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100 Pluralidades em Saúde Mental 2021 v 10 n 1 revistapsicofaev10n18 DOI 101764824471798revistapsicofaev10n18 Psicanálise Plantão Psicológico e a Atuação em Âmbito Educacional Maria Rita Alves Dalledone1 Natalia Leoni Michels2 Allan Martins Mohr3 FAE Centro Universitário FAE Curitiba PR Brasil Resumo O presente trabalho visa discutir brevemente as possibilidades de atuação profissional pelo exercício da psicanálise em moldes característicos de plantão psicológico Sabese que de princípio o plantão fora criado com o intuito de suprir as altas demandas sociais de atenção em saúde mental consiste em um atendimento emergencial adaptado à demanda apresentada e comprometido com o acolhimento do indivíduo no momento de crise A psicanálise por sua vez possui método técnica e arcabouço teórico que apresentam empasses para uma atuação que foge da clássica apresentada por Freud Entretanto em Lacan e em alguns textos do próprio pai da psicanálise encontrase a viabilidade de uma atuação comprometida com a função do analista e seu método para além do clichê técnico A experiência dos autores com o atendimento de plantão psicológico numa Instituição de Ensino Superior embasou a pesquisa e a fundamentação do trabalho tanto na teoria quanto na prática Portanto a pergunta que sustenta o artigo é relacionada ao desafio teóricometodológico da atuação dos próprios autores é possível propor um trabalho em psicanálise no formato de atendimento em plantão psicológico em uma instituição educacional Palavraschave plantão psicológico psicanálise psicologia escolareducacional Psychoanalysis Psychological Emergency and Urgent Care and Educational Activities Abstract The present work aims to briefly discuss the possibilities of professional performance through the exercise of psychoanalysis on psychological emergency care It is known that on principle the emergency care assistance was created in order to meet the high social demands of mental health it consists of urgency attendance adapted to the demand presented and committed to care for the individual in times of crisis Psychoanalysis on the other hand has method technique and theoretical framework that present impasses for a performance that differs from the classic one presented by Freud However in Lacan and in some texts from the father of psychoanalysis one finds the viability of a performance committed to the function of the analyst and his method beyond the technical cliché The authors experience with psychological assistance at a Higher Education Institution based the research and foundations of the work both in theory and at practice Therefore the question that supports the article is related to the theoreticalmethodological challenge of the authors own performance is it possible to propose caring on psychological duty as a format for work in psychoanalysis in an educational institution Keywords psychological emergency care psychoanalysis educational psychology 1 Graduada em Administração e graduanda em Psicologia pela FAE Centro Universitário Curitiba Paraná Brasil Email mrdalledonegmailcom 2 Graduanda em Psicologia pela FAE Centro Universitário Curitiba Paraná Brasil Email natalialmichelsgmailcom 3 Psicólogo doutor em Filosofia Psicólogo da Universidade Tecnológica Federal do Paraná Câmpus Curitiba e professor do Curso de Psicologia da FAE Centro Universitário Curitiba Paraná Brasil Email allanmohrgmailcom iD iD iD Submetido em 26102020 Primeira decisão editorial 16112020 Aceito em 26112020 101 M R A Dalledone N L Michels A M Mohr Introdução É um fato já bem descrito na literatura que o plantão psicológico surge como uma alternativa para os instrumentos sociais de atendimento psicológico que recebem demandas volumosas mas que por vezes contam com pouca capacidade de atendimento Não obstante cabe dizer de partida que mesmo com sua distinção o atendimento de plantão é embasado na ética como compromisso de escuta de cuidado e se refere principalmente a um espaço de acolhimento Sendo um espaço de escuta que muitas vezes ocorre em um único encontro o que nos propomos por ora discutir é a possível técnica a ser utilizada a teoria que a embasa e o método que a sustenta Então se nos for possível constituir um problema de pesquisa desde essa relação temos como fazer um atendimento em plantão psicológico de forma que decorra dele um efeito terapêutico Ou ainda como problema anterior o que se espera de um atendimento de plantão que pode ocorrer em apenas um encontro Para além dessas questões circunscritas à técnica problematizamos como encaixar uma abordagem psicológica como a psicanálise com todas as aspas possíveis no significante abordagem psicológica em um atendimento do tipo plantão É em decorrência do aumento da demanda por atendimentos psicológicos em espaços que não possuem a capacidade eou competência de oferecer terapia convencional que entendemos a necessidade de discussão acerca da referida prática e de seus efeitos Todavia para além da importância científica o tema é de particular relevância para os autores uma vez que todos já atuaram em plantão psicológico oferecido por uma Instituição de Ensino Superior IES O que ora desejamos estudar portanto é a tese de que a psicanálise pode sim ser utilizada como arcabouço teórico técnico e metodológico para um plantão psicológico mais especificamente em uma Instituição de Ensino Superior a partir de um trabalho de atendimento em psicologia escolareducacional falaremos disso adiante Desta forma a pergunta que motivou os autores pode ser assim escrita é possível propor um trabalho em psicanálise no formato de atendimento em plantão psicológico em uma instituição educacional É a partir disso que o presente artigo se propõe a discutir sucintamente o que se têm na literatura sobre plantão psicológico além de explorar a tese da possibilidade de uma psicanálise aplicada a uma proposta de atendimento em plantão De partida ainda é mister ressaltar que a IES a qual embasou a experiência dos pesquisadores conta com cursos técnicos e ensino superior oferecendo diversos cursos de Bacharelado Licenciatura e Tecnólogo assim como Mestrado e Doutorado A instituição possui um Núcleo de Acompanhamento discente desde 2008 o qual disponibiliza acompanhamento psicológico e pedagógico atendimento médico e odontológico serviço social e auxílio estudantil além de apoio aos estudantes com necessidades educacionais especiais É nesse contexto que os autores deste artigo atuaram em plantão psicológico com a psicanálise Plantão que se traduz em horários disponíveis para a escuta dos estudantes sem hora marcada sem tempo fixado ou quantidade máxima de atendimentos A partir então dessas questões propusemos o presente artigo desenvolvido da seguinte maneira inicialmente trabalharemos o plantão psicológico enquanto técnica e o problematizaremos para em sequência estudarmos a possibilidade de aplicação da psicanálise ao esquema de plantão psicológico sustentando nossa tese e finalmente discorreremos brevemente sobre nosso trabalho em plantão psicológico em uma IES Plantão Psicológico Ao buscar na literatura escritos acerca do plantão psicológico o que se encontra em sua maioria são artigos e estudos que tratam essa modalidade a partir da psicologia humanista De acordo com Rebouças e Dutra 2010 Rachel Rosemberg foi a responsável por implantar essa modalidade de atendimento na Universidade de São Paulo em 1969 e utilizou como referencial a Abordagem Centrada na Pessoa ACP de Rogers Schmidt 2015 afirma que este serviço ainda ofertado pela universidade referese a um projeto de extensão e que possibilita a prática do aconselhamento psicológico assim como pesquisas baseadas na ACP PsicoFAE Plur em S Mental Curitiba 2021 v 10 n 1 revistapsicofaev10n18 102 Rebouças e Dutra 2010 destacam o Professor Miguel Mahfoud como o primeiro a classificar o plantão como uma modalidade de clínica sendo assim responsável pela primeira sistematização pública em 1987 Mahfoud 2012 reitera que o serviço de plantão se refere à disponibilidade de profissionais para atender a demandas não planejadas e muitas vezes única O autor cita como especificidade do plantão a partir do aconselhamento psicológico o ato inicial de acolhimento da demanda a partir da experiência do sujeito onde a direção do processo deve ser definida pelo próprio indivíduo o que não significa uma passividade do plantonista mas propicia ao cliente uma organização do pedido de ajuda Ainda consoante o autor Com os poucos recursos de saúde mental atualmente disponíveis à população brasileira somados à pouca informação a respeito da especificidade e diversidade de cada área profissional envolvida a tendência tem sido a de que os serviços oferecidos se fixem em algumas prioridades definidas pelos casos mais graves Uma consequência é a especialização em demandas bastante restritas Mahfoud 2012 p 17 Dessa forma entendemos que tal prática surge com o intuito de se adequar às demandas atuais ou seja o plantão poderia ser pensado como um atendimento emergencial cujo principal objetivo seria o de acolhimento ao indivíduo no momento de crise Rebouças Dutra 2010 Desta forma entendese que o plantão psicológico é caracterizado como uma nova modalidade clínica Daher et al 2017 afirmam que o plantão se caracteriza por uma intervenção que apesar de possuir local e horário determinados não depende de um agendamento prévio Ademais destacase que essa modalidade visa atender a comunidade além de propiciar aos estudantes de Psicologia que com ela trabalham um aprimoramento do manejo clínico Rebouças e Dutra 2010 afirmam então que o plantão psicológico constituise como uma prática clínica da contemporaneidade na medida em que ela promove uma abertura para o novo o diferente e oferece um espaço de escuta a alguém que apresenta uma demanda psíquica um sofrimento oferece um momento no qual esse sujeito que sofre se sinta verdadeiramente ouvido na sua dor Rebouças e Dutra 2010 p 27 Apesar de a origem do plantão estar vinculada à psicologia humanista ScorsoliniComin 2015 estabelece que essa modalidade pode ser vista a partir de diferentes contornos teóricos O autor reitera que o plantão está muito presente nos serviçosescola de psicologia propiciando um vínculo com a comunidade A experiência dos autores vem ratificar o que se vislumbra na atualidade como uma emergente demanda de cuidado por parte da população brasileira sejam cuidados de ordem médica ou psicológica melhor ainda se forem oferecidos por uma instituição Rebouças e Dutra 2010 também afirmam que o modelo de atendimento tradicional de consultórios particulares e sujeitos descontextualizados de quatro paredes e uma poltronadivã 50 minutos uma vez por semana não mais se adequa às demandas sociais Muito embora essa afirmação seja passível de importantes críticas é num contexto social específico que surge com o intuito de oferecer atendimentos que supram essas procuras o chamado plantão psicológico Ou seja pensar em um atendimento na modalidade plantão é se inclinar à possibilidade de um atendimento no qual o profissional estará disponível para atendimento de demandas emergentesurgentes Nesse sentido o plantão é a oferta de um espaço de atendimento dito clínico acessível e imediato focado na demanda estabelecida pelo paciente e que visa promover a ampliação e avaliação do entendimento do usuário do serviço em relação a suas questões Desta forma caberia ao profissional de psicologia se comprometer com a escuta e com o acolhimento deste sujeito que busca ajuda compreendendo as implicações sociais e psicológicas dos espaços nos quais ele está inserido bem como as influências mútuas envolvidas no processo de sernomundo Rebouças Dutra 2010 103 M R A Dalledone N L Michels A M Mohr Psicanálise em Plantão uma Tese Possível Brevemente discutido o plantão psicológico partimos à tentativa de sustentar nossa tese inicial a lembrar de que é possível se fazer psicanálise ou dela se utilizar nos atendimentos no formato de plantão psicológico Especificamente dentro de uma instituição educacional Em 1955 Jacques Lacan escreveu ironicamente digase de passagem que um tratamento dito psicanalítico é aquilo que faz um psicanalista Ou seja para se dizer psicanálise basta que isso e seja lá o que isso é seja feito por um psicanalista Claro fica que ele ironiza a questão justamente para nos dizer em seguida que o problema do que denota ser um tratamento psicanalítico não está no desenho no formato do tratamento em si mas na posição que ocupa o analista nesse tratamento Lacan 19551998c E a posição que o analista deve ocupar em um tratamento para que esse tratamento seja dito analítico é justamente um lugar diznos Lacan de ignorância douta Ignorância que garantiria pelas circunstâncias do método com que o sujeito analisante possa enunciar algo de uma fala quiçá verdadeira para além de toda tentativa superegóica do analista em ser orientativo curandeiro psicoterapeuta ou ainda atendedor de demandas Nesse sentido o analista francês nos explica que o importante nesse encontro entre analistaanalisante é que da parte do analista ele esteja inconscientemente alerta para os equívocos enunciados nas sentenças de seu paciente porquanto naquilo que se escuta deve prioritariamente senão exclusivamente escutar seu ritmo seu tom suas interrupções e sua melodia Lacan 19551998c p 339 Nesse texto nomeado Variantes do tratamentopadrão Lacan em lugar algum exclusivisa a psicanálise a um consultório com quatro paredes ou a um tratamento temporalmente constituído de sujeitos descontextualizados numa poltrona por 50 minutos por semana A exclusividade da psicanálise nesse sentido está circunscrita à escuta ignorante de um analista e claro àquilo que surge disso Afinal lemos na pena de Lacan o seguinte A questão das variantes da análise brotando aqui do traço galante de ser ela tratamento padrão incitanos a preservar apenas um critério por ser ele o único de que dispõe o médico que para elas orienta seu paciente Esse critério raramente enunciado por ser tido como tautológico nós o escrevemos uma psicanálise padrão ou não é o tratamento que se espera de um psicanalista Lacan 19551998c p 331 Fato é que Lacan não poderia mesmo enfatizar algo de um tempo cronológico para a denotação de um tratamento psicanalítico Até porque dez anos antes em 1945 ele havia lançado a possibilidade de repensarmos o tempo cronológico a partir da logicidade de três movimentos que constituem a experiência psicanalítica a lembrar o instante do olhar o tempo para compreender e o momento de concluir Lacan 19451998a p 204 Com essa virada na técnica podemos ratificar que o tempo não é bem um problema quando se propõe pensar o que é um tratamento psicanalítico ou ainda uma análise A análise temporalmente falando a partir de Lacan precisa contar com um analista ignorante que direcione o tratamento para um momento onde a urgência de concluir se faça evidente ao analisante para que o sujeito possa escolher sair à sua liberdade Aliás o tempo além do dinheiro e do divã estão dentro daquilo que podemos nomear como aspectos técnicos da psicanálise e que à diferença do método e do arcabouço teórico obtiveram do próprio Freud a alcunha de modificáveis Mohr 2011 Freud se nos permitirmos uma leve falácia de apelo à autoridade é categórico em dizer que a técnica que lhe serve encaixa com sua personalidade muito embora outro analista pudesse se servir de outros instrumentos Freud 19122017a Em um texto de 1913 Sobre o início do tratamento Freud enumera algumas técnicas que utiliza para dar conta de seu objetivo em uma psicanálise lembrando que essas técnicas ou regras deveriam ser tomadas como recomendações afinal tais recomendações precisam extrair sua importância a partir do contexto da estratégia do jogo Freud 19132017b p 121 Em outras palavras essas regras ou técnica ainda recomendações devem ser sustentadas pela estratégia pelo contexto daquela análise em especial lembrando que a análise é aquilo que PsicoFAE Plur em S Mental Curitiba 2021 v 10 n 1 revistapsicofaev10n18 104 um analista faz como já discutimos acima Dessa maneira é importante compreender que uma análise em particular se quisermos sustentar o caso a caso como método freudiano é o que vai ditar as orientações da técnica ou das regras Ainda diz Freud sobre essas regras entre elas há determinações que podem parecer diminutas e que provavelmente o são mesmo 19132017b p 121 Enfim dentre essas diminutas regras encontramos algumas que servem para pensar a nossa problemática 1 as entrevistas preliminares como um momento probatório para o analista avaliar se o candidato a analisante pode de fato ser um analisante e ademais para que se possa fazer um diagnóstico diferencial mesmo que temporário 2 o tempo cronologicamente estipulado de uma hora 3 o pagamento pelo serviço disponibilizado em um tempo específico e finalmente apesar de não abarcar tudo 4 o divã o leito como reminiscência de um tempo mítico anterior à construção criação se desejarem da psicanálise Em resumo entendemos esses quatro instrumentos como técnicas as quais o próprio Freud considerou como possivelmente dispensáveis ou permutáveis Então poderíamos de fato dizer que as entrevistas preliminares o tempo o dinheiro e o divã são dispensáveis para que ocorra uma psicanálise Se sim o setting possível por exemplo sem divã ou belos quadros da renascença usados para um plantão psicológico dentro de uma IES pode se enquadrar como adequado a uma análise Pensando inicialmente sobre o divã compreendemos com Freud que ele é um remanescente dos tempos da hipnose e que serviu ao analista para não ser encarado durante as exaustivas horas de trabalho ao longo do dia Freud 19132017b Não obstante o leito analítico por assim dizer tem outra serventia bem pontual tem a intenção e o efeito de prevenir a mistura imperceptível da transferência com aquilo que ocorre ao paciente de isolar a transferência e no tempo certo deixála aflorar como resistência Freud 19132017b p 135 O divã ou melhor a não conexão visual entre analista e analisante serve ao manejo da transferência no sentido de que impede o paciente de se preocupar com as feições do analista e imaginar coisas e claro viceversa Contudo se uma permuta é possível talvez a questão não seja de fato o divã ou um leito mas a elevação da relação imaginária da imagem do olhar para outro lugar Assim para aqueles que entendem importante que na realidade no físico esse olhar seja impedido poderiam fazer isso pedindo ao paciente que vire de costas numa sala na qual não cabe um divã por exemplo que feche os olhos ou ainda que desligue a câmera lembrando dos nossos tempos e dos atendimentos virtuais coagidos pela pandemia da SarsCoV2 No entanto seria mesmo necessário um impedimento físico ao olhar para que uma análise seja levada adiante Ou se trata de outra coisa Não seria possível alçar a relação da imagem à linguagem sem desviarmos o olhar Mais ainda não poderíamos cogitar que o olhar ou aquilo que o paciente e analista acreditam ver poderia quiçá deveria ser alçado ao campo de trabalho próprio da psicanálise sem pararmos de nos olharmos Afinal é apenas nesse campo o da linguagem onde podemos trabalhar e mais é apenas ele que existe afinal não existe metalinguagem nos disse Lacan 19661998d Podendo ou não abdicar do olhar e isso é questão para outro trabalho fato é que o divã é substituível e isso nos parece possibilitar a afirmação de que é viável a psicanálise sem ele até mesmo dentro de uma instituição na qual ele o leito analítico por sua vinculação imediata à clínica não é bemvindo estamos falando do preconceito escolareducacional à clínica mas desta última falaremos adiante Acerca do pagamento em 1913 Freud o vinculou sobremaneira ao tempo o que nos permite dizer que ao menos nesse momento da construção da psicanálise tempo é dinheiro Ou pelo menos que um pagamento deve ser realizado pelo tempo disponibilizado Diz o psicanalista quanto ao tempo sigo exclusivamente o princípio da remuneração por uma determinada hora 19132017b p 125 E é isso no limite o pagamento é o valor contratado e equivalente pelo serviço prestado Aristóteles 1991 estaria bem representado não fosse outra conotação empregada ao dinheiro por Freud e conseguintemente pela psicanálise O pagamento é uma metáfora por assim dizer para o investimento 105 M R A Dalledone N L Michels A M Mohr libidinal a ser realizado no tratamento Freud 19091996b O dinheiro instrumento de um deslocamento passível de vinculação retroativa ao pênis e também ao falo serve como metáfora do desejo por assim dizer em se realizar aquela análise Mas se for apenas isso seremos obrigados a compor a lógica de que quanto mais se paga mais desejo fazer a análise e de outra forma se não posso pagar não desejo essa análise Bem entendemos que há diversas maneiras porquanto metáforas de se garantir se isso for possível e necessário que há desejo em determinada análise Em outras palavras o pagar caro não é o exclusivo sinônimo de um desejo por essa ou aquela análise em particular entendemos que há outras maneiras de se dizer isso Fato que o dinheiro tem sua importância seu valor de troca e de uso e que a relação analítica se apropria disso de uma maneira importantíssima mas no final das contas o lugar do dinheiro na simbologia é a de ser puro significante em que a linguagem é sua condição Silva Henriques 2019 p 178 E para além disso cabe lembrar como o próprio Freud incentivou certa vez a abertura de lugares de psicanálise para a população em geral Freud 19201996d Enfim entendemos que o pagamento por uma análise pode ser pensado e inclusive pode não ter o suporte físico ou virtual da moeda Um atendimento institucional pode ser caro para alguns e completamente vazio para outros Nesse sentido convidamos o leitor a recordar o significado de caro para além do seu valor de troca financeira uma análise cara é uma análise querida desejada e seu pagamento pode se dar para além da troca de papéis e moedas Uma análise pode ser paga também com suor lágrimas e porque não sonhos Sobre o tempo bem se Freud era filho de Cronos talvez mais por uma organização que o ajudava a cobrar o investimento necessário nas sessões Lacan é órfão Com Lacan desde 1945 compreendemos que o uso do tempo em uma análise e em cada sessão deve ser desenvolvido a partir de uma lógica e com isso já não podemos considerar uma sessão de hora fechada ou um tratamento obrigatoriamente crônico e cronologicamente longo como o bom ou verdadeiro tratamento psicanalítico Assim com o aporte do tempo dito lógico entendemos que o plantão psicológico se torna possível de ser compreendido desde a psicanálise e atuado a partir desse local uma vez que desde essa perspectiva a do tempo lógico podemos compreender as questões de uma análise e de uma sessão a partir da alcunha da urgência Urgência enquanto coação que convoca necessariamente a um movimento para a sanar ou modificar Urgência enquanto alerta de algo que precisa ser elaborado e desenvolvido senão esvaziado Além disso tudo ainda vale lembrar das palavras de Lacan em Função e campo a nos explicar que o que aparece em uma análise é sempre da ordem da urgência e que precisa ser tratado logicamente para que possa ser concluído nada há de criado que não apareça na urgência e nada na urgência que não gere sua superação na fala Lacan 19531998b p 242 Que possamos aprofundar a análise dessa citação ao compreender a importância da fala dentro do campo da linguagem o único campo analítico É desde a fala que uma urgência pode ser superada o que reforça o que discutimos acima sobre o uso do divã lembremos o que importa é a função e o uso da fala em psicanálise Ratifica o autor nada há tampouco que não se torne contingente nela na fala quando chega para o homem o momento em que ele pode identificar numa única razão o partido que escolhe e a desordem que denuncia para compreender sua coerência no real e se antecipar por sua certeza à ação que os coloca em equilíbrio Lacan 19531998b p 242 Finalmente a questão das entrevistas preliminares e seu uso de elaboração diagnóstica Para nos aprofundarmos neste tema iremos antes percorrer outra questão o problema do método Acima dissemos que a discussão sobre a psicanálise em plantão psicológico perpassa a técnica psicanalítica brevemente discutida o método e a teoria Essa última cabe dizer que a consideramos como o arcabouço científico construído indutivamente desde a clínica freudiana e em sequência por aqueles que deram continuidade cada um a seu modo e de diferentes lugares científicos na psicanálise Não entraremos muito nesses detalhes PsicoFAE Plur em S Mental Curitiba 2021 v 10 n 1 revistapsicofaev10n18 106 pois a teoria em si não implica uma proibitiva da extensão da psicanálise ao plantão psicológico Mas nos interessa sobremaneira pensar seu método O método psicanalítico é senão caudatário filiado ao que chamamos de método clínico Um método de investigação por excelência indutivo por nascimento e que recebe nas ciências médicas por assim dizer seu lugar de destaque O método clínico é um método indutivo porque pressupõe o debruçamento do pesquisador sobre um caso ou um conjunto de casos para posteriormente construir hipóteses e leis gerais de funcionamento daquilo que foi estudado Por meio dele constroem se generalizações a partir do estudo de particulares O método clínico ainda pode ser entendido a partir de quatro componentes a saber semiologia etiologia diagnóstica e terapêutica Dunker 2011 Para que o método possa de fato ser descrito como clínico diznos Dunker são necessárias duas propriedades fundamentais a homogeneidade entre seus elementos e a covariância de suas operações Dunker 2011 p 422 Ou seja deve haver no trabalho clínico para que ele seja considerado clínico a covariância das operações seus componentes da etiologia semiologia terapêutica e diagnóstica assim também é fundamental que entre seus elementos exista homogeneidade isto é uma doença cuja causa é orgânica deve ter componentes orgânicos para seu entendimento deve ser diagnosticada por meio desses signos orgânicos e ter uma proposta terapêutica que não fuja disso o orgânico Dessarte como a questão da clínica se vincula às entrevistas preliminares e sustenta nossa tese Dunker nos diz que a diagnóstica é a operação chave da clínica pois dela dependem todas as outras operações Podemos dizer que o diagnóstico como reconhecimento do sintoma é o ato elementar da clínica 2011 p 421 já Freud afirmou que se utilizava das entrevistas preliminares para entender o caso e por conseguinte realizar um diagnóstico diferencial 19132017b Cabe ressaltar que Dunker vai distinguir dois tipos de diagnósticos o diferencial e o evolutivo esse último sendo vinculado à possibilidade de manejo e reformulação intrínseca à toda diagnóstica quando se trata do método clínico 2011 Enfim ao associar as propostas dos autores compreendemos que são as entrevistas preliminares que nos possibilitam realizar um diagnóstico diferencial e propor uma terapêutica sustentada em uma semiologia que possibilita uma etiologia Pois bem se as entrevistas preliminares são uma parte da técnica psicanalítica uma parte que nos serve à realização de um diagnóstico diferencial podese dizer que um plantão psicológico que se utiliza da psicanálise é como entrevistas preliminares Mais seria possível dizer que isso que ocorre num plantão psicológico embasado na psicanálise é uma análise Entendemos que afirmar o que ocorre em um plantão psicológico como uma análise seria um tanto arriscado porquanto precisaríamos explorar todos os problemas aqui elencados de maneira mais aprofundada Não obstante 1 se uma análise é o que faz um analista 2 que não precisa necessariamente seguir à risca os elementos técnicos e míticos estipulados desde o início da psicanálise mas 3 deve estar atento à teoria e 4 seguindo o método clínico além disso 5 entendendo que o plantão psicológico em psicanálise serve como entrevistas preliminares a fim de um diagnóstico mas não esquecendo que se levarmos ao limite o tempo lógico 6 uma análise pode ocorrer em um curto espaço de tempo e quiçá em uma única sessão então talvez nossa tese possa ser sustentada Ademais cabe ainda discutirmos brevemente sobre uma regra que devemos encaixar na ordem da exceção a chamada regra fundamental da psicanálise a associação livre Entendemos que ela é uma exceção no sentido de que ela faz parte dos itens essenciais contudo parecenos que ela é mais da ordem do método do que da técnica lembremos que o método clínico se trata de um debruçarse sobre um caso particular para dele somado a outros particulares construirse teoria Dessa forma compreendemos por ora a associação livre e seu correlato a atenção flutuante como regras metodológicas distintas das regras técnicas A associação livre e a atenção flutuante compõem o método porquanto são a base dele a base da posição investigativa do psicanalista sem esses pressupostos metodológicos não há investigação tampouco um debruçarse 107 M R A Dalledone N L Michels A M Mohr Por fim cabe recordar que conjecturamos a tese de que a psicanálise pode sim ser utilizada como arcabouço teórico técnico e metodológico para um plantão psicológico e por ora entendemos possível ratificála Ademais não pretendemos ao início desse trabalho igualar uma análise àquilo que pode ocorrer em um plantão psicológico o que demandaria um trabalho maior mas nossos estudos nos levaram à possibilidade de dizer que a psicanálise pode ser utilizada num plantão psicológico sem termos a necessidade de nos servirmos de uma psicologia holística e isso porque os componentes da clínica e portanto da clínica psicanalítica semiologia etiologia diagnóstica e terapêutica podem ser pensados em um tempo lógico E suas regras possuem desde Freud certa maleabilidade O Âmbito EscolarEducacional Elucidadas as diretrizes teóricas sobre possibilidades e impossibilidades do exercício do plantão a partir da psicanálise concordamos com a necessidade de expor um detalhamento prático desta experiência e como em nuances diárias a teoria toma forma no encontro entre profissional e paciente A primeira questão a qual podemos discorrer é que benefício este tipo de exercício oferece aos alunos de uma IES Já vimos que o plantão surgiu nos moldes de aconselhamento psicológico e acolhimento e a psicanálise por sua vez utiliza se da associação livre e de uma escuta que por ora podemos nomear clínica Como se dá ou como se pode averiguar então a eficácia do serviço proposto Bem inicialmente seria um grande equívoco afirmar que em todas as sessões em todo atendimento conseguese os mesmos efeitos nos pacientes e ainda que se assemelham em forma e conteúdo afinal da mesma maneira como acontece em uma análise ou uma terapia cada caso é único e deve ser tratado como tal Talvez o grande desafio dessa proposta seja exatamente esse não há o que esperar apesar do estudante sempre esperar algo tanto a nível de demanda quanto de resultado Não é raro perceber na postura do paciente após 20 ou 30 minutos de sessão uma mudança na postura corporal ritmo e tonalidade da fala acompanhadas de um ufa um alívio que podemos relacionar ao uso da fala como motilidade para uma descarga energética Freud 19001996a Muitos estudantes esperam que o atendimento se configure enquanto aconselhamento psicológico e buscam respostas e soluções para suas questões o que pode muitas vezes gerar um sentimento de frustração em relação ao trabalho realizado em alguns casos por outro lado conseguese minimamente repensar essas demandas e se reposicionar diante delas pelo questionamento Em decorrência da brevidade do atendimento de plantão e de sua característica pontual os resultados esperados não ambicionam uma cura ademais cabe dizer que a própria ideia de cura em psicanálise é passível de questionamento terapia muito menos a resolução pura e simples da demanda apresentada Entretanto não se deve menosprezar o potencial reorganizador da fala o efeito rehistoricizador de uma escuta analítica O analista se é que podemos chamar assim esse atendente que realiza atendimentos de plantão psicológico se apoia portanto no trabalho de escuta e ainda na promoção de um espaço de possibilidade de fala dita livre propriamente associação livre enquanto método de trabalho e o questionamento do sintoma como ele se apresenta a fim de que ao paciente seja possível repensálo minimamente que seja Há possibilidades de se realizar um atendimento de 60 minutos ou 15 em salas diferentes com ou sem uma mesa a separar as cadeiras com aperto de mão como cumprimento um abraço um sorriso ou nenhum dos anteriores Há choro riso exigências de soluções rápidas e às vezes um de que isso serviu sic A procura por serviços de saúde mental ocorre por inúmeras motivações e muitas vezes são carentes de atendimento duradouro multiprofissional e especializado Nesse sentido o plantão também serve como uma alternativa acessível e rápida de chegar a esses serviços atuando com o encaminhamento dos casos para instituições e profissionais que ofereçam um atendimento outro Outra questão que surge ao pensarmos a psicanálise em plantão psicológico é referente à transferência uma ferramenta essencial para PsicoFAE Plur em S Mental Curitiba 2021 v 10 n 1 revistapsicofaev10n18 108 o exercício da psicanálise Como pensála num atendimento único breve ou sem o conhecimento por parte do paciente de quem o irá atender O trabalho escolareducacional tem como característica um vínculo institucional préestabelecido entre os alunos e a IES e entre o psicólogo e a IES ou seja há um terceiro na relação aluno IES psicólogo Então isso que acontece entre aluno e psicólogo num atendimento em âmbito educacional pode ser pensado desde a transferência Se sim de qual maneira Vale recordar que Freud sempre atribuiu a transferência à neurose e não ao vínculo analítico tampouco ao setting A transferência é uma característica da neurose ou seja ela ocorre independente do lugar ou de como esse encontro se estabelece Freud 1917 1916171996c Tudo bem que lugares e encontros distintos possam oferecer maiores ou menores resistências tais ou quais características transferenciais mas o fato é que a transferência ocorre independente do onde Costumamos entender esse aspecto da análise a transferência em um âmbito educacional como que acontecendo a partir de um lugar emprestado não obstante um lugar Até porque a recordar o que disse Lacan sobre a transferência em sua lição de 19 de dezembro de 1956 entendemos que a estrutura transferencial é da ordem discursiva simbólica daquilo concernente à relação de um sujeito com o Outro Aliás diz o autor O Outro não é simplesmente o outro que está ali mas literalmente o lugar da palavra Existe já estruturado na relação falante este maisalém este Outro para além do outro que vocês apreendem imaginariamente este Outro suposto que é o sujeito como tal o sujeito em que a fala de vocês se constitui porque ele pode não somente acolhêla percebêla mas também responder a ela É sobre esta linha A S que se estabelece tudo o que é da ordem transferencial o imaginário desempenhando aí precisamente um papel de filtro até mesmo de obstáculo Lacan 1956571995 p 7980 O psicólogo empresta o lugar imaginário de psicólogo da instituição para poder iniciar seu efeito na relação com o estudante um empréstimo que é rapidamente recuperado porquanto no final das contas ele ocupa esse lugar da palavra lugar do Outro O psicólogo da instituição pode até fazer parte desse filtro obstáculo transferencial mas que logo é reorganizado como podemos ver nos casos de estudantes que retornam ao plantão psicológico com a condição de serem atendidos exclusivamente por aquele um que outrora o escutou Não adianta outro psicólogo da instituição só serve aquele com o qual certa transferência começou a ser desemprestada do lugar institucional Por fim cientes de que esse recorte de nossa prática poderia ser mais esmiuçado apesar dos propósitos deste artigo não compreender tal tarefa ressaltamos que muitos contatosatendimentos realizados no formato de plantão ficam restritos a uma orientação encaminhamento ou tentativa de acolhimento de demanda não obstante há aqueles que estabelecem uma transferência importante e topam desorganizar lugares e se reorganizar na linguagem que os habitam A esses encontros segundo a tese que ora sustentamos ousamos alcunhar como uma psicanálise Considerações Finais O surgimento do plantão psicológico está atrelado à abordagem centrada na pessoa proposta por Rogers mais especificamente ao aconselhamento psicológico No entanto dentre os critérios que caracterizam um atendimento como plantão estão a promoção de um espaço de escuta o qual não necessita agendamento prévio e que muitas vezes pode ocorrer somente em um encontro No atendimento de plantão ocorre um encontro na urgência o qual se desenvolve a partir de uma escuta Vimos com Lacan que o encontro entre analista e analisante pode ser pensado como um evento que acontece a partir de um analista inconscientemente alerta a equívocos enunciados nas sentenças de seu paciente e vimos também que Freud propõe técnicas para um atendimento psicanalítico técnicas essas que em um primeiro momento poderiam não se enquadrar dentro da modalidade de plantão Não obstante discutimos como o pai da psicanálise 109 M R A Dalledone N L Michels A M Mohr não define tais regras enquanto essenciais todavia cabendo ao método certa indispensabilidade Desta forma sustentamos a possibilidade de um plantão a partir da psicanálise pois entendemos que uma análise é o que um analista faz a partir de um método particular de prática muito embora não seja necessário seguir à risca as técnicasregras estipuladas como que miticamente Outrossim o plantão pode ser equiparado às entrevistas preliminares ao possibilitar a elaboração de um diagnóstico diferencial e a proposta de uma terapêutica Outro ponto que ainda abordamos brevemente é o plantão psicológico dentro de uma IES O plantão psicológico na sua origem está atrelado às universidades sendo vinculado ao curso de Psicologia de forma a proporcionar aos alunos a prática clínica como também uma alternativa para a comunidade A IES da qual surge nossa experiência não possui o curso de Psicologia não obstante destina vagas de estágio para alunos de outras instituições No que tange à ligação com a comunidade o Núcleo de Acompanhamento discente da instituição desde 2008 oferece serviços à comunidade acadêmica sendo um deles o de plantão psicológico É nesse contexto portanto que podemos recortar e ratificar que o trabalho em plantão psicológico a partir da psicanálise tem surtido efeitos terapêuticos importantes em alguns casos em outros tem possibilitado ao indivíduoestudante organizar algo de sua vida acadêmica alguns outros dão início a processos de análise pessoal em outros ambientes na maioria das vezes encaminhados pelo próprio setor A partir da experiência dos autores percebemos a importância dos espaços de escuta qualificada oportunizados pelo plantão psicológico O encontro que ocorre possibilitando a criação de um vínculo transferencial que por ser institucionalizado possui certas distinções que não cabe neste trabalho esmiuçar enseja um diagnóstico diferencial que indica uma terapêutica Terapêutica que por vezes pode ser percorrida no próprio espaço de plantão por outras precisa ser encaminhada para outros lugares sociais Portanto e concluindo compreendemos que é possível que a psicanálise se aproprie dessa modalidade a partir de seu arcabouço teórico técnico e metodológico Contribuição Os pesquisadores declaram não haver conflitos de interesse Referências Aristóteles 1991 Ética a Nicômaco Nova Cultural Daher A C B Ortolan M L M Sei M B Victrio K C 2017 Plantão psicológico a partir de uma escuta psicanalítica Semina Ciências Sociais e Humanas 382 147158 httpsdoi org105433167903832017v38n2p147 Dunker C I L 2011 Estrutura e constituição da clínica psicanalítica uma arqueologia das práticas de cura psicoterapia e tratamento Annablume Freud S 1996a A Interpretação dos Sonhos W I de Oliveira Trad In J Salomão Ed Obras psicológicas completas de Sigmund Freud edição standard brasileira Vol 5 Imago Trabalho originalmente publicado em 1900 Freud S 1996b Notas sobre um caso de neurose obsessiva J O de A Abreu Trad In J Salomão Ed Obras psicológicas completas de Sigmund Freud edição standard brasileira Vol 10 Imago Trabalho originalmente publicado em 1909 Freud S 1996c Conferência XXVII Transferência J L Meurer Trad In J Salomão Ed Obras psicológicas completas de Sigmund Freud edição standard brasileira Vol 16 Imago Trabalho originalmente publicado em 1917 Freud S 1996d Dr Anton von Freund E A M de Souza Trad In J Salomão Ed Obras psicológicas completas de Sigmund Freud edição standard brasileira Vol 18 Imago Trabalho originalmente publicado em 1920 Freud S 2017a Recomendações ao médico para o tratamento psicanalítico C Dornbusch Trad In G Iannini Ed Fundamentos da clínica psicanalítica Obras incompletas de Sigmund Freud Autêntica Trabalho originalmente publicado em 1912 PsicoFAE Plur em S Mental Curitiba 2021 v 10 n 1 revistapsicofaev10n18 110 Freud S 2017b Sobre o início do tratamento C Dornbusch Trad In G Iannini Ed Fundamentos da clínica psicanalítica Obras incompletas de Sigmund Freud Autêntica Trabalho originalmente publicado em 1913 Lacan J 1995 O seminário livro 4 a relação de objeto J Zahar Lacan J 1998a O tempo lógico e a asserção de certeza antecipada V Ribeiro Trad In J Lacan Escritos J Zahar Trabalho originalmente publicado em 1945 Lacan J 1998b Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise V Ribeiro Trad In J Lacan Escritos J Zahar Trabalho originalmente publicado em 1953 Lacan J 1998c Variantes do tratamentopadrão V Ribeiro Trad In J Lacan Escritos J Zahar Trabalho originalmente publicado em 1955 Lacan J 1998d A ciência e a verdade V Ribeiro Trad In J Lacan Escritos Rio de Janeiro Zahar Trabalho originalmente publicado em 1966 Mahfoud M 2012 A vivência de um desafio plantão psicológico In M Mahfound Org 2012 Plantão Psicológico novos horizontes Companhia Ilimitada Mohr A M 2011 Aquém dos ideais da educação ou das impossibilidades do trabalho do psicanalista em atendimento individual na escola Dissertação de Mestrado Universidade Federal do Paraná Rebouças M S S Dutra E 2010 Plantão Psicológico uma Prática Clínica da Contemporaneidade Revista da Abordagem Gestáltica Phenomenological Studies 161 1928 httpswwwredalycorgarticulo oaid357735773561304 Schmidt M L S 2015 Aconselhamento psicológico como área de fronteira Psicologia USP 263 407413 httpsdoi org1015900103656420140033 ScorsoliniComin F 2015 Plantão psicológico e o cuidado na urgência panorama de pesquisas e intervenções PsicoUSF 201 163173 httpsdoiorg1015901413 82712015200115 Silva N O da Henriques R da S P 2019 O estatuto psíquico do dinheiro à luz da teoria psicanalítica Ágora 222 173179 https doiorg101590180944142019002004 147 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 DOI 105433167903832017v38n2p147 Plantão psicológico a partir de uma escuta psicanalítica Psychological emergency attendance through a psychoanalytical listening Ana Claudia Broza Daher1 Maria Lúcia Mantovanelli Ortolan2 Maíra Bonafé Sei3 Kawane Chudis Victrio4 Resumo O plantão psicológico se configura como uma intervenção psicológica implementada no Brasil a partir de um referencial humanista abordagem teórica ainda predominante na literatura sobre o tema Organiza se como um tipo de intervenção clínica que oferta um atendimento pontual realizado o mais próximo possível da necessidade do indivíduo por meio do qual podese fazer além de um acolhimento também um esclarecimento acerca da demanda desta pessoa Tendo em vista a importância e pertinência desta prática buscouse ofertála em 2015 em um serviçoescola de Psicologia de uma universidade pública Diante deste cenário almejouse discutir a prática do plantão psicológico realizada por meio de um projeto de extensão enfatizando a escuta psicanalítica empreendida neste contexto Considerase que no plantão psicológico o plantonista acaba por se deparar com a escuta do inesperado do inconsciente que insiste para que seja ouvido Esperase assim que ao mesmo tempo em que é escutado o próprio sujeito que fala se ouça e que esta escuta possa de alguma forma contribuir para que ele se reposicione ou ressignifique o motivo que o fez procurar o atendimento Palavraschave Plantão psicológico Psicanálise Serviçoescola de Psicologia Abstract The psychological emergency attendance configures itself as a psychological intervention implemented in Brazil from a humanist framework theoretical approach that still prevails in the literature on the subject It organizes itself like a kind of clinical intervention that offers a punctual service accomplished the closest possible to the individuals necessity whereby its possible to make besides a reception also an enlightenment about the persons demand Considering the importance and relevance of this practice it was sought to offer it in 2015 in a psychology school service of a public university In this scenario the objective of this paper was to discuss the practice of psychological emergency attendance held through an extension project emphasizing the psychoanalytical listening undertaken in this context It is considered that in psychological emergency attendance the psychologist eventually is faced with the listening of the unexpected the unconscious that insists to be heard It is expected therefore that at the same time it is heard the individual who speaks can listen to himself and that this listening can somehow contribute to his repositioning or resignifying the reason that made him seek care Keywords Psychological emergency attendance Psychoanalysis Psychological university clinic 1 Psicóloga Especialista em Avaliação Psicológica e em Psicologia Clínica e da Saúde 2 Psicóloga Residente em Saúde da Família pela Universidade Estadual de Londrina Email ortolan78gmailcom 3 Psicóloga Doutorado e PósDoutorado em Psicologia Clínica pelo IPUSP Professora Adjunta do Departamento de Psicologia e Psicanálise da Universidade Estadual de Londrina 4 Psicóloga pela Universidade Estadual de Londrina 148 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Daher A C B et al Plantão Psicológico Histórico e Panorama Geral O serviço de Plantão Psicológico foi inaugurado no Brasil no início dos anos 1960 por Rachel Rosemberg Tal profissional implantou este tipo de atendimento no Serviço de Aconselhamento Psicológico SAP do Instituto de Psicologia da USP IPUSP tendo a Abordagem Centrada na Pessoa de Carl Rogers como referencial no intuito de oferecer um atendimento diferenciado à clientela que procurava o serviço constituindose como uma alternativa às longas filas de espera FUJISAKA et al 2013 ROCHA 2011 Apresentase como uma modalidade de atendimento de tipo emergencial que almeja acolher o sujeito no momento mais próximo de sua necessidade auxiliandoo a manejar seus recursos e limites BRESCHIGLIARI JAFELICE 2015 Tratase assim de uma intervenção realizada sem agendamento prévio por meio do acolhimento dado por um profissional que se posiciona à espera do interessado em um local e horário previamente determinados Pode ser também intitulado como pronto atendimento psicológico denominação que busca afastar a prática da conceituação adotada no campo médico O plantão ou pronto atendimento psicológico não dá ênfase à sintomatologia do sujeito mas sim às suas potencialidades sua experiência como um todo levando em conta seus variados contextos É importante ressaltar que esta modalidade de intervenção em um serviçoescola de Psicologia não comporta determinadas demandas tais como emergências psiquiátricas surtos psicóticos no caso Destinase ao acolhimento das pessoas que a ele recorrem de maneira espontânea ou por encaminhamento de serviços parceiros em busca de auxílio para questões de caráter emocional GOMES 2012 No que se refere ao trabalho efetuado pelo plantonista entendese que este se vê frente a uma prática complexa haja vista a necessidade de desenvolver uma disponibilidade para se defrontar com o inesperado e com a possibilidade de que o encontro com o paciente seja único CHAVES HENRIQUES 2008 Como se configura como um atendimento frequentemente sem continuidade o plantonista deve estar preparado para acolher variados tipos de demanda sem um planejamento prévio dando um retorno imediato àquele que busca o plantão SCORSOLINICOMIN 2014 Mesmo com esta complexidade notase um início e uma presença posterior deste tipo de intervenção nos serviçosescola de Psicologia DOESCHER HENRIQUES 2012 GOMES 2008 PAPARELLI NOGUEIRAMARTINS 2007 espaços de formação de futuros psicólogos clínicos Um exemplo disto trata da implantação do plantão psicológico realizada no serviçoescola de psicologia em uma universidade pública que será aqui apresentada Nesta Instituição de Ensino Superior o plantão psicológico foi iniciado no ano de 2015 sendo denominado institucionalmente como Pronto Atendimento Psicológico Tendo em vista a dificuldade de se fazer alterações na grade curricular que demandam extensos trâmites institucionais optouse pela inserção deste serviço por meio de um projeto de extensão e não como disciplina obrigatória como foi feito na USP Com isso os acolhimentos acabavam sendo realizados por estudantes de últimos anos do curso de Psicologia vinculados voluntariamente ao projeto mas também poderiam ser realizados por psicólogos graduados vinculados à atividade O plantão psicológico organizavase como uma intervenção clínica oferecida diariamente no período do almoço além de ser oferecido ao longo de todo horário comercial da quartafeira Tendo em vista o caráter de plantão não era necessário o agendamento prévio do atendimento bastando que o interessado comparecesse no horário disponibilizado para esta atividade 149 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Plantão psicológico a partir de uma escuta psicanalítica Como se organizava como um projeto de extensão visava não só o oferecimento de um serviço psicológico para a comunidade mas também se atentava em proporcionar ganhos no campo da formação do estudante no sentido de aprimorar o raciocínio deste e seu manejo clínico Neste caso entendese que se qualifica o estudante para uma diferente modalidade de atendimento clínico fomentando o papel social desempenhado pelo psicólogo Notase que a prática de plantão psicológico no cenário nacional baseiase mais amplamente na perspectiva humanista SCORSOLINI COMIN 2015 SOUZA SOUZA 2011 com propostas prioritariamente pautadas na Abordagem Centrada na Pessoa SCORSOLINI COMIN 2014 e Abordagem Fenomenológico Existencial GONÇALVES FARINHA GOTO 2016 Tendo em vista este cenário almejase por meio deste trabalho discutir como é o olhar psicanalítico a respeito dessa prática pensando mais especificamente nas contribuições de uma escuta psicanalítica nos atendimentos realizados nos plantões Tratase de um estudo teóricoclínico que visa articular a literatura referente ao plantão psicológico com os pressupostos teóricos da clínica psicanalítica com ilustração clínica sobre o atendimento em plantão psicológico realizado a partir desta perspectiva No que se refere aos aspectos éticos compreendese que este trabalho respeita a Resolução n 5102016 do Conselho Nacional de Saúde BRASIL 2016 que indica não ser necessária a tramitação por um Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos de trabalhos que proponham um aprofundamento teórico de situações que emergem espontânea e contingencialmente na prática profissional Nestes casos entretanto deve haver um cuidado quanto à apresentação dos dados de forma que estes não favoreçam a identificação dos sujeitos Considerações Gerais Sobre a Clínica Psicanalítica Em 1896 Sigmund Freud criou o termo psicanálise para dar nome a um método particular de psicoterapia pautado na investigação dos processos mentais inconscientes ROUDINESCO PLON 1998 Com a psicanálise Freud inventou um procedimento para que a verdade falasse revelar os processos inconscientes que produzem os sintomas ROSA 2004 p 341 Entendese que a psicanálise como método de tratamento é produtora de efeitos terapêuticos MARCOS OLIVEIRA JÚNIOR 2013 Todavia a psicanálise não tem como objetivo uma cura pelo menos não está aos moldes do tratamento clínico médico até porque Freud concebeu a análise como interminável MARCOS OLIVEIRA JÚNIOR 2013 p 19 Podese falar que o processo analítico almeja sim uma cura apenas se esta for ao sentido trazido por Lacan 1998 p 936 com a compreensão desta palavra não como designação propriamente de eliminação de um mal mas em sintonia com a palavra francesa cure vista como sinônimo de tratamento análise ou tratamento analítico Quanto ao processo analítico entendese que em psicanálise o falar corresponde a um escutar O analisando fala o que foi esquecido e o analista escuta de modo que o que falou também escute o que fala o que não sabe ou não quer saber Nesta perspectiva o escutar do analista pressupõe um ato e não uma simples percepção CELES 2005 O processo psicanalítico constituise então por meio da combinação entre as associações livres do analisando e a atenção flutuante do analista No que concerne à associação livre é solicitado ao paciente que este comunique tudo o que lhe ocorre sem deixar de revelar algo que lhe pareça insignificante vergonhoso ou doloroso CELES 2005 MACEDO FALCÃO 2005 Quanto à atenção flutuante esta se relaciona com o desprendimento 150 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Daher A C B et al do analista de suas influências conscientes de forma a deixar a atenção uniformemente suspensa e escutar o paciente sem o privilégio a priori de qualquer elemento de seu discurso CELES 2005 MACEDO FALCÃO 2005 A associação livre e a atenção flutuante são processos concomitantes com o que se configura escuta psicanalítica Esta escuta não tem função passiva pois coloca em movimento o sujeito fazendoo falar depararse com o seu não saber com suas dúvidas sobre si e sobre o mundo BASTOS 2009 A escuta psicanalítica é ativa provoca o analisando a se colocar diante de suas próprias palavras levao a examinar e se dar conta de sua própria singularidade e se implicar com ela isto é dar consequências decidir o que fazer com isso BASTOS 2009 ROSA 2004 O escutar demanda uma abstinência do analista implicandoo a suportar aquela relação à transferência no caso Aqui o analista deve ocupar o lugar de supostosaber sobre o sujeito uma estratégia para que o sujeito supondo que fala para quem sabe sobre ele fale e possa escutarse e apropriarse de seu discurso ROSA 2004 p 343 Ao escutar o analista deve voltar o seu inconsciente em direção ao inconsciente do paciente deve se atentar às palavras ditas e silenciadas tendo em vista que há algo além do que foi dito para ser escutado Compreendese que o inconsciente do paciente insiste para que seja escutado funciona assim a partir de um mecanismo de repetição A repetição é movida por componentes psíquicos recalcados que se atualizam num encontro analítico O que se repete é algo que por mais que se tente não se pode recordar é o impossível de se dizer ALMEIDA ATALLAH 2008 Ao repetir a pessoa em análise rodeia suas questões sem conseguir efetivamente localizálas necessitando da ajuda do analista para apontar o caminho Neste sentido o trabalho em análise se desdobra a partir dos componentes contidos neste fenômeno constatado a partir da fala do analisando ALMEIDA ATALLAH 2008 A psicanálise em seu sentido de um conjunto de métodos para que se analise o inconsciente tem então uma potencialidade além da clínica ortodoxa de divãs e settings extremamente específicos Há um movimento possível de praticar a psicanálise em outros contextos e principalmente de fazer psicanálise em outros dispositivos por meio do uso das ferramentas que ela oferta BIRMAN 1999 BUENO PEREIRA 2002 CASTANHO 2009 MORETTO TERZIS 2010 O próprio Freud 1996 p 181 em Linhas de progresso na teoria psicanalítica aponta a possibilidade de em algum momento o método psicanalítico necessitar ser readaptado quando defende que mais cedo ou mais tarde defrontarnosemos então com a tarefa de adaptar a nossa técnica às novas condições Ao refletir sobre o plantão psicológico entendese que este é uma prática clínica da contemporaneidade compreendendo que a psicanálise pode sim ser a teoria por detrás dessa prática REBOUÇAS DUTRA 2010 Tanto o modelo de plantão quanto a análise tradicional embasada no referencial psicanalítico exigem do plantonista ou do analista o mesmo comprometimento com a escuta e com o acolhimento Ainda como semelhança entre estas práticas ambas promovem em suas devidas proporções um espaço de escuta a alguém que apresenta uma demanda psíquica e oferece um momento no qual esse sujeito possa ressignificar o seu estar no mundo REBOUÇAS DUTRA 2010 p 19 Quando às diferenças entre o plantão psicológico e a análise respaldadas na psicanálise têmse questões referentes às dimensões das demandas tratadas durabilidade do tratamento e aprofundamento em relação às questões trazidas pelo sujeito Ao contrário de um tratamento analítico o qual se configura como um processo demorado que almeja mudanças profundas e extensas o plantão psicológico é uma prática na qual operam objetivos e tempo limitados O serviço de plantão psicológico foge aos moldes tradicionais de setting psicanalítico quanto à frequência e continuidade por conta da 151 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Plantão psicológico a partir de uma escuta psicanalítica possibilidade do encontro com o paciente ser único Em um plantão psicológico no qual se atue a partir de uma perspectiva psicanalítica fazse necessário a adaptação da técnica à demanda trazida por quem procura este tipo de serviço A questão fundamental delegada ao plantonista seria então estar atento àquilo que o paciente traz de mais urgente focando os esforços ao longo do encontro em auxiliálo a organizar tal aspecto A Escuta Psicanalítica no Plantão Psicológico O encontro no qual plantonista e sujeito em sofrimento psíquico deparamse não deixa de ser um encontro analítico mesmo este sendo único e breve Portanto a escuta psicanalítica destacase como uma questão fundamental no atendimento em plantão psicológico Assim como em um processo de análise o plantonista também tem um espaço que lhe permite dotar da técnica da escuta psicanalítica pressupondo que ele tenha uma atenção às manifestações do inconsciente que se apresentam no decorrer da fala do sujeito BASTOS 2009 A escuta do inesperado no plantão é também a escuta de um nãodito do discurso do sujeito ROSA 2004 Assim naquele encontro que possivelmente será único e breve o plantonista vai mais além do que a investigação sintomatológica quando começou e com que frequência isso ocorre O plantonista tem então a possibilidade de tratar psicanaliticamente aquele sujeito que vem procurar atendimento no plantão psicológico na medida em que por meio da escuta psicanalítica o terapeuta consegue escutar o inconsciente escuta esta possibilitada pela transferência estabelecida ali naquele encontro a fim de produzir um saber junto com o sujeito ROSA 2004 Sobre esse saber que plantonista e sujeito produzem juntos Freud já supunha que há no paciente um saber que nem mesmo ele sabe que tem mas que pode ser desperto por meio da escuta do analista atrelado à regra de associação livre BASTOS 2009 Rosa 2004 p 341 entende que o saber está no sujeito um saber que ele não sabe que tem e que se produz na relação e que o plantonista pratica a escuta do sofrimento e descobre que não deve eliminálo mas criar uma nova posição diante do seu sentido ROSA p 341 O cotidiano do plantão realizado no serviço escola de Psicologia permitiu demonstrar este saber que está no sujeito e lhe é possibilitado realmente saber apenas durante o atendimento Na prática clínica do plantão várias vezes os sujeitos convocam o plantonista a ocuparem lugares de conselheiros na medida em que indagações com caráter afirmativo são feitas pelos sujeitos mas é isso que eu devo fazer não é Vieira e Anjos 2013 encontraram em relatos de experiência de plantonistas da clínica escola da UFPA esta posição em que plantonistas sentiramse colocados a partir do momento em que se propuseram a escutar psicanaliticamente em um só breve encontro os sujeitos em sofrimento posição de legitimação como se realmente fossem sujeitos do saber e não supostos saber A psicanálise então contribui nesse ponto a fim de amparar esse plantonista dandolhe respaldo com a teoria do que seria o escutar psicanalítico no setting de plantão psicológico Neste sentido podese questionar É uma escuta interventiva Que dimensões têm essa intervenção As contribuições de Rosa 2004 ao escrever sobre a pesquisa psicanalítica e sua fundamentação teórica são de grande valia no entrelace entre os apontamentos da psicanálise e a prática do plantão psicológico Entendese que o método adotado no plantão é uma escuta ativa como já dito juntamente com uma interpretação do sujeito do desejo que é pontuado quando se dota desta escuta ativa para a narrativa do usuário do plantão aquele que transparece no não dito do sujeito mas escutado pelo plantonista Quanto ao plantão psicológico pautado na psicanálise em comparação àquele empreendido pela Abordagem Centrada na Pessoa ACP 152 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Daher A C B et al considerase que assim como o que é proposto na escuta psicanalítica um fazerse escutar do saber do sujeito a escuta centrada na pessoa entende que o sujeito tem uma capacidade para crescer e se desenvolver na direção de suas potencialidades intrínsecas ZANONI 2008 p 16 Entendese que no atendimento essas ditas potencialidades podem vir a serem escutadas pelo próprio sujeito Além disso a ACP também coloca o quanto o encontro entre plantonista e sujeito pode tornar o cliente mais autônomo para encontrar soluções para suas aflições psicológicas ZANONI 2008 p 16 o que está muito vinculado ao aspecto da abordagem psicanalítica que permite uma responsabilização do sujeito perante seu sofrimento tornandoo assim consciente de seus processos De uma maneira geral as duas escutas psicanalítica ou humanista em modalidade de atendimento em plantão entendem que o encontro plantonista e sujeito pode ser potencializador Na ACP temse que este encontro é um processo de ajudar a pessoa em transição a experienciar e dar sentido ao que se experiencia acreditando na sua própria capacidade de assumir novas situações de vida ZANONI 2008 p 21 E na psicanálise por meio da escuta clínica temse o objetivo de fazer com que os pacientes resgatem suas narrativas tornandose protagonistas de sua própria história MENDES PARAVIDINI 2007 p 114 possibilitando a estes a inserção em um mundo desejante Ilustrações Clínicas Como forma de ilustrar os conceitos teóricos acima discutidos optouse por apresentar uma ilustração clínica por meio de dois casos atendidos no plantão psicológico de um serviçoescola de psicologia sob uma perspectiva de demanda emergencial por meio do referencial psicanalítico Os atendimentos deramse de forma única e foram realizados por uma psicóloga que atuava no referido serviço O primeiro caso clínico referiuse a uma pessoa do sexo feminino identificada como B com aproximados 20 anos de idade Procurou o plantão psicológico por demanda própria com a queixa de ansiedade e pensamentos negativos relacionados à vida e morte Apontou para a presença desses pensamentos negativos que a mesma identificava como pessimistas sic desde a préadolescência Viajou para fora do país em um programa de intercâmbio quando pensou ter diminuído os pensamentos ter visto a vida mais colorida sic Contudo logo após retornar ao país de origem os pensamentos e sensações voltaram com maior intensidade Relatou que no momento encontrava dificuldades em relacionamentos interpessoais Indicou não sentir vontade de sair de casa encontrar pessoas e ir para a faculdade Estava em um relacionamento amoroso mas sinalizava que não sabia por que ainda estamos juntos acho que não sinto mais nada por ele e além disso nós só brigamos sic Depois da descrição da queixa B falou sobre seu relacionamento familiar Relatou que em sua família as mulheres eram vistas como se estivessem abaixo dos homens Devido a isto sua mãe obedecia e admirava o marido sic o que acabava por causar incômodo em B Afirmou que apesar de amar sic tinha um complicado relacionamento com o pai já que este havia se envolvido em problemas que comprometeram toda a família e devido a isto não conseguia perdoálo Contou que falava pouco com o pai e que brigavam muito e que nessas brigas B chegou a dizer para o pai que não o admirava mais e que ele só havia trazido problemas Logo após B disse para a plantonista que iria contar outra coisa porém achava que não era importante A plantonista pontuou sua fala apontando para a importância que tinha B falar todos os pensamentos e sentimentos que lhe vinham à mente De acordo com Macedo e Falcão 2005 isto é o que concerne à associação livre permitindo que o sujeito coloque na fala tudo que ocorre consigo até mesmo o que lhe parece insignificante 153 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Plantão psicológico a partir de uma escuta psicanalítica Foi então que B relatou comportamentos autolesivos que implicam em atos de arranhar as pernas e usar objetos cortantes para ferilas A plantonista questionou em quais momentos isso acontecia e B expôs que se autolesionava todas as vezes em que sentia raiva e angústia sic descrevendo algumas situações nas quais havia se ferido até provocar machucados À medida que B recordava de certas situações afirmou que agora falando me parece que a dor provocada por mim mesma dói menos do que o que eu sinto sic A escuta de si e a apropriação das próprias palavras tornamse instrumento hábil no desbravamento dos territórios mais desconhecidos uma vez que o saber encontrase no próprio sujeito cabendo a quem oferece a escuta conduzir tal descoberta MACEDO FALCÃO 2005 B falou que decidiu procurar pelo plantão porque havia ficado mal dois dias antes devido ao fato de ter ficado sabendo que uma pessoa foco de sua admiração havia se suicidado A partir de então os pensamentos negativos dominaram e parece que a vida não fazia mais sentido sic A plantonista solicitou a B que falasse mais sobre essa admiração e ela indicou que sentia dificuldades em admirar as pessoas e se recordou de quando era criança e tinha esse sentimento pelo pai algo considerado impossível naquele momento A plantonista então colocou que o que estava sentindo poderia estar relacionado a seu pai pois provavelmente este seria a primeira pessoa que B admirara e a angústia relacionada à falta de sentido na vida na verdade poderia estar ligada à fantasia do que sentiria se fosse o pai quem tivesse falecido Este movimento de construção de um saber do sujeito juntamente com o plantonista é possível mediante a transferência Mesmo que o plantão se caracterize por um único encontro estudos como o de Rosa 2004 já entenderam que para o estabelecimento da transferência não são necessárias várias sessões Outros estudos QUINET 2009 VICTRIO SEI BEZERRA 2016 também citam a transferência prévia por exemplo no qual antes mesmo do encontro e no início dele já haveria um estado de projeção à figura do analista Este conceito de transferência prévia e a não necessidade de várias sessões para o estabelecimento de uma transferência faz com que o dispositivo do plantão psicológico seja possível e eficaz na medida em que a escuta ativa e transferência presentes dão subsídio para o sujeito se impor no mundo do desejo ORTOLAN SEI 2016 p 39 B relatou que fazia terapia há mais de um ano contudo disse sentirse desconfortável com a terapeuta sem contudo conseguir interromper a terapia Alegou não conseguir dizer à terapeuta que não queria mais continuar o trabalho A plantonista questionou o que sentia e pediu para que B falasse mais sobre isso B descreveu a situação como angustiante e disse sentir um misto de raiva e necessidade em relação à terapeuta Toda semana pensava em desmarcar as sessões entretanto eram poucos os dias em que conseguia ligar para desmarcar e quando saia da sessão tinha sentimentos de raiva Porém na semana seguinte mesmo com raiva sentia necessidade em ir à sessão Conforme Palhares 2008 a própria figura do analista no campo psíquico do paciente incita ao mesmo tempo tanto a transferência quanto a resistência e estas oposições acabam por determinar a dinâmica analítica A plantonista apontou os sentimentos de raiva e necessidade presentes na relação que estes poderiam se assemelhar em sua relação com o pai B associou verdade é o que sinto pelo meu pai mistura de raiva ao mesmo tempo em que preciso dele sic No que cabe ao plantão a plantonista pontuou a necessidade de cessar com os comportamentos repetitivos autolesivos afirmando que B precisava redirecionar e ressignificar os sentimentos de raiva e angústia que de certa forma eram responsáveis por isso Foi indicado que B avaliasse melhor a relação com a terapeuta A reavaliação deveria se dar no sentido de percepção se realmente não existia uma identificação positiva com a terapeuta ou se estava ocorrendo uma identificação com o pai E se fosse neste sentido B deveria colocar estas questões 154 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Daher A C B et al para a terapeuta e trabalhálas na própria terapia Dessa forma foi orientado que B continuasse seu processo terapêutico com sua terapeuta ou então que procurasse por outra terapeuta haja vista este ser imprescindível para tratar suas questões referentes ao relacionamento com o pai assim como o pensamento e sentimentos negativos imbricados a suas relações familiares O segundo caso referiuse a uma pessoa do sexo feminino identificada como A com aproximados 25 anos de idade Foi encaminhada para atendimento psicológico por um serviço de saúde do município o qual a mesma havia procurado com a queixa de ansiedade extrema taquicardia e sensação de morte eminente A relatou ser a segunda vez em que havia procurado um serviço de saúde com as mesmas queixas A partir de então foi diagnosticada com depressão e começou a fazer o uso de medicação Além das queixas supracitadas A contou ter procurado o plantão psicológico por encontrar dificuldades para estudar aprender e manter o foco principalmente nos afazeres acadêmicos Relatou que antes de procurar ajuda além das crises de ansiedade tinha também dificuldades em sair de casa pois pensava que algo de ruim poderia acontecer tais como um assalto ou um acidente pensamentos que lhe levaram à sensação iminente de morte identificada como tinha medo de morrer sic Ao saber do serviço de plantão psicológico A resolveu procurar pelo serviço porém com dúvidas de sua eficácia justamente por este ser pautado em um atendimento único e breve Tendo em vista que o dispositivo de atendimento em forma de plantão na perspectiva da psicanálise assim como a análise propriamente dita se caracteriza primeiramente como a escuta do inconsciente ROSA 2004 esta é possível de ocorrer em um único encontro também Entendese que a oferta do espaço de escuta para o sofrimento do sujeito mesmo que seja apenas em um único encontro pode promover um reposicionamento do sujeito diante sua queixa fazendoo produzir um saber que lhe seja próprio LERNER et al 2014 Na medida em que este atendimento transcorreu A falou sobre sua família e frisou que era muito próxima da mãe Contou que familiares próximos sofriam de depressão e problemas emocionais gravíssimos sic A colocou que devido a isto pensava que suas crises de ansiedade e depressão eram uma espécie de herança genética A partir de então começou a falar a respeito do relacionamento com o pai Relatou que a mãe havia desenvolvido depressão por causa das traições que sofria por parte de seu marido e ver sua mãe sempre melancólica a deixava mal Recordou que quando ainda criança o pai levava os filhos na casa de amantes como álibi para os questionamentos da esposa A plantonista questionou se em algum momento A havia contado para a mãe A relatou que não contava para a mãe com receio de magoála A disse que as brigas em casa eram constantes e que a mãe sempre soube sobre as traições contudo dizia que não poderia pedir o divórcio em função dos filhos pois não tinha condições de sustentálos sozinha A descreveu sua relação com a mãe como ligação especial sic e chegou a relatar que nem mesmo tinha interesse em relacionamentos amorosos pois namorar alguém implicaria em ficar menos tempo com a mãe A plantonista apontou que a fala da mãe parecia suscitarlhe algo pois dizia de uma situação na qual havia abdicado de seu bem estar em função dos filhos e por isso A parecia também abdicar de algo por ela A falou que nunca havia pensado nisso e que parecia fazer sentido me sinto dessa forma se saio de casa parece que estou abandonando ela sic A interpretação da plantonista e a fala da paciente configuram a escuta psicanalítica o que conforme Bastos 2009 é resultado da associação livre e atenção flutuante que por meio da fala coloca o sujeito em movimento acerca do não saber a respeito de si e do mundo A voltou a dizer sobre a faculdade e disse estar pensando em desistir da graduação Tinha a possibilidade de ampliar o prazo contudo estava em dúvida havia parado e retornado para o curso 155 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Plantão psicológico a partir de uma escuta psicanalítica sendo aquele seu último prazo caso não houvesse ampliação A plantonista colocou que dessa forma ela ficaria mais em casa e consequentemente na presença da mãe Foi então que A disse cheguei a pensar que não teria problema se reprovasse assim tenho mais tempo com a minha mãe acho que não queria escutar meus próprios pensamentos sic De acordo com Celes 2005 ao falar não é só o analista que escuta mas o próprio sujeito que fala e escuta ao mesmo tempo o que não sabe ou até mesmo o que não quer saber Quanto aos apontamentos realizados por meio do plantão psicológico foi posto que as dificuldades de aprendizagem e foco não estavam atreladas a algum problema cognitivo mas sim a uma necessidade emocional Em vista disso era importante que A entendesse que tinha parte nesse processo No que tange à abordagem psicanalítica a responsabilização do sujeito pelo seu sofrimento o torna consciente e consequentemente mais autônomo A se posicionou em buscar estender o prazo da graduação e concluí la De acordo com Bastos 2009 a escuta do analista faz desabrochar um saber que já existe no sujeito saber este que proporciona a abertura para ressignificações de experiências ROSA 2004 Isto é percebido na modalidade de plantão psicológico também na medida em que é neste encontro do plantonista com o analista que se faz possível a clarificação de uma demanda e as possibilidades de ação e ressignificação do sujeito frente ao seu sofrimento CAMPOS DALTRO 2015 COIN CARVALHO OSTRONOFF 2014 Diante os apontamentos realizados no plantão psicológico compete aqui enfatizar que sua prática com base no referencial psicanalítico constitui se em uma escuta ativa à medida que busca o sujeito de desejo muitas vezes desconhecido ou ocultado pelo mesmo O acolhimento do sofrimento se dá mediante essa escuta ativa que acaba por amenizar o sofrimento do sujeito com o intuito de abrir caminho para um novo sentido Não se pode esquecer que não importa o modelo de referencial psicanalítico seja este o plantão ou a análise ambos oferecem a escuta e a possibilidade de ressignificação REBOUÇAS DUTRA 2010 A plantonista pontuou no caso de A a necessidade de haver uma reestruturação da relação com a mãe de forma saudável Colocações sobre dar continuidade na graduação e certa independência seriam produtivas para a saúde psíquica da paciente assim como desatrelar sua independência com o abandono da mãe também se apresentaram de suma importância Contudo entendese que estas eram questões que necessitavam de um processo terapêutico que ultrapassavam a abrangência de um único encontro proporcionado pelo plantão psicológico Dessa forma foi discutida a importância da inserção da mesma em terapia O processo de análise favorece a exteriorização das instâncias mais internas do analisando Nesse sentido a análise provoca a perda essencial do sujeito o que mais tarde proporcionará uma reorganização psíquica Em vista disso ao invés de ter a finalidade de cura a psicanálise promove o encontro do sujeito com o estranho que há nele mesmo E é neste estranho no Isso de acordo com Freud que se descortina o eu Agora sim a psicanálise tem um efeito curativo na medida em que ir ao encontro de seu estranho provoca a diminuição do sintoma NASIO 1993 Considerações Finais Entendese a partir do exposto ser possível atuar com base no referencial psicanalítico em outros contextos que não uma clínica ortodoxa de divãs e settings específicos Tal possibilidade pode ser constatada a partir da prática do plantão psicológico na qual o plantonista assim como em uma análise possui um espaço que lhe permite utilizar uma importante ferramenta psicanalítica a escuta Acreditase assim que em um serviço de plantão psicológico embasado em uma vertente 156 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Daher A C B et al psicanalítica o plantonista se depara com a escuta do inesperado com a escuta do inconsciente que no centro da repetição insiste para que seja escutado Esperase que ao mesmo tempo em que é escutado pelo plantonista o próprio indivíduo que fala se escute e que esta escuta possa de alguma forma contribuir para que o sujeito se reposicione ou ressignifique o motivo que o fez procurar o plantão psicológico A despeito do potencial de ajuda e de promoção de saúde mental deste tipo de intervenção psicológica por ofertar um cuidado no exato momento de sua necessidade ou muito próximo desta entende se que o plantão psicológico também possui seus limites Como posto há situações que demandam uma abordagem contínua um processo terapêutico mais extenso cabendo à dupla plantonista e pessoa atendida esclarecerem a demanda a partir do referido processo de escuta refletindo sobre os encaminhamentos mais pertinentes para cada situação Referências ALMEIDA L P ATALLAH R M F O conceito de repetição e sua importância para a teoria psicanalítica Ágora Rio de Janeiro v 11 n 2 p 203218 2008 Disponível em httpwww scielobrscielophpscriptsciarttextpidS1516 14982008000200003lngennrmisohttpdxdoi org101590S151614982008000200003 Acesso em 11 dez 2017 BASTOS A B B I A escuta psicanalítica e a educação Psicólogo Informação São Paulo v 13 n 13 p 9198 2009 Disponível em httppepsic 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Universidade Católica de Campinas Campinas Recebido em 12 ago 2017 Aceito em 18 dez 2017 RESENHA CRÍTICA DE DOIS ARTIGOS Olá Entendi que você precisa de uma resenha e um comentário crítico sobre dois artigos relacionados ao plantão psicológico e sua relação com a abordagem humanista e a escuta psicanalítica Além disso há um segundo artigo que discute a possibilidade de atuação da psicanálise em moldes de plantão psicológico em uma instituição educacional O artigo de Daher et al 2017 destaca a importância do plantão psicológico como uma intervenção clínica pontual que oferece atendimento próximo à necessidade do indivíduo além de acolhimento e esclarecimento sobre sua demanda O texto enfatiza a escuta psicanalítica como uma forma de lidar com o inesperado e o inconsciente que insiste em ser ouvido A expectativa é que essa escuta ajude o indivíduo a se reposicionar ou ressignificar o motivo que o levou a procurar atendimento Já o artigo de Dalledone et al 2020 questiona se é possível aplicar a psicanálise em um formato de plantão psicológico em uma instituição educacional Os autores destacam que o plantão foi criado para suprir demandas emergenciais de saúde mental mas a psicanálise apresenta empasses para esse tipo de atuação No entanto eles argumentam que é possível adaptar o método e a técnica da psicanálise para o plantão comprometendose com a função do analista e seu método para além do clichê técnico É interessante observar que ambos os artigos destacam a importância do acolhimento e da escuta no plantão psicológico mas apresentam abordagens teóricas diferentes Enquanto o primeiro texto enfatiza a escuta psicanalítica o segundo destaca os desafios da aplicação da psicanálise nesse contexto Seria interessante uma reflexão mais profunda sobre como essas abordagens poderiam se complementar ou se contrapor Além disso é importante lembrar que o plantão psicológico é uma intervenção emergencial e pontual mas que pode ser complementada por outras formas de atendimento em saúde mental Seria interessante discutir como o plantão poderia se integrar com outros serviços de saúde mental como consultas regulares ou grupos terapêuticos Em conclusão os dois artigos apresentam reflexões importantes sobre o plantão psicológico e sua relação com a abordagem humanista e a psicanálise No entanto seria interessante uma reflexão mais profunda sobre como essas abordagens poderiam se complementar ou se contrapor além de discutir como o plantão poderia se integrar com outros serviços de saúde mental
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100 Pluralidades em Saúde Mental 2021 v 10 n 1 revistapsicofaev10n18 DOI 101764824471798revistapsicofaev10n18 Psicanálise Plantão Psicológico e a Atuação em Âmbito Educacional Maria Rita Alves Dalledone1 Natalia Leoni Michels2 Allan Martins Mohr3 FAE Centro Universitário FAE Curitiba PR Brasil Resumo O presente trabalho visa discutir brevemente as possibilidades de atuação profissional pelo exercício da psicanálise em moldes característicos de plantão psicológico Sabese que de princípio o plantão fora criado com o intuito de suprir as altas demandas sociais de atenção em saúde mental consiste em um atendimento emergencial adaptado à demanda apresentada e comprometido com o acolhimento do indivíduo no momento de crise A psicanálise por sua vez possui método técnica e arcabouço teórico que apresentam empasses para uma atuação que foge da clássica apresentada por Freud Entretanto em Lacan e em alguns textos do próprio pai da psicanálise encontrase a viabilidade de uma atuação comprometida com a função do analista e seu método para além do clichê técnico A experiência dos autores com o atendimento de plantão psicológico numa Instituição de Ensino Superior embasou a pesquisa e a fundamentação do trabalho tanto na teoria quanto na prática Portanto a pergunta que sustenta o artigo é relacionada ao desafio teóricometodológico da atuação dos próprios autores é possível propor um trabalho em psicanálise no formato de atendimento em plantão psicológico em uma instituição educacional Palavraschave plantão psicológico psicanálise psicologia escolareducacional Psychoanalysis Psychological Emergency and Urgent Care and Educational Activities Abstract The present work aims to briefly discuss the possibilities of professional performance through the exercise of psychoanalysis on psychological emergency care It is known that on principle the emergency care assistance was created in order to meet the high social demands of mental health it consists of urgency attendance adapted to the demand presented and committed to care for the individual in times of crisis Psychoanalysis on the other hand has method technique and theoretical framework that present impasses for a performance that differs from the classic one presented by Freud However in Lacan and in some texts from the father of psychoanalysis one finds the viability of a performance committed to the function of the analyst and his method beyond the technical cliché The authors experience with psychological assistance at a Higher Education Institution based the research and foundations of the work both in theory and at practice Therefore the question that supports the article is related to the theoreticalmethodological challenge of the authors own performance is it possible to propose caring on psychological duty as a format for work in psychoanalysis in an educational institution Keywords psychological emergency care psychoanalysis educational psychology 1 Graduada em Administração e graduanda em Psicologia pela FAE Centro Universitário Curitiba Paraná Brasil Email mrdalledonegmailcom 2 Graduanda em Psicologia pela FAE Centro Universitário Curitiba Paraná Brasil Email natalialmichelsgmailcom 3 Psicólogo doutor em Filosofia Psicólogo da Universidade Tecnológica Federal do Paraná Câmpus Curitiba e professor do Curso de Psicologia da FAE Centro Universitário Curitiba Paraná Brasil Email allanmohrgmailcom iD iD iD Submetido em 26102020 Primeira decisão editorial 16112020 Aceito em 26112020 101 M R A Dalledone N L Michels A M Mohr Introdução É um fato já bem descrito na literatura que o plantão psicológico surge como uma alternativa para os instrumentos sociais de atendimento psicológico que recebem demandas volumosas mas que por vezes contam com pouca capacidade de atendimento Não obstante cabe dizer de partida que mesmo com sua distinção o atendimento de plantão é embasado na ética como compromisso de escuta de cuidado e se refere principalmente a um espaço de acolhimento Sendo um espaço de escuta que muitas vezes ocorre em um único encontro o que nos propomos por ora discutir é a possível técnica a ser utilizada a teoria que a embasa e o método que a sustenta Então se nos for possível constituir um problema de pesquisa desde essa relação temos como fazer um atendimento em plantão psicológico de forma que decorra dele um efeito terapêutico Ou ainda como problema anterior o que se espera de um atendimento de plantão que pode ocorrer em apenas um encontro Para além dessas questões circunscritas à técnica problematizamos como encaixar uma abordagem psicológica como a psicanálise com todas as aspas possíveis no significante abordagem psicológica em um atendimento do tipo plantão É em decorrência do aumento da demanda por atendimentos psicológicos em espaços que não possuem a capacidade eou competência de oferecer terapia convencional que entendemos a necessidade de discussão acerca da referida prática e de seus efeitos Todavia para além da importância científica o tema é de particular relevância para os autores uma vez que todos já atuaram em plantão psicológico oferecido por uma Instituição de Ensino Superior IES O que ora desejamos estudar portanto é a tese de que a psicanálise pode sim ser utilizada como arcabouço teórico técnico e metodológico para um plantão psicológico mais especificamente em uma Instituição de Ensino Superior a partir de um trabalho de atendimento em psicologia escolareducacional falaremos disso adiante Desta forma a pergunta que motivou os autores pode ser assim escrita é possível propor um trabalho em psicanálise no formato de atendimento em plantão psicológico em uma instituição educacional É a partir disso que o presente artigo se propõe a discutir sucintamente o que se têm na literatura sobre plantão psicológico além de explorar a tese da possibilidade de uma psicanálise aplicada a uma proposta de atendimento em plantão De partida ainda é mister ressaltar que a IES a qual embasou a experiência dos pesquisadores conta com cursos técnicos e ensino superior oferecendo diversos cursos de Bacharelado Licenciatura e Tecnólogo assim como Mestrado e Doutorado A instituição possui um Núcleo de Acompanhamento discente desde 2008 o qual disponibiliza acompanhamento psicológico e pedagógico atendimento médico e odontológico serviço social e auxílio estudantil além de apoio aos estudantes com necessidades educacionais especiais É nesse contexto que os autores deste artigo atuaram em plantão psicológico com a psicanálise Plantão que se traduz em horários disponíveis para a escuta dos estudantes sem hora marcada sem tempo fixado ou quantidade máxima de atendimentos A partir então dessas questões propusemos o presente artigo desenvolvido da seguinte maneira inicialmente trabalharemos o plantão psicológico enquanto técnica e o problematizaremos para em sequência estudarmos a possibilidade de aplicação da psicanálise ao esquema de plantão psicológico sustentando nossa tese e finalmente discorreremos brevemente sobre nosso trabalho em plantão psicológico em uma IES Plantão Psicológico Ao buscar na literatura escritos acerca do plantão psicológico o que se encontra em sua maioria são artigos e estudos que tratam essa modalidade a partir da psicologia humanista De acordo com Rebouças e Dutra 2010 Rachel Rosemberg foi a responsável por implantar essa modalidade de atendimento na Universidade de São Paulo em 1969 e utilizou como referencial a Abordagem Centrada na Pessoa ACP de Rogers Schmidt 2015 afirma que este serviço ainda ofertado pela universidade referese a um projeto de extensão e que possibilita a prática do aconselhamento psicológico assim como pesquisas baseadas na ACP PsicoFAE Plur em S Mental Curitiba 2021 v 10 n 1 revistapsicofaev10n18 102 Rebouças e Dutra 2010 destacam o Professor Miguel Mahfoud como o primeiro a classificar o plantão como uma modalidade de clínica sendo assim responsável pela primeira sistematização pública em 1987 Mahfoud 2012 reitera que o serviço de plantão se refere à disponibilidade de profissionais para atender a demandas não planejadas e muitas vezes única O autor cita como especificidade do plantão a partir do aconselhamento psicológico o ato inicial de acolhimento da demanda a partir da experiência do sujeito onde a direção do processo deve ser definida pelo próprio indivíduo o que não significa uma passividade do plantonista mas propicia ao cliente uma organização do pedido de ajuda Ainda consoante o autor Com os poucos recursos de saúde mental atualmente disponíveis à população brasileira somados à pouca informação a respeito da especificidade e diversidade de cada área profissional envolvida a tendência tem sido a de que os serviços oferecidos se fixem em algumas prioridades definidas pelos casos mais graves Uma consequência é a especialização em demandas bastante restritas Mahfoud 2012 p 17 Dessa forma entendemos que tal prática surge com o intuito de se adequar às demandas atuais ou seja o plantão poderia ser pensado como um atendimento emergencial cujo principal objetivo seria o de acolhimento ao indivíduo no momento de crise Rebouças Dutra 2010 Desta forma entendese que o plantão psicológico é caracterizado como uma nova modalidade clínica Daher et al 2017 afirmam que o plantão se caracteriza por uma intervenção que apesar de possuir local e horário determinados não depende de um agendamento prévio Ademais destacase que essa modalidade visa atender a comunidade além de propiciar aos estudantes de Psicologia que com ela trabalham um aprimoramento do manejo clínico Rebouças e Dutra 2010 afirmam então que o plantão psicológico constituise como uma prática clínica da contemporaneidade na medida em que ela promove uma abertura para o novo o diferente e oferece um espaço de escuta a alguém que apresenta uma demanda psíquica um sofrimento oferece um momento no qual esse sujeito que sofre se sinta verdadeiramente ouvido na sua dor Rebouças e Dutra 2010 p 27 Apesar de a origem do plantão estar vinculada à psicologia humanista ScorsoliniComin 2015 estabelece que essa modalidade pode ser vista a partir de diferentes contornos teóricos O autor reitera que o plantão está muito presente nos serviçosescola de psicologia propiciando um vínculo com a comunidade A experiência dos autores vem ratificar o que se vislumbra na atualidade como uma emergente demanda de cuidado por parte da população brasileira sejam cuidados de ordem médica ou psicológica melhor ainda se forem oferecidos por uma instituição Rebouças e Dutra 2010 também afirmam que o modelo de atendimento tradicional de consultórios particulares e sujeitos descontextualizados de quatro paredes e uma poltronadivã 50 minutos uma vez por semana não mais se adequa às demandas sociais Muito embora essa afirmação seja passível de importantes críticas é num contexto social específico que surge com o intuito de oferecer atendimentos que supram essas procuras o chamado plantão psicológico Ou seja pensar em um atendimento na modalidade plantão é se inclinar à possibilidade de um atendimento no qual o profissional estará disponível para atendimento de demandas emergentesurgentes Nesse sentido o plantão é a oferta de um espaço de atendimento dito clínico acessível e imediato focado na demanda estabelecida pelo paciente e que visa promover a ampliação e avaliação do entendimento do usuário do serviço em relação a suas questões Desta forma caberia ao profissional de psicologia se comprometer com a escuta e com o acolhimento deste sujeito que busca ajuda compreendendo as implicações sociais e psicológicas dos espaços nos quais ele está inserido bem como as influências mútuas envolvidas no processo de sernomundo Rebouças Dutra 2010 103 M R A Dalledone N L Michels A M Mohr Psicanálise em Plantão uma Tese Possível Brevemente discutido o plantão psicológico partimos à tentativa de sustentar nossa tese inicial a lembrar de que é possível se fazer psicanálise ou dela se utilizar nos atendimentos no formato de plantão psicológico Especificamente dentro de uma instituição educacional Em 1955 Jacques Lacan escreveu ironicamente digase de passagem que um tratamento dito psicanalítico é aquilo que faz um psicanalista Ou seja para se dizer psicanálise basta que isso e seja lá o que isso é seja feito por um psicanalista Claro fica que ele ironiza a questão justamente para nos dizer em seguida que o problema do que denota ser um tratamento psicanalítico não está no desenho no formato do tratamento em si mas na posição que ocupa o analista nesse tratamento Lacan 19551998c E a posição que o analista deve ocupar em um tratamento para que esse tratamento seja dito analítico é justamente um lugar diznos Lacan de ignorância douta Ignorância que garantiria pelas circunstâncias do método com que o sujeito analisante possa enunciar algo de uma fala quiçá verdadeira para além de toda tentativa superegóica do analista em ser orientativo curandeiro psicoterapeuta ou ainda atendedor de demandas Nesse sentido o analista francês nos explica que o importante nesse encontro entre analistaanalisante é que da parte do analista ele esteja inconscientemente alerta para os equívocos enunciados nas sentenças de seu paciente porquanto naquilo que se escuta deve prioritariamente senão exclusivamente escutar seu ritmo seu tom suas interrupções e sua melodia Lacan 19551998c p 339 Nesse texto nomeado Variantes do tratamentopadrão Lacan em lugar algum exclusivisa a psicanálise a um consultório com quatro paredes ou a um tratamento temporalmente constituído de sujeitos descontextualizados numa poltrona por 50 minutos por semana A exclusividade da psicanálise nesse sentido está circunscrita à escuta ignorante de um analista e claro àquilo que surge disso Afinal lemos na pena de Lacan o seguinte A questão das variantes da análise brotando aqui do traço galante de ser ela tratamento padrão incitanos a preservar apenas um critério por ser ele o único de que dispõe o médico que para elas orienta seu paciente Esse critério raramente enunciado por ser tido como tautológico nós o escrevemos uma psicanálise padrão ou não é o tratamento que se espera de um psicanalista Lacan 19551998c p 331 Fato é que Lacan não poderia mesmo enfatizar algo de um tempo cronológico para a denotação de um tratamento psicanalítico Até porque dez anos antes em 1945 ele havia lançado a possibilidade de repensarmos o tempo cronológico a partir da logicidade de três movimentos que constituem a experiência psicanalítica a lembrar o instante do olhar o tempo para compreender e o momento de concluir Lacan 19451998a p 204 Com essa virada na técnica podemos ratificar que o tempo não é bem um problema quando se propõe pensar o que é um tratamento psicanalítico ou ainda uma análise A análise temporalmente falando a partir de Lacan precisa contar com um analista ignorante que direcione o tratamento para um momento onde a urgência de concluir se faça evidente ao analisante para que o sujeito possa escolher sair à sua liberdade Aliás o tempo além do dinheiro e do divã estão dentro daquilo que podemos nomear como aspectos técnicos da psicanálise e que à diferença do método e do arcabouço teórico obtiveram do próprio Freud a alcunha de modificáveis Mohr 2011 Freud se nos permitirmos uma leve falácia de apelo à autoridade é categórico em dizer que a técnica que lhe serve encaixa com sua personalidade muito embora outro analista pudesse se servir de outros instrumentos Freud 19122017a Em um texto de 1913 Sobre o início do tratamento Freud enumera algumas técnicas que utiliza para dar conta de seu objetivo em uma psicanálise lembrando que essas técnicas ou regras deveriam ser tomadas como recomendações afinal tais recomendações precisam extrair sua importância a partir do contexto da estratégia do jogo Freud 19132017b p 121 Em outras palavras essas regras ou técnica ainda recomendações devem ser sustentadas pela estratégia pelo contexto daquela análise em especial lembrando que a análise é aquilo que PsicoFAE Plur em S Mental Curitiba 2021 v 10 n 1 revistapsicofaev10n18 104 um analista faz como já discutimos acima Dessa maneira é importante compreender que uma análise em particular se quisermos sustentar o caso a caso como método freudiano é o que vai ditar as orientações da técnica ou das regras Ainda diz Freud sobre essas regras entre elas há determinações que podem parecer diminutas e que provavelmente o são mesmo 19132017b p 121 Enfim dentre essas diminutas regras encontramos algumas que servem para pensar a nossa problemática 1 as entrevistas preliminares como um momento probatório para o analista avaliar se o candidato a analisante pode de fato ser um analisante e ademais para que se possa fazer um diagnóstico diferencial mesmo que temporário 2 o tempo cronologicamente estipulado de uma hora 3 o pagamento pelo serviço disponibilizado em um tempo específico e finalmente apesar de não abarcar tudo 4 o divã o leito como reminiscência de um tempo mítico anterior à construção criação se desejarem da psicanálise Em resumo entendemos esses quatro instrumentos como técnicas as quais o próprio Freud considerou como possivelmente dispensáveis ou permutáveis Então poderíamos de fato dizer que as entrevistas preliminares o tempo o dinheiro e o divã são dispensáveis para que ocorra uma psicanálise Se sim o setting possível por exemplo sem divã ou belos quadros da renascença usados para um plantão psicológico dentro de uma IES pode se enquadrar como adequado a uma análise Pensando inicialmente sobre o divã compreendemos com Freud que ele é um remanescente dos tempos da hipnose e que serviu ao analista para não ser encarado durante as exaustivas horas de trabalho ao longo do dia Freud 19132017b Não obstante o leito analítico por assim dizer tem outra serventia bem pontual tem a intenção e o efeito de prevenir a mistura imperceptível da transferência com aquilo que ocorre ao paciente de isolar a transferência e no tempo certo deixála aflorar como resistência Freud 19132017b p 135 O divã ou melhor a não conexão visual entre analista e analisante serve ao manejo da transferência no sentido de que impede o paciente de se preocupar com as feições do analista e imaginar coisas e claro viceversa Contudo se uma permuta é possível talvez a questão não seja de fato o divã ou um leito mas a elevação da relação imaginária da imagem do olhar para outro lugar Assim para aqueles que entendem importante que na realidade no físico esse olhar seja impedido poderiam fazer isso pedindo ao paciente que vire de costas numa sala na qual não cabe um divã por exemplo que feche os olhos ou ainda que desligue a câmera lembrando dos nossos tempos e dos atendimentos virtuais coagidos pela pandemia da SarsCoV2 No entanto seria mesmo necessário um impedimento físico ao olhar para que uma análise seja levada adiante Ou se trata de outra coisa Não seria possível alçar a relação da imagem à linguagem sem desviarmos o olhar Mais ainda não poderíamos cogitar que o olhar ou aquilo que o paciente e analista acreditam ver poderia quiçá deveria ser alçado ao campo de trabalho próprio da psicanálise sem pararmos de nos olharmos Afinal é apenas nesse campo o da linguagem onde podemos trabalhar e mais é apenas ele que existe afinal não existe metalinguagem nos disse Lacan 19661998d Podendo ou não abdicar do olhar e isso é questão para outro trabalho fato é que o divã é substituível e isso nos parece possibilitar a afirmação de que é viável a psicanálise sem ele até mesmo dentro de uma instituição na qual ele o leito analítico por sua vinculação imediata à clínica não é bemvindo estamos falando do preconceito escolareducacional à clínica mas desta última falaremos adiante Acerca do pagamento em 1913 Freud o vinculou sobremaneira ao tempo o que nos permite dizer que ao menos nesse momento da construção da psicanálise tempo é dinheiro Ou pelo menos que um pagamento deve ser realizado pelo tempo disponibilizado Diz o psicanalista quanto ao tempo sigo exclusivamente o princípio da remuneração por uma determinada hora 19132017b p 125 E é isso no limite o pagamento é o valor contratado e equivalente pelo serviço prestado Aristóteles 1991 estaria bem representado não fosse outra conotação empregada ao dinheiro por Freud e conseguintemente pela psicanálise O pagamento é uma metáfora por assim dizer para o investimento 105 M R A Dalledone N L Michels A M Mohr libidinal a ser realizado no tratamento Freud 19091996b O dinheiro instrumento de um deslocamento passível de vinculação retroativa ao pênis e também ao falo serve como metáfora do desejo por assim dizer em se realizar aquela análise Mas se for apenas isso seremos obrigados a compor a lógica de que quanto mais se paga mais desejo fazer a análise e de outra forma se não posso pagar não desejo essa análise Bem entendemos que há diversas maneiras porquanto metáforas de se garantir se isso for possível e necessário que há desejo em determinada análise Em outras palavras o pagar caro não é o exclusivo sinônimo de um desejo por essa ou aquela análise em particular entendemos que há outras maneiras de se dizer isso Fato que o dinheiro tem sua importância seu valor de troca e de uso e que a relação analítica se apropria disso de uma maneira importantíssima mas no final das contas o lugar do dinheiro na simbologia é a de ser puro significante em que a linguagem é sua condição Silva Henriques 2019 p 178 E para além disso cabe lembrar como o próprio Freud incentivou certa vez a abertura de lugares de psicanálise para a população em geral Freud 19201996d Enfim entendemos que o pagamento por uma análise pode ser pensado e inclusive pode não ter o suporte físico ou virtual da moeda Um atendimento institucional pode ser caro para alguns e completamente vazio para outros Nesse sentido convidamos o leitor a recordar o significado de caro para além do seu valor de troca financeira uma análise cara é uma análise querida desejada e seu pagamento pode se dar para além da troca de papéis e moedas Uma análise pode ser paga também com suor lágrimas e porque não sonhos Sobre o tempo bem se Freud era filho de Cronos talvez mais por uma organização que o ajudava a cobrar o investimento necessário nas sessões Lacan é órfão Com Lacan desde 1945 compreendemos que o uso do tempo em uma análise e em cada sessão deve ser desenvolvido a partir de uma lógica e com isso já não podemos considerar uma sessão de hora fechada ou um tratamento obrigatoriamente crônico e cronologicamente longo como o bom ou verdadeiro tratamento psicanalítico Assim com o aporte do tempo dito lógico entendemos que o plantão psicológico se torna possível de ser compreendido desde a psicanálise e atuado a partir desse local uma vez que desde essa perspectiva a do tempo lógico podemos compreender as questões de uma análise e de uma sessão a partir da alcunha da urgência Urgência enquanto coação que convoca necessariamente a um movimento para a sanar ou modificar Urgência enquanto alerta de algo que precisa ser elaborado e desenvolvido senão esvaziado Além disso tudo ainda vale lembrar das palavras de Lacan em Função e campo a nos explicar que o que aparece em uma análise é sempre da ordem da urgência e que precisa ser tratado logicamente para que possa ser concluído nada há de criado que não apareça na urgência e nada na urgência que não gere sua superação na fala Lacan 19531998b p 242 Que possamos aprofundar a análise dessa citação ao compreender a importância da fala dentro do campo da linguagem o único campo analítico É desde a fala que uma urgência pode ser superada o que reforça o que discutimos acima sobre o uso do divã lembremos o que importa é a função e o uso da fala em psicanálise Ratifica o autor nada há tampouco que não se torne contingente nela na fala quando chega para o homem o momento em que ele pode identificar numa única razão o partido que escolhe e a desordem que denuncia para compreender sua coerência no real e se antecipar por sua certeza à ação que os coloca em equilíbrio Lacan 19531998b p 242 Finalmente a questão das entrevistas preliminares e seu uso de elaboração diagnóstica Para nos aprofundarmos neste tema iremos antes percorrer outra questão o problema do método Acima dissemos que a discussão sobre a psicanálise em plantão psicológico perpassa a técnica psicanalítica brevemente discutida o método e a teoria Essa última cabe dizer que a consideramos como o arcabouço científico construído indutivamente desde a clínica freudiana e em sequência por aqueles que deram continuidade cada um a seu modo e de diferentes lugares científicos na psicanálise Não entraremos muito nesses detalhes PsicoFAE Plur em S Mental Curitiba 2021 v 10 n 1 revistapsicofaev10n18 106 pois a teoria em si não implica uma proibitiva da extensão da psicanálise ao plantão psicológico Mas nos interessa sobremaneira pensar seu método O método psicanalítico é senão caudatário filiado ao que chamamos de método clínico Um método de investigação por excelência indutivo por nascimento e que recebe nas ciências médicas por assim dizer seu lugar de destaque O método clínico é um método indutivo porque pressupõe o debruçamento do pesquisador sobre um caso ou um conjunto de casos para posteriormente construir hipóteses e leis gerais de funcionamento daquilo que foi estudado Por meio dele constroem se generalizações a partir do estudo de particulares O método clínico ainda pode ser entendido a partir de quatro componentes a saber semiologia etiologia diagnóstica e terapêutica Dunker 2011 Para que o método possa de fato ser descrito como clínico diznos Dunker são necessárias duas propriedades fundamentais a homogeneidade entre seus elementos e a covariância de suas operações Dunker 2011 p 422 Ou seja deve haver no trabalho clínico para que ele seja considerado clínico a covariância das operações seus componentes da etiologia semiologia terapêutica e diagnóstica assim também é fundamental que entre seus elementos exista homogeneidade isto é uma doença cuja causa é orgânica deve ter componentes orgânicos para seu entendimento deve ser diagnosticada por meio desses signos orgânicos e ter uma proposta terapêutica que não fuja disso o orgânico Dessarte como a questão da clínica se vincula às entrevistas preliminares e sustenta nossa tese Dunker nos diz que a diagnóstica é a operação chave da clínica pois dela dependem todas as outras operações Podemos dizer que o diagnóstico como reconhecimento do sintoma é o ato elementar da clínica 2011 p 421 já Freud afirmou que se utilizava das entrevistas preliminares para entender o caso e por conseguinte realizar um diagnóstico diferencial 19132017b Cabe ressaltar que Dunker vai distinguir dois tipos de diagnósticos o diferencial e o evolutivo esse último sendo vinculado à possibilidade de manejo e reformulação intrínseca à toda diagnóstica quando se trata do método clínico 2011 Enfim ao associar as propostas dos autores compreendemos que são as entrevistas preliminares que nos possibilitam realizar um diagnóstico diferencial e propor uma terapêutica sustentada em uma semiologia que possibilita uma etiologia Pois bem se as entrevistas preliminares são uma parte da técnica psicanalítica uma parte que nos serve à realização de um diagnóstico diferencial podese dizer que um plantão psicológico que se utiliza da psicanálise é como entrevistas preliminares Mais seria possível dizer que isso que ocorre num plantão psicológico embasado na psicanálise é uma análise Entendemos que afirmar o que ocorre em um plantão psicológico como uma análise seria um tanto arriscado porquanto precisaríamos explorar todos os problemas aqui elencados de maneira mais aprofundada Não obstante 1 se uma análise é o que faz um analista 2 que não precisa necessariamente seguir à risca os elementos técnicos e míticos estipulados desde o início da psicanálise mas 3 deve estar atento à teoria e 4 seguindo o método clínico além disso 5 entendendo que o plantão psicológico em psicanálise serve como entrevistas preliminares a fim de um diagnóstico mas não esquecendo que se levarmos ao limite o tempo lógico 6 uma análise pode ocorrer em um curto espaço de tempo e quiçá em uma única sessão então talvez nossa tese possa ser sustentada Ademais cabe ainda discutirmos brevemente sobre uma regra que devemos encaixar na ordem da exceção a chamada regra fundamental da psicanálise a associação livre Entendemos que ela é uma exceção no sentido de que ela faz parte dos itens essenciais contudo parecenos que ela é mais da ordem do método do que da técnica lembremos que o método clínico se trata de um debruçarse sobre um caso particular para dele somado a outros particulares construirse teoria Dessa forma compreendemos por ora a associação livre e seu correlato a atenção flutuante como regras metodológicas distintas das regras técnicas A associação livre e a atenção flutuante compõem o método porquanto são a base dele a base da posição investigativa do psicanalista sem esses pressupostos metodológicos não há investigação tampouco um debruçarse 107 M R A Dalledone N L Michels A M Mohr Por fim cabe recordar que conjecturamos a tese de que a psicanálise pode sim ser utilizada como arcabouço teórico técnico e metodológico para um plantão psicológico e por ora entendemos possível ratificála Ademais não pretendemos ao início desse trabalho igualar uma análise àquilo que pode ocorrer em um plantão psicológico o que demandaria um trabalho maior mas nossos estudos nos levaram à possibilidade de dizer que a psicanálise pode ser utilizada num plantão psicológico sem termos a necessidade de nos servirmos de uma psicologia holística e isso porque os componentes da clínica e portanto da clínica psicanalítica semiologia etiologia diagnóstica e terapêutica podem ser pensados em um tempo lógico E suas regras possuem desde Freud certa maleabilidade O Âmbito EscolarEducacional Elucidadas as diretrizes teóricas sobre possibilidades e impossibilidades do exercício do plantão a partir da psicanálise concordamos com a necessidade de expor um detalhamento prático desta experiência e como em nuances diárias a teoria toma forma no encontro entre profissional e paciente A primeira questão a qual podemos discorrer é que benefício este tipo de exercício oferece aos alunos de uma IES Já vimos que o plantão surgiu nos moldes de aconselhamento psicológico e acolhimento e a psicanálise por sua vez utiliza se da associação livre e de uma escuta que por ora podemos nomear clínica Como se dá ou como se pode averiguar então a eficácia do serviço proposto Bem inicialmente seria um grande equívoco afirmar que em todas as sessões em todo atendimento conseguese os mesmos efeitos nos pacientes e ainda que se assemelham em forma e conteúdo afinal da mesma maneira como acontece em uma análise ou uma terapia cada caso é único e deve ser tratado como tal Talvez o grande desafio dessa proposta seja exatamente esse não há o que esperar apesar do estudante sempre esperar algo tanto a nível de demanda quanto de resultado Não é raro perceber na postura do paciente após 20 ou 30 minutos de sessão uma mudança na postura corporal ritmo e tonalidade da fala acompanhadas de um ufa um alívio que podemos relacionar ao uso da fala como motilidade para uma descarga energética Freud 19001996a Muitos estudantes esperam que o atendimento se configure enquanto aconselhamento psicológico e buscam respostas e soluções para suas questões o que pode muitas vezes gerar um sentimento de frustração em relação ao trabalho realizado em alguns casos por outro lado conseguese minimamente repensar essas demandas e se reposicionar diante delas pelo questionamento Em decorrência da brevidade do atendimento de plantão e de sua característica pontual os resultados esperados não ambicionam uma cura ademais cabe dizer que a própria ideia de cura em psicanálise é passível de questionamento terapia muito menos a resolução pura e simples da demanda apresentada Entretanto não se deve menosprezar o potencial reorganizador da fala o efeito rehistoricizador de uma escuta analítica O analista se é que podemos chamar assim esse atendente que realiza atendimentos de plantão psicológico se apoia portanto no trabalho de escuta e ainda na promoção de um espaço de possibilidade de fala dita livre propriamente associação livre enquanto método de trabalho e o questionamento do sintoma como ele se apresenta a fim de que ao paciente seja possível repensálo minimamente que seja Há possibilidades de se realizar um atendimento de 60 minutos ou 15 em salas diferentes com ou sem uma mesa a separar as cadeiras com aperto de mão como cumprimento um abraço um sorriso ou nenhum dos anteriores Há choro riso exigências de soluções rápidas e às vezes um de que isso serviu sic A procura por serviços de saúde mental ocorre por inúmeras motivações e muitas vezes são carentes de atendimento duradouro multiprofissional e especializado Nesse sentido o plantão também serve como uma alternativa acessível e rápida de chegar a esses serviços atuando com o encaminhamento dos casos para instituições e profissionais que ofereçam um atendimento outro Outra questão que surge ao pensarmos a psicanálise em plantão psicológico é referente à transferência uma ferramenta essencial para PsicoFAE Plur em S Mental Curitiba 2021 v 10 n 1 revistapsicofaev10n18 108 o exercício da psicanálise Como pensála num atendimento único breve ou sem o conhecimento por parte do paciente de quem o irá atender O trabalho escolareducacional tem como característica um vínculo institucional préestabelecido entre os alunos e a IES e entre o psicólogo e a IES ou seja há um terceiro na relação aluno IES psicólogo Então isso que acontece entre aluno e psicólogo num atendimento em âmbito educacional pode ser pensado desde a transferência Se sim de qual maneira Vale recordar que Freud sempre atribuiu a transferência à neurose e não ao vínculo analítico tampouco ao setting A transferência é uma característica da neurose ou seja ela ocorre independente do lugar ou de como esse encontro se estabelece Freud 1917 1916171996c Tudo bem que lugares e encontros distintos possam oferecer maiores ou menores resistências tais ou quais características transferenciais mas o fato é que a transferência ocorre independente do onde Costumamos entender esse aspecto da análise a transferência em um âmbito educacional como que acontecendo a partir de um lugar emprestado não obstante um lugar Até porque a recordar o que disse Lacan sobre a transferência em sua lição de 19 de dezembro de 1956 entendemos que a estrutura transferencial é da ordem discursiva simbólica daquilo concernente à relação de um sujeito com o Outro Aliás diz o autor O Outro não é simplesmente o outro que está ali mas literalmente o lugar da palavra Existe já estruturado na relação falante este maisalém este Outro para além do outro que vocês apreendem imaginariamente este Outro suposto que é o sujeito como tal o sujeito em que a fala de vocês se constitui porque ele pode não somente acolhêla percebêla mas também responder a ela É sobre esta linha A S que se estabelece tudo o que é da ordem transferencial o imaginário desempenhando aí precisamente um papel de filtro até mesmo de obstáculo Lacan 1956571995 p 7980 O psicólogo empresta o lugar imaginário de psicólogo da instituição para poder iniciar seu efeito na relação com o estudante um empréstimo que é rapidamente recuperado porquanto no final das contas ele ocupa esse lugar da palavra lugar do Outro O psicólogo da instituição pode até fazer parte desse filtro obstáculo transferencial mas que logo é reorganizado como podemos ver nos casos de estudantes que retornam ao plantão psicológico com a condição de serem atendidos exclusivamente por aquele um que outrora o escutou Não adianta outro psicólogo da instituição só serve aquele com o qual certa transferência começou a ser desemprestada do lugar institucional Por fim cientes de que esse recorte de nossa prática poderia ser mais esmiuçado apesar dos propósitos deste artigo não compreender tal tarefa ressaltamos que muitos contatosatendimentos realizados no formato de plantão ficam restritos a uma orientação encaminhamento ou tentativa de acolhimento de demanda não obstante há aqueles que estabelecem uma transferência importante e topam desorganizar lugares e se reorganizar na linguagem que os habitam A esses encontros segundo a tese que ora sustentamos ousamos alcunhar como uma psicanálise Considerações Finais O surgimento do plantão psicológico está atrelado à abordagem centrada na pessoa proposta por Rogers mais especificamente ao aconselhamento psicológico No entanto dentre os critérios que caracterizam um atendimento como plantão estão a promoção de um espaço de escuta o qual não necessita agendamento prévio e que muitas vezes pode ocorrer somente em um encontro No atendimento de plantão ocorre um encontro na urgência o qual se desenvolve a partir de uma escuta Vimos com Lacan que o encontro entre analista e analisante pode ser pensado como um evento que acontece a partir de um analista inconscientemente alerta a equívocos enunciados nas sentenças de seu paciente e vimos também que Freud propõe técnicas para um atendimento psicanalítico técnicas essas que em um primeiro momento poderiam não se enquadrar dentro da modalidade de plantão Não obstante discutimos como o pai da psicanálise 109 M R A Dalledone N L Michels A M Mohr não define tais regras enquanto essenciais todavia cabendo ao método certa indispensabilidade Desta forma sustentamos a possibilidade de um plantão a partir da psicanálise pois entendemos que uma análise é o que um analista faz a partir de um método particular de prática muito embora não seja necessário seguir à risca as técnicasregras estipuladas como que miticamente Outrossim o plantão pode ser equiparado às entrevistas preliminares ao possibilitar a elaboração de um diagnóstico diferencial e a proposta de uma terapêutica Outro ponto que ainda abordamos brevemente é o plantão psicológico dentro de uma IES O plantão psicológico na sua origem está atrelado às universidades sendo vinculado ao curso de Psicologia de forma a proporcionar aos alunos a prática clínica como também uma alternativa para a comunidade A IES da qual surge nossa experiência não possui o curso de Psicologia não obstante destina vagas de estágio para alunos de outras instituições No que tange à ligação com a comunidade o Núcleo de Acompanhamento discente da instituição desde 2008 oferece serviços à comunidade acadêmica sendo um deles o de plantão psicológico É nesse contexto portanto que podemos recortar e ratificar que o trabalho em plantão psicológico a partir da psicanálise tem surtido efeitos terapêuticos importantes em alguns casos em outros tem possibilitado ao indivíduoestudante organizar algo de sua vida acadêmica alguns outros dão início a processos de análise pessoal em outros ambientes na maioria das vezes encaminhados pelo próprio setor A partir da experiência dos autores percebemos a importância dos espaços de escuta qualificada oportunizados pelo plantão psicológico O encontro que ocorre possibilitando a criação de um vínculo transferencial que por ser institucionalizado possui certas distinções que não cabe neste trabalho esmiuçar enseja um diagnóstico diferencial que indica uma terapêutica Terapêutica que por vezes pode ser percorrida no próprio espaço de plantão por outras precisa ser encaminhada para outros lugares sociais Portanto e concluindo compreendemos que é possível que a psicanálise se aproprie dessa modalidade a partir de seu arcabouço teórico técnico e metodológico Contribuição Os pesquisadores declaram não haver conflitos de interesse Referências Aristóteles 1991 Ética a Nicômaco Nova Cultural Daher A C B Ortolan M L M Sei M B Victrio K C 2017 Plantão psicológico a partir de uma escuta psicanalítica Semina Ciências Sociais e Humanas 382 147158 httpsdoi org105433167903832017v38n2p147 Dunker C I L 2011 Estrutura e constituição da clínica psicanalítica uma arqueologia das práticas de cura psicoterapia e tratamento Annablume Freud S 1996a A Interpretação dos Sonhos W I de Oliveira Trad In J Salomão Ed Obras psicológicas completas de Sigmund Freud edição standard brasileira Vol 5 Imago Trabalho originalmente publicado em 1900 Freud S 1996b Notas sobre um caso de neurose obsessiva J O de A Abreu Trad In J Salomão Ed Obras psicológicas completas de Sigmund Freud edição standard brasileira Vol 10 Imago Trabalho originalmente publicado em 1909 Freud S 1996c Conferência XXVII Transferência J L Meurer Trad In J Salomão Ed Obras psicológicas completas de Sigmund Freud edição standard brasileira Vol 16 Imago Trabalho originalmente publicado em 1917 Freud S 1996d Dr Anton von Freund E A M de Souza Trad In J Salomão Ed Obras psicológicas completas de Sigmund Freud edição standard brasileira Vol 18 Imago Trabalho originalmente publicado em 1920 Freud S 2017a Recomendações ao médico para o tratamento psicanalítico C Dornbusch Trad In G Iannini Ed Fundamentos da clínica psicanalítica Obras incompletas de Sigmund Freud Autêntica Trabalho originalmente publicado em 1912 PsicoFAE Plur em S Mental Curitiba 2021 v 10 n 1 revistapsicofaev10n18 110 Freud S 2017b Sobre o início do tratamento C Dornbusch Trad In G Iannini Ed Fundamentos da clínica psicanalítica Obras incompletas de Sigmund Freud Autêntica Trabalho originalmente publicado em 1913 Lacan J 1995 O seminário livro 4 a relação de objeto J Zahar Lacan J 1998a O tempo lógico e a asserção de certeza antecipada V Ribeiro Trad In J Lacan Escritos J Zahar Trabalho originalmente publicado em 1945 Lacan J 1998b Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise V Ribeiro Trad In J Lacan Escritos J Zahar Trabalho originalmente publicado em 1953 Lacan J 1998c Variantes do tratamentopadrão V Ribeiro Trad In J Lacan Escritos J Zahar Trabalho originalmente publicado em 1955 Lacan J 1998d A ciência e a verdade V Ribeiro Trad In J Lacan Escritos Rio de Janeiro Zahar Trabalho originalmente publicado em 1966 Mahfoud M 2012 A vivência de um desafio plantão psicológico In M Mahfound Org 2012 Plantão Psicológico novos horizontes Companhia Ilimitada Mohr A M 2011 Aquém dos ideais da educação ou das impossibilidades do trabalho do psicanalista em atendimento individual na escola Dissertação de Mestrado Universidade Federal do Paraná Rebouças M S S Dutra E 2010 Plantão Psicológico uma Prática Clínica da Contemporaneidade Revista da Abordagem Gestáltica Phenomenological Studies 161 1928 httpswwwredalycorgarticulo oaid357735773561304 Schmidt M L S 2015 Aconselhamento psicológico como área de fronteira Psicologia USP 263 407413 httpsdoi org1015900103656420140033 ScorsoliniComin F 2015 Plantão psicológico e o cuidado na urgência panorama de pesquisas e intervenções PsicoUSF 201 163173 httpsdoiorg1015901413 82712015200115 Silva N O da Henriques R da S P 2019 O estatuto psíquico do dinheiro à luz da teoria psicanalítica Ágora 222 173179 https doiorg101590180944142019002004 147 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 DOI 105433167903832017v38n2p147 Plantão psicológico a partir de uma escuta psicanalítica Psychological emergency attendance through a psychoanalytical listening Ana Claudia Broza Daher1 Maria Lúcia Mantovanelli Ortolan2 Maíra Bonafé Sei3 Kawane Chudis Victrio4 Resumo O plantão psicológico se configura como uma intervenção psicológica implementada no Brasil a partir de um referencial humanista abordagem teórica ainda predominante na literatura sobre o tema Organiza se como um tipo de intervenção clínica que oferta um atendimento pontual realizado o mais próximo possível da necessidade do indivíduo por meio do qual podese fazer além de um acolhimento também um esclarecimento acerca da demanda desta pessoa Tendo em vista a importância e pertinência desta prática buscouse ofertála em 2015 em um serviçoescola de Psicologia de uma universidade pública Diante deste cenário almejouse discutir a prática do plantão psicológico realizada por meio de um projeto de extensão enfatizando a escuta psicanalítica empreendida neste contexto Considerase que no plantão psicológico o plantonista acaba por se deparar com a escuta do inesperado do inconsciente que insiste para que seja ouvido Esperase assim que ao mesmo tempo em que é escutado o próprio sujeito que fala se ouça e que esta escuta possa de alguma forma contribuir para que ele se reposicione ou ressignifique o motivo que o fez procurar o atendimento Palavraschave Plantão psicológico Psicanálise Serviçoescola de Psicologia Abstract The psychological emergency attendance configures itself as a psychological intervention implemented in Brazil from a humanist framework theoretical approach that still prevails in the literature on the subject It organizes itself like a kind of clinical intervention that offers a punctual service accomplished the closest possible to the individuals necessity whereby its possible to make besides a reception also an enlightenment about the persons demand Considering the importance and relevance of this practice it was sought to offer it in 2015 in a psychology school service of a public university In this scenario the objective of this paper was to discuss the practice of psychological emergency attendance held through an extension project emphasizing the psychoanalytical listening undertaken in this context It is considered that in psychological emergency attendance the psychologist eventually is faced with the listening of the unexpected the unconscious that insists to be heard It is expected therefore that at the same time it is heard the individual who speaks can listen to himself and that this listening can somehow contribute to his repositioning or resignifying the reason that made him seek care Keywords Psychological emergency attendance Psychoanalysis Psychological university clinic 1 Psicóloga Especialista em Avaliação Psicológica e em Psicologia Clínica e da Saúde 2 Psicóloga Residente em Saúde da Família pela Universidade Estadual de Londrina Email ortolan78gmailcom 3 Psicóloga Doutorado e PósDoutorado em Psicologia Clínica pelo IPUSP Professora Adjunta do Departamento de Psicologia e Psicanálise da Universidade Estadual de Londrina 4 Psicóloga pela Universidade Estadual de Londrina 148 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Daher A C B et al Plantão Psicológico Histórico e Panorama Geral O serviço de Plantão Psicológico foi inaugurado no Brasil no início dos anos 1960 por Rachel Rosemberg Tal profissional implantou este tipo de atendimento no Serviço de Aconselhamento Psicológico SAP do Instituto de Psicologia da USP IPUSP tendo a Abordagem Centrada na Pessoa de Carl Rogers como referencial no intuito de oferecer um atendimento diferenciado à clientela que procurava o serviço constituindose como uma alternativa às longas filas de espera FUJISAKA et al 2013 ROCHA 2011 Apresentase como uma modalidade de atendimento de tipo emergencial que almeja acolher o sujeito no momento mais próximo de sua necessidade auxiliandoo a manejar seus recursos e limites BRESCHIGLIARI JAFELICE 2015 Tratase assim de uma intervenção realizada sem agendamento prévio por meio do acolhimento dado por um profissional que se posiciona à espera do interessado em um local e horário previamente determinados Pode ser também intitulado como pronto atendimento psicológico denominação que busca afastar a prática da conceituação adotada no campo médico O plantão ou pronto atendimento psicológico não dá ênfase à sintomatologia do sujeito mas sim às suas potencialidades sua experiência como um todo levando em conta seus variados contextos É importante ressaltar que esta modalidade de intervenção em um serviçoescola de Psicologia não comporta determinadas demandas tais como emergências psiquiátricas surtos psicóticos no caso Destinase ao acolhimento das pessoas que a ele recorrem de maneira espontânea ou por encaminhamento de serviços parceiros em busca de auxílio para questões de caráter emocional GOMES 2012 No que se refere ao trabalho efetuado pelo plantonista entendese que este se vê frente a uma prática complexa haja vista a necessidade de desenvolver uma disponibilidade para se defrontar com o inesperado e com a possibilidade de que o encontro com o paciente seja único CHAVES HENRIQUES 2008 Como se configura como um atendimento frequentemente sem continuidade o plantonista deve estar preparado para acolher variados tipos de demanda sem um planejamento prévio dando um retorno imediato àquele que busca o plantão SCORSOLINICOMIN 2014 Mesmo com esta complexidade notase um início e uma presença posterior deste tipo de intervenção nos serviçosescola de Psicologia DOESCHER HENRIQUES 2012 GOMES 2008 PAPARELLI NOGUEIRAMARTINS 2007 espaços de formação de futuros psicólogos clínicos Um exemplo disto trata da implantação do plantão psicológico realizada no serviçoescola de psicologia em uma universidade pública que será aqui apresentada Nesta Instituição de Ensino Superior o plantão psicológico foi iniciado no ano de 2015 sendo denominado institucionalmente como Pronto Atendimento Psicológico Tendo em vista a dificuldade de se fazer alterações na grade curricular que demandam extensos trâmites institucionais optouse pela inserção deste serviço por meio de um projeto de extensão e não como disciplina obrigatória como foi feito na USP Com isso os acolhimentos acabavam sendo realizados por estudantes de últimos anos do curso de Psicologia vinculados voluntariamente ao projeto mas também poderiam ser realizados por psicólogos graduados vinculados à atividade O plantão psicológico organizavase como uma intervenção clínica oferecida diariamente no período do almoço além de ser oferecido ao longo de todo horário comercial da quartafeira Tendo em vista o caráter de plantão não era necessário o agendamento prévio do atendimento bastando que o interessado comparecesse no horário disponibilizado para esta atividade 149 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Plantão psicológico a partir de uma escuta psicanalítica Como se organizava como um projeto de extensão visava não só o oferecimento de um serviço psicológico para a comunidade mas também se atentava em proporcionar ganhos no campo da formação do estudante no sentido de aprimorar o raciocínio deste e seu manejo clínico Neste caso entendese que se qualifica o estudante para uma diferente modalidade de atendimento clínico fomentando o papel social desempenhado pelo psicólogo Notase que a prática de plantão psicológico no cenário nacional baseiase mais amplamente na perspectiva humanista SCORSOLINI COMIN 2015 SOUZA SOUZA 2011 com propostas prioritariamente pautadas na Abordagem Centrada na Pessoa SCORSOLINI COMIN 2014 e Abordagem Fenomenológico Existencial GONÇALVES FARINHA GOTO 2016 Tendo em vista este cenário almejase por meio deste trabalho discutir como é o olhar psicanalítico a respeito dessa prática pensando mais especificamente nas contribuições de uma escuta psicanalítica nos atendimentos realizados nos plantões Tratase de um estudo teóricoclínico que visa articular a literatura referente ao plantão psicológico com os pressupostos teóricos da clínica psicanalítica com ilustração clínica sobre o atendimento em plantão psicológico realizado a partir desta perspectiva No que se refere aos aspectos éticos compreendese que este trabalho respeita a Resolução n 5102016 do Conselho Nacional de Saúde BRASIL 2016 que indica não ser necessária a tramitação por um Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos de trabalhos que proponham um aprofundamento teórico de situações que emergem espontânea e contingencialmente na prática profissional Nestes casos entretanto deve haver um cuidado quanto à apresentação dos dados de forma que estes não favoreçam a identificação dos sujeitos Considerações Gerais Sobre a Clínica Psicanalítica Em 1896 Sigmund Freud criou o termo psicanálise para dar nome a um método particular de psicoterapia pautado na investigação dos processos mentais inconscientes ROUDINESCO PLON 1998 Com a psicanálise Freud inventou um procedimento para que a verdade falasse revelar os processos inconscientes que produzem os sintomas ROSA 2004 p 341 Entendese que a psicanálise como método de tratamento é produtora de efeitos terapêuticos MARCOS OLIVEIRA JÚNIOR 2013 Todavia a psicanálise não tem como objetivo uma cura pelo menos não está aos moldes do tratamento clínico médico até porque Freud concebeu a análise como interminável MARCOS OLIVEIRA JÚNIOR 2013 p 19 Podese falar que o processo analítico almeja sim uma cura apenas se esta for ao sentido trazido por Lacan 1998 p 936 com a compreensão desta palavra não como designação propriamente de eliminação de um mal mas em sintonia com a palavra francesa cure vista como sinônimo de tratamento análise ou tratamento analítico Quanto ao processo analítico entendese que em psicanálise o falar corresponde a um escutar O analisando fala o que foi esquecido e o analista escuta de modo que o que falou também escute o que fala o que não sabe ou não quer saber Nesta perspectiva o escutar do analista pressupõe um ato e não uma simples percepção CELES 2005 O processo psicanalítico constituise então por meio da combinação entre as associações livres do analisando e a atenção flutuante do analista No que concerne à associação livre é solicitado ao paciente que este comunique tudo o que lhe ocorre sem deixar de revelar algo que lhe pareça insignificante vergonhoso ou doloroso CELES 2005 MACEDO FALCÃO 2005 Quanto à atenção flutuante esta se relaciona com o desprendimento 150 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Daher A C B et al do analista de suas influências conscientes de forma a deixar a atenção uniformemente suspensa e escutar o paciente sem o privilégio a priori de qualquer elemento de seu discurso CELES 2005 MACEDO FALCÃO 2005 A associação livre e a atenção flutuante são processos concomitantes com o que se configura escuta psicanalítica Esta escuta não tem função passiva pois coloca em movimento o sujeito fazendoo falar depararse com o seu não saber com suas dúvidas sobre si e sobre o mundo BASTOS 2009 A escuta psicanalítica é ativa provoca o analisando a se colocar diante de suas próprias palavras levao a examinar e se dar conta de sua própria singularidade e se implicar com ela isto é dar consequências decidir o que fazer com isso BASTOS 2009 ROSA 2004 O escutar demanda uma abstinência do analista implicandoo a suportar aquela relação à transferência no caso Aqui o analista deve ocupar o lugar de supostosaber sobre o sujeito uma estratégia para que o sujeito supondo que fala para quem sabe sobre ele fale e possa escutarse e apropriarse de seu discurso ROSA 2004 p 343 Ao escutar o analista deve voltar o seu inconsciente em direção ao inconsciente do paciente deve se atentar às palavras ditas e silenciadas tendo em vista que há algo além do que foi dito para ser escutado Compreendese que o inconsciente do paciente insiste para que seja escutado funciona assim a partir de um mecanismo de repetição A repetição é movida por componentes psíquicos recalcados que se atualizam num encontro analítico O que se repete é algo que por mais que se tente não se pode recordar é o impossível de se dizer ALMEIDA ATALLAH 2008 Ao repetir a pessoa em análise rodeia suas questões sem conseguir efetivamente localizálas necessitando da ajuda do analista para apontar o caminho Neste sentido o trabalho em análise se desdobra a partir dos componentes contidos neste fenômeno constatado a partir da fala do analisando ALMEIDA ATALLAH 2008 A psicanálise em seu sentido de um conjunto de métodos para que se analise o inconsciente tem então uma potencialidade além da clínica ortodoxa de divãs e settings extremamente específicos Há um movimento possível de praticar a psicanálise em outros contextos e principalmente de fazer psicanálise em outros dispositivos por meio do uso das ferramentas que ela oferta BIRMAN 1999 BUENO PEREIRA 2002 CASTANHO 2009 MORETTO TERZIS 2010 O próprio Freud 1996 p 181 em Linhas de progresso na teoria psicanalítica aponta a possibilidade de em algum momento o método psicanalítico necessitar ser readaptado quando defende que mais cedo ou mais tarde defrontarnosemos então com a tarefa de adaptar a nossa técnica às novas condições Ao refletir sobre o plantão psicológico entendese que este é uma prática clínica da contemporaneidade compreendendo que a psicanálise pode sim ser a teoria por detrás dessa prática REBOUÇAS DUTRA 2010 Tanto o modelo de plantão quanto a análise tradicional embasada no referencial psicanalítico exigem do plantonista ou do analista o mesmo comprometimento com a escuta e com o acolhimento Ainda como semelhança entre estas práticas ambas promovem em suas devidas proporções um espaço de escuta a alguém que apresenta uma demanda psíquica e oferece um momento no qual esse sujeito possa ressignificar o seu estar no mundo REBOUÇAS DUTRA 2010 p 19 Quando às diferenças entre o plantão psicológico e a análise respaldadas na psicanálise têmse questões referentes às dimensões das demandas tratadas durabilidade do tratamento e aprofundamento em relação às questões trazidas pelo sujeito Ao contrário de um tratamento analítico o qual se configura como um processo demorado que almeja mudanças profundas e extensas o plantão psicológico é uma prática na qual operam objetivos e tempo limitados O serviço de plantão psicológico foge aos moldes tradicionais de setting psicanalítico quanto à frequência e continuidade por conta da 151 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Plantão psicológico a partir de uma escuta psicanalítica possibilidade do encontro com o paciente ser único Em um plantão psicológico no qual se atue a partir de uma perspectiva psicanalítica fazse necessário a adaptação da técnica à demanda trazida por quem procura este tipo de serviço A questão fundamental delegada ao plantonista seria então estar atento àquilo que o paciente traz de mais urgente focando os esforços ao longo do encontro em auxiliálo a organizar tal aspecto A Escuta Psicanalítica no Plantão Psicológico O encontro no qual plantonista e sujeito em sofrimento psíquico deparamse não deixa de ser um encontro analítico mesmo este sendo único e breve Portanto a escuta psicanalítica destacase como uma questão fundamental no atendimento em plantão psicológico Assim como em um processo de análise o plantonista também tem um espaço que lhe permite dotar da técnica da escuta psicanalítica pressupondo que ele tenha uma atenção às manifestações do inconsciente que se apresentam no decorrer da fala do sujeito BASTOS 2009 A escuta do inesperado no plantão é também a escuta de um nãodito do discurso do sujeito ROSA 2004 Assim naquele encontro que possivelmente será único e breve o plantonista vai mais além do que a investigação sintomatológica quando começou e com que frequência isso ocorre O plantonista tem então a possibilidade de tratar psicanaliticamente aquele sujeito que vem procurar atendimento no plantão psicológico na medida em que por meio da escuta psicanalítica o terapeuta consegue escutar o inconsciente escuta esta possibilitada pela transferência estabelecida ali naquele encontro a fim de produzir um saber junto com o sujeito ROSA 2004 Sobre esse saber que plantonista e sujeito produzem juntos Freud já supunha que há no paciente um saber que nem mesmo ele sabe que tem mas que pode ser desperto por meio da escuta do analista atrelado à regra de associação livre BASTOS 2009 Rosa 2004 p 341 entende que o saber está no sujeito um saber que ele não sabe que tem e que se produz na relação e que o plantonista pratica a escuta do sofrimento e descobre que não deve eliminálo mas criar uma nova posição diante do seu sentido ROSA p 341 O cotidiano do plantão realizado no serviço escola de Psicologia permitiu demonstrar este saber que está no sujeito e lhe é possibilitado realmente saber apenas durante o atendimento Na prática clínica do plantão várias vezes os sujeitos convocam o plantonista a ocuparem lugares de conselheiros na medida em que indagações com caráter afirmativo são feitas pelos sujeitos mas é isso que eu devo fazer não é Vieira e Anjos 2013 encontraram em relatos de experiência de plantonistas da clínica escola da UFPA esta posição em que plantonistas sentiramse colocados a partir do momento em que se propuseram a escutar psicanaliticamente em um só breve encontro os sujeitos em sofrimento posição de legitimação como se realmente fossem sujeitos do saber e não supostos saber A psicanálise então contribui nesse ponto a fim de amparar esse plantonista dandolhe respaldo com a teoria do que seria o escutar psicanalítico no setting de plantão psicológico Neste sentido podese questionar É uma escuta interventiva Que dimensões têm essa intervenção As contribuições de Rosa 2004 ao escrever sobre a pesquisa psicanalítica e sua fundamentação teórica são de grande valia no entrelace entre os apontamentos da psicanálise e a prática do plantão psicológico Entendese que o método adotado no plantão é uma escuta ativa como já dito juntamente com uma interpretação do sujeito do desejo que é pontuado quando se dota desta escuta ativa para a narrativa do usuário do plantão aquele que transparece no não dito do sujeito mas escutado pelo plantonista Quanto ao plantão psicológico pautado na psicanálise em comparação àquele empreendido pela Abordagem Centrada na Pessoa ACP 152 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Daher A C B et al considerase que assim como o que é proposto na escuta psicanalítica um fazerse escutar do saber do sujeito a escuta centrada na pessoa entende que o sujeito tem uma capacidade para crescer e se desenvolver na direção de suas potencialidades intrínsecas ZANONI 2008 p 16 Entendese que no atendimento essas ditas potencialidades podem vir a serem escutadas pelo próprio sujeito Além disso a ACP também coloca o quanto o encontro entre plantonista e sujeito pode tornar o cliente mais autônomo para encontrar soluções para suas aflições psicológicas ZANONI 2008 p 16 o que está muito vinculado ao aspecto da abordagem psicanalítica que permite uma responsabilização do sujeito perante seu sofrimento tornandoo assim consciente de seus processos De uma maneira geral as duas escutas psicanalítica ou humanista em modalidade de atendimento em plantão entendem que o encontro plantonista e sujeito pode ser potencializador Na ACP temse que este encontro é um processo de ajudar a pessoa em transição a experienciar e dar sentido ao que se experiencia acreditando na sua própria capacidade de assumir novas situações de vida ZANONI 2008 p 21 E na psicanálise por meio da escuta clínica temse o objetivo de fazer com que os pacientes resgatem suas narrativas tornandose protagonistas de sua própria história MENDES PARAVIDINI 2007 p 114 possibilitando a estes a inserção em um mundo desejante Ilustrações Clínicas Como forma de ilustrar os conceitos teóricos acima discutidos optouse por apresentar uma ilustração clínica por meio de dois casos atendidos no plantão psicológico de um serviçoescola de psicologia sob uma perspectiva de demanda emergencial por meio do referencial psicanalítico Os atendimentos deramse de forma única e foram realizados por uma psicóloga que atuava no referido serviço O primeiro caso clínico referiuse a uma pessoa do sexo feminino identificada como B com aproximados 20 anos de idade Procurou o plantão psicológico por demanda própria com a queixa de ansiedade e pensamentos negativos relacionados à vida e morte Apontou para a presença desses pensamentos negativos que a mesma identificava como pessimistas sic desde a préadolescência Viajou para fora do país em um programa de intercâmbio quando pensou ter diminuído os pensamentos ter visto a vida mais colorida sic Contudo logo após retornar ao país de origem os pensamentos e sensações voltaram com maior intensidade Relatou que no momento encontrava dificuldades em relacionamentos interpessoais Indicou não sentir vontade de sair de casa encontrar pessoas e ir para a faculdade Estava em um relacionamento amoroso mas sinalizava que não sabia por que ainda estamos juntos acho que não sinto mais nada por ele e além disso nós só brigamos sic Depois da descrição da queixa B falou sobre seu relacionamento familiar Relatou que em sua família as mulheres eram vistas como se estivessem abaixo dos homens Devido a isto sua mãe obedecia e admirava o marido sic o que acabava por causar incômodo em B Afirmou que apesar de amar sic tinha um complicado relacionamento com o pai já que este havia se envolvido em problemas que comprometeram toda a família e devido a isto não conseguia perdoálo Contou que falava pouco com o pai e que brigavam muito e que nessas brigas B chegou a dizer para o pai que não o admirava mais e que ele só havia trazido problemas Logo após B disse para a plantonista que iria contar outra coisa porém achava que não era importante A plantonista pontuou sua fala apontando para a importância que tinha B falar todos os pensamentos e sentimentos que lhe vinham à mente De acordo com Macedo e Falcão 2005 isto é o que concerne à associação livre permitindo que o sujeito coloque na fala tudo que ocorre consigo até mesmo o que lhe parece insignificante 153 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Plantão psicológico a partir de uma escuta psicanalítica Foi então que B relatou comportamentos autolesivos que implicam em atos de arranhar as pernas e usar objetos cortantes para ferilas A plantonista questionou em quais momentos isso acontecia e B expôs que se autolesionava todas as vezes em que sentia raiva e angústia sic descrevendo algumas situações nas quais havia se ferido até provocar machucados À medida que B recordava de certas situações afirmou que agora falando me parece que a dor provocada por mim mesma dói menos do que o que eu sinto sic A escuta de si e a apropriação das próprias palavras tornamse instrumento hábil no desbravamento dos territórios mais desconhecidos uma vez que o saber encontrase no próprio sujeito cabendo a quem oferece a escuta conduzir tal descoberta MACEDO FALCÃO 2005 B falou que decidiu procurar pelo plantão porque havia ficado mal dois dias antes devido ao fato de ter ficado sabendo que uma pessoa foco de sua admiração havia se suicidado A partir de então os pensamentos negativos dominaram e parece que a vida não fazia mais sentido sic A plantonista solicitou a B que falasse mais sobre essa admiração e ela indicou que sentia dificuldades em admirar as pessoas e se recordou de quando era criança e tinha esse sentimento pelo pai algo considerado impossível naquele momento A plantonista então colocou que o que estava sentindo poderia estar relacionado a seu pai pois provavelmente este seria a primeira pessoa que B admirara e a angústia relacionada à falta de sentido na vida na verdade poderia estar ligada à fantasia do que sentiria se fosse o pai quem tivesse falecido Este movimento de construção de um saber do sujeito juntamente com o plantonista é possível mediante a transferência Mesmo que o plantão se caracterize por um único encontro estudos como o de Rosa 2004 já entenderam que para o estabelecimento da transferência não são necessárias várias sessões Outros estudos QUINET 2009 VICTRIO SEI BEZERRA 2016 também citam a transferência prévia por exemplo no qual antes mesmo do encontro e no início dele já haveria um estado de projeção à figura do analista Este conceito de transferência prévia e a não necessidade de várias sessões para o estabelecimento de uma transferência faz com que o dispositivo do plantão psicológico seja possível e eficaz na medida em que a escuta ativa e transferência presentes dão subsídio para o sujeito se impor no mundo do desejo ORTOLAN SEI 2016 p 39 B relatou que fazia terapia há mais de um ano contudo disse sentirse desconfortável com a terapeuta sem contudo conseguir interromper a terapia Alegou não conseguir dizer à terapeuta que não queria mais continuar o trabalho A plantonista questionou o que sentia e pediu para que B falasse mais sobre isso B descreveu a situação como angustiante e disse sentir um misto de raiva e necessidade em relação à terapeuta Toda semana pensava em desmarcar as sessões entretanto eram poucos os dias em que conseguia ligar para desmarcar e quando saia da sessão tinha sentimentos de raiva Porém na semana seguinte mesmo com raiva sentia necessidade em ir à sessão Conforme Palhares 2008 a própria figura do analista no campo psíquico do paciente incita ao mesmo tempo tanto a transferência quanto a resistência e estas oposições acabam por determinar a dinâmica analítica A plantonista apontou os sentimentos de raiva e necessidade presentes na relação que estes poderiam se assemelhar em sua relação com o pai B associou verdade é o que sinto pelo meu pai mistura de raiva ao mesmo tempo em que preciso dele sic No que cabe ao plantão a plantonista pontuou a necessidade de cessar com os comportamentos repetitivos autolesivos afirmando que B precisava redirecionar e ressignificar os sentimentos de raiva e angústia que de certa forma eram responsáveis por isso Foi indicado que B avaliasse melhor a relação com a terapeuta A reavaliação deveria se dar no sentido de percepção se realmente não existia uma identificação positiva com a terapeuta ou se estava ocorrendo uma identificação com o pai E se fosse neste sentido B deveria colocar estas questões 154 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Daher A C B et al para a terapeuta e trabalhálas na própria terapia Dessa forma foi orientado que B continuasse seu processo terapêutico com sua terapeuta ou então que procurasse por outra terapeuta haja vista este ser imprescindível para tratar suas questões referentes ao relacionamento com o pai assim como o pensamento e sentimentos negativos imbricados a suas relações familiares O segundo caso referiuse a uma pessoa do sexo feminino identificada como A com aproximados 25 anos de idade Foi encaminhada para atendimento psicológico por um serviço de saúde do município o qual a mesma havia procurado com a queixa de ansiedade extrema taquicardia e sensação de morte eminente A relatou ser a segunda vez em que havia procurado um serviço de saúde com as mesmas queixas A partir de então foi diagnosticada com depressão e começou a fazer o uso de medicação Além das queixas supracitadas A contou ter procurado o plantão psicológico por encontrar dificuldades para estudar aprender e manter o foco principalmente nos afazeres acadêmicos Relatou que antes de procurar ajuda além das crises de ansiedade tinha também dificuldades em sair de casa pois pensava que algo de ruim poderia acontecer tais como um assalto ou um acidente pensamentos que lhe levaram à sensação iminente de morte identificada como tinha medo de morrer sic Ao saber do serviço de plantão psicológico A resolveu procurar pelo serviço porém com dúvidas de sua eficácia justamente por este ser pautado em um atendimento único e breve Tendo em vista que o dispositivo de atendimento em forma de plantão na perspectiva da psicanálise assim como a análise propriamente dita se caracteriza primeiramente como a escuta do inconsciente ROSA 2004 esta é possível de ocorrer em um único encontro também Entendese que a oferta do espaço de escuta para o sofrimento do sujeito mesmo que seja apenas em um único encontro pode promover um reposicionamento do sujeito diante sua queixa fazendoo produzir um saber que lhe seja próprio LERNER et al 2014 Na medida em que este atendimento transcorreu A falou sobre sua família e frisou que era muito próxima da mãe Contou que familiares próximos sofriam de depressão e problemas emocionais gravíssimos sic A colocou que devido a isto pensava que suas crises de ansiedade e depressão eram uma espécie de herança genética A partir de então começou a falar a respeito do relacionamento com o pai Relatou que a mãe havia desenvolvido depressão por causa das traições que sofria por parte de seu marido e ver sua mãe sempre melancólica a deixava mal Recordou que quando ainda criança o pai levava os filhos na casa de amantes como álibi para os questionamentos da esposa A plantonista questionou se em algum momento A havia contado para a mãe A relatou que não contava para a mãe com receio de magoála A disse que as brigas em casa eram constantes e que a mãe sempre soube sobre as traições contudo dizia que não poderia pedir o divórcio em função dos filhos pois não tinha condições de sustentálos sozinha A descreveu sua relação com a mãe como ligação especial sic e chegou a relatar que nem mesmo tinha interesse em relacionamentos amorosos pois namorar alguém implicaria em ficar menos tempo com a mãe A plantonista apontou que a fala da mãe parecia suscitarlhe algo pois dizia de uma situação na qual havia abdicado de seu bem estar em função dos filhos e por isso A parecia também abdicar de algo por ela A falou que nunca havia pensado nisso e que parecia fazer sentido me sinto dessa forma se saio de casa parece que estou abandonando ela sic A interpretação da plantonista e a fala da paciente configuram a escuta psicanalítica o que conforme Bastos 2009 é resultado da associação livre e atenção flutuante que por meio da fala coloca o sujeito em movimento acerca do não saber a respeito de si e do mundo A voltou a dizer sobre a faculdade e disse estar pensando em desistir da graduação Tinha a possibilidade de ampliar o prazo contudo estava em dúvida havia parado e retornado para o curso 155 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Plantão psicológico a partir de uma escuta psicanalítica sendo aquele seu último prazo caso não houvesse ampliação A plantonista colocou que dessa forma ela ficaria mais em casa e consequentemente na presença da mãe Foi então que A disse cheguei a pensar que não teria problema se reprovasse assim tenho mais tempo com a minha mãe acho que não queria escutar meus próprios pensamentos sic De acordo com Celes 2005 ao falar não é só o analista que escuta mas o próprio sujeito que fala e escuta ao mesmo tempo o que não sabe ou até mesmo o que não quer saber Quanto aos apontamentos realizados por meio do plantão psicológico foi posto que as dificuldades de aprendizagem e foco não estavam atreladas a algum problema cognitivo mas sim a uma necessidade emocional Em vista disso era importante que A entendesse que tinha parte nesse processo No que tange à abordagem psicanalítica a responsabilização do sujeito pelo seu sofrimento o torna consciente e consequentemente mais autônomo A se posicionou em buscar estender o prazo da graduação e concluí la De acordo com Bastos 2009 a escuta do analista faz desabrochar um saber que já existe no sujeito saber este que proporciona a abertura para ressignificações de experiências ROSA 2004 Isto é percebido na modalidade de plantão psicológico também na medida em que é neste encontro do plantonista com o analista que se faz possível a clarificação de uma demanda e as possibilidades de ação e ressignificação do sujeito frente ao seu sofrimento CAMPOS DALTRO 2015 COIN CARVALHO OSTRONOFF 2014 Diante os apontamentos realizados no plantão psicológico compete aqui enfatizar que sua prática com base no referencial psicanalítico constitui se em uma escuta ativa à medida que busca o sujeito de desejo muitas vezes desconhecido ou ocultado pelo mesmo O acolhimento do sofrimento se dá mediante essa escuta ativa que acaba por amenizar o sofrimento do sujeito com o intuito de abrir caminho para um novo sentido Não se pode esquecer que não importa o modelo de referencial psicanalítico seja este o plantão ou a análise ambos oferecem a escuta e a possibilidade de ressignificação REBOUÇAS DUTRA 2010 A plantonista pontuou no caso de A a necessidade de haver uma reestruturação da relação com a mãe de forma saudável Colocações sobre dar continuidade na graduação e certa independência seriam produtivas para a saúde psíquica da paciente assim como desatrelar sua independência com o abandono da mãe também se apresentaram de suma importância Contudo entendese que estas eram questões que necessitavam de um processo terapêutico que ultrapassavam a abrangência de um único encontro proporcionado pelo plantão psicológico Dessa forma foi discutida a importância da inserção da mesma em terapia O processo de análise favorece a exteriorização das instâncias mais internas do analisando Nesse sentido a análise provoca a perda essencial do sujeito o que mais tarde proporcionará uma reorganização psíquica Em vista disso ao invés de ter a finalidade de cura a psicanálise promove o encontro do sujeito com o estranho que há nele mesmo E é neste estranho no Isso de acordo com Freud que se descortina o eu Agora sim a psicanálise tem um efeito curativo na medida em que ir ao encontro de seu estranho provoca a diminuição do sintoma NASIO 1993 Considerações Finais Entendese a partir do exposto ser possível atuar com base no referencial psicanalítico em outros contextos que não uma clínica ortodoxa de divãs e settings específicos Tal possibilidade pode ser constatada a partir da prática do plantão psicológico na qual o plantonista assim como em uma análise possui um espaço que lhe permite utilizar uma importante ferramenta psicanalítica a escuta Acreditase assim que em um serviço de plantão psicológico embasado em uma vertente 156 Semina Ciências Sociais e Humanas Londrina v 38 n 2 p 147158 juldez 2017 Daher A C B et al psicanalítica o plantonista se depara com a escuta do inesperado com a escuta do inconsciente que no centro da repetição insiste para que seja escutado Esperase que ao mesmo tempo em que é escutado pelo plantonista o próprio indivíduo que fala se escute e que esta escuta possa de alguma forma contribuir para que o sujeito se reposicione ou ressignifique o motivo que o fez procurar o plantão psicológico A despeito do potencial de ajuda e de promoção de saúde mental deste tipo de intervenção psicológica por ofertar um cuidado no exato momento de sua necessidade ou muito próximo desta entende se que o plantão psicológico também possui seus limites Como posto há situações que demandam uma abordagem contínua um processo terapêutico mais extenso cabendo à dupla plantonista e pessoa atendida esclarecerem a demanda a partir do referido processo de escuta refletindo sobre os encaminhamentos mais pertinentes para cada situação Referências ALMEIDA L P ATALLAH R M F O conceito de repetição e sua importância para a teoria psicanalítica Ágora Rio de Janeiro v 11 n 2 p 203218 2008 Disponível em httpwww scielobrscielophpscriptsciarttextpidS1516 14982008000200003lngennrmisohttpdxdoi org101590S151614982008000200003 Acesso em 11 dez 2017 BASTOS A B B I A escuta psicanalítica e a educação Psicólogo Informação São Paulo v 13 n 13 p 9198 2009 Disponível em httppepsic 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Universidade Católica de Campinas Campinas Recebido em 12 ago 2017 Aceito em 18 dez 2017 RESENHA CRÍTICA DE DOIS ARTIGOS Olá Entendi que você precisa de uma resenha e um comentário crítico sobre dois artigos relacionados ao plantão psicológico e sua relação com a abordagem humanista e a escuta psicanalítica Além disso há um segundo artigo que discute a possibilidade de atuação da psicanálise em moldes de plantão psicológico em uma instituição educacional O artigo de Daher et al 2017 destaca a importância do plantão psicológico como uma intervenção clínica pontual que oferece atendimento próximo à necessidade do indivíduo além de acolhimento e esclarecimento sobre sua demanda O texto enfatiza a escuta psicanalítica como uma forma de lidar com o inesperado e o inconsciente que insiste em ser ouvido A expectativa é que essa escuta ajude o indivíduo a se reposicionar ou ressignificar o motivo que o levou a procurar atendimento Já o artigo de Dalledone et al 2020 questiona se é possível aplicar a psicanálise em um formato de plantão psicológico em uma instituição educacional Os autores destacam que o plantão foi criado para suprir demandas emergenciais de saúde mental mas a psicanálise apresenta empasses para esse tipo de atuação No entanto eles argumentam que é possível adaptar o método e a técnica da psicanálise para o plantão comprometendose com a função do analista e seu método para além do clichê técnico É interessante observar que ambos os artigos destacam a importância do acolhimento e da escuta no plantão psicológico mas apresentam abordagens teóricas diferentes Enquanto o primeiro texto enfatiza a escuta psicanalítica o segundo destaca os desafios da aplicação da psicanálise nesse contexto Seria interessante uma reflexão mais profunda sobre como essas abordagens poderiam se complementar ou se contrapor Além disso é importante lembrar que o plantão psicológico é uma intervenção emergencial e pontual mas que pode ser complementada por outras formas de atendimento em saúde mental Seria interessante discutir como o plantão poderia se integrar com outros serviços de saúde mental como consultas regulares ou grupos terapêuticos Em conclusão os dois artigos apresentam reflexões importantes sobre o plantão psicológico e sua relação com a abordagem humanista e a psicanálise No entanto seria interessante uma reflexão mais profunda sobre como essas abordagens poderiam se complementar ou se contrapor além de discutir como o plantão poderia se integrar com outros serviços de saúde mental