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TAXA DE CÂMBIO E COMPOSIÇÃO SETORIAL DA PRODUÇÃO SINTOMAS DE DESINDUSTRIALIZAÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA NELSON MARCONI FERNANDO BARBI Setembro de 2010 TTeexxttooss ppaarraa DDiissccuussssããoo 255 TEXTO PARA DISCUSSÃO 255 SETEMBRO DE 2010 1 Os artigos dos Textos para Discussão da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas são de inteira responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião da FGVEESP É permitida a reprodução total ou parcial dos artigos desde que creditada a fonte Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas FGVEESP wwwfgvspbreconomia TAXA DE CÂMBIO E COMPOSIÇÃO SETORIAL DA PRODUÇÃO SINTOMAS DE DESINDUSTRIALIZAÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA Nelson Marconi1 Fernando Barbi2 RESUMO A participação da indústria de transformação no PIB brasileiro vem declinando desde o início da década de 80 e esta tendência vem se acentuando juntamente com a apreciação da taxa de câmbio observada nos últimos anos Neste artigo analisamos este processo de desindustrialização enfatizando a influência de tal apreciação e da balança comercial Apesar de a produção industrial estar crescendo observase uma redução da sua participação relativa na pauta de exportações e no valor adicionado da economia Dado o vigor da demanda doméstica o efeito negativo da apreciação cambial é de difícil identificação A inovação deste trabalho reside na análise mais detalhada dos dados setoriais de forma a identificar padrões de transformação da produção que são imperceptíveis quando observados pela ótica da produção agregada PALAVRASCHAVE Desindustrialização valor adicionado comércio exterior taxa de câmbio JEL O11 O14 INTRODUÇÃO A motivação deste estudo é a contínua redução da participação da indústria de transformação no PIB da economia brasileira observada desde o início da década de 80 fato que configura uma desindustrialização precoce A valorização da taxa real de câmbio decorrente do processo de doença holandesa e de atração excessiva de capitais externos pelo qual passa a economia brasileira tema discutido em Bresser e Marconi 2008 termina influindo sobre o fluxo comercial de manufaturados a sua produção e participação no PIB da economia brasileira Desta forma analisaremos neste artigo a relação entre a desindustrialização observada o comportamento da balança comercial e da taxa real de câmbio3 Com o intuito de analisar esta relação este artigo está organizado da seguinte forma inicialmente será discutida a relevância do crescimento da produção e da participação da manufatura no PIB para o desenvolvimento econômico depois fundamentamos teoricamente as características do processo de desindustrialização e os critérios adotados para identificar sua ocorrência na sequência avaliamos a evolução da composição setorial da produção na economia brasileira principalmente dos bens comercializáveis e finalmente identificamos uma relação entre o comportamento da balança comercial da taxa real de câmbio e da participação relativa do produto industrial no PIB 1 Professor do curso de economia da Escola de Economia de São Paulo da FGV e da PUCSP São Paulo Brasil E mail nelsonmarconifgvbr 2 Doutorando do curso de economia da Escola de Economia de São Paulo da FGV São Paulo Brasil Email fcbarbigmailcom Os autores agradecem os comentários de Enlinson Mattos e Luiz Carlos Bresser Pereira as sugestões iniciais de José Luis Oreiro os dados de comércio exterior fornecidos por Fabrizio Sardelli Panzini do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da FIESP e o auxílio na elaboração das tabelas de Roberto Aragão Logicamente os erros e omissões são de responsabilidade dos autores 3 O impacto de uma elevada participação de commodities na pauta de exportações sobre a taxa real de câmbio de equilíbrio que é característico de um processo de doença holandesa é discutido em Marconi e Rocha 2010 2 1 A RELEVÂNCIA DA MANUFATURA PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO A motivação do estudo do processo de desindustrialização é a relevância da expansão da atividade manufatureira para o processo de desenvolvimento econômico4 dado o seu impacto no avanço e na difusão tecnológica na produtividade e na própria renda per capita Kaldor 1966 um dos pioneiros a estudar esta questão afirma que existe uma forte correlação positiva entre o crescimento da manufatura e do restante da economia dadas as externalidades positivas que o investimento na manufatura gera para os demais setores pois os avanços tecnológicos da indústria são apropriados pelos demais setores na forma de ganhos de produtividade Adicionalmente a manufatura apresentaria rendimentos crescentes de escala assim o aumento de sua produção estaria associado à elevação de sua produtividade fato que contribuiria para elevar a renda per capita da economia Por sua vez Nassif 200885 com base em pesquisas empíricas recentes argumenta que os setores com tecnologia diferenciada e baseada em ciência têm atuado particularmente como os principais responsáveis pela maximização dos ganhos de produtividade nas economias e pela sustentação do crescimento econômico no longo prazo O autor também define que os setores com tecnologia diferenciada e baseada em ciência possuem maior sofisticação tecnológica em seus processos produtivos e portanto maior capacidade para provocar encadeamentos produtivos e efeitos multiplicadores de renda e emprego bem como para produzir e difundir inovações para o restante da economia5 Para ilustrarmos o impacto diferenciado do crescimento da manufatura sobre a renda per capita e a produtividade vamos analisar a composição setorial da produção na economia brasileira a partir de um agrupamento dos setores de atividades que integram as Contas Nacionais A divisão aqui estabelecida visa destacar os setores manufatureiros dos demais bem como os comercializáveis dos não comercializáveis a fim de possibilitar a posterior discussão sobre a influência do desempenho do comércio exterior e da taxa de câmbio sobre a participação da manufatura no valor adicionado geral da economia Em relação aos setores que produzem bens manufaturados mais especificamente a classificação segue a definida por Lall 2000 e Hatzichronoglou 1997 com a exceção dos produtos siderúrgicos pelos motivos explicitados a seguir O agrupamento dos setores e os critérios que os definiram é o seguinte sendo que o detalhamento de sua composição se encontra no Anexo I 1 Comercializáveis subdivididos em quatro grupos a commodities agrícolas e extrativas São os produtos primários cuja produção está fortemente associada à existência de recursos naturais abundantes e a diferenciais de produtividade que geram rendas ricardianas as quais podem dar origem a um processo de doença holandesa que por seu turno também pode resultar em desindustrialização b commodities industrializadas derivadas dos produtos agrícolas e extrativos isto é derivadas dos primários que correspondem aos bens manufaturados cuja produção é fortemente associada ao uso de insumos classificados como commodities agrícolas e extrativas e portanto também usufruiriam das vantagens comparativas derivadas da abundância de recursos naturais são por exemplo o refino e derivados de petróleo os alimentos industrializados em geral e a siderurgia 4 Manufatura neste artigo é entendida como sinônimo de indústria de transformação 5 Nassif 2008 ressalta como trabalhos empíricos importantes para respaldar estas afirmações Brynjolfsson e Hitt 2003 Jorgenson Ho e Stiroh 2002 e McKinsey Global Institute 2001 Sobre a relação entre avanço tecnológico nos diversos setores e o crescimento econômico ver também Pavitt 1984 3 c manufaturados que utilizam conteúdo tecnológico de média e médiabaixa intensidade logo resultantes de processos de trabalho menos sofisticados e muitas vezes associados ao uso intensivo de mãodeobra d manufaturados que utilizam conteúdo tecnológico de médiaalta e alta intensidade são aqueles cujo processo de trabalho possui maior conteúdo tecnológico e logo sua produção deve estar associada a inovações que geram externalidades positivas para o restante da economia Assim o seu papel no incremento da produtividade média da economia deve ser relevante 2 Não comercializáveis também subdivididos em quatro grupos a infraestrutura fornecem insumos a todas as demais atividades econômicas são setores que produzem bens industriais que diferentemente dos anteriores não são comercializáveis6 b comércio educação saúde turismo e lazer são os serviços pessoais que atendem às demandas das famílias c logística serviços às empresas e finanças constituemse dentre os serviços naqueles que também possuem maior conteúdo tecnológico e podem gerar inovações que resultem em externalidades positivas e elevação da produtividade dos demais setores d aluguéis administração pública e outros serviços privados não mercantis inclui serviços menos dinâmicos incluindo domésticos e os ofertados pelo setor público e organizações privadas cuja produção de serviços não é transacionada comercialmente como pesquisa e desenvolvimento e atividades de organizações profissionais sindicais políticas e religiosas A tabela 1 inclui as informações sobre o valor adicionado o total de ocupações e a produtividade média valor adicionado ocupações conforme definido por Bonelli e Fonseca 1998 e uma estimativa da contribuição de uma determinada elevação da produtividade média em um setor para o crescimento da produtividade média agregada Estimativa da Valor adicionado Produtividade contribuição para a Ocupações em R mm média var da produtividade Comercializáveis Commodities agrícolas e extrativas 17902816 64924 3626 018 Commodities derivadas agric e extrativas 317 17 74 43822 13 816 035 Manufaturados baixa e médiabaixa tecnol 643 66 53 49890 7751 025 Manufaturados médiaalta e alta tecnol 248 65 27 51228 20 602 047 Não comercializáveis Infraestrutura 660 68 05 64542 9769 041 Prod e dist eletric gas agua e esgoto 388913 22712 58 399 025 Construcao civil 621 78 92 41829 6727 016 Comércio saúde educação turismo e lazer 27560470 16 09 10 5838 043 Comércio 15841992 97201 6136 030 Serviços prestados às famílias 11718478 63709 5437 013 Logística serviços às empresas e finanças 11600572 18 20 83 15 696 152 Transportes 405 40 92 37409 9227 023 Comunicações Serv informação 175 32 37 9 52 5 5433 002 Intermediação financeira 969991 78574 81 005 087 Serviços prestados às empresas 482 32 52 56575 11 730 041 Outros serviços 18948292 23 35 32 12 325 173 A luguéis 678897 83585 123118 095 A dministraç ã o pública 10279119 13 20 71 12 848 100 Serviços privados não mercantis 799 02 76 17876 2237 021 Total 94713909 850930 8984 Elaboração dos autores a partir de dados das Contas Nacionais Valores efetivos Tabela 1 Estimativa da contribuição de cada setor para a variação da produtividade média da economia considerando em cada linha uma elevação do emprego de 5 e do valor adicionado de 10 em um tal setor Produtividade média Valor adicionado ocupações valores de 2007 a preços de 1995 6 Com exceção da produção de eletricidade que é comercializável mas se encontra agrupada nas Contas Nacionais juntamente com a produção de outros bens públicos que não são comercializáveis 4 A produtividade média se constitui em um importante indicador do processo de crescimento da economia porque seu cálculo reflete a contribuição de cada empregado para o valor adicionado7 Supondo que tal valor adicionado seja basicamente apropriado na forma de lucros salários e impostos uma produtividade média mais elevada deve implicar se não no curto prazo pelo menos no médio prazo em uma elevação dos salários dos trabalhadores e na melhoria do bemestar social que em última instância é o objetivo do desenvolvimento econômico8 A análise está centrada nos grupos mais desagregados incluídos na tabela 1 Inicialmente podemos observar nesta tabela que os maiores empregadores do Brasil são os setores que produzem as commodities agrícolas e extrativas e o comércio mas quando observamos o valor adicionado per capita produtividade média os que apresentam os melhores resultados são os setores de aluguéis a intermediação financeira a produção e distribuição de eletricidade gás água e esgoto serviços industriais de utilidade pública e o agrupamento dos manufaturados que produzem bens de média e médiaalta tecnologia O setor de aluguéis possui produtividade média elevada devido a particularidades na metodologia do cálculo de seu valor adicionado no qual são imputados valores para os imóveis residenciais ocupados pelos proprietários a fim de conciliar a produção deste setor com o de formação bruta de capital9 Já a intermediação financeira computa como valor adicionado dentre outros a receita de serviços e do spread bancário assim o elevado nível da renda que este setor gera pode ser fruto da diferença entre juros pagos e recebidos e da relevância que o sistema financeiro assumiu na economia brasileira ao longo das últimas décadas mas também pode ser resultado de investimentos em modernização que teriam aumentado fortemente a produtividade do setor Se isso de fato ocorreu ao menos uma parcela destes investimentos deve ter sido orientada à ampliação e modernização do estoque de máquinas e equipamentos tornando este setor mais intensivo em capital o que confirmaria o argumento de Kaldor e a importância da manufatura neste processo A produtividade média do setor de produção e distribuição de eletricidade gás água e esgoto indica que o investimento em infraestrutura é importante não apenas devido às externalidades positivas que gera mas porque também contribui para aumentar a renda per capita O mesmo pode ser afirmado em relação aos produtos manufaturados de média e médiaalta tecnologia que possuem maior conteúdo tecnológico e exerceriam impacto positivo conforme citado anteriormente sobre a produtividade dos demais setores Para estimar a contribuição de uma elevação da produtividade média em um setor para o aumento da produtividade média agregada foi imputada uma taxa de crescimento de 10 para o valor adicionado e de 5 para o emprego para cada um dos setores separadamente resultando em uma elevação da produtividade média setorial de 476 e foi calculado o efeito isolado desta variação sobre a produtividade média agregada A última coluna da tabela 1 inclui a estimativa do impacto de tal elevação setorial sobre a variação da produtividade média agregada Podemos observar que as maiores contribuições advêm da administração pública dos aluguéis da intermediação financeira do agrupamento dos setores que produzem manufaturas de médiaalta e alta tecnologia commodities industrializadas derivadas dos produtos primários e dos serviços prestados às empresas sem considerar os agrupamentos mais amplos cujo resultado é obviamente mais elevado em função da própria agregação Em relação aos aluguéis e aos serviços de intermediação financeira já discutimos a motivação de sua elevada contribuição para o aumento 7 A correlação entre o número de ocupações e de trabalhadores deve ser elevada pois os que possuem duas ocupações correspondem à minoria 8 Além disso a produtividade média geral da economia corresponde a uma proxy da evolução da renda per capita se o nível de emprego variar a uma taxa próxima à observada para a população 9 Feijó et alli 200470 5 da renda per capita no tocante à administração pública seu valor adicionado inclui a remuneração dos servidores os encargos sobre tais despesas e o consumo de capital fixo menos os subsídios à produção10 Assim o seu único componente que pode contribuir de forma mais consistente para a elevação da renda per capita é o consumo de capital fixo pois não parece razoável que as elevações de salário dos servidores públicos sejam uma variável relevante para o crescimento econômico a não ser indiretamente se implicarem em maior qualificação da mãodeobra do setor público Logo os setores que aplicada nossa estimativa e considerados os aspectos discutidos anteriormente parecem ser os mais relevantes para a elevação da produtividade média da economia são os que produzem manufaturas de médiaalta e alta tecnologia commodities derivadas de produtos agrícolas e extrativos e serviços prestados às empresas que incluem dentre outros informática consultoria técnica e em gestão assessoria jurídica e publicidade logo são serviços que podem contribuir para a elevação da produtividade dos demais Os dois primeiros integram a indústria de transformação manufatura demonstrando a importância do crescimento da produtividade média na manufatura para a elevação da renda per capita no Brasil Podese argumentar que esta análise estática é incompleta porque o aumento da produção e emprego em um setor gera impactos dinâmicos sobre o restante da economia estimulando a demanda por bens produzidos em outros setores e esta tabela não incorporaria estes efeitos Visando avaliar este impacto elaboramos uma análise da destinação dos bens intermediários da economia possível a partir das Tabelas de Usos e Recursos do IBGE e utilizando dados de 2007 a preços constantes de 1995 Commod agricolas e extrativas Ind Transform Commod derivadas agric e extrativas Manuf baixa e mediabaixa tecnol Manuf media alta e alta tecnol Infraestrutura Comercio saude educacao turismo e lazer Logistica servicos as empresas e financas Servicos prestados as empresas Outros servicos Total Commod agricolas e extrativas 113 845 752 41 52 31 08 00 00 04 100 Ind Transform 78 604 194 142 268 79 92 97 22 50 100 Commod derivadas agric e extrativas 70 602 313 119 171 95 108 87 03 37 100 Manuf baixa e mediabaixa tecnol 39 626 107 313 206 74 73 146 68 42 100 Manuf media alta e alta tecnol 119 589 84 46 460 58 84 75 14 75 100 Infraestrutura 46 289 143 67 79 238 112 76 16 239 100 Comercio saude educacao turismo e lazer 45 201 65 39 97 56 234 260 42 204 100 Logistica servicos as empresas e financas 56 233 91 39 102 35 148 338 69 190 100 Servicos prestados as empresas 35 291 106 54 131 31 80 320 25 244 100 Outros servicos 95 170 71 41 58 22 307 216 55 190 100 Total 74 496 229 92 174 70 107 152 32 101 100 Elaboraçã o dos autores Fonte Contas Nacionais IBGE Consumo intermediário dist dos produtos consumidos em cada setor de atividade Setores de atividade Produtos consumidos em cada setor de atividade A tabela 2 inclui nas linhas os produtos intermediários consumidos em cada setor de atividade enquanto as colunas incluem os setores que os utilizam Os agrupamentos de setores seguem os previamente definidos11 Assim a primeira linha demonstra por exemplo qual é a 10 Ver IBGE 2008 11 Os serviços prestados às empresas apesar de integrarem o grupo que também inclui logística e finanças estão destacados na tabela em função de sua elevada contribuição para o aumento do valor agregado conforme discutido anteriormente Ressaltase que seus resultados também estão incluídos no grupo logística serviços às empresas e finanças 6 distribuição do consumo de forma proporcional de insumos classificados como commodities agrícolas e extrativas entre os diversos setores Os resultados dos cálculos demonstram que os setores que consomem proporcionalmente mais insumos cuja produção é característica dos setores que apresentam maior contribuição para a elevação da renda per capita conforme tabela 1 são os próprios no caso das commodities derivadas de produtos primários e das demais manufaturas Somente no tocante aos serviços prestados às empresas é que outros setores se destacam como maiores consumidores dos insumos classificados como tais serviços ainda assim os setores produtores de commodities derivadas de produtos primários e manufaturas de médiaalta e alta tecnologia também consomem parcela considerável destes serviços reforçando assim a sua posição como setores de atividade relevantes para o processo de elevação da renda per capita Logo a combinação entre uso de insumos dos próprios setores de manufaturados de média alta e alta tecnologia e commodities derivadas de produtos agrícolas e extrativos e a contribuição dos mesmos para a variação da produtividade média agregada gera um impacto multiplicador significativo sobre a demanda agregada da economia Ressaltase que tais setores também consomem parcela considerável dos serviços prestados às empresas reforçando assim a sua contribuição para o crescimento da renda per capita Assim além de a manufatura se constituir em um setor difusor de tecnologia para a economia o impacto de uma elevação de seu valor adicionado e sua produtividade sobre a renda per capita agregada é superior ao gerado pela maioria dos outros setores de atividade portanto os dados parecem evidenciar que a composição setorial da produção e mais especificamente a participação da manufatura no valor adicionado com destaque para os setores produtores de bens que incorporam médiaalta e alta tecnologia e de derivados de commodities agrícolas e extrativas no caso brasileiro é uma variável que assume um papel relevante na determinação do processo de catching up das economias em desenvolvimento 2 A FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DO PROCESSO DE DESINDUSTRIALIZAÇÃO Para alguns autores o processo de desindustrialização seria inerente à própria evolução das economias e eles vão enfatizar a influência de fatores de ordem interna sobre este processo Clark 1957 por exemplo vai afirmar que tal processo ocorreria em países mais desenvolvidos em virtude da elevação da demanda por serviços em detrimento da demanda por manufaturados à medida que a renda per capita se eleva logo devido a distintas elasticidadesrenda da demanda pelos diversos bens e serviços e a mudanças no padrão de consumo das famílias de acordo com alterações no nível de renda lei de Engel Rowthorn e Ramaswamy 1999 por sua vez defendem que a desindustrialização das economias avançadas decorreria não apenas de alterações na composição da demanda entre manufaturas e serviços sendo que a elasticidaderenda da demanda pelas manufaturas seria inferior a um nas economias desenvolvidas mas também da maior produtividade em termos relativos do setor manufatureiro associada a taxas de crescimento da produção aproximadas nos dois setores o que geraria efeitos ambíguos sobre a participação do emprego na manufatura no emprego total a redução do preço relativo das manufaturas e o decorrente aumento da demanda pelas mesmas estimulando tal participação por um lado e a redução da participação relativa da mãodeobra no processo produtivo das manufaturas contribuindo para reduzir a participação do emprego na manufatura no emprego total por outro Assim a fim de considerar os efeitos da produtividade e dos preços neste processo estabelecem que um importante indicador de desindustrialização seria 7 além da participação relativa da manufatura no valor adicionado a participação do emprego na manufatura no emprego total Para estes autores a balança comercial positiva de manufaturas ceteris paribus contribuiria para elevar a participação do emprego na manufatura no emprego total Porém a especialização por parte dos países menos desenvolvidos na produção de bens intensivos em mãodeobra cuja vantagem comparativa é seu custo reduzido levaria ao aumento da produtividade do trabalho no setor manufatureiro das economias mais desenvolvidas Assim sobressairiam três efeitos do comércio exterior sobre a participação da manufatura e do seu correspondente nível de emprego na economia a alterações na demanda externa por produtos manufaturados b a especialização dos países desenvolvidos na produção de manufaturas de maior valor agregado cuja produção é menos intensiva em mãodeobra e c a decorrente necessidade de tornar o processo de trabalho mais eficiente para toda a manufatura pois a especialização não implica que os países tenham abandonado a produção de bens intensivos em mãodeobra Os dois últimos terminariam elevando a produtividade do trabalho mas é importante ressaltar que são distintos enquanto o primeiro ressalta uma reorientação da composição setorial da produção em função da demanda o segundo associa tal mudança a alterações na produtividade Assim segundo Rowthorn e Ramaswamy 1999 os fatores que contribuiriam para explicar o processo de desindustrialização seriam a elevação da renda per capita supondo elasticidades renda da demanda distintas para os diversos setores e menor que um para a manufatura os diferenciais nas taxas de crescimento da produtividade as mudanças nos preços relativos e a composição da balança comercial do país A estes fatores seria somado o investimento já que sua elevação implica na maior produção de manufaturados como máquinas e equipamentos Para estes autores os fatores internos dentre os citados acima seriam os mais relevantes para explicar o processo de desindustrialização das economias mais desenvolvidas Palma 2005 por seu turno também define que a desindustrialização é inerente ao processo de desenvolvimento econômico que implica na elevação da renda per capita inicialmente o aumento da produtividade na agricultura levaria a um aumento da demanda por bens de consumo por parte daqueles que se beneficiam deste aumento da produtividade a força de trabalho se deslocaria para outros setores da economia a dinâmica do processo de crescimento reforçaria este movimento e na fase em que a renda per capita já se encontrasse mais elevada a participação do emprego na manufatura no emprego total se reduziria caracterizando assim o processo de desindustrialização O autor define outros fatores que levariam a uma desindustrialização mais precoce que a preconizada por Rowthorn e Ramaswamy 1999 a terceirização de diversas atividades os avanços de produtividade decorrentes da introdução de um novo padrão de produção associado à microeletrônica a transferência de uma parte do processo produtivo mais especificamente a montagem final intensiva em trabalho para países em desenvolvimento com mãodeobra mais barata as taxas de crescimento mais reduzidas dos anos 80 e as transformações financeiras e institucionais ocorridas neste período No caso dos países em desenvolvimento o processo de desindustrialização entendida para ele como redução da participação relativa do emprego na manufatura poderia começar ainda mais cedo em virtude da elevação da produtividade na manufatura característica dos processos de catchingup Adicionalmente o autor destaca a doença holandesa como um fator que pode reforçar o processo de desindustrialização dado que levaria os países a não desenvolverem uma estratégia de expansão relativa da manufatura porque eles poderiam financiar um déficit comercial de manufaturados com o superávit de commodities primárias ou de serviços como turismo ou finanças No caso da América Latina Palma afirma que o início deste processo não decorre da descoberta de um recurso natural ou do desenvolvimento de serviços exportáveis mas da mudança no regime da 8 política econômica que se iniciou nos anos 80 período em que efetivamente começou a queda da participação da manufatura no valor adicionado no Brasil por exemplo e gerou o processo de liberalização comercial e financeira que reverteu a estratégia prévia de substituição de importações a qual por seu turno teria elevado a participação relativa da manufatura no valor agregado A interrupção das políticas industriais e comerciais as mudanças nos preços relativos na taxa real de câmbio e no arcabouço institucional teriam levado as economias latinoamericanas a se direcionarem para sua natural posição ricardiana compatível com suas vantagens comparativas em relação à dotação de recursos naturais Desta forma existiriam fatores ligados tanto à dinâmica interna como externa à economia que poderiam implicar em desindustrialização Enquanto para Rowthorn e Ramaswamy 1999 este processo estaria mais associado à dinâmica interna do crescimento econômico Palma 2005 vai ressaltar que o mesmo se inicia de forma cada vez mais precoce é influenciado por fatores associados às transações externas da economia e no caso dos países da América Latina também estaria associado à ocorrência de doença holandesa posição esta reforçada por Bresser Pereira para quem a doença holandesa corresponde à sobreapreciação crônica da taxa de câmbio causada pela abundância de recursos naturais e humanos baratos compatíveis com uma taxa de câmbio inferior àquela que viabilizaria as demais indústrias de bens comercializáveis usando tecnologia no estado da arte Como Corden e Neary 1982 enfatizaram é um fenômeno estrutural que causa desindustrialização12 Se supusermos que a apreciação da taxa de câmbio inerente ao processo de doença holandesa contribui para inviabilizar o crescimento de determinadas indústrias então outros fatores que concorram para reforçar tal apreciação também deveriam atuar no mesmo sentido Parece ser o caso dos fluxos positivos de capitais principalmente quando se constituem em um movimento duradouro e de magnitude significativa Nas próximas seções deste artigo vamos apresentar dados e realizar testes que buscam verificar se podemos caracterizar a ocorrência de um processo de desindustrialização no Brasil e se os fatores aqui discutidos colaboram neste processo com destaque para a influência do comportamento da taxa de câmbio Em função do debate apresentado nesta seção que indicou a relevância do comportamento da produtividade na definição da composição setorial da produção e os efeitos adversos que a mesma pode provocar sobre o emprego adotaremos inicialmente como indicadores de desindustrialização tanto a participação do valor adicionado da manufatura no valor adicionado total como a do emprego na manufatura no emprego total 3 EVIDÊNCIAS DO PROCESSO DE DESINDUSTRIALIZAÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA O gráfico 1 demonstra que a participação do valor adicionado da manufatura no valor adicionado total da economia brasileira apresentou significativa evolução desde o início da série para a qual existem dados das Contas Nacionais 1947 até o início dos anos 70 quando se estabilizou e posteriormente apresentou uma trajetória de declínio desde o início da década de 80 até os dias atuais cenário compatível com o descrito por Palma 200513 12 BresserPereira 20085152 Tradução dos autores 13 Em função de seguidos aprimoramentos na metodologia de cálculo das pesquisas relativas ao valor da produção dos diversos setores e ao cálculo do PIB pelo IBGE as séries históricas principalmente das Contas Nacionais sofreram mudanças estruturais relevantes que impossibilitam comparações setoriais para um período mais extenso A principal ruptura ocorreu em relação aos dados anteriores a 1995 e por isso a maior parte das bases de dados utilizadas neste artigo referese ao período que se inicia em tal ano Mas especificamente em relação à participação da indústria de transformação no PIB foi possível montar uma série para um período maior com base no encadeamento das variações de volume considerando para 1992 a 1995 2008 e 2009 a variação observada na série das Contas Trimestrais o que possibilitou calcular a participação da manufatura no PIB desde o início da série em 1947 a preços constantes baseados em valores de 1995 ano inicial da nova série das Contas Nacionais Como regra geral adotaremos sempre valores constantes em nossas tabelas para tentar neutralizar o impacto das mudanças de preços relativos na composição setorial da 9 Gráfico 1 PARTICIPAÇÃO DA INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO NO VALOR ADICIONADO a preços básicos de 1995 fonte Contas Nacionais estimados a partir das variações reais por setor 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 PARTICIPAÇÃO DA INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO NO VALOR ADICIONADO a preços básicos de 1995 fonte Contas Nacionais estimados a partir das variações reais por setor 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 Os dois gráficos exibem comportamento totalmente opostos para os períodos considerados em cada um deles O último dado disponível referente a 2009 indica uma participação relativa da manufatura no valor adicionado inferior à observada no início da série em 1947 quando a economia brasileira ainda se encontrava em um estágio intermediário de seu processo de industrialização produção nos indicadores de comércio exterior e no investimento Para o período entre 1970 e 2009 a série de valor adicionado total foi construída a partir do encadeamento das variações de volume a preços básicos sem considerar os impostos e subsídios e para o período 19471969 foram utilizadas as variações de volume a preços de mercado considerando os impostos e subsídios dada a indisponibilidade de informações sobre a evolução do PIB a preços básicos e valores constantes para este último intervalo As variações referentes ao valor adicionado da indústria de transformação estão para todo o período consideradas a preços básicos Logo existem algumas diferenças na metodologia de cálculo para cada um dos períodos mas não são relevantes a ponto de inviabilizar o encadeamento entre ambos 10 Esta tendência de queda ocorreu muito antes de o país atingir um nível de renda per capita que possibilitasse afirmar que estaria ocorrendo uma mudança na composição da produção setorial em função da maior elasticidaderenda da demanda por serviços decorrente do alcance de um nível de renda per capita elevado pois na primeira metade da década de 80 nosso PIB per capita médio calculado em dólares corrigidos pela paridade do poder de compra atingiu US 408514 muito abaixo dos níveis de renda encontrados no estudo de Rowthorn e Ramaswamy 1999 como sendo aqueles em que os países mais desenvolvidos começariam a se desindustrializar entre US 8000 e 11000 aproximadamente segundo o mesmo critério Após a década de 70 alguns esparsos períodos de elevação da participação da manufatura no PIB foram alternados com aqueles predominantes em que se observa uma redução em tal participação mas a tendência de queda é nítida Assim o primeiro indicador considerado na análise indica que a economia brasileira estaria enfrentando há anos um processo precoce de desindustrialização A tabela 3 nos auxilia a justificar esta afirmação Nela estão incluídas a renda per capita e a participação relativa da manufatura no valor adicionado para grupos de países selecionados Notase que os grupos que apresentam maior crescimento da renda per capita desde a década de 70 são aqueles em que a participação da manufatura no valor adicionado é mais elevada e não decresceu significativamente Dentre os países que registraram uma queda da participação relativa da manufatura no valor adicionado os mais ricos apresentaram crescimento maior que os de menor renda per capita fato compatível com o argumento de Rowthorn e Ramaswamy 1999 Por outro lado os produtores de petróleo são os que apresentam as menores taxas de crescimento e de participação da manufatura no valor adicionado possivelmente devido a um crônico processo de doença holandesa Portanto parece que houve para os grupos de países aqui considerados excetuados os mais ricos uma correlação entre o patamar da participação relativa da manufatura e a taxa de crescimento da renda per capita no período considerado Assim não podemos afirmar em relação ao Brasil que a queda da participação da manufatura no valor adicionado seja decorrente do enriquecimento de nossa economia e nem que tal participação se encontre em um patamar adequado se quisermos que a renda per capita evolua mais rapidamente15 Países recentemente industrializados 1º grupo Países recentemente industrializados 2º grupo Economias desenvolvidas Asia e Oceania União Européia Brasil Economias emergentes America Maiores exportadores de petróleo Economias em desenvolvimento Média 7079 2928 523 14690 11618 2585 2833 2043 Média 8089 5296 756 19098 14137 3236 3255 1872 Média 9099 9740 1172 24498 16445 3341 3418 1724 Média 0008 14141 1463 27128 19834 3754 3905 2049 var 383 180 847 707 45 38 03 Média 7079 253 169 297 281 299 259 107 Média 8089 288 203 254 249 292 246 112 Média 9099 243 263 225 207 201 201 110 Média 0008 230 290 193 178 177 186 94 Renda per capita em dolares a preços constantes de 1990 Participação da manufatura no valor adicionado Tabela 3 Evolução da renda per capita e da participação da manufatura no valor adicionado Fonte UNCTAD a partir da Divisão de Estatística das Nações Unidas Elaboração dos autores 14 Dados oriundos do World Economic Outlook FMI coletados da base atualizada em abril de 2010 15 A composição dos grupos de países estruturados pela UNCTAD se encontra no Anexo II Os dados referentes ao Brasil podem se diferenciar de outros apresentados neste mesmo trabalho em virtude de especificações distintas de cálculo das variáveis em cada base de dados 11 Gráfico 2 PARTICIPAÇÃO RELATIVA DOS SETORES NO VALOR ADICIONADO AGREGADO Valor adicionado no setor valor adicionado agregado a preços básicos e constantes 1995 100 fonte Contas Nacionais 80 85 90 95 100 105 110 115 120 125 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Commodities agrícolas e extrativas Ind Transformação Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e médiabaixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Não comercializáveis Com base na taxonomia apresentada na seção anterior e usando novamente uma série a valores constantes encadeada a partir das variações de volume podemos decompor esta queda na participação relativa do valor adicionado da manufatura no Brasil ressaltando que dentre os grupos incluídos no gráfico 2 três compõem a indústria de transformação manufatura as commodities derivadas de produtos agrícolas e extrativos os manufaturados de baixa e médiabaixa tecnologia e os de médiaalta e alta tecnologia16 O gráfico 2 demonstra que utilizando como base a participação relativa de cada grupo no valor adicionado total em 1995 as commodities ampliaram significativamente sua participação no valor adicionado enquanto a dos não comercializáveis mantevese praticamente constante Já a participação relativa de todos os três setores integrantes da manufatura diminuiu no período com destaque para os manufaturados de baixa e médiabaixa tecnologia Houve uma recuperação na participação dos manufaturados de médiaalta e alta tecnologia a partir de 2003 o que é salutar em função da análise desenvolvida na seção anterior e ameniza mas não evita a redução da participação relativa do conjunto dos manufaturados Mesmo as commodities industrializadas derivadas de agrícolas e extrativos diminuíram sua participação fato que reforça a caracterização de um processo de desindustrialização pois mesmo o setor que poderia se beneficiar do boom de commodities em seu processo produtivo não foi favorecido no sentido aqui discutido por este processo de reprimarização da composição da produção setorial brasileira 17 A produtividade média da indústria de transformação em termos relativos sempre tendo como base o ano de 1995 por sua vez mantémse praticamente constante até 2004 e cai a partir daí gráfico 3 Dois de seus componentes as manufaturas de baixa e médiabaixa e médiaalta e alta oscilam em torno do valor inicial até 2004 e também apresentam posterior redução relativa Já 16 Neste caso não é possível utilizar os dados anteriores a 1995 pois as mudanças metodológicas do cálculo do PIB não permitem o encadeamento para os dados desagregados por setor de atividade da manufatura e não há dados disponíveis das Contas Nacionais posteriores a 2007 o que justifica nosso período de análise adotado doravante 17 A tabela detalhada com a evolução da participação do valor adicionado de cada setor de atividade no valor adicionado total da economia brasileira para o período entre 1995 e 2007 se encontra no Anexo III deste trabalho 12 a produtividade média das commodities derivadas de agrícolas e extrativas elevase em relação à média até 2002 e posteriormente declina A dos não comercializáveis cai até 2002 e posteriormente permanece relativamente estável Novamente o setor em que se observa o maior crescimento relativo e expressivo é o das commodities agrícolas e extrativas Gráfico 3 PRODUTIVIDADE RELATIVA DOS SETORES Valor adicionado ocupações do setor Valor adicionado ocupações agregado 1995 100 fonte Contas Nacionais 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Commodities agrícolas e extrativas Ind Transformação Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e médiabaixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Não comercializáveis Tal comportamento é incompatível com o preconizado por Rowthorn e Ramaswamy 1999 que indicavam um crescimento da produtividade na manufatura relativamente maior que o dos demais setores à medida que a renda per capita se elevasse Uma possível hipótese para explicar este comportamento da produtividade relativa da manufatura declinante em algumas fases do período considerado e que vai ao oposto do preconizado pela lei de Verdoorn18 reside na modesta evolução dos investimentos neste setor conforme veremos mais abaixo Por conseqüência não podemos inferir que a participação relativa da manufatura no emprego gráfico 4 esteja seguindo a mesma tendência de sua participação relativa no valor adicionado Como a produtividade relativa da manufatura é inicialmente oscilante em torno do valor de 1995 e posteriormente declinante a participação relativa do emprego na manufatura no emprego total cai a princípio como ocorre com a sua participação no valor adicionado mas posteriormente se eleva ao contrário do que ocorre com a participação no valor adicionado O setor de não comercializáveis eleva sua participação relativa no emprego e o de primários diminui em função do comportamento de suas respectivas produtividades em termos relativos Na verdade o setor produtor de bens primários terminou deslocando mãodeobra para os demais setores da economia Possivelmente o processo de modernização pelo qual vem passando este setor resultou em mudanças em seus coeficientes técnicos de produção tornandoo mais intensivo em capital Seria o caso clássico na literatura sobre desenvolvimento baseada em Lewis 1958 e Kaldor 1966 em que as externalidades positivas geradas pelo crescimento da indústria estariam beneficiando a produtividade do setor agrícola que termina transferindo mãodeobra para outros setores Porém a recuperação pós2002 da participação relativa do emprego na manufatura não está 18 A lei de Verdoorn afirma que há uma forte relação causal positiva entre o crescimento da produção manufatureira e o aumento da produtividade na manufatura Thirlwall 2005 13 sendo acompanhada por um crescimento de sua produtividade média per capita em termos relativos o que nos permite afirmar em função das discussões na seção 1 que este processo não implica em uma elevação consistente da renda per capita Gráfico 4 PARTICIPAÇÃO RELATIVA DOS SETORES NA OCUPAÇÃO TOTAL Ocupação no setor Ocupação total 1995 100 fonte Contas Nacionais 60 70 80 90 100 110 120 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Commodities agrícolas e extrativas Ind Transformação Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e médiabaixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Não comercializáveis Gráfico 5 PARTICIPAÇÃO RELATIVA DO INVESTIMENTO DO SETOR NO INVESTIMENTO DA INDÚSTRIA Valores constantes de 1995 com base no deflator implícito dos bens de capital das Contas Nacionais Fonte Pesquisa Industrial Anual IBGE 1995 100 00 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Extrativa mineral Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e médiabaixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Commodities deriv agric e extrat exceto petróleo 14 De fato o comportamento do investimento no setor industrial gráfico 5 mostra que o seu maior crescimento em termos relativos ocorreu no subsetor da extração mineral Logo aquele que mais aumentou sua participação no investimento foi o mesmo em que ocorreu a maior elevação da produtividade média em termos relativos no período considerado A predominância da manufatura no volume total de investimentos da indústria 91 em 2007 por exemplo explica a estabilidade de sua participação relativa Já o investimento relativo dos grupos que integram a manufatura oscila mais e podemos analisálo Infelizmente não há dados disponíveis para os produtos agropecuários primários e os não comercializáveis na base de dados utilizada para apurar o comportamento dos investimentos e assim não será possível avaliar a evolução das inversões em tais setores 19 Extrativa mineral Commodiities derivadas agric e extrativas Commodiities derivadas agric e extrativas exceto refino petróleo Refino de petróleo Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Ind Transformação Não classificados Total 1996 710301 7400635 5210524 2190111 4397091 6810597 18610408 2084 19320709 2001 585097 9656222 6524492 3131730 4958227 7855003 22689299 219847 23274396 2007 3281618 21896378 11685698 10210680 5231367 6122181 33249927 0 36531544 Var 0796 3620 1959 1243 3662 190 101 787 891 Deflator deflator implícito dos bens de capital das Contas Nacionais Extrativa mineral Commodiities derivadas agric e extrativas Commodiities derivadas agric e extrativas exceto refino petróleo Refino de petróleo Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Ind Transformação Não classificados 1996 37 383 270 113 228 353 963 00 2001 25 415 280 135 213 337 975 09 2007 90 599 320 280 143 168 910 00 Var 0796 1443 565 186 1466 371 525 55 Dados da PIA Pesquisa Industrial Anual do IBGE Valor do investimento em R mil de 1996 Tabela 4 Investimento participação no total da indústria Observase que em dois grupos da manufatura em que ocorreu uma redução na produtividade relativa também foi registrada uma queda expressiva no investimento relativo manufaturas de baixa e médiabaixa e médiaalta e alta tecnologia neste último caso houve inclusive uma queda em termos reais não só da participação relativa mas também de seus valores absolutos da ordem de 10 conforme se observa na tabela 4 A exceção dentre os manufaturados é o setor de commodities derivadas dos primários cuja participação relativa no investimento se eleva ao mesmo tempo em que movimento semelhante se observa no emprego o qual implicou em uma queda em sua produtividade média a partir de 2002 Porém uma parcela significativa da participação relativa e do aumento em termos de volume do investimento deste grupo de commodities derivadas dos primários advém do setor de refino de petróleo conforme pode se observar no gráfico 5 e na tabela 4 cujo comportamento está bastante associado à estratégia estatal definida para o setor extrativo Quando consideramos a evolução da participação relativa do investimento deste grupo de commodities excetuando o setor de refino de petróleo o aumento foi 19 Os dados das Contas Nacionais não possibilitam identificar os setores que estão demandando os bens de capital demanda mas apenas aqueles que os produzem oferta Assim não é possível calcular a taxa de investimento setorial a partir de tal levantamento Para nossos cálculos estamos utilizando as informações da PIA Pesquisa Industrial Anual do IBGE que inclui os valores de investimento setorial aquisições melhorias baixas do ativo imobilizado Entretanto esta pesquisa inclui dados apenas da indústria extrativa mineral e de transformação adicionalmente a sua amostra além de ser menor passa por uma série de ajustes antes de ser considerada no cálculo das Contas Nacionais Ressaltase que todavia o deflator que utilizamos é o da formação bruta de capital fixo das Contas Nacionais pois é o único disponível Assim estes dados não possibilitam estimar a participação do investimento de cada setor no PIB mas permitem observar resguardadas as observações anteriores a evolução do investimento setorial na indústria em termos absolutos e relativos 15 mais modesto 186 em termos reais no período entre 1996 e 2007 tendo oscilado em tal intervalo20 Assim podemos afirmar que o comportamento da produtividade relativa nos setores analisados está na maioria das situações correlacionado ao da participação setorial no investimento Uma possível explicação para este fato é que o nível de investimentos contribui para a evolução da produtividade dadas as mudanças que provoca na composição técnica da produção entre capital e trabalho e as inovações decorrentes deste tipo de despesa Supondo esta relação de causalidade o comportamento observado do emprego setorial em termos relativos seria determinado pela interação entre os investimentos a produtividade e o valor adicionado todos também em termos relativos Os dados apresentados nesta seção demonstram que está ocorrendo uma queda da participação da manufatura no valor adicionado da economia brasileira sendo que nos anos mais recentes para os quais é possível realizar uma análise mais desagregada está ocorrendo uma reprimarização da produção dos bens comercializáveis o que é uma característica dos processos de doença holandesa O comportamento da participação relativa no valor adicionado dos grupos que compõem a manufatura não é uniforme aquele que demonstrou a maior queda e posteriormente recuperação no período analisado foi o das manufaturas de médiaalta e alta tecnologia Assim a composição da produção brasileira passa por uma situação muito peculiar ao mesmo tempo em que sofre uma reprimarização visto que o grupo dos setores que utilizam como insumos as commodities primárias não elevou sua participação nos últimos anos do período considerado os setores que mais alavancam o crescimento da renda per capita conforme discutido na seção anterior vêm apresentando recentemente sinais de recuperação de sua participação na produção O maior prejudicado neste cenário é o grupo dos setores que produzem manufaturas de baixa e médiabaixa tecnologia possivelmente mais expostos à concorrência externa de países com menor custo de mãodeobra O comportamento do emprego parece estar associado ao da produtividade e este por seu turno ao do investimento21 Em função do comportamento da produtividade que não evolui conjuntamente com o aumento do valor adicionado não podemos afirmar que a participação relativa do emprego na manufatura seja um indicador de desindustrialização no período considerado Logo doravante adotaremos como indicador de desindustrialização no Brasil apenas a participação da manufatura no valor adicionado Como nosso enfoque neste trabalho é discutir a contribuição do setor externo e da apreciação cambial para este cenário na próxima seção discutiremos a evolução do comércio exterior brasileiro considerando os grupos de produtos comercializáveis previamente definidos e sua possível relação com a participação da manufatura no valor adicionado 4 O COMPORTAMENTO DO COMÉRCIO EXTERIOR E O PROCESSO DE DESINDUSTRIALIZAÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA A valorização cambial observada desde 2001 constatável sob três critérios de taxa de câmbio real efetiva deflacionada pelo IPAOG e ponderada pela participação dos parceiros comerciais nas exportações pelo IPAIT e INPC ambas ponderadas pela participação dos parceiros 20 É importante frisar que o comportamento da participação relativa do valor adicionado do emprego e da produtividade relativa do grupo das commodities derivadas de produtos primários praticamente não se altera quando da mesma forma que para o investimento desconsideramos os dados referentes ao setor de refino de petróleo 21 O raciocínio inverso no qual as empresas teriam optado por um aumento deliberado do emprego que resultasse na queda da produtividade parece menos lógico 16 nas exportações de manufaturados ou a partir de 2003 taxa deflacionada pelo INPC ponderada pela participação dos parceiros nas exportações não impactou de forma negativa o quantum de exportações de nenhum dentre os setores no período considerado na análise conforme se observa nas informações contidas na tabela 5 22 Mesmo os setores que poderiam ser mais afetados por um processo de doença holandesa que são os menos associados à produção ou utilização como insumo de commodities das quais possuímos vantagens comparativas apresentaram uma evolução significativa das vendas externas tendo inclusive aumentado a participação das exportações de produtos de médiaalta e alta tecnologia no total exportado Os coeficientes de exportação produção destinada à exportação também se elevaram novamente com destaque para este último setor tabela 623 Commodities agrícolas e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e médiabaixa tecnol Manufaturados média alta e alta tecnol Ind Transformação Total 1995 4458 20829 8764 11260 40853 45311 2001 9361 29971 12554 18243 60769 70130 2007 17582 48738 19219 40168 108124 125706 Var 0795 2944 1340 1193 2567 1647 1774 Commodities agrícolas e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e médiabaixa tecnol Manufaturados média alta e alta tecnol Ind Transformação Total 1995 5115 10972 5426 28299 44697 49812 2001 4576 12712 5361 41180 59253 63829 2007 5249 15237 10448 70560 96246 101494 Var 0795 26 389 926 1493 1153 1038 Commodities agrícolas e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e médiabaixa tecnol Manufaturados média alta e alta tecnol Ind Transformação Total 1995 656 9857 3339 17040 3844 4501 2001 4785 17259 7193 22937 1515 6301 2007 12333 33501 8770 30392 11879 24212 Exportações Importações Saldo comercial Tabela 5 Indicadores de comércio exterior Valores constantes em US milhões de 1995 Fonte Ipeadata a partir de informações da Funcex Elaboração dos autores Porém a evolução setorial das importações é totalmente distinta Os produtos com maior intensidade tecnológica apresentam a maior evolução das compras externas bem como elevaram sua participação nas importações totais o único setor em que isso ocorreu enquanto os que têm sua produção vinculada ao aproveitamento de commodities primárias nas quais possuímos vantagens comparativas registraram um crescimento bem menos expressivo das importações reduzindo sua participação relativa O coeficiente de importações importações em relação à demanda doméstica elevouse principalmente para os manufaturados de média e médiaalta tecnologia e caiu nos setores que produzem as commodities primárias Por conseqüência o déficit da balança comercial de manufaturados de média e médiaalta tecnologia que é observado desde o início do período considerado se acentuou após a taxa de câmbio começar a se apreciar 22 Os valores das exportações e as importações estão reportados a preços constantes de 1995 isto é calculados a partir das variações de quantidades e assim isolando o impacto da evolução dos preços sobre as vendas e compras externas Assim todos os dados sobre a evolução das exportações e importações apresentados nesta seção referemse a quantidades 23 As definições dos coeficientes de exportação e importação se encontram na tabela 6 e estão baseadas nas utilizadas pela Funcex Para o coeficiente de importações foram adicionalmente descontadas as importações de bens intermediários das importações totais pelos motivos explicitados ao final de tal tabela 17 Commodities agrícolas e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Ind Transformação Total 1995 98 460 193 248 902 1000 2001 133 427 179 260 867 1000 2007 140 388 153 320 860 1000 Var 0795 422 157 210 286 46 00 Commodities agrícolas e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Ind Transformação Total 1995 103 220 109 568 897 1000 2001 72 199 84 645 928 1000 2007 52 150 103 695 948 1000 Var 0795 496 318 55 224 57 00 Commodities agrícolas e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Ind Transformação Total inclui somente comercializáveis no valor da produção Total também inclui não comercializ no valor da produção 1995 83 194 108 109 140 131 50 2001 140 240 147 178 194 185 69 2007 203 343 206 280 285 270 101 Var 0795 1436 766 914 1581 1043 1062 1002 Commodities agrícolas e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Ind Transformação Total inclui somente comercializáveis no consumo ap domest Total também inclui não comercializ no consumo ap domest 1995 113 136 110 353 217 202 75 2001 89 140 81 451 239 213 74 2007 89 176 152 570 344 300 97 var 217 298 374 613 586 485 303 Obs Consumo aparente doméstico valor da produção importações totais importações de intermediários exportações O valor das importações de intermediários está descontado porque integra o consumo intermediário que por sua vez integra o valor da produção e assim evitamos dupla contagem Coeficiente de penetração das importações valor importado consumo aparente doméstico Tabela 6 Indicadores de comércio exterior Exportações Participação dos setores Importações Participação dos setores Coeficiente de exportação participação das exportações no valor da produção Fonte Ipeadata a partir da Funcex Elaboração dos autores com base nos valores constantes em US milhões de 1995 Este cenário mostra que a apreciação cambial impactou a evolução das importações no período analisado mas não parece ter afetado negativamente as exportações Este resultado peculiar à primeira vista principalmente para os manufaturados dado o comportamento das exportações pode ser explicado por três fatores a a ocorrência de um processo de hysteresis mais significativo nas exportações que nas importações b o crescimento da demanda externa e c a adoção de uma estratégia de hedge produtivo por parte dos exportadores Detalharemos a seguir estes argumentos A hipótese de hysteresis associada ao comércio internacional foi dentre outros desenvolvida por Krugman 1989 e ocorre quando choques temporários na taxa de câmbio provocam efeitos permanentes sobre as quantidades e preços de produtos exportados ou importadossegundo essa proposição teórica em razão da existência de custos de entrada e saída os exportadores importadores não entram ou saem do mercado prontamente em resposta às mudanças na taxa de câmbio real Kannenbley et all 20103 Assim em função dos investimentos realizados mesmo que a taxa de câmbio esteja se apreciando os empresários permanecem exportando se houver demanda externa e os retornos das vendas externas cobrirem pelo menos os custos variáveis Para os autores os setores em que a hipótese de hsyteresis para as exportações se mostrou estatisticamente significativa são aqueles em que existe maior possibilidade de diferenciação de produtos e precificação em mercados externos distintossão em maior parte intensivos em tecnologia e engenharia ou intensivos em escala24 24 Kannebley et all 2010 33 Segundo os cálculos dos autores estes setores seriam os de veículos máquinas e tratores e material elétrico O mesmo comportamento foi observado para o setor de elementos químicos sendo que todos estes são integrantes do grupo de médiaalta e alta tecnologia definido neste trabalho 18 O aquecimento da demanda externa por sua vez é uma condição necessária mas não suficiente para garantir o aumento das exportações pois como a própria hipótese de hysteresis afirma é necessário que as receitas de exportações superem os custos variáveis para levar o empresário a direcionar sua produção ao mercado externo De toda forma é bastante provável que esta variável esteja contribuindo para o comportamento das exportações de primários e pode também ajudar a formular uma hipótese sobre a menor evolução das exportações de commodities derivadas de produtos primários que a observada para os primeiros os mercados que atingimos no exterior ou pelo menos uma parcela deles devem estar demandando fundamentalmente matérias primas talvez em virtude de uma opção pela produção de bens com maior valor adicionado O terceiro fator o hedge produtivo está associado à estratégia de redução dos custos de produção por parte do exportador o que possibilitaria evitar uma queda das margens de lucro em um cenário de apreciação cambial que não fosse compensado por uma elevação dos preços externos Nesta estratégia os setores que mais sofrem o impacto da valorização do câmbio em função de não possuírem as mesmas vantagens comparativas daqueles que produzem commodities primárias ou que apresentaram menor evolução em seus preços de exportação tendem a reduzir seus custos através da importação de insumos intermediários que possibilitam amenizar a compressão das margens de lucro do exportador resultante de tal valorização principalmente se o preço de tais insumos for vantajoso para o produtor nacional A tabela 7 reflete o comportamento dos preços de exportações e importações entre 1995 e 2007 Com exceção das commodities primárias os preços estavam em 2007 em patamar muito próximo ao praticado em 1995 após oscilar ao longo do período No período entre 2001 e 2007 portanto a partir do momento em que se inicia a apreciação cambial todos os grupos exibiram evolução em seus preços de exportação nos últimos anos mas tanto para as commodities primárias como para seus derivados esta variação foi maior Já o comportamento dos preços de importações das commodities primárias entre 1995 e 2007 foi bem superior ao dos demais grupos possivelmente por influência do petróleo para as manufaturas foi observada inicialmente uma queda e posteriormente um avanço muito mais modesto que o registrado para as commodities primárias e também para suas derivadas Commodities agrícola s e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Total 1995 1000 1000 1000 1000 1000 2001 858 566 788 972 703 2007 1593 1005 1072 1081 1036 Commodities agrícola s e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Total 1995 1000 1000 1000 1000 1000 2001 1301 829 803 814 817 2007 3729 1734 979 942 1185 Importações Tabela 7 Evolução dos preços de exportações e importações Fo nte Ipeadata a partir de informações da Funcex Elaboração dos autores Exportações O incentivo decorrente do comportamento dos preços das exportações e das importações ceteris paribus é claro estímulo ao aumento das exportações de commodities primárias e à importação de manufaturados de baixa média e alta tecnologia grupos em que se enquadram parcela relevante dos insumos utilizados na manufatura conforme se observa na tabela 2 deste artigo 19 Com o intuito de analisar melhor a hipótese de hedge produtivo é necessário observar a composição da pauta de importações de cada setor por categoria de uso bens finais intermediários ou de capital pois para que tal suposição seja plausível é necessário que a evolução das importações de intermediários seja superior à dos demais grupos Uma análise dos dados de comércio exterior segundo a divisão por categoria de uso sem considerar a subdivisão entre grupos que estamos adotando tabela 8 mostra que a única categoria que apresentou uma evolução das importações superior à das exportações foi a dos bens intermediários Quando observamos a contribuição para a variação absoluta este grupo de produtos é relevante tanto para as exportações como as importações mas com destaque no segundo caso Logo a maior parte da evolução das importações a preços constantes entre 1995 e 2007 é explicada pela aquisição de insumos produzidos no exterior e o argumento usual de que o aumento das importações foi intensamente direcionado à aquisição de bens de capital não procede Duráveis Não duráveis Intermediários Bens de capital Combustíveis Total Exportações 346 185 126 323 723 167 Importações 13 30 158 107 9 105 Exportações 9 19 53 15 5 100 Importações 1 3 79 18 1 100 Fonte Funcex Elaboração dos autores Contribuição para a variação absoluta dos valores constantes entre 1995 e 2007 Variação dos valores constantes base 1995 estimados a partir das variações de quantum entre 1995 e 2007 Indicadores de comércio exterior segundo a categoria de uso Tabela 8 1997 2001 2007 Var 0797 COMMODITIES AGRICOLAS E EXTRATIVAS Bens de capital 01 00 00 708 Bens de consumo 99 57 62 372 Bens intermediários e combustíveis 900 943 938 42 INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO Bens de capital 240 217 199 173 Bens de consumo 159 91 129 187 Bens intermediários e combustíveis 601 692 672 119 COMMODITIES DERIVADAS AGRIC E EXTRAT Bens de capital 00 00 00 Bens de consumo 241 124 130 460 Bens intermediários e combustíveis 759 876 870 146 MANUFATURADOS BAIXA E MEDIA BAIXA TECNOL Bens de capital 34 29 23 313 Bens de consumo 192 117 157 181 Bens intermediários e combustíveis 774 854 819 58 MANUFATURADOS MEDIA ALTA E ALTA TECNOL Bens de capital 342 289 271 207 Bens de consumo 131 80 124 51 Bens intermediários e combustíveis 527 630 605 147 TOTAL Bens de capital 217 198 181 164 Bens de consumo 153 88 123 195 Bens intermediários e combustíveis 630 714 696 104 Fonte Funcex Elaboração dos autores cálculo baseado nos valores contantes a preços de 1995 Tabela 9 Participacao das importações por categoria de uso no total para cada setor Na tabela 9 estão incluídas as importações por categoria de uso efetuadas por cada um dos grupos de setores definidos neste trabalho Observase que nos quatro grupos considerados em nosso estudo a participação de intermediários no total de importados se elevou até 2001 enquanto a dos bens de consumo e de capital se reduziu no mesmo período Em 2007 a participação de 20 insumos permanecia superior à verificada em 1997 porém inferior à de 2001 enquanto a participação das importações de bens de consumo duráveis se elevou Apenas a dos bens de capital permaneceu declinando nos dois períodos Além disso a participação de insumos importados no consumo intermediário que corresponde ao total de insumos incluídos nacionais e importados e excluídos bens de capital aumentou entre 1997 e 2007 para todos os setores da indústria de transformação e assim como para os dados anteriores de forma mais intensa na manufatura de médiaalta e alta tecnologia Já no setor produtor de commodities primárias esta relação praticamente não se alterou vide tabela 10 Logo a manufatura passou a utilizar dentre os seus insumos um volume maior de produtos importados Commodiities agrícolas e extrativas Commodiities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Ind Transformação Comercializáveis Total 1997 133 50 64 140 87 92 49 2001 110 49 55 205 103 104 54 2007 136 71 89 225 135 135 69 var 0797 18 413 386 609 544 469 408 Participação da importação total de intermediários no consumo intermediário dos comercializáveis Participação da importação total de intermediários no consumo intermediário total Fonte Funcex e Contas Nacionais Elaboração dos autores Tabela 10 Participação da importação de intermediários inclui combustíveis no consumo intermediário cálculo baseado nos valores constantes em reais de 1995 A discussão acima demonstra que a estratégia de importação de intermediários para utilização no processo produtivo parecer ter sido adotada de forma generalizada nos diversos setores com maior intensidade nos grupos de commodities derivadas dos primários e manufatura de médiaalta e alta tecnologia mas há indícios de que entre 2001 e 2007 as empresas passaram a intensificar também a importação de bens finais de consumo substituindo ou complementando a produção local a qual permaneceu utilizando insumos importados Como a maior parte dos insumos consumidos pela manufatura são produtos originários também deste setor a estratégia de hedge produtivo pode estar prejudicando a produção nacional de manufaturados e contribuindo para a desindustrialização da economia brasileira Porém a recente intensificação da importação de bens duráveis se for substitutiva e não complementar à produção nacional pode ter implicações ainda maiores sobre o processo de desindustrialização que a prática de hedge produtivo25 Estes parecem ser os principais efeitos no período analisado da evolução da taxa real de câmbio sobre a participação relativa da manufatura no valor adicionado Na próxima seção procederemos aos testes econométricos que visam avaliar os fatores que podem contribuir para a desindustrialização dentre os citados tanto na discussão teórica como na análise empírica do caso brasileiro Nossa hipótese principal indica que além dos fatores internos e externos incluídos nos modelos teóricos apresentados no início deste artigo a valorização cambial tem exercido influência no processo de desindustrialização do país na forma discutida nesta seção Buscaremos assim comprovar a influência da taxa real de câmbio sobre a participação relativa da manufatura no valor adicionado aqui discutida através de seu impacto sobre a evolução da participação de insumos importados no total de insumos utilizados no processo produtivo 5 O MODELO E OS TESTES EMPÍRICOS Para compor o modelo empírico seguimos Rowthorn e Ramaswamy 1999 doravante RR na definição da variável outshare ie a participação relativa de um setor no valor adicionado da 25 A série de dados se inicia em 1997 em função da indisponibilidade de informações para períodos anteriores segundo a classificação adotada nesta tabela 21 economia brasileira Para efeitos de comparação procuramos usar os mesmos regressores adotados pelos autores e só incluímos a taxa real de câmbio setorial e a participação de insumos importados no consumo intermediário Os regressores são o PIB per capita em valores constantes de 1995 lpibpc e seu quadrado lpibpc2 a taxa de câmbio real efetiva para os diversos setores de atividades das Contas Nacionais calculada pelo IPEA lreeri a taxa de formação bruta de capital fixo em relação ao PIB lfixcap o preço relativo lrelprice de cada setor na verdade é a relação entre os deflatores implícitos do valor da produção de cada setor e do valor da produção agregado que deve refletir o ganho de produtividade do setor a participação de insumos importados no consumo intermediário de cada setor lcireli a participação relativa de um setor no investimento da indústria linvestreli e a própria variável dependente defasada Lloutsharei Os regressores foram incluídos com seus valores contemporâneos e defasados para tentar captar a relação dinâmica com a variável explicada e os positivos foram suavizados com logaritmo A definição detalhada dos regressores bem como as estatísticas básicas se encontram disponíveis a pedido Como Boulhol e Fontagné 2007 optamos pela metodologia de painel dinâmico considerando como indivíduos os 28 setores das Contas Nacionais do IBGE classificados como manufaturados considerados ao longo de 12 anos entre 1995 e 2007 Os regressores foram escolhidos em função da disponibilidade dos dados setoriais junto ao IBGE O método usado nas regressões é o GMM sistema de ArellanoBover 1995 e Blundell Bond 1998 escolhido por oferecer a possibilidade de se controlar a endogeneidade que existe no modelo empírico usado Como se sabe endogeneidade ocorre em situações de variável omitida e simultaneidade Testamos diversos modelos empíricos para evitar a ocorrência de variável omitida mas acreditase na existência de endogeneidade considerando que duas explicativas envolvem o indicador do PIB per capita e a variável explicada é uma razão entre o valor adicionado de cada setor e a soma do valor adicionado de todos os setores que corresponde ao PIB a preços básicos A tecnologia de painel GMM necessita de instrumentos válidos para controlar a endogeneidade e se ressente da sobreidentificação mais condições de momento que parâmetros sob pena de reduzir a eficiência dos estimadores e assim aumentar a rejeição dos coeficientes estimados Como frequentemente ocorre na pesquisa macroeconômica empírica há dificuldade em se obter bons regressores exógenos A metodologia escolhida toma os regressores em nível e em primeira diferença defasados como instrumentos Usamos como instrumento uma medida da participação das importações chinesas no total de importações brasileiras de manufaturados que nossos testes demonstraram ser consistente A metodologia econométrica empregada controla a autocorrelação serial e a heterocedasticidade temporal nos dados mas não prevê controle para a heterocedasticidade sistêmica a que ocorre entre os setores de atividade Como isso reduz a eficiência dos estimadores esperamos que vários regressores não sejam significativos dada a heterogeneidade entre eles Outro problema potencial que apresenta esta tecnologia é a característica de eficiência assintótica dos estimadores que demanda na realização dos testes uma grande quantidade de indivíduos contra um pequeno número de observações Na nossa amostra como partimos de uma amostra com 28 setores em um período de 13 anos podemos considerar válida a hipótese de eficiência dos estimadores GMM Finalmente usouse o Stata26 estimando a metodologia GMM em dois estágios com as opções de correção de amostra pequena de Windmeijer 2005 e tratamento robusto para a heterocedasticidade da matriz de variânciacovariância Wooldridge 2001193 26 Usamos o comando xtabond2 de Roodman 2006 22 1 2 3 4 VARIABLES loutsharei loutsharei loutsharei loutsharei Lloutsharei 0973 0984 1001 0984 00215 00204 00361 00318 Llpibpc 0367 00554 0200 0213 0196 0417 0324 0235 lpibpc2 00448 00207 00414 00335 00332 00345 00272 00227 Llpibpc2 00935 00331 00617 00644 00329 00531 00418 00323 lfixcap 0169 00368 0136 0161 0215 0188 0123 0139 Llfixcap 00587 00168 0323 00111 0245 0198 0256 0210 lreeri 000967 00551 00477 00751 Llreeri 00536 00110 00480 00342 lcireli 00220 00216 00185 000403 000839 000456 Llcireli 00261 00366 00238 000744 00103 000710 lrelpricei 0368 0199 Llrelpricei 00923 0180 linvestreli 00996 0962 Llinvestreli 0763 1106 Constant 0 0 0 0 0 0 0 0 Observations 336 270 270 270 Number of scn 28 27 27 27 Standard errors in parentheses p001 p005 p01 Tabela 11 Modelo dinâmico da participação da manufatura no produto total O modelo 1 apresenta os resultados com os sinais esperados para o PIB per capita positivo para o termo simples e negativo para o termo quadrático logo há uma relação positiva entre a evolução da renda per capita e da participação da manufatura no valor adicionado porém decrescente conforme esperado A elevação da demanda agregada que estaria ocorrendo na economia brasileira atuaria no sentido de elevar a demanda por manufaturados e a participação destes últimos no valor adicionado Este modelo está subespecificado e o completamos com o modelo 2 no qual adicionamos a taxa de câmbio real efetiva setorial lreeli e a participação de importados no consumo de bens intermediários utilizados no processo produtivo lcireli Enquanto 23 a primeira não se mostrou significativa a segunda sim e com sinal positivo apresentando sinal negativo na primeira defasagem Isso significa que a participação de importados no consumo intermediário pode em um primeiro momento estimular a produção e a participação da manufatura no valor adicionado como resultado da adoção da estratégia de hedge produtivo porém em um segundo momento desarticula a cadeia produtiva o que resulta em queda da participação da manufatura no valor adicionado O resultado é consistente com a discussão apresentada na seção anterior Em relação à taxa de câmbio por sua vez o resultado é diferente do esperado mas é possível que decorra do efeito da variável lcireli sobre os resultados que pode estar incorporando os impactos da taxa de câmbio Assim uma agenda de pesquisa derivada deste estudo é a análise dos determinantes da participação de importados no total de insumos utilizados na economia na qual esperamos que a taxa de câmbio seja um fator relevante A taxa de investimento não se mostrou uma variável relevante evidenciando que o comportamento desta última não vem acompanhando as variações na participação da manufatura no valor adicionado É possível que ao invés de investir e elevar a produtividade as empresas estejam optando por ocupar a capacidade ociosa e substituir insumos nacionais por importados o que é prejudicial à indústria nacional como uma forma de incorporar tecnologia em setores específicos CONCLUSÕES Os resultados demonstram que as exportações de todos os setores considerados subdivididos em commodities e tipos de manufaturados evoluíram no período mas que as importações principalmente dos produtos de médiaalta e alta tecnologia cresceram bem mais e geraram deficits comerciais que podem ter contribuído para a redução da participação da indústria de transformação no PIB As importações aumentaram principalmente dentre os insumos utilizados no processo produtivo os exportadores compensariam o efeito da valorização do câmbio sobre suas receitas com a redução de custos via importação de insumos mais baratos e posteriormente também para os bens duráveis o que reforça o processo de desindustrialização Os testes econométricos demonstraram que a participação relativa da indústria de transformação no PIB realmente se reduz quando a participação de importados no consumo de insumos intermediários se eleva e viceversa Durante a fase de crescimento de uma economia este movimento não é facilmente perceptível alguns setores se beneficiam da estratégia de hedge produtivo pois ao elevarem a produção em virtude do aumento da renda per capita e do aquecimento da demanda agregada geram um aumento no valor adicionado que pode compensar a redução do consumo de insumos nacionais muitas vezes oriundos do mesmo setor É possível que este movimento esteja ocorrendo por exemplo em alguns setores do grupo de manufaturados de médiaalta e alta tecnologia cuja participação no valor adicionado agregado se recuperou nos últimos anos ainda que não tenha retornado até 2007 ao patamar observado em 1995 Mas esta estratégia traz dois problemas a o desmantelamento da cadeia produtiva pois alguns elos da mesma representados por fornecedores que estariam sofrendo o prejuízo direto da substituição de insumos contribuiriam para reduzir a participação relativa no valor adicionado do setor a que pertencem A produção nacional de bens intermediários utilizados no processo produtivo de outros bens finais ficaria comprometida b se por ventura a economia reduzir suas taxas de crescimento bem como a demanda mundial por nossos produtos finais a desindustrialização se torna evidente Uma taxa de câmbio competitiva poderia auxiliar a manufatura a recuperar sua participação no PIB e elevar as taxas de crescimento da economia brasileira A apreciação da taxa de câmbio que pode decorrer tanto de um processo de doença holandesa como do aumento do fluxo de capitais para o nosso país e daí a influência da primeira sobre o processo de desindustrialização contribui para este processo na medida em que deve estar estimulando a estratégia de hedge produtivo e mais recentemente a própria importação de bens finais de consumo neste caso A comprovação da 24 relação entre o comportamento das importações principalmente de insumos e da taxa real de câmbio é o próximo estágio desta agenda de pesquisa REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Arellano M and S Bond 1991 Some tests of specification for panel data Monte Carlo evidence and an application to employment equations Review of Economic Studies 58 27797 Blundell R and S Bond 1998 Initial conditions and moment restrictions in dynamic panel data models Journal of Econometrics 87 11143 Bond S 2002 Dynamic panel data models A guide to micro data methods and practice Working Paper 0902 Institute for Fiscal Studies London Bonelli Regis e Fonseca Renato 1988 Ganhos de produtividade e de eficiência novos resultados para a economia brasileira Pesquisa e Planejamento Econômico 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7 F a bric aç ão de outros p ro dutos m etalúrgico s 3 14 S errarias e fabricaç ão de a rt igos de m a deira e m obiliário 3 15 I ndús tria de pa pel e gráf ic a 3 16 I ndús tria da bo rra cha 3 21 I ndús tria de tran sf orm aç ão de m ate rial plá stico 3 22 I ndús tria têx til 3 23 F a bric aç ão de artig os do v es tuário e a ce ss ório s 3 24 F a bric aç ão de c alç ado s e de a rt igos d e c ouros e pe les 4 8 F a bric aç ão e m an uten ção de m áq uina s e tratores 4 10 F a bric aç ão de apa re lho s e equipam ent os de m aterial e létrico 4 11 F a bric aç ão de apa re lho s e equipam ent os de m aterial e letrô nic o 4 12 F a bric aç ão de auto m ó veis ca m inhõe s e ônibus 4 13 F a bric aç ão de outros v eíc ulos peç as e a ce ss ório s 4 17 F a bric aç ão de elem e ntos qu ím ico s n ãopet ro quím ic os 4 19 F a bric aç ão de produ tos quím ic os dive rs os 4 20 F a bric aç ão de produ tos farm ac êutico s e de p erfum aria 4 32 I ndús tria s d iv ersa s 1 C om m odities prim árias agríc olas e ex trativas 2 C om m odities indus tria liz ada s d eriv adas de c om m od ities agríc ola s e ex trativ as 3 M a nufa turados de baixa e m édiabaixa tec nologia 4 M a nufa turados de m é dia a lta e alta tec no log ia A indús tria de t ra ns form a çã o ou m a nufa tura c onf orm e citada no te xto in clui os se tores clas s ifica dos nos grup os 2 3 e 4 ANEXO II Composição dos grupos de países integrantes da tabela 3 evolução da renda per capita e da participação da manufatura no valor adicionado Newly industrialized economies Developed economies Asia and Oceania EU Emerging economies M ajor petroleum exporters Developing economies First tier Asia European Union America Africa Hong Kong Israel Austria 1995 Argentina Algeria Republic of Korea Japan Belgium 1957 Brazil Angola Singapore Cyprus 2004 Chile Congo Taiwan Oceania Bulgaria 2008 Mexico Equatorial Guinea Australia Czech Republic 2004 Peru Gabon Second tier New Zealand Denmark 1973 Libyan Arab Jamahiriya Indonesia Estonia 2004 Nigeria M alaysia Finland 1995 Sudan Philippines France 1957 Thailand Germany 1957 America Greece 1981 Ecuador Hungary 2004 Trinidad and Tobago Ireland 1973 Venezuela Italy 1957 Latvia 2004 Asia Lithuania 2004 Bahrain Luxembourg 1957 Brunei Darussalam M alta 2004 Iran Islamic Republic of Netherlands 1957 Iraq Poland 2004 Kuwait Portugal 1986 Oman Romania 2008 Qatar Slovakia 2004 Saudi Arabia Slovenia 2004 Syrian Arab Republic Spain 1986 United Arab Emirates Sw eden 1995 Yemen United Kingdom 1973 27 ANEXO III Participação do valor adicionado de cada setor no valor adicionado geral 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 var 07 e 95 Agropecuária 489 493 482 499 528 521 545 563 589 571 555 561 556 138 Extrativa mineral 062 061 062 061 055 056 053 054 056 061 063 064 067 76 Extração de petróleo e gás 096 103 106 121 132 145 150 170 174 161 175 175 168 747 Minerais não metálicos 065 067 069 066 064 062 060 058 058 060 060 059 059 95 Siderurgia 111 111 108 103 107 108 105 104 106 110 103 097 097 125 Metalurgia não ferrosos 033 034 034 033 034 036 034 031 033 034 033 034 033 09 Outros metalúrgicos 117 117 124 118 108 110 122 115 116 127 123 119 118 02 Máquinas e tratores 086 079 085 081 075 085 089 087 090 101 097 096 106 235 Material elétrico 073 070 072 069 062 066 064 059 060 065 065 065 068 70 Equipamentos eletrônicos 126 127 116 091 074 071 054 055 056 060 061 064 063 503 Automóveis caminhões e ônibus 035 033 037 028 024 026 028 028 031 039 043 042 045 266 Outros veículos e peças 083 082 086 076 073 086 091 095 099 109 106 102 111 330 Madeira e mobiliário 094 097 095 089 091 092 088 086 085 089 085 086 082 127 Papel e gráfica 123 121 119 118 120 119 124 124 128 130 136 135 127 33 Indústria da borracha 026 025 025 024 024 025 025 025 024 025 025 024 024 97 Elementos químicos 075 076 081 071 073 064 060 065 073 067 064 063 065 129 Refino do petróleo 116 111 111 111 114 113 125 124 129 120 111 102 098 157 Químicos diversos 048 047 047 044 043 043 033 033 034 036 037 035 036 255 Farmacêutica e de perfumaria 107 100 102 104 104 098 097 097 095 096 101 100 097 96 Artigos de plástico 067 070 069 065 058 055 049 044 042 044 045 044 043 359 Indústria têxtil 075 070 065 067 066 068 069 064 062 066 065 061 063 165 Artigos do vestuário 114 109 098 097 101 106 091 090 081 076 071 064 066 418 Fabricação de calçados 050 047 042 038 038 039 041 040 039 038 036 034 031 370 Indústria do café 006 007 007 004 004 004 005 005 004 004 005 005 005 220 Beneficiamento de produtos vegetais 045 047 050 049 048 047 050 053 051 051 050 049 048 49 Abate de animais 061 061 059 057 057 056 056 061 062 065 061 058 056 81 Indústria de laticínios 022 022 022 021 019 020 021 021 021 020 022 022 020 61 Indústria de açúcar 035 032 035 031 034 027 040 042 040 041 036 035 034 38 Fabricação de óleos vegetais 012 011 011 011 011 010 009 009 010 006 006 005 005 543 Outros produtos alimentares 074 074 072 072 072 076 077 076 076 077 080 081 079 69 Indústrias diversas 026 025 025 026 026 027 027 028 026 028 028 027 026 01 Serviços industriais de utilidade pública 351 355 365 369 369 369 341 341 350 359 359 359 358 17 Construção civil 547 553 582 589 567 556 537 510 487 492 486 490 486 111 Comércio 1252 1249 1259 1235 1199 1204 1187 1151 1133 1153 1158 1184 1212 32 Transporte 487 504 519 522 498 506 511 509 488 489 491 483 480 15 Comunicações 243 253 258 278 312 350 364 370 382 382 385 378 383 575 Instituições financeiras 757 748 750 738 735 722 721 715 674 661 675 706 768 14 Serviços prestados às famílias 801 782 768 756 757 735 729 730 739 728 737 742 729 90 Serviços prestados às empresas 419 422 430 455 460 462 442 455 450 455 472 475 486 159 Aluguel de imóveis 780 782 778 798 810 810 835 846 864 849 863 857 850 90 Administração pública 1565 1599 1551 1596 1637 1598 1628 1636 1665 1635 1604 1599 1546 12 Serviços privados não mercantis 245 227 226 218 219 225 223 230 217 221 223 220 208 150 Total 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 00 Font e IBGE Diretoria de Pesquisas Coordenaçã o de Contas Nacionais 28
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Texto de pré-visualização
TAXA DE CÂMBIO E COMPOSIÇÃO SETORIAL DA PRODUÇÃO SINTOMAS DE DESINDUSTRIALIZAÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA NELSON MARCONI FERNANDO BARBI Setembro de 2010 TTeexxttooss ppaarraa DDiissccuussssããoo 255 TEXTO PARA DISCUSSÃO 255 SETEMBRO DE 2010 1 Os artigos dos Textos para Discussão da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas são de inteira responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião da FGVEESP É permitida a reprodução total ou parcial dos artigos desde que creditada a fonte Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas FGVEESP wwwfgvspbreconomia TAXA DE CÂMBIO E COMPOSIÇÃO SETORIAL DA PRODUÇÃO SINTOMAS DE DESINDUSTRIALIZAÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA Nelson Marconi1 Fernando Barbi2 RESUMO A participação da indústria de transformação no PIB brasileiro vem declinando desde o início da década de 80 e esta tendência vem se acentuando juntamente com a apreciação da taxa de câmbio observada nos últimos anos Neste artigo analisamos este processo de desindustrialização enfatizando a influência de tal apreciação e da balança comercial Apesar de a produção industrial estar crescendo observase uma redução da sua participação relativa na pauta de exportações e no valor adicionado da economia Dado o vigor da demanda doméstica o efeito negativo da apreciação cambial é de difícil identificação A inovação deste trabalho reside na análise mais detalhada dos dados setoriais de forma a identificar padrões de transformação da produção que são imperceptíveis quando observados pela ótica da produção agregada PALAVRASCHAVE Desindustrialização valor adicionado comércio exterior taxa de câmbio JEL O11 O14 INTRODUÇÃO A motivação deste estudo é a contínua redução da participação da indústria de transformação no PIB da economia brasileira observada desde o início da década de 80 fato que configura uma desindustrialização precoce A valorização da taxa real de câmbio decorrente do processo de doença holandesa e de atração excessiva de capitais externos pelo qual passa a economia brasileira tema discutido em Bresser e Marconi 2008 termina influindo sobre o fluxo comercial de manufaturados a sua produção e participação no PIB da economia brasileira Desta forma analisaremos neste artigo a relação entre a desindustrialização observada o comportamento da balança comercial e da taxa real de câmbio3 Com o intuito de analisar esta relação este artigo está organizado da seguinte forma inicialmente será discutida a relevância do crescimento da produção e da participação da manufatura no PIB para o desenvolvimento econômico depois fundamentamos teoricamente as características do processo de desindustrialização e os critérios adotados para identificar sua ocorrência na sequência avaliamos a evolução da composição setorial da produção na economia brasileira principalmente dos bens comercializáveis e finalmente identificamos uma relação entre o comportamento da balança comercial da taxa real de câmbio e da participação relativa do produto industrial no PIB 1 Professor do curso de economia da Escola de Economia de São Paulo da FGV e da PUCSP São Paulo Brasil E mail nelsonmarconifgvbr 2 Doutorando do curso de economia da Escola de Economia de São Paulo da FGV São Paulo Brasil Email fcbarbigmailcom Os autores agradecem os comentários de Enlinson Mattos e Luiz Carlos Bresser Pereira as sugestões iniciais de José Luis Oreiro os dados de comércio exterior fornecidos por Fabrizio Sardelli Panzini do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da FIESP e o auxílio na elaboração das tabelas de Roberto Aragão Logicamente os erros e omissões são de responsabilidade dos autores 3 O impacto de uma elevada participação de commodities na pauta de exportações sobre a taxa real de câmbio de equilíbrio que é característico de um processo de doença holandesa é discutido em Marconi e Rocha 2010 2 1 A RELEVÂNCIA DA MANUFATURA PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO A motivação do estudo do processo de desindustrialização é a relevância da expansão da atividade manufatureira para o processo de desenvolvimento econômico4 dado o seu impacto no avanço e na difusão tecnológica na produtividade e na própria renda per capita Kaldor 1966 um dos pioneiros a estudar esta questão afirma que existe uma forte correlação positiva entre o crescimento da manufatura e do restante da economia dadas as externalidades positivas que o investimento na manufatura gera para os demais setores pois os avanços tecnológicos da indústria são apropriados pelos demais setores na forma de ganhos de produtividade Adicionalmente a manufatura apresentaria rendimentos crescentes de escala assim o aumento de sua produção estaria associado à elevação de sua produtividade fato que contribuiria para elevar a renda per capita da economia Por sua vez Nassif 200885 com base em pesquisas empíricas recentes argumenta que os setores com tecnologia diferenciada e baseada em ciência têm atuado particularmente como os principais responsáveis pela maximização dos ganhos de produtividade nas economias e pela sustentação do crescimento econômico no longo prazo O autor também define que os setores com tecnologia diferenciada e baseada em ciência possuem maior sofisticação tecnológica em seus processos produtivos e portanto maior capacidade para provocar encadeamentos produtivos e efeitos multiplicadores de renda e emprego bem como para produzir e difundir inovações para o restante da economia5 Para ilustrarmos o impacto diferenciado do crescimento da manufatura sobre a renda per capita e a produtividade vamos analisar a composição setorial da produção na economia brasileira a partir de um agrupamento dos setores de atividades que integram as Contas Nacionais A divisão aqui estabelecida visa destacar os setores manufatureiros dos demais bem como os comercializáveis dos não comercializáveis a fim de possibilitar a posterior discussão sobre a influência do desempenho do comércio exterior e da taxa de câmbio sobre a participação da manufatura no valor adicionado geral da economia Em relação aos setores que produzem bens manufaturados mais especificamente a classificação segue a definida por Lall 2000 e Hatzichronoglou 1997 com a exceção dos produtos siderúrgicos pelos motivos explicitados a seguir O agrupamento dos setores e os critérios que os definiram é o seguinte sendo que o detalhamento de sua composição se encontra no Anexo I 1 Comercializáveis subdivididos em quatro grupos a commodities agrícolas e extrativas São os produtos primários cuja produção está fortemente associada à existência de recursos naturais abundantes e a diferenciais de produtividade que geram rendas ricardianas as quais podem dar origem a um processo de doença holandesa que por seu turno também pode resultar em desindustrialização b commodities industrializadas derivadas dos produtos agrícolas e extrativos isto é derivadas dos primários que correspondem aos bens manufaturados cuja produção é fortemente associada ao uso de insumos classificados como commodities agrícolas e extrativas e portanto também usufruiriam das vantagens comparativas derivadas da abundância de recursos naturais são por exemplo o refino e derivados de petróleo os alimentos industrializados em geral e a siderurgia 4 Manufatura neste artigo é entendida como sinônimo de indústria de transformação 5 Nassif 2008 ressalta como trabalhos empíricos importantes para respaldar estas afirmações Brynjolfsson e Hitt 2003 Jorgenson Ho e Stiroh 2002 e McKinsey Global Institute 2001 Sobre a relação entre avanço tecnológico nos diversos setores e o crescimento econômico ver também Pavitt 1984 3 c manufaturados que utilizam conteúdo tecnológico de média e médiabaixa intensidade logo resultantes de processos de trabalho menos sofisticados e muitas vezes associados ao uso intensivo de mãodeobra d manufaturados que utilizam conteúdo tecnológico de médiaalta e alta intensidade são aqueles cujo processo de trabalho possui maior conteúdo tecnológico e logo sua produção deve estar associada a inovações que geram externalidades positivas para o restante da economia Assim o seu papel no incremento da produtividade média da economia deve ser relevante 2 Não comercializáveis também subdivididos em quatro grupos a infraestrutura fornecem insumos a todas as demais atividades econômicas são setores que produzem bens industriais que diferentemente dos anteriores não são comercializáveis6 b comércio educação saúde turismo e lazer são os serviços pessoais que atendem às demandas das famílias c logística serviços às empresas e finanças constituemse dentre os serviços naqueles que também possuem maior conteúdo tecnológico e podem gerar inovações que resultem em externalidades positivas e elevação da produtividade dos demais setores d aluguéis administração pública e outros serviços privados não mercantis inclui serviços menos dinâmicos incluindo domésticos e os ofertados pelo setor público e organizações privadas cuja produção de serviços não é transacionada comercialmente como pesquisa e desenvolvimento e atividades de organizações profissionais sindicais políticas e religiosas A tabela 1 inclui as informações sobre o valor adicionado o total de ocupações e a produtividade média valor adicionado ocupações conforme definido por Bonelli e Fonseca 1998 e uma estimativa da contribuição de uma determinada elevação da produtividade média em um setor para o crescimento da produtividade média agregada Estimativa da Valor adicionado Produtividade contribuição para a Ocupações em R mm média var da produtividade Comercializáveis Commodities agrícolas e extrativas 17902816 64924 3626 018 Commodities derivadas agric e extrativas 317 17 74 43822 13 816 035 Manufaturados baixa e médiabaixa tecnol 643 66 53 49890 7751 025 Manufaturados médiaalta e alta tecnol 248 65 27 51228 20 602 047 Não comercializáveis Infraestrutura 660 68 05 64542 9769 041 Prod e dist eletric gas agua e esgoto 388913 22712 58 399 025 Construcao civil 621 78 92 41829 6727 016 Comércio saúde educação turismo e lazer 27560470 16 09 10 5838 043 Comércio 15841992 97201 6136 030 Serviços prestados às famílias 11718478 63709 5437 013 Logística serviços às empresas e finanças 11600572 18 20 83 15 696 152 Transportes 405 40 92 37409 9227 023 Comunicações Serv informação 175 32 37 9 52 5 5433 002 Intermediação financeira 969991 78574 81 005 087 Serviços prestados às empresas 482 32 52 56575 11 730 041 Outros serviços 18948292 23 35 32 12 325 173 A luguéis 678897 83585 123118 095 A dministraç ã o pública 10279119 13 20 71 12 848 100 Serviços privados não mercantis 799 02 76 17876 2237 021 Total 94713909 850930 8984 Elaboração dos autores a partir de dados das Contas Nacionais Valores efetivos Tabela 1 Estimativa da contribuição de cada setor para a variação da produtividade média da economia considerando em cada linha uma elevação do emprego de 5 e do valor adicionado de 10 em um tal setor Produtividade média Valor adicionado ocupações valores de 2007 a preços de 1995 6 Com exceção da produção de eletricidade que é comercializável mas se encontra agrupada nas Contas Nacionais juntamente com a produção de outros bens públicos que não são comercializáveis 4 A produtividade média se constitui em um importante indicador do processo de crescimento da economia porque seu cálculo reflete a contribuição de cada empregado para o valor adicionado7 Supondo que tal valor adicionado seja basicamente apropriado na forma de lucros salários e impostos uma produtividade média mais elevada deve implicar se não no curto prazo pelo menos no médio prazo em uma elevação dos salários dos trabalhadores e na melhoria do bemestar social que em última instância é o objetivo do desenvolvimento econômico8 A análise está centrada nos grupos mais desagregados incluídos na tabela 1 Inicialmente podemos observar nesta tabela que os maiores empregadores do Brasil são os setores que produzem as commodities agrícolas e extrativas e o comércio mas quando observamos o valor adicionado per capita produtividade média os que apresentam os melhores resultados são os setores de aluguéis a intermediação financeira a produção e distribuição de eletricidade gás água e esgoto serviços industriais de utilidade pública e o agrupamento dos manufaturados que produzem bens de média e médiaalta tecnologia O setor de aluguéis possui produtividade média elevada devido a particularidades na metodologia do cálculo de seu valor adicionado no qual são imputados valores para os imóveis residenciais ocupados pelos proprietários a fim de conciliar a produção deste setor com o de formação bruta de capital9 Já a intermediação financeira computa como valor adicionado dentre outros a receita de serviços e do spread bancário assim o elevado nível da renda que este setor gera pode ser fruto da diferença entre juros pagos e recebidos e da relevância que o sistema financeiro assumiu na economia brasileira ao longo das últimas décadas mas também pode ser resultado de investimentos em modernização que teriam aumentado fortemente a produtividade do setor Se isso de fato ocorreu ao menos uma parcela destes investimentos deve ter sido orientada à ampliação e modernização do estoque de máquinas e equipamentos tornando este setor mais intensivo em capital o que confirmaria o argumento de Kaldor e a importância da manufatura neste processo A produtividade média do setor de produção e distribuição de eletricidade gás água e esgoto indica que o investimento em infraestrutura é importante não apenas devido às externalidades positivas que gera mas porque também contribui para aumentar a renda per capita O mesmo pode ser afirmado em relação aos produtos manufaturados de média e médiaalta tecnologia que possuem maior conteúdo tecnológico e exerceriam impacto positivo conforme citado anteriormente sobre a produtividade dos demais setores Para estimar a contribuição de uma elevação da produtividade média em um setor para o aumento da produtividade média agregada foi imputada uma taxa de crescimento de 10 para o valor adicionado e de 5 para o emprego para cada um dos setores separadamente resultando em uma elevação da produtividade média setorial de 476 e foi calculado o efeito isolado desta variação sobre a produtividade média agregada A última coluna da tabela 1 inclui a estimativa do impacto de tal elevação setorial sobre a variação da produtividade média agregada Podemos observar que as maiores contribuições advêm da administração pública dos aluguéis da intermediação financeira do agrupamento dos setores que produzem manufaturas de médiaalta e alta tecnologia commodities industrializadas derivadas dos produtos primários e dos serviços prestados às empresas sem considerar os agrupamentos mais amplos cujo resultado é obviamente mais elevado em função da própria agregação Em relação aos aluguéis e aos serviços de intermediação financeira já discutimos a motivação de sua elevada contribuição para o aumento 7 A correlação entre o número de ocupações e de trabalhadores deve ser elevada pois os que possuem duas ocupações correspondem à minoria 8 Além disso a produtividade média geral da economia corresponde a uma proxy da evolução da renda per capita se o nível de emprego variar a uma taxa próxima à observada para a população 9 Feijó et alli 200470 5 da renda per capita no tocante à administração pública seu valor adicionado inclui a remuneração dos servidores os encargos sobre tais despesas e o consumo de capital fixo menos os subsídios à produção10 Assim o seu único componente que pode contribuir de forma mais consistente para a elevação da renda per capita é o consumo de capital fixo pois não parece razoável que as elevações de salário dos servidores públicos sejam uma variável relevante para o crescimento econômico a não ser indiretamente se implicarem em maior qualificação da mãodeobra do setor público Logo os setores que aplicada nossa estimativa e considerados os aspectos discutidos anteriormente parecem ser os mais relevantes para a elevação da produtividade média da economia são os que produzem manufaturas de médiaalta e alta tecnologia commodities derivadas de produtos agrícolas e extrativos e serviços prestados às empresas que incluem dentre outros informática consultoria técnica e em gestão assessoria jurídica e publicidade logo são serviços que podem contribuir para a elevação da produtividade dos demais Os dois primeiros integram a indústria de transformação manufatura demonstrando a importância do crescimento da produtividade média na manufatura para a elevação da renda per capita no Brasil Podese argumentar que esta análise estática é incompleta porque o aumento da produção e emprego em um setor gera impactos dinâmicos sobre o restante da economia estimulando a demanda por bens produzidos em outros setores e esta tabela não incorporaria estes efeitos Visando avaliar este impacto elaboramos uma análise da destinação dos bens intermediários da economia possível a partir das Tabelas de Usos e Recursos do IBGE e utilizando dados de 2007 a preços constantes de 1995 Commod agricolas e extrativas Ind Transform Commod derivadas agric e extrativas Manuf baixa e mediabaixa tecnol Manuf media alta e alta tecnol Infraestrutura Comercio saude educacao turismo e lazer Logistica servicos as empresas e financas Servicos prestados as empresas Outros servicos Total Commod agricolas e extrativas 113 845 752 41 52 31 08 00 00 04 100 Ind Transform 78 604 194 142 268 79 92 97 22 50 100 Commod derivadas agric e extrativas 70 602 313 119 171 95 108 87 03 37 100 Manuf baixa e mediabaixa tecnol 39 626 107 313 206 74 73 146 68 42 100 Manuf media alta e alta tecnol 119 589 84 46 460 58 84 75 14 75 100 Infraestrutura 46 289 143 67 79 238 112 76 16 239 100 Comercio saude educacao turismo e lazer 45 201 65 39 97 56 234 260 42 204 100 Logistica servicos as empresas e financas 56 233 91 39 102 35 148 338 69 190 100 Servicos prestados as empresas 35 291 106 54 131 31 80 320 25 244 100 Outros servicos 95 170 71 41 58 22 307 216 55 190 100 Total 74 496 229 92 174 70 107 152 32 101 100 Elaboraçã o dos autores Fonte Contas Nacionais IBGE Consumo intermediário dist dos produtos consumidos em cada setor de atividade Setores de atividade Produtos consumidos em cada setor de atividade A tabela 2 inclui nas linhas os produtos intermediários consumidos em cada setor de atividade enquanto as colunas incluem os setores que os utilizam Os agrupamentos de setores seguem os previamente definidos11 Assim a primeira linha demonstra por exemplo qual é a 10 Ver IBGE 2008 11 Os serviços prestados às empresas apesar de integrarem o grupo que também inclui logística e finanças estão destacados na tabela em função de sua elevada contribuição para o aumento do valor agregado conforme discutido anteriormente Ressaltase que seus resultados também estão incluídos no grupo logística serviços às empresas e finanças 6 distribuição do consumo de forma proporcional de insumos classificados como commodities agrícolas e extrativas entre os diversos setores Os resultados dos cálculos demonstram que os setores que consomem proporcionalmente mais insumos cuja produção é característica dos setores que apresentam maior contribuição para a elevação da renda per capita conforme tabela 1 são os próprios no caso das commodities derivadas de produtos primários e das demais manufaturas Somente no tocante aos serviços prestados às empresas é que outros setores se destacam como maiores consumidores dos insumos classificados como tais serviços ainda assim os setores produtores de commodities derivadas de produtos primários e manufaturas de médiaalta e alta tecnologia também consomem parcela considerável destes serviços reforçando assim a sua posição como setores de atividade relevantes para o processo de elevação da renda per capita Logo a combinação entre uso de insumos dos próprios setores de manufaturados de média alta e alta tecnologia e commodities derivadas de produtos agrícolas e extrativos e a contribuição dos mesmos para a variação da produtividade média agregada gera um impacto multiplicador significativo sobre a demanda agregada da economia Ressaltase que tais setores também consomem parcela considerável dos serviços prestados às empresas reforçando assim a sua contribuição para o crescimento da renda per capita Assim além de a manufatura se constituir em um setor difusor de tecnologia para a economia o impacto de uma elevação de seu valor adicionado e sua produtividade sobre a renda per capita agregada é superior ao gerado pela maioria dos outros setores de atividade portanto os dados parecem evidenciar que a composição setorial da produção e mais especificamente a participação da manufatura no valor adicionado com destaque para os setores produtores de bens que incorporam médiaalta e alta tecnologia e de derivados de commodities agrícolas e extrativas no caso brasileiro é uma variável que assume um papel relevante na determinação do processo de catching up das economias em desenvolvimento 2 A FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DO PROCESSO DE DESINDUSTRIALIZAÇÃO Para alguns autores o processo de desindustrialização seria inerente à própria evolução das economias e eles vão enfatizar a influência de fatores de ordem interna sobre este processo Clark 1957 por exemplo vai afirmar que tal processo ocorreria em países mais desenvolvidos em virtude da elevação da demanda por serviços em detrimento da demanda por manufaturados à medida que a renda per capita se eleva logo devido a distintas elasticidadesrenda da demanda pelos diversos bens e serviços e a mudanças no padrão de consumo das famílias de acordo com alterações no nível de renda lei de Engel Rowthorn e Ramaswamy 1999 por sua vez defendem que a desindustrialização das economias avançadas decorreria não apenas de alterações na composição da demanda entre manufaturas e serviços sendo que a elasticidaderenda da demanda pelas manufaturas seria inferior a um nas economias desenvolvidas mas também da maior produtividade em termos relativos do setor manufatureiro associada a taxas de crescimento da produção aproximadas nos dois setores o que geraria efeitos ambíguos sobre a participação do emprego na manufatura no emprego total a redução do preço relativo das manufaturas e o decorrente aumento da demanda pelas mesmas estimulando tal participação por um lado e a redução da participação relativa da mãodeobra no processo produtivo das manufaturas contribuindo para reduzir a participação do emprego na manufatura no emprego total por outro Assim a fim de considerar os efeitos da produtividade e dos preços neste processo estabelecem que um importante indicador de desindustrialização seria 7 além da participação relativa da manufatura no valor adicionado a participação do emprego na manufatura no emprego total Para estes autores a balança comercial positiva de manufaturas ceteris paribus contribuiria para elevar a participação do emprego na manufatura no emprego total Porém a especialização por parte dos países menos desenvolvidos na produção de bens intensivos em mãodeobra cuja vantagem comparativa é seu custo reduzido levaria ao aumento da produtividade do trabalho no setor manufatureiro das economias mais desenvolvidas Assim sobressairiam três efeitos do comércio exterior sobre a participação da manufatura e do seu correspondente nível de emprego na economia a alterações na demanda externa por produtos manufaturados b a especialização dos países desenvolvidos na produção de manufaturas de maior valor agregado cuja produção é menos intensiva em mãodeobra e c a decorrente necessidade de tornar o processo de trabalho mais eficiente para toda a manufatura pois a especialização não implica que os países tenham abandonado a produção de bens intensivos em mãodeobra Os dois últimos terminariam elevando a produtividade do trabalho mas é importante ressaltar que são distintos enquanto o primeiro ressalta uma reorientação da composição setorial da produção em função da demanda o segundo associa tal mudança a alterações na produtividade Assim segundo Rowthorn e Ramaswamy 1999 os fatores que contribuiriam para explicar o processo de desindustrialização seriam a elevação da renda per capita supondo elasticidades renda da demanda distintas para os diversos setores e menor que um para a manufatura os diferenciais nas taxas de crescimento da produtividade as mudanças nos preços relativos e a composição da balança comercial do país A estes fatores seria somado o investimento já que sua elevação implica na maior produção de manufaturados como máquinas e equipamentos Para estes autores os fatores internos dentre os citados acima seriam os mais relevantes para explicar o processo de desindustrialização das economias mais desenvolvidas Palma 2005 por seu turno também define que a desindustrialização é inerente ao processo de desenvolvimento econômico que implica na elevação da renda per capita inicialmente o aumento da produtividade na agricultura levaria a um aumento da demanda por bens de consumo por parte daqueles que se beneficiam deste aumento da produtividade a força de trabalho se deslocaria para outros setores da economia a dinâmica do processo de crescimento reforçaria este movimento e na fase em que a renda per capita já se encontrasse mais elevada a participação do emprego na manufatura no emprego total se reduziria caracterizando assim o processo de desindustrialização O autor define outros fatores que levariam a uma desindustrialização mais precoce que a preconizada por Rowthorn e Ramaswamy 1999 a terceirização de diversas atividades os avanços de produtividade decorrentes da introdução de um novo padrão de produção associado à microeletrônica a transferência de uma parte do processo produtivo mais especificamente a montagem final intensiva em trabalho para países em desenvolvimento com mãodeobra mais barata as taxas de crescimento mais reduzidas dos anos 80 e as transformações financeiras e institucionais ocorridas neste período No caso dos países em desenvolvimento o processo de desindustrialização entendida para ele como redução da participação relativa do emprego na manufatura poderia começar ainda mais cedo em virtude da elevação da produtividade na manufatura característica dos processos de catchingup Adicionalmente o autor destaca a doença holandesa como um fator que pode reforçar o processo de desindustrialização dado que levaria os países a não desenvolverem uma estratégia de expansão relativa da manufatura porque eles poderiam financiar um déficit comercial de manufaturados com o superávit de commodities primárias ou de serviços como turismo ou finanças No caso da América Latina Palma afirma que o início deste processo não decorre da descoberta de um recurso natural ou do desenvolvimento de serviços exportáveis mas da mudança no regime da 8 política econômica que se iniciou nos anos 80 período em que efetivamente começou a queda da participação da manufatura no valor adicionado no Brasil por exemplo e gerou o processo de liberalização comercial e financeira que reverteu a estratégia prévia de substituição de importações a qual por seu turno teria elevado a participação relativa da manufatura no valor agregado A interrupção das políticas industriais e comerciais as mudanças nos preços relativos na taxa real de câmbio e no arcabouço institucional teriam levado as economias latinoamericanas a se direcionarem para sua natural posição ricardiana compatível com suas vantagens comparativas em relação à dotação de recursos naturais Desta forma existiriam fatores ligados tanto à dinâmica interna como externa à economia que poderiam implicar em desindustrialização Enquanto para Rowthorn e Ramaswamy 1999 este processo estaria mais associado à dinâmica interna do crescimento econômico Palma 2005 vai ressaltar que o mesmo se inicia de forma cada vez mais precoce é influenciado por fatores associados às transações externas da economia e no caso dos países da América Latina também estaria associado à ocorrência de doença holandesa posição esta reforçada por Bresser Pereira para quem a doença holandesa corresponde à sobreapreciação crônica da taxa de câmbio causada pela abundância de recursos naturais e humanos baratos compatíveis com uma taxa de câmbio inferior àquela que viabilizaria as demais indústrias de bens comercializáveis usando tecnologia no estado da arte Como Corden e Neary 1982 enfatizaram é um fenômeno estrutural que causa desindustrialização12 Se supusermos que a apreciação da taxa de câmbio inerente ao processo de doença holandesa contribui para inviabilizar o crescimento de determinadas indústrias então outros fatores que concorram para reforçar tal apreciação também deveriam atuar no mesmo sentido Parece ser o caso dos fluxos positivos de capitais principalmente quando se constituem em um movimento duradouro e de magnitude significativa Nas próximas seções deste artigo vamos apresentar dados e realizar testes que buscam verificar se podemos caracterizar a ocorrência de um processo de desindustrialização no Brasil e se os fatores aqui discutidos colaboram neste processo com destaque para a influência do comportamento da taxa de câmbio Em função do debate apresentado nesta seção que indicou a relevância do comportamento da produtividade na definição da composição setorial da produção e os efeitos adversos que a mesma pode provocar sobre o emprego adotaremos inicialmente como indicadores de desindustrialização tanto a participação do valor adicionado da manufatura no valor adicionado total como a do emprego na manufatura no emprego total 3 EVIDÊNCIAS DO PROCESSO DE DESINDUSTRIALIZAÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA O gráfico 1 demonstra que a participação do valor adicionado da manufatura no valor adicionado total da economia brasileira apresentou significativa evolução desde o início da série para a qual existem dados das Contas Nacionais 1947 até o início dos anos 70 quando se estabilizou e posteriormente apresentou uma trajetória de declínio desde o início da década de 80 até os dias atuais cenário compatível com o descrito por Palma 200513 12 BresserPereira 20085152 Tradução dos autores 13 Em função de seguidos aprimoramentos na metodologia de cálculo das pesquisas relativas ao valor da produção dos diversos setores e ao cálculo do PIB pelo IBGE as séries históricas principalmente das Contas Nacionais sofreram mudanças estruturais relevantes que impossibilitam comparações setoriais para um período mais extenso A principal ruptura ocorreu em relação aos dados anteriores a 1995 e por isso a maior parte das bases de dados utilizadas neste artigo referese ao período que se inicia em tal ano Mas especificamente em relação à participação da indústria de transformação no PIB foi possível montar uma série para um período maior com base no encadeamento das variações de volume considerando para 1992 a 1995 2008 e 2009 a variação observada na série das Contas Trimestrais o que possibilitou calcular a participação da manufatura no PIB desde o início da série em 1947 a preços constantes baseados em valores de 1995 ano inicial da nova série das Contas Nacionais Como regra geral adotaremos sempre valores constantes em nossas tabelas para tentar neutralizar o impacto das mudanças de preços relativos na composição setorial da 9 Gráfico 1 PARTICIPAÇÃO DA INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO NO VALOR ADICIONADO a preços básicos de 1995 fonte Contas Nacionais estimados a partir das variações reais por setor 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 PARTICIPAÇÃO DA INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO NO VALOR ADICIONADO a preços básicos de 1995 fonte Contas Nacionais estimados a partir das variações reais por setor 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 Os dois gráficos exibem comportamento totalmente opostos para os períodos considerados em cada um deles O último dado disponível referente a 2009 indica uma participação relativa da manufatura no valor adicionado inferior à observada no início da série em 1947 quando a economia brasileira ainda se encontrava em um estágio intermediário de seu processo de industrialização produção nos indicadores de comércio exterior e no investimento Para o período entre 1970 e 2009 a série de valor adicionado total foi construída a partir do encadeamento das variações de volume a preços básicos sem considerar os impostos e subsídios e para o período 19471969 foram utilizadas as variações de volume a preços de mercado considerando os impostos e subsídios dada a indisponibilidade de informações sobre a evolução do PIB a preços básicos e valores constantes para este último intervalo As variações referentes ao valor adicionado da indústria de transformação estão para todo o período consideradas a preços básicos Logo existem algumas diferenças na metodologia de cálculo para cada um dos períodos mas não são relevantes a ponto de inviabilizar o encadeamento entre ambos 10 Esta tendência de queda ocorreu muito antes de o país atingir um nível de renda per capita que possibilitasse afirmar que estaria ocorrendo uma mudança na composição da produção setorial em função da maior elasticidaderenda da demanda por serviços decorrente do alcance de um nível de renda per capita elevado pois na primeira metade da década de 80 nosso PIB per capita médio calculado em dólares corrigidos pela paridade do poder de compra atingiu US 408514 muito abaixo dos níveis de renda encontrados no estudo de Rowthorn e Ramaswamy 1999 como sendo aqueles em que os países mais desenvolvidos começariam a se desindustrializar entre US 8000 e 11000 aproximadamente segundo o mesmo critério Após a década de 70 alguns esparsos períodos de elevação da participação da manufatura no PIB foram alternados com aqueles predominantes em que se observa uma redução em tal participação mas a tendência de queda é nítida Assim o primeiro indicador considerado na análise indica que a economia brasileira estaria enfrentando há anos um processo precoce de desindustrialização A tabela 3 nos auxilia a justificar esta afirmação Nela estão incluídas a renda per capita e a participação relativa da manufatura no valor adicionado para grupos de países selecionados Notase que os grupos que apresentam maior crescimento da renda per capita desde a década de 70 são aqueles em que a participação da manufatura no valor adicionado é mais elevada e não decresceu significativamente Dentre os países que registraram uma queda da participação relativa da manufatura no valor adicionado os mais ricos apresentaram crescimento maior que os de menor renda per capita fato compatível com o argumento de Rowthorn e Ramaswamy 1999 Por outro lado os produtores de petróleo são os que apresentam as menores taxas de crescimento e de participação da manufatura no valor adicionado possivelmente devido a um crônico processo de doença holandesa Portanto parece que houve para os grupos de países aqui considerados excetuados os mais ricos uma correlação entre o patamar da participação relativa da manufatura e a taxa de crescimento da renda per capita no período considerado Assim não podemos afirmar em relação ao Brasil que a queda da participação da manufatura no valor adicionado seja decorrente do enriquecimento de nossa economia e nem que tal participação se encontre em um patamar adequado se quisermos que a renda per capita evolua mais rapidamente15 Países recentemente industrializados 1º grupo Países recentemente industrializados 2º grupo Economias desenvolvidas Asia e Oceania União Européia Brasil Economias emergentes America Maiores exportadores de petróleo Economias em desenvolvimento Média 7079 2928 523 14690 11618 2585 2833 2043 Média 8089 5296 756 19098 14137 3236 3255 1872 Média 9099 9740 1172 24498 16445 3341 3418 1724 Média 0008 14141 1463 27128 19834 3754 3905 2049 var 383 180 847 707 45 38 03 Média 7079 253 169 297 281 299 259 107 Média 8089 288 203 254 249 292 246 112 Média 9099 243 263 225 207 201 201 110 Média 0008 230 290 193 178 177 186 94 Renda per capita em dolares a preços constantes de 1990 Participação da manufatura no valor adicionado Tabela 3 Evolução da renda per capita e da participação da manufatura no valor adicionado Fonte UNCTAD a partir da Divisão de Estatística das Nações Unidas Elaboração dos autores 14 Dados oriundos do World Economic Outlook FMI coletados da base atualizada em abril de 2010 15 A composição dos grupos de países estruturados pela UNCTAD se encontra no Anexo II Os dados referentes ao Brasil podem se diferenciar de outros apresentados neste mesmo trabalho em virtude de especificações distintas de cálculo das variáveis em cada base de dados 11 Gráfico 2 PARTICIPAÇÃO RELATIVA DOS SETORES NO VALOR ADICIONADO AGREGADO Valor adicionado no setor valor adicionado agregado a preços básicos e constantes 1995 100 fonte Contas Nacionais 80 85 90 95 100 105 110 115 120 125 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Commodities agrícolas e extrativas Ind Transformação Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e médiabaixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Não comercializáveis Com base na taxonomia apresentada na seção anterior e usando novamente uma série a valores constantes encadeada a partir das variações de volume podemos decompor esta queda na participação relativa do valor adicionado da manufatura no Brasil ressaltando que dentre os grupos incluídos no gráfico 2 três compõem a indústria de transformação manufatura as commodities derivadas de produtos agrícolas e extrativos os manufaturados de baixa e médiabaixa tecnologia e os de médiaalta e alta tecnologia16 O gráfico 2 demonstra que utilizando como base a participação relativa de cada grupo no valor adicionado total em 1995 as commodities ampliaram significativamente sua participação no valor adicionado enquanto a dos não comercializáveis mantevese praticamente constante Já a participação relativa de todos os três setores integrantes da manufatura diminuiu no período com destaque para os manufaturados de baixa e médiabaixa tecnologia Houve uma recuperação na participação dos manufaturados de médiaalta e alta tecnologia a partir de 2003 o que é salutar em função da análise desenvolvida na seção anterior e ameniza mas não evita a redução da participação relativa do conjunto dos manufaturados Mesmo as commodities industrializadas derivadas de agrícolas e extrativos diminuíram sua participação fato que reforça a caracterização de um processo de desindustrialização pois mesmo o setor que poderia se beneficiar do boom de commodities em seu processo produtivo não foi favorecido no sentido aqui discutido por este processo de reprimarização da composição da produção setorial brasileira 17 A produtividade média da indústria de transformação em termos relativos sempre tendo como base o ano de 1995 por sua vez mantémse praticamente constante até 2004 e cai a partir daí gráfico 3 Dois de seus componentes as manufaturas de baixa e médiabaixa e médiaalta e alta oscilam em torno do valor inicial até 2004 e também apresentam posterior redução relativa Já 16 Neste caso não é possível utilizar os dados anteriores a 1995 pois as mudanças metodológicas do cálculo do PIB não permitem o encadeamento para os dados desagregados por setor de atividade da manufatura e não há dados disponíveis das Contas Nacionais posteriores a 2007 o que justifica nosso período de análise adotado doravante 17 A tabela detalhada com a evolução da participação do valor adicionado de cada setor de atividade no valor adicionado total da economia brasileira para o período entre 1995 e 2007 se encontra no Anexo III deste trabalho 12 a produtividade média das commodities derivadas de agrícolas e extrativas elevase em relação à média até 2002 e posteriormente declina A dos não comercializáveis cai até 2002 e posteriormente permanece relativamente estável Novamente o setor em que se observa o maior crescimento relativo e expressivo é o das commodities agrícolas e extrativas Gráfico 3 PRODUTIVIDADE RELATIVA DOS SETORES Valor adicionado ocupações do setor Valor adicionado ocupações agregado 1995 100 fonte Contas Nacionais 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Commodities agrícolas e extrativas Ind Transformação Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e médiabaixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Não comercializáveis Tal comportamento é incompatível com o preconizado por Rowthorn e Ramaswamy 1999 que indicavam um crescimento da produtividade na manufatura relativamente maior que o dos demais setores à medida que a renda per capita se elevasse Uma possível hipótese para explicar este comportamento da produtividade relativa da manufatura declinante em algumas fases do período considerado e que vai ao oposto do preconizado pela lei de Verdoorn18 reside na modesta evolução dos investimentos neste setor conforme veremos mais abaixo Por conseqüência não podemos inferir que a participação relativa da manufatura no emprego gráfico 4 esteja seguindo a mesma tendência de sua participação relativa no valor adicionado Como a produtividade relativa da manufatura é inicialmente oscilante em torno do valor de 1995 e posteriormente declinante a participação relativa do emprego na manufatura no emprego total cai a princípio como ocorre com a sua participação no valor adicionado mas posteriormente se eleva ao contrário do que ocorre com a participação no valor adicionado O setor de não comercializáveis eleva sua participação relativa no emprego e o de primários diminui em função do comportamento de suas respectivas produtividades em termos relativos Na verdade o setor produtor de bens primários terminou deslocando mãodeobra para os demais setores da economia Possivelmente o processo de modernização pelo qual vem passando este setor resultou em mudanças em seus coeficientes técnicos de produção tornandoo mais intensivo em capital Seria o caso clássico na literatura sobre desenvolvimento baseada em Lewis 1958 e Kaldor 1966 em que as externalidades positivas geradas pelo crescimento da indústria estariam beneficiando a produtividade do setor agrícola que termina transferindo mãodeobra para outros setores Porém a recuperação pós2002 da participação relativa do emprego na manufatura não está 18 A lei de Verdoorn afirma que há uma forte relação causal positiva entre o crescimento da produção manufatureira e o aumento da produtividade na manufatura Thirlwall 2005 13 sendo acompanhada por um crescimento de sua produtividade média per capita em termos relativos o que nos permite afirmar em função das discussões na seção 1 que este processo não implica em uma elevação consistente da renda per capita Gráfico 4 PARTICIPAÇÃO RELATIVA DOS SETORES NA OCUPAÇÃO TOTAL Ocupação no setor Ocupação total 1995 100 fonte Contas Nacionais 60 70 80 90 100 110 120 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Commodities agrícolas e extrativas Ind Transformação Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e médiabaixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Não comercializáveis Gráfico 5 PARTICIPAÇÃO RELATIVA DO INVESTIMENTO DO SETOR NO INVESTIMENTO DA INDÚSTRIA Valores constantes de 1995 com base no deflator implícito dos bens de capital das Contas Nacionais Fonte Pesquisa Industrial Anual IBGE 1995 100 00 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Extrativa mineral Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e médiabaixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Commodities deriv agric e extrat exceto petróleo 14 De fato o comportamento do investimento no setor industrial gráfico 5 mostra que o seu maior crescimento em termos relativos ocorreu no subsetor da extração mineral Logo aquele que mais aumentou sua participação no investimento foi o mesmo em que ocorreu a maior elevação da produtividade média em termos relativos no período considerado A predominância da manufatura no volume total de investimentos da indústria 91 em 2007 por exemplo explica a estabilidade de sua participação relativa Já o investimento relativo dos grupos que integram a manufatura oscila mais e podemos analisálo Infelizmente não há dados disponíveis para os produtos agropecuários primários e os não comercializáveis na base de dados utilizada para apurar o comportamento dos investimentos e assim não será possível avaliar a evolução das inversões em tais setores 19 Extrativa mineral Commodiities derivadas agric e extrativas Commodiities derivadas agric e extrativas exceto refino petróleo Refino de petróleo Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Ind Transformação Não classificados Total 1996 710301 7400635 5210524 2190111 4397091 6810597 18610408 2084 19320709 2001 585097 9656222 6524492 3131730 4958227 7855003 22689299 219847 23274396 2007 3281618 21896378 11685698 10210680 5231367 6122181 33249927 0 36531544 Var 0796 3620 1959 1243 3662 190 101 787 891 Deflator deflator implícito dos bens de capital das Contas Nacionais Extrativa mineral Commodiities derivadas agric e extrativas Commodiities derivadas agric e extrativas exceto refino petróleo Refino de petróleo Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Ind Transformação Não classificados 1996 37 383 270 113 228 353 963 00 2001 25 415 280 135 213 337 975 09 2007 90 599 320 280 143 168 910 00 Var 0796 1443 565 186 1466 371 525 55 Dados da PIA Pesquisa Industrial Anual do IBGE Valor do investimento em R mil de 1996 Tabela 4 Investimento participação no total da indústria Observase que em dois grupos da manufatura em que ocorreu uma redução na produtividade relativa também foi registrada uma queda expressiva no investimento relativo manufaturas de baixa e médiabaixa e médiaalta e alta tecnologia neste último caso houve inclusive uma queda em termos reais não só da participação relativa mas também de seus valores absolutos da ordem de 10 conforme se observa na tabela 4 A exceção dentre os manufaturados é o setor de commodities derivadas dos primários cuja participação relativa no investimento se eleva ao mesmo tempo em que movimento semelhante se observa no emprego o qual implicou em uma queda em sua produtividade média a partir de 2002 Porém uma parcela significativa da participação relativa e do aumento em termos de volume do investimento deste grupo de commodities derivadas dos primários advém do setor de refino de petróleo conforme pode se observar no gráfico 5 e na tabela 4 cujo comportamento está bastante associado à estratégia estatal definida para o setor extrativo Quando consideramos a evolução da participação relativa do investimento deste grupo de commodities excetuando o setor de refino de petróleo o aumento foi 19 Os dados das Contas Nacionais não possibilitam identificar os setores que estão demandando os bens de capital demanda mas apenas aqueles que os produzem oferta Assim não é possível calcular a taxa de investimento setorial a partir de tal levantamento Para nossos cálculos estamos utilizando as informações da PIA Pesquisa Industrial Anual do IBGE que inclui os valores de investimento setorial aquisições melhorias baixas do ativo imobilizado Entretanto esta pesquisa inclui dados apenas da indústria extrativa mineral e de transformação adicionalmente a sua amostra além de ser menor passa por uma série de ajustes antes de ser considerada no cálculo das Contas Nacionais Ressaltase que todavia o deflator que utilizamos é o da formação bruta de capital fixo das Contas Nacionais pois é o único disponível Assim estes dados não possibilitam estimar a participação do investimento de cada setor no PIB mas permitem observar resguardadas as observações anteriores a evolução do investimento setorial na indústria em termos absolutos e relativos 15 mais modesto 186 em termos reais no período entre 1996 e 2007 tendo oscilado em tal intervalo20 Assim podemos afirmar que o comportamento da produtividade relativa nos setores analisados está na maioria das situações correlacionado ao da participação setorial no investimento Uma possível explicação para este fato é que o nível de investimentos contribui para a evolução da produtividade dadas as mudanças que provoca na composição técnica da produção entre capital e trabalho e as inovações decorrentes deste tipo de despesa Supondo esta relação de causalidade o comportamento observado do emprego setorial em termos relativos seria determinado pela interação entre os investimentos a produtividade e o valor adicionado todos também em termos relativos Os dados apresentados nesta seção demonstram que está ocorrendo uma queda da participação da manufatura no valor adicionado da economia brasileira sendo que nos anos mais recentes para os quais é possível realizar uma análise mais desagregada está ocorrendo uma reprimarização da produção dos bens comercializáveis o que é uma característica dos processos de doença holandesa O comportamento da participação relativa no valor adicionado dos grupos que compõem a manufatura não é uniforme aquele que demonstrou a maior queda e posteriormente recuperação no período analisado foi o das manufaturas de médiaalta e alta tecnologia Assim a composição da produção brasileira passa por uma situação muito peculiar ao mesmo tempo em que sofre uma reprimarização visto que o grupo dos setores que utilizam como insumos as commodities primárias não elevou sua participação nos últimos anos do período considerado os setores que mais alavancam o crescimento da renda per capita conforme discutido na seção anterior vêm apresentando recentemente sinais de recuperação de sua participação na produção O maior prejudicado neste cenário é o grupo dos setores que produzem manufaturas de baixa e médiabaixa tecnologia possivelmente mais expostos à concorrência externa de países com menor custo de mãodeobra O comportamento do emprego parece estar associado ao da produtividade e este por seu turno ao do investimento21 Em função do comportamento da produtividade que não evolui conjuntamente com o aumento do valor adicionado não podemos afirmar que a participação relativa do emprego na manufatura seja um indicador de desindustrialização no período considerado Logo doravante adotaremos como indicador de desindustrialização no Brasil apenas a participação da manufatura no valor adicionado Como nosso enfoque neste trabalho é discutir a contribuição do setor externo e da apreciação cambial para este cenário na próxima seção discutiremos a evolução do comércio exterior brasileiro considerando os grupos de produtos comercializáveis previamente definidos e sua possível relação com a participação da manufatura no valor adicionado 4 O COMPORTAMENTO DO COMÉRCIO EXTERIOR E O PROCESSO DE DESINDUSTRIALIZAÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA A valorização cambial observada desde 2001 constatável sob três critérios de taxa de câmbio real efetiva deflacionada pelo IPAOG e ponderada pela participação dos parceiros comerciais nas exportações pelo IPAIT e INPC ambas ponderadas pela participação dos parceiros 20 É importante frisar que o comportamento da participação relativa do valor adicionado do emprego e da produtividade relativa do grupo das commodities derivadas de produtos primários praticamente não se altera quando da mesma forma que para o investimento desconsideramos os dados referentes ao setor de refino de petróleo 21 O raciocínio inverso no qual as empresas teriam optado por um aumento deliberado do emprego que resultasse na queda da produtividade parece menos lógico 16 nas exportações de manufaturados ou a partir de 2003 taxa deflacionada pelo INPC ponderada pela participação dos parceiros nas exportações não impactou de forma negativa o quantum de exportações de nenhum dentre os setores no período considerado na análise conforme se observa nas informações contidas na tabela 5 22 Mesmo os setores que poderiam ser mais afetados por um processo de doença holandesa que são os menos associados à produção ou utilização como insumo de commodities das quais possuímos vantagens comparativas apresentaram uma evolução significativa das vendas externas tendo inclusive aumentado a participação das exportações de produtos de médiaalta e alta tecnologia no total exportado Os coeficientes de exportação produção destinada à exportação também se elevaram novamente com destaque para este último setor tabela 623 Commodities agrícolas e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e médiabaixa tecnol Manufaturados média alta e alta tecnol Ind Transformação Total 1995 4458 20829 8764 11260 40853 45311 2001 9361 29971 12554 18243 60769 70130 2007 17582 48738 19219 40168 108124 125706 Var 0795 2944 1340 1193 2567 1647 1774 Commodities agrícolas e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e médiabaixa tecnol Manufaturados média alta e alta tecnol Ind Transformação Total 1995 5115 10972 5426 28299 44697 49812 2001 4576 12712 5361 41180 59253 63829 2007 5249 15237 10448 70560 96246 101494 Var 0795 26 389 926 1493 1153 1038 Commodities agrícolas e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e médiabaixa tecnol Manufaturados média alta e alta tecnol Ind Transformação Total 1995 656 9857 3339 17040 3844 4501 2001 4785 17259 7193 22937 1515 6301 2007 12333 33501 8770 30392 11879 24212 Exportações Importações Saldo comercial Tabela 5 Indicadores de comércio exterior Valores constantes em US milhões de 1995 Fonte Ipeadata a partir de informações da Funcex Elaboração dos autores Porém a evolução setorial das importações é totalmente distinta Os produtos com maior intensidade tecnológica apresentam a maior evolução das compras externas bem como elevaram sua participação nas importações totais o único setor em que isso ocorreu enquanto os que têm sua produção vinculada ao aproveitamento de commodities primárias nas quais possuímos vantagens comparativas registraram um crescimento bem menos expressivo das importações reduzindo sua participação relativa O coeficiente de importações importações em relação à demanda doméstica elevouse principalmente para os manufaturados de média e médiaalta tecnologia e caiu nos setores que produzem as commodities primárias Por conseqüência o déficit da balança comercial de manufaturados de média e médiaalta tecnologia que é observado desde o início do período considerado se acentuou após a taxa de câmbio começar a se apreciar 22 Os valores das exportações e as importações estão reportados a preços constantes de 1995 isto é calculados a partir das variações de quantidades e assim isolando o impacto da evolução dos preços sobre as vendas e compras externas Assim todos os dados sobre a evolução das exportações e importações apresentados nesta seção referemse a quantidades 23 As definições dos coeficientes de exportação e importação se encontram na tabela 6 e estão baseadas nas utilizadas pela Funcex Para o coeficiente de importações foram adicionalmente descontadas as importações de bens intermediários das importações totais pelos motivos explicitados ao final de tal tabela 17 Commodities agrícolas e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Ind Transformação Total 1995 98 460 193 248 902 1000 2001 133 427 179 260 867 1000 2007 140 388 153 320 860 1000 Var 0795 422 157 210 286 46 00 Commodities agrícolas e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Ind Transformação Total 1995 103 220 109 568 897 1000 2001 72 199 84 645 928 1000 2007 52 150 103 695 948 1000 Var 0795 496 318 55 224 57 00 Commodities agrícolas e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Ind Transformação Total inclui somente comercializáveis no valor da produção Total também inclui não comercializ no valor da produção 1995 83 194 108 109 140 131 50 2001 140 240 147 178 194 185 69 2007 203 343 206 280 285 270 101 Var 0795 1436 766 914 1581 1043 1062 1002 Commodities agrícolas e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Ind Transformação Total inclui somente comercializáveis no consumo ap domest Total também inclui não comercializ no consumo ap domest 1995 113 136 110 353 217 202 75 2001 89 140 81 451 239 213 74 2007 89 176 152 570 344 300 97 var 217 298 374 613 586 485 303 Obs Consumo aparente doméstico valor da produção importações totais importações de intermediários exportações O valor das importações de intermediários está descontado porque integra o consumo intermediário que por sua vez integra o valor da produção e assim evitamos dupla contagem Coeficiente de penetração das importações valor importado consumo aparente doméstico Tabela 6 Indicadores de comércio exterior Exportações Participação dos setores Importações Participação dos setores Coeficiente de exportação participação das exportações no valor da produção Fonte Ipeadata a partir da Funcex Elaboração dos autores com base nos valores constantes em US milhões de 1995 Este cenário mostra que a apreciação cambial impactou a evolução das importações no período analisado mas não parece ter afetado negativamente as exportações Este resultado peculiar à primeira vista principalmente para os manufaturados dado o comportamento das exportações pode ser explicado por três fatores a a ocorrência de um processo de hysteresis mais significativo nas exportações que nas importações b o crescimento da demanda externa e c a adoção de uma estratégia de hedge produtivo por parte dos exportadores Detalharemos a seguir estes argumentos A hipótese de hysteresis associada ao comércio internacional foi dentre outros desenvolvida por Krugman 1989 e ocorre quando choques temporários na taxa de câmbio provocam efeitos permanentes sobre as quantidades e preços de produtos exportados ou importadossegundo essa proposição teórica em razão da existência de custos de entrada e saída os exportadores importadores não entram ou saem do mercado prontamente em resposta às mudanças na taxa de câmbio real Kannenbley et all 20103 Assim em função dos investimentos realizados mesmo que a taxa de câmbio esteja se apreciando os empresários permanecem exportando se houver demanda externa e os retornos das vendas externas cobrirem pelo menos os custos variáveis Para os autores os setores em que a hipótese de hsyteresis para as exportações se mostrou estatisticamente significativa são aqueles em que existe maior possibilidade de diferenciação de produtos e precificação em mercados externos distintossão em maior parte intensivos em tecnologia e engenharia ou intensivos em escala24 24 Kannebley et all 2010 33 Segundo os cálculos dos autores estes setores seriam os de veículos máquinas e tratores e material elétrico O mesmo comportamento foi observado para o setor de elementos químicos sendo que todos estes são integrantes do grupo de médiaalta e alta tecnologia definido neste trabalho 18 O aquecimento da demanda externa por sua vez é uma condição necessária mas não suficiente para garantir o aumento das exportações pois como a própria hipótese de hysteresis afirma é necessário que as receitas de exportações superem os custos variáveis para levar o empresário a direcionar sua produção ao mercado externo De toda forma é bastante provável que esta variável esteja contribuindo para o comportamento das exportações de primários e pode também ajudar a formular uma hipótese sobre a menor evolução das exportações de commodities derivadas de produtos primários que a observada para os primeiros os mercados que atingimos no exterior ou pelo menos uma parcela deles devem estar demandando fundamentalmente matérias primas talvez em virtude de uma opção pela produção de bens com maior valor adicionado O terceiro fator o hedge produtivo está associado à estratégia de redução dos custos de produção por parte do exportador o que possibilitaria evitar uma queda das margens de lucro em um cenário de apreciação cambial que não fosse compensado por uma elevação dos preços externos Nesta estratégia os setores que mais sofrem o impacto da valorização do câmbio em função de não possuírem as mesmas vantagens comparativas daqueles que produzem commodities primárias ou que apresentaram menor evolução em seus preços de exportação tendem a reduzir seus custos através da importação de insumos intermediários que possibilitam amenizar a compressão das margens de lucro do exportador resultante de tal valorização principalmente se o preço de tais insumos for vantajoso para o produtor nacional A tabela 7 reflete o comportamento dos preços de exportações e importações entre 1995 e 2007 Com exceção das commodities primárias os preços estavam em 2007 em patamar muito próximo ao praticado em 1995 após oscilar ao longo do período No período entre 2001 e 2007 portanto a partir do momento em que se inicia a apreciação cambial todos os grupos exibiram evolução em seus preços de exportação nos últimos anos mas tanto para as commodities primárias como para seus derivados esta variação foi maior Já o comportamento dos preços de importações das commodities primárias entre 1995 e 2007 foi bem superior ao dos demais grupos possivelmente por influência do petróleo para as manufaturas foi observada inicialmente uma queda e posteriormente um avanço muito mais modesto que o registrado para as commodities primárias e também para suas derivadas Commodities agrícola s e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Total 1995 1000 1000 1000 1000 1000 2001 858 566 788 972 703 2007 1593 1005 1072 1081 1036 Commodities agrícola s e extrativas Commodities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Total 1995 1000 1000 1000 1000 1000 2001 1301 829 803 814 817 2007 3729 1734 979 942 1185 Importações Tabela 7 Evolução dos preços de exportações e importações Fo nte Ipeadata a partir de informações da Funcex Elaboração dos autores Exportações O incentivo decorrente do comportamento dos preços das exportações e das importações ceteris paribus é claro estímulo ao aumento das exportações de commodities primárias e à importação de manufaturados de baixa média e alta tecnologia grupos em que se enquadram parcela relevante dos insumos utilizados na manufatura conforme se observa na tabela 2 deste artigo 19 Com o intuito de analisar melhor a hipótese de hedge produtivo é necessário observar a composição da pauta de importações de cada setor por categoria de uso bens finais intermediários ou de capital pois para que tal suposição seja plausível é necessário que a evolução das importações de intermediários seja superior à dos demais grupos Uma análise dos dados de comércio exterior segundo a divisão por categoria de uso sem considerar a subdivisão entre grupos que estamos adotando tabela 8 mostra que a única categoria que apresentou uma evolução das importações superior à das exportações foi a dos bens intermediários Quando observamos a contribuição para a variação absoluta este grupo de produtos é relevante tanto para as exportações como as importações mas com destaque no segundo caso Logo a maior parte da evolução das importações a preços constantes entre 1995 e 2007 é explicada pela aquisição de insumos produzidos no exterior e o argumento usual de que o aumento das importações foi intensamente direcionado à aquisição de bens de capital não procede Duráveis Não duráveis Intermediários Bens de capital Combustíveis Total Exportações 346 185 126 323 723 167 Importações 13 30 158 107 9 105 Exportações 9 19 53 15 5 100 Importações 1 3 79 18 1 100 Fonte Funcex Elaboração dos autores Contribuição para a variação absoluta dos valores constantes entre 1995 e 2007 Variação dos valores constantes base 1995 estimados a partir das variações de quantum entre 1995 e 2007 Indicadores de comércio exterior segundo a categoria de uso Tabela 8 1997 2001 2007 Var 0797 COMMODITIES AGRICOLAS E EXTRATIVAS Bens de capital 01 00 00 708 Bens de consumo 99 57 62 372 Bens intermediários e combustíveis 900 943 938 42 INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO Bens de capital 240 217 199 173 Bens de consumo 159 91 129 187 Bens intermediários e combustíveis 601 692 672 119 COMMODITIES DERIVADAS AGRIC E EXTRAT Bens de capital 00 00 00 Bens de consumo 241 124 130 460 Bens intermediários e combustíveis 759 876 870 146 MANUFATURADOS BAIXA E MEDIA BAIXA TECNOL Bens de capital 34 29 23 313 Bens de consumo 192 117 157 181 Bens intermediários e combustíveis 774 854 819 58 MANUFATURADOS MEDIA ALTA E ALTA TECNOL Bens de capital 342 289 271 207 Bens de consumo 131 80 124 51 Bens intermediários e combustíveis 527 630 605 147 TOTAL Bens de capital 217 198 181 164 Bens de consumo 153 88 123 195 Bens intermediários e combustíveis 630 714 696 104 Fonte Funcex Elaboração dos autores cálculo baseado nos valores contantes a preços de 1995 Tabela 9 Participacao das importações por categoria de uso no total para cada setor Na tabela 9 estão incluídas as importações por categoria de uso efetuadas por cada um dos grupos de setores definidos neste trabalho Observase que nos quatro grupos considerados em nosso estudo a participação de intermediários no total de importados se elevou até 2001 enquanto a dos bens de consumo e de capital se reduziu no mesmo período Em 2007 a participação de 20 insumos permanecia superior à verificada em 1997 porém inferior à de 2001 enquanto a participação das importações de bens de consumo duráveis se elevou Apenas a dos bens de capital permaneceu declinando nos dois períodos Além disso a participação de insumos importados no consumo intermediário que corresponde ao total de insumos incluídos nacionais e importados e excluídos bens de capital aumentou entre 1997 e 2007 para todos os setores da indústria de transformação e assim como para os dados anteriores de forma mais intensa na manufatura de médiaalta e alta tecnologia Já no setor produtor de commodities primárias esta relação praticamente não se alterou vide tabela 10 Logo a manufatura passou a utilizar dentre os seus insumos um volume maior de produtos importados Commodiities agrícolas e extrativas Commodiities derivadas agric e extrativas Manufaturados baixa e média baixa tecnol Manufaturados médiaalta e alta tecnol Ind Transformação Comercializáveis Total 1997 133 50 64 140 87 92 49 2001 110 49 55 205 103 104 54 2007 136 71 89 225 135 135 69 var 0797 18 413 386 609 544 469 408 Participação da importação total de intermediários no consumo intermediário dos comercializáveis Participação da importação total de intermediários no consumo intermediário total Fonte Funcex e Contas Nacionais Elaboração dos autores Tabela 10 Participação da importação de intermediários inclui combustíveis no consumo intermediário cálculo baseado nos valores constantes em reais de 1995 A discussão acima demonstra que a estratégia de importação de intermediários para utilização no processo produtivo parecer ter sido adotada de forma generalizada nos diversos setores com maior intensidade nos grupos de commodities derivadas dos primários e manufatura de médiaalta e alta tecnologia mas há indícios de que entre 2001 e 2007 as empresas passaram a intensificar também a importação de bens finais de consumo substituindo ou complementando a produção local a qual permaneceu utilizando insumos importados Como a maior parte dos insumos consumidos pela manufatura são produtos originários também deste setor a estratégia de hedge produtivo pode estar prejudicando a produção nacional de manufaturados e contribuindo para a desindustrialização da economia brasileira Porém a recente intensificação da importação de bens duráveis se for substitutiva e não complementar à produção nacional pode ter implicações ainda maiores sobre o processo de desindustrialização que a prática de hedge produtivo25 Estes parecem ser os principais efeitos no período analisado da evolução da taxa real de câmbio sobre a participação relativa da manufatura no valor adicionado Na próxima seção procederemos aos testes econométricos que visam avaliar os fatores que podem contribuir para a desindustrialização dentre os citados tanto na discussão teórica como na análise empírica do caso brasileiro Nossa hipótese principal indica que além dos fatores internos e externos incluídos nos modelos teóricos apresentados no início deste artigo a valorização cambial tem exercido influência no processo de desindustrialização do país na forma discutida nesta seção Buscaremos assim comprovar a influência da taxa real de câmbio sobre a participação relativa da manufatura no valor adicionado aqui discutida através de seu impacto sobre a evolução da participação de insumos importados no total de insumos utilizados no processo produtivo 5 O MODELO E OS TESTES EMPÍRICOS Para compor o modelo empírico seguimos Rowthorn e Ramaswamy 1999 doravante RR na definição da variável outshare ie a participação relativa de um setor no valor adicionado da 25 A série de dados se inicia em 1997 em função da indisponibilidade de informações para períodos anteriores segundo a classificação adotada nesta tabela 21 economia brasileira Para efeitos de comparação procuramos usar os mesmos regressores adotados pelos autores e só incluímos a taxa real de câmbio setorial e a participação de insumos importados no consumo intermediário Os regressores são o PIB per capita em valores constantes de 1995 lpibpc e seu quadrado lpibpc2 a taxa de câmbio real efetiva para os diversos setores de atividades das Contas Nacionais calculada pelo IPEA lreeri a taxa de formação bruta de capital fixo em relação ao PIB lfixcap o preço relativo lrelprice de cada setor na verdade é a relação entre os deflatores implícitos do valor da produção de cada setor e do valor da produção agregado que deve refletir o ganho de produtividade do setor a participação de insumos importados no consumo intermediário de cada setor lcireli a participação relativa de um setor no investimento da indústria linvestreli e a própria variável dependente defasada Lloutsharei Os regressores foram incluídos com seus valores contemporâneos e defasados para tentar captar a relação dinâmica com a variável explicada e os positivos foram suavizados com logaritmo A definição detalhada dos regressores bem como as estatísticas básicas se encontram disponíveis a pedido Como Boulhol e Fontagné 2007 optamos pela metodologia de painel dinâmico considerando como indivíduos os 28 setores das Contas Nacionais do IBGE classificados como manufaturados considerados ao longo de 12 anos entre 1995 e 2007 Os regressores foram escolhidos em função da disponibilidade dos dados setoriais junto ao IBGE O método usado nas regressões é o GMM sistema de ArellanoBover 1995 e Blundell Bond 1998 escolhido por oferecer a possibilidade de se controlar a endogeneidade que existe no modelo empírico usado Como se sabe endogeneidade ocorre em situações de variável omitida e simultaneidade Testamos diversos modelos empíricos para evitar a ocorrência de variável omitida mas acreditase na existência de endogeneidade considerando que duas explicativas envolvem o indicador do PIB per capita e a variável explicada é uma razão entre o valor adicionado de cada setor e a soma do valor adicionado de todos os setores que corresponde ao PIB a preços básicos A tecnologia de painel GMM necessita de instrumentos válidos para controlar a endogeneidade e se ressente da sobreidentificação mais condições de momento que parâmetros sob pena de reduzir a eficiência dos estimadores e assim aumentar a rejeição dos coeficientes estimados Como frequentemente ocorre na pesquisa macroeconômica empírica há dificuldade em se obter bons regressores exógenos A metodologia escolhida toma os regressores em nível e em primeira diferença defasados como instrumentos Usamos como instrumento uma medida da participação das importações chinesas no total de importações brasileiras de manufaturados que nossos testes demonstraram ser consistente A metodologia econométrica empregada controla a autocorrelação serial e a heterocedasticidade temporal nos dados mas não prevê controle para a heterocedasticidade sistêmica a que ocorre entre os setores de atividade Como isso reduz a eficiência dos estimadores esperamos que vários regressores não sejam significativos dada a heterogeneidade entre eles Outro problema potencial que apresenta esta tecnologia é a característica de eficiência assintótica dos estimadores que demanda na realização dos testes uma grande quantidade de indivíduos contra um pequeno número de observações Na nossa amostra como partimos de uma amostra com 28 setores em um período de 13 anos podemos considerar válida a hipótese de eficiência dos estimadores GMM Finalmente usouse o Stata26 estimando a metodologia GMM em dois estágios com as opções de correção de amostra pequena de Windmeijer 2005 e tratamento robusto para a heterocedasticidade da matriz de variânciacovariância Wooldridge 2001193 26 Usamos o comando xtabond2 de Roodman 2006 22 1 2 3 4 VARIABLES loutsharei loutsharei loutsharei loutsharei Lloutsharei 0973 0984 1001 0984 00215 00204 00361 00318 Llpibpc 0367 00554 0200 0213 0196 0417 0324 0235 lpibpc2 00448 00207 00414 00335 00332 00345 00272 00227 Llpibpc2 00935 00331 00617 00644 00329 00531 00418 00323 lfixcap 0169 00368 0136 0161 0215 0188 0123 0139 Llfixcap 00587 00168 0323 00111 0245 0198 0256 0210 lreeri 000967 00551 00477 00751 Llreeri 00536 00110 00480 00342 lcireli 00220 00216 00185 000403 000839 000456 Llcireli 00261 00366 00238 000744 00103 000710 lrelpricei 0368 0199 Llrelpricei 00923 0180 linvestreli 00996 0962 Llinvestreli 0763 1106 Constant 0 0 0 0 0 0 0 0 Observations 336 270 270 270 Number of scn 28 27 27 27 Standard errors in parentheses p001 p005 p01 Tabela 11 Modelo dinâmico da participação da manufatura no produto total O modelo 1 apresenta os resultados com os sinais esperados para o PIB per capita positivo para o termo simples e negativo para o termo quadrático logo há uma relação positiva entre a evolução da renda per capita e da participação da manufatura no valor adicionado porém decrescente conforme esperado A elevação da demanda agregada que estaria ocorrendo na economia brasileira atuaria no sentido de elevar a demanda por manufaturados e a participação destes últimos no valor adicionado Este modelo está subespecificado e o completamos com o modelo 2 no qual adicionamos a taxa de câmbio real efetiva setorial lreeli e a participação de importados no consumo de bens intermediários utilizados no processo produtivo lcireli Enquanto 23 a primeira não se mostrou significativa a segunda sim e com sinal positivo apresentando sinal negativo na primeira defasagem Isso significa que a participação de importados no consumo intermediário pode em um primeiro momento estimular a produção e a participação da manufatura no valor adicionado como resultado da adoção da estratégia de hedge produtivo porém em um segundo momento desarticula a cadeia produtiva o que resulta em queda da participação da manufatura no valor adicionado O resultado é consistente com a discussão apresentada na seção anterior Em relação à taxa de câmbio por sua vez o resultado é diferente do esperado mas é possível que decorra do efeito da variável lcireli sobre os resultados que pode estar incorporando os impactos da taxa de câmbio Assim uma agenda de pesquisa derivada deste estudo é a análise dos determinantes da participação de importados no total de insumos utilizados na economia na qual esperamos que a taxa de câmbio seja um fator relevante A taxa de investimento não se mostrou uma variável relevante evidenciando que o comportamento desta última não vem acompanhando as variações na participação da manufatura no valor adicionado É possível que ao invés de investir e elevar a produtividade as empresas estejam optando por ocupar a capacidade ociosa e substituir insumos nacionais por importados o que é prejudicial à indústria nacional como uma forma de incorporar tecnologia em setores específicos CONCLUSÕES Os resultados demonstram que as exportações de todos os setores considerados subdivididos em commodities e tipos de manufaturados evoluíram no período mas que as importações principalmente dos produtos de médiaalta e alta tecnologia cresceram bem mais e geraram deficits comerciais que podem ter contribuído para a redução da participação da indústria de transformação no PIB As importações aumentaram principalmente dentre os insumos utilizados no processo produtivo os exportadores compensariam o efeito da valorização do câmbio sobre suas receitas com a redução de custos via importação de insumos mais baratos e posteriormente também para os bens duráveis o que reforça o processo de desindustrialização Os testes econométricos demonstraram que a participação relativa da indústria de transformação no PIB realmente se reduz quando a participação de importados no consumo de insumos intermediários se eleva e viceversa Durante a fase de crescimento de uma economia este movimento não é facilmente perceptível alguns setores se beneficiam da estratégia de hedge produtivo pois ao elevarem a produção em virtude do aumento da renda per capita e do aquecimento da demanda agregada geram um aumento no valor adicionado que pode compensar a redução do consumo de insumos nacionais muitas vezes oriundos do mesmo setor É possível que este movimento esteja ocorrendo por exemplo em alguns setores do grupo de manufaturados de médiaalta e alta tecnologia cuja participação no valor adicionado agregado se recuperou nos últimos anos ainda que não tenha retornado até 2007 ao patamar observado em 1995 Mas esta estratégia traz dois problemas a o desmantelamento da cadeia produtiva pois alguns elos da mesma representados por fornecedores que estariam sofrendo o prejuízo direto da substituição de insumos contribuiriam para reduzir a participação relativa no valor adicionado do setor a que pertencem A produção nacional de bens intermediários utilizados no processo produtivo de outros bens finais ficaria comprometida b se por ventura a economia reduzir suas taxas de crescimento bem como a demanda mundial por nossos produtos finais a desindustrialização se torna evidente Uma taxa de câmbio competitiva poderia auxiliar a manufatura a recuperar sua participação no PIB e elevar as taxas de crescimento da economia brasileira A apreciação da taxa de câmbio que pode decorrer tanto de um processo de doença holandesa como do aumento do fluxo de capitais para o nosso país e daí a influência da primeira sobre o processo de desindustrialização contribui para este processo na medida em que deve estar estimulando a estratégia de hedge produtivo e mais recentemente a própria importação de bens finais de consumo neste caso A comprovação da 24 relação entre o comportamento das importações principalmente de insumos e da taxa real de câmbio é o próximo estágio desta agenda de pesquisa REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Arellano M and S Bond 1991 Some tests of specification for panel data Monte Carlo evidence and an application to employment equations Review of Economic Studies 58 27797 Blundell R and S Bond 1998 Initial conditions and moment restrictions in dynamic panel data models Journal of Econometrics 87 11143 Bond S 2002 Dynamic panel data models A guide to micro data methods and practice Working Paper 0902 Institute for Fiscal Studies London Bonelli Regis e Fonseca Renato 1988 Ganhos de produtividade e de eficiência novos resultados para a economia brasileira Pesquisa e Planejamento Econômico 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correction for the variance of linear efficient twostep GMM estimators Journal of Econometrics 126 2551 Wooldridge J 2001 Econometric Analysis of Cross Section and Panel Data MIT Press 26 ANEXO I Relação de setores da contas nacionais SCN classificados nos grupos adotados neste trabalho G rupo S C N AT IV ID AD E S C N 1 1 A grope cu ária 1 2 E x tra tiv a m ine ral ex c eto c om bus tív eis 1 3 E x tra çã o de petróleo e gás c arvã o e o utros co m b ust íveis 2 4 F a bric aç ão de m inerais não m etá lico s 2 5 S id erurgia 2 6 M etalurgia dos nã oferros os 2 18 R efin o do petróleo e ind ús tria pe troquím ica 2 25 I ndús tria do c afé 2 26 B ene fic ia m en to de produ tos de o rigem v egeta l inc lus iv e f um o 2 27 A bate e prep araç ão de c arnes 2 28 R esf riam ento e prep araç ão do leite e lat ic ínio s 2 29 I ndús tria do aç úc ar 2 30 F a bric aç ão e re fin o de óleo s v eg etais e de g orduras para alim e ntaç ão 2 31 O ut ra s indú strias alim e ntares e d e be bida s 3 7 F a bric aç ão de outros p ro dutos m etalúrgico s 3 14 S errarias e fabricaç ão de a rt igos de m a deira e m obiliário 3 15 I ndús tria de pa pel e gráf ic a 3 16 I ndús tria da bo rra cha 3 21 I ndús tria de tran sf orm aç ão de m ate rial plá stico 3 22 I ndús tria têx til 3 23 F a bric aç ão de artig os do v es tuário e a ce ss ório s 3 24 F a bric aç ão de c alç ado s e de a rt igos d e c ouros e pe les 4 8 F a bric aç ão e m an uten ção de m áq uina s e tratores 4 10 F a bric aç ão de apa re lho s e equipam ent os de m aterial e létrico 4 11 F a bric aç ão de apa re lho s e equipam ent os de m aterial e letrô nic o 4 12 F a bric aç ão de auto m ó veis ca m inhõe s e ônibus 4 13 F a bric aç ão de outros v eíc ulos peç as e a ce ss ório s 4 17 F a bric aç ão de elem e ntos qu ím ico s n ãopet ro quím ic os 4 19 F a bric aç ão de produ tos quím ic os dive rs os 4 20 F a bric aç ão de produ tos farm ac êutico s e de p erfum aria 4 32 I ndús tria s d iv ersa s 1 C om m odities prim árias agríc olas e ex trativas 2 C om m odities indus tria liz ada s d eriv adas de c om m od ities agríc ola s e ex trativ as 3 M a nufa turados de baixa e m édiabaixa tec nologia 4 M a nufa turados de m é dia a lta e alta tec no log ia A indús tria de t ra ns form a çã o ou m a nufa tura c onf orm e citada no te xto in clui os se tores clas s ifica dos nos grup os 2 3 e 4 ANEXO II Composição dos grupos de países integrantes da tabela 3 evolução da renda per capita e da participação da manufatura no valor adicionado Newly industrialized economies Developed economies Asia and Oceania EU Emerging economies M ajor petroleum exporters Developing economies First tier Asia European Union America Africa Hong Kong Israel Austria 1995 Argentina Algeria Republic of Korea Japan Belgium 1957 Brazil Angola Singapore Cyprus 2004 Chile Congo Taiwan Oceania Bulgaria 2008 Mexico Equatorial Guinea Australia Czech Republic 2004 Peru Gabon Second tier New Zealand Denmark 1973 Libyan Arab Jamahiriya Indonesia Estonia 2004 Nigeria M alaysia Finland 1995 Sudan Philippines France 1957 Thailand Germany 1957 America Greece 1981 Ecuador Hungary 2004 Trinidad and Tobago Ireland 1973 Venezuela Italy 1957 Latvia 2004 Asia Lithuania 2004 Bahrain Luxembourg 1957 Brunei Darussalam M alta 2004 Iran Islamic Republic of Netherlands 1957 Iraq Poland 2004 Kuwait Portugal 1986 Oman Romania 2008 Qatar Slovakia 2004 Saudi Arabia Slovenia 2004 Syrian Arab Republic Spain 1986 United Arab Emirates Sw eden 1995 Yemen United Kingdom 1973 27 ANEXO III Participação do valor adicionado de cada setor no valor adicionado geral 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 var 07 e 95 Agropecuária 489 493 482 499 528 521 545 563 589 571 555 561 556 138 Extrativa mineral 062 061 062 061 055 056 053 054 056 061 063 064 067 76 Extração de petróleo e gás 096 103 106 121 132 145 150 170 174 161 175 175 168 747 Minerais não metálicos 065 067 069 066 064 062 060 058 058 060 060 059 059 95 Siderurgia 111 111 108 103 107 108 105 104 106 110 103 097 097 125 Metalurgia não ferrosos 033 034 034 033 034 036 034 031 033 034 033 034 033 09 Outros metalúrgicos 117 117 124 118 108 110 122 115 116 127 123 119 118 02 Máquinas e tratores 086 079 085 081 075 085 089 087 090 101 097 096 106 235 Material elétrico 073 070 072 069 062 066 064 059 060 065 065 065 068 70 Equipamentos eletrônicos 126 127 116 091 074 071 054 055 056 060 061 064 063 503 Automóveis caminhões e ônibus 035 033 037 028 024 026 028 028 031 039 043 042 045 266 Outros veículos e peças 083 082 086 076 073 086 091 095 099 109 106 102 111 330 Madeira e mobiliário 094 097 095 089 091 092 088 086 085 089 085 086 082 127 Papel e gráfica 123 121 119 118 120 119 124 124 128 130 136 135 127 33 Indústria da borracha 026 025 025 024 024 025 025 025 024 025 025 024 024 97 Elementos químicos 075 076 081 071 073 064 060 065 073 067 064 063 065 129 Refino do petróleo 116 111 111 111 114 113 125 124 129 120 111 102 098 157 Químicos diversos 048 047 047 044 043 043 033 033 034 036 037 035 036 255 Farmacêutica e de perfumaria 107 100 102 104 104 098 097 097 095 096 101 100 097 96 Artigos de plástico 067 070 069 065 058 055 049 044 042 044 045 044 043 359 Indústria têxtil 075 070 065 067 066 068 069 064 062 066 065 061 063 165 Artigos do vestuário 114 109 098 097 101 106 091 090 081 076 071 064 066 418 Fabricação de calçados 050 047 042 038 038 039 041 040 039 038 036 034 031 370 Indústria do café 006 007 007 004 004 004 005 005 004 004 005 005 005 220 Beneficiamento de produtos vegetais 045 047 050 049 048 047 050 053 051 051 050 049 048 49 Abate de animais 061 061 059 057 057 056 056 061 062 065 061 058 056 81 Indústria de laticínios 022 022 022 021 019 020 021 021 021 020 022 022 020 61 Indústria de açúcar 035 032 035 031 034 027 040 042 040 041 036 035 034 38 Fabricação de óleos vegetais 012 011 011 011 011 010 009 009 010 006 006 005 005 543 Outros produtos alimentares 074 074 072 072 072 076 077 076 076 077 080 081 079 69 Indústrias diversas 026 025 025 026 026 027 027 028 026 028 028 027 026 01 Serviços industriais de utilidade pública 351 355 365 369 369 369 341 341 350 359 359 359 358 17 Construção civil 547 553 582 589 567 556 537 510 487 492 486 490 486 111 Comércio 1252 1249 1259 1235 1199 1204 1187 1151 1133 1153 1158 1184 1212 32 Transporte 487 504 519 522 498 506 511 509 488 489 491 483 480 15 Comunicações 243 253 258 278 312 350 364 370 382 382 385 378 383 575 Instituições financeiras 757 748 750 738 735 722 721 715 674 661 675 706 768 14 Serviços prestados às famílias 801 782 768 756 757 735 729 730 739 728 737 742 729 90 Serviços prestados às empresas 419 422 430 455 460 462 442 455 450 455 472 475 486 159 Aluguel de imóveis 780 782 778 798 810 810 835 846 864 849 863 857 850 90 Administração pública 1565 1599 1551 1596 1637 1598 1628 1636 1665 1635 1604 1599 1546 12 Serviços privados não mercantis 245 227 226 218 219 225 223 230 217 221 223 220 208 150 Total 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 00 Font e IBGE Diretoria de Pesquisas Coordenaçã o de Contas Nacionais 28