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FACULDADE ANÍSIO TEIXEIRA CURSO PSICOLOGIA SEMESTRE 6º DISCIPLINATÉCNICAS PSICOTERÁPICAS I PROFESSORJULIANA DA SILVA SANTOS Avaliaçã o 1ª chamada da Unidade I 2ª chamada da Unidade I X 1ª chamada da Unidade II 2ª chamada da Unidade II 1ª chamada da Final 2ª chamada da Final 1B iniciou sua terapia com onze anos de idade Ele foi encaminhado por sua fonoaudióloga a qual prestes a darlhe alta entendeu que ele devia prosseguir com acompanhamento psicológico devido a um diagnóstico psiquiátrico inicial de retardo mental e posteriormente de psicose Seu aspecto era franzino apresentava desvio postural com acentuada curvatura dorsal uma discreta corcova andava de forma trôpega e sentavase com os pés virados para dentro Apresentava gestos estereotipados como tiques com os olhos boca e mãos e uma risada histérica que se acentuava quando ficava ansioso Quando convocado para uma posição de sujeito surgia a angústia no real do seu corpo manifesta sob a forma de esfregação da perna direita acentuação dos trejeitos com a boca e os olhos e um insistente e constante batimento na palma da mão esquerda efetuado com um boné que segurava firmemente B se comportava como se estivesse absorto num mundo fora da realidade apenas falava olhava insistentemente pela janela e quando olhava para a terapeuta faziao como se seu olhar atravessasse sua figura e se dirigisse a um ponto distante Na escola segundo relatos da professora olhava pela janela por horas a fio não brincava com os colegas e recusavase a executar atividades nas quais tivesse que interagir com os outros Em casa conforme informações da mãe ficava sozinho na área andando de um lado a outro sempre batendo o boné na mão esquerda interessandose tão somente pelos horários das refeições pois tinha um apetite voraz Seu mutismo comportamento repetitivo estereotipias e distanciamento fizeram nos formular num primeiro momento uma hipótese diagnóstica de autismo Através de livros de histórias com gravuras coloridas foi possível capturar a sua atenção À medida que a terapeuta contavalhe as histórias ele começava a fazer perguntas o que era isso para que servia aquilo como era feito aquilo outro passando a manifestar uma curiosidade inesgotável e prestando muita atenção às explicações da terapeuta como se estivesse descobrindo nessa construção conjunta significações antes desconhecidas No início do tratamento seu discurso era repetitivo e confuso em todas as sessões verbalizava os mesmos temas que se resumiam a chuvas copiosas que derrubavam árvores e casas correntezas que levavam as pessoas para o fundo do rio pontes que desabavam paredes que ruíam e calçadas que se transformavam em enormes buracos engolindo os transeuntes 1 Monografia defendida em 2007 na PósGraduação em Saúde Mental Psicopatologia e Psicanálise da Pontifícia Universidade Católica do Paraná PUCPR pela primeira autora orientada pela segunda Vanoli E V Bernardino L F 2008 Psicose infantil Uma reflexão sobre a relevância da intervenção psicanalítica Estilos da Clínica 2008 Vol Xlll n 25 250267 As dificuldades de fazer metáforas e o delírio verbal repetiamse em todos os encontros Aos poucos foram sendo incluídos amigos imaginários Também falava das árvores contando que quando vinha no ônibus as árvores da rua andavam atrás dele algumas até entravam no ônibus e sentavamse ao seu lado O laço transferencial estendeuse também à família possibilitando a convocação dos pais e avós maternos que moravam no mesmo terreno para serem ouvidos tratava se de pessoas extremamente simplórias que colocavam B em um lugar de objeto A mãe davalhe banho vestiao servialhe a comida escolhia as suas roupas levavao e traziao sempre de braço dado enfim não lhe permitia a mínima autonomia e escolha Nas sessões subseqüentes B falou de ter tido sonhos com a terapeuta nas noites precedentes aos encontros ora vendoa como um sol ora como uma nuvem muito bonitona sempre acenando para ele sorrindo e abraçandoo carinhosamente A terapeuta aventurouse a convidar B para ampliar esse relato dizendo que ele podia falar sobre o que sentia podendo pedir por um abraço ou um passeio se era isso que ele desejava Num determinado momento B levantouse e dirigiuse à terapeuta com os braços abertos deulhe um abraço e disse sentirse melhor Essa intervenção permitiu a B nas sessões que se sucederam falar de seu ciúme do irmão menor de 6 anos e da raiva que sentiu quando sua mãe saiu de casa para buscar o bebê no hospital retornando 3 dias depois B relatou que na ocasião fugiu para a casa da nona ficando lá por alguns dias pois não queria voltar para a casa dos pais e ver o irmão Comentou também sentirse incomodado com o irmão porque este mexia no seu material escolar atrapalhavao quando assistia à televisão além de dar muito trabalho à mãe que o repreendia e batia nele frequentemente por ser tão inquieto B passou a relatar que o pai só prestava atenção ao irmão fazendo gozações ou debochando quando ele falava alguma coisa Insistia em dizer que a presença do pai em casa o incomodava não gostava de sair com ele e muito menos de acompanhálo ao trabalho Falava da profissão do pai pedreiro e dizia não gostar ou melhor detestála porque isso não era profissão seu pai quebrava tudo ao trabalhar só destruía Na sessão seguinte B retomou a questão do pai e assim o fez em várias outras nas quais alternava os delírios sobre a chuva e a invasão da água com os insultos do pai que sempre caçoava dele Dizia que às vezes ficava tão insuportável que lhe dava vontade de pular nele Dizia isso fazendo gestos com as mãos em forma de garra como se fosse arranhar alguém e com voz firme e expressão séria acrescentava que esse problema com o pai já vinha de muitos anos Em entrevista com o pai percebemos que ele colocava o filho no lugar de doente menosprezandoo e por vezes ridicularizandoo Ele dizia não ter muita paciência com os comportamentos estranhos do menino que o irritavam sobremaneira ao contrário do irmão que era esperto e que certamente iria longe Em contrapartida a mãe revelava uma proteção excessiva para com B não o deixava sair sozinho na rua tinha medo que se machucasse acreditava que ele não tinha condições de se valer por si mesmo e que cabia a ela zelar por esse filho mesmo exigindo dela dedicação integral Pensando em ter uma visão de maior alcance sobre a interação dessa família a terapeuta passou a conversar com os pais mais frequentemente Ao mesmo tempo foi entrevistada algumas vezes a professora de B pois este se queixava de não ter interesse em assistir às aulas nem em fazer lição Dessa forma foi constatado que também na escola B era mantido em uma posição de doente à qual ele se oferecia como objeto do outro Nas sessões seguintes B e a terapeuta conversaram bastante sobre a situação escolar e sobre a possibilidade de ir para outro lugar onde ele pudesse fazer amigos aprender coisas novas dentre elas um ofício que lhe permitisse ganhar a vida no futuro escolher e comprar suas próprias coisas Ele se mostrava entusiasmado com essa nova perspectiva Foi fornecido então à mãe o telefone de uma escola integral que poderia acolher o filho e a pessoa de contato Entretanto na sessão seguinte B contou que a mãe não o deixaria ir a essa escola porque ficava muito longe e seria um transtorno para a rotina familiar Os pais foram convocados para um encontro que se iniciou com todas as explicações pertinentes sobre distância frequência de ônibus horários conflitantes com a escola do irmão e almoço do pai etc Mas repentinamente produziuse um giro no discurso Os pais externaram sua angústia ante a possibilidade de o filho ficar o dia inteiro fora de casa e especialmente a mãe que comentou chorando que até esse momento o filho ficava sempre com ela seguindoa dentro de casa aonde ela fosse B foi transferido para a nova escola sendo levado e trazido pelo ônibus escolar que o apanha perto da sua casa de manhã cedo retornando por volta das 18 horas Na escola faz ginástica fisioterapia joga bola e no período vespertino confecciona tapetes e aprende a montar caixas de papelão para fins industriais Na sessão posterior B chegou à consulta muito contente contando ter sido escolhido pela coordenação da escola para a partir do próximo ano frequentar três vezes por semana uma outra instituição onde teria reforço escolar e novas atividades Diz que quando crescer vai trabalhar para comprar uma casa para levar a sua mãe poderia ir a nona a terapeuta e até o irmão mas o pai não entraria de jeito nenhum nem sequer de visita sic A terapeuta aponta que será difícil que sua mãe vá morar com ele porque ela é a mulher do pai e quando ele crescer e for morar sozinho a mãe certamente ficará com o marido E que assim como fez o pai ele também poderá escolher uma mulher para si QUESTÕES 1 Pensando a cerca dos dados expostos e das hipóteses formuladas pela analista assim como as concepções lacanianas de castração e édipo e formule uma hipótese a cerca da formação dos sintomas de B e dos objetivos da sua análise 10 2 Na descrição podemos acompanhar um processo clínico psicanalítico junto a um quadro de psicose infantil A partir desta descrição disserte sobre o manejo da relação transferencial do analista durante uma experiência de análise com psicóticos exemplificando com o caso clínico 20 3 Entre os sintomas apresentados por B o delírio e a alucinação são relatados como constantes em todo acompanhamento psicanalítico Partindo da referência lacaniana discuta a relevância destes sintomas para a estrutura psicótica e as possibilidades de manejo clínico destes exemplificando com o caso clínico 10 1B iniciou sua terapia com onze anos de idade Ele foi encaminhado por sua fonoaudióloga a qual prestes a darlhe alta entendeu que ele devia prosseguir com acompanhamento psicológico devido a um diagnóstico psiquiátrico inicial de retardo mental e posteriormente de psicose Seu aspecto era franzino apresentava desvio postural com acentuada curvatura dorsal uma discreta corcova andava de forma trôpega e sentavase com os pés virados para dentro Apresentava gestos estereotipados como tiques com os olhos boca e mãos e uma risada histérica que se acentuava quando ficava ansioso Quando convocado para uma posição de sujeito surgia a angústia no real do seu corpo manifesta sob a forma de esfregação da perna direita acentuação dos trejeitos com a boca e os olhos e um insistente e constante batimento na palma da mão esquerda efetuado com um boné que segurava firmemente B se comportava como se estivesse absorto num mundo fora da realidade apenas falava olhava insistentemente pela janela e quando olhava para a terapeuta faziao como se seu olhar atravessasse sua figura e se dirigisse a um ponto distante Na escola segundo relatos da professora olhava pela janela por horas a fio não brincava com os colegas e recusavase a executar atividades nas quais tivesse que interagir com os outros Em casa conforme informações da mãe ficava sozinho na área andando de um lado a outro sempre batendo o boné na mão esquerda interessandose tão somente pelos horários das refeições pois tinha um apetite voraz Seu mutismo comportamento repetitivo estereotipias e distanciamento fizeram nos formular num primeiro momento uma hipótese diagnóstica de autismo Através de livros de histórias com gravuras coloridas foi possível capturar a sua atenção À medida que a terapeuta contavalhe as histórias ele começava a fazer perguntas o que era isso para que servia aquilo como era feito aquilo outro passando a manifestar uma curiosidade inesgotável e prestando muita atenção às explicações da terapeuta como se estivesse descobrindo nessa construção conjunta significações antes desconhecidas No início do tratamento seu discurso era repetitivo e confuso em todas as sessões verbalizava os mesmos temas que se resumiam a chuvas copiosas que derrubavam árvores e casas correntezas que levavam as pessoas para o fundo do rio pontes que desabavam paredes que ruíam e calçadas que se transformavam em enormes buracos engolindo os transeuntes 1 Monografia defendida em 2007 na PósGraduação em Saúde Mental Psicopatologia e Psicanálise da Pontifícia Universidade Católica do Paraná PUCPR pela primeira autora orientada pela segunda Vanoli E V Bernardino L F 2008 Psicose infantil Uma reflexão sobre a relevância da intervenção psicanalítica Estilos da Clínica 2008 Vol Xlll n 25 250267 Avaliaçã o 1ª chamada da Unidade I 2ª chamada da Unidade I X 1ª chamada da Unidade II 2ª chamada da Unidade II 1ª chamada da Final 2ª chamada da Final FACULDADE ANÍSIO TEIXEIRA CURSO PSICOLOGIA SEMESTRE 6º DISCIPLINATÉCNICAS PSICOTERÁPICAS I PROFESSORJULIANA DA SILVA SANTOS As dificuldades de fazer metáforas e o delírio verbal repetiamse em todos os encontros Aos poucos foram sendo incluídos amigos imaginários Também falava das árvores contando que quando vinha no ônibus as árvores da rua andavam atrás dele algumas até entravam no ônibus e sentavamse ao seu lado O laço transferencial estendeuse também à família possibilitando a convocação dos pais e avós maternos que moravam no mesmo terreno para serem ouvidos tratava se de pessoas extremamente simplórias que colocavam B em um lugar de objeto A mãe davalhe banho vestiao servialhe a comida escolhia as suas roupas levavao e traziao sempre de braço dado enfim não lhe permitia a mínima autonomia e escolha Nas sessões subseqüentes B falou de ter tido sonhos com a terapeuta nas noites precedentes aos encontros ora vendoa como um sol ora como uma nuvem muito bonitona sempre acenando para ele sorrindo e abraçandoo carinhosamente A terapeuta aventurouse a convidar B para ampliar esse relato dizendo que ele podia falar sobre o que sentia podendo pedir por um abraço ou um passeio se era isso que ele desejava Num determinado momento B levantouse e dirigiuse à terapeuta com os braços abertos deulhe um abraço e disse sentirse melhor Essa intervenção permitiu a B nas sessões que se sucederam falar de seu ciúme do irmão menor de 6 anos e da raiva que sentiu quando sua mãe saiu de casa para buscar o bebê no hospital retornando 3 dias depois B relatou que na ocasião fugiu para a casa da nona ficando lá por alguns dias pois não queria voltar para a casa dos pais e ver o irmão Comentou também sentirse incomodado com o irmão porque este mexia no seu material escolar atrapalhavao quando assistia à televisão além de dar muito trabalho à mãe que o repreendia e batia nele frequentemente por ser tão inquieto B passou a relatar que o pai só prestava atenção ao irmão fazendo gozações ou debochando quando ele falava alguma coisa Insistia em dizer que a presença do pai em casa o incomodava não gostava de sair com ele e muito menos de acompanhálo ao trabalho Falava da profissão do pai pedreiro e dizia não gostar ou melhor detestála porque isso não era profissão seu pai quebrava tudo ao trabalhar só destruía Na sessão seguinte B retomou a questão do pai e assim o fez em várias outras nas quais alternava os delírios sobre a chuva e a invasão da água com os insultos do pai que sempre caçoava dele Dizia que às vezes ficava tão insuportável que lhe dava vontade de pular nele Dizia isso fazendo gestos com as mãos em forma de garra como se fosse arranhar alguém e com voz firme e expressão séria acrescentava que esse problema com o pai já vinha de muitos anos Em entrevista com o pai percebemos que ele colocava o filho no lugar de doente menosprezandoo e por vezes ridicularizandoo Ele dizia não ter muita paciência com os comportamentos estranhos do menino que o irritavam sobremaneira ao contrário do irmão que era esperto e que certamente iria longe Em contrapartida a mãe revelava uma proteção excessiva para com B não o deixava sair sozinho na rua tinha medo que se machucasse acreditava que ele não tinha condições de se valer por si mesmo e que cabia a ela zelar por esse filho mesmo exigindo dela dedicação integral Pensando em ter uma visão de maior alcance sobre a interação dessa família a terapeuta passou a conversar com os pais mais frequentemente Ao mesmo tempo foi entrevistada algumas vezes a professora de B pois este se queixava de não ter interesse em assistir às aulas nem em fazer lição Dessa forma foi constatado que também na escola B era mantido em uma posição de doente à qual ele se oferecia como objeto do outro Nas sessões seguintes B e a terapeuta conversaram bastante sobre a situação escolar e sobre a possibilidade de ir para outro lugar onde ele pudesse fazer amigos aprender coisas novas dentre elas um ofício que lhe permitisse ganhar a vida no futuro escolher e comprar suas próprias coisas Ele se mostrava entusiasmado com essa nova perspectiva Foi fornecido então à mãe o telefone de uma escola integral que poderia acolher o filho e a pessoa de contato Entretanto na sessão seguinte B contou que a mãe não o deixaria ir a essa escola porque ficava muito longe e seria um transtorno para a rotina familiar Os pais foram convocados para um encontro que se iniciou com todas as explicações pertinentes sobre distância frequência de ônibus horários conflitantes com a escola do irmão e almoço do pai etc Mas repentinamente produziuse um giro no discurso Os pais externaram sua angústia ante a possibilidade de o filho ficar o dia inteiro fora de casa e especialmente a mãe que comentou chorando que até esse momento o filho ficava sempre com ela seguindoa dentro de casa aonde ela fosse B foi transferido para a nova escola sendo levado e trazido pelo ônibus escolar que o apanha perto da sua casa de manhã cedo retornando por volta das 18 horas Na escola faz ginástica fisioterapia joga bola e no período vespertino confecciona tapetes e aprende a montar caixas de papelão para fins industriais Na sessão posterior B chegou à consulta muito contente contando ter sido escolhido pela coordenação da escola para a partir do próximo ano frequentar três vezes por semana uma outra instituição onde teria reforço escolar e novas atividades Diz que quando crescer vai trabalhar para comprar uma casa para levar a sua mãe poderia ir a nona a terapeuta e até o irmão mas o pai não entraria de jeito nenhum nem sequer de visita sic A terapeuta aponta que será difícil que sua mãe vá morar com ele porque ela é a mulher do pai e quando ele crescer e for morar sozinho a mãe certamente ficará com o marido E que assim como fez o pai ele também poderá escolher uma mulher para si QUESTÕES 1 Pensando a cerca dos dados expostos e das hipóteses formuladas pela analista assim como as concepções lacanianas de castração e édipo e formule uma hipótese a cerca da formação dos sintomas de B e dos objetivos da sua análise 10 Podemos entender principalmente ao final do relao da analista que B Se encontra com o forte complexo de édipo aparente em relação a mãe tendo o desejo de posse sobre ela e aversão ao pai O processo de castração ou seja a abdicação de ser ou tero falo objeto hipotético no entendimento de Lacan o mantendo como objeto de desejo B Apresenta buscar constantemente objetos de desejo e métodos para ser o provedor e substituto do papel do pai na família mostrando ciúme do irmão mais novo e reforçando o sentimento de posse pela mãe A hipótese de autismo dada pela analista ainda se mantém em pauta em vista que muitas características apresentadas por B Levam a esse entendimento porém a hipótese de um diagnóstico de esquizofrenia e psicose ainda podem ser levantados em vista que o menino apresenta comportamento e fala delirante e relata alucinações constantes 2 Na descrição podemos acompanhar um processo clínico psicanalítico junto a um quadro de psicose infantil A partir desta descrição disserte sobre o manejo da relação transferencial do analista durante uma experiência de análise com psicóticos exemplificando com o caso clínico 20 No contexto psicanalítico podemos observar a partir dos estudos realizados a partir dessa abordagem que o manejo do psicanalista com crianças em sofrimento psíquico se dá através da relação transferencial utilizandose das interpretações verbais sendo papel do analista a interpretação discursiva dos comportamentos ou significantes apresentados pela criança Um dos momentos que relatam essa interpretação foi a forma que a analista interpretou o sonho de B com a mesma trazendo o conteúdo para uma situação real e em resposta ele a abraçou e alegou estar se sentindo melhor A analista também precisou observar as referências que carregavam as falas dele sobre as chuvas notando a relação do paciente com seu pai reforçando continuamente a manutenção do processo de tranferência aqui descrito 3 Entre os sintomas apresentados por B o delírio e a alucinação são relatados como constantes em todo acompanhamento psicanalítico Partindo da referência lacaniana discuta a relevância destes sintomas para a estrutura psicótica e as possibilidades de manejo clínico destes exemplificando com o caso clínico 10 Lacan ao discutir acerca das psicoses propôs os seguintes viéses que na alucinação a voz que fala é a do real enquanto o delírio seria nada mais do que uma tentativa de fazer frente à não simbolização e à incidência insuportável do real B apresentou esses dois contextos vendo árvores o seguindo falando consigo e sentando ao seu lado no ônibus também relatava falas não condizentes com o momento e muitas vezes em um contexto bagunçado e desproporcional A necessidade da analista se atentar aos detalhes descritos pelo paciente é buscar entender o que esse comportamento busca refletir sendo também essencial para promover um manejo mais adequado não o reprimindo e sim o auxiliando a compreender o que é ou não real e o auxiliando a ter meios de se manter concentrado na realidade como por exemplo a proposta da nova escola com hobbies e atividades disponíveis pra B A escuta atenta também serviu para orientar B a falar sobre assuntos reais que acometem seu cotidiano e o deixa estressado fornecendo à analista meios e informações para entender os gatilhos que fortalecem esse comportamento psicótico
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FACULDADE ANÍSIO TEIXEIRA CURSO PSICOLOGIA SEMESTRE 6º DISCIPLINATÉCNICAS PSICOTERÁPICAS I PROFESSORJULIANA DA SILVA SANTOS Avaliaçã o 1ª chamada da Unidade I 2ª chamada da Unidade I X 1ª chamada da Unidade II 2ª chamada da Unidade II 1ª chamada da Final 2ª chamada da Final 1B iniciou sua terapia com onze anos de idade Ele foi encaminhado por sua fonoaudióloga a qual prestes a darlhe alta entendeu que ele devia prosseguir com acompanhamento psicológico devido a um diagnóstico psiquiátrico inicial de retardo mental e posteriormente de psicose Seu aspecto era franzino apresentava desvio postural com acentuada curvatura dorsal uma discreta corcova andava de forma trôpega e sentavase com os pés virados para dentro Apresentava gestos estereotipados como tiques com os olhos boca e mãos e uma risada histérica que se acentuava quando ficava ansioso Quando convocado para uma posição de sujeito surgia a angústia no real do seu corpo manifesta sob a forma de esfregação da perna direita acentuação dos trejeitos com a boca e os olhos e um insistente e constante batimento na palma da mão esquerda efetuado com um boné que segurava firmemente B se comportava como se estivesse absorto num mundo fora da realidade apenas falava olhava insistentemente pela janela e quando olhava para a terapeuta faziao como se seu olhar atravessasse sua figura e se dirigisse a um ponto distante Na escola segundo relatos da professora olhava pela janela por horas a fio não brincava com os colegas e recusavase a executar atividades nas quais tivesse que interagir com os outros Em casa conforme informações da mãe ficava sozinho na área andando de um lado a outro sempre batendo o boné na mão esquerda interessandose tão somente pelos horários das refeições pois tinha um apetite voraz Seu mutismo comportamento repetitivo estereotipias e distanciamento fizeram nos formular num primeiro momento uma hipótese diagnóstica de autismo Através de livros de histórias com gravuras coloridas foi possível capturar a sua atenção À medida que a terapeuta contavalhe as histórias ele começava a fazer perguntas o que era isso para que servia aquilo como era feito aquilo outro passando a manifestar uma curiosidade inesgotável e prestando muita atenção às explicações da terapeuta como se estivesse descobrindo nessa construção conjunta significações antes desconhecidas No início do tratamento seu discurso era repetitivo e confuso em todas as sessões verbalizava os mesmos temas que se resumiam a chuvas copiosas que derrubavam árvores e casas correntezas que levavam as pessoas para o fundo do rio pontes que desabavam paredes que ruíam e calçadas que se transformavam em enormes buracos engolindo os transeuntes 1 Monografia defendida em 2007 na PósGraduação em Saúde Mental Psicopatologia e Psicanálise da Pontifícia Universidade Católica do Paraná PUCPR pela primeira autora orientada pela segunda Vanoli E V Bernardino L F 2008 Psicose infantil Uma reflexão sobre a relevância da intervenção psicanalítica Estilos da Clínica 2008 Vol Xlll n 25 250267 As dificuldades de fazer metáforas e o delírio verbal repetiamse em todos os encontros Aos poucos foram sendo incluídos amigos imaginários Também falava das árvores contando que quando vinha no ônibus as árvores da rua andavam atrás dele algumas até entravam no ônibus e sentavamse ao seu lado O laço transferencial estendeuse também à família possibilitando a convocação dos pais e avós maternos que moravam no mesmo terreno para serem ouvidos tratava se de pessoas extremamente simplórias que colocavam B em um lugar de objeto A mãe davalhe banho vestiao servialhe a comida escolhia as suas roupas levavao e traziao sempre de braço dado enfim não lhe permitia a mínima autonomia e escolha Nas sessões subseqüentes B falou de ter tido sonhos com a terapeuta nas noites precedentes aos encontros ora vendoa como um sol ora como uma nuvem muito bonitona sempre acenando para ele sorrindo e abraçandoo carinhosamente A terapeuta aventurouse a convidar B para ampliar esse relato dizendo que ele podia falar sobre o que sentia podendo pedir por um abraço ou um passeio se era isso que ele desejava Num determinado momento B levantouse e dirigiuse à terapeuta com os braços abertos deulhe um abraço e disse sentirse melhor Essa intervenção permitiu a B nas sessões que se sucederam falar de seu ciúme do irmão menor de 6 anos e da raiva que sentiu quando sua mãe saiu de casa para buscar o bebê no hospital retornando 3 dias depois B relatou que na ocasião fugiu para a casa da nona ficando lá por alguns dias pois não queria voltar para a casa dos pais e ver o irmão Comentou também sentirse incomodado com o irmão porque este mexia no seu material escolar atrapalhavao quando assistia à televisão além de dar muito trabalho à mãe que o repreendia e batia nele frequentemente por ser tão inquieto B passou a relatar que o pai só prestava atenção ao irmão fazendo gozações ou debochando quando ele falava alguma coisa Insistia em dizer que a presença do pai em casa o incomodava não gostava de sair com ele e muito menos de acompanhálo ao trabalho Falava da profissão do pai pedreiro e dizia não gostar ou melhor detestála porque isso não era profissão seu pai quebrava tudo ao trabalhar só destruía Na sessão seguinte B retomou a questão do pai e assim o fez em várias outras nas quais alternava os delírios sobre a chuva e a invasão da água com os insultos do pai que sempre caçoava dele Dizia que às vezes ficava tão insuportável que lhe dava vontade de pular nele Dizia isso fazendo gestos com as mãos em forma de garra como se fosse arranhar alguém e com voz firme e expressão séria acrescentava que esse problema com o pai já vinha de muitos anos Em entrevista com o pai percebemos que ele colocava o filho no lugar de doente menosprezandoo e por vezes ridicularizandoo Ele dizia não ter muita paciência com os comportamentos estranhos do menino que o irritavam sobremaneira ao contrário do irmão que era esperto e que certamente iria longe Em contrapartida a mãe revelava uma proteção excessiva para com B não o deixava sair sozinho na rua tinha medo que se machucasse acreditava que ele não tinha condições de se valer por si mesmo e que cabia a ela zelar por esse filho mesmo exigindo dela dedicação integral Pensando em ter uma visão de maior alcance sobre a interação dessa família a terapeuta passou a conversar com os pais mais frequentemente Ao mesmo tempo foi entrevistada algumas vezes a professora de B pois este se queixava de não ter interesse em assistir às aulas nem em fazer lição Dessa forma foi constatado que também na escola B era mantido em uma posição de doente à qual ele se oferecia como objeto do outro Nas sessões seguintes B e a terapeuta conversaram bastante sobre a situação escolar e sobre a possibilidade de ir para outro lugar onde ele pudesse fazer amigos aprender coisas novas dentre elas um ofício que lhe permitisse ganhar a vida no futuro escolher e comprar suas próprias coisas Ele se mostrava entusiasmado com essa nova perspectiva Foi fornecido então à mãe o telefone de uma escola integral que poderia acolher o filho e a pessoa de contato Entretanto na sessão seguinte B contou que a mãe não o deixaria ir a essa escola porque ficava muito longe e seria um transtorno para a rotina familiar Os pais foram convocados para um encontro que se iniciou com todas as explicações pertinentes sobre distância frequência de ônibus horários conflitantes com a escola do irmão e almoço do pai etc Mas repentinamente produziuse um giro no discurso Os pais externaram sua angústia ante a possibilidade de o filho ficar o dia inteiro fora de casa e especialmente a mãe que comentou chorando que até esse momento o filho ficava sempre com ela seguindoa dentro de casa aonde ela fosse B foi transferido para a nova escola sendo levado e trazido pelo ônibus escolar que o apanha perto da sua casa de manhã cedo retornando por volta das 18 horas Na escola faz ginástica fisioterapia joga bola e no período vespertino confecciona tapetes e aprende a montar caixas de papelão para fins industriais Na sessão posterior B chegou à consulta muito contente contando ter sido escolhido pela coordenação da escola para a partir do próximo ano frequentar três vezes por semana uma outra instituição onde teria reforço escolar e novas atividades Diz que quando crescer vai trabalhar para comprar uma casa para levar a sua mãe poderia ir a nona a terapeuta e até o irmão mas o pai não entraria de jeito nenhum nem sequer de visita sic A terapeuta aponta que será difícil que sua mãe vá morar com ele porque ela é a mulher do pai e quando ele crescer e for morar sozinho a mãe certamente ficará com o marido E que assim como fez o pai ele também poderá escolher uma mulher para si QUESTÕES 1 Pensando a cerca dos dados expostos e das hipóteses formuladas pela analista assim como as concepções lacanianas de castração e édipo e formule uma hipótese a cerca da formação dos sintomas de B e dos objetivos da sua análise 10 2 Na descrição podemos acompanhar um processo clínico psicanalítico junto a um quadro de psicose infantil A partir desta descrição disserte sobre o manejo da relação transferencial do analista durante uma experiência de análise com psicóticos exemplificando com o caso clínico 20 3 Entre os sintomas apresentados por B o delírio e a alucinação são relatados como constantes em todo acompanhamento psicanalítico Partindo da referência lacaniana discuta a relevância destes sintomas para a estrutura psicótica e as possibilidades de manejo clínico destes exemplificando com o caso clínico 10 1B iniciou sua terapia com onze anos de idade Ele foi encaminhado por sua fonoaudióloga a qual prestes a darlhe alta entendeu que ele devia prosseguir com acompanhamento psicológico devido a um diagnóstico psiquiátrico inicial de retardo mental e posteriormente de psicose Seu aspecto era franzino apresentava desvio postural com acentuada curvatura dorsal uma discreta corcova andava de forma trôpega e sentavase com os pés 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interessandose tão somente pelos horários das refeições pois tinha um apetite voraz Seu mutismo comportamento repetitivo estereotipias e distanciamento fizeram nos formular num primeiro momento uma hipótese diagnóstica de autismo Através de livros de histórias com gravuras coloridas foi possível capturar a sua atenção À medida que a terapeuta contavalhe as histórias ele começava a fazer perguntas o que era isso para que servia aquilo como era feito aquilo outro passando a manifestar uma curiosidade inesgotável e prestando muita atenção às explicações da terapeuta como se estivesse descobrindo nessa construção conjunta significações antes desconhecidas No início do tratamento seu discurso era repetitivo e confuso em todas as sessões verbalizava os mesmos temas que se resumiam a chuvas copiosas que derrubavam árvores e casas correntezas que levavam as pessoas para o fundo do rio pontes que desabavam paredes que ruíam e calçadas que se transformavam em enormes buracos engolindo os transeuntes 1 Monografia defendida em 2007 na PósGraduação em Saúde Mental Psicopatologia e Psicanálise da Pontifícia Universidade Católica do Paraná PUCPR pela primeira autora orientada pela segunda Vanoli E V Bernardino L F 2008 Psicose infantil Uma reflexão sobre a relevância da intervenção psicanalítica Estilos da Clínica 2008 Vol Xlll n 25 250267 Avaliaçã o 1ª chamada da Unidade I 2ª chamada da Unidade I X 1ª chamada da Unidade II 2ª chamada da Unidade II 1ª chamada da Final 2ª chamada da Final FACULDADE ANÍSIO TEIXEIRA CURSO PSICOLOGIA SEMESTRE 6º DISCIPLINATÉCNICAS PSICOTERÁPICAS I PROFESSORJULIANA DA SILVA SANTOS As dificuldades de fazer metáforas e o delírio verbal repetiamse em todos os encontros Aos poucos foram sendo incluídos amigos imaginários Também falava das árvores contando que quando vinha no ônibus as árvores da rua andavam atrás dele algumas até entravam no ônibus e sentavamse ao seu lado O laço transferencial estendeuse também à família possibilitando a convocação dos pais e avós maternos que moravam no mesmo terreno para serem ouvidos tratava se de pessoas extremamente simplórias que colocavam B em um lugar de objeto A mãe davalhe banho vestiao servialhe a comida escolhia as suas roupas levavao e traziao sempre de braço dado enfim não lhe permitia a mínima autonomia e escolha Nas sessões subseqüentes B falou de ter tido sonhos com a terapeuta nas noites precedentes aos encontros ora vendoa como um sol ora como uma nuvem muito bonitona sempre acenando para ele sorrindo e abraçandoo carinhosamente A terapeuta aventurouse a convidar B para ampliar esse relato dizendo que ele podia falar sobre o que sentia podendo pedir por um abraço ou um passeio se era isso que ele desejava Num determinado momento B levantouse e dirigiuse à terapeuta com os braços abertos deulhe um abraço e disse sentirse melhor Essa intervenção permitiu a B nas sessões que se sucederam falar de seu ciúme do irmão menor de 6 anos e da raiva que sentiu quando sua mãe saiu de casa para buscar o bebê no hospital retornando 3 dias depois B relatou que na ocasião fugiu para a casa da nona ficando lá por alguns dias pois não queria voltar para a casa dos pais e ver o irmão Comentou também sentirse incomodado com o irmão porque este mexia no seu material escolar atrapalhavao quando assistia à televisão além de dar muito trabalho à mãe que o repreendia e batia nele frequentemente por ser tão inquieto B passou a relatar que o pai só prestava atenção ao irmão fazendo gozações ou debochando quando ele falava alguma coisa Insistia em dizer que a presença do pai em casa o incomodava não gostava de sair com ele e muito menos de acompanhálo ao trabalho Falava da profissão do pai pedreiro e dizia não gostar ou melhor detestála porque isso não era profissão seu pai quebrava tudo ao trabalhar só destruía Na sessão seguinte B retomou a questão do pai e assim o fez em várias outras nas quais alternava os delírios sobre a chuva e a invasão da água com os insultos do pai que sempre caçoava dele Dizia que às vezes ficava tão insuportável que lhe dava vontade de pular nele Dizia isso fazendo gestos com as mãos em forma de garra como se fosse arranhar alguém e com voz firme e expressão séria acrescentava que esse problema com o pai já vinha de muitos anos Em entrevista com o pai percebemos que ele colocava o filho no lugar de doente menosprezandoo e por vezes ridicularizandoo Ele dizia não ter muita paciência com os comportamentos estranhos do menino que o irritavam sobremaneira ao contrário do irmão que era esperto e que certamente iria longe Em contrapartida a mãe revelava uma proteção excessiva para com B não o deixava sair sozinho na rua tinha medo que se machucasse acreditava que ele não tinha condições de se valer por si mesmo e que cabia a ela zelar por esse filho mesmo exigindo dela dedicação integral Pensando em ter uma visão de maior alcance sobre a interação dessa família a terapeuta passou a conversar com os pais mais frequentemente Ao mesmo tempo foi entrevistada algumas vezes a professora de B pois este se queixava de não ter interesse em assistir às aulas nem em fazer lição Dessa forma foi constatado que também na escola B era mantido em uma posição de doente à qual ele se oferecia como objeto do outro Nas sessões seguintes B e a terapeuta conversaram bastante sobre a situação escolar e sobre a possibilidade de ir para outro lugar onde ele pudesse fazer amigos aprender coisas novas dentre elas um ofício que lhe permitisse ganhar a vida no futuro escolher e comprar suas próprias coisas Ele se mostrava entusiasmado com essa nova perspectiva Foi fornecido então à mãe o telefone de uma escola integral que poderia acolher o filho e a pessoa de contato Entretanto na sessão seguinte B contou que a mãe não o deixaria ir a essa escola porque ficava muito longe e seria um transtorno para a rotina familiar Os pais foram convocados para um encontro que se iniciou com todas as explicações pertinentes sobre distância frequência de ônibus horários conflitantes com a escola do irmão e almoço do pai etc Mas repentinamente produziuse um giro no discurso Os pais externaram sua angústia ante a possibilidade de o filho ficar o dia inteiro fora de casa e especialmente a mãe que comentou chorando que até esse momento o filho ficava sempre com ela seguindoa dentro de casa aonde ela fosse B foi transferido para a nova escola sendo levado e trazido pelo ônibus escolar que o apanha perto da sua casa de manhã cedo retornando por volta das 18 horas Na escola faz ginástica fisioterapia joga bola e no período vespertino confecciona tapetes e aprende a montar caixas de papelão para fins industriais Na sessão posterior B chegou à consulta muito contente contando ter sido escolhido pela coordenação da escola para a partir do próximo ano frequentar três vezes por semana uma outra instituição onde teria reforço escolar e novas atividades Diz que quando crescer vai trabalhar para comprar uma casa para levar a sua mãe poderia ir a nona a terapeuta e até o irmão mas o pai não entraria de jeito nenhum nem sequer de visita sic A terapeuta aponta que será difícil que sua mãe vá morar com ele porque ela é a mulher do pai e quando ele crescer e for morar sozinho a mãe certamente ficará com o marido E que assim como fez o pai ele também poderá escolher uma mulher para si QUESTÕES 1 Pensando a cerca dos dados expostos e das hipóteses formuladas pela analista assim como as concepções lacanianas de castração e édipo e formule uma hipótese a cerca da formação dos sintomas de B e dos objetivos da sua análise 10 Podemos entender principalmente ao final do relao da analista que B Se encontra com o forte complexo de édipo aparente em relação a mãe tendo o desejo de posse sobre ela e aversão ao pai O processo de castração ou seja a abdicação de ser ou tero falo objeto hipotético no entendimento de Lacan o mantendo como objeto de desejo B Apresenta buscar constantemente objetos de desejo e métodos para ser o provedor e substituto do papel do pai na família mostrando ciúme do irmão mais novo e reforçando o sentimento de posse pela mãe A hipótese de autismo dada pela analista ainda se mantém em pauta em vista que muitas características apresentadas por B Levam a esse entendimento porém a hipótese de um diagnóstico de esquizofrenia e psicose ainda podem ser levantados em vista que o menino apresenta comportamento e fala delirante e relata alucinações constantes 2 Na descrição podemos acompanhar um processo clínico psicanalítico junto a um quadro de psicose infantil A partir desta descrição disserte sobre o manejo da relação transferencial do analista durante uma experiência de análise com psicóticos exemplificando com o caso clínico 20 No contexto psicanalítico podemos observar a partir dos estudos realizados a partir dessa abordagem que o manejo do psicanalista com crianças em sofrimento psíquico se dá através da relação transferencial utilizandose das interpretações verbais sendo papel do analista a interpretação discursiva dos comportamentos ou significantes apresentados pela criança Um dos momentos que relatam essa interpretação foi a forma que a analista interpretou o sonho de B com a mesma trazendo o conteúdo para uma situação real e em resposta ele a abraçou e alegou estar se sentindo melhor A analista também precisou observar as referências que carregavam as falas dele sobre as chuvas notando a relação do paciente com seu pai reforçando continuamente a manutenção do processo de tranferência aqui descrito 3 Entre os sintomas apresentados por B o delírio e a alucinação são relatados como constantes em todo acompanhamento psicanalítico Partindo da referência lacaniana discuta a relevância destes sintomas para a estrutura psicótica e as possibilidades de manejo clínico destes exemplificando com o caso clínico 10 Lacan ao discutir acerca das psicoses propôs os seguintes viéses que na alucinação a voz que fala é a do real enquanto o delírio seria nada mais do que uma tentativa de fazer frente à não simbolização e à incidência insuportável do real B apresentou esses dois contextos vendo árvores o seguindo falando consigo e sentando ao seu lado no ônibus também relatava falas não condizentes com o momento e muitas vezes em um contexto bagunçado e desproporcional A necessidade da analista se atentar aos detalhes descritos pelo paciente é buscar entender o que esse comportamento busca refletir sendo também essencial para promover um manejo mais adequado não o reprimindo e sim o auxiliando a compreender o que é ou não real e o auxiliando a ter meios de se manter concentrado na realidade como por exemplo a proposta da nova escola com hobbies e atividades disponíveis pra B A escuta atenta também serviu para orientar B a falar sobre assuntos reais que acometem seu cotidiano e o deixa estressado fornecendo à analista meios e informações para entender os gatilhos que fortalecem esse comportamento psicótico