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101 R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 Trabalho práxis e Serviço Social Renata Gomes da Costa Universidade Estadual do Ceará UECE Recebido em 12082012 Aprovado em 18122012 ENSAIO Trabalho práxis e Serviço Social Resumo O presente artigo tem como objetivo discutir a práxis do Serviço Social a partir de uma reflexão ontológica sobre a categoria trabalho diferenciandoa das outras práxis Em seguida aborda a função social do Serviço Social e por fim discute sobre a práxis do Serviço Social na contemporaneidade enfocando suas relações e condições de trabalho Palavraschave Trabalho Práxis social Serviço Social Work Praxis and Social Work Abstract The purpose of this article is to discuss the praxis of Social Work based on an ontological reflection about the category of work distinguishing it from other forms of praxis It then addresses the social function of Social Work and finally discusses praxis of Social Work today focusing on its labor relations and conditions Keywords Labor Social praxis Social Work Maria Zelma de Araújo Madeira Universidade Estadual do Ceará UECE 102 Introdução O Serviço Social é uma área que nas últimas décadas vem crescendo no Brasil tendo passado por inúmeras transformações e reformulações resultantes da problematização dos seus aspectos teóricos metodológicos e políticos Como exemplo temse o I Congresso Brasileiro de Serviço Social em 1947 em que mesmo sem ter uma temática central serviu de ato preparatório para o II Congresso PanAmericano de Serviço Social realizado em 1949 na cidade do Rio de Janeiro Repensar a profissão a partir dos parâmetros teóricos e metodológicos ganha ênfase na década de 1960 momento de expansão do Serviço Social e de suas escolas e se espraia até 1980 no período de redemocratização da sociedade brasileira após longos e violentos anos de ditadura militar Nesses anos que demarcaram o que Netto 1998 denomina de movimento de reconceituação o Serviço Social passa a questi onar e problematizar sua intervenção e produção científica Apenas na década de 1980 com a apropriação não mais velada pelos ditames da ditadura militar da teoria marxiana e marxista a profissão vem construindo uma hegemonia norteada pela teoria crítica No desencadear desse processo histórico o Serviço Social foi se refazendo negando o conservadorismo o positivismo as práticas voluntaristas e filantrópicas partindo para um direcionamento ético e político em prol da classe trabalhadora na luta pelo acesso aos direitos e pela legitimação de outros segmentos sociais Nesse contexto de renovação e crítica ao Serviço Social tradicional passase a compreender a natureza da profissão e seus objetivos na sociedade norteandoa com princípios e diretrizes interventivas fundamenta das e determinadas por uma direção social que tem na liberdade seu valor central Além de refletir sobre si mesmo o Serviço Social passa principalmente na década de 1990 a produzir conhecimentos sobre a atuação profissional a realidade brasileira e as políticas sociais No decorrer dessas produções que determinam veementemente a existência da profissão surgem con sensos e dissensos em relação a algumas temáticas o que propicia um debate profícuo e bem fundamentado entre autoresas que servem de referência para a categoria profissional Esse debate tanto em espaços políti cos como em produções teóricas adensa os conhecimentos já existentes e cria novos Uma das polêmicas instauradas no interior da categoria é se Serviço Social é ou não trabalho Refletir sobre isso se faz importante ao sinalizar de acordo com Lessa 2007b p 14 como osas assistentes sociais concebem a história e a identidade da profissão Essa polêmica não é vaga e ilegítima antes de tudo apresenta o nível de intensificação da produção encampada pelo Serviço Social nos últimos anos e indica o desenvolvimento de sua relação mais rica e dinâmica com o conjunto das ciências humanas Analisar a atuação profissional como práxis social requer um entendimento do trabalho em seu sentido concreto e abstrato a partir dos processos históricos enfocando as alterações na produção e reprodução das relações capitalistas que determinam mudanças nas condições e relações de trabalho Pesquisas e produções sobre a atuação profissional seu estatuto de assalariamento as configurações do mercado de trabalho os condicionantes que incidem na autonomia profissional e a materialização ou não do projeto éticopolítico são questões que contribuem para o entendimento da profissão nos espaços sócio ocupacionais que mesmo diante de suas especificidades comungam dos mesmos ditames do sistema sociometabólico do capital A reflexão sobre o projeto éticopolítico encontrase intrinsecamente imbricada com a análise da práxis do Serviço Social na contemporaneidade Como romper com o messianismo o fatalis mo e o voluntarismo no âmbito interventivo Um dos caminhos possíveis pode ser o aprofundamento teórico crítico de desvelamento dos limites e das possibilidades do fazer profissional Trabalho e práxis social um debate necessário Em uma época em que se propaga o fim do trabalho como eixo explicador do surgimento do indivíduo social buscando reflexões sobre temas mais contemporâneos que explicitem contundentemente a realidade em que se vive parece estranho e ultrapassado para alguns produzir e pensar sobre a ontologia do ser social seu fundamento e seus desdobramentos Enganase quem considera a discussão sobre o trabalho em seu sentido ontológico algo ultrapassado e de menor valor pois nenhuma outra produção e categoria científica conseguiu analisar explicar e determinar o surgimento do ser social das relações produtivas e reprodutivas da sociedade de modo geral senão pelo trabalho Mas qual a importância em se discutir a ontologia do ser social para o Serviço Social Eis o mote principal a ser compreendido só há existência social por conta do trabalho uma vez que ele é a forma originária do agir humano LESSA 2007a Assim todas as práxis sociais1 aqui entendidas como atividades práticas e ações dos sujeitos têm seu nexo causador e fundador no trabalho em seu sentido ontológico R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 Renata Gomes da Costa e Maria Zelma de Araújo Madeira 103 R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 Com o desenvolvimento das forças produtivas observase visivelmente uma proporção cada vez menor do trabalho envolvendo o intercâmbio do indivíduo com a natureza No entanto essa premissa não fundamenta a inexistência da centralidade do trabalho devendose pautar e compreender as mediações interpostas entre a centralidade ontológica política e cotidiana do trabalho e dosas trabalhadoresas Dessa maneira o trabalho é sempre parte de uma totalidade social ser fundante não significa ser cronologicamente anterior mas sim portador das determinações essenciais do ser social que consubstanciam o salto da humanidade para fora da natureza LESSA 2002 p 38 Devese considerar não o trabalho no sentido singular realizado individualmente pelos sujeitos mas em sua totalidade na síntese das singularidades que produz e reproduz socialmente Lessa observa que as teorias que buscam determinar a não centralidade do trabalho normalmente se embasam na nova relação entre o trabalho em seu sentido ontológico e as outras práxis subsumidas à lógica do capital Ancoramse na destruição de antigos postos de trabalho na eliminação de muitas das profissões tidas como tradicionais ocasionadas pela reestruturação produtiva bem como no grande desenvolvimento tecnológico aliado à desmobilização dos movimentos sociais em destaque o movimento operário e sindical e o grande crescimento do setor de serviços para fundamentar a premissa de que o trabalho não é mais a categoria fundante do mundo dos homens e das mulheres Para Lessa 2002 p 47 as tentativas de substituir o trabalho como categoria fundante do mundo dos homens têm tido até o momento um endereço ideológico e político claro e determinador a justificação das novas formas de sociabilidade que surgem com a metamorfose da regência do capital nas últimas décadas Nesse contexto o desafio está em perceber a centralidade do trabalho mediante as transformações ocasionadas pelo capitalismo Em vez de fundamentar a existência da sociabilidade na linguagem na intersubjetividade na política ou no mercado o desafio teórico e intelectual colocase em desvendar o real a essência que encobre a aparência dos fenômenos na contemporaneidade comandada pelo sistema capitalista explicitando seus nexos causais e determinantes econômicos sociais e políticos sem perder de vista que a vida só pode existir tendo por base o ser inorgânico e sem a natureza como um todo não pode haver ser social A troca orgânica do ser social com a natureza é a mediação ontológica que possibilita que o ser social se constitua enquanto esfera ontológica particular no interior da totalidade do ser em geral Na tradição marxista tal mediação é o trabalho LESSA 2002 p 67 Perceber e analisar a existência social e suas práxis partindo do trabalho não significa pensar que todos os atos dos indivíduos reduzemse ao trabalho Temos que inúmeros atos humanos não podem ser reduzidos a atos de trabalho em que pese o fato de o trabalho ser a forma originária e o fundamento ontológico das diferentes formas da práxis social sem o trabalho as inúmeras e variadas formas de atividade humanosocial não poderiam sequer existir LESSA 2007b p 36 Portanto a existência humana é mais do que trabalho ao passo que o ser social se relaciona com a natureza relacionase também com outros sujeitos surgindo necessidades que brotam das relações sociais entre si O trabalho é uma articulação entre teleologias e causalidades2 pesando a distinção entre criador e criatura Por terem uma história própria em relação ao sujeito que as gerou as criações humanas podem agir sobre a história independentemente do sujeito Ao criar por meio do trabalho o indivíduo transforma o seu meio e a si mesmo uma vez que no fim do seu processo de trabalho angaria outros conhecimentos e aprendizados que no início de seu empreendimento ainda não detinha ao desenvolvimento do trabalho corresponde paralelamente o nascimento da consciência e do conhecimento humano IAMAMOTO 2011 p 351 Em resumo o trabalho é uma atividade orientada a um fim para produzir valores de uso apropriação do natural para satisfazer as necessidades humanas condição universal do metabolismo entre homem e natureza condição natural eterna da vida humana e portanto independente de qualquer forma dessa vida sendo antes igualmente comum a todas as suas formas sociais MARX 2004 p 38 Por conter teleologias e causalidades em sua ação é que o trabalho humano se distingue do ato animal O sujeito emprega na execução de seu trabalho a consciência por caracterizarse como um ser genérico e cons Trabalho práxis e Serviço Social 104 Renata Gomes da Costa e Maria Zelma de Araújo Madeira R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 ciente isto é um ser que se relaciona com o gênero como a sua essência própria ou consigo como ser genérico MARX 1989 p 155 Ao contrário do animal que produz a partir da sua necessidade imediata sem consciência o ser humano produz a medida de qualquer espécie sua produção é universal e não unilateral Portanto é precisamente ao trabalhar o mundo objetivo que o homem primeiro se prova de maneira efetiva como um ser genérico Esta produção é a sua vida genérica operativa Por ela a natureza aparece com a sua obra e a sua realidade efetiva O objeto do trabalho é portanto a objetivação da vida genérica do homem MARX 1989 p 157 Apenas quando compreendemos o conceito do trabalho em seu sentido ontológico podemos aprofundar o entendimento do trabalho em seu sentido abstrato isto é da forma com que o capitalismo se apropriou dessa atividade e de outras práxis sociais para a criação de valores de trocas em prol da acumulação e do desenvol vimento da sociabilidade capitalista A distinção entre trabalho concreto e abstrato auxilia na análise da centralidade do trabalho Todo trabalho é de um lado dispêndio de força humana de trabalho no sentido fisiológico e nessa qualidade de trabalho humano igual ou abstrato cria o valor das mercadorias Todo trabalho por outro lado é dispêndio de força humana de trabalho sob forma especial para um determinado fim e nessa qualidade de trabalho útil e concreto produz valores de uso MARX 2012 p 68 O caráter útil do trabalho através do intercâmbio do indivíduo com a natureza produzindo conforme sua necessidade de sobrevivência baseiase na dimensão concreta e qualitativa Ao se distanciar dessa dimensão concreta o trabalho mantémse enquanto condição necessária para a integralização do processo de valorização do capital do sistema produtor de mercadorias Do que resulta que a dimensão concreta do trabalho é também inteiramente subordinada à sua dimensão abstrata ANTUNES 2011 p 80 Adentrar nesse capcioso terreno em que se produz e se reproduz a sociabilidade capitalista buscando especificamente compreender a relação entre trabalho concreto e abstrato tornase essencial para o entendi mento da profissão de Serviço Social O cerne dessa análise é entender a profissão como expressão do trabalho social mas saber identificála como uma práxis social imersa na reprodução social e expressa en quanto trabalho abstrato Tal assertiva esclarece as esparrelas teóricas que reproduzem o entendimento do Serviço Social como trabalho em seu plano ontológico ao passo que também evidencia a complexa dimensão de uma práxis reprodutiva sua natureza suas funções seus desafios e possibilidades Pesquisar e analisar a atuação profissional nessa condição tornase mais que salutar já que suas ações atividades e posturas estão condicionadas pela situação de trabalhadora assalariadoa que convive com frá geis e flexíveis relações de trabalho nesse sentido oa assistente social poderia ser inegavelmente identificado a como uma trabalhadora No entanto o não entendimento dessa relação dos complexos sociais torna necessário especificar essa prática como trabalho útil e concreto denominado pela teoria marxiana como intercâmbio do sujeito com a natureza produtor de valores de uso As polêmicas e distorções referentes ao entendimento do Serviço Social como práxis social e não como trabalho e todos os dimensionamentos que decorrem desse debate evidenciam a necessidade de aprofundar essas reflexões Desvendar as condições e relações de trabalho é algo primordial para compreender os nexos causais que se interpõem na materialização do projeto éticopolítico da profissão expresso também nas dimen sões éticopolíticas teóricometodológicas e técnicooperativas da práxis doa assistente social Compreender que o Serviço Social não é trabalho no sentido ontológico não negligencia a categoria trabalho para a profissão mas trata de desvelar o processo de trabalho na constituição do ser social e saber como este se apresenta no capitalismo que tem como base de sociabilidade a valorização e acumulação de capital Quando se fala em crise do trabalho devese salientar como aborda Antunes 2011 que a crise não é do trabalho concreto mas sim do trabalho abstrato O sistema sociometabólico do capital subordina a totali dade dos atos do trabalho à sua lógica dando base para justificativas que apregoam o desaparecimento do trabalho fundante do ser social e sua substituição pelo trabalho abstrato na imediaticidade de nossa vida cotidiana como as atividades que operam o intercâmbio orgânico com a natureza podem ser também convertidas em produtoras de maisvalia não raras vezes essas duas funções tão distintas são indevidamente confundidas E hoje com a extensão das relações capitalistas até pratica 105 Trabalho práxis e Serviço Social R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 mente todas as formas de práxis social com a incorporação ao processo de valorização do capital de atividades que anteriormente ou estavam dele excluídas ou apenas participavam de modo muito indireto vivemos uma situação em que praticamente a totalidade dos atos de trabalho assume a forma abstrata advinda de sua subordinação ao capital Aparentemente o trabalho teria desaparecido substituído pelo trabalho abstrato Trabalho e trabalho abstrato passam assim equivocadamente a ser tomados como sinônimos no caso da sociabilidade contemporânea LESSA 2002 p 28 Existe uma diferença metodológica imensa na consideração do Serviço Social ser ou não trabalho o que culmina na sua organização política como categoria Trazendo as conceituações e diferenciações da categoria trabalho e compreendendo que outras práxis sociais como o Serviço Social não se caracterizam como traba lho em seu sentido concreto ontológico abordaremos a função social que essa profissão tem na sociedade como foi implementada e qual sua serventia Serviço Social como práxis social O trabalho é a categoria fundante do mundo dos homens Essa afirmativa é basilar para o entendimento do ser e da existência social O intercâmbio do indivíduo com a natureza é projetado pela consciência antes de ser efetivado praticamente possibilitando assim escolhas entre alternativas a serem objetivadas transforman do a realidade e produzindo novas situações Além disso se o trabalho propicia a construção e a transformação do mundo objetivo bem como do sujeito que trabalha por meio da apreensão de outros conhecimentos e habilidades surgem novas necessidades então se o trabalho é fundante do ser social funda também a reprodução social e todos os outros complexos sociais o Serviço Social incluso são fundados por ele LESSA 2007b p 29 Compreendendo que o trabalho funda a reprodução social e outros complexos sociais como definir o Serviço Social como trabalho concreto e abstrato O que é essa profissão E qual sua função social Ao tratar da reprodução social como uma esfera fundada pelo trabalho concreto devese salientar que seu desenvolvimento estará articulado com a história das formações sociais ou seja a reprodução social no primitivismo no escravismo no feudalismo e no capitalismo segue as particularidades históricas de cada mo mento Visto sua distinção e interligação com a categoria trabalho Lessa 2007b aponta três elementos primordiais a integração da vida social que passa dos pequenos grupos da divisão em bandos para o compartilhamento de uma mesma história a complexificação e heterogeneidade das sociedades e o desenvol vimento e a complexificação dos indivíduos Esses fatores demonstram que a heterogeneidade das sociedades e dos indivíduos ocasiona a criação de outras relações instituições e complexos sociais a fim de articular em uma única história toda a vida social ou seja para articular a vida de todos os indivíduos em uma única história o desenvolvimento social necessitou de um elevado número de novos complexos sociais de novas mediações que o tornaram muito mais contraditório diferenciado e heterogêneo se comparado com o seu ponto de partida A crescente heterogeneidade portanto não apenas não se contrapõe como é uma necessidade para o desenvolvimento de relações sociais crescentemente genéricas que articulam o destino de cada indivíduo ao destino de toda humanidade LESSA 2007b p 41 A compreensão da reprodução social e de sua expressão histórica oferece subsídios analíticos na apre ensão do trabalho concreto e de outras práxis sociais pois no estudo dos casos singulares da práxis social muitas vezes não possamos distinguir a não ser por uma análise muito particularizada um ato de trabalho de um ato pertencente à esfera da reprodução social LESSA 2007b p 41 Aqui se chega ao calcanhar de Aquiles dessa discussão observar atos singulares de trabalho por si mesmo ocasionará possivelmente uma confusão entre trabalho concreto e trabalho abstrato Entretanto o que deve ser posto em xeque é a função social desse ato analisado Para isso destacase a construção analítica realizada por Lessa sobre o trabalho concreto e outros complexos sociais a partir da diferença entre a práxis social do professor do assistente social e do operário em três pontos de vista da formalidade da materialidade e da função social Concernente à formalidade não existe nenhuma distinção os três profissionais possuem atos similares ao considerar que partem de uma prévia ideação objetivam realizam a síntese entre teleologias e causalidades transformam o real e no final de sua ação deparamse com algo novo Refletindo sobre a materialidade temse que todos são trabalhadores assalariados que as diferenças são subsidiárias em relação ao ambiente de trabalho que as distintas ferramentas utilizadas e os diferentes 106 Renata Gomes da Costa e Maria Zelma de Araújo Madeira R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 produtos produzidos são na verdade trabalho abstrato todos os três profissionais são trabalhadores no sentido comum vendem as suas forças de trabalho em troca de um salário LESSA 2007b p 44 É somente quanto à sua função social que se pode distinguir o trabalho concreto das outras práxis demonstrando sua especificidade e particularidade a distinção entre o trabalho e as outras práxis sociais não está nem na sua forma nem na sua materialidade nem na qualidade ontológica do seu objeto e muito menos na sua relação com a produção da maisvalia O que torna o trabalho a categoria fundante e todas as outras práxis sociais fundadas é sua função social É a função social do trabalho que o distingue de todas as outras formas de atividade humana independen temente de semelhanças eventuais Para Marx o trabalho possui uma função social muito precisa faz a mediação entre o homem e a natureza de tal modo a produzir a base material indispensável para a reprodu ção das sociedades O trabalho é a práxis social que produz os meios de produção e de subsistência sem os quais a sociedade não poderia sequer existir Esta é a função social do trabalho e isto é o que o distingue das outras práxis sociais LESSA 2007b p 45 A questão não é apenas entender as implicações do trabalho doa assistente social no circuito do valor da produção e distribuição da maisvalia mas sim compreender que o trabalho em seu sentido concreto para se efetivar na sociedade tanto a primitiva e muito mais a capitalista requer outras atividades que produzam as condições sociais necessárias Isso não minimiza essas práxis sociais não as fazem menores em importân cia ao serem tidas como atos preparatórios tornamse indispensáveis à existência humana Trabalho concreto e outras práxis são essenciais para a reprodução social uma vez que como afirma Lessa 2007b p 47 se uma sociedade se limitasse a preparar os atos de trabalho mas não transformasse a natureza sua reprodução seria impossível Dessa maneira temse um problema filosófico ao igualar o Serviço Social ao trabalho concreto buscan do denominar na práxis doa assistente social matériaprima meios de produção e produto o que não facilita na identificação e instrumentalidade da profissão pois significa igualar o intercâmbio orgânico com a natureza com outras atividades em tudo distintas Ao cancelar o que o trabalho tem de específico isto é cumprir a função social de transformar a natureza em meios de produção e de subsistência dissolvese o trabalho em um enorme conjunto de práxis e consequentemente cancelase a tese marxiana de ser o trabalho a categoria fundante do mundo dos ho mens LESSA 2007b p 28 Outro fator primordial nessa discussão sobre a diferenciação entre trabalho concreto e outras práxis referese ao desenvolvimento das causalidades Como afirma Lessa 2007b no caso do trabalho concreto a causalidade que o sujeito transforma é a natureza no caso das outras práxis que o autor também define como atos preparatórios do trabalho o objetivo é a organização dos sujeitos e de seus comportamentos seja pelo convencimento ou repressão interferindo na consciência das pessoas visando a uma determinada finalidade Assim as ações empreendidas peloa professora policial ou assistente social desencadeiam outras posições teleológicas e não processualidades naturais Ou seja o resultado concreto da atividade do professor e do assistente social é outro ato teleologicamente posto e não um carro LESSA 2007b p 48 Diante disso compreendese que a distinção entre os indivíduos está imbricada num critério produtivo econômico na relação entre quem produz a riqueza material e quem vive da riqueza produzida Aqui se insere também a discussão entre trabalho produtivo e improdutivo de quem produz a maisvalia e de quem vive da maisvalia produzida Conforme Lessa 2007a o debate sobre trabalho produtivo e improdutivo por vezes centrase no equí voco de pensar que não há diferenciações entre tais que pode ser explicado pela diminuição da distância entre eles Não se deve considerar que o trabalho produtivo é sinônimo de trabalho concreto trabalho produtivo e improdutivo são duas expressões do trabalho abstrato possuindo funções ontológicas distintas Essa confusão pode ser ocasionada pela particularidade histórica fundada pelo capital que transforma o trabalho concreto em abstrato surgindo na aparência dos fenômenos similaridades que são tidas como sinônimos Nesse duplo aspecto que envolve o trabalho concreto não se suprimem as particularidades destes em relação às outras práxis Como já assinalado nem tudo é trabalho em seu sentido ontológico Mesmo que o capitalismo busque encobrir a essência dos fenômenos devese desvendálos e desmistificálos tendo como grande aporte a teoria crítica que faz compreender como esse sistema produz e reproduz socialmente afinal nem todo trabalho produtivo realiza o intercâmbio orgânico com a natureza sendo por isso indevida qualquer aproximação excessiva ou mesmo a identificação entre o trabalho produtivo e o trabalho enquanto 107 R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 Trabalho práxis e Serviço Social fundante do mundo dos homens LESSA 2007b p 33 A distinção entre trabalho produtivo e improdutivo só faz sentido sob o ponto de vista do capital que através da extração de maisvalia do tempo de trabalho excedente no decorrer do processo produtivo determina a valorização e a acumulação de capital Assim sendo produtivo é o trabalho que produz maisvalia e improdutivo é aquele que não produz Osas trabalhado resas improdutivosas apresentamse em maior número de maneira heterogênea vivendo da maisvalia pro duzida pelosas trabalhadoresas produtivosas LESSA 2007b Lessa 2007b evidencia que o trabalho produtivo tem duas funções sociais o trabalho proletário que produz o capital e o não proletário que apenas gera a maisvalia pela conversão de riqueza existente em dinheiro como no caso doa professora de escola privada ou doa assistente social de uma empresa O objetivo do capitalismo é produzir e acumular cada vez mais capital Suas mercadorias e produtos contêm tempo de trabalho não pago mesmo porque A acumulação do capital se faz pela apropriação da maisvalia Como a mercadoria no sistema capitalista pode ser tanto a natureza transformada o martelo como um serviço uma aula um show de música etc em todos esses casos o burguês pode extrair maisvalia e acumular capital A fonte da maisvalia pode ser tanto o trabalho do operário que atua sobre a natureza como o do cantor que não atua sobre a natureza Diferente dos modos de produção passados portanto a burguesia conseguiu com o capitalismo uma fonte de riqueza muito mais ampla e dinâmica pois agora consegue acumular capital não apenas do trabalho que transforma a natureza mas também de uma enorme gama de atividades LESSA 2007b p 71 Percebese dessa maneira que oa assistente social e oa operárioa se aproximam por sua inserção no mercado de trabalho como trabalhadoresas assalariadosas mas não como trabalhadoresas em seu sentido concreto Afirmar que uma trabalhadora não realiza trabalho e ademais é improdutivoa não nega sua condição de classe trabalhadora mas sim contribui para se pensar na heterogeneidade dessa classe em tempos de capital fetiche Práxis social doa assistente social na contemporaneidade Refletir sobre a profissão de Serviço Social na contemporaneidade tornase um desafio ao ter de des vendar as complexas transformações empreendidas pelo capitalismo no final da década de 1970 e início da de 1980 As referidas mudanças foram se gestando em um cenário em que as dívidas públicas e privadas cresceram contundentemente e a primeira grande recessão catalisada pela alta dos preços do petróleo em 19731974 foram os sinais de que o pleno emprego e a cidadania relacionada à proteção social estavam se desfazendo nos países europeus e nos EUA comprometendo também as nações periféricas em que o Estado de bemestar não se realizou plenamente As elites políticoeconômicas então começaram a questionar e a responsabilizar pela crise a atuação agigantada do Estado especialmente naqueles setores que não reverti am diretamente em favor de seus interesses Aliada a esse contexto temse a grande revolução tecnológica um salto na automação na robótica e na microeletrônica que invadiu o espaço fabril e a sociedade como um todo o que incidiu nas relações e condições de trabalho bem como na produ ção e na acumulação do capital ANTUNES 2011 A reinvenção do liberalismo promovida pelos neoliberais no final dos anos 1970 e 1980 espraiandose na década de 1990 em todo o mundo foi uma reação teórica e política ao keynesianismo e ao Estado de bemestar social Com o toyotismo alicerçado pela acumulação flexível a pro dução tornase variada diversa destinada à demanda Su premse os grandes estoques e a produção em massa a produção se organiza a partir de um estoque mínimo e a obsolescência programada dos produtos ganha ênfase nesse modelo produtivo Ao ser uma resposta à crise do fordismo na década de 1970 em vez de um trabalhador especializado exigese um operário polivalente que se Enganase quem considera a discussão sobre o trabalho em seu sentido ontológico algo ultrapassado e de menor valor pois nenhuma outra produção e categoria científica conseguiu analisar explicar e determinar o surgimento do ser social das relações produtivas e reprodutivas da sociedade de modo geral senão pelo trabalho 108 Renata Gomes da Costa e Maria Zelma de Araújo Madeira R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 integre a uma equipe e realize tarefas múltiplas passando a produzir conforme a demanda do consumidor em sua satisfação empregando a ideologia do controle de qualidade Entretanto devese ponderar que a substituição do fordismo pelo toyotismo não deve ser entendida o que nos parece óbvio como um novo modo de organização societária livre das mazelas do sistema produtor de mercadorias e o que é menos evidente e mais polêmico mas também nos parece claro não deve nem mesmo ser concebido como um avanço em relação ao capitalismo da era fordista e taylorista a diminuição entre elaboração e execução entre concepção e produção que constantemente se atribui ao toyotismo só é possível porque se realiza no universo estrito e rigorosamente concebido do sistema produtor de mercadorias do processo de criação e valorização do capital ANTUNES 2011 p 39 As consequências dessas transformações e modificações empreendidas pelo sistema capitalista em prol de sua sobrevivência e reprodução tiveram nefastas consequências para o mundo do trabalho para trabalhado resas que vendem sua força de trabalho em prol da sobrevivência Ocorre uma maior heterogeneização frag mentação e complexificação da classe trabalhadora temse uma diminuição do trabalho fabril da classe operária industrial tradicional e um aumento do trabalho precário e assalariado principalmente no setor de serviços Com todas essas mudanças no processo produtivo e sua consequência imediata no mundo do trabalho uma gama de profissionais passa a conviver em seu cotidiano com a realidade do desemprego e das terceirizações Nessa complexa configuração do trabalho na sociedade capitalista inserese a práxis do Serviço Social que se apresenta nessa dinâmica contemporânea como trabalho abstrato assalariado implicando as competências atribuições e capacidade técnicoprofissional subordinando precariamente as dimensões teóricometodológicas técnicooperativas e éticopolíticas do fazer profissional Iamamoto 2011 afirma que o maior empregador de assistente social é o Estado na implementação execução e elaboração das políticas sociais que nesse contexto neoliberal também vai sofrer contundente mente em sua gestão Para Behring 2008 a contrarreforma do Estado vem implicando esse redirecionamento das políticas sociais o que tem incidido negativamente nas condições de trabalho dosas profissionais que intervêm nessa realidade como osas assistentes sociais Conforme a autora do ponto de vista físico temse um leque de dificuldades para implementação de políticas que se apresentam como pobres para os pobres focalizadas e residuais Convivese dessa maneira com estruturas institucionais precárias sem condições de preservar o sigilo profissional com ausência de mobília adequada para os atendimentos de equipamentos que prezem pelo registro desses atendimentos e de material a ser usado no cotidiano de trabalho O contexto em que se apresentam demonstra que as consequências das profundas alterações nas condições de trabalho na forma de contrato da força de trabalho ocupada e na gestão da força de trabalho excedente determinam e atingem o trabalho do assistente social e a forma de contratação de sua força de trabalho pois não há possibilidade de o trato da questão social ser aviltada e de ao mesmo tempo existirem condições generosas interferindo nesse processo GRANEMANN 2009 p 162 Deparase assim com a desvalorização e a superexploração da força de trabalho em prol da valori zação e da acumulação do capital As contratações seguem a lógica do capitalismo o mundo do trabalho se reordena em prol dos imperativos desse sistema fortalecemse os serviços privados O que é direito cons titucionalmente estabelecido como saúde e educação devendo ser garantido pública universal e gratuita mente passa a status de mercadoria de serviço de produto a ser comprado O que deveria ser direito adquirido pelo sujeito apresentase como problema de consumidor que o comprou a partir das regras do mercado Verificase a precarização a instabilidade do não direito a fragmentação da questão social a responsabilização do sujeito individual por seu lugar na vida social a política social diferenciada para as frações da força de trabalho Essas transformações no mundo do trabalho nas políticas sociais no acesso aos direitos repercutem na atuação doa assistente social com a tendência de uma redefinição do próprio trabalho profissional reduzindo o a plantões de emergência Limitase a meroa executora de tarefas à rotinização da atuação à ênfase nos relatórios quantitativos em prol da produtividade Diminuise o tempo para se planejar as ações para estudar organizar e refletir sobre os projetos existentes e a elaboração de novos O que se torna primordial é a gestão da pobreza e de políticas pobres para os pobres GRANEMANN 2009 Nesse bojo de relações e contradições vale ressaltar que esse processo de precarização do trabalho profissional ocorre também no setor privado através dos contratos precários da supressão dos direitos O debate sobre a atuação do Serviço Social tem de considerar os diferentes espaços sócioocupacionais suas particularida 109 R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 Trabalho práxis e Serviço Social des natureza objetivos e demandas O que se deseja observar é que mesmo a pauperização e a privatização dos serviços com expressões distintas conforme as finalidades institucionais estão interligadas a um bojo maior de relações econômicas sociais políticas e culturais determinadas e comandadas pelo sistema capitalista Eis o desafio ao se pensar o Serviço Social na contemporaneidade entender primeiro e principal mente sua função social como práxis social ademais o local que ocupa na produção e reprodução da vida material no circuito de produção da maisvalia Partese para o desvendamento de sua atuação cotidiana em tempos neoliberais buscando contribuir com sua ação profissional na defesa intransigente de seus princípios éticos de uma atuação pautada e fundamentada em valores democráticos e humanos tendo como horizonte último a construção de uma nova sociabilidade Esse desafio não pode ser tomado como missão primeira e única da categoria dosas assistentes sociais mas sim deve se articular com um projeto societário que lute pela emancipação humana em prol de uma sociedade sem exploração e domi nação de classe raçaetnia gênero e diversidade sexual Considerações finais Diante do exposto observase que a compreensão da práxis do Serviço Social tornase imprescindível ao identificálo como trabalho abstrato que sofre todas as refrações impostas pelo sistema capitalista que se espraia a tantosas outrosas que sobrevivem a partir da venda de sua força de trabalho em troca de salário Compreender tal questão sedimentada no entendimento do trabalho concreto como fundante do ser social e de toda existência humana tornase mais que salutar ao nos possibilitar desvendar a função social da profissão Entender essa função social pode não ter incidência decisiva e direta aao profissional na sua inter venção mas tem em sua ação política ao debater sobre sua condição de trabalhadora e sua organização política enquanto classe Ao discutir sobre sua função social chegase ao debate sobre seu caráter de trabalho abstrato que possibilita a compreensão das condições e relações de trabalho enfrentadas peloa profissional na contemporaneidade O Serviço Social é uma atividade inscrita na divisão social e técnica do trabalho com atribuições e objetivos específicos atuando no âmbito político e ideológico através dos serviços programas e projetos previs tos pelas políticas sociais com sua atuação incidindo diretamente nas condições de vida dos sujeitos que atende comprometida com a defesa dos direitos humanos liberdade democracia entre outros elementos De tal modo o Serviço Social é uma profissão que se consolidou como especialização do trabalho coletivo na maturação da sociedade capitalista tendo por objeto interventivo as múltiplas expressões da ques tão social Sua formação e materialização são perpassadas por uma historicidade que deve ser analisada e problematizada pautando seus desafios históricos e sociais e a constituição teórica e interventiva sem perder de vista a articulação com a totalidade social fundamentada na teoria crítica Nesse sentido a discussão teórica e política sobre sua função social é central nesse debate Afirmar que o Serviço Social não é trabalho em nada diminui sua importância como profissão nem mesmo retira a importância primordial da identificação com a discussão sobre o trabalho categoriacerne para se entender a natureza e a identidade profissional Referências ANTUNES R Adeus ao trabalho Ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho São Paulo Cortez 2011 BEHRING E R Brasil em contrarreforma desestruturação do Estado e perda de direitos São Paulo Cortez 2008 GRANEMANN S Ofensiva do capital e novas determinações do trabalho profissional Revista Katálysis Florianópolis Edufsc v 12 n 2 p 161169 juldez 2009 Disponível em httpwwwscielobrpdfrkv12n205pdf Acesso em 12 jun 2012 IAMAMOTO M V Serviço Social em tempo de capital fetiche capital financeiro trabalho e questão social São Paulo Cortez 2011 LESSA S Mundo dos homens trabalho e ser social São Paulo Boitempo 2002 Para compreender a ontologia de Lukács Ijuí Unijuí 2007a Serviço Social e trabalho porque o Serviço Social não é trabalho Maceió Edufal 2007b MARX K Trabalho alienado e superação positiva da autoalienação humana Manuscritos econômicos e filosóficos 1844 In FERNANDES F Org Marx e Engels São Paulo Ática 1989 Coleção Grandes Cientistas Sociais Processo de trabalho e processo de valorização In ANTUNES R Org A dialética do trabalho escritos de Marx e Engels São Paulo Expressão Popular 2004 O capital crítica da economia política Livro I Tradução de Reginaldo Santanna Rio de Janeiro Civilização Brasileira 2012 NETTO J P Ditadura e Serviço Social São Paulo Cortez 1998 110 R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 Renata Gomes da Costa e Maria Zelma de Araújo Madeira Notas 1 Em uma definição mais completa temos que a práxis social como qualquer ato social é uma decisão entre alternativas efetuada pelo indivíduo singular que faz escolhas acerca de propósitos futuros visados Porém não faz escolhas independentes das pressões que as necessidades sociais exercem sobre os indivíduos singulares interferindo nos rumos e orientações de suas decisões IAMAMOTO 2011 p 254 2 De acordo com Lessa 2007a todo ato de trabalho é precedido pela préviaideação o sujeito prevê projeta e planeja a ação estando orientado por uma finalidade uma teleologia contando com as causalidades ou seja os nexos causais a natureza e os objetos do mundo objetivo Renata Gomes da Costa renatagomesdcyahoocombr Mestranda em Serviço Social Trabalho e Questão Social na Universidade Estadual do Ceará UECE Maria Zelma de Araújo Madeira zelmadeirayahoocombr Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará UFCE Professora no Curso de Mestrado da UECE UECE Departamento de Métodos e Técnicas do Serviço Social Av Paranjana 1700 Itaperi Fortaleza Ceará Brasil CEP 60740000 INSIRA AQUI O TÍTULO DE SEU PAPER Acadêmico Turma Tutor RESUMO Insira neste quadro o resumo da sua pesquisa O resumo deve conter no máximo 250 palavras ser composto de um único parágrafo sem recuo na primeira linha A fonte usada deve ser Times New Roman espaçamento simples justificado tamanho 12 O resumo deve conter o tema a ser tratado o objetivo geral a metodologia adotada e as conclusões Palavraschave Insira nesse campo três palavraschave que remetem ao seu trabalho INTRODUÇÃO A introdução é a apresentação inicial do trabalho e deve conter uma breve apresentação sobre o tema estudado a pergunta que moveu a pesquisa o objetivo geral e os objetivos específicos do trabalho FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A fundamentação teórica precisa conter no mínimo dez parágrafos Aqui é possível utilizar citações diretas curtas citações diretas longas citações indiretas Neste caso todas devem ser referenciadas As citações utilizadas devem ser retiradas de livros e artigos científicos Além da parte textual você poderá inserir aqui gráficos mapas tabelas fotografias ou imagens desde que todas relacionadas ao conteúdo e contextualizados Lembrese de inserir o título e fonte da imagem METODOLOGIA A metodologia de um trabalho acadêmico deve conter basicamente os seguintes itens Método de pesquisa a referência teórica que vai orientar seu caminho abordagem de pesquisa É quantitativa qualitativa ambas Qual é o tipo de pesquisa bibliográfica documental de campo participante Quais foram os instrumentais de pesquisa questionário formulário Também é importante responder qual a fonte dessas informações A ideia aqui é apresentar como você chegou até os resultados APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Neste campo apresente os resultados de sua entrevista e as pesquisas sobre o tema Utilize gráficos e tabelas para apresentar seus resultados Lembrese abaixo dos gráficos e das tabelas faça uma pequena descrição dos dados e após utilize um autor para analisar os dados CONSIDERAÇÕES Utilize este campo para fazer a finalização do seu trabalho Aproveite para expor suas conclusões sobre a pesquisa e listar o que você aprendeu com esta experiência REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Listar as referências bibliográficas utilizadas de acordo com as normas da ABNT
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Texto de pré-visualização
101 R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 Trabalho práxis e Serviço Social Renata Gomes da Costa Universidade Estadual do Ceará UECE Recebido em 12082012 Aprovado em 18122012 ENSAIO Trabalho práxis e Serviço Social Resumo O presente artigo tem como objetivo discutir a práxis do Serviço Social a partir de uma reflexão ontológica sobre a categoria trabalho diferenciandoa das outras práxis Em seguida aborda a função social do Serviço Social e por fim discute sobre a práxis do Serviço Social na contemporaneidade enfocando suas relações e condições de trabalho Palavraschave Trabalho Práxis social Serviço Social Work Praxis and Social Work Abstract The purpose of this article is to discuss the praxis of Social Work based on an ontological reflection about the category of work distinguishing it from other forms of praxis It then addresses the social function of Social Work and finally discusses praxis of Social Work today focusing on its labor relations and conditions Keywords Labor Social praxis Social Work Maria Zelma de Araújo Madeira Universidade Estadual do Ceará UECE 102 Introdução O Serviço Social é uma área que nas últimas décadas vem crescendo no Brasil tendo passado por inúmeras transformações e reformulações resultantes da problematização dos seus aspectos teóricos metodológicos e políticos Como exemplo temse o I Congresso Brasileiro de Serviço Social em 1947 em que mesmo sem ter uma temática central serviu de ato preparatório para o II Congresso PanAmericano de Serviço Social realizado em 1949 na cidade do Rio de Janeiro Repensar a profissão a partir dos parâmetros teóricos e metodológicos ganha ênfase na década de 1960 momento de expansão do Serviço Social e de suas escolas e se espraia até 1980 no período de redemocratização da sociedade brasileira após longos e violentos anos de ditadura militar Nesses anos que demarcaram o que Netto 1998 denomina de movimento de reconceituação o Serviço Social passa a questi onar e problematizar sua intervenção e produção científica Apenas na década de 1980 com a apropriação não mais velada pelos ditames da ditadura militar da teoria marxiana e marxista a profissão vem construindo uma hegemonia norteada pela teoria crítica No desencadear desse processo histórico o Serviço Social foi se refazendo negando o conservadorismo o positivismo as práticas voluntaristas e filantrópicas partindo para um direcionamento ético e político em prol da classe trabalhadora na luta pelo acesso aos direitos e pela legitimação de outros segmentos sociais Nesse contexto de renovação e crítica ao Serviço Social tradicional passase a compreender a natureza da profissão e seus objetivos na sociedade norteandoa com princípios e diretrizes interventivas fundamenta das e determinadas por uma direção social que tem na liberdade seu valor central Além de refletir sobre si mesmo o Serviço Social passa principalmente na década de 1990 a produzir conhecimentos sobre a atuação profissional a realidade brasileira e as políticas sociais No decorrer dessas produções que determinam veementemente a existência da profissão surgem con sensos e dissensos em relação a algumas temáticas o que propicia um debate profícuo e bem fundamentado entre autoresas que servem de referência para a categoria profissional Esse debate tanto em espaços políti cos como em produções teóricas adensa os conhecimentos já existentes e cria novos Uma das polêmicas instauradas no interior da categoria é se Serviço Social é ou não trabalho Refletir sobre isso se faz importante ao sinalizar de acordo com Lessa 2007b p 14 como osas assistentes sociais concebem a história e a identidade da profissão Essa polêmica não é vaga e ilegítima antes de tudo apresenta o nível de intensificação da produção encampada pelo Serviço Social nos últimos anos e indica o desenvolvimento de sua relação mais rica e dinâmica com o conjunto das ciências humanas Analisar a atuação profissional como práxis social requer um entendimento do trabalho em seu sentido concreto e abstrato a partir dos processos históricos enfocando as alterações na produção e reprodução das relações capitalistas que determinam mudanças nas condições e relações de trabalho Pesquisas e produções sobre a atuação profissional seu estatuto de assalariamento as configurações do mercado de trabalho os condicionantes que incidem na autonomia profissional e a materialização ou não do projeto éticopolítico são questões que contribuem para o entendimento da profissão nos espaços sócio ocupacionais que mesmo diante de suas especificidades comungam dos mesmos ditames do sistema sociometabólico do capital A reflexão sobre o projeto éticopolítico encontrase intrinsecamente imbricada com a análise da práxis do Serviço Social na contemporaneidade Como romper com o messianismo o fatalis mo e o voluntarismo no âmbito interventivo Um dos caminhos possíveis pode ser o aprofundamento teórico crítico de desvelamento dos limites e das possibilidades do fazer profissional Trabalho e práxis social um debate necessário Em uma época em que se propaga o fim do trabalho como eixo explicador do surgimento do indivíduo social buscando reflexões sobre temas mais contemporâneos que explicitem contundentemente a realidade em que se vive parece estranho e ultrapassado para alguns produzir e pensar sobre a ontologia do ser social seu fundamento e seus desdobramentos Enganase quem considera a discussão sobre o trabalho em seu sentido ontológico algo ultrapassado e de menor valor pois nenhuma outra produção e categoria científica conseguiu analisar explicar e determinar o surgimento do ser social das relações produtivas e reprodutivas da sociedade de modo geral senão pelo trabalho Mas qual a importância em se discutir a ontologia do ser social para o Serviço Social Eis o mote principal a ser compreendido só há existência social por conta do trabalho uma vez que ele é a forma originária do agir humano LESSA 2007a Assim todas as práxis sociais1 aqui entendidas como atividades práticas e ações dos sujeitos têm seu nexo causador e fundador no trabalho em seu sentido ontológico R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 Renata Gomes da Costa e Maria Zelma de Araújo Madeira 103 R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 Com o desenvolvimento das forças produtivas observase visivelmente uma proporção cada vez menor do trabalho envolvendo o intercâmbio do indivíduo com a natureza No entanto essa premissa não fundamenta a inexistência da centralidade do trabalho devendose pautar e compreender as mediações interpostas entre a centralidade ontológica política e cotidiana do trabalho e dosas trabalhadoresas Dessa maneira o trabalho é sempre parte de uma totalidade social ser fundante não significa ser cronologicamente anterior mas sim portador das determinações essenciais do ser social que consubstanciam o salto da humanidade para fora da natureza LESSA 2002 p 38 Devese considerar não o trabalho no sentido singular realizado individualmente pelos sujeitos mas em sua totalidade na síntese das singularidades que produz e reproduz socialmente Lessa observa que as teorias que buscam determinar a não centralidade do trabalho normalmente se embasam na nova relação entre o trabalho em seu sentido ontológico e as outras práxis subsumidas à lógica do capital Ancoramse na destruição de antigos postos de trabalho na eliminação de muitas das profissões tidas como tradicionais ocasionadas pela reestruturação produtiva bem como no grande desenvolvimento tecnológico aliado à desmobilização dos movimentos sociais em destaque o movimento operário e sindical e o grande crescimento do setor de serviços para fundamentar a premissa de que o trabalho não é mais a categoria fundante do mundo dos homens e das mulheres Para Lessa 2002 p 47 as tentativas de substituir o trabalho como categoria fundante do mundo dos homens têm tido até o momento um endereço ideológico e político claro e determinador a justificação das novas formas de sociabilidade que surgem com a metamorfose da regência do capital nas últimas décadas Nesse contexto o desafio está em perceber a centralidade do trabalho mediante as transformações ocasionadas pelo capitalismo Em vez de fundamentar a existência da sociabilidade na linguagem na intersubjetividade na política ou no mercado o desafio teórico e intelectual colocase em desvendar o real a essência que encobre a aparência dos fenômenos na contemporaneidade comandada pelo sistema capitalista explicitando seus nexos causais e determinantes econômicos sociais e políticos sem perder de vista que a vida só pode existir tendo por base o ser inorgânico e sem a natureza como um todo não pode haver ser social A troca orgânica do ser social com a natureza é a mediação ontológica que possibilita que o ser social se constitua enquanto esfera ontológica particular no interior da totalidade do ser em geral Na tradição marxista tal mediação é o trabalho LESSA 2002 p 67 Perceber e analisar a existência social e suas práxis partindo do trabalho não significa pensar que todos os atos dos indivíduos reduzemse ao trabalho Temos que inúmeros atos humanos não podem ser reduzidos a atos de trabalho em que pese o fato de o trabalho ser a forma originária e o fundamento ontológico das diferentes formas da práxis social sem o trabalho as inúmeras e variadas formas de atividade humanosocial não poderiam sequer existir LESSA 2007b p 36 Portanto a existência humana é mais do que trabalho ao passo que o ser social se relaciona com a natureza relacionase também com outros sujeitos surgindo necessidades que brotam das relações sociais entre si O trabalho é uma articulação entre teleologias e causalidades2 pesando a distinção entre criador e criatura Por terem uma história própria em relação ao sujeito que as gerou as criações humanas podem agir sobre a história independentemente do sujeito Ao criar por meio do trabalho o indivíduo transforma o seu meio e a si mesmo uma vez que no fim do seu processo de trabalho angaria outros conhecimentos e aprendizados que no início de seu empreendimento ainda não detinha ao desenvolvimento do trabalho corresponde paralelamente o nascimento da consciência e do conhecimento humano IAMAMOTO 2011 p 351 Em resumo o trabalho é uma atividade orientada a um fim para produzir valores de uso apropriação do natural para satisfazer as necessidades humanas condição universal do metabolismo entre homem e natureza condição natural eterna da vida humana e portanto independente de qualquer forma dessa vida sendo antes igualmente comum a todas as suas formas sociais MARX 2004 p 38 Por conter teleologias e causalidades em sua ação é que o trabalho humano se distingue do ato animal O sujeito emprega na execução de seu trabalho a consciência por caracterizarse como um ser genérico e cons Trabalho práxis e Serviço Social 104 Renata Gomes da Costa e Maria Zelma de Araújo Madeira R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 ciente isto é um ser que se relaciona com o gênero como a sua essência própria ou consigo como ser genérico MARX 1989 p 155 Ao contrário do animal que produz a partir da sua necessidade imediata sem consciência o ser humano produz a medida de qualquer espécie sua produção é universal e não unilateral Portanto é precisamente ao trabalhar o mundo objetivo que o homem primeiro se prova de maneira efetiva como um ser genérico Esta produção é a sua vida genérica operativa Por ela a natureza aparece com a sua obra e a sua realidade efetiva O objeto do trabalho é portanto a objetivação da vida genérica do homem MARX 1989 p 157 Apenas quando compreendemos o conceito do trabalho em seu sentido ontológico podemos aprofundar o entendimento do trabalho em seu sentido abstrato isto é da forma com que o capitalismo se apropriou dessa atividade e de outras práxis sociais para a criação de valores de trocas em prol da acumulação e do desenvol vimento da sociabilidade capitalista A distinção entre trabalho concreto e abstrato auxilia na análise da centralidade do trabalho Todo trabalho é de um lado dispêndio de força humana de trabalho no sentido fisiológico e nessa qualidade de trabalho humano igual ou abstrato cria o valor das mercadorias Todo trabalho por outro lado é dispêndio de força humana de trabalho sob forma especial para um determinado fim e nessa qualidade de trabalho útil e concreto produz valores de uso MARX 2012 p 68 O caráter útil do trabalho através do intercâmbio do indivíduo com a natureza produzindo conforme sua necessidade de sobrevivência baseiase na dimensão concreta e qualitativa Ao se distanciar dessa dimensão concreta o trabalho mantémse enquanto condição necessária para a integralização do processo de valorização do capital do sistema produtor de mercadorias Do que resulta que a dimensão concreta do trabalho é também inteiramente subordinada à sua dimensão abstrata ANTUNES 2011 p 80 Adentrar nesse capcioso terreno em que se produz e se reproduz a sociabilidade capitalista buscando especificamente compreender a relação entre trabalho concreto e abstrato tornase essencial para o entendi mento da profissão de Serviço Social O cerne dessa análise é entender a profissão como expressão do trabalho social mas saber identificála como uma práxis social imersa na reprodução social e expressa en quanto trabalho abstrato Tal assertiva esclarece as esparrelas teóricas que reproduzem o entendimento do Serviço Social como trabalho em seu plano ontológico ao passo que também evidencia a complexa dimensão de uma práxis reprodutiva sua natureza suas funções seus desafios e possibilidades Pesquisar e analisar a atuação profissional nessa condição tornase mais que salutar já que suas ações atividades e posturas estão condicionadas pela situação de trabalhadora assalariadoa que convive com frá geis e flexíveis relações de trabalho nesse sentido oa assistente social poderia ser inegavelmente identificado a como uma trabalhadora No entanto o não entendimento dessa relação dos complexos sociais torna necessário especificar essa prática como trabalho útil e concreto denominado pela teoria marxiana como intercâmbio do sujeito com a natureza produtor de valores de uso As polêmicas e distorções referentes ao entendimento do Serviço Social como práxis social e não como trabalho e todos os dimensionamentos que decorrem desse debate evidenciam a necessidade de aprofundar essas reflexões Desvendar as condições e relações de trabalho é algo primordial para compreender os nexos causais que se interpõem na materialização do projeto éticopolítico da profissão expresso também nas dimen sões éticopolíticas teóricometodológicas e técnicooperativas da práxis doa assistente social Compreender que o Serviço Social não é trabalho no sentido ontológico não negligencia a categoria trabalho para a profissão mas trata de desvelar o processo de trabalho na constituição do ser social e saber como este se apresenta no capitalismo que tem como base de sociabilidade a valorização e acumulação de capital Quando se fala em crise do trabalho devese salientar como aborda Antunes 2011 que a crise não é do trabalho concreto mas sim do trabalho abstrato O sistema sociometabólico do capital subordina a totali dade dos atos do trabalho à sua lógica dando base para justificativas que apregoam o desaparecimento do trabalho fundante do ser social e sua substituição pelo trabalho abstrato na imediaticidade de nossa vida cotidiana como as atividades que operam o intercâmbio orgânico com a natureza podem ser também convertidas em produtoras de maisvalia não raras vezes essas duas funções tão distintas são indevidamente confundidas E hoje com a extensão das relações capitalistas até pratica 105 Trabalho práxis e Serviço Social R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 mente todas as formas de práxis social com a incorporação ao processo de valorização do capital de atividades que anteriormente ou estavam dele excluídas ou apenas participavam de modo muito indireto vivemos uma situação em que praticamente a totalidade dos atos de trabalho assume a forma abstrata advinda de sua subordinação ao capital Aparentemente o trabalho teria desaparecido substituído pelo trabalho abstrato Trabalho e trabalho abstrato passam assim equivocadamente a ser tomados como sinônimos no caso da sociabilidade contemporânea LESSA 2002 p 28 Existe uma diferença metodológica imensa na consideração do Serviço Social ser ou não trabalho o que culmina na sua organização política como categoria Trazendo as conceituações e diferenciações da categoria trabalho e compreendendo que outras práxis sociais como o Serviço Social não se caracterizam como traba lho em seu sentido concreto ontológico abordaremos a função social que essa profissão tem na sociedade como foi implementada e qual sua serventia Serviço Social como práxis social O trabalho é a categoria fundante do mundo dos homens Essa afirmativa é basilar para o entendimento do ser e da existência social O intercâmbio do indivíduo com a natureza é projetado pela consciência antes de ser efetivado praticamente possibilitando assim escolhas entre alternativas a serem objetivadas transforman do a realidade e produzindo novas situações Além disso se o trabalho propicia a construção e a transformação do mundo objetivo bem como do sujeito que trabalha por meio da apreensão de outros conhecimentos e habilidades surgem novas necessidades então se o trabalho é fundante do ser social funda também a reprodução social e todos os outros complexos sociais o Serviço Social incluso são fundados por ele LESSA 2007b p 29 Compreendendo que o trabalho funda a reprodução social e outros complexos sociais como definir o Serviço Social como trabalho concreto e abstrato O que é essa profissão E qual sua função social Ao tratar da reprodução social como uma esfera fundada pelo trabalho concreto devese salientar que seu desenvolvimento estará articulado com a história das formações sociais ou seja a reprodução social no primitivismo no escravismo no feudalismo e no capitalismo segue as particularidades históricas de cada mo mento Visto sua distinção e interligação com a categoria trabalho Lessa 2007b aponta três elementos primordiais a integração da vida social que passa dos pequenos grupos da divisão em bandos para o compartilhamento de uma mesma história a complexificação e heterogeneidade das sociedades e o desenvol vimento e a complexificação dos indivíduos Esses fatores demonstram que a heterogeneidade das sociedades e dos indivíduos ocasiona a criação de outras relações instituições e complexos sociais a fim de articular em uma única história toda a vida social ou seja para articular a vida de todos os indivíduos em uma única história o desenvolvimento social necessitou de um elevado número de novos complexos sociais de novas mediações que o tornaram muito mais contraditório diferenciado e heterogêneo se comparado com o seu ponto de partida A crescente heterogeneidade portanto não apenas não se contrapõe como é uma necessidade para o desenvolvimento de relações sociais crescentemente genéricas que articulam o destino de cada indivíduo ao destino de toda humanidade LESSA 2007b p 41 A compreensão da reprodução social e de sua expressão histórica oferece subsídios analíticos na apre ensão do trabalho concreto e de outras práxis sociais pois no estudo dos casos singulares da práxis social muitas vezes não possamos distinguir a não ser por uma análise muito particularizada um ato de trabalho de um ato pertencente à esfera da reprodução social LESSA 2007b p 41 Aqui se chega ao calcanhar de Aquiles dessa discussão observar atos singulares de trabalho por si mesmo ocasionará possivelmente uma confusão entre trabalho concreto e trabalho abstrato Entretanto o que deve ser posto em xeque é a função social desse ato analisado Para isso destacase a construção analítica realizada por Lessa sobre o trabalho concreto e outros complexos sociais a partir da diferença entre a práxis social do professor do assistente social e do operário em três pontos de vista da formalidade da materialidade e da função social Concernente à formalidade não existe nenhuma distinção os três profissionais possuem atos similares ao considerar que partem de uma prévia ideação objetivam realizam a síntese entre teleologias e causalidades transformam o real e no final de sua ação deparamse com algo novo Refletindo sobre a materialidade temse que todos são trabalhadores assalariados que as diferenças são subsidiárias em relação ao ambiente de trabalho que as distintas ferramentas utilizadas e os diferentes 106 Renata Gomes da Costa e Maria Zelma de Araújo Madeira R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 produtos produzidos são na verdade trabalho abstrato todos os três profissionais são trabalhadores no sentido comum vendem as suas forças de trabalho em troca de um salário LESSA 2007b p 44 É somente quanto à sua função social que se pode distinguir o trabalho concreto das outras práxis demonstrando sua especificidade e particularidade a distinção entre o trabalho e as outras práxis sociais não está nem na sua forma nem na sua materialidade nem na qualidade ontológica do seu objeto e muito menos na sua relação com a produção da maisvalia O que torna o trabalho a categoria fundante e todas as outras práxis sociais fundadas é sua função social É a função social do trabalho que o distingue de todas as outras formas de atividade humana independen temente de semelhanças eventuais Para Marx o trabalho possui uma função social muito precisa faz a mediação entre o homem e a natureza de tal modo a produzir a base material indispensável para a reprodu ção das sociedades O trabalho é a práxis social que produz os meios de produção e de subsistência sem os quais a sociedade não poderia sequer existir Esta é a função social do trabalho e isto é o que o distingue das outras práxis sociais LESSA 2007b p 45 A questão não é apenas entender as implicações do trabalho doa assistente social no circuito do valor da produção e distribuição da maisvalia mas sim compreender que o trabalho em seu sentido concreto para se efetivar na sociedade tanto a primitiva e muito mais a capitalista requer outras atividades que produzam as condições sociais necessárias Isso não minimiza essas práxis sociais não as fazem menores em importân cia ao serem tidas como atos preparatórios tornamse indispensáveis à existência humana Trabalho concreto e outras práxis são essenciais para a reprodução social uma vez que como afirma Lessa 2007b p 47 se uma sociedade se limitasse a preparar os atos de trabalho mas não transformasse a natureza sua reprodução seria impossível Dessa maneira temse um problema filosófico ao igualar o Serviço Social ao trabalho concreto buscan do denominar na práxis doa assistente social matériaprima meios de produção e produto o que não facilita na identificação e instrumentalidade da profissão pois significa igualar o intercâmbio orgânico com a natureza com outras atividades em tudo distintas Ao cancelar o que o trabalho tem de específico isto é cumprir a função social de transformar a natureza em meios de produção e de subsistência dissolvese o trabalho em um enorme conjunto de práxis e consequentemente cancelase a tese marxiana de ser o trabalho a categoria fundante do mundo dos ho mens LESSA 2007b p 28 Outro fator primordial nessa discussão sobre a diferenciação entre trabalho concreto e outras práxis referese ao desenvolvimento das causalidades Como afirma Lessa 2007b no caso do trabalho concreto a causalidade que o sujeito transforma é a natureza no caso das outras práxis que o autor também define como atos preparatórios do trabalho o objetivo é a organização dos sujeitos e de seus comportamentos seja pelo convencimento ou repressão interferindo na consciência das pessoas visando a uma determinada finalidade Assim as ações empreendidas peloa professora policial ou assistente social desencadeiam outras posições teleológicas e não processualidades naturais Ou seja o resultado concreto da atividade do professor e do assistente social é outro ato teleologicamente posto e não um carro LESSA 2007b p 48 Diante disso compreendese que a distinção entre os indivíduos está imbricada num critério produtivo econômico na relação entre quem produz a riqueza material e quem vive da riqueza produzida Aqui se insere também a discussão entre trabalho produtivo e improdutivo de quem produz a maisvalia e de quem vive da maisvalia produzida Conforme Lessa 2007a o debate sobre trabalho produtivo e improdutivo por vezes centrase no equí voco de pensar que não há diferenciações entre tais que pode ser explicado pela diminuição da distância entre eles Não se deve considerar que o trabalho produtivo é sinônimo de trabalho concreto trabalho produtivo e improdutivo são duas expressões do trabalho abstrato possuindo funções ontológicas distintas Essa confusão pode ser ocasionada pela particularidade histórica fundada pelo capital que transforma o trabalho concreto em abstrato surgindo na aparência dos fenômenos similaridades que são tidas como sinônimos Nesse duplo aspecto que envolve o trabalho concreto não se suprimem as particularidades destes em relação às outras práxis Como já assinalado nem tudo é trabalho em seu sentido ontológico Mesmo que o capitalismo busque encobrir a essência dos fenômenos devese desvendálos e desmistificálos tendo como grande aporte a teoria crítica que faz compreender como esse sistema produz e reproduz socialmente afinal nem todo trabalho produtivo realiza o intercâmbio orgânico com a natureza sendo por isso indevida qualquer aproximação excessiva ou mesmo a identificação entre o trabalho produtivo e o trabalho enquanto 107 R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 Trabalho práxis e Serviço Social fundante do mundo dos homens LESSA 2007b p 33 A distinção entre trabalho produtivo e improdutivo só faz sentido sob o ponto de vista do capital que através da extração de maisvalia do tempo de trabalho excedente no decorrer do processo produtivo determina a valorização e a acumulação de capital Assim sendo produtivo é o trabalho que produz maisvalia e improdutivo é aquele que não produz Osas trabalhado resas improdutivosas apresentamse em maior número de maneira heterogênea vivendo da maisvalia pro duzida pelosas trabalhadoresas produtivosas LESSA 2007b Lessa 2007b evidencia que o trabalho produtivo tem duas funções sociais o trabalho proletário que produz o capital e o não proletário que apenas gera a maisvalia pela conversão de riqueza existente em dinheiro como no caso doa professora de escola privada ou doa assistente social de uma empresa O objetivo do capitalismo é produzir e acumular cada vez mais capital Suas mercadorias e produtos contêm tempo de trabalho não pago mesmo porque A acumulação do capital se faz pela apropriação da maisvalia Como a mercadoria no sistema capitalista pode ser tanto a natureza transformada o martelo como um serviço uma aula um show de música etc em todos esses casos o burguês pode extrair maisvalia e acumular capital A fonte da maisvalia pode ser tanto o trabalho do operário que atua sobre a natureza como o do cantor que não atua sobre a natureza Diferente dos modos de produção passados portanto a burguesia conseguiu com o capitalismo uma fonte de riqueza muito mais ampla e dinâmica pois agora consegue acumular capital não apenas do trabalho que transforma a natureza mas também de uma enorme gama de atividades LESSA 2007b p 71 Percebese dessa maneira que oa assistente social e oa operárioa se aproximam por sua inserção no mercado de trabalho como trabalhadoresas assalariadosas mas não como trabalhadoresas em seu sentido concreto Afirmar que uma trabalhadora não realiza trabalho e ademais é improdutivoa não nega sua condição de classe trabalhadora mas sim contribui para se pensar na heterogeneidade dessa classe em tempos de capital fetiche Práxis social doa assistente social na contemporaneidade Refletir sobre a profissão de Serviço Social na contemporaneidade tornase um desafio ao ter de des vendar as complexas transformações empreendidas pelo capitalismo no final da década de 1970 e início da de 1980 As referidas mudanças foram se gestando em um cenário em que as dívidas públicas e privadas cresceram contundentemente e a primeira grande recessão catalisada pela alta dos preços do petróleo em 19731974 foram os sinais de que o pleno emprego e a cidadania relacionada à proteção social estavam se desfazendo nos países europeus e nos EUA comprometendo também as nações periféricas em que o Estado de bemestar não se realizou plenamente As elites políticoeconômicas então começaram a questionar e a responsabilizar pela crise a atuação agigantada do Estado especialmente naqueles setores que não reverti am diretamente em favor de seus interesses Aliada a esse contexto temse a grande revolução tecnológica um salto na automação na robótica e na microeletrônica que invadiu o espaço fabril e a sociedade como um todo o que incidiu nas relações e condições de trabalho bem como na produ ção e na acumulação do capital ANTUNES 2011 A reinvenção do liberalismo promovida pelos neoliberais no final dos anos 1970 e 1980 espraiandose na década de 1990 em todo o mundo foi uma reação teórica e política ao keynesianismo e ao Estado de bemestar social Com o toyotismo alicerçado pela acumulação flexível a pro dução tornase variada diversa destinada à demanda Su premse os grandes estoques e a produção em massa a produção se organiza a partir de um estoque mínimo e a obsolescência programada dos produtos ganha ênfase nesse modelo produtivo Ao ser uma resposta à crise do fordismo na década de 1970 em vez de um trabalhador especializado exigese um operário polivalente que se Enganase quem considera a discussão sobre o trabalho em seu sentido ontológico algo ultrapassado e de menor valor pois nenhuma outra produção e categoria científica conseguiu analisar explicar e determinar o surgimento do ser social das relações produtivas e reprodutivas da sociedade de modo geral senão pelo trabalho 108 Renata Gomes da Costa e Maria Zelma de Araújo Madeira R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 integre a uma equipe e realize tarefas múltiplas passando a produzir conforme a demanda do consumidor em sua satisfação empregando a ideologia do controle de qualidade Entretanto devese ponderar que a substituição do fordismo pelo toyotismo não deve ser entendida o que nos parece óbvio como um novo modo de organização societária livre das mazelas do sistema produtor de mercadorias e o que é menos evidente e mais polêmico mas também nos parece claro não deve nem mesmo ser concebido como um avanço em relação ao capitalismo da era fordista e taylorista a diminuição entre elaboração e execução entre concepção e produção que constantemente se atribui ao toyotismo só é possível porque se realiza no universo estrito e rigorosamente concebido do sistema produtor de mercadorias do processo de criação e valorização do capital ANTUNES 2011 p 39 As consequências dessas transformações e modificações empreendidas pelo sistema capitalista em prol de sua sobrevivência e reprodução tiveram nefastas consequências para o mundo do trabalho para trabalhado resas que vendem sua força de trabalho em prol da sobrevivência Ocorre uma maior heterogeneização frag mentação e complexificação da classe trabalhadora temse uma diminuição do trabalho fabril da classe operária industrial tradicional e um aumento do trabalho precário e assalariado principalmente no setor de serviços Com todas essas mudanças no processo produtivo e sua consequência imediata no mundo do trabalho uma gama de profissionais passa a conviver em seu cotidiano com a realidade do desemprego e das terceirizações Nessa complexa configuração do trabalho na sociedade capitalista inserese a práxis do Serviço Social que se apresenta nessa dinâmica contemporânea como trabalho abstrato assalariado implicando as competências atribuições e capacidade técnicoprofissional subordinando precariamente as dimensões teóricometodológicas técnicooperativas e éticopolíticas do fazer profissional Iamamoto 2011 afirma que o maior empregador de assistente social é o Estado na implementação execução e elaboração das políticas sociais que nesse contexto neoliberal também vai sofrer contundente mente em sua gestão Para Behring 2008 a contrarreforma do Estado vem implicando esse redirecionamento das políticas sociais o que tem incidido negativamente nas condições de trabalho dosas profissionais que intervêm nessa realidade como osas assistentes sociais Conforme a autora do ponto de vista físico temse um leque de dificuldades para implementação de políticas que se apresentam como pobres para os pobres focalizadas e residuais Convivese dessa maneira com estruturas institucionais precárias sem condições de preservar o sigilo profissional com ausência de mobília adequada para os atendimentos de equipamentos que prezem pelo registro desses atendimentos e de material a ser usado no cotidiano de trabalho O contexto em que se apresentam demonstra que as consequências das profundas alterações nas condições de trabalho na forma de contrato da força de trabalho ocupada e na gestão da força de trabalho excedente determinam e atingem o trabalho do assistente social e a forma de contratação de sua força de trabalho pois não há possibilidade de o trato da questão social ser aviltada e de ao mesmo tempo existirem condições generosas interferindo nesse processo GRANEMANN 2009 p 162 Deparase assim com a desvalorização e a superexploração da força de trabalho em prol da valori zação e da acumulação do capital As contratações seguem a lógica do capitalismo o mundo do trabalho se reordena em prol dos imperativos desse sistema fortalecemse os serviços privados O que é direito cons titucionalmente estabelecido como saúde e educação devendo ser garantido pública universal e gratuita mente passa a status de mercadoria de serviço de produto a ser comprado O que deveria ser direito adquirido pelo sujeito apresentase como problema de consumidor que o comprou a partir das regras do mercado Verificase a precarização a instabilidade do não direito a fragmentação da questão social a responsabilização do sujeito individual por seu lugar na vida social a política social diferenciada para as frações da força de trabalho Essas transformações no mundo do trabalho nas políticas sociais no acesso aos direitos repercutem na atuação doa assistente social com a tendência de uma redefinição do próprio trabalho profissional reduzindo o a plantões de emergência Limitase a meroa executora de tarefas à rotinização da atuação à ênfase nos relatórios quantitativos em prol da produtividade Diminuise o tempo para se planejar as ações para estudar organizar e refletir sobre os projetos existentes e a elaboração de novos O que se torna primordial é a gestão da pobreza e de políticas pobres para os pobres GRANEMANN 2009 Nesse bojo de relações e contradições vale ressaltar que esse processo de precarização do trabalho profissional ocorre também no setor privado através dos contratos precários da supressão dos direitos O debate sobre a atuação do Serviço Social tem de considerar os diferentes espaços sócioocupacionais suas particularida 109 R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 Trabalho práxis e Serviço Social des natureza objetivos e demandas O que se deseja observar é que mesmo a pauperização e a privatização dos serviços com expressões distintas conforme as finalidades institucionais estão interligadas a um bojo maior de relações econômicas sociais políticas e culturais determinadas e comandadas pelo sistema capitalista Eis o desafio ao se pensar o Serviço Social na contemporaneidade entender primeiro e principal mente sua função social como práxis social ademais o local que ocupa na produção e reprodução da vida material no circuito de produção da maisvalia Partese para o desvendamento de sua atuação cotidiana em tempos neoliberais buscando contribuir com sua ação profissional na defesa intransigente de seus princípios éticos de uma atuação pautada e fundamentada em valores democráticos e humanos tendo como horizonte último a construção de uma nova sociabilidade Esse desafio não pode ser tomado como missão primeira e única da categoria dosas assistentes sociais mas sim deve se articular com um projeto societário que lute pela emancipação humana em prol de uma sociedade sem exploração e domi nação de classe raçaetnia gênero e diversidade sexual Considerações finais Diante do exposto observase que a compreensão da práxis do Serviço Social tornase imprescindível ao identificálo como trabalho abstrato que sofre todas as refrações impostas pelo sistema capitalista que se espraia a tantosas outrosas que sobrevivem a partir da venda de sua força de trabalho em troca de salário Compreender tal questão sedimentada no entendimento do trabalho concreto como fundante do ser social e de toda existência humana tornase mais que salutar ao nos possibilitar desvendar a função social da profissão Entender essa função social pode não ter incidência decisiva e direta aao profissional na sua inter venção mas tem em sua ação política ao debater sobre sua condição de trabalhadora e sua organização política enquanto classe Ao discutir sobre sua função social chegase ao debate sobre seu caráter de trabalho abstrato que possibilita a compreensão das condições e relações de trabalho enfrentadas peloa profissional na contemporaneidade O Serviço Social é uma atividade inscrita na divisão social e técnica do trabalho com atribuições e objetivos específicos atuando no âmbito político e ideológico através dos serviços programas e projetos previs tos pelas políticas sociais com sua atuação incidindo diretamente nas condições de vida dos sujeitos que atende comprometida com a defesa dos direitos humanos liberdade democracia entre outros elementos De tal modo o Serviço Social é uma profissão que se consolidou como especialização do trabalho coletivo na maturação da sociedade capitalista tendo por objeto interventivo as múltiplas expressões da ques tão social Sua formação e materialização são perpassadas por uma historicidade que deve ser analisada e problematizada pautando seus desafios históricos e sociais e a constituição teórica e interventiva sem perder de vista a articulação com a totalidade social fundamentada na teoria crítica Nesse sentido a discussão teórica e política sobre sua função social é central nesse debate Afirmar que o Serviço Social não é trabalho em nada diminui sua importância como profissão nem mesmo retira a importância primordial da identificação com a discussão sobre o trabalho categoriacerne para se entender a natureza e a identidade profissional Referências ANTUNES R Adeus ao trabalho Ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho São Paulo Cortez 2011 BEHRING E R Brasil em contrarreforma desestruturação do Estado e perda de direitos São Paulo Cortez 2008 GRANEMANN S Ofensiva do capital e novas determinações do trabalho profissional Revista Katálysis Florianópolis Edufsc v 12 n 2 p 161169 juldez 2009 Disponível em httpwwwscielobrpdfrkv12n205pdf Acesso em 12 jun 2012 IAMAMOTO M V Serviço Social em tempo de capital fetiche capital financeiro trabalho e questão social São Paulo Cortez 2011 LESSA S Mundo dos homens trabalho e ser social São Paulo Boitempo 2002 Para compreender a ontologia de Lukács Ijuí Unijuí 2007a Serviço Social e trabalho porque o Serviço Social não é trabalho Maceió Edufal 2007b MARX K Trabalho alienado e superação positiva da autoalienação humana Manuscritos econômicos e filosóficos 1844 In FERNANDES F Org Marx e Engels São Paulo Ática 1989 Coleção Grandes Cientistas Sociais Processo de trabalho e processo de valorização In ANTUNES R Org A dialética do trabalho escritos de Marx e Engels São Paulo Expressão Popular 2004 O capital crítica da economia política Livro I Tradução de Reginaldo Santanna Rio de Janeiro Civilização Brasileira 2012 NETTO J P Ditadura e Serviço Social São Paulo Cortez 1998 110 R Katál Florianópolis v 16 n 1 p 101110 janjun 2013 Renata Gomes da Costa e Maria Zelma de Araújo Madeira Notas 1 Em uma definição mais completa temos que a práxis social como qualquer ato social é uma decisão entre alternativas efetuada pelo indivíduo singular que faz escolhas acerca de propósitos futuros visados Porém não faz escolhas independentes das pressões que as necessidades sociais exercem sobre os indivíduos singulares interferindo nos rumos e orientações de suas decisões IAMAMOTO 2011 p 254 2 De acordo com Lessa 2007a todo ato de trabalho é precedido pela préviaideação o sujeito prevê projeta e planeja a ação estando orientado por uma finalidade uma teleologia contando com as causalidades ou seja os nexos causais a natureza e os objetos do mundo objetivo Renata Gomes da Costa renatagomesdcyahoocombr Mestranda em Serviço Social Trabalho e Questão Social na Universidade Estadual do Ceará UECE Maria Zelma de Araújo Madeira zelmadeirayahoocombr Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará UFCE Professora no Curso de Mestrado da UECE UECE Departamento de Métodos e Técnicas do Serviço Social Av Paranjana 1700 Itaperi Fortaleza Ceará Brasil CEP 60740000 INSIRA AQUI O TÍTULO DE SEU PAPER Acadêmico Turma Tutor RESUMO Insira neste quadro o resumo da sua pesquisa O resumo deve conter no máximo 250 palavras ser composto de um único parágrafo sem recuo na primeira linha A fonte usada deve ser Times New Roman espaçamento simples justificado tamanho 12 O resumo deve conter o tema a ser tratado o objetivo geral a metodologia adotada e as conclusões Palavraschave Insira nesse campo três palavraschave que remetem ao seu trabalho INTRODUÇÃO A introdução é a apresentação inicial do trabalho e deve conter uma breve apresentação sobre o tema estudado a pergunta que moveu a pesquisa o objetivo geral e os objetivos específicos do trabalho FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A fundamentação teórica precisa conter no mínimo dez parágrafos Aqui é possível utilizar citações diretas curtas citações diretas longas citações indiretas Neste caso todas devem ser referenciadas As citações utilizadas devem ser retiradas de livros e artigos científicos Além da parte textual você poderá inserir aqui gráficos mapas tabelas fotografias ou imagens desde que todas relacionadas ao conteúdo e contextualizados Lembrese de inserir o título e fonte da imagem METODOLOGIA A metodologia de um trabalho acadêmico deve conter basicamente os seguintes itens Método de pesquisa a referência teórica que vai orientar seu caminho abordagem de pesquisa É quantitativa qualitativa ambas Qual é o tipo de pesquisa bibliográfica documental de campo participante Quais foram os instrumentais de pesquisa questionário formulário Também é importante responder qual a fonte dessas informações A ideia aqui é apresentar como você chegou até os resultados APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Neste campo apresente os resultados de sua entrevista e as pesquisas sobre o tema Utilize gráficos e tabelas para apresentar seus resultados Lembrese abaixo dos gráficos e das tabelas faça uma pequena descrição dos dados e após utilize um autor para analisar os dados CONSIDERAÇÕES Utilize este campo para fazer a finalização do seu trabalho Aproveite para expor suas conclusões sobre a pesquisa e listar o que você aprendeu com esta experiência REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Listar as referências bibliográficas utilizadas de acordo com as normas da ABNT