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LINDOMAR BARROS DOS SANTOS ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DO CURSO DE PEDAGOGIA LICENCIATURA UM ESTUDO DE CASO Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação Mestrado em Educação da Universidade Católica Dom Bosco como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestre em Educação Área de Concentração Educação Orientadora Profª Drª Ruth Pavan UNIVERSIDADE CATÓLICA DOM BOSCO UCDB PROGRAMA DE PÓSGRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO MESTRADO E DOUTORADO CAMPO GRANDEMS JULHO 2010 LINDOMAR BARROS DOS SANTOS ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DO CURSO DE PEDAGOGIA LICENCIATURA UM ESTUDO DE CASO Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação Mestrado e Doutorado em Educação da Universidade Católica Dom Bosco como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestre em Educação Área de Concentração Educação Orientadora Profª Drª Ruth Pavan UNIVERSIDADE CATÓLICA DOM BOSCO UCDB PROGRAMA DE PÓSGRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO MESTRADO E DOUTORADO CAMPO GRANDEMS JULHO 2010 Ficha catalográfica Santos Lindomar Barros dos S237e Estágio supervisionado de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental do curso de pedagogia licenciatura um estudo de caso Lindomar Barros dos Santos orientação Ruth Pavan 2010 215 f anexos Dissertação mestrado em educação Universidade Católica Dom Bosco Campo Grande 2010 1Professores Formação 2 Estágios supervisionados 3 Educação de crianças Estágios I Pavan Ruth II Título CDD 37071 ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DO CURSO DE PEDAGOGIA LICENCIATURA UM ESTUDO DE CASO LINDOMAR BARROS DOS SANTOS ÁREA DE CONCENTRAÇÃO EDUCAÇÃO BANCA EXAMINADORA Profª Drª Ruth Pavan Profª Drª Eli Teresinha Henn Fabris Profª Drª Maria Cristina Lima Paniago Lopes CAMPO GRANDE DE JUNHO DE 2010 UNIVERSIDADE CATÓLICA DOM BOSCO UCDB DEDICATÓRIA Dedico a Nossa Senhora Aparecida minha Mãe amorosa que todos os dias da minha vida esteve ao meu lado compartilhando comigo os momentos de alegria conquistas e vitórias e também apoiandome e amparandome a cada dia em que a dúvida a insegurança e o medo fizeramse presentes quase levandome a desistir de minhas metas e sonhos Por jamais ter deixado que me perdesse nas dúvidas redirecionando meu caminho para alcançar minhas vitórias Aos professores pela oportunidade de eu haver crescido com eles Aos futuros professores que renovamme as esperanças de uma prática pedagógica reflexiva AGRADECIMENTOS A Deus força maior de minha vida Às minhas professoras do Mestrado particularmente a Professora Doutora Regina Teresa Cestari de Oliveira viva personificação de que é possível ser extremamente competente no que faz sem deixar a doçura e a elegância que reveste o dom de permanecer humana À Professora Doutora Ruth Pavan por quem nutro imensurável respeito e admiração cujo perfil humano e rigor acadêmico pautaram suas ações na orientação desta pesquisa com sua sabedoria levoume a profundas desconstruções de minhas certezas para então conduzirme à reconstrução de meus conhecimentos À Professora Doutora Elí T Henn Fabris que dispôsse com tamanha generosidade e profissionalismo a participar desta Banca Examinadora contribuindo com minha aprendizagem e renovação de minhas esperanças pedagógicas À Professora Doutora Maria Cristina Lima Paniago Lopes por aceitar participar desta Banca Examinadora compartilhando com a construção de meus conhecimentos Às minhas professoras do primário em especial à Professora Maria da Penha Ferreira Tartuce pelo referencial profissional e humano ao ver meio a tantas outras crianças minhas necessidades limitações e possibilidades sendo responsável em grande parte pela minha inserção na profissão docente À Faculdade Almeida Rodrigues pelo apoio incondicional Às instituições de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental por possibilitarem a realização da coleta de dados essencial à construção desta dissertação Aos acadêmicos do curso de Pedagogia Licenciatura estagiários que generosamente foram sujeitos desta pesquisa e a quem cabe o real mérito desta experiência Às professoras orientadoras de estágio que mesmo diante de uma desgastante rotina de trabalho disponibilizaramse a colaborar com esta pesquisa a partir de uma transparência ímpar permitindonos visualizar o âmago de sua prática pedagógica À Professora Simone minha amiga por acreditar em mim e provocarme reflexões que incentivam minha busca de melhoria profissional participando de minha jornada neste Mestrado compartilhando os bons e maus momentos deste percurso SANTOS Lindomar Barros dos Estágio supervisionado de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental do curso de pedagogia licenciatura um estudo de caso Campo Grande 2010 215 p Dissertação Mestrado Universidade Católica Dom Bosco RESUMO A presente dissertação intitulada Estágio supervisionado de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental do curso de pedagogia licenciatura um estudo de caso inserese na linha de pesquisa Práticas Pedagógicas e suas Relações com a Formação Docente do Programa de Mestrado e Doutorado em Educação da Universidade Católica Dom Bosco UCDB O objetivo geral desta pesquisa é analisar a contribuição do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental que tem como referência as Diretrizes Curriculares Nacionais Resolução CNECP1 Nº 1 de 15 de maio de 2006 para a formação do pedagogo Os objetivos específicos desta dissertação são a Observar in locus o estágio supervisionado de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental do Curso de Pedagogia Licenciatura b Analisar a atuação pedagógica dos as acadêmicos as durante o estágio supervisionado de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental e relacionálo com o PPP Projeto Político Pedagógico do Curso e c Compreender como as Professoras Orientadoras de Estágio acompanham e analisam o Estágio Tratase de uma pesquisa de abordagem qualitativa sendo que realizamos um estudo de caso A coleta de dados ocorreu por meio dos seguintes instrumentos observação aplicação de questionário aberto entrevista semi estruturada realizada com as docentes do curso de Pedagogia Licenciatura e análise documental O período que compreende o segundo semestre de 2008 e o primeiro semestre de 2009 foi destinado às observações aplicação de questionários aos acadêmicos participantes de nossa pesquisa Já o segundo semestre de 2009 foi o período de entrevistas às professoras orientadoras do Estágio Supervisionado do curso de Pedagogia Licenciatura Podemos concluir que o Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental precisa ser repensado pois os alunos estagiários demonstraram muitas dificuldades em relação a compreensão do processo educativo Deste modo o curso precisa ter maior ênfase na reflexão e pesquisa para que os futuros pedagogosas tenham possibilidades de atuar nos diferentes níveis e modalidades do processo educacional PALAVRASCHAVE Pedagogia Formação docente Estágio Supervisionado 1 Conselho Nacional de EducaçãoCurso de Pedagogia SANTOS Lindomar Barros dos Supervised preservice teachers practice in preprimary school and initial grades primary school in a pedagogy course teacher formation course a study case Campo Grande 2010 215 pages Dissertation Master Dom Bosco Catholic University ABSTRACT The present study called Supervised preservice teachers practice in preprimary school and initial grades primary school of a pedagogy course teacher formation course a study case is in the research line Pedagogical Practices and its Relations with Teacher Formation of the Education Master and Doctorate Program of Dom Bosco Catholic University UCDB The general objective of this research is to analyze the contribution of Supervised Preservice Teachers Practice of a Pedagogy Course Teacher Formation Course in Preprimary School and Initial Grades Primary School which has as reference the National Curricular Guidelines Resolution CNECP N 1 from May 15th 2006 to pedagogue The main goals of this study are a Observe in locus the supervised preservice teachers practice in Preprimary School and Initial Grades Primary School of a Pedagogy Course Teacher Formation Course b Analyze the pedagogical practice of academics throughout the supervised preservice teachers practice in Preprimary School and Initial Grades Primary School and relate it to PPP Political Pedagogical Project Course and c Understand how Supervised Preservice Teachers Practice Academic Advisors follow and analyze the Supervised Preservice Teachers Practice It is a research based on qualitative approach and a study case was done The data collect was through the following means observation open questionnaire apply semistructured interview done teachers from the Pedagogy course and document analysis The period between 2008 second term and 2009 first term was used to observation questionnaires apply to participating academics of our study Then 2009 second term was the period of interviews of the academic advisors teachers of the supervised preservice teachers practice in Pre primary School and Initial Grades Primary School of a Pedagogy Course Teacher Formation Course We can conclude that Supervised Preservice Teachers Practice of a Pedagogy Course Teacher Formation Course in Preprimary School and Initial Grades Primary School should be rethought due to the fact that trainees showed many difficulties in relation to educational process comprehension This way the course must have more emphasis on reflection and research so future pedagogues will be able to act in different levels and modalities of educational process KEYWORDS Pedagogy Teacher Formation Supervised Preservice Teachers Practice LISTA DE APÊNDICES Apêndice 1 Observação em turmas de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental Apêndice 2 Questionário com acadêmico do curso de PedagogiaLicenciatura educação infantil Apêndice 3 Questionário com acadêmico do curso de PedagogiaLicenciatura anos inicias do ensino fundamental Apêndice 4 Questionário aplicado às professoras orientadoras do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura 20082 E 20091 Apêndice 5 Entrevista realizada com as professoras orientadoras do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura 20082 E 20091 163 164 167 170 171 LISTA DE ANEXOS Anexo 1 Projeto Político Pedagógico Anexo 2 Manual de Prática Profissional Orientada Anexo 3 Manual de Estágio 173 197 206 SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPÍTULO I FORMAÇÃO DE PROFESSORES 11 Reflexões iniciais 12 O curso de Pedagogia um olhar sobre sua história 13 A Pedagogia no contexto atual discussões a partir dos anos de 1990 CAPÍTULO II O ESTÁGIO SUPERVISIONADO TEORIA E PRÁTICA 21 Formação e estágio tensões e desafios 22 Aspectos legais CAPÍTULO III ANÁLISE DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO DO CURSO DE PEDAGOGIA LICENCIATURA EDUCAÇÃO INFANTIL 31 Educação Infantil observação in loco 312 Análise das informações obtidas junto ao estagiário e as estagiárias na Educação Infantil 3121 O ambiente da sala de aula de Educação Infantil o espaço onde acontecem os estágios 3122 O conteúdo uma preocupação sempre presente 313 Relação do aluno estagiário com seus alunos diferentes formas CAPÍTULO IV ANÁLISE DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO DO CURSO DE PEDAGOGIA LICENCIATURA ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL 41 Ensino Fundamental observação in loco 412 Análise das informações obtidas junto ao estagiário e as estagiárias no Ensino Fundamental 413 Ensino Fundamental fragilidade nos conteúdos e metodologias 414 Relação do aluno estagiário com seus alunos diferentes formas CAPÍTULO V O DIÁLOGO COM AS PROFESSORAS ORIENTADORAS E ESTAGIÁRIOS 51 O Estágio Supervisionado o diálogo com as professoras orientadoras 52 Formação e campo de estágio sob o olhar dos Acadêmicos Estagiários tensões desafios e perspectivas CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS 12 20 20 24 35 39 46 49 54 57 60 60 68 89 100 100 102 103 122 125 125 133 147 152 APÊNDICES ANEXOS 162 173 INTRODUÇÃO Na verdade não nasci marcado para ser um professor a esta maneira mas me tornei assim na experiência de minha infância de minha adolescência de minha juventude FREIRE 2001 p 84 grifo do autor Minha trajetória profissional fezse paralelamente à minha formação Tenho experiência de escola e minha própria história tornouse minha escola Assim a minha vontade de ser professor surgiu a partir do momento que ingressei na Escola Primária 1968 1ª série 1969 2ª série 1970 3ª série 1971 4ª série pois até então o universo social do qual eu fazia parte era a família A escola certamente abriume um mundo novo e fascinante possibilitandome fazer parte de um contexto social até então desconhecido por mim Esse acontecimento foi tão forte e marcante para mim que ao final das aulas voltava para casa e dava continuidade às atividades da escola brincando de escolinha reproduzindo o que eu vivenciava na escola Neste período já trabalhava fora de casa Fui empregado doméstico e babá Quando ingressei no ginásio por meio da admissão 5ª série 1972 fui balconista em uma livraria e assim tive acesso às diversas obras literárias as quais sempre que tinha a oportunidade lia Exerci também a atividade de vendedor em uma banca de revista onde também lia outros tipos de textos revistas jornais gibis Estas vivências convívio com crianças e o universo rico de leitura foram cruciais para minha escolha profissional No ano de 1981 comecei substituir professores que ministravam aulas no Primeiro Grau 1ª à 4ª série No mesmo ano ingressei no curso Técnico em Magistério turno noturno No ano seguinte fui aprovado no concurso municipal para ocupar o cargo de Professor Assistente PA para ministrar aulas de 1ª à 4ª série do Ensino Fundamental Em 1983 assumi a 1ª série alfabetização trabalhando nos períodos matutino e vespertino e no período noturno cursava o 2º ano do curso Técnico em Magistério No ano de 1984 no período matutino concluí o curso de Técnico em Magistério No período vespertino exercia a função de auxiliar pedagógico na Secretaria Municipal de Educação Ainda em 1984 fui aprovado em concurso estadual para Professor Assistente Primário PAP e assumi no turno noturno a 1ª série do Ensino Fundamental Nos anos de 19851986 fui regente de sala na 4ª série do Ensino Fundamental também no turno noturno No ano de 1985 fui aprovado por meio de concurso vestibular para o curso de Pedagogia Licenciatura Curta frequentando aulas às sextasfeiras no turno noturno e aos sábados nos turnos matutino e vespertino o qual concluí em 1988 Em 1989 iniciei a complementação de minha licenciatura de Curta para Plena Fato esse que me habilitou em Supervisão Escolar na Escola de 1º e 2º Graus e Administração Escolar na Escola de 1º e 2º Graus Concluí em 1990 Seguindo esta breve retrospectiva da minha história profissional destaco o início do meu trabalho atuando na formação de professores Entre os anos de 1985 a 1987 ministrei no Curso Técnico em Magistério a disciplina Prática de Ensino e Estágio Supervisionado no Colégio Municipal Irmãos Messias da Costa em Santo Antônio da Barra que na época era distrito do município de Rio Verde No período de 1987 a 1988 torneime gestor de escola municipal e supervisor na Secretaria Municipal de Educação Em busca de aprimoramento profissional no período que compreende abril a dezembro de 1991 concluí o curso em Planejamento Educacional Lato Sensu Com o trabalho na formação docente tive várias experiências tanto na rede municipal de ensino 19941995 quanto na rede estadual de ensino 19931999 como regente de classe ministrando as disciplinas específicas na formação do professor para atuar nas séries iniciais do ensino fundamental priorizando a Prática de Ensino e o Estágio Supervisionado Iniciei a docência superior no curso de Pedagogia da Fundação de Ensino Superior de Rio Verde FESURV No primeiro semestre letivo do ano de 2001 ministrei entre outras disciplinas a de Estágio Supervisionado de 1º e 2º graus Dentre todas as disciplinas que ministrei em minha primeira experiência na docência superior certamente a docência na disciplina Estágio Supervisionado foi e é a grande escola para minha constituição como ser humano e professor Assim esta disciplina a cada conquista ofereceu e oferece subsídios para desconstruir minhas certezas e reconstruir minhas dúvidas 21 A partir do segundo semestre de 2003 iniciei minhas atividades docentes no Instituto Superior de Educação Almeida Rodrigues que oferecia duas habilitações em Normal Superior quais sejam Educação Infantil ou Anos Iniciais do Ensino Fundamental Lecionei em cada uma das habilitações novamente a disciplina Estágio Supervisionado fazia parte de minhas atribuições No primeiro semestre de 2007 além de ministrar aulas assumi a convite da direção do Instituto Superior de Educação Almeida Rodrigues ISEAR a Coordenação Pedagógica do curso Normal Superior que no semestre seguinte transformouse em Pedagogia Licenciatura4 Na graduação em Pedagogia ministrei dentre outras disciplinas também da de Estágio Supervisionado Antropologia Educacional e Prática Profissional Orientada PPO Nos anos de 2008 e 2009 ministrei a disciplina Coordenador da Gestão Pedagógica no curso Práticas Docentes e Gestão na Educação Básica Lato Sensu oferecido pelo ISEAR Minha maior preocupação desde que iniciei a docência na formação de professores há 26 anos que sou professor sempre foi a de contribuir para a formação de profissionais para exercer a profissão docente Em outras palavras sempre busquei participar na formação docente de modo que ao iniciar a carreira na educação o professor se sentisse em condições de atuar em sala de aula E esta preocupação instigoume a buscar novos caminhos que levaramme ao ingresso no Programa de Mestrado em Educação oferecido pela Universidade Católica Dom Bosco Linha de Pesquisa Práticas Pedagógicas e suas Relações com a Formação Docente com o objetivo de pesquisar as contribuições do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental para a formação do pedagogo Consciente de que sou tanto um profissional quanto um ser humano portanto inconcluso inacabado penso que as mudanças em mim geradas pelo Mestrado ocorreram por meio de minha disponibilidade de aprender Diante disso faço minhas as palavras de Pimenta Assim penso que a grande mudança operada no início da minha carreira até agora é que hoje tenho muito mais certeza de que nós não temos certeza 4 transformação do curso Normal Superior com habilitações em Anos Iniciais do Ensino Fundamental e Educação Infantil autorizado pela Portaria nº 2761 de 25 de setembro de 2002 publicado no Diário Oficial da União em 30 de setembro de 2002 e retificado pela Portaria Ministerial de nº 1730 de 4 de julho de 2003 e aguardando Portaria de Reconhecimento com base nos seguintes documentos Despacho do Diretor do Departamento de Supervisão do Ensino Superior DESUPde 672006 publicado no DOU de 10072006 pág 8 e Resolução CNECP nº 1 de 15 de 2006 que Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de graduação em Pedagogia Licenciatura PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 2007 p 5 22 Precisamos aprender com os professores pois eles são capazes de ter uma posição crítica em relação ao seu trabalho 2007 p 153 O ofício de professor acontece não só a partir dos conteúdos teóricos ministrados na sala de aula seja das universidades das faculdades ou dos institutos de ensino mas também no cotidiano das escolas por meio do Estágio Supervisionado Esta é a pedra angular desta pesquisa Assim o caminho a ser trilhado nesta pesquisa tem como objetivo geral analisar a contribuição do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental que tem como referência as Diretrizes Curriculares Nacionais Resolução CNECP5 Nº 1 de 15 de maio de 2006 para a formação do pedagogo Dessa forma para que o objetivo geral seja alcançado este trabalho pautase nos seguintes objetivos específicos a Observar in locus o estágio supervisionado de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental do Curso de Pedagogia Licenciatura b Analisar a atuação pedagógica dos as acadêmicos as durante o estágio supervisionado de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental e relacionálo com o PPP Projeto Político Pedagógico do Curso e c Compreender como as Professoras Orientadoras de Estágio acompanham e analisam o Estágio A opção metodológica adotada é a abordagem qualitativa Entendese por pesquisa qualitativa conforme Bogdan e Biklen 1982 apud Lüdke e André 1986 aquela que tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento p11 grifo das autoras A pesquisa numa abordagem qualitativa trata os dados coletados de modo descritivo e o pesquisador precisa estar atento aos detalhes que aparentemente insignificantes podem auxiliar para o entendimento do problema em questão a preocupação com o processo é muito maior do que com o produto LÜDKE e ANDRÉ 1986 p12 grifo das autoras Nesta perspectiva a pesquisa qualitativa busca elucidar como o problema em estudo se manifesta apreendendo para tanto o ponto de vista de cada um dos pesquisados Assim a abordagem metodológica é de cunho qualitativo e se delineia num estudo de caso que é o estudo de um caso seja ele simples e específico ou complexo e abstrato O caso é sempre bem delimitado devendo ter seus contornos claramente definidos no decorrer do estudo O caso pode ser similar a outros mas é ao mesmo tempo distinto pois tem um interesse próprio singular LÜDKE e ANDRÉ 1986 p 17 grifo das autoras 5 Conselho Nacional de EducaçãoCurso de Pedagogia 23 Com base em André 2005 podemos afirmar que esta forma possibilita a busca de diferentes técnicas de coleta de dados tais como observação entrevista questionários documentos e outros Gil também afirma a importância de utilizar o estudo de caso pois para o autor Podese dizer quer em termos de coleta de dados o estudo de caso é o mais completo de todos os delineamentos pois valese tanto de dados de gente quanto de dados de papel Com efeito nos estudos de caso os dados podem ser obtidos mediante análise de documentos entrevistas depoimentos pessoais observação espontânea observação participante e análise de artefatos físicos 2007 p141 grifo do autor Para Triviños o estudo de caso É uma categoria de pesquisa cujo objeto é uma unidade que se analisa aprofundadamente 2008 p 133 No nosso caso a unidade é o estágio supervisionado de um curso de Pedagogia A escolha do estudo de caso na abordagem qualitativa ainda deveuse às características que esse tipo de investigação apresenta como adequadas à observação e análise da realidade de forma natural complexa e atualizada HORA 2006 p24 Assim a opção pela abordagem qualitativa se justifica em função de considerar que a mesma proporciona melhores condições de atingir as intenções do estudo Tratase portanto em analisar o estágio tendo como ponto de partida a pesquisa de campo Isso significa que ouvindo os professores orientadores e observando os acadêmicosestagiários e analisando os questionários respondidos por eles podemos articular nossos dados com a pesquisa bibliográfica Deste modo o significado amplo da abordagem qualitativa requereu uma maior aproximação com a realidade do objeto ou seja foi preciso vivenciar o contexto estudado interagindo com as pessoas que dele fazem parte Esse fato equivale dizer que me coloquei dentro da situação e a observei in loco objetivando uma melhor compreensão do objeto e ainda produzindo conhecimento partindo do seguinte pressuposto o conhecimento não é algo acabado mas uma construção que se faz e refaz constantemente LUDKE e ANDRÈ 1986 p 18 Seguindo estes pressupostos em nossa pesquisa utilizamos os seguintes procedimentos Observação nos locais de estágio Questionário aberto com os acadêmicos estagiários Análise do ProjetoPolíticoPedagógico do curso de Pedagogia 24 Entrevista semiestruturada e questionário aberto com as Professoras Orientadoras Os critérios de escolha dos acadêmicos participantes da pesquisa foram Que os alunos frequentassem o Curso de Pedagogia Licenciatura que tivesse como referência as novas Diretrizes Curriculares Nacionais Que os acadêmicos observados não tivessem atuado no Magistério antes de ingressarem no curso de Pedagogia Licenciatura Que os acadêmicos observados não tivessem cursado o Magistério Ensino Médio para que o Curso de Pedagogia Licenciatura seja efetivamente o referencial de formação para atuar na educação escolarizada Que os acadêmicos pertencessem ao mesmo curso para que tivesse como referência o mesmo Projeto Político Pedagógico Após a realização da pesquisa de campo fizemos a análise das informações obtidas Na Educação Infantil emergiram 03 três categorias quais sejam 1 O ambiente da sala de aula de Educação Infantil o espaço onde acontecem os estágios 2 O conteúdo uma preocupação sempre presente 3 Relação doda alunoa estagiárioa com seus alunos e alunas diferentes formas Já da análise da pesquisa de campo dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental emergiram 02 duas categorias que são 1 Ensino Fundamental fragilidade nos conteúdos e metodologias 2 Relação doda alunoa estagiárioa com seus alunos e alunas diferentes formas Optamos por separar a análise da Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental para perceber melhor as especificidades6 delineadoras de cada modalidade Nossa análise pautase nas observações na sala de aula nas respostas dadas pelos estagiários e no diálogo com os autores utilizados nesta pesquisa Observamos 04 acadêmicos conforme o Apêndice 1 Observação em turmas de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental sendo que os mesmos participaram 6 Seção II Da Educação Infantil Art 29 A educação infantil primeira etapa da educação básica tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade em seus aspectos físico psicológico intelectual e social complementando a ação da família e da comunidade Seção III Do Ensino Fundamental Art 32 O ensino fundamental obrigatório com duração de 9 nove anos gratuito na escola pública iniciandose aos 6 seis anos de idade terá por objetivo a formação básica do cidadão mediante Redação dada pela Lei nº 11274 de 2006 I o desenvolvimento da capacidade de aprender tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura da escrita e do cálculo II a compreensão do ambiente natural e social do sistema político da tecnologia das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade BRASIL 1996 25 da pesquisa tanto no estágio na Educação Infantil quanto no estágio dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental A primeira etapa da coleta de dados foi realizada em quatro escolas de Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino de Rio Verde Goiás sendo 03 EMEIs Escola Municipal de Educação Infantil e 01 CMEI Centro Municipal de Educação Infantil Participaram desta primeira etapa os 04 acadêmicos do curso de Pedagogia Licenciatura matriculados no 4º período e que realizavam neste momento o Estágio em Educação Infantil entre os meses de agosto a dezembro de 2008 Efetuamos 05 observações das aulas ministradas por cada um dos alunos estagiários sendo três do sexo feminino e um do sexo masculino no turno matutino Os 04 estagiários desenvolveram atividades em turmas do Jardim I crianças de 04 anos e Jardim II crianças de 05 anos Além das observações aplicamos um questionário aberto para cada um dos estagiários conforme explicitado no apêndice dois Apêndice 2 Questionário com acadêmico do curso de PedagogiaLicenciatura educação infantil A segunda etapa da coleta de dados foi realizada em quatro EMEFs Escola Municipal de Ensino Fundamental que oferecem os Anos Iniciais do Ensino Fundamental 1º ao 5º ano da Rede Municipal de Ensino de Rio Verde Goiás Participaram desta segunda fase os mesmos 04 acadêmicos do curso de Pedagogia Licenciatura matriculados no 5º período que neste momento realizaram o Estágio nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental 1º ao 5º ano entre os meses de fevereiro a junho de 2009 Nesta etapa também efetuamos 05 observações de aulas ministradas por cada um dos acadêmicos totalizando vinte observações 03 acadêmicos realizaram o estágio no turno vespertino e um no turno matutino sendo três do sexo feminino e um do sexo masculino Os 04 estagiários desenvolveram atividades em turmas do 1º ao 5º ano crianças de 06 a 10 anos Usamos também o mesmo procedimento do 1º ao 5º ano da EI ou seja aplicamos um questionário aberto para cada um dos estagiários conforme o Apêndice 3 Questionário aberto com acadêmico do curso de PedagogiaLicenciatura anos inicias do ensino fundamental Para proceder à coleta de dados com as Professoras Orientadoras de Estágio Supervisionado aplicamos um questionário conforme Apêndice 4 Questionário aberto aplicado às professoras orientadoras do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura 20082 E 20091 e realizamos uma entrevista semiestruturada conforme 26 Apêndice 5 Entrevista semiestruturada realizada com as professoras orientadoras do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura 20082 E 20091 Realizamos a análise dos documentos que normatizam o Estágio Supervisionado da instituição de ensino superior onde os alunos estagiários estavam matriculados Os documentos conforme constam em anexo foram os seguintes Anexo 1 Projeto Político Pedagógico Anexo 2 Manual de Prática Profissional Orientada e Anexo 3 Manual de Estágio Esta análise documental justificase pela necessidade de que haja coerência entre a prática do estágio com o perfil do profissional que se quer formar As questões e problemas que orientam nossa pesquisa exigem um posicionamento teórico viabilizandonos uma busca constante de novas respostas e novas indagações no decorrer do nosso estudo Deste modo compreender a formação do professor em seus aspectos históricos é fundamental assim como apropriarnos dos elementos que caracterizaram a Licenciatura em Pedagogia na atualidade A pesquisa foi estruturada da seguinte forma o capítulo um Formação de professores traz as problematizações que me instigaram a estudar a formação docente Apresento elementos da história do curso de Pedagogia pois acredito que a contextualização no tempo e no espaço contribuiu para a caracterização da Licenciatura em Pedagogia na atualidade Ainda neste capítulo apresento uma caracterização do pedagogo No capítulo dois O estágio supervisionado teoria e prática tem como referência os trabalhos de Pimenta e Lima 2004 Pimenta 1993 2002 2006 2007 Cunha 1989 2004 Franco 2008 Libâneo 1998 2002 2007 Saviani 2004 2005 2008 2009 cuja contribuição teórica é suporte basilar para a análise que me proponho realizar em relação ao estágio supervisionado que hoje acontece no curso de Pedagogia Licenciatura Lembramos com Pimenta e Lima 2004 que o estágio não é atividade prática mas teórica instrumentalizadora da práxis docente entendida essa como atividade de transformação da realidade Nesse sentido o estágio curricular é atividade teórica de conhecimento fundamentação diálogo e intervenção na realidade esta sim objeto da práxis No capítulo três Análise do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura Educação Infantil apresento e discuto os dados coletados a partir de minhas observações em campo de estágio nas unidades de Educação Infantil e também por meio do questionário respondido pelos acadêmicos estagiários o qual abordou diferentes aspectos do estágio 27 O capítulo quatro nomeado Análise do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura Anos Iniciais do Ensino Fundamental também traz a apresentação e discussão dos dados coletados tanto a partir de minhas observações de práticas de estágio nas unidades de Anos Iniciais do Ensino Fundamental quanto do questionário respondido pelos acadêmicos estagiários participantes desta pesquisa Apresento e analiso no capítulo cinco O Estágio Supervisionado o Diálogo com as Professoras Orientadoras e Estagiários os dados coletados por meio de aplicação de questionário e entrevistas realizadas com as professoras orientadoras de estágio e a partir de questionário aplicado com os alunos estagiários Por fim apresento as considerações finais nas quais destaco os principais resultados dessa pesquisa 28 CAPÍTULO I FORMAÇÃO DE PROFESSORES Mulheres e homens se tornaram educáveis na medida em que se reconheceram inacabados Não foi a educação que fez mulheres e homens educáveis mas a consciência de sua inconclusão é que gerou sua educabilidade FREIRE 2002 p 64 11Reflexões iniciais A proposta de fazer uma análise sobre a formação do educador tornouse ainda mais necessária no momento em que foi percebido que não adianta discutir a prática educativa se não levarmos em conta a questão posta e discutida com bastante ênfase principalmente nos congressos como ANPED Associação Nacional de PósGraduação e Pesquisa em Educação ANFOPE Associação Nacional pela Formação de Profissionais da Educação etc na década de 80 conforme Saviani relata O movimento dos educadores em torno da problemática da formação dos profissionais da educação começou a articularse no final da década de 1970 e materializouse por ocasião da realização da I Conferência Brasileira de Educação que aconteceu em São Paulo nos dias 31 de março 1 e 2 de abril de1980 Nessa ocasião foi criado o Comitê Pró Participação na Reformulação dos Cursos de Pedagogia e Licenciatura O comitê organizouse na forma de comissões regionais transformouse em 1983 em CONARCFE7 que por sua vez em 1990 se constituiu na ANFOPE que continua em atividade 2008a p58 7 CONARCFE Comissão Nacional pela Reformulação dos Cursos de Formação de Educadores De acordo com Pimenta 2002a a Lei 569271 ignorou necessidades essenciais que o sistema escolar brasileiro apresentava Na análise de Pimenta 2002a p 56 essas necessidades principais seriam consolidar o processo de ampliação quantitativa da escolarização básica e iniciar sua melhoria qualitativa O que apontava para um aspecto fundamental das políticas de ensino que era a formação de professores e suas condições de trabalho Assim sendo essa reflexão embora tardia está sendo reavaliada quando refletimos sobre a formação do educador A formação do educador ainda está refletida no modelo fabril de escola e a proposta alternativa apresentada a mais de duas décadas conforme Cunha 1989 é discutir os fatores intrínsecos e extrínsecos que afetam a formação significativa do educador O conhecimento do professor é construído no seu próprio cotidiano mas ele não é só fruto da vida na escola Ele provém também de outros âmbitos e muitas vezes excluem de sua prática elementos que pertencem ao domínio escolar A participação em movimentos sociais religiosos sindicais e comunitários pode ter mais influência no cotidiano do professor que a própria formação docente que recebeu academicamente CUNHA 1989 p 73 As ações políticas que denominam a formação do educador são mais abrangentes e complexas do que as puras discussões de nomenclaturas É importante perceber em qual perspectiva estamos formando os educadores A nomenclatura não responde às questões postas O que entendemos ser necessário é discutir o processo de formação principalmente o estágio supervisionado na direção que nos aponta Franco 2008 p 110 Deverá por certo ser preocupação do curso de pedagogia a formação de um pedagogo como profissional crítico e reflexivo que saiba mediar as diversas relações inerentes à prática educativa79 e as relações sociais mais amplas bem como articular as práticas educativas com a formalização de teorias críticas sobre essas práticas sabendo detectar as lógicas que estão subjacentes às teorias aí implícitas Com base no exposto entendemos por professor reflexivo principalmente o profissional capaz de refletir criticamente e agir diante das diferentes situações pedagógicas vivenciadas Assim apropriandonos do pensamento de Franco 2008 p 110 caracterizamos o professor reflexivo como 79 Segundo Paulo Freire prática educativa Envolve a capacidade do educador de somar conhecimento afetividade criticidade respeito ação e em conjunto com seu educando concorrer para a transformação do mundo VASCONCELOS BRITO 2006 p 156157 148 profissional que deverá ser investigador educacional por excelência pressupondo para esse exercício o caráter dialético e histórico dessas práticas Assim o pedagogo será aquele profissional capaz de mediar teoria pedagógica e práxis80 educativa e deverá estar comprometido com a construção de um projeto político voltado à emancipação dos sujeitos da práxis na busca de novas e significativas relações sociais desejadas pelos sujeitos Nesta perspectiva a formação do pedagogo pode ser aquela apenas preocupada em absorver conteúdos mas sobretudo refletir sobre a sua aprendizagem Isso contribuirá para que o pedagogo veja seu educando como sujeito histórico que interage e modifica as condições em que vive Giroux 1997 pondera neste sentido a necessidade de repensar a ação docente e o que envolve a natureza de sua atividade sendo fundamental para isso que o professor seja visto como intelectual transformador pois Se acreditarmos que o papel do ensino não pode ser reduzido ao simples treinamento de habilidades práticas mas que em vez disso envolve a educação de uma classe de intelectuais vital para o desenvolvimento de uma sociedade livre então a categoria de intelectual tornase uma maneira de unir a finalidade da educação de professores escolarização pública e treinamento profissional aos próprios princípios necessários para o desenvolvimento de uma ordem e sociedade democráticas 1997 p 162 Libâneo 1998 nesta direção lembra a necessidade de que o aluno seja preparado para assumir uma postura muito além daquela em que lida com o conhecimento a partir de uma atitude passiva e defende que para isso é condição fundamental que o professor em sua ação docente seja capaz de garantir uma formação que ajude o aluno a transformarse num sujeito pensante de modo que aprenda a utilizar seu potencial de pensamento por meio de meios cognitivos de construção e reconstrução de conceitos habilidades atitudes valores Tratase de investir numa combinação bemsucedida da assimilação consciente e ativa desses conteúdos com o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas pelos alunos visando à formação de estruturas próprias de pensamento ou seja instrumentos conceituais de apreensão dos objetivos de conhecimento mediante a condução pedagógica do professor que disporá de práticas de ensino intencionais e sistemáticas de promover o ensinar a aprender a pensar LIBÂNEO 1998 p 30 80 Práxis É termo grego que significa ação Para que haja práxis é essencial que o indivíduo seja levado a tomar consciência de sua realidade para que então possa refletir sobre ela e finalmente questionála Somente depois disso será possível despertar no oprimido sua capacidade de reação para transformação e por último incentivar que esta ação transformadora se concretize VASCONCELOS BRITO 2006 p157158 149 Conforme lembra Saviani na história recente da educação Com base no pressuposto da neutralidade científica e inspirada nos princípios de racionalidade a pedagogia tecnicista advoga a reordenação do processo educativo de maneira que o torne objetivo e operacional 2008b p 381 Não foi à toa que ela foi implementada dentro do processo ditatorial Sendo assim a pedagogia tecnicista deveria responder aos anseios do Estado autoritário cujo objetivo era formar de maneira rápida mão de obra para o mercado de trabalho além de fortalecer a alienação resultado da ideologia dominante Resultado disso a deterioração da qualidade dos cursos de magistério em função da desarticulação da sua matriz curricular que enfatizava a parte profissionalizante Com base nessas diferentes problematizações é possível dizer que preparar professores é uma tarefa complexa sobretudo no que tange às diferentes posturas teóricometodológicas que esses profissionais assumirão na sua prática educativa Por isso lembramos os questionamentos que nos remetem a essa investigação Como os cursos de formação de professores e especificamente o Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental que tem como referência as Diretrizes Curriculares Nacionais Resolução CNECP81 Nº 1 de 15 de maio de 2006 para a formação do pedagogo estão contribuindo para a prática educativa dos docentes Se não ficarmos atentos às questões postas possivelmente comprometeremos a construção de uma educação de qualidade para todos Se não fizermos essas discussões de maneira crítica o sistema excludente continuará vigente O pensador Gentili 1995 aborda essa questão Para o autor há por parte dos professores uma atitude de desconforto em relação à educação escolar As escolas são instituições literalmente poderosas Atualmente inclusive a escola pública define que o aluno precisa frequentála se a família quiser receber os auxílios financeiros do Governo Federal tais como Programa Bolsa família e também atesta por meio da avaliação se o aluno pode ou não cursar a série ou ano seguinte O quadro apresentado até o momento fortalece a necessidade de repensar a formação de professores Esta vem sendo delineada aos poucos nas pequenas e significativas ações pedagógicas É fundamental que o governo brasileiro junto com a sociedade civil organizada assuma a educação escolarizada como uma tarefa de todos Desse modo não só o ensino poderá ser repensado mas principalmente a educação do educador Enfim entendemos que o momento histórico exige que os professores por meio dos Cursos de Formação desenvolvam o que sugere Giroux 1997 p163 um discurso 81 Conselho Nacional de EducaçãoCurso de Pedagogia 150 que una a linguagem da crítica e a linguagem da possibilidade de forma que os educadores sociais reconheçam que podem promover mudanças 12 O curso de Pedagogia um olhar sobre sua história Quanto mais me torno capaz de me afirmar como sujeito que pode conhecer tanto melhor desempenho minha aptidão para fazêlo Ninguém pode conhecer por mim assim como não posso conhecer pelo aluno FREIRE 2002 p 140 Neste item apresentamos elementos da história do curso de Pedagogia pois acreditamos que somente a partir de sua compreensão e contextualização no tempo e no espaço é que podemos nos apropriar do entendimento da caracterização da Licenciatura em Pedagogia da atualidade Iniciamos com a caracterização do profissional da Pedagogia depois traremos aspectos do surgimento de sua profissão como se deu e se dá historicamente a sua formação pois quando falamos do professor estamos nos referindo a um profissional que apresenta características e qualidades próprias para exercer a sua profissão BELLO 2002 p 45 Essas características e qualidades vão além das habilidades e conhecimentos científicos necessários ao exercício docente pois não se separa o humano do profissional elas envolvem todo o ser conforme pondera Freire Às vezes ou quase sempre lamentavelmente quando pensamos ou nos perguntamos sobre a nossa trajetória profissional o centro exclusivo das referências está nos cursos realizados na formação acadêmica e na experiência vivida na área da profissão 2001 p 79 Ainda de acordo com Freire esta postura exclui a vivência de mundo do professor É como se a atividade profissional dos homens e das mulheres não tivesse nada que ver com suas experiências de menino de jovem com seus desejos com seus sonhos com seu bemquerer ao mundo ou com seu desamor à vida Com sua alegria ou com seu malestar na passagem dos dias e dos anos 2001 p 80 151 Assim pensamos que não há a compreensão desse malestar que parece tomar conta do professor nos dias de hoje sem entender como ele se fez e se faz historicamente Nesse sentido compartilhamos com Bello o seguinte argumento Assim pareceme que a questão histórica é fundamental para a compreensão e o significado da profissão docente hoje 2002 p 47 No sentido de compreender como o ensino foi se delineando até tomar a forma que conhecemos atualmente é preciso buscar na préhistória período em que o homem vivia como nômade como se dava a disseminação e produção do conhecimento como era realizado o ensino Para isso lembramos o relato de Aranha Nas comunidades tribais as crianças aprendem imitando os gestos dos adultos nas atividades diárias e nas cerimônias dos rituais Nas tribos nômades ou que já se sedentarizaram ocupandose com a caça a pesca o pastoreio ou a agricultura as crianças aprendem para a vida e por meio da vida sem que alguém esteja especialmente destinado para a tarefa de ensinar 1996 p 27 Ainda de acordo com Aranha na Idade dos Metais82 na préhistória o homem deixa de ser nômade e se fixa ao solo e desenvolve técnicas de agricultura e pastoreio 1996 p 28 A Idade dos Metais conforme Aranha 1996 argumenta modificou não só os modos de produção a convivência e organização social como o acesso ao conhecimento Nesta perspectiva a autora afirma que As transformações técnicas e o aparecimento das cidades em decorrência da produção excedente e da comercialização alteram as relações entre os homens As principais mudanças são na organização social homogênea na qual antes havia indivisão surgem hierarquias por causa de privilégios de classes aparecem formas de servidão e escravismo as terras de uso comum passam a ser administradas pelo Estado instituição criada para legitimar o novo regime de propriedade O saber antes aberto a todos tornase patrimônio e privilégio da classe dominante Nesse momento surge a necessidade da escola para que apenas alguns iniciados tenham acesso ao conhecimento 1996 p 28 Deste modo somente com o surgimento do Estado o saber tornase privilégio de poucos a saber a classe dominante que se compunha pela monarquia nobreza e clero Contudo para os lavradores comerciantes e artesãos o Estado oferecia uma educação 82 Idade dos Metais foi o momento em que o ser humano aperfeiçoando técnicas de metalurgia conseguiu elaborar instrumentos de trabalho e armas Com isso alguns grupos passaram a deter a hegemonia sobre outros e as sociedades dividiramse em classes sociais HISTÓRIA DO MUNDO Préhistória características e divisões Disponível em httpwwwhistoriadomundocombrprehistoriatextoprehistoria 152 informal Aranha 1996 denomina esta diferenciação de ensino de dualismo escolar 1996 p 34 grifo da autora O contexto acima explicitado está de acordo com o que Monroe 1983 p9 relata Há então um esboço de instrução para o povo em geral dada pelo sacerdócio83 Já para os futuros membros do sacerdócio Monroe 1983 p9 afirma que Estes últimos são os primeiros professores profissionais Por vários séculos o ensino permanece como um direito especial do clero e por muitos séculos mais a educação é orientada e dirigida unicamente por ele Para Hengemühle O surgimento da função do professor se deve ao fato de haver necessidade de complementação e de ajuda na formação das crianças para as famílias buscando uma melhor inserção social 2007 p 68 A partir da análise realizada por Hengemühle podese observar que os primeiros educadores na Grécia antiga eram particularmente os poetas Homero em primeiro lugar 2007 p 68 Apropriandonos do pensamento de Rosa Homero teve excepcional importância para a cultura e educação da Grécia Seus poemas Ilíada e Odisséia narrando a educação daquela época mostram a valentia a prudência a lealdade a hospitalidade etc bem como virtudes fundamentais Esse quadro de valores durante muito tempo inspirou a conduta dos gregos 1999 p 18 grifo da autora Dessa forma Hengemühle observa que No século V aC Atenas tornouse economicamente poderosa culturalmente mais ilustrada e politicamente mais democrática com maior participação na vida pública 2007 p 68 Deste modo surge a necessidade de preparar pessoas para atuar na vida política Foi quando apareceram os primeiros educadores chamados sofistas84 Hengemühle 2007 p 69 Esta observação é corroborada por Aranha a esse respeito a autora assevera que Os novos mestres são os sofistas sábios itinerantes de todas as partes do mundo grego e que agora se encontram em Atenas 1996 p 43 Nesta época a sociedade romana de acordo com as afirmações de Rosa Tratavase de uma sociedade sóbria e austera que ministrou um tipo de educação mais moral que intelectual 1999 p 61 Assim conforme Hengemühle 2007 nas sociedades romanas 83 Sacerdócio Conforme Aranha No Egito o faraó é o supremo sacerdote 1996 p 32 84 Para FERREIRA Sofista Na Grécia Antiga aquele que tinha por profissão ensinar a sabedoria e a arte de falar em público 2004 p 746 153 bem como em outras sociedades a formação moral do professor tornavase muito mais importante que seu grau de instrução Conforme afirma Rosa a educação desse povo sofre sensíveis mudanças Enriquecendose a sociedade romana acentuou a divisão entre os economicamente poderosos e a plebe a qual constituía a maioria que embora empobrecida teve grande força política Ainda mais ocorre a invasão da cultura helênica85 com os imigrantes gregos que vão até Roma Os cidadãos mais ricos passam a ter preceptores particulares geralmente gregos imigrados O espírito da nova educação resumese na palavra humanitas uma espécie de educação de caráter universal humanística supernacional 1999 p 62 grifo da autora Já na Idade Média e início da Renascença existia a preocupação não só com a integridade moral como também a preocupação com o domínio de conteúdos a ensinar e a capacidade técnica para realizar o ensino A educação promovida principalmente pela igreja católica visava que através da fé o povo fosse obediente aos princípios da igreja A esse respeito Aranha assevera que A Escolástica é a mais alta expressão da filosofia cristã medieval Chamase Escolástica por ser a filosofia ensinada nas escolas Os parâmetros da educação na Idade Média se fundam na concepção do homem como criatura divina de passagem pela Terra e que deve cuidar em primeiro lugar da salvação da alma e da vida eterna Tendo em vista as possíveis contradições entre fé e razão recomendase respeitar sempre o princípio da autoridade que exige humildade para consultar os grandes sábios e intérpretes autorizados pela Igreja sobre a leitura dos clássicos e dos textos sagrados Evitase assim a pluralidade de interpretações e se mantém a coesão da Igreja 1996 p 73 grifo da autora A ênfase espiritual divina sobrenatural dada à educação ao papel da escola é ilustrada segundo Rosa 1999 p 106 por Tomás de Aquino que foi um dos mais famosos filósofos da Escolástica ele considerava a razão como a chave principal da verdade Para Aquino o verdadeiro mestre que ensina dentro de nossa alma é Deus só Deus é o verdadeiro agente da educação ROSA 1999 p 107 Coube então às Universidades Medievais garantir um preparo mais rigoroso dos mestres Dessa forma a influência do clero na formação de professores perpetuouse por muitos séculos em todo o mundo No século XVII nasceu 85 ARANHA 1996 p 41 A fusão da tradição grega com a oriental resultante das conquistas alexandrinas dá origem ao que se chama cultura helenística grifo da autora 154 João Batista de La Salle em Reims capital da Champagne França no dia 30 de abril de 1651 João Batista foi educado no mais sofisticado estilo da burguesia e da nobreza da França e ao mesmo tempo nos princípios cristãos adotados com muita seriedade e convicção WESCHENFELDER 2006 p 11 Conforme Duarte 1986 p 6566 o primeiro estabelecimento de ensino destinado à formação de professores teria sido instituído por São João Batista de La Salle em 1684 em Reims com o nome de Seminário dos Mestres Para Cambi 1999 o objetivo de La Salle seria que todos fossem instruídos tanto no catecismo quanto nas orações Para tanto ainda no pensamento de Cambi 1999 p 299 La Salle funda uma escola normal para a formação dos mestres o Seminário dos Mestres de Escola com uma escola elementar anexa e a Ordem dos Irmãos das Escolas Cristãs que acolhe religiosos desejosos de dedicarse ao ensino Em dois escritos Regras da decência e urbanidade cristã e Conduta das escolas cristãs ele expõe seu credo pedagógico uma minuciosa organização das escolas e o programa didático que prevê leitura e escrita da língua materna as quatro operações e o catecismo acompanhando uma formação técnicocientífica de caráter profissional Sempre na direção do crescimento cultural do povo La Salle promove a fundação de escolas dominicais e de um instituto para menores infratores grifo do autor Além de fundar a primeira escola normal para a formação docente São João Batista de La Salle que foi sacerdote e teólogo ainda Elevou o prestígio do Magistério profissão desconsiderada em sua época Fundou as primeiras escolas para treinamento dos novos professores Sistematizou o ensino primário organizando as classes por idade Criou escolas profissionais emendativas e para adultos Sistematizou o método simultâneo de aula Suavizou a disciplina escolar da sua época proibindo os castigos físicos Prestigiou a língua materna para o aprendizado do aluno Escreveu diversos textos sobre o bom funcionamento de uma escola Fundamentou sua Pedagogia no amor e no conhecimento dos alunos Dez méritos pedagógicos de La Salle86 2007 No entanto conforme Saviani 2009a p 143 somente após a Revolução Francesa a partir da necessidade da formação docente para oferecer instrução pública é que deriva o processo de criação de Escolas Normais como instituições encarregadas de 86 DEZ MÉTODOS PEDAGÓGICOS DE LA SALLE Documento eletrônico Disponível em httpwwwlasalledfcombrescolalasalle acesso 20032009 155 preparar professores A primeira instituição com o nome de Escola Normal foi instalada em Paris em 1795 Aranha 1996 afirma que o Brasil ainda não possui uma pedagogia própria o que fez com que alguns intelectuais influenciados pelas idéias européias tentam imprimir novos rumos à educação Aranha 1996 p 151 No entanto a autora ainda afirma que estas iniciativas não obtiveram sucesso Em relação à formação docente no Brasil Saviani 2009a p 143 afirma que a questão do preparo de professores emerge de forma explícita somente após a independência quando se cogita da organização da instrução popular Ainda apropriandonos do pensamento de Saviani 2009a é importante trazer a síntese que o pesquisador estabelece em relação aos períodos da história da formação de professores no Brasil O primeiro período 18271890 é denominado Ensaios intermitentes de formação de professores SAVIANI 2009a p 143 O autor afirma que Esse período se inicia com o dispositivo da Lei das Escolas de Primeiras Letras que obrigava os professores a se instruir no método do ensino mútuo87 às próprias expensas estendese até 1890 quando prevalece o modelo das Escolas Normais SAVIANI 2009a p 144 Na análise de Saviani 2009a p 144 os outros períodos são os seguintes 2 Estabelecimento e extensão do padrão das Escolas Normais 1890 1932 cujo marco inicial é a reforma paulista da Escola Normal tendo como anexo a escolamodelo 3 Organização dos Institutos de educação 19321939 cujos marcos são as reformas de Anísio Teixeira no Distrito Federal em 1932 e de Fernando de Azevedo em São Paulo em 1933 4 Organização e implantação dos Cursos de Pedagogia e de Licenciatura e consolidação do modelo das Escolas Normais 19391971 5 Substituição da Escola Normal pela Habilitação específica de Magistério 19711996 6 Advento dos Institutos Superiores de Educação Escolas Superiores e o novo perfil do Curso de Pedagogia 19962006 87 Proposto e difundido pelos ingleses Andrew Bell pastor da Igreja anglicana e Joseph Lancaster da seita dos Quakers anglicanos e quakers são membros de diferentes ramos da Igreja Protestante na Inglaterra ARANHA 1996 p 147 o método mútuo também chamado de monitorial ou lancasteriano baseavase no aproveitamento dos alunos mais adiantados como auxiliares do professor no ensino de classes numerosas O método supunha regras predeterminadas rigorosa disciplina e a distribuição hierarquizada dos alunos sentados em bancos dispostos num salão único e bem amplo De uma das extremidades do salão o mestre sentado numa cadeira alta supervisionava toda a escola em especial os monitores Avaliando continuamente o aproveitamento e o comportamento dos alunos esse método erigia a competição em princípio ativo do funcionamento da escola SAVIANI 2008b p 128 156 Para melhor compreensão destes períodos trazidos por Saviani entendemos que seja necessário explanar de modo mais detalhado os aspectos que envolvem a formação do professor no Brasil A formação docente surge a partir dos moldes jesuíticos que além de propagarem a doutrina católica tinham a responsabilidade de formar novos professores jesuítas conforme relata Xavier Ribeiro Noronha 1994 Assim ao mesmo tempo em que os jesuítas deveriam cuidar da catequização dos nativos que aqui viviam estes também objetivavam reproduzir novos contingentes de sacerdotes para dar continuidade à obra católica De acordo com Paim os jesuítas Planejaram e foram bastante eficientes em sua execução converter por assim dizer seus alunos ao catolicismo afastandoos das influências consideradas nocivas É por isso que dedicavam especial atenção ao preparo dos professores que somente se tornam aptos após os trinta anos selecionavam cuidadosamente os livros e exerciam rigoroso controle sobre as questões a serem suscitadas pelos professores especialmente em filosofia e teologia Um trecho do Ratio diz o seguinte Se alguns forem amigos de novidades ou de espírito demasiado livre devem ser afastados sem hesitação do serviço docente 1967 p 28 A expulsão dos jesuítas pela Reforma Pombalina ocorre em 1759 e o Brasil sofre uma transformação em se tratando da educação Quanto à situação do ensino na Colônia foi encontrada uma solução paliativa através das chamadas Aulas Régias Eram aulas avulsas Xavier Ribeiro Noronha 1994 p 52 Acontece também que os professores que passaram a lecionar não eram preparados para lecionar De acordo com as autoras Xavier Ribeiro Noronha 1994 as Aulas Régias foram implantadas quarenta anos depois da expulsão dos jesuítas É a partir desse momento que o vicerei do Brasil Dom José Luiz de Castro88 nomeado por Portugal no reinado de D Maria I concede as licenças para a docência No século XVIII surgiram as primeiras preocupações com a profissão do professor No final desse século tornouse proibido na Europa lecionar sem 88 José Luis de Castro 2º conde de Rezende 17441819 Foi nomeado vicerei do Brasil entre 1789 e 1801 tendo sido o último vicerei do século XVIII enfrentando a conjuração mineira assumindo a responsabilidade de cumprir as decisões julgadas nos autos da devassa Como governante procurou melhorar as finanças e condições sanitárias do Rio de Janeiro Em suas primeiras realizações prolongou o cais do Largo do Paço completou o aterro do pantanal de Pedro Dias iniciado pelo Marquês do Lavradio aterrou o Campo de Santana transformandoo no maior rossio da cidade que veio a se tornar a nova atração para o povo em ocasiões como a festa do Divino de Santana Foi responsável também pelo fechamento e a devassa da sociedade literária do Rio de Janeiro acusada de sedição Passou o governo ao seu sucessor d Fernando José de Portugal O ARQUIVO NACIONAL E A HISTÓRIA LUSOBRASILEIRA Disponível em httpwwwhistoriacolonialarquivonacionalgovbrcgicgiluaexesysstarthtminfoid347sid57tplprinter view acesso 30052009 157 licença ou autorização do Estado Isso foi fundamental no processo de profissionalização uma vez que se começava a delinear a carreira e suas funções No momento em que a escola se impunha como instrumento privilegiado da estratificação social os professores alcançavam uma posiçãochave de ascensão social personificando as esperanças das camadas da população menos privilegiadas De agentes culturais os professores também se tornam agentes políticos BELLO 2002 p 47 No Brasil a necessidade de formação dos professores faz com que sejam Fundadas as primeiras escolas normais em Niterói 1835 Bahia 1836 Ceará 1845 e São Paulo 1846 o ensino é formal distante das questões teóricas técnicas e metodológicas relacionadas com a atuação profissional do professor além de funcionar de maneira precária e irregular ARANHA 1996 155 Destarte o Brasil passa por várias reformas educacionais Entretanto foi somente com a Reforma Francisco Campos89 que se previu no Estatuto das Universidades Brasileiras a criação da Faculdade de Educação Ciências e Letras voltada para a formação do magistério secundário Na Faculdade de Filosofia de São Paulo em 1937 através do Instituto de Educação são diplomados os primeiros professores licenciados para o ensino secundário ARANHA 1996 Segundo Saviani 2004 o curso de Pedagogia formalizouse como curso de bacharelado Pelo Decreto n 1190 de abril de 1939 a Faculdade Nacional de Filosofia foi estruturada em quatro seções Filosofia Ciências Letras e Pedagogia acrescentando ainda a de Didática considerada como seção especial Enquanto as seções de Filosofia Ciências e Letras albergavam cada uma diferentes cursos a de Pedagogia assim como a seção especial de Didática era constituída de apenas um curso cujo nome era idêntico ao da seção Está aí a origem do Curso de Pedagogia p 5 Contudo o descaso com a formação do professor é tamanho que de acordo com Rodrigues e Mendes Sobrinho o curso de Pedagogia a partir do DecretoLei n 11901939 acaba sendo reduzido a uma área apenas profissionalizante desobrigase da produção de conhecimento durante longo período da sua história 2006 p 96 Ainda apropriandonos de Rodrigues e Mendes Sobrinho 2006 p 96 o desprezo que as autoridades constituídas do Brasil dispensavam à educação chega a mais profunda irresponsabilidade pois 89 Em 1926 Francisco Campos assumiu a Secretaria dos Negócios do Interior de Minas sob o governo de Antônio Carlos ocasião em que promoveu a reforma da instrução pública com a colaboração de Mário Casasanta SAVIANI 2008 p 267 158 Com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases n 4024 de 1961 temos algumas regulamentações para a formação e exercício do magistério Para o desempenho do magistério é então estabelecido como exigência apenas o registro dos professores em órgão competente Apresentavase também em suas disposições transitórias a abertura para professores nãoformados atuarem nas escolas primárias e de nível médio suprindo a falta de professores devidamente qualificados Assim verificamos o próprio estado numa ação de desvalorização dos professores em lugar de uma política de promoção e preparação do profissional docente especialmente em nível superior Nos anos da ditadura militar a formação docente bem como a Pedagogia sofre novo golpe o regime democrático não mais existe o professor de então é formado para reproduzir a ideologia militar já que É o Parecer de n 2521969 do Conselho Federal de Educação de autoria do conselheiro Valnir Chagas que traduz a marca da Reforma Universitária para o curso de Pedagogia Este incorporado à Resolução do CFE n 269 norteava a organização do Curso de Pedagogia até há bem pouco tempo Nesse documento são fixados o currículo mínimo e a duração da graduação em Pedagogia referente à formação de professores para o ensino normal e de especialidades em orientação administração supervisão e inspeção escolar A criação dessas habilitações fragmentou a formação do pedagogo pois criou o especialista em determinada área educacional terminando por provocar a divisão de tarefas no âmbito da educação Isso fez com que perdêssemos a noção de totalidade que é imanente a toda ação educativa escolar RODRIGUES e MENDES SOBRINHO 2006 p 97 Não só a formação docente foi arrasada pela ditadura mas também a atuação deste profissional que com o Ato Institucional n 5 AI5 ficou totalmente à mercê do governo ditatorial que de acordo com Aranha Com o pretexto de averiguar atividades subversivas instalase o terrorismo nas universidades Processos sumários e arbitrários demitem ou aposentam muitos professores Muitos se exilam em países latinoamericanos na Europa e também nos EUA Além desse êxodo os profissionais remanescentes trabalham sob o risco de censura e delação Isto sem dúvida prejudicou e muito a vida cultural e o ensino no Brasil 1996 212 A educação assume uma tendência tecnicista que deveria levar o Brasil ao crescimento econômico Todavia com o advento da Lei 569271 desativase a Escola Normal e passase a denominar a formação docente como habilitação em magistério e permite também assim como a Lei de Diretrizes e Bases n 4024 de 1961 que na falta de professores habilitados 159 tanto o profissional de outra área do saber quanto o professor leigo pode exercer a profissão docente Art 77 Quando a oferta de professôres legalmente habilitados não bastar para atender às necessidades do ensino permitirseá que lecionem em caráter suplementar e a título precário a no ensino de 1º grau até a 8ª série os diplomados com habilitação para o magistério ao nível da 4ª série de 2º grau b no ensino de 1º grau até a 6ª série os diplomados com habilitação para o magistério ao nível da 3ª série de 2º grau c no ensino de 2º grau até a série final os portadores de diploma relativo à licenciatura de 1º grau Parágrafo único Onde e quando persistir a falta real de professôres após a aplicação dos critérios estabelecidos neste artigo poderão ainda lecionar a no ensino de 1º grau até a 6ª série candidatos que hajam concluído a 8ª série e venham a ser preparados em cursos intensivos b no ensino de 1º grau até a 5ª série candidatos habilitados em exames de capacitação regulados nos vários sistemas pelos respectivos Conselhos de Educação c nas demais séries do ensino de 1º grau e no de 2º grau candidatos habilitados em exames de suficiência regulados pelo Conselho Federal de Educação e realizados em instituições oficiais de ensino superior indicados pelo mesmo Conselho Art 78 Quando a oferta de professôres licenciados não bastar para atender às necessidades do ensino os profissionais diplomados em outros cursos de nível superior poderão ser registrados no Ministério da Educação e Cultura mediante complementação de seus estudos na mesma área ou em áreas afins onde se inclua a formação pedagógica observados os critérios estabelecidos pelo Conselho Federal de Educação BRASIL 1971 A educação brasileira foi regida por esta lei durante todo o período ditatorial A partir da promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB nº 939496 surgem novos sujeitos no cenário da Pedagogia Esta se via destituída de sua grande função qual seja a formação de professores para a educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental Diante do exposto entendemos que analisar como se contextualiza a Licenciatura em Pedagogia é condição essencial para entender o Estágio Supervisionado na atual legislação 13 A Pedagogia no contexto atual discussões a partir dos anos de 1990 Este item tem o objetivo de refletir sobre o campo de atuação da Pedagogia no Brasil após a ditadura militar seu espaço e identidade 160 É pertinente lembrar conforme vimos no item anterior que o curso de Pedagogia foi criado no Brasil no final da década de 1930 passando por diversas modificações até o momento atual Com o fim da ditadura e a redemocratização do ensino após a promulgação da Constituição Federal de 1988 iniciam muitas medidas de política na educação dentre as quais Oliveira 2006 p 18 destaca a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n 939496 conhecida como a nova LDB a Emenda Constitucional n 1496 que alterou dispositivos da Constituição de 1988 o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério Lei n 942496 as Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio as Diretrizes Curriculares para os Cursos Superiores que substituiriam os Currículos Mínimos o Exame Nacional de Cursos o Exame Nacional do Ensino Médio ENEM a avaliação da educação básica SAEB os Parâmetros Curriculares Nacionais Dentre as medidas na política educacional destacamos a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 939496 a Lei Darcy Ribeiro que institui o Curso Normal Superior Licenciatura e que a graduação para a formação de professores no Brasil poderia ocorrer em universidades institutos superiores de educação e em nível médio na modalidade Normal A Pedagogia perde com a LDB n 939496 sua função de formação docente e esta lei estabelece o campo de atuação da Pedagogia descrevendo em seu Art 64 A formação de profissionais de educação para administração planejamento inspeção supervisão e orientação educacional para a educação básica será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pósgraduação a critério da instituição de ensino garantida nesta formação a base comum nacional A Lei ainda determina que a habilitação a nível superior para lecionar para crianças da Educação Infantil e para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental ocorrerá a partir da formação em universidades e Institutos de Educação por meio da Licenciatura plena em Normal Superior Art 62 A formação de docentes para atuar na educação básica farseá em nível superior em curso de licenciatura de graduação plena em universidades e institutos superiores de educação admitida como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental a oferecida em nível médio na modalidade Normal 161 Esta determinação da lei fez com que a procura pela Licenciatura em Normal Superior fosse impulsionada em sua maioria por professores já atuantes nas redes de ensino portadores de curso técnico seja em magistério seja pelo Projeto Lúmen90 ou ainda Proformação91 O que se disseminou nesta época foi a idéia de que quem não fosse portador de diploma de graduação em Normal Superior perderia seu posto de trabalho Assim infelizmente podese entender que não foi necessariamente a vontade de qualificação que levou tantos professores à procura das graduações e sim o medo de perderem o emprego conforme percebe Pimenta sob a ameaça de perda do emprego real ou mesmo simbolicamente através do desprestígio social de seu trabalho e também frente às novas demandas que estão postas pela sociedade contemporânea à escola e aos professores são eles instados a uma busca constante de cursos de formação contínua muitas vezes às suas expensas 2002 p 41 Num estudo posterior Pimenta e Lima 2004 confirmaram que nem sempre o desejo de aprender mais ou o compromisso com a qualidade do seu trabalho são as razões que levam professores de volta aos bancos da escola A busca de certificação provocada pelas reformas da educação e a legislação de ensino têm trazido de volta à universidade muitos profissionais que já exerceram ou exercem o magistério 2004 p 99 Observamos claramente este fato pois acompanhamos como docente nas licenciaturas em Normal Superior os acadêmicos da primeira turma deste curso em nosso município A sua grande maioria era composta por alunos que já exerciam a docência sendo que alguns já possuíam muitos anos de magistério Em abril de 2002 foi encaminhada pela ANPED Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Educação ANFOPE Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação ANPAE Associação Nacional de Política e Administração da Educação dentre outras uma proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Nacional ao Conselho Nacional de Educação Castro 2007 Esta proposta nasceu 90 Projeto Lumen Curso de qualificação profissional Habilitação específica para o exercício do magistério de 1ª à 4ª série conforme os termos da Lei 5692 de 11 de agosto de 1971 artigo 24 1º do artigo 25 artigos 26 e 28 artigo 16 da Lei nº 704482 e da Resolução nº 697 de 17091993 do Conselho Estadual de Educação de Goiás Secretaria de Educação Cultura e Desporto Superintendência de Ensino NãoFormal 91 O PROFORMAÇÃO Programa de Formação de Professores em Exercício é um Programa da Secretaria de Educação a Distância é um curso em nível médio com habilitação para o magistério na modalidade Normal realizado pelo MEC em parceria com os estados e municípios Destinase aos professores que sem formação específica encontramse lecionando nas quatro séries iniciais classes de alfabetização ou Educação de Jovens e Adultos EJA das redes públicas de ensino do país PROFORMAÇÃO PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM EXERCÍCIO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA SEED Disponível em httpproformacaoproinfomecgovbrapresentacaoasp Acesso 30052009 162 Em 07 de novembro de 2001 ANPED ANFOPE ANPAE FORUNDIR92 CEDES93 e Fórum Nacional em Defesa da Formação de Professores durante uma reunião de consulta com o setor acadêmico no Âmbito do Programa Especial Mobilização Nacional por uma nova Educação Básica se posicionaram sobre a importância de se definir uma política nacional global de formação dos profissionais da educação e sobre a valorização do magistério Assim apresentaram o documento Posicionamento Conjunto das Entidades que serviu de base para a Proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia encaminhada ao CNE em abril de 2002 pelas comissões de Especialistas de Ensino de Pedagogia e de Formação de Professores CASTRO 2007 p 213 grifo da autora Somente em fevereiro de 2003 com o Parecer n 12003 o Conselho Nacional de Educação defende o direito adquirido aos portadores de diploma de normal em nível médio de exercerem suas profissões ao determinar que Os portadores de diploma de nível médio bem como os que vierem a obtê lo sob a égide da Lei n 939496 têm direito assegurado e até o fim de suas vidas ao exercício profissional do Magistério nas turmas de Educação Infantil ou nas séries inicias do Ensino Fundamental conforme sua habilitação O Conselho Nacional de Educação por meio do disposto no art 9º 2º alínea e da Lei n4024 de 20 de dezembro de 1961 com a redação dada pela Lei n 9131 de 25 de novembro de 1995 no art 62 da Lei n 9394 de 20 de dezembro de 1996 e com fundamento no parecer CNECP n 52005 incluindo a emenda retificada constante do Parecer CNECP n 32006 homologados pelo Senhor Ministro da Educação respectivamente conforme despachos publicados no DOU de 15 de maio de 2006 e no DOU de 11 de abril de 2006 e a resolução CNECP n 1 de 15 de maio de 2006 instituíram as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de graduação em Pedagogia Licenciatura Assim em 2006 é aprovada a Resolução CNECP n1 que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia Licenciatura O Curso de Licenciatura em Pedagogia destinase à formação de professores para exercer funções de magistério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental nos cursos de Ensino Médio na modalidade Normal de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos Resol CNECP n 12006 art 4º comentado por CASTRO 2007 p 218 92 Fórum de Diretores das Faculdades de Educação das Universidades Federais 93 Centro de Estudos Educação Sociedade 163 No que diz respeito aos cursos Normais Superiores os mesmos podem ser transformados em Pedagogia Para tanto é necessário que as instituições elaborem novo projeto pedagógico conforme Castro 2007 A partir destas Diretrizes garantese que o curso de Licenciatura em Pedagogia forme professores para a Educação Infantil para os anos iniciais do Ensino Fundamental para o Curso Normal de nível médio para a Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos Castro 2007 Ou seja para que a licenciatura possa habilitar de título e de fato os pedagogos é fundamental que a teoria e a prática docentes estejam articuladas Neste contexto o Estágio Supervisionado é o momento crucial da concretização dessa articulação E é esta preocupação que nos impulsiona na elaboração desta pesquisa 164 CAPÍTULO II O ESTÁGIO SUPERVISIONADO TEORIA E PRÁTICA A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação TeoriaPrática sem a qual a teoria pode ir virando blábláblá e a prática ativismo FREIRE 2002 p 24 Este capítulo tem como referência principal os trabalhos de Pimenta e Lima 2004 cuja contribuição teórica é suporte basilar para a análise que nos propomos realizar em relação ao estágio supervisionado que hoje acontece no curso de Pedagogia Licenciatura Acreditamos que para compreender o estágio supervisionado é necessário antes de qualquer coisa buscar como autores estudiosos do assunto definem o estágio Pimenta 2002 define o estágio como estágio curricular Para a autora 2002 p 21 Por estágio curricular entendese as atividades que os alunos deverão realizar durante o seu curso de formação junto ao campo futuro de trabalho Na perspectiva de Buriolla 2009 p 13 O estágio é o lócus onde a identidade profissional do aluno é gerada construída e referida voltase para o desenvolvimento de uma ação vivenciada reflexiva e crítica e por isso deve ser planejado gradativa e sistematicamente Assim podemos compreender que o estágio não se limita ao saber fazer ou ainda a reproduzir um modelo mas envolve sobretudo o pensar o pesquisar o refletir Compreender o que se faz como e por que se faz De acordo com Miranda 2008 p 16 Superando a concepção dicotômica e ampliando as possibilidades de realização do estágio o conhecimento é produto do processo de investigação os alunosestagiários são orientados na pesquisa e não na reprodução de conceitos prontos e acabados Nessa perspectiva são as demandas suscitadas pela realidade escolar que norteiam o estágio considerando que não basta observar eou denunciar fazse necessário enfrentar as situações e construir alternativas de ação O estágio é portanto uma ação educativa e social uma forma de intervir na realidade Nesta perspectiva o estágio pode ser considerado instrumento de pesquisa e reflexão que orienta a ação docente no sentido de superação da reprodução da ação pedagógica Além disso traz objetivos bem delineados conforme apresenta Cury 2003 p 118 165 O estágio supervisionado implica 1 Conhecer o real em situação 2 Fazer crescer o interesse pela área 3 Verificar se os conhecimentos adquiridos são pertinentes à área 4 Articularse com mercado de trabalho 5 Comparar programas de estudos face às diferentes necessidades da sociedade Ao aferir tais objetivos ao estágio o autor defende que o mesmo seja conduzido como atividade de pesquisa já que para conhecer o estágio é preciso estudálo em todas as suas possibilidades Miranda 2008 ainda apresenta a necessidade de o estágio ser concebido e vivenciado a partir da sua contextualização histórica cultural e social Fato este que ocorre somente quando o estágio é conduzido como atividade de pesquisa Pois ainda conforme Miranda 2008 p 17 O estágio como atividade de pesquisa aproxima mais o aluno da escola desenvolvendo posturas e habilidades de pesquisador que busca compreender os fatores determinantes da realidade escolar e propor projetos de ação Os fatos são compreendidos e explicados para além das aparências ou evidências habituais favorecendo a tomada de consciência do real e consequentemente o fazer mecânico cede lugar ao fazer reflexivo Em um mundo dinâmico o ensino não pode mais ser ministrado de forma determinista e estática A dúvida a curiosidade e as incertezas precisam estar presentes Este é um desafio permanente para o professor que orienta o estágio pois os caminhos não estão postos as possibilidades emergem do enfrentamento das questões suscitadas no cotidiano escolar Para uma melhor compreensão do debate sobre estágio é imprescindível trazermos novamente os estudos de Pimenta e Lima 2004 As referidas autoras apresentam três concepções de estágio Imitação de modelos Instrumentalização técnica e Pesquisa Apresentaremos a seguir os modelos definidos pelas autoras a começar pela primeira concepção acima citada a Imitação de modelos nesta concepção O estágio reduzse a observar os professores em aula e imitar esses modelos sem proceder a uma análise crítica fundamentada teoricamente e legitimada na realidade social em que o ensino se processa Assim a observação se limita à sala de aula sem análise do contexto escolar e esperase do estagiário a elaboração de aulasmodelo PIMENTA e LIMA 2004 p 36 Para as autoras muitas vezes quando os estagiários se encontram dentro do contexto escolar percebem que a fundamentação teórica que aprenderam durante seu curso 166 não condiz com a real situação vigente do espaço sala de aula Para Pimenta e Lima 2004 p 35 o estágio quando ocorre nessa situação se limita a mera imitação de modelos posto que o modo de aprender a profissão será a partir da observação imitação reprodução e às vezes reelaboração dos modelos existentes na prática consagrados como bons Logo os estagiários quando não possuem teorias adequadas ou mesmo não conseguem articular a teoria com a prática selecionam dentro das experiências vivenciadas no estágio modelos que mais se ajustam aos referenciais que elaboraram Portanto a reflexão momento crucial do estágio se estabelece apenas com relação às experiências vivenciadas não se caracterizando como pesquisa e portanto não avançando em relação à construção do conhecimento Ou seja é segundo as autoras o modelo por imitação Nesse sentido Tardif 2008 p 257 nos chama a atenção Desse ponto de vista a prática profissional nunca é um espaço de aplicação dos conhecimentos universitários Ela é na melhor das hipóteses um processo de filtração que os dilui e os transforma em função das exigências do trabalho ela é na pior das hipóteses um muro contra o qual vêem se jogar e morrer conhecimentos universitários considerados inúteis sem relação com a realidade do trabalho docente diário nem com os contextos concretos de exercício da função docente Outra questão relevante é que quando os acadêmicos se apoderam de modelos tidos como aqueles que deram certo esquecem que a educação é uma prática social e como tal não é imutável A educação precisa considerar os contextos sociais culturais e econômicos vivenciados pelos grupos sociais presentes na escola Não é possível ministrar aulas do passado para alunos do presente tão pouco transpor modelos que foram adequados para outros contextos Caso contrário o estagiário apenas reproduzirá um modelo legitimado com a perpetuação de hábitos idéias valores e comportamentos muitas vezes retrógrados Para Grossi 2004 p 19 Quando formamos professores nas nossas universidades e faculdades distantes da base escolar e da prática pedagógica é como se formássemos pilotos sem horas de vôo ou diplomássemos médicos sem prática médica sem residência pedagógica Quer dizer a má formação de professores produz uma antipedagogia cuja prática deve ser incriminada e não as teorias O estágio com a visão de receitas prontas não dará subsídios para uma prática pedagógica que exige pesquisa e reflexão cujo objetivo maior é a construção do conhecimento Essa concepção e prática de estágio apenas contribuirá para a reprodução de uma atuação docente que impossibilitará uma educação crítica reflexiva emancipatória 167 b Concepção de estágio como Instrumentalização técnica Nessa perspectiva a atividade de estágio fica reduzida à hora da prática ao como fazer às técnicas a ser empregadas em sala de aula ao desenvolvimento de habilidades específicas do manejo de classe ao preenchimento de fichas de observação diagramas fluxogramas PIMENTA e LIMA 2004 p 37 Temos que reconhecer a importância do domínio técnico para o exercício da profissão mas não podemos encarálo como suficiente apenas como parte integrante do processo de formação acadêmica O que ocorre geralmente nesta perspectiva é totalmente o contrário há uma ênfase desmedida em relação à aprendizagem das habilidades e competências técnicas da profissão em detrimento da reflexão da crítica da compreensão e da análise do contexto histórico e social da prática educativa Isto acaba por acarretar o que Pimenta e Lima 2004 p 39 denominam de O mito das técnicas e das metodologias Esse mito está presente não apenas nos anseios dos alunos mas também entre professores e sobretudo em políticas governamentais de formação que acabam investindo verbas em intermináveis programas de formação dêscontínua de professores partindo do pressuposto de que a falta de conhecimento de técnicas e métodos destes é a responsável exclusiva pelos resultados do ensino Está assim em movimento o ciclo de uma pedagogia compensatória realimentada pela ideologia do mito metodológico O mesmo ocorre quando são utilizadas exclusivamente as competências como núcleo de formação Isso significa que a atividade docente adquire uma postura tecnicista com visão de reprodução apoiada por uma didática instrumental a qual não é por si só satisfatória para uma formação do profissional reflexivo Com isso os saberes e conhecimentos do professor são substituídos por competências Essa substituição acarreta ônus para os professores uma vez que o expropria de sua condição de sujeito do seu conhecimento PIMENTA 2002 p 20 O emprego de técnicas por si só no processo educativo pode configurar a visão de um desvinculamento entre a teoria e a prática Desprovidas de reflexão o mero emprego delas não é capaz de dar conta da complexidade da prática docente O profissional reduzido à praticidade estará alheio aos conhecimentos científicos políticos e culturais necessários e fundamentais à formação profissional Na fala de Kulcsar 1991 p 70 Os cursos de formação de professores devem proporcionar aos futuros profissionais uma ampla base de conhecimento para toda a atividade educativa dando ênfase no entanto à de educador escolar 168 Ainda segundo Kulcsar 1991 todo o enfoque dado ao planejamento e ao manejo de classe ao preenchimento de fichas e formulários às oficinas pedagógicas para desenvolvimento de materiais didáticos leva o estágio a uma perspectiva de didática instrumental em contraposição a uma didática crítica e reflexiva A mesma autora ainda ressalta que as habilidades necessárias para o professor vão muito além de um saber prático devido à amplitude e à complexidade do processo educativo Ele deverá ser capaz de lidar com diferentes situações em que o ensino ocorre escolhendo adequadamente a técnica necessária ou ainda ir além criar novas possibilidades quando aquelas apreendidas não forem relevantes diante do conflito Somente uma formação adequada ou seja que articule teoria e prática por meio da reflexão da crítica e da pesquisa dará suporte para superar os entraves da prática pedagógica pois para Kulcsar 1991 p 70 O conhecimento elaborado principalmente no decorrer dos anos escolares incluímos universitários adquire força educativa quando se torna instrumento capaz de auxiliar o sujeito a atuar concretamente na natureza e na sociedade de modo crítico e transformador A dissociação entre a teoria e a prática nos cursos de formação de professores tem provocado a discussão de que a reflexão e a pesquisa contribuem para a construção da superação da visão tecnicista do estágio permitindo que os acadêmicos possam compreender e problematizar as situações observadas e vivenciadas c Concepção de estágio como Pesquisa A pesquisa no estágio como método de formação de futuros professores se traduz de um lado na mobilização de pesquisas que permitam a ampliação e análise dos contextos onde os estágios se realizam por outro e em especial se traduz na possibilidade de os estagiários desenvolverem postura e habilidades de pesquisador a partir das situações de estágio elaborando projetos que lhes permitam ao mesmo tempo compreender e problematizar as situações que observam Esse estágio pressupõe que se busque novo conhecimento na relação entre as explicações existentes e os dados novos que a realidade impõe e que são percebidos na postura investigativa PIMENTA e LIMA 2004 p 46 Pimenta e Lima 2004 consideram a aproximação e a interrelação entre o conjunto de disciplinas que compõem o curso de formação altamente relevante para que se possa analisar e elaborar os projetos de estágio Ou seja de acordo com as autoras 2004 p 41 O papel das teorias é iluminar e oferecer instrumentos e esquemas para análise e investigação que permitam questionar as práticas institucionalizadas e as ações dos sujeitos e ao mesmo tempo colocar elas 169 próprias em questionamento uma vez que as teorias são explicitações sempre provisórias da realidade Deste modo o papel dos professores dos cursos de formação assume importância essencial para que o estágio possa ser conduzido por uma postura docente reflexiva o que possibilitará ao alunoestagiário uma ação também investigativa essencial ao processo de formação docente já que de acordo com Silva e Schnetzler 2008 p 149 ao refletir sobre sua própria prática o futuro professor pode se converter em um investigador na sala de aula produzindo saberes pedagógicos visto que as atuais recomendações de pesquisas sobre formação docente centramse na temática de uma nova epistemologia da prática Esta não desconsidera contribuições teóricas advindas da pesquisa acadêmica produzidas nos moldes da racionalidade técnica mas pressupõe a sua integração aos problemas da prática para possibilitar reflexões sobre ela novos planejamentos implementações avaliações e novas reformulações gerando saberes pedagógicos grifo das autoras A ação do professor ou seja sua prática social deve ser o objeto de pesquisa Esta pesquisa permitirá a compreensão da complexidade do processo educacional nas instituições escolares e das ações praticadas pelos profissionais contribuindo para o posterior exercício da profissão docente Neste sentido destacamos que partilhamos com Giroux 1997 o sentido da escola existe uma necessidade de defender as escolas como instituições essenciais para a manutenção e desenvolvimento de um democracia crítica e também para a defesa dos professores como intelectuais transformadores que combinam a reflexão e prática acadêmica a serviço da educação dos estudantes para que sejam cidadãos reflexivos e ativos p 159 Reiteramos a necessidade da pesquisa como um caminho para superar os conflitos vividos pelos acadêmicos durante o curso de formação pois de acordo com o estudo realizado por Cunha 1989 p 127 é importante que o futuro professor dentre outros aspectos domine os conteúdos que ministre e para isso os Cursos de formação para o magistério precisavam instrumentalizar o professor para a pesquisa pois esta é a forma de sistematizar o conteúdo ter cientificidade no trato das coisas desenvolver o espírito crítico e distinguir a essência da aparência grifo meu 170 Diante desse contexto acreditamos em uma prática reflexiva pautada pela pesquisa para dar sustentação ao processo de formação dos professores Ao pensarmos em professor reflexivo e pesquisador nos reportamos novamente a Pimenta e Lima 2004 p 48 que com base em Shön lembram a importância da prática mas uma prática refletida que os possibilita responder com situações novas às situações de incerteza e indefinição Quando falamos em professor pesquisador e reflexivo não podemos perder o foco da coletividade levando em consideração mais uma vez de que a prática educativa é uma prática social e como tal não pode se basear na individualidade do sujeito pesquisador ou melhor de suas reflexões Estas não podem cair no praticismo individual ou coletivo no qual bastaria a prática para a construção do saber docente acarretando a desqualificação da pesquisa De acordo com Zeichner e Liston apud Silva e Schnetzler 2008 p 148 para que sua prática seja reflexiva os professores devem ter algumas características elementares I examinam esboçam hipóteses e tentam resolver os dilemas envolvidos em suas práticas de aula II estão alertas a respeito das questões e assumem os valores que levamcarregam para seu ensino III estão atentos para o contexto institucional e cultural no qual ensinam IV tomam parte no desenvolvimento curricular e se envolvem efetivamente para a sua mudança V assumem a responsabilidade por seu desenvolvimento profissional Neste sentido Cunha 1989 também aponta que no processo formativo a ênfase na reflexão e na pesquisa é necessária A prática dos professores em sala de aula é coerente com o modo de produção que acontece hoje em nossa sociedade isto é com a divisão do trabalho e do conhecimento A análise desta realidade constituise em mais um esforço no sentido de auxiliar os professores e alunos a um exercício reflexivo E só a reflexão pode nos dar a consciência necessária para a mudança p 151 grifo meu Compartilhamos com Cunha 1989 que a forma de rompermos com a divisão entre trabalho e conhecimento é a reflexão É importante salientar que a reflexão se dá com base na pesquisa Reiteramos juntamente com Pimenta e Lima 2004 que a partir da concepção do estágio como pesquisa é possível que o mesmo desenvolva atividades que possibilitem o conhecimento a análise a reflexão do trabalho docente das ações docentes nas instituições a fim de compreendê las em sua historicidade identificar seus resultados os impasses que 171 apresenta as dificuldades Dessa análise crítica à luz dos saberes disciplinares é possível apontar as transformações necessárias no trabalho docente nas instituições PIMENTA e LIMA 2004 p 55 Para que o Estágio Supervisionado seja realizado nesta perspectiva é necessário entender o perfil docente que esperamos seja capaz de atender às exigências e particularidades de sua profissão 21 Formação e estágio tensões e desafios Com base nas discussões feitas neste estudo defendemos que é desejável que a formação docente seja desenvolvida de modo que ao final da graduação o professor tenha condições de iniciar sua atuação na sala de aula que conforme aponta Libâneo e Freitas 2007 p 53 significa Colocar o aluno numa atividade de aprendizagem Ensinar portanto é adquirir meios do pensar através dos conteúdos Em outras palavras é desenvolver nos alunos o pensamento teórico O Pensamento teórico permite ao professor extrair o essencial dos objetos de conhecimento e com isso adquirir métodos e estratégias cognoscitivas gerais de cada ciência em função de analisar e intervir nas situações gerais LIBÂNEO e FREITAS 2007 p 54 Ter condições de desenvolver com os alunos o processo de reconstrução do conhecimento é o que a graduação em licenciatura deve proporcionar Onde mais o acadêmico seria preparado para seu ofício Todavia observamos que os professores em início de carreira acabam por aprender sua prática docente no cotidiano da sala de aula ou seja acabam aprendendo a prática na prática e muitas vezes pela prática tornandose um mero reprodutor do conhecimento não sendo capaz de mediar o saber com seu aluno Apropriandonos do pensamento de Pimenta e Lima 2004 p 37 Nessa perspectiva o profissional fica reduzido ao prático não necessita dominar os conhecimentos científicos mas tãosomente as rotinas de intervenção técnica deles derivadas Essa compreensão tem sido traduzida muitas vezes em posturas dicotômicas em que teoria e prática são tratadas isoladamente o que gera equívocos no processo de formação profissional A prática pela prática e o emprego de técnicas sem a devida reflexão podem reforçar a ilusão de que há uma prática sem teoria ou de uma teoria desvinculada da prática Essa perspectiva vem de encontro ao trabalho docente reflexivo e pesquisador De acordo com Libâneo 2002 o professor precisa ter compromisso com seu exercício profissional e ainda afirma que Desejase um profissional capaz de pensar planejar e 172 executar o seu trabalho e não apenas um sujeito habilidoso para executar o que os outros concebem 2002 p 6162 Por isso nesta pesquisa estamos problematizando o estágio supervisionado na formação dos professores Pois conforme explicita Pimenta 2002 p 52 no caso da formação de professores está a constatação de que o curso nem fundamenta teoricamente a atuação da futura professora nem toma a prática como referência para a fundamentação teórica Ou seja carece de teoria e de prática Para Kenski O Estágio Supervisionado dos cursos de Pedagogia já é por si só um desafio 1991 p 39 A autora aborda a separação teoria e prática na formação de professores e enfatiza que o estágio na grande maioria das vezes ocorre somente no final do curso desvinculado das atividades praticadas pelos alunos nos semestres anteriores Kenski 1991 p 40 o que impede uma vinculação da teoria com a prática Deste modo o Estágio Supervisionado traz em si uma expectativa de apoteose de gran finale no qual todos os problemas e deficiências apresentadas durante o curso têm uma última chance a ser pelo menos discutido 1991 40 grifo da autora Ainda em relação à desvinculação da teoria com a prática na formação docente e no estágio supervisionado Miranda 2008 p 15 ressalta que O estágio nos cursos de formação é quase sempre reduzido a uma prática instrumental que limita o papel do aluno estagiário a mero observador e conseqüentemente empobrece as possibilidades de ação na escolacampo Ainda conforme Miranda É comum a busca de uma correspondência linear entre os fundamentos teóricos e as práticas escolares respaldada na idéia de que o estágio é a parte prática do curso Por outro lado a visão dicotômica da teoria e da prática resulta em lacunas no processo de formação que dificultam a compreensão de que a prática é intencionada pela teoria que por sua vez é modificada e legitimada pela prática Considerar que a prática seja desprovida de fundamentos teóricos significa tornála inócua 2008 p 16 Acreditamos que o estágio tem um papel muito mais abrangente do que atualmente assume nos cursos de formação de professores É preciso entender que o estágio é muito mais que simples momento prático de como dar aula pois só assim daremos o real significado ao que verdadeiramente implica o estágio uma vez que para Pimenta e Lima 2004 p 29 Considerar o estágio como campo de conhecimento significa atribuirlhe um estatuto epistemológico que supere sua tradicional redução à atividade prática instrumental Deste modo algumas questões fazemse necessárias no sentido de que questionemos o estágio como prática instrumental e busquemos caminhos para a formação e o 173 estágio defendido por Pimenta e Lima 2004 Cunha 19892004 Freire 1996200020012002 Giroux 19871997 Kramer 2009 Libâneo 19982002 Ludke e André 1986 Miranda 2008 Kulcsar 1991 e outros Para Buriolla 2009 p 17 o estágio é fundamental à formação do aluno enquanto lhe propicia um momento específico de sua aprendizagem uma reflexão sobre a ação profissional uma visão crítica da dinâmica das relações existentes no campo institucional Contudo o estágio configurado como tal como parte integrante do processo ensinoaprendizagem salvo algumas exceções com muitas dificuldades de se operacionalizar sob esta concepção Ainda de acordo com Buriolla 2009 tais dificuldades operacionais acontecem por várias razões dentre as quais a instituição responsável pela formação docente estabelecer convênios com escolascampo unicamente para garantir o cumprimento de uma determinação legal muitas destas instituições não oferecem condições mínimas de estágio em muitos estágios a prática profissional objeto da supervisão é desvirtuada ou inexpressiva há desinformação e desintegração entre Unidade de Ensino e Unidade Campo de Estágio existem Unidades de Ensino que não assumem realmente o estágio com todas as suas implicações tornandose este um apêndice do Curso e sua operacionalização fica a cargo do aluno estagiário BURIOLLA 2009 p 18 Diante deste cenário o estágio como pesquisa tornase uma realidade cada vez mais necessária Nesta concepção poderemos vislumbrar a formação de modo geral e o estágio supervisionado de forma específica como instrumento que permita ao futuro licenciado em Pedagogia atuar na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental sendo efetivamente capaz de construir com seus alunos uma educação emancipatória 22 Aspectos legais Iniciamos este item lembrando que o Estágio Supervisionado é condição essencial para a formação docente Para compreender seu papel necessitamos também conhecer os aspectos legais que norteiam o curso de Pedagogia Licenciatura Portanto destacaremos a legislação que atualmente vigora sobre o curso de Pedagogia Licenciatura Inicialmente abordaremos o que a legislação define como incumbência do professor pois assim poderemos lançar um olhar que nos permita compreender como esta 174 formação para a docência ocorre ou deveria ocorrer Ou seja o que a legislação garante para uma formação que possibilite ao professor exercer sua função Refletiremos ainda sobre o aspecto legal tanto da duração do curso de Pedagogia Licenciatura quanto o que determina a lei em relação ao Estágio Supervisionado De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB nº 939496 o professor tem atribuições a cumprir visando à aprendizagem de seus alunos conforme podemos observar Art 13 Os docentes incumbirseão de I participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino II elaborar e cumprir plano de trabalho segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino III zelar pela aprendizagem dos alunos IV estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento V ministrar os dias letivos e horasaula estabelecidos além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento à avaliação e ao desenvolvimento profissional VI colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade Diante das atribuições que a LDB nº 939496 delega aos docentes fica claro que seu trabalho não se restringe a transmitir o conteúdo Acreditamos que para cumprir com as atribuições que a Lei estabelece o começo desta jornada está no curso de Licenciatura em Pedagogia que por meio do Estágio Supervisionado leva o futuro professor ao contato com o cotidiano da escola e seus desafios e perspectivas De acordo com a Resolução CNECP Nº 1 de 15 de maio de 2006 artigo 7 o curso de Pedagogia terá carga horária mínima de 3200 horas Conforme a Resolução nº 2 de 18 de junho de 2007 que Dispõe sobre carga horária mínima e procedimentos relativos à integralização e duração dos cursos de graduação bacharelados na modalidade presencial a graduação em Pedagogia terá como carga horária mínima para sua integralização 4 anos conforme legislação abaixo Art 2º As Instituições de Educação Superior para o atendimento do art 1º deverão fixar os tempos mínimos e máximos de integralização curricular por curso bem como sua duração tomando por base as seguintes orientações III os limites de integralização dos cursos devem ser fixados com base na carga horária total computada nos respectivos Projetos Pedagógicos do 175 curso observados os limites estabelecidos nos exercícios e cenários apresentados no Parecer CNECES nº 82007 da seguinte forma c Grupo de Carga Horária Mínima entre 3000h e 3200h Limite mínimo para integralização de 4 quatro anos Já em relação ao período destinado ao Estágio Supervisionado que para a formação de professores da Educação Básica é de 400 horas passa a ter 300 horas no curso de licenciatura em Pedagogia Isto é há uma redução de 100 horas de atividade de estágio Conforme Castro 2007 a duração do tempo destinado ao estágio na formação do educador é palco para muitas discussões Questões como as disciplinas do currículo assumirem quase que total autonomia em relação ao campo de atuação dos profissionais a atribuição de menor importância à carga horária prática estágio a distância e estágio apenas no final do curso estão presentes neste contexto A LDB em seu artigo 67 afirma parágrafo 1 A experiência docente é pré requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério nos termos das normas de cada sistema de ensino BRASIL 1996 RESOLUÇÃO CNECP 2 DE 19 DE FEVEREIRO DE 2002 Institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura de graduação plena de formação de professores da Educação Básica em nível superior RESOLUÇÃO CNECP Nº 1 DE 15 DE MAIO DE 2006 Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia licenciatura Art 1º A carga horária dos cursos de Formação de Professores da Educação Básica em nível superior em curso de licenciatura de graduação plena será efetivada mediante a integralização de no mínimo 2800 duas mil e oitocentas horas nas quais a articulação teoriaprática garanta nos termos dos seus projetos pedagógicos as seguintes dimensões dos componentes comuns I 400 quatrocentas horas de prática como componente curricular vivenciadas ao longo do curso II 400 quatrocentas horas de estágio curricular supervisionado a partir do início da segunda metade do curso III 1800 mil e oitocentas horas de aulas para os conteúdos curriculares de natureza científicocultural IV 200 duzentas horas para outras formas de atividades acadêmicocientíficoculturais Parágrafo único Os alunos que exerçam atividade docente regular na educação básica poderão ter redução da carga horária do estágio curricular supervisionado até o máximo de 200 duzentas horas Art 2 A duração da carga horária prevista no Art 1º desta Resolução obedecidos os 200 duzentos dias letivosano dispostos na LDB será integralizada em no mínimo 3 três anos letivos Art 7º O curso de Licenciatura em Pedagogia terá a carga horária mínima de 3200 horas de efetivo trabalho acadêmico assim distribuídas I 2800 horas dedicadas às atividades formativas como assistência a aulas realização de seminários participação na realização de pesquisas consultas a bibliotecas e centros de documentação visitas a instituições educacionais e culturais atividades práticas de diferente natureza participação em grupos cooperativos de estudos II 300 horas dedicadas ao Estágio Supervisionado prioritariamente em Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental contemplando também outras áreas específicas se for o caso conforme o projeto pedagógico da instituição III 100 horas de atividades teóricopráticas de aprofundamento em áreas específicas de interesse dos alunos por meio da iniciação científica da extensão e da monitoria 176 O Governo Federal publicou no dia 25 de setembro do ano de 2008 a Lei nº 11788 onde define estágio Capítulo I Da definição classificação e relações de estágio Art 1o Estágio é ato educativo escolar supervisionado desenvolvido no ambiente de trabalho que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam freqüentando o ensino regular em instituições de educação superior de educação profissional de ensino médio da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental na modalidade profissional da educação de jovens e adultos Com base no processo de formação do acadêmico do curso de Licenciatura Pedagogia o mesmo deve ser capaz de vivenciar a prática por meio do estágio Saber exercer a profissão é do ponto de vista formal consequência deste aprendizado Em síntese o processo de formação deve possibilitar a atuação docente Apropriandonos de Grossi 2004 p 40 entendemos que o curso de formação de professores deve garantir ao futuro profissional Uma sólida formação inicial uma formação permanente isto é contínua e atualizada são demandas impostergáveis que precisamos atender sob pena de estarmos nas escolas dependentes dos PCNs Parâmetros Curriculares Nacionais dos livros didáticos Vamos precisar desses instrumentos que deveriam ser usados e vistos como sugestão mas acabam se incorporando a nossa prática porque não temos condições de planejar e de estudar na escola e fora dela para produzir coletivamente A autora ainda lembra que as universidades e os institutos superiores de educação têm a obrigação de proporcionar aos acadêmicos um estágio que supra suas necessidades de formação Partindo deste princípio é que objetivamos analisar as contribuições do estágio supervisionado a partir das observações in lócus e dos questionários aplicados aos acadêmicosestagiários e identificar como os professores orientadores de estágio acompanham e intervêm junto aos estagiários em suas ações De acordo com André e Fazenda apud Pimenta 2002 p 75 o estágio vem sendo órfão da prática e da teoria Como lida basicamente com as questões da realidade concreta da prática o aluno vai perceber que para explicála e nela intervir é necessário refletir sobre a mesma e que essa reflexão só não será vazia se alimentarse da teoria O bom professor o professor comprometido tem a obrigação de saber o que indicar o como indicar o onde indicar aí a importância das fontes grifos do autor 177 São comuns os relatos de recémgraduados apontando dificuldades na relação com o referencial teórico disponibilizado durante sua formação acadêmica de que ele é muitas vezes desconexo com a prática pedagógica vivenciada no contexto escolar Portanto tornase necessário refletirmos sobre a relação teoria e prática trabalhada nos cursos de formação de professores Conforme Saviani 2005 p 262 a prática é a razão de ser da teoria o que significa que a teoria só se constituiu e se desenvolveu em função da prática que opera ao mesmo tempo como seu fundamento finalidade e critério de verdade A teoria depende pois radicalmente da prática Os problemas de que ela trata são postos pela prática e ela só faz sentido enquanto é acionada pelo homem como tentativa de resolver os problemas postos pela prática Cabe a ela esclarecer a prática tornandoa coerente consistente consequente e eficaz Portanto a prática igualmente depende da teoria já que sua consistência é determinada pela teoria Assim sem a teoria a prática resulta cega tateante perdendo sua característica específica de atividade humana Para compreendermos como está ocorrendo o estágio supervisionado no curso de Pedagogia Licenciatura realizamos um encontro com o campo de atuação dos acadêmicos estagiários na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Nessa perspectiva o observar e o interpretar são condições simultâneas permitindo a elaboração teórica Assim no próximo capítulo apresentamos a análise da pesquisa de campo 178 CAPÍTULO III ANÁLISE DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO DO CURSO DE PEDAGOGIA LICENCIATURA EDUCAÇÃO INFANTIL Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino Esses quefazeres se encontram um no corpo do outro Enquanto ensino continuo buscando reprocurando Ensino porque busco porque indaguei porque indago e me indago Pesquiso para constatar constatando intervenho intervindo educo e me educo FREIRE 2002 p 32 Este capítulo apresenta a análise da pesquisa realizada durante as práticas de estágio em Educação Infantil Iniciamos descrevendo o curso pesquisado e em seguida os dados obtidos por meio da observação questionário e entrevistas Realizamos nossa pesquisa de campo atendendo o objetivo geral ou seja analisamos a contribuição do Estágio Supervisionado oferecida aos acadêmicos matriculados no Instituto Superior de Educação Almeida Rodrigues ISEAR da cidade de Rio Verde no estado de Goiás O curso de Pedagogia Licenciatura oferecido pelo ISEAR nasceu da transformação do curso Normal Superior com habilitações em Anos Iniciais do Ensino Fundamental e Educação Infantil autorizado pela Portaria nº 2761 de 25 de setembro de 2002 publicado no Diário Oficial da União em 30 de setembro de 2002 e retificado pela Portaria Ministerial de nº 1730 de 4 de julho de 2003 e aguardando Portaria de Reconhecimento com base nos seguintes documentos Despacho do Diretor do Departamento de Supervisão do Ensino Superior DESUPde 672006 publicado no DOU de 10072006 pág 8 e Resolução CNECP nº 1 de 15 de 2006 que Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de graduação em Pedagogia Licenciatura PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 2007 p 5 179 De acordo com o Projeto Político Pedagógico e Manual de Estágio do ISEAR todos os acadêmicos têm que reger aulas nas turmas de Educação Infantil no quarto período Já no período posterior quinto período deverá acontecer no Estágio Supervisionado a regência nas turmas dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental 1º ao 5º ano Em busca da análise dos objetivos que guiam esse trabalho observamos in lócus cf roteiro de observação apêndice 1 o Estágio Supervisionado de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental do Curso de Pedagogia Licenciatura Ressaltamos que todas as unidades de ensino que serviram como campo de estágio atendem alunas e alunos de nível socioeconômico diversificado classe média a classe médiabaixa Analisamos a atuação pedagógica dos as acadêmicos as durante o estágio supervisionado de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental e relacionamos a prática do Estágio Supervisionado com o PPP Projeto Político Pedagógico do Curso Para analisar a contribuição do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental orientamonos pelo referencial teórico construído nos capítulos anteriores O curso de Pedagogia Licenciatura que os alunos estagiários participantes de nossa pesquisa frequentam apresenta a seguinte estrutura 3280 horas a integralizarse em 8 semestres constituise de I Eixo de Estudos Básicos composto por 26 disciplinas com 1500 horas II Eixo de Aprofundamento e Diversificação de Estudos composto por 15 disciplinas num total de 820 horas III Eixo de Estudos Integradores com 960 horas divididas entre o Estágio Supervisionado o Trabalho de Conclusão de Curso Prática Profissional Orientada Atividades de Iniciação Científica Extensão e Monitoria PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 2007 p 11 O Projeto Político Pedagógico do curso de Pedagogia Licenciatura em relação ao seu objetivo geral pretende oferecer formação inicial para que o profissional atue no exercício da docência na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental nos Cursos de Ensino Médio e em Cursos de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar bem como em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos capazes de repensar a educação com espírito crítico com habilidades técnico pedagógicas e sociopolíticas para o exercício competente de sua profissão e como formadores de opinião PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 2007 p 11 Para que a formação do Pedagogo alcance os objetivos estabelecidos pelo curso preparando o profissional para atuar em diversas áreas as disciplinas oferecidas são 180 Didática Jogos e Brincadeiras Novas Tecnologia da Educação Gestão Estrutura e Funcionamento do Ensino Políticas Públicas Novos Paradigmas da Educação Planejamento e Tecnologias Educacionais Educação Inclusiva e Linguagem de Sinais Antropologia Educacional Gestão de Educação Administrativa e Pedagógica Educação de Jovens e Adultos e Multiculturalismo Processo Educacional no Meio Rural bem como Metodologia de Pesquisa em Educação e ConteúdosFundamentosMetodologias das Disciplinas da Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental fazem parte da Matriz do Curso PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 2007 p 38 Em nosso estudo de campo que realizamos durante dois semestres letivos o corpo discente pesquisado do curso de Pedagogia Licenciatura constava de 2º semestre de 2008 93 alunos em 4 turmas assim distribuídos 1º período 21 alunos 2º período 42 alunos 3º período 12 alunos e 4º período 17 alunos lembrando que os 04 acadêmicos estagiários participantes de nossa pesquisa cursavam o 4º período no referido semestre letivo 1º semestre de 2009 o curso de Pedagogia Licenciatura tinha em seu quadro discente 126 alunos frequentes em 5 turmas assim compostas 1º período 34 alunos 2º período 21 alunos 3º período 42 alunos 4º período 12 alunos e finalmente no 5º período 17 alunos sendo que 04 destes eram os participantes de nossa pesquisa Com o objetivo de analisar a contribuição do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental observamos conforme já nos referimos anteriormente 04 quatro acadêmicos sendo três do sexo feminino e um do sexo masculino matriculados no quarto período Estes estagiaram em instituições de Educação Infantil entre os meses de agosto a dezembro de 2008 Os referidos acadêmicos também foram observados durante o Estágio Supervisionado nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental entre os meses de fevereiro a junho de 2009 momento em que cursavam o quinto período Os acadêmicos estagiários investigados nesta pesquisa foram denominados por nomes fictícios para que suas identidades fossem preservadas Assim os quatro acadêmicos observados em sala de aula são respectivamente denominados Aluna Estagiária 1 AE 1 Aluna Estagiária 2 AE 2 Aluno Estagiário 3 AE 3 e finalmente Aluna Estagiária 4 AE 4 As caracterizações foram feitas com base nas informações obtidas junto aos mesmos por meio de questionário e das observações realizadas A AE 1 tinha 23 anos de idade do sexo feminino dedicavase somente aos estudos 181 A AE 2 tinha 23 anos de idade do sexo feminino trabalhava como recepcionista de um Buffet O AE 3 tinha 20 anos de idade do sexo masculino exercia a função de repositor de mercadoria em um supermercado A AE 4 tinha 21 anos de idade do sexo feminino trabalhava como babá Procedemos à coleta de dados junto aos acadêmicos estagiários utilizando questionários abertos individuais O questionário aplicado tanto durante o estágio em Educação Infantil cf apêndice 2 quanto no estágio nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental foi elaborado constando dez questões cf apêndice 3 No entanto para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental acrescentamos uma questão objetivando registrar a avaliação dos acadêmicos em relação aos aspectos divergentes entre o Estágio Supervisionado em Educação Infantil e o Estágio Supervisionado dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental 31 Educação Infantil observação in loco Em consonância com nossa perspectiva teórica assumida anteriormente na discussão sobre formação e estágio apresentamos nesta seção o nosso encontro com a Educação Infantil no campo de estágio bem como a perspectiva teórica da Educação Infantil O pedagogo embora possa atuar tanto na Educação Infantil como nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental precisa de preparo específico para cada modalidade de ensino Embora muitas especificidades da profissão se configurem em ambos os contextos algumas habilidades são específicas e requeridas de acordo com a faixa etária da criança Em se tratando das unidades de Educação Infantil contemplamos 04 delas como campo de estágio sendo três EMEIs Escola Municipal de Educação Infantil que atendem crianças de 04 e 05 anos de idade e uma CMEI Centro Municipal de Educação Infantil que atende crianças de 0 a 05 anos de idade Todas as EMEIs localizamse na parte central da cidade de Rio Verde Já a CMEI está situada em um bairro periférico do município É importante esclarecer que duas das EMEIs oferecem alfabetização do Ensino Fundamental crianças de 06 e 07 anos 1º e 2º anos Historicamente a educação infantil iniciouse com caráter assistencialista dando amparo à saúde e à preservação da vida sem relação direta com o caráter educativo isto é ao processo ensino e aprendizagem De acordo com Kramer 2009 esta visão assistencialista esteve presente na Educação Infantil pois afirma que 182 Até muito recentemente esse atendimento era visto como tendo caráter apenas médico e assistencial e as esparsas iniciativas públicas estavam e estão imbuídas dessas tônicas É só a partir da década de 70 que a importância da educação da criança pequena é reconhecida e as políticas governamentais começam a incipientemente ampliar o atendimento em especial das crianças de 4 a 6 anos A nova Carta Constitucional reconhece o dever do Estado de oferecer creches e préescolas para todas as crianças de 0 a 6 anos p 18 Dessa forma podemos supor a possibilidade de superação da visão do caráter meramente assistencialista da educação infantil e que se efetive seu papel uma vez que A educação infantil primeira etapa da educação básica tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físico psicológico intelectual e social complementando a ação da família e da comunidade LDB96 1996 art 29 Assim sendo conforme o disposto no artigo citado não é possível compreendermos a Educação Infantil apenas como cuidar Isso porque o educar e o cuidar devem ser encarados como indissociáveis visto que o processo educativo é extremamente amplo e entre tantas ações envolve o cuidado dos educandos com o objetivo de construção da autonomia e identidade da criança Para que essa construção aconteça Kramer defende que O trabalho pedagógico precisa se orientar por uma visão das crianças como seres sociais indivíduos que vivem em sociedade cidadãs e cidadãos 2009 p 19 Ainda conforme Kramer para que ocorra este trabalho realmente voltado à criança é essencial que levemos em consideração suas diferentes características não só em termos de história de vida ou de região geográfica mas também de classe social etnia e sexo Reconhecer as crianças como seres sociais que são implica em não ignorar as diferenças Os conflitos que podem emergir não devem ser encobertos mas por outro lado não podem ser reforçados precisam ser explicitados e trabalhados com as crianças a fim de que sua inserção social no grupo seja construtiva e para que cada uma seja valorizada e possa desenvolver sua autonomia identidade e espírito de cooperação e solidariedade com as demais 2009 p 19 O processo educativo na educação infantil também é sistematizado Regras normas comportamentos e informações conjuntas irão fundamentar as relações sociais das crianças no contexto escolar permitindo a elas a construção de uma visão de mundo e de si mesmas Para que isso se torne real é necessário um aprendizado pautado no ritmo da criança para que ela possa realizar suas descobertas de forma prazerosa Conforme afirma Cajal 2001 p 130 183 Quando a criança vai à escola pela primeira vez ela se vê num contexto formal e complexo onde deve conviver com inúmeros colegas e um adulto desconhecidos num espaço físico limitado Nos primeiros tempos de escola portanto aprender os conteúdos interacionais participar da construção de novas formas de interação tornase tão ou mais importante que dominar o conteúdo acadêmico Diante deste contexto o professor de Educação Infantil assume um papel imprescindível sendo portanto necessário uma formação adequada para que possa atuar de forma a promover o desenvolvimento infantil A falta de preparo do professor pode configurar um entrave ocasionando então consequências marcantes na vida futura das crianças Para tanto o professor necessita muito mais do que o simples domínio de conteúdos e suas explanações As posturas repetitivas e mecanizadas também não podem fazer parte da prática educativa desses professores Paulo Freire em sua obra Pedagogia da autonomia aborda esta questão e afirma que quem tem o que dizer deve assumir o dever de motivar de desafiar quem escuta no sentido de que quem escuta diga fale responda É intolerável o direito que se dá a si mesmo o educador autoritário de comportarse como o proprietário da verdade e do tempo para discorrer sobre ela 1996 p 132 grifo do autor Além do conhecimento curricular que também é fundamental o professor precisa utilizar uma linguagem clara ter coerência em seu posicionamento e boas relações interpessoais com os alunos mantendo sempre uma postura atenta ao cotidiano da sala de aula organizando e adequando as situações para que a aprendizagem realmente aconteça Conforme a perspectiva de Tardif os saberes profissionais são fortemente personalizados ou seja que se trata raramente de saberes formalizados de saberes objetivados mas sim de saberes apropriados incorporados subjetivados saberes que é difícil dissociar das pessoas de sua experiência e situação de trabalho 2008 p 265 Ostetto destaca que A profissão docente por se basear na relação entre pessoas é permeada pelos afetos pela simpatiaantipatia que acompanha as relações Ser profissional da educação significa experimentar sentimentos 2008 p 136 Ainda nesta perspectiva Kramer ao discutir as relações que se estabelecem no espaço escolar evidencia a riqueza de sua diversidade afirmando que 184 as relações estabelecidas entre os profissionais da escola desses com as crianças com as famílias e com a comunidade precisam ser norteadas por essa visão real da heterogeneidade rica em contradições que caracteriza a sociedade e as escolas em geral e cada creche ou préescola em particular Essa diversidade nos coloca o desafio de buscar as alternativas em termos de atitudes e estratégias necessárias para atender as crianças e cada criança compreendendoas a partir de suas experiências e condições concretas de vida 1995 p 22 Com base nessas reflexões e nas feitas nos capítulos anteriores passaremos à análise das informações coletadas a partir de nossas observações e questionário respondido pelos alunos estagiários referentes às práticas de estágio realizadas primeiramente em Educação Infantil e na seção seguinte analisaremos o Ensino Fundamental 312 Análise das informações obtidas junto ao estagiário e as estagiárias na Educação Infantil Com base nas informações obtidas nas observações efetuadas e questionário aplicado com os estagiários sobre as aulas ministradas às crianças da Educação Infantil cf apêndice nº 2 emergiram 03 três categorias quais sejam 1 O ambiente da sala de aula de Educação Infantil o espaço onde acontecem os estágios 2 O conteúdo uma preocupação sempre presente 3 Relação doda alunoa estagiárioa com seus alunos e alunas diferentes formas Nossa análise pautase nas observações na sala de aula nas respostas dadas pelos estagiários e no diálogo com os autores utilizados nesta pesquisa 3121 O ambiente da sala de aula de Educação Infantil o espaço onde acontecem os estágios Quando entro em uma sala de aula devo estar sendo um ser aberto a indagações à curiosidade às perguntas dos alunos às suas inibições um ser crítico e inquiridor inquieto em face da tarefa que tenho a de ensinar e não a de transferir conhecimento FREIRE 2002 p 52 grifo do autor Observamos que as salas de aula onde acompanhamos a prática pedagógica dos Alunos Estagiários doravante denominados AE Alunoa Estagiárioa possuem dispositivos didáticos na intenção da construção de um ambiente alfabetizador Esse ambiente não é 185 natural ele está construído dentro da proposta pedagógica da unidade escolar em que oa estagiárioa vai atuar As paredes das salas de aula possuem vários cartazes gravuras letras e listas de rotina Os cartazes que estavam dispostos durante nossas observações eram Alfabeto sobre o quadro abaixo do quadro nas paredes laterais Letra maiúscula minúscula bastão cursiva Estas salas aqui descritas são salas de aula de Educação Infantil Havia cartazes com conjunto de palavras que iniciam com as mesmas letras do alfabeto por exemplo um cartaz com palavras que começam com M mala maca macaco mola Cartaz de aniversariante um cartaz trazia a lista de nomes dos alunos da sala e havia uma separação com gravura de menino de um lado do cartaz e a outra parte era identificada como a lista das meninas por uma gravura de uma menina Observamos também que havia na sala de aula um Quadro de leitura controle das leituras realizadas pelas crianças um quadro de frequência controle das presenças e faltas das crianças Percebemos informações de diversos assuntos conforme outros cartazes Cartaz das estações do ano Cartaz de órgãos dos sentidos Lista de cores Cartaz de parlendas e de poesias Cartaz dos meios de transporte Cartaz com nomes próprios e comuns e finalmente o Calendário meses do ano dias da semana e o Cartaz de números 0 a 9 Infantil I 0 a 100 Infantil II números avulsos Outros cartazes orientavam os padrões de comportamento que as crianças deveriam seguir O cartaz das Palavras Mágicas com licença por favor obrigado bom dia boa tarde desculpeme Estes cartazes expostos nas salas de aula têm a finalidade de direcionar como as relações na sala de aula serão vivenciadas Conforme Cajal sistematiza o contexto influencia regula as ações que nele são estabelecidas a interação face a face está também exposta a um número infinito de regras em um fazer e refazer contínuos 2001 p 128 De acordo com nossas observações As crianças participam das relações sociais e este não é exclusivamente um processo psicológico mas social cultural histórico As crianças buscam essa participação apropriamse de valores e comportamentos próprios de seu tempo e lugar porque as relações sociais são parte integrante de suas vidas de seu desenvolvimento KUHLMANN JR 200 p 57 E estas relações sociais que se desencadeiam são motivadas por vários padrões de comportamento que em geral são direcionados pela professora Este direcionamento tanto pode ser a partir de imposições explícitas no caso da Rotina pedagógica agenda no quadro 186 Acolhida Roda Leitura Tarefa Lanche Escovação Para casa quanto velada camuflada que é o caso dos Combinados registrados no cartaz Vamos combinar assim e seremos grandes amigos Não podemos ofender podemos respeitar Não devemos ser egoístas podemos compartilhar Não devemos sair da sala podemos pedir licença Não podemos falar todos de uma vez podemos ouvir o que os outros têm a dizer Não podemos sujar a sala podemos mantêla organizada e limpa Para que seja estabelecida uma interação social entre os sujeitos do processo educativo surge a efetivação de uma dinâmica própria marcada pelo conjunto das ações do professor pelas reações dos alunos às ações do professor pelo conjunto das ações dos alunos das reações do professor às ações e reações dos alunos pelo conjunto das ações e reações dos alunos entre si cada um interpretando e reinterpretando os atos próprios e os dos outros CAJAL 2001 p 128 Esta relação que dá sustentação a estes padrões somente será inserida na prática cotidiana da sala de aula se houver uma aceitação social unânime tal que garantem sua existência CAJAL 2001 p 128 De acordo com Teixeira 2001 já na préescola a criança para tornarse um aluno passa pelo processo de aprendizagem da etiqueta escolar A autora relata que Nada se sobressai tanto numa sala de préescola onde as crianças vivem principalmente a condição de aprendizes do papel de aluno quanto o ensinoaprendizagem da etiqueta escolar Para representar competentemente o papel de aluno as crianças precisam aprender regras próprias da cultura interacional da sala de aula Aprender essas regras reconhecêlas no contexto e agir de acordo com elas são saberes indispensáveis a uma carreira de aluno bem sucedida TEIXEIRA 2001 p 223 As crianças acabam por assumir comportamentos onde a espontaneidade peculiar de sua idade tornase sem lugar ao menos durante grande parte do período em que ela passa na escola Em outras palavras o comportamento que a criança tem fora da escola não é adequado durante suas aulas Assim os alunos Ao cruzarem o portão da escola parecem passar desse estado de excessos para um estado mais rígido mais tenso mais controlado mais formal o estado de estudante O portão é como uma zona de transição entre um estado e outro Porém ultrapassada a zona de perigo as crianças voltam a andar de modo animado correr gritar e até berrar Mas ao se aproximarem da sala de aula para fazer a fila e aguardar a professora o jeito animado vai desaparecendo Assim que o segundo sinal é dado as crianças impreterivelmente em fila dupla meninos e meninas aguardam a ordem de entrada TEIXEIRA 2001 p 202 187 Em se tratando do mobiliário as salas de aula que observamos possuem conjunto de mesas com cadeiras adequadas para as crianças Infantil I carteiras crianças do Infantil II Quanto à disposição das carteiras estão em fila e as crianças têm lugar fixo para sentar Na concepção de Padilha esta disposição reduz os espaços de convivência em grupo e que em nada contribuirá para a superação na escola da prática que mantém não só o conhecimento mas também as pessoas divididas separadas fragmentadas enfileiradas e isoladas em si mesmas 2001 p 140 O mobiliário das salas de aula onde realizamos nossas observações também é composto por armários grandes de madeira com 10 divisões um deles fica aberto e sem porta Em cada sala de aula há um segundo armário onde os livros são guardados e tem o nome de Cantinho da Leitura As salas apresentavam um cesto de lixo quadro giz uma das salas não possuía quadrogiz era um papel sulfite marrom colado com fita adesiva marrom Sobre o quadrogiz tem um ventilador e ao lado um filtro em uma mesa baixa sendo bem acessível às crianças Cada escola possui aparelhos de televisão 20 polegadas ventilador ar condicionado um relógio de parede e cortinas A iluminação artificial vem de lâmpadas florescentes A iluminação natural adentra o espaço da sala de aula por meio de três janelas sendo duas pequenas e uma grande com grade desta vêse a área de serviço onde fica a cantina As salas de aula possuem tamanhos variados Uma das salas de Educação Infantil tem uma pilastra bem no centro impedindo que o aluno visualize a professora e o quadrogiz As crianças são posicionadas em fila As salas tinham como característica uma poluição visual pois o excesso de cartazes e gravuras dava ao ambiente um aspecto carregado pesado ou seja um cenário não propício à aprendizagem Este cenário nos leva a uma série de reflexões e uma delas lembranos de Padilha 2001 Estaríamos com nossas aulas abrindo horizontes para os nossos alunos e para nós mesmos ou sedimentando práticas castradoras transformando a nossa sala de aula em jaula em prisão em sala de privação de prática desconectadas totalmente de quaisquer avanços da tecnologia presente no mundo atual resistente à menos ousadia pedagógica do professor em sala de aula p 138 De acordo com Teixeira 2001 estamos exigindo sempre que as crianças mantenham atenção voltada para o professor pois 188 Ficar olhando o pátio externo é para as crianças uma forma de sair da sala se não com o corpo pelo menos com o olhar Os alunos devem manterse dentro da sala não só com o corpo mas com a atenção também Porta e janela nesse sentido são lugares de perigo para a manutenção da ordem e da disciplina TEIXEIRA 2001 p 211 Todos estes aspectos por nós observados nas salas de aula de educação infantil são importantes já que cada um desses ambientes tem suas especificidades Isso porque Um contexto caracterizase por ser dinâmico pois fazem parte dele não só o ambiente material o espaço físico mas também as pessoas o que elas estão fazendo naquele momento Erickson F e Schultz J 1997 p 6 apud Cajal 2001 p 127 suas expectativas e intenções CAJAL 2001 p 127 Conforme Teixeira 2001 no espaço da sala de aula nosso olhar deve estar sempre atento aos detalhes que fazem com que cada sala tenha sua identidade É preciso ver que o som e o movimento que sempre se repete jamais são os mesmos Portanto Entrar numa sala de aula sem deixar que aspectos importantes dela por serem rotineiros triviais passem despercebidos sejam desvalorizados pela excessiva familiaridade com o ensinar o reprimir o recompensar o disciplinar ou o levantar o brigar o copiar o aprender o conversar que constituem o diaadia de uma sala de aula assusta 2001 p 194 O mundo infantil é surpreendente por isso é importante para os professores participar e atuar ativamente no ambiente escolar caminhando lado a lado com a criança ensinando e também aprendendo com ela constituindose como profissional docente Porém se esta atuação se este caminhar lado a lado com a criança acontecer numa perspectiva que envolva a criança a possibilidade da aprendizagem acontecer é real Zanini e Leite 2008 relatam uma experiência que vivenciaram no Estágio Supervisionado em Educação Infantil II onde estavam enfrentando dificuldades para estabelecerem um vínculo com a turma Buscaram na roda superar a barreira que existia entre elas e as crianças Deste modo para Zanini e Leite Nas rodas o ouvir o outro ajuda educandos e educador a perceber que as experiências as vivências as opiniões e os modos de ser são diferentes para cada pessoa O outro se torna um espelho composto por muitos outros espelhos a refletir as individualidades que estão em constante formação A valorização e o respeito à opinião do outro vão sendo então construídos por meio das trocas que se estabelecem entre educandos e educador Nas trocas de olhares percepções gestos falas curiosidades medos inseguranças risadas é que cada um vai significando sua identidade percebendose integrante e integrador do grupo São também esses momentos que possibilitam o reconhecimento da existência do eu e do outro 2008 p 76 189 Durante o tempo que permanecemos em sala de aula não observamos nenhuma atitude em relação à preocupação em mexer no espaço da sala de aula Esta despreocupação já é demonstrada pelos AEs pesquisados tanto nas observações como nas suas respostas ao questionário aplicado conforme apêndice nº 2 No questionário somente dois deles mencionaram a sala de aula embora não tivéssemos nenhuma pergunta enfatizando o espaço físico No início das aulas ministradas na escolacampo tive um pouco de dificuldade pois foi a primeira vez que estava indo a uma sala de aula AE 4 Não houve por parte dos estagiários a atitude de modificar o ambiente da sala de aula para adequálo à Educação Infantil A preocupação externada pelo AE 4 foi a sua insegurança ao se deparar com uma situação nova Embora as rotinas sejam necessárias para direcionar a prática educativa na concepção de Kramer o professor ao planejar suas aulas ao preparar os materiais que utilizará estabeleça de modo claro qual o delineamento de sua aula pois é preciso que o professor esteja permanentemente consciente das metas que orientam o seu trabalho Dessa intencionalidade decorre o aproveitamento de situações ou acontecimentos inesperados ou não planejados o que significa que o planejamento prévio deve sempre existir mas ser flexível Todas as atividades previstas e mesmo as inesperadas devem ter objetivos claros para o professor e para as crianças O processo vivido por cada criança no desenvolvimento das atividades é fundamental mas é igualmente importante que as crianças compreendam o que estão fazendo e que o produto final de seu trabalho seja valorizado pela professora e pelos colegas 2009 p 84 As ações pedagógicas do professor não podem ficar restritas à sala de aula Assim uma de suas competências no ato de planejar é proporcionar a diversificação das atividades e dos ambientes em que elas acontecem causando expectativa nas crianças Nesse sentido percebemos que o pedagogo precisa de uma formação que inclua o debate sobre o ambiente físico Na resposta do AE 3 percebese que sua ação vem ao encontro da perspectiva teórica que orienta sobre a importância de utilizar o ambiente da sala de aula e ainda outros espaços extraclasse94 94 Segundo o Projeto Político Pedagógico do Instituto Superior de Educação Almeida Rodrigues nos Objetivos Específicos no item que define o Estágio Supervisionado do curso de Pedagogia Licenciatura O Estágio Supervisionado curricular será realizado ao longo do curso de modo a assegurar aos graduandos 190 Tive a preocupação também de não ficar preso só na sala de aula sendo que aproveitei alguns espaços físicos maravilhosos que a escola dispunha como os quiosques e a casinha mágica AE 3 O AE 3 foi o único a ampliar e usar da possibilidade espaço Fato esse que nos faz pensar que estas questões não tem tido muita relevância na formação docente no curso de Pedagogia Não cabe um ato pedagógico reduzido ao espaço físico da sala de aula pois ele o ato pedagógico sempre vem acompanhado de outras ações já que conforme a perspectiva de Cajal A vida de sala de aula como a de qualquer outra situação não é dada a priori nem tomada de empréstimo a outra situação ao contrário é construída definida e redefinida a todo momento revelando e estabelecendo os contornos de uma interação em construção 2001 p 127 Alguns professores segundo Garcia Tiram de quase nada formas criativas amorosas inovadoras estimulantes que mobilizam a curiosidade das crianças de aprender o que faz a cada dia retornar à escola com brilho nos olhos cheias de perguntas cheias de descobertas ansiando por compartilhar com a professora e com as outras crianças os seus novos saberes e novos desejos de saber 2002 p 8 De acordo com o exposto notase que há uma preocupação por parte dos pensadores da Educação Infantil não só com as atividades que serão desenvolvidas mas também com o ambiente em que elas se processam Nesse sentido podemos destacar que somente o AE 3 mencionou o uso ampliado e criativo do espaço escolar Kramer traz esta preocupação com a organização do ambiente da escola como um todo e afirma que O espaço da escola deve ser seguro e deve favorecer a ampla circulação das crianças tanto nas salas de aula quanto no pátio externo na sala de refeições banheiros etc É fundamental que as crianças conheçam o espaço e nele se movimentem livre e organizadamente 2009 p 74 Destarte é necessário proporcionar um sistema de trabalho saudável e diversificado não deixando de considerar que O trabalho pedagógico se desenvolve no espaço de toda a escola e também fora dela Kramer 2009 p 74 Deste modo é importante que estejam presentes ambientes diversificados na hora de estabelecer um planejamento de experiência de exercício profissional em ambientes escolares e nãoescolares com base na pesquisa segundo regulamentação de estágio objetivando atitudes éticas conhecimentos e competências 2007 p 123 191 qualidade Ou seja tais ambientes podem favorecer a execução metodológica do professor contribuindo para que a criança se desenvolva Para Cajal Uma sala de aula tomada como uma situação social revelase uma efervescência sons gestos movimentos uma conjunção de emoções semelhantes diferentes opostas satisfação insatisfação alegria indiferença paixão uma reunião de pessoas advindas de situações diferenciadas com conhecimentos e culturas diferenciados 2001 p 126 De modo geral os acadêmicos estagiários não apresentaram iniciativas de mudar os ambientes de aprendizagem e também não ousaram em suas propostas uma vez que não utilizaram nenhum elemento diferenciado Ou seja atuaram na sala de aula a partir do modelo reproduzindo a ação dos professores titulares Não houve a compreensão de que o estágio como parte do processo formativo dos professores não pode ser outra coisa senão uma aventura pessoal o que pressupõe escolhas e envolve viagens interiores e exteriores Não é apenas fazer dar conta do conteúdo planejar e executar um plano de ensino perfeito lindo e maravilhoso com idéias inovadoras É abrirse para a escuta do que ordinariamente nos escapa é aventurarse a ir além dos hábitos de pensar e fazer à procura da própria voz em busca de um caminho autêntico singular OSTETTO 2008 p 128 Para sumarizar o conteúdo foi a preocupação fundamental dos alunos estagiários visto que procuraram enfatizar essa questão durante todo o seu Estágio Supervisionado Essa discussão é o objeto de análise do próximo item 3122 O conteúdo uma preocupação sempre presente Em se tratando da elaboração dos conteúdos a serem ministrados nas práticas do estágio conforme fragmentos dos relatos dos AEs apenas a AE 1 afirmou que tais conteúdos foram elaborados pela professora de Estágio Supervisionado Os conteúdos foram elaborados pela professora de estágio com base nas matérias que vimos na faculdade Concordo com essa escolha senão fosse essa seleção de conteúdos ficaria difícil ministrar as aulas AE 1 Os outros três afirmaram que eles mesmos elaboraram os conteúdos das aulas sendo que a AE 2 e a AE 4 afirmaram que a professora orientadora de estágio selecionou as disciplinas não os conteúdos que seriam ministradas nas aulas Na percepção da AE 1 o papel da professora orientadora de Estágio Supervisionado foi fundamental para a escolha do conteúdo a ser ministrado na escolacampo demonstrando ainda que o fato de ter trabalhado esses conteúdos no curso de Pedagogia possibilitoulhe atuar na escola 192 Já de acordo com o depoimento da AE 2 a escolha do conteúdo foi dos próprios acadêmicos o que de acordo com sua fala foi negativo pois acredita que se os conteúdos fossem selecionados pelas professoras as chances de erros seriam menores As disciplinas foram passadas pela professora do estágio sendo Alfabetização Literatura Artes Língua Portuguesa Matemática Ciências e Geografia o conteúdo foi escolhido por nós acadêmicos Se a escolha do conteúdo partisse sic da professora seria mais fácil e certamente teria menos erros Não concordo mas também não acho totalmente errado essa escolha pois nós devemos ir em busca do conhecimento mesmo errado AE 2 O AE 3 em depoimento pondera não ter recebido nenhum auxílio seja da professora orientadora de Estágio Supervisionado seja de qualquer outra pessoa e afirma que Todos os conteúdos de minhas aulas foram escolhidos por mim mesmo tendo como base o conhecimento da clientela a qual eu iria atender AE 3 De acordo com a fala da AE 4 o certo seria que ela escolhesse não só os conteúdos mas a disciplina em que ministraria suas aulas pois assim evitaria a insegurança em relação ao conteúdo conforme afirma As disciplinas foram escolhidas pela orientadora do estágio e os conteúdos cabia a nós acadêmicos selecionar de acordo com a realidade da escola e disciplinas pois muitas vezes não temos domínio da disciplina pedida ou estamos apenas no começo da mesma e não temos bases suficiente para passar um conhecimento mais enriquecedor para o aluno AE 4 Percebemos com estes depoimentos que não há um diálogo necessário com professoras orientadoras do estágio professores titulares das turmas em que os estagiários vão atuar bem como os próprios estagiários Este diálogo poderia dirimir vários problemas durante o período de estágio Durante nossas observações ficou explícita a preocupação por parte dos estagiários com a quantidade de conteúdos a serem trabalhados em sala de aula A esse respeito Silva 2008 assevera que considerar que o que orienta a organização dos espaçostempos de aula é a intencionalidade do trabalho pedagógico a forma como são selecionados os objetivos educativos os conteúdos os métodos o processo de avaliação como a relação professoraluno é conduzida e a compreensão de que essas opções teóricometodológicas não se caracterizam pela neutralidade ao 193 contrário expressam concepções de sociedade educação e homem SILVA 2008 p 38 Observamos que durante as aulas ministradas pelos estagiários nas turmas de Educação Infantil95 houve excesso de conteúdos e descontextualização Percebemos que as concepções mais amplas do processo educativo ficavam esquecidas segundarizadas pois o conteúdo parecia deslocado de um projeto em que o aluno como um todo é o principal objetivo Algumas das práticas pedagógicas exercidas pelos AEs confirmam estas situações em diferentes momentos Relataremos inicialmente a observação96 realizada numa sala de Infantil II com crianças de 05 anos Estavam presentes 25 alunos 13 meninas e 12 meninos no período matutino A área de conhecimento era Matemática e o conteúdo Organização de classes de elementos segundo o atributo de Posição Em cima Embaixo Direita Esquerda Frente Atrás O AE 3 iniciou a aula cumprimentando as crianças perguntando se tiveram um bom final de semana Orientou também os alunos quanto à formação da fila para se dirigirem a uma atividade extraclasse no quiosque pedagógico97 Fila homem e mulher Fila única AE 3 Chegando ao quiosque as crianças se posicionaram formando um círculo A seguir o AE 3 introduziu o conteúdo perguntando Alguém sabe o que é direita e esquerda Diante da negativa dos alunos o AE 3 dá seguimento à execução da atividade planejada Primeiro eu preciso de um voluntário AE 3 O A 198 levantou a mão manifestando sua vontade em participar Logo foi escolhido para auxiliar na realização da atividade Para a execução dos trabalhos o AE 3 95 Lembrando que a proposta do Estágio Supervisionado em Educação Infantil previsto tanto no Projeto Político Pedagógico quanto no Manual de Estágio do ISEAR tem como referência o RECNEI Referencial Curricular Nacional Para a Educação Infantil A docência na Educação Infantil efetivarseá por meio de atividades de estágio nas salas de aula de Infantil I e Infantil II e ministrará conteúdos nas seguintes áreas de conhecimento Linguagem Oral e Escrita Matemática Sociedade e Natureza Artes Visuais Movimento Música 96 Observação realizada em 03112008 97 Localizado no pátio da escola É um espaço circular aberto sem paredes com pilastras e muretas e coberto com telhas 194 propôs desenhar o contorno de um corpo no piso do quiosque Então o A 1 deitouse no chão fazendo o papel de molde Em seguida foi solicitado aos alunos que desenhassem partes do corpo do contorno traçado no piso Quem quer desenhar o olho dela AE 3 Mesmo perguntando quem gostaria de participar todos manifestaram desejo de desenhar o olho o A1 e o A 2 disputaram quem iria fazer a atividade o AE 3 chamou o A 1 Depois chamou o A 2 para também participar Agora vem você chamou o A 2 desenhar a boca A 2 a boca AE 3 Vem desenhar a bermuda disse o AE 3 ao A 3 que se recusou dizendo que não dava conta AE 3 Com a recusa do aluno o próprio AE 3 se incumbiu da tarefa de fazer o desenho da bermuda Deixa eu desenhar a bermuda Olha presta atenção Vou passar uma linha no meio dela do contorno AE 3 O contorno desenhado no piso em posição horizontal foi dividido ao meio na horizontal da cabeça aos pés A seguir o AE 3 explicou que um dos lados era o lado esquerdo e que o outro lado era o lado direito As crianças ficaram divididas em dois grupos um grupo se posicionou do lado que o AE 3 definiu como sendo esquerdo e o outro grupo foi para o lado determinado como o lado direito Agora vamos dar o nome a cada lado AE 3 Na sequência o AE 3 escolheu o A 6 para escrever a palavra esquerdo Tio eu não sei escrever A 6 Quem vai ajudar ele Pergunta o AE 3 Como o A 6 escreveu a palavra esquerdo sem as letras q e r grafando esuedo o AE 3 resolveu ajudálo 98 Em nosso relato de observação de 07112008 do diálogo que se segue identificaremos os alunos com letras e números conforme exemplo Aluno 1 A 1 Aluno 2 A 2 Aluno 3 A 3 e assim sucessivamente 195 Isso põe a letra q Cadê o r esquerdo AE 3 O AE 3 soletrou pausadamente a palavra dando ênfase onde a criança deveria escrever as letras que faltavam Posteriormente o AE 3 escolheu outra criança A 7 para escrever a palavra direito A criança também apresentou dificuldade para grafar a palavra conforme o solicitado pelo AE 3 que novamente soletrou Direito Faltou o r essa perninha é pra baixo Qual letra tá faltando Direito Falta o i antes do t Faz um i pequeno aqui no meio AE 3 O AE 3 apontou com o dedo para a palavra escrita na parte direita do contorno Após a escrita as crianças foram orientadas a prestar atenção no AE 3 que iria dividir novamente a figura do corpo contornado no piso do quiosque Com um giz o AE 3 traçou uma reta dividindo o contorno em partes que os membros superiores e a cabeça ficaram separados dos membros inferiores Definiu que um dos lados da cabeça contornada seria a posição em cima e o outro lado seria a posição embaixo O AE 3 propôs às crianças que escrevessem as palavras em cima e embaixo Posteriormente escolheu quais eram os alunos que participaram Tio é m de macaco A 9 Isso Em cima são duas letras pra você escrever em AE 3 Outro aluno foi chamado para escrever a expressão embaixo Falta a letra i você escreveu baxo Então a gente aprendeu esquerda direita em cima embaixo AE 3 Dando seguimento à aula o AE 3 fala em poucas palavras sobre os outros dois conceitos frente atrás Frente onde tá a barriga atrás tem as costas AE 3 Tio atrás tem a costela A 10 A criança A 10 apresentou um conhecimento prévio não só dos conceitos comentados pelo AE 3 como ainda falou de uma parte óssea do corpo humano Deste modo a criança estabeleceu uma relação entre o conteúdo trabalhado e seus conhecimentos 196 O AE 3 ao trabalhar com as crianças utilizou metodologia lúdica que é adequada segundo os autores abordados nesta pesquisa aplicada à Educação Infantil assim como a realização de uma atividade extraclasse No entanto o excesso de conteúdos muita informação e vários conceitos em um espaçotempo restrito comprometeram a aprendizagem dos alunos Em nossa avaliação da aula observada as crianças não conseguiram internalizar os conceitos trabalhados pelo aluno estagiário pois as crianças apresentavam conflitos em relação à atividade desenvolvida e isto não foi trabalhado pelo estagiário Diante disso fica evidente que o AE 3 utilizou com limitações o espaço não convencional uma vez que ao utilizar o quiosque somente para traçar o contorno do corpo de uma criança e dividir este contorno e querer que os alunos identifiquem os quatro conceitos propostos esquerda direita em cima embaixo numa perspectiva horizontal o AE 3 realizou uma atividade que se fosse desenvolvida na sala de aula teria ocorrido da mesma maneira Ou seja o acadêmico apenas mudou o lugar da atividade mas explicou o conteúdo como se estivesse entre as quatro paredes da sala de aula E conforme Xavier e Fernandes a aula num espaço extraclasse é de modo geral dinâmica e aberta à diversidade sociocultural atrai envolve e cativa pessoas é marcada pela liberdade e espontaneidade não exige sala nem formalidades 2008 p 263 O relato da aula de Matemática não foi um ato isolado na prática pedagógica dos alunos estagiários mas uma situação de rotina pois nas observações posteriores a excessiva preocupação com a quantidade de conteúdos fezse presente Observamos a ênfase na quantidade de conteúdos também durante aula expositiva que a AE 2 ministrou em uma turma de Infantil II Estavam presentes 10 alunos99 06 meninas e 04 meninos de cinco anos de idade matriculados no período vespertino Na ocasião a AE 2 trabalhou com a área de conhecimento Natureza e Sociedade por meio do conteúdo Meios de comunicação rádio telefone carta telegrama Para introduzir o assunto a AE 2 propôs às crianças uma conversa sobre meios de comunicação dizendo Olha vamos conversar um pouco sobre meios de comunicação O que vocês assistem na televisão AE 2 Os alunos100 foram receptivos à proposta e começaram a participar da conversa conforme relatamos abaixo 99 Observação realizada em 07112008 Essa turma é composta por 20 alunos Acreditamos que o pequeno número de alunos presentes neste dia deuse por forte chuva 100 Em nosso relato de observação de 07112008 do diálogo que se segue identificaremos os alunos com letras e números conforme exemplo Aluno 1 A 1 Aluno 2 A 2 Aluno 3 A 3 e assim sucessivamente 197 Tia passa na televisão picapau e Xuxa A 1 Tia meu pai fala com minha mãe pelo celular A 2 A AE 2 respondeu então Isso é um meio de comunicação Neste momento da aula a AE 2 interveio tentando inserir os meios de comunicação que ela previamente havia selecionado e levado para a sala de aula rádio aparelho de telefone de discar carta telegrama como recursos didáticos Iniciou falando do rádio O rádio é um meio de comunicação AE 2 Um aluno demonstrou conhecer o meio de comunicação sugerido pela AE 2 dizendo É tia No rádio passa música A 3 Passa música mas também passa notícias responde a AE 2 De imediato a AE 2 explanou sobre outro meio de comunicação encerrando o assunto sobre o rádio conforme diálogo abaixo Qual de vocês vai ao correio o que a gente usa AE 2 Tia carta Eu nunca fui no correio nunca escrevi uma carta eu não sei A 1 Qual o meio que você mais utiliza perguntou a AE 2 a A1 A aluna respondeu que utilizava o computador o que gerou uma resposta única para todas as crianças da turma que ao serem perguntadas não deram outra resposta que não fosse computador Ai gente vamos mudar um pouquinho Quem sabe passar email AE 2 Tia eu sei meu pai tem um chip ele põe no computador no celular A 3 Tia meu pai tem um laptop mas não pode mexer A 4 Olha eu trouxe um telefone AE 2 198 A AE 2 oportunizou a cada um dos alunos que manuseasse discando o aparelho telefônico Tia eu tenho um celular Esse telefone é velho tia A 5 O aluno sorri Mas eu trouxe um celular olha ele tira foto A 5 O aluno levantou da carteira e foi até a frente da sala onde a AE 2 estava e levou o aparelho de telefone celular para mostrar que o telefone tinha o recurso multi mídia de captar imagens Tia minha mãe tem celular A 6 A minha também A 2 Ê tia ela tá doida batendo nesse telefone velho A 5 O aluno gesticulando com os braços e rindo se referia à colega que discava no aparelho que a AE 2 levou para a sala de aula como recurso didático A seguir a AE 2 mudou de assunto e passou a falar de outro meio de comunicação qual seja a carta Eu trouxe dois modelos de carta Olha um envelope grande e um envelope pequeno E aqui dentro a gente põe a carta Vou passar para vocês AE 2 Ao terminar a exposição dos meios de comunicação a AE 2 registrou no quadro giz os nomes dos mesmos carta telegrama rádio e telefone solicitando que as crianças copiassem as palavras utilizando o alfabeto móvel Agora vou escrever no quadro o nome dos meios de comunicação pra gente escrever os nomes deles AE 2 Hum Tive uma idéia vou buscar o alfabeto móvel para vocês em dupla escrever sic o nome dos meios de comunicação que eu trouxe AE 2 A primeira palavra que os alunos deveriam escrever foi carta Ao distribuir os alfabetos móveis aos grupos a AE 2 circulava na sala de aula orientando e fazendo intervenções como o caso da criança A 2 que escreveu cata A AE 2 mostroulhe a palavra que já havia sido escrita no quadro e explicou que faltava a letra r Na explicação sobre carta e telegrama a AE 2 enfatizou para a criança de cinco anos a importância de postar 199 uma carta normas para selar a carta Explicou que não podiam passar o selo na língua e as normas para a postagem de telegramas Destacou ainda a importância de conhecer a estrutura e funcionamento de uma agência dos Correios Percebemos que os alunos não se interessaram pelos meios de comunicação que a AE 2 trabalhou O interesse deles era por telefone celular computador e laptop Houve um momento de conflito em que o A 5 solicitou à AE 2 como se escrevia a palavra laptop Tia como escreve laptop A 5 Olha vamos escrever a última palavra que é computador E aí a gente vai fazer uma tarefa bem legal AE 2 Diante da insistência do A 5 em saber como se escrevia a palavra laptop a AE 2 disse ao menino Querido senta no seu lugarzinho AE 2 Entendemos que a AE 2 não respondeu ao questionamento da criança por não saber a grafia correta da palavra laptop Deste modo a professora não orientou a criança e seguiu o planejado brincadeira de roda que naquele momento se apresentou como uma atividade descontextualizada Ao deixar a criança sem uma resposta a AE causou uma frustração na mesma gerando atitudes de indisciplina A criança recusouse a participar da brincadeira isolandose dos colegas e correndo pela sala tentou tirar outros colegas da brincadeira e chutava as crianças que passavam perto dele dificultando a conclusão da atividade proposta A aula observada demonstrou que a AE 2 fez escolhas limitadas dos meios de comunicação selecionados para apresentar à turma uma vez que desprezou as novas tecnologias da comunicação tais como telefone celular e laptop e comentou de forma superficial o envio de email As novas tecnologias da informação e da comunicação TICs atualmente estão mais acessíveis à população independente da classe social e da idade O uso das TIC na educação infantil tem o objetivo de identificar e proporcionar através de práticas que favoreçam o convívio coletivo de crianças e suas relações educativas a interação dos alunos com as tecnologias propiciando momentos em que a criança possa atuar mais deixando aflorar as idéias que surgem em a sua mente possibilitando que a sua criatividade seja conhecida SANTOS SCHLUNZEN 2007 p 1 Cabe ao professor perceber o contexto de vivência das crianças inclusive acompanhando as mudanças tecnológicas pois 200 Nesta era da informação e da comunicação que se quer também a era do conhecimento a escola não detém o monopólio do saber O professor não é o único transmissor do saber e tem de aceitar situarse nas novas circunstâncias que por sinal são bem mais exigentes O aluno também já não é mais o receptáculo a deixarse rechear de conteúdos O seu papel impõelhe exigências acrescidas Ele tem de aprender a gerir e a relacionar informações para as transformar no seu conhecimento e no seu saber ALARCÃO 2008 p 15 grifo do autor Conforme a observação que realizamos de outra aula ministrada pela AE 2101 novamente a mesma demonstrou excessiva preocupação com a quantidade de conteúdos Era uma turma de Infantil II em que estavam presentes 23 alunos 13 meninas e 10 meninos de cinco anos de idade matriculados no período vespertino A proposta de trabalho da área de conhecimento de Natureza e Sociedade foi ministrar o conteúdo Meios de transporte aquático terrestre aéreo Inicialmente a AE 2 cumprimentou os alunos e iniciou a escrita do cabeçalho no quadrogiz Observamos que a metodologia utilizada pela AE 2 foi uma atividade lúdica de recorte de gravuras de revistas A aluna organizou a sala em duplas para a realização da atividade Neste momento os alunos começaram a fazer barulho arrastando carteiras e conversando A AE 2 então chama a atenção das crianças pedindo silêncio Olha Psiu Silêncio Vou explicar sobre meios de transporte Qual o meio de transporte que você usa pergunta a AE 2 ao A 1102 A partir desta indagação da AE 2 a criança responde Não sei tia A 1 O aluno por sua expressão facial demonstrouse surpreso com a pergunta pois não sabia o significado da expressão meios de transporte Percebemos que recorrentemente os AEs utilizam expressões que muitas vezes não fazem parte do universo infantil Diante da resposta do aluno a AE 2 insiste em retomar o conteúdo dizendo Olha usamos três meios de transportes o aéreo o aquático e o terrestre AE 2 101 Observação realizada em 14112008 102 Em nosso relato de observação de 14112008 do diálogo que se segue identificaremos os alunos com letras e números conforme exemplo Aluno 1 A 1 Aluno 2 A 2 Aluno 3 A 3 e assim sucessivamente 201 Os alunos ficaram descontentes com a AE 2 e se interessaram por outras atividades os alunos iniciam conversas paralelas crianças andando de um lado para o outro da sala de aula outras levantaram de suas carteiras para irem apontar o lápis e outros alunos pedindo para ir ao banheiro Neste burburinho a AE 2 tenta retomar a atenção dos alunos sobre o conteúdo que ela havia proposto Olha vou contar até três para vocês me ouvirem 1 2 3 Olha nós vamos ver três meios de transporte Olha quero que vocês prestem muita atenção AE 2 A AE optou por chamar a atenção das crianças com o pedido de silêncio não considerando que ao propor um conteúdo de ensino de modo a despertar o interesse dos alunos poderia proporcionar à turma um ambiente de parceira conforme Rosa e Lopes 2008 o professor tem um papel fundamental na formação da criança servindo como guia nesse processo um parceiro mais experiente Muito mais que falar seu papel é ouvir e observar as estratégias que os pequenos utilizam qualificando dessa forma as experiências vividas por eles Nesse sentido cabe ao educador entender a criança não como um ser passivo alienado mas como protagonista capaz de pensar criar e recriar novas possibilidades em suas experiências p 57 Observamos que a AE não envolveu os alunos neste momento pois não propôs o conteúdo contextualizandoo com as vivências dos mesmos Em estudo realizado recentemente Fabris relata que as professoras participantes da pesquisa tem presente em seu discurso o imperativo conhecer a realidade do aluno e mesmo assim estas docentes demonstraram ter poucas informações sobre as aprendizagens dos alunos Elas não sabiam nem quem eram os alunos repetentes elas pouco sabiam de suas dificuldades na área das aprendizagens escolares além do corriqueiro fraco em matemática dificuldade na leitura Além disso mesmo sabendo que naquela realidade muitos pais eram analfabetos as professoras continuavam a solicitar que os pais ajudassem nas tarefas escolares FABRIS 2010 p 12 Assim também na perspectiva de Paulo Freire ao assumir esta postura tornase impossível à AE ter 202 respeito aos educandos à sua dignidade a seu ser formandose à sua identidade fazendose se não se levam em consideração as condições em que eles vêm existindo se não se reconhece a importância dos conhecimentos de experiências feitos com que chegam à escola FREIRE 1996 p 71 Com o sucesso em sua solicitação de que as crianças fizessem silêncio e prestassem atenção a AE 2 pergunta a outra criança A 2 De que você vem pra escola AE 2 Neste momento a AE 2 demonstra capacidade de rever sua linguagem e articula seu conteúdo ao universo da criança Moto responde o A 2 Isso Moto é um meio de transporte incentiva a AE 2 Outro aluno tenta participar da aula Tia eu venho a pé com minha vó sic A 3 Pois é E o que é meio de transporte aquático Pergunta a AE 2 ignorando o comentário do aluno Tia aquático é água perguntou o A 3 tentando retomar sua participação na aula Tia é aquário Lá perto da sala da gestora da escola tem um aquário A 4 A AE 2 não respondeu à pergunta da criança A 4 e tentou retomar o assunto perguntando A bicicleta é aquático AE 2 Éééééééé responde a turma em uníssono Pois não é Ela não anda na água Qual meio de transportes que usamos na água AE 2 Tubarão peixe A 5 203 Gente presta atenção O que carrega as pessoas na água AE 2 Para responder a esta pergunta da AE 2 as crianças então se animam e participam falando ao mesmo tempo e dando várias respostas como submarino navio barco jet ski e prancha Embora ignorando algumas participações a AE 2 consegue retomar seu conteúdo bem como a participação das crianças Diante das respostas a AE 2 confirmou as respostas e mudou o foco do seu questionamento perguntando sobre outro meio de transporte Isso E aéreo que carrega a gente Avião responderam todos juntos Uma criança se levanta de sua carteira e se dirige à AE 2 e diz Tia eu falei avião antes da cita o nome da colega de sala Ela tá copiando de mim A 6 A reclamação da criança foi ignorada pela AE 2 que dando sequência à aula perguntou ao A 4 E o que carrega a gente na terra AE 2 Carro ônibus moto muita coisa A 4 Posteriormente a AE 2 orientou os alunos para a realização da atividade proposta as gravuras deveriam ser fixadas em cartolinas previamente identificadas pelo professor estagiário Ou seja cada cartolina trazia o nome de um tipo de meio de transporte Os conceitos transmitidos às crianças de meios de transporte foram aéreo anda no ar aquático anda na água e terrestre anda na terra A atitude da professora estagiária possibilitou que os alunos formassem hipóteses e participassem da aula Fato esse que gerou todo tipo de participação Isso fica explícito quando uma criança que perguntou se baleia era meio de transporte Tia baleia é meio de transporte A 7 Não respondeu a AE 2 204 E cavalo tia A 7 Sim AE 2 Acreditamos que aluna estagiária não contextualizou o conteúdo ministrado e não dominava os conceitos que trabalhou pois não foi capaz de esclarecer ao A 7 a diferença entre transporte aquático e animal marítimo Por meio desta observação acreditamos que a criança A 7 tenha levantado a hipótese de que se baleia não era um meio de transporte então cavalo também não mesmo que ande na terra A criança neste caso levantou hipóteses a partir do que era significativo para ela Nesta perspectiva no reportamos a Alves Teixeira e Santos 2009103 que afirmam que no processo de aprendizagem é fundamental que a mesma seja significativa Ou seja a aprendizagem nova amparada nos conhecimentos já apropriados pelos alunos Deste modo entendemos que para que ocorra a aprendizagem é necessário que novas informações estabeleçam uma interação comos conceitos já existentes e relevantes preexistentes na estrutura cognitiva do indivíduo AUSUBEL NOVAK HANESIAN 1997 Em outra observação104 a AE 1 ministrou o conteúdo Datas comemorativas Dia da Bandeira 19 de novembro Significado das cores da BandeiraAudição Hino da Bandeira usou como recurso didático um aparelho de som e um CD para a execução do hino Tal conteúdo está relacionado à área de conhecimento Natureza e Sociedade Este foi ministrado em uma turma de Infantil I crianças de 04 anos de idade composta por 17 alunos 8 meninos e 9 meninas presentes matriculados no período matutino A AE 1 iniciou a aula com o diálogo que transcreveremos abaixo perguntando aos alunos se eles já tinham visto a Bandeira do Brasil Vocês já viram a bandeira AE 1 Só se for aqui na escola A 1 A bandeira representa o que AE 1 O Brasil responde o A 2 Isso O país AE 1 Tia time de futebol também tem bandeira A 3 103 Conceito de ilha o processo de compreensão dos alunos do ensino fundamental de uma escola da rede municipal de ensino de Campo GrandeMS Disponível em httpwwwalbcombranais17txtcompletossem20COLE914pdf Acesso 05032010 104 Observação registrada em relatório em 07112008 205 A AE 1 ignorou a pergunta do A 3 e fixou um desenho da Bandeira do Brasil no quadrogiz Novamente percebemos que os AEs têm dificuldade de ampliar seu plano de aula bem como relacionar os conteúdos aos interesses dos alunos e alunas A dinâmica em que ocorre o processo de ensino e aprendizagem e ainda as relações que se estabelecem na escola levanos a crer conforme Ostetto que É preciso aprender a ver além do aparente a construir um olhar implicado Para o professor que exerce uma profissão essencialmente relacional é particularmente importante esse movimento de vaivém estar com o outro ver o outro as crianças os colegas as famílias o mundo ao redor e enxergarse 2008 p129 Em seguida a AE 1 retomou sua conversa com as crianças Vocês sabem por que essa bandeira tem a cor verde AE 1 Não obtendo nenhuma resposta a AE 1 continuou seu questionamento explicando o significado das cores da bandeira Verde que representa as matas Amarelo é nossa riqueza E o azul Quem sabe Tia ninguém sabe A 4 Tia azul é nuvem A 5 Da mesma maneira que ignorou o A 3 a AE 1 não respondeu à pergunta da criança A 5 Outro aluno retoma o diálogo Tia e esse branco A 1 Representa a paz AE 1 Tia o que é isso perguntou o A 4 apontando em direção ao desenho afixado no quadrogiz São estrelas Vocês sabiam que dia 19 desse mês novembro é o dia da Bandeira AE 1 Crianças fiquem quietos A tia vai passar o Hino da Bandeira AE 1 A AE 1 solicitou que os alunos ficassem de pé e em silêncio ouvissem o Hino da Bandeira As crianças neste momento começaram a demonstrar desinteresse pela aula e 206 foram brincar com outros brinquedos dentre os quais um ursinho de pelúcia um robô e um boneco outros conversaram e outros correram pela sala O conteúdo proposto não estava tendo significado algum para os alunos Dessa forma é preciso que o professor bem como o estagiário entenda que O desenvolvimento da aula é que lhe confere concretamente o sentido e a significação ou seja há que se responder a cada aula dada ao que ela sinaliza em continuidade A aula só pode ser ela mesma se carregar em seu processo e em seu resultado um sentido e uma significação para os sujeitos que dela compartilham Portanto o oriente de uma aula deve apontar para a construção de um sentido que se expressa cotidianamente mas deve ser carregado de continuidade para que possa ser expressivo ARAUJO 2008 p 62 Desconhecendo o clima de desinteresse das crianças e dando continuidade à aula a AE 1 chamou a atenção das crianças esperando que as mesmas participassem da aula e cumprissem as suas orientações Agora todos de pé A gente ouve o hino de pé Vocês sabiam AE 1 Ao serem solicitadas a ter um comportamento adequado para ouvirem o Hino da Bandeira as crianças não só ficaram de pé mas também algumas fizeram das cadeiras escorregador como riram cantaram105 dançaram empurraram um ao outro bateram palma andaram pela sala se abraçaram rolaram pelo chão e o Hino da Bandeira continuava a ser executado Esta atividade não teve significado para as crianças Isso porque os comportamentos que elas assumiram demonstraram que nenhuma delas entendeu o que estava acontecendo pois a AE 1 não soube adequar o conteúdo determinado106 nem soube utilizar uma metodologia que propiciasse o envolvimento das crianças Assim na análise de Silva 2008 o ensinar e o aprender ficam comprometidos Por isso para a autora ao trabalhar conteúdos e metodologias movidos pelo ter que cumprir um currículo um cronograma faz com que a organização da aula própria da atividade docente e a construção da dinâmica das manifestações em aula por meio das relações entre professores e alunos são plasmadas pela imposição de uma estrutura de tempo estanque positivista que funciona como instrumento de controle que pode entravar a 105 Durante a execução do Hino da Bandeira um aluno cantou Brasil Brasil a cueca já caiu 106 A AE 1 foi orientada pela professora titular a seguir a Matriz de Conteúdos previstos para a Educação Infantil que é definida pela Secretaria Municipal de Educação a partir do RECNEI Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil 207 constituição da aula como espaçotempo de ensinar aprender e transformar ou seja como campo de possibilidade SILVA 2008 p 37 Kramer 1995 p 16 defende que o currículo esteja adaptado à realidade da turma A autora pondera em sua obra Com a préescola nas mãos que a escola não apresenta no currículo situações ou atividades específicas por faixa etária na medida em que essa adaptação é função do planejamento que por sua vez é feito a partir do contexto específico de cada turma Mais uma vez é importante ressaltar a limitação que percebemos na capacidade dos AEs de articular o conteúdo escolar e o contexto dos alunos e alunas Assim para atividade final a AE 1 dividiu as crianças em grupos de quatro alunos Estas receberam uma folha mimeografada com o traçado da bandeira para colorir o desenho com as mesmas cores do desenho afixado no quadrogiz reprodução Acreditamos que se após trabalhar o conceito de bandeira com as crianças a AE 1 propusesse aos alunos que os mesmos criassem o desenho da bandeira de sua preferência a aula teria sido mais proveitosa e o conhecimento seria tratado não como o complexo processo de reelaboração mental mas como o resultado da aprendizagem nas interações humanas que ajuda a transformar a vida das pessoas XAVIER e FERNANDES 2008 p 226 Mesmo assim a atividade foi bem recebida pelas crianças que gostaram de colorir A AE 1 interveio durante as atividades Olha a tia falou que aqui é tudo verde As crianças identificavam as cores associandoas aos lápis Um aluno solicitou à AE 1 que confirmasse a cor que ele coloriria Tia aqui é azul né A 5 É AE 1 Ainda bem que amarelo é pouco eu não gosto Tia posso por outra cor A 7 Não Já disse Essas são as cores da bandeira Só pode usar essas cores AE 1 As crianças não compreenderam o conteúdo a AE 1 não oportunizou que houvesse relação interpessoal pois não permitiu que os alunos se ajudassem Cada um colorindo a sua tarefa AE 1 208 Assim que as crianças terminaram de colorir o A 5 perguntou o que fariam a seguir Tia e agora vai fazer o que A 5 Essa é a aula que eu tinha pra vocês AE 1 Ao dizer que a aula que tinha para os alunos era essa a AE 1 despediuse dos alunos deixou a sala de aula e foi chamar a professora titular para que a mesma reassumisse a regência da sala Observamos107 outra aluna estagiária doravante AE 4 A aluna ministrou uma aula para 23 alunos de 05 anos de idade meninos 08 meninas 15 matriculadas na série Infantil II no turno vespertino A área de conhecimento foi Matemática e o conteúdo Números de 1 a 10 Inicialmente a AE 4 apresentouse para os alunos dizendo seu nome e perguntando o nome de cada uma das crianças presentes Perguntou ainda se as crianças conheciam uma música Quem conhece a música do índio108 AE 4 Todas as crianças afirmaram que conheciam A AE 4 propôs aos alunos que ficassem de pé para cantar a música do índio109 estimulando as crianças a cantarem Vamos cantar Agora todos de pé Olha os dedinhos Nossa foi muito fraco AE 4 A AE 4 solicitou às crianças que participassem com mais alegria e insistiu que todos cantassem e gesticulassem com os dedos Hum parece que tem alguns que não estão cantando não é Então vamos cantar bem bonito AE 4 107 Observação realizada em01122008 108 Os dez indiozinhos 1 2 3 indiozinhos 4 5 6 indiozinhos 7 8 9 e 10 indiozinhos em um pequeno bote Estavam viajando pelo rio abaixo quando o jacaré se aproximou e o pequeno bote dos indiozinhos quase quase virou Mas não virou Autor desconhecido 109 Acreditamos que a AE 4 poderia ter articulado a questão cultural referente à cultura indígena e à nossa cultura uma vez que o ser humano constituise como tal na sua relação com o outro social A cultura torna se parte da natureza humana OLIVEIRA 1992 p 24 209 Novamente insistiu a AE 4 para que os alunos cantassem Aí agora ficou lindo Palmas AE 4 Enquanto cantava a música que era a introdução do conteúdo proposto contagem de 1 a 10 a AE 4 tentou fazer com que todas as crianças cantassem No entanto como já conheciam a música elas não se interessaram Em sequência pediu aos alunos que olhassem no cartaz orientando ainda que dissessem quantos índios havia no cartaz Neste recurso tinha numerais de 1 a 10 conforme sistematizado 1 desenho de 1 índio 2 desenho de 2 índios e assim sucessivamente até o numeral 10 Agora vamos fazer uma tarefa legal disse a AE 4 Tia o A 1 tá chorando porque ele não sabe fazer a tarefa Ele sempre chora quando tem que fazer tarefa difícil A 2 Mas essa tarefa não é difícil Vou ajudar vocês Calma aí vou em todas as carteiras Pode ficar sentadinho AE 4 A AE 4 pediu às crianças que ficassem calmas e esperassem por ela pois todas solicitaram sua presença ao mesmo tempo cada uma querendo ser atendida primeiro que os colegas A atividade escrita consistia em desenhar dentro de nuvens as quantidades de índios conforme os numerais indicados em cada uma das nuvens havia uma nuvem para cada numeral de 1 a 10 com proporções iguais Tanto para desenhar um índio como para desenhar dez índios o espaço era do mesmo tamanho Agora olha o número que está no quadro e desenha a quantidade na nuvem é para desenhar índios tá AE 4 Tia índio é difícil Pode desenhar outra coisa A 3 Não Desenha um índio do jeito que você sabe Não precisa ser igual o da tia no cartaz AE 4 Tia eu não dou conta Índio é difícil Pode desenhar cachorro A 4 Não Desenha o índio do seu jeito AE 4 Percebemos que a AE 4 demonstrou maior preocupação com a forma do que com o conteúdo pois de acordo com a definição de Pimenta e Anastasiou forma método de ensinar e conteúdo área de conhecimento específico 2005 p 52 Qual era o objetivo da aula desenhar índios ou estabelecer a relação de quantidades O propósito da aula não seria o 210 de que a criança aprendesse Entendemos que o papel do professor seja o de ajudar o aluno a utilizar os conceitos como ferramentas para atuar na realidade com os outros consigo mesmo LIBÂNEO E FREITAS 2007 p 47 e não de cuidar para o rígido cumprimento de um plano de aula Entendemos que cabe ainda ao à educadora atuar com o propósito de construir unidade social em sociedades marcadas por diferenças e desigualdades MOREIRA E CANDAU 2008 p10 O A 5 apontou na nuvem o número 8 e perguntou se era 6 A AE 4 esclareceu que não Tia esse aqui é 6 A 5 Não olha lá no cartaz Esse é 8 Agora você desenha 8 índios aí tá AE 4 As crianças estavam enfrentando dificuldades para desenhar o índio e não conseguiam associar o numeral à quantidade de índios proposta em cada nuvem Deste modo algumas crianças foram ajudar os colegas mas a AE 4 não percebeu e pediu silêncio e que todos os alunos permanecessem em seus lugares Ai ai vocês dois estão conversando demais AE 4 Tia eu tô ensinado pra ele Ele não dá conta responde o A 2 Então senta ao lado dele e pode fazer juntos AE 4 Outra criança pede para fazer a tarefa com o colega e a AE 4 permite Tia eu também posso fazer com a colega A 6 Pode AE 4 Tia eu já tô no 7 A 1 Muito bom AE 4 A AE 4 chama a atenção de um aluno para fazer o desenho dentro da nuvem Seu índio está fora da nuvem Apaga e faz dentro da nuvem Olha bem é assim olha o número e desenha o tanto de índios dentro da nuvem AE 4 Tia não cabe é pequeno referindose ao espaço destinado à resolução da atividade A 3 211 É só você desenhar menor AE 4 Então vou fazer bem piquininim sic A 3 Tia já fiz A 8 Você fez um aí é 5 Quanto que falta responde a AE 4 Não sei A 8 Olha desenha mais 4 aí fica certo AE 4 Assim que todas as crianças terminaram a tarefa a AE 4 organizou as crianças em círculo para que pudessem cantar novamente A música era a mesma do início da aula e a AE 4 disse para cantarem bem bonito pois naquele momento ela estava indo embora Nesta oportunidade a participação das crianças foi mais expressiva que no primeiro momento da aula Observamos que tanto quanto os outros AEs participantes de nossa pesquisa a AE 4 também demonstrou grande preocupação com a necessidade de ministrar o conteúdo Porém não soube fazêlo com a ludicidade que a Educação Infantil necessita e tampouco apresentar a contextualização tão desejada pelas crianças que conforme vimos solicitavam mudar o desenho Ao realizar uma prática de estágio numa sala de aula que atende crianças com idade de 04 anos no turno matutino a AE 4 também voltou novamente sua prática pedagógica contemplando o excesso de conteúdos Escolheu a área de conhecimento Artes visuais cujo conteúdo foi Cores A AE 4 expôs um cartaz com as cores primárias e secundárias O preto e o branco estavam conceituados como cor Propôs atividades de artes desenho livre utilizando somente as cores primárias e secundárias para a realização da atividade Esta aula foi ministrada numa segundafeira um dia após o clássico Grêmio e Palmeiras e os meninos queriam desenhar bandeira eou camisa do seu time Como a atividade era de desenho livre as crianças que torciam pelo Grêmio queriam colorir com um azul que pertence às cores terciárias Um dos meninos torcedor do Grêmio desenhou a bandeira do seu time e se recusou a colorir com o tom de azul apresentado pela AE 4 pois a mesma não era a cor do seu time Ele sabia qual o tom pois mostrou à AE o lápis da cor da bandeira azul claro A AE deixou que ele usasse a cor que ele queria Não foi cuidadosa em sua prática em relação aos conteúdos estabelecidos pois ao invés de ampliar os conhecimentos das crianças com as cores terciárias ela simplesmente concordou com o aluno 212 De acordo com Freire o ato docente não é um ato mecânico estanque onde o professor é aquele que sabe tudo e o aluno o que tudo ignora Assim Ao pensar sobre o dever que tenho como professor devo pensar também em como ter uma prática educativa em que aquele respeito que sei dever ter ao educando se realize em lugar de ser negado Isto exige de mim uma reflexão crítica permanente sobre minha prática É que o trabalho do professor é o trabalho do professor com os alunos e não do professor consigo mesmo FREIRE 1996 p 71 Enfim em nossas observações não só o excesso de conteúdos foi uma constante mas também a descontextualização entre os conteúdos ministrados causada sobretudo pelo não conhecimento dos alunos e alunas com os quais os AEs trabalharam Fato que impossibilitou algumas vezes aos alunos estagiários a utilização dos conhecimentos trazidos pelos alunos e alunas para as inúmeras possibilidades de re elaboração desses conhecimentos Entendemos que o domínio dos conteúdos e saber contextualizar os conteúdos ministrados com os conhecimentos prévios da criança favorecem a relação do aluno e professor neste caso do estagiário de diferentes formas 313 Relação do aluno estagiário com seus alunos diferentes formas Uma das questões centrais entre os alunos estagiários ao assumirem o papel docente nas escolascampo é a relação pedagógica professor e aluno Desta maneira passaremos a analisar como os AEs estabeleceram relações com as crianças Na perspectiva de Cunha a relação professoraluno passa pelo trato do conteúdo de ensino A forma como o professor se relaciona com sua própria área de conhecimento é fundamental 2004 p 150 Ainda de acordo com Cunha além do modo que o professor estabelece tal relação é essencial a maneira que o docente se relaciona com sua percepção de ciência e de produção de conhecimento E isso interfere na relação professoraluno é parte dessa relação Cunha 2004 p 151 Também ressaltamos conforme já nos referimos anteriormente a necessidade de uma relação pedagógica atravessada pela ludicidade conforme nos aponta Rosa e Lopes pois Brincando a criança aprende a ser humana solidária aprende a viver a sonhar a imaginar a ter autonomia e a construir conhecimento sobre o mundo à sua volta 2008 p 63 Os AEs relataram que vivenciaram diferentes situações nas suas práticas pedagógicas 213 houve interação com as crianças não fiz nenhuma atividade extraclasse AE 1 Podemos perceber no depoimento da AE 1 mesmo ficando com os alunos somente no ambiente da sala de aula que houve interação com as crianças Conseguiu ter a atenção das crianças ao utilizar metodologias que as envolvessem com os conteúdos que estava ministrando conforme ela mesma aponta Consegui fazer com que as crianças prestassem atenção em mim Eu tive que chamar atenção delas usando a didática usando cartazes desenhos AE 1 É necessário que ao adentrar numa sala de aula para atuar como docente o acadêmico estagiário seja capaz de utilizar metodologias que contribuam para a aprendizagem dos alunos meu relacionamento com eles era bom porém a todo o momento tinha que chamar atenção de todos devido o barulho Já na outra sala tinha alunos todos educados e participavam das aulas percebi que tinham mais disciplina do que os alunos da primeira sala finalizando a interação com os alunos era boa AE 2 Ao falar da relação pedagógica na sala de aula a AE 2 faz uma comparação das duas turmas em que ministrou aulas dentro de uma mesma escola o que lembra Cajal quando escreve que A cultura local de uma sala de aula a distingue de outra sala mesmo apresentando ambas aparentes similaridades 2001 p129 A autora continua sua análise e diz que mesmo que a sala de aula tenha apenas alunos com professores com características parecidas estejam estudando os mesmos conteúdos pertençam ao mesmo grupo social tenham a mesma idade ou habitem todos no mesmo bairro o conteúdo trabalhado em sala pode ser o mesmo o ambiente físico as mesmas características cada sala de aula se constitui em um pequeno mundo com um conjunto de padrões de como agir e interagir CAJAL 2001 p 130 Vivenciar experiências diferentes também fez parte da ação tanto da AE 2 quanto do AE 3 Ambos afirmaram ter a necessidade de em uma das salas manter a atenção das crianças com metodologias diversas Na concepção de Kramer a questão metodológica é fundamental mas esta metodologia não é aquela copiada ou o modelo que deu certo em alguma escola ou então em um sistema de ensino Para a autora mais importante do 214 que adotar uma metodologia préelaborada é construir na prática pedagógica aquela metodologia apropriada às necessidades e condições existentes e aos objetivos formulados KRAMER 1995 p 37 Tive a preocupação de prender a atenção dos alunos de forma diferenciada mas logo fui me enturmando com a turma que me surpreendeu bastante mas só com essa turma também ministrei aulas em todas as turmas de turno matutino AE 3 No relato do AE3 houve uma situação que todo professor precisa ser preparado para lidar que é trabalhar com crianças portadoras de necessidades educacionais especiais O que foi muito importante nesta situação segundo o relato abaixo foi a orientação dada pela professora da turma Uma dificuldade que tive foi dar aula para uma aluna com Síndrome de Down110 conversei com a professora da sala a qual me orientou no sentido de tratála igual aos outros colegas e ter calma e paciência pois ela iria conseguir chegar ao objetivo proposto AE 3 Por meio do relato da AE 3 evidenciase a necessidade de que a mesma teve que estabelecer um diálogo com a professora da turma onde realizou o estágio pois deste modo pode obter informações muito importantes para sua prática de estágio De acordo com seus depoimentos a AE 4 apresentou uma relação pedagógica adequada ao processo educacional Em relação à interação com as crianças foi maravilhoso percebi que as mesmas gostaram de mim e sentiamse a vontade comigo no entanto essa maneira de gostar e de sentirse a vontade era tudo dentro de um respeito entre ambas as partes AE 4 De acordo com o relato da AE 4 o respeito foi a tônica de sua relação com as crianças Para continuar a analisar as relações pedagógicas experenciadas pelos AEs durante as práticas de estágio em Educação Infantil faremos um breve relato de algumas situações que retratam tais relações 110 Embora a aluna tenha obtido um bom relacionamento ressaltamos que a compreensão das diferenças está ainda em uma perspectiva de homogeneização De acordo com o artigo 1º do decreto nº 6571 de 17 de setembro de 2008 A União prestará apoio técnico e financeiro aos sistemas de ensino dos Estados do Distrito Federal e dos Municípios na forma deste Decreto com a finalidade de ampliar a oferta do atendimento educacional especializado aos alunos com deficiência transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação matriculados ma rede pública de ensino regular BRASIL 2008 grifo meu 215 Inicialmente seguese o relato de situação que observamos em uma aula111 em que as crianças conversavam muito e a AE 2 fechou a porta da sala de aula com tom de voz alterado bateu palma e disse Agora presta atenção atenção Senta Silêncio senta Olha to muito triste com vocês assim a aula fica ruim Tem gente brincando com tampinha andando pela sala brigando Tem que parar Vamos terminar nossa tarefa Pronto acabou Agora vou recolher todas as revistas Todas todas AE 2 Dizendo isso a AE 2 foi até a carteira de um aluno que brincava com as tampinhas e as recolheu O A 9 ficou bravo pois havia uma moeda dentro da tampinha Tia eu quero minha tampinha A AE 2 ignorou a criança e continuou chamando a atenção de outro aluno A 10 senta por favor Estou esperando Estou triste principalmente com você né referindose ao A 9 que não prestou atenção ficou só brincando com as tampinhas AE 2 Em sua prática de estágio a maior parte do tempo a AE 2 tentou fazer com que as crianças se interessassem pelo conteúdo Porém a mesma obteve êxito apenas por alguns momentos pois a maior parte do tempo o conteúdo não chamou a atenção dos alunos Em outro momento observamos a prática de estágio de outra acadêmica a AE 1112 que durante sua permanência na sala de aula a mesma tratou todos os alunos por crianças Andava pela sala de aula elogiando as tarefas dos alunos que caprichavam Isso Ficou lindo AE 1 Tia e o meu A 1 A AE simplesmente ignorou a pergunta do aluno que também queria que sua tarefa fosse elogiada Na sequência a AE 1 ordenou aos alunos a finalização da atividade dizendo 111 Em uma turma de Infantil II com crianças de 05 anos de idade a AE 2 ministrou o conteúdo Meios de transporte Esta observação foi realizada em 14112008 112 A AE 1 ministrou o conteúdo Datas comemorativas Dia da Bandeira em uma sala de aula de Infantil I crianças de 04 anos de idade no dia 07112008 216 Vamos guardar os lápis AE 1 Uma criança solicitou ajuda pois precisava ir ao banheiro Tia eu quero ir ao banheiro Pega o papel higiênico pra mim A 2 Olha tia Ela tá pegando muito papel A 3 Olha não pode AE 1 Por esse motivo a tia passou a controlar a quantidade de papel que a criança podia levar para o banheiro Ao mesmo tempo tentou disciplinar outras atitudes das crianças Olha não quero ver ninguém na porta AE 1 Como alguns alunos começaram a entrar e a sair da sala de aula a coordenadora pedagógica foi até a sala e disse Tia pode me chamar que eu converso sério com essas mocinhas A AE 1 estava de pé à frente da sala de aula mãos para trás sem ação parada e as crianças andando brincando dentro da sala Em sua prática de estágio a AE 1 não estabeleceu uma relação de afetividade com as crianças permaneceu indiferente Infelizmente a AE 1 ignorou que Cognição e afeto são atividades que se relacionam tem algo a falar se aproximam e tem idéias para intercambiar Guimarães 2005 p 52 Sua atitude ou a falta dela demonstrounos que a mesma parecia estar apenas cumprindo uma atividade obrigatória do curso de Pedagogia Licenciatura A indiferença que a AE 1 dispensou aos alunos foi recíproca Agora essa mulher os alunos se referiam à AE 1 vai embora e a tia vem os alunos se referiam à professora titular Oba Aí é bom A 8 Quando a AE 1 saiu da sala de aula um aluno foi ao encontro dela e ainda nos corredores da escola deu uma bala à AE 1 que continuando com uma atitude que demonstrava indiferença sequer agradeceu a gentileza do aluno Acreditamos que a AE 1 perdeu várias oportunidades de estabelecer uma boa relação pedagógica com os alunos pois a mesma negou o tempo todo visto que não reconheceu seus alunos como sujeitos protagonistas do processo educacional 217 inclusive considerando os processos cognitivos os investimentos afetivos as motivações as projeções etc e as relações sociais dos sujeitos seria fundamental aos formadores para que novas práticas de formação e diferentes dinâmicas de relação entre professor e alunos e conteúdo de ensino pudessem ser estabelecidas GUIMARÃES 2005 p 53 Já a AE 2 se caracteriza por outros aspectos que não a indiferença Um dos aspectos utilizado pela a AE 2 para manter os alunos sob controle foi tentar despertar nos alunos culpa por não se comportarem bem e deixála triste conforme observamos113 Tia eu não posso emprestar meu lápis minha mãe me mata A114 1 Ah tá então deixa Gente peça lápis só pra quem quer emprestar Nossa to triste vocês não ficam quietos pegando o lápis do outro Assim vou ficar triste AE 2 Em outros momentos a AE 2 procurou ter uma relação mais próxima com os alunos cultivando a afetividade com os mesmos Ao ver que uma criança chorava procurou saber o que aconteceu Nossa porque você está chorando AE 2 Olha tia o A 2 pegou meu lápis A 3 Porque você não pintou Pinta vai ficar bonitinho AE 2 Tia já falei Não tenho lápis A 3 Em sua prática docente de estágio a AE 2 procurou envolver os alunos na atividade e fazer com que todos terminassem mais ou menos ao mesmo tempo Em outras palavras tentou fazer com que todos os alunos acompanhassem o ritmo que ela gostaria de imprimir à aula Quem tá quase terminando Isso muito bem Então vamos corrigir A 4 que gracinha Isso agora vamos colorir AE 2 A turma se dividiu as meninas foram colorir juntas e os meninos foram brigar uns com os outros 113 Observação realizada em 31102008 numa sala de aula de Infantil II crianças de 05 anos de idade 114 Para preservar a identidade dos alunos os mesmos serão nomeados A 1 Aluno 1 A 2 Aluno 2 e assim sucessivamente 218 Uma aluna havia levado uma boneca para a escola era sextafeira e a escola permite que todas as sextasfeiras as crianças levem seus brinquedos de casa para brincar na escola Por esse motivo todas as outras meninas começaram a sair de seus lugares para irem à carteira da coleguinha ver a boneca A AE 2 interviu Essa boneca é linda Você vai guardar e só vai brincar na hora do recreio AE 2 É importante registrar que na sala de aula havia uma regra a saber registrar o nome do aluno que não cumprisse as normas de comportamento para ficar sem recreio Esta atitude já havia sido estabelecida pela professora titular da turma A AE 2 na tentativa de disciplinar um aluno reproduziu escrevendo no quadrogiz o nome do aluno que naquele dia ficaria sem recreio No entanto não podemos afirmar que o aluno realmente tenha ficado sem recreio ou não pois a AE 2 terminou suas atividades de estágio nesta sala antes do horário do recreio No entanto a AE 2 não conseguiu manter os alunos fazendo as atividades propostas Os alunos andaram pela sala coloriram escreveram choraram saíram para tomar água para ir ao banheiro deitaram na carteira deitaram no chão alguns lutaram entre si no fundo da sala de aula Enfim este foi o cenário enquanto eles resolviam a tarefa A AE 2 usava os argumentos Olha se vocês não fizerem silêncio não vou dar outra tarefinha Olha só vou dar tarefinha pra quem está sentado AE 2 Utilizando a atividade de aprendizagem como instrumento sancionador e disciplinador a AE 2 correu o risco de fazer da tarefa um meio de exclusão dos alunos Para Aquino as sanções não podem sob hipótese alguma ser tomadas como mecanismos de exclusão da clientela do jogo escolar Seu espírito por sinal deve sinalizar o rumo oposto elas se prestam à inclusão 2000 p 78 dos alunos Ainda em sua fala a AE 2 demonstrou dificuldade para lidar com uma situação corriqueira na sala de aula e mais uma vez usou a tarefa para manter a ordem Pra quem eu emprestei lápis de cor Olha tá faltando Não vou entregar a tarefa se não aparecer o lápis que está faltando AE 2 Esta fala da AE 2 foi totalmente ignorada pelos alunos e percebemos que eles nem ouviam o que ela dizia Outra aluna foi a razão da tristeza da AE 2 219 A 5 nossa hoje você está muito atentada Por quê Estou triste com você Já outra criança que insistia em andar pela sala ouviu da AE 2 A 6 para para para Senta no seu lugar Hoje você está muito feio AE 2 Ao gritar com a criança automaticamente a AE 2 lembrouse de nossa presença na sala de aula pois a mesma direcionou o olhar para nós Com esta atitude a criança que era alvo da sua atenção percebeu e perguntou Tia quem é aquele homem A 6 A AE 2 na tentativa de intimidar a criança respondeu Ele está escrevendo o que você está fazendo Pois é e você está muito atentado hoje Senta e fica quieto AE 2 Em nossas observações nos deparamos com diversas práticas de alunos estagiários Desde a AE 1 que se manteve indiferente fria com alunos passando pela AE 2 que tentou de várias formas manter a disciplina na sala de aula até o AE 3115 que por várias vezes demonstrou atitudes arrogantes e autoritárias Reger uma sala de aula assumindo uma atitude autoritária em que o professor é o centro do ensino e o aluno mero espectador não há como construir um processo educacional emancipador De acordo com Arroyo Nem tudo é indisciplina nas escolas Nem toda criança é violenta A pedagogia escolar é como uma combinação de imagens e cores O importante é acertar com sua combinação e com o foco que dê sentido a imagens e cores por vezes tão chocantes Estamos caminhando para que o foco de sentido sejam os educandosas e suas vivências reais de seus tempos da vida 2007 p 15 A arrogância referida anteriormente assumida pelo estagiário pode ser demonstrada no momento que o AE 3 repreendeu um aluno Pega um livro e senta ouviu 115 Observação realizada no dia 11112008 numa sala de aula de Infantil II crianças de 05 anos de idade 220 O AE 3 falou baixinho bem pertinho da criança quase falando no ouvido dela com tom ameaçador Como ele está preocupado com a disciplina e controle das crianças a aula continua controlada tem criança lendo colorindo todas realizando alguma atividade A nossa presença foi percebida e aguçou a curiosidade de algumas crianças Duas delas vieram até minha carteira e ficaram perguntando meu nome e porque eu estava escrevendo Um aluno disse Homem é professor de homem A 1 Durante a explicação do conteúdo por meio de contação de histórias o AE 3 não permitiu a participação dos alunos enquanto contava a história Quando alguém tentava completar a narrativa dele ele dizia Deixa eu concluir depois você fala AE 3 Para conter uma atitude de uma criança que o AE 3 considerou inadequada ele aproximouse da mesma e disse A 2 não vou falar com você mais não Será que vou ter que ficar na sua frente pertinho de você para você fazer sua tarefa Outro aluno que não estava colorindo foi repreendido pelo AE 3 A 3 eu não tô acreditando Faça um risco aqui apontou na folha Põe seu nome e dê cor ao seu desenho Vamos Agora Em sua prática de estágio o AE 3 evitou ser gentil e estabelecer uma relação de afetividade embora várias vezes as crianças procuravam seus elogios e sua atenção Tio ficou bonito A 4 A 4 eu já vi o seu Senta AE 3 No final as crianças estavam indo e vindo buscar livros na caixa O trocatroca de livros entre eles fez com que o professor terminasse com a atividade O AE 3 recolheu os dois últimos desenhos e determinou 221 Todos sentados e em silêncio Vamos todos esperar a tia professora titular em silêncio AE 3 A AE 4 evidenciou lidar com os alunos com preocupação com o processo educacional conforme demonstrou em sua prática de estágio A 1 diz pra tia porque você não está fazendo a tarefa AE 4 Eu não sei A 1 Olha vou sentar aqui e ajudar você vamos começar AE 4 A AE 4 tem uma maneira própria de lidar com as crianças Uma demonstração disso que ilustra muito bem nossa percepção foi que enquanto a AE 4 corrigia a tarefa de uma aluna a criança passou a mão em seus cabelos e perguntou à estagiária se podia darlhe um beijo Este momento não foi o único em que a AE 4 foi atenciosa e carinhosa com os alunos Presenciamos vários momentos de afetividade entre a aluna estagiária e os alunos passou a mão na cabeça de um aluno fez carinho na orelha de outro arrumou o cabelo de uma menina fazendo uma trança A AE 4 passou em todas as carteiras e as crianças ficaram esperando sentadas O clima foi de calma e tranquilidade as crianças resolvendo as tarefas e a AE 4 orientando Até mesmo nos momentos que a AE 4 teve que lidar com alunos que não estavam participando da atividade esta soube utilizarse da calma e da afetividade A 3 vou colocar você perto da minha mesa assim você faz a tarefa AE 4 É importante dizer que este aluno A 3 era o único que não estava envolvido na atividade proposta Ele gostava de conversar com os colegas e passear pela sala de aula Finalizamos esta seção ressaltando que em termos de relação pedagógica na Educação Infantil os estagiários demonstraram que há necessidade de reflexão e pesquisa durante o curso de Pedagogia para que se amplie a concepção de infância para que as atitudes das crianças não sejam vistas simplesmente como indisciplina Prosseguindo apresentaremos no próximo capítulo a análise da pesquisa realizada no Estágio Supervisionado nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental 222 CAPÍTULO IV ANÁLISE DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO DO CURSO DE PEDAGOGIA LICENCIATURA ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL Neste capítulo analisamos os dados coletados referentes aos Anos Iniciais do Ensino Fundamental os alunos estagiários também atuaram cada um em uma unidade de ensino Foram selecionadas quatro EMEFs Escola Municipal de Ensino Fundamental situadas na periferia da cidade de Rio Verde Goiás que atendem crianças de 06 a 10 anos de idade 41 Ensino Fundamental observação in loco Segundo o PPP Projeto Político Pedagógico ao realizar atividades de estágio nas escolas que oferecem os Anos Iniciais do Ensino Fundamental os AEs ministrarão aulas de 1º ao 5º ano do ensino fundamental e obrigatoriamente as disciplinas Língua Portuguesa e Matemática serão ministradas em todos os anos de o 1º ao 5º ano As outras disciplinas História Geografia Ciências Educação Física Educação Religiosa e Artes serão ministradas nas turmas de 1ª ao 5º ano que somente acontecerão se os AEs optarem não tendo a obrigatoriedade de ministrálas em todos os anos Inicialmente os AEs ministrarão aulas de Língua Portuguesa e Matemática do 1º ao 5º ano Após ter realizado estas atividades de estágio em todas as turmas os mesmos optarão pelas turmas que ministrarão as outras disciplinas Ao final das atividades de estágio nas escolascampo cada um dos AEs terá ministrado um total de 16 aulas totalizando 32 horas de aulas Assim sendo tem a oportunidade de retornar às salas de aula que mais se identificaram Deste modo o curso de Pedagogia Licenciatura possibilita aos AEs conhecer os diferentes anos do ensino fundamental por meio do exercício docente É importante salientar que o ensino fundamental de caráter obrigatório antes com duração de oito anos agora com duração de nove anos com matrícula de crianças a partir dos 06 seis anos de idade é proveniente das alterações na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional96 pelas leis 11114 de 16 de maio de 2005 e 11274 de 06 de fevereiro de 2006 Logo com tais alterações notase que o Ensino Fundamental necessita assim como a Educação Infantil de professores devidamente preparados para atuar no desenvolvimento da criança para que ela seja capaz de organizar associar e reconstruir conhecimentos fazendo 223 corelação do novo com as vivências que ela experimenta dentro do convívio social o que resultará na construção do seu processo educativo A prática docente implica comprometimento e consciência de que o ato educativo não se atém às paredes da sala de aula Para Freire Assim como não posso ser professor sem me achar capacitado para ensinar certo e bem os conteúdos de minha disciplina não posso por outro lado reduzir minha prática docente ao puro ensino daqueles conteúdos Esse é um momento apenas de minha atividade pedagógica Tão importante quanto ele o ensino dos conteúdos é o meu testemunho ético ao ensinálos É a decência com que faço É a preparação científica revelada sem arrogância pelo contrário com humildade É o respeito jamais negado ao educando a seu saber de experiência feito que busco superar com ele Tão importante quanto o ensino dos conteúdos é a minha coerência na classe A coerência entre o que digo o que escrevo e o que faço 1996 p 116 Destacamos mais uma vez que não basta o domínio dos conteúdos é necessário contextualizálos problematizálos para que a prática pedagógica não se restrinja ao cumprimento do plano de curso e sim para que a construção do conhecimento de fato se efetive Para tanto é fundamental que o curso de Pedagogia Licenciatura por meio do Estágio Supervisionado garanta que os AEs tenham conhecimento do estudo da didática de teorias e metodologias pedagógicas de processos de organização do trabalho docente a decodificação e utilização de códigos de diferentes linguagens utilizadas por crianças além do trabalho didático com conteúdos relativos à Língua Portuguesa Matemática Ciências História e Geografia Artes Educação Física Projeto Político Pedagógico 2007 p 12 Ainda de acordo com o Projeto Político Pedagógico do curso de Pedagogia Licenciatura A formação inicial para o exercício da docência na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental capazes de repensar a educação com espírito crítico com habilidades técnicopedagógicas e sociopolíticas para o exercício competente de sua profissão e como formadores de opinião 2007 p 13 Para atuar nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental o professor precisa ser o mediador da relação do aluno com o conhecimento a ser aprendido sendo capaz de considerar os conhecimentos que o aluno já apropriouse LIBÂNEO 1998 Diante desta perspectiva lembramos de Beauchamp Pagel e Nascimento que afirmam a necessidade da ênfase às crianças dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental dizendo que 224 Optamos por enfatizar a infância das crianças de 6 a 10 anos de idade partindo do pressuposto de que elas trazem muitas histórias muitos saberes jeitos singulares de ser e estar no mundo formas diversas de viver a infância Estamos convencidos de que são crianças constituídas de culturas diferentes 2007 p 9 Para entendermos este universo do aprendiz dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental passaremos agora a analisar os dados coletados em nossas observações das práticas de estágio nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e também dos dados coletados por meio de questionários respondidos pelos acadêmicos participantes da nossa pesquisa 412 Análise das informações obtidas junto ao estagiário e as estagiárias no Ensino Fundamental A partir dos dados coletados nas observações cf roteiro de observação apêndice 1 e questionário cf roteiro de observação apêndice 3 aplicado junto aos estagiários nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental emergiram 02 duas categorias que se aproximam quais sejam 1 Ensino Fundamental fragilidade nos conteúdos e metodologias 2 Relação do aluno estagiário com seus alunos diferentes formas Para preservar a identidade dos alunos estagiários continuaremos a nomear os estagiários conforme vínhamos fazendo durante a análise na Educação Infantil Assim os 04 quatro acadêmicos estagiários116 serão identificados da mesma forma que já os identificamos na análise da Educação Infantil pois se trata das mesmas alunas e aluno 413 Ensino Fundamental fragilidade nos conteúdos e metodologias Para a análise dos aspectos relacionados aos conteúdos e às metodologias utilizadas pelos AEs Alunos Estagiários nas aulas ministradas nas salas de aula dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental inicialmente usamos as respostas obtidas por meio de um questionário cf apêndice 3 aplicado aos quatro AEs Num segundo momento utilizamos os dados que coletamos durante as observações nas escolascampo sendo que tais dados são permeados por diálogos com os pesquisadores do assunto abordado nesta seção 116 Acreditamos que seja pertinente lembrar as informações referentes aos alunos estagiários participantes de nossa pesquisa uma vez que são os mesmos acadêmicos que acompanhamos na ocasião do estudo durante o Estágio Supervisionado de Educação Infantil A AE 1 tinha 23 anos de idade do sexo feminino dedicavase somente aos estudos A AE 2 tinha 23 anos de idade do sexo feminino trabalhava como recepcionista de um Buffet O AE 3 tinha 20 anos de idade do sexo masculino exercia a função de repositor de mercadoria em um supermercado A AE 4 tinha 21 anos de idade do sexo feminino trabalhava como babá 225 Três AEs responderam que a seleção dos conteúdos que eles ministraram nas escolascampo foi feita por eles Os conteúdos foram selecionados por mim sob a orientação da professora de estágio AE 1 Os conteúdos foram selecionados por mim lógico que também a professora da sala me deu uma pequena ajuda AE 3 os conteúdos foram a critério de cada acadêmico dentro da realidade do aluno e da escola AE 4 Somente a AE 2 revelou que não teve a possibilidade de escolher os conteúdos que foram passados pelos professores de cada ano a estagiária perguntava para a professora o que estava sendo trabalhado com os alunos AE 2 As respostas evidenciam a mesma situação apresentada na Educação Infantil ou seja a falta de diálogo entre orientadoras de estágio alunos estagiários e professoras titulares A seleção dos conteúdos visa alcançar algum objetivo e para tanto há critérios a serem considerados para que esta seleção seja coerente com o processo educacional Logo a seleção dos conteúdos ministrados pelos AEs é algo que convém ser discutida Esses conteúdos foram selecionados de acordo com o ano e com o conteúdo que as crianças estavam estudando na escolacampo AE 1 As disciplinas foram de acordo com os critérios do estágio AE 2 o critério para seleção era o desenvolvimento do aluno AE 3 As respostas que apresentam esta diversidade demonstram que o referido tema não vem sendo discutido adequadamente A AE 4 não respondeu a este questionamento Outro aspecto essencial à prática de estágio é a utilização de metodologias que contribuam para a aprendizagem dos alunos Percebemos que os AEs não ignoraram este aspecto Ao contrário todos afirmaram ter feito uso da mesma a metodologia utilizada passou pela orientação da professora de estágio AE 1 utilizei jogos desafios alguns momentos de sensibilização com mensagens houve momentos que pude notar que alguns professores não utilizam jogos em sala de aula e os alunos estão acostumados a fazer cópias 226 aprender de forma mecânica AE 2 Fiz uso de várias técnicas aprendidas na Faculdade apliquei também atividades extraclasse AE 3 uma aula dinâmica e didática usando uma metodologia adequada a cada série AE 4 Os relatos vêm ao encontro do pensamento dos estudiosos do assunto dentre os quais Rocha e Garske que afirmam que o estágio além mobilizar os conhecimentos apreendidos ao longo do curso promove a reflexão constante sobre as teorias e a prática profissional numa relação cotidiana do saber com o fazer docente ROCHA e GARSKE 2008 p 13 A metodologia conforme Pimenta e Lima não é entendida como receitas do modo de dar aula Para as pesquisadoras é preciso entender que A metodologia para a grande maioria das pessoas referese apenas ao como fazer como elaborar e aplicar técnicas de ensino No entanto nela estão presentes os conceitos as relações que o professor estabelece com sua área de conhecimento sua compreensão do mundo seus valores e sua ética profissional como sentido que dá à profissão 2004 p 133 grifo das autoras Neste sentido percebemos que os AEs mobilizaram conhecimentos apreendidos no curso ou seja demonstraram a importância do curso para o desenvolvimento do estágio Assim como observamos nas práticas de estágio nas turmas de Educação Infantil houve também a excessiva preocupação por parte dos AEs com a quantidade de conteúdos A quantidade de conteúdos fezse presente durante as aulas ministradas nas turmas de Anos Iniciais do Ensino Fundamental Um fato que nos chamou a atenção foi que todos os AEs conheciam parcialmente o conteúdo que ministravam Acreditamos que isso acaba por dificultar senão impossibilitar que os AEs tornemse bons professores que na concepção de Cunha o bom professor é aquele que domina o conteúdo apresenta formas adequadas de mostrar a matéria e tem bom relacionamento com o grupo 2004 p 151 Outra observação foi que as metodologias que eles aplicaram muitas vezes não foram totalmente adequadas aos conteúdos pois as ações foram descontextualizadas comprometendo as interações professoraluno Estas interações são muito importantes uma vez que de acordo com Nascimento et alli As interações são a vivência das práticas sociais a arena onde as crianças internalizam os signos sociais regras normas valores formas e condições 227 de ser e estar no mundo Nas interações elas aprendem as formas de ser e estar na escola com todas as singularidades que permeiam essas instituições Tais signos e a maneira como eles são valorados socialmente e pelo grupo familiar da criança mostramse fundamentais no processo de desenvolvimento 2009 p 152 Assim embora oas AEs mobilizem conhecimentos trabalhados durante o curso de Pedagogia Licenciatura podemos perceber que ainda há pouca atitude reflexiva ou melhor de pesquisa pois em vários momentos do estágio a aprendizagem era transposta sem uma adequada recontextualização No sentido de materializar nossas percepções registramos ações dos AEs em sala de aula que ratificam nossas afirmações Inicialmente relataremos a observação40117 de uma prática de estágio que a AE 4 realizou numa sala de aula de 4º ano com 26 alunos 16 meninas e 10 meninos presentes no período matutino A disciplina ministrada foi Matemática e o conteúdo trabalhado era Fatos fundamentais de multiplicação Ao adentrar a sala de aula a AE 4 se apresentou cumprimentou as crianças e explicou para a turma que a aula seria diferente um jogo Disse ainda que a brincadeira se chamava Caixa mágica Dando seguimento à aula dividiu a turma em cinco grupos 04 grupos com 05 alunos e 01 grupo com 06 alunos e entregou uma caixa para cada grupo explicando Vou distribuir uma caixa com fatos fundamentais de multiplicação para cada grupo tem papeizinhos aí dentro com as continhas41 cada grupo resolve os seus e pode um ajudar o outro AE 4 No início da orientação para a realização da atividade proposta a AE 4 não deixou claro que os alunos poderiam pedir ajuda somente aos componentes do próprio grupo Um aluno ao sortear um fato fundamental não soube resolver o mesmo Tia eu não sei A42 1 Pede ajuda para seu colega mas só do grupo AE 4 40 Observação realizada em 29042009 41 Referindose a operações de multiplicação 42 Do mesmo modo que identificamos os alunos de Educação Infantil como A 1 Aluno 1 A 2 Aluno 2 e assim sucessivamente faremos o mesmo em relação à identificação dos alunos dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental 228 Neste momento é que a AE 4 esclareceu que os alunos podiam ter ajuda na resolução dos fatos fundamentais de multiplicação somente de colegas integrantes do seu grupo Diante das dificuldades na resolução das operações de multiplicação um aluno solicita Tia pode olhar na tabuada A 2 Não É para fazer sozinho AE 4 As dificuldades continuaram pois outros alunos também não conseguiram Por esse motivo um aluno tentou colar o mesmo foi delatado por outro aluno componente de outro grupo Tia ele tá olhando no lápis A 3 A criança se referia a um lápis que continha a impressão dos fatos fundamentais de 1 a 10 de multiplicação No andamento da aula um aluno demonstrou insegurança ao resolver um fato fundamental Ele buscou a orientação da AE 4 que na sua resposta deixou o aluno sem incentivo para continuar seu trabalho Tia assim tá certo A 4 Presta atenção 9x7 Olha se tá certo respondeu a AE 4 transmitindo dúvida em sua entonação de voz Tá certo perguntou novamente o A 4 Tá bom deixa assim que vou corrigir no quadro e você olha se está certo respondeu a AE 4 Dois grupos formados somente por meninos demonstraram ter muita dificuldade em solucionar os fatos fundamentais de multiplicação Eles não mantiveram interesse pela atividade proposta já que colocaram valores aleatórios e disseram à AE 4 que haviam terminado a atividade Quatro alunos dos referidos grupos começaram a andar pela sala enquanto seus colegas de grupo ficaram sentados em suas carteiras conversando muito Esses alunos falaram para um grupo composto em sua maioria por meninas que elas não sabiam fazer a tarefa e que então terminassem logo colocando também qualquer resposta Os alunos solicitavam auxílio da AE 4 a todo momento Em todos os grupos havia as mesmas dificuldades 229 A AE 4 percebeu que a metodologia43 utilizada não estava adequada à turma devido à dificuldade que os alunos tinham para resolver as operações principalmente os fatos fundamentais de 6 7 8 e 9 e então mudou a técnica de Caixa Mágica para Caixa da Sorte Ok tudo bem Acabem de responder e coloquem os papéis novamente na caixa e ponham as caixas na mesa AE 4 Ao término da devolução da caixa pelos alunos a AE 4 solicitou que as crianças sentassem em círculo e explicou a técnica da Caixa da Sorte Então agora prestem atenção Vou passar uma caixa com todos os fatos dentro dela Vamos bater palmas e cada vez que eu disser pára quem estiver com a caixa escolhe um fato vai ao quadro e resolve Vamos começar AE 4 Assim que orientou a atividade a AE 4 deu início à brincadeira Após um curto período a AE 4 pediu que a turma parasse de bater palmas e o aluno que estava com a caixa nas mãos retirou um fato fundamental de multiplicação do interior de mesma examinouo e disse Tia eu não sei A 5 Você pode escolher um colega para ajudar você AE 4 Tia 9x9 é 76 não é A 5 Quem sabe perguntou a AE 4 para a sala Eu Disse um aluno A 644 Somente um grupo de 7 crianças participaram atendendo a solicitação da AE 4 para responder corretamente às perguntas referentes aos fatos fundamentais de multiplicação A AE 4 procurou envolver outros alunos principalmente os que mantinham conversas paralelas na atividade À medida que solicitava aos alunos conversadores que 43 Conforme Zabala para que se contemple qualquer proposta metodológica é preciso que a mesma seja organizada em sequencias de atividade As sequencias podem indicar a função que tem cada uma das atividades na construção do conhecimento ou da aprendizagem de diferentes conteúdos e portanto avaliar a pertinência ou não de cada uma delas a falta de outras ou a ênfase que devemos lhes atribuir ZABALA 1998 p 20 44 Esta criança foi muito participativa durante a atividade e apresentava domínio do conteúdo 230 respondessem os fatos fundamentais de multiplicação percebemos que a AE 4 conseguia fazer com que estes alunos modificassem seus comportamentos45 Observamos que a AE 4 modificou a técnica mas não modificou o conteúdo pois a mesma não verificou se havia fatos iguais em todas as caixas simplesmente colocou todos os fatos fundamentais de multiplicação em uma única caixa Entendemos que o ato de modificar a técnica que não estava dando certo foi muito positivo e demonstrou capacidade de recontextualizar conhecimentos aprendidos durante o curso Todavia acreditamos que a AE 4 poderia ter reelaborado a atividade utilizando os fatos fundamentais de multiplicação de 2 a 5 pois os alunos demonstravam interesse em participar uma vez que as dificuldades que eles apresentavam era pequena quando os fatos fundamentais envolviam multiplicação de 2 a 5 Ou seja novamente a proposta dos conteúdos limitou a postura pedagógica da AE Acreditamos que a AE 4 não criou outras operações matemáticas porque tinha uma matriz previamente organizada para a correção dos fatos fundamentais de multiplicação que ela havia utilizado para elaborar a atividade Tia essa já foi feita A 7 Ah assim é fácil Já saiu é só copiar A 5 Tia essa também já saiu A 8 O A 5 referiuse a um fato fundamental que já havia sido sorteado e respondido na quadrogiz por outro aluno Entendemos que seja muito preocupante que desde o Estágio Supervisionado o licenciando em Pedagogia tenha dificuldades de readequar os conteúdos que ministra uma vez que ele poderá levar para sua vida profissional afora esta postura Infelizmente não é raro que o professor apresente dificuldades com o conteúdo que ministra na análise de Franco Libâneo e Pimenta 2007 De acordo com os autores Constatase que boa parte do professorado não tem domínio dos conteúdos e de métodos e técnicas de ensino faltalhes cultura geral de base eles têm notórias dificuldades de leitura e produção de textos estão despreparados para lidar com a diversidade social e cultural e com problemas típicos da realidade social de hoje FRANCO LIBÂNEO PIMENTA 2007 p 88 45 Observamos que a iniciativa destes alunos de ficarem sentados e em silêncio foi por receio de serem chamados pela AE 4 a responderem os fatos fundamentais lembrando que estes foram os mesmos alunos que no primeiro momento da aula responderam os fatos de qualquer maneira pois não sabiam resolver a atividade corretamente 231 Na tentativa de manter a atividade em andamento e reverter a falha da não reelaboração das operações a AE 4 chama a atenção dos alunos dizendo Gente por favor pára É sorteio Quem pegar tem que responder AE 4 É importante ressaltar que no início da aula a AE 4 disse que a aula seria diferente e que eles iriam jogar Assim próximo ao término da atividade realizada pela AE 4 um aluno supôs que alguém sairia vitorioso e perguntou Tia quem vai ganhar A 9 Ninguém é só para resolver os fatos fundamentais de multiplicação AE 4 Entendemos que se a AE 4 tivesse modificado tanto a técnica quanto adequado os conteúdos teria se aproximado mais de uma prática docente de estágio reflexiva Já na observação46 da aula ministrada pela AE 1 numa turma de 5º ano período matutino composta de 38 alunos 18 meninas e 20 meninos a disciplina ministrada foi Língua Portuguesa e o conteúdo era Advérbios A AE 1 também preocupouse com a quantidade de conteúdos assim como a AE 4 Em sua prática de estágio a AE 1 iniciou a aula apenas cumprimentando a turma com um bom dia e foi direto ao assunto Vocês já ouviram a música do Lulu Santos Assim caminha a humanidade AE 1 Antes que os alunos respondessem a AE 1 distribuiu a cópia da letra da música para cada um dos alunos e pediu que os alunos lessem Vamos ler todos juntos AE 1 Esta metodologia utilizada pela estagiária funcionou da seguinte forma uns alunos liam com a voz muito alterada outros liam sem pontuação outros liam rápido demais Então a AE 1 interrompeu a leitura coletiva e solicitou que cada aluno individualmente lesse um pedaço ou seja um fragmento da letra da música Esta modificação também não atraiu os alunos uma vez que a leitura continuou sendo feita sem o interesse dos alunos 46 Observação realizada em 06052009 232 alguns liam desinteressadamente outros andavam pela sala corriam falavam sobre outras músicas cantarolavam músicas que gostavam Os gêneros musicais variavam do gospel ao sertanejo Percebemos que a AE 1 não tomou nenhuma atitude para que os alunos participassem com interesse pelo conteúdo proposto Às vezes limitavase a dizer Gente olha é interessante o que ele tá lendo escuta Depois a gente vai fazer uma tarefa muito interessante AE 1 Como a atenção dos alunos estava dispersa a AE 1 não terminou a leitura coletiva e já colocou a música para ser executada num aparelho de som portátil Os alunos não se envolveram continuaram a andar pela sala cantar alguns chegaram a sair da sala de aula sem solicitar à AE 1 Outros dançavam e ainda batiam palma Mais uma vez a metodologia utilizada não foi bem sucedida e a AE 1 interrompeu a execução da música A metodologia é um aspecto essencial ao trabalho docente conforme Cunha Outro aspecto que se entrelaça é a metodologia do professor Um professor que acredita nas potencialidades do aluno que está preocupado com sua aprendizagem e com seu nível de satisfação exerce práticas de sala de aula de acordo com essa posição E isso é também relação professoraluno 2004 p 151 Neste momento a aluna estagiária conseguiu a atenção de um grupo de alunos aqueles que tumultuavam a sala pois os mesmos reclamaram Deixa passar a música põe outra põe na radia sic prá gente ouvir A 1 Põe no Show da manhã47 Passa música dez48 A 2 Não põe na outra emissora de rádio local lá só tem música da novela A 1 Ou seu doido Isso referindose ao aparelho de som só passa CD A 2 Ê maluco É rádio e CD disse em voz alta A 1 A AE 1 mais uma vez interrompeu a aula e disse Olha hoje vamos estudar advérbios Vocês sabem o que é advérbio 47 Programa matinal de uma emissora de rádio local 48 Ao dizer música dez o A 2 se refere às músicas de sua preferência 233 Antes que algum aluno respondesse à pergunta a AE 1 já leu uma definição de advérbio49 Olha bem aí na letra da música Ainda vai levar um tempo a palavra ainda Ainda é advérbio de tempo AE 1 A aula foi expositiva o tempo todo Quando um aluno perguntou se não sempre era advérbio de negação a AE 1 respondeu que sim conforme o diálogo abaixo Toda vez que tem não é negação A 3 É AE 1 Com a resposta objetiva e incisiva sem dar qualquer explicação ao aluno a AE 1 passou à análise de outra frase da letra da músicaContinuou com esta metodologia até o final de sua aula delimitado pelo término da análise da letra da música Despediuse dos alunos e saiu da sala Percebemos que a AE 1 só soube executar o que ela planejou ou seja chegou fez o que programou e se esqueceu que teria que haver interação envolvimento interesse e participação da turma Sua atuação em sala de aula não teve um comprometimento com o ato pedagógico participativo Ou seja não houve a construção social do conteúdo já que A construção social dos conteúdos só acontece quando todos estão envolvidos e isso contempla também e principalmente o aluno e a realidade em que se insere ROCHA 2008 p 61 Ainda na prática de estágio da AE1 a impessoalidade foi uma constante e o tempo todo em que esteve na sala de aula não chamou nenhum aluno pelo nome todos eram nomeados de crianças por ela Esta postura na análise de Tardif em nada contribui para o trabalho docente pois a disposição do professor para conhecer seus alunos como indivíduos deve estar impregnada de sensibilidade e de discernimento a fim de evitar as generalizações excessivas e de afogar a percepção que ele tem dos indivíduos num agregado indistinto e pouco fértil para a adaptação de suas ações TARDIF 2008 p 267 Diante do relato da prática de estágio da AE 1 observamos que sua aula expositiva do começo ao fim resumiuse num monólogo conteudista 49 Cartaz exposto no quadrogiz pela AE com a definição de advérbio e a classificação dos mesmos Advérbio é uma palavra que modifica o sentido de um verbo de um adjetivo ou de outro advérbio exprimindo diversas circunstâncias Lugar tempo modo negação dúvida intensidade afirmação interrogativo AE 1 234 Observamos118 a prática de estágio da AE 2 numa sala de aula do 4º ano dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental composta por 34 alunos sendo 20 meninas e 14 meninos no turno vespertino A disciplina ministrada foi Língua Portuguesa e o conteúdo Produção de textos anúncios criativos Em sua prática docente a AE 2 iniciou a aula cumprimentando os alunos propondo o conteúdo que trabalharia com eles A mesma utilizou retroprojetor como recurso didático119 e expôs duas transparências uma com a imagem de uma embalagem de óleo de cozinha e outro com a imagem de materiais de limpeza sabão em barra bucha120 esponja e detergente Afixou no quadrogiz três faixas tendo cada uma das faixas uma frase Como são feitos os anúncios Qual a sua finalidade Qual o público que os anúncios buscam atender ou chamar a atenção A seguir respondeu às perguntas em forma de explicação conforme relatamos Os anúncios são feitos por pessoas que querem vender algo O óleo e o material de limpeza são utilizados pelas mães121 São produtos que interessam às donas de casa Os anúncios podem ser feitos no rádio na TV em cartazes panfletos etc AE 2 A metodologia utilizada pela AE 2 foi colocar os alunos em duplas Para cada dupla ela entregou uma folha xerocopiada dividida ao meio por uma linha traçada na folha e em cada parte da folha havia um desenho dos produtos que ela expôs por meio das transparências e ao lado de cada figura havia espaço com linhas para que os alunos produzissem o anúncio criativo Um aluno estabeleceu uma conexão entre o conteúdo ministrado e o que ele já conhecia sobre anúncio ao perguntar Tia quando anuncia a morte no carro122 é anúncio não é A 1 118 Observação realizada em 07052009 119 Os recursos didáticos que Zabala denomina de materiais curriculares são todos aqueles instrumentos que proporcionam ao educador referências e critérios para tomar decisões tanto no planejamento como na intervenção direta no processo de ensinoaprendizagem 1998 p 167 120 5 Bras Bot Planta cucurbitácea trepadeira ou prostrada cujo fruto tem dentro uma rede lenhosa que extraída e lavada dá esponja vegetal FERREIRA 2004 p 190 121 Embora a AE apresenta uma linguagem sexista não entraremos nesta discussão na nossa pesquisa 122 O anúncio que o A 1 referiuse tratase de uma atividade rotineira em nossa cidade quando do falecimento de alguém Carros de propaganda ambulante comunicam à comunidade local por meio de uma nota de falecimento a família a qual o morto faz parte quem é o morto o local do velório bem como o local e horário do sepultamento 235 Neste momento um carro de propaganda ambulante anunciava nota de falecimento na rua o que foi ouvido na sala de aula É Mas vamos fazer um anúncio lindo para a tarefa que eu trouxe para vocês AE 2 A atividade proposta incentivou os alunos a realizarem anúncios de outros temas que não fossem os mesmos propostos pela AE 2 Tia posso fazer o anúncio de um vídeo game A 2 Olha pode Mas depois que vocês a dupla fizerem a tarefa AE 2 Tia a A 4 tá desenhando uma boneca A 3 Tia eu já terminei eu to fazendo o anúncio de uma boneca A 4 Conforme o diálogo que relatamos fica evidente que a AE 2 não soube como em vários momentos relatados aproveitar a criatividade e participação dos alunos atendose ao modelo planejado Esta postura da AE 2 como dos outros AEs evidencia que o curso de Pedagogia Licenciatura necessita trabalhar com referências teóricas articuladas com processos reflexivos que possibilitem ao AE uma prática pedagógica dinâmica que acolha a participação do aluno a teoria tem importância fundamental na formação dos docentes pois dota os sujeitos de variados pontos de vista para uma ação contextualizada oferecendo perspectivas de análise para que os professores compreendam os contextos históricos sociais culturais organizacionais e de si próprios como profissionais Fica portanto evidenciada a necessidade da realização de uma articulação no âmbito das investigações sobre prática docente reflexiva entre práticas cotidianas e contextos mais amplos considerando o ensino como prática social concreta PIMENTA 2002b p 24 Notase que a única maneira que os alunos teriam de produzir o anúncio que tinham vontade era se primeiramente fizessem o que ela solicitou Em outras palavras os alunos poderiam ter a recompensa de criar um anúncio do tema de seu interesse se fizessem os anúncios de óleo de cozinha e produtos de limpeza sabão em barra esponja e detergente Esta imposição feita pela AE 2 pode ser constatada por meio da situação em que uma aluna mostra à AE 2 um anúncio para encontrar um cachorro A AE elogia e pergunta 236 Onde está a sua tarefa anúncio de óleo de cozinha e material de limpeza AE 2 Outra criança mostrou a tarefa que a AE 2 havia solicitado o que gerou elogios por parte da AE 2 que pediu à criança que lesse o seu anúncio criativo Minha mãe faz arroz com óleo Minha mãe lava os pratos com bucha esponja e sabão A 5 Isso Muito bem Ficou lindo Agora pode colorir a tarefinha AE 2 Durante a observação foi possível perceber que a AE 2 utilizou uma metodologia que poderia ter sido readequada aos interesses dos alunos já que conforme os registros dos relatos eles queriam criar os anúncios mas não de produtos alimentícios ou produtos de limpeza O interesse das crianças era fazer anúncios de outros produtos vídeo game bonecas cachorros Enfim queriam anunciar produtos de seu cotidiano de sua vivência de criança A preocupação em ministrar os conteúdos programados e da maneira que foram planejados não foi sentida e externada somente pela AE 2 A ação docente do AE 3 também foi permeada por estas características Observamos123 também a prática de estágio do AE 3 em sala de aula em que ministrou numa turma de 5º ano no turno vespertino composta por 34 alunos presentes 16 meninas e 18 meninos a disciplina Ciências Naturais cujo conteúdo ministrado era Doença Esquistossomose Ao ministrar o conteúdo relacionado a doenças o AE 3 levou para a sala de aula um cartaz que afixou no quadrogiz que continha os seguintes dizeres CICLO DA ESQUISTOSSOMOSE Hospedeiros intermediário e definitivo Doença sintomas e medidas profiláticas Ainda em relação aos recursos didáticos o AE 3 utilizou fichas de palavras relacionadas ao assunto à medida que ia falando sobre o assunto afixava as fichas com as palavras correspondentes no quadrogiz tais como vetor esquistossomose ciclo reprodutivo cercária entre outros Em seguida distribuiu para cada aluno um texto xerocopiado retirado da internet124 para ministrar o conteúdo Doença Esquistossomose 123 Observação realizada em 19052009 124 Esquistossomose Disponível em httpeducacaouolcombrplanosaulaesquistossomosejhtm Acesso em 01052009 237 Introduziu o assunto destacando a importância de que os alunos prestassem bastante atenção Vou ensinar para vocês sobre este assunto esquistossomose muito interessante É bom vocês prestarem atenção este assunto vocês vão estudar em Ciências de 5º ao 9º ano e até na faculdade em Biologia AE3 Com esta postura o AE 3 tentou demonstrar à turma que o conteúdo era importante e difícil e que ele o professor dominava o conteúdo Solicitou que os alunos um de cada vez lessem partes do texto distribuído O aluno ia lendo até o momento que o AE 3 solicitava que parasse a leitura Observamos que conforme o registro a seguir o AE 3 tentou iniciar a atividade Vamos começar Quero silêncio Presta atenção na leitura do colega Você aí do fundo que está na janela senta e começa a ler AE 3 O aluno leu demonstrando desinteresse e dificuldade para pronunciar expressões grafadas em latim A esquistossomose é uma doença comum no Brasil e é causada por um pequeno verme nematódeo denominado Schistosoma mansoni não sei falar isso não A 1 O AE 3 releu a parte do texto que o A 1 havia acabado de ler pois a criança leu com pouca fluência fazendo pausas onde não deveria e pronunciando as palavras incorretamente Vou ler outra vez para vocês entenderem AE 3 O AE 3 leu mas não explicou o conteúdo Uma criança perguntou o que era verme nematódeo e novamente o AE 3 limitouse a ler o texto sem esclarecer a dúvida da aluna Assim o estagiário parece não saber que cabe ao professor ensinar e faz parte desse papel repetir uma explicação seja quando solicitada verbalmente seja ao perceber alguma dúvida no aluno CAJAL 2001 p 147 Outro aluno perguntou O que é isso 12 mm é dois m mesmo A 2 238 O A 2 referiuse a uma unidade de medida que no texto falava do tamanho de um verme adulto O AE 3 não soube explicar A turma começou a fazer perguntas não sobre o conteúdo mas sobre palavras presentes no texto Isso significa que alguns itens lexicais eram desconhecidos pelos alunos e talvez pelo AE 3pois o mesmo não demonstrou paciência para responder às perguntas das crianças e disse Não vou responder mais Agora só respondo o que está no texto Você apontou em direção a um aluno leia AE 3 O AE 3 continuou conduzindo a aula de modo autoritário escolhia quem deveria ler e relia todas as partes do texto lidas pelos alunos A monotonia tomou conta da sala de aula nesta leitura Assim que relia o texto o AE 3 afixava no quadrogiz uma ficha com uma palavra que sintetizava o que havia acabado de reler Este processo repetiuse várias vezes Entendemos juntamente com os autores que para a formação do cidadão crítico e reflexivo não é adequada uma educação impositiva e autoritária Novamente destacamos que é importante que o curso de Pedagogia Licenciatura esteja atento à formação de uma educadora reflexivo e pesquisador capaz de construir uma educação democrática e emancipatória conforme Franco Este profissional deverá ser investigador educacional por excelência pressupondo para esse exercício o caráter dialético e histórico dessas práticas Assim o pedagogo será aquele profissional capaz de mediar teoria pedagógica e práxis educativa e deverá estar comprometido com a construção de um projeto político voltado à emancipação dos sujeitos da práxis na busca de novas e significativas relações sociais desejadas pelos sujeitos 2008 p 110 As perguntas recomeçaram Os alunos lançaram várias questões sobre o significado de cada item lexical novo no texto No entanto só podia perguntar quem estava lendo A seguir registraremos uma enxurrada de perguntas e respostas ou não feitas na sala de aula Professor lesma é caramujo A 3 Onde no texto fala em lesma AE 3 O AE 3 ignorou a pergunta do aluno limitandose a ironizálo usando um tom de voz sarcástico diante dos colegas 239 Como no texto havia palavras grafadas em latim um aluno perguntou Essas palavras mostrou as palavras Biomphalaria tenagophila Biomphalaria glabrata e Biomphalaria stramina é sic em inglês A 4 O AE 3 ignorou a pergunta porque só quem tinha lido é que podia perguntar Ao final da leitura o AE 3 solicitou aos alunos que eles produzissem um texto utilizando as palavras grafadas nas fichas afixadas no quadrogiz Após alguns minutos o AE 3 pediu aos alunos que estavam sentados na primeira carteira de cada fila recolhessem os textos produzidos pelos colegas de suas respectivas filas A seguir comunicou aos alunos que a aula havia terminado e retirouse da sala A prática pedagógica em uma perspectiva que reflete e que objetiva um processo educacional participativo leva em consideração que os alunos são seres humanos cujo assentimento e cooperação devem ser obtidos para que aprendam e para que o clima da sala de aula seja impregnado de tolerância e de respeito pelos outros Embora seja possível manter os alunos fisicamente presos numa sala de aula não se pode forçálos a aprender Para que aprendam eles mesmos devem de uma maneira ou de outra aceitar entrar num processo de aprendizagem Ora essa situação põe os professores diante de um problema que a literatura chama de motivação dos alunos para que os alunos se envolvam numa tarefa eles devem estar motivados TARDIF 2008 p 268 Ainda se tratando do AE 3 observamos125 outro momento de sua prática de estágio Esta aula aconteceu em uma turma do 3º ano no turno vespertino com 32 alunos presentes 20 meninas e 12 meninos A disciplina era Educação Física e o conteúdo ministrado foi Brincadeiras Infantis O AE 3 iniciou a sua prática docente de estágio comunicando aos alunos que iriam realizar uma brincadeira e de imediato explicou as regras conforme relato que transcrevemos a seguir Não correr e só fazer o que eu disser Prestem atenção Vocês vão permanecer sentados em suas cadeiras eu vou sair da sala e aí vocês escolhem alguém para começar Então esta pessoa vai até a mesa olha no espelho e senta novamente Quando a pessoa se sentar alguém abre a porta da sala e eu entro Vou pegar o espelho e ele irá me dizer quem é que olhou no espelho Vou sair AE 3 125 Observação realizada em 02062009 240 Assim que o AE 3 saiu da sala todos os alunos quiseram olhar no espelho Uma aluna começou a brincadeira e assim que ela retornou à sua cadeira conforme o AE 3 havia orientado ele retornou à sala Pegou o espelho e com ar de suspense disse Hum Espelho meu Digame quem olhou em você Que rosto você viu AE 3 O AE 3 fez suspense parecia conversar como espelho e as crianças nem se mexiam em suas carteiras Então o AE 3 continuou É uma menina Ela está sentada na terceira fila Usa uma blusa vermelha As crianças ficaram superinteressadas e participaram da atividade de maneira organizada Outra vez o AE 3 ausentouse da sala de aula e um aluno foi bem depressa olhou no espelho e correu para se sentar na carteira antes que o AE 3 retornasse e o visse voltando ao seu lugar Assim que pegou o espelho o AE 3 continuou com suas adivinhações É um menino que tem o cabelo grande e está com uma blusa preta O espelho está me dizendo que este menino precisa cortar o cabelo AE 3 Tio como você acerta sempre A 1 O espelho é que me conta AE 3 Ah tio Diga vai Como é essa mágica A 1 O AE 3 insiste em guardar segredo de sua mágica e retoma a brincadeira chamando os alunos para uma última vez Vamos fazer mais uma vez a última AE 3 Um aluno protestou Não tio Mais uma vez Eu também quero brincar A 2 O AE 3 respondeu com aspereza Já disse que agora será a última vez que vou sair da sala 241 Dizendo isso saiu da sala de aula esperou que alguém abrisse a porta entrou novamente no recinto e acertou mais uma vez quem havia olhado no espelho As crianças estavam super entretidas curiosíssimas não conseguiam entender como o AE 3 sabia quem havia olhado no espelho Todos se mantinham atentos Porém o AE mudou de brincadeira sem aproveitar a atenção e curiosidade dos alunos para um momento pedagógico e de aproximação Simplesmente disse Pronto Agora vamos para o pátio para fazer mais uma brincadeira Todos em fila Silêncio Olha Não corram Volta senta disse a um aluno que corria Todos em suas carteiras AE 3 Tio vamos fazer mais uma vez eu quero brincar a brincadeira do espelho A 3 Os alunos participavam entusiasmados esperavam a continuação da brincadeira do espelho mas o AE 3 foi irredutível em sua decisão Não Agora vamos fazer outra brincadeira É legal também AE 3 Dandose por vencido o A 3 perguntou Tio fala para mim como você sabe quem olhou no espelho Ah É mesmo Eu não revelei o segredo Antes de entrar na sala chamei a A 4 e disse pra ela me dizer quem olhou no espelho Mas sem ninguém saber Era ela que contava AE 3 A revelação foi uma grande surpresa muitos risos e palmas Muitos alunos empurraram e abraçaram a cúmplice do AE 3 Todos gostaram da atividade fato que se confirmou pela alegria e descontração externadas pelas crianças Assim ficou evidente que apesar da não continuidade este momento retratou as boas interações que ocorrem no contexto social em que se inserem e circulam A vida está presente na escola espaço onde as relações se estabelecem e fazem diferença para quem as vivencia NASCIMENTO et alli 2009 p 166 Os alunos gostaram tanto da brincadeira do espelho que mais uma vez pediram ao AE 3 que fizesse a brincadeira No entanto não obtiveram sucesso Fila sem conversa Vamos para o pátio AE 3 O AE 3 ignorou o pedido dos alunos e nem perdeu tempo respondendo Olha vou explicar sobre a próxima brincadeira Chamase Eu gosto de 242 você AE 3 Ele escolheu um menino que usava óculos e disse Eu gosto de você porque você usa óculos AE 3 As crianças estavam em círculo de pé Nesse momento todos os alunos que usavam óculos precisaram mudar de lugar Percebemos que com a mudança de brincadeira os alunos não gostaram e muitos deles principalmente os meninos passaram a participar da brincadeira de modo desinteressado Tio posso ir ao banheiro A 4 Tio ele não mudou de lugar A 5 O A 5 referiuse a um colega que devia trocar de lugar mas permaneceu onde estava Ah não tio Todo mundo tá saindo do lugar toda hora A 6 O A 6 reclamou da bagunça que a turma começou a fazer Assim o AE 3 chamou a atenção da turma Pára Eu não quero brincadeira falta de participação e comportamento adequado não AE 3 Como as reclamações foram maiores que a participação o AE 3 acabou com a brincadeira dizendo Chega Vocês não sabem brincar Agora em fila Vamos voltar para a sala AE 3 Ah tio Vamos brincar com o espelho Você escolhe outro para contar quem pegaria no espelho A 3 Eu já disse mais de uma vez não Agora todos para a sala AE 3 Com a insistência do aluno o estagiário denotou irritação em sua voz que ficou um pouco alterada Sua prática de estágio explicitou que sua maior preocupação foi em aplicar as duas brincadeiras planejadas Isso fez com que a atividade que tinha como objetivo promover a socialização não atingisse a meta almejada Este fato é constatado por nós porque as crianças gostaram da primeira brincadeira Mas como o AE 3 quis fazer as duas brincadeiras 243 planejadas a segunda brincadeira foi um fracasso no que tange à participação dos alunos Acreditamos que se o AE 3 continuasse apenas com a primeira brincadeira a do espelho teria atingido o objetivo estabelecido na sua prática de estágio e poderia ter feito a brincadeira com todos os alunos uma vez que durante as adivinhações com o espelho o clima na sala de aula estava participativo Nessa brincadeira todas as crianças estavam encantadas e o AE 3 tinha total domínio da turma A aula estava maravilhosa a aluna que foi sua cúmplice enganou a todos direitinho até a nós que momento algum havíamos percebido que alguém contava ao AE 3 quem havia olhado no espelho Mais uma vez a preocupação com o excesso de conteúdos foi maior que a busca da qualidade da aula 414 Relação do aluno estagiário com seus alunos diferentes formas Em nossa análise as relações pedagógicas estabelecidas entre os AEs com os alunos dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental matriculados do 1º ao 3º anos foram permeadas por autoritarismo126 por parte dos AEs Esse fato é muito parecido com as relações estabelecidas com as crianças matriculadas na Educação Infantil Já com os alunos do 4º e 5º anos houve momentos que os AEs utilizaram dos conteúdos para impor sua autoridade mas muitas vezes não tinham domínio dos conteúdos que estavam ministrando Assim ora mostravamse inseguros ora eram disciplinadores Em uma aula127 de Ciências o AE 3 ao ser questionado por uma criança diversas vezes sobre expressões grafadas em latim128 presentes no texto que o próprio AE 3 selecionou para ministrar o conteúdo o acadêmico estagiário demonstrou que tanto não tinha domínio do conteúdo quanto lhe faltava equilíbrio emocional Chega Não respondo mais nada a você E por favor fique calado AE 3 Posteriormente o AE 3 ordenou a outro aluno que lesse o mesmo não quis e respondeu Não vou ler A 4 O AE 3 não insistiu para que o aluno lesse simplesmente pediu a outro aluno que lesse Deste modo o estagiário controlou a turma que ficou quieta Porém os últimos momentos pouco contribuíram para um processo educacional participativo um silêncio 126 Para lembrar Freire e Guimarães O autoritarismo tem um medo horrível da pergunta por quê 127 Observação realizada em 19052009 em uma sala de aula de 5º ano crianças de 10 anos 128 Relatado no item anterior 244 controlado uma pseudoorganização com todos os alunos sentados Em relação ao desenvolvimento da atividade copiaram o título elaboraram algumas frases que estavam no quadro cumprindo a solicitação do AE 3 Em uma observação da aula ministrada pela AE 1129 a falta do conhecimento dos conteúdos trabalhados por parte da estagiária era claramente percebida Mais uma vez presenciamos uma atividade de estágio desinteressante em que pouquíssimos alunos se envolveram com a atividade proposta conforme o relato que se segue Dois alunos entravam e saíam da sala de aula sem ao menos comunicar à AE 1 Os alunos repetiam gritando as respostas das atividades que a AE 1 ditava para a turma Em momento algum a AE 1 reagiu às provocações dos alunos podemos pensar inclusive que essa resistência discente à inércia presente entre os docentes educadores culmina na indisciplina escolar Annibal 2009 p 353 O tumulto provocado pelos dois alunos ao mesmo tempo em que deixou a AE 1 sem ação provocou em uma aluna A 12 uma reação por nós inesperada Tal aluna ao perceber claramente a incapacidade da AE 1 de estabelecer limites àqueles alunos ofereceu ajuda Tia vou chamar a coordenadora A 12 Ainda sendo indiferente à situação ou sem saber o que fazer na sala de aula a AE 1 disse à A 12 que Não precisa Eles são grandes Sabem o que estão fazendo Deixa Ano que vem 6º ao eles vão saber respeitar Vão ter muitos professores Eles estão agindo como crianças AE 1 Sua prática docente estava prevista para acontecer num período de uma hora e meia Contudo após quarenta e cinco minutos a AE 1 retirouse da sala de aula Essa atitude gerou um problema para a professora titular da sala de aula que ao aproveitar a presença da AE 1 em sua sala de aula havia planejado outra atividade com a coordenadora da escola Essa situação gerou um constrangimento para a AE 1 que foi advertida verbalmente pela coordenadora pedagógica da escolacampo sendo recomendado à AE 1 que nas próximas atividades de estágio que desenvolvesse na escolacampo cumprisse rigorosamente o horário que a própria AE 1 viesse a solicitar 129 Observação realizada no dia 06052009 oportunidade que a AE 1 ministrou o conteúdo Advérbio numa sala de 5º ano 245 O professor seja estagiário ou não precisa ser capaz de organizar sua aula de modo que as ações pedagógicas ocorram no período previsto Acreditamos que esta falha da AE ocorreu pelo fato que as aulas ministradas pelas professoras orientadoras do Estágio Supervisionado não contemplaram suficientemente a preparação dos estagiários para atuarem na sala de aula Quanto às relações interpessoais o domínio de conteúdo a ser ministrado a metodologia e os recursos didáticos também as orientações das professoras orientadoras do Estágio Supervisionado deixaram a desejar A postura da coordenadora pedagógica da escolacampo ao advertir a AE reforçou a ausência de diálogo com a professora orientadora do estágio Ainda com o intuito de analisar o Estágio Supervisionado do curso de Pedagogia entrevistamos as duas professoras orientadoras do estágio cuja análise e reflexão passamos a descrever no próximo capítulo 246 CAPÍTULO V O ESTÁGIO SUPERVISIONADO O DIÁLOGO COM AS PROFESSORAS ORIENTADORAS E ESTAGIÁRIOS Este capítulo destinase a apresentar inicialmente o estudo realizado com as Professoras Orientadoras e posteriormente o estudo que realizamos com os estagiários participantes da nossa pesquisa 51 O Estágio Supervisionado o diálogo com as professoras orientadoras Para conhecermos os aspectos referentes ao percurso e à qualificação profissional das professoras foi feito o registro por meio de aplicação de um questionário cf apêndice 4 composto por 06 questões Para preservar a identidade de cada uma das professoras orientadoras de Estágio Supervisionado do curso de Pedagogia Licenciatura optamos por nominálas com letras do alfabeto ficando pois a Professora orientadora do estágio em Educação Infantil identificada como Professora Orientadora F PO F e a docente que atua na orientação do estágio nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental 1º ao 5º ano nomeada como Professora Orientadora M PO M A PO F 31 anos de idade cursou no Ensino Médio Técnico em Contabilidade No ano de 2005 concluiu o curso Normal Superior com Habilitação em Magistério da Educação Infantil Em 2008 cursou pósgraduação Lato Sensu em Psicopedagogia Institucional Possui 08 anos de experiência em instituições de ensino sendo que no período que compreende do ano de 2002 a 2005 atuou como Auxiliar Administrativo em escolas de Educação Infantil No ano de 2006 a PO F por meio de concurso público da rede municipal de ensino foi aprovada para professora de Educação Infantil P III130 contudo atuou como coordenadora pedagógica de uma unidade de Educação Infantil Em 2007 foi promovida à Gestora da mesma unidade de ensino No mesmo ano deu início à docência superior na mesma instituição de ensino em que foi graduada Lecionou no curso Normal Superior habilitação em Magistério em Educação Infantil as disciplinas Estágio Supervisionado III e Prática de Ensino III Atualmente ministra aulas no curso de Pedagogia Licenciatura nas 130 De acordo com o Título III da Lei nº 39782000 que institui o Estatuto cria Plano de Carreira seus cargos fixa valores de vencimentos e salários do Magistério da Secretaria Municipal de Educação e dá outras providências em seu Artigo 9º inciso 3 estabelece que para ser Professor P III deve possuir Licenciatura Plena em magistério com registro no MEC 247 seguintes disciplinas Prática Profissional Orientada I II III e IV e Estágio Supervisionado I e II A PO M 39 anos de idade tem como formação a nível médio Auxiliar e técnico em eletrônica e eletricidade e Projeto Lumen131 concluído em 1994 época em que foi aprovada em concurso público municipal É bacharel em Direito 1993 e Zootecnia 1992 No ano de 2005 concluiu o curso Normal Superior com Habilitação em Magistério nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Em 2008 concluiu a pósgraduação Lato Sensu em Educação Inclusiva Atualmente cursa o Mestrado em Educação A professora iniciou a carreira docente no ano de 1994 atuou desde a alfabetização até os anos finais do ensino fundamental na 6ª 7ª e 8ª séries ministrou a disciplina de Matemática e a disciplina de Ciências foi ministrada somente na 8ª série Foi professora alfabetizadora de idosos docente na préescola alfabetizadora e professora desde a 1ª série até a 4ª série nos anos iniciais do ensino fundamental Nos anos de 2007 e 2008 atuou como coordenadora pedagógica em uma unidade escolar de anos iniciais do Ensino Fundamental Em 2007 iniciou na mesma instituição de ensino superior na qual se graduou a docência no curso Normal Superior Educação Infantil e Ensino Fundamental com as disciplinas Estágio Supervisionado III e IV Prática de Ensino IV e VI Interdisciplinaridade Antropologia Educacional Atualmente no curso de Pedagogia Licenciatura ministra as disciplinas Prática Profissional Orientada II IV e VI Estágio Supervisionado III e IV Metodologia de Pesquisa em Educação I Teorias da Educação Ainda para o desenvolvimento de nossa pesquisa coletamos informações referentes à atuação profissional especificamente na docência no Estágio Supervisionado por meio de uma entrevista estruturada cf apêndice 5 composta por 14 questões abertas Inicialmente apresentamos o posicionamento das professoras orientadoras de estágio quanto ao planejamento132 apontando os critérios por elas utilizados ao elaborar seus planos de curso bem como as referências que adotam para preparar as aulas que ministram Isso porque Desde o ingresso dos alunos no curso é preciso integrar os conteúdos das disciplinas em situações da prática que coloquem aos futuros professores e lhes possibilitem experimentar soluções LIBÂNEO e PIMENTA 1999 p 267 131 Projeto Lumen Curso de qualificação profissional Habilitação específica para o exercício do magistério de 1ª à 4ª série conforme os termos da Lei 5692 de 11 de agosto de 1971 artigo 24 1º do artigo 25 artigos 26 e 28 artigo 16 da Lei nº 704482 e da Resolução nº 697 de 17091993 do Conselho Estadual de Educação de Goiás Secretaria de Educação Cultura e Desporto Superintendência de Ensino NãoFormal 132 Ao professor orientador consiste o trabalho de orientação organização planejamento das atividades e avaliação dos acadêmicos Manual de Estágio Competências do Professor Orientador 2007 p 28 248 Assim para elaborar o Plano de Curso da disciplina Estágio Supervisionado as POs não tiveram a mesma percepção no sentido de considerar as outras disciplinas do curso conforme evidenciam em seus depoimentos A PO F teve a preocupação em estabelecer uma conexão somente com a outra disciplina que na mesma turma As outras disciplinas não foram consideradas exceto a disciplina de Prática Profissional Orientada133 até porque eu sou a professora dessa disciplina PO F A professora PO M orientadora do Estágio Supervisionado dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental não considerou as outras disciplinas Não eu não considerei as outras disciplinas porque o estágio era docência do 1º ao 5º ano então eu pensei só nessa questão da elaboração dos planos de aula PO M Para atuar no ensino das disciplinas Prática Profissional Orientada e Estágio Supervisionado os docentes dos cursos de Pedagogia Licenciatura têm como subsídios o Projeto Político Pedagógico as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Graduação Pedagogia Licenciatura e o Regimento da instituição de ensino os quais são fundamentais para a elaboração do Plano de Curso Contrariando a legislação as POs explicitaram que na realidade não utilizaram os documentos para a elaboração dos Planos de Curso nem para o planejamento de suas aulas como podemos verificar nas falas das mesmas Não referente ao Projeto Político Pedagógico Também não relacionado às Diretrizes Curriculares Não Regimento como eu disse o meu recurso foi somente livros internet e revistas PO F Não não utilizo Eu conheço o projeto eu li mas na hora de planejar eu não lanço mão dele Da mesma forma eu li o regimento pra conhecêlo mas na hora de planejar também não lanço mão dele PO M 133 De acordo com a estrutura curricular proposta neste projeto para o Curso de Pedagogia a Prática Profissional pertencente ao Eixo de Estudos Integradores perpassa todo o curso a partir do 1º semestre indo até o 8º e foi denominada de Prática Profissional Orientada IVIII com 960 horas Nestas disciplinas serão trabalhadas práticas de docência e gestão educacional que ensejem aos licenciandos a observação e acompanhamento a participação no planejamento na execução e na avaliação de aprendizagens do ensino ou de projetos pedagógicos tanto em escolas como em outros ambientes educativos tudo incorporado a idéia do ensinar pesquisando e o aprender pesquisando PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 2007 p 123 249 De acordo com o Manual de Estágio cf anexo 2 da instituição de ensino o Professor Orientador de Estágio Supervisionado precisa Ter clareza quanto ao tipo de profissional de educação que a Faculdade pretende formar coerente com a Proposta Pedagógica do curso MANUAL DE ESTÁGIO 2007 p 28 grifo meu O fato das POs explicitarem que não consideram o PPP ao elaborarem seus Planos de Curso nos leva a afirmar que elas atingem parcialmente o Objetivo Geral do Estágio Supervisionado Deste modo as ações das POs pouco contribuem para que o estagiário desenvolva uma análise crítica das vivências de aprendizagem dos programas de ensino promovendo a partir de uma visão global condição de instrumentalizálo para a profissão MANUAL DE ESTÁGIO 2007 p 26 Ao afirmarem não utilizar o Projeto Político Pedagógico as Diretrizes Nacionais e os outros documentos norteadores para a formação docente as POs levamnos a perceber que seus planejamentos Plano de Curso Plano de Aula não garantem coerência com a proposta do curso pois correm o risco de selecionarem materiais desvinculados com o tipo de profissional que o curso pretende formar De acordo com a Proposta Político Pedagógica do Curso de Pedagogia Licenciatura ao concluir o curso o profissional do Curso de Pedagogia do ISEAR134 será o profissional capaz de refletir sobre sua própria prática pedagógica garantindo um ensino de qualidade de acordo com os ideais da sociedade goiana PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 2007 p 117 As POs afirmam que o Estágio Supervisionado colabora com as outras disciplinas do curso como expressam em suas falas Com certeza colabora PO F Eu acredito que seja uma troca ocorre uma integração Uma necessita dos conhecimentos das outras disciplinas para que ela prossiga Por exemplo eles estavam fazendo Didática de História então eles tinham que fazer um plano de História então eles lançam mão de métodos de trabalho que foram dados nessas disciplinas PO M 134 ISEAR Instituto Superior de Educação Almeida Rodrigues 250 A integração de que falam as professoras na verdade é aquela que os alunos estabelecem pois conforme os depoimentos das POs as mesmas não têm essa preocupação As duas POs concordam conforme nos referimos anteriormente que a disciplina Estágio Supervisionado colabora com as demais disciplinas do curso Os aspectos que dizem respeito à colaboração percebidos pelas professoras são eu acredito que na questão dos aspectos das apresentações de trabalhos e seminários com as outras disciplinas pois o aluno enquanto aluno do curso ele ao apresentar seus trabalhos ele traz na sala de aula no momento da apresentação os trabalhos que ele apresenta no estágio Enquanto alunos do estágio eles sabem o que devem e o que não devem ser feito em sala de aula PO F Eu acredito que seja na parte prática porque a teoria das outras disciplinas ela é colocada em prática no Estágio Supervisionado PO M É possível perceber a importância que as professoras atribuem a sua disciplina de Estágio Supervisionado No entanto elas não estabelecem relação com as outras disciplinas o que pode colaborar para que não haja uma relação teoria e prática Para Rays 1996 seria o mesmo que cercear o ser humano de agir por meio da reflexão Em outras palavras para o autor Isolar portanto a teoria da prática e a prática da teoria é privar o homem de sua capacidade de agir consciente e historicamente RAYS 1996 p 36 Durante a entrevista as professoras foram estabelecendo relações que num primeiro momento não havia Porém esta relação ficou restrita às disciplinas de caráter mais metodológico Tal relação é importante mas não suficiente para que haja um paralelo entre teoria e prática é onde o estagiário tem que aprender a lidar na sala de aula com técnicas com as composturas e teve também a disciplina de Matemática onde auxiliou os estagiários nos jogos e brincadeiras que envolveram Matemática para crianças de 4 e 5 anos Teve também a disciplina de Metodologia onde os alunos fizeram uma atividade é de campo para a sala de aula com essas crianças de 4 e 5 anos A relação com relação das disciplinas do curso tendo como ponto maior a disciplina de Didática PO F Para a PO M já no planejamento percebese a contribuição pois os alunos estagiários segundo a professora estabelecem uma ponte entre as aulas que ministrarão na escolacampo e as aulas ministradas em outras disciplinas do curso de Pedagogia Licenciatura conforme relata 251 eles sempre estão falando Ah professora eu vou usar aquilo que a professora fez conosco na outra aula Ah professora eu vou contar a minha história da maneira como a outra professora indicou então eu vou usar essa metodologia que foi falada na aula do fulano e tudo E tem também a questão depois que eles aplicam ministram as aulas eles tem que fazer um relatório135 dessa aula um relatório bem descritivo desde o momento em que entrou na sala de aula ele descreve tudo o que aconteceu como ministrou a sua aula as dificuldades se ele conseguiu atingir o objetivo que estava esperado para aquela aula Além disso ele precisa fundamentar a sua dificuldade o seu sucesso através de autores então nessa fundamentação a gente percebe a relação com as outras disciplinas PO M Os exemplos trazidos pela PO M são no sentido de aplicar o conhecimento aprendido Nesta perspectiva fica distante a construção de uma prática de estágio que tenha como referência a reflexão a crítica e a pesquisa Na concepção de Pimenta a finalidade do estágio deveria ser a de proporcionar aos futuros professores uma aproximação à realidade na qual irá atuar Nesse sentido não se deveria colocálo como o pólo prático do curso mas como uma aproximação à prática na medida em que é conseqüente à teoria estudada no curso que por sua vez deverá se constituir numa reflexão sobre e a partir da realidade da escola PIMENTA 1993 p 188 grifo da autora Todas as ações dos alunos estagiários desde o planejamento a seleção e a organização dos conteúdos ministrados na escolacampo foram supervisionadas pelas POs Acreditamos que ao escolherem conteúdos136 em consonância com o que estava sendo ministrado pela professora titular das turmas Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental os alunos estagiários acabaram por reproduzir o que já estava estruturado e definido pelo sistema e não tiveram a possibilidade de atuar com autonomia Para Contreras O resultado é que os professores ocupam uma posição subordinada na comunidade discursiva da educação Seu papel em relação ao conhecimento profissional representado pelas disciplinas acadêmicas é o de consumidores não de criadores 2002 p 63 135 Consultar anexo 2 Orientações para elaboração do relatório de estágio MANUAL DE ESTÁGIO 2007 p p 697071 136 A definição dos conteúdos a serem ministrados pelos acadêmicos estagiários ocorreu por parte da professora titular da sala Para Libâneo escolher os conteúdos implica clareza do professor de que São três as fontes que o professor utilizará para selecionar os conteúdos do plano de curso e organizar as suas aulas a primeira é a programação oficial na qual são fixados conteúdos de cada matéria a segunda são os próprios conteúdos básicos das ciências transformadas em matérias de ensino a terceira são as exigências teóricas e práticas colocadas pela prática de vida dos alunos tendo em vista o mundo do trabalho e a participação democrática na sociedade 1994 p 133 252 Feita a análise da atuação das POs para a definição dos conteúdos ministrados nas atividades de estágio passamos a analisar as dificuldades encontradas pelos AEs durante a realização das práticas de estágio segundo as POs De acordo com as POs as dificuldades encontradas pelos acadêmicos estagiários nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental diferem dos problemas detectados durante o estágio na Educação Infantil A professora responsável por orientar o Estágio Supervisionado na Educação Infantil PO F ao falar sobre as dificuldades que os AEs encontraram na escolacampo assim se manifestou As principais dificuldades encontradas pelos acadêmicos com certeza foram a recepção nas escolas Muitas vezes o AE tinha uma atividade proposta e não poderia realizála porque tinha outra atividade da professora titular da sala no período em que os estagiários estavam na escola pra fazer suas atividades há também a dificuldade da prática porque muitos alunos que já trabalham na escola mesmo não sendo formados se deparam com a prática do professor titular da sala PO F Uma das dificuldades que os AEs encontraram nas escolascampo foi o não cumprimento por parte das professoras titulares em ceder o espaço da sala de aula para que os AEs realizassem a atividade de estágio que já havia sido agendada pelos estagiários com as professoras titulares Assim os AEs acabavam tendo que retornar outro dia Esta atitude da professora titular demonstra a falta de consideração com os futuros professores Dando seguimento ao diálogo com as POs percebemos que segundo elas a indisciplina foi a maior dificuldade encontrada pelos AEs durante suas práticas de estágio nas salas de aula dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental A PO do Estágio Supervisionado nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental PO M confirma o exposto a mesma diz que Com certeza a indisciplina a maior reclamação dos alunos é indisciplina Eles alegam que não conhecem os alunos não sabem o nome pra poder chamálos pelo nome então fica difícil uma vez só eles irem lá e conseguirem manter a sala disciplinada Alegam também que quando a sala é disciplinada que a professora já mantém essa disciplina não há problema com a aula deles Quando a sala é indisciplinada que a professora diz fica aí com meus anjinhos eles comentam comigo aí eles têm problemas também houve uma diferenciação uns AEs tiveram problemas com as crianças menores não conseguiram lidar facilmente com elas outros já tiveram problemas com os alunos maiores Eu acho que vai um pouco da questão da afetividade de você gostar mais de crianças pequenas mesmo de gostar de trabalhar com crianças maiores eu acho que vai um pouco dessa questão de afinidade de afetividade que você mantém ou com as crianças menores ou com as crianças maiores PO M 253 Na análise das POs as dificuldades apresentadas pelos acadêmicos têm aspectos diferentes pois uma salientou a indisciplina e a outra como podemos ver destacou a falta de conhecimento dos conteúdos e as questões didático pedagógicas Eu acredito que seja o conhecimento dos conteúdos a serem ministrados na escola principalmente 4º e 5º ano eles têm muita dificuldade Eles não dominam então fica difícil pra eles saberem esse repasse outra questão também que eu vejo que eles têm muita dificuldade é na questão da própria elaboração do plano de aula Eles aprendem diversas técnicas metodologias de trabalho maneiras diferentes de contar histórias vários materiais didáticos aprendem como utilizálos mas quando se refere ao saber do conteúdo como repassar como transmitir esse conteúdo porque eles vieram de um ensino totalmente tradicional que era voltado para leia decore e repita então eles querem fazer com os alunos deles da mesma forma que eles aprenderam PO M Em relação aos alunos estagiários na Educação Infantil a questão desencadeadora das dificuldades segundo a PO F além da falta do domínio dos conteúdos surgem outras questões Quando eles estão em sala de aula cada aluno tem sua dificuldade ou seja existe aquele aluno que tem é menos domínio do conteúdo existe o aluno que não tem domínio da sala de aula aquele que programa uma atividade e na hora de realizála ele vê que não foi bem planejada então essas dificuldades cada aluno tem sua dificuldade nem todos são iguais PO M Portanto as principais dificuldades pontuadas pelas POs na realização do estágio foram indisciplina dos alunos tanto da educação Infantil quanto dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e desconhecimento dos conteúdos que os alunos estagiários ministrariam nas escolascampo Esta reflexão só foi possível devido às atividades realizadas nas escolas campo pois Quando os professoresalunos são convidados a trabalhar os conteúdos e as atividades do estágio no campo de seu conhecimento específico que é a Pedagogia ciência da educação e a Didática que estuda o ensino e a aprendizagem percebem que os problemas e possibilidades de seu cotidiano serão debatidos estudados e analisados à luz de uma fundamentação teórica e assim fica aberta a possibilidade de se sentirem coautores desse trabalho PIMENTA e LIMA 2004 p 127 254 As POs do Estágio Supervisionado procuram auxiliar os alunos sempre que os mesmos solicitam seja durante ou após o estágio para resolver questões pedagógicas que envolvem a relação professor e aluno eou de conteúdos Enquanto ao conteúdo eu costumo contribuir trazendo textos pra sala de aula dando referencial teórico para essas dificuldades Quanto à prática em sala de aula eu costumo dizer pra eles como que deveria ser feito levo vídeos pra sala de aula onde tem professores dando aula mostro exemplos de como deve ser PO F A PO M assim como a PO F procuraram disponibilizar aos alunos estagiários recursos para auxiliar os mesmos nas práticas de estágio na escolacampo conforme seu depoimento Umas das primeiras coisas que é feito é um diálogo com os alunos que eles precisam ter ética isso é muito importante a gente pede para eles terem respeito afinal à sala é do professor senão essa relação entre professor e estagiário vai ficar comprometida isso vai dificultar o estágio a gente pede muita calma muita tranquilidade Quanto à questão de conteúdo eu sempre levo muitas sugestões livros antes de nós executarmos o plano meu carro está sempre cheio de livros de sugestões para que eu possa na hora da elaboração do plano auxiliar PO M Ao orientar os alunos estagiários as POs assumem sua responsabilidade uma vez que O estágio supervisionado é momento de formação profissional pelo exercício in loco e presença participativa em ambientes próprios de atividades daquela área profissional sob a responsabilidade de um profissional habilitado KISHIMOTO 2009 p 51 Ao pontuar as dificuldades que os AEs vivenciaram em suas práticas de estágio as POs também refletiram sobre suas ações durante as orientações aos acadêmicos na preparação para o desenvolvimento do Estágio Supervisionado nas escolascampo E estas reflexões tiveram como fio condutor as lacunas por elas deixadas em sua atuação docente bem como os problemas que conseguiram superar nesta trajetória Este aprendizado que as POs adquiriram é essencial à sua função de formadoras de professores Isto é demonstra o comprometimento das duas POs com o seu trabalho e consequentemente com seus alunos pois os professores que aprendem com os estagiários nos Estágios Curriculares Supervisionados são aqueles que se comprometem com o acompanhamento regular das atividades dos licenciandos sentindose cúmplices nas atividades de ensinar e aprender ROCHA ULHOA 2008 p 119 Entretanto não podemos deixar de salientar que elas também em alguns momentos comprometem a formação dos futuros professores sobretudo 255 por não considerarem o PPP no plano de ensino e estabelecerem poucas relações com as demais disciplinas do curso tão pouco apresentam a reflexão e a pesquisa como centrais para o estágio eou para o processo de formação docente 52 Formação e campo de estágio sob o olhar dos Acadêmicos Estagiários tensões desafios e perspectivas Como professor num curso de formação docente não posso esgotar minha prática discursando sobre a Teoria da não extensão do conhecimento FREIRE 2002 p 52 grifo do autor Uma preocupação que se evidencia no curso do qual nossos pesquisados são oriundos diz respeito ao perfil do profissional que estamos formando Na busca de subsídios para nosso estudo aplicamos questionários junto aos acadêmicos estagiários para compreender por meio de seus depoimentos suas expectativas em relação ao curso de Pedagogia Licenciatura No curso vemos os perfis ideais de escola professor e aluno mas indo para a escola pude notar que na realidade esses perfis estão longe de serem alcançados mas nada que seja impossível de ser alcançado com determinação e vontade tudo é possível AE 3 Com o tipo de formação de modelos eficientes o papel do professor resumese apenas na elaboração e na execução de aulas modelos sem sequer levar em consideração o contexto escolar dos educandos Temos aqui um futuro professor que não é capaz de compreender o papel fundamental da formação intelectual e ainda que não é capaz de proceder a uma análise crítica fundamentada teoricamente e legitimada na prática social que se estabelece o ensino PIMENTA e LIMA 2004 Pois o argumento com determinação e vontade tudo é possível não remete a uma questão pedagógica e sim a um mito do liberalismo O mito de modelos eficientes exerce forte influência na formação docente Ao ser questionado em quais situações da prática escolacampo utilizou teorias conteúdo ministrado no curso em sua atuação na sala de aula um acadêmico estagiário revelou Em todas as minhas aulas utilizei de alguma forma teorias aprendidas na faculdade Mais sic a que mais me chamou atenção foi a que fiz uso na aula de Língua Portuguesa Contação de histórias onde pude colocar em prática técnicas aprendidas na faculdade o resultado foi surpreendente fascinante principalmente na sala do Nível II sic Infantil II com crianças de 5 anos AE 3 grifo meu 256 Este depoimento nos leva a pensar que o curso de Pedagogia Licenciatura acaba fornecendo modelos onde as aulas acontecem como se dessem receitas docentes Isso nos leva a refletir se o curso vai trabalhar a aplicação de técnicas uma fundamentação teóricometodológica ou se há a necessidade de que tanto a teoria quanto a prática sejam trabalhadas de modo mais enfático Ou ainda conforme defendemos ao longo deste trabalho que o curso de Pedagogia Licenciatura construa um professor pesquisador comprometido com uma educação participativa democrática e emancipatória Assim para que isso ocorra o Estágio não pode ser encarado como uma tarefa burocrática a ser cumprida formalmente muitas vezes desvalorizado nas escolas onde os estagiários buscam espaço Deve sim assumir a sua função prática revisada numa dimensão mais dinâmica profissional produtora de troca de serviços e de possibilidades de abertura para mudanças KULCSAR 1991 p 65 Uma vez que Aprender a profissão docente no decorrer do estágio supõe estar atento às particularidades e às interfaces da realidade escolar em sua contextualização na sociedade PIMENTA e LIMA 2004 p 111 Um dos pontos apontado como negativo na realização do estágio na escola campo de Educação Infantil por um acadêmico foi Muitas vezes a formação acadêmica não dá base para o professor ser um bom profissional ter um certificado de PIII137 ou PIV138 não quer dizer que o professor tem competência por isso devese olhar mais para os profissionais que as faculdades formam para exercer a função de educadores AE 4 A fala da AE 4 externa a necessidade de que o professor e os cursos de formação repense suas ações Possivelmente se a formação e o estágio fossem vistos na concepção de pesquisa isto é como um espaço privilegiado de questionamento e investigação Pimenta e Lima 2004 p 112 não teríamos relatos como os obtidos ao perguntarmos aos AEs quais mudanças no entendimento deles deveriam haver para que a teoria estudada no curso fosse mais adequada para a atuação na prática na sala de aula da escolacampo 137 PIII De acordo com o Título III da Lei nº 39782000 que institui o Estatuto cria Plano de Carreira seus cargos fixa valores de vencimentos e salários do Magistério da Secretaria Municipal de Educação e dá outras providências em seu Artigo 9º inciso 3 estabelece que para ser Professor P III deve possuir Licenciatura Plena em magistério com registro no MEC 138 PIV De acordo com o Título III da Lei nº 39782000 que institui o Estatuto cria Plano de Carreira seus cargos fixa valores de vencimentos e salários do Magistério da Secretaria Municipal de Educação e dá outras providências em seu Artigo 9º inciso 3 estabelece que para ser Professor IV PIV deve possuir Licenciatura Plena em Magistério mais PósGraduação Lato Sensu com o registro no MEC 257 A teoria a qual fosse estudada deveria ser mais voltada para a realidade ou seja para o que realmente acontece na escola sendo que feito isso quase não iria haver esse choque entre teoria x prática AE 3 grifo meu O depoimento acima mostra que por meio da pesquisa é possível articular outras teorias com diferentes contextos Este posicionamento é corroborado pela AE 4 que diz Deveria haver nas aulas teóricas mais realidade a respeito das escolas e de como é o funcionamento das mesmas Se a faculdade nos desse base concretas de como é a realidade da escola e do aluno talvez não tivéssemos tanta dificuldade no estágio e na sala de aula da escola campo AE 4 grifo meu Há no relato de ambos uma crítica ao curso de Pedagogia Licenciatura Por meio dos relatos dos AEs na disciplina de Estágio Supervisionado faltaram aulas mais voltadas ao cotidiano da docência Diante disso para que o profissional da educação construa seu trabalho em uma perspectiva emancipadora é importante considerar o que Freire 2002 nos aponta Não importa com que faixa etária trabalhe o educador ou a educadora O nosso é um trabalho realizado com gente miúda jovem ou adulta mas gente em permanente processo de busca Não sendo superior nem inferior a outra prática profissional a minha que é a prática docente exige de mim um alto nível de responsabilidade ética de que a minha própria capacitação científica faz parte É que lido com gente FREIRE 2002 p 162 grifo nosso Portanto para atuar na profissão de professor é essencial gostar de gente e gostar de ensinar e aprender O papel do Estágio Supervisionado é o de possibilitar ao AE o contato com a prática docente o contato com o cotidiano da escola pois para atuar na docência requerse por parte dos AEs um conhecimento prévio da realidade e do diaadia escolar uma aproximação com o professor no sentido de compreender como se estabelecem as relações com a prática e o compromisso com a formação ROCHA GARSKE 2008 p 13 Diante do exposto para que pudéssemos perceber quais foram as contribuições do Estágio Supervisionado à formação dos acadêmicos participantes de nossa pesquisa questionamos aos mesmos em quais situações da prática de estágio na escolacampo eles utilizaram conteúdos ministrados no curso de Pedagogia para atuarem na sala de aula tanto de Educação Infantil quanto de Anos Iniciais do Ensino Fundamental Pedimos ainda que os AEs citassem exemplos em suas respostas 258 Todos os AEs afirmaram ter utilizado vários conteúdos A AE 1 afirma que na Educação Infantil Nas aulas de Ciências quando falei sobre a alimentação Língua Portuguesa quando trabalhei com contos e Alfabetização com os níveis de escrita Em relação ao estágio nos Anos Inicias do Ensino Fundamental o AE 1 afirma que na aula de História quando falei sobre fatos históricos e sobre a história de nossa cidade Geografia quando trabalhei localização Educação Física quando apliquei jogos Todas as aulas que ministrei tiveram embasamento teórico que foram estudados nas aulas do curso AE 1 O depoimento da AE 2 está com consonância com a fala da AE 1 conforme podemos constatar em Educação Infantil Alfabetização nome dos alunos Literatura cantinho da leitura Português leitura e escrita Geografia meios de transporte Praticamente tudo que foi nos passado no curso foi de grande relevância para o uso da escolacampo AE 2 Esta postura ocorreu também ao falar sobre os Anos Iniciais do Ensino Fundamental A AE 2 disse que utilizou vários conteúdos que estudou em suas aulas na graduação recreação matemática jogos a didática que nos auxilia em tudo que fazemos no âmbito escolar é de grande relevância a realização do estágio pois percebemos a diferença entre a teoria e a prática e como devemos fazer para que andem juntas AE 2 Segundo o AE 3 para sua atuação na Educação Infantil fez uso da teoria e da prática ministradas na aula de Língua Portuguesa contação de histórias onde pude colocar em prática técnicas aprendidas na faculdade o resultado foi surpreendente fascinante principalmente na sala do Nível II sic Infantil I com crianças de 4 anos AE 3 Já no Estágio Supervisionado nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental fez uso do que havia aprendido 259 principalmente nas aulas de Educação Física onde pude presenciar na prática toda a teoria explicada pela professora AE 3 Na fala da AE 4 as teorias ministradas em sala de aula foram determinantes para seu sucesso na prática de estágio tanto na Educação Infantil quanto nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental na Educação Infantil Acredito que tudo de bom que fiz na escola está baseado nas teorias que o curso me transmitiu a didática os jogos educativos roda da conversa e da leitura Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental foi através das teorias estudadas que consegui ministrar com tanto êxito minhas microaulas na escolacampo deixando de lado o tradicional buscando atividades prazerosas que estimulassem a vontade de aprender dos alunos AE 4 A formação docente implica que os saberes dos futuros professores sejam desenvolvidos e deste modo mobilizados pois A formação passa sempre pela mobilização de vários tipos de saberes saberes de uma prática reflexiva saberes de uma teoria especializada saberes de uma militância pedagógica o que coloca os elementos para produzir a profissão docente dotandoa de saberes específicos que não são únicos no sentido de que não compõem um corpo acabado de conhecimentos pois os problemas da prática profissional docente não são meramente instrumentais mas comportam situações problemáticas que requerem decisões num terreno de grande complexidade incerteza singularidade e de conflito de valores PIMENTA e LIMA 2004 p 68 Procuramos saber em que os conteúdos ministrados na disciplina Estágio Supervisionado contribuíram para a atuação dos AEs nas escolascampo uma vez que O estágio como campo de conhecimentos e eixo curricular central nos cursos de formação de professores possibilita que sejam trabalhados aspectos indispensáveis à construção da identidade dos saberes e das posturas específicas ao exercício profissional docente PIMENTA e LIMA 2004 p 61 Obtivemos variadas respostas sobre a contribuição dos conteúdos conforme podemos observar nas percepções dos acadêmicos participantes da pesquisa Para a AE 1 na Educação Infantil Os conteúdos me ajudaram a lidar com as crianças principalmente em situações de conflito entre elas nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Os conteúdos foram como um norte pra mim se não fossem eles seria meio difícil ministrar as aulas além disso eles somaram muito na minha bagagem de conhecimentos AE 1 260 Na visão da AE 2 houve diferença entre os conteúdos do estágio na Educação Infantil em relação aos conteúdos ministrados na disciplina Estágio Supervisionado nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental como podemos constatar em sua fala Sim me ajudaram mas não deixou tão claro o que realmente acontece nas salas de aulas Mas ensinou como me comportar com os profissionais da escolacampo modo de me vestir pontualidade educação chamar todos pelo nome ser gentil ter muita paciência AE 2 Neste contexto para a AE 2 na Educação Infantil sua preparação voltouse mais para o modo de se comportar com as crianças ou seja como deveria ser sua postura na sala de aula Já nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental a AE 2 afirma que os conteúdos da disciplina Estágio Supervisionado contribuíram para a realização de aulas diferentes com o desenvolvimento de ações pedagógicas nas quais os alunos participam o lúdico se faz presente e o objetivo maior é o ensinoaprendizagem dos alunos AE 2 Na perspectiva do AE 3 assim como para a AE 2 em relação ao estágio na Educação Infantil os conteúdos da disciplina Estágio Supervisionado foram importantes para a fase de adaptação e vestuário docente Além do mais pude presenciar na prática atitudes das crianças ditas antes só na teoria AE 3 Já os conteúdos ministrados na disciplina Estágio Supervisionado referente aos Anos Iniciais o Ensino Fundamental para o AE 3 não tiveram a menor relevância como podemos observar em seu depoimento Pelo o que me recordo não lembro de nada As aulas e estágio eram somente para mostrar planos de aula e relatórios não tinha teoria não Neste contexto para o AE 3 o Estágio Supervisionado foi uma disciplina prática onde os alunos apenas mostravam planos de aula que eram executados em campo Assim nenhum conteúdo teórico foi ministrado Diferentemente do AE 3 para a AE 4 os conteúdos ministrados pelas professoras de Estágio Supervisionado em Educação Infantil e em Anos Iniciais do Ensino Fundamental foram extremamente relevantes para sua atuação na escolacampo A estagiária percebeu que as aulas de Estágio Supervisionado foram essenciais para que pudesse compreender a 261 necessidade de ser um profissional ético respeitoso e ainda saber cuidar e educar a criança da Educação Infantil conforme deixa explícito em sua fala foi através dessas aulas que tivemos bases de como seria o estágio na escolacampo Ex como agir e tratar os profissionais da escola como ministrar as aulas na escola campo como tratar os pais e os alunos dentro da escola ser ético como cuidar e educar o aluno na sala de aula e como ajudálos em suas dificuldades entre outros Em se tratando dos conteúdos ministrados referentes aos estágios nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental a AE 4 destacou o fato que essa teoria é essencial para atuarmos de forma diferenciada e proporcionar aos nossos alunos um ensino de qualidade Ex como lidar com crianças que tem necessidades especiais como tratar as diferenças encontradas na sala de aula lidar com a indisciplina dos alunos estimulá los a gostar da escola e principalmente de estudar entre outros Nesta perspectiva entendemos que os conteúdos propostos pela disciplina Estágio Supervisionado tanto do 4º período Educação Infantil quanto do 5º período Anos Iniciais do Ensino Fundamental contribuíram de modo satisfatório em vários aspectos para a atuação dos alunos participantes da nossa pesquisa Mesmo que ainda o curso de Pedagogia tenha aspectos falhos Estudos realizados sobre a formação docente nos cursos de licenciatura mostram a legitimidade que estes exercem não apenas pelo diploma que conferem como também pelas atividades e conhecimentos que proporcionam PIMENTA e LIMA 2004 p 66 No entanto em relação a reflexão e pesquisa ainda se mostra frágil no curso pesquisado Salientamos ainda que apesar da percepção positiva dos AEs sobre os conteúdos nossa observação de suas aulas mostrou que há lacunas sérias em relação ao conhecimento dos conteúdos lacunas que poderiam ser suprimidas conforme os autores utilizados nessa pesquisa se o curso bem como o estágio fossem pautados na reflexão e na pesquisa Na sequência de nosso diálogo com os alunos estagiários procuramos saber o que cada um deles julgou que faltou no curso e que deveria ser trabalhado antes do acadêmico ir para o Estágio na escolacampo Para a AE 1 o que faltou foi sem dúvida alguma trabalhar mais a prática como atividades que poderíamos trabalhar com os alunos faltou aprofundar mais nessa questão é muito mais fácil o aluno aprender se ele vivenciar 262 Neste contexto fica evidente que para a AE 1 os modelos deveriam ter sido oferecidos abundantemente Também fica explicitada a necessidade de estreitar a articulação entre a teoria e a prática possibilitando um processo reflexivo aos AEs Faltou trabalhar mais a questão da prática na faculdade nos deparamos muito com a teoria quando chega a hora de vivenciarmos essa teoria através da prática encontramos dificuldades AE 1 Estas dificuldades poderiam ser superadas por meio de um estágio com base na pesquisa PIMENTA e LIMA 2004 e não na imitação de modelos PIMENTA e LIMA 2004 Pimenta externa ainda que vários autores apresentam preocupações quanto ao desenvolvimento de um possível praticismo daí decorrente para o qual bastaria a prática para a construção do saber docente de um possível individualismo fruto de uma reflexão em torno de si própria PIMENTA 2002b p 22 Na análise da AE 2 quando a mesma realizou o estágio em Educação Infantil foi passado o que era necessário mais para nós futuros docente que não temos experiência nenhuma na educação estranhamos Mas creio que foi passado o necessário AE 2 Porém ao vivenciar o estágio nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental a AE 2 modificou sua percepção do estágio anteriormente vivenciado Educação Infantil como podemos observar em sua resposta A meu ver no estágio da educação infantil faltou algumas coisas mas neste estágio não faltou No estágio da Educação Infantil houve algumas dúvidas alguns erros cometidos acredito que houve falhas por ser a primeira experiência no ambiente escolar AE 2 O AE 3 apontou que tanto no estágio em Educação Infantil quanto nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental houve falhas Na Educação Infantil Antes que o aluno fosse para o estágio ele já deveria saber fazer plano de aula e saber também como tratar um aluno que tenha deficiência139 Nos Anos Inicias do Ensino Fundamental Penso que faltou um pouco de 139 De acordo com a Matriz Curricular do Curso de Pedagogia Licenciatura os acadêmicos terão acesso às disciplinas que tratam de crianças com necessidades educacionais especiais após terem realizado os estágios nas escolascampo 7º período A criança desenvolvimento e necessidades especiais 8º período Educação inclusiva e linguagem de sinais 263 ensino de metodologia pois diversas vezes eu pensava mais como será que eu vou fazer para ministrar esse conteúdo AE 3 Na concepção da AE 4 o curso não possibilitou a preparação tanto para lidar com alunos com necessidades educacionais especiais quanto para estabelecer relações pedagógicas com alunos indisciplinados conforme seu depoimento Uma preparação maior para estarmos em sala de aula pois muitas vezes não nos sentimos preparados para atuar na escola principalmente quando encontramos na sala alunos indisciplinados com necessidades especiais entre outros aspectos Esses são aspectos que o curso deveria preparar melhor os acadêmicos para estarem trabalhando em sala de aula com esses alunos Educação Infantil AE 4 Conforme o decreto nº 6571 de 17 de setembro de 2008 ocorrerá um aumento significativo de crianças com necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino o que exigirá ainda mais a qualificação dos profissionais do ensino para trabalhar com estes alunos Ainda de acordo com o referido decreto em seu artigo 9ºA Admitirseá a partir de 1º de janeiro de 2010 para efeito da distribuição dos recursos do FUNDEB140 o cômputo das matrículas dos alunos da educação regular da rede pública que recebem atendimento educacional especializado sem prejuízo do cômputo dessas matrículas na educação básica regular BRASIL 2008 No que diz respeito aos Anos Iniciais do Ensino Fundamental a AE 4 pontuou que a disciplina Estágio Supervisionado não a preparou para dominar os conteúdos que os estagiários ministrariam nas escolascampo Assim para ela faltou Uma preparação maior de algumas disciplinas pois muitas vezes vamos a escolacampo para ministrar aulas AE 4 Novamente a resposta da AE enfatiza o ensino como se fosse possível prever toda a situação de sala de aula Neste sentido enfatizamos novamente o curso baseado na reflexão e pesquisa e não na imitação de modelos PIMENTA e LIMA 2004 Nosso interesse no ponto de vista de cada um dos AEs participantes desta pesquisa não se limitou que os mesmos pontuassem simplesmente as falhas mas que contribuíssem sugerindo mudanças que no entendimento dos AEs qualificariam à futura vivência profissional 140 Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação 264 Na compreensão da AE 1 as aulas deveriam ser mais voltadas à prática Aulas mais dinâmicas focadas na prática onde nós acadêmicos possamos vivenciar mais as disciplinas antes de aplicálas com nossos alunos e em nosso estágio na escolacampo AE 1 Esta compreensão é também defendida pelo AE 3 ao falar da Educação Infantil conforme sua fala A teoria a qual fosse estudada deveria ser mais voltada para a realidade ou seja para o que realmente acontece na escola sendo que feito isso quase não iria haver esse choque entre teoria x prática No contexto dos Anos Inicias do Ensino Fundamental o AE 3 assume a seguinte perspectiva Seria mais importante e satisfatório se todos os acadêmicos já estivessem atuando em sala de aula assim poderiam presenciar na prática toda a teoria apresentada pelo curso Para a AE 2 não bastam as práticas e teorias de estágio A aluna defende que o profissional do ensino se faz ao longo de sua atuação docente ao dizer que o estágio nos ajuda muito mas não podemos ver como seremos na nossa profissão se passarmos de sala em sala Acredito que só saberemos que vamos ser totalmente profissionais quando começarmos numa mesma sala de aula no 1º dia de ano até o final do ano letivo aí sim poderemos tirar nossas conclusões O estágio nos dá uma idéia parcial de como é e como podemos ser mas atuar é a melhor maneira de utilizar a práxis Então o que podemos ressaltar é que o estágio auxilia muito o futuro dos docentes porém somente a realização de algumas aulas não é o suficiente para mostrar como seremos e sim como podemos ser AE 2 Ao falar das mudanças que deveriam ocorrer para que as teorias fossem adequadas para a utilização no cotidiano da escola a AE 4 externou que tanto em relação à Educação Infantil quanto aos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Deveria haver nas aulas teóricas mais realidade a respeito das escolas e de como é o funcionamento das mesmas Se a faculdade nos desse base concreta de como é a realidade da escola e do aluno talvez não tivéssemos tanta dificuldade no estágio e na sala de aula da escolacampo Educação Infantil A partir da observação e da experiência vivenciada na escolacampo pude perceber o quanto o curso de formação de professores deveriam fornecer 265 uma fundamentação teórica associada a realidade das escolas pois isso ajudaria para uma noção mais coerente com a realidade do aluno e da sala de aula Anos Iniciais do Ensino Fundamental AE 4 Entendemos que seja necessário que o curso de Pedagogia Licenciatura possibilite aos AEs a compreensão que A educação enquanto prática social humana é um fenômeno móvel histórico inconcluso que não pode ser captado na sua integralidade senão na sua dialeticidade Ela é transformada pelos sujeitos da investigação que se transformam por ela na sua prática social Cabe aí na práxis do educador realizar o estudo sistemático específico rigoroso dessa prática social como forma de se interferir consistentemente nessa prática social da educação cuja finalidade é a humanização dos homens PIMENTA 2006 p 53 Dando continuidade ao nosso diálogo com os AEs por meio do questionário perguntamos em que aspectos o estágio nas escolascampo colaborou na formação dos mesmos como professores tanto de Educação Infantil quanto de Anos Iniciais do Ensino Fundamental A AE 1 destacou a importância do Estágio Supervisionado na Educação Infantil o fato de ter a possibilidade de ver na prática o que acontece na escola e que o professor de Educação Infantil tem que ter muita desenvoltura AE 1 Ao falar dos aspectos que o estágio nos Anos Inicias do Ensino Fundamental colaborou na sua formação a AE 1 afirmou que enriqueceu muito minha formação através dele pude perceber como é o trabalho do professor do Ensino Fundamental ele me levou a pensar as minhas ações e principalmente o que eu jamais farei em sala de aula AE 1 Percebemos que o Estágio Supervisionado possibilitou à AE 1 a oportunidade de refletir sobre suas ações o que entendemos ser essencial para a formação docente na atualidade A ênfase dada à afetividade no Estágio Supervisionado em Educação Infantil ocorreu por parte da AE 2 uma vez que a mesma afirmou que o estágio colaborou com sua formação no sentido de que ela pode perceber ainda mais que lecionar requer amor dedicação estudo AE 2 266 Ainda de acordo com a AE 2 em se tratando do estágio nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental esta experiência foi de extrema relevância para a minha formação docente mostroume como podemos verificar a diferença de um professor da Educação Infantil e do professor do Ensino Fundamental descobrir qual a habilitação que devemos seguir AE 2 Em seu depoimento a estagiária evidenciou que além de contribuir com sua formação de modo significativo o estágio Supervisionado levoua a perceber as diferentes posturas do professor da Educação Infantil e do professor dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Assim esta acadêmica bem como a AE 1 fez do Estágio Supervisionado possibilidade de reflexão quanto à sua carreira docente Ao falar sobre o que o Estágio Supervisionado em Educação Infantil acrescentou em seus conhecimentos o AE 3 deu destaque à aplicação na prática das teorias estudadas na sala de aula no curso de Pedagogia Licenciatura conforme podemos observar O estágio colaborou de várias formas na minha iniciação científica e docente pois foi nele que tive oportunidade de visualizar e fazer na prática as teorias vistas anteriormente no curso AE 3 Ao analisar as contribuições do Estágio Supervisionado dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental à sua formação o AE 3 evidenciou aspectos que considera negativos na atuação docente conforme registramos em seu depoimento Em muitos aspectos principalmente no que eu não devo fazer enquanto educador pude observar vários acontecimentos deploráveis aos quais guardei comigo somente os ensinamentos depreendidos AE 3 Finalmente mas não menos importante para a AE 4 a vivência do Estágio Supervisionado em Educação Infantil foi essencial para que ela se sentisse capaz de atuar como professora de educação infantil basta querer e estudar para adquirir mais conhecimento e experiência para estar atuando nessa etapa AE 4 Em relação ao Estágio Supervisionado dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental a acadêmica destacou o estágio como uma oportunidade de aprendizagem significativa sendo grande colaborador com a construção da prática docente e que é por meio do estágio que o 267 acadêmico do curso de Pedagogia Licenciatura tem a noção de como será seu trabalho conforme destaca Numa aprendizagem significativa o estágio é responsável pela construção real da nossa prática É através do mesmo que temos base de como é e será nosso trabalho além de contribuir na formação de novos profissionais para estar atuando nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de forma eficaz AE 4 Percebemos por meio dos depoimentos dos AEs que mesmo com os problemas enfrentados o Estágio Supervisionado do curso de Pedagogia Licenciatura do qual os acadêmicos participantes de nossa pesquisa são oriundos permite aos mesmos a conhecerem a vida na escola Entendemos que relacionar a realidade vivenciada pelos sujeitos do processo educativo e as teorias ministradas no curso configura um fator crucial para que o Estágio Supervisionado contribua para a formação docente dos AEs por nós observados Conforme afirmam Pimenta e Lima para que a sala de aula se constitua em espaço de formação dos estagiários é preciso que as aulas sejam consideradas nas realidades em que ocorrem nos contextos institucionais nos quais se situam nos aspectos individuais e pessoais que são manifestados pelos alunos e professores nos saberes de que são portadores em suas experiências e expectativas e em suas finalidades que dizem da construção do conhecimento compartilhado 2004 p 159 Pensamos que a pesquisa efetuada pautouse nesse entendimento pois a desenvolvemos ouvindo observando e refletindo com os diferentes sujeitos envolvidos no Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia 268 CONSIDERAÇÕES FINAIS Não há saber maior ou saber menor Há saberes diferentes Paulo Freire Esta pesquisa foi motivada principalmente no sentido de compreender quais seriam as contribuições do Estágio Supervisionado para a formação do pedagogo atuar na docência Para tanto realizamos a observação da ação dos alunos estagiários em situações de práticas docentes em salas de aula de Educação Infantil e em turmas de Anos Iniciais do Ensino Fundamental Este instrumento de coleta de dados possibilitounos relacionar a formação oferecida aos acadêmicos no Curso de Pedagogia Licenciatura com as práticas pedagógicas desenvolvidas nas escolascampo Outro instrumento não menos importante foi a aplicação de questionários para os acadêmicos participantes da pesquisa Este instrumento oportunizou conhecer as percepções de cada um deles referentes à prática de estágio Ao responder o questionário os acadêmicos manifestaram também suas expectativas e suas frustrações em relação à docência Por meio da realização de entrevistas com as professoras orientadoras do Estágio Supervisionado que acompanham os acadêmicos participantes da nossa pesquisa notouse a necessidade de um profissional formador de professores que contribua mais para o processo formativo de seus alunos e alunas pois a educação está em permanente processo de reconstrução portanto passível de mudanças uma vez que o conhecimento é provisório a prática antecede à teoria cuidase do processo de construção do objeto científico e não há verdades absolutas nem resposta única para nada CUNHA 1996 p 142 Percebemos nas ações das professoras orientadoras de estágio envolvidas nas modalidades de ensino Educação e Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental pesquisadas que estas atuaram recorrendo aos modelos nas suas aulas 148 Acreditamos que a ação pedagógica efetivada por meio da pesquisa e da reflexão crítica sobre suas práticas qualificará o processo de formação docente Para lembrar Tardif 2008 p 276 já é tempo de os professores universitários da educação começarem também a realizar pesquisas e reflexões críticas sobre suas próprias práticas de ensino Pensamos que seria desejável que o Plano de Curso dos estagiários fosse elaborado com a colaboração do professor de estágio do aluno estagiário e da professora titular da sala de aula onde acontecerá a prática de estágio e tendo como referência os alunos e alunas com os quais trabalharão o processo educativo Nossa pesquisa seria incompleta se desprezássemos o PPP do Curso de Pedagogia Licenciatura Assim o Projeto Político Pedagógico do curso esteve presente durante o processo de análise O estágio configura para muitos a primeira experiência da prática docente como foi o caso dos alunos pesquisados nesta dissertação Dessa forma durante o processo de formação os acadêmicos necessitam compreender como trabalhar com crianças para que todas elas sejam respeitadas em seu direito à educação É por isso que transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano na sic exercício educativo o seu caráter formador FREIRE 2002 p 37 Com a nossa pesquisa observamos que durante o Estágio Supervisionado em Educação Infantil os alunos participantes da pesquisa supervalorizaram a quantidade de conteúdos se preocupando em repassar aos alunos muitas informações e vários conceitos em um espaçotempo restrito Ressaltamos que nosso objetivo não foi o de encontrar culpados para os problemas envolvidos na formação docente Nossas reflexões pretendem contribuir para que os estudos voltados ao Estágio Supervisionado na formação do Pedagogo possam ao menos vilusmbrar um caminho para a superação dos tantos obstáculos que os cursos de Pedagogia Licenciatura necessitam vencer para que possam formar professores que atuem numa postura reflexiva na sala de aula seja na Educação Infantil seja nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Acreditamos que somente por meio da constante reflexão e pesquisa o pedagogo terá condições de trabalhar com o aluno real numa sociedade em que as mudanças ocorrem numa velocidade cada vez maior O Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental precisa ser repensado É preciso dar maior ênfase à reflexão e à pesquisa uma vez que se faz necessário uma sólida e consistente 149 formação teórica que associada a uma reflexão sobre e a partir da prática dos educadores é indispensável para a formação crítica do futuro profissional da educação e do ensino CARDIERI ROSA 2009 p 625 Em nossas observações o autoritarismo fezse presente em diversas situações tanto durante as práticas de estágio nas escolas de Educação Infantil como nas escolas de 1º ao 3º ano nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Já com os alunos do 4º e 5º anos houve momentos em que os AEs utilizaram dos conteúdos para impor sua autoridade mas muitas vezes não tinham domínio dos conteúdos que estavam ministrando Assim ora mostravamse inseguros ora eram disciplinadores Todos os AEs tiveram uma postura mais próxima à tentativa de imitação eou instrumentalização técnica PIMENTA e LIMA 2004 Isso nos mostra a necessidades da academia se aproximar da realidade que os AEs irão atuar Este caminho como defendemos ao longo deste trabalho ocorrerá por meio da reflexão e pesquisa Assim a partir daí a pesquisa partirá de um problema prático para salvaguardar a conjugação adequada entre teoria e prática e para substituir a idéia obsoleta de estágio sendo que esta prática será profissional PPP 2007 p 87 Apesar da postura mais próxima da imitação eou da instrumentalização técnica percebemos também não só o desejo dos estudantes em construir constantemente novas práticas pedagógicas bem como dos professores orientadores de estágio Para tanto acreditamos que o ensino a partir da pesquisa permite ao docente vivenciar diversidade de conhecimentos e práticas reconhecer algumas das muitas relações de poder que se estabelecem no interior das instituições olhar criticamente para a sua realidade profissional e refletir sobre as políticas da educação formal lócus de seu exercício profissional VASCONCELLOS BERBEL OLIVEIRA 2009 p 616 Acreditamos ainda que o curso de Pedagogia Licenciatura poderia abordar questões que estão presentes no cotidiano da escola tais como cultura religião raça gênero dentre outros E ainda há discussões que antecedem o estágio tais como discussões referentes à educação especial multiculturalismo jogos e recreações Nossa pesquisa mostrou que é preciso maior apoio pedagógico das professoras orientadoras de estágio bem como dos professores do curso de Pedagogia Licenciatura pois em diversos momentos os AEs sentiramse desamparados Concordamos com Pimenta e Almeida não basta a pesquisa para formar profissionais reflexivos é preciso conjugar o espaço da academia com o local em que ocorre a prática pedagógica e desenvolver mecanismos específicos para análise das práticas estudo de caso entre outros O diálogo entre iniciantes experientes e professores formadores possibilitará a articulação entre a teoria e a prática ou seja a prática reflexiva em ação 2009 p 47 Mostrou ainda que os conteúdos específicos das diferentes áreas de conhecimento necessitam ser trabalhados também na perspectiva da pesquisa já que a pesquisa ensina porque é uma das possibilidades de estabelecer relações sociais de aprender com o outro VASCONCELLOS BERBEL OLIVEIRA 2009 p 615 Em vários momentos percebemos que os AEs não souberam lidar com suas limitações e se inclinaram para atitudes autoritárias por não reconhecerem que os limites e o conhecimento são componentes do ser professor do ser gente para lembrar Freire Portanto percebemos se a reflexão e pesquisa estivessem presentes ao longo do curso de formação doas pedagogoas o não saber seria encarado como possibilidade de saber mais ou ainda de resignificar os conteúdos trabalhados Emergiram no nosso campo de pesquisa situações que mostram diferenças dos discursos dos acadêmicos estagiários e a realidade dos alunos Enquanto os AEs ministravam conteúdos descontextualizados como meios de transporte aéreo e aquático havia crianças que identificavam outros meios de locomoção mas que não tinham a atenção dos acadêmicos estagiários Este fato pode ser ilustrado conforme registro nas páginas 79 e 80 Ainda podemos citar os meios de comunicação da página 74 até a 77 Neste sentido lembramos que Não podemos afirmar que não ocorram aprendizagens mas o que está em jogo nos processos de escolarização é muito mais do que os saberes que são ensinados é a própria subjetivação dos sujeitos Que alunos estamos produzindo Que lugares estamos privilegiando para esses alunos e sua comunidade escolar FABRIS 2010 p 9 Destacamos também algumas contradições presentes no curso de Pedagogia Licenciatura tais como sequência e coerência das disciplinas por período Exemplificamos esta constatação com as disciplinas que tratam de crianças com necessidades educacionais especiais que estão programadas para serem ministradas no 7º período disciplina A criança desenvolvimento e necessidades especiais e no 8º período disciplina Educação inclusiva e 153 linguagem de sinais Os acadêmicos realizam suas práticas de estágio nas escolascampo durante o 4º e o 5º período todavia as escolas tanto de Educação Infantil quanto dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental onde os alunos realizam o estágio recebem crianças com e sem necessidades educacionais especiais portanto os AEs desenvolvem seu estágio sem as reflexões teóricas sobre como atuar em sala de aula na perspectiva de acolher todos os alunos A disciplina Novas Tecnologias da Educação é oferecida aos acadêmicos do curso de Pedagogia Licenciatura no 1º período do curso no entanto ao nos depararmos com situações em que os acadêmicos estagiários tiveram que lidar com as TICs68 percebemos que as dificuldades para interagir com as novas tecnologias não serão superadas num único semestre ou ano letivo conforme Kenski afirma Não é uma disciplina isolada que vai resolver esse milagre não é uma disciplina datada apartada do projeto político pedagógico como todo e não for incorporada nas diferentes disciplinas nós vamos ter problemas de uso dessa tecnologia dentro das escolas KENSKI 2009 sp Para finalizar salientamos que apesar de reconhecer várias contribuições dessa pesquisa para a minha formação e para a qualificação do estágio no Curso de Pedagogia pesquisado entendemos que há ainda um conjunto de pesquisas a serem feitas para que o Estágio Supervisionado possa de fato se dar em uma perspectiva de reflexão e pesquisa 68 Como podemos ilustrar com a situação em que a AE 2 não soube orientar um aluno sobre a grafia da palavra laptop ver página 76 desta dissertação e à página 75 quando o aluno critica o telefone de discar que a estagiária levou para a sala e mostrou a ela o seu aparelho de telefone celular 154 REFERÊNCIAS ALARCÃO Isabel Professores reflexivos em uma escola reflexiva 6 ed São Paulo Cortez 2008 Coleção Questões da Nossa Época v 104 ALVES Gisele Morilha TEIXEIRA Leny Rodrigues Martins SANTOS Lindomar Barros dos Conceito de ilha o processo de compreensão dos alunos do ensino fundamental de uma escola da rede municipal de ensino de Campo GrandeMS Disponível em httpwwwalbcombranais17txtcompletossem20COLE914pdf Acesso 05032010 ANDRÉ Marli Eliza Dalmazo Afonso de Etnografia da prática escolar 12 ed Campinas Papirus 2005a Série Prática Pedagógica Estudo de caso em pesquisa e avaliação educacional Brasília Líber Livro Editora 2005b Série e Pesquisa vol 13 ANNIBAL Sérgio Fabiano A formação docente e o gerenciamento do cotidiano escolar In PINHO Sheila Zambello de Org Formação de educadores o papel do educador e sua formação São Paulo Editora UNESP 2009 AQUINO Julio Groppa Do cotidiano escolar ensaios sobre a ética e seus avessos São Paulo Summus 2000 ARANHA Maria Lúcia de Arruda História da educação 2 ed São Paulo Moderna 1996 ARAUJO José Carlos de Souza Disposição da aula os sujeitos entre a tecnia e a polis In VEIGA Ilma Passos Alencastro Org Aula gênese dimensões princípios e práticas Campinas Papirus 2008 Coleção Magistério Formação e trabalho Pedagógico ARROYO Miguel G Imagens quebradas trajetórias e tempos de alunos e mestres 4 ed Petrópolis Vozes 2007 AUSUBEL David P NOVAK Joseph D HANESIAN Helen Encuentro Internacional sobre El Aprendizaje Significativo Burgos España 1519 de septiembre 1997 BELLO I M Formação profissionalidade e prática docente relatos de vida de professores São Paulo Editora Arte e Ciência 2002 BRASIL Lei no 4024 de 20 de dezembro de 1961 Fixa Diretrizes e Bases da Educação Nacional Brasília Ministério da Educação e Cultura 1962 Lei no 5692 de 11 de agosto de 1971 Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1 e 2º graus e dá outras providências Brasília Ministério da Educação e Cultura Lei n 939496 de 20 de dezembro de 1996 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Brasília Congresso Nacional 1996 Portaria Ministerial nº 438 de 28 de Maio de 1998 Institui o Exame Nacional do Ensino Médio ENEM como procedimento de avaliação do desempenho do aluno Brasília 1998 Lei nº 10436 de 24 de abril de 2002 Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais Libras e dá outras providências Brasília 24 de abril de 2002 Lei nº 11788 de 25 de setembro de 2008 Dispõe sobre o estágio de estudantes altera a redação do art 428 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT aprovada pelo DecretoLei no 5452 de 1o de maio de 1943 e a Lei no 9394 de 20 de dezembro de 1996 revoga as Leis nos 6494 de 7 de dezembro de 1977 e 8859 de 23 de março de 1994 o parágrafo único do art 82 da Lei no 9394 de 20 de dezembro de 1996 e o art 6o da Medida Provisória no 216441 de 24 de agosto de 2001 e dá outras providências Brasília Congresso Nacional 2008 Ministério da Educação Conselho Nacional de Educação Conselho Pleno Parecer CNECEB n 012003 de 19022003 consulta sobre formação de profissionais para a Educação Básica Resolução Conselho Nacional de Educação CP nº 2 de 19 de fevereiro de 2002 Diário Oficial da União Brasília 4 de março de 2002 Seção 1 p 9 Lei nº 11096 de 13 de janeiro de 2005 Institui o Programa Universidade para Todos PROUNI regula a atuação de entidades beneficentes de assistência social no ensino superior altera a Lei no 10891 de 9 de julho de 2004 e dá outras providências Brasília DF 3 de janeiro de 2005 Disponível em httpportalmecgovbrindexphpoptioncomcontentviewarticleid205Itemid298 acesso 25012010 Resolução Conselho Nacional de Educação CP nº 1 de 15 de maio de 2006 Diário Oficial da União Brasília 16 de maio de 2006 Seção 1 p 11 Resolução Conselho Nacional de Educação CP nº 2 de 18 de junho de 2007 Republicada no DOU de 17092007 Seção 1 pág 23 por ter saído no DOU de 19062007 Seção 1 pág 6 com incorreção no original Decreto Nº 6571 DE 17 DE SETEMBRO DE 2008 Dispõe sobre o atendimento educacional especializado regulamenta o parágrafo único do art 60 da Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 e acrescenta dispositivo ao Decreto nº 6253 de 13 de novembro de 2007 Brasília 17 de setembro de 2008 LEI Nº 39782000 de 27 de junho de 2000 Institui o Estatuto Cria Plano de Carreira seus cargos fixa valores de vencimentos e salários do Magistério da Secretaria 163 Municipal de Educação e dá outras providências Rio Verde GO Secretaria Municipal de Educação 2000 BURIOLLA Marta Alice Feiten O estágio supervisionado 6 ed São Paulo Cortez 2009 CAJAL Irene Baleroni A interação de sala de aula como o professor reage às falas iniciadas pelos alunos In COX Pagliarini Maria Inês ASSISPETERSON Ana Antônia de Org Cenas de sala de aula Campinas Mercado de Letras 2001 Coleção Idéias sobre Linguagem CAMBI Franco História da pedagogia São Paulo Editora da UNESP 1999 CARNEIRO Moaci Alves LDB fácil leitura críticocompreensiva artigo a artigo Petrópolis Vozes 1998 CARDIERI Elisabete ROSA Sanny Silva da Processo de pesquisa e formação de educadores reflexões a partir do curso de Pedagogia Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos Brasília v 90 n 226 p 624635 setdez 2009 CASTRO Magali de A formação de professores e gestores para os anos iniciais da educação básica das origens às diretrizes curriculares nacionais Revista Brasileira de Política e Administração da Educação RBPAEAssociação Nacional de Política e Administração da Educação Editora Maria Beatriz Luce Porto Alegre ANPAE 2007 v 23 n 2 p 199227 CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO ALMEIDA RODRIGUES Projeto Político Pedagógico Disponível em httpwwwfaculdadefarcombrdiversosprojetopedagogicoisearpdf Acesso 26112009 Manual de estágio Rio Verde 2007 CONTRERAS José A autonomia dos professores Tradução de Sandra Trabucco Valenzuela revisão técnica apresentação e notas à edição brasileira Selma Garrido Pimenta São Paulo Cortez 2002 CUNHA Maria Isabel da O bom professor e sua prática Campinas Papirus 1989 Relações ensinopesquisa In VEIGA I P A Org Didática o ensino e suas relações Campinas Papirus 1996 Pp 115126 A relação professoraluno In VEIGA Ilma Passos Alencastro coordenadora Repensando a didática 21 ed Campinas Papirus 2004 CURY Carlos Roberto Jamil Estágio supervisionado na formação docente In LISITA Verbena Moreira S de S SOUSA Luciana Freire E C P Org Políticas educacionais práticas escolares e alternativas de inclusão escolar Rio de Janeiro DPA 2003 DENARI Fátima Um novo olhar sobre a formação do professor de educação especial da segregação à inclusão In RODRIGUES David Org Inclusão e educação doze olhares sobre a educação inclusiva São Paulo Summus 2006 164 DEZ MÉTODOS PEDAGÓGICOS DE LA SALLE Documento eletrônico Disponível em httpwwwlasalledfcombrescolalasalle acesso 20032009 DUARTE Sérgio Guerra Dicionário brasileiro de educação Rio de Janeiro AntaresNobel 1986 FABRIS Profa Dra Elí T Henn A realidade do aluno como imperativo pedagógico práticas pedagógicas de inexclusão Anais do XV ENDIPE Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino Convergências e tensões no campo da formação e do trabalho docente políticas e práticas educacionais Belo Horizonte 2010 FERREIRA Aurélio Buarque de Holanda Miniaurélio o minidicionário da língua portuguesa 6 ed ver atualiz Curitiba Positivo 2004 FRANCO Maria Amélia do Rosário Santoro Pedagogia como ciência da educação 2 ed rev ampl São Paulo Cortez 2008 FRANCO Maria Amélia Santoro LIBÂNEO José Carlos PIMENTA Selma Garrido Elementos para a formulação de diretrizes curriculares para cursos de pedagogia Cadernos de Pesquisa v 37 nº 130 p 6397 janabr 2007 FREIRE P Pedagogia do oprimido 17 ed Rio de Janeiro Paz e Terra 1987 Pedagogia da autonomia saberes necessários à prática educativa São Paulo Paz e Terra 1996 Política e educação ensaios 5 ed São Paulo Cortez 2001 Coleção Questões da Nossa Época v 23 Pedagogia da autonomia saberes necessários à prática educativa 23 ed São Paulo Paz e Terra 2002 FREIRE Paulo GUIMARÃES Sérgio Sobre Educação Diálogos Volume I Paz e Terra Disponível em http20013210312repositorioadmindownloadsSergioGuimaraespdf Acesso em 12 de maio de 2010 GADOTTI Moacir Concepção dialética da educação um estudo introdutório 11 ed São Paulo Cortez 2000 GARCIA R L Em defesa da educação infantil Rio de Janeiro DPA 2002 GENTILI Pablo A A e SILVA Tomaz Tadeu da Org Neoliberalismo qualidade total e educação Petrópolis Vozes 2001 Pedagogia da exclusão crítca neoliberalismo em educação Petrópolis Vozes 1995 GIL Antônio Carlos Como elaborar projetos de pesquisa 4 ed São Paulo Atlas 2007 GIROUX H Escola crítica e política cultural São Paulo Cortez 1987 165 Os professores como intelectuais rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem Porto Alegre Artmed 1997 GROSSI Esther Pillar Org Por que ainda há quem não aprende A Política São Paulo Paz e Terra 2004 GUIMARÃES Célia Maria Aplicabilidade das representações sociais ao estudo de fenômenos educacionais mudar as práticas de formação para mudar as práticas educativas do profissional de Educação Infantil In GUIMARÃES Célia Maria Org Perspectivas para educação infantil Araraquara JunqueiraMarin 2005 HEMGEMÜHLE Adelar Formação de professores da função de ensinar ao resgate da educação Petrópolis Vozes 2007 HISTÓRIA DO MUNDO Préhistória características e divisões Disponível em httpwwwhistoriadomundocombrprehistoriatextoprehistoria acesso em 25052009 HORA Dinair Leal da Gestão democrática na escola na escola artes e ofícios da participação coletiva 14 ed Campinas Papirus 2006 KENSKI Vani Moreira A vivência escolar dos estagiários e a prática de pesquisa em estágios supervisionados In PICONEZ Stela C Bertholo Org A prática de ensino e o estágio supervisionado 9 ed Campinas SP Papirus 1991 Tecnologias digitais na educação Entrevista Salto para o futuro 2009 Disponível em httpwwwtvbrasilorgbrsaltoparaofuturoentrevistaaspcodEntrevista67 Acesso em 12 de maio de 2010 KISHIMOTO Tizuko Morchida Formação do professor de educação infantil no curso de pedagogia In PINHO Sheila Zambello de Org Formação de educadores o papel do educador e sua formação São Paulo Editora UNESP 2009 KRAMER Sonia Org Com a préescola nas mãos uma alternativa curricular para a educação infantil 9 ed São Paulo Ática 1995 Educação em ação ole Com a préescola nas mãos uma alternativa curricular para a educação infantil 14 ed São Paulo Ática 2009 Educação em ação KUHLMANN JR Moysés Educação infantil e currículo In FARIA Ana Lúcia Goulart de PALHARES Marina Silveira Org Educação infantil pósLDB rumos e desafios 2 ed São Carlos UFSCAR 2000 KULCSAR Rosa O estágio supervisionado como atividade integradora In PICONEZ Stela C Bertholo Org A prática de ensino e o estágio supervisionado 9 ed Campinas SP Papirus 1991 LIBÂNEO José Carlos Didática São Paulo Cortez 1994 Coleção Magistério Série formação do professor 166 Pedagogia e pedagogos para quê São Paulo Cortez 2002 Adeus Professor Adeus Professora Novas exigências educacionais e profissão docente São Paulo Cortez 1998 LIBÂNEO José Carlos FREITAS Raquel A M da M Vygotsky Leotiev Davídov contribuições da teoria históricocultural para a didática In SILVA C C SUANNO M R V Org Didática e interfaces Rio de JaneiroGoiânia Deescubra 2007 LIBÂNEO José Carlos PIMENTA Selma Garrido Formação de profissionais da educação visão crítica e perspectiva de mudança Educação Sociedade ano XX nº 68 Dezembro1999 LUDKE Menga ANDRÉ Marli E D A Pesquisa em educação abordagens qualitativas São Paulo EPU 1986 MIRANDA Maria Irene Ensino e pesquisa o estágio como espaço de articulação In SILVA Lázara Cristina MIRANDA Maria Irene O estágio supervisionado e prática de ensino desafios e possibilidades Araraquara JunqueiraMarin Belo Horizonte FAPEMIG 2008 MONROE Paul História da educação 6 ed São Paulo Nacional 1983 MOREIRA Antonio Flavio CANDAU Vera Maria Org Multiculturalismo diferenças culturais e práticas pedagógicas Petrópolis Vozes 2008 NASCIMENTO Anelise et alli Vai ter futebol Interações sociais na educação infantil em escolas de ensino fundamental In KRAMER Sonia Org Retratos de um desafio crianças e adultos na educação infantil São Paulo Ática 2009 Educação em ação NASCIMENTO Anelise et alli Na construção de uma profissão inquietações e desafios nos relatos dos professores conquistas e ambigüidades da educação infantil In KRAMER Sonia Org Profissionais da educação infantil gestão e formação São Paulo Ática 2005 Educação em ação Na construção de uma profissão inquietações e desafios educar e cuidar muito além da rima In KRAMER Sonia Org Profissionais da educação infantil gestão e formação São Paulo Ática 2005 Educação em ação O ARQUIVO NACIONAL E A HISTÓRIA LUSOBRASILEIRA Festas coloniais Disponível em httpwwwhistoriacolonialarquivonacionalgovbrcgicgiluaexesysstarthtminfoid347 sid57tplprinterview acesso em 30052009 OLIVEIRA Marta Kohl Vygotsky e o processo de formação de conceitos In LA TAYLLE Yves OLIVEIRA Marta Kohl DANTAS Heloysa Piaget Vygostsky Wallon teorias psicogenéticas em discussão 20 ed São Paulo Summus 1992 OLIVEIRA Regina Tereza Cestari de Política de formação de professores dos anos 1990 aos dias atuais In GRIGOLI Josefa Aparecida Gonçalves OLIVEIRA Regina Tereza 167 Cestari de Org Formação de professores políticas gestão e práticas Campo Grande UCDB Brasília Plano 2006 p 1332 Série Educação em Movimento 5 OSTETTO Luciana Esmeralda O estágio curricular no processo de tornarse professor In OSTETTO Luciana Esmeralda Org Educação infantil saberes e fazeres da formação de professores Campinas Papirus 2008 Coleção Ágere PADILHA Paulo Roberto Planejamento dialógico como construir o projeto político pedagógico da escola São Paulo Cortez Instituto Paulo Freire 2001 Guia da escola cidadã v 7 PAIM Antônio História das idéias filosóficas no Brasil São Paulo Grijalbo 1967 PICONEZ Stela C Bertholo A prática de ensino e o estágio supervisionado a aproximação da realidade escolar e a prática da reflexão In A prática de ensino e o estágio supervisionado 9 ed Campinas SP Papirus 1991 p 1532 PIMENTA Selma Garrido O estágio na formação de professores unidade teoria e prática 5 ed São PauloCortez 2002a Por que traduzir o livro La autonomia Del profesorado In CONTRERAS José A autonomia dos professores Tradução de Sandra Trabucco Valenzuela revisão técnica apresentação e notas à edição brasileira Selma Garrido Pimenta São Paulo Cortez 2002 Professor reflexivo construindo uma crítica In PIMENTA Selma Garrido GHEDIN Evandro Org Professor reflexivo no Brasil gênese e crítica de um conceito 2 ed São Paulo Cortez 2002b Panorama atual da didática no quadro das ciências da educação educação pedagogia e didática In PIMENTA Selma Garrido Pedagogia ciência da educação Coordenadora 5 ed São Paulo Cortez 2006 A análise crítica das contradições presentes na escola pode nos ajudar a transformála num espaço de formação ampliada In COSTA Marisa Vorraber A escola tem futuro Org 2 ed Rio de Janeiro Lamparina 2007 O estágio como práxis na formação do professor um estudo sobre o estágio nos cursos de magistério de 2º grau desenvolvidos nos centros de formação e aperfeiçoamento do magistério CEFAM Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos Brasília v 74 p 185250 janabr 1993 PIMENTA Selma Garrido ANASTASIOU Léa das Graças Camargos Docência no ensino superior 2 ed São Paulo Cortez 2005 Coleção Docência em Formação PIMENTA Selma Garrido ALMEIDA Maria Isabel de Programa de formação de professores USP In PINHO Sheila Zambello de Org Formação de educadores o papel do educador e sua formação São Paulo Editora UNESP 2009 PIMENTA Selma Garrido LIMA Maria Socorro Lucena Estágio e Docência São Paulo Cortez 2004 168 PROFORMAÇÃO PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM EXERCÍCIO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA SEED Disponível em httpproformacaoproinfomecgovbrapresentacaoasp Acesso 30052009 RAYS Oswaldo Alonso A relação teoriaprática na didática escolar crítica InVEIGA Ilma Passos Alencastro Org Didática o ensino e suas relações Campinas Papirus 1996 Coleção Magistério Formação e trabalho Pedagógico RIBEIRO Maria Luisa Santos História da educação brasileira a organização escolar 17 ed rev e ampl Campinas Autores Associados 2001 Coleção memória da educação ROCHA Simone Albuquerque GARSKE Lindalva Maria Novais O estágio curricular na formação de professores uma proposta em discussão In ROCHA Simone Albuquerque Org Formação de professores e práticas em discussão Cuiabá EdUFMT 2008 ROCHA Simone Albuquerque de A pesquisa como eixo norteador do estágio supervisionado na formação docente In ROCHA Simone Albuquerque Org Formação de professores e práticas em discussão Cuiabá EdUFMT 2008 ROCHA Simone Albuquerque de ULHOA André Estágio supervisionado do curso de pedagogia e contribuições para o desenvolvimento profissional da docência como tema gerador In ROCHA Simone Albuquerque Org Formação de professores e práticas em discussão Cuiabá EdUFMT 2008 RODRIGUES Disnah Barroso MENDES SOBRILHO José Augusto A formação de professores no Brasil aspectos históricos In MENDES SOBRILHO José Augusto CARVALHO Marlene Araújo Org Formação de professores e práticas docentes olhares contemporâneos Belo Horizonte Autêntica 2006 ROSA Maria da Glória de A história da educação através de textos 12 ed São Paulo Cultrix 1999 ROSA Cristina Dias LOPES Elisandra Silva Aventuras de viver conviver e aprender com as crianças In OSTETTO Luciana Esmeralda Org Educação infantil saberes e fazeres da formação de professores Campinas Papirus 2008 Coleção Ágere SANTOS Liliane Silva SCHLUNZEN Elisa Tomoe Moriya Análise do uso das novas tecnologias na educação uma nova ferramenta pedagógica 2007 Disponível em httpintertemasunitoledobrrevistaindexphpETICarticleview15581485 Acesso em 12 de maio de 2010 SAVIANI Dermeval Educação socialista pedagogia históricocrítica e os desafios da sociedade de classes In LOMBARDI José Claudinei SAVIANI Dermeval Org Marxismo e educação debates contemporâneos Campinas Autores Associados Histedbr 2005 A pedagogia no Brasil história e teoria Campinas Autores Associados 2008a Coleção memória da educação História das idéias pedagógicas no Brasil 2 ed rev e ampl Campinas Autores Associados 2008b Coleção memória da educação 169 Formação de professores aspetos históricos e teóricos do problema no contexto brasileiro Revista brasileira de educação Campinas Autores Associados JanAbr 2009 v 14 n 40 p 143155 2009a O espaço acadêmico da pedagogia no Brasil perspectiva histórica Paidéia 2004 vol 14 n 28 pág 113 124 Disponível em httpwwwscielobrpdfpaideiav14n2802pdf acesso 20032009 SILVA Rejane Maria Ghisolfi da SCHNETZLER Roseli Pacheco Estágios um estudo empírico lusobrasileiro In SILVA Lázara Cristina MIRANDA Maria Irene O estágio supervisionado e prática de ensino desafios e possibilidades Araraquara JunqueiraMarin Belo Horizonte FAPEMIG 2008 SILVA Edileuza Fernandes da A aula no contexto histórico In VEIGA Ilma Passos Alencastro Org Aula gênese dimensões princípios e práticas Campinas Papirus 2008 Coleção Magistério Formação e trabalho Pedagógico TARDIF Maurice Saberes Profissionais dos Professores e Conhecimentos Universitários Revista Brasileira de Educação ANPED N13 2000 P524 Saberes docentes e formação profissional 9 ed Petrópolis Vozes 2008 TEIXEIRA Mariluce Badre Tornarse aluno o aprendizado da etiqueta escolar em uma sala da préescola In In COX Pagliarini Maria Inês ASSISPETERSON Ana Antônia de Org Cenas de sala de aula Campinas Mercado de Letras 2001 Coleção Idéias sobre Linguagem TRIVIÑOS Augusto N S Introdução à pesquisa em ciências sociais a pesquisa qualitativa em educação 17 reimpressão São Paulo Atlas 2008 VASCONCELOS Maria Lucia Marcondes Carvalho BRITO Regina Helena Pires de Conceitos de educação em Paulo Freire Petrópolis Vozes São Paulo Mack Pesquisa Fundo Mackenzie de Pesquisa 2006 VASCONCELLOS Maura M M BERBELNeusi A N OLIVEIRA Cláudia C Formação de professores o desafio de integrar estágio com ensino e pesquisa na graduação Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos Brasília v 90 n 226 p 609623 setdez 2009 WESCHENFELDER Ignácio Lúcio João Batista de La Salle história e passos de uma construção socioeducacional In RANGEL Mary Org WESCHENFELDER Ignácio Lúcio fsc A didática a partir da pedagogia de La Salle Petrópolis Vozes 2006 XAVIER Maria Elizabete Sampaio Prado RIBEIRO Maria Luisa Santos NORONHA Olinda Maria História da educação a escola no Brasil São Paulo FTD 1994 Coleção Aprender Ensinar XAVIER Odiva Silva FERNANDES Rosana César de Arruda A aula em espaços não convencionais In VEIGA Ilma Passos Alencastro Org Aula gênese dimensões princípios e práticas Campinas Papirus 2008 Coleção Magistério Formação e trabalho Pedagógico 170 ZABALA Antoni A prática educativa como ensinar Tradução Ernani F da F Rosa Porto Alegre Artmed 1998 ZANINI Juliana Quint dos Santos LEITE Rachel Winz Sobre afetividade e construção de vínculos na educação infantil experiência de estágio com crianças de três e quatro anos In OSTETTO Luciana Esmeralda Org Educação infantil saberes e fazeres da formação de professores Campinas Papirus 2008 Coleção Ágere 171 APÊNDICES Apêndice 1 Observação em turmas de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental 1 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Acadêmica o Escola Municipal EMEIEMEF Total de alunos Masculino Feminino Faixa etária Turma 2 Atividade proposta conteúdo 3 Organização e utilização do espaço da sala de aula aspecto físico e pedagógico 4 Atividades da o Estagiária o com as crianças da turma em relação as ações de acolhida atividades de rotina e despedida momento de socialização 5 Como se desenvolve as atividades em sala de aula 51 De que forma propõe as atividades 52 Dialoga com as crianças 53 Chama as crianças pelo nome 54 Estabelece regras 6 Utilização dos recursos didáticos tempo elaboração confecção de materiais técnicas utilizadas 7 De que forma o lúdico brincadeiras e jogos esta presente na prática pedagógica da o estagiária o 8 Atividades para a realização da avaliação das ações realizadas em sala de aula 9 Destaques da prática docente da o Estagiária o 91 Positivos 92 Negativos 174 Apêndice 2 Questionário com acadêmico do curso de Pedagogia Licenciatura educação infantil 01 Estagiário a Período Sexo M F Idade Trabalhofunção 02 Por que você escolheu o curso de Pedagogia 03Comente as aulas ministradas por você na escolacampo Considerando os seguintes aspectos a A elaboração do plano de aula b O material utilizado recursos didáticos c O metodologia utilizada técnicas aplicadas d Atividades extraclasse e Interação com as crianças f Relacionamento com a professora da sala de aula da escolacampo 04Os conteúdos ministrados na escolacampo foram selecionados por quem Quais os critérios para essa seleção Você concorda com essa escolha Justifique suas respostas 05Qual o principal problemadificuldade você encontrou na realização do Estágio na escola campo Como você buscou resolver esse problemadificuldade 175 06 Em quais situações da prática escolacampo você utilizou teoriasconteúdo ministrado no curso em sua atuação na sala de aula de Educação Infantil Cite exemplos 07 Os conteúdos ministrados nas aulas de Estágioteoria ajudaram na sua atuação na sala de aula na escolacampo Cite exemplos 71O que você julga que faltou no curso e que deveria ser trabalhado antes do acadêmico ir para o Estágio na escolacampo 72 Que mudanças você entende que deveria haver para que a teoria estudada no curso fosse mais adequada para a aplicação na prática na sala de aula da escolacampo 08 Na sua avaliação em quais aspectos o Estágio na escolacampo colaborou na sua formação como professor de Educação Infantil 09 Em quais aspectos a escola o professor e o aluno da escolacampo são diferentes ou iguais do que você estudou no curso Justifique sua resposta e se possível dê exemplos 176 10 Cite um momento positivo e negativo e um na realização do seu Estágio na escola campo de Educação Infantil 177 Apêndice 3 Questionário com acadêmico do curso de Pedagogia Licenciatura anos iniciais do ensino fundamental 20091 01 Estagiário a Período Sexo M F Idade Trabalhofunção 02 Por que você escolheu o curso de Pedagogia 03Comente as aulas ministradas por você na escolacampo Considerando os seguintes aspectos a A elaboração do plano de aula b O material utilizado recursos didáticos c O metodologia utilizada técnicas aplicadas d Atividades extraclasse e Interação com as crianças f Relacionamento com a professora da sala de aula da escolacampo 04Os conteúdos ministrados na escolacampo foram selecionados por quem Quais os critérios para essa seleção Você concorda com essa escolha Justifique suas respostas 05Qual o principal problemadificuldade você encontrou na realização do Estágio na escola campo Como você buscou resolver esse problemadificuldade 178 06 Em quais situações da prática escolacampo você utilizou teoriasconteúdo ministrado no curso em sua atuação na sala de aula de Anos Iniciais do Ensino Fundamental Cite exemplos 07 Os conteúdos ministrados nas aulas de Estágioteoria ajudaram na sua atuação na sala de aula na escolacampo Cite exemplos 71O que você julga que faltou no curso e que deveria ser trabalhado antes do acadêmico ir para o Estágio na escolacampo 72 Que mudanças você entende que deveria haver para que a teoria estudada no curso fosse mais adequada para a aplicação na prática na sala de aula da escolacampo 08 Na sua avaliação em quais aspectos o Estágio na escolacampo colaborou na sua formação como professor de Anos Iniciais do Ensino Fundamental 09 Em quais aspectos a escola o professor e o aluno da escolacampo são diferentes ou iguais do que você estudou no curso Justifique sua resposta e se possível dê exemplos 10 Cite um momento positivo e negativo e um na realização do seu Estágio na escola campo de Anos Iniciais do Ensino Fundamental 179 11 Na sua avaliação em quais aspectos o Estágio de Educação Infantil difere dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Justifique sua resposta e se possível dê exemplos 180 Apêndice 4 Questionário aplicado às professoras orientadoras do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura 20082 E 20091 01 Nome 02 sexo M F Idade 03 Formação a Nível médio Qual b Nível superior Qual quais Início Término 04 Experiência profissional na área da educação Função e período de atuação 05 Regência de sala na educação básica Nível de ensino Série Início Término 06 Regência de sala na educação superior Disciplinas ministradas e período letivo 181 Apêndice 5 Entrevista realizada com as professoras orientadoras do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura 20082 E 20091 1 Quais são as referências que você utiliza para preparar as suas aulas 2 Ao elaborar o plano de curso da disciplina de estágio supervisionado do período em que ministrará a disciplina citada como as outras disciplinas são consideradas Se possível exemplifique 3 A disciplina Estágio Supervisionado colabora com as demais disciplinas do curso Em quais aspectos 4 Como ocorre a escolha da escolacampo onde acontece a prática do Estágio Supervisionado Você participa desta escolha Como 5 Quais critérios são usados para a escolha das atividades a serem aplicadas na escola campo 6 Segundo sua avaliação das atividades desenvolvidas na escolacampo quais foram às principais dificuldadesproblemas dos acadêmicos Como você buscou resolver esses problemasdificuldades As dificuldades foram às mesmas em todas as séries A que você atribui essas diferençassemelhanças 7 As dificuldades apresentadas pelos alunos e alunas do estágio se aproximam ou cada aluno e aluna apresenta uma dificuldade diferente do outro 8 Há diferenças entre a atuação pedagógica dos estagiáriosas que freqüentam o Magistério no ensino médio e os que vêm de outro tipo de ensino médio Quais 9 Os alunos e alunas estagiáriosas que já atuavam em sala de aula apresentam uma prática diferenciada em relação aos outros alunos e alunas 10 Os alunos e alunas estagiáriosas que estão entrando em sala de aula pela primeira vez trazem dificuldades específicas em relação aos outros Quais 11 Na sua concepção quais são as dificuldades mais preocupantes apresentadas no estágio para a futura atuação desses alunos e alunas 12 O que você julga que faltou na disciplina Estágio Supervisionado e que deveria ser trabalhado Quais mudanças você entende que deveria haver para sanar estas lacunas 13 Quando os seus alunos lhe pedem subsídios durante ou após o estágio para resolver questões pedagógicas que envolvem a relação professor e aluno ou de conteúdos ou as duas de que forma você costuma contribuir 182 14 É possível perceber a relação entre as diferentes disciplinas ministradas durante o curso de Pedagogia e a prática de estágio É possível perceber a contribuição das disciplinas de estágio De que forma 183 ANEXOS ANEXO 1 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO JUSTIFICATIVA LEGAL Este projeto coadunase às Diretrizes e Parâmetros Curriculares Nacionais para as diferentes etapas da Educação Básica 2002 e à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei n 939496 especificamente o disposto no art 9º 2º alínea e da Lei nº 4024 de 20 de dezembro de 1961 com a redação dada pela Lei nº 9131 de 25 de novembro de 1995 no art 62 da Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 e com fundamento no Parecer CNECP nº 52005 incluindo a emenda retificativa constante do Parecer CNECP nº 32006 homologados pelo Senhor Ministro de Estado da Educação respectivamente conforme despachos publicados no DOU de 15 de maio de 2006 e no DOU de 11 de abril de 2006 e a resolução CNECP nº 01de 15 de maio de 2006 que institui as diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Graduação Pedagogia Licenciatura Com isso procurase seguir às normas e recomendações das mesmas para reforçar a concepção de que a educação tem um papel fundamental no desenvolvimento da sociedade favorecendo as transformações sociais e também contribuir com o exercício de cidadania 16 CONCEPÇÃO DO CURSO As Diretrizes Curriculares para o curso de Pedagogia estabelecidas pela Resolução CNECP nº 1 de 15 de maio de 2006 aplicamse à formação inicial para o exercício da docência na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental nos cursos de Ensino Médio e em cursos de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar bem como em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos A docência é compreendida como ação educativa e processo pedagógico metódico e intencional construído em relações sociais étnicoraciais e produtivas as quais influenciam conceitos princípios e objetivos da Pedagogia desenvolvendose na articulação entre conhecimentos científicos e culturais valores éticos e estéticos inerentes a processos de aprendizagem de socialização e de construção do conhecimento no âmbito do diálogo entre diferentes visões de mundo O curso de Pedagogia por meio de estudos teóricopráticos investigação e reflexão crítica propiciará o planejamento execução e avaliação de atividades educativas a aplicação ao campo da educação de contribuições entre outras de conhecimentos como o filosófico o histórico o antropológico o ambientalecológico o psicológico o lingüístico o sociológico o político o econômico o cultural O graduando do curso de Pedagogia trabalhará com um repertório de informações e habilidades composto por pluralidade de conhecimentos teóricos e práticos cuja consolidação será proporcionada no exercício da profissão fundamentandose em princípios de interdisciplinaridade contextualização democratização pertinência e relevância social ética e sensibilidade afetiva e estética sendo fundamental para sua formação o conhecimento da escola como organização complexa que tem a função de promover a educação para e na cidadania a pesquisa a análise e a aplicação dos resultados de investigações de interesse da área educacional a participação na gestão de processos educativos e na organização e funcionamento de sistemas e instituições de ensino As atividades docentes também compreendem participação na organização e gestão de sistemas e instituições de ensino englobando planejamento execução coordenação acompanhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da Educação planejamento execução coordenação acompanhamento e avaliação de projetos e experiências educativas nãoescolares produção e difusão do conhecimento científicotecnológico do campo educacional em contextos escolares e nãoescolares A estrutura do curso de Pedagogia do ISEAR com 3280 horas a integralizarse em 8 semestres constituise de I Eixo de Estudos Básicos com 1500 horas composto por 26 disciplinas conforme quadro apresentado neste projeto após a apresentação da Estrutura Curricular completa que procura articular a aplicação de princípios concepções e critérios oriundos de diferentes áreas do conhecimento com pertinência ao campo da Pedagogia que contribuam para o desenvolvimento das pessoas das organizações e da sociedade a aplicação de princípios da gestão democrática em espaços escolares e nãoescolares a observação análise planejamento implementação e avaliação de processos educativos e de experiências educacionais em ambientes escolares e nãoescolares a utilização de conhecimento multidimensional sobre o ser humano em situações de aprendizagem a aplicação em práticas educativas de conhecimentos de processos de desenvolvimento de crianças adolescentes jovens e adultos nas dimensões física cognitiva afetiva estética cultural lúdica artística ética e biossocial a realização de diagnóstico sobre necessidades e aspirações dos diferentes segmentos da sociedade relativamente à educação sendo capaz de identificar diferentes forças e interesses de captar contradições e de considerálo nos planos pedagógico e de ensinoaprendizagem no planejamento e na realização de atividades educativas o planejamento execução e avaliação de experiências que considerem o contexto histórico e sociocultural do sistema educacional brasileiro particularmente no que diz respeito à Educação Infantil aos anos iniciais do Ensino Fundamental e à formação de professores e de profissionais na área de serviço e apoio escolar o estudo da Didática de teorias e metodologias pedagógicas de processos de organização do trabalho docente a decodificação e utilização de códigos de diferentes linguagens utilizadas por crianças além do trabalho didático com conteúdos pertinentes aos primeiros anos de escolarização relativos à Língua Portuguesa Matemática Ciências História e Geografia Artes Educação Física o estudo das relações entre educação e trabalho diversidade cultural cidadania sustentabilidade entre outras problemáticas centrais da sociedade contemporânea a atenção às questões atinentes à ética à estética e à ludicidade no contexto do exercício profissional em âmbitos escolares e nãoescolares articulando o saber acadêmico a pesquisa a extensão e a prática educativa o estudo aplicação e avaliação dos textos legais relativos à organização da educação nacional II Eixo de Aprofundamento e Diversificação de Estudos composto por 15 disciplinas num total de 820 horas voltado às áreas de atuação profissional priorizadas pelo ISEAR que oportunizará entre outras possibilidades a investigações sobre processos educativos e gestoriais em diferentes situações institucionais escolares comunitárias assistenciais empresariais e outras a avaliação criação e uso de textos materiais didáticos procedimentos e processos de aprendizagem que contemplem a diversidade social e cultural da sociedade brasileira o estudo análise e avaliação de teorias da educação a fim de elaborar propostas educacionais consistentes e inovadoras III Eixo de Estudos Integradores com 960 horas divididas entre o Estágio Supervisionado o Trabalho de Curso Prática Profissional Orientada Atividades de Iniciação Científica Extensão e Monitoria em que proporcionará enriquecimento curricular e compreende participação em seminários e estudos curriculares em projetos de iniciação científica monitoria e extensão diretamente orientados pelo corpo docente da instituição de educação superior atividades práticas de modo a propiciar vivências nas mais diferentes áreas do campo educacional assegurando aprofundamentos e diversificação de estudos experiências e utilização de recursos pedagógicos atividades de comunicação e expressão cultural 17 OBJETIVOS GERAIS O curso de Pedagogia do ISEAR tem por objetivos gerais Desenvolver posturas éticas e críticas que ofereçam aos alunos chances de trabalhar interagindo como sujeitos conscientes do seu papel na construção da História A formação inicial para o exercício da docência na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental nos cursos de Ensino Médio e em cursos de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar bem como em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos capazes de repensar a educação com espírito crítico com habilidades técnicopedagógicas e sociopolíticas para o exercício competente de sua profissão e como formadores de opinião Propiciar a oferta de referenciais teóricos básicos que instrumentalizem o indivíduo para atuar de forma criativa em situações diversas Oportunizar o ensino e a pesquisa articulados com as demandas sociais Estimular uma postura ativa na busca e construção dos espaços sociais para a definição de seus próprios caminhos e ressignificação de suas práticas Formar profissionais para o efetivo exercício do magistério a fim de instrumentalizálo de forma articulada aos saberes que definem sua identidade profissional ou seja conhecimentos dos conteúdos da formação saber pensar sua prática em função da teoria e fundamentalmente saber intervir 18 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Como objetivos específicos é intenção do ISEAR ao oferecer este curso Incutir nos profissionais a necessidade de exercer plenamente e com competência as atribuições que lhe forem legalmente conferidas Integrar teoria e prática possibilitando ao profissional em formação o desenvolvimento das competências e habilidades que deverão ser demonstradas no exercício da profissão de professor Ampliar a visão de mundo dos educandos de modo a exercer com convicção a sua cidadania e comprometendo cada cidadão com o exercício da construção cotidiana e coletiva de uma nova cultura Desenvolver habilidade de análise buscando alternativas para as desigualdades sociais de exclusão e da marginalização Investir na formação integral habilitando o futuro profissional a compreender o meio social em seus aspectos político econômico e cultural interferindo para a definição de seus próprios caminhos e reessignificações de suas práticas Formar profissionais que interiorizem valores morais e éticos Proporcionar conhecimentos práticos e teóricos oferecendo aos estudantes os fundamentos necessários para estimular as atividades de pesquisa Viabilizar integração Instituto poder público e iniciativa privada visando a elaboração e execução de ações conjuntas fomentando projetos de pesquisa e extensão para o desenvolvimento das potencialidades da região Desenvolver posturas éticas e críticas que ofereçam aos alunos chances de trabalhar interagindo como sujeitos conscientes do seu papel na construção da história e da cidadania Formar profissionais capazes de repensar a educação com espírito crítico habilidades técnicopedagógico e sóciopolítico para o exercício competente de sua profissão e como formadores de opinião Propiciar a oferta de referenciais teóricobásicas que instrumentalizem o profissional para atuar de forma criativa em situações diversas Oportunizar o ensino e a pesquisa articulados com as demandas sociais Investir de forma articulada em ensino pesquisa e extensão Oferecer as redes públicas e privadas profissionais qualificados para atuar no Magistério atendendo as expectativas e necessidades do setor educacional no que tange as diretrizes para esse nível de ensino Os profissionais estarão preparados para atuar portanto nas áreas acima mencionadas através de um programa de estudos que alie sólido embasamento teóricoprático investigação e reflexão crítica com metodologias pedagógicas inovadoras à vivência dos alunos e à análise dos processos psicológicos e sociais que impactam a aprendizagem nas crianças nos jovens e nos adultos numa perspectiva de educação continuada O profissional em processo de formação no Instituto Superior de Educação Almeida Rodrigues deve ser capaz de estabelecer atitude questionadora e equilibrada no exercício da cidadania Educando pela pesquisa cultivando o conhecimento não só como fonte central de mudanças contemporâneas mas principalmente humanizandoo sem perder de vista a perspectiva ética o curso de Pedagogia deve propiciar a ressignificação de formas de atuação do professor coerentes com o papel atribuído à educação e ao conhecimento no mundo de hoje assumindo assim seu compromisso histórico Portanto o profissional do Curso de Pedagogia do ISEAR será o profissional capaz de refletir sobre sua própria prática pedagógica garantindo um ensino de qualidade de acordo com os ideais da sociedade goiana Em síntese o egresso do curso de Pedagogia deverá estar apto a atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedade justa equânime igualitária compreender cuidar e educar crianças de zero a cinco anos de forma a contribuir para o seu desenvolvimento nas dimensões entre outras física psicológica intelectual social fortalecer o desenvolvimento e as aprendizagens de crianças do Ensino Fundamental assim como daqueles que não tiveram oportunidade de escolarização na idade própria trabalhar em espaços escolares e nãoescolares na promoção da aprendizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano em diversos níveis e modalidades do processo educativo reconhecer e respeitar as manifestações e necessidades físicas cognitivas emocionais e afetivas dos educandos nas suas relações individuais e coletivas ensinar Língua Portuguesa Matemática Ciências História Geografia Artes Educação Física de forma interdisciplinar e adequada às diferentes fases do desenvolvimento humano relacionar as linguagens dos meios de comunicação à educação nos processos didáticopedagógicos demonstrando domínio das tecnologias de informação e comunicação adequadas ao desenvolvimento de aprendizagens significativas promover e facilitar relações de cooperação entre a instituição educativa a família e a comunidade identificar problemas socioculturais e educacionais com postura investigativa integrativa e propositiva em face de realidades complexas com vistas a contribuir para superação de exclusões sociais étnicoraciais econômicas culturais religiosas políticas e outras demonstrar consciência da diversidade respeitando as diferenças de natureza ambientalecológica étnicoracial de gêneros faixas geracionais classes sociais religiões necessidades especiais escolhas sexuais entre outras desenvolver trabalho em equipe estabelecendo diálogo entre a área educacional e as demais áreas do conhecimento participar da gestão das instituições contribuindo para elaboração implementação coordenação acompanhamento e avaliação do projeto pedagógico participar da gestão das instituições planejando executando acompanhando e avaliando projetos e programas educacionais em ambientes escolares e nãoescolares realizar pesquisas que proporcionem conhecimentos entre outros sobre alunos e alunas e a realidade sociocultural em que estes desenvolvem suas experiências nãoescolares sobre processos de ensinar e de aprender em diferentes meios ambientalecológicos sobre propostas curriculares e sobre organização do trabalho educativo e práticas pedagógicas utilizar com propriedade instrumentos próprios para construção de conhecimentos pedagógicos e científicos estudar aplicar criticamente as diretrizes curriculares e outras determinações legais que lhe caiba implantar executar avaliar e encaminhar o resultado de sua avaliação às instâncias competentes No caso de professores indígenas e de professores que venham a atuar em escolas indígenas dada a particularidade das populações com que trabalham e das situações em que atuam sem excluir o acima explicitado deverão promover diálogo entre conhecimentos valores modos de vida orientações filosóficas políticas e religiosas próprias à cultura do povo indígena junto a quem atuam e os provenientes da sociedade majoritária atuar como agentes interculturais com vistas à valorização e o estudo de temas indígenas relevantes 10 181 Princípios metodológicos de formação de professores concepção de relação teóricoprática O ISEAR atua de forma inovadora flexível e plural para assegurar efetivamente a concretização do direito do aluno de aprender na escola O desenvolvimento das competências profissionais do professor que se deseja graduar pressupõe que os estudantes do curso construam os conhecimentos e desenvolvam as competências previstas para a conclusão desta etapa de sua escolaridade No que se refere à articulação entre teoria e prática o princípio metodológico geral é de que todo fazer implica uma reflexão e toda reflexão implica um fazer ainda que nem sempre este se materialize Esse princípio é operacional e sua aplicação não exige uma resposta definitiva sobre qual dimensão a teórica ou a prática deve ter prioridade muito menos qual delas deva ser o ponto de partida na formação do professor Desta forma no processo de construção de sua autonomia intelectual o professor além de saber e de saber fazer deve compreender o que faz Assim a prática conforme colocada na nossa proposta curricular não ficará reduzida a um espaço isolado Isso porque não é possível deixar ao futuro professor a tarefa de integrar e transpor o conhecimento sobre ensino e aprendizagem para o conhecimento na situação de ensino e aprendizagem sem ter oportunidade de participar de uma reflexão coletiva e sistemática sobre esse processo Nessa perspectiva o ISEAR ao desenvolver seu curso de Pedagogia Licenciatura prevê situações didáticas em que os futuros professores colocam em uso os conhecimentos que aprendem ao mesmo tempo em que mobilizam outros de diferentes naturezas e oriundos de diferentes experiências em diferentes tempos e espaços curriculares como indicado neste projeto 182 Conhecimento saberes e habilidades profissionais para o exercício profissional competências informações e habilidades 1821 Competências referentes ao comprometimento com os valores da sociedade democrática Pautarse por princípios da ética dignidade humana justiça respeito mútuo participação responsabilidade diálogo e solidariedade para atuação como profissionais e como cidadãos Orientar suas escolhas metodológicas e didáticas por valores democráticos e por pressupostos epistemológicos coerentes Reconhecer e respeitar a diversidade manifestada por seus alunos em seus aspectos sociais étnicoraciais econômicos culturais físicos cognitivos necessidades especiais escolhas sexuais dentre outras detectando e combatendo todas as formas de discriminação Zelar pela dignidade profissional e pela qualidade do trabalho escolar e nãoescolar sob sua responsabilidade 1822 Competências referentes à compreensão do papel social da escola Compreender o processo de sociabilidade e de ensino e aprendizagem em contextos escolares e nãoescolares Utilizar conhecimentos sobre a realidade econômica cultural política e social compreendendo o contexto e as relações em que está inserida a prática educativa Participar do planejamento execução coordenação acompanhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da Educação e de projetos e experiências educativas nãoescolares Promover uma prática educativa que conte com as características dos alunos e de seu meio social Estabelecer relações de parceria com os pais dos alunos 1823 Competências referentes ao domínio dos conteúdos a serem socializados de seus significados em diferentes contextos e de sua articulação Conhecer e dominar os conteúdos do Eixo de Estudos Básicos relacionados às áreasdisciplinas de conhecimento que serão objeto da atividade docente Ser capaz de relacionar os conteúdos básicos referentes às áreasdisciplinas de conhecimento com os fatos tendências fenômenos ou movimentos da atualidade os fatos significativos da vida pessoal social e profissional dos alunos Compartilhar saberes com docentes de diferentes áreasdisciplinas de conhecimento e articular em seu trabalho as contribuições dessas áreas Fazer uso de recursos da tecnologia da informação e da comunicação 1824 Competências referentes ao domínio do conhecimento pedagógico Criar planejar realizar gerir e avaliar situações didáticas eficazes para a aprendizagem Identificar analisar e produzir materiais e recursos para utilização didática Intervir nas situações educativas com sensibilidade acolhimento e afirmação responsável de sua autoridade Utilizar estratégias diversificadas de avaliação da aprendizagem e a partir de seus resultados formular propostas de intervenção pedagógica considerando o desenvolvimento de diferentes capacidades dos alunos 1825 Competências referentes ao conhecimento de processos de investigação que possibilitem o aperfeiçoamento da prática pedagógica Analisar situações e relações interpessoais que ocorrem na escola e nos espaços nãoescolares Sistematizar e socializar a reflexão sobre a prática docente como ação educativa e processo pedagógico metódico e intencional investigando o contexto e analisando a própria prática profissional Utilizar resultados de pesquisa para o aprimoramento de sua prática profissional E utilizar da pesquisa como instrumento no cotidiano da sala de aula aprender pesquisando 1826 Competências referentes ao gerenciamento do próprio desenvolvimento profissional Utilizar as diferentes fontes e veículos de informação como instrumento de desenvolvimento profissional Elaborar e desenvolver projetos pessoais de estudo e trabalho empenhandose em compartilhar a prática e produzir coletivamente Utilizar o conhecimento sobre a organização gestão e financiamento dos sistemas de ensino para uma inserção profissional crítica 1827 Habilidades Pretendese desenvolver as habilidades referentes ao comprometimento com os valores estéticos políticos e éticos inspiradores da sociedade democrática à compreensão do papel social em espaços escolares e nãoescolares ao domínio dos conteúdos a serem socializados de seus significados em diferentes contextos e de sua articulação interdisciplinar ao domínio do conhecimento didáticopedagógico ao conhecimento de processos de investigação que possibilitem o aperfeiçoamento da prática didáticopedagógica ao gerenciamento do próprio desenvolvimento profissional 14 183 Diretrizes para o desenvolvimento da prática profissional 1831 Prática Profissional Orientada O aluno do Curso de Pedagogia deve vivenciar várias práticas e vários modos do ato de ser professor considerando que não atuará somente na sala de aula devendo participar da vida da escola de um modo geral e de espaços nãoescolares o que requer sua atuação em atividades como participar do planejamento execução coordenação acompanhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da Educação e de projetos e experiências educativas nãoescolares Deve zelar pela aprendizagem do aluno estabelecendo estratégias de recuperação para alunos de menor rendimento participação nos períodos de avaliação e desenvolvimento profissional colaboração com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade espaços nãoescolares De acordo com a estrutura curricular proposta neste projeto para o Curso de Pedagogia a Prática Profissional pertencente ao Eixo de Estudos Integradores perpassa todo o curso a partir do 1º semestre indo até o 8º e foi denominada de Prática Profissional Orientada IVIII com 960 horas Nestas disciplinas serão trabalhadas práticas de docência e gestão educacional que ensejem aos licenciandos a observação e acompanhamento a participação no planejamento na execução e na avaliação de aprendizagens do ensino ou de projetos pedagógicos tanto em escolas como em outros ambientes educativos tudo incorporado a idéia do ensinar pesquisando e o aprender pesquisando O propósito da prática profissional está articulado ao propósito da teoria compreendida e trabalhada ao longo do curso e ao levantamento de dados veiculados ao manual de estágio culminando com o TCC Tais práticas serão realizadas através de seminários participação na realização de pesquisas consultas a bibliotecas e centros de documentação visitas a instituições educacionais e culturais atividades práticas de diferente natureza participação em grupos cooperativos de estudos 1832 Estágio Supervisionado O Estágio Supervisionado curricular será realizado ao longo do curso de modo a assegurar aos graduandos experiência de exercício profissional em ambientes escolares e nãoescolares com base na pesquisa segundo regulamentação de estágio objetivando atitudes éticas conhecimentos e competências O estágio curricular será desenvolvido em quatro etapas a partir do 3º semestre com carga horária total de 540 quinhentos e quarenta horas Para atender às finalidades definidas pelo Art 8º item IV da Res CNECP nº 12006 o Estágio Supervisionado I estará voltado para o História Estrutura e Funcionamento Escolar o ES II no 4º semestre abrangerá o campo da Educação Infantil Atividades Pedagógicas o ES III no 5º semestre alcançará as atividades desenvolvidas nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Atividades Pedagógicas o ES IV no 6º semestre denominado de Apoio Escolar participação em atividades da gestão de processos educativos e acompanhamento de atividades em ambiente não escolares no 7º semestre denominado de projetos educativos elaboração e implementação de projetos educativos no 8º semestre visará a coleta de dados e formulação do relatório de Estágio conforme regulamentação e manual de Estágio elaboração final do Trabalho de Conclusão de Curso Os supervisores de estágio desenvolvem o seguinte trabalho Auxílio ao estagiário na elaboração do seu plano de estágio Orientação ao estagiário no desenvolvimento de todo o seu estágio através das aulas de orientação de estágio supervisionado Participação de reuniões de caráter técnico e pedagógico com a Direção e coordenação de curso e o a fim de detalhar as diretrizes para o desenvolvimento das atividades de estágio estabelecidas nas normas gerais Anexo I Manual de Estágio E Regulamento Acompanhamento e avaliação do desempenho do estagiário durante as atividades de estágio A avaliação do estagiário feita pelos supervisores de estágio com a conivência do coordenador de curso tal avaliação acontecerá de forma sistemática contínua e descritiva abrangendo aspectos propostos na proposta da IES educar pela e na pesquisa 184 Currículo 1841 Coerência do currículo com os objetivos do curso A coerência do currículo com os objetivos do curso fundamentase na abordagem de conteúdos específicos visando alcançar às metas desejadas oportunizando ao futuro professor a estruturação da sua escolarização e construção contínua do conhecimento para aplicação e ainda em articulação disciplinas estágio práticas profissionais atendendo a multidisciplinar idade a transversalidade e a pluralidade cultural nos aspectos teóricos e práticos do propósito do curso 1842 Coerência do currículo com o perfil desejado do egresso O perfil do profissional que se pretende contempla um conjunto de competências indispensáveis à construção de uma prática pedagógica que exercite os alunos à atividades de análise para apropriação crítica do conhecimento Esse profissional deverá voltarse para o desenvolvimento de competências que assegurem a eficiência da atuação profissional oferecendolhe condições de aprendizagem dos conhecimentos para o exercício da profissão de professor de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais O perfil do profissional que estamos formando contempla um conjunto de competências indispensáveis à construção de uma prática pedagógica que exercite os alunos à atividades de análise para apropriação crítica do conhecimento Esse profissional deverá voltarse para o desenvolvimento de competências que assegurem a eficiência da atuação profissional oferecendolhe condições de aprendizagem dos conhecimentos para serem aplicados 17 185 Coerência do currículo em face das diretrizes curriculares nacionais A coerência do currículo face às Diretrizes Curriculares Nacionais constantes das Res CNECP 1 de 15052006 é trabalhada de forma que os conteúdos são considerados meio e suporte para a constituição das competências e interação com a realidade e demais indivíduos integrando e articulando a vida do cidadão com o conhecimento Assim na elaboração do currículo pleno além das matérias previstas pela legislação foi observada a subdivisão das matérias em disciplinas e as cargas horárias para cada uma delas assegurando a eficiência da atuação profissional oferecendo condições de aprendizagem dos conhecimentos da escolaridade tendo como fio condutor o aprender através da pesquisa 186 Adequação da metodologia de ensino à concepção do curso A metodologia de ensino é adequada à concepção do curso colaborando na tarefa de humanizar educando com senso ético e consciência crítica estimulando o formando a assumir responsabilidade na construção de uma sociedade democrática adaptandose a realidade de vida dos alunos onde todo cidadão tem direito de se desenvolver ao longo da vida com mediação da escola Os conteúdos das disciplinas serão desenvolvidos com atividades simultaneamente teóricas e práticas através de aulas expositivas estudo de textos atividades laboratoriais realizações de pesquisas trabalhos de grupo e de campo e atividades complementares de modo a abranger todo o conteúdo programático 187 Interrelação das disciplinas na concepção e execução do currículo A organização curricular do curso de PedagogiaLicenciatura permite desenvolver através de seus eixos de Estudo as áreas de formação geral de aprofundamento e diversificação de estudos Estabelece padrões de organização e visão articulada dos diferentes componentes temáticos dos conteúdos curriculares Para a execução do currículo do curso as disciplinas de formação geral por 18 exemplo são apresentadas de modo que ocorra a interdisciplinaridade as disciplinas didáticopedagógicas do eixo de estudos integradores são prérequisitos entre elas e necessitam de uma ordem obrigatória para que sejam cumpridas exemplo Prática Profissional Orientada I II III IV V VI VII e VIII Estágio Supervisionado I II III IV V e VI Desta forma existe uma seqüência progressiva da formação do discente para que ocorra um melhor aproveitamento e compreensão das matérias oferecidas até o fim do curso 41 DIMENSIONAMENTO DA MATRIZ CURRICULAR Assim posto o curso fundamentase em um todo orgânico tendo enquanto eixo estudos que fundamentam a compreensão da sociedade do homem da educação e do professor abrangendo aspectos filosóficos históricos políticos econômicos sociológicos psicológicos e antropológicos 1º Semestre Disciplinas Carga Horária Psicologia da Educação I 40 Filosofia da Educação 60 Língua Portuguesa 60 História da Educação 60 Novas Tecnologias na Educação 40 Teorias da Educação 60 Prática Profissional Orientada I 40 Total 360 2º Semestre Disciplinas Carga Horária Psicologia da Educação II 60 Fundamentos e Metodologia dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental 60 Didática I 80 Gestão Estrutura e Funcionamento do Ensino 80 19 Antropologia Educacional 40 Prática Profissional Orientada II 40 Total 360 3º Semestre Disciplinas Carga Horária Língua Portuguesa Conteúdo e Metodologia I 80 Didática II 60 Artes Conteúdo e Metodologia 40 Sociologia da Educação 40 Princípios e Métodos da Educação Infantil 60 Prática Profissional Orientada III 40 Total 320 4 Semestre Disciplinas Carga Horária Língua Portuguesa Conteúdo e Metodologia II 40 Matemática Conteúdo e Metodologia I 60 Ciências Conteúdo e Metodologia 60 Geografia Conteúdo e Metodologia 60 Alfabetização Conteúdo e Metodologia 60 Prática Profissional Orientada IV 40 Total 320 5º Semestre Disciplinas Carga Horária Matemática Conteúdo e Metodologia II 60 Educação Física Conteúdo e Metodologia 60 Metodologia de Pesquisa em Educação I 60 História Conteúdo e Metodologia 60 Jogos e Recreação 40 Prática Profissional Orientada V 40 Total 320 20 6º Semestre Disciplinas Carga Horária Os novos Paradigmas da Avaliação da Aprendizagem I 60 Literatura Infantil 60 Gestão da Educação Administrativa e Pedagógica 60 Processo Educacional no Meio Rural 40 Metodologia de Pesquisa em Educação II 60 Prática Profissional Orientada VI 40 Total 320 7º Semestre Disciplinas Carga Horária Multiculturalismo 40 Fundamentos e Metodologia das Atividades Culturais e Artísticas 60 A Criança Desenvolvimento e Necessidades Especiais 60 Os novos Paradigmas da Avaliação da Aprendizagem II 60 Planejamento e Tecnologia Educacionais 60 Prática Profissional Orientada VII 40 Total 320 8º Semestre Currículos e Programas 60 Psicomotricidade e a Aprendizagem 40 Fundamentos e Metodologia da Educação de Jovens e Adultos 60 Educação Inclusiva e Linguagem de Sinais 60 Política Pública e Novos Paradigmas da Educação Básica 60 Prática Profissional Orientada VIII 40 Total 320 Subtotal 2640 21 Estágio Supervisionado I História Estrutura e Funcionamento Escolar III Semestre 80 T40 P40 Estágio Supervisionado II Educação Infantil Atividades Pedagógicas IV Semestre 100 T40 P60 Estágio Supervisionado III Anos Iniciais do Ensino Fundamental Atividades Pedagógicas V Semestre 100 T40 P60 Estágio Supervisionado IV Apoio Escolar VI Semestre 80 T40 P40 Estágio Supervisionado V Gestão Escolar Administrativa Pedagógica e Implementação de Projetos Educação Infantil Anos Iniciais do Ensino Fundamental VII Semestre 100 T40 P60 Estágio Supervisionado VI Trabalho de Conclusão do Curso TCC VIII Semestre 80 T40 P40 Carga Horária Estágio T Teoria P Prática 540 240 300 Atividades de Iniciação a Pesquisa Extensão e Monitoria 100 Carga Horária Total do Curso 3280 411Colocação das disciplinas nos Eixos I Eixo de Estudos Básicos Disciplina Carga horária Psicologia da Educação I 40 Língua Portuguesa 60 História da Educação 60 Teorias da Educação 60 Psicologia da Educação II 60 Fundamentos e Metodologia dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental 60 Didática I 80 Filosofia da Educação 60 Gestão Estrutura e Funcionamento do Ensino 80 Antropologia Educacional 40 22 Língua Portuguesa Conteúdo e Metodologia I 80 Didática II 60 Artes Conteúdo e Metodologia 40 Sociologia da Educação 40 Matemática Conteúdo e Metodologia I 60 Ciências Conteúdo e Metodologia 60 Geografia Conteúdo e Metodologia 60 Língua Portuguesa Conteúdo e Metodologia II 40 Metodologia de Pesquisa em Educação I 60 Gestão da Educação Administrativa e Pedagógica 60 Matemática Conteúdo e Metodologia II 60 Psicomotricidade e a Aprendizagem 40 Currículos e Programas 60 Metodologia de Pesquisa em Educação II 60 Educação Física Conteúdo e Metodologia 60 História Conteúdo e Metodologia 60 Total 1500 II Eixo de Aprofundamento e Diversificação de Estudos Disciplina Carga horária Novas Tecnologias na Educação 40 Alfabetização Conteúdo e Metodologia 60 Princípios e Métodos da Educação Infantil 60 Literatura Infantil 60 Jogos e Recreação 40 A Criança Desenvolvimento e Necessidades Especiais 60 Os novos Paradigmas da Avaliação da Aprendizagem I 60 Os novos Paradigmas da Avaliação da Aprendizagem II 60 Planejamento e Tecnologias Educacionais 60 Fundamentos e Metodologia da Educação de Jovens e Adultos 60 Multiculturalismo 60 Educação Indígena 40 Política Pública e Novos Paradigmas da Educação Básica 60 23 Fundamentos e Metodologia das Atividades Culturais e Artísticas 60 Processo Educacional no Meio Rural 40 Total 820 III Eixo de Estudos Integradores Disciplina Carga horária Estágio Supervisionado I História Estrutura e Funcionamento Escolar III Semestre 80 Estágio Supervisionado II Educação Infantil Atividades PedagógicasIV Semestre 100 Estágio Supervisionado III Anos Iniciais do Ensino Fundamental Atividades Pedagógicas V Semestre 100 Estágio Supervisionado IV Gestão Administrativa e Pedagógica Implementação de Projetos 80 Estágio Supervisionado V Apoio Escolar Trabalho Pedagógico em espaços nãoescolares Implementação de Projetos 100 Estágio Supervisionado VI Trabalho de Conclusão do Curso TCC VIII Semestre 80 Total dos Estágios 540 Prática Profissional Orientada IVII 40 horas cada 320 Total de Prática Profissional Orientada 320 Atividades de Iniciação Científica Extensão e Monitoria 100 Total de Atividades de Iniciação Científica Extensão e Monitoria 100 Total do Núcleo de Estudos Integradores 960 Carga horária total do curso 3280 24 9 ESTÁGIO O estágio será desenvolvido tendo em vista um total de 540 horas distribuídas em quatro semestres iniciando no terceiro período do curso com a seguinte propositura Estágio Supervisionado I História Estrutura e Funcionamento Escolar III Semestre 80 T40 P40 Estágio Supervisionado II Educação Infantil Atividades PedagógicasIV Semestre 100 T40 P60 Estágio Supervisionado III Anos Iniciais do Ensino Fundamental Atividades Pedagógicas V Semestre 100 T40 P60 Estágio Supervisionado IV Gestão Administrativa e Pedagógica Implementação de Projetos 80 T40 P40 Estágio Supervisionado V Apoio Escolar Trabalho Pedagógico em espaços nãoescolares Implementação de Projetos 100 T40 P60 Estágio Supervisionado VI Trabalho de Conclusão do Curso TCC VIII Semestre 80 T40 P40 Carga Horária Estágio T Teoria P Prática 540 240 300 25 ANEXO 2 CENTRO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO ALMEIDA RODRIGUES INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO ALMEIDA RODRIGUES PEDAGOGIA LICENCIATURA MANUAL DE PRÁTICA PROFISSIONAL RIO VERDE 20071 26 APRESENTAÇÃO O Instituto Superior de Educação Almeida Rodrigues com o objetivo de propiciar orientações sobre a Prática Profissional enquanto componente curricular organizou o presente manual e espera possibilitar a você Acadêmico o primeiro contato com sua futura profissão bem como ajudalo no universo da Iniciação a Pesquisa organizarse intelectualmente e a organizar melhor o seu tempo Serão encontradas nesse documento informações esclarecedoras sobre Prática Profissional Orientada objetivos princípios metodológicos diretrizes para o seu desenvolvimento distribuição da carga horária e ementas Estágio Supervisionado manual e regulamento Atividades Complementares objetivos diretrizes para o seu desenvolvimento e distribuição da carga horária Considerando que a Prática Profissional contribuirá para que sua formação profissional e humana seja mais rica e abrangente e que as informações contidas no presente Manual possam esclarecer e orientar todos os envolvidos nas tarefas de Prática Profissional Orientada Estágio Supervisionado e Atividades Complementares esperamos que se faça bom uso do presente trabalho e que participem ativamente da vida universitária Para maiores esclarecimentos consulte os professores das áreas relacionadas e a Coordenação do Curso 27 1 PRÁTICA PROFISSIONAL ORIENTADA 11 Objetivos Utilizar as diferentes fontes e veículos de informação como instrumento de desenvolvimento profissional Elaborar e desenvolver projetos pessoais de estudo e trabalho empenhandose em compartilhar a prática e produzir coletivamente Utilizar o conhecimento sobre a organização gestão e financiamento dos sistemas de ensino para uma inserção profissional crítica Criar planejar realizar gerir e avaliar situações didáticas eficazes para a aprendizagem Identificar analisar e produzir materiais e recursos para utilização didática Analisar situações e relações interpessoais que ocorrem na escola e nos espaços nãoescolares Utilizar a pesquisa como instrumento no cotidiano da sala de aula aprender pesquisando aprimoramento de sua prática profissional Zelar pela dignidade profissional e pela qualidade do trabalho escolar e não escolar sob sua responsabilidade 12 Princípios metodológicos de formação de professores concepção de relação teóricoprática O ISEAR atua de forma inovadora flexível e plural para assegurar efetivamente a concretização do direito do aluno de aprender na escola O desenvolvimento das competências profissionais do professor que se deseja graduar pressupõe que os estudantes do curso construam os conhecimentos e desenvolvam as competências previstas para a conclusão desta etapa de sua escolaridade No que se refere à articulação entre teoria e prática o princípio metodológico geral é de que todo fazer implica uma reflexão e toda reflexão implica um fazer ainda que nem sempre este se materialize Esse princípio é operacional e sua 28 aplicação não exige uma resposta definitiva sobre qual dimensão a teórica ou a prática deve ter prioridade muito menos qual delas deva ser o ponto de partida na formação do professor Desta forma no processo de construção de sua autonomia intelectual o professor além de saber e de saber fazer deve compreender o que faz Assim a prática conforme colocada na nossa proposta curricular não ficará reduzida a um espaço isolado Isso porque não é possível deixar ao futuro professor a tarefa de integrar e transpor o conhecimento sobre ensino e aprendizagem para o conhecimento na situação de ensino e aprendizagem sem ter oportunidade de participar de uma reflexão coletiva e sistemática sobre esse processo Nessa perspectiva o ISEAR ao desenvolver seu curso de Pedagogia Licenciatura prevê situações didáticas em que os futuros professores colocam em uso os conhecimentos que aprendem ao mesmo tempo em que mobilizam outros de diferentes naturezas e oriundos de diferentes experiências em diferentes tempos e espaços curriculares como indicado neste projeto 121 Competências referentes ao gerenciamento do próprio desenvolvimento profissional Utilizar as diferentes fontes e veículos de informação como instrumento de desenvolvimento profissional Elaborar e desenvolver projetos pessoais de estudo e trabalho empenhando se em compartilhar a prática e produzir coletivamente Utilizar o conhecimento sobre a organização gestão e financiamento dos sistemas de ensino para uma inserção profissional crítica 29 13 Diretrizes para o desenvolvimento da Prática Profissional Orientada O aluno do Curso de Pedagogia deve vivenciar várias práticas e vários modos do ato de ser professor considerando que não atuará somente na sala de aula devendo participar da vida da escola de um modo geral e de espaços nãoescolares o que requer sua atuação em atividades como participar do planejamento execução coordenação acompanhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da Educação e de projetos e experiências educativas nãoescolares Deve zelar pela aprendizagem do aluno estabelecendo estratégias de recuperação para alunos de menor rendimento participação nos períodos de avaliação e desenvolvimento profissional colaboração com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade espaços nãoescolares De acordo com a estrutura curricular proposta neste projeto para o Curso de Pedagogia a Prática Profissional pertencente ao Eixo de Estudos Integradores perpassa todo o curso a partir do 1º semestre indo até o 8º e foi denominada de Prática Profissional Orientada IVIII com 320 horas Nestas disciplinas serão trabalhadas práticas de docência e gestão educacional que ensejem aos licenciados a observação e acompanhamento a participação no planejamento na execução e na avaliação de aprendizagens do ensino ou de projetos pedagógicos tanto em escolas como em outros ambientes educativos tudo incorporado a idéia do ensinar pesquisando e o aprender pesquisando O propósito da prática profissional está articulado ao propósito da teoria compreendida e trabalhada ao longo do curso e ao levantamento de dados veiculados ao manual de estágio culminando com o TCC Tais práticas serão realizadas através de seminários participação na realização de pesquisas consultas a bibliotecas e centros de documentação visitas a instituições educacionais e culturais atividades práticas de diferente natureza participação em grupos cooperativos de estudos 30 Disciplina Período Carga Horária Prática Profissional Orientada I 1º Período 40h Prática Profissional Orientada II 2º Período 40h Prática Profissional Orientada III 3º Período 40h Prática Profissional Orientada IV 4º Período 40h Prática Profissional Orientada V 5º Período 40h Prática Profissional Orientada VI 6º Período 40h Prática Profissional Orientada VII 7º Período 40h Prática Profissional Orientada VIII 8º Período 40h Carga Horária Total 320h 14 Ementas Prática Profissional Orientada 1º Período Ementa Teorias da Pedagogia objetivando o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Iniciação do aluno ao processo do pensamento científico em educação 2º Período Ementa Teorias da Pedagogia objetivando o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Iniciação do aluno ao processo do pensamento científico em educação 3º Período Ementa Teorias da Pedagogia objetivando o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Pratica educativa e a relação entre escola professor e aluno Desenvolvimento de pesquisa por meio do conhecimento científico da educação 4º Período EmentaTeorias da Pedagogia objetivando o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Pratica educativa na Educação Infantil Desenvolvimento de pesquisa por meio do conhecimento científico da educação 31 5º Período Ementa Teorias da Pedagogia objetivando o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Pratica educativa nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Desenvolvimento de pesquisa por meio do conhecimento científico da educação 6º Período Ementa Teorias da Pedagogia objetivando o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Elaboração e execução de projetos de docência junto às escolascampo a partir da realidade observada do projeto político pedagógico Desenvolvimento de pesquisa por meio do conhecimento científico da educação 7º Período Ementa Teorias da Pedagogia objetivando o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Definição do objeto de estudo Estruturar o projeto adequandoo à realidade Esboço de projeto de docência 8º Período Ementa Teorias da Pedagogia objetivando o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Execução do projeto de docência relato de experiência estudo de caso registro de dados aprofundamento do objeto de estudo Elaboração da parte escrita do TCC Monografia 32 15 Referências Bibliográficas ADAMS Marola Princípios da Prática de Ensino Rio de Janeiro USAID 1965 AEBLI Hans Pratica de Ensino Petrópolis Vozes 1986 AKATOS Eva Maria Fundamentos da Metodologia Cientifica Petrópolis Vozes2000 AYRES Antonio Tadeu Prática pedagógica ampliando os saberes do professor Petrópolis Vozes 2004 BOLZAN Dóris Vargas Formação de professores Compartilhando e reconstruindo conhecimentos Ed Mediação Porto Alegre 2002 Professoresas como investigadoresas da sua própria pratica Cadernos da aplicação UFRGS Porto Alegre São Paulo Cortez 1993 CARRAHER Terezinha DAVID Carreher SCHLIEMENN Ana Lúcia Na vida dez na escola zero 7ª edição São Paulo Cortes 1993 CARVALHO Mercedes organizadores Ensino Fundamental práticas docentes nas séries iniciais Petrópolis Vozes 2006 CASTRO Gilda de Professor submisso alunocliente Reflexões sobre a docência no Brasil Rio de Janeiro DPA 2003 CODO W GAZZOTTI AA Trabalho e afetividade In W Codo Org Educação Carinho e trabalho Petrópolis Vozes 1999 Construir competências desde a escola Porto Alegre Artes Médicas 1997 COLL César e EDWARDS Derek Org Ensino aprendizagem e discurso em sala de aula aproximações Ao estudo do discurso educacional Tradução de Beatriz Affonso Neves Porto Alegre Artes Médicas 1998 A construção de significados compartilhados em sala de aula Porto Alegre ArtMed 1998 CORAZZA Sandra Mara Planejamento de ensino como estratégia de política cultural In MOREIRA Antonio Flávio B org Currículo questões atuais Campinas Papirus 2000 CORDEIRO Jaime Didática São Paulo Contexto 2007 CURY Augusto Jorge Pais brilhantes professores fascinantes Rio de Janeiro Sextante 2003 DEMO Pedro Educar pela Pesquisa São Paulo Atlas 1998 A educação do futuro e o futuro da educação Campinas Autores associados 2005 DEMO Pedro Desafios modernos da educação Petrópolis Vozes 1993 33 ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICA DE ENSINO 10 2000 Rio de Janeiro Ensinar e aprender sujeitos saberes tempos e espaços Anais Rio de Janeiro MICROSERVIÇO 2000 1 CDRom FREIRE P Pedagogia da Autonomia Saberes necessário da prática educativa Petrópolis Vozes 1996 GRILLO Marlene Prática docente referência para a formação do educador In Cury Helena org Formação de professores Porto Alegre Artes Médica 2001 KOCHE José Carlos Fundamentos da Metodologia Cientifica Petrópolis Vozes 2002 PERISSÉ Gabriel Os sete pecados capitais e as virtudes da educação Rio de Janeiro Vieira Lent2007 PERRENOUD P As competências para ensinar no século XXI Porto Alegre Artemed 2002 A arte de construir competências Online Disponível wwwnovaescolacombr 2000 SACRISTAN Gimeno J GOMES Peres A Compreender e transformar o ensino Madrid Ediciones Matara 1998 TIBA Içami Ensinar aprendendo novos paradigmas na educação São Paulo Integare 2006 VEIGA Lima P A e REZENDE Lúcia Maria G de Orgs Escola espaço do projeto políticopedagogico 5 ed CampinasPapirus 2001 ZABALA Antoni A prática educativa como ensinar Porto Alegre Artemed 2002 ZABOLLI Graziela Práticas de Ensino subsídios para atividade docentes São Paulo Ática 1990 ZEICHNER Kemmeth A formação reflexiva de professores idéias e práticas Lisboa Educa 1993 34 ANEXO 3 2 ESTÁGIO SUPERVISIONADO 21 Normatização do Estágio Supervisionado 211 O que é Estágio É um termo prático de caráter técnico social cultural e atitudinal que proporciona a aplicabilidade de conhecimentos teóricos através da vivência em situações reais da futura profissão São realizados junto a Instituições públicas privadas sob a responsabilidade e coordenação da Coordenação do Curso Supervisor de Estágio e Orientador de Estágios É o estágio que irá possibilitar o primeiro contato com sua futura profissão e a Iniciação a Pesquisa Como estagiário se aprende a fazer fazendo e faz aprendendo ainda incentiva a observação e o senso crítico viabilizando a iniciar o acadêmico pesquisador Mas atenção Estágio não é emprego Ele é uma complementação do ensino com duração limitada O estágio só poderá ser realizado por estudantes regularmente matriculado e que esteja comprovadamente freqüentando as aulas logo o estágio é o período de exercício préprofissional previsto em currículo ou não em que o estudante de graduação permanece em contato direto com o ambiente de trabalho desenvolvendo atividades fundamentais profissionalizantes ou comunitárias programadas ou projetadas avaliáveis com duração limitada e supervisão O estágio portanto é atividade fundamental e inelegível significativa por ser capaz de otimizar a profissionalização do Acadêmico e viabilizando a vivencia em pesquisa Permite também o estabelecimento de canal retroalimentador entre a Universidade e a comunidade na busca constante da moderna tecnologia aumentando o desenvolvimento técnicocientífico de que a sociedade carece e exige 212 Distribuição da carga horária O estágio será desenvolvido tendo em vista um total de 300 horas distribuídas em quatro semestres iniciando no terceiro período do curso com a seguinte propositura 35 Disciplina Período Carga Horária Total Teoria Prática Estágio Supervisionado I História Estrutura e Funcionamento Escolar III Semestre 3º Período 80h 40h 40h Estágio Supervisionado II Educação Infantil Atividades PedagógicasIV Semestre 4º Período 100h 40h 60h Estágio Supervisionado III Anos Iniciais do Ensino Fundamental Atividades Pedagógicas V Semestre 5º Período 100h 40h 60h Estágio Supervisionado IV Apoio Escolar participação em atividades da gestão de processos educativos e acompanhamento de atividades em ambiente não escolares 6º Período 80h 40h 40h Estágio Supervisionado V projetos educativos elaboração e implementação de projetos educativos 7º Período 100h 40h 60h Estágio Supervisionado VI coleta de dados e formulação do relatório de Estágio conforme regulamentação e manual de Estágio elaboração final do Trabalho de Conclusão de Curso 8º Período 80h 40h 40h Carga horária Estágio 540h 22 Atividades Práticas do Estágio Supervisionado 221 Objetivos Formar profissionais para o efetivo exercício do magistério a fim de instrumentalizá lo de forma articulada aos saberes que definem sua identidade profissional ou seja 36 conhecimentos dos conteúdos da formação saber pensar sua prática em função da teoria e fundamentalmente saber intervir Atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedade justa equânime igualitária Compreender cuidar e educar crianças de zero a nove anos de forma a contribuir para o seu desenvolvimento nas dimensões entre outras física psicológica intelectual social Trabalhar em espaços escolares e nãoescolares na promoção da aprendizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano em diversos níveis e modalidades do processo educativo Promover e facilitar relações de cooperação entre a instituição educativa a família e a comunidade desenvolvendo trabalho em equipe estabelecendo diálogo entre a área educacional e as demais áreas do conhecimento Participar da gestão das instituições planejando executando acompanhando e avaliando projetos e programas educacionais em ambientes escolares e nãoescolares Realizar pesquisas que proporcionem conhecimentos entre outros sobre alunos e alunas e a realidade sociocultural em que estes desenvolvem suas experiências nãoescolares sobre processos de ensinar e de aprender em diferentes meios ambientalecológicos sobre propostas curriculares e sobre organização do trabalho educativo e práticas pedagógicas 222 Diretrizes para o desenvolvimento do Estágio Supervisionado O Estágio Supervisionado curricular será realizado ao longo do curso de modo a assegurar aos graduandos experiência de exercício profissional em ambientes escolares e nãoescolares com base na pesquisa segundo regulamentação de estágio objetivando atitudes éticas conhecimentos e competências O estágio curricular será desenvolvido em quatro etapas a partir do 3º semestre com carga horária total de 440 quatrocentas e quarenta horas Para atender às finalidades definidas pelo Art 8º item IV da Res CNECP nº 12006 o Estágio Supervisionado I estará voltado para o História Estrutura e Funcionamento Escolar o ES II no 4º semestre abrangerá o campo da Educação Infantil Atividades Pedagógicas o ES III no 5º semestre alcançará as atividades 37 desenvolvidas nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Atividades Pedagógicas o ES IV no 6º semestre denominado de Apoio Escolar participação em atividades da gestão de processos educativos e acompanhamento de atividades em ambiente não escolares no 7º semestre denominado de projetos educativos elaboração e implementação de projetos educativos no 8º semestre visará a coleta de dados e formulação do relatório de Estágio conforme regulamentação e manual de Estágio elaboração final do Trabalho de Conclusão de Curso Os supervisores de estágio desenvolvem o seguinte trabalho Auxílio ao estagiário na elaboração do seu plano de estágio Orientação ao estagiário no desenvolvimento de todo o seu estágio através das aulas de orientação de estágio supervisionado Participação de reuniões de caráter técnico e pedagógico com a Direção e coordenação de curso e o a fim de detalhar as diretrizes para o desenvolvimento das atividades de estágio estabelecidas nas normas gerais Anexo I Manual de Estágio E Regulamento Acompanhamento e avaliação do desempenho do estagiário durante as atividades de estágio A avaliação do estagiário feita pelos supervisores de estágio com a conivência do coordenador de curso tal avaliação acontecerá de forma sistemática contínua e descritiva abrangendo aspectos propostos na proposta da IES educar pela e na pesquisa 223 Documentação para realização do Estágio Carta de apresentação solicitar à secretaria da Faculdade em três vias Deixar na escola uma cópia da carta como comprovante de estágio Anexar à Ficha de Registro uma cópia da carta com a assinatura do diretor e carimbo da escola autorização a realização de estágio Deixar na Faculdade uma cópia da carta como controle do estágio Ficha de Registro de estágio em escola Modelo ANEXO 38 Identificação do aluno Nome completo Curso série semestre período ano Instituição de Estágio Identificação da Instituição colocar o nome completo da escola Escola estadual municipal ou particular Outras CCJ conveniadas Registro das atividades Data registrar o dia e o mês em que esteve na escola Série ou ciclo registrar a série ou ciclo no qual realizou suas atividades Se for uma atividade fora da sala de aula registrar dir direção coord coordenação secret secretaria ou escol escola Atividades descrever sucintamente a atividade realizada Por exemplo Observação da classe atividade recreativa eou relação professoraluno e outros Coleta de dados tabulação de dados registros Carga horária registrar total de horas realizadas no dia Não ultrapasse 5h Nome doa responsável registrar o nome doa Professor a Responsável pelo seu Estágio Quando for registrar as atividades realizadas na escola campo o responsável será o a coordenador a ou o a diretor a da escola campo e o Professor Supervisor de Estágio Se o a responsável inicial professor a diretor a coordenador a não estiver mais na escola no final do seu estágio assinará a sua Ficha de Registro quem tiver assumido essas funções Para comprovar a autorização uma cópia da Carta de Apresentação que foi deixada na escola Assinatura deverá estar em cada registro de atividade O carimbo do a responsável não substitui a assinatura Carimbo e ou Assinatura do O primeiro espaço Supervisor de Estágio Coordenador acadêmico ISEAR O terceiro espaço Diretor da IES Total de horas deverá ser calculado junto com o a responsável pelo estágio Em seguida deverá ser assinado pelo aluno 39 Assinatura do a Diretor a da Escola Campo deverá assinar após a conferir a Ficha de Registro e o total de horas h Assinatura do a Professor a Orientador a verificar a Ficha de Registro total de horas assinaturas e carimbos fazer o registro no Livro de Atas assinar o último espaço no verso da Ficha de Registro 1 para ser encaminhada para a Coordenação do Curso Não pode haver rasuras Assinatura do a Coordenador a Acadêmico ISEAR após verificar os itens acima deverá assinar a Ficha e encaminhar para a Secretaria Geral para arquivamento Ficha de Registro de Atividades Diversificadas eou Enriquecimento Curricular Modelo ANEXO Identificação seguir orientação anterior 22321 e 22322 Registro das atividades Data e evento registrar o dia e o tipo de evento por exemplo 25012008 Palestra com representante da ONG Avisa Lá Carga horária total de horas destinadas para o evento Registrar sempre o que consta no documento expedido pela Instituição responsável pelo evento Descrição descreva o mais sucintamente possível Comprovante atestado declaração certificado deve constar o nome do evento data e local da realização total de horas Anexar uma cópia do documento no relatório de estágio Ementas Estágio Supervisionado 3º Período História Estrutura e Funcionamento Escolar Ementa A formação inicial para o exercício da docência elaboração de textos sobre história estrutura e funcionamento da escola de Educação Infantil Elaboração da parte escrita do estágio textos relatórios seminários e oficinas Desenvolvimento de pesquisa por meio do conhecimento científico da educação 40 4º Período Educação Infantil Atividades Pedagógicas Ementa A formação inicial para o exercício da docência na Educação Infantil Vivência de processos de investigação e problematização da realidade educacional a partir do campo de estágio e dos aportes teóricos da Pedagogia tendo em vista o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Ênfase no conhecimento da organização do trabalho pedagógico na educação infantil desenvolvido no campo de estágio 5º Período Anos Iniciais do Ensino Fundamental Atividades Pedagógicas Ementa A formação inicial para o exercício da docência nos anos iniciais do Ensino Fundamental Vivência de processos de investigação e problematização da realidade educacional a partir do campo de estágio e dos aportes teóricos da Pedagogia tendo em vista o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Ênfase no conhecimento da organização do trabalho pedagógico nos anos iniciais do ensino fundamental desenvolvido no campo de estágio 6º Período Apoio Escolar participação em atividades da gestão de processos educativos e acompanhamento de atividades em ambiente não escolares Ementa Vivência de processos de investigação e problematização da realidade educacional a partir do campo de estágio e dos aportes teóricos da Pedagogia tendo em vista o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Ênfase na elaboração de projetos e participação na Gestão Escolar Administrativa e Pedagógica por meio da implementação de projetos específicos para cada uma das funções Diretor e Coordenador Elaboração da parte escrita do estágio textos relatórios seminários e oficinas Desenvolvimento de pesquisa por meio do conhecimento científico da educação 41 7º Período projetos educativos elaboração e implementação de projetos educativos Ementa Vivência de processos de investigação e problematização da realidade educacional a partir do campo de estágio e dos aportes teóricos da Pedagogia tendo em vista o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Ênfase no apoio Escolar e participação na gestão de processos educativos e acompanhamento de atividades em ambientes não escolares Elaboração da parte escrita do estágio textos relatórios seminários e oficinas Desenvolvimento de pesquisa por meio do conhecimento científico da educação 8º Período coleta de dados e formulação do relatório de Estágio conforme regulamentação e manual de Estágio elaboração final do Trabalho de Conclusão de Curso Ementa Vivência de processos de investigação e problematização da realidade educacional a partir do campo de estágio e dos aportes teóricos da Pedagogia tendo em vista a elaboração do Trabalho de Conclusão do CursoTCC Elaboração da parte escrita da Monografia Normas da ABNT Referências e Citações Desenvolvimento de pesquisa por meio do conhecimento científico da educação 224 Referências Bibliográficas ALARCÃO I Reflexão crítica sobre o pensamento de D Schön e os programas de formação de professores Revista da Faculdade Educação da USP v22 nº 21996 p 1142 Supervisão da prática pedagógica 2ed Coimbra Almeida 2003 AQUINO J G Confrontos na sala de aula uma leitura institucional da relação professor aluno São Paulo Summus 1996 BORGES R C M B O professor reflexivocrítico como mediador do processo de inter relação da leitura escrita In PIMENTA S G GHEDIN E Org Professor reflexivo no Brasil gênese e crítica de um conceito São Paulo Cortez 2002 Sociologia In ORTIZ R Cultura brasileira e identidade nacional 5ed São Paulo Brasiliense 1994 Contrafogos táticas para enfrentar a invasão neoliberal Rio de Janeiro Zahar 1998 42 BREZINSKI I Profissão professor identidade e profissionalização docente Brasília Plano 2002 CANDAU V A didática em questão Rio de Janeiro Vozes 1984 CONTRERAS J La autonomia del professorado Barcelona Morata 1997 A autonomia de professores São Paulo Cortez 2002 CUNHA L A S Formação inicial do professor da educação básica contribuição da teoria sobre o professor reflexivo no Estágio Supervisionado 2002 Dissertação Mestrado Faculdade de Educação Universidade de São Paulo CUNHA M I O bom professor e sua prática Campinas Papirus 1989 O professor universitário na transição de paradigmas Araraquara JM 1998 CURY C R J Estágio supervisionado na formação docente In Endipe 11 2002 Goiânia LISITA V M S S SOUSA e L F E C P Org Políticas educacionais práticas escolares e alternativas de inclusão escolar Rio de Janeiro DPA 2003 FAZENDA I C A Interdisciplinaridade história teoria e pesquisa Campinas Papirus 1994 FONSECA S G Didática e Prática de Ensino de História experiências reflexões e aprendizagens Campinas Papirus 2003 FRANCO G O estágio supervisionado para profissionais do magistério e suas influências na prática docente 2002 Dissertação Mestrado Universidade Estadual do Vale do Acarau e Universidade Internacional de Lisboa GIROUX H Escola critica e política cultural São Paulo Cortez 1987 HERNÁNDEZ F Transgressão e mudança na educação os projetos de trabalho Porto Alegre Artmed 1998 LIBÂNEO J C Adeus professor adeus professora São Paulo Cortez 1998 Reflexividade e formação de professores outra oscilação do pensamento pedagógico brasileiro In PIMENTA S G GHEDIN E Org Professor reflexivo no Brasil gênese e crítico de um conceito São Paulo Cortez 2002 PIMENTA S G Formação dos profissionais da educação visão crítica e perspectivas de mudança Educação Sociedade Campinas Cedes nº 68 p239277 1999 Organização e gestão da escola teoria e prática Goiânia Alternativa 2001 OLIVEIRA J F TOSCHI M S Educação escolar políticas estrutura e organização São Paulo Cortez 2003 Docência em Formação MORIN E Os sete saberes necessários à educação do futuro São Paulo Cortez 2000 NÓVOA A Org Os professores e sua formação Lisboa Dom Quixote 1992 43 Formação de professores e profissão docente In NÓVOA A Org Os professores e sua formação Lisboa Dom Quixote 1992 O passado e o presente dos professores In NÓVOA A Org Profissão professor Porto Porto Editora 1992 SACRISTÁN J G Tendências investigativas na formação de professores In PIMENTA S G GHEDIN E Org Professor reflexivo no Brasil gênese e crítica de um conceito São Paulo Cortez 2002 SCHÖN D Formar professores como profissionais reflexivos In NÓVOA A Org Os professores e sua formação Lisboa Dom Quixote 1992 TARDIF M Saberes e formação profissional Petrópolis Vozes 2002 VASCONCELLOS C S Coordenação do trabalho pedagógico do projeto político pedagógico ao cotidiano da sala de aula São Paulo Libertad 2002 ZABALA A A prática educativa como ensinar Porto Alegre Artmed 1998
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LINDOMAR BARROS DOS SANTOS ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DO CURSO DE PEDAGOGIA LICENCIATURA UM ESTUDO DE CASO Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação Mestrado em Educação da Universidade Católica Dom Bosco como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestre em Educação Área de Concentração Educação Orientadora Profª Drª Ruth Pavan UNIVERSIDADE CATÓLICA DOM BOSCO UCDB PROGRAMA DE PÓSGRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO MESTRADO E DOUTORADO CAMPO GRANDEMS JULHO 2010 LINDOMAR BARROS DOS SANTOS ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DO CURSO DE PEDAGOGIA LICENCIATURA UM ESTUDO DE CASO Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação Mestrado e Doutorado em Educação da Universidade Católica Dom Bosco como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestre em Educação Área de Concentração Educação Orientadora Profª Drª Ruth Pavan UNIVERSIDADE CATÓLICA DOM BOSCO UCDB PROGRAMA DE PÓSGRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO MESTRADO E DOUTORADO CAMPO GRANDEMS JULHO 2010 Ficha catalográfica Santos Lindomar Barros dos S237e Estágio supervisionado de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental do curso de pedagogia licenciatura um estudo de caso Lindomar Barros dos Santos orientação Ruth Pavan 2010 215 f anexos Dissertação mestrado em educação Universidade Católica Dom Bosco Campo Grande 2010 1Professores Formação 2 Estágios supervisionados 3 Educação de crianças Estágios I Pavan Ruth II Título CDD 37071 ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DO CURSO DE PEDAGOGIA LICENCIATURA UM ESTUDO DE CASO LINDOMAR BARROS DOS SANTOS ÁREA DE CONCENTRAÇÃO EDUCAÇÃO BANCA EXAMINADORA Profª Drª Ruth Pavan Profª Drª Eli Teresinha Henn Fabris Profª Drª Maria Cristina Lima Paniago Lopes CAMPO GRANDE DE JUNHO DE 2010 UNIVERSIDADE CATÓLICA DOM BOSCO UCDB DEDICATÓRIA Dedico a Nossa Senhora Aparecida minha Mãe amorosa que todos os dias da minha vida esteve ao meu lado compartilhando comigo os momentos de alegria conquistas e vitórias e também apoiandome e amparandome a cada dia em que a dúvida a insegurança e o medo fizeramse presentes quase levandome a desistir de minhas metas e sonhos Por jamais ter deixado que me perdesse nas dúvidas redirecionando meu caminho para alcançar minhas vitórias Aos professores pela oportunidade de eu haver crescido com eles Aos futuros professores que renovamme as esperanças de uma prática pedagógica reflexiva AGRADECIMENTOS A Deus força maior de minha vida Às minhas professoras do Mestrado particularmente a Professora Doutora Regina Teresa Cestari de Oliveira viva personificação de que é possível ser extremamente competente no que faz sem deixar a doçura e a elegância que reveste o dom de permanecer humana À Professora Doutora Ruth Pavan por quem nutro imensurável respeito e admiração cujo perfil humano e rigor acadêmico pautaram suas ações na orientação desta pesquisa com sua sabedoria levoume a profundas desconstruções de minhas certezas para então conduzirme à reconstrução de meus conhecimentos À Professora Doutora Elí T Henn Fabris que dispôsse com tamanha generosidade e profissionalismo a participar desta Banca Examinadora contribuindo com minha aprendizagem e renovação de minhas esperanças pedagógicas À Professora Doutora Maria Cristina Lima Paniago Lopes por aceitar participar desta Banca Examinadora compartilhando com a construção de meus conhecimentos Às minhas professoras do primário em especial à Professora Maria da Penha Ferreira Tartuce pelo referencial profissional e humano ao ver meio a tantas outras crianças minhas necessidades limitações e possibilidades sendo responsável em grande parte pela minha inserção na profissão docente À Faculdade Almeida Rodrigues pelo apoio incondicional Às instituições de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental por possibilitarem a realização da coleta de dados essencial à construção desta dissertação Aos acadêmicos do curso de Pedagogia Licenciatura estagiários que generosamente foram sujeitos desta pesquisa e a quem cabe o real mérito desta experiência Às professoras orientadoras de estágio que mesmo diante de uma desgastante rotina de trabalho disponibilizaramse a colaborar com esta pesquisa a partir de uma transparência ímpar permitindonos visualizar o âmago de sua prática pedagógica À Professora Simone minha amiga por acreditar em mim e provocarme reflexões que incentivam minha busca de melhoria profissional participando de minha jornada neste Mestrado compartilhando os bons e maus momentos deste percurso SANTOS Lindomar Barros dos Estágio supervisionado de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental do curso de pedagogia licenciatura um estudo de caso Campo Grande 2010 215 p Dissertação Mestrado Universidade Católica Dom Bosco RESUMO A presente dissertação intitulada Estágio supervisionado de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental do curso de pedagogia licenciatura um estudo de caso inserese na linha de pesquisa Práticas Pedagógicas e suas Relações com a Formação Docente do Programa de Mestrado e Doutorado em Educação da Universidade Católica Dom Bosco UCDB O objetivo geral desta pesquisa é analisar a contribuição do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental que tem como referência as Diretrizes Curriculares Nacionais Resolução CNECP1 Nº 1 de 15 de maio de 2006 para a formação do pedagogo Os objetivos específicos desta dissertação são a Observar in locus o estágio supervisionado de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental do Curso de Pedagogia Licenciatura b Analisar a atuação pedagógica dos as acadêmicos as durante o estágio supervisionado de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental e relacionálo com o PPP Projeto Político Pedagógico do Curso e c Compreender como as Professoras Orientadoras de Estágio acompanham e analisam o Estágio Tratase de uma pesquisa de abordagem qualitativa sendo que realizamos um estudo de caso A coleta de dados ocorreu por meio dos seguintes instrumentos observação aplicação de questionário aberto entrevista semi estruturada realizada com as docentes do curso de Pedagogia Licenciatura e análise documental O período que compreende o segundo semestre de 2008 e o primeiro semestre de 2009 foi destinado às observações aplicação de questionários aos acadêmicos participantes de nossa pesquisa Já o segundo semestre de 2009 foi o período de entrevistas às professoras orientadoras do Estágio Supervisionado do curso de Pedagogia Licenciatura Podemos concluir que o Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental precisa ser repensado pois os alunos estagiários demonstraram muitas dificuldades em relação a compreensão do processo educativo Deste modo o curso precisa ter maior ênfase na reflexão e pesquisa para que os futuros pedagogosas tenham possibilidades de atuar nos diferentes níveis e modalidades do processo educacional PALAVRASCHAVE Pedagogia Formação docente Estágio Supervisionado 1 Conselho Nacional de EducaçãoCurso de Pedagogia SANTOS Lindomar Barros dos Supervised preservice teachers practice in preprimary school and initial grades primary school in a pedagogy course teacher formation course a study case Campo Grande 2010 215 pages Dissertation Master Dom Bosco Catholic University ABSTRACT The present study called Supervised preservice teachers practice in preprimary school and initial grades primary school of a pedagogy course teacher formation course a study case is in the research line Pedagogical Practices and its Relations with Teacher Formation of the Education Master and Doctorate Program of Dom Bosco Catholic University UCDB The general objective of this research is to analyze the contribution of Supervised Preservice Teachers Practice of a Pedagogy Course Teacher Formation Course in Preprimary School and Initial Grades Primary School which has as reference the National Curricular Guidelines Resolution CNECP N 1 from May 15th 2006 to pedagogue The main goals of this study are a Observe in locus the supervised preservice teachers practice in Preprimary School and Initial Grades Primary School of a Pedagogy Course Teacher Formation Course b Analyze the pedagogical practice of academics throughout the supervised preservice teachers practice in Preprimary School and Initial Grades Primary School and relate it to PPP Political Pedagogical Project Course and c Understand how Supervised Preservice Teachers Practice Academic Advisors follow and analyze the Supervised Preservice Teachers Practice It is a research based on qualitative approach and a study case was done The data collect was through the following means observation open questionnaire apply semistructured interview done teachers from the Pedagogy course and document analysis The period between 2008 second term and 2009 first term was used to observation questionnaires apply to participating academics of our study Then 2009 second term was the period of interviews of the academic advisors teachers of the supervised preservice teachers practice in Pre primary School and Initial Grades Primary School of a Pedagogy Course Teacher Formation Course We can conclude that Supervised Preservice Teachers Practice of a Pedagogy Course Teacher Formation Course in Preprimary School and Initial Grades Primary School should be rethought due to the fact that trainees showed many difficulties in relation to educational process comprehension This way the course must have more emphasis on reflection and research so future pedagogues will be able to act in different levels and modalities of educational process KEYWORDS Pedagogy Teacher Formation Supervised Preservice Teachers Practice LISTA DE APÊNDICES Apêndice 1 Observação em turmas de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental Apêndice 2 Questionário com acadêmico do curso de PedagogiaLicenciatura educação infantil Apêndice 3 Questionário com acadêmico do curso de PedagogiaLicenciatura anos inicias do ensino fundamental Apêndice 4 Questionário aplicado às professoras orientadoras do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura 20082 E 20091 Apêndice 5 Entrevista realizada com as professoras orientadoras do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura 20082 E 20091 163 164 167 170 171 LISTA DE ANEXOS Anexo 1 Projeto Político Pedagógico Anexo 2 Manual de Prática Profissional Orientada Anexo 3 Manual de Estágio 173 197 206 SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPÍTULO I FORMAÇÃO DE PROFESSORES 11 Reflexões iniciais 12 O curso de Pedagogia um olhar sobre sua história 13 A Pedagogia no contexto atual discussões a partir dos anos de 1990 CAPÍTULO II O ESTÁGIO SUPERVISIONADO TEORIA E PRÁTICA 21 Formação e estágio tensões e desafios 22 Aspectos legais CAPÍTULO III ANÁLISE DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO DO CURSO DE PEDAGOGIA LICENCIATURA EDUCAÇÃO INFANTIL 31 Educação Infantil observação in loco 312 Análise das informações obtidas junto ao estagiário e as estagiárias na Educação Infantil 3121 O ambiente da sala de aula de Educação Infantil o espaço onde acontecem os estágios 3122 O conteúdo uma preocupação sempre presente 313 Relação do aluno estagiário com seus alunos diferentes formas CAPÍTULO IV ANÁLISE DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO DO CURSO DE PEDAGOGIA LICENCIATURA ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL 41 Ensino Fundamental observação in loco 412 Análise das informações obtidas junto ao estagiário e as estagiárias no Ensino Fundamental 413 Ensino Fundamental fragilidade nos conteúdos e metodologias 414 Relação do aluno estagiário com seus alunos diferentes formas CAPÍTULO V O DIÁLOGO COM AS PROFESSORAS ORIENTADORAS E ESTAGIÁRIOS 51 O Estágio Supervisionado o diálogo com as professoras orientadoras 52 Formação e campo de estágio sob o olhar dos Acadêmicos Estagiários tensões desafios e perspectivas CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS 12 20 20 24 35 39 46 49 54 57 60 60 68 89 100 100 102 103 122 125 125 133 147 152 APÊNDICES ANEXOS 162 173 INTRODUÇÃO Na verdade não nasci marcado para ser um professor a esta maneira mas me tornei assim na experiência de minha infância de minha adolescência de minha juventude FREIRE 2001 p 84 grifo do autor Minha trajetória profissional fezse paralelamente à minha formação Tenho experiência de escola e minha própria história tornouse minha escola Assim a minha vontade de ser professor surgiu a partir do momento que ingressei na Escola Primária 1968 1ª série 1969 2ª série 1970 3ª série 1971 4ª série pois até então o universo social do qual eu fazia parte era a família A escola certamente abriume um mundo novo e fascinante possibilitandome fazer parte de um contexto social até então desconhecido por mim Esse acontecimento foi tão forte e marcante para mim que ao final das aulas voltava para casa e dava continuidade às atividades da escola brincando de escolinha reproduzindo o que eu vivenciava na escola Neste período já trabalhava fora de casa Fui empregado doméstico e babá Quando ingressei no ginásio por meio da admissão 5ª série 1972 fui balconista em uma livraria e assim tive acesso às diversas obras literárias as quais sempre que tinha a oportunidade lia Exerci também a atividade de vendedor em uma banca de revista onde também lia outros tipos de textos revistas jornais gibis Estas vivências convívio com crianças e o universo rico de leitura foram cruciais para minha escolha profissional No ano de 1981 comecei substituir professores que ministravam aulas no Primeiro Grau 1ª à 4ª série No mesmo ano ingressei no curso Técnico em Magistério turno noturno No ano seguinte fui aprovado no concurso municipal para ocupar o cargo de Professor Assistente PA para ministrar aulas de 1ª à 4ª série do Ensino Fundamental Em 1983 assumi a 1ª série alfabetização trabalhando nos períodos matutino e vespertino e no período noturno cursava o 2º ano do curso Técnico em Magistério No ano de 1984 no período matutino concluí o curso de Técnico em Magistério No período vespertino exercia a função de auxiliar pedagógico na Secretaria Municipal de Educação Ainda em 1984 fui aprovado em concurso estadual para Professor Assistente Primário PAP e assumi no turno noturno a 1ª série do Ensino Fundamental Nos anos de 19851986 fui regente de sala na 4ª série do Ensino Fundamental também no turno noturno No ano de 1985 fui aprovado por meio de concurso vestibular para o curso de Pedagogia Licenciatura Curta frequentando aulas às sextasfeiras no turno noturno e aos sábados nos turnos matutino e vespertino o qual concluí em 1988 Em 1989 iniciei a complementação de minha licenciatura de Curta para Plena Fato esse que me habilitou em Supervisão Escolar na Escola de 1º e 2º Graus e Administração Escolar na Escola de 1º e 2º Graus Concluí em 1990 Seguindo esta breve retrospectiva da minha história profissional destaco o início do meu trabalho atuando na formação de professores Entre os anos de 1985 a 1987 ministrei no Curso Técnico em Magistério a disciplina Prática de Ensino e Estágio Supervisionado no Colégio Municipal Irmãos Messias da Costa em Santo Antônio da Barra que na época era distrito do município de Rio Verde No período de 1987 a 1988 torneime gestor de escola municipal e supervisor na Secretaria Municipal de Educação Em busca de aprimoramento profissional no período que compreende abril a dezembro de 1991 concluí o curso em Planejamento Educacional Lato Sensu Com o trabalho na formação docente tive várias experiências tanto na rede municipal de ensino 19941995 quanto na rede estadual de ensino 19931999 como regente de classe ministrando as disciplinas específicas na formação do professor para atuar nas séries iniciais do ensino fundamental priorizando a Prática de Ensino e o Estágio Supervisionado Iniciei a docência superior no curso de Pedagogia da Fundação de Ensino Superior de Rio Verde FESURV No primeiro semestre letivo do ano de 2001 ministrei entre outras disciplinas a de Estágio Supervisionado de 1º e 2º graus Dentre todas as disciplinas que ministrei em minha primeira experiência na docência superior certamente a docência na disciplina Estágio Supervisionado foi e é a grande escola para minha constituição como ser humano e professor Assim esta disciplina a cada conquista ofereceu e oferece subsídios para desconstruir minhas certezas e reconstruir minhas dúvidas 21 A partir do segundo semestre de 2003 iniciei minhas atividades docentes no Instituto Superior de Educação Almeida Rodrigues que oferecia duas habilitações em Normal Superior quais sejam Educação Infantil ou Anos Iniciais do Ensino Fundamental Lecionei em cada uma das habilitações novamente a disciplina Estágio Supervisionado fazia parte de minhas atribuições No primeiro semestre de 2007 além de ministrar aulas assumi a convite da direção do Instituto Superior de Educação Almeida Rodrigues ISEAR a Coordenação Pedagógica do curso Normal Superior que no semestre seguinte transformouse em Pedagogia Licenciatura4 Na graduação em Pedagogia ministrei dentre outras disciplinas também da de Estágio Supervisionado Antropologia Educacional e Prática Profissional Orientada PPO Nos anos de 2008 e 2009 ministrei a disciplina Coordenador da Gestão Pedagógica no curso Práticas Docentes e Gestão na Educação Básica Lato Sensu oferecido pelo ISEAR Minha maior preocupação desde que iniciei a docência na formação de professores há 26 anos que sou professor sempre foi a de contribuir para a formação de profissionais para exercer a profissão docente Em outras palavras sempre busquei participar na formação docente de modo que ao iniciar a carreira na educação o professor se sentisse em condições de atuar em sala de aula E esta preocupação instigoume a buscar novos caminhos que levaramme ao ingresso no Programa de Mestrado em Educação oferecido pela Universidade Católica Dom Bosco Linha de Pesquisa Práticas Pedagógicas e suas Relações com a Formação Docente com o objetivo de pesquisar as contribuições do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental para a formação do pedagogo Consciente de que sou tanto um profissional quanto um ser humano portanto inconcluso inacabado penso que as mudanças em mim geradas pelo Mestrado ocorreram por meio de minha disponibilidade de aprender Diante disso faço minhas as palavras de Pimenta Assim penso que a grande mudança operada no início da minha carreira até agora é que hoje tenho muito mais certeza de que nós não temos certeza 4 transformação do curso Normal Superior com habilitações em Anos Iniciais do Ensino Fundamental e Educação Infantil autorizado pela Portaria nº 2761 de 25 de setembro de 2002 publicado no Diário Oficial da União em 30 de setembro de 2002 e retificado pela Portaria Ministerial de nº 1730 de 4 de julho de 2003 e aguardando Portaria de Reconhecimento com base nos seguintes documentos Despacho do Diretor do Departamento de Supervisão do Ensino Superior DESUPde 672006 publicado no DOU de 10072006 pág 8 e Resolução CNECP nº 1 de 15 de 2006 que Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de graduação em Pedagogia Licenciatura PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 2007 p 5 22 Precisamos aprender com os professores pois eles são capazes de ter uma posição crítica em relação ao seu trabalho 2007 p 153 O ofício de professor acontece não só a partir dos conteúdos teóricos ministrados na sala de aula seja das universidades das faculdades ou dos institutos de ensino mas também no cotidiano das escolas por meio do Estágio Supervisionado Esta é a pedra angular desta pesquisa Assim o caminho a ser trilhado nesta pesquisa tem como objetivo geral analisar a contribuição do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental que tem como referência as Diretrizes Curriculares Nacionais Resolução CNECP5 Nº 1 de 15 de maio de 2006 para a formação do pedagogo Dessa forma para que o objetivo geral seja alcançado este trabalho pautase nos seguintes objetivos específicos a Observar in locus o estágio supervisionado de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental do Curso de Pedagogia Licenciatura b Analisar a atuação pedagógica dos as acadêmicos as durante o estágio supervisionado de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental e relacionálo com o PPP Projeto Político Pedagógico do Curso e c Compreender como as Professoras Orientadoras de Estágio acompanham e analisam o Estágio A opção metodológica adotada é a abordagem qualitativa Entendese por pesquisa qualitativa conforme Bogdan e Biklen 1982 apud Lüdke e André 1986 aquela que tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento p11 grifo das autoras A pesquisa numa abordagem qualitativa trata os dados coletados de modo descritivo e o pesquisador precisa estar atento aos detalhes que aparentemente insignificantes podem auxiliar para o entendimento do problema em questão a preocupação com o processo é muito maior do que com o produto LÜDKE e ANDRÉ 1986 p12 grifo das autoras Nesta perspectiva a pesquisa qualitativa busca elucidar como o problema em estudo se manifesta apreendendo para tanto o ponto de vista de cada um dos pesquisados Assim a abordagem metodológica é de cunho qualitativo e se delineia num estudo de caso que é o estudo de um caso seja ele simples e específico ou complexo e abstrato O caso é sempre bem delimitado devendo ter seus contornos claramente definidos no decorrer do estudo O caso pode ser similar a outros mas é ao mesmo tempo distinto pois tem um interesse próprio singular LÜDKE e ANDRÉ 1986 p 17 grifo das autoras 5 Conselho Nacional de EducaçãoCurso de Pedagogia 23 Com base em André 2005 podemos afirmar que esta forma possibilita a busca de diferentes técnicas de coleta de dados tais como observação entrevista questionários documentos e outros Gil também afirma a importância de utilizar o estudo de caso pois para o autor Podese dizer quer em termos de coleta de dados o estudo de caso é o mais completo de todos os delineamentos pois valese tanto de dados de gente quanto de dados de papel Com efeito nos estudos de caso os dados podem ser obtidos mediante análise de documentos entrevistas depoimentos pessoais observação espontânea observação participante e análise de artefatos físicos 2007 p141 grifo do autor Para Triviños o estudo de caso É uma categoria de pesquisa cujo objeto é uma unidade que se analisa aprofundadamente 2008 p 133 No nosso caso a unidade é o estágio supervisionado de um curso de Pedagogia A escolha do estudo de caso na abordagem qualitativa ainda deveuse às características que esse tipo de investigação apresenta como adequadas à observação e análise da realidade de forma natural complexa e atualizada HORA 2006 p24 Assim a opção pela abordagem qualitativa se justifica em função de considerar que a mesma proporciona melhores condições de atingir as intenções do estudo Tratase portanto em analisar o estágio tendo como ponto de partida a pesquisa de campo Isso significa que ouvindo os professores orientadores e observando os acadêmicosestagiários e analisando os questionários respondidos por eles podemos articular nossos dados com a pesquisa bibliográfica Deste modo o significado amplo da abordagem qualitativa requereu uma maior aproximação com a realidade do objeto ou seja foi preciso vivenciar o contexto estudado interagindo com as pessoas que dele fazem parte Esse fato equivale dizer que me coloquei dentro da situação e a observei in loco objetivando uma melhor compreensão do objeto e ainda produzindo conhecimento partindo do seguinte pressuposto o conhecimento não é algo acabado mas uma construção que se faz e refaz constantemente LUDKE e ANDRÈ 1986 p 18 Seguindo estes pressupostos em nossa pesquisa utilizamos os seguintes procedimentos Observação nos locais de estágio Questionário aberto com os acadêmicos estagiários Análise do ProjetoPolíticoPedagógico do curso de Pedagogia 24 Entrevista semiestruturada e questionário aberto com as Professoras Orientadoras Os critérios de escolha dos acadêmicos participantes da pesquisa foram Que os alunos frequentassem o Curso de Pedagogia Licenciatura que tivesse como referência as novas Diretrizes Curriculares Nacionais Que os acadêmicos observados não tivessem atuado no Magistério antes de ingressarem no curso de Pedagogia Licenciatura Que os acadêmicos observados não tivessem cursado o Magistério Ensino Médio para que o Curso de Pedagogia Licenciatura seja efetivamente o referencial de formação para atuar na educação escolarizada Que os acadêmicos pertencessem ao mesmo curso para que tivesse como referência o mesmo Projeto Político Pedagógico Após a realização da pesquisa de campo fizemos a análise das informações obtidas Na Educação Infantil emergiram 03 três categorias quais sejam 1 O ambiente da sala de aula de Educação Infantil o espaço onde acontecem os estágios 2 O conteúdo uma preocupação sempre presente 3 Relação doda alunoa estagiárioa com seus alunos e alunas diferentes formas Já da análise da pesquisa de campo dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental emergiram 02 duas categorias que são 1 Ensino Fundamental fragilidade nos conteúdos e metodologias 2 Relação doda alunoa estagiárioa com seus alunos e alunas diferentes formas Optamos por separar a análise da Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental para perceber melhor as especificidades6 delineadoras de cada modalidade Nossa análise pautase nas observações na sala de aula nas respostas dadas pelos estagiários e no diálogo com os autores utilizados nesta pesquisa Observamos 04 acadêmicos conforme o Apêndice 1 Observação em turmas de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental sendo que os mesmos participaram 6 Seção II Da Educação Infantil Art 29 A educação infantil primeira etapa da educação básica tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade em seus aspectos físico psicológico intelectual e social complementando a ação da família e da comunidade Seção III Do Ensino Fundamental Art 32 O ensino fundamental obrigatório com duração de 9 nove anos gratuito na escola pública iniciandose aos 6 seis anos de idade terá por objetivo a formação básica do cidadão mediante Redação dada pela Lei nº 11274 de 2006 I o desenvolvimento da capacidade de aprender tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura da escrita e do cálculo II a compreensão do ambiente natural e social do sistema político da tecnologia das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade BRASIL 1996 25 da pesquisa tanto no estágio na Educação Infantil quanto no estágio dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental A primeira etapa da coleta de dados foi realizada em quatro escolas de Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino de Rio Verde Goiás sendo 03 EMEIs Escola Municipal de Educação Infantil e 01 CMEI Centro Municipal de Educação Infantil Participaram desta primeira etapa os 04 acadêmicos do curso de Pedagogia Licenciatura matriculados no 4º período e que realizavam neste momento o Estágio em Educação Infantil entre os meses de agosto a dezembro de 2008 Efetuamos 05 observações das aulas ministradas por cada um dos alunos estagiários sendo três do sexo feminino e um do sexo masculino no turno matutino Os 04 estagiários desenvolveram atividades em turmas do Jardim I crianças de 04 anos e Jardim II crianças de 05 anos Além das observações aplicamos um questionário aberto para cada um dos estagiários conforme explicitado no apêndice dois Apêndice 2 Questionário com acadêmico do curso de PedagogiaLicenciatura educação infantil A segunda etapa da coleta de dados foi realizada em quatro EMEFs Escola Municipal de Ensino Fundamental que oferecem os Anos Iniciais do Ensino Fundamental 1º ao 5º ano da Rede Municipal de Ensino de Rio Verde Goiás Participaram desta segunda fase os mesmos 04 acadêmicos do curso de Pedagogia Licenciatura matriculados no 5º período que neste momento realizaram o Estágio nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental 1º ao 5º ano entre os meses de fevereiro a junho de 2009 Nesta etapa também efetuamos 05 observações de aulas ministradas por cada um dos acadêmicos totalizando vinte observações 03 acadêmicos realizaram o estágio no turno vespertino e um no turno matutino sendo três do sexo feminino e um do sexo masculino Os 04 estagiários desenvolveram atividades em turmas do 1º ao 5º ano crianças de 06 a 10 anos Usamos também o mesmo procedimento do 1º ao 5º ano da EI ou seja aplicamos um questionário aberto para cada um dos estagiários conforme o Apêndice 3 Questionário aberto com acadêmico do curso de PedagogiaLicenciatura anos inicias do ensino fundamental Para proceder à coleta de dados com as Professoras Orientadoras de Estágio Supervisionado aplicamos um questionário conforme Apêndice 4 Questionário aberto aplicado às professoras orientadoras do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura 20082 E 20091 e realizamos uma entrevista semiestruturada conforme 26 Apêndice 5 Entrevista semiestruturada realizada com as professoras orientadoras do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura 20082 E 20091 Realizamos a análise dos documentos que normatizam o Estágio Supervisionado da instituição de ensino superior onde os alunos estagiários estavam matriculados Os documentos conforme constam em anexo foram os seguintes Anexo 1 Projeto Político Pedagógico Anexo 2 Manual de Prática Profissional Orientada e Anexo 3 Manual de Estágio Esta análise documental justificase pela necessidade de que haja coerência entre a prática do estágio com o perfil do profissional que se quer formar As questões e problemas que orientam nossa pesquisa exigem um posicionamento teórico viabilizandonos uma busca constante de novas respostas e novas indagações no decorrer do nosso estudo Deste modo compreender a formação do professor em seus aspectos históricos é fundamental assim como apropriarnos dos elementos que caracterizaram a Licenciatura em Pedagogia na atualidade A pesquisa foi estruturada da seguinte forma o capítulo um Formação de professores traz as problematizações que me instigaram a estudar a formação docente Apresento elementos da história do curso de Pedagogia pois acredito que a contextualização no tempo e no espaço contribuiu para a caracterização da Licenciatura em Pedagogia na atualidade Ainda neste capítulo apresento uma caracterização do pedagogo No capítulo dois O estágio supervisionado teoria e prática tem como referência os trabalhos de Pimenta e Lima 2004 Pimenta 1993 2002 2006 2007 Cunha 1989 2004 Franco 2008 Libâneo 1998 2002 2007 Saviani 2004 2005 2008 2009 cuja contribuição teórica é suporte basilar para a análise que me proponho realizar em relação ao estágio supervisionado que hoje acontece no curso de Pedagogia Licenciatura Lembramos com Pimenta e Lima 2004 que o estágio não é atividade prática mas teórica instrumentalizadora da práxis docente entendida essa como atividade de transformação da realidade Nesse sentido o estágio curricular é atividade teórica de conhecimento fundamentação diálogo e intervenção na realidade esta sim objeto da práxis No capítulo três Análise do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura Educação Infantil apresento e discuto os dados coletados a partir de minhas observações em campo de estágio nas unidades de Educação Infantil e também por meio do questionário respondido pelos acadêmicos estagiários o qual abordou diferentes aspectos do estágio 27 O capítulo quatro nomeado Análise do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura Anos Iniciais do Ensino Fundamental também traz a apresentação e discussão dos dados coletados tanto a partir de minhas observações de práticas de estágio nas unidades de Anos Iniciais do Ensino Fundamental quanto do questionário respondido pelos acadêmicos estagiários participantes desta pesquisa Apresento e analiso no capítulo cinco O Estágio Supervisionado o Diálogo com as Professoras Orientadoras e Estagiários os dados coletados por meio de aplicação de questionário e entrevistas realizadas com as professoras orientadoras de estágio e a partir de questionário aplicado com os alunos estagiários Por fim apresento as considerações finais nas quais destaco os principais resultados dessa pesquisa 28 CAPÍTULO I FORMAÇÃO DE PROFESSORES Mulheres e homens se tornaram educáveis na medida em que se reconheceram inacabados Não foi a educação que fez mulheres e homens educáveis mas a consciência de sua inconclusão é que gerou sua educabilidade FREIRE 2002 p 64 11Reflexões iniciais A proposta de fazer uma análise sobre a formação do educador tornouse ainda mais necessária no momento em que foi percebido que não adianta discutir a prática educativa se não levarmos em conta a questão posta e discutida com bastante ênfase principalmente nos congressos como ANPED Associação Nacional de PósGraduação e Pesquisa em Educação ANFOPE Associação Nacional pela Formação de Profissionais da Educação etc na década de 80 conforme Saviani relata O movimento dos educadores em torno da problemática da formação dos profissionais da educação começou a articularse no final da década de 1970 e materializouse por ocasião da realização da I Conferência Brasileira de Educação que aconteceu em São Paulo nos dias 31 de março 1 e 2 de abril de1980 Nessa ocasião foi criado o Comitê Pró Participação na Reformulação dos Cursos de Pedagogia e Licenciatura O comitê organizouse na forma de comissões regionais transformouse em 1983 em CONARCFE7 que por sua vez em 1990 se constituiu na ANFOPE que continua em atividade 2008a p58 7 CONARCFE Comissão Nacional pela Reformulação dos Cursos de Formação de Educadores De acordo com Pimenta 2002a a Lei 569271 ignorou necessidades essenciais que o sistema escolar brasileiro apresentava Na análise de Pimenta 2002a p 56 essas necessidades principais seriam consolidar o processo de ampliação quantitativa da escolarização básica e iniciar sua melhoria qualitativa O que apontava para um aspecto fundamental das políticas de ensino que era a formação de professores e suas condições de trabalho Assim sendo essa reflexão embora tardia está sendo reavaliada quando refletimos sobre a formação do educador A formação do educador ainda está refletida no modelo fabril de escola e a proposta alternativa apresentada a mais de duas décadas conforme Cunha 1989 é discutir os fatores intrínsecos e extrínsecos que afetam a formação significativa do educador O conhecimento do professor é construído no seu próprio cotidiano mas ele não é só fruto da vida na escola Ele provém também de outros âmbitos e muitas vezes excluem de sua prática elementos que pertencem ao domínio escolar A participação em movimentos sociais religiosos sindicais e comunitários pode ter mais influência no cotidiano do professor que a própria formação docente que recebeu academicamente CUNHA 1989 p 73 As ações políticas que denominam a formação do educador são mais abrangentes e complexas do que as puras discussões de nomenclaturas É importante perceber em qual perspectiva estamos formando os educadores A nomenclatura não responde às questões postas O que entendemos ser necessário é discutir o processo de formação principalmente o estágio supervisionado na direção que nos aponta Franco 2008 p 110 Deverá por certo ser preocupação do curso de pedagogia a formação de um pedagogo como profissional crítico e reflexivo que saiba mediar as diversas relações inerentes à prática educativa79 e as relações sociais mais amplas bem como articular as práticas educativas com a formalização de teorias críticas sobre essas práticas sabendo detectar as lógicas que estão subjacentes às teorias aí implícitas Com base no exposto entendemos por professor reflexivo principalmente o profissional capaz de refletir criticamente e agir diante das diferentes situações pedagógicas vivenciadas Assim apropriandonos do pensamento de Franco 2008 p 110 caracterizamos o professor reflexivo como 79 Segundo Paulo Freire prática educativa Envolve a capacidade do educador de somar conhecimento afetividade criticidade respeito ação e em conjunto com seu educando concorrer para a transformação do mundo VASCONCELOS BRITO 2006 p 156157 148 profissional que deverá ser investigador educacional por excelência pressupondo para esse exercício o caráter dialético e histórico dessas práticas Assim o pedagogo será aquele profissional capaz de mediar teoria pedagógica e práxis80 educativa e deverá estar comprometido com a construção de um projeto político voltado à emancipação dos sujeitos da práxis na busca de novas e significativas relações sociais desejadas pelos sujeitos Nesta perspectiva a formação do pedagogo pode ser aquela apenas preocupada em absorver conteúdos mas sobretudo refletir sobre a sua aprendizagem Isso contribuirá para que o pedagogo veja seu educando como sujeito histórico que interage e modifica as condições em que vive Giroux 1997 pondera neste sentido a necessidade de repensar a ação docente e o que envolve a natureza de sua atividade sendo fundamental para isso que o professor seja visto como intelectual transformador pois Se acreditarmos que o papel do ensino não pode ser reduzido ao simples treinamento de habilidades práticas mas que em vez disso envolve a educação de uma classe de intelectuais vital para o desenvolvimento de uma sociedade livre então a categoria de intelectual tornase uma maneira de unir a finalidade da educação de professores escolarização pública e treinamento profissional aos próprios princípios necessários para o desenvolvimento de uma ordem e sociedade democráticas 1997 p 162 Libâneo 1998 nesta direção lembra a necessidade de que o aluno seja preparado para assumir uma postura muito além daquela em que lida com o conhecimento a partir de uma atitude passiva e defende que para isso é condição fundamental que o professor em sua ação docente seja capaz de garantir uma formação que ajude o aluno a transformarse num sujeito pensante de modo que aprenda a utilizar seu potencial de pensamento por meio de meios cognitivos de construção e reconstrução de conceitos habilidades atitudes valores Tratase de investir numa combinação bemsucedida da assimilação consciente e ativa desses conteúdos com o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas pelos alunos visando à formação de estruturas próprias de pensamento ou seja instrumentos conceituais de apreensão dos objetivos de conhecimento mediante a condução pedagógica do professor que disporá de práticas de ensino intencionais e sistemáticas de promover o ensinar a aprender a pensar LIBÂNEO 1998 p 30 80 Práxis É termo grego que significa ação Para que haja práxis é essencial que o indivíduo seja levado a tomar consciência de sua realidade para que então possa refletir sobre ela e finalmente questionála Somente depois disso será possível despertar no oprimido sua capacidade de reação para transformação e por último incentivar que esta ação transformadora se concretize VASCONCELOS BRITO 2006 p157158 149 Conforme lembra Saviani na história recente da educação Com base no pressuposto da neutralidade científica e inspirada nos princípios de racionalidade a pedagogia tecnicista advoga a reordenação do processo educativo de maneira que o torne objetivo e operacional 2008b p 381 Não foi à toa que ela foi implementada dentro do processo ditatorial Sendo assim a pedagogia tecnicista deveria responder aos anseios do Estado autoritário cujo objetivo era formar de maneira rápida mão de obra para o mercado de trabalho além de fortalecer a alienação resultado da ideologia dominante Resultado disso a deterioração da qualidade dos cursos de magistério em função da desarticulação da sua matriz curricular que enfatizava a parte profissionalizante Com base nessas diferentes problematizações é possível dizer que preparar professores é uma tarefa complexa sobretudo no que tange às diferentes posturas teóricometodológicas que esses profissionais assumirão na sua prática educativa Por isso lembramos os questionamentos que nos remetem a essa investigação Como os cursos de formação de professores e especificamente o Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental que tem como referência as Diretrizes Curriculares Nacionais Resolução CNECP81 Nº 1 de 15 de maio de 2006 para a formação do pedagogo estão contribuindo para a prática educativa dos docentes Se não ficarmos atentos às questões postas possivelmente comprometeremos a construção de uma educação de qualidade para todos Se não fizermos essas discussões de maneira crítica o sistema excludente continuará vigente O pensador Gentili 1995 aborda essa questão Para o autor há por parte dos professores uma atitude de desconforto em relação à educação escolar As escolas são instituições literalmente poderosas Atualmente inclusive a escola pública define que o aluno precisa frequentála se a família quiser receber os auxílios financeiros do Governo Federal tais como Programa Bolsa família e também atesta por meio da avaliação se o aluno pode ou não cursar a série ou ano seguinte O quadro apresentado até o momento fortalece a necessidade de repensar a formação de professores Esta vem sendo delineada aos poucos nas pequenas e significativas ações pedagógicas É fundamental que o governo brasileiro junto com a sociedade civil organizada assuma a educação escolarizada como uma tarefa de todos Desse modo não só o ensino poderá ser repensado mas principalmente a educação do educador Enfim entendemos que o momento histórico exige que os professores por meio dos Cursos de Formação desenvolvam o que sugere Giroux 1997 p163 um discurso 81 Conselho Nacional de EducaçãoCurso de Pedagogia 150 que una a linguagem da crítica e a linguagem da possibilidade de forma que os educadores sociais reconheçam que podem promover mudanças 12 O curso de Pedagogia um olhar sobre sua história Quanto mais me torno capaz de me afirmar como sujeito que pode conhecer tanto melhor desempenho minha aptidão para fazêlo Ninguém pode conhecer por mim assim como não posso conhecer pelo aluno FREIRE 2002 p 140 Neste item apresentamos elementos da história do curso de Pedagogia pois acreditamos que somente a partir de sua compreensão e contextualização no tempo e no espaço é que podemos nos apropriar do entendimento da caracterização da Licenciatura em Pedagogia da atualidade Iniciamos com a caracterização do profissional da Pedagogia depois traremos aspectos do surgimento de sua profissão como se deu e se dá historicamente a sua formação pois quando falamos do professor estamos nos referindo a um profissional que apresenta características e qualidades próprias para exercer a sua profissão BELLO 2002 p 45 Essas características e qualidades vão além das habilidades e conhecimentos científicos necessários ao exercício docente pois não se separa o humano do profissional elas envolvem todo o ser conforme pondera Freire Às vezes ou quase sempre lamentavelmente quando pensamos ou nos perguntamos sobre a nossa trajetória profissional o centro exclusivo das referências está nos cursos realizados na formação acadêmica e na experiência vivida na área da profissão 2001 p 79 Ainda de acordo com Freire esta postura exclui a vivência de mundo do professor É como se a atividade profissional dos homens e das mulheres não tivesse nada que ver com suas experiências de menino de jovem com seus desejos com seus sonhos com seu bemquerer ao mundo ou com seu desamor à vida Com sua alegria ou com seu malestar na passagem dos dias e dos anos 2001 p 80 151 Assim pensamos que não há a compreensão desse malestar que parece tomar conta do professor nos dias de hoje sem entender como ele se fez e se faz historicamente Nesse sentido compartilhamos com Bello o seguinte argumento Assim pareceme que a questão histórica é fundamental para a compreensão e o significado da profissão docente hoje 2002 p 47 No sentido de compreender como o ensino foi se delineando até tomar a forma que conhecemos atualmente é preciso buscar na préhistória período em que o homem vivia como nômade como se dava a disseminação e produção do conhecimento como era realizado o ensino Para isso lembramos o relato de Aranha Nas comunidades tribais as crianças aprendem imitando os gestos dos adultos nas atividades diárias e nas cerimônias dos rituais Nas tribos nômades ou que já se sedentarizaram ocupandose com a caça a pesca o pastoreio ou a agricultura as crianças aprendem para a vida e por meio da vida sem que alguém esteja especialmente destinado para a tarefa de ensinar 1996 p 27 Ainda de acordo com Aranha na Idade dos Metais82 na préhistória o homem deixa de ser nômade e se fixa ao solo e desenvolve técnicas de agricultura e pastoreio 1996 p 28 A Idade dos Metais conforme Aranha 1996 argumenta modificou não só os modos de produção a convivência e organização social como o acesso ao conhecimento Nesta perspectiva a autora afirma que As transformações técnicas e o aparecimento das cidades em decorrência da produção excedente e da comercialização alteram as relações entre os homens As principais mudanças são na organização social homogênea na qual antes havia indivisão surgem hierarquias por causa de privilégios de classes aparecem formas de servidão e escravismo as terras de uso comum passam a ser administradas pelo Estado instituição criada para legitimar o novo regime de propriedade O saber antes aberto a todos tornase patrimônio e privilégio da classe dominante Nesse momento surge a necessidade da escola para que apenas alguns iniciados tenham acesso ao conhecimento 1996 p 28 Deste modo somente com o surgimento do Estado o saber tornase privilégio de poucos a saber a classe dominante que se compunha pela monarquia nobreza e clero Contudo para os lavradores comerciantes e artesãos o Estado oferecia uma educação 82 Idade dos Metais foi o momento em que o ser humano aperfeiçoando técnicas de metalurgia conseguiu elaborar instrumentos de trabalho e armas Com isso alguns grupos passaram a deter a hegemonia sobre outros e as sociedades dividiramse em classes sociais HISTÓRIA DO MUNDO Préhistória características e divisões Disponível em httpwwwhistoriadomundocombrprehistoriatextoprehistoria 152 informal Aranha 1996 denomina esta diferenciação de ensino de dualismo escolar 1996 p 34 grifo da autora O contexto acima explicitado está de acordo com o que Monroe 1983 p9 relata Há então um esboço de instrução para o povo em geral dada pelo sacerdócio83 Já para os futuros membros do sacerdócio Monroe 1983 p9 afirma que Estes últimos são os primeiros professores profissionais Por vários séculos o ensino permanece como um direito especial do clero e por muitos séculos mais a educação é orientada e dirigida unicamente por ele Para Hengemühle O surgimento da função do professor se deve ao fato de haver necessidade de complementação e de ajuda na formação das crianças para as famílias buscando uma melhor inserção social 2007 p 68 A partir da análise realizada por Hengemühle podese observar que os primeiros educadores na Grécia antiga eram particularmente os poetas Homero em primeiro lugar 2007 p 68 Apropriandonos do pensamento de Rosa Homero teve excepcional importância para a cultura e educação da Grécia Seus poemas Ilíada e Odisséia narrando a educação daquela época mostram a valentia a prudência a lealdade a hospitalidade etc bem como virtudes fundamentais Esse quadro de valores durante muito tempo inspirou a conduta dos gregos 1999 p 18 grifo da autora Dessa forma Hengemühle observa que No século V aC Atenas tornouse economicamente poderosa culturalmente mais ilustrada e politicamente mais democrática com maior participação na vida pública 2007 p 68 Deste modo surge a necessidade de preparar pessoas para atuar na vida política Foi quando apareceram os primeiros educadores chamados sofistas84 Hengemühle 2007 p 69 Esta observação é corroborada por Aranha a esse respeito a autora assevera que Os novos mestres são os sofistas sábios itinerantes de todas as partes do mundo grego e que agora se encontram em Atenas 1996 p 43 Nesta época a sociedade romana de acordo com as afirmações de Rosa Tratavase de uma sociedade sóbria e austera que ministrou um tipo de educação mais moral que intelectual 1999 p 61 Assim conforme Hengemühle 2007 nas sociedades romanas 83 Sacerdócio Conforme Aranha No Egito o faraó é o supremo sacerdote 1996 p 32 84 Para FERREIRA Sofista Na Grécia Antiga aquele que tinha por profissão ensinar a sabedoria e a arte de falar em público 2004 p 746 153 bem como em outras sociedades a formação moral do professor tornavase muito mais importante que seu grau de instrução Conforme afirma Rosa a educação desse povo sofre sensíveis mudanças Enriquecendose a sociedade romana acentuou a divisão entre os economicamente poderosos e a plebe a qual constituía a maioria que embora empobrecida teve grande força política Ainda mais ocorre a invasão da cultura helênica85 com os imigrantes gregos que vão até Roma Os cidadãos mais ricos passam a ter preceptores particulares geralmente gregos imigrados O espírito da nova educação resumese na palavra humanitas uma espécie de educação de caráter universal humanística supernacional 1999 p 62 grifo da autora Já na Idade Média e início da Renascença existia a preocupação não só com a integridade moral como também a preocupação com o domínio de conteúdos a ensinar e a capacidade técnica para realizar o ensino A educação promovida principalmente pela igreja católica visava que através da fé o povo fosse obediente aos princípios da igreja A esse respeito Aranha assevera que A Escolástica é a mais alta expressão da filosofia cristã medieval Chamase Escolástica por ser a filosofia ensinada nas escolas Os parâmetros da educação na Idade Média se fundam na concepção do homem como criatura divina de passagem pela Terra e que deve cuidar em primeiro lugar da salvação da alma e da vida eterna Tendo em vista as possíveis contradições entre fé e razão recomendase respeitar sempre o princípio da autoridade que exige humildade para consultar os grandes sábios e intérpretes autorizados pela Igreja sobre a leitura dos clássicos e dos textos sagrados Evitase assim a pluralidade de interpretações e se mantém a coesão da Igreja 1996 p 73 grifo da autora A ênfase espiritual divina sobrenatural dada à educação ao papel da escola é ilustrada segundo Rosa 1999 p 106 por Tomás de Aquino que foi um dos mais famosos filósofos da Escolástica ele considerava a razão como a chave principal da verdade Para Aquino o verdadeiro mestre que ensina dentro de nossa alma é Deus só Deus é o verdadeiro agente da educação ROSA 1999 p 107 Coube então às Universidades Medievais garantir um preparo mais rigoroso dos mestres Dessa forma a influência do clero na formação de professores perpetuouse por muitos séculos em todo o mundo No século XVII nasceu 85 ARANHA 1996 p 41 A fusão da tradição grega com a oriental resultante das conquistas alexandrinas dá origem ao que se chama cultura helenística grifo da autora 154 João Batista de La Salle em Reims capital da Champagne França no dia 30 de abril de 1651 João Batista foi educado no mais sofisticado estilo da burguesia e da nobreza da França e ao mesmo tempo nos princípios cristãos adotados com muita seriedade e convicção WESCHENFELDER 2006 p 11 Conforme Duarte 1986 p 6566 o primeiro estabelecimento de ensino destinado à formação de professores teria sido instituído por São João Batista de La Salle em 1684 em Reims com o nome de Seminário dos Mestres Para Cambi 1999 o objetivo de La Salle seria que todos fossem instruídos tanto no catecismo quanto nas orações Para tanto ainda no pensamento de Cambi 1999 p 299 La Salle funda uma escola normal para a formação dos mestres o Seminário dos Mestres de Escola com uma escola elementar anexa e a Ordem dos Irmãos das Escolas Cristãs que acolhe religiosos desejosos de dedicarse ao ensino Em dois escritos Regras da decência e urbanidade cristã e Conduta das escolas cristãs ele expõe seu credo pedagógico uma minuciosa organização das escolas e o programa didático que prevê leitura e escrita da língua materna as quatro operações e o catecismo acompanhando uma formação técnicocientífica de caráter profissional Sempre na direção do crescimento cultural do povo La Salle promove a fundação de escolas dominicais e de um instituto para menores infratores grifo do autor Além de fundar a primeira escola normal para a formação docente São João Batista de La Salle que foi sacerdote e teólogo ainda Elevou o prestígio do Magistério profissão desconsiderada em sua época Fundou as primeiras escolas para treinamento dos novos professores Sistematizou o ensino primário organizando as classes por idade Criou escolas profissionais emendativas e para adultos Sistematizou o método simultâneo de aula Suavizou a disciplina escolar da sua época proibindo os castigos físicos Prestigiou a língua materna para o aprendizado do aluno Escreveu diversos textos sobre o bom funcionamento de uma escola Fundamentou sua Pedagogia no amor e no conhecimento dos alunos Dez méritos pedagógicos de La Salle86 2007 No entanto conforme Saviani 2009a p 143 somente após a Revolução Francesa a partir da necessidade da formação docente para oferecer instrução pública é que deriva o processo de criação de Escolas Normais como instituições encarregadas de 86 DEZ MÉTODOS PEDAGÓGICOS DE LA SALLE Documento eletrônico Disponível em httpwwwlasalledfcombrescolalasalle acesso 20032009 155 preparar professores A primeira instituição com o nome de Escola Normal foi instalada em Paris em 1795 Aranha 1996 afirma que o Brasil ainda não possui uma pedagogia própria o que fez com que alguns intelectuais influenciados pelas idéias européias tentam imprimir novos rumos à educação Aranha 1996 p 151 No entanto a autora ainda afirma que estas iniciativas não obtiveram sucesso Em relação à formação docente no Brasil Saviani 2009a p 143 afirma que a questão do preparo de professores emerge de forma explícita somente após a independência quando se cogita da organização da instrução popular Ainda apropriandonos do pensamento de Saviani 2009a é importante trazer a síntese que o pesquisador estabelece em relação aos períodos da história da formação de professores no Brasil O primeiro período 18271890 é denominado Ensaios intermitentes de formação de professores SAVIANI 2009a p 143 O autor afirma que Esse período se inicia com o dispositivo da Lei das Escolas de Primeiras Letras que obrigava os professores a se instruir no método do ensino mútuo87 às próprias expensas estendese até 1890 quando prevalece o modelo das Escolas Normais SAVIANI 2009a p 144 Na análise de Saviani 2009a p 144 os outros períodos são os seguintes 2 Estabelecimento e extensão do padrão das Escolas Normais 1890 1932 cujo marco inicial é a reforma paulista da Escola Normal tendo como anexo a escolamodelo 3 Organização dos Institutos de educação 19321939 cujos marcos são as reformas de Anísio Teixeira no Distrito Federal em 1932 e de Fernando de Azevedo em São Paulo em 1933 4 Organização e implantação dos Cursos de Pedagogia e de Licenciatura e consolidação do modelo das Escolas Normais 19391971 5 Substituição da Escola Normal pela Habilitação específica de Magistério 19711996 6 Advento dos Institutos Superiores de Educação Escolas Superiores e o novo perfil do Curso de Pedagogia 19962006 87 Proposto e difundido pelos ingleses Andrew Bell pastor da Igreja anglicana e Joseph Lancaster da seita dos Quakers anglicanos e quakers são membros de diferentes ramos da Igreja Protestante na Inglaterra ARANHA 1996 p 147 o método mútuo também chamado de monitorial ou lancasteriano baseavase no aproveitamento dos alunos mais adiantados como auxiliares do professor no ensino de classes numerosas O método supunha regras predeterminadas rigorosa disciplina e a distribuição hierarquizada dos alunos sentados em bancos dispostos num salão único e bem amplo De uma das extremidades do salão o mestre sentado numa cadeira alta supervisionava toda a escola em especial os monitores Avaliando continuamente o aproveitamento e o comportamento dos alunos esse método erigia a competição em princípio ativo do funcionamento da escola SAVIANI 2008b p 128 156 Para melhor compreensão destes períodos trazidos por Saviani entendemos que seja necessário explanar de modo mais detalhado os aspectos que envolvem a formação do professor no Brasil A formação docente surge a partir dos moldes jesuíticos que além de propagarem a doutrina católica tinham a responsabilidade de formar novos professores jesuítas conforme relata Xavier Ribeiro Noronha 1994 Assim ao mesmo tempo em que os jesuítas deveriam cuidar da catequização dos nativos que aqui viviam estes também objetivavam reproduzir novos contingentes de sacerdotes para dar continuidade à obra católica De acordo com Paim os jesuítas Planejaram e foram bastante eficientes em sua execução converter por assim dizer seus alunos ao catolicismo afastandoos das influências consideradas nocivas É por isso que dedicavam especial atenção ao preparo dos professores que somente se tornam aptos após os trinta anos selecionavam cuidadosamente os livros e exerciam rigoroso controle sobre as questões a serem suscitadas pelos professores especialmente em filosofia e teologia Um trecho do Ratio diz o seguinte Se alguns forem amigos de novidades ou de espírito demasiado livre devem ser afastados sem hesitação do serviço docente 1967 p 28 A expulsão dos jesuítas pela Reforma Pombalina ocorre em 1759 e o Brasil sofre uma transformação em se tratando da educação Quanto à situação do ensino na Colônia foi encontrada uma solução paliativa através das chamadas Aulas Régias Eram aulas avulsas Xavier Ribeiro Noronha 1994 p 52 Acontece também que os professores que passaram a lecionar não eram preparados para lecionar De acordo com as autoras Xavier Ribeiro Noronha 1994 as Aulas Régias foram implantadas quarenta anos depois da expulsão dos jesuítas É a partir desse momento que o vicerei do Brasil Dom José Luiz de Castro88 nomeado por Portugal no reinado de D Maria I concede as licenças para a docência No século XVIII surgiram as primeiras preocupações com a profissão do professor No final desse século tornouse proibido na Europa lecionar sem 88 José Luis de Castro 2º conde de Rezende 17441819 Foi nomeado vicerei do Brasil entre 1789 e 1801 tendo sido o último vicerei do século XVIII enfrentando a conjuração mineira assumindo a responsabilidade de cumprir as decisões julgadas nos autos da devassa Como governante procurou melhorar as finanças e condições sanitárias do Rio de Janeiro Em suas primeiras realizações prolongou o cais do Largo do Paço completou o aterro do pantanal de Pedro Dias iniciado pelo Marquês do Lavradio aterrou o Campo de Santana transformandoo no maior rossio da cidade que veio a se tornar a nova atração para o povo em ocasiões como a festa do Divino de Santana Foi responsável também pelo fechamento e a devassa da sociedade literária do Rio de Janeiro acusada de sedição Passou o governo ao seu sucessor d Fernando José de Portugal O ARQUIVO NACIONAL E A HISTÓRIA LUSOBRASILEIRA Disponível em httpwwwhistoriacolonialarquivonacionalgovbrcgicgiluaexesysstarthtminfoid347sid57tplprinter view acesso 30052009 157 licença ou autorização do Estado Isso foi fundamental no processo de profissionalização uma vez que se começava a delinear a carreira e suas funções No momento em que a escola se impunha como instrumento privilegiado da estratificação social os professores alcançavam uma posiçãochave de ascensão social personificando as esperanças das camadas da população menos privilegiadas De agentes culturais os professores também se tornam agentes políticos BELLO 2002 p 47 No Brasil a necessidade de formação dos professores faz com que sejam Fundadas as primeiras escolas normais em Niterói 1835 Bahia 1836 Ceará 1845 e São Paulo 1846 o ensino é formal distante das questões teóricas técnicas e metodológicas relacionadas com a atuação profissional do professor além de funcionar de maneira precária e irregular ARANHA 1996 155 Destarte o Brasil passa por várias reformas educacionais Entretanto foi somente com a Reforma Francisco Campos89 que se previu no Estatuto das Universidades Brasileiras a criação da Faculdade de Educação Ciências e Letras voltada para a formação do magistério secundário Na Faculdade de Filosofia de São Paulo em 1937 através do Instituto de Educação são diplomados os primeiros professores licenciados para o ensino secundário ARANHA 1996 Segundo Saviani 2004 o curso de Pedagogia formalizouse como curso de bacharelado Pelo Decreto n 1190 de abril de 1939 a Faculdade Nacional de Filosofia foi estruturada em quatro seções Filosofia Ciências Letras e Pedagogia acrescentando ainda a de Didática considerada como seção especial Enquanto as seções de Filosofia Ciências e Letras albergavam cada uma diferentes cursos a de Pedagogia assim como a seção especial de Didática era constituída de apenas um curso cujo nome era idêntico ao da seção Está aí a origem do Curso de Pedagogia p 5 Contudo o descaso com a formação do professor é tamanho que de acordo com Rodrigues e Mendes Sobrinho o curso de Pedagogia a partir do DecretoLei n 11901939 acaba sendo reduzido a uma área apenas profissionalizante desobrigase da produção de conhecimento durante longo período da sua história 2006 p 96 Ainda apropriandonos de Rodrigues e Mendes Sobrinho 2006 p 96 o desprezo que as autoridades constituídas do Brasil dispensavam à educação chega a mais profunda irresponsabilidade pois 89 Em 1926 Francisco Campos assumiu a Secretaria dos Negócios do Interior de Minas sob o governo de Antônio Carlos ocasião em que promoveu a reforma da instrução pública com a colaboração de Mário Casasanta SAVIANI 2008 p 267 158 Com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases n 4024 de 1961 temos algumas regulamentações para a formação e exercício do magistério Para o desempenho do magistério é então estabelecido como exigência apenas o registro dos professores em órgão competente Apresentavase também em suas disposições transitórias a abertura para professores nãoformados atuarem nas escolas primárias e de nível médio suprindo a falta de professores devidamente qualificados Assim verificamos o próprio estado numa ação de desvalorização dos professores em lugar de uma política de promoção e preparação do profissional docente especialmente em nível superior Nos anos da ditadura militar a formação docente bem como a Pedagogia sofre novo golpe o regime democrático não mais existe o professor de então é formado para reproduzir a ideologia militar já que É o Parecer de n 2521969 do Conselho Federal de Educação de autoria do conselheiro Valnir Chagas que traduz a marca da Reforma Universitária para o curso de Pedagogia Este incorporado à Resolução do CFE n 269 norteava a organização do Curso de Pedagogia até há bem pouco tempo Nesse documento são fixados o currículo mínimo e a duração da graduação em Pedagogia referente à formação de professores para o ensino normal e de especialidades em orientação administração supervisão e inspeção escolar A criação dessas habilitações fragmentou a formação do pedagogo pois criou o especialista em determinada área educacional terminando por provocar a divisão de tarefas no âmbito da educação Isso fez com que perdêssemos a noção de totalidade que é imanente a toda ação educativa escolar RODRIGUES e MENDES SOBRINHO 2006 p 97 Não só a formação docente foi arrasada pela ditadura mas também a atuação deste profissional que com o Ato Institucional n 5 AI5 ficou totalmente à mercê do governo ditatorial que de acordo com Aranha Com o pretexto de averiguar atividades subversivas instalase o terrorismo nas universidades Processos sumários e arbitrários demitem ou aposentam muitos professores Muitos se exilam em países latinoamericanos na Europa e também nos EUA Além desse êxodo os profissionais remanescentes trabalham sob o risco de censura e delação Isto sem dúvida prejudicou e muito a vida cultural e o ensino no Brasil 1996 212 A educação assume uma tendência tecnicista que deveria levar o Brasil ao crescimento econômico Todavia com o advento da Lei 569271 desativase a Escola Normal e passase a denominar a formação docente como habilitação em magistério e permite também assim como a Lei de Diretrizes e Bases n 4024 de 1961 que na falta de professores habilitados 159 tanto o profissional de outra área do saber quanto o professor leigo pode exercer a profissão docente Art 77 Quando a oferta de professôres legalmente habilitados não bastar para atender às necessidades do ensino permitirseá que lecionem em caráter suplementar e a título precário a no ensino de 1º grau até a 8ª série os diplomados com habilitação para o magistério ao nível da 4ª série de 2º grau b no ensino de 1º grau até a 6ª série os diplomados com habilitação para o magistério ao nível da 3ª série de 2º grau c no ensino de 2º grau até a série final os portadores de diploma relativo à licenciatura de 1º grau Parágrafo único Onde e quando persistir a falta real de professôres após a aplicação dos critérios estabelecidos neste artigo poderão ainda lecionar a no ensino de 1º grau até a 6ª série candidatos que hajam concluído a 8ª série e venham a ser preparados em cursos intensivos b no ensino de 1º grau até a 5ª série candidatos habilitados em exames de capacitação regulados nos vários sistemas pelos respectivos Conselhos de Educação c nas demais séries do ensino de 1º grau e no de 2º grau candidatos habilitados em exames de suficiência regulados pelo Conselho Federal de Educação e realizados em instituições oficiais de ensino superior indicados pelo mesmo Conselho Art 78 Quando a oferta de professôres licenciados não bastar para atender às necessidades do ensino os profissionais diplomados em outros cursos de nível superior poderão ser registrados no Ministério da Educação e Cultura mediante complementação de seus estudos na mesma área ou em áreas afins onde se inclua a formação pedagógica observados os critérios estabelecidos pelo Conselho Federal de Educação BRASIL 1971 A educação brasileira foi regida por esta lei durante todo o período ditatorial A partir da promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB nº 939496 surgem novos sujeitos no cenário da Pedagogia Esta se via destituída de sua grande função qual seja a formação de professores para a educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental Diante do exposto entendemos que analisar como se contextualiza a Licenciatura em Pedagogia é condição essencial para entender o Estágio Supervisionado na atual legislação 13 A Pedagogia no contexto atual discussões a partir dos anos de 1990 Este item tem o objetivo de refletir sobre o campo de atuação da Pedagogia no Brasil após a ditadura militar seu espaço e identidade 160 É pertinente lembrar conforme vimos no item anterior que o curso de Pedagogia foi criado no Brasil no final da década de 1930 passando por diversas modificações até o momento atual Com o fim da ditadura e a redemocratização do ensino após a promulgação da Constituição Federal de 1988 iniciam muitas medidas de política na educação dentre as quais Oliveira 2006 p 18 destaca a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n 939496 conhecida como a nova LDB a Emenda Constitucional n 1496 que alterou dispositivos da Constituição de 1988 o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério Lei n 942496 as Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio as Diretrizes Curriculares para os Cursos Superiores que substituiriam os Currículos Mínimos o Exame Nacional de Cursos o Exame Nacional do Ensino Médio ENEM a avaliação da educação básica SAEB os Parâmetros Curriculares Nacionais Dentre as medidas na política educacional destacamos a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 939496 a Lei Darcy Ribeiro que institui o Curso Normal Superior Licenciatura e que a graduação para a formação de professores no Brasil poderia ocorrer em universidades institutos superiores de educação e em nível médio na modalidade Normal A Pedagogia perde com a LDB n 939496 sua função de formação docente e esta lei estabelece o campo de atuação da Pedagogia descrevendo em seu Art 64 A formação de profissionais de educação para administração planejamento inspeção supervisão e orientação educacional para a educação básica será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pósgraduação a critério da instituição de ensino garantida nesta formação a base comum nacional A Lei ainda determina que a habilitação a nível superior para lecionar para crianças da Educação Infantil e para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental ocorrerá a partir da formação em universidades e Institutos de Educação por meio da Licenciatura plena em Normal Superior Art 62 A formação de docentes para atuar na educação básica farseá em nível superior em curso de licenciatura de graduação plena em universidades e institutos superiores de educação admitida como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental a oferecida em nível médio na modalidade Normal 161 Esta determinação da lei fez com que a procura pela Licenciatura em Normal Superior fosse impulsionada em sua maioria por professores já atuantes nas redes de ensino portadores de curso técnico seja em magistério seja pelo Projeto Lúmen90 ou ainda Proformação91 O que se disseminou nesta época foi a idéia de que quem não fosse portador de diploma de graduação em Normal Superior perderia seu posto de trabalho Assim infelizmente podese entender que não foi necessariamente a vontade de qualificação que levou tantos professores à procura das graduações e sim o medo de perderem o emprego conforme percebe Pimenta sob a ameaça de perda do emprego real ou mesmo simbolicamente através do desprestígio social de seu trabalho e também frente às novas demandas que estão postas pela sociedade contemporânea à escola e aos professores são eles instados a uma busca constante de cursos de formação contínua muitas vezes às suas expensas 2002 p 41 Num estudo posterior Pimenta e Lima 2004 confirmaram que nem sempre o desejo de aprender mais ou o compromisso com a qualidade do seu trabalho são as razões que levam professores de volta aos bancos da escola A busca de certificação provocada pelas reformas da educação e a legislação de ensino têm trazido de volta à universidade muitos profissionais que já exerceram ou exercem o magistério 2004 p 99 Observamos claramente este fato pois acompanhamos como docente nas licenciaturas em Normal Superior os acadêmicos da primeira turma deste curso em nosso município A sua grande maioria era composta por alunos que já exerciam a docência sendo que alguns já possuíam muitos anos de magistério Em abril de 2002 foi encaminhada pela ANPED Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Educação ANFOPE Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação ANPAE Associação Nacional de Política e Administração da Educação dentre outras uma proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Nacional ao Conselho Nacional de Educação Castro 2007 Esta proposta nasceu 90 Projeto Lumen Curso de qualificação profissional Habilitação específica para o exercício do magistério de 1ª à 4ª série conforme os termos da Lei 5692 de 11 de agosto de 1971 artigo 24 1º do artigo 25 artigos 26 e 28 artigo 16 da Lei nº 704482 e da Resolução nº 697 de 17091993 do Conselho Estadual de Educação de Goiás Secretaria de Educação Cultura e Desporto Superintendência de Ensino NãoFormal 91 O PROFORMAÇÃO Programa de Formação de Professores em Exercício é um Programa da Secretaria de Educação a Distância é um curso em nível médio com habilitação para o magistério na modalidade Normal realizado pelo MEC em parceria com os estados e municípios Destinase aos professores que sem formação específica encontramse lecionando nas quatro séries iniciais classes de alfabetização ou Educação de Jovens e Adultos EJA das redes públicas de ensino do país PROFORMAÇÃO PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM EXERCÍCIO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA SEED Disponível em httpproformacaoproinfomecgovbrapresentacaoasp Acesso 30052009 162 Em 07 de novembro de 2001 ANPED ANFOPE ANPAE FORUNDIR92 CEDES93 e Fórum Nacional em Defesa da Formação de Professores durante uma reunião de consulta com o setor acadêmico no Âmbito do Programa Especial Mobilização Nacional por uma nova Educação Básica se posicionaram sobre a importância de se definir uma política nacional global de formação dos profissionais da educação e sobre a valorização do magistério Assim apresentaram o documento Posicionamento Conjunto das Entidades que serviu de base para a Proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia encaminhada ao CNE em abril de 2002 pelas comissões de Especialistas de Ensino de Pedagogia e de Formação de Professores CASTRO 2007 p 213 grifo da autora Somente em fevereiro de 2003 com o Parecer n 12003 o Conselho Nacional de Educação defende o direito adquirido aos portadores de diploma de normal em nível médio de exercerem suas profissões ao determinar que Os portadores de diploma de nível médio bem como os que vierem a obtê lo sob a égide da Lei n 939496 têm direito assegurado e até o fim de suas vidas ao exercício profissional do Magistério nas turmas de Educação Infantil ou nas séries inicias do Ensino Fundamental conforme sua habilitação O Conselho Nacional de Educação por meio do disposto no art 9º 2º alínea e da Lei n4024 de 20 de dezembro de 1961 com a redação dada pela Lei n 9131 de 25 de novembro de 1995 no art 62 da Lei n 9394 de 20 de dezembro de 1996 e com fundamento no parecer CNECP n 52005 incluindo a emenda retificada constante do Parecer CNECP n 32006 homologados pelo Senhor Ministro da Educação respectivamente conforme despachos publicados no DOU de 15 de maio de 2006 e no DOU de 11 de abril de 2006 e a resolução CNECP n 1 de 15 de maio de 2006 instituíram as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de graduação em Pedagogia Licenciatura Assim em 2006 é aprovada a Resolução CNECP n1 que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia Licenciatura O Curso de Licenciatura em Pedagogia destinase à formação de professores para exercer funções de magistério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental nos cursos de Ensino Médio na modalidade Normal de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos Resol CNECP n 12006 art 4º comentado por CASTRO 2007 p 218 92 Fórum de Diretores das Faculdades de Educação das Universidades Federais 93 Centro de Estudos Educação Sociedade 163 No que diz respeito aos cursos Normais Superiores os mesmos podem ser transformados em Pedagogia Para tanto é necessário que as instituições elaborem novo projeto pedagógico conforme Castro 2007 A partir destas Diretrizes garantese que o curso de Licenciatura em Pedagogia forme professores para a Educação Infantil para os anos iniciais do Ensino Fundamental para o Curso Normal de nível médio para a Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos Castro 2007 Ou seja para que a licenciatura possa habilitar de título e de fato os pedagogos é fundamental que a teoria e a prática docentes estejam articuladas Neste contexto o Estágio Supervisionado é o momento crucial da concretização dessa articulação E é esta preocupação que nos impulsiona na elaboração desta pesquisa 164 CAPÍTULO II O ESTÁGIO SUPERVISIONADO TEORIA E PRÁTICA A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação TeoriaPrática sem a qual a teoria pode ir virando blábláblá e a prática ativismo FREIRE 2002 p 24 Este capítulo tem como referência principal os trabalhos de Pimenta e Lima 2004 cuja contribuição teórica é suporte basilar para a análise que nos propomos realizar em relação ao estágio supervisionado que hoje acontece no curso de Pedagogia Licenciatura Acreditamos que para compreender o estágio supervisionado é necessário antes de qualquer coisa buscar como autores estudiosos do assunto definem o estágio Pimenta 2002 define o estágio como estágio curricular Para a autora 2002 p 21 Por estágio curricular entendese as atividades que os alunos deverão realizar durante o seu curso de formação junto ao campo futuro de trabalho Na perspectiva de Buriolla 2009 p 13 O estágio é o lócus onde a identidade profissional do aluno é gerada construída e referida voltase para o desenvolvimento de uma ação vivenciada reflexiva e crítica e por isso deve ser planejado gradativa e sistematicamente Assim podemos compreender que o estágio não se limita ao saber fazer ou ainda a reproduzir um modelo mas envolve sobretudo o pensar o pesquisar o refletir Compreender o que se faz como e por que se faz De acordo com Miranda 2008 p 16 Superando a concepção dicotômica e ampliando as possibilidades de realização do estágio o conhecimento é produto do processo de investigação os alunosestagiários são orientados na pesquisa e não na reprodução de conceitos prontos e acabados Nessa perspectiva são as demandas suscitadas pela realidade escolar que norteiam o estágio considerando que não basta observar eou denunciar fazse necessário enfrentar as situações e construir alternativas de ação O estágio é portanto uma ação educativa e social uma forma de intervir na realidade Nesta perspectiva o estágio pode ser considerado instrumento de pesquisa e reflexão que orienta a ação docente no sentido de superação da reprodução da ação pedagógica Além disso traz objetivos bem delineados conforme apresenta Cury 2003 p 118 165 O estágio supervisionado implica 1 Conhecer o real em situação 2 Fazer crescer o interesse pela área 3 Verificar se os conhecimentos adquiridos são pertinentes à área 4 Articularse com mercado de trabalho 5 Comparar programas de estudos face às diferentes necessidades da sociedade Ao aferir tais objetivos ao estágio o autor defende que o mesmo seja conduzido como atividade de pesquisa já que para conhecer o estágio é preciso estudálo em todas as suas possibilidades Miranda 2008 ainda apresenta a necessidade de o estágio ser concebido e vivenciado a partir da sua contextualização histórica cultural e social Fato este que ocorre somente quando o estágio é conduzido como atividade de pesquisa Pois ainda conforme Miranda 2008 p 17 O estágio como atividade de pesquisa aproxima mais o aluno da escola desenvolvendo posturas e habilidades de pesquisador que busca compreender os fatores determinantes da realidade escolar e propor projetos de ação Os fatos são compreendidos e explicados para além das aparências ou evidências habituais favorecendo a tomada de consciência do real e consequentemente o fazer mecânico cede lugar ao fazer reflexivo Em um mundo dinâmico o ensino não pode mais ser ministrado de forma determinista e estática A dúvida a curiosidade e as incertezas precisam estar presentes Este é um desafio permanente para o professor que orienta o estágio pois os caminhos não estão postos as possibilidades emergem do enfrentamento das questões suscitadas no cotidiano escolar Para uma melhor compreensão do debate sobre estágio é imprescindível trazermos novamente os estudos de Pimenta e Lima 2004 As referidas autoras apresentam três concepções de estágio Imitação de modelos Instrumentalização técnica e Pesquisa Apresentaremos a seguir os modelos definidos pelas autoras a começar pela primeira concepção acima citada a Imitação de modelos nesta concepção O estágio reduzse a observar os professores em aula e imitar esses modelos sem proceder a uma análise crítica fundamentada teoricamente e legitimada na realidade social em que o ensino se processa Assim a observação se limita à sala de aula sem análise do contexto escolar e esperase do estagiário a elaboração de aulasmodelo PIMENTA e LIMA 2004 p 36 Para as autoras muitas vezes quando os estagiários se encontram dentro do contexto escolar percebem que a fundamentação teórica que aprenderam durante seu curso 166 não condiz com a real situação vigente do espaço sala de aula Para Pimenta e Lima 2004 p 35 o estágio quando ocorre nessa situação se limita a mera imitação de modelos posto que o modo de aprender a profissão será a partir da observação imitação reprodução e às vezes reelaboração dos modelos existentes na prática consagrados como bons Logo os estagiários quando não possuem teorias adequadas ou mesmo não conseguem articular a teoria com a prática selecionam dentro das experiências vivenciadas no estágio modelos que mais se ajustam aos referenciais que elaboraram Portanto a reflexão momento crucial do estágio se estabelece apenas com relação às experiências vivenciadas não se caracterizando como pesquisa e portanto não avançando em relação à construção do conhecimento Ou seja é segundo as autoras o modelo por imitação Nesse sentido Tardif 2008 p 257 nos chama a atenção Desse ponto de vista a prática profissional nunca é um espaço de aplicação dos conhecimentos universitários Ela é na melhor das hipóteses um processo de filtração que os dilui e os transforma em função das exigências do trabalho ela é na pior das hipóteses um muro contra o qual vêem se jogar e morrer conhecimentos universitários considerados inúteis sem relação com a realidade do trabalho docente diário nem com os contextos concretos de exercício da função docente Outra questão relevante é que quando os acadêmicos se apoderam de modelos tidos como aqueles que deram certo esquecem que a educação é uma prática social e como tal não é imutável A educação precisa considerar os contextos sociais culturais e econômicos vivenciados pelos grupos sociais presentes na escola Não é possível ministrar aulas do passado para alunos do presente tão pouco transpor modelos que foram adequados para outros contextos Caso contrário o estagiário apenas reproduzirá um modelo legitimado com a perpetuação de hábitos idéias valores e comportamentos muitas vezes retrógrados Para Grossi 2004 p 19 Quando formamos professores nas nossas universidades e faculdades distantes da base escolar e da prática pedagógica é como se formássemos pilotos sem horas de vôo ou diplomássemos médicos sem prática médica sem residência pedagógica Quer dizer a má formação de professores produz uma antipedagogia cuja prática deve ser incriminada e não as teorias O estágio com a visão de receitas prontas não dará subsídios para uma prática pedagógica que exige pesquisa e reflexão cujo objetivo maior é a construção do conhecimento Essa concepção e prática de estágio apenas contribuirá para a reprodução de uma atuação docente que impossibilitará uma educação crítica reflexiva emancipatória 167 b Concepção de estágio como Instrumentalização técnica Nessa perspectiva a atividade de estágio fica reduzida à hora da prática ao como fazer às técnicas a ser empregadas em sala de aula ao desenvolvimento de habilidades específicas do manejo de classe ao preenchimento de fichas de observação diagramas fluxogramas PIMENTA e LIMA 2004 p 37 Temos que reconhecer a importância do domínio técnico para o exercício da profissão mas não podemos encarálo como suficiente apenas como parte integrante do processo de formação acadêmica O que ocorre geralmente nesta perspectiva é totalmente o contrário há uma ênfase desmedida em relação à aprendizagem das habilidades e competências técnicas da profissão em detrimento da reflexão da crítica da compreensão e da análise do contexto histórico e social da prática educativa Isto acaba por acarretar o que Pimenta e Lima 2004 p 39 denominam de O mito das técnicas e das metodologias Esse mito está presente não apenas nos anseios dos alunos mas também entre professores e sobretudo em políticas governamentais de formação que acabam investindo verbas em intermináveis programas de formação dêscontínua de professores partindo do pressuposto de que a falta de conhecimento de técnicas e métodos destes é a responsável exclusiva pelos resultados do ensino Está assim em movimento o ciclo de uma pedagogia compensatória realimentada pela ideologia do mito metodológico O mesmo ocorre quando são utilizadas exclusivamente as competências como núcleo de formação Isso significa que a atividade docente adquire uma postura tecnicista com visão de reprodução apoiada por uma didática instrumental a qual não é por si só satisfatória para uma formação do profissional reflexivo Com isso os saberes e conhecimentos do professor são substituídos por competências Essa substituição acarreta ônus para os professores uma vez que o expropria de sua condição de sujeito do seu conhecimento PIMENTA 2002 p 20 O emprego de técnicas por si só no processo educativo pode configurar a visão de um desvinculamento entre a teoria e a prática Desprovidas de reflexão o mero emprego delas não é capaz de dar conta da complexidade da prática docente O profissional reduzido à praticidade estará alheio aos conhecimentos científicos políticos e culturais necessários e fundamentais à formação profissional Na fala de Kulcsar 1991 p 70 Os cursos de formação de professores devem proporcionar aos futuros profissionais uma ampla base de conhecimento para toda a atividade educativa dando ênfase no entanto à de educador escolar 168 Ainda segundo Kulcsar 1991 todo o enfoque dado ao planejamento e ao manejo de classe ao preenchimento de fichas e formulários às oficinas pedagógicas para desenvolvimento de materiais didáticos leva o estágio a uma perspectiva de didática instrumental em contraposição a uma didática crítica e reflexiva A mesma autora ainda ressalta que as habilidades necessárias para o professor vão muito além de um saber prático devido à amplitude e à complexidade do processo educativo Ele deverá ser capaz de lidar com diferentes situações em que o ensino ocorre escolhendo adequadamente a técnica necessária ou ainda ir além criar novas possibilidades quando aquelas apreendidas não forem relevantes diante do conflito Somente uma formação adequada ou seja que articule teoria e prática por meio da reflexão da crítica e da pesquisa dará suporte para superar os entraves da prática pedagógica pois para Kulcsar 1991 p 70 O conhecimento elaborado principalmente no decorrer dos anos escolares incluímos universitários adquire força educativa quando se torna instrumento capaz de auxiliar o sujeito a atuar concretamente na natureza e na sociedade de modo crítico e transformador A dissociação entre a teoria e a prática nos cursos de formação de professores tem provocado a discussão de que a reflexão e a pesquisa contribuem para a construção da superação da visão tecnicista do estágio permitindo que os acadêmicos possam compreender e problematizar as situações observadas e vivenciadas c Concepção de estágio como Pesquisa A pesquisa no estágio como método de formação de futuros professores se traduz de um lado na mobilização de pesquisas que permitam a ampliação e análise dos contextos onde os estágios se realizam por outro e em especial se traduz na possibilidade de os estagiários desenvolverem postura e habilidades de pesquisador a partir das situações de estágio elaborando projetos que lhes permitam ao mesmo tempo compreender e problematizar as situações que observam Esse estágio pressupõe que se busque novo conhecimento na relação entre as explicações existentes e os dados novos que a realidade impõe e que são percebidos na postura investigativa PIMENTA e LIMA 2004 p 46 Pimenta e Lima 2004 consideram a aproximação e a interrelação entre o conjunto de disciplinas que compõem o curso de formação altamente relevante para que se possa analisar e elaborar os projetos de estágio Ou seja de acordo com as autoras 2004 p 41 O papel das teorias é iluminar e oferecer instrumentos e esquemas para análise e investigação que permitam questionar as práticas institucionalizadas e as ações dos sujeitos e ao mesmo tempo colocar elas 169 próprias em questionamento uma vez que as teorias são explicitações sempre provisórias da realidade Deste modo o papel dos professores dos cursos de formação assume importância essencial para que o estágio possa ser conduzido por uma postura docente reflexiva o que possibilitará ao alunoestagiário uma ação também investigativa essencial ao processo de formação docente já que de acordo com Silva e Schnetzler 2008 p 149 ao refletir sobre sua própria prática o futuro professor pode se converter em um investigador na sala de aula produzindo saberes pedagógicos visto que as atuais recomendações de pesquisas sobre formação docente centramse na temática de uma nova epistemologia da prática Esta não desconsidera contribuições teóricas advindas da pesquisa acadêmica produzidas nos moldes da racionalidade técnica mas pressupõe a sua integração aos problemas da prática para possibilitar reflexões sobre ela novos planejamentos implementações avaliações e novas reformulações gerando saberes pedagógicos grifo das autoras A ação do professor ou seja sua prática social deve ser o objeto de pesquisa Esta pesquisa permitirá a compreensão da complexidade do processo educacional nas instituições escolares e das ações praticadas pelos profissionais contribuindo para o posterior exercício da profissão docente Neste sentido destacamos que partilhamos com Giroux 1997 o sentido da escola existe uma necessidade de defender as escolas como instituições essenciais para a manutenção e desenvolvimento de um democracia crítica e também para a defesa dos professores como intelectuais transformadores que combinam a reflexão e prática acadêmica a serviço da educação dos estudantes para que sejam cidadãos reflexivos e ativos p 159 Reiteramos a necessidade da pesquisa como um caminho para superar os conflitos vividos pelos acadêmicos durante o curso de formação pois de acordo com o estudo realizado por Cunha 1989 p 127 é importante que o futuro professor dentre outros aspectos domine os conteúdos que ministre e para isso os Cursos de formação para o magistério precisavam instrumentalizar o professor para a pesquisa pois esta é a forma de sistematizar o conteúdo ter cientificidade no trato das coisas desenvolver o espírito crítico e distinguir a essência da aparência grifo meu 170 Diante desse contexto acreditamos em uma prática reflexiva pautada pela pesquisa para dar sustentação ao processo de formação dos professores Ao pensarmos em professor reflexivo e pesquisador nos reportamos novamente a Pimenta e Lima 2004 p 48 que com base em Shön lembram a importância da prática mas uma prática refletida que os possibilita responder com situações novas às situações de incerteza e indefinição Quando falamos em professor pesquisador e reflexivo não podemos perder o foco da coletividade levando em consideração mais uma vez de que a prática educativa é uma prática social e como tal não pode se basear na individualidade do sujeito pesquisador ou melhor de suas reflexões Estas não podem cair no praticismo individual ou coletivo no qual bastaria a prática para a construção do saber docente acarretando a desqualificação da pesquisa De acordo com Zeichner e Liston apud Silva e Schnetzler 2008 p 148 para que sua prática seja reflexiva os professores devem ter algumas características elementares I examinam esboçam hipóteses e tentam resolver os dilemas envolvidos em suas práticas de aula II estão alertas a respeito das questões e assumem os valores que levamcarregam para seu ensino III estão atentos para o contexto institucional e cultural no qual ensinam IV tomam parte no desenvolvimento curricular e se envolvem efetivamente para a sua mudança V assumem a responsabilidade por seu desenvolvimento profissional Neste sentido Cunha 1989 também aponta que no processo formativo a ênfase na reflexão e na pesquisa é necessária A prática dos professores em sala de aula é coerente com o modo de produção que acontece hoje em nossa sociedade isto é com a divisão do trabalho e do conhecimento A análise desta realidade constituise em mais um esforço no sentido de auxiliar os professores e alunos a um exercício reflexivo E só a reflexão pode nos dar a consciência necessária para a mudança p 151 grifo meu Compartilhamos com Cunha 1989 que a forma de rompermos com a divisão entre trabalho e conhecimento é a reflexão É importante salientar que a reflexão se dá com base na pesquisa Reiteramos juntamente com Pimenta e Lima 2004 que a partir da concepção do estágio como pesquisa é possível que o mesmo desenvolva atividades que possibilitem o conhecimento a análise a reflexão do trabalho docente das ações docentes nas instituições a fim de compreendê las em sua historicidade identificar seus resultados os impasses que 171 apresenta as dificuldades Dessa análise crítica à luz dos saberes disciplinares é possível apontar as transformações necessárias no trabalho docente nas instituições PIMENTA e LIMA 2004 p 55 Para que o Estágio Supervisionado seja realizado nesta perspectiva é necessário entender o perfil docente que esperamos seja capaz de atender às exigências e particularidades de sua profissão 21 Formação e estágio tensões e desafios Com base nas discussões feitas neste estudo defendemos que é desejável que a formação docente seja desenvolvida de modo que ao final da graduação o professor tenha condições de iniciar sua atuação na sala de aula que conforme aponta Libâneo e Freitas 2007 p 53 significa Colocar o aluno numa atividade de aprendizagem Ensinar portanto é adquirir meios do pensar através dos conteúdos Em outras palavras é desenvolver nos alunos o pensamento teórico O Pensamento teórico permite ao professor extrair o essencial dos objetos de conhecimento e com isso adquirir métodos e estratégias cognoscitivas gerais de cada ciência em função de analisar e intervir nas situações gerais LIBÂNEO e FREITAS 2007 p 54 Ter condições de desenvolver com os alunos o processo de reconstrução do conhecimento é o que a graduação em licenciatura deve proporcionar Onde mais o acadêmico seria preparado para seu ofício Todavia observamos que os professores em início de carreira acabam por aprender sua prática docente no cotidiano da sala de aula ou seja acabam aprendendo a prática na prática e muitas vezes pela prática tornandose um mero reprodutor do conhecimento não sendo capaz de mediar o saber com seu aluno Apropriandonos do pensamento de Pimenta e Lima 2004 p 37 Nessa perspectiva o profissional fica reduzido ao prático não necessita dominar os conhecimentos científicos mas tãosomente as rotinas de intervenção técnica deles derivadas Essa compreensão tem sido traduzida muitas vezes em posturas dicotômicas em que teoria e prática são tratadas isoladamente o que gera equívocos no processo de formação profissional A prática pela prática e o emprego de técnicas sem a devida reflexão podem reforçar a ilusão de que há uma prática sem teoria ou de uma teoria desvinculada da prática Essa perspectiva vem de encontro ao trabalho docente reflexivo e pesquisador De acordo com Libâneo 2002 o professor precisa ter compromisso com seu exercício profissional e ainda afirma que Desejase um profissional capaz de pensar planejar e 172 executar o seu trabalho e não apenas um sujeito habilidoso para executar o que os outros concebem 2002 p 6162 Por isso nesta pesquisa estamos problematizando o estágio supervisionado na formação dos professores Pois conforme explicita Pimenta 2002 p 52 no caso da formação de professores está a constatação de que o curso nem fundamenta teoricamente a atuação da futura professora nem toma a prática como referência para a fundamentação teórica Ou seja carece de teoria e de prática Para Kenski O Estágio Supervisionado dos cursos de Pedagogia já é por si só um desafio 1991 p 39 A autora aborda a separação teoria e prática na formação de professores e enfatiza que o estágio na grande maioria das vezes ocorre somente no final do curso desvinculado das atividades praticadas pelos alunos nos semestres anteriores Kenski 1991 p 40 o que impede uma vinculação da teoria com a prática Deste modo o Estágio Supervisionado traz em si uma expectativa de apoteose de gran finale no qual todos os problemas e deficiências apresentadas durante o curso têm uma última chance a ser pelo menos discutido 1991 40 grifo da autora Ainda em relação à desvinculação da teoria com a prática na formação docente e no estágio supervisionado Miranda 2008 p 15 ressalta que O estágio nos cursos de formação é quase sempre reduzido a uma prática instrumental que limita o papel do aluno estagiário a mero observador e conseqüentemente empobrece as possibilidades de ação na escolacampo Ainda conforme Miranda É comum a busca de uma correspondência linear entre os fundamentos teóricos e as práticas escolares respaldada na idéia de que o estágio é a parte prática do curso Por outro lado a visão dicotômica da teoria e da prática resulta em lacunas no processo de formação que dificultam a compreensão de que a prática é intencionada pela teoria que por sua vez é modificada e legitimada pela prática Considerar que a prática seja desprovida de fundamentos teóricos significa tornála inócua 2008 p 16 Acreditamos que o estágio tem um papel muito mais abrangente do que atualmente assume nos cursos de formação de professores É preciso entender que o estágio é muito mais que simples momento prático de como dar aula pois só assim daremos o real significado ao que verdadeiramente implica o estágio uma vez que para Pimenta e Lima 2004 p 29 Considerar o estágio como campo de conhecimento significa atribuirlhe um estatuto epistemológico que supere sua tradicional redução à atividade prática instrumental Deste modo algumas questões fazemse necessárias no sentido de que questionemos o estágio como prática instrumental e busquemos caminhos para a formação e o 173 estágio defendido por Pimenta e Lima 2004 Cunha 19892004 Freire 1996200020012002 Giroux 19871997 Kramer 2009 Libâneo 19982002 Ludke e André 1986 Miranda 2008 Kulcsar 1991 e outros Para Buriolla 2009 p 17 o estágio é fundamental à formação do aluno enquanto lhe propicia um momento específico de sua aprendizagem uma reflexão sobre a ação profissional uma visão crítica da dinâmica das relações existentes no campo institucional Contudo o estágio configurado como tal como parte integrante do processo ensinoaprendizagem salvo algumas exceções com muitas dificuldades de se operacionalizar sob esta concepção Ainda de acordo com Buriolla 2009 tais dificuldades operacionais acontecem por várias razões dentre as quais a instituição responsável pela formação docente estabelecer convênios com escolascampo unicamente para garantir o cumprimento de uma determinação legal muitas destas instituições não oferecem condições mínimas de estágio em muitos estágios a prática profissional objeto da supervisão é desvirtuada ou inexpressiva há desinformação e desintegração entre Unidade de Ensino e Unidade Campo de Estágio existem Unidades de Ensino que não assumem realmente o estágio com todas as suas implicações tornandose este um apêndice do Curso e sua operacionalização fica a cargo do aluno estagiário BURIOLLA 2009 p 18 Diante deste cenário o estágio como pesquisa tornase uma realidade cada vez mais necessária Nesta concepção poderemos vislumbrar a formação de modo geral e o estágio supervisionado de forma específica como instrumento que permita ao futuro licenciado em Pedagogia atuar na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental sendo efetivamente capaz de construir com seus alunos uma educação emancipatória 22 Aspectos legais Iniciamos este item lembrando que o Estágio Supervisionado é condição essencial para a formação docente Para compreender seu papel necessitamos também conhecer os aspectos legais que norteiam o curso de Pedagogia Licenciatura Portanto destacaremos a legislação que atualmente vigora sobre o curso de Pedagogia Licenciatura Inicialmente abordaremos o que a legislação define como incumbência do professor pois assim poderemos lançar um olhar que nos permita compreender como esta 174 formação para a docência ocorre ou deveria ocorrer Ou seja o que a legislação garante para uma formação que possibilite ao professor exercer sua função Refletiremos ainda sobre o aspecto legal tanto da duração do curso de Pedagogia Licenciatura quanto o que determina a lei em relação ao Estágio Supervisionado De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB nº 939496 o professor tem atribuições a cumprir visando à aprendizagem de seus alunos conforme podemos observar Art 13 Os docentes incumbirseão de I participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino II elaborar e cumprir plano de trabalho segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino III zelar pela aprendizagem dos alunos IV estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento V ministrar os dias letivos e horasaula estabelecidos além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento à avaliação e ao desenvolvimento profissional VI colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade Diante das atribuições que a LDB nº 939496 delega aos docentes fica claro que seu trabalho não se restringe a transmitir o conteúdo Acreditamos que para cumprir com as atribuições que a Lei estabelece o começo desta jornada está no curso de Licenciatura em Pedagogia que por meio do Estágio Supervisionado leva o futuro professor ao contato com o cotidiano da escola e seus desafios e perspectivas De acordo com a Resolução CNECP Nº 1 de 15 de maio de 2006 artigo 7 o curso de Pedagogia terá carga horária mínima de 3200 horas Conforme a Resolução nº 2 de 18 de junho de 2007 que Dispõe sobre carga horária mínima e procedimentos relativos à integralização e duração dos cursos de graduação bacharelados na modalidade presencial a graduação em Pedagogia terá como carga horária mínima para sua integralização 4 anos conforme legislação abaixo Art 2º As Instituições de Educação Superior para o atendimento do art 1º deverão fixar os tempos mínimos e máximos de integralização curricular por curso bem como sua duração tomando por base as seguintes orientações III os limites de integralização dos cursos devem ser fixados com base na carga horária total computada nos respectivos Projetos Pedagógicos do 175 curso observados os limites estabelecidos nos exercícios e cenários apresentados no Parecer CNECES nº 82007 da seguinte forma c Grupo de Carga Horária Mínima entre 3000h e 3200h Limite mínimo para integralização de 4 quatro anos Já em relação ao período destinado ao Estágio Supervisionado que para a formação de professores da Educação Básica é de 400 horas passa a ter 300 horas no curso de licenciatura em Pedagogia Isto é há uma redução de 100 horas de atividade de estágio Conforme Castro 2007 a duração do tempo destinado ao estágio na formação do educador é palco para muitas discussões Questões como as disciplinas do currículo assumirem quase que total autonomia em relação ao campo de atuação dos profissionais a atribuição de menor importância à carga horária prática estágio a distância e estágio apenas no final do curso estão presentes neste contexto A LDB em seu artigo 67 afirma parágrafo 1 A experiência docente é pré requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério nos termos das normas de cada sistema de ensino BRASIL 1996 RESOLUÇÃO CNECP 2 DE 19 DE FEVEREIRO DE 2002 Institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura de graduação plena de formação de professores da Educação Básica em nível superior RESOLUÇÃO CNECP Nº 1 DE 15 DE MAIO DE 2006 Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia licenciatura Art 1º A carga horária dos cursos de Formação de Professores da Educação Básica em nível superior em curso de licenciatura de graduação plena será efetivada mediante a integralização de no mínimo 2800 duas mil e oitocentas horas nas quais a articulação teoriaprática garanta nos termos dos seus projetos pedagógicos as seguintes dimensões dos componentes comuns I 400 quatrocentas horas de prática como componente curricular vivenciadas ao longo do curso II 400 quatrocentas horas de estágio curricular supervisionado a partir do início da segunda metade do curso III 1800 mil e oitocentas horas de aulas para os conteúdos curriculares de natureza científicocultural IV 200 duzentas horas para outras formas de atividades acadêmicocientíficoculturais Parágrafo único Os alunos que exerçam atividade docente regular na educação básica poderão ter redução da carga horária do estágio curricular supervisionado até o máximo de 200 duzentas horas Art 2 A duração da carga horária prevista no Art 1º desta Resolução obedecidos os 200 duzentos dias letivosano dispostos na LDB será integralizada em no mínimo 3 três anos letivos Art 7º O curso de Licenciatura em Pedagogia terá a carga horária mínima de 3200 horas de efetivo trabalho acadêmico assim distribuídas I 2800 horas dedicadas às atividades formativas como assistência a aulas realização de seminários participação na realização de pesquisas consultas a bibliotecas e centros de documentação visitas a instituições educacionais e culturais atividades práticas de diferente natureza participação em grupos cooperativos de estudos II 300 horas dedicadas ao Estágio Supervisionado prioritariamente em Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental contemplando também outras áreas específicas se for o caso conforme o projeto pedagógico da instituição III 100 horas de atividades teóricopráticas de aprofundamento em áreas específicas de interesse dos alunos por meio da iniciação científica da extensão e da monitoria 176 O Governo Federal publicou no dia 25 de setembro do ano de 2008 a Lei nº 11788 onde define estágio Capítulo I Da definição classificação e relações de estágio Art 1o Estágio é ato educativo escolar supervisionado desenvolvido no ambiente de trabalho que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam freqüentando o ensino regular em instituições de educação superior de educação profissional de ensino médio da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental na modalidade profissional da educação de jovens e adultos Com base no processo de formação do acadêmico do curso de Licenciatura Pedagogia o mesmo deve ser capaz de vivenciar a prática por meio do estágio Saber exercer a profissão é do ponto de vista formal consequência deste aprendizado Em síntese o processo de formação deve possibilitar a atuação docente Apropriandonos de Grossi 2004 p 40 entendemos que o curso de formação de professores deve garantir ao futuro profissional Uma sólida formação inicial uma formação permanente isto é contínua e atualizada são demandas impostergáveis que precisamos atender sob pena de estarmos nas escolas dependentes dos PCNs Parâmetros Curriculares Nacionais dos livros didáticos Vamos precisar desses instrumentos que deveriam ser usados e vistos como sugestão mas acabam se incorporando a nossa prática porque não temos condições de planejar e de estudar na escola e fora dela para produzir coletivamente A autora ainda lembra que as universidades e os institutos superiores de educação têm a obrigação de proporcionar aos acadêmicos um estágio que supra suas necessidades de formação Partindo deste princípio é que objetivamos analisar as contribuições do estágio supervisionado a partir das observações in lócus e dos questionários aplicados aos acadêmicosestagiários e identificar como os professores orientadores de estágio acompanham e intervêm junto aos estagiários em suas ações De acordo com André e Fazenda apud Pimenta 2002 p 75 o estágio vem sendo órfão da prática e da teoria Como lida basicamente com as questões da realidade concreta da prática o aluno vai perceber que para explicála e nela intervir é necessário refletir sobre a mesma e que essa reflexão só não será vazia se alimentarse da teoria O bom professor o professor comprometido tem a obrigação de saber o que indicar o como indicar o onde indicar aí a importância das fontes grifos do autor 177 São comuns os relatos de recémgraduados apontando dificuldades na relação com o referencial teórico disponibilizado durante sua formação acadêmica de que ele é muitas vezes desconexo com a prática pedagógica vivenciada no contexto escolar Portanto tornase necessário refletirmos sobre a relação teoria e prática trabalhada nos cursos de formação de professores Conforme Saviani 2005 p 262 a prática é a razão de ser da teoria o que significa que a teoria só se constituiu e se desenvolveu em função da prática que opera ao mesmo tempo como seu fundamento finalidade e critério de verdade A teoria depende pois radicalmente da prática Os problemas de que ela trata são postos pela prática e ela só faz sentido enquanto é acionada pelo homem como tentativa de resolver os problemas postos pela prática Cabe a ela esclarecer a prática tornandoa coerente consistente consequente e eficaz Portanto a prática igualmente depende da teoria já que sua consistência é determinada pela teoria Assim sem a teoria a prática resulta cega tateante perdendo sua característica específica de atividade humana Para compreendermos como está ocorrendo o estágio supervisionado no curso de Pedagogia Licenciatura realizamos um encontro com o campo de atuação dos acadêmicos estagiários na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Nessa perspectiva o observar e o interpretar são condições simultâneas permitindo a elaboração teórica Assim no próximo capítulo apresentamos a análise da pesquisa de campo 178 CAPÍTULO III ANÁLISE DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO DO CURSO DE PEDAGOGIA LICENCIATURA EDUCAÇÃO INFANTIL Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino Esses quefazeres se encontram um no corpo do outro Enquanto ensino continuo buscando reprocurando Ensino porque busco porque indaguei porque indago e me indago Pesquiso para constatar constatando intervenho intervindo educo e me educo FREIRE 2002 p 32 Este capítulo apresenta a análise da pesquisa realizada durante as práticas de estágio em Educação Infantil Iniciamos descrevendo o curso pesquisado e em seguida os dados obtidos por meio da observação questionário e entrevistas Realizamos nossa pesquisa de campo atendendo o objetivo geral ou seja analisamos a contribuição do Estágio Supervisionado oferecida aos acadêmicos matriculados no Instituto Superior de Educação Almeida Rodrigues ISEAR da cidade de Rio Verde no estado de Goiás O curso de Pedagogia Licenciatura oferecido pelo ISEAR nasceu da transformação do curso Normal Superior com habilitações em Anos Iniciais do Ensino Fundamental e Educação Infantil autorizado pela Portaria nº 2761 de 25 de setembro de 2002 publicado no Diário Oficial da União em 30 de setembro de 2002 e retificado pela Portaria Ministerial de nº 1730 de 4 de julho de 2003 e aguardando Portaria de Reconhecimento com base nos seguintes documentos Despacho do Diretor do Departamento de Supervisão do Ensino Superior DESUPde 672006 publicado no DOU de 10072006 pág 8 e Resolução CNECP nº 1 de 15 de 2006 que Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de graduação em Pedagogia Licenciatura PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 2007 p 5 179 De acordo com o Projeto Político Pedagógico e Manual de Estágio do ISEAR todos os acadêmicos têm que reger aulas nas turmas de Educação Infantil no quarto período Já no período posterior quinto período deverá acontecer no Estágio Supervisionado a regência nas turmas dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental 1º ao 5º ano Em busca da análise dos objetivos que guiam esse trabalho observamos in lócus cf roteiro de observação apêndice 1 o Estágio Supervisionado de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental do Curso de Pedagogia Licenciatura Ressaltamos que todas as unidades de ensino que serviram como campo de estágio atendem alunas e alunos de nível socioeconômico diversificado classe média a classe médiabaixa Analisamos a atuação pedagógica dos as acadêmicos as durante o estágio supervisionado de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental e relacionamos a prática do Estágio Supervisionado com o PPP Projeto Político Pedagógico do Curso Para analisar a contribuição do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental orientamonos pelo referencial teórico construído nos capítulos anteriores O curso de Pedagogia Licenciatura que os alunos estagiários participantes de nossa pesquisa frequentam apresenta a seguinte estrutura 3280 horas a integralizarse em 8 semestres constituise de I Eixo de Estudos Básicos composto por 26 disciplinas com 1500 horas II Eixo de Aprofundamento e Diversificação de Estudos composto por 15 disciplinas num total de 820 horas III Eixo de Estudos Integradores com 960 horas divididas entre o Estágio Supervisionado o Trabalho de Conclusão de Curso Prática Profissional Orientada Atividades de Iniciação Científica Extensão e Monitoria PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 2007 p 11 O Projeto Político Pedagógico do curso de Pedagogia Licenciatura em relação ao seu objetivo geral pretende oferecer formação inicial para que o profissional atue no exercício da docência na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental nos Cursos de Ensino Médio e em Cursos de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar bem como em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos capazes de repensar a educação com espírito crítico com habilidades técnico pedagógicas e sociopolíticas para o exercício competente de sua profissão e como formadores de opinião PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 2007 p 11 Para que a formação do Pedagogo alcance os objetivos estabelecidos pelo curso preparando o profissional para atuar em diversas áreas as disciplinas oferecidas são 180 Didática Jogos e Brincadeiras Novas Tecnologia da Educação Gestão Estrutura e Funcionamento do Ensino Políticas Públicas Novos Paradigmas da Educação Planejamento e Tecnologias Educacionais Educação Inclusiva e Linguagem de Sinais Antropologia Educacional Gestão de Educação Administrativa e Pedagógica Educação de Jovens e Adultos e Multiculturalismo Processo Educacional no Meio Rural bem como Metodologia de Pesquisa em Educação e ConteúdosFundamentosMetodologias das Disciplinas da Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental fazem parte da Matriz do Curso PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 2007 p 38 Em nosso estudo de campo que realizamos durante dois semestres letivos o corpo discente pesquisado do curso de Pedagogia Licenciatura constava de 2º semestre de 2008 93 alunos em 4 turmas assim distribuídos 1º período 21 alunos 2º período 42 alunos 3º período 12 alunos e 4º período 17 alunos lembrando que os 04 acadêmicos estagiários participantes de nossa pesquisa cursavam o 4º período no referido semestre letivo 1º semestre de 2009 o curso de Pedagogia Licenciatura tinha em seu quadro discente 126 alunos frequentes em 5 turmas assim compostas 1º período 34 alunos 2º período 21 alunos 3º período 42 alunos 4º período 12 alunos e finalmente no 5º período 17 alunos sendo que 04 destes eram os participantes de nossa pesquisa Com o objetivo de analisar a contribuição do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental observamos conforme já nos referimos anteriormente 04 quatro acadêmicos sendo três do sexo feminino e um do sexo masculino matriculados no quarto período Estes estagiaram em instituições de Educação Infantil entre os meses de agosto a dezembro de 2008 Os referidos acadêmicos também foram observados durante o Estágio Supervisionado nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental entre os meses de fevereiro a junho de 2009 momento em que cursavam o quinto período Os acadêmicos estagiários investigados nesta pesquisa foram denominados por nomes fictícios para que suas identidades fossem preservadas Assim os quatro acadêmicos observados em sala de aula são respectivamente denominados Aluna Estagiária 1 AE 1 Aluna Estagiária 2 AE 2 Aluno Estagiário 3 AE 3 e finalmente Aluna Estagiária 4 AE 4 As caracterizações foram feitas com base nas informações obtidas junto aos mesmos por meio de questionário e das observações realizadas A AE 1 tinha 23 anos de idade do sexo feminino dedicavase somente aos estudos 181 A AE 2 tinha 23 anos de idade do sexo feminino trabalhava como recepcionista de um Buffet O AE 3 tinha 20 anos de idade do sexo masculino exercia a função de repositor de mercadoria em um supermercado A AE 4 tinha 21 anos de idade do sexo feminino trabalhava como babá Procedemos à coleta de dados junto aos acadêmicos estagiários utilizando questionários abertos individuais O questionário aplicado tanto durante o estágio em Educação Infantil cf apêndice 2 quanto no estágio nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental foi elaborado constando dez questões cf apêndice 3 No entanto para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental acrescentamos uma questão objetivando registrar a avaliação dos acadêmicos em relação aos aspectos divergentes entre o Estágio Supervisionado em Educação Infantil e o Estágio Supervisionado dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental 31 Educação Infantil observação in loco Em consonância com nossa perspectiva teórica assumida anteriormente na discussão sobre formação e estágio apresentamos nesta seção o nosso encontro com a Educação Infantil no campo de estágio bem como a perspectiva teórica da Educação Infantil O pedagogo embora possa atuar tanto na Educação Infantil como nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental precisa de preparo específico para cada modalidade de ensino Embora muitas especificidades da profissão se configurem em ambos os contextos algumas habilidades são específicas e requeridas de acordo com a faixa etária da criança Em se tratando das unidades de Educação Infantil contemplamos 04 delas como campo de estágio sendo três EMEIs Escola Municipal de Educação Infantil que atendem crianças de 04 e 05 anos de idade e uma CMEI Centro Municipal de Educação Infantil que atende crianças de 0 a 05 anos de idade Todas as EMEIs localizamse na parte central da cidade de Rio Verde Já a CMEI está situada em um bairro periférico do município É importante esclarecer que duas das EMEIs oferecem alfabetização do Ensino Fundamental crianças de 06 e 07 anos 1º e 2º anos Historicamente a educação infantil iniciouse com caráter assistencialista dando amparo à saúde e à preservação da vida sem relação direta com o caráter educativo isto é ao processo ensino e aprendizagem De acordo com Kramer 2009 esta visão assistencialista esteve presente na Educação Infantil pois afirma que 182 Até muito recentemente esse atendimento era visto como tendo caráter apenas médico e assistencial e as esparsas iniciativas públicas estavam e estão imbuídas dessas tônicas É só a partir da década de 70 que a importância da educação da criança pequena é reconhecida e as políticas governamentais começam a incipientemente ampliar o atendimento em especial das crianças de 4 a 6 anos A nova Carta Constitucional reconhece o dever do Estado de oferecer creches e préescolas para todas as crianças de 0 a 6 anos p 18 Dessa forma podemos supor a possibilidade de superação da visão do caráter meramente assistencialista da educação infantil e que se efetive seu papel uma vez que A educação infantil primeira etapa da educação básica tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físico psicológico intelectual e social complementando a ação da família e da comunidade LDB96 1996 art 29 Assim sendo conforme o disposto no artigo citado não é possível compreendermos a Educação Infantil apenas como cuidar Isso porque o educar e o cuidar devem ser encarados como indissociáveis visto que o processo educativo é extremamente amplo e entre tantas ações envolve o cuidado dos educandos com o objetivo de construção da autonomia e identidade da criança Para que essa construção aconteça Kramer defende que O trabalho pedagógico precisa se orientar por uma visão das crianças como seres sociais indivíduos que vivem em sociedade cidadãs e cidadãos 2009 p 19 Ainda conforme Kramer para que ocorra este trabalho realmente voltado à criança é essencial que levemos em consideração suas diferentes características não só em termos de história de vida ou de região geográfica mas também de classe social etnia e sexo Reconhecer as crianças como seres sociais que são implica em não ignorar as diferenças Os conflitos que podem emergir não devem ser encobertos mas por outro lado não podem ser reforçados precisam ser explicitados e trabalhados com as crianças a fim de que sua inserção social no grupo seja construtiva e para que cada uma seja valorizada e possa desenvolver sua autonomia identidade e espírito de cooperação e solidariedade com as demais 2009 p 19 O processo educativo na educação infantil também é sistematizado Regras normas comportamentos e informações conjuntas irão fundamentar as relações sociais das crianças no contexto escolar permitindo a elas a construção de uma visão de mundo e de si mesmas Para que isso se torne real é necessário um aprendizado pautado no ritmo da criança para que ela possa realizar suas descobertas de forma prazerosa Conforme afirma Cajal 2001 p 130 183 Quando a criança vai à escola pela primeira vez ela se vê num contexto formal e complexo onde deve conviver com inúmeros colegas e um adulto desconhecidos num espaço físico limitado Nos primeiros tempos de escola portanto aprender os conteúdos interacionais participar da construção de novas formas de interação tornase tão ou mais importante que dominar o conteúdo acadêmico Diante deste contexto o professor de Educação Infantil assume um papel imprescindível sendo portanto necessário uma formação adequada para que possa atuar de forma a promover o desenvolvimento infantil A falta de preparo do professor pode configurar um entrave ocasionando então consequências marcantes na vida futura das crianças Para tanto o professor necessita muito mais do que o simples domínio de conteúdos e suas explanações As posturas repetitivas e mecanizadas também não podem fazer parte da prática educativa desses professores Paulo Freire em sua obra Pedagogia da autonomia aborda esta questão e afirma que quem tem o que dizer deve assumir o dever de motivar de desafiar quem escuta no sentido de que quem escuta diga fale responda É intolerável o direito que se dá a si mesmo o educador autoritário de comportarse como o proprietário da verdade e do tempo para discorrer sobre ela 1996 p 132 grifo do autor Além do conhecimento curricular que também é fundamental o professor precisa utilizar uma linguagem clara ter coerência em seu posicionamento e boas relações interpessoais com os alunos mantendo sempre uma postura atenta ao cotidiano da sala de aula organizando e adequando as situações para que a aprendizagem realmente aconteça Conforme a perspectiva de Tardif os saberes profissionais são fortemente personalizados ou seja que se trata raramente de saberes formalizados de saberes objetivados mas sim de saberes apropriados incorporados subjetivados saberes que é difícil dissociar das pessoas de sua experiência e situação de trabalho 2008 p 265 Ostetto destaca que A profissão docente por se basear na relação entre pessoas é permeada pelos afetos pela simpatiaantipatia que acompanha as relações Ser profissional da educação significa experimentar sentimentos 2008 p 136 Ainda nesta perspectiva Kramer ao discutir as relações que se estabelecem no espaço escolar evidencia a riqueza de sua diversidade afirmando que 184 as relações estabelecidas entre os profissionais da escola desses com as crianças com as famílias e com a comunidade precisam ser norteadas por essa visão real da heterogeneidade rica em contradições que caracteriza a sociedade e as escolas em geral e cada creche ou préescola em particular Essa diversidade nos coloca o desafio de buscar as alternativas em termos de atitudes e estratégias necessárias para atender as crianças e cada criança compreendendoas a partir de suas experiências e condições concretas de vida 1995 p 22 Com base nessas reflexões e nas feitas nos capítulos anteriores passaremos à análise das informações coletadas a partir de nossas observações e questionário respondido pelos alunos estagiários referentes às práticas de estágio realizadas primeiramente em Educação Infantil e na seção seguinte analisaremos o Ensino Fundamental 312 Análise das informações obtidas junto ao estagiário e as estagiárias na Educação Infantil Com base nas informações obtidas nas observações efetuadas e questionário aplicado com os estagiários sobre as aulas ministradas às crianças da Educação Infantil cf apêndice nº 2 emergiram 03 três categorias quais sejam 1 O ambiente da sala de aula de Educação Infantil o espaço onde acontecem os estágios 2 O conteúdo uma preocupação sempre presente 3 Relação doda alunoa estagiárioa com seus alunos e alunas diferentes formas Nossa análise pautase nas observações na sala de aula nas respostas dadas pelos estagiários e no diálogo com os autores utilizados nesta pesquisa 3121 O ambiente da sala de aula de Educação Infantil o espaço onde acontecem os estágios Quando entro em uma sala de aula devo estar sendo um ser aberto a indagações à curiosidade às perguntas dos alunos às suas inibições um ser crítico e inquiridor inquieto em face da tarefa que tenho a de ensinar e não a de transferir conhecimento FREIRE 2002 p 52 grifo do autor Observamos que as salas de aula onde acompanhamos a prática pedagógica dos Alunos Estagiários doravante denominados AE Alunoa Estagiárioa possuem dispositivos didáticos na intenção da construção de um ambiente alfabetizador Esse ambiente não é 185 natural ele está construído dentro da proposta pedagógica da unidade escolar em que oa estagiárioa vai atuar As paredes das salas de aula possuem vários cartazes gravuras letras e listas de rotina Os cartazes que estavam dispostos durante nossas observações eram Alfabeto sobre o quadro abaixo do quadro nas paredes laterais Letra maiúscula minúscula bastão cursiva Estas salas aqui descritas são salas de aula de Educação Infantil Havia cartazes com conjunto de palavras que iniciam com as mesmas letras do alfabeto por exemplo um cartaz com palavras que começam com M mala maca macaco mola Cartaz de aniversariante um cartaz trazia a lista de nomes dos alunos da sala e havia uma separação com gravura de menino de um lado do cartaz e a outra parte era identificada como a lista das meninas por uma gravura de uma menina Observamos também que havia na sala de aula um Quadro de leitura controle das leituras realizadas pelas crianças um quadro de frequência controle das presenças e faltas das crianças Percebemos informações de diversos assuntos conforme outros cartazes Cartaz das estações do ano Cartaz de órgãos dos sentidos Lista de cores Cartaz de parlendas e de poesias Cartaz dos meios de transporte Cartaz com nomes próprios e comuns e finalmente o Calendário meses do ano dias da semana e o Cartaz de números 0 a 9 Infantil I 0 a 100 Infantil II números avulsos Outros cartazes orientavam os padrões de comportamento que as crianças deveriam seguir O cartaz das Palavras Mágicas com licença por favor obrigado bom dia boa tarde desculpeme Estes cartazes expostos nas salas de aula têm a finalidade de direcionar como as relações na sala de aula serão vivenciadas Conforme Cajal sistematiza o contexto influencia regula as ações que nele são estabelecidas a interação face a face está também exposta a um número infinito de regras em um fazer e refazer contínuos 2001 p 128 De acordo com nossas observações As crianças participam das relações sociais e este não é exclusivamente um processo psicológico mas social cultural histórico As crianças buscam essa participação apropriamse de valores e comportamentos próprios de seu tempo e lugar porque as relações sociais são parte integrante de suas vidas de seu desenvolvimento KUHLMANN JR 200 p 57 E estas relações sociais que se desencadeiam são motivadas por vários padrões de comportamento que em geral são direcionados pela professora Este direcionamento tanto pode ser a partir de imposições explícitas no caso da Rotina pedagógica agenda no quadro 186 Acolhida Roda Leitura Tarefa Lanche Escovação Para casa quanto velada camuflada que é o caso dos Combinados registrados no cartaz Vamos combinar assim e seremos grandes amigos Não podemos ofender podemos respeitar Não devemos ser egoístas podemos compartilhar Não devemos sair da sala podemos pedir licença Não podemos falar todos de uma vez podemos ouvir o que os outros têm a dizer Não podemos sujar a sala podemos mantêla organizada e limpa Para que seja estabelecida uma interação social entre os sujeitos do processo educativo surge a efetivação de uma dinâmica própria marcada pelo conjunto das ações do professor pelas reações dos alunos às ações do professor pelo conjunto das ações dos alunos das reações do professor às ações e reações dos alunos pelo conjunto das ações e reações dos alunos entre si cada um interpretando e reinterpretando os atos próprios e os dos outros CAJAL 2001 p 128 Esta relação que dá sustentação a estes padrões somente será inserida na prática cotidiana da sala de aula se houver uma aceitação social unânime tal que garantem sua existência CAJAL 2001 p 128 De acordo com Teixeira 2001 já na préescola a criança para tornarse um aluno passa pelo processo de aprendizagem da etiqueta escolar A autora relata que Nada se sobressai tanto numa sala de préescola onde as crianças vivem principalmente a condição de aprendizes do papel de aluno quanto o ensinoaprendizagem da etiqueta escolar Para representar competentemente o papel de aluno as crianças precisam aprender regras próprias da cultura interacional da sala de aula Aprender essas regras reconhecêlas no contexto e agir de acordo com elas são saberes indispensáveis a uma carreira de aluno bem sucedida TEIXEIRA 2001 p 223 As crianças acabam por assumir comportamentos onde a espontaneidade peculiar de sua idade tornase sem lugar ao menos durante grande parte do período em que ela passa na escola Em outras palavras o comportamento que a criança tem fora da escola não é adequado durante suas aulas Assim os alunos Ao cruzarem o portão da escola parecem passar desse estado de excessos para um estado mais rígido mais tenso mais controlado mais formal o estado de estudante O portão é como uma zona de transição entre um estado e outro Porém ultrapassada a zona de perigo as crianças voltam a andar de modo animado correr gritar e até berrar Mas ao se aproximarem da sala de aula para fazer a fila e aguardar a professora o jeito animado vai desaparecendo Assim que o segundo sinal é dado as crianças impreterivelmente em fila dupla meninos e meninas aguardam a ordem de entrada TEIXEIRA 2001 p 202 187 Em se tratando do mobiliário as salas de aula que observamos possuem conjunto de mesas com cadeiras adequadas para as crianças Infantil I carteiras crianças do Infantil II Quanto à disposição das carteiras estão em fila e as crianças têm lugar fixo para sentar Na concepção de Padilha esta disposição reduz os espaços de convivência em grupo e que em nada contribuirá para a superação na escola da prática que mantém não só o conhecimento mas também as pessoas divididas separadas fragmentadas enfileiradas e isoladas em si mesmas 2001 p 140 O mobiliário das salas de aula onde realizamos nossas observações também é composto por armários grandes de madeira com 10 divisões um deles fica aberto e sem porta Em cada sala de aula há um segundo armário onde os livros são guardados e tem o nome de Cantinho da Leitura As salas apresentavam um cesto de lixo quadro giz uma das salas não possuía quadrogiz era um papel sulfite marrom colado com fita adesiva marrom Sobre o quadrogiz tem um ventilador e ao lado um filtro em uma mesa baixa sendo bem acessível às crianças Cada escola possui aparelhos de televisão 20 polegadas ventilador ar condicionado um relógio de parede e cortinas A iluminação artificial vem de lâmpadas florescentes A iluminação natural adentra o espaço da sala de aula por meio de três janelas sendo duas pequenas e uma grande com grade desta vêse a área de serviço onde fica a cantina As salas de aula possuem tamanhos variados Uma das salas de Educação Infantil tem uma pilastra bem no centro impedindo que o aluno visualize a professora e o quadrogiz As crianças são posicionadas em fila As salas tinham como característica uma poluição visual pois o excesso de cartazes e gravuras dava ao ambiente um aspecto carregado pesado ou seja um cenário não propício à aprendizagem Este cenário nos leva a uma série de reflexões e uma delas lembranos de Padilha 2001 Estaríamos com nossas aulas abrindo horizontes para os nossos alunos e para nós mesmos ou sedimentando práticas castradoras transformando a nossa sala de aula em jaula em prisão em sala de privação de prática desconectadas totalmente de quaisquer avanços da tecnologia presente no mundo atual resistente à menos ousadia pedagógica do professor em sala de aula p 138 De acordo com Teixeira 2001 estamos exigindo sempre que as crianças mantenham atenção voltada para o professor pois 188 Ficar olhando o pátio externo é para as crianças uma forma de sair da sala se não com o corpo pelo menos com o olhar Os alunos devem manterse dentro da sala não só com o corpo mas com a atenção também Porta e janela nesse sentido são lugares de perigo para a manutenção da ordem e da disciplina TEIXEIRA 2001 p 211 Todos estes aspectos por nós observados nas salas de aula de educação infantil são importantes já que cada um desses ambientes tem suas especificidades Isso porque Um contexto caracterizase por ser dinâmico pois fazem parte dele não só o ambiente material o espaço físico mas também as pessoas o que elas estão fazendo naquele momento Erickson F e Schultz J 1997 p 6 apud Cajal 2001 p 127 suas expectativas e intenções CAJAL 2001 p 127 Conforme Teixeira 2001 no espaço da sala de aula nosso olhar deve estar sempre atento aos detalhes que fazem com que cada sala tenha sua identidade É preciso ver que o som e o movimento que sempre se repete jamais são os mesmos Portanto Entrar numa sala de aula sem deixar que aspectos importantes dela por serem rotineiros triviais passem despercebidos sejam desvalorizados pela excessiva familiaridade com o ensinar o reprimir o recompensar o disciplinar ou o levantar o brigar o copiar o aprender o conversar que constituem o diaadia de uma sala de aula assusta 2001 p 194 O mundo infantil é surpreendente por isso é importante para os professores participar e atuar ativamente no ambiente escolar caminhando lado a lado com a criança ensinando e também aprendendo com ela constituindose como profissional docente Porém se esta atuação se este caminhar lado a lado com a criança acontecer numa perspectiva que envolva a criança a possibilidade da aprendizagem acontecer é real Zanini e Leite 2008 relatam uma experiência que vivenciaram no Estágio Supervisionado em Educação Infantil II onde estavam enfrentando dificuldades para estabelecerem um vínculo com a turma Buscaram na roda superar a barreira que existia entre elas e as crianças Deste modo para Zanini e Leite Nas rodas o ouvir o outro ajuda educandos e educador a perceber que as experiências as vivências as opiniões e os modos de ser são diferentes para cada pessoa O outro se torna um espelho composto por muitos outros espelhos a refletir as individualidades que estão em constante formação A valorização e o respeito à opinião do outro vão sendo então construídos por meio das trocas que se estabelecem entre educandos e educador Nas trocas de olhares percepções gestos falas curiosidades medos inseguranças risadas é que cada um vai significando sua identidade percebendose integrante e integrador do grupo São também esses momentos que possibilitam o reconhecimento da existência do eu e do outro 2008 p 76 189 Durante o tempo que permanecemos em sala de aula não observamos nenhuma atitude em relação à preocupação em mexer no espaço da sala de aula Esta despreocupação já é demonstrada pelos AEs pesquisados tanto nas observações como nas suas respostas ao questionário aplicado conforme apêndice nº 2 No questionário somente dois deles mencionaram a sala de aula embora não tivéssemos nenhuma pergunta enfatizando o espaço físico No início das aulas ministradas na escolacampo tive um pouco de dificuldade pois foi a primeira vez que estava indo a uma sala de aula AE 4 Não houve por parte dos estagiários a atitude de modificar o ambiente da sala de aula para adequálo à Educação Infantil A preocupação externada pelo AE 4 foi a sua insegurança ao se deparar com uma situação nova Embora as rotinas sejam necessárias para direcionar a prática educativa na concepção de Kramer o professor ao planejar suas aulas ao preparar os materiais que utilizará estabeleça de modo claro qual o delineamento de sua aula pois é preciso que o professor esteja permanentemente consciente das metas que orientam o seu trabalho Dessa intencionalidade decorre o aproveitamento de situações ou acontecimentos inesperados ou não planejados o que significa que o planejamento prévio deve sempre existir mas ser flexível Todas as atividades previstas e mesmo as inesperadas devem ter objetivos claros para o professor e para as crianças O processo vivido por cada criança no desenvolvimento das atividades é fundamental mas é igualmente importante que as crianças compreendam o que estão fazendo e que o produto final de seu trabalho seja valorizado pela professora e pelos colegas 2009 p 84 As ações pedagógicas do professor não podem ficar restritas à sala de aula Assim uma de suas competências no ato de planejar é proporcionar a diversificação das atividades e dos ambientes em que elas acontecem causando expectativa nas crianças Nesse sentido percebemos que o pedagogo precisa de uma formação que inclua o debate sobre o ambiente físico Na resposta do AE 3 percebese que sua ação vem ao encontro da perspectiva teórica que orienta sobre a importância de utilizar o ambiente da sala de aula e ainda outros espaços extraclasse94 94 Segundo o Projeto Político Pedagógico do Instituto Superior de Educação Almeida Rodrigues nos Objetivos Específicos no item que define o Estágio Supervisionado do curso de Pedagogia Licenciatura O Estágio Supervisionado curricular será realizado ao longo do curso de modo a assegurar aos graduandos 190 Tive a preocupação também de não ficar preso só na sala de aula sendo que aproveitei alguns espaços físicos maravilhosos que a escola dispunha como os quiosques e a casinha mágica AE 3 O AE 3 foi o único a ampliar e usar da possibilidade espaço Fato esse que nos faz pensar que estas questões não tem tido muita relevância na formação docente no curso de Pedagogia Não cabe um ato pedagógico reduzido ao espaço físico da sala de aula pois ele o ato pedagógico sempre vem acompanhado de outras ações já que conforme a perspectiva de Cajal A vida de sala de aula como a de qualquer outra situação não é dada a priori nem tomada de empréstimo a outra situação ao contrário é construída definida e redefinida a todo momento revelando e estabelecendo os contornos de uma interação em construção 2001 p 127 Alguns professores segundo Garcia Tiram de quase nada formas criativas amorosas inovadoras estimulantes que mobilizam a curiosidade das crianças de aprender o que faz a cada dia retornar à escola com brilho nos olhos cheias de perguntas cheias de descobertas ansiando por compartilhar com a professora e com as outras crianças os seus novos saberes e novos desejos de saber 2002 p 8 De acordo com o exposto notase que há uma preocupação por parte dos pensadores da Educação Infantil não só com as atividades que serão desenvolvidas mas também com o ambiente em que elas se processam Nesse sentido podemos destacar que somente o AE 3 mencionou o uso ampliado e criativo do espaço escolar Kramer traz esta preocupação com a organização do ambiente da escola como um todo e afirma que O espaço da escola deve ser seguro e deve favorecer a ampla circulação das crianças tanto nas salas de aula quanto no pátio externo na sala de refeições banheiros etc É fundamental que as crianças conheçam o espaço e nele se movimentem livre e organizadamente 2009 p 74 Destarte é necessário proporcionar um sistema de trabalho saudável e diversificado não deixando de considerar que O trabalho pedagógico se desenvolve no espaço de toda a escola e também fora dela Kramer 2009 p 74 Deste modo é importante que estejam presentes ambientes diversificados na hora de estabelecer um planejamento de experiência de exercício profissional em ambientes escolares e nãoescolares com base na pesquisa segundo regulamentação de estágio objetivando atitudes éticas conhecimentos e competências 2007 p 123 191 qualidade Ou seja tais ambientes podem favorecer a execução metodológica do professor contribuindo para que a criança se desenvolva Para Cajal Uma sala de aula tomada como uma situação social revelase uma efervescência sons gestos movimentos uma conjunção de emoções semelhantes diferentes opostas satisfação insatisfação alegria indiferença paixão uma reunião de pessoas advindas de situações diferenciadas com conhecimentos e culturas diferenciados 2001 p 126 De modo geral os acadêmicos estagiários não apresentaram iniciativas de mudar os ambientes de aprendizagem e também não ousaram em suas propostas uma vez que não utilizaram nenhum elemento diferenciado Ou seja atuaram na sala de aula a partir do modelo reproduzindo a ação dos professores titulares Não houve a compreensão de que o estágio como parte do processo formativo dos professores não pode ser outra coisa senão uma aventura pessoal o que pressupõe escolhas e envolve viagens interiores e exteriores Não é apenas fazer dar conta do conteúdo planejar e executar um plano de ensino perfeito lindo e maravilhoso com idéias inovadoras É abrirse para a escuta do que ordinariamente nos escapa é aventurarse a ir além dos hábitos de pensar e fazer à procura da própria voz em busca de um caminho autêntico singular OSTETTO 2008 p 128 Para sumarizar o conteúdo foi a preocupação fundamental dos alunos estagiários visto que procuraram enfatizar essa questão durante todo o seu Estágio Supervisionado Essa discussão é o objeto de análise do próximo item 3122 O conteúdo uma preocupação sempre presente Em se tratando da elaboração dos conteúdos a serem ministrados nas práticas do estágio conforme fragmentos dos relatos dos AEs apenas a AE 1 afirmou que tais conteúdos foram elaborados pela professora de Estágio Supervisionado Os conteúdos foram elaborados pela professora de estágio com base nas matérias que vimos na faculdade Concordo com essa escolha senão fosse essa seleção de conteúdos ficaria difícil ministrar as aulas AE 1 Os outros três afirmaram que eles mesmos elaboraram os conteúdos das aulas sendo que a AE 2 e a AE 4 afirmaram que a professora orientadora de estágio selecionou as disciplinas não os conteúdos que seriam ministradas nas aulas Na percepção da AE 1 o papel da professora orientadora de Estágio Supervisionado foi fundamental para a escolha do conteúdo a ser ministrado na escolacampo demonstrando ainda que o fato de ter trabalhado esses conteúdos no curso de Pedagogia possibilitoulhe atuar na escola 192 Já de acordo com o depoimento da AE 2 a escolha do conteúdo foi dos próprios acadêmicos o que de acordo com sua fala foi negativo pois acredita que se os conteúdos fossem selecionados pelas professoras as chances de erros seriam menores As disciplinas foram passadas pela professora do estágio sendo Alfabetização Literatura Artes Língua Portuguesa Matemática Ciências e Geografia o conteúdo foi escolhido por nós acadêmicos Se a escolha do conteúdo partisse sic da professora seria mais fácil e certamente teria menos erros Não concordo mas também não acho totalmente errado essa escolha pois nós devemos ir em busca do conhecimento mesmo errado AE 2 O AE 3 em depoimento pondera não ter recebido nenhum auxílio seja da professora orientadora de Estágio Supervisionado seja de qualquer outra pessoa e afirma que Todos os conteúdos de minhas aulas foram escolhidos por mim mesmo tendo como base o conhecimento da clientela a qual eu iria atender AE 3 De acordo com a fala da AE 4 o certo seria que ela escolhesse não só os conteúdos mas a disciplina em que ministraria suas aulas pois assim evitaria a insegurança em relação ao conteúdo conforme afirma As disciplinas foram escolhidas pela orientadora do estágio e os conteúdos cabia a nós acadêmicos selecionar de acordo com a realidade da escola e disciplinas pois muitas vezes não temos domínio da disciplina pedida ou estamos apenas no começo da mesma e não temos bases suficiente para passar um conhecimento mais enriquecedor para o aluno AE 4 Percebemos com estes depoimentos que não há um diálogo necessário com professoras orientadoras do estágio professores titulares das turmas em que os estagiários vão atuar bem como os próprios estagiários Este diálogo poderia dirimir vários problemas durante o período de estágio Durante nossas observações ficou explícita a preocupação por parte dos estagiários com a quantidade de conteúdos a serem trabalhados em sala de aula A esse respeito Silva 2008 assevera que considerar que o que orienta a organização dos espaçostempos de aula é a intencionalidade do trabalho pedagógico a forma como são selecionados os objetivos educativos os conteúdos os métodos o processo de avaliação como a relação professoraluno é conduzida e a compreensão de que essas opções teóricometodológicas não se caracterizam pela neutralidade ao 193 contrário expressam concepções de sociedade educação e homem SILVA 2008 p 38 Observamos que durante as aulas ministradas pelos estagiários nas turmas de Educação Infantil95 houve excesso de conteúdos e descontextualização Percebemos que as concepções mais amplas do processo educativo ficavam esquecidas segundarizadas pois o conteúdo parecia deslocado de um projeto em que o aluno como um todo é o principal objetivo Algumas das práticas pedagógicas exercidas pelos AEs confirmam estas situações em diferentes momentos Relataremos inicialmente a observação96 realizada numa sala de Infantil II com crianças de 05 anos Estavam presentes 25 alunos 13 meninas e 12 meninos no período matutino A área de conhecimento era Matemática e o conteúdo Organização de classes de elementos segundo o atributo de Posição Em cima Embaixo Direita Esquerda Frente Atrás O AE 3 iniciou a aula cumprimentando as crianças perguntando se tiveram um bom final de semana Orientou também os alunos quanto à formação da fila para se dirigirem a uma atividade extraclasse no quiosque pedagógico97 Fila homem e mulher Fila única AE 3 Chegando ao quiosque as crianças se posicionaram formando um círculo A seguir o AE 3 introduziu o conteúdo perguntando Alguém sabe o que é direita e esquerda Diante da negativa dos alunos o AE 3 dá seguimento à execução da atividade planejada Primeiro eu preciso de um voluntário AE 3 O A 198 levantou a mão manifestando sua vontade em participar Logo foi escolhido para auxiliar na realização da atividade Para a execução dos trabalhos o AE 3 95 Lembrando que a proposta do Estágio Supervisionado em Educação Infantil previsto tanto no Projeto Político Pedagógico quanto no Manual de Estágio do ISEAR tem como referência o RECNEI Referencial Curricular Nacional Para a Educação Infantil A docência na Educação Infantil efetivarseá por meio de atividades de estágio nas salas de aula de Infantil I e Infantil II e ministrará conteúdos nas seguintes áreas de conhecimento Linguagem Oral e Escrita Matemática Sociedade e Natureza Artes Visuais Movimento Música 96 Observação realizada em 03112008 97 Localizado no pátio da escola É um espaço circular aberto sem paredes com pilastras e muretas e coberto com telhas 194 propôs desenhar o contorno de um corpo no piso do quiosque Então o A 1 deitouse no chão fazendo o papel de molde Em seguida foi solicitado aos alunos que desenhassem partes do corpo do contorno traçado no piso Quem quer desenhar o olho dela AE 3 Mesmo perguntando quem gostaria de participar todos manifestaram desejo de desenhar o olho o A1 e o A 2 disputaram quem iria fazer a atividade o AE 3 chamou o A 1 Depois chamou o A 2 para também participar Agora vem você chamou o A 2 desenhar a boca A 2 a boca AE 3 Vem desenhar a bermuda disse o AE 3 ao A 3 que se recusou dizendo que não dava conta AE 3 Com a recusa do aluno o próprio AE 3 se incumbiu da tarefa de fazer o desenho da bermuda Deixa eu desenhar a bermuda Olha presta atenção Vou passar uma linha no meio dela do contorno AE 3 O contorno desenhado no piso em posição horizontal foi dividido ao meio na horizontal da cabeça aos pés A seguir o AE 3 explicou que um dos lados era o lado esquerdo e que o outro lado era o lado direito As crianças ficaram divididas em dois grupos um grupo se posicionou do lado que o AE 3 definiu como sendo esquerdo e o outro grupo foi para o lado determinado como o lado direito Agora vamos dar o nome a cada lado AE 3 Na sequência o AE 3 escolheu o A 6 para escrever a palavra esquerdo Tio eu não sei escrever A 6 Quem vai ajudar ele Pergunta o AE 3 Como o A 6 escreveu a palavra esquerdo sem as letras q e r grafando esuedo o AE 3 resolveu ajudálo 98 Em nosso relato de observação de 07112008 do diálogo que se segue identificaremos os alunos com letras e números conforme exemplo Aluno 1 A 1 Aluno 2 A 2 Aluno 3 A 3 e assim sucessivamente 195 Isso põe a letra q Cadê o r esquerdo AE 3 O AE 3 soletrou pausadamente a palavra dando ênfase onde a criança deveria escrever as letras que faltavam Posteriormente o AE 3 escolheu outra criança A 7 para escrever a palavra direito A criança também apresentou dificuldade para grafar a palavra conforme o solicitado pelo AE 3 que novamente soletrou Direito Faltou o r essa perninha é pra baixo Qual letra tá faltando Direito Falta o i antes do t Faz um i pequeno aqui no meio AE 3 O AE 3 apontou com o dedo para a palavra escrita na parte direita do contorno Após a escrita as crianças foram orientadas a prestar atenção no AE 3 que iria dividir novamente a figura do corpo contornado no piso do quiosque Com um giz o AE 3 traçou uma reta dividindo o contorno em partes que os membros superiores e a cabeça ficaram separados dos membros inferiores Definiu que um dos lados da cabeça contornada seria a posição em cima e o outro lado seria a posição embaixo O AE 3 propôs às crianças que escrevessem as palavras em cima e embaixo Posteriormente escolheu quais eram os alunos que participaram Tio é m de macaco A 9 Isso Em cima são duas letras pra você escrever em AE 3 Outro aluno foi chamado para escrever a expressão embaixo Falta a letra i você escreveu baxo Então a gente aprendeu esquerda direita em cima embaixo AE 3 Dando seguimento à aula o AE 3 fala em poucas palavras sobre os outros dois conceitos frente atrás Frente onde tá a barriga atrás tem as costas AE 3 Tio atrás tem a costela A 10 A criança A 10 apresentou um conhecimento prévio não só dos conceitos comentados pelo AE 3 como ainda falou de uma parte óssea do corpo humano Deste modo a criança estabeleceu uma relação entre o conteúdo trabalhado e seus conhecimentos 196 O AE 3 ao trabalhar com as crianças utilizou metodologia lúdica que é adequada segundo os autores abordados nesta pesquisa aplicada à Educação Infantil assim como a realização de uma atividade extraclasse No entanto o excesso de conteúdos muita informação e vários conceitos em um espaçotempo restrito comprometeram a aprendizagem dos alunos Em nossa avaliação da aula observada as crianças não conseguiram internalizar os conceitos trabalhados pelo aluno estagiário pois as crianças apresentavam conflitos em relação à atividade desenvolvida e isto não foi trabalhado pelo estagiário Diante disso fica evidente que o AE 3 utilizou com limitações o espaço não convencional uma vez que ao utilizar o quiosque somente para traçar o contorno do corpo de uma criança e dividir este contorno e querer que os alunos identifiquem os quatro conceitos propostos esquerda direita em cima embaixo numa perspectiva horizontal o AE 3 realizou uma atividade que se fosse desenvolvida na sala de aula teria ocorrido da mesma maneira Ou seja o acadêmico apenas mudou o lugar da atividade mas explicou o conteúdo como se estivesse entre as quatro paredes da sala de aula E conforme Xavier e Fernandes a aula num espaço extraclasse é de modo geral dinâmica e aberta à diversidade sociocultural atrai envolve e cativa pessoas é marcada pela liberdade e espontaneidade não exige sala nem formalidades 2008 p 263 O relato da aula de Matemática não foi um ato isolado na prática pedagógica dos alunos estagiários mas uma situação de rotina pois nas observações posteriores a excessiva preocupação com a quantidade de conteúdos fezse presente Observamos a ênfase na quantidade de conteúdos também durante aula expositiva que a AE 2 ministrou em uma turma de Infantil II Estavam presentes 10 alunos99 06 meninas e 04 meninos de cinco anos de idade matriculados no período vespertino Na ocasião a AE 2 trabalhou com a área de conhecimento Natureza e Sociedade por meio do conteúdo Meios de comunicação rádio telefone carta telegrama Para introduzir o assunto a AE 2 propôs às crianças uma conversa sobre meios de comunicação dizendo Olha vamos conversar um pouco sobre meios de comunicação O que vocês assistem na televisão AE 2 Os alunos100 foram receptivos à proposta e começaram a participar da conversa conforme relatamos abaixo 99 Observação realizada em 07112008 Essa turma é composta por 20 alunos Acreditamos que o pequeno número de alunos presentes neste dia deuse por forte chuva 100 Em nosso relato de observação de 07112008 do diálogo que se segue identificaremos os alunos com letras e números conforme exemplo Aluno 1 A 1 Aluno 2 A 2 Aluno 3 A 3 e assim sucessivamente 197 Tia passa na televisão picapau e Xuxa A 1 Tia meu pai fala com minha mãe pelo celular A 2 A AE 2 respondeu então Isso é um meio de comunicação Neste momento da aula a AE 2 interveio tentando inserir os meios de comunicação que ela previamente havia selecionado e levado para a sala de aula rádio aparelho de telefone de discar carta telegrama como recursos didáticos Iniciou falando do rádio O rádio é um meio de comunicação AE 2 Um aluno demonstrou conhecer o meio de comunicação sugerido pela AE 2 dizendo É tia No rádio passa música A 3 Passa música mas também passa notícias responde a AE 2 De imediato a AE 2 explanou sobre outro meio de comunicação encerrando o assunto sobre o rádio conforme diálogo abaixo Qual de vocês vai ao correio o que a gente usa AE 2 Tia carta Eu nunca fui no correio nunca escrevi uma carta eu não sei A 1 Qual o meio que você mais utiliza perguntou a AE 2 a A1 A aluna respondeu que utilizava o computador o que gerou uma resposta única para todas as crianças da turma que ao serem perguntadas não deram outra resposta que não fosse computador Ai gente vamos mudar um pouquinho Quem sabe passar email AE 2 Tia eu sei meu pai tem um chip ele põe no computador no celular A 3 Tia meu pai tem um laptop mas não pode mexer A 4 Olha eu trouxe um telefone AE 2 198 A AE 2 oportunizou a cada um dos alunos que manuseasse discando o aparelho telefônico Tia eu tenho um celular Esse telefone é velho tia A 5 O aluno sorri Mas eu trouxe um celular olha ele tira foto A 5 O aluno levantou da carteira e foi até a frente da sala onde a AE 2 estava e levou o aparelho de telefone celular para mostrar que o telefone tinha o recurso multi mídia de captar imagens Tia minha mãe tem celular A 6 A minha também A 2 Ê tia ela tá doida batendo nesse telefone velho A 5 O aluno gesticulando com os braços e rindo se referia à colega que discava no aparelho que a AE 2 levou para a sala de aula como recurso didático A seguir a AE 2 mudou de assunto e passou a falar de outro meio de comunicação qual seja a carta Eu trouxe dois modelos de carta Olha um envelope grande e um envelope pequeno E aqui dentro a gente põe a carta Vou passar para vocês AE 2 Ao terminar a exposição dos meios de comunicação a AE 2 registrou no quadro giz os nomes dos mesmos carta telegrama rádio e telefone solicitando que as crianças copiassem as palavras utilizando o alfabeto móvel Agora vou escrever no quadro o nome dos meios de comunicação pra gente escrever os nomes deles AE 2 Hum Tive uma idéia vou buscar o alfabeto móvel para vocês em dupla escrever sic o nome dos meios de comunicação que eu trouxe AE 2 A primeira palavra que os alunos deveriam escrever foi carta Ao distribuir os alfabetos móveis aos grupos a AE 2 circulava na sala de aula orientando e fazendo intervenções como o caso da criança A 2 que escreveu cata A AE 2 mostroulhe a palavra que já havia sido escrita no quadro e explicou que faltava a letra r Na explicação sobre carta e telegrama a AE 2 enfatizou para a criança de cinco anos a importância de postar 199 uma carta normas para selar a carta Explicou que não podiam passar o selo na língua e as normas para a postagem de telegramas Destacou ainda a importância de conhecer a estrutura e funcionamento de uma agência dos Correios Percebemos que os alunos não se interessaram pelos meios de comunicação que a AE 2 trabalhou O interesse deles era por telefone celular computador e laptop Houve um momento de conflito em que o A 5 solicitou à AE 2 como se escrevia a palavra laptop Tia como escreve laptop A 5 Olha vamos escrever a última palavra que é computador E aí a gente vai fazer uma tarefa bem legal AE 2 Diante da insistência do A 5 em saber como se escrevia a palavra laptop a AE 2 disse ao menino Querido senta no seu lugarzinho AE 2 Entendemos que a AE 2 não respondeu ao questionamento da criança por não saber a grafia correta da palavra laptop Deste modo a professora não orientou a criança e seguiu o planejado brincadeira de roda que naquele momento se apresentou como uma atividade descontextualizada Ao deixar a criança sem uma resposta a AE causou uma frustração na mesma gerando atitudes de indisciplina A criança recusouse a participar da brincadeira isolandose dos colegas e correndo pela sala tentou tirar outros colegas da brincadeira e chutava as crianças que passavam perto dele dificultando a conclusão da atividade proposta A aula observada demonstrou que a AE 2 fez escolhas limitadas dos meios de comunicação selecionados para apresentar à turma uma vez que desprezou as novas tecnologias da comunicação tais como telefone celular e laptop e comentou de forma superficial o envio de email As novas tecnologias da informação e da comunicação TICs atualmente estão mais acessíveis à população independente da classe social e da idade O uso das TIC na educação infantil tem o objetivo de identificar e proporcionar através de práticas que favoreçam o convívio coletivo de crianças e suas relações educativas a interação dos alunos com as tecnologias propiciando momentos em que a criança possa atuar mais deixando aflorar as idéias que surgem em a sua mente possibilitando que a sua criatividade seja conhecida SANTOS SCHLUNZEN 2007 p 1 Cabe ao professor perceber o contexto de vivência das crianças inclusive acompanhando as mudanças tecnológicas pois 200 Nesta era da informação e da comunicação que se quer também a era do conhecimento a escola não detém o monopólio do saber O professor não é o único transmissor do saber e tem de aceitar situarse nas novas circunstâncias que por sinal são bem mais exigentes O aluno também já não é mais o receptáculo a deixarse rechear de conteúdos O seu papel impõelhe exigências acrescidas Ele tem de aprender a gerir e a relacionar informações para as transformar no seu conhecimento e no seu saber ALARCÃO 2008 p 15 grifo do autor Conforme a observação que realizamos de outra aula ministrada pela AE 2101 novamente a mesma demonstrou excessiva preocupação com a quantidade de conteúdos Era uma turma de Infantil II em que estavam presentes 23 alunos 13 meninas e 10 meninos de cinco anos de idade matriculados no período vespertino A proposta de trabalho da área de conhecimento de Natureza e Sociedade foi ministrar o conteúdo Meios de transporte aquático terrestre aéreo Inicialmente a AE 2 cumprimentou os alunos e iniciou a escrita do cabeçalho no quadrogiz Observamos que a metodologia utilizada pela AE 2 foi uma atividade lúdica de recorte de gravuras de revistas A aluna organizou a sala em duplas para a realização da atividade Neste momento os alunos começaram a fazer barulho arrastando carteiras e conversando A AE 2 então chama a atenção das crianças pedindo silêncio Olha Psiu Silêncio Vou explicar sobre meios de transporte Qual o meio de transporte que você usa pergunta a AE 2 ao A 1102 A partir desta indagação da AE 2 a criança responde Não sei tia A 1 O aluno por sua expressão facial demonstrouse surpreso com a pergunta pois não sabia o significado da expressão meios de transporte Percebemos que recorrentemente os AEs utilizam expressões que muitas vezes não fazem parte do universo infantil Diante da resposta do aluno a AE 2 insiste em retomar o conteúdo dizendo Olha usamos três meios de transportes o aéreo o aquático e o terrestre AE 2 101 Observação realizada em 14112008 102 Em nosso relato de observação de 14112008 do diálogo que se segue identificaremos os alunos com letras e números conforme exemplo Aluno 1 A 1 Aluno 2 A 2 Aluno 3 A 3 e assim sucessivamente 201 Os alunos ficaram descontentes com a AE 2 e se interessaram por outras atividades os alunos iniciam conversas paralelas crianças andando de um lado para o outro da sala de aula outras levantaram de suas carteiras para irem apontar o lápis e outros alunos pedindo para ir ao banheiro Neste burburinho a AE 2 tenta retomar a atenção dos alunos sobre o conteúdo que ela havia proposto Olha vou contar até três para vocês me ouvirem 1 2 3 Olha nós vamos ver três meios de transporte Olha quero que vocês prestem muita atenção AE 2 A AE optou por chamar a atenção das crianças com o pedido de silêncio não considerando que ao propor um conteúdo de ensino de modo a despertar o interesse dos alunos poderia proporcionar à turma um ambiente de parceira conforme Rosa e Lopes 2008 o professor tem um papel fundamental na formação da criança servindo como guia nesse processo um parceiro mais experiente Muito mais que falar seu papel é ouvir e observar as estratégias que os pequenos utilizam qualificando dessa forma as experiências vividas por eles Nesse sentido cabe ao educador entender a criança não como um ser passivo alienado mas como protagonista capaz de pensar criar e recriar novas possibilidades em suas experiências p 57 Observamos que a AE não envolveu os alunos neste momento pois não propôs o conteúdo contextualizandoo com as vivências dos mesmos Em estudo realizado recentemente Fabris relata que as professoras participantes da pesquisa tem presente em seu discurso o imperativo conhecer a realidade do aluno e mesmo assim estas docentes demonstraram ter poucas informações sobre as aprendizagens dos alunos Elas não sabiam nem quem eram os alunos repetentes elas pouco sabiam de suas dificuldades na área das aprendizagens escolares além do corriqueiro fraco em matemática dificuldade na leitura Além disso mesmo sabendo que naquela realidade muitos pais eram analfabetos as professoras continuavam a solicitar que os pais ajudassem nas tarefas escolares FABRIS 2010 p 12 Assim também na perspectiva de Paulo Freire ao assumir esta postura tornase impossível à AE ter 202 respeito aos educandos à sua dignidade a seu ser formandose à sua identidade fazendose se não se levam em consideração as condições em que eles vêm existindo se não se reconhece a importância dos conhecimentos de experiências feitos com que chegam à escola FREIRE 1996 p 71 Com o sucesso em sua solicitação de que as crianças fizessem silêncio e prestassem atenção a AE 2 pergunta a outra criança A 2 De que você vem pra escola AE 2 Neste momento a AE 2 demonstra capacidade de rever sua linguagem e articula seu conteúdo ao universo da criança Moto responde o A 2 Isso Moto é um meio de transporte incentiva a AE 2 Outro aluno tenta participar da aula Tia eu venho a pé com minha vó sic A 3 Pois é E o que é meio de transporte aquático Pergunta a AE 2 ignorando o comentário do aluno Tia aquático é água perguntou o A 3 tentando retomar sua participação na aula Tia é aquário Lá perto da sala da gestora da escola tem um aquário A 4 A AE 2 não respondeu à pergunta da criança A 4 e tentou retomar o assunto perguntando A bicicleta é aquático AE 2 Éééééééé responde a turma em uníssono Pois não é Ela não anda na água Qual meio de transportes que usamos na água AE 2 Tubarão peixe A 5 203 Gente presta atenção O que carrega as pessoas na água AE 2 Para responder a esta pergunta da AE 2 as crianças então se animam e participam falando ao mesmo tempo e dando várias respostas como submarino navio barco jet ski e prancha Embora ignorando algumas participações a AE 2 consegue retomar seu conteúdo bem como a participação das crianças Diante das respostas a AE 2 confirmou as respostas e mudou o foco do seu questionamento perguntando sobre outro meio de transporte Isso E aéreo que carrega a gente Avião responderam todos juntos Uma criança se levanta de sua carteira e se dirige à AE 2 e diz Tia eu falei avião antes da cita o nome da colega de sala Ela tá copiando de mim A 6 A reclamação da criança foi ignorada pela AE 2 que dando sequência à aula perguntou ao A 4 E o que carrega a gente na terra AE 2 Carro ônibus moto muita coisa A 4 Posteriormente a AE 2 orientou os alunos para a realização da atividade proposta as gravuras deveriam ser fixadas em cartolinas previamente identificadas pelo professor estagiário Ou seja cada cartolina trazia o nome de um tipo de meio de transporte Os conceitos transmitidos às crianças de meios de transporte foram aéreo anda no ar aquático anda na água e terrestre anda na terra A atitude da professora estagiária possibilitou que os alunos formassem hipóteses e participassem da aula Fato esse que gerou todo tipo de participação Isso fica explícito quando uma criança que perguntou se baleia era meio de transporte Tia baleia é meio de transporte A 7 Não respondeu a AE 2 204 E cavalo tia A 7 Sim AE 2 Acreditamos que aluna estagiária não contextualizou o conteúdo ministrado e não dominava os conceitos que trabalhou pois não foi capaz de esclarecer ao A 7 a diferença entre transporte aquático e animal marítimo Por meio desta observação acreditamos que a criança A 7 tenha levantado a hipótese de que se baleia não era um meio de transporte então cavalo também não mesmo que ande na terra A criança neste caso levantou hipóteses a partir do que era significativo para ela Nesta perspectiva no reportamos a Alves Teixeira e Santos 2009103 que afirmam que no processo de aprendizagem é fundamental que a mesma seja significativa Ou seja a aprendizagem nova amparada nos conhecimentos já apropriados pelos alunos Deste modo entendemos que para que ocorra a aprendizagem é necessário que novas informações estabeleçam uma interação comos conceitos já existentes e relevantes preexistentes na estrutura cognitiva do indivíduo AUSUBEL NOVAK HANESIAN 1997 Em outra observação104 a AE 1 ministrou o conteúdo Datas comemorativas Dia da Bandeira 19 de novembro Significado das cores da BandeiraAudição Hino da Bandeira usou como recurso didático um aparelho de som e um CD para a execução do hino Tal conteúdo está relacionado à área de conhecimento Natureza e Sociedade Este foi ministrado em uma turma de Infantil I crianças de 04 anos de idade composta por 17 alunos 8 meninos e 9 meninas presentes matriculados no período matutino A AE 1 iniciou a aula com o diálogo que transcreveremos abaixo perguntando aos alunos se eles já tinham visto a Bandeira do Brasil Vocês já viram a bandeira AE 1 Só se for aqui na escola A 1 A bandeira representa o que AE 1 O Brasil responde o A 2 Isso O país AE 1 Tia time de futebol também tem bandeira A 3 103 Conceito de ilha o processo de compreensão dos alunos do ensino fundamental de uma escola da rede municipal de ensino de Campo GrandeMS Disponível em httpwwwalbcombranais17txtcompletossem20COLE914pdf Acesso 05032010 104 Observação registrada em relatório em 07112008 205 A AE 1 ignorou a pergunta do A 3 e fixou um desenho da Bandeira do Brasil no quadrogiz Novamente percebemos que os AEs têm dificuldade de ampliar seu plano de aula bem como relacionar os conteúdos aos interesses dos alunos e alunas A dinâmica em que ocorre o processo de ensino e aprendizagem e ainda as relações que se estabelecem na escola levanos a crer conforme Ostetto que É preciso aprender a ver além do aparente a construir um olhar implicado Para o professor que exerce uma profissão essencialmente relacional é particularmente importante esse movimento de vaivém estar com o outro ver o outro as crianças os colegas as famílias o mundo ao redor e enxergarse 2008 p129 Em seguida a AE 1 retomou sua conversa com as crianças Vocês sabem por que essa bandeira tem a cor verde AE 1 Não obtendo nenhuma resposta a AE 1 continuou seu questionamento explicando o significado das cores da bandeira Verde que representa as matas Amarelo é nossa riqueza E o azul Quem sabe Tia ninguém sabe A 4 Tia azul é nuvem A 5 Da mesma maneira que ignorou o A 3 a AE 1 não respondeu à pergunta da criança A 5 Outro aluno retoma o diálogo Tia e esse branco A 1 Representa a paz AE 1 Tia o que é isso perguntou o A 4 apontando em direção ao desenho afixado no quadrogiz São estrelas Vocês sabiam que dia 19 desse mês novembro é o dia da Bandeira AE 1 Crianças fiquem quietos A tia vai passar o Hino da Bandeira AE 1 A AE 1 solicitou que os alunos ficassem de pé e em silêncio ouvissem o Hino da Bandeira As crianças neste momento começaram a demonstrar desinteresse pela aula e 206 foram brincar com outros brinquedos dentre os quais um ursinho de pelúcia um robô e um boneco outros conversaram e outros correram pela sala O conteúdo proposto não estava tendo significado algum para os alunos Dessa forma é preciso que o professor bem como o estagiário entenda que O desenvolvimento da aula é que lhe confere concretamente o sentido e a significação ou seja há que se responder a cada aula dada ao que ela sinaliza em continuidade A aula só pode ser ela mesma se carregar em seu processo e em seu resultado um sentido e uma significação para os sujeitos que dela compartilham Portanto o oriente de uma aula deve apontar para a construção de um sentido que se expressa cotidianamente mas deve ser carregado de continuidade para que possa ser expressivo ARAUJO 2008 p 62 Desconhecendo o clima de desinteresse das crianças e dando continuidade à aula a AE 1 chamou a atenção das crianças esperando que as mesmas participassem da aula e cumprissem as suas orientações Agora todos de pé A gente ouve o hino de pé Vocês sabiam AE 1 Ao serem solicitadas a ter um comportamento adequado para ouvirem o Hino da Bandeira as crianças não só ficaram de pé mas também algumas fizeram das cadeiras escorregador como riram cantaram105 dançaram empurraram um ao outro bateram palma andaram pela sala se abraçaram rolaram pelo chão e o Hino da Bandeira continuava a ser executado Esta atividade não teve significado para as crianças Isso porque os comportamentos que elas assumiram demonstraram que nenhuma delas entendeu o que estava acontecendo pois a AE 1 não soube adequar o conteúdo determinado106 nem soube utilizar uma metodologia que propiciasse o envolvimento das crianças Assim na análise de Silva 2008 o ensinar e o aprender ficam comprometidos Por isso para a autora ao trabalhar conteúdos e metodologias movidos pelo ter que cumprir um currículo um cronograma faz com que a organização da aula própria da atividade docente e a construção da dinâmica das manifestações em aula por meio das relações entre professores e alunos são plasmadas pela imposição de uma estrutura de tempo estanque positivista que funciona como instrumento de controle que pode entravar a 105 Durante a execução do Hino da Bandeira um aluno cantou Brasil Brasil a cueca já caiu 106 A AE 1 foi orientada pela professora titular a seguir a Matriz de Conteúdos previstos para a Educação Infantil que é definida pela Secretaria Municipal de Educação a partir do RECNEI Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil 207 constituição da aula como espaçotempo de ensinar aprender e transformar ou seja como campo de possibilidade SILVA 2008 p 37 Kramer 1995 p 16 defende que o currículo esteja adaptado à realidade da turma A autora pondera em sua obra Com a préescola nas mãos que a escola não apresenta no currículo situações ou atividades específicas por faixa etária na medida em que essa adaptação é função do planejamento que por sua vez é feito a partir do contexto específico de cada turma Mais uma vez é importante ressaltar a limitação que percebemos na capacidade dos AEs de articular o conteúdo escolar e o contexto dos alunos e alunas Assim para atividade final a AE 1 dividiu as crianças em grupos de quatro alunos Estas receberam uma folha mimeografada com o traçado da bandeira para colorir o desenho com as mesmas cores do desenho afixado no quadrogiz reprodução Acreditamos que se após trabalhar o conceito de bandeira com as crianças a AE 1 propusesse aos alunos que os mesmos criassem o desenho da bandeira de sua preferência a aula teria sido mais proveitosa e o conhecimento seria tratado não como o complexo processo de reelaboração mental mas como o resultado da aprendizagem nas interações humanas que ajuda a transformar a vida das pessoas XAVIER e FERNANDES 2008 p 226 Mesmo assim a atividade foi bem recebida pelas crianças que gostaram de colorir A AE 1 interveio durante as atividades Olha a tia falou que aqui é tudo verde As crianças identificavam as cores associandoas aos lápis Um aluno solicitou à AE 1 que confirmasse a cor que ele coloriria Tia aqui é azul né A 5 É AE 1 Ainda bem que amarelo é pouco eu não gosto Tia posso por outra cor A 7 Não Já disse Essas são as cores da bandeira Só pode usar essas cores AE 1 As crianças não compreenderam o conteúdo a AE 1 não oportunizou que houvesse relação interpessoal pois não permitiu que os alunos se ajudassem Cada um colorindo a sua tarefa AE 1 208 Assim que as crianças terminaram de colorir o A 5 perguntou o que fariam a seguir Tia e agora vai fazer o que A 5 Essa é a aula que eu tinha pra vocês AE 1 Ao dizer que a aula que tinha para os alunos era essa a AE 1 despediuse dos alunos deixou a sala de aula e foi chamar a professora titular para que a mesma reassumisse a regência da sala Observamos107 outra aluna estagiária doravante AE 4 A aluna ministrou uma aula para 23 alunos de 05 anos de idade meninos 08 meninas 15 matriculadas na série Infantil II no turno vespertino A área de conhecimento foi Matemática e o conteúdo Números de 1 a 10 Inicialmente a AE 4 apresentouse para os alunos dizendo seu nome e perguntando o nome de cada uma das crianças presentes Perguntou ainda se as crianças conheciam uma música Quem conhece a música do índio108 AE 4 Todas as crianças afirmaram que conheciam A AE 4 propôs aos alunos que ficassem de pé para cantar a música do índio109 estimulando as crianças a cantarem Vamos cantar Agora todos de pé Olha os dedinhos Nossa foi muito fraco AE 4 A AE 4 solicitou às crianças que participassem com mais alegria e insistiu que todos cantassem e gesticulassem com os dedos Hum parece que tem alguns que não estão cantando não é Então vamos cantar bem bonito AE 4 107 Observação realizada em01122008 108 Os dez indiozinhos 1 2 3 indiozinhos 4 5 6 indiozinhos 7 8 9 e 10 indiozinhos em um pequeno bote Estavam viajando pelo rio abaixo quando o jacaré se aproximou e o pequeno bote dos indiozinhos quase quase virou Mas não virou Autor desconhecido 109 Acreditamos que a AE 4 poderia ter articulado a questão cultural referente à cultura indígena e à nossa cultura uma vez que o ser humano constituise como tal na sua relação com o outro social A cultura torna se parte da natureza humana OLIVEIRA 1992 p 24 209 Novamente insistiu a AE 4 para que os alunos cantassem Aí agora ficou lindo Palmas AE 4 Enquanto cantava a música que era a introdução do conteúdo proposto contagem de 1 a 10 a AE 4 tentou fazer com que todas as crianças cantassem No entanto como já conheciam a música elas não se interessaram Em sequência pediu aos alunos que olhassem no cartaz orientando ainda que dissessem quantos índios havia no cartaz Neste recurso tinha numerais de 1 a 10 conforme sistematizado 1 desenho de 1 índio 2 desenho de 2 índios e assim sucessivamente até o numeral 10 Agora vamos fazer uma tarefa legal disse a AE 4 Tia o A 1 tá chorando porque ele não sabe fazer a tarefa Ele sempre chora quando tem que fazer tarefa difícil A 2 Mas essa tarefa não é difícil Vou ajudar vocês Calma aí vou em todas as carteiras Pode ficar sentadinho AE 4 A AE 4 pediu às crianças que ficassem calmas e esperassem por ela pois todas solicitaram sua presença ao mesmo tempo cada uma querendo ser atendida primeiro que os colegas A atividade escrita consistia em desenhar dentro de nuvens as quantidades de índios conforme os numerais indicados em cada uma das nuvens havia uma nuvem para cada numeral de 1 a 10 com proporções iguais Tanto para desenhar um índio como para desenhar dez índios o espaço era do mesmo tamanho Agora olha o número que está no quadro e desenha a quantidade na nuvem é para desenhar índios tá AE 4 Tia índio é difícil Pode desenhar outra coisa A 3 Não Desenha um índio do jeito que você sabe Não precisa ser igual o da tia no cartaz AE 4 Tia eu não dou conta Índio é difícil Pode desenhar cachorro A 4 Não Desenha o índio do seu jeito AE 4 Percebemos que a AE 4 demonstrou maior preocupação com a forma do que com o conteúdo pois de acordo com a definição de Pimenta e Anastasiou forma método de ensinar e conteúdo área de conhecimento específico 2005 p 52 Qual era o objetivo da aula desenhar índios ou estabelecer a relação de quantidades O propósito da aula não seria o 210 de que a criança aprendesse Entendemos que o papel do professor seja o de ajudar o aluno a utilizar os conceitos como ferramentas para atuar na realidade com os outros consigo mesmo LIBÂNEO E FREITAS 2007 p 47 e não de cuidar para o rígido cumprimento de um plano de aula Entendemos que cabe ainda ao à educadora atuar com o propósito de construir unidade social em sociedades marcadas por diferenças e desigualdades MOREIRA E CANDAU 2008 p10 O A 5 apontou na nuvem o número 8 e perguntou se era 6 A AE 4 esclareceu que não Tia esse aqui é 6 A 5 Não olha lá no cartaz Esse é 8 Agora você desenha 8 índios aí tá AE 4 As crianças estavam enfrentando dificuldades para desenhar o índio e não conseguiam associar o numeral à quantidade de índios proposta em cada nuvem Deste modo algumas crianças foram ajudar os colegas mas a AE 4 não percebeu e pediu silêncio e que todos os alunos permanecessem em seus lugares Ai ai vocês dois estão conversando demais AE 4 Tia eu tô ensinado pra ele Ele não dá conta responde o A 2 Então senta ao lado dele e pode fazer juntos AE 4 Outra criança pede para fazer a tarefa com o colega e a AE 4 permite Tia eu também posso fazer com a colega A 6 Pode AE 4 Tia eu já tô no 7 A 1 Muito bom AE 4 A AE 4 chama a atenção de um aluno para fazer o desenho dentro da nuvem Seu índio está fora da nuvem Apaga e faz dentro da nuvem Olha bem é assim olha o número e desenha o tanto de índios dentro da nuvem AE 4 Tia não cabe é pequeno referindose ao espaço destinado à resolução da atividade A 3 211 É só você desenhar menor AE 4 Então vou fazer bem piquininim sic A 3 Tia já fiz A 8 Você fez um aí é 5 Quanto que falta responde a AE 4 Não sei A 8 Olha desenha mais 4 aí fica certo AE 4 Assim que todas as crianças terminaram a tarefa a AE 4 organizou as crianças em círculo para que pudessem cantar novamente A música era a mesma do início da aula e a AE 4 disse para cantarem bem bonito pois naquele momento ela estava indo embora Nesta oportunidade a participação das crianças foi mais expressiva que no primeiro momento da aula Observamos que tanto quanto os outros AEs participantes de nossa pesquisa a AE 4 também demonstrou grande preocupação com a necessidade de ministrar o conteúdo Porém não soube fazêlo com a ludicidade que a Educação Infantil necessita e tampouco apresentar a contextualização tão desejada pelas crianças que conforme vimos solicitavam mudar o desenho Ao realizar uma prática de estágio numa sala de aula que atende crianças com idade de 04 anos no turno matutino a AE 4 também voltou novamente sua prática pedagógica contemplando o excesso de conteúdos Escolheu a área de conhecimento Artes visuais cujo conteúdo foi Cores A AE 4 expôs um cartaz com as cores primárias e secundárias O preto e o branco estavam conceituados como cor Propôs atividades de artes desenho livre utilizando somente as cores primárias e secundárias para a realização da atividade Esta aula foi ministrada numa segundafeira um dia após o clássico Grêmio e Palmeiras e os meninos queriam desenhar bandeira eou camisa do seu time Como a atividade era de desenho livre as crianças que torciam pelo Grêmio queriam colorir com um azul que pertence às cores terciárias Um dos meninos torcedor do Grêmio desenhou a bandeira do seu time e se recusou a colorir com o tom de azul apresentado pela AE 4 pois a mesma não era a cor do seu time Ele sabia qual o tom pois mostrou à AE o lápis da cor da bandeira azul claro A AE deixou que ele usasse a cor que ele queria Não foi cuidadosa em sua prática em relação aos conteúdos estabelecidos pois ao invés de ampliar os conhecimentos das crianças com as cores terciárias ela simplesmente concordou com o aluno 212 De acordo com Freire o ato docente não é um ato mecânico estanque onde o professor é aquele que sabe tudo e o aluno o que tudo ignora Assim Ao pensar sobre o dever que tenho como professor devo pensar também em como ter uma prática educativa em que aquele respeito que sei dever ter ao educando se realize em lugar de ser negado Isto exige de mim uma reflexão crítica permanente sobre minha prática É que o trabalho do professor é o trabalho do professor com os alunos e não do professor consigo mesmo FREIRE 1996 p 71 Enfim em nossas observações não só o excesso de conteúdos foi uma constante mas também a descontextualização entre os conteúdos ministrados causada sobretudo pelo não conhecimento dos alunos e alunas com os quais os AEs trabalharam Fato que impossibilitou algumas vezes aos alunos estagiários a utilização dos conhecimentos trazidos pelos alunos e alunas para as inúmeras possibilidades de re elaboração desses conhecimentos Entendemos que o domínio dos conteúdos e saber contextualizar os conteúdos ministrados com os conhecimentos prévios da criança favorecem a relação do aluno e professor neste caso do estagiário de diferentes formas 313 Relação do aluno estagiário com seus alunos diferentes formas Uma das questões centrais entre os alunos estagiários ao assumirem o papel docente nas escolascampo é a relação pedagógica professor e aluno Desta maneira passaremos a analisar como os AEs estabeleceram relações com as crianças Na perspectiva de Cunha a relação professoraluno passa pelo trato do conteúdo de ensino A forma como o professor se relaciona com sua própria área de conhecimento é fundamental 2004 p 150 Ainda de acordo com Cunha além do modo que o professor estabelece tal relação é essencial a maneira que o docente se relaciona com sua percepção de ciência e de produção de conhecimento E isso interfere na relação professoraluno é parte dessa relação Cunha 2004 p 151 Também ressaltamos conforme já nos referimos anteriormente a necessidade de uma relação pedagógica atravessada pela ludicidade conforme nos aponta Rosa e Lopes pois Brincando a criança aprende a ser humana solidária aprende a viver a sonhar a imaginar a ter autonomia e a construir conhecimento sobre o mundo à sua volta 2008 p 63 Os AEs relataram que vivenciaram diferentes situações nas suas práticas pedagógicas 213 houve interação com as crianças não fiz nenhuma atividade extraclasse AE 1 Podemos perceber no depoimento da AE 1 mesmo ficando com os alunos somente no ambiente da sala de aula que houve interação com as crianças Conseguiu ter a atenção das crianças ao utilizar metodologias que as envolvessem com os conteúdos que estava ministrando conforme ela mesma aponta Consegui fazer com que as crianças prestassem atenção em mim Eu tive que chamar atenção delas usando a didática usando cartazes desenhos AE 1 É necessário que ao adentrar numa sala de aula para atuar como docente o acadêmico estagiário seja capaz de utilizar metodologias que contribuam para a aprendizagem dos alunos meu relacionamento com eles era bom porém a todo o momento tinha que chamar atenção de todos devido o barulho Já na outra sala tinha alunos todos educados e participavam das aulas percebi que tinham mais disciplina do que os alunos da primeira sala finalizando a interação com os alunos era boa AE 2 Ao falar da relação pedagógica na sala de aula a AE 2 faz uma comparação das duas turmas em que ministrou aulas dentro de uma mesma escola o que lembra Cajal quando escreve que A cultura local de uma sala de aula a distingue de outra sala mesmo apresentando ambas aparentes similaridades 2001 p129 A autora continua sua análise e diz que mesmo que a sala de aula tenha apenas alunos com professores com características parecidas estejam estudando os mesmos conteúdos pertençam ao mesmo grupo social tenham a mesma idade ou habitem todos no mesmo bairro o conteúdo trabalhado em sala pode ser o mesmo o ambiente físico as mesmas características cada sala de aula se constitui em um pequeno mundo com um conjunto de padrões de como agir e interagir CAJAL 2001 p 130 Vivenciar experiências diferentes também fez parte da ação tanto da AE 2 quanto do AE 3 Ambos afirmaram ter a necessidade de em uma das salas manter a atenção das crianças com metodologias diversas Na concepção de Kramer a questão metodológica é fundamental mas esta metodologia não é aquela copiada ou o modelo que deu certo em alguma escola ou então em um sistema de ensino Para a autora mais importante do 214 que adotar uma metodologia préelaborada é construir na prática pedagógica aquela metodologia apropriada às necessidades e condições existentes e aos objetivos formulados KRAMER 1995 p 37 Tive a preocupação de prender a atenção dos alunos de forma diferenciada mas logo fui me enturmando com a turma que me surpreendeu bastante mas só com essa turma também ministrei aulas em todas as turmas de turno matutino AE 3 No relato do AE3 houve uma situação que todo professor precisa ser preparado para lidar que é trabalhar com crianças portadoras de necessidades educacionais especiais O que foi muito importante nesta situação segundo o relato abaixo foi a orientação dada pela professora da turma Uma dificuldade que tive foi dar aula para uma aluna com Síndrome de Down110 conversei com a professora da sala a qual me orientou no sentido de tratála igual aos outros colegas e ter calma e paciência pois ela iria conseguir chegar ao objetivo proposto AE 3 Por meio do relato da AE 3 evidenciase a necessidade de que a mesma teve que estabelecer um diálogo com a professora da turma onde realizou o estágio pois deste modo pode obter informações muito importantes para sua prática de estágio De acordo com seus depoimentos a AE 4 apresentou uma relação pedagógica adequada ao processo educacional Em relação à interação com as crianças foi maravilhoso percebi que as mesmas gostaram de mim e sentiamse a vontade comigo no entanto essa maneira de gostar e de sentirse a vontade era tudo dentro de um respeito entre ambas as partes AE 4 De acordo com o relato da AE 4 o respeito foi a tônica de sua relação com as crianças Para continuar a analisar as relações pedagógicas experenciadas pelos AEs durante as práticas de estágio em Educação Infantil faremos um breve relato de algumas situações que retratam tais relações 110 Embora a aluna tenha obtido um bom relacionamento ressaltamos que a compreensão das diferenças está ainda em uma perspectiva de homogeneização De acordo com o artigo 1º do decreto nº 6571 de 17 de setembro de 2008 A União prestará apoio técnico e financeiro aos sistemas de ensino dos Estados do Distrito Federal e dos Municípios na forma deste Decreto com a finalidade de ampliar a oferta do atendimento educacional especializado aos alunos com deficiência transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação matriculados ma rede pública de ensino regular BRASIL 2008 grifo meu 215 Inicialmente seguese o relato de situação que observamos em uma aula111 em que as crianças conversavam muito e a AE 2 fechou a porta da sala de aula com tom de voz alterado bateu palma e disse Agora presta atenção atenção Senta Silêncio senta Olha to muito triste com vocês assim a aula fica ruim Tem gente brincando com tampinha andando pela sala brigando Tem que parar Vamos terminar nossa tarefa Pronto acabou Agora vou recolher todas as revistas Todas todas AE 2 Dizendo isso a AE 2 foi até a carteira de um aluno que brincava com as tampinhas e as recolheu O A 9 ficou bravo pois havia uma moeda dentro da tampinha Tia eu quero minha tampinha A AE 2 ignorou a criança e continuou chamando a atenção de outro aluno A 10 senta por favor Estou esperando Estou triste principalmente com você né referindose ao A 9 que não prestou atenção ficou só brincando com as tampinhas AE 2 Em sua prática de estágio a maior parte do tempo a AE 2 tentou fazer com que as crianças se interessassem pelo conteúdo Porém a mesma obteve êxito apenas por alguns momentos pois a maior parte do tempo o conteúdo não chamou a atenção dos alunos Em outro momento observamos a prática de estágio de outra acadêmica a AE 1112 que durante sua permanência na sala de aula a mesma tratou todos os alunos por crianças Andava pela sala de aula elogiando as tarefas dos alunos que caprichavam Isso Ficou lindo AE 1 Tia e o meu A 1 A AE simplesmente ignorou a pergunta do aluno que também queria que sua tarefa fosse elogiada Na sequência a AE 1 ordenou aos alunos a finalização da atividade dizendo 111 Em uma turma de Infantil II com crianças de 05 anos de idade a AE 2 ministrou o conteúdo Meios de transporte Esta observação foi realizada em 14112008 112 A AE 1 ministrou o conteúdo Datas comemorativas Dia da Bandeira em uma sala de aula de Infantil I crianças de 04 anos de idade no dia 07112008 216 Vamos guardar os lápis AE 1 Uma criança solicitou ajuda pois precisava ir ao banheiro Tia eu quero ir ao banheiro Pega o papel higiênico pra mim A 2 Olha tia Ela tá pegando muito papel A 3 Olha não pode AE 1 Por esse motivo a tia passou a controlar a quantidade de papel que a criança podia levar para o banheiro Ao mesmo tempo tentou disciplinar outras atitudes das crianças Olha não quero ver ninguém na porta AE 1 Como alguns alunos começaram a entrar e a sair da sala de aula a coordenadora pedagógica foi até a sala e disse Tia pode me chamar que eu converso sério com essas mocinhas A AE 1 estava de pé à frente da sala de aula mãos para trás sem ação parada e as crianças andando brincando dentro da sala Em sua prática de estágio a AE 1 não estabeleceu uma relação de afetividade com as crianças permaneceu indiferente Infelizmente a AE 1 ignorou que Cognição e afeto são atividades que se relacionam tem algo a falar se aproximam e tem idéias para intercambiar Guimarães 2005 p 52 Sua atitude ou a falta dela demonstrounos que a mesma parecia estar apenas cumprindo uma atividade obrigatória do curso de Pedagogia Licenciatura A indiferença que a AE 1 dispensou aos alunos foi recíproca Agora essa mulher os alunos se referiam à AE 1 vai embora e a tia vem os alunos se referiam à professora titular Oba Aí é bom A 8 Quando a AE 1 saiu da sala de aula um aluno foi ao encontro dela e ainda nos corredores da escola deu uma bala à AE 1 que continuando com uma atitude que demonstrava indiferença sequer agradeceu a gentileza do aluno Acreditamos que a AE 1 perdeu várias oportunidades de estabelecer uma boa relação pedagógica com os alunos pois a mesma negou o tempo todo visto que não reconheceu seus alunos como sujeitos protagonistas do processo educacional 217 inclusive considerando os processos cognitivos os investimentos afetivos as motivações as projeções etc e as relações sociais dos sujeitos seria fundamental aos formadores para que novas práticas de formação e diferentes dinâmicas de relação entre professor e alunos e conteúdo de ensino pudessem ser estabelecidas GUIMARÃES 2005 p 53 Já a AE 2 se caracteriza por outros aspectos que não a indiferença Um dos aspectos utilizado pela a AE 2 para manter os alunos sob controle foi tentar despertar nos alunos culpa por não se comportarem bem e deixála triste conforme observamos113 Tia eu não posso emprestar meu lápis minha mãe me mata A114 1 Ah tá então deixa Gente peça lápis só pra quem quer emprestar Nossa to triste vocês não ficam quietos pegando o lápis do outro Assim vou ficar triste AE 2 Em outros momentos a AE 2 procurou ter uma relação mais próxima com os alunos cultivando a afetividade com os mesmos Ao ver que uma criança chorava procurou saber o que aconteceu Nossa porque você está chorando AE 2 Olha tia o A 2 pegou meu lápis A 3 Porque você não pintou Pinta vai ficar bonitinho AE 2 Tia já falei Não tenho lápis A 3 Em sua prática docente de estágio a AE 2 procurou envolver os alunos na atividade e fazer com que todos terminassem mais ou menos ao mesmo tempo Em outras palavras tentou fazer com que todos os alunos acompanhassem o ritmo que ela gostaria de imprimir à aula Quem tá quase terminando Isso muito bem Então vamos corrigir A 4 que gracinha Isso agora vamos colorir AE 2 A turma se dividiu as meninas foram colorir juntas e os meninos foram brigar uns com os outros 113 Observação realizada em 31102008 numa sala de aula de Infantil II crianças de 05 anos de idade 114 Para preservar a identidade dos alunos os mesmos serão nomeados A 1 Aluno 1 A 2 Aluno 2 e assim sucessivamente 218 Uma aluna havia levado uma boneca para a escola era sextafeira e a escola permite que todas as sextasfeiras as crianças levem seus brinquedos de casa para brincar na escola Por esse motivo todas as outras meninas começaram a sair de seus lugares para irem à carteira da coleguinha ver a boneca A AE 2 interviu Essa boneca é linda Você vai guardar e só vai brincar na hora do recreio AE 2 É importante registrar que na sala de aula havia uma regra a saber registrar o nome do aluno que não cumprisse as normas de comportamento para ficar sem recreio Esta atitude já havia sido estabelecida pela professora titular da turma A AE 2 na tentativa de disciplinar um aluno reproduziu escrevendo no quadrogiz o nome do aluno que naquele dia ficaria sem recreio No entanto não podemos afirmar que o aluno realmente tenha ficado sem recreio ou não pois a AE 2 terminou suas atividades de estágio nesta sala antes do horário do recreio No entanto a AE 2 não conseguiu manter os alunos fazendo as atividades propostas Os alunos andaram pela sala coloriram escreveram choraram saíram para tomar água para ir ao banheiro deitaram na carteira deitaram no chão alguns lutaram entre si no fundo da sala de aula Enfim este foi o cenário enquanto eles resolviam a tarefa A AE 2 usava os argumentos Olha se vocês não fizerem silêncio não vou dar outra tarefinha Olha só vou dar tarefinha pra quem está sentado AE 2 Utilizando a atividade de aprendizagem como instrumento sancionador e disciplinador a AE 2 correu o risco de fazer da tarefa um meio de exclusão dos alunos Para Aquino as sanções não podem sob hipótese alguma ser tomadas como mecanismos de exclusão da clientela do jogo escolar Seu espírito por sinal deve sinalizar o rumo oposto elas se prestam à inclusão 2000 p 78 dos alunos Ainda em sua fala a AE 2 demonstrou dificuldade para lidar com uma situação corriqueira na sala de aula e mais uma vez usou a tarefa para manter a ordem Pra quem eu emprestei lápis de cor Olha tá faltando Não vou entregar a tarefa se não aparecer o lápis que está faltando AE 2 Esta fala da AE 2 foi totalmente ignorada pelos alunos e percebemos que eles nem ouviam o que ela dizia Outra aluna foi a razão da tristeza da AE 2 219 A 5 nossa hoje você está muito atentada Por quê Estou triste com você Já outra criança que insistia em andar pela sala ouviu da AE 2 A 6 para para para Senta no seu lugar Hoje você está muito feio AE 2 Ao gritar com a criança automaticamente a AE 2 lembrouse de nossa presença na sala de aula pois a mesma direcionou o olhar para nós Com esta atitude a criança que era alvo da sua atenção percebeu e perguntou Tia quem é aquele homem A 6 A AE 2 na tentativa de intimidar a criança respondeu Ele está escrevendo o que você está fazendo Pois é e você está muito atentado hoje Senta e fica quieto AE 2 Em nossas observações nos deparamos com diversas práticas de alunos estagiários Desde a AE 1 que se manteve indiferente fria com alunos passando pela AE 2 que tentou de várias formas manter a disciplina na sala de aula até o AE 3115 que por várias vezes demonstrou atitudes arrogantes e autoritárias Reger uma sala de aula assumindo uma atitude autoritária em que o professor é o centro do ensino e o aluno mero espectador não há como construir um processo educacional emancipador De acordo com Arroyo Nem tudo é indisciplina nas escolas Nem toda criança é violenta A pedagogia escolar é como uma combinação de imagens e cores O importante é acertar com sua combinação e com o foco que dê sentido a imagens e cores por vezes tão chocantes Estamos caminhando para que o foco de sentido sejam os educandosas e suas vivências reais de seus tempos da vida 2007 p 15 A arrogância referida anteriormente assumida pelo estagiário pode ser demonstrada no momento que o AE 3 repreendeu um aluno Pega um livro e senta ouviu 115 Observação realizada no dia 11112008 numa sala de aula de Infantil II crianças de 05 anos de idade 220 O AE 3 falou baixinho bem pertinho da criança quase falando no ouvido dela com tom ameaçador Como ele está preocupado com a disciplina e controle das crianças a aula continua controlada tem criança lendo colorindo todas realizando alguma atividade A nossa presença foi percebida e aguçou a curiosidade de algumas crianças Duas delas vieram até minha carteira e ficaram perguntando meu nome e porque eu estava escrevendo Um aluno disse Homem é professor de homem A 1 Durante a explicação do conteúdo por meio de contação de histórias o AE 3 não permitiu a participação dos alunos enquanto contava a história Quando alguém tentava completar a narrativa dele ele dizia Deixa eu concluir depois você fala AE 3 Para conter uma atitude de uma criança que o AE 3 considerou inadequada ele aproximouse da mesma e disse A 2 não vou falar com você mais não Será que vou ter que ficar na sua frente pertinho de você para você fazer sua tarefa Outro aluno que não estava colorindo foi repreendido pelo AE 3 A 3 eu não tô acreditando Faça um risco aqui apontou na folha Põe seu nome e dê cor ao seu desenho Vamos Agora Em sua prática de estágio o AE 3 evitou ser gentil e estabelecer uma relação de afetividade embora várias vezes as crianças procuravam seus elogios e sua atenção Tio ficou bonito A 4 A 4 eu já vi o seu Senta AE 3 No final as crianças estavam indo e vindo buscar livros na caixa O trocatroca de livros entre eles fez com que o professor terminasse com a atividade O AE 3 recolheu os dois últimos desenhos e determinou 221 Todos sentados e em silêncio Vamos todos esperar a tia professora titular em silêncio AE 3 A AE 4 evidenciou lidar com os alunos com preocupação com o processo educacional conforme demonstrou em sua prática de estágio A 1 diz pra tia porque você não está fazendo a tarefa AE 4 Eu não sei A 1 Olha vou sentar aqui e ajudar você vamos começar AE 4 A AE 4 tem uma maneira própria de lidar com as crianças Uma demonstração disso que ilustra muito bem nossa percepção foi que enquanto a AE 4 corrigia a tarefa de uma aluna a criança passou a mão em seus cabelos e perguntou à estagiária se podia darlhe um beijo Este momento não foi o único em que a AE 4 foi atenciosa e carinhosa com os alunos Presenciamos vários momentos de afetividade entre a aluna estagiária e os alunos passou a mão na cabeça de um aluno fez carinho na orelha de outro arrumou o cabelo de uma menina fazendo uma trança A AE 4 passou em todas as carteiras e as crianças ficaram esperando sentadas O clima foi de calma e tranquilidade as crianças resolvendo as tarefas e a AE 4 orientando Até mesmo nos momentos que a AE 4 teve que lidar com alunos que não estavam participando da atividade esta soube utilizarse da calma e da afetividade A 3 vou colocar você perto da minha mesa assim você faz a tarefa AE 4 É importante dizer que este aluno A 3 era o único que não estava envolvido na atividade proposta Ele gostava de conversar com os colegas e passear pela sala de aula Finalizamos esta seção ressaltando que em termos de relação pedagógica na Educação Infantil os estagiários demonstraram que há necessidade de reflexão e pesquisa durante o curso de Pedagogia para que se amplie a concepção de infância para que as atitudes das crianças não sejam vistas simplesmente como indisciplina Prosseguindo apresentaremos no próximo capítulo a análise da pesquisa realizada no Estágio Supervisionado nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental 222 CAPÍTULO IV ANÁLISE DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO DO CURSO DE PEDAGOGIA LICENCIATURA ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL Neste capítulo analisamos os dados coletados referentes aos Anos Iniciais do Ensino Fundamental os alunos estagiários também atuaram cada um em uma unidade de ensino Foram selecionadas quatro EMEFs Escola Municipal de Ensino Fundamental situadas na periferia da cidade de Rio Verde Goiás que atendem crianças de 06 a 10 anos de idade 41 Ensino Fundamental observação in loco Segundo o PPP Projeto Político Pedagógico ao realizar atividades de estágio nas escolas que oferecem os Anos Iniciais do Ensino Fundamental os AEs ministrarão aulas de 1º ao 5º ano do ensino fundamental e obrigatoriamente as disciplinas Língua Portuguesa e Matemática serão ministradas em todos os anos de o 1º ao 5º ano As outras disciplinas História Geografia Ciências Educação Física Educação Religiosa e Artes serão ministradas nas turmas de 1ª ao 5º ano que somente acontecerão se os AEs optarem não tendo a obrigatoriedade de ministrálas em todos os anos Inicialmente os AEs ministrarão aulas de Língua Portuguesa e Matemática do 1º ao 5º ano Após ter realizado estas atividades de estágio em todas as turmas os mesmos optarão pelas turmas que ministrarão as outras disciplinas Ao final das atividades de estágio nas escolascampo cada um dos AEs terá ministrado um total de 16 aulas totalizando 32 horas de aulas Assim sendo tem a oportunidade de retornar às salas de aula que mais se identificaram Deste modo o curso de Pedagogia Licenciatura possibilita aos AEs conhecer os diferentes anos do ensino fundamental por meio do exercício docente É importante salientar que o ensino fundamental de caráter obrigatório antes com duração de oito anos agora com duração de nove anos com matrícula de crianças a partir dos 06 seis anos de idade é proveniente das alterações na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional96 pelas leis 11114 de 16 de maio de 2005 e 11274 de 06 de fevereiro de 2006 Logo com tais alterações notase que o Ensino Fundamental necessita assim como a Educação Infantil de professores devidamente preparados para atuar no desenvolvimento da criança para que ela seja capaz de organizar associar e reconstruir conhecimentos fazendo 223 corelação do novo com as vivências que ela experimenta dentro do convívio social o que resultará na construção do seu processo educativo A prática docente implica comprometimento e consciência de que o ato educativo não se atém às paredes da sala de aula Para Freire Assim como não posso ser professor sem me achar capacitado para ensinar certo e bem os conteúdos de minha disciplina não posso por outro lado reduzir minha prática docente ao puro ensino daqueles conteúdos Esse é um momento apenas de minha atividade pedagógica Tão importante quanto ele o ensino dos conteúdos é o meu testemunho ético ao ensinálos É a decência com que faço É a preparação científica revelada sem arrogância pelo contrário com humildade É o respeito jamais negado ao educando a seu saber de experiência feito que busco superar com ele Tão importante quanto o ensino dos conteúdos é a minha coerência na classe A coerência entre o que digo o que escrevo e o que faço 1996 p 116 Destacamos mais uma vez que não basta o domínio dos conteúdos é necessário contextualizálos problematizálos para que a prática pedagógica não se restrinja ao cumprimento do plano de curso e sim para que a construção do conhecimento de fato se efetive Para tanto é fundamental que o curso de Pedagogia Licenciatura por meio do Estágio Supervisionado garanta que os AEs tenham conhecimento do estudo da didática de teorias e metodologias pedagógicas de processos de organização do trabalho docente a decodificação e utilização de códigos de diferentes linguagens utilizadas por crianças além do trabalho didático com conteúdos relativos à Língua Portuguesa Matemática Ciências História e Geografia Artes Educação Física Projeto Político Pedagógico 2007 p 12 Ainda de acordo com o Projeto Político Pedagógico do curso de Pedagogia Licenciatura A formação inicial para o exercício da docência na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental capazes de repensar a educação com espírito crítico com habilidades técnicopedagógicas e sociopolíticas para o exercício competente de sua profissão e como formadores de opinião 2007 p 13 Para atuar nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental o professor precisa ser o mediador da relação do aluno com o conhecimento a ser aprendido sendo capaz de considerar os conhecimentos que o aluno já apropriouse LIBÂNEO 1998 Diante desta perspectiva lembramos de Beauchamp Pagel e Nascimento que afirmam a necessidade da ênfase às crianças dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental dizendo que 224 Optamos por enfatizar a infância das crianças de 6 a 10 anos de idade partindo do pressuposto de que elas trazem muitas histórias muitos saberes jeitos singulares de ser e estar no mundo formas diversas de viver a infância Estamos convencidos de que são crianças constituídas de culturas diferentes 2007 p 9 Para entendermos este universo do aprendiz dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental passaremos agora a analisar os dados coletados em nossas observações das práticas de estágio nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e também dos dados coletados por meio de questionários respondidos pelos acadêmicos participantes da nossa pesquisa 412 Análise das informações obtidas junto ao estagiário e as estagiárias no Ensino Fundamental A partir dos dados coletados nas observações cf roteiro de observação apêndice 1 e questionário cf roteiro de observação apêndice 3 aplicado junto aos estagiários nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental emergiram 02 duas categorias que se aproximam quais sejam 1 Ensino Fundamental fragilidade nos conteúdos e metodologias 2 Relação do aluno estagiário com seus alunos diferentes formas Para preservar a identidade dos alunos estagiários continuaremos a nomear os estagiários conforme vínhamos fazendo durante a análise na Educação Infantil Assim os 04 quatro acadêmicos estagiários116 serão identificados da mesma forma que já os identificamos na análise da Educação Infantil pois se trata das mesmas alunas e aluno 413 Ensino Fundamental fragilidade nos conteúdos e metodologias Para a análise dos aspectos relacionados aos conteúdos e às metodologias utilizadas pelos AEs Alunos Estagiários nas aulas ministradas nas salas de aula dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental inicialmente usamos as respostas obtidas por meio de um questionário cf apêndice 3 aplicado aos quatro AEs Num segundo momento utilizamos os dados que coletamos durante as observações nas escolascampo sendo que tais dados são permeados por diálogos com os pesquisadores do assunto abordado nesta seção 116 Acreditamos que seja pertinente lembrar as informações referentes aos alunos estagiários participantes de nossa pesquisa uma vez que são os mesmos acadêmicos que acompanhamos na ocasião do estudo durante o Estágio Supervisionado de Educação Infantil A AE 1 tinha 23 anos de idade do sexo feminino dedicavase somente aos estudos A AE 2 tinha 23 anos de idade do sexo feminino trabalhava como recepcionista de um Buffet O AE 3 tinha 20 anos de idade do sexo masculino exercia a função de repositor de mercadoria em um supermercado A AE 4 tinha 21 anos de idade do sexo feminino trabalhava como babá 225 Três AEs responderam que a seleção dos conteúdos que eles ministraram nas escolascampo foi feita por eles Os conteúdos foram selecionados por mim sob a orientação da professora de estágio AE 1 Os conteúdos foram selecionados por mim lógico que também a professora da sala me deu uma pequena ajuda AE 3 os conteúdos foram a critério de cada acadêmico dentro da realidade do aluno e da escola AE 4 Somente a AE 2 revelou que não teve a possibilidade de escolher os conteúdos que foram passados pelos professores de cada ano a estagiária perguntava para a professora o que estava sendo trabalhado com os alunos AE 2 As respostas evidenciam a mesma situação apresentada na Educação Infantil ou seja a falta de diálogo entre orientadoras de estágio alunos estagiários e professoras titulares A seleção dos conteúdos visa alcançar algum objetivo e para tanto há critérios a serem considerados para que esta seleção seja coerente com o processo educacional Logo a seleção dos conteúdos ministrados pelos AEs é algo que convém ser discutida Esses conteúdos foram selecionados de acordo com o ano e com o conteúdo que as crianças estavam estudando na escolacampo AE 1 As disciplinas foram de acordo com os critérios do estágio AE 2 o critério para seleção era o desenvolvimento do aluno AE 3 As respostas que apresentam esta diversidade demonstram que o referido tema não vem sendo discutido adequadamente A AE 4 não respondeu a este questionamento Outro aspecto essencial à prática de estágio é a utilização de metodologias que contribuam para a aprendizagem dos alunos Percebemos que os AEs não ignoraram este aspecto Ao contrário todos afirmaram ter feito uso da mesma a metodologia utilizada passou pela orientação da professora de estágio AE 1 utilizei jogos desafios alguns momentos de sensibilização com mensagens houve momentos que pude notar que alguns professores não utilizam jogos em sala de aula e os alunos estão acostumados a fazer cópias 226 aprender de forma mecânica AE 2 Fiz uso de várias técnicas aprendidas na Faculdade apliquei também atividades extraclasse AE 3 uma aula dinâmica e didática usando uma metodologia adequada a cada série AE 4 Os relatos vêm ao encontro do pensamento dos estudiosos do assunto dentre os quais Rocha e Garske que afirmam que o estágio além mobilizar os conhecimentos apreendidos ao longo do curso promove a reflexão constante sobre as teorias e a prática profissional numa relação cotidiana do saber com o fazer docente ROCHA e GARSKE 2008 p 13 A metodologia conforme Pimenta e Lima não é entendida como receitas do modo de dar aula Para as pesquisadoras é preciso entender que A metodologia para a grande maioria das pessoas referese apenas ao como fazer como elaborar e aplicar técnicas de ensino No entanto nela estão presentes os conceitos as relações que o professor estabelece com sua área de conhecimento sua compreensão do mundo seus valores e sua ética profissional como sentido que dá à profissão 2004 p 133 grifo das autoras Neste sentido percebemos que os AEs mobilizaram conhecimentos apreendidos no curso ou seja demonstraram a importância do curso para o desenvolvimento do estágio Assim como observamos nas práticas de estágio nas turmas de Educação Infantil houve também a excessiva preocupação por parte dos AEs com a quantidade de conteúdos A quantidade de conteúdos fezse presente durante as aulas ministradas nas turmas de Anos Iniciais do Ensino Fundamental Um fato que nos chamou a atenção foi que todos os AEs conheciam parcialmente o conteúdo que ministravam Acreditamos que isso acaba por dificultar senão impossibilitar que os AEs tornemse bons professores que na concepção de Cunha o bom professor é aquele que domina o conteúdo apresenta formas adequadas de mostrar a matéria e tem bom relacionamento com o grupo 2004 p 151 Outra observação foi que as metodologias que eles aplicaram muitas vezes não foram totalmente adequadas aos conteúdos pois as ações foram descontextualizadas comprometendo as interações professoraluno Estas interações são muito importantes uma vez que de acordo com Nascimento et alli As interações são a vivência das práticas sociais a arena onde as crianças internalizam os signos sociais regras normas valores formas e condições 227 de ser e estar no mundo Nas interações elas aprendem as formas de ser e estar na escola com todas as singularidades que permeiam essas instituições Tais signos e a maneira como eles são valorados socialmente e pelo grupo familiar da criança mostramse fundamentais no processo de desenvolvimento 2009 p 152 Assim embora oas AEs mobilizem conhecimentos trabalhados durante o curso de Pedagogia Licenciatura podemos perceber que ainda há pouca atitude reflexiva ou melhor de pesquisa pois em vários momentos do estágio a aprendizagem era transposta sem uma adequada recontextualização No sentido de materializar nossas percepções registramos ações dos AEs em sala de aula que ratificam nossas afirmações Inicialmente relataremos a observação40117 de uma prática de estágio que a AE 4 realizou numa sala de aula de 4º ano com 26 alunos 16 meninas e 10 meninos presentes no período matutino A disciplina ministrada foi Matemática e o conteúdo trabalhado era Fatos fundamentais de multiplicação Ao adentrar a sala de aula a AE 4 se apresentou cumprimentou as crianças e explicou para a turma que a aula seria diferente um jogo Disse ainda que a brincadeira se chamava Caixa mágica Dando seguimento à aula dividiu a turma em cinco grupos 04 grupos com 05 alunos e 01 grupo com 06 alunos e entregou uma caixa para cada grupo explicando Vou distribuir uma caixa com fatos fundamentais de multiplicação para cada grupo tem papeizinhos aí dentro com as continhas41 cada grupo resolve os seus e pode um ajudar o outro AE 4 No início da orientação para a realização da atividade proposta a AE 4 não deixou claro que os alunos poderiam pedir ajuda somente aos componentes do próprio grupo Um aluno ao sortear um fato fundamental não soube resolver o mesmo Tia eu não sei A42 1 Pede ajuda para seu colega mas só do grupo AE 4 40 Observação realizada em 29042009 41 Referindose a operações de multiplicação 42 Do mesmo modo que identificamos os alunos de Educação Infantil como A 1 Aluno 1 A 2 Aluno 2 e assim sucessivamente faremos o mesmo em relação à identificação dos alunos dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental 228 Neste momento é que a AE 4 esclareceu que os alunos podiam ter ajuda na resolução dos fatos fundamentais de multiplicação somente de colegas integrantes do seu grupo Diante das dificuldades na resolução das operações de multiplicação um aluno solicita Tia pode olhar na tabuada A 2 Não É para fazer sozinho AE 4 As dificuldades continuaram pois outros alunos também não conseguiram Por esse motivo um aluno tentou colar o mesmo foi delatado por outro aluno componente de outro grupo Tia ele tá olhando no lápis A 3 A criança se referia a um lápis que continha a impressão dos fatos fundamentais de 1 a 10 de multiplicação No andamento da aula um aluno demonstrou insegurança ao resolver um fato fundamental Ele buscou a orientação da AE 4 que na sua resposta deixou o aluno sem incentivo para continuar seu trabalho Tia assim tá certo A 4 Presta atenção 9x7 Olha se tá certo respondeu a AE 4 transmitindo dúvida em sua entonação de voz Tá certo perguntou novamente o A 4 Tá bom deixa assim que vou corrigir no quadro e você olha se está certo respondeu a AE 4 Dois grupos formados somente por meninos demonstraram ter muita dificuldade em solucionar os fatos fundamentais de multiplicação Eles não mantiveram interesse pela atividade proposta já que colocaram valores aleatórios e disseram à AE 4 que haviam terminado a atividade Quatro alunos dos referidos grupos começaram a andar pela sala enquanto seus colegas de grupo ficaram sentados em suas carteiras conversando muito Esses alunos falaram para um grupo composto em sua maioria por meninas que elas não sabiam fazer a tarefa e que então terminassem logo colocando também qualquer resposta Os alunos solicitavam auxílio da AE 4 a todo momento Em todos os grupos havia as mesmas dificuldades 229 A AE 4 percebeu que a metodologia43 utilizada não estava adequada à turma devido à dificuldade que os alunos tinham para resolver as operações principalmente os fatos fundamentais de 6 7 8 e 9 e então mudou a técnica de Caixa Mágica para Caixa da Sorte Ok tudo bem Acabem de responder e coloquem os papéis novamente na caixa e ponham as caixas na mesa AE 4 Ao término da devolução da caixa pelos alunos a AE 4 solicitou que as crianças sentassem em círculo e explicou a técnica da Caixa da Sorte Então agora prestem atenção Vou passar uma caixa com todos os fatos dentro dela Vamos bater palmas e cada vez que eu disser pára quem estiver com a caixa escolhe um fato vai ao quadro e resolve Vamos começar AE 4 Assim que orientou a atividade a AE 4 deu início à brincadeira Após um curto período a AE 4 pediu que a turma parasse de bater palmas e o aluno que estava com a caixa nas mãos retirou um fato fundamental de multiplicação do interior de mesma examinouo e disse Tia eu não sei A 5 Você pode escolher um colega para ajudar você AE 4 Tia 9x9 é 76 não é A 5 Quem sabe perguntou a AE 4 para a sala Eu Disse um aluno A 644 Somente um grupo de 7 crianças participaram atendendo a solicitação da AE 4 para responder corretamente às perguntas referentes aos fatos fundamentais de multiplicação A AE 4 procurou envolver outros alunos principalmente os que mantinham conversas paralelas na atividade À medida que solicitava aos alunos conversadores que 43 Conforme Zabala para que se contemple qualquer proposta metodológica é preciso que a mesma seja organizada em sequencias de atividade As sequencias podem indicar a função que tem cada uma das atividades na construção do conhecimento ou da aprendizagem de diferentes conteúdos e portanto avaliar a pertinência ou não de cada uma delas a falta de outras ou a ênfase que devemos lhes atribuir ZABALA 1998 p 20 44 Esta criança foi muito participativa durante a atividade e apresentava domínio do conteúdo 230 respondessem os fatos fundamentais de multiplicação percebemos que a AE 4 conseguia fazer com que estes alunos modificassem seus comportamentos45 Observamos que a AE 4 modificou a técnica mas não modificou o conteúdo pois a mesma não verificou se havia fatos iguais em todas as caixas simplesmente colocou todos os fatos fundamentais de multiplicação em uma única caixa Entendemos que o ato de modificar a técnica que não estava dando certo foi muito positivo e demonstrou capacidade de recontextualizar conhecimentos aprendidos durante o curso Todavia acreditamos que a AE 4 poderia ter reelaborado a atividade utilizando os fatos fundamentais de multiplicação de 2 a 5 pois os alunos demonstravam interesse em participar uma vez que as dificuldades que eles apresentavam era pequena quando os fatos fundamentais envolviam multiplicação de 2 a 5 Ou seja novamente a proposta dos conteúdos limitou a postura pedagógica da AE Acreditamos que a AE 4 não criou outras operações matemáticas porque tinha uma matriz previamente organizada para a correção dos fatos fundamentais de multiplicação que ela havia utilizado para elaborar a atividade Tia essa já foi feita A 7 Ah assim é fácil Já saiu é só copiar A 5 Tia essa também já saiu A 8 O A 5 referiuse a um fato fundamental que já havia sido sorteado e respondido na quadrogiz por outro aluno Entendemos que seja muito preocupante que desde o Estágio Supervisionado o licenciando em Pedagogia tenha dificuldades de readequar os conteúdos que ministra uma vez que ele poderá levar para sua vida profissional afora esta postura Infelizmente não é raro que o professor apresente dificuldades com o conteúdo que ministra na análise de Franco Libâneo e Pimenta 2007 De acordo com os autores Constatase que boa parte do professorado não tem domínio dos conteúdos e de métodos e técnicas de ensino faltalhes cultura geral de base eles têm notórias dificuldades de leitura e produção de textos estão despreparados para lidar com a diversidade social e cultural e com problemas típicos da realidade social de hoje FRANCO LIBÂNEO PIMENTA 2007 p 88 45 Observamos que a iniciativa destes alunos de ficarem sentados e em silêncio foi por receio de serem chamados pela AE 4 a responderem os fatos fundamentais lembrando que estes foram os mesmos alunos que no primeiro momento da aula responderam os fatos de qualquer maneira pois não sabiam resolver a atividade corretamente 231 Na tentativa de manter a atividade em andamento e reverter a falha da não reelaboração das operações a AE 4 chama a atenção dos alunos dizendo Gente por favor pára É sorteio Quem pegar tem que responder AE 4 É importante ressaltar que no início da aula a AE 4 disse que a aula seria diferente e que eles iriam jogar Assim próximo ao término da atividade realizada pela AE 4 um aluno supôs que alguém sairia vitorioso e perguntou Tia quem vai ganhar A 9 Ninguém é só para resolver os fatos fundamentais de multiplicação AE 4 Entendemos que se a AE 4 tivesse modificado tanto a técnica quanto adequado os conteúdos teria se aproximado mais de uma prática docente de estágio reflexiva Já na observação46 da aula ministrada pela AE 1 numa turma de 5º ano período matutino composta de 38 alunos 18 meninas e 20 meninos a disciplina ministrada foi Língua Portuguesa e o conteúdo era Advérbios A AE 1 também preocupouse com a quantidade de conteúdos assim como a AE 4 Em sua prática de estágio a AE 1 iniciou a aula apenas cumprimentando a turma com um bom dia e foi direto ao assunto Vocês já ouviram a música do Lulu Santos Assim caminha a humanidade AE 1 Antes que os alunos respondessem a AE 1 distribuiu a cópia da letra da música para cada um dos alunos e pediu que os alunos lessem Vamos ler todos juntos AE 1 Esta metodologia utilizada pela estagiária funcionou da seguinte forma uns alunos liam com a voz muito alterada outros liam sem pontuação outros liam rápido demais Então a AE 1 interrompeu a leitura coletiva e solicitou que cada aluno individualmente lesse um pedaço ou seja um fragmento da letra da música Esta modificação também não atraiu os alunos uma vez que a leitura continuou sendo feita sem o interesse dos alunos 46 Observação realizada em 06052009 232 alguns liam desinteressadamente outros andavam pela sala corriam falavam sobre outras músicas cantarolavam músicas que gostavam Os gêneros musicais variavam do gospel ao sertanejo Percebemos que a AE 1 não tomou nenhuma atitude para que os alunos participassem com interesse pelo conteúdo proposto Às vezes limitavase a dizer Gente olha é interessante o que ele tá lendo escuta Depois a gente vai fazer uma tarefa muito interessante AE 1 Como a atenção dos alunos estava dispersa a AE 1 não terminou a leitura coletiva e já colocou a música para ser executada num aparelho de som portátil Os alunos não se envolveram continuaram a andar pela sala cantar alguns chegaram a sair da sala de aula sem solicitar à AE 1 Outros dançavam e ainda batiam palma Mais uma vez a metodologia utilizada não foi bem sucedida e a AE 1 interrompeu a execução da música A metodologia é um aspecto essencial ao trabalho docente conforme Cunha Outro aspecto que se entrelaça é a metodologia do professor Um professor que acredita nas potencialidades do aluno que está preocupado com sua aprendizagem e com seu nível de satisfação exerce práticas de sala de aula de acordo com essa posição E isso é também relação professoraluno 2004 p 151 Neste momento a aluna estagiária conseguiu a atenção de um grupo de alunos aqueles que tumultuavam a sala pois os mesmos reclamaram Deixa passar a música põe outra põe na radia sic prá gente ouvir A 1 Põe no Show da manhã47 Passa música dez48 A 2 Não põe na outra emissora de rádio local lá só tem música da novela A 1 Ou seu doido Isso referindose ao aparelho de som só passa CD A 2 Ê maluco É rádio e CD disse em voz alta A 1 A AE 1 mais uma vez interrompeu a aula e disse Olha hoje vamos estudar advérbios Vocês sabem o que é advérbio 47 Programa matinal de uma emissora de rádio local 48 Ao dizer música dez o A 2 se refere às músicas de sua preferência 233 Antes que algum aluno respondesse à pergunta a AE 1 já leu uma definição de advérbio49 Olha bem aí na letra da música Ainda vai levar um tempo a palavra ainda Ainda é advérbio de tempo AE 1 A aula foi expositiva o tempo todo Quando um aluno perguntou se não sempre era advérbio de negação a AE 1 respondeu que sim conforme o diálogo abaixo Toda vez que tem não é negação A 3 É AE 1 Com a resposta objetiva e incisiva sem dar qualquer explicação ao aluno a AE 1 passou à análise de outra frase da letra da músicaContinuou com esta metodologia até o final de sua aula delimitado pelo término da análise da letra da música Despediuse dos alunos e saiu da sala Percebemos que a AE 1 só soube executar o que ela planejou ou seja chegou fez o que programou e se esqueceu que teria que haver interação envolvimento interesse e participação da turma Sua atuação em sala de aula não teve um comprometimento com o ato pedagógico participativo Ou seja não houve a construção social do conteúdo já que A construção social dos conteúdos só acontece quando todos estão envolvidos e isso contempla também e principalmente o aluno e a realidade em que se insere ROCHA 2008 p 61 Ainda na prática de estágio da AE1 a impessoalidade foi uma constante e o tempo todo em que esteve na sala de aula não chamou nenhum aluno pelo nome todos eram nomeados de crianças por ela Esta postura na análise de Tardif em nada contribui para o trabalho docente pois a disposição do professor para conhecer seus alunos como indivíduos deve estar impregnada de sensibilidade e de discernimento a fim de evitar as generalizações excessivas e de afogar a percepção que ele tem dos indivíduos num agregado indistinto e pouco fértil para a adaptação de suas ações TARDIF 2008 p 267 Diante do relato da prática de estágio da AE 1 observamos que sua aula expositiva do começo ao fim resumiuse num monólogo conteudista 49 Cartaz exposto no quadrogiz pela AE com a definição de advérbio e a classificação dos mesmos Advérbio é uma palavra que modifica o sentido de um verbo de um adjetivo ou de outro advérbio exprimindo diversas circunstâncias Lugar tempo modo negação dúvida intensidade afirmação interrogativo AE 1 234 Observamos118 a prática de estágio da AE 2 numa sala de aula do 4º ano dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental composta por 34 alunos sendo 20 meninas e 14 meninos no turno vespertino A disciplina ministrada foi Língua Portuguesa e o conteúdo Produção de textos anúncios criativos Em sua prática docente a AE 2 iniciou a aula cumprimentando os alunos propondo o conteúdo que trabalharia com eles A mesma utilizou retroprojetor como recurso didático119 e expôs duas transparências uma com a imagem de uma embalagem de óleo de cozinha e outro com a imagem de materiais de limpeza sabão em barra bucha120 esponja e detergente Afixou no quadrogiz três faixas tendo cada uma das faixas uma frase Como são feitos os anúncios Qual a sua finalidade Qual o público que os anúncios buscam atender ou chamar a atenção A seguir respondeu às perguntas em forma de explicação conforme relatamos Os anúncios são feitos por pessoas que querem vender algo O óleo e o material de limpeza são utilizados pelas mães121 São produtos que interessam às donas de casa Os anúncios podem ser feitos no rádio na TV em cartazes panfletos etc AE 2 A metodologia utilizada pela AE 2 foi colocar os alunos em duplas Para cada dupla ela entregou uma folha xerocopiada dividida ao meio por uma linha traçada na folha e em cada parte da folha havia um desenho dos produtos que ela expôs por meio das transparências e ao lado de cada figura havia espaço com linhas para que os alunos produzissem o anúncio criativo Um aluno estabeleceu uma conexão entre o conteúdo ministrado e o que ele já conhecia sobre anúncio ao perguntar Tia quando anuncia a morte no carro122 é anúncio não é A 1 118 Observação realizada em 07052009 119 Os recursos didáticos que Zabala denomina de materiais curriculares são todos aqueles instrumentos que proporcionam ao educador referências e critérios para tomar decisões tanto no planejamento como na intervenção direta no processo de ensinoaprendizagem 1998 p 167 120 5 Bras Bot Planta cucurbitácea trepadeira ou prostrada cujo fruto tem dentro uma rede lenhosa que extraída e lavada dá esponja vegetal FERREIRA 2004 p 190 121 Embora a AE apresenta uma linguagem sexista não entraremos nesta discussão na nossa pesquisa 122 O anúncio que o A 1 referiuse tratase de uma atividade rotineira em nossa cidade quando do falecimento de alguém Carros de propaganda ambulante comunicam à comunidade local por meio de uma nota de falecimento a família a qual o morto faz parte quem é o morto o local do velório bem como o local e horário do sepultamento 235 Neste momento um carro de propaganda ambulante anunciava nota de falecimento na rua o que foi ouvido na sala de aula É Mas vamos fazer um anúncio lindo para a tarefa que eu trouxe para vocês AE 2 A atividade proposta incentivou os alunos a realizarem anúncios de outros temas que não fossem os mesmos propostos pela AE 2 Tia posso fazer o anúncio de um vídeo game A 2 Olha pode Mas depois que vocês a dupla fizerem a tarefa AE 2 Tia a A 4 tá desenhando uma boneca A 3 Tia eu já terminei eu to fazendo o anúncio de uma boneca A 4 Conforme o diálogo que relatamos fica evidente que a AE 2 não soube como em vários momentos relatados aproveitar a criatividade e participação dos alunos atendose ao modelo planejado Esta postura da AE 2 como dos outros AEs evidencia que o curso de Pedagogia Licenciatura necessita trabalhar com referências teóricas articuladas com processos reflexivos que possibilitem ao AE uma prática pedagógica dinâmica que acolha a participação do aluno a teoria tem importância fundamental na formação dos docentes pois dota os sujeitos de variados pontos de vista para uma ação contextualizada oferecendo perspectivas de análise para que os professores compreendam os contextos históricos sociais culturais organizacionais e de si próprios como profissionais Fica portanto evidenciada a necessidade da realização de uma articulação no âmbito das investigações sobre prática docente reflexiva entre práticas cotidianas e contextos mais amplos considerando o ensino como prática social concreta PIMENTA 2002b p 24 Notase que a única maneira que os alunos teriam de produzir o anúncio que tinham vontade era se primeiramente fizessem o que ela solicitou Em outras palavras os alunos poderiam ter a recompensa de criar um anúncio do tema de seu interesse se fizessem os anúncios de óleo de cozinha e produtos de limpeza sabão em barra esponja e detergente Esta imposição feita pela AE 2 pode ser constatada por meio da situação em que uma aluna mostra à AE 2 um anúncio para encontrar um cachorro A AE elogia e pergunta 236 Onde está a sua tarefa anúncio de óleo de cozinha e material de limpeza AE 2 Outra criança mostrou a tarefa que a AE 2 havia solicitado o que gerou elogios por parte da AE 2 que pediu à criança que lesse o seu anúncio criativo Minha mãe faz arroz com óleo Minha mãe lava os pratos com bucha esponja e sabão A 5 Isso Muito bem Ficou lindo Agora pode colorir a tarefinha AE 2 Durante a observação foi possível perceber que a AE 2 utilizou uma metodologia que poderia ter sido readequada aos interesses dos alunos já que conforme os registros dos relatos eles queriam criar os anúncios mas não de produtos alimentícios ou produtos de limpeza O interesse das crianças era fazer anúncios de outros produtos vídeo game bonecas cachorros Enfim queriam anunciar produtos de seu cotidiano de sua vivência de criança A preocupação em ministrar os conteúdos programados e da maneira que foram planejados não foi sentida e externada somente pela AE 2 A ação docente do AE 3 também foi permeada por estas características Observamos123 também a prática de estágio do AE 3 em sala de aula em que ministrou numa turma de 5º ano no turno vespertino composta por 34 alunos presentes 16 meninas e 18 meninos a disciplina Ciências Naturais cujo conteúdo ministrado era Doença Esquistossomose Ao ministrar o conteúdo relacionado a doenças o AE 3 levou para a sala de aula um cartaz que afixou no quadrogiz que continha os seguintes dizeres CICLO DA ESQUISTOSSOMOSE Hospedeiros intermediário e definitivo Doença sintomas e medidas profiláticas Ainda em relação aos recursos didáticos o AE 3 utilizou fichas de palavras relacionadas ao assunto à medida que ia falando sobre o assunto afixava as fichas com as palavras correspondentes no quadrogiz tais como vetor esquistossomose ciclo reprodutivo cercária entre outros Em seguida distribuiu para cada aluno um texto xerocopiado retirado da internet124 para ministrar o conteúdo Doença Esquistossomose 123 Observação realizada em 19052009 124 Esquistossomose Disponível em httpeducacaouolcombrplanosaulaesquistossomosejhtm Acesso em 01052009 237 Introduziu o assunto destacando a importância de que os alunos prestassem bastante atenção Vou ensinar para vocês sobre este assunto esquistossomose muito interessante É bom vocês prestarem atenção este assunto vocês vão estudar em Ciências de 5º ao 9º ano e até na faculdade em Biologia AE3 Com esta postura o AE 3 tentou demonstrar à turma que o conteúdo era importante e difícil e que ele o professor dominava o conteúdo Solicitou que os alunos um de cada vez lessem partes do texto distribuído O aluno ia lendo até o momento que o AE 3 solicitava que parasse a leitura Observamos que conforme o registro a seguir o AE 3 tentou iniciar a atividade Vamos começar Quero silêncio Presta atenção na leitura do colega Você aí do fundo que está na janela senta e começa a ler AE 3 O aluno leu demonstrando desinteresse e dificuldade para pronunciar expressões grafadas em latim A esquistossomose é uma doença comum no Brasil e é causada por um pequeno verme nematódeo denominado Schistosoma mansoni não sei falar isso não A 1 O AE 3 releu a parte do texto que o A 1 havia acabado de ler pois a criança leu com pouca fluência fazendo pausas onde não deveria e pronunciando as palavras incorretamente Vou ler outra vez para vocês entenderem AE 3 O AE 3 leu mas não explicou o conteúdo Uma criança perguntou o que era verme nematódeo e novamente o AE 3 limitouse a ler o texto sem esclarecer a dúvida da aluna Assim o estagiário parece não saber que cabe ao professor ensinar e faz parte desse papel repetir uma explicação seja quando solicitada verbalmente seja ao perceber alguma dúvida no aluno CAJAL 2001 p 147 Outro aluno perguntou O que é isso 12 mm é dois m mesmo A 2 238 O A 2 referiuse a uma unidade de medida que no texto falava do tamanho de um verme adulto O AE 3 não soube explicar A turma começou a fazer perguntas não sobre o conteúdo mas sobre palavras presentes no texto Isso significa que alguns itens lexicais eram desconhecidos pelos alunos e talvez pelo AE 3pois o mesmo não demonstrou paciência para responder às perguntas das crianças e disse Não vou responder mais Agora só respondo o que está no texto Você apontou em direção a um aluno leia AE 3 O AE 3 continuou conduzindo a aula de modo autoritário escolhia quem deveria ler e relia todas as partes do texto lidas pelos alunos A monotonia tomou conta da sala de aula nesta leitura Assim que relia o texto o AE 3 afixava no quadrogiz uma ficha com uma palavra que sintetizava o que havia acabado de reler Este processo repetiuse várias vezes Entendemos juntamente com os autores que para a formação do cidadão crítico e reflexivo não é adequada uma educação impositiva e autoritária Novamente destacamos que é importante que o curso de Pedagogia Licenciatura esteja atento à formação de uma educadora reflexivo e pesquisador capaz de construir uma educação democrática e emancipatória conforme Franco Este profissional deverá ser investigador educacional por excelência pressupondo para esse exercício o caráter dialético e histórico dessas práticas Assim o pedagogo será aquele profissional capaz de mediar teoria pedagógica e práxis educativa e deverá estar comprometido com a construção de um projeto político voltado à emancipação dos sujeitos da práxis na busca de novas e significativas relações sociais desejadas pelos sujeitos 2008 p 110 As perguntas recomeçaram Os alunos lançaram várias questões sobre o significado de cada item lexical novo no texto No entanto só podia perguntar quem estava lendo A seguir registraremos uma enxurrada de perguntas e respostas ou não feitas na sala de aula Professor lesma é caramujo A 3 Onde no texto fala em lesma AE 3 O AE 3 ignorou a pergunta do aluno limitandose a ironizálo usando um tom de voz sarcástico diante dos colegas 239 Como no texto havia palavras grafadas em latim um aluno perguntou Essas palavras mostrou as palavras Biomphalaria tenagophila Biomphalaria glabrata e Biomphalaria stramina é sic em inglês A 4 O AE 3 ignorou a pergunta porque só quem tinha lido é que podia perguntar Ao final da leitura o AE 3 solicitou aos alunos que eles produzissem um texto utilizando as palavras grafadas nas fichas afixadas no quadrogiz Após alguns minutos o AE 3 pediu aos alunos que estavam sentados na primeira carteira de cada fila recolhessem os textos produzidos pelos colegas de suas respectivas filas A seguir comunicou aos alunos que a aula havia terminado e retirouse da sala A prática pedagógica em uma perspectiva que reflete e que objetiva um processo educacional participativo leva em consideração que os alunos são seres humanos cujo assentimento e cooperação devem ser obtidos para que aprendam e para que o clima da sala de aula seja impregnado de tolerância e de respeito pelos outros Embora seja possível manter os alunos fisicamente presos numa sala de aula não se pode forçálos a aprender Para que aprendam eles mesmos devem de uma maneira ou de outra aceitar entrar num processo de aprendizagem Ora essa situação põe os professores diante de um problema que a literatura chama de motivação dos alunos para que os alunos se envolvam numa tarefa eles devem estar motivados TARDIF 2008 p 268 Ainda se tratando do AE 3 observamos125 outro momento de sua prática de estágio Esta aula aconteceu em uma turma do 3º ano no turno vespertino com 32 alunos presentes 20 meninas e 12 meninos A disciplina era Educação Física e o conteúdo ministrado foi Brincadeiras Infantis O AE 3 iniciou a sua prática docente de estágio comunicando aos alunos que iriam realizar uma brincadeira e de imediato explicou as regras conforme relato que transcrevemos a seguir Não correr e só fazer o que eu disser Prestem atenção Vocês vão permanecer sentados em suas cadeiras eu vou sair da sala e aí vocês escolhem alguém para começar Então esta pessoa vai até a mesa olha no espelho e senta novamente Quando a pessoa se sentar alguém abre a porta da sala e eu entro Vou pegar o espelho e ele irá me dizer quem é que olhou no espelho Vou sair AE 3 125 Observação realizada em 02062009 240 Assim que o AE 3 saiu da sala todos os alunos quiseram olhar no espelho Uma aluna começou a brincadeira e assim que ela retornou à sua cadeira conforme o AE 3 havia orientado ele retornou à sala Pegou o espelho e com ar de suspense disse Hum Espelho meu Digame quem olhou em você Que rosto você viu AE 3 O AE 3 fez suspense parecia conversar como espelho e as crianças nem se mexiam em suas carteiras Então o AE 3 continuou É uma menina Ela está sentada na terceira fila Usa uma blusa vermelha As crianças ficaram superinteressadas e participaram da atividade de maneira organizada Outra vez o AE 3 ausentouse da sala de aula e um aluno foi bem depressa olhou no espelho e correu para se sentar na carteira antes que o AE 3 retornasse e o visse voltando ao seu lugar Assim que pegou o espelho o AE 3 continuou com suas adivinhações É um menino que tem o cabelo grande e está com uma blusa preta O espelho está me dizendo que este menino precisa cortar o cabelo AE 3 Tio como você acerta sempre A 1 O espelho é que me conta AE 3 Ah tio Diga vai Como é essa mágica A 1 O AE 3 insiste em guardar segredo de sua mágica e retoma a brincadeira chamando os alunos para uma última vez Vamos fazer mais uma vez a última AE 3 Um aluno protestou Não tio Mais uma vez Eu também quero brincar A 2 O AE 3 respondeu com aspereza Já disse que agora será a última vez que vou sair da sala 241 Dizendo isso saiu da sala de aula esperou que alguém abrisse a porta entrou novamente no recinto e acertou mais uma vez quem havia olhado no espelho As crianças estavam super entretidas curiosíssimas não conseguiam entender como o AE 3 sabia quem havia olhado no espelho Todos se mantinham atentos Porém o AE mudou de brincadeira sem aproveitar a atenção e curiosidade dos alunos para um momento pedagógico e de aproximação Simplesmente disse Pronto Agora vamos para o pátio para fazer mais uma brincadeira Todos em fila Silêncio Olha Não corram Volta senta disse a um aluno que corria Todos em suas carteiras AE 3 Tio vamos fazer mais uma vez eu quero brincar a brincadeira do espelho A 3 Os alunos participavam entusiasmados esperavam a continuação da brincadeira do espelho mas o AE 3 foi irredutível em sua decisão Não Agora vamos fazer outra brincadeira É legal também AE 3 Dandose por vencido o A 3 perguntou Tio fala para mim como você sabe quem olhou no espelho Ah É mesmo Eu não revelei o segredo Antes de entrar na sala chamei a A 4 e disse pra ela me dizer quem olhou no espelho Mas sem ninguém saber Era ela que contava AE 3 A revelação foi uma grande surpresa muitos risos e palmas Muitos alunos empurraram e abraçaram a cúmplice do AE 3 Todos gostaram da atividade fato que se confirmou pela alegria e descontração externadas pelas crianças Assim ficou evidente que apesar da não continuidade este momento retratou as boas interações que ocorrem no contexto social em que se inserem e circulam A vida está presente na escola espaço onde as relações se estabelecem e fazem diferença para quem as vivencia NASCIMENTO et alli 2009 p 166 Os alunos gostaram tanto da brincadeira do espelho que mais uma vez pediram ao AE 3 que fizesse a brincadeira No entanto não obtiveram sucesso Fila sem conversa Vamos para o pátio AE 3 O AE 3 ignorou o pedido dos alunos e nem perdeu tempo respondendo Olha vou explicar sobre a próxima brincadeira Chamase Eu gosto de 242 você AE 3 Ele escolheu um menino que usava óculos e disse Eu gosto de você porque você usa óculos AE 3 As crianças estavam em círculo de pé Nesse momento todos os alunos que usavam óculos precisaram mudar de lugar Percebemos que com a mudança de brincadeira os alunos não gostaram e muitos deles principalmente os meninos passaram a participar da brincadeira de modo desinteressado Tio posso ir ao banheiro A 4 Tio ele não mudou de lugar A 5 O A 5 referiuse a um colega que devia trocar de lugar mas permaneceu onde estava Ah não tio Todo mundo tá saindo do lugar toda hora A 6 O A 6 reclamou da bagunça que a turma começou a fazer Assim o AE 3 chamou a atenção da turma Pára Eu não quero brincadeira falta de participação e comportamento adequado não AE 3 Como as reclamações foram maiores que a participação o AE 3 acabou com a brincadeira dizendo Chega Vocês não sabem brincar Agora em fila Vamos voltar para a sala AE 3 Ah tio Vamos brincar com o espelho Você escolhe outro para contar quem pegaria no espelho A 3 Eu já disse mais de uma vez não Agora todos para a sala AE 3 Com a insistência do aluno o estagiário denotou irritação em sua voz que ficou um pouco alterada Sua prática de estágio explicitou que sua maior preocupação foi em aplicar as duas brincadeiras planejadas Isso fez com que a atividade que tinha como objetivo promover a socialização não atingisse a meta almejada Este fato é constatado por nós porque as crianças gostaram da primeira brincadeira Mas como o AE 3 quis fazer as duas brincadeiras 243 planejadas a segunda brincadeira foi um fracasso no que tange à participação dos alunos Acreditamos que se o AE 3 continuasse apenas com a primeira brincadeira a do espelho teria atingido o objetivo estabelecido na sua prática de estágio e poderia ter feito a brincadeira com todos os alunos uma vez que durante as adivinhações com o espelho o clima na sala de aula estava participativo Nessa brincadeira todas as crianças estavam encantadas e o AE 3 tinha total domínio da turma A aula estava maravilhosa a aluna que foi sua cúmplice enganou a todos direitinho até a nós que momento algum havíamos percebido que alguém contava ao AE 3 quem havia olhado no espelho Mais uma vez a preocupação com o excesso de conteúdos foi maior que a busca da qualidade da aula 414 Relação do aluno estagiário com seus alunos diferentes formas Em nossa análise as relações pedagógicas estabelecidas entre os AEs com os alunos dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental matriculados do 1º ao 3º anos foram permeadas por autoritarismo126 por parte dos AEs Esse fato é muito parecido com as relações estabelecidas com as crianças matriculadas na Educação Infantil Já com os alunos do 4º e 5º anos houve momentos que os AEs utilizaram dos conteúdos para impor sua autoridade mas muitas vezes não tinham domínio dos conteúdos que estavam ministrando Assim ora mostravamse inseguros ora eram disciplinadores Em uma aula127 de Ciências o AE 3 ao ser questionado por uma criança diversas vezes sobre expressões grafadas em latim128 presentes no texto que o próprio AE 3 selecionou para ministrar o conteúdo o acadêmico estagiário demonstrou que tanto não tinha domínio do conteúdo quanto lhe faltava equilíbrio emocional Chega Não respondo mais nada a você E por favor fique calado AE 3 Posteriormente o AE 3 ordenou a outro aluno que lesse o mesmo não quis e respondeu Não vou ler A 4 O AE 3 não insistiu para que o aluno lesse simplesmente pediu a outro aluno que lesse Deste modo o estagiário controlou a turma que ficou quieta Porém os últimos momentos pouco contribuíram para um processo educacional participativo um silêncio 126 Para lembrar Freire e Guimarães O autoritarismo tem um medo horrível da pergunta por quê 127 Observação realizada em 19052009 em uma sala de aula de 5º ano crianças de 10 anos 128 Relatado no item anterior 244 controlado uma pseudoorganização com todos os alunos sentados Em relação ao desenvolvimento da atividade copiaram o título elaboraram algumas frases que estavam no quadro cumprindo a solicitação do AE 3 Em uma observação da aula ministrada pela AE 1129 a falta do conhecimento dos conteúdos trabalhados por parte da estagiária era claramente percebida Mais uma vez presenciamos uma atividade de estágio desinteressante em que pouquíssimos alunos se envolveram com a atividade proposta conforme o relato que se segue Dois alunos entravam e saíam da sala de aula sem ao menos comunicar à AE 1 Os alunos repetiam gritando as respostas das atividades que a AE 1 ditava para a turma Em momento algum a AE 1 reagiu às provocações dos alunos podemos pensar inclusive que essa resistência discente à inércia presente entre os docentes educadores culmina na indisciplina escolar Annibal 2009 p 353 O tumulto provocado pelos dois alunos ao mesmo tempo em que deixou a AE 1 sem ação provocou em uma aluna A 12 uma reação por nós inesperada Tal aluna ao perceber claramente a incapacidade da AE 1 de estabelecer limites àqueles alunos ofereceu ajuda Tia vou chamar a coordenadora A 12 Ainda sendo indiferente à situação ou sem saber o que fazer na sala de aula a AE 1 disse à A 12 que Não precisa Eles são grandes Sabem o que estão fazendo Deixa Ano que vem 6º ao eles vão saber respeitar Vão ter muitos professores Eles estão agindo como crianças AE 1 Sua prática docente estava prevista para acontecer num período de uma hora e meia Contudo após quarenta e cinco minutos a AE 1 retirouse da sala de aula Essa atitude gerou um problema para a professora titular da sala de aula que ao aproveitar a presença da AE 1 em sua sala de aula havia planejado outra atividade com a coordenadora da escola Essa situação gerou um constrangimento para a AE 1 que foi advertida verbalmente pela coordenadora pedagógica da escolacampo sendo recomendado à AE 1 que nas próximas atividades de estágio que desenvolvesse na escolacampo cumprisse rigorosamente o horário que a própria AE 1 viesse a solicitar 129 Observação realizada no dia 06052009 oportunidade que a AE 1 ministrou o conteúdo Advérbio numa sala de 5º ano 245 O professor seja estagiário ou não precisa ser capaz de organizar sua aula de modo que as ações pedagógicas ocorram no período previsto Acreditamos que esta falha da AE ocorreu pelo fato que as aulas ministradas pelas professoras orientadoras do Estágio Supervisionado não contemplaram suficientemente a preparação dos estagiários para atuarem na sala de aula Quanto às relações interpessoais o domínio de conteúdo a ser ministrado a metodologia e os recursos didáticos também as orientações das professoras orientadoras do Estágio Supervisionado deixaram a desejar A postura da coordenadora pedagógica da escolacampo ao advertir a AE reforçou a ausência de diálogo com a professora orientadora do estágio Ainda com o intuito de analisar o Estágio Supervisionado do curso de Pedagogia entrevistamos as duas professoras orientadoras do estágio cuja análise e reflexão passamos a descrever no próximo capítulo 246 CAPÍTULO V O ESTÁGIO SUPERVISIONADO O DIÁLOGO COM AS PROFESSORAS ORIENTADORAS E ESTAGIÁRIOS Este capítulo destinase a apresentar inicialmente o estudo realizado com as Professoras Orientadoras e posteriormente o estudo que realizamos com os estagiários participantes da nossa pesquisa 51 O Estágio Supervisionado o diálogo com as professoras orientadoras Para conhecermos os aspectos referentes ao percurso e à qualificação profissional das professoras foi feito o registro por meio de aplicação de um questionário cf apêndice 4 composto por 06 questões Para preservar a identidade de cada uma das professoras orientadoras de Estágio Supervisionado do curso de Pedagogia Licenciatura optamos por nominálas com letras do alfabeto ficando pois a Professora orientadora do estágio em Educação Infantil identificada como Professora Orientadora F PO F e a docente que atua na orientação do estágio nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental 1º ao 5º ano nomeada como Professora Orientadora M PO M A PO F 31 anos de idade cursou no Ensino Médio Técnico em Contabilidade No ano de 2005 concluiu o curso Normal Superior com Habilitação em Magistério da Educação Infantil Em 2008 cursou pósgraduação Lato Sensu em Psicopedagogia Institucional Possui 08 anos de experiência em instituições de ensino sendo que no período que compreende do ano de 2002 a 2005 atuou como Auxiliar Administrativo em escolas de Educação Infantil No ano de 2006 a PO F por meio de concurso público da rede municipal de ensino foi aprovada para professora de Educação Infantil P III130 contudo atuou como coordenadora pedagógica de uma unidade de Educação Infantil Em 2007 foi promovida à Gestora da mesma unidade de ensino No mesmo ano deu início à docência superior na mesma instituição de ensino em que foi graduada Lecionou no curso Normal Superior habilitação em Magistério em Educação Infantil as disciplinas Estágio Supervisionado III e Prática de Ensino III Atualmente ministra aulas no curso de Pedagogia Licenciatura nas 130 De acordo com o Título III da Lei nº 39782000 que institui o Estatuto cria Plano de Carreira seus cargos fixa valores de vencimentos e salários do Magistério da Secretaria Municipal de Educação e dá outras providências em seu Artigo 9º inciso 3 estabelece que para ser Professor P III deve possuir Licenciatura Plena em magistério com registro no MEC 247 seguintes disciplinas Prática Profissional Orientada I II III e IV e Estágio Supervisionado I e II A PO M 39 anos de idade tem como formação a nível médio Auxiliar e técnico em eletrônica e eletricidade e Projeto Lumen131 concluído em 1994 época em que foi aprovada em concurso público municipal É bacharel em Direito 1993 e Zootecnia 1992 No ano de 2005 concluiu o curso Normal Superior com Habilitação em Magistério nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Em 2008 concluiu a pósgraduação Lato Sensu em Educação Inclusiva Atualmente cursa o Mestrado em Educação A professora iniciou a carreira docente no ano de 1994 atuou desde a alfabetização até os anos finais do ensino fundamental na 6ª 7ª e 8ª séries ministrou a disciplina de Matemática e a disciplina de Ciências foi ministrada somente na 8ª série Foi professora alfabetizadora de idosos docente na préescola alfabetizadora e professora desde a 1ª série até a 4ª série nos anos iniciais do ensino fundamental Nos anos de 2007 e 2008 atuou como coordenadora pedagógica em uma unidade escolar de anos iniciais do Ensino Fundamental Em 2007 iniciou na mesma instituição de ensino superior na qual se graduou a docência no curso Normal Superior Educação Infantil e Ensino Fundamental com as disciplinas Estágio Supervisionado III e IV Prática de Ensino IV e VI Interdisciplinaridade Antropologia Educacional Atualmente no curso de Pedagogia Licenciatura ministra as disciplinas Prática Profissional Orientada II IV e VI Estágio Supervisionado III e IV Metodologia de Pesquisa em Educação I Teorias da Educação Ainda para o desenvolvimento de nossa pesquisa coletamos informações referentes à atuação profissional especificamente na docência no Estágio Supervisionado por meio de uma entrevista estruturada cf apêndice 5 composta por 14 questões abertas Inicialmente apresentamos o posicionamento das professoras orientadoras de estágio quanto ao planejamento132 apontando os critérios por elas utilizados ao elaborar seus planos de curso bem como as referências que adotam para preparar as aulas que ministram Isso porque Desde o ingresso dos alunos no curso é preciso integrar os conteúdos das disciplinas em situações da prática que coloquem aos futuros professores e lhes possibilitem experimentar soluções LIBÂNEO e PIMENTA 1999 p 267 131 Projeto Lumen Curso de qualificação profissional Habilitação específica para o exercício do magistério de 1ª à 4ª série conforme os termos da Lei 5692 de 11 de agosto de 1971 artigo 24 1º do artigo 25 artigos 26 e 28 artigo 16 da Lei nº 704482 e da Resolução nº 697 de 17091993 do Conselho Estadual de Educação de Goiás Secretaria de Educação Cultura e Desporto Superintendência de Ensino NãoFormal 132 Ao professor orientador consiste o trabalho de orientação organização planejamento das atividades e avaliação dos acadêmicos Manual de Estágio Competências do Professor Orientador 2007 p 28 248 Assim para elaborar o Plano de Curso da disciplina Estágio Supervisionado as POs não tiveram a mesma percepção no sentido de considerar as outras disciplinas do curso conforme evidenciam em seus depoimentos A PO F teve a preocupação em estabelecer uma conexão somente com a outra disciplina que na mesma turma As outras disciplinas não foram consideradas exceto a disciplina de Prática Profissional Orientada133 até porque eu sou a professora dessa disciplina PO F A professora PO M orientadora do Estágio Supervisionado dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental não considerou as outras disciplinas Não eu não considerei as outras disciplinas porque o estágio era docência do 1º ao 5º ano então eu pensei só nessa questão da elaboração dos planos de aula PO M Para atuar no ensino das disciplinas Prática Profissional Orientada e Estágio Supervisionado os docentes dos cursos de Pedagogia Licenciatura têm como subsídios o Projeto Político Pedagógico as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Graduação Pedagogia Licenciatura e o Regimento da instituição de ensino os quais são fundamentais para a elaboração do Plano de Curso Contrariando a legislação as POs explicitaram que na realidade não utilizaram os documentos para a elaboração dos Planos de Curso nem para o planejamento de suas aulas como podemos verificar nas falas das mesmas Não referente ao Projeto Político Pedagógico Também não relacionado às Diretrizes Curriculares Não Regimento como eu disse o meu recurso foi somente livros internet e revistas PO F Não não utilizo Eu conheço o projeto eu li mas na hora de planejar eu não lanço mão dele Da mesma forma eu li o regimento pra conhecêlo mas na hora de planejar também não lanço mão dele PO M 133 De acordo com a estrutura curricular proposta neste projeto para o Curso de Pedagogia a Prática Profissional pertencente ao Eixo de Estudos Integradores perpassa todo o curso a partir do 1º semestre indo até o 8º e foi denominada de Prática Profissional Orientada IVIII com 960 horas Nestas disciplinas serão trabalhadas práticas de docência e gestão educacional que ensejem aos licenciandos a observação e acompanhamento a participação no planejamento na execução e na avaliação de aprendizagens do ensino ou de projetos pedagógicos tanto em escolas como em outros ambientes educativos tudo incorporado a idéia do ensinar pesquisando e o aprender pesquisando PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 2007 p 123 249 De acordo com o Manual de Estágio cf anexo 2 da instituição de ensino o Professor Orientador de Estágio Supervisionado precisa Ter clareza quanto ao tipo de profissional de educação que a Faculdade pretende formar coerente com a Proposta Pedagógica do curso MANUAL DE ESTÁGIO 2007 p 28 grifo meu O fato das POs explicitarem que não consideram o PPP ao elaborarem seus Planos de Curso nos leva a afirmar que elas atingem parcialmente o Objetivo Geral do Estágio Supervisionado Deste modo as ações das POs pouco contribuem para que o estagiário desenvolva uma análise crítica das vivências de aprendizagem dos programas de ensino promovendo a partir de uma visão global condição de instrumentalizálo para a profissão MANUAL DE ESTÁGIO 2007 p 26 Ao afirmarem não utilizar o Projeto Político Pedagógico as Diretrizes Nacionais e os outros documentos norteadores para a formação docente as POs levamnos a perceber que seus planejamentos Plano de Curso Plano de Aula não garantem coerência com a proposta do curso pois correm o risco de selecionarem materiais desvinculados com o tipo de profissional que o curso pretende formar De acordo com a Proposta Político Pedagógica do Curso de Pedagogia Licenciatura ao concluir o curso o profissional do Curso de Pedagogia do ISEAR134 será o profissional capaz de refletir sobre sua própria prática pedagógica garantindo um ensino de qualidade de acordo com os ideais da sociedade goiana PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 2007 p 117 As POs afirmam que o Estágio Supervisionado colabora com as outras disciplinas do curso como expressam em suas falas Com certeza colabora PO F Eu acredito que seja uma troca ocorre uma integração Uma necessita dos conhecimentos das outras disciplinas para que ela prossiga Por exemplo eles estavam fazendo Didática de História então eles tinham que fazer um plano de História então eles lançam mão de métodos de trabalho que foram dados nessas disciplinas PO M 134 ISEAR Instituto Superior de Educação Almeida Rodrigues 250 A integração de que falam as professoras na verdade é aquela que os alunos estabelecem pois conforme os depoimentos das POs as mesmas não têm essa preocupação As duas POs concordam conforme nos referimos anteriormente que a disciplina Estágio Supervisionado colabora com as demais disciplinas do curso Os aspectos que dizem respeito à colaboração percebidos pelas professoras são eu acredito que na questão dos aspectos das apresentações de trabalhos e seminários com as outras disciplinas pois o aluno enquanto aluno do curso ele ao apresentar seus trabalhos ele traz na sala de aula no momento da apresentação os trabalhos que ele apresenta no estágio Enquanto alunos do estágio eles sabem o que devem e o que não devem ser feito em sala de aula PO F Eu acredito que seja na parte prática porque a teoria das outras disciplinas ela é colocada em prática no Estágio Supervisionado PO M É possível perceber a importância que as professoras atribuem a sua disciplina de Estágio Supervisionado No entanto elas não estabelecem relação com as outras disciplinas o que pode colaborar para que não haja uma relação teoria e prática Para Rays 1996 seria o mesmo que cercear o ser humano de agir por meio da reflexão Em outras palavras para o autor Isolar portanto a teoria da prática e a prática da teoria é privar o homem de sua capacidade de agir consciente e historicamente RAYS 1996 p 36 Durante a entrevista as professoras foram estabelecendo relações que num primeiro momento não havia Porém esta relação ficou restrita às disciplinas de caráter mais metodológico Tal relação é importante mas não suficiente para que haja um paralelo entre teoria e prática é onde o estagiário tem que aprender a lidar na sala de aula com técnicas com as composturas e teve também a disciplina de Matemática onde auxiliou os estagiários nos jogos e brincadeiras que envolveram Matemática para crianças de 4 e 5 anos Teve também a disciplina de Metodologia onde os alunos fizeram uma atividade é de campo para a sala de aula com essas crianças de 4 e 5 anos A relação com relação das disciplinas do curso tendo como ponto maior a disciplina de Didática PO F Para a PO M já no planejamento percebese a contribuição pois os alunos estagiários segundo a professora estabelecem uma ponte entre as aulas que ministrarão na escolacampo e as aulas ministradas em outras disciplinas do curso de Pedagogia Licenciatura conforme relata 251 eles sempre estão falando Ah professora eu vou usar aquilo que a professora fez conosco na outra aula Ah professora eu vou contar a minha história da maneira como a outra professora indicou então eu vou usar essa metodologia que foi falada na aula do fulano e tudo E tem também a questão depois que eles aplicam ministram as aulas eles tem que fazer um relatório135 dessa aula um relatório bem descritivo desde o momento em que entrou na sala de aula ele descreve tudo o que aconteceu como ministrou a sua aula as dificuldades se ele conseguiu atingir o objetivo que estava esperado para aquela aula Além disso ele precisa fundamentar a sua dificuldade o seu sucesso através de autores então nessa fundamentação a gente percebe a relação com as outras disciplinas PO M Os exemplos trazidos pela PO M são no sentido de aplicar o conhecimento aprendido Nesta perspectiva fica distante a construção de uma prática de estágio que tenha como referência a reflexão a crítica e a pesquisa Na concepção de Pimenta a finalidade do estágio deveria ser a de proporcionar aos futuros professores uma aproximação à realidade na qual irá atuar Nesse sentido não se deveria colocálo como o pólo prático do curso mas como uma aproximação à prática na medida em que é conseqüente à teoria estudada no curso que por sua vez deverá se constituir numa reflexão sobre e a partir da realidade da escola PIMENTA 1993 p 188 grifo da autora Todas as ações dos alunos estagiários desde o planejamento a seleção e a organização dos conteúdos ministrados na escolacampo foram supervisionadas pelas POs Acreditamos que ao escolherem conteúdos136 em consonância com o que estava sendo ministrado pela professora titular das turmas Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental os alunos estagiários acabaram por reproduzir o que já estava estruturado e definido pelo sistema e não tiveram a possibilidade de atuar com autonomia Para Contreras O resultado é que os professores ocupam uma posição subordinada na comunidade discursiva da educação Seu papel em relação ao conhecimento profissional representado pelas disciplinas acadêmicas é o de consumidores não de criadores 2002 p 63 135 Consultar anexo 2 Orientações para elaboração do relatório de estágio MANUAL DE ESTÁGIO 2007 p p 697071 136 A definição dos conteúdos a serem ministrados pelos acadêmicos estagiários ocorreu por parte da professora titular da sala Para Libâneo escolher os conteúdos implica clareza do professor de que São três as fontes que o professor utilizará para selecionar os conteúdos do plano de curso e organizar as suas aulas a primeira é a programação oficial na qual são fixados conteúdos de cada matéria a segunda são os próprios conteúdos básicos das ciências transformadas em matérias de ensino a terceira são as exigências teóricas e práticas colocadas pela prática de vida dos alunos tendo em vista o mundo do trabalho e a participação democrática na sociedade 1994 p 133 252 Feita a análise da atuação das POs para a definição dos conteúdos ministrados nas atividades de estágio passamos a analisar as dificuldades encontradas pelos AEs durante a realização das práticas de estágio segundo as POs De acordo com as POs as dificuldades encontradas pelos acadêmicos estagiários nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental diferem dos problemas detectados durante o estágio na Educação Infantil A professora responsável por orientar o Estágio Supervisionado na Educação Infantil PO F ao falar sobre as dificuldades que os AEs encontraram na escolacampo assim se manifestou As principais dificuldades encontradas pelos acadêmicos com certeza foram a recepção nas escolas Muitas vezes o AE tinha uma atividade proposta e não poderia realizála porque tinha outra atividade da professora titular da sala no período em que os estagiários estavam na escola pra fazer suas atividades há também a dificuldade da prática porque muitos alunos que já trabalham na escola mesmo não sendo formados se deparam com a prática do professor titular da sala PO F Uma das dificuldades que os AEs encontraram nas escolascampo foi o não cumprimento por parte das professoras titulares em ceder o espaço da sala de aula para que os AEs realizassem a atividade de estágio que já havia sido agendada pelos estagiários com as professoras titulares Assim os AEs acabavam tendo que retornar outro dia Esta atitude da professora titular demonstra a falta de consideração com os futuros professores Dando seguimento ao diálogo com as POs percebemos que segundo elas a indisciplina foi a maior dificuldade encontrada pelos AEs durante suas práticas de estágio nas salas de aula dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental A PO do Estágio Supervisionado nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental PO M confirma o exposto a mesma diz que Com certeza a indisciplina a maior reclamação dos alunos é indisciplina Eles alegam que não conhecem os alunos não sabem o nome pra poder chamálos pelo nome então fica difícil uma vez só eles irem lá e conseguirem manter a sala disciplinada Alegam também que quando a sala é disciplinada que a professora já mantém essa disciplina não há problema com a aula deles Quando a sala é indisciplinada que a professora diz fica aí com meus anjinhos eles comentam comigo aí eles têm problemas também houve uma diferenciação uns AEs tiveram problemas com as crianças menores não conseguiram lidar facilmente com elas outros já tiveram problemas com os alunos maiores Eu acho que vai um pouco da questão da afetividade de você gostar mais de crianças pequenas mesmo de gostar de trabalhar com crianças maiores eu acho que vai um pouco dessa questão de afinidade de afetividade que você mantém ou com as crianças menores ou com as crianças maiores PO M 253 Na análise das POs as dificuldades apresentadas pelos acadêmicos têm aspectos diferentes pois uma salientou a indisciplina e a outra como podemos ver destacou a falta de conhecimento dos conteúdos e as questões didático pedagógicas Eu acredito que seja o conhecimento dos conteúdos a serem ministrados na escola principalmente 4º e 5º ano eles têm muita dificuldade Eles não dominam então fica difícil pra eles saberem esse repasse outra questão também que eu vejo que eles têm muita dificuldade é na questão da própria elaboração do plano de aula Eles aprendem diversas técnicas metodologias de trabalho maneiras diferentes de contar histórias vários materiais didáticos aprendem como utilizálos mas quando se refere ao saber do conteúdo como repassar como transmitir esse conteúdo porque eles vieram de um ensino totalmente tradicional que era voltado para leia decore e repita então eles querem fazer com os alunos deles da mesma forma que eles aprenderam PO M Em relação aos alunos estagiários na Educação Infantil a questão desencadeadora das dificuldades segundo a PO F além da falta do domínio dos conteúdos surgem outras questões Quando eles estão em sala de aula cada aluno tem sua dificuldade ou seja existe aquele aluno que tem é menos domínio do conteúdo existe o aluno que não tem domínio da sala de aula aquele que programa uma atividade e na hora de realizála ele vê que não foi bem planejada então essas dificuldades cada aluno tem sua dificuldade nem todos são iguais PO M Portanto as principais dificuldades pontuadas pelas POs na realização do estágio foram indisciplina dos alunos tanto da educação Infantil quanto dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e desconhecimento dos conteúdos que os alunos estagiários ministrariam nas escolascampo Esta reflexão só foi possível devido às atividades realizadas nas escolas campo pois Quando os professoresalunos são convidados a trabalhar os conteúdos e as atividades do estágio no campo de seu conhecimento específico que é a Pedagogia ciência da educação e a Didática que estuda o ensino e a aprendizagem percebem que os problemas e possibilidades de seu cotidiano serão debatidos estudados e analisados à luz de uma fundamentação teórica e assim fica aberta a possibilidade de se sentirem coautores desse trabalho PIMENTA e LIMA 2004 p 127 254 As POs do Estágio Supervisionado procuram auxiliar os alunos sempre que os mesmos solicitam seja durante ou após o estágio para resolver questões pedagógicas que envolvem a relação professor e aluno eou de conteúdos Enquanto ao conteúdo eu costumo contribuir trazendo textos pra sala de aula dando referencial teórico para essas dificuldades Quanto à prática em sala de aula eu costumo dizer pra eles como que deveria ser feito levo vídeos pra sala de aula onde tem professores dando aula mostro exemplos de como deve ser PO F A PO M assim como a PO F procuraram disponibilizar aos alunos estagiários recursos para auxiliar os mesmos nas práticas de estágio na escolacampo conforme seu depoimento Umas das primeiras coisas que é feito é um diálogo com os alunos que eles precisam ter ética isso é muito importante a gente pede para eles terem respeito afinal à sala é do professor senão essa relação entre professor e estagiário vai ficar comprometida isso vai dificultar o estágio a gente pede muita calma muita tranquilidade Quanto à questão de conteúdo eu sempre levo muitas sugestões livros antes de nós executarmos o plano meu carro está sempre cheio de livros de sugestões para que eu possa na hora da elaboração do plano auxiliar PO M Ao orientar os alunos estagiários as POs assumem sua responsabilidade uma vez que O estágio supervisionado é momento de formação profissional pelo exercício in loco e presença participativa em ambientes próprios de atividades daquela área profissional sob a responsabilidade de um profissional habilitado KISHIMOTO 2009 p 51 Ao pontuar as dificuldades que os AEs vivenciaram em suas práticas de estágio as POs também refletiram sobre suas ações durante as orientações aos acadêmicos na preparação para o desenvolvimento do Estágio Supervisionado nas escolascampo E estas reflexões tiveram como fio condutor as lacunas por elas deixadas em sua atuação docente bem como os problemas que conseguiram superar nesta trajetória Este aprendizado que as POs adquiriram é essencial à sua função de formadoras de professores Isto é demonstra o comprometimento das duas POs com o seu trabalho e consequentemente com seus alunos pois os professores que aprendem com os estagiários nos Estágios Curriculares Supervisionados são aqueles que se comprometem com o acompanhamento regular das atividades dos licenciandos sentindose cúmplices nas atividades de ensinar e aprender ROCHA ULHOA 2008 p 119 Entretanto não podemos deixar de salientar que elas também em alguns momentos comprometem a formação dos futuros professores sobretudo 255 por não considerarem o PPP no plano de ensino e estabelecerem poucas relações com as demais disciplinas do curso tão pouco apresentam a reflexão e a pesquisa como centrais para o estágio eou para o processo de formação docente 52 Formação e campo de estágio sob o olhar dos Acadêmicos Estagiários tensões desafios e perspectivas Como professor num curso de formação docente não posso esgotar minha prática discursando sobre a Teoria da não extensão do conhecimento FREIRE 2002 p 52 grifo do autor Uma preocupação que se evidencia no curso do qual nossos pesquisados são oriundos diz respeito ao perfil do profissional que estamos formando Na busca de subsídios para nosso estudo aplicamos questionários junto aos acadêmicos estagiários para compreender por meio de seus depoimentos suas expectativas em relação ao curso de Pedagogia Licenciatura No curso vemos os perfis ideais de escola professor e aluno mas indo para a escola pude notar que na realidade esses perfis estão longe de serem alcançados mas nada que seja impossível de ser alcançado com determinação e vontade tudo é possível AE 3 Com o tipo de formação de modelos eficientes o papel do professor resumese apenas na elaboração e na execução de aulas modelos sem sequer levar em consideração o contexto escolar dos educandos Temos aqui um futuro professor que não é capaz de compreender o papel fundamental da formação intelectual e ainda que não é capaz de proceder a uma análise crítica fundamentada teoricamente e legitimada na prática social que se estabelece o ensino PIMENTA e LIMA 2004 Pois o argumento com determinação e vontade tudo é possível não remete a uma questão pedagógica e sim a um mito do liberalismo O mito de modelos eficientes exerce forte influência na formação docente Ao ser questionado em quais situações da prática escolacampo utilizou teorias conteúdo ministrado no curso em sua atuação na sala de aula um acadêmico estagiário revelou Em todas as minhas aulas utilizei de alguma forma teorias aprendidas na faculdade Mais sic a que mais me chamou atenção foi a que fiz uso na aula de Língua Portuguesa Contação de histórias onde pude colocar em prática técnicas aprendidas na faculdade o resultado foi surpreendente fascinante principalmente na sala do Nível II sic Infantil II com crianças de 5 anos AE 3 grifo meu 256 Este depoimento nos leva a pensar que o curso de Pedagogia Licenciatura acaba fornecendo modelos onde as aulas acontecem como se dessem receitas docentes Isso nos leva a refletir se o curso vai trabalhar a aplicação de técnicas uma fundamentação teóricometodológica ou se há a necessidade de que tanto a teoria quanto a prática sejam trabalhadas de modo mais enfático Ou ainda conforme defendemos ao longo deste trabalho que o curso de Pedagogia Licenciatura construa um professor pesquisador comprometido com uma educação participativa democrática e emancipatória Assim para que isso ocorra o Estágio não pode ser encarado como uma tarefa burocrática a ser cumprida formalmente muitas vezes desvalorizado nas escolas onde os estagiários buscam espaço Deve sim assumir a sua função prática revisada numa dimensão mais dinâmica profissional produtora de troca de serviços e de possibilidades de abertura para mudanças KULCSAR 1991 p 65 Uma vez que Aprender a profissão docente no decorrer do estágio supõe estar atento às particularidades e às interfaces da realidade escolar em sua contextualização na sociedade PIMENTA e LIMA 2004 p 111 Um dos pontos apontado como negativo na realização do estágio na escola campo de Educação Infantil por um acadêmico foi Muitas vezes a formação acadêmica não dá base para o professor ser um bom profissional ter um certificado de PIII137 ou PIV138 não quer dizer que o professor tem competência por isso devese olhar mais para os profissionais que as faculdades formam para exercer a função de educadores AE 4 A fala da AE 4 externa a necessidade de que o professor e os cursos de formação repense suas ações Possivelmente se a formação e o estágio fossem vistos na concepção de pesquisa isto é como um espaço privilegiado de questionamento e investigação Pimenta e Lima 2004 p 112 não teríamos relatos como os obtidos ao perguntarmos aos AEs quais mudanças no entendimento deles deveriam haver para que a teoria estudada no curso fosse mais adequada para a atuação na prática na sala de aula da escolacampo 137 PIII De acordo com o Título III da Lei nº 39782000 que institui o Estatuto cria Plano de Carreira seus cargos fixa valores de vencimentos e salários do Magistério da Secretaria Municipal de Educação e dá outras providências em seu Artigo 9º inciso 3 estabelece que para ser Professor P III deve possuir Licenciatura Plena em magistério com registro no MEC 138 PIV De acordo com o Título III da Lei nº 39782000 que institui o Estatuto cria Plano de Carreira seus cargos fixa valores de vencimentos e salários do Magistério da Secretaria Municipal de Educação e dá outras providências em seu Artigo 9º inciso 3 estabelece que para ser Professor IV PIV deve possuir Licenciatura Plena em Magistério mais PósGraduação Lato Sensu com o registro no MEC 257 A teoria a qual fosse estudada deveria ser mais voltada para a realidade ou seja para o que realmente acontece na escola sendo que feito isso quase não iria haver esse choque entre teoria x prática AE 3 grifo meu O depoimento acima mostra que por meio da pesquisa é possível articular outras teorias com diferentes contextos Este posicionamento é corroborado pela AE 4 que diz Deveria haver nas aulas teóricas mais realidade a respeito das escolas e de como é o funcionamento das mesmas Se a faculdade nos desse base concretas de como é a realidade da escola e do aluno talvez não tivéssemos tanta dificuldade no estágio e na sala de aula da escola campo AE 4 grifo meu Há no relato de ambos uma crítica ao curso de Pedagogia Licenciatura Por meio dos relatos dos AEs na disciplina de Estágio Supervisionado faltaram aulas mais voltadas ao cotidiano da docência Diante disso para que o profissional da educação construa seu trabalho em uma perspectiva emancipadora é importante considerar o que Freire 2002 nos aponta Não importa com que faixa etária trabalhe o educador ou a educadora O nosso é um trabalho realizado com gente miúda jovem ou adulta mas gente em permanente processo de busca Não sendo superior nem inferior a outra prática profissional a minha que é a prática docente exige de mim um alto nível de responsabilidade ética de que a minha própria capacitação científica faz parte É que lido com gente FREIRE 2002 p 162 grifo nosso Portanto para atuar na profissão de professor é essencial gostar de gente e gostar de ensinar e aprender O papel do Estágio Supervisionado é o de possibilitar ao AE o contato com a prática docente o contato com o cotidiano da escola pois para atuar na docência requerse por parte dos AEs um conhecimento prévio da realidade e do diaadia escolar uma aproximação com o professor no sentido de compreender como se estabelecem as relações com a prática e o compromisso com a formação ROCHA GARSKE 2008 p 13 Diante do exposto para que pudéssemos perceber quais foram as contribuições do Estágio Supervisionado à formação dos acadêmicos participantes de nossa pesquisa questionamos aos mesmos em quais situações da prática de estágio na escolacampo eles utilizaram conteúdos ministrados no curso de Pedagogia para atuarem na sala de aula tanto de Educação Infantil quanto de Anos Iniciais do Ensino Fundamental Pedimos ainda que os AEs citassem exemplos em suas respostas 258 Todos os AEs afirmaram ter utilizado vários conteúdos A AE 1 afirma que na Educação Infantil Nas aulas de Ciências quando falei sobre a alimentação Língua Portuguesa quando trabalhei com contos e Alfabetização com os níveis de escrita Em relação ao estágio nos Anos Inicias do Ensino Fundamental o AE 1 afirma que na aula de História quando falei sobre fatos históricos e sobre a história de nossa cidade Geografia quando trabalhei localização Educação Física quando apliquei jogos Todas as aulas que ministrei tiveram embasamento teórico que foram estudados nas aulas do curso AE 1 O depoimento da AE 2 está com consonância com a fala da AE 1 conforme podemos constatar em Educação Infantil Alfabetização nome dos alunos Literatura cantinho da leitura Português leitura e escrita Geografia meios de transporte Praticamente tudo que foi nos passado no curso foi de grande relevância para o uso da escolacampo AE 2 Esta postura ocorreu também ao falar sobre os Anos Iniciais do Ensino Fundamental A AE 2 disse que utilizou vários conteúdos que estudou em suas aulas na graduação recreação matemática jogos a didática que nos auxilia em tudo que fazemos no âmbito escolar é de grande relevância a realização do estágio pois percebemos a diferença entre a teoria e a prática e como devemos fazer para que andem juntas AE 2 Segundo o AE 3 para sua atuação na Educação Infantil fez uso da teoria e da prática ministradas na aula de Língua Portuguesa contação de histórias onde pude colocar em prática técnicas aprendidas na faculdade o resultado foi surpreendente fascinante principalmente na sala do Nível II sic Infantil I com crianças de 4 anos AE 3 Já no Estágio Supervisionado nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental fez uso do que havia aprendido 259 principalmente nas aulas de Educação Física onde pude presenciar na prática toda a teoria explicada pela professora AE 3 Na fala da AE 4 as teorias ministradas em sala de aula foram determinantes para seu sucesso na prática de estágio tanto na Educação Infantil quanto nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental na Educação Infantil Acredito que tudo de bom que fiz na escola está baseado nas teorias que o curso me transmitiu a didática os jogos educativos roda da conversa e da leitura Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental foi através das teorias estudadas que consegui ministrar com tanto êxito minhas microaulas na escolacampo deixando de lado o tradicional buscando atividades prazerosas que estimulassem a vontade de aprender dos alunos AE 4 A formação docente implica que os saberes dos futuros professores sejam desenvolvidos e deste modo mobilizados pois A formação passa sempre pela mobilização de vários tipos de saberes saberes de uma prática reflexiva saberes de uma teoria especializada saberes de uma militância pedagógica o que coloca os elementos para produzir a profissão docente dotandoa de saberes específicos que não são únicos no sentido de que não compõem um corpo acabado de conhecimentos pois os problemas da prática profissional docente não são meramente instrumentais mas comportam situações problemáticas que requerem decisões num terreno de grande complexidade incerteza singularidade e de conflito de valores PIMENTA e LIMA 2004 p 68 Procuramos saber em que os conteúdos ministrados na disciplina Estágio Supervisionado contribuíram para a atuação dos AEs nas escolascampo uma vez que O estágio como campo de conhecimentos e eixo curricular central nos cursos de formação de professores possibilita que sejam trabalhados aspectos indispensáveis à construção da identidade dos saberes e das posturas específicas ao exercício profissional docente PIMENTA e LIMA 2004 p 61 Obtivemos variadas respostas sobre a contribuição dos conteúdos conforme podemos observar nas percepções dos acadêmicos participantes da pesquisa Para a AE 1 na Educação Infantil Os conteúdos me ajudaram a lidar com as crianças principalmente em situações de conflito entre elas nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Os conteúdos foram como um norte pra mim se não fossem eles seria meio difícil ministrar as aulas além disso eles somaram muito na minha bagagem de conhecimentos AE 1 260 Na visão da AE 2 houve diferença entre os conteúdos do estágio na Educação Infantil em relação aos conteúdos ministrados na disciplina Estágio Supervisionado nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental como podemos constatar em sua fala Sim me ajudaram mas não deixou tão claro o que realmente acontece nas salas de aulas Mas ensinou como me comportar com os profissionais da escolacampo modo de me vestir pontualidade educação chamar todos pelo nome ser gentil ter muita paciência AE 2 Neste contexto para a AE 2 na Educação Infantil sua preparação voltouse mais para o modo de se comportar com as crianças ou seja como deveria ser sua postura na sala de aula Já nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental a AE 2 afirma que os conteúdos da disciplina Estágio Supervisionado contribuíram para a realização de aulas diferentes com o desenvolvimento de ações pedagógicas nas quais os alunos participam o lúdico se faz presente e o objetivo maior é o ensinoaprendizagem dos alunos AE 2 Na perspectiva do AE 3 assim como para a AE 2 em relação ao estágio na Educação Infantil os conteúdos da disciplina Estágio Supervisionado foram importantes para a fase de adaptação e vestuário docente Além do mais pude presenciar na prática atitudes das crianças ditas antes só na teoria AE 3 Já os conteúdos ministrados na disciplina Estágio Supervisionado referente aos Anos Iniciais o Ensino Fundamental para o AE 3 não tiveram a menor relevância como podemos observar em seu depoimento Pelo o que me recordo não lembro de nada As aulas e estágio eram somente para mostrar planos de aula e relatórios não tinha teoria não Neste contexto para o AE 3 o Estágio Supervisionado foi uma disciplina prática onde os alunos apenas mostravam planos de aula que eram executados em campo Assim nenhum conteúdo teórico foi ministrado Diferentemente do AE 3 para a AE 4 os conteúdos ministrados pelas professoras de Estágio Supervisionado em Educação Infantil e em Anos Iniciais do Ensino Fundamental foram extremamente relevantes para sua atuação na escolacampo A estagiária percebeu que as aulas de Estágio Supervisionado foram essenciais para que pudesse compreender a 261 necessidade de ser um profissional ético respeitoso e ainda saber cuidar e educar a criança da Educação Infantil conforme deixa explícito em sua fala foi através dessas aulas que tivemos bases de como seria o estágio na escolacampo Ex como agir e tratar os profissionais da escola como ministrar as aulas na escola campo como tratar os pais e os alunos dentro da escola ser ético como cuidar e educar o aluno na sala de aula e como ajudálos em suas dificuldades entre outros Em se tratando dos conteúdos ministrados referentes aos estágios nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental a AE 4 destacou o fato que essa teoria é essencial para atuarmos de forma diferenciada e proporcionar aos nossos alunos um ensino de qualidade Ex como lidar com crianças que tem necessidades especiais como tratar as diferenças encontradas na sala de aula lidar com a indisciplina dos alunos estimulá los a gostar da escola e principalmente de estudar entre outros Nesta perspectiva entendemos que os conteúdos propostos pela disciplina Estágio Supervisionado tanto do 4º período Educação Infantil quanto do 5º período Anos Iniciais do Ensino Fundamental contribuíram de modo satisfatório em vários aspectos para a atuação dos alunos participantes da nossa pesquisa Mesmo que ainda o curso de Pedagogia tenha aspectos falhos Estudos realizados sobre a formação docente nos cursos de licenciatura mostram a legitimidade que estes exercem não apenas pelo diploma que conferem como também pelas atividades e conhecimentos que proporcionam PIMENTA e LIMA 2004 p 66 No entanto em relação a reflexão e pesquisa ainda se mostra frágil no curso pesquisado Salientamos ainda que apesar da percepção positiva dos AEs sobre os conteúdos nossa observação de suas aulas mostrou que há lacunas sérias em relação ao conhecimento dos conteúdos lacunas que poderiam ser suprimidas conforme os autores utilizados nessa pesquisa se o curso bem como o estágio fossem pautados na reflexão e na pesquisa Na sequência de nosso diálogo com os alunos estagiários procuramos saber o que cada um deles julgou que faltou no curso e que deveria ser trabalhado antes do acadêmico ir para o Estágio na escolacampo Para a AE 1 o que faltou foi sem dúvida alguma trabalhar mais a prática como atividades que poderíamos trabalhar com os alunos faltou aprofundar mais nessa questão é muito mais fácil o aluno aprender se ele vivenciar 262 Neste contexto fica evidente que para a AE 1 os modelos deveriam ter sido oferecidos abundantemente Também fica explicitada a necessidade de estreitar a articulação entre a teoria e a prática possibilitando um processo reflexivo aos AEs Faltou trabalhar mais a questão da prática na faculdade nos deparamos muito com a teoria quando chega a hora de vivenciarmos essa teoria através da prática encontramos dificuldades AE 1 Estas dificuldades poderiam ser superadas por meio de um estágio com base na pesquisa PIMENTA e LIMA 2004 e não na imitação de modelos PIMENTA e LIMA 2004 Pimenta externa ainda que vários autores apresentam preocupações quanto ao desenvolvimento de um possível praticismo daí decorrente para o qual bastaria a prática para a construção do saber docente de um possível individualismo fruto de uma reflexão em torno de si própria PIMENTA 2002b p 22 Na análise da AE 2 quando a mesma realizou o estágio em Educação Infantil foi passado o que era necessário mais para nós futuros docente que não temos experiência nenhuma na educação estranhamos Mas creio que foi passado o necessário AE 2 Porém ao vivenciar o estágio nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental a AE 2 modificou sua percepção do estágio anteriormente vivenciado Educação Infantil como podemos observar em sua resposta A meu ver no estágio da educação infantil faltou algumas coisas mas neste estágio não faltou No estágio da Educação Infantil houve algumas dúvidas alguns erros cometidos acredito que houve falhas por ser a primeira experiência no ambiente escolar AE 2 O AE 3 apontou que tanto no estágio em Educação Infantil quanto nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental houve falhas Na Educação Infantil Antes que o aluno fosse para o estágio ele já deveria saber fazer plano de aula e saber também como tratar um aluno que tenha deficiência139 Nos Anos Inicias do Ensino Fundamental Penso que faltou um pouco de 139 De acordo com a Matriz Curricular do Curso de Pedagogia Licenciatura os acadêmicos terão acesso às disciplinas que tratam de crianças com necessidades educacionais especiais após terem realizado os estágios nas escolascampo 7º período A criança desenvolvimento e necessidades especiais 8º período Educação inclusiva e linguagem de sinais 263 ensino de metodologia pois diversas vezes eu pensava mais como será que eu vou fazer para ministrar esse conteúdo AE 3 Na concepção da AE 4 o curso não possibilitou a preparação tanto para lidar com alunos com necessidades educacionais especiais quanto para estabelecer relações pedagógicas com alunos indisciplinados conforme seu depoimento Uma preparação maior para estarmos em sala de aula pois muitas vezes não nos sentimos preparados para atuar na escola principalmente quando encontramos na sala alunos indisciplinados com necessidades especiais entre outros aspectos Esses são aspectos que o curso deveria preparar melhor os acadêmicos para estarem trabalhando em sala de aula com esses alunos Educação Infantil AE 4 Conforme o decreto nº 6571 de 17 de setembro de 2008 ocorrerá um aumento significativo de crianças com necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino o que exigirá ainda mais a qualificação dos profissionais do ensino para trabalhar com estes alunos Ainda de acordo com o referido decreto em seu artigo 9ºA Admitirseá a partir de 1º de janeiro de 2010 para efeito da distribuição dos recursos do FUNDEB140 o cômputo das matrículas dos alunos da educação regular da rede pública que recebem atendimento educacional especializado sem prejuízo do cômputo dessas matrículas na educação básica regular BRASIL 2008 No que diz respeito aos Anos Iniciais do Ensino Fundamental a AE 4 pontuou que a disciplina Estágio Supervisionado não a preparou para dominar os conteúdos que os estagiários ministrariam nas escolascampo Assim para ela faltou Uma preparação maior de algumas disciplinas pois muitas vezes vamos a escolacampo para ministrar aulas AE 4 Novamente a resposta da AE enfatiza o ensino como se fosse possível prever toda a situação de sala de aula Neste sentido enfatizamos novamente o curso baseado na reflexão e pesquisa e não na imitação de modelos PIMENTA e LIMA 2004 Nosso interesse no ponto de vista de cada um dos AEs participantes desta pesquisa não se limitou que os mesmos pontuassem simplesmente as falhas mas que contribuíssem sugerindo mudanças que no entendimento dos AEs qualificariam à futura vivência profissional 140 Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação 264 Na compreensão da AE 1 as aulas deveriam ser mais voltadas à prática Aulas mais dinâmicas focadas na prática onde nós acadêmicos possamos vivenciar mais as disciplinas antes de aplicálas com nossos alunos e em nosso estágio na escolacampo AE 1 Esta compreensão é também defendida pelo AE 3 ao falar da Educação Infantil conforme sua fala A teoria a qual fosse estudada deveria ser mais voltada para a realidade ou seja para o que realmente acontece na escola sendo que feito isso quase não iria haver esse choque entre teoria x prática No contexto dos Anos Inicias do Ensino Fundamental o AE 3 assume a seguinte perspectiva Seria mais importante e satisfatório se todos os acadêmicos já estivessem atuando em sala de aula assim poderiam presenciar na prática toda a teoria apresentada pelo curso Para a AE 2 não bastam as práticas e teorias de estágio A aluna defende que o profissional do ensino se faz ao longo de sua atuação docente ao dizer que o estágio nos ajuda muito mas não podemos ver como seremos na nossa profissão se passarmos de sala em sala Acredito que só saberemos que vamos ser totalmente profissionais quando começarmos numa mesma sala de aula no 1º dia de ano até o final do ano letivo aí sim poderemos tirar nossas conclusões O estágio nos dá uma idéia parcial de como é e como podemos ser mas atuar é a melhor maneira de utilizar a práxis Então o que podemos ressaltar é que o estágio auxilia muito o futuro dos docentes porém somente a realização de algumas aulas não é o suficiente para mostrar como seremos e sim como podemos ser AE 2 Ao falar das mudanças que deveriam ocorrer para que as teorias fossem adequadas para a utilização no cotidiano da escola a AE 4 externou que tanto em relação à Educação Infantil quanto aos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Deveria haver nas aulas teóricas mais realidade a respeito das escolas e de como é o funcionamento das mesmas Se a faculdade nos desse base concreta de como é a realidade da escola e do aluno talvez não tivéssemos tanta dificuldade no estágio e na sala de aula da escolacampo Educação Infantil A partir da observação e da experiência vivenciada na escolacampo pude perceber o quanto o curso de formação de professores deveriam fornecer 265 uma fundamentação teórica associada a realidade das escolas pois isso ajudaria para uma noção mais coerente com a realidade do aluno e da sala de aula Anos Iniciais do Ensino Fundamental AE 4 Entendemos que seja necessário que o curso de Pedagogia Licenciatura possibilite aos AEs a compreensão que A educação enquanto prática social humana é um fenômeno móvel histórico inconcluso que não pode ser captado na sua integralidade senão na sua dialeticidade Ela é transformada pelos sujeitos da investigação que se transformam por ela na sua prática social Cabe aí na práxis do educador realizar o estudo sistemático específico rigoroso dessa prática social como forma de se interferir consistentemente nessa prática social da educação cuja finalidade é a humanização dos homens PIMENTA 2006 p 53 Dando continuidade ao nosso diálogo com os AEs por meio do questionário perguntamos em que aspectos o estágio nas escolascampo colaborou na formação dos mesmos como professores tanto de Educação Infantil quanto de Anos Iniciais do Ensino Fundamental A AE 1 destacou a importância do Estágio Supervisionado na Educação Infantil o fato de ter a possibilidade de ver na prática o que acontece na escola e que o professor de Educação Infantil tem que ter muita desenvoltura AE 1 Ao falar dos aspectos que o estágio nos Anos Inicias do Ensino Fundamental colaborou na sua formação a AE 1 afirmou que enriqueceu muito minha formação através dele pude perceber como é o trabalho do professor do Ensino Fundamental ele me levou a pensar as minhas ações e principalmente o que eu jamais farei em sala de aula AE 1 Percebemos que o Estágio Supervisionado possibilitou à AE 1 a oportunidade de refletir sobre suas ações o que entendemos ser essencial para a formação docente na atualidade A ênfase dada à afetividade no Estágio Supervisionado em Educação Infantil ocorreu por parte da AE 2 uma vez que a mesma afirmou que o estágio colaborou com sua formação no sentido de que ela pode perceber ainda mais que lecionar requer amor dedicação estudo AE 2 266 Ainda de acordo com a AE 2 em se tratando do estágio nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental esta experiência foi de extrema relevância para a minha formação docente mostroume como podemos verificar a diferença de um professor da Educação Infantil e do professor do Ensino Fundamental descobrir qual a habilitação que devemos seguir AE 2 Em seu depoimento a estagiária evidenciou que além de contribuir com sua formação de modo significativo o estágio Supervisionado levoua a perceber as diferentes posturas do professor da Educação Infantil e do professor dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Assim esta acadêmica bem como a AE 1 fez do Estágio Supervisionado possibilidade de reflexão quanto à sua carreira docente Ao falar sobre o que o Estágio Supervisionado em Educação Infantil acrescentou em seus conhecimentos o AE 3 deu destaque à aplicação na prática das teorias estudadas na sala de aula no curso de Pedagogia Licenciatura conforme podemos observar O estágio colaborou de várias formas na minha iniciação científica e docente pois foi nele que tive oportunidade de visualizar e fazer na prática as teorias vistas anteriormente no curso AE 3 Ao analisar as contribuições do Estágio Supervisionado dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental à sua formação o AE 3 evidenciou aspectos que considera negativos na atuação docente conforme registramos em seu depoimento Em muitos aspectos principalmente no que eu não devo fazer enquanto educador pude observar vários acontecimentos deploráveis aos quais guardei comigo somente os ensinamentos depreendidos AE 3 Finalmente mas não menos importante para a AE 4 a vivência do Estágio Supervisionado em Educação Infantil foi essencial para que ela se sentisse capaz de atuar como professora de educação infantil basta querer e estudar para adquirir mais conhecimento e experiência para estar atuando nessa etapa AE 4 Em relação ao Estágio Supervisionado dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental a acadêmica destacou o estágio como uma oportunidade de aprendizagem significativa sendo grande colaborador com a construção da prática docente e que é por meio do estágio que o 267 acadêmico do curso de Pedagogia Licenciatura tem a noção de como será seu trabalho conforme destaca Numa aprendizagem significativa o estágio é responsável pela construção real da nossa prática É através do mesmo que temos base de como é e será nosso trabalho além de contribuir na formação de novos profissionais para estar atuando nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de forma eficaz AE 4 Percebemos por meio dos depoimentos dos AEs que mesmo com os problemas enfrentados o Estágio Supervisionado do curso de Pedagogia Licenciatura do qual os acadêmicos participantes de nossa pesquisa são oriundos permite aos mesmos a conhecerem a vida na escola Entendemos que relacionar a realidade vivenciada pelos sujeitos do processo educativo e as teorias ministradas no curso configura um fator crucial para que o Estágio Supervisionado contribua para a formação docente dos AEs por nós observados Conforme afirmam Pimenta e Lima para que a sala de aula se constitua em espaço de formação dos estagiários é preciso que as aulas sejam consideradas nas realidades em que ocorrem nos contextos institucionais nos quais se situam nos aspectos individuais e pessoais que são manifestados pelos alunos e professores nos saberes de que são portadores em suas experiências e expectativas e em suas finalidades que dizem da construção do conhecimento compartilhado 2004 p 159 Pensamos que a pesquisa efetuada pautouse nesse entendimento pois a desenvolvemos ouvindo observando e refletindo com os diferentes sujeitos envolvidos no Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia 268 CONSIDERAÇÕES FINAIS Não há saber maior ou saber menor Há saberes diferentes Paulo Freire Esta pesquisa foi motivada principalmente no sentido de compreender quais seriam as contribuições do Estágio Supervisionado para a formação do pedagogo atuar na docência Para tanto realizamos a observação da ação dos alunos estagiários em situações de práticas docentes em salas de aula de Educação Infantil e em turmas de Anos Iniciais do Ensino Fundamental Este instrumento de coleta de dados possibilitounos relacionar a formação oferecida aos acadêmicos no Curso de Pedagogia Licenciatura com as práticas pedagógicas desenvolvidas nas escolascampo Outro instrumento não menos importante foi a aplicação de questionários para os acadêmicos participantes da pesquisa Este instrumento oportunizou conhecer as percepções de cada um deles referentes à prática de estágio Ao responder o questionário os acadêmicos manifestaram também suas expectativas e suas frustrações em relação à docência Por meio da realização de entrevistas com as professoras orientadoras do Estágio Supervisionado que acompanham os acadêmicos participantes da nossa pesquisa notouse a necessidade de um profissional formador de professores que contribua mais para o processo formativo de seus alunos e alunas pois a educação está em permanente processo de reconstrução portanto passível de mudanças uma vez que o conhecimento é provisório a prática antecede à teoria cuidase do processo de construção do objeto científico e não há verdades absolutas nem resposta única para nada CUNHA 1996 p 142 Percebemos nas ações das professoras orientadoras de estágio envolvidas nas modalidades de ensino Educação e Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental pesquisadas que estas atuaram recorrendo aos modelos nas suas aulas 148 Acreditamos que a ação pedagógica efetivada por meio da pesquisa e da reflexão crítica sobre suas práticas qualificará o processo de formação docente Para lembrar Tardif 2008 p 276 já é tempo de os professores universitários da educação começarem também a realizar pesquisas e reflexões críticas sobre suas próprias práticas de ensino Pensamos que seria desejável que o Plano de Curso dos estagiários fosse elaborado com a colaboração do professor de estágio do aluno estagiário e da professora titular da sala de aula onde acontecerá a prática de estágio e tendo como referência os alunos e alunas com os quais trabalharão o processo educativo Nossa pesquisa seria incompleta se desprezássemos o PPP do Curso de Pedagogia Licenciatura Assim o Projeto Político Pedagógico do curso esteve presente durante o processo de análise O estágio configura para muitos a primeira experiência da prática docente como foi o caso dos alunos pesquisados nesta dissertação Dessa forma durante o processo de formação os acadêmicos necessitam compreender como trabalhar com crianças para que todas elas sejam respeitadas em seu direito à educação É por isso que transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano na sic exercício educativo o seu caráter formador FREIRE 2002 p 37 Com a nossa pesquisa observamos que durante o Estágio Supervisionado em Educação Infantil os alunos participantes da pesquisa supervalorizaram a quantidade de conteúdos se preocupando em repassar aos alunos muitas informações e vários conceitos em um espaçotempo restrito Ressaltamos que nosso objetivo não foi o de encontrar culpados para os problemas envolvidos na formação docente Nossas reflexões pretendem contribuir para que os estudos voltados ao Estágio Supervisionado na formação do Pedagogo possam ao menos vilusmbrar um caminho para a superação dos tantos obstáculos que os cursos de Pedagogia Licenciatura necessitam vencer para que possam formar professores que atuem numa postura reflexiva na sala de aula seja na Educação Infantil seja nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Acreditamos que somente por meio da constante reflexão e pesquisa o pedagogo terá condições de trabalhar com o aluno real numa sociedade em que as mudanças ocorrem numa velocidade cada vez maior O Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental precisa ser repensado É preciso dar maior ênfase à reflexão e à pesquisa uma vez que se faz necessário uma sólida e consistente 149 formação teórica que associada a uma reflexão sobre e a partir da prática dos educadores é indispensável para a formação crítica do futuro profissional da educação e do ensino CARDIERI ROSA 2009 p 625 Em nossas observações o autoritarismo fezse presente em diversas situações tanto durante as práticas de estágio nas escolas de Educação Infantil como nas escolas de 1º ao 3º ano nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Já com os alunos do 4º e 5º anos houve momentos em que os AEs utilizaram dos conteúdos para impor sua autoridade mas muitas vezes não tinham domínio dos conteúdos que estavam ministrando Assim ora mostravamse inseguros ora eram disciplinadores Todos os AEs tiveram uma postura mais próxima à tentativa de imitação eou instrumentalização técnica PIMENTA e LIMA 2004 Isso nos mostra a necessidades da academia se aproximar da realidade que os AEs irão atuar Este caminho como defendemos ao longo deste trabalho ocorrerá por meio da reflexão e pesquisa Assim a partir daí a pesquisa partirá de um problema prático para salvaguardar a conjugação adequada entre teoria e prática e para substituir a idéia obsoleta de estágio sendo que esta prática será profissional PPP 2007 p 87 Apesar da postura mais próxima da imitação eou da instrumentalização técnica percebemos também não só o desejo dos estudantes em construir constantemente novas práticas pedagógicas bem como dos professores orientadores de estágio Para tanto acreditamos que o ensino a partir da pesquisa permite ao docente vivenciar diversidade de conhecimentos e práticas reconhecer algumas das muitas relações de poder que se estabelecem no interior das instituições olhar criticamente para a sua realidade profissional e refletir sobre as políticas da educação formal lócus de seu exercício profissional VASCONCELLOS BERBEL OLIVEIRA 2009 p 616 Acreditamos ainda que o curso de Pedagogia Licenciatura poderia abordar questões que estão presentes no cotidiano da escola tais como cultura religião raça gênero dentre outros E ainda há discussões que antecedem o estágio tais como discussões referentes à educação especial multiculturalismo jogos e recreações Nossa pesquisa mostrou que é preciso maior apoio pedagógico das professoras orientadoras de estágio bem como dos professores do curso de Pedagogia Licenciatura pois em diversos momentos os AEs sentiramse desamparados Concordamos com Pimenta e Almeida não basta a pesquisa para formar profissionais reflexivos é preciso conjugar o espaço da academia com o local em que ocorre a prática pedagógica e desenvolver mecanismos específicos para análise das práticas estudo de caso entre outros O diálogo entre iniciantes experientes e professores formadores possibilitará a articulação entre a teoria e a prática ou seja a prática reflexiva em ação 2009 p 47 Mostrou ainda que os conteúdos específicos das diferentes áreas de conhecimento necessitam ser trabalhados também na perspectiva da pesquisa já que a pesquisa ensina porque é uma das possibilidades de estabelecer relações sociais de aprender com o outro VASCONCELLOS BERBEL OLIVEIRA 2009 p 615 Em vários momentos percebemos que os AEs não souberam lidar com suas limitações e se inclinaram para atitudes autoritárias por não reconhecerem que os limites e o conhecimento são componentes do ser professor do ser gente para lembrar Freire Portanto percebemos se a reflexão e pesquisa estivessem presentes ao longo do curso de formação doas pedagogoas o não saber seria encarado como possibilidade de saber mais ou ainda de resignificar os conteúdos trabalhados Emergiram no nosso campo de pesquisa situações que mostram diferenças dos discursos dos acadêmicos estagiários e a realidade dos alunos Enquanto os AEs ministravam conteúdos descontextualizados como meios de transporte aéreo e aquático havia crianças que identificavam outros meios de locomoção mas que não tinham a atenção dos acadêmicos estagiários Este fato pode ser ilustrado conforme registro nas páginas 79 e 80 Ainda podemos citar os meios de comunicação da página 74 até a 77 Neste sentido lembramos que Não podemos afirmar que não ocorram aprendizagens mas o que está em jogo nos processos de escolarização é muito mais do que os saberes que são ensinados é a própria subjetivação dos sujeitos Que alunos estamos produzindo Que lugares estamos privilegiando para esses alunos e sua comunidade escolar FABRIS 2010 p 9 Destacamos também algumas contradições presentes no curso de Pedagogia Licenciatura tais como sequência e coerência das disciplinas por período Exemplificamos esta constatação com as disciplinas que tratam de crianças com necessidades educacionais especiais que estão programadas para serem ministradas no 7º período disciplina A criança desenvolvimento e necessidades especiais e no 8º período disciplina Educação inclusiva e 153 linguagem de sinais Os acadêmicos realizam suas práticas de estágio nas escolascampo durante o 4º e o 5º período todavia as escolas tanto de Educação Infantil quanto dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental onde os alunos realizam o estágio recebem crianças com e sem necessidades educacionais especiais portanto os AEs desenvolvem seu estágio sem as reflexões teóricas sobre como atuar em sala de aula na perspectiva de acolher todos os alunos A disciplina Novas Tecnologias da Educação é oferecida aos acadêmicos do curso de Pedagogia Licenciatura no 1º período do curso no entanto ao nos depararmos com situações em que os acadêmicos estagiários tiveram que lidar com as TICs68 percebemos que as dificuldades para interagir com as novas tecnologias não serão superadas num único semestre ou ano letivo conforme Kenski afirma Não é uma disciplina isolada que vai resolver esse milagre não é uma disciplina datada apartada do projeto político pedagógico como todo e não for incorporada nas diferentes disciplinas nós vamos ter problemas de uso dessa tecnologia dentro das escolas KENSKI 2009 sp Para finalizar salientamos que apesar de reconhecer várias contribuições dessa pesquisa para a minha formação e para a qualificação do estágio no Curso de Pedagogia pesquisado entendemos que há ainda um conjunto de pesquisas a serem feitas para que o Estágio Supervisionado possa de fato se dar em uma perspectiva de reflexão e pesquisa 68 Como podemos ilustrar com a situação em que a AE 2 não soube orientar um aluno sobre a grafia da palavra laptop ver página 76 desta dissertação e à página 75 quando o aluno critica o telefone de discar que a estagiária levou para a sala e mostrou a ela o seu aparelho de telefone celular 154 REFERÊNCIAS ALARCÃO Isabel Professores reflexivos em uma escola reflexiva 6 ed São Paulo Cortez 2008 Coleção Questões da Nossa Época v 104 ALVES Gisele Morilha TEIXEIRA Leny Rodrigues Martins SANTOS Lindomar Barros dos Conceito de ilha o processo de compreensão dos alunos do ensino fundamental de uma escola da rede municipal de ensino de Campo GrandeMS Disponível em httpwwwalbcombranais17txtcompletossem20COLE914pdf Acesso 05032010 ANDRÉ Marli Eliza Dalmazo Afonso de Etnografia da prática escolar 12 ed Campinas Papirus 2005a Série Prática Pedagógica Estudo de caso em pesquisa e avaliação educacional Brasília Líber Livro Editora 2005b Série e Pesquisa vol 13 ANNIBAL Sérgio Fabiano A formação docente e o gerenciamento do cotidiano escolar In PINHO Sheila Zambello de Org Formação de educadores o papel do educador e sua formação São Paulo Editora UNESP 2009 AQUINO Julio Groppa Do cotidiano escolar ensaios sobre a ética e seus avessos São Paulo Summus 2000 ARANHA Maria Lúcia de Arruda História da educação 2 ed São Paulo Moderna 1996 ARAUJO José Carlos de Souza Disposição da aula os sujeitos entre a tecnia e a polis In VEIGA Ilma Passos Alencastro Org Aula gênese dimensões princípios e práticas Campinas Papirus 2008 Coleção Magistério Formação e trabalho Pedagógico ARROYO Miguel G Imagens quebradas trajetórias e tempos de alunos e mestres 4 ed Petrópolis Vozes 2007 AUSUBEL David P NOVAK Joseph D HANESIAN Helen Encuentro Internacional sobre El Aprendizaje Significativo Burgos España 1519 de septiembre 1997 BELLO I M Formação profissionalidade e prática docente relatos de vida de professores São Paulo Editora Arte e Ciência 2002 BRASIL Lei no 4024 de 20 de dezembro de 1961 Fixa Diretrizes e Bases da Educação Nacional Brasília Ministério da Educação e Cultura 1962 Lei no 5692 de 11 de agosto de 1971 Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1 e 2º graus e dá outras providências Brasília Ministério da Educação e Cultura Lei n 939496 de 20 de dezembro de 1996 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Brasília Congresso Nacional 1996 Portaria Ministerial nº 438 de 28 de Maio de 1998 Institui o Exame Nacional do Ensino Médio ENEM como procedimento de avaliação do desempenho do aluno Brasília 1998 Lei nº 10436 de 24 de abril de 2002 Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais Libras e dá outras providências Brasília 24 de abril de 2002 Lei nº 11788 de 25 de setembro de 2008 Dispõe sobre o estágio de estudantes altera a redação do art 428 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT aprovada pelo DecretoLei no 5452 de 1o de maio de 1943 e a Lei no 9394 de 20 de dezembro de 1996 revoga as Leis nos 6494 de 7 de dezembro de 1977 e 8859 de 23 de março de 1994 o parágrafo único do art 82 da Lei no 9394 de 20 de dezembro de 1996 e o art 6o da Medida Provisória no 216441 de 24 de agosto de 2001 e dá outras providências Brasília Congresso Nacional 2008 Ministério da Educação Conselho Nacional de Educação Conselho Pleno Parecer CNECEB n 012003 de 19022003 consulta sobre formação de profissionais para a Educação Básica Resolução Conselho Nacional de Educação CP nº 2 de 19 de fevereiro de 2002 Diário Oficial da União Brasília 4 de março de 2002 Seção 1 p 9 Lei nº 11096 de 13 de janeiro de 2005 Institui o Programa Universidade para Todos PROUNI regula a atuação de entidades beneficentes de assistência social no ensino superior altera a Lei no 10891 de 9 de julho de 2004 e dá outras providências Brasília DF 3 de janeiro de 2005 Disponível em httpportalmecgovbrindexphpoptioncomcontentviewarticleid205Itemid298 acesso 25012010 Resolução Conselho Nacional de Educação CP nº 1 de 15 de maio de 2006 Diário Oficial da União Brasília 16 de maio de 2006 Seção 1 p 11 Resolução Conselho Nacional de Educação CP nº 2 de 18 de junho de 2007 Republicada no DOU de 17092007 Seção 1 pág 23 por ter saído no DOU de 19062007 Seção 1 pág 6 com incorreção no original Decreto Nº 6571 DE 17 DE SETEMBRO DE 2008 Dispõe sobre o atendimento educacional especializado regulamenta o parágrafo único do art 60 da Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 e acrescenta dispositivo ao Decreto nº 6253 de 13 de novembro de 2007 Brasília 17 de setembro de 2008 LEI Nº 39782000 de 27 de junho de 2000 Institui o Estatuto Cria Plano de Carreira seus cargos fixa valores de vencimentos e salários do Magistério da Secretaria 163 Municipal de Educação e dá outras providências Rio Verde GO Secretaria Municipal de Educação 2000 BURIOLLA Marta Alice Feiten O estágio supervisionado 6 ed São Paulo Cortez 2009 CAJAL Irene Baleroni A interação de sala de aula como o professor reage às falas iniciadas pelos alunos In COX Pagliarini Maria Inês ASSISPETERSON Ana Antônia de Org Cenas de sala de aula Campinas Mercado de Letras 2001 Coleção Idéias sobre Linguagem CAMBI Franco História da pedagogia São Paulo Editora da UNESP 1999 CARNEIRO Moaci Alves LDB fácil leitura críticocompreensiva artigo a artigo Petrópolis Vozes 1998 CARDIERI Elisabete ROSA Sanny Silva da Processo de pesquisa e formação de educadores reflexões a partir do curso de Pedagogia Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos Brasília v 90 n 226 p 624635 setdez 2009 CASTRO Magali de A formação de professores e gestores para os anos iniciais da educação básica das origens às diretrizes curriculares nacionais Revista Brasileira de Política e Administração da Educação RBPAEAssociação Nacional de Política e Administração da Educação Editora Maria Beatriz Luce Porto Alegre ANPAE 2007 v 23 n 2 p 199227 CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO ALMEIDA RODRIGUES Projeto Político Pedagógico Disponível em httpwwwfaculdadefarcombrdiversosprojetopedagogicoisearpdf Acesso 26112009 Manual de estágio Rio Verde 2007 CONTRERAS José A autonomia dos professores Tradução de Sandra Trabucco Valenzuela revisão técnica apresentação e notas à edição brasileira Selma Garrido Pimenta São Paulo Cortez 2002 CUNHA Maria Isabel da O bom professor e sua prática Campinas Papirus 1989 Relações ensinopesquisa In VEIGA I P A Org Didática o ensino e suas relações Campinas Papirus 1996 Pp 115126 A relação professoraluno In VEIGA Ilma Passos Alencastro coordenadora Repensando a didática 21 ed Campinas Papirus 2004 CURY Carlos Roberto Jamil Estágio supervisionado na formação docente In LISITA Verbena Moreira S de S SOUSA Luciana Freire E C P Org Políticas educacionais práticas escolares e alternativas de inclusão escolar Rio de Janeiro DPA 2003 DENARI Fátima Um novo olhar sobre a formação do professor de educação especial da segregação à inclusão In RODRIGUES David Org Inclusão e educação doze olhares sobre a educação inclusiva São Paulo Summus 2006 164 DEZ MÉTODOS PEDAGÓGICOS DE LA SALLE Documento eletrônico Disponível em httpwwwlasalledfcombrescolalasalle acesso 20032009 DUARTE Sérgio Guerra Dicionário brasileiro de educação Rio de Janeiro AntaresNobel 1986 FABRIS Profa Dra Elí T Henn A realidade do aluno como imperativo pedagógico práticas pedagógicas de inexclusão Anais do XV ENDIPE Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino Convergências e tensões no campo da formação e do trabalho docente políticas e práticas educacionais Belo Horizonte 2010 FERREIRA Aurélio Buarque de Holanda Miniaurélio o minidicionário da língua portuguesa 6 ed ver atualiz Curitiba Positivo 2004 FRANCO Maria Amélia do Rosário Santoro Pedagogia como ciência da educação 2 ed rev ampl São Paulo Cortez 2008 FRANCO Maria Amélia Santoro LIBÂNEO José Carlos PIMENTA Selma Garrido Elementos para a formulação de diretrizes curriculares para cursos de pedagogia Cadernos de Pesquisa v 37 nº 130 p 6397 janabr 2007 FREIRE P Pedagogia do oprimido 17 ed Rio de Janeiro Paz e Terra 1987 Pedagogia da autonomia saberes necessários à prática educativa São Paulo Paz e Terra 1996 Política e educação ensaios 5 ed São Paulo Cortez 2001 Coleção Questões da Nossa Época v 23 Pedagogia da autonomia saberes necessários à prática educativa 23 ed São Paulo Paz e Terra 2002 FREIRE Paulo GUIMARÃES Sérgio Sobre Educação Diálogos Volume I Paz e Terra Disponível em http20013210312repositorioadmindownloadsSergioGuimaraespdf Acesso em 12 de maio de 2010 GADOTTI Moacir Concepção dialética da educação um estudo introdutório 11 ed São Paulo Cortez 2000 GARCIA R L Em defesa da educação infantil Rio de Janeiro DPA 2002 GENTILI Pablo A A e SILVA Tomaz Tadeu da Org Neoliberalismo qualidade total e educação Petrópolis Vozes 2001 Pedagogia da exclusão crítca neoliberalismo em educação Petrópolis Vozes 1995 GIL Antônio Carlos Como elaborar projetos de pesquisa 4 ed São Paulo Atlas 2007 GIROUX H Escola crítica e política cultural São Paulo Cortez 1987 165 Os professores como intelectuais rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem Porto Alegre Artmed 1997 GROSSI Esther Pillar Org Por que ainda há quem não aprende A Política São Paulo Paz e Terra 2004 GUIMARÃES Célia Maria Aplicabilidade das representações sociais ao estudo de fenômenos educacionais mudar as práticas de formação para mudar as práticas educativas do profissional de Educação Infantil In GUIMARÃES Célia Maria Org Perspectivas para educação infantil Araraquara JunqueiraMarin 2005 HEMGEMÜHLE Adelar Formação de professores da função de ensinar ao resgate da educação Petrópolis Vozes 2007 HISTÓRIA DO MUNDO Préhistória características e divisões Disponível em httpwwwhistoriadomundocombrprehistoriatextoprehistoria acesso em 25052009 HORA Dinair Leal da Gestão democrática na escola na escola artes e ofícios da participação coletiva 14 ed Campinas Papirus 2006 KENSKI Vani Moreira A vivência escolar dos estagiários e a prática de pesquisa em estágios supervisionados In PICONEZ Stela C Bertholo Org A prática de ensino e o estágio supervisionado 9 ed Campinas SP Papirus 1991 Tecnologias digitais na educação Entrevista Salto para o futuro 2009 Disponível em httpwwwtvbrasilorgbrsaltoparaofuturoentrevistaaspcodEntrevista67 Acesso em 12 de maio de 2010 KISHIMOTO Tizuko Morchida Formação do professor de educação infantil no curso de pedagogia In PINHO Sheila Zambello de Org Formação de educadores o papel do educador e sua formação São Paulo Editora UNESP 2009 KRAMER Sonia Org Com a préescola nas mãos uma alternativa curricular para a educação infantil 9 ed São Paulo Ática 1995 Educação em ação ole Com a préescola nas mãos uma alternativa curricular para a educação infantil 14 ed São Paulo Ática 2009 Educação em ação KUHLMANN JR Moysés Educação infantil e currículo In FARIA Ana Lúcia Goulart de PALHARES Marina Silveira Org Educação infantil pósLDB rumos e desafios 2 ed São Carlos UFSCAR 2000 KULCSAR Rosa O estágio supervisionado como atividade integradora In PICONEZ Stela C Bertholo Org A prática de ensino e o estágio supervisionado 9 ed Campinas SP Papirus 1991 LIBÂNEO José Carlos Didática São Paulo Cortez 1994 Coleção Magistério Série formação do professor 166 Pedagogia e pedagogos para quê São Paulo Cortez 2002 Adeus Professor Adeus Professora Novas exigências educacionais e profissão docente São Paulo Cortez 1998 LIBÂNEO José Carlos FREITAS Raquel A M da M Vygotsky Leotiev Davídov contribuições da teoria históricocultural para a didática In SILVA C C SUANNO M R V Org Didática e interfaces Rio de JaneiroGoiânia Deescubra 2007 LIBÂNEO José Carlos PIMENTA Selma Garrido Formação de profissionais da educação visão crítica e perspectiva de mudança Educação Sociedade ano XX nº 68 Dezembro1999 LUDKE Menga ANDRÉ Marli E D A Pesquisa em educação abordagens qualitativas São Paulo EPU 1986 MIRANDA Maria Irene Ensino e pesquisa o estágio como espaço de articulação In SILVA Lázara Cristina MIRANDA Maria Irene O estágio supervisionado e prática de ensino desafios e possibilidades Araraquara JunqueiraMarin Belo Horizonte FAPEMIG 2008 MONROE Paul História da educação 6 ed São Paulo Nacional 1983 MOREIRA Antonio Flavio CANDAU Vera Maria Org Multiculturalismo diferenças culturais e práticas pedagógicas Petrópolis Vozes 2008 NASCIMENTO Anelise et alli Vai ter futebol Interações sociais na educação infantil em escolas de ensino fundamental In KRAMER Sonia Org Retratos de um desafio crianças e adultos na educação infantil São Paulo Ática 2009 Educação em ação NASCIMENTO Anelise et alli Na construção de uma profissão inquietações e desafios nos relatos dos professores conquistas e ambigüidades da educação infantil In KRAMER Sonia Org Profissionais da educação infantil gestão e formação São Paulo Ática 2005 Educação em ação Na construção de uma profissão inquietações e desafios educar e cuidar muito além da rima In KRAMER Sonia Org Profissionais da educação infantil gestão e formação São Paulo Ática 2005 Educação em ação O ARQUIVO NACIONAL E A HISTÓRIA LUSOBRASILEIRA Festas coloniais Disponível em httpwwwhistoriacolonialarquivonacionalgovbrcgicgiluaexesysstarthtminfoid347 sid57tplprinterview acesso em 30052009 OLIVEIRA Marta Kohl Vygotsky e o processo de formação de conceitos In LA TAYLLE Yves OLIVEIRA Marta Kohl DANTAS Heloysa Piaget Vygostsky Wallon teorias psicogenéticas em discussão 20 ed São Paulo Summus 1992 OLIVEIRA Regina Tereza Cestari de Política de formação de professores dos anos 1990 aos dias atuais In GRIGOLI Josefa Aparecida Gonçalves OLIVEIRA Regina Tereza 167 Cestari de Org Formação de professores políticas gestão e práticas Campo Grande UCDB Brasília Plano 2006 p 1332 Série Educação em Movimento 5 OSTETTO Luciana Esmeralda O estágio curricular no processo de tornarse professor In OSTETTO Luciana Esmeralda Org Educação infantil saberes e fazeres da formação de professores Campinas Papirus 2008 Coleção Ágere PADILHA Paulo Roberto Planejamento dialógico como construir o projeto político pedagógico da escola São Paulo Cortez Instituto Paulo Freire 2001 Guia da escola cidadã v 7 PAIM Antônio História das idéias filosóficas no Brasil São Paulo Grijalbo 1967 PICONEZ Stela C Bertholo A prática de ensino e o estágio supervisionado a aproximação da realidade escolar e a prática da reflexão In A prática de ensino e o estágio supervisionado 9 ed Campinas SP Papirus 1991 p 1532 PIMENTA Selma Garrido O estágio na formação de professores unidade teoria e prática 5 ed São PauloCortez 2002a Por que traduzir o livro La autonomia Del profesorado In CONTRERAS José A autonomia dos professores Tradução de Sandra Trabucco Valenzuela revisão técnica apresentação e notas à edição brasileira Selma Garrido Pimenta São Paulo Cortez 2002 Professor reflexivo construindo uma crítica In PIMENTA Selma Garrido GHEDIN Evandro Org Professor reflexivo no Brasil gênese e crítica de um conceito 2 ed São Paulo Cortez 2002b Panorama atual da didática no quadro das ciências da educação educação pedagogia e didática In PIMENTA Selma Garrido Pedagogia ciência da educação Coordenadora 5 ed São Paulo Cortez 2006 A análise crítica das contradições presentes na escola pode nos ajudar a transformála num espaço de formação ampliada In COSTA Marisa Vorraber A escola tem futuro Org 2 ed Rio de Janeiro Lamparina 2007 O estágio como práxis na formação do professor um estudo sobre o estágio nos cursos de magistério de 2º grau desenvolvidos nos centros de formação e aperfeiçoamento do magistério CEFAM Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos Brasília v 74 p 185250 janabr 1993 PIMENTA Selma Garrido ANASTASIOU Léa das Graças Camargos Docência no ensino superior 2 ed São Paulo Cortez 2005 Coleção Docência em Formação PIMENTA Selma Garrido ALMEIDA Maria Isabel de Programa de formação de professores USP In PINHO Sheila Zambello de Org Formação de educadores o papel do educador e sua formação São Paulo Editora UNESP 2009 PIMENTA Selma Garrido LIMA Maria Socorro Lucena Estágio e Docência São Paulo Cortez 2004 168 PROFORMAÇÃO PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM EXERCÍCIO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA SEED Disponível em httpproformacaoproinfomecgovbrapresentacaoasp Acesso 30052009 RAYS Oswaldo Alonso A relação teoriaprática na didática escolar crítica InVEIGA Ilma Passos Alencastro Org Didática o ensino e suas relações Campinas Papirus 1996 Coleção Magistério Formação e trabalho Pedagógico RIBEIRO Maria Luisa Santos História da educação brasileira a organização escolar 17 ed rev e ampl Campinas Autores Associados 2001 Coleção memória da educação ROCHA Simone Albuquerque GARSKE Lindalva Maria Novais O estágio curricular na formação de professores uma proposta em discussão In ROCHA Simone Albuquerque Org Formação de professores e práticas em discussão Cuiabá EdUFMT 2008 ROCHA Simone Albuquerque de A pesquisa como eixo norteador do estágio supervisionado na formação docente In ROCHA Simone Albuquerque Org Formação de professores e práticas em discussão Cuiabá EdUFMT 2008 ROCHA Simone Albuquerque de ULHOA André Estágio supervisionado do curso de pedagogia e contribuições para o desenvolvimento profissional da docência como tema gerador In ROCHA Simone Albuquerque Org Formação de professores e práticas em discussão Cuiabá EdUFMT 2008 RODRIGUES Disnah Barroso MENDES SOBRILHO José Augusto A formação de professores no Brasil aspectos históricos In MENDES SOBRILHO José Augusto CARVALHO Marlene Araújo Org Formação de professores e práticas docentes olhares contemporâneos Belo Horizonte Autêntica 2006 ROSA Maria da Glória de A história da educação através de textos 12 ed São Paulo Cultrix 1999 ROSA Cristina Dias LOPES Elisandra Silva Aventuras de viver conviver e aprender com as crianças In OSTETTO Luciana Esmeralda Org Educação infantil saberes e fazeres da formação de professores Campinas Papirus 2008 Coleção Ágere SANTOS Liliane Silva SCHLUNZEN Elisa Tomoe Moriya Análise do uso das novas tecnologias na educação uma nova ferramenta pedagógica 2007 Disponível em httpintertemasunitoledobrrevistaindexphpETICarticleview15581485 Acesso em 12 de maio de 2010 SAVIANI Dermeval Educação socialista pedagogia históricocrítica e os desafios da sociedade de classes In LOMBARDI José Claudinei SAVIANI Dermeval Org Marxismo e educação debates contemporâneos Campinas Autores Associados Histedbr 2005 A pedagogia no Brasil história e teoria Campinas Autores Associados 2008a Coleção memória da educação História das idéias pedagógicas no Brasil 2 ed rev e ampl Campinas Autores Associados 2008b Coleção memória da educação 169 Formação de professores aspetos históricos e teóricos do problema no contexto brasileiro Revista brasileira de educação Campinas Autores Associados JanAbr 2009 v 14 n 40 p 143155 2009a O espaço acadêmico da pedagogia no Brasil perspectiva histórica Paidéia 2004 vol 14 n 28 pág 113 124 Disponível em httpwwwscielobrpdfpaideiav14n2802pdf acesso 20032009 SILVA Rejane Maria Ghisolfi da SCHNETZLER Roseli Pacheco Estágios um estudo empírico lusobrasileiro In SILVA Lázara Cristina MIRANDA Maria Irene O estágio supervisionado e prática de ensino desafios e possibilidades Araraquara JunqueiraMarin Belo Horizonte FAPEMIG 2008 SILVA Edileuza Fernandes da A aula no contexto histórico In VEIGA Ilma Passos Alencastro Org Aula gênese dimensões princípios e práticas Campinas Papirus 2008 Coleção Magistério Formação e trabalho Pedagógico TARDIF Maurice Saberes Profissionais dos Professores e Conhecimentos Universitários Revista Brasileira de Educação ANPED N13 2000 P524 Saberes docentes e formação profissional 9 ed Petrópolis Vozes 2008 TEIXEIRA Mariluce Badre Tornarse aluno o aprendizado da etiqueta escolar em uma sala da préescola In In COX Pagliarini Maria Inês ASSISPETERSON Ana Antônia de Org Cenas de sala de aula Campinas Mercado de Letras 2001 Coleção Idéias sobre Linguagem TRIVIÑOS Augusto N S Introdução à pesquisa em ciências sociais a pesquisa qualitativa em educação 17 reimpressão São Paulo Atlas 2008 VASCONCELOS Maria Lucia Marcondes Carvalho BRITO Regina Helena Pires de Conceitos de educação em Paulo Freire Petrópolis Vozes São Paulo Mack Pesquisa Fundo Mackenzie de Pesquisa 2006 VASCONCELLOS Maura M M BERBELNeusi A N OLIVEIRA Cláudia C Formação de professores o desafio de integrar estágio com ensino e pesquisa na graduação Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos Brasília v 90 n 226 p 609623 setdez 2009 WESCHENFELDER Ignácio Lúcio João Batista de La Salle história e passos de uma construção socioeducacional In RANGEL Mary Org WESCHENFELDER Ignácio Lúcio fsc A didática a partir da pedagogia de La Salle Petrópolis Vozes 2006 XAVIER Maria Elizabete Sampaio Prado RIBEIRO Maria Luisa Santos NORONHA Olinda Maria História da educação a escola no Brasil São Paulo FTD 1994 Coleção Aprender Ensinar XAVIER Odiva Silva FERNANDES Rosana César de Arruda A aula em espaços não convencionais In VEIGA Ilma Passos Alencastro Org Aula gênese dimensões princípios e práticas Campinas Papirus 2008 Coleção Magistério Formação e trabalho Pedagógico 170 ZABALA Antoni A prática educativa como ensinar Tradução Ernani F da F Rosa Porto Alegre Artmed 1998 ZANINI Juliana Quint dos Santos LEITE Rachel Winz Sobre afetividade e construção de vínculos na educação infantil experiência de estágio com crianças de três e quatro anos In OSTETTO Luciana Esmeralda Org Educação infantil saberes e fazeres da formação de professores Campinas Papirus 2008 Coleção Ágere 171 APÊNDICES Apêndice 1 Observação em turmas de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental 1 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Acadêmica o Escola Municipal EMEIEMEF Total de alunos Masculino Feminino Faixa etária Turma 2 Atividade proposta conteúdo 3 Organização e utilização do espaço da sala de aula aspecto físico e pedagógico 4 Atividades da o Estagiária o com as crianças da turma em relação as ações de acolhida atividades de rotina e despedida momento de socialização 5 Como se desenvolve as atividades em sala de aula 51 De que forma propõe as atividades 52 Dialoga com as crianças 53 Chama as crianças pelo nome 54 Estabelece regras 6 Utilização dos recursos didáticos tempo elaboração confecção de materiais técnicas utilizadas 7 De que forma o lúdico brincadeiras e jogos esta presente na prática pedagógica da o estagiária o 8 Atividades para a realização da avaliação das ações realizadas em sala de aula 9 Destaques da prática docente da o Estagiária o 91 Positivos 92 Negativos 174 Apêndice 2 Questionário com acadêmico do curso de Pedagogia Licenciatura educação infantil 01 Estagiário a Período Sexo M F Idade Trabalhofunção 02 Por que você escolheu o curso de Pedagogia 03Comente as aulas ministradas por você na escolacampo Considerando os seguintes aspectos a A elaboração do plano de aula b O material utilizado recursos didáticos c O metodologia utilizada técnicas aplicadas d Atividades extraclasse e Interação com as crianças f Relacionamento com a professora da sala de aula da escolacampo 04Os conteúdos ministrados na escolacampo foram selecionados por quem Quais os critérios para essa seleção Você concorda com essa escolha Justifique suas respostas 05Qual o principal problemadificuldade você encontrou na realização do Estágio na escola campo Como você buscou resolver esse problemadificuldade 175 06 Em quais situações da prática escolacampo você utilizou teoriasconteúdo ministrado no curso em sua atuação na sala de aula de Educação Infantil Cite exemplos 07 Os conteúdos ministrados nas aulas de Estágioteoria ajudaram na sua atuação na sala de aula na escolacampo Cite exemplos 71O que você julga que faltou no curso e que deveria ser trabalhado antes do acadêmico ir para o Estágio na escolacampo 72 Que mudanças você entende que deveria haver para que a teoria estudada no curso fosse mais adequada para a aplicação na prática na sala de aula da escolacampo 08 Na sua avaliação em quais aspectos o Estágio na escolacampo colaborou na sua formação como professor de Educação Infantil 09 Em quais aspectos a escola o professor e o aluno da escolacampo são diferentes ou iguais do que você estudou no curso Justifique sua resposta e se possível dê exemplos 176 10 Cite um momento positivo e negativo e um na realização do seu Estágio na escola campo de Educação Infantil 177 Apêndice 3 Questionário com acadêmico do curso de Pedagogia Licenciatura anos iniciais do ensino fundamental 20091 01 Estagiário a Período Sexo M F Idade Trabalhofunção 02 Por que você escolheu o curso de Pedagogia 03Comente as aulas ministradas por você na escolacampo Considerando os seguintes aspectos a A elaboração do plano de aula b O material utilizado recursos didáticos c O metodologia utilizada técnicas aplicadas d Atividades extraclasse e Interação com as crianças f Relacionamento com a professora da sala de aula da escolacampo 04Os conteúdos ministrados na escolacampo foram selecionados por quem Quais os critérios para essa seleção Você concorda com essa escolha Justifique suas respostas 05Qual o principal problemadificuldade você encontrou na realização do Estágio na escola campo Como você buscou resolver esse problemadificuldade 178 06 Em quais situações da prática escolacampo você utilizou teoriasconteúdo ministrado no curso em sua atuação na sala de aula de Anos Iniciais do Ensino Fundamental Cite exemplos 07 Os conteúdos ministrados nas aulas de Estágioteoria ajudaram na sua atuação na sala de aula na escolacampo Cite exemplos 71O que você julga que faltou no curso e que deveria ser trabalhado antes do acadêmico ir para o Estágio na escolacampo 72 Que mudanças você entende que deveria haver para que a teoria estudada no curso fosse mais adequada para a aplicação na prática na sala de aula da escolacampo 08 Na sua avaliação em quais aspectos o Estágio na escolacampo colaborou na sua formação como professor de Anos Iniciais do Ensino Fundamental 09 Em quais aspectos a escola o professor e o aluno da escolacampo são diferentes ou iguais do que você estudou no curso Justifique sua resposta e se possível dê exemplos 10 Cite um momento positivo e negativo e um na realização do seu Estágio na escola campo de Anos Iniciais do Ensino Fundamental 179 11 Na sua avaliação em quais aspectos o Estágio de Educação Infantil difere dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Justifique sua resposta e se possível dê exemplos 180 Apêndice 4 Questionário aplicado às professoras orientadoras do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura 20082 E 20091 01 Nome 02 sexo M F Idade 03 Formação a Nível médio Qual b Nível superior Qual quais Início Término 04 Experiência profissional na área da educação Função e período de atuação 05 Regência de sala na educação básica Nível de ensino Série Início Término 06 Regência de sala na educação superior Disciplinas ministradas e período letivo 181 Apêndice 5 Entrevista realizada com as professoras orientadoras do Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia Licenciatura 20082 E 20091 1 Quais são as referências que você utiliza para preparar as suas aulas 2 Ao elaborar o plano de curso da disciplina de estágio supervisionado do período em que ministrará a disciplina citada como as outras disciplinas são consideradas Se possível exemplifique 3 A disciplina Estágio Supervisionado colabora com as demais disciplinas do curso Em quais aspectos 4 Como ocorre a escolha da escolacampo onde acontece a prática do Estágio Supervisionado Você participa desta escolha Como 5 Quais critérios são usados para a escolha das atividades a serem aplicadas na escola campo 6 Segundo sua avaliação das atividades desenvolvidas na escolacampo quais foram às principais dificuldadesproblemas dos acadêmicos Como você buscou resolver esses problemasdificuldades As dificuldades foram às mesmas em todas as séries A que você atribui essas diferençassemelhanças 7 As dificuldades apresentadas pelos alunos e alunas do estágio se aproximam ou cada aluno e aluna apresenta uma dificuldade diferente do outro 8 Há diferenças entre a atuação pedagógica dos estagiáriosas que freqüentam o Magistério no ensino médio e os que vêm de outro tipo de ensino médio Quais 9 Os alunos e alunas estagiáriosas que já atuavam em sala de aula apresentam uma prática diferenciada em relação aos outros alunos e alunas 10 Os alunos e alunas estagiáriosas que estão entrando em sala de aula pela primeira vez trazem dificuldades específicas em relação aos outros Quais 11 Na sua concepção quais são as dificuldades mais preocupantes apresentadas no estágio para a futura atuação desses alunos e alunas 12 O que você julga que faltou na disciplina Estágio Supervisionado e que deveria ser trabalhado Quais mudanças você entende que deveria haver para sanar estas lacunas 13 Quando os seus alunos lhe pedem subsídios durante ou após o estágio para resolver questões pedagógicas que envolvem a relação professor e aluno ou de conteúdos ou as duas de que forma você costuma contribuir 182 14 É possível perceber a relação entre as diferentes disciplinas ministradas durante o curso de Pedagogia e a prática de estágio É possível perceber a contribuição das disciplinas de estágio De que forma 183 ANEXOS ANEXO 1 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO JUSTIFICATIVA LEGAL Este projeto coadunase às Diretrizes e Parâmetros Curriculares Nacionais para as diferentes etapas da Educação Básica 2002 e à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei n 939496 especificamente o disposto no art 9º 2º alínea e da Lei nº 4024 de 20 de dezembro de 1961 com a redação dada pela Lei nº 9131 de 25 de novembro de 1995 no art 62 da Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 e com fundamento no Parecer CNECP nº 52005 incluindo a emenda retificativa constante do Parecer CNECP nº 32006 homologados pelo Senhor Ministro de Estado da Educação respectivamente conforme despachos publicados no DOU de 15 de maio de 2006 e no DOU de 11 de abril de 2006 e a resolução CNECP nº 01de 15 de maio de 2006 que institui as diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Graduação Pedagogia Licenciatura Com isso procurase seguir às normas e recomendações das mesmas para reforçar a concepção de que a educação tem um papel fundamental no desenvolvimento da sociedade favorecendo as transformações sociais e também contribuir com o exercício de cidadania 16 CONCEPÇÃO DO CURSO As Diretrizes Curriculares para o curso de Pedagogia estabelecidas pela Resolução CNECP nº 1 de 15 de maio de 2006 aplicamse à formação inicial para o exercício da docência na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental nos cursos de Ensino Médio e em cursos de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar bem como em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos A docência é compreendida como ação educativa e processo pedagógico metódico e intencional construído em relações sociais étnicoraciais e produtivas as quais influenciam conceitos princípios e objetivos da Pedagogia desenvolvendose na articulação entre conhecimentos científicos e culturais valores éticos e estéticos inerentes a processos de aprendizagem de socialização e de construção do conhecimento no âmbito do diálogo entre diferentes visões de mundo O curso de Pedagogia por meio de estudos teóricopráticos investigação e reflexão crítica propiciará o planejamento execução e avaliação de atividades educativas a aplicação ao campo da educação de contribuições entre outras de conhecimentos como o filosófico o histórico o antropológico o ambientalecológico o psicológico o lingüístico o sociológico o político o econômico o cultural O graduando do curso de Pedagogia trabalhará com um repertório de informações e habilidades composto por pluralidade de conhecimentos teóricos e práticos cuja consolidação será proporcionada no exercício da profissão fundamentandose em princípios de interdisciplinaridade contextualização democratização pertinência e relevância social ética e sensibilidade afetiva e estética sendo fundamental para sua formação o conhecimento da escola como organização complexa que tem a função de promover a educação para e na cidadania a pesquisa a análise e a aplicação dos resultados de investigações de interesse da área educacional a participação na gestão de processos educativos e na organização e funcionamento de sistemas e instituições de ensino As atividades docentes também compreendem participação na organização e gestão de sistemas e instituições de ensino englobando planejamento execução coordenação acompanhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da Educação planejamento execução coordenação acompanhamento e avaliação de projetos e experiências educativas nãoescolares produção e difusão do conhecimento científicotecnológico do campo educacional em contextos escolares e nãoescolares A estrutura do curso de Pedagogia do ISEAR com 3280 horas a integralizarse em 8 semestres constituise de I Eixo de Estudos Básicos com 1500 horas composto por 26 disciplinas conforme quadro apresentado neste projeto após a apresentação da Estrutura Curricular completa que procura articular a aplicação de princípios concepções e critérios oriundos de diferentes áreas do conhecimento com pertinência ao campo da Pedagogia que contribuam para o desenvolvimento das pessoas das organizações e da sociedade a aplicação de princípios da gestão democrática em espaços escolares e nãoescolares a observação análise planejamento implementação e avaliação de processos educativos e de experiências educacionais em ambientes escolares e nãoescolares a utilização de conhecimento multidimensional sobre o ser humano em situações de aprendizagem a aplicação em práticas educativas de conhecimentos de processos de desenvolvimento de crianças adolescentes jovens e adultos nas dimensões física cognitiva afetiva estética cultural lúdica artística ética e biossocial a realização de diagnóstico sobre necessidades e aspirações dos diferentes segmentos da sociedade relativamente à educação sendo capaz de identificar diferentes forças e interesses de captar contradições e de considerálo nos planos pedagógico e de ensinoaprendizagem no planejamento e na realização de atividades educativas o planejamento execução e avaliação de experiências que considerem o contexto histórico e sociocultural do sistema educacional brasileiro particularmente no que diz respeito à Educação Infantil aos anos iniciais do Ensino Fundamental e à formação de professores e de profissionais na área de serviço e apoio escolar o estudo da Didática de teorias e metodologias pedagógicas de processos de organização do trabalho docente a decodificação e utilização de códigos de diferentes linguagens utilizadas por crianças além do trabalho didático com conteúdos pertinentes aos primeiros anos de escolarização relativos à Língua Portuguesa Matemática Ciências História e Geografia Artes Educação Física o estudo das relações entre educação e trabalho diversidade cultural cidadania sustentabilidade entre outras problemáticas centrais da sociedade contemporânea a atenção às questões atinentes à ética à estética e à ludicidade no contexto do exercício profissional em âmbitos escolares e nãoescolares articulando o saber acadêmico a pesquisa a extensão e a prática educativa o estudo aplicação e avaliação dos textos legais relativos à organização da educação nacional II Eixo de Aprofundamento e Diversificação de Estudos composto por 15 disciplinas num total de 820 horas voltado às áreas de atuação profissional priorizadas pelo ISEAR que oportunizará entre outras possibilidades a investigações sobre processos educativos e gestoriais em diferentes situações institucionais escolares comunitárias assistenciais empresariais e outras a avaliação criação e uso de textos materiais didáticos procedimentos e processos de aprendizagem que contemplem a diversidade social e cultural da sociedade brasileira o estudo análise e avaliação de teorias da educação a fim de elaborar propostas educacionais consistentes e inovadoras III Eixo de Estudos Integradores com 960 horas divididas entre o Estágio Supervisionado o Trabalho de Curso Prática Profissional Orientada Atividades de Iniciação Científica Extensão e Monitoria em que proporcionará enriquecimento curricular e compreende participação em seminários e estudos curriculares em projetos de iniciação científica monitoria e extensão diretamente orientados pelo corpo docente da instituição de educação superior atividades práticas de modo a propiciar vivências nas mais diferentes áreas do campo educacional assegurando aprofundamentos e diversificação de estudos experiências e utilização de recursos pedagógicos atividades de comunicação e expressão cultural 17 OBJETIVOS GERAIS O curso de Pedagogia do ISEAR tem por objetivos gerais Desenvolver posturas éticas e críticas que ofereçam aos alunos chances de trabalhar interagindo como sujeitos conscientes do seu papel na construção da História A formação inicial para o exercício da docência na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental nos cursos de Ensino Médio e em cursos de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar bem como em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos capazes de repensar a educação com espírito crítico com habilidades técnicopedagógicas e sociopolíticas para o exercício competente de sua profissão e como formadores de opinião Propiciar a oferta de referenciais teóricos básicos que instrumentalizem o indivíduo para atuar de forma criativa em situações diversas Oportunizar o ensino e a pesquisa articulados com as demandas sociais Estimular uma postura ativa na busca e construção dos espaços sociais para a definição de seus próprios caminhos e ressignificação de suas práticas Formar profissionais para o efetivo exercício do magistério a fim de instrumentalizálo de forma articulada aos saberes que definem sua identidade profissional ou seja conhecimentos dos conteúdos da formação saber pensar sua prática em função da teoria e fundamentalmente saber intervir 18 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Como objetivos específicos é intenção do ISEAR ao oferecer este curso Incutir nos profissionais a necessidade de exercer plenamente e com competência as atribuições que lhe forem legalmente conferidas Integrar teoria e prática possibilitando ao profissional em formação o desenvolvimento das competências e habilidades que deverão ser demonstradas no exercício da profissão de professor Ampliar a visão de mundo dos educandos de modo a exercer com convicção a sua cidadania e comprometendo cada cidadão com o exercício da construção cotidiana e coletiva de uma nova cultura Desenvolver habilidade de análise buscando alternativas para as desigualdades sociais de exclusão e da marginalização Investir na formação integral habilitando o futuro profissional a compreender o meio social em seus aspectos político econômico e cultural interferindo para a definição de seus próprios caminhos e reessignificações de suas práticas Formar profissionais que interiorizem valores morais e éticos Proporcionar conhecimentos práticos e teóricos oferecendo aos estudantes os fundamentos necessários para estimular as atividades de pesquisa Viabilizar integração Instituto poder público e iniciativa privada visando a elaboração e execução de ações conjuntas fomentando projetos de pesquisa e extensão para o desenvolvimento das potencialidades da região Desenvolver posturas éticas e críticas que ofereçam aos alunos chances de trabalhar interagindo como sujeitos conscientes do seu papel na construção da história e da cidadania Formar profissionais capazes de repensar a educação com espírito crítico habilidades técnicopedagógico e sóciopolítico para o exercício competente de sua profissão e como formadores de opinião Propiciar a oferta de referenciais teóricobásicas que instrumentalizem o profissional para atuar de forma criativa em situações diversas Oportunizar o ensino e a pesquisa articulados com as demandas sociais Investir de forma articulada em ensino pesquisa e extensão Oferecer as redes públicas e privadas profissionais qualificados para atuar no Magistério atendendo as expectativas e necessidades do setor educacional no que tange as diretrizes para esse nível de ensino Os profissionais estarão preparados para atuar portanto nas áreas acima mencionadas através de um programa de estudos que alie sólido embasamento teóricoprático investigação e reflexão crítica com metodologias pedagógicas inovadoras à vivência dos alunos e à análise dos processos psicológicos e sociais que impactam a aprendizagem nas crianças nos jovens e nos adultos numa perspectiva de educação continuada O profissional em processo de formação no Instituto Superior de Educação Almeida Rodrigues deve ser capaz de estabelecer atitude questionadora e equilibrada no exercício da cidadania Educando pela pesquisa cultivando o conhecimento não só como fonte central de mudanças contemporâneas mas principalmente humanizandoo sem perder de vista a perspectiva ética o curso de Pedagogia deve propiciar a ressignificação de formas de atuação do professor coerentes com o papel atribuído à educação e ao conhecimento no mundo de hoje assumindo assim seu compromisso histórico Portanto o profissional do Curso de Pedagogia do ISEAR será o profissional capaz de refletir sobre sua própria prática pedagógica garantindo um ensino de qualidade de acordo com os ideais da sociedade goiana Em síntese o egresso do curso de Pedagogia deverá estar apto a atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedade justa equânime igualitária compreender cuidar e educar crianças de zero a cinco anos de forma a contribuir para o seu desenvolvimento nas dimensões entre outras física psicológica intelectual social fortalecer o desenvolvimento e as aprendizagens de crianças do Ensino Fundamental assim como daqueles que não tiveram oportunidade de escolarização na idade própria trabalhar em espaços escolares e nãoescolares na promoção da aprendizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano em diversos níveis e modalidades do processo educativo reconhecer e respeitar as manifestações e necessidades físicas cognitivas emocionais e afetivas dos educandos nas suas relações individuais e coletivas ensinar Língua Portuguesa Matemática Ciências História Geografia Artes Educação Física de forma interdisciplinar e adequada às diferentes fases do desenvolvimento humano relacionar as linguagens dos meios de comunicação à educação nos processos didáticopedagógicos demonstrando domínio das tecnologias de informação e comunicação adequadas ao desenvolvimento de aprendizagens significativas promover e facilitar relações de cooperação entre a instituição educativa a família e a comunidade identificar problemas socioculturais e educacionais com postura investigativa integrativa e propositiva em face de realidades complexas com vistas a contribuir para superação de exclusões sociais étnicoraciais econômicas culturais religiosas políticas e outras demonstrar consciência da diversidade respeitando as diferenças de natureza ambientalecológica étnicoracial de gêneros faixas geracionais classes sociais religiões necessidades especiais escolhas sexuais entre outras desenvolver trabalho em equipe estabelecendo diálogo entre a área educacional e as demais áreas do conhecimento participar da gestão das instituições contribuindo para elaboração implementação coordenação acompanhamento e avaliação do projeto pedagógico participar da gestão das instituições planejando executando acompanhando e avaliando projetos e programas educacionais em ambientes escolares e nãoescolares realizar pesquisas que proporcionem conhecimentos entre outros sobre alunos e alunas e a realidade sociocultural em que estes desenvolvem suas experiências nãoescolares sobre processos de ensinar e de aprender em diferentes meios ambientalecológicos sobre propostas curriculares e sobre organização do trabalho educativo e práticas pedagógicas utilizar com propriedade instrumentos próprios para construção de conhecimentos pedagógicos e científicos estudar aplicar criticamente as diretrizes curriculares e outras determinações legais que lhe caiba implantar executar avaliar e encaminhar o resultado de sua avaliação às instâncias competentes No caso de professores indígenas e de professores que venham a atuar em escolas indígenas dada a particularidade das populações com que trabalham e das situações em que atuam sem excluir o acima explicitado deverão promover diálogo entre conhecimentos valores modos de vida orientações filosóficas políticas e religiosas próprias à cultura do povo indígena junto a quem atuam e os provenientes da sociedade majoritária atuar como agentes interculturais com vistas à valorização e o estudo de temas indígenas relevantes 10 181 Princípios metodológicos de formação de professores concepção de relação teóricoprática O ISEAR atua de forma inovadora flexível e plural para assegurar efetivamente a concretização do direito do aluno de aprender na escola O desenvolvimento das competências profissionais do professor que se deseja graduar pressupõe que os estudantes do curso construam os conhecimentos e desenvolvam as competências previstas para a conclusão desta etapa de sua escolaridade No que se refere à articulação entre teoria e prática o princípio metodológico geral é de que todo fazer implica uma reflexão e toda reflexão implica um fazer ainda que nem sempre este se materialize Esse princípio é operacional e sua aplicação não exige uma resposta definitiva sobre qual dimensão a teórica ou a prática deve ter prioridade muito menos qual delas deva ser o ponto de partida na formação do professor Desta forma no processo de construção de sua autonomia intelectual o professor além de saber e de saber fazer deve compreender o que faz Assim a prática conforme colocada na nossa proposta curricular não ficará reduzida a um espaço isolado Isso porque não é possível deixar ao futuro professor a tarefa de integrar e transpor o conhecimento sobre ensino e aprendizagem para o conhecimento na situação de ensino e aprendizagem sem ter oportunidade de participar de uma reflexão coletiva e sistemática sobre esse processo Nessa perspectiva o ISEAR ao desenvolver seu curso de Pedagogia Licenciatura prevê situações didáticas em que os futuros professores colocam em uso os conhecimentos que aprendem ao mesmo tempo em que mobilizam outros de diferentes naturezas e oriundos de diferentes experiências em diferentes tempos e espaços curriculares como indicado neste projeto 182 Conhecimento saberes e habilidades profissionais para o exercício profissional competências informações e habilidades 1821 Competências referentes ao comprometimento com os valores da sociedade democrática Pautarse por princípios da ética dignidade humana justiça respeito mútuo participação responsabilidade diálogo e solidariedade para atuação como profissionais e como cidadãos Orientar suas escolhas metodológicas e didáticas por valores democráticos e por pressupostos epistemológicos coerentes Reconhecer e respeitar a diversidade manifestada por seus alunos em seus aspectos sociais étnicoraciais econômicos culturais físicos cognitivos necessidades especiais escolhas sexuais dentre outras detectando e combatendo todas as formas de discriminação Zelar pela dignidade profissional e pela qualidade do trabalho escolar e nãoescolar sob sua responsabilidade 1822 Competências referentes à compreensão do papel social da escola Compreender o processo de sociabilidade e de ensino e aprendizagem em contextos escolares e nãoescolares Utilizar conhecimentos sobre a realidade econômica cultural política e social compreendendo o contexto e as relações em que está inserida a prática educativa Participar do planejamento execução coordenação acompanhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da Educação e de projetos e experiências educativas nãoescolares Promover uma prática educativa que conte com as características dos alunos e de seu meio social Estabelecer relações de parceria com os pais dos alunos 1823 Competências referentes ao domínio dos conteúdos a serem socializados de seus significados em diferentes contextos e de sua articulação Conhecer e dominar os conteúdos do Eixo de Estudos Básicos relacionados às áreasdisciplinas de conhecimento que serão objeto da atividade docente Ser capaz de relacionar os conteúdos básicos referentes às áreasdisciplinas de conhecimento com os fatos tendências fenômenos ou movimentos da atualidade os fatos significativos da vida pessoal social e profissional dos alunos Compartilhar saberes com docentes de diferentes áreasdisciplinas de conhecimento e articular em seu trabalho as contribuições dessas áreas Fazer uso de recursos da tecnologia da informação e da comunicação 1824 Competências referentes ao domínio do conhecimento pedagógico Criar planejar realizar gerir e avaliar situações didáticas eficazes para a aprendizagem Identificar analisar e produzir materiais e recursos para utilização didática Intervir nas situações educativas com sensibilidade acolhimento e afirmação responsável de sua autoridade Utilizar estratégias diversificadas de avaliação da aprendizagem e a partir de seus resultados formular propostas de intervenção pedagógica considerando o desenvolvimento de diferentes capacidades dos alunos 1825 Competências referentes ao conhecimento de processos de investigação que possibilitem o aperfeiçoamento da prática pedagógica Analisar situações e relações interpessoais que ocorrem na escola e nos espaços nãoescolares Sistematizar e socializar a reflexão sobre a prática docente como ação educativa e processo pedagógico metódico e intencional investigando o contexto e analisando a própria prática profissional Utilizar resultados de pesquisa para o aprimoramento de sua prática profissional E utilizar da pesquisa como instrumento no cotidiano da sala de aula aprender pesquisando 1826 Competências referentes ao gerenciamento do próprio desenvolvimento profissional Utilizar as diferentes fontes e veículos de informação como instrumento de desenvolvimento profissional Elaborar e desenvolver projetos pessoais de estudo e trabalho empenhandose em compartilhar a prática e produzir coletivamente Utilizar o conhecimento sobre a organização gestão e financiamento dos sistemas de ensino para uma inserção profissional crítica 1827 Habilidades Pretendese desenvolver as habilidades referentes ao comprometimento com os valores estéticos políticos e éticos inspiradores da sociedade democrática à compreensão do papel social em espaços escolares e nãoescolares ao domínio dos conteúdos a serem socializados de seus significados em diferentes contextos e de sua articulação interdisciplinar ao domínio do conhecimento didáticopedagógico ao conhecimento de processos de investigação que possibilitem o aperfeiçoamento da prática didáticopedagógica ao gerenciamento do próprio desenvolvimento profissional 14 183 Diretrizes para o desenvolvimento da prática profissional 1831 Prática Profissional Orientada O aluno do Curso de Pedagogia deve vivenciar várias práticas e vários modos do ato de ser professor considerando que não atuará somente na sala de aula devendo participar da vida da escola de um modo geral e de espaços nãoescolares o que requer sua atuação em atividades como participar do planejamento execução coordenação acompanhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da Educação e de projetos e experiências educativas nãoescolares Deve zelar pela aprendizagem do aluno estabelecendo estratégias de recuperação para alunos de menor rendimento participação nos períodos de avaliação e desenvolvimento profissional colaboração com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade espaços nãoescolares De acordo com a estrutura curricular proposta neste projeto para o Curso de Pedagogia a Prática Profissional pertencente ao Eixo de Estudos Integradores perpassa todo o curso a partir do 1º semestre indo até o 8º e foi denominada de Prática Profissional Orientada IVIII com 960 horas Nestas disciplinas serão trabalhadas práticas de docência e gestão educacional que ensejem aos licenciandos a observação e acompanhamento a participação no planejamento na execução e na avaliação de aprendizagens do ensino ou de projetos pedagógicos tanto em escolas como em outros ambientes educativos tudo incorporado a idéia do ensinar pesquisando e o aprender pesquisando O propósito da prática profissional está articulado ao propósito da teoria compreendida e trabalhada ao longo do curso e ao levantamento de dados veiculados ao manual de estágio culminando com o TCC Tais práticas serão realizadas através de seminários participação na realização de pesquisas consultas a bibliotecas e centros de documentação visitas a instituições educacionais e culturais atividades práticas de diferente natureza participação em grupos cooperativos de estudos 1832 Estágio Supervisionado O Estágio Supervisionado curricular será realizado ao longo do curso de modo a assegurar aos graduandos experiência de exercício profissional em ambientes escolares e nãoescolares com base na pesquisa segundo regulamentação de estágio objetivando atitudes éticas conhecimentos e competências O estágio curricular será desenvolvido em quatro etapas a partir do 3º semestre com carga horária total de 540 quinhentos e quarenta horas Para atender às finalidades definidas pelo Art 8º item IV da Res CNECP nº 12006 o Estágio Supervisionado I estará voltado para o História Estrutura e Funcionamento Escolar o ES II no 4º semestre abrangerá o campo da Educação Infantil Atividades Pedagógicas o ES III no 5º semestre alcançará as atividades desenvolvidas nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Atividades Pedagógicas o ES IV no 6º semestre denominado de Apoio Escolar participação em atividades da gestão de processos educativos e acompanhamento de atividades em ambiente não escolares no 7º semestre denominado de projetos educativos elaboração e implementação de projetos educativos no 8º semestre visará a coleta de dados e formulação do relatório de Estágio conforme regulamentação e manual de Estágio elaboração final do Trabalho de Conclusão de Curso Os supervisores de estágio desenvolvem o seguinte trabalho Auxílio ao estagiário na elaboração do seu plano de estágio Orientação ao estagiário no desenvolvimento de todo o seu estágio através das aulas de orientação de estágio supervisionado Participação de reuniões de caráter técnico e pedagógico com a Direção e coordenação de curso e o a fim de detalhar as diretrizes para o desenvolvimento das atividades de estágio estabelecidas nas normas gerais Anexo I Manual de Estágio E Regulamento Acompanhamento e avaliação do desempenho do estagiário durante as atividades de estágio A avaliação do estagiário feita pelos supervisores de estágio com a conivência do coordenador de curso tal avaliação acontecerá de forma sistemática contínua e descritiva abrangendo aspectos propostos na proposta da IES educar pela e na pesquisa 184 Currículo 1841 Coerência do currículo com os objetivos do curso A coerência do currículo com os objetivos do curso fundamentase na abordagem de conteúdos específicos visando alcançar às metas desejadas oportunizando ao futuro professor a estruturação da sua escolarização e construção contínua do conhecimento para aplicação e ainda em articulação disciplinas estágio práticas profissionais atendendo a multidisciplinar idade a transversalidade e a pluralidade cultural nos aspectos teóricos e práticos do propósito do curso 1842 Coerência do currículo com o perfil desejado do egresso O perfil do profissional que se pretende contempla um conjunto de competências indispensáveis à construção de uma prática pedagógica que exercite os alunos à atividades de análise para apropriação crítica do conhecimento Esse profissional deverá voltarse para o desenvolvimento de competências que assegurem a eficiência da atuação profissional oferecendolhe condições de aprendizagem dos conhecimentos para o exercício da profissão de professor de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais O perfil do profissional que estamos formando contempla um conjunto de competências indispensáveis à construção de uma prática pedagógica que exercite os alunos à atividades de análise para apropriação crítica do conhecimento Esse profissional deverá voltarse para o desenvolvimento de competências que assegurem a eficiência da atuação profissional oferecendolhe condições de aprendizagem dos conhecimentos para serem aplicados 17 185 Coerência do currículo em face das diretrizes curriculares nacionais A coerência do currículo face às Diretrizes Curriculares Nacionais constantes das Res CNECP 1 de 15052006 é trabalhada de forma que os conteúdos são considerados meio e suporte para a constituição das competências e interação com a realidade e demais indivíduos integrando e articulando a vida do cidadão com o conhecimento Assim na elaboração do currículo pleno além das matérias previstas pela legislação foi observada a subdivisão das matérias em disciplinas e as cargas horárias para cada uma delas assegurando a eficiência da atuação profissional oferecendo condições de aprendizagem dos conhecimentos da escolaridade tendo como fio condutor o aprender através da pesquisa 186 Adequação da metodologia de ensino à concepção do curso A metodologia de ensino é adequada à concepção do curso colaborando na tarefa de humanizar educando com senso ético e consciência crítica estimulando o formando a assumir responsabilidade na construção de uma sociedade democrática adaptandose a realidade de vida dos alunos onde todo cidadão tem direito de se desenvolver ao longo da vida com mediação da escola Os conteúdos das disciplinas serão desenvolvidos com atividades simultaneamente teóricas e práticas através de aulas expositivas estudo de textos atividades laboratoriais realizações de pesquisas trabalhos de grupo e de campo e atividades complementares de modo a abranger todo o conteúdo programático 187 Interrelação das disciplinas na concepção e execução do currículo A organização curricular do curso de PedagogiaLicenciatura permite desenvolver através de seus eixos de Estudo as áreas de formação geral de aprofundamento e diversificação de estudos Estabelece padrões de organização e visão articulada dos diferentes componentes temáticos dos conteúdos curriculares Para a execução do currículo do curso as disciplinas de formação geral por 18 exemplo são apresentadas de modo que ocorra a interdisciplinaridade as disciplinas didáticopedagógicas do eixo de estudos integradores são prérequisitos entre elas e necessitam de uma ordem obrigatória para que sejam cumpridas exemplo Prática Profissional Orientada I II III IV V VI VII e VIII Estágio Supervisionado I II III IV V e VI Desta forma existe uma seqüência progressiva da formação do discente para que ocorra um melhor aproveitamento e compreensão das matérias oferecidas até o fim do curso 41 DIMENSIONAMENTO DA MATRIZ CURRICULAR Assim posto o curso fundamentase em um todo orgânico tendo enquanto eixo estudos que fundamentam a compreensão da sociedade do homem da educação e do professor abrangendo aspectos filosóficos históricos políticos econômicos sociológicos psicológicos e antropológicos 1º Semestre Disciplinas Carga Horária Psicologia da Educação I 40 Filosofia da Educação 60 Língua Portuguesa 60 História da Educação 60 Novas Tecnologias na Educação 40 Teorias da Educação 60 Prática Profissional Orientada I 40 Total 360 2º Semestre Disciplinas Carga Horária Psicologia da Educação II 60 Fundamentos e Metodologia dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental 60 Didática I 80 Gestão Estrutura e Funcionamento do Ensino 80 19 Antropologia Educacional 40 Prática Profissional Orientada II 40 Total 360 3º Semestre Disciplinas Carga Horária Língua Portuguesa Conteúdo e Metodologia I 80 Didática II 60 Artes Conteúdo e Metodologia 40 Sociologia da Educação 40 Princípios e Métodos da Educação Infantil 60 Prática Profissional Orientada III 40 Total 320 4 Semestre Disciplinas Carga Horária Língua Portuguesa Conteúdo e Metodologia II 40 Matemática Conteúdo e Metodologia I 60 Ciências Conteúdo e Metodologia 60 Geografia Conteúdo e Metodologia 60 Alfabetização Conteúdo e Metodologia 60 Prática Profissional Orientada IV 40 Total 320 5º Semestre Disciplinas Carga Horária Matemática Conteúdo e Metodologia II 60 Educação Física Conteúdo e Metodologia 60 Metodologia de Pesquisa em Educação I 60 História Conteúdo e Metodologia 60 Jogos e Recreação 40 Prática Profissional Orientada V 40 Total 320 20 6º Semestre Disciplinas Carga Horária Os novos Paradigmas da Avaliação da Aprendizagem I 60 Literatura Infantil 60 Gestão da Educação Administrativa e Pedagógica 60 Processo Educacional no Meio Rural 40 Metodologia de Pesquisa em Educação II 60 Prática Profissional Orientada VI 40 Total 320 7º Semestre Disciplinas Carga Horária Multiculturalismo 40 Fundamentos e Metodologia das Atividades Culturais e Artísticas 60 A Criança Desenvolvimento e Necessidades Especiais 60 Os novos Paradigmas da Avaliação da Aprendizagem II 60 Planejamento e Tecnologia Educacionais 60 Prática Profissional Orientada VII 40 Total 320 8º Semestre Currículos e Programas 60 Psicomotricidade e a Aprendizagem 40 Fundamentos e Metodologia da Educação de Jovens e Adultos 60 Educação Inclusiva e Linguagem de Sinais 60 Política Pública e Novos Paradigmas da Educação Básica 60 Prática Profissional Orientada VIII 40 Total 320 Subtotal 2640 21 Estágio Supervisionado I História Estrutura e Funcionamento Escolar III Semestre 80 T40 P40 Estágio Supervisionado II Educação Infantil Atividades Pedagógicas IV Semestre 100 T40 P60 Estágio Supervisionado III Anos Iniciais do Ensino Fundamental Atividades Pedagógicas V Semestre 100 T40 P60 Estágio Supervisionado IV Apoio Escolar VI Semestre 80 T40 P40 Estágio Supervisionado V Gestão Escolar Administrativa Pedagógica e Implementação de Projetos Educação Infantil Anos Iniciais do Ensino Fundamental VII Semestre 100 T40 P60 Estágio Supervisionado VI Trabalho de Conclusão do Curso TCC VIII Semestre 80 T40 P40 Carga Horária Estágio T Teoria P Prática 540 240 300 Atividades de Iniciação a Pesquisa Extensão e Monitoria 100 Carga Horária Total do Curso 3280 411Colocação das disciplinas nos Eixos I Eixo de Estudos Básicos Disciplina Carga horária Psicologia da Educação I 40 Língua Portuguesa 60 História da Educação 60 Teorias da Educação 60 Psicologia da Educação II 60 Fundamentos e Metodologia dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental 60 Didática I 80 Filosofia da Educação 60 Gestão Estrutura e Funcionamento do Ensino 80 Antropologia Educacional 40 22 Língua Portuguesa Conteúdo e Metodologia I 80 Didática II 60 Artes Conteúdo e Metodologia 40 Sociologia da Educação 40 Matemática Conteúdo e Metodologia I 60 Ciências Conteúdo e Metodologia 60 Geografia Conteúdo e Metodologia 60 Língua Portuguesa Conteúdo e Metodologia II 40 Metodologia de Pesquisa em Educação I 60 Gestão da Educação Administrativa e Pedagógica 60 Matemática Conteúdo e Metodologia II 60 Psicomotricidade e a Aprendizagem 40 Currículos e Programas 60 Metodologia de Pesquisa em Educação II 60 Educação Física Conteúdo e Metodologia 60 História Conteúdo e Metodologia 60 Total 1500 II Eixo de Aprofundamento e Diversificação de Estudos Disciplina Carga horária Novas Tecnologias na Educação 40 Alfabetização Conteúdo e Metodologia 60 Princípios e Métodos da Educação Infantil 60 Literatura Infantil 60 Jogos e Recreação 40 A Criança Desenvolvimento e Necessidades Especiais 60 Os novos Paradigmas da Avaliação da Aprendizagem I 60 Os novos Paradigmas da Avaliação da Aprendizagem II 60 Planejamento e Tecnologias Educacionais 60 Fundamentos e Metodologia da Educação de Jovens e Adultos 60 Multiculturalismo 60 Educação Indígena 40 Política Pública e Novos Paradigmas da Educação Básica 60 23 Fundamentos e Metodologia das Atividades Culturais e Artísticas 60 Processo Educacional no Meio Rural 40 Total 820 III Eixo de Estudos Integradores Disciplina Carga horária Estágio Supervisionado I História Estrutura e Funcionamento Escolar III Semestre 80 Estágio Supervisionado II Educação Infantil Atividades PedagógicasIV Semestre 100 Estágio Supervisionado III Anos Iniciais do Ensino Fundamental Atividades Pedagógicas V Semestre 100 Estágio Supervisionado IV Gestão Administrativa e Pedagógica Implementação de Projetos 80 Estágio Supervisionado V Apoio Escolar Trabalho Pedagógico em espaços nãoescolares Implementação de Projetos 100 Estágio Supervisionado VI Trabalho de Conclusão do Curso TCC VIII Semestre 80 Total dos Estágios 540 Prática Profissional Orientada IVII 40 horas cada 320 Total de Prática Profissional Orientada 320 Atividades de Iniciação Científica Extensão e Monitoria 100 Total de Atividades de Iniciação Científica Extensão e Monitoria 100 Total do Núcleo de Estudos Integradores 960 Carga horária total do curso 3280 24 9 ESTÁGIO O estágio será desenvolvido tendo em vista um total de 540 horas distribuídas em quatro semestres iniciando no terceiro período do curso com a seguinte propositura Estágio Supervisionado I História Estrutura e Funcionamento Escolar III Semestre 80 T40 P40 Estágio Supervisionado II Educação Infantil Atividades PedagógicasIV Semestre 100 T40 P60 Estágio Supervisionado III Anos Iniciais do Ensino Fundamental Atividades Pedagógicas V Semestre 100 T40 P60 Estágio Supervisionado IV Gestão Administrativa e Pedagógica Implementação de Projetos 80 T40 P40 Estágio Supervisionado V Apoio Escolar Trabalho Pedagógico em espaços nãoescolares Implementação de Projetos 100 T40 P60 Estágio Supervisionado VI Trabalho de Conclusão do Curso TCC VIII Semestre 80 T40 P40 Carga Horária Estágio T Teoria P Prática 540 240 300 25 ANEXO 2 CENTRO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO ALMEIDA RODRIGUES INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO ALMEIDA RODRIGUES PEDAGOGIA LICENCIATURA MANUAL DE PRÁTICA PROFISSIONAL RIO VERDE 20071 26 APRESENTAÇÃO O Instituto Superior de Educação Almeida Rodrigues com o objetivo de propiciar orientações sobre a Prática Profissional enquanto componente curricular organizou o presente manual e espera possibilitar a você Acadêmico o primeiro contato com sua futura profissão bem como ajudalo no universo da Iniciação a Pesquisa organizarse intelectualmente e a organizar melhor o seu tempo Serão encontradas nesse documento informações esclarecedoras sobre Prática Profissional Orientada objetivos princípios metodológicos diretrizes para o seu desenvolvimento distribuição da carga horária e ementas Estágio Supervisionado manual e regulamento Atividades Complementares objetivos diretrizes para o seu desenvolvimento e distribuição da carga horária Considerando que a Prática Profissional contribuirá para que sua formação profissional e humana seja mais rica e abrangente e que as informações contidas no presente Manual possam esclarecer e orientar todos os envolvidos nas tarefas de Prática Profissional Orientada Estágio Supervisionado e Atividades Complementares esperamos que se faça bom uso do presente trabalho e que participem ativamente da vida universitária Para maiores esclarecimentos consulte os professores das áreas relacionadas e a Coordenação do Curso 27 1 PRÁTICA PROFISSIONAL ORIENTADA 11 Objetivos Utilizar as diferentes fontes e veículos de informação como instrumento de desenvolvimento profissional Elaborar e desenvolver projetos pessoais de estudo e trabalho empenhandose em compartilhar a prática e produzir coletivamente Utilizar o conhecimento sobre a organização gestão e financiamento dos sistemas de ensino para uma inserção profissional crítica Criar planejar realizar gerir e avaliar situações didáticas eficazes para a aprendizagem Identificar analisar e produzir materiais e recursos para utilização didática Analisar situações e relações interpessoais que ocorrem na escola e nos espaços nãoescolares Utilizar a pesquisa como instrumento no cotidiano da sala de aula aprender pesquisando aprimoramento de sua prática profissional Zelar pela dignidade profissional e pela qualidade do trabalho escolar e não escolar sob sua responsabilidade 12 Princípios metodológicos de formação de professores concepção de relação teóricoprática O ISEAR atua de forma inovadora flexível e plural para assegurar efetivamente a concretização do direito do aluno de aprender na escola O desenvolvimento das competências profissionais do professor que se deseja graduar pressupõe que os estudantes do curso construam os conhecimentos e desenvolvam as competências previstas para a conclusão desta etapa de sua escolaridade No que se refere à articulação entre teoria e prática o princípio metodológico geral é de que todo fazer implica uma reflexão e toda reflexão implica um fazer ainda que nem sempre este se materialize Esse princípio é operacional e sua 28 aplicação não exige uma resposta definitiva sobre qual dimensão a teórica ou a prática deve ter prioridade muito menos qual delas deva ser o ponto de partida na formação do professor Desta forma no processo de construção de sua autonomia intelectual o professor além de saber e de saber fazer deve compreender o que faz Assim a prática conforme colocada na nossa proposta curricular não ficará reduzida a um espaço isolado Isso porque não é possível deixar ao futuro professor a tarefa de integrar e transpor o conhecimento sobre ensino e aprendizagem para o conhecimento na situação de ensino e aprendizagem sem ter oportunidade de participar de uma reflexão coletiva e sistemática sobre esse processo Nessa perspectiva o ISEAR ao desenvolver seu curso de Pedagogia Licenciatura prevê situações didáticas em que os futuros professores colocam em uso os conhecimentos que aprendem ao mesmo tempo em que mobilizam outros de diferentes naturezas e oriundos de diferentes experiências em diferentes tempos e espaços curriculares como indicado neste projeto 121 Competências referentes ao gerenciamento do próprio desenvolvimento profissional Utilizar as diferentes fontes e veículos de informação como instrumento de desenvolvimento profissional Elaborar e desenvolver projetos pessoais de estudo e trabalho empenhando se em compartilhar a prática e produzir coletivamente Utilizar o conhecimento sobre a organização gestão e financiamento dos sistemas de ensino para uma inserção profissional crítica 29 13 Diretrizes para o desenvolvimento da Prática Profissional Orientada O aluno do Curso de Pedagogia deve vivenciar várias práticas e vários modos do ato de ser professor considerando que não atuará somente na sala de aula devendo participar da vida da escola de um modo geral e de espaços nãoescolares o que requer sua atuação em atividades como participar do planejamento execução coordenação acompanhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da Educação e de projetos e experiências educativas nãoescolares Deve zelar pela aprendizagem do aluno estabelecendo estratégias de recuperação para alunos de menor rendimento participação nos períodos de avaliação e desenvolvimento profissional colaboração com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade espaços nãoescolares De acordo com a estrutura curricular proposta neste projeto para o Curso de Pedagogia a Prática Profissional pertencente ao Eixo de Estudos Integradores perpassa todo o curso a partir do 1º semestre indo até o 8º e foi denominada de Prática Profissional Orientada IVIII com 320 horas Nestas disciplinas serão trabalhadas práticas de docência e gestão educacional que ensejem aos licenciados a observação e acompanhamento a participação no planejamento na execução e na avaliação de aprendizagens do ensino ou de projetos pedagógicos tanto em escolas como em outros ambientes educativos tudo incorporado a idéia do ensinar pesquisando e o aprender pesquisando O propósito da prática profissional está articulado ao propósito da teoria compreendida e trabalhada ao longo do curso e ao levantamento de dados veiculados ao manual de estágio culminando com o TCC Tais práticas serão realizadas através de seminários participação na realização de pesquisas consultas a bibliotecas e centros de documentação visitas a instituições educacionais e culturais atividades práticas de diferente natureza participação em grupos cooperativos de estudos 30 Disciplina Período Carga Horária Prática Profissional Orientada I 1º Período 40h Prática Profissional Orientada II 2º Período 40h Prática Profissional Orientada III 3º Período 40h Prática Profissional Orientada IV 4º Período 40h Prática Profissional Orientada V 5º Período 40h Prática Profissional Orientada VI 6º Período 40h Prática Profissional Orientada VII 7º Período 40h Prática Profissional Orientada VIII 8º Período 40h Carga Horária Total 320h 14 Ementas Prática Profissional Orientada 1º Período Ementa Teorias da Pedagogia objetivando o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Iniciação do aluno ao processo do pensamento científico em educação 2º Período Ementa Teorias da Pedagogia objetivando o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Iniciação do aluno ao processo do pensamento científico em educação 3º Período Ementa Teorias da Pedagogia objetivando o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Pratica educativa e a relação entre escola professor e aluno Desenvolvimento de pesquisa por meio do conhecimento científico da educação 4º Período EmentaTeorias da Pedagogia objetivando o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Pratica educativa na Educação Infantil Desenvolvimento de pesquisa por meio do conhecimento científico da educação 31 5º Período Ementa Teorias da Pedagogia objetivando o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Pratica educativa nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Desenvolvimento de pesquisa por meio do conhecimento científico da educação 6º Período Ementa Teorias da Pedagogia objetivando o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Elaboração e execução de projetos de docência junto às escolascampo a partir da realidade observada do projeto político pedagógico Desenvolvimento de pesquisa por meio do conhecimento científico da educação 7º Período Ementa Teorias da Pedagogia objetivando o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Definição do objeto de estudo Estruturar o projeto adequandoo à realidade Esboço de projeto de docência 8º Período Ementa Teorias da Pedagogia objetivando o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Execução do projeto de docência relato de experiência estudo de caso registro de dados aprofundamento do objeto de estudo Elaboração da parte escrita do TCC Monografia 32 15 Referências Bibliográficas ADAMS Marola Princípios da Prática de Ensino Rio de Janeiro USAID 1965 AEBLI Hans Pratica de Ensino Petrópolis Vozes 1986 AKATOS Eva Maria Fundamentos da Metodologia Cientifica Petrópolis Vozes2000 AYRES Antonio Tadeu Prática pedagógica ampliando os saberes do professor Petrópolis Vozes 2004 BOLZAN Dóris Vargas Formação de professores Compartilhando e reconstruindo conhecimentos Ed Mediação Porto Alegre 2002 Professoresas como investigadoresas da sua própria pratica Cadernos da aplicação UFRGS Porto Alegre São Paulo Cortez 1993 CARRAHER Terezinha DAVID Carreher SCHLIEMENN Ana Lúcia Na vida dez na escola zero 7ª edição São Paulo Cortes 1993 CARVALHO Mercedes organizadores Ensino Fundamental práticas docentes nas séries iniciais Petrópolis Vozes 2006 CASTRO Gilda de Professor submisso alunocliente Reflexões sobre a docência no Brasil Rio de Janeiro DPA 2003 CODO W GAZZOTTI AA Trabalho e afetividade In W Codo Org Educação Carinho e trabalho Petrópolis Vozes 1999 Construir competências desde a escola Porto Alegre Artes Médicas 1997 COLL César e EDWARDS Derek Org Ensino aprendizagem e discurso em sala de aula aproximações Ao estudo do discurso educacional Tradução de Beatriz Affonso Neves Porto Alegre Artes Médicas 1998 A construção de significados compartilhados em sala de aula Porto Alegre ArtMed 1998 CORAZZA Sandra Mara Planejamento de ensino como estratégia de política cultural In MOREIRA Antonio Flávio B org Currículo questões atuais Campinas Papirus 2000 CORDEIRO Jaime Didática São Paulo Contexto 2007 CURY Augusto Jorge Pais brilhantes professores fascinantes Rio de Janeiro Sextante 2003 DEMO Pedro Educar pela Pesquisa São Paulo Atlas 1998 A educação do futuro e o futuro da educação Campinas Autores associados 2005 DEMO Pedro Desafios modernos da educação Petrópolis Vozes 1993 33 ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICA DE ENSINO 10 2000 Rio de Janeiro Ensinar e aprender sujeitos saberes tempos e espaços Anais Rio de Janeiro MICROSERVIÇO 2000 1 CDRom FREIRE P Pedagogia da Autonomia Saberes necessário da prática educativa Petrópolis Vozes 1996 GRILLO Marlene Prática docente referência para a formação do educador In Cury Helena org Formação de professores Porto Alegre Artes Médica 2001 KOCHE José Carlos Fundamentos da Metodologia Cientifica Petrópolis Vozes 2002 PERISSÉ Gabriel Os sete pecados capitais e as virtudes da educação Rio de Janeiro Vieira Lent2007 PERRENOUD P As competências para ensinar no século XXI Porto Alegre Artemed 2002 A arte de construir competências Online Disponível wwwnovaescolacombr 2000 SACRISTAN Gimeno J GOMES Peres A Compreender e transformar o ensino Madrid Ediciones Matara 1998 TIBA Içami Ensinar aprendendo novos paradigmas na educação São Paulo Integare 2006 VEIGA Lima P A e REZENDE Lúcia Maria G de Orgs Escola espaço do projeto políticopedagogico 5 ed CampinasPapirus 2001 ZABALA Antoni A prática educativa como ensinar Porto Alegre Artemed 2002 ZABOLLI Graziela Práticas de Ensino subsídios para atividade docentes São Paulo Ática 1990 ZEICHNER Kemmeth A formação reflexiva de professores idéias e práticas Lisboa Educa 1993 34 ANEXO 3 2 ESTÁGIO SUPERVISIONADO 21 Normatização do Estágio Supervisionado 211 O que é Estágio É um termo prático de caráter técnico social cultural e atitudinal que proporciona a aplicabilidade de conhecimentos teóricos através da vivência em situações reais da futura profissão São realizados junto a Instituições públicas privadas sob a responsabilidade e coordenação da Coordenação do Curso Supervisor de Estágio e Orientador de Estágios É o estágio que irá possibilitar o primeiro contato com sua futura profissão e a Iniciação a Pesquisa Como estagiário se aprende a fazer fazendo e faz aprendendo ainda incentiva a observação e o senso crítico viabilizando a iniciar o acadêmico pesquisador Mas atenção Estágio não é emprego Ele é uma complementação do ensino com duração limitada O estágio só poderá ser realizado por estudantes regularmente matriculado e que esteja comprovadamente freqüentando as aulas logo o estágio é o período de exercício préprofissional previsto em currículo ou não em que o estudante de graduação permanece em contato direto com o ambiente de trabalho desenvolvendo atividades fundamentais profissionalizantes ou comunitárias programadas ou projetadas avaliáveis com duração limitada e supervisão O estágio portanto é atividade fundamental e inelegível significativa por ser capaz de otimizar a profissionalização do Acadêmico e viabilizando a vivencia em pesquisa Permite também o estabelecimento de canal retroalimentador entre a Universidade e a comunidade na busca constante da moderna tecnologia aumentando o desenvolvimento técnicocientífico de que a sociedade carece e exige 212 Distribuição da carga horária O estágio será desenvolvido tendo em vista um total de 300 horas distribuídas em quatro semestres iniciando no terceiro período do curso com a seguinte propositura 35 Disciplina Período Carga Horária Total Teoria Prática Estágio Supervisionado I História Estrutura e Funcionamento Escolar III Semestre 3º Período 80h 40h 40h Estágio Supervisionado II Educação Infantil Atividades PedagógicasIV Semestre 4º Período 100h 40h 60h Estágio Supervisionado III Anos Iniciais do Ensino Fundamental Atividades Pedagógicas V Semestre 5º Período 100h 40h 60h Estágio Supervisionado IV Apoio Escolar participação em atividades da gestão de processos educativos e acompanhamento de atividades em ambiente não escolares 6º Período 80h 40h 40h Estágio Supervisionado V projetos educativos elaboração e implementação de projetos educativos 7º Período 100h 40h 60h Estágio Supervisionado VI coleta de dados e formulação do relatório de Estágio conforme regulamentação e manual de Estágio elaboração final do Trabalho de Conclusão de Curso 8º Período 80h 40h 40h Carga horária Estágio 540h 22 Atividades Práticas do Estágio Supervisionado 221 Objetivos Formar profissionais para o efetivo exercício do magistério a fim de instrumentalizá lo de forma articulada aos saberes que definem sua identidade profissional ou seja 36 conhecimentos dos conteúdos da formação saber pensar sua prática em função da teoria e fundamentalmente saber intervir Atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedade justa equânime igualitária Compreender cuidar e educar crianças de zero a nove anos de forma a contribuir para o seu desenvolvimento nas dimensões entre outras física psicológica intelectual social Trabalhar em espaços escolares e nãoescolares na promoção da aprendizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano em diversos níveis e modalidades do processo educativo Promover e facilitar relações de cooperação entre a instituição educativa a família e a comunidade desenvolvendo trabalho em equipe estabelecendo diálogo entre a área educacional e as demais áreas do conhecimento Participar da gestão das instituições planejando executando acompanhando e avaliando projetos e programas educacionais em ambientes escolares e nãoescolares Realizar pesquisas que proporcionem conhecimentos entre outros sobre alunos e alunas e a realidade sociocultural em que estes desenvolvem suas experiências nãoescolares sobre processos de ensinar e de aprender em diferentes meios ambientalecológicos sobre propostas curriculares e sobre organização do trabalho educativo e práticas pedagógicas 222 Diretrizes para o desenvolvimento do Estágio Supervisionado O Estágio Supervisionado curricular será realizado ao longo do curso de modo a assegurar aos graduandos experiência de exercício profissional em ambientes escolares e nãoescolares com base na pesquisa segundo regulamentação de estágio objetivando atitudes éticas conhecimentos e competências O estágio curricular será desenvolvido em quatro etapas a partir do 3º semestre com carga horária total de 440 quatrocentas e quarenta horas Para atender às finalidades definidas pelo Art 8º item IV da Res CNECP nº 12006 o Estágio Supervisionado I estará voltado para o História Estrutura e Funcionamento Escolar o ES II no 4º semestre abrangerá o campo da Educação Infantil Atividades Pedagógicas o ES III no 5º semestre alcançará as atividades 37 desenvolvidas nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Atividades Pedagógicas o ES IV no 6º semestre denominado de Apoio Escolar participação em atividades da gestão de processos educativos e acompanhamento de atividades em ambiente não escolares no 7º semestre denominado de projetos educativos elaboração e implementação de projetos educativos no 8º semestre visará a coleta de dados e formulação do relatório de Estágio conforme regulamentação e manual de Estágio elaboração final do Trabalho de Conclusão de Curso Os supervisores de estágio desenvolvem o seguinte trabalho Auxílio ao estagiário na elaboração do seu plano de estágio Orientação ao estagiário no desenvolvimento de todo o seu estágio através das aulas de orientação de estágio supervisionado Participação de reuniões de caráter técnico e pedagógico com a Direção e coordenação de curso e o a fim de detalhar as diretrizes para o desenvolvimento das atividades de estágio estabelecidas nas normas gerais Anexo I Manual de Estágio E Regulamento Acompanhamento e avaliação do desempenho do estagiário durante as atividades de estágio A avaliação do estagiário feita pelos supervisores de estágio com a conivência do coordenador de curso tal avaliação acontecerá de forma sistemática contínua e descritiva abrangendo aspectos propostos na proposta da IES educar pela e na pesquisa 223 Documentação para realização do Estágio Carta de apresentação solicitar à secretaria da Faculdade em três vias Deixar na escola uma cópia da carta como comprovante de estágio Anexar à Ficha de Registro uma cópia da carta com a assinatura do diretor e carimbo da escola autorização a realização de estágio Deixar na Faculdade uma cópia da carta como controle do estágio Ficha de Registro de estágio em escola Modelo ANEXO 38 Identificação do aluno Nome completo Curso série semestre período ano Instituição de Estágio Identificação da Instituição colocar o nome completo da escola Escola estadual municipal ou particular Outras CCJ conveniadas Registro das atividades Data registrar o dia e o mês em que esteve na escola Série ou ciclo registrar a série ou ciclo no qual realizou suas atividades Se for uma atividade fora da sala de aula registrar dir direção coord coordenação secret secretaria ou escol escola Atividades descrever sucintamente a atividade realizada Por exemplo Observação da classe atividade recreativa eou relação professoraluno e outros Coleta de dados tabulação de dados registros Carga horária registrar total de horas realizadas no dia Não ultrapasse 5h Nome doa responsável registrar o nome doa Professor a Responsável pelo seu Estágio Quando for registrar as atividades realizadas na escola campo o responsável será o a coordenador a ou o a diretor a da escola campo e o Professor Supervisor de Estágio Se o a responsável inicial professor a diretor a coordenador a não estiver mais na escola no final do seu estágio assinará a sua Ficha de Registro quem tiver assumido essas funções Para comprovar a autorização uma cópia da Carta de Apresentação que foi deixada na escola Assinatura deverá estar em cada registro de atividade O carimbo do a responsável não substitui a assinatura Carimbo e ou Assinatura do O primeiro espaço Supervisor de Estágio Coordenador acadêmico ISEAR O terceiro espaço Diretor da IES Total de horas deverá ser calculado junto com o a responsável pelo estágio Em seguida deverá ser assinado pelo aluno 39 Assinatura do a Diretor a da Escola Campo deverá assinar após a conferir a Ficha de Registro e o total de horas h Assinatura do a Professor a Orientador a verificar a Ficha de Registro total de horas assinaturas e carimbos fazer o registro no Livro de Atas assinar o último espaço no verso da Ficha de Registro 1 para ser encaminhada para a Coordenação do Curso Não pode haver rasuras Assinatura do a Coordenador a Acadêmico ISEAR após verificar os itens acima deverá assinar a Ficha e encaminhar para a Secretaria Geral para arquivamento Ficha de Registro de Atividades Diversificadas eou Enriquecimento Curricular Modelo ANEXO Identificação seguir orientação anterior 22321 e 22322 Registro das atividades Data e evento registrar o dia e o tipo de evento por exemplo 25012008 Palestra com representante da ONG Avisa Lá Carga horária total de horas destinadas para o evento Registrar sempre o que consta no documento expedido pela Instituição responsável pelo evento Descrição descreva o mais sucintamente possível Comprovante atestado declaração certificado deve constar o nome do evento data e local da realização total de horas Anexar uma cópia do documento no relatório de estágio Ementas Estágio Supervisionado 3º Período História Estrutura e Funcionamento Escolar Ementa A formação inicial para o exercício da docência elaboração de textos sobre história estrutura e funcionamento da escola de Educação Infantil Elaboração da parte escrita do estágio textos relatórios seminários e oficinas Desenvolvimento de pesquisa por meio do conhecimento científico da educação 40 4º Período Educação Infantil Atividades Pedagógicas Ementa A formação inicial para o exercício da docência na Educação Infantil Vivência de processos de investigação e problematização da realidade educacional a partir do campo de estágio e dos aportes teóricos da Pedagogia tendo em vista o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Ênfase no conhecimento da organização do trabalho pedagógico na educação infantil desenvolvido no campo de estágio 5º Período Anos Iniciais do Ensino Fundamental Atividades Pedagógicas Ementa A formação inicial para o exercício da docência nos anos iniciais do Ensino Fundamental Vivência de processos de investigação e problematização da realidade educacional a partir do campo de estágio e dos aportes teóricos da Pedagogia tendo em vista o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Ênfase no conhecimento da organização do trabalho pedagógico nos anos iniciais do ensino fundamental desenvolvido no campo de estágio 6º Período Apoio Escolar participação em atividades da gestão de processos educativos e acompanhamento de atividades em ambiente não escolares Ementa Vivência de processos de investigação e problematização da realidade educacional a partir do campo de estágio e dos aportes teóricos da Pedagogia tendo em vista o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Ênfase na elaboração de projetos e participação na Gestão Escolar Administrativa e Pedagógica por meio da implementação de projetos específicos para cada uma das funções Diretor e Coordenador Elaboração da parte escrita do estágio textos relatórios seminários e oficinas Desenvolvimento de pesquisa por meio do conhecimento científico da educação 41 7º Período projetos educativos elaboração e implementação de projetos educativos Ementa Vivência de processos de investigação e problematização da realidade educacional a partir do campo de estágio e dos aportes teóricos da Pedagogia tendo em vista o desenvolvimento de conhecimentos habilidades e compromissos inerentes à profissão docente Ênfase no apoio Escolar e participação na gestão de processos educativos e acompanhamento de atividades em ambientes não escolares Elaboração da parte escrita do estágio textos relatórios seminários e oficinas Desenvolvimento de pesquisa por meio do conhecimento científico da educação 8º Período coleta de dados e formulação do relatório de Estágio conforme regulamentação e manual de Estágio elaboração final do Trabalho de Conclusão de Curso Ementa Vivência de processos de investigação e problematização da realidade educacional a partir do campo de estágio e dos aportes teóricos da Pedagogia tendo em vista a elaboração do Trabalho de Conclusão do CursoTCC Elaboração da parte escrita da Monografia Normas da ABNT Referências e Citações Desenvolvimento de pesquisa por meio do conhecimento científico da educação 224 Referências Bibliográficas ALARCÃO I Reflexão crítica sobre o pensamento de D Schön e os programas de formação de professores Revista da Faculdade Educação da USP v22 nº 21996 p 1142 Supervisão da prática pedagógica 2ed Coimbra Almeida 2003 AQUINO J G Confrontos na sala de aula uma leitura institucional da relação professor aluno São Paulo Summus 1996 BORGES R C M B O professor reflexivocrítico como mediador do processo de inter relação da leitura escrita In PIMENTA S G GHEDIN E Org Professor reflexivo no Brasil gênese e crítica de um conceito São Paulo Cortez 2002 Sociologia In ORTIZ R Cultura brasileira e identidade nacional 5ed São Paulo Brasiliense 1994 Contrafogos táticas para enfrentar a invasão neoliberal Rio de Janeiro Zahar 1998 42 BREZINSKI I Profissão professor identidade e profissionalização docente Brasília Plano 2002 CANDAU V A didática em questão Rio de Janeiro Vozes 1984 CONTRERAS J La autonomia del professorado Barcelona Morata 1997 A autonomia de professores São Paulo Cortez 2002 CUNHA L A S Formação inicial do professor da educação básica contribuição da teoria sobre o professor reflexivo no Estágio Supervisionado 2002 Dissertação Mestrado Faculdade de Educação Universidade de São Paulo CUNHA M I O bom professor e sua prática Campinas Papirus 1989 O professor universitário na transição de paradigmas Araraquara JM 1998 CURY C R J Estágio supervisionado na formação docente In Endipe 11 2002 Goiânia LISITA V M S S SOUSA e L F E C P Org Políticas educacionais práticas escolares e alternativas de inclusão escolar Rio de Janeiro DPA 2003 FAZENDA I C A Interdisciplinaridade história teoria e pesquisa Campinas Papirus 1994 FONSECA S G Didática e Prática de Ensino de História experiências reflexões e aprendizagens Campinas Papirus 2003 FRANCO G O estágio supervisionado para profissionais do magistério e suas influências na prática docente 2002 Dissertação Mestrado Universidade Estadual do Vale do Acarau e Universidade Internacional de Lisboa GIROUX H Escola critica e política cultural São Paulo Cortez 1987 HERNÁNDEZ F Transgressão e mudança na educação os projetos de trabalho Porto Alegre Artmed 1998 LIBÂNEO J C Adeus professor adeus professora São Paulo Cortez 1998 Reflexividade e formação de professores outra oscilação do pensamento pedagógico brasileiro In PIMENTA S G GHEDIN E Org Professor reflexivo no Brasil gênese e crítico de um conceito São Paulo Cortez 2002 PIMENTA S G Formação dos profissionais da educação visão crítica e perspectivas de mudança Educação Sociedade Campinas Cedes nº 68 p239277 1999 Organização e gestão da escola teoria e prática Goiânia Alternativa 2001 OLIVEIRA J F TOSCHI M S Educação escolar políticas estrutura e organização São Paulo Cortez 2003 Docência em Formação MORIN E Os sete saberes necessários à educação do futuro São Paulo Cortez 2000 NÓVOA A Org Os professores e sua formação Lisboa Dom Quixote 1992 43 Formação de professores e profissão docente In NÓVOA A Org Os professores e sua formação Lisboa Dom Quixote 1992 O passado e o presente dos professores In NÓVOA A Org Profissão professor Porto Porto Editora 1992 SACRISTÁN J G Tendências investigativas na formação de professores In PIMENTA S G GHEDIN E Org Professor reflexivo no Brasil gênese e crítica de um conceito São Paulo Cortez 2002 SCHÖN D Formar professores como profissionais reflexivos In NÓVOA A Org Os professores e sua formação Lisboa Dom Quixote 1992 TARDIF M Saberes e formação profissional Petrópolis Vozes 2002 VASCONCELLOS C S Coordenação do trabalho pedagógico do projeto político pedagógico ao cotidiano da sala de aula São Paulo Libertad 2002 ZABALA A A prática educativa como ensinar Porto Alegre Artmed 1998