os meninos sobrevivem cometendo furtos nas ruas de Salvador e ao final do dia retornam ao trapiche um galpão abandonado à beira da praia onde moram Cada membro do grupo desempenha uma função específica e ao observarmos as características descritas no livro notamos que essas funções estão sempre associadas às suas características psicológicas ou físicas Desde o destemido líder Pedro Bala cujo rosto é marcado por uma cicatriz de navalha até o devoto Pirulito que busca redenção em suas preces noturnas cada integrante deste grupo tem sua própria personalidade visão de mundo e sonhos modestos O Professor o único alfabetizado do bando contrasta com o sedutor Gato que trilha os passos de um aprendiz de cafetão Apesar da má reputação que os precede alguns indivíduos da cidade estendem a mão para ajudálos como o padre José Pedro a mãe de santo DonAninha o estivador João de Adão e o capoeirista QueridodeDeus Os cuidados recebidos estão evidenciados na música de Oswaldo Matheus e Zé do Violão Garoto abandonado na Bahia é Capitão de Areia é Capitão de Areia Garoto abandonado na Bahia é Capitão de Areia é Capitão de Areia Ganha o pão de cada dia Carregando o tabuleiro De Água de Meninos para o Largo do Terreiro Para no fim do dia ter algum dinheiro Para no fim do dia ter algum dinheiro Garoto abandonado na Bahia é Capitão de Areia é Capitão de Areia Garoto abandonado na Bahia é Capitão de Areia é Capitão de Areia A noitinha já cansado Coitadinho ele adormece Distraído sobre a areia nada de mau lhe acontece Ele é protegido da Mamãe Sereia Ele é protegido da Mamãe Sereia Ele é protegido da Mamãe Sereia Ele é protegido da Mamãe Sereia A noitinha já cansado Coitadinho ele adormece Distraído sobre a areia nada de mau lhe acontece Ele é protegido da Mamãe Sereia Ele é protegido da Mamãe Sereia Capitão de Areia 1964 8 À medida que os meninos crescem trilham caminhos diversos alguns se tornam marinheiros artistas frades gigolôs ou até cangaceiros Pedro Bala o líder decide lutar para mudar o destino dos menos favorecidos Influenciada pela militância comunista do autor na época de sua escrita a narrativa de Capitães da Areia transcende as questões políticas imediatas Divididos entre a inocência da infância e a dureza do mundo adulto essas crianças enfrentam um cotidiano livre porém vulnerável revelando um desamparo e fragilidade que em muitos aspectos continuam pertinentes até os dias atuais Capitães da Areia é um romance permeado pela ausência Esse princípio fundamental direciona a relação entre sujeito e objeto de valor de tal maneira que as relações interpessoais se encontram hierarquizadas ou mais precisamente em um estado de fragmentação mútua revelando a presença da contradição na dinâmica social A inferioridade um processo de subalternidade é vividamente retratada em várias partes da obra especialmente relacionada às condições de moradia das crianças Durante anos foi povoado exclusivamente pelos ratos que ai atravessavam em corridas brincalhonas que rolam a madeira das portas monumentais que o habitavam como senhores exclusivos Em certa época um cachorro vagabundo o procurou como refúgio contra o vento e contra a chuva AMADO 2008 p 21 grifos meus Logo depois transferiram para o trapiche o depósito dos objetos que o trabalho do dia lhes proporcionava Estranhas coisas entraram então para o trapiche Não mais estranhas porém que aqueles meninos moleques de todas as cores e de idades as mais variadas desde os 9 aos 16 anos que à 17 noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte e dormiam AMADO 2008 p 21 grifos meus A obra tem uma linguagem simples coloquial e popular algo que era característico em suas obras deixando o leitor ainda mais próximo com a realidade dos seus personagens Candido 2012 p 434 aborda sobre a produção da prosa brasileira foi essencialmente empenhada O desenvolvimento do romance brasileiro de Macedo a Jorge Amado mostra quanto a nossa literatura tem sido consciente de sua aplicação social e responsabilidade na construção de uma cultura de um senso de missão A vocação pública o senso de dever 15 literários não bastam de vez que o próprio alcance social de uma obra é decidido pela sua densidade artística e a receptividade que desperta em certos meios p 434 Jorge Amado dá voz às classes subalternas aproximando o leitor da realidade dos seus personagens Amado faz isso muito bem através da linguagem 9 Eles roubavam e furtavam brigavam nas ruas xingavam nomes derrubavam negrinhas no areal por vezes feriam com navalhas ou punhal homens e polícias Mas no entanto eram bons uns eram amigos dos outros Se fazia tudo aquilo é que não tinham casa nem pai nem mãe a vida deles era uma vida sem ter comida certa e dormindo num casarão quase sem teto Se não fizessem aquilo morreriam de fome porque eram raras as casas que davam de comer a um de vestir o outro E nem toda a cidade poderia dar a todos AMADO 2008 p 100 É importante destacar que na década de 1930 ocorreu um confronto de ideias pois a elite não apreciava a visibilidade que Jorge Amado dava aos segmentos considerados mais baixos da população No entanto o romancista não se deixou abalar pelas críticas à sua escrita ou à representação de personagens típicos do povo baiano especialmente de origem negra e das classes sociais subalternas em seus romances 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O texto aborda a complexidade do movimento neorealista em Portugal destacando os desafios enfrentados pelos escritores que buscavam retratar a realidade social em meio a um regime ditatorial As restrições políticas e a repressão cultural impuseram barreiras significativas ao desenvolvimento da literatura engajada que buscava conscientizar o leitor sobre as injustiças e a alienação na sociedade A crítica literária também se mostrou dividida em relação ao neorealismo questionando sua abordagem e estilo Enquanto alguns setores valorizavam a inserção da realidade social na arte outros criticavam a forma como isso era feito considerandoa estranha ou inadequada O movimento neorealista surgiu como uma resposta antifascista e como uma nova tendência literária comprometida com os problemas reais do país em contraposição ao descompromisso do movimento anterior Enquanto o Realismo buscava uma aproximação com a realidade ao retratar os costumes e conflitos humanos o NeoRealismo ia além visando conscientizar o leitor sobre a realidade social e sua alienação A literatura conforme enfatizado por Cândido desempenha um papel fundamental na formação individual e coletiva dos sujeitos de uma sociedade sendo não apenas um direito básico mas também uma necessidade inseparável Ela serve como instrumento de mediação da realidade permitindo que os leitores se identifiquem reflitam e se engajem com as questões sociais apresentadas A narrativa dos Capitães da Areia retrata nitidamente a vida de um grupo de meninos de rua em Salvador destacando suas histórias marcadas por adversidades e conflitos 10 familiares O romance evidencia as lutas diárias desses jovens para sobreviver em uma sociedade que os marginaliza enquanto também revela suas complexas dinâmicas internas e individuais A transição do ensaio para a análise da obra Capitães da Areia de Jorge Amado demonstra uma conexão relevante uma vez que a obra literária ilustra muitos dos princípios e preocupações do movimento neorealista A descrição dos personagens suas histórias de vida marcadas pela marginalização e adversidades e sua sobrevivência nas ruas de Salvador evidenciam as questões sociais e humanas que o neorealismo se propôs a abordar 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMADO Jorge Capitães da Areia São Paulo Companhia das letras 2008 BERND Zilá Literatura e Identidade Nacional 3ed Porto Alegre Editora da UFRGS 2011 CANDIDO Antonio O direito à literatura In Vários Escritos Rio de Janeiro Duas cidades 2004 PONTES Roberto Revista de Letras N0 27 Vol 12 jandez 2005 VELOSO Maria Cecília de Figueiredo A Liberdade em Capitães da Areia uma análise literária e social Brasília DF 2012 11 CAPA O contexto literário Neorealista Uma análise da obra Capitães da Areia SUMÁRIO1 1 INTRODUÇÃO2 2 O NEOREALISMO PORTUGUÊS2 3 A LITERATURA E A ESCRITA 4 4 A OBRA6 41 PERSONAGENS6 42 ANTAGONISTAS7 43 A NARRATIVA7 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS10 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS11 1 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho tem por objetivo geral investigar o contexto literário neorealista presente na obra Capitães da Areia de Jorge Amado Jorge Leal Amado de Faria nasceu em 10 de Agosto de 1913 e morreu com 89 anos no dia 06 de Agosto de 2001 Natural do município de Itabuna na fazenda Auricídia no sul da Bahia O escritor passou toda sua infância na cidade de Ilhéus a qual é retratada em diferentes obras de Jorge Amado Buscava desvendar a realidade e promover a conscientização crítica do povo para subverter a ordem social opressora O objetivo específico deste ensaio é analisar as características marcantes da obra de Amado além de descrever os personagens do romance 2 O NEOREALISMO PORTUGUÊS O NeoRealismo está ligado ao Realismo do século XX de forma íntima para ele o processo que culmina com o aparecimento da literatura neorealista do século XX tem início nas propostas do Realismo Oitocentista O Realismo acaba sendo uma reação contra o Romantismo O romantismo surge de uma oposição a essa realidade capitalistamoderna designada por vezes na linguagem romântica como a realidade sem mais No dicionário dos irmãos Grimm romantisch definese em parte como pertencente ao mundo da poesia por oposição à realidade prosaica e para Chateaubriand e Musset a superabundância de sentimentos contrasta com o vazio desolador do real Segundo a fórmula do jovem Lukács de Teoria do romance o romantismo da desilusão é caracterizado por uma inadequação da alma à realidade a alma é mais ampla e vasta do que todos os destinos que a vida esteja em condições de lhe oferecer SAYRE R e LÖWY M 1995 O nascimento do realismo enquanto movimento estético está ligado a uma tradição mimética de imitação da natureza de observação real e em seguida a ramificação dessa teoria da mimesis para uma teoria da representação Para Aristóteles existiam apenas dois modos de enunciação são eles modo narrativo epopéia e paródia e o modo dramático sendo eles dois tipos de mímesis Podese definir a mímesis como uma representaçãoimitação há muitas formas de mímesis como as artes e esculturas que operam a partir da lógica da mímesis Para o filósofo grego a mímesis é absolutamente fundamental 2 algo inato do ser humano uma forma de aprendizado e entendimento do mundo considerase como algo prazeroso natural belo e ético A necessidade inerente de representar a realidade o real é marcadamente pertencente a todo ideário estético do Realismo na Europa o projeto de modernização de Portugal por via do Realismo implica em muitos caminhos Para Eça o realismo tal como ele o compreendia não era simplesmente um processo de forma mas sim uma base filosófica para todas as concepções do espírito uma lei uma carta de guia um roteiro do pensamento humano na eterna religião artística do belo do bom e do justo MOOG 1939 Precursor do realismonaturalismo nas letras portuguesas Eça de Queirós retratou a sociedade tal como ela era O romantismo era a apoteose do sentimento o realismo é a anatomia do carácter É a crítica do homem É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos para nos conhecermos para que saibamos se somos verdadeiros ou falsos para condenar o que houver de mau na nossa sociedade QUEIRÓS Eça Eça de Queirós a literatura nova o realismo como nova expressão de arte In REIS Carlos As conferências do Cassino Lisboa Alfa 1990 p 135 142 p 140 Na literatura portuguesa houve vários períodos literários muito importantes e significativos que entre outras coisas revelaram grandes autores O NeoRealismo literário portugues é ainda hoje o ponto de partida ou a continuidade de uma série de discussões sobre uma parte da produção literária portuguesa elaborada no século passado o Neorrealismo alcança sua legitimidade através do gênero narrativo uma das características mais marcantes dessa corrente é o engajamento de seus escritores nas causas sociais os neo realistas buscavam através da literatura denunciar as desigualdades a opressão e as injustiças sociais Um movimento sempre inspirado nos ideais marxistas de consciência de classe e das lutas dessas classes que tem como ponto de partida os conflitos sociais que trazem como protagonistas camponeses operários patrões e senhores donos de terra dentro da literatura traz a público o antifascismo e a denúncia social A literatura neorealista se difunde em Portugal encontrando uma série de entraves para se consolidar um dos motivos que obstruíram o caminho era o regime ditatorial que de modo arbitrário impedia um avanço mais significativo da literatura e da ideologia que trazia consigo Além da constante vigilância que reprimia de forma violenta toda e qualquer ação que parecesse subversiva ou ofensiva ao regime do governo os neorealistas enfrentavam um outro obstáculo as críticas de setores ligados à arte que questionavam o tipo de escrita desenvolvida pela literatura neorealista as críticas partiam de setores contrários às 3 manifestações de uma literatura que naquela época passava a se aliar a se integrar a realidade trazendo para a arte elementos que eram considerados estranhos Para MASSAUD 2008 a eclosão do movimento neorrealista esteve associada à resistência antifascista ao final da década de 1930 E além disso ele se colocou como a nova tendência literária contra o descompromisso do movimento anterior o Presencismo e defendia uma literatura engajada voltada para os problemas concretos do país O Realismo buscou uma maior aproximação com a realidade ao descrever os costumes os conflitos interiores do ser humano as relações sociais analisando o comportamento humano e retratou através da literatura os problemas sociais isto é o Realismo concentrou seu interesse na natureza humana Enquanto o NeoRealismo buscava a conscientização do leitor para que ele pudesse perceber a realidade social e a alienação em que se encontra Ou seja este movimento sempre atuou como um instrumento de transformação social que dentre outras coisas objetivava buscava acabar com a alienação 3 A LITERATURA E A ESCRITA A escrita perspicaz engenhosa e libertadora do romance revela e explora a realidade social de forma abrangente promovendo uma experiência de leitura enriquecedora Ao deslocar o olhar do autor e do leitor para diversas áreas permite uma compreensão mais profunda e reflexiva do mundo ao nosso redor O sonho neorealista é prospectivo Projetase no futuro contudo toma a realidade como a ponta mais imediata deste para ansiando construílo E apesar de também utópico sua utopia futura tem início com a práxis transformadora a ação que possibilita a realização do sonhoPONTES R 2005 p 50 A escrita é o instrumento de mediação da realidade segundo Candido 2004 a literatura além de ser um direito básico é também uma necessidade inseparável para a formação do indivíduo Em sua obra afirma que a literatura convive nas dimensões coletivas e individuais dos sujeitos de uma sociedade A história da literatura reflete nos seus movimentos diversos a história da sociedade brasileira na sua formação social econômica e política como em Alencar Macedo Machado de Assis e outros A fase da literatura do Segundo Império exprime a inquietação dominante no País uma fase caracterizada precisamente pela vontade de conhecer de apreciar e tirar conclusão das razões do desenvolvimento da sociedade brasileira Assim as condições sociais é que não possibilitavam a existência de uma consciência aguda capaz de permitir a elaboração de um complexo cultural forte e próprio para valorizar o que era passível de 4 denúncia e que constituía entre nós a força do passado colonial poderosa e ativa Do ponto de vista intelectual a aquisição de conhecimento estava acentuadamente subordinada às condições de classe social A história literária foi em muito responsável pela construção difusão e consolidação do cânone a teoria da literatura por sua vez explicou sua perenidade o racionalizou e legitimou No pensamento de Antonio Gramsci os intelectuais têm um papel preponderante na vida social sendo compreendidos como todo o estrato social que exerce funções organizativas no campo da produção no da cultura e no políticoadministrativo GRAMSCI 2004 p 96 Um marco da ação de Jorge Amado para refletir sobre a presença africana na Bahia foi a organização do II Congresso AfroBrasileiro sediado em Salvador em 1937 com a participação de intelectuais mas também do povodesanto Para Bell Hooks as mulheres negras e os homens negros desenvolvem uma maneira particular de ver a realidade tanto de fora para dentro quanto de dentro para fora Centramos a atenção no centro e na margem porque desta consciência depende a nossa sobrevivência Desde o início da escravatura que nos tornamos especialistas em leituras psicanalíticas dao outrao brancao Hooks 1995 31 a literatura torna possível dar voz aqueles que foram calados pela história contadas pelo ponto de vista do homem branco A identidade está intimamente ligada à narrativa Bernd 2011 afirma que a construção da identidade é indissociável da narrativa e consequentemente da literatura Com essa afirmação os indivíduos se definem através das histórias que narram a si mesmos sobre si mesmos como forma de auto afirmarse A literatura com sua característica ficcional e simbólica sua polifonia e variedades de sentidos é um meio de resgatar a memória histórica da cultura afro brasileira e ir em busca das suas raízes através de fatos da história do afrodescendente no Brasil que foram apagados ou inventados sob a ótica dominante Lutar contra o esquecimento preservar a memória coletiva são modos de fortalecer a identidade Foi nessa busca pelo Brasil real que o romance Capitães da Areia encontrou na produção sociológica um rico repertório temático e expressivo Uma obra escrita em 1937 durante a primeira fase da carreira do escritor Jorge Amado é um poderoso testemunho das desigualdades sociais e dos problemas que assolam o Brasil especialmente na cidade de Salvador Enquanto as preocupações sociais dominam a narrativa as lutas internas e as histórias de vida dos meninos os tornam personagens notáveis únicos e acima de tudo corajosos 5 Roger Bastide 1972 ressalta que o projeto ideológico tão evidente no neorealismo regionalista de Amado transcende uma simples posição partidária tornandose um procedimento artístico e estético que inaugura um novo modelo de romance no Brasil Este novo modelo concentrase no homem social explorando suas características e expressões enquanto atua vigorosamente no centro das contradições de classe Jorge Amado foi um renomado escritor brasileiro cujo legado literário continua a influenciar a cultura e a literatura brasileira Sua escrita é caracterizada por retratar vividamente as tradições do povo brasileiro especialmente os marginalizados e desfavorecidos Amado explorou temas como a cultura afrobrasileira a luta dos trabalhadores rurais o sincretismo religioso e a luta contra a opressão política Entre suas obras mais famosas estão Dona Flor e Seus Dois Maridos Gabriela Cravo e Canela e Capitães da Areia que se tornaram clássicos da literatura brasileira e foram adaptadas para o cinema e televisão Segundo Veloso 2012 p9 Jorge Amado mescla uma linguagem forte realista com uma linguagem poética marcada por um sentimento profundo que algumas vezes faz o narrador parecer tomar partido dada a carga emotiva das palavras escolhidas para destrinchar os acontecimentos ou mesmo para descrever os ambientes Através de sua escrita Amado não apenas contou histórias cativantes mas também explorou questões sociais e políticas profundas contribuindo para o enriquecimento do panorama literário brasileiro 4 A OBRA Nesta narrativa intensa e comovente Amado desvela a vida de um grupo de meninos desfavorecidos que habitam um trapiche abandonado em Salvador Os Capitães da Areia com idades entre nove e dezesseis anos sobrevivem à margem da sociedade por meio de artimanhas e pequenos furtos semeando o terror na capital baiana 41 PERSONAGENS Pedro Bala Conhecido como o chefe do grupo de meninos foi parar nas ruas de Salvador aos cinco anos de idade Ágil e com um forte senso de justiça perdeu os pais muito cedo Seu pai foi um reconhecido líder operário brutalmente assassinado durante uma greve 6 Professor Considerado o braço direito de Pedro Bala na supervisão do bando Muito inteligente e o único do grupo que sabia ler e escrever é um leitor apaixonado e possui um talento artístico admirável Gato Reconhecido por sua malandragem é um dos mais bonitos do grupo e cheio de vaidades Com a sexualidade aflorada desde muito novo se envolve com uma mulher mais velha a prostituta Dalva ao longo do romance SemPernas O personagem mais complexo da narrativa com conflitos internos mais intensos que os dos demais membros do grupo Seu apelido é uma referência a sua deficiência física Sua amargura resulta dos maus tratos por parte dos pais e das torturas físicas que sofreu quando capturado por policiais VoltaSeca Personagem que faz referência à cultura sertaneja é um admirador do cangaço especialmente do cangaceiro Lampião Suas ações são temidas até pelos meninos do grupo João Grande Um menino amável doce e protetor Durante o desfecho da narrativa mostra seu cuidado com os demais capitães especialmente com os mais frágeis BoaVida Um grande malandro mas distinto de Gato Sua malandragem é para se esquivar de qualquer tipo de trabalho prezando pelo descanso e a folga constante Pirulito A personificação da religiosidade Sonha em ser padre e acredita que seus atos serão perdoados por Deus Sua fé é admirável Dora A única menina no grupo dos Capitães da Areia Perdeu os pais para a varíola Sua entrada no bando é conflituosa a princípio mas com o tempo tornase admirada e amada pelos meninos Ela é uma figura materna para o grupo e tem um romance com Pedro Bala 42 ANTAGONISTAS Dalva Uma prostituta que se envolve com o malandro Gato DonAninha Uma respeitada macumbeira protetora dos Capitães da Areia agindo como uma figura materna Padre José Pedro Defensor dos meninos do trapiche que tenta acalmar seus corações com palavras doces e religiosas João de Adão O grevista que revela a Pedro Bala a história de seu pai QueridodeDeus Um capoeirista baiano respeitado pelo grupo que ensina sua arte aos meninos e exerce influência sobre o bando 43 A NARRATIVA 7 A narrativa se concentra nos Capitães da Areia um grupo de meninos de rua que vagam pelas ruas de Salvador na Bahia Abandonados e marginalizados todos os garotos são menores de idade e possuem histórias de vida marcadas por conflitos familiares perda dos pais ou outras adversidades Essas são as razões que levam os meninos a ingressar no grupo que conta com mais de cem membros incluindo apenas uma menina Dora Ao longo do romance várias histórias são introduzidas e ganham destaque enquanto outras se somam à trajetória dos Capitães da Areia Os meninos sobrevivem cometendo furtos nas ruas de Salvador e ao final do dia retornam ao trapiche um galpão abandonado à beira da praia onde moram Cada membro do grupo desempenha uma função específica e ao observarmos as características descritas no livro notamos que essas funções estão sempre associadas às suas características psicológicas ou físicas Desde o destemido líder Pedro Bala cujo rosto é marcado por uma cicatriz de navalha até o devoto Pirulito que busca redenção em suas preces noturnas cada integrante deste grupo tem sua própria personalidade visão de mundo e sonhos modestos O Professor o único alfabetizado do bando contrasta com o sedutor Gato que trilha os passos de um aprendiz de cafetão Apesar da má reputação que os precede alguns indivíduos da cidade estendem a mão para ajudálos como o padre José Pedro a mãe de santo DonAninha o estivador João de Adão e o capoeirista QueridodeDeus Os cuidados recebidos estão evidenciados na música de Oswaldo Matheus e Zé do Violão Garoto abandonado na Bahia é Capitão de Areia é Capitão de Areia Garoto abandonado na Bahia é Capitão de Areia é Capitão de Areia Ganha o pão de cada dia Carregando o tabuleiro De Água de Meninos para o Largo do Terreiro Para no fim do dia ter algum dinheiro Para no fim do dia ter algum dinheiro Garoto abandonado na Bahia é Capitão de Areia é Capitão de Areia Garoto abandonado na Bahia é Capitão de Areia é Capitão de Areia A noitinha já cansado Coitadinho ele adormece Distraído sobre a areia nada de mau lhe acontece Ele é protegido da Mamãe Sereia Ele é protegido da Mamãe Sereia Ele é protegido da Mamãe Sereia Ele é protegido da Mamãe Sereia A noitinha já cansado Coitadinho ele adormece 8 Distraído sobre a areia nada de mau lhe acontece Ele é protegido da Mamãe Sereia Ele é protegido da Mamãe Sereia Capitão de Areia 1964 À medida que os meninos crescem trilham caminhos diversos alguns se tornam marinheiros artistas frades gigolôs ou até cangaceiros Pedro Bala o líder decide lutar para mudar o destino dos menos favorecidos Influenciada pela militância comunista do autor na época de sua escrita a narrativa de Capitães da Areia transcende as questões políticas imediatas Divididos entre a inocência da infância e a dureza do mundo adulto essas crianças enfrentam um cotidiano livre porém vulnerável revelando um desamparo e fragilidade que em muitos aspectos continuam pertinentes até os dias atuais Capitães da Areia é um romance permeado pela ausência Esse princípio fundamental direciona a relação entre sujeito e objeto de valor de tal maneira que as relações interpessoais se encontram hierarquizadas ou mais precisamente em um estado de fragmentação mútua revelando a presença da contradição na dinâmica social A inferioridade um processo de subalternidade é vividamente retratada em várias partes da obra especialmente relacionada às condições de moradia das crianças Durante anos foi povoado exclusivamente pelos ratos que ai atravessavam em corridas brincalhonas que rolam a madeira das portas monumentais que o habitavam como senhores exclusivos Em certa época um cachorro vagabundo o procurou como refúgio contra o vento e contra a chuva AMADO 2008 p 21 grifos meus Logo depois transferiram para o trapiche o depósito dos objetos que o trabalho do dia lhes proporcionava Estranhas coisas entraram então para o trapiche Não mais estranhas porém que aqueles meninos moleques de todas as cores e de idades as mais variadas desde os 9 aos 16 anos que à 17 noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte e dormiam AMADO 2008 p 21 grifos meus A obra tem uma linguagem simples coloquial e popular algo que era característico em suas obras deixando o leitor ainda mais próximo com a realidade dos seus personagens Candido 2012 p 434 aborda sobre a produção da prosa brasileira foi essencialmente empenhada O desenvolvimento do romance brasileiro de Macedo a Jorge Amado mostra quanto a nossa literatura tem sido consciente de sua aplicação social e responsabilidade na construção de uma cultura de um senso de missão A vocação pública o senso de dever 15 literários não bastam de vez que o próprio alcance social de uma obra é decidido pela sua densidade artística e a receptividade que desperta em certos meios p 434 9 Jorge Amado dá voz às classes subalternas aproximando o leitor da realidade dos seus personagens Amado faz isso muito bem através da linguagem Eles roubavam e furtavam brigavam nas ruas xingavam nomes derrubavam negrinhas no areal por vezes feriam com navalhas ou punhal homens e polícias Mas no entanto eram bons uns eram amigos dos outros Se fazia tudo aquilo é que não tinham casa nem pai nem mãe a vida deles era uma vida sem ter comida certa e dormindo num casarão quase sem teto Se não fizessem aquilo morreriam de fome porque eram raras as casas que davam de comer a um de vestir o outro E nem toda a cidade poderia dar a todos AMADO 2008 p 100 É importante destacar que na década de 1930 ocorreu um confronto de ideias pois a elite não apreciava a visibilidade que Jorge Amado dava aos segmentos considerados mais baixos da população No entanto o romancista não se deixou abalar pelas críticas à sua escrita ou à representação de personagens típicos do povo baiano especialmente de origem negra e das classes sociais subalternas em seus romances 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O texto aborda a complexidade do movimento neorealista em Portugal destacando os desafios enfrentados pelos escritores que buscavam retratar a realidade social em meio a um regime ditatorial As restrições políticas e a repressão cultural impuseram barreiras significativas ao desenvolvimento da literatura engajada que buscava conscientizar o leitor sobre as injustiças e a alienação na sociedade A crítica literária também se mostrou dividida em relação ao neorealismo questionando sua abordagem e estilo Enquanto alguns setores valorizavam a inserção da realidade social na arte outros criticavam a forma como isso era feito considerandoa estranha ou inadequada O movimento neorealista surgiu como uma resposta antifascista e como uma nova tendência literária comprometida com os problemas reais do país em contraposição ao descompromisso do movimento anterior Enquanto o Realismo buscava uma aproximação com a realidade ao retratar os costumes e conflitos humanos o NeoRealismo ia além visando conscientizar o leitor sobre a realidade social e sua alienação A literatura conforme enfatizado por Cândido desempenha um papel fundamental na formação individual e coletiva dos sujeitos de uma sociedade sendo não apenas um direito básico mas também uma necessidade inseparável Ela serve como instrumento de mediação 10 da realidade permitindo que os leitores se identifiquem reflitam e se engajem com as questões sociais apresentadas A narrativa dos Capitães da Areia retrata nitidamente a vida de um grupo de meninos de rua em Salvador destacando suas histórias marcadas por adversidades e conflitos familiares O romance evidencia as lutas diárias desses jovens para sobreviver em uma sociedade que os marginaliza enquanto também revela suas complexas dinâmicas internas e individuais A transição do ensaio para a análise da obra Capitães da Areia de Jorge Amado demonstra uma conexão relevante uma vez que a obra literária ilustra muitos dos princípios e preocupações do movimento neorealista A descrição dos personagens suas histórias de vida marcadas pela marginalização e adversidades e sua sobrevivência nas ruas de Salvador evidenciam as questões sociais e humanas que o neorealismo se propôs a abordar 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMADO Jorge Capitães da Areia São Paulo Companhia das letras 2008 BERND Zilá Literatura e Identidade Nacional 3ed Porto Alegre Editora da UFRGS 2011 CANDIDO Antonio O direito à literatura In Vários Escritos Rio de Janeiro Duas cidades 2004 PONTES Roberto Revista de Letras N0 27 Vol 12 jandez 2005 VELOSO Maria Cecília de Figueiredo A Liberdade em Capitães da Areia uma análise literária e social Brasília DF 2012 11