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Texto de pré-visualização

FGVIDT FGV IDT Análise EconômicoFinanceira Sumário APRESENTAÇÃO 5 UNIDADE 01 CUSTOS 6 11 DEFINIÇÃO 6 12 CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS 6 121 CLASSIFICAÇÃO QUANTO À ALOCAÇÃO AO PRODUTO 7 13 CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO VOLUME DE PRODUÇÃO 8 131 CUSTOS VARIÁVEIS 9 132 CUSTOS FIXOS 9 133 CUSTOS HÍBRIDOS 9 14 CONSIDERAÇÕES ADICIONAIS 9 15 ITENS CUSTEADOS 10 16 OUTRAS TAXONOMIAS 11 UNIDADE 02 SISTEMAS DE CUSTEIO 13 21 SISTEMA POR ORDEM DE SERVIÇO 13 22 SISTEMA POR PROCESSO 13 23 CUSTEIO IDEAL 14 24 CONHECIMENTO DA ATIVIDADE 15 25 BASES DE AVALIAÇÃO 15 26 CUSTO REAL 15 27 CUSTO ORÇADO 16 UNIDADE 03 MÉTODOS DE CUSTEIO 17 31 MÉTODO DE CUSTEIO VARIÁVEL 17 311 VANTAGENS 17 312 DESVANTAGENS 18 313 APLICABILIDADE 18 314 ESQUEMA DO CUSTEIO VARIÁVEL 19 32 MÉTODO DE CUSTEIO POR ABSORÇÃO 20 321 DESVANTAGENS 20 322 APLICABILIDADE 20 323 ESQUEMA DO CUSTEIO POR ABSORÇÃO 21 21 UNIDADE 04 PREMISSAS ORÇAMENTÁRIAS 22 41 OBJETIVOS 22 42 ESTRATÉGIAS 22 43 PLANEJAMENTO 23 431 PLANOS DE DESEMPENHO 23 432 CRITÉRIO DE MENSURAÇÃO 23 44 CONTROLE 24 UNIDADE 05 CONCEITOS RELATIVOS À ANÁLISE ORÇAMENTÁRIA 25 51 ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 25 52 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO 26 53 OTIMIZAÇÃO DE CUSTOS E RESULTADOS 26 54 KAIZEN 27 55 CUSTO TOTAL DE PROPRIEDADE 27 UNIDADE 06 ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO 29 61 MÉTRICAS 29 62 PREMISSAS 29 621 DEFINIÇÃO DAS PREMISSAS 30 63 METAS 30 UNIDADE 07 VARIÁVEIS ENDÓGENAS E EXÓGENAS 32 71 EXEMPLOS DE VÁRIVEIS ENDÓGENAS E EXÓGENAS 32 72 INTERDEPENDÊNCIA 34 73 HIATO TEMPORAL 35 UNIDADE 08 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO FINANCEIRO 36 81 PAYBACK 36 82 VALOR PRESENTE LÍQUIDO VPL 37 83 TAXA INTERNA DE RETORNO TIR 37 84 PONTO DE EQUILÍBRIO PEQ 38 85 MARGEM DE SEGURANÇA MS 39 86 GRAU DE ALAVANCAGEM OPERACIONAL GAO 39 87 GRAU DE ALAVANCAGEM FINANCEIRA GAF 40 88 LIQUIDEZ CORRENTE LC 40 89 LIQUIDEZ GERAL LG 41 810 ENDIVIDAMENTO GERAL EG 41 811 ENDIVIDAMENTO ONEROSO EO 42 812 COMPOSIÇÃO DA EXIGIBILIDADES CE 42 813 COMPOSIÇÃO DO PASSIVO ONEROSO CPO 42 814 MARGEM BRUTA MB 43 815 MARGEM LÍQUIDA ML 43 816 RETORNO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO RPL 44 817 RETORNO DO ATIVO RA 44 UNIDADE 09 FLUXO DE CAIXA LÍQUIDO 46 91 DEFINIÇÃO 46 92 INVESTIMENTOS EM ATIVO PERMANENTE 47 93 ALAVANCAGEM FINANCEIRA 48 931 FONTES DE FINANCIAMENTO 48 932 CONCILIAÇÃO DE TAXAS 49 94 CUSTO DO CAPITAL 49 941 CÁLCULO DO CUSTO DO CAPITAL 50 UNIDADE 10 VALOR ECONÔMICO AGREGADO 51 101 REMODELAGEM DA DRE 52 102 ANÁLISE DOS INVESTIMENTOS 53 103 VALOR AGREGADO 54 104 VALOR DA EMPRESA 55 BIBLIOGRAFIA BÁSICA 57 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR 57 Apresentação A disciplina Administração EconômicoFinanceira é dedicada ao estudo da Controladoria e de como a Contabilidade a Matemática Financeira e a Administração Financeira se interrelacionam como competências necessárias à gestão empresarial O objetivo dessa disciplina é capacitáloa a interpretar orçamentos financeiros de forma a habilitáloa para o auxílio aos responsáveis da área de Controladoria na condução de planejamento O conteúdo desta disciplina é fundamental à melhor gestão de qualquer organização manufatureira ou prestadora de serviços com ou sem fins lucrativos Unidade 01 CUSTOS Nesta unidade apresentaremos os conceitos básicos da Contabilidade de Custos bem como a mecânica de mensuração do custo dos produtos bens ou serviços 11 DEFINIÇÃO Custo é uma informação quanto ao consumo de recursos na produção de bens e serviços objeto dos quais se esperam benefícios Dependendo do objeto analisado e do interesse daquele que demanda a informação o custo deve ser preparado apurado por um modelo ou método que atenda à necessidade de quem quer a informação Em Contabilidade de Custos a palavra objeto diz respeito ao objeto de custeio Os conceitos de custos e de despesas precisam ser bem compreendidos Para uma indústria é simples pensar no custo como ele é ou onde ele ocorre Custos estão relacionados com a área de produção ou a fábrica Por exclusão as despesas são os gastos relacionados com a área administrativa de vendas e financeira Como ambos são gastos custos e despesas são sacrifícios econômicos que a empresa incorre para obter seus produtos e consequentemente suas receitas 12 CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS Dentre as classificações para os custos as duas mais importantes são quanto à alocação ao produto quanto ao volume de produção 121 CLASSIFICAÇÃO QUANTO À ALOCAÇÃO AO PRODUTO Quando falamos em classificação de custos em relação ao produto alocação ao objeto de custeio estamos analisando se esses custos têm um relacionamento direto ou indireto com o objeto de custeio 1211 CUSTOS DIRETOS Custos diretos a um objeto de custeio são os custos diretamente relacionados a esse objeto Os custos diretos podem ser fácil e economicamente identificados ao objeto de custeio sem qualquer rateio mecanismo ou regra de alocação arbitrada Os exemplos clássicos de custos diretos são as matériasprimas e a mão de obra dos operários devido à possibilidade de apropriação direta do consumo desses recursos aos objetos de custeio 1212 CUSTOS INDIRETOS Custos indiretos são aqueles que não são facilmente identificados com o objeto de custeio de maneira economicamente viável pois são comuns a dois ou mais objetos de custeio áreas ou produtos por exemplo Os custos indiretos são alocados ao objeto de custeio por um método de alocação de custo denominado rateio O custo industrial é classificado em direto ou indireto em relação ao produto fabricado Por sua vez a despesa vendas é classificada em relação à origem da receita o objeto de custeio objeto em análise A informação de custo caso não seja bem trabalhada pode vir a ser manipulada de acordo com interesses específicos Algumas vezes esses interesses podem ser conflitantes com a boa técnica ou com os próprios interesses da empresa 1213 FATORES INTERVENIENTES NA CLASSIFICAÇÃO Diversos fatores afetam essa classificação como Tecnologia disponível para a coleta de informação Relacionase com o custo de sistemas de informação e de procedimentos de controle interno Desenvolvimentos nessa área proporcionam um aumento significativos da identificação de custos a serem classificados como diretos aos objetos de custeio Design das operações Relacionado com o layout fabril ou a complexidade do processo produtivo Por exemplo quando uma linha de produção ou parte de uma empresa só é utilizada para a fabricação de determinado produto podemos afirmar que todos os custos incorridos nessa linha parte da empresa são diretos ao único produto nela fabricado Acordos contratuais Relacionados com os critérios de rateios e de alocação Uma regra pode estabelecer que determinado insumo material tecnologia máquina só pode ser utilizado em um produto específico tornandoo um custo direto àquele produto 13 CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO VOLUME DE PRODUÇÃO O outro tipo de classificação dos custos envolve a análise da relação do custo com o volume de produção Há dois tipos de comportamento de custos na maioria desses sistemas custos variáveis custos fixos 131 CUSTOS VARIÁVEIS Custos variáveis são aqueles cujo consumo é influenciado pelo nível de produção A matériaprima é um exemplo de custo variável por ser um custo que se altera em montante total à medida que ocorrem mudanças no volume produzido de produtos ou de serviços 132 CUSTOS FIXOS Custos fixos são aqueles que não variam em função de alterações do nível de produção dentro do intervalo relevante de capacidade instalada 133 CUSTOS HÍBRIDOS Custos híbridos são aqueles que têm características tanto de custo fixo quanto de custo variável por definição Um exemplo típico de custo híbrido em uma indústria é a energia elétrica É comum as empresas contratarem a aquisição de energia elétrica sob duas modalidades demanda consumo Dessa forma o consumo desse recurso no processo produtivo pode ser classificado integralmente como custo fixo ou como custo variável Nesse caso a classificação depende do objeto de custeio e da forma como a energia elétrica for consumida condições de mensuração do consumo 14 CONSIDERAÇÕES ADICIONAIS Todos os custos podem ser classificados ao mesmo tempo quanto ao volume em fixos ou variáveis quanto ao objeto de custeio em diretos ou indiretos Por esse motivo mais de um método de custeio pode ser utilizado pelas empresas cada um para atender a um objetivo de informação sobre custos De todo modo as duas maneiras de classificação de custos são importantes Ambas servem de base para dois métodos de custeio o custeio por absorção que utiliza a classificação em relação ao produto o custeio variável que trabalha com a classificação em função do volume de produção 15 ITENS CUSTEADOS Alguns itens custeados são Matériaprima Tendo por objeto de custeio o produto fabricado normalmente a matériaprima é um custo direto e variável enquanto o aluguel da fábrica é um custo indireto e fixo Mão de obra A mão de obra salário dos operários da produção é normalmente um ponto à parte no processo de classificação por questões específicas de nossa legislação trabalhista e previdenciária Em relação ao objeto normalmente a mão de obra é considerada direta quando atua diretamente sobre o produto que está sendo elaborado como é o caso do pessoal da linha de produção Demais gastos com pessoal Os gastos com o pessoal de chefia e supervisão das atividades fabris que nada têm de aplicação direta sobre o produto são tratados como custos indiretos Demais atividades Atividades que apesar de vinculadas à produção nada têm de aplicação direta sobre o produto tais como manutenção prevenção de acidentes contabilidade de custos programação e controle da produção têm seu tratamento como indireto 16 OUTRAS TAXONOMIAS Além das classificações de custos que os separam quanto à alocação ao produto e quanto ao volume de produção existem outras taxonomias Duas classificações são relevantes ao processo decisório de qualquer empresa São elas Custos irrecuperáveis Os custos irrecuperáveis sunk costs são recursos empregados na construção de ativos que uma vez realizados não podem ser revertidos ou recuperados em qualquer grau significante Quanto às empresas o custo irrecuperável está relacionado na maioria dos casos à aquisição de ativos não circulantes O benefício desses ativos é esperado para um período superior a um ano como é o caso de tecnologia desenvolvida para a empresa softwares específicos máquinas e equipamentos que só atendem à necessidade da empresa na fabricação de determinado produto Caso esse produto não seja mais financeiramente viável o valor contábil dessas máquinas e desses equipamentos custo de aquisição menos a depreciação acumulada não será uma informação relevante à decisão de descontinuar a fabricação daquele produto uma vez que tal custo é irrecuperável No cotidiano empresarial existem várias situações que podem ser assim tipificadas Custo de oportunidade O custo de oportunidade corresponde àquilo que deixamos de ganhar na segunda melhor alternativa por escolhermos a primeira Quando não temos uma opção ou alternativa não podemos falar em custo de oportunidade Considerando um comportamento racional economicamente falando os gestores deveriam optar por projetos que maximizassem o ganho da empresa Dessa forma haveria uma situação em que teriam um recurso único e alguns projetos a serem selecionados e executados Em qualquer tipo de decisão ou escolha entre duas ou mais opções há uma situação de custo de oportunidade Unidade 02 SISTEMAS DE CUSTEIO No processo de apuração do custo dos produtos os gestores dispõem de dois sistemas de custeio sistema por ordem de serviço e sistema por processo Para explicar os conceitos é mais fácil exemplificar com negócios que lidam com um e com outro uma oficina de carro uma indústria de cimento 21 SISTEMA POR ORDEM DE SERVIÇO Nas oficinas concessionárias as demandas pelos trabalhos são estabelecidas em ordens para a oficina A oficina aloca todos os seus recursos materiais e mão de obra a esse objeto de custeio serviço em cada carro para que ao final tenha condições de medir o custo do serviço prestado A ordem de serviço também se aplica aos setores de manutenção e de informática de uma empresa O setor de manutenção é solicitado a fazer manutenções conforme as ordens de serviços O mesmo ocorre com o setor de informática 22 SISTEMA POR PROCESSO Quando vemos em uma indústria uma linha de produção em série temos um sistema por processo ou contínuo Os custos da linha de produção são levados aos produtos que ali passam de acordo com critérios possíveis de alocação sejam eles direta ou indiretamente aplicáveis Muitas linhas são complexas e por isso são separadas em fases ou processos Esses processos servem de meio para a alocação de custos aos produtos que fazem uso dos recursos da fase ou do processo em si Essa ação é denominada processo de estabelecimento de centros de responsabilidade ou centros de custos como são mais conhecidos A produção contínua portanto é a realidade do processo de produção de itens em massa padronizados com pouca ou nenhuma diferenciação A característica da produção contínua é principalmente o ganho de escala para fins de diluição dos gastos fixos de produção e da estrutura em geral 23 CUSTEIO IDEAL Não há como afirmar que um sistema ou um método seja melhor do que o outro pois essa avaliação depende do objetivo que temos ao apurar os custos e o fluxo de produção analisado Esse fato precisa ser compreendido para evitarmos algumas interpretações errôneas ou mesmo os dogmas de alguns gurus de métodos de custeio Devemos lembrar que não existe método de custeio certo nem errado muito menos o método ideal Existem métodos de custeio implantados e utilizados nas empresas em níveis diferentes de sucesso Cada empresa procura escolher e adequar os métodos conhecidos e disponíveis a suas necessidades de informação de custo A mensuração do custo depende do objeto de custeio Dependendo do objeto de custeio os custos são classificados como fixos ou variáveis e diretos ou indiretos Essas classificações afetam as mensurações dos custos de forma diferenciada de acordo com o método de custeio adotado e por isso o valor do custo pode ser diferente entre os métodos Obtemos o que mensuramos Sem mensuração não há análise nem controle Se a medida obtida contém subjetividade ou desvios em relação a sua medida real essas distorções afetam as decisões 24 CONHECIMENTO DA ATIVIDADE Um dos aspectos dessa natureza que precisam ser contemplados é o fluxo de produção É necessário conhecer a realidade físicooperacional da empresa conhecer como os custos nascem O fluxo de produção determina a viabilidade do sistema de custeio a ser utilizado uma vez que é inerente à forma e aos aspectos da empresa dá condições de escolhermos os métodos de custeio e de realizarmos as adaptações necessárias à realidade do negócio 25 BASES DE AVALIAÇÃO Além da discussão sobre os processos e os métodos de custeio há ainda duas bases de avaliação possíveis dos custos que são o custo real o custo orçado às vezes chamado de custopadrão Os dois critérios de avaliação real e orçado são passíveis de utilização com quaisquer sistemas de custeio por ordem e por processo e com quaisquer métodos de custeio absorção e variável 26 CUSTO REAL O custo real trabalha com os custos dos recursos efetivamente consumidos no processo de produção O custo real é utilizado para medir o passado sendo de adoção obrigatória para fins societários e tributários 27 CUSTO ORÇADO O custo orçado trabalha com estimativas de custos de recursos que esperamos que sejam consumidos no processo de produção O custo orçado é utilizado internamente para fins orçamentários e de precificação principalmente O custopadrão por exemplo é um dos tipos de custo orçado o qual também pode ser discricionário ou seja arbitrado pelo gestor ou imposto pela empresa Unidade 03 MÉTODOS DE CUSTEIO Custo é uma informação Portanto a informação de custo deve ser preparada de acordo com o objetivo desejado por meio de um modelo ou método que atenda à necessidade de quem quer a informação Para tal basta que tenhamos um sistema de custos estruturado e a escolha do método de custeio que desejamos de acordo com a demanda informacional sobre custos 31 MÉTODO DE CUSTEIO VARIÁVEL Os principais métodos de custeio são o custeio variável e o custeio por absorção O custeio variável é também denominado custeio gerencial ou custeio por contribuição O custeio variável é um método no qual só são agregados aos produtos seus custos variáveis O modelo considera que os custos fixos são como despesas e por isso são imediatamente lançados no resultado Dessa maneira difere em muito do custeio por absorção que considera todos os custos Além disso o custeio variável se baseia na classificação de custos em relação ao volume enquanto o custeio por absorção se baseia na relação com o produto Por conta dessa característica o custeio variável não é válido para elaboração de demonstrações contábeis de uso externo 311 VANTAGENS O método do custeio variável tem como principais vantagens Os custos dos produtos são mensuráveis objetivamente pois não sofrem processos arbitrários ou subjetivos de distribuição dos custos fixos O custo unitário não é afetado por mudanças no nível de estoques pois os custos fixos são alocados diretamente ao resultado Os dados necessários para a análise das relações custovolumelucro são rapidamente obtidos do sistema de informação contábil quando se tem uma base de dados adequada ao custeio variável É totalmente integrado com o custopadrão e orçamento flexível possibilitando o correto controle de custo por produto ou por área O custeio variável constitui um conceito de custeamento de inventário que corresponde proporcionalmente aos gastos necessários para produzir os produtos ou os serviços O custeio variável possibilita mais clareza no planejamento do lucro e na tomada de decisões da empresa 312 DESVANTAGENS Ao mesmo tempo existem desvantagens no custeio variável que precisam ser analisadas pela empresa para fins de adaptações corretas à sua realidade Uma delas é a exclusão dos custos fixos para valoração dos estoques Essa exclusão causa sua subavaliação ferindo os princípios contábeis e alterando o resultado do período Esse resultado pode ter divergências ou oscilações grandes entre os períodos Outra desvantagem é que na prática a separação entre custos fixos e variáveis não é tão clara e fácil como parece pois existem os custos híbridos semivariáveis e semifixos 313 APLICABILIDADE O custeio variável é adequado para análises de custos para decisões de curto prazo principalmente por não contemplar os custos fixos Os custos fixos são ligados à capacidade de produção e de planejamento de longo prazo Essa ligação pode trazer problemas de continuidade para a empresa se não for entendido que o processo de alocação dos custos fixos ao resultado não implica deixálos de lado 314 ESQUEMA DO CUSTEIO VARIÁVEL Um esquema básico do custeio variável é o seguinte 32 MÉTODO DE CUSTEIO POR ABSORÇÃO O custeio por absorção também é denominado custeio funcional ou tradicional ou full cost O custeio por absorção é o critério utilizado pelas empresas para fins de evidenciação legal do resultado isto é utilizado para fins societários pagar dividendos e fiscais pagar imposto de renda e contribuição social São características do custeio por absorção atender às exigências societárias e fiscais além de estar de acordo com os princípios e as normas de contabilidade e com as normas da legislação tributária consistir em alocar aos produtos todos os custos incorridos no processo de fabricação sejam eles diretos ou indiretos fixos ou variáveis e levar ao resultado apenas os custos dos itens vendidos produtos ou serviços registrar diretamente no resultado do período as despesas de vendas administrativas e outras não as incorporando ao custo do produto 321 DESVANTAGENS Dentre as desvantagens do custeio por absorção encontramse os custos indiretos e fixos dificultam a tomada de decisões quando alocados aos produtos dependendo do tipo de decisão Um exemplo é quando ela envolve a avaliação de cada objeto de custeio isoladamente os custos indiretos e fixos são apropriados aos produtos arbitrariamente por meio de uma taxa de rateio a informação gerada pelo custeio por absorção é de difícil utilização em projeções orçamentárias e análises de viabilidade de projetos 322 APLICABILIDADE O custeio por absorção é obrigatório para apuração do lucro líquido e dos dividendos fins societários apuração da base de cálculo de imposto de renda fins fiscais 323 ESQUEMA DO CUSTEIO POR ABSORÇÃO Os custos podem ser assim demonstrados no custeio por absorção Unidade 04 PREMISSAS ORÇAMENTÁRIAS O orçamento representa a expressão quantitativa dos planos elaborados para o período Para tanto é fundamental que o orçamento reflita a estratégia da entidade Ademais os critérios de avaliação de desempenho devem ser coerentes com a estratégia A estratégia deve estar clara pelo menos para aqueles responsáveis pela elaboração e pela avaliação do orçamento Dessa maneira vemos o orçamento como uma ferramenta de gestão capaz de sinalizar os objetivos da entidade direcionar o comportamento dos agentes funcionários oferecer mecanismos para a avaliação do desempenho desses agentes A elaboração do orçamento deve levar em conta objetivos estratégias planejamento controle 41 OBJETIVOS O orçamento deve primar pela rentabilidade das atividades da entidade sem esquecer sua função social ou seja a continuidade da entidade 42 ESTRATÉGIAS Quanto às estratégias temos de analisar pelo menos a identificação dos objetivos de curto e longo prazos a mensuração do desempenho esperado as políticas de crédito de financiamento e de venda por exemplo 43 PLANEJAMENTO O planejamento orçamentário é a materialização das estratégias da empresa O planejamento orçamentário deve ser analisado sob dois aspectos Planejamento a longo prazo compreende previsões sobre o comportamento do ambiente onde a empresa atua a fixação de objetivos amplos e a elaboração dos documentos que formalizam o planejamento CARDOSO MARIO e AQUINO 2007 p 247 Planejamento a curto prazo decorre dos estudos do ambiente presente no qual a empresa atua da identificação dos objetivos imediatos e da elaboração do plano para o primeiro segmento ou período do longo prazo CARDOSO MARIO e AQUINO 2007 p 247 431 PLANOS DE DESEMPENHO Para a operacionalização do planejamento a empresa se utiliza de planos de desempenho que podem ser mensurados em termos de gastos receitas resultados retorno do capital 432 CRITÉRIO DE MENSURAÇÃO É necessário fazer estimativas dos níveis dos diversos itens que compõem o orçamento total Para que o objetivo geral seja alcançado é necessário elaborar estimativas de desempenho planos para todas as unidades da empresa Devemos levar em consideração valores monetários unidades físicas unidades de tempo aspectos qualitativos entre outros Esses fatores servirão como premissas para a elaboração e o controle do orçamento 44 CONTROLE Para controlar é preciso registrar os resultados que vão ocorrer durante a execução dos planos e orçamentos Dessa maneira permitimos a análise das variações do ocorrido orçado versus real O controle possibilita à empresa criar um ciclo virtuoso realimentando a fase inicial de elaboração do orçamento Com isso objetivos estratégias e planos podem vir a ser alterados Unidade 05 CONCEITOS RELATIVOS À ANÁLISE ORÇAMENTÁRIA Os conceitos de custo irrecuperável e de oportunidade de otimização de custos e de resultados são de suma importância para o processo de orçamentação empresarial Esses conceitos levam os gestores a pensar os impactos que suas decisões acarretarão à empresa Nessas decisões deve ser considerado um comportamento suficientemente racional e com baixos incentivos para que os agentes atuem para seu próprio favorecimento Aliar essas concepções implica fazer com que o gestor e a empresa desenvolvam suas competências e habilidades para lidar com questões pertinentes de redução de custos antes e durante a execução dos projetos Tais concepções sempre serão ponto de avaliação por meio dos orçamentos e devem ser consideradas na estruturação e concepção das premissas orçamentárias assim como os conceitos abordados nesse módulo 51 ANÁLISE DE INVESTIMENTOS A análise da viabilidade de projetos de investimento envolve a elaboração de um orçamento budget o que é necessariamente uma análise anterior ex ante à decisão Para tal mensuramos o sacrifício de recursos empregados na decisão a ser tomada A situação em que temos um recurso único e alguns projetos a serem selecionados e executados é tratada em análise de investimentos pelos modelos de valor presente líquido VPL da taxa interna de retorno TIR Esses modelos são utilizados para mensurar a melhor escolha entre projetos excludentes Havendo o comportamento racional a escolha será pelo projeto com maior VPL e possivelmente maior TIR que será considerado a melhor opção Para apurarmos o VPL é necessário descontar os fluxos futuros a valor presente o que é feito por meio da fórmula 𝑉𝑃 𝑉𝐹 1 𝑖 onde o 𝑖 que significa taxa de desconto corresponde ao custo de oportunidade do investidor Sendo assim o custo de oportunidade é crucial à análise de viabilidade de projetos pelo menos para descontarmos os fluxos futuros a valor presente Se os demais forem descartados o custo de oportunidade da escolha daquele projeto será medido pelo VPL ou pela TIR que deixaremos de ganhar no projeto classificado como a segunda melhor opção 52 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Alguns modelos de avaliação de desempenho tentam mensurar de alguma maneira o impacto por meio de custo de oportunidade Quando da tomada de decisões os gestores devem ter em mente ambos os custos os custos irrecuperáveis os custos de oportunidade Esses custos afetam o retorno do investimento ou mesmo a capacidade de concluirmos o projeto pois servem de indicação da viabilidade do projeto da viabilidade de alguns custos de transação nem sempre possíveis de uma mensuração acurada 53 OTIMIZAÇÃO DE CUSTOS E RESULTADOS A gestão de custos é um dos tópicos mais importantes no contexto empresarial ainda mais com a busca incansável por reduções de custos e aumentos de lucratividade Dessa maneira é bom que o gestor possa contar com algumas ferramentas para auxiliálo a alcançar tais objetivos Quando pensamos em orçamento vêm a nossa mente os custos orçados Pode parecer que o objetivo do orçamento seja apenas manter esses custos nos níveis orçados e assim garantir a continuidade do negócio Se estivermos em uma economia ou um setor com oferta ilimitada de recursos em que a escassez não seja um problema uma situação como essa até pode ser aceitável No entanto no cotidiano de todas as empresas os recursos são limitados e há competição por eles 54 KAIZEN Dentro das empresas os recursos também são limitados Mais ainda os recursos podem ser reduzidos depois de um planejamento e seu consequente orçamento Por que então ninguém pensou em melhorar o orçamento do período anterior para evitar essas faltas ou mesmo para economizar mais para a empresa aumentando seus resultados O kaizen busca responder a essa pergunta a partir de sua filosofia de melhoria contínua O kaizen debruçase sobre os custos orçados e busca reduzilos continuamente período após período é uma maneira de anteciparmos gerencialmente as reduções futuras de preços e realizarmos as adequações necessárias principalmente no projeto inicial é um tipo de procedimento adotado durante as fases de pesquisa e desenvolvimento dos produtos que perdura durante todo o seu ciclo de vida 55 CUSTO TOTAL DE PROPRIEDADE A implantação de uma mina nova para uma mineradora é algo que precisa ser analisado Essa análise deve ser feita no tocante ao custo de aquisição do direito de lavra a sua operação ao descarte ou à recuperação do meio ambiente em seu entorno ao final A esse tipo de análise denominouse custo total de propriedade O custo total de propriedade analisa todos os possíveis custos subjacentes à aquisição que são relevantes para a tomada de decisão Dessa maneira os projetos que competem pelos recursos escassos da empresa serão analisados em toda a extensão de seu ciclo de vida proporcionando a escolha da melhor alternativa de investimento Unidade 06 ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO A decisão que o gestor enfrenta na elaboração orçamentária após estabelecer as premissas diz respeito a por onde começar a orçamentação pelas vendas pela produção pelas compras pela capacidade instalada do imobilizado Muitos livros de orçamento estabelecem que o processo orçamentário deve começar pela projeção das vendas Entretanto o orçamento deve começar a ser elaborado pelo fator restritivo que a entidade considera mais significativo para o período futuro cujas projeções serão elaboradas 61 Métricas O orçamento é uma das principais peças elaboradas pela Contabilidade Gerencial uma vez que traduz a estratégia da organização em métricas ou medidas qualitativas quantitativas não monetárias quantitativas monetárias Por esse motivo é necessária a disseminação do orçamento entre os agentes da empresa os quais efetivamente são os responsáveis por fazer acontecer na maioria das vezes 62 Premissas Ao elaborar e analisar uma projeção orçamentária é necessário conhecer a empresa no que diz respeito a características físicooperacionais sua filosofia seus modelos de gestão e decisão sua estrutura organizacional características comportamentais de seus colaboradores informações acerca das variáveis ambientais A contabilidade proporciona aos gestores o sistema mais eficiente para o exercício da elaboração e análise orçamentária 621 DEFINIÇÃO DAS PREMISSAS O processo orçamentário envolve a definição de premissas e de indicadores de desempenho Ao projetar o desempenho o gestor estima o comportamento de variáveis internas endógenas e variáveis externas exógenas à empresa As variáveis internas são passíveis de controle pelos gestores As variáveis externas são aquelas não controláveis Sinteticamente as variáveis exógenas são possibilidades de outputs advindas de decisões que dependem de outras áreas ou divisões da empresa ou de agentes externos à empresa 63 METAS Após estabelecer os indicadores de avaliação do desempenho passamos à definição de quais níveis de desempenho serão objetivados Passamos a estabelecer e negociar metas As metas representam os valores orçados Esses valores servem de base para a comparação durante a avaliação das variações orçamentárias É necessário que algumas premissas sejam estabelecidas para balizar toda a confecção do orçamento sua implantação e seu posterior controle Dessa maneira evitamos atitudes de imposição ou de falta de base para solucionar conflitos futuros As premissas são fundamentais à projeção orçamentária Unidade 07 VARIÁVEIS ENDÓGENAS E EXÓGENAS O processo de mensuração das estimativas daquilo que planejamos envolve diversas variáveis endógenas e exógenas à empresa cujo real comportamento só será conhecido no futuro 71 EXEMPLOS DE VÁRIVEIS ENDÓGENAS E EXÓGENAS Dentre os exemplos de variáveis endógenas e exógenas podemos incluir Preço a ser praticado quando da venda do produto O preço pode sofrer alterações dependendo da elasticidade do preço da demanda da entrada e saída de concorrentes no mercado de regulação tarifária do sucesso do produto da variação na renda do consumidor Volume a ser vendido a cada período O volume pode sofrer alterações dependendo da elasticidade do preço da demanda da entrada e saída de concorrentes no mercado de regulação tarifária do sucesso do produto da variação na renda do consumidor Política de vendas Está relacionada com o prazo de vencimento das duplicatas e os descontos comerciais A empresa pode se ver pressionada a alterar sua política de vendas dependendo dos fatores que afetam o preço e o volume da necessidade de fluxo de caixa Estimativa dos impostos incidentes sobre as vendas As regras tributárias fato gerador base de cálculo e alíquota podem ser alteradas dependendo da política fiscal Preço a ser pago ao fornecedor ou custo O preço pode sofrer alterações dependendo da elasticidade do preço da demanda da entrada e saída de concorrentes no mercado de regulação tarifária do sucesso do produto da variação na renda do consumidor Prazo de vencimento das duplicatas e descontos comerciais A empresa pode se ver pressionada a alterar sua política de compras dependendo do equilíbrio entre o poder de barganha da empresa compradora e da fornecedora da necessidade de fluxo de caixa das questões que afetam o preço da mercadoria Política de compras Considera o nível do estoque de segurança Estimativa dos impostos incidentes sobre as compras Dependendo da política fiscal as regras tributárias fato gerador base de cálculo e alíquota podem ser alteradas Esforço de venda Relacionase com veículo de divulgação quantidade de vendedores sistema de remuneração dos vendedores salário fixo e comissão Se as vendas não se desenvolverem conforme o previsto a empresa se verá forçada a alterar seus esforços de venda Esforço administrativo Relacionase com quantidade de funcionários administrativos sistema de remuneração salário fixo e pacote de remuneração variável como participação nos lucros Caso o nível de atividade esteja muito diferente do previsto provavelmente a empresa precisará alterar seu esforço de venda Encargos incidentes sobre a folha de pagamento comercial e administrativa Dependendo da política social e da regra previdenciária fato gerador base de cálculo e alíquota podem ser alterados Estimativa da alíquota do imposto de renda Dependendo da política fiscal as regras tributárias fato gerador base de cálculo e alíquota podem ser alteradas Política de investimentos Relacionase com imobilizados a serem adquiridos e respectivos vida útil valor residual gastos com manutenção impostos sobre a propriedade como IPTU e IPVA por exemplo Em função da capacidade instalada e da necessidade de fluxo de caixa a política de investimentos pode ser alterada Política de financiamento Relacionase com a parcela do patrimônio que será financiada por terceiros com dívidas onerosas o prazo de pagamento das dívidas onerosas o custo da dívida juros inflação Em função da situação macroeconômica taxa de emprego disponibilidade de capitais a inflação e o custo da dívida podem sofrer alterações significativas que forcem a empresa a rever sua estratégia de endividamento além de questões relacionadas ao fluxo de caixa 72 INTERDEPENDÊNCIA Pouco importa se as variáveis são endógenas ou exógenas à entidade As premissas orçamentárias são necessárias Aparentemente as variáveis exógenas são mais vulneráveis a alterações porém essa constatação não é uma verdade absoluta 73 HIATO TEMPORAL O orçamento é elaborado em um momento anterior à execução Durante o hiato temporal existente entre o planejamento e sua execução o estado da natureza das variáveis endógenas e exógenas pode sofrer alterações Durante o planejamento orçamentário em T0 portanto é necessário estabelecer algumas premissas Quando da execução e do controle em T1 e posteriormente é necessário identificar as causas das variações entre o que havia sido planejado e o que foi executado Unidade 08 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO FINANCEIRO Vamos discutir e entender como os métodos de avaliação de investimentos e de desempenho econômicofinanceiro são úteis à avaliação de planos orçamentários Começaremos com uma breve revisão dos principais métodos de avaliação São métodos de avaliação de investimentos e de desempenho econômicofinanceiro payback valor presente líquido taxa interna de retorno ponto de equilíbrio grau de alavancagem operacional grau de alavancagem financeira indicadores de liquidez indicadores de endividamento indicadores de lucratividade indicadores de rentabilidade Esses indicadores são úteis para uma análise do orçamento e das demonstrações contábeis projetadas 81 PAYBACK O objetivo do payback é identificar a partir de que momento data o projeto recupera o capital investido Para tanto é necessário descontar os fluxos dos períodos futuros um a um a valor presente subtrair esses fluxos do capital investido na data zero até que seu saldo se torne positivo Quanto mais rápido ficar positivo o valor do capital investido descontado dos fluxos futuros um a um a valor presente melhor Quanto menor o payback melhor 82 VALOR PRESENTE LÍQUIDO VPL O objetivo do método valor presente líquido VPL é identificar entre duas ou mais alternativas de investimento qual é a mais interessante Para tanto é necessário descontar todos os fluxos futuros a valor presente subtrair desse valor presente esperado dos fluxos futuros o valor presente do investimento capital inicial Quanto mais positiva for a diferença entre o valor presente esperado e o valor do investimento mais interessante é esse investimento Quanto maior o VPL melhor Sob a ótica financeira esse método não possui limitações relevantes 83 TAXA INTERNA DE RETORNO TIR O método da taxa interna de retorno TIR tem por objetivo identificar à qual taxa o projeto remunera o capital nele aplicado Assim como o VPL a TIR também parte da lógica de que 𝑉𝑃 𝑉𝐹 1 𝑖 Nesse caso a incógnita é a taxa de juros 𝑖 Quanto maior a TIR melhor Havendo mais de uma alternativa de investimento devemos comparar a TIR de cada projeto e escolher pelo que oferecer a maior A maior TIR aponta para o projeto que é melhor em seu custo de oportunidade Mais importante do que investir no projeto com maior taxa de retorno em é investir no projeto que gera o maior benefício futuro a valor presente em R Em resumo o que importa realmente é o VPL A TIR é meramente complementar 84 PONTO DE EQUILÍBRIO PEQ O método ponto de equilíbrio PEq PEC PEE ou PEF tem o objetivo de identificar o nível de atividade mínimo em R ou em unidades para a empresa operar sem apurar prejuízo No ponto de equilíbrio receitas e gastos custos e despesas igualamse de forma a apurar lucro zero Podemos compreender esse lucro sob três óticas Ótica contábil Esse lucro é o lucro líquido da DRE portanto tratase do ponto de equilíbrio contábil 𝑃𝐸𝐶 𝑔𝑎𝑠𝑡𝑜𝑠 𝑓𝑖𝑥𝑜𝑠 𝑚𝑎𝑟𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢𝑖çã𝑜 𝑢𝑛𝑖𝑡á𝑟𝑖𝑎 para que o lucro seja zero Ótica econômica Esse lucro anormal aquele acima do retorno mínimo exigido pelo proprietário portanto tratase do ponto de equilíbrio econômico 𝑃𝐸𝐸 𝑔𝑎𝑠𝑡𝑜𝑠 𝑓𝑖𝑥𝑜𝑠 𝐿𝐴𝐼𝑅 𝑚𝑎𝑟𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢𝑖çã𝑜 𝑢𝑛𝑖𝑡á𝑟𝑖𝑎 para que o lucro líquido seja igual ao retorno mínimo exigido Ótica financeira A ótica financeira trabalha com o regime de caixa as entradas e as saídas de dinheiro se igualam portanto tratase do ponto de equilíbrio financeiro 𝑃𝐸𝐹 𝑔𝑎𝑠𝑡𝑜𝑠 𝑓𝑖𝑥𝑜𝑠 𝐿𝐴𝐼𝑅 𝑎𝑚𝑜𝑟𝑡𝑖𝑧𝑎çã𝑜 𝑑𝑒 𝑑í𝑣𝑖𝑑𝑎𝑠 𝑚𝑎𝑟𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢𝑖çã𝑜 𝑢𝑛𝑖𝑡á𝑟𝑖𝑎 Ao interpretarmos o ponto de equilíbrio notamos que quanto menor melhor E ainda quanto mais distante isto é acima do ponto de equilíbrio a empresa operar melhor Essa lógica sugere o conceito de margem de segurança A limitação do método do ponto de equilíbrio é considerar que o preço de venda e o custo variável unitário permanecem constantes independentemente do nível de atividade volume produzido e vendido pressupondo ainda a perfeita distinção entre gastos fixos e variáveis 85 MARGEM DE SEGURANÇA MS A margem de segurança é simplesmente a distância em unidades vendidas ou em percentual de vendas entre o nível real de atividade NR e o ponto de equilíbrio Portanto 𝑀𝑆 𝑁𝑅 𝑃𝐸𝑞 𝑁𝑅 Podemos dizer que quanto maior a MS melhor Suas limitações são as mesmas que o ponto de equilíbrio No entanto adicionamos o fato de que para novo nível de atividade temos nova MS 86 GRAU DE ALAVANCAGEM OPERACIONAL GAO O método grau de alavancagem operacional GAO assim como a MS tem como objetivo identificar o risco operacional da entidade Entretanto a interpretação do GAO é diferente O GAO mede o impacto que a variação percentual do volume vendido nível de atividade acarreta em termos percentuais no lucro da empresa Portanto 𝐺𝐴𝑂 𝐿𝐿 𝑄 Suas limitações são as mesmas do PEq e da MS 87 GRAU DE ALAVANCAGEM FINANCEIRA GAF O grau de alavancagem financeira GAF procura identificar o risco financeiro isto é o quanto do lucro é dependente das despesas financeiras Em outras palavras o GAF identifica a importância das despesas financeiras na manutenção do lucro da entidade A empresa pode ter lucro antes das despesas financeiras genuinamente operacional mas prejuízo antes do imposto de renda LAIR negativo Nesse caso as despesas financeiras estariam corroendo o resultado das operações Podemos dizer que quanto menor o GAF melhor nesse caso pois indica alto custo das dívidas contraídas pela empresa o que corrói o lucro líquido O método GAF possui uma limitação Segundo os modelos adotados por Finanças a maneira como tratamos as despesas financeiras pode encobrir detalhes importantes do efeito da alavancagem como o imposto de renda 88 LIQUIDEZ CORRENTE LC A liquidez corrente é um simples quociente entre ativo circulante e passivo circulante LC ACPC Podemos dizer que quanto maior é a liquidez corrente melhor a priori A liquidez corrente apresenta uma limitação pois ignora a compatibilização das datas de vencimento das dívidas com as datas de realização dos recebíveis 89 LIQUIDEZ GERAL LG O método da liquidez geral tem como objetivo identificar a capacidade de a empresa honrar todas as suas dívidas as que vencem no curto prazo e as que vencem no longo prazo A liquidez geral é o simples quociente entre o somatório do ativo circulante com o realizável a longo prazo em função do somatório do passivo circulante com o exigível a longo prazo LG AC RLPPC ELP Quanto maior é a liquidez geral melhor a priori Sua limitação é a mesma da liquidez corrente A liquidez geral ignora a compatibilização das datas de vencimento das dívidas com as datas de realização dos recebíveis O agravante é que a liquidez geral leva em consideração todos os realizáveis e todos os exigíveis independentemente das datas de maturação dos títulos 810 ENDIVIDAMENTO GERAL EG O método do endividamento geral tem como objetivo identificar a parcela do patrimônio total que é financiada por terceiros O endividamento geral é o simples quociente entre o somatório do passivo circulante e o exigível a longo prazo em função do ativo total EG PC ELPativo Quanto menor é o endividamento geral melhor A limitação do endividamento geral é ignorar o custo da divida ou seja PC ELP em relação ao custo do capital próprio PL 811 ENDIVIDAMENTO ONEROSO EO O método do endividamento oneroso ou passivo oneroso sobre ativo procura identificar a parcela do patrimônio total que é financiada por dívidas onerosas com terceiros O método do endividamento oneroso demanda a classificação prévia dos passivos em onerosos ou de financiamento não onerosos ou operacionais ou cíclicos O endividamento oneroso é o quociente entre o somatório do passivo circulante oneroso com o exigível a longo prazo oneroso em função do ativo total EO POSA PCO ELPOativo Quanto menor é o endividamento oneroso melhor O método do endividamento oneroso ignora o custo da dívida ou seja PCO ELPO em relação ao custo do capital próprio PL Seu atenuante comparando com o EG é que o EO considera fontes de recursos onerosos 812 COMPOSIÇÃO DA EXIGIBILIDADES CE É o simples quociente do passivo circulante em função do somatório do passivo circulante com o exigível a longo prazo CE PCPC ELP Quanto menor é a composição do passivo melhor As limitações da composição do passivo são as mesmas do endividamento geral A composição do passivo ignora o custo da divida PC ELP em relação ao custo do capital próprio PL 813 COMPOSIÇÃO DO PASSIVO ONEROSO CPO O método da composição do passivo oneroso procura identificar a parcela do passivo oneroso que vence no curto prazo Esse método demanda a classificação prévia dos passivos em onerosos ou de financiamento e não onerosos ou operacionais ou cíclicos A composição do passivo oneroso é o quociente do passivo circulante oneroso em função do somatório do passivo circulante oneroso com o exigível a longo prazo oneroso CPO PCOPCO ELPO As limitações da composição do passivo oneroso são as mesmas do endividamento oneroso EO ou POSA ignora o custo da dívida ou seja PCO ELPO em relação ao custo do capital próprio PL comparando com o CE o CPO só leva em consideração fontes de recursos onerosos 814 MARGEM BRUTA MB O método da lucratividade bruta ou margem bruta tem o objetivo de identificar a parcela da receita que fica com a empresa após deduzir os impostos sobre as vendas as vendas canceladas as devoluções os abatimentos A lucratividade bruta é o simples quociente entre o lucro bruto e a receita bruta isto éMB LB RB Normalmente a lucratividade bruta é calculada em função da receita líquida considerando a receita líquida no denominador ou seja MB LBRL Quanto maior é a margem bruta melhor A limitação da margem bruta é gerar a mesma informação que aquela obtida na análise vertical da DRE 815 MARGEM LÍQUIDA ML A lucratividade líquida é o simples quociente entre o lucro líquido e a receita bruta ou seja ML LLRB A lucratividade líquida também pode ser calculada em função da receita líquida considerando a receita líquida no denominador isto éML LLRL Quanto maior é a lucratividade líquida melhor A limitação da lucratividade líquida é gerar a mesma informação que a análise vertical da DRE 816 RETORNO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO RPL O método do retorno do patrimônio líquido procura avaliar à que taxa a empresa remunera o capital investido pelos proprietários O retorno do patrimônio líquido é o quociente entre o lucro líquido e o patrimônio líquido RPL LLPLm Sendo o PLm a média aritmética simples entre o PL inicial e o PL final PLm PLi PLf 2 Quanto maior é o retorno do patrimônio líquido melhor preferencialmente maior do que o custo de oportunidade dos proprietários O RPL é limitado pois há diversos argumentos para considerarmos no denominador somente o PLi ou somente o PLf deduzido do LL do próprio período Levando em consideração no denominador o PLi ou o PLm é importante atualizar o PLi monetariamente de acordo com a inflação do período 817 RETORNO DO ATIVO RA O método do retorno do ativo RA também conhecido rentabilidade do ativo ROA tem o objetivo de avaliar à que taxa a empresa remunera o capital investido por todos os seus financiadores de recursos O retorno do ativo é o quociente do somatório do lucro líquido com as despesas financeiras líquidas de imposto de renda e contribuição social em função do ativo total RA LL DF 1 IR ATIVOm Sendo o ATIVOm a média aritmética simples entre o ATIVO inicial e o ATIVO final ou seja ATIVOm ATIVOi ATIVOf 2 Sendo IR a alíquota do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro Quanto maior é o retorno ativo melhor O método do retorno do ativo é limitado pois há diversos argumentos para considerarmos no denominador somente o ATIVOi ou somente o ATIVOf deduzido do LL do próprio período Levando em consideração no denominador o ATIVOi ou o ATIVOm é importante atualizar o ATIVOi monetariamente de acordo com a inflação do período Além disso muitos não somam ao numerador as despesas financeiras líquidas de imposto de renda e contribuição social DF 1 IR Unidade 09 FLUXO DE CAIXA LÍQUIDO Uma boa gestão financeira começa com o planejamento financeiro Por meio do planejamento financeiro é possível nos anteciparmos e programarmos buscando efetivar algumas estratégias de possíveis investimentos ou de administração da necessidade de capital de giro da empresa A eficiência do planejamento e a gestão financeira podem ser mensuradas pela apuração do fluxo de caixa líquido da empresa 91 DEFINIÇÃO Fluxo de caixa líquido é a quantidade de fluxo de caixa disponível para distribuição aos investidores O valor de uma empresa está diretamente relacionado a sua habilidade de gerar fluxo de caixa livre ou líquido Por exemplo o pagamento de dividendos exigidos pelos sócios os pagamentos decorrentes da aquisição de bens para o imobilizado a amortização de dívidas com terceiros os empréstimos novos a serem obtidos junto a terceiros Algebricamente portanto o FCL é fluxo de caixa operacional FCO dividendos investimentos em ativo permanente amortização da dívida novos empréstimos fluxo de caixa líquido FCL ou free cash flow após decisões estratégicas Para se apurar o fluxo de caixa líquido FCL é necessário apurar o fluxo de caixa operacional FCO O FCO referese às atividades operacionais que consistem no reconhecimento dos ingressos e desembolsos atrelados exclusivamente às atividades principais do empreendimento relacionadas à produção e à entrega de bens e serviços normalmente relacionamse com as transações que constam na DRE Alguns exemplos de fluxo de caixa líquido são recebimento pela venda de produtos e serviços à vista ou das duplicatas correspondentes em caso de vendas a prazo geração de caixa pagamentos a fornecedores referentes à compra da matériaprima para a produção bens para revenda estoque serviços prestados por terceiros consumo de caixa pagamento de despesas administrativas e comerciais inclusive salários impostos contas de luz telefone água consumo de caixa 92 INVESTIMENTOS EM ATIVO PERMANENTE Investimentos em ativo permanente representam os valores desembolsados na compra e na instalação de equipamentos outros ativos fixos visando a sua manutenção ou a seu crescimento manutenção ou ampliação da capacidade instalada Podemos comparar o fluxo de caixa livre com a variação do saldo de caixa Dessa maneira obtemos o fluxo de caixa que fica à disposição dos acionistas para fins de decisões de distribuição quando positivo e suficiente ou de novo aporte de recursos quando insuficiente 93 ALAVANCAGEM FINANCEIRA A empresa busca gerar lucros para remunerar os capitais como salários para a mão de obra honorários para a diretoria juros para os financiadores externos dividendos para os acionistas Desse modo temos O conceito de alavancagem financeira pode ser visto como o efeito da estrutura de financiamento no lucro dos acionistas 931 FONTES DE FINANCIAMENTO O estudo da alavancagem financeira relaciona as fontes de financiamento capital próprio versus capital de terceiros procurando medir se a estrutura de capital da empresa está beneficiando seus acionistas Recordando que o CD representa o Custo da Divida o RA o Retorno do Ativo e RPL o Retorno do Patrimônio Líquido a regra geral da alavancagem financeira é CD RA os acionistas bancam a diferença com sua parte do lucro ou do próprio capital CD RA os acionistas ganham a diferença ou seja RPL RA Há situações em que existem graus de alavancagem financeira GAFs desfavoráveis que reduzem o retorno final dos acionistas Esse fato ocorre porque o custo da dívida CD é maior do que o RA Nesse caso devemos evitar o endividamento Existindo equivalência entre RA e CD podemos dizer que a alavancagem é neutra Precisamos então analisar outras variáveis para decidir sobre o endividamento já que de acordo com aquela alavancagem tanto faz Para subsidiar essa decisão é necessário verificar se os recursos gerados fluxo de caixa operacional ou FCO são suficientes para o pagamento da dívida 932 CONCILIAÇÃO DE TAXAS Além da conciliação das taxas de captação com as taxas de aplicação é preciso conciliar o prazo de amortização dos empréstimos com o prazo de geração de recursos Dessa maneira evitamos deixar a empresa em má situação financeira Essa atitude é essencial haja vista a dificuldade de renovação de empréstimos ou da obtenção de outros recursos para o pagamento de dívidas Além disso temos de investigar o impacto que uma nova dívida acarretará no custo da dívida CD Quanto mais alavancada financeiramente maior risco a empresa expõe seus financiadores Consequentemente esses financiadores exigirão um retorno maior Essa exigência aumentará o CD Os juros pagos ou devidos aos financiadores externos são reconhecidos contabilmente como despesas financeiras que são tributariamente despesas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda 94 CUSTO DO CAPITAL O custo de capital de terceiros aplicado na entidade é elevado Altos níveis de endividamento são ruins Essas são duas ideias que necessitam ser avaliadas Estudando a alavancagem financeira percebemos que essa situação só será ruim se os gestores da entidade tomarem decisões de investimento incorretas Decisões incorretas levam a entidade a obter retornos abaixo do custo da dívida Por outro lado o crescente endividamento eleva o que denominamos risco do financiador seja o acionista ou um terceiro Dessa forma o financiador passa a exigir que a entidade o remunere com taxas de retorno maiores pois risco e retorno caminham juntos 941 CÁLCULO DO CUSTO DO CAPITAL A ideia de que o custo do capital de terceiros é mais caro está distorcida O custo de capital mais elevado para a empresa normalmente é o do capital próprio Os diversos tipos de capitais investidos na empresa próprio e de terceiros apresentam um custo diferente para a entidade Para avaliar o custo de capital da empresa é necessário ponderarmos o custo do capital de cada um terceiros e proprietários em relação a seu volume de participação na estrutura de financiamento O custo de capital de terceiros será denominado de CD e o custo de capital próprio de CPL P é o montante de passivos onerosos da entidade PL o montante de capital próprio Para obtermos o custo médio ponderado de capital CMPC da entidade basta aplicar a seguinte equação A obtenção do CD é possível a partir das demonstrações contábeis a relação entre os passivos onerosos do BP e das despesas financeiras na DRE Já a obtenção do custo de capital próprio CPL não é tão simples Existem modelos específicos para apurar o valor aproximado desse custo Vamos então considerar um CPL já estabelecido Unidade 10 VALOR ECONÔMICO AGREGADO O Economic Value Added modelo EVA é uma marca registrada da Stern Stewart Inc O EVA é uma medida de criação de valor identificada por meio do desempenho operacional da própria empresa O EVA considera as informações contábeis da empresa como base de mensuração de seu desempenho portanto evidencia se ela agrega ou não valor aos donos da empresa Em outras palavras o EVA demonstra se o lucro líquido que a empresa obtém é suficiente para compensar o custo do capital ou custo de oportunidade dos donos em relação ao investimento realizado EXEMPLO Vejamos um exemplo de aplicação do EVA Determinada empresa possui um acionista que exige retorno de 2502 sobre o capital por ele aplicado e que contribui com o imposto de renda na alíquota de 25 sobre o LAIR No início do período a empresa apurou o seguinte balanço patrimonial BP no início do período Lembrese estiver dentro dos parênteses Consideramos o encargo financeiro de 30 por período sobre os empréstimos a ser desembolsado no início do período seguinte em conjunto com o imposto de renda O resultado e o balanço final são indicados respectivamente nas demonstrações a seguir DRE no final do período BP no final do período Podemos observar que o lucro agora sofre a incidência do imposto de renda É necessário o uso desse artifício porque as despesas financeiras têm o efeito de reduzir o imposto por reduzirem a base de seu cálculo e essa redução deve ser computada como devida aos passivos 101 REMODELAGEM DA DRE Para analisarmos o exemplo devemos remodelar a DRE a fim de tornar possível a verificação do lucro gerado pelos ativos denominado lucro operacional líquido LOL a economia de imposto de renda gerada pelas despesas financeiras EIR demonstração de resultado no final do período 102 ANÁLISE DOS INVESTIMENTOS Analisando em função dos valores investidos no início do período temos 𝑐𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑎 𝑑í𝑣𝑖𝑑𝑎 𝐶𝐷 í0 0 12 34 5 27 89999 2 9 99999 225 𝑟𝑒𝑐𝑎𝑙𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑑𝑜 𝑜 𝑅𝐴 54 445 5í04 34 5 𝑅𝐴 2 8999 2 79 99999 2438 𝑟𝑒𝑐𝑎𝑙𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑑𝑜 𝑜 𝑅𝑃𝐿 54 5í04 5 𝑅𝑃𝐿 28 8999 2 9 99999 2625 retorno sobre o PL Tendo essas informações e considerando custo do PL CPL de 2502 identificamos que o custo médio ponderado do capital ou CMPC da identidade é 𝑃 𝑃𝐿 𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑅40000 𝐶𝑀𝑃𝐶 𝑃 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 𝐶𝐷 𝑃𝐿 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝐶𝑃𝐿 05 225 05 2502 2376 O percentual encontrado de custo médio ponderado CMPC representa a remuneração mínima exigida pelos financiadores acionistas e credores da entidade O CMPC corresponde ao retorno mínimo que os ativos da entidade devem gerar para se tornarem economicamente atrativos Se uma entidade apresenta um RA maior do que o CMPC está agregando valor ao empreendimento Essa empresa demonstra sua capacidade de remunerar investimentos e melhorar a avaliação de seu valor de mercado valor de suas ações Consequentemente a entidade aumenta o valor do patrimônio dos acionistas e proprietários sua riqueza 103 VALOR AGREGADO Considerando o CPL 2502 e o RPL 2625 essa entidade está agregando valor para o acionista 2625 2502 retorno residual de 123 O percentual de 123 aplicado sobre o capital investido pelo acionista no exemplo R 2000000 gera o lucro residual ou valor agregado de R 24600 O valor de R 24600 pode ser reconciliado descontandose do lucro operacional líquido a despesa financeira líquida da economia tributária e o lucro líquido exigido pelo acionista conforme a seguir lucro operacional líquido R975000 remuneração do capital de terceiros CD DF EIR R450000 remuneração líquida do capital próprio CPL CPL x PL R 500400 EVA valor econômico agregado R24600 Ou calculado diretamente pela seguinte fórmula EVA LOL CMPC x investimento total R975000 2376 x R4000000 EVA R975000 R950400 R24600 Podemos verificar que o investimento total é a soma dos montantes de capitais de terceiros e próprio que precisam ser remunerados portanto não é o mesmo valor do ativo total utilizado em alguns cálculos o CPL é maior do que o CD em R 50400 R 500400 R 450000 demonstrando que nesse caso o senso comum não se aplica 104 VALOR DA EMPRESA Podemos proceder a avaliação do valor da empresa VE a partir de sua capacidade de geração de recursos lucro operacional líquido ou LOL Consideramos que caso o lucro operacional se perpetue seja para sempre o valor da empresa pode ser obtido pela razão entre o LOL e o CMPC Desse modo o valor de compra da empresa seria dado por 𝑉𝐸 𝐿𝑂𝐿 𝐶𝑀𝑃𝐶 9 750 2376 𝑅 41 03535 Nesse caso percebemos que a empresa tem um valor maior do que o registrado contabilmente ativo inicial Normalmente isso é considerado em casos de aquisições Esse fato levaria os donos da empresa a terem um ganho ou um valor agregado total em relação ao investimento líquido inicial VE passivo PL ou a seu patrimônio líquido de R 103535 ou seja R 4103535 R 2000000 R 2000000 BIBLIOGRAFIA BÁSICA CARDOSO Ricardo Lopes MARIO Poueri do Carmo AQUINO André Carlos B Contabilidade Gerencial São Paulo Atlas 2007 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR GITMAN Lawrence J Princípios de Administração Financeira 7a ed São Paulo Harbras 1997 ROSS Stephen A et al Administração Financeira São Paulo Atlas 1995 SZUSTER Natan et al Contabilidade Geral introdução à contabilidade societária 2a ed São Paulo Atlas 2008

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Texto de pré-visualização

FGVIDT FGV IDT Análise EconômicoFinanceira Sumário APRESENTAÇÃO 5 UNIDADE 01 CUSTOS 6 11 DEFINIÇÃO 6 12 CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS 6 121 CLASSIFICAÇÃO QUANTO À ALOCAÇÃO AO PRODUTO 7 13 CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO VOLUME DE PRODUÇÃO 8 131 CUSTOS VARIÁVEIS 9 132 CUSTOS FIXOS 9 133 CUSTOS HÍBRIDOS 9 14 CONSIDERAÇÕES ADICIONAIS 9 15 ITENS CUSTEADOS 10 16 OUTRAS TAXONOMIAS 11 UNIDADE 02 SISTEMAS DE CUSTEIO 13 21 SISTEMA POR ORDEM DE SERVIÇO 13 22 SISTEMA POR PROCESSO 13 23 CUSTEIO IDEAL 14 24 CONHECIMENTO DA ATIVIDADE 15 25 BASES DE AVALIAÇÃO 15 26 CUSTO REAL 15 27 CUSTO ORÇADO 16 UNIDADE 03 MÉTODOS DE CUSTEIO 17 31 MÉTODO DE CUSTEIO VARIÁVEL 17 311 VANTAGENS 17 312 DESVANTAGENS 18 313 APLICABILIDADE 18 314 ESQUEMA DO CUSTEIO VARIÁVEL 19 32 MÉTODO DE CUSTEIO POR ABSORÇÃO 20 321 DESVANTAGENS 20 322 APLICABILIDADE 20 323 ESQUEMA DO CUSTEIO POR ABSORÇÃO 21 21 UNIDADE 04 PREMISSAS ORÇAMENTÁRIAS 22 41 OBJETIVOS 22 42 ESTRATÉGIAS 22 43 PLANEJAMENTO 23 431 PLANOS DE DESEMPENHO 23 432 CRITÉRIO DE MENSURAÇÃO 23 44 CONTROLE 24 UNIDADE 05 CONCEITOS RELATIVOS À ANÁLISE ORÇAMENTÁRIA 25 51 ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 25 52 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO 26 53 OTIMIZAÇÃO DE CUSTOS E RESULTADOS 26 54 KAIZEN 27 55 CUSTO TOTAL DE PROPRIEDADE 27 UNIDADE 06 ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO 29 61 MÉTRICAS 29 62 PREMISSAS 29 621 DEFINIÇÃO DAS PREMISSAS 30 63 METAS 30 UNIDADE 07 VARIÁVEIS ENDÓGENAS E EXÓGENAS 32 71 EXEMPLOS DE VÁRIVEIS ENDÓGENAS E EXÓGENAS 32 72 INTERDEPENDÊNCIA 34 73 HIATO TEMPORAL 35 UNIDADE 08 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO FINANCEIRO 36 81 PAYBACK 36 82 VALOR PRESENTE LÍQUIDO VPL 37 83 TAXA INTERNA DE RETORNO TIR 37 84 PONTO DE EQUILÍBRIO PEQ 38 85 MARGEM DE SEGURANÇA MS 39 86 GRAU DE ALAVANCAGEM OPERACIONAL GAO 39 87 GRAU DE ALAVANCAGEM FINANCEIRA GAF 40 88 LIQUIDEZ CORRENTE LC 40 89 LIQUIDEZ GERAL LG 41 810 ENDIVIDAMENTO GERAL EG 41 811 ENDIVIDAMENTO ONEROSO EO 42 812 COMPOSIÇÃO DA EXIGIBILIDADES CE 42 813 COMPOSIÇÃO DO PASSIVO ONEROSO CPO 42 814 MARGEM BRUTA MB 43 815 MARGEM LÍQUIDA ML 43 816 RETORNO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO RPL 44 817 RETORNO DO ATIVO RA 44 UNIDADE 09 FLUXO DE CAIXA LÍQUIDO 46 91 DEFINIÇÃO 46 92 INVESTIMENTOS EM ATIVO PERMANENTE 47 93 ALAVANCAGEM FINANCEIRA 48 931 FONTES DE FINANCIAMENTO 48 932 CONCILIAÇÃO DE TAXAS 49 94 CUSTO DO CAPITAL 49 941 CÁLCULO DO CUSTO DO CAPITAL 50 UNIDADE 10 VALOR ECONÔMICO AGREGADO 51 101 REMODELAGEM DA DRE 52 102 ANÁLISE DOS INVESTIMENTOS 53 103 VALOR AGREGADO 54 104 VALOR DA EMPRESA 55 BIBLIOGRAFIA BÁSICA 57 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR 57 Apresentação A disciplina Administração EconômicoFinanceira é dedicada ao estudo da Controladoria e de como a Contabilidade a Matemática Financeira e a Administração Financeira se interrelacionam como competências necessárias à gestão empresarial O objetivo dessa disciplina é capacitáloa a interpretar orçamentos financeiros de forma a habilitáloa para o auxílio aos responsáveis da área de Controladoria na condução de planejamento O conteúdo desta disciplina é fundamental à melhor gestão de qualquer organização manufatureira ou prestadora de serviços com ou sem fins lucrativos Unidade 01 CUSTOS Nesta unidade apresentaremos os conceitos básicos da Contabilidade de Custos bem como a mecânica de mensuração do custo dos produtos bens ou serviços 11 DEFINIÇÃO Custo é uma informação quanto ao consumo de recursos na produção de bens e serviços objeto dos quais se esperam benefícios Dependendo do objeto analisado e do interesse daquele que demanda a informação o custo deve ser preparado apurado por um modelo ou método que atenda à necessidade de quem quer a informação Em Contabilidade de Custos a palavra objeto diz respeito ao objeto de custeio Os conceitos de custos e de despesas precisam ser bem compreendidos Para uma indústria é simples pensar no custo como ele é ou onde ele ocorre Custos estão relacionados com a área de produção ou a fábrica Por exclusão as despesas são os gastos relacionados com a área administrativa de vendas e financeira Como ambos são gastos custos e despesas são sacrifícios econômicos que a empresa incorre para obter seus produtos e consequentemente suas receitas 12 CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS Dentre as classificações para os custos as duas mais importantes são quanto à alocação ao produto quanto ao volume de produção 121 CLASSIFICAÇÃO QUANTO À ALOCAÇÃO AO PRODUTO Quando falamos em classificação de custos em relação ao produto alocação ao objeto de custeio estamos analisando se esses custos têm um relacionamento direto ou indireto com o objeto de custeio 1211 CUSTOS DIRETOS Custos diretos a um objeto de custeio são os custos diretamente relacionados a esse objeto Os custos diretos podem ser fácil e economicamente identificados ao objeto de custeio sem qualquer rateio mecanismo ou regra de alocação arbitrada Os exemplos clássicos de custos diretos são as matériasprimas e a mão de obra dos operários devido à possibilidade de apropriação direta do consumo desses recursos aos objetos de custeio 1212 CUSTOS INDIRETOS Custos indiretos são aqueles que não são facilmente identificados com o objeto de custeio de maneira economicamente viável pois são comuns a dois ou mais objetos de custeio áreas ou produtos por exemplo Os custos indiretos são alocados ao objeto de custeio por um método de alocação de custo denominado rateio O custo industrial é classificado em direto ou indireto em relação ao produto fabricado Por sua vez a despesa vendas é classificada em relação à origem da receita o objeto de custeio objeto em análise A informação de custo caso não seja bem trabalhada pode vir a ser manipulada de acordo com interesses específicos Algumas vezes esses interesses podem ser conflitantes com a boa técnica ou com os próprios interesses da empresa 1213 FATORES INTERVENIENTES NA CLASSIFICAÇÃO Diversos fatores afetam essa classificação como Tecnologia disponível para a coleta de informação Relacionase com o custo de sistemas de informação e de procedimentos de controle interno Desenvolvimentos nessa área proporcionam um aumento significativos da identificação de custos a serem classificados como diretos aos objetos de custeio Design das operações Relacionado com o layout fabril ou a complexidade do processo produtivo Por exemplo quando uma linha de produção ou parte de uma empresa só é utilizada para a fabricação de determinado produto podemos afirmar que todos os custos incorridos nessa linha parte da empresa são diretos ao único produto nela fabricado Acordos contratuais Relacionados com os critérios de rateios e de alocação Uma regra pode estabelecer que determinado insumo material tecnologia máquina só pode ser utilizado em um produto específico tornandoo um custo direto àquele produto 13 CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO VOLUME DE PRODUÇÃO O outro tipo de classificação dos custos envolve a análise da relação do custo com o volume de produção Há dois tipos de comportamento de custos na maioria desses sistemas custos variáveis custos fixos 131 CUSTOS VARIÁVEIS Custos variáveis são aqueles cujo consumo é influenciado pelo nível de produção A matériaprima é um exemplo de custo variável por ser um custo que se altera em montante total à medida que ocorrem mudanças no volume produzido de produtos ou de serviços 132 CUSTOS FIXOS Custos fixos são aqueles que não variam em função de alterações do nível de produção dentro do intervalo relevante de capacidade instalada 133 CUSTOS HÍBRIDOS Custos híbridos são aqueles que têm características tanto de custo fixo quanto de custo variável por definição Um exemplo típico de custo híbrido em uma indústria é a energia elétrica É comum as empresas contratarem a aquisição de energia elétrica sob duas modalidades demanda consumo Dessa forma o consumo desse recurso no processo produtivo pode ser classificado integralmente como custo fixo ou como custo variável Nesse caso a classificação depende do objeto de custeio e da forma como a energia elétrica for consumida condições de mensuração do consumo 14 CONSIDERAÇÕES ADICIONAIS Todos os custos podem ser classificados ao mesmo tempo quanto ao volume em fixos ou variáveis quanto ao objeto de custeio em diretos ou indiretos Por esse motivo mais de um método de custeio pode ser utilizado pelas empresas cada um para atender a um objetivo de informação sobre custos De todo modo as duas maneiras de classificação de custos são importantes Ambas servem de base para dois métodos de custeio o custeio por absorção que utiliza a classificação em relação ao produto o custeio variável que trabalha com a classificação em função do volume de produção 15 ITENS CUSTEADOS Alguns itens custeados são Matériaprima Tendo por objeto de custeio o produto fabricado normalmente a matériaprima é um custo direto e variável enquanto o aluguel da fábrica é um custo indireto e fixo Mão de obra A mão de obra salário dos operários da produção é normalmente um ponto à parte no processo de classificação por questões específicas de nossa legislação trabalhista e previdenciária Em relação ao objeto normalmente a mão de obra é considerada direta quando atua diretamente sobre o produto que está sendo elaborado como é o caso do pessoal da linha de produção Demais gastos com pessoal Os gastos com o pessoal de chefia e supervisão das atividades fabris que nada têm de aplicação direta sobre o produto são tratados como custos indiretos Demais atividades Atividades que apesar de vinculadas à produção nada têm de aplicação direta sobre o produto tais como manutenção prevenção de acidentes contabilidade de custos programação e controle da produção têm seu tratamento como indireto 16 OUTRAS TAXONOMIAS Além das classificações de custos que os separam quanto à alocação ao produto e quanto ao volume de produção existem outras taxonomias Duas classificações são relevantes ao processo decisório de qualquer empresa São elas Custos irrecuperáveis Os custos irrecuperáveis sunk costs são recursos empregados na construção de ativos que uma vez realizados não podem ser revertidos ou recuperados em qualquer grau significante Quanto às empresas o custo irrecuperável está relacionado na maioria dos casos à aquisição de ativos não circulantes O benefício desses ativos é esperado para um período superior a um ano como é o caso de tecnologia desenvolvida para a empresa softwares específicos máquinas e equipamentos que só atendem à necessidade da empresa na fabricação de determinado produto Caso esse produto não seja mais financeiramente viável o valor contábil dessas máquinas e desses equipamentos custo de aquisição menos a depreciação acumulada não será uma informação relevante à decisão de descontinuar a fabricação daquele produto uma vez que tal custo é irrecuperável No cotidiano empresarial existem várias situações que podem ser assim tipificadas Custo de oportunidade O custo de oportunidade corresponde àquilo que deixamos de ganhar na segunda melhor alternativa por escolhermos a primeira Quando não temos uma opção ou alternativa não podemos falar em custo de oportunidade Considerando um comportamento racional economicamente falando os gestores deveriam optar por projetos que maximizassem o ganho da empresa Dessa forma haveria uma situação em que teriam um recurso único e alguns projetos a serem selecionados e executados Em qualquer tipo de decisão ou escolha entre duas ou mais opções há uma situação de custo de oportunidade Unidade 02 SISTEMAS DE CUSTEIO No processo de apuração do custo dos produtos os gestores dispõem de dois sistemas de custeio sistema por ordem de serviço e sistema por processo Para explicar os conceitos é mais fácil exemplificar com negócios que lidam com um e com outro uma oficina de carro uma indústria de cimento 21 SISTEMA POR ORDEM DE SERVIÇO Nas oficinas concessionárias as demandas pelos trabalhos são estabelecidas em ordens para a oficina A oficina aloca todos os seus recursos materiais e mão de obra a esse objeto de custeio serviço em cada carro para que ao final tenha condições de medir o custo do serviço prestado A ordem de serviço também se aplica aos setores de manutenção e de informática de uma empresa O setor de manutenção é solicitado a fazer manutenções conforme as ordens de serviços O mesmo ocorre com o setor de informática 22 SISTEMA POR PROCESSO Quando vemos em uma indústria uma linha de produção em série temos um sistema por processo ou contínuo Os custos da linha de produção são levados aos produtos que ali passam de acordo com critérios possíveis de alocação sejam eles direta ou indiretamente aplicáveis Muitas linhas são complexas e por isso são separadas em fases ou processos Esses processos servem de meio para a alocação de custos aos produtos que fazem uso dos recursos da fase ou do processo em si Essa ação é denominada processo de estabelecimento de centros de responsabilidade ou centros de custos como são mais conhecidos A produção contínua portanto é a realidade do processo de produção de itens em massa padronizados com pouca ou nenhuma diferenciação A característica da produção contínua é principalmente o ganho de escala para fins de diluição dos gastos fixos de produção e da estrutura em geral 23 CUSTEIO IDEAL Não há como afirmar que um sistema ou um método seja melhor do que o outro pois essa avaliação depende do objetivo que temos ao apurar os custos e o fluxo de produção analisado Esse fato precisa ser compreendido para evitarmos algumas interpretações errôneas ou mesmo os dogmas de alguns gurus de métodos de custeio Devemos lembrar que não existe método de custeio certo nem errado muito menos o método ideal Existem métodos de custeio implantados e utilizados nas empresas em níveis diferentes de sucesso Cada empresa procura escolher e adequar os métodos conhecidos e disponíveis a suas necessidades de informação de custo A mensuração do custo depende do objeto de custeio Dependendo do objeto de custeio os custos são classificados como fixos ou variáveis e diretos ou indiretos Essas classificações afetam as mensurações dos custos de forma diferenciada de acordo com o método de custeio adotado e por isso o valor do custo pode ser diferente entre os métodos Obtemos o que mensuramos Sem mensuração não há análise nem controle Se a medida obtida contém subjetividade ou desvios em relação a sua medida real essas distorções afetam as decisões 24 CONHECIMENTO DA ATIVIDADE Um dos aspectos dessa natureza que precisam ser contemplados é o fluxo de produção É necessário conhecer a realidade físicooperacional da empresa conhecer como os custos nascem O fluxo de produção determina a viabilidade do sistema de custeio a ser utilizado uma vez que é inerente à forma e aos aspectos da empresa dá condições de escolhermos os métodos de custeio e de realizarmos as adaptações necessárias à realidade do negócio 25 BASES DE AVALIAÇÃO Além da discussão sobre os processos e os métodos de custeio há ainda duas bases de avaliação possíveis dos custos que são o custo real o custo orçado às vezes chamado de custopadrão Os dois critérios de avaliação real e orçado são passíveis de utilização com quaisquer sistemas de custeio por ordem e por processo e com quaisquer métodos de custeio absorção e variável 26 CUSTO REAL O custo real trabalha com os custos dos recursos efetivamente consumidos no processo de produção O custo real é utilizado para medir o passado sendo de adoção obrigatória para fins societários e tributários 27 CUSTO ORÇADO O custo orçado trabalha com estimativas de custos de recursos que esperamos que sejam consumidos no processo de produção O custo orçado é utilizado internamente para fins orçamentários e de precificação principalmente O custopadrão por exemplo é um dos tipos de custo orçado o qual também pode ser discricionário ou seja arbitrado pelo gestor ou imposto pela empresa Unidade 03 MÉTODOS DE CUSTEIO Custo é uma informação Portanto a informação de custo deve ser preparada de acordo com o objetivo desejado por meio de um modelo ou método que atenda à necessidade de quem quer a informação Para tal basta que tenhamos um sistema de custos estruturado e a escolha do método de custeio que desejamos de acordo com a demanda informacional sobre custos 31 MÉTODO DE CUSTEIO VARIÁVEL Os principais métodos de custeio são o custeio variável e o custeio por absorção O custeio variável é também denominado custeio gerencial ou custeio por contribuição O custeio variável é um método no qual só são agregados aos produtos seus custos variáveis O modelo considera que os custos fixos são como despesas e por isso são imediatamente lançados no resultado Dessa maneira difere em muito do custeio por absorção que considera todos os custos Além disso o custeio variável se baseia na classificação de custos em relação ao volume enquanto o custeio por absorção se baseia na relação com o produto Por conta dessa característica o custeio variável não é válido para elaboração de demonstrações contábeis de uso externo 311 VANTAGENS O método do custeio variável tem como principais vantagens Os custos dos produtos são mensuráveis objetivamente pois não sofrem processos arbitrários ou subjetivos de distribuição dos custos fixos O custo unitário não é afetado por mudanças no nível de estoques pois os custos fixos são alocados diretamente ao resultado Os dados necessários para a análise das relações custovolumelucro são rapidamente obtidos do sistema de informação contábil quando se tem uma base de dados adequada ao custeio variável É totalmente integrado com o custopadrão e orçamento flexível possibilitando o correto controle de custo por produto ou por área O custeio variável constitui um conceito de custeamento de inventário que corresponde proporcionalmente aos gastos necessários para produzir os produtos ou os serviços O custeio variável possibilita mais clareza no planejamento do lucro e na tomada de decisões da empresa 312 DESVANTAGENS Ao mesmo tempo existem desvantagens no custeio variável que precisam ser analisadas pela empresa para fins de adaptações corretas à sua realidade Uma delas é a exclusão dos custos fixos para valoração dos estoques Essa exclusão causa sua subavaliação ferindo os princípios contábeis e alterando o resultado do período Esse resultado pode ter divergências ou oscilações grandes entre os períodos Outra desvantagem é que na prática a separação entre custos fixos e variáveis não é tão clara e fácil como parece pois existem os custos híbridos semivariáveis e semifixos 313 APLICABILIDADE O custeio variável é adequado para análises de custos para decisões de curto prazo principalmente por não contemplar os custos fixos Os custos fixos são ligados à capacidade de produção e de planejamento de longo prazo Essa ligação pode trazer problemas de continuidade para a empresa se não for entendido que o processo de alocação dos custos fixos ao resultado não implica deixálos de lado 314 ESQUEMA DO CUSTEIO VARIÁVEL Um esquema básico do custeio variável é o seguinte 32 MÉTODO DE CUSTEIO POR ABSORÇÃO O custeio por absorção também é denominado custeio funcional ou tradicional ou full cost O custeio por absorção é o critério utilizado pelas empresas para fins de evidenciação legal do resultado isto é utilizado para fins societários pagar dividendos e fiscais pagar imposto de renda e contribuição social São características do custeio por absorção atender às exigências societárias e fiscais além de estar de acordo com os princípios e as normas de contabilidade e com as normas da legislação tributária consistir em alocar aos produtos todos os custos incorridos no processo de fabricação sejam eles diretos ou indiretos fixos ou variáveis e levar ao resultado apenas os custos dos itens vendidos produtos ou serviços registrar diretamente no resultado do período as despesas de vendas administrativas e outras não as incorporando ao custo do produto 321 DESVANTAGENS Dentre as desvantagens do custeio por absorção encontramse os custos indiretos e fixos dificultam a tomada de decisões quando alocados aos produtos dependendo do tipo de decisão Um exemplo é quando ela envolve a avaliação de cada objeto de custeio isoladamente os custos indiretos e fixos são apropriados aos produtos arbitrariamente por meio de uma taxa de rateio a informação gerada pelo custeio por absorção é de difícil utilização em projeções orçamentárias e análises de viabilidade de projetos 322 APLICABILIDADE O custeio por absorção é obrigatório para apuração do lucro líquido e dos dividendos fins societários apuração da base de cálculo de imposto de renda fins fiscais 323 ESQUEMA DO CUSTEIO POR ABSORÇÃO Os custos podem ser assim demonstrados no custeio por absorção Unidade 04 PREMISSAS ORÇAMENTÁRIAS O orçamento representa a expressão quantitativa dos planos elaborados para o período Para tanto é fundamental que o orçamento reflita a estratégia da entidade Ademais os critérios de avaliação de desempenho devem ser coerentes com a estratégia A estratégia deve estar clara pelo menos para aqueles responsáveis pela elaboração e pela avaliação do orçamento Dessa maneira vemos o orçamento como uma ferramenta de gestão capaz de sinalizar os objetivos da entidade direcionar o comportamento dos agentes funcionários oferecer mecanismos para a avaliação do desempenho desses agentes A elaboração do orçamento deve levar em conta objetivos estratégias planejamento controle 41 OBJETIVOS O orçamento deve primar pela rentabilidade das atividades da entidade sem esquecer sua função social ou seja a continuidade da entidade 42 ESTRATÉGIAS Quanto às estratégias temos de analisar pelo menos a identificação dos objetivos de curto e longo prazos a mensuração do desempenho esperado as políticas de crédito de financiamento e de venda por exemplo 43 PLANEJAMENTO O planejamento orçamentário é a materialização das estratégias da empresa O planejamento orçamentário deve ser analisado sob dois aspectos Planejamento a longo prazo compreende previsões sobre o comportamento do ambiente onde a empresa atua a fixação de objetivos amplos e a elaboração dos documentos que formalizam o planejamento CARDOSO MARIO e AQUINO 2007 p 247 Planejamento a curto prazo decorre dos estudos do ambiente presente no qual a empresa atua da identificação dos objetivos imediatos e da elaboração do plano para o primeiro segmento ou período do longo prazo CARDOSO MARIO e AQUINO 2007 p 247 431 PLANOS DE DESEMPENHO Para a operacionalização do planejamento a empresa se utiliza de planos de desempenho que podem ser mensurados em termos de gastos receitas resultados retorno do capital 432 CRITÉRIO DE MENSURAÇÃO É necessário fazer estimativas dos níveis dos diversos itens que compõem o orçamento total Para que o objetivo geral seja alcançado é necessário elaborar estimativas de desempenho planos para todas as unidades da empresa Devemos levar em consideração valores monetários unidades físicas unidades de tempo aspectos qualitativos entre outros Esses fatores servirão como premissas para a elaboração e o controle do orçamento 44 CONTROLE Para controlar é preciso registrar os resultados que vão ocorrer durante a execução dos planos e orçamentos Dessa maneira permitimos a análise das variações do ocorrido orçado versus real O controle possibilita à empresa criar um ciclo virtuoso realimentando a fase inicial de elaboração do orçamento Com isso objetivos estratégias e planos podem vir a ser alterados Unidade 05 CONCEITOS RELATIVOS À ANÁLISE ORÇAMENTÁRIA Os conceitos de custo irrecuperável e de oportunidade de otimização de custos e de resultados são de suma importância para o processo de orçamentação empresarial Esses conceitos levam os gestores a pensar os impactos que suas decisões acarretarão à empresa Nessas decisões deve ser considerado um comportamento suficientemente racional e com baixos incentivos para que os agentes atuem para seu próprio favorecimento Aliar essas concepções implica fazer com que o gestor e a empresa desenvolvam suas competências e habilidades para lidar com questões pertinentes de redução de custos antes e durante a execução dos projetos Tais concepções sempre serão ponto de avaliação por meio dos orçamentos e devem ser consideradas na estruturação e concepção das premissas orçamentárias assim como os conceitos abordados nesse módulo 51 ANÁLISE DE INVESTIMENTOS A análise da viabilidade de projetos de investimento envolve a elaboração de um orçamento budget o que é necessariamente uma análise anterior ex ante à decisão Para tal mensuramos o sacrifício de recursos empregados na decisão a ser tomada A situação em que temos um recurso único e alguns projetos a serem selecionados e executados é tratada em análise de investimentos pelos modelos de valor presente líquido VPL da taxa interna de retorno TIR Esses modelos são utilizados para mensurar a melhor escolha entre projetos excludentes Havendo o comportamento racional a escolha será pelo projeto com maior VPL e possivelmente maior TIR que será considerado a melhor opção Para apurarmos o VPL é necessário descontar os fluxos futuros a valor presente o que é feito por meio da fórmula 𝑉𝑃 𝑉𝐹 1 𝑖 onde o 𝑖 que significa taxa de desconto corresponde ao custo de oportunidade do investidor Sendo assim o custo de oportunidade é crucial à análise de viabilidade de projetos pelo menos para descontarmos os fluxos futuros a valor presente Se os demais forem descartados o custo de oportunidade da escolha daquele projeto será medido pelo VPL ou pela TIR que deixaremos de ganhar no projeto classificado como a segunda melhor opção 52 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Alguns modelos de avaliação de desempenho tentam mensurar de alguma maneira o impacto por meio de custo de oportunidade Quando da tomada de decisões os gestores devem ter em mente ambos os custos os custos irrecuperáveis os custos de oportunidade Esses custos afetam o retorno do investimento ou mesmo a capacidade de concluirmos o projeto pois servem de indicação da viabilidade do projeto da viabilidade de alguns custos de transação nem sempre possíveis de uma mensuração acurada 53 OTIMIZAÇÃO DE CUSTOS E RESULTADOS A gestão de custos é um dos tópicos mais importantes no contexto empresarial ainda mais com a busca incansável por reduções de custos e aumentos de lucratividade Dessa maneira é bom que o gestor possa contar com algumas ferramentas para auxiliálo a alcançar tais objetivos Quando pensamos em orçamento vêm a nossa mente os custos orçados Pode parecer que o objetivo do orçamento seja apenas manter esses custos nos níveis orçados e assim garantir a continuidade do negócio Se estivermos em uma economia ou um setor com oferta ilimitada de recursos em que a escassez não seja um problema uma situação como essa até pode ser aceitável No entanto no cotidiano de todas as empresas os recursos são limitados e há competição por eles 54 KAIZEN Dentro das empresas os recursos também são limitados Mais ainda os recursos podem ser reduzidos depois de um planejamento e seu consequente orçamento Por que então ninguém pensou em melhorar o orçamento do período anterior para evitar essas faltas ou mesmo para economizar mais para a empresa aumentando seus resultados O kaizen busca responder a essa pergunta a partir de sua filosofia de melhoria contínua O kaizen debruçase sobre os custos orçados e busca reduzilos continuamente período após período é uma maneira de anteciparmos gerencialmente as reduções futuras de preços e realizarmos as adequações necessárias principalmente no projeto inicial é um tipo de procedimento adotado durante as fases de pesquisa e desenvolvimento dos produtos que perdura durante todo o seu ciclo de vida 55 CUSTO TOTAL DE PROPRIEDADE A implantação de uma mina nova para uma mineradora é algo que precisa ser analisado Essa análise deve ser feita no tocante ao custo de aquisição do direito de lavra a sua operação ao descarte ou à recuperação do meio ambiente em seu entorno ao final A esse tipo de análise denominouse custo total de propriedade O custo total de propriedade analisa todos os possíveis custos subjacentes à aquisição que são relevantes para a tomada de decisão Dessa maneira os projetos que competem pelos recursos escassos da empresa serão analisados em toda a extensão de seu ciclo de vida proporcionando a escolha da melhor alternativa de investimento Unidade 06 ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO A decisão que o gestor enfrenta na elaboração orçamentária após estabelecer as premissas diz respeito a por onde começar a orçamentação pelas vendas pela produção pelas compras pela capacidade instalada do imobilizado Muitos livros de orçamento estabelecem que o processo orçamentário deve começar pela projeção das vendas Entretanto o orçamento deve começar a ser elaborado pelo fator restritivo que a entidade considera mais significativo para o período futuro cujas projeções serão elaboradas 61 Métricas O orçamento é uma das principais peças elaboradas pela Contabilidade Gerencial uma vez que traduz a estratégia da organização em métricas ou medidas qualitativas quantitativas não monetárias quantitativas monetárias Por esse motivo é necessária a disseminação do orçamento entre os agentes da empresa os quais efetivamente são os responsáveis por fazer acontecer na maioria das vezes 62 Premissas Ao elaborar e analisar uma projeção orçamentária é necessário conhecer a empresa no que diz respeito a características físicooperacionais sua filosofia seus modelos de gestão e decisão sua estrutura organizacional características comportamentais de seus colaboradores informações acerca das variáveis ambientais A contabilidade proporciona aos gestores o sistema mais eficiente para o exercício da elaboração e análise orçamentária 621 DEFINIÇÃO DAS PREMISSAS O processo orçamentário envolve a definição de premissas e de indicadores de desempenho Ao projetar o desempenho o gestor estima o comportamento de variáveis internas endógenas e variáveis externas exógenas à empresa As variáveis internas são passíveis de controle pelos gestores As variáveis externas são aquelas não controláveis Sinteticamente as variáveis exógenas são possibilidades de outputs advindas de decisões que dependem de outras áreas ou divisões da empresa ou de agentes externos à empresa 63 METAS Após estabelecer os indicadores de avaliação do desempenho passamos à definição de quais níveis de desempenho serão objetivados Passamos a estabelecer e negociar metas As metas representam os valores orçados Esses valores servem de base para a comparação durante a avaliação das variações orçamentárias É necessário que algumas premissas sejam estabelecidas para balizar toda a confecção do orçamento sua implantação e seu posterior controle Dessa maneira evitamos atitudes de imposição ou de falta de base para solucionar conflitos futuros As premissas são fundamentais à projeção orçamentária Unidade 07 VARIÁVEIS ENDÓGENAS E EXÓGENAS O processo de mensuração das estimativas daquilo que planejamos envolve diversas variáveis endógenas e exógenas à empresa cujo real comportamento só será conhecido no futuro 71 EXEMPLOS DE VÁRIVEIS ENDÓGENAS E EXÓGENAS Dentre os exemplos de variáveis endógenas e exógenas podemos incluir Preço a ser praticado quando da venda do produto O preço pode sofrer alterações dependendo da elasticidade do preço da demanda da entrada e saída de concorrentes no mercado de regulação tarifária do sucesso do produto da variação na renda do consumidor Volume a ser vendido a cada período O volume pode sofrer alterações dependendo da elasticidade do preço da demanda da entrada e saída de concorrentes no mercado de regulação tarifária do sucesso do produto da variação na renda do consumidor Política de vendas Está relacionada com o prazo de vencimento das duplicatas e os descontos comerciais A empresa pode se ver pressionada a alterar sua política de vendas dependendo dos fatores que afetam o preço e o volume da necessidade de fluxo de caixa Estimativa dos impostos incidentes sobre as vendas As regras tributárias fato gerador base de cálculo e alíquota podem ser alteradas dependendo da política fiscal Preço a ser pago ao fornecedor ou custo O preço pode sofrer alterações dependendo da elasticidade do preço da demanda da entrada e saída de concorrentes no mercado de regulação tarifária do sucesso do produto da variação na renda do consumidor Prazo de vencimento das duplicatas e descontos comerciais A empresa pode se ver pressionada a alterar sua política de compras dependendo do equilíbrio entre o poder de barganha da empresa compradora e da fornecedora da necessidade de fluxo de caixa das questões que afetam o preço da mercadoria Política de compras Considera o nível do estoque de segurança Estimativa dos impostos incidentes sobre as compras Dependendo da política fiscal as regras tributárias fato gerador base de cálculo e alíquota podem ser alteradas Esforço de venda Relacionase com veículo de divulgação quantidade de vendedores sistema de remuneração dos vendedores salário fixo e comissão Se as vendas não se desenvolverem conforme o previsto a empresa se verá forçada a alterar seus esforços de venda Esforço administrativo Relacionase com quantidade de funcionários administrativos sistema de remuneração salário fixo e pacote de remuneração variável como participação nos lucros Caso o nível de atividade esteja muito diferente do previsto provavelmente a empresa precisará alterar seu esforço de venda Encargos incidentes sobre a folha de pagamento comercial e administrativa Dependendo da política social e da regra previdenciária fato gerador base de cálculo e alíquota podem ser alterados Estimativa da alíquota do imposto de renda Dependendo da política fiscal as regras tributárias fato gerador base de cálculo e alíquota podem ser alteradas Política de investimentos Relacionase com imobilizados a serem adquiridos e respectivos vida útil valor residual gastos com manutenção impostos sobre a propriedade como IPTU e IPVA por exemplo Em função da capacidade instalada e da necessidade de fluxo de caixa a política de investimentos pode ser alterada Política de financiamento Relacionase com a parcela do patrimônio que será financiada por terceiros com dívidas onerosas o prazo de pagamento das dívidas onerosas o custo da dívida juros inflação Em função da situação macroeconômica taxa de emprego disponibilidade de capitais a inflação e o custo da dívida podem sofrer alterações significativas que forcem a empresa a rever sua estratégia de endividamento além de questões relacionadas ao fluxo de caixa 72 INTERDEPENDÊNCIA Pouco importa se as variáveis são endógenas ou exógenas à entidade As premissas orçamentárias são necessárias Aparentemente as variáveis exógenas são mais vulneráveis a alterações porém essa constatação não é uma verdade absoluta 73 HIATO TEMPORAL O orçamento é elaborado em um momento anterior à execução Durante o hiato temporal existente entre o planejamento e sua execução o estado da natureza das variáveis endógenas e exógenas pode sofrer alterações Durante o planejamento orçamentário em T0 portanto é necessário estabelecer algumas premissas Quando da execução e do controle em T1 e posteriormente é necessário identificar as causas das variações entre o que havia sido planejado e o que foi executado Unidade 08 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO FINANCEIRO Vamos discutir e entender como os métodos de avaliação de investimentos e de desempenho econômicofinanceiro são úteis à avaliação de planos orçamentários Começaremos com uma breve revisão dos principais métodos de avaliação São métodos de avaliação de investimentos e de desempenho econômicofinanceiro payback valor presente líquido taxa interna de retorno ponto de equilíbrio grau de alavancagem operacional grau de alavancagem financeira indicadores de liquidez indicadores de endividamento indicadores de lucratividade indicadores de rentabilidade Esses indicadores são úteis para uma análise do orçamento e das demonstrações contábeis projetadas 81 PAYBACK O objetivo do payback é identificar a partir de que momento data o projeto recupera o capital investido Para tanto é necessário descontar os fluxos dos períodos futuros um a um a valor presente subtrair esses fluxos do capital investido na data zero até que seu saldo se torne positivo Quanto mais rápido ficar positivo o valor do capital investido descontado dos fluxos futuros um a um a valor presente melhor Quanto menor o payback melhor 82 VALOR PRESENTE LÍQUIDO VPL O objetivo do método valor presente líquido VPL é identificar entre duas ou mais alternativas de investimento qual é a mais interessante Para tanto é necessário descontar todos os fluxos futuros a valor presente subtrair desse valor presente esperado dos fluxos futuros o valor presente do investimento capital inicial Quanto mais positiva for a diferença entre o valor presente esperado e o valor do investimento mais interessante é esse investimento Quanto maior o VPL melhor Sob a ótica financeira esse método não possui limitações relevantes 83 TAXA INTERNA DE RETORNO TIR O método da taxa interna de retorno TIR tem por objetivo identificar à qual taxa o projeto remunera o capital nele aplicado Assim como o VPL a TIR também parte da lógica de que 𝑉𝑃 𝑉𝐹 1 𝑖 Nesse caso a incógnita é a taxa de juros 𝑖 Quanto maior a TIR melhor Havendo mais de uma alternativa de investimento devemos comparar a TIR de cada projeto e escolher pelo que oferecer a maior A maior TIR aponta para o projeto que é melhor em seu custo de oportunidade Mais importante do que investir no projeto com maior taxa de retorno em é investir no projeto que gera o maior benefício futuro a valor presente em R Em resumo o que importa realmente é o VPL A TIR é meramente complementar 84 PONTO DE EQUILÍBRIO PEQ O método ponto de equilíbrio PEq PEC PEE ou PEF tem o objetivo de identificar o nível de atividade mínimo em R ou em unidades para a empresa operar sem apurar prejuízo No ponto de equilíbrio receitas e gastos custos e despesas igualamse de forma a apurar lucro zero Podemos compreender esse lucro sob três óticas Ótica contábil Esse lucro é o lucro líquido da DRE portanto tratase do ponto de equilíbrio contábil 𝑃𝐸𝐶 𝑔𝑎𝑠𝑡𝑜𝑠 𝑓𝑖𝑥𝑜𝑠 𝑚𝑎𝑟𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢𝑖çã𝑜 𝑢𝑛𝑖𝑡á𝑟𝑖𝑎 para que o lucro seja zero Ótica econômica Esse lucro anormal aquele acima do retorno mínimo exigido pelo proprietário portanto tratase do ponto de equilíbrio econômico 𝑃𝐸𝐸 𝑔𝑎𝑠𝑡𝑜𝑠 𝑓𝑖𝑥𝑜𝑠 𝐿𝐴𝐼𝑅 𝑚𝑎𝑟𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢𝑖çã𝑜 𝑢𝑛𝑖𝑡á𝑟𝑖𝑎 para que o lucro líquido seja igual ao retorno mínimo exigido Ótica financeira A ótica financeira trabalha com o regime de caixa as entradas e as saídas de dinheiro se igualam portanto tratase do ponto de equilíbrio financeiro 𝑃𝐸𝐹 𝑔𝑎𝑠𝑡𝑜𝑠 𝑓𝑖𝑥𝑜𝑠 𝐿𝐴𝐼𝑅 𝑎𝑚𝑜𝑟𝑡𝑖𝑧𝑎çã𝑜 𝑑𝑒 𝑑í𝑣𝑖𝑑𝑎𝑠 𝑚𝑎𝑟𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢𝑖çã𝑜 𝑢𝑛𝑖𝑡á𝑟𝑖𝑎 Ao interpretarmos o ponto de equilíbrio notamos que quanto menor melhor E ainda quanto mais distante isto é acima do ponto de equilíbrio a empresa operar melhor Essa lógica sugere o conceito de margem de segurança A limitação do método do ponto de equilíbrio é considerar que o preço de venda e o custo variável unitário permanecem constantes independentemente do nível de atividade volume produzido e vendido pressupondo ainda a perfeita distinção entre gastos fixos e variáveis 85 MARGEM DE SEGURANÇA MS A margem de segurança é simplesmente a distância em unidades vendidas ou em percentual de vendas entre o nível real de atividade NR e o ponto de equilíbrio Portanto 𝑀𝑆 𝑁𝑅 𝑃𝐸𝑞 𝑁𝑅 Podemos dizer que quanto maior a MS melhor Suas limitações são as mesmas que o ponto de equilíbrio No entanto adicionamos o fato de que para novo nível de atividade temos nova MS 86 GRAU DE ALAVANCAGEM OPERACIONAL GAO O método grau de alavancagem operacional GAO assim como a MS tem como objetivo identificar o risco operacional da entidade Entretanto a interpretação do GAO é diferente O GAO mede o impacto que a variação percentual do volume vendido nível de atividade acarreta em termos percentuais no lucro da empresa Portanto 𝐺𝐴𝑂 𝐿𝐿 𝑄 Suas limitações são as mesmas do PEq e da MS 87 GRAU DE ALAVANCAGEM FINANCEIRA GAF O grau de alavancagem financeira GAF procura identificar o risco financeiro isto é o quanto do lucro é dependente das despesas financeiras Em outras palavras o GAF identifica a importância das despesas financeiras na manutenção do lucro da entidade A empresa pode ter lucro antes das despesas financeiras genuinamente operacional mas prejuízo antes do imposto de renda LAIR negativo Nesse caso as despesas financeiras estariam corroendo o resultado das operações Podemos dizer que quanto menor o GAF melhor nesse caso pois indica alto custo das dívidas contraídas pela empresa o que corrói o lucro líquido O método GAF possui uma limitação Segundo os modelos adotados por Finanças a maneira como tratamos as despesas financeiras pode encobrir detalhes importantes do efeito da alavancagem como o imposto de renda 88 LIQUIDEZ CORRENTE LC A liquidez corrente é um simples quociente entre ativo circulante e passivo circulante LC ACPC Podemos dizer que quanto maior é a liquidez corrente melhor a priori A liquidez corrente apresenta uma limitação pois ignora a compatibilização das datas de vencimento das dívidas com as datas de realização dos recebíveis 89 LIQUIDEZ GERAL LG O método da liquidez geral tem como objetivo identificar a capacidade de a empresa honrar todas as suas dívidas as que vencem no curto prazo e as que vencem no longo prazo A liquidez geral é o simples quociente entre o somatório do ativo circulante com o realizável a longo prazo em função do somatório do passivo circulante com o exigível a longo prazo LG AC RLPPC ELP Quanto maior é a liquidez geral melhor a priori Sua limitação é a mesma da liquidez corrente A liquidez geral ignora a compatibilização das datas de vencimento das dívidas com as datas de realização dos recebíveis O agravante é que a liquidez geral leva em consideração todos os realizáveis e todos os exigíveis independentemente das datas de maturação dos títulos 810 ENDIVIDAMENTO GERAL EG O método do endividamento geral tem como objetivo identificar a parcela do patrimônio total que é financiada por terceiros O endividamento geral é o simples quociente entre o somatório do passivo circulante e o exigível a longo prazo em função do ativo total EG PC ELPativo Quanto menor é o endividamento geral melhor A limitação do endividamento geral é ignorar o custo da divida ou seja PC ELP em relação ao custo do capital próprio PL 811 ENDIVIDAMENTO ONEROSO EO O método do endividamento oneroso ou passivo oneroso sobre ativo procura identificar a parcela do patrimônio total que é financiada por dívidas onerosas com terceiros O método do endividamento oneroso demanda a classificação prévia dos passivos em onerosos ou de financiamento não onerosos ou operacionais ou cíclicos O endividamento oneroso é o quociente entre o somatório do passivo circulante oneroso com o exigível a longo prazo oneroso em função do ativo total EO POSA PCO ELPOativo Quanto menor é o endividamento oneroso melhor O método do endividamento oneroso ignora o custo da dívida ou seja PCO ELPO em relação ao custo do capital próprio PL Seu atenuante comparando com o EG é que o EO considera fontes de recursos onerosos 812 COMPOSIÇÃO DA EXIGIBILIDADES CE É o simples quociente do passivo circulante em função do somatório do passivo circulante com o exigível a longo prazo CE PCPC ELP Quanto menor é a composição do passivo melhor As limitações da composição do passivo são as mesmas do endividamento geral A composição do passivo ignora o custo da divida PC ELP em relação ao custo do capital próprio PL 813 COMPOSIÇÃO DO PASSIVO ONEROSO CPO O método da composição do passivo oneroso procura identificar a parcela do passivo oneroso que vence no curto prazo Esse método demanda a classificação prévia dos passivos em onerosos ou de financiamento e não onerosos ou operacionais ou cíclicos A composição do passivo oneroso é o quociente do passivo circulante oneroso em função do somatório do passivo circulante oneroso com o exigível a longo prazo oneroso CPO PCOPCO ELPO As limitações da composição do passivo oneroso são as mesmas do endividamento oneroso EO ou POSA ignora o custo da dívida ou seja PCO ELPO em relação ao custo do capital próprio PL comparando com o CE o CPO só leva em consideração fontes de recursos onerosos 814 MARGEM BRUTA MB O método da lucratividade bruta ou margem bruta tem o objetivo de identificar a parcela da receita que fica com a empresa após deduzir os impostos sobre as vendas as vendas canceladas as devoluções os abatimentos A lucratividade bruta é o simples quociente entre o lucro bruto e a receita bruta isto éMB LB RB Normalmente a lucratividade bruta é calculada em função da receita líquida considerando a receita líquida no denominador ou seja MB LBRL Quanto maior é a margem bruta melhor A limitação da margem bruta é gerar a mesma informação que aquela obtida na análise vertical da DRE 815 MARGEM LÍQUIDA ML A lucratividade líquida é o simples quociente entre o lucro líquido e a receita bruta ou seja ML LLRB A lucratividade líquida também pode ser calculada em função da receita líquida considerando a receita líquida no denominador isto éML LLRL Quanto maior é a lucratividade líquida melhor A limitação da lucratividade líquida é gerar a mesma informação que a análise vertical da DRE 816 RETORNO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO RPL O método do retorno do patrimônio líquido procura avaliar à que taxa a empresa remunera o capital investido pelos proprietários O retorno do patrimônio líquido é o quociente entre o lucro líquido e o patrimônio líquido RPL LLPLm Sendo o PLm a média aritmética simples entre o PL inicial e o PL final PLm PLi PLf 2 Quanto maior é o retorno do patrimônio líquido melhor preferencialmente maior do que o custo de oportunidade dos proprietários O RPL é limitado pois há diversos argumentos para considerarmos no denominador somente o PLi ou somente o PLf deduzido do LL do próprio período Levando em consideração no denominador o PLi ou o PLm é importante atualizar o PLi monetariamente de acordo com a inflação do período 817 RETORNO DO ATIVO RA O método do retorno do ativo RA também conhecido rentabilidade do ativo ROA tem o objetivo de avaliar à que taxa a empresa remunera o capital investido por todos os seus financiadores de recursos O retorno do ativo é o quociente do somatório do lucro líquido com as despesas financeiras líquidas de imposto de renda e contribuição social em função do ativo total RA LL DF 1 IR ATIVOm Sendo o ATIVOm a média aritmética simples entre o ATIVO inicial e o ATIVO final ou seja ATIVOm ATIVOi ATIVOf 2 Sendo IR a alíquota do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro Quanto maior é o retorno ativo melhor O método do retorno do ativo é limitado pois há diversos argumentos para considerarmos no denominador somente o ATIVOi ou somente o ATIVOf deduzido do LL do próprio período Levando em consideração no denominador o ATIVOi ou o ATIVOm é importante atualizar o ATIVOi monetariamente de acordo com a inflação do período Além disso muitos não somam ao numerador as despesas financeiras líquidas de imposto de renda e contribuição social DF 1 IR Unidade 09 FLUXO DE CAIXA LÍQUIDO Uma boa gestão financeira começa com o planejamento financeiro Por meio do planejamento financeiro é possível nos anteciparmos e programarmos buscando efetivar algumas estratégias de possíveis investimentos ou de administração da necessidade de capital de giro da empresa A eficiência do planejamento e a gestão financeira podem ser mensuradas pela apuração do fluxo de caixa líquido da empresa 91 DEFINIÇÃO Fluxo de caixa líquido é a quantidade de fluxo de caixa disponível para distribuição aos investidores O valor de uma empresa está diretamente relacionado a sua habilidade de gerar fluxo de caixa livre ou líquido Por exemplo o pagamento de dividendos exigidos pelos sócios os pagamentos decorrentes da aquisição de bens para o imobilizado a amortização de dívidas com terceiros os empréstimos novos a serem obtidos junto a terceiros Algebricamente portanto o FCL é fluxo de caixa operacional FCO dividendos investimentos em ativo permanente amortização da dívida novos empréstimos fluxo de caixa líquido FCL ou free cash flow após decisões estratégicas Para se apurar o fluxo de caixa líquido FCL é necessário apurar o fluxo de caixa operacional FCO O FCO referese às atividades operacionais que consistem no reconhecimento dos ingressos e desembolsos atrelados exclusivamente às atividades principais do empreendimento relacionadas à produção e à entrega de bens e serviços normalmente relacionamse com as transações que constam na DRE Alguns exemplos de fluxo de caixa líquido são recebimento pela venda de produtos e serviços à vista ou das duplicatas correspondentes em caso de vendas a prazo geração de caixa pagamentos a fornecedores referentes à compra da matériaprima para a produção bens para revenda estoque serviços prestados por terceiros consumo de caixa pagamento de despesas administrativas e comerciais inclusive salários impostos contas de luz telefone água consumo de caixa 92 INVESTIMENTOS EM ATIVO PERMANENTE Investimentos em ativo permanente representam os valores desembolsados na compra e na instalação de equipamentos outros ativos fixos visando a sua manutenção ou a seu crescimento manutenção ou ampliação da capacidade instalada Podemos comparar o fluxo de caixa livre com a variação do saldo de caixa Dessa maneira obtemos o fluxo de caixa que fica à disposição dos acionistas para fins de decisões de distribuição quando positivo e suficiente ou de novo aporte de recursos quando insuficiente 93 ALAVANCAGEM FINANCEIRA A empresa busca gerar lucros para remunerar os capitais como salários para a mão de obra honorários para a diretoria juros para os financiadores externos dividendos para os acionistas Desse modo temos O conceito de alavancagem financeira pode ser visto como o efeito da estrutura de financiamento no lucro dos acionistas 931 FONTES DE FINANCIAMENTO O estudo da alavancagem financeira relaciona as fontes de financiamento capital próprio versus capital de terceiros procurando medir se a estrutura de capital da empresa está beneficiando seus acionistas Recordando que o CD representa o Custo da Divida o RA o Retorno do Ativo e RPL o Retorno do Patrimônio Líquido a regra geral da alavancagem financeira é CD RA os acionistas bancam a diferença com sua parte do lucro ou do próprio capital CD RA os acionistas ganham a diferença ou seja RPL RA Há situações em que existem graus de alavancagem financeira GAFs desfavoráveis que reduzem o retorno final dos acionistas Esse fato ocorre porque o custo da dívida CD é maior do que o RA Nesse caso devemos evitar o endividamento Existindo equivalência entre RA e CD podemos dizer que a alavancagem é neutra Precisamos então analisar outras variáveis para decidir sobre o endividamento já que de acordo com aquela alavancagem tanto faz Para subsidiar essa decisão é necessário verificar se os recursos gerados fluxo de caixa operacional ou FCO são suficientes para o pagamento da dívida 932 CONCILIAÇÃO DE TAXAS Além da conciliação das taxas de captação com as taxas de aplicação é preciso conciliar o prazo de amortização dos empréstimos com o prazo de geração de recursos Dessa maneira evitamos deixar a empresa em má situação financeira Essa atitude é essencial haja vista a dificuldade de renovação de empréstimos ou da obtenção de outros recursos para o pagamento de dívidas Além disso temos de investigar o impacto que uma nova dívida acarretará no custo da dívida CD Quanto mais alavancada financeiramente maior risco a empresa expõe seus financiadores Consequentemente esses financiadores exigirão um retorno maior Essa exigência aumentará o CD Os juros pagos ou devidos aos financiadores externos são reconhecidos contabilmente como despesas financeiras que são tributariamente despesas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda 94 CUSTO DO CAPITAL O custo de capital de terceiros aplicado na entidade é elevado Altos níveis de endividamento são ruins Essas são duas ideias que necessitam ser avaliadas Estudando a alavancagem financeira percebemos que essa situação só será ruim se os gestores da entidade tomarem decisões de investimento incorretas Decisões incorretas levam a entidade a obter retornos abaixo do custo da dívida Por outro lado o crescente endividamento eleva o que denominamos risco do financiador seja o acionista ou um terceiro Dessa forma o financiador passa a exigir que a entidade o remunere com taxas de retorno maiores pois risco e retorno caminham juntos 941 CÁLCULO DO CUSTO DO CAPITAL A ideia de que o custo do capital de terceiros é mais caro está distorcida O custo de capital mais elevado para a empresa normalmente é o do capital próprio Os diversos tipos de capitais investidos na empresa próprio e de terceiros apresentam um custo diferente para a entidade Para avaliar o custo de capital da empresa é necessário ponderarmos o custo do capital de cada um terceiros e proprietários em relação a seu volume de participação na estrutura de financiamento O custo de capital de terceiros será denominado de CD e o custo de capital próprio de CPL P é o montante de passivos onerosos da entidade PL o montante de capital próprio Para obtermos o custo médio ponderado de capital CMPC da entidade basta aplicar a seguinte equação A obtenção do CD é possível a partir das demonstrações contábeis a relação entre os passivos onerosos do BP e das despesas financeiras na DRE Já a obtenção do custo de capital próprio CPL não é tão simples Existem modelos específicos para apurar o valor aproximado desse custo Vamos então considerar um CPL já estabelecido Unidade 10 VALOR ECONÔMICO AGREGADO O Economic Value Added modelo EVA é uma marca registrada da Stern Stewart Inc O EVA é uma medida de criação de valor identificada por meio do desempenho operacional da própria empresa O EVA considera as informações contábeis da empresa como base de mensuração de seu desempenho portanto evidencia se ela agrega ou não valor aos donos da empresa Em outras palavras o EVA demonstra se o lucro líquido que a empresa obtém é suficiente para compensar o custo do capital ou custo de oportunidade dos donos em relação ao investimento realizado EXEMPLO Vejamos um exemplo de aplicação do EVA Determinada empresa possui um acionista que exige retorno de 2502 sobre o capital por ele aplicado e que contribui com o imposto de renda na alíquota de 25 sobre o LAIR No início do período a empresa apurou o seguinte balanço patrimonial BP no início do período Lembrese estiver dentro dos parênteses Consideramos o encargo financeiro de 30 por período sobre os empréstimos a ser desembolsado no início do período seguinte em conjunto com o imposto de renda O resultado e o balanço final são indicados respectivamente nas demonstrações a seguir DRE no final do período BP no final do período Podemos observar que o lucro agora sofre a incidência do imposto de renda É necessário o uso desse artifício porque as despesas financeiras têm o efeito de reduzir o imposto por reduzirem a base de seu cálculo e essa redução deve ser computada como devida aos passivos 101 REMODELAGEM DA DRE Para analisarmos o exemplo devemos remodelar a DRE a fim de tornar possível a verificação do lucro gerado pelos ativos denominado lucro operacional líquido LOL a economia de imposto de renda gerada pelas despesas financeiras EIR demonstração de resultado no final do período 102 ANÁLISE DOS INVESTIMENTOS Analisando em função dos valores investidos no início do período temos 𝑐𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑎 𝑑í𝑣𝑖𝑑𝑎 𝐶𝐷 í0 0 12 34 5 27 89999 2 9 99999 225 𝑟𝑒𝑐𝑎𝑙𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑑𝑜 𝑜 𝑅𝐴 54 445 5í04 34 5 𝑅𝐴 2 8999 2 79 99999 2438 𝑟𝑒𝑐𝑎𝑙𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑑𝑜 𝑜 𝑅𝑃𝐿 54 5í04 5 𝑅𝑃𝐿 28 8999 2 9 99999 2625 retorno sobre o PL Tendo essas informações e considerando custo do PL CPL de 2502 identificamos que o custo médio ponderado do capital ou CMPC da identidade é 𝑃 𝑃𝐿 𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑅40000 𝐶𝑀𝑃𝐶 𝑃 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 𝐶𝐷 𝑃𝐿 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝐶𝑃𝐿 05 225 05 2502 2376 O percentual encontrado de custo médio ponderado CMPC representa a remuneração mínima exigida pelos financiadores acionistas e credores da entidade O CMPC corresponde ao retorno mínimo que os ativos da entidade devem gerar para se tornarem economicamente atrativos Se uma entidade apresenta um RA maior do que o CMPC está agregando valor ao empreendimento Essa empresa demonstra sua capacidade de remunerar investimentos e melhorar a avaliação de seu valor de mercado valor de suas ações Consequentemente a entidade aumenta o valor do patrimônio dos acionistas e proprietários sua riqueza 103 VALOR AGREGADO Considerando o CPL 2502 e o RPL 2625 essa entidade está agregando valor para o acionista 2625 2502 retorno residual de 123 O percentual de 123 aplicado sobre o capital investido pelo acionista no exemplo R 2000000 gera o lucro residual ou valor agregado de R 24600 O valor de R 24600 pode ser reconciliado descontandose do lucro operacional líquido a despesa financeira líquida da economia tributária e o lucro líquido exigido pelo acionista conforme a seguir lucro operacional líquido R975000 remuneração do capital de terceiros CD DF EIR R450000 remuneração líquida do capital próprio CPL CPL x PL R 500400 EVA valor econômico agregado R24600 Ou calculado diretamente pela seguinte fórmula EVA LOL CMPC x investimento total R975000 2376 x R4000000 EVA R975000 R950400 R24600 Podemos verificar que o investimento total é a soma dos montantes de capitais de terceiros e próprio que precisam ser remunerados portanto não é o mesmo valor do ativo total utilizado em alguns cálculos o CPL é maior do que o CD em R 50400 R 500400 R 450000 demonstrando que nesse caso o senso comum não se aplica 104 VALOR DA EMPRESA Podemos proceder a avaliação do valor da empresa VE a partir de sua capacidade de geração de recursos lucro operacional líquido ou LOL Consideramos que caso o lucro operacional se perpetue seja para sempre o valor da empresa pode ser obtido pela razão entre o LOL e o CMPC Desse modo o valor de compra da empresa seria dado por 𝑉𝐸 𝐿𝑂𝐿 𝐶𝑀𝑃𝐶 9 750 2376 𝑅 41 03535 Nesse caso percebemos que a empresa tem um valor maior do que o registrado contabilmente ativo inicial Normalmente isso é considerado em casos de aquisições Esse fato levaria os donos da empresa a terem um ganho ou um valor agregado total em relação ao investimento líquido inicial VE passivo PL ou a seu patrimônio líquido de R 103535 ou seja R 4103535 R 2000000 R 2000000 BIBLIOGRAFIA BÁSICA CARDOSO Ricardo Lopes MARIO Poueri do Carmo AQUINO André Carlos B Contabilidade Gerencial São Paulo Atlas 2007 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR GITMAN Lawrence J Princípios de Administração Financeira 7a ed São Paulo Harbras 1997 ROSS Stephen A et al Administração Financeira São Paulo Atlas 1995 SZUSTER Natan et al Contabilidade Geral introdução à contabilidade societária 2a ed São Paulo Atlas 2008

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