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Psicologia USP 2004 1512 321338 321 CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE LÓGICA E TEORIA LACANIANA Marcelo Amorim Checchia 1 Instituto de Psicologia USP No decorrer de seu ensino Lacan não só fez referências a lógicos como Frege e Russell como extraiu da própria lógica um fundamento para a formalização da psicanálise Mas por que Lacan recorre justamente à lógica para transmitir a psicanálise Quais são as relações entre a lógica moderna e a experiência psicanalítica Neste artigo estaremos realizando uma primeira abordagem sobre essas questões Descritores Psicanálise Lógica Filosofia Lacan Jacques 19011981 Frege Gottlob 18481925 xistem diversas maneiras de se abordar a especificidade do campo laca niano Isto não significa contudo que qualquer entrada nesse campo se realize facilmente Não podemos por exemplo tratar do desejo na teoria lacaniana sem nos remetermos ao gozo bem como estudar o sujeito sem nos referirmos ao Outro e ao Nomedopai tal o entrelaçamento lógico dos ter mos criados e elaborados por Lacan Há toda uma lógica que embasa o campo lacaniano Sabese inclusive que Lacan fez algumas referências a lógicos como Frege e Russell lógicos comprometidos com o desenvolvi mento da lógica Mas tomando de empréstimo questões já formuladas por outros autores o que tinha a interpretação analítica a ganhar com uma lógi ca em que o enunciado proposicional é referido precisamente ao seu valor de verdade o verdadeiro ou o falso De que maneira a partir disso referir a ela 1 Psicanalista mestrando no Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia USP Endereço eletrônico marcelochecchiahotmailcom E Marcelo Amorim Checchia 322 as formações do inconsciente Doumit 1996 p 299 Ou ainda se as leis do inconsciente são tais como as descreve na Freud Traumdeutung de que vale a lógica clássica O inconsciente não seria porventura o próprio ilógico Darmon 1994 pp 169 178 Como portanto a lógica pode promover algum enriquecimento para a psicanálise Por que Lacan recorre à lógica para transmitir a psicanálise De início podese dizer que Lacan se preocupou em fundamentar a psicanálise a partir da ciência e de sua própria experiência Assim disse ele em Função e Campo da Fala e da Linguagem em Psicanálise 19531998 p 268 se a psicanálise pode tornarse uma ciência devemos resgatar o sentido de sua experiência E em que consiste tal experiência Consiste essencialmente em uma relação de linguagem mas não uma relação natural dual e sim uma relação artificial em que há um dispositivo A relação analí tica é uma relação artificial e não é possível pensar no inconsciente como um objeto anterior a essa relação Nogueira 1997a p 17 Esta é segundo Nogueira uma primeira posição marcada por Lacan que traz como conse qüência a impossibilidade de se fazer um estudo ontológico do inconsciente Se não era possível um estudo ontológico era preciso encontrar condições para pensar a prática analítica Lacan encontrou tais condições dentro da concepção científica moderna2 É por isso que como diz Nogueira 1997a p 17 há no texto de Lacan uma grande dificuldade de comunicação por que cada vez mais ele vai tentando formalizar a prática analítica numa lin guagem artificial que exige portanto um conhecimento daquilo que nós entendemos como linguagem artificial na modernidade Mas como se deu então a construção dessa linguagem artificial na ciência moderna 2 Em contraposição ao modelo experimentalista do qual Freud se serviu Nogueira 1997a p 16 chegou à conclusão de que Lacan nos diz que a psicanálise se apre senta como outro tipo de saber uma outra metodologia para pensar o que é exata mente o dispositivo que Freud inventou e que nos possibilita investigar aquilo que Freud chamou de inconsciente Lacan se interessou em conceitualizar isso justamente agora não mais querendo inserir a psicanálise no contexto experi mentalista mas propondo uma questão para a própria ciência experimentalista dian te do inconsciente e diante da prática analítica Considerações Iniciais Sobre Lógica e Teoria Lacaniana 323 Breve histórico da lógica A lógica tem sua origem na Grécia Antiga O termo lógica foi empre gado pela primeira vez pelos estóicos e por Alexandre de Afrodisia mas Aristóteles já tratava da lógica em seu Órganon conjunto de escritos sobre lógica sob o termo analíticos analytikós Aristóteles não classificava a lógica como uma ciência pois ela não é um conhecimento teorético nem prático de nenhum objeto Segundo Chauí para Aristóteles a lógica não se refere a nenhum conteúdo mas à forma ou às formas do pensamen to ou às estruturas dos raciocínios em vista de uma prova ou de uma demonstração Os Analíticos de Aristóteles buscam os elementos que constituem a estrutura do pensamento e da linguagem seus modos de operação e relacionamento A lógica é uma disciplina que fornece as leis ou regras ou normas ideais do pensa mento e o modo de aplicálas na pesquisa e na demonstração da verdade Nessa medida é uma disciplina normativa pois dá as normas para bem conduzir o pen samento na busca da verdade Chauí 2002 p 357 Vemos portanto que a lógica se caracteriza como um instrumento do pensamento para o conhecer Tratase de um instrumento para as ciências pois somente ela pode indicar qual é o tipo de proposição de raciocínio de demonstração de prova e de definição que uma determinada ciência deve usar Chauí 2002 p 357 inclusive o termo Órganon significa instru mento Bem como o que nos interessa é o desenvolvimento da lógica moder na e o uso que Lacan faz dela não é possível aqui aprofundar o estudo aris totélico sobre a lógica cabendonos apenas apontar suas características na origem de sua concepção Retomemola então a partir do século XVII foi a partir deste período que a relação entre lógica e linguagem foi se tornando cada vez mais clara Leibniz foi um dos grandes representantes deste período inspirado na álgebra mostrou que não é possível separar a lógica de um uso ordenado e regulado da linguagem Ele encontrou na álgebra a possibilidade de desen volver essa linguagem perfeita livre de ambigüidades da linguagem cotidia na isto porque a álgebra possui símbolos próprios e universais isto é sím Marcelo Amorim Checchia 324 bolos que são transmitidos e compreendidos independentemente da língua que se fala Assim como afirma Chauí 1997 p 194 Leibniz propôs uma linguagem simbólica artificial isto é construída especialmente para garantir ao pensamento plena clareza nas demonstrações e nas provas Outro filósofo do mesmo período que desenvolveu a relação entre ló gica e matemática foi Hobbes Ele parte da noção de linguagem como con venção social com a qual é possível fazer corresponder determinados sons com o significado lingüístico e mental A função da lógica consistiria então em organizar e sistematizar o uso dessas convenções de maneira a evitar a ambigüidade de cada palavra ou proposição Entretanto foi somente nos meados do século XIX que esse ideal de uma lógica simbólica inspirada na linguagem matemática veio a se concreti zar através de Boole e de Morgan e posteriormente de Frege Russell e Whitehead Tais autores transformaram a lógica abandonando as teorias aristotélicas por uma nova concepção de proposição lógica A lógica matemática A história da lógica na verdade se confunde com a história da mate mática Podese dizer que a matemática é ainda mais antiga uma vez que ela nasce com os fenícios a partir da necessidade de contar coisas e medir terre nos Porém os primeiros que transformaram a arte de contar e de medir em ciências foram os gregos criando a aritmética e a geometria com o uso de números figuras relações e proporções A noção de prova matemática é fundamental para entendermos sua ar ticulação com a lógica A prova matemática é absoluta e irrefutável Uma demonstração matemática segue regras universais e necessárias de maneira que a demonstração de um teorema possa ser feita em qualquer época e qualquer lugar O teorema de Pitágoras é um exemplo do valor da prova matemática Pitágoras demonstra que seu teorema é verdadeiro para cada triângulo retângulo do universo Segundo Singh 2000 p 45 tal descoberta foi um marco na história da matemática pois desenvolveu a idéia de prova Considerações Iniciais Sobre Lógica e Teoria Lacaniana 325 uma solução matemática é uma verdade absoluta pois é o resultado de uma lógica encadeada Conforme o autor A idéia de demonstração matemática clássica começa com uma série de axiomas declarações que julgamos serem verdadeiras ou que são verdades evidentes Então através da argumentação lógica passo a passo é possível chegar a uma conclusão Se os axiomas estiverem corretos e a lógica for impecável então a conclusão será inegável Esta conclusão é o teorema Os teoremas matemáticos dependem deste processo lógico e uma vez demonstrados eles serão considerados verdade até o fi nal dos tempos Singh 2000 p 41 Observase portanto que o avanço da matemática dependeu do uso da lógica Ao mesmo tempo a geometria e a álgebra contribuíram para o desenvolvimento da lógica matemática a primeira fornecendo o campo para o estudo das noções de axiomática e a segunda um modelo para elabo ração de um cálculo lógico Segundo Kneale e Kneale 19681991 p 409 Leibniz já tinha com preendido que há alguma semelhança entre a conjunção e disjunção de con ceitos e a adição e multiplicação de números mas não chegou a usar tal compreensão para base de um cálculo lógico Quem primeiro utilizou as fórmulas algébricas para exprimir relações lógicas foi Boole em Mathema tical Analysis of Logic Boole afirma que a característica definitiva de um Cálculo verdadeiro consiste em o seu método se basear sobre o emprego de símbolos cujas leis de combinação são conhecidas e gerais e cujos resultados admitem uma interpretação consistente É fundamen tado neste princípio geral que eu me proponho estabelecer um Cálculo Lógico e pretendo ao mesmo tempo que ele tenha um lugar entre as formas aceitas de Análi se Matemática sem considerar no entanto que pelos seus objetos e pelas suas téc nicas tem que estar atualmente isolado Estas investigações propõe uma doutrina acerca da linguagem que é muito in teressante A linguagem é descrita aqui não como uma simples coleção de sinais mas como um sistema de expressões cujos elementos estão sujeitos às leis do pen samento que elas representam Que estas leis sejam rigorosamente matemáticas como as leis que governam os conceitos puramente quantitativos de espaço e de tempo de número e de grandeza é uma conclusão que eu não hesito em submeter ao mais exato dos escrutínios citado por Kneale Kneale 19681991 p 411 Marcelo Amorim Checchia 326 Neste trecho fica clara a inovação provocada por Boole no campo da lógica Desta maneira ele foi responsável por ter causado a renovação da lógica como uma ciência independente Boole teve a intenção de demonstrar que a lógica era uma parte da matemática ou melhor ele pretendeu apre sentar a lógica como um cálculo semelhante em alguns aspectos à álgebra numérica Kneale Kneale 19681991 p 441 Neste sentido ele pensa va como Leibniz que a característica da matemática era a construção de cálculos e que havia alguns cálculos que poderiam ser interpretados sem referências a números ou quantidades Quem provocou outra grande inovação frente à lógica foi Frege Dife rentemente de Boole que considerava a lógica como parte da matemática Frege dizia que a aritmética era idêntica à lógica Até então ninguém ainda havia demonstrado como a lógica poderia se desenvolver num sistema que se poderia chamar também aritmética Frege construiu assim um manual de ideografia ou escritura conceitual libertando a lógica das relações com a gramática da linguagem cotidiana Desta maneira a terminologia ambígua de sujeito e predicado deu lugar a uma distinção mais satisfatória de formas proposicionais de acordo com a teoria das funções Kneale Knea le 19681991 p 442 Seu objetivo era portanto a construção de uma linguagem formalizada do pensamento puro quer dizer um sistema de notação mais regular do que a linguagem de todos os dias e melhor a daptado para garantir a exatidão na dedução uma vez que permite apenas o que é essencial nomeadamente o conteúdo conceitual enquanto oposto à ênfase retórica p 483 Este objetivo apesar de aparentemente simples proporcionou uma vi rada fundamental no desenvolvimento da lógica Segundo os autores a obra Begriffsschrift contém tudo que é essencial em lógica moderna sendo a obra mais importante sobre lógica Sua maior contribuição consiste no uso de quantificadores para ligar variáveis 3 principal característica do simbolismo 3 Encontrase a demonstração desta contribuição de Frege na obra de Kneale e Knea le 19681991 Considerações Iniciais Sobre Lógica e Teoria Lacaniana 327 lógico moderno ultrapassando o uso da linguagem vulgar como também o simbolismo do tipo algébrico usado por Boole Isto significa que a lógica moderna em contraposição à lógica antiga que considerava o conteúdo das proposições preocupase menos com a realidade dos objetos referidos pela proposição para tornarse plenamente formal por meio do puro simbolismo do tipo matemático e do cálculo sim bólico Assim da mesma maneira que o matemático ocupase com os obje tos criados pelas operações matemáticas o lógico moderno cria os símbolos e as operações que constituem a proposição A construção deste simbolismo permite então à lógica descrever as formas as propriedades e as relações das proposições Deste modo a lógica foi se tornando cada vez mais uma ciên cia formal da linguagem mas de uma linguagem elaborada por ela mesma a partir da matemática isto é uma linguagem simbólica na qual cada símbolo é um algoritmo apresentando um único sentido Portanto como afirma Chauí ao manter a proximidade e a relação com a matemática a lógica passou a ser en tendida como avaliadora da verdade ou falsidade do pensamento concebido como uma construção intelectual Ora se o pensamento constrói seus próprios objetos em vez de descobrilos ou contemplálos essa construção segundo os próprios matemáticos faz com que a matemática deva ser entendida como um discurso ou como uma linguagem que obedece a certos critérios e padrões de funcionamento Assim sendo a lógica adotou para si o modelo de um discurso ou de uma lingua gem que lida com puras formas sem conteúdo e tais formas são símbolos do tipo matemático algoritmos a lógica passou a dedicarse menos ao pensamento e muito mais à linguagem seja como tradução representação ou expressão do pensamento Seu objeto passou a ser o estudo de um tipo determinado de discurso a proposição e as relações entre proposições 1997 p 197 Frege e Lacan A relação entre lógica e psicanálise é no mínimo complexa e parado xal Se a lógica tornouse plenamente formal a partir do uso de símbolos Marcelo Amorim Checchia 328 matemáticos universais como utilizála no campo da psicanálise uma vez que como afirma Nogueira 1997b p 14 a experiência analítica a relação entre analista e analisante é singular a cada encontro não podendo ser obje tivada generalizada e universalizada Se a experiência analítica é irreversí vel irrepetível como tal experiência pode se constituir numa ciência trans missível para muitas pessoas Observase assim que a busca de compreensão desta articulação entre lógica e psicanálise traz consigo ques tões concernentes à prática analítica e à epistemologia É a partir da linguagem que Lacan vai estabelecer essa relação entre lógica e psicanálise Ele situa o campo da psicanálise como o campo da rela ção de linguagem já que se trata da relação entre falantes e ao especificar o campo da psicanálise ao mesmo tempo Lacan a situa epistemologicamen te Foi Freud quem criou a psicanálise quem conforme Nogueira 1997b p 17 inaugurou um método novo para pensar a realidade humana que estava ocorrendo entre ele e seus pacientes 4 Mas foi Lacan quem se esfor çou para situála epistemologicamente como em Função e Campo da Fala e da Linguagem na Psicanálise texto no qual ele aponta o símbolo e a lin guagem como fundamento e limite da psicanálise Assim enquanto Freud inaugurou um método novo Lacan pretendeu constituir a psicanálise como uma ciência nova respeitando a originalidade de Freud Lacan destacou que a posição analítica é diferente do mito da filoso fia e da ciência experimental na medida que não constitui um conhecimento formado transmissível para os outros Como afirma Nogueira 1997b p 23 há uma noção a respeito da realidade que é transmitida universalmente tanto pelo mito quanto pela filosofia e pelo experimento que a psicanálise não vai poder aproveitar pois cada análise é uma experiência única Não é possível dizer ao analisante que faça o que seu analista fez em sua própria análise porque a experiência psicanalítica não é uma experiência de conhe 4 Como afirma o autor não adiantava tentar agir diretamente sobre o corpo sobre o organismo daqueles pacientes como faze m os médicos mas era preciso estabele cer uma relação de linguagem Considerações Iniciais Sobre Lógica e Teoria Lacaniana 329 cimento O inconsciente emerge na relação de fala a linguagem é a condi ção do inconsciente é a tese de Lacan 1970 p 39 A partir daí é possível perceber a diferença entre a relação analítica e o que podemos dizer desta relação O que dizemos depois da experiência não é a experiência mesma por isso não basta que se transmita conhecimento dessa experiência para que uma pessoa realmente viva esta experiência Se isso fosse possível bastaria ler a Interpretação dos Sonhos para fazer uma autoanálise com o conhecimento adquirido dos processos oníricos Nesse sentido como afirma Nogueira 1997b p 81 eu preciso do Outro para entrar em contato com minha divisão isoladamente É isso que segundo Nogueira 1997b caracteriza propriamente a experiência analítica e o cam po da psicanálise inaugurando uma nova forma de saber sobre a realidade humana e uma nova metodologia desconhecida até Freud Nogueira 1997b pp 8187 também descreve de maneira muito es clarecedora como foi se dando a construção teórica da psicanálise a partir da experiência analítica criada por Freud Acompanhemolo aproveitando e inserindo outros textos conforme a necessidade Percorrendo a produção freudiana encontramos vários relatos clínicos isto é descrições dos encontros entre Freud e os pacientes Há nesses relatos a transmissão de experiências para que as pessoas da época acompanhassem a novidade de sua metodologia utilizada em suas investigações Para tal transmissão Freud utilizava a linguagem natural no caso a língua alemã Entretanto ao mesmo tempo Freud tentava encontrar palavras ou criar con ceitos que pudessem simplificar a experiência clínica como por exemplo o conceito de transferência Desta maneira ele pôde utilizar este termo para transmitir algo que ocorria em várias experiências sem assim precisar des crever pormenorizadamente cada encontro com cada paciente Tratase portanto de um esforço de abstração na qual conceitos passam a ser criados para simplificar múltiplas experiências Isto se torna muito mais evidente em Lacan uma vez que ele não se refere às descrições clínicas para pensar na clínica Ele privilegia justamente um nível de transmissão que utiliza ao má Marcelo Amorim Checchia 330 ximo o processo de abstração o nível de transmissão matêmica no qual símbolos matêmicos funcionam como simplificadores da prática analítica Vale observar que esta é uma preocupação presente em praticamente toda obra de Lacan principalmente após o Congresso de Roma em 1953 Vejam que desde o Seminário 1 Os Escritos Técnicos de Freud já encon tramos articulações diretas com a matemática Ao longo das idades através da história humana assistimos a progressos a propó sito dos quais nos enganaríamos ao acreditar que são progressos das circunvolu ções São os progressos da ordem simbólica Sigam a história de uma ciência como a Matemática O progresso da matemática não é um progresso da potência do pensamento humano É no dia em que um senhor pensa em inventar um signo co mo este ou como este que dá coisa boa A Matemática é isso Estamos numa posição de natureza diferente mais difícil Porque lidamos com um símbolo extremamente polivalente Mas é apenas na medida em que chegarmos a formular adequadamente os símbolos da nossa ação que daremos um passo adian te Lacan 19541981 p 313 Notase portanto que Lacan procurou formalizar a psicanálise de maneira analógica à matemática moderna e o que Lacan aprecia em Frege é justamente a invenção da escrita ideográfica 5 como uma tentativa de manter a exatidão na dedução Assim como diz Nogueira 2002 o pensar matemático tenta substituir a falta a ser pelos seus símbolos é a lingua gem criativa universal da matemática para lidar com a falta O que a matemática faz para lidar com a falta é o que fazemos para lidar com o desejo O processo de causação é o processo de substituição da falta por um símbolo o que é uma analo gia do processo matemático Outro bom exemplo destacado por Nogueira 1997b p 85 desse es forço de abstração de Lacan e que nos remete ao pensar matemático é a re 5 Cujo mérito é o de não se contentar em depreender as leis lógicas os juízos do pensamento puro que entram em jogo na dedução matemática ela se empenha so bretudo em apresentálos sob a forma de um sistema dedutivo em que aparecem de maneira explícita as conexões mútuas entre essas leis o que insere a lógica na via da axiomatização Doumit 1996 p 298 Considerações Iniciais Sobre Lógica e Teoria Lacaniana 331 dução de todas as cadeias de associações livres dos analisantes ao símbolo S2 enquanto S1 simboliza a exterioridade do significante o significante que intervém na bateria de significantes S2 Com isto simplificase todas as va riações existentes nas associações de cadeia de significantes de cada anali sante possibilitando assim o diálogo entre os analistas sem a necessidade de relato de toda a história de um caso clínico para transmissão do que é pró prio da experiência analítica Porém é preciso deixar claro que essa construção da matemática é uma construção da consciência diferente de uma construção inconsciente como num ato falho por exemplo Nas formações do inconsciente é toda a estrutura da linguagem que a experiência psicanalítica descobre Lacan 19571998 p 498 Num ato falho não é só uma semântica que se revela mas também por se tratar de um fenômeno lingüístico leis que regem a própria linguagem em que ocorrem Assim ao retornar à obra de Freud Lacan demonstra a relação entre o funcionamento do inconsciente e o fun cionamento da linguagem De um lado ele busca as formações do inconsci ente descoberta da psicanálise de outro a noção de signo lingüístico de Sausurre descoberta da linguagem É portanto por meio das formalizações da lingüística que Lacan vai estabelecer a lógica própria do inconsciente Entretanto Lacan observa que no inconsciente há um funcionamento do significante distinto ao que é postulado pelo algoritmo de Saussure Nes se nível do inconsciente as palavras se articulam não pelo seu significado mas pela via do significante como podemos ver em inúmeros exemplos apresentados por Freud em Psicopatologia da Vida Cotidiana o que le vou Lacan a inverter o esquema do signo lingüístico estabelecido por Saus sure Deste modo é ao nível não mais do signo mas da cadeia significante que a discussão conduzi da por J Lacan em nome da experiência analítica se institui a descoberta do in consciente é a descoberta de um sujeito cujo lugar excêntrico para a consciência só pode ser determinado por ocasião de certos retornos do significante e pelo co nhecimento das leis do deslocamento do significante O que volta a referenciar e a exterioridade da ordem significante com relação aos sujeitos de enunciados cons cientes que acreditamos ser e sua autonomia ambas determinantes para a signifi cação real do que se enuncia em nós Ducrot Todorov 1997 p 328 Marcelo Amorim Checchia 332 A associação entre significantes constitui assim uma cadeia signifi cante Tal cadeia deve ser no mínimo binária pois nela segundo Lacan 19571998 p 506 o sentido insiste mas nenhum dos elementos da cadeia consiste na significação No inconsciente há então uma insistência signifi cante sem relação direta com o significado da palavra dita por exemplo num ato falho mas é justamente a partir dessa insistência que se abre para o sujeito uma outra ordem que não é a da realidade mas de uma Outra cena desvelando assim algo da verdade do desejo inconsciente Bem até aqui falamos sobre os elementos lingüísticos significante e significado com os quais Lacan procurou formalizar a psicanálise Mas se o inconsciente é estruturado como uma linguagem vale observar que além destes elementos lingüísticos há leis que os governam entre si Segundo Dor estas leis intervêm quando abordamos o caráter linear do significante Com a ca deia significante vêemse colocados com efeito dois problemas específicos por um lado o problema das concatenações significativas por outro lado a questão das substituições suscetíveis de intervir nos elementos significativos Estas duas ordens de problema são sancionadas em toda língua pela existência de leis internas de natureza diferente segundo rejam as concatenações ou as substituições A língua pode portanto ser analisada segundo duas dimensões às quais estão ligadas pro priedades específicas a dimensão sintagmática e a dimensão paradigmática 1992 p 33 Em outras palavras de que tratam essas duas dimensões São dois ei xos espaçotemporais pelos quais o discurso é orientado o eixo paradigmá tico eixo da seleção eixo do léxico do tesouro da linguagem da substitui ção e da sincronia eixo da metáfora e o eixo sintagmático eixo da combinação da contigüidade e da diacronia eixo da metonímia Andrès 1996 p 333 Na metonímia um objeto é designado por um termo diferente do que é habitualmente próprio desde que haja necessariamente alguma relação entre os dois termos ligação esta que se dá via significante não sig nificado Deste modo o processo metonímico impõe um significante novo em relação de contigüidade com o significante anterior agora suplantado Entretanto este significante suplantado não passa sob a barra da significa Considerações Iniciais Sobre Lógica e Teoria Lacaniana cção a função significante no processo metonímico opera assim uma perda de significado no trabalho significante Já no processo metafórico os significantes estão organizados não por contigüidade mas por substituição enquanto o significante oculto permanece presente em sua conexão metonímica com o resto da cadeia Lacan 19571998 p 510 Retomemos agora mais explicitamente as relações entre a psicanálise e a lógica moderna Ainda neste texto de 1957 A Instância da Letra no Inconsciente Lacan propõe uma primeira tópica do inconsciente definindoa pelo algoritmo Ss A partir de então formula o algoritmo da estrutura metonímica e metafórica 19571998 p 518 articulando aí os elementos da linguagem com suas leis Foi da copresença no significado não só dos elementos da cadeia significante horizontal mas de suas contigüidades verticais que mostramos os efeitos distribuídos de acordo com duas estruturas fundamentais na metonímia e na metáfora Podemos simbolizálas por f SS S S s ou seja a estrutura metonímica indicando que é a conexão do significante com o significante que permite a elisão mediante a qual o significante instala a falta do ser na relação de objeto servindose do valor de envio da significação para investila com o desejo visando essa falta que ele sustenta O sinal colocado entre manifesta aqui a manutenção da barra que marca no primeiro algoritmo a irreutibilidade em que se constitui nas relações do significante com o significado a resistência da significação Eis agora f SS S Ss a estrutura metafórica que indica que é na substituição do significante pelo significante que se produz um efeito de significação que é de poesia ou criação ou em outras palavras do advento da significação em questão O sinal colocado entre manifesta aqui a transposição da barra bem como o valor constitutivo dessa transposição para a emergência da significação 333 Marcelo Amorim Checchia 334 Essa transposição exprime a condição da passagem do significante para o signifi cado confundindoo provisoriamente com o lugar do sujeito Poderíamos agora articular a estrutura metonímica e metafórica jun tamente com seus elementos significante e significado com a metáfora pa terna até porque esta é considerada por Lacan como o protótipo do processo metafórico Em suma Lacan afirma que o pai é um significante que substi tui outro significante ou melhor um significante que substitui o primeiro significante introduzido na simbolização o significante materno 19581999 p 180 É evidente que para compreender melhor esta função metafórica do pai seria preciso acompanhar pormenorizadamente cada mo mento lógico desta operação metafórica 6 Contudo como nosso objetivo inicial é apenas o de procurar compreender porque Lacan se serve da lógica moderna para formalizar a psicanálise cabenos portanto somente indicar os avanços alcançados pela formalização desses algoritmos e ressaltar que essa formalização como vimos acima fundamentase nessa aproximação existente entre o estudo do inconsciente e o estudo da linguagem Porém em relação à metáfora paterna vale ainda ressaltar que esta é uma formalização central na teoria de Lacan É a partir da metáfora paterna isto é da inscrição do Nomedopai no Outro da linguagem que Lacan pôde estabelecer três estruturas clínicas três modos de negação da castração do Outro a neurose a psicose e a perversão É possível notar assim os avanços permitidos pelo esforço de abstração pela postulação de algoritmos de La can que nos permite assim vislumbrar o modo de relação do sujeito com a linguagem independentemente da consciência ou não que o indivíduo te nha dessa relação Isso só foi possível porque podemos nos referir ao Outro sem precisar relatar toda a história de um sujeito O Outro aqui é vazio de 6 Tratase dos três tempos do Édipo formalização de Lacan presente no Seminário 5 As Formações do Inconsciente Considerações Iniciais Sobre Lógica e Teoria Lacaniana 335 significado para cada sujeito há um Outro diferente e para cada um a inscri ção do Nomedopai no Outro se dará de infinitas maneiras 7 Agora se nos atentarmos para o fato de que o pai é no Outro o signi ficante que representa a existência do lugar da cadeia significante como lei na medida em que a mãe faz dele aquele que sanciona por sua presença a existência como tal do lugar da lei Lacan 1958 p 202 notaremos que há aí mais uma articulação com a lógica matemática especificamente com a teoria dos conjuntos O Outro não é um mas um conjunto de no mínimo dois significantes uma vez que um significante representa o sujeito para outro significante As noções de conjunto e conjunto vazio tornamse assim cruciais para formalização da psicanálise Há porém um paradoxo na teoria dos conjuntos que também vai ser tratado por Lacan Tratase da antinomia de Russell a de que uma classe não pertence a si própria Por exemplo não é possível dizer que a classe dos homens é um homem Acompanhemos um comentário de Frege a este res peito Ninguém dirá que a classe dos homens é um homem Temos aqui uma classe que não pertence a si própria Digo que qualquer coisa pertence a uma classe quando pertence ao conceito cuja extensão é essa classe Concentremo nos agora no con ceito classe que não pertence a si própria A extensão deste conceito é assim a classe das classes que não pertencem a elas próprias Abreviadamente chamarlhe emos a classe K Vejamos agora se a classe K pertence a si própria Primeiro supo nhamos que pertence Se uma coisa pertence a uma classe então pertence ao con ceito cuja extensão é essa classe Assim se a nossa classe pertence a si própria é uma classe que não pertence a si própria A primeira suposição conduz assim a uma autocontradição Em segundo lugar suponhamos que a classe K não pertence a si própria então pertence ao conceito cuja extensão é a própria classe e assim pertence a si própria E aqui uma vez mais temos uma contradição Kneale Kneale 19681991 p 660 7 O que não impediu Lacan de formalizar as estruturas clínicas justamente porque os algoritmos postulados são vazios de significado podendo receber uma significação para cada sujeito Marcelo Amorim Checchia 336 Doumit 1996 p 306 nos aponta como tal paradoxo aparece em rela ção à inscrição do significante do Nomedopai no Outro se o Nomedopai é o significante do Outro enquanto lugar da lei não há aí uma duplicação do Outro uma vez que o Outro como conjunto de significantes comportaria seu próprio significante como um catálogo dos catálogos que se menciona a si mesmo Como diz Doumit 1996 p 306 com a escrita S A temse um significante do Outro que não está no Outro e a problemática de situar o Outro da lei com relação ao Outro do significante não dei xa de lembrar aquela de que Russell trata em sua teoria dos tipos na tentativa de e vitar certas antinomias lógicas Bem o mesmo autor afirma que apesar de haver uma relação entre a psicanálise e o progresso formal da lógica matemática a primeira não parti lha necessariamente as suposições doutrinárias dos lógicos Aí nos depara mos com mais uma dificuldade no estudo da obra de Lacan uma vez que a lógica do inconsciente formalizada por ele não é a mesma lógica proposta pelos lógicos Lacan tem que se haver com um paradoxo que compreende o inconsciente e a formalização do inconsciente como incluir na estrutura essa falta que é efeito dela Doumit 1996 p 309 Além de haver aí uma incompletude do Outro há também uma inconsistência do Outro Lacan chega a falar de inconsistência do Outro Simples metáfora Ele escreve se o sujeito é o elemento que descompleta a bateria significante a falta de gozo faz o Outro inconsistente de um lado o sujeito só se escreve como falta de seu pró prio significante de outro lado o significante não poderia esgotar o gozo Há sem dúvida nesse texto Subversão do sujeito um significante do gozo Φ mas há também esse gozo cuja falta inconsistiria o Outro e que Lacan batizaria mais tarde de objeto a Doumit 1996 p 309 Aqui nos deparamos com outros algoritmos e fórmulas da teoria laca niana o objeto a as fórmulas do desejo e do fantasma etc Infelizmente não cabe aqui desenvolver mais esta formalização da psicanálise e sua articula ção com a lógica moderna Isto tudo lembremos é somente a título de con siderações iniciais Procurar as articulações entre a lógica moderna e a psi canálise lacaniana é um trabalho instigante e necessário porém imenso e Considerações Iniciais Sobre Lógica e Teoria Lacaniana 337 exaustivo e exige um percurso por toda obra de Lacan Seria preciso no mínimo por exemplo após passar detalhadamente pelos três tempos lógicos do Édipo percorrer a relação entre gozo desejo e objeto a o que nos permi tiria avançar para a teoria dos quatro discursos para a fórmula do fantasma e para as fórmulas da sexuação Checchia M A 2004 Introductory reflections on logic and Lacanian theory Psicologia USP 1512 321338 Abstract In the course of his teaching Lacan not only made reference to Logic theorists such as Frege and Russel but also extracted from Logic the foundation to formalize psychoanalysis Why does Lacan resort specificaly to Logic in order to transmit psychoanalysis What are the relations between Modern Logic and the psychoanalytical experience This article aims to offer a first approach to these questions Index terms Psychoanalysis Logic Philosophy Lacan Jacques 1901 1981 Frege Gottlob 18481925 Checchia M A 2004 Considérations initiales sur la logique et la théorie Lacanienne Psicologia USP 1512 321338 Résumé Au cours de son enseignement Lacan a fait des références à des logiciens et a extrait de la propre logique un fondement pour la formalisation de la psychanalyse Mais pourquoi Lacan recourtil justement à la logique pour transmettre la psychanalyse Quelles sont les relations entre la logique moderne et lexpérience psychanalitique Dans cet article on abordera ces questions Motsclés Psychanalyse Logique Lacan Jacques 19011981 Frege Gottlob 18481925 Referências Andrès M 1996 Significante In P Kaufmann Ed Dicionário enciclopédico de psicanálise pp 472474 Rio de Janeiro Jorge Zahar Marcelo Amorim Checchia 338 Chauí M 1997 Convite à filosofia São Paulo Ática Chauí M 2002 Introdução à história da filosofia 1 São Paulo Companhia das Letras Darmon M 1994 Ensaios sobre a topologia lacaniana Porto Alegre RS Artes Médicas Doumit É 1996 Lógica In P Kaufmann Ed Dicionário enciclopédico de psicanálise pp 297315 Rio de Janeiro Jorge Zahar Ducrot O Todorov T 1997 Dicionário enciclopédico das ciências da linguagem São Paulo Perspectiva Kneale W Kneale M 1991 O desenvolvimento da lógica Lisboa Fundação Calouste Gulbenkian Trabalho original publicado em 1968 Lacan J 1981 O seminário Livro 1 Os escritos técnicos de Freud Rio de Janeiro Jorge Zahar Trabalho original publicado em 1954 Lacan J 1992 O seminário Livro 17 O avesso da psicanálise Rio de Janeiro Jorge Zahar Trabalho original publicado em 1958 Lacan J 1998 Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise In J Lacan Escritos pp 238324 Rio de Janeiro Jorge Zahar Trabalho original publicado em 1953 Lacan J 1998 A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud In J Lacan Escritos pp 496533 Rio de Janeiro Jorge Zahar Trabalho original publicado em 1957 Lacan J 1999 O seminário Livro 5 As formações do inconsciente Rio de Janeiro Jorge Zahar Trabalho original publicado em 1958 Nogueira L C 1997a A entrada na relação analítica Psicanálise e Debate 22 1621 Nogueira L C 1997b A psicanálise Uma experiência original o tempo de Lacan e a nova ciência Tese de LivreDocência Instituto de Psicologia Universidade de São Paulo São Paulo Nogueira L C 2002 Aula de pósgraduação ministrada no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo Trabalho não publicado Singh S 2000 O último teorema de Fermat Rio de Janeiro Record Recebido em 09062004 Aceito em 06082004 RESENHA CRÍTICA Considerações iniciais sobre lógica e teoria lacaniana Marcelo Amorim Checchia Marcelo Amorim Checchia é formado em Psicologia É Mestre e Doutor pela Faculdade de São Paulo Autor de alguns livros com temática nas áreas de Psicanálise Comportamento e Psicologia A teoria lacaniana está relacionada com a lógica sendo assim acho necessário caracterizar um pouco sobre sua história Os primeiros estudos sobre essa temática tiveram inicio na Grécia Antiga e seus conceitos foram abordados de forma primária por Alexandre A lógica é uma ferramenta do ato de pensar conhecer Portanto esse mecanismo está ligado a diversos processos sendo um deles o ato de fazer ciência Uma vez que para se construir uma ciência é necessário um método o que sugere um processo sistemático E esse processo requer raciocínio e ideias Anos após a lógica e a linguagem começaram a se unir em um processo de aprendizagem Sendo assim ambos os conceitos foram unidos através de um dos grandes pensadores da época Leibniz que se utilizou da álgebra para disseminar conhecimentos sob a linguagem Hobbies outro grande pensador da época relacionou a matemática com a lógica Vale a pena comentar que os estudos em relação a matemática são muito mais antigos do que os estudos da lógica entretanto compreender a matemática e sua linha de raciocínio se faz parte interessante no que diz respeito a compreensão de aspectos lógicos A matemática traz consigo resoluções em formatos de provas ou seja traz resultados absolutos através de linhas de raciocínios lógicas Sendo assim podemos concluir que a matemática e a lógica se complementam pois um traz o cenário para pensar lógica e o outro sobre noções e variáveis a serem estudadas matemática e suas diversas formas Anos após a lógica foi relacionada a aritmética Atualmente a lógica é ligada a diversos contextos sendo um deles a psicanálise Em uma visão psicanalítica a lógica faz parte de um processo entre analista e analisante Lacan foi um grande pesquisador nessa área Lacan propõe que não é possível se aprender seguindo uma ordem do analista ou seja é preciso que o analisante experiencie através da fala e do ato e esse ato é muitas vezes estimulado através do próprio inconsciente pois se fosse tão simples se auto analisar bastaria lermos algum livro de auto ajuda e pronto tudo estaria feito Entretanto não é assim que acontece e se dá o processo É preciso que um profissional que esteja ao lado de fora faça a ponte entre consciente e o inconsciente do analisante para assim ser estimulada uma nova visão da realidade Sendo assim a partir de uma analogia com a matemática a psicanálise se utiliza de métodos dedutivos para significar o conhecimento e análise Ou seja são feitas associações relacionadas a linguagem do analisante pelo analista sem que necessariamente seja relatada toda a história em si Esse processo é feito ao longo das sessões por meios conscientes Em suma tanto o inconsciente como o consciente relatam algo sobre o indivíduo a partir de processos de linguagem distintos Em uma visão crítica podemos atribuir esses dois formatos a um ser humano em um formato global A psicanálise busca analisar o indivíduo a partir de todos os seus contextos para isso se utilizar de métodos e ferramentas plausíveis que possam alcançar de certa forma aquilo que não é dito mas se é expressado se torna essencial durante o processo

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Psicologia USP 2004 1512 321338 321 CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE LÓGICA E TEORIA LACANIANA Marcelo Amorim Checchia 1 Instituto de Psicologia USP No decorrer de seu ensino Lacan não só fez referências a lógicos como Frege e Russell como extraiu da própria lógica um fundamento para a formalização da psicanálise Mas por que Lacan recorre justamente à lógica para transmitir a psicanálise Quais são as relações entre a lógica moderna e a experiência psicanalítica Neste artigo estaremos realizando uma primeira abordagem sobre essas questões Descritores Psicanálise Lógica Filosofia Lacan Jacques 19011981 Frege Gottlob 18481925 xistem diversas maneiras de se abordar a especificidade do campo laca niano Isto não significa contudo que qualquer entrada nesse campo se realize facilmente Não podemos por exemplo tratar do desejo na teoria lacaniana sem nos remetermos ao gozo bem como estudar o sujeito sem nos referirmos ao Outro e ao Nomedopai tal o entrelaçamento lógico dos ter mos criados e elaborados por Lacan Há toda uma lógica que embasa o campo lacaniano Sabese inclusive que Lacan fez algumas referências a lógicos como Frege e Russell lógicos comprometidos com o desenvolvi mento da lógica Mas tomando de empréstimo questões já formuladas por outros autores o que tinha a interpretação analítica a ganhar com uma lógi ca em que o enunciado proposicional é referido precisamente ao seu valor de verdade o verdadeiro ou o falso De que maneira a partir disso referir a ela 1 Psicanalista mestrando no Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia USP Endereço eletrônico marcelochecchiahotmailcom E Marcelo Amorim Checchia 322 as formações do inconsciente Doumit 1996 p 299 Ou ainda se as leis do inconsciente são tais como as descreve na Freud Traumdeutung de que vale a lógica clássica O inconsciente não seria porventura o próprio ilógico Darmon 1994 pp 169 178 Como portanto a lógica pode promover algum enriquecimento para a psicanálise Por que Lacan recorre à lógica para transmitir a psicanálise De início podese dizer que Lacan se preocupou em fundamentar a psicanálise a partir da ciência e de sua própria experiência Assim disse ele em Função e Campo da Fala e da Linguagem em Psicanálise 19531998 p 268 se a psicanálise pode tornarse uma ciência devemos resgatar o sentido de sua experiência E em que consiste tal experiência Consiste essencialmente em uma relação de linguagem mas não uma relação natural dual e sim uma relação artificial em que há um dispositivo A relação analí tica é uma relação artificial e não é possível pensar no inconsciente como um objeto anterior a essa relação Nogueira 1997a p 17 Esta é segundo Nogueira uma primeira posição marcada por Lacan que traz como conse qüência a impossibilidade de se fazer um estudo ontológico do inconsciente Se não era possível um estudo ontológico era preciso encontrar condições para pensar a prática analítica Lacan encontrou tais condições dentro da concepção científica moderna2 É por isso que como diz Nogueira 1997a p 17 há no texto de Lacan uma grande dificuldade de comunicação por que cada vez mais ele vai tentando formalizar a prática analítica numa lin guagem artificial que exige portanto um conhecimento daquilo que nós entendemos como linguagem artificial na modernidade Mas como se deu então a construção dessa linguagem artificial na ciência moderna 2 Em contraposição ao modelo experimentalista do qual Freud se serviu Nogueira 1997a p 16 chegou à conclusão de que Lacan nos diz que a psicanálise se apre senta como outro tipo de saber uma outra metodologia para pensar o que é exata mente o dispositivo que Freud inventou e que nos possibilita investigar aquilo que Freud chamou de inconsciente Lacan se interessou em conceitualizar isso justamente agora não mais querendo inserir a psicanálise no contexto experi mentalista mas propondo uma questão para a própria ciência experimentalista dian te do inconsciente e diante da prática analítica Considerações Iniciais Sobre Lógica e Teoria Lacaniana 323 Breve histórico da lógica A lógica tem sua origem na Grécia Antiga O termo lógica foi empre gado pela primeira vez pelos estóicos e por Alexandre de Afrodisia mas Aristóteles já tratava da lógica em seu Órganon conjunto de escritos sobre lógica sob o termo analíticos analytikós Aristóteles não classificava a lógica como uma ciência pois ela não é um conhecimento teorético nem prático de nenhum objeto Segundo Chauí para Aristóteles a lógica não se refere a nenhum conteúdo mas à forma ou às formas do pensamen to ou às estruturas dos raciocínios em vista de uma prova ou de uma demonstração Os Analíticos de Aristóteles buscam os elementos que constituem a estrutura do pensamento e da linguagem seus modos de operação e relacionamento A lógica é uma disciplina que fornece as leis ou regras ou normas ideais do pensa mento e o modo de aplicálas na pesquisa e na demonstração da verdade Nessa medida é uma disciplina normativa pois dá as normas para bem conduzir o pen samento na busca da verdade Chauí 2002 p 357 Vemos portanto que a lógica se caracteriza como um instrumento do pensamento para o conhecer Tratase de um instrumento para as ciências pois somente ela pode indicar qual é o tipo de proposição de raciocínio de demonstração de prova e de definição que uma determinada ciência deve usar Chauí 2002 p 357 inclusive o termo Órganon significa instru mento Bem como o que nos interessa é o desenvolvimento da lógica moder na e o uso que Lacan faz dela não é possível aqui aprofundar o estudo aris totélico sobre a lógica cabendonos apenas apontar suas características na origem de sua concepção Retomemola então a partir do século XVII foi a partir deste período que a relação entre lógica e linguagem foi se tornando cada vez mais clara Leibniz foi um dos grandes representantes deste período inspirado na álgebra mostrou que não é possível separar a lógica de um uso ordenado e regulado da linguagem Ele encontrou na álgebra a possibilidade de desen volver essa linguagem perfeita livre de ambigüidades da linguagem cotidia na isto porque a álgebra possui símbolos próprios e universais isto é sím Marcelo Amorim Checchia 324 bolos que são transmitidos e compreendidos independentemente da língua que se fala Assim como afirma Chauí 1997 p 194 Leibniz propôs uma linguagem simbólica artificial isto é construída especialmente para garantir ao pensamento plena clareza nas demonstrações e nas provas Outro filósofo do mesmo período que desenvolveu a relação entre ló gica e matemática foi Hobbes Ele parte da noção de linguagem como con venção social com a qual é possível fazer corresponder determinados sons com o significado lingüístico e mental A função da lógica consistiria então em organizar e sistematizar o uso dessas convenções de maneira a evitar a ambigüidade de cada palavra ou proposição Entretanto foi somente nos meados do século XIX que esse ideal de uma lógica simbólica inspirada na linguagem matemática veio a se concreti zar através de Boole e de Morgan e posteriormente de Frege Russell e Whitehead Tais autores transformaram a lógica abandonando as teorias aristotélicas por uma nova concepção de proposição lógica A lógica matemática A história da lógica na verdade se confunde com a história da mate mática Podese dizer que a matemática é ainda mais antiga uma vez que ela nasce com os fenícios a partir da necessidade de contar coisas e medir terre nos Porém os primeiros que transformaram a arte de contar e de medir em ciências foram os gregos criando a aritmética e a geometria com o uso de números figuras relações e proporções A noção de prova matemática é fundamental para entendermos sua ar ticulação com a lógica A prova matemática é absoluta e irrefutável Uma demonstração matemática segue regras universais e necessárias de maneira que a demonstração de um teorema possa ser feita em qualquer época e qualquer lugar O teorema de Pitágoras é um exemplo do valor da prova matemática Pitágoras demonstra que seu teorema é verdadeiro para cada triângulo retângulo do universo Segundo Singh 2000 p 45 tal descoberta foi um marco na história da matemática pois desenvolveu a idéia de prova Considerações Iniciais Sobre Lógica e Teoria Lacaniana 325 uma solução matemática é uma verdade absoluta pois é o resultado de uma lógica encadeada Conforme o autor A idéia de demonstração matemática clássica começa com uma série de axiomas declarações que julgamos serem verdadeiras ou que são verdades evidentes Então através da argumentação lógica passo a passo é possível chegar a uma conclusão Se os axiomas estiverem corretos e a lógica for impecável então a conclusão será inegável Esta conclusão é o teorema Os teoremas matemáticos dependem deste processo lógico e uma vez demonstrados eles serão considerados verdade até o fi nal dos tempos Singh 2000 p 41 Observase portanto que o avanço da matemática dependeu do uso da lógica Ao mesmo tempo a geometria e a álgebra contribuíram para o desenvolvimento da lógica matemática a primeira fornecendo o campo para o estudo das noções de axiomática e a segunda um modelo para elabo ração de um cálculo lógico Segundo Kneale e Kneale 19681991 p 409 Leibniz já tinha com preendido que há alguma semelhança entre a conjunção e disjunção de con ceitos e a adição e multiplicação de números mas não chegou a usar tal compreensão para base de um cálculo lógico Quem primeiro utilizou as fórmulas algébricas para exprimir relações lógicas foi Boole em Mathema tical Analysis of Logic Boole afirma que a característica definitiva de um Cálculo verdadeiro consiste em o seu método se basear sobre o emprego de símbolos cujas leis de combinação são conhecidas e gerais e cujos resultados admitem uma interpretação consistente É fundamen tado neste princípio geral que eu me proponho estabelecer um Cálculo Lógico e pretendo ao mesmo tempo que ele tenha um lugar entre as formas aceitas de Análi se Matemática sem considerar no entanto que pelos seus objetos e pelas suas téc nicas tem que estar atualmente isolado Estas investigações propõe uma doutrina acerca da linguagem que é muito in teressante A linguagem é descrita aqui não como uma simples coleção de sinais mas como um sistema de expressões cujos elementos estão sujeitos às leis do pen samento que elas representam Que estas leis sejam rigorosamente matemáticas como as leis que governam os conceitos puramente quantitativos de espaço e de tempo de número e de grandeza é uma conclusão que eu não hesito em submeter ao mais exato dos escrutínios citado por Kneale Kneale 19681991 p 411 Marcelo Amorim Checchia 326 Neste trecho fica clara a inovação provocada por Boole no campo da lógica Desta maneira ele foi responsável por ter causado a renovação da lógica como uma ciência independente Boole teve a intenção de demonstrar que a lógica era uma parte da matemática ou melhor ele pretendeu apre sentar a lógica como um cálculo semelhante em alguns aspectos à álgebra numérica Kneale Kneale 19681991 p 441 Neste sentido ele pensa va como Leibniz que a característica da matemática era a construção de cálculos e que havia alguns cálculos que poderiam ser interpretados sem referências a números ou quantidades Quem provocou outra grande inovação frente à lógica foi Frege Dife rentemente de Boole que considerava a lógica como parte da matemática Frege dizia que a aritmética era idêntica à lógica Até então ninguém ainda havia demonstrado como a lógica poderia se desenvolver num sistema que se poderia chamar também aritmética Frege construiu assim um manual de ideografia ou escritura conceitual libertando a lógica das relações com a gramática da linguagem cotidiana Desta maneira a terminologia ambígua de sujeito e predicado deu lugar a uma distinção mais satisfatória de formas proposicionais de acordo com a teoria das funções Kneale Knea le 19681991 p 442 Seu objetivo era portanto a construção de uma linguagem formalizada do pensamento puro quer dizer um sistema de notação mais regular do que a linguagem de todos os dias e melhor a daptado para garantir a exatidão na dedução uma vez que permite apenas o que é essencial nomeadamente o conteúdo conceitual enquanto oposto à ênfase retórica p 483 Este objetivo apesar de aparentemente simples proporcionou uma vi rada fundamental no desenvolvimento da lógica Segundo os autores a obra Begriffsschrift contém tudo que é essencial em lógica moderna sendo a obra mais importante sobre lógica Sua maior contribuição consiste no uso de quantificadores para ligar variáveis 3 principal característica do simbolismo 3 Encontrase a demonstração desta contribuição de Frege na obra de Kneale e Knea le 19681991 Considerações Iniciais Sobre Lógica e Teoria Lacaniana 327 lógico moderno ultrapassando o uso da linguagem vulgar como também o simbolismo do tipo algébrico usado por Boole Isto significa que a lógica moderna em contraposição à lógica antiga que considerava o conteúdo das proposições preocupase menos com a realidade dos objetos referidos pela proposição para tornarse plenamente formal por meio do puro simbolismo do tipo matemático e do cálculo sim bólico Assim da mesma maneira que o matemático ocupase com os obje tos criados pelas operações matemáticas o lógico moderno cria os símbolos e as operações que constituem a proposição A construção deste simbolismo permite então à lógica descrever as formas as propriedades e as relações das proposições Deste modo a lógica foi se tornando cada vez mais uma ciên cia formal da linguagem mas de uma linguagem elaborada por ela mesma a partir da matemática isto é uma linguagem simbólica na qual cada símbolo é um algoritmo apresentando um único sentido Portanto como afirma Chauí ao manter a proximidade e a relação com a matemática a lógica passou a ser en tendida como avaliadora da verdade ou falsidade do pensamento concebido como uma construção intelectual Ora se o pensamento constrói seus próprios objetos em vez de descobrilos ou contemplálos essa construção segundo os próprios matemáticos faz com que a matemática deva ser entendida como um discurso ou como uma linguagem que obedece a certos critérios e padrões de funcionamento Assim sendo a lógica adotou para si o modelo de um discurso ou de uma lingua gem que lida com puras formas sem conteúdo e tais formas são símbolos do tipo matemático algoritmos a lógica passou a dedicarse menos ao pensamento e muito mais à linguagem seja como tradução representação ou expressão do pensamento Seu objeto passou a ser o estudo de um tipo determinado de discurso a proposição e as relações entre proposições 1997 p 197 Frege e Lacan A relação entre lógica e psicanálise é no mínimo complexa e parado xal Se a lógica tornouse plenamente formal a partir do uso de símbolos Marcelo Amorim Checchia 328 matemáticos universais como utilizála no campo da psicanálise uma vez que como afirma Nogueira 1997b p 14 a experiência analítica a relação entre analista e analisante é singular a cada encontro não podendo ser obje tivada generalizada e universalizada Se a experiência analítica é irreversí vel irrepetível como tal experiência pode se constituir numa ciência trans missível para muitas pessoas Observase assim que a busca de compreensão desta articulação entre lógica e psicanálise traz consigo ques tões concernentes à prática analítica e à epistemologia É a partir da linguagem que Lacan vai estabelecer essa relação entre lógica e psicanálise Ele situa o campo da psicanálise como o campo da rela ção de linguagem já que se trata da relação entre falantes e ao especificar o campo da psicanálise ao mesmo tempo Lacan a situa epistemologicamen te Foi Freud quem criou a psicanálise quem conforme Nogueira 1997b p 17 inaugurou um método novo para pensar a realidade humana que estava ocorrendo entre ele e seus pacientes 4 Mas foi Lacan quem se esfor çou para situála epistemologicamente como em Função e Campo da Fala e da Linguagem na Psicanálise texto no qual ele aponta o símbolo e a lin guagem como fundamento e limite da psicanálise Assim enquanto Freud inaugurou um método novo Lacan pretendeu constituir a psicanálise como uma ciência nova respeitando a originalidade de Freud Lacan destacou que a posição analítica é diferente do mito da filoso fia e da ciência experimental na medida que não constitui um conhecimento formado transmissível para os outros Como afirma Nogueira 1997b p 23 há uma noção a respeito da realidade que é transmitida universalmente tanto pelo mito quanto pela filosofia e pelo experimento que a psicanálise não vai poder aproveitar pois cada análise é uma experiência única Não é possível dizer ao analisante que faça o que seu analista fez em sua própria análise porque a experiência psicanalítica não é uma experiência de conhe 4 Como afirma o autor não adiantava tentar agir diretamente sobre o corpo sobre o organismo daqueles pacientes como faze m os médicos mas era preciso estabele cer uma relação de linguagem Considerações Iniciais Sobre Lógica e Teoria Lacaniana 329 cimento O inconsciente emerge na relação de fala a linguagem é a condi ção do inconsciente é a tese de Lacan 1970 p 39 A partir daí é possível perceber a diferença entre a relação analítica e o que podemos dizer desta relação O que dizemos depois da experiência não é a experiência mesma por isso não basta que se transmita conhecimento dessa experiência para que uma pessoa realmente viva esta experiência Se isso fosse possível bastaria ler a Interpretação dos Sonhos para fazer uma autoanálise com o conhecimento adquirido dos processos oníricos Nesse sentido como afirma Nogueira 1997b p 81 eu preciso do Outro para entrar em contato com minha divisão isoladamente É isso que segundo Nogueira 1997b caracteriza propriamente a experiência analítica e o cam po da psicanálise inaugurando uma nova forma de saber sobre a realidade humana e uma nova metodologia desconhecida até Freud Nogueira 1997b pp 8187 também descreve de maneira muito es clarecedora como foi se dando a construção teórica da psicanálise a partir da experiência analítica criada por Freud Acompanhemolo aproveitando e inserindo outros textos conforme a necessidade Percorrendo a produção freudiana encontramos vários relatos clínicos isto é descrições dos encontros entre Freud e os pacientes Há nesses relatos a transmissão de experiências para que as pessoas da época acompanhassem a novidade de sua metodologia utilizada em suas investigações Para tal transmissão Freud utilizava a linguagem natural no caso a língua alemã Entretanto ao mesmo tempo Freud tentava encontrar palavras ou criar con ceitos que pudessem simplificar a experiência clínica como por exemplo o conceito de transferência Desta maneira ele pôde utilizar este termo para transmitir algo que ocorria em várias experiências sem assim precisar des crever pormenorizadamente cada encontro com cada paciente Tratase portanto de um esforço de abstração na qual conceitos passam a ser criados para simplificar múltiplas experiências Isto se torna muito mais evidente em Lacan uma vez que ele não se refere às descrições clínicas para pensar na clínica Ele privilegia justamente um nível de transmissão que utiliza ao má Marcelo Amorim Checchia 330 ximo o processo de abstração o nível de transmissão matêmica no qual símbolos matêmicos funcionam como simplificadores da prática analítica Vale observar que esta é uma preocupação presente em praticamente toda obra de Lacan principalmente após o Congresso de Roma em 1953 Vejam que desde o Seminário 1 Os Escritos Técnicos de Freud já encon tramos articulações diretas com a matemática Ao longo das idades através da história humana assistimos a progressos a propó sito dos quais nos enganaríamos ao acreditar que são progressos das circunvolu ções São os progressos da ordem simbólica Sigam a história de uma ciência como a Matemática O progresso da matemática não é um progresso da potência do pensamento humano É no dia em que um senhor pensa em inventar um signo co mo este ou como este que dá coisa boa A Matemática é isso Estamos numa posição de natureza diferente mais difícil Porque lidamos com um símbolo extremamente polivalente Mas é apenas na medida em que chegarmos a formular adequadamente os símbolos da nossa ação que daremos um passo adian te Lacan 19541981 p 313 Notase portanto que Lacan procurou formalizar a psicanálise de maneira analógica à matemática moderna e o que Lacan aprecia em Frege é justamente a invenção da escrita ideográfica 5 como uma tentativa de manter a exatidão na dedução Assim como diz Nogueira 2002 o pensar matemático tenta substituir a falta a ser pelos seus símbolos é a lingua gem criativa universal da matemática para lidar com a falta O que a matemática faz para lidar com a falta é o que fazemos para lidar com o desejo O processo de causação é o processo de substituição da falta por um símbolo o que é uma analo gia do processo matemático Outro bom exemplo destacado por Nogueira 1997b p 85 desse es forço de abstração de Lacan e que nos remete ao pensar matemático é a re 5 Cujo mérito é o de não se contentar em depreender as leis lógicas os juízos do pensamento puro que entram em jogo na dedução matemática ela se empenha so bretudo em apresentálos sob a forma de um sistema dedutivo em que aparecem de maneira explícita as conexões mútuas entre essas leis o que insere a lógica na via da axiomatização Doumit 1996 p 298 Considerações Iniciais Sobre Lógica e Teoria Lacaniana 331 dução de todas as cadeias de associações livres dos analisantes ao símbolo S2 enquanto S1 simboliza a exterioridade do significante o significante que intervém na bateria de significantes S2 Com isto simplificase todas as va riações existentes nas associações de cadeia de significantes de cada anali sante possibilitando assim o diálogo entre os analistas sem a necessidade de relato de toda a história de um caso clínico para transmissão do que é pró prio da experiência analítica Porém é preciso deixar claro que essa construção da matemática é uma construção da consciência diferente de uma construção inconsciente como num ato falho por exemplo Nas formações do inconsciente é toda a estrutura da linguagem que a experiência psicanalítica descobre Lacan 19571998 p 498 Num ato falho não é só uma semântica que se revela mas também por se tratar de um fenômeno lingüístico leis que regem a própria linguagem em que ocorrem Assim ao retornar à obra de Freud Lacan demonstra a relação entre o funcionamento do inconsciente e o fun cionamento da linguagem De um lado ele busca as formações do inconsci ente descoberta da psicanálise de outro a noção de signo lingüístico de Sausurre descoberta da linguagem É portanto por meio das formalizações da lingüística que Lacan vai estabelecer a lógica própria do inconsciente Entretanto Lacan observa que no inconsciente há um funcionamento do significante distinto ao que é postulado pelo algoritmo de Saussure Nes se nível do inconsciente as palavras se articulam não pelo seu significado mas pela via do significante como podemos ver em inúmeros exemplos apresentados por Freud em Psicopatologia da Vida Cotidiana o que le vou Lacan a inverter o esquema do signo lingüístico estabelecido por Saus sure Deste modo é ao nível não mais do signo mas da cadeia significante que a discussão conduzi da por J Lacan em nome da experiência analítica se institui a descoberta do in consciente é a descoberta de um sujeito cujo lugar excêntrico para a consciência só pode ser determinado por ocasião de certos retornos do significante e pelo co nhecimento das leis do deslocamento do significante O que volta a referenciar e a exterioridade da ordem significante com relação aos sujeitos de enunciados cons cientes que acreditamos ser e sua autonomia ambas determinantes para a signifi cação real do que se enuncia em nós Ducrot Todorov 1997 p 328 Marcelo Amorim Checchia 332 A associação entre significantes constitui assim uma cadeia signifi cante Tal cadeia deve ser no mínimo binária pois nela segundo Lacan 19571998 p 506 o sentido insiste mas nenhum dos elementos da cadeia consiste na significação No inconsciente há então uma insistência signifi cante sem relação direta com o significado da palavra dita por exemplo num ato falho mas é justamente a partir dessa insistência que se abre para o sujeito uma outra ordem que não é a da realidade mas de uma Outra cena desvelando assim algo da verdade do desejo inconsciente Bem até aqui falamos sobre os elementos lingüísticos significante e significado com os quais Lacan procurou formalizar a psicanálise Mas se o inconsciente é estruturado como uma linguagem vale observar que além destes elementos lingüísticos há leis que os governam entre si Segundo Dor estas leis intervêm quando abordamos o caráter linear do significante Com a ca deia significante vêemse colocados com efeito dois problemas específicos por um lado o problema das concatenações significativas por outro lado a questão das substituições suscetíveis de intervir nos elementos significativos Estas duas ordens de problema são sancionadas em toda língua pela existência de leis internas de natureza diferente segundo rejam as concatenações ou as substituições A língua pode portanto ser analisada segundo duas dimensões às quais estão ligadas pro priedades específicas a dimensão sintagmática e a dimensão paradigmática 1992 p 33 Em outras palavras de que tratam essas duas dimensões São dois ei xos espaçotemporais pelos quais o discurso é orientado o eixo paradigmá tico eixo da seleção eixo do léxico do tesouro da linguagem da substitui ção e da sincronia eixo da metáfora e o eixo sintagmático eixo da combinação da contigüidade e da diacronia eixo da metonímia Andrès 1996 p 333 Na metonímia um objeto é designado por um termo diferente do que é habitualmente próprio desde que haja necessariamente alguma relação entre os dois termos ligação esta que se dá via significante não sig nificado Deste modo o processo metonímico impõe um significante novo em relação de contigüidade com o significante anterior agora suplantado Entretanto este significante suplantado não passa sob a barra da significa Considerações Iniciais Sobre Lógica e Teoria Lacaniana cção a função significante no processo metonímico opera assim uma perda de significado no trabalho significante Já no processo metafórico os significantes estão organizados não por contigüidade mas por substituição enquanto o significante oculto permanece presente em sua conexão metonímica com o resto da cadeia Lacan 19571998 p 510 Retomemos agora mais explicitamente as relações entre a psicanálise e a lógica moderna Ainda neste texto de 1957 A Instância da Letra no Inconsciente Lacan propõe uma primeira tópica do inconsciente definindoa pelo algoritmo Ss A partir de então formula o algoritmo da estrutura metonímica e metafórica 19571998 p 518 articulando aí os elementos da linguagem com suas leis Foi da copresença no significado não só dos elementos da cadeia significante horizontal mas de suas contigüidades verticais que mostramos os efeitos distribuídos de acordo com duas estruturas fundamentais na metonímia e na metáfora Podemos simbolizálas por f SS S S s ou seja a estrutura metonímica indicando que é a conexão do significante com o significante que permite a elisão mediante a qual o significante instala a falta do ser na relação de objeto servindose do valor de envio da significação para investila com o desejo visando essa falta que ele sustenta O sinal colocado entre manifesta aqui a manutenção da barra que marca no primeiro algoritmo a irreutibilidade em que se constitui nas relações do significante com o significado a resistência da significação Eis agora f SS S Ss a estrutura metafórica que indica que é na substituição do significante pelo significante que se produz um efeito de significação que é de poesia ou criação ou em outras palavras do advento da significação em questão O sinal colocado entre manifesta aqui a transposição da barra bem como o valor constitutivo dessa transposição para a emergência da significação 333 Marcelo Amorim Checchia 334 Essa transposição exprime a condição da passagem do significante para o signifi cado confundindoo provisoriamente com o lugar do sujeito Poderíamos agora articular a estrutura metonímica e metafórica jun tamente com seus elementos significante e significado com a metáfora pa terna até porque esta é considerada por Lacan como o protótipo do processo metafórico Em suma Lacan afirma que o pai é um significante que substi tui outro significante ou melhor um significante que substitui o primeiro significante introduzido na simbolização o significante materno 19581999 p 180 É evidente que para compreender melhor esta função metafórica do pai seria preciso acompanhar pormenorizadamente cada mo mento lógico desta operação metafórica 6 Contudo como nosso objetivo inicial é apenas o de procurar compreender porque Lacan se serve da lógica moderna para formalizar a psicanálise cabenos portanto somente indicar os avanços alcançados pela formalização desses algoritmos e ressaltar que essa formalização como vimos acima fundamentase nessa aproximação existente entre o estudo do inconsciente e o estudo da linguagem Porém em relação à metáfora paterna vale ainda ressaltar que esta é uma formalização central na teoria de Lacan É a partir da metáfora paterna isto é da inscrição do Nomedopai no Outro da linguagem que Lacan pôde estabelecer três estruturas clínicas três modos de negação da castração do Outro a neurose a psicose e a perversão É possível notar assim os avanços permitidos pelo esforço de abstração pela postulação de algoritmos de La can que nos permite assim vislumbrar o modo de relação do sujeito com a linguagem independentemente da consciência ou não que o indivíduo te nha dessa relação Isso só foi possível porque podemos nos referir ao Outro sem precisar relatar toda a história de um sujeito O Outro aqui é vazio de 6 Tratase dos três tempos do Édipo formalização de Lacan presente no Seminário 5 As Formações do Inconsciente Considerações Iniciais Sobre Lógica e Teoria Lacaniana 335 significado para cada sujeito há um Outro diferente e para cada um a inscri ção do Nomedopai no Outro se dará de infinitas maneiras 7 Agora se nos atentarmos para o fato de que o pai é no Outro o signi ficante que representa a existência do lugar da cadeia significante como lei na medida em que a mãe faz dele aquele que sanciona por sua presença a existência como tal do lugar da lei Lacan 1958 p 202 notaremos que há aí mais uma articulação com a lógica matemática especificamente com a teoria dos conjuntos O Outro não é um mas um conjunto de no mínimo dois significantes uma vez que um significante representa o sujeito para outro significante As noções de conjunto e conjunto vazio tornamse assim cruciais para formalização da psicanálise Há porém um paradoxo na teoria dos conjuntos que também vai ser tratado por Lacan Tratase da antinomia de Russell a de que uma classe não pertence a si própria Por exemplo não é possível dizer que a classe dos homens é um homem Acompanhemos um comentário de Frege a este res peito Ninguém dirá que a classe dos homens é um homem Temos aqui uma classe que não pertence a si própria Digo que qualquer coisa pertence a uma classe quando pertence ao conceito cuja extensão é essa classe Concentremo nos agora no con ceito classe que não pertence a si própria A extensão deste conceito é assim a classe das classes que não pertencem a elas próprias Abreviadamente chamarlhe emos a classe K Vejamos agora se a classe K pertence a si própria Primeiro supo nhamos que pertence Se uma coisa pertence a uma classe então pertence ao con ceito cuja extensão é essa classe Assim se a nossa classe pertence a si própria é uma classe que não pertence a si própria A primeira suposição conduz assim a uma autocontradição Em segundo lugar suponhamos que a classe K não pertence a si própria então pertence ao conceito cuja extensão é a própria classe e assim pertence a si própria E aqui uma vez mais temos uma contradição Kneale Kneale 19681991 p 660 7 O que não impediu Lacan de formalizar as estruturas clínicas justamente porque os algoritmos postulados são vazios de significado podendo receber uma significação para cada sujeito Marcelo Amorim Checchia 336 Doumit 1996 p 306 nos aponta como tal paradoxo aparece em rela ção à inscrição do significante do Nomedopai no Outro se o Nomedopai é o significante do Outro enquanto lugar da lei não há aí uma duplicação do Outro uma vez que o Outro como conjunto de significantes comportaria seu próprio significante como um catálogo dos catálogos que se menciona a si mesmo Como diz Doumit 1996 p 306 com a escrita S A temse um significante do Outro que não está no Outro e a problemática de situar o Outro da lei com relação ao Outro do significante não dei xa de lembrar aquela de que Russell trata em sua teoria dos tipos na tentativa de e vitar certas antinomias lógicas Bem o mesmo autor afirma que apesar de haver uma relação entre a psicanálise e o progresso formal da lógica matemática a primeira não parti lha necessariamente as suposições doutrinárias dos lógicos Aí nos depara mos com mais uma dificuldade no estudo da obra de Lacan uma vez que a lógica do inconsciente formalizada por ele não é a mesma lógica proposta pelos lógicos Lacan tem que se haver com um paradoxo que compreende o inconsciente e a formalização do inconsciente como incluir na estrutura essa falta que é efeito dela Doumit 1996 p 309 Além de haver aí uma incompletude do Outro há também uma inconsistência do Outro Lacan chega a falar de inconsistência do Outro Simples metáfora Ele escreve se o sujeito é o elemento que descompleta a bateria significante a falta de gozo faz o Outro inconsistente de um lado o sujeito só se escreve como falta de seu pró prio significante de outro lado o significante não poderia esgotar o gozo Há sem dúvida nesse texto Subversão do sujeito um significante do gozo Φ mas há também esse gozo cuja falta inconsistiria o Outro e que Lacan batizaria mais tarde de objeto a Doumit 1996 p 309 Aqui nos deparamos com outros algoritmos e fórmulas da teoria laca niana o objeto a as fórmulas do desejo e do fantasma etc Infelizmente não cabe aqui desenvolver mais esta formalização da psicanálise e sua articula ção com a lógica moderna Isto tudo lembremos é somente a título de con siderações iniciais Procurar as articulações entre a lógica moderna e a psi canálise lacaniana é um trabalho instigante e necessário porém imenso e Considerações Iniciais Sobre Lógica e Teoria Lacaniana 337 exaustivo e exige um percurso por toda obra de Lacan Seria preciso no mínimo por exemplo após passar detalhadamente pelos três tempos lógicos do Édipo percorrer a relação entre gozo desejo e objeto a o que nos permi tiria avançar para a teoria dos quatro discursos para a fórmula do fantasma e para as fórmulas da sexuação Checchia M A 2004 Introductory reflections on logic and Lacanian theory Psicologia USP 1512 321338 Abstract In the course of his teaching Lacan not only made reference to Logic theorists such as Frege and Russel but also extracted from Logic the foundation to formalize psychoanalysis Why does Lacan resort specificaly to Logic in order to transmit psychoanalysis What are the relations between Modern Logic and the psychoanalytical experience This article aims to offer a first approach to these questions Index terms Psychoanalysis Logic Philosophy Lacan Jacques 1901 1981 Frege Gottlob 18481925 Checchia M A 2004 Considérations initiales sur la logique et la théorie Lacanienne Psicologia USP 1512 321338 Résumé Au cours de son enseignement Lacan a fait des références à des logiciens et a extrait de la propre logique un fondement pour la formalisation de la psychanalyse Mais pourquoi Lacan recourtil justement à la logique pour transmettre la psychanalyse Quelles sont les relations entre la logique moderne et lexpérience psychanalitique Dans cet article on abordera ces questions Motsclés Psychanalyse Logique Lacan Jacques 19011981 Frege Gottlob 18481925 Referências Andrès M 1996 Significante In P Kaufmann Ed Dicionário enciclopédico de psicanálise pp 472474 Rio de Janeiro Jorge Zahar Marcelo Amorim Checchia 338 Chauí M 1997 Convite à filosofia São Paulo Ática Chauí M 2002 Introdução à história da filosofia 1 São Paulo Companhia das Letras Darmon M 1994 Ensaios sobre a topologia lacaniana Porto Alegre RS Artes Médicas Doumit É 1996 Lógica In P Kaufmann Ed Dicionário enciclopédico de psicanálise pp 297315 Rio de Janeiro Jorge Zahar Ducrot O Todorov T 1997 Dicionário enciclopédico das ciências da linguagem São Paulo Perspectiva Kneale W Kneale M 1991 O desenvolvimento da lógica Lisboa Fundação Calouste Gulbenkian Trabalho original publicado em 1968 Lacan J 1981 O seminário Livro 1 Os escritos técnicos de Freud Rio de Janeiro Jorge Zahar Trabalho original publicado em 1954 Lacan J 1992 O seminário Livro 17 O avesso da psicanálise Rio de Janeiro Jorge Zahar Trabalho original publicado em 1958 Lacan J 1998 Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise In J Lacan Escritos pp 238324 Rio de Janeiro Jorge Zahar Trabalho original publicado em 1953 Lacan J 1998 A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud In J Lacan Escritos pp 496533 Rio de Janeiro Jorge Zahar Trabalho original publicado em 1957 Lacan J 1999 O seminário Livro 5 As formações do inconsciente Rio de Janeiro Jorge Zahar Trabalho original publicado em 1958 Nogueira L C 1997a A entrada na relação analítica Psicanálise e Debate 22 1621 Nogueira L C 1997b A psicanálise Uma experiência original o tempo de Lacan e a nova ciência Tese de LivreDocência Instituto de Psicologia Universidade de São Paulo São Paulo Nogueira L C 2002 Aula de pósgraduação ministrada no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo Trabalho não publicado Singh S 2000 O último teorema de Fermat Rio de Janeiro Record Recebido em 09062004 Aceito em 06082004 RESENHA CRÍTICA Considerações iniciais sobre lógica e teoria lacaniana Marcelo Amorim Checchia Marcelo Amorim Checchia é formado em Psicologia É Mestre e Doutor pela Faculdade de São Paulo Autor de alguns livros com temática nas áreas de Psicanálise Comportamento e Psicologia A teoria lacaniana está relacionada com a lógica sendo assim acho necessário caracterizar um pouco sobre sua história Os primeiros estudos sobre essa temática tiveram inicio na Grécia Antiga e seus conceitos foram abordados de forma primária por Alexandre A lógica é uma ferramenta do ato de pensar conhecer Portanto esse mecanismo está ligado a diversos processos sendo um deles o ato de fazer ciência Uma vez que para se construir uma ciência é necessário um método o que sugere um processo sistemático E esse processo requer raciocínio e ideias Anos após a lógica e a linguagem começaram a se unir em um processo de aprendizagem Sendo assim ambos os conceitos foram unidos através de um dos grandes pensadores da época Leibniz que se utilizou da álgebra para disseminar conhecimentos sob a linguagem Hobbies outro grande pensador da época relacionou a matemática com a lógica Vale a pena comentar que os estudos em relação a matemática são muito mais antigos do que os estudos da lógica entretanto compreender a matemática e sua linha de raciocínio se faz parte interessante no que diz respeito a compreensão de aspectos lógicos A matemática traz consigo resoluções em formatos de provas ou seja traz resultados absolutos através de linhas de raciocínios lógicas Sendo assim podemos concluir que a matemática e a lógica se complementam pois um traz o cenário para pensar lógica e o outro sobre noções e variáveis a serem estudadas matemática e suas diversas formas Anos após a lógica foi relacionada a aritmética Atualmente a lógica é ligada a diversos contextos sendo um deles a psicanálise Em uma visão psicanalítica a lógica faz parte de um processo entre analista e analisante Lacan foi um grande pesquisador nessa área Lacan propõe que não é possível se aprender seguindo uma ordem do analista ou seja é preciso que o analisante experiencie através da fala e do ato e esse ato é muitas vezes estimulado através do próprio inconsciente pois se fosse tão simples se auto analisar bastaria lermos algum livro de auto ajuda e pronto tudo estaria feito Entretanto não é assim que acontece e se dá o processo É preciso que um profissional que esteja ao lado de fora faça a ponte entre consciente e o inconsciente do analisante para assim ser estimulada uma nova visão da realidade Sendo assim a partir de uma analogia com a matemática a psicanálise se utiliza de métodos dedutivos para significar o conhecimento e análise Ou seja são feitas associações relacionadas a linguagem do analisante pelo analista sem que necessariamente seja relatada toda a história em si Esse processo é feito ao longo das sessões por meios conscientes Em suma tanto o inconsciente como o consciente relatam algo sobre o indivíduo a partir de processos de linguagem distintos Em uma visão crítica podemos atribuir esses dois formatos a um ser humano em um formato global A psicanálise busca analisar o indivíduo a partir de todos os seus contextos para isso se utilizar de métodos e ferramentas plausíveis que possam alcançar de certa forma aquilo que não é dito mas se é expressado se torna essencial durante o processo

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